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O tripé do Instituto Butantan para evitar a extinção da jararaca-ilhoa

Author: Marques, Otávio; Monteiro, Pulo H.N; Almeida-Santos, Selma
Publisher: Zenodo
DOI: 10.5281/zenodo.17361040
Source: https://zenodo.org/records/17361040/files/Marques_et_al_2025.pdf
SEÇÃO
His ó ia Na u al e Conse ação
H
BVOL. 14
NUM. 02
O a io A.V. Ma ques1, *, Paulo H.N. Mon ei o1, Selma M. Almeida-San os1
O ipé do Ins i u o Bu an an pa a e i a a ex inção da ja a aca-
ilhoa
Labo a ó io de Ecologia e E olução, Ins i u o
Bu an an, 05503-900, São Paulo, B asil.
* Co esponding au ho . E-mail: o a io.ma ques@
bu an an.go .b
Edi o es de Á ea: Cybele Lisboa, Ibe e Machado
Subme ido: 30/04/2025
Acei o: 20/09/2025
DOI: 10.5281/zenodo.17361040
H
BUma publicação da Sociedade
B asilei a de He pe ologia
Resumo
A ja a aca-ilhoa, endêmica da Ilha da Queimada G ande e c i icamen e
ameaçada, demanda espos as ápidas e in eg adas. Ap esen amos o ipé do
Ins i u o Bu an an pa a e i a sua ex inção: pesquisa, conse ação ex si u e
educação. No eixo da pesquisa, es amos consolidando es udos e abo dagens
em his ó ia na u al, ecologia compo amen al, isiologia ep odu i a, gené ica
e mic obio a, ge ando bases pa a manejo, pa eamen os e p o ocolos de
ep odução assis ida. No eixo ex si u, o Labo a ó io de Ecologia e E olução
(LEE ) do Ins i u o Bu an an es á implan ando um i ei o concebido pa a
eplica , na medida do possí el, a es u u a e o mic oclima da Flo es a A lân ica
insula , isando saúde ecológica e compo amen al, edução de endogamia
e o mação de um plan el ap o a u u as ein oduções. No eixo educa i o,
ações nas dependências do LEE e em escolas do li o al engajam docen es,
es udan es e público em ciência pa icipa i a, o alecendo o apoio social e o
comba e ao á ico. A in eg ação desses eixos c ia um modelo eplicá el pa a
ou as se pen es b asilei as e amplia as chances de iabilidade populacional
da espécie.
Pala as-cha e: ja a aca-ilhoa; conse ação ex si u; pesquisa; educação
ambien al; ein odução.
Abs ac
The Golden Lancehead, endemic o Queimada G ande Island and c i ically
endange ed, equi es swi , in eg a ed ac ion. We p esen he Bu an an Ins i u e’s
ipod o p e en ex inc ion: esea ch, ex si u conse a ion, and educa ion.
In he esea ch axis, we a e consolida ing s udies and app oaches in na u al
his o y, beha io al ecology, ep oduc i e physiology, gene ics, and mic obio a,
p o iding baselines o managemen , pai ings, and assis ed- ep oduc ion
p o ocols. Fo ex si u conse a ion, he Labo a ó io de Ecologia e E olução
(LEE ) a Ins i u o Bu an an is de eloping a i a ium designed o eplica e,
as a as easible, he island’s A lan ic Fo es s uc u e and mic oclima e,
p omo ing ecological and beha io al heal h, educing inb eeding, and building
a s ock sui able o u u e ein oduc ions. In educa ion, ini ia i es wi hin
LEE acili ies and in coas al schools engage eache s, s uden s, and he public
h ough pa icipa o y science, s eng hening social suppo and cu bing illegal
ade. In eg a ing hese axes o e s a eplicable amewo k o o he B azilian
snakes and inc eases he species’ popula ion iabili y.
