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359 32. USO RACIONAL DE MEDICAMENTOS NA GESTAÇÃO E LACTAÇÃO: PROTOCOLOS E RISCOS RATIONAL USE OF MEDICINES DURING PREGNANCY AND BREASTFEEDING: PROTOCOLS AND RISKS EIXO TEMÁTICO: Farmacologia na Obstetrícia: Uso Seguro de Medicamentos Ana Beatriz Alvarenga Schafer Graduanda em Enfermagem pelo Centro Universitário do Planalto Central Apparecido dos Santos - UNICEPLAC, Gama - DF Ana Gabrielle da Silva Macedo Graduanda em Enfermagem pelo Centro Universitário do Planalto Central Apparecido dos Santos - UNICEPLAC, Gama - DF Aline Araujo Ferreira Fernandes Enfermeira pelo Centro Universitário do Planalto Central Apparecido dos Santos - UNICEPLAC, Gama - DF Myllena Rayssa Gomes de Menezes Graduanda em Enfermagem pelo Centro Universitário Maurício de Nassau - UNINASSAU, Recife - PE Leandro da Silva Ferreira Graduando em Enfermagem pelo Centro Universitário Maurício de Nassau - UNINASSAU, Fortaleza - CE Flávia Nogueira Graduada em Enfermagem pela Faculdade de São Lourenço MG, Consultora em Amamentação Pós-Parto pela Comadre CIA-LIMITADA SP Raquel Gomes Cabral Graduanda em Enfermagem pela Universidade Paulista - UNIP Ludmilla Araújo Bispo dos Santos Graduanda em Enfermagem pela Universidade Estadual do Maranhão Francisco Isequiel Alves de Souza Graduado em Enfermagem-Uniplan, Tianguá-CE Vitória Stephane de Souza Vale Enfermeira pela Universidade do Estado do Amazonas RESUMO Introdução: A gestação e a lactação são fases marcadas por profundas transformações fisiológicas e emocionais, exigindo cuidados específicos quanto ao uso de medicamentos. O uso inadequado de fármacos nesse período pode trazer riscos significativos à mãe e ao bebê, especialmente pela capacidade de muitos medicamentos atravessarem a barreira placentária e serem excretados pelo leite materno. Objetivo: Este estudo teve como objetivo identificar, por meio da literatura, os riscos e protocolos relacionados ao uso de medicamentos durante a gestação e lactação, visando minimizar impactos adversos e promover a segurança maternoinfantil. Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, realizada nas bases LILACS, SciELO, BVS e PubMed, com publicações entre 2020 e 2025, nos idiomas português, inglês ou espanhol através dos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) e Medical Subject Headings (MeSH): “gravidez”, “lactação” e “uso de medicamentos”,
360 combinados com os operadores booleanos AND e OR para refinamento da busca. Após triagem, 15 estudos foram selecionados para compor a amostra final. Resultados e Discussão: Os estudos analisados evidenciam que o uso de medicamentos durante a gestação, o parto e a lactação constitui um tema de grande complexidade, sobretudo pela necessidade de conciliar a eficácia terapêutica com a segurança materno-fetal. Dessa forma, os resultados discutidos ressaltam que a farmacoterapia durante a gestação e a lactação deve ser conduzida com cautela, amparada em evidências científicas e acompanhada por equipes multiprofissionais. Ademais, a educação em saúde, o monitoramento farmacoterapêutico e a elaboração de protocolos específicos configuram estratégias centrais para assegurar a qualidade da assistência e reduzir riscos associados ao uso de medicamentos nesse período. Considerações Finais: Conclui-se que a prática clínica deve ser fundamentada em evidências científicas consistentes, associada ao monitoramento farmacoterapêutico e à implementação de políticas públicas que assegurem maior acesso à informação qualificada. Dessa forma, será possível minimizar riscos, favorecer o sucesso da gestação e da amamentação, e garantir maior proteção à saúde da mulher e do recém-nascido. Palavras-Chaves: gravidez; lactação; uso de medicamentos. ABSTRACT Introduction: Pregnancy and lactation are phases