Eu Me Lembro
Abstract
Este livro, “Eu Me Lembro”, de autoria de Aristeu Fernando Coutinho, é disponibilizado como Material Suplementar Eletrônico (MSE) do livro “Caneta de Ouro: Poesia e Trajetória de Vida de Obéd Emmerich”, de Francisco G. Emmerich (2025). A autorização para esta publicação encontra-se no arquivo PDF anexo, intitulado “2_Autorizacao-livro-Eu-me-Lembro.pdf”, no qual dados pessoais como o CPF e a assinatura da parte autorizante foram ocultados por razões de privacidade.
Full text
EU ME LEME-RO AR15TEU FERNANDO COUTINHO
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3 edico estas páginas a Murilo Coutinho Ramos, mais conhecida por Ij Seu Murilo, testemunha ocular destes fatos e um grande contador de histórias. FERNANDO. Murilo Coutinho Ramos 3
4 "Tenho tantas recordações como se tivesse mil anos" Charles Baudelaire I Se cachaça fosse fortificante Cariacica seria terra de gigantes. Dito Popular Por que bebíamos? Ora, na época Cariacica tinha dezoito engenhos de cachaça e só uma padaria. Fontainha, Radialista, Poeta e Filósofo. Eis o caminho do homem: Sempre firme em direção aos bares. Profecia entreouvida no bar do E.C Brasil 4
5 Manacá I O apelido dele era Manacá e afirmava que eu que o havia inventado. Pura lenda. Seu nome era Manoel Carlos, que sua mãe com a dentadura frouxa pronunciava Manel Calo. Tutu, que era seu vizinho, entendeu errado e o apelido pegou. "Certa feita ele me interpelou na rua e com uma voz tremida e sibilante me fez a seguinte afirmação:" Fernando, se alguém lhe disser para tirar todos os dentes e colocar uma dentadura, esqueça!"". Manacá II Uma tarde Manacá me chamou no portão da minha casa para trocarmos umas idéias. Ele estava de saída para uma festa de rodeio. Conversamos sobre amenidades e na saída notei que ele caminhava de forma estranha, quase mancando; Perguntei: Manacá você está mancando? E ele na bucha: "Não Fernando, botas novas de cowboy". A Maior Gafe Benedito Boquinha tinha esse apelido em virtude de ter os dentes salientes, o que projetava seus lábios para fora. Fiquei uns tempos sem vê-lo e ao reencontrar notei que seus lábios pareciam inchados. Assustei-me e perguntei de chofre: Fernando: "Benedito você machucou a boca?" E a resposta me fez a cara cair no chão. Benedito Boquinha: "Não Fernando, dentadura nova" 5
6 Torquato Ele era jovem, cabelo muito crespo e louro, tinha um nome bonito, chamava-se Torquato. Vendia pão para Seu Murilo. Numa manhã chuvosa Torquato adentra a padaria vestindo uma túnica cáqui da antiga polícia militar Capixaba. Logo colocaram o apelido de "Praça Velho*. Passou o tempo, Torquato foi embora para o Rio de Janeiro, dirigiu ônibus, foi pedreiro e voltou para Cariacica 30 anos depois. Foi á padaria de Seu Murilo e chegou chegando; Saudou Seu Murilo e falou: "Lembra-se de mim, Seu Murilo? Eu sou Torquato." Seu Murilo com o sorriso matreiro ajeitou o grosso óculos e foi logo dizendo: "Quanto tempo Praça Velho". O Ganso Beto era jovem, mas tinha o linguajar e o modo dos antigos, usava chapéu diariamente como só os mais velhos faziam. Vindo da roça, vivia de barganhas de animais e outros negócios. Caminhava gingando para frente e para trás o que lhe rendeu o apelido de "ganso". Numa terra de pínguços ele era abstêmio. Beto tinha uma namorada e ela reclamava com a mâe que ele só falava de negócios, trocas, barganhas e ela não sabia como manter a conversa. A mãe lhe disse: olha minha filha, você tem que prolongar a conversa, pergunte a ele se teve lucro etc» Dito e feito. Em novo encontro Beto começou o papo. Beto: Vendi minha égual A namorada indaga: fez bom negócio? Beto responde na bucha: tomei no cu direto I Fim do namoro. 6