Keywo ds: Golden Lancehead; ex si u conse a ion; esea ch;
en i onmen al educa ion; ein oduc ion.
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A se pe n e
A ja a aca-ilhoa (Bo h ops insula is) é al ez a se pen e
mais emblemá ica da auna b asilei a. Vi endo isolada
na pequena Ilha da Queimada G ande (Fig. 1), a mais de
30 km da cos a de São Paulo, ela depende de a es indas
do con inen e e a sua população ep esen a uma das
maio es densidades de se pen es do plane a (Ma ques
e al., 2002, 2012; Ma ins e al., 2008; Ab ahão e al.,
2021). Sua colo ação ama elada e a p esença de êmeas
in e sexuadas são ou as pa icula idades que in igam
di e sos pesquisado es (Ma ques, 2021; Ga cia e al.,
2022; Kaspe o iczus e al., 2023). Essa população de
cob as da Ilha da Queimada G ande semp e susci ou o
imaginá io popula , dando o igem a inúme as his ó ias
e lendas, aumen ando sua no abilidade. In elizmen e, o
a o de es a classi icada como c i icamen e ameaçada
de ex inção é ou o a ibu o que dá ama a essa singula
ja a aca.
Figu a 1. A Ilha da Queimada G ande e a ja a aca-ilhoa
(Bo h ops insula is) em seu habi a na u al.
MARQUES ET AL.
SEÇÃO
His ó ia Na u al e Conse ação
Aspec os como a pequena á ea da ilha, a al e ação de seu
habi a na u al, a e i ada de espécimes pelo á ico ilegal
e a cons a ação da queda populacional em seu habi a
na u al (Ma ques, 2021) azem com que ja a aca-ilhoa
seja incluída na ca ego ia ‘c i icamen e ameaçada’ na Lis a
Ve melha de Espécies Ameaçadas da União In e nacional
pa a a Conse ação da Na u eza (IUCN) desde o ano de
2000. Pos e io men e, oi adicionada ambém às lis as
o iciais da auna ameaçada de ex inção do Es ado de São
Paulo e do B asil (Ma ques e al., 2002). Ap esen amos, a
segui , as ações desen ol idas pelo Ins i u o Bu an an na
en a i a de e e e o p ocesso de ex inção des a espécie.
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B
O Ins i u o Bu an an
Fundado em 1901 como Ins i u o Se um he ápico, com o
obje i o de p oduzi so o an ipes oso pa a comba e um
su o de pes e bubônica que se p opaga a a pa i do Po o
de San os, o Ins i u o passou a p oduzi o so o an io ídico
já no seu p imei o ano de exis ência. Dessa o ma, o
Bu an an ambém passou a esponde aos obje i os de
Vi al B azil, seu p imei o di e o , que já desen ol ia
pesquisas elacionadas ao comba e ao o idismo.
Como uma das p incipais es a égias pa a a cap ação
de se pen es na na u eza, necessá ias pa a p oduzi
o so o an io ídico, Vi al B azil c iou um sis ema no
qual a população pode ia adqui i g a ui amen e o
so o an io ídico e caixas de madei a, além de ou os
equipamen os pa a a cap u a, em oca de se pen es
en egues i as ao Bu an an. De ido ao sucesso dessa
es a égia, a ins i uição passou a se p incipal des ino pa a
o en io de se pen es encon adas na na u eza em di e sas
egiões do e i ó io b asilei o, o nando-se e e ência no
es udo de o ídicos (Ibañez e al., 2005).
Foi nes e Ins i u o que dezenas de no as espécies de
se pen es o am descobe as pela ciência, des acando-
se ambém inúme os es udos sob e seus enenos. Em
1921, um de seus di e o es, A ânio do Ama al, desc e eu
uma ja a aca di e en e, de om ama elado, que habi a
a isolada Ilha da Queimada G ande, ao la go do li o al
de São Paulo. Apesa dessa descobe a, poucos es udos
o am desen ol idos no Ins i u o Bu an an com a
espécie no século passado (Kaspe o iczus & Almeida-
San os, 2012). Além do p óp io Ama al, que desc e eu a
espécie e es udou aspec os básicos de sua biologia e seu
eneno (Ama al, 1921), ou o es udo que ca ac e iza a
in e sexualidade da espécie na década de 1950 me ece
des aque (Hoge e al., 1959).
