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EDUCAÇÃO EM SAÚDE VOLTADA AO BULLYING NA ESCOLA

Centro Universitário de João Pessoa

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92 EDUCAÇÃO EM SAÚDE VOLTADA AO BULLYING NA ESCOLA Karolinne alves Figueiredo (E-mail: [email protected]) Alice Bernardo da Silva Camila Teixeira de Carvalho Emilly Hadassa Modesto Coelho Domingos Rafaella Araújo Santos Souza Maria Izabel Cavalcanti da Silva Barros DOI 10.5281/zenodo.17675204 Resumo Objetivo: relatar a experiência de realização de uma atividade de educação em saúde, na escola, sobre a temática do bullying, desenvolvida no ano de 2025, por discentes do Curso de Bacharelado em Enfermagem, com alunos do Ensino Fundamental. Metodologia: tratase de um Relato de Experiência de caráter descritivo, vivenciada pelos acadêmicos do Curso de Bacharelado em Enfermagem do Centro Universitário de João Pessoa - UNIPÊ, mediante o projeto de extensão “Educação em Saúde da Escola: importância de sua aplicação na adolescência”, realizado na Escola Estadual de Ensino Fundamental Francisco Campos, em João Pessoa/PB, localizado no bairro Bancários, no mês de Abril de 2025. Descrição da Experiência: No início da atividade, os alunos foram questionados sobre as suas compreensões a respeito do bullying, se já haviam praticado ou foram vítima de xingamentos, comentários maldosos, violência física ou verbal, em ambiente escolar. Posteriormente, o assunto foi abordado em relação a sua definição, características e seus tipos, com apoio do slide. O material didático utilizado durante a conversa destacavam os pontos principais e apresentavam imagens ilustrativas para melhor entendimento dos adolescentes. Considerações finais: As dinâmicas propostas se mostraram ferramentas eficazes para promoverem a reflexão dos estudantes. Os alunos mostraram-se atentos à mensagem final da proposta, que destacava a importância da empatia, do respeito às diferenças e da convivência harmoniosa. Conclui-se que a atividade foi bem-sucedida na promoção do conhecimento e no incentivo a atitudes respeitosas, beneficiando tanto os alunos quanto os discentes de enfermagem envolvidos. Descritores: Adolescente; Bullying; Educação em Saúde. 93 Introdução O bullying se refere a comportamentos agressivos, repetitivos e intencionais, praticados por um ou mais indivíduos contra uma pessoa considerada vulnerável, com o objetivo de causar dor, humilhação ou intimidação (Olweus, 2013). Essas agressões podem ser físicas, verbais, psicológicas ou virtuais (no caso do cyberbullying) e, geralmente, ocorrem em ambientes onde há convivência contínua, como a escola. O bullying se caracteriza pelo desequilíbrio de poder entre quem pratica e quem sofre, gerando impactos negativos significativos na autoestima, no rendimento escolar e na saúde mental das vítimas (Ferreira; Mendonça, 2023). O bullying pode trazer como consequência sentimentos de medo, irritabilidade, baixa autoestima, sentimento de solidão, diminuição do rendimento escolar, resistência para ir à escola e evasão escolar, podendo acarretar o suicídio de suas vítimas. As consequências deste tipo de violação de direitos também vêm sendo relacionadas ao transtorno do pânico, à fobia escolar e à fobia social, ao transtorno de ansiedade, ao transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) e à depressão (Andrade; Li, 2020). É importante considerar que as consequências podem ser a curto ou a longo prazo, envolvendo diversas esferas da vida dos sujeitos (Santos; Kienen, 2014). O ambiente escolar, além de ser um espaço de aprendizado acadêmico, deve gerar o respeito, a empatia e trabalhar a importância de valorizar as diferenças. No entanto, situações de violência simbólica, como o bullying, ainda são recorrentes nas escolas, afetando o desenvolvimento emocional, social e psicológico de crianças e