7 A cruz ( ) nome dele era Wilson, tinha o cabelo louro e penteado para trás como os ni.ir velhos. Éramos da mesma Idade e pelo sotaque arrastado parecia ser do sul do país. íamos juntos ao cinema e tomavamos umas cervejas, seu apelido era rtà cruz". Sua mãe evangélica e muito religiosa reprovava as amizades e as cervejas. Quando alguém perguntava por Wilson, consternada dizia: Ah, Wilson, 'aquilo é a minha cruz " Ficou o apelido. O Peso do Amor Liliu exerce a profissão de pintor de paredes e faz também esculturas com restos de árvores. Pragmático e sovina, quando vai visitar uma namorada, primeiro passa pelo fundo do quintal da amada e levanta a botija de gás, se ela estiver cheia, ele entra, se estiver vazia, ele vai embora. Carioca Honorário Zé Carlesso era uma figura, nascido e criado entre Pendanga e Piraqueaçu, vestia-se e falava como ele imaginava ser um malandro Carioca. Caminhava ■ gingando de uma maneira estranha, falava usando o pronome TU, cabelo emplastrado de brilhantina, anel enorme no dedo mínimo, navalha no bolso detrás e a "pièce de resistance", uma camisa volta ao mundo que segundo a malandragem carioca, desviava os golpes de navalha, Perdeu a namorada com o seguinte diálogo: Zé Carlesso: "Mariana, tu já viu onça?" Mariana: "Não José, por quê?" Zé Carlesso:"Porque se você vê, você se caga" 7
8 Terras sem fim Nailo era um grande fazendeiro, tinha alqueires de terras e no entorno de Cariacíca possuía um enorme terreno, por todos conhecido como "Os pastos de Nailo " .Ele era alto, bonachão e falava uma fala arrastada. Vários agregados moravam em suas terras e entre eles estava Zé Barbeiro e família. Quando Zé Barbeiro morreu, Nailo esperou a semana passar e como de praxe foi fazer uma visita para levar as condolências à viúva; Selou o cavalo e trotou na direção da casa do finado, ao aproximar-se da casa encontrou a viúva que rebolava dentro de um bambolê e ao avistar o cavaleiro foi logo gritando: Eíi Nailoll. No que Nailo, abrindo meio sorriso disse: "Que falta de sentimento". Os Pastos de Nailo Haroldo era um homem muito claro, quase albino, zangado e mal-humorado. Em certa ocasião levava uma pequena e brava boiada para os currais de Nailo. Era uma boiada ruim; de repente o céu escureceu, relampejou e começou a cair uma chuva fina, o gado e os vaqueiros estavam inquietos. A boiada relutava a entrar no curral, como se soubesse o seu destino. A criançada toda sentada nas ripas do curral, aguardava o desfecho. (Agildo estava entre elas) Haroldo já esgotará todo o seu repertório de palavrões, mas o gado não entrava no curral. Nisto um raio rasga o céu; Haroldo, molhado, zangado enfim, "emputecido", saca do revolver que levava na cintura , aponta para o céu e diz: "São Pedro, seu filho da puta, você manda fogo de lá que eu mando fogo de cá” e efetuou seis disparos. A criançada toda corre para casa ,para se esconder debaixo da cama. Anos depois, Agildo confessou: "Pensamos o seguinte, Deus vai mandar um grande raio para pegar em Haroldo e vai acertar todo mundo que estiver próximo, daí a carreira " 8
9 Burro Baio Alencar era irmão de Haroldo, branco de olhos azuis muito claros, tal qual o mii.itj. Só diferia pelo bom humor e trato fácil, que adquirira em virtude de ter morado por muitos anos no Rio De Janeiro. Votava em todas as eleições e aproveitava para visitar os amigos. Certa vez um grupo de torcedores saiu de Cariacica para ver um jogo no Maracanã e resolveu fazer uma visita surpresa a Alencar. Esperaram por ele na saída do prédio. Bianor se escondeu atrás de uma banca de jornal e quando à pálida figura surgiu na portaria, gritou o apelido que Alencar odiava e queria esquecer, "Burro Baio". Alencar olhou para os lados e não vendo ninguém vociferou: "Só pode ser um filho da puta de Cariacica" Cajado Curto Arnô era irmão de Haroldo e Alencar. Semelhante no semblante e na palidez, só diferia deles pela postura erteurvada. Arnô tinha um problema na coluna, caminhava com dificuldade apoiado num grosso cajado de gramarim, Certa vez depois de uns tragos, Arnô dormia recostado numa cadeira no bar de Luiz . Cláudio Peixe resolveu sacanear com Arnô, pegando o cajado e cortando um pedaço. Arnô acordou, pegou o cajado e nos primeiros passos notou que faltava um pedaço, berrou todos os palavrões que sabia e mais outros que inventara; Luiz á porta do bar, vendo tamanho barulho desabafa: "Eu ainda vendo está merda e volto pra roça". 9
