Pinhei o, Mau ício Mo a Saboya; Rech, Lucas T en in; Pompeu, João Cláudio Basso
Wo king Pape
O uso de e idências em mac oeconomia: No as his ó icas
e me odológicas
Tex o pa a Discussão, No. 3089
P o ided in Coope a ion wi h:
Ins i u e o Applied Economic Resea ch (ipea), B asília
Sugges ed Ci a ion: Pinhei o, Mau ício Mo a Saboya; Rech, Lucas T en in; Pompeu, João Cláudio
Basso (2025) : O uso de e idências em mac oeconomia: No as his ó icas e me odológicas, Tex o
pa a Discussão, No. 3089, Ins i u o de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), B asília,
h ps://doi.o g/10.38116/ d3089-po
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3089
O USO DE EVIDÊNCIAS
EM MACROECONOMIA:
NOTAS HISTÓRICAS
E METODOLÓGICAS
MAURÍCIO MOTA SABOYA PINHEIROMAURÍCIO MOTA SABOYA PINHEIRO
LUCAS TRENTIN RECHLUCAS TRENTIN RECH
JOÃO CLÁUDIO BASSO POMPEUJOÃO CLÁUDIO BASSO POMPEU
3089
B asília, ma ço de 2025
O USO DE EVIDÊNCIAS
EM MACROECONOMIA:
NOTAS HISTÓRICAS
E METODOLÓGICAS1
MAURÍCIO MOTA SABOYA PINHEIRO2
LUCAS TRENTIN RECH3
JOÃO CLÁUDIO BASSO POMPEU4
1. Os au o es ag adecem a colabo ação, como pa ece is as ou comen ado es des e
ex o, dos colegas do Ipea Robe o Pi es Messenbe g, Luís Ca los G. Magalhães, Flá io
Ly io Ca nei o, Ca los Wagne A. Oli ei a e João Ped o S. Be ogna. Na u almen e, as
alhas des e abalho são de exclusi a esponsabilidade dos au o es.
2. Técnico de planejamen o e pesquisa na Di e o ia de Es udos e Polí icas do Es ado, das
Ins i uições e da Democ acia do Ins i u o de Pesquisa Econômica Aplicada (Dies /Ipea).
E-mail: [email p o ec ed].b .
3. Pesquisado bolsis a no Ipea e p o esso do Depa amen o de Economia da
Uni e sidade Fede al da Bahia (UFBA). E-mail: [email p o ec ed].b .
4. Especialis a em polí icas públicas e ges ão go e namen al na Dies /Ipea. E-mail:
[email p o ec ed].b .
Go e no Fede al
Minis é io do Planejamen o e O çamen o
Minis a Simone Nassa Tebe
Fundação pública inculada ao Minis é io do
Planejamen o e O çamen o, o Ipea o nece supo e
écnico e ins i ucional às ações go e namen ais –
possibili ando a o mulação de inúme as polí icas
públicas e p og amas de desen ol imen o b asilei-
os – e disponibiliza, pa a a sociedade, pesquisas
e es udos ealizados po seus écnicos.
P esiden a
LUCIANA MENDES SANTOS SERVO
Di e o de Desen ol imen o Ins i ucional
FERNANDO GAIGER SILVEIRA
Di e o a de Es udos e Polí icas do Es ado,
das Ins i uições e da Democ acia
LUSENI MARIA CORDEIRO DE AQUINO
Di e o de Es udos e Polí icas Mac oeconômicas
CLÁUDIO ROBERTO AMITRANO
Di e o de Es udos e Polí icas Regionais,
U banas e Ambien ais
ARISTIDES MONTEIRO NETO
Di e o a de Es udos e Polí icas Se o iais,
de Ino ação, Regulação e In aes u u a
FERNANDA DE NEGRI
Di e o de Es udos e Polí icas Sociais
RAFAEL GUERREIRO OSÓRIO
Di e o a de Es udos In e nacionais
KEITI DA ROCHA GOMES
Che e de Gabine e
ALEXANDRE DOS SANTOS CUNHA
Coo denado a-Ge al de Imp ensa e
Comunicação Social
GISELE AMARAL DE SOUZA
Ou ido ia: h ps://www.ipea.go .b /ou ido ia
URL: h ps://www.ipea.go .b
Tex o pa a
Discussão
Publicação se iada que di ulga esul ados de es udos e pesquisas
em
desen ol imen o pelo Ipea com o obje i o de omen a o deba e
e
o e ece subsídios à o mulação e a aliação de polí icas públicas.
© Ins i u o de Pesquisa Econômica Aplicada – ipea 2025
Pinhei o, Mau ício Mo a Saboya
O Uso de e idências em mac oeconomia : no as his ó icas e
me odológicas / Mau ício Mo a Saboya Pinhei o, Lucas T en in Rech,
João Cláudio Basso Pompeu. – B asília, DF: Ipea, 2025.
67 p. – (Tex o pa a Discussão ; n. 3089).
Inclui Bibliog a ia.
ISSN 1415-4765
1. Filoso ia da Ciência. 2. Ciências Econômicas. 3. Me odologia
Econômica. 4. Causalidade. 5. Polí icas In o madas po E idências. 6.
Polí icas Mac oeconômicas. I. Rech, Lucas T en in. II. Pompeu, João
Claúdio Basso. III. Ins i u o de Pesquisa Econômica Aplicada. IV. Tí ulo.
CDD 339.01
Ficha ca alog á ica elabo ada po Elizabe h Fe ei a da Sil a CRB-7/6844.
Como ci a :
PINHEIRO, Mau ício Mo a Saboya; RECH, Lucas T en in; POMPEU, João
Cláudio Basso. O Uso de e idências em mac oeconomia: no as his ó-
icas e me odológicas. B asília, DF: Ipea, ma . 2025. 67 p. (Tex o pa a
Discussão, n. 3089). DOI: h ps://dx.doi.o g/10.38116/ d3089-po
JEL: B41.
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As opiniões emi idas nes a publicação são de exclusi a e in ei a
esponsabilidade dos au o es, não exp imindo, necessa iamen e, o
pon o de is a do Ins i u o de Pesquisa Econômica Aplicada ou do
Minis é io do Planejamen o e O çamen o.
É pe mi ida a ep odução des e ex o e dos dados nele con idos, desde
que ci ada a on e. Rep oduções pa a ins come ciais são p oibidas.
SUMÁRIO
SINOPSE
ABSTRACT
1 APRESENTAÇÃO .....................................................................7
2 INTRODUÇÃO .......................................................................... 8
3 DOS PRESSUPOSTOS GERAIS E DO MÉTODO
DESTA PESQUISA .................................................................10
4 PREPARANDO O TERRENO: TÓPICOS RELEVANTES
DE METODOLOGIA DA CIÊNCIA ECONÔMICA .................14
4.1 O que signi ica subme e uma eo ia cien í ica ao
“ ibunal da expe iência”? ......................................................... 14
4.2 Expe iência e enunciados empi icamen e a aliá eis ............. 17
4.3 Fo malização da linguagem, mensu ação e
p og esso cien í ico .................................................................... 20
5 ESCOLAS DE PENSAMENTO ECONÔMICO, FATORES
CONTEXTUAIS E USO DE EVIDÊNCIAS .............................22
6 CAUSALIDADE E MÉTODOS EM ECONOMIA ....................30
6.1 Tempo, equilíb io, expec a i a, ince eza e causalidade ....... 30
6.2 Filoso ia da causalidade e ciência econômica....................... 37
6.3 Causalidade em mac oeconomia ........................................... 42
7 COMO AS DIVERSAS EVIDÊNCIAS CAUSAIS PODEM
SERVIR ÀS DECISÕES DE POLÍTICA ECONÔMICA? .........47
8 UM RESUMO DOS POSICIONAMENTOS DEFENDIDOS
NESTE TEXTO ........................................................................52
9 CONSIDERAÇÕES FINAIS ....................................................59
REFERÊNCIAS ..........................................................................62
BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR .........................................67
SINOPSE
O obje i o des e ex o pa a discussão é o nece subsídios concei uais, me odológi-
cos e his ó icos ace ca do uso de e idências na ciência econômica e, em pa icula ,
na mac oeconomia. P ocu a-se ab i caminho pa a uma comp eensão mais p o unda
sob e os c i é ios no ma i os a im de guia o bom uso de e idências em polí icas
mac oeconômicas. O ex o isa esponde às seguin es pe gun as: i) a quais edes ou
ipos de enunciados (hipó eses, modelos, eo ias e c.) se aplica o c i é io da adequação
empí ica em ciência econômica?; ii) como a o malização da linguagem e a mensu ação
das g andezas econômicas condicionam o papel das e idências no p og esso cien í ico
em economia?; iii) como os c i é ios de a aliação da adequação empí ica a iam de
aco do com as escolas de pensamen o nessa ciência?; i ) quais a o es con ex uais
(his ó icos, ideológicos, polí icos e c.) pode iam condiciona as escolhas dos econo-
mis as com espei o àqueles conjun os de enunciados?; ) como se elucida o concei o
de causalidade em economia e como uma o ien ação me odologicamen e plu alis a
em elação à causalidade pode se i às decisões de polí ica mac oeconômica?; e
i) quais lições a me odologia e a his ó ia do pensamen o econômico podem da à
go e nança do uso de e idências pa a as polí icas mac oeconômicas? Mais do que
apon a pa a uma solução única ao p oblema da go e nança de e idências em eo ia
e polí ica mac oeconômica, es e ex o con ida-nos a uma a i ude plu alis a – po ém
mode ada – ace ca: i) do concei o de e idências em economia; ii) da unidade empi i-
camen e a aliá el na eo ia e na polí ica econômicas; e iii) do concei o de causalidade
en ol ido nas análises eó icas e p á icas em mac oeconomia.
Pala as-cha e: iloso ia da ciência; ciências econômicas; me odologia econômica;
causalidade; polí icas in o madas po e idências; polí icas mac oeconômicas.
ABSTRACT
The aim o his pape is o shed ligh on some concep ual, me hodological and his o i-
cal aspec s abou he use o e idence in Economics and, in pa icula , in Mac oecono-
mics. We seek o pa e he way o a deepe unde s anding abou he no ma i e c i e ia
o guide he good use o e idence in mac oeconomic policies. The ex seeks o ans-
we he ollowing ques ions: i) To which ne wo ks o ypes o s a emen s (hypo heses,
models, heo ies, e c.) does he c i e ion o empi ical adequacy in economic science apply?;
ii) How does he o maliza ion o language and he measu emen o economic magni udes
a ec he ole o e idence in scien i ic p og ess in Economics? iii) How do he c i e ia o
assessmen o empi ical adequacy a y acco ding o schools o hough in Economics?;
i ) wha con ex ual ac o s (his o ical, ideological, poli ical, e c.) could condi ion economis s’
choices wi h espec o hose se s o s a emen s?; ) How is he concep o causali y in
economics elucida ed and how can a me hodologically plu alis ic o ien a ion owa ds
causali y se e mac oeconomic policy decisions?; and i) Wha lessons can he me ho-
dology and his o y o economic hough gi e o he go e nance o he use o e idence
o mac oeconomic policies? Mo e han poin ing o a single solu ion o he p oblem o
TEXTO pa a DISCUSSÃO
6
3089
e idence go e nance in mac oeconomic heo y and policy, his ex in i es us o a plu alis ic
a i ude – hough mode a e – ega ding: i) he concep o e idence in Economics; ii) he
empi ically assessable uni y in economic heo y and policy; iii) he concep o causali y
in ol ed in heo e ical and p ac ical analyzes in mac oeconomics.
Keywo ds: philosophy o science; Economics; economic me hodology; causali y; e i-
dence-in o med policymaking; mac oeconomic policies.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
7
3089
1 APRESENTAÇÃO
Es e ex o pa a discussão (TD) é um p odu o da pesquisa “Go e nança de e idências
e polí icas mac oeconômicas no B asil”, execu ada pela Dies /Ipea. Com es e aba-
lho, dá-se con inuidade a um p ocesso de pesquisa sob e a abo dagem das polí icas
in o madas po e idências (PIEs) e, mais especi icamen e, sob e a go e nança do uso
de e idências em polí icas públicas.
Em e mos ge ais, chamamos de “go e nança do uso de e idências em polí icas
públicas” simplesmen e um conjun o de ações coo denadas que ise o “melho uso” das
e idências pa a subsidia as decisões de polí icas públicas. Ob iamen e, ao ala mos do
“melho uso”, aden amos a es e a dos alo es. De a o, o p oje o de pesquisa em pau a
não pode igno a alo es de di e sos ipos, pois as decisões em polí icas públicas en ol-
em necessa iamen e juízos ace ca do que é bom (adequado, co e o, desejá el) pa a a
sociedade. A na u eza con li i a desses alo es signi ica que os ins cole i os – is o é,
os bens que a sociedade de e isa – não são áceis de se disce ni . Consequen emen e,
em ge al, não az sen ido ala de “soluções ó imas” pa a p oblemas sociais, a menos que
o es quali icações sejam ei as a p io i (Pa khu s , 2017). Esse quad o susci a á ios
desa ios eó icos, sob e udo quando in en amos discu i o bom uso de e idências cien-
í icas nas di e en es polí icas públicas.
A é o momen o, os es udos da Dies /Ipea egis a am á ios achados impo an es –
po exemplo, o ap o undamen o do conhecimen o do uso de e idências em á eas e
emas selecionados de polí icas públicas no B asil (saúde, educação, polí icas sociais,
polí icas ambien ais e c.). Em pa icula , e i icou-se a não p eponde ância do uso
di e o de e idências cien í icas
1
pelos agen es decisó ios de polí icas públicas. O a,
esse esul ado le an a ao menos uma ques ão impo an e: quais lições as á eas de
polí icas públicas mais amadu ecidas no uso de e idências cien í icas podem da à
go e nança do uso dessas e idências pa a ou as á eas de polí ica menos “acos uma-
das” a esse uso?
O con ex o mo i ado da pesquisa “Go e nança de e idências e polí icas mac oe-
conômicas no B asil” delimi a-se sob e a pe gun a an e io . O obje i o é en ende , sob
1. Pa a os a uais p opósi os, e idências cien í icas são “os conhecimen os p oduzidos a pa i de mé odos
sis ema izados e ep odu í eis, podendo ab ange os seguin es i ens (lis a não exaus i a): i) iden i icação
p ecisa de um p oblema de pesquisa, com a iá eis dependen es e independen es bem delimi adas;
ii) e isão da li e a u a acadêmica sob e o assun o; iii) cole a sis emá ica de dados e in o mações;
i ) a amen o dos dados e in o mações com mé odos quan i a i os ou quali a i os igo osos; ) discus-
são de alhada dos esul ados; i) publicação dos esul ados em pe iódicos cien í icos; e ii) publicação
em pe iódicos de uni e sidades ou ins i u os de pesquisa” (Pinhei o, 2020, p. 17).
TEXTO pa a DISCUSSÃO
8
3089
a óp ica de ce os pa adigmas ou escolas de pensamen o econômicos e ou os a o es
gene icamen e con ex uais, as o mas como os a o es es a ais di e amen e en ol idos
nas polí icas mac oeconômicas no B asil êm usado as in o mações (cien í icas e de
ou os ipos) em seus p ocessos decisó ios.
A Dies /Ipea em es udando as PIEs no B asil desde 2019. Não obs an e, á ias
ques ões ele an es ainda pe manecem sem espos a, po exemplo: po que a li e a u a
das PIEs p a icamen e não menciona as polí icas econômicas? Como as polí icas mac oe-
conômicas se enquad a iam nessa abo dagem? Assim como a medicina e as polí icas
de saúde inspi a am a anços no uso de e idências em ou as á eas de polí icas públicas,
quais con ibuições as polí icas mac oeconômicas pode iam da a esse mo imen o que
isa p omo e o bom uso de e idências nas polí icas públicas? Po seu u no, as p ó-
p ias polí icas mac oeconômicas não pode iam se bene icia de insigh s p o enien es
da cul u a do uso de e idências em ou as á eas de polí icas públicas? Es e TD p ocu a,
po assim dize , “pa imen a o e eno” pa a a solução desses p oblemas, po meio do
o necimen o de elemen os eó icos e his ó icos.
2 INTRODUÇÃO
Es e ex o se enquad a na discussão ge al sob e o mo imen o das PIEs, que p esc e e
o uso sis emá ico das melho es e idências de pesquisas disponí eis pa a o desen ol-
imen o e a implemen ação das polí icas públicas (Da ies, 2004). Dado esse quad o, o
obje i o ge al des e TD é o nece subsídios concei uais, eó ico- ilosó icos e his ó icos
a uma comp eensão mais p o unda dos modos pelos quais os economis as omam
suas decisões eó icas e de polí icas econômicas, em ace de e idências. Apesa de
o concei o de e idência se omado, nes e es udo, de manei a ampla, conside ando as
in o mações cien í icas e de ou os ipos, na ciência econômica, esse concei o aplica-se
equen emen e às obse ações sis emá icas, aos expe imen os (quando possí eis),
aos dados his ó icos e a ou os ipos de in o mações e azões que os economis as
conside em álidas pa a o ien a suas decisões.
Como obje i os especí icos, o ex o isa esponde às seguin es pe gun as: i) a quais
edes ou ipos de enunciados (hipó eses, modelos, eo ias e c.) se aplica o c i é io de
adequação empí ica em ciência econômica?; ii) como a o malização da linguagem e
a mensu ação das g andezas econômicas condicionam o papel das e idências no p o-
g esso cien í ico em economia?; iii) como o c i é io de adequação empí ica em economia
a ia de aco do com as escolas de pensamen o econômico?; i ) que a o es con ex uais
(his ó icos, ideológicos, polí icos e c.) pode iam condiciona as escolhas dos economis as
com espei o àqueles conjun os de enunciados?; ) como se elucida o concei o de cau-
salidade em economia e como uma o ien ação me odologicamen e plu alis a em elação
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
15
3089
e na economia em pa icula , as in e ências inculam p emissas a conclusões e jun am
a gumen os de di e en es pa es da eo ia. Esses a gumen os podem se ap esen ados
em linguagem na u al e não se espe a, em ge al, que a eles co esponda uma ede de
elações e concei os lógicos ou ma emá icos bem de inidos.9
As eo ias econômicas explici am enunciados com á ios g aus de gene alidade ou p o-
undidade, sendo os mais p o undos aqueles p essupos os mais ge ais, que são omados
como pila es undamen ais ou pon os de pa ida na enunciação de uma eo ia. Às ezes os
economis as chamam esses p essupos os de “axiomas” ou “hipó eses ge ais” dos modelos
econômicos. Há enunciados p o undos que são man idos implíci os à eo ia, po que, po
se em mui o básicos e ge ais, assume-se que são “in ui i os” e, po an o, não p ecisam se
explici ados. Já os enunciados com meno es g aus de gene alidade, que podem desc e e
a os pa icula es, são em p incípio con on á eis com a expe iência ace ca de e en os e
a os que podem se obse ados publicamen e. No limi e, esses úl imos enunciados são
es á eis empi icamen e po écnicas e mé odos economé icos.
Con udo, o es e de um enunciado singula en ol e semp e a p essuposição de um
ou mais enunciados com g aus de gene alidade mais ele ados. Po exemplo, a hipó ese
especial de que ulano (uma pessoa pa icula ) não es e e na cena de um c ime (um
e en o pa icula ) se es a conjun amen e à hipó ese ge al de que nenhum se humano
pode es a em dois luga es ao mesmo empo. Po conseguin e, pa a se e i ica em enun-
ciados pa icula es, é necessá io p essupo ce as gene alizações que nem semp e são
explici adas na eo ia. Como nos lemb a Machlup (1955, p. 3), “semp e e emos de oma
algo como dado, independen emen e do quão a essos sejamos a ‘p econcepções’”.
Também Poppe (2001, p. 45) ala dos “enunciados básicos”, que são enunciados ge ais
a uan es como p emissas em um es e empí ico de uma hipó ese ou p edição pa icula .
Os enunciados básicos dão sen ido aos es es empí icos, embo a não sejam sujei os
di e amen e a ais es es. O exemplo an e io , sob e uma in es igação c iminal na qual se
desca a um suspei o po se cons a a que es e em um bom álibi, é escla ecedo sob e
os di e en es papéis desempenhados numa eo ia pelas hipó eses ge ais (enunciados
básicos) e pelas hipó eses pa icula es (sujei as a es es empí icos).
Di e en emen e das ciências o mais, como a lógica e a ma emá ica, em qualque
ciência empí ica são pe inen es, em p incípio, os seguin es mé odos: expe imen ação,
obse ação sis emá ica, egis os his ó icos, cole a de dados e ou os. Do con á io, a
9. Cla o, há economis as pe encen es à co en e p incipal (mains eam) da ciência econômica que alo-
izam um ideal de o malização da linguagem e p ocu am a ingi-lo ao o mula em eo ias, modelos e
hipó eses. Não obs an e, em á ias escolas de pensamen o em economia, os enunciados eó icos não são
eduzidos a alguma linguagem o mal. A ques ão do o malismo em economia se á a ada na seção 4.3.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
16
3089
eo ia se ia ão somen e uma espécie de jogo linguís ico echado em si mesmo, sem
qualque conexão com a expe iência do mundo.
Desejamos chama a a enção pa a o a o de que a é mesmo os enunciados eó icos
com os mais ele ados g aus de gene alidade – ais como os enunciados básicos de
Poppe –são a aliá eis, de uma ou de ou a o ma, com base na expe iência. En e an o,
sob e isso há que se aze as seguin es essal as: i) a expe iência com a qual se a alia
globalmen e uma eo ia cien í ica em de se concebida la o sensu, incluindo não apenas
dados empí icos obse á eis e quan i icá eis, mas ambém o a iadíssimo mundo da
expe iência humana do senso comum; ii) a eo ia em de se a aliada em e mos ag e-
gados, e não somen e a pa i de suas hipó eses ou p edições singula es (po exemplo,
uma eo ia que enha uma ou ou a hipó ese empi icamen e e u ada ainda assim pode
e uma boa esiliência con a anomalias, po que seu núcleo eó ico é bas an e sólido e
acei o pela comunidade de cien is as); iii) nem semp e a expe iência, mesmo concebida
de o ma ab angen e, é capaz de disc imina explicações cien í icas con li an es e, pa a
se e e i a essa disc iminação, se ão necessá ios adicionalmen e ou os c i é ios e alo-
es;10 e i ) os es es empí icos p op iamen e di os cos umam aplica -se a subconjun os
mais ou menos es i os (e não a enunciados isolados, es á eis indi idualmen e) de uma
ede de enunciados cien í icos.
Embo a uma eo ia cien í ica es eja, em mui as de suas pa es, pe manen emen e
sujei a ao julgamen o pelo “ ibunal da expe iência”, os es es empí icos p op ia-
men e di os cos umam se aplicados a sub- edes (blocos de enunciados) mais ou
menos es i as da eo ia – e is o oco e a é mesmo nas chamadas ha d sciences.
11
10. Falamos aqui de c i é ios como a simplicidade, a in o ma i idade, a coe ência, a gene alidade ou a
po encialidade pa a no as descobe as e esolução de p oblemas. Desse modo, quando uma eo ia se
mos a inadequada do pon o de is a empí ico, ela começa á a se e is a a pa i de seus enunciados
mais supe iciais, empi icamen e es á eis. Nesse p imei o momen o da a aliação da eo ia, pe manece á
in ocado o “cin u ão p o e o ” dos enunciados eó icos mais p o undos, undamen ais e ge ais. Em casos
mais a os, quando hou e necessidade de se e isa em ais enunciados p o undos da eo ia, oda a
semân ica des a so e á al e ação. Isso ep esen a á, dependendo do con ex o, uma mudança adical da
eo ia, o que, na p á ica, signi ica á sua descon inuidade – ou seja, seu abandono pu o e simples ou sua
subs i uição po ou a eo ia.
11. As o igens das exp essões ha d sciences e so sciences são obscu as. Tudo le a a c e que essa
dis inção enha sido publicada pela p imei a ez em 1964, em um a igo in i ulado S ong in e ence, do
ísico no e-ame icano John R. Pla (Pla , 1964). Pos e io men e, essas exp essões se popula izam em
iloso ia e sociologia da ciência, passando a designa dis in as pe spec i as de se enca a o desen ol i-
men o da ciência. Nas ha d sciences, que englobam g osso modo as ciências na u ais, como a ísica e a
química, o p og esso cien í ico se dá pela p odução de no os conhecimen os na chamada on ei a do
conhecimen o, sendo que os conhecimen os passados e supe ados ( eó ica ou empi icamen e) e iam
no máximo uma impo ância me amen e ins umen al pa a o a anço cien í ico. Nas so sciences –
ciências humanas e sociais em ge al –, o p og esso do conhecimen o não dispensa o ecu so à his ó ia
do pensamen o (ou das ideias) em cada amo da ciência.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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En e an o, quais conjun os e ipos de p oposições de um sis ema cien í ico podem
e/ou de em se con on ados com os es es empí icos? Como esse p oblema se
coloca na ciência econômica? A quais conjun os de enunciados cien í icos se aplica
o concei o de adequação empí ica ( es e empí ico e congêne es) em economia?
Essas ques ões sin e izam bem o p oblema cen al da seção seguin e.
4.2 Expe iência e enunciados empi icamen e a aliá eis
Na ciência econômica, de emos le a em con a as essal as e as complicações
aduzidas na seção an e io sob e a aplicação do concei o de adequação empí ica de
uma eo ia cien í ica. Em pa icula , de emos conside a : i) um concei o ela i amen e
amplo de expe iência, quando usamos a exp essão “adequação empí ica” no con ex o
de uma eo ia cien í ica; e ii) um c i e ioso dimensionamen o da ede de enunciados
eó icos que é sujei a à a aliação empí ica. Vejamos cada i em em sepa ado.
Em economia, ce os p essupos os mui o ge ais endem a conco da com a expe iên-
cia do dia a dia das pessoas, e isso bas a quan o à sua adequação àquela expe iência.
Po exemplo, sejam os p essupos os sob e as in enções e os hábi os mais básicos das
pessoas quando a uam como agen es econômicos – ais como o de que as pessoas
p ocu am mais iqueza ao meno es o ço possí el. O a, esse p essupos o se undamen a
pa cialmen e na nossa in ospecção (expe iência in e io , subje i a) e pa cialmen e em
in e ências na u ais que azemos a pa i da obse ação do compo amen o dos ou os
indi íduos. T a a-se de e idências de um ipo di e en e das obse ações inco po adas às
sé ies empo ais – e idências que cons i uem “um conhecimen o mais ou menos sis e-
ma izado sob e o compo amen o humano e seus mo i os” (Koopmans, 1947, p. 166).
O p óp io Mil on F iedman, um dos p incipais expoen es do posi i ismo em economia,
a i ma que a con iança na hipó ese neoclássica de maximização dos e o nos jus i ica-se
não po que seus p essupos os sejam es á eis empi icamen e, mas em azão de uma
“e idência de um ca á e mui o di e en e” (F iedman, 1953, p. 158), a sabe : obse a-se
que os compo amen os emp esa iais consis en es com decisões de maximização dos
e o nos, de o ma acional e in o mada, le a iam ao esul ado ge al de p ospe idade
e expansão das i mas. Po sua ez, ambém podemos obse a , segundo F iedman,
que compo amen os inconsis en es com essa eg a le a iam à pe da de ecu sos, ao
endi idamen o e ao echamen o das emp esas. As obse ações dos compo amen os
emp esa iais e dos e ei os de ais compo amen os são não sis emá icas – no sen ido
de que, po exemplo, são sis emá icas as obse ações inco po adas a modelos econo-
mé icos. Po ém, a despei o de sua assis ema icidade, elas não deixam de se i como
e idências pa a apoia o p essupos o de que os emp esá ios ge almen e omam suas
decisões isando à maximização dos e o nos das i mas.
