scieee AI-readable full text Open interactive document viewer

Respeito pelo outro: o trabalho colaborativo na base da construção de uma socialização saudável

Meneses, Rita Alexandra Gomes

Abstract

O presente relatório de estágio centra-se na temática O respeito pelo outro: o trabalho colaborativo na base da construção de uma socialização saudável. Com este relatório pretendeuse investigar e promover o desenvolvimento de aprendizagens significativas por parte das crianças e também o desenvolvimento profissional de uma futura educadora, na medida em que este tema, e considerando a metodologia de trabalho de projeto, proporcionaram a cada um dos intervenientes, momentos para serem participantes ativos no seu desenvolvimento integral. No decorrer deste trabalho são analisados os aspetos inerentes ao tema, como o conceito de respeito pelo outro, a socialização, o trabalho em grupo e a cooperação. Para além disto é abordado o papel do educador e a sua função, bem como as dimensões e vertentes que contribuem para a formação completa e integrada de um futuro educador. Tudo isto foi sustentado teoricamente, fundamentado e discutido, de forma a analisar e aprofundar a temática apresentada. O estudo aqui apresentado teve como base a metodologia de investigação-ação, que se procedeu através de um processo contínuo, constituído pela observação, planificação, ação e reflexão. O principal objetivo do estudo é refletir sobre práticas promotoras do respeito pelo outro, e como influenciam e contribuem para a formação e desenvolvimento das crianças, através de ações pedagógicas com base na metodologia de trabalho de projeto. Para além disto, tornou-se essencial conhecer e aprofundar o ambiente onde a criança se insere, onde é agente ativo nos seis processos de desenvolvimento e aprendizagem. Neste relatório são também incluídas as práticas pedagógicas que caraterizaram a parte prática do projeto, onde o profissional de educação assumiu um papel relevante, de mediador e orientador, juntamente com as crianças, um ser ativo na construção das suas aprendizagens.

Full text

ii DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho Atribuição-NãoComercial-SemDerivações CC BY-NC-ND https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/ iii Agradecimentos Todo este caminho percorrido para a minha formação académica, só foi possível com o apoio e incentivo de algumas pessoas, todas elas especais para mim. Assim, quero agradecer… À minha Mãe, a pessoa a quem mais devo esta nova conquista na minha vida, por ser um exemplo de luta e de determinação. Sempre acreditou nas minhas capacidades e deu-me a confiança e o amor que precisava nos momentos mais difíceis. À minha irmã, pela alegria, companhia e amor demonstrados em todas as horas. Sem a sua doçura e autenticidade os meus dias não tinham sido tão alegres. Ao meu tio, por ser um ídolo para mim, pela sua bondade, prontidão em ajudar os outros e preocupação constante. À minha tia Alexandrina, ao meu tio Avelino e à minha prima Sandra, pela companhia, jantares e dormidas que fizeram com que isto tudo fosse possível. Mas sobretudo pelo amor! À minha avó, pela sua marca na minha formação enquanto pessoa. Com ela aprendi a ser uma pessoa divertida e lutadora. Sei que estarás orgulhosa e a olhar por mim. Ao meu Pai e ao meu irmão, pela confiança, preocupação e pelas palavras de incentivo. À Di, a melhor amiga que podia ter, sempre com um sorriso para me dar e um coração do tamanho do mundo. À Catarina, à Silvana e à Marília, as minhas companheiras de curso e amigas, por serem um exemplo de motivação e um apoio nos momentos mais importantes. À minha família e amigos que me ajudaram ao longo desta caminhada, sem vocês não seria o que sou hoje! À professora orientadora Teresa Sarmento, por nunca me ter deixado desistir, pela preocupação, ensinamentos e motivação constantes. A todos os professores que contribuíram para a minha formação académica, levo um bocadinho de cada um comigo. À educadora Conceição, pela sua dedicação, prontidão e carinho. Demonstrou ser uma profissional exemplar, fazendo-me ter ainda mais a certeza que temos a melhor profissão do mundo. Às crianças do JI, pela autenticidade, afeto, participação e alegria. Com elas os dias foram sempre de sol e a minha vida mais feliz. Obrigada, de coração, a todos! iv DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho. v Respeito pelo outro: o trabalho colaborativo na base da construção de uma socialização saudável Resumo O presente relatório de estágio centra-se na temática O respeito pelo outro : o trabalho colaborativo na base da construção de uma socialização saudável . Com este relatório pretendeuse investigar e promover o desenvolvimento de aprendizagens significativas por parte das crianças e também o desenvolvimento profissional de uma futura educadora, na medida em que este tema, e considerando a metodologia de trabalho de projeto, proporcionaram a cada um dos intervenientes, momentos para serem participantes ativos no seu desenvolvimento integral. No decorrer deste trabalho são analisados os aspetos inerentes ao tema, como o conceito de respeito pelo outro, a socialização, o trabalho em grupo e a cooperação. Para além disto é abordado o papel do educador e a sua função, bem como as dimensões e vertentes que contribuem para a formação completa e integrada de um futuro educador. Tudo isto foi sustentado teoricamente, fundamentado e discutido, de forma a analisar e aprofundar a temática apresentada. O estudo aqui apresentado teve como base a metodologia de investigação-ação, que se procedeu através de um processo contínuo, constituído pela observação, planificação, ação e reflexão. O principal objetivo do estudo é refletir sobre práticas promotoras do respeito pelo outro, e como influenciam e contribuem para a formação e desenvolvimento das crianças, através de ações pedagógicas com base na metodologia de trabalho de projeto. Para além disto, tornou-se essencial conhecer e aprofundar o ambiente onde a criança se insere, onde é agente ativo nos seis processos de desenvolvimento e aprendizagem. Neste relatório são também incluídas as práticas pedagógicas que caraterizaram a parte prática do projeto, onde o profissional de educação assumiu um papel relevante, de mediador e orientador, juntamente com as crianças, um ser ativo na construção das suas aprendizagens. Palavras-chave: Cooperação; Respeito; Socialização. vi Respect for the other: collaborative work on the basis of building a healthy socialization Abstract This internship report focuses on the theme of respect for the other: collaborative work on the basis of building a healthy socialization. This report aimed at the development of meaningful learning by the children and also the professional development of a future educator, insofar as this theme and considering the methodology of project work gave each of the participants moments to be participants active in its integral development. In the course of this work, the aspects inherent to the theme are analyzed, such as the concept of respect for the other, socialization, group work and cooperation. In addition, the role of the educator and its role are discussed, as well as the dimensions and aspects that contribute to the complete and integrated formation of a future educator. All this was theoretically supported, grounded and discussed, in order to analyze and deepen the presented theme. The study presented here was based on the methodology of action research, which proceeded through a continuous process, constituted by observation, planning, action and reflection. The main objective of the study is to reflect on practices that promote respect for the other, and how they influence and contribute to the formation and development of children, through practices based on the methodology of project work. In addition, it has become essential to know and deepen the environment where the child is inserted, where he is an active agent in the six processes of development and learning. This report also includes pedagogical practices that characterize the practical part of the project, where the educational professional has taken on a relevant role as mediator and guiding partner with the children, an active being in the construction of their learning. Keywords: Cooperation; Respect; Socialization. vii Índice Licença concedida aos utilizadores deste trabalho ........................................................................... ii Agradecimentos .......................................................................................................................... iii Resumo ....................................................................................................................................... v Abstract .......................................................................................................................................vi Siglas e Abreviaturas .................................................................................................................... ix Introdução ................................................................................................................................. 10 Capítulo I – Contexto Geral da Investigação e da Intervenção, Caraterização do Contexto e do Grupo, Questão de Partida e Objetivos .................................................................................................... 13 Caraterização do Contexto de Investigação e Intervenção ........................................................ 14 Caracterização do Grupo ....................................................................................................... 15 Questão de partida e objetivos............................................................................................... 17 Capítulo II - Fundamentação Teórica da Socialização como construção educativa ............................ 19 O respeito como prática de interação nas crianças ................................................................. 20 O papel da educação na formação da cidadania ..................................................................... 26 Crianças de culturas distintas: respeito pelo outro................................................................... 30 Trabalho colaborativo ........................................................................................................... 33 Trabalho de projeto .............................................................................................................. 36 Educação Pré-Escolar ........................................................................................................... 40 Áreas do Conteúdo e Capacidades Fundamentais ................................................................... 42 Capítulo III - Construção do Projeto de Intervenção e Investigação .................................................. 47 O projeto: como surgiu e em que se baseou ........................................................................... 48 Atividades do projeto ............................................................................................................ 52 Atividade 1: O corpo humano em figuras geométricas ............................................................. 53 Atividade 2: O nosso sangue ................................................................................................. 54 Atividade 3: Os sentimentos .................................................................................................. 56 Atividade 4: A família ............................................................................................................ 57 Atividade 5: Os animais ........................................................................................................ 59 Atividade 6: A importância da higiene e de uma boa alimentação ............................................. 60 Atividade 7: Os órgãos internos do corpo humano................................................................... 63 Análise das atividades .......................................................................................................... 71 Avaliação e reflexão do projeto .............................................................................................. 72 Considerações Finais .................................................................................................................. 75 Referências Bibliográficas............................................................................................................ 78 viii Anexos ...................................................................................................................................... 83 Anexo 1Planificação da atividade: o corpo humano em figuras geométricas ............................ 84 Anexo 2Jogo das figuras geométricas ................................................................................... 86 Anexo 3Planificação da atividade: o sangue .......................................................................... 87 Anexo 4Planificação da atividade: Emoções e sentimentos ..................................................... 89 Anexo 5Planificação da atividade: A família ........................................................................... 91 Anexo 6Planificação da atividade: Os animais ....................................................................... 93 Anexo 7Planificação da atividade: Higiene, exercício físico e alimentação saudável .................. 95 Anexo 8Power point realizado para a atividade 7 ................................................................... 98 Anexo 9Power point realizado para a atividade 7 ................................................................... 99 Anexo 10Planificação da atividade: Os órgãos internos do corpo humano ............................. 