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DO QUADRO À PRÁTICA: UMA EXPERIÊNCIA LÚDICA NO ESTÁGIO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS

Neris de Carvalho Maciel, Karine

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DO QUADRO À PRÁTICA: UMA EXPERIÊNCIA LÚDICA NO ESTÁGIO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS Karine Neris de Carvalho Maciel1 Resumo: O estágio supervisionado proporciona diversas aprendizagens e experiências aos licenciandos, sendo uma etapa fundamental na formação de futuros professores. A vivência no ambiente escolar permite compreender a dinâmica da sala de aula, a realidade dos alunos e a atuação dos docentes, além de possibilitar a aplicação prática dos conhecimentos adquiridos ao longo do curso. Durante o estágio, é possível explorar diferentes metodologias de ensino, adaptando estratégias conforme as necessidades de cada turma.Nesse contexto, os jogos didáticos se destacam como recursos pedagógicos eficazes, capazes de tornar o processo de ensino-aprendizagem mais dinâmico e significativo. Durante a disciplina, foi elaborado um jogo didático inspirado no tradicional jogo da memória, intitulado Memória dos Nutrientes, com foco no tema dos sais minerais.Assim, o estágio torna-se não apenas um momento de observação, mas também de experimentação e inovação, sendo essencial para a formação de professores reflexivos e preparados para os desafios da educação atual. Palavras-chave:Jogos didáticos. Metodologias. Estágio Supervisionado. 1.INTRODUÇÃO O estágio supervisionado é de suma importância para a formação dos alunos durante a graduação. Segundo Sousa e Martins (2020), o estágio nos cursos de licenciatura é considerado um elemento fundamental para a aproximação do estagiário com a realidade da educação básica. Dessa forma, é possível compreender a linha de pensamento proposta, de que o estágio representa uma reflexão sobre a práxis, ao proporcionar a oportunidade de quem ainda não exerce a docência aprender com aqueles que já atuam na educação (Pimenta; Lima, 2017). O estágio supervisionado obrigatório está previsto na matriz curricular do curso de Ciências Biológicas da Universidade Estadual do Ceará e pode ser realizado em escolas públicas ou particulares. Optei por realizar o estágio em uma escola pública, especificamente em uma escola localizada no bairro Joaquim Távora, em Fortaleza, Ceará. Buscando contribuir para revisão e complementação do aprendizado de estudantes de 1ª série do Ensino Médio, após a realização de observação e regência junto à turma, foi elaborado e utilizado um jogo didático sobre “Sais Minerais” 11Licencianda em Ciências Biológicas, Universidade Estadual do Ceará, [email protected] relacionado ao objeto de conhecimento “Nutrição e saúde: as bases químicas da vida e sua relação com a função dos alimentos” previsto no Documento Curricular Referencial do Ceará para o Ensino Médio (Ceará, 2021). A escolha do jogo como recurso didático baseou-se no reconhecimento da sua contribuição para tornar o ambiente da sala de aula mais dinâmico e lúdico (Sousa; Diogo, 2024). O presente relato tem como objetivo apresentar como foi desenvolvido o estágio no Ensino Médio, com enfoque em descrever no desenvolvimento e a implementação do jogo. 2.DESENVOLVIMENTO O início do estágio ocorreu com o reconhecimento do local, que teve duração de 4 horas. Esse momento foi destinado à exploração dos espaços que a escola oferece, como laboratórios, jardins, além de conhecer os professores e a coordenação. Ao final desse período, iniciou-se a etapa de observação, com duração de 12 horas. Durante esse tempo, tive a oportunidade de acompanhar as turmas mais de perto e interagir com os alunos. Muitos deles perguntavam quem eu era e o que estava fazendo ali. Houve, então, um momento destinado ao planejamento das atividades do estágio, também com duração de 12 horas. Após essa fase, teve início a regência que foi o momento em que comecei, de fato, a ministrar as aulas. Essa etapa também durou 12 horas. Por fim, o estágio foi encerrado com a aplicação do projeto didático, que consistiu na elaboração de um jogo inspirado no jogo da memória, abordando o conteúdo que lecionei: sais minerais. A seguir, realizou-se uma descrição detalhada das diferentes etapas. 3.OBSERVAÇÃO Durante esse período, foi possível observar e anotar no diário de campo a dinâmica da turma e como se dava a interação entre os alunos e a professora. Notei que as turmas dos terceiros anos eram bem diferentes do que eu imaginava, considerando que se tratava de um ano de vestibular. Eram turmas que, em geral, demonstravam pouco interesse pelo conteúdo e raramente interagiam com a professora. Já a observação na turma do segundo ano me pareceu mais fluida. Os alunos eram mais interessados e demonstravam gostar das aulas da professora. Tive a mesma impressão na turma do primeiro ano, que, apesar de ser mais agitada do que a do segundo ano, possivelmente pela maior proximidade com o ensino fundamental, ainda assim era uma turma participativa e envolvida nas atividades. Figura 1Registro de uma página do diário de campo. Fonte: Autora(2025). 