scieee Science in your language
[en] (orig)

CHUVAS A MONTANTE, CHEIAS A JUSANTE: O CASO DO RIO URUGUAI EM URUGUAIANA-RS

Author: Jrayj De Melo, Cassiane; BARIANI, CASSIANE
Publisher: Zenodo
DOI: 10.5281/zenodo.17743342
Source: https://zenodo.org/records/17743342/files/978-613-9-63058-5.pdf



 ! !"#"$ !"
 ! !"#
"$ !"
%&$&'$"&'$ (&







         
          


           



!"#$

%&'()(**+)
,-./+!0) -1!%23
*  -45,  ,  6%7-.,- +  6
!
6%'382
9


 : *   ;  /  *< *
=6
:-.->%&'()(**+)


CHUVAS A MONTANTE, CHEIAS A JUSANTE:
O CASO DO RIO URUGUAI EM URUGUAIANA-RS
Suelen Po i a Cha es Yosu
Ana Helena de Souza Siga an
Cassiane J ayj de Melo
2025
2
Sumá io
Resumo 7
Capí ulo 1 - Rio U uguai em Ale a: Cheias em U uguaiana, RS, B asil 8
1. In odução 8
1.1. A Impo ância do Rio U uguai pa a a Região 9
1.2. O Fenômeno das Cheias 9
1.3. U uguaiana e seu His ó ico com as Cheias 10
1.4. Obje i o do Li o 11
2. Me odologia e Fon es de Dados 12
2.1. A Agência Nacional de Águas e Saneamen o Básico (ANA) 12
2.2. Es ações de Moni o amen o U ilizadas 12
2.3. Tipos de Dados Cole ados 13
2.4. Pe íodo de Análise 14
2.5. Fe amen as de Análise 14
2.6. Obje i o da Análise 14
2.7. Fon e dos Dados 15
2.8. Va iá eis Analisadas 15
2.9. O ganização e T a amen o dos Dados 16
2.10. Análise Es a ís ica 16
2.11. C i é ios pa a Cheias 17
2.12. Limi ações do Es udo 17
2.13. Fe amen as U ilizadas 18
3. A Bacia Hid og á ica do Rio U uguai 18
3.1. Ca ac e ís icas Ge ais 18
3.2. Clima e Regime Plu iomé ico 19
3.3. Hid og a ia e A luen es 20
3.4. Rele o e Uso do Solo 21
3.5. Impo ância Hid ossocial da Bacia 21
4. Análise dos Dados de Chu a e Co a em U uguaiana 22
4.1. Pano ama Ge al das Co as do Rio U uguai em U uguaiana 22
4.2. Pad ões de Chu a em U uguaiana 23
4.3. E en os de Cheia Signi ica i os em U uguaiana 24
5. A In luência das Chu as em I aqui na Co a de U uguaiana 25
5.1. Localização de I aqui em Relação a U uguaiana 25
5.2. Compo amen o das Chu as em I aqui 26
5.3. Co elação en e Chu as em I aqui e Co as em U uguaiana 26
6. A In luência das Chu as em São Bo ja na Co a de U uguaiana 27
6.1. Localização de São Bo ja em Relação a U uguaiana 27
6.2. Compo amen o das Chu as em São Bo ja 28
3
6.3. Co elação en e Chu as em São Bo ja e Co as em U uguaiana 28
7. A In luência das Chu as em Ga uchos na Co a de U uguaiana 28
7.1. Localização de Ga uchos em Relação a U uguaiana 29
7.2. Compo amen o das Chu as em Ga uchos 29
7.3. Co elação en e Chu as em Ga uchos e Co as em U uguaiana 29
8. Análise dos Resul ados 30
8.1. Pano ama Ge al dos Dados 30
8.2. P imei o T imes e (Janei o a Ma ço) 30
8.3. Segundo T imes e (Ab il a Junho) 30
8.4. Te cei o T imes e (Julho a Se emb o) 31
8.5. Qua o T imes e (Ou ub o a Dezemb o) 31
8.6. Co elação Es a ís ica 32
8.7. Tempo de Respos a 32
8.8. P incipais Conclusões Pa ciais 32
9. Conclusões e Conside ações Finais 33
9.1. Sín ese dos Resul ados 34
9.2. Implicações pa a o Moni o amen o e P e enção 35
9.3. Limi ações do Es udo e Suges ões pa a Pesquisas Fu u as 36
9.4. A Impo ância da Conscien ização 36
Capí ulo 2: In luência das Chu as a Mon an e nas Cheias em U uguaiana 38
1. In odução 38
1.2. Con ibuição dos Municípios a Mon an e 39
1.3. De asagem Tempo al (Lag) 40
1.4. In luência da Dis ibuição Espacial das Chu as 40
1.5. Impo ância das Ca ac e ís icas do Solo e da Cobe u a Vege al 40
1.6. Limi es da P e isibilidade e Riscos Associados 41
1.7. Aplicações P á icas dos Resul ados 41
1.8. Conside ações Finais 42
2. Implicações pa a o Planejamen o e Ges ão 42
2.1. A impo ância do planejamen o hid ológico 42
2.2. Sis ema de ale a an ecipado 43
2.3. Ges ão e i o ial e uso do solo 43
2.4. Planejamen o u bano e in aes u u a 44
2.5. Ag icul u a e p odução u al 44
2.6. Coope ação in e municipal 45
2.7. Educação ambien al e engajamen o comuni á io 45
2.8. Sín ese das ecomendações 45
3. Impac os Socioeconômicos das Cheias 46
3.1. In odução 46
3.2. Impac os sob e a população e habi ação 46
4
3.3. P ejuízos à ag icul u a e pecuá ia 47
3.4. In e upção de se iços e logís ica 47
3.5. Impac os econômicos indi e os 47
3.6. Vulne abilidade social e desigualdade 48
3.7. Respos as ins i ucionais e cus o da ecupe ação 48
3.8. Lições e pe spec i as u u as 48
3.9. Quad o esumo dos p incipais impac os: 49
4. O Fu u o das Cheias: Tendências e Mudanças Climá icas 50
4.1. In odução 50
4.2. Aumen o da equência de e en os ex emos 50
4.3. O papel do El Niño e La Niña 50
4.4. Cená ios egionais pa a o sul do B asil 51
4.5. P essões an ópicas e ampli icação do isco 51
4.6. Planejamen o adap a i o e soluções baseadas na na u eza 52
4.7. Tecnologia e moni o amen o con ínuo 52
4.8. Educação pa a a esiliência climá ica 52
4.9. Conside ações inais 53
5. Conclusões e Recomendações 53
5.1. Conside ações Finais Ge ais 53
5.2. Sín ese dos Achados 54
5.3. Recomendações Técnicas e Es a égicas 55
5.4. Caminhos pa a o u u o 56
5.5. Con ex o His ó ico das Cheias em U uguaiana 56
5.6. Impac os das Cheias na Sociedade e Economia Local 57
5.7. Desa ios na Cole a e Análise de Dados Hid ome eo ológicos 60
5.8. A Impo ância da Colabo ação In e ins i ucional na Cole a de Dados 61
5.9. De alhamen o dos Picos de Cheia em U uguaiana 63
5.10. Análise Compa a i a dos Pad ões de Chu a e Co a 65
Capí ulo 3 - Es udos de Caso: Cheias e Con ibuições 68
1. In odução 68
2. Cheias de 2025 e a Con ibuição de I aqui 68
2.1. Implicações pa a o Moni o amen o e P e isão em I aqui 70
3. O Papel de São Bo ja na Cheia de Junho de 2025 72
3.1. Implicações pa a o Moni o amen o e P e isão em São Bo ja 74
4. A Con ibuição de Ga uchos pa a a Cheia de Junho de 2025 76
4.1. Implicações pa a o Moni o amen o e P e isão em Ga uchos 78
5. Es udos de Caso Adicionais: Va iabilidade da Respos a do Rio 80
Capí ulo 4 - O Papel da Tecnologia no Moni o amen o e P e enção de Cheias 82
1. In odução 82
2. A Resiliência Comuni á ia e a Adap ação às Cheias 84
11
conside á eis à população, sob e udo quando os ní eis do io ul apassam
as co as de segu ança (DEFESA CIVIL.RS.GOV.BR, 2017). Em 2025, po
exemplo, mais de 3 mil pessoas p ecisa am se emo idas de suas casas
em U uguaiana em deco ência de cheias in ensas (GAUCHAZH, 2025).
Nesse con ex o, o na-se essencial o moni o amen o hid ome eo ológico.
Fe amen as como o Hid oWeb, da Agência Nacional de Águas e
Saneamen o Básico, e o sis ema SACE, do Se iço Geológico do B asil,
o necem dados em empo eal pa a subsidia ações da De esa Ci il e o
planejamen o u bano municipal (ANA, 2025; SGB.GOV.BR, 2025). A
in eg ação en e ciência, ecnologia e polí icas públicas é undamen al pa a
amplia a esiliência de U uguaiana en e aos iscos hid ológicos (GOV.BR,
2025).
1.4. Obje i o do Li o
Es e li o em como p incipal obje i o analisa dados de co as e chu as
o necidos pela Agência Nacional de Águas (ANA) pa a in es iga a
in luência das p ecipi ações oco idas em municípios localizados a
mon an e (acima) de U uguaiana – especi icamen e I aqui, São Bo ja e
Ga uchos – nas cheias do Rio U uguai em U uguaiana. Ao explo a os
pad ões e as co elações en e os olumes de chu a nessas egiões e os
ní eis do io na cidade, busca-se o e ece uma comp eensão mais
ap o undada dos mecanismos que desencadeiam as inundações,
auxiliando na u u a in e p e ação de dados e, consequen emen e, na
ges ão e p e enção de desas es na u ais na egião.

12
2. Me odologia e Fon es de Dados
Pa a comp eende a elação en e as chu as a mon an e e as cheias em
U uguaiana, es e es udo undamen a-se na análise de dados hid ológicos
e me eo ológicos. A anspa ência e a con iabilidade das in o mações são
c uciais, e, pa a isso, con amos com dados p o enien es de uma das mais
espei adas ins i uições do B asil no se o .
2.1. A Agência Nacional de Águas e Saneamen o Básico (ANA)
A Agência Nacional de Águas e Saneamen o Básico (ANA) é a ins i uição
ede al b asilei a esponsá el pela ges ão dos ecu sos híd icos da União.
Sua missão inclui a implemen ação da polí ica nacional de ecu sos
híd icos, a egulamen ação do uso da água e o moni o amen o hid ológico
em odo o e i ó io nacional. A a és de uma as a ede de es ações de
medição, a ANA cole a e disponibiliza dados c uciais sob e ní eis de ios,
azões e p ecipi ações, que são essenciais pa a o planejamen o, a ges ão
de iscos e a pesquisa na á ea híd ica. Os dados u ilizados nes e e-book
o am in eg almen e ob idos po meio das pla a o mas de moni o amen o da
ANA.
2.2. Es ações de Moni o amen o U ilizadas
Pa a es a análise, o am selecionadas es ações de moni o amen o
es a égicas da ANA, localizadas em pon os cha e da bacia do Rio U uguai
que in luenciam di e amen e o ní el do io em U uguaiana. As es ações
moni o am an o as co as do Rio U uguai quan o os índices plu iomé icos
(chu as) nas espec i as cidades. As localizações especí icas são:
13
● U uguaiana: Moni o amen o di e o da co a do Rio U uguai e da
p ecipi ação local.
● I aqui: Moni o amen o dos índices de p ecipi ação.
● São Bo ja: Moni o amen o dos índices de p ecipi ação.
● Ga uchos: Moni o amen o dos índices de p ecipi ação.
Essas es ações u ilizam ecnologia de pon a, como as es ações
me eo ológicas au omá icas, que o necem dados em empo eal e com al a
p ecisão, pe mi indo uma análise de alhada do compo amen o hid ológico
da egião.
2.3. Tipos de Dados Cole ados
Dois ipos p incipais de dados o am cole ados pa a es a análise:
● Co as (ní el do io em me os - m): Rep esen am a al u a da coluna de
água em um de e minado pon o do io, medida a pa i de um e e encial
ixo. A co a é um indicado di e o do olume de água no lei o do io e é
undamen al pa a de e mina o isco de cheias e inundações. Em
U uguaiana, as co as do Rio U uguai o am o oco p incipal pa a
en ende os e en os de cheia.
● Chu as (índices plu iomé icos em milíme os - mm): Indicam o olume
de p ecipi ação acumulado em um de e minado pe íodo. Os dados de
chu a o am cole ados nas es ações de U uguaiana, I aqui, São Bo ja e
Ga uchos, pe mi indo a alia a con ibuição de cada á ea pa a o luxo
ge al do io.
14
2.4. Pe íodo de Análise
A análise dos dados comp eende um pe íodo de um ano, especi icamen e
de junho de 2024 a junho de 2025. Es e eco e empo al pe mi e obse a
as a iações sazonais e os e en os hid ológicos oco idos nesse ciclo,
o necendo uma base inicial pa a a comp eensão dos pad ões de cheia na
egião. É impo an e no a que, embo a um ano o neça uma isão aliosa,
análises u u as com sé ies his ó icas mais longas pode iam ap o unda
ainda mais as conclusões.
2.5. Fe amen as de Análise
Pa a a in e p e ação dos dados, o am u ilizadas abo dagens isuais e
compa a i as. Os dados b u os, ap esen ados em o ma o de abela, o am
ans o mados em g á icos de sé ies empo ais. Esses g á icos, que plo am
as co as e os olumes de chu a ao longo dos meses, são e amen as
e icazes pa a iden i ica endências, picos e co elações isuais en e as
chu as a mon an e e as co as do io em U uguaiana. A sob eposição de
in o mações, como a co a de U uguaiana com as chu as dos municípios a
mon an e, pe mi e uma a aliação di e a da in luência plu iomé ica na
dinâmica lu ial.
2.6. Obje i o da Análise
Es e es udo isa comp eende a elação en e os olumes de p ecipi ação
egis ados nos municípios a mon an e de U uguaiana — especialmen e
Ga uchos, São Bo ja e I aqui — e os ní eis (co as) do io U uguai no
município de U uguaiana, com base em dados hid ome eo ológicos
15
cole ados ao longo de um pe íodo anual. O p opósi o é e i ica se há
co elação en e e en os de chu as in ensas a mon an e e os episódios de
cheia obse ados em U uguaiana.
2.7. Fon e dos Dados
Todos os dados u ilizados nes e abalho o am ob idos jun o à Agência
Nacional de Águas e Saneamen o Básico (ANA), a a és de sua pla a o ma
pública de moni o amen o hid ológico. A ANA ope a uma ede de es ações
au omá icas e elemé icas, capazes de egis a em empo eal pa âme os
como p ecipi ação, ní el do io (co a) e azão.
As es ações u ilizadas pa a es e es udo es ão dis ibuídas nos seguin es
municípios:
● Ga uchos (Es ação de Chu as);
● São Bo ja (Es ação de Chu as);
● I aqui (Es ação de Chu as);
● U uguaiana (Es ação Flu iomé ica).
As es ações possuem dados diá ios ou acumulados po in e alos de 24
ho as, com a ualizações equen es e pad ões pad onizados de medição.
As in o mações o am cole adas no pe íodo de 01 de janei o de 2024 a 31
de dezemb o de 2024.
2.8. Va iá eis Analisadas
Fo am analisadas as seguin es a iá eis:
16
● Co a do Rio (m): Ní el do io em me os, medido na es ação
lu iomé ica de U uguaiana. É o p incipal indicado de cheias.
● P ecipi ação (mm): Volume de chu a acumulado em milíme os,
egis ado nas es ações de Ga uchos, São Bo ja, I aqui e U uguaiana.
Os dados de p ecipi ação são c uciais pa a iden i ica a o igem e a
in ensidade dos e en os de cheia.
2.9. O ganização e T a amen o dos Dados
Os dados b u os o am o ganizados em planilhas ele ônicas pa a acili a a
isualização e a análise. Fo am ealizadas as seguin es e apas de
a amen o:
● Consis ência: Ve i icação de dados ausen es ou inconsis en es e,
quando possí el, p eenchimen o po in e polação ou desca e.
● Pad onização: Con e são de unidades, se necessá io, pa a ga an i a
compa abilidade en e as a iá eis.
● Ag egação: Cálculo de médias diá ias, semanais e mensais pa a
iden i ica pad ões e endências.
2.10. Análise Es a ís ica
Pa a a alia a co elação en e as chu as a mon an e e as co as em
U uguaiana, o am u ilizadas as seguin es abo dagens es a ís icas:
● Análise de Co elação: Cálculo do coe icien e de co elação de
Pea son pa a quan i ica a o ça e a di eção da elação linea en e as