100 15 que permite ótimas condições de acolhimento às crianças. Caracteriza-se por estar em muito bom estado de conservação, com bastante espaço para as crianças andarem, acolhedor, com uma temperatura quente de Inverno e muito bem equipado. Relativamente aos projetos desenvolvidos neste Jardim de Infância, são vários e abordam variadas temáticas e áreas de conteúdo, sendo estes: “Recolha escola a escola”, pertencente à educação ambiental; “Passezinho”, que diz respeito à educação para a saúde, por exemplo a educação oral; “Serviços Educativos do Parque da Devesa e Casa do Território”, inserido na educação ambiental, com atividades como “Oficina dos sentidos”, “Criar e carimbar”, “Favas contadas”, “Indo eu...indo agora...de casa para a escola” e “Oficina de reciclagem de papel”; Projeto “Plano Nacional da Leitura”, relacionado com a literacia, que abrange atividades como “Contadora de histórias vem à escola”, “Ler + em família”, “Teatro na EscolaCasa das Artes”, “Contos à quarta” e o musical “Ilha do Tesouro” na Exponor. Envolve também um projeto concelhio de educação parental, com o tema “Parentalidade positiva”, com várias sessões para os pais. Caracterização do Grupo A sala 1 era constituída por vinte e uma crianças, com idades compreendidas entre os quatro e os cinco anos de idade, das quais 14 eram do sexo feminino e 6 eram do sexo masculino. Esta sala heterogénea incluía 8 crianças com 4 anos e 13 crianças com 5 anos, sendo que 5 crianças eram de etnia cigana. Destas 13 crianças, duas já completavam, naquele ano, 6 anos de idade. Duas crianças deste grupo só compareceram um dia à escola, no início do ano letivo, sendo que não tive oportunidade de as conhecer. Uma destas crianças, no mês de janeiro, foi retirada a sua inscrição deste JI, pois foi transferida para uma outra instituição, enquanto outra menina permanecia inscrita, mas nunca frequentou a instituição. Outras duas crianças, que eram de etnia cigana, foram muito poucas vezes ao JI, desde que iniciei o estágio, totalizando sensivelmente de 8 a 10 os dias que convivi com ambas. Estas crianças, no início do ano letivo, iam com frequência, porém, depois começaram a frequentar esporadicamente a instituição. Para além disto, posteriormente deu entrada neste grupo uma criança, do sexo masculino, com 5 anos, que começou a frequentar a instituição no mês de janeiro. Esta criança demonstrou uma boa adaptação, apesar de ser visível a dificuldade em realizar as rotinas e em cumprir as regras da sala. Para além disto não identificava o seu nome e demonstrava algumas dificuldades que, com o tempo, facilmente foram ultrapassadas. 16 Do grupo em questão 15 crianças já frequentavam a mesma sala no ano anterior. Foram crianças assíduas e pontuais, faltando excecionalmente por motivos de doença ou por alguma razão familiar. Não se registaram problemas de saúde preocupantes, ou crianças com NEE, porém, denotava-se que neste grupo, duas crianças com 4 anos tinham dificuldades a nível de desenvolvimento. Uma destas crianças tinha dificuldades na oralidade e na perceção do que o adulto lhe dizia. Demonstrava também ainda dificuldades na motricidade fina e na parte motora, porém não recebia apoio médico especializado ou frequentava algum tipo de terapia. Outra criança que possuía dificuldades tinha problemas de saúde desde bebé, sendo que frequentou fisioterapia até aos dois anos, e, ao longo do estágio, frequenta a terapia da fala. Foram realizados exames e não detetaram nenhum problema de saúde grave, em concreto, porém, foi operada aos ouvidos. Esta criança demonstra dificuldades na coordenação, a nível motor, na motricidade fina, na socialização e em estabelecer diálogos. De citar que era uma criança que falava muito pouco e só dialogava quando era interrogada de forma direta e dirigida a ela. No entanto, revelou melhorias na parte motora e em estabelecer diálogo, pois inicialmente nunca a ouvia falar e, na reta final, dialogava com os amigos nas áreas e dirigia-se aos adultos para pedir algo. No geral, eram crianças meigas, afetuosas e interessadas em relação às atividades. Mostravam sempre interesse e vontade em participar ativamente, eram fortemente caracterizadas pela curiosidade, pois levantavam frequentemente questões e mostravam-se bastantes atentas. De um modo geral, o grupo estava bastante desenvolvido, mostrando competências em todas as áreas. Este grupo manifestava como principal característica o afeto, pois eram crianças muito meigas, que gostavam de abraços e carinhos, mostrando uma relação próxima entre crianças e entre crianças e adultos. Destaco duas crianças mais novas, que estavam praticamente ao nível de desenvolvimento dos mais velhos, porém, a nível comportamental ainda se denota alguma imaturidade. O grupo de finalistas reconhecia a rotina diária, eram organizados, colaboravam com a educadora e auxiliavam os mais novos. Já o grupo mais novo também tinha uma participação ativa, sabe o funcionamento da rotina e queriam participar nas atividades, porém faziam mais birras e não sabiam gerir conflitos, o que é esperado tendo em conta a idade. Estes momentos de conflito eram facilmente resolvidos e denotei uma forte socialização entre todos, não havendo uma separação entre os mais velhos e os mais novos. 17 Reflito que o grupo inicialmente necessitava de evoluir no sentido de manter uma boa relação entre pares, e de desenvolver atitudes de tolerância, compreensão, sabendo esperar pela sua vez e sabendo escutar. Para além disso necessitavam desenvolver o sentido estético nas atividades realizadas, elaborando-as com interesse e imaginação, levando as tarefas até ao fim. No final do estágio, a meu ver, foi visível o progresso em todos estes aspetos. Visto que o meu projeto de investigação-ação tem como principal foco o respeito pelo outro, tentei em todas as atividades trabalhar a área de formação pessoal e social. Evidentemente que abrangi todas as áreas, porém tentei focar-me nesta em específico, de modo a promover o respeito entre as crianças. Inicialmente reparei que o grupo precisava de se desenvolver no sentido de respeitar o espaço do outro e de trabalhar a noção de respeito. Denotei uma evolução neste sentido, pois através de jogos, por exemplo, que contêm regras, as crianças foram adquirindo cada vez mais a necessidade de saber esperar e respeitar. Assim sendo, considero que o grupo evoluiu e, no final do estágio, detinham a capacidade de esperar pela sua vez para falar, não ultrapassavam, geralmente, os colegas no comboio, entre outros exemplos. Questão de partida e objetivos Após a análise das caraterísticas do grupo, nomeadamente dos diferentes níveis de desenvolvimento e aprendizagem, e por se tratar nesta fase de uma formação inicial da educação, considerei pertinente realizar um projeto de investigação-ação centrada na temática “o respeito pelo outro”. Dentro deste tema torna-se relevante abordar aspetos intrínsecos ao mesmo, como o trabalho colaborativo e a socialização saudável. Tendo em conta os meus interesses pessoais e profissionais, bem como os interesses, potencialidades e necessidades das crianças, mostrou-se relevante a escolha deste assunto para análise, onde inclui uma exploração prática e teórica ao longo do projeto. Nesta fase é crucial levantar uma questão de partida, que servirá de orientação para todo o desenrolar deste projeto. Ao longo do presente documento pretendo dar resposta à questão e analisar os aspetos que nela estão contidos. Assim, a questão de partida é “Qual a importância da promoção de atitudes de respeito na educação pré-escolar?”. A questão apresentada está diretamente ligada com o tema, onde para lhe dar resposta é necessário definir objetivos. Estes objetivos são subdivididos em objetivos de investigação e objetivos de intervenção. Deste modo enuncio os objetivos para a concretização desta investigação. Os objetivos de intervenção conjeturados pretendem que as crianças sejam capazes de: - Socializar de forma saudável e obter prazer em dialogar e conhecer melhor o outro; 18 - Saber estar em grupo e participar em atividades de grupo; - Respeitar o espaço e comportamento do outro; - Aceitar as diferenças de comportamentos e hábitos do outro; - Promover o desenvolvimento e cumprimento de regras nas atividades em grupo. Para a elaboração de projeto de investigação-ação, é de fundamental importância considerar a definição de objetivos como sendo o resultado que se quer alcançar. Na fase inicial definem-se os objetivos, onde se traça a direção que se quer seguir. Posteriormente, decompõem-se os objetivos para os conseguir atingir, através da observação, reflexão e intervenção. Estes objetivos em específico, os de intervenção, prendem-se com o que se espera que a criança atinja, ou seja, espera-se que a criança alcance os tópicos apresentados. Para além destes, é necessário definir os objetivos de investigação. Estes relacionam-se com a parte investigativa do projeto, sendo que para a concretização do mesmo devem traçar-se os objetivos numa fase inicial para alcançá-los ao longo do processo, para que os mesmos sejam cumpridos. Os objetivos de investigação apresentam-se de seguida: - Compreender de que forma o trabalho de grupo promove o respeito pelo outro e a socialização; - Entender os comportamentos das crianças durante a realização de atividades em grupo, relativamente ao respeito pelo outro; - Encontrar as principais dificuldades das crianças na socialização com o outro. Estes servem essencialmente para auxiliar e facilitar a intenção e o percurso a decorrer na investigação, estando relacionados com a prática e com o tema elegido. 19 Capítulo II - Fundamentação Teórica da Socialização como construção educativa 20 O respeito como prática de interação nas crianças Partindo da observação atenta da criança, analisando os seus interesses e necessidades mais profundos, bem como a maneira como ela constrói o seu conhecimento, torna-se pertinente uma pedagogia focada na criança, que a desafie, não apenas acedendo à informação, mas uma pedagogia que promova o desafio da abstração, contendo alegria, prazer no progresso ensinoaprendizagem e respeito mútuo. O respeito ao ser humano, expresso pelo respeito à criança, é uma condição imprescindível para que a mesma possa viver e desenvolver-se plenamente como criança, defendendo os seus direitos e formando-se como cidadã. O respeito pelas opiniões e participação da criança está muito mais presente e explícito na vida atual, relativamente ao que acontecia no passado. As opiniões e interesses da criança devem ser sempre considerados cuidadosamente e tal deve refletir-se necessariamente na forma como as instituições tratam e respeitam a criança. Esta ideia permanece nos direitos da criança atualmente, sendo entendida como um elemento básico. Todavia, os direitos ainda são considerados uma realidade utópica, uma conquista inacabada, ambíguos e controversos nos quotidianos das crianças (Tomás, 2007; Tomás & Fernandes, 2011; Tomás, 2011). Para tal, é necessário que adultos, pais ou cuidadores sejam capazes de proporcionar as condições e os estímulos necessários à participação das crianças, informando-as de acordo com a sua idade, de maneira a poderem expressar melhor os seus pontos de vista. Torna-se evidente que o mais importante é, em todas as circunstâncias, respeitar, com dignidade, a opinião que a criança tenha sobre os assuntos que são significativos para a sua vida (Fernandes, 2005). A investigação mostra-nos que, apesar de ser real a vulnerabilidade da criança aos perigos, os quais poderão produzir sequelas a longo termo se não forem acautelados, a demasiada proteção, promotora da dependência e da falta de poder da criança, tem, também, grandes implicações no desenvolvimento da criança. Será impossível negar a vulnerabilidade inerente (Lansdown, 1995), a qual identifica a dependência e imaturidade das crianças, tão mais acentuada quanto menor for a sua idade, o que exige dos adultos cuidados e a organização de serviços para a satisfação das suas necessidades. Lansdown refere, no entanto, que perceções incorretas acerca da infância e uma sobrevalorização da sua vulnerabilidade podem ser fatores contraproducentes para o seu direito de participação. Ela descreve um círculo sem saída onde a criança e o sentimento de vulnerabilidade se implicam, de forma a constranger o exercício do direito à participação: 21 É a predominância de um modelo protector na construção das nossas relações com as crianças que tem inibido o desenvolvimento de um reconhecimento apropriado acerca das reais capacidades de participação das crianças. É o argumento da necessidade de protecção que é usado para alimentar a continuada resistência em dar às crianças maior controlo acerca da tomada de decisão nas suas vidas. Assim, os adultos são investidos de poder para salvaguardar o bem-estar das crianças. As crianças, sendo-lhes negado o poder de tomar decisões ou de participarem nelas, tornam-se mais vulneráveis à autoridade dos adultos . (Lansdown,1995, s.p.). Esta mesma noção é defendida por Verhellen (1997), que considera como argumento mais forte de negação dos direitos de participação das crianças, a sua suposta incompetência para tomar decisões bem fundamentadas, considerando-se as crianças como seres imaturos, física, psíquica e emocionalmente, derivada à falta de experiência para tomar decisões racionais. O autor propõe, então, uma perspetiva oposta, ao dizer que deve ser colocada em prática uma perspetiva radicalmente contrária, ou seja, a melhor estratégia para aumentar a competência das crianças será através da sua participação e envolvimento. Na pedagogia em participação os ofícios de aluno e de professor são reconstruídos com base na reconcetualização da pessoa (a pessoa do aluno e a pessoa do professor) como detentora de competência e agência, de capacidade e gosto pela colaboração, portadora de um direito à participação. As crianças e os adultos que desenvolvem atividades e projetos (através do pensar, fazer e refletir em companhia) afirmam-se como coatores da aprendizagem como uma base para a construção do saber (Formosinho, 2015). Para a consolidação desta imagem da infância participativa, será, então, indispensável que os processos de participação infantil estejam presentes na organização dos quotidianos das crianças de uma forma sistemática, sendo que um dos passos iniciais e fundamentais em todo este processo será o desenvolvimento de uma cultura de respeito pelas opiniões da criança. Assim sendo, este princípio é fundamental na concretização deste projeto. Como tal, é crucial proporcionar à criança informação adequada e apropriada à sua idade, para, assim, ela poder formular opiniões válidas. Dar-lhe espaço para se expressar é também fundamental tornando-se imprescindível conseguir tempo e espaço necessários para ela explorar os problemas, dúvidas e ansiedades e as formas de os contornar ou resolver. Para além disto, torna-se indispensável deixar que as crianças conheçam os resultados das suas decisões, mesmo que elas sejam contrárias às suas expectativas. 