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A cadeia produtiva de soja e o desenvolvimento econômico e regional no Brasil

Vieira Filho, José Eustáquio Ribeiro

Abstract

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Vieira Filho, José Eustáquio Ribeiro Working Paper A cadeia produtiva de soja e o desenvolvimento econômico e regional no Brasil Texto para Discussão, No. 3042 Provided in Cooperation with: Institute of Applied Economic Research (ipea), Brasília Suggested Citation: Vieira Filho, José Eustáquio Ribeiro (2024) : A cadeia produtiva de soja e o desenvolvimento econômico e regional no Brasil, Texto para Discussão, No. 3042, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Brasília, https://doi.org/10.38116/td3042-port This Version is available at: https://hdl.handle.net/10419/303223 Standard-Nutzungsbedingungen: Die Dokumente auf EconStor dürfen zu eigenen wissenschaftlichen Zwecken und zum Privatgebrauch gespeichert und kopiert werden. Sie dürfen die Dokumente nicht für öffentliche oder kommerzielle Zwecke vervielfältigen, öffentlich ausstellen, öffentlich zugänglich machen, vertreiben oder anderweitig nutzen. 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If the documents have been made available under an Open Content Licence (especially Creative Commons Licences), you may exercise further usage rights as specified in the indicated licence. https://creativecommons.org/licenses/by/2.5/br/ 3042 A CADEIA PRODUTIVA DE SOJA E O DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E REGIONAL NO BRASIL JOSÉ EUSTÁQUIO RIBEIRO VIEIRA FILHOJOSÉ EUSTÁQUIO RIBEIRO VIEIRA FILHO 3042 Rio de Janeiro, setembro de 2024 A CADEIA PRODUTIVA DE SOJA E O DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E REGIONAL NO BRASIL1 JOSÉ EUSTÁQUIO RIBEIRO VIEIRA FILHO2 1. O autor faz agradecimento especial à Zenaide Ferreira Rodrigues por auxiliar na compilação dos dados aqui apresentados. 2. Técnico de planejamento e pesquisa na Diretoria de Estudos e Políticas Regionais, Urbanas e Ambientais do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Dirur/Ipea); professor do Programa de Pós-graduação em Políticas Públicas do Ipea; e colunista do canal Agromais TV. E-mail: jose.vieir[email protected].br. Texto para Discussão Publicação seriada que divulga resultados de estudos e pesquisas em desenvolvimento pelo Ipea com o objetivo de fomentar o debate e oferecer subsídios à formulação e avaliação de políticas públicas. © Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – ipea 2024 Vieira Filho, José Eustáquio Ribeiro A Cadeia produtiva de soja e o desenvolvimento econômico e regional no Brasil / José Eustáquio Ribeiro Vieira Filho. – Rio de Janeiro: Ipea, 2024. 27 p. : il., gráfs. – (Texto para Discussão ; n. 3042). Inclui Bibliografia. ISSN 1415-4765 1. Produtividade. 2. Agricultura. 3. Crescimento. 4. Soja. I. Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. II. Título. CDD 338.1734 Ficha catalográfica elaborada por Elizabeth Ferreira da Silva CRB-7/6844. Como citar: VIEIRA FILHO, José Eustáquio Ribeiro. A Cadeia produtiva de soja e o desenvolvimento econômico e regional no Brasil. Rio de Janeiro: Ipea, set. 2024. 27 p. : il. (Texto para Discussão, n. 3042). DOI: http://dx.doi.org/10.38116/td3042-port JEL: O1, O2 e O4. As publicações do Ipea estão disponíveis para download gratuito nos formatos PDF (todas) e EPUB (livros e periódicos). Acesse: https://repositorio.ipea.gov.br/. As opiniões emitidas nesta publicação são de exclusiva e inteira responsabilidade dos autores, não exprimindo, necessariamente, o ponto de vista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada ou do Ministério do Planejamento e Orçamento. É permitida a reprodução deste texto e dos dados nele contidos, desde que citada a fonte. Reproduções para fins comerciais são proibidas. Governo Federal Ministério do Planejamento e Orçamento Ministra Simone Nassar Tebet Fundação pública vinculada ao Ministério do Planejamento e Orçamento, o Ipea fornece suporte técnico e institucional às ações governamentais – possibilitando a formulação de inúmeras políticas públicas e programas de desenvolvimento brasileiros – e disponibiliza, para a sociedade, pesquisas e estudos realizados por seus técnicos. Presidenta LUCIANA