adolescentes (Alcantara et al., 2019). Nesse contexto, no ano de 2015, foi sancionada a Lei 13.185 (2015) que instituiu o Programa de Combate à intimidação Sistemática (Bullying), em todo o território nacional, o qual visa à prevenção e à inibição do bullying. No ano de 2018, entrou em 94 vigor a Lei nº 13.663 (2018), a qual alterou o artigo 12 da Lei nº 9.394 de 20 de dezembro de 1996 - Lei de Diretrizes de Bases e Educação, para incluir a promoção de medidas de conscientização, de prevenção e de combate a todos os tipos de violência e a promoção da cultura de paz nas escolas. Dessa forma, as instituições de educação têm o dever legal e o compromisso social de abordar a temática a partir de ações que visem o seu enfrentamento (Brasil, 2018). Embora no Brasil existam leis de intervenção desde 2015, o bullying ainda é pouco investigado e, quando ocorre, são escassas as intervenções divulgadas cientificamente no idioma nacional (Silva et al., 2018). Diante da gravidade do fenômeno, faz-se necessárias ações de prevenção que visem informar os alunos, pais e professores sobre o que é bullying, como ele ocorre, quais são os seus tipos e, principalmente, o que fazer diante de uma situação envolvendo violência entre pares, no âmbito escolar. Portanto, tornou-se fundamental a escolha desta temática para a atividade de Educação em Saúde, realizada em uma determinada escola. Diante do exposto, o objetivo principal é relatar a experiência de realização de uma atividade de educação em saúde, na escola, sobre a temática do bullying, desenvolvida no ano de 2025, por discentes do Curso de Bacharelado em Enfermagem, com alunos do Ensino Fundamental. A proposta teve como intuito promover a conscientização acerca das diversas formas de bullying físico, verbal, psicológico e virtual possibilitando a construção de reflexões sobre suas causas, fatores de risco e os impactos negativos no desenvolvimento emocional, social e acadêmico das vítimas. 95 Metodologia O referido trabalho caracteriza-se como um Relato de Experiência de caráter descritivo, vivenciada pelos acadêmicos do Curso de Bacharelado em Enfermagem do Centro Universitário de João Pessoa - UNIPÊ, mediante o projeto de extensão “Educação em Saúde da Escola: importância de sua aplicação na adolescência”, realizado na Escola Estadual de Ensino Fundamental Francisco Campos, em João Pessoa/PB, localizado no bairro Bancários, no mês de Abril de 2025. O tema abordado foi através de uma solicitação da professora da instituição, alegando a alta incidência de casos de bullying na escola, com o público-alvo de alunos do 6º e 8º ano do Ensino Fundamental II. Relato de experiência No início da atividade, os alunos foram questionados sobre as suas compreensões a respeito do bullying, se já haviam praticado ou foram vítima de xingamentos, comentários maldosos, violência física ou verbal, em ambiente escolar. Posteriormente, o assunto foi abordado em relação a sua definição, características e seus tipos, com apoio do slide. O material didático utilizado durante a conversa destacavam os pontos principais e apresentavam imagens ilustrativas para melhor entendimento dos adolescentes. Foi debatida a importância de buscar auxílio os professores, coordenação ou familiares diante de momentos que lhes deixam tristes, reprimidos ou com medo. Pois, sofrer bullying não é natural e não deve ser relativizado, podendo trazer consequências graves, como o desinteresse nos estudos, dificuldades com a comunicação interpessoal, além de transtornos mentais. 