scieee Science in your language
[pt] (orig)

Palavras com polarização positiva e polarização negativa em dois dicionários de língua portuguesa

Abstract

O presente trabalho tem como objetivo verificar se a consulta dos dicionários é capaz de incutir polaridade no utilizador e analisar a capacidade de atribuição de sentimento do léxico SentiLex. Para isso, foi feita uma seleção de 60 adjetivos cuja polaridade (atribuída pelo SentiLex) é duvidosa, para serem reavaliadas por uma turma de 21 aprendentes de PLE da Universidade da Corunha, inscritos na unidade curricular Idioma Moderno: Português (nível A2) da licenciatura em Galego e Português, com a ajuda de dois dicionários disponibilizados para este fim. Concluindo a análise, comprovou-se que 56 dos 60 adjetivos selecionados estão incorretamente classificados pelo SentiLex, com base nos inquéritos recolhidos. Comprovou-se também que os dicionários nem sempre conseguem esclarecer o aprendente de PLE e que, por vezes, transmitem ideias equivocadas aos utilizadores.

Read accessible full text

Palavras com polarização positiva e polarização negativa em dois dicionários de língua portuguesa

Author: Azevedo, Catarina Maria Cortez
Year: 2019
Source: https://repositorium.uminho.pt/bitstreams/88e1c0ca-60e7-4740-92a4-e230a4adeea5/download
i
Uni e sidade do Minho
Ins i u o de Le as e Ciências Humanas
Ca a ina Ma ia Co ez Aze edo
Pala as com pola ização posi i a
e pola ização nega i a em dois
dicioná ios de língua po uguesa
Rela ó io de Es ágio
Mes ado em Po uguês Língua Não Ma e na –
Língua Es angei a e Língua Segunda
T abalho e e uado sob a o ien ação do
P o esso Dou o Ál a o I ia e San omán
e do
P o esso Dou o Albe o Manuel B andão
Simões
Ou ub o de 2019
ii
DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS
Es e é um abalho académico que pode se u ilizado po e cei os desde que espei adas as
eg as e boas p á icas in e nacionalmen e acei es, no que conce ne aos di ei os de au o e
di ei os conexos.
Assim, o p esen e abalho pode se u ilizado nos e mos p e is os na licença abaixo
indicada.
Caso o u ilizado necessi e de pe missão pa a pode aze um uso do abalho em condições
não p e is as no licenciamen o indicado, de e á con ac a o au o , a a és do Reposi ó iUM
da Uni e sidade do Minho.
Licença concedida aos u ilizado es des e abalho
A ibuição
CC BY
h ps://c ea i ecommons.o g/licenses/by/4.0/
iii
Ag adecimen os
Fo am di e sas as pessoas que me acompanha am e apoia am an o no meu es ágio
como na ealização des e espe i o ela ó io. Que o po isso exp essa o meu
ag adecimen o a odos os que con ibuí am pa a o desen ol imen o des e abalho.
Ag adeço aos meus o ien ado es, P o esso Ál a o I ia e San omán e P o esso
Dou o Albe o Manuel B andão Simões, pelo apoio, pela paciência, pelos conselhos e,
sob e udo, pela disponibilidade e boa disposição com que semp e me ecebe am.
Ag adeço a odos os docen es com os quais abalhei ao longo do meu es ágio.
Especialmen e ao P o esso Xosé Ramón F eixei o Ma o pelo apoio incondicional e
o ien ação na Uni e sidade da Co unha e à P o esso a Cilha Lou enço Módia, pelos
conhecimen os que me ansmi iu.
Ag adeço aos meus alunos de Idioma Mode no: Po uguês, que colabo a am
abe amen e, an o nas aulas como no p eenchimen o dos inqué i os que nes e abalho são
analisados.
Finalmen e, ag adeço à minha amília, em especial ao meu i mão, pela supe isão da
ealização des e abalho.
Mui o ob igado a odos.
i
DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE
Decla o e a uado com in eg idade na elabo ação do p esen e abalho académico e
con i mo que não eco i à p á ica de plágio nem a qualque o ma de u ilização inde ida ou
alsi icação de in o mações ou esul ados em nenhuma das e apas conducen e à sua
elabo ação.
Mais decla o que conheço e que espei ei o Código de Condu a É ica da Uni e sidade do
Minho.
Resumo
Resumo
Pala as com pola ização posi i a e pola ização nega i a em
dois dicioná ios de língua po uguesa
O p esen e abalho em como obje i o e i ica se a consul a dos dicioná ios é capaz
de incu i pola idade no u ilizado e analisa a capacidade de a ibuição de sen imen o do
léxico Sen iLex. Pa a isso, oi ei a uma seleção de 60 adje i os cuja pola idade (a ibuída
pelo Sen iLex) é du idosa, pa a se em ea aliadas po uma u ma de 21 ap enden es de PLE
da Uni e sidade da Co unha, insc i os na unidade cu icula Idioma Mode no: Po uguês
(ní el A2) da licencia u a em Galego e Po uguês, com a ajuda de dois dicioná ios
disponibilizados pa a es e im. Concluindo a análise, comp o ou-se que 56 dos 60 adje i os
selecionados es ão inco e amen e classi icados pelo Sen iLex, com base nos inqué i os
ecolhidos. Comp o ou-se ambém que os dicioná ios nem semp e conseguem escla ece o
ap enden e de PLE e que, po ezes, ansmi em ideias equi ocadas aos u ilizado es.
Pala as-cha e: Análise de sen imen o; Léxico de sen imen o; Linguís ica compu acional;
Pola idade.