16 Miltinho Era a cópia fiel do cantor Miltinho e até cantarolava parecido, numa ocasião na praia de Jacaraipe sua esposa implorava para que ele tirasse a dentadura antes de entrar no mar revolto. Inútil. Ele mergulhou no mar agitado e uma onda mais forte o jogou longe. Saiu trôpego do mar, com a boca murcha e parcialmente afogado e sua esposa notando a falta da dentadura lhe pergunta: "Cadê a sua dentadura?". E veio a resposta do sósia de Míltinho: "As ondas do mar levaram". A Rede Cabecinha era franzino, epilético, bom de copo e funcionário público aposentado, aumentava a renda mexendo com jogos de azar e uma pequena agiotagem. Então, Delio telegrafista e Cabecinha, depois de muitos copos, resolveram pescar Foram buscar a rede com Amaury. A rede era antiga, grande, feita em barbante grosso e com guarnições de pesada madeira. Começou à pescaria e com o passar do tempo à rede encharcou tornando-se mais pesada. Cabecinha segurando a guarnição da rede começou a afundar, Delio vendo que ele se afogava gritou: "larga a rede Cabecinha"; E Cabecinha quase afogado responde: "Vai pra puta que o pariu Delio!" O caixa Zé Barbeiro por economia dividia a barbearia com um pequeno bar. No fundo deste comércio sua esposa costurava. Certo dia ela notara que a freguesia aumentara. Ela escutava a batida da moeda sobre o balcão e o pedido: "uma pinga", ela calculara que só nesta tarde fora vendido umas vintes pingas. 16
17 I H‘pois de fechar a maquina de costura, foi verificar o caixa do bar e horrorizada i' viu uma moeda. Então, ela olhou e viu Zé rindo ressonado na cadeira de l >df beiro e entendeu tudo. Zé modificava a voz, batia com a mesma moeda no balcão e entornava a pinga. Jasmin Um pequeno circo Tourada se instalara há meses nos arredores de Cariacica. Tinha uma atração única, os toureiros Testa de Ferro e Peito de Aço. A razão do nome era simples, Testa de Ferro empurrava o boi com a testa e Peito de Aço com o peito. Naqueles tempos sem televisão o espetáculo já durava meses e os dois toureiros eram muito aplaudidos por suas audácias. Mas tinha um detalhe, o boi usado na tourada era um nelore manso da propriedade de Nailo e cujo nome era Jasmin. Este participava da pantomima com os dois toureiros encachaçados. Numa tarde Nailo informou à rapaziada que chegara aos seus currais um boi semelhante ao Jasmin, só que bem bravio, Não deu outra, os rapazes em surdina, trocaram Jasmin pelo outro nelore. Hora do espetáculo. Entraram em cena Testa de Ferro e Peito de Aço, entraram e foram lançados pelo nelore zangado para fora do picadeiro. Caídos e alquebrados, Peito de Ferro exprime seu espanto dizendo mais para si do que para o colega derrubado: "Quá, esse não é o Jasmin!". 17
18 Armado, Estou Joaquim Cometti era de origem italiana, falava um português estropíado. Tinha uns vinte anos, bigodinho louro e com uns olhos azuis aguados, era mais zangado do que valente. Reza lenda que ele namorava atrás da igreja e sua namorada notara um volume na cintura de Joaquim, estranhou e perguntou: rJ O que é isso Joaquim?"« E Joaquim com um sorriso mais amarelo que o seu bigode, responde no seu linguajar trincado: o cabo da garuchaW A partir daí, qualquer menção à palavra cabo ou garrucha, começava uma briga. O Soldado O Soldado Jorge era baixinho, franzino e detestava confusão. Amante de boleros, sempre que podia, atravessava a praça de Caríacica e se dirigia à Radio Difusora e pedia a Agildo para tocar a sua música preferida, * Sorris da minha dorIJ na voz de Onéssimo Gomes. Mas sendo em Caríacica sempre há um improviso. Canguru se embriagara novamente e promovia desordem no bar de João Pina. Seu Menínínho, delegado local, alertado, manda o soldado Jorge trazer Canguru à delegacia. Jorge foi entrando no bar e encontra Canguru bêbado, furioso e com vontade de brigar. Agildo Barbosa, testemunha ocular, registrou o seguinte diálogo: Soldado Jorge: Canguru, Seu Menínínho pediu para você me acompanhar até a delegacia. Canguru: Eu não vou, porra nenhuma. Soldado Jorge: Tá bom, eu falo com Seu Menininho que eu não te encontrei. Pano rápido. 18
