Provided for non-commercial research and education use. Not for reproduction, distribution or commercial use. Axioma – Publicações da Faculdade de Filosofia
Revista Portuguesa de Humanidades | Estudos Linguísticos, 21-1 (2017), 87-110 Metáforas verbais e pictóricas, média e comunicação: a cascata de metáforas de “geringonça” nos cartunes JOSÉ TEIXEIRA CEHUM - Universidade do Minho
[email protected] Abstract The word geringonça (contraption) was used in the political debate as an offensive metaphor directed to a certain area (three parties of the Portuguese political left wing that made a government agreement). However, such a metaphor quickly became very popular, not only for those who used it as a weapon of attack (the sociopolitical right), but also for social communication, even it being accepted and cherished by the attacked field. Why is it that a political metaphor (which usually if it please some dislikes others), the more it is used as an offense more tacitly was accepted by the offended, by the media and by all the speakers, and it was even chosen as the “word of the year” and preferred to “champion” in a year when a football-crazy country won for the first time in its history a “champion” title (European Cup)? In order to answer these questions, this text seeks, firstly, to verify how cartoon is a privileged communicative strategy for the metaphorical expression for being able to combine images and verbalization. Complementarily, we will try to demonstrate how conceptual metaphor allows us to understand the relations between language and cognitive perceptions; we also will try to see how the metaphorical phenomenon implies cascades of complex cognitive linkages that allow multiple communicative inferences that are very important for the various readings that the media need to be able to suggest. Keywords: cognitive metaphor; pictorial metaphor; cartoons and communication; contraption (“geringonça”); political debate 1. Metáfora, cognição e comunicação Até que ponto é defensável, nos média, a comunicação assentar em metáforas? A questão, obviamente, não é a de saber se a comunicação jornalística se serve ou não de linguagem metafórica. Não podemos comunicar sem metáforas, mais ou menos quotidianas ou mais ou menos criativas e originais. A questão tem a ver com a relação pouco equilibrada entre o poder apelativo da metáfora e o seu hipotético (não)rigor informativo. Que, por vezes, o debate sobre o tema deixa marcas, pode comprovar-se com o facto de como o uso de simples metáforas, no desporto, pode levar a que um sindicato de jornalistas elabore comunicados sobre a linguagem metafórica e que um diretor de jornal saia do seu sindicato 1 . 1 O Diário de Notícias, em 30 de outubro de 2008, retratava assim uma polémica relativa ao uso de expressões metafóricas num texto desportivo: “Sindicato arrasa estilo Provided for Personal License use. Not for reproduction, distribution, or commercial use. © 2018 Aletheia - Associação Científica e Cultural. All Rights Reserved. citação: Teixeira, José (2017). “Metáforas verbais e pictóricas, média e comunicação: a cascata de metáforas de “geringonça” nos cartunes”, in Revista Portuguesa de Humanidades - Estudos Linguísticos, 21-1 (2017), 87-110.
Revista Portuguesa de Humanidades | Estudos Linguísticos 88 Mas, antes de mais nada, convém saber do que falamos quando discutimos a questão dos usos metafóricos nas linguagens dos média. Porque seria um enorme equívoco partir-se, para a discussão, com a conceção de metáfora da Retórica tradicional, da “figura de estilo”, ainda dominante, e ignorar-se o que variadas áreas das ciências cognitivas vêm aportando nas últimas décadas. A partir de Lakoff & Johnson (1980) o estudo do fenómeno metafórico salta do âmbito tradicional retórico-literário e passa para o domínio da comunicação e da cognição. A metáfora é descrita e entendida não como uma “figura”, um ornamento comunicativo, mas como uma das bases cognitivas humanas, como o mecanismo mais produtivo para a estruturação de novos conceitos. As ciências cognitivas evidenciam como toda a estruturação mental assenta no processo metafórico, mesmo expressões banais como os preços subiram (QUANTIDADE É ALTURA) 2 ou cá vamos andando (A VIDA É UMA VIAGEM). A nossa mente não funciona sem metáforas e o pensamento metafórico é a base do pensamento complexo. Fauconnier & Turner (2002), para além de muitos outros, num título bem elucidativo, mostraram como o processo metafórico revela a forma como pensamos, (The way we think – conceptual blending and the mind´s hidden complexities). A metáfora liberta-se, assim, do domínio da antiga Retórica e da literariedade e não mais é vista como fenómeno da linguagem verbal, mas do pensamento. A importante distinção entre “metáfora” e “expressões metafóricas” vinca bem a necessidade de distinguir o processo cognitivo (a metáfora como fenómeno metafórico) das expressões verbais que revelam o fenómeno, evitando, assim, que se reduza todo o processo às suas expressões linguísticas. Até porque o fenómeno metafórico não é apenas um fenómeno linguístico, mas muito mais vasto, é um fenómeno da perceção e comunicação humanas. E, por isso, não há apenas metáforas verbais; uma dança, um ritual, uma imagem podem ser metáforas. E dentro deste âmbito, ganha grande amplitude a noção das imagens e da sua leitura enquanto metáforas pictóricas (Kress 1996; Forceville 2008). de jornalistas de desporto/ Polémica. Órgão do Sindicato de Jornalistas ataca jornalismo desportivo/ Director de A Bola sai do sindicato e acusa-o de preconceituoso”. Para o contexto da polémica e a sua relação com as metáforas, ver Teixeira (2011). 2 Na literatura da Linguística Cognitiva, as metáforas concetuais, ou seja, a estrutura cognitiva metafórica (metáfora de base) é indicada com maiúsculas, para se distinguir das respetivas expressões dessa mesma metáfora, designadas “expressões metafóricas”. Assim, a metáfora concetual A VIDA É UMA VIAGEM pode ser expressa através de múltiplas expressões metafóricas (cá vamos andando, os caminhos da vida, a vida dele chegou a um beco sem saída, ...) ou através de comunicação não linguística, como uma pintura, uma fotografia ou outro meio. Provided for Personal License use. Not for reproduction, distribution, or commercial use. © 2018 Aletheia - Associação Científica e Cultural. All Rights Reserved.