A ualmen e, o Ins i u o Bu an an des aca-se pela p odução
de so os e acinas, além do desen ol imen o de pesquisas
básicas e aplicadas elacionadas di e a ou indi e amen e
à saúde pública. A ca ac e ização e in es igação
das p op iedades a macológicas das moléculas que
compõem os enenos o ídicos, assim como a a aliação
do seu uso pa a no os medicamen os êm sido uma das
en es de pesquisa do ins i u o nes e século (A melin,
2009). Em elação à pesquisa básica, podemos essal a os
es udos sob e his ó ia na u al de se pen es, consolidados
na ins i uição nas úl imas ês décadas ( e Maschio e
al., 2023). O conhecimen o da his ó ia na u al, associado
à es udos ilogené icos em possibili ado esga a e
comp eende á ios aspec os da his ó ia e olu i a desses
ép eis (e.g., Ma ins e al., 2002; Alenca e al., 2013).
Vale des aca que mui as espécies de se pen es são al os
de es udos de biop ospecção. Ag ega o conhecimen o da
his ó ia na u al de uma espécie, assim como econhece
a sua posição ilogené ica, equen emen e sinaliza maio
possibilidade pa a descobe a de moléculas desconhecidas
e com po encial de uso a macológico em bene ício dos
humanos.
Há mui o a pesquisa , mas o p ocesso de ex inção a ança
con inuamen e no plane a e ambém a inge as se pen es,
mo i ando a p eocupação de boa pa e dos pesquisado es
do Ins i u o Bu an an.
O no o desa io
O B asil es á no opo dos países megadi e sos (B ooks e
al., 2006) e ab iga ce ca de 10% da biodi e sidade mundial
(Lewinsohn & P ado, 2005). As análises mais ecen es
indicam que 1.253 espécies da auna b asilei a es ão
ameaçadas de ex inção (PORTARIA MMA Nº 148/2022).
Dada a sua ele ada biodi e sidade, o país em um g ande
desa io pa a e ea a pe da de espécies. Re e e o p ocesso
de ex inção de qualque espécie é a e a undamen al pa a
manu enção da biodi e sidade do plane a, e ações nes e
sen ido são de ex ema impo ância. Tal a e a exige a
ampla mobilização da sociedade, das uni e sidades e de
cen os de pesquisas. Ações que p ese em os habi a s
na u ais em que i em as espécies ce amen e são as
medidas mais e e i as pa a e e e o p ocesso de ex inção.
No en an o, ações especí icas ol adas pa a espécies-al os,
ais como p og amas de manu enção ex si u, ep odução
assis ida e a c iação de biobancos de em se is as como
e amen as indispensá eis pa a a conse ação.
En e as espécies ameaçadas de nossa auna es ão lis adas
24 se pen es, incluindo a ja a aca-ilhoa. Dian e des e
cená io, o Ins i u o en en a mais um desa io e começa
a da a sua pa cela de con ibuição pa a sal agua da
a nossa biodi e sidade. Dado o seu g au de ameaça e o
ela i o bom conhecimen o de sua ecologia, a ja a aca-
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BMARQUES ET AL.
SEÇÃO
His ó ia Na u al e Conse ação
H
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H
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ilhoa é a p imei a espécie-al o do Ins i u o pa a o
desen ol imen o de ações de conse ação.