MENDES SANTOS SERVO Diretor de Desenvolvimento Institucional FERNANDO GAIGER SILVEIRA Diretora de Estudos e Políticas do Estado, das Instituições e da Democracia LUSENI MARIA CORDEIRO DE AQUINO Diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas CLÁUDIO ROBERTO AMITRANO Diretor de Estudos e Políticas Regionais, Urbanas e Ambientais ARISTIDES MONTEIRO NETO Diretora de Estudos e Políticas Setoriais, de Inovação, Regulação e Infraestrutura FERNANDA DE NEGRI Diretor de Estudos e Políticas Sociais CARLOS HENRIQUE LEITE CORSEUIL Diretor de Estudos Internacionais FÁBIO VÉRAS SOARES Chefe de Gabinete ALEXANDRE DOS SANTOS CUNHA Coordenadora-Geral de Imprensa e Comunicação Social GISELE AMARAL Ouvidoria: http://www.ipea.gov.br/ouvidoria URL: http://www.ipea.gov.br SUMÁRIO SINOPSE ABSTRACT 1 INTRODUÇÃO ........................................................................... 6 2 METODOLOGIA .........................................................................7 3 ANÁLISE DOS RESULTADOS ....................................................9 3.1 Cadeia produtiva da soja e sua capacidade de gerar alto valor agregado na economia ..............................................9 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS ......................................................24 REFERÊNCIAS ............................................................................26 SINOPSE Este estudo mostra a importância da produção de soja no desenvolvimento econômico brasileiro. Foram estudados três blocos de dados: i) cadeia produtiva e valor agregado da soja; ii) índices regionais de produção e desenvolvimento humano; e iii) comércio internacional e segurança alimentar. O estudo desmitifica três pontos. O primeiro é acreditar que a produção de soja gera baixo valor agregado. Essa afirmação é falsa, uma vez que a soja é um insumo estratégico em diversas cadeias produtivas. O segundo é achar que o crescimento da produção de soja tem pouco efeito no desenvolvimento local. A dinâmica produtiva do setor é capaz de atrair cada vez mais população e trabalho especializado, bem como incorporar ciência e tecnologia. Já o terceiro mito é imaginar que o aumento das exportações prejudica a segurança alimentar do país. Este fato não foi observado ao longo do tempo pela alta do consumo per capita dos diversos produtos alimentícios derivados da cadeia da soja, mesmo com a ampliação das exportações no mercado internacional. Palavras-chave: produtividade; agricultura; crescimento; soja. ABSTRACT This study shows the importance of soybean production in Brazilian economic development. Three blocks of data were studied: i) the soy production chain and added value; ii) regional production and human development indexes; and iii) international trade and food security. The study demystifies three myths. The first is to believe that soybean production generates low added value. This assertion is false, since soy is a strategic input in several production chains. The second is to believe that the growth in soybean production has little effect on local development. The sector's productive dynamics are capable of attracting more and more population and specialized work, as well as incorporating science and technology. The third myth is to imagine that increased exports harm the country's food security. This fact was not observed over time by the increase of per capita consumption of various food products derived from soybeans chain, even with the growth of exports on the international market. Keywords: productivity; agriculture; growth; soybean. TEXTO para DISCUSSÃO 6 3042 1 INTRODUÇÃO A produção de soja é importante no desenvolvimento econômico do Brasil. O cultivo deste grão foi capaz de construir uma complexa cadeia produtiva, que engloba a produção primária, a transformação industrial, bem como a produção de carnes em geral. Em todos os elos da cadeia, o país exporta muito, mas também internaliza grande parte do consumo. A ocupação do Cerrado, bioma que abrange uma área de 204 milhões de hectares, quase 24% do território nacional, foi baseada em ciência e tecnologia. Segundo Fishlow e Vieira Filho (2020), as pesquisas centralizadas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), no seu Centro de Pesquisa Agrícola do