de Souza, Ped o H. G. Fe ei a; Gonçal es, Solange Ledi; Po ella, Alysson; Oso io,
Ra ael Gue ei o; Fi po, Se gio
Wo king Pape
Vola ilidade de enda e a dinâmica da pob eza no B asil
Tex o pa a Discussão, No. 3029
P o ided in Coope a ion wi h:
Ins i u e o Applied Economic Resea ch (ipea), B asília
Sugges ed Ci a ion: de Souza, Ped o H. G. Fe ei a; Gonçal es, Solange Ledi; Po ella, Alysson; Oso io,
Ra ael Gue ei o; Fi po, Se gio (2024) : Vola ilidade de enda e a dinâmica da pob eza no B asil,
Tex o pa a Discussão, No. 3029, Ins i u o de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), B asília,
h ps://doi.o g/10.38116/ d3029-po
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3029
VOLATILIDADE DE RENDA
E A DINÂMICA DA POBREZA
NO BRASIL
PEDRO H. G. FERREIRA DE SOUZA PEDRO H. G. FERREIRA DE SOUZA
SOLANGE L. GONÇALVES SOLANGE L. GONÇALVES
ALYSSON PORTELLA ALYSSON PORTELLA
RAFAEL G. OSORIO RAFAEL G. OSORIO
SERGIO FIRPO SERGIO FIRPO
3029
Rio de Janei o, agos o de 2024
VOLATILIDADE DE RENDA
E A DINÂMICA DA POBREZA
NO BRASIL1
PEDRO H. G. FERREIRA DE SOUZA2
SOLANGE L. GONÇALVES3
ALYSSON PORTELLA4
RAFAEL G. OSORIO5
SERGIO FIRPO6
1. Os au o es ag adecem a Se gei Soa es e Luis Hen ique Pai a po
suges ões e comen á ios aliosos.
2. Técnico de planejamen o e pesquisa na Di e o ia de Es udos e Polí icas
Sociais do Ins i u o de Pesquisa Econômica Aplicada (Disoc/Ipea).
E-mail: ped o. e ei [email p o ec ed] .b .
3. P o esso a do Depa amen o de Economia da Faculdade de Economia,
Adminis ação, Con abilidade e A uá ia da Uni e sidade de São Paulo
(FEA/USP). E-mail: [email p o ec ed].
4. Pesquisado do Ins i u o de Ensino e Pesquisa (Inspe ).
E-mail: alyssonlp1@inspe .edu.b .
5. Técnico de planejamen o e pesquisa na Disoc/Ipea.
E-mail: [email p o ec ed].b .
6. P o esso do Inspe . E-mail: se giop 1@inspe .edu.b .
Tex o pa a
Discussão
Publicação se iada que di ulga esul ados de es udos e pesquisas
em desen ol imen o pelo Ipea com o obje i o de omen a o deba e
e o e ece subsídios à o mulação e a aliação de polí icas públicas.
© Ins i u o de Pesquisa Econômica Aplicada – ipea 2024
Vola ilidade de enda e a dinâmica da pob eza no B asil / Ped o H. G.
Fe ei a de Souza ... [e al.]. – Rio de Janei o: Ipea, 2024.
52 p.: il., g á s. – (Tex o pa a Discussão ; n. 3029).
Inclui Bibliog a ia.
ISSN 1415-4765
1. Dinâmica da Pob eza. 2. Pob eza In e empo al. 3. Ciclos de
Pob eza. 4.Vola ilidade de Renda. 5. P og amas Sociais. I. Souza,
Ped o H. G. Fe ei a de. II. Ins i u o de Pesquisa Econômica Aplicada.
CDD 339.4
Ficha ca alog á ica elabo ada po Elizabe h Fe ei a da Sil a CRB-7/6844.
Como ci a :
SOUZA Ped o H. G. Fe ei a de e al. Vola ilidade de enda e a
dinâmica da pob eza no B asil. Rio de Janei o: Ipea, jul. 2024.
52 p. il. (Tex o pa a Discussão, n. 3029).
DOI: h p://dx.doi.o g/10.38116/ d3029-po
JEL: I32, D31, D63.
As publicações do Ipea es ão disponí eis pa a download g a ui o nos
o ma os PDF ( odas) e EPUB (li os e pe iódicos).
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As opiniões emi idas nes a publicação são de exclusi a e in ei a
esponsabilidade dos au o es, não exp imindo, necessa iamen e, o
pon o de is a do Ins i u o de Pesquisa Econômica Aplicada ou do
Minis é io do Planejamen o e O çamen o.
É pe mi ida a ep odução des e ex o e dos dados nele con idos, desde
que ci ada a on e. Rep oduções pa a ins come ciais são p oibidas.
Go e no Fede al
Minis é io do Planejamen o e O çamen o
Minis a Simone Nassa Tebe
Fundação pública inculada ao Minis é io do
Planejamen o e O çamen o, o Ipea o nece supo e
écnico e ins i ucional às ações go e namen ais –
possibili ando a o mulação de inúme as polí icas
públicas e p og amas de desen ol imen o b asilei-
os – e disponibiliza, pa a a sociedade, pesquisas
e es udos ealizados po seus écnicos.
P esiden a
LUCIANA MENDES SANTOS SERVO
Di e o de Desen ol imen o Ins i ucional
FERNANDO GAIGER SILVEIRA
Di e o a de Es udos e Polí icas do Es ado,
das Ins i uições e da Democ acia
LUSENI MARIA CORDEIRO DE AQUINO
Di e o de Es udos e Polí icas Mac oeconômicas
CLÁUDIO ROBERTO AMITRANO
Di e o de Es udos e Polí icas Regionais,
U banas e Ambien ais
ARISTIDES MONTEIRO NETO
Di e o a de Es udos e Polí icas Se o iais,
de Ino ação, Regulação e In aes u u a
FERNANDA DE NEGRI
Di e o de Es udos e Polí icas Sociais
CARLOS HENRIQUE LEITE CORSEUIL
Di e o de Es udos In e nacionais
FÁBIO VÉRAS SOARES
Che e de Gabine e
ALEXANDRE DOS SANTOS CUNHA
Coo denado a-Ge al de Imp ensa e
Comunicação Social
GISELE AMARAL
Ou ido ia: h p://www.ipea.go .b /ou ido ia
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SUMÁRIO
SINOPSE
ABSTRACT
1 INTRODUÇÃO ...........................................................................7
2 A DINÂMICA DA POBREZA: CONCEITOS
E MENSURAÇÃO ....................................................................10
2.1 B e e e isão da li e a u a ........................................................ 10
2.2 Medidas de pob eza ans e sal ..............................................12
2.3 Medidas de pob eza in e empo al ..........................................13
3 DADOS E MÉTODOS ...............................................................18
3.1 Cons ução do painel e seleção de anos ................................18
3.2 Sob e o a i o no painel da PNAD Con ínua ............................20
3.3 De inição dos endimen os e das linhas de pob eza..............23
4 RESULTADOS NACIONAIS .....................................................24
4.1 Dinâmica da pob eza sem compensação in e empo al .......24
4.2 Dinâmica da pob eza com compensação in e empo al .......31
5 RESULTADOS PARA REGIÕES METROPOLITANAS ..............34
6 IMPLICAÇÕES PARA O DESENHO DE POLÍTICAS
FOCALIZADAS DE TRANSFERÊNCIA DE RENDA .................37
6.1 Po que a dinâmica da pob eza impo a? ...............................37
6.2 E ei os da dinâmica da pob eza sob e a elegibilidade
às ans e ências ......................................................................40
6.3 A con ibuição das ans e ências sociais pa a a
edução da pob eza in e empo al ..........................................42
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS ......................................................44
REFERÊNCIAS ............................................................................47
SINOPSE
O obje i o des e a igo é in es iga a dinâmica da pob eza no B asil, pois a equência
e o pad ão dos mo imen os de en ada e saída da pob eza êm consequências an o
pa a nosso en endimen o dos p ocessos de es a i icação e mobilidade social
quan o pa a o desenho de polí icas públicas. Nossa análise usa mic odados da
Pesquisa Nacional po Amos a de Domicílios Con ínua (PNAD Con ínua) pa a o
pe íodo en e 2015 e 2020. Uma de nossas con ibuições é o desen ol imen o e a
implemen ação de um algo i mo (Pynad) de pa eamen o de indi íduos e amílias pa a
a cons ução de painéis. Compa amos os esul ados ge ados pa a ês di e en es
medidas de pob eza in e empo al: duas medidas baseadas na con agem de
pe íodos (spells) e sem compensação in e empo al, e uma medida al e na i a
que se baseia no concei o de enda pe manen e, com compensação pe ei a de
bem-es a en e pe íodos. Nossos esul ados indicam que a escolha da medida
de pob eza in e empo al em e ei os conside á eis sob e os ní eis es imados de
pob eza. Além disso, a pob eza empo á ia con ibui signi ica i amen e pa a
a pob eza o al em quase odas as combinações de linhas e medidas, e o peso
ela i o da pob eza empo á ia diminui con o me a linha de pob eza aumen a.
