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Eficiência: Sua diversidade e seus paradoxos

Author: Melo, Valdir
Publisher: Brasília: Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA)
Year: 2025
DOI: 10.38116/td3126-port
Source: https://www.econstor.eu/bitstream/10419/322192/1/1928631363.pdf
Melo, Valdi
Wo king Pape
E iciência: Sua di e sidade e seus pa adoxos
Tex o pa a Discussão, No. 3126
P o ided in Coope a ion wi h:
Ins i u e o Applied Economic Resea ch (ipea), B asília
Sugges ed Ci a ion: Melo, Valdi (2025) : E iciência: Sua di e sidade e seus pa adoxos, Tex o pa a
Discussão, No. 3126, Ins i u o de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), B asília,
h ps://doi.o g/10.38116/ d3126-po
This Ve sion is a ailable a :
h ps://hdl.handle.ne /10419/322192
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3126
EFICIÊNCIA: SUA DIVERSIDADE
E SEUS PARADOXOS
VALDIR MELOVALDIR MELO
3126
Rio de Janei o, junho de 2025
EFICIÊNCIA: SUA DIVERSIDADE E
SEUS PARADOXOS1
VALDIR MELO2
1. O au o ica g a o a alguns compa imen os do Ipea e a á ias pessoas.
O p oje o de pesquisa 'O ganizações e Desempenho' ab ange o p esen e
ex o e ou os publicados an es.
Os obs áculos in elec uais e in o macionais o am inespe ados e g andes;
não se iam con o nados sem a ex ensa paciência e sem o supo e
da Coo denação de Relações Go e namen ais e Fede alismo (ou o a
Coo denação de A aliação de Polí icas Públicas). Também oi mui o
impo an e o apoio do Edi o ial do Ipea no Rio de Janei o. Boa pa e das
e e ências o a do comum oi localizada pela biblio eca do Ipea, inclusi e
eco endo a ou as boas biblio ecas do B asil (pa icula men e Senado
Fede al, Fundação Ge ulio Va gas, Uni e sidade de B asília e Ins i u o de
Filoso ia da Uni e sidade Fede al do Rio de Janei o). As pessoas são Má cio
B uno Ribei o, Má io Jo ge de Mendonça, Cons an ino Mendes, Aline da Sil a
Ma ins, Elizabe h Fe ei a e Ana Paula Fe nandes.
Ademais, Felix G. Lopez deu ajuda gene osa ao p oje o, supo ando
conside á el ônus. Em um bene ício à pa e, epassou lições adminis a i as
cap adas na Uni e sidade de Ha a d – áb ica ex ao diná ia do sabe
mode no, u o e e a o desse ão emp eendedo e c ia i o po o
es adunidense. Ca los Robe o La alle da Sil a, poli alen e e p o esso da
Escola Nacional de Ciências Es a ís icas, comen ou, discu iu e a aliou o
con eúdo do p esen e ex o.
Sal o pequenas co eções g ama icais, o con eúdo é igual à e são de
ou ub o de 2024, exis en e an es da eleição p esidencial es adunidense.
Não pôde se in luenciado po deba es de 2025 naquele país.
2. Técnico de planejamen o e pesquisa na Di e o ia de Es udos e Polí icas
Regionais, U banas e Ambien ais do Ipea.
Tex o pa a
Discussão
Publicação se iada que di ulga esul ados de es udos e pesquisas
em desen ol imen o pelo Ipea com o obje i o de omen a o deba e
e o e ece subsídios à o mulação e a aliação de polí icas públicas.
© Ins i u o de Pesquisa Econômica Aplicada – ipea 2025
Melo, Valdi
E iciência : sua di e sidade e seus pa adoxos / Valdi Melo. –
Rio de Janei o: Ipea, 2025.
111 p. – (Tex o pa a Discussão ; n. 3126).
Inclui Bibliog a ia.
ISSN 1415-4765
1. E iciência. 2. E icácia. 3. P odu i idade. 4. Economias
de Escala. 5. O imização. I. Ins i u o de Pesquisa Econômica
Aplicada. II. Tí ulo.
CDD 658
Ficha ca alog á ica elabo ada po Elizabe h Fe ei a da Sil a CRB-7/6844.
Como ci a :
MELO, Valdi . E iciência: sua di e sidade e seus pa adoxos. Rio de
Janei o: Ipea, junho 2025. 111 p. (Tex o pa a Discussão, n. 3126).
DOI: h ps://dx.doi.o g/10.38116/ d3126-po
JEL: D73; A13; B40.
As publicações do Ipea es ão disponí eis pa a download g a ui o nos
o ma os PDF ( odas) e EPUB (li os e pe iódicos).
Acesse: h ps:// eposi o io.ipea.go .b /.
As opiniões emi idas nes a publicação são de exclusi a e in ei a
esponsabilidade dos au o es, não exp imindo, necessa iamen e, o
pon o de is a do Ins i u o de Pesquisa Econômica Aplicada ou do
Minis é io do Planejamen o e O çamen o.
É pe mi ida a ep odução des e ex o e dos dados nele con idos, desde
que ci ada a on e. Rep oduções pa a ins come ciais são p oibidas.
Go e no Fede al
Minis é io do Planejamen o e O çamen o
Minis a Simone Nassa Tebe
Fundação pública inculada ao Minis é io do
Planejamen o e O çamen o, o Ipea o nece supo e
écnico e ins i ucional às ações go e namen ais –
possibili ando a o mulação de inúme as polí icas
públicas e p og amas de desen ol imen o b asilei-
os – e disponibiliza, pa a a sociedade, pesquisas
e es udos ealizados po seus écnicos.
P esiden a
LUCIANA MENDES SANTOS SERVO
Di e o de Desen ol imen o Ins i ucional
FERNANDO GAIGER SILVEIRA
Di e o a de Es udos e Polí icas do Es ado,
das Ins i uições e da Democ acia
LUSENI MARIA CORDEIRO DE AQUINO
Di e o de Es udos e Polí icas Mac oeconômicas
CLÁUDIO ROBERTO AMITRANO
Di e o de Es udos e Polí icas Regionais,
U banas e Ambien ais
ARISTIDES MONTEIRO NETO
Di e o de Es udos e Polí icas Se o iais,
de Ino ação, Regulação e In aes u u a (subs i u o)
PEDRO CARVALHO DE MIRANDA
Di e o a de Es udos e Polí icas Sociais (subs i u a)
JOANA SIMÕES DE MELO COSTA
Di e o a de Es udos In e nacionais
KEITI DA ROCHA GOMES
Che e de Gabine e
ALEXANDRE DOS SANTOS CUNHA
Coo denado a-Ge al de Imp ensa e
Comunicação Social
GISELE AMARAL DE SOUZA
Ou ido ia: h ps://www.ipea.go .b /ou ido ia
URL: h ps://www.ipea.go .b
SUMÁRIO
SINOPSE
ABSTRACT
1 INTRODUÇÃO ........................................................................... 7
1.1 De alo secundá io a linguagem des eg ada...........................8
1.2 Plano do ex o ...........................................................................10
2 MENOS ÊNFASE EM EFICIÊNCIA: PRELIMINAR ..................10
2.1 Dando menos impo ância a e iciência ...................................10
2.2 Sujei ando e iciência a alo es supe io es ..............................12
2.3 Douglass No h: econhecimen o de que ha e
ine iciência é usual ...................................................................12
3 EFICIÊNCIA: UMA VISÃO CRÍTICA EM MAIS DETALHE .......15
3.1 Demse z e duas abo dagens ...................................................16
3.2 Escola neoaus íaca: ebaixamen o da e iciência ..................21
4 ESBOÇO DE HISTÓRIA DO VOCÁBULO ‘EFICIÊNCIA’ ...........38
4.1 O igem da concepção mode na de e iciência ........................38
4.2 Re lexões p elimina es sob e e iciência ene gé ica ...............39
4.3 P imei as objeções a e iciência no pedes al ..........................42
4.4 A economia ado a o ocábulo mode no ‘e iciência’ ............... 44
4.5 A di e sidade de ‘e iciência’ em economia .............................45
5 ASPECTOS BÁSICOS DE EFICÁCIA E EFICIÊNCIA ............... 49
5.1 A i idade, meios e ins ..............................................................49
5.2 E icácia e obje i o .....................................................................50
5.3 E icácia de um en e ..................................................................51
5.4 E icácia e a i idades .................................................................52
5.5 Dico omia ou poli omia ............................................................53
5.6 E iciência écnica e e iciência econômica ..............................54
5.7 Compa abilidade eque homogeneidade ............................... 55
5.8 Quando há mui os obje i os ....................................................57
5.9 Condições de ince eza, cus o de muda e isco ....................58
5.10 E iciência e sus segu ança ...................................................60
5.11 E iciência e sus a iedade e ino ação .................................61

SUMÁRIO
6 SIGNIFICADOS DE EFICIÊNCIA .............................................63
6.1 Alguns a ibu os de e iciência ..................................................63
6.2 E iciência como adequação .....................................................63
6.3 Di iculdade do julgamen o ex e no de e iciência ....................64
6.4 E iciência pu amen e écnica ................................................... 65
6.5 E iciência não é um núme o único...........................................66
6.6 ‘E iciência’ em luga de ‘e icácia’ ..............................................68
6.7 ‘E iciência’ sem pad ão de compa ação ..................................70
6.8 ‘E iciência’ em luga de ‘agilidade’ ...........................................70
6.9 ‘E iciência’ em luga de ‘bem p oje ado’ ..................................72
6.10 E iciência e qualidade .............................................................72
6.11 E iciência e a endimen o ........................................................74
6.12 Valo es no ce ne de e iciência: emp esas ............................75
6.13 Valo es no ce ne de e iciência: o ganizações sem luc o ..... 77
7 MEDIÇÃO DE EFICIÊNCIA E FRONTEIRA .............................. 78
7.1 Aspec os de mé odo.................................................................79
7.2 Insu iciência dos mé odos .......................................................81
8 PRODUTIVIDADE, GANHOS DE ESCALA E ÓTIMO ...............83
8.1 P odu i idade ............................................................................83
8.2 Compa abilidade de p odu i idade ..........................................86
8.3 Dando menos impo ância a p odu i idade ............................ 87
8.4 P odu i idade e an agem compa a i a..................................88
8.5 Rendimen os de escala ............................................................92
8.6 Economias de escala ................................................................93
8.7 O ó imo ......................................................................................97
8.8 Mode ação em ez de o imização ...........................................99
9 DESEMPENHO ......................................................................100
10 ECONOMIA E EFICIÊNCIA EM UM
MUNDO IMPERFEITO ......................................................... 101
11 COMENTÁRIOS FINAIS ......................................................103
REFERÊNCIAS ..........................................................................105
SINOPSE
O ocábulo 'e iciência' em á ios sen idos écnicos dis in os, alguns dos quais
se con undem com p odu i idade, com economias de escala e com o imização.
Também em signi icados leigos bas an e agos, aludindo a e icácia, a compe ência,
a adequação, a aze bem ei o, a agilidade, en e ou os. Po es a e po ou as azões,
uma pa cela da li e a u a econômica asse e a que se dá impo ância demasiada a
e iciência. A aliações de e iciência de uma a i idade p odu i a podem se díspa es ou
incong uen es quando a a i idade em á ios obje i os (ou p odu os). Em pa icula ,
busca e iciência pode se incong uen e com busca segu ança e com p ocessos de
in en a e de ino a .
Pala as-cha e: e iciência; e icácia; p odu i idade; economias de escala; o imização.
ABSTRACT
The wo d 'e iciency´ has se e al echnical meanings. Some o hem a e con used
wi h p oduc i i y, wi h economies o scale and wi h op imiza ion. The e a e also some
lay meanings which a e ague enough; hey allude o e ec i eness, o compe ence,
o adequacy, o doing some hing well, and o quickness, among o he s. Fo hese
and o o he easons, pa o he economic li e a u e asse s ha he impo ance o
e iciency has been exagge a ed. App aisals o he e iciency o a p oduc i e ac i i y
may be dispa a e o incong uen when he ac i i y has mo e han one aim. Mo eo e ,
seeking e iciency may ail o ma ch wi h seeking secu i y as well as wi h in en ing
and inno a ing.
Keywo ds: e iciency; e ec i eness; p oduc i i y; economies o scale; op imiza ion.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
7
3126
1 INTRODUÇÃO
Nos deba es econômicos e sociopolí icos é comum encon a decla ações sob e
‘e iciência’ de alguma a i idade, de alguma o ganização ou de me cados. Es a pala a e
seus cogna os (‘e icien e’, ‘ine iciência’ e ‘ine icien e’) êm a cono ação de que se sabe o
que que em dize . De um lado, lei o es e ou in es a amen e ou nunca le an am dú idas
ou pedem escla ecimen os sob e o emp ego delas na ocasião. De ou o lado, quem
ala ou esc e e mui as ezes não lhes ac escen a seque adje i os que lhes deem eo
mais pa icula izado e conc e o.
Há mais duas cono ações que es imulam o emp ego bas an e equen e dessa
pala a e de seus cogna os. A segunda delas é que ‘e iciência’ e ‘e icien e’ êm cono-
ação de algo desejá el (com seus opos os endo cono ação de se indesejá el). Se a
e e ência da pala a o a um obje o acei á el po si só, di icilmen e alguém se opõe
a ecomendações ou a suges ões de que es e obje o seja e icien e (ou mais e icien e);
mais a amen e ainda alguém acei a que seja ine icien e (ou que se o ne ine icien e).
A e cei a é ce a cono ação de e con eúdo pu amen e écnico e obje i o, imune
a juízos de alo de eo ilosó ico-social, ilosó ico-polí ico, me a ísico ou é ico. S e en
E. Rhoads esc e eu um li o sob e c enças de economis as; disse que a pala a
lemb a áb icas e engenhei os, p odu os e insumos, bem como man e baixos os cus os
(Rhoads, 1985, p. 63). Tal ez es a apa en e pu eza écnica explique po que an as
pessoas endem a es a em a o de e iciência, sejam elas ade en es de qualque amo
de c enças ilosó icas e sociopolí icas.
Jenni e Ka ns Alexande já publicou um li o a espei o da a iedade de concei os
de e iciência ene gé ica (Alexande , 2008). O p esen e Tex o pa a Discussão, em ama-
nho de li inho, e oma o ema em ou a pe spec i a; disco e a espei o da di e sidade
de signi icados que pala a em em economia. Além dis o, há sen idos descomp ome-
idos com as ciências sociais. Nos meios de comunicação e em p onunciamen os de
leigos escla ecidos, a pala a mui as ezes em quase somen e a unção de elogia ou
lou a alguma coisa.
Po exemplo, de ez em quando uma ex-au o idade enal ece sua ex-sec e á ia
dizendo que ela e a e icien e. E os ãs de algum al o execu i o de emp esa p opagam
que a pe sonalidade é um adminis ado e icien e. Os endedo es de uma no i-
dade digi al p oclamam que de e minado disposi i o, acessó io ou écnica ai da um
aumen o descomunal na e iciência da emp esa de algum lei o ou ou in e.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
8
3126
No en an o, essas decla ações não se azem acompanha de medições, indicações
ou a os de e iciência; há somen e um julgamen o subje i o ei o pelos decla an es.
Ademais, não se indica que espécie de e iciência, igno ando-se que há á ias. Logo,
e le indo-se sob e elas com calma, pe cebe-se que não êm con eúdo subs ancial.
Há uma endência de banalização da pala a, a e iciência-panaceia: chama -se de
e iciência o que que que se aça mais ou que se aça melho (e mesmo quando o que
se az es á o a dos âmbi os da p odução e da adminis ação). Em ez de um p o esso
que ensina bem ma emá ica ou de um ped ei o que em habilidade em seu o ício,
diz-se que um e ou o é e icien e.
Com equência, a solução pa a odo p oblema que seja um an o p á ico esume-se a
‘mais e iciência’. Analogamen e, a poção mágica que a á p ospe idade a uma economia
é o aumen o de p odu i idade. Mas eja-se como es e ipo de ecomendação comp o-
me e pouco, exempli icando com os se iços de saúde do Es ado. Pa a uns, signi ica
con a a mais en e mei os ou adqui i mais apa elhos de essonância magné ica; pa a
ou os signi ica eduzi pessoal e não gas a mais com equipamen os.
A e iciência-panaceia o nou-se uma o ma de enal ece pessoas, disposi i os ou
o ganizações, a qual i a p o ei o do p es ígio associado à cono ação écnica do ocá-
bulo. Mas se não osse ão o e a adesão ao cul o de uma linguagem pomposamen e
ecnicis a, ha e ia adje i os simples e mais p ecisos pa a emp ega . Po exemplo, a
sec e á ia e sido compe en e e de o ada a seu abalho.
1.1 De alo secundá io a linguagem des eg ada
No campo da ecnologia, Jenni e Alexande disse que o concei o de e iciência é
esco egadio e opôs-se à c ença de que deno e semp e algo bom (Alexande , 2008,
p. xi, 4). O p esen e ex o p ocu a mos a que suas asse ções se aplicam no campo
da economia (e, po ex ensão, da adminis ação). De a o, alguns au o es nes e
campo enca am com ese as o c i é io de e iciência e o al o alo que se a ibui
es e c i é io.
En es esses au o es es ão duas escolas de economis as – a ins i ucionalis a de
Douglass No h (que ecebeu um p êmio Nobel de economia em 1993) e a neoaus íaca,
p incipalmen e nas e en es de Ma io Rizzo e de Is ael Ki zne – bem como Da id
Colande (p o esso no Middlebu y College) e Ha old Demse z (a amado p o esso da
Uni e sidade da Cali o nia em Los Angeles).
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
15
3126
cons ui ins i uições e icien es (No h, 1990a, p. 7). Ele comp eendeu que as es e as
econômica e polí ica das sociedades exis em em um ambien e de in o mação impe -
ei a – incomple a e de ei uosa, além de que ob ení el somen e com cus os. Po is o
as ins i uições ine icien es podem pe sis i (No h, 1990a, p. 8, 11, 25, 96).
Mui os economis as ancam-se no âmbi o da economia neoclássica, igno ando
os aspec os de in o mação incomple a e de icien e, bem como os cus os de ansação.
Po is o, não cons oem uma comp eensão ab angen e das a i idades humanas de
coo denação e de coope ação. Em consequência, não são le ados a inco po a em sua
análise a impo ância das ins i uições (No h, 1990a, p. 11-12, 16).
Uma p oposição cen al da ob a de No h é que as ins i uições es u u am as in e-
ações humanas, se indo pa a eduzi a ince eza nas a i idades econômicas e pa a
diminui os cus os de ansação. No en an o, ao mesmo empo, No h essal a que
as ins i uições econômicas e os me cados em ge al são impe ei os e ine icien es
(No h, 1990a, p. 6, 108; 1990b, p. 191; 1994, p. 361).
Há pelo menos duas azões disso. P imei o, a ince eza e os cus os de ansação
podem se diminuídos em elação ao que e am, mas não desapa ecem comple amen e.
Segundo, as ins i uições econômicas e os me cados na ida eal es ão in e ligados
com ins i uições impe ei as (inclusi e com as ins i uições polí icas).
Exis em algumas a inidades in elec uais en e a co en e dos no os ins i uciona-
lis as e a co en e dos neoaus íacos. Elas se e le em em escasso en usiasmo (ou
mesmo pouca simpa ia) pela economia neoclássica – pa icula men e po sua écnica
de análise es á ica e pela u ilização da noção de equilíb io de me cados.
Alguns ópicos de in e esse comum das duas co en es são a p esença da ince eza
e da in o mação impe ei a no uncionamen o dos me cados; o espí i o ealizado dos
emp esá ios; os indi íduos se em mo idos po c enças e cos umes sociais (bem como
po pode social e polí ico) e não somen e po au o-in e esse; e ambém as ope ações
de me cado como um p ocesso que se desen ola no empo (mesmo que ainda não se
enha cons uído uma eo ia econômica dinâmica das in e ações ge ais dos me cados).
3 EFICIÊNCIA: UMA VISÃO CRÍTICA EM MAIS DETALHE
A impo ância que a e iciência em em economia es á o emen e ligada às idealiza-
ções eó icas da economia neoclássica. Uma ques ão me odológica é como abo da
os enômenos econômicos obse ados – ou aspec os dos enômenos econômicos

TEXTO pa a DISCUSSÃO
16
3126
obse ados – que a eo ia não con empla. Uma pa e dos a iccionados da economia
neoclássica in e p e am-na po meio de uma espécie de idealismo pla ônico me odoló-
gico. Nes e modo de in e p e a , aquilo que a eo ia enuncia é a ealidade; os enômenos
obse ados são uma ma e ialização impe ei a da ealidade. As impe eições de em
se igno adas pa a que se possa en ende a ealidade.
Toda ia, alguns admi ado es da economia neoclássica conside a am um e o essa
o ma de in e p e ação. Po isso, busca am no os concei os e ou as p oposições que
in e p e assem os aspec os dos enômenos eais que a eo ia não con emplou. Ha old
Demse z dedicou sua ca ei a a aciocina a espei o das noções de p op iedade legal
de a i os, compe ição, i ma e e iciência. P ocu ou mos a que a a ibuição de e iciência
ou de ine iciência a obje os eais não é ão simples como cos umam aze aqueles que
se apegam à le a da eo ia.
Con o me a seção 3.2 na a, F ied ich Hayek pa icipou de um deba e de g ande
en e gadu a. Te e nas ci cuns âncias uma expe iência de como a isão de um mundo
econômico e icien e us a a o en endimen o do ce ne do deba e. A pa i de en ão ele
iniciou uma caminhada de a as a -se des a isão. Es ende am es a caminhada alguns
de seus admi ado es que o ma am a escola neoaus íaca (Ki zne , 1973; Spada o,
1978; Boe ke, 1994; O’D iscoll e Rizzo, 1996).
No e-se, de passagem, que essa escola não de e se con undida com a ala
p ó-me cado no mo imen o sociopolí ico do ana quismo ilosó ico. Os memb os des a
ala são oponen es do Es ado em si (ou, pelo menos, p opagado es da consigna ‘Es ado
mínimo’); Hayek não e a e os neoaus íacos endem a não se . Em ez de essal a o
Es ado como con ap oducen e, os neoaus íacos con iam na con ibuição p odu i a
que podem da as ins i uições e os cos umes de me cado, bem como a capacidade de
inicia i a e a in en i idade de indi íduos e g upos emp eendedo es (O’D iscoll e Rizzo,
1996, p. 236; Ki zne , 1973, p. 70-71, 73).