22 Este conjunto de pontos de partida leva à afirmação do respeito por todos os indivíduos e grupos envolvidos nos processos educativos, ao diálogo intercultural entre grupos e indivíduos participantes nos processos pedagógicos, à promoção de colaboração na aprendizagem, à procura de sucesso educativo para todos, num contexto de respeito pelos direitos humanos, incluindo o respeito pelos direitos da criança, entre os quais se conta o direito a aprender. O desenvolvimento da identidade das crianças e dos profissionais é também um processo de desenvolvimento da identidade enquanto aprendizes (Oliveira-Formosinho, 2008). A Sociologia da Infância é um poderoso aliado do movimento de direitos das crianças, pois defende um conjunto de direitos políticos para as crianças, sustentando a possibilidade de concretização da ação e participação das crianças. Uma ideia chave da Sociologia da Infância reside exatamente na defesa de uma noção de socialização que não é, definitivamente, mera reprodução social e cultural, mas sim essencialmente ativa e dependente da ação dos seus atores. Assim sendo, a Sociologia da Infância pretende ultrapassar a ideia de negatividade da infância, referida por Sarmento (2000), quando defende que A criança é considerada como o nãoadulto e este olhar adultocêntrico sobre a infância regista especialmente a ausência, a incompletude ou a negação das características de um ser humano “completo”., considerando que a infância não vive da não-infância: está aí presente nas múltiplas dimensões que a vida das crianças (na sua heterogeneidade) continuamente preenche. De acordo com esta ideia, deve deixar-se de considerar as crianças como objeto do trabalho dos adultos, para as considerar como atores competentes. Considerar também que as crianças são agentes que também influenciam as estruturas que enformam as suas vidas, e que as representações sociais das crianças acerca dos assuntos que lhes dizem respeito são relevantes para a construção e implementação das políticas sociais. A participação das crianças é, para o Comité dos Direitos da Criança, um princípio orientador fundamental, ou seja, o seu cumprimento contribui para assegurar o cumprimento de todos os outros. De acordo com a Convenção dos Direitos da Criança, todas as crianças, em função do seu desenvolvimento etário, são capazes de dar opiniões, sendo-lhe assegurado o direito de o fazerem de uma forma livre. Freinet defende a articulação entre trabalho e educação, afirmando que a relação direta do homem com o mundo físico e social se realiza por meio do trabalho. Na sua visão, a técnica essencial da educação consiste em proporcionar à criança a possibilidade de realizar um trabalho 23 real, significativo, encarando o trabalho como uma atividade fundamental do homem, sendo a base e o motor da educação, para de futuro ser capaz de gerar o respeito entre os homens. Inspirando-me na pedagogia de Freinet, considero essencial transformar a sociedade com o objetivo de melhorá-la, em que se torna necessário preparar a emancipação do indivíduo segundo um ideal de igualdade e justiça, em que o respeito é a base de todo o trabalho educativo. A criança tem de ser artesã da sua própria educação, no conhecimento que tem de si própria e na relação que estabelece com os outros, sendo um sujeito capaz de participar, de forma crítica e criativa, na construção de uma nova sociedade que lhe garanta um desenvolvimento integral, o mais humano e harmonioso possível. A escola, na sua conceção, deve ser ativa, dinâmica, aberta para a vida, participante e integradora da família e da comunidade. O conhecimento deve ser promovido de forma significativa e prazerosa, em harmonia com a orientação pedagógica e social. O êxito na aprendizagem passa por procurar estimular a criança e torná-la confiante, sendo atribuído ao educador o dever de estar sempre disponível e recetivo, de se colocar ao nível da criança, de a ouvir e respeitar enquanto ser. Através do diálogo livre, do desenho livre, da criação artística, do canto, da dança, do teatro, a criança revela, cria, inventa, exprime as suas vivências, a sua vida afetiva, os seus sentimentos e aprendizagens, ou seja, todos os elementos naturais da sua vida que a definem como um ser único e rico. Para que isto seja possível, o educador deve proporcionar um clima de confiança, aceitação, alegria, cooperação, afetividade e respeito, criando um ambiente em que a criança exercite a liberdade acompanhada da responsabilidade. De salientar que todo o trabalho do educador deve ter por base o respeito pela criança, em que as suas necessidades e interesses devem ser a base de toda a ação educativa. A Convenção Internacional dos Direitos da Criança, bem como o Estatuto da Criança e do Adolescente, promulgado em julho de 1990, reconheceram às crianças os direitos de expressão, opinião e de associação. Ao reconhecerem direitos à criança semelhantes aos da pessoa adulta, passam a vê-la como uma cidadã. No entanto, nas nossas instituições educativas ainda está muito presente a educação baseada no modelo do professor/educador que fala, decide, determina, sendo apensas transmissivo, e na criança que ouve, obedece e executa, ou seja, permanece ainda generalizada a metáfora de que a criança é um recipiente a ser preenchido com o saber transmitido pelo docente. A seguinte citação vem ao encontro desta ideia: Considerar a participação das crianças como um princípio que, estritamente ligado aos seus quotidianos, se imponha como mecanismo de reorganização das relações 24 entre adultos e crianças que, para ser efetivo, terá de estar implicado na realidade social que é significativa para a criança. (Fernandes, 2005, p.126). Na sala de atividades as necessidades e direitos das crianças precisam de ser factos reconhecidos e respeitados, a construção e a atualização permanente da Pedagogia Freinet decorrem dessa preocupação. A sua pedagogia procura promover uma ideia específica de educação que envolve não apenas os direitos da criança, mas também os dos adultos: Umas das principais condições de renovação da escola é o respeito à criança e, por sua vez, a criança ter respeito aos seus professores; só assim é possível educar dentro da dignidade (Freinet, 1969 ,p.44 ) Segundo a pedagogia freiniana, além dos cantos/áreas de trabalho, na sala, também propõe um local para exposição das produções infantis e um espaço para reunir todas as crianças nos momentos coletivos. O trabalho coletivo elaborado diariamente com as crianças (onde se regista o que se pretende fazer, como, onde, em que momento e por quem será feito) e o plano de trabalho individual, onde todos os dias a criança assinala as atividades que fez, são instrumentos que possibilitam a cada criança, ao grupo e ao docente acompanhar e avaliar o desenvolvimento conquistado na evolução dos trabalhos. Desta forma respeitam-se os diferentes níveis de desenvolvimento das crianças, dando valor ao seu trabalho e progresso. A diversidade das situações e das atividades proporcionadas pela Pedagogia Freinet, assegura às crianças a oportunidade de vivenciarem alternadamente diferentes papéis: de responsável, de quem dá apoio e auxílio, de quem opina, de quem propõe e realiza, entre outros. Os problemas e conflitos que inevitavelmente surgem no decorrer do dia vão sendo geridos por intermédio da negociação coletiva, de forma a respeitar todas as suas crianças, as suas opiniões e preferências. Nestes momentos, normas para um convívio harmonioso são elaboradas, codificadas e estabelecidas pelo grupo. O educador coloca-se ao lado da criança, ajudando-a a tomar consciência das suas possibilidades, auxiliando a elaborar, a realizar e a concluir os seus projetos. Durante as atividades a criança deve expressar-se, ser ouvida, para que possa aprender e ser respeitada, incluindo o trabalho colaborativo e praticando, assim, a cidadania. No seguimento deste tema, torna-se fundamental mencionar um pedagogo que marca a Educação de Infância. John Dewey é considerado por muitos autores e investigadores como um dos mais influentes pedagogos e pensadores do século XX. Este preconiza uma conceção dinâmica da inteligência e do conhecimento e está associado a ideias de mudança, relativismo e instabilidade. 31 reflexividade pessoal, são competências fundamentais a praticar em contextos privilegiados de interação e de desenvolvimento humano (Cardona, 2015). No contexto pré-escolar em que realizei o meu estágio, o grupo de crianças com as quais desenvolvi o meu projeto, integrava por 5 crianças de etnia cigana. A educadora sempre realizou um trabalho de inclusão e igualdade, em que estas crianças não eram distinguidas, em nenhum aspeto, das restantes. Conforme está escrito nas OCEPE (2016, p.25): Respeito por cada criança e sentimento de pertença a um grupo – a forma como o/a educador/a está atento/a e se relaciona com as crianças, apoia as interações e relações no grupo, contribuem para o desenvolvimento da autoestima e de um sentimento de pertença que permite às crianças tomar consciência de si mesmas na relação com outros. A vivência num grupo social alargado constitui ainda a base do desenvolvimento da área de Formação Pessoal e Social e da aprendizagem da vida democrática, o que implica que o/a educador/a crie situações diversificadas de conhecimento, atenção e respeito pelo outro, bem como de desenvolvimento do sentido crítico e de tomada de decisões baseada na negociação. De salientar que entre as crianças, o comportamento era o mesmo que o da educadora, de igualdade e inclusão, sendo que nunca houve atitudes de racismo ou de exclusão. Todas as crianças interagiam de forma saudável e de forma igual para com todos, sem exceção. Desta forma, estas crianças de etnia sentiam-se integradas no grupo e sem qualquer tipo de descriminação. O facto de existirem tantas crianças de etnia num só grupo também foi um dos aspetos que me levou a eleger este tema de investigação, pela forma positiva como estas fazem parte de um grupo de crianças. Por serem crianças de uma cultura distinta da maioria, encarei este aspeto de forma positiva e desafiante, pois permitiu refletir sobre a importância do respeito pelo outro, pelas suas vivências e formas de viver. Desta forma, cito: O outro que pode ser um ser humano, ou grupo social, um objeto, um património, a natureza, o outro que pode ser nosso contemporâneo mas que será cada vez mais um outro, futuro, cuja possibilidade de existência temos que garantir no presente. (Santos, 1991, p.27) Deste modo, ao abranger crianças de diferentes culturas, está a criar-se a igualdade de direitos e a promover aceitação da diferença. Caso contrário, estaríamos a falar de racismo. Racismo é a convicção sobre a superioridade de determinadas raças, com base em diferentes motivações, em especial as características físicas e outros traços do comportamento humano. 32 Teoria que defende a superioridade de um grupo sobre outros, baseada num conceito de raça, preconizando, particularmente, a separação destes dentro de um país (segregação racial) ou mesmo visando o extermínio de uma minoria. A instituição de educação, ao invés de assimilar os alunos das minorias, deve aprender a integrá-los, conforme os princípios do multiculturalismo, com o objetivo de fazer com que os alunos sintam que a escola lhes pertence, sendo capazes de fazer com que o jovem se sinta diferente sem se sentir desinserido do grupo maioritário. Assim sendo: A escola tem como função, cada vez mais, preparar os jovens para que se sintam auto confiantes ao entrar na sua vida activa como cidadãos conscientes e responsáveis, capazes de se imporem por si próprios dentro de um espírito democrático, sejam europeus, africanos ou asiáticos, membros ou não de minorias. (Tavares, 1998, s.p.). A promoção de uma maior igualdade é um elemento fundamental na educação para a cidadania e na construção de uma verdadeira democracia. Lidar com as diferenças sem as transformar em desigualdades é um dos grandes desafios da educação na atualidade. A escola ocupa um lugar central em todo o processo de educação para a cidadania, sendo de uma importância cívica fundamental, pois constitui o primeiro degrau de uma caminhada que a família e a comunidade enquadram. O jardim-de-infância – tal como a escola – é um ambiente propício e fundamental para a formação de cidadania, pois é nele que se desenrola a formação a nível pessoal e social, educando as crianças no seu sentido ético e estético. Preparar para uma efetiva prática de cidadania começa no jardim-de-infância, desde a aprendizagem da diversidade e da igualdade de oportunidades, à paridade entre os sexos, da diversidade de culturas, à responsabilidade social de cada pessoa em promover uma sociedade mais democrática e integradora. Deste modo, é evidente que ninguém nasce cidadão, mas que se torna cidadão. Não se trata de um estado adquirido ao nascimento, nem quando se atinge a maioridade, mas sim uma gestão evolutiva, de uma conquista permanente (Cardona, 2015). Assim, a cidadania é a capacidade construída para intervir, sendo que só se é cidadão se for ativo e praticar a cidadania. O mundo continua a viver períodos conturbados, de transformação e mudanças profundas. Perante estas adversidades, é imperativo elevar o nível educativo dos cidadãos para que enfrentem sem receios os emergentes desafios que a sociedade lhes coloca. A sua aquisição é demasiado 33 importante para ser deixada às contingências da vida. Ela deve desenvolver-se mediante a educação intencional, tanto nas escolas, como também em outros contextos sociais. Trabalho colaborativo O trabalho colaborativo caracteriza-se pelo trabalho em grupo, pela partilha e pelo respeito pelo outro. Através do trabalho colaborativo, em termos práticos, as crianças tornam-se capazes de saber dividir (materiais, espaços, etc.), esperar pela sua