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BRAZILIAN JOURNAL OF ORAL AND SYSTEMIC HEALTH DOI doi.org/10.5281/zenodo.17651702 http://bjoshealth.com.br ISSN 3085-8097 AVALIANDO AS VARIAÇÕES DO DIÂMETRO FORAMINAL DE DENTES PERMANENTES NA POPULAÇÃO BRASILEIRA PARA INSTRUMENTAÇÃO DO TERÇO APICAL – UMA REVISÃO DE LITERATURA Assessing Variations in the Foramen Diameter of Permanent Teeth in the Brazilian Population for Apical Third Instrumentation – A Literature Review Volume 1 Número 2 Jul-Dez 2025 REVISÃO DE LITERATURA Arthur Leonel Oliveira1 ; João Vitor Cunha Silveira1 ; Flávia Soares Pereira1 ; Amanda Raquel de Oliveira2 ; Heitor Menezes Dias2 ; Fernando Nascimento3 ; Leonardo Bíscaro Pereira3 RESUMO Objetivo: Avaliar as variações do diâmetro foraminal de dentes permanentes na população brasileira e discutir sua importância clínica para o planejamento da instrumentação do terço apical na terapia endodôntica. Métodos: Realizouse uma revisão narrativa da literatura nas bases PubMed/MEDLINE, SciELO, EBSCO e Google Acadêmico. A busca utilizou descritores em português e inglês relacionados à anatomia do sistema de canais radiculares, diâmetro foraminal e instrumentação apical. Foram incluídos estudos que apresentavam medidas anatômicas de dentes permanentes provenientes de indivíduos brasileiros. Pesquisas com populações estrangeiras, artigos pagos e estudos que não abordassem diretamente o tema foram excluídos. Além disso, ferramentas digitais como Consensus, Perplexity e Connected Papers foram utilizadas para ampliar a identificação de estudos relevantes. Resultados: Os estudos analisados demonstraram grande variabilidade no diâmetro foraminal entre diferentes grupos dentários, gêneros e faixas etárias da população brasileira. Trabalhos utilizando Tomografia Computadorizada de Feixe Cônico (TCFC) e Microtomografia Computadorizada evidenciaram que o diâmetro mésio-distal a 1 mm do ápice frequentemente é inferior ao vestíbulolingual, reforçando a dificuldade de alcançar uma instrumentação completa devido ao formato ovalado da região apical. Pesquisas clínicas também mostraram que a determinação da lima inicial costuma subestimar o diâmetro real, podendo resultar em subinstrumentação. Além disso, a prevalência elevada de ramificações apicais e variações morfológicas contribui para o aumento do risco de insucesso quando não identificadas previamente. Conclusão: O diâmetro foraminal apresenta significativa variabilidade anatômica na população brasileira, exigindo individualização da técnica de instrumentação. O conhecimento detalhado da morfologia apical auxilia na seleção adequada da lima inicial, no estabelecimento do limite de instrumentação e na redução de áreas não tocadas. Embora a instrumentação mecânica isolada seja insuficiente no terço apical devido à sua complexa anatomia, a associação com irrigação eficiente e medicação intracanal melhora a desinfecção e aumenta a previsibilidade clínica da terapia endodôntica. 1 – Discente do Centro Universitário de Patos de Minas – UNIPAM, Patos de Minas, MG, Brazil 2 – Graduado(a) em Odontologia pelo Centro Universitário de Patos de Minas – UNIPAM, Patos de Minas, MG, Brazil 3 - Docente do Centro Universitário de Patos de Minas – UNIPAM, Patos de Minas, MG, Brazil Autor de Correspondência: Arthur Leonel Oliveira email: [email protected] Palavras-chave: Diâmetro foraminal, Endodontia, Instrumentação apical, Microtomografia, Morfologia Apical.
Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Nov 19, 2025 ISSN 3085-8097 Avaliando as variações do diâmetro foraminal de dentes permanentes na população brasileira para instrumentação do terço apical – uma revisão de literatura Oliveira AL; Silveira JVC; Pereira FS; Oliveira AR; Dias HM; Nascimento F; Pereira LB 528 ABSTRACT Objective: To evaluate the variations in the apical foramen diameter of permanent teeth in the Brazilian population and to discuss its clinical relevance for planning apical third instrumentation in endodontic therapy. Methods: A narrative literature review was conducted using PubMed/MEDLINE, SciELO, EBSCO, and Google Scholar search engine. The search included Portuguese and English descriptors related to root canal anatomy, apical foramen diameter, and apical instrumentation. Studies reporting anatomical measurements of permanent teeth from Brazilian individuals were included. Exclusion criteria comprised articles involving non-Brazilian populations, paid studies, and those not directly addressing the topic. Digital scientific tools such as Consensus, Perplexity, and Connected Papers were also used to refine and expand the selection of relevant studies. Results: The reviewed studies showed substantial variability in foramen diameter among different tooth groups, genders, and age ranges in the Brazilian population. Research using Cone-Beam Computed Tomography (CBCT) and Micro-CT demonstrated that the mesiodistal diameter at 1 mm from the apex is often smaller than the buccolingual diameter, highlighting the difficulty in achieving complete instrumentation due to the apical region’s frequent oval morphology. Clinical investigations indicated that the initial apical file often underestimates the true diameter, increasing the likelihood of underinstrumentation. Furthermore, the high prevalence of apical ramifications and morphological variations contributes to persistent contamination when not properly identified. Conclusion: The apical foramen diameter presents considerable anatomical variability in the Brazilian population, making individualized instrumentation essential. Detailed understanding of apical morphology supports proper selection of the initial file, adequate extension of preparation, and reduction of untouched canal walls. Although mechanical instrumentation alone is insufficient in the apical third due to its complex anatomy, the association with effective irrigation and intracanal medication enhances disinfection and improves clinical predictability in endodontic treatment. Keywords: Apical instrumentation, Apical Morphology, Endodontics, Foramen diameter, Micro-CT. INTRODUÇÃO O principal objetivo do tratamento endodôntico é a desinfecção e a obturação do sistema de canais radiculares presentes nos dentes, e para isso, segundo Vertucci (2005) é necessário ter um amplo conhecimento sobre a anatomia interna de cada agrupamento dentário para que se consiga alcançar um bom planejamento endodôntico e desta forma evitar insucessos no procedimento. Além disso, o profissional deve ter acesso à tecnologia de exames imaginológicos para encontrar e reconhecer variações anatômicas que são frequentemente encontradas, possibilitando a identificação completa dos canais e a limpeza destes. Com uma ampla variedade na morfologia de canais dentários, existe uma certa dificuldade por parte dos cirurgiões dentistas em determinar qual morfologia será encontrada em cada grupo dentário e qual a técnica ideal para cada morfologia, dificuldade essa que se mantém ligada à qualidade da instrumentação e impacta diretamente na qualidade e consequentemente no sucesso da terapia endodôntica, conforme abordado por Levorato et al. (2011).
Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Nov 19, 2025 ISSN 3085-8097 Avaliando as variações do diâmetro foraminal de dentes permanentes na população brasileira para instrumentação do terço apical – uma revisão de literatura Oliveira AL; Silveira JVC; Pereira FS; Oliveira AR; Dias HM; Nascimento F; Pereira LB 529 Segundo Baião et al. (2023), a instrumentação incompleta do terço apical resulta em maiores taxas de falha na intervenção endodôntica principalmente quando há presença de lesão perirradicular associada. É sabido que o conhecimento prévio das medidas médias do diâmetro foraminal, além da detecção precisa da lima inicial é de extrema valia para uma boa instrumentação apical e correta determinação da lima de memória, que deve ser maior que o diâmetro inicial, indicando assim uma boa limpeza da parede dentinária no terço apical, essencialmente em casos de lesão periapical. Por esse motivo, esse trabalho tem como objetivo entender as médias do diâmetro foraminal de dentes permanentes na população brasileira, para facilitar a compreensão da morfologia apical e o planejamento da terapia endodôntica em cada agrupamento dentário. A microtomografia computadorizada é uma excelente opção para visualização e estudo da anatomia do Sistema de canais radiculares, uma vez que ela tem a capacidade de criar imagens em 3D e cortes variados com uma ótima precisão, além de conseguir projetar imagens de comparação do tratamento em antes e após a instrumentação e obturação como é descrito em Tavares (2020), portanto, conseguimos analisar de maneira clara o diâmetro foraminal de dentes permanentes. METODOLOGIA O estudo em questão trata-se de uma revisão narrativa que teve como pauta a pergunta de estudo “Quais são as medidas médias do diâmetro no terço apical de dentes permanentes na população brasileira segundo a literatura científica?”