HUMANIDADES & TECNOLOGIA (FINOM) - ISSN: 1809-1628. ol. 61 – Ou ./Dez. 2025
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A In luência do Neolibe alismo nas Polí icas de Educação do Campo no
B asil (1970-2000): en e a exclusão e a esis ência
The In luence o Neolibe alism on Ru al Educa ion Policies in B azil (1970–2000):
be ween exclusion and esis ance
Osmeni Amélia Figuei edo A an es
1
Ma ia Zeneide Ca nei o Magalhães de Almeida
2
Resumo: Es e a igo analisa os impac os das e o mas educacionais b asilei as sob e a
educação do campo no pe íodo de 1970 a 2000, endo como eixo in e p e a i o a ascensão do
neolibe alismo e suas implicações pa a a con igu ação das polí icas públicas. O obje i o é
comp eende como as e o mas educacionais implemen adas no B asil en e 1970 e 2000, sob
a in luência de o ien ações neolibe ais, impac a am o acesso e a pe manência da população do
campo na escola, analisando os mecanismos de exclusão p oduzidos nesse p ocesso e
iden i icando as p incipais o mas de esis ência cole i a ol adas à a i mação da educação
como di ei o social. T a a-se de uma e isão bibliog á ica de ca á e c í ico-in e p e a i o, com
sis ema ização de p oduções acadêmicas, documen os o iciais e legislações pe inen es ao ema.
Os esul ados apon am que, du an e o pe íodo analisado, o modelo de mode nização ag ícola,
impulsionado pela Re olução Ve de, ap o undou a concen ação undiá ia, p omo eu o
es aziamen o das comunidades u ais e elegou a educação do campo a um papel ma ginal.
Com o a anço do neolibe alismo nos anos 1990, obse ou-se a in ensi icação da lógica de
me cado nas polí icas educacionais, ma cada pela descen alização da ges ão, edução do papel
do Es ado e me can ilização dos di ei os sociais. Conclui-se que a aje ó ia da Educação no
Campo no pe íodo analisado passou po ex ensas o mas de esis ência e po uma p o unda
con adição en e o econhecimen o o mal de di ei os e sua negação conc e a na p á ica de
polí icas públicas. O es udo des aca a esis ência camponesa como eixo cen al na lu a po uma
educação au ônoma en e ao capi al, ol ada à cons ução de sabe es e p oje os de ida.
Pala as-cha e: Educação do campo. Exclusão educacional. Mo imen os sociais.
Neolibe alismo. Polí icas públicas.
1
Mes anda do P og ama de Pós-G aduação S ic o Sensu em Educação da Pon i ícia Uni e sidade Ca ólica de
Goiás (PUC Goiás). O cid: h ps://o cid.o g/0009-0002-1257-4557. E-mail: osmeni @gmail.com.
2
Dou o a em His ó ia (UnB). P o esso a adjun a da PUC Goiás, inculada ao PPGE e ao PPG His ó ia. Líde do
G upo de Pesquisa “Educação, His ó ia, Memó ia e Cul u as em Di e en es Espaços Sociais” (HENCES
/HISTEDBR/PUC-Goiás). O cid: h ps://o cid.o g/0000-0003-2220-9932 E-mail: [email protected].
1 Es e abalho oi inanciado pelo sis ema de bolsas do Conselho Nacional de Desen ol imen o Cien í ico (CNPq)
– Apoio a P oje os de Pesquisa Chamada Pública CNPq n° 50/2024 – P og ama Ins i ucional de Bolsas de Pós
G aduação (PIBPG) – Ciclo 2025.
Recebido em 02/09/2025
Ap o ado em: 05/11/2025
Sis ema de A aliação: Double Blind Re iew
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Abs ac : The s udy aims o unde s and how educa ional e o ms implemen ed in B azil du ing
his pe iod, in luenced by neolibe al o ien a ions, a ec ed access o and e en ion in schooling
o u al popula ions. I also analyzes he mechanisms o exclusion gene a ed in he p ocess and
iden i ies he main o ms o collec i e esis ance ha sough o a i m educa ion as a social
igh . Using he ise o neolibe alism and i s implica ions o public policy as he in e p e i e
amewo k, his a icle p esen s a c i ical-in e p e i e li e a u e e iew, sys ema izing academic
s udies, o icial documen s, and ele an legisla ion. The indings indica e ha , du ing he
pe iod analyzed, he ag icul u al mode niza ion model p omo ed by he G een Re olu ion
in ensi ied land concen a ion, depopula ed u al communi ies, and ma ginalized u al
educa ion. Wi h he ad ance o neolibe alism in he 1990s, ma ke logic in educa ional policies
in ensi ied, cha ac e ized by decen aliza ion o managemen , educ ion o he S a e’s ole, and
commodi ica ion o social igh s. The s udy concludes ha he ajec o y o u al educa ion
du ing his pe iod in ol ed ex ensi e o ms o esis ance and a p o ound con adic ion be ween
he o mal ecogni ion o igh s and hei conc e e denial in implemen a ion o public policy.