As ações pa a conse a
A União In e nacional pa a a Conse ação da Na u eza
(IUCN) p opõe di e sas medidas pa a p o ege ou
ecupe a populações de espécies ameaçadas. Além da
p ese ação ou ecupe ação de seus habi a s na u ais,
podemos econhece ês eixos básicos de ações pa a
e e e o p ocesso de ex inção de uma espécie: (1)
o desen ol imen o de pesquisas cien í icas, (2) a
conse ação ex si u (ou seja, a manu enção de uma
população o a do seu habi a na u al) e (3) campanhas
educa i as.
Vá ios p oje os desen ol idos no Ins i u o Bu an an com
apoio da FAPESP possibili a am ca ac e iza os p incipais
aspec os da his ó ia na u al e ecologia da espécie, mas
ou os es udos são essenciais e u gen es pa a subsidia
medidas de conse ação in si u e ex si u.
Pa a conc e iza as ações de conse ação de se pen es, o
Ins i u o Bu an an inaugu ou no as ins alações pa a o
Labo a ó io de Ecologia e E olução (LEE ) cuja p incipal
missão é desen ol e e consolida os ês eixos básicos de
ações pa a a conse ação das espécies. Pa a al inalidade
o local (Fig. 2) possui um i ei o pa a a conse ação ex
si u da ja a aca-ilhoa e p édios des inados a bio é ios,
labo a ó ios e espaços des inados a exposições com
inalidades educa i as, elacionadas à emas cien í icos
em ge al e, pa icula men e, à conse ação.
Figu a 2. Ins alações do Labo a ó io de Ecologia e E olução
(LEE ) do Ins i u o Bu an an, com qua o p édios des inados
a pesquisa, bio é io, exposição ao público e um i ei o pa a
conse ação ex si u.
MARQUES ET AL.
SEÇÃO
His ó ia Na u al e Conse ação
Os p imei os passos
Em um a igo publicado na Ciência Hoje em 2002, os
au o es menciona am a impo ância de es udos de alhados
sob e biologia pa a a alia os iscos eais a que ja a aca-
ilhoa es á sujei a e suge i am a manu enção de um plan el
ex si u como uma medida impo an e pa a a conse ação
da espécie ( e Ma ques e al., 2002). Desde en ão, dois
p oje os pa ocinados pela FAPESP, conduzidos po
pesquisado es do LEE , possibili a am o desen ol imen o
de á ios es udos sob e a his ó ia na u al e ecologia da
ja a aca-ilhoa. A ualmen e, um e cei o p oje o es á
de alhando a sua biologia ep odu i a.
Em um dos p oje os, desen ol ido en e 2007 e 2009,
com o obje i o de ca ac e iza os hábi os alimen a es
e a biologia ep odu i a da ja a aca-ilhoa, su giu a
p opos a de cole a alguns exempla es a im de inicia
uma expe iência pilo o isando a conse ação ex si u.
Nesse con ex o, 20 exempla es o am azidos da ilha e
acondicionados em caixas plás icas indi idualizadas em
um pequeno bio é io do LEE (SISBIO: 25650-13).
A consolidação do p imei o plan el ex si u da ja a aca-
ilhoa pe mi iu abo da á ios aspec os da biologia
ep odu i a dessa se pen e (e.g., pe íodo de acasalamen o,
ecundidade, acompanhamen o ges acional com o uso
da ul assonog a ia, época de nascimen o e núme o de
ilho es) esul ando em á ios a igos (Ma ques e al.,
H
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Figu a 3. Á ea do i ei o, onde se ão eplicadas as condições
simila es às da Ilha da Queimada G ande pa a man e um
plan el da ja a aca-ilhoa.
2013; Amo im e al., 2019; Ga cia e al., 2022, 2023 Ga cia
& Almeida-San os, 2022 ). Tais es udos, p incipalmen e
sob e as ca ac e ís icas ísicas e biológicas do sêmen e a
época de i elogênese possibili a am a seleção de adul os
é eis pa a pa eamen o de casais em bio é io (Sil a e
al., 2015, 2021). Dian e disso, o plan el oi mul iplicado,
aumen ando de 20 pa a quase 60 exempla es.
O sucesso na manu enção e ep odução desse plan el
impulsionou o p oje o de conse ação ex si u e culminou
com a cons ução de no as dependências pa a o LEE .
No no o local, oi incluído um i ei o pa a ab iga uma
população ex si u com as condições simila es às da Ilha
da Queimada G ande, pe mi indo que as se pen es se
habi uem a se locomo e sob e a ege ação, iquem
ap as a cap u a a es e p epa adas pa a en en a ou as
si uações p óp ias do seu habi a na u al.
Conse ação ex si u
O i ei o do LEE (Fig. 3) p e ende não apenas ab iga
um plan el pa a assegu a a exis ência da espécie ex
si u, mas ambém man e espécimes iá eis pa a se em
in oduzidos na na u eza em caso de ex inção ou mesmo
dian e de dados de que es a seja iminen e. Assim, é
undamen al que os exempla es do i ei o se adap em
a i e em condições simila es às da Ilha da Queimada
G ande, conside ando suas pa icula idades e as
di iculdades impos as pelo seu habi a na u al. O ecin o,
com 250 m2, oi concebido jus amen e pa a que nele
sejam eplicadas − na medida do possí el − as condições
exis en es na ilha.
MARQUES ET AL.
A Ilha da Queimada G ande é ecobe a po Ma a
A lân ica, e a sua composição lo ís ica é ela i amen e
bem conhecida (Ku z e al., 2017, Ma ques 2021). Desse
modo, há in o mações segu as pa a eplica uma cobe u a
ege al simila no i ei o. Um es udo populacional da
ja a aca-ilhoa mos ou que a espécie i e no in e io da
lo es a e a amen e é a is ada em po ções abe as da ilha
(Ma ins e al., 2008). Essa ja a aca ap esen a um pad ão
e mo-con o mado , ou seja, sua empe a u a co po al
a ia de aco do com o ambien e, sem mecanismos
compo amen ais e iden es de e mo egulação a i a.
Suas exigências é micas são assegu adas pelo mic oclima
ela i amen e es á el do in e io da lo es a que ecob e a
ilha (Bo o e al., 2012). A Ilha possui in eg idade lo es al
meno do que á eas de Ma a A lân ica bem p ese adas,
mas um es udo sob e o uso de habi a e idenciou que a
se pen e em p e e ência po locais mais ín eg os, com
dossel al o e poucas abe u as (Banci, 2023). Flo es as
mais ín eg as o e ecem habi a s melho es u u ados,
com maio disponibilidade de subs a os acima do solo,
po onde as se pen es cos umam se locomo e , além de
polei os equen emen e u ilizados pa a caça as a es
que cons i uem sua die a. Assim, a c iação de ambien e
lo es al com ais ca ac e ís icas é essencial pa a a
manu enção de um plan el de B. insula is o a do seu
habi a na u al, de o ma saudá el do pon o de is a
ecológico e compo amen al.
Se não há dú ida de que a p esença de uma isionomia
ege al no i ei o simila à da ilha é imp escindí el, não
há, a é o momen o, elemen os pa a a i ma se as espécies
ege ais na i as da ilha são igualmen e impo an es
pa a man e as mesmas ca ac e ís icas ecológicas e
compo amen ais da população ex si u. Es udos em
andamen o e em planejamen o no LEE i ão auxilia a
esponde al ques ão ( e i em Pesquisa). Uma ez
que, no momen o, só há in o mação segu a de que a
ja a aca-ilhoa necessi a do somb eamen o da lo es a,
o p imei o passo é a o mação de uma pequena lo es a
com espécies a bó eas que pe mi am o desen ol imen o
de um dossel. Pa a esse im o am in oduzidas no ecin o
dezenas de mudas a bó eas de ápido c escimen o.