. Tal pergunta foi elaborada utilizado a estratégia PCC onde atribuísse P: (População) População Brasileira; C: (Conceito) Medidas anatômicas médias baseadas na literatura; C: (Contexto) Adultos com dentes permanentes. A busca de artigos foi realizada nas bases de dados PUBMED/MEDLINE, SciELO via busca avançada do Google Acadêmico e EBSCO além da utilização de ferramentas de Inteligência Artificial como o Consensus para auxiliar na identificação desses artigos, utilizando dados primários e secundários, a partir das referências dos artigos selecionados em busca da amplificação da pesquisa. Foram empregadas as palavraschave de busca “Morfologia OR Anatomia AND Canal Radicular AND Endodontia AND Diâmetro AND Brasil” “Morphology Root Canal AND Apical Diameter AND Brazil” “Comprimento Total AND Dentes” Os critérios de inclusão dos artigos na pesquisa foram artigos que abordavam o tema relatado e apresentavam medidas anatômicas de dentes permanentes da população brasileira. Foram excluídos artigos que destoam do tema, pesquisas com população de outros países (onde precisávamos de dados brasileiros), artigos pagos. Foram utilizadas ferramentas para auxiliar na busca de artigos e em sua contextualização como as inteligências artificiais Consensus, voltada para a busca de artigos na literatura científica, Perplexity e
Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Nov 19, 2025 ISSN 3085-8097 Avaliando as variações do diâmetro foraminal de dentes permanentes na população brasileira para instrumentação do terço apical – uma revisão de literatura Oliveira AL; Silveira JVC; Pereira FS; Oliveira AR; Dias HM; Nascimento F; Pereira LB 530 ChatGPT para apresentação de ideias para contribuir na formação da pergunta de estudo e na organização estrutural dos assuntos abordados do tema, além do Connected Papers para localizar artigos que possuam relação com o tema. RESULTADOS E DISCUSSÃO Instrumentação Apical De acordo com Chaves (2015) a compreensão da Anatomia Interna é de extrema importância para se realizar uma boa instrumentação, desinfecção e obturação. Ter isso em mente antes da intervenção está diretamente ligado à taxa de sucesso de um tratamento endodôntico bem como seu prognóstico favorável. Isso é explicado pois quanto menor for o conhecimento anatômico dos canais radiculares, menor a capacidade de se realizar um bom preparo mecânico, algo que poderá resultar em um tratamento endodôntico insatisfatório. Segundo Abarca et al. (2015) o terço Apical é uma região onde uma boa instrumentação é crucial para se alcançar o sucesso da terapia endodôntica. Conhecer essa região e o forame fisiológico, tanto quanto o diâmetro foraminal, proporciona um devido preparo mecânico da região, que vai garantir o acesso da solução irrigadora e do medicamento intracanal, gerando uma limpeza eficiente do canal. De acordo com Baião et al. (2023), a instrumentação deve acompanhar a anatomia interna já presente no dente a ser tratado endodonticamente e ampliar o canal, removendo a maior parte da parede dentinária contaminada, porém, deve-se atentar que limas como #20 e #25 correspondem a média da constrição apical, portanto, se forem o último instrumento a ser usado na região, apresentará uma desinfecção insatisfatória, uma vez que as paredes circundantes da região apical não foram limpas e modeladas. A região apical necessita de uma maior extensão no preparo pois é uma área crítica com microorganismos com acesso facilitado a região perirradicular. A seleção correta dos instrumentos que serão utilizados durante a instrumentação é facilitada quando o profissional possui uma boa compreensão da anatomia do sistema de canais radiculares e das características do terço apical, principalmente o conhecimento do diâmetro foraminal, auxiliando na escolha do instrumento foraminal inicial e evitando a permanência de regiões que não foram instrumentadas, melhorando o índice de sucesso no tratamento relatado por Rafagnin et al. (2021). A região apical deve ser bem instrumentada pois é onde existe uma microbiota com alta virulência, bactérias essas que quantificadas no trabalho de Lima, Soares e Souza-Filho (2012), onde descreveram que em 1mm de extensão do canal na região apical, com apenas 0,25mm de diâmetro, tem espaço suficiente para abrigar 80.000 Streptococcus, em vista disso, quando essa região não é instrumentada, ela continua infectada, portanto, o Endodontista deve atuar também no forame apical, promovendo sua limpeza.
Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Nov 19, 2025 ISSN 3085-8097 Avaliando as variações do diâmetro foraminal de dentes permanentes na população brasileira para instrumentação do terço apical – uma revisão de literatura Oliveira AL; Silveira JVC; Pereira FS; Oliveira AR; Dias HM; Nascimento F; Pereira LB 531 Variações Anatômicas Mesmo obtendo as medidas médias do diâmetro foraminal dos dentes permanentes, ainda precisamos nos atentar em relação as variações anatômicas que são frequentemente encontradas na anatomia dos canais radiculares como é o caso das Ramificações Apicais (RA’s) que de acordo com Lobo et al. (2020) são altamente prevalentes na população brasileira e são consideradas “complicações” importantes, pois dificultam a limpeza química e mecânica do terço apical, portanto são frequentemente observadas em caso de contaminação persistentes e falhas endodônticas. É necessário atenção redobrada em casos de ramificações apicais para se ter o devido preparo apical e reduzir a probabilidade de insucesso. Esse estudo encontrou as RA’s em uma prevalência de 53,3% na população brasileira. Outra variação recorrente que prejudica a determinação do Comprimento de Trabalho (CT) em relação ao Comprimento Aparente do Dente (CAD) é abordada por Araujo, Silva e Tavares, (2021) onde o ápice radiográfico é comumente usado como referência para determinar o comprimento do canal, porém existe uma variação notável entre forame apical e ápice radicular, que é ainda mais evidente em dentes anteriores superiores, onde, na maioria das vezes, existe uma exteriorização palatina, que dificulta a mensuração do comprimento de trabalho, dificultando o procedimento. Fica evidente a importância da visualização tridimensional em alguns casos, para ter sucesso na análise da dimensão anatômica radicular. Ainda podemos observar diferenças anatômicas entre gêneros e idade, além de assimetrias entre as hemiarcadas direita e esquerda na população brasileira como é retratado por Maluf et al. (2024), destacando a importância de ter conhecimento sobre as variações anatômicas mas evidenciando que a morfologia interna na maioria das vezes segue um mesmo padrão e estruturas previsíveis, portanto, ter acesso ao comprimento e diâmetro médio dos dentes já implica em melhores resultados dentro das intervenções endodônticas. Exames Auxiliares para Análise Uma importante aliada na Endodontia é a Tomografia Computadorizada de Feixe Cônico que de acordo com Patel et al. (2019) a TCFC tem alta capacidade para avaliar e estrutura interna dos canais seja antes ou depois do tratamento endodôntico e também consegue detectar uma taxa de falha 14 vezes a mais que uma radiografia periapical. Hoje, o que temos de melhor em exames para avaliar a anatomia interna de canais radiculares é a Microtomografia Computadorizada, antes da Micro-TC, tínhamos métodos in-vitro para o estudo da morfologia dentária, porém, estes métodos produziam alterações irreversíveis na estrutura dental, além de reproduzir apenas uma imagem bidimensional de uma estrutura tridimensional. Já a Micro TC é capaz de fazer uma imagem tridimensional com extrema precisão sem destruir o objeto de estudo. A Microtomografia
Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Nov 19, 2025 ISSN 3085-8097 Avaliando as variações do diâmetro foraminal de dentes permanentes na população brasileira para instrumentação do terço apical – uma revisão de literatura Oliveira AL; Silveira JVC; Pereira FS; Oliveira AR; Dias HM; Nascimento F; Pereira LB 532 Computadorizada vem como um grande artifício para auxiliar a compreender melhor essa anatomia de cada dente impactando positivamente nos resultados obtidos em futuros tratamentos como é descrito em GhavamiLahiji et al. (2021) e Chaves (2015). A Micro-TC possui uma excelente acurácia e cria imagens tridimensionais, com isso, Pinto (2022) relata que o exame tem a capacidade de criar imagens do antes e depois do procedimento, onde podemos analisar e comparar essas imagens posicionando uma sobre a outra e encontrar locais onde a instrumentação mecânica não foi eficiente e não tocou todas as paredes do canal, possibilitando um ótimo estudo da técnica de instrumentação abordada. Conseguimos desta maneira, destrinchar a anatomia interna dos canais radiculares de uma maneira mais eficiente e usar esses dados ao nosso favor, tornando as terapias endodônticas com um desfecho mais positivo. Embora muito se fale da Micro-TC, Borges et al. (2020) analisou diferentes estudos que abordavam o uso da Micro-TC em relação a TCFC e encontrou resultados semelhantes entre as duas técnicas, evidenciando a qualidade em ambas para analisar e compreender a estrutura anatômica dos canais radiculares. Diâmetro Apical Como já estabelecido, existem algumas maneiras de avaliar os diâmetros encontrados, o estudo de Souza (2024) utilizou as imagens em Tomografia Computadorizada de Feixe Cônico (TCFC) de 500 dentes do Banco de Imagens da Clínica Escola da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo avaliando cada caso e medindo o diâmetro vestíbulolingual a 1mm aquém do Ápice, comparando com a Esfericidade e Diâmetro da Lesão Periapical quando existente. Este trabalho trouxe a mediana encontrada em cada Região Anatômica e encontrou como resultado na mensuração do Diâmetro do Ápice V-L os seguintes dados: Região Anterior/Superior: 0.780mm; Região Posterior/Superior: 0.690mm; Região Anterior/Inferior: 0.685mm; Região Posterior/Inferior: 0.725mm, conforme descrito na Tabela 1. Tabela 1 - Média dos Valores Absolutos e Percentuais dos grupos em relação ao Diâmetro do Ápice, Diâmetro da Lesão e Esfericidade. REGIÕES ANATÔMICAS DIÂMETRO DO ÁPICE V-L DIÂMETRO DA LESÃO ESFERICIDADE ANTERIOR/SUPERIOR 0.780 (0.578/0.927) 3.72 (2.23/5.97) 8.76 (5.24/11.80) POSTERIOR/SUPERIOR 0.690 (0.540/0.880) 3.84 (2.26/5.47) 7.95 (4.95/10.90) ANTERIOR/INFERIOR 0.685 (0.580/0.890) 3.63 (2.24/5.59) 9.41 (6.53/12.60) POSTERIOR/INFERIOR 0.725 (0.610/1.01) 4.44 (2.91/6.60) 8.43 (6.64/13.70) MÉDIA ± DESVIO PADRÃO 0.72 ± 0.37 3.92 ± 2.91 4.27 ± 1.24
Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Nov 19, 2025 ISSN 3085-8097 Avaliando as variações do diâmetro foraminal de dentes permanentes na população brasileira para instrumentação do terço apical – uma revisão de literatura Oliveira AL; Silveira JVC; Pereira FS; Oliveira AR; Dias HM; Nascimento F; Pereira LB 533 Fonte: Souza, 2024 Já o estudo de Machado et al. (2023) investigou a média da primeira lima que melhor se ajustava adequadamente em todas as paredes dos canais (Lima Inicial) a 1mm do forame apical em 359 dentes (584 canais) de pacientes da Faculdade de Odontologia da Universidade Paranaense – UNIPAR. O estudo organizou os resultados em Diâmetro Anatômico Clínico (DAC) separados em cada dente/canal, trazendo valores muito inferiores aos achados no exemplo anterior, pois nesse, a medida que a lima parava era o diâmetro mesiodistal. Revelando ainda que a técnica mais preconizada de subir 3 limas acima da Lima Inicial ainda não contemplaria com eficiência a medida do maior diâmetro encontrado como é o caso do Diâmetro Vestíbulo – Lingual, indicando a impossibilidade de uma instrumentação completa na