marked by profound physiological and emotional transformations, requiring specific care regarding medication use. Inappropriate medication use during this period can pose significant risks to mother and baby, especially due to the ability of many medications to cross the placenta and be excreted in breast milk. Objective: This study aimed to identify, through literature, the risks and protocols related to medication use during pregnancy and lactation, aiming to minimize adverse impacts and promote maternal and child safety. Methodology: This is an integrative literature review conducted in the LILACS, SciELO, BVS, and PubMed databases, covering publications published between 2020 and 2025 in Portuguese, English, or Spanish through the Health Sciences Descriptors (DeCS) and Medical Subject Headings (MeSH): "pregnancy," "lactation," and "drug utilization," combined with the Boolean operators AND and OR for search refinement. After screening, 15 studies were selected to comprise the final sample. Results and Discussion: The studies analyzed demonstrate that medication use during pregnancy, childbirth, and lactation is a highly complex issue, particularly due to the need to balance therapeutic efficacy with maternal-fetal safety. Therefore, the results discussed emphasize that pharmacotherapy during pregnancy and lactation should be conducted with caution, supported by scientific evidence, and monitored by multidisciplinary teams. Furthermore, health education, pharmacotherapeutic monitoring, and the development of specific protocols are key strategies for ensuring quality care and reducing risks associated with medication use during this period. Final Considerations: It is concluded that clinical
361 practice must be based on consistent scientific evidence, combined with pharmacotherapeutic monitoring and the implementation of public policies that ensure greater access to qualified information. This will minimize risks, promote successful pregnancy and breastfeeding, and ensure greater protection for the health of women and newborns. Keywords: pregnancy; lactation; drug utilization. INTRODUÇÃO A farmacoterapia durante a gestação, o parto e a lactação constitui um campo complexo e desafiador, uma vez que envolve não apenas a saúde da mulher, mas também a segurança e o desenvolvimento do feto e do recém-nascido. As alterações fisiológicas que ocorrem nesse período modificam a farmacocinética e a farmacodinâmica dos medicamentos, exigindo maior cautela na prescrição e no acompanhamento clínico, de modo a equilibrar os benefícios terapêuticos e os riscos potenciais (Allegaert, 2022). Nesse contexto, o acompanhamento farmacoterapêutico apresenta-se como estratégia essencial para promover o uso racional de medicamentos durante a gestação. Tal prática contribui para identificar riscos, prevenir eventos adversos e garantir a adesão ao tratamento, além de ampliar a segurança e a qualidade da assistência prestada às gestantes. Dessa forma, o monitoramento contínuo possibilita decisões mais assertivas e individualizadas, fortalecendo a proteção materno-fetal (Silva et al., 2022). No entanto, é notória a carência de conhecimento sobre as indicações, contraindicações e efeitos adversos que os fármacos proporcionam, tanto no período da gestação quanto no puerpério, o que pode comprometer diretamente o desenvolvimento do feto e/ou alimentação do recém-nascido (Quemel et al., 2021). Além da falta de conhecimento, outro fator que implica no uso indiscriminado de medicamentos é a escassez de estudos clínicos. Parte dos estudos clínicos evitam a realização de testes em gestantes e puérperas por questões éticas, o que resulta, muitas vezes, em decisões terapêuticas com materiais limitados ou embasados em pesquisas com a população geral (Santana et al., 2024).