3.1 Demse z e duas abo dagens
Segundo Ha old Demse z, abusa-se equen emen e da noção de e iciência. Is o oco e
po que se ado a uma abo dagem ‘Ni ana’ em deba es de polí icas públicas, em ez
de uma abo dagem de ins i uições compa adas. A p imei a abo dagem consis e em
ado a pad ões ou c i é ios ideais, com os quais se compa am as ins i uições eais.
Es es p o êm da eo ia idealizada do me cado em compe ição pe ei a (em que a
in o mação é g á is e pe ei a) e do ó imo de Pa e o.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
17
3126
A segunda abo dagem econhece que a ope ação de uma ins i uição eal depende
de inco e em cus o pa a e acesso a in o mações; ao mesmo empo, es as êm
con eúdo impe ei o. Além dis o, ex e nalidades, indi isibilidade e aquezas humanas
ambém são pa e da ida em uma economia eal. Po is o, as ins i uições eais são
impe ei as (Demse z, 1968, p. 148; 1969, p. 19-20). Po conseguin e, p opõe que se
açam compa ações de ins i uições eais com ou as ins i uições impe ei as, pa a que
se e i iquem quais delas sejam an o ac í eis como melho es.
Isso az com que, pa a se aplicado a en es eais, o concei o de e iciência assuma
con o nos complexos. Po exemplo, a a aliação que se az da e iciência de uma emp esa
depende de quais p odu os o a aliado econhece como sendo ou não p odu os dela.
Di o de modo ge al, a a aliação embu e um julgamen o sob e acei abilidade, legi imi-
dade ou ele ância de cada obje i o ou espécie de p odu o da o ganização.
Com equência um a aliado az seu juízo de e iciência c endo que os obje i os
são aqueles conhecidos ou aqueles p esumí eis como ób ios. No en an o, às ezes
as p óp ias decla ações o iciais sob e linhas de p odu o, os anúncios ou os enunciados
de missão es ão desa ualizados. Ou as ezes o am edigidos com a in enção de
p opaga ce a imagem no público mais do que de desc e e p ecisamen e um aspec o
da emp esa.
Uma pa cela de economis as em o mação de icien e em ida in e na de emp esas
e em negócios. Es a pa cela ende a p ejulga uma emp esa com base no enunciado
da eo ia. Assim, o a o de que uma emp esa não busca maximiza luc o demons a ia
que ela é ine icien e. Demse z nega que demons e. Con o me ensina, pa a a e i -se
co e amen e a e iciência de uma emp esa de e-se iden i ica os obje i os que ela de
a o busca alcança .
P o a elmen e ela em p odu os isí eis, que são aqueles que ende; no en an o,
além deles, pode e p odu os pouco ou nada isí eis, que são os ou os obje i os
que ela a inge pa a sa is aze os donos. Um p imei o diagnós ico de ine iciência pode
e apo a -se depois que o economis a comp eenda odas as ami icações do negócio
(Demse z, 1995, p. 69).
Na eo ia neoclássica da i ma, os donos, os di igen es e os ge en es não dão
qualque con ibuição especí ica ao uncionamen o da i ma. São simplesmen e
igno ados, an o no concei o da unção de p odução como no concei o da unção de
cus os. Todo o esul ado da p odução é a ibuído a a o es de p odução ma e iais e a
abalho dos emp egados. Po ém, a pa i do momen o em que se admi e a exis ência
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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de impe eições da in o mação, as au o idades o ganizacionais passam a e unções
p odu i as. O conhecimen o que eles êm e emp egam na i ma é di e en e daquele
que os emp egados azem (Demse z, 1995, p. 17).
Embo a Demse z não seja explíci o, conclui-se que a e iciência econômica da i ma
não depende somen e dos chamados a o es de p odução e dos p eços des es, como
pa ece se na eo ia. As habilidades de decisão e de ação dos donos, dos di igen es e
dos ge en es são impo an es. Elas e eles p ecisam e ‘compe ência’, algo que a eo ia
adicional não le a em con a. Pois escolhem as quan idades das á ias espécies de
bens ou se iços a o nece e o p ocesso de p odução a emp ega , planejam a es u u a
e a dinâmica o ganizacional, bem como ha monizam as elações en e os emp egados.
Po conseguin e, as p odu i idades de cada emp egado são de e minadas em
boa pa e po opções ei as e decisões omadas pelos adminis ado es, bem como
pelas in e ações en e odos os memb os da comunidade in a i ma. Is o “ o na di ícil
ou mesmo impossí el, isola as con ibuições” de cada um ao desempenho da i ma
(Demse z, 1995, p. 17-18, 68-69). Demse z não chega a dize , mas é ób io que is o
explica o seguin e a o: na g ande maio ia das emp esas dos mais di e sos se o es
econômicos não se calculam p odu i idades ma ginais pa a es abelece emune ação
dos emp egados.
Além disso, Ha old Demse z es e e semp e a en o à dimensão de ecomendação
alo a i a-no ma i a com que se alude a e iciência. Segundo diz, não az pa e do
con eúdo da análise econômica o juízo de alo de que e iciência é algo bom (no sen ido
de ecomendá-la à sociedade, a qualque ag upamen o social ou a qualque indi íduo).
Es e juízo (ou o juízo opos o, de que é algo uim) az pa e de um esquema de alo es
que es á logicamen e o a da economia posi i a (Demse z, 1981, p. 3).
3.1.1 O caso da i ma amilia
Demse z b andiu ou o exemplo ins u i o, o caso da i ma de um só dono. Es endendo
o exemplo de Demse z, é mais in e essan e pensa em uma i ma amilia em uma
cidade do in e io . Fica mais ácil en ende como o luc o pode não se o obje i o único
de uma o ganização come cial ou p odu i a. Tal ez nem seja o p incipal, sal o que é
impo an e e luc o pa a a i ma subsis i e pa a acili a a ob enção de inanciamen o.
Suponha-se que ou o obje i o, ão ou mais impo an e, é da supo e ao p og esso
econômico da amília e da pa en ela. Boa pa e dos jo ens em seu p imei o emp ego
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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e ecebe einamen o na i ma. Is o acili a que, empos depois, deixem a i ma da
amília e consigam se emp ega em ou as i mas da cidade ou de cidades izinhas.
De modo semelhan e, boa pa e da di e o ia e dos ge en es é compos a de adul os da
amília, alguns dos quais e en ualmen e en egam seus ca gos pa a ocupa posições
semelhan es em ou as emp esas.
Além disso, a i ma amilia dá pode social à amília, pois em peso signi i-
ca i o na economia e no ní el de emp ego da localidade. Pa a is o, em in luência
po que espalha alguns de seus memb os em pos os de che ia em ou os negócios
da egião. Ob iamen e, a i ma não maximiza luc os; aliás, em luc a i idade média
mais baixa do que ou as emp esas compa á eis. A ques ão in e essan e le an ada
po Demse z se ia se a dona é uma pessoa de negócios compe en e; ou, analogamen e,
se a i ma é e icien e.
3.1.2 P odu os não endidos, mas u ilizados
Alguns analis as di iam que não. Aliás, as i mas amilia es endem a se julgadas assim.
Po ém, es a a aliação nega i a esul a de conside a que o obje i o de uma i ma é ou
de e se exclusi amen e luc a . Is o con as a com a ealidade, pois em g ande pa e
as i mas endem a se amilia es ou indi iduais (mui as ezes sendo o meio de ida
do dono ou dona). Es a a aliação condena ia como ine icien es um núme o imenso
das i mas que mui as economias de países êm ou i e am.
Ademais, não cabe à eo ia econômica posi i a di a o que indi íduos ou amílias
de em aze com seus pa imônios e com suas habilidades. É mais azoá el consi-
de a a a aliação de ine icien e como inco e a, pois igno a que a i ma do exemplo
em ês obje i os (incluindo pode social na localidade); eles bem podem es a sendo
alcançados sa is a o iamen e. Na linguagem econômica mais es i a, pode-se dize
que a i ma em ês espécies de p odu os, duas das quais são de p odu os u ilizados
pela p óp ia amília da dona (p og esso econômico da amília e pode social). A ou a
espécie é endida (Demse z, 1995, p. 69-70).
Caso os lei o es conside em azoá el o compo amen o de uma i ma amilia
como ilus ado, pode-se e a seguin e ese como ambém azoá el: busca maximiza
luc os não é a única manei a de e incen i o pa a se e icien e e pa a man e baixos
os cus os. Assim como mães e pais de amília economizam ecu sos pa a pode em
banca a saúde e as escolas dos ilhos, os donos de uma emp esa amilia podem
e incen i o pa a p oduzi com e iciência écnica e econômica p ecisamen e pa a e
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condições de da emp ego, einamen o e capaci ação ge encial a pa e dos memb os
da amília, bem como pa a ob e p es ígio e pode na localidade.
Quando se pensa em i ma amilia , em a men e um es e eó ipo: os emp egados
que são memb os da amília não abalham. É uma possibilidade, sem dú ida. Mas
i mas assim du a iam sem dissipa o pa imônio da amília? Que e iam os che es da
amília que os ou os memb os dissipassem es e pa imônio? Fi mas assim e iam
conseguido o ma pa cela ponde á el de economias dos países a ançados no
século XIX e na p imei a me ade do século XX?
Pa ece azoá el conjec u a que, em mui as delas, os memb os da amília aba-
lha am se iamen e. Tal ez a é ossem mão de ob a mais ba a a, mais es o çada e mais
con iá el, p ecisamen e po se em ilhos, sob inhos ou i mãos dos di igen es-donos.
Conside ado o espí i o da época, al ez nes a espécie de i mas hou esse o ambien e
social adequado em que se con iasse abalho às mulhe es. E que o luc o, embo a não
sendo buscado ao máximo, osse mui o ap eciado – pa a p ese a a o una da amília
e a sob e i ência da i ma.
3.1.3 Ine iciência acional
Pe e Boge o em publicado bas an e sob e a e ição de e iciência e de p odu i idade.
Em uma de suas pesquisas, ambém enunciou um apa en e pa adoxo. Depois de
algum empo de expe iência, chegou à conclusão que ine iciência pode se acional
(Boge o e Hougaa d, 2001, p. 2, 4). Nis o ele se e e e à e iciência medida ou obse ada
e julgada pelo obse ado .
Con o me ele explica, o que pa ece se despe dício mui as ezes são ecu sos
usados pa a ob e alguns “p odu os que não são con abilizados” (Boge o e Hougaa d,
2001, p. 5-6). Um dos exemplos é como se segue. O que se mede como ine iciência mui as
ezes é emune ação indi e a ( ecompensa in ao ganizacional complemen a ) que
uma o ganização dá a emp egados, a ge en es, a sócios ou a e cei os. Em pa icula ,
pode se uma o ma do chamado ‘salá io-e iciência’ (Boge o e Hougaa d, 2001, p. 2-3).
O salá io-e iciência consis e em paga salá io mais al o do que o azem pelo menos
algumas i mas compe ido as. O p opósi o é desincen i a no emp egado en ações
de muda de emp ego; é le a o emp egado a apega -se à i ma a ual, ica g a o po
se bem a ado pela i ma e dedica -se com mais a inco. Mas o nome é enganado ; os
ge en es em ge al não medem de a o a e iciência do emp egado.

TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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Boge o admi e que a supos a ine iciência acional apenas mani es a um p oblema
de medição de e iciência. Ou seja, e ela uma dimensão da di iculdade de medi -se ou
mesmo de obse a -se e iciência. E ele pa ece não conhece a con ibuição de Demse z;
do con á io di ia que os ecu sos apa en emen e despe diçados mui as ezes se em
a algumas inalidades da o ganização. De a o, não há ine iciência acional; há medição
alha, le ando a cons a ação e ônea de ine iciência.
A di iculdade de medi ad ém de que o analis a não pe cebe ou não em condições
de sabe quais são odos os obje i os ele an es pa a a o ganização. Julga as
inalidades o ganizacionais somen e pelo nome da o ganização ou pela ên ase em
alguns es a u os ou em discu sos dos di igen es (que quase semp e êm uma pla eia
especí ica como al o).
O economis a que in es iga empi icamen e a e iciência não em in imidade com
a emp esa e não conhece a ida in e na des a. Logo, não pode sabe os obje i os
especí icos que são almejados com a u ilização des e ou daquele insumo. Po exemplo,
simplesmen e supõe que as es a ís icas de ho as abalhadas po a aliado es de
c édi o ( uncioná ios de um banco) de a o medem ho as despendidas com a aliação
de c édi o. Mas is o pode não oco e (e com pleno conhecimen o pelas au o idades
do banco).
3.2 Escola neoaus íaca: ebaixamen o da e iciência
No con ex o, ebaixa é essal a a pouca impo ância da e iciência em compa ação com
o que se az nas usuais e e ências a ela. P opo al coisa p o a elmen e é pa adoxal
pa a mui os lei o es, sob e udo economis as. Po is o, é con enien e expo sucin amen e
como su giu a escola econômica neoaus íaca e po que pa e de seus memb os eio a
pensa dessa manei a. Fei o is o, ica á mais ácil aos lei o es comp eende a p opos a e
pe cebe sua azoabilidade – ainda que possi elmen e hesi ando em conco da com ela.
Os economis as e pensado es aus íacos Ludwig on Mises e F ied ich Hayek
o ma am e in luencia am ge ações de discípulos e seguido es. Os úl imos compõem
a ‘escola neoaus íaca’, ambém conhecida como ‘aus íaca’. O p e ixo é ú il, pois
g ande pa e dos memb os não nasceu nem eside na Áus ia; nem oi aluno de
Mises ou de Hayek. Em comum com mui os economis as de o mação adicional, os
neoaus íacos enal ecem o egime de economia de me cado, o sis ema econômico
dos países capi alis as.
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No en an o, os neoaus íacos chamam a enção com equência e com ên ase
pa a ce as limi ações e de iciências da eo ia econômica neoclássica. Cabe escla ece
aos leigos: es a escola e e seu começo nos anos 1870, quase cem anos depois
da ob a magna de Adam Smi h. A dispa idade concei ual com elação a es a ob a é
imensa, assim como di e em as ealidades econômicas que Smi h e os neoclássicos
i encia am. E há uma di e ença undamen al de mé odo de c iação. Smi h inspi ou-se
em pequenas áb icas (de al ine es, po exemplo), em padei os, em açouguei os e em
ce ejei os; os neoclássicos inspi a em-se em amos da ma emá ica como o cálculo
di e encial e in eg al. Ou seja, os incen i os in elec uais das duas épocas ambém
e am dis in os.
As ideias da escola neoaus íaca ca egam ma cas de uma e apa impo an e de sua
his ó ia especí ica, um p olongado deba e que hou e na p imei a me ade do século XX.
T a a a do ema que icou conhecido como o p oblema do cálculo econômico acional
em uma economia socialis a. Es e inha a e com o cálculo econômico necessá io pa a
aze com que o cus o não supe asse a ecei a em emp esas ou ó gãos es a ais sob
planejamen o cen al. Em pa icula , inha a e com a disponibilidade de in o mações
a se em u ilizadas nes e cálculo.
3.2.1 O p oblema do cálculo econômico acional
Nos anos 1920, um a igo e um li o de Ludwig on Mises sob e o ema a aí am g ande
a enção en e os economis as. De a o, os ex os e e iam-se a uma espécie de eco-
nomia socialis a, uma ez que o mo imen o socialis a semp e se di idiu em co en es
di e en es sob e as ca ac e ís icas da sociedade almejada po seus memb os. Na
espécie de economia examinada po Mises não exis e p op iedade p i ada dos bens de
capi al (‘meios de p odução’, no léxico da li e a u a sob e socialismo). Po conseguin e,
ambém não exis em me cados de bens de capi al nem p eços de me cado desses bens.
Em sua análise, Mises p ocu ou mos a que o cálculo econômico acional nessa
economia se ia impossí el, pois al a iam in o mações dos p eços dos bens de capi al.
Sua conclusão oi de que o uncionamen o de uma economia socialis a dessa espécie
oco e ia com g ande despe dício de ecu sos. Conside e-se ambém que, de aco do
com mui os socialis as, uma sociedade socialis a almeja ia e menos despe dício do
que alegadamen e ha ia no capi alismo; en ão se pode ia chega à conclusão adicional
de que se ia impossí el uma economia socialis a (da espécie examinada po Mises)
unciona a con en o.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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Con o me o aciocínio de Mises, a esponsabilidade pela p op iedade pública dos
bens de capi al cabe ia a uma comissão cen al de planejamen o. As emp esas de e iam
adqui i ou aluga esses bens, inco endo nos cus os de aquisição ou de a endamen o.
Ob iamen e uma opção se ia a comissão o nece g á is ais bens às emp esas; mas
is o não ex ingui ia os cus os dos bens de capi al pa a a sociedade como um odo.
De qualque modo, cabe ia à comissão ica conhecendo os cus os e os aluguéis dos
bens de capi al. No en an o não e ia in o mações econômicas impo an es pa a al
es imação. Sem me cados não se ia possí el sabe o alo econômico desses bens.
Tal ez a comissão pudesse es imá-los po c i é ios ou os que não as bases eco-
nômicas. Po ém, os cus os assim es abelecidos es a iam acima ou abaixo de seus
alo es econômicos eais e desconhecidos, de modo que a economia unciona ia com
despe dício de bens de capi al. Is o esul a ia ambém em p eços e ôneos pa a os
demais bens e se iços, pois a o mação de p eços quase semp e p ecisa ia inclui
os cus os dos bens de capi al. O despe dício p o a elmen e se ia g ande, pois ende ia
a oco e em odas as emp esas e em odos os segmen os da economia.
3.2.2 A espos a a Mises
Alguns economis as p opuse am soluções pa a a di iculdade expos a po Mises. Uma
das mais conhecidas oi o mulada po F ed M. Taylo e Oska Lange. A solução deles,
que se pode chama ‘solução compe i i a’, consis e em p opo que a comissão cen al
de planejamen o aplique o conhecimen o da eo ia econômica neoclássica. Ao aplicá-la,
a comissão cen al de planejamen o pode ia aze a economia socialis a imi a o
compo amen o dos me cados de uma economia capi alis a.
Con ém ago a aze uma dig essão. Na época, o pano ama eó ico que os
economis as inham de uma economia capi alis a como um odo e a dado pela eo ia
do equilíb io ge al dos me cados, exp essa po um sis ema de equações algéb icas
(o sis ema wal asiano). Léon Wal as expôs sua eo ia em 1874 em seu li o Elemen os
de economia polí ica pu a (Elémen s d’économie poli ique pu e). William Ja é ez uma
impo an e adução pa a o inglês da edição de ini i a de 1926, bem como incluiu mui os
comen á ios ins u i os (Wal as, 1926).
A p incipal lição des a eo ia é que, di e a ou indi e amen e, odos os me cados e
odas as i mas es ão conec adas en e si a a és dos p eços que ecebem em endas
e dos p eços que pagam em comp as. Inspi ados na ob a-p ima de Wal as, os eco-
nomis as do século XX dissemina am a exp essão ‘sis ema de p eços’ – u ilizando-a
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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quase como sinônima de ‘economia de me cado’ ou ‘economia de li e inicia i a’ ou
‘economia capi alis a’.
Em deco ência dessa inspi ação, espalhou-se ambém a noção de que os p eços
são o eículo de in o mação que os me cados êm sob e si mesmos, bem como sob e
cada componen e e cada pa cela da economia. Na isão wal asiana da economia,
somen e p eços (suas espec i as magni udes, bem como di e enças en e p eços de
bens dis in os, além de aumen os e eduções de p eços) o ien am i mas, consumido es
e me cados a espei o de o que aze ou não.
Na época de Wal as não ha ia manei a p á ica de esol e nume icamen e o
sis ema wal asiano, caso se pudesse cole a odos os dados necessá ios. Nem seque
ha ia compu ado es de g ande po e (seus p o ó ipos su gi am nos anos 1940).
O p óp io Wal as não ez menção à possibilidade de uma exp essão numé ica de seu
sis ema de equações. Ele disse que seu sis ema é uma solução eó ica ou cien í ica de
um p oblema que a economia de me cado esol e na expe iência eal (Wal as, 1926,
p. 169-170). Assim, ele di ulgou a imagem que, con o me se desc e eu pos e io men e,
mos a a economia (ou os me cados) como um imenso compu ado .
Wal as mani es ou em seu li o azoá el conhecimen o de me odologia da
ciência. Assim, não come eu ce a alha equen e no inician e. Ou seja, o inician e az
in e p e ação li e al de odos os i ens de uma eo ia, omando-a como uma desc ição
p ecisa dos aspec os mencionados da ealidade. Po ém, e i ando en usiasmo ima u o
pela p óp ia eo ia, Wal as pensa a que os me cados na ida eal so em comumen e
pe u bações que os põem o a de equilíb io.
Ele não inha um modelo ou eo ia de como os me cados ecupe am o equilíb io.
Po ém, p ocu ou da uma explicação não eó ica de como is o acon ece, azendo ana-
logia com os me cados o ganizados das bolsas de me cado es, de ações e de câmbio.
Assim, asse e ou que a ol a a um equilíb io oco e em um p ocesso de ajus es po meio
de en a i as e e os (pos e io men e chamado a onnemen ou g oping). Os me cados
em que há excesso de demanda ele am p eços e baixam quan idades p oduzidas ou
o necidas; aqueles em que há demanda insu icien e baixam p eços e ele am quan i-
dades (Wal as, 1926, p. 169-172, 242, 520, 528).
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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pa a o p oblema do cálculo econômico socialis a. Em con apa ida, as limi ações da
eo ia econômica adicional le a am Hayek a concebe e emp ega a gumen os no os.
O p incipal deles diz espei o à impo ância pa a uma economia de me cado de
in o mações de de alhes locais e pa icula es, as quais es ão dispe sas em uma
sociedade. Um p ocesso undamen al da economia de me cado é de u ilização de
in o mações (logo, que ambém é de mobilização delas e de comunicação). Em uma
economia eal não exis e in o mação comple a nem pe ei a.