vez (para falar, participar, etc.), respeitar os momentos dos outros, saber estar em grupo e conviver de forma social em grupo. O trabalho colaborativo foi tido em conta para a concretização deste projeto, pois está fortemente ligado com a temática “o respeito pelo outro” e com a “socialização saudável”. Socialização é o ato ou efeito de socializar, ou seja, de tornar social, de reunir em sociedade. É a extensão de vantagens particulares, por meio de leis e decretos, à sociedade inteira. É o processo de integração dos indivíduos em um grupo. Em Sociologia, socialização é o processo pelo qual o indivíduo, no sentido biológico, é integrado numa sociedade. Através da socialização o indivíduo desenvolve o sentimento coletivo da solidariedade social e do espírito de cooperação, adquirindo os hábitos que o capacitam para viver numa sociedade. Socialização significa aprendizagem ou educação, no sentido mais amplo da palavra, aprendizagem essa que começa na educação para a infância (Luckmann, 2010). A socialização implica a adaptação a certos padrões culturais existentes na sociedade, ou seja, é a tendência para viver em sociedade, é a civilidade (conjunto de formalidades, observadas entre si pelos cidadãos, quando bem educados). Por tudo isto, a criança desenvolve uma socialização saudável se o projeto em que ela se insere, promovido pelo educador, tiver em conta a socialização entre todos. O processo de socialização é fundamental para a construção das sociedades em diversos espaços sociais. É pelo processo de socialização que os indivíduos interagem e se integram por meio da comunicação, ao mesmo tempo que constroem a sociedade. Deste modo, esta socialização em que as crianças devem estar inseridas desde a educação préescolar, de forma a saberem viver socialmente na comunidade, baseando-se no respeito mútuo. A socialização (efeito de ser tornar social) está relacionada com a assimilação de hábitos culturais, bem como ao aprendizado social dos sujeitos. Isto porque é por meio dela que os indivíduos aprendem e interiorizam as regras e valores de determinada sociedade. De tal modo, o processo de socialização é desencadeado por meio da complexa rede de relações sociais estabelecidas entre os indivíduos durante a vida (Luckmann, 2010). 34 Assim, desde criança os seres humanos vão se socializando mediante as normas, valores e hábitos dos grupos sociais que o envolvem. Sabe-se que neste processo, todos os sujeitos sociais sofrem influências comportamentais. Desta noção de socialização, parte-se para a noção de trabalho colaborativo, que estão indiretamente relacionadas. Antes de mais, torna-se fundamental colocar a questão seguinte, que importa refletir: o que é o trabalho colaborativo? Compreende-se que o trabalho colaborativo não o seria se implicasse apenas uma divisão de tarefas, em que cada um cumprisse a sua parte, ficando-se por aí. Este é sim um estado em que os vários colaboradores fazem um esforço síncrono para discutir a mesma questão ou resolver o mesmo problema (Brna, 1998). Percebe-se que os participantes colaboram continuamente, realizando processos de cooperação, para conjuntamente resolverem um problema e/ou partilharem uma conceção conjunta. Assim, cito uma definição: Trabalho cooperado – O trabalho entre pares e em pequenos grupos, em que as crianças têm oportunidade de confrontarem os seus pontos de vista e de colaborarem na resolução de problemas ou dificuldades colocadas por uma tarefa comum, alarga as oportunidades educativas, ao favorecer uma aprendizagem cooperada em que a criança se desenvolve e aprende, contribuindo para o desenvolvimento e para a aprendizagem das outras. Trabalhar em grupos constituídos por crianças com diversas idades ou em momentos diferentes de desenvolvimento permite que as ideias de uns influenciem as dos outros. Este processo contribui para a aprendizagem de todos, na medida em que constitui uma oportunidade de explicitarem as suas propostas e escolhas e como as conseguiram realizar. (OCEPE, 2016, p.125). Deste modo, não importa apenas cooperar, ou seja, fazer o que é pedido, mas sim colaborar e ter opinião. Isto é, de forma sucinta, em contexto infantil, as crianças são propostas a conviver em grupo, mas também a serem desafiadas e serem participantes ativos no seu desenvolvimento. Indo de encontro a esta ideia: Grosso modo, o trabalho colaborativo implica a interação entre sujeitos. Esta interação passa pela partilha de interesses e de vivências ou acontecimentos; pela procura de soluções para determinados problemas; pela análise das vivências, situações e problemas, procurando compreender as causas, as consequências, as estratégias e possíveis alternativas, entre outros aspetos. (Chagas, 2002, s.p.). 35 Neste sentido revela-se pertinente referir um dos pressupostos da teoria histórico-cultural, que tem por base o legado de Lev Vygotsky. Segundo esta, o indivíduo aprende e desenvolve-se a partir das suas interações com o outro. Ou seja, o desenvolvimento psíquico ocorre do plano interpsicológico – referente à interação com o outro – para o plano intrapsicológico – na mente do indivíduo (Vigotsky, 1988). Assim, pode-se compreender a importância do trabalho colaborativo, que envolve a troca de ideias de forma continuada e uma apreciação constante perante as situações apresentadas, promovendo uma verdadeira construção de conceitos e, por isso, o desenvolvimento dos sujeitos que colaboram. Para além disso, constrói-se continuamente conhecimento, que é cada vez mais completo e mais rico. Vygotsky (1988) é um dos autores que possui um grande número de estudos direcionados para o trabalho colaborativo. Ele argumenta que as atividades realizadas em grupo, de forma conjunta, oferecem muitas vantagens, que não se verificam em ambientes de aprendizagem individualizada. O autor explica que a constituição dos sujeitos, ocorrem mediados pela relação com outras pessoas (processos interpsicológicos). Elas produzem modelos referenciais que servem de base para os nossos comportamentos e raciocínios, assim como para os significados que damos às coisas e pessoas. Colaço (2004) observa que as crianças, ao trabalharem juntas, orientam, apoiam, dão respostas e inclusive avaliam e corrigem a atividade do colega, com o qual dividem a parceria do trabalho, assumindo posturas e gêneros discursivos semelhantes aos do professor . O objetivo de aprender a conviver faz parte, pelo menos de forma implícita, de todo e qualquer processo educativo. Historicamente é ao sistema educativo, juntamente com a família, que é confiada a aprendizagem de normas de convivência elementares para se viver em sociedade. A “Informação à UNESCO da Comissão Internacional sobre a Educação para o Século XXI” (Delors, 1996), presidida por Jacques Delors, destaca o aprender a viver como um dos quatro pilares em que se deve assentar a educação do novo século. Aprender a conviver é, pois, uma necessidade inadiável de qualquer projeto educativo, além de constituir uma exigência formal da legislação. Exigência que se torna ainda mais urgente nos tempos atuais, em que a violência impregna a sociedade. Relembrando as OCEPE (2016, p.24): Na educação pré-escolar, o grupo proporciona o contexto imediato de interação social e de socialização através da relação entre crianças, crianças e adultos e entre adultos. Esta dimensão relacional constitui a base do processo educativo. 36 Um trabalho de equipa eficaz utiliza os mesmos elementos de apoio postos em prática pelos adultos quando trabalham com as crianças. Os elementos da equipa partilham o controlo em vez de seguir as diretivas de uma só pessoa. Os elementos da equipa partilham a responsabilidade de promover o trabalho de grupo, estabelecendo objetivos curriculares, colocando questões e resolvendo problemas. Ao falar sobre, e ao planear para as crianças, cada sujeito toma iniciativa e trabalha para a equipa, quer como líder, quer como participante. Os elementos da equipa evidenciam os seus talentos, procurando potenciar as capacidades e interesses uns dos outros e de cada um. Para além disto, predispõe-se a estabelecer relações baseadas na honestidade, atenção ao outro, no diálogo e no respeito. Cada elemento de um grupo, seja grande ou pequeno, deve apreciar e respeitar as experiências, o pensamento e ideias dos outros. O respeito mútuo é a base de qualquer trabalho em equipa, tanto em crianças como em adultos. Desta forma, este tipo de trabalho evidencia e testa a existência de respeito e aceitação por parte dos sujeitos, tal como nas atividades para crianças, em que estão dispostas em grupo. No tempo em grupo, os adultos definem e apresentam a atividade, mas deixam as crianças contatar com os materiais à sua própria maneira e ao seu próprio ritmo. As crianças fazem escolhas e tomam decisões sobre o que fazer com os materiais, conversam umas com as outras e com o adulto acerca do que estão a fazer e recebem o apoio e encorajamento apropriado da parte do adulto. O momento em grupo dá às crianças uma oportunidade diária de experimentarem as suas próprias ideias e as dos outros num ambiente seguro e com um adulto atento nas proximidades, Torna-se frequente que as crianças levem para as brincadeiras do tempo de trabalho ideias que formularam em grupo. De forma a sintetizar, torna-se essencial referir que o tempo em grupo se apoia nas atividades das crianças, introduzindo-lhes materiais e experiências que elas poderiam de outra forma não manipular nem vivenciar, e proporciona aos adultos, a um ritmo diário, um contexto de observação e aprendizagem sobre cada uma das crianças consideradas individualmente. Trabalho de projeto Um projeto é um processo consciente, integrador de uma estrutura aberta e de um cenário de aprendizagem significativa “onde o ser humano se encontra referenciado, de um lado à actividade de descoberta e do outro à actividade de apreciação no que diz respeito a tudo o que o circunda” (Miranda, 1999). Este processo consiste em examinar com a maior clareza possível as preferências e as referências da pessoa em contexto para fazer uma escolha de orientação. Trata- 37 se de uma dinâmica e não de um processo linear. Implica um questionamento crítico sobre a pessoa, exigindo aprofundar a compreensão das experiências e do ambiente. Trabalhar através de projetos O pensamento por projeto coloca a questão dos “sentidos” do que fazemos ou do que queremos fazer. O projeto é uma intenção de transformação do real, guiada por uma representação do sentido dessa mesma transformação. O projeto consubstancia a oportunidade de exercer a aprendizagem e o desenvolvimento do que é desejado fazer, sendo uma energia, um clima e um desejo de ir em direção ao desenvolvimento das crianças, neste contexto em específico. A abordagem por projetos, dirigida para crianças entre os 3 e os 6 anos, é sustentada pela possibilidade de escolha e de personalização do desenvolvimento do projeto. O educador pode exercer o seu saber, a sua reflexividade e o seu poder face a si próprio, aos colegas, ao contexto, decidindo e negociando a variedade de métodos de ensino. Desta forma: O projecto veicula uma concepção de pessoa que se inscreve numa perspetiva de mudança e pensa os educadores como profissionais do desenvolvimento humano (Whitaker, 1993, s.p.). Esta conceção sustenta que todo o ser humano possui, em si mesmo, os recursos necessários para se desenvolver em direção à autonomia e à interdependência. Esta tendência no ser humano não vem do exterior mas exerce-se e potencializa-se em interação com os diferentes contextos que envolvem o sujeito, desde os mais próximos até aos mais distantes. É uma perspetiva de interação simbólica, pois a interação é ela própria uma atividade criadora, visto que cada um deve ter em conta o outro, pressupondo, para além das características próprias de cada pessoa, a interpretação do momento vivido (Whitaker, 1993). Em contexto de educação de infância, as atividades significativas, dentro dos projetos, enquadram-se num cenário de aprendizagem como unidade espacial e temporal onde decorrem ações com sentido e com elevado número de presença do educador. Baseando a pesquisa em Katz (1996), são apontadas algumas características inerentes ao trabalho de projeto. Estas características, mais relevantes para a concretização de um trabalho de projeto, são: - intencionalidade; - responsabilidade e autonomia; - autenticidade; - complexidade; 38 - criatividade. Um projeto implica uma intencionalidade e esta depende do envolvimento significativo e empenhado dos intervenientes na construção de uma visão partilhada. O processo envolve o diálogo e a interação, requerendo uma abertura de espírito, uma capacidade de escuta, possibilidade de execução de várias hipóteses, descobrir problemas e encontrar soluções, colocando-se questões e refletindo. Para além deste aspeto, o projeto implica a responsabilidade e a autonomia dos intervenientes. Estes são os agentes do seu desenvolvimento e aprendizagem, decidindo o seu caminho. O projeto implica uma envolvência e entrega por parte do educador, requerendo a capacidade de tomar decisões e escolher, em simultâneo com o ser capaz de assumir o resultado. Uma das atitudes básicas a promover é a colaboração e partilha na operacionalização das ideias e planos ao longo da execução do projeto. A autenticidade torna-se importante na medida em que é fundamental perceber se o projeto é indicado para os intervenientes em questão e se é autêntico no sentido de corresponder às necessidades dos mesmos. Não é proveitoso que seja direcionado para outros ou com objetivos desadequados às crianças. No que concerne à complexidade, esta é caraterizada pelas várias dimensões que fazem parte do projeto, incluindo as dimensões individuais e coletivas. Os projetos desenvolvem-se numa dinâmica própria e caracterizam-se pela sua diversidade e pela sua abertura. Para terminar, a criatividade que carateriza o trabalho de projeto, foca-se em ideias inovadoras e que despertem curiosidade. A expressão e criação pessoal ou personalizada faz parte da criatividade, implicando uma interação humana em contexto, permitindo exercitar as capacidades criadoras e capacidades de ter ideias distintas, combatendo a rotina. Esta noção de trabalho de projeto envolve, de forma