área (Tabela 2). Tabela 2 - Canais avaliados, quantidade e dados estatísticos referentes ao CAD. DAC (× 10 −2 mm) CANAL/DENTE N MÉDIA DESVIO PADRÃO ERRO PADRÃO INCISIVO CENTRAL SUPERIOR (CANAL ÚNICO) 46 38.26 6.685 0.986 INCISIVO LATERAL SUPERIOR (CANAL ÚNICO) 31 26.94 5.428 0.975 CANINO SUPERIOR (CANAL ÚNICO) 23 29.35 7.584 1.581 1º PRÉ-MOLAR SUPERIOR - VESTIBULAR 48 18.85 4.864 0.702 1º PRÉ-MOLAR SUPERIOR - PALATINA 48 19.69 4.303 0.621 2º PRÉ-MOLAR SUPERIOR - VESTIBULAR 33 21.36 6.763 1.177 2º PRÉ-MOLAR SUPERIOR - PALATINA 33 21.36 6.284 1.094 2º PRÉ-MOLAR SUPERIOR (CANAL ÚNICO) 16 26.25 9.220 2.305 1º MOLAR SUPERIOR - MESIOVESTIBULAR 25 17.00 4.561 0.913 1º MOLAR SUPERIOR - DISTOVESTIBULAR 25 18.80 7.676 1.535 1º MOLAR SUPERIOR - PALATINA 25 26.80 6.595 1.319 2º MOLAR SUPERIOR - MESIOVESTIBULAR 9 18.33 5.000 1.667
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Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Nov 19, 2025 ISSN 3085-8097 Avaliando as variações do diâmetro foraminal de dentes permanentes na população brasileira para instrumentação do terço apical – uma revisão de literatura Oliveira AL; Silveira JVC; Pereira FS; Oliveira AR; Dias HM; Nascimento F; Pereira LB 535 ter um bom preparo mecânico no terço apical, esclarecendo a importância de um bom preparo químico associado para ter melhores resultados (Tabela 3). Tabela 3: Diâmetro do canal radicular e porcentagem da área não tratada nos terços coronal, médio e apical. PARÂMETRO TERÇO CORONAL TERÇO MÉDIO TERÇO APICAL DIÂMETRO DO CANAL RADICULAR (MM) 2.50 ± 1.12 1.75 ± 1.24 0.38 ± 0.08 PORCENTAGEM DA ÁREA NÃO INSTRUMENTADA (%) 0 0 71 Fonte: Razumova et al., 2020 CONCLUSÃO Conclui-se que o conhecimento das variações anatômicas do sistema de canais radiculares, especialmente no terço apical, é determinante para o sucesso da terapia endodôntica. A literatura demonstra que o diâmetro foraminal, mesmo seguindo um mesmo padrão, ainda apresenta ampla variabilidade entre diferentes grupos dentários na população brasileira, reforçando a necessidade de individualização da instrumentação. A compreensão prévia do diâmetro médio e da forma do forame fisiológico auxilia na seleção adequada da lima inicial e na definição do limite de instrumentação, reduzindo o risco de subinstrumentação e de manutenção de detritos contaminantes. A região apical possui uma alta complexidade em sua anatomia, o que dificulta fortemente uma boa instrumentação mecânica no local, que remova com eficiência as paredes dentinárias contaminadas, portanto, é evidenciado a importância de associar uma boa técnica de preparo mecânico com boas soluções irrigadoras e medicação intracanal, uma vez que a instrumentação sendo insuficiente, a ação sobre os microrganismos presentes no ápice ainda fica contemplada pelo preparo químico, aumentando a previsibilidade clínica e melhor prognóstico do tratamento. REFERÊNCIAS ABARCA, J. et al. “Morphology of the Physiological Apical Foramen in Maxillary and Mandibular First Molars. International journal of morphology. v. 32, n. 2. 2014. Disponível em: doi:10.4067/S071795022014000200048. Acesso em: 23 mar. 2025. ARAÚJO, I. S.; SILVA, M. M. S.; TAVARES, M. N. S. Relação entre o forame apical e o ápice radicular em dentes anteriores superiores humanos. Arch Health Invest, v10, n 5, 2021. Disponivél em: http://dx.doi.org/10.21270/archi.v10i5.4939. Acesso em: 8 mar. 2025. BAIÃO, M. G. R. et al. Diâmetro apical de instrumentação e sua influência no sucesso endodôntico: revisão de literatura. Brasilian Journal of Surgery. Clin. Res., v. 43, n. 2, p. 104–108, 2023. Disponível em: