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ANÁLISE COMPARATIVA DE MICROORGANISMOS NA GRUTA REI DO MATO, SETE LAGOAS, MINAS GERAIS

Author: Evangelista, Flávia Mara; Travassos, Luiz Eduardo Panisset; Paulo, Pedro Oliveira
Publisher: Zenodo
DOI: 10.5281/zenodo.17297732
Source: https://zenodo.org/records/17297732/files/466-485.pdf
Re is a Te i o ium Te am, . 08, n. 15, 2025
DOI: 10.5281/zenodo.17297732
ISSN 2317-5419 466
ANÁLISE COMPARATIVA DE MICROORGANISMOS NA
GRUTA REI DO MATO, SETE LAGOAS, MINAS GERAIS
Compa a i e Analysis o Mic oo ganisms in he Rei do Ma o Ca e, Se e Lagoas,
Minas Ge ais
Flá ia Ma a E angelis a
Mes e em Geog a ia pela PUC Minas. Sócia/Di e o a da A i o Ambien al L da.
O cid: h ps://o cid.o g/0000-0002-2742-1564
[email p o ec ed]
Luiz Edua do Panisse T a assos
Dou o em Cas ologia pela Uni e si y o No a Go ica, Eslo ênia. P o esso do P og amam de Pós-
G aduação em Geog a ia da PUC Minas. Bolsis a de P odu i idade em Pesquisa do CNPq.
O cid: h ps://o cid.o g/0000-0001-6264-2429
luizpanisse @gmail.com
Ped o Oli ei a Paulo
Dou o em Geociências e Meio Ambien e pela UNESP. P o esso no P og amam de Pós-G aduação
em Ensino de Ciências da Uni e sidade Es adual de Goiás. Labo a ó io de Paleobiologia e
Geologia/LAPAGEO.
O cid: h ps://o cid.o g/0000-0002-2972-8455
[email p o ec ed]
A igo ecebido em junho/2025 e acei o em agos o/2025
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RESUMO
As ca idades na u ais sub e âneas dis inguem-se po es abilidade mic oclimá ica, baixa
disponibilidade de nu ien es e luminosidade eduzida, o mando ecossis emas singula es pa a o
es abelecimen o e a pe sis ência de comunidades mic obianas. No con ex o do espeleo u ismo, a
p esença humana pode al e a pad ões de deposição de ma é ia o gânica e de p opagação de ae ossóis,
modi icando a composição e a abundância ela i a de mic o ganismos. Es e a igo ap esen a, em
o ma o con ínuo e p on o pa a pe iódico, a análise compa a i a da dis ibuição espacial de
mic o ganismos na G u a Rei do Ma o (Se e Lagoas, MG) em dois momen os con as an es:
22/09/2020, ao inal da es ação seca e du an e o echamen o da isi ação po COVID-19, e
16/03/2022, ao inal da es ação chu osa após a eabe u a con olada. Em ambas as campanhas, o am
expos as placas de Pe i po sedimen ação passi a du an e in e minu os em no e pon os dis ibuídos
en e ex e io , en ada, echos u ís icos e se o es emo os, u ilizando meios sele i os e não sele i os
(Mani ol Sal Aga pa a S aphylococcus au eus, MYP pa a Bacillus ce eus, Ce imide pa a
Pseudomonas ae uginosa, Sabou aud pa a ungos e le edu as e Pla e Coun pa a con agem ae óbia
o al). Obse ou-se ausência de c escimen o em Ce imide em odos os pon os e campanhas;
c escimen o consis en e em Mani ol em odos os pon os, com maio es ca gas nas á eas de maio
pe manência de isi an es; abundância e di e sidade mo ológica ele adas em Sabou aud, com
egis os “incon á eis” jun o às passa elas do Lago da Se pen e; des aque de B. ce eus no pon o
ex e no; e con agens o ais acompanhando os “ho spo s” e elados pelos meios sele i os. As
di e enças empo ais en e o pe íodo de echamen o e o de eabe u a com p o ocolos o am disc e as,
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suge indo que o con ole de g upos, o uso de másca as e a higienização com álcool 70% amo ece am
po enciais inc emen os mic obianos associados ao e o no do luxo u ís ico. Os esul ados e o çam
a necessidade de inco po a indicado es mic obiológicos às o inas de moni o amen o e ges ão de
ca e nas u ís icas, com implicações pa a manejo de iluminação, o denamen o de isi ação e c i é ios
de classi icação de ele ância.