Abs ac
i
Abs ac
Wo ds wi h posi i e pola i y and nega i e pola i y in wo
po uguese language dic iona ies
The p esen wo k aims o e i y whe he he consul a ion o dic iona ies is capable o
ins illing pola i y in he use and analyze he abili y o assign eeling by Sen ilex lexicon. Fo
his, was made a selec ion o 60 adjec i es whose pola i y (assigned by Sen iLex) is dubious,
o be ee alua ed by a class o 21 po uguese lea ne s om he Uni e si y o A Co uña,
en olled in he Cu icula Uni “Mode n Language: Po uguese” (Le el A2) o he deg ee in
Galician and Po uguese, wi h he help o wo dic iona ies a ailable o his pu pose. In
conclusion, i was p o en ha 56 o he 60 selec ed adjec i es a e inco ec ly classi ied by
Sen iLex, based on he su eys collec ed. I has also been p o en ha dic iona ies canno
always cla i y he lea ne and some imes ansmi misconcep ions o use s.
Keywo ds: Compu a ional linguis ics; Pola i y; Sen imen Analysis; Sen imen Lexicon;
Índice
ii
Índice
Ag adecimen os ......................................................................................................................... ii
Resumo .......................................................................................................................................
Abs ac ..................................................................................................................................... i
Índice ......................................................................................................................................... ii
Índice de igu as .........................................................................................................................ix
Índice de abelas ........................................................................................................................ix
Índice de g á icos ....................................................................................................................... x
In odução .................................................................................................................................. 1
1 Capí ulo 1: Enquad amen o eó ico ...................................................................................... 3
1.1 P ocessamen o de linguagem Na u al (PLN).................................................................. 3
1.2 Análise de Sen imen o.................................................................................................... 5
2 Capí ulo 2: Léxicos de Sen imen o: Sen iLex.p .................................................................... 8
2.1 Léxicos de Sen imen o .................................................................................................... 8
2.2 Sen iLex-PT: P incipais ca ac e ís icas e po encialidades .............................................. 8
2.3 A ibuição de Pola idade .............................................................................................. 10
2.4 Pola idade em léxicos de sen imen o e em dicioná ios............................................... 13
2.5 A impo ância da pola idade no p ocessamen o de uma LE. ...................................... 14
3 Capí ulo 3: Dicioná ios de Língua Po uguesa ..................................................................... 16
3.1 Dicioná io Abe o ......................................................................................................... 16
3.2 Dicioná io P ibe am ...................................................................................................... 17
4 Capí ulo 4: O es ágio ........................................................................................................... 18
4.1 O local de es ágio ......................................................................................................... 18
4.2 O público al o ............................................................................................................... 18
4.3 P og ama e C onog ama .............................................................................................. 19
5 Capí ulo 5: Análise dos esul ados ob idos ......................................................................... 23
5.1 Mé odo ......................................................................................................................... 23
5.2 Resul ados espe ados ................................................................................................... 25
5.3 A ibuição de pola idade: Sen iLex e alunos ................................................................ 25
5.3.1 Exceções .............................................................................................................. 27
5.4 Consul a aos dicioná ios: An es e depois ..................................................................... 34
Índice
iii
5.4.1 Uni o mização das opiniões ................................................................................ 34
5.4.2 Disc epâncias ...................................................................................................... 38
5.5 Úl imas conside ações .................................................................................................. 41
Conclusão ................................................................................................................................ 42
Re e ências Bibliog á icas ...................................................................................................... 44
Anexos ...................................................................................................................................... 46
Anexo I: Lis agem dos adje i os selecionados ......................................................................... 47
Anexo II: Adje i os conside ados posi i os pelo Sen iLex ....................................................... 51
Anexo III: Adje i os conside ados neu os pelo Sen iLex ........................................................ 59
Anexo III: Adje i os conside ados nega i os pelo Sen iLex ..................................................... 67
Índice de igu as e abelas
ix
Índice de igu as
Figu a 1 De inição de an iquado pelo Dicioná io Abe o........................................................... 5
Figu a 2 De inição de an iquado pelo Dicioná io P ibe am ....................................................... 5
Figu a 3 Fo ma o do Sen iLex-lem-PT- x .................................................................................. 9
Figu a 4 Fo ma o do Sen iLex- lex-PT01 .................................................................................. 10
Figu a 5 De inição de bes ial pelo Dicioná io Abe o .............................................................. 14
Figu a 6 De inição de bes ial pelo Dicioná io P ibe am ........................................................... 14
Figu a 7 assassinado pelo Sen iLex .......................................................................................... 24
Figu a 8 De inição de assassinado pelo Dicioná io Abe o ...................................................... 24
Figu a 9 De inição de assassinado pelo Dicioná io P ibe am .................................................. 24
Figu a 10 A ibuição de pola idade pelo Sen iLex ................................................................... 26
Figu a 11 A ibuição de pola idade pelo Alunos ...................................................................... 26
Figu a 12 De inição de goza pelo Dicioná io Abe o .............................................................. 28
Figu a 13 De inição de goza pelo Dicioná io P ibe am .......................................................... 28
Figu a 14 De inição de lisonjeado pelo Dicioná io Abe o ..................................................... 29
Figu a 15 De inição de lisonjei o pelo Dicioná io P ibe am ..................................................... 30
Figu a 16 De inição de indispensá el pelo Dicioná io Abe o ................................................. 31
Figu a 17 De inição de indispensá el pelo Dicioná io P ibe am .............................................. 31
Figu a 18 obedien e pelo Dicioná io Abe o ............................................................................ 33
Figu a 19 obedien e pelo Dicioná io P ibe am ........................................................................ 33
Índice de abelas
Tabela 1 P og ama de es udos ................................................................................................. 19
Tabela 2 C onog ama do mês de se emb o ............................................................................. 21
Tabela 3 C onog ama do mês de ou ub o ............................................................................... 21
Tabela 4 C onog ama do mês de no emb o ........................................................................... 21
Tabela 5 C onog ama do mês de dezemb o ............................................................................ 22
Tabela 6 Ficha écnica .............................................................................................................. 23
Pala as com pola ização posi i a e pola ização nega i a em dois dicioná ios de língua po uguesa
6
ou posi i o con o me a língua e o con ex o onde me encon o? Sem sabe a pola idade da
pala a, como me assegu o de que a u ilizo de idamen e numa con e sação?
Também a adição lexicog á ica não cos uma inclui in o mação chamada
“cono a i a” nos dicioná ios, dada, p incipalmen e, sua al a dependência con ex ual (F ei as,
2013). Po cono ação, en enda-se a pa e do sen ido de uma pala a que não co esponde
ao seu alo ep esen a i o, mas à capacidade da pala a de unciona pa a uma
mani es ação psíquica ou apelo. Po exemplo, na ase “Casa é casa”, a p imei a oco ência
do ocábulo dá-se em sen ido deno a i o, enquan o a segunda em uma no a de
“ap eciação, aconchego”. (Ba oni, San os, & Souza, 2008, p. 64)
Pa a um ap enden e, a consul a de um dicioná io que explo asse a exp essi idade
das pala as nos e mos e e idos se ia aliosa, essencialmen e em si uações in o mais, pelo
que acili a ia a u ilização da língua em ques ão. É pa a escla ece es e ipo de in o mações
que su giu a análise de sen imen o, “que lida com a iden i icação de opiniões, a aliações e
a i udes com elação a en idades como pessoas, p odu os e o ganizações, exp essas
ex ualmen e”, como e e e F ei as (2013) e ac escen a in a:
“É sabido que o ocabulá io de exp essi idade é de g ande
ele ância pa a aqueles que desejam ap ende uma língua. Po ou o
lado, ao menos com elação ao ensino de po uguês, são escassos os
ecu sos didá icos que a en am pa a esse aspe o ão humano da
in e ação. A elabo ação de dicioná ios pa a ap endizes, que
inco po em esse ipo de in o mação é, po an o, uma a i idade de
g ande ele ância no con ex o do ensino de línguas.”
A análise de sen imen o enca ega-se, en ão, de descob i exp essi idade em
pala as e/ou exp essões e i adas de ex os e publicações em blogs, jo nais, edes sociais,
bem como de comen á ios públicos. Essa exp essi idade, à qual chamamos de pola idade,
pode se posi i a, nega i a ou neu a, con o me a opinião ge al p esen e nos documen os
eunidos pa a pesquisa (F ei as, 2013). Assim, en ende-se acilmen e que quan o mais icos