Assim, concluímos que o moni o amen o da pob eza pode se ei o a pa i de
dados ans e sais, mas o desenho de polí icas públicas p ecisa necessa iamen e
conside a a pob eza in e empo al, uma ez que o amanho do público-al o pode
a ia d as icamen e con o me a abo dagem u ilizada. Po im, discu imos os
esul ados encon ados e suas implicações pa a os p og amas ocalizados de
ans e ência de enda.
Pala as-cha e: dinâmica da pob eza; pob eza in e empo al; ciclos de pob eza;
ola ilidade de enda; p og amas sociais.
ABSTRACT
This pape in es iga es po e y dynamics in B azil, as he equency and pa e n o
mo emen s in o and ou o po e y ha e signi ican implica ions o ou unde s anding
o s a i ica ion and social mobili y p ocesses, as well as o he design o public
policies. Ou analysis uses mic oda a om he Con inuous Na ional Household
Sample Su ey (Pesquisa Nacional po Amos a de Domicílios Con ínua – PNAD
Con ínua), spanning he pe iod om 2015 o 2020. A key con ibu ion o ou wo k is
he de elopmen and implemen a ion o an algo i hm (Pynad) ha ma ches indi iduals
and amilies ac oss PNAD Con ínua wa es o cons uc panels. We compa e he esul s
ob ained om h ee di e en measu es o in e empo al po e y: wo measu es based
on he numbe o pe iods ( he spells app oach) wi hou in e empo al compensa ion,
and an al e na i e measu e oo ed in he concep o pe manen income which allows
o pe ec wel a e compensa ion be ween pe iods. Ou indings e eal ha he
choice o in e empo al po e y measu e signi ican ly impac s he es ima ed po e y
le els. T ansien po e y con ibu es subs an ially o o al po e y ac oss almos all
combina ions o lines and measu es, wi h he ela i e weigh o ansien po e y
dec easing as he po e y line inc eases. Ou esul s sugges ha while po e y
moni o ing can ely on c oss-sec ional da a, he design o public policies mus conside
he dynamics o po e y, gi en ha he size o he a ge audience can a y d as ically
depending on he app oach used. Finally, we discuss ou indings and hei implica ions
o a ge ed income ans e p og ams.
Keywo ds: po e y dynamics; in e empo al po e y; po e y cycles; income ola ili y;
cash ans e s.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
7
3029
1 INTRODUÇÃO
O es udo e o moni o amen o da pob eza pa em da análise de axas de pob eza ag e-
gadas, no malmen e calculadas com base em dados em co e ans e sal. Tipicamen e,
o pe cen ual de pob es – a mé ica mais in ui i a pa a medi o enômeno – ap esen a
ele ada au oco elação ou pe sis ência empo al. Isso não signi ica, no en an o, que
sejam semp e os mesmos indi íduos e amílias abaixo da linha de pob eza. Dessa
o ma, a equência e o pad ão dos mo imen os de en ada e saída da pob eza e a sua
du ação êm consequências an o pa a nosso en endimen o dos p ocessos de es a i i-
cação e mobilidade social quan o pa a o desenho de polí icas públicas.
Embo a os es udos sob e a dinâmica da pob eza – ou pob eza in e empo al –
enham su gido nos anos 1980 (Bane e Ellwood, 1986; Ra allion, 1988; Chambe s,
Longhu s e Pacey, 1981; Gaiha, 1989), ainda há uma eno me ca ência de in es igações
empí icas sob e o assun o, sob e udo em países de enda média ou média-al a, como
o B asil. A escassez de dados longi udinais e a mul iplicidade de abo dagens concei-
uais e me odológicas di icul am a cons ução de consensos e de a os es ilizados que
auxiliem na comp eensão e no comba e à pob eza.
O obje i o des e abalho, po an o, é in es iga a dinâmica da pob eza no B asil
en e 2015 e 2020, compa ando p essupos os e esul ados ob idos com di e en es
abo dagens, e examina suas p incipais implicações pa a o desenho e a ocalização
de polí icas públicas de ans e ência de enda. De ido à pequena adição b asilei a
nes e campo, ambém ap esen amos, de o ma in odu ó ia, os p incipais concei os e
medidas associados à análise empo al da pob eza.
Nossa análise empí ica usa mic odados da Pesquisa Nacional po Amos a de
Domicílios Con ínua (PNAD Con ínua), lançada em 2012 pelo Ins i u o B asilei o
de Geog a ia e Es a ís ica (IBGE) em subs i uição à an iga PNAD, que inha ca á e
ans e sal e anual. A PNAD Con ínua possui desenho amos al em o ma de painel
o a i o, simila a pesquisas como o Cu en Popula ion Su ey (CPS) ame icano, o
que pe mi e a cons ução de painéis cu os, com in o mações de enda cole adas em
duas isi as, sepa adas po doze meses. Não obs an e, o uso da PNAD Con ínua pa a
es udos longi udinais ainda é es i o (Pinhei o e al., 2019; Ma os, Sonoda e Junio ,
2022; Gomes, Iachan e San os, 2020), de modo que uma de nossas con ibuições é
o desen ol imen o e a implemen ação de um algo i mo (Pynad) de pa eamen o de
indi íduos e amílias pa a a cons ução dos painéis, que u ilizamos aqui em análise
pionei a da dinâmica da pob eza em âmbi o nacional.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
8
3029
Concei ualmen e, pa a além das e apas undamen ais da mensu ação es abele-
cidas desde Sen (1976) – iden i icação e ag egação –, nosso ex o des aca como a
dimensão empo al in oduz no os desa ios, exigindo, em especial, uma de inição
a p io i sob e o g au de compensação in e empo al pe mi ido. Em ou as pala as, oda
a aliação da pob eza in e empo al p ecisa especi ica se e em que medida pe íodos
de escassez podem se compensados ou não po pe íodos de abundância (Po e e
Quinn, 2008). Pa a ilus a as consequências de di e en es de inições, compa amos
no ex o os esul ados pa a ês medidas que ep esen am casos-limi e: as medidas
po con agem de pe íodos, a medida de Fos e (2009) e a medida de Jalan e Ra allion
(1998; 2000). Pa a usa a ipologia equen emen e ado ada pa a o ganiza a li e a u a,
as duas p imei as iliam-se à pe spec i a de episódios de pob eza (spells), enquan o a
úl ima pe ence à pe spec i a da enda pe manen e.
Nossos esul ados indicam que a escolha da medida de pob eza in e empo al em
e ei os conside á eis sob e os ní eis es imados de pob eza. Em um ex emo, a abo dagem
mais expansi a de con agem de pe íodos ge a axas de pob eza acumulada – is o é,
a ação da população que oi pob e em algum momen o – mui o supe io es às axas
de pob eza ans e sal, com g ande núme o de pob es empo á ios (ocasionalmen e
pob es). Pa a as linhas mais baixas, a di e ença no núme o de pob es pode chega a
um pe cen ual en e 50%-70%, que cai con o me a linha aumen a. No ou o ex emo, se
a escolha p io iza somen e os componen es de pob eza c ônica al como de inidos
po Fos e (2009) e Jalan e Ra allion (1998; 2000), o pe cen ual de pob es pode se a é
meno do que nos dados ans e sais c oss-sec ion.
O a amen o dado à pob eza ansi ó ia é c ucial pa a en ende essas disc epâncias,
e a escolha en e medidas depende de conside ações no ma i as e p á icas, em especial
po que nossos esul ados mos am que há mobilidade en e aixas de enda, mas ela é
p incipalmen e de cu a dis ância. Ou seja, há um núme o mui o eduzido de indi íduos
pob es em uma isi a da PNAD Con ínua que se o nam “ icos” um ano depois, e ice-
- e sa; em con apa ida, há mui o mais indi íduos que al e nam en e pe íodos abaixo
e pe íodos pouco acima da linha de pob eza. Po isso, a pob eza empo á ia con ibui
signi ica i amen e pa a a pob eza o al em quase odas as combinações de linhas e
medidas, inclusi e pa a as o mulações de Fos e (2009) e Jalan e Ra allion (1998;
2000). O peso ela i o da pob eza empo á ia diminui con o me a linha de pob eza
aumen a: po exemplo, pa a linhas in e io es a R$ 100,00, quase odos os pob es são
ocasionalmen e pob es, pe cen ual que cai abaixo de 30% quando a linha de pob eza
a inge R$ 1200,00.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
15
3029
2.3.1 Medida po con agem de pe íodos
A classi icação da população em semp e pob es, ocasionalmen e pob es e nunca
pob es es á pa a os es udos dinâmicos assim como o pe cen ual de pob es es á
pa a as análises ans e sais: a a-se da o ma simples e in ui i a de ap esen a os
esul ados. Não su p eenden emen e, essa é uma das opções mais equen es em
es udos da pe spec i a de episódios (spells) ou con agem (coun ing) (Baulch e Hoddino ,
2000; Himanshu e Lanjouw, 2021). Po essa nomencla u a, os semp e pob es ep e-
sen a iam a pob eza c ônica, enquan o os ocasionalmen e pob es co esponde iam à
pob eza empo á ia.
Os pe cen uais ob idos supõem a ausência comple a de compensação in e em-
po al. Bas a um indi íduo se pob e em um único pe íodo pa a en a na ca ego ia
ocasionalmen e pob e, independen emen e do ní el de sua enda em ou os pe íodos.