Pala as-cha e: Mic obiologia de ca e nas; Ca s e; Tu ismo sub e âneo; S aphylococcus au eus;
Bacillus ce eus; Sabou aud.
ABSTRACT
Sub e anean ca es a e mic oclima ically s able, oligo ophic ecosys ems ha hos unique mic obial
communi ies. Human isi a ion in show ca es can al e he deposi ion o o ganic ma e and he
p opaga ion o ae osols, he eby a ec ing mic obial abundance and composi ion. This pape p esen s
a con inuous, jou nal- eady compa a i e analysis o mic oo ganisms in Rei do Ma o Ca e (Se e
Lagoas, MG, B azil) ac oss wo con as ing momen s: Sep embe 22, 2020 (end o he d y season,
when ou ism was suspended due o COVID-19) and Ma ch 16, 2022 (end o he we season, when
con olled eopening was implemen ed). In bo h campaigns, passi e ai -sedimen a ion pla es we e
deployed o wen y minu es a nine si es spanning ou side, en ance, ou is ail and emo e sec o s,
using selec i e and non-selec i e media (Manni ol Sal Aga o S aphylococcus au eus, MYP o
Bacillus ce eus, Ce imide o Pseudomonas ae uginosa, Sabou aud o ungi/yeas s and Pla e Coun
o o al ae obic coun ). No g ow h was obse ed on Ce imide a any si e o campaign; Manni ol
showed consis en g ow h a all si es, peaking a ou is s opo e s; Sabou aud e ealed high
mo pho ype di e si y wi h “uncoun able” eco ds nea he Lago da Se pen e walkways; B. ce eus
s ood ou a he ou side si e; and o al coun s mi o ed ho spo s indica ed by selec i e media. Tempo al
di e ences be ween closu e and con olled eopening we e small, sugges ing ha g oup con ol, mask
use and 70% alcohol hygiene bu e ed po en ial inc eases associa ed wi h ou ism esump ion.
Findings suppo he in eg a ion o mic obiological indica o s in o show-ca e moni o ing and
managemen , in o ming decisions on ligh ing, isi a ion, and ca e- ele ance classi ica ion.
Keywo ds: Ca e mic obiology; Ka s ; Show-ca e ou ism; S aphylococcus au eus; Bacillus ce eus;
Sabou aud.
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1. INTRODUÇÃO
Ca e nas são ambien es ágeis e al amen e especializados. Seu egime mic oclimá ico
ela i amen e es á el, associado à oligo o ia e à ausência de luz, a o ece comunidades mic obianas
adap adas a condições de baixa ene gia e em equilíb io com os luxos de água e ma é ia do sis ema
cá s ico.
Do pon o de is a mic obiológico, econhecem-se cinco g upos p incipais — bac é ias, ungos,
algas, p o ozoá ios e í us — que ap esen am ampla a iação mo ológica e de amanho (de
mic ôme os a cen enas de mic ôme os) e o ganização celula p oca ió ica ou euca ió ica, con o me
o g upo (No hup; La oie, 2004). Em escala global, es ima i as indicam que a bios e a da
subsupe ície con inen al ab iga comunidades mic obianas nume osas e me abolicamen e a i as, de
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modo que esses habi a s espondem po pa cela ele an e da biomassa do plane a (Whi man;
Coleman; Wiebe, 1998; Ba -On; Phillips; Milo, 2018; Engel, 2019).