Pelo con á io, a igno ância do que é economicamen e ele an e supe a imensa-
men e o que cada agen e econômico sabe. E es a espécie de igno ância é que ab e
opo unidades pa a exis ência da pessoa emp eendedo a, a qual ins ala no os negócios
ou modi ica negócios já exis en es, c ia no as linhas de p odu os e no as manei as de
p oduzi ou de o nece ou de ge i .
Po exemplo: oda semana (se não odo dia) um especialis a no me cado inancei o
ou e ou lê um p onunciamen o de uma au o idade ou pe sonalidade da á ea econômica
ou inancei a; imedia amen e chega a uma conclusão sob e p eço, co e e comp a ou
ende algum í ulo inancei o. Um leigo, sen ado em pol ona semelhan e, apenas acha
in e essan e o que ou iu ou leu.
As equações p incipais da eo ia econômica são odas de e minís icas. Como
p emissas auxilia es, os economis as a ualmen e ac escen am uma pi ada de i egula i-
dade, chamada de choques de o e a ou de demanda. Mas a eo ização de li o- ex o já
pa e da sua oco ência, não possuindo desc ição de mecanismos que ge a iam esses
choques. Os choques são simplesmen e uma o ma de so e ou aza , em analogia a
algo que cai do céu sem explicação – como as i i ações de Zeus ou de Júpi e nos
mi os da an iguidade.
Quase odos os mecanismos econômicos p op iamen e di os são is os como
de e minís icos. A o a os choques, nas aplicações da eo ia de e minís ica os econo-
mis as o çam-na a con i e com a alea o iedade impo ada da es a ís ica. Mas não
oco e p op iamen e in eg ação de i egula idades com mecanismos es i amen e
econômicos. Di o de ou o modo, não há undamen os mic oeconômicos de i egula-
idade e de alea o iedade nos enômenos econômicos.
Ao acen ua a impo ância da in o mação pa a o uncionamen o dos me cados,
Hayek passou a ebaixa a impo ância de ce a classe de asse ções da eo ia econô-
mica adicional; no caso, as asse ções cujo eo depende di e amen e do p essupos o

TEXTO pa a DISCUSSÃO
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simpli icado de que há conhecimen o pe ei o ou do p essupos o de que um me cado
passa mui o apidamen e de um equilíb io pa a ou o, podendo-se igno a o que oco e
no in e alo de empo.
3.2.8 A escola neoaus íaca
A pa i dessa con ibuição de Hayek nasceu oda uma escola de economis as (a escola
neoaus íaca ou, pelo menos, uma ala impo an e des a) que es ende o p og ama de
pesquisa dele. Em suas análises esses neoaus íacos epudiam a ên ase nas seguin es
noções: in o mação pe ei a; p e isões que não alham; compe ição pe ei a; equilíb io
de me cado; condições de equilíb io; me cados inancei os in o macionalmen e e icien es.
Ac edi am que os p eços de me cado e le em ou comunicam somen e pa cela da
in o mação ele an e ou necessá ia pa a os pa icipan es de um me cado.
Dizem que decisões, ações e eações na ida eal le am empo, pois causas e
e ei os es ão sepa ados po in e alo de empo. Faz-se necessá ia uma eo ia dinâmica
pa a explica como uma i ma e um me cado uncionam enquan o á ios aspec os dela
ou dele se modi icam. Em con as e, a eo ia neoclássica é es á ica. Os neoaus íacos
ambém dizem que indi íduos e i mas come em habi ualmen e e os pequenos ou
g andes. Pa a en ende o uncionamen o de um me cado, é p eciso admi i a oco ência
de e os e suas consequências.
A eo ia neoclássica não compo a uma desc ição do papel ca ac e ís ico do
emp esá io e, po isso, a amen e os li os de mic oeconomia azem alguma asse -
ção sob e suas a i idades. De a o, a eo ia pode inco po a com acilidade dois
papéis, um de ge en e e ou o de capi alis a – mas de manei a que não alo iza a
habilidade emp eendedo a.
Pois o ge en e pode se a ado como uma ca ego ia de mão de ob a quali icada,
ecebendo uma axa sala ial po pe íodo de abalho. No que conce ne ao capi alis a, o
capi al que empa ou na emp esa pode se a ado como um bem de capi al que ecebe
um aluguel po pe íodo de empo ou como capi al inancei o aplicado em um í ulo no
me cado de capi ais. Is o não eque do emp esá io habilidade pa a lida com ince eza
do negócio de sua p óp ia emp esa.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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3.2.9 Ace os, alhas e e os
Os li os de mic oeconomia não cos umam expo uma eo ia de luc o – is o é, luc o
que des ie daquele que esul a ia de uma axa de e o no no mal ( axa p e alecen e em
média na economia com um odo). A azão é simples. Luc o em a e com aje ó ias de
mudanças econômicas, ince eza, isco, emp eendedo ismo, ino ação e pode mono-
polís ico. Mas a eo ia mic oeconômica, sob e udo po se de e minís ica e es á ica,
não con ém concei os nem p oposições capazes de abo da es es ópicos.
Po conseguin e, mui as ezes há somen e menções b e es e supe iciais a esses
ópicos nos capí ulos sob e as es u u as de me cado e sob e a eo ia do equilíb io
ge al. Em ez dis o, os neoaus íacos en a izam conhecimen o incomple o e in o mação
impe ei a; ince eza; p e isões que ace am e que alham; e os de decisão, de ges ão,
de p odução e ou os; p ocesso de me cado; i alidade em me cado e compe ição
impe ei a; he e ogeneidade de p odu os; lançamen o de no idades que endem bem
e ou as que acassam; a passagem de empo.
O p óp io Léon Wal as an ecipou-se aos neoaus íacos em alguns ópicos.
Po exemplo, a seu juízo, o es ado de equilíb io é uma idealização da eo ia, oco endo
a amen e no mundo eal (Wal as, 1926, p. 224). Reconheceu que a eo ia do equilíb io
ge al abs ai da exis ência de indi íduos emp eendedo es (Wal as, 1926, p. 225, 438-439).
Reconheceu ambém a azão dis o: no es ado de equilíb io de um me cado de
compe ição pe ei a, o emp eendedo não em luc o acima do no mal nem p ejuízo
(Wal as, 1926, p. 225, 526).
3.2.10 A enção às dimensões pessoal e subje i a
Os memb os da escola neoaus íaca êm uma cosmo isão subje i is a. Vis a mode-
adamen e, es e subje i ismo pode se in e p e ado como uma manei a de obse a e
de conside a os indi íduos en ol idos em uma a i idade ou a uando den o de uma
o ganização. Es a manei a consis e no seguin e p ecei o de mé odo: p es e a enção
aos aspec os pessoais-indi iduais e à dimensão subje i a desses indi íduos.
Em pa icula , aqueles de in e esse pa a a análise econômica da escola neoaus íaca:
iden i ique a exis ência de di e enças de conhecimen o e de in o mações; consequen e-
men e, di e enças de expec a i as e de p e isões, di e enças de opo unidades emp e-
sa iais e de habilidades pa a emp eendimen os. Po conseguin e, se uma a i idade é
ine icien e ou não depende da espécie e da ex ensão de in o mações de que o execu o
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dispõe. Is o se o a e ido da a i idade ou da ação o o p óp io execu o ou alguém
ligado a ele de manei a p óxima.
Em con as e, indi íduos de o a podem e in o mações de ou a espécie e de ou a
ex ensão; em consequência, pode se que a aliem a a i idade ou a ação de manei a
di e en e. Uma a aliação de e iciência é ela i a ao a aliado . Di e enças en e a alia-
do es dependem de di e enças na in o mação que um e ou o êm, a qual inclui juízos
pessoais-indi iduais, bem como subje i os. Dependem de pe cepção e de in uição
pa a os e en os de me cado, as quais umas pessoas êm-nas mais bem desen ol idas
que ou as.
Em qualque dia, o mundo econômico es á cheio de a i idades ine icien es (Ki zne ,
1978, p. 73-74). Po exemplo, ausência de coo denação en e a i idades é uma espécie
de ine iciência. Sucede que, po causa do conhecimen o impe ei o – po al a de in o -
mação de alguma das pa es sob e a ou a – pode não ha e in e câmbio p o ei oso
en e elas. Is o é ausência de coo denação e, po an o, si uação de ine iciência. Há
mui as dessas si uações, de an agens mú uas não explo adas, ão comuns quan o
é de icien e, impe ei a ou inexis en e a in o mação ele an e (Ki zne , 1973, p. 216).
3.2.11 Emp eendedo ismo
A capacidade humana de no a o que es á acon ecendo, bem como de p essen i o que
p o a elmen e acon ece á, é al amen e limi ada (Ki zne , 1973, p. 216). Po conseguin e,
êm g ande impo ância pa a a economia os indi íduos que são emp eendedo es. Eles
p es am a enção e no am aquilo que os execu o es das a i idades não pe cebem.
Po exemplo, mui as ezes a exis ência de disc epâncias de p eços mani es a
si uações de ine iciência; emp esá ios genuínos no am e explo am ais disc epâncias
(Ki zne , 1973, p. 27).
Na ausência de conhecimen o pe ei o, os agen es econômicos come em e os.
Ha e a i idades ine icien es co esponde a ha e alhas que podem se co igidas.
Po an o, co esponde a ha e opo unidades de ape eiçoamen o – as quais, se
ap o ei adas, pode ão ge a ecompensas na o ma de ac éscimos de ganhos. Os
emp eendedo es, que são mais pe cep i os a is o do que as pessoas comuns, no am
esses e os e con e em pelo menos alguns em opo unidades de ganhos mú uos
(Ki zne , 1973, p. 78).
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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É equen e que economis as enunciem diagnós icos de e iciência e ine iciência,
mas azem-no sob uma pe spec i a de onisciência – a ó ica da exis ência de in o mação
pe ei a. Po ém, a igo , economis as não sabem se uma alocação de ecu sos na ida
eal é ine icien e. A não se que eles sejam emp esá ios e demons em a descobe a da
ine iciência, ap o ei ando essa alocação como uma opo unidade de ganhos mú uos
en e as pa es en ol idas. Po is o, é mais sensa o pa a mui os economis as con e -se
e e i a aze julgamen os de e iciência (Ki zne , 1973, p. 235-236).
Po an o, uma economia de me cado eal es á cheia de opo unidades de emp een-
dedo ismo e de luc os (acima daquele que é o luc o no mal ob ido pelas emp esas
em seu dia a dia). Vê quem em pe cepção, age quem em co agem, ap o ei a quem
em habilidade. Há me cados enquan o hou e i mas e comp ado es. Mas cada i ma
p ecisa de pessoas que saibam concebê-la, ins alá-la e conse á-la uncionando – a
despei o das c ises de odo ipo.
A pujança de uma economia de me cado não é p edes inada pelas equações e
unções ma emá icas da economia neoclássica nem pelas ins i uições de me cado.
Nem mesmo bas a ha e p op iedade p i ada (po exemplo, os senho es eudais
eu opeus a inham). Não é su icien e ha e libe dade pa a luc a , ansia po luc o e
que e en iquece – pois nem iden i ica opo unidades luc a i as é ácil nem qualque
um sabe como ap o ei á-las. Toma inicia i as e aze negócios é o que c ia e nu e um
ambien e de negócios.
3.2.12 Ki zne sob e alhas e opo unidades
Is ael Ki zne deu uma con ibuição subs ancial à dou ina neoaus íaca sob e o emp e-
sá io. No mundo idealizado da eo ia econômica adicional, as i mas não come em
alhas, pois êm acesso g á is a in o mação pe ei a. Em oposição a is o, Ki zne
inspi ou-se em uma asse i a de Mises, de que come e e os é uma aqueza humana
bas an e disseminada (Ki zne , 1978, p. 58). A asse i a al ez seja i ial pa a os leigos;
po ém, é igno ada pelos economis as mais a e ados à economia neoclássica.
Pa a eles, Ki zne exp essa pa adoxos. Segundo es e neoaus íaco, os agen es
econômicos come em alhas, mui as das quais se e le em em ine iciência. Na ausência
de in o mação pe ei a, mui as i mas ope am de manei a ine icien e. A ealidade é
ex ensamen e ine icien e. A isão de um mundo al que não há alhas nele é insa is a-
ó ia. De aco do com ela, não há o que ape eiçoa ou melho a nes e ipo de mundo.
Po an o, não há um âmbi o de opo unidades pa a indi íduos emp eendedo es (Ki zne ,
1978, p. 71, 73-74).
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Con o me Ki zne , a capacidade de alguns de come e alhas é o lado e e so da
capacidade que ou os êm de descob i opo unidades. O indi íduo emp eendedo
enxe ga opo unidades que a maio ia dos ou os indi íduos deixa ia passa (Ki zne ,
1978, p. 70-71, 73). Não é imedia amen e que su ge um indi íduo emp eendedo , pois
eles são compa a i amen e a os. Logo, le a empo a é que alguma alha egula men e
come ida po algum pa icipan e de me cado seja no ada. Po conseguin e, exis em
si uações de ine iciência na economia de me cado e elas são du á eis.
Em suma, na isão neoaus íaca dos me cados – pelo menos con o me os eco-
nomis as que aciocinam como Ki zne – comumen e exis em emp esas p i adas
e negócios ine icien es. En emen es, a ine iciência em um lado p omisso , ou pelo
menos consolado , em que o nece opo unidades pa a indi íduos emp eendedo es
ealiza melho ias na economia.
3.2.13 T anspondo a e iciência: Roy Co da o
Uma pa cela dos economis as da escola neoaus íaca ejei a o concei o de e iciência,
sob e udo em seu emp ego como guia no ma i o. Re li a-se sob e as conside ações de
Roy Co da o, um bom ep esen an e des a pa cela. Quando emp egada como c i é io
pa a a alia uma economia, uma medida de e iciência não le a em con a o enômeno
da mudança (dinamismo e ans o mações), além de que embu e uma hie a quia única
de obje i os econômicos (Co da o, 1994, p. 131).
Em con as e, no en ende dessa escola, uma das ca ac e ís icas mais impo -
an es da economia de me cado é o dinamismo e a p ospe idade; não a e iciência.
Ou a delas é a di e sidade de espécies de negócios, capaz de sa is aze uma mul i-
plicidade de obje i os econômicos di e en es almejados po pessoas di e en es – os
quais são incompa á eis pelo a o de en ol e em (e esul a em de) opções pessoais
e subje i as. Sendo incompa á eis, não podem se ag egados de manei a obje i a e
jus i icá el publicamen e.
A economia neoclássica exage a a ele ância de a ingi um ó imo de Pa e o, ou um
p odu o ag egado mais al o possí el, ou uma axa ele ada de c escimen o do p odu o
ag egado, ou a iqueza o al mais al a possí el, ou emp ega os ecu sos nos usos de
alo econômico mais al o pa a a sociedade. Es es obje i os ab angen es, de endidos
po economis as de o mação neoclássica, medem-se po meio de ag egados econômi-
cos – cuja cons ução embu e uma escolha a bi á ia e pouco discu ida de compa ação
in e pessoal (e in e g upos sociais).

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A análise es á ica em economia supõe que se enha disponí el oda a in o mação
que seja ele an e pa a alcança e iciência, o que equi ale a esol e o p oblema po
meio de uma suposição. O qual só se esol e e e i amen e des a manei a no mundo
idealizado dos modelos eó icos. Toda ia, na ida eal a disponibilidade de in o mações
é incomple a e o conhecimen o exis en e é impe ei o. Po conseguin e, ha e ine iciên-
cia é um a o da ida (Co da o, 1994, p. 135). Logo, é comum que economias eais de
me cado, me cados eais e emp esas eais não sejam e icien es.
3.2.14 T anspondo a e iciência: Wol gang Kaspe e Man ed E. S ei
Kaspe e S ei ambém demons am insa is ação com o concei o de e iciência,
azendo-o nos seguin es e mos. Uma medida global de e iciência econômica de uma
emp esa compa a a azão en e uma combinação das espécies de p odu os e
uma combinação das espécies de insumos. Cada azão é uma média ponde ada das
di e sas quan idades ( espec i amen e, de p odu os e de insumos), onde os pesos são
alo es econômicos (a ibuídos a cada espécie de p odu o e de insumo). Na p á ica,
esses alo es são p eços ela i os ou gas os ela i os de algum pe íodo de empo.
Con udo, na ida eal, a economia é mu á el e complexa (como en a izam os econo-
mis as neoaus íacos). P eços se modi icam com o passa do empo, além de pode em
se di e gen es en e localidades e a é en e i mas de uma mesma localidade. Logo,
há inúme as manei as de medi a e iciência econômica de uma a i idade p odu i a,
pois di e en es obse ado es podem cons a a a exis ência de di e en es conjun os de
p eços que azoa elmen e pode iam a alia uma dada a i idade p odu i a.
Na economia eal, e iciência econômica é ela i a aos p eços de um empo espe-
cí ico e de um local pa icula . Além disso, uma analis a pode alega azoa elmen e
que ce o p eço não e le e de a o o alo econômico do bem sob ce a pe spec i a
(alegação bas an e equen e em análises de cus o-bene ício).
Po conseguin e, dize simplesmen e que ce a a i idade ou ce a o ganização é
ine icien e (ou é menos e icien e que ou a) é uma asse ção quase sem con eúdo; is o
é, pouco ou nada in o ma a qualque ou in e ou lei o (Kaspe e S ei , 1998, p. 57).
Ela só em impo ância pa a a pessoa que conco da com a elação de alo es (p eços
ela i os) emp egada no cálculo dessa e iciência.
Di o de ou o modo, há cen enas de manei as di e en es de compu a a e iciência
de ce a a i idade ou de ce a o ganização su icien emen e complexa (que a enda a
á ios p opósi os). Nenhuma é ine en emen e a medida co e a.
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O p oblema de medi e iciência o na-se ainda mais in incado quando en ol e
p odu os (comumen e se iços) ou insumos pa a os quais não exis em medidas únicas
de quan idades. É uma decla ação in ei amen e a bi á ia dize que a p o isão de segu-
ança pública em ce o e i ó io es adual do país é mais e icien e que em ou o e i ó io
(Kaspe e S ei , 1998, p. 57). São igualmen e a bi á ias ce as decla ações semelhan es
sob e di e sos se iços públicos ípicos. ‘A bi á io’ no con ex o signi ica me a ques ão
de p e e ência ou de sen imen o ela i o a ce as a i idades ou o ganizações; signi ica
que não em uma pu a base écnica, inclusi e base econômica.
4 ESBOÇO DE HISTÓRIA DO VOCÁBULO ‘EFICIÊNCIA’
4.1 O igem da concepção mode na de e iciência
A his ó ia dos ocábulos ‘e iciência’ e seus cogna os é um an o ince a. O que se segue
é um esboço, ei o com base em agmen os de in o mações p esen es na li e a u a
de engenha ia e de economia. A é ap oximadamen e o início do século XIX o p incipal
emp ego do adje i o ‘e icien e’ oco eu em deba es sob e causalidade. Na an iguidade
A is ó eles ize a a dis inção en e qua o espécies de causas, uma das quais e a a
‘causa e icien e’ (Kaplan, 1977, p. 255).
A locução ‘causa e icien e’ habi a a os campos da me a ísica, da lógica e da
eologia. Apa en emen e não ha ia o sen ido mode no em que ‘e iciência’ e sua amília
de cogna os se e e em a desempenho de mo o es em ce as a i idades ou se e e em
a p odução econômica.
Pelo que pa ece, adqui iu-se uma concepção mode na de e iciência quando o e mo
ans e iu-se da iloso ia pa a a écnica de p odução. Mais amplamen e, pa a a con luência
da engenha ia com a e modinâmica. Es a concepção su giu pa a a e i a a i idade de
mo o es no que conce ne a sua elação com um insumo de sup ema impo ância, a
ene gia. Um jo em gênio ancês, o engenhei o Sadi Ca no (1796–1832), cons uiu em
1824 um modelo éo ico de uma a i idade ideal na qual medi e iciência de um mo o .
Comumen e u iliza-se a o ça de um mo o pa a desloca um obje o a a és de
ce a dis ância e em ce a di eção e sen ido (di eção que pode não se a mesma da
o ça aplicada, mas e ce a inclinação em elação à di eção da o ça aplicada). Diz-se
des a unção de desloca , assim como de ou as que um mo o pode desempenha ,
que o mo o ealiza um ce o ‘ abalho’ ( ocábulo com sen ido écnico em ísica).
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No caso do deslocamen o, mede-se o abalho mul iplicando-se o peso do obje o
(ou, di o bem, sua massa) pela o ça exe cida sob e ele, bem como pela dis ância
pe co ida e pelo ângulo do pe cu so. A aplicação da o ça eque o gas o de ce a
quan idade de ene gia. Assim, a e iciência é medida pela azão numé ica abalho
ealizado/ene gia despendida. Como o abalho ealizado e a ene gia despendida
são medidas em unidades da mesma espécie, a azão é um núme o pu o (is o é, um
núme o sem se acompanhado po unidades a i iciais de medida ais como g amas,
me os ou ou as).
O abalho ealizado chama-se p op iamen e de ‘ abalho ú il’, po que é aquilo que
se es humanos ap o ei am pa a sa is aze alguns de seus obje i os. Po ém, pa e da
ene gia despendida pelo mo o é gas a na unção de ence esis ências ísicas ao des-
locamen o do obje o ( ais como a i o, esis ência do a ), bem como em impe eições
ma e iais e mecânicas que dissipam calo . Ou seja, ene gia que é gas a sem ealiza
abalho ú il e que se dispe sa na na u eza. Do pon o de is a do in e esse humano,
es e gas o de ene gia é uma pe da.
Po meio de seu modelo éo ico, Ca no ez a descobe a de que é ine i á el ha e
um despe dício signi ica i o. A e iciência nunca pode ul apassa ce o limi e ini o e
baixo (ou seja, limi e acilmen e capaz de se insa is a ó io a engenhei os). Es e aspec o
(que se liga ao enômeno da en opia c escen e) ez com que a ob a de Ca no enha
abe o o caminho pa a a pos e io descobe a da lei da en opia.
No a ança dos p imei os anos do século XIX, disseminou-se o sen ido mode no da
pala a ‘e iciência’, emp egado inicialmen e no con ex o da e modinâmica. Es a sub-
disciplina da ísica e a engenha ia mecânica concebe am a noção de e iciência como
uma azão ma emá ica en e duas g andezas. Pode se chamada de noção binodal,
pois é uma compa ação endo duas pon as: um p odu o desejado (o abalho ú il) e
uma ma é ia-p ima (a ene gia despendida).