Po isso, seguimos a p á ica disseminada de complemen a esses pe cen uais com
ma izes de ansição e ou as es a ís icas que quan i icam a dis ância pe co ida ao
longo da dis ibuição de enda po quem en a e sai da pob eza.
Em e mos écnicos, odas as c í icas di ecionadas ao indicado ambém se
aplicam a essa abo dagem. Uma essal a adicional em análises longi udinais é que os
pe cen uais de nunca e ocasionalmen e pob es são mui o in luenciados pela du ação
do painel: ce e is pa ibus, quan o mais longo o in e alo in es igado, maio ende a se
o amanho da pob eza ocasional em compa ação com a pob eza c ônica. Logo, de e-se
e i a compa ações en e esul ados ob idos com painéis com du ações a iá eis. Seja
como o , mesmo in es igações baseadas em painéis cu os ipicamen e es imam que
os ocasionalmen e pob es são ão ou mais nume osos do que os semp e pob es.5
2.3.2 Medidas de pob eza in e empo al de Fos e (2009)
A me odologia de Fos e (2009) se ilia à abo dagem de episódios ou spells, es endendo a
amília pa a a dimensão empo al de manei a bas an e semelhan e ao que az
a me odologia de Alki e e Fos e (2011a; 2011b) pa a a pob eza mul idimensional.
5. Himanshu e Lanjouw (2021, p. 120) esumem os esul ados de 19 es udos conduzidos em dezesseis
países em desen ol imen o com painéis ela i amen e cu os. Apenas na Á ica do Sul, no Pe u e na
Nica água o pe cen ual de semp e pob es oi maio do que o de ocasionalmen e pob es. Baulch e
Hoddino (2000, p. 7) apon am o mesmo pad ão: em somen e 2 dos 13 es udos ci ados os semp e
pob es o am mais nume osos do que os ocasionalmen e pob es.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
16
3029
Nos e mos de Cal o e De con (2009), a p opos a de Fos e (2009) p ocede na
sequência oco- ans o mação-ag egação. A iden i icação dos pob es na p imei a e apa
é ei a po uma dupla linha de co e: a enda de cada pe íodo é compa ada com a linha
de pob eza e, em seguida, a linha de du ação , com , de e mina o pe cen ual
mínimo de pe íodos de pob eza necessá io pa a que um indi íduo seja classi icado
como c onicamen e pob e. Ou seja, um indi íduo é conside ado c onicamen e pob e
se passa pelo menos uma p opo ção de empo abaixo da linha de pob eza.
Fo malmen e, seja a enda do indi íduo no pe íodo , a linha de pob eza,
o núme o de pe íodos no painel, a linha de du ação e uma unção indicado a, os
pob es c ônicos são iden i icados po :
As e apas de ans o mação e ag egação esul am em uma ex ensão da ó mula
da amília , ambém com um pa âme o que cump e papel análogo ao da
mensu ação da pob eza ans e sal. A ó mula pa a a pob eza c ônica é:
A medida equi ale à incidência da pob eza ajus ada pela du ação, co es-
pondendo à mul iplicação do pe cen ual de pob es c ônicos na população pela ação
de empo média que esse g upo passou abaixo da linha de pob eza. Analogamen e,
é o hia o de pob eza ajus ado pela du ação e emula a medida
ajus ada pela du ação.6
É simples aplica a medida de Fos e à pob eza empo á ia. No caso limi e em que
, odos os episódios de pob eza de odos os indi íduos são le ados em con a.
Logo, a pob eza o al e a pob eza empo á ia são:
6. As medidas de Fos e são mui as ezes exp essas como . Pa a acili a a lei u a, op amos po
, usando a inicial do au o .
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
17
3029
Esse ipo de especi icação ep esen a o ex emo opos o da abo dagem de
enda pe manen e de Jalan e Ra allion (1998; 2000), pois elimina a possibilidade
de compensação in e empo al: um indi íduo que passe pelo menos pe íodos abaixo
da linha de pob eza é conside ado c onicamen e pob e independen emen e dos seus
endimen os em pe íodos de não pob eza (Cal o e De con, 2009). As medidas
ambém são indi e en es à sequência e di eção dos episódios de pob eza, mas, como
di o, essas ques ões não são ele an es nes e ex o. De es o, as medidas a endem
aos axiomas menos con o e sos, como os de in a iância e decomponibilidade.
Como nossos painéis con êm apenas duas obse ações, nossa implemen ação
da medida de Fos e ado a o pa âme o .
2.3.3 Medidas de pob eza in e empo al de Jalan e Ra allion (1998; 2000)
Jalan e Ra allion (1998; 2000) adap a am a amília de medidas pa a quan i ica
a dinâmica da pob eza sob a pe spec i a da enda pe manen e. Embo a os au o es
p i ilegiem os casos em que , sua p opos a pode se gene alizada pa a ou os
alo es. Seja a enda média do indi íduo ao longo de pe íodos, en ão
a pob eza o al , a pob eza c ônica e a pob eza empo á ia
são de inidas po :
A medida de pob eza c ônica de Jalan e Ra allion (1998; 2000) eduz a dimensão
empo al de ol a ao caso es á ico ao conside a apenas a enda média dos indi íduos
ao longo dos pe íodos como sua enda pe manen e. Ou seja, po essa mé ica, os pob es
c ônicos incluem an o os semp e pob es quan o o subconjun o dos ocasionalmen e
pob es cuja enda média ao longo do empo icou abaixo da linha de pob eza.
Em e mos de compensação in e empo al, a abo dagem de Jalan e Ra allion
(1998; 2000) é in e sa à da con agem de pe íodos e à de Fos e (2009), pois p essupõe
compensação pe ei a de bem-es a en e pe íodos sem nenhum cus o pa a os
TEXTO pa a DISCUSSÃO
18
3029
indi íduos. Como obse am Cal o e De con (2009), esse ipo de medida baseia-se
na sequência ag egação- oco- ans o mação, is o é, p imei o oco e a ag egação da
mé ica do bem-es a pa a cada unidade, seguida pela iden i icação dos pob es e,
po im, a ans o mação con exa do bem-es a dos pob es di ada pela amília .
Logo, a pob eza em um dado momen o não cons i ui uma pe da i emediá el e as
medidas esul an es não são sensí eis nem ao núme o de pe íodos na pob eza nem à
sequência ou di eção dos episódios de pob eza.
A pob eza empo á ia, po sua ez, depende da a iabilidade dos endimen os, de
modo que mesmo os pob es c ônicos ambém con ibuem pa a a pob eza empo á ia
nos pe íodos em que seus endimen os icam abaixo da sua enda pe manen e (is o é,
da sua enda média). Todos os indi íduos que o am pob es em algum momen o
con ibuem pa a a pob eza o al.
Pelo seu pionei ismo, as medidas de Jalan e Ra allion (1998; 2000) es ão en e as
mais usadas em abalhos empí icos sob e a dinâmica da pob eza e, em especial, em
análises sob e pob eza c ônica e empo á ia. Cal o e De con (2009) e Fos e e San os
(2014) ap esen am gene alizações dessas medidas.
3 DADOS E MÉTODOS
3.1 Cons ução do painel e seleção de anos
Nosso es udo u iliza dados da PNAD Con ínua, conduzida pelo IBGE desde 2012.
A PNAD Con ínua é uma pesquisa domicilia mul ip opósi os, com ep esen a i idade
nacional, em esquema de painel o a i o em que os domicílios são isi ados a cada ês
meses po cinco imes es consecu i os, com eno ação de ce ca de 20% da amos a
a cada imes e.
A pesquisa possui um ques ioná io básico, com oco no me cado de abalho,
aplicado em odas as isi as, e ques ioná ios suplemen a es aplicados em isi as
e imes es especí icos. Os mic odados são di ulgados publicamen e em dois
o ma os: imes almen e, com in o mações somen e do ques ioná io básico, e anua-
lizados, com in o mações dos suplemen os de isi as ou imes es especí icos.