Cerrado (CPAC), exerceram papel decisivo no desenvolvimento de novas tecnologias desde a década de 1970. Para impulsionar a agricultura tropical, a cooperação internacional da Embrapa foi chave nesse processo. Diferentes organismos internacionais promoveram forte transferência de conhecimento e tecnologia. Ao contrário do senso comum, o crescimento do agronegócio brasileiro se deu por meio da transformação e geração de novos conhecimentos aplicados aos problemas locais, dependendo muito pouco da Revolução Verde, que representou a intensificação dos insumos modernos no mundo. Como instituições estrangeiras que colaboraram nessa dinâmica de cooperação técnico-científica, é possível citar o apoio americano, com o seu Departamento de Agricultura (Usda), os diversos acordos assinados com os franceses, entre o Instituto Nacional de Pesquisa Agronômica (Inra), o Centro Internacional de Pesquisa Agronômica para o Desenvolvimento (Cirad) e o Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD), bem como uma estratégica parceria com os japoneses, por meio da Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica). De acordo com Hosono e Hongo (2016), a parceria nipo-brasileira consistiu em criar programas de cooperação técnica e financeira para o fomento da atividade agrícola no Cerrado. Ao contrário das outras parcerias, a cooperação internacional com o Japão foi conjunta, envolvendo transferência de recursos financeiros, mobilidade de agentes de pesquisa nos dois países, bem como a construção de infraestrutura de pesquisa e a definição de objetivos comuns. À época, o Japão sofria embargo econômico na importação de soja dos americanos e seria preciso criar alternativas na importação do grão. O Brasil se mostrou como aliado estratégico. Em 1977, criou-se o Programa de Cooperação Nipo-Brasileira TEXTO para DISCUSSÃO TEXTO para DISCUSSÃO 7 3042 para o Desenvolvimento dos Cerrados (Prodecer), que foi dividido em três etapas: um programa-piloto em Minas Gerais, que durou até 1985; um programa mais amplo, o qual envolveu outros estados, além de Minas Gerais, como Mato Grosso do Sul, Goiás, Mato Grosso e Bahia, indo até 1992; e, por fim, um programa que incorporou regiões do Maranhão e do Tocantins até 2001. Se no início havia muitos questionamentos sobre a viabilidade da produção no Cerrado, ao final ficou provado que esta seria possível. A tropicalização dos cultivos e a correção da acidez do solo foram essenciais ao incremento produtivo neste bioma. Em 1970, a produção de soja era de apenas 1,9 milhão de toneladas. Em 1990, já era dez vezes maior. Em 2023, a safra de soja representou 154 milhões de toneladas. Como observado por Graziano, Gazzoni e Pedroso (2021), existem muitos mitos em relação a esta atividade produtiva. Este Texto para Discussão busca detalhar a importância da produção de soja no Brasil e a construção de uma complexa cadeia produtiva, que gera muita riqueza, emprego e desenvolvimento econômico. Procura-se, aqui, apresentar fatos e dados da realidade econômica desta cadeia de produção. Para tanto, o estudo está subdividido em quatro seções, incluindo esta breve introdução. A segunda seção expõe a metodologia. A terceira seção traz, por meio de uma vasta observação de dados, o diagnóstico da cadeia produtiva da soja no Brasil. Por fim, seguem as principais considerações e análises. 2 METODOLOGIA Este trabalho está fundamentado em uma ampla coleta de dados secundários de diferentes bases estatísticas socioeconômicas. Trata-se de um estudo exploratório de informações que atestam a importância da cadeia produtiva de soja na produção nacional. Estudam-se três blocos de dados: i) a cadeia produtiva da soja e o valor agregado; ii) os indicadores regionais de produção e o desenvolvimento humano; e iii) o comércio internacional do agronegócio brasileiro e a segurança alimentar.1 As variáveis analisadas foram indicadores como produção, área e rendimento da soja. Ademais, buscaram-se informações a respeito das diferentes cadeias, como a própria cadeia da soja, mas também de farelo e óleo vegetal, bem como as de carnes 1. O conceito de segurança alimentar aqui trabalhado é o de garantir a todos acesso a alimentos básicos de qualidade e em quantidade suficiente,sem comprometer a reprodução humana para uma