Peasan esis ance eme ges as a cen al axis in he s uggle o au onomous educa ion, o ien ed
owa d he cons uc ion o knowledge and li e p ojec s.
Keywo ds: Ru al educa ion. Educa ional exclusion. Social mo emen s. Neolibe alism. Public
policy.
1 In odução
A elação en e as ans o mações no meio u al b asilei o e o acesso à educação básica
semp e es e e a a essada po dispu as polí icas e econômicas. En e as décadas de 1970 e
2000, essas ensões se in ensi ica am, acompanhando o a anço de um modelo de
desen ol imen o que ap o undou desigualdades his ó icas já p esen es no campo. O p ocesso
de mode nização da ag icul u a, impulsionado pela chamada Re olução Ve de, consolidou um
pad ão p odu i o ol ado pa a o me cado in e nacional, o que a o eceu a concen ação
undiá ia e o es aziamen o das pequenas p op iedades (Gonçal es Ne o, 1997). Essa
mode nização, no en an o, es e e longe de inclui de manei a digna os abalhado es e as
abalhado as do campo, esul ando na edução exp essi a da população u al e no
en aquecimen o das p á icas cole i as e dos modos adicionais de o ganização do abalho
(Sil a, 2002). Tais ans o mações não se es ingi am ao aspec o econômico: a ingi am
ambém o campo educacional, em que a escola oi elegada a um papel ma ginal, di icul ando
o acesso a uma o mação que espei asse as especi icidades e as cul u as locais (A oyo;
Calda ; Molina, 2004).
As legislações educacionais ado adas ao longo desse pe íodo e le em cla amen e esse
p ocesso de subo dinação. A Lei de Di e izes e Bases da Educação nº 4.024/61, embo a
conside ada uma conquis a ao es abelece a ob iga o iedade do ensino pa a c ianças a pa i de
se e anos, ans e iu às p e ei u as a esponsabilidade pela es u u ação da educação u al sem
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o de ido espaldo de ecu sos inancei os e écnicos (Quei oz, 1997). Essa omissão do Es ado
oi ag a ada com a p omulgação da Lei nº 5.692/71, implemen ada du an e a Di adu a Mili a ,
quando a educação oi ins umen alizada pa a a ende aos in e esses da mode nização
conse ado a, deixando em segundo plano a di e sidade e as demandas especí icas das
populações do campo (Gonçal es Ne o, 1997). A pa i dos anos 1990, com o a anço das
polí icas neolibe ais, o quad o se ag a ou: a edução do papel do Es ado, a p io ização de
polí icas ocalizadas e a lógica da me can ilização dos di ei os sociais acaba am po amplia as
ba ei as de acesso à educação pública de qualidade pa a os camponeses.
É nesse con ex o que se inse e o p esen e abalho, cuja p opos a é examina , a pa i de
uma e isão bibliog á ica, as polí icas de educação do campo no B asil no pe íodo de 1970 a
2000. A escolha des e eco e se jus i ica pela necessidade de comp eende como as polí icas
públicas implemen adas nesse in e alo his ó ico, ma cadas pelo au o i a ismo do egime
mili a e pelo a anço do neolibe alismo, impac a am nega i amen e a população u al. Mais do
que e idencia as polí icas de exclusão, in e essa ambém iden i ica os p ocessos de esis ência,
uma ez que, mesmo dian e da ad e sidade, di e sos sujei os do campo se o ganiza am na lu a
po di ei os básicos como a educação.