Com o dossel consolidado, ga an ido o somb eamen o e
umidade necessá ios, se ão ac escen adas lianas, epí i as
e o mas a bus i as, deixando o ambien e simila àqueles
mais ín eg os exis en es na ilha, con o me es udo p é io
(Banci, 2023).
SEÇÃO
His ó ia Na u al e Conse ação

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O manejo da ege ação de e inclui poda, emoção de
in aso as e, e en ualmen e, a in odução de espécies
na i as da ilha, caso se demons e que são impo an es
pa a a ecologia e o compo amen o da ja a aca-ilhoa.
Pesquisa
Embo a di e sos aspec os da his ó ia na u al e ecologia
da ja a aca-ilhoa enham sido es udados ao longo das
úl imas duas décadas, incluindo hábi os alimen a es,
e mo egulação, uso do habi a , in e ação com
p edado es, ep odução e es ima i as populacionais
(Ma ques, 2021, Al es-Nunes e al., 2023; Kaspe o iczus
e al., 2023; Sawaya e al., 2023; Banci e al., 2024),
mui as ques ões essenciais pa a o manejo da espécie no
i ei o pe manecem em abe o. Es udos sob e ecologia
compo amen al, eco isiologia, isiologia ep odu i a e
gené ica são p io i á ios, pois podem ge a in o mações-
cha e pa a o manejo de um plan el saudá el e pa a u u as
in oduções ou ein oduções. A adequação do i ei o,
simulando ao máximo as condições da ilha é impe a i a,
especialmen e se hou e a possibilidade de sol u a de
espécimes no local, sendo indispensá el, que man enham
ca ac e ís icas biológicas compa í eis com as populações
sel agens, ga an indo sua adap ação ao ambien e na u al.
Além disso, é undamen al p ese a essas ca ac e ís icas
ao longo das ge ações do plan el, pa a e i a a seleção
a i icial que pode ia a o ece ca ac e es di e en es
daqueles p esen es na população na u al da ilha.
A p imei a ase de ins alação da ege ação, embo a u ilize
espécies ege ais egis adas na ilha ou semelhan es,
em como obje i o c ia um ambien e somb eado e com
complexidade es u u al adequada. Essa con igu ação
ga an i á a edução da insolação di e a, a manu enção
da umidade e a o e a de empe a u as e subs a os
a bó eos compa í eis com as necessidades da ja a aca-
ilhoa. O mic o-habi a de caça depende dessas a iá eis,
mas desconhecemos se de e minadas espécies ege ais
in luenciam na escolha desses locais. Na ilha, obse amos
equen emen e se pen es caçando em meio a u os
caídos no solo ou sob e a ege ação (Fig. 4). A p esença de
u os é um a a i o pa a a es, e a seleção desses pon os
pela ja a aca-ilhoa aumen a as chances de encon o com
suas p esas. É impo an e comp eende mos qual sinal
a se pen e u iliza pa a econhece esses sí ios de caça.
Expe imen os pa a a alia o in e esse e a a ação das
ja a acas-ilhoas po di e en es es ímulos, incluindo sinais
químicos libe ados pelos u os se ão essenciais pa a as
p óximas e apas do manejo da ege ação. Essas a aliações,
associadas a ou os es udos de ecologia compo amen al,
de em o ien a o manejo e o en iquecimen o ambien al
do i ei o.
Ou o aspec o impo an e conside ado pelo LEE é a
a aliação da di e sidade gené ica do plan el de ja a acas-
ilhoas. Esse p ocedimen o é necessá io po que, ha endo
poucos indi íduos pa a c uzamen o, o isco de ele ada
axa de endogamia (c uzamen o en e pa en es p óximos)
aumen a, podendo le a à diminuição da a iabilidade
gené ica do plan el. Recomenda-se que a simila idade
gené ica da população ex si u seja p óxima à da população
sel agem, a im de man e ca ac e ís icas compa í eis
com a população insula e p ese a sua capacidade de
adap ação ao ambien e na u al da ilha.
