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Extração automática de ontologias em textos de culinária não estruturados

Abstract

A resolução de problemas no âmbito de um domínio específico pode adotar técnicas e ideologias distintas. Para tal, é vital e imperativo elaborar uma análise contextual a todos os elementos pertencentes à teia de relações entre conceitos. Nesse sentido, o uso de uma ontologia permite construir uma rede semântica, no qual a mais importante premissa é a correta identificação dos conceitos e respetivos atributos. A automatização do processo de extração de ontologias permite construir ontologias mais escaláveis e uniformes, extraindo conhecimento assente nas mesmas premissas e padrões. No plano geral, uma extração automática facilita a análise e a leitura de informação de um problema apresentado numa linguagem própria. O trabalho desta dissertação focou-se na extração de conhecimento em textos não estruturados, mais concretamente, textos de culinária, com o intuito de disponibilizar uma ontologia que espelhasse o conhecimento interligado entre receitas. O verdadeiro desafio passa pela correta identificação de termos relevantes, com base em análise sintática, semântica, e linguística em geral, e pela formalização de relações entre os mesmos. A utilização de mecanismos de controlo e de automatização permitiu a extração do conhecimento presente nos textos não estruturados. Estes mecanismos foram aplicados conforme as características linguísticas inerentes aos documentos e restrições de domínio. A ontologia gerada pode ser consultada através de uma plataforma web, na qual o utilizador pode pesquisar os documentos importados no sistema e analisar a interligação entre receitas através da pesquisa por termos e por hiperligações que se encontram nos detalhes de cada registo de culinária.

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Extração automática de ontologias em textos de culinária não estruturados

Author: Silva, Bruno Vilas Boas da
Year: 2022
Source: https://repositorium.uminho.pt/bitstreams/b65ebfce-ae2b-4286-9106-ca9621dbd542/download
Uni e sidade do Minho
Escola de Engenha ia
Depa amen o de In o má ica
B uno Vilas Boas da Sil a
Ex ação Au omá ica de On ologias em
Tex os de Culiná ia não Es u u ados
Ou ub o 2022
Uni e sidade do Minho
Escola de Engenha ia
Depa amen o de In o má ica
B uno Vilas Boas da Sil a
Ex ação Au omá ica de On ologias em
Tex os de Culiná ia não Es u u ados
Disse ação de Mes ado
Mes ado In eg ado em Engenha ia In o má ica
T abalho ealizado sob o ien ação de
P o esso Dou o O lando Manuel de Oli ei a Belo
P o esso a Dou o a Anabela Leal de Ba os
Ou ub o 2022
i
DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR
TERCEIROS
Es e é um abalho académico que pode se u ilizado po e cei os desde que espei adas as
eg as e boas p á icas in e nacionalmen e acei es, no que conce ne aos di ei os de au o e
di ei os conexos.
Assim, o p esen e abalho pode se u ilizado nos e mos p e is os na licença abaixo indicada.
Caso o u ilizado necessi e de pe missão pa a pode aze um uso do abalho em condições
não p e is as no licenciamen o indicado, de e á con ac a o au o , a a és do Reposi ó iUM
da Uni e sidade do Minho.
DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE
Decla o e a uado com in eg idade na elabo ação do p esen e abalho académico e con i mo
que não eco i à p á ica de plágio nem a qualque o ma de u ilização inde ida ou alsi icação
de in o mações ou esul ados em nenhuma das e apas conducen e à sua elabo ação.
Mais decla o que conheço e que espei ei o Código de Condu a É ica da Uni e sidade
do Minho.
AGRADECIMENTOS
Em p imei a ins ância, deixo o meu o al ag adecimen o ao p o esso Dou o O lando Manuel
de Oli ei a Belo pela supe isão do meu abalho, pelo o o de con iança deposi ado em mim
na ealização des a disse ação e pela hones idade e anqueza que semp e anspa eceu
nas nossas con e sas. De igual modo, à p o esso a Dou o a Anabela Leal de Ba os po me
pe mi i desen ol e es e abalho sob e um caso de es udo de sua au o ia e pelas suges ões
dadas pa a melho a o sis ema desen ol ido.
A ní el pessoal, gos a ia de ag adece aos meus pais po me p esen ea em com a
opo unidade de e olui , não só como pessoa, mas ambém como p o issional e po odo o
apoio p es ado du an e odo o pe cu so académico. Ag adeço ainda ao meu i mão e es an e
amília que me apoia am du an e odos es es anos.
Deixo ainda um ag adecimen o especial à minha namo ada, que semp e me mo i ou e
incen i ou du an e odo o p ocesso de e olução no ensino supe io .
E, po im, um since o ob igado à Uni e sidade do Minho e a odos aqueles que me
ajuda am, di e a ou indi e amen e, a alcança os meus obje i os.
ii
RESUMO
A esolução de p oblemas no âmbi o de um domínio especí ico pode ado a écnicas e
ideologias dis in as. Pa a al, é i al e impe a i o elabo a uma análise con ex ual a odos os
elemen os pe encen es à eia de elações en e concei os. Nesse sen ido, o uso de uma
on ologia pe mi e cons ui uma ede semân ica, no qual a mais impo an e p emissa é a
co e a iden i icação dos concei os e espe i os a ibu os. A au oma ização do p ocesso de
ex ação de on ologias pe mi e cons ui on ologias mais escalá eis e uni o mes, ex aindo
conhecimen o assen e nas mesmas p emissas e pad ões. No plano ge al, uma ex ação
au omá ica acili a a análise e a lei u a de in o mação de um p oblema ap esen ado numa
linguagem p óp ia. O abalho des a disse ação ocou-se na ex ação de conhecimen o
em ex os não es u u ados, mais conc e amen e, ex os de culiná ia, com o in ui o de
disponibiliza uma on ologia que espelhasse o conhecimen o in e ligado en e ecei as. O
e dadei o desa io passa pela co e a iden i icação de e mos ele an es, com base em
análise sin á ica, semân ica, e linguís ica em ge al, e pela o malização de elações en e os
mesmos. A u ilização de mecanismos de con olo e de au oma ização pe mi iu a ex ação
do conhecimen o p esen e nos ex os não es u u ados. Es es mecanismos o am aplicados
con o me as ca ac e ís icas linguís icas ine en es aos documen os e es ições de domínio.
A on ologia ge ada pode se consul ada a a és de uma pla a o ma web, na qual o u ilizado
pode pesquisa os documen os impo ados no sis ema e analisa a in e ligação en e ecei as
a a és da pesquisa po e mos e po hipe ligações que se encon am nos de alhes de cada
egis o de culiná ia.
PALAV R A S -CHAVE On ologias, Tex os Não Es u u ados, P ocessamen o de Linguagem
Na u al, Tex Mining, Ex ação Au omá ica, Análise de Tex os.
iii

ABSTRACT
The esolu ion o p oblems wi hin a speci ic domain may adop dis inc app oaches. As such, i
is i al and impe a i e o elabo a e a con ex analysis o each and e e y single exis ing elemen
in he domain. Fo ha ma e , he use o an on ology allows he cons uc ion o a seman ic
en i onmen whe e he mos impo an ac o is he co ec iden i ica ion o he concep s and
i s a ibu es. The au oma ion o he whole p ocess enables he abili y o c ea e mo e scalable
and sus ainable on ologies while ex ac ing knowledge based on he same p emises and
pa e ns. An au oma ic ex ac ion eases he analysis and unde s ading o he in o ma ion
p esen ed in a p oblem, usually w i en in na u al language. This disse a ion akes ocus on
he knowledge ex ac ion in uns uc u ed ex s — culina y ex s o be p ecised — wi h he
sole goal o gene a ing an on ology ha exposes he knowledge in e wined be ween ecipes.
The main challenge p esen s i sel as iden i ying he co ec ele an e ms, based upon
con ex analysis and linguis ics, and o malizing he ela ions among hem. Using he p ope
con ol and au oma ion mechanisms ensu e he bes esul s when e ie ing knowledge om
uns uc u ed ex s. Those mechanisms a e chosen ega ding linguis ic cha ac e is ics and
he co pus domain.
The gene a ed on ology will be used as he backend o a web pla o m, whe e he use
may sea ch o he desi ed ecipes impo ed in he sys em. Thus, he connec ion be ween
ecipes is highligh ed when sea ching o a speci ic e m and he hype links embedded in
ecipe de ailed in o ma ion.
KEYWORDS On ology, Uns uc u ed ex s, Na u al Language P ocessing, Tex Mining,
Domain, Au oma ic Ex ac ion, Tex Analysis.
i
ÍNDICE
1INTRODUC¸˜
A O 4
1.1 Con ex ualizac¸ ˜
ao 4
1.2 Mo i ac¸ ˜
ao e Obje i os 6
1.3 T abalho Realizado 7
1.4 Es u u a da Disse ac¸ ˜
ao 8
2EXTRAC¸˜
A O AU TO M ´
ATICA DE ONTOLOGIAS 9
2.1 On ologias 9
2.1.1 U ilidade de uma On ologia 11
2.1.2 Exemplo: On ologia de Recei as 12
2.1.3 U ilidade do Exemplo 12
2.2 Semˆ
an ica e In e ope abilidade 13
2.3 Ex ac¸ ˜
ao de On ologias 14
2.3.1 Ex ac¸ ˜
ao Semiau om´
a ica de On ologias 14
2.3.2 Ex ac¸ ˜
ao em Tex os Semies u u ados 16
2.3.3 Au oma izac¸ ˜
ao da Ex ac¸ ˜
ao de Conhecimen o em Tex os n˜
ao Es u u ados 16
2.3.4 Van agens e Des an agens 18
2.4 Abo dagens e T´
ecnicas de Ex ac¸ ˜
ao 19
2.5 Sis emas e Aplicac¸ ˜
oes 23
3O CASO DE ESTUDO 27
3.1 Ap esen ac¸ ˜
ao Ge al 27
3.2 P oblemas e Desa ios 28
3.3 Idealizac¸ ˜
ao da On ologia 30
3.4 O P ocesso de Ex ac¸ ˜
ao 31
3.4.1 On ology Lea ning Laye Cake 31
3.4.2 P ocessamen o Tex ual 33
3.4.3 Ex ac¸ ˜
ao de Te mos 34
3.4.4 Pad ˜
oes de Hea s 35
3.4.5 Concei os 38
3.4.6 Relac¸ ˜
oes e Reg as 40
3.5 P ese ac¸ ˜
ao da On ologia 41
iii
ÍNDICE i
4A N ´
ALISE DE RESULTADOS 42
4.1 O Ambien e de Tes es 42
4.1.1 De alhes da Recei a 48
4.1.2 Sis ema On ol´
ogico 48
4.1.3 Impo ac¸ ˜
ao de uma Recei a 49
4.2 An´
alise da On ologia 54
4.3 U ilidade e Viabilidade 55
5CONCLUS ˜
O E S E T R A B A L H O F U T U R O 56
5.1 Conclus˜
oes 56
5.2 T abalho Fu u o 58
ÍNDICE DE FIGURAS
Figu a 1 Classi icac¸ ˜
ao dos e mos em concei os 15
Figu a 2 P o ´
eg´
e24
Figu a 3 Es u u a b´
asica de uma ecei a 30
Figu a 4 On ology Lea ning Laye Cake (Mish a & Jain, 2014) 32
Figu a 5 Ex ac¸ ˜
ao de p ocessos de culin´
a ia a a ´
es dos Pad ˜
oes de Hea s 38
Figu a 6 Exemplo de um concei o e espe i as en idades 39
Figu a 7 Exemplo da elac¸ ˜
ao en e ”Recei a”e qualque concei o da on ologia 40
Figu a 8 Au en icac¸ ˜
ao no sis ema 43
Figu a 9 Ambien e de en ada — Home — do sis ema 43
Figu a 10 Impo ac¸ ˜
ao de ecei as — o p imei o passo. 44
Figu a 11 Impo ac¸ ˜
ao de ecei as — o segundo passo. 45
Figu a 12 Impo ac¸ ˜
ao — ´
Ul imo passo — Pa e I 45
Figu a 13 Impo ac¸ ˜
ao — ´
Ul imo passo — Pa e II 46
Figu a 14 Resul ados de um p ocesso de pesquisa 47
Figu a 15 O modelo concep ual da on ologia 47
Figu a 16 Recei a — De alhes 48
Figu a 17 Conjun o de esul ados esul an es da hipe ligac¸ ˜
ao do p ocesso ”coze ” 49
Figu a 18 Recei a 79 — Salm˜
ao e Solho 50
Figu a 19 Recei a 79 — Resumo da Impo ac¸ ˜
ao I 52
Figu a 20 Recei a 79 — On ologia (Neo4j) 53
Figu a 21 Recei a 45 — ”Pas ´
eis de Vaca” 54
1.4. Es u u a da Disse ação 8
1.4 ESTRUTURA DA D I S S E RTAÇÃO
Pa a além do p esen e capí ulo, es a disse ação in eg a mais qua o capí ulos, nomeada-
men e:
•
Capí ulo 2 — Ex ação Au omá ica de On ologias, em que se ap esen am de inições
conc e as de concei os abo dados ao longo da disse ação, nomeadamen e as p op ie-
dades de uma on ologia, a e olução do p ocesso de ex ação em ex os e, ambém,
algumas e amen as e me odologias ado adas nes a emá ica. Além disso, e idenciam-
se, ambém, os bene ícios e i ados des e ipo de implemen ação, na qual se o maliza
uma on ologia com base nas eg as e axiomas do domínio e se ca ac e iza a mesma
a a és da in o mação ex aída dos ex os não es u u ados, assim como po enciais
ulne abilidades in ínsecas à ex ação au omá ica de on ologias.