inevitável, um trabalho em conformidade, principalmente entre educador e crianças. Quando as crianças e os adultos trabalham em conjunto, em qualquer ambiente de aprendizagem, pela ação, sustentado num clima de apoio interpessoal, as crianças sentem-se motivadas a prosseguir e levar a bom porto as suas intenções e motivações. Os adultos encorajam as crianças a utilizar aquilo que sabem para resolver problemas, e a iniciar novas experiências através das quais ganharão uma outra compreensão sobre o que as rodeia. Segundo Katz & Chard (1997): 39 O desenvolvimento intelectual das crianças mais novas será mais bem servido se houver oportunidade para interagirem com os adultos, umas com as outras, com o ambiente e com uma variedade de materiais e de circunstâncias. Nesta abordagem aberta, as crianças aprendem, através da experiência, e constroem o seu próprio entendimento do mundo. Os adultos também aprendem acerca das capacidades de cada criança, de como interagir de uma forma genuína para apoiar o desenvolvimento de cada uma dessas crianças, e do seu próprio potencial para dar apoio adequado. O educador torna-se co-construtor de conhecimentos num processo de interação com outros, isto é, Um educador incapaz de sentido de risco, de aventura, incapaz de calcorrear a “zona de viagem e de exploração, o desconhecido mais ou menos conhecido, o reservatório do novo” não poderá praticar adequadamente uma pedagogia de projeto (Vasconcelos, 1998, p.75). Na dinâmica dos projetos, é o trabalho e o jogo em pequeno grupo que são privilegiados, coexistindo trabalho e jogo individual, assim como em grande grupo. O funcionamento em pequeno grupo fortalece a partilha de ideias, o respeito por cada um e o envolvimento numa vida democrática. Para partilhar a descoberta realizada em pequeno grupo haverá necessidade de existirem momentos de grande grupo onde, por vezes, se tomam decisões importantes para a gestão dos projetos e se elaboram regras. Katz (1997) defende que a realização de projetos com as crianças e das crianças permite explorar o potencial de desenvolvimento de um ambiente educativo e facilita a oportunidade de criar e apoiar atividades molares e de estruturas interpessoais cada vez mais complexas. Estas atividades adequam-se à liberdade que o adulto oferece à criança para experimentar, fazer juízos de valor, escolher e expressar ideias. Através das atividades dos projetos, o educador funciona também como uma memória, dialoga com as crianças sobre os resultados das suas produções, o que ajuda a criança a revisitar os seus trabalhos, jogos e construções, nomeadamente, as que por vezes são a três dimensões, despertando o sentido crítico e valorativo da criança. O educador presta muita atenção às atividades das crianças porque acredita nas suas capacidades, nas suas construções e investigações e, como estas lhes dizem respeito, emergem questões e problemas a resolver. O educador, em contexto de trabalho de projeto, ajuda a descobrir esses problemas e questões, formulando sugestões e hipóteses para aprofundar ou para encorajar. De referir que a base do projeto não foi a metodologia de trabalho de projeto no seu sentido pleno, mas sim a forma de trabalhar da Educadora. Desta forma, junto das crianças, desenvolvi pequenos projetos, que tiveram em comum os princípios da metodologia de trabalho de projeto, 40 tais como: a iniciativa da criança, a participação do grupo, a articulação de atividades em torno de interesses comuns, entre outros. Assim, o projeto, caraterizado pelo seu processo e pelo seu produto final, foi inspirado na forma de atuar da Educadora que vai de encontro à metodologia de trabalho de projeto. De forma geral, foram realizados pequenos projetos, tendo em conta os interesses revelados pelas crianças ou pela educadora, havendo um exploração momentânea e não uma sequência articulada de atividades. Assim sendo, não se levou a cabo a metodologia de trabalho projeto a partir de uma só questão ou curiosidade da criança, onde existem atividades encadeadas para dar resposta à questão inicialmente colocada. Educação Pré-Escolar A educação pré-escolar é considerada como a “primeira etapa da educação básica” (Artigo 2º), que sustenta uma educação que seja desenvolvida para e ao longo da vida, promovendo o desenvolvimento da criança em todos os níveis, estando isto referido e sustentado ma Lei-Quadro da Educação Pré-Escolar, Decreto de Lei n.º5/1997, de 10 de fevereiro. A educação pré-escolar, destinada às crianças entre os 3 anos e a entrada na escolaridade obrigatória, propõe às crianças a possibilidade de aprender a participar no seu mundo e a contribuir para ele com a sua criatividade, sensibilidade e espírito crítico, com vista a que sejam cidadãos emancipados e autênticos na interação que estabelecem com o mundo. Mencionando as OCEPE (2016, p.4): Apostar na educação como principal fator de desenvolvimento humano e social significa acreditar que não há fase da vida em que a educação não seja crucial. O adulto plenamente capaz para um exercício de cidadania ativa é o que se mantém desperto para preencher as suas necessidades de formação e de enriquecimento cultural. É nesta fase do desenvolvimento da criança que esta inicia a aprendizagem para estar em comunidade, vive experiências novas e se expande, já que está num local privilegiado, onde os Educadores se disponibilizam a dar atenção, ajuda e carinho. Partilham-se experiências, aprendese a competir de forma saudável, logo, a respeitar o outro, usam-se regras e trabalha-se o autodomínio. Fazer aumentar a curiosidade, encorajar o hábito do pensamento criativo independente, motivá-la a encontrar soluções a partir do confronto consigo própria e com os outros são alguns objetivos da educação pré-escolar. Sabe-se que: 47 Capítulo III - Construção do Projeto de Intervenção e Investigação 48 Neste capítulo serão apresentados os momentos de prática pedagógica, realizados em contexto de Jardim de Infância, no qual a teoria referenciada foi colocada em prática, desenvolvendo-se as duas em concordância. Os momentos de intervenção realizados ao longo do estágio tiveram por base a metodologia de trabalho de projeto, já mencionada e aprofundada anteriormente, sustentada por objetivos também já referidos. No presente capítulo é explicada a forma como surgiu o projeto, bem como as várias fases que o sustentaram e que se desenvolveram. A par do projeto de intervenção, será apresentado o processo de investigação concretizado. O projeto: como surgiu e em que se baseou Após a análise das caraterísticas do grupo, nomeadamente os diferentes níveis de crescimento e desenvolvimento, e por me encontrar num processo de formação inicial no campo da educação, considerei que seria pertinente abordar um tema global, através da metodologia de trabalho de projeto, em que tivesse em conta os interesses pessoais, potencialidades e necessidades de cada criança. O primeiro momento de intervenção realizado em JI, prendeu-se com o levantamento de conceções prévias. Esta prática centrou-se num diálogo, onde foram levantadas questões pelas crianças e por mim, com o objetivo de descobrirmos um tema para o nosso projeto, através de questões como “O que gostavam de saber?”, “O que gostavam de aprender e de fazer aqui no JI?”, entre outras. Após abordadas algumas temáticas, obtive a conclusão de que a maioria das questões levantadas se centravam em torno do tema “o corpo humano”, mais concretamente, surgiram as seguintes questões “Como é o sangue?”, “Porque é que nos sentimos tristes e contentes?”, “Como é o nosso corpo por dentro?”, “Porque é que cresço?”, entre outras. Assim sendo, em conjunto com o grupo, decidimos chamar o nosso projeto de “À descoberta do corpo humano”, onde ficaram estipulados subtemas que as crianças gostavam de ver abordados, por exemplo, o sangue, os órgãos, os sentimentos, os animais, as pessoas, etc. Observando que este era um tema que suscitava interesse e curiosidade nas crianças, foi-lhes reconhecida a oportunidade de exporem ideias sobre o tema, tornando-se um momento bastante importante, pois envolveram-se de forma ativa, mostrando as informações que já detinham e o que queriam saber mais. As crianças, de forma geral, mostraram-se bastante entusiasmadas e curiosas em conhecer e recolher informação sobre o corpo humano, contribuindo para a realização da pesquisa e construção dos conhecimentos. 49 A meu ver, a nível pessoal e profissional, este diálogo foi bastante relevante, em que assumi uma postura ativa, de ouvinte e mediadora, orientando as várias intervenções para que as crianças não falassem ao mesmo tempo, ouvissem os outros a falar e respeitassem a sua vez e opinião. A educadora cooperante não tinha nenhum modelo pedagógico específico, porém, foi evidente que se baseava sempre nos interesses e necessidades do grupo, sendo este heterogéneo. Deste modo iniciei com este grupo de crianças um trabalho de projeto, em que todas as atividades se centraram no tema elegido pelo grupo, onde tiveram oportunidade de votar e decidir a sua escolha. A metodologia de trabalho de projeto marcou as dinâmicas deste estágio, baseando-se num trabalho colaborativo, de interação e partilha, estando sempre em vista o desenvolvimento pleno da criança, com a participação de toda a equipa educativa. A palavra projeto, que deriva do latim projectu - lançado, particípio passado de projicere (lançar para diante) -, contém a noção de futuro e de intervenção. O trabalho de projeto é uma metodologia investigativa e, segundo Lilian Katz, projeto designa-se por ser “um estudo em profundidade de um determinado tópico que uma ou mais crianças levam a cabo. Consiste na exploração de um tópico ou tema” que desperta a curiosidade das crianças e capta a sua atenção. Deste modo, o trabalho é orientado para a resolução de um problema que deve ser considerado importante e real para todos os participantes, levando a aprendizagens novas e tendo em conta o meio envolvente. “Esta abordagem dá ênfase ao papel do professor no incentivo às crianças a interagirem com pessoas, objectos e com o ambiente, de formas que tenham um significado pessoal para elas.” (Katz & Chard, 1997), isto é, se a criança estiver ativamente envolvida na construção da sua aprendizagem, esta vai fazer muito mais sentido e a criança vai sentir-se motivada. O educador tem como função, assim, sensibilizar as crianças para a procura de informação e para a dedicação em relação ao projeto, fornecendo ao grupo os materiais e os recursos necessários, favorecendo saberes, competências e sentimentos. O trabalho de projeto proporciona um trabalho satisfatório, pelo resultado que produz nas crianças e adultos. No fundo vai ao encontro daquilo que tenho vindo a promover, que a criança deverá ser construtora do seu conhecimento, deverá ser respeitada e valorizada pelas suas capacidade e opiniões, num ambiente de bem-estar. Neste sentido, em que não há um distanciamento entre a teoria e a prática, o trabalho de projeto vem clarificar que não existe essa separação entre estas duas perspetivas. A consonância entre a teoria e a prática possibilita um trabalho de qualidade e fundamentado. 50 Para este projeto de intervenção tornou-se importante estipular objetivos que permitissem uma integração do saber, desenvolvendo-se uma abordagem das diferentes áreas de conteúdo. Desta forma, os objetivos pedagógicos delineados para este grupo, foram: - Socializar de forma saudável e obter prazer em dialogar e conhecer melhor o outro; - Saber estar em grupo e participar em atividades de grupo; - Respeitar o espaço e comportamento do outro; - Aceitar as diferenças de comportamentos e hábitos do outro; - Promover o desenvolvimento e cumprimento de regras nas atividades em grupo. Assim sendo, de seguida são apresentados os objetivos operatórios: -Adquirir conhecimentos sobre a temática; -Desenvolver e usufruir das atividades diversificadas; -Construir e desenvolver um projeto progressivo e aberto, através do desenvolvimento de aprendizagens integradas e articuladas ao nível das diferentes áreas do conteúdo; -Tomar consciência de si próprio e das outras crianças; -Promover o respeito pelo outro; -Adotar uma postura de seres ativos críticos e autónomos; -Desenvolver uma relação viva e dinâmica com todos os intervenientes do projeto; -Desenvolver a capacidade de comunicação e do sentido crítico; saber esperar pela sua vez para dialogar; -Aceitar a opinião dos outros; -Saber estar e conviver em grupo. Como foi referido anteriormente, na “Questão de partida e objetivos” do capítulo I, os objetivos de investigação desenvolvidos com base no projeto de intervenção, são: -Compreender de que forma o trabalho de grupo promove o respeito pelo outro e a socialização; -Entender os comportamentos das crianças durante a realização de atividades em grupo, relativamente ao respeito pelo outro; -Encontrar as principais dificuldades das crianças na socialização com o outro. A partir de alguma pesquisa feita para fundamentar este projeto, conclui que enquanto educadora devia seguir a linha pedagógica do trabalho colaborativo. O trabalho colaborativo não o seria se implicasse apenas uma divisão de tarefas, em que cada um cumprisse a sua parte. Este implica que vários colaboradores realizem um trabalho simultâneo para discutir a mesma questão ou resolver o mesmo problema. Os participantes colaboram continuamente, realizando processos 51 de cooperação, para conjuntamente resolverem um problema e/ou partilharem uma conceção conjunta. Quer isto dizer que o trabalho colaborativo implica a interação entre sujeitos. Esta interação passa pela partilha de interesses e de vivências ou acontecimentos; pela procura de soluções para determinados problemas; pela análise das vivências, situações e problemas, procurando compreender as causas, as consequências, as estratégias e possíveis alternativas, entre outros aspetos. Assim, é visível a importância do trabalho colaborativo, que envolve a troca de ideias de forma continua e um parecer constante perante as situações apresentadas, promovendo uma verdadeira construção de conceitos e, por isso, o desenvolvimento dos sujeitos que colaboram. Para além disso, constrói-se continuamente o conhecimento, que é cada vez mais completo e mais rico. Deste