19 O que é a felicidade ( ) Sr Pedrinho era o coletor local, era a gentileza em pessoa, mas tinha uma piisão de ventre horrível e reclamava baixinho: 'Qualquer dia deste eu engulo uma granada". Precisando de uma pessoa para trabalhar em sua casa, dirigiu-se para os pastos tie Nailo onde morava Veredino Bode com a família. Veredíno Bode bebia todas, só sua mulher que trabalhava e o sustentava. Aproximando-se da casa de Veredino , seu Pedrinho se depara com uma enorme cagada perto da trilha, Olhando o enorme bolo fecal, seu Pedrinho entre a resignação e a filosofia, brada: ' Isto que é um homem feliz, eu já estou ficando quase preto de tanto comer ameixa e cago umas míseras bolinhas, enquanto Veredino que só come feijão com farinha faz uma maravilha dessas" Primeira mente, uma boa tarde. Apolonio era um senhor de meia idade, bem calvo, falava de maneira cerimoniosa e empolada e fazia serviço de limpeza de quintais. Uma tarde ele vai à casa de Manoel de Heraclides para pedir o carrinho de mão emprestado. Manoel, dono do cartório de registro andava sempre apressado e assobiando chorinhos, só relaxava quando jogava bilhar no bar de João Pina. Bilhar que ele fazia questão de dizer "Bilhar Francês". Neste dia, Apolônio entra no cartório e encontra o Sr. Manoel de saída e segue o diálogo, Carlínhos Delegado que era estagiário anotou. Manoel: "Diga Apolônio, o que você quer, pois estou atrasado" Apolônio: "Prímeiramente, uma boa tarde" Manoel: "Boa tarde Apolônio, mas, fale rápido que eu estou de saída" 19
20 Apolonio: "É que eu fui limpar o quintal de Jaime Amorim e ele me deu um resto de lenha" Manoel: "E daí Apolônio? " Apolonio: "É que o gás está bem caro e eu vou levar a lenha pra casa para cozinhar ” Manoel: "Apolonio, por favor, diga o que você quer, porque eu estou atrasadíssimo" Apolônio: "É que eu preciso do carrinho de mão para transportar a lenha" Manoel: "Está bem Apolônio, pegue o carrinho lá no quintal". Apolônio: "Seu Manoel, só mais uma coisa, o senhor vai precisar do carrinho para hoje?" E seu Manoel esbaforido, grita: Manoel: Nao Apolônio, pode ficar com o carrinho, é um presente para você" Apolônio: "Obrigado Seu Manoel; Que homem bom!'í Faltou Ar Hernandes bebia muito. Numa manha de carnaval, sentado num banco que ficava entre a igreja matriz e a Radio Difusora de Cariacica, gesticulava e respirava com dificuldade. Dona Estrelinha que ia a missa, vendo a situação interpelou Hernandes. "Hernandes, porque você não para de beber?" E Hernandes responde para que todos ouvissem: "ESTRELINHA, EU NÄO CONSIGO!" 20
21 O Grande Medo Durante um curto período, Luiz fornecera marmitas para os presos da delegacia. ( ,ii linhos Traíra, depois de algumas cervejas resolveu provocar Luiz, que < .ilmamente lia o jornal Carlinhos começou a arengar: "I uiz eu não tenho medo de nada, eu tenho coragem para qualquer coisa, meu Cínico receio nesta vida é se um dia eu for preso e tiver que comer a sua marmitat I uiz foi levantando do seu canto e com uma cara vermelha ( o seu apelido era 'o Russo") pegou debaixo do balcão uma gurugumba, que era um souvenir dos tempos em que lidara nos currais. Mas Carlinhos Traíra, sentindo a viragem do tempo, saiu correndo do bar. Produto de Exportação Bianor era a figura mais conhecida em Cariacica. Até hoje contam-se histórias a seu respeito. Barbeiro de profissão, todo mundo gostava dele, bom de copo, gostava de todo tipo de jogo, tinha uma maneira especial de contar histórias e aonde ele chegava começavam as risadas. Uma vez Bianor comprou uns peixes e esqueceu-se de pagar. O pescador insistiu e nada, pois Bianor era mestre em inventar desculpas, então o pescador desistiu da cobrança, mas escreveu uma pequena trova e afixou no bar de Meroveu; diz a trova: vou pedir ao governo. Para exportar Bianor Mandar para fora da Barra, Amarrado num vapor. 21