existência digna. TEXTO para DISCUSSÃO 8 3042 (bovina, suína e de frango), no que se refere às exportações e ao consumo doméstico. Analisaram-se, ainda, o consumo per capita ao longo do tempo e indicadores de desenvolvimento humano e regional, evidenciando como as principais regiões produtoras evoluíram. Finalmente, mostrou-se o comportamento do comércio internacional, comparando o Brasil com outros países. Foram consultadas diferentes instituições promotoras de informações, tais como o Departamento de Agricultura Americano (Usda), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (Food and Agriculture Organization – FAO), bem como as Nações Unidas (UN). Para delimitar o estudo, buscou-se avaliar o período que vai da década de 1990 até o ano de 2022, já que este intervalo, segundo Fishlow e Vieira Filho (2020), englobaria a segunda onda de crescimento da produção agropecuária no Brasil. É importante observar que, ao longo desse período, o Brasil passou por várias transformações. A passagem da década de 1980 para a de 1990 representou uma reorganização do Estado na economia brasileira. No início dos anos 1990, o país vivenciava um período de forte inflação. Para contornar este problema, em 1994, foi implantado um plano de estabilização econômica, o qual priorizou a liberalização econômica e financeira, além de estabelecer uma âncora monetária e cambial baseada na taxa de juros elevada. Posteriormente, o mundo vivenciou crises capitalistas, tais como a mexicana, a russa e a dos países asiáticos. Em 2001, os Estados Unidos foram atacados pela primeira vez em seu território nos atentados de 11 de setembro. Em seguida, a economia chinesa entra na Organização Mundial do Comércio (OMC). O crescimento das economias emergentes aumentou o consumo de alimentos e pressionou os preços das commodities. Em 2008, tem-se a crise financeira americana. Por fim, na última década, o Brasil passou por uma ampla crise econômica e política. Em 2020, o mundo sofreu com a pandemia e, em 2022, instalou-se a guerra da Rússia e da Ucrânia, conflito que interferiu no mercado global de produção de grãos. Enfim, para avaliar um longo período, é necessário ter como pano de fundo todas as transformações que aconteceram. As mudanças institucionais que ocorreram nas últimas três décadas no Brasil foram enormes. É fato que o agronegócio brasileiro se transformou bastante nesse período. O Brasil passou a ter uma economia com preços estabilizados, houve uma melhoria das políticas públicas de apoio ao setor agropecuário, bem como a economia se diversificou. TEXTO para DISCUSSÃO TEXTO para DISCUSSÃO 15 3042 TABELA 4 Produção de soja e rendimento por diferentes recortes regionais entre os anos de 1991, 2000, 2010 e 2022 Unidade territorial Soja (milhões de toneladas) Participação em 2022 (%) Rendimento (toneladas por hectare) Variação (%) 1991 2000 2010 2022 1991 2000 2010 2022 Regiões Norte 0,01 0,18 1,63 8,51 7,10 2,00 2,60 2,90 3,30 60,20 Nordeste 0,45 2,06 5,31 12,71 10,50 2,10 2,40 2,90 3,50 68,40 Sudeste 1,96 2,63 4,32 12,12 10,00 2,00 2,30 2,80 3,70 84,40 Sul 6,00 12,50 25,95 25,28 20,90 1,10 2,10 2,90 2,00 78,90 Centro-Oeste 6,52 15,45 31,56 62,08 51,40 2,10 2,80 3,00 3,30 55,70 Top 5 estados Paraná 3,53 7,19 14,09 13,75 11,40 1,80 2,50 3,10 2,40 36,40 Rio Grande do Sul 2,22 4,78 10,48 9,37 7,80 0,70 1,60 2,60 1,50 111,80 Mato Grosso do Sul 2,02 2,49 5,34 8,54 7,10 1,90 2,30 3,10 2,30 23,30 Mato Grosso 2,74 8,77 18,79 38,03 31,50 2,40 3,00 3,00 3,50 48,10 Goiás 1,66 4,09 7,25 15,22 12,60 2,10 2,70 3,00 3,70 77,30 Top 5 municípios Formosa do Rio Preto (Bahia) 0,05 0,18 0,89 1,58 1,30 2,10 2,50 3,10 3,70 75,60 São Desidério (Bahia) 0,14 0,43 0,74 1,43 1,20 2,10 2,40 3,10 3,70 77,80 Campo Novo do Parecis (Mato Grosso) 0,32 0,82 1,01 1,40 1,20 2,40 2,80 3,10 3,60 47,60 Sorriso (Mato Grosso) 0,22 1,19 1,81 2,12 1,80 2,30 3,30 3,00 3,50 50,80 Rio Verde (Goiás) 0,22 0,51 0,77 1,64 1,40 2,00 2,90 2,90 3,90 95,10 Brasil IBGE 14,94 32,82 68,76 120,70 100,00 1,60 2,40 2,90 3,00 90,00 Conab 19,40 38,40 75,30 154,60 128,10 2,00 2,80 3,10 3,50 73,00 Fonte: Conab (2024) e IBGE (2022c). Elaboração do autor. TEXTO para DISCUSSÃO 16 3042 Em uma tentativa de mostrar o desenvolvimento humano das regiões produtoras de soja no país, pela tabela 