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É cla o, qualque ciência empí ica em seu ol de hipó eses pu amen e empí icas,
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e a economia não é uma exceção a essa eg a. Tais hipó eses são a p incípio sujei as a
es es po no as obse ações. En e an o, os es es das hipó eses pu amen e empí icas
não esgo am a a aliação da adequação empí ica da eo ia em ques ão, mui o menos
de e minam, po si sós, se a eo ia como um odo de e se man ida ou desca ada em
ace de eo ias al e na i as ou i ais.
Isso nos le a a uma segunda ques ão: na ciência econômica, como delimi a a ede
de enunciados eó icos que se sujei a à a aliação empí ica? Sob e isso, já oi di o que
es es empí icos de enunciados (hipó eses) singula es não são su icien es pa a uma
a aliação da adequação empí ica de uma eo ia. A his ó ia da ciência nos dá pis as
impo an es pa a en ende mos o po quê disso. As e oluções po que passou a ísica
na p imei a me ade do século XX – po exemplo, a mecânica quân ica e a eo ia da
ela i idade – mos a am que uma eo ia cien í ica é um odo no qual suas pa es in e-
agem p o undamen e. Nesse sen ido, uma eo ia cien í ica pode se concebida como
mais análoga a um o ganismo i o do que a uma máquina, po quan o a eo ia, assim
como o o ganismo, eage de modo complexo a mudanças no ambien e (no os a os)
com o qual ela oca in o mações. En ão, a eo ia de e unciona como uma unidade
complexa, uma ede de enunciados p o undamen e in e conec ados cujas unções
podem se compa ilhadas sob ce as ci cuns âncias. Logo, az mais sen ido a alia
uma eo ia em seu conjun o, ou ao menos em seus blocos de enunciados, do que com
base em suas p oposições elemen a es, omadas uma a uma.
Acompanhando os a anços cien í icos, hoje em dia, a maio ia dos ilóso os da
ciência, sob a in luência de Kuhn (2003) e Laka os (1978), ac edi a que a a aliação
empí ica, na e dade, é um p ocesso que de e le a á ios c i é ios em conside ação,
não apenas es es de hipó eses empí icas. Assim, a escolha en e eo ias al e na i as
(g upos de eo ias ou p og amas de pesquisa) o na-se um p ocesso bem mais com-
plicado do que o simples es e empí ico de p edições pa icula es das espec i as
eo ias. Isso é e dade an o pa a as ciências na u ais como pa a as ciências sociais.
Adicionalmen e, há di iculdades especí icas quan o à a aliação empí ica de enun-
ciados singula es em economia. Po exemplo, Machlup (1955, p. 18) le an a uma di i-
culdade elacionada com o ca á e em ge al não ep odu í el dos “expe imen os” em
economia. Isso signi ica que os enômenos econômicos no malmen e não se epe em
nas mesmas ci cuns âncias. Nesse sen ido, não são análogos ao compo amen o de
12. Uma hipó ese es i amen e empí ica é “uma p oposição que p edica uma elação egula en e dois
ou mais conjun os de dados obse acionais, que não podem se deduzidos de uma hipó ese ge al (...)
do co po eó ico da disciplina em ques ão” (Machlup, 1955, p. 19-20).
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sis emas ísicos. Consequen emen e, os es es das eo ias econômicas e ão g aus de
con iabilidade meno es, em compa ação com os expe imen os con olá eis e epe í eis,
ípicos da ísica e de ou as ciências na u ais. Isso implica adicionalmen e o seguin e:
i) os es es em economia não p oduzi ão conclusões ão epis emicamen e ga an idas
como suas congêne es nas ciências na u ais ou nas ha d sciences; e ii) ais es es não
se ão con incen es o su icien e pa a se em de acei ação gene alizada po oda a comu-
nidade de economis as.13
Po sua ez, as mac o edes de enunciados ampouco se p es am como unidades
ideais pa a uma a aliação empí ica, em azão do ca á e “a que ípico” dessas edes.
Di o de ou o modo, essas mac o edes uncionam como moldu as undamen ais pa a
da sen ido às eo ias, às hipó eses e aos p óp ios es es empí icos. Assim, ainda que
escolas de pensamen o, pa adigmas, p og amas de pesquisa e c. possam se abando-
nados po não da em mais con a de explica no os a os, dados e obse ações, esses
g andes ag egados de enunciados somen e são subs i uídos po ou os após um p o-
cesso secula de in e ação en e os memb os das comunidades cien í icas, inclusi e
a é que oco am mudanças de ge ações de cien is as.14
Além disso, dado seu al o g au de ab angência, as di as mac o edes p e endem
in e p e a g andes classes de enômenos al amen e complexos. É cla o, a ciência em
ge al e a economia em pa icula êm ei o p og essos no en endimen o de enôme-
nos de complexidade o ganizada, mas o a anço do conhecimen o pa ece se da po
sín eses eó icas e es a ís icas de ce os “pedaços” dos p ocessos complexos. Hayek,
que chama ais sín eses de blocos de “p edições de pad ões”, eco da-nos de que, à
medida que a ançamos no conhecimen o em economia,
con encemo-nos cada ez mais que podemos de e mina apenas algumas, mas
não odas as ci cuns âncias pa icula es que de e minam o esul ado de um dado
p ocesso; consequen emen e, somos capazes de p edize apenas algumas, mas
não odas as p op iedades do esul ado que emos que espe a (1989, p. 7).
13. Um in e essan e conjun o de ques ões, que não se á ap o undado nes e es udo, é o seguin e: a é que
pon o os no os mé odos e écnicas expe imen ais em economia (expe imen os na u ais, expe imen os
em “labo a ó io”, simulações compu acionais e c.) ap oximam os con ex os expe imen ais da economia
e da ísica? A é que pon o pe mi em ap oximações aos pad ões dos ambien es es i amen e con olados
dos expe imen os das ciências na u ais? A é que pon o aumen am o g au de con iança dos enunciados
causais ou explica i os na ciência econômica?
14. Falando dos pa adigmas, Kuhn ilus a esse aspec o a i mando que a his ó ia da ciência indica que
a o mação de consensos es á eis – mesmo na as onomia, na ísica e na química – pode se uma
“es ada ex ao dina iamen e á dua” (2003, p. 35).
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Não obs an e, mesmo nas explicações pa ciais, a pa i de blocos ou de pad ões,
às ezes é possí el p oduzi em-se p edições empi icamen e alseá eis.
Pelas azões ap esen adas, é mais azoá el si ua a unidade básica de a aliação
empí ica de uma eo ia cien í ica em um ní el que nós chamamos aqui de “meso eó ico”,
ou seja, uma unidade de dimensões in e mediá ias en e as mencionadas mac o e-
des e os enunciados pa icula es. Em especial, na ciência econômica, p opomos duas
possibilidades plausí eis: i) os “pa adigmas de o ien ação”, is o é, es u u as a gumen-
a i as que uncionam como pon os de e e ência (o ien ação) pa a as pesquisas em
economia (Hoyningen-Huene e Kincaid, 2023, p. 191);15 e ii) os “modelos heu ís icos”,
ou seja, ce os modelos ge ais desen ol idos pa a “coo dena um conjun o de modelos
elabo ados pa a se lida com p oblemas especí icos e suge i ins uções pa a o seu uso
adequado pa a a cons ução de no os modelos”, de Ve celli (1991, p. 5).16 Na p á ica,
modelos heu ís icos e pa adigmas de o ien ação há mui o êm desempenhado, en e os
economis as, um impo an e papel ins umen al pa a o escla ecimen o de p oblemas
econômicos e pa a o encaminhamen o das soluções des es.
4.3 Fo malização da linguagem, mensu ação e p og esso cien í ico
A economia em expe imen ado um p ocesso de o malização de sua linguagem.
Ao menos na adição da eo ia neoclássica do equilíb io, que inclui os modelos de equilí-
b io ge al no o-clássicos, essa o malização e le e um desejo do mains eam da ciência
econômica de enquad a cada ez mais essa ciência nos pad ões me odológicos das
ciências na u ais, especialmen e da ísica. En e an o, o assemelha -se da linguagem eco-
nômica com a da ísica não em le ado a um aumen o signi ica i o das axas de ace o das
p edições em economia, sob e udo quando os al os dessas p edições são os mo imen os
dos g andes ag egados mac oeconômicos. Tampouco o a anço das écnicas economé-
icas, nos úl imos anos, pa ece e edundado em melho ia signi ica i a daquelas axas.
15. Vejamos alguns exemplos his ó icos de pa adigmas de o ien ação (POs) na economia. A econo-
mia polí ica clássica ge ou uma sé ie desse ipo de pa adigma, sob a o ma de modelos de p odução
e oca: i) o modelo de maximização limi ado a um indi íduo, sem me cados ou p eços; ii) o mesmo
modelo expandido pa a dois indi íduos – a chamada caixa de Edgewo h; iii) o modelo de demanda do
consumido com p eços; e i ) o modelo ge al de equilíb io com p eços, ocas, múl iplos indi íduos, bem
como unções de o e a e demanda. O modelo de equilíb io en e o e a e demanda e a eo ia da u ilidade
ambém podem se conside ados POs no sen ido de Hoyningen-Huene e Kincaid (2023).
16. Po exemplo, na eo ia ge al, Keynes o nece á ios concei os e insigh s me odológicos que podem
se ag upados em modelos heu ís icos: o concei o de desemp ego de equilíb io, o p incípio da demanda
e e i a, o esquema da p e e ência pela liquidez, a in luência das expec a i as de longo p azo, o papel
c ucial dos salá ios nominais e c. O modelo heu ís ico em um uso es a égico em qualque p og ama
de pesquisa em economia, segundo Ve celli (1991).
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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O a, esse a o não deixa de se in igan e. A inal, a a ualização da capacidade
de p e isão de uma ciência empí ica, pa a âmbi os cada ez mais ab angen es de
enômenos, é um c i é io assen e pa a se a alia o p og esso do conhecimen o nesse
ipo de ciência. Po an o, ainda que o ela i o acasso da capacidade de a economia
aze p e isões ace ca dos enômenos de in e esse possa e suas azões (Reis, 2017),
isso lança a suspei a de que a ciência econômica possa es a ilhando um caminho
me odologicamen e equi ocado. Hayek chamou esse caminho de “cien i icismo”, is o
é, “uma aplicação ac í ica e mecânica de hábi os de pensamen o [habi s o hough ] a
campos di e en es daqueles nos quais [aqueles hábi os] o am o mados” (1989, p. 3).
Em ou as pala as, a economia pode es a en ando aplica os hábi os de pensamen o
da ísica, de o ma ac í ica e mecânica, ao âmbi o de enômenos econômicos, e esse
cien i icismo pode es a – de o ma i ônica e, à p imei a is a, pa adoxal – aca e ando
di iculdades ao p og esso cien í ico na ciência econômica.
Po um lado, o cien i icismo sob e alo iza a eo ia econômica em de imen o do
papel das e idências; po ou o, o a anço das écnicas economé icas e compu acionais
em le ado ao desen ol imen o de modelos a- eó icos de análises de dados. A nosso e ,
essas endências são os dois lados de uma única moeda e e le em o ca á e cada ez
mais p oblemá ico do uso de e idências pela ciência econômica. Nesse sen ido, mesmo
quem de ende c i é ios de dema cação cien í ica alinhados ao alsi icacionismo poppe-
iano, como Blaug (1992, p. 238), não deixa de no a ce a “ elu ância e indisposição”
dos economis as em con on a em p oposições eó icas com as e idências empí icas.
Pa alelamen e ao p oblema da o malização, há o da mensu ação. Em economia,
pode se mui o di ícil a mensu ação de ce as g andezas – ou, po ou a, a ope acionali-
zação de ce os concei os –, a qual dependa de consensos dos economis as ace ca de
ce os enunciados básicos. Como os econome is as pode iam mensu a , po exemplo,
as “p e e ências de consumido es”, a “melho ia da qualidade da écnica”, a “qualidade
do ambien e de negócios” e ou as a iá eis que eme em a aspec os mais alo a i os,
no ma i os e subje i os da ealidade econômica? Cla o, p og essos o am ei os na
ope acionalização dessas a iá eis, en e an o os p oblemas de mensu ação pe sis em
e podem le a não apenas a e os de mensu ação – que pe se é um p oblema clássico
em econome ia –, mas ambém à omissão de a iá eis que, de ou o modo, se iam
essenciais pa a explica o enômeno de in e esse.
Assim, ce as a iá eis são omi idas po que não podem se medidas ou po que
não se sabe como azê-lo. O con á io ambém oco e: o hábi o de se omi i ce as
a iá eis – conside ando-as como pa e de “cons an es”, “pa âme os” ou “ e mos
au ônomos” – le a à c ença de que é desnecessá io o es o ço de en a medi essas
a iá eis. Con igu a-se, assim, uma espécie de cí culo icioso. Como consequência,
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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pode se que, em alguns modelos econômicos, ce os a o es sejam conside ados
impo an es pa a uma explicação não po que es es enham sido p e iamen e selecio-
nados pela eo ia, mas apenas po que es ejam disponí eis à mensu ação. Ao mesmo
empo, ou os a o es, ealmen e impo an es, icam de o a da explicação. Po an o, ais
di iculdades de mensu ação p oblema izam ainda mais o papel das e idências no
p og esso do conhecimen o cien í ico em economia.
5 ESCOLAS DE PENSAMENTO ECONÔMICO, FATORES
CONTEXTUAIS E USO DE EVIDÊNCIAS
O “mé odo cien í ico” é o esul ado de um longo p ocesso his ó ico, mo i ado po di e -
sos p oblemas cien í icos, ino ações analí icas (concei os ma emá icos e escalas, po
exemplo) e ma e iais (ins umen os de medida e ou os). Ademais, a his ó ia da ciência
nos ensina que o desen ol imen o das eo ias cien í icas depende da dema cação
de ce os domínios de alidade dessas eo ias e que a ex ensão desses domínios é
mu á el, in e agindo com as e idências empí icas e ou os a o es.
O p og esso do conhecimen o cien í ico não se apoia apenas em elemen os da
lógica in e na do mé odo cien í ico, ampouco na pu a e idência. Na e dade, undamen-
a-se em decisões da comunidade cien í ica, as quais não dispensam o senso comum,17
as no ma i idades e os alo es – sejam es es de na u eza cogni i a (epis êmica), sejam
de na u eza é ica ou social.
Em elação às decisões das comunidades cien í icas, são especialmen e impo an-
es os p ocessos de o mação de consensos na solução de con o é sias e em o no
de no as e dades cien í icas. Tais consensos são o ápice de um p ocesso á duo e
demo ado, assim como um esul ado bas an e p o á el do deba e público desimpedido
no seio da comunidade cien í ica. Não obs an e, eles são mu á eis e podem a ia mui o,
consoan e o campo do conhecimen o cien í ico em ques ão e, em mui as ciências,
algumas con o é sias ainda es ão longe de se em esol idas.
17. A p opósi o, de endemos que a ciência e o senso comum não se opõem po p incípio. Sob e isso,
Bunge (2005, p. 191) a i ma que o senso comum é a “ aculdade ou juízo si uado en e a li e especu-
lação po um lado e a a i mação bem undamen ada e a conje u a educada po ou o”. Po exemplo,
imos (seção 4.2) que os enunciados psicológicos, es abelecidos po in ospecção e ípicos do senso
comum – po exemplo, “as pessoas p ocu am mais iqueza” –, o am apon ados po John S ua Mill e
ou os economis as como undamen ais à ciência econômica. Mesmo ce as p emissas an opológi-
cas que p e endem undamen a a eo ia econômica – como o di o u ili a is a de que o p aze e a do
“nos go e nam [a nós, se es humanos] em udo o que azemos, em udo o que dizemos, em udo o que
pensamos” (Ben ham, 1907 apud D i e , 2022) ou a p emissa do “egoísmo hobbesiano” (ou do homo
œconomicus au oin e essado) – são de i ações de c enças do senso comum.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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O modo como se desen ol em essas con o é sias ao longo da HPE é pa icula -
men e ilus a i o. Elas di icilmen e são conside adas supe adas em de ini i o pela maio ia
da comunidade dos economis as. O acúmulo de e idências em economia pa ece e
menos peso – ela i amen e à ísica, po exemplo – pa a gal aniza os deba edo es em
o no de um ou de ou o posicionamen o eó ico, sob e udo se esse posicionamen o
es á bem anco ado nos p incípios de uma g ande ma iz eó ica. Assim, podem coexis i
ma izes eó icas undamen adas em modos mui o di e en es (a é an agônicos) de se
concebe a ealidade econômica como um odo – ais como as ma izes de pensamen o
dos no os clássicos e dos pós-keynesianos –, sem que as e idências le em a comuni-
dade a uma escolha consensual em a o des a ou daquela. Cada uma dessas ma izes
pode ge a um núme o inde inidamen e ele ado de modelos, cujas e en uais e u ações
po es es empí icos não p oduzi ão (a é ce o pon o) g andes abalos nas p incipais
cons uções da eo ia econômica. En ão, é comum ambém que as con o é sias eó icas
em economia jamais sejam esol idas, ou o sejam apenas pa cialmen e, como aquela
que icou conhecida como a con o é sia de Camb idge,18 em o no da eo ia do capi al
(ou da dis ibuição uncional da enda).
Essa discussão sob e as g andes escolas ou ma izes eó icas do pensamen o eco
-
nômico é ú il pa a se a alia o papel desempenhado pelas e idências na es u u a de
uma explicação cien í ica em economia. Aqui, a p emissa cen al é que a isão de mundo
condiciona o emen e o modo como o economis a concebe a na u eza (on ologia) dos
enômenos econômicos; a ciência econômica e sua me odologia; e o papel das e idên-
cias, como ins umen os pa a subsidia as decisões eó icas (escolha de hipó eses,
modelos e c.).
A pe spec i a me odológica que, a é os dias de hoje, p edomina na co en e p in-
cipal da ciência econômica é a que nós chamamos de posi i is a. Esse e mo é usado
nes e TD em um sen ido di e en e dos posi i ismos de Com e e do Cí culo de Viena.
Nes e es udo, “posi i ismo” indica o aspec o “posi i o” da ciência empí ica – is o é,
associado aos a os, e não aos alo es. O posi i o, nesse con ex o, diz espei o “ao
que a ealidade é”, e não “ao que ela de e ia se ” – ou a como a ealidade se ia se ela
osse como nós quiséssemos. En im, o posi i o opõe-se ao no ma i o ou p esc i i o,
e a dico omia “ a os e sus alo es” cons i ui o co ação daquilo que chamamos nes e
ex o de “posi i ismo”.
18. As con o é sias de Camb idge gi a am, po ce o empo, em o no de “ a os es ilizados”, ais como
a cons ância da elação capi al-p odu o ou da pa icipação ela i a do a o abalho no p odu o, a é que
inalmen e se demons ou que ais hipó eses não e am a os de o ma alguma. Po ém, “na medida em
que o deba e acon ece no con ex o de uma eo ia de c escimen o de s eady-s a e e que ambos os lados
conco dam que [ al eo ia] (...) jamais é uma ap oximação do mundo eal, as con o é sias de Camb idge
(...) não podem se esol idas pela pesquisa empí ica” (Blaug, 1992, p. 242).
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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No ocan e ao papel das e idências nas escolhas eó icas dos economis as, a isão
posi i is a no malmen e ende a ado a uma pe spec i a e i icacionis a, con i macio-
nis a ou alseabilis a ( alsi icacionis a)19. Es a úl ima co en e pa ece p edomina en e
os economis as do mains eam a é os dias a uais.
O alseabilismo em economia em ido, ao longo da his ó ia, de enso es e oposi o es
de peso. En e os p imei os, encon a-se Blaug (1992), pa a quem o alsi icacionismo é
a única abo dagem capaz de p opo ciona um legí imo p og esso na ciência econômica,
pos o que explici a um c i é io obje i o pa a se dis ingui os enunciados ade en es à
ealidade (empi icamen e adequados) dos ou os. Com isso, ha e ia azões sólidas
pa a se escolhe ce as eo ias em ez de ou as e, consequen emen e, pa a acumula
conhecimen o con iá el na ciência econômica.
En e an o, o alseabilismo é c i icado po au o es como McCloskey (1985), Haus-
man (1989, 2008), A ida (1996), Reu en (1996) e Hoyningen-Huene e Kincaid (2023). Pa a
es es, po á ias azões, a aplicação do alsi icacionismo é mui o di ícil em economia, e
a p á ica co idiana da pesquisa comp o a que essa abo dagem me odológica a amen e
é aplicada. Menos a ei os a uma isão posi i is a e mais adep os de um plu alismo
me odológico, esses economis as e me odólogos conside am o alsi icacionismo
inadequado à economia, em pa e po se um c i é io baseado em p ocedimen os das
ciências na u ais, não das ciências sociais. Alguns desses au o es, seguindo a linha de
McCloskey (1985), sus en am a aplicação de uma epis emologia baseada em c i é ios
“ e ó icos” pa a a ciência econômica, ais como a simplicidade, a coe ência, a ab an-
gência e a gene alidade dos enunciados, das hipó eses e das eo ias.
Po seu u no, con as ando com a isão posi i is a, à qual ade e a co en e incu-
lada ao p oje o de pesquisa neoclássico em economia, o modo de pensa 20 keynesiano
em as seguin es ca ac e ís icas essenciais: i) a inco po ação do empo, da ince eza
19. Não abo da emos cada um desses e mos nes e ex o. Cabe apenas um escla ecimen o sob e o
signi icado de “ alseabilismo” ou “ alsi icacionismo”. Tomados como sinônimos nes e con ex o, ambos
os e mos designam basicamen e o posicionamen o do ilóso o aus íaco Ka l Poppe , segundo o qual
a ciência se ca ac e iza po p oduzi enunciados alseá eis, ou seja, passí eis de se em p o ados al-
sos po meio de obse ações empí icas ou expe imen os (Poppe , 2001). Se um enunciado não pude
se p o ado also po esses meios e se não desempenha uma unção ins umen al mui o p ecisa num
co po eó ico – al como o papel dos enunciados básicos –, en ão não de e se conside ado cien í ico.
20. Em ge al, “modo de pensa ” ou “modo de pensamen o” – exp essão usada po Chick (2003) – signi-
ica o modo como os a gumen os ou as eo ias são cons uídos e ap esen ados, a pa i da isão mais
ge al sob e a ealidade in es igada. T a a-se, en im, do conjun o de p essupos os epis emológicos e
on ológicos sob e o g upo de enômenos es udados – p essupos os a pa i dos quais as eo ias ou
os a gumen os cien í icos são cons uídos. O modo de pensamen o é a ca ego ia mais ab angen e do
es udo de uma ciência, se indo de base pa a a análise an o de um co pus eó ico como de um mé odo
pa icula usado pelo cien is a.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
31
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A de inição do empo es á longe de se algo simples ou consensual.24 Não obs-
an e, Cu ie e S eedman (1990, p. 241) sus en am que um p og esso subs an i o do
conhecimen o em economia só pode se ob ido com o econhecimen o das di icul-
dades associadas à de inição do empo. Tal econhecimen o, como nos diz Madsen
(2023, p. 76), es abelece as condições básicas – que podem inclui desde a escolha
de uma unidade de empo, a é a aplicação de concei os como passado, p esen e e
u u o – pa a que conduzamos análises econômicas. Po exemplo, é na de inição dos
símbolos desc i i os do empo que podemos concebe de e minada desc ição como
dinâmica ou es á ica.
Em uma pe cepção mais ge al do empo, en endemos que nos mo emos de um pas-
sado conhecido em di eção a um u u o desconhecido. A causalidade es á amplamen e
associada a essa pe cepção, a inal, na nossa in ui i a concepção do luxo empo al
linea , a causa p ecede c onologicamen e o e ei o. “Se ocê queb a a casca de um o o
e ba e a gema, não há ol a. Esse enômeno em uma con apa e na ísica, ou seja,
a segunda lei da e modinâmica” (Madsen, 2023, p. 77). Embo a essa concepção não
seja a única a a icula o empo e a causalidade, podemos pa i dela nes a discussão,
que culmina á com os undamen os das in e ências causais em mac oeconome ia.
Keynes (1903), in luenciado pela eo ia desen ol ida pelo ilóso o McTagga (Mad-
sen, 2023, p. 78), comp eende que o empo só pode se en endido como uma a iá el
dinâmica, já que implica em mudanças, e es as eque em que pelo menos um aspec o
do p esen e seja di e en e do passado.25 Dessa o ma, dois dos p essupos os unda-
men ais da e olução keynesiana es ão na comp eensão de que o empo é i e e sí el
e de que o u u o é imp e isí el. A pa i dessa comp eensão, o equilíb io não é enden-
cial, mui o menos necessá io, o que somen e se ia o caso em um cená io em que não
hou esse mudanças signi ica i as e/ou que quaisque mudanças esul assem semp e
em ou as mudanças pe ei amen e p e isí eis.
A ques ão c ucial é se há (e quais são) a i idades econômicas que podem se
comp eendidas no luxo do empo eal e, mesmo assim, analisadas po meio de mode-
los abs a os, o mulados a pa i de um conjun o disc e o de eg as ge ais (Madsen,
2023, p. 79) e a empo ais. Ou ainda, se modelos ge ais de equilíb io es á ico, como os
24. “O que é o empo? Comecemos pe gun ando aos ilóso os. A maio ia deles conco da que o empo
exis e, mas disco da sob e o que é. Sem su p esa, os ilóso os g egos an igos es a am p eocupados
com a ques ão. Tempo é uma imagem mó el da e e nidade, diz Pla ão. Não, o empo é o núme o do
mo imen o com espei o ao an es e ao depois, diz A is ó eles. De jei o nenhum, diz Fílon, o empo
exp essa apenas um núme o de dias e noi es. Ou en ão, Cíce o, in ocando o di ino: o empo é o deus
que es abelece os anos e os dias” (Madsen, 2023, p. 75, adução nossa).
25. “A changeless s a e is a imeless s a e” (Madsen, 2023, p. 78).
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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de Wal as e Pa e o, êm alguma alidade, já que nesses modelos é ausen e a ca ego ia
do empo. Em uma in e p e ação mais b anda de Keynes, en ende íamos que o empo
en ol e mudanças e que, po an o, os modelos mac oeconômicos somen e podem
o e ece uma lis a de opções plausí eis, mas nunca ce ezas. Já em uma in e p e ação,
digamos, mais adical, en ende íamos que ce as decisões humanas, que são “ olá eis”
e u os do li e a bí io, desa monizam-se com aquele quad o concep ual ge al de
um empo con ínuo, linea e homogêneo. É dize que, quando os agen es econômicos
azem ce as escolhas (in es i , não in es i , comp a ações e c.), azem-no com base
em expec a i as sob e o u u o. Essas expec a i as baseiam-se em conhecimen os e
cálculos acionais, mas ambém em apos as, palpi es, in uições, c ia i idade, en im, no
ico mundo das capacidades subje i as humanas. Nessa linha in e p e a i a, decisões
econômicas apoiadas em expec a i as impõem ce as “ up u as” no modelo adicional
do empo (con ínuo, linea , homogêneo, unidi ecional). Po exemplo, uma ino ação éc-
nica ou de p odu o que cause a abe u a de um no o me cado, e olucionando hábi os e
p e e ências das pessoas, in oduz uma no a empo alidade no sis ema econômico
e queb a aquela con inuidade monó ona da concepção adicional do empo. Nessas
condições, os modelos abs a os de equilíb io es á ico di icilmen e e iam alguma
alidade. Ou en ão, pelo menos, só e iam alidade pa a desc e e ce os es ados das
elações econômicas em que, po hipó ese, não oco essem aquelas up u as empo ais.
Em uma mediação de posições, que não necessa iamen e ep esen a a opinião
dos au o es des e ex o, p e isões de e minís icas em economia de em se ejei adas,
embo a possam o e ece insigh s in e essan es sob e o que pode á oco e . É dize , po
im, que o empo é indispensá el à economia e que, quando o empo é inco po ado à
análise econômica, es a em de le a em con a a endência pe manen e de mudança
dos sis emas econômicos.