Metáforas verbais e pictóricas, média e comunicação 89 2. Metáfora, a meia verdade de uma mentira? As expressões metafóricas, verbais ou pictóricas, passam, assim, a ser vistas como dotadas de grande poder comunicativo e não apenas capacidade “embelezadora” para onde a Retórica tradicional da “figura de estilo” apontava. Ora este poder comunicativo permite à metáfora orientar perceções e interpretações, de tal modo que uma boa metáfora pode valer mais do que um grande argumento muito racional. Se se pode interpretar a obra fundacional de Lakoff & Johnson (1980), Metaphors, We Live By, como significando que vivemos através das metáforas, tirar uma letra ao título (Metaphors, We Lie By) pode servir para dizer que também podemos mentir através das metáforas (Teixeira 2013b). Na tentativa de fugir a este “perigo da metáfora”, parece lógico supor que a linguagem jornalística deveria evitar metaforizações. Mas não pode. Mesmo linguagens aparentemente tão técnicas como a linguagem económica assentam em metaforizações. Relatos como “O PIB do país está em X milhares de milhões de euros; o índice PSI 20 está em Y pontos; o euro vale hoje 1,1215 dólares” são muito menos comunicativos para os média do que “O PIB desceu/ subiu/ estagnou/ caminha para o abismo; a bolsa entrou no vermelho; maré negra nas ações; o dólar subiu/ desceu/ esmagou o euro”. Ora tudo isto são metáforas. Aliás, não é novidade a discussão sobre como as metáforas da economia influenciam a forma como percecionamos a mesma. Comparar a economia com uma máquina (a economia arrancou forte/ emperrou) ou como ecossistema (a economia floresce/ está doente) parece não ser indiferente para infiltrar um substrato ideológico: One of the most pervasive false metaphors in economics is the economy as machine. It can be subtle or overt. But “economy as machine” is arguably the most powerful metaphor at work in contemporary economic discourse. [...] Daily doses of this sort of language add up over time, affecting our understanding of the way economies actually work. [...] A much more accurate metaphor for the economy is an ecosystem. We are simultaneously independent and interdependent. We can no more fix an economy than we can fix a rainforest or a coral reef. At best, we can leave it alone. Such is not the faith of a “market fundamentalist,” but the implication of a tradition informed by evolutionary thinking, the science of complexity and self-organizing systems. But let us not get too far afield. (Borders 2011) Para outros, contudo, a economia deve ser metaforizada por máquinas: The economy is a ‘machine’, not a ‘body’: The unseen power of metaphors in guiding how we think could be key to escaping from a prolonged economic crisis. [...] Provided for Personal License use. Not for reproduction, distribution, or commercial use. © 2018 Aletheia - Associação Científica e Cultural. All Rights Reserved.