•
Capí ulo 3 — O Caso de Es udo, no qual se expõe de alhadamen e o p ocesso de
desen ol imen o de um sis ema de ex ação au omá ica de on ologias em ex os não
es u u ados, com aplicação conc e a ao li o de cozinha incluído no manusc i o 142
do A qui o Dis i al de B aga, inédi o e sem í ulo nem au o (po al a do p imei o ólio),
publicado sob o í ulo "As Recei as de Cozinha de um F ade Po uguês do Século
XVI" (Ba os, 2013). É ainda ca ac e izado odo o p ocesso de adução da linguagem
na u al pa a as es u u as de dados do sis ema, assim como as eg as e pad ões
que agem como mecanismos de con olo na ex ação do conhecimen o. Po úl imo, é
escla ecida a o ma como a in o mação é e ida no sis ema.
•
Capí ulo 4 — Análise de Resul ados, capí ulo no qual se ap esen a a in o mação
esul an e do p ocesso de inido no capí ulo an e io . Na p á ica, são e idenciadas as
an agens do uso do sis ema on ológico cons uído, bem como se ap esen a o ambien e
de es es que oi u ilizado, abo dando os seus p incipais aspe os, desde a ecnologia
u ilizada no seu desen ol imen o a é às uncionalidades que es ão disponí eis. Além
disso, é explicado o uncionamen o da pla a o ma desen ol ida pa a di ulgação dos
esul ados, desde a impo ação de ecei as a é à pesquisa de esul ados na base
on ológica c iada.
•
Capí ulo 5 — Conclusões e T abalho Fu u o, o úl imo capí ulo, ap esen a uma e os-
pe i a de udo aquilo que oi ei o, desde as decisões omadas, em con o midade com
os esul ados ob idos em di e en es abo dagens, a é às melho ias que a iam mais
iabilidade à in o mação ex aída. Além das conclusões, são e e idos alguns aspe os a
ape eiçoa ou desen ol e no sis ema, em abalho u u o.

2
EXTRAÇÃO AUTOMÁTICA DE ONTOLOGIAS
2.1 ONTOLOGIAS
Uma on ologia, na sua essência, de ine um conjun o de concei os elacionados en e si,
com a inalidade de c ia uma in e ope abilidade en e eles e o ma uma ligação semân ica
pe an e o domínio em causa. A semân ica ilus ada pela on ologia é cons i uída po classes,
p op iedades e elações, sendo es as úl imas que ligam os concei os en e si. Depois disso,
su gem as en idades, que são unidades ep esen a i as das classes, ou, em e mos ge ais,
concei os, com a inalidade de po oa a on ologia. Uma on ologia de domínio ep esen a
o conhecimen o ex aído de de e minada linguagem, p óp ia de um domínio especí ico,
pa indo da p emissa de que cada concei o em apenas um signi icado álido. Exis em
ainda on ologias supe io es, que são de inidas como um modelo de obje os comuns, que
podem se aplicados a di e sas on ologias de domínio, ou seja, um concei o, numa on ologia
supe io , pode á ep esen a á ios concei os em on ologias de domínio di e en es.
Rela i amen e às on ologias de domínio, as eg as e axiomas que as compõem são
de e minan es pa a a de inição dos concei os e en idades p esen es na on ologia. As eg as
são decla ações que desc e em in e ências lógicas, esul an es de a i mações impos as
pela on e de conhecimen o. Axiomas de inem-se como decla ações (incluindo eg as)
ep esen adas como o mas lógicas que comp o am a ideologia que a on ologia ep esen a
no seu domínio aplicacional.
9
2.1. On ologias 10
No âmbi o da Web Semân ica, su giu a necessidade de c ia uma linguagem que con-
seguisse e i ica a consis ência do conhecimen o, assim como ans o ma conhecimen o
implíci o em explíci o. Essa linguagem oi a OWL, Web On ology Language (Manko skii e
al., 2009). Es a linguagem pe mi e uma dis inção uní oca, e ambém de alhada, das classes,
p op iedades e elações. Além disso, com a OWL, a de inição das classes e elações, jun a-
men e com a espe i a o denação hie á quica, esul a num en iquecimen o da modelação
on ológica em g a os semân icos, conhecidos como RDF iples o e (www.on o ex .com).
Es e de ine-se como uma base de dados em g a o que a mazena oda a in o mação como
uma ede de obje os e usa in e ência pa a descob i no a in o mação de i ada de no as
elações. As iples o es exp essam uma elação en e sujei o, p edicado e obje o. Es e
o ma o pe mi e liga um sujei o a qualque obje o que cump a a p emissa es abelecida pelo
p edicado. O p edicado pode su gi que como uma elação que como uma p op iedade do
sujei o. Teo icamen e, a p ocu a po uma ecei a, numa on ologia, que enha um ing edien e
especí ico, pode se ep esen ada pela seguin e decla ação:
•Sujei o — "Recei a"
•P edicado — " em"
•Obje o — "ing edien e"
O sujei o e o obje o ap esen am-se como dois nodos, o que signi ica que o p edicado é
ep esen ado pelas ligações que os unem. Um dos aspe os nega i os des e o ma o é a
impossibilidade de ac escen a desc ições ou decla ações nas a es as. No en an o, es a
limi ação já não se e i ica em e sões mais a uais. O uso de decla ações sob e elações
auxilia na comp eensão da ligação en e duas en idades na on ologia.
Pa a e acesso à iples o e desejada, é necessá io u iliza um iden i icado que ca ac-
e iza a mesma de o ma dis in a de odo o uni e so de iplos disponí eis na Web. O
concei o nuclea do o ma o RDF iples o e, al como no pa adigma de semân ica de dados,
denomina-se Uni e sal Resou ces Iden i ie (URI). Tal como exis em cha es p imá ias pa a
se iden i ica em egis os, uni ocamen e, numa abela de um modelo elacional, o URI oi
c iado com o p opósi o de se i como um iden i icado único e uni e sal na Web. Es e
iden i icado é que pe mi i á, não só, usa o iples o e desejado, mas ambém execu a
que ies sob e a in o mação in e ligada e con ida no g a o semân ico.
Pa a e e ua consul as em qualque base de dados que consiga se mapeada pa a RDF,
u iliza-se SPARQL P o ocol and RDF Que y Language (SPARQL). Es a linguagem pad oni-
zada, especialmen e pa a RDF, in eg a uma uncionalidade de consul a de pad ões semân i-
cos jun amen e com as suas conjunções e disjunções. O esul ado das que ies execu adas
su gi ão como um conjun o de egis os ou como g a os RDF.
2.1. On ologias 11
2.1.1 U ilidade de uma On ologia
A aplicabilidade de uma on ologia é imensa, sendo ans e sal a qualque p oblema exis en e
no con ex o do mundo eal. As á eas de aplicação podem i desde as ciências da saúde ao
comé cio ele ónico, ou qualque ou a á ea que necessi e de explo a in o mação pa ilhá el
e eu ilizá el den o do seu domínio. Além de se uma o ma escalá el e sus en á el de
gua da in o mação, uma on ologia em como obje i o uma melho ges ão do conhecimen o
ex aído de um de e minado domínio. Uma on ologia é capaz de elaciona os a ibu os, e
elações, ine en es a um concei o e ice- e sa, pe mi indo uma análise e comp eensão mais
ápidas do que é expos o na on e de conhecimen o.
O maio bene ício que se pode ob e na u ilização de uma on ologia deco e do ac o de os
concei os es a em in e ligados, uncionando como um mecanismo au omá ico de aciocínio.
À semelhança do cé eb o humano, uma on ologia abalha e aciocina sob e odo o en edo
de concei os, c iando uma pe ceção eal daquilo que o domínio ap esen a. Pa a lá des a
g ande an agem, segue-se a e sa ilidade com que se pode adap a uma ideologia a uma
on ologia; al é o caso das a iadas á eas de aplicação que es e sis ema in eg a. Se, po um
lado, uma on ologia pode ep esen a uma a iedade de domínios di e en es, po ou o lado,
pode ap esen a -se como uma des an agem o ac o de, aquando da cons ução da mesma,
as es ições impos as pelas eg as e axiomas pode em limi a a in eg ação de no os dados
no sis ema. Quan o a es e úl imo pon o, o ideal se á es uda a on e de conhecimen o e
a sua es u u a, pa a que a o malização da solução seja anspa en e e espei ado a das
p emissas que são impos as pelo domínio.
Rela i amen e à emá ica a se abo dada pela on ologia, o uso des a úl ima pe mi e uma
dis inção deno a i a de odos os dados in eg ados no uni e so semân ico. Idealmen e, cada
pala a de e ia exp imi um signi icado único, mas al não acon ece, de ido a um simples
a o : o con ex o. As on ologias assumem o con ex o aduzido pelo domínio e a ibuem o
signi icado co e o às pala as ou e minologia. Es a ca ac e ís ica o e ece uma melho ia na
qualidade da classi icação dos concei os a de ini , o que, na p á ica, se aduz numa edução
da ambiguidade. A de inição de eg as e axiomas, no âmbi o de um domínio em pa icula ,
só de e á se e e uada uma ez, o que possibili a a inse ção de conhecimen o po pa e de
ou os agen es da mesma á ea de domínio. Po exemplo, no caso da á ea da biomédica, a
pa ilha de in o mação a a és da mesma on ologia po encia a in e ência de no os esul ados
e de no as descobe as, ou na culiná ia, em que a descobe a de pad ões gas onómicos
aduz um as o leque de cos umes de uma egião, além de en iquece , e possi elmen e
ape eiçoa , ecei as exis en es.
2.1. On ologias 12
2.1.2 Exemplo: On ologia de Recei as
A ualmen e exis em milha es de ecei as culiná ias espalhadas pelo globo, sendo mui as
delas pa e in eg an e da cul u a de uma egião, o nando-se mesmo adição em algumas
épocas do ano. Cada ecei a em á ios elemen os impo an es, e a sua combinação o na
cada esul ado num p a o de gas onomia di e en e de odos os ou os. Pa a con eciona
ais p a os, é necessá io que a ecei a exponha os ing edien es e quan idades dos mesmos,
bem como os u ensílios do âmbi o da sua con eção. Es a pa e é i al na p epa ação da
ecei a, bem como na ga an ia de que odo o p ocedimen o possa se e e uado. A segui ,
se á necessá io sabe como é que es es ing edien es ão se conjugados e a ados, sendo
es a pa e ep esen ada po p ocessos. Além de udo is o, cada p ocesso es á associado
a um de e minado espaço empo al, assim como a o alidade da ecei a. Imaginemos uma
on ologia que desc e a uma ecei a. Sem dú ida que Ing edien e se ia o concei o mais ób io
nes a on ologia, mas, além des e, é necessá io in es iga que ou os a o es se elacionam
com es e concei o e desempenham papel impo an e no âmbi o da culiná ia. Pa a além dos
ing edien es, iden i icam-se como concei os ele an es: Tempo, Quan idade, P epa ação,
U ensílios, P ocessos, E apa e Recei a. Depois de iden i icados odos os e mos ele an es,
se á necessá io es abelece p op iedades do obje o, is o é, como é que o concei o se
elaciona com os ou os, e a ibu os do obje o, que po no ma aduzem-se em ca ac e ís icas
do concei o. Po im, inicia -se-á o p ocesso de cons ução da eia semân ica que i á da
o igem a uma on ologia que desc e e o domínio de Recei as, assim como o papel que cada
en idade pa icipan e ep esen a e desempenha. O obje i o p incipal é pe cebe o luxo de
dados que cada classe, ulgo en idade, p o idencia à on ologia e o impac o que e á caso a
mesma não es eja bem de inida.
2.1.3 U ilidade do Exemplo
O caso desc i o ap esen a algum do aciocínio necessá io pa a da o igem a uma on ologia,
no malmen e u ilizado po engenhei os do conhecimen o ou especialis as em on ologias.
Es e é o papel que um sis ema de ex ação au omá ica de on ologias p e ende subs i ui ,
não só pa a poupa algum empo na c iação de on ologias, mas ambém pa a mi iga o
e o humano que es á p esen e na c iação manual de uma on ologia. Pa a além do lado
mais écnico, a on ologia de ecei as exempli icada pe mi e elucida sob e os concei os
ine en es ao domínio da culiná ia e como os mesmos se elacionam. Mais ainda, a on ologia
ap esen ada se e como um guião pa a o que de e á se a on ologia a se ge ada pelo
sis ema de ex ação au omá ica desen ol ido ao longo des a disse ação. Es e exemplo
em como inalidade mos a a acilidade com que a in o mação é expos a, pe mi indo uma
melho pesquisa de ecei as. Na p á ica, pode á se i a uma pessoa que enha uma
2.2. Semân ica e In e ope abilidade 13
aga ideia do p ocedimen o da con eção de uma ecei a, mas que, com ou a ecei a que
pa ilhe os mesmos ing edien es, já enha eunidas odas as condições pa a con eciona o
p a o. Aplicando a mesma lógica aos p ocessos, quem es á enca egado de con eciona
pode á que e um p a o que enha ob iga o iamen e que possui um elemen o i o, ou
g elhado. Aplicando is o a odas as classes da on ologia, pe mi i á ao u ilizado poupa mui o
empo de pesquisa, pois a seman icidade e cong uência do sis ema on ológico assim o
pe mi e. Uni o mizando cada ecei a, a homogeneidade se á ans e sal a oda a base de
conhecimen o in eg ada no domínio da culiná ia.
2.2 SEMÂNTICA E INTEROPERABILIDADE
As á ias cono ações que uma pala a adqui e es ão semp e dependen es da linguís ica
e es ão di e amen e elacionadas com a o ma como o au o da ase as u iliza e com o
con ex o em que as inse e. Es e aspe o pe ence ao âmbi o da semân ica. A in e p e ação
de pala as, ases ou sinais de e mina a nossa comp eensão do discu so o al e esc i o, em
ge al, a nossa comp eensão dos ou os. O esul ado des a comp eensão mani es a-se nas
decisões que são omadas e in luenciadas pela cono ação que cada pessoa a ibui a cada
pala a. A semân ica pode ainda se a e ada na linha empo al, e espacial, con o me se ão
ap endendo ou c iando no as cono ações e pe dendo ou as; a a-se da e olução semân ica
a que es ão sujei os os lexemas.
A in e ope abilidade de ine-se pela habilidade que di e en es sis emas, aplicações ou
disposi i os êm pa a se conec a em e comunica em en e si sem que haja um es o ço em
pa icula pa a que al acon eça. Es e concei o não só pe mi e a exis ência de p oje os em
la ga escala como expande ho izon es, e é a azão pela qual exis em sis emas modula es
num mundo cada ez mais di e si icado de soluções di ecionadas pa a p opósi os especí icos,
mas que são capazes de oca in o mação com sis emas comple amen e dis in os (Mesla i
e al, 2019). No undo, a in e ope abilidade pe mi e a li e ansmissão e acesso de dados
p esen es em di e sos sis emas, desconside ando o au o ou a o igem dos dados.
É impo an e salien a que exis em ainda á ios ipos de in e ope abilidade, dos quais são
dignos de no a os seguin es (Muche oni & Modes o, 2011):
•
In e ope abilidade sin á ica — Ca ac e iza-se po se uma uncionalidade que pe mi e
com que os sis emas consigam comunica en e si a a és de p o ocolos e o ma os
compa í eis. Pa a acili a es a a e a, o am c iados o ma os uni e sais, como é o caso
do XML, JSON, CSV, e c. Es e ipo de in e ope abilidade pode ambém se mencionado
como in e ope abilidade es u u al.

2.3. Ex ação de On ologias 14
•
In e ope abilidade semân ica — Capacidade que pe mi e aos sis emas oca e, de
o ma p ecisa, in e p e a in o mação de o ma au omá ica. Tal acon ece quando a
es u u a dos dados é uni o me en e odos os sis emas en ol idos.
•
In e ope abilidade en e domínios ou o ganizações — Nes e ipo de in e ope abili-
dade são de inidas polí icas, boas p á icas e equisi os en e sis emas dis in os. Es e
caso em pa icula não p e ê, necessa iamen e, uma es u u a de dados homogénea,
nem p o ocolos de u ilização ob iga ó ia pa a o uncionamen o e in e ope abilidade
en e pla a o mas. Em suma, são apenas ulc ais os aspe os que não sejam écnicos.
A in e ope abilidade ecnológica, aliada à semân ica, pe mi e eu iliza ecu sos já exis en es,
além de combina es o ços pa a um obje i o inal e comum: es abelece uma qualidade
ans e sal en e sis emas. Com a eme gência da necessidade de compa ibiliza sis emas
ela i amen e à oca de in o mação, as on ologias passa am pa a o p imei o plano como
uma solução pa a p oblemas de in e p e ação de dados. O mesmo acon ece na in o mação
que ci cula en e sis emas. Nesse sen ido, as on ologias p ocu am ag upa conjun os de
cono ações de um concei o pa a acili a a comp eensão, pe mi indo ao sis ema he da uma
e minologia.
2.3 EXTRAÇÃO DE ONTOLOGIAS
2.3.1 Ex ação Semiau omá ica de On ologias
A cons ução manual de uma on ologia é mui as ezes demasiado demo ada pa a os
pe i os no domínio, pois eque uma la ga análise do con ex o em causa e a co esponden e
iden i icação de odos os elemen os pe inen es pa a a cons i uição on ológica. A pesquisa
des a emá ica, nos dias de hoje, ecai maio i a iamen e sob e a cons ução semiau omá ica e
au omá ica, de manei a a ul apassa os p oblemas iden i icados no p ocesso de cons ução
manual da on ologia. A ex ação (semi)au omá ica de on ologias, ou On ology Lea ning
(Mish a & Jain, 2014), ca ac e iza-se pela ecolha dos e mos do domínio e elações en e
concei os que os e mos ep esen am, a pa i de uma on e de conhecimen o de ex os
esc i os em linguagem na u al (Choudha y & Toma , 2014). O esul ado des e p ocesso é
con e ido, pos e io men e, numa linguagem on ológica que pe mi i á uma ápida pesquisa
da in o mação ca alogada.
A p imei a e apa que ca ac e iza es e p ocesso passa pela ex ação da e minologia
do domínio. É aqui que são ex aídos e ca alogados odos os e mos que pode ão, ou
não, se ele an es pa a a on ologia. Nes a lis a de possibilidades, cabe a um pe i o do
domínio dis ingui o que é ou não ele an e no âmbi o da emá ica, ou en ão, a ibui es a
esponsabilidade a um conjun o de mecanismos de con olo e dis inção, a a és de análise
2.3. Ex ação de On ologias 15
es a ís ica ou de pad ões ex uais. Ainda nes a ase, odos os sinónimos são ag upados pelo
simples ac o de pa ilha em o mesmo signi icado, consequen emen e, são ca ac e izados
pelo mesmo concei o.
De seguida, p ocede-se à ca ac e ização dos concei os (Figu a 1), que não são mais
do que as ins âncias ep esen a i as dos e mos ex aídos. Os concei os são es u u ados
de o ma axonómica, ipicamen e eco endo a eg as pa e- odo. Es as eg as e i icam
se o e mo é uma ins ância de um concei o p e iamen e de inido e são esponsá eis pela
alidação de uma subclasse desse concei o. No en an o, a amen e es as e i icações se ão
i iais, pois a de inição das mesmas en ol e uma comp eensão mais complexa. Além des as
es ições, de em es a aliado um conjun o de p op iedades, de p e e ência e elado as de
um concei o especí ico, que pe mi a colma a a, po ezes, de icien e ca ac e ização de uma
subclasse.
Figu a 1: Classi icação dos e mos em concei os
Uma ez que odos os concei os sejam iden i icados, segue-se a iden i icação das elações
não axonómicas que es abelecem um elo de ligação en e concei os. Es a a e a pode
se ei a a a és de associações, que são de inidas com base em exp essões ou pad ões
ca ac e ís icos da linguagem na u al. Uma ou a abo dagem passa pela ex ação de e bos,
que endencialmen e ep esen am ações de um e mo sob e ou o, que pe mi em in e i uma
elação en e concei os. A p ecisão que ambas as abo dagens ap esen am ca ece de es es
e a aliação de aco do com o caso de es udo.
A de adei a e apa assinala um conjun o de eg as que ca ac e izam odo um conjun o
de concei os. A a és de uma análise sin á ica da linguagem na u al, de e minam-se ce as
dependências e ca ac e ís icas que de inem essas mesmas eg as. O esul ado do uso
des as eg as aduz-se numa lis a de axiomas que desc e em o malmen e os concei os.
2.3. Ex ação de On ologias 16
2.3.2 Ex ação em Tex os Semies u u ados
Uma on ologia é ão boa quan o a qualidade da in o mação que a de ine, e em elação a
es a úl ima, a esponsabilidade ecai in ei amen e sob e o p ocesso de ex ação, e nes e
caso em conc e o, de ex os semi es u u ados. Tex os semies u u ados es ão ge almen e
associados a in o mação esc i a e apoiada em linguagem de ma cas, ulgo ags, que
acili am a iden i icação dos concei os que a ão pa e da on ologia. Além des as ma cas
explíci as no ex o, o documen o a se analisado pode ainda inclui uma composição es u u al
homogénea que possa e idencia um signi icado axonómico. A ideologia aplicada nes a
ex ação é simples – as ma cas iden i icam uni ocamen e o que o e mo ep esen a –, e
e i a, assim, eco e a écnicas de ex ação mais elabo adas, que se apoiam na análise
con ex ual. Nes e caso, é ob ido o conhecimen o ap esen ado na on e sem que o sis ema
saiba necessa iamen e odo o con eúdo e con ex o ex ual. Uma ez coligidos odos os
e mos ma cados, a sua elação com os es an es se á quase anspa en e e a on ologia
se á o mada em e apas sucin as.
Apesa da apa en e panóplia de an agens associadas a es e ipo de ex os, as des an a-
gens são p opo cionalmen e mensu á eis em es o ço necessá io pa a ans o ma o ex o
esc i o em linguagem na u al em ex o semies u u ado. Ou a des an agem igualmen e e i-
den e eside no ac o de e que se edesenha odo o p ocesso de pa sing, caso a linguagem
na u al so a al e ações ou passe a inclui no os elemen os.
2.3.3 Au oma ização da Ex ação de Conhecimen o em Tex os não Es u u ados
A ex ação de con eúdo pe encen e ao domínio é, em g ande pa e das ezes, mo osa,
ob igando a quem de ém a capacidade de e e i e iden i ica obje os ele an es pa a a
on ologia, a uma no a análise con ex ual semp e que su ge uma no a on e sob e o mesmo
domínio. Como espos a a es e p oblema, e ambém po o ma a uni o miza o con olo
e ex ação do conhecimen o, iniciou-se a au oma ização des e p ocesso. Ao con á io do
que acon ece em ex os semies u u ados, os e mos ele an es pa a a on ologia não es ão
ma cados, o que o na a ase analí ica do con ex o um pouco mais complexa. Enquan o em
ex os semies u u ados a ex ação é di e a, nes e ipo de es u u a ex ual se á necessá io
eco e a écnicas de p ocessamen o de linguagem na u al e de ex mining. O obje i o
se á semp e ap oxima dos 100% a e icácia de iden i icação e ex ação dos concei os
p edominan es, e pa a isso se á necessá io analisa e a a cuidadosamen e a in o mação
ap esen ada e não es u u ada. É impo an e salien a que a on ologia só a á sen ido se as
pala as-cha e o em odas iden i icadas, caso con á io, a ase seguin e acon ece á de o ma
de ei uosa. Pos e io men e, uma ez que os concei os es ejam analisados e co e amen e
2.3. Ex ação de On ologias 17
iden i icados, são en ão c iadas as elações que da ão alo à on ologia e pe mi i ão uma
ápida abo dagem e conhecimen o de odo o con eúdo p esen e no domínio.
No que oca aos p ocessos de ex ação em si, podem se ado ados á ios mé odos, desde
a ca ac e ização de pad ões ex uais e a ex ação de con eúdos com base na equência
ela i a das pala as a é à ex ação de elemen os linguís icos p óp ios do domínio ou do
au o , sendo odos es es p ocessos ele an es pa a uma melho qualidade no pa sing e pa a
a comp eensão da á ea de conhecimen o a se es udada.
Em qualque egis o con empo âneo de culiná ia, o au o cos uma di idi cada ecei a em
á ios blocos desc i i os: o í ulo da ecei a, os ing edien es e espe i as dosagens, e, po
úl imo, o p ocedimen o. Além des es, pode ão e en ualmen e su gi no as ou apon amen os
que acili em a lei u a do público al o. Po isso, é impo an e di idi a es u u a ex ual em
á ios blocos de in o mação pa a acili a a de inição do adu o de linguagem na u al em
conhecimen o explíci o. Es e é o caso do ex o edi ado do códice de ecei as do A qui o
Dis i al de B aga, con udo, nas ecei as an igas, e al como elas su gem nes e manusc i o,
não se ap esen am p e iamen e odos os ing edien es e espe i as dosagens, nem ou as
no as explica i as ou escla ecedo as, o que oi ac escen ado pelo edi o e explicado nos
c i é ios de edição (Ba os, 2013). As ecei as de séculos p e é i os e am equen emen e
esc i as num egis o ápido, num único bloco, explicando mais os menos sucin amen e
(po ezes demasiado suma iamen e) o p ocedimen o, ao mesmo empo que ão sendo
nomeados os ing edien es, e nem semp e indicando quan idades e empos, ou azendo-o
de modo pouco homogéneo e sis emá ico, já que as ecei as, endo alo pa imonial, e am
colecionadas de á ias on es ao longo dos séculos. Na p esen e disse ação, u ilizámos a
e são in e p e a i a (com g a ia a ualizada) do ex o já edi ado, com odos os dados o gani-
zados e inse idos manualmen e pelo edi o , nomeadamen e os ela i os aos ing edien es e
quan idades, ex aídos do bloco de ex o de cada ecei a e colocados logo após o í ulo da
mesma, em amanho de le a meno , pa a mais ácil o ien ação do lei o /u ilizado .
Os algo i mos e dicioná ios a aplica ao ex o dependem o emen e da língua e da
linguís ica, ou seja, do discu so usado, o que eque que haja uma in e p e ação da linguagem
na u al exis en e ase a ase, pa ág a o a pa ág a o. Pa a uma análise ainda mais de alhada,
eco e-se à di isão do luxo de ca a e es, is o é, gua dam-se odos os elemen os ex uais em
o ma de okens. Es as ano ações pode ão se pala as, núme os ou a é mesmo pon uação,
caso seja ele an e pa a o caso em es udo. A língua po uguesa dá uso a p e ixos e
su ixos pa a o ma de i ações de uma pala a p imi i a, ou aiz, e no con ex o on ológico,
cada concei o de e se iden i icado uni ocamen e, ejei ando e mos que possam c ia
ambiguidades.
A comp eensão do documen o eque uma análise an o global como mais de alhada, ou,
mais conc e amen e, sin á ica. Exis em esses dois ipos de análise a se em e e uados aos
ex os não es u u ados, a ní el mac o e a ní el mic o. A p imei a oca-se numa comp e-
2.5. Sis emas e Aplicações 24
P o égé
Pa a a cons ução de on ologias, o P o égé — S an o d Cen e o Biomedical In o ma ics
Resea ch, (s.d) — pe mi e es u u a uma on ologia sob e os á ios componen es da mesma.
Es a e amen a o e ece uma in e ace g á ica que pe mi e cons ui manualmen e classes,
a ibu os e elações, assim como eg as e es ições aplicadas aos componen es e e idos. O
P o égé (Figu a 2) pe mi e c ia hie a quia de classes com o in ui o de explici amen e e iden-
cia a axonomia nos concei os. Uma ez de inidas as classes, as elações e p op iedades
podem se de inidas e a ibuídas de o ma simples e in ui i a, e pode-se, inclusi amen e,
de ini o ipo de dados de cada p op iedade. É pe mi ido ainda ins ancia obje os pa a po oa
a base de conhecimen o e expo a oda a on ologia em di e sos o ma os.
Figu a 2: P o égé
SOBA (Sma Web On ology-based Anno a ion)
Desen ol ido na uni e sidade de Kalsh uhe (Alemanha), o SOBA (Bui ella e al, 2006)
po oa au oma icamen e uma base de conhecimen o a pa i de in o mação ex aída de
páginas web. É compos o po um web c awle , componen es pa a ano ação linguís ica e um
módulo inal pa a as ans o ma em ep esen ação on ológica. A emá ica é o u ebol, mais
conc e amen e, o Mundial de 2002 e 2006, e a in o mação encon a-se ep esen ada ou em
o ma o abula ou em imagens, pa a se mais especí ico, as legendas da imagem.
On oLea n
Baseado em écnicas de NLP e machine lea ning, o On oLea n (Na igli e al., 2004), um
sis ema de ex ação au omá ica de on ologias, ca ac e iza-se po ês ases, nomeadamen e:

2.5. Sis emas e Aplicações 25
ex ação de e mos, in e p e ação semân ica dos mesmos e e olução da on ologia. Na
p imei a ase, os e mos, que podem se pala as ou exp essões, são ex aídos com ecu so
a écnicas es a ís icas de p ocessamen o de linguagem na u al. A a és de documen os
gené icos e documen os especí icos do domínio, o sis ema consegue il a e mos que não
pe ençam à e minologia do domínio. Após a inse ção dos documen os pe encen es ao
domínio no sis ema, es e úl imo e o na uma lis a de e mos plausí eis após uma análise
sin á ica. A ele ância dos e mos é mensu ada a a és da elação di e a que um e mo em
com o documen o e a a és da a e ição dos e mos que pe encem ao domínio. Com ecu so
a es as medidas, os e mos candida os são il ados a a és de um g au de associação que
de e mina se o e mo é ou não ele an e.
A segunda e apa esume-se à análise de pala as compos as ou exp essões e à sua co e a
in e p e ação. A a és de um algo i mo SSI (S uc u al Seman ic In e connec ion), baseado
em co espondência de pad ões sin á icos, o sis ema execu a a a e a de desambiguação
semân ica. Es e algo i mo p oduz um g a o semân ico que alida a elação en e e mos.
Uma ez que os e mos enham sido seman icamen e in e p e ados, a úl ima ase enca ega-
se de inse i os no os e mos nos nodos ap op iados da on ologia inicial. Em úl ima ins ância,
a on ologia ge ada é con e ida pa a o o ma o OWL.
On ogen
O sis ema On ogen (Fo una e al., 2007) é ca ac e izado como um edi o semiau omá ico
de on ologias que in eg a algo i mos de machine lea ning e ex mining; o On ogen ex ai
pala as-cha e e suge e-as como concei os candida os, a pa i de documen os inse idos no
sis ema como inpu . Cada concei o suge ido é acei e, ou não, pelo u ilizado e, no p imei o
caso, anexado ao documen o em que oi encon ado. Uma ez e e uado es e mapeamen o, o
u ilizado pode p ocu a po documen os que enham um de e minado concei o. O p imei o
p o ó ipo oi u ilizado em domínios como negócios, legislações e biblio ecas digi ais, e
manuseado po especialis as do domínio com pouco conhecimen o ou expe iência em
cons ução on ológica.
On oLT
OOn oLT (Mylopoulos, 2003) é um plugin do P o égé que pe mi e ex ai au oma icamen e
concei os e elações com o igem numa coleção de ex os linguis icamen e ano ados. Pa a
cump i es e p opósi o, o On oLT mapeia as en idades linguís icas con idas nos ex os
com as classes/p op iedades no P o égé, com ecu so a eg as. Os ex os analisados,
em o ma o XML, incluem ano ações sin á icas e mo ológicas, que, consequen emen e,
pe mi em elaciona e cons ui classes, subclasses e elações de um domínio especí ico. O
mapeamen o é ei o a a és de exp essões X-Pa h, que se ca ac e izam como exp essões que
pe mi em na ega pela es u u a do XML e ex ai os elemen os p e endidos. A cons ução de
2.5. Sis emas e Aplicações 26
eg as sin á icas é ei a a a és de algo i mos es a ís icos, com o in ui o de de ini a ele ância
de cada e mo.
On obuilde
OOn obuilde (Roi man & Gal, 2006) é uma e amen a que oi especialmen e desenhada
pa a se compo a como um web b owse , auxiliando na cons ução on ológica com in o -
mação p o enien e de dados semies u u ados, como XML ou HTML. Ao in oduzi o URL
de uma página web desejada, o seu con eúdo é ex aído e a on ologia é o mada a pa i
desse con eúdo. O p ocesso de cons ução on ológica em duas ases: uma ase de eino,
na qual a on ologia é c iada com base no con eúdo ex aído, p o enien e da página web
ende eçada no URL ap esen ado pelo u ilizado , e uma ase de adap ação, que se de ine
pelo g adual e inamen o da on ologia p e iamen e o mada, a a és de no as ex ações de
páginas web. Po cada página web ex aída, a on ologia esul an e desse p ocesso con e ge
com a on ologia já exis en e.
Tex o On o
O sis ema Tex o On o (Maedche & S aab, 2000) in eg a uma in aes u u a de ges ão de
on ologias com um conjun o de e amen as capaz de cons ui uma on ologia a pa i de
uma exis en e e mais gené ica. Com ecu so a eg as do domínio e écnicas de machine
lea ning pa a descob i concei os, os e mos são ex aídos con o me a sua equência de
oco ência e dis ibuição pelos ex os. As elações semân icas e axonomia são ex aídas
com ecu so a eg as de associação ou pad ões linguís icos. O esul ado p oduzido aduz-se
numa on ologia de domínio (Maedche e S aab, 2000).
3
O CASO DE ESTUDO
3.1 APRESENTAÇÃO GERAL
O obje o de es udo des a disse ação é um conjun o de ecei as p esen e na ob a —"As
Recei as de um F ade Po uguês no séc. XVI" (Ba os, 2013). Es as ma cas do passado, mas
que pe manecem bem p esen es, o am egis adas no manusc i o 142 do A qui o Dis i al
de B aga, de o igem desconhecida mas que passou pela an iga Biblio eca do Mos ei o de
Tibães, ence ando algumas das ecei as e e ências his ó icas que emon am ao século XVI.
A ausência de uma e e ência ao au o do manusc i o, po al a da p imei a olha do mesmo,
e o ac o de (apenas) se mencionado num ca álogo de Tibães, que da a do ano de 1743,
como A e de Dozinha ou Me hodo de aze guizados, s.d., bem como alguns aspe os do seu
con eúdo, não con i mam a ideia de que se es eja pe an e uma a e da cozinha con en ual
benedi ina. O ade José Joaquim de San a Te esa decidiu, naquela da a, euni a iados
manusc i os espalhados pela cong egação e p ocedeu ao egis o dos mesmos na biblio eca
do Mos ei o de S. Ma inho de Tibães. Com base nas p imei as g amá icas po uguesas, é
possí el conclui que a língua e as g a ias a iá eis p esen es na ob a apa en am emon a
aos séculos XVI-XVII, e daí o í ulo a ibuído à ob a em es udo, na qual se edi a pela p imei a
ez o manusc i o, anónimo e sem da a, mas com e e ências his ó icas quinhen is as no
in e io de á ias ecei as (Ba os, 2013).
O p imei o dos ês cade nos do manusc i o 142 ap esen a uma as a cole ânea de p a os
de culiná ia, ag egando a omas de á ias cul u as e ci ilizações, que culmina numa mis u a
exó ica e mui o ca ac e ís ica. A ob a "As Recei as de um F ade Po uguês no séc. XVI" dá a
conhece uma on e ica em ma é ia de es udo, com di e sos elemen os, que, apesa de se
epe i em em di e sas ecei as, não aduzem um esul ado análogo. São ainda ap esen adas
algumas ano ações na edição do manusc i o, de índole di e en e na lição semidiplomá ica
(que inclui oda a a iação o og á ica) e na in e p e a i a (com g a ia a ualizada), pa a o na
a sua lei u a e comp eensão ainda mais p ecisas.
A ob a con ém quase ezen as ecei as, e um di e si icado conjun o de combinações
de p ocessos, que dão o igem a di e en es esul ados. A sequência e epe ição des es
p ocessos são a o es a e em con a na análise dos di e sos documen os, bem como os
27
3.2. P oblemas e Desa ios 28
ing edien es e espe i as quan idades. No âmbi o des a disse ação, se ão explo adas as
di e sas indicações culiná ias, cuidadosamen e iden i icadas e com g a ia mode nizadas,
o que pe mi i á ex ai a o es ele an es sob e as mesmas. Após se em me iculosamen e
analisadas, essas indicações se ão eunidas a ou as exis en es e espe i as p op iedades.
Depois, cada ecei a se á inco po ada num ichei o de ex o, pa a que, em ase pos e io ,
possam se analisadas indi idualmen e. Cada egis o de ca iz culiná io encon a-se esc i o
de o ma peculia , num po uguês e udi o e pouco con encional. Po ém, é ácil a sua
comp eensão, uma ez que é bas an e simila ao dos dias de hoje, e, esc i o des a o ma,
p ese a a au en icidade de cada ecei a.
3.2 PROBLEMAS E DESAFIOS
Es a disse ação assen a no es udo de um manusc i o de ecei as, edi ado em lição conse a-
do a ( espei ando a g a ia do mesmo), endo como in ui o a ex ação, a análise e a exposição
do seu con eúdo culiná io. Os egis os de culiná ia, p esen es nes e manusc i o, e elam
os p ocedimen os da cozinha po uguesa, assim como especia ias e adições, da ados
a é ao século XVI. Po o ma a a alia a complexidade e o desen ol imen o de um sis ema
capaz de cump i os equisi os dos mecanismos de ex ação au omá ica de on ologias, o am
en en ados os seguin es p oblemas e consequen es desa ios:
1.
Ca ac e ização da linguagem na u al — Numa p imei a ase, é c í ico e impe a i o
o es udo des e manusc i o, não só a ní el con ex ual como a ní el es u u al, com o
obje i o de es abelece uma base de conhecimen o e pe cebe os pad ões de esc i a,
assim como ca ac e iza a linguagem na u al. Assim, pa a da início ao p ocesso de
ex ação, é necessá io aze uma adução da linguagem na u al com o p opósi o de
ca ac e iza cada e mo.
2.
P ocesso de ex ação — Es a e apa não conside a apenas a ealização de uma
simples escolha de abo dagem e, consequen emen e, da sua execução. Cada caso
de es udo em as suas pa icula idades, ais como pad ões, linguís ica, equência de
e mos e he e ogeneidade en e documen os (já que as ecei as são habi ualmen e
colecionadas de á ias on es, ao longo dos anos e séculos, a é su gi em jun as num
só códice). Pa a além do es udo des as pa icula idades, é ainda necessá io e e ua
alguns es es p á icos pa a p o a a sua aplicação. Ainda nes a e apa, e dependendo
da abo dagem escolhida, de em se ca ac e izados pad ões de esc i a, no caso de
uma abo dagem bo om-up, de inidos mecanismos de con olo de equência de e mos,
numa abo dagem es a ís ica, ou, numa me odologia op-down, analisado sin a icamen e
o con eúdo dos documen os.
3.2. P oblemas e Desa ios 29
3.
Ca ac e ização de concei os — Ainda na análise do caso de es udo, é impo an e
iden i ica quais os concei os que de em se o malmen e iden i icados. Alguns podem
se iden i icados simplesmen e pela lógica ado ada po ou os documen os do mesmo
domínio, enquan o ou os e ão que se iden i icados a a és de eg as o malmen e
de inidas ou po elações que e elem a sua iden idade.
4.
Fo malização de eg as e elações — Es a é, p o a elmen e, a e apa mais decisi a
na cons ução on ológica. As eg as e elações não só ca ac e izam cada e mo
como homologam cada en idade ep esen a i a a um concei o. O desa io ine en e à
ca ac e ização de eg as e elações ap esen a-se como um conjun o de ca ac e is icas
e a ibu os que de em se desc i os o malmen e, e idenciando uni ocamen e o luga
de um e mo na on ologia.
5.
Aplicabilidade num sis ema eal — Aqui p e ende-se descob i como i a pa ido
da on ologia ge ada e i a p o ei o da semân ica que a mesma o e ece. Em que
ci cuns âncias a mesma pode se modi icada e como o na o seu c escimen o o mais
escalá el e e olu i o possí el, são dois aspe os a e em con a. Em suma, de ini como
o na isí eis as an agens que a on ologia o e ece.
Além dos p oblemas enume ados, nes e abalho o am iden i icados alguns desa ios, no
p ocesso de ex ação, que eque em alguma a enção, sendo eles:
1.
Semân ica — Um dos p oblemas de e ados em p imei o luga oi o ac o de os ma-
nusc i os possuí em uma esc i a algo e udi a, o que em algumas si uações o na
complicada a co e a in e p e ação do p ocesso ou ação pa a o analisado sin á ico.
Con udo, es e p oblema de e á se ul apassado se as eg as de inidas pa a cada
concei o o ca ac e iza em co e amen e.
2.
Análise sin á ica — Tendo em con a o egis o de esc i a p esen e nos ex os analisados,
po ezes é quase impossí el iden i ica p ocessos que se encon em sob a o ma de
subs an i os. Tendencialmen e, os e bos são semp e aduzidos em ações e é com
base nessa lógica que a ex ação de p ocessos se baseia, em g ande pa e dos casos.
3.
P ocessos de culiná ia — P o a elmen e, a a e a mais complexa nes e caso de
es udo cen a-se na dis inção en e uma simples ação e um p ocesso es i amen e
ligado à culiná ia. Po exemplo, a ase "... lhe me em den o um ou dois olhos
de cou es segundo a quan idade de sopas que que em aze , ...", não nos pe mi e
dis ingui o malmen e se o e bo ano ado é um p ocesso de culiná ia ou uma ação
que não seja p op iamen e e elado a do domínio em es udo. Nes e caso, o e bo
ano ado pode ia acilmen e se subs i uído pelo e bo " e e ", que já se enquad a num
p ocesso ligado à culiná ia.

3.3. Idealização da On ologia 30
4.
P ecisão — Em condições ideais, o sis ema de e ia consegui iden i ica e ca ac e iza
odos os p ocessos de culiná ia p esen es na con eção de uma ecei a. Con udo,
al não acon ece, de ido ao ac o de cada documen o e a sua p óp ia iden idade e
cada p ocesso pode ap esen a -se de o ma quase impossí el de se iden i icada. No
en an o, um sis ema que ap esen e uma axa de p ecisão acima dos 80% disponibiliza-
nos esul ados bas an e acei á eis e iá eis.
3.3 IDEALIZAÇÃO DA ONTOLOGIA
Após a análise dos ex os de culiná ia, oi possí el di idi cada ecei a em ês blocos
de in o mação (Figu a 3) pa a acili a o a amen o dos dados, podendo cada um se
ca ac e izado da seguin e o ma:
•Bloco 1 — Cons i uído po iden i icado da ecei a e espe i o í ulo.
•
Bloco 2 — Ca ac e izado pela desc ição dos ing edien es pe encen es à ecei a, e
opcionalmen e, podendo con e algumas ano ações adicionais — o con eúdo des e
bloco II (Ing edien es) não igu a no manusc i o, sendo da esponsabilidade do edi o
(Ba os, 2013), que ex aiu esses dados do co po de cada ecei a, onde igu a am em
qualque posição, semp e a iá el, e os ap esen ou em o og a ia con empo ânea, pa a
acili a a consul a e u ilização das mesmas.