22 O Boi Chitão Seu Nhônho, pequeno proprietário rural vendeu suas terras e comprara uma casa na rua e passara a viver de Juros Um dia ele vendeu sua última reserva financeira, o Boi Chitão. O Boi Chitão era um boi de carro, muito grande e pesado. Vendeu por um bom dinheiro, aplicou no banco e ficou jogando sinuca no bar de Luiz e comentava: "Boi Chitão este mês rendeu tanto" Veio o plano Collor, a poupança foi sequestrada e seu Nhônho continuou jogando sinuca, amargurado pela perda do dinheiro. Ted Lover, cachaceiro e sem noção de nada, entra no bar de Luiz e vendo Nhônho jogando, pergunta em voz alta: "Seu Nhônho, quanto rendeu o Boi Chitão?" Teve que acudir todo mundo para evitar o confronto. Espelho Meu O jogo de baralho seguia tranquilamente numa tarde mansa de domingo, no bar de Luiz entra Ted Lover com o seu cabelo aripuá e pergunta a Luiz: 'Luiz você tem espelhinho de bolso?" Luiz sem tirar os olhos do jogo diz: "Não Ted, não tenho não." Ted Lover grita num tom desesperado que fez Hércules Emerich deixar cair todo o baralho. "COMO LUIZ, VOCÊ NÄO TEM ESPELHINHO?". 22
23 Bananas Aditivada 5 Amauri tinha um pequeno boteco onde vendia bananas, Não sei por qual motivo Amauri denunciou ao pai de Luiz Camargo, que ele estava fumando, Luiz ficou quieto e pensou numa vingança. Passado uns dias pegou uma pequena quantidade de pregos enquanto conversava com Amauri, enfiava os preguinhos nas bananas. Passado uns dias, um cliente reclama com Amauri que a banana que ele comprou estava cheia de pregos. Amauri atônito ficou com esta dúvida para o resto da vida, se perguntando como os pregos entraram nas bananas. Só eu sei a resposta, pois Luiz Camargo me contou. I Remember O meu fraternal amigo Bedinho, certa vez me perguntou se eu recordava os nomes das boates de Carapeba, as principais eram: Boate Atlântica (Para os íntimos, Dinorah) Boate Lancaster (Para os íntimos, Elza Mendes) Boate Yolanda (Toda feita em madeira) Boate Maria de Jesus (A banda tocava "Nunca aos Domingos" em ritmo de frevo) Boate Esteirinha (Toda decorada com esteiras; se pegasse fogo, não sobraria nada) Birute Está em Chamas? Sebastião era casado com Birute. Saldanha já bebido entra na padaria de Seu Murilo e olha a manchete do jornal "Beirute está em chamas". Saldanha pensou, pensou e cochichou para seu Murilo:"Então Sebastião está todo queimado" 23
24 Recuerdos 0 caminhão era velho e embaixo dele Chico Missa tentava consertá-lo e ao mesmo tempo se defender da sujeira que caia em seus olhos. Na carroceria, sentado, Gebinho puxava uma conversa. Eis o diálogo: Gebinho: "Chico Missa você se lembra do Padre Luiz?" Chico Missa: "Me lembro Gebinho" Gebinho: "Chico Missa, você se lembra quando a gente era coroinha?" Chico Missa: "Me lembro Gebinho". Gebinho: "Chico Missa, você se lembra quando Padre Luiz enrrabou nós dois?" Chico Missa: "Disso eu não me lembro não Gebinho" Abra -te Sésamo Sebastião Guedes guardava num paiol 60 sacas de açúcar para transformar em cachaça. Durante a guerra, estava proibido devido ao racionamento do açúcar. Sabendo disto, um inimigo de Sebastião o denunciou ao delegado novato na cidade. Conhecendo a rudez de Sebastião, fez chegar por vias transversas que o delegado iria visita-lo. Estava armado o conflito,. Sebastião era violento e zangado, mas não era burro. Quando soube da noticia, trancou o galpão e jogou a chave fora. Á tarde veio e com ela o delegado. Chegou, chegando. Delegado: "Seu Sebastião eu recebi uma denuncia que o Senhor tem 60 sacas de açúcar para transformar em cachaça". Sebastião: "Sim, eu tenho". "Posso ver" retruca à autoridade. Claro que sím, pode me acompanhar disse Sebastião se dirigindo ao paiol. Pegou um molho de chaves e tentou abrir. Sabendo de antemão que a chave não estava ai. 24