Toda a di ulgação o icial e quase odas as análises empí icas da PNAD Con ínua
ap o ei am somen e o aspec o ans e sal da pesquisa. Com e ei o, a p óp ia cons-
ução do painel é o p imei o desa io pa a o uso dos dados longi udinais. O IBGE jamais
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
19
3029
di ulgou os iden i icado es únicos de indi íduos no painel, somen e os iden i icado es
de domicílios – unidades ísicas de mo adia, como casas e apa amen os, que cons i-
uem a unidade amos al da PNAD Con ínua. A cons ução de um painel de indi íduos
e amílias eque , po an o, a c iação desses iden i icado es, a e a di icul ada po ques-
ões como elocação esidencial (di e en es amílias podem ocupa o mesmo imó el
du an e os imes es do painel), mig ação, al e ações na composição das amílias ao
longo do painel, e os de decla ação e/ou inconsis ências de espos as pa a a iá eis
ele an es pa a iden i icação de indi íduo (da a de nascimen o, sexo e elação com
pessoa de e e ência), en e ou as. Assim, como pa e do nosso p oje o de pesquisa,
Oso io (2022) desen ol eu um algo i mo de iden i icação e classi icação de amílias
e indi íduos, possibili ando a c iação de iden i icado es únicos.7
A me odologia de Oso io (2022) p ocede em qua o e apas: i) sepa ação das coo es
dos painéis e ag egação de odas as in o mações pa a cada indi íduo de cada coo e, em
cada isi a e imes e; ii) a amen o dos casos com da as de nascimen o igno adas,
com aplicação de mé odo i e a i o análogo ao pa eamen o po izinho mais p óximo
pa a a iá eis selecionadas ( elação com a pessoa de e e ência, idade es imada, sexo),
com janela de ole ância pa a a ação po dígi o; iii) iden i icação das amílias
(g upos domés icos) po p ocedimen o i e a i o que encadeia amílias en e isi as
pelo pa eamen o de mo ado es do domicílio po sexo e da a de nascimen o (somen e
pa a casos com da a de nascimen o egis ada); e i ) iden i icação dos indi íduos po
ês algo i mos classi icado es aplicados sucessi amen e, con o me o g au de comple-
xidade das mudanças de composição do domicílio ao longo do empo, com ma cação
de qualidade do pa eamen o. O algo i mo oi desen ol ido em Py hon e es á disponí el
sob a o ma do aplica i o Pynad, com código on e abe o e comen ado, que unciona
em Windows e Linux.8
Embo a cada domicílio seja isi ado cinco ezes pela PNAD Con ínua, nossa análise
empí ica inclui somen e as in o mações ob idas na p imei a e quin a isi a, uma ez
que as demais isi as cole am apenas in o mações ela i as aos endimen os do
abalho. Pa a con empla os endimen os o iundos de ou as on es, dependemos
da disponibilidade de mic odados anualizados com in o mações consolidadas pa a
a p imei a isi a no ano e pa a a úl ima isi a em . Isso limi a nossa análise aos
7. O p oje o Da aZoom, disponí el em: h p://www.econ.puc- io.b /da azoom/pnadMic o.h ml, elabo ou
paco e pa a o so wa e S a a com algo i mo al e na i o simpli icado que ambém usa da as de nascimen o
e sexo pa a iden i ica os indi íduos, adap ando à PNAD Con ínua o mé odo p opos o po Ribas e Soa es
(2008) pa a a an iga PME.
8. O aplica i o pode se baixado g a ui amen e em: h p://pypi.o g/p ojec /pynad/.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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painéis iniciados en e 2015 e 2019, já que o IBGE só passou a di ulga os mic odados
anuais das quin as isi as a pa i de 2016 e a é o momen o não di ulgou os a qui os anuais
das p imei as isi as pa a 2020 e 2021, pe íodo em que a cole a oi p ejudicada pela
pandemia de co id-19.
3.2 Sob e o a i o no painel da PNAD Con ínua
Toda pesquisa longi udinal possui algum ní el de a i o, is o é, algumas unidades do painel
são pe didas ao longo do empo. Na PNAD Con ínua, exis em ês on es p incipais de
a i o. A p imei a é a não espos a, seja po ecusa ou po ausência dos mo ado es, o
que az com que haja domicílios sem odas as en e is as comple as. Pa a os nossos
p opósi os, o ideal se ia que odas as amílias i essem in o mações pelo menos pa a
a p imei a e a quin a isi as.
A segunda on e de a i o se de e ao desenho da PNAD Con ínua. A unidade de
cole a da pesquisa é o domicílio, is o é, a unidade ísica de mo adia (como cons uções,
casas e apa amen os), e não as amílias ou os indi íduos. Logo, há a possibilidade
de que a mesma mo adia seja ocupada po amílias di e en es ao longo das isi as.
Como não az sen ido compa a g upos domés icos di e en es, p ecisamos desca a
os domicílios ocupados po amílias di e en es na p imei a e quin a isi a.
Po im, é possí el que a mesma amília apa eça nessas duas isi as, mas so a
mudanças de composição ao longo do empo, com a saída e/ou en ada de mo ado es.
Pa a esses indi íduos os dados es ão censu ados, não ha endo in o mação pa a um
dos momen os. Não há como sabe o que acon eceu com os indi íduos que saem da
amos a, que podem e alecido ou mudado pa a ou o domicílio, ampouco emos
in o mações sob e a p ocedência dos indi íduos que apa ecem depois da p imei a
isi a, exce o nos casos de ecém-nascidos.
A abela 1 compa a o núme o de amílias nos dados ans e sais da p imei a isi a
com o núme o o al de amílias no painel ( amílias com a p imei a e quin a isi as
comple as) e o núme o de amílias do painel sem mudanças de composição ao longo do
empo. O a i o en e a p imei a e a quin a isi as caiu g adualmen e en e 2015 e 2018,
com as axas de e enção aumen ando de 81,1% pa a 82,7%, mas hou e um epique em
2019 de ido à pandemia de co id-19, com o pe cen ual de amílias que pe maneceu
na amos a caindo abaixo de 72%, um ecuo de mais de 10 pon os pe cen uais (p.p.).
Embo a o ideal seja a ausência de a i o, esses núme os são ela i amen e bons em
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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3029
compa ação ao con ex o in e nacional.9 A úl ima coluna da abela 1, po exemplo, mos a
que ce ca de 60% das amílias p esen es na isi a 1 comple am ambém a isi a 5 sem
mudanças na sua composição de mo ado es.
TABELA 1
Núme o de amílias nos dados ans e sais e nos painéis da PNAD Con ínua:
B asil (2015-2019)
Ano (A) Dados ans e sais,
isi a 1 (B) Painel, o al (C) Painel,
mesma composição B/A (%) C/A (%)
2015 149.423 121.157 88.205 81,1 59,0
2016 151.284 124.567 93.543 82,3 61,8
2017 151.655 125.314 94.092 82,6 62,0
2018 151.979 125.622 94.579 82,7 62,2
2019 150.667 108.321 85.147 71,9 56,5
Fon e: IBGE, 2015, 2016, 2017, 2018, 2019 e 2020.
Elabo ação dos au o es.
Obs.: A coluna ano se e e e ao ano de início do painel.
Nossas análises incluem odas as amílias do painel, independen emen e de
al e ações no quad o de mo ado es. Como as amos as são g andes, a maio dú ida
sob e a qualidade dos dados diz espei o a possí eis ieses in oduzidos pelo a i o.
É plausí el supo , po exemplo, que amílias mais pob es ou mais ulne á eis à pob eza
enham maio p obabilidade de sai da amos a.
Pa a minimiza esse isco, eco emos à abo dagem mais comum na li e a u a
sob e pob eza dinâmica, ponde ando os pesos o iginais da PNAD Con ínua pelo in e so
da p obabilidade de pe manência (in e se p obabili y weigh s – IPW) (Baulch, 2011).
Essa abo dagem equi ale à co eção do a i o po ca ac e ís icas obse á eis, o que, na
ausência de a iá eis ins umen ais, é a melho opção pa a a enua possí eis ieses.
Ope acionalmen e, pa a cada ano, es imamos pa a as amílias que comple a am
a isi a 1 um modelo logís ico em que a a iá el dependen e é a ealização ou não da
quin a isi a. Tes amos oi o especi icações economé icas dis in as, com di e en es
co a iadas. Nos modelos escolhidos, as co a iadas incluem ca ac e ís icas geog á icas,
demog á icas e socioeconômicas obse adas na isi a 1, além de dummies pa a a
ealização ou não das isi as 2, 3 e 4. De modo ge al, o desempenho dos modelos oi
9. Disponí el em: h ps://www.census.go /p og ams-su eys/cps/ echnical-documen a ion/me hodology/
basic-cps-household-non esponse.h ml. Acesso em: 16 dez. 2023.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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3029
excelen e, com a ea unde ROC cu e (AUC) a iando en e 0,91 e 0,94. Em seguida,
winso izamos os alo es p edi os em 0,1% e 99,9%
10
e mul iplicamos os pesos o iginais
da PNAD Con ínua po . Po im, calib amos os no os pesos pa a man e os o ais
populacionais em 81 es a os geog á icos da PNAD Con ínua. No cômpu o ge al, os
a o es de ajus e dos pesos o iginais ( mul iplicado pela calib ação geog á ica)
a ia am en e 0,6 e 48,2, com 98% dos casos en e 0,8 e 5,2.11
O g á ico 1 compa a as axas de pob eza na isi a 1 nos dados ans e sais
comple os e nos painéis, an o com os pesos o iginais quan o com os pesos co igidos,
pa a a linha de pob eza de R$ 200,00 pe capi a. A compa ação en e as sé ies com
pesos o iginais e os dados ans e sais mos a pouco iés sob e as axas es imadas
de pob eza en e 2015 e 2018, com esul ados mui o p óximos em ní el e endência.
O painel iniciado em 2019, con udo, di e ge o emen e, egis ando axa de pob eza
1 p.p. meno do que nos dados ans e sais. A explicação es á nos e ei os da pandemia
de co id-19, que ob igou o IBGE a ealiza a cole a de dados po ele one em boa pa e
do ano de 2020, com epe cussões nega i as sob e a cole a de in o mações de g upos
mais ulne á eis (Heckshe , 2022). Já as axas de pob eza no painel calculadas com
os pesos co igidos po IPW eplicam mais ielmen e o ní el e a aje ó ia egis ados
nos dados ans e sais, sem nenhuma di e gência em 2019.