•Bloco 3 — Rep esen a a desc ição do p ocesso de p epa ação de uma ecei a.
Figu a 3: Es u u a básica de uma ecei a
A de inição das classes pe inen es na on ologia de culiná ia depende al amen e das
unidades ep esen a i as que uma ecei a ap esen a. Nes e abalho, o am econhecidas
seis classes que pe mi em inco po a as en idades p esen es em cada documen o, sendo
elas:
3.4. O P ocesso de Ex ação 31
•
"Recei a" — Classe que ep esen a cada um dos egis os culiná ios ou ex os pa a
con eção de um p a o e as suas ca ac e ís icas ge ais. Uma ecei a é ca ac e izada
pelo seguin e conjun o de a ibu os: “iden i icado ”, “ í ulo” e “da a”. O alo do a ibu o
“da a” não é ex aído do documen o, mas sim a ibuído pelo sis ema no momen o de
inse ção da on ologia.
•
"Ing edien e" — Designação de um ing edien e e espe i as no as adicionais. Os
a ibu os des a classe – "nome", "quan idade", "al e na i as"e "obse ações"–, à exce-
ção do nome, nem semp e se ão p eenchidos, de ido à inexis ência de unidades que
e idenciem quan idades, al e na i as a um ing edien e ou a é mesmo obse ações.
•
"No a" — Classe que nem semp e i á es a p esen e num documen o, pois ep esen a
uma ano ação culiná ia, da mão do edi o (que a e i ou ou deduziu do ex o da ecei a),
inse ida no bloco dos ing edien es. Cada no a e á uma designação – odo o ex o que
ep esen a a ano ação a é ao sinal de pon uação "– e o con eúdo são odas as linhas
que es ão inden adas imedia amen e após a designação, ou, em ce os casos, odas
as linhas a é à p óxima no a.
•
"P ocedimen o" — É a unidade que ep esen a odas as e apas da con eção do p a o
iden i icado pela ecei a. De ine-se como designação a p op iedade que con ém oda a
p epa ação da ecei a.
•
"P ocesso" — É uma classe que ep esen a cada um dos p ocessos iden i icados no
bloco da p epa ação. As en idades que ep esen am es a classe na on ologia apa ecem
de modos a iados quan o à sua o ma e bal, géne o ou núme o. Es as o mas são
conside adas como a ian es, e a sua o ma p imi i a como nome.
•
"Indice" — Rep esen a a enume ação de odas as pala as p esen es no documen o.
Cada egis o inclui o nome da pala a, pe mi indo a soma dos mesmos pe mi e sabe o
amanho ex ual das ecei as in oduzidas.
3.4 O PROCESSO DE EXTRAÇÃO
3.4.1 On ology Lea ning Laye Cake
No que diz espei o à e olução de on ologias a pa i de ex os, a abo dagem mais conhecida
é a On ology Lea ning Laye Cake (Mish a & Jain, 2014). Es a abo dagem pe mi e di idi o
p ocesso de ex ação em qua o ou cinco e apas (Figu a 4), sendo cada uma delas de inida de
aco do com a á ea de domínio. Na p imei a e apa, são ex aídos odos os e mos p esen es
no ex o, com o obje i o de c ia um conjun o de e mos p on os a se em ca alogados. Na ase
seguin e, cada e mo é ag upado com odos os sinónimos encon ados no conjun o an e io ,
3.4. O P ocesso de Ex ação 32
o que acili a a iden i icação dos concei os que os mesmos ep esen am. A e cei a e apa
associa os e mos a um concei o e in e e, pela p imei a ez, uma co espondência en e a
linguagem do domínio e o concei o on ológico. O qua o deg au da pi âmide ep esen a i a
des a abo dagem assen a na in e ência hie á quica de concei os que ep esen am um
concei o mais básico, como, po exemplo, um p o esso se uma pessoa. No quin o passo,
são de inidas as elações en e concei os e, po sua ez, especi ica o domínio e alcance
da elação. Na de adei a e apa, é cons uído um conjun o de eg as que pe mi e in e i o
concei o e espe i as ligações semân icas, baseado em ca ac e ís icas ine en es ao concei o
e suas p op iedades.
Figu a 4: On ology Lea ning Laye Cake (Mish a & Jain, 2014)
3.4. O P ocesso de Ex ação 33
3.4.2 P ocessamen o Tex ual
Pa a inicia o p ocesso de ex ação é necessá io um p é-p ocessamen o do ex o de uma
ecei a, nomeadamen e dos ês blocos e e idos an e io men e (Secção 3.3). Pa a al, o
uso de exp essões egula es é i al ela i amen e ao p ocessamen o de linguagens, e, nes e
sen ido, o am de inidos os seguin es pad ões ex uais:
•[0-9]+ n
que pe mi e ex ai o iden i icado da ecei a, pois o mesmo é o p imei o
elemen o a apa ece no documen o. Como es a p op iedade é undamen al pa a
con olo de documen os epe idos, cada documen o de e á, impe a i amen e, con e
es e elemen o.
•[0-9]+ n.+[ ^ n]
que pe mi e ex ai an o o iden i icado como o í ulo da ecei a.
O p e ixo des a exp essão egula ca ac e iza-se pela exp essão mencionada pa a
ex ação do iden i icado . O p e ixo é a pa e esponsá el pela ex ação do í ulo da
ecei a. O í ulo da ecei a encon a-se semp e na linha abaixo do iden i icado .
•Ing edien es : n.*(?: ? n(?! ? n).*)*
que é a exp essão egula es-
ponsá el pela ex ação dos elemen os do bloco 2. Pa a acili a a lei u a e in e p e ação
da mesma, pode-se olha pa a es e pad ão da seguin e o ma:
–Ing edien es : n
que é esponsá el pela cap u a do cabeçalho dos Ing edi-
en es.
–.*que uni ica com odos os ca a e es p esen es numa linha ex ual.
–(?: que de ine o início de um pad ão que en ol e um conjun o de ca a e es que
não se p e ende cap u a .
– ? n
que ep esen a qualque inden ação ou queb a de linha após uma linha
ex ual.
–(?! ? n) que ep esen a um lookahead nega i o, que p e ende dize que não
pode exis i mais nenhum ipo de inden ação ou queb a de linha pa a além do que
oi ex aído pela exp essão an e io . Es e pad ão é jus i icado com a di isão en e
o bloco 2 e o bloco 3, que é ei a, pelo menos, po duas queb as de linha.
–.*)*
que ex ai odos os ca a e es, excep o queb as de linha, ze o ou mais ezes.
Jun amen e com os ês pad ões an e io men e ci ados, oda a exp essão con ida
nos pa ên eses mais ex e nos é cap u ada ze o ou mais ezes igualmen e.
• n{2,}
que p ocu a no ex o odos os conjun os sepa ados po , pelo menos, duas
queb as de linha e ex ai o úl imo. U iliza-se es a abo dagem po que o bloco 3 não em
qualque cabeçalho ou ou o pad ão es i i o.
3.4. O P ocesso de Ex ação 40
3.4.6 Relações e Reg as
A úl ima e apa da me odologia de on ology lea ning ado ada con i ma a iden idade de cada
e mo, assim como o papel que o mesmo i á desempenha na á ea semân ica (Mish a & Jain,
(2014). As elações, al como en e os se es humanos, pe mi em es abelece cadeias de
conhecimen o e a inidade en e duas en idades, em que cada elação une ambas po uma
ou mais ca ac e ís icas. Tal como as p op iedades da classe, a elação é pa e in eg an e no
p ocesso de de e minação do papel que um de e minado elemen o desempenha na on ologia.
Quando não se consegue apu a quais as p op iedades de um de e minado elemen o, seja
po que as mesmas não exis em ou pelo simples ac o de que es as não sejam su icien es
pa a iden i ica em uni ocamen e a classe a que es e elemen o pe ence, se uma elação
o iden i icada, é plausí el o co e o econhecimen o da en idade em causa. Cada elação
é compos a po um domínio e o seu espe i o alcance, no malmen e de inidos po lógica
semân ica e a qual desempenha um papel ulc al na in e ação en e concei os.
Nas ecei as analisadas, odas as ligações en e concei os o am c iadas pelos e mos
encon ados, e odos es es e mos se elacionam com o concei o "Recei a". Es a lógica
jus i ica-se pelo ac o de odos os elemen os encon ados se em pa e cons i uin e de uma
ecei a, e, obje i amen e, pela elação di e a en e um de e minado concei o e odas as
ecei as in oduzidas no sis ema. Cada concei o encon ado se á elacionado com a ecei a
em análise, na qual a elação assume um g au de posse e de pa e in eg an e. Quando o
domínio é "Recei a", a elação exp essa-se como uma ligação possessi a, e quando es a se
ca ac e iza como o conjun o de chegada, a elação é iden i icada como uma pa e da ecei a.
Figu a 7: Exemplo da elação en e "Recei a"e qualque concei o da on ologia
As eg as de e minam se o e mo em análise obedece a um conjun o de a o es ou
p op iedades que ca ac e izam um concei o na on ologia. Quan o mais de alhe hou e
nes as eg as, meno se á a ma gem de e o na associação dos e mos aos concei os.
Cada e mo candida o em que con empla ob iga o iamen e o conjun o de p op iedades que
de inem cada concei o, jun amen e com as elações que lhe são ine en es. No en an o, no
caso do concei o "Ing edien e", nem odas as p op iedades necessi am de se p eenchidas,
uma ez que nem semp e es ão p esen es no documen o, com a designação do ing edien e
como exceção. Além des as p emissas, odo e qualque campo ex aído obedece a um

3.5. P ese ação da On ologia 41
conjun o de eg as mo ológicas pa a que seja conside ado um e mo, al como obse ado
nos pad ões de Hea s , ou na ex ação dos ing edien es.
3.5 PRESERVAÇÃO DA ON TOLOGIA
Deco ido o p ocesso de ex ação, começa a e apa de a mazenamen o do conhecimen o
ex aído e, nesse aspe o, uma base de dados supo ada po g a os cump e os equisi os
de uma on ologia. O Neo4j (Neo4j G aph Da a Pla o m, s.d) é um sis ema de ges ão de
base de dados que espei a o conjun o de p op iedades ACID e que, a a és da linguagem
Cyphe , pe mi e aze pesquisas nos dados da on ologia. O egis o das no as en idades
ex aídas pode se ei o com uma combinação ou junção (me ge) dos dados p é-exis en es
com o conhecimen o a se impo ado, ou, caso não exis am e e ências, é inse ida oda
a in o mação no a, po comple o, na on ologia. Apesa da exis ência de um nodo do ipo
P ocesso com o mesmo nome, se á c iado um no o nodo po que es e di e e nas a ian es
que es e p ocesso em em cada ecei a.
O ape eiçoamen o da on ologia é ei a depois do úl imo passo da impo ação do documen o
e em dois momen os dis in os: 1) a a ualização da on ologia con ida no Neo4j e 2) a
a ualização de um ichei o OWL que ambém con ém a on ologia. A g ande di e ença en e
as duas eme e pa a a ques ão da in e ência de semân ica, uma ez que no Neo4j é ei a
pelas que ies de inidas e execu adas, enquan o no ichei o OWL é ei o po um easone , o
He miT (Glimm e al, 2014). O easone pe mi e comple a qualque in o mação que possa
não e sido adjudicada ao concei o, ou, po ou as pala as, de e mina qual a classe de
uma en idade com base numa p op iedade, seja es a um a ibu o ou uma elação. A g ande
des an agem des e p ocesso é que é ex emamen e mo oso, p incipalmen e se o cálculo
das no as elações, e in e ências, o ei o após a inse ção de múl iplos egis os. Es a úl ima
se e como jus i icação pa a o ac o de a manu enção do ichei o OWL se ei a semp e que
um no o documen o é impo ado.