4.2 Re lexões p elimina es sob e e iciência ene gé ica
An ecipando i ens ele an es pa a o ema de e iciência econômica, pode-se e le i
sob e alguns aspec os da e iciência ene gé ica. Em p imei a e lexão, é cos ume dos
engenhei os a ibui a e iciência a um mo o ou a um equipamen o. Es e cos ume
embu e uma alha on ológica (ou seja, a espei o das p op iedades de um en e). Quando
es á em ope ação, em ge al um equipamen o pa icipa de uma a i idade – jun o com
ou os equipamen os, com ma e iais auxilia es e às ezes jun o ambém com mão de
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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ob a (po exemplo, um au omó el ope a com um mo o is a). A igo , a e iciência é uma
p op iedade da a i idade, embo a o mo o exe ça uma pa e mui o impo an e.
Essa alha pode se pe cebida do seguin e modo. Cada peça de um mo o con ibui
pa a a ope ação da sua unção p incipal, mesmo que enha uma unção especí ica
meno . No en an o, não há uma peça especí ica que seja a e iciência do mo o . Es a
não é uma subs ância, não em uma localização. Analogamen e, não há um ó gão de
um co po animal que seja a ida do co po. A ida exis e na a i idade de es a i endo.
A g andeza do nume ado da e iciência é um luxo, o luxo de abalho ú il que se
ob ém do mo o . No denominado es á ou a g andeza que é um luxo, o luxo da ene gia
despendida. Fluxos só exis em na ação, na a i idade. Um mo o pa ado não ealiza nada;
nem ge a abalho ú il nem gas a ene gia. Logo não em e iciência. Analogamen e, um
co po animal pa ado em odos os seus componen es não em ida.
A e iciência que se a ibui ao mo o é uma p ojeção men al da sua si uação quando
es á em a i idade. Exp essa uma in enção conce nen e ao mo o quando o colocado
em ação. A alha on ológica aludida não pa ece le a a e os p á icos, de modo que
se comp eende sua exis ência. Re e i -se a um equipamen o como sendo e icien e
(ou não) é uma manei a con enien e de ala , assim como dize que o sol nasce. Mas
não se de e esquece que a e iciência supos amen e de um au omó el depende da
quan idade do combus í el, dos pneus, do peso dos passagei os, da compe ência do
mo o is a e de uma pessoa que coloque o combus í el. E ambém do o ma o da
aje ó ia da es ada e do es ado ísico des a.
Em segunda e lexão, a a i idade em que o mo o se inse e em ca ac e ís icas
especí icas que complemen am a ação do mo o e inclui ou os equipamen os que o
ajudam a ope a como se espe a. A e iciência da a i idade depende des as ca ac e ís-
icas, dos complemen os e auxílios. Um mo o de dada espécie pode se u ilizado em
a i idades da mesma espécie, mas com di e enças das si uações em dis in os luga es
e épocas. Em cada uma delas o núme o que mede a e iciência pode se di e en e.
Sem uma es ei a um mo o não desloca os obje os. Se o cano passa po mui as
dob as de pe cu so, a água chega aca à caixa d’água, po mais que uma bomba d’água
seja ‘e icien e’. Obs áculos são on es de esis ências ísicas a ence e ge am pe das
de ene gia. Logo, de a o um dado mo o indi idual em á ias e di e en es medidas de
e iciência, dependendo das ca ac e ís icas da a i idade e dos equipamen os auxilia es.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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laudos pe iciais, mas se ine icien e na a i idade de igilância. Es a é uma das azões
pelas quais é impo an e indaga : e icien e (ou ine icien e) em quê?
Finalmen e, cabe lemb a que os concei os de e iciência e de p odu i idade ambém
são aplicados a ag egados de me cados – a economia como um odo, seus se o es
(manu a u a, po exemplo) ou suas egiões. Ademais, aplicam-se a massas de
abalhado es e a massas de ou as espécies de a o es de p odução emp egados em
uma economia, um se o ou uma egião. O espaço do p esen e ex o não é su icien e
pa a disco e sob e es as aplicações de ca á e mac oeconômico, bem como sob e
e iciência social.
4.5.2 Dando limi es aos signi icados de ‘e icácia’ e de ‘e iciência’
Há ce a con usão nessa nomencla u a; comumen e alguma dessas locuções ou algum
desses e mos é con undido com ou a locução ou ou o e mo. Em uma en a i a de
diminui a ouxidão léxica, o p esen e ex o começa po ce ca os usos de ‘e icácia’ e
de ‘e iciência’, ado ando as seguin es no mas léxicas:
i. ambos são concei os a alia i os; se em como dois de á ios c i é ios pa a
a alia uma adminis ação de a i idades p odu i as, a e indo o sucesso ou o mé i o
de decisões e de es o ços. Logo, a aliam pa cialmen e adminis ações de emp esas
(e de ou as espécies de o ganizações, na medida em que êm a i idades p odu i as);
ou a aliam polí icas e p og amas que o am ado ados. Fazem-no pa cialmen e po que,
mesmo em uma emp esa, adminis ação cob e mui o mais do que a i idades p odu i as.
Em ou as pala as, ‘e iciência’ é uma ca ac e ís ica do p ocesso p odu i o. Em
sen ido amplo (não con emplado nos li os didá icos de mic oeconomia), é admissí el
conside a a adminis ação (na pe spec i a de que emp ega ecu sos) como pa e do
p ocesso de p odução. No en an o, não de em con a como a i idades p odu i as o
des u e de bens e se iços pelos comp ado es, consumido es e usuá ios. Ou seja, as
a i idades que oco em no co po e na men e des as pessoas.
Logo, não de em con a a consecução de bem-es a e de sa is ação de desejos
dos egueses e dos usuá ios. Es a é bem di e en e de p oduzi , de inancia e mesmo
de a ende aos egueses. Po an o, não se con unda ó imo de Pa e o (ou melho ia de
Pa e o) com e iciência. Pela mesma azão, não se con unda maio exceden e do
consumido ou do p odu o com e iciência.

TEXTO pa a DISCUSSÃO
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3126
E ou o lado, ambém não de em con a como ‘e icácia’ ou ‘e iciência’ as an agens,
os ganhos ou as economias que esul em in ei a ou p edominan emen e de e en os
pouco ou nada conec ados causalmen e às decisões e aos es o ços da adminis ação
de a i idades p odu i as. Po an o, não se con unda e iciência com ganhos ou econo-
mias de escala, pois des u a des es ganhos depende da g andeza da demanda pelos
bens ou se iços o necidos. A demanda exis e o a da emp esa, em seu ambien e
econômico, não na in imidade da ida o ganizacional.
ii. ‘e icácia’ a alia o alcance dos obje i os ou dos p odu os planejados, como se e á.
iii. ‘e iciência’ o na ela i o o alcance dos obje i os ou dos p odu os planejados,
le ando em con a a u ilização de insumos. É um concei o binodal ( em dois nós de
componen es concei uais). ‘E icácia’ não é um concei o binodal.
Po an o, no sen ido p imo dial ou di e o, ‘e icácia’ e ‘e iciência ca ac e izam
a i idades p odu i as. En emen es, em sen ido de i ado e indi e o, podem ca ac e iza
pa cialmen e um compa imen o de uma i ma ou de uma o ganização, desde que o
compa imen o ab igue e seja esponsá el po de e minada a i idade p odu i a. Se
es a a i idade é e icaz ou e icien e, ao menos pa e da adminis ação dela é espec i-
amen e e icaz ou e icien e.
Também em sen ido de i ado e indi e o, podem ca ac e iza pa cialmen e uma
i ma ou uma o ganização que ab igue e seja esponsá el po compa imen os e icazes
ou e icien es. As ca ac e izações são pa ciais no sen ido de que, em ge al, uma i ma
(ou um compa imen o dela) é mais do que um en e pu amen e p odu i o. Mui o do
campo de elações humanas da comunidade in e na em menos a e com p odução
do que com gen e con i endo e in e agindo. Pode-se dize o mesmo no que conce ne
às elações humanas com a comunidade ex e na.
Se uma i ma ou uma o ganização i e uma mis u a de compa imen os e icazes
ou e icien es com ou os ine icazes ou ine icien es, ela pode se a aliada de aco do
com a impo ância das a i idades e des es compa imen os.
Ado ando essas no mas léxicas, ez-se a opção de p ese a a cono ação de
e iciência como ca ac e izando p ocesso de p odução ou cus o de p odução. Es a é
a cono ação mais o e que em à men e. Lemb a a compa ação de quan idades de
p odu os com mon an es de insumos, bem como a a e ição de cus os dos insumos.
Se ia mais di ícil a as á-la do que ou as cono ações mais e é eas. A as a algumas
az-se necessá io pa a p ese a um concei o que seja bem de inido e, ao mesmo
empo, deses imula a banalização da pala a ‘e iciência’.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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No en an o, a i idades humanas não es ão des inculadas dos alo es humanos em
ge al; assim, de e-se econhece que nem mesmo as a i idades p odu i as escapam
des a a alidade. E iciência não é pu amen e ‘ écnica’ e ‘obje i a’. O que não de e ia
su p eende a mui os, pois nem mesmo a c iação de animais é; há alo es humanos
ou sociais que o ien am as elações de se es humanos com os animais.
Essa opção se casa com um lance in ui i o de Ronald Coase, o qual inspi ou o
su gimen o da disciplina de economia o ganizacional e a ob a de Oli e Williamson.
Coase dis inguiu en e as i mas e os me cados. Es es são a es e a das ansações,
o mada de inúme as comp as e endas. A i mas compõem a es e a do planeja-
men o; is o é, da adminis ação (ou como p e e iu Williamson em um de seus li os, da
hie a quia). A ida in e na das i mas (e das o ganizações em ge al) é uma al e na i a
aos mecanismos de me cado.
Ob iamen e, as a i idades p odu i as si uam-se den o das i mas e das o gani-
zações e es ão sujei as a um plano de o ganização. A es as a i idades cabe e ou
não e iciência. Pa a as an agens ou bene ícios das ansações em me cado de e-se
encon a ou os nomes ( ais como ó imo de Pa e o e melho ia de Pa e o).
Isso se casa com as p e e ências dou iná ias de Hayek e de mui os neoaus íacos,
os quais se incomodam com a noção de que a economia de me cado é e icien e. Es a
noção iden i ica a economia com uma áb ica (que é a concepção que Lenin inha de
uma economia). Toda ia, den o de uma áb ica não exis e algo análogo às ansações
de me cado e às mo i ações dos comp ado es e dos endedo es.
5 ASPECTOS BÁSICOS DE EFICÁCIA E EFICIÊNCIA
5.1 A i idade, meios e ins
An es de explo a a plu alidade de signi icados de e iciência, a en e-se ao p incípio mais
elemen a : alguma a i idade (p ocesso, p ocedimen o, mé odo, ação) que se ealize
du an e ce o empo em ins ( inalidades, obje i os, esul ados, p odu os) e meios. Fins
são consequências desejadas ou e ei os p e endidos da a i idade. Há ambém a pala a
‘me a’; às ezes é emp egada como sinônimo de obje i o e ou as ezes signi ica um
núme o p oje ado ou desejado pa a ce o obje i o.
Em a i idades econômicas de p odução os meios são chamados ‘insumos’ ou
‘ a o es de p odução’; eles são ho as de se iços de mão de ob a, empo de u ilização
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de equipamen os, quan idades emp egadas de ma e iais e de combus í eis, en e
ou os. Es es ocábulos são ex ensí eis às a i idades no âmbi o da adminis ação.
A despei o do nome, em ge al os meios não são usados somen e ‘no meio’ do empo
de a i idade; uns ou ou os compa ecem em qualque e apa de ealização, an o no
início como no inal.
Há dois concei os básicos em adminis ação que ep esen am duas ca ac e ís-
icas impo an es de uma a i idade: e icácia e e iciência. Eles se em pa a a alia a
a i idade, pois comumen e são conside ados desejá eis ou bons. E icácia diz espei o
a alcance de ins, enquan o e iciência abo da o ajus e mú uo dos meios com os ins
(Pi es e Gaspa Filho, 1978, p. 238; Oli ei a, 1997, p. 442, 448; Chia ena o, 2002, p. 49;
Noha a, 2012, p. 147).
Em alguns ex os sob e emas adminis a i os apa ece um e cei o concei o
a alia i o, o de e e i idade. Mas em ge al os au o es não conseguem dis ingui-lo
p ecisamen e de e icácia (sal o em epidemiologia, onde há uma dis inção p ecisa e
ú il). Po is o, não é conside ado no p esen e ex o. De a o, mais comumen e, a lingua-
gem leiga e a li e a u a das ciências sociais emp egam espec i amen e ‘e e i o’ e
‘e e i idade’ como sinônimos de e icaz e e icácia. En e as exceções es ão os usos de
‘e e i o’ como an ônimo de empo á io (em ca gos públicos) – bem como seus usos
pa a aze con as e com o que oi p esumido, supos o, espe ado ou decla ado.
5.2 E icácia e obje i o
Um dos dicioná ios clássicos da língua po uguesa con empo ânea diz que ‘e icaz’
signi ica ‘que p oduz e ei o’ e ‘que dá bom esul ado’ (Bueno, 1979, p. 390). O a, mui as
ezes, o e ei o ou o esul ado é aquilo que se deseja a ingi . Po isso, a linguagem
da adminis ação emp ega ‘e icácia’ pa a exp essa a a aliação de uma a i idade em
e mos de seu obje i o. Uma a i idade é e icaz quando a inge azoa elmen e ou sa is-
a o iamen e suas inalidades.
O concei o de e icácia é ú il nas a i idades em que há ce a a iabilidade na ex ensão
em que se pode alcança alguma inalidade. Diz-se que maio é a e icácia quan o maio
o a ex ensão em que se alcança – em compa ação com algum limi e omado como
base de e e ência. Po an o, uma a i idade é e icaz em alguma ex ensão ou em algum
g au. O julgamen o da e icácia depende da expec a i a de ce o g au de qualidade e de
ce a quan idade. Mui as ezes, as ca ac e ís icas cul u ais de um g upo social es abe-
lecem essa expec a i a. Ou as ezes essa expec a i a em de no mas écnicas, como
no caso de um medicamen o se mui o ou pouco e icaz.
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Os economis as mencionam e icácia pouco equen emen e em compa ação
com suas e e ências a e iciência. Uma explicação plausí el é que se habi ua am com
o con ex o da eo ia da p odução e de cus o na o mação des es p o issionais.
Es e con ex o é de e minís ico; ou seja, não admi e a exis ência de inde e minações.
Es as são e en os (sejam causas, e ei os ou consequências) que a iam sem
egula idade; e en os que não êm pad ão seque pa a as equências ela i as
de suas a iações.
Ao mesmo empo, o con ex o da eo ia da p odução e de cus o não conside a a
exis ência de ince eza no conhecimen o; p essupõe que donos, di igen es e ge en es
de i mas êm à disposição odas as in o mações que p ecisam pa a decidi . O a, nes e
con ex o, consegue-se p ecisamen e o almejado; a opção que se sabe não se a ingí el
plenamen e não é escolhida como me a. Logo, não é in eligí el a noção de alcança
em pequena pa e, em boa pa e ou em g ande pa e (ou seja, a noção de e icácia).
5.3 E icácia de um en e
Às ezes se aplica o concei o de e icácia a um se ou a um elemen o, em luga de uma
a i idade. Po exemplo, alguém diz que álcool e ílico é uma subs ância mui o e icaz. Não
es á cla o o que que dize ; a pe gun a na u al que su ge é: e icaz pa a quê? ‘E icácia’,
como seus cogna os (‘e icaz’, ‘ine icaz’, ‘ine icácia’), é semp e ela i a a algum obje i o.
E es e, po sua ez, eque alguma ação ou a i idade pa a a ingi-lo .
Como exemplo de asse ção cla a, alguém diz que álcool e ílico é um an issép ico
e icaz. Logo, é e icaz na a i idade de an issepsia. Ou seja, o obje i o é p e eni o c esci-
men o da população de mic óbios e e i a sua ansmissão a ou as pessoas. Po an o,
caso seja ú il ou necessá io exp essa -se com igo ou com cla eza, de e-se especi ica
a a i idade e o obje i o. A e icácia de algum ins umen o, de algum ma e ial ou algum
a o de p odução depende de que seja emp egado na a i idade ap op iada. Fo a de
qualque a i idade nenhuma coisa é e icaz.
Toda a i idade p odu i a ou adminis a i a exis e pa a cump i pelo menos um obje i o.
Em p imei o luga , há algum alo humano supe io que o na o obje i o desejá el. Em
segundo luga , o obje i o é que dá alo humano à a i idade – e, po conseguin e, à
e icácia. Po sua ez, o alo da a i idade ans e e alo aos ins umen os que u iliza.
Admi a-se que algumas espécies de ins umen os dão mais e icácia a uma dada
a i idade do que ou as espécies. Mesmo assim, o ins umen o se e à a i idade e
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sob e udo ao obje i o. Po an o, e icácia é p ima iamen e uma ca ac e ís ica da a i i-
dade e secunda iamen e é uma ca ac e ís ica do ins umen o. Inge indo-se uma bebida
com al o eo alcoólico não se az an issepsia das mãos (é o mesmo ins umen o, mas
em uma a i idade di e en e).
5.4 E icácia e a i idades
Cabe no a ainda ês aspec os. P imei o, uma a i idade pode e á ios obje i os em
ez de um só. Po conseguin e, o que é e icaz pode mui o bem se ine icaz ao mesmo
empo; e icaz com elação a ce o obje i o e ine icaz com elação a ou o. Is o se aplica
a ins umen os e a equipamen os. Em ge al não há simplesmen e um equipamen o
que é e icaz compa ado a ou o que não é. Cabe semp e a pe gun a: e icaz pa a isso
ou pa a aquilo? Ine icaz pa a quê?
Segundo, quase semp e há mais de uma a i idade que se e pa a ealiza um
mesmo obje i o. Alimen a -se com ca ne de boi é uma manei a de o nece e o ao
o ganismo, p e enindo anemia. No en an o, o obje i o de p e eni anemia ambém pode
se alcançado comendo-se olhas e de-escu as ou melaço de cana ou ígado. Es a
é mais uma azão pela qual há ambiguidade em asse ções de que en es são e icazes
(ou não), sem mais in o mações.
Te cei o, a i idades mui as ezes são componen es de a i idades mais amplas ou
se complemen am com ou as. Es a é mais uma manei a pela qual um en e pode se
e icaz e ine icaz ao mesmo empo. Conside e-se, po exemplo, a a i idade mais ampla
de um i en e sob e i e . Um animal que é e icaz em encon a alimen o pode não
se e icaz em de endê-lo dos i ais que que em omá-lo; ou, sendo compe en e pa a
de endê-lo com sucesso, pode não se e icaz em ap o ei á-lo.
Em suma, acilmen e se in oduz dubiedade quando se emp ega ‘e icácia’ e seus
cogna os e e indo-se a um en e (seja equipamen o, se i o ou se humano) em ez
de e e i -se a uma a i idade, a um p ocesso ou a uma ação. A e e ência ao en e não
é p op iamen e e ada; az-se po ans e ência de sen ido, suben endendo-se alguma
a i idade. No en an o, quase semp e suge e o pensamen o e ôneo de que o en e é
(ou não é) e icaz ou ine icaz po si mesmo.
A é ce o pon o, pode-se es ende o uso desses concei os a alia i os sem ge a
dubiedade ou con usão. Assim, às ezes pode-se a alia uma o ganização, pois quase
semp e é azoá el ê-la como um ag egado (ou uma coleção) de a i idades. Ademais,

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sob es a mesma ó ica pode-se a alia um compa imen o de uma o ganização. Às
ezes o concei o de e icácia ambém pode se emp egado sem dubiedade pa a a alia
um ins umen o (embo a, a igo , a alie uma ação emp egando um ins umen o).
5.5 Dico omia ou poli omia
As ciências sociais e as humanidades êm á ios concei os que são me adico ômicos.
Ou seja, cada um dos concei os em duas ou mais a ian es, uma sendo dico ômica,
ou a sendo de g adação ou o denação e al ez ou a de g andeza ca dinal. E icácia e
e iciência são dois casos de me adico omia. Es a é um dos elemen os que con ibuem
pa a ha e mul iplicidade de signi icados de e iciência.
E icácia é a ex ensão do alcance de ins. Na a ian e dico ômica do concei o, uma
a i idade consegue a ingi seus obje i os ou não consegue. É e icaz na p imei a al e -
na i a; é ine icaz na segunda. Na a ian e de g adação há polos ( ais como ‘plenamen e
e icaz’ e ‘comple amen e ine icaz) e possibilidades in e mediá ias (po exemplo, pouco,
bas an e ou mui o e icaz). É comum que não se enham à disposição medidas ca dinais de
al g adação. Assim, na al a de medições, enunciam-se juízos pessoais de o denação;
po exemplo, a i ma-se que a e icácia de uma a i idade oi al a (ou média ou baixa) ou
oi maio do que an es (ou meno ou igual).
Toda ia, em algumas classes de a i idades são possí eis quan idades de
p odução en e ze o e alguma me a numé ica. Nes es casos há medidas ca dinais
que podem se ans o madas em alguma pe cen agem de e icácia. Po exemplo:
a ingiu 80% da edução p e endida de consumo de ene gia elé ica. No e-se que,
ca ac e is icamen e, a a aliação em e mos de e icácia não compa a medidas dos
meios com medidas do obje i o.
A eo ia econômica neoclássica em uma concepção dico ômica da e iciência
écnica de p ocesso de p odução: é e icien e ou ine icien e (pa a um dado núme o
da quan idade a p oduzi ). Há p ocessos e icien es que não são compa á eis en e
si po que emp egam pelo menos uma espécie de insumo que é di e en e. Também
há á ios p ocessos ecnicamen e e icien es que não são compa á eis en e si e que
se em espec i amen e pa a p oduzi di e en es quan idades. Quan o aos p ocessos
ine icien es, não há necessidade de da -lhes g adação; pois, na isão da eo ia, são
odos igualmen e inú eis po que há algum p ocesso e icien e à disposição.