25 N. io conseguiu, fingiu estar zangado e sacou o revólver que sempre carregava na ( intura, destruindo o cadeado a tiros, abrindo a porta e dizendo para o atônito < leíegado. Sebastião: "Ai esta o açúcar", O delegado já de saída responde. Delegado: "A sua palavra basta, eu só queria saber se era verdade" E picou mula. O jeitinho dele Na falta do que fazer, Bartolo resolveu elaborar a lista dos gays de Cariacica, Com a lista pronta, mostrou para todos. Cadu viu a lista e perguntou: — Porque seu primo Rícardinho não está na lista? Gaguejando, Bartolo respondeu: — não, ele não é gay não, aquilo é o jeitinho dele. A vontade popular Juvenal era o motorista de Seu Murilo, mas Juvenal era uma peste, trafegava em alta velocidade, andava na contramão, fazia entregas atrasadas ou erradas. A freguesia estrilava.Um dia Seu Murilo não aguentou mais e resolveu demiti-lo . Segue o diálogo: S. Murilo : — Juvenal eu tenho que demiti-lo. Juvenal : — Mas, Seu Murilo, eu gosto tanto do senhor. S.Murilo : — Eu também gosto de você, Juvenal. Juvenal : — Então por que o senhor vai me demitir? I ntão veio o desabafo de Seu Murilo: Não sou eu que quero Juvenal, é povo de Cariacica. 25
32 Sexo Vegetal Z .... é um figuraço. Até hoje é uma pessoa querida na cidade. Quando criança teve um pequeno problema de saúde. Não conseguia urinar; Levado ao posto médico, foi descoberto que Z ..., estava transando com uma bananeira e a cíca da planta fechara a saída de urinar. Dr. Virgílio, depois de limpar a piroca de Z .... fdisse em tom de brincadeira , Z .... procure outra árvore porque com a bananeira é problema. Uma semana depois volta Z .... todo assado, Dr. Virgilio perguntou: "O que houve Z ..." É que Z .... deixou a bananeira e pegou um mamoeiro. Problemaslí! Cachaça Esperança Edinho Pereira era dono da cachaça Esperança, cujo engenho ficava em Maricará, Cariacica. Edinho notara t que ultimamente , mesmo com as torneiras lacradas o volume de cachaça diminuía da noite para o dia. Como não havia vazamentos no tanque , Edinho, agoniado com a situação, resolveu ficar escondido no depósito para ver o que acontecia. E o que ele viu o deixou de boca aberta, "Benedito Engenho,J , que era funcionário da casa, entrou pelo telhado, enfiou um lençol no suspiro do tanque e espremeu até encher uma lata. Oh desgraça 111 32
33 Já Secou Reza a lenda que Bianor, quando jovem, só tinha uma muda de roupa. I.nijo no <ibado à tarde ele mandava a mãe lavar a roupa e ficava nu debaixo das cobertas* Vez em quanto se ouvia o grito: "Já secou, mamãe?" Lição de Economia Chico Mendonça chamou Zé Barbosa para consertar o telhado da casa. Zé Barbosa avaliou o telhado e disse: - Seu chico é preciso trocar dois caibros porque estão partidos. Responde Chico Mendonça: - Não é preciso trocar não, emenda com uns pedaços de ripa. Zé Barbosa vai saindo de fininho e resmunga: - Chico Mendonça tem umas economias perigosas !!! Entrega Mortal Cadu resolveu montar um açougue, mas com uma novidade, faria entregas em domicílio. Açougue montado, convocou "Zé Mussum", que quando estava sóbrio era pintor e eletricista. "Zé Mussum" entendeu o que Cadu queria, pegou os materiais e entre um gole e outro pintou a frente do açougue. Á tarde quando Cadu chegou para ver o serviço, encontrou "Zé Mussum" dormindo entre os pincéis e as tintas, e escrito na fachada em letras garrafais: " AÇOUGUE DO CADU ENTREGAS A HOMICÍDIO" 33