Revista Portuguesa de Humanidades | Estudos Linguísticos 90 The significance of these two different metaphors turns out to be profound. Bodies - and thus, by implication, economies - are largely self-regulating, hence “It is best left on it’s own, except in cases of dire emergency,” Shenker-Osorio explained. What’s more, “it has volition and will ... it gets angry, it gets upset, it needs to be appeased”. Furthermore, “in almost all the talk that you hear, the economy is, in fact, in subject position, which is the other thing that I found most startling. ‘It’s suffering’; ‘it’s healthy’.” People are definitely secondary to the economy in this metaphor system.” Things changed significantly with the second metaphor. “The most fundamental thing we know about vehicles is that they have drivers. The idea of a whole bunch of unmanned vehicles on the road ... That’s how you have crashes,” she said. In short, this metaphor “suggests at the most basic level the economy requires control”. It also quite naturally implies “going where you want to” (Rosenberg, 2011) Não é, pois, inocente optar por uma determinada metáfora. Uma metáfora é sempre uma escolha entre possibilidades semi(in)adequadas. Como na metáfora se comparam dois domínios diferentes, por mais semelhanças que se possam encontrar, necessariamente também se encontram inadequações. E a mentira da metáfora estará na maior ou menor habilidade com que quem metaforiza sugerir aspetos escondidos de uma metaforização aparentemente neutra. Falar de mentira ou verdade na metáfora não faz sentido. Toda a metáfora é sempre as duas coisas. A questão não está em saber se a metáfora é “verdadeira”, porque por essência nunca o pode ser. Como a sua estrutura é X É Y, é sempre “mentirosa”, porque ontologicamente X é sempre X. A questão está nas inferências, nos jogos cognitivos implícitos que uma metáfora acarreta e que podem ser habilidosamente convocados. 3. O inesperado sucesso mediático de uma metáfora: de arma política a “palavra do ano” Não é incomum o uso de metáforas no debate político de confronto. Elas são mediaticamente eficazes, porque sintetizam e amplificam uma ideia que se quer transmitir sobre o oponente. Dizer que o adversário político é o coveiro da economia pode ser mais eficaz do que um discurso cheio de números. Ou afirmar que o concorrente é um catavento de opiniões substitui com vantagem comunicativa uma longa argumentação de contraditório. O que é incomum é uma metáfora criada por um campo politicamente oponente ser tão bem sucedida que seja usada como arma de ataque e seja aceite (pelo menos tacitamente) pelo campo político atacado, como aconteceu com “geringonça” 3 . 3 O percurso da palavra começa no seguinte contexto sociopolítico: O PSD ganhou as eleições de 2015, mas sem conseguir fazer maioria com o seu parceiro do anterior governo, o Provided for Personal License use. Not for reproduction, distribution, or commercial use. © 2018 Aletheia - Associação Científica e Cultural. All Rights Reserved.
Metáforas verbais e pictóricas, média e comunicação 91 Na realidade, a metáfora começa por ser usada pelo campo político PSD-CDS como ataque ao campo oposto, PS-BE-PCP, que firmara o acordo. Ela ganha adesão imediata, quer como argumento político, quer como conceito mediaticamente eficiente, porque se ajusta bastante bem à representação social que se tem do acordo de governo: uma geringonça é feita com peças improváveis de se juntarem, tal como o acordo é feito com partidos que até aí tinham tido sempre opções políticas muito diferenciadas; as peças de uma geringonça são geralmente consideradas inadequadas para funcionarem juntas, tal como pela tradição política portuguesa acontecia entre os partidos do acordo; uma geringonça é instável e de previsível desmoronamento, tal como era a expetativa para o acordo, não apenas entre os da área política oposta como mesmo entre muitos da área que o firmara. Por tudo isto, por ser um conceito que se colava tão bem ao conceito da nova aliança política, a palavra geringonça é sucessivamente reproduzida, não apenas no debate político, mas igualmente na comunicação social. Uma prova da adequação da metáfora à situação pode verificar-se atendendo ao facto de o campo político da geringonça ter tentado construir uma metáfora de combate: Caranguejola da Direita vs gerigonça da Esquerda Há quase cinco meses que os portugueses se habituaram ao termo “gerigonça”, com que a Direita classifica a união do PS, BE, PCP e PEV. Esta quarta-feira, foi a vez de a Direita ser etiquetada de uma coisa tão ou mais instável que a maioria: “caranguejola”. (Nuno Miguel Ropio, Jornal de Notícias, 16 Março 2016) 4 . CDS-PP. É então que António Costa, líder do PS, partido que tinha ficado em segundo lugar quando era esperado que tivesse ganho as eleições, faz um acordo parlamentar com dois outros partidos, o PCP (incluindo “Os Verdes”) e o Bloco de Esquerda. Tal acordo possibilitou a formação de um governo do Partido Socialista. É para referir este acordo entre o PS (de políticas pró-Comunidade Europeia) e os partidos à sua esquerda (de políticas antiComunidade Europeia) que surge reutilizada a palavra “geringonça”. Foi usada neste sentido pela primeira vez por Vasco Pulido Valente, numa crónica no jornal “Público”, intitulada “Antes do dilúvio”, em 16 de outubro de 2015: “A cada erro, a cada fracasso, haverá uma tempestade geral e [António] Costa não tem, fora da sua geringonça, em quem se apoiar.” Posteriormente, a 10 de novembro, num debate parlamentar, Paulo Portas, na altura líder do CDS-PP, reutilizava a expressão, referindo-se ao acordo entre PS/Bloco de Esquerda/PCP e Partido Ecologista Os Verdes: “O acordo de esquerda não é bem um governo, é uma geringonça. O que a vossa geringonça nos oferece é uma bebedeira de medidas. As bebedeiras têm um só problema: chama-se ressaca.” A partir desta intervenção, o uso da palavra “geringonça” é repetidamente utilizado no debate político e comunicação mediática. 4 http://www.jn.pt/nacional/interior/caranguejola-da-direita-vs-gerigonca-daesquerda-5080162.html Provided for Personal License use. Not for reproduction, distribution, or commercial use. © 2018 Aletheia - Associação Científica e Cultural. All Rights Reserved.