Figu a 4. Ja a aca-ilhoa (Bo h ops insula is) em a i idade de
caça en e u os caídos e na ege ação. A comp eensão dos
sinais u ilizados pela espécie pa a seleciona seus sí ios de caça
é essencial pa a o manejo ex si u.
MARQUES ET AL.
SEÇÃO
His ó ia Na u al e Conse ação
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BMARQUES ET AL.
Figu a 5. Es udos sob e ep odução, di e sidade gené ica das
populações ex si u ( i ei o) e in si u (Ilha) e análise de suas
mic obio as se ão essenciais pa a o manejo e pa a a implan ação
de p og amas de ein odução da ja a aca-ilhoa.
do li o al sul de São Paulo, egião adjacen es à Ilha da
Queimada G ande.
As ins alações do LEE , com mais de mil me os
quad ados, es ão si uadas no in e io da ese a de
Ma a A lân ica do ins i u o e incluem qua o blocos
independen es de pesquisa, além do i ei o. Esse
complexo o e ece um ambien e p opício pa a a i idades
educa i as que ansmi am o conhecimen o p oduzido
pelo Labo a ó io, assim como os seus p incípios de
abalho. Todos os qua o p édios do LEE ap esen am
janelas dispos as pa a a obse ação e a in e ação com o
público e são ci cundados po passa elas de ci culação
pa a isi an es. T ês p édios ab igam labo a ó ios e
pesquisado es e ou o é des inado p incipalmen e pa a a
manu enção de animais i os em bio é ios e à exposição
de emas elacionados à conse ação.
A p opos a é ecebe isi as moni o adas po educado es
que in e ajam con inuamen e com os pesquisado es,
pe mi indo aos isi an es i encia os p oje os
desen ol idos no LEE ol ados à conse ação das
espécies. Esses educado es conduzi ão os g upos,
ap esen ando e discu indo as pesquisas desen ol idas no
local. Temas como ecologia compo amen al, bem-es a
animal, ep odução, e olução e di e sidade gené ica se ão
abo dados, des acando como a pesquisa e a p odução de
conhecimen os são essenciais pa a subsidia as ações de
conse ação in si u e ex si u.
O p imei o es udo, ealizado com 79 indi íduos (49 ex si u
e 30 in si u), indicou 49% de simila idade gené ica en e a
população de ca i ei o e sel agem (Salles-Oli ei a e al.,
2020). Esse esul ado p elimina e o ça a necessidade
de moni o amen o da população do i ei o, já que
p og amas de ein odução ge almen e ecomendam a
manu enção de pelo menos 90% da di e sidade gené ica
en e as populações ex si u e in si u (F ankham e al.,
2017). Nes e sen ido, os es udos sob e ep odução da ão
o espaldo necessá io pa a eduzi a endogamia e e i a
a pe da da di e sidade gené ica (Fig. 5). A elabo ação de
p o ocolos pa a ob enção e a mazenamen o de sêmen de
machos da ilha, aliada ao ap imo amen o das écnicas
de inseminação a i icial, pode á minimiza ou elimina
a necessidade de no as cole as, ga an indo um plan el
gene icamen e di e so (Sil a e al., 2021).
O es ado sani á io do plan el de e se a aliado
pe iodicamen e. A ein odução de espécimes pode
p o oca a disseminação de doenças, a e ando a população
sel agem, e os animais ein oduzidos ambém podem se
ulne á eis a pa ógenos p esen es no ambien e na u al. O
Ins i u o Bu an an possui a expe ise pa a aça o pe il
me agenômico da mic obio a da população ex si u e in
si u, u ilizando écnicas de me agenômica pa a ga an i
a ein odução segu as ambém sob o pon o de is a
sani á io.
