Unga e i, Ca los Rena o; de Mendonça, Ma co Au élio Al es; Nunes, Ticiana
Gab ielle Ama al
Wo king Pape
A China pode a e a a ansição ene gé ica na Amé ica
La ina? Uma análise a pa i do índice de ansição
ene gé ica do Fó um Econômico Mundial
Tex o pa a Discussão, No. 3076
P o ided in Coope a ion wi h:
Ins i u e o Applied Economic Resea ch (ipea), B asília
Sugges ed Ci a ion: Unga e i, Ca los Rena o; de Mendonça, Ma co Au élio Al es; Nunes, Ticiana
Gab ielle Ama al (2025) : A China pode a e a a ansição ene gé ica na Amé ica La ina? Uma análise
a pa i do índice de ansição ene gé ica do Fó um Econômico Mundial, Tex o pa a Discussão, No.
3076, Ins i u o de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), B asília,
h ps://doi.o g/10.38116/ d3076-po
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3076
A CHINA PODE AFETAR A TRANSIÇÃO
ENERGÉTICA NA AMÉRICA LATINA?
UMA ANÁLISE A PARTIR DO ÍNDICE DE
TRANSIÇÃO ENERGÉTICA DO FÓRUM
ECONÔMICO MUNDIAL
CARLOS RENATO UNGARETTI CARLOS RENATO UNGARETTI
MARCO AURÉLIO ALVES DE MENDONÇA MARCO AURÉLIO ALVES DE MENDONÇA
TICIANA GABRIELLE AMARAL NUNES TICIANA GABRIELLE AMARAL NUNES
3076
Rio de Janei o, janei o de 2025
A CHINA PODE AFETAR A
TRANSIÇÃO ENERGÉTICA NA
AMÉRICA LATINA? UMA ANÁLISE
A PARTIR DO ÍNDICE DE
TRANSIÇÃO ENERGÉTICA DO
FÓRUM ECONÔMICO MUNDIAL
CARLOS RENATO UNGARETTI1
MARCO AURÉLIO ALVES DE MENDONÇA2
TICIANA GABRIELLE AMARAL NUNES3
1. Bolsis a do Subp og ama de Pesquisa pa a o Desen ol imen o Nacional
(PNPD) na Di e o ia de Es udos In e nacionais do Ins i u o de Pesquisa
Econômica Aplicada (Din e/Ipea). E-mail: ca los.unga [email p o ec ed].b .
O cid: h ps://o cid.o g/0000-0002-1599-2941.
2. Técnico de planejamen o e pesquisa na Din e/Ipea. E-mail:
[email p o ec ed].b . O cid: h ps://o cid.o g/0000-0001-7806-4942.
3. Bolsis a do PNPD na Din e/Ipea; e dou o anda pelo Ins i u o
de Es udos Sociais e Polí icos da Uni e sidade do Es ado do
Rio de Janei o (Iesp/Ue j). E-mail: iciana [email p o ec ed].
O cid: h ps://o cid.o g/0000-0002-0999-9637.
Tex o pa a
Discussão
Publicação se iada que di ulga esul ados de es udos e pesquisas
em desen ol imen o pelo Ipea com o obje i o de omen a o deba e
e o e ece subsídios à o mulação e a aliação de polí icas públicas.
© Ins i u o de Pesquisa Econômica Aplicada – ipea 2025
Unga e i, Ca los Rena o
A China pode a e a a ansição ene gé ica na Amé ica La ina?
Uma análise a pa i do índice de ansição ene gé ica do Fó um
Econômico Mundial / Ca los Rena o Unga e i, Ma co Au élio Al es
de Mendonça, Ticiana Gab ielle Ama al Nunes. – Rio de Janei o:
Ipea, 2025.
81 p. : il., g á s. – (Tex o pa a Discussão ; n. 3076).
Inclui Bibliog a ia.
ISSN 1415-4765
1. T ansição Ene gé ica. 2. Índice de T ansição Ene gé ica. 3.
In es imen os. 4. China. 5. Amé ica La ina. I. Mendonça, Ma co
Au élio Al es de. II. Nunes, Ticiana Gab ielle Ama al. III. Ins i u o de
Pesquisa Econômica Aplicada. IV. Tí ulo.
CDD 333.794
Ficha ca alog á ica elabo ada po Elizabe h Fe ei a da Sil a CRB-7/6844.
Como ci a :
UNGARETTI, Ca los Rena o; MENDONÇA, Ma co Au élio Al es de;
NUNES, Ticiana Gab ielle Ama al. A China pode a e a a ansição
ene gé ica na Amé ica La ina? Uma análise a pa i do índice de
ansição ene gé ica do Fó um Econômico Mundial. Rio de Janei o:
Ipea, Jan. 2025. 81 p. (Tex o pa a Discussão, n. 3076). DOI: h p://
dx.doi.o g/10.38116/ d3076-po
JEL: Q01; Q48; Q56; Q58; F02; F6; F15; F35.
As publicações do Ipea es ão disponí eis pa a download g a ui o nos
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As opiniões emi idas nes a publicação são de exclusi a e in ei a
esponsabilidade dos au o es, não exp imindo, necessa iamen e, o
pon o de is a do Ins i u o de Pesquisa Econômica Aplicada ou do
Minis é io do Planejamen o e O çamen o.
É pe mi ida a ep odução des e ex o e dos dados nele con idos, desde
que ci ada a on e. Rep oduções pa a ins come ciais são p oibidas.
Go e no Fede al
Minis é io do Planejamen o e O çamen o
Minis a Simone Nassa Tebe
Fundação pública inculada ao Minis é io do
Planejamen o e O çamen o, o Ipea o nece supo e
écnico e ins i ucional às ações go e namen ais –
possibili ando a o mulação de inúme as polí icas
públicas e p og amas de desen ol imen o b asilei-
os – e disponibiliza, pa a a sociedade, pesquisas
e es udos ealizados po seus écnicos.
P esiden a
LUCIANA MENDES SANTOS SERVO
Di e o de Desen ol imen o Ins i ucional
FERNANDO GAIGER SILVEIRA
Di e o a de Es udos e Polí icas do Es ado,
das Ins i uições e da Democ acia
LUSENI MARIA CORDEIRO DE AQUINO
Di e o de Es udos e Polí icas Mac oeconômicas
CLÁUDIO ROBERTO AMITRANO
Di e o de Es udos e Polí icas Regionais,
U banas e Ambien ais
ARISTIDES MONTEIRO NETO
Di e o a de Es udos e Polí icas Se o iais,
de Ino ação, Regulação e In aes u u a
FERNANDA DE NEGRI
Di e o de Es udos e Polí icas Sociais
CARLOS HENRIQUE LEITE CORSEUIL
Di e o de Es udos In e nacionais
FÁBIO VÉRAS SOARES
Che e de Gabine e
ALEXANDRE DOS SANTOS CUNHA
Coo denado a-Ge al de Imp ensa e
Comunicação Social
GISELE AMARAL
Ou ido ia: h ps://www.ipea.go .b /ou ido ia
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SUMÁRIO
SINOPSE
ABSTRACT
1 INTRODUÇÃO ........................................................................... 6
2 O ÍNDICE DE TRANSIÇÃO ENERGÉTICA (ETI) ......................10
3 OS DESAFIOS DA TRANSIÇÃO ENERGÉTICA E O
IMPERATIVO DE ACELERAÇÃO ............................................17
4 A TRANSIÇÃO ENERGÉTICA NA CHINA E NA
AMÉRICA LATINA: TRAJETÓRIAS E DESAFIOS ...................26
4.1 A ansição ene gé ica na China ..............................................27
4.2 A ansição ene gé ica na Amé ica La ina ..............................38
5 SINERGIAS E POTENCIALIDADES ENTRE CHINA E
AMÉRICA LATINA PARA A TRANSIÇÃO ENERGÉTICA ........51
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS ......................................................57
REFERÊNCIAS ............................................................................60
APÊNDICE A...............................................................................77
APÊNDICE B ...............................................................................79
APÊNDICE C...............................................................................80
SINOPSE
O obje i o des e abalho consis e em explo a aje ó ias de ansição ene gé ica
na China e Amé ica La ina indicando suas sine gias e po encialidades. Pa indo de
uma desc ição do Índice de T ansição Ene gé ica (Ene gy T ansi ion Index – ETI)
e de uma explicação ace ca de sua me odologia, buscou-se mapea a ansição
ene gé ica global, en a izando seu momen um desa iado e o impe a i o de sua
acele ação. Nesse sen ido, iden i ica am-se es a égias que podem se concebidas
e implemen adas pa a a desca bonização dos sis emas de ene gia e sublinhou-se
a impo ância da coope ação in e nacional. Dadas as pa icula idades nacionais e
egionais, obse a am-se a e olução e as pe spec i as da ansição ene gé ica na
China e na Amé ica La ina, sob e udo no que diz espei o às dimensões de equidade,
segu ança e sus en abilidade. A gumen ou-se que a China pode se cons i ui uma
aliada-cha e pa a a ansição ene gé ica na Amé ica La ina, con ibuindo pa a a
edução das lacunas de in es imen o, a di e si icação dos sis emas de ene gia e
o desen ol imen o de indús ias e des.
Pala as-cha e: China; Amé ica La ina; ansição ene gé ica; Índice de T ansição
Ene gé ica; in es imen os.
ABSTRACT
The objec i e o his wo k was o explo e ene gy ansi ion ajec o ies in China and
La in Ame ica, indica ing hei syne gies and po en ial. S a ing om a desc ip ion o
he Ene gy T ansi ion Index (ETI) and an explana ion o i s me hodology, we sough
o map he global ene gy ansi ion, emphasizing i s challenging momen um and
he impe a i e o i s accele a ion. In his sense, s a egies ha can be designed
and implemen ed o he deca boniza ion o ene gy sys ems we e iden i ied, and
he impo ance o in e na ional coope a ion was highligh ed. Gi en na ional
and egional pa icula i ies, he e olu ion and pe spec i es o he ene gy ansi ion
in China and La in Ame ica we e obse ed, especially wi h ega d o he dimensions
o equi y, secu i y, and sus ainabili y. I was a gued ha China can cons i u e a key
ally o he ene gy ansi ion in La in Ame ica, con ibu ing o educing in es men
gaps, di e si ying ene gy sys ems, and de eloping g een indus ies.
Keywo ds: China; Ame ica La ina; ene gy ansi ion; Ene gy T ansi ion Index; in es men s.
SINOPSE
ABSTRACT
1 INTRODUÇÃO ........................................................................... 6
2 O ÍNDICE DE TRANSIÇÃO ENERGÉTICA (ETI) ......................10
3 OS DESAFIOS DA TRANSIÇÃO ENERGÉTICA E O
IMPERATIVO DE ACELERAÇÃO ............................................17
4 A TRANSIÇÃO ENERGÉTICA NA CHINA E NA
AMÉRICA LATINA: TRAJETÓRIAS E DESAFIOS ...................26
4.1 A ansição ene gé ica na China ..............................................27
4.2 A ansição ene gé ica na Amé ica La ina ..............................38
5 SINERGIAS E POTENCIALIDADES ENTRE CHINA E
AMÉRICA LATINA PARA A TRANSIÇÃO ENERGÉTICA ........51
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS ......................................................57
REFERÊNCIAS ............................................................................60
APÊNDICE A...............................................................................77
APÊNDICE B ...............................................................................79
APÊNDICE C...............................................................................80
TEXTO pa a DISCUSSÃO
6
3076
1 INTRODUÇÃO
A ansição ene gé ica es á o emen e associada à c ise climá ica e à necessá ia des-
ca bonização dos sis emas de ene gia, esponsá eis po ce ca de ês qua os do o al
de emissões globais de gases de e ei o es u a (GEEs). Po isso, a edução do uso de
combus í eis ósseis pa a ge ação de ele icidade, anspo es e p ocessos indus iais
o na-se mais do que imp escindí el pa a eduzi o ní el de emissões de GEEs e p e eni
os e ei os associados ao aumen o da empe a u a global (Ri chie, 2020).1
Ao con á io de ansições p edecesso as, que se es ende am po pe íodos de
empo p olongados e se no abiliza am mais pela adição de no as on es de ene gia
e ecnologias associadas do que pela sua subs i uição (Yo k e Bell, 2019; Fouque ,
2016), os desa ios climá icos a uais do am o p ocesso de ansição con empo âneo
de singula idades (Singh e al., 2019).
De aco do com a Agência In e nacional de Ene gias Reno á eis (In e na ional
Renewable Ene gy Agency – I ena), os comp omissos climá icos a uais encon am-se
aquém do necessá io pa a a ingi a me a de limi a o aumen o da empe a u a em
1,5 °C, con o me es abelecido pelo Aco do de Pa is. O i mo a ual é ido como
insu icien e. Os es o ços de es ímulo du an e a pandemia ep esen a am uma opo -
unidade pe dida: apenas 6% dos US$ 15 ilhões em paco es de ecupe ação dos
países do G upo dos Vin e (G20) o am di ecionados pa a ene gias limpas em 2020
e 2021 (I ena, 2022b; 2023b).
O mais ecen e ela ó io da Agência In e nacional de Ene gia (In e na ional Ene gy
Agency – IEA) eco da que a empe a u a global já es á em 1,2 °C acima dos ní eis
p é-indus iais e seus impac os já se mani es am em equen es ondas de calo e e en-
os climá icos ex emos (IEA, 2023c). O Painel In e go e namen al sob e Mudanças
Climá icas (In e go e nmen al Panel o Clima e Change – IPCC), em seu mais ecen e
ela ó io, a i mou inclusi e que di icilmen e a empe a u a global ica á abaixo dos 2 °C
nes e século2 (IPCC, 2023). Há, po an o, pouco espaço pa a mi igação e adap ação,
embo a o i mo de c escimen o das indús ias e des seja animado .