362 É necessário, também, uma avaliação criteriosa do histórico clínico da gestante para poder classificar de forma mais eficiente os riscos da gestação. A prescrição de fármacos durante uma gestação de alto risco deve ser extremamente cuidadosa, avaliando criteriosamente os benefícios e malefícios que os medicamentos fornecem (Vinhas et al., 2024). Os medicamentos não são isentos de toxicidade e o seu uso, sem avaliação cuidadosa, pode gerar graves danos à saúde da gestante e do feto, pois alguns fármacos possuem a capacidade de atravessar a membrana placentária e comprometer o desenvolvimento do feto. Um exemplo desses fármacos é a talidomida, que foi amplamente utilizada para alívio de enjoos, mas possui efeitos teratogênicos comprovados, como a malformação congênita (Costa et al., 2024). Sendo assim, devido às limitações e questionamentos apresentados sobre a medicalização em gestantes e puérperas, o presente objetivo desse trabalho é identificar, através da literatura, os reais riscos e protocolos de medicações utilizadas, desde a fase da gestação à lactação, que possam minimizar impactos e proteger a fase reprodutiva da mulher e seu bebê. METODOLOGIA Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, cujo enfoque é reunir e analisar estudos disponíveis acerca do uso de medicamentos durante a gestação e lactação, considerando seus riscos, benefícios, indicações, contraindicações e protocolos recomendados. Esse tipo de revisão possibilita integrar resultados de pesquisas com diferentes delineamentos metodológicos, ampliando a compreensão sobre a temática e fornecendo subsídios para a prática clínica segura e baseada em evidências. A busca dos estudos foi realizada nas bases de dados LILACS (Literatura LatinoAmericana e do Caribe em Ciências da Saúde), SciELO (Scientific Electronic Library Online), BVS (Biblioteca Virtual em Saúde) e PubMed, utilizando os seguintes Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) e Medical Subject Headings (MeSH): “gravidez”, “lactação” e
363 “uso de medicamentos”, combinados com os operadores booleanos AND e OR para refinamento da busca. Os critérios de inclusão focaram em estudos publicados entre os anos de 2020 e 2025, disponíveis na íntegra, nos idiomas português, inglês ou espanhol, que abordassem de forma direta a atuação dos enfermeiros obstétricos no processo de cuidado durante o período perinatal. Mediante a aplicação desses critérios, foram selecionados 30 estudos para leitura completa. Após a leitura, foram excluídos 15 estudos devido à indisponibilidade do texto completo, temática distinta ou por não responderem ao objetivo da pesquisa. Assim, ao final da triagem, foram inseridos 15 estudos na amostra final da revisão. RESULTADOS E DISCUSSÃO Os estudos analisados evidenciam que o uso de medicamentos durante a gestação, o parto e a lactação constitui um tema de grande complexidade, sobretudo pela necessidade de conciliar a eficácia terapêutica com a segurança materno-fetal. De acordo com Allegaert (2022), a farmacoterapia nesse período deve ser pautada pela avaliação criteriosa da relação risco-benefício, uma vez que as alterações fisiológicas próprias da gestação modificam a farmacocinética e a farmacodinâmica dos fármacos. Nesse sentido, Silva et al. (2022) reforçam a importância do acompanhamento farmacoterapêutico individualizado, o que contribui para minimizar riscos e garantir desfechos clínicos mais favoráveis. Além disso, observa-se que o uso indiscriminado de medicamentos permanece um desafio. Silva et al. (2021) apontam que a automedicação entre gestantes ainda é prática recorrente, favorecendo complicações para a mãe e para o feto. Em consonância, Leão et al. (2023) destacam que o uso irracional de medicamentos na gestação pode gerar riscos como malformações congênitas, abortamento e comprometimento do desenvolvimento neurológico. Por conseguinte, o fortalecimento da educação em saúde surge como medida essencial para promover escolhas mais seguras. No que se refere às gestações de alto risco, Vinhas et al. (2024) salientam que a prescrição medicamentosa exige maior rigor científico e acompanhamento multiprofissional,