Os esul ados pa a as ou as linhas de pob eza lis adas na subseção 3.3 são subs-
an i amen e idên icos, e o am omi idos pa a poupa espaço. Em odos os casos, os
pesos co igidos são necessá ios pa a e i a in e p e ações e ôneas sob e o compo -
amen o da pob eza no pe íodo da pandemia. Ou os indicado es, como a enda
média e a azão , apon am o mesmo pad ão: o a i o no painel não en iesa as
es ima i as ans e sais en e 2015 e 2018, mas em consequências mais sé ias depois
disso de ido à pandemia. O maio isco de iés com os pesos co igidos diz espei o
à possibilidade de he e ogeneidade não obse ada a iá el no empo e que in luencie
an o a p obabilidade de a i o quan o a dinâmica da pob eza.
10. O obje i o da winso ização é limi a alo es ex emos de o ma a impedi que exe çam in luência
excessi a sob e os esul ados, subs i uindo esses alo es ex emos pelos alo es dos quan is de
e e ência (no caso, 0,01% e 99,99%). O nome da abo dagem é uma homenagem a Cha les P. Winso .
11. Todo o ma e ial es á disponí el sob solici ação.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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GRÁFICO 1
Taxas de pob eza na isi a 1 nos dados ans e sais e nos painéis pa a a linha
de pob eza de R$ 200,00 pe capi a: B asil (2015-2019)
(Em %)
5
6
7
8
9
10
2015 2016 2017 2018 2019
Taxa de pob eza
Dados ans e sais Painel, peso o iginal Painel, peso IPW
Fon e: IBGE, 2015, 2016, 2017, 2018, 2019 e 2020.
Elabo ação dos au o es.
Obs.: A á ea somb eada co esponde ao in e alo de con iança de 95% nos dados
ans e sais, calculado com pesos de boo s ap o necidos pelo IBGE.
3.3 De inição dos endimen os e das linhas de pob eza
Nossas análises baseiam-se no endimen o domicilia pe capi a calculado em cada
isi a a pa i dos endimen os indi iduais e e i os do abalho e de ou as on es pa a
odos os mo ado es (exce o pensionis as, emp egados domés icos e seus pa en es).
A maio pa e dos esul ados diz espei o à enda domicilia pe capi a o al, mas a
seção que a a das implicações pa a p og amas sociais ambém lança mão da enda
pe capi a calculada sem as ans e ências assis enciais. Os endimen os associados
a íque es ou ales-alimen ação, e eição e anspo es não o am conside ados
nes e es udo.
Os endimen os o am de lacionados pa a 2022 pelo Índice Nacional de P eços ao
Consumido (INPC), omando como e e ência a média geomé ica daquele ano. Como
os mic odados da PNAD Con ínua só indicam o imes e da en e is a e os endimen os
e e i os dizem espei o ao mês an e io da ealização da en e is a, omamos como
e e ência pa a o de lacionamen o a média geomé ica do INPC no pe íodo de asado em
um mês em elação ao imes e da isi a: po exemplo, pa a as amílias en e is adas
no segundo imes e (ab il a junho) de 2019, a e e ência oi a média geomé ica do
INPC en e ma ço e maio do mesmo ano.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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A abela 2 ap esen a as linhas de pob eza ado adas, que co espondem às de i-
nições do Banco Mundial pa a ca ac e iza pad ões de países em di e en es g aus
de desen ol imen o. Con o me a a ualização calculada po Jolli e e al. (2022) pa a
inco po a os a o es de pa idade de pode de comp a (PPC) pa a 2017, essas linhas no
pe íodo de e e ência e am de $ 2,15, $ 3,65 e $ 6,85 dóla es in e nacionais po dia, po
pessoa, o que equi ale a R$ 200,00, R$ 339,00 e R$ 637,00 po mês, espec i amen e,
em eais de 2022.
TABELA 2
Linhas de pob eza in e nacionais
Re e ência Valo em 2017 (PPC$) Valo em 2022 (R$)
28 países de enda baixa 2,15 po dia 200,00 po mês
54 países de enda média-baixa 3,65 po dia 339,00 po mês
37 países de enda média-al a 6,85 po dia 637,00 po mês
Fon e: Jolli e e al. (2022).
4 RESULTADOS NACIONAIS
Es a seção ap esen a os p incipais esul ados dos exe cícios sob e dinâmica da pob eza,
com a p imei a e úl ima isi as dos painéis da PNAD Con ínua iniciados en e 2015 e
2019. Pa a acili a a exposição, ap esen amos p imei o as medidas de pob eza que
não pe mi em compensação in e empo al de endimen os e, em seguida, passamos
à abo dagem que pe mi e essa compensação.
4.1 Dinâmica da pob eza sem compensação in e empo al
O g á ico 2 az os esul ados pa a a dinâmica da pob eza sob a pe spec i a de
con agem de pe íodos pa a as ês linhas conside adas no es udo. As axas de pob eza
acumulada – is o é, a soma dos semp e pob es e dos ocasionalmen e pob es –
aumen a am a é 2018, em especial pa a as linhas mais baixas, assim como oco eu com
a pob eza ans e sal. Po exemplo, pa a a linha de R$ 200,00 pe capi a, a pob eza
acumulada subiu de 10,5% no painel ence ado em 2016 pa a 13,1% no painel que
e minou em 2018, ecuando le emen e pa a 12,8% no ano seguin e. Esse aumen o de
ce ca de 2,5 p.p. oi maio do que a a iação pa a as linhas mais ele adas, e o çando
a conclusão de que os mais pob es en e os pob es o am os mais a ingidos pela
sucessão de c ises dos anos 2010 (Souza, 2024).
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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Em e mos de endências, no en an o, as es ima i as pa a as duas medidas são
bas an e simila es en e si, com a e olução da pob eza ans e sal, com o aumen o da
pob eza a é o painel e minado em 2019 e uma edução pos e io . Não obs an e a cu a
du ação dos nossos painéis e a necessidade de mais compa ações, esses esul ados
suge em que a dinâmica da pob eza em mui o mais in luência sob e os ní eis do que
sob e as aje ó ias, pelo menos pa a as medidas analisadas nes a seção.
O maio a a i o da medida de Fos e (2009) em elação à simples con agem de
episódios es á na sua ácil ex ensão pa a além da incidência da pob eza. Analogamen e
à amília , com o indicado ambém se o na sensí el ao hia o médio de
pob eza e à desigualdade en e os pob es. No en an o, isso só se aplica aos pob es
nos episódios de pob eza, já que não há compensação in e empo al. Com , o
g á ico 5 e ela que a pob eza empo á ia segue quan i a i amen e ele an e, sob e udo
pa a as linhas de pob eza mais baixas. No que diz espei o às endências, an o a pio a
ela i a en e 2016 e 2018 quan o a edução ela i a da pob eza no painel ence ado
em 2020 são mais p onunciadas com , em compa ação com . De odo
modo, a a-se de um con as e só de g au, pois ambas as medidas êm aje ó ias
quali a i amen e semelhan es.
Em úl ima ins ância, a escolha en e a abo dagem po con agem de pe íodos e as
medidas de Fos e depende, po um lado, da p io idade dada à pob eza c ônica e, de
ou o, da necessidade ou não de indicado es ecnicamen e mais so is icados. Dada a
acilidade de comunicação pública, a semelhança de esul ados e a aca mobilidade de
longa dis ância, o uso de medidas de con agem de pe íodos pode se mais ap op iado
pa a o moni o amen o de polí icas públicas, ao menos nos casos em que a pob eza
c ônica não seja o oco absolu o das inicia i as.
4.2 Dinâmica da pob eza com compensação in e empo al
Medidas de pob eza dinâmica sob a pe spec i a da enda pe manen e pe mi em algum
ipo de compensação in e empo al en e pe íodos de baixos e al os endimen os.
A medida de Jalan e Ra allion (1998; 2000) ep esen a o caso ex emo de compensação
pe ei a de choques de enda. Os g á icos 6 e 7 ap esen am os esul ados pa a os
pa âme os e . Como a medida de Jalan e Ra allion – assim como a de
Fos e – é de i ada da amília , esses alo es êm in e p e ação análoga à da
mensu ação da pob eza ans e sal, indicando a incidência ( ) e se e idade ( )
da pob eza.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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3029
Em ambos os g á icos, as axas de pob eza o al exibidas são, po de inição, idên-
icas à pob eza o al pa a a medida de Fos e com o mesmo pa âme o (g á icos 4 e 5)
e, po an o, meno es do que as es ima i as po con agem de pe íodos. A di e ença
de Jalan e Ra allion com elação a Fos e es á na classi icação en e pob eza c ônica
e empo á ia, com pe cen uais bem maio es de pob eza c ônica.13 Pa a a linha de
R$ 200,00, po exemplo, a medida de Jalan e Ra allion (1998; 2000) classi ica 4,7% da
população como pob es c ônicos, con a 2,9% da medida de Fos e . Essa disc epância
deco e dos luxos in ensos de mobilidade de cu a dis ância: há semp e mui as amílias
ocasionalmen e pob es cuja enda média é in e io a R$ 200,00 e que, po an o, são
classi icadas como pob es c ônicas pela medida de Jalan e Ra allion (1998; 2000). Se
conside a mos, como eles, que a enda média é uma boa p oxy pa a a enda pe ma-
nen e, en ão a abo dagem de Fos e ende a subes ima o amanho da pob eza c ônica.