Embo a a disponibilidade de ca bono o gânico seja limi ada, es udos êm mos ado que a
di e sidade e a e sa ilidade me abólica dessas comunidades podem se ele adas, com consó cios
capazes de explo a on es ene gé icas disc e as e in e agi a i amen e com os mine ais do hospedei o
ochoso (Poulson; Cul e , 1969; Cul e , 1982; Ba on, 2006; Ju ado e al., 2009; He shey; Ba on,
2018) hoje bem documen adas g aças ao emp ego de gené ica molecula e e amen as geoquímicas
desde os anos 1990 (Engel, 2019). Em ca e nas abe as à isi ação, a p esença humana cons i ui e o
ele an e de pe u bação, ao in oduzi pa ículas, bioae ossóis e nu ien es e ao al e a pad ões de
pe manência e ci culação do a (Ba on; No hup, 2007; Engel, 2019). Em espos a, a ges ão
espeleo u ís ica em inco po ado, de modo c escen e e sis emá ico, indicado es mic obiológicos e
mic oclimá icos pa a o ien a o manejo, apoiando-se em di e izes consolidadas em manuais e
e isões (Cigna; Bu i, 2000; Cigna; Fo i, 2013; T a assos, 2019).
Em pa alelo, a li e a u a sob e esis oma ambien al essal a que a esis ência a an ibió icos é
aço an igo e amplamen e dis ibuído em bac é ias ambien ais, o que e o ça a pe inência de
abo dagens p e en i as e de moni o amen o con ínuo ambém em ambien es sub e âneos
(Pawlowski e al., 2016; Vande wol e al., 2013). Além disso, quimiossín ese e me abolismos
li o ó icos podem sus en a p odu i idade p imá ia em sis emas sub e âneos, independen emen e da
o ossín ese (Sa bu; Kane; Kinkle, 1996; Engel, 2019).
Nesse con ex o, a G u a Rei do Ma o (Figu a 1), em Se e Lagoas (MG), o e ece um “labo a ó io
na u al” pa a es a como o uso u ís ico e a sazonalidade modulam a dis ibuição de mic o ganismos
em se o es com in ensidades de isi ação con as an es. Nas zonas de en ada e penumb a, é comum
o es abelecimen o de o o ó icos; já nas zonas a ó icas, p edominam comunidades quimio-
he e o ó icas e quimioli o ó icas — es as úl imas u ilizando compos os ino gânicos como on e de
ene gia —, em con o midade com o que se desc e e pa a ambien es ca e nícolas (Sa bu; Kane;
Kinkle, 1996; No hup; La oie, 2004). O ci cui o com passa elas e pon os o mais de pa ada,
jus apos o a echos emo os de acesso es i o, c ia um g adien e in e no de pe u bação que pe mi e
compa a se o es e es ima a con ibuição ela i a de insumos alóc ones ( isi an es, poei a,
bioae ossóis) e p ocessos endógenos (p odução au óc one e in e ações ocha–mic o ganismos) pa a
a ca ga mic obiana.
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Figu a 1 - Mapa de localização G u a Rei do Ma o, em Minas Ge ais.
Fon e: Elabo ado pelos au o es.
Pa e-se da hipó ese cen al de que a dis ibuição espacial da ca ga mic obiana acompanha a
in ensidade de uso u ís ico, p oduzindo g adien es mensu á eis en e á eas de pe manência,
passagens, en ada e segmen os emo os; e de que o echamen o da isi ação du an e a pandemia e ia
eduzido os apo es alóc ones, com epe cussões de ec á eis nas con agens. Os obje i os são:
ca ac e iza a dis ibuição espacial de mic o ganismos na G u a Rei do Ma o em pon os
ep esen a i os do ex e io , en ada, passa elas/salões de pa ada e se o es emo os; compa a dois
momen os con as an es — echamen o (2020) e eabe u a con olada (2022) — pa a a alia
a iações empo ais; a alia g upos mic obianos açado es po meio de meios sele i os e não
sele i os (ên ase em S aphylococcus au eus em Mani ol e ungos/le edu as em Sabou aud); e discu i
implicações pa a o moni o amen o e o manejo de ca e nas.