1. Mais in o mações sob e as emissões globais de GEEs disponí eis em: h ps://www.clima ewa chda a.
o g/ghg-emissions?end_yea =2021&s a _yea =1990.
2. Caso as Con ibuições Nacionalmen e De e minadas (NDCs) pe maneçam inal e adas a é 2030, sem
no os comp omissos mais ambiciosos, p oje a-se que o aumen o médio da empe a u a global a é o
im des e século possa se de 2,8 °C (IPCC, 2023).
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
7
3076
Desde 2020, os in es imen os em ene gia limpa c esce am 40%, com expec a i as
que indicam o ac éscimo de 500 GW de capacidade eno á el apenas em 2023.
Enquan o isso, 20% dos eículos endidos em 2023 o am elé icos, ao passo que, ês
anos a ás, a p opo ção e a de 1/25 (IEA, 2023c).
Nesse con ex o, hou e, nos úl imos anos, a p oli e ação de anúncios de me as de
neu alidade de ca bono po pa e de g andes economias, incluindo China, Es ados
Unidos e União Eu opeia (UE), as quais, nas p epa ações pa a a 26a Con e ência das
Nações Unidas sob e Mudanças Climá icas (COP26), em 2021, subme e am me as
mais ambiciosas de edução de emissões a é 2030. A ualmen e, ce ca de 88% das
emissões globais de i adas de combus í eis ósseis encon am-se, de alguma o ma,
con empladas po algum ipo de me a de ca bono ze o, englobando 128 países, 92%
do p odu o in e no b u o (PIB) global e 85% da população mundial.3
Além dos comp omissos de mi igação da c ise climá ica, g andes economias
emisso as e países em desen ol imen o êm p ocu ado ans o ma seus sis emas
de ene gia, bem como assegu a seu uncionamen o segu o, sus en á el e acessí el.
Os in es imen os “ e des” em ene gias limpas e a implemen ação de ecnologias de
e iciência ene gé ica, além de eduzi danos socioambien ais, são undamen ais pa a a
segu ança ene gé ica e podem impulsiona a compe i i idade indus ial, p omo endo,
inclusi e, bem-es a (Fu e al., 2021; Belaid, Al-Sa ihi e Al-Mes nee , 2023). Em azão
disso, há c escen e p io ização po pa e dos Es ados na alocação de in es imen os
públicos ol ados à ino ação, à indus ialização sus en á el e à desca bonização,
con o me exp esso nas di e izes do A o de Redução da In lação (In la ion Reduc ion
Ac – IRA), nos Es ados Unidos, e no Pac o Ecológico Eu opeu (EU G een Deal) (Guedel
e Eichenbe ge , 2023).
A despei o dos consensos es abelecidos globalmen e e dos es o ços nacionais
e mul ila e ais exis en es na p omoção da ansição ene gé ica, a a aliação de seus
p og essos e dilemas é complexa. Os países e as egiões se ca ac e izam po di e en es
es ágios de desen ol imen o e dis in as in aes u u as ene gé icas, ao mesmo empo
que suas capacidades pa a conduzi mudanças subs an i as em di eção aos obje i os
de desca bonização e desen ol imen o sus en á el são igualmen e di e enciadas.
3. Disponí el em: h ps://eciu.ne /ne ze o acke .
TEXTO pa a DISCUSSÃO
8
3076
Po isso, á ios índices4 o am desen ol idos com o obje i o de exp essa , comunica
e o e ece pano amas elacionados à ansição ene gé ica. Esses ankings ag egam
di e sos ipos de indicado es e, embo a não isen os de c í icas, con ibuem aos es o ços
de quan i ica e quali ica aspec os e e en es ao desempenho dos países, pe mi indo
a ealização de compa ações e análises que podem se emp egadas pa a di e en es
inalidades, ais como: sublinha mudanças ao longo do empo; a alia p og essos em
elação aos comp omissos nacionais e egionais; in o ma endências aos omado es
de decisão, aos o mulado es de polí ica e às demais pa es in e essadas; explo a
opo unidades de in es imen o; e acili a p e isões (Neo y ou, Nikas e Doukas, 2020).
Dian e da c escen e impo ância associada ao mapeamen o dos p og essos da
ansição ene gé ica global, o Fó um Econômico Mundial (Wo ld Economic Fo um –
WEF) desen ol eu o Índice de T ansição Ene gé ica (Ene gy T ansi ion Index – ETI),
en endido como uma e amen a analí ica ab angen e, capaz de as ea o desempenho
dos sis emas de ene gia dos países e as condições que os habili am a p omo e a
ansição ene gé ica.
Pa a os p opósi os des e es udo, o ETI se á u ilizado pa a subsidia o mapeamen o
da ansição ene gé ica de países selecionados, em pa icula , sua aje ó ia ao longo da
úl ima década, e con ibui pa a a concepção de es a égias capazes de acele a os
caminhos de desca bonização dos sis emas de ene gia. De o ma mais especí ica,
assume-se que o índice pe mi i á a obse ação da e olução e a p ospecção de cená ios
u u os pa a a ansição ene gé ica na Amé ica La ina.
A cen alidade da China é econhecida pa a o a ingimen o das me as in e nacio-
nalmen e aco dadas de mi igação das mudanças climá icas. Embo a esponsá el po
ce ca de um e ço das emissões globais de CO
2
(Ri chie e Rose , 2020), o país asiá ico
a ualmen e de ém a maio capacidade ins alada de ge ação de ene gia eno á el5 e se
4. Há di e en es índices compos os que p opõem mapea aspec os especí icos à emá ica da ansição
ene gé ica, como segu ança, acessibilidade e sus en abilidade, incluindo: Índice de Segu ança Ene gé ica
(Ene gy Secu i y Risk Index); Índice Mul idimensional de Pob eza Ene gé ica (Mul idimensional Ene gy
Po e y Index – Mepi); Índice de Ene gia e Desen ol imen o Sus en á el (Sus ainable Ene gy De elopmen
Index – Sedi); e Índice T ilema de Ene gia (Ene gy T ilemma Index) (Kuc-Cza necka, Olczyk e Zinecke , 2021).
5. De aco do com dados de I ena (2021), a China, sozinha, co esponde a 30% da capacidade hid elé ica
e a 41% da capacidade eólica global, bem como a 37% da po ência sola ins alada.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
15
3076
4)
Países em isco (a - isk coun ies): en en am desa ios signi ica i os em suas
aje ó ias de ansição ene gé ica e ap esen am pon uações abaixo da média,
bem como axas de c escimen o nega i as.
QUADRO 2
Dis ibuição dos países nas qua o ca ego ias ou quad an es, po dimensão do
desempenho do sis ema de ene gia
Dimensão Equidade Segu ança Sus en abilidade
Países líde es 26% da população mundial 51% do o necimen o
global de ene gia 11% das emissões globais
Países a ançados 36% da população mundial 14% do o necimen o
global de ene gia 77% das emissões globais
Países es á eis 11% da população mundial 14% do o necimen o
global de ene gia
Menos de 1% das
emissões globais
Países em isco 17% da população mundial 10% do o necimen o
global de ene gia 4% das emissões globais
Fon e: WEF (2023).
Elabo ação dos au o es.
Os países ociden ais de al a enda são conside ados de economia a ançada14 e
ocupam posições de lide ança na ansição ene gé ica, sob e udo nas dimensões de
equidade e segu ança, embo a com desempenhos in e io es na dimensão da sus en a-
bilidade. As economias da Ásia, Amé ica La ina e Á ica subsaa iana ocupam ce ca de
60% das posições conside adas em isco nas dimensões de equidade e segu ança. Já
as economias eme gen es e em desen ol imen o da Ásia e os países do O ien e Médio
e No e da Á ica são aqueles conside ados em isco na dimensão da sus en abilidade.15
A lis a dos in e p imei os colocados no anking do ETI é dominada pelos países
do Ociden e, com exceção de B asil, China e Hung ia ( abela 1). Esse pano ama e o ça
as dispa idades exis en es em elação aos di e en es es ágios de desen ol imen o
socioeconômico e o econhecimen o de que as nações possuem ca a e ís icas he e o-
gêneas e capacidades di e enciadas pa a p omo e aje ó ias consis en es de desca -
bonização, aspec o que encon a co espondência no p incípio das “ esponsabilidades
comuns po ém di e enciadas” (common bu di e en ia ed esponsabili ies – CBDR),16
14. A classi icação dos países de aco do com seu ní el de desen ol imen o e/ou egião encon a-se
de alhada no apêndice B.
15. Pa a uma ap eciação de alhada, consul a apêndice C.
16. O p incípio se esume nis o: de em a ca com a maio pa e dos epa os os países que, his o icamen e,
mais con ibuí am pa a a c iação do p oblema climá ico e os países que con am com a capacidade de
a ca com os cus os da implemen ação da agenda climá ica (Ama al e al., 2023).
TEXTO pa a DISCUSSÃO
16
3076
adicionalmen e de endido pelos países em desen ol imen o nas negociações
in e nacionais do clima (Jinnah, 2017).
TABELA 1
Vin e p imei os colocados no anking do ETI (2023)
Posição País Classi icação e/ou egião ETI Desempenho
do sis ema
P epa ação pa a
a ansição
1oSuécia Economia a ançada 78,5 81,0 74,8
2oDinama ca Economia a ançada 76,1 73,7 79,8
3oNo uega Economia a ançada 73,7 77,3 68,3
4oFinlândia Economia a ançada 72,8 68,9 78,6
5oSuíça Economia a ançada 72,4 75,7 67,4
6oIslândia Economia a ançada 70,6 73,9 65,6
7oF ança Economia a ançada 70,6 73,3 66,5
8oÁus ia Economia a ançada 69,3 69,2 69,5
9oHolanda Economia a ançada 68,8 65,7 73,5
10oEs ônia Economia a ançada 68,2 74,2 59,2
11oAlemanha Economia a ançada 67,5 64,6 71,9
12oEs ados Unidos Economia a ançada 66,3 68,4 63,2
13oReino Unido Economia a ançada 66,2 67,7 64,0
14oB asil Amé ica La ina e Ca ibe 65,9 68,9 61,3
15oPo ugal Economia a ançada 65,8 66,7 64,5
16oEspanha Economia a ançada 65,0 65,1 64,7
17oChina Ásia eme gen e e
em desen ol imen o 64,9 65,0 64,8
18oHung ia Eu opa eme gen e e
em desen ol imen o 64,3 68,8 57,5
19oCanada Economia a ançada 64,2 66,7 60,3
20oLuxembu go Economia a ançada 64,2 61,5 68,2
Fon e: WEF (2023).
Elabo ação dos au o es.
O pano ama con empo âneo se ca ac e iza pela exis ência de inúme os desa ios
pa a a e e i ação da ansição ene gé ica global e o a ingimen o das me as climá icas
in e nacionalmen e aco dadas. Os choques ex e nos dos úl imos anos impuse am
dilemas undamen ais aos países em e mos de equidade, segu ança e sus en abilidade,
o nando as pe spec i as pa a a ansição ene gé ica mais ince as e a necessidade
de sua acele ação mais e iden e.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
17
3076
3 OS DESAFIOS DA TRANSIÇÃO ENERGÉTICA E O IMPERATIVO
DE ACELERAÇÃO
O mais ecen e ela ó io Fos e ing E ec i e Ene gy T ansi ion (WEF, 2023) ap esen ou o
balanço do ETI ao longo do pe íodo de 2014 a 2023, de alhando os p og essos e
desa ios dos 120 países mapeados pelo índice. Du an e esse pe íodo, as pon uações
globais c esce am de o ma sucessi a a cada ano. A dimensão da p epa ação pa a
a ansição e e inc emen o de 19%, impulsionada pelos países eme gen es e em
desen ol imen o, mas apenas 6% das nações ob i e am melho ia na dimensão
desempenho do sis ema (g á ico 1).
GRÁFICO 1
Pon uações globais do ETI e de seus subíndices (2014-2023)
35
45
55
65
70
2014 2015 2016 2018 20192017 2020 2021 2023
ETI Desempenho do sis ema P epa ação pa a a ansição
40
50
60
51 52 53 53 54 55 55 56 56 56
59 60 61 62 62 62 62 62 63 63
39 40 40 41 42 43 44 45 45 46
2022
Fon e: WEF. Disponí el em: h ps://www.we o um.o g/publica ions/ os e ing-e ec i e-
ene gy- ansi ion-2023/coun y-deep-di es-a57a63d0d5/# epo -na .
Ce ca de 113 países p og edi am em suas pon uações, embo a apenas 55 enham
ob ido a anços supe io es a 10%. No a elmen e, g andes cen os eme gen es de
demanda po ene gia, como Índia, China e Indonésia, encon am-se den o desse g upo.
Apenas 41 países alcança am ganhos cons an es ao longo da década passada,17 en en-
didos es es como melho ias consis en emen e acima da média, suge indo a di iculdade
de sus en a p og essos e a ine en e complexidade da ansição ene gé ica.
17. Embo a mui as economias a ançadas es ejam p og edindo na ansição ene gé ica, qua o ze países
eme gen es e em desen ol imen o ambém se des aca am po seus a anços. Em e mos de melho ias,
Aze baijão, Quênia, Pa aguai e Zimbábue se sob essaí am nes e g upo de países.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
18
3076
Os c escen es desa ios em elação à equidade e à inclusão na ansição ene gé ica
impac a am a pon uação média global do ETI e con ibuí am pa a a sua es agnação
nos úl imos ês anos. Ou seja, há signi ica i os obs áculos pa a a p omoção de uma
ansição assen ada no equilíb io en e as dimensões do iângulo ene gé ico, p inci-
palmen e nos países em desen ol imen o, mais ulne á eis às ações e aos e ei os da
c ise climá ica, além de ap esen a em capacidades eduzidas em compa ação aos
países ociden ais. As desigualdades mani es am o desa io de não somen e p omo e
es a égias pa a ga an i a segu ança e a sus en abilidade, mas ambém o acesso a
ecu sos pa a e e i a caminhos jus os e equi a i os de ansição (An je e al., 2023).
A ola ilidade nos me cados de ene gia, causada po a o es econômicos e geopo-
lí icos, ge ou choques de p eços, ag a ando a pob eza ene gé ica. O con ex o ad e so
impac ou a compe i i idade de indús ias in ensi as em ene gia e ele ou os cus os
dos subsídios, implicando iscos ao c escimen o econômico. Os países de baixa enda
o am desp opo cionalmen e a e ados, en en ando in lação nos combus í eis e
alimen os. Hou e ambém ola ilidade e ince ezas nos me cados inancei os, com
ní eis c escen es de endi idamen o e cus os de emp és imo acen uadamen e mais
ele ados (Guéne e, Kenwo hy e Wheele , 2022).
GRÁFICO 2
Pon uações das dimensões do iângulo ene gé ico (2014-2023)
2014 2015 2016 2018 20192017 2020 2021 20232022
50
52
54
56
58
60
62
64
66
68
70
55,5 55,9 56,1 56,6 56,8 56,9 57,1 57,4 58,2 59,1
62,1 62,0
64,7 65,2 65,3 65,6 65,7 66,1 66,2 66,6
60,9 61,3 61,7
63,0 64,2 63,9 63,3 63,9
65,8
63,5
Equidade Segu ança Sus en abilidade
Fon e: WEF. Disponí el em: h ps://www.we o um.o g/publica ions/ os e ing-e ec i e-
ene gy- ansi ion-2023/coun y-deep-di es-a57a63d0d5/# epo -na .
Seguindo a edução sem p eceden es da demanda po ene gia causada pela
pandemia em 2020, obse ou-se no ano seguin e a e omada do consumo e da a i i-
dade econômica, esul ando em desequilíb ios subs anciais nos me cados de ene gia,
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
19
3076
com ele ação de p eços e c escimen o signi ica i o das emissões de GEEs (Belaid,
Al-Sa ihi e Al-Mes nee , 2023). A si uação ainda oi ag a ada pelo desen ola do con li o
usso-uc aniano, con o mando uma “ empes ade pe ei a” que, embo a enha a Eu opa
em seu núcleo, epe cu iu em odas as egiões do globo (WEC, 2022).
Os desdob amen os desse cená io signi ica am obs áculos à equidade e ao
c escimen o, bem como à segu ança ene gé ica e à sus en abilidade ambien al:
(...) al os p eços de ene gia colocam iscos pa a o c escimen o econômico e
ele am o cus o de ida. P og essos no acesso à ene gia o am pa alisados
e países começa am a en en a iscos eminen es de segu ança ene gé ica.
O consumo de combus í eis ósseis ambém aumen ou subs ancialmen e,
impulsionando as emissões pa a os ní eis mais al os na his ó ia. O con ex o a ual
sublinha alguns dos dilemas ine en es da ansição ene gé ica (WEF, 2022, p. 7).
A desin eg ação das cadeias de sup imen o de pe óleo e gás, em pa icula
o o necimen o de hid oca bone os ussos pa a o me cado eu opeu,18 impulsionou os
p eços do gás na u al pa a ní eis sem p eceden es, excedendo US$ 250,00 po ba il
equi alen e de pe óleo (ba el o oil equi alen – BOE),19 epe cu indo ambém em
ele ações nas co ações do ca ão, que a ingi am pa ama es eco des, e do pe óleo,
que ul apassou a ma ca dos US$ 100,00 BOE no p imei o semes e de 2022. Al os p eços
de gás e ca ão co esponde am a 90% das ele ações nos cus os globais de ele ici-
dade, cujos e ei os impulsiona am p essões in lacioná ias e c ia am iscos eminen es
de ecessão (IEA, 2022d, p. 19).
A in lação nos p eços de ene gia impõe sé ios iscos de acessibilidade ao o ne-
cimen o de ele icidade pa a comunidades mais ulne á eis. Es ima-se que ce ca de
75 milhões de pessoas que ecen emen e ob i e am acesso à ele icidade
20
podem
18. O con ex o de desa iculação do o necimen o de ene gia pa a a Eu opa ainda en ol eu episódios
de sabo agem aos gasodu os No d S eam, cons uídos pa a anspo a gás na u al da Rússia pa a a
Eu opa. Em se emb o de 2022, o am iden i icados g andes azamen os na in aes u u a do No d S eam
1 e 2, ele ando as ince ezas em elação ao abas ecimen o do me cado eu opeu (Majku e al., 2022).
19. Unidade u ilizada pa a con e e um olume de gás na u al em um olume de óleo. É u ilizada pa a
compa a , ou con e e , em equi alência é mica, um olume de gás na u al com um olume de óleo.
Po ba il, e e e-se a uma unidade de medida de olume, equi alen e a 158,98 li os, ou 0,15898 m3.
Disponí el em: h ps://comunicabaciadesan os.pe ob as.com.b /glossa io.
20. Os a anços no acesso à ele icidade o am mais signi ica i os na Ásia e apa en emen e mos am-se
mais esilien es se compa ados ao con inen e a icano. Hou e ele ação do acesso à ele icidade em
2020. Desde 2000, quase 1,2 bilhão de asiá icos ganha am acesso à ele icidade. Em 2020, iden i icou-se
axa de 97% de acesso à ele icidade na egião, em compa ação aos 67% em 2000. A Índia oi
esponsá el po ce ca de dois e ços des e p og esso. Disponí el em: h ps://www.iea.o g/ epo s/
sdg7-da a-and-p ojec ions/access- o-elec ici y.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
20
3076
pe de a capacidade de pagá-la, esul ando na ele ação do núme o o al de pessoas
sem acesso à ele icidade no mundo,21 ao passo que ap oximadamen e 100 milhões
podem e o na pa a a dependência de lenha pa a cozinha , em ez de soluções mais
limpas (IEA, 2022d).
Em espos a às ad e sidades econômicas e às ince ezas geopolí icas, os
go e nos ado a am medidas pa a lida com os desa ios do o necimen o de ene gia,
incluindo a ele ação da ge ação a pa i do ca ão
22
(Tolle son, 2022). O esul ado
oi um c escimen o de 0,9% – ou 321 mega oneladas (M ) – das emissões de CO2
elacionado ao se o de ene gia em 2022, a ingindo um pa ama eco de de mais de
38,8 giga oneladas (G ). Esse c escimen o oi, con udo, in e io ao espe ado,23 icando
abaixo dos 6% de c escimen o de 2021, que signi ica am a emissão de 2,1 G de CO2
elacionados apenas ao se o ene gia (IEA, 2023a; 2022b).
Mais ecen emen e, hou e apa en e alí io de algumas das p essões mais imedia as
da c ise ene gé ica global, embo a os me cados de ene gia e a economia mundial
pe manecessem ins á eis, com iscos con ínuos. Os p eços in e nacionais de combus-
í eis ósseis decaí am do pico a ingido em 2022, apesa de segui em olá eis com a
con inuidade do con li o na Uc ânia e dos possí eis iscos de con li os p olongados
no O ien e Médio (IEA, 2023c).
As ulne abilidades no acesso à ene gia coloca am a segu ança ene gé ica como
p io idade24 e impuse am implicações de cu o e longo alcance pa a a desca bonização
21. O núme o de pessoas ao edo do mundo que i em sem ele icidade aumen ou quase 20 milhões em
2022, chegando a quase 775 milhões, cons i uindo o p imei o aumen o global desde que a IEA começou
a as ea os núme os há in e anos. A maio pa e desse aumen o e ia oco ido na Á ica subsaa iana,
onde o núme o de pessoas sem acesso es á quase ol ando ao seu pico de 2013 (Cozzi e al., 2022).
22. O aumen o dos p eços do gás na u al e a compe ição global pelo combus í el impulsionou a
demanda po ca ão pa a ge ação de ene gia, à medida que os países en am eduzi sua dependência
dos sup imen os de ene gia ussos e buscam al e na i as ela i amen e mais ba a as. Alguns países
ea i a am usinas a ca ão, enquan o ou os aumen a am a p odução, isando expandi as expo ações.
Es ima-se que o consumo global de ca ão aumen ou 1,2% em 2022, ul apassando oi o bilhões de
oneladas em um único ano pela p imei a ez (Ene gy..., 2022; Imahashi, 2022).
23. Apesa da subs i uição de gás po ca ão em mui os países, a ampliação do uso de ecnologias
de ene gia limpa ajudou a e i a um adicional de 550 M em emissões de CO2. A edução na p odução
indus ial, especialmen e na China e na Eu opa, ambém con ibuiu pa a uma diminuição de 102 M em
emissões de i adas de p ocessos indus iais (IEA, 2023a).
24. No caso da UE, po exemplo, a segu ança ene gé ica oi p io izada a im de a enua os impac os
da gue a na Uc ânia. As medidas ado adas incluem a di e si icação dos o necedo es, em especial o
c escimen o das impo ações de gás na u al lique ei o (GNL) dos Es ados Unidos e do O ien e Médio,
bem como a acele ação da ansição ene gé ica po meio de polí icas como o REPowe EU, ol adas
ao c escimen o das on es eno á eis e à explo ação de on es al e na i as, como o hid ogênio e de
(Al-Saidi, 2023).
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
21
3076
dos sis emas de ene gia (Belaid, Al-Sa ihi e Al-Mes nee , 2023). Embo a o oco das
discussões enha se concen ado nas es a égias de segu ança ene gé ica dos países
eu opeus, p incipais comp ado es de pe óleo e gás usso, o con ex o de c ise ene gé ica
impac ou ambém os países em desen ol imen o, em especial as nações impo ado as
de combus í eis ósseis.25
Dian e de um con ex o de insegu ança ene gé ica (Bo do e O’Sulli an, 2023),
á ios países êm pe seguido es a égias duais de di e si icação, isando o alece
a segu ança ene gé ica an o po meio de al e na i as em suas ma izes de ene gia
quan o na di e si icação dos pa cei os de impo ação.26 A ampliação do leque de
o necedo es dilui iscos de choques ex e nos, enquan o a inco po ação da a iedade
de on es de ene gia limpa p o a elmen e se ampa a em po enciais de ge ação nacional
ou egional (B icou e al., 2022).
A in ensi icação dos es o ços pa a cons ui ma izes in ensi as em on es de baixo
ca bono implica, po an o, sine gias en e sus en abilidade e segu ança, com mi igação
das emissões e edução de ulne abilidades no longo p azo. As ene gias eno á eis
são a ualmen e as opções mais compe i i as em di e sas localidades, com edução de
89% dos cus os médios de p oje os sola es o o ol aicos de g ande escala en e 2010
e 2022, embo a inco am em ele ados cus os iniciais de capi al. A queda nos cus os da
ene gia eólica ambém oi ep esen a i a, da o dem de 69% pa a emp eendimen os em
e a (onsho e) e de 59% pa a p oje os o sho e du an e o mesmo pe íodo (I ena, 2023c).
Amplia a u ilização das ene gias eno á eis, em conjun o com es a égias
obus as de e iciência ene gé ica, consis e no caminho mais ealis a pa a a ingi a
me a de eduzi as emissões pela me ade a é 2030, con o me ecomendado pelo Painel
In e go e namen al sob e Mudanças Climá icas (In e go e nmen al Panel on Clima e
Change – IPCC).
27
A e iciência ene gé ica ep esen a ia a p imei a e apa da ansição pa a
25. De aco do com I ena (2022), ap oximadamen e 80% da população mundial habi a países que são
impo ado es líquidos de ene gia. Esses países con emplam an o nações desen ol idas (Alemanha,
I ália e Japão) quan o em desen ol imen o, em especial da Á ica e do Sudes e Asiá ico.
26. Segundo mapeamen o da WEF (2022), 11 das 34 economias a ançadas dependem exclusi amen e
de ês pa cei os come ciais pa a mais de 70% de suas impo ações de combus í eis. Da mesma
o ma, 10 de 18 economias eme gen es da Ásia, 27 de 30 países da Amé ica La ina e 26 de 46 da Á ica
Subsaa iana dependem de apenas ês países pa a a maio ia de suas impo ações de combus í eis.
27. De aco do com os cená ios a aliados pelo IPCC, limi a o aquecimen o em 1,5 °C eque que as
emissões de GEE a injam o pico an es de 2025 e sejam eduzidas em 43% a é 2030 (The E idence..., 2022).
TEXTO pa a DISCUSSÃO
22
3076
sis emas de ene gia de baixa emissão, o e ecendo soluções ápidas e econômicas28
pa a eduzi a in ensidade ene gé ica e o consumo de on es ósseis (Nam e Jin, 2021).
Gielen e al. (2019) ambém a gumen am que a e iciência ene gé ica e as ene gias
eno á eis cons i uem elemen os p imo diais pa a cons ui sis emas de ene gia de
baixo ca bono, enquan o suas sine gias são igualmen e impo an es, podendo con ibui
com a é 94% das eduções de emissões a é 2050.
29
A ele i icação eme ge como uma
á ea-cha e que exp essa essas con e gências, cons i uindo uma mega endência na
qual o uso de combus í eis pa a p odução de ene gia é eduzido, o consumo de ene gia
assume a o ma de ele icidade e os p ocessos indus iais e as a i idades sociais se
o nam menos dependen es de on es ósseis (Aal o e al., 2021).
As endências e pe spec i as elacionadas à ele i icação se alinham às ecomen-
dações da I ena (2022b; 2023b), que sublinham a impo ância de a anços associados
à “p óxima on ei a” da ansição ene gé ica, cen ada na desca bonização de se o es
de uso inal, como anspo es, p ocessos indus iais e aquecimen o domés ico, ainda
la gamen e dependen es de combus í eis ósseis.
30
Em con apa ida, os incen i os
pa a a ele i icação, impulsionados pelo c escimen o das ene gias eno á eis, exigem a
omada de ações pa a ende eça desa ios écnicos nos sis emas de ene gia e ga an i
a es abilidade e a con iabilidade das edes elé icas, bem como eduzi sua ulne abi-
lidade (Beyza e Yus a, 2021).
A mode nização dos sis emas elé icos se á undamen al pa a assegu a a in e-
g ação de á eas com ele ado po encial de ge ação de ene gia limpa e eno á el com
cen os consumido es. Igualmen e undamen al é o desen ol imen o de no as soluções
de lexibilidade, como ba e ias, e de incen i os pa a a adoção de aplicações ecnológicas
28. As ações podem inclui a cons ução de sis emas de aquecimen o e e ige ação esidenciais mais
e icien es, o omen o às p á icas de economia ci cula , a subs i uição de lâmpadas con encionais po LED,
a melho ia dos sis emas de clima ização come ciais e indus iais, in es imen os na cons ução de eículos
e mo o es menos poluen es, a expansão do uso de anspo e público, en e ou os, con o me disponí el
em: h ps://www.iea.o g/ene gy-sys em/ene gy-e iciency-and-demand/ene gy-e iciency# acking.
29. De aco do com os cená ios es ipulados pelo es udo, as ene gias eno á eis se iam esponsá eis po
41% das eduções, enquan o os ganhos de e iciência ene gé ica ep esen a iam 40% do o al. Medidas
de ele i icação combinadas com ene gias eno á eis con abiliza iam pelos ou os 13%. Nes e cená io,
a pa cela das ene gias eno á eis p ecisa ia c esce pa a 63% do o al da o e a p imá ia de ene gia
a é 2050.
30. Embo a a desca bonização de se o es da indús ia pesada se mos e como um desa io de maio
magni ude, ações de ele i icação que con ibuem pa a a mi igação de emissões incluem a adoção de
eículos elé icos pa a anspo e indi idual e cole i o e bombas de calo em sis emas esidenciais e
come ciais de aquecimen o (WEF, 2022; I ena, 2022b; 2023b).
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
23
3076
capazes de acomoda a o e a e a demanda po ene gia dis ibuída (Tai e al., 2022;
Lei, 2023).
De o ma simila , Gielen e al. (2019, p. 47) essal am que:
se á necessá ia in aes u u a pa a in eg a as ecnologias. Isso inclui á edes
in eligen es de ca egamen o pa a eículos elé icos; no as in e conexões
ans on ei iças de ele icidade de baixa pe da; linhas de ansmissão de
supe al a ol agem – possi elmen e sub e âneas – pa a en ia quan idades
massi as de ene gia de á eas com ecu sos eólicos ou sola es abundan es
pa a cen os de demanda; edes de aquecimen o u bano; e es a égias de
ge enciamen o de biomassa. Sem essa in aes u u a, a come cialização e
implan ação em massa de ecnologias de baixo ca bono pa a a ansição
ene gé ica não oco e ão no p azo.
Di e en emen e das on es ósseis de ene gia, ma cadas pela dis ibuição desigual
de ecu sos ini os e po p odução e p ocessamen o cen alizados em de e minados
países, as on es eno á eis são abundan es e in e mi en es, ao passo que sua ge ação é
descen alizada e dependen e de mine ais es a égicos pa a a p odução de equipamen os
e ecnologias (Ab ão, 2022; Pal se , 2016; O’Sulli an, O e land e Sandalow, 2017).
Nesse con ex o, há desa ios associados à necessidade de acesso con ínuo a
mine ais como lí io, cobal o, níquel e cob e, essenciais pa a a ab icação de painéis
sola es, u binas eólicas e ba e ias. Embo a a demanda po esses mine ais de a
aumen a signi ica i amen e em azão do c escimen o das ene gias eno á eis e
das ecnologias de baixo ca bono,31 sua p odução é mais concen ada do que a dos
se o es ósseis (pe óleo e gás), o que pode susci a no os dilemas de segu ança e
dependência po insumos e pa cei os come ciais (Gaspa Filho e San os, 2022), além
de iscos ambien ais elacionados aos p ocessos de ex ação e desca e de ba e ias
e disposi i os elé icos.
A acele ação da ansição e a eliminação de on es in ensi as em emissões, em
pa icula do ca ão, eque em a expansão con ínua da capacidade não somen e de
31. Os ipos de ecu sos mine ais u ilizados a iam de aco do com a ecnologia: lí io, níquel, cobal o,
manganês e g a i e são c uciais pa a o desempenho e a longe idade de ba e ias, enquan o elemen os de
e as a as são indispensá eis pa a a p odução de ímãs pe manen es u ilizados em u binas eólicas e
mo o es elé icos. As edes elé icas necessi am de eno mes quan idades de alumínio, enquan o o cob e
se no abiliza po se a ped a angula de odas as ecnologias associadas à ele icidade. Em um cená io
compa í el com o cump imen o dos obje i os do Aco do de Pa is, a demanda po esses mine ais de e
aumen a signi ica i amen e, supe ando os 40% pa a cob e e elemen os de e as a as, 60%-70% pa a
níquel e cobal o e quase 90% pa a o lí io (IEA, 2022c).
TEXTO pa a DISCUSSÃO
24
3076
on es al e na i as como a sola e eólica, mas ambém de ou as on es de baixo
ca bono. A I ena (2022; 2023a) es ipula que o caminho de 1,5 °C, que p e ê eduções
de 37 G de emissões anuais de CO2 a é 2050, exige in es imen os em hid ogênio
e de e seus de i ados, bem como na cap u a e no a mazenamen o de ca bono (ca bon
cap u e and s o age – CCS) e de bioene gia associada à cap u a e ao a mazenamen o
de ca bono (bioene gy wi h ca bon cap u e and s o age – BECCS).32
A insu iciência de inanciamen o pa a implemen a essas soluções na escala neces-
sá ia cons i ui um dos p incipais obs áculos pa a assegu a a edução de emissões
e o c escimen o inclusi o e sus en á el. Em úl ima ins ância, a ansição ene gé ica
depende de c escen es in es imen os e inanciamen os e des pa a p omo e a
desca bonização dos sis emas de ene gia, em especial nos países em desen ol imen o,
que necessi am amplia o acesso à ene gia e, simul aneamen e, eduzi suas emissões
de GEEs (Bha acha yya, 2021; Belaid, Al-Sa ihi e Al-Mes nee , 2023).
A ualmen e, ce ca de US$ 1,50 é gas o em ecnologias de ene gia limpa pa a cada
dóla gas o em combus í eis ósseis, mas a é 2030, no cená io p e is o de emissões
líquidas ze o, cada dóla gas o em combus í eis ósseis de e ia se supe ado po
US$ 5,00 em ene gia limpa e po US$ 4,00 em e iciência e usos inais. Isso signi-
ica que os in es imen os em ene gias limpas p ecisa iam aumen a pa a mais de
US$ 4 ilhões po ano a é 2030, ap oximadamen e o iplo dos a uais US$ 1,3 ilhão
aplicados (IEA, 2022d).
O a endimen o às necessidades de in es imen o em ene gia eno á el e ansição
ene gé ica en ol e, necessa iamen e, o apoio de en idades públicas e a o es p i ados,
que ainda se ca ac e iza po se es i o em países em desen ol imen o, onde
sua necessidade é mais ele ada.33 A p o isão de inanciamen o público in e nacional,
combinada com ou os de e minan es ligados a polí icas de a ação e incen i os dos
países hospedei os, cons i ui um o e impulsionado dos in es imen os nos países
em desen ol imen o, cump indo o papel de mobiliza o capi al p i ado em di eção às
ene gias eno á eis (Ragosa e Wa en, 2019).
32. As seis a enidas ecnológicas e suas espec i as con ibuições pa a a edução das emissões são:
i) ene gias eno á eis (25%); ii) e iciência ene gé ica (25%); iii) ele i icação (20%); i ) hid ogênio (10%);
) CCS (6%); e i) BECCS (14%) (I ena, 2022b).
33. Embo a os in es imen os em ansição ene gé ica enham ap oxidamen e dob ado ao longo da úl ima
década, China, Es ados Unidos e UE o am as esponsá eis po mais de 80% do o al (Bloombe gNEF,
2022). Em con apa ida, o con inen e a icano, com ce ca de 40% do po encial global de ene gia eno á el,
a aiu apenas 2% dos in es imen os globais ao longo da úl ima década (Fe is, 2021; I ena e A DB, 2022).
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
31
3076
Em 2022, a China egis ou le e edução (1,5%) nas emissões, em pa e de ido
à polí ica de co id ze o. Apesa da pandemia, as emissões chinesas c esce am 1,2%
em 2020 e 6,0% em 2021 (g á ico 6). Compa a i amen e, os Es ados Unidos e a UE
( espec i amen e esponsá eis pela segunda e e cei a posição nas emissões globais
de CO2) egis a am aumen os espec i os de 3,2% e 0,5% nas emissões em 2022 em
compa ação com 2021, sendo os ní eis de emissões em 2019 ligei amen e di e en es
(0,9% in e io es nos Es ados Unidos e 0,4% supe io es na UE).39
GRÁFICO 6
Emissões de CO2 do se o de ge ação de ene gia da China
(Em M CO2e)
0
1.000
2.000
3.000
4.000
5.000
6.000
1.062
2000
2002
2004
2008
2010
2006
2001
2003
2005
2009
2007
2011
2013
2015
2019
2021
2017
2012
2014
2016
2020
2018
2022
1.129
1.279
1.511
1.715
1.955
2.254
2.576
2.611
2.797
3.116 3.545
3.592
3.897
4.020
3.882
3.997
4.254
4.564
4.649
4.716 5.111
5.184
Fon e: Embe , 2023. Disponí el em: h ps://embe -clima e.o g/da a/da a- ools/da a-explo e /.
Em con apa ida, em con o midade com os comp omissos i mados na Con e ência
de Copenhague, a China log ou eduzi a in ensidade de CO2 em 48,4% em 2020 em
compa ação com o ní el de 2005. Essa edução em se mos ado g adual e cons an e
desde a úl ima década. Na Cúpula da Ambição Climá ica ealizada em Pa is, em 2020,
o p esiden e Xi a i mou ainda que a China “ado a ia polí icas e medidas mais igo osas”
pa a 2030, incluindo a edução da in ensidade de CO2 em mais de 65% abaixo dos
ní eis de 2005 (Chaney e Godemen , 2021).
39. A í ulo de compa ação, as emissões da Índia con inua am a c esce apidamen e, aumen ando 7%
em 2022 em compa ação com 2021, e p e ia-se que o país pudesse ul apassa a UE como o e cei o
maio emisso do mundo em 2023. As emissões da Rússia, quin o maio emisso , aumen a am en e
2019 e 2021, mas diminuí am 1,8% em 2022 (Liu e al., 2023).
TEXTO pa a DISCUSSÃO
32
3076
GRÁFICO 7
In ensidade de emissões no se o de ge ação de ele icidade da China
(2010-2022)
(Em gCO2e/kWh)
2010 2011 2013 2015 2019 202120172012 2014 2016 20202018 2022
741 752 720 717 694 668 652 644 637 620 606 599 586
200
300
400
500
600
700
800
900
1.000
Fon e: Embe , 2023. Disponí el em: h ps://embe -clima e.o g/da a/da a- ools/da a-explo e /.
Adicionalmen e, a China em ob ido êxi os conside á eis e e en es aos es o ços
de conse ação e e iciência ene gé ica. A in ensidade ene gé ica40 e e queda supe io
a 70%, passando de 3,4 ce po 10.000 enmimbi (RMB), em 1980, pa a 0,74 ce
po 10.000 RMB, em 2020. Du an e as úl imas duas décadas, os es o ços chineses
ep esen a am me ade da economia global de ene gia (UNCTAD, 2023).
Essas endências opos as e le em, de um lado, as necessidades de abas ecimen o
ene gé ico de uma das maio es economias, que expandiu em i mo in enso nas úl imas
décadas, e, de ou o, indícios de uma g adual di e si icação da ma iz ene gé ica em
di eção a maio u ilização de on es eno á eis e ganhos de e iciência conduzidos po
polí icas e incen i os mo i ados po a o es como os ci ados.
O c escimen o exp essi o de ce ca de 10% ao ano do PIB chinês desde o pe íodo de
e o ma e abe u a, iniciado no inal da década de 1970, esul ou na expansão da economia
a é 2020 em ce ca de 100 ezes (China..., 2022). Com a en ada na O ganização Mundial
do Comé cio (OMC) e o aumen o subs ancial do seu comé cio ex e io , as necessidades
40. O concei o de in ensidade ene gé ica e e e-se à quan idade de ene gia necessá ia po unidade de
p odução ou a i idade de modo que usa menos ene gia em de e minado p ocesso eduz seu alo . O
cálculo u ilizado pa a mensu a a in ensidade ene gé ica é a unidade de consumo de ene gia po unidade
mone á ia (Ma ínez, Ebenhack e Wagne , 2019). Medidas ambém usualmen e aplicá eis são oneladas
de ca ão equi alen e ( ce), oneladas de pe óleo equi alen e ( oe) e ou as. F equen emen e o e mo
é usado em associação com o concei o de e iciência ene gé ica. À medida que a e iciência ene gé ica
aumen a, a in ensidade po unidade diminui, ge ando economia de ene gia.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
33
3076
inculadas à ge ação de ele icidade, à indús ia, aos anspo es, à in aes u u a e a
ou os se o es em expansão associados a esse c escimen o impulsiona am a demanda
ene gé ica na China em ce ca de seis ezes nos úl imos in e anos, an o em e mos
absolu os quan o pe capi a (Embe , 2023).
O go e no chegou a p oibi a cons ução de no as cen ais elé icas a ca ão em
2016 e sua u ilização diminuiu. No en an o, quando a p oibição expi ou, em 2018, a
cons ução de no as áb icas ol ou a acele a . Em 2020, a China cons ui ia ês ezes
mais capacidade de p odução de ene gia a ca ão do que o es o do mundo combinado,
de aco do com o Global Ene gy Moni o e o Cen o de In es igação sob e Ene gia e A
Limpo (Maizland, 2021). Hoje, o país é o maio p odu o mundial na á ea e esponsá el
po ce ca de me ade do ca ão consumido no mundo (Mylly i a, 2023).
As emissões de pa ículas inas (PM2,5), dióxido de enxo e (SO2) e óxidos de azo o
(NOx) excede am subs ancialmen e a capacidade de abso ção ambien al das g andes
cidades chinesas, como em 80% em Beijing, 50% em Tianjin e 70% em Hebei, em 2014.
Algumas cidades egis a am poluição a mos é ica g a e, com concen ação média
de PM2,5 anual de 93 mic og amas po me o cúbico (μg/m3), excedendo o pad ão
ecomendado pela O ganização Mundial da Saúde (OMS) (China..., 2020).
Em e mos de comp omisso polí ico, a China es abeleceu um quad o ab angen e
conhecido como a polí ica “1+N”. Em que “1” ep esen a o documen o polí ico que
desc e e os p incípios o ien ado es pa a alcança as me as de pico e neu alidade da
China; e “N” ab ange um plano de ação em conjun o com documen os complemen a es
des inados a eduzi as emissões de ca bono e a acili a a ansição pa a uma economia
e de em á ios se o es. As ações da China isam qua o á eas p incipais: ene gia,
indús ia, cons ução u bana e u al, economia ci cula e anspo e (UNCTAD, 2023).
O plano de ação o nece um o ei o pa a a conc e ização dos obje i os climá icos
pa a 2030 e 2060, incluindo me as conc e as nas á eas mencionadas. O plano ci a a
me a bas an e ambiciosa de eduzi o consumo de ene gia não óssil em 80% a é 2060
e a ingi o consumo de pe óleo du an e o 15o Plano Quinquenal (2026-2030). En e as
me as especí icas, es ão a manu enção da capacidade domés ica de p ocessamen o
de pe óleo b u o em 1 bilhão de oneladas a é 2025, pelo menos 50% da ele icidade
ansmi ida po meio de no as linhas cons uídas pa a on es eno á eis e 40 GW de
capacidade hid elé ica ins alada, sob e udo na egião sudoes e (NDRC, 2021). As
demais me as se o iais são esumidas no quad o 3.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
34
3076
QUADRO 3
P incipais me as do Plano de Ação
Se o P incipais me as
Ene gia
Aumen a pa a 25% a capacidade ins alada de on es eólica e sola a é 2030.
Reduzi em 65% as emissões de CO2 po unidade do PIB a é 2025 em compa ação ao
ní el de 2005.
Reduzi o consumo de ene gia não óssil em 80% a é 2060.
A ingi o consumo de pe óleo du an e o 15o Plano Quinquenal (2026-2030).
A capacidade domés ica de e inação p imá ia de pe óleo b u o se á man ida abaixo
de 1000 milhões de oneladas mé icas a é 2025.
Pelo menos 50% da ele icidade ansmi ida po meio de no as linhas cons uídas
pa a on es eno á eis a é 2025.
40 GW de capacidade hid elé ica ins alada, sob e udo na egião sudoes e, a é 2025.
Cons ução
8% do uso de ene gia po on es eno á eis.
50% de cobe u a o o ol aica nos elhados de edi ícios públicos ecém-cons uídos
e de áb icas.
T anspo es
40% dos eículos ab icados se ão elé icos a é 2030.
70% das iagens domés icas se ão ealizadas po meios ecológicos em cidades com
populações de 1 milhão de pessoas ou mais a é 2030.
Economia
ci cula
Ele ação da quan idade de esíduos sólidos a g anel eciclados anualmen e pa a
ce ca de 4 bilhões de oneladas mé icas a é 2025 e em mais meio bilhão pa a 2030.
Reciclagem dos p incipais ecu sos eu ilizá eis, incluindo suca a de aço, cob e,
alumínio, chumbo, zinco, esíduos de papel, plás ico, bo acha e id o eciclados pa a
450 milhões de oneladas mé icas a é 2025 e 510 milhões a é 2030.
C iação de um sis ema básico de iagem pa a esíduos domés icos u banos, com
axa de eciclagem de 60%, com ele ação pa a 65% em 2030.
Fon e: Boe e Dan ing (2022).
É possí el cons a a , em con apa ida, ce o ce icismo ou a é mesmo o econhe-
cimen o áci o po pa e do go e no da in iabilidade da conc e ização de algumas
medidas impo an es da agenda de ansição. Não há me a p e is a pa a a edução
do ní el absolu o de emissões de CO2, apenas em elação à con inuidade das me as
de diminuição da in ensidade ene gé ica.
Não o am inco po adas me as e e en es às emissões p o enien es de ou os
GEEs, como o me ano, po exemplo, ainda que a China enha se comp ome ido com sua
edução na Decla ação de Glasgow. O plano econhece ainda que o ca ão con inua á
desempenhando um papel subs ancial no sis ema ene gé ico chinês nos p óximos
anos, sob e udo de ido a ques ões elacionadas à segu ança ene gé ica (UNDP, 2021).
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
35
3076
O planejamen o de médio p azo con endo obje i os, me as e ins umen os da polí-
ica de desca bonização são encon ados nos Planos Quinquenais (Fi e Yea Plans –
FYPs) do go e no. A pa i do 11o FYP, es ão desc i as as me as de conse ação e adição
de capacidade de on es ene gé icas. Ao a ingi os obje i os de ele a a pa icipação
das ene gias eno á eis pa a mais de 20% da ge ação de ele icidade an es de 2025,
o go e no chinês anunciou que p e ende ele a a me a pa a um e ço a é o mesmo
p azo (Ene gy..., 2022). Os obje i os de eduzi a in ensidade ene gé ica e de emissões
de CO2 em 13,5% e 18%, espec i amen e, e de diminui a ge ação de ele icidade a
pa i de on es ósseis pa a 39%, in oduzidas no 14
o
FYP, ainda es ão em andamen o,
sendo es e úl imo pa icula men e dis an e da ealidade a é o p esen e (Liu e al., 2023).
De aco do com o úl imo FYP, o desen ol imen o do sis ema ene gé ico chinês
en ol e á cinco obje i os p incipais: i) segu ança ene gé ica “mais segu a e sólida”;
ii) ansição ene gé ica de baixo ca bono “no a elmen e e icaz”; iii) aumen o “signi
-
ica i o” da e iciência ene gé ica; i ) melho ia “ób ia” da capacidade de ino ação; e
) melho ia con ínua dos se iços ene gé icos ge ais (14FYP..., 2022).
Cabe menciona as medidas ado adas nos âmbi os iscal e ibu á io, que p opo cio-
na am incen i os e subsídios impo an es às indús ias e des pa alelamen e a uma
maio egulação e one ação di ecionadas às a i idades poluido as. Hou e uma sé ie
de incen i os ibu á ios pa a desone a emp esas e go e nos locais engajados em
in es imen os de P&D e pa a es imula as indús ias e des. Emp esas quali icadas
en ol idas na p e enção e no con ole da poluição, po exemplo, podem usu ui de uma
axa p e e encial eduzida de impos o de enda co po a i o. Pa alelamen e, a ge ação
de ene gia a pa i de on es eno á eis, incluindo hid elé icas, o nou-se elegí el pa a
deduções iscais que a iam de 50% a 100% do Impos o sob e Valo Adicionado (IVA).
41
Finalmen e, desde a úl ima década, a China dominou os in es imen os globais em
ecnologias de baixo ca bono, ep esen ando quase me ade do o al. Em 2022, o país
des ina á US$ 546 bilhões em in es imen os, ab angendo ene gia sola e eólica, eículos
elé icos e ba e ias, ap oximadamen e qua o ezes o mon an e in es ido pelos Es ados
Unidos (US$ 141 bilhões) e pela UE (US$ 180 bilhões) (Schonha d , 2023).
O g á ico 8 mos a o quan o a China em se des acado ecen emen e nos in es i-
men os em ene gias eno á eis, endo sido esponsá el pela maio pa cela das no as
adições anuais de ecu sos no pe íodo en e 2019 e 2023. Os in es imen os do país
41. Disponí el em: h ps:// axsumma ies.pwc.com/peoples- epublic-o -china/co po a e/
axes-on-co po a e-income.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
36
3076
supe a am, inclusi e, mon an es despendidos po egiões in ei as como UE, Á ica e
O ien e Médio.
GRÁFICO 8
In es imen o anual em ene gias eno á eis: países e egiões selecionados
(2019-2023)
(Em US$ bilhões)
184
154
97
28 19 10 75
0
20
40
60
80
100
120
140
160
180
200
China União Eu opeia Es ados Unidos Japão India Á ica B asil O ien e Médio
Fon e: IEA, 2023. Disponí el em: h ps://www.iea.o g/da a-and-s a is ics/cha s/inc ease-
in-annual-clean-ene gy-in es men -in-selec ed-coun ies-and- egions-2019-2023.
Consequen emen e, a China se o nou ambém a “ áb ica do mundo” dos equi-
pamen os u ilizados na ge ação de ene gia a pa i de on es eno á eis e e e ência
na ab icação de eículos elé icos e ou as ecnologias de baixo ca bono (Hawkins e
Cheung, 2023). A endência é que esse i mo de expansão pe maneça nos p óximos
anos, com ap oximadamen e 379 GW de capacidade sola po encial em g ande escala
e a maio pa e dos 371 GW de capacidade eólica po encial p e is a pa a ins alação
a é o inal de 2025. Se conc e izada, es a capacidade p ospec i a em o po encial
de ele a a o a eólica global em quase 50% e impulsiona as ins alações sola es
globais de g ande escala em 85% em compa ação com os ní eis a uais, sinalizando o
êxi o da me a es abelecida no 14o FYP de a ingi 1.200 GW em ene gia sola e eólica
a é 2030 (MEI e al., 2023).
O ápido desen ol imen o das ecnologias de baixo ca bono e a expansão da ino-
ação do se o na China são ou os elemen os que podem se a ibuídos às polí icas
de incen i o implemen adas.
Enquan o em 1990 as emp esas chinesas quase não ob i e am pa en es in e -
nacionais, nos anos 2000, apesa de um aumen o signi ica i o, a a i idade ge al
pe maneceu compa a i amen e baixa em compa ação com os seus homólogos globais.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
37
3076
Em con as e, a pa i de 2018-2019, elas conquis a am des aque em âmbi o mundial
ao egis a em ap oximadamen e seis ezes mais pa en es in e nacionais pa a ba e ias
e ene gia sola o o ol aica, e oi o ezes mais pa a ecnologias de eículos elé icos em
compa ação aos egis os de 2008-2009. No o al, o núme o de pa en es elacionadas
com ene gia na China aumen ou quase qua en a ezes en e 2000 e 2020 (IEA, 2021).
Assim, pode-se a gumen a que a China não é mais apenas uma áb ica do mundo
da p odução de equipamen os de ansição ene gé ica, mas ambém labo a ó io no
qual são pesquisadas e desen ol idas as ecnologias capazes de a e a o comba e à
c ise climá ica. En e 2010 e 2019, ce ca de 2.659 no as pa en es o am egis adas
po emp esas, in en o es e ins i uições chinesas em ene gias eno á eis, sendo 1.803
e e en es à ene gia sola e 360, à eólica (Nu on, 2020).
Segundo o ela ó io T acking Clean Ene gy Inno a ion: ocus on China, da IEA (2022a),
o a o de ce ca de 80% das pa en es chinesas nessas ecnologias ambém es a em
hoje p o egidas no ex e io suge e que a qualidade das pesquisas chinesas melho ou
e que sua ansição de impo ado de ecnologia pa a ino ado oi esul ado de uma
abo dagem única, que aba cou a o mação de join - en u es e pa ce ias co po a i as,
um g ande me cado in e no, polí icas de a ação de me cado, apoio à p omoção de
ecu sos e o e compe ição in e emp esa ial baseada em ecnologia.
No con ex o da acele ação das mudanças climá icas e dos ale as sob e as
consequências i e e sí eis de seus desencadeamen os, as ações da China em ma é ia
de ansição ene gé ica êm impac os undamen ais nas pe spec i as globais pa a o
êxi o dos obje i os de mi igação.
Mui os a anços o am de idos à combinação de incen i os polí icos e in es i-
men os (públicos e p i ados) na p omoção da desca bonização da economia chinesa,
sob e udo pelo aumen o da pa icipação das ene gias eno á eis na ma iz ene gé ica
chinesa, bem como em ou as ecnologias, como os eículos elé icos. Como esul ado,
o país assumiu a lide ança no desen ol imen o ecnológico das indús ias e des.
Combinando esses a anços com os incen i os ao comba e às mudanças climá icas e à
poluição, há pe spec i as p omisso as de que a ansição ene gé ica de baixo ca bono
na China con inua á se expandindo nos p óximos anos.
Con udo, não é possí el minimiza os desa ios in ínsecos à desca bonização de
uma economia al amen e ca boní e a, cujo sis ema de ge ação de ele icidade pe -
manece mui o dependen e do ecu so em ques ão. Não apenas o ca ão cons i ui
impo an e on e de ecei as pa a p o íncias p odu o as como Mongólia In e io , Shanxi
TEXTO pa a DISCUSSÃO
38
3076
e Shaanxi, como a China é ainda sua maio impo ado a mundial (Mylly i a, 2023).
Incen i os à p odução de ca ão seguem exis indo na China, assim como, apesa de
decla ações emi idas pelo al o escalão polí ico e das no as di e i as de in es imen os
e inanciamen os no ex e io , os p oje os execu ados po seus bancos e emp esas
ainda sejam subs ancialmen e ósseis (B idle e al., 2016).42 Po an o, o balanço dos
a anços e ecuos log ados pelo país em ansição ene gé ica se á c ucial pa a acessa
as possibilidades de mi igação das mudanças climá icas no u u o.
4.2 A ansição ene gé ica na Amé ica La ina
A Amé ica La ina compo a 9% da população global, 6% do o necimen o mundial de
ene gia e 4% das emissões anuais de GEEs, com signi ica i a he e ogeneidade em e mos
de do ação de ecu sos na u ais, con igu ação dos sis emas de ene gia e polí icas de
planejamen o ene gé ico e de ação ambien al. Os países encon am-se em di e en es
es ágios de ansição ene gé ica (WEF, 2023).
De aco do com as pon uações do ETI, a ansição é lide ada po B asil, U uguai,
Cos a Rica e Chile, ep esen an es egionais que se encon am en e as in a maio es
pon uações globais ( abela 2).
TABELA 2
Pon uações do ETI na Amé ica La ina (2023)
Posição global País Pon uação do ETI Va iação em elação a 2014 (%)
14oB asil 65,9 4,61
23oU uguai 63,6 3,58
25oCos a Rica 63,5 2,94
30oChile 62,5 5,26
34oPa aguai 61,9 5,63
39oColômbia 60,5 4,40
47oEl Sal ado 57,3 -1,27
51oPanamá 56,4 1,33
53oPe u 56,4 -1,72
68oMéxico 54,1 1,99
74oBolí ia 53,5 3,83
78oEquado 52,8 3,43
85oA gen ina 52,0 2,49
(Con inua)
42. Mais in o mações disponí eis em: h ps://www.bu.edu/cgp/.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
39
3076
(Con inuação)
Posição global País Pon uação do ETI Va iação em elação a 2014 (%)
87oGua emala 51,9 4,56
93oRepública Dominicana 50,3 8,68
98oT inidad e Tobago 48,3 -1,30
100oHondu as 48,0 0,62
103oVenezuela 47,7 1,56
114oNica água 44,9 -0,16
115oJamaica 44,9 2,31
Fon e: WEF. Disponí el em: h ps://www.we o um.o g/publica ions/ os e ing-e ec i e-
ene gy- ansi ion-2023/global-dashboa d/.
Elabo ação dos au o es.
G aças à ele ada pa icipação das ene gias eno á eis na ge ação de ele icidade,
os combus í eis ósseis ep esen am ce ca de dois e ços da ma iz ene gé ica na
egião, núme o abaixo da média global (80%) (IEA, 2023d). Po isso, ce ca de me ade
dos seus países se posicionam na lide ança em e mos de sus en abilidade, conside-
ando os pa âme os e a me odologia aplicados pelo WEF (2023). Is o signi ica que
esses países ap esen a am nos úl imos ês anos pon uações de desempenho supe-
io es à mediana43 global e axas de c escimen o posi i as. O es an e é compos o po
países que ou ap esen a am pon uações supe io es à mediana (es á eis) ou exibi am
axas de c escimen o posi i as (a ançados), não ha endo nenhum país si uado na
posição de isco.
TABELA 3
Momen um da ansição ene gé ica na dimensão de sus en abilidade ambien al
na Amé ica La ina (2021-2023)
País Classi icação C escimen o (%) Pon uação média
Cos a Rica Líde 1,42 87,45
Pa aguai Es á el -0,04 87,29
U uguai Es á el -0,25 83,79
El Sal ado Líde 0,19 78,31
B asil Líde 0,51 74,79
Colômbia Es á el -0,09 72,48
(Con inua)
43. A pon uação da mediana global, com base nos esul ados dos úl imos ês anos, oi de 61,3, pa ama
supe io ao e i icado em se e países da egião, posicionados com o s a us de a ançado. São es es
países: México, Bolí ia, República Dominicana, A gen ina, Jamaica, Venezuela e T inidad e Tobago.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
40
3076
(Con inuação)
País Classi icação C escimen o (%) Pon uação média
Nica água Líde 0,49 70,54
Pe u Líde 1,11 70,50
Hondu as Líde 0,42 68,84
Gua emala Líde 0,26 68,16
Panamá Es á el -0,72 67,01
Equado Líde 1,66 66,88
Chile Líde 0,50 63,68
México A ançado 1,98 61,14
Bolí ia A ançado 1,50 59,18
República Dominicana A ançado 0,29 59,03
A gen ina A ançado 0,55 58,81
Jamaica A ançado 0,53 55,75
Venezuela A ançado 2,97 53,17
T inidad e Tobago A ançado 3,55 26,19
Fon e: WEF. Disponí el em: h ps://www.we o um.o g/publica ions/ os e ing-e ec i e-
ene gy- ansi ion-2023/global-dashboa d/.
Elabo ação dos au o es.
A posição de lide ança da egião em elação à sus en abilidade de seus sis emas
de ene gia se jus i ica, sob e udo, pela con igu ação de suas ma izes de ge ação,
compos as em 63% po on es eno á eis de ene gia (g á ico 9).
GRÁFICO 9
Ge ação de ele icidade na Amé ica La ina, po on e (2022)
(Em %)
Hid elé ica Gás na u al Ou os ósseis Eólica Bioene gia
Ca ão Sola Nuclea Ou as on es eno á eis
45
24
9
8
4
442 0,5
Fon e: Embe , 2023. Disponí el em: h ps://embe -clima e.o g/da a/da a- ools/da a-explo e /.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
47
3076
Em que pese os bene ícios de ganhos de e iciência, que podem p oduzi eduções
de pelo menos 20% no consumo de ene gia (Yepez e U eaga, 2023), a Amé ica La ina
em p og edido de o ma modes a nesse quesi o, com eduções anuais de in ensidade
ene gé ica in e io es a ou os países e egiões.
52
Apesa disso, Lapillone e Sud ies (2023)
indicam que a adoção de inicia i as de e iciência ene gé ica53 em se disseminado na
egião, com maio in ensidade no ansco e da úl ima década.54
O uso mais e icien e de ene gia se mos a como condição pa a a in odução de
eículos elé icos, segmen o que de e conquis a mais espaço nos sis emas de ans-
po e da egião. Apesa de não ap esen a o mesmo i mo de expansão e i icado
em me cados como China e Eu opa, espe a-se que o me cado egional de eículos
elé icos c esça pa a US$ 3,5 bilhões em 2028, an e os a uais US$ 1,46 bilhão. B asil e
México lide am as endas de eículos híb idos e elé icos, enquan o Colômbia e Cos a
Rica buscam ade i a es e mo imen o po meio da adoção de incen i os inancei os
(Ba neda, 2023; Ca lie , 2023; Moya, 2023). O Chile, po sua ez, lide a a ele i icação
de sis emas de anspo e cole i o, com ce ca de 40% da o a egional de ônibus
elé icos55 (Mon oy, 2023).
A econ igu ação dos sis emas de ene gia pa a acomoda c escen es quan idades
de on es in e mi en es e pe mi i o c escimen o da o a de eículos híb idos e elé icos
pode se iabilizada a pa i do desen ol imen o de soluções de ba e ias e sis emas
de a mazenamen o (So o e al., 2022).
A Amé ica La ina, de ido à abundância de mine ais es a égicos, posiciona-se como
pa e cen al dessas no as indús ias e des (Vasquez, S einbuks e Es e ez, 2023).
A iqueza mine al ende ia pa a a egião opo unidades pa a capi aliza ino ações no
segmen o de a mazenamen o e p oduzi bene ícios em e mos de desen ol imen o,
ag egação de alo e encadeamen os p odu i os (CDMX, 2023).
52. Nos úl imos quinze anos, os Es ados Unidos e a UE eduzi am sua in ensidade ene gé ica en e 2%
e 1,8% ao ano, enquan o a Amé ica La ina ob e e eduções anuais médias de apenas 0,5% (Vasquez,
S einbuks e Es e ez, 2023).
53. As medidas incluem aplicações de e iciência pa a o se o esidencial, supo e pa a ele i icação de
modais de anspo e, pad ões de e iciência pa a mo o es elé icos, eque imen os manda ó ios pa a g andes
consumido es e pad ões mínimos de desempenho (Minimum Ene gy Pe o mance S anda ds – MEPS).
54. De aco do com o mapeamen o ealizado em dezesseis países, o am doze no as medidas po ano
en e 2010 e 2018 e 24 no as medidas desde 2019, compa ado a qua o po ano en e 2000 e 2009.
55. O país é seguido pela Colômbia, com 1.589 eículos, ou 31% da o a egional de ônibus elé icos.
México, B asil e ou os países comple am a lis a com menos de 1.000 ônibus cada (Mon oy, 2023).
TEXTO pa a DISCUSSÃO
48
3076
Enquan o Bolí ia, A gen ina e Chile dispõem de mais de 60% dos ecu sos de lí io
iden i icados globalmen e, em pa icula na egião conhecida como “ iângulo do lí io”,
os dois úl imos, somados ao B asil, encon am-se en e os cinco p incipais p odu o es
da commodi y ( abela 5).
TABELA 5
P odução es imada e dis ibuição global de ese as e ecu sos de lí io (2022)
(Em oneladas mé icas)
País P odução es imada Rese as1Recu sos2
A gen ina 6.200 2.700.000 20.000.000
Aus ália 61.000 6.200.000 7.900.000
B asil 2.200 250.000 730.000
Canadá 500 930.000 2.900.000
Chile 39.000 9.300.000 11.000.000
China 19.000 2.000.000 6.800.000
Po ugal 600 60.000 270.000
Zimbábue 800 310.000 690.000
Bolí ia - - 21.000.000
Es ados Unidos - 1.000.000 12.000.000
Ou os países - 3.300.000 14.028.000
To al 129.300 26.050.000 97.318.000
Fon e: US Geological Su ey. Disponí el em: h ps://pubs.usgs.go /pe iodicals/mcs2023/
mcs2023-li hium.pd .
No as: 1 As ese as cons i uem os ecu sos que podem se economicamen e ex aídos
ou p oduzidos no momen o de sua de e minação (US Geological Su ey, 2023).
2 Re e e-se aos ecu sos mine ais ou de ou o ipo pa a os quais a localização, a
qualidade, a quan idade e o eo são conhecidos ou es imados a pa i de e idências
geológicas especí icas, embo a sem a de ida comp o ação de iabilidade écnica
e econômica (US Geological Su ey, 2023).
Obs.: Áus ia, Congo, República Tcheca, Finlândia, Alemanha, Gana, Mali, México, Namíbia,
Sé ia e Espanha êm ese as epo adas. Além desses países e da Bolí ia, ou os ês
países ap esen am disponibilidade de ecu sos de lí io: Rússia, Pe u e Cazaquis ão.
Embo a a c escen e demanda po lí io p opo cione opo unidades, a a i idade de
ex ação implica desa ios pa a a p ese ação de ecossis emas e a p o eção aos di ei os
de comunidades locais. Em pa alelo, há eceios a espei o da con o mação de a anjos de
in e ação pau ados pelo “colonialismo e de” ou “ex a i ismo e de”, po meio dos
quais se c is aliza iam desigualdades e a condição subo dinada da Amé ica La ina como
o necedo a de commodi ies pa a a ansição ene gé ica (Do n, 2022; Blai e al., 2023).
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
49
3076
Os combus í eis de baixas emissões ambém são on e de opo unidades,
incluindo-se não somen e os biocombus í eis, mas ambém o hid ogênio e de,56 cujo
po encial de aplicação na Amé ica La ina se assen a na disponibilidade de ecu sos
eno á eis (Machado, 2023; Oli ei a, 2022). Há p oje os ope acionais e em desen ol i-
men o no B asil, na Colômbia, na A gen ina, no Chile e no U uguai (Cube os, 2022), em
que pese as ince ezas quan o às u u as on es de demanda e o i mo de ma u ação
dessa ecnologia (Koop, 2023).
Po im, salien a-se que a conc e ização de aje ó ias e e i as de ansição depende
da cons ução de ambien es econômicos, egula ó ios e polí ico-ins i ucionais
a o á eis à desca bonização. A despei o das essal as an e io men e assinaladas,
obse a-se a es agnação dos a anços da Amé ica La ina no subíndice de p epa ação
pa a a ansição (g á ico 14), si uando a egião abaixo da média mundial, posição que
suge e limi ações em e mos de ecu sos, in aes u u a, a qui e u a ins i ucional e
egula ó ia e capi al humano.
GRÁFICO 14
Subíndice p epa ação pa a a ansição: Amé ica La ina e mundo (2014-2023)
2014 2015 2016 2018 20192017 2020 2021 20232022
39 40 40 41
42 43 44 45 45 46
37 37 38
39
40
39 39 39 40 40
30
32
34
36
38
40
42
44
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Mundo Amé ica La ina
Fon e: WEF. Disponí el em: h ps://www.we o um.o g/publica ions/ os e ing-e ec i e-
ene gy- ansi ion-2023/global-dashboa d/.
Elabo ação dos au o es.
56. Di e en emen e do chamado “hid ogênio cinza”, p oduzido a pa i de combus í eis ósseis, o
hid ogênio e de é ob ido a pa i de on es eno á eis de ene gia po meio de p ocessos de ele ólise
da água, podendo se u ilizado como al e na i a sus en á el em se o es-cha e, como anspo e, indús ia
e ge ação de ene gia. As suas aplicações incluem a p odução de células de combus í el pa a ge ação
de ele icidade, combus í el pa a eículos elé icos e ma é ia-p ima pa a p odu os químicos. Há desa ios
associados aos cus os pa a a p odução de hid ogênio e de, que ainda não se mos am compe i i os
quando compa ados com os combus í eis ósseis (Oli ei a, 2022).
TEXTO pa a DISCUSSÃO
50
3076
As di iculdades em e mos de p epa ação pa a a ansição mani es am-se nos
cus os ele ados de capi al na egião, supe io es em compa ação a ou os me cados,
inclusi e de países eme gen es. A disc epância, que es inge a mobilização de ecu sos
pa a a ansição ene gé ica, es á associada a di e sos a o es, incluindo ambien es
ma cados po ola ilidade mac oeconômica, iscos cambiais, sis emas inancei os
pouco desen ol idos, além da ins abilidade polí ica (Palacios e Cá denas, 2022).
O obje i o de acele a a ansição na egião demanda supe a esses desa ios e
implemen a ações idas como habili ado as, en e as quais se des acam: i) ape eiçoa
a go e nança e p omo e a pa icipação a i a de en idades públicas e p i adas;
ii) inco po a a in eg ação e a in e conexão egional nas es a égias ene gé icas de
longo p azo; e iii) ado a p og amas de e iciência pa a eduzi a in ensidade ene gé ica
e p omo e a compe i idade (Ma ínez, 2023).
Desses aspec os que limi am as aje ó ias de ansição ene gé ica e desen ol i-
men o sus en á el na Amé ica La ina, salien am-se as adicionais di iculdades
ins i ucionais e de go e nança da egião, cujos e ei os mos am-se limi ado es em
e mos de a ação de in es imen os e conc e ização de p oje os de in aes u u a
(Zapa a-Can u e González, 2021). Ou seja, há indícios que pe mi em conec a os insu-
icien es in es imen os em ene gias eno á eis e ansição ene gé ica na egião aos
inadequados indicado es associados às condições acili ado as e de go e nança da
egião pa a a ansição ene gé ica.
Rescalde (2015), ao obse a o pano ama dos países da Amé ica La ina em elação
aos ins umen os e incen i os ins i ucionais pa a as ene gias eno á eis, a gumen a que
a capacidade ins i ucional, as es u u as egula ó ias e as condições mac oeconômicas,
en e ou os a o es, como o comp omisso polí ico com a ação climá ica, limi am ou
po encializam a e e i idade das polí icas ene gé icas e de seus ins umen os de aplicação.
Es ache e Se eb isky (2020), em con apa ida, en a izam a necessidade de p omo e
e o mas nas es u u as de egulação pa a di e en es se o es de in aes u u a, incluindo
ene gia, ainda ma cados pela ine iciência, po p ocedimen os pouco anspa en es e
pela limi ada capacidade de adap ação às mudanças que eme gem dos ambien es
polí ico, econômico e ecnológico.57
57. Loca elli e al. (2017), po exemplo, iden i ica de iciências que se mani es am em p oje os a asados,
o çamen os com sob ep eço e em “ele an es b ancos”, is o é, emp eendimen os ca os e sem alo público
que jus i ique a sua execução. As causas dessas ine iciências incluem p ocessos de omada de decisão
com ausência de esponsabilização e p es ação de con as, bem como p ocedimen os adminis a i os e
bu oc á icos complexos, que pe mi em decisões ad hoc e subje i as, sujei as, inclusi e, a a o ecimen os
pessoais e subo nos.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
51
3076
Soma-se a is o o impe a i o de e o ça as polí icas de iscalização e moni o amen o
e i ma pa ce ias capazes de ca alisa ecu sos pa a expansão das on es eno á eis,
condição necessá ia pa a desca boniza os sis emas elé icos e iabiliza a anços em
se o es de uso inal. Pa a es a inalidade, sublinha-se não somen e a cons ução de
mecanismos de coo denação egional, mas ambém a explo ação de complemen a-
idades e sine gias com pa cei os ex a egionais, incluindo po ências ecnológicas e
inancei as como a China.
5 SINERGIAS E POTENCIALIDADES ENTRE CHINA E AMÉRICA
LATINA PARA A TRANSIÇÃO ENERGÉTICA
A pa i dos indicado es de ansição ene gé ica ap esen ados, é possí el iden i ica
es o ços emp eendidos an o pela China quan o pela Amé ica La ina no p ocesso de
desca bonização. No en an o, ainda que a egião enha a seu dispo g ande po encial
pa a desen ol e sis emas de ge ação de ene gia limpa e acele a sua aje ó ia de
ansição ene gé ica, pe cebe am-se lacunas impo an es na ques ão do inanciamen o.
Al e na i amen e, a China, com seu sis ema ene gé ico ex emamen e dependen e
de ecu sos ósseis, sob e udo o ca ão, em in ensi icado es o ços na p omoção de
sua ansição ene gé ica, ao pon o de se ans o ma em po ência global no desen ol-
imen o de ecnologias e des e ene gias eno á eis, com p o agonismo de di e sas
g andes emp esas. A pa ce ia econômica com a egião, com pa icipação signi ica i a
em inúme os p oje os que a e am o desen ol imen o econômico, pode impac a as
aje ó ias de ansição ene gé ica.
En e 2012 e 2022, o IED global chinês ul apassou US$ 1 ilhão, segundo o Banco
Mundial.58 Em 2020, o país ocupa ia a lide ança pela p imei a ez em e mos de luxo.
O olume de IED chinês ep esen ou mais de 10% da quo a global du an e cinco anos
consecu i os e es e e en e os ês maio es po dez anos seguidos (Peng, Ji e Kong,
2023; China’s ODI..., 2022).
A agenda polí ica domés ica da China no ema climá ico em en a izado a busca
pela ha monização en e as medidas isando ao c escimen o econômico e à sus en-
abilidade. No en an o, à medida que es as polí icas a ançam, as ações in e nacionais
da China êm p o ocado pe cepções di e sas en e os obse ado es da sua polí ica
ex e na. Embo a em ní el discu si o sejam pe cep í eis as mudanças na es u u a
das p io idades es abelecidas pelo go e no chinês na o ien ação do desempenho
58. Disponí el em: h ps://da a.wo ldbank.o g/indica o /BM.KLT.DINV.CD.WD?loca ions=CN.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
52
3076
in e nacional das suas emp esas e ins i uições, al ans o mação ainda não é e iden e
nos p oje os pa ocinados no ex e io .59
Em e mos acumulados, o IED chinês ao longo dos úl imos dez anos concen ou-se
em combus í eis ósseis, com ce ca de US$ 52 bilhões di ecionados apenas ao ca ão
(Zhou e Ma, 2023). Na dimensão dos emp és imos e inanciamen os, acili ados
p incipalmen e po meio do Banco de Desen ol imen o da China (CDB) e do Banco de
Expo ação e Impo ação da China (Chexim), es es chega am, inclusi e, a eclipsa o
olume desembolsado po ins i uições adicionais, como o Banco Mundial e o Fundo
Mone á io In e nacional (FMI) (Ho n, Reinha e T ebesch, 2019; Ray e Simmons, 2020).60
A Amé ica La ina, con udo, pa ece cons i ui no á el exceção. Ainda que as emp esas
chinesas es ejam en ol idas em p oje os de g ande po e em se o es como pe óleo
e gás na egião, o oco desses in es imen os ende a se mais di e si icado, com
des aque, em pa icula , pa a p oje os en ol endo usinas hid elé icas (UHEs), an o na
ge ação de ene gia quan o em sua ansmissão e dis ibuição. Há ambém aumen o
no á el da a enção a on es al e na i as, como a ene gia o o ol aica e eólica.
O en ol imen o de emp esas chinesas no se o de ene gia hid elé ica oi espon-
sá el pela maio pa e dos olumes de IED e/ou inanciamen o di ecionados a p oje os
de ene gias eno á eis na egião. Ao longo da úl ima década, a China expandiu sua
pa icipação na ge ação de ene gia hid elé ica na egião po meio da aquisição de
a i os, inanciamen o de p oje os e con a os de cons ução de no as cen ais.
A China Th ee Go ges (CTG), maio es a al chinesa de ge ação de ene gia hid elé-
ica, adqui iu pa icipação em usinas impo an es no B asil desde 2014, como San o
An ônio do Ja i (Amapá), Cachoei a Caldei ão (Amapá) e São Manoel (Ma o G osso)
e, desde en ão, expandiu sua pa icipação na Amé ica La ina.61 Hoje, a emp esa con a
com ope ações em países como Equado , Bolí ia, Chile e Pe u. Des aca-se a aquisição
do po ólio de dez cen ais elé icas da Duke Ene gy no B asil, po US$ 1,2 bilhão, com
capacidade de ge ação supe io a 2 GW, e das hid elé icas Jupiá e Ilha Sol ei a, po
59. Os in es imen os ex e nos chineses concen am-se nos cinco se o es esponsá eis po mais de 80%
das emissões mundiais em 2021: cimen o e conc e o, e o e aço, pe óleo e gás, p odu os químicos e
mine ação de ca ão (WEF, 2021).
60. Em 2023, dois anos após o comp omisso anunciado pelo P esiden e Xi Jinping pe an e a Assembleia
Ge al da ONU de não pa ocina mais usinas à ca ão no ex e io , apesa dos esul ados posi i os
e i icados na edução desses p oje os e no cancelamen o daqueles em ase de planejamen o, a inicia i a
não esul ou no aumen o dos inanciamen os de p oje os de ene gias eno á eis (Han e Wei; 2022;
China's..., 2023; Zhou e Ma, 2023).
61. Disponí el em: h ps://china.aidda a.o g/.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
53
3076
US$ 3,7 bilhões, no leilão de usinas ealizado pela Agência Nacional de Ene gia Elé ica
(Aneel) no B asil.62 Com isso, a emp esa chinesa o nou-se a segunda maio ge ado a
p i ada no B asil. A emp esa ambém adqui iu a i os no Pe u, po US$ 3,6 bilhões,
con ando, po exemplo, com uma ba agem de 456 MW da Odeb ech (Lima, 2017).
Des aca-se ambém, em e mos de olume de in es imen o, o emp eendimen o da
Sinohyd o no Equado , a usina Coca Codo Sinclai , po US$ 3,4 bilhões, que poucos anos
após sua inaugu ação en en a di e sos p oblemas es u u ais de i ados da cons ução
do p oje o (Kliman e al., 2019).
Os inanciamen os chineses ambém aumen a am subs ancialmen e na úl ima
década. A A gen ina ecebeu, a é o momen o, a maio pa cela dos ecu sos (em
núme o de con a os e olume inancei o). Is o se de e, em g ande pa e, ao con a o
de cons ução das ba agens La Ba ancosa e Condo Cli , um complexo hid elé ico
localizado na p o íncia de San a C uz. Quan o a ou as g andes hid elé icas adqui idas
po in e médio de supo e inancei o chinês, ale des aca a aquisição dos a i os
da Duke Ene gy pela CTG, em 2016, po meio de sua subsidiá ia Rio Pa aná Ene gia,
ope ação inanciada pelo Banco Indus ial e Come cial da China (ICBC), na o dem de
US$ 1 bilhão (Rio Pa aná Ene gia, 2017).
No Chile, a aus aliana Paci ic Hyd o e a no ueguesa S ak a ga an i am um emp és-
imo de dez anos no alo de US$ 171 milhões de um consó cio que incluiu o Bank o
China (BOC) e ou as ês ins i uições inancei as es angei as, is o é, SMBC, Na ixis e
DNB, espec i amen e do B asil, da F ança e da No uega, pa a e inancia a ba agem
La Higue a, de 155 MW (Baini, 2017).
Essa expansão deco eu da combinação en e o p ocesso de in e nacionalização
das es a ais chinesas no pe íodo e do ap o ei amen o do ex enso po encial hid elé-
ico p esen e na egião, em especial dos países que in eg am a egião amazônica.
O p ocesso não oi di e en e em elação à a uação das emp esas chinesas na cons ução
e ope ação de linhas de ansmissão e dis ibuição, com a pa icipação de g andes
companhias, como a S a e G id.
O g ande des aque no se o es á na cons ução das linhas de ansmissão da UHE
Belo Mon e. Após ence a lici ação pa a a cons ução das duas linhas de ansmissão
pa a a usina hid elé ica de Belo Mon e, a segunda maio do B asil e a qua a maio
62. Disponí el em: h ps://www2.aneel.go .b /aplicacoes/edi ais_ ansmissao/documen os/Resul ado_
leilao_07-2015.pd .
TEXTO pa a DISCUSSÃO
54
3076
do mundo, com capacidade ins alada de 11 GW, a S a e G id in oduziu no p oje o o
sis ema de ansmissão de ±800 kV UHVDC,
63
que pe mi e o anspo e e icien e de
ene gia po dis âncias in e con inen ais, minimizando as pe das ene gé icas. Essas
linhas de al a ensão conec am pon os sepa ados po mais de 4,6 mil quilôme os.
A p imei a linha de ansmissão oi es abelecida po meio da o mação da join - en u e
Belo Mon e T ansmisso a de Ene gia, uma colabo ação en e a S a e G id e as subsi-
diá ias da Ele ob as, Ele ono e e Fu nas, ma cando a es eia da ecnologia UHV da
emp esa chinesa em emp eendimen os in e nacionais (Cui e Zheng, 2019).
Não obs an e, p oje os chineses de cons ução de UHEs na Amé ica La ina êm sido
equen emen e en ol idos em con o é sias e en en ado o e oposição de di e sos
se o es sociais. Um exemplo é a usina Coca Codo Sinclai , no Equado , conside ada
a ob a de in aes u u a mais ca a da his ó ia do país, com in es imen os es imados
em mais de US$ 3,2 bilhões. Cons uída pela es a al chinesa Sinohyd o, com inan-
ciamen o subsidiado pelo Chexim, a usina en en ou p oblemas signi ica i os logo
após o início de sua ope ação elacionados a casos de up u as e danos ambien ais
(Kliman e al., 2019).64
Ou as UHEs ope adas pela China ambém en en a am desa ios semelhan es,
como a usina de Rosi as, na Bolí ia, que ecebeu in es imen os concessionais do Chexim
no alo de US$ 1,3 bilhão. O p oje o, iniciado pelo go e no boli iano em 2016 e exe-
cu ado pela CTG, po meio de sua subsidiá ia China In e na ional Wa e & Elec ic, em
pa ce ia com a Emp esa Cons uc o a Reedco, em sido al o de p o es os po pa e das
comunidades locais p eocupadas com a inundação de e as. Apesa dos p o es os, o
go e no boli iano em esis ido às en a i as de in e upção das ob as da hid elé ica
(Jemio, 2020).
Apesa de ainda mui o incipien es em compa ação aos p oje os de ene gia
hid elé ica, ganha am ímpe o nos úl imos anos aqueles elacionados a ene gias al e -
na i as como a sola e a eólica, ambém com inanciamen os chineses. No a elmen e, o
Chexim concedeu emp és imo de US$ 332 milhões pa a o p oje o da usina o o ol aica
Caucha i Sola , na A gen ina, concluído em 2019. Emp esas chinesas como Shanghai
63. Co en e con ínua de ul a-al a ensão.
64. A cons ução da hid elé ica supos amen e e ia igno ado es udos de impac o ambien al que ale a am
quan o à e osão do lei o do io e aos danos à ege ação ci cundan e. Consequen emen e, hou e a
up u a do Sis ema T ans-Equa o iano de Oleodu os e do Oleodu o de Pe óleo B u o Pesado, esul ando
em no os ale as de eme gência de ido ao isco de ompimen os adicionais. O p oje o, que ha ia sido
ejei ado múl iplas ezes desde a década de 1980 de ido aos iscos ambien ais, ge ou g ande con o é sia
(Kliman e al., 2019).
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Elec ic G oup Co, Jiangsu Talesun Sola L d. e Powe Cons uc ion Co po a ion o China
L d. colabo a am com a Sociedade Es a al de Ene gia e Mine ação de Jujuy (JEMSE),
es a al a gen ina, na emp ei ada.
Enquan o isso, a Fazenda Sola I u e a a, na Bahia, ope ada pela Enel G een Powe
B asil Pa icipações, com capacidade de 254 MW, exigiu in es imen o de US$ 400 milhões,
com co inanciamen o de um consó cio en e o BOC e o San ande . O inanciamen o oi
apoiado pela China Expo & C edi Insu ance Co po a ion (Sinosu e) e ga an ido pela
Enel (Maisch, 2017).
Bancos e emp esas chinesas pa icipa am no desen ol imen o e na aquisição de
pa ques eólicos em á ios países. Uma das p incipais p o edo as de ene gia eólica e
ab ican es de u binas eólicas e ou os componen es da indús ia, a Xinjiang Goldwind,
iniciou suas ope ações na Amé ica La ina com a cons ução do pa que eólico Villonaco,
no Equado , cujas ope ações i e am início em 2013. Desde en ão, a emp esa expandiu
a i idades pa a ou os países da egião, incluindo A gen ina, B asil, Chile e U uguai
(Gubinelli, 2020). A i ma adqui iu, em 2017, os pa ques Loma Blanca I, II, III e VI, loca-
lizados na p o íncia de Chubu , e Mi ama , com uma capacidade o al de 349 MW, da
Sideco Ame icana, po US$ 25 milhões (Bajo..., 2020).
Em 2019, a China Gene al Nuclea Powe (CGN), es a al chinesa do se o de ene gia
nuclea , adqui iu o po ólio eólico da A lan ic Ene gias Reno á eis, da ges o a b i ânica
Ac is. Com essa aquisição, a CGN assumiu a p op iedade de á ios pa ques eólicos
em odo o B asil, a sabe : Pa que Eólico Lagoa do Ba o, com capacidade de 195 MW,
localizado no es ado do Piauí; o Complexo Mo inhos (180 MW), si uado na Bahia; o
Pa que Eólico Renascença V (30 MW), no Rio G ande do No e; e o Complexo San a
Vi ó ia do Palma (207 MW), no Rio G ande do Sul. No mesmo ano, a emp esa ambém
adqui iu a i os com capacidade o al de 540 MW, da emp esa i aliana Enel G een Powe .
A aquisição de po ólio incluiu os pa ques sola es de No a Olinda (292 MW), no Piauí,
e Lapa (158 MW), na Bahia, além do pa que eólico C is alândia (90 MW), ambém
localizado no es ado baiano (Enel..., 2019).
Em 2016, a S a e Powe In es men Co po a ion (SPIC) expandiu suas ope ações
pa a a Amé ica La ina ao adqui i os a i os de ene gias eno á eis da emp esa
aus aliana Paci ic Hyd o no B asil e no Chile. Em pa ce ia com a Paci ic Hyd o, a SPIC se
en ol eu no pa que eólico de Pun a Sie a, localizado na egião de Coquimbo, no Chile.
Esse p oje o ecebeu in es imen o de ce ca de US$ 197 milhões do Banco Indus ial e
Come cial da China (ICBC) e do China Cons uc ion Bank (CCB), em colabo ação com
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ou os bancos es angei os, e incluiu o o necimen o de u binas eólicas pela emp esa
Xinjiang Goldwind.65 O ICBC ambém o neceu co inanciamen o pa a o Pa que Eólico
El Co i, em Buenos Ai es, e pa a o Pa que Eólico Pun a Sie a, no Chile, em colabo-
ação com o CCB, o Commonweal h Bank da Aus alia (CBA) e o Banco Nacional da
Aus ália (NAB).
Embo a a a uação das emp esas e dos bancos chineses nas indús ias elacionadas
à ansição ene gé ica na Amé ica La ina ocalize indubi a elmen e o segmen o
de ene gias eno á eis, é impo an e menciona ambém o ecen e p og esso na
ab icação de eículos elé icos (elec ic ehicles – EVs). Em 2022, a China egis ou
c escimen o de 82% nas endas desses eículos, ep esen ando quase 60% das
comp as globais. Es e núme o supe ou signi ica i amen e o obse ado em países
pionei os na adoção de EVs, como os Es ados Unidos, a No uega e ou as nações
escandina as (Elle beck, 2023).
No B asil, a BYD, maio ab ican e mundial de eículos elé icos e ba e ias eca e-
gá eis, ope a áb icas de mon agem de chassis de ônibus 100% elé icos e de p odução
de módulos o o ol aicos, ambas localizadas em Campinas (São Paulo). Além disso,
possui uma áb ica no Polo Indus ial de Manaus (Amazonas), especializada na p o-
dução de ba e ias de os a o de e o-lí io.
66
Recen emen e, a BYD comp ou a áb ica
onde a Fo d p oduzia os modelos Ka e EcoSpo , em Camaça i, na Bahia, e anunciou,
em 2023, a in enção de expandi suas indús ias pa a México, A gen ina e Colômbia.
A Che y, ou a ab ican e chinesa de EVs, jun amen e com o G upo Caoa, ambém
con a com áb icas no B asil, as únicas da Amé ica La ina, localizadas em Jaca eí (São
Paulo) e Anápolis (Goiás). Os planos de expansão da p odução de EVs po emp esas
chinesas na egião in eg am a mo i ação o icialmen e decla ada pelo go e no chinês
de p omo e o se o no ex e io , supe ando ba ei as impos as no me cado in e nacional
(sob e udo nos Es ados Unidos e em ou os países ociden ais), cons uindo cadeias
globais de p o edo es e ap oximando me cados consumido es (He, 2024).
Enquan o maio ab ican e mundial de equipamen os de ene gia eno á el e país
que mais in es e em ecnologias e des e ansição ene gé ica, a China eme giu como
aliado-cha e pa a os países la ino-ame icanos, com po encial pa a desempenha um
papel signi ica i o na di e si icação de suas ma izes ene gé icas e na edução da depen-
dência dos combus í eis ósseis. Essa ap idão ganha ainda mais o ça conside ando
65. Disponí el em: h ps://china.aidda a.o g/.
66. Disponí el em: h ps://bydb asil.com.b /sob e/.
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TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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3076
APÊNDICE B
QUADRO B.1
Classi icação dos países de aco do com o ní el de desen ol imen o e/ou a egião
Classi icação Países
Economias a ançadas
Aus ália, Áus ia, Bélgica, Canadá, Chip e, República Tcheca, Dinama ca,
Es ônia, Finlândia, F ança, Alemanha, G écia, Islândia, I landa, Is ael,
I ália, Japão, Co eia do Sul, Luxembu go, Mal a, Holanda, No a Zelândia,
No uega, Po ugal, Singapu a, Eslo ênia, Espanha, Suécia, Suíça, Reino
Unido, Es ados Unidos.
Comunidade dos
Es ados Independen es
A mênia, Aze baijão, Geó gia, Cazaquis ão, Qui guis ão,
Tajiquis ão, Uc ânia
Ásia eme gen e e
em desen ol imen o
Bangladesh, B unei, Camboja, China, Índia, Indonésia, Laos, Malásia,
Mongólia, Nepal, Filipinas, S i Lanka, Tailândia, Vie nã
Eu opa eme gen e e
em desen ol imen o
Albânia, Bósnia e He zego ina, Bulgá ia, C oácia, Hung ia, Le ônia,
Macedônia, Mon eneg o, Polônia, Moldá ia, Romênia, Sé ia,
Eslo áquia, Tu quia
Amé ica La ina e Ca ibe
A gen ina, Bolí ia, B asil, Chile, Colômbia, Cos a Rica, República
Dominicana, Equado , El Sal ado , Gua emala, Hondu as, Jamaica,
México, Nica água, Panamá, Pa aguai, Pe u, T inidade e Tobago,
U uguai, Venezuela
O ien e Médio, No e da
Á ica e Paquis ão
A gélia, Bah ein, Egi o, I ã, Jo dânia, Kuwai , Líbano, Ma ocos, Omã,
Paquis ão, Qa a , A ábia Saudi a, Tunísia, Emi ados Á abes Unidos, Iêmen.
Á ica subsaa iana
Angola, Bo suana, Cama ões, República Democ á ica do Congo, Cos a
do Ma im, E iópia, Gabão, Gana, Quênia, Ilhas Mau ício, Moçambique,
Namíbia, Nigé ia, Senegal, Á ica do Sul, Tanzânia, Zâmbia e Zimbábue.
Fon e: Wo ld Economic Fo um (WEF). Disponí el em: h ps://www.we o um.o g/publica ions/
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Elabo ação dos au o es.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
80
3076
APÊNDICE C
TABELA C.1
Dis ibuição dos países nas qua o ca ego ias, po dimensão e classi icação
das economias po egião e/ou desen ol imen o econômico
Países líde es
Dimensão Equidade Segu ança Sus en abilidade
Economias a ançadas 11 12 14
Comunidade dos Es ados Independen es 2 4 1
Ásia eme gen e e em desen ol imen o 3 4 6
Eu opa eme gen e e em desen ol imen o 6 5 8
Amé ica La ina e Ca ibe 3 4 9
O ien e Médio, No e da Á ica e Paquis ão 5 3 1
Á ica subsaa iana 1 3 14
To al 31 35 53
Países a ançados
Dimensão Equidade Segu ança Sus en abilidade
Economias a ançadas 3 7 16
Comunidade dos Es ados Independen es 2 1 2
Ásia eme gen e e em desen ol imen o 5 3 4
Eu opa eme gen e e em desen ol imen o 3 7 6
Amé ica La ina e Ca ibe 3 6 7
O ien e Médio, No e da Á ica e Paquis ão 3 3 7
Á ica subsaa iana 10 6 2
To al 29 33 44
Países es abilizado es
Dimensão Equidade Segu ança Sus en abilidade
Economias a ançadas 12 8 0
Comunidade dos Es ados Independen es 2 0 1
Ásia eme gen e e em desen ol imen o 0 1 1
Eu opa eme gen e e em desen ol imen o 2 1 0
Amé ica La ina e Ca ibe 5 7 4
O ien e Médio, No e da Á ica e Paquis ão 6 5 0
Á ica subsaa iana 1 2 1
To al 28 24 7
(Con inua)
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
81
3076
(Con inuação)
Países em isco
Dimensão Equidade Segu ança Sus en abilidade
Economias a ançadas 5 4 1
Comunidade dos Es ados Independen es 1 2 3
Ásia eme gen e e em desen ol imen o 6 6 3
Eu opa eme gen e e em desen ol imen o 4 2 1
Amé ica La ina e Ca ibe 9 3 0
O ien e Médio, No e da Á ica e Paquis ão 1 4 7
Á ica subsaa iana 6 7 1
To al 32 28 16
Fon e: Wo ld Economic Fo um (WEF). Disponí el em: h ps://www.we o um.o g/publica ions/
os e ing-e ec i e-ene gy- ansi ion-2023/coun y-deep-di es-a57a63d0d5/# epo -na .
Elabo ação dos au o es.
Ipea – Ins i u o de Pesquisa Econômica Aplicada
EDITORIAL
Coo denação
Ae omilson T ajano de Mesqui a
Assis en es da Coo denação
Ra ael Augus o Fe ei a Ca doso
Samuel Elias de Souza
Supe isão
Aline C is ine To es da Sil a Ma ins
Re isão
B una Oli ei a Ranquine da Rocha
Ca los Edua do Gonçal es de Melo
C islayne And ade de A aújo
Elaine Oli ei a Cou o
Luciana Bas os Dias
Rebeca Raimundo Ca doso dos San os
Vi ian Ba os Volo ão San os
Debo ah Baldino Ma e (es agiá ia)
Luíza Ca doso Mendes Velasco (es agiá ia)
Edi o ação
Aline C is ine To es da Sil a Ma ins
Camila Guima ães Simas
Leona do Simão Lago Al i e
Maya a Ba os da Mo a
Capa
Aline C is ine To es da Sil a Ma ins
P oje o G á ico
Aline C is ine To es da Sil a Ma ins
The manusc ip s in languages o he han Po uguese
published he ein ha e no been p oo ead.
Missão do Ipea
Ap imo a as polí icas públicas essenciais ao desen ol imen o b asilei o
po meio da p odução e disseminação de conhecimen os e da assesso ia
ao Es ado nas suas decisões es a égicas.
Missão do Ipea
Ap imo a as polí icas públicas essenciais ao desen ol imen o b asilei o
po meio da p odução e disseminação de conhecimen os e da assesso ia
ao Es ado nas suas decisões es a égicas.