Dessa o ma, em elação à medida de Fos e (2009), a abo dagem de Jalan e Ra allion
(1998; 2000) em mais consequências no ma i as do que p op iamen e ac uais, uma
ez que ní eis e endências são pa ecidos po cons ução. Se conside a mos que a
pob eza c ônica é de alguma o ma mais g a e e u gen e do que a empo á ia, a maio
ên ase de Jalan e Ra allion (op. ci .) na pio a da pob eza c ônica nos painéis en e
2016 e 2019 implica ia uma a aliação mais nega i a desse pe íodo do que a suge ida
po Fos e (2009). A mesma lógica se aplica com mais o ça ainda à compa ação en e
Jalan e Ra allion (1998; 2000) e à pob eza medida po con agem de pe íodos, com a
essal a de que, nes e caso, há ambém uma di e ença de ní el de pob eza o al.
As es ima i as com no g á ico 7 são, como no caso da medida de Fos e
(2009), mais e inadas ecnicamen e pois le am em con a ambém o hia o médio de
pob eza e a desigualdade en e os pob es. Mais uma ez, a pob eza o al é a mesma
medida po Fos e , com di e enças apenas na classi icação en e pob es c ônicos e
empo á ios. Empi icamen e, no en an o, essas di e enças são mínimas: os esul ados
do g á ico 7 são quase idên icos aos esul ados do g á ico 5. Po an o, no caso b asilei o,
a escolha en e ambas é i ele an e e as conclusões são as mesmas. Pa a a linha de
R$ 200,00, a pob eza c ônica pio ou bas an e en e 2016 e 2019, azendo a eboque a
pob eza o al, mas hou e uma e e são ab up a no painel iniciado em 2020, g aças ao
Auxílio Eme gencial. As ou as duas linhas e elam pad ões semelhan es.
13. Com , a medida de Fos e (2009) classi ica os semp e pob es como pob es c ônicos. A medida
de Jalan e Ra allion (1998; 2000) semp e p oduz es ima i as de pob eza c ônica maio es ou iguais à
da medida de Fos e , pois de ine a pob eza c ônica de modo mais amplo, englobando an o os semp e
pob es quan o os ocasionalmen e pob es cuja enda média é in e io à linha de pob eza. Con udo, essa
conclusão não ale pa a ou os alo es do pa âme o .
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
33
3029
GRÁFICO 6
Pob eza c ônica e empo á ia de aco do com a medida de Jalan e Ra allion
com pa âme o : B asil (2016-2020)
(Em %)
2A – Linha de R$ 200,00 2B – Linha de R$ 339,00 2C – Linha de R$ 637,00
0
10
20
30
40
Taxa de pob eza
Pob eza empo á ia
Pob eza c ônica
0
10
20
30
40
0
10
20
30
40
2016
2017
2018
2019
2020
2016
2017
2018
2019
2020
2016
2017
2018
2019
2020
4,7
1,9
5,9
2
6,3
2,4
6,4
2,1
4,9
2,6 11,7
2
13,3
2
13,7
2
13,4
1,8
11,8
2,4 30,1
2,1
31,2
1,9
31
2,5
30,5
2,3
30,2
2,4
Fon e: IBGE, 2015, 2016, 2017, 2018, 2019 e 2020.
Elabo ação dos au o es.
Obs.: Os anos se e e em à da a de ence amen o de cada painel, ou seja, o ano em que
oi ealizada a quin a isi a.
GRÁFICO 7
Pob eza c ônica e empo á ia de aco do com a medida de Jalan e Ra allion
com pa âme o : B asil (2016-2020)
(Em %)
2A – Linha de R$ 200,00 2B – Linha de R$ 339,00 2C – Linha de R$ 637,00
0
4
2
6
8
10
12
Taxa de pob eza
0
4
2
6
8
10
12
0
4
2
6
8
10
12
2016
2017
2018
2019
2020
2016
2017
2018
2019
2020
2016
2017
2018
2019
2020
Pob eza empo á ia
Pob eza c ônica
0,8
1,6
1,2
1,9
1,4
2,1
1,4
2
1
2,2
2,2
1,8
2,9
1,9
3,2
2,2
3,2
2
2,4
2,4 6,6
1,9
7,6
1,9
7,9
2,1
7,8
1,9
6,8
2,4
Fon e: IBGE, 2015, 2016, 2017, 2018, 2019 e 2020.
Elabo ação dos au o es.
Obs.: Os anos se e e em à da a de ence amen o de cada painel, ou seja, o ano em que
oi ealizada a quin a isi a.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
34
3029
Po an o, as análises com a medida de Jalan e Ra allion (1998; 2000) e o çam
alguns pon os an e io es. P imei o, as maio es di e enças em elação às es ima i as de
pob eza ans e sal es ão no ní el, e não nas endências, o que az mais consequências
pa a o desenho de polí icas públicas (pois a e a o amanho da clien ela po encial)
do que pa a o moni o amen o da pob eza (pois a aje ó ia da pob eza ans e sal é
um bom p oxy pa a a pob eza longi udinal). Segundo, as di e en es abo dagens pa a
a pob eza in e empo al ge am diagnós icos bem dis in os seja quan o ao ní el seja
quan o à ca ac e ização da pob eza ao longo do empo, com as medidas po con agem
de pe íodos p oduzindo ní eis mais ele ados e com ên ase na pob eza empo á ia,
enquan o a medida de Jalan e Ra allion (1998; 2000) ocupa o can o opos o, com núme os
mais baixos e maio es pe cen uais de pob es c ônicos. Te cei o, independen emen e da
abo dagem, a pob eza empo á ia semp e ep esen a ação subs an i amen e ele an e
da pob eza o al, pelo menos pa a as linhas de pob eza in e io es.
5 RESULTADOS PARA REGIÕES METROPOLITANAS
A PNAD Con ínua oi desenhada pa a subs i ui an o a an iga PNAD quan o a PME,
que a é 2016 e a a única on e de dados o iciais do IBGE em o ma o de painel. Como
obse amos, odos os abalhos pionei os sob e a dinâmica da pob eza no B asil
eco e am à PME, que, no en an o, inha duas limi ações impo an es: i) sua amos a
e a es i a a apenas seis egiões me opoli anas (Belo Ho izon e, Po o Aleg e, Reci e,
Rio de Janei o, Sal ado e São Paulo); e ii) seu ques ioná io cole a a apenas os
endimen os do abalho, de modo que as es ima i as exis en es i e am que eco e
à impu ação dos endimen os não o iundos do abalho. Dian e disso, in es igamos
nes a seção em que medida os esul ados di e em quando es ingimos a amos a da
PNAD Con ínua pa a se a mesma emp egada pela PME.
O g á ico 8 ap esen a os esul ados pa a a abo dagem de con agem de pe íodos,
medida u ilizada po Soa es (2010) e Soa es, Ribas e Soa es (2009) em abalhos sob e
pob eza acumulada que i e am g ande in luência sob e a ede inição das me as de
cobe u a do PBF (Souza e B uce, 2022; Pai a, Co a e Ba ien os, 2019).
Em compa ação com as es ima i as nacionais (g á ico 2), as seis egiões me o-
poli anas cobe as no g á ico 8 – que ab igam ce ca de 25% da população b asilei a –
ap esen am axas de pob eza conside a elmen e mais baixas. Po exemplo, pa a a
linha de R$ 200,00, a pob eza acumulada é semp e en e 3 p.p. e 5 p.p. meno que nos
dados nacionais, di e ença que sobe pa a 8 p.p. a 10 p.p. com a linha de R$ 637,00.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
35
3029
GRÁFICO 8
Dinâmica da pob eza de aco do com a medida de con agem de pe íodos:
egiões me opoli anas (2016-2020)
(Em %)
2A – Linha de R$ 200,00 2B – Linha de R$ 339,00 2C – Linha de R$ 637,00
0
10
20
30
40
Taxa de pob eza
Ocasionalmen e pob es
Semp e pob es
0
10
20
30
40
0
10
20
30
40
2016
2017
2018
2019
2020
2016
2017
2018
2019
2020
2016
2017
2018
2019
2020
4,9
0,7 5,7
1,2
6
1,6
5,8
1,6
7,7
1,7
8,8
2,6
9,6
4,1
9,4
3,9
9
4,2
11,1
4,5
17,8
13,3
16,6
15,1
17,5
14,9
16,5
15,1
17,7
16,2
Fon e: IBGE, 2015, 2016, 2017, 2018, 2019 e 2020.
Elabo ação dos au o es.
Obs.: Os anos se e e em à da a de ence amen o de cada painel, ou seja, o ano em que oi
ealizada a quin a isi a. Resul ados pa a as seis egiões me opoli anas cobe as
pela PME: Belo Ho izon e, Po o Aleg e, Reci e, Rio de Janei o, Sal ado e São Paulo.