É semelhan e a isão da eo ia econômica neoclássica de e iciência econômica
na chamada unção de p odução: é e icien e ou ine icien e (pa a um dado núme o da
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quan idade a p oduzi e pa a dados p eços dos insumos). Is o é ep esen ado na unção
de cus o o al pelo a o de que cada núme o da quan idade a p oduzi é ep esen ado
po um só pon o dis in o da unção. Ou seja, o pon o ep esen a o único p ocesso de
p odução economicamen e e icien e pa a a espec i a quan idade.
Dis inga-se en e as p oposições da eo ia e aquilo que os economis as neoclássicos
dizem (o que se pode chama de enunciados p óp ios da cul u a des es economis as).
Nes es enunciados cos uma apa ece g adação de e iciência e de ine iciência (é mui o
e icien e ou é medianamen e e icien e ou é pouco e icien e e c.). Toda ia, es as g adações
não são ex aídas da eo ia mic oeconômica; p o êm de juízos in ui i os pessoais.
Em p incípio é possí el medi e exp essa qualque das ca ac e ís icas e icácia e
e iciência com núme os ca dinais (quan idades ou po cen agens). Na p á ica, mui as
ezes é bas an e di ícil ou ca o ob e ais núme os; po is o, op a-se po emi i juízos
pessoais sob e a magni ude delas. Tais juízos são dico omias (é e icien e ou é ine i-
cien e) ou são g adações.
5.6 E iciência écnica e e iciência econômica
Sendo e icaz em algum g au, uma a i idade pode se e icien e ou não. Pa a cons a a -se
a e iciência, de e-se obse a a u ilização dos insumos ou a o es de p odução. Há dois
concei os básicos, e iciência écnica e e iciência econômica. Assim como oco e com a
e iciência ene gé ica, qualque uma das duas é um concei o binodal; compa am-se p odu-
os ou obje i os da a i idade com os a o es de p odução ( ambém chamados insumos).
Na e iciência écnica os p odu os (das espec i as espécies e qualidades) e os
insumos (das espec i as espécies e qualidade) são conside ados somen e em e mos
de suas espec i as quan idades. Uma a i idade é e icien e (em elação a ou a) quando
alcança um núme o maio da quan idade de pelo menos uma espécie de p odu os,
embo a a u ilização de quan idades de insumos seja igual à da ou a a i idade.
Le am-se em con a somen e quan idades, sem conside a p eços ou cus os uni á-
ios. Em e mos de análise econômica, is o signi ica que, pa a cada núme o de inido da
quan idade de p odu o que se quei a, pode ha e dois ou mais p ocessos de p odução;
alguns deles podem se ine icien es e de em se ejei ados. Pode sob a um único
p ocesso e icien e ecnicamen e. Ou podem sob a á ios que são incompa á eis
ao menos pa cialmen e (pois u ilizam menos de uma espécie de insumo, po ém mais
de ou a espécie).
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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No que conce ne ao concei o de e iciência econômica (ou e iciência-cus o), uma
a i idade é e icien e quando se ob ém o núme o de inido da quan idade de p odu o que
se quei a com o meno cus o o al possí el de insumos. Po an o, le am-se em con a não
somen e as quan idades de insumos como ambém seus p eços ou cus os uni á ios.
Se hou e um único p ocesso e icien e ecnicamen e, ele é e icien e economi-
camen e. Po ém, se o o caso, pode se in iá el economicamen e (a demanda pelo
p odu o pode não se su icien e pa a ge a ecei a que cub a o cus o de p odução). Se
hou e dois ou á ios p ocessos incompa á eis ecnicamen e, ha e á um que emp ega
mais os insumos ba a os e menos os insumos ca os; des e modo, az o cus o do
p odu o po unidade se mais baixo do que o cus o em qualque ou o p ocesso. Ele é
e icien e economicamen e.
Cabe essal a que a adição didá ica em economia de ine e iciência écnica sob
a condição de uma dada si uação de conhecimen o écnico – chamado ‘o es ado das
a es’; no caso, das a es p á icas (a es de aze ), dis in a das belas a es. Logo, um
dado p ocesso de p odução pode se an o e icien e como ine icien e, se o a e ido
nas dis in as pe spec i as de dois es ados di e en es das a es.
5.7 Compa abilidade eque homogeneidade
Suponha-se que exis e um só p ocesso de p odução pa a ob e uma espécie de p odu o.
Nes e caso, o p ocesso é e icien e ecnicamen e, pois não há qualque ou o melho .
Mas es e sen ido de e iciência é aco e i ele an e em e mos p á icos. É p eciso ha e
pelo menos dois p ocessos pa a a ques ão de e iciência e ele ância p á ica. Em eco-
nomia, e iciência é ela i a nes e sen ido; um p ocesso é e icien e ou ine icien e quando
compa ado a algum ou o. O mesmo oco e com e iciência econômica.
Pa a que a compa ação en e dois p ocessos seja in o ma i a ou ins u i a é neces-
sá io que haja homogeneidade en e as espécies de p odu o de um e de ou o. Sejam
uma pada ia que az pão comum e ou a que az pão in eg al. Ambos são pães, mas
a e iciência econômica das duas a i idades de p oduzi não é compa á el. Pois são
pães de espécies di e en es, cujas ca ac e ís icas ag adá eis e desag adá eis são
ap eciadas di e en emen e po consumido es di e en es.
E caso se aça a compa ação, cons a ando-se que uma a i idade é ‘mais
e icien e’ que a ou a? Pode su gi a cu iosa si uação em que alguns consumido es
p e i am consumi pães da ca ego ia que oi julgada como de p odução ine icien e
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(em compa ação com a ou a). Em espei o aos consumido es, es e julgamen o não se i-
ia pa a se ecomenda que a p odução de pães da ca ego ia ‘ine icien e’ osse ence ada.
Ago a suponha-se que há dois p ocessos de p odução com homogeneidade de
p odu o e de insumos. Ou seja, as espécies de p odu o de um e de ou o são iguais e
cada espécie de insumos ambém é. Po exemplo, conside e-se um p ocesso especí ico de
p odução. Con o me as in o mações p es adas po Jo ge Caldei a, índios b asilei os
de algumas ibos usa am machados de ped a de 500 g amas no início do século XVI
pa a de uba á o es. Desc e a-se o p ocesso como: emp ega um índio e um machado
du an e um pe íodo de qua o ho as de a i idade. O p odu o é uma á o e de ubada
(Caldei a, 1999, p. 42-43).
Suponha-se que su ge um no o p ocesso que u iliza as mesmas duas espécies
de insumos e na mesma p opo ção. A di e ença es á em uma manei a di e en e de
emp ega o machado e o abalho do índio. No segundo p ocesso, o p odu o consis e
em duas á o es de ubadas. Po an o, a e iciência écnica do segundo p ocesso é
maio que a e iciência do p imei o. Há es i a compa abilidade en e eles po causa
da homogeneidade de p odu os e de insumos. Um aumen o dos p eços dos insumos
enca ece igualmen e os dois p ocessos; uma queda ba a eia-os igualmen e. Na p á ica
is o signi ica que, quaisque que sejam os p eços dos insumos, o segundo p ocesso é
semp e mais an ajoso que o p imei o.
Não se sabe na his ó ia se esse segundo p ocesso exis iu. Jo ge Caldei a in o ma
que, empos depois, os po ugueses o nece am machados de e o aos índios. Po is o,
passou a exis i ealmen e um e cei o p ocesso: emp ega um índio e um machado
de e o du an e um pe íodo de qua o ho as de a i idade. O p odu o consis ia em oi o
á o es de ubadas. À p imei a is a, o e cei o p ocesso é mais e icien e ecnicamen e
do que o p imei o (p odu o de oi o á o es em ez de uma). No en an o os dois p ocessos
di e em em que não há homogeneidade quan o a uma das espécies de insumos; o
p imei o usa machado de ped a e o segundo emp ega machado de e o.
O cus o uni á io ou p eço de um machado de e o p o a elmen e e a mais al o
do que o cus o uni á io ou p eço de um machado de ped a. Em e mos de e iciência
econômica, a an agem do e cei o p ocesso pa a os índios dependia do p eço ela i o
de um machado de e o. Pa a simpli ica (imaginando uma es ó ia), suponhamos que
os ins umen os e am alugados po empo de uso. Ademais, que o aluguel do machado
de ped a equi alia a 2/10 de á o e po pe íodo e que a emune ação do abalho do
índio e a 8/10 de á o e.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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demasiado apego ao c i é io de e iciência pode o na -se um obs áculo à expe imen-
ação e à ino ação.
6 SIGNIFICADOS DE EFICIÊNCIA
6.1 Alguns a ibu os de e iciência
Assim como e icácia, e iciência ambém em seu sen ido dependen e da noção de
obje i o. Po is o, á ios a ibu os de ‘e icácia’ aplicam-se ambém a ‘e iciência’ e a
seus di e sos cogna os (‘e icien e’, ‘ine icien e’, ‘ine iciência’). Não exis e equipamen o
e icien e, a não se que seja pa a a consecução de ce o obje i o p e endido os ensi-
amen e ou de modo suben endido; e a não se que seja com elação a de e minada
a i idade que ealiza esse obje i o.
Comumen e, um equipamen o sozinho não az nada de ú il; a igo , é a a i i-
dade que é e icaz ou e icien e, se o . O equipamen o é um meio que de e minada
a i idade emp ega, quase semp e ha endo acessó ios. Pa a conse a alimen os, uma
geladei a p ecisa es a ligada e e alimen os den o (acomodados em asilhas
ap op iadas). Se uma a i idade i e á ios obje i os ou unções, pode á se e icien e
ou ine icien e de á ias manei as ao mesmo empo.
Assim como e icácia, mui as ezes é di ícil e con o e so a e i e iciência po que
a a i idade em á ios obje i os e eles são alcançados em ex ensões di e en es.
Ademais, a a e ição de e iciência é duplamen e mais di ícil, pois além dos á ios
obje i os da a i idade há inúme os insumos. Seus p eços ou seus cus os uni á ios
dão abalho adicional, pois endem a a ia no co e do empo e nas mudanças de
o necedo es. A di iculdade maio ad ém de que equen emen e não há uma co es-
pondência um a um en e insumos e obje i os a alcança . Tecnicamen e, cos uma ha e
in e dependência não linea en e insumos e obje i os ou p odu os.
6.2 E iciência como adequação
Em consequência da banalização do e mo ‘e iciência’ e de seus cogna os, é bas an e
comum que se emp egue ‘ine icien e’ com o sen ido de ‘inadequado’. Um exemplo é
uma a i mação de A anson. Con o me diz, a escolha ei a po uma i ma é ‘ine icien e’
quando ela p oduz um mon an e excessi amen e al o ou baixo de sua me cado ia
compa a i amen e ao mon an e que maximiza luc os (A anson, 1982, p. 374).

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Conside ando-se o e mo no sen ido es i o de e iciência écnica, a asse ção é alsa.
Pois, po p essupos o da eo ia mic oeconômica, a i ma ope a semp e de aco do com
sua unção de p odução; po conseguin e, semp e escolhe um p ocesso de p odução
ecnicamen e e icien e, qualque que seja o mon an e a p oduzi . Di o de ou o modo,
caso não maximize luc os, ainda pode se que a i ma seja ecnicamen e e icien e.
Conside ando-se o e mo no sen ido es i o de e iciência econômica, a asse ção
ambém é alsa. A azão é semelhan e: po p essupos o da eo ia, a i ma ope a semp e
de aco do com sua unção de cus o. Ou seja, escolhe o p ocesso que, ao p oduzi a
quan idade desejada, emp ega os ipos e os mon an es de a o es de p odução que
esul em no mínimo cus o da quan idade p oduzida.
Po an o, se uma i ma p e ende a ingi ce o ní el de luc o, ela pode e a na
escolha do ní el de p odução e endas. Não se pode in e i dis o que ela é ine icien e
no sen ido es i o. Luc a i idade não é indicação de e iciência nem de ine iciência, seja
écnica ou econômica. No en an o, p o a elmen e A onson conhece a alsidade dessas
asse ções e não e e o p opósi o de asse e á-las; ele simplesmen e cedeu a um hábi o
comum de usa a pala a ‘ine icien e’ com um sen ido popula izado de ‘inadequado’.
6.3 Di iculdade do julgamen o ex e no de e iciência
É quase impossí el ao obse ado ex e no a e i e iciência de uma o ganização ou
mesmo de uma a i idade, pois em ge al não em acesso à ida in e na da o ganização;
po conseguin e, não conhece os meios nem os p ocessos in e nos e não sabe o que
oco e com eles na in imidade dos compa imen os o ganizacionais.
Ilus e-se com uma sec e a ia da p e ei u a de uma cidade média ou g ande, a qual
cuida do abas ecimen o d’água. Às ezes, o peso de um caminhão a unda o as al o
de uma ua e queb a o cano que es á embaixo; a água ica a esco e po ho as sem
que ninguém da sec e a ia apa eça pa a aze o conse o. Cidadãos indignados diag-
nos icam a sec e a ia como ine icien e; po ém, di icilmen e eles conhecem os meios
disponí eis às a i idades da sec e a ia.
O encanamen o em dezenas de quilôme os e cen enas de conexões de ubos
sub e âneos. Pa a começa , como pode ia a sec e a ia i a sabe da queb a inespe ada
em um pon o dele? Pode se que nenhum cidadão a ise apidamen e. Aliás, o p oblema
de um ó gão público i a sabe o que p ecisa é um an o comum e an igo. No início
dos anos 1960, na cidade do Rio de Janei o (na época, sendo o Es ado da Guanaba a),
oi o ó gãos públicos inham au o idade pa a ca a bu acos na ua. Ha ia um ó gão
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com exclusi idade da unção de echa bu acos. Po ém, em ge al os ó gãos que ab iam
bu acos não da am in o mação dis o ao ó gão que echa a (Bel ão, 1968, p. 95).
Uma possibilidade de como sabe se ia a sec e a ia e um co po de inspe o es
que supe isionasse as uas odo dia. Con udo, es e é o ipo de mão de ob a que não
p oduz mui os ‘ esul ados’ po pessoa emp egada, pois é p e en i o. Ou seja, a maio
pa e das inspeções cons a a que o encanamen o es á no mal. Es e co po não a ua
no p ocesso egula de o necimen o d’água. Tendo em is a is o, os inspe o es cons i-
uem o ipo de gas o suspei o de se desnecessá io – e susce í el de se co ado pela
sec e a ia de inanças em nome da aus e idade iscal.
Ou a possibilidade se ia a sec e a ia d’água ins ala uma ede de senso es no
encanamen o. No en an o, o p og ama de in es imen o nes a ede pode ia não se
ap o ado pela sec e a ia de inanças, endo em is a o gas o adicional que eque-
e ia. In es imen o é ou o ipo de gas o sujei o a se co ado. Aliás, possi elmen e
a ede de canos é elha e p ecisa se subs i uída. Mas is o eque e ia ou o as o
p og ama de in es imen o.
Depois de a isada de um azamen o, pode se que a sec e a ia d’água não possa
aze apidamen e o conse o. Tal ez a equipe seja pequena e já es eja ocupada com
ou o bu aco no ou o lado da cidade. Pode se que não enha os ma e iais necessá ios
em es oque e p ecise aze uma comp a inespe ada – ou enha de agua da a enco-
menda que chega em da as p ede inidas. Em suma, al ez a sec e a ia d’água aça o
melho que pode com os ecu sos que em; se osse po es e c i é io, possi elmen e
boa pa e dos a e ido es conside a iam azoá el julgá-la e icien e.
No en an o, uma noção popula de e iciência p ende-se exclusi amen e aos
‘ esul ados’. Con o me ela, os a e ido es di iam que al despe dício de água não pode
se ca ac e ís ica de uma a i idade e icien e. Con udo, is o é con undi e iciência com
e icácia. A igo , não há ine iciência em não se aze o que os meios não compo am
ealiza . Es a con usão é comum em p onunciamen os sob e e iciência. Quase semp e
julgamen os são ei os com in ei a desconside ação dos meios, que seque se chega
a sabe de que espécie são.
6.4 E iciência pu amen e écnica
E quan o a e icácia nessa es ó ia? Es a ques ão pe mi e in oduzi o aspec o de que
e icácia e e iciência não são concei os pu amen e écnicos e obje i os – os quais se
apu a iam po meio de alguma ó mula es a ís ica de con eúdo incon o e so. Ambas
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as medidas eque em a e i quan o se cump iu dos obje i os. Ago a eja-se: quais são
os obje i os da sec e a ia d’água desse município?
Independen emen e do que es eja na lis a de obje i os que cons e nos es a u os
dessa sec e a ia, é bas an e azoá el que um ag upamen o de cidadãos a ibua a es e
ó gão ce o obje i o; qual seja, aquele de poupa água. E dando su icien e impo ância
a es e obje i o, conclua que a sec e a ia d’água é ine icaz. Se ia uma conclusão co e a;
po ém, não incompa í el com ou a conclusão bas an e di e en e. Sucede que pode
ha e ou o ag upamen o de cidadãos que aça um julgamen o dis in o. Pois os pesos
que cada ag upamen o a ibui aos obje i os dependem de juízos de alo es que podem
di e i en e os ag upamen os.
Suponha-se que o segundo ag upamen o pe cebe que não há chance de que se
aumen em os ecu sos à disposição des a sec e a ia. Po an o, es e ó gão e ia que
ans e i ecu sos das a i idades de o ina do abas ecimen o ( ais como limpeza
da água, uncionamen o das bombas) pa a a i idade de conse os e en uais dos
canos nas uas. Maio apidez nes es conse os le a ia a al a gen e na manu enção
do abas ecimen o.
Isso edunda ia em menos e icácia no abas ecimen o de o ina. Assim, es e segundo
ag upamen o de cidadãos, po da maio peso a ou os obje i os da sec e a ia, pode ia
opina que o ó gão é pelo menos mode adamen e e icaz. A despei o da len idão nos
conse os de canos de uas, o abas ecimen o das esidências em ge al é man ido.
Em suma, pode ha e julgamen os de e icácia que sejam díspa es a espei o do
mesmo caso – e que es ejam odos co e os ao mesmo empo. A azão é que não
há uma manei a única de a e i e icácia. Quan o uma a i idade em á ios obje i os,
di e en es pessoas podem julga sua e icácia le ando em con a um obje i o mas não
ou os (ou não an o os ou os). Mesmo quando duas pessoas le am em con a o mesmo
elenco de obje i os, podem di e i na impo ância que dão a um ou a ou o.
6.5 E iciência não é um núme o único
A medida de e iciência de uma a i idade p odu i a humana em ce o pe íodo não é um
núme o único; não é como a con a de luz de uma esidência, po exemplo. Uma di e ença
é que uma esidência em um medido da u ilização de ene gia elé ica, enquan o que
as a i idades p odu i as quase semp e não êm medido de e iciência. Uma di e ença
mais impo an e é a seguin e: mesmo sem um medido , é possí el calcula qual oi o
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mon an e de ene gia elé ica u ilizada (diga-se, no mês). Bas a compu a a con ibuição
de cada apa elho elé ico exis en e na casa.
Pa a isso é p eciso sabe du an e quan as ho as cada apa elho oi u ilizado no mês.
Cada um deles em um gas o pad onizado de ene gia, que é conhecido. Po exemplo,
uma lâmpada de 12 wa s gas a 12 wa s de ene gia po ho a. Ademais, no malmen e
is o independe de ha e ou não ou o apa elho elé ico ligado na esidência. Ou seja, a
lâmpada e a geladei a uncionam igno ando-se mu uamen e.
No caso de uma a i idade p odu i a, é equen e que os emp egados de uma o ga-
nização não enham uma p odução indi idual pad onizada ou um abalho indi idual
pad onizado. E, di e en emen e do wa de ene gia (que é igual pa a odos os apa elhos),
não exis e uma unidade pad ão pa a soma com signi icado ho as de abalho de a e as
di e en es. Em ge al, a adminis ação de uma o ganização es á adada a o ien a -se
po meio de in o mação inadequada. Na p á ica, a amen e se conhece bem a unção
de p odução; po conseguin e ambém é pa co o que se sabe sob e cu as de cus o
(Baumol e Blinde , 1985, p. 419).
Conside e-se a e iciência de um es au an e, a qual depende da p odu i idade de
pessoal de á ios ipos: na cozinha, ou azendo os ing edien es pa a a cozinha, ou
azendo a comida pa a sala onde os egueses se se em, ou a endendo às mesas,
en e ou os. Se hou e medições de p odu i idades indi iduais, como jun a umas com
as ou as? Se ia ácil se hou esse uma unidade pad ão. Mas não há.
Ademais, uma ho a de abalho de uma mesma pessoa a ia em quan idade e em
qualidade do que é p oduzido. Em pa e po que se es humanos a e am-se mu uamen e.
Ob iamen e, pode-se dize que o caixa de um es au an e ealiza odo dia, cen enas
de ezes, a mesma a e a: ecebe a comanda do clien e e o pagamen o. Po ém, es a
é uma desc ição em um ce o ní el al o de abs ação. Conc e amen e, o caixa em
uma b e e in e ação com cada eguês. Há dezenas de ipos di e en es de egueses
na manei a como omam o empo do caixa. E há di e sas o mas de pagamen o
(o a se pe de empo com oco em dinhei o, o a com demo as na conexão com o ca ão
de pagamen os).
Po an o, em ge al há mui os núme os plausí eis que podem se a medida de
e iciência de uma a i idade p odu i a que se ealizou. Cada uma é ge ada po di e en es
escolhas de mé odos e de c i é ios. Cada uma eque julgamen os pessoais sob e o
que se ia ap op iado nas ci cuns âncias.
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6.6 ‘E iciência’ em luga de ‘e icácia’
Às ezes pode-se subs i ui um p ocesso de p odução po ou o que é simul aneamen e
mais e icien e e mais e icaz. No en an o, ou as ezes pode ale a pena ado a um no o
p ocesso que é mais e icaz sem se mais e icien e. É o caso, po exemplo, quando se
az uma campanha de acinação com uma no a acina que seja mais e icaz e simul a-
neamen e mais ca a. E quando uma escola subs i ui um p o esso de inglês inexpe ien e
po ou o (mais ca o) que i eu anos ensinando o a no B asil o a em Bos on.
Mui os emp egam a pala a ‘e icien e’ quando mais ap op iado se ia ‘e icaz’.
Ao julga uma a i idade, a e e ência cen al da asse ção que azem é sob e o obje i o
(ou a unção) – sem qualque menção especí ica a alguma economia de meios.