Isso pos o, o a igo busca esponde à seguin e pe gun a: de que manei a as e o mas
educacionais implemen adas no B asil en e 1970 e 2000, sob a in luência de o ien ações
neolibe ais, impac a am o acesso e a pe manência da população do campo na escola,
p oduzindo mecanismos de exclusão e impulsionando o mas de esis ência cole i a em de esa
da educação como di ei o social? Com isso, o obje i o cen al do es udo é comp eende como
as e o mas educacionais implemen adas no B asil en e 1970 e 2000, sob a in luência de
o ien ações neolibe ais, impac a am o acesso e a pe manência da população do campo na
escola, analisando os mecanismos de exclusão p oduzidos nesse p ocesso e iden i icando as
p incipais o mas de esis ência cole i a ol adas à a i mação da educação como di ei o social.
2 Pe cu so me odológico
Es e es udo se ca ac e iza como uma e isão na a i a da li e a u a (Ro he , 2007),
modalidade me odológica que isa sis ema iza e analisa c i icamen e p oduções cien í icas
sob e de e minado ema, sem a igidez dos p o ocolos p óp ios das e isões sis emá icas. De
aco do com Ca alcan e e Oli ei a (2020), esse ipo de e isão possibili a uma abo dagem
pano âmica e in e p e a i a sob e um campo do conhecimen o, pe mi indo a seleção lexí el de
ma e iais e a o ecendo a e lexão c í ica sob e concepções, p á icas e ma cos no ma i os que
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es u u am de e minado obje o de es udo. Essa ca ac e ís ica se mos a especialmen e pe inen e
dian e da complexidade do ema em ques ão, qual seja: a elação en e as e o mas educacionais
de iés neolibe al e a exclusão educacional no meio u al b asilei o en e as décadas de 1970 e
2000.
A opção po essa abo dagem me odológica se jus i ica pela p óp ia na u eza da
in es igação, que não isa à p odução de dados inédi os ou à sín ese es a ís ica de esul ados
empí icos, mas à p oblema ização eó ica e his ó ica das polí icas públicas educacionais
ol adas ao campo. Como des aca Ro he (2007), a e isão na a i a o e ece ao pesquisado
maio libe dade na seleção das on es, possibili ando o uso a iculado de li os, a igos
cien í icos, disse ações, eses e documen os o iciais, desde que se man enha o igo analí ico
na discussão dos con eúdos escolhidos.
A seleção do ma e ial bibliog á ico p i ilegiou es udos que abo dassem di e amen e as
polí icas educacionais ol adas ao campo, a econ igu ação do espaço u al b asilei o no
pe íodo delimi ado e os impac os das di e izes neolibe ais sob e a educação pública. Fo am
incluídas p oduções que, além de his o iciza o ema, con ibuíssem pa a a comp eensão das
dinâmicas de exclusão e das o mas de esis ência p esen es nas comunidades camponesas. O
le an amen o oi ealizado a pa i de bases acadêmicas econhecidas, como o Po al de
Pe iódicos da Capes, o Banco Digi al de Teses e Disse ações (BDTD) e o Google Acadêmico.
Ademais, o am consul ados li os ace ca da emá ica, a im de en iquece as discussões
ap esen adas.
A análise p io izou a iden i icação de endências eó icas p edominan es, o
econhecimen o de lacunas na li e a u a e a sis ema ização dos p incipais a gumen os em o no
da p esença ou da ausência de polí icas es u u an es pa a a educação do campo.
3 A educação do campo sob a acionalidade neolibe al: exclusão, esis ência e
con adições das polí icas públicas
Es a seção ap esen a a análise in e p e a i a da li e a u a sob e as e o mas educacionais
en e 1970 e 2000, e idenciando como a acionalidade neolibe al incidiu sob e a educação do
campo. A discussão es á o ganizada em ês eixos: a expansão do neolibe alismo e seus
impac os na educação do campo, os mo imen os de esis ência e as con adições das polí icas
públicas ol adas ao meio u al.
3.1 A expansão do neolibe alismo e seus impac os sob e a educação do campo
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As ans o mações oco idas no cená io polí ico e econômico b asilei o en e as décadas
de 1970 e 2000 i e am e ei os di e os e du adou os sob e a con igu ação da educação básica,
especialmen e no meio u al. Um aspec o cen al e idenciado na li e a u a diz espei o à
inse ção p og essi a da lógica neolibe al nas polí icas educacionais, o que esul ou na
in ensi icação da p eca ização dos se iços públicos, na ampliação dos p ocessos de exclusão
escola e no aci amen o das desigualdades educacionais.