A composição da pob eza acumulada ambém di e e bas an e en e o B asil e as
egiões me opoli anas. A pob eza c ônica – is o é, o pe cen ual dos semp e pob es –
é mui o menos comum nessas egiões do que no país como um odo, o que az com
que a pob eza empo á ia – os ocasionalmen e pob es – enha um peso mui o maio
na pob eza acumulada, especialmen e pa a as linhas de pob eza in e io es. No caso
da linha de R$ 200,00 pe capi a, pode-se a i ma inclusi e que a pob eza acumulada
me opoli ana é essencialmen e empo á ia, já que os semp e pob es não ul apassam
ce ca de 20% do o al de pob es. Com a linha de R$ 637,00, o con as e é ainda mais
acen uado: em odos os anos, egiões me opoli anas e o B asil como um odo ap e-
sen am pe cen uais semelhan es de ocasionalmen e pob es, mas a pob eza c ônica é
a é 10 p.p. meno nas egiões me opoli anas.
Esses esul ados es ão em linha com os de Gonçal es e Machado (2015), que
u iliza am os dados da PME de 2002 a 2011, com impu ação de enda do não abalho
po meio dos dados da an iga PNAD, e me odologia de classi icação de pob eza c ônica
e ansi ó ia de Hulme e Shephe d (2003). As au o as mos am que an o a pob eza
c ônica quan o a ansi ó ia caem no pe íodo analisado, mas a equência dos ocasio-
nalmen e pob es ou pob es ansi ó ios é mais do que o dob o da junção das ca ego ias
TEXTO pa a DISCUSSÃO
36
3029
dos usualmen e pob es – amílias com somen e um pe íodo o a da pob eza e enda
pe manen e ( enda média) abaixo da linha de pob eza – e dos semp e pob es.
Ainda no g á ico 8, obse amos mais uma ez que as disc epâncias en e as
es ima i as diminuem quando analisamos as endências em ez dos ní eis. Os dois
componen es da pob eza aumen a am en e 2016 e 2018 e diminuí am pos e io men e,
em especial pa a as linhas mais baixas. A p incipal di e gência com os núme os
nacionais es á no iming: há queda da pob eza já no painel ence ado em 2019 e um
su p eenden e epique em 2020, enquan o os núme os nacionais só ap esen am g ande
mudança em 2020 e na di eção opos a, com queda conside á el da pob eza c ônica
pa a as linhas mais baixas.
Um dos esul ados mais impo an es ob idos com a PME oi o de Soa es (2010),
que es imou que a pob eza acumulada após qua o en e is as mensais e a en e 50%
e 70% maio do que a pob eza ans e sal no mês inicial dos painéis em meados dos
anos 2000. Pa a calcula esses núme os, o au o usou as linhas supe io es de elegibi-
lidade do PBF igen es na época, algo p óximo a R$ 300,00 em alo es de 2022.
A abela 5 ealiza exe cício análogo pa a os painéis da PNAD Con ínua, compa ando
a pob eza ans e sal na p imei a isi a com a pob eza acumulada conside ando a
p imei a e a quin a isi as. Apesa de di e enças me odológicas conside á eis, as es i-
ma i as pa a a PNAD Con ínua são compa í eis com os esul ados de Soa es (2010).
Pa a a linha in e mediá ia de R$ 339,00, a mais p óxima do pad ão usado pelo au o ,
a pob eza acumulada é de 60%-85% maio do que a ans e sal no início do painel.
Quan o mais baixa a linha de pob eza, maio esse alo , mas, uma ez de inida a linha,
a azão é ela i amen e es á el ao longo do empo.
TABELA 5
Pob eza ans e sal e pob eza acumulada: egiões me opoli anas (2016-2020)
(Em %)
Ano (A)
Pob eza ans e sal, isi a 1
(B)
Pob eza acumulada, painel B/A
Linha de R$ 200,00 pe capi a
2016 2,7 5,6 2,04
2017 3,4 6,9 2,06
2018 4,3 7,6 1,74
2019 4,2 7,4 1,77
2020 5,2 9,3 1,81
(Con inua)
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
37
3029
(Con inuação)
Ano (A)
Pob eza ans e sal, isi a 1
(B)
Pob eza acumulada, painel B/A
Linha de R$ 339,00 pe capi a
2016 6,1 11,4 1,86
2017 7,8 13,6 1,74
2018 8,4 13,3 1,59
2019 8,3 13,2 1,58
2020 8,8 15,6 1,77
Linha de R$ 637,00 pe capi a
2016 21,2 31,1 1,47
2017 23,1 31,7 1,38
2018 24,4 32,5 1,33
2019 23,3 31,6 1,36
2020 23,3 33,9 1,46
Fon e: IBGE, 2015, 2016, 2017, 2018, 2019 e 2020.
Elabo ação dos au o es.
Obs.: Os anos se e e em à da a de ence amen o de cada painel, ou seja, o ano em que oi
ealizada a quin a isi a. Resul ados pa a as seis egiões me opoli anas cobe as
pela PME: Belo Ho izon e, Po o Aleg e, Reci e, Rio de Janei o, Sal ado e São Paulo.
In elizmen e, não dispomos de dados compa á eis pa a a alia de o ma axa-
i a se hou e mudanças na azão en e pob eza acumulada e pob eza c ônica desde
meados dos anos 2000. De odo modo, as ecomendações de Soa es (2010) pa a o
edimensionamen o da cobe u a do PBF são co obo adas po dados pos e io es da
PNAD Con ínua. Po isso, na sex a seção, discu imos com mais de alhes as implicações
da pob eza in e empo al pa a o desenho de polí icas de ans e ência de enda.
6 IMPLICAÇÕES PARA O DESENHO DE POLÍTICAS FOCALIZADAS
DE TRANSFERÊNCIA DE RENDA
6.1 Po que a dinâmica da pob eza impo a?
O B asil possui dois g andes p og amas ede ais de ans e ência de enda ocalizada: o
Bene ício de P es ação Con inuada (BPC) e o PBF. Nos dois casos, a elegibilidade
aos bene ícios é de e minada pa cial ou o almen e pela condição de pob eza dos
indi íduos, de inida pelos endimen os decla ados no Cadas o Único e e i icada
ex pos em p ocedimen os adminis a i os (Dua e e al., 2017; Medei os, B i o e Soa es,
2007; Pai a, Co a e Ba ien os, 2019; Souza e B uce, 2022). Ambos êm como obje i os
TEXTO pa a DISCUSSÃO
38
3029
cen ais a edução das axas de pob eza ag egadas, ainda que cada p og ama siga sua
p óp ia lógica: enquan o o BPC subs i ui a enda do abalho pa a indi íduos pob es
sem capacidade labo al (idosos ou pessoas com de iciência), os bene ícios do PBF
o e ecem uma complemen ação de enda, sob e udo pa a amílias pob es com c ianças.
A ola ilidade da enda das amílias e a subsequen e dinâmica da pob eza êm
consequências an o pa a a de inição de elegibilidade quan o pa a a a aliação dos
e ei os desses p og amas. No en an o, isso nem semp e é econhecido, o que ge a
mui as con o é sias sob e qual de e se o amanho de cada p og ama, quão boa é sua
ocalização e quais os e ei os espe ados. Não bas a escolhe uma linha de pob eza e
uma o ma de a e ição pa a endimen os: odo p og ama ocalizado de ans e ência
de enda em que de ini , na p á ica – de o ma implíci a ou explíci a –, qual o pe íodo de
e e ência pa a apu ação dos endimen os e o que signi ica pob eza in e empo al.
Uma opção in ui i a se ia oma como ideal o pagamen o de bene ícios apenas
e ão somen e pa a amílias abaixo da linha de pob eza a cada mês, de modo a ob e
ocalização pe ei a. No en an o, essa opção se ia imp a icá el em e mos adminis-
a i os e indesejá el em e mos sociais.
Como imos, a ola ilidade de enda az com que, pa a qualque linha de pob eza
plausí el, haja amílias en ando e saindo da pob eza o empo odo. Pa a algo p óximo
da ocalização pe ei a, se ia necessá io: i) exigi a a ualização mensal dos endimen os
decla ados pa a mais de 40 milhões de amílias insc i as no Cadas o Único; ii) ealiza a
e i icação ex pos das in o mações sob e endimen os em empo eal; e iii) implemen a
as epe cussões sob e emissão, concessão e suspensão de bene ícios ambém em
empo eal. Do pon o de is a da ges ão dos p og amas, a a-se de a e a impossí el
no cu o e médio p azo, seja po mo i os iscais, seja po obs áculos adminis a i os.
Mesmo que al agilidade osse alcançá el, ela aca e a ia consequências sociais
nega i as. Do pon o de is a das amílias bene iciá ias, os p og amas se o na iam mais
in usi os, com cus os de pa icipação mais ele ados (o que penaliza ia as amílias
mais ulne á eis) e com meno capacidade de mi iga a p i ação, pois, na melho das
hipó eses, a decisão sob e bene ícios semp e e ia pelo menos um mês de a aso, já
que a enda mensal e e i a só pode se decla ada a pos e io i. Além disso, incen i os
compo amen ais ad e sos se iam exace bados, pois os bene iciá ios en en a iam
alíquo as ma ginais implíci as ele adas e de aplicação (quase) imedia a – p oblema
que só pode se mi igado se elaxa mos a exigência de ocalização pe ei a. Do pon o
de is a de edução da pob eza, udo isso implica ia pe da de e e i idade.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
39
3029
No mundo eal, os p og amas de ans e ência de enda esol em os p oblemas
in oduzidos pela dinâmica da pob eza de o mas a iadas, nem semp e explíci as.