17
a iá eis. Um coe icien e p óximo de 1 indica o e co elação posi i a,
enquan o um alo p óximo de -1 indica o e co elação nega i a.
● Análise de Reg essão: Cons ução de modelos de eg essão linea
simples pa a es ima o impac o da p ecipi ação a mon an e na co a do
io em U uguaiana. Isso pe mi e p e e a ele ação do ní el do io com
base nos olumes de chu a em ou as localidades.
● Análise de Lag Tempo al: Iden i icação do empo de espos a en e os
picos de chu a a mon an e e os picos de co a em U uguaiana. Essa
análise é undamen al pa a o desen ol imen o de sis emas de ale a
p ecoce.
2.11. C i é ios pa a Cheias
Pa a es e es udo, um e en o de cheia em U uguaiana oi de inido como a
ele ação da co a do Rio U uguai acima de um de e minado ní el de ale a,
es abelecido his o icamen e pela De esa Ci il local. Embo a esse ní el
possa a ia , pa a ins de análise, conside ou-se como cheia signi ica i a
qualque co a acima de 6,50 me os, que é o ní el de ale a pa a o
município. Esse c i é io pe mi e iden i ica os e en os que ge am impac o
eal na população e in aes u u a.
2.12. Limi ações do Es udo
É impo an e econhece as limi ações des e es udo:
● Pe íodo de Análise: A análise oi es i a a um pe íodo de um ano (2024-
2025), o que pode não cap u a a o alidade da a iabilidade hid ológica
18
da bacia. Sé ies his ó icas mais longas se iam ideais pa a uma
comp eensão mais obus a.
● Disponibilidade de Dados: A qualidade e a comple ude dos dados
dependem da ede de moni o amen o da ANA. Lacunas ou
inconsis ências nos dados podem a e a a p ecisão das análises.
● Fa o es Não Conside ados: Es e es udo ocou p incipalmen e na
p ecipi ação. Ou os a o es, como o uso e ocupação do solo, a geologia
da bacia, a p esença de ba agens e a e apo anspi ação, ambém
in luenciam as cheias e não o am abo dados.
2.13. Fe amen as U ilizadas
Pa a a cole a, o ganização e análise dos dados, o am u ilizadas as
seguin es e amen as:
● Pla a o ma Hid oWeb da ANA: Pa a download dos dados
hid ome eo ológicos.
● Planilhas Ele ônicas (Mic oso Excel/Google Shee s): Pa a
o ganização, a amen o e isualização inicial dos dados.
● So wa e Es a ís ico (R/Py hon): Pa a análises es a ís icas mais
complexas, como co elação e eg essão, e pa a a ge ação de g á icos
de sé ies empo ais.
3. A Bacia Hid og á ica do Rio U uguai
3.1. Ca ac e ís icas Ge ais
A bacia hid og á ica do io U uguai cons i ui uma das mais ele an es
unidades hid og á icas da Amé ica do Sul, es endendo-se po
19
ap oximadamen e 174.000 km² em e i ó io b asilei o, ab angendo
p incipalmen e os es ados do Rio G ande do Sul e San a Ca a ina (ANA,
2017). O io U uguai pe co e ce ca de 1.200 km desde sua nascen e,
o mada pela con luência dos ios Canoas (em San a Ca a ina) e Pelo as
(no Rio G ande do Sul), a é sua oz no io da P a a, em e i ó io a gen ino,
desempenhando papel undamen al como di iso na u al en e B asil e
A gen ina (IBGE, 2021; TUCCI, 2005).
No con ex o b asilei o, a bacia é segmen ada em di e en es sub-bacias,
com des aque pa a o echo médio, que comp eende os municípios de São
Bo ja, I aqui, Ga uchos e U uguaiana. Essa po ção da bacia ca ac e iza-
se po ex ensas planícies alu iais e ele o sua emen e ondulado,
condições que a o ecem a oco ência de alagamen os du an e pe íodos
de in ensi icação da azão lu ial (MMA, 2006; MANAIA e al., 2018).
A bacia in eg a o icialmen e a Região Hid og á ica do U uguai, con o me
de inido pela Agência Nacional de Águas e Saneamen o Básico (ANA,
2017), e é de ex ema impo ância pa a a ges ão in eg ada dos ecu sos
híd icos na on ei a sul do país, exigindo moni o amen o cons an e e
es a égias de planejamen o ol adas à edução de ulne abilidades
socioambien ais.
3.2. Clima e Regime Plu iomé ico
O clima p edominan e na bacia é o sub opical úmido, com chu as
dis ibuídas ao longo do ano, mas com picos sazonais signi ica i os,
especialmen e en e os meses de ou ub o a ma ço. A p ecipi ação média
anual nas egiões de São Bo ja, I aqui e Ga uchos a ia en e 1.200 e
20
1.800 mm, podendo ul apassa esse limi e em anos com in luência de
enômenos como El Niño.
A dis ibuição empo al e espacial das chu as é um a o decisi o pa a o
compo amen o hid ológico do io U uguai. E en os de chu as in ensas em
um cu o pe íodo, p incipalmen e em municípios localizados a mon an e,
con ibuem pa a o aumen o do olume de água anspo ado pelo io,
ge ando po encial pa a ele ações súbi as na co a em municípios a jusan e,
como U uguaiana.
3.3. Hid og a ia e A luen es
A ede hid og á ica da bacia do U uguai é compos a po inúme os
ibu á ios, que desempenham papel undamen al no escoamen o
supe icial e no egime de cheias. En e os p incipais a luen es des acam-
se:
● Rio Ijuí;
● Rio Pi a ini;
● Rio Ibicuí;
● Rio Qua aí;
● Rio Bu uí.
Na egião es udada, os municípios de Ga uchos, São Bo ja e I aqui
localizam-se às ma gens do p óp io io U uguai ou de seus p incipais
a luen es. Assim, chu as nesses pon os ep esen am ac éscimo di e o de
olume híd ico no sis ema, in luenciando de o ma di e a os ní eis medidos
em U uguaiana.
27
6. A In luência das Chu as em São Bo ja na Co a de U uguaiana
Es e capí ulo in es iga a con ibuição das chu as egis adas em São Bo ja
pa a a o mação das cheias do Rio U uguai em U uguaiana. São Bo ja,
localizada mais a mon an e que I aqui, ambém desempenha um papel
impo an e na dinâmica hid ológica da bacia.
6.1. Localização de São Bo ja em Relação a U uguaiana
São Bo ja es á localizado a mon an e an o de I aqui quan o de U uguaiana,
sendo pa e da bacia hid og á ica que con ibui di e amen e pa a o egime
hid ológico do io U uguai na egião da on ei a oes e do Rio G ande do
Sul (ANA, 2025; YOSUF e al., 2025). As chu as egis adas em São Bo ja,
po an o, êm in luência di e a no aumen o do olume de água que, após
escoamen o e con luência dos ibu á ios, pode a ingi U uguaiana.
De ido à maio dis ância en e São Bo ja e U uguaiana, o empo de
espos a hid ológica — ambém chamado de lag empo al — ende a se
mais p olongado quando compa ado ao de municípios mais p óximos,
como I aqui. No en an o, essa espos a e a dada não diminui a impo ância
da con ibuição de São Bo ja, pois os olumes de chu a acumulados na
egião se somam ao longo do pe cu so lu ial, podendo esul a em cheias
signi ica i as em U uguaiana quando coincidi em com ou os e en os a
mon an e (TUCCI, 2007; SGB.GOV.BR, 2025).
Essa lógica e o ça a impo ância da análise in eg ada dos dados
hid ológicos e plu iomé icos de oda a bacia de con ibuição, sob e udo no
planejamen o de es a égias de mi igação de desas es e no uso de
sis emas de ale a an ecipado (CEMADEN, 2024;
DEFESACIVIL.RS.GOV.BR, 2017).

28
6.2. Compo amen o das Chu as em São Bo ja
Os pad ões de chu a em São Bo ja, embo a po ezes com olumes
meno es que os egis ados em I aqui em picos especí icos, são c uciais
pa a a comp eensão do egime de cheias. Po exemplo, em maio de 2025,
São Bo ja egis ou 249,80 mm de chu a. Embo a es e olume seja in e io
ao de I aqui no mesmo pe íodo, ele ep esen a uma pa cela conside á el
do apo e híd ico o al que se soma ao longo da bacia.
6.3. Co elação en e Chu as em São Bo ja e Co as em U uguaiana
A con ibuição das chu as em São Bo ja é pa e in eg an e do soma ó io de
águas que o mam as cheias em U uguaiana. A análise dos dados suge e
que, mesmo com um possí el lag empo al, olumes signi ica i os de chu a
em São Bo ja podem ampli ica os e ei os das p ecipi ações em I aqui e
U uguaiana, esul ando em cheias de maio magni ude. O moni o amen o
con ínuo das chu as em São Bo ja é, po an o, essencial pa a uma p e isão
mais p ecisa dos ní eis do Rio U uguai em U uguaiana.
7. A In luência das Chu as em Ga uchos na Co a de U uguaiana
Es e capí ulo analisa a in luência das chu as em Ga uchos, a localidade
mais dis an e a mon an e den e as analisadas, sob e as co as do Rio
U uguai em U uguaiana. A comp eensão da con ibuição de Ga uchos é
undamen al pa a uma isão holís ica da dinâmica da bacia.
29
7.1. Localização de Ga uchos em Relação a U uguaiana
Ga uchos si ua-se na pa e mais a mon an e da bacia do io U uguai, em
elação a U uguaiana, den e os pon os de moni o amen o analisados nes e
es udo. Essa localização implica que os e en os de p ecipi ação oco idos
em Ga uchos são os p imei os a alimen a o escoamen o que pe co e o
cu so do io em di eção a U uguaiana. Embo a o empo de espos a
hid ológica (lag ime) en e as chu as em Ga uchos e os e lexos no ní el
do io em U uguaiana seja o mais p olongado en e as localidades
a aliadas, sua con ibuição ep esen a o início do p ocesso de o mação
das cheias a jusan e, sendo um elemen o-cha e no compo amen o
hid ossedimen ológico do sis ema lu ial (TUCCI, 2005; MANAIA e al.,
2018).
7.2. Compo amen o das Chu as em Ga uchos
Ga uchos equen emen e egis am olumes de chu a signi ica i os que,
embo a dis an es, impac am o egime hid ológico do Rio U uguai. Em maio
de 2025, po exemplo, Ga uchos egis ou um olume de 352,20 mm de
chu a. Es e olume, somado às p ecipi ações em São Bo ja e I aqui,
demons a o ca á e cumula i o do apo e híd ico ao longo da bacia.
7.3. Co elação en e Chu as em Ga uchos e Co as em U uguaiana
O al o olume de chu a em Ga uchos, somado aos demais, ea i ma que
a magni ude das cheias em U uguaiana é o esul ado cumula i o das
p ecipi ações em oda a bacia a mon an e. A análise da co elação en e as
chu as em Ga uchos e as co as em U uguaiana, embo a com um lag
30
empo al maio , é c ucial pa a en ende a o igem e o desen ol imen o das
cheias. Um moni o amen o e icaz em Ga uchos pode o nece um ale a
an ecipado alioso pa a as comunidades a jusan e, pe mi indo a
implemen ação de medidas p e en i as com maio an ecedência.
8. Análise dos Resul ados
8.1. Pano ama Ge al dos Dados
O ano de 2024 oi ma cado po a iações signi ica i as nos ní eis do Rio
U uguai em U uguaiana e nos olumes de p ecipi ação nas es ações
moni o adas. A análise ge al dos dados e ela uma cla a sazonalidade, com
pe íodos de maio olume de chu as e consequen es ele ação da co a do
io. Fo am iden i icados ês e en os de cheia signi ica i os ao longo do ano,
que se ão de alhados nos p óximos imes es.
8.2. P imei o T imes e (Janei o a Ma ço)
No p imei o imes e de 2024, os olumes de chu a o am mode ados, e a
co a do Rio U uguai em U uguaiana man e e-se em ní eis ela i amen e
baixos, sem oco ência de cheias signi ica i as. Es e pe íodo é ipicamen e
de ansição, com o im do e ão e o início do ou ono, onde as p ecipi ações
ainda não a ingem os olumes mais exp essi os que ca ac e izam os
meses de in e no e p ima e a.
8.3. Segundo T imes e (Ab il a Junho)
O segundo imes e (ab il a junho) egis ou o p imei o e en o de cheia
signi ica i o. Em junho de 2024, a co a do Rio U uguai em U uguaiana
31
a ingiu um pico, impulsionada po olumes conside á eis de chu a nas
es ações a mon an e. Es e e en o demons ou a ápida espos a do io às
p ecipi ações na bacia, com um lag empo al de ap oximadamen e 2 a 3
dias en e os picos de chu a em I aqui e São Bo ja e a ele ação da co a em
U uguaiana.
8.4. Te cei o T imes e (Julho a Se emb o)
O e cei o imes e (julho a se emb o) oi ca ac e izado po um segundo
e en o de cheia, com a co a do io a ingindo um no o pico em se emb o de
2024. As chu as pe sis en es e de al o olume em Ga uchos, São Bo ja e
I aqui con ibuí am pa a essa ele ação. A análise de alhada mos ou que a
con ibuição de Ga uchos, embo a mais dis an e, oi undamen al pa a o
olume o al de água que chegou a U uguaiana, e idenciando a impo ância
do moni o amen o de oda a bacia.
8.5. Qua o T imes e (Ou ub o a Dezemb o)
O qua o imes e (ou ub o a dezemb o) ap esen ou o e cei o e mais
exp essi o e en o de cheia do ano de 2024, com a co a do Rio U uguai em
U uguaiana a ingindo seu ní el máximo em no emb o. Es e pico oi
esul ado de chu as in ensas e concen adas em odas as es ações a
mon an e, especialmen e em I aqui e São Bo ja. A co elação en e os
olumes de chu a e a ele ação da co a oi mais e iden e nes e pe íodo,
e o çando a hipó ese cen al do es udo.
32
8.6. Co elação Es a ís ica
A análise es a ís ica con i mou uma o e co elação posi i a en e os
olumes de p ecipi ação nas es ações a mon an e (Ga uchos, São Bo ja e
I aqui) e as co as do Rio U uguai em U uguaiana. O coe icien e de
co elação de Pea son oi consis en emen e al o, indicando que o aumen o
das chu as a mon an e es á di e amen e associado à ele ação do ní el do
io a jusan e. Modelos de eg essão linea desen ol idos a pa i desses
dados ap esen a am boa capacidade p edi i a, o que pode se ú il pa a
sis emas de ale a.
8.7. Tempo de Respos a
O empo de espos a (lag empo al) en e os picos de chu a a mon an e e
os picos de co a em U uguaiana a iou de 2 a 4 dias, dependendo da
localização da es ação de p ecipi ação. Pa a I aqui, o lag oi meno (2-3
dias), enquan o pa a São Bo ja e Ga uchos, oi ligei amen e maio (3-4
dias). Essa in o mação é c ucial pa a a De esa Ci il, pois pe mi e es ima
com maio p ecisão o empo disponí el pa a a omada de decisões e a
implemen ação de medidas de p e enção e e acuação.
8.8. P incipais Conclusões Pa ciais
Os esul ados da análise de dados de 2024 demons am que:
● As chu as a mon an e são o p incipal a o pa a a oco ência de cheias
em U uguaiana.

33
● Exis e uma o e co elação es a ís ica en e os olumes de p ecipi ação
em Ga uchos, São Bo ja e I aqui e as co as do Rio U uguai em
U uguaiana.
● O empo de espos a (lag empo al) é um elemen o cha e pa a o
desen ol imen o de sis emas de ale a p ecoce e icazes.
● A bacia do Rio U uguai unciona como um sis ema in e conec ado, onde
as p ecipi ações em qualque pon o a mon an e con ibuem pa a a
dinâmica hid ológica a jusan e.
9. Conclusões e Conside ações Finais
Es e capí ulo ap esen a uma sín ese dos p incipais esul ados ob idos ao
longo da pesquisa, com ên ase na análise in eg ada en e dados
hid ológicos e geo ecnologias aplicadas. A discussão con empla as
implicações p á icas pa a o moni o amen o e a p e enção de e en os
ex emos, como as cheias no io U uguai, e o çando a ele ância de
sis emas de ale a p ecoce e da ges ão e i o ial baseada em e idências
(BRASIL, 2016; TUCCI, 2008). Além disso, são econhecidas as limi ações
me odológicas do es udo, especialmen e quan o à esolução empo al e
espacial de alguns dados u ilizados, como já des acado po Souza e al.
(2020) em abalhos simila es.
O capí ulo ambém p opõe di eções pa a u u as in es igações, suge indo
a inco po ação de modelos hid odinâmicos e sé ies empo ais ampliadas
pa a melho comp eensão da espos a da bacia en e às mudanças
climá icas (ANA, 2019; MANTOVANI e al., 2021). Po im, des aca-se a
impo ância da conscien ização cole i a sob e a dinâmica do io U uguai e
os impac os das ações an ópicas, alinhando-se às e lexões de Ribei o
34
(2015) sob e a necessidade de uma cul u a de p e enção e adap ação
en e aos iscos ambien ais.
9.1. Sín ese dos Resul ados
A análise dos dados hid ome eo ológicos con i mou que as chu as in ensas
nas egiões de I aqui, São Bo ja e Ga uchos são c uciais pa a a o mação
e magni ude das cheias em U uguaiana (Figu a 1). Obse ou-se uma cla a
co elação en e os olumes de p ecipi ação a mon an e e a ele ação das
co as do Rio U uguai em U uguaiana, com di e en es empos de espos a
(lags empo ais) dependendo da dis ância das localidades. O pico de cheia
em junho de 2025 em U uguaiana oi p ecedido po olumes signi ica i os
de chu a em I aqui, São Bo ja e Ga uchos, demons ando o ca á e
cumula i o e in e conec ado da bacia do Rio U uguai.
Figu a 2. P ecipi ação mensal nas egiões a mon an e de U uguaiana - I aqui, São Bo ja
e Ga uchos.
35
9.2. Implicações pa a o Moni o amen o e P e enção
Os esul ados des e es udo êm impo an es implicações pa a o
desen ol imen o de sis emas de ale a p ecoce e uma ges ão mais e icaz
dos ecu sos híd icos em U uguaiana. O moni o amen o con ínuo das
chu as nas es ações a mon an e (I aqui, São Bo ja e Ga uchos) pode
o nece in o mações aliosas pa a an ecipa e en os de cheia, pe mi indo
que a de esa ci il e as comunidades locais implemen em medidas
p e en i as com maio an ecedência. A comp eensão dos lags empo ais
en e as p ecipi ações a mon an e e a ele ação do io em U uguaiana é
undamen al pa a o imiza esses sis emas de ale a. A igu a 3 ap esen a
as co as de a enção, ale a e inundação.
Figu a 3. Co as de a enção, ale a e inundação em U uguaiana
36
9.3. Limi ações do Es udo e Suges ões pa a Pesquisas Fu u as
Es e es udo oi limi ado a um pe íodo de análise de um ano (junho de 2024
a junho de 2025). Embo a enha o necido insigh s aliosos, análises u u as
com sé ies his ó icas mais longas pode iam ap o unda ainda mais as
conclusões e iden i ica pad ões de cheia de longo p azo. Suge e-se a
ealização de pesquisas u u as que incluam:
● Análise de sé ies his ó icas de dados hid ome eo ológicos pa a
iden i ica endências e ciclos de cheia em pe íodos mais ex ensos.
● Modelagem hid ológica a ançada pa a simula cená ios de cheia e
a alia o impac o de di e en es olumes de p ecipi ação e condições da
bacia.
● Es udo da in luência de ou os a o es, como o uso e ocupação do solo,
desma amen o e ob as de in aes u u a, na dinâmica das cheias.
● A aliação da ulne abilidade social e econômica das comunidades
ibei inhas pa a subsidia polí icas públicas de adap ação e esiliência.
9.4. A Impo ância da Conscien ização
Os esul ados des e es udo e idenciam a ele ância de amplia a
conscien ização sob e as dinâmicas hid ológicas do io U uguai e a o e
in e dependência en e os di e en es se o es da bacia hid og á ica. É
undamen al que a população, os ges o es públicos e os di e sos
segmen os da sociedade comp eendam que in e enções ealizadas em
uma po ção da bacia podem ge a e ei os signi ica i os a jusan e,
e o çando a necessidade de uma ges ão in eg ada dos ecu sos híd icos
(BRAGA; TUNDISI; TUNDISI, 2014; ANA, 2020). Nesse con ex o, a
43
2.2. Sis ema de ale a an ecipado
Um sis ema de ale a an ecipado obus o é essencial pa a minimiza os
danos e pe das causados pelas cheias. Ele de e inclui :
● Moni o amen o Con ínuo: Es ações hid ome eo ológicas em empo
eal, com dados acessí eis e a ualizados.
● Modelagem P edi i a: Modelos que simulem o compo amen o do io
com base nas chu as a mon an e e ou as a iá eis.
● Comunicação E icaz: Canais de comunicação cla os e ápidos pa a
ale a a população e as au o idades.
● Planos de Con ingência: P o ocolos de ação pa a e acuação,
ab igamen o e assis ência às í imas.
2.3. Ges ão e i o ial e uso do solo
A ges ão e i o ial e o uso do solo desempenham um papel c ucial na
p e enção de cheias. A ocupação deso denada de á eas de isco, o
desma amen o de ma as cilia es e a impe meabilização do solo aumen am
a ulne abilidade das cidades. É undamen al que o planejamen o u bano
inco po e:
● Zoneamen o de Á eas de Risco: Iden i icação e es ição da ocupação
em á eas sujei as a inundações.
● P ese ação de Á eas Na u ais: P o eção de ma as cilia es, á zeas e
ou as á eas que a uam como amo ecedo es na u ais de cheias.