De aco do com Romão (2024, p. 7), o neolibe alismo é um enômeno econômico, social
e cul u al, que
A icula as ideias de que o indi íduo é emp eendedo de si mesmo, de que a lógica de
me cado de e p e alece sob e as elações sociais e as inicia i as dos pode es
públicos, de que o Es ado de e se mínimo, sem esponsabiliza -se pelo comba e às
desigualdades que con o mam as sociedades no âmbi o do capi alismo.
Nesse sen ido, o neolibe alismo passou a se econhecido como uma no a acionalidade
de o ganização do mundo (Guima ães, 2024), uma no a go e namen abilidade libe al que
incidia sob e as di e en es es e as da ida social. Oli ei a e Aguia (2022) des acam que o
a anço do neolibe alismo oi acompanhado pelo desmon e p og essi o dos se iços sociais,
esul ando em um Es ado que, em ez de p omo e os di ei os sociais, passou a ope a como
a iculado dos in e esses do capi al. Essa in lexão oi de e minan e pa a o en aquecimen o das
polí icas es u u an es no campo educacional, a e ando especialmen e populações
his o icamen e ulne abilizadas. Po sua ez, Dowbo (2024) apon a que o concei o de
neolibe alismo al ez já não seja capaz de da con a das mudanças p o ocadas pela e olução
digi al nas sociedades con empo âneas, que supe am o p óp io concei o adicional de
capi alismo.
Nesse cená io, Pa ei a e Pe ei a (2023) essal am que a lógica ge encialis a, ípica do
neolibe alismo, in il ou-se nas es u u as da educação básica, p omo endo um modelo
educacional o ien ado pela e iciência p odu i a e pelo desempenho em a aliações ex e nas.
Esse modelo a o eceu o es aziamen o do ca á e o ma i o da escola pública e sua adequação
às exigências de me cado. Ainda segundo os au o es, mesmo nas expe iências conside adas
mais o odoxas, o Es ado man e e um papel a i o no inanciamen o da educação, mas sob uma
lógica de subo dinação aos in e esses p i ados, num papel subsidiá io, equen emen e po
meio de mecanismos como pa ce ias público-p i adas.
Esse papel assumido pelo Es ado em elação à educação signi ica ambém, de aco do
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com Robe o Bianche i (2001, p. 98):
[...] o apoio à inicia i a p i ada, pois esse in es imen o semp e é meno que o
eque ido pa a sus en ação de uma es u u a maio . Se o Es ado ajuda os
se o es p i ados a desen ol e em a a e a educa i a, libe am-se dos gas os de
manu enção dos es abelecimen os e da es u u a bu oc á ica.
No caso especí ico da educação do campo, os e ei os o am ainda mais e iden es.
Falei o e Fa ias (2017) obse am que, embo a o pe íodo enha sido ma cado po a anços
o mais no econhecimen o do di ei o à educação pa a as populações do campo, ais a anços
não se consolida am de manei a e e i a, jus amen e em azão das con adições impos as pelo
Es ado neolibe al. A descen alização da ges ão educacional, a ausência de inanciamen o
adequado e o echamen o de escolas u ais se o na am aços ca ac e ís icos desse pe íodo,
comp ome endo o acesso uni e sal e equi a i o ao di ei o à educação.
Po sua ez, Fe nandes e Ta lau (2017), ao analisa em o emba e en e o pa adigma da
educação do campo e a lógica neolibe al, a gumen am que as e o mas educacionais
p omo idas a pa i da década de 1990 se alinha am majo i a iamen e a uma isão emp esa ial
de educação, eduzindo-a a um ins umen o de adap ação aos in e esses do capi al. A concepção
de escola enquan o espaço de o mação c í ica e emancipa ó ia oi g adualmen e deslocada em
p ol de modelos educa i os o ien ados po compe ências me cadológicas e pela lexibilização
cu icula .
Lehe e Mo a (2012) e o çam que o neolibe alismo, ainda que p opagasse a de esa do
li e me cado e da libe dade indi idual, u ilizou-se o emen e da in e enção es a al pa a
molda as polí icas públicas educacionais aos in e esses do capi al. A expansão de polí icas
educacionais neolibe ais esul ou na p omoção da lógica p i a izan e, na ma ginalização de
expe iências educa i as al e na i as e no en aquecimen o da educação pública de ca á e
popula , especialmen e no meio u al.