modo, refiro a citação: “As relações e as interações que a criança estabelece com adultos e com outras crianças, assim como as experiências que lhe são proporcionadas pelos contextos sociais e físicos em que vive, constituem oportunidades de aprendizagem, que vão contribuir para o seu desenvolvimento.” (OCEPE, 2016). Assim sendo, o educador tem um papel fundamental no desenvolvimento das crianças, devendo ter uma função de mediador do desenvolvimento e incentivador da autonomia da criança. Para além disso, deve ter sempre em consideração os seguintes princípios pedagógicos: -Valorizar e escutar a criança contribuindo para o seu bem-estar e autoestima; -Proporcionar à criança um ambiente estável, calmo e acolhedor, tendo em conta o seu desenvolvimento harmonioso; -Favorecer o contacto com as várias formas de expressão e comunicação com o intuito de promover novas experiências; -Incentivar a colaboração dos pais no processo educativo através da participação em várias iniciativas; -Permitir o desenvolvimento da autonomia e da confiança sempre que possível; -Explorar as áreas de conteúdo das orientações curriculares nomeadamente: Desenvolvimento pessoal e social; Expressão e Comunicação; Conhecimento do Mundo; -Ter em vista o desenvolvimento global de todas as crianças como seres únicos autónomos e solidários, contribuindo para uma igualdade de oportunidades; -Participar e elaborar os projetos/atividades, envolvendo todas as crianças, promovendo a interação social e a aprendizagem; -Ser flexível e dinâmica na planificação, trabalhando em conjunto com as crianças, educadoras, auxiliares e pais. 52 Menciono a citação que patenteia o papel do educador “O educador deve ser alguém que permite o desenvolvimento de relações de confiança e de prazer através da atenção, gestos, palavras e atitudes. Deve ser alguém que estabeleça limites claros e seguros que permitam à criança sentir-se protegida de decisões e escolhas para as quais ela ainda não tem suficiente maturidade, mas que ao mesmo tempo permitam o desenvolvimento da autonomia e autoconfiança sempre que possível. Deve ser alguém verbalmente estimulante, com capacidade de empatia e de expansividade, promovendo a linguagem da criança através de interações recíprocas e o seu desenvolvimento sócio emocional” (Portugal G.1998, p.193). Atividades do projeto Durante o desenvolvimento do projeto procurou-se proporcionar às crianças a vivência de situações estimulantes que mobilizassem as suas capacidades para a construção de aprendizagens funcionais, ativas e significativas, tendo em conta os seus interesses, necessidades e características (Katz & Chard, 1997). Para este processo foi essencial utilizar recursos, procedimentos e estratégias variados que permitissem a abordagem de um conjunto alargado de conteúdos articulados e integrados. Para a concretização deste projeto uma das estratégias utilizadas foi a planificação, por parte do adulto e da criança. Todo o educador deve planear antes de intervir, de maneira a ter organização e objetivos estipuladas para cada momento do dia. Desta forma, este consegue fazer uma avaliação, no final de cada atividade, mais facilmente e ao ver os momentos registados tornase mais fácil a parte prática. Planear implica que o educador reflita sobre as suas intenções educativas e as formas de as adequar ao grupo, prevendo situações e experiências de aprendizagem e organizando recursos necessários à sua realização. Planear permite não só antecipar o que é importante desenvolver para alargar as aprendizagens das crianças, como também agir, considerando o que foi planeado, mas reconhecendo simultaneamente oportunidades de aprendizagem não previstas, para tirar partido delas (OCEPE, 2016). Planear é um processo intelectual no qual os objetivos internos dão forma a ações antecipadas. Quando as crianças planeiam, começa com uma intenção pessoal, um objetivo, um propósito. Dependendo da sua idade e capacidade para comunicar, elas expressam as suas intenções em ações, gestos ou palavras. Dado que elas participam no processo de planeamento todos os dias, crescem habituadas a informar os outros das suas intenções antes de as pôr em prática. Isto ajuda as crianças a ficarem conscientes da sua capacidade para dar forma e controlar as suas próprias ações. 53 Para além disto, nesta investigação foram utilizados os seguintes instrumentos de recolha de dados: observação, notas de campo, gravações áudio, diários e fotografias. De salientar que cada atividade teve um conjunto alargado de objetivos, porém houve uma seleção dos mesmos, sendo que não estão todos apresentados. Esta seleção pretendeu evidenciar apenas os objetivos relacionados com as competências sociais, sobretudo, com a promoção do respeito, isto é, os objetivos diretamente relacionados com o projeto de investigação-ação Deste modo, torna-se essencial apontar alguns momentos de algumas atividades que constituíram este projeto de intervenção, em contexto de JI, concretamente: Atividade 1: O corpo humano em figuras geométricas Objetivos de Intervenção Com o desenvolvimento da atividade, espera-se que a criança: - Aproprie progressivamente de diferentes técnicas e conhecimentos, através da exploração, experimentação e observação, utilizando-as de modo intencional nas suas produções; - ensaie formas de expressividade e soluções próprias, integrando e relacionando técnicas, materiais e meios de expressão para criar, recriar ou reinventar; - compreenda mensagens orais em situações diversas de comunicação; - use a linguagem oral em contexto, conseguindo comunicar eficazmente de modo adequado à situação (produção e funcionalidade); - ouça os outros e responda adequadamente, apresentando as suas ideias e saberes, tanto em situações de comunicação individual como em grupo; - se envolva, por iniciativa própria, em situações onde utilize conhecimentos e estratégias de matemática, evidenciando satisfação e prazer; -se reconheça como ser vivo com características e necessidades semelhantes às dos outros seres vivos. Desenvolvimento da atividade Esta primeira atividade prendeu-se com a abordagem às quatro figuras geométricas, através do diálogo e da demonstração do quadrado, retângulo, triângulo e círculo em cartolina. Posteriormente, procedeu-se à realização de um jogo de figuras geométricas, para que as crianças praticassem e estivessem em contacto direto com as formas geométricas. Assim, foi também objetivo abordar a Área de Expressão e Comunicação, mais especialmente o Domínio da Matemática, através das formas geométricas. 54 De seguida, continuando em grande grupo, mas executando um trabalho individual, elaboraram o corpo humano em figuras geométricas, em papel autocolante. Depois de o corpo estar estruturado e recortado (tronco, membros superiores e inferiores) colaram na capa A3 que viria a ser a capa de final de ano, onde colocaram todos os trabalhos realizados ao longo do ano letivo. Com os lápis desenham os detalhes (cabelo, olhos, boca, nariz, mãos, pés, etc.). Figura 1Capa final de duas crianças Através desta atividade procurei abordar o corpo humano, a nível exterior e físico, de forma a promover momentos de liberdade e criação. Cada criança criou o corpo humano como entendeu, ficando todos diferentes uns dos outros. Assim, no final da atividade, ocorreu o diálogo sobre o facto de todas as capas estarem diferentes, isto é, indiretamente isto significa que somos todos diferentes e que cada um possui caraterísticas próprias. Desta forma promovi a aceitação da diferença e respeito pela mesma, em que as pessoas não de definem pela sua aparência, devendo respeitar todas as pessoas, independentemente do seu aspeto físico. Atividade 2: O nosso sangue Objetivos de Intervenção Com o desenvolvimento da atividade, espera-se que a criança: - Identifique as suas características individuais e reconheça semelhanças e diferenças com as características dos outros; - revele confiança em experimentar atividades novas, proponha ideias e fale em grupo; 55 - desenvolva o respeito pelo outro e pelas suas opiniões, numa atitude de partilha e de responsabilidade social; - desenvolva uma atitude crítica e interventiva relativamente ao que se passa no mundo que a rodeia; - represente e recrie plasticamente vivências individuais, pessoas, animais, etc., utilizando diferentes materiais; - dialogue sobre as diferentes imagens e/ou objetos que aprecie/contacte em diferentes contextos; - use naturalmente a linguagem com diferentes propósitos (descrever acontecimentos, fazer pedidos, dar ou pedir informação, apresentar ou debater ideias, etc.). Desenvolvimento da atividade Esta atividade, bem como as restantes, surgiu de uma questão feita pelas crianças no levantamento das conceções prévias. A atividade iniciou--se com a visualização de um vídeo animado relacionado com o tema “o sangue”. Neste vídeo as crianças tiveram acesso a imagens com o movimento do sangue e a explicação do seu funcionamento e formação. Figura 2Crianças em grande grupo a visualizar o vídeo Posto isto, de modo a conseguir mostrar na prática a formação do sangue, as crianças observaram e mexeram em bolas vermelhas de água, para entenderem melhor a disposição e função dos glóbulos vermelhos no sangue. Neste momento as crianças associaram as bolas vermelhas aos glóbulos vermelhos e por isso o facto de o sangue ser de cor vermelha. 56 Figura 3Bolas vermelhas que representam o sangue De seguida, ainda relacionado com a temática do sangue, houve um diálogo e reflexão, chegando à conclusão que todos os seres humanos têm sangue e que este é igual, mas podemos ter características físicas visivelmente diferentes (cor de pele, cor de olhos, cor de cabelo, etc.). Este diálogo foi acompanhado de imagens de crianças de diferentes países, abordando assim o multiculturalismo. Ao abordar esta temática explorei as características físicas, e referi que dentro de um mesmo país, por exemplo o Brasil, existem pessoas com características bastante distintas. Isto quer dizer que a cultura pode ser a mesma mas podem existir diferenças físicas, bem como no seio de uma família também há pessoas com elementos biológicos diversos, não dependendo apenas do fator cultural. Atividade 3: Os sentimentos Objetivos de Intervenção Com o desenvolvimento da atividade, espera-se que a criança:- Expresse as suas emoções e sentimentos (feliz, triste, enjoado, cansado, sonolento, doente, amuado, apaixonado/amor, falador, medo, raiva, amizade, carinho, risonho/rir, preguiça, vaidade, etc.); - manifeste os seus gostos e preferências; - espere pela sua vez na realização de jogos e na intervenção nos diálogos, dando oportunidade aos outros para intervirem; - demonstre comportamentos de apoio e entreajuda, por iniciativa própria ou quando solicitado; - exponha, discuta ideias e proponha soluções para desafios criativos, em jogos dramáticos e representações dramáticas; 63 Figuras 8 e 9Crianças a confecionar as bolachas e o resultado final Atividade 7: Os órgãos internos do corpo humano Objetivos de Intervenção Com o desenvolvimento da atividade, espera-se que a criança: - Expresse as suas opiniões, preferências e apreciações críticas, indicando alguns critérios ou razões que as justificam; - colabore em atividades de pequeno e grande grupo, cooperando no desenrolar do processo e na elaboração do produto final; - avalie, apreciando criticamente, os seus comportamentos, ações e trabalhos, bem como os dos colegas, dando e pedindo sugestões para melhorar; - participe na planificação de atividades e de projetos individuais e coletivos cada vez mais complexos, explicitando o que pretende fazer, tendo em conta as escolhas dos outros e contribuindo para a elaboração de planos comuns; - saiba o seu nome completo, a sua nacionalidade e seja capaz de se descrever, indicando algumas das suas características individuais. Desenvolvimento da atividade Numa primeira parte, recorrendo a uma enciclopédia que abordava o corpo humano, proporcionou-se um diálogo, com as crianças, sobre a constituição do corpo humano e os órgãos mais importantes. Neste diálogo foi fundamental mencionar os órgãos internos e as suas funções: pulmões (estão encarregues de inspirar e expirar o ar, ou seja, a respiração), fígado (ajuda que a comida se transforme nos elementos necessários para viver e crescer), coração (bombeia o sangue 64 a todo o corpo), estômago (decompõe a comida para que o corpo a possa utilizar), rins (limpam o sangue das impurezas), intestino (passa para o sangue as substâncias que podem permanecer). Em grande grupo, de modo a tornar a atividade mais prática e lúdica, seguiu-se a visualização do torso humano (requisitado na Universidade do Minho), sendo que o desmontamos e mostrei um órgão de cada vez para reforçar as suas funções. De seguida, organizei as crianças em pequenos grupos, para que cada uma pudesse mexer, montar e desmontar o torso. Figura 10Torso humano Numa segunda parte da atividade, ainda abordando a temática do corpo humano, passouse à concretização de um corpo humano em 3 dimensões. Aqui abordei os sexos, feminino e masculino, e cada criança foi capaz de se representar a si próprio em 3 dimensões, percebendo as semelhanças e diferenças entre os colegas, tentando reproduzir a figura humana como um autorretrato, sendo capaz de se caracterizar. Foram cedidos às crianças bastantes materiais e um molde, apenas para servir de exemplo. Este molde não foi seguido pelas crianças, serviu apenas para se inspirarem e perceberem como a figura humana se encaixa de maneira a segurar-se, em pé. Todos os aspetos de decoração e estética foram de escolha das crianças, sendo elas a escolher as cores e como pretendiam fazer. 