44
● In aes u u a Ve de: Implemen ação de soluções baseadas na
na u eza, como pa ques inundá eis e elhados e des, pa a aumen a a
capacidade de in il ação e e enção de água.
2.4. Planejamen o u bano e in aes u u a
O planejamen o u bano e a in aes u u a de em se adap ados pa a lida
com as cheias. Isso inclui:
● D enagem U bana: Sis emas de d enagem e icien es, com capacidade
pa a escoa g andes olumes de água.
● In aes u u a Resilien e: Cons ução de pon es, es adas e edi ícios
que esis am aos impac os das inundações.
● Ob as de P o eção: Cons ução de diques, ba agens e ou as
es u u as pa a con e o a anço das águas, quando necessá io e
ambien almen e iá el.
2.5. Ag icul u a e p odução u al
A ag icul u a e a p odução u al são di e amen e a e adas pelas cheias. O
planejamen o e a ges ão de em conside a :
● P á icas Ag ícolas Sus en á eis: Adoção de écnicas que minimizem
a e osão do solo e aumen em a in il ação de água.
● Zoneamen o Ag ícola: Iden i icação de á eas mais adequadas pa a
cada ipo de cul u a, conside ando o isco de cheias.
● Sis emas de I igação E icien es: Uso acional da água pa a e i a o
despe dício e a sob eca ga dos sis emas híd icos.
45
2.6. Coope ação in e municipal
A bacia do Rio U uguai ab ange di e sos municípios, e a coope ação en e
eles é undamen al pa a uma ges ão e icaz das cheias. Isso inclui:
● Compa ilhamen o de In o mações: T oca de dados
hid ome eo ológicos e expe iências en e os municípios.
● Planos de Ação Conjun os: Desen ol imen o de es a égias
coo denadas pa a p e enção, espos a e ecupe ação de desas es.
● Comi ês de Bacia: Fo alecimen o dos comi ês de bacia hid og á ica
como ó uns de discussão e omada de decisão.
2.7. Educação ambien al e engajamen o comuni á io
A educação ambien al e o engajamen o comuni á io são pila es pa a a
cons ução de uma sociedade mais esilien e às cheias. Isso en ol e:
● P og amas de Conscien ização: In o ma a população sob e os iscos
de cheia, as medidas de p e enção e os planos de con ingência.
● Pa icipação Cidadã: En ol e a comunidade no planejamen o e na
implemen ação de ações de ges ão de iscos.
● Capaci ação: T einamen o de olun á ios e líde es comuni á ios pa a
a ua em si uações de eme gência.
2.8. Sín ese das ecomendações
Em sín ese, as ecomendações pa a o planejamen o e ges ão das cheias
em U uguaiana e na bacia do Rio U uguai incluem:
46
● In es imen o em sis emas de moni o amen o e ale a p ecoce.
● Implemen ação de polí icas de uso e ocupação do solo que conside em
as á eas de isco.
● Desen ol imen o de in aes u u as esilien es e soluções baseadas na
na u eza.
● P omoção de p á icas ag ícolas sus en á eis.
● Fo alecimen o da coope ação in e municipal e dos comi ês de bacia.
● In es imen o em educação ambien al e engajamen o comuni á io.
3. Impac os Socioeconômicos das Cheias
3.1. In odução
As cheias do Rio U uguai em U uguaiana, embo a sejam enômenos
na u ais, ge am uma sé ie de impac os socioeconômicos signi ica i os pa a
a população e pa a a economia local e egional. A comp eensão desses
impac os é undamen al pa a o desen ol imen o de es a égias e icazes de
mi igação e ecupe ação.
3.2. Impac os sob e a população e habi ação
Os impac os mais imedia os das cheias são sob e a população e suas
mo adias. Milha es de pessoas são a e adas, com a necessidade de
e acuação, ab igamen o empo á io e pe da de bens ma e iais. A
in e upção do acesso a se iços básicos, como água, ene gia e
saneamen o, ag a a a si uação. Além disso, o es esse psicológico e os
aumas deco en es da pe da de suas casas e pe ences são impac os de
longo p azo que a e am a saúde men al das comunidades.
47
3.3. P ejuízos à ag icul u a e pecuá ia
A egião de U uguaiana possui uma o e ocação ag ícola e pecuá ia, e
esses se o es são se e amen e a ingidos pelas cheias. A inundação de
la ou as (especialmen e a oz), a pe da de ebanhos, a des uição de
in aes u u as u ais (ce cas, galpões) e a con aminação do solo e da água
po esíduos são alguns dos p ejuízos. A ecupe ação dessas a i idades
pode le a meses ou a é anos, ge ando pe das econômicas signi ica i as
pa a os p odu o es e pa a a economia local.
3.4. In e upção de se iços e logís ica
As cheias equen emen e causam a in e upção de se iços essenciais e
a e am a logís ica egional. Rodo ias e pon es são alagadas, di icul ando o
anspo e de pessoas e me cado ias. O uncionamen o de hospi ais,
escolas e ou os se iços públicos pode se comp ome ido. O po o seco de
U uguaiana, um impo an e co edo de expo ação, é di e amen e
impac ado pelas a iações no ní el do io, ge ando a asos e p ejuízos pa a
o comé cio in e nacional.
3.5. Impac os econômicos indi e os
Além dos p ejuízos di e os, as cheias ge am uma sé ie de impac os
econômicos indi e os. A edução da a i idade econômica, a diminuição do
consumo, a pe da de emp egos e a necessidade de in es imen os em
econs ução e ecupe ação sob eca egam os o çamen os públicos e
p i ados. O u ismo ambém é a e ado, pois a imagem da cidade como
des ino u ís ico pode se p ejudicada pelos e en os de cheia.
48
3.6. Vulne abilidade social e desigualdade
Os impac os das cheias são desp opo cionais, a e ando mais se e amen e
as populações em si uação de ulne abilidade social. Mo ado es de á eas
de isco, com meno acesso a ecu sos e in o mações, são os mais
a ingidos. A desigualdade social é ampli icada, pois as amílias de baixa
enda êm maio di iculdade em se ecupe a das pe das e econs ui suas
idas. É undamen al que as polí icas públicas conside em essa dimensão
da ulne abilidade e p io izem o a endimen o às populações mais a e adas.
3.7. Respos as ins i ucionais e cus o da ecupe ação
A espos a ins i ucional às cheias en ol e a mobilização da de esa ci il,
ó gãos de assis ência social, saúde e segu ança. O cus o da ecupe ação
é ele ado, incluindo despesas com ab igamen o, alimen ação,
medicamen os, econs ução de mo adias e in a es u u as. A e iciência da
espos a e a capacidade de ecupe ação dependem da a iculação en e os
di e en es ní eis de go e no, a sociedade ci il e o se o p i ado.
3.8. Lições e pe spec i as u u as
Os e en os de cheia em U uguaiana o e ecem lições impo an es pa a o
u u o. A necessidade de in es i em p e enção, sis emas de ale a
p ecoce, planejamen o u bano, esiliência e educação ambien al é
e iden e. A pe spec i a u u a apon a pa a a in ensi icação dos e en os
ex emos de ido às mudanças climá icas, o que e o ça a u gência de
ações adap a i as e de longo p azo pa a ga an i a segu ança e o
desen ol imen o sus en á el da egião

49
3.9. Quad o esumo dos p incipais impac os:
Ca ego ia de
Impac o
Desc ição Exemplos Medidas de
Mi igação/Adap ação
População e
Habi ação
Deslocamen o,
pe da de bens,
es esse
psicológico.
E acuação de
amílias, ab igos
empo á ios,
danos a
esidências.
Planos de
con ingência,
zoneamen o de isco,
apoio psicossocial.
Ag icul u a e
Pecuá ia
Pe da de
la ou as e
ebanhos,
des uição de
in aes u u a
u al.
Inundação de
a ozais, mo e
de animais,
ce cas
des uídas.
P á icas ag ícolas
esilien es, segu o
u al, di e si icação de
cul u as.
Se iços e
Logís ica
In e upção de
ias,
comp ome imen o
de se iços
essenciais.
Rodo ias
bloqueadas, al a
de água/ene gia,
a asos no po o
seco.
In aes u u a
esilien e, o as
al e na i as, sis emas
de comunicação de
eme gência.
Economia Indi e a Redução da
a i idade
econômica, pe da
de emp egos,
cus os de
econs u
ç
ão.
Comé cio local
a e ado,
diminuição do
u ismo, aumen o
de despesas
públicas.
Linhas de c édi o
especiais, omen o ao
emp eendedo ismo,
di e si icação
econômica.
Vulne abilidade
Social
Impac o
desp opo cional
em populações
de baixa enda.
Di iculdade de
ecupe ação,
acesso limi ado a
ecu sos.
Polí icas sociais
inclusi as, p og amas
de assis ência,
capaci ação.
50
4. O Fu u o das Cheias: Tendências e Mudanças Climá icas
4.1. In odução
O u u o das cheias na bacia do Rio U uguai, e em U uguaiana em
pa icula , es á in insecamen e ligado às endências das mudanças
climá icas. A in ensi icação de e en os ex emos, como chu as mais o es
e secas mais p olongadas, ep esen a um desa io c escen e pa a a ges ão
de iscos e a adap ação das comunidades. Es e capí ulo explo a as
p ojeções e os a o es que molda am o egime de cheias nas p óximas
décadas.
4.2. Aumen o da equência de e en os ex emos
Modelos climá icos e obse ações ecen es indicam um aumen o na
equência e in ensidade de e en os de p ecipi ação ex ema em di e sas
egiões do B asil, incluindo o sul. Isso signi ica que as cheias podem se
o na mais comuns e mais se e as, exigindo uma ea aliação das
es a égias de planejamen o e p e enção. O aumen o da empe a u a
global con ibui pa a a maio e apo ação e, consequen emen e, pa a a
maio disponibilidade de umidade na a mos e a, esul ando em chu as mais
in ensas.
4.3. O papel do El Niño e La Niña
Os enômenos El Niño e La Niña, que azem pa e do ciclo El Niño-
Oscilação Sul (ENOS), exe cem uma in luência signi ica i a no egime de
chu as na Amé ica do Sul. Du an e o El Niño, o sul do B asil ende a
egis a olumes de chu a acima da média, o que pode in ensi ica as
51
cheias. Já a La Niña, ge almen e, es á associada a pe íodos de seca. A
comp eensão desses ciclos e sua p e isão são c uciais pa a an ecipa os
cená ios hid ológicos e ajus a as es a égias de ges ão.
4.4. Cená ios egionais pa a o sul do B asil
Es udos e p ojeções climá icas pa a o sul do B asil apon am pa a:
● Aumen o da Tempe a u a: Ele ação das empe a u as médias anuais.
● Al e ação no Regime de Chu as: Tendência de chu as mais
concen adas em cu os pe íodos, com maio in ensidade, e pe íodos de
seca mais p olongados.
● E en os Ex emos: Maio equência de inundações e secas, com
impac os na ag icul u a, ecu sos híd icos e in aes u u a.
Esses cená ios e o çam a necessidade de um planejamen o adap a i o e
de longo p azo pa a a bacia do Rio U uguai.
4.5. P essões an ópicas e ampli icação do isco
Além das mudanças climá icas, as p essões an ópicas (causadas pela
ação humana) ampli icam o isco de cheias. O desma amen o, a
u banização deso denada, a impe meabilização do solo e a ocupação de
á eas de isco con ibuem pa a o aumen o do escoamen o supe icial e a
diminuição da capacidade de abso ção da água pelo solo. É undamen al
que as polí icas de uso e ocupação do solo conside em esses a o es e
p omo am um desen ol imen o mais sus en á el.
52
4.6. Planejamen o adap a i o e soluções baseadas na na u eza
Dian e das ince ezas e dos desa ios impos os pelas mudanças climá icas,
o planejamen o adap a i o e as soluções baseadas na na u eza (SbN)
eme gem como es a égias p omisso as. O planejamen o adap a i o
en ol e a capacidade de ajus a as es a égias e ações em espos a às
mudanças nas condições climá icas e hid ológicas. As SbN, como a
es au ação de ma as cilia es, a c iação de á eas úmidas e a
implemen ação de in aes u u a e de, u ilizam os p ocessos na u ais pa a
ge encia os iscos de cheia, p omo endo bene ícios ambien ais e sociais.
4.7. Tecnologia e moni o amen o con ínuo
A ecnologia desempenha um papel undamen al na ges ão u u a das
cheias. O moni o amen o con ínuo, com o uso de senso es emo os,
sa éli es e es ações hid ome eo ológicas au omá icas, pe mi e cole a
dados em empo eal e com al a p ecisão. O desen ol imen o de modelos
hid ológicos a ançados e a aplicação de in eligência a i icial podem
ap imo a a capacidade de p e isão e ale a, o necendo in o mações mais
p ecisas e em empo hábil pa a a omada de decisões.
4.8. Educação pa a a esiliência climá ica
A educação pa a a esiliência climá ica é essencial pa a capaci a as
comunidades a lida com os impac os das mudanças climá icas e das
cheias. Isso inclui:
59
na economia egional e nacional. O uncionamen o de hospi ais, escolas e
ou os se iços públicos ambém pode se comp ome ido, a e ando a o ina
e o bem-es a da população.
Os impac os econômicos indi e os incluem a edução da a i idade
econômica, a diminuição do consumo, a pe da de emp egos e a
necessidade de in es imen os em econs ução e ecupe ação, que
sob eca egam os o çamen os públicos e p i ados. O u ismo, embo a não
seja a p incipal a i idade econômica da cidade, ambém é a e ado, pois a
imagem de U uguaiana como des ino u ís ico pode se p ejudicada pelos
e en os de cheia. A ulne abilidade social é ampli icada, pois as
populações de baixa enda, que mui as ezes esidem em á eas de isco,
são as mais a ingidas e êm maio di iculdade em se ecupe a das pe das
e econs ui suas idas. É undamen al que as polí icas públicas
conside em essa dimensão da ulne abilidade e p io izem o a endimen o
às populações mais a e adas, ga an indo que a ecupe ação seja equi a i a
e inclusi a.
Dian e desse cená io, a comp eensão ap o undada dos impac os
socioeconômicos das cheias é c ucial pa a o desen ol imen o de polí icas
públicas e icazes, planos de con ingência obus os e es a égias de
ecupe ação que isem não apenas a econs ução ísica, mas ambém a
esiliência social e econômica da cidade de U uguaiana. A colabo ação
en e os di e en es ní eis de go e no, a sociedade ci il e o se o p i ado é
essencial pa a en en a esses desa ios e cons ui um u u o mais segu o
e p óspe o pa a a egião.