96 Foram propostas duas dinâmicas em salas diferentes. Na primeira sala, do sexto ano, os alunos tiveram que desenhar na folha em branco uma pessoa, tendo como único critério a seguir: não retirar a ponta do lápis a partir do momento que se inicia seu desenho. Depois, as folhas foram recolhidas e posteriormente entregadas, de maneira aleatória. Assim, foram observadas as reações e comentários dos estudantes ao visualizar os desenhos. Através desse momento, foi promovida uma reflexão direcionada à necessidade de ser empático, reforçando a importância de estabelecer relações respeitosas. Na turma do oitavo ano, a dinâmica consistiu em passar as bolas de sopro com frases e perguntas relacionadas ao tema, como: “O que é uma violência física típica do bullying?”, objetivando, de forma lúdica, a interação entre esses e o debate sobre o tema. Considerações finais Através da realização da referida atividade de Educação em Saúde na Escola foi construído um espaço de escuta, que permitiu a participação ativa dos alunos, desde o início da atividade. Os estudantes demonstraram interesse e disposição para compartilhar vivências, o que permitiu uma construção do conhecimento mais significativa. A presença da equipe escolar, durante toda a ação, reforçou a importância da cooperação entre as áreas da saúde e da educação, promovendo uma atividade eficaz no enfrentamento ao bullying. A atenção dos docentes diante das explicações fornecidas pelos estudantes de Enfermagem mostrou que a inserção da perspectiva da saúde trouxe boas contribuições para o contexto escolar. As dinâmicas propostas se mostraram ferramentas eficazes para promoverem a reflexão dos estudantes. Os alunos mostraram-se atentos 97 à mensagem final da proposta, que destacava a importância da empatia, do respeito às diferenças e da convivência harmoniosa. Conclui-se que a atividade foi bem-sucedida na promoção do conhecimento e no incentivo a atitudes respeitosas, beneficiando tanto os alunos quanto os discentes de enfermagem envolvidos. Referências ALCANTARA, S. C. DE et al. Violência entre pares, clima escolar e contextos de desenvolvimento: suas implicações no bem-estar. Ciencia & saude coletiva, v. 24, n. 2, p. 509–522, 2019. Disponível em https://www.scielo.br/j/csc/a/FdBRJxF9DFvDbh4RRL69w7Q/?lang=pt. Acesso em 19 de abril de 2025.ANDRADE, Elizete Prescinotti; LI, Lilia D.'Souza. As consequências do bullying: autoagressão e suicídio no cotidiano escolar. Revista Educação-UNG-Ser-ISSN 1980-6469, v. 15, n. 1, p. 15-22, 2020. ANDRADE, A.; LI, L. As consequências do bullying: autoagressão e suicídio no cotidiano escolar. ResearchGate, 2020. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/340086489_AS_CONSEQUENC IAS_DO_BULLYING_AUTOAGRESSAO_E_SUICIDIO_NO_COTIDIANO_ESCOL AR. Acesso em: 9 maio 2025. BRASIL. Lei nº 13.663, de 14 de maio de 2018. Altera o art. 12 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, para incluir a promoção de medidas de conscientização, de prevenção e de combate a todos os tipos de violência e a promoção da cultura de paz entre as incumbências dos estabelecimentos de ensino. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 15 maio 2018. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato20152018/2018/lei/l13663.htm. Acesso em: 9 maio 2025. FERREIRA, D.; GOMES; MENDONÇA, J. G. O fenômeno bullying no ambiente pedagógico: estudo dos aspectos históricos e conceituais baseados nas diferenças sociais e culturais. Boletim de Conjuntura (BOCA), v. 14, n. 41. p. 116–137, 2023. Disponível em: https://revista.ioles.com.br/boca/index.php/revista/article/view/1284. Acesso em: 18 de abril de 2025. OLWEUS, D. School bullying: development and some important challenges. Annual review of clinical psychology, v. 9, n. 1, p. 751–780, 98 2013. Disponivel em https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23297789/. Acesso em 19 de abril de 2025. SANTOS, M. M.; KIENEN, N. Características do bullying na percepção de alunos e professores de uma escola de ensino fundamental. Temas em Psicologia, v. 22, n. 1, p. 161–178, 2014. Disponível em https://scispace.com/pdf/caracteristicas-do-bullying-na-percepcao-dealunos-e-401rl39f6f.pdf. Acesso em 19 de abril de 205.