Capí ulo 1 - Enquad amen o Teó ico
7
e di e si icados o em os ecu sos u ilizados pa a análise, mais p ecisa se á a análise de
sen imen o.
Conside o impo an e e e i que a análise de sen imen o, acaba po es a
condicionada pelo géne o de ex o em que se baseia, já que ca ac e ís icas como humo ,
a i ude, emo i idade, e c., implíci as ex ualmen e, in luenciam es a análise da mesma
o ma que in luenciam a pe ceção humana. Também o domínio e o con ex o se e elam
impo an es: “quen e” e e en e a sopa pode se en endido como algo posi i o, mas
e e en e a champagne se á in e p e ado como nega i o (Ca alho & J. Sil a, 2015). Tal
como o se humano se guia pelo seu conhecimen o do mundo, ambém a análise de
sen imen o o az.
Pos e io men e se ão abo dadas as me as, os meios e o p og esso des a análise,
jun amen e com odos os p ós e con as que es a aca e a.
Pala as com pola ização posi i a e pola ização nega i a em dois dicioná ios de língua po uguesa
8
Capí ulo 2
2 LÉXICOS DE SENTIMENTO: SENTILEX.PT
2.1 Léxicos de Sen imen o
De uma o ma simples, pode-se dize que os léxicos de sen imen o são léxicos cujas
en adas podem se u ilizadas pa a eicula um de e minado sen imen o ou emoção que,
em ge al, co esponde à o ien ação semân ica ou pola idade das pala as ou exp essões
(Ca alho & J. Simões, 2015). En e ou os ecu sos, es es léxicos dispõem a in o mação de
que se se e a Análise de Sen imen o, se indo p a icamen e de base de dados.
Exis em a iados léxicos de sen imen o pa a a língua po uguesa na a ualidade como o
Sen iWo dNe (Esuli and Sebas iani, 2006), o Wo dne A ec BR (Pasqualo i e Viei a, 2008),
o OpinionLexicon (Souza e al, 2011), e c. Pa a es e abalho, o escolhido oi o Sen iLex,
de ido às ca ac e ís icas e po encialidades que des aca ei em seguida.
2.2 Sen iLex-PT: P incipais ca ac e ís icas e po encialidades
De uma o ma obje i a, o Sen iLex-PT é um léxico de sen imen o especi icamen e
concebido pa a a análise de sen imen o e opinião sob e en idades humanas em ex os
edigidos em po uguês eu opeu, sendo um ecu so pionei o nes a língua (Ca alho J. Sil a,
2015). Es e léxico con ém en adas co esponden es a nomes, adje i os, e bos e
exp essões idiomá icas que êm como base dois co po a dis in os: o Sen iCo pus-PT e a Ob a
“Os Pob es” como explica Ca alho & J. Sil a (2015) de seguida:
Capí ulo 2 – Léxicos de Sen imen o: Sen iLex.PT
9
Figu a 3 Fo ma o do Sen iLex-lem-PT- x
“Com o obje i o de ilus a a u ilidade das in o mações
ep esen adas no Sen iLex, compa amos dois co po a dis in os, an o
no que se e e e ao géne o ex ual como à in enção comunica i a: o
Sen iCo pus-PT, um co pus p o enien e dos media sociais,
cons i uído po comen á ios de u ilizado es a a igos no iciosos no
âmbi o da polí ica, e Os Pob es, uma ob a li e á ia da au o ia de
Raul B andão, da ada do início do século XX. Pa a c ia o
Sen iCo pus, compilámos uma coleção de comen á ios, esc i os po
lei o es da edição online do jo nal Público, aos dez a igos que
cob i am os deba es polí icos que an ecede am as eleições
legisla i as po uguesas de 2009. A coleção é compos a po 2.795
comen á ios (ce ca de 8.000 ases), os quais se encon am
associados aos espe i os a igos de no ícia.”
Nes e abalho, se ão explo adas exclusi amen e as en adas adje i ais do Sen iLex.
Rela i amen e às mesmas, es e léxico es á disponí el em dois ichei os di e en es: no
Sen iLex-lem-PT. x e no Sen iLex- lex-PT01. x .
No p imei o, cada en ada é ep esen ada pelo lema do adje i o (no malmen e a
o ma masculina singula ), como no exemplo seguin e:
No segundo, o mesmo adje i o é lexionado em géne o (masculino e eminino) e
núme o (singula ou plu al), dis ibuindo-se assim po qua o en adas:
Pala as com pola ização posi i a e pola ização nega i a em dois dicioná ios de língua po uguesa
10
Figu a 4 Fo ma o do Sen iLex- lex-PT01
Além disso, segue-se o sen imen o que lhes é a ibuído, desc i o espe i amen e:
● (TG) e e e-se a quem é a ibuída a pola idade ( a ge o pola i y), que co esponde a
um sujei o humano (HUM);
● (POL) e e e-se à pola idade, que pode se posi i a (1), nega i a (-1) ou neu a (0);
● (ANOT) e e e-se a ano ação da pola idade, que pode se ano ada manualmen e
(MAN) ou au oma icamen e, pela e amen a Judgmen Analysis Lexicon Classi ie
(JALC), desen ol ida pa a esse im.
Conside o impo an e e e i que es e léxico se des aca de ou os semelhan es po não
p e ende de ini pala as como qualque dicioná io ge al, mas pela sua capacidade de
classi ica cada uma das suas en adas (nomes, adje i os, e bos, exp essões idiomá icas)
como se ossem exclusi amen e des inadas a en idades humanas. Que is o dize que,
u ilizando um exemplo já conhecido, a pola idade a ibuída à pala a “go do”, uma ez que
se di ige a uma pessoa (po exemplo: “homem go do”), se á nega i a con o me es e léxico,
o que não signi ica que a mesma pala a não possa se posi i a di igida a ou o p edicado ,
como acon ece ia em “salá io go do”.
2.3 A ibuição de Pola idade
É possí el, con udo, e i ica en adas apa en emen e mal classi icadas pelo Sen iLex, o
que pode acon ece po di e sas azões.
Pa a começa , “embo a a o ma de elabo ação manual seja no malmen e e i ada,
de ido exclusi amen e ao seu al o cus o, é aquela que o e ece esul ados mais con iá eis”
Capí ulo 2 – Léxicos de Sen imen o: Sen iLex.PT
11
(F ei as, 2013). Ainda assim, segundo Ca alho & J. Sil a (2015, p. 427), oi a elabo ação
manual a mais u ilizada.
Mas a elabo ação manual coleciona algumas alhas ambém. Po exemplo, o adje i o
injus içado es á classi icado como neu o, quando a a és do nosso conhecimen o do
mundo, sabemos que se injus içado é algo nega i o. O mesmo se passa com o adje i o li e,
que es á a aliado como neu o e é cla amen e posi i o, especialmen e quando se e e e a
uma en idade humana.
Quan o à e amen a JALC, as de iciências egis adas são mais equen es e mais
chama i as. A en ando somen e nas en adas que o am dadas como posi i as, cons am os
adje i os assassinado, esc a o, gozado, alsi icado, ep eendido, en e ou os. É de senso
comum que não há como a ibui qualque posi i idade a nenhum des es adje i os, em
con ex o algum.
São di e sas as azões que podem p o oca es as disc epâncias. Pala as obje i as como
bom ou mau, boni o ou eio, não deixam ma gem pa a dú idas no que oca à sua
classi icação po que êm pola idade mui o ca egada, implíci a na pala a po si só. Mas
nem semp e o sen imen o es á o almen e explíci o na pala a/ ase. Lis o, en ão, algumas
das di iculdades que pode ão su gi na a ibuição de pola idade:
1. I onia/sa casmo: Na ase “Que elemó el an ás ico! Com qua o dias oi pa a a
ga an ia.”, sabe-se que o adje i o assume pola idade nega i a po que es amos
pe an e uma c í ica.
2. Negações: Em “Es e li o não é mau!” é negado um e mo nega i o (mau) pa a da
o igem a um posi i o;
3. Con ex o: A pala a g ande é posi i a em “Ele é um g ande a le a”, embo a seja
nega i a em “Tens um g ande p oblema”, po que es á condicionada pelos nomes
que a sucedem;
4. Pala as que não êm necessa iamen e pola idade implíci a: Na ase: “Ele é um
jo em cu ioso.” A pala a cu ioso não é necessa iamen e posi i a ou nega i a. Es e
ipo de pala as acabam po se classi icadas como neu as na maio ia dos casos.