65 Deste modo, de forma organizada, foram apresentadas algumas das atividades realizadas. Em relação ao processo de investigação, apresenta-se de seguida, de forma sistematizada, o trabalho de análise realizado em cada atividade: 66 Atividade Objetivos de Investigação Recursos metodológicos Avaliação Geral O corpo humano em figuras geométricas -Encontrar as principais dificuldades das crianças na socialização com o outro. Observação: Nesta atividade pretendia procurar saber quais as dificuldades das crianças no processo de socialização, desta forma, com uma atividade em grande grupo foi possível observar e presenciar as dificuldades. O objetivo foi atingido na medida que grande parte das crianças revelaram dificuldade em aguardar pela sua vez para falar e em respeitar a vez do seu colega no momento de participação, demonstrando as suas principais dificuldades na socialização. Assim sendo, as crianças, de modo geral, tinham atitudes de egocentrismo, tendo dificuldade em respeitar os colegas. Nesta atividade as crianças revelaram alguma dificuldade em esperar pela sua vez para realizar o jogo. Para além disso, demonstraram também dificuldade em ter atitudes de compreensão pelos amigos que demoraram mais tempo a responder. Assim sendo, de forma geral demonstraram dificuldade em saber estar em grupo, porém mantiveram a ordem e conseguiram realizar a atividade com sucesso. O nosso sangue -Entender os comportamentos das crianças durante a realização de atividades em grupo, relativamente ao respeito pelo outro. Notas de campo: “Temos todos o sangue igual, mas somos diferentes por fora” (C1) “Eu gosto de todas as pessoas, não importa como elas são” (C2) “O meu pai tem olhos castanhos e eu tenho azuis, e eu gosto dele na mesma” (C3) “A minha avó não tem pernas, anda numa cadeira de rodas e eu gosto muito dela” (C5) Através das falas de algumas crianças, é possível verificar que perceberam que o ser humano tem diferenças no seu exterior, mas que não deve existir descriminação. Assim, pude entender que a noção de respeito das crianças foi desenvolvida. Fotografia: Foi notória uma ligeira melhoria no à vontade das crianças, tendo mais iniciativa própria para participar. Porém, foi visível ainda o desrespeito pelo outro, de forma geral, não sabendo esperar pela sua vez para mexer nas bolas, querendo todos mexer ao mesmo tempo, sem deixar os amigos mexer e ver. Neste momento tive de organizar o grupo e pedir que se ordenassem para ser um de cada vez a mexer, respeitando assim a sua vez e a do amigo. Numa fase inicial foi mais difícil a realização da atividade em grupo, porém depois as crianças, no momento do diálogo, estavam envolvidas na temática e souberam estar em grupo. Facilmente perceberam que existem diferenças físicas nas pessoas, mas que devemos respeitar todos os seres. 67 Através da fotografia é possível observar que todas as crianças queriam ver e mexer nas bolas ao mesmo tempo. Deste modo, pude entender que quando as crianças querem fazer muito alguma coisa, neste caso era uma novidade, não pensam nos colegas e não respeitam o seu espaço. Os sentimentos -Entender os comportamentos das crianças durante a realização de atividades em grupo, relativamente ao respeito pelo outro. Observação: Nesta atividade, ao dividir o grupo em pequenos grupos, permitiu-me observar e entender melhor os comportamentos das crianças, tentando que falassem cada um na sua vez. Assim, por ter grupos mais pequenos, falavam menos vezes ao mesmo tempo que os colegas, esperando mais facilmente pela sua vez de participar. Esta estratégia funcionou, sendo que houve uma maior organização e todos participaram. A fase inicial da atividade decorreu de forma bastante positiva e interventiva por parte das crianças. Porém, na parte seguinte, em que as crianças tinham de representar as emoções, foi gerada alguma confusão, pois queriam participar todos ao mesmo tempo, em desordem, sem esperar pela sua vez. Neste momento tive de intervir, para que o grupo se acalmasse e percebesse que era um de cada vez a participar. Na parte final, o grupo manteve a calma, sendo 68 que desde início dividi o grupo em pequenos grupos, para fazerem a representação, o que facilitou a organização. De forma geral avalio a atividade como muito positiva, sendo concretizada com sucesso. A família -Compreender de que forma o trabalho de grupo promove o respeito pelo outro e a socialização. Notas de campo: “Eu não tenho avós, já morreram, mas tenho muitos tios” (C6) “O meu pai não vive comigo, mas a minha mãe vive” (C2) “Temos famílias diferentes, mas somos todos felizes” (C7) Nesta atividade foi de extrema importância o diálogo em grupo, pois através deste as crianças ficaram a conhecer as famílias dos colegas e a perceber que eram, em alguns casos, diferentes. Assim, ao estarem em grupo, confrontaram realidades, através de exemplos reais foram capazes de respeitar o colega e socializar. Assim, o trabalho de grupo foi promotor do respeito pelo outro, em todos os sentidos. Através de exemplos reais, as crianças aceitaram e respeitaram as diferentes famílias de todas as crianças, ouviram cada criança e aguardaram pela sua vez para falar. Todas as crianças, de forma geral, perceberam que as famílias são maioritariamente diferentes, mas que isso não tem importância nenhuma. Assim, cada criança ao falar sobre a sua família fez com que as outras crianças adquirissem a noção deste conceito, e mais importante, a noção de que cada pessoa tem a sua família e devemos respeitá-la e valorizá-la. De forma geral, esta atividade foi das que decorreu melhor e em que o grupo esteve mais participativo e colaborativo. Os animais -Encontrar as principais dificuldades das crianças na socialização com o outro. Notas de campo: Nesta atividade, a principal dificuldade na socialização prendeu-se com o facto de uma criança ao atribuir um animal ao respetivo grupo (por exemplo, a vaca aos repteis, que está incorreto), todas as crianças corrigiam, falavam ao mesmo tempo e não deixavam a criança falar. Deste modo, o grupo, ao ver que a criança estava errada, queria dar a resposta certa, sem ajudar a criança. Assim, tive de pedir que o grupo não falasse enquanto uma criança estava a O facto de as crianças terem estado dispostas em pequeno grupo, fez com que partilhassem ideias e opiniões e se ajudassem mutuamente, por vezes acontecia de falarem ao mesmo tempo, pois estavam mais próximas do que em grande grupo. Desta forma, uma vez mais, consegui trabalhar o respeito pelo outro, em que tinham de esperar para falar e aceitar a decisão dos amigos, independentemente da sua opinião. 69 participar, numa fase inicial. Depois, para a concretização da cartolina foram dispostos em pequenos grupos. Contei com a ajuda da educadora para auxiliar as crianças que estavam a fazer o desenho individualmente, sendo que desta forma a atividade decorreu positivamente. A importância da higiene e de uma boa alimentação -Compreender de que forma o trabalho de grupo promove o respeito pelo outro e a socialização. Fotografia: Esta atividade, realizada em vários dias por ser extensa, incluiu momentos em grande grupo e momentos individuais, em que as crianças planearam, juntamente comigo o que queriam fazer, sendo que foram elas que decidiram o que íamos confecionar. Deste modo, as crianças tomaram decisões e sentiram-se autónomas, em que se viram obrigadas a partilhar opiniões até chegarem a um consenso. Assim, souberam respeitar os outros, dividir espaços e materiais, como por exemplo a massa das bolachas, em que o resultado final foi bastante positivo devido ao trabalho em equipa. De forma geral, foi notória no grupo uma evolução de comportamentos em relação à noção de espaço dos amigos e respeito pela sua opinião e vez de participar. Os órgãos internos do corpo humano -Entender os comportamentos das crianças durante a realização de atividades em grupo, relativamente ao respeito pelo outro. Observação: Nesta atividade foi notório um grande desenvolvimento no comportamento das crianças, relativamente ao respeito pelo outro. De forma geral o grupo soube esperar para participar, ouviu a opinião/parecer dos colegas, não falaram todos ao mesmo tempo e não tiveram atitudes de desrespeito. O facto de levar um elemento diferente e desconhecido, o torso, fez com que estivessem Através desta atividade, que encerrou o projeto “À descoberta do corpo humano”, uma vez mais se abordaram as diferenças existentes entre as pessoas, neste caso diferenças físicas e visíveis. Considero que as crianças já tinham as noções de diferença e respeito adquiridas, sendo que demonstraram respeitar as diferenças entre cada um, onde escolheram a forma como 70 especialmente interessados. A noção de respeito foi promovida ao longo das atividades, sendo que no final as crianças, em grupo, sabiam respeitar-se mutuamente, que era a grande dificuldade. queriam representar o seu corpo numa representação em 3D. 71 Análise das atividades Através da análise das reações e atitudes das crianças durante as atividades concretizadas, é notória uma evolução positiva nas atitudes promotoras da aprendizagem, em especial no que diz respeito à socialização, participação e respeito entre si. Numa análise exclusiva a cada um dos objetivos, também se denota um desenvolvimento significativo nas atitudes das crianças. Quanto ao primeiro objetivo “Encontrar as principais dificuldades das crianças na socialização com o outro”, podemos afirmar que existe uma considerável diferença entre os registos realizados nas primeiras e nas últimas atividades. Enquanto nas primeiras atividades as crianças davam demasiada importância a conflitos de espaço e ordem de participação, a partir da quarta atividade verifica-se uma maior interação e interajuda entre elas. De salientar que essa interação tinha um foco positivo de socialização, partilha e de evolução de atitudes de respeito. As atividades 1 e 5 têm este como principal objetivo, sendo que a observação e as notas de capo foram cruciais para poder verificar que o mesmo se atingiu. Deste modo, as principais dificuldades prendiam-se com saber esperar pela sua vez para participar, ouvir os colegas sem conversar paralelamente, respeitar a opinião do colega, respeitar o espaço do outro e socializar de forma organizada. Foram detetadas outras dificuldades, porém estas foram em maior número de incidência. Desta forma este objetivo foi fulcral para definir as estratégias a implementar e definir. Relativamente ao segundo objetivo “Entender os comportamentos das crianças durante a realização de atividades em grupo, relativamente ao respeito pelo outro”, que esteve presente nas atividades 2, 3 e 7, foi importante para a implementação do projeto. Deste modo, as atividades em grupo, suscitavam diferentes comportamentos nas crianças, sendo que foi importante entender esses mesmos comportamentos. Assim, estas atividades tiveram em comum o facto de, depois de as crianças estarem dispostas em grande grupo, haver necessidade de as colocar em pequeno grupo. Esta estratégia serviu para observar mais detalhadamente cada criança, entender os comportamentos das crianças em momentos de socialização, relativamente a atitudes de respeito e interagir mais com cada criança. As crianças, de forma geral, em pequeno grupo revelaram ter mais atitudes de respeito e socializaram de forma ordenada. Outro aspeto relevante foi o facto de nestas atividades ter levado um elemento novo para a sala, que as crianças não conheciam e não tinham contactado. Constatei que o facto de ser uma novidade, as crianças ficavam mais atentas, participativas e calmas, mantendo mais facilmente uma postura de respeito pelos outros, em pequeno grupo. Sendo que em grande grupo, se levasse uma novidade para a 72 atividade, todos queriam ver ao mesmo tempo e mexer, desta forma a disposição em pequeno grupo foi um elemento chave para o sucesso das atividades. No decorrer das atividades, através do diálogo, o grupo revelou ter compreendido que devemos aceitar todas as pessoas, apesar das suas diferenças físicas, colocando em prática a noção de respeito pelo outro. O terceiro objetivo “Compreender de que forma o trabalho de grupo promove o respeito pelo outro e a socialização” remete para a aprendizagem de atitudes cooperativas através do trabalho de grupo. A promoção de estratégias de trabalho em grupo cooperativo foi um aspeto crucial para a concretização deste objetivo, sendo estas: desenvolvimento da capacidade de autonomia, maior motivação na implicação e realização das tarefas, aumento de competências individuais e interpessoais, evolução na linguagem, promoção da autoestima, aumento da confiança individual diante do grupo e aquisição de atitudes de cooperação e respeito mútuo. Em grande grupo, havia maior dificuldade em respeitar os colegas, porém, o facto de estarem em grupo potencia momentos de socialização e, consequentemente, respeito. Este aspeto foi difícil de trabalhar, pois em grande grupo as crianças tinham mais tendência a desordenarem-se, porém, mais facilmente foram capazes de entender que todos têm vez de participar e se devem todos respeitar. O registo realizado demonstra que, no decorrer do projeto, se observaram assinaláveis melhorias. Num primeiro momento, as crianças, de forma geral, ao longo das atividades inicias, só pensavam em participar, em vez de respeitar a vez e espaço do outro, porém, numa fase final, observou-se uma cooperação positiva e espontânea entre as crianças, com promoção da confiança pessoal e mútua, autonomia e respeito das crianças. As crianças quando se queriam manifestar, aguardavam a sua vez para falar, mostrando a sua ideia e respeitando os amigos, sendo assim notória uma evolução na capacidade de saber estar em grupo, na prática de um trabalho colaborativo e socialização. Avaliação e reflexão do projeto Avaliar o processo e os efeitos compreende a tomada de consciência da ação para apropriar o processo educativo às necessidades e interesses das crianças. Na educação préescolar a avaliação ocorre através de um processo contínuo que procura tornar a criança o promotor da sua aprendizagem, de forma a tomar consciência do que sabe, das dificuldades que encontra e como as ultrapassa (OCEPE, 1997). 