Revista Portuguesa de Humanidades | Estudos Linguísticos 92 No entanto, esta metáfora, caranguejola, com que se queria combater o uso de geringonça, não teve sucesso e só muito esporadicamente foi usada. Ao inverso, geringonça adquire popularidade cada vez maior, mesmo entre os da área política que supostamente atacava. É sintomático que logo em janeiro de 2016, Rui Tavares, um político sobejamente conhecido, ex-BE, no jornal Público escreva um artigo de opinião intitulado “Eu, geringoncista” em que assume a simpatia pela palavra e refere como a mesma está a ser aceite na sua área política, que supostamente se devia sentir ofendida pela metáfora: Já foi notado que alguns apoiantes das convergências à esquerda começaram a usar “geringonça” como um termo de simpática auto-identificação. Fazê-lo ajuda a esvaziar com humor o sentido da palavra, quando usada original e pejorativamente pela direita. E nestas coisas, não interessa quem gerou a palavra; interessa quem lhe tem carinho. Eu confesso o meu afeto pela geringonça. Desde logo, é mais apelativo do que a expressão consagrada por anos de uso, desuso e abuso à esquerda, a “convergência”.(Rui Tavares, Público, 24/2/2016) 5 . Os argumentos de Rui Tavares são emotivos, não explicativos: diz que é por a palavra ser “apelativa” e que lhe tem “carinho”. Por que motivo uma metáfora supostamente ofensiva pode ser carinhosa e apelativa? Porque na sua estrutura metafórica ela assenta, para além dos aspetos negativos pelos quais começou por ser usada, numa vertente implícita potencialmente positiva. É que, com todos os defeitos, uma geringonça é qualquer coisa que funciona, que cumpre a funcionalidade para a qual foi construída. E o seu funcionamento é mérito de quem a construiu e de quem a usa/ comanda. É este o poder das metáforas: elas são potenciadoras de vertentes comunicativas nem sempre evidentes a uma primeira leitura, mas que são fundacionais da sua estrutura cognitiva e que podem ser acionadas alterando ou mesmo invertendo a positividade ou negatividade original. Esquematizando essa estrutura (Figura 1), relativamente a geringonça, vemos como, mesmo na sua simplicidade de base, ela não contém apenas as partes negativas, normalmente mais evidentes à superfície, mas também a dimensão [máquina que apesar de tudo funciona]. Figura 1 5 http://www.publico.pt/politica/noticia/eu-geringoncista-1724234 Provided for Personal License use. Not for reproduction, distribution, or commercial use. © 2018 Aletheia - Associação Científica e Cultural. All Rights Reserved.
Metáforas verbais e pictóricas, média e comunicação 93 Foi este valor positivo de uma metáfora usada como arma que António Costa intuiu e lhe permitiu, num debate parlamentar, transformar em bumerangue contra o adversário o que tinha sido atirado contra si. É interessante como o relato jornalístico se apercebe do valor argumentativo que a dimensão implícita de [coisa que apesar de tudo funciona] tem quando é explicitamente sublinhado: Foi então que um aparte sobre a “geringonça”, vindo da direita (e impercetível na bancada de imprensa), permitiu a António Costa o soundbite do debate: “Sim sim, é geringonça mas funciona, é uma grande vantagem. E posso acrescentar mais: a nós não nos incomoda nada ser geringonça, mas a vocês incomoda muito que funcione.” Ficou o debate resumido numa frase. (Expresso Diario/28-04-2016/caderno-1/ temas-principais) Foi esta adequação metafórica quase perfeita à realidade referenciada que permitia ser rapidamente percebida, aliada ao facto de poder ser tida como arma de ataque por um bloco e paradoxalmente apresentar vertentes positivas para o lado atacado, que fez o sucesso de geringonça, de tal forma que o termo foi escolhido, por votação organizada pela Porto Editora, como a palavra do ano: “Geringonça” foi eleita a Palavra do Ano, tendo arrecadado 35% dos cerca de 28.000 votos expressos, anunciou esta manhã a Porto Editora, promotora do evento. No segundo lugar, com 29%, ficou o vocábulo “campeão” e, em terceiro, com 8%, “brexit”, seguindo-se, ex-aequo, “parentalidade” e “presidente”, com 6%, depois “turismo”, “racismo” e “humanista”, com 4% cada, “empoderamento”, com 3%, e, finalmente, com 1%, “microcefalia”. (Expresso online, 4/01/2017) 6 4. As voltas de geringonça 4.1. Origem e evolução A popularidade do termo levou várias vezes à curiosidade dos média sobre a respetiva origem. E normalmente ia-se ao dicionário mais à mão e fazia-se a listagem pela ordem que lá estava: Há vários significados atribuídos a “geringonça”: “construção pouco sólida e que se escangalha facilmente; caranguejola”; “aparelho ou máquina considerada complicada; engenhoca”; “coisa consertada que funciona a custo”. Isto antes de se chegar aos sentidos figurados. Ei-los: “sociedade ou empresa de estrutura complexa e pouco credível” e “qualquer coisa ou ideia engendrada de improviso e que funciona com dificuldade”. Por último, “calão; gíria”. (Rita Pimenta , 6 http://expresso.sapo.pt/sociedade/2017-01-04-Geringonca-eleita-Palavra-do-Ano-2016 Provided for Personal License use. Not for reproduction, distribution, or commercial use. © 2018 Aletheia - Associação Científica e Cultural. All Rights Reserved.