Pala as com pola ização posi i a e pola ização nega i a em dois dicioná ios de língua po uguesa
12
No en an o, de o salien a que, segundo a minha análise, apenas ce ca de 250 em 6321
en adas adje i ais se e elam peculia es, po an o ce ca de 1000 nas 25406 o mas
lexionadas, o que co esponde a uma pe cen agem bas an e eduzida.
Cu iosamen e, con o me a minha á ea, a linguís ica, a endência é ealmen e cen a -me
nas exceções, an o que a p imei a coisa que iz oi descob i e lis a odos os possí eis
“e os” do p og ama. Assim, se ossemos odos linguis as, o Sen iLex não es a ia ainda
disponí el, po que se íamos minuciosos o su icien e pa a não lança um p og ama que não
osse capaz de lida com odas as possibilidades da língua. Aconselho, en ão, aos linguis as,
que sejam um pouco mais “in o má icos” des a ez e sejam capazes de “des ia o olha ” a
oco ências du idosas.
“O que ealmen e é in e essan e pa a o linguis a não é encon a
aquelas o mas ou aqueles sen idos que êm egis ados nas
g amá icas ou dicioná ios. O seu in e esse é encon a as si uações
o a do comum. O a, no mundo eal, essas si uações co espondem a
ce ca de 2% das oco ências analisadas. (…) Po ou o lado, os
in o má icos gos am de au oma iza . Na de inição de in o má ica
e e em-se “p ocessos acionais e au omá icos pa a o
p ocessamen o de dados”. Pa a que um p ocesso seja au oma izá el
é necessá io gene alizá-lo. (…) Ou seja, os in o má icos não se
impo am se consegui em sis ema iza 98% das si uações e igno a
os 2% de si uações que não são capazes de gene aliza .”
(Simões A. , In o má icos, Linguis as e Linguagem, 2014)
Capí ulo 2 – Léxicos de Sen imen o: Sen iLex.PT
13
2.4 Pola idade em léxicos de sen imen o e em dicioná ios
“Pala as são aglome ados de á ios ipos de in o mação. A
in o mação a e i a, simpli icadamen e aduzida aqui como
pola idade, é mais uma. Conside a-se que uma dada pala a em
pola idade quando é sis ema icamen e u ilizada pa a exp essa um
sen imen o sob e algo. Pe ei o, admi á el e amei são exemplos de
pala as com pola idade posi i a.”
(F ei as, 2013, p. 65)
Já escla ecemos o que é e em que consis e a pola idade. Fala emos en ão na a enção
que lhe é dada nos léxicos de sen imen o e nos dicioná ios.
Na desc ição do léxico, a pola idade em passado despe cebida, ao longo de odos es es
anos, inclusi e nos dicioná ios mais comple os e com mais unções disponibilizadas. Mas
es amos ago a em empos em que, mais do que nunca, é impo an e e necessá io conhece
a opinião das pessoas, ace ca dos mais a iados assun os. C ia am-se, en ão, léxicos de
sen imen o, com o obje i o de acili a es a a e a, p incipalmen e quando es as opiniões
su gem em edes sociais ou em qualque a igo público. Es es léxicos ocam-se
especi icamen e em classi ica as pala as com base na sua pola idade. Podemos en ão
conclui que os dicioná ios se cen am na de inição das pala as deixando de lado a sua
pola idade, enquan o os léxicos de sen imen o se cen am na pola idade das pala as,
deixando de lado a sua de inição.
O ideal se ia inco po a in o mação sob e a pola idade das pala as nos dicioná ios de
língua, pa a que o público acedesse a uma qualque pala a e conseguisse comp eende a
sua de inição, jun amen e com a sua pola idade em a iados con ex os. Um ecu so com
es as ca ac e ís icas, se ia ex emamen e ú il pa a a ap endizagem de uma língua
es angei a (LE), nes e caso o po uguês.
Pala as com pola ização posi i a e pola ização nega i a em dois dicioná ios de língua po uguesa
14
Figu a 5 De inição de bes ial pelo Dicioná io Abe o
Figu a 6 De inição de bes ial pelo Dicioná io P ibe am
2.5 A impo ância da pola idade no p ocessamen o de uma LE.
Uma das maio es di iculdades no ensino de Po uguês como Língua Não Ma e na
(PLNM) é a al a de ecu sos didá icos, além de se equen e o mé odo de ensino de uma
língua es angei a pe manece ainda hoje bas an e adicional, bem como as e amen as de
es udo disponí eis pa a os alunos.
Podemos dize que o melho amigo de um ap enden e de uma LE é ce amen e o
dicioná io, po que ajuda a en ende , compo e p oduzi ex os ou con e sações, que é udo
o que se p e ende ao ap ende uma segunda língua. Mas se á um dicioná io su icien e se
não o capaz de sa is aze a cu iosidade do ap enden e e/ou escla ecê-lo ela i amen e a
uma ou mais pala as?
Se po exemplo o aluno pesquisa a pala a bes ial em qualque dicioná io, i á
encon a de inições como as seguin es:
Capí ulo 2 – Léxicos de Sen imen o: Sen iLex.PT
15
O a, um na i o po uguês sabe á que essa pala a é u ilizada equen emen e de
uma o ma bas an e posi i a, que habi ualmen e se usa pa a desc e e algo de que
gos amos bas an e e ainda que em como sinónimos os e mos sensacional, inc í el ou
inac edi á el. Sabe á ambém que es a no a aceção da pala a pode á não es a ecolhida
em alguns dos dicioná ios mais u ilizados e que, com o passa dos empos, alguns dos seus
signi icados caí am em desuso.
Po ou o lado, um ap enden e de po uguês ai comp eende exa amen e o opos o
do que acima oi e e ido. Caso o dicioná io o consiga in luencia na pe ceção da pola idade
de uma pala a, essa pola idade ai se bas an e nega i a e, po an o, e ada con o me o
uso a ual da língua, já que ambos os dicioná ios se egem pelo signi icado p imó dio da
pala a.
Pos e io men e, en a ei escla ece se ealmen e os dicioná ios são ou não capazes
de incu i pola idade nos seus u ilizado es.
Pala as com pola ização posi i a e pola ização nega i a em dois dicioná ios de língua po uguesa
22
Tabela 5 C onog ama do mês de dezemb o
Segunda- ei a
Te ça- ei a
Qua a- ei a
Quin a- ei a
Sex a- ei a
Seminá io 6
3
Unidade 6
4
5
6
Unidade 6
7
P o a O al
10
Unidade 7
11
12
13
Unidade 7
14
P o a O al
17
Unidade 7
18
19
20
Unidade 7
21
24
25
26
27
28
31
Fe iados e in e upções le i as.