No caso da emoção, quando se p e ende elimina um egis o da on ologia, é apagado o
nodo da ecei a p e endida e, po consequência, odas as elações da mesma são elimina-
das. Após a pe da de ligação semân ica com a ecei a eliminada, as es an es en idades
p e iamen e ligadas pe manecem no sis ema caso in eg em elações com ou as ecei as
ou, caso con á io, são ambém eliminadas, po deixa em de exis i no con ex o de qualque
ecei a emanescen e. Tal como na inse ção de no os egis os, o easone abalha sob e o
ichei o OWL a cada egis o eliminado.
4
ANÁLISE DE RESULTADOS
4.1 O AMBIENTE DE TESTES
Pa a pe mi i a di ulgação de esul ados e a expe imen ação po pa e do u ilizado do
sis ema on ológico p oduzido, oi concebida e desen ol ida uma pla a o ma WEB. O desen-
ol imen o des a pla a o ma oi ei o a a és da mic o amewo k Flask, esc i a em Py hon.
Es a aplicação WEB oi a qui e ada como um pad ão MVC (Model-View-Con olle , não só
pela o ganização da aplicação en e a camada lógica e a camada g á ica, mas ambém pela
acilidade em ac escen a no as uncionalidades e modi ica exis en es. Rela i amen e à
lógica da aplicação, pa a além de mé odos de p ocessamen o de in o mação, são ambém
de inidas ope ações sob e a base de dados em Neo4J. Es e sis ema de ges ão de base de
dados o ien ada pa a g a os oi escolhido pela sua capacidade de ep esen a uma on ologia
e odas as ecei as impo adas no sis ema são a mazenadas nele. Pa a além do Neo4J,
a pe sis ência dos dados é ei a ambém num ichei o OWL, com o obje i o de es e se
desca egado pelo u ilizado , na pla a o ma. Toda es a camada lógica alimen a a in e ace do
u ilizado , que oi desen ol ida com ecu so à amewo k de on -end Boo s ap.
A pla a o ma mul iu ilizado pe mi e a in eg ação de ecei as, mas não ga an e a inculação
dos documen os in oduzidos ao u ilizado que os in oduziu. Todos os u ilizado es e ão
acesso aos ex os de ca iz culiná io, desde que se encon em egis ados na pla a o ma
e com pe missão pa a adiciona ou elimina ecei as do sis ema. Após a au en icação
(Figu a 8) é ap esen ado um painel de isualização de dados, ou dashboa d, que p omo e a
ap esen ação de di e sas ca ac e ís icas do sis ema on ológico.
42
4.1. O Ambien e de Tes es 43
Figu a 8: Au en icação no sis ema
A aplicação dispõe de um conjun o de uncionalidades que pe mi em a cada u ilizado uma
expe iência mais ime si a e p á ica com o sis ema de ex ação au omá ica de on ologias.
Es e conjun o de uncionalidades é cons i uído po :
•
Home — (Figu a 9) — É a p imei a página que o u ilizado encon a após a sua
au en icação no sis ema. Aqui pode á e o núme o de ecei as inse idas, a soma de
pala as indexadas, a quan idade de ing edien es e, ainda, a o alidade de p ocessos
ex aídos. Es a página é me amen e in o ma i a, não ha endo qualque in e ação com
o u ilizado , pa a além da exposição de in o mação ela i a aos documen os egis ados.
Figu a 9: Ambien e de en ada — Home — do sis ema
•
Impo ação (Figu a 10) – Es a é a uncionalidade mais impo an e do sis ema, uma ez
que é a a és dela que a lógica e semân ica do mesmo “ganham ida”. No p ocesso
de impo ação dos ex os de uma ecei a, são dadas duas escolhas ao u ilizado : a
4.1. O Ambien e de Tes es 44
inse ção da ecei a po campos, ou inse ção da ecei a po documen o. Na p imei a
opção o sis ema ap esen a ao u ilizado um o mulá io pa a que possa in oduzi a
in o mação ela i a aos seguin es elemen os de dados: “ID Recei a”, “Nome da Recei a”,
“Ing edien es”, "P epa ação"e, opcionalmen e, "Adiciona Fo o do Tex o Manusc i o da
Recei a". Na segunda opção, o u ilizado em o abalho de inse ção mais simpli icado,
uma ez que apenas em que inse i o documen o, con o me especi icado an e io men e
( e secção 3.3), após o que o sis ema i á ex ai as á ias unidades es u u ais da
ecei a au oma icamen e.
Figu a 10: Impo ação de ecei as — o p imei o passo.
No passo seguin e (Figu a 11), o u ilizado em opo unidade de obse a e analisa
in o mação pe inen e nas di e sas componen es da ecei a:
–
Ing edien es — No qual é ap esen ada in o mação, em o ma o abula , ela i a
à designação do ing edien e, bem como a quan idade e a unidade de medida,
obse ações e al e na i as. O p eenchimen o de odas as colunas é ei o com os
dados disponí eis na ecei a. Além disso, é possí el ex ai ambém ano ações
que eme em pa a e e ências de ou os egis os culiná ios. Toda es a in o mação
oi manualmen e coligida pelo edi o e egis ada nes e campo, em cada ecei a,
como já a ás e e ido.
–
P ocedimen o — Que ep esen a a desc ição de odo o p ocesso de elabo ação
da ecei a.
–
P ocessos — Que são o esul ado do p ocesso de ex ação, em o ma de lis a.
Na p á ica, é um conjun o de a os de culiná ia que es ão di e a ou indi e amen e
iden i icados no ex o. Aqui são ap esen ados os p ocessos na sua o ma canónica
e não como se encon am explici amen e esc i os.
4.1. O Ambien e de Tes es 45
Figu a 11: Impo ação de ecei as — o segundo passo.
Após o a anço no p ocesso, o sis ema e ela as pala as que se ão indexadas na
classe Índice da on ologia, bem como o núme o de oco ências deno adas na ecei a.
No de adei o passo da impo ação (Figu a 12), é ap esen ado um pequeno esumo do
conhecimen o que se á in oduzido na base on ológica. Rela i amen e aos p ocessos
ecolhidos, es e úl imo passo ap esen a o p ocesso na o ma de e bo no in ini i o,
e a sua o ma explíci a no p ocedimen o. Em qualque momen o da impo ação, o
u ilizado pode cancela o p ocesso e o sis ema edi eciona pa a a página inicial. Caso
se con i me a opção de a ança (Figu a 13), a no a ecei a é ac escen ada. Ao azê-lo,
a in e ligação de dados e olui an o ao ní el do Neo4J como no ichei o OWL.
Figu a 12: Impo ação — Úl imo passo — Pa e I

4.1. O Ambien e de Tes es 46
Figu a 13: Impo ação — Úl imo passo — Pa e II
•
Pesquisa (Figu a 14) – Funcionalidade si uada no menu d opdown On ologias, que
pe mi e p ocu a ecei as no modelo de dados a é en ão desen ol ido. Nes a opção
pe mi e-se aze a pesquisa po í ulo, ing edien e ou p ocesso que es ejam implíci os
no documen o da ecei a, e, no caso dos p ocessos, o p ocesso encon ado no ex o
sob o ma de e bo no in ini i o.
Uma ez p essionado o bo ão de pesquisa, com base nos pa âme os especi icados,
a aplicação ap esen a uma g elha de esul ados, na qual cada egis o ap esen ado
co esponde a um ca ão alusi o à ecei a. Es e ca ão con ém o ID, a imagem do ex o
manusc i o (opcional), o í ulo, a da a em que oi in eg ado o documen o culiná io e uma
indicação dos pa âme os que o am encon ados. Adicionalmen e, es a uncionalidade
pe mi e e e ua pesquisas di e as no b owse do Neo4J.
Pa a consul a os de alhes de cada egis o, cada ca ão disponibiliza um bo ão que
edi eciona o u ilizado pa a uma página com a in o mação ex aída e ela i a à ecei a
em exposição.
4.1. O Ambien e de Tes es 47
Figu a 14: Resul ados de um p ocesso de pesquisa
•
O e iew (Figu a 15) — Es a uncionalidade pe mi e isualiza o modelo concep ual
o ien ado à on ologia, iden i icando uni ocamen e os elos de ligação, bem como as
classes p esen es no sis ema on ológico. Es e modelo em como obje i o ep esen a a
o ma como as classes se ligam en e si e como es as ligações são usadas pa a e e ua
pesquisas sob e o modelo de dados.
Figu a 15: O modelo concep ual da on ologia
4.1. O Ambien e de Tes es 48
4.1.1 De alhes da Recei a
As ca ac e ís icas de uma ecei a es ão o ganizadas, essencialmen e, em qua o blocos
(Figu a 16):
•
Cabeçalho — Espaço dedicado ao iden i icado , í ulo da ecei a e da a na qual a
ecei a oi inse ida.
•
Ing edien es — Bloco, da esponsabilidade do edi o , no qual são ap esen ados os
ing edien es encon ados na ecei a.
•
P epa ação — Um ex o que desc e e os momen os-cha e na con eção da ecei a.
Além disso, são ainda iden i icados, a e melho, odos os p ocessos ou ações que
o am ca ac e izados pelo sis ema de ex ação au omá ica.
•
P ocessos — Conjun o de p ocessos, ou cada um dos a os culiná ios, que o am
iden i icados no bloco an e io .
Figu a 16: Recei a — De alhes
4.1.2 Sis ema On ológico
Na a e da culiná ia, mui as ezes su ge a necessidade de consul a ou as ecei as que
usem um de e minado ing edien e ou p ocesso, com a inalidade de pe cebe de que o ma
são usados, sob e udo po que as ecei as an igas e am equen emen e omissas ou mui o
sucin as. Nes e aspe o, o sis ema on ológico pe mi e comp eende como es es p ocessos
ou ing edien es são ealmen e u ilizados, na medida em que cada e mo es á di e amen e
elacionado com o es o do domínio, que, nes e caso, se assume como uma o ma de
4.1. O Ambien e de Tes es 49
culiná ia. Na p á ica, a aplicação possui um mecanismo de in e ligação de e mos, que
acul a ao u ilizado uma expe iência de u ilização mais in ui i a e e icaz.
•
Ing edien es — Cada ing edien e ep esen a uma hipe ligação com o es o das ecei as
que con enham o egis o selecionado. Ao seleciona -se um ing edien e, o sis ema
ap esen a uma janela com mais de alhes sob e o ing edien e da ecei a, possibili ando
na ega po um conjun o de esul ados que enham esse e mo.
•
P ocessos — O conjun o de e mos assinalados a e melho são ambém hipe ligações
pa a um conjun o de esul ados (Figu a 17) que in eg em o p ocesso selecionado. Além
des a uncionalidade, os elemen os ca ac e izados no sepa ado dos p ocessos con êm
uma hipe ligação pa a o signi icado do p ocesso. Es a úl ima ea u e não eco e ao
sis ema on ológico, mas sim a um domínio ex e no.