34 Transação do Futebol Gaguinho morava com Dona Luzia . Morava, pois Dona Luzia sustentava Gaguinho com a pensão que o finado deixou. Torcedor fanático do Botafogo, Gaguinho batizou o seu único filho com o nome de Amarildo. Certa feita Gaguinho precisou de dinheiro e Dona Luzia não deu. Ele pega o garoto pela mão e diz, na sua fala cheia de gagueira; Vô, vô, vou fazer i,i, igual ao bo,bo tafogo , vê vender Amarildo, e saiu porta afora. A volta do Boêmio Teodoro morrera de madrugada, o velório transcorria com pouca gente que conversava baixinho, em respeito ao defunto. Nisto entra Agildo Barbosa, bêbado, compungido e com passos certos, aproxima-se do caixão e segurando firmemente as mãos do finado murmura: "Teodoro, desta você lembra" e soltando a voz mandou bala. ' BOÊMIA, aqui me tens de regresso" Tônico Vital Seu Chico Mendonça beirava uns 90 anos, velho mas lúcido. Seu Apuco, de 80 anos, era quem o auxiliava nos afazeres domésticos. Um dia, seu Apuco adentra a farmácia de Napoleão e pede; - Napoleão, me dê outro frasco deste remédio, por que seu Chico se deu muito bem com ele. Napoleão ajeitou os óculos, olhou bem para o rótulo que mostrava a efígie de um índio e disse: - Apuco, você está dando óleo de peroba para seu Chico. 34
35 Arma de Guerra Inodoro era Peixeiro, idoso, mas frequentava o bar de Meroveu conosco, Ele gostava de chupar o osso do mocotó e não se incomodava de pedir, 'deixe o osso para mim4 *. Ora o bar de Meroveu era uma usina de brincadeiras e então lilhinho resolveu pregar uma peça em Teodora. Pegou-se um osso de mocotó e lapou-se as extremidades com um miolo de pão e colocando no seu interior, colheradas de pimenta malagueta. Pimenta tão forte, que Belesquete certa vez afirmara: "Meroveu pode patentear essa pimenta como arma de guerra". Preparado o osso, esperamos por Teodora, que chegou e foi logo pedindo o osso. Filhinho enrolou um pouco e entregou a Teodoro, que pegou e deu uma chupada tão forte que liberou a pimenta toda de vez. Teodora arregalou os olhos, deu um berro e saiu correndo na direção da torneira. Não esperamos por ele, todos fugiram. O Aipim Duro Henrique Lotação era o primo pobre da família Schwab e o apelido provinha do meio de transporte de Henrique. Era uma carroça puxada por duas éguas, mais parecia uma jangada, na verdade um amarrado de tábuas com duas rodas com tração animal. Henrique falava lentamente e com a voz arrastada. Odiava o apelido, que respondia lentamente com palavrões cabeludos. Em sua carroça transportava e vendia produtos colhidos nos quintais de Cariacíca. Certa feita, Henrique vendia aipim para seu Carlinhos, quando um gaiato gritou :"O aipim de lotação não amolece não !!!". 35
36 Lotação girou o corpo lentamente para responder enquanto as senhoras abandonavam as cadeiras da calçada para não ouvir a resposta de Lotação : " Você pega este aipim .... " . Já tinham todos corrido e o velho Carlinhos olhando o produto disse Henrique teste aipim eu não quero mais!!" A Seresta Maldita Roberico era um rapaz galante. Bigodinho fino, óculos Ray Ban e tocava um banjo nas serestas. A filha do velho Pessotti estudava em Colatina e estava voltando para as férias em casa. Roberico trombeteou nos bares da cidade que faria uma seresta para a jovem. A noticia chegou aos ouvidos do velho Pessotti que tudo ouviu e nada falou. Chegou a noite esperada, Roberico se aproximou do sobrado e saltou a voz. A janela abriu e, em vez da moça apareceu o velho Pessotti com um penico cheio de mijo até as bordas, que jogou em cima de Roberico, enchendo todo o seu banjo. Fim da seresta. Love Yes Milk Amocim Leite, prefeito de São Mateus, resolveu ir aos Estados Unidos. Pediu então ao seu auxiliar para traduzir o seu nome para os Americanos. Tradução : " Love yes milk" Welcome Amocim Leite chegou aos Estados Unidos e foi recepcionado com a seguinte faixa: "Wellcome Amocim Leite" Amocim Leite viu, registrou e ficou calado, Quando os Americanos voltaram a São Mateus, para retribuir a visita, Amocim se vingou os recepcionando com a seguinte faixa : "Amocim Leite também come well " 36