364 pois, embora alguns medicamentos sejam imprescindíveis para preservar a vida da gestante, outros apresentam potencial teratogênico relevante. Portanto, torna-se necessário equilibrar a eficácia clínica com a minimização dos efeitos adversos. Outro ponto relevante é o uso de psicotrópicos. Wiland, Penteado e Colacite (2025) e Leutritz et al. (2023) evidenciam que, apesar dos riscos potenciais, a utilização controlada desses medicamentos pode ser indispensável em casos de transtornos psiquiátricos graves. Correia, Santos e Paixão (2024) acrescentam que, no tratamento da depressão pós-parto, benzodiazepínicos ainda são empregados, embora o manejo clínico deva priorizar alternativas seguras e o monitoramento rigoroso. Desse modo, a tomada de decisão clínica precisa considerar tanto a saúde mental materna quanto os efeitos sobre o neonato. Em relação à lactação, Fernandes, Sanfelice e Carmona (2022) ressaltam que a indução da produção láctea em mulheres nuligestas pode demandar suporte farmacológico, o que reforça a necessidade de protocolos específicos. Complementarmente, Quemel et al. (2021) e Yaghi et al. (2024) demonstram que muitos fármacos atravessam para o leite materno, podendo gerar efeitos adversos na criança, razão pela qual a avaliação da segurança é imprescindível. No campo da dermatologia, McMullan et al. (2024) e Yaghi et al. (2024) atualizam o panorama sobre medicamentos tópicos e sistêmicos, indicando que, embora alguns sejam considerados seguros, outros ainda carecem de evidências conclusivas quanto ao risco teratogênico e à transferência pelo leite materno. Por fim, Santana et al. (2024) enfatizam que os desafios para o uso seguro de medicamentos em gestantes e lactantes incluem tanto a escassez de estudos clínicos quanto a ausência de protocolos atualizados em alguns contextos. Nesse panorama, Costa et al. (2024) e Santos et al. (2023) sublinham que a construção de práticas racionais de prescrição exige não apenas conhecimento científico, mas também políticas públicas voltadas para a saúde materna. Dessa forma, os resultados discutidos ressaltam que a farmacoterapia durante a gestação e a lactação deve ser conduzida com cautela, amparada em evidências científicas e
365 acompanhada por equipes multiprofissionais. Ademais, a educação em saúde, o monitoramento farmacoterapêutico e a elaboração de protocolos específicos configuram estratégias centrais para assegurar a qualidade da assistência e reduzir riscos associados ao uso de medicamentos nesse período. Para complementar a análise, foi construída a tabela com os artigos utilizados na escrita do capítulo. Tabela 1 – Produção científica sobre o uso racional de medicamentos na gestação e lactação: protocolos e riscos (2021-2025). Autores Título Ano ALLEGAERT, K. Pharmacotherapy during Pregnancy, Childbirth, and Lactation 2022 CORREIA, A. S. C.; SANTOS, E. C. S.; PAIXÃO, J. A. Uso de ansiolíticos benzodiazepínicos no tratamento da depressão pósparto em gestantes no Brasil: uma revisão bibliográfica 2024 COSTA, L. C. A. et al. Uso de fármaco durante a gestação 2024 FERNANDES, L. C. R.; SANFELICE, C. F. O.; CARMONA, E. V. Indução da lactação em mulheres nuligestas: relato de experiência 2022 LEÃO, K. B. M. S. et al. Analysis of irrational use of medication during pregnancy and its potential risks: An integrative review 2023
366 LEUTRITZ, A. L. et al. Psychotropic medication in pregnancy and lactation and early development of exposed children 2023 MCMULLAN, P. et al. Safety of dermatologic medications in pregnancy and lactation: an update – Part I: Pregnancy 2024 QUEMEL, G. K. C. et al. O uso de medicamentos no período da amamentação: Uma revisão da literatura 2021 SANTANA, E. S. et al. Uso seguro de medicamentos em gestantes e lactantes: desafios e oportunidades para a saúde materna 2024 SANTOS, A. H. B. et al. O uso indiscriminado do contraceptivo de emergência: uma revisão 2023 SILVA, E. O. et al. A importância do acompanhamento farmacoterapêutico de pacientes gestantes: revisão sistemática 2022 SILVA, L. G. et al. Automedicação entre gestantes do Brasil: revisão integrativa 2021
367 VINHAS, P. A. R. et al. Uso de Medicamentos Durante a Gestação de Alto Risco: Avaliação da Segurança e Eficácia de Diferentes Medicamentos 2024 WILAND, G. S.; PENTEADO, C. V. S.; COLACITE, J. Uso de medicamentos psicotrópicos durante a gestação e a lactação - uma revisão bibliográfica 2025 YAGHI, M. et al. Safety of dermatologic medications in pregnancy and lactation: An update – Part II: Lactation 2024 Fonte: Dos autores. CONSIDERAÇÕES FINAIS A análise da literatura evidenciou que o uso de medicamentos durante a gestação e a lactação constitui um campo de grande relevância para a saúde materno-infantil, mas ainda permeado por desafios significativos. A segurança no manejo farmacoterapêutico exige avaliação criteriosa da relação risco-benefício, bem como atenção às especificidades fisiológicas desse período, que alteram a farmacocinética e a farmacodinâmica dos fármacos. Verificou-se que a automedicação, o uso irracional de medicamentos e a carência de protocolos atualizados representam entraves para a promoção de um cuidado seguro, sendo necessários investimentos em educação em saúde e na conscientização de gestantes e puérperas. Ademais, nas gestações de alto risco, o uso de medicamentos deve ser ainda mais rigorosamente avaliado, uma vez que alguns fármacos apresentam comprovado potencial teratogênico.