Figu a 17: Conjun o de esul ados esul an es da hipe ligação do p ocesso "coze "
4.1.3 Impo ação de uma Recei a
De o ma a pe cebe odo o p ocesso de análise e ex ação de conhecimen o po pa e do
sis ema, ejamos como impo a e analisa uma ecei a em conc e o. Pa a isso, selecionámos
a ecei a 79, “Salmão e Solho” (Figu a 18). O mo i o da escolha des a ecei a explica-se pelos
di e sos casos pa icula es que ela possui. Es ando o u ilizado no menu de impo ação, ele
pode seleciona o documen o que con ém es a ecei a e, opcionalmen e, pode inse i uma
imagem do ólio manusc i o em que igu a a ecei a.
De seguida, o sis ema e i ica se a ecei a já oi impo ada, usando o seu iden i icado , e
caso exis a, não pe mi e a sua impo ação. Caso con á io, o sis ema pe mi i á a in odução
da ecei a, azendo o ex a o a ex ação do iden i icado (79) e do í ulo da mesma (Salmão
e Solho). Após es a ex ação é iniciado o p ocessamen o do bloco que co esponde aos
5
CONCLUSÕES E TRABALHO FUTURO
5.1 CONCLUSÕES
Nes a disse ação oi abo dada a emá ica das on ologias e o uso das mesmas em sis emas
de ex ação au omá ica, mais conc e amen e em sis emas de ex ação au omá ica de on olo-
gias em ex os de culiná ia não es u u ados. O sis ema desen ol ido pe mi iu explo a os
con eúdos das ecei as, edi adas em lição semidiplomá ica (com a o og a ia o iginal) e em
lição in e p e a i a (com g a ia a ualizada e alguns aspe os mo ológicos adap ados à língua
con empo ânea) a pa i de um manusc i o inédi o, anónimo e sem da a, na ob a in i ulada
"As ecei as de cozinha de um ade po uguês do século XVI", e ap esen á-los de uma o ma
mais o ganizada e in e ligada, explo ando os bene ícios da on ologia au oma icamen e ge-
ada pelo sis ema. A me odologia ado ada pa a o desen ol imen o do sis ema oi sus en ada
po uma análise igo osa, que omou em conside ação as á ias possí eis al e na i as, en e
elas a escolhida, que oi a que ob e e melho es esul ados em e mos de p ecisão de e mos
ex aídos po ecei a. A escolha das ecnologias usadas oi ambém um a o p eponde an e
na ob enção do p odu o inal, apesa de não e mos mui as ou as al e na i as.
Todas as e apas do desen ol imen o do sis ema desen ol ido no âmbi o des a disse ação
o am planeadas e execu adas con o me p e is o na me odologia de inida, o que esul ou
numa ápida o ganização das a e as a execu a . Ao ealiza mos es e abalho, oi elucida i o
e no ó io que, na á ea do p ocessamen o de in o mação, as écnicas êm um espec o
de possibilidades bas an e ala gado e sabe escolhê-las nem semp e é a e a ácil. O
p é-p ocessamen o de dados o nou-se undamen al, de ido à meno complexidade com
que auxilia a manipulação dos dados, especialmen e quando es es es ão de idamen e
o ganizados e ca alogados. A ase de ex ação de e mos, além de e sido a mais demo ada
(e mais impo an e) des a disse ação, eque eu a p io i a análise de uma sé ie de p emissas,
já que cada on e de conhecimen o inha a sua iden idade, que ela osse de domínio ou de
ca iz pessoal, do au o que a compôs.
O es udo e a compa ação de algo i mos me amen e es a ís icos com algo i mos de pad ões
ex uais e ela am-se bas an e in e essan es. O p imei o ap esen ou uma axa de sucesso
pouco ele ada nes e domínio, não só po que ca eceu da análise de mui as ecei as, mas
56

5.1. Conclusões 57
ambém po que as p imei as ex ações o am i ais pa a as que se lhes segui am, al como
um e ei o de bola de ne e, e, po consequência, a qualidade da p imei a ex ação e á
impac o na qualidade da ex ação das ecei as seguin es. A abo dagem u ilizada i ou
bas an e p o ei o de pad ões ex uais, cla os a iculado es de discu so, e do papel g ama ical,
ou unção que cada pala a desempenha numa ase. A manu enção dos pad ões de inidos
acabou po não se ealizada, uma ez que os a igos abalhados es ão p ese ados e não
i ão so e al e ações no deco e do empo. A análise sin á ica de ex os esc i os em língua
po uguesa,sob e udo de pe íodos p e é i os, como é o caso do po uguês clássico aqui em
es udo, o na-se uma a e a complexa e quase nunca pe ei a, uma ez que exis em di e sas
manei as de se cons ui uma ase, po ezes com ele ado g au de omissão de elemen os
ou o dem dos elemen os menos comum hoje em dia. No âmbi o des a disse ação, a opção
de u iliza uma biblio eca di ecionada pa a es e ipo de análise, aliado ao ac o de a esc i a
dos documen os analisados se ela i amen e homogénea, acili a am mui o es e p ocesso.
Como sabemos, o desen ol imen o de on ologias con inua em anca expansão. Não
obs an e, a cons ução de um sis ema on ológico que seja escalá el e de ácil in e p e ação
con inua a se , ambém, um g ande desa io. A Web semân ica eio da um g ande impulso e
mais isibilidade a es e ipo de sis emas, de ido à necessidade de a amen o de in o mação
in e ligada. Já exis indo es a á ea de abalho e in es igação há alguns anos, os ecu sos e
e amen as são cada ez melho es pa a a explo ação e co elação de dados.
O desen ol imen o des e sis ema de ecei as pe mi iu e idencia as di e enças en e a
c iação on ológica manual e um sis ema capaz de analisa um conjun o de dados e cons ui
uma base de conhecimen o de o ma (semi)au omá ica. Fica am e iden es as an agens
que um sis ema de in eg ação au omá ico p opo ciona, não só na análise dos elemen os
cons i uin es da á ea de domínio, mas ambém na acilidade que pe mi e ao u ilizado de
pesquisa sob e um de e minado e mo. Con udo, é necessá io e le i e a alia odas as
con apa idas de um sis ema des a na u eza. Cons ui um modelo de dados pa a es e
ipo de sis ema eque eg as e ideologias p óp ias do domínio, que se em apenas e só
o p opósi o de in eg a num sis ema que ope e sob e uma base de conhecimen o. Aliados
a es e ac o, es ão o empo e os ecu sos necessá ios pa a elabo a odo o p ocesso de
ex ação, que, caso seja e e uado numa on e em e olução, necessi a de se e is o e po
ezes in eg almen e e o mulado. Adicionalmen e, a ex ação au omá ica de on ologias e á
semp e um a o de p ecisão que i á a ia con o me os pad ões ex uais ou a dimensão
linguís ica, que se ão man endo ou al e ando. E en ualmen e, se á possí el chega a uma
p ecisão quase comple a, mas nunca an es de uma longa ase de análise e desen ol imen o
de eg as e condições aplicá eis aos ex os em causa.
Em conc e o, nes e abalho, o sis ema desen ol ido ap esen a mais an agens do que
des an agens, uma ez que os ex os pe manecem inal e ados há anos e a sua es u u a
é ela i amen e homogénea em odos os documen os analisados, sob e udo na lição in e -
5.2. T abalho Fu u o 58
p e a i a com o a anjo do edi o (des acando os Ing edien es). Is o não só acili a a análise
como sus en a a longe idade des e sis ema.
5.2 TRABALHO FUTURO
Embo a a p o a de concei o enha sido elabo ada e comp o ada, exis em ainda alguns
a o es que de em se in eg ados, no sen ido de ape eiçoa a análise e desempenho do
sis ema. Uma das melho ias passa po dis ingui o que são p ocessos de culiná ia e ações do
u ilizado , de ido ao ac o de uns e bos iden i ica em p ocessos ine en es aos ing edien es
e ou os co esponde em a e apas que de em se seguidas pela pessoa que es eja a
con eciona o p a o. Es a dis inção implica ia uma análise sin á ica ainda mais p ecisa e
de alhada, uma ez que e iam que se analisados os elemen os que p ecedem e os que
sucedem o e bo, e conside ada a e olução semân ica da língua, já que ce as o mas
e cons uções do po uguês clássico podem se enganado amen e in e p e adas po um
u ilizado do po uguês con empo âneo, mesmo ap esen ando já o og a ia a ualizada. Tal
análise, po ezes, o na -se-ia complicada pelas di e sas cono ações que as pala as, na
língua po uguesa, podem oma , ulga men e alando.
Um sis ema que aplique a me odologia de On ology Lea ning Laye Cake se á ão bom
quan o a qualidade de cada p ocesso aplicado em cada deg au da sua pi âmide ep esen-
a i a. Algo que es e sis ema não con empla é a ag egação de sinónimos aplicada aos
e mos, a qual pe mi i ia uma associação mais co e a dos e mos a concei os e, ambém,
numa aplicação p á ica, pesquisa ecei as a a és de um e mo e dos seus sinónimos.
Pa a alcança es a ag egação, se ia p eciso concebe mais eg as pa a a ca ac e ização de
sinónimos, pa a além de uma melho comp eensão do signi icado li e al e dos signi icados
cono a i os e con ex uais de de e minada pala a.
No mundo da culiná ia esc i a, e sob e udo manusc i a, é hábi o o au o do manusc i o
ac escen a espe icicações em á ios momen os, ou, pos e i men e, o edi o do mesmo
ano a obse ações, ou explica o que de e minadas e apas eque em, com o in ui o de
p o idencia ao lei o uma cla i idência de odo o en edo de uma ecei a. Du an e o es udo
e análise dos ex os, oi ap o ei ado o glossá io incluído no inal do li o, e que explica
de e minados p ocessos ou concei os na a e da culiná ia, e ambém e e ências de ou as
ecei as, que, no en an o, não o am con emplados no sis ema on ológico. Es e glossá io, em
e mo p á icos, pode ia liga p ocessos a ou as ecei as e não apenas edi eciona o u ilizado
pa a a de inição do p ocesso. Além disso, pode iam se explicados a os culiná ios an igos
ou que ossem sinónimos de ações mais conhecidas. A sua in eg ação u u a no sis ema
e ia, pois, especial in e esse, mesmo nos p ocessos de in e p e ação, que semân ica que
es u u al, e de desambiguação con ex ual.
5.2. T abalho Fu u o 59
Na emá ica das on ologias, a manu enção de dois modelos on ológicos — o ichei o OWL
e o que se encon a egis ado em Neo4J — o na-se, a longo p azo, dispendiosa e não
ão e icien e quan o pode ia se . Nes e sen ido, é impo an e que possa e olui pa a um
mecanismo que con e a odo o conhecimen o exis en e na base de dados em Neo4j pa a
um o ma o desejado pelo u ilizado . Es a uncionalidade pe mi i ia a inco po ação dos dados
ob idos nes e sis ema em ou os sis emas com ca ac e ís icas di e en es. Tal se ia bas an e
p o ei oso.
Po úl imo, o sis ema em po encial pa a e olui , não só es é ica e uncionalmen e, mas
ambém no sen ido ecnológico, em que pode iam se inco po adas in e aces mais ea i as
e a uais. Es á mais do que comp o ado que uma in e ace in ui i a e apela i a, p omo e uma
expe iência mais ime si a e, consequen emen e, a con inuidade da u ilização do sis ema
po pa e dos u ilizado es. Além do aspe o isual, há ma gem pa a inclui p e e ências de
u ilização no sis ema, a a és do ape eiçoamen o da a ual on ologia, que i ia pe mi i uma
il agem de esul ados mais pe inen e e p á ica.
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