Esse conjun o de e idências apon a pa a um quad o de in ensi icação das assime ias no
acesso à educação do campo, e idenciando o papel de e minan e do p oje o neolibe al na
p omoção de polí icas que, sob a apa ência da democ a ização, esul a am na exclusão e no
apagamen o de sujei os camponeses do di ei o pleno à educação pública de qualidade.
A segui , são abo dados os mo imen os de esis ência e a cons ução de al e na i as
pa a a educação do campo.
3.2 Mo imen os de esis ência e a cons ução de al e na i as pa a a educação do campo
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Embo a o a anço das polí icas neolibe ais enha p oduzido e ei os conside á eis sob e
a es u u a da educação pública, pa icula men e no campo, a li e a u a e idencia que esse
p ocesso não se deu sem con es ação (Fe nandes; Ta lau, 2017; Molina; F ei as, 2011; Souza,
2008). Di e sos mo imen os sociais, a iculados em o no da lu a pela e a e pela educação,
p o agoniza am p ocessos signi ica i os de esis ência en e às in es idas de me can ilização
e p eca ização das polí icas educacionais.
Molina e F ei as (2011) essal am que, sob e udo a pa i da década de 1990, eme giu
um mo imen o o ganizado em o no da concepção de educação do campo, o iginado
di e amen e das demandas dos abalhado es e das abalhado as u ais. Segundo as au o as, a
cons ução da educação do campo como pau a polí ica se deu em con aposição ao modelo
excluden e impos o pelo Es ado, de endendo uma educação inculada aos p oje os de ida dos
po os do campo, espei ando suas iden idades cul u ais, e i o iais e p odu i as.
Souza (2008) ambém des aca o papel undamen al do Mo imen o dos T abalhado es
Ru ais Sem Te a (MST) na cons ução de um p oje o pedagógico al e na i o. A pa i de suas
p á icas e expe iências educa i as, o mo imen o con ibuiu pa a consolida uma pedagogia
p óp ia, pau ada pela educação como ins umen o de emancipação polí ica e ans o mação
social. O au o obse a que a educação do campo, enquan o p oje o his ó ico, esul ou da ação
o ganizada dos mo imen os sociais e não de inicia i as isoladas do Es ado.
Fe nandes e Ta lau (2017) e o çam essa pe spec i a ao analisa em o P og ama
Nacional de Educação na Re o ma Ag á ia (P one a), concebido como esul ado di e o das
ei indicações dos sujei os do campo. Segundo os au o es, o P one a se cons i uiu como uma
polí ica pública undamen al, ainda que limi ada, na ga an ia do acesso à educação pa a
abalhado es assen ados da e o ma ag á ia. Sua exis ência e idencia que, mesmo em
con ex os dominados pela lógica neolibe al, é possí el cons ui polí icas públicas que
espondam às demandas das populações his o icamen e excluídas.
De manei a con e gen e, A oyo (2007), em análise sob e a e i o ialidade da educação
do campo, a gumen a que a esis ência camponesa não se limi ou a es a égias de en en amen o
ins i ucional, mas se exp essou ambém na alo ização dos sabe es locais, na p ese ação da
cul u a camponesa e na de esa do e i ó io como espaço de ida e p odução. Nesse sen ido, a
escola do campo o nou-se não apenas um espaço educa i o, mas um e i ó io polí ico de
a i mação iden i á ia.
Falei o e Fa ias (2017) ambém sublinham a ele ância da o ganização dos
abalhado es do campo, des acando que, mesmo dian e do a anço do neolibe alismo, as lu as
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sociais ga an i am a anços pon uais, como a ampliação do acesso à educação básica, a
implemen ação de p og amas especí icos e o o alecimen o de uma educação assen ada na
ealidade do campo. Con udo, os au o es ale am pa a a agilidade desses a anços en e às
dinâmicas de des esponsabilização es a al.
Esse conjun o de es udos e ela que a educação do campo, longe de se u o exclusi o
de polí icas es a ais, oi o jada na con luência en e mobilizações sociais, lu as his ó icas e
p á icas educa i as emancipa ó ias, o que ea i ma o p o agonismo dos po os do campo na
cons ução de al e na i as con a-hegemônicas no âmbi o educacional.
Apesa dessas conquis as, os es udos ambém apon am que a consolidação da educação
do campo esba a em con adições pe sis en es, e elando os limi es das polí icas públicas
en e à lógica hegemônica do capi al, o que se á discu ido adian e.