Ações educa i as
Ações educa i as es ão sendo conduzidas no p óp io
Ins i u o Bu an an, jun o às no as ins alações do LEE ,
e ambém com o en ol imen o de escolas municipais
SEÇÃO
His ó ia Na u al e Conse ação
H
B
O abalho jun o às escolas do li o al oi iniciado
no município de I anhaém, em 2018, com cu sos
di ecionados aos p o esso es da ede pública. I anhaém
é a cidade mais p óxima da Ilha da Queimada G ande e
pon o de acesso po emba cações, incluindo ba cos de
pescado es. Em uma p imei a ase, oi minis ado um
cu so abo dando se pen es em ge al e especi icidades
elacionadas à ja a aca-ilhoa, ol ado pa a p o esso es
de 18 escolas municipais. A segunda ase, iniciada em
2022, em como obje i o en ol e alunos e p o esso es em
p oje os de pesquisa desen ol idos pelos pesquisado es
do LEE na Ilha da Queimada G ande. O p imei o
p oje o a a da p essão de p edado es na ilha como um
dos a o es da e olução e di e enciação da ja a aca-ilhoa,
e en ol e a es a égia de u iliza éplicas de cob as (Fig. 6)
em expe imen os bem adequados pa a se em conduzidos
pelos es udan es.
Figu a 6. Réplicas ei as com massa de modela ep esen ando as co es da da ja a aca con inen al (acima) e da ja a aca-ilhoa (abaixo).
MARQUES ET AL.
SEÇÃO
His ó ia Na u al e Conse ação
Expe imen os com éplicas de se pen es con eccionados
com massa de modela êm sido desen ol idos em
algumas á eas de Ma a A lân ica pa a quan i ica a axa
de p edado es sob e se pen es (e.g., Siquei a & Ma ques,
2018; Banci e al., 2020). Em um desses es udos oi
possí el compa a a p essão de p edado es de se pen es
en e a Ilha da Queimada G ande e á eas con inen ais de
Ma a A lân ica, cons a ando-se que a axa de p edação
na ilha é mui o in e io às do con inen e (Banci e al.,
2024). É possí el que essa meno p essão de p edado es
enha possibili ado a e olução e ixação da co ama elada
nas ja a acas da Ilha. Simila aos animais albinos, a co
ama elada ende a se mais chama i a aos p edado es
isuais, mas pode ia e sido ixada na população da ilha
pela baixa p essão de p edação. Pa a es a al hipó ese
é necessá io compa a a axa de p edação sob e éplicas
H
B
com pad ão ama onzado (simila à co da ja a aca
con inen al) com as de pad ão ama elado (como o da
ja a aca-ilhoa). A ideia é le a essa ques ão aos es udan es
e en ol ê-los no es udo e expe imen os em campo (Fig.
7). Nesse sen ido, es a égias baseadas na Ciência Cidadã,
onde a população pa icipa da cole a de dados em uma
pesquisa, pode ão se desen ol idas jun o ao público
(Bonney, e . al. 2015).
Essa ação possui á ios passos que en ol em a discussão
de con eúdos e concei os sob e in e ações ecológicas,
MARQUES ET AL.
Figu a 7. Expe imen o pilo o u ilizando as éplicas com a pa icipação dos alunos de uma das escolas municipais de I anhaém ( e
ex o).
adap ação, de i a gené ica e ou os aspec os elacionados à
e olução e ecologia. A pa i do domínio desses concei os,
p o esso es e alunos pode ão i encia as p incipais
e apas do mé odo cien í ico, incluindo a desc ição de
enômenos, a elabo ação de hipó eses e o planejamen o
e execução de expe imen os. Além de es imula a p á ica
do pensamen o cien í ico nas escolas, espe a-se que a
p esença da ja a aca-ilhoa despe e a sensibilização e
engajamen o pa a a conse ação dessa espécie e, em
especial, na lu a con a o á ico.
SEÇÃO
His ó ia Na u al e Conse ação