5, buscou-se realizar o comparativo do índice de desenvolvimento humano (IDH), uma medida que trabalha três aspectos do desenvolvimento – renda, educação e saúde – com o aumento populacional. Observou-se que a maioria das regiões situaram-se acima da média nacional, ficando abaixo somente o Norte, o Nordeste, Formosa do Rio Preto e São Desidério (Bahia). Os municípios líderes de polos agrícolas do Centro-Oeste, no geral, tiveram IDH acima da média dos estados onde se localizam. Rio Verde alcançou um IDH de 0,754, enquanto o estado de Goiás ficou com 0,735. Os municípios de Sorriso e Campo Novo do Parecis tiveram IDH de 0,744 e 0,734, respectivamente, indicadores acima do estado do Mato Grosso, que obteve um IDH de 0,725. No que se refere ao contexto demográfico, nota-se que as principais regiões produtoras de soja são capazes de obter indicadores de desenvolvimento humano mais elevados, assim como conseguem atrair mais populações para o entorno local. As populações de Sorriso e Campo Novo do Parecis, no Mato Grosso, foram multiplicadas por quatro, no período estudado. Normalmente, nas regiões produtoras, as taxas de crescimento da população são maiores do que as observadas no Brasil, o qual apresentou um padrão de redução do crescimento populacional. TEXTO para DISCUSSÃO TEXTO para DISCUSSÃO 17 3042 TABELA 5 IDH e população por diferentes unidades territoriais do Brasil entre os anos de 1991, 2000, 2010 e 2022 Unidade territorial (ordenamento por IDH de 2010) IDH População (1 mil) Taxa de crescimento populacional no período (%) 1991 2000 2010 Variação de 2010 a 1991 (%) 1991 2000 2010 2022 Variação de 2010 a 1991 (%) 1991- 2000 2000- 2010 2010- 2022 1991- 2022 Sul 0,531 0,663 0,756 42,5 22.129 25.108 27.387 29.938 23,8 1,4 0,9 0,7 1,0 Rio Verde (Goiás) 0,488 0,633 0,754 54,5 96 117 176 226 83,2 2,1 4,2 2,1 2,8 Sudeste 0,534 0,658 0,754 41,3 62.740 72.412 80.364 84.840 28,1 1,6 1,0 0,5 1,0 Centro-Oeste 0,510 0,639 0,753 47,7 9.428 11.637 14.058 16.290 49,1 2,4 1,9 1,2 1,8 Paraná 0,507 0,65 0,749 47,7 8.449 9.563 10.445 11.444 23,6 1,4 0,9 0,8 1,0 Rio Grande do Sul 0,542 0,664 0,746 37,6 9.139 10.188 10.694 10.883 17,0 1,2 0,5 0,1 0,6 Sorriso (Mato Grosso) 0,517 0,664 0,744 43,9 16 36 67 111 313,0 9,2 6,4 4,3 6,4 Goiás 0,487 0,615 0,735 50,9 4.019 5.003 6.004 7.056 49,4 2,5 1,8 1,4 1,8 Campo Novo do Parecis (Mato Grosso) 0,495 0,595 0,734 48,3 6 18 28 46 337,0 12,1 4,6 4,3 6,6 Mato Grosso do Sul 0,488 0,613 0,729 49,4 1.780 2.078 2.449 2.757 37,6 1,7 1,7 1,0 1,4 Mato Grosso 0,449 0,601 0,725 61,5 2.027 2.504 3.035 3.659 49,7 2,4 1,9 1,6 1,9 Brasil 0,454 0,576 0,705 55,2 146.825 169.799 190.756 203.081 29,9 1,6 1,2 0,5 1,1 Norte 0,422 0,541 0,684 62,2 10.031 12.901 15.864 17.356 58,2 2,8 2,1 0,8 1,8 Nordeste 0,393 0,512 0,660 67,8 42.498 47.742 53.082 54.658 24,9 1,3 1,1 0,2 0,8 Formosa do Rio Preto (Bahia) 0,376 0,449 0,618 64,4 15 18 23 26 46,1 1,9 2,1 1,2 1,7 São Desidério (Bahia) 0,272 0,398 0,579 112,9 19 19 28 33 45,8 0,0 3,8 1,4 1,8 Fonte: IBGE (2022a) e PNUD (2010). Elaboração do autor. TEXTO para DISCUSSÃO 18 3042 De acordo com a tabela 6, tem-se o produto interno bruto (PIB) per capita, organizado por tamanho, no ano de 2020, e por taxas de crescimento, para as três últimas décadas. Abaixo da média nacional, encontram-se apenas o estado de Goiás e as regiões Norte e Nordeste. Contudo, os cinco maiores municípios produtores de soja foram os que obtiveram os maiores PIBs per capita, e as taxas de crescimento foram muito elevadas em São Desidério e Formosa do Rio Preto (Bahia). TABELA 6 PIB per capita por diferentes unidades territoriais do Brasil entre os anos de 2000, 2010 e 2020 Unidade territorial – ordenamento por PIB per capita de 2020 PIB per capita 2000 (R$ 1 mil) Taxa de crescimento do PIB per capita por período (%) 2000 2010 2020 2000-2010 2010-2020 2000-2020 São Desidério (Bahia) 53,1 58,7 147,2 1,0 9,6 10,7 Formosa do Rio Preto (Bahia) 20,3 43,1 146,9 7,8 13,0 21,9 Campo Novo do Parecis (Mato Grosso) 87,8 78,5 100,4 -1,1 2,5 1,4 Sorriso (Mato Grosso) 64,1 58,7 82,4 -0,9 3,4 2,5 Rio Verde (Goiás) 36,3 44,6 52,6 2,1 1,7 3,8 Mato Grosso 25,4 37,1 48,8 3,9 2,8 6,7 Centro-Oeste 36,4 47,1 48,6 2,6 0,3 2,9 Sudeste 40,7 49,1 46,6 1,9 -0,5 1,4 Mato Grosso do Sul 23,3 33,6 44,5 3,7 2,9 6,7 Sul 