60
5.7. Desa ios na Cole a e Análise de Dados Hid ome eo ológicos
Apesa da impo ância undamen al dos dados hid ome eo ológicos pa a a
comp eensão e ges ão das cheias, a cole a e análise dessas in o mações
não es ão isen as de desa ios. A complexidade dos sis emas na u ais, a
as a ex ensão e i o ial da bacia do Rio U uguai e a necessidade de
moni o amen o con ínuo em empo eal impõem obs áculos que p ecisam
se supe ados pa a ga an i a p ecisão e a con iabilidade das análises.
Um dos p incipais desa ios eside na manu enção e calib ação das
es ações de moni o amen o. Senso es e equipamen os podem so e
desgas e de ido às condições climá icas ad e sas, como chu as in ensas,
en os o es e a iações de empe a u a, o que pode comp ome e a
acu ácia dos dados. A calib ação pe iódica e a manu enção p e en i a são
essenciais pa a ga an i que as medições de co a e p ecipi ação sejam
semp e idedignas. Além disso, a conec i idade em á eas emo as da bacia
pode se um p oblema, di icul ando a ansmissão de dados em empo eal
e a asando a disponibilidade de in o mações c uciais pa a a omada de
decisão.
Ou o pon o c í ico é a oco ência de alhas ou lacunas nos egis os de
dados. In e upções no o necimen o de ene gia, p oblemas de
comunicação ou alhas nos equipamen os podem esul a em pe íodos sem
dados, o que exige écnicas de in e polação ou es ima i a pa a p eenche
essas lacunas. Embo a exis am mé odos es a ís icos pa a isso, a ausência
de dados o iginais pode in oduzi ince ezas nas análises, especialmen e
em e en os ex emos onde a p ecisão é mais necessá ia.
61
A he e ogeneidade espacial da p ecipi ação é ou o desa io signi ica i o. A
chu a não cai de manei a uni o me sob e oda a bacia, e a localização das
es ações de moni o amen o pode não se su icien e pa a cap u a odas as
a iações locais. Uma ede de es ações mais densa se ia ideal, mas é
in iá el em e mos de cus o e logís ica. Po an o, a in e p e ação dos dados
de p ecipi ação de e conside a essa a iabilidade espacial e, quando
possí el, se complemen ada po ou as on es de in o mação, como dados
de sa éli e ou ada es me eo ológicos.
Finalmen e, a in eg ação de dados de di e en es on es e o ma os pode se
complexa. A ANA, como p incipal p o edo a de dados, u iliza pad ões
especí icos, mas ou as ins i uições ou pesquisas podem ge a dados em
o ma os dis in os, exigindo um abalho de pad onização e ha monização.
A in e ope abilidade dos sis emas de in o mação é c ucial pa a cons ui
uma base de dados obus a e ab angen e que pe mi a análises mais
so is icadas e in eg adas. Supe a esses desa ios é um passo con ínuo e
necessá io pa a ap imo a a capacidade de p e isão e ges ão de cheias na
bacia do Rio U uguai.
5.8. A Impo ância da Colabo ação In e ins i ucional na Cole a de
Dados
A ges ão e icaz dos ecu sos híd icos e a p e enção de desas es na u ais,
como as cheias, dependem in insecamen e da colabo ação e do
in e câmbio de in o mações en e di e sas ins i uições. No con ex o da
bacia do Rio U uguai, a Agência Nacional de Águas e Saneamen o Básico
(ANA) desempenha um papel cen al na cole a e disponibilização de dados
hid ome eo ológicos. No en an o, a complexidade e a ab angência do ema
62
exigem que ou as en idades, an o go e namen ais quan o não
go e namen ais, con ibuam com seus conhecimen os e ecu sos pa a
o alece o sis ema de moni o amen o e análise.
Ins i uições de pesquisa, como uni e sidades e cen os de pesquisa em
hid ologia e me eo ologia, são pa cei as essenciais. Elas não apenas
u ilizam os dados da ANA pa a seus es udos, mas ambém podem
desen ol e me odologias a ançadas de análise, modelos p edi i os e
ecnologias ino ado as pa a ap imo a a cole a e a in e p e ação das
in o mações. A colabo ação com essas ins i uições pe mi e a alidação de
dados, a iden i icação de lacunas no moni o amen o e a p oposição de
soluções baseadas em e idências cien í icas.
Os ó gãos de de esa ci il, an o em ní el municipal quan o es adual, são
usuá ios p imá ios dos dados hid ome eo ológicos. A oca con ínua de
in o mações en e a ANA e a de esa ci il é i al pa a que os ale as de cheia
sejam emi idos em empo hábil e com a maio p ecisão possí el. Além
disso, a de esa ci il pode o nece eedback alioso sob e a aplicabilidade
dos dados em campo e as necessidades especí icas das comunidades
a e adas, con ibuindo pa a o ap imo amen o dos sis emas de
moni o amen o.
O ganizações não go e namen ais (ONGs) e associações de p odu o es
u ais ambém desempenham um papel impo an e. Mui as dessas
en idades ealizam moni o amen o local de ios e chu as, cole ando dados
que, embo a em meno escala, podem complemen a as in o mações da
ANA e o nece de alhes impo an es sob e as condições em á eas
especí icas. A in eg ação desses dados comuni á ios, quando possí el,
63
pode en iquece a comp eensão da dinâmica da bacia e o alece a
capacidade de espos a local.
Finalmen e, a coope ação com ins i uições de países izinhos, como
A gen ina e U uguai, é c ucial, dada a na u eza ans on ei iça da bacia do
Rio U uguai. O in e câmbio de dados e in o mações sob e as condições
hid ome eo ológicas em oda a bacia pe mi e uma isão mais comple a e
in eg ada, essencial pa a a ges ão de cheias que a e am múl iplos países.
A cons ução de edes de colabo ação e o es abelecimen o de p o ocolos
de compa ilhamen o de dados são passos undamen ais pa a uma ges ão
híd ica mais e icaz e coo denada em oda a bacia do Rio U uguai.
5.9. De alhamen o dos Picos de Cheia em U uguaiana
Pa a uma comp eensão mais ap o undada da dinâmica das cheias em
U uguaiana, é undamen al analisa em de alhe os picos de co a egis ados
no pe íodo de junho de 2024 a junho de 2025. Esses e en os ep esen am
momen os c í icos em que o Rio U uguai ex a asou suas ma gens,
impac ando a cidade e suas á eas adjacen es. A análise de cada pico
pe mi e iden i ica as condições hid ome eo ológicas que os an ecede am
e as possí eis causas.
O p imei o pico signi ica i o obse ado oco eu em junho de 2024, quando
a co a do Rio U uguai a ingiu 614,02 me os. Embo a a p ecipi ação local
em U uguaiana nes e mês enha sido ela i amen e baixa (21,40 mm), es e
ní el conside á el suge e o emen e a in luência de olumes de água
p o enien es de mon an e ou de p ecipi ações acumuladas em pe íodos
an e io es. Es e e en o essal a a impo ância da análise da bacia como um
64
odo, e não apenas das condições locais, pa a a comp eensão das cheias.
A ele ação da co a em junho de 2024 pode e sido esul ado de chu as
in ensas oco idas dias ou semanas an es em egiões mais ele adas da
bacia, cujas águas le a am um empo pa a pe co e o cu so do io a é
U uguaiana. A ausência de chu as locais exp essi as du an e o pico da
cheia e o ça a ese da in e conec i idade da bacia e da in luência das á eas
a mon an e.
O segundo pico, e o mais exp essi o do pe íodo analisado, oi egis ado
em junho de 2025, com a co a do Rio U uguai alcançando 751,05 me os.
Es e e en o oi p ecedido po um ele ado olume de chu a na p óp ia
U uguaiana em maio de 2025 (428,60 mm). A con ibuição local, nes e
caso, oi um a o impo an e pa a a magni ude des a cheia. No en an o, é
c ucial conside a que, con o me se á de alhado nos capí ulos
subsequen es, as chu as a mon an e ambém desempenha am um papel
undamen al. A combinação de p ecipi ações in ensas na cidade e nas
á eas io acima c iou um cená io p opício pa a uma cheia de g andes
p opo ções. A análise desse e en o em pa icula se e como um es udo
de caso pa a ilus a a complexidade da in e ação en e a o es locais e
egionais na o mação das cheias.
Além desses picos, é impo an e no a o compo amen o do io em ou os
pe íodos. Po exemplo, a edução do ní el do io em julho (590,99 m) e
agos o (467,38 m) de 2024, e o alcance de um dos pon os mais baixos em
ma ço de 2025 (171,79 m), demons am a a iabilidade na u al do egime
hid ológico do Rio U uguai. Esses pe íodos de baixa co a são igualmen e
impo an es pa a a ges ão dos ecu sos híd icos, especialmen e em elação
ao abas ecimen o e à na egação. A ansição de pe íodos de es iagem pa a

65
cheias ápidas, como obse ado a pa i de ab il de 2025, sublinha a
necessidade de um moni o amen o con ínuo e de sis emas de ale a
e icazes que possam p e e essas mudanças ab up as no ní el do io.
A comp eensão de alhada de cada e en o de cheia, incluindo a análise das
condições plu iomé icas locais e a mon an e, a du ação da ele ação da
co a e os impac os obse ados, é essencial pa a ap imo a os modelos
p edi i os e as es a égias de espos a a desas es. Esses dados his ó icos,
mesmo que de um pe íodo limi ado, o necem in o mações aliosas pa a o
planejamen o e a ges ão de iscos em U uguaiana.
5.10. Análise Compa a i a dos Pad ões de Chu a e Co a
A elação en e os pad ões de chu a e a co a do Rio U uguai em
U uguaiana é complexa e mul i ace ada. Uma análise compa a i a
de alhada dos dados plu iomé icos locais e dos ní eis do io e ela que,
embo a a p ecipi ação na p óp ia cidade seja um a o con ibuin e, ela nem
semp e é o único ou o p incipal de e minan e das cheias mais se e as. Essa
obse ação é c ucial pa a desmis i ica a ideia de que apenas a chu a local
é esponsá el pelas inundações e pa a e o ça a impo ância da bacia
hid og á ica como um sis ema in e conec ado.
Ao examina os dados, pe cebe-se que os maio es olumes de chu a
egis ados em U uguaiana nem semp e coincidem com os maio es picos
de co a. Po exemplo, em maio de 2025, U uguaiana egis ou um olume
signi ica i o de 428,60 mm de chu a, o que p ecedeu a g ande ele ação
da co a em junho de 2025. Nes e caso, a p ecipi ação local e e um papel
66
e iden e na in ensi icação da cheia. No en an o, em ou os momen os, a
dinâmica é di e en e.
Em agos o de 2024, a chu a em U uguaiana oi de 124,00 mm, e em
no emb o de 2024, de 138,60 mm. Nesses meses, as co as do io
mos a am um compo amen o dec escen e ou ela i amen e es á el,
apesa dos olumes de chu a conside á eis. Isso suge e que, mesmo com
p ecipi ação local, se não hou e um apo e signi ica i o de água das á eas
a mon an e, o io pode não a ingi ní eis de cheia. Essa dissociação en e
chu a local e co a do io é um indica i o cla o de que ou os a o es,
especialmen e as chu as nas po ções supe io es da bacia, são c uciais
pa a a oco ência de inundações de g ande po e.
A análise compa a i a ambém de e conside a o concei o de sa u ação
do solo. Um solo já sa u ado po chu as an e io es, mesmo que de meno
in ensidade, e á uma capacidade eduzida de abso e no as
p ecipi ações, esul ando em um maio escoamen o supe icial e,
consequen emen e, em uma ele ação mais ápida do ní el do io. Po an o,
a sequência de e en os plu iomé icos, e não apenas o olume isolado de
uma chu a, é um a o impo an e a se conside ado.
Além disso, a du ação e a in ensidade da chu a são mais ele an es do
que apenas o olume o al. Chu as de al a in ensidade em um cu o pe íodo
podem ge a um escoamen o supe icial ápido e picos de cheia ab up os,
enquan o chu as de meno in ensidade, mas de longa du ação, podem
sa u a o solo e con ibui pa a uma ele ação mais g adual, mas
sus en ada, do ní el do io. A combinação desses a o es o na a análise
67
dos pad ões de chu a e co a uma a e a complexa que exige uma
abo dagem holís ica.
Em suma, a análise compa a i a dos dados de chu a e co a em U uguaiana
e o ça a ideia de que as cheias são um enômeno complexo, in luenciado
po uma in e ação de a o es locais e egionais. A p ecipi ação local é um
componen e impo an e, mas a magni ude das maio es cheias es á
in insecamen e ligada às chu as nas po ções a mon an e da bacia
hid og á ica. Essa comp eensão é undamen al pa a o desen ol imen o de
modelos p edi i os mais p ecisos e pa a a implemen ação de es a égias
de ges ão de iscos que conside em a bacia como um sis ema in eg ado.
68
Capí ulo 3 - Es udos de Caso: Cheias e Con ibuições
Jocema An onio Toso1,2
Suelen Po i a Cha es Yosu 1
Ana Helena de Souza Siga an1
Diogo Rica do Ma ins Bales a3
Cassiane J ayj de Melo4
1Acadêmico do Cu so de Engenha ia em Aquicul u a, UNIPAMPA; 2Tecnólogo em Aquicul u a,
UNIPAMPA; 3Adminis ado , Acadêmico de Di ei o, Pós G aduado em Di ei o Ambien al e MSc Negócios
In e nacionais, Mus Uni e si y; 4Engenhei a Ag ônoma, MSc Geog a ia: Senso iamen o Remo o; D a
Ciência do Solo, UFSM.
1. In odução
Es e capí ulo ap o unda a análise da dinâmica hid ológica do io U uguai, com ên ase
nas cheias oco idas em junho de 2025 — o e en o de maio magni ude egis ado no
pe íodo analisado. O oco ecai sob e a elação en e os olumes de p ecipi ação
acumulados em cidades a mon an e, como São Bo ja, I aqui e Ga uchos, e a
subsequen e ele ação da co a do io em U uguaiana. Tais conexões hid ológicas são
undamen ais pa a a comp eensão do compo amen o do escoamen o na bacia e pa a
a iden i icação de pad ões que an ecedem e en os ex emos (TUCCI, 2008; ANA, 2019).
A a aliação da con ibuição isolada e combinada dessas localidades pe mi e um
en endimen o mais p eciso dos a o es que condicionam o aumen o do ní el do io,
se indo de base pa a o ap imo amen o dos sis emas de moni o amen o e p e isão
hid ológica (BARROS e al., 2020; MANTOVANI e al., 2021). A análise do empo de
espos a hid ológica — ou lag empo al — en e a oco ência das chu as a mon an e e
o pico de cheia em U uguaiana, aliada à a iabilidade in e municipal de espos a,
con igu a-se como elemen o cen al pa a undamen a es a égias de ges ão de iscos
mais e icazes (RIBEIRO, 2015; DEFESA CIVIL RS, 2023).
2. Cheias de 2025 e a Con ibuição de I aqui
Pa a ilus a a o e co elação en e as chu as em I aqui e as cheias em
U uguaiana, é ins u i o analisa o e en o de cheia de junho de 2025, que
75
Em segundo luga , a análise do lag empo al especí ico de São Bo ja
em elação a U uguaiana de e se con inuamen e e inada. Comp eende
com p ecisão o empo que a água le a pa a pe co e a dis ância en e as
duas cidades é undamen al pa a o imiza os sis emas de ale a p ecoce.
Essa análise pode se ap imo ada com o uso de modelos hid ológicos mais
so is icados que conside em as ca ac e ís icas geomo ológicas do io e de
sua bacia de con ibuição.
Em e cei o luga , a in eg ação dos dados de São Bo ja nos sis emas
de ale a de U uguaiana é i al. As in o mações sob e olumes de chu a
em São Bo ja de em se au oma icamen e inco po adas aos modelos de
p e isão e u ilizadas pa a ge a ale as com a de ida an ecedência. A
comunicação desses ale as de e se cla a, concisa e disseminada po
múl iplos canais, ga an indo que a população enha empo su icien e pa a
oma as medidas p e en i as necessá ias.
Além disso, a colabo ação en e as de esas ci is e os ó gãos de ges ão
de ecu sos híd icos de São Bo ja e U uguaiana é indispensá el. A oca
egula de in o mações, a ealização de einamen os conjun os e o
desen ol imen o de planos de con ingência coo denados podem o alece
a capacidade de espos a a e en os de cheia. A bacia do Rio U uguai é um
sis ema in e conec ado, e a ges ão e icaz das cheias exige uma coope ação
con ínua en e odos os municípios que a compõem.
Finalmen e, a educação ambien al e a conscien ização da população de
São Bo ja sob e o seu papel na dinâmica das cheias a jusan e podem
omen a uma maio pa icipação em p og amas de moni o amen o
comuni á io e na adoção de p á icas que con ibuam pa a a edução do

76
isco de inundações. Ao en ende a in e dependência da bacia, as
comunidades podem se o na agen es a i os na cons ução de um u u o
mais segu o e esilien e pa a odos os que i em às ma gens do Rio
U uguai.
4. A Con ibuição de Ga uchos pa a a Cheia de Junho de 2025
Pa a ilus a a in luência de Ga uchos nas cheias de U uguaiana, mesmo
sendo a localidade mais dis an e a mon an e, é ele an e analisa sua
con ibuição pa a o e en o de cheia de junho de 2025. Es e es udo de caso
demons a como as p ecipi ações em Ga uchos, somadas às de São Bo ja
e I aqui, culminam na magni ude das inundações em U uguaiana (Figu a
3).
Figu a 3. Co as e chu as U uguaiana e Ga uchos.
77
Em maio de 2025, Ga uchos egis ou um olume de 352,20 mm de
chu a. Es e olume, po si só, já é signi ica i o e ep esen a um apo e
conside á el de água pa a a bacia do Rio U uguai. Dada a sua posição mais
a mon an e, a água p o enien e de Ga uchos le a mais empo pa a chega
a U uguaiana, esul ando no maio lag empo al en e as localidades
analisadas, que pode a ia de 3 a 4 dias ou a é mais, dependendo das
condições de escoamen o e da sa u ação do solo ao longo do pe cu so.
A impo ância da con ibuição de Ga uchos eside no seu papel como um
dos p imei os pon os de cap ação de água na bacia supe io . As chu as
que caem em Ga uchos iniciam o p ocesso de ele ação do ní el do io
que, ao longo de seu cu so, ecebe o apo e de ou os a luen es e das
p ecipi ações em São Bo ja e I aqui. Assim, o olume de água que chega a
U uguaiana é o esul ado cumula i o de odas essas con ibuições a
mon an e. Em um cená io de chu as gene alizadas e in ensas em oda a
bacia, a con ibuição de Ga uchos é undamen al pa a a o mação de
cheias de g ande po e.
Du an e o e en o de junho de 2025, a combinação das chu as em
Ga uchos, São Bo ja e I aqui c iou uma condição de sa u ação e
escoamen o máximo em oda a bacia. A água que desceu de Ga uchos
somou-se à de São Bo ja e, pos e io men e, à de I aqui, esul ando na
ele ação exp essi a da co a em U uguaiana. Es e exemplo e o ça a ideia
de que a bacia do Rio U uguai de e se is a como um sis ema in eg ado,
onde as condições hid ome eo ológicas em qualque pon o a mon an e
podem e um impac o signi ica i o nas á eas a jusan e.
78
4.1. Implicações pa a o Moni o amen o e P e isão em Ga uchos
A localização de Ga uchos, como a localidade mais a mon an e en e as
analisadas, con e e-lhe um papel es a égico no moni o amen o e na
p e isão de cheias pa a U uguaiana. As implicações pa a a ges ão de
iscos são cla as e e o çam a necessidade de uma abo dagem holís ica
pa a a bacia do Rio U uguai.
Em p imei o luga , o moni o amen o plu iomé ico em Ga uchos é de
suma impo ância. A p ecisão e a egula idade dos dados de chu a nessa
localidade o necem os p imei os sinais de um po encial e en o de cheia. A
ins alação de es ações de medição adicionais e a mode nização das
exis en es, com capacidade de ansmissão de dados em empo eal, são
c uciais pa a ga an i que as in o mações es ejam disponí eis com a maio
an ecedência possí el. Quan o mais cedo se iden i ica um olume
signi ica i o de chu a em Ga uchos, mais empo ha e á pa a p epa a as
comunidades a jusan e.
Em segundo luga , a análise do lag empo al de Ga uchos em elação a
U uguaiana de e se con inuamen e es udada e e inada. Embo a seja o
maio lag en e as localidades, ele o e ece a maio janela de empo pa a a
omada de decisões. Comp eende as a iações desse lag em di e en es
condições de solo e luxo do io é undamen al pa a o imiza os sis emas de
ale a p ecoce. Modelos hid ológicos que conside em a opog a ia, a
ege ação e a capacidade de abso ção do solo ao longo de odo o echo
en e Ga uchos e U uguaiana podem ap imo a a p ecisão das p e isões.
79
Em e cei o luga , a in eg ação dos dados de Ga uchos nos sis emas
de ale a de U uguaiana é essencial. As in o mações sob e olumes de
chu a em Ga uchos de em se au oma icamen e p ocessadas e u ilizadas
pa a ge a ale as de longo p azo, pe mi indo que as au o idades e a
população iniciem os p epa a i os com maio an ecedência. A comunicação
desses ale as de e se cla a, ab angen e e disseminada po múl iplos
canais, alcançando odas as comunidades po encialmen e a e adas.
Além disso, a colabo ação en e as de esas ci is e os ó gãos de ges ão
de ecu sos híd icos de Ga uchos e U uguaiana, bem como com os
demais municípios da bacia, é indispensá el. A oca egula de
in o mações, a ealização de exe cícios simulados conjun os e o
desen ol imen o de planos de con ingência coo denados podem o alece
a capacidade de espos a a e en os de cheia. A bacia do Rio U uguai é um
sis ema in e conec ado, e a ges ão e icaz das cheias exige uma coope ação
con ínua en e odos os municípios que a compõem, econhecendo o papel
de cada um na dinâmica hid ológica.
Finalmen e, a educação ambien al e a conscien ização da população
de Ga uchos sob e a sua impo ância na dinâmica das cheias a jusan e
podem omen a uma maio pa icipação em p og amas de moni o amen o
comuni á io e na adoção de p á icas que con ibuam pa a a edução do
isco de inundações. Ao en ende a in e dependência da bacia, as
comunidades podem se o na agen es a i os na cons ução de um u u o
mais segu o e esilien e pa a odos os que i em às ma gens do Rio
U uguai, desde suas nascen es a é sua oz.
80
5. Es udos de Caso Adicionais: Va iabilidade da Respos a do Rio
Embo a a co elação en e as chu as em I aqui e as cheias em U uguaiana
seja obus a, é impo an e analisa es udos de caso adicionais que
demons em a a iabilidade da espos a do io. Nem oda chu a in ensa em
I aqui esul a á em uma cheia de g ande magni ude em U uguaiana, e a
magni ude da cheia pode se in luenciada po ou os a o es, como a
sa u ação do solo na bacia e a oco ência de chu as em ou as localidades
a mon an e.
Conside emos, po exemplo, um cená io hipo é ico em que I aqui egis a
um olume de chu a signi ica i o, mas a bacia en e I aqui e U uguaiana
es á em um pe íodo de es iagem p olongada, com o solo seco e com al a
capacidade de abso ção. Nesse caso, pa e da água da chu a pode se
in il ada no solo, eduzindo o olume de escoamen o supe icial e,
consequen emen e, o impac o na co a do Rio U uguai em U uguaiana. O
lag empo al pode se maio , e o pico de cheia, se oco e , se á menos
p onunciado.
Po ou o lado, imagine um cená io em que I aqui egis a um olume de
chu a mode ado, mas a bacia já es á sa u ada po chu as an e io es em
São Bo ja e Ga uchos. Nesse caso, mesmo uma chu a menos in ensa em
I aqui pode ge a um escoamen o supe icial signi ica i o, con ibuindo pa a
uma cheia mais se e a em U uguaiana. Isso demons a a impo ância da
condição an eceden e da bacia na de e minação da espos a do io às
chu as.

81
Ou o a o a se conside ado é a dis ibuição espacial da chu a den o
da sub-bacia de I aqui. Uma chu a concen ada em uma á ea especí ica da
sub-bacia pode e um impac o di e en e de uma chu a mais dis ibuída,
mesmo que o olume o al seja o mesmo. A in ensidade da chu a ambém
é c ucial; chu as de al a in ensidade em um cu o pe íodo podem ge a um
escoamen o mais ápido e picos de cheia mais ab up os do que chu as de
meno in ensidade, mas de longa du ação.
Esses es udos de caso adicionais e o çam a ideia de que a p e isão de
cheias é um p ocesso complexo que exige a conside ação de múl iplos
a o es. A análise isolada da chu a em I aqui, embo a seja um excelen e
indicado , não é su icien e pa a uma p e isão comple a. É necessá io
in eg a in o mações sob e a sa u ação do solo, a dis ibuição espacial e
empo al da chu a, e a con ibuição de ou as á eas da bacia pa a ob e
uma p e isão mais p ecisa e con iá el. A modelagem hid ológica, que se á
discu ida em capí ulos pos e io es, é uma e amen a essencial pa a
in eg a odos esses a o es e simula a espos a do io em di e en es
cená ios.
82
Capí ulo 4 - O Papel da Tecnologia no Moni o amen o e P e enção de
Cheias
Suelen Po i a Cha es Yosu 1
Ana Helena de Souza Siga an1
Jocema An onio Toso1,2
Diogo Rica do Ma ins Bales a3
Cassiane J ayj de Melo4
1Acadêmico do Cu so de Engenha ia em Aquicul u a, UNIPAMPA; 2Tecnólogo em Aquicul u a,
UNIPAMPA; 3Adminis ado , Acadêmico de Di ei o, Pós G aduado em Di ei o Ambien al e MSc Negócios
In e nacionais, Mus Uni e si y; 4Engenhei a Ag ônoma, MSc Geog a ia: Senso iamen o Remo o; D a
Ciência do Solo, UFSM.
1. In odução
A inco po ação de ecnologias a ançadas em se mos ado undamen al
pa a o moni o amen o e a p e enção de cheias, o e ecendo supo e
écnico-cien í ico pa a uma comp eensão mais p ecisa da dinâmica lu ial
e pa a a o mulação de espos as mais e icazes dian e de e en os ex emos
(TUCCI, 2008; ANA, 2019). Na bacia do io U uguai, em especial no
município de U uguaiana, a mode nização das e amen as de
moni o amen o ep esen a um caminho p omisso pa a a mi igação de
iscos e a p o eção de idas e pa imônios (MANTOVANI e al., 2021).
Den e os a anços mais exp essi os, des acam-se as es ações
hid ome eo ológicas au omá icas e elemé icas ope adas po ins i uições
como a Agência Nacional de Águas e Saneamen o Básico (ANA), que
o necem dados em empo eal sob e co a, azão e p ecipi ação. Essas
in o mações, ansmi idas ia sa éli e ou in e ne , são essenciais pa a a
emissão de ale as com maio an ecedência e pa a o supo e às decisões
de eme gência (ANA, 2022).
83
Complemen a men e, o senso iamen o emo o po sa éli es e ada es
me eo ológicos con ibui com uma isão sinó ica e con ínua do
compo amen o a mos é ico e hid ológico, possibili ando o
acompanhamen o de e en os ex emos em g ande escala. Essa in eg ação
en e dados de campo e in o mações o bi ais po encializa as análises
hid ológicas e melho a a acu ácia das p e isões (INPE, 2020; IPCC, 2021).
Ou a en e de ino ação é o uso de modelos hid ológicos e hid áulicos,
capazes de simula o compo amen o do escoamen o e p e e o a anço
das inundações com base em dados de p ecipi ação, ele o e uso do solo.
Modelos de maio so is icação pe mi em es ima não apenas a ele ação da
co a, mas ambém a ex ensão e p o undidade das á eas inundadas. A
inco po ação de algo i mos de in eligência a i icial e ap endizado de
máquina em ap imo ando a capacidade p edi i a desses sis emas, com
des aque pa a a iden i icação de pad ões complexos em sé ies empo ais
(BARROS e al., 2020; SOUSA e al., 2022).
Os Sis emas de In o mação Geog á ica (SIG), po sua ez, são e amen as
indispensá eis pa a a isualização e análise espacial de dados, pe mi indo
o mapeamen o de á eas de isco, a iden i icação de in aes u u as
ulne á eis e o planejamen o de o as de e acuação. A in eg ação de
a iá eis hid ome eo ológicas, opog á icas e socioeconômicas em
ambien e SIG a o ece a omada de decisão es a égica em momen os
c í icos (RIBEIRO, 2015; ESRI, 2021).
Po im, a di usão de ale as ambém em se bene iciado das ino ações
ecnológicas. Além dos meios adicionais, a u ilização de mensagens SMS,
aplica i os mó eis, edes sociais e sis emas de ale a sono o com base na
localização dos usuá ios em ampliado signi ica i amen e o alcance e a
84
e e i idade da comunicação de iscos (DEFESA CIVIL RS, 2023). A e icácia
dessas ações depende, con udo, de es a égias de comunicação cla as,
acessí eis e adap adas às ealidades locais.
2. A Resiliência Comuni á ia e a Adap ação às Cheias
A esiliência comuni á ia, no con ex o das cheias, e e e-se à capacidade
de uma comunidade de esis i , abso e , adap a -se e ecupe a -se de um
e en o de inundação de o ma e icaz e opo una. Não se a a apenas de
cons ui in a es u u as mais obus as, mas de o alece os laços sociais,
o conhecimen o local e a capacidade de au o-o ganização da população.
Em U uguaiana, a cons ução da esiliência comuni á ia é um pila
undamen al pa a a adap ação às cheias e pa a a edução de seus
impac os.
Um dos aspec os cen ais da esiliência é o conhecimen o local e a
memó ia das cheias. As comunidades ibei inhas, mui as ezes, possuem
um conhecimen o empí ico alioso sob e o compo amen o do io, os sinais
de uma cheia iminen e e as á eas mais ulne á eis. Esse conhecimen o,
ansmi ido de ge ação em ge ação, de e se alo izado e in eg ado aos
planos de ges ão de iscos. A c iação de mapas de isco pa icipa i os, onde
os mo ado es con ibuem com suas expe iências e obse ações, pode
en iquece a comp eensão da dinâmica local das inundações.
A capaci ação e o einamen o da população são igualmen e
impo an es. P og amas de educação ambien al e de p epa ação pa a
desas es de em se implemen ados egula men e, ensinando os
mo ado es sob e os iscos de cheia, as o as de e acuação segu as, os
91
ap esen a ine en es limi ações e desa ios. Reconhece esses pon os é
c ucial pa a uma in e p e ação cau elosa dos esul ados e pa a di eciona
u u as pesquisas.
Uma das p incipais limi ações eside na ep esen a i idade espacial das
es ações de moni o amen o. Embo a as es ações de Ga uchos, São
Bo ja, I aqui e U uguaiana sejam es a égicas, elas ep esen am pon os
disc e os em uma bacia hid og á ica as a e he e ogênea. A p ecipi ação,
em pa icula , pode a ia signi ica i amen e em cu as dis âncias, e uma
única es ação pode não cap u a a o alidade da chu a que oco e em uma
sub-bacia. Isso signi ica que e en os de chu a localizados, mas in ensos,
en e as es ações podem não se o almen e egis ados, a e ando a
p ecisão da co elação com as co as do io. A densidade da ede de
moni o amen o, embo a adequada pa a uma análise mac o, pode se
insu icien e pa a de alhes mic o- egionais.
Ou o desa io é a qualidade e a comple ude dos dados. Apesa dos
es o ços da ANA pa a man e a in eg idade dos egis os, alhas em
equipamen os, p oblemas de ansmissão ou in e upções no
moni o amen o podem ge a lacunas nos dados. A in e polação de dados
ausen es, embo a necessá ia pa a a con inuidade da sé ie empo al, pode
in oduzi ince ezas e ieses na análise. Além disso, a p ecisão dos dados
pode se a e ada po a o es como a calib ação dos senso es e a
in e e ência de elemen os ex e nos, como de i os ou ege ação nas
es ações lu iomé icas.
A complexidade dos p ocessos hid ológicos é um a o limi an e. As
cheias não são de e minadas apenas pela p ecipi ação. Fa o es como a

92
sa u ação do solo, a e apo anspi ação, a p esença de ba agens e
ese a ó ios, o uso e ocupação do solo (desma amen o, u banização) e a
opog a ia da bacia in luenciam signi ica i amen e o escoamen o supe icial
e a espos a do io. Embo a es e es udo enha ocado na co elação en e
chu a e co a, a ausência de uma modelagem hid ológica comple a que
in eg e odos esses a o es pode simpli ica a ealidade e limi a a
capacidade p edi i a dos esul ados.
O pe íodo de análise de um ano (2024) é uma limi ação impo an e.
Fenômenos hid ológicos e climá icos, como as cheias, são e en os de
longo p azo e podem ap esen a a iabilidade in e anual e decadal. Um
pe íodo de análise mais ex enso, ab angendo á ias décadas, pe mi i ia
iden i ica endências de longo p azo, ciclos de cheia e a in luência de
enômenos climá icos globais, como El Niño e La Niña, de o ma mais
obus a. A análise de um único ano pode não se ep esen a i a das
condições médias ou ex emas da bacia.
Finalmen e, a in e p e ação dos esul ados es a ís icos eque cau ela.
Co elação não implica causalidade di e a. Embo a uma o e co elação
en e chu as a mon an e e co as a jusan e seja um indica i o obus o de
in luência, ou os a o es podem es a a uando em conjun o. A modelagem
p edi i a, embo a ú il, é baseada em p emissas e simpli icações da
ealidade, e seus esul ados de em se u ilizados como e amen as de
apoio à decisão, e não como e dades absolu as.
Supe a esses desa ios exige um in es imen o con ínuo em in aes u u a
de moni o amen o, pesquisa cien í ica, desen ol imen o de modelos mais
complexos e a in eg ação de dados de di e sas on es. A colabo ação en e
93
di e en es disciplinas e ins i uições é undamen al pa a a ança na
comp eensão e ges ão das cheias do Rio U uguai.
6. A Impo ância da Modelagem Hid ológica pa a a P e isão de Cheias
A modelagem hid ológica é uma e amen a essencial e cada ez mais
so is icada pa a a p e isão de cheias, complemen ando a análise de dados
b u os e as co elações es a ís icas. Ela pe mi e simula o compo amen o
de uma bacia hid og á ica em espos a a di e en es cená ios de
p ecipi ação, o e ecendo insigh s aliosos pa a a ges ão de iscos e a
omada de decisões. No con ex o das cheias do Rio U uguai em
U uguaiana, a aplicação de modelos hid ológicos pode ap imo a
signi ica i amen e a capacidade de an ecipação e espos a.
Um modelo hid ológico é uma ep esen ação simpli icada de um sis ema
híd ico eal, que u iliza equações ma emá icas pa a desc e e os p ocessos
de ans o mação da chu a em escoamen o supe icial e sub e âneo, e o
mo imen o da água a a és da ede de ios. Exis em di e en es ipos de
modelos, desde os mais concei uais, que ep esen am os p ocessos de
o ma simpli icada, a é os mais dis ibuídos, que conside am a a iabilidade
espacial das ca ac e ís icas da bacia.
Os p incipais bene ícios da modelagem hid ológica pa a a p e isão de
cheias incluem:
● P e isão An ecipada: Modelos podem simula a espos a do io a
chu as p e is as, o necendo ale as com ho as ou dias de
an ecedência, dependendo da escala da bacia e da disponibilidade de
94
dados me eo ológicos. Isso é c ucial pa a que a de esa ci il e a
população enham empo hábil pa a se p epa a .
● Análise de Cená ios: Pe mi em es a di e en es cená ios de chu a (po
exemplo, chu as de di e en es in ensidades e du ações) e a alia seus
po enciais impac os no ní el do io. Isso ajuda a iden i ica os cená ios
mais c í icos e a planeja espos as adequadas.
● Iden i icação de Á eas de Risco: Modelos hid áulicos, que simulam o
luxo da água nos ios e nas planícies de inundação, podem iden i ica
as á eas mais susce í eis a inundações e a p o undidade da água
espe ada. Essa in o mação é i al pa a o zoneamen o de isco e pa a o
planejamen o u bano.
● A aliação de Medidas de Mi igação: Podem se u ilizados pa a a alia
a e icácia de di e en es medidas de mi igação, como a cons ução de
ba agens, diques, ou a es au ação de ma as cilia es, an es de sua
implemen ação. Isso pe mi e o imiza o in es imen o em in aes u u a e
soluções baseadas na na u eza.
● Melho Comp eensão dos P ocessos: O p ocesso de cons ução e
calib ação de um modelo hid ológico ap o unda o conhecimen o sob e
os p ocessos hid ológicos da bacia, iden i icando os a o es mais
in luen es e as in e ações en e eles.
Pa a que um modelo hid ológico seja e icaz, ele eque dados de en ada
de al a qualidade, incluindo dados de p ecipi ação, opog a ia (modelo
digi al de ele ação), uso e ocupação do solo, e ca ac e ís icas do solo. A
95
calib ação do modelo, que en ol e ajus a seus pa âme os pa a que ele
ep oduza com p ecisão o compo amen o obse ado do io, é um passo
c í ico. A alidação, que es a o modelo com dados independen es, ga an e
sua con iabilidade.
No con ex o da bacia do Rio U uguai, a in eg ação de dados das es ações
da ANA com modelos hid ológicos a ançados pode c ia um sis ema de
p e isão de cheias mais obus o e p eciso. Isso pe mi i ia não apenas
p e e a ele ação da co a, mas ambém es ima a á ea e a p o undidade
da inundação, o necendo in o mações mais de alhadas pa a a ges ão de
eme gências e o planejamen o de longo p azo. O in es imen o em
modelagem hid ológica é, po an o, um passo undamen al pa a ap imo a
a esiliência de U uguaiana en e às cheias.
7. De alhamen o dos E en os de Cheia de 2024
Pa a uma análise mais ap o undada dos esul ados, é essencial de alha os
ês e en os de cheia signi ica i os que oco e am em 2024, con o me
iden i icado no pano ama ge al dos dados. Cada um desses e en os possui
ca ac e ís icas dis in as que con ibuem pa a a comp eensão da complexa
dinâmica hid ológica do Rio U uguai em U uguaiana.
7.1. Cheia de Junho de 2024: O P imei o Ale a do Ano
O segundo imes e de 2024 ma cou o p imei o e en o de cheia no á el.
Em junho de 2024, a co a do Rio U uguai em U uguaiana a ingiu um pico
signi ica i o. Es e e en o oi impulsionado po olumes conside á eis de
96
chu a nas es ações a mon an e, especialmen e em I aqui e São Bo ja, que
egis a am p ecipi ações acima da média pa a o pe íodo. A análise do lag
empo al e elou que a ele ação da co a em U uguaiana oco eu
ap oximadamen e 2 a 3 dias após os picos de chu a nessas localidades.
Es e empo de espos a ela i amen e cu o sublinha a apidez com que o
io eage às p ecipi ações em sua bacia supe io .
Embo a a p ecipi ação local em U uguaiana em junho de 2024 não enha
sido excepcionalmen e al a, a sa u ação do solo de ido a chu as an e io es
e o apo e con ínuo de água das á eas a mon an e o am a o es
de e minan es pa a a magni ude dessa cheia. Es e e en o se iu como um
p imei o ale a pa a o ano, demons ando a ulne abilidade da cidade e a
necessidade de um moni o amen o cons an e. As consequências incluí am
pequenos alagamen os em á eas ibei inhas mais baixas e a necessidade
de emoção de algumas amílias, e idenciando a impo ância de sis emas
de ale a p ecoce pa a mi iga os impac os.
7.2. Cheia de Se emb o de 2024: A Pe sis ência das Águas
O e cei o imes e de 2024 oi ca ac e izado po um segundo e en o de
cheia, com a co a do io a ingindo um no o pico em se emb o de 2024.
Di e en emen e do e en o de junho, es a cheia oi ma cada pela
pe sis ência das chu as em oda a bacia, incluindo Ga uchos, São Bo ja e
I aqui. Os olumes de p ecipi ação acumulados ao longo de agos o e
se emb o o am subs anciais, man endo o solo sa u ado e con ibuindo pa a
um escoamen o supe icial con ínuo.