Revista Portuguesa de Humanidades | Estudos Linguísticos 94 Jornal Publico online, 4 de Janeiro de 2017) 7 . A jornalista deixa-se enganar pela listagem do dicionário e parte do pressuposto de que as aceções que aparecem nos primeiros lugares são as primitivas (que considera os sentidos não figurados), depois os “sentidos figurados” e, como diz, “por último, ‘calão; gíria’”. Só que é exatamente o inverso. Os primitivos sentidos da palavra foram os de calão/ gíria e só depois, por “figuração” (se se aceitar a noção de sentido figurado) é que vão aparecer os de “construção pouco sólida”. Basta consultar dicionários mais antigos para verificar como foi esta a história da palavra. No primeiro dicionário da língua portuguesa, de Rafael Bluteau (publicado entre 1712 e 1728) apenas aparece o sentido relativo a linguagem/ gíria/ calão e nada relacionado com máquinas ou construções defeituosas (Figura 2). Figura 2-Bluteau (edição de 1779) No Dicionário Moraes (publicado pela primeira vez em 1789) continuam a aparecer de início as aceções de gíria/ calão e no fim a aceção “cousa exotica, que se não pode bem descrever, ou explicar”. Figura 3Dicionário Moraes (impressão de 1889) Num outro, de António Maria Couto (1842), a aceção primeira (Figura 4) ainda é “modo particular de falar, que se múda logo, que se entende como fazem os sigânos; o mesmo, que algaravia, patuá”. Mas agora já aparecem como aceções posteriores “tregeitos, momices, ou máchinas; que se fazem artificialmente” 7 https://www.publico.pt/2017/01/04/culturaipsilon/noticia/quase-9-mil-portuguesesvotaram-na-geringonca-na-palavra-bem-entendido-1757038 Provided for Personal License use. Not for reproduction, distribution, or commercial use. © 2018 Aletheia - Associação Científica e Cultural. All Rights Reserved.
Metáforas verbais e pictóricas, média e comunicação 101 Esta ideia da geringonça como algo construído imprevistamente, improvável mas que funciona, acarreta uma dimensão de especificidade nacional. Esta dimensão é mediaticamente muito produtiva, porque suficientemente ambígua para poder ser entendida como negativa (uma coisa que mais nenhum país quer) ou positiva (uma coisa que mais nenhum país conseguiu). E vários cartunes (Figura 13) 14 referem a especificidade portuguesa da geringonça, comparando-a a uma inovação técnico- -científica merecedora de patente. Figura 13 Mas se as metáforas verbais já são desencadeadoras de múltiplas inferências, com as pictóricas as potencialidades aumentam significativamente. É que quando geringonça é metáfora verbal, tem que ser a própria expressão verbal a referir qual aspeto se quer fazer ressaltar, havendo sempre os limites da expressão e a necessidade da concisão da informação textual. Não é comunicativamente eficiente verbalizar explicitamente múltiplos aspetos de geringonça no mesmo cartune. Mas numa imagem, há muitas mais possibilidades. Na metáfora verbalizada não é eficiente dizer “a geringonça tem pneus desajustados, tem, volante esquisito, tem faróis tortos, tem a cor X ou Y, tem ocupantes encavalitados, tem…”; mas numa metáfora pictórica da geringonça tudo isto e muito mais pode estar representado. Por isso, o potencial das metáforas pictóricas, sobretudo para uma entidade não real mas imaginária como geringonça, é quase ilimitado. Figura 14 14 Figura 13: Jornal de Negócios, 8 março 2016. Provided for Personal License use. Not for reproduction, distribution, or commercial use. © 2018 Aletheia - Associação Científica e Cultural. All Rights Reserved.