O Ea ned Income Tax C edi (EITC) ame icano, po exemplo, ado a como c i é io de
elegibilidade o endimen o o al ecebido no ano iscal, ap oximando-se da de inição
de pob eza embu ida na medida de Jalan e Ra allion (1998; 2000): como somen e a
enda média impo a, o p og ama acei a implici amen e a possibilidade de compensação
in e empo al pe ei a e sem cus os en e meses den o de um mesmo ano.
Em con apa ida, o PBF ado a de inições explici amen e mais expansi as pelo
menos desde 2009. Na época, o PBF ha ia a ingido sua me a nacional de cobe u a,
mas o núme o de amílias habili adas não bene iciá ias – a chamada ila de espe a –
inha aumen ando. Soa es, Ribas e Soa es (2009) e Soa es (2010) p oduzi am es ima-
i as inédi as que mos a am que a pob eza acumulada e a mui o supe io à pob eza
es á ica, o que explica ia o amanho da ila. A pa i de en ão, odas as a ualizações da
me a nacional – ei as pela úl ima ez em 2012 – passa am a mul iplica as es ima i-
as es á icas ou ans e sais po um a o de ola ilidade pa a acomoda os luxos de
en ada e saída da pob eza. Em 2010, o p og ama oi além e inco po ou a chamada
eg a de pe manência, que pe mi iu a manu enção de bene ícios mesmo que em caso
de ele ação da enda, desde que a enda pe manecesse abaixo do e o de meio salá io
mínimo pe capi a, en e ou as condições (Pai a, Co a e Ba ien os, 2019; Souza e
B uce, 2022).
Dessa o ma, o PBF dissociou o c i é io de elegibilidade do c i é io de manu enção,
incluindo em sua clien ela a população empo a iamen e pob e. Na p á ica, o p og ama
p essupunha a impossibilidade de compensação in e empo al pa a odos abaixo dos
limi es es abelecidos pa a manu enção dos bene ícios. Nessa concepção, ela i amen e
p óxima à abo dagem de con agem ou spells, a pe da de bem-es a inculada à pob eza
é emediá el somen e se hou e g ande c escimen o pos e io da enda.
Essa lógica oi man ida na ec iação do p og ama em 2023, ago a com o nome
de eg a de p o eção. Con o me o a . 6o da Lei no 14.601/2023, os bene ícios seguem
com o mesmo p azo de 24 meses. Du an e esse pe íodo, as amílias bene iciá ias que
egis a em endimen os acima da linha de elegibilidade (R$ 218,00 pe capi a), mas
in e io es a meio salá io mínimo (R$ 706,00, em 2024) são man idas no p og ama, po ém
com edução de 50% no alo dos bene ícios. Caso haja edução de enda pos e io , as
amílias ol am a ecebe os alo es in eg ais. Ao im de 24 meses, odas as amílias
bene iciá ias de em a ualiza suas in o mações pa a no a a aliação de elegibilidade.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
40
3029
Em se emb o de 2023, ce ca de 2 milhões de amílias es a am na eg a de p o eção,
o equi alen e a 9% do público o al do p og ama.14
A calib ação dos pa âme os de cobe u a e da eg a de p o eção do PBF ca ece
de maio embasamen o empí ico e as implicações de di e en es de inições de pob eza
in e empo al ainda são pouco conhecidas, não obs an e a mi íade de p opos as
e discussões sob e o melho desenho pa a as polí icas de ans e ência de enda
pós-pandemia (Ba os e Machado, 2022; Bo elho e al., 2020; Lucca-Sil ei a e Ba bosa,
2021; Pai a e al., 2021). As p óximas subseções ilus am essas implicações pa a o
caso do PBF, quan i icando mudanças na elegibilidade e na e e i idade con a a pob eza
da e são an iga do p og ama nos painéis com duas isi as.15
6.2 E ei os da dinâmica da pob eza sob e a elegibilidade
às ans e ências
An e io men e, discu imos ês concei os de pob eza in e empo al com implicações
pa a o amanho do público-al o das ans e ências. O concei o de pob eza acumulada,
p óximo ao do PBF a ual, conside a como elegí eis an o os ocasionalmen e pob es
quan o os semp e pob es, con o me as medidas po con agem de pe íodos. O con-
cei o de pob eza c ônica de Jalan e Ra allion (1988; 2000) é mais es i o, de inindo
como po enciais bene iciá ios somen e pessoas com enda média abaixo da linha
de pob eza. Po im, o concei o de pob eza c ônica de Fos e (2009) delimi a como
público-al o somen e os semp e pob es, já que ado amos o pa âme o . En e
essas ês opções, po de inição, ado a o concei o de pob eza acumulada o na o
p og ama mais ab angen e – ale dize , mais ca o e com maio impac o po encial
sob e a pob eza ans e sal –, enquan o a opção pela pob eza c ônica de Fos e
ocupa o ex emo opos o.
A abela 6 compa a os esul ados da pob eza ans e sal com esses concei os
al e na i os pa a o painel iniciado em 2019 e e minado em 2020. Os esul ados são
subs an i amen e idên icos pa a os painéis an e io es. Como se a a de elegibili-
dade a p og amas sociais, as axas de pob eza são calculadas pa a dis ibuição dos
14. Dados disponí eis no Po al Visda a, disponí el em: h ps://aplicacoes.cidadania.go .b / is/da a3.
Acesso em: 11 dez. 2023.
15. Concen amos nossa análise no PBF po que a PNAD Con ínua é insa is a ó ia pa a análises
análogas pa a o BPC, dada a eno me subdecla ação de bene ícios do BPC e a ausência de in o mações
sob e de iciência.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
47
3029
A é onde pudemos apu a , esse achado é inédi o na li e a u a sob e ans e ências de
enda, e me ece se explo ado mais a undo em es udos u u os.
Nossa pesquisa em algumas limi ações impo an es. P imei o, a indisponibilidade
de dados sob e endimen os não o iundos do abalho nos ob igou a analisa painéis
cu os, com somen e dois pe íodos. Painéis mais longos se iam mais in o ma i os
e pe mi i iam o uso mais ico de medidas de pob eza in e empo al. Segundo, nossos
p ocedimen os pa a minimiza ieses deco en es do a i o amos al no painel
baseiam-se in ei amen e em seleção po ca ac e ís icas obse á eis. A possibilidade
de he e ogeneidade não obse ada nos p eocupa sob e udo de ido à pandemia. No
en an o, como os esul ados são coe en es com os anos an e io es, ac edi amos que
possí eis ieses se iam modes os. Te cei o, pesquisas amos ais con êm mui os e os
de mensu ação de endimen os, o que pode in oduzi uído e/ou ieses nas es ima i as de
pob eza dinâmica. In elizmen e, não há como dimensiona nem mi iga o p oblema sem
in o mações adicionais, como o núme o de iden i icação dos esponden es de cada
bloco do ques ioná io, a cole a de endimen os em mais en e is as e, no mundo ideal,
o pa eamen o de dados indi iduais da PNAD Con ínua com egis os adminis a i os.
Es udos u u os podem en a con o na essas ques ões e ap o unda nossa
comp eensão sob e a pob eza no B asil. Há mui o a descob i , seja po es o ços
desc i i os, me odológicos ou causais, como, po exemplo, o g au de sob eposição
en e as amílias iden i icadas como pob es em di e en es abo dagens, a melho o ma
de es ende medidas de ocalização pa a con ex os in e empo ais e os e ei os de
polí icas públicas sob e os luxos de en ada e saída da pob eza.
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Ipea – Ins i u o de Pesquisa Econômica Aplicada
EDITORIAL
Coo denação
Ae omilson T ajano de Mesqui a
Assis en es da Coo denação
Ra ael Augus o Fe ei a Ca doso
Samuel Elias de Souza
Supe isão
Aline C is ine To es da Sil a Ma ins
Re isão
B una Oli ei a Ranquine da Rocha
Ca los Edua do Gonçal es de Melo
C islayne And ade de A aújo
Elaine Oli ei a Cou o
Luciana Bas os Dias
Rebeca Raimundo Ca doso dos San os
Vi ian Ba os Volo ão San os
Debo ah Baldino Ma e (es agiá ia)
Edi o ação
Aline C is ine To es da Sil a Ma ins
Camila Guima ães Simas
Leona do Simão Lago Al i e
Maya a Ba os da Mo a
Capa
Aline C is ine To es da Sil a Ma ins
P oje o G á ico
Aline C is ine To es da Sil a Ma ins
The manusc ip s in languages o he han Po uguese
published he ein ha e no been p oo ead.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
Missão do Ipea
Ap imo a as polí icas públicas essenciais ao desen ol imen o b asilei o
po meio da p odução e disseminação de conhecimen os e da assesso ia
ao Es ado nas suas decisões es a égicas.
Missão do Ipea
Ap imo a as polí icas públicas essenciais ao desen ol imen o b asilei o
po meio da p odução e disseminação de conhecimen os e da assesso ia
ao Es ado nas suas decisões es a égicas.