97
A análise de alhada mos ou que a con ibuição de Ga uchos, embo a mais
dis an e, oi undamen al pa a o olume o al de água que chegou à
U uguaiana. O lag empo al pa a Ga uchos oi ligei amen e maio (3 a 4
dias), mas sua con ibuição cumula i a, somada à de São Bo ja e I aqui,
esul ou em uma ele ação p olongada do ní el do io. Es e e en o
demons ou que não apenas os picos de chu a, mas ambém a du ação e
a dis ibuição espacial das p ecipi ações ao longo da bacia, são c uciais
pa a a o mação de cheias. Os impac os dessa cheia o am mais
ab angen es, a e ando á eas u banas e u ais, e exigindo uma espos a
mais coo denada da de esa ci il e das au o idades locais.
7.3. Cheia de No emb o de 2024: O Pico Mais Exp essi o
O qua o imes e de 2024 ap esen ou o e cei o e mais exp essi o e en o
de cheia do ano, com a co a do Rio U uguai em U uguaiana a ingindo seu
ní el máximo em no emb o de 2024. Es e pico oi esul ado de chu as
in ensas e concen adas em odas as es ações a mon an e, especialmen e
em I aqui e São Bo ja, que egis a am olumes plu iomé icos
excepcionalmen e al os. A combinação de al a in ensidade e ampla
dis ibuição espacial das chu as c iou um cená io de inundação de g andes
p opo ções.
A co elação en e os olumes de chu a e a ele ação da co a oi mais
e iden e nes e pe íodo, e o çando a hipó ese cen al do es udo. O empo
de espos a oi consis en e com os e en os an e io es, pe mi indo que os
sis emas de ale a p ecoce uncionassem, embo a a magni ude da cheia
enha supe ado as expec a i as em algumas á eas. Os impac os o am
98
se e os, com ex ensos alagamen os, deslocamen o de um g ande núme o
de amílias, p ejuízos signi ica i os à ag icul u a e pecuá ia, e in e upção
de se iços essenciais. Es e e en o de no emb o de 2024 se e como um
exemplo cla o da necessidade de um moni o amen o con ínuo e de
es a égias de ges ão de iscos obus as pa a lida com e en os ex emos
na bacia do Rio U uguai.
Em esumo, os e en os de cheia de 2024 em U uguaiana demons a am a
complexidade da dinâmica hid ológica do Rio U uguai e a in e conexão de
oda a bacia. A análise de alhada de cada pico de cheia, conside ando as
condições plu iomé icas a mon an e e o lag empo al, é undamen al pa a
ap imo a a capacidade de p e isão e espos a a u u os e en os,
ga an indo a segu ança e a esiliência das comunidades ibei inhas.
8. Análise de Tendências e Sazonalidade
Além da análise dos e en os de cheia especí icos, a comp eensão das
endências e da sazonalidade dos dados de chu a e co a é undamen al
pa a uma isão ab angen e do egime hid ológico do Rio U uguai em
U uguaiana. A iden i icação de pad ões eco en es ao longo do ano e a
obse ação de endências de longo p azo podem auxilia no planejamen o
e na ges ão de ecu sos híd icos.
8.1. Sazonalidade das Chu as
A bacia do Rio U uguai, como g ande pa e da egião sul do B asil,
ap esen a uma sazonalidade plu iomé ica bem de inida. Ge almen e, os
99
meses de p ima e a e e ão (ou ub o a ma ço) são ca ac e izados po
olumes de chu a mais ele ados, mui as ezes associados a sis emas
con ec i os e en es ias que a ançam sob e a egião. Esses meses
endem a concen a os maio es olumes de p ecipi ação, o que, po sua
ez, con ibui pa a a ele ação dos ní eis dos ios.
Em con as e, os meses de ou ono e in e no (ab il a se emb o) endem
a ap esen a olumes de chu a meno es, embo a e en os isolados de
p ecipi ação in ensa possam oco e . No en an o, a análise dos dados de
2024 e elou que, mesmo em pe íodos de meno olume médio, a
oco ência de chu as concen adas em cu os pe íodos ou a pe sis ência
de sis emas chu osos podem ge a cheias signi ica i as, como obse ado
em junho e se emb o. Isso indica que a sazonalidade, embo a seja um guia,
não é o único a o a se conside ado; a in ensidade e a dis ibuição
empo al das chu as são igualmen e impo an es.
8.2. Sazonalidade das Co as do Rio
A sazonalidade das co as do Rio U uguai em U uguaiana acompanha, em
g ande pa e, a sazonalidade das chu as na bacia. Os ní eis do io endem
a se mais ele ados nos meses de maio p ecipi ação e a diminui nos
pe íodos de es iagem. No en an o, o lag empo al en e a chu a e a espos a
do io signi ica que os picos de co a podem oco e com um a aso em
elação aos picos de p ecipi ação.
100
Obse ou-se que, após os meses de meno co a (como ma ço de 2025,
com 171,79 m), o io começa a se ecupe a com o aumen o das chu as,
culminando nos picos de cheia. Essa dinâmica de
ele ação e edução do ní el do io é um ciclo na u al, mas que pode se
in ensi icado po a o es como as mudanças climá icas e a al e ação do uso
do solo na bacia.
8.3. Tendências de Longo P azo
Embo a o pe íodo de análise des e es udo seja limi ado a um ano, a análise
de endências de longo p azo é c ucial pa a comp eende as mudanças no
egime hid ológico do Rio U uguai. Es udos clima ológicos e hid ológicos
pa a a egião sul do B asil êm apon ado pa a uma endência de aumen o
na equência e in ensidade de e en os ex emos de p ecipi ação. Isso
signi ica que, no u u o, as cheias podem se o na mais equen es e mais
se e as, e os pe íodos de es iagem mais p olongados.
Essa endência de in ensi icação dos e en os ex emos é a ibuída, em
g ande pa e, às mudanças climá icas globais. O aumen o da empe a u a
média do plane a le a a uma maio e apo ação da água dos oceanos e
co pos d'água, esul ando em uma a mos e a com maio capacidade de
e e umidade. Quando essa umidade se condensa, ela pode ge a chu as
mais in ensas e concen adas. Além disso, enômenos como o El Niño e La
Niña, que in luenciam o egime de chu as na Amé ica do Sul, podem e
sua equência e in ensidade al e adas pelas mudanças climá icas,
impac ando di e amen e a bacia do Rio U uguai.
107
Além dessas leis ede ais, exis em legislações es aduais e municipais
que complemen am e de alham as di e izes pa a a ges ão de cheias. Leis
de uso e ocupação do solo, códigos de ob as e planos di e o es municipais
são ins umen os impo an es pa a egula a ocupação de á eas de isco e
p omo e um desen ol imen o u bano mais esilien e. A iscalização e o
cump imen o dessas leis são essenciais pa a e i a a cons ução em á eas
de á zea e a deg adação de ecossis emas que a uam como
amo ecedo es na u ais de cheias.
As polí icas públicas de in es imen o em in aes u u a ambém
desempenham um papel c ucial. O in es imen o em sis emas de d enagem
u bana, ob as de con enção (diques, ba agens), sis emas de ale a e
moni o amen o, e in aes u u as e des (pa ques inundá eis, elhados
e des) são exemplos de polí icas que podem eduzi a ulne abilidade a
cheias. No en an o, é impo an e que esses in es imen os sejam baseados
em es udos écnicos sólidos e que conside em os impac os ambien ais e
sociais, e i ando soluções que possam ans e i o p oblema pa a ou as
á eas ou ag a a a si uação a longo p azo.
A pa icipação social é um componen e essencial pa a a e e i idade da
legislação e das polí icas públicas. A c iação de comi ês de bacia
hid og á ica, conselhos de de esa ci il e ou os ó uns de pa icipação
pe mi e que a sociedade ci il, os usuá ios da água e os di e en es se o es
en ol idos con ibuam com suas pe spec i as e demandas, ga an indo que
as polí icas sejam mais democ á icas e ep esen a i as. A conscien ização
e o engajamen o da população são undamen ais pa a que as leis sejam
cump idas e as polí icas implemen adas com sucesso.

108
Em suma, a legislação e as polí icas públicas são o alice ce pa a uma
ges ão e icaz de cheias. Elas o necem o a cabouço legal e as di e izes
pa a as ações, mas sua e e i idade depende da in eg ação, da
coo denação en e os di e en es ní eis de go e no, do in es imen o
adequado e da pa icipação a i a da sociedade. A cons an e e isão e
a ualização dessas polí icas, em ace das mudanças climá icas e dos no os
desa ios, são c uciais pa a ga an i a segu ança e a esiliência das
comunidades ibei inhas do Rio U uguai.
12. Desa ios na Implemen ação de Polí icas de Ges ão de Cheias
Apesa da exis ência de um a cabouço legal e da o mulação de polí icas
públicas ol adas pa a a ges ão de cheias, a implemen ação e e i a dessas
medidas en en a uma sé ie de desa ios complexos. Esses obs áculos
podem se de na u eza écnica, inancei a, ins i ucional, polí ica ou social, e
sua supe ação é undamen al pa a que as ações planejadas se aduzam
em esul ados conc e os na edução de iscos e na p o eção das
comunidades.
Um dos p incipais desa ios é a agmen ação ins i ucional. A ges ão de
cheias en ol e múl iplos a o es em di e en es ní eis de go e no ( ede al,
es adual, municipal) e em di e sas á eas ( ecu sos híd icos, de esa ci il,
planejamen o u bano, meio ambien e, ag icul u a). A al a de coo denação,
a sob eposição de compe ências e a ausência de uma isão in eg ada
podem di icul a a implemen ação de polí icas e icazes. A comunicação
ine icien e en e os ó gãos e a al a de compa ilhamen o de dados e
in o mações ambém con ibuem pa a essa agmen ação.
109
A escassez de ecu sos inancei os é ou o obs áculo signi ica i o. A
implemen ação de sis emas de moni o amen o, a cons ução de
in aes u u as de p o eção, a ealização de ob as de d enagem e a
ecupe ação de á eas deg adadas exigem in es imen os ul osos. Em
mui os municípios, especialmen e os de meno po e, a capacidade de
in es imen o é limi ada, o que di icul a a adoção de medidas p e en i as e
a espos a a desas es. A dependência de ecu sos ede ais e es aduais,
mui as ezes condicionados a bu oc acias e p azos, pode a asa a
execução de p oje os essenciais.
Os desa ios écnicos incluem a complexidade da modelagem hid ológica,
a necessidade de dados de al a qualidade e a di iculdade em p e e
e en os ex emos com p ecisão. A al a de p o issionais capaci ados em
hid ologia, engenha ia e ges ão de iscos em mui os municípios ambém é
um p oblema. Além disso, a escolha de soluções écnicas adequadas pa a
cada con ex o, conside ando as ca ac e ís icas da bacia e os impac os
ambien ais e sociais, exige conhecimen o especializado e uma análise
cuidadosa.
Os desa ios polí icos podem su gi da al a de on ade polí ica, da
descon inuidade de p oje os de ido a mudanças de ges ão, e da p essão
po soluções de cu o p azo em de imen o de es a égias de longo p azo.
A ges ão de cheias mui as ezes en ol e decisões impopula es, como a
es ição da ocupação em á eas de isco ou a ealocação de amílias, o que
pode ge a esis ência polí ica e social. A pe cepção de que a p e enção é
menos isí el do que a espos a a desas es ambém pode des ia o oco
e os ecu sos pa a ações eme genciais.
110
Finalmen e, os desa ios sociais incluem a al a de conscien ização da
população sob e os iscos, a esis ência à mudança de hábi os e a
descon iança em elação às ações go e namen ais. A ocupação i egula
de á eas de isco, mui as ezes po populações de baixa enda que não
êm ou as opções de mo adia, é um p oblema social complexo que exige
soluções in eg adas que combinem planejamen o u bano, polí icas
habi acionais e p og amas de assis ência social. A educação ambien al e o
engajamen o comuni á io são undamen ais pa a supe a esses desa ios e
cons ui uma cul u a de p e enção e esiliência.
Supe a esses desa ios exige um es o ço conjun o e coo denado de odos
os a o es en ol idos. A in eg ação de polí icas, o o alecimen o
ins i ucional, o in es imen o con ínuo em pesquisa e ecnologia, a
capaci ação de p o issionais e a p omoção da pa icipação social são
passos essenciais pa a que as polí icas de ges ão de cheias se o nem mais
e icazes e con ibuam pa a a segu ança e o bem-es a das comunidades
ibei inhas do Rio U uguai.
13. Impac os na Saúde Pública e no Meio Ambien e
Além dos impac os di e os sob e a população, a ag icul u a e a
in aes u u a, as cheias do Rio U uguai em U uguaiana ambém ge am
consequências signi ica i as pa a a saúde pública e pa a o meio ambien e.
Esses impac os, mui as ezes de longo p azo, exigem a enção e
es a égias especí icas pa a sua mi igação e p e enção.
No que ange à saúde pública, as inundações c iam um ambien e p opício
pa a a p oli e ação de doenças. A con aminação da água po á el po esgo o
111
e de i os, o acúmulo de lixo e a p esença de animais peçonhen os e e o es
de doenças (como mosqui os e oedo es) aumen am o isco de su os de
doenças in ecciosas, como lep ospi ose, dia eia, hepa i e A e dengue. A
in e upção dos se iços de saneamen o básico, como o o necimen o de
água a ada e a cole a de esgo o, ag a a ainda mais a si uação. Além
disso, o es esse pós- aumá ico, a ansiedade e a dep essão são p oblemas
de saúde men al comuns en e as populações a e adas, exigindo apoio
psicossocial e se iços de saúde men al acessí eis.
Os impac os ambien ais das cheias ambém são conside á eis. A e osão
do solo e das ma gens do io, o asso eamen o dos cu sos d'água e a
con aminação po esíduos sólidos e líquidos são p oblemas eco en es. A
inundação de á eas ag ícolas pode le a à lixi iação de ag o óxicos e
e ilizan es pa a os ios, comp ome endo a qualidade da água e a e ando
a biodi e sidade aquá ica. A des uição de ma as cilia es e de ou os
ecossis emas ibei inhos, que a uam como il os na u ais e ba ei as de
p o eção, ag a a a ulne abilidade da bacia a u u os e en os ex emos. A
ecupe ação desses ecossis emas é um p ocesso len o e complexo, que
exige in es imen os e ações de es au ação ambien al.
Ou o aspec o impo an e é o desca e inadequado de esíduos du an e
e após as cheias. O olume de lixo e en ulho ge ado pelas inundações é
imenso, e seu desca e inco e o pode con amina o solo e a água, além de
c ia ocos de doenças. A ges ão de esíduos em si uações de eme gência
é um desa io logís ico e ambien al que p ecisa se planejado e execu ado
de o ma e icien e, com a pa icipação da comunidade e o apoio de ó gãos
públicos e p i ados.
112
As cheias ambém podem a e a a auna local, deslocando animais de seus
habi a s na u ais e aumen ando o isco de con a o com a população
humana. A p esença de animais peçonhen os, como cob as e esco piões,
em á eas u banas inundadas é uma p eocupação adicional pa a a
segu ança das pessoas. A p o eção da auna e a minimização dos impac os
sob e a biodi e sidade são aspec os impo an es da ges ão ambien al pós-
cheia.
Em suma, os impac os das cheias na saúde pública e no meio ambien e
são in e ligados e de g ande complexidade. A p e enção e a mi igação
desses impac os exigem uma abo dagem in eg ada que combine ações de
saúde, saneamen o, ges ão ambien al e educação. O in es imen o em
in aes u u a de saneamen o, a p omoção de p á icas ag ícolas
sus en á eis, a p o eção e es au ação de ecossis emas e a
conscien ização da população sob e os iscos são medidas essenciais pa a
cons ui uma U uguaiana mais saudá el e esilien e en e aos desa ios
impos os pelas cheias do Rio U uguai.
14. Cus os Econômicos da Recupe ação e Recons ução
Os cus os econômicos associados à ecupe ação e econs ução após
e en os de cheia são ul osos e ep esen am um ônus signi ica i o pa a os
o çamen os públicos e p i ados. A quan i icação desses cus os é
undamen al pa a o planejamen o de longo p azo, a alocação de ecu sos
e a jus i ica i a de in es imen os em medidas p e en i as. Em U uguaiana,
a cada cheia, a cidade e seus habi an es en en am uma complexa equação
inancei a pa a se ee gue .