37 Economia de Guerra X... era um pequeno comerciante em Cariacica. Miserável ao extremo, perdeu <i esposa porque ele passou a exigir que toda a família usasse o banheiro e só desse a descarga no final da noite. Inovação Em um tempo em que todos caçavam e se achava uma coisa normal. Então foi combinado uma caçada. Cabecinha conseguiu uma roupa camuflada, coisa nunca vista nestas bandas. Cabecinha trocou a roupa no mato e correu com sua farda camuflada. Delio que já tinha tomado todas, disparou tiros na direção do caçador camuflado. Revoltado, Cabecinha indagou a Delio a razão daqueles tiros. Resposta de Delio: " Pensei que era um gato do mato !!! " O Cheiro Bianor não era chegado a um banho, certa feita adentrou o forró de Castelinho e levou uma garota para os fundos do forró, Quando Bianor arriou as calças a moça exclama: HUMMM !!!. Bianor retrucou: Grande ??. Ela responde: "NÃO O CHEIRO !!!. Robson é testemunha. O Progresso Em frente a casa um caminhão abandonado com os pneus arriados e o mato tomando conta. Segurando um cigarro de palha e com as calças furadas pela brasa do cigarro, o velho não desvia os olhos da sucata. A história é a seguinte: O velho transportava café em lotes de burros, seus filhos o convenceram de vender os lotes de burros e investir num caminhão. Argumentando que transportariam de uma só vez a mesma quantidade de café, 37
38 que todos os animais juntos. Era o progresso, tudo seria moleza; Não foi bem assim. Como não haviam estradas, mecânicos, peças de reposição e postos de combustível. O caminhão foi tendo defeitos até parar de vez e ficar encalhado em frente da casa, servindo de abrigo para as galinhas. Os filhos abandonaram o caminhão e os velhos com as dividas e foram para o Rio de Janeiro ganhar a vida. O velho amargurado ficava toda a tarde fumando e com os olhos fixos na carcaça enferrujada, o braço abaixava e o cigarro encostava em suas calças , queimando suas pernas, então o velho levando a mão rapidamente e como acordado de um pesadelo, Gritava: "CAMINHÃO É O QUE FOI MINHA DESGRAÇA II!" A Pólvora e a Vaselina A discussão no salão de sinuca estava forte. A confusão começara por causa de uma partida de sinuca. Diante dos arroubos de valentia dos jogadores, Zé Lima, jogou uma pá de cal na conversa, com o seguinte ditado: " Meus amigos, depois da invenção da pólvora e da vaselina não existe mais homem valente, nem cu apertado" APLAUSOS. 38
39 urante Três anos □ bloco Cacique Legal animou o carnaval de Ruu em Cariacica. Quem participou vai relembrar as músicas. Jairinho Teixeira guardou a letra delas. Cacique pena roxa 1° Samba, 1978. Autor: Gordo. Eu sou o cacique pena roxa Da tribo morochará O cachimbo da paz na minha aldeia É preparado com fumo legal. Que curtição Oh! Oh! índio parece que voa Fumo legal deixa índio na boa. índio vê mundorvê mundo colorido. As vezes o índio pensa Que o índio está perdido índio fala, índio pula, índio grita É a fumaça do cachimbo que agita. 39
40 A Volta do cacique legal 2° Samba, 1979 Autor: Waldomiro O cacique se apresenta novamente Sem preconceito convidando toda gente Com euforia e muita empolgação 0 cachimbo na boca e a paz no coração Morochará, morochará É a tribo muito louca que acabou de chegar Os guerreiros desta tribo estenderam a mao Dando valor a quem é da oposição Nosso grito não é de guerra, é de amor. E a arma que trazemos é a nossa canção ! Venham vocês participar Entre na onda deixe de opinião Nós caciques e poetas Fazemos para você este refrão Mate seu orgulho Venha viver seu ideal Venha para nossa tribo Que o cacique é legal 40
41 Velho guerreiro 3 o Samba, 1980. Autor: Roberto Beleza. Aí que saudades eu tenho Velho guerreiro Waldomiro , ai que saudades Descanse em paz grande compositor Hoje o cacique reunido Canta em seu louvor Sabemos que está no céu Oh! Ohl Fazendo samba com Noel Hoje existe saudade Daquela velha amizade Homem dos sete instrumentos Amigo a todo o momento. Hoje o cacique legal Lembrando o seu nome Faz o carnaval. 41