Vejamos ago a o papel do concei o de equilíb io em economia. Não é no idade a
a i mação de que esse concei o é no malmen e is o como uma linha di isó ia en e
escolas de pensamen o (Milga e, 1987; Dow, 1996). A co en e p incipal da ciência eco-
nômica, de i ada da economia neoclássica, é iden i icada como a “economia do equilí-
b io”, ao passo que as escolas conco en es ao mains eam se iam “an iequilib is as”.
O p oblema com a di isão equilíb io/an iequilíb io é a sua al a de cla eza.
É g ande o núme o de concei os de equilíb io usados em eo ia econômica,
de al modo que é i ualmen e impossí el sabe qual o obje i o p eciso dos
a aques à economia do equilíb io. É o equilíb io ge al ou pa cial? De cu o ou
de longo p azo? Es á ico ou dinâmico? (Tieben, 2023, p. 108, adução nossa).
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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Tieben (2023, p. 108-109) apon a que, po mui o empo, a noção de equilíb io e a
conside ada indispensá el à eo ia econômica. Se Joan Robinson ganhou no o iedade
po sua c í ica ao equilíb io (Robinson, 1974), ambém oi ela quem disse que “o con-
cei o de equilíb io, sem dú ida, é uma e amen a de análise indispensá el” (Robinson,
1962, p. 81). Po mais que, pa a a au o a, o equilíb io i esse uma unção me amen e
analí ica e sua c í ica se baseasse no uso i es i o do equilíb io ge al pela escola
neoclássica, pensado es como Backhouse (2004) en endem que os a aques a uais,
que seguem a linha dos de Robinson, igno am o a o de que o mains eam é mui o
menos cen ado na eo ia do equilíb io ge al do que pensam seus c í icos. Ao mesmo
empo, Backhouse (2006) en ende que o equilíb io é uma ca ac e ís ica dos modelos
em ques ão – que não passam de ins umen os pa a soluciona p oblemas –, e não
uma ca ac e ís ica da economia eal. Is o é, pa a Backhouse (2004, 2006), mesmo
que não sejam p ecisamen e anco ados na ealidade, os modelos equilib is as podem
desempenha impo an es unções analí icas e heu ís icas.
E i ando, po enquan o, en a nesse deba e, é impo an e que comp eendamos as
di e en es de inições de equilíb io p esen es na economia e de que o ma impac am
os modelos e, mais adian e, o uso de e idências. Em abalho pionei o, Robbins (1930)
di e encia o equilíb io em posição es acioná ia (sem nenhuma endência in ínseca à
mudança) do equilíb io esul an e da co elação de o ças (que indica o ças opos as
p essionando o sis ema pa a uma posição de epouso). A mac oeconomia compa ada
(es á ica po p essupos o) es uda mudanças dinâmicas compa ando uma sequência
de equilíb ios: a posição inicial de epouso é al e ada po alguma o ça exógena ao sis-
ema, en ão se mo e pa a uma no a posição de equilíb io a é que es e seja no amen e
pe u bado po alguma o ça exógena. “Tais noções mecânicas de equilíb io excluem a
dependência de aje ó ia [pa h dependency] e ou as mudanças associadas à du ação
do empo pe se. Elas êm luga num empo lógico ao in és de em um empo-calendá io”
(Dow, 1996 apud Tieben, 2023, p. 110, adução nossa).
Pe cebe-se, mais uma ez, a simbió ica elação en e empo e equilíb io. Não há
como de ini o equilíb io sem de ini o empo, ainda que isso es inja o empo a uma
eg a ou elação lógica. Não bas asse isso, ou a a iá el, in insecamen e elacionada
ao concei o de ince eza, apa ece lado a lado às de inições de empo e equilíb io: a
expec a i a. Na lei u a de Bakchouse (2004, 2006), a inclusão das expec a i as al e a
undamen almen e o concei o de equilíb io.
Especi icamen e, [a noção de expec a i a] anula a me á o a mecanicis a como
uma desc ição adequada da na u eza do equilíb io. O a gumen o [de Keynes] é
que os planos de di e en es agen es são compa í eis ou não. Não há qualque
mecanismo capaz de ealinha as expec a i as, uma ez que as p ojeções de
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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di e en es pessoas sob e e en os u u os enham se mos ado incong uen es.
Em ou as pala as, “g a i a ” e “balancea ” não são qualidades pa a economias
que e oluem ao longo do empo, em que pessoas êm expec a i as sob e o u u o
(Madsen, 2023, p. 110, adução nossa).
Como a emá ica das expec a i as se á e omada mais adian e, passemos a um
p oblema cen al dos modelos de equilíb io ge al. Como a gumen ou Acke man (2002),
os modelos de equilíb io, la gamen e u ilizados po economis as, endem a de ini os
se es humanos de o ma a omizada,
26
is o é, a aiz do p oblema es á nos mui os g aus
de libe dade indi idual. Le ando ao limi e a c í ica do au o , é como se as decisões e as
ações econômicas ossem omadas em um ácuo. En e an o, em um sis ema social de
ipo capi alis a, as pessoas são in e dependen es, o nando i ealis as as modelagens
que pa em de ou as p emissas. No modelo wal asiano, po exemplo, não há nem
empo nem pessoas eais, nem ins i uições (como a moeda), o que az do equilíb io
de me cado desc i o pelo au o um me o dile an ismo in elec ual.
A ausência de ealismo nos modelos do mains eam já oi abo dada po F iedman
(1953), pa a quem não cabe ala em “ ealismo (ou al a de ealismo) dos p essupos os”
dos modelos em economia. Po sua ez, a a a i idade dos modelos mains eam pode
es a mais em sua consis ência in e na do que em sua capacidade de soluciona p o-
blemas econômicos eais. Is o é, os economis as da co en e p incipal se iam a aídos
pa a o uso de modelos abs a os, nos quais o equilíb io apenas apon a caminhos pa a
e inamen os eó icos do modelo, e não pa a soluções eais.
Robinson (1962, p. 81) a i ma que o equilíb io, mesmo com suas limi ações, é
uma e amen a de análise indispensá el à economia. O que pa ece con i ma essa
ese é que, mesmo as escolas c í icas da de inição de equilíb io do mains eam
(keynesiana, pós-keynesiana e aus íaca
27
) alem-se de algum ipo de equilíb io.
28
En im, o equilíb io, enquan o balizado dos modelos econômicos, é bas an e p oble-
má ico e es á amplamen e associado à de inição de empo. Quan o mais p óximos
26. O p essupos o da a omização, como en endemos, en ol e an o o indi idualismo me odológico
(indi íduos omados isoladamen e como unidades básicas de análise) quan o a independência de ação
en e os indi íduos. Isso po que, ao oma os agen es de o ma isolada, como unidades básicas na aná-
lise mic oeconômica, e in eg á-los, em um modelo mac o, suas ações apa ece ão como independen es.
27. Aqui não há menção à escola ma xis a po en ende mos que es a se cons i ui não apenas em uma
c í ica de ajus e ao a cabouço eó ico do mains eam econômico, mas sim em uma c í ica que busca
supe a , sob os mais di e en es aspec os (desde a de inição de alo a é a comp eensão dos me cados),
o pensamen o econômico bu guês.
28. “E en he ha shes c i ics o ‘equilib ium’, howe e de ined, adop some kind o al e na i e equilib ium
cons uc , which may no be called equilib ium bu does p o ide a way o heo ies o deal wi h he com-
plexi ies o ac ual economic sys ems” (Madsen, 2023, p. 117).
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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de uma de inição de empo eal, mais dis an es es a emos de modelos de equilíb io
e, quan o mais p óximos de uma de inição de empo me amen e lógica, mais p ó-
ximos es a emos daqueles modelos.
Nesse sen ido, a u ilização dos concei os de ince eza (keynesianos,29 pós-keynesia-
nos30 e aus íacos31) ou de isco quan i icá el,32 na pa ame ização de modelos, es a á
es i amen e inculada às de inições an e io es de empo e equilíb io. Como imos an e-
io men e, a de inição de ince eza em economia é comumen e associada a Knigh (1921)
e Keynes (2014) e classi icada como ince eza adical. En e an o, de e-se des aca que,
se pa a Knigh a ince eza e a uma exceção, pa a Keynes ela se ia a eg a.
De modo di e gen e da comp eensão Knigh -Keynes, o mains eam comp eende a
ince eza como uma a iância mensu á el, de i ada do compo amen o es i amen e
acional dos agen es econômicos. Esse ipo de acionalidade é um p essupos o dos
mais di e sos modelos incluídos no que es amos chamando aqui de mains eam. Dessa
o ma, se a ince eza é associada à a iância e essa a iância é conhecida, não há, de
a o, ince eza, mas um g au de ce eza eduzido – um isco calculá el.
Conside ando as dis inções expos as, Dow (2023) a ibui, a pa i de uma e isão
da li e a u a, ao ní el on ológico da cons ução dos di e sos sis emas eó icos em
economia os quali ica i os de echados (mains eam) ou abe os (Knigh e Keynes).
A ince eza epis emológica na adicional economia mains eam é ep esen ada
pela a iância es a ís ica, is o é, pelo que é is o como uma medida obje i a do
mundo eal. O conhecimen o é ince o apenas po que há uma alea o iedade
(conhecida) na na u eza. (…) A eo ia da u ilidade espe ada subje i a [SEU – sigla
em inglês] desc e e a o mação de expec a i as em e mos de dis ibuições
de p obabilidade quan i icadas, ainda que com base em c enças e como um
en endimen o di e en e ace ca da p obabilidade. (…) Sendo ep esen adas po
dis ibuições de p obabilidade quan i icadas, as c enças con o mam-se a uma
hipó ese de abalho de que o sis ema eal é echado.
29. Ve Keynes (2014).
30. “In Pos -Keynesian mac oeconomics in pa icula , unce ain y e e s o an inabili y o quan i y isk as he
gene al case o expec a ions- o ma ion as well as o unce ain y as inpu in o s uc u al o ces. Unce ain y
o some deg ee is ega ded as he no m a he han an abe a ion o an exogenous shock” (Dow, 2023, p. 85).
31. Ve Backhouse (2006).
32. “While con la ing unce ain y wi h quan i iable isk in his way has been he adi ional mains eam
app oach o unce ain y, i has been modi ied o encompass unce ain y a iously as asymme ic in o ma-
ion wi h espec o ha a iance, o as an exogenous shock” (Dow, 2023, p. 85).
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(...) Uma ez que se assume que o sis ema econômico eal é abe o de alguma
o ma, a a iância es a ís ica o na-se inadequada pa a medi a ince eza on o-
lógica [Knigh -Keynes]. A c ia i idade e a e olução das ins i uições, po exemplo,
al e am o leque de possiblidades dos esul ados u u os de modo inde e minado,
de so e que, na ausência de p ocessos es acioná ios, as dis ibuições de e-
quência são inadequadas como guia pa a as expec a i as. Em ge al, como Keynes
(1921) a gumen ou, se os sis emas eais são o gânicos ao in és de a omís icos,
en ão o conhecimen o é ince o no sen ido não equen is a de que os a gumen os
são em ge al não conclusi os (Dow, 2023, p. 88-89, adução nossa).
Um exemplo cla o de sis ema on ologicamen e echado é a eo ia das expec a i as
acionais, e e ência da mac oeconomia mains eam,33 desde sua elabo ação eó ica
po Robe Lucas. A pa i da comp eensão de uma o mação de expec a i as acionais,
Sa gen (1984) a gumen a que apenas decisões inespe adas de polí ica mone á ia são
capazes de al e a , empo a iamen e, o compo amen o dos agen es econômicos. Isso
pode ia, con udo, le a a múl iplos equilíb ios du an e o p ocesso de ajus e do compo -
amen o dos agen es, o que é logicamen e con á io à eo ia de Lucas (1976, 1980).
Não obs an e, “mac oeconomis as mains eam êm se deb uçado cada ez mais34 sob e
a possibilidade de inde e minação deco en e da possibilidade de múl iplos equilíb ios
de expec a i as acionais, uma endência es imulada pela expe iência da c ise inancei a
[de 2007-2008]” (Dow, 2023, p. 92).
É p eciso des aca que a e olução dos modelos mains eam no que ange à abo -
dagem da ince eza es e e semp e limi ada pela epis emologia dos sis emas echados.
Is o é, os ecen es desen ol imen os, mesmo que in e essan es, seguem inculados a
uma de inição de ince eza equi alen e a isco quan i icá el.
Dow (2023, p. 94) apon a que, di e en emen e da abo dagem mains eam, as abo -
dagens aus íacas (emp eendedo ismo c ia i o), ins i ucionalis as (e olução das ins i-
uições), pós-keynesianas (inde e minação como eg a) e ma xis as (lu a de classes)
podem se iden i icadas com uma epis emologia de sis emas abe os. É dize que, nos
e mos da au o a, pode íamos di e encia a he e odoxia da o odoxia a pa i da de ini-
ção on ológica dos sis emas (abe os e echados). Embo a essa lei u a não seja única,
33. “The ocus o hese models is equilib ium iden i ied wi h he con inual ul ilmen o a ional expec a ions
e en h ough economic luc ua ions. Empi ical es ing and echnical ad ance p omo e imp o emen s o he
models o be be e analogues, jus as obse a ion and ma ke compe i ion induce economic agen s o imp o e
hei own expec a ion o ma ion in a manne consis en wi h economis s’ models” (Dow, 2023, p. 91).
34. Pa a exemplos de modelos que inco po am múl iplos equilíb ios, e Dow (2023, p. 91-93).
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pa a o que nos cabe nes a seção, a de inição de causa e e ei o es a á in insecamen e
inculada à opção me odológica dos economis as.
Tempo, equilíb io, expec a i as e ince eza, longe de se em de inições consensuais
en e economis as, acabam po es abelece a es u u a dos modelos. En ão, dep een-
de-se que elações de causa e e ei o a ia ão semp e de aco do com essas de inições.