113
Os cus os di e os incluem os gas os com a espos a imedia a à
eme gência, como a mobilização de equipes de esga e, o o necimen o de
ab igos empo á ios, alimen os, água e medicamen os pa a as í imas. A
econs ução de mo adias, a epa ação de in aes u u as dani icadas
(es adas, pon es, edes de ene gia e saneamen o) e a limpeza das á eas
a e adas ambém ep esen am despesas di e as conside á eis. Pa a a
ag icul u a e pecuá ia, os cus os di e os en ol em a eposição de pe das
de la ou as e ebanhos, a ecupe ação de solos e a econs ução de
ins alações u ais.
Os cus os indi e os são mais di íceis de quan i ica , mas igualmen e
signi ica i os. Eles incluem a pe da de p odu i idade econômica de ido à
in e upção das a i idades come ciais e indus iais, a diminuição do u ismo,
a pe da de emp egos e a edução da a ecadação de impos os. O impac o
na saúde pública, com o aumen o de doenças e a necessidade de
a amen o, ambém ge a cus os indi e os pa a o sis ema de saúde. Além
disso, o cus o social e psicológico pa a as amílias a e adas, embo a
in angí el, em um impac o p o undo na qualidade de ida e na capacidade
de ecupe ação da comunidade.
A ecupe ação de longo p azo exige in es imen os em in aes u u a mais
esilien e, como sis emas de d enagem ap imo ados, diques e ba agens, e
a es au ação de ecossis emas na u ais. Esses in es imen os, embo a
ca os, são c uciais pa a eduzi a ulne abilidade a u u os e en os e e i a
cus os ainda maio es no u u o. A análise de cus o-bene ício de medidas
p e en i as e sus cus os de ecupe ação demons a que in es i em
p e enção é, a longo p azo, a opção mais econômica e sus en á el.
114
O inanciamen o da ecupe ação é um desa io complexo. Mui as ezes,
os municípios dependem de ecu sos ede ais e es aduais, que podem
demo a a se libe ados e nem semp e são su icien es pa a cob i odas as
necessidades. A al a de segu o con a inundações pa a a maio ia das
p op iedades e a i idades econômicas ag a a a si uação, deixando as
amílias e emp esas desp o egidas. A c iação de undos de desas es, a
p omoção de segu os acessí eis e a busca po on es de inanciamen o
in e nacionais podem se es a égias pa a ga an i a disponibilidade de
ecu sos pa a a ecupe ação.
Além dos cus os inancei os, há o cus o de opo unidade. Os ecu sos
que são des iados pa a a ecupe ação de desas es pode iam se
in es idos em ou as á eas, como educação, saúde ou desen ol imen o
econômico, que pode iam ge a bene ícios de longo p azo pa a a
comunidade. Isso e o ça a impo ância de p io iza a p e enção e a
mi igação de iscos, ans o mando os cus os de desas es em
in es imen os em esiliência.
Em conclusão, os cus os econômicos da ecupe ação e econs ução após
as cheias são mul i ace ados e ep esen am um a do pesado pa a
U uguaiana. A comp eensão desses cus os, an o di e os quan o indi e os,
é undamen al pa a o desen ol imen o de polí icas públicas que p io izem
a p e enção, o in es imen o em in aes u u a esilien e e a c iação de
mecanismos de inanciamen o que ga an am a capacidade de ecupe ação
da cidade en e aos desa ios impos os pelo Rio U uguai.
115
15. A Adap ação Baseada em Ecossis emas (AbE) como Es a égia
pa a o Fu u o
Dian e das c escen es ince ezas e desa ios impos os pelas mudanças
climá icas, a Adap ação Baseada em Ecossis emas (AbE) eme ge como
uma es a égia p omisso a e cus o-e e i a pa a a ges ão de cheias e a
cons ução da esiliência em bacias hid og á icas como a do Rio U uguai.
A AbE en ol e o uso da biodi e sidade e dos se iços ecossis êmicos como
pa e de uma es a égia ge al de adap ação pa a ajuda as pessoas a se
adap a em aos impac os ad e sos das mudanças climá icas. Em ez de
depende exclusi amen e de soluções de engenha ia
adicionais (como diques e ba agens), a AbE in eg a soluções baseadas
na na u eza que o e ecem múl iplos bene ícios.
Os p incipais p incípios da AbE incluem:
● Res au ação de Ecossis emas: A es au ação de ma as cilia es, á eas
úmidas e ou os ecossis emas ibei inhos é uma das p incipais
es a égias da AbE. Esses ecossis emas a uam como esponjas na u ais,
abso endo o excesso de água du an e as cheias, eduzindo a
elocidade do escoamen o supe icial e il ando sedimen os e poluen es.
A es au ação desses ecossis emas não apenas ajuda a mi iga as
inundações, mas ambém melho a a qualidade da água, aumen a a
biodi e sidade e seques a ca bono.
● Manejo Sus en á el do Solo: A p omoção de p á icas ag ícolas
sus en á eis, como o plan io di e o, a o ação de cul u as e a in eg ação
116
la ou a-pecuá ia- lo es a, con ibui pa a a saúde do solo e pa a a
edução do escoamen o supe icial. Solos saudá eis êm maio
capacidade de in il ação e e enção de água, o que ajuda a diminui o
olume de água que chega aos ios du an e as chu as.
● In aes u u a Ve de: A implemen ação de in aes u u as e des em
á eas u banas, como pa ques inundá eis, elhados e des, ja dins de
chu a e pa imen os pe meá eis, é ou a es a égia de AbE. Essas
soluções ajudam a ge encia a água da chu a na on e, eduzindo a
sob eca ga dos sis emas de d enagem e o isco de inundações u banas.
Além disso, a in aes u u a e de melho a a qualidade do a , eduz as
ilhas de calo e c ia espaços de laze pa a a comunidade.
● Conse ação da Biodi e sidade: A p o eção da biodi e sidade e dos
habi a s na u ais é undamen al pa a a esiliência dos ecossis emas e
pa a a manu enção dos se iços que eles o necem. A c iação de á eas
p o egidas, co edo es ecológicos e a implemen ação de polí icas de
conse ação são essenciais pa a ga an i a saúde da bacia a longo
p azo.
Os bene ícios da AbE são múl iplos e ão além da ges ão de cheias. Ela
p omo e a segu ança híd ica, a segu ança alimen a , a conse ação da
biodi e sidade e o desen ol imen o econômico sus en á el. Além disso, as
soluções baseadas na na u eza são, mui as ezes, mais ba a as e mais
esilien es a longo p azo do que as soluções de engenha ia adicionais.
No con ex o da bacia do Rio U uguai, a implemen ação de es a égias de
AbE pode se um caminho p omisso pa a en en a os desa ios das
123
p o issionais. A c iação de edes de pesquisa, a ealização de p oje os
conjun os e o in e câmbio de conhecimen os en e di e en es ins i uições e
países da bacia podem impulsiona o a anço do conhecimen o e a busca
po soluções ino ado as.
Em sín ese, as pe spec i as pa a a pesquisa e desen ol imen o na á ea de
cheias do Rio U uguai são as as e p omisso as. O in es imen o con ínuo
em ciência e ecnologia é um impe a i o pa a cons ui um u u o mais
segu o e esilien e pa a as comunidades ibei inhas, ga an indo a p o eção
de idas, a minimização de p ejuízos e a sus en abilidade dos ecu sos
híd icos da bacia.
19. Aspec os Geog á icos e Hid ológicos do Rio U uguai
O Rio U uguai, com seus ap oximadamen e 1.800 quilôme os de ex ensão,
é um dos p incipais cu sos d'água da Amé ica do Sul, o mando pa e da
Bacia do P a a, uma das maio es bacias hid og á icas do mundo. Sua
nascen e es á localizada na Se a Ge al, na di isa en e os es ados de
San a Ca a ina e Rio G ande do Sul, no B asil, a pa i da con luência dos
ios Canoas e Pelo as. A pa i daí, o io segue um cu so
p edominan emen e sudoes e, se indo como on ei a na u al en e o B asil
e a A gen ina, e pos e io men e en e a A gen ina e o U uguai, a é desagua
no Rio da P a a, p óximo a Buenos Ai es.
Geog a icamen e, a bacia do Rio U uguai é ca ac e izada po uma
di e sidade de paisagens, que incluem planal os, se as e planícies
alu iais. No echo supe io , o io ap esen a um egime mais o encial, com
ales encaixados e quedas d'água, enquan o no echo médio e in e io ,

124
onde se localiza U uguaiana, o io se o na mais la go e com meno
decli idade, o mando ex ensas planícies de inundação. Essa ca ac e ís ica
geomo ológica é c ucial pa a en ende a dinâmica das cheias, pois as
á eas de baixa decli idade são mais susce í eis a alagamen os quando o
olume de água do io aumen a.
Hid ologicamen e, o Rio U uguai é alimen ado po uma as a ede de
a luen es, que con ibuem com olumes signi ica i os de água ao longo de
seu cu so. En e os p incipais a luen es b asilei os des acam-se o Rio
Pepe i-Guaçu, o Rio Ijuí, o Rio Pi a ini, o Rio Ibicuí e o Rio Qua aí. A
con ibuição desses a luen es, somada às chu as di e as sob e o lei o
p incipal, de e mina o egime de azão do io. O clima p edominan e na
bacia é o sub opical úmido, com chu as bem dis ibuídas ao longo do ano,
mas com picos sazonais que podem le a a e en os de cheia. A
a iabilidade climá ica, in luenciada po enômenos como El Niño e La Niña,
ambém desempenha um papel impo an e na in ensidade e equência das
cheias.
A opog a ia da egião de U uguaiana, com suas á eas baixas e planas às
ma gens do io, a o na pa icula men e ulne á el a inundações. A cidade
es á si uada em uma planície de inundação na u al, o que signi ica que,
his o icamen e, essa á ea semp e es e e sujei a a alagamen os. A
ocupação e u banização dessas á eas, sem o de ido planejamen o e
in aes u u a de p o eção, in ensi icam os iscos e os impac os das cheias.
A comp eensão desses aspec os geog á icos e hid ológicos é undamen al
pa a o desen ol imen o de es a égias de ges ão de iscos que conside em
as ca ac e ís icas na u ais da bacia e a in e ação en e o io e o ambien e
cons uído.
125
20. A In e conexão da Bacia do Rio U uguai e a Necessidade de Ges ão
In eg ada
A bacia do Rio U uguai é um exemplo clássico de um sis ema hid ológico
in e conec ado, onde as ações e e en os em uma pa e da bacia podem e
consequências signi ica i as em ou as. Essa in e conexão, que se es ende
po ês países (B asil, A gen ina e U uguai) e di e sos es ados b asilei os,
essal a a necessidade impe a i a de uma ges ão in eg ada e coo denada
dos ecu sos híd icos. A ausência de uma abo dagem holís ica pode le a
a soluções agmen adas e ine icazes, que ans e em p oblemas em ez
de esol ê-los.
A dinâmica das cheias em U uguaiana é um es emunho dessa
in e conexão. Como demons ado nes e li o, as chu as que caem em
municípios a cen enas de quilôme os a mon an e, como Ga uchos, São
Bo ja e I aqui, in luenciam di e amen e o ní el do io em U uguaiana. Isso
signi ica que a ges ão da água, o uso do solo e as p á icas ag ícolas em
uma pa e da bacia a e am di e amen e as comunidades a jusan e. Po
exemplo, o desma amen o de ma as cilia es em á eas supe io es da bacia
pode aumen a o escoamen o supe icial e a e osão, con ibuindo pa a o
asso eamen o do io e a in ensi icação das cheias em U uguaiana.
A ges ão in eg ada da bacia hid og á ica en ol e a coo denação en e os
di e en es ní eis de go e no ( ede al, es adual, municipal), os di e sos
se o es usuá ios da água (ag icul u a, indús ia, saneamen o, ene gia), a
sociedade ci il e as ins i uições de pesquisa. Essa abo dagem busca
concilia os múl iplos usos da água, p o ege os ecossis emas aquá icos e
e es es, e ge encia os iscos de e en os ex emos, como cheias e secas.
126
A c iação de comi ês de bacia hid og á ica, que eúnem ep esen an es de
odos esses a o es, é um ins umen o undamen al pa a p omo e essa
ges ão pa icipa i a e in eg ada.
No con ex o ans on ei iço da bacia do Rio U uguai, a coope ação
in e nacional é igualmen e c ucial. Aco dos e mecanismos de colabo ação
en e B asil, A gen ina e U uguai são essenciais pa a o compa ilhamen o
de dados hid ome eo ológicos, a coo denação da ope ação de ba agens,
o desen ol imen o de sis emas de ale a p ecoce conjun os e a
implemen ação de p oje os de ges ão de iscos. A al a de coo denação
en e os países pode comp ome e a e icácia das medidas de p e enção e
espos a a desas es, especialmen e em e en os de g ande magni ude que
a e am oda a bacia.
Em suma, a in e conexão da bacia do Rio U uguai exige uma mudança de
pa adigma na o ma como os ecu sos híd icos são ge enciados. Uma
ges ão agmen ada e se o ial não é mais sus en á el dian e dos desa ios
impos os pelas mudanças climá icas e pela c escen e p essão sob e os
ecu sos híd icos. A adoção de uma abo dagem in eg ada, que conside e a
bacia como um sis ema único e que p omo a a colabo ação en e odos os
a o es, é o caminho pa a ga an i a segu ança híd ica, a p o eção ambien al
e o desen ol imen o sus en á el das comunidades ibei inhas do Rio
U uguai.
127
Capí ulo 5 - Ações P á icas pa a a Comunidade e Indi íduos
Ana Helena de Souza Siga an1
Suelen Po i a Cha es Yosu 1
Jocema An onio Toso1,2
Diogo Rica do Ma ins Bales a3
Cassiane J ayj de Melo4
1Acadêmico do Cu so de Engenha ia em Aquicul u a, UNIPAMPA; 2Tecnólogo em Aquicul u a,
UNIPAMPA; 3Adminis ado , Acadêmico de Di ei o, Pós G aduado em Di ei o Ambien al e MSc Negócios
In e nacionais, Mus Uni e si y; 4Engenhei a Ag ônoma, MSc Geog a ia: Senso iamen o Remo o; D a
Ciência do Solo, UFSM.
1. In odução
Embo a polí icas públicas e in es imen os em in aes u u a desempenhem
um papel cen al na mi igação de desas es, é no ní el local que se
consolida uma pa e signi ica i a da esiliência às cheias. A a uação da
comunidade e dos indi íduos é essencial pa a complemen a as es a égias
ins i ucionais e o alece a capacidade de espos a e ecupe ação dian e
de e en os ex emos (RIBEIRO, 2015; MARANDOLA JR. & HOGAN, 2014).
A conscien ização e a p epa ação no âmbi o amilia e comuni á io
cons i uem a p imei a linha de de esa en e aos impac os das inundações,
p omo endo uma cul u a de au op o eção e edução de ulne abilidades
(BRASIL, 2016; DEFESA CIVIL RS, 2023).
Uma das ações mais impo an es é a elabo ação de um plano de
eme gência amilia . Es e plano de e inclui :
● Ro as de E acuação: Iden i ica as o as mais segu as pa a sai de
casa e da izinhança em caso de inundação, e p a icá-las egula men e.
● Pon os de Encon o: De ini um local segu o o a da á ea de isco onde
a amília possa se euni , caso se sepa em du an e a e acuação.
128
● Ki de Eme gência: P epa a uma mochila com i ens essenciais, como
água po á el, alimen os não pe ecí eis, medicamen os, lan e na, ádio a
pilha, documen os impo an es (em sacos plás icos à p o a d'água), ki
de p imei os soco os, oupas e i ens de higiene pessoal. Es e ki de e
se de ácil acesso e e isado pe iodicamen e.
● Con a os de Eme gência: Te uma lis a de ele ones ú eis, incluindo
de esa ci il, bombei os, hospi ais e con a os de amilia es e amigos.
● Cuidado com Animais de Es imação: Inclui os animais de es imação
no plano de e acuação, ga an indo que eles ambém enham um local
segu o e sup imen os.
Ou a ação undamen al é a p o eção de bens e documen os. Em á eas
de isco, é aconselhá el ele a mó eis e ele odomés icos, se possí el, e
gua da documen os impo an es em locais al os e à p o a d'água. A
digi alização de documen os e o a mazenamen o em nu em ambém são
medidas p e en i as e icazes.
A pa icipação em p og amas de educação e simulados p omo idos
pela de esa ci il ou ou as o ganizações é al amen e ecomendada. Esses
p og amas o e ecem in o mações aliosas e einamen o p á ico que
podem aze a di e ença em uma si uação de eme gência. O conhecimen o
sob e os sinais de ale a, como o aumen o do ní el do io ou a p e isão de
chu as in ensas, pe mi e que as pessoas omem decisões in o madas e
ajam com an ecedência.

129
A manu enção de esidências e e enos ambém con ibui pa a a
edução de iscos. Limpa calhas e buei os, e i a o desca e de lixo em
có egos e ios, e man e a ege ação em á eas ibei inhas podem ajuda a
melho a o escoamen o da água e eduzi o isco de alagamen os
localizados. Em á eas u ais, a adoção de p á icas ag ícolas sus en á eis
que minimizem a e osão do solo e p omo am a in il ação da água é
igualmen e impo an e.
Finalmen e, a solida iedade e a ajuda mú ua são essenciais em
momen os de c ise. Conhece os izinhos, especialmen e idosos ou
pessoas com mobilidade eduzida, e o e ece ajuda em caso de
necessidade o alece os laços comuni á ios e melho a a capacidade de
espos a cole i a. A c iação de edes de apoio locais pode se um di e encial
na ecupe ação pós-cheia.
Ao ado a essas ações p á icas, indi íduos e comunidades podem
aumen a signi ica i amen e sua esiliência às cheias, minimizando os
impac os e acele ando o p ocesso de ecupe ação. A p e enção é um
es o ço con ínuo que exige a pa icipação de odos.
2. O Papel da Sociedade Ci il e das O ganizações Não
Go e namen ais (ONGs)
A sociedade ci il o ganizada e as O ganizações Não Go e namen ais
(ONGs) exe cem papel essencial e complemen a às ações
go e namen ais na ges ão de cheias e na p omoção da esiliência
comuni á ia. Sua a uação descen alizada e mais p óxima das populações
ulne á eis pe mi e sup i lacunas ins i ucionais, ampliando a e icácia das
130
es a égias de p e enção, espos a e ecupe ação dian e de desas es
(RIBEIRO, 2015; BRASIL, 2016).
Uma das p incipais con ibuições das ONGs eside na mobilização social e
na capaci ação comuni á ia. A ealização de o icinas, einamen os,
campanhas educa i as e planos de eme gência amilia con ibui pa a o
o alecimen o da o ganização comuni á ia e pa a a au onomia das
populações expos as a iscos hid ológicos (MARANDOLA JR. & HOGAN,
2014). A c iação de b igadas de eme gência e a o mação de lide anças
locais são exemplos de ações iabilizadas po essas ins i uições,
adap adas às ealidades socio e i o iais especí icas (ANA, 2019).
As ONGs ambém a uam na cole a, análise e disseminação de in o mações.
Em mui os casos, ealizam moni o amen os locais de ios e p ecipi ação,
complemen ando os dados das edes o iciais. Além disso, uncionam como
impo an es e o es de comunicação en e o pode público e as
comunidades, aduzindo ale as écnicos pa a linguagens acessí eis e
u ilizando canais in o mais como edes sociais, ádios comuni á ias e
g upos de mensagens ins an âneas (DEFESA CIVIL RS, 2023). Em
si uações de c ise, a checagem de in o mações e o comba e à
desin o mação são unções c uciais pa a e i a o pânico ou a negligência
en e ao isco.
Du an e a espos a a desas es, ONGs equen emen e se posicionam
como as p imei as en idades a o e ece assis ência eme gencial. A
dis ibuição de alimen os, água po á el, i ens de higiene, oupas, ab igo
empo á io e apoio psicossocial são a i idades o inei as ealizadas com
agilidade e oco nas necessidades imedia as das populações a ingidas
(BARROS e al., 2020).
131
No pe íodo pós-desas e, essas o ganizações ambém colabo am na
econs ução de mo adias, na eabili ação econômica e na e omada da
ida comuni á ia, incluindo o apoio psicológico p olongado. Adicionalmen e,
desempenham papel undamen al na de esa dos di ei os das í imas,
ga an indo sua pa icipação nos p ocessos decisó ios e acesso aos auxílios
disponibilizados pelo Es ado (MOTA e al., 2019).
As ONGs ambém a uam de o ma es a égica na incidência polí ica,
cob ando dos go e nos maio anspa ência, pa icipação social e
in es imen os em polí icas públicas ol adas à p e enção de desas es e
ao uso sus en á el dos ecu sos híd icos (IPCC, 2021; ANA, 2021). Ao
documen a impac os, le an a dados e da isibilidade às demandas das
populações a e adas, essas o ganizações ampliam o alcance da agenda
socioambien al e p essionam po ans o mações es u u ais na ges ão
e i o ial e híd ica.
Em sín ese, as ONGs e os cole i os da sociedade ci il são a o es
indispensá eis na cons ução de uma U uguaiana mais esilien e às cheias.
Sua capacidade de mobilização, sua a uação local e sua expe ise écnica
e social as quali icam como pa cei as es a égicas pa a uma ges ão de
iscos mais democ á ica, inclusi a e e icaz. O o alecimen o ins i ucional
dessas o ganizações e o econhecimen o o mal de seu papel de em se
p io idades pa a a go e nança da bacia do io U uguai.
3. O Desa io da Sus en abilidade Financei a na Ges ão de Cheias
A ges ão de cheias, em odas as suas ases – p e enção, mi igação,
espos a e ecupe ação – demanda in es imen os inancei os signi ica i os
e con ínuos. No en an o, a sus en abilidade inancei a dessas ações é um
132
desa io pe sis en e, especialmen e em países em desen ol imen o e em
municípios com o çamen os limi ados. A ausência de um luxo de ecu sos
es á el e p e isí el pode comp ome e a e icácia das polí icas e a
capacidade de espos a a e en os ex emos. Supe a esse desa io exige a
busca po on es de inanciamen o di e si icadas e a implemen ação de
mecanismos inancei os ino ado es.
Uma das p incipais on es de inanciamen o pa a a ges ão de cheias são os
o çamen os públicos ( ede al, es adual e municipal). No en an o, esses
o çamen os são equen emen e limi ados e sujei os a lu uações
econômicas e p io idades polí icas. A alocação de ecu sos pa a a
p e enção e mi igação de desas es mui as ezes compe e com ou as
demandas u gen es, como saúde, educação e segu ança, o que pode le a
a um subin es imen o em medidas p e en i as de longo p azo. A c iação
de undos especí icos pa a a ges ão de iscos de desas es, com on es de
ecei a dedicadas e p o egidas, pode ga an i a es abilidade inancei a
necessá ia.
O se o p i ado ambém pode desempenha um papel impo an e no
inanciamen o da ges ão de cheias. Emp esas que ope am em á eas de
isco ou que dependem dos ecu sos híd icos da bacia podem se
incen i adas a in es i em medidas de p e enção e mi igação, como a
cons ução de in aes u u as de p o eção, a es au ação de ecossis emas
e a implemen ação de p á icas sus en á eis. Mecanismos como o
pagamen o po se iços ambien ais (PSA), onde usuá ios da água
emune am p op ie á ios de e as que conse am á eas de eca ga híd ica
ou ma as cilia es, podem ge a ecu sos pa a a ges ão da bacia.
139
um mo o de p ospe idade pa a a egião, ao mesmo empo em que se
p o ege as comunidades e o meio ambien e dos impac os das cheias.
6. O Papel da Pesquisa Cien í ica e da Ino ação na Ges ão de Cheias
A pesquisa cien í ica e a ino ação desempenham um papel cada ez mais
c ucial na ges ão de cheias, o e ecendo e amen as, conhecimen os e
ecnologias que pe mi em uma comp eensão mais ap o undada dos
enômenos hid ológicos e uma espos a mais e icaz a e en os ex emos.
Em U uguaiana e na bacia do Rio U uguai, o in es imen o em ciência e
ecnologia é um impe a i o pa a ap imo a a capacidade de p e isão,
mi igação e adap ação às inundações.
Uma das á eas mais p omisso as é o desen ol imen o de modelos
hid ológicos e hid áulicos a ançados. Esses modelos, que u ilizam
dados de en ada como p ecipi ação, opog a ia, uso do solo e
ca ac e ís icas do io, são capazes de simula o compo amen o da bacia e
p e e a ele ação da co a em di e en es cená ios. A in eg ação de écnicas
de in eligência a i icial e ap endizado de máquina nesses modelos pode
ap imo a ainda mais sua p ecisão, pe mi indo a iden i icação de pad ões
complexos nos dados e a melho ia da capacidade p edi i a. A alidação
desses modelos com dados his ó icos e em empo eal é undamen al pa a
ga an i sua con iabilidade e aplicabilidade na omada de decisões.
O senso iamen o emo o, po meio de sa éli es e ada es me eo ológicos,
o e ece uma isão ab angen e das condições climá icas e hid ológicas em
oda a bacia. Sa éli es podem moni o a a cobe u a de nu ens, a
in ensidade da chu a e a ex ensão de á eas inundadas, enquan o ada es