Capí ulo 5 – Análise dos esul ados ob idos
23
Capí ulo 5
5 ANÁLISE DOS RESULTADOS OBTIDOS
5.1 Mé odo
Com o obje i o de, po um lado, analisa a capacidade de a ibuição de sen imen o do
léxico Sen iLex e, po ou o, e i ica se a consul a dos dicioná ios é capaz de incu i
pola idade no u ilizado , a u ma com quem abalhei oi inqui ida.
Podemos consul a na abela núme o 6, abaixo, uma pequena icha écnica des e
inqué i o:
Tabela 6 Ficha écnica
Pe íodo de aplicação:
Janei o de 2019 - Fe e ei o de 2019
Cobe u a:
Alunos de Po uguês (18-38 anos de idade)
Dis ibuição:
Nas aulas de Idioma Mode no: Po uguês da aculdade de
Filologia da Uni e sidade da Co unha.
Técnica:
12 i ens de espos a múl ipla e 4 i ens de espos a cu a; po
meio de o mulá ios online (Google)
Foi selecionado um conjun o de 60 adje i os
2
, de en e os quais 20 são classi icados
com pola idade nega i a; 20 com pola idade neu a e 20 com pola idade posi i a con o me
o Sen iLex. Salien o que as pala as que elegi são, do meu pon o de is a, aquelas cuja
2
Acessí el em anexo, nes e documen o.
Pala as com pola ização posi i a e pola ização nega i a em dois dicioná ios de língua po uguesa
24
Figu a 8 De inição de assassinado pelo Dicioná io Abe o
Figu a 7 assassinado pelo Sen iLex
Figu a 9 De inição de assassinado pelo Dicioná io P ibe am
classi icação se e ela mais desajus ada da ealidade e, po an o, aquelas com mais ma gem
pa a e o. Conside emos, po exemplo, a pala a “assassinado”, que oi uma das
selecionadas pa a o inqué i o e que é dada como posi i a pelo Sen iLex
3
:
Embo a nos dicioná ios se possam consul a de inições que podemos conside a
bas an e nega i as, como as seguin es:
3
Como oi e e ido an e io men e, o Sen iLex não oi ei o de o ma manual na sua o alidade, o que jus i ica o
apa ecimen o de alguns e os. Es e es udo não p e ende deneg i o ecu so, mas an es i a pa ido das
pala as que es e classi icou e oneamen e.
Capí ulo 5 – Análise dos esul ados ob idos
25
Pos o is o, oi pedido aos alunos que a ibuíssem a pola idade que conside assem
mais adequada a cada um desses adje i os, numa p imei a ase, sem consul a a dicioná ios
e, só depois, com consul a ob iga ó ia. O obje i o se ia e i ica se su ge alguma al e ação
nas classi icações, de i ada das consul as.
Como e e i an e io men e, os dicioná ios selecionados pa a consul a o am o
Dicioná io Abe o e o Dicioná io P ibe am da Língua Po uguesa, endo sido es e úl imo o
mais u ilizado pela g ande maio ia dos alunos.
5.2 Resul ados espe ados
Como oi e e ido, o conjun o de pala as selecionadas oi escolhido po que, do meu
pon o de is a, a sua classi icação no Sen iLex se e elou du idosa. Po es e mo i o, é
espe ado que os alunos a ibuam a odas as pala as uma pola idade di e en e do que
aquela que es á a ibuída pelo Sen iLex.
Ou o esul ado espe ado é que a consul a das de inições uni o mize as opiniões dos
alunos quando à pola idade das pala as em ques ão, apesa de nem semp e es a explici a
nos dicioná ios.
5.3 A ibuição de pola idade: Sen iLex e alunos
Como espe ado, os alunos e elam classi icações signi ica i amen e di e en es
daquelas que o Sen iLex egis ou.
Em exa amen e 34 casos (no o al de sessen a) os alunos i e am uma opinião
unânime ou com exceções que a iam de 1 a 3 elemen os. A pola idade a ibuída a es es 34
adje i os, es á abaixo egis ada, pa a e idencia essa di e gência en e o pa ece dos alunos
e a in o mação disponibilizada pelo Sen iLex.
Pode emos consul a inicialmen e as pola idades a ibuídas pelo Sen iLex ( igu a 10) e,
pos e io men e, as pola idades a ibuídas pelos alunos ( igu a 11).
A en emos, en ão, nas imagens seguin es.
Pala as com pola ização posi i a e pola ização nega i a em dois dicioná ios de língua po uguesa
26
Posi i o
•aca inhado
•admi ado
•ag adecido
•ali iado
•aplaudido
•apoiado
•delei ado
•deliciado
•elogiado
•en usiasmado
• ascinado
•hábil
•lau eado
•li e
•ma a ilhado
•melho
•ó imis a
•p o egido
Neu o
•b e e
•coe o
•di e enciado
•ine i á el
•penden e
Nega i o
•assassinado
•assal ado
•a acado
•despedaçado
•egocên ico
•eng ipado
•esc a o
• alecido
• alsi icado
• ep eendido
• idicula izado
Posi i o
•assassinado
•b e e
•coe o
•di e enciado
•esc a o
• alsi icado
•ine i á el
•penden e
• ep eendido
Neu o
•ali iado
•assal ado
•a acado
•despedaçado
•egocên ico
•eng ipado
•en usiasmado
• alecido
•hábil
•li e
•melho
• idicula izado
Nega i o
•aca inhado
•admi ado
•ag adecido
•aplaudido
•apoiado
•delei ado
•deliciado
•elogiado
• ascinado
•lau eado
•ma a ilhado
•ó imis a
•p o egido
Figu a 11 A ibuição de pola idade pelo Alunos
Figu a 10 A ibuição de pola idade pelo Sen iLex
Capí ulo 5 – Análise dos esul ados ob idos
27
G á ico 1 gozado [depois da consul a]
Também nos es an es casos, a g ande maio ia dos alunos op ou po a ibui uma
pola idade di e en e daquela que es á ap esen ada no Sen iLex, como es a a p e is o.
Exis em apenas qua o casos excecionais (ap esen ados in a) num o al de sessen a,
em que a pola idade a ibuída pelos alunos es á de aco do com a do Sen iLex. Abaixo
en a ei jus i ica es a conco dância, eco endo às de inições dos dicioná ios pa a consul a.
5.3.1 Exceções
A pala a “gozado” ap esen ada no g á ico 1, oi classi icada pelo Sen iLex e pela
g ande maio ia dos alunos como posi i a.
O a, uma ez que es amos a ca a e iza adje i os que se di igem a humanos, es a
pala a é cla amen e nega i a. Se emp egássemos a mesma pala a em “ é ias gozadas”,
po exemplo, es a signi ica ia “bem ap o ei adas; des u adas” o que explica a classi icação
posi i a. Mas se a u iliza mos em “c iança gozada” o sen ido é e e so, já que goza signi ica
des a ez “ aze pouco de” ou “ oça ”.
Também a u ilização da pala a em po uguês do B asil pode le a a equí ocos, já
que es a é mui o u ilizada no quo idiano e aca e a uma pola idade bas an e posi i a.