2. MICROBIOLOGIA EM CAVERNAS
Ambien es sub e âneos, como ca e nas, ca ac e izam-se po oligo o ia, ausência de luz e
es abilidade mic oclimá ica, condições que selecionam comunidades mic obianas especializadas,
com es a égias me abólicas ajus adas à baixa disponibilidade de ene gia (Paula, 2014; He shey;
Ba on, 2018). Em ca e nas epigênicas, o ca bono o gânico é p edominan emen e alóc one e chega
em luxos ênues — mui as ezes como ca bono o gânico dissol ido <0,5 mg/L —, e o çando o
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ca á e oligo ó ico desses sis emas (He shey e al., 2018). Nesses con ex os, ias
quimioli oau o ó icas podem sus en a p odução p imá ia na ausência de luz, a pa i da oxidação de
compos os ino gânicos (Sa bu; Kane; Kinkle, 1996; Engel, 2019). Re isões ecen es consolidam esse
enquad amen o ecológico pa a sis emas ca e nícolas, des acando a in e ação en e insumos alóc ones
e p ocessos endógenos na es u u ação das comunidades (Engel, 2019).
Essas comunidades mic obianas incluem bac é ias, a queias, ungos, le edu as e p o ozoá ios,
mui os dos quais são capazes de sob e i e em condições ex emas, como ambien es com baixa
disponibilidade de água, pH ácido ou básico ou p essão ele ada (Ba ns e al., 1994; Ra enschlag e
al., 2000). A di e sidade mic obiana nesses ambien es, ainda pouco conhecida em egiões opicais
(Vande wol e al., 2013), inclui o ganismos esiden es adap ados ao meio sub e âneo e ansien es,
le ados po a , água ou auna (No hup; La oie, 2004)
Mic o-o ganismos desempenham papel ecológico essencial, a uando na decomposição da
ma é ia o gânica, con ole de populações, o mação de espeleo emas e in e ação com mine ais da
ocha hospedei a. Alguns, como ce os ungos, são eco en es mesmo em ca e nas pouco ou nada
pe u badas, indicando o igem au óc one e possí el impo ância em p ocessos geoquímicos
sub e âneos (He shey; Ba on, 2018).
Dian e dessas ca ac e ís icas, ca e nas ep esen am não apenas labo a ó ios na u ais pa a o
es udo da ecologia mic obiana, mas ambém po enciais ese a ó ios de mic o ganismos com
in e esse bio ecnológico, capazes de desen ol e o as me abólicas únicas (Man io, 2005; Taylo ,
2009). No en an o, o a anço desse campo ainda en en a limi ações écnicas e logís icas, desde a
cole a em ambien es de baixa biomassa a é a ex ação e análise de DNA com mínima con aminação
(Ba on e al., 2006; Engel, 2019).
3. MATERIAIS E MÉTODOS
A p imei a campanha e e as cole as ealizadas no dia 22/09/2020, enquan o a segunda e úl ima
campanha de cole as se deu no dia 16/03/2022, após a eabe u a da g u a pa a o u ismo. A escolha
da G u a Rei do Ma o e e po undamen o suas ca ac e ís icas e seus a ibu os, mas ambém a
possibilidade de se ob e amos as an o de á eas mais impac adas quan o de á eas menos impac adas
pela ação an ópica.
Ou o c i é io de seleção oi sua ex ensão e g au de desen ol imen o, somados ao a o de se
uma ca e na abe a à isi ação e si uada nas p oximidades de uma das p incipais odo ias de Minas
Ge ais. Esse con ex o o na especialmen e ele an e a alia os e ei os do uso u ís ico e da
p oximidade da odo ia — p e é i os, a uais e po enciais — sob e a in eg idade da ca idade e sob e
as comunidades mic obianas ali p esen es.