Revista Portuguesa de Humanidades | Estudos Linguísticos 102 Figura 15 A metáfora pictórica pode focar o essencial e sem grandes sugestões interpretativas fora do conceito básico metaforizado (Figura 1415): ACORDO PARLAMENTAR/ GOVERNO É VEÍCULO; COSTA É AGENTE DO FUNCIONAMENTO DO VEÍCULO/ GERINGONÇA. Ou então ser composicionalmente mais complexa (Figura 1516): a geringonça é um veículo instável e (entre outros aspetos, que se poderiam destacar) aparece como composto de peças invulgares como funis, ventoinhas de papel como as que as crianças fazem, ventoinhas em motores, tem uma luz muito rudimentar que só alumia um pequeníssimo espaço à frente, tem roldanas e pedais em vez de motor potente, rodas ridiculamente pequenas, deita fumo, tem molas e parafusos a saltar, tem um condutor (António Costa), tem mais dois ocupantes que vão atrás, um que aponta a direção (Jerónimo de Sousa) e uma passageira, Catarina Martins, que vai oleando as correias e roldanas do veículo. E cada um dos elementos, os espaços que ocupam, as situações que indiciam são metáforas relativamente fáceis de interpretar no complexo metafórico geringonça relativo à situação sociopolítica que refere. Ao longo dos cartunes encontrados e relativamente à sua constituição, geringonça parece englobar dois âmbitos: geringonça1 {pessoas (Costa+Jerónimo+Catarina)} e geringonça2 {sistema de relações entre as pessoas=acordo}. No entanto, é bem visível que geringonça é sobretudo metáfora para 2 e por isso é que funciona como realidade abstrata que pode ser facilmente representada pelo veículo. Esse sistema de relações implica ação, e é isso mesmo que a metáfora do veículo representa e não tanto as pessoas enquanto entidades separadas da respetiva agentividade. Por isso é que geringonça pode representar, enquanto grupo, mais do que as 3 pessoas nucleares e incluir também qualquer ministro do governo ou mesmo apoiante oficial ou não do mesmo governo (O PR Marcelo, nalguns cartunes). É esse foco na essência do acordo 15 Figura 14: Henrique Monteiro, Henricartoon, Sapo online, 29 abril 2016 16 Figura 15: Hélder Oliveira, Expresso online 2 maio 2016 Provided for Personal License use. Not for reproduction, distribution, or commercial use. © 2018 Aletheia - Associação Científica e Cultural. All Rights Reserved.
Metáforas verbais e pictóricas, média e comunicação 103 parlamentar, e não tanto nas pessoas que o subscreveram, que geringonça abarca e que explica o porquê de a representante de Os Verdes (Heloísa Apolónia) fazer parte do acordo político mas imageticamente ser muito raro (ou nunca) aparecer. Assim, a personalização da geringonça (os que entram no veículo) envolve essencialmente os três líderes: Costa (PS), Jerónimo de Sousa (PCP) e Catarina Martins (BE). Mas, pelo que se disse (porque geringonça não são as pessoas do acordo, mas o acordo em si) pode englobar outros, como o Ministro das Finanças, Mário Centeno. A hierarquia da ocupação do espaço no veículo assenta nas metáforas estruturais FRENTE É COMANDO e ATRÁS É APOIO: Costa e Centeno (metonimizando o governo) ocupam a frente e Jerónimo de Sousa e Catarina Martins o espaço atrás. A simbologia destes espaços frente-atrás (FRENTE É COMANDO e ATRÁS É APOIO) também é variável. O atrás de Jerónimo e Catarina pode ser mesmo fora do veículo, servindo apenas como suporte que permita que não caia e se mantenha em movimento (Figura 16) 17 , como acompanhantes, mas já dentro do veículo (Figura 17) 18 , ou mesmo como viajantes interventivos como auxiliares na movimentação do veículo (Figuras 15 e 18) 19 . Figura 16 17 Figura 16: Henrique Monteiro, Henricartoon, Sapo online, 5 outubro 2016. 18 Figura 17: Henrique Monteiro, Henricartoon, Sapo online, 27 abril 2016. 19 Figura 18: Inimigo Público, in Jornal Público, 6 janeiro 2017. Provided for Personal License use. Not for reproduction, distribution, or commercial use. © 2018 Aletheia - Associação Científica e Cultural. All Rights Reserved.
Revista Portuguesa de Humanidades | Estudos Linguísticos 104 Figura 17 No que respeita ao comando, o espaço frente, pode ser ocupado ou só por Costa (Figuras 15, 18 e 19)20 ou Costa e Centeno. Neste último caso, em frente tem de ser possível distinguir o verdadeiro lugar de comando. Nem sempre é o condutor, como na Figura 15. Pode haver condutor e o lugar de comando ser ainda mais à frente, puxando por todo o veículo, incluindo pelo próprio condutor (Figura 16) ou o espaço de comando pode ser também ao lado do condutor (Figura 17), passando este a representar não o comando, mas um instrumento de comando (o “motorista”). Não interessará, com certeza, elencar todas as metáforas engatilhadas por estes cartunes. Da metáfora de suporte ACORDO PARLAMENTAR É VEÍCULO/ GERINGONÇA outras são acionadas, como no cartune da Figura 17: OBSTÁCULOS DO GOVERNO SÃO PEDRAS NO CAMINHO, INSUCESSOS DO GOVERNO SÃO ACIDENTES e SAIR DO VEÍCULO É SAIR DO ACORDO PARLAMENTAR. Mas sendo desnecessário (mesmo que fosse possível) o elenco de todas as metáforas acionadas pelos cartunes (neste caso, os cartunes de geringonça), convém reparar nas potencialidades e no fortíssimo poder sugestivo que num único se podem concentrar. Veja-se, como exemplo, o da Figura 18. Ele cumpre muito mais do que a 20 Figura 19: Capa do Jornal de Notícias, 4 fevereiro 2017. Provided for Personal License use. Not for reproduction, distribution, or commercial use. © 2018 Aletheia - Associação Científica e Cultural. All Rights Reserved.