33,1 42,9 43,7 2,6 0,2 2,8 Rio Grande do Sul 34,4 44,6 43,3 2,6 -0,3 2,3 Paraná 30,9 39,3 42,6 2,4 0,8 3,3 Brasil 29,7 37,4 37,5 2,3 0,0 2,3 Goiás 22,5 30,7 31,8 3,2 0,3 3,5 Norte 17,2 24,0 27,6 3,4 1,4 4,9 Nordeste 13,2 18,1 19,7 3,2 0,9 4,1 Fonte: IBGE (2022b). Elaboração do autor. Por fim, a tabela 7 apresenta indicadores socioeconômicos para as mesmas regiões selecionadas e municípios. Em termos de expectativa de vida, 2 exceto São Desidério e as regiões Norte e Nordeste, todas as demais regiões alcançaram indicadores maiores 2. Número médio de anos que as pessoas deverão viver a partir do nascimento, se permanecerem constantes ao longo da vida o nível e o padrão de mortalidade por idade prevalecentes no ano do Censo. TEXTO para DISCUSSÃO TEXTO para DISCUSSÃO 19 3042 do que a média nacional. Em termos de mortalidade infantil,3 apenas Rio Verde e Sorriso tiveram seus indicadores menores do que a média do país, e o mesmo aconteceu para os estados do Rio Grande do Sul, Paraná e Goiás, embora este indicador tenha se reduzido sensivelmente em todo o país, de 1991 a 2010. Quanto à taxa de analfabetismo,4 este indicador vem melhorando ao longo do tempo para todos os recortes regionais, sendo Norte e Nordeste ainda regiões críticas em termos educacionais, o que reflete também nos indicadores dos municípios da Bahia. A desigualdade de renda, medida pelo índice de Gini, 5 diminuiu no período avaliado, principalmente nos estados e nos municípios. A pobreza se mostrou bastante elevada nas regiões Norte e Nordeste, resultado já observado por Fishlow e Vieira Filho (2020), bem como por Ramos e Vieira Filho (2023). No que se refere ao percentual de domicílios com água encanada, 6 este indicador melhorou no país como um todo, mas significativamente nas regiões produtoras de soja. Por fim, as regiões que mostraram maior taxa de desocupação7 foram o Norte, o Nordeste e Formosa do Rio Preto (Bahia). Em síntese, observa-se que há uma melhora dos indicadores socioeconômicos nas regiões produtoras de soja, o que leva a compreender que existe um benefício indireto à população local. Os gargalos ainda se restringem a regiões tradicionais, como Norte e Nordeste. Porém, com o crescimento da região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), assim como dos polos de fruticultura irrigada no São Francisco e das regiões pecuárias do Pará, há uma tendência de reversão das deficiências nessas regiões produtoras, mas que serão perceptíveis mais à frente. 3. Número de crianças que não deverão sobreviver ao primeiro ano de vida em cada 1 mil crianças nascidas vivas. 4. Taxa de analfabetismo da população de 25 anos ou mais de idade. 5. Mede o grau de desigualdade existente na distribuição de indivíduos segundo a renda domiciliar per capita. Seu valor varia de 0, quando não há desigualdade (a renda domiciliar per capita de todos os indivíduos tem o mesmo valor), a 1, quando a desigualdade é máxima (apenas um indivíduo detém toda a renda). O universo de indivíduos é limitado àqueles que vivem em domicílios particulares permanentes. 6. Razão entre a população que vive em domicílios particulares permanentes com água canalizada para um ou mais cômodos e a população total residente em domicílios particulares permanentes multiplicado por cem. A água pode ser proveniente de rede geral, de poço, de nascente ou de reservatório abastecido por água das chuvas ou carro-pipa. 7. Percentual da população economicamente ativa (PEA) nessa faixa etária que estava desocupada, ou seja, que não estava ocupada na semana anterior à data do Censo, mas havia procurado trabalho ao longo do mês anterior à data dessa pesquisa. TEXTO para DISCUSSÃO 20 3042 TABELA 7 Indicadores socioeconômicos por diferentes unidades territoriais do Brasil em 1991 e 2010 Unidade territorial Expectativa de vida Mortalidade infantil Taxa de analfabetismo acima de 25 anos de idade (%) Índice de Gini Pobreza (%) Percentual de domicílios com água encanada (%) Taxa de desocupação acima de 18 anos de idade 1991 2010 1991 2010 1991 2010 1991 2010 1991 2010 1991 2010 2010 Regiões Norte 63,1 72,9 49,1 18,4 30,5 14,5 0,619 0,613 47,4 25,7 41,9 89,0 8,2 Nordeste 60,0 71,7 69,5 22,7 44,8 25,3 0,639 0,616 65,4 30,5 44,7 84,1 9,4 Sudeste 66,9 75,3 31,9 14,3 17,3 7,7 0,593 0,568 