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Du an e o pe íodo de es udo, a G u a Rei do Ma o oi echada em ma ço de 2020 de ido à
pandemia de COVID-19, eab indo em maio de 2021 sob p o ocolos sani á ios. Esse hia o pe mi iu
compa a a a i idade mic obiana en e dois cená ios con as an es: (i) edução d ás ica do luxo
u ís ico e do á ego eicula no en o no e (ii) e omada g adual das a i idades.
As cole as o am planejadas pa a cap a a sazonalidade: a p imei a oco eu ao inal da es ação
seca e a segunda ao inal da es ação chu osa. Os pon os de amos agem o am p e iamen e de inidos
e egis ados em mapa de con ole (Figu a 2). A seleção con emplou an o salões de maio exposição
à isi ação quan o se o es emo os com isi ação p oibida, ep esen ando um g adien e in e no de
uso.
Além desses pon os in e nos da G u a Rei do Ma o, oi ambém de inido 01 (um) pon o na á ea
ex e na da en ada da ca idade, pa a um compa a i o da espacialização ex e na com a in e na da
G u a. As placas de Pe i com os meios de cul u a selecionados o am p é-iden i icadas com os pon os
de inidos de aco do com a Figu a 3 e iden i icadas na Tabela 1.
Figu a 2 - Pon os de amos agem na G u a Rei do Ma o.
Fon e: Adap ado do Plano de Manejo do MNEGRM (2012).
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Figu a 3 - Exposição de placas de pe i pa a cole a de mic o ganismos na aé ea ex e na à en ada da G u a Rei do Ma o.
Fon e: Dados da pesquisa.
Tabela 1: Pon os de cole a da pesquisa.
PONTO
IDENTIFICAÇÃO LOCAL DA GRUTA REI DO MATO
01
Á ea ex e na da en ada da G u a do Rei do Ma o
02
In e no na en ada da G u a, p óximo a passa ela
03
Salão da Cou e-Flo . A as ado da passa ela.
04
P óximo ao “Lago da Se pen e” A as ado da passa ela
05
P óximo ao Lago da Se pen e, passa ela
06
Piso da passa ela salão p incipal
07
Condu o emo o en e Salão das a idades e condu o da cob a
08
Salão das a idades p óximo a passa ela
09
Salão das a idades, inal da G u a, p oibido acesso de u is as
Fon e: Elabo ada pelos au o es.
Con o me ilus ado nas Figu as 4 e 5, as placas de cul u a o am expos as ao a po 20 min
(mé odo de sedimen ação em placa). Ao é mino, o am imedia amen e echadas, edadas com i a
adesi a e acondicionadas em caixa é mica, pa a manu enção da empe a u a, a é a incubação em
labo a ó io. Os pon os de exposição coincidi am com aqueles moni o ados nas duas campanhas
an e io es, ealizadas em 22/09/2020 e 16/03/2022.
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Figu a 4 - Exposição de placas de Pe i pa a cole a de mic o ganismos na á ea in e na G u a Rei do Ma o, Se e Lagoas,
MG.
Fon e: Dados da pesquisa.
Pa a a amos agem po sedimen ação passi a em placa (deposição g a i acional), emp ega am-
se meios de cul u a sele i os, escolhidos em unção dos g upos mic obianos p e iamen e de inidos e
comumen e p esen es no a e no solo. Os meios adqui idos (Labo clin®) es ão lis ados na Tabela 2 e
o am p epa ados con o me as especi icações do ab ican e. Po de inição, meios sele i os con êm
componen es que inibem o c escimen o de de e minados mic o ganismos e a o ecem o de ou os,
pe mi indo o isolamen o dos g upos de in e esse (Al e hum, 2024).