Po exemplo, o expe o em biologia e olu i a humana Daniel E. Liebe man diz que
pessoas com enda al a endem a do mi “de manei a mais e icien e”. Explica que elas
passam menos empo na cama endo insônia (Liebe man, 2013, p. 264). Com is o que
dize que, pa a um mesmo empo dei ado na cama en ando do mi , um indi íduo ico
do me uma pa cela maio do empo. Ou seja, alcança mais do obje i o de dei a -se, que
é do mi . Logo, com is o que dize de a o que o ico do me de manei a mais e icaz.
Em ou o exemplo, o mic obiólogo John Pos ga e elemb a que a empe a u a do
co po humano lu ua pouco em o no de 37 g aus Celsius (em ge al em uma aixa en e
dois g aus abaixo ou acima). Ele diz que o co po em um mecanismo egulado que
é mui o “e icien e”. Con udo, o que que dize é que o mecanismo unciona bem pa a
cump i sua unção (consegui a manu enção da empe a u a ci ada). Pois ele não dá
qualque in o mação sob e os ma e iais e sob e a ene gia emp egados pelo mecanismo.
Igno a os meios. Logo, que dize simplesmen e que o mecanismo egulado é mui o
e icaz (Pos ga e, 1994, p. 8).
Conside e-se a a i idade de o co ação bombea sangue no co po humano. Não é
um p ocesso de p odução de uma o ganização nem é uma a i idade adminis a i a.
No en an o, há empos pa e da biologia em-se deixado in luencia po concei os de
economia. Po exemplo, John Medina, biólogo molecula , em li o seu que usa o
ocábulo ‘e iciência’. Ele diz que há algumas manei as de aze uma medição da
e iciência des a a i idade. Uma é a axa do pulso; ou seja, o núme o de ba idas do
co ação po unidade de empo. Ou a é o mon an e de sangue que o co ação empu a
em um de seus compa imen os, o en ículo esque do, e, logo depois, na ao a (a é ia
que dis ibui sangue pa a odo o co po).

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Às ezes o co po p ecisa aze um g ande es o ço ou coloca -se em ex ema ensão.
Nes es momen os as medições a ingem um pico, que é conside ado a medida da
e iciência da a i idade. Medina in o ma ambém que es a medida cai jun amen e com
o a anço da idade. Po exemplo, com 65 anos uma pessoa e á pe dido ce ca de 30%
ou 40% da e iciência de quando oi um adul o jo em (Medina, 1996, p. 145, 149).
O pon o de in e esse pa a o p esen e ex o é que aquelas são de a o medidas da
p óp ia a i idade de bombeamen o do sangue. Não conside am mon an es dos insumos
que o co po u iliza pa a ealizá-la. Logo, são medidas de e icácia da a i idade, não
de e iciência.
No campo da ecologia, Hen y Plo kin diz que lobos de ce o ipo sob e i em mais
comumemen e do que aqueles de ou o ipo. Um a o de sob e i ência é a a i idade
de co a e es açalha ca ne. Con o me ele, os p imei os êm den es mui o e icien es,
enquan o os den es dos segundos são cu os e ombudos (Plo kin, 1993, p. 51). O a,
em ez de usa o e mo ‘e icien e’, ele pode ia e -se con en ado com a a i mação
menos g andiloquen e – e mais in o ma i a – de que os den es dos p imei os são
longos e a iados.
Também pode ia e di o que lobos de um g upo êm den es e icazes e aqueles de
ou o g upo êm-nos ine icazes. Mas is o apenas exibi ia a aguidade do concei o
de e icácia em ce as si uações. Pode-se e como a in o mação mais especí ica é bem
mais ú il do que emp ega algum dos adje i os g andiloquen es.
Conside e-se a asse ção de que ce a p o esso a é mui o e icaz em classe. O que
que dize is o especi icamen e? Se ia mais in o ma i o dize que a p o esso a: i. ala
de uma manei a que oda a ga o ada en ende a ma é ia; ou ii. inspi a admi ação e
espei o, de modo que os alunos icam sé ios e p es am-lhe a enção; ou iii. põe os
alunos em a i idade – chamando o a um, o a ou o – de modo que eles se sen em
abso idos pelo i mo da aula.
Po an o, mesmo quando ‘e icaz’ é co e o, é p e e í el e i a ambos, ‘e icaz’ e
‘e icien e’ (caso se enha adje i os mais p ecisos ou uma desc ição b e e e in o ma i a).
Di o de ou o modo, o bom emp ego de ‘e icácia’ ou de seus di e sos cogna os de e
se um começo de con e sa, seguido de in o mação especí ica. Ou, no ou o ex emo,
pode-se usa em menções de passagem (logo, de ópicos de pouco in e esse). Insa-
is a ó io é quando não se des incha ‘e icácia’, apesa de a noção es a no ce ne de
uma mensagem impo an e.
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6.7 ‘E iciência’ sem pad ão de compa ação
De passagem em ce o aciocínio, Tyle Volk menciona a capacidade de um ances al
do se humano aba e um animal de caça. In e essa pa a o p esen e ex o a a i mação
dele de que um ances al podia azê-lo e icien emen e segu ando um ins umen o
de ped a (Volk, 2002, p. 177). Os meios, ainda que implíci os no ex o, são cla os:
es o ço co po al e um ins umen o. Po ém, ‘e icien e’ associa-se a uma base de compa-
ação. No en an o, es a es á menos cla a; qual se ia a al e na i a desca ada, a qual
se ia ine icien e?
Fal a no ex o uma menção de um p ocesso de caça que se ia o pad ão de
compa ação. Apa en emen e se ia caça com as mãos azias e aga a o bicho. Caso
seja assim, o e mo ‘e icien emen e’ enal ece o no o p ocesso mais do que me ece ia.
Pois a base de compa ação é eles. Pa a e i a exage o, al ez osse melho esquece
e iciência e dize que um ances al podia caça e icazmen e; ou seja, conseguia a ingi
azoa elmen e o obje i o de aba e a caça.
6.8 ‘E iciência’ em luga de ‘agilidade’
Michael Wool son diz que a e iciência do anspo e de ideias na an iguidade e a maio
do que a e iciência do anspo e de pessoas (Wool son, 2010, p. 12). Is o é um emp ego
e ôneo da noção de e iciência, pois compa a p odu os dis in os (ideias e pessoas).
Ele que dize que ideias se espalha am mais elozmen e que pessoas. Nis o come e
ou o e o, pois en ende elocidade de anspo e como sendo e iciência.
O concei o de e iciência pe ence à análise es á ica compa a i a, não inclui a dimensão
empo; is o é, não le a em con a a passagem do empo du an e a p odução. Mede-se
po uma azão en e uma medida de p odução e uma medida de u ilização de insumos,
igno ando o in e alo de empo en e u ilização e exis ência do p odu o p on o. Ob ia-
men e, es a du ação pode se impo an e; mas de e se conside ada como um c i é io
dis in o e adicional a e iciência. Em pa icula , às ezes pode-se p e e i um p ocesso
de p odução ine icien e, mas ápido, a ou o que é e icien e, mas len o.
Às ezes ‘e iciência’ é iden i icada com agilidade: p es eza no a endimen o ou cele-
idade na ami ação de um p ocedimen o bu oc á ico. No en an o, quando se en ende
e iciência como um sumá io das elações dos meios de uma a i idade com seus ins,
não se ê como ela eque e ia em ge al maio elocidade. A du ação da a i idade
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depende do núme o de e apas, bem como de que elas cump am algum obje i o dese-
jado. Além disso, depende da du ação das ações eque idas den o de cada e apa.
Po exemplo, o a endimen o de um pacien e em um hospi al ou em uma clínica
pode ia se mais ápido se não hou esse o p eenchimen o p é io de uma icha de iden-
i icação. Mas cons a a-se a con eniência da icha com acilidade. Sem ela, se ia di ícil
iden i ica à amília o pacien e caso ele passasse mal, en asse em coma ou alecesse.
Além dis o, há a necessidade de con ole adminis a i o. As iden i icações o nam mais
con iá eis a es a ís ica do núme o de a endidos, pois são e i icá eis (uma audi o ia
não sabe ia localiza os a endidos anônimos).
O a endimen o em balcão de endas ou de se iços já oi mais ápido, quando os
usuá ios aziam ila em pé. Pois pouco a pouco se ap oxima am do balcão na p opo ção
em que chega a a ez de cada um. Hoje em dia, es ando os usuá ios sen ados, há
ce a pe da de empo em chama o usuá io da ez e na caminhada des e a é o balcão.
No en an o, ica em pé em ila é cansa i o pa a o usuá io, além de in iá el pa a os
acos e pa a aqueles com p oblemas de saúde em ce as pa es do co po. Se o ine i-
ciência, nes e caso a meno cele idade oca um pouco de e iciência po conside ação
às pessoas.
Ce as e apas de uma a i idade eque em cuidado o a do comum, em i ude dos
iscos de más consequências. Po exemplo, no caso de ci u gias ou no caso de sen-
enças judiciais en ol endo possí eis penalidades g a es. Em casos assim, a p essa
pode ia acilmen e le a a esul ados opos os ao desejá el. A p es eza não indica ia
e iciência nem e icácia.
O alegado p incípio ge al de que se almeje cele idade na ami ação de um p oce-
dimen o (assim, sem quali icações) é e ôneo. Nem oda cele idade é boa ou desejá el
em economia e em adminis ação. Ob e in o mações com mais agilidade pode se
con ap oducen e na ges ão, caso elas sejam menos p ecisas ou mais en iesadas ou
mais sujei as a e os ou menos ele an es.
Dependendo da ação e das ci cuns âncias, já ensina o p o é bio popula de
que a p essa é inimiga da pe eição. Es e é um p o é bio o imis a, pois às ezes a
p essa pode esul a em aciden e, desas e ou e o mons uoso. Na u almen e, como
ambém pode acon ece com a le deza em ou as espécies de ações e em ou as
ci cuns âncias. Em suma, nem agilidade nem len idão são po si só i udes em admi-
nis ação ou na p odução; oco e apenas que cada uma enha suas ho as e seus luga es
de cump i seu papel.
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Mui as ezes a i ude es á nas posições in e mediá ias, como já ensina a A is ó eles
( e seção 7.8). Embo a nem semp e, al é a complexidade dos a aze es humanos. Seja
como o , o p óp io ocabulá io econhece a ela i idade dessas qualidades. Agilidade
pode se p ejudicial; à qual cos uma-se chama de a oi eza, eme idade, impe uosidade,
impaciência, imp udência. O ago oso pode aze bene ícios; quando o az, diz-se que
é cuidadoso ou p uden e, em zelo, cap icha buscando excelência.
6.9 ‘E iciência’ em luga de ‘bem p oje ado’
A noção de e iciência em se es endido pa a aspec os des inculados de ações ou
a i idade de p odução. Diz-se que um o mulá io é ine icien e, em ez de que é mal
ei o, mal p oje ado ou pouco ú il (po exemplo, Oli ei a, 1997, p. 290). O mesmo se diz
de uma lâmpada elé ica que se queima com menos de dois anos de adqui ida ou de
um ele one mó el esidencial que le a uma pancada e se queb a. Em casos assim,
‘ine icien e’ e e e-se a um en e e es e em algum aspec o a incomoda , a a apalha ou
que az descon o o. O e mo é emp egado quase como um sinônimo de de ei uoso.
No en an o, e iciência pe ence ao domínio das a i idades p odu i as, não dos
p odu os des a. Logo, nada obs a que seja uma emp esa e icien e aquela que ab ica
e ende essas lâmpadas que se queimam cedo. Desde que o obje i o da emp esa seja
p ecisamen e ab ica e ende ais p odu os de qualidade in e io . Somen e quem
conhece a in imidade da emp esa e da ab icação pode sabe sob e o eal obje i o dos
donos ou dos di igen es – logo, sob e a e iciência. Comp ado es e usuá ios di icilmen e
êm in o mações pa a a e i e iciência.
Não se con unda o obje i o da emp esa com as expec a i as do comp ado . Es e
comumen e chega com a noção p econcebida de que a inalidade da i ma é ende bens
e p es a se iços de boa qualidade – como a en ende o comp ado . Ou al ez como
diz o ma ke ing da emp esa. Mas decla ações de ma ke ing come cial são ‘me amen e
ilus a i as’ ou ‘de an asia’, como admi em ce as embalagens de p odu os.
6.10 E iciência e qualidade
Como se pode pe cebe , boa pa e da p oli e ação de decla ações de que algo é e i-
cien e ou ine icien e esul a de igno a -se: mais ge almen e, que e iciência é ela i a
a obje i os; e mais pa icula men e, quais são os obje i os da o ganização que es á
sendo julgada. Ademais, mui as ezes não é ácil ob e in o mação co e a sob e es es,
sob e udo in o mação comple a. P ecisa se comple a po que cada obje i o é ambém
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Tal li e a u a em dois aspec os de mé i o. P imei o, admi e que comumen e as
emp esas na ida eal são ine icien es e que a ine iciência exis e em g aus a iados
en e elas. Segundo, admi e que ine iciência é um aspec o comum do se o emp esa ial
p i ado, em ez de se uma ca ac e ís ica quase exclusi a de ó gãos do Es ado e do
p óp io Es ado. Veja-se a ex ensão de ine iciência no se o manu a u ei o em alguns
países economicamen e a ançados (G een e Mayes, 1991).
O mé i o desses aspec os não é meno pelo a o de e em su gido de manei a
simples e espon ânea, em ez de su gi de e lexões me odológicas ou ace ca de
an opologia humana. A p imei a admissão su giu po imposição do mé odo. Es a só
consegue medi e iciência de o ganizações supondo que algumas são e icien es e
ou as não são. As p imei as se em como uma base ou núcleo de compa ação.
Dos anos 1980 aos anos 2000 g ande pa e da li e a u a sob e on ei a de e iciência
in es igou e iciência de bancos e de ou as o ganizações inancei as. Ela cons a ou
g ande disseminação de ine iciência nes as o ganizações. Inicialmen e pelo menos um
segmen o dela omou pa ido da conjec u a de que, quando emp esa p i ada em algum
g au de ine iciência, is o deco e de con aminação pelo Es ado. Is o é, a ine iciência
p i ada dos bancos e ia esul ado da exis ência de egulamen ação es a al (E ano
e Is aile ich, 1991, p. 27-28).
Toda ia, depois de uma quali icação hesi an e des a ese, E ano e Is aile ich
inalmen e essal a am que o ipo mais equen e de ine iciência encon ada e a pu a
ine iciência écnica. E admi i am que es a es a a sob pleno con ole dos ges o es dos
bancos; que os p óp ios bancos inham seu des ino nas mãos (E ano e Is aile ich,
1991, p. 28).
Lo e a J. Mes e deu con ibuição conside á el à li e a u a sob e ine iciência de
bancos e de ou as o ganizações inancei as. Também encon ou p esença signi ica i a
de ine iciência écnica em emp esas p i adas, mas suas conclusões não a ibuem ao
Es ado a esponsabilidade pela ine iciência p i ada (Mes e , 1994, p. 16-17; 1996, p. 14).
7.1 Aspec os de mé odo
Na li e a u a sob e e iciência e on ei a azem-se os p essupos os de que odas as
i mas: i. usam a mesma unção de p odução; ou seja, êm li e acesso aos p ocessos
de p odução e icien es ecnicamen e; ii. mas a iam em ‘e iciência’. Ob êm-se dados
das i mas sob e cus o, ní eis de p odu os e p eços de insumos. Deles ex ai-se uma
espécie de in o mação dos cus os uni á ios de cada espécie de p odu o de cada i ma.

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Os mé odos consis em em uma manei a de a e i a e iciência de cada cada espécie
de p odu o e de cada i ma le ando em con a odos os dados do g upo de emp esas
conjun amen e. Des e modo iden i ica-se um núcleo de i mas que são as mais
e icien es em uma ou ou a espécie de p odu os. Es as o mam ‘a on ei a’ ou es ão ‘na
on ei a’, po que nenhuma ou a i ma ai além delas. As ou as i mas es ão ‘den o
da on ei a’; is o é, aquém dela. O g au de ine iciência des as i mas é medido pelas
di e enças em compa ação com aquelas na on ei a.
Um dos mé odos é de e minís ico, em que não se az es imação es a ís ica de uma
mesma unção de p odução ou de cus o pa a odas as i mas. Po an o, os esul ados
não dependem da escolha de qual o ma de e e a unção de cus o. No en an o, igno a
que ao menos pa e das di e enças de cus os uni á ios en e p odu os e en e i mas
p o a elmen e é alea ó ia. E que ou a pa e se de e a he e ogeneidade das i mas e
das condições em que ope am.
Ou os mé odos es imam uma unção de cus o que se supõe se a mesma pa a
odas as i mas em média. Usam análise de eg essão, de modo que uma pa e das
di e enças en e i mas é a ibuída a a iações alea ó ias. Ou a pa e das di e enças
é es ingida a se o mada de núme os posi i os, de modo a pode se in e p e ada
como medições de ine iciência das i mas. As magni udes des as di e enças dependem
da o ma ma emá ica da unção que se escolha pa a es ima como on ei a de cus o,
bem como das dis ibuições de p obabilidades que se escolham pa a as duas classes
de di e enças.
Há azões pa a os mé odos se em como são. Os pesquisado es não êm acesso
à ida in e na das i mas nem a in o mações que as adminis ações gua dam só pa a si.
Têm acesso somen e aos dados publicados, nos quais não há in o mações sob e e i-
ciência. Em adminis ação e em economia não exis em mé odos uni o mes de compa a
e iciência indi idual de emp esas.
Se exis issem ais mé odos, as i mas não gos a iam de en a em uma dispu a
adicional en e elas em um ce ame de e iciência de emp esas. Tal ce ame e ia g ande
cus o especí ico, a ai ia abo ecimen os e con li os nos ambien es emp esa iais.
A ce a al u a su gi ia o p oblema de como assegu a que os dados de e iciência se iam
con iá eis, endo em is a que a p óp ia emp esa o nece ia os dados com os quais
pode ia ganha o ce ame.
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7.2 Insu iciência dos mé odos
Os mé odos dos pesquisado es são manei as de en a comple a as in o mações
públicas insu icien es sob e cada emp esa po meio de compa ações de semelhanças
e de di e enças en e as ou as. In elizmen e, is o não bas a. Sendo assim, po um lado,
os pesquisado es eem-se ob igados a adiciona in o mações in ei amen e a bi á ias.
T ês o am mencionadas: a o ma ma emá ica da unção de cus o a es ima e as duas
dis ibuições de p obabilidades.
Po ou o lado, eem-se ob igados a desca a in o mações que pa ece iam ú eis.
Comumen e uma i ma o nece aos me cados en e uma a á ias dezenas de espécies
de p odu os. Mas os pesquisado es ag egam-nas em poucas ca ego ias, de modo que
as i mas nas pesquisas são is as como o necendo um núme o máximo pequeno
de ca ego ias de p odu os. Es e núme o a ia po pesquisa, icando en e dois e se e.
Os insumos ambém são ag egados em poucas ca ego ias.
Po exemplo, Lo e a Mes e ez uma pesquisa em que cada banco é is o simpli i-
cadamen e como usando ês ipos de insumos ( abalho, capi al ísico e inanciamen o
ob ido) e ês espécies de p odu os (emp és imos pa a imó eis, emp és imos come ciais
e indus iais e emp és imos pessoais). Ou as espécies o am con adas como azendo
pa e des as. Assim, emp és imos ag ícolas e aquisição de í ulos es aduais e municipais
o am con ados jun os com emp és imos come ciais (Mes e , 1996, p. 8).
Po ém, a espécie de abalho que um ge en e de emp és imos az em um banco é
bem di e en e e eque habilidades di e en es daquela que é ei a po um esc i u á io.
Quando odos são pos os jun os como ‘ abalho’, pode se que a medida de e iciência
de um banco seja maio que a de ou o po que o p imei o em mais esc i u á ios e
menos ge en es de emp és imos. Ag egação de espécies de p odu os az com que as
di e enças nas medidas de e iciência e li am mais as di e enças das espécies eais
de p odu os o necidos do que di e enças de e iciência eal.
Cada i ma é di e en e das ou as em mui os aspec os e em mui os componen es,
além de e sua eguesia especí ica e es a inse ida em uma comunidade local dis in a.
Dois bancos de mesmo amanho podem di e i na e iciência es imada somen e po que
um se localiza em Bos on e ou o es á em Sa a oga Sp ings. Somen e es udando sua
ida in e na é possí el a e i a e iciência das a i idades de p oduzi cada espécie de
bem ou se iço.
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Os esul ados das pesquisas sob e e iciência e on ei a dependem mui o das
in o mações que são omi idas. No en an o, o mé odo ica ia mui o complicado e a é
impossí el de es ima caso se aumen asse bas an e o núme o de unções de cus o
dis in as, o núme o de espécies de p odu o e o núme o de ipos de insumos. A conse-
quência se ia que o núme o de pa âme os a es ima ica ia mui o ele ado, impedindo
uma es imação in o ma i a ou con iá el com os dados exis en es.
O mesmo acon ece ia se a planilha de dados incluísse ou as in o mações ele
-
an es sob e os bancos. Po exemplo, nos Es ados Unidos, que um banco se e a um
bai o de ce a comunidade é nica; ou que se e à população de uma á ea u al; ou que
inancia expo ações; ou que inancia as ope ações de câmbio de uma p óspe a cidade
da on ei a; ou que inancia os egueses de uma cadeia especí ica de lojas.
Po enquan o, as pesquisas sob e e iciência e on ei a não podem e i a :
i. má especi icação da unção de p odução ou de cus o, ao a a mui as i mas
como sendo iguais sob es es dois aspec os.
ii. má especi icação de p odu os e de insumos, que são ag egados; os dados u ili-
zados e e em-se a ca ego ias mui o amplas de insumos e de p odu os (ou seja, cada
ca ego ia é he e ogênea).
iii. omissões de mui as in o mações ele an es, pois as i mas são as amen e
he e ogêneas em ou os aspec os; po exemplo, em localização, em camadas sociais
dos egueses e em impac os sob e a comunidade ex e na.