4.REGÊNCIA O momento da regência ocorreu principalmente com a turma da primeira série do ensino médio. Escolhi essa turma porque, durante o período de observação, achei-a bastante interessante. Infelizmente, meu período de regência foi bastante corrido, pois, devido ao número elevado de horas dedicadas à observação, comecei a ministrar as aulas muito próximo do período de avaliações bimestrais. Minha primeira aula foi sobre enzimas. Apesar de ser um conteúdo extenso e que os alunos geralmente têm dificuldade para compreender, foi necessário abordá-lo de forma rápida, pois em seguida haveria uma atividade sobre o tema. Também trabalhei o conteúdo de sais minerais e, em diversos momentos, resolvi questões e tirei dúvidas com a turma. Senti que minha primeira aula, por conta do nervosismo, não foi tão boa. Percebi que os alunos não entenderam totalmente o conteúdo e precisei repetir diversos pontos. Além disso, não senti toda a turma tão receptiva naquele momento. No entanto, isso foi mudando com o tempo e, ao final do estágio, muitos alunos demonstraram gostar das aulas e ficaram tristes quando o período de regência chegou ao fim. 5.PROJETO DIDÁTICO Pensando em como adaptar as questões desenvolvidas em sala de aula para algo lúdico, que permitisse aos alunos estudarem e se divertirem ao mesmo tempo, foi proposto, na disciplina de Prática como Componente Curricular IV, uma atividade extensionista que poderia ser utilizada como projeto didático na disciplina de Estágio. A atividade, seguindo a interação dialógica, necessária às atividades de extensão, teve como ponto de partida o reconhecimento, junto da professora supervisora de estágio e docente da escola, de potencialidades e demandas prioritárias para o projeto. Dada minha experiência com a turma do primeiro ano e considerando que o conteúdo lecionado foi "sais minerais", conversei com a professora supervisora e, juntas, decidimos que a melhor opção seria a aplicação de um jogo didático. Com isso, elaborei um jogo inspirado no formato de “Jogo da Memória”, uma vez que, segundo Ferreira (1998), os jogos promovem situações semelhantes às da vida real. A proposta foi desenvolver o jogo trazendo, em uma carta, elementos do dia a dia que contêm sais minerais, e, na carta correspondente (o “par”), a função específica desse mineral no organismo (Figura 2). Figura 2 - Exemplo de par de cartas. Fonte: Elaborado pela autora. O jogo foi totalmente elaborado na plataforma Canva, incluindo as imagens e o layout. O conteúdo utilizado como base foi retirado de um texto didático produzido pela professora supervisora, que já havia sido trabalhado com os alunos anteriormente. As regras e a dinâmica do jogo foram definidas por meio de um manual de instruções (Figura 3). Figura 3Regras do jogo Fonte: Autora(2025) No que se refere à dinâmica de uso do jogo, decidida juntamente com a professora, a turma foi dividida em quatro grupos (a turma possuía cerca de 20 alunos). Enquanto dois grupos jogavam (Figura 4), os outros dois respondiam perguntas sobre o conteúdo que haviam sido escritas na lousa. Em seguida, eles trocaram de função. O grupo vencedor foi aquele que completou corretamente o jogo no menor tempo. Percebi que a atividade atendeu a todos os alunos, e eles demonstraram muito entusiasmo com a experiência. Todos participaram ativamente e o momento se transformou, de fato, em uma competição. Os alunos gostaram tanto da proposta que decidi deixar o jogo com a professora para que ela pudesse reaplicá-lo futuramente. A única coisa que eu mudaria seria a gestão do tempo. Senti que os 50 minutos disponíveis para a aplicação foram corridos. Assim, acredito que estipular um tempo limite de aproximadamente 5 minutos por equipe teria sido o ideal. Figura 4 - Registro de aplicação do jogo. Fonte: Autora(2025) 6.CONSIDERAÇÕES FINAIS As experiências vividas no estágio contribuíram significativamente para o meu aprendizado e para o meu desenvolvimento pessoal e profissional. Minha supervisora me ajudou bastante e com muita paciência durante esse processo, apresentando metodologias e técnicas aplicadas em sala de aula. As vivências proporcionadas por esse estágio foram importantes para que eu desenvolvesse diferentes percepções sobre as situações do cotidiano escolar. Cada turma é única, e agora pude vivenciar de fato o ensino médio e compreender melhor as diferenças em relação ao ensino fundamental. Foi uma experiência gratificante, que me permitiu aprender cada vez mais. 7.REFERÊNCIAS CEARÁ (Estado). Documento Curricular Referencial do Ceará: Ensino Médio. Fortaleza, CE: SEDUC, 2021. FERREIRA, Marcilene Alves. O jogo no ensino de ciencias: limites e possibilidades. 1998 Santa Maria, UFSM, 1998, 374f. Dissertação (Mestrado em Educação) Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, 1998. PIMENTA, Selma Garrido; LIMA, Maria Socorro Lucena. Estágio e docencia. 8. ed. São Paulo: Cortez, 2017. SOUSA, L. M. de; INDJAI, S.; MARTINS, E. S. Formação inicial de docentes de biologia: limites e possibilidades do Estágio Supervisionado no ensino médio. Práticas Educativas, Memórias e Oralidade, v. 2, n. 2, p. 1–12, 2020. DOI: 10.47149/pemo.v2i2.3668. SOUSA, R. A. L. de; DIOGO, I. J. S. Tabuleiro didático no ensino do Bioma Caatinga: O lúdico como ferramenta no processo de ensino-aprendizagem. Educação, Ciencia e Cultura, v. 29, n. 2, p. 1-15, 2024. DOI: 10.18316/recc.v29i2.10996