Em cada campanha, placas de Pe i o am expos as à sedimen ação passi a po 20 min, em no e
pon os dis ibuídos en e: ex e io imedia o da en ada, boca in e na, salões u ís icos com e sem
passa ela, á eas de pa ada e um se o emo o sem acesso público. Isso oi ei o pelo a o da chegada
de mic o ganismos às ca e nas oco e po múl iplas ias — água co en e, deposição
g a i acional/bioae ossóis e ad ecção po co en es de a —, além do anspo e po animais e
isi an es (No hup; La oie, 2004).
A es a égia segue ecomendações consag adas pa a amos agem de ae ossóis em ca e nas e
pa a a aliação de espos a espacial associada a uso/ luxo (Ba on, 2006; Taylo e al., 2009; Paula,
2014). Como a maio ia dos mic o ganismos ambien ais é de di ícil cul i o (<1% em mui as ma izes),
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in e p e amos os esul ados como p oxies de deposição e iabilidade em meios especí icos,
complemen a es a abo dagens independen es de cul i o (Engel, 2019; Ikne e al., 2007).
Após o lac e e o anspo e, p ocedeu-se à incubação de aco do com as especi icações de cada
meio: Mani ol Sal Aga (35 ± 2°C/48 h) pa a S aphylococcus au eus; MYP (35 ± 2°C/48 h) pa a
Bacillus ce eus; Ce imide (35 ± 2°C/72 h) pa a Pseudomonas ae uginosa; Sabou aud (25 ± 2°C/7
dias) pa a ungos e le edu as; e Pla e Coun (35 ± 2°C/72 h) pa a con agem ae óbia o al. Lei u as
com con ado mecânico egis a am UFC po unidade de á ea, ado ando-se “NHC” (não hou e
c escimen o/con agem) e “INC” (incon á el) quando pe inen e.
Tabela 2: Os meios de cul u a u ilizados pa a a pesquisa.
MEIO
DE CULTURA
MICRORGANISMO SELETIVO
TEMPO DE
INCUBAÇÃO/DIAS
TEMPERATURA
(ºC)
Aga Mani ol Sal
S aphylococcus au eus
02
35+/- 2 °C
MYP Aga B Ce eus
Bacillus ce eus
02
35+/- 2 °C
Aga Ce imide
Pseudomonas ae uginosa
03
35+/- 2 °C
Aga Sabou and D
Fungos e le edu as
07
25+/- 2 °C
Aga Pla e Coun
Con agem o al de mic o ganismos
03
35+/- 2 °C
Fon e: Elabo ada pela au o a.
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Após segui o empo de incubação de e minado pelo ab ican e pa a cada meio de cul u a
especí ico e com auxílio do Con ado de Colônias Mecânico CP 602 Phoenix, oi ealizada a
con agem mic obiológica de cada placa expos a, le ando-se em con a os dois pe íodos di e en es de
cole as, con o me Figu as 5 e 6 e Tabelas 3 e 4.
Pa a a lei u a das placas, emp egou-se con ado de colônias compa í el com placas de Pe i de
a é 120 mm de diâme o, equipado com iluminação anula luo escen e (22 W) e lupa de 1,5× em
has e lexí el, o imizando con as e e isibilidade. O equipamen o pe mi e con agem em placas
abe as ou echadas po meio de acionamen o mecânico. A pla a o ma de apoio, em ac ílico
anspa en e quad iculado, acili a a localização e o egis o do núme o de colônias (UFC/placa).
Tabela 3: Con agem dos mic o ganismos da p imei a campanha de campo.