28,6 8,1 86,1 96,3 7,1 Sul 68,2 75,6 28,7 12,3 14,6 6,1 0,580 0,520 28,2 5,5 86,7 95,7 4,2 Centro-Oeste 66,3 75,3 31,3 15,7 20,3 8,7 0,603 0,573 29,0 8,2 72,6 96,6 6,2 Top 5 estados Paraná 65,7 74,8 38,7 13,1 19,2 7,9 0,600 0,530 32,6 6,5 82,9 96,7 4,5 Rio Grande do Sul 68,8 75,4 22,5 12,4 12,3 5,4 0,590 0,540 26,8 6,4 86,7 96,2 4,6 Mato Grosso do Sul 66,9 75,0 34,7 18,1 21,0 9,7 0,600 0,560 33,4 9,9 75,3 96,2 5,7 Mato Grosso 64,2 74,3 33,6 16,8 24,9 10,8 0,600 0,550 35,5 10,5 58,0 95,2 5,8 Goiás 65,1 74,6 29,5 14,0 23,6 10,1 0,590 0,550 32,3 7,6 70,8 96,8 5,8 Top 5 municípios Formosa do Rio Preto (Bahia) 60,6 70,8 65,8 25,0 57,0 30,1 0,740 0,600 77,9 43,0 24,7 73,6 12,7 São Desidério (Bahia) 60,6 69,5 65,8 28,9 64,8 34,4 0,590 0,570 76,0 40,1 28,2 63,9 5,3 Campo Novo do Parecis (Mato Grosso) 67,5 74,2 26,5 16,7 14,5 7,3 0,560 0,450 22,1 2,2 90,3 97,6 5,5 Sorriso (Mato Grosso) 67,8 75,3 23,0 14,9 9,9 6,4 0,550 0,540 18,7 5,9 88,2 99,1 4,6 Rio Verde (Goiás) 66,2 76,2 25,5 11,7 24,0 8,4 0,560 0,540 27,6 4,4 84,2 99,3 5,2 Brasil 64,7 73,9 44,7 16,7 23,5 11,8 0,630 0,600 38,2 15,2 71,3 92,7 7,3 Fonte: PNUD (2010). Elaboração do autor. TEXTO para DISCUSSÃO TEXTO para DISCUSSÃO 21 3042 3.1.2 Comércio internacional da cadeia produtiva de soja e o fomento da segurança alimentar A inserção e a expansão internacional de produtos do setor agropecuário exigem cada vez mais melhorias na competitividade dos países exportadores. Segundo Ferreira e Vieira Filho (2023), o Brasil apresentou um saldo comercial favorável e uma significativa vantagem comparativa revelada setorial. O país melhorou o seu desempenho exportador no mercado de carnes, oleaginosas e algodão.8 Estes produtos, que eram pouco importantes no passado, tornaram-se estratégicos na inserção internacional. A produção de café, açúcar e óleos vegetais mantiveram-se fortes. Por fim, esses autores (op. cit.) identificaram os setores de cereais e laticínios como fracos, apresentando vários desafios para a obtenção de uma mais elevada competividade internacional. De acordo com o gráfico 1, que apresenta o saldo da balança comercial de toda a economia brasileira, nota-se um rápido avanço do Brasil frente aos países latino-americanos, como Argentina, Chile, Colômbia, México, Paraguai, Uruguai e Venezuela. Desde 2014, nota-se um comportamento muito favorável em termos comerciais para o Brasil, que se desloca do conjunto de países estudados. Não há dúvidas, como mostraram Ferreira e Vieira Filho (2023), que o setor agropecuário contribuiu favoravelmente para este desempenho. Ademais, é bom compreender que os principais produtos exportados pelo Brasil, no ano de 2022, foram aqueles do complexo soja (com 38,0% do total de produtos exportados pelo país), carnes (com 16,0% da parcela exportada) e produtos florestais (10,0%). Os destinos principais foram a China, que importou 31,9%, a União Europeia, com 16,1%, e os Estados Unidos, com 6,6%. Pela tabela 8, é possível observar os dados relativos à balança comercial do agronegócio por diferentes países selecionados no ano de 2021. Ademais, a ordem dos países está definida segundo o posicionamento no mercado internacional das exportações líquidas, ou seja, mediante o saldo comercial das exportações menos as importações do agronegócio de cada um dos países. O Brasil foi o país com o maior saldo comercial do setor, sendo seguido pela Holanda, o terceiro maior exportador líquido, e a Argentina, o quarto maior exportador líquido. Em 2021, o Brasil foi o terceiro maior exportador e o 37o importador. 8. Para avaliar o caso emblemático da produção de algodão no Brasil, principalmente nas transformações ocorridas nas duas últimas décadas, conferir: Alcantara, Vedana e Vieira Filho (2023). TEXTO para DISCUSSÃO 22 3042 GRÁFICO 1 Balança comercial de toda a economia por países selecionados da América Latina de 1990 a 2021 (Em US$ bilhões) 1990 70 60 50 40 30 20 10 -40 0 -10 -20 -30 1992 1991 1993 1994 1995 1997 1996 1998 1999 2000 2002 2001 2003 2004 2005 2007 2006 2008 2009 2010 2012 2011 2013 2014 2015 2017 2016 2018 2019 2020 2021 Argentina Brasil Chile Colômbia México Paraguai Uruguai Venezuela Fonte: FAO (2023). Elaboração do autor. TABELA 8 Balança comercial do agronegócio por países selecionados da América Latina em 2021 