Mais ainda, a elação pa amé ica es abelecida en e as a iá eis de um modelo, a
pa i do uso da econome ia, ambém es a á in imamen e inculada às de inições
ap io ís icas de empo, equilíb io e ince eza.
6.2 Filoso ia da causalidade e ciência econômica
Na ciência econômica, desde seu al o ece , a ques ão da causalidade igu a com p oe-
minência. John S ua Mill já de endia que a e dadei a explicação cien í ica de um
p ocesso econômico necessi a de uma in e p e ação ace ca das causas básicas desse
p ocesso, a despei o do a o de que o g au de con iabilidade das in e ências causais em
economia se ia meno do que, po exemplo, na ísica. Dado o ca á e “pe u bado” das
elações econômicas eais, nas quais a uam mui as o ças e endências di icilmen e
de ec á eis pelo pesquisado , as elações de causalidade são es abelecidas de o ma
inexa a – assim ac edi a a Mill. Po ém, pa a esse au o inglês, an o na economia como
na ísica, a es u u a de uma explicação cien í ica segue o mesmo es ilo ou pad ão ge al
de a gumen ação, baseado em leis ou p emissas abs a as que e le em ce as o ças,
p opensões ou endências de na u eza causal.
O concei o de causalidade em economia em uma longa his ó ia. Esse é um ema
que, como an os ou os a ados nes e es udo, si ua-se na on ei a da iloso ia com
a ciência econômica e “o bi a” de pe o a p eocupação cen al da nossa pesquisa: a
ques ão do uso de e idências cien í icas nas polí icas mac oeconômicas.
Na ciência, assim como no senso comum, explica um enômeno é dize po que
ele oco e, ou seja, é de alguma o ma de e mina suas causas ou azões. Po isso, com
equência, as explicações causais são conside adas explicações cien í icas po exce-
lência, embo a alguns cien is as e ilóso os conside em a causalidade como um me o
ecu so heu ís ico pa a as descobe as cien í icas.35 Além disso, no campo da a aliação
de polí icas públicas, é undamen al a cons ução de enunciados bem undamen ados
35. Planck (1963, p. 73) de ende que a lei da causalidade se ia um p incípio heu ís ico, uma espécie de
“bússola” que ajuda o cien is a a se o ien a em meio a um ema anhado de oco ências. Nesse en en-
dimen o, o p incípio da causalidade se i ia apenas como um ins umen o pa a a pesquisa cien í ica
a ingi esul ados é eis (Adle , 1990, p. 128). Po sua ez, ado ando um posicionamen o mais adical,
Russell (1918) chega a a i ma que a noção de causa es á ul apassada e de e ia se banida da ciência.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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sob e os e ei os (possí eis ou eais) dessas polí icas. De odo modo, an o no campo
da ciência como no das polí icas públicas, emos aqui ao menos dois p oblemas
undamen ais: i) quais ipos de e idências apoiam epis emicamen e as in e ências e
os enunciados causais?; e ii) quais são os mé odos adequados pa a isso?
Mazia z (2020) o nece uma excelen e con ibuição sob e esse assun o nos cam-
pos da economia e das polí icas econômicas. Em pa icula , esse au o nos in o ma
sob e as condições sob as quais as e idências causais – sin e izadas pelos p inci-
pais mé odos e écnicas usadas pelos economis as do mains eam – podem jus i ica
epis emicamen e análises e p oposições de polí ica econômica. Di o de ou o modo,
seu li o in i ulado The philosophy o causali y in economics busca espos as pa a a
seguin e pe gun a: sob quais condições as in e ências causais cons i uem e idências
sólidas pa a guia polí icas econômicas? Além disso, essa ob a conec a, de modo cla o
e sis emá ico, emas sumamen e ele an es pa a es a pesquisa, ais como o uso de
e idências em ciência econômica, o mé odo em economia, a elação desse mé odo
com um pano de undo ilosó ico-epis emológico mais amplo e a elação disso udo
com as polí icas mac oeconômicas. Po essas azões, a análise p ocedida nes a seção
baseia-se o emen e nesse au o polonês.
Os economis as di icilmen e explici am os concei os eó icos de causalidade que
êm em men e em suas pesquisas, embo a equen emen e açam in e ências e enun-
ciados causais. En ão, uma das a e as da iloso ia e da epis emologia da ciência eco-
nômica consis e em aze à ona e a alia os p essupos os ilosó icos dos mé odos e
das écnicas causais dos economis as. Em pa icula , esses p essupos os de em se
ap eciados em elação à sua coe ência com as di e en es amílias eó icas da causa-
lidade, pa a en ão se a alia sua adequação pa a a polí ica econômica.
Mazia z (2020) seleciona cinco g andes “ amílias” de eo ias ilosó icas da causali
-
dade: i) egula idade; ii) p obabilidade condicional; iii) con a a ualidade; i ) mecanismo;
e ) in e enção ou manipulabilidade. Com base nessas eo ias – que não esgo am oda
a secula e in incada discussão ilosó ica em o no da causalidade –, ele p ocede a uma
análise dos enunciados causais ei os pelos economis as. Vejamos a segui , de o ma
pano âmica, como essas cinco amílias eó icas da causalidade são adicionalmen e
aplicadas na análise e na polí ica econômicas.
6.2.1 Regula idade
A eo ia mais adicional da causalidade, que é p opagada desde pelo menos o
século XVIII po Hume (1990, p. 457-485, passim), é a da egula idade. Pa a es a, as
elações causais se de inem em e mos de egula idades empí icas obse á eis.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
39
3089
A causalidade aqui se eduz a conjunções espaço- empo almen e cons an es en e
dois e en os. O e en o A é causa do e en o B se, e somen e se (necessa iamen e),
A p ecede B no empo e há en e esses e en os uma con iguidade espacial – de a o,
Hume (1990) diz que causa e e ei o es ão cons an emen e conjugados. Em ou as
pala as, há uma conexão espaço- empo al necessá ia en e A e B.36
As eo ias da egula idade são p essupos as em ge al pelos seguin es mé odos
u ilizados em economia: i) econome ia o ien ada eo icamen e (po exemplo, modelos
de equações es u u ais); e ii) es udos cliomé icos da his ó ia econômica. Com esses
mé odos, p e ende-se e ela egula idades empí icas, que supos amen e ins anciam
leis da na u eza ou conexões necessá ias en e ce os enômenos, a os, e en os,
obje os e c.
Na econome ia o ien ada eo icamen e, emos um adicional mé odo de pesquisa
em economia, consolidado a pa i dos anos 1930 com os abalhos da Comissão
Cowles. De aco do com esse mé odo, a eo ia econômica o nece as elações causais
que se ão ope acionalizadas po es udos economé icos, que p ocu a ão es ima os
alo es de pa âme os das elações. As elações causais e suas espec i as “in ensi-
dades” se iam assim medidas pela signi icância dos pa âme os.
A cliome ia, po sua ez, usa á ios mé odos pa a descob i conexões es á eis en e
e en os his ó icos – is o é, associados espaço- empo almen e. Tipicamen e, usam-se
bases de dados quan i a i os nos es udos cliomé icos. Po ém, mais ecen emen e,
êm sido usadas ambém bases de egis os na a i os, os quais são ans o mados
em es a ís icas.
6.2.2 P obabilidade condicional
Pa a es a abo dagem da causalidade, as causas al e am as p obabilidades condicionais
dos e ei os. Suppes (1970) é um dos expoen es de al isão, que ab iga, po exemplo,
as chamadas eo ias bayesianas. As eo ias p obabilís icas da causalidade demandam
um mé odo pa a se mos a a dependência p obabilís ica en e a a iá el-causa e a
a iá el-e ei o, uma ez con olados os chamados “ a o es de con undimen o”.
36. Embo a o concei o clássico de causação como egula idade seja a ibuído a Hume, é ce o que, pa a
esse au o escocês, as elações de causa e e ei o não podem se conhecidas. Na e dade, ele oma o
e mo “causa” como exp essão de um sen imen o que a expe iência da egula idade p oduz em nós.
Po ém, não podemos conhece , com ce eza, nem ampouco ga an i ou jus i ica epis emicamen e
que esse sen imen o de egula idade co esponda a uma conexão necessá ia na na u eza das coisas.
Sob e o ce icismo de Hume ace ca do conhecimen o da causação, e B oadben (2022).
TEXTO pa a DISCUSSÃO
40
3089
Essa concepção é assumida po es udos economé icos de sé ies empo ais que
p ocu am in e i elações de causalidade – po exemplo, os mé odos de G ange 37.
É p essupos a ambém em modelos a- eó icos c oss-sec ion, que p oduzem co elações,
as quais são, po sua ez, in e p e adas causalmen e com base no conhecimen o p é io
que se em sob e as elações de p ecedência empo al en e as a iá eis en ol idas.
Em modelos do ipo c oss-sec ion, em que as a iá eis não são indexadas ao
empo – ao con á io dos modelos que usam sé ies empo ais –, os economis as
em ge al a ibuem o dem empo al com base no conhecimen o ace ca dos enôme-
nos ep esen ados pelo conjun o de dados e de como esses dados o am ge ados.
Po exemplo, um es udo p opõe-se a a alia a elação en e o peso do indi íduo ao nas-
ce e sua enda quando adul o. Embo a as a iá eis não sejam indexadas ao empo, a
conjec u a azoá el nesse con ex o é que o peso do indi íduo oi egis ado an es de
sua enda. Assim, em-se uma o dem de p ecedência empo al, que pe mi e a conjec u a
de que o peso ao nasce (p) e a enda quando adul o ( ) igu am numa elação causal
p → que p oduz uma co elação posi i a.
6.2.3 Con a a ualidade
As eo ias da con a a ualidade explicam que as causas são condições que “ azem a
di e ença” pa a os e ei os, de o ma que, se a causa não i esse oco ido, o e ei o não
e ia oco ido. Essa ideia básica já es a a p esen e em Hume (século XVIII), mas só
i ia a se desen ol ida o malmen e com os abalhos do ilóso o no e-ame icano
Da id Lewis, a pa i dos anos 1970 (Lewis, 1973). Um exemplo in ui i o de uma in e -
p e ação causal con a a ual é “bebe um copo d’água causou a eliminação da minha
sede”, que equi ale a dize que “se eu não i esse bebido um copo d’água, minha sede
não e ia sido eliminada”.
Des acam-se aqui basicamen e dois conjun os de mé odos: i) con a a uais de
Galileu (modelos eó icos ou modelos economé icos in e p e ados con a a ualmen e,
quando neles se simula “o que e ia acon ecido” caso uma ou ou a condição osse
di e en e); e ii) po meio de es udos de casos, es abelecem-se enunciados causais
singula es e se de inem causas como as condições que le a am à oco ência do caso
em ques ão.
Pa a Ma ia z (2020, p. 197), os con a a uais de Galileu e os es udos de casos são
insu icien es pa a uma a aliação comple a do sucesso ou insucesso de uma polí ica
37. O mé odo de G ange se á abo dado na seção 6.3.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
47
3089
A comp eensão dos limi es da causalidade de G ange e ia o çado, mais a de, a
adoção pelos economis as de pa âme os es u u ais aos modelos ec o ial au o- eg essi e
(VAR). Os modelos s uc u al ec o ial au o- eg essi e (SVAR) o nam-se, en ão, dominan es
na abo dagem no o-clássica.
Po im, Ve celli (2023) apon a pa a os modelos de causas es u u ais (SCM), p o-
pos os po Pea l (2009) e cons uídos a pa i dos concei os de co elação e ou os
a ins, ais como os de dependência, p obabilidade e eg essão. Pea l o nece-nos uma
linguagem pa a en ende a causação po meio dos chamados di ec ed acyclic g aphs
(DAG). Esses a e a os nos ajudam a en ende as dependências con a a uais en ol i-
das nas elações causais, no seguin e sen ido: o que e ia acon ecido se i esse ha ido
uma in e enção que al e asse algum alo especí ico de alguma a iá el?
43
Tais mode-
los, de aco do com Ve celli (2023), são cons uídos a pa i da e e escen e li e a u a
em in eligência a i icial (IA) e machine lea ning (ML) e ele am o papel dos “modelos
g á icos causais como ins umen os essenciais de uma análise causal minuciosa, po
meio do o necimen o de uma igo osa sin axe e semân ica a essa linguagem [causal]”
(Ve celli, 2003, p. 133, adução nossa).
Apesa do núme o c escen e de pesquisado es in e essados nesses modelos, es es
seguem com aplicações empí icas bas an e limi adas. En e an o, ac edi a Ve celli
(2023) que sua es u u a colabo a pa a uma “ isão eó ica plu alis a da causalidade”.
Nas seções 7 e 8, bem como nas conside ações inais des e es udo, ado a emos um
posicionamen o a o á el a uma pe spec i a plu alis a mode ada com espei o à apli-
cação do concei o de causalidade em economia e em polí ica mac oeconômica.
7 COMO AS DIVERSAS EVIDÊNCIAS CAUSAIS PODEM SERVIR
ÀS DECISÕES DE POLÍTICA ECONÔMICA?
Na seção 6.2 des e ex o, analisamos b e emen e cinco amílias de eo ias ilosó icas
da causalidade e suas elações com mé odos de análise econômica. É chegado o
momen o de es ende aquela análise, com is as à a aliação dos usos que os econo-
mis as azem dos di e en es mé odos de in e ência causal pa a subsidia suas decisões
de polí ica mac oeconômica.
43. Com equência, es amos in e essados em p edize o alo de Y = y, dado que ixamos um alo pa a
X = x, ou seja, dado que in e iemos pa a ixa o alo de x. Pea l esc e e P (Y = y/ do(X = x) pa a ca ac-
e iza essa p obabilidade. Quando ixamos o alo de X, in e imos a i icialmen e no sis ema causal,
o çando a a iá el a assumi um alo que ela não e ia assumido numa obse ação na u al do sis ema.
Assim, o “ alo da a iá el é de e minado comple amen e po nossa in e enção, sendo que a in luência
causal de ou as a iá eis é comple amen e cessada” (Hi chcock, 2021, p. 18).