Pala as com pola ização posi i a e pola ização nega i a em dois dicioná ios de língua po uguesa
28
Figu a 13 De inição de goza pelo Dicioná io P ibe am
Figu a 12 De inição de goza pelo Dicioná io Abe o
Salien o que o dicioná io abe o não econhece o adje i o “gozado” nem qualque
nega i idade no e bo “goza ” como podemos con e i in a:
Já o dicioná io P ibe am, apenas econhece “gozado” como pa icípio passado do
e bo goza e ambém o nece maio i a iamen e de inições bas an e posi i as, que podem
le a a en ende a pala a como sendo posi i a na maio ia dos con ex os e, po an o,
ambém en e humanos, já que a pola idade não se e ela explici a pa a quem não conhece
a língua.
Capí ulo 5 – Análise dos esul ados ob idos
29
G á ico 2 lisonjei o [depois da consul a]
Figu a 14 De inição de lisonjeado pelo Dicioná io Abe o
Também a pala a “lisonjei o” oi dada como posi i a pelo Sen iLex e pela maio ia
dos alunos, des a ez com alguma disco dância en e os mesmos.
Ambos os dicioná ios o necem uma de inição nega i a não o almen e explici a
des e e mo. No caso do Dicioná io Abe o, “lisonjei o”
4
não em qualque pola idade
explici a já que, pa a um ap enden e, “sa is aze o amo -p óp io” pode não ep esen a
necessa iamen e algo nega i o.
4
O Dicioná io Abe o eencaminha “lisonjei o” pa a “lisonjeado ” apenas a ibuindo de inição ao
segundo ocábulo.
Pala as com pola ização posi i a e pola ização nega i a em dois dicioná ios de língua po uguesa
30
Figu a 15 De inição de lisonjei o pelo Dicioná io P ibe am
G á ico 3 indispensá el [depois da consul a]
Já no caso do dicioná io P ibe am, a pola idade nega i a es á no a elmen e
p esen e, não só po menciona “com ins in e essei os”, mas po e e i “adulado ”, po
exemplo. Caso o aluno não es eja escla ecido, pode consul a o e mo “adulado ” que o
le a á a “bajulado ” e assim sucessi amen e, conseguindo assim in o mação mais cla a, po
meio de sinonímia.
Se o ap enden e se ege pela de inição de “ag adá el, p ome edo ” ai en ende
que “lisonjea ” se á “elogia ” (um a o hones o que nada em de e ado) e não “bajula ”, (um
a o in e essei o e mesquinho). Assim sendo, o adje i o acaba classi icado como posi i o.
Capí ulo 5 – Análise dos esul ados ob idos
31
Figu a 16 De inição de indispensá el pelo Dicioná io Abe o
Figu a 17 De inição de indispensá el pelo Dicioná io P ibe am
O adje i o “indispensá el” oi ambém classi icado pela maio ia dos alunos como
neu o, apesa de ha e um núme o conside á el de classi icações posi i as, como se
e i ica no g á ico 3.
Ambos os dicioná ios êm de inições semelhan es, sendo elas as seguin es:
O a, se pensa mos na pala a isolada ou em con ex os como “ elemó el
indispensá el” é possí el que a endência seja classi ica a pala a como neu a. Mas se
a ibui mos o mesmo adje i o a um se humano, como em “amigo indispensá el” acilmen e
al e amos o nosso pa ece .
Pala as com pola ização posi i a e pola ização nega i a em dois dicioná ios de língua po uguesa
38
G á ico 10 a elado [an es e depois da consul a]
5.4.2 Disc epâncias
Algumas das consul as aos dicioná ios ouxe am de e minados “ e ocessos” em
elação à p imei a análise da pala a (sem consul a). Inicialmen e, os alunos mos am-se
con ian es na pola idade que se ia conside ada co e a, mas e i ica-se que, após a consul a
ao dicioná io, alguns des es são desencaminhados dessa classi icação pa a ou a, que nem
semp e é a co e a (como no caso de humilde, analisado an e io men e).
Comecemos pelo ocábulo a elado, abaixo ap esen ado.
Inicialmen e, 14 pessoas conside a am a elado como um adje i o neu o, 4 como
nega i o e 3 como posi i o. Depois da consul a, apenas 1 aluno conside ou es a pala a
posi i a e os es an es 20 di idi am as suas opiniões: 10 o os pa a neu a e 10 o os pa a
nega i a. O a, nes e caso, podemos conside a que o dicioná io p o ocou disco dância en e
os alunos, mas ao mesmo empo al e ou algumas opiniões pa a o que se ia a pola idade
mais azoá el pa a a pala a, a nega i a.