Metáforas verbais e pictóricas, média e comunicação 105 simples verbalização ACORDO PARLAMENTAR É VEÍCULO/ GERINGONÇA. Através dele, emana um encadeado metafórico rico e complexo, uma verdadeira cascata de metáforas, das quais se destacam GERINGONÇA É VEÍCULO INVULGAR; GERINGONÇA É VEÍCULO DE GUERRA; LUTA POLÍTICA É FOGO; COSTA É GUERREIRO EM CESTO DA GÁVEA; JERÓNIMO É GUERREIRO NA RETAGUARDA; CATARINA É OCUPANTE MANIPULADOR DOS MECANISMOS DO VEÍCULO. Figura 18 Provided for Personal License use. Not for reproduction, distribution, or commercial use. © 2018 Aletheia - Associação Científica e Cultural. All Rights Reserved.
Revista Portuguesa de Humanidades | Estudos Linguísticos 106 Figura 19 É impossível fazer a rede de metáforas que geringonça possibilita, até porque a construção metafórica é uma construção em aberto, possibilitando encadeamentos entre domínios e subdomínios até a um nível potencialmente infinito. No entanto, apresenta-se na Figura 20 uma rede metafórica (e metonímica) muito parcial de geringonça nos cartunes usados como exemplos, apenas para se ter uma ideia da complexidade e encadeamento que um simples cartune pode acionar. Figura 20: rede metafórica parcial de “geringonça” em cartunes Provided for Personal License use. Not for reproduction, distribution, or commercial use. © 2018 Aletheia - Associação Científica e Cultural. All Rights Reserved.
Metáforas verbais e pictóricas, média e comunicação 107 5. Conclusão Obviamente, que o poder dos cartunes não reside apenas nas suas potencialidades metafóricas, mas sobretudo no facto de as poder transformar em jogos de descoberta que potenciam uma comunicação humorística. Os seres humanos adoram jogos, adoram o prazer da descoberta inteligente. É isso que a metáfora faz. A metáfora é um jogo, uma adivinha em que dizendo-se A se pretende significar B. Sentimo-nos inteligentes e satisfeitos quando descobrimos a solução do jogo. Ora o cartune metafórico é ótimo para este jogo. Como não tem que se restringir ao uso de uma única palavra metafórica, pode construir uma rede de elementos icónicos em que cada um pode ser um complexo metafórico, como atrás vimos. Para além do mais, ele combina essas potencialidades com a linguagem verbal, com o próprio texto, acabando por se poder constituir uma autêntica fonte jorradora de metáforas. E nós, ao interpretá-las com sucesso, sentimos indisfarçável prazer 21 . É, portanto, por um vasto conjunto de razões que um cartune metafórico sobre a geringonça como o da Figura 21 22 é tão apetecível. Parte de uma metáfora que o universo do debate político já aceitou (até os visados) como não ofensiva e sintetiza todo um quadro mental num complexo metafórico que temos o prazer de ir descodificando, metáfora atrás de metáfora, desde VEÍCULO/GERINGONÇA É ACORDO DE GOVERNO, VIAJAR É GOVERNAR, ESPAÇO PERCORRIDO É TEMPO DE GOVERNAÇÃO, CENTENO É MOTORISTA, MINISTÉRIO DA ECONOMIA É MOTOR DO GOVERNO, COSTA É COMANDANTE DO VEÍCULO, FRENTE É COMANDO, ATRÁS É APOIO e EXPULSAR DO VEÍCULO É EXPULSAR DO ACORDO 23 . E não esquecer que não são só metáforas que compõem o jogo da descodificação. Várias metonímias (EUROPA POR POLÍTICAS EUROPEIAS; ESPAÇO FÍSICO POR ESPAÇO POLÍTICO, …), a necessidade de perceber determinados quadros mentais implicados (quem são os “passadistas”, por que é que Costa chama a geringonça de máquina infernal, …) são outros elementos que transformam o cartune num complexo jogo de descoberta. São estas potencialidades comunicativas dos cartunes que fazem deles presença praticamente obrigatória e diária na comunicação mediática. São contextuali21 O cérebro liberta hormonas de prazer quando descobrimos uma solução para um problema; na metáfora (sobretudo as mais difíceis, criativas e invulgares) a interpretação com sucesso é apreendida pelo cérebro como uma descoberta de uma solução para um problema. Por isso, quando tal acontece, ficamos com um sorriso e satisfeitos. 22 Figura 21: Henrique Monteiro, Henricartoon, Sapo online, 25 fevereiro 2016. 23 O cartunista confundiu “injetar” (= “pôr dentro”, que usou) com “ejetar” (= “atirar para fora, expulsar”, que seria o mais adequado ao contexto). Provided for Personal License use. Not for reproduction, distribution, or commercial use. © 2018 Aletheia - Associação Científica e Cultural. All Rights Reserved.