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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3089
O p imei o aspec o a se obse a é que as di e en es amílias de eo ias da causa-
lidade podem gua da semelhanças en e si. Po exemplo, ap oximam-se as eo ias da
egula idade e da p obabilidade, sendo aquela al ez um caso pa icula des a ( egu-
la idade é p obabilidade igual a um). Po sua ez, as eo ias da con a a ualidade e da
manipulabilidade ambém se assemelham.
44
Assim, um mesmo mé odo ou écnica
pa a se in e i causalidade pode adica em mais de uma abo dagem ilosó ica da
causalidade. Po an o, dada a plu alidade de eo ias causais e de suas semelhanças
em di e en es g aus, pode se uma a e a di ícil pa a o economis a iden i ica os p es-
supos os de cada mé odo ou écnica de in e ência causal u ilizada.
Felizmen e, não é necessá io que os p o issionais da economia se engajem em
complicada análise ilosó ica a im de usa em seus mé odos causais, seja na pesquisa
econômica pu a, seja na polí ica. Eles podem usa , às ezes, em um único con ex o de
pesquisa, á ios mé odos de pesquisa e de in e ência causal, os quais podem indica
á ias abo dagens eó icas de causalidade. Ou seja, podem ado a uma a i ude plu-
alis a, em que di e en es mé odos de pesquisa p essupõem di e en es isões ace ca
da causalidade.
Em p incípio, o plu alismo causal não é necessa iamen e uim, mui o pelo con á io:
conside ando-se que os sis emas econômicos são complexos, em que á ios ipos de
elações ope am ao mesmo empo, pa ece p uden e a adoção de um posicionamen o
plu alis a em elação à causalidade. Os á ios mé odos disponí eis, quando usados
isoladamen e, e ão na u almen e seus limi es e an agens no que conce ne à e e-
lação de elações causais no sis ema econômico. No en an o, di icilmen e o uso de
um único mé odo pe mi i á uma isão ampla do sis ema, de modo a daí de i a em-se
diagnós icos ab angen es em elação aos p oblemas que a polí ica econômica se á
chamada a esol e .
Uma espécie de co olá io do plu alismo causal é que, em úl ima análise, não há o
“melho ” mé odo, em um sen ido absolu o, pa a se descob i a es u u a causal de um
enômeno. Uma pos u a iloso icamen e sensa a aqui é supo que cada concepção de
causalidade salien e um (ou alguns) aspec o(s) ele an e(s) das complicadas edes
causais que de em a ua no mundo eal.
O maio p oblema pa a o analis a ou ges o da polí ica mac oeconômica não é o de
se incapaz de oma uma decisão dian e de um núme o inde inido de possibilidades
44. Pe gun a o que acon ece ia se manipulássemos o alo de uma a iá el equi ale a aciocina de
modo con a a ual.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
49
3089
de uso de mé odos de in e ência causal, al qual a alego ia do asno de Bu idanus45.
O maio p oblema consis e em, omando sua decisão, não o aze a pa i de uma a i ude
p uden e e esponsá el quan o ao uso desses mé odos. Essa a i ude exige um conhe-
cimen o dos p essupos os ilosó icos dos di e en es mé odos de in e ência causal.
A negligência em elação a esses p essupos os equen emen e le a o policymake a
con usões e mal-en endidos sob e as po encialidades e as limi ações dos e e idos
mé odos e, consequen emen e, a decisões equi ocadas de polí ica econômica.
Uma eg a de bolso pa a se e i a em os p oblemas sup amencionados é sin e i-
zada no seguin e di o: “não aduzi ás enunciados causais” (Mazia z, 2020, p. 44-45),
ou seja, não se de e oma um enunciado causal pa a usá-lo em desaco do com os
p essupos os da e idência que o apoia.
Po exemplo, se a e idência causal se e apenas pa a apoia um enunciado
causal que es á de aco do com a isão p obabilís ica, mas o policymake decide
in e i mudando os e mos dos enunciados causais, en ão ele comp ome e-se
a aduzi o enunciado causal de um en endimen o p obabilís ico em uma noção
manipulacionis a. Essa adução, sem um apoio empí ico adicional, é injus i icada
(Mazia z, 2020, p. 45).
Da mesma o ma, se um economis a desenha uma pesquisa usando um mé odo
con a a ual de Galileu, ele não pode, a pa i desse mé odo, ex apola conclusões
pa a p e e os e ei os de de e minada in e enção de polí ica econômica, po que al
ex apolação não se apoia nos p essupos os do con a a ual de Galileu. P e isões
deco en es de in e enções de polí ica eque e iam conhecimen os adicionais, de
na u eza eó ica e/ou empí ica, sob e as condições em o no da polí ica em pau a,
de modo que ossem con olados os a o es de con undimen o.
Em ese, as e idências capazes de apoia con ia elmen e uma polí ica pública são
aquelas que ga an em a in a iância da elação causal sob uma in e enção ou manipu-
lação. Pa a p oduzi em ais e idências, os economis as p ecisa iam conhece a es u-
u a causal eal dos enômenos es udados a im de e ce eza de que a in e enção de
in e esse não muda ia essa es u u a. O melho meio de se ob e esse conhecimen o,
45. A alego ia, a ibuída ao lógico medie al Bu idanus, e e e-se a um asno amin o que, colocado em
ace de dois maços de capim igualmen e ape i osos, mo eu de ome, po que oi incapaz de decidi qual
dos dois maços come em p imei o luga . En e ou as coisas, essa alego ia ilus a bem a que absu dos
podem nos le a aciocínios analógicos pa a explica ope ações men ais – en ol idas em um p ocesso
de decisão pessoal, po exemplo –, com base em compa ações com p op iedades dos co pos ísicos
(o equilíb io es á el dos pesos iguais de uma balança).
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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3089
an o quan o seja possí el em economia, é po meio de es udos expe imen ais em linha
com a abo dagem manipulacionis a.
Aqui é p eciso aze um escla ecimen o e uma ad e ência. Uma isão adicional
ace ca do uso de e idências em polí icas públicas a ibui aos es udos expe imen ais o
í ulo de “pad ão-ou o” me odológico pa a as análises de polí ica, an o pa a subsidia as
decisões como pa a a alia as polí icas. Po ém, diz-se que os mé odos expe imen ais
são os melho es, no sen ido p eciso em que pe mi am a alea o ização dos a o es de
con undimen o, de modo que a di e ença en e os g upos de con ole e a amen o se
de a exclusi amen e (ao menos em ese) à in e enção. Po ém, em economia, as éc-
nicas usadas pa a se p opo ciona essa alea o ização, po mais c ia i as e igo osas,
jamais se ão, na p á ica, in ei amen e bem-sucedidas na consecução desse obje i o.46
Assim, pode se que um economis a, iando-se na excelência dos a ibu os eó icos
de um expe imen o alea ó io con olado (um RCT) pa a decidi sob e um conjun o de
polí icas econômicas al e na i as, aça in e ências causais in álidas com o uso desse
mé odo po e supe es imado o con ole dos a o es de con undimen o de seu desenho
de pesquisa. Concen ando sua análise apenas no expe imen o, ele co e o isco de
cai em equí ocos em suas decisões de polí ica. Melho a a ia se, em ez de con ia
apenas nas p op iedades eó icas ideais de seu mé odo, ado asse uma a i ude mais
“plu alis a” e lançasse mão de um conjun o de mé odos que “p ome essem menos”
que os expe imen os con olados, mas que, coope ando en e si, p oduzissem, no con-
jun o, um conhecimen o mais ajus ado ao con ex o dos p oblemas e das decisões que
o economis a enha de en en a .
Fa o é que, na polí ica econômica eal, é impossí el elimina o almen e o isco de
in luência de a o es de con undimen o. Po essa azão, o policymake pode se bene-
icia das e idências causais p oduzidas po mé odos eo icamen e mais ágeis que
os mé odos expe imen ais, sob e udo quando os mé odos escolhidos são usados de
modo complemen a e coope a i o. Po exemplo, mé odos não expe imen ais, obse -
acionais, ais como análises co elacionais, podem se mui o ú eis pa a se oma
decisões em polí icas públicas. Um exemplo dado po Mazia z (2020, p. 199) é o de um
es udo co elacional pa a a omada de decisões em que se usa a co de um ca o pa a
se p edize a p obabilidade de aciden es. Companhias de segu o obse am sis ema i-
camen e que há uma al a co elação en e a co e melha de um ca o e seu isco de
46. Sob e os p oblemas em que se pode inco e na aplicação p á ica dos expe imen os alea ó ios
con olados em polí icas públicas, e Sc i en (2008). Sua c í ica en oca aspec os me odológicos, epis-
emológicos e ilosó icos, com des aque pa a a inadequação desse mé odo pa a e ela ce as elações
causais ocul as sob a supe ície dos enômenos en ol idos.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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en ol e -se em aciden es. Independen emen e das possi elmen e in incadas elações de
causação a uan es aqui, essa obse ação co elacional é su icien e pa a a omada
de decisões bem-in o madas da pa e dos analis as e dos ges o es das polí icas de
segu o de au omó eis. P o a elmen e, não é o e melho de um ca o que causa o
aciden e. Tal ez haja alguma ca ac e ís ica psicológica do dono do ca o, que cause
an o o compo amen o de di eção pe igosa – que le a a um al o isco de aciden es –
quan o a p e e ência pela co e melha. No en an o, no con ex o de uma companhia
de segu os, que p ocu a p eci ica seus se iços, não impo a des enda as causas do
enômeno, bas a o conhecimen o das co elações pa a que se omem decisões azoa-
elmen e ace adas em elação à p eci icação de seus p odu os. De modo semelhan e,
os policymake s podem usa co elações pa a guia suas ações nas polí icas públicas,
den o de ce os limi es e semp e de modo ampa ado po uma ede de conhecimen os
causais, mu uamen e complemen a es e de i ados de ou os mé odos.
Da mesma o ma, con a a uais de Galileu e es udos de casos podem o nece
subsídios p elimina es pa a a análise da polí ica, ainda que não se p es em a uma
análise comple a e con iá el ace ca dos e ei os de uma in e enção de polí ica. En e
os con a a uais de Galileu incluem-se desenhos de pesquisa que p ocu am es ima o
que acon ece ia com ce a a iá el se de e minado p og ama (ou polí ica) não i esse
sido implemen ado. Um exemplo de análise ú il às polí icas públicas é o dos es udos
de casos p ocess- acing ou p ocess-induc ion, que podem susci a insigh s eó icos e
hipó eses ace ca dos mecanismos causais no enômeno es udado.47
Po im, economis as não de e iam igno a os a anços epis emológicos nas ou as
disciplinas e ciências sociais. Po exemplo, nos úl imos in a anos, p og essos êm sido
expe imen ados a pa i da ob a de King, Keohane e Ve ba (1994). Na senda abe a po
esses ês au o es, desen ol e-se uma plu alidade de lógicas in e enciais causais em
sociologia e ciência polí ica. Se ia mui o in e essan e pa a a economia e pa a a polí ica
econômica que esse deba e nas ciências sociais osse assimilado pelos economis as.
47. Conquan o não sejam mui o popula es em polí icas econômicas, os es udos de casos são bas an e
usados na análise de polí icas sociais em ge al, inclusi e com p opósi os de a aliação causal. Po exem-
plo, De G aa (2007) de ende o mé odo dos es udos de casos pa a a análise das causas da co upção.
Tais es udos podem le an a uma massa de dados e in o mações que, uma ez o ganizados e analisados,
pode ão aze a ança o conhecimen o causal sob e o enômeno da co upção. Aqui, o es abelecimen o
de analogias en e os di e en es casos pode se undamen al.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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3089
8 UM RESUMO DOS POSICIONAMENTOS DEFENDIDOS
NESTE TEXTO
Es e es udo es u u a-se a pa i de alguns emas-cha e, os quais, po sua ez, são
e e idos po seis pe gun as o ien ado as, desc i as na in odução. Os emas são os
seguin es: i) ipos de enunciados aos quais se aplica a a aliação da adequação empí ica
em ciência econômica; ii) papéis da o malização da linguagem e da mensu ação das
g andezas econômicas no uso das e idências e no p og esso cien í ico em economia;
iii) modo como as escolas de pensamen o econômico podem a e a as o mas de uso de
e idências e de a aliação da adequação empí ica nessa ciência; i ) a o es con ex uais
que podem condiciona as escolhas dos economis as a espei o de suas decisões eó-
icas; ) concei o de causalidade em economia, incluindo elações da causalidade com
ce os mé odos de análise econômica e ce as decisões de polí ica mac oeconômica; e
i) inspi ações que a me odologia e a HPE podem da à go e nança do uso de e idências
pa a as polí icas mac oeconômicas. Nes a seção, da emos des aque a posicionamen os
e esul ados des a pesquisa, elacionando alguns dos emas mencionados.
No que conce ne à adequação empí ica, esumimos assim os nossos esul ados:
i) a expe iência que alida globalmen e uma eo ia cien í ica em de se concebida
la o sensu, incluindo não apenas dados empí icos obse á eis e quan i icá eis, mas
ambém o a iadíssimo mundo da expe iência humana do senso comum; ii) a eo ia
em de se a aliada em e mos ag egados, e não somen e a pa i de suas hipó eses
ou p edições singula es; po exemplo, uma eo ia que enha uma ou ou a hipó ese
empi icamen e e u ada ainda pode e uma boa esiliência con a anomalias, po que
seu núcleo eó ico (o “cin u ão p o e o ” de Laka os) é bas an e sólido e acei o pela
comunidade de cien is as; iii) nem semp e a expe iência, mesmo concebida de o ma
ab angen e, é capaz de disc imina explicações cien í icas con li an es – pa a se e e i-
a essa disc iminação, se ão necessá ios adicionalmen e ou os c i é ios e alo es; e
i ) os es es empí icos p op iamen e di os cos umam aplica -se a subconjun os mais
ou menos es i os – e não a enunciados isolados, es á eis indi idualmen e – de uma
mac o ede de enunciados cien í icos.