Po is o, o mais p o á el é que as di e enças de e iciência que são expos as nas
medições ei as enham pouco a e com e iciência de a o. O que pa ece se maio ou
meno e iciência p o a elmen e e le e sob e udo as di e enças de he e ogeneidade de
odo ipo en e as i mas compa adas (Boge o e Hougaa d, 2001, p. 2).
As pesquisas pe encen es à li e a u a sob e e iciência e on ei a são ú eis pa a
se a alia modelos, bem como ob e o ien ações pa a es endê-los e ape eiçoá-los.
Elas se em como expe imen os cien í icos nes e amo de es udos. G ada i amen e
ap ende-se com elas onde es ão as di iculdades do p oblema. Po ém, não es ão
su icien emen e amadu ecidas pa a que seus esul ados sejam u ilizados que em
decisões adminis a i as pelas emp esas pesquisadas que em delibe ações de
ó gãos egulado es.
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8 PRODUTIVIDADE, GANHOS DE ESCALA E ÓTIMO
8.1 P odu i idade
Uma das g andes con ibuições que as eo ias mic oeconômicas da p odução e do
cus o dão é expo boa pa e da complexidade do enômeno de p oduzi e de compu a
o cus o. Em pa icula , mos a que ge almen e as elações nes e enômeno não são
ep esen adas po equações ou unções ma emá icas linea es. Ou seja, não são adi i as
(ao se passa de uma pa a ou a, quase semp e não bas a soma nem diminui ). Ou as
ezes ambém não bas a mul iplica nem di idi . Mui as des as elações não são p o-
po ções. Mui as das médias não são a i mé icas simples, sendo médias ponde adas.
A quan idade p oduzida depende das quan idades emp egadas dos a o es de
p odução ( ambém chamados ‘insumos’). Pa a simpli ica a exposição, a eo ia ala
somen e de ês ou dois. Po exemplo, os dois são mão de ob a ( abalho) e bens de
capi al (englobando equipamen os, máquinas, ins alações, en e ou os). Po ém, uma
a i idade p odu i a na ida eal pode p ecisa dis ingui cen enas de insumos. Pois, po
exemplo, uma sala, um eículo, uma mesa, um ele ado , um apa elho de a condicio-
nado e um compu ado de mesa são odos bens de capi al; po ém suas con ibuições
às p odu i idades do abalho são di e en es.
Pa a ha e uma linguagem écnica menos dúbia, é desejá el dis ingui e iciência
e p odu i idade. E iciência diz espei o a p ocessos de p odução. A segunda noção
aplica-se a a o es de p odução. Sendo assim, não exis e um uncioná io e icien e ou
ine icien e. Pa a o economis a que p e i a igo écnico em sua linguagem, o que exis e
é a p odu i idade de um uncioná io, de um di igen e ou de um ge en e. E assim como
no caso do concei o de e iciência, a p odu i idade de um a o só em impo ância se
ize sen ido compa á-la em pelo menos duas si uações di e en es.
Pa a cada espécie de insumo há dois ipos de p odu i idade, a média e a ma ginal.
A p odu i idade média do insumo de ce a espécie é a quan idade de p odu o di idida
pela quan idade emp egada do insumo. Is o é, sob a condição ce e is pa ibus (ou seja,
desde que ou os elemen os e condições não enham a iado). Con udo, a p odu i idade
medida cos uma se simplesmen e o p odu o po insumo, al como o p odu o po ho a
abalhada con o me as es a ís icas (Fe nald e al., 2021, p. 1). Ao igno a a cláusula
ce e is pa ibus, es e ipo de medição não ep esen a bem o concei o de p odu i idade
da eo ia mic oeconômica.
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A p odu i idade ma ginal do insumo de ce a espécie eque uma desc ição simpli-
icada e ap oximada. Suponha-se que se aumen e em um mon an e mui o pequeno a
quan idade emp egada de ce o insumo. A p odu i idade ma ginal des e é o ac éscimo
na quan idade de p odu o que se ob ém di idido pelo aumen o na quan idade emp e-
gada do insumo ( ambém sob a condição ce e is pa ibus). No p esen e ex o não se
p ecisa á lida com ela.
Po an o, o núme o de p odu i idades de a o es em uma i ma é o dob o do núme o
de espécies de a o es de p odução. Suponha-se que hou esse 3 insumos adicionais
po emp egado, de modo que uma i ma com 60 emp egados i esse 240 insumos
(inclusi e os emp egados). A i ma p ecisa ia calcula 480 p odu i idades po pe íodo
se quisesse se compo a como diz a eo ia mic oeconômica.
É ú il en ende po que há an os insumos. Suponha-se que duas cos u ei as, Dina
e Ma a, êm duas esou as de ipo igual. A p odu i idade de Dina depende p incipal-
men e de sua esou a, enquan o a p odu i idade de Ma a depende p incipalmen e da
esou a des a. Ag ega as duas esou as como um só a o de p odução não e le i ia
as di e enças de manei as e equências de u ilização po quem as u iliza.
Cada p odu i idade de um emp egado pode ia a ia po causa de mudança de
quan idade u ilizada em alguns dos 240 insumos. Uma emp esa da ida eal p ecisa ia
compu a á ias cen enas ou milha es de p odu i idades po pe íodo se quisesse conhe-
ce a si mesma ão bem quan o o az a i ma concebida pela eo ia mic oeconômica.
8.1.1 P odu i idade indi idual
Em ge al, a p odu i idade média de ce o insumo em uma a i idade p odu i a em ce o
pe íodo não é um núme o único. Ela a ia de aco do com o ní el de p odução e com o
ní el de u ilização da cada uma das ou as espécies de insumo que a i ma u iliza.
O mesmo oco e com a p odu i idade ma ginal. As p odu i idades dos di e sos a o es
de p odução es ão in e ligadas em um enômeno a que se e e e como sine gia, comple-
men a idade ou dependência sis êmica. Po exemplo, a p odu i idade de um médico
pode se aumen ada po en a em na equipe en e mei os, anes esis as e a macêu icos.
Às ezes isso é ób io; po exemplo, a p odu i idade média de uma cama hospi ala
a ia com o núme o de en e mei os que a endem a pacien es nes a cama. Quan o mais
en e mei os hou e , mais al a é a p odu i idade da cama. Tal ez não seja ão ób io
com espei o a um sis ema de a condicionado ou a uma sala. Mas as p odu i idades

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do sis ema e da sala ambém a iam com o núme o de a i idades que se bene iciam
de a esco ou de luga na sala.
Po exemplo, na pequena e adicional áb ica de cos u a. A p odu i idade de uma
cos u ei a depende das p odu i idades de á ios ou os a o es de p odução: de quem
en ega os e alhos pad onizados de pano, da máquina de cos u a, da lâmpada que a
ilumina, da p odu i idade de quem le a os e alhos cos u ados e das p odu i idades
das cos u ei as que es ão ao lado, en e ou as coisas.
As medidas de p odu i idade êm g adação e às ezes podem se a e idas em
quan idades. Po exemplo, pode-se e i ica que um ope á io az cinco quilos de
cabeças de al ine e po ho a de abalho e ou o az se e. No en an o, apesa de ha e
um componen e pessoal na p odu i idade de cada pessoa, não é adequado pensa
que uma pessoa é (ou não é) p odu i a; é mais adequado julga que uma pessoa es á
p odu i a ou em p odu i idade em um g au ou medida que a ia com as condições
em que abalha.
Pode a ia de aco do com a a i idade em que es á inse ida, bem como na depen-
dência de aspec os do ambien e ísico e social da a i idade. Uma analogia mais
adequada e cabí el pa a a maio ia dos uncioná ios é aquela de um mo o is a de
ônibus de uma cidade g ande; o que az é a e ado pelo es ado do ânsi o à en e
no local e na ho a. Sua p odu i idade não depende simplesmen e de seus es o ços
e de sua dedicação.
Além disso, há uma ambiguidade no adje i o ‘p odu i a’. Comumen e se diz que
uma pessoa é p odu i a quando p oduz mui o. Po exemplo, um esc i o que lança dois
li os po ano du an e anos seguidos. Po ém, az-se es e juízo sem sabe o que mais
es e esc i o az e o que deixa de aze . Caso sac i ique mui o ou as a i idades, não é
de admi a que p oduza mui o. Logo, pode se que e e i amen e não enha p odu i idade
al a. In e samen e, um uncioná io pode se pouco p odu i o e e p odu i idade al a.
Relemb e-se: a p odu i idade em economia não é uma medida de p odução simples-
men e; compa a a p odução com os ecu sos u ilizados nela.
As en a i as de medi p odu i idade indi idual êm suas di iculdades. Uma delas
é que o concei o de p odu i idade p essupõe que as a i idades sejam de e minís icas,
cujos esul ados são ce os. Assim, en e dois bancá ios a e ido es de equisições de
emp és imos da mesma espécie, em mais p odu i idade aquele que ap o a ou ejei a
mais pedidos po dia de abalho (sob a mesmas condições de abalho).
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O a, uma manei a de um bancá io ele a seu núme o de a e as ealizadas é não
se de e mui o no exame das in o mações anexas às equisições. Po ém, boa pa e
delas con ém in o mações ince as, que eque em e lexão e julgamen o. Assim, o
bancá io que a alia mais pedidos pode e ap o ado pedidos de qualidade du idosa,
que ge am mais isco pa a o banco emp es ado . Se i esse ido meno ‘p odu i idade’,
e ia poupado o banco de p oblemas que i ão a oco e meses depois.
De modo semelhan e, um médico com mais ‘p odu i idade’ do que seu colega
ap essa á seus pacien es e a ende á a um núme o maio deles po dia. No en an o, uma
pa e des es pacien es acaba á p ecisando ol a a algum es abelecimen o médico mais
adian e. Es e é um compo amen o conhecido que pode esul a da emune ação com
incen i o econômico, na qual o incen i o em base em esul ados obje i os e mensu-
á eis (Ke , 1975, p. 772-774, 780; Ga icano e Rayo, 2016, p. 183). Sendo assim, den o
de ce as espécies de o ganizações (ou seja, dependendo de seus obje i os), de e-se
e i a ou a enua incen i os econômicos exa amen e po que eles são mui o po en es
(Holms om e Milg om, 1994, p. 989; Gibbons, 1998, p. 119, 129).
8.2 Compa abilidade de p odu i idade
Pa a ha e compa abilidade en e as espec i as p odu i idades de dois a o es de
p odução di e en es, é necessá io que haja homogeneidade das unidades (Machlup,
1967, p. 193). Em pa icula , é necessá io que ambos es ejam en ol idos na ge ação de
p odu os da mesma espécie e da mesma a iedade. No caso de uncioná ios, mui as
ezes é bas an e di ícil es abelece que são undamen almen e iguais em sua compe ência
ou capacidade ou habilidade, bem como que es ão na mesma si uação de abalho.
Suponha-se que há na o ganização dois ad ogados que são di e en es em espe-
cialidade (ou mesmo em o mação ou em anos de expe iência). Um edigiu maio
núme o de pa ece es do que ou o no mesmo pe íodo de empo. Não az sen ido dize
que a p odu i idade de um é maio que aquela de ou o. Os p óp ios p odu os (is o é,
se iços) não êm unidades homogêneas. Um pa ece sob e ques ão abalhis a não
é igual a um pa ece sob e ques ão ibu á ia.
Ou, pelo menos, não é azoá el conclui dessa di e ença de ‘p odu i idade’ que
um me ece mais ou demons ou mais dedicação ou mais es o ço. Nem mesmo que
em mais compe ência. Os p odu os simplesmen e não são da mesma espécie e da
mesma a iedade.
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8.3 Dando menos impo ância a p odu i idade
Em economia, aumen o de p odu i idade não é em si mesmo algo bom nem diminuição
de p odu i idade é po si mesma algo uim. Conside e-se um me cado de conco ência
pe ei a, no qual oco e uma edução da demanda de me cado e há consequen e queda
no p eço e nas endas de equilíb io do p odu o. Nes e caso, uma i ma ajus a-se
eduzindo a quan idade que p oduz; em consequência, ambém diminuindo o núme o
de ho as abalhadas po seus emp egados ou o núme o des es. Como esul ado, a p o-
du i idade dos emp egados aumen a; mas is o não é uma no ícia boa pa a a emp esa,
nem seque como alguma compensação pela queda de p eço do bem. Não há
compensação nenhuma.
Conside e-se o e en o opos o, no qual oco e uma ele ação da demanda de
me cado e do p eço do p odu o. A i ma ajus a-se aumen ando a quan idade que
p oduz e o mon an e de ho as abalhadas po seus emp egados ou o núme o des es.
Em consequência, a p odu i idade dos emp egados diminui, mas is o não é má
no ícia pa a a i ma. Tais aumen os ou eduções de p odu i idade são pa adoxos
pa a os leigos.
Na época em que a didá ica de economia ap ecia a a análise g á ica, os li os
essal a am esse enômeno. Chama am-no de ‘es ágio II’, ep esen ando os ní eis de
p odução ele an es economicamen e (Bilas, 1976, p. 147-148; Le wich, 1983, p. 155;
DeSe pa, 1985, p. 178; Hyman, 1986, p. 194; Pyndick, Rubin eld e Meh a, 2013, p. 152).
Esses aumen os ou eduções de p odu i idade não êm nada a e com os sen imen os
dos emp egados na si uação nem com suas disposições pa a es o ça -se; são simples-
men e consequências de um enômeno da es e a dos p ocessos p odu i os, chamado
‘lei dos endimen os dec escen es’ (De Alessi, 1971, p. 155-156).
Essa lei é essencial pa a o na coe en e a concepção do me cado de conco ência
pe ei a, o núcleo da eo ia econômica neoclássica. Ac edi a-se que essa lei igo e
ambém em me cados de conco ência impe ei a ou monopolís ica. Cada me cado de
p odu os da mesma espécie em um núme o g ande de i mas de amanho pequeno ou
médio e o necendo p odu os com algum g au de di e enciação en e i mas. Ao menos
nes es me cados, pode não se bom (nem uim) pa a uma emp esa que a p odu i idade
dos emp egados aumen e; e pode não se uim (nem bom) que oco a diminuição de
p odu i idade deles.
Tal lei pode não igo a em ce a ca ego ia de i mas, aquelas que es ão ope ando
com endimen os c escen es de escala ou com economias de amanho. Es a ca ego ia
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ab ange uma aixa mais es ei a de emp esas, onde apa en emen e p edominam amanho
g ande e uso in ensi o de equipamen os de écnica mode na.
Ademais, em ge al, as emp esas g andes não buscam aumen a a p odu i idade
dos emp egados pa a com is o alcança endimen os c escen es de escala. Não
consegui iam des a manei a. Também não buscam alcança endimen os c escen es
de escala pa a com is o aumen a a p odu i idade dos emp egados. Buscam alcança
endimen os c escen es de escala pa a com is o ap o ei a uma demanda mui o al a
que exis a po encialmen e pa a seus p odu os.
E só podem alcançá-los se exis i em disponí eis p ocessos ap op iados de
p odução, bem como equipamen os de écnica adequada. Se hou e aumen o de p odu-
i idade dos emp egados, é uma consequência da dinâmica des es p ocessos; não
p ecisa ha e uma polí ica de pessoal especí ica.
Ce as medições de p odu i idade cons a am que a p odu i idade se ele a quando
o ní el de p odução cai (Fe nald e al., 2021, p. 3). Uma explicação dis o pode se a
lei dos endimen os dec escen es. Ou a explicação é que as es a ís icas jun am sob
uma mesma ub ica elemen os que são de qualidade he e ogênea; no caso da mão de
ob a, abalhado es de di e en es g aus de o mação escola e de expe iência. Quando
a demanda pelos p odu os se con ai, as i mas despedem os emp egados de meno
qualidade, azendo com que aumen e a média de o mação escola e de expe iência
dos emp egados que icam (Fe nald e al., 2021, p. 3).
8.4 P odu i idade e an agem compa a i a
Há ou o co po eó ico da economia neoclássica que a enua a impo ância da p odu i i-
dade; deixa de da espaldo à noção de que, do pon o de is a es i amen e econômico,
p odu i idade baixa é semp e uim. A eo ia da an agem compa a i a mos a que,
em ci cuns âncias bas an e comuns, e p odu i idade baixa não é um impedimen o à
melho ia econômica.
Desde os p imó dios da disciplina ‘economia’ em sua o ma mode na, uma das
ques ões es udadas é po qual azão exis e in e câmbio come cial en e países.
A p imei a espos a que oi dada é in ui i a, mesmo pa a os leigos. Suponha-se que
inicialmen e dois países são au ossu icien es (são echados pa a o comé cio in e na-
cional). Além disso, que há en e eles di e enças de cus os uni á ios de p odução de
duas espécies de bens.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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8.6.1 Ilus ação de queda do cus o médio
Assim, sejam duas i mas que são compa á eis e ambas p oduzem uma mesma quan-
idade da mesma espécie de p odu o; uma é ine icien e se u iliza um p ocesso de
p odução ecnicamen e ine icien e ou economicamen e ine icien e. Em ou o caso,
sejam duas i mas que são compa á eis e uma em um ní el de p odução bem mais al o
da mesma espécie de p odu o; ambas são e icien es se cada uma u iliza um p ocesso
de p odução ecnicamen e e icien e ou economicamen e ine icien e pa a seu ní el de
p odução. Pode oco e que uma enha cus o médio mais baixo do que a ou a; is o
mos a apenas que e iciência não é o único de e minan e do cus o médio.
Conside e-se o seguin e exemplo. Uma emp esa de anspo e in e es adual de
passagei os de longa dis ância desis e de u iliza ônibus-lei o e passa a anspo a
com uma o a p óp ia de a ião. Como esul ado, há exp essi a queda do cus o po
passagei o-quilôme o-ho a anspo ado. Pa a que usa o concei o de e iciência nes e
caso? Quem diz que a emp esa se o nou mais e icien e ou que ago a anspo a com
mais e iciência não ac escen a nenhuma in o mação ins u i a. De a o, a mudança oi
d ás ica e mui o ampla pa a que o concei o de e iciência caiba na compa ação en e
an es e depois.
O enômeno das economias de escala em ou o aspec o a se le a em con a.
O aciocínio dos economis as po ezes ica p eso à simpli icação do esquema eó ico.
De aco do com es e, uma dada espécie de bem pode se p oduzida em ce a quan idade
ou em uma quan idade mui o maio . Em consequência, o cus o uni á io pode ica mais
baixo. Nas análises dos casos eais, ap esen a-se a queda do p eço como e idência
de aumen o de bem-es a pa a os consumido es. Se es es casos esul am de polí icas
públicas, conclui-se que o am inequi ocamen e bené icos à sociedade.
Toda ia, ealmen e podem não e sido inequi ocamen e bené icos. A azão p in-
cipal é que, após a mudança, o p ocesso de p odução p o a elmen e passa a se
ou o. Ao con á io da simpli icação na eo ia, é usual que um p ocesso de p odução
não seja bas an e elás ico pa a se emp egado em um ní el de p odução mui o mais
al o ou mui o mais baixo do que ce os limi es. Como no exemplo, em que ônibus-lei o
são subs i uídos po a iões. Po es ada se ia impossí el eduzi dois dias de iagem
a ês ho as.
O p ocesso de p odução se ou o az com que a o es de p odução de alguma
espécie sejam desemp egados, enquan o ou os êm mais opo unidades de emp ego.
No exemplo, desemp egam-se mo o is as de ônibus e emp egam-se mais pilo os de

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a ião e comissá ios de bo do. Em consequência, diminui-se a p odução das áb icas
de ônibus (que podem se nacionais) e aumen a-se a demanda po a iões (que podem
se de ce o amanho ob ení el somen e no ex e io ). Es as são consequências econô-
micas que nem semp e são le adas em con a nas análises que iden i icam bem-es a
social com bem-es a do consumido somen e.
8.6.2 Queda de p eço nem semp e é bené ica ao comp ado
Além disso, as análises que se ol am exclusi amen e pa a a queda de p eço como
bene ício deixam de lado ou o aspec o. Ao con á io da simpli icação na eo ia, mudanças
no p ocesso de p odução podem al e a ca ac e ís icas do p odu o. Po is o, na pe spec-
i a dos egueses em ge al, é du idoso que o p odu o endido pela i ma ainda seja da
mesma espécie. Admi e-se que p o a elmen e é a mesma pa a uma pa e deles. Pa a
alguns, a iagem de uma dada cidade pa a ou a dada cidade é uma mesma iagem
‘essencialmen e’, seja de ônibus ou de a ião. A expe iência cai-lhes como indi e en e.
No en an o, pa a ou os, não é.
Em casos dessas di as mudanças ‘de escala’ ( usões de emp esas, aquisições
de conco en es ou de o necedo es e c.), a composição da eguesia al e a-se
bas an e. Em pa e, de ido à p óp ia pe spec i a dos egueses; e em pa e po que, pa a
a emp esa, pa cela do alegado ganho ‘de e iciência’ em de oca egueses menos
luc a i os po ou os mais luc a i os.
Vol e-se ao exemplo da emp esa de ônibus-lei o. Diga-se que cada iagem pa e
de ce a capi al es adual. Po imposição do que sejam as condições mais adequadas de
anspo e, a iagem az escala 700 km depois em uma cidade do in e io . A pa ada
se e pa a lanche ou almoço dos passagei os, bem como pa a oca de mo o is as. Em
consequência, há cidadãos da capi al que sal am nes a cidade e há cidadãos da cidade
que usam a linha pa a i à capi al. Logo, pa e da p ospe idade da cidade ad ém de
se i aos passagei os e a es es cidadãos (e alguns azem negócios). Ademais (quem
sabe), às ezes um passagei o adoeceu na iagem; é a ado no pos o de saúde local,
ica hospedado na pensão a é pode p ossegui iagem na mesma linha de ônibus um
ou dois dias depois.
O que acon eceu depois da mudança na emp esa? A ião não segue o a de es ada
e p o a elmen e não ale a pena coloca um oo pa a essa cidade. Ela ica a de inha ,
endo pe dido boa pa e de sua base econômica (Wa e son, 1988, p. 140). Na época
do ônibus boa pa e dos passagei os paga a de a o somen e um e ço da iagem,
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po que inha as cidades de escala como uma das pon as da iagem. Es es passagei os
não ade em a iaja nos a iões (supondo-se que os oos não chegam a boa pa e das
cidades do in e io ).