3.3 Con adições nas polí icas públicas e os limi es da democ a ização da educação do campo
A li e a u a analisada e idencia que, mesmo com o a anço de ma cos no ma i os e
p og amas especí icos, a educação do campo pe maneceu a a essada po con adições
es u u ais, especialmen e no con ex o de expansão das e o mas neolibe ais. Lehe e Mo a
(2012) apon am que a con igu ação das polí icas educacionais no B asil em sido ma cada pela
coexis ência de um discu so o icial de democ a ização com p á icas conc e as que e o çam a
subo dinação da educação aos in e esses do me cado. Pa a os au o es, a educação do campo,
quando econhecida pelo Es ado, é mui as ezes limi ada a polí icas compensa ó ias e
ocalizadas, sem alcança ans o mações es u u an es capazes de ga an i o di ei o pleno à
educação. Em ou as pala as, con o me F ei as (2018), o neolibe alismo olha pa a a educação
a pa i de sua concepção de sociedade baseada em um li e me cado. Ainda segundo o au o
(2018, p. 37):
[...] a educação é isolada de seus ínculos sociais e passa a se is a como uma ques ão
pu amen e de ges ão. Imaginando “conse a ” as escolas pela sua inse ção no li e
me cado e com p opos as es i as às a iá eis ex aescola es, en e elas o impac o das
condições de ida das c ianças na sua educação.
Oli ei a e Aguia (2022) con ibuem pa a essa discussão ao p oblema iza em a a uação
de o ganismos in e nacionais, como o Banco Mundial e o FMI, cuja in luência sob e as polí icas
públicas no B asil esul ou em sucessi os p ocessos de edução do papel do Es ado, inclusi e
no inanciamen o e na implemen ação de polí icas educacionais pa a o campo. Pa a os au o es,
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a lógica da e iciência ge encial e da p i a ização, in oduzida na adminis ação pública,
p oduziu um cená io em que as escolas u ais o am equen emen e a adas como cus os a
se em eliminados, is o é: “a escola é is a cada ez mais como apenas uma emp esa, ob igada
a acompanha a e olução econômica e obedece às exigências de me cado” (La al, 2019, p.
38), e, po an o, seus cus os de em se eduzidos.
No mesmo sen ido, Pa ei a e Pe ei a (2023) des acam o papel da lógica emp esa ial na
econ igu ação da educação básica, ma cada pela in odução de mecanismos de a aliação
pad onizada, anqueamen o de escolas e alo ização de compe ências alinhadas às demandas
do me cado. Tal acionalidade, segundo os au o es, con ibuiu pa a o es aziamen o do ca á e
c í ico da educação pública, impac ando especialmen e as comunidades do campo, cujas
ealidades complexas não se adequam aos modelos homogêneos e p odu i is as impos os pelas
e o mas educacionais.
Ainda sob essa pe spec i a c í ica, Falei o e Fa ias (2017) essal am que a expansão dos
di ei os educacionais no campo, embo a isí el no plano no ma i o, não oi acompanhada de
in es imen os es u u an es capazes de ga an i a pe manência dos es udan es e a alo ização
das p á icas pedagógicas con ex ualizadas. Ao con á io, o pe íodo oi ma cado pela
con inuidade de desigualdades his ó icas e pela manu enção de ba ei as socioeconômicas que
di icul a am a uni e salização do acesso à educação com qualidade.
Po an o, a análise dos es udos apon ou pa a a pe sis ência de uma con adição cen al.
Ao mesmo empo em que a educação do campo oi econhecida o malmen e como di ei o, sua
ma e ialização p á ica pe maneceu subo dinada às dinâmicas de me cado, à lógica da e iciência
neolibe al e à ocalização de polí icas públicas. O esul ado, como obse am Fe nandes e Ta lau
(2017), é um p ocesso de democ a ização incomple a, pe meado po a anços pon uais, mas
cons an emen e ameaçado pela lógica excluden e do p oje o neolibe al.
4 Conside ações inais
A pa i da análise ealizada, é possí el a i ma que as polí icas de educação do campo
no B asil, no pe íodo comp eendido en e 1970 e 2000, o am p o undamen e impac adas pela
ascensão do p oje o neolibe al. O conjun o dos es udos examinados e ela que, embo a enham
oco ido a anços pon uais na no ma ização dos di ei os educacionais e na o malização de
p og amas especí icos, como o P one a, p e aleceu uma lógica de o ganização educacional
subo dinada aos in e esses do me cado, especialmen e a pa i da década de 1990.