Capí ulo 5 – Análise dos esul ados ob idos
39
G á ico 11 ine i á el [an es e depois da consul a]
G á ico 12 lisonjei o [an es e depois da consul a]
O mesmo acon ece com o ocábulo ine i á el, como podemos e i ica no g á ico 11.
Inicialmen e 18 alunos conside a am es e adje i o neu o, mas após a consul a ao dicioná io
a classi icação nega i a já con abiliza a 10 o os, pelo que os esul ados ica am quase
equi alen es. Como no caso an e io , o dicioná io di idiu as opiniões, mas conduziu os
alunos a classi ica o ocábulo com a pola idade que econheço como co e a, a nega i a.
Ine i á el não ansmi e necessa iamen e nega i idade, mas eme e a algo que es á o a do
con ole humano, e is o po sua ez já se mani es a bas an e nega i o, como se ia o
ocábulo “incon olá el” po exemplo.
Em casos como os dois seguin es, a mudança é pouco ele an e, po que apesa de os
esul ados pos e io es à consul a se inclina em mais pa a uma dada pola idade, e i icam-se
excessi as mudanças de opinião en e os alunos. O caso do ocábulo lisonjei o é aquele
onde se e ela mais isí el a mudança de opiniões.
Pala as com pola ização posi i a e pola ização nega i a em dois dicioná ios de língua po uguesa
40
G á ico 13 a dido [an es e depois da consul a]
A pala a lisonjei o acaba po se maio i a iamen e conside ada posi i a depois da
consul a ao dicioná io, com 11 classi icações posi i as. Mas podemos e no g á ico 12 que
exis i am mui as mudanças, a é con adi ó ias. Temos, po exemplo, 3 alunos que
modi ica am a sua classi icação de posi i a pa a nega i a e 3 alunos que modi ica am a sua
classi icação de nega i a pa a posi i a, que é exa amen e o in e so. O esul ado inal oi o
co e o e espe ado, mas os es an es o os mos am que a de inição causou alguma
disco dância e a é mesmo deso ien ação na pesquisa.
Po úl imo, emos o caso do ocábulo a dido que se e ela bas an e semelhan e ao
an e io . A en emos, en ão, no g á ico 13.
Facilmen e se e i ica que a maio ia da u ma classi ica o ocábulo como nega i o,
an o an es como depois da consul a. Mas no amen e é no á el es a mudança de opiniões
nos es an es alunos. Pos o is o, ica a ince eza de que a pola idade es eja su icien emen e
explici a nos dicioná ios selecionados, pa a aqueles que menos con ac o em com a língua.
Capí ulo 5 – Análise dos esul ados ob idos
41
G á ico 15 ag adecido [depois da consul a]
G á ico 14 ag adecido [an es da consul a]
5.5 Úl imas conside ações
Conside o impo an e e e i que na g ande maio ia dos casos, especialmen e
naqueles cuja a ibuição de pola idade pelos alunos oi unanime, não o am os dicioná ios os
esponsá eis pelas espos as ce ei as. Mesmo an es da consul a ao dicioná io, a opinião já
e a unânime en e os alunos, como podemos e i ica no caso abaixo.
Salien o ainda que os dicioná ios em a capacidade de incu i pola idade ao u ilizado ,
embo a an o possam da a en ende a pola idade que se ia co e a, como le a o
ap enden e a um pa ece equi ocado da pala a como p o a cla amen e o caso do ocábulo
humilde, po exemplo, analisado an e io men e.
Finalmen e, e emos de e em conside ação que a u ma inqui ida em apenas 21
alunos, pelo que os esul ados pode ão não se o almen e cla os. Também o ac o de ha e
p oximidade en e a língua po uguesa e algumas das línguas dos alunos, ou o in e so,
in luencia cla amen e a sua análise, a é mesmo an es da consul a ao dicioná io. Ainda assim,
com 21 alunos oi possí el i a algumas conside ações impo an es, analisadas nes e
capí ulo.
Pala as com pola ização posi i a e pola ização nega i a em dois dicioná ios de língua po uguesa
42
Conclusão
Es e abalho e e como p incipal obje i o analisa a capacidade de a ibuição de
sen imen o do léxico Sen iLex e e i ica se a consul a dos dicioná ios é capaz de incu i
pola idade no u ilizado .
Foi pedido a 21 alunos ap enden es de Po uguês como língua es angei a, que
classi icassem, com a ajuda dos dicioná ios selecionados pa a consul a (Dicioná io Abe o e
Dicioná io P ibe am da Língua Po uguesa) um o al de 60 adje i os egis ados no Sen iLex
com uma pola idade que eu conside ei equi ocada. O obje i o se ia que os alunos, depois
da consul a ao dicioná io, classi icassem os mesmos ocábulos com pola idades dis in as
daquelas que es ão egis adas pelo Sen iLex, pa a comp o a se (1) o Sen iLex em, de ac o,
e os que me ecem uma e isão e um melho amen o e (2) se as de inições dos dicioná ios
são ealmen e capazes de ansmi i alguma noção de pola idade ao aluno es angei o.
Em p imei o luga , com base nos dados ecolhidos, os alunos comp o a am que o
Sen iLex em de ac o lacunas na a ibuição de pola idade e ca ece ainda de alguma e isão.
Reco endo ao dicioná io e/ou ao conhecimen o da língua, es es o am capazes de co igi
os lapsos do Sen iLex com sucesso, a ibuindo a 93% dos casos não só uma pola idade
dis in a da a ibuída po es e léxico, como a pola idade conside ada “co e a” con o me o
uso a ual da língua. Quan o aos 7% es an es, ac edi o e explico no deco e do abalho que
se jus i icam po pequenos equí ocos na análise dos alunos.
Em segundo luga , os alunos comp o a am ambém que o dicioná io é ealmen e
capaz de incu i alguma pola idade no u ilizado , mas nem semp e de o ma e icaz. Em 40%
dos casos, o dicioná io le a os alunos à pola idade que se pode conside a co e a, mas em
60% dos casos, o dicioná io desencaminha os alunos da pola idade co e a (32%), le a os
alunos a classi icações dis in as p o ocando disco dância en e os mesmos (12%) e/ou ainda
não em qualque in luência no an es e depois das consul as (16%). Is o acon ece po que
po ezes as de inições es ão desa ualizadas ou não são su icien emen e explici as, ou as
ezes e e em-se unicamen e a coisas ma e iais e ca ecem de uma de inição e e en e a
humanos e ambém po que a sinonímia p esen e na de inição nem semp e ca ega o
mesmo exa o signi icado. Assim sendo, comp o a-se que o dicioná io pode á a é incu i
Conclusão
43
alguma pola idade nos ap enden es, mas essa pola idade não se e ela signi ica i a nem
p o ei osa pa a o aluno, de ido à al a de concisão.
Po úl imo, gos a ia de salien a que em ap oximadamen e 66% dos casos expos os,
os alunos êm esul ados mui o semelhan es no an es e depois da consul a. O que p o a que
apesa de o dicioná io se capaz de incu i pola idade, não oi o elemen o essencial nem
al e ou um núme o signi ica i o de opiniões na g ande maio ia dos casos. Is o pode
jus i ica -se pelo conhecimen o de línguas (inclusi e a língua po uguesa em alguns casos)
dos alunos inqui idos, que podem já econhece algumas pala as sem g ande di iculdade.
Na minha opinião, um ap enden e de qualque língua es angei a, de e ia consegui
de o ma acessí el, acede ao máximo de in o mações ace ca do ocabulá io da língua em
ques ão, nes e caso a língua po uguesa, o que ainda não acon ece a ualmen e.
Ob iamen e, os dicioná ios são ex emamen e acessí eis e as de inições que
disponibiliza são bas an e comple as na sua g ande maio ia. Ainda assim, não deixam de
ca ece de in o mação ela i a à exp essi idade das pala as, p incipalmen e em elação a
humanos. Es a in o mação é eunida e disponibilizada pelos léxicos de sen imen o, mas
es es não são ão acessí eis ou p á icos pa a u iliza como são os dicioná ios. Po es as
azões, a melho solução se ia que os dicioná ios passassem a inclui es a in o mação nos
dicioná ios, no mínimo, como um ma e ial de es udo pa a o ensino a es angei os. Se se
adap assem as de inições dos dicioná ios em unção da exp essi idade que aca e am, o
aluno encon a ia a de inição habi ual da pala a, acompanhada, po exemplo, de “símbolos
de pola idade” (imaginemos [1] pa a pala as com pola idade posi i a, [0] pa a pala as com
pola idade neu a e [-1] pa a pala as com pola idade nega i a). Com is o, a sua pesquisa
o na -se-ia bas an e mais ácil p incipalmen e pa a comp eende e pa icipa num discu so
in o mal, com amigos e/ou conhecidos, já que as no as pala as se iam imedia amen e
inse idas num con ex o posi i o ou nega i o, con o me a sua p óp ia pola idade.
Pode-se conclui que, ainda que es e abalho não enha ealizado uma pesquisa
mais ampla, os esul ados obedece am em g ande pa e àquilo que e a espe ado. Acabou
po euni conclusões que conside o que se podem aplica em u u as expe iências e/ou
p oje os linguís icos que ab anjam obje i os semelhan es.