A queda do cus o po unidade é uma média, dilui o que acon ece com a massa
de egueses. Pode se que a passagem não seja ão ba a a pa a pa e dos egueses
localizados na capi al de início de pe cu so. Ademais, a iões e ae opo os êm suas
p óp ias manei as de se descon o á el. Esses de alhes são poucos impo an es em si.
Seu papel no exemplo é da uma imagem conc e a da lição: po ocasião dessas g andes
mudanças de amanho, a dis ibuição econômica e social (inclusi e locacional, e á ia,
e c.) dos egueses ambém se al e a.
A medida de cus o uni á io não le a isso em con a; esconde que o ipo de bem
ou se iço ago a é di e en e e que pa e da eguesia oi p ejudicada (Wa e son, 1988,
p. 139). Ce as polí icas públicas podem e consequências (pa a o bem-es a social
ou pa a o bem-es a do consumido ) que não se e le em no p eço médio baixo pa a
os egueses. Alegações de mais qualidade ambém podem não se ep esen a i as da
população a e ada. Não hou e melho ia de qualidade pa a quem já iaja a semp e de
a ião; ambém não hou e pa a quem não passou a usa a o a de a ião (que po que
são incon enien es, que po que as passagens são idas como ca as).
Esse exemplo ilus ou um uso ilusó io de ‘e iciência’ em con ex o de bene icia o
segmen o do anspo e aé eo, inspi ado pa cialmen e na expe iência es adunidense
(Wa e son, 1988, p. 139-143).
8.7 O ó imo
Em ce as exp essões em economia, ‘e iciência’ e e e-se a bem-es a (pa a a sociedade
como um odo, pa a uma comunidade ou pa a um g upo). Às ezes e e e-se a sa is-
ação das on ades dos consumido es. Não se e e e a p ocesso de p odução nem a
cus o de p odução. P opõe-se no p esen e ex o que se e o ne a ou as exp essões
que e am usadas o iginalmen e com bas an e equência.
Ou seja, que se emp egue a pala a ‘ó imo’ e seus cogna os nas locuções ‘ó imo
de Pa e o’, ‘Pa e o-ó imo’, ‘condições de Pa e o’ (que ab e ia ‘condições do ó imo de
Pa e o’) e nas p óp ias condições: ‘ó imo de in e câmbio’, ‘ó imo p odu i o’ e ‘ó imo de opo’.
Es as subs i uem com an agem as locuções ‘e iciência de Pa e o’, ‘Pa e o-e icien e’ e
ou as com o e mo ‘e iciência’. Quando se e e e à sa is ação de condições de Pa e o,
a exp essão ‘e iciência aloca i a’ pode se subs i uída po ‘bem-es a aloca i o’.
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Segundo alguns expe os em economia mone á ia, o dinhei o sem las o me álico pode
se e icien e e a in lação é ine icien e. Toda ia, não compa am p ocessos de p odução
quando demons am is o (Champ, F eeman e Haslag, 2011, p. 44, 51). O que que em
dize é que a adoção de dinhei o sem las o me álico em uma economia pode se
Pa e o-ó ima e a oco ência de in lação az a economia não a ingi um ó imo de Pa e o.
Cabe menciona uma azão pa a dis ingui en e e iciência e bem-es a . A concepção
de bem-es a que é ensinada em economia é mais con o e sa do que a concepção de
e iciência. Di e sas co en es de iloso ia sociopolí ica podem se acomoda com a
noção de que as i mas p ocu em se e icien es economicamen e, mas não de que
bem-es a social seja indicado somen e ou p incipalmen e pela maio aquisição
de bens e se iços po consumido es (ou pela edução de p eços). Di o de ou o modo,
os alo es humanos com que se julga consumo ou bem-es a cos umam se mais
ele ados e mais exigen es do que aqueles com que se julga o âmbi o da p odução.
‘Tamanho ó imo’ de uma i ma pode se chamado mais p ecisamen e de ‘ amanho
de mínimo cus o médio’ – ab e iadamen e, ‘ amanho de mínimo cus o’. Po sua ez,
o ‘ní el ó imo’ de u ilização de um amanho pode se chamado mais p ecisamen e de
‘ní el de p odução de mínimo cus o médio’ ou ‘u ilização do amanho no mínimo cus o
médio’ – ab e iadamen e, ‘p odução de meno cus o uni á io’. O adje i o ‘ó imo’ nes as
locuções se ia enganoso po que comumen e pode se melho pa a uma i ma man e
o amanho que em, em ez de alcança o alegado ‘ amanho ó imo’.
Também comumen e pode se melho pa a uma i ma não p oduzi no alegado ‘ní el
ó imo’ de u ilização de um amanho do que azê-lo. De aco do com a eo ia uma i ma
escolhe um ní el de p odução com o obje i o de maximiza luc o. Só po coincidência
es e se á o mesmo ní el de p odução de meno cus o uni á io. Pois es e segundo ní el
de p odução não depende do mon an e da ecei a, enquan o o luc o depende. Também
só po coincidência o ní el de p odução que maximiza o luc o se á aquele que u iliza
o amanho de mínimo cus o médio.
P opõe-se e i a ‘o imiza ’ como sinônimo de ‘maximiza ou minimiza ’ (sal o no
con ex o eó ico de modelos ma emá icos). Nos con ex os ac uais, nada se ganha
com a pala a e ela não az al a. Mas pende na balança con a ela seu oque de
hipe bolismo (os en ação e bal). Também não se p ecisa emp ega ‘ó imo’ quando a
pala a é pouco ou nada mais do que uma simples subs i u a de ‘adequado’. Nada se
pe de em economia se, em ez de ‘combinação ó imo de insumos’, se diga ‘combinação
adequada de insumos’.
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De e-se e i a o hipe bolismo po que es e passa a imp essão de que se que
sob e alo iza e dades supe iciais ou a é i iais po meio de linguagem écnica.
Os e mos écnicos são ap op iados pa a concei os écnicos, não pa a oma o luga
daqueles que já azem pa e do conhecimen o comum há empos.
8.8 Mode ação em ez de o imização
Uma das con ibuições de A is ó eles oi a chamada ‘dou ina da média’. Não se e e ia
a alguma o ma de média ma emá ica ou es a ís ica, mas ao meio de um in e alo
(sendo es e meio uma aixa de posições ou opções, nem semp e um núme o). A dou-
ina começou como uma ecomendação a cada pessoa sob e a manei a de conduzi
bem o cu so de sua ida pa a alcança os alo es humanos sup emos (que A is ó eles
chama a de elicidade).
A dou ina não cob e odos os aspec os da ida, mas somen e algumas o mas
de condu a em que o indi íduo es á sujei o a come e excessos an o de mui o como de
pouco. A is ó eles ecomenda a cul i a -se a mode ação na ida, e i ando-se os excessos.
Faze escolhas in e mediá ias ajuda a encon a o cu so da ida que seja p uden e,
enha sabedo ia (seja adequado con o me o conhecimen o exis en e) e aga elicidade
(seja sa is a ó io em uma pe spec i a de ho izon e longo).
Ele escla ecia isso com exemplos do senso comum sob e di e sas i udes, ais
como a co agem. É azoá el que pouca co agem seja menosp ezada como co a dia,
mas ambém que o excesso o seja como impe uosidade, a obação ou eme idade. Ou o
exemplo oi a i ude de não se deixa domina po emoções o es ( ais como ódio e
ai a) nem po emoções pa alisado as ( ais como melancolia e desânimo). Também
de não se glu ão, mas não come ão pouco a pon o de en aquece -se.
Ob iamen e, a ecomendação de busca alguma posição in e mediá ia não é
ap op iada pa a oda ação ou condu a, dependendo das ci cuns âncias e de bom
julgamen o (Kaplan, 1977, p. 386-387; Hospe s, 1982, p. 102-103). Ela pa ece um an o
banal, a é que se pe cebam modismos sociais ais como um ecen e: o linguaja écnico
(ma emá ico) da eo ia econômica neoclássica popula izou-se na o ma de uma supos a
o ma de a uação adequada aos âmbi os da economia e da adminis ação.
To nou-se comum que se p ome a maximiza is o ou aquilo, bem como o imiza .
São p omessas de compo a -se na ida eal ab açando os excessos, algo que não e a
a in enção dos c iado es da eo ia neoclássica. Máximos, mínimos e ó imos exis em no
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mundo idealizado da eo ia neoclássica somen e po que oi a manei a de consegui -se
u iliza o cálculo di e encial e in eg al como ins umen o concei ual na cons ução
da eo ia.
Essa écnica ma emá ica ca ac e iza-se po essal a ex emos. Toda ia, não signi ica
seque que os agen es na ida eal ( i mas, po exemplo) enham capacidade e condições
de maximiza ou o imiza . Em ce os campos es i os, aplicam-se a p oblemas p á icos
ce as écnicas ma emá icas. Es as são, po exemplo, p og amação linea e p og amação
não linea . A não se em campos como es es, não há p ocedimen os de maximiza ou
o imiza em adminis ação ou em economia de negócios na ida eal.
A eo ia neoclássica é desc i i a, não no ma i a; não az ecomendações. Faze
a ecomendação ou oma a esolução de o imiza é assumi uma posição no ma i a,
algo que cai no campo da iloso ia dos alo es. Uma iloso ia de o imiza pa ece inspi-
ada em imi a a imagem eó ica de uma i ma e induz a escolhe a i udes ex emas.
Es as êm boa chance de aze decepção na expe iência de ida, pois em ge al não
há in o mações eais su icien es pa a se iden i ica o ó imo nem pa a se sabe se
oi alcançado.
Nesse con ex o, cabe bem ou a iloso ia, mais sensa a po que mais ajus ada à
ince eza da ida eal. Ou seja, a ecomendação de A is ó eles de e i a os ex emos.
Um co olá io dela é que, em ge al, há á ias manei as de busca , de en a e de agi , não
uma só (nem duas somen e, os dois ex emos). Pela mesma azão, há á ias manei as
de melho a e de ape eiçoa , em con as e com ealiza um só ó imo.
Também em adminis ação, em polí ica econômica e em polí icas públicas é
u í e o oma o pe cu so que seja p uden e, enha sabedo ia e aga bem-es a aos
cidadãos. Em ge al, o que uma linguagem sób ia p ome e? O que uma ação ealis a
busca e en a aze ? O que o possí el ealiza com boa on ade e dedicação nas
ci cuns âncias; não o máximo nem o ó imo.
9 DESEMPENHO
O que oi di o no p esen e ex o sob e e iciência e sob e p odu i idade não enco aja
os lei o es a en a medi es as ca ac e ís icas. Toda ia, aos lei o es que ainda es ão
enco ajados, ecomenda-se que não mis u em desempenho com e iciência; que açam
es ima i as ou compu ações sepa adas. Um ela ó io de desempenho de uma o gani-
zação expõe obje i os e me as pa a algum pe íodo de empo e a ex ensão em que o am

TEXTO pa a DISCUSSÃO
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alcançadas. Em emp esas é comum que, em g ande pa e, obje i os e me as possam
se obse á eis e medí eis. Po exemplo, an as geladei as o am p oduzidas no ano.
Po ém, mesmo em uma emp esa há pa e deles que não pode se medida obje-
i amen e; o que oco e, po exemplo, no campo da ges ão de iscos. Somen e uma
análise especí ica de um aciden e pode da in o mações que pe mi am um julgamen o
sob e e ha ido alha da ges ão ou não. E não se ia sensa o e somen e obje i os
ca ac e izá eis obje i amen e ou mensu á eis ou ambos. Is o exclui ia, po exemplo,
aqueles de elações com a comunidade in e na, com a comunidade ex e na, com os
sindica os de emp egados e com adminis ações go e namen ais locais.
Os esul ados das a i idades es a ais e o desempenho de um ó gão público são
mais di íceis de a e i do que aqueles do se o p i ado. As manei as de a e i são mais
ince as e mais subje i as; logo, são ambém mais a bi á ias, mais manipulá eis e
mais con o e sas. Uma azão é que, em ge al não exis em p eços pa a os obje i os de
polí icas públicas nem exis em luc os pa a as o ganizações que isam alcança esses
obje i os. Po exemplo, não exis e p eço pa a qualidade do meio ambien e (A anson,
1982, p. 374-375).
De modo semelhan e, não exis em p eços pa a saúde pública, pa a segu ança
pública, pa a o ní el de escola idade da população, pa a uma melho ia da qualidade
de ins ução nas escolas públicas ou pa a uma edução da desigualdade de enda.
Cabe no a que me cados uncionam com p eços genuínos; is o é, p eços que alguém
banca. Quem que paga mos a o dinhei o; quem di a p eço expõe a me cado ia. Is o
é di e en e do que azem alguns econome is as e analis as de cus o-bene ício, que
ex aem ‘p eços’ de seus caldei ões de dados em suas cozinhas de eg essões.
10 ECONOMIA E EFICIÊNCIA EM UM MUNDO IMPERFEITO
Como se sabe, a in e p e ação cos umei a da eo ia mic oeconômica neoclássica inclui
um alegado p essupos o de que há in o mação pe ei a. Re le indo sob e is o, Is ael
Ki zne conclui que não oco em e os e não exis e ine iciência aloca i a nesse mundo
da eo ia. Não ha endo e os, nenhum indi íduo ou i ma deseja melho ias nem em
ape eiçoamen os a aze . Logo, inexis em opo unidades genuínas de ape eiçoamen os
na sociedade e não é possí el ha e melho ia do bem-es a social. Po conseguin e, po
exemplo, não se pode explica a oco ência de mudanças na ecnologia que oco em no
mundo eal. Os ins umen os eó icos da economia neoclássica e i am um p oblema
impo an e. Essa imagem do mundo é emba açosa e insa is a ó ia.
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Ki zne p opõe um modo de e di e en e. P imei o, “Nosso mundo es á eple o de
ine iciência”. Há mui as ocasiões de ‘ine iciência aloca i a’. Segundo, elas pode iam
se emo idas. Pois elas dão indicações de opo unidades econômicas inexplo adas,
as quais ainda não o am no adas ou descobe as. Exis e um escopo eno me pa a
ape eiçoamen os econômicos. Te cei o, uma análise econômica que econhece is o
ê as pessoas emp eendedo as como sendo aquelas que buscam e explo am ais
opo unidades. Sob es e ângulo, não há qualque di iculdade de explica po que há
mudanças e ino ações (Ki zne , 1978, p. 73-74).
Esse modo de e inse e-se em uma isão de mundo que se opõe a uma adição
a caica em economia. O século XVIII cul i ou uma isão o imis a do mundo, segundo
a qual ha ia uma o dem da na u eza que e a bené ica. Adam Smi h inha es a isão
e disseminou-a en e os economis as. O século XIX espalhou ou a isão o imis a,
o de e minismo his ó ico do p og esso. Apesa de ocasionais passos pa a ás, a huma-
nidade es a ia p edes inada a pe co e uma aje ó ia de p og esso cada ez maio .
A ma cha da his ó ia ou a e olução humana a ia um p og esso ine i á el.
Do início do século XX pa a cá, pa ece que somen e a dou ina econômica es á
me gulhada nessa adição o imis a. De modo que somen e os economis as ac edi am
que exis e no uni e so uma pa e que é quase pe ei a; e es a pa e é um campo de
a i idades humanas, o único que unciona e icien emen e. Es e campo se ia a economia
de me cado. Es a isão é incong uen e com a biologia e olucioná ia a ual, cuja mensa-
gem é que o enômeno da ida e o o ganismo do se humano comumen e êm alhas.
Em ge al, as adap ações dos se es i os à na u eza são impe ei as (Sobe , 1984,
p. 175). O ajus e dos se es i os ao ambien e deixa exis i em de ei os em um o ganismo,
ais como aços indi iduais inú eis ou noci os (Dobzhansky, 1972, p. 372). A seleção
na u al e ou os p ocessos de e olução na u al o necem aos se es i os ca ac e ís icas
de sob e i ência, mas não o es ado de pe eição (Nichols, 2019, p. ix). É sabido que a
pos u a e e a do co po humano acili a a oco ência de p oblemas de saúde; ou seja,
não é ‘um ó imo’, não é e icien e no sen ido écnico (Gould e Lewon in, 1984, p. 266).
Mui os se es i os u ilizam ene gia química, a qual es á p esen e nos alimen os.
Con udo, ao u ilizá-la, a e iciência é de 50% no máximo, pois g ande pa e (pelo menos
me ade) da ene gia dissipa-se assumindo a o ma de calo (Lu ia, 1979, p. 78). Os animais
e os se es humanos êm co pos ine icien es ene ge icamen e. Compa ando-se alguns
g upos de animais, os pe cen uais de e iciência mais al os são dos inse os não sociais,
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que a iam de 39% a 56%. Os inse os sociais, bem como os peixes, êm e iciência de
10%. Mui os mamí e os êm e iciência de 3,1% e os pássa os êm e iciência de 1,3%
(Pu es e O ians, 1983, p. 214).
No malmen e a e iciência ene gé ica do co po humano ica abaixo de 25% e
a amen e ap oxima-se des a po cen agem (Ru he o d, Hol on e Wa son, 1981, p. 299).
A e iciência do co po humano é 18%, enquan o o co po de um ca alo em e iciência
de 10% (McNeill, 2000, p. 11).
Há uma conside á el li e a u a sob e de ei os es u u ais do o ganismo humano
(po exemplo, Medawa , 1957, c. 6; Zeigle , 2016, c. 16). O mais conhecido é o c uza-
men o das ias aé eas com o ubo que ai da boca ao es ômago; c ia condições de
engasgo, o qual pode le a à mo e súbi a po as ixia. Ou o oco e nos mecanismos
de imunidade, que a acam o co po com ale gias e com eações au oimunes. O co po
ambém não p oduz ce as i aminas necessá ias, ais como a i amina C.
Ki zne p opõe um modo de e a economia que a econhece como sendo impe -
ei a e endo de ei os. Es a é uma isão mais cong uen e com o mundo em ge al, onde
a na u eza, os se es i os e o co po humano são salpicados de de ei os. A ecnologia
em conside á el ine iciência ene gé ica em compa ação com o que se p ecisa e as
ou as espécies de a aze es humanos são impe ei as ( ais como as es e as polí ica,
social e indi idual dos se es humanos). O a, uma economia de me cado eal é ope ada
e mo imen ada po se es humanos. É implausí el e mis e ioso que enha e iciência
p óxima de uma idealização eó ica, quando nada mais na ealidade o em.
11 COMENTÁRIOS FINAIS
Emp ega-se com equência a pala a ‘e iciência’ e seus cogna os no deba e sob e polí-
icas públicas. No en an o, a pala a em á ios sen idos écnicos dis in os, alguns dos
quais se con undem com p odu i idade, com economias de escala e com o imização.
Também em signi icados leigos bas an e agos, aludindo a e icácia, a compe ência,
a adequação, a aze bem ei o, a agilidade, en e ou os. Pa alelamen e, dá-se mui a
impo ância a e iciência como alo e obje i o de polí icas públicas. Toda ia há econo-
mis as de enome que con es am o al o alo que se a ibui à e iciência.
O p esen e Tex o pa a Discussão eelabo ou algumas ideias desses economis as,
endo em is a sua possí el ele ância pa a as discussões de polí icas públicas no
B asil dos empos ecen es. Buscando escla ece a con usão de ideias em o no de
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3126
e iciência, suge e que se emp egue menos es e e mo, que ocando-o po ou os e mos
e locuções écnicas que especi icando conc e amen e com pala as desc i i as e
p ecisas o que se p e ende dize .
Analisando aspec os básicos de e icácia e de e iciência, bem como disco endo
sob e á ios signi icados de ‘e iciência’, o ex o dá apoio à p oposição de que em eco-
nomia e adminis ação dá-se impo ância demasiada a e iciência. É demasiada sob
dois ângulos, um in ínseco e ou o ope acional.
Sob o ângulo in ínseco, ela é a ada como um obje i o a se colocado no mesmo
ní el de impo ância que os ou os e p incipais obje i os de uma o ganização. Como
se não osse azoá el, sensa o ou co e o que algum dos ou os obje i os sac i icasse
algum an o de e iciência. Ademais, ela é a ada como sendo uma ca ac e ís ica pu a-
men e écnica, como se o es o ço de se e icien e não pudesse p ejudica qualque
um dos ou os obje i os. No ja gão econômico, como se não hou esse ade-o en e
e iciência e os p incipais obje i os de uma o ganização.
Em objeção a isso, cabe essal a que al e a p ocesso de p odução comumen e
em cus o; de modo simila ambém em cus o al e a p ocedimen os adminis a i os
e modos de ge enciamen o. Ou seja, alguns ecu sos p ecisa iam se sub aídos dos
es o ços pa a alcança obje i os p incipais e alocados a um es o ço de mais e iciência.
Sucede que e iciência é uma manei a de a alia os meios jun amen e com os modos
pelos quais se en a alcança os ins. Em ez de es a no mesmo ní el de impo ância
que os p incipais obje i os, es á sujei a a es es. Se a ele ância de um obje i o es i e
em um g au su icien emen e al o, pode não ale a pena sac i ica um an o dele po
um quan o de e iciência.
Também sob o ângulo in ínseco, a e iciência de uma o ganização é e iciência
pa a cump i seus obje i os. Mas há os obje i os como os ê a p óp ia o ganização e
há aqueles como os ê um julgado de o a dela. Demse z chama a enção pa a o a o
de que um julgado pode da no a de ine icien e po que desconhece algum obje i o
ou p odu o menos isí el da o ganização – ou a é po que não acei a alguns obje i os
como bené icos.
Sob o ângulo ope acional, há o aspec o de que os p ocessos de p odução emp egados
po de e minada o ganização são complexos. Comumen e emp esas p oduzem ou
o necem mui as espécies de bens e se iços, assim como o ganizações em ge al êm
á ios obje i os. O núme o de p odu os ou obje i os, combinado com um núme o g ande
de espécie de insumos, az com que uma i ma ou uma o ganização seja compos a de
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Ipea – Ins i u o de Pesquisa Econômica Aplicada
EDITORIAL
Coo denação
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Supe isão
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Edi o ação
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The manusc ip s in languages o he han Po uguese
published he ein ha e no been p oo ead.
Missão do Ipea
Ap imo a as polí icas públicas essenciais ao desen ol imen o b asilei o
po meio da p odução e disseminação de conhecimen os e da assesso ia
ao Es ado nas suas decisões es a égicas.
Missão do Ipea
Quali ica a omada de decisão do Es ado e o deba e público.