Revista Portuguesa de Humanidades | Estudos Linguísticos 108 zados, profundamente dependentes do conhecimento dos contextos das situações que referem. Aquando da escrita deste texto, geringonça só conheceu metade do percurso, o tempo em que funcionava o acordo. É previsível que a metáfora percorra o resto do seu caminho e tenha tanto sucesso para representar o fim do acordo, quando acontecer, como teve para representar a sua construção e funcionamento. A relevância mediática da metáfora e da sua representação em cartune é sintomaticamente explicitada se repararmos como é assim que aparece na própria capa do Diário de Notícias (Figura 19 - ocupando quase metade da capa) numa edição de fim de semana (sábado). E até geringonça sem aspas, documentando a normalidade da metáfora na comunicação mediática. Todo o processo mediático em curso 24 sobre as metáforas de geringonça demonstram não apenas a importância de uma boa metáfora no debate político e na veiculação mediática, mas também como o fenómeno metafórico não pode ser reduzido ao fenómeno linguístico. E o cartune é um excelente exemplo da eficiência da combinação do texto com a imagem nos fluxos e caminhos da comunicação e da cultura visual contemporânea. Referências Bueno, Francisco da Silva (1988). Grande Dicionário Etimológico-Prosódico da Língua Portuguesa, Editora Lisa, São Paulo. Bluteau, Rafael (1779). Diccionario da lingua portugueza composto pelo padre D. Rafael Bluteau, reformado, e accrescentado por Antonio de Moraes Silva natural do Rio de Janeiro, 2 vols. Officina de Simão Thadeo Ferreira, Lisboa. David, Oana; Lakoff, George; Stickles, Elise (2016). “Cascades in metaphor and grammar: A case study of metaphors in the gun debate”, Constructions and Frames 8(2), pp214-253. Fauconnier, G. & Turner, M (2002). The way we think – conceptual blending and the mind´s hidden complexities. New York, Basic Books. Forceville, Charles (2008). “Pictoral and Multimodal Metaphor in Commercials”, in McQuarrie, Edward F. e Phillips, Barbara J, (Ed.), 2008. Go Figure! New directions in advertising rhetoric. M. E. Sharpe, New York, pp. 178-204. Garcia, Hamílcar de (1986). Dicionário Caldas Aulete (5 vols.), 5ª ed. Kress, Gunther R. ; van Leeuwen, Theo (1996 [2006, 2ª ed.]). Reading Images: The Grammar of Visual Design. New York: Routledge Lakoff, George e Johnson, Mark (1980). Metaphors We Live By, The University of Chicago Press, Chicago. Moraes Silva, Antonio de (1889). Diccionario da Lingua Portugueza (2 vols.), Empreza Litteraria Fluminense. Teixeira, José (2011). “Futebol, inferno, jogo e guerra: as realizações linguísticas do jogo como metáfora nas capas dos jornais desportivos portugueses”, Diacrítica -Série Ciências da Linguagem, nº 25/1 (2011), Universidade do Minho, Braga, pp. 283-318; http://hdl.handle.net/1822/17804 24 Este texto foi terminado em fevereiro de 2017. Provided for Personal License use. Not for reproduction, distribution, or commercial use. © 2018 Aletheia - Associação Científica e Cultural. All Rights Reserved.
Metáforas verbais e pictóricas, média e comunicação 109 Teixeira, José (2013a). “A Bolsa e a vida: sistematicidade e metaftonímia no discurso económico” in Silva, Augusto Soares, Martins, José Cândido, Magalhães, Luísa e Gonçalves, Miguel, Comunicação, Política e Económica - Dimensões Cognitivas e Discursivas, Publicações da Faculdade de Filosofia, Universidade Católica Portuguesa, Braga, pp.522-535; disponível em http://hdl.handle. net/1822/27684 Teixeira, José (2013b). “Metaphors, We Li(v)e By: Metáfora, verdade e mentira nas línguas naturais”, in Revista Galega de Filoloxía, Nº 14/2013, ISSN 1576-2661, Universidade da Corunha (Espanha), pp.201-225; disponível em http://hdl.handle.net/1822/28321 Teixeira, José (2015). “ Metáforas da crise cotidiana: os media e a veiculação da crise grega” in Revista Investigações – Linguística. Edição Temática - 35 anos de Metáforas da Vida Cotidiana. v. 28, n. 2, julho/2015. Universidade Federal de Pernambuco. ISSN Edição Digital 2175-294X. http://hdl. handle.net/1822/40454 Borders, Max, “The Economy: Metaphors We (Shouldn’t) Live By.” August 1, 2011. Library of Economics and Liberty. Retrieved May 8, 2012 from the World Wide Web: http://www.econlib.org/library/ Columns/y2011/Borderseconomy.html Rosenberg, Paul, 2011, in http://www.aljazeera.com/indepth/opinion/2011/08/2011821102242384922.html Provided for Personal License use. Not for reproduction, distribution, or commercial use. © 2018 Aletheia - Associação Científica e Cultural. All Rights Reserved.
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