Países Exportações (US$ bilhões) Ranking Importações (US$ bilhões) Ranking Balança comercial (US$ bilhões) Ranking Brasil 101,6 3o12,4 37o89,2 1o Holanda 114,0 2o78,6 5o35,4 3o Argentina 37,8 19o4,7 64o33,0 4o Espanha 63,5 7o39,5 12o24,0 7o Canadá 59,0 10o40,1 11o18,9 10o França 76,5 5o63,5 6o13,0 12o Itália 59,4 9o49,1 9o10,3 14o México 39,3 17o30,5 17o8,8 16o Bélgica 50,9 12o44,2 10o6,7 18o Paraguai 7,4 44o1,1 119o6,3 19o Uruguai 6,4 50o1,5 108o4,9 22o Peru 10,0 37o6,3 55o3,7 24o Equador 6,8 48o3,1 81o3,7 25o (Continua) TEXTO para DISCUSSÃO TEXTO para DISCUSSÃO 23 3042 (Continuação) Países Exportações (US$ bilhões) Ranking Importações (US$ bilhões) Ranking Balança comercial (US$ bilhões) Ranking Costa Rica 5,3 55o2,4 90o2,9 28o Guatemala 6,5 49o4,1 71o2,4 29o China 74,5 6o244,6 1o2,4 30o Bolívia 2,1 77o0,7 142o1,4 36o Estados Unidos 173,7 1o172,4 3o1,3 38o Colômbia 9,2 39o8,1 49o1,2 39o Honduras 2,5 74o2,3 95o0,2 50o Haiti 0,0 163o1,4 109o-1,4 143o República Dominicana 2,7 71o4,1 70o-1,4 145o El Salvador 1,2 93o2,7 85o-1,5 150o Cuba 0,4 120o2,2 98o-1,7 154o Panamá 0,4 122o2,3 91o-1,9 155o Venezuela 0,2 136o3,3 77o-3,1 165o Alemanha 87,1 4o104,9 4o-17,8 190o Chile 12,6 31o10,3 45o-170,1 196o Fonte: FAO (2023). Elaboração do autor. A tabela 9 mostra o posicionamento brasileiro nas exportações mundiais, por produto e por participação de mercado. O Brasil, em 1995, era o maior exportador de produtos como laranja, café e açúcar. Em 2022, o país praticamente se tornou o principal exportador mundial de sete produtos – laranja, café, açúcar, soja, carne de frango, etanol e carne bovina. Nota-se que a cadeia produtiva da soja beneficiou toda uma diversificação produtiva do agronegócio brasileiro ao longo do tempo. Quando se avalia a participação de mercado dos produtos brasileiros, com o passar do tempo, o país foi conquistando parcela de mercado cada vez maior em todos os produtos descritos. Laranja, café, açúcar e soja participaram com mais de 50% do mercado mundial das exportações. O Brasil era o segundo maior exportador de soja em 1995, tornando-se o primeiro em 2022. A produção de carne suína brasileira saltou da 14 a para a terceira colocação, entre os anos de 1995 e 2022, alcançando uma participação de mercado de 17% ao final do período. Em relação à exportação de carne bovina, o Brasil era o 16o colocado em 1995, figurando em primeiro lugar em 2022. Quanto à carne de frango, o país ocupava a quarta colocação em 1995, alçando também o primeiro lugar em 2022. Observa-se clara correlação entre a produção de soja e os produtos derivados deste cultivo no país. TEXTO para DISCUSSÃO 24 3042 TABELA 9 Ranking das exportações brasileiras por produtos no mercado internacional e participação de mercado das exportações do país no total mundial (1995 e 2022) Produtos Ranking de exportação Participação mundial (%) 1995 2022 1995 2022 Suco de laranja 1o1o 43,11 69,51 Café em grão 1o 1o 19,46 66,01 Açúcar bruto 1o 1o17,64 50,73 Soja 2o1o10,49 50,72 Carne de frango 4o1o8,27 47,08 Etanol 3o1o12,23 35,77 Milho 29o2o0,05 23,08 Carne bovina 16o1o1,16 23,04 Algodão 12o2o1,27 18,93 Carne suína 14o3o 0,89 17,49 Celulose 10o5o 0,92 9,17 Arroz 28o5o 0,08 3,79 Trigo 54o8o 0 2,39 Leite de vaca 61o 12o0 0,73 Queijo 41o23o 0,03 0,25 Fonte: United Nations (2022). Elaboração do autor. Obs.: a cor verde representa produtos com a primeira colocação; a cor branca se refere a produtos classificados entre os dez primeiros, exceto o primeiro; e a cor vermelha diz respeito a produtos que não ficaram entre os dez primeiros do ranking. Portanto, não há dúvidas de que a produção de soja é muito importante para o desenvolvimento econômico do Brasil. As exportações, além de incrementar as receitas dos produtores, contribuem para gerar divisas, pagar as dívidas da economia, bem como aumentar as reservas internacionais, o que contribui, em última análise, para evitar pressões no câmbio e na inflação no mercado brasileiro. As exportações também geram empregos e potencializam os efeitos de transbordamento do desenvolvimento econômico. 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Este trabalho procurou apresentar diversos indicadores que mostram a importância da produção de soja no desenvolvimento econômico do Brasil. Em resumo, é possível