Pala as com pola ização posi i a e pola ização nega i a em dois dicioná ios de língua po uguesa
44
Re e ências Bibliog á icas
Ba oni, G. C., San os, I. A., & Souza, J. S. (2008). Deno ação e Cono ação: Abo dagens e
e lexões ace ca dos e ei os de sen ido. Em C. d. CNLF. Rio de Janei o.
Bolshako , I. A., & Gelbukh, A. (2004). Compu acional Linguis ics: Models, Resou ces,
Applica ions. IPN-UNAM-FCE, 2004, pp. 15-32.
Figuei edo, C. (1913). No o Diccioná io da Língua Po uguesa. Lisboa: Li a ia Clássica
Edi o a
F ei as, C. (2013). Sob e a cons ução de um léxico da a e i idade pa a o p ocessamen o
compu acional do po uguês. RBLA, 13 (4), 1031-1059.
O he o, Gab iel de Á ila. (2006) Linguís ica Compu acional: Uma b e e in odução; In Le as
de Hoje, pp. 341-351. Consul ado em Junho 10, 2019, em:
h p:// e is asele onicas.puc s.b /ojs/index.php/ ale/a icle/ iew/605
Sil a, M., Ca alho, P. & Sa men o, L. (2012). Building a Sen imen Lexicon o Social
Judgemen Mining. In Caseli H., Villa icencio A., Teixei a A., P ocessamen o
Compu acional Pe digão F. (eds) da Língua Po uguesa. PROPOR 2012. No as de Aula
em Ciência da Compu ação, ol 7243 (pp. 218-228). Sp inge , Be lin, Heidelbe g.
Simões, A. (2014). In o má icos, linguis as e linguagens. In A. G. Macedo, C. Sousa, & V.
Mou a (Ed.), XV Colóquio de Ou ono: As Humanidades e as ciências. Disjunções e
Con luências (pp. 359-370). B aga: Cen o de Es udos Humanís icos da Uni e sidade
do Minho / Humus.
Simões, A. I. (2012). Compu a ional P ocessing o he Po uguese Language. Dicioná io
abe o. A sou ce o esou ces o he po uguese language p ocessing, pp. 121-127.
Simões, A., I ia e, A., & Almeida, JJ. (2016). Dicioná io-Abe o: Cons ução semiau omá ica
de uma uncionalidade codi icado a. In A. Lema échal, P. Koch, & P. Swigge s (Eds.),
Ca alho, Paula; J. Sil a, Má io (2015) Sen ilex-PT: P incipais ca ac e ís icas e po encialidades,
in Linguís ica, In o má ica e T adução: Mundos que se C uzam, Oslo S udies in
Language 7 (1). pp. 425–438. (ISSN 1890-9639 / ISBN 978-82-91398-12-9)
Di Fellipo, A iani; Dias-da-Sil a, Ben o Ca los (2009). O p ocessamen o au omá ico de línguas
na u ais enquan o engenha ia do conhecimen o linguís ico; Calidoscópio - Vol. 7, n. 3,
p. 183-191.
Re e ências Bibliog á icas
45
Ac es du XXVIIe Cong ès in e na ional de linguis ique e de philologie omanes (2013)
(pp. 201-300), Nancy, july. ALTIF. Sec ion 16 : P oje s en cou s; essou ces e ou ils
nou eaux.
Pala as com pola ização posi i a e pola ização nega i a em dois dicioná ios de língua po uguesa
46
Anexos
Anexo I
47
Anexo I
Lis agem dos adje i os selecionados
Pala as com pola ização posi i a e pola ização nega i a em dois dicioná ios de língua po uguesa
54
Anexo II. 9 alsi icado [an es e depois da consul a]
Anexo II. 7 en anhado [an es e depois da consul a]
Anexo II. 8 esc a o [an es e depois da consul a]

Anexo II
55
Anexo II. 12 ine i á el [an es e depois da consul a]
Anexo II. 10 gozado [an es e depois da consul a]
Anexo II. 11 g a e [an es e depois da consul a]
Pala as com pola ização posi i a e pola ização nega i a em dois dicioná ios de língua po uguesa
56
Anexo II. 13 i eal [an es e depois da consul a]
Anexo II. 14 julgado [an es e depois da consul a]
Anexo II. 15 lisonjei o [an es e depois da consul a]
Anexo II
57
Anexo II. 17 penden e [an es e depois da consul a]
Anexo II. 16 palia i o [an es e depois da consul a]
Anexo II. 18 pu a i o [an es e depois da consul a]
Pala as com pola ização posi i a e pola ização nega i a em dois dicioná ios de língua po uguesa
58
Anexo II. 19 ep eendido [an es e depois da consul a]
Anexo II. 20 ilhado [an es e depois da consul a]
Anexo IV
59
Anexo III
Adje i os conside ados neu os pelo Sen iLex

Pala as com pola ização posi i a e pola ização nega i a em dois dicioná ios de língua po uguesa
60
Anexo III. 1 ab igado [an es e depois da consul a]
Anexo III. 3 assal ado [an es e depois da consul a]
Anexo III. 2 ali iado [an es e depois da consul a]
Anexo IV
61
Anexo III. 4 a acado [an es e depois da consul a]
Anexo III. 6 disponí el [an es e depois da consul a]
Anexo III. 5 despedaçado [an es e depois da consul a]
Pala as com pola ização posi i a e pola ização nega i a em dois dicioná ios de língua po uguesa
62
Anexo III. 8 eng ipado [an es e depois da consul a]
Anexo III. 9 en usiasmado [an es e depois da consul a]
Anexo III. 7 egocên ico [an es e depois da consul a]
Anexo IV
63
Anexo III. 10 alecido [an es e depois da consul a]
Anexo III. 12 humilde [an es e depois da consul a]
Anexo III. 11 hábil [an es e depois da consul a]
Pala as com pola ização posi i a e pola ização nega i a em dois dicioná ios de língua po uguesa
70
Anexo IV. 7 como ido [an es e depois da consul a]
Anexo IV. 8 delei ado [an es e depois da consul a]
Anexo IV. 9 deliciado [an es e depois da consul a]

Anexo IV
71
Anexo IV. 10 deslumb ado [an es e depois da consul a]
Anexo IV. 11 elogiado [an es e depois da consul a]
Anexo IV. 12 ascinado [an es e depois da consul a]
Pala as com pola ização posi i a e pola ização nega i a em dois dicioná ios de língua po uguesa
72
Anexo IV. 13 ine á el [an es e depois da consul a]
Anexo IV. 14 in ei o [an es e depois da consul a]
Anexo IV. 15 in ejá el [an es e depois da consul a]
Anexo IV
73
Anexo IV. 16 lau eado [an es e depois da consul a]
Anexo IV. 17 ma a ilhado [an es e depois da consul a]
Anexo IV. 18 o imis a [an es e depois da consul a]
Pala as com pola ização posi i a e pola ização nega i a em dois dicioná ios de língua po uguesa
74
Anexo IV. 19 p o egido [an es e depois da consul a]
Anexo IV. 20 esgua dado [an es e depois da consul a]