Meio de
Cul u a
01
UFC/m²
02
UFC/m²
03
UFC/m²
04
UFC/m²
05
UFC/m²
06
UFC/m²
07
UFC/m²
08
UFC/m²
09
UFC/m²
Ce imide
NHC
NHC
NHC
NHC
NHC
NHC
NHC
NHC
NHC
Mani ol
0,57x 10 ²
0,36x 10²
0,20x 10
0,21x 10²
1,13x10²
1,06x 10²
0,18x 10²
0,17x10²
0,14x10²
Sabou aud
0,42x 10
0,14x 10²
0,21x 10 ²
0,04x10²
INC
0,09x10²
0,02x10²
NHC
NHC
Pla e Coun
INC
INC
0,51x10²
0,16x 10²
1,25x 10²
1,31x10²
0,37x10²
1,11x10²
0,42x10²
MYP
INC
0,13x10²
0,18x10²
0,25x10²
0,34x10²
0,47x10²
0,29x10²
0,15x10²
0,01x10²
NHC: Não hou e con agem de mic oo ganismo; INC: Incon á eis.
Fon e: Dados da pesquisa.
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ISSN 2317-5419 481
Pa a o meio MYP (Manni ol–Egg Yolk–Polymyxin), sele i o/di e encial pa a o g upo Bacillus
ce eus, obse a am-se esul ados consis en es en e as duas campanhas, sem di e enças ma can es no
pad ão de c escimen o. No pon o 01 — ex e io /en ada da g u a — o c escimen o oi abundan e em
ambas as da as, impossibili ando a con agem (Figu a 12). Ressal e-se que Bacillus ce eus é comum
em solos, embo a algumas linhagens sejam po encialmen e pa ogênicas ao se humano.
Figu a 12: Análise quan i a i a do meio de cul u a MYP.
Fon e: Dados da pesquisa.

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Po im, no Pla e Coun Aga (PCA) — des inado à con agem o al sem sele i idade — os
esul ados o am semelhan es en e as campanhas, suge indo es abilidade das ca gas mic obianas
aé eas (Figu as 13 e 14). De o ma consis en e, os pon os que ap esen a am maio es con agens nos
meios sele i os ambém exibi am os maio es o ais no PCA, indicando ca gas mais ele adas nesses
sí ios, independen emen e do g upo cul i ado. Em ambas as campanhas, as maio es con agens
concen a am-se nos se o es jun o às passa elas e salões, onde o empo de pe manência dos isi an es
é maio , enquan o os echos mais dis an es e sem acesso público egis a am as meno es. Esse
g adien e espacial é compa í el com maio apo e e/ou essuspensão associados à isi ação, embo a
não pe mi a in e i causalidade.
Figu a 13 - Placas de meio de cul u a PCA com mic o ganismos.
Fon e: Dados da pesquisa.
Tomadas em conjun o, as e idências indicam um quad o de ela i a es abilidade espacial e
empo al das ca gas mic obianas, com a iações moduladas pelo g au de desen ol imen o da
ca idade e pela p oximidade de ocos de ação an ópica. En e a campanha ealizada ao inal da
es ação seca e aquela ao é mino da es ação chu osa, não se obse a am di e enças ma can es, mesmo
conside ando os cená ios com e sem p esença de isi an es.
Ainda assim, e i icou-se disc e o aumen o das con agens nos pon os de isi ação — sob e udo
onde há maio empo de pe manência dos g upos —, com des aque pa a os pon os 05, 07 e 08, embo a
as a iações enham sido de baixa magni ude. A adoção de p o ocolos sani á ios (uso ob iga ó io de
másca a cob indo boca e na iz, higienização das mãos com álcool 70% e limi ação do amanho dos
g upos) p o a elmen e eduziu os apo es an ópicos de bioae ossóis e a essuspensão de pa ículas,
o que, aliado à econhecida es abilidade mic oclimá ica do ambien e ca e nícola, pode e amo ecido
con as es en e os pe íodos compa ados.
Em sín ese, os dados delineiam um g adien e espacial: maio es con agens nas á eas p óximas a
passa elas e salões, onde há maio pe manência de isi an es, e meno es nos se o es emo os sem
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acesso público — pad ão compa í el com maio apo e/ essuspensão associados à isi ação, sem,
con udo, pe mi i in e ência causal conclusi a.
Figu a 14 - Análise quan i a i a do meio de cul u a PCA.
Fon e: Dados da pesquisa.