Boa pa e da seção 4.2 buscou uma espos a pa a a ques ão ace ca da ca ac e iza-
ção mais adequada pa a os conjun os de enunciados, em ciência econômica, des inados
à a aliação empí ica. Nossa e lexão si ua o di o conjun o de enunciados em um ní el de
análise en e duas pe spec i as de ce a o ma opos as. Em uma dessas pe spec i as, es ão
ce os conjun os amplos de enunciados, ais como cosmo isões, modos de pensamen o,
pa adigmas kuhnianos, p og amas de pesquisa laka osianos e c. Esses conjun os si uam-se
em um egis o on ológico da ealidade, p o endo uma isão maximamen e ab angen e
sob e os undamen os da ealidade econômica. Dado seu ca á e undamen alíssimo,
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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as cosmo isões e seus congêne es não se p es am à adequação empí ica; an es, elas
es abelecem as bases epis emológicas pa a que os enunciados cien í icos sejam empi-
icamen e a aliados. No ou o ex emo da “escala” das pe spec i as analí icas, si uam-se
os enunciados singula es, como as p oposições e as hipó eses indi iduais, que p ocu am
desc e e a os e elações pa icula es. Nesse ní el, di icilmen e os es es empí icos se ão
su icien es pa a se decidi sob e a adequação empí ica de uma explicação cien í ica ace ca
de de e minado âmbi o de enômenos. Como se disse na seção 4.2, há mui as ou as con-
dições en ol idas na a aliação da adequação empí ica, além do simples es e empí ico de
enunciados singula es de uma eo ia.
A nosso e , a solução pa a o p oblema da a aliação da adequação empí ica em
ciência econômica encon a-se em um ní el que pode íamos chama de “mesoana-
lí ico”, no qual es ão ce os conjun os de enunciados que o am ca ac e izados de
modo di e so na li e a u a em economia. Seguindo a a gumen ação de Ve celli (1991)
e de Hoyningen-Huene e Kincaid (2023), que aduzem sólidas azões me odológicas e
his ó icas, sus en amos os pa adigmas de o ien ação e os modelos heu ís icos como
as unidades empi icamen e a aliá eis na ciência econômica. Além disso, de endemos
que os modelos heu ís icos e os pa adigmas de o ien ação êm um alo mais p á ico
do que alé ico. Que dize , a a aliação empí ica desses conjun os de enunciados es á
mais elacionada a sabe se eles são ú eis pa a a esolução de p oblemas que a sabe
se são e dadei os ou alsos. Na his ó ia da ciência econômica, modelos heu ís icos
e pa adigmas de o ien ação êm sido usados equen emen e po economis as pa a a
solução de p oblemas.
No que conce ne à o malização de sua linguagem, ao menos na adição da eo ia
neoclássica do equilíb io – que inclui os modelos de equilíb io ge al no o-clássicos –,
sus en amos que essa o malização e le e um desejo do mains eam da ciência econô-
mica de enquad á-la cada ez mais nos pad ões me odológicos das ciências na u ais,
especialmen e da ísica. En e an o, e i ica-se que essa en a i a de ap oximação me o-
dológica com a ísica não em le ado a um aumen o signi ica i o das axas de ace o
das p edições na ciência econômica, sob e udo quando os al os dessas p edições são
os mo imen os dos g andes ag egados mac oeconômicos. Tampouco o a anço das
écnicas economé icas nos úl imos anos pa ece e edundado em melho ia signi ica-
i a daquelas axas.
Pode íamos supo , a pa i dos elemen os ap esen ados ao longo do ex o, que
pa e do insucesso p edi i o em economia es eja inculada à p e alência de uma a i-
ude cien i icis a, no sen ido de Hayek (1989) (seção 4.3). Em ou as pala as, a eco-
nomia mains eam pode es a en ando aplica os hábi os de pensamen o da ísica, de
o ma ac í ica e mecânica, ao âmbi o de enômenos econômicos. Assim, a c escen e
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o malização da linguagem em economia e complexi icação das écnicas economé-
icas e le i ia, em pa e, uma a i ude cien i icis a. Es a, em ez de p opo ciona um
genuíno a anço do conhecimen o, con undi ia esse a anço com o aumen o do g au
de o malização da linguagem, ans o mando a economia cada ez mais em um jogo
linguís ico echado e insensí el ao papel das e idências (Summe s, 1991; Rome , 2016;
Fiani, 2022). Um co olá io da o malização c escen e, podemos in ui , é ambém a
o mação de economis as cada ez mais dis an es do “p oblema econômico” e mais
p óximos do “p oblema ma emá ico”.
Pa alelamen e ao p oblema da o malização, há o da mensu ação. Pode se que,
em modelos econômicos, ce os a o es sejam conside ados impo an es pa a uma
explicação, não po que enham sido p e iamen e selecionados pela eo ia, mas apenas
po que es ejam disponí eis à mensu ação. A inal, em economia, pode se mui o di ícil
a mensu ação de ce as g andezas. Fecha-se o cí culo icioso: a iá eis de di ícil men-
su ação – embo a ele an es pa a a explicação – são omi idas; po seu u no, a iá eis
omi idas le am a uma de icien e mensu ação do enômeno. Em suma, sus en amos
que as di iculdades de mensu ação das a iá eis econômicas p oblema izam adicional-
men e o papel das e idências no p og esso do conhecimen o cien í ico em economia.
Na seção 5, p ocu amos undamen a uma discussão sob e o papel das e idências
na es u u a de uma explicação cien í ica em economia. A p emissa cen al é que a
isão de mundo (ou o modo de pensamen o) do economis a condiciona o emen e
seu modo de concebe : i) a on ologia dos enômenos econômicos; ii) a me odologia da
ciência econômica; e iii) o papel das e idências nas escolhas eó icas do economis a.
A g ande isão me odológica que, a é os dias de hoje, p edomina na co en e
p incipal da ciência econômica é a que nós chamamos de posi i is a. O posi i ismo
em economia exal a o aspec o “posi i o” dessa ciência empí ica – is o é, os a os
econômicos, como con apos os de ce a o ma aos alo es. No ocan e ao papel das
e idências nas escolhas eó icas dos economis as, a isão posi i is a no malmen e
ende a ado a uma pe spec i a e i icacionis a, con i macionis a ou alseabilis a
( alsi icacionis a) poppe iana.
Como imos na seção 5, o alseabilismo se des aca como c i é io no ma i o pa a o
uso de e idências, ao menos na co en e p incipal da ciência econômica. Blaug (1992),
po exemplo, opina que o alsi icacionismo se ia a única abo dagem capaz de p opo -
ciona um legí imo p og esso na ciência econômica, pos o que apenas ele explici a
um c i é io obje i o pa a se iden i ica em os enunciados empi icamen e adequados.
Con udo, a as ando-nos do posicionamen o de Blaug e nos ap oximando da isão de
me odólogos como A ida (1996) e Hausman (1989; 2008), de endemos a insu iciência do
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alsi icacionismo como c i é io me odológico pa a se a alia o p og esso do conhecimen o
cien í ico em economia. Dois a gumen os apoiam nosso pon o de is a: i) a aplicação
do alsi icacionismo é mui o di ícil na p á ica eal e co idiana da pesquisa econômica,
o que se e o ça pelo a o his ó ico de que pouquíssimas con o é sias eó icas em
economia êm sido esol idas pelo c i é io alsi icacionis a; e ii) o alsi icacionismo em
uma aplicação mui o es i a à economia, em pa e po que é baseado em p ocedimen os
das ciências na u ais. Assim, insis i na exclusi idade do alsi icacionismo em economia
signi ica uma a i ude “cien i icis a” no sen ido de Hayek (1989).
Po seu u no, con as ando com a isão posi i is a, à qual ade e a co en e inculada
ao p oje o de pesquisa neoclássico em economia, o modo de pensa keynesiano inco -
po a a ince eza e o conhecimen o pa cial à análise econômica; ab e as po as pa a ce a
subje i idade na ca ac e ização do compo amen o dos agen es econômicos; opõe-se
ao a omismo ou indi idualismo me odológico, ado ando uma pe spec i a o ganicis a do
sis ema econômico; e ompe com ce as dico omias ípicas do pa adigma neoclássico-
-posi i is a. Além disso, ao con á io do posi i ismo, que ac edi a em uma o e unidade
essencial en e os mé odos de odas as ciências – sejam elas ísicas, na u ais, sociais
ou humanas –, a isão baseada no concei o de ince eza no sen ido Knigh -Keynes lança
dú idas quan o às supos as leis egula es de compo amen o humano.
Tomamos aqui uma posição em a o do modo de pensa keynesiano, po con as e
ao modo de pensa neoclássico-posi i is a (mains eam). Em pa icula , a ince eza, a
incomple ude do conhecimen o, a o ganicidade (po oposição ao indi idualismo me odoló-
gico) e o plu alismo me odológico são ca ac e ís icas as quais a cosmo isão keynesiana
epu a como essenciais ao sis ema econômico, e isso nos pa ece adequado como pon o
de pa ida me odológico pa a uma a aliação do papel das e idências em economia. É cla o
que ais ca ac e ís icas impõem eno mes desa ios de cons ução de uma linguagem cla a
e p ecisa, de ope acionalização dos concei os, de cons ução de e amen as analí icas
pa a a omada de decisões de polí ica econômica e c. Po ém, em nosso en ende , esse
é o p eço a se pago pa a se ob e em eo ias econômicas que açam jus à complexidade
da ealidade econômica e, consequen emen e, à complexidade do papel desempenhado
pelas e idências.
Vimos (seção 5) que, pa a Keynes, a economia é uma ciência empí ica pa icula ,
que p ocu a en ende cada ez melho os sis emas econômicos po meio do ape eiçoa-
men o con ínuo dos modelos. A abs ação e a gene alidade dos modelos econômicos
não eque em necessa iamen e sua exp essão em linguagem exa a, lógico-ma emá ica.
O p óp io Keynes, em sua eo ia ge al, o nece-nos exemplos de modelos heu ís icos
(Ve celli, 1991), ais como a in luência das expec a i as de longo p azo sob e as deci-
sões de in es imen o dos emp esá ios, a qual pode se exp essa em linguagem na u al.
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Logo, as e idências que se em de guia pa a o ape eiçoamen o dos modelos não se
es ingem aos dados quan i a i os usados em econome ia. Isso po que modelos des-
c i os em linguagem na u al (na a i a, quali a i a) são mais bem a aliados po egis os
a uais exp essos em linguagem na u al do que po conjun os de dados quan i a i os.
Embo a dados quan i a i os possam se usados de modo complemen a em a aliações
de modelos desc i i os, isso se dá sob a o ma de abelas, sé ies de empo e c. Assim,
es udos his ó icos c i e iosos, c ônicas e ma é ias jo nalís icas podem cons i ui -se de
e idências ele an es pa a a a aliação de modelos econômicos.
Fo a a ques ão da linguagem em que se exp essam os modelos e os a os que
os checam, há ou a azão pela qual Keynes em de se ale de um concei o de e i-
dências mais amplo que aquele es i o aos dados quan i a i os. T a a-se do a o de
que, po um lado, a economia é uma ciência mo al e, ao mesmo empo, em po obje o
uma ealidade não homogênea no espaço- empo, no sen ido de que um enômeno
na u al é homogêneo. Ademais, essa ealidade é condicionada po uma subje i idade
adical. En im, es amos alando de enômenos econômicos cuja ealidade subjacen e
se cons i ui de o ma con ex ual – po meio de con enções, ins i uições, his ó ia – e
é in insecamen e dependen e de um sujei o econômico que pode c ia , decidi , ino a ,
“ ompe com o passado”.
Os aspec os ci ados no pa ág a o an e io , se não impedem, pelo menos colocam
sé ias di iculdades pa a a econome ia aze p e isões e iden i ica elações de cau-
salidade es á eis nas elações dos sis emas econômicos. Além disso, p a icamen e
ob igam o economis a a cul i a a qualidade da “obse ação igilan e” e sis emá ica dos
enômenos econômicos, sob e a qual Keynes (2013) ala a em sua ca a a Ha od. Essa
qualidade se complemen a com a capacidade de o economis a “ aduzi ” a obse ação
da ealidade em modelos cada ez mais adequados pa a a desc ição, explicação e, no
caso da polí ica econômica, in e enção sob e o sis ema econômico.
O abalho de ape eiçoamen o de modelos, pela complexidade que emana da
p óp ia ealidade econômica, eque o uso de um a iado conjun o de e idências e
in o mações. Em ce as ci cuns âncias, o economis a pode e de eco e a e idências
ge adas di e amen e pelos agen es econômicos, al como ize am Hall e Hi ch (1939).
Es es cole a am in o mações po meio da aplicação de ques ioná ios a apenas 38
emp esá ios de g andes i mas e, a despei o das limi ações me odológicas de seu
abalho, ob i e am impo an es consequências pa a o en endimen o do p ocesso de
o mação de p eços sob oligopólio. Assim, esses au o es elabo a am uma no a eo ia
da o mação de p eços (ma k-up sob e cus os di e os de p odução) em oligopólio,
le ando a signi ica i o ape eiçoamen o nos modelos en ão igen es.
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Samuel Elias de Souza
Supe isão
Ana Cla a Escó cio Xa ie
E e son da Sil a Mou a
Re isão
Alice Souza Lopes
Amanda Ramos Ma ques Hono io
Ba ba a de Cas o
Cláudio Passos de Oli ei a
Clícia Sil ei a Rod igues
Denise Pimen a de Oli ei a
Nayane San os Rod igues
Ola o Mesqui a de Ca alho
Reginaldo da Sil a Domingos
Susana Sousa B i o
Yally Schayany Ta a es Teixei a
Jenny e Al es de Ca alho (es agiá ia)
Ka a inne Fab izzi Maciel do Cou o (es agiá ia)
Edi o ação
Ande son Sil a Reis
Augus o Lopes dos San os Bo ges
C is iano Fe ei a de A aújo
Daniel Al es Ta a es
Danielle de Oli ei a Ay es
Leona do Hideki Higa
Vanessa Viei a
Capa
Aline C is ine To es da Sil a Ma ins
P oje o G á ico
Aline C is ine To es da Sil a Ma ins
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