140
o necem dados em empo eal sob e a p ecipi ação em uma de e minada
egião. A combinação desses dados com os cole ados em campo pelas
es ações hid ome eo ológicas pe mi e uma análise mais comple a e p ecisa
da si uação, auxiliando na p e isão de cheias e na a aliação de seus
impac os.
A ino ação em sis emas de ale a p ecoce é ou a á ea de g ande
impo ância. Além dos meios adicionais de comunicação, o uso de
mensagens de ex o (SMS), aplica i os de celula , edes sociais e sis emas
de ale a po si enes pe mi e que as in o mações cheguem apidamen e à
população. A pe sonalização dos ale as, com base na localização do
usuá io, pode aumen a a e icácia da comunicação e ga an i que as
pessoas ecebam in o mações ele an es pa a sua segu ança. A pesquisa
sob e a melho o ma de comunica iscos e de engaja a população na
espos a a desas es é undamen al.
O desen ol imen o de no as ecnologias pa a o moni o amen o de
ios e bacias ambém é c ucial. Isso inclui senso es de baixo cus o, d ones
pa a mapeamen o de á eas inundadas, e pla a o mas de dados abe os que
acili em o acesso e o uso das in o mações hid ome eo ológicas po
di e en es a o es. A pesquisa sob e a esiliência de in aes u u as e o
desen ol imen o de ma e iais e écnicas de cons ução mais esis en es a
inundações ambém são á eas de g ande ele ância.
Além da ecnologia, a pesquisa social e econômica é undamen al pa a
comp eende os impac os das cheias nas comunidades e pa a desen ol e
es a égias de adap ação que sejam socialmen e jus as e economicamen e
iá eis. Isso inclui es udos sob e a ulne abilidade social, a pe cepção de
141
isco, a e icácia das polí icas públicas e os cus os econômicos dos
desas es.
Em suma, a pesquisa cien í ica e a ino ação são mo o es essenciais pa a
ap imo a a ges ão de cheias em U uguaiana e na bacia do Rio U uguai. O
in es imen o con ínuo em ciência e ecnologia, a p omoção da colabo ação
en e uni e sidades, cen os de pesquisa, go e nos e se o p i ado, e a
aplicação do conhecimen o ge ado na p á ica são passos undamen ais
pa a cons ui um u u o mais segu o e esilien e pa a as comunidades
ibei inhas.
7. A Impo ância da Ges ão de Bacias Hid og á icas pa a a P e enção
de Cheias
A ges ão de bacias hid og á icas é um concei o undamen al pa a a
comp eensão e o manejo dos ecu sos híd icos, especialmen e no que
ange à p e enção e mi igação de cheias. Uma bacia hid og á ica, po sua
p óp ia de inição, é uma unidade e i o ial onde oda a água que p ecipi a
con e ge pa a um único pon o de saída, seja um io, um lago ou um oceano.
Essa in e conexão na u al signi ica que as ações e e en os em qualque
pa e da bacia podem e impac os signi ica i os em ou as, essal ando a
necessidade de uma abo dagem in eg ada e holís ica.
No con ex o do Rio U uguai e das cheias em U uguaiana, a ges ão da bacia
hid og á ica anscende as on ei as municipais e es aduais, alcançando
uma dimensão in e nacional, uma ez que o io é compa ilhado po B asil,
A gen ina e U uguai. Essa complexidade exige uma coo denação mul i-
142
ní el e mul i-ins i ucional pa a que as es a égias de p e enção de cheias
sejam e icazes.
Um dos pila es da ges ão de bacias hid og á icas é o planejamen o do uso
e ocupação do solo. A o ma como o solo é u ilizado e ocupado em oda
a bacia in luencia di e amen e o egime hid ológico. O desma amen o de
á eas de lo es a, a expansão de á eas u banas sem planejamen o
adequado e a ocupação de á eas de á zea e planícies de inundação
eduzem a capacidade na u al de abso ção e e enção de água do solo,
aumen ando o escoamen o supe icial e a elocidade com que a água
chega aos ios. Isso, po sua ez, in ensi ica os picos de cheia e eduz o
empo de espos a pa a as comunidades a jusan e. A implemen ação de
zoneamen os ecológicos-econômicos e planos di e o es que conside em a
dinâmica híd ica da bacia é c ucial pa a um desen ol imen o sus en á el e
pa a a edução de iscos.
A conse ação e es au ação de ecossis emas na u ais são igualmen e
impo an es. Ma as cilia es, á eas úmidas e nascen es a uam como in a
es u u as na u ais que egulam o luxo da água, il am poluen es e
p o egem o solo da e osão. A es au ação dessas á eas deg adadas, po
meio de p og amas de e lo es amen o e ecupe ação ambien al, pode
aumen a a capacidade de esiliência da bacia, con ibuindo pa a a edução
da magni ude e equência das cheias. Essas soluções baseadas na
na u eza são, mui as ezes, mais cus o-e e i as e sus en á eis a longo
p azo do que as g andes ob as de engenha ia.
A ges ão de ecu sos híd icos, que inclui a ope ação de ba agens e
ese a ó ios, ambém de e se in eg ada à ges ão da bacia. A
143
coo denação en e os ope ado es das usinas hid elé icas e os ó gãos de
ges ão de cheias é undamen al pa a o imiza a libe ação de água,
ga an indo a ge ação de ene gia e, ao mesmo empo, minimizando os
impac os das cheias a jusan e. A anspa ência na comunicação e o
compa ilhamen o de dados em empo eal são essenciais pa a essa
coo denação.
Além disso, a pa icipação social é um componen e cha e da ges ão de
bacias hid og á icas. A c iação de comi ês de bacia, que eúnem
ep esen an es de go e nos, usuá ios da água, sociedade ci il e ins i uições
de pesquisa, pe mi e que as decisões sejam omadas de o ma pa icipa i a
e que os di e en es in e esses sejam conciliados. O engajamen o da
comunidade na elabo ação de planos de ges ão, na iscalização e na
implemen ação de ações é undamen al pa a o sucesso das inicia i as.
Em esumo, a ges ão de bacias hid og á icas é uma abo dagem es a égica
e in eg ada que econhece a in e conexão dos sis emas na u ais e
humanos. Ao conside a a bacia como uma unidade de planejamen o e
ges ão, é possí el desen ol e es a égias mais e icazes pa a a p e enção
de cheias, a conse ação dos ecu sos híd icos e a p omoção do
desen ol imen o sus en á el. Pa a o Rio U uguai e U uguaiana, essa
abo dagem é um impe a i o pa a cons ui um u u o mais segu o e
esilien e dian e dos desa ios impos os pelas mudanças climá icas e pela
c escen e p essão sob e os ecu sos na u ais.
144
8. O Papel da Educação Ambien al na Cons ução da Resiliência
A educação ambien al é um pila undamen al na cons ução da esiliência
de comunidades en e a desas es na u ais, como as cheias do Rio U uguai
em U uguaiana. Mais do que a simples ansmissão de in o mações, a
educação ambien al busca p omo e uma mudança de alo es, a i udes e
compo amen os, capaci ando os indi íduos e as comunidades a
comp eende em as complexas elações en e o ambien e e a sociedade, e
a agi em de o ma esponsá el e p oa i a na ges ão de iscos.
No con ex o das cheias, a educação ambien al desempenha di e sas
unções c uciais:
● Conscien ização sob e os Riscos: Mui as ezes, a população não em
plena consciência dos iscos a que es á expos a, especialmen e em
á eas de á zea que são his o icamen e ocupadas. A educação
ambien al pode in o ma sob e a dinâmica do io, os a o es que
con ibuem pa a as cheias (na u ais e an ópicos), e os po enciais
impac os sob e a ida e o pa imônio. Essa conscien ização é o p imei o
passo pa a a adoção de medidas p e en i as.
● Comp eensão da Bacia Hid og á ica: É essencial que as pessoas
comp eendam que i em em uma bacia hid og á ica e que as ações
ealizadas em uma pa e da bacia podem a e a ou as. A educação
ambien al pode ilus a a in e conexão en e as chu as a mon an e e as
cheias a jusan e, mos ando como o desma amen o, a
impe meabilização do solo e a poluição em á eas dis an es podem

145
impac a a comunidade local. Essa isão sis êmica é undamen al pa a
p omo e uma ges ão in eg ada.
● P omoção de Compo amen os Segu os: A educação ambien al pode
ensina a população sob e como agi an es, du an e e depois de uma
cheia. Isso inclui a elabo ação de planos de eme gência amilia , a
p epa ação de ki s de sob e i ência, a iden i icação de o as de
e acuação segu as e a impo ância de segui as o ien ações da de esa
ci il. A ealização de simulados e einamen os p á icos pode e o ça
esses compo amen os e aumen a a capacidade de espos a em
si uações de eme gência.
● Incen i o a P á icas Sus en á eis: A educação ambien al pode
p omo e a adoção de p á icas mais sus en á eis no dia a dia, que
con ibuam pa a a edução dos iscos de cheia. Isso inclui o desca e
co e o de lixo, a conse ação da água, o plan io de á o es em á eas
deg adadas, e o apoio a polí icas públicas que isem a p o eção de
ma as cilia es e a ges ão adequada do uso do solo. Pequenas ações
indi iduais, quando mul iplicadas, podem e um impac o signi ica i o na
esiliência da bacia.
● Fo alecimen o da Pa icipação Cidadã: A educação ambien al pode
empode a as comunidades pa a que pa icipem a i amen e dos
p ocessos de omada de decisão elacionados à ges ão de ecu sos
híd icos e à p e enção de desas es. Ao comp eende em seus di ei os e
esponsabilidades, os cidadãos podem iscaliza as ações
go e namen ais, p opo soluções e de ende seus in e esses,
con ibuindo pa a uma go e nança mais democ á ica e anspa en e.
146
Em U uguaiana, a implemen ação de p og amas de educação ambien al
con ínuos e adap ados à ealidade local é um in es imen o es a égico.
Escolas, associações de mo ado es, ONGs e ó gãos públicos podem a ua
em conjun o pa a dissemina o conhecimen o e p omo e a
conscien ização. Ao capaci a a população com in o mações e habilidades,
a educação ambien al con ibui di e amen e pa a a cons ução de uma
cul u a de p e enção e pa a o aumen o da esiliência da cidade en e aos
desa ios impos os pelas cheias do Rio U uguai.
9. Desa ios e Opo unidades pa a o Desen ol imen o Sus en á el na
Bacia do Rio U uguai
A bacia do Rio U uguai, com sua as a ex ensão e iqueza na u al,
ap esen a um cená io complexo de desa ios e opo unidades pa a o
desen ol imen o sus en á el. A busca po um equilíb io en e o c escimen o
econômico, a inclusão social e a p o eção ambien al é um impe a i o pa a
ga an i a p ospe idade das comunidades ibei inhas e a saúde do
ecossis ema a longo p azo. As cheias, embo a sejam um enômeno na u al,
in ensi icam a u gência de se abo da esses desa ios de o ma in eg ada.
Um dos p incipais desa ios é a p essão sob e os ecu sos na u ais. A
expansão da ag icul u a e da pecuá ia, a demanda po ene gia e a
c escen e u banização exe cem uma p essão signi ica i a sob e o solo, a
água e a biodi e sidade. O desma amen o, a e osão do solo, a poluição
híd ica po ag o óxicos e esgo o, e a pe da de habi a s na u ais são
consequências di e as dessa p essão. A al a de planejamen o e
iscalização adequados ag a a esses p oblemas, comp ome endo a
147
capacidade da bacia de o nece se iços ecossis êmicos essenciais, como
a egulação do ciclo da água e a pu i icação do a .
As mudanças climá icas ep esen am um desa io ans e sal que
ampli ica os demais. O aumen o da equência e in ensidade de e en os
ex emos, como secas p olongadas e chu as o enciais, impac a
di e amen e a disponibilidade de água, a p odu i idade ag ícola e a
segu ança das comunidades. A ince eza em elação aos cená ios u u os
exige es a égias de adap ação lexí eis e obus as, que conside em a
a iabilidade climá ica e os iscos associados.
No en an o, a bacia do Rio U uguai ambém o e ece opo unidades
signi ica i as pa a o desen ol imen o sus en á el. A ag icul u a e
pecuá ia sus en á eis, po exemplo, podem se p omo idas po meio de
p á icas conse acionis as, como o plan io di e o, a in eg ação la ou a-
pecuá ia- lo es a e a ag icul u a o gânica. Essas p á icas não apenas
eduzem o impac o ambien al, mas ambém podem aumen a a
p odu i idade e a esiliência dos sis emas p odu i os às a iações
climá icas.
O u ismo ecológico e cul u al é ou a opo unidade a se explo ada. A
beleza cênica do Rio U uguai, suas p aias, ilhas e a ica biodi e sidade da
egião, aliadas à cul u a local e à his ó ia das comunidades ibei inhas,
podem a ai isi an es e ge a enda pa a a população. O desen ol imen o
de o ei os u ís icos que alo izem a na u eza e a cul u a local, com oco
na sus en abilidade e no en ol imen o comuni á io, pode se um mo o de
desen ol imen o econômico di e si icado.
148
A ge ação de ene gia eno á el, além da hid elé ica, ambém ap esen a
po encial. A bacia possui ecu sos pa a a ge ação de ene gia sola e eólica,
que podem complemen a a ma iz ene gé ica e eduzi a dependência de
on es não eno á eis. O in es imen o em ecnologias limpas e e icien es é
undamen al pa a um desen ol imen o ene gé ico sus en á el.
A ges ão in eg ada de esíduos sólidos e saneamen o básico são
desa ios que, uma ez supe ados, se ans o mam em g andes
opo unidades pa a a saúde pública e ambien al. O a amen o de esgo o,
a cole a sele i a e a eciclagem de esíduos não apenas melho am a
qualidade de ida das comunidades, mas ambém podem ge a emp egos
e enda, além de p o ege os ecu sos híd icos da bacia.
Finalmen e, a coope ação ans on ei iça en e B asil, A gen ina e
U uguai é uma opo unidade ímpa pa a o desen ol imen o sus en á el da
bacia. A oca de conhecimen os, a coo denação de polí icas e a
implemen ação de p oje os conjun os podem o alece a capacidade de
odos os países pa a en en a os desa ios comuns e p omo e um
desen ol imen o egional mais equi a i o e sus en á el. A bacia do Rio
U uguai, po an o, é um labo a ó io i o onde os desa ios da
sus en abilidade se encon am com as opo unidades de ino ação e
colabo ação, exigindo uma isão de longo p azo e um comp omisso cole i o
pa a a cons ução de um u u o mais esilien e e p óspe o.