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5. CONCLUSÕES
O ambien e endógeno das ca idades na u ais dis ingue-se p o undamen e do epígeo em e mos
químicos, ísicos e biológicos, o que jus i ica o in e esse cien í ico — em especial na in e ace
mic obiologia–bio ecnologia. Nes e es udo, buscou-se ca ac e iza quais mic o ganismos oco em e
como se dis ibuem ao longo do desen ol imen o da G u a Rei do Ma o (Se e Lagoas, MG) em duas
campanhas con as an es: (i) ao inal da es ação seca, du an e o echamen o ao u ismo po COVID-
19, e (ii) ao inal da es ação chu osa, após a eabe u a con olada.
Os esul ados apon am ela i a es abilidade espacial e empo al das ca gas mic obianas. A
compa ação en e campanhas não e elou di e enças ma can es, suge indo que a econhecida
es abilidade mic oclimá ica das ca e nas ende a amo ece a iações de cu o p azo. Ainda assim,
obse ou-se disc e o inc emen o de con agens nos pon os de maio pe manência dos isi an es —
com des aque ei e ado pa a os echos jun o ao Lago da Se pen e e ao salão p incipal —, enquan o
se o es emo os e sem acesso u ís ico man i e am ní eis de base subs ancialmen e meno es. As
medidas sani á ias igen es na eabe u a (uso ob iga ó io de másca as, higienização das mãos com
álcool 70% e limi ação do amanho dos g upos) p o a elmen e eduzi am o apo e de bioae ossóis e
a essuspensão de pa ículas, con ibuindo pa a a a enuação de con as es en e os pe íodos. À luz do
desenho amos al disponí el, não oi possí el demons a um e ei o inequí oco da p esença humana
sob e a biodi e sidade mic obiana da ca idade; as di e enças de ec adas o am disc e as e
espacialmen e coe en es com o pad ão de uso.
Do pon o de is a sani á io, con i ma-se a p esença de mic o ganismos po encialmen e
pa ogênicos, o que ecomenda a manu enção de cuidados pa a isi an es, abalhado es e
pesquisado es (EPI adequado, higiene das mãos, o inas de limpeza de co imãos e passa elas).
No âmbi o no ma i o, essal a-se que a classi icação b asilei a de ca e nas não exige es udos
mic obiológicos especí icos. Conside ando o papel uncional dos mic o ganismos na dinâmica desses
habi a s e seu po encial bio ecnológico, a inclusão de indicado es mic obiológicos em a aliações de
ele ância ag ega ia alo cien í ico e subsídios de manejo.
Recomenda-se, po an o: (1) inco po a o inei amen e indicado es mic obiológicos aos
p og amas de moni o amen o (po exemplo, S. au eus em Mani ol, ungos/ le edu as em Sabou aud
e con agem ae óbia o al em PCA); (2) es u u a sé ies empo ais com desenho amos al que p io ize
pon os de pa ada e passa elas, p ese ando con oles em á eas emo as pa a a e ição do “ní el de
base”; (3) quando possí el, ado a abo dagens complemen a es (p. ex., desenho BACI e mé odos
molecula es) pa a o alece a in e ência sob e e ei os de uso e sazonalidade; e (4) man e boas
p á icas ope acionais já es adas — con ole do amanho dos g upos, limi ação do empo de
pe manência e o inas de higienização — po mos a em compa ibilidade com a conse ação e a
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segu ança sani á ia. Essas di e izes alinham-se às ecomendações ecen es pa a biomoni o amen o
mic obiano em ambien es cá s icos e aos achados des a pesquisa.
AGRADECIMENTOS
Ag adece-se à ge ência e à equipe do Monumen o Na u al Es adual G u a Rei do Ma o pelo
apoio logís ico e em campo, à CAPES pelo omen o, à A i o Ambien al pelas análises labo a o iais e
ao ICMBio e ao IEF/MG pelas au o izações.
REFERÊNCIAS
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