79 Referências bibliográficas Apap, G. et al. (2002). A construção dos saberes e da cidadania: da escola à cidade. Porto Alegre: Artmed. Brna, P. (1998). Modelos de colaboração . Anais do IV WIE: England, UK. Cardona, M. J. (2015). Guião de educação género e cidadania: pré-escolar. Lisboa: Editorial do Ministério da Educação e Ciência. Chagas, I. (2002). Trabalho em colaboração: condição necessária para a sustentabilidade de redes de aprendizagem . Lisboa: Conselho Nacional de Educação. Colaço, V. (2004). Processos interacionais e a construção de conhecimento e subjetividade de crianças. Psicologia: Reflexão e Crítica, Porto Alegre. Delores, J. (1996). La educácion encierra un tesoro. Santillana-Unesco: Madrid. Dewey, J. (1971). Experiência e Educação . São Paulo: Companhia Editora Nacional. Dewey, J. (2002). A escola e a sociedade. A criança e o currículo. Lisboa: Relógio de Água. Elias, M. et al. (1997). Pedagogia Freinet: Teoria e Prática. Brasil: Papirus Editora. Erikson, E. H. (1976) Identidade, Juventude e Crise. Rio de Janeiro: Zahar editores. Fernandes, N. (2005). Infância e Direitos: A participação da crianças nos contextos de vidaRepresentações, Práticas e Poderes. IECUniversidade do Minho. Fernandes, N. (2005). Investigação da infância e crianças como investigadoras: metodologias participativas dos mundos das crianças. Nuances. UNESPPresidente Prudente. Formosinho, J. (1996). Educação Pré-Escolar: a construção social da moralidade. Lisboa: Texto Editora. Formosinho, J. (2015). A Pedagogia-em-Participação: a perspetiva educativa da Associação Criança. Universidade Católica Portuguesa. Formosinho, J. & Lino, D. (2008). Os papéis das educadoras: as perspetivas das crianças. Educ. foco. Freinet, C. (1969). Para uma escola do povo. Lisboa: Presença. 80 Fulton, Y. (1996). Children’s rights and the role of the nurse . Paediatric Nursing ,,nº8, 29-31. Hohmann, M. & Weikart, D. P. (2011). Educar a criança. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. Jares, X. R. (2002). Educação e conflito: Guia de educação para a convivência. Porto: Edições Asa. Katz, L. & Chard, S. (1997). A abordagem de Projecto na Educação de Infância . Lisboa: Fundação Gulbenkian. Lansdown, G. (1995). Children’s rights to participation: a critique, in C. Cloke e M. Davies (orgs.), Participation and Empowerment in Child Protection . Chichester: John Wiley & Sons Ltd, 19-38. Luckmann, T. (2010). A construção social da realidade . Lisboa: Dinalivro. Mendonça, M. (2002). Ensinar e Aprender por Projectos. Lisboa: Edições Asa. Ministério da Educação. (1997). Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar. Lisboa: Ministério da Educação. Ministério da Educação. (2016). Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar. Lisboa: Ministério da Educação. Miranda, S. (1999). Enigma indecifrável? in Psychologia , pp.103-121. Oliveira-Formosinho, J. (2008). A escola vista pelas crianças . Coleção Infância, nº 12. Porto: Porto Editora. Oliveira-Formosinho, J. & Formosinho, J. (2011). A Perspectiva Pedagógica da Associação Criança: A Pedagogia-em-Participação. In O Trabalho de Projecto na Pedagogia-emParticipação . Porto: Porto Editora. O’Shea, K. (2003). Educação para a cidadania democrática 2001-2004. Desenvolver uma compreensão partilhada. Glossário de termos de educação para a cidadania democrática, Estrasburgo: Conselho da Europa (documento policopiado). Portugal, G. (1992). Ecologia e Desenvolvimento Humano em Bronfenbrenner. Aveiro: CIDINE. 81 Portugal, G. (1998) Crianças, Famílias e Creches. Uma abordagem ecológica da adaptação do bebé à creche. Porto editora. Santos, B. S. (1991). A transição paradigmática: da regulação à emancipação , in Manuel Maria Carrilho (org.), Dicionário do Pensamento Contemporâneo . Lisboa: Dom Quixote. Sarmento, M. (2000). Sociologia da Infância: correntes, problemáticas e controvérsias . Sociedade e Cultura, Cadernos do Noroeste , Série Sociologia . Sarmento, M. et al. (2007). Políticas públicas e participação infantil. Educação, Sociedade e Culturas. Sarmento, T. et al. (2009). Infância, Família e Comunidade: As crianças como atores sociais. Porto: Porto Editora. Strayer, J. (1986). Current Research in Affective Development. In The Feeling Child: Affective Development Reconsidered,. New York: The Haworth Press. Tavares, M. V. (1998). O Insucesso Escolar e as Minorias Étnicas em Portugal – Uma Abordagem Antropológica da Educação (Colecção Estudos e Documentos). Lisboa: Instituto Piaget. Tomás, C. (2007). Há muitos mundos no mundo…direitos das crianças, cosmopolitismo infantil movimentos sociais de crianças: diálogos entre crianças de Portugal e Brasil. (Tese de Doutoramento). Universidade do Minho. Braga: Portugal. Tomás, C. (2011). Há muitos mundos no mundo. Cosmopolitismo, Participação e Direitos da Criança. Porto, Portugal: Afrontamento. Tomás, C. & Fernandes, N. (2011). Direitos da Criança em Portugal: os desassossegos dos riscos na/da Infância. In IV Encontro de Maus-Tratos, Neglicência e Risco na Infância e na Adolescência. Maia: Portugal. Vasconcelos, T. (1998). Das perplexidades em torno de um hamster ao processo de pesquisa in Ministério da Educação, qualidade e projetos na educação pré-escolar . Lisboa: Editorial do Ministério da Educação. Verhellen, E. (1997). El papel de la Convención de los derechos de los niños y niñas en la nueva Europa - perspectivas Europeas , Actas do Congresso La 82 protección de los niños y niñas y de sus familias: el papel de las ONG en la Union Europea. Madrid. Vigotsky, L. S. (1988). Aprendizagem e desenvolvimento intelectual na idade escolar. Ícone editora: São Paulo. Vygotsky, L. S. (1983). Obras Escogidas II (Pensamiento Y Lenguaje) . Moscú: Editorial Pedagógica. Whitaker, P. (1993). Making changes in schools. Great Britian: Open University Press. 83 Anexos 84 Anexo 1Planificação da atividade: o corpo humano em figuras geométricas Organização do grupo/Espaço/ Duração/ Material Áreas de conteúdo Objetivos específicos Descrição da atividade  Na primeira parte da atividade as crianças estão sentadas no tapete, em grande roda. Na segunda parte as crianças realizam a atividade sentados nas cadeiras, realizando as tarefas em cimas das mesas, dispostos em grande grupo, porém trabalham de forma individual.  Sala 1  Três horas  Área de Expressão e Comunicação ∙ Domínio da Educação Artística: -aproprie progressivamente de diferentes técnicas e conhecimentos, através da exploração, experimentação e observação, utilizando-as de modo intencional nas suas produções; -ensaie formas de expressividade e soluções próprias, integrando e relacionando técnicas, materiais e meios de expressão para criar, recriar ou reinventar. ∙Domínio da Linguagem Oral e Abordagem à Escrita: -compreenda mensagens orais em situações diversas de comunicação; -use a linguagem oral em contexto, conseguindo comunicar eficazmente de modo adequado à situação (produção e funcionalidade); -ouça os outros e responda adequadamente, apresentando as suas ideias e saberes, tanto em situações de comunicação individual como em grupo.  1ª Parte: Abordagem às quatro figuras geométricas, através do diálogo e da demonstração do quadrado, retângulo, triângulo e círculo em cartolina. Realização de um jogo de figuras geométricas, que contém um tabuleiro com o desenho de figuras geométricas e cada criança insere uma figura geométrica em cartão no respetivo local, encaixando apenas num sítio, atendendo à cor e forma da figura. 85  Figuras geométricas em cartolina, jogo das figuras geométricas, capas de elásticos a3, papel autocolante, lápis de cor e desenho para pintar.  Área do Conhecimento do Mundo ∙Domínio da Matemática (geometria e medida; interesse e curiosidade pela matemática): -reconheça e opere com figuras geométricas e figuras, descobrindo e referindo propriedades e identificando padrões; -reconheça formas geométricas (bie tridimensionais) presentes no seu quotidiano (nos objetos da sala, no recreio, em obras de arte, nas suas produções, etc.); -mostre interesse e curiosidade pela matemática, compreendendo a sua importância e utilidade; -se envolva, por iniciativa própria, em situações onde utilize conhecimentos e estratégias de matemática, evidenciando satisfação e prazer. ∙Abordagem às Ciências: -reconheça e identifique partes do corpo, e compreenda as suas funções; -se reconheça como ser vivo com características e necessidades semelhantes às dos outros seres vivos.  2ª Parte: Já dispostos nas mesas e sentados nas cadeiras, elaboram o corpo humano em figuras geométricas, em papel autocolante. Depois de o corpo estar estruturado e recortado (tronco, membros superiores e inferiores) colam na capa A3 que será a capa de final de ano, onde colocam todos os trabalhos realizados ao longo do ano letivo. Com os lápis desenham os detalhes (cabelo, olhos, boca, nariz, mãos, pés, etc.). 86 Anexo 2Jogo das figuras geométricas 87 Anexo 3Planificação da atividade: o sangue Organização do Grupo/ Espaço/ Duração/ Material Áreas de conteúdo Objetivos específicos Descrição da atividade -Num primeiro momento, as crianças estão dispostas em grande grupo, formando uma roda e sentados no tapete. Num segundo momento já se encontram sentadas nas cadeiras, para poderem estar em frente às mesas e realizar a atividade de forma individual. -Sala 1. -Duas horas e trinta minutos. -Computador e vídeo animado, bolas de cor vermelha compostas por água, imagens de crianças com diferentes características, papel e lápis de cor. ∙ Área de Formação Pessoal e Social ∙ Área de Expressão e Comunicação ∙Construção da Identidade e da Autoestima: -identifique as suas características individuais e reconheça semelhanças e diferenças com as características dos outros; -revele confiança em experimentar atividades novas, proponha ideias e fale em grupo; ∙Convivência Democrática e Cidadania: -desenvolva o respeito pelo outro e pelas suas opiniões, numa atitude de partilha e de responsabilidade social; -desenvolva uma atitude crítica e interventiva relativamente ao que se passa no mundo que a rodeia. ∙Subdomínio das Artes Visuais: -represente e recrie plasticamente vivências individuais, pessoas, animais, etc., utilizando diferentes materiais; -introduza, nas suas produções plásticas, elementos visuais de modo espontâneo ou intencional, para representar temáticas; - Primeiro momento: A atividade inicia-se com a visualização de um vídeo animado relacionado com o tema “o sangue”. Neste vídeo as crianças têm acesso a imagens com o movimento do sangue e a explicação do seu funcionamento e formação. Posto isto, de modo a conseguir mostrar na prática a formação do sangue, as crianças observam e mexem em bolas vermelhas de água, para entender melhor a disposição e função dos glóbulos vermelhos no sangue. Nesta fase espera-se que a educadora explique às crianças que estas bolas vermelhas são semelhantes aos glóbulos vermelhos e por isso o sangue é de cor vermelho. Esta atividade insere-se na temática do corpo humano, sendo que está interligada com as anteriores. De seguida, ainda relacionado com a temática do sangue, há um diálogo e reflexão, chegando à conclusão que todos os seres humanos têm sangue e que este é igual, mas 88 -dialogue sobre as diferentes imagens e/ou objetos que aprecie/contacte em diferentes contextos; ∙Comunicação oral: -faça perguntas sobre novas palavras e use novo vocabulário; -relate acontecimentos, mostrando progressão não só na clareza do discurso como no respeito pela sequência de acontecimentos; -use naturalmente a linguagem com diferentes propósitos (cotar acontecimentos, fazer pedidos, dar ou pedir informação, apresentar ou debater ideias, etc.). podemos ter características físicas visivelmente diferentes (cor de pele, cor de olhos, cor de cabelo, etc.). Este diálogo é acompanhado de imagens de crianças de diferentes países, abordando assim o multiculturalismo. Ao abordar esta temática a educadora deve explorar as características físicas, e referir que dentro de um mesmo país, por exemplo o Brasil, existem pessoas com características bastante distintas. Isto quer dizer que a cultura pode ser a mesma mas podem existir diferenças físicas, bem como no seio de uma família também há pessoas com elementos biológicos diversos, não dependendo apenas do fator cultural. - Segundo momento: Pede-se a cada criança que faça um registo do que viu, isto é, que desenhe e pinte o que considerou importante na atividade (sangue, crianças, etc.) 95 Anexo 7Planificação da atividade: Higiene, exercício físico e alimentação saudável Organização do Grupo/ Espaço/ Duração/ Material Áreas de conteúdo Objetivos específicos Descrição da atividade - O grupo ao longo da atividade encontra-se disposto em grande grupo e de forma individual, em momentos diferentes, sendo que tanto podem estar em grande roda, como sentados em frente às mesas. - Sala 1, polivalente e refeitório. - Esta atividade divide-se em 3 grandes momentos, tendo sensivelmente a duração de duas horas cada momento, devendo ser realizada em vários dias, de forma a dar continuidade ao tema. ∙ Área de Formação Pessoal e Social ∙ Área de Expressão e Comunicação ∙Construção da identidade e da autoestima: -verbalize as necessidades relacionadas com o seu bem-estar físico; -manifeste os seus gostos e preferências (alimentos, locais, jogos, etc.); -mantenha e justifique as suas opiniões, aceitando também as dos outros; -demonstre prazer nas suas produções e progressos (goste de mostrar e de falar do que faz, de comunicar o que descobriu e aprendeu); -revele confiança em experimentar atividades novas, propor ideias e falar em grupo; -aceite algumas frustrações e insucessos (dificuldades de realizar atividades e tarefas) sem desanimar, procurando formas de as ultrapassar e de melhorar (pedindo ajuda do/a educador/a ou de outras crianças, ensaiando outras formas de fazer, ou procurando novos materiais). ∙Domínio da Educação Física: - Num primeiro momento dá-se início à atividade com um vídeo que aborda o tema geral do corpo humano, especificando os três subtemas desta atividade, que são: higiene pessoal, exercício físico, alimentação saudável. Começando pelo subtema do exercício físico, promove-se a importância do mesmo, em diálogo e perguntando quem pratica desporto, entre outras questões. Posto isto, já na sala de prolongamento (ou num sítio amplo onde seja possível circular livremente) procede-se ao aquecimento do corpo (rodar as mãos, rodar os pés, correr um pouco, etc.) e realização de um jogo também de aquecimento (apanhadinha, por exemplo escolhem-se três crianças e estas têm de apanhar os restantes colegas). De seguida realiza-se a dança, onde deve haver uma seleção de músicas, quatro músicas coreografadas pela educadora para as crianças copiarem e várias para dançarem livremente. No fim realiza-se o relaxamento, acompanhado de uma música calma, e sentados/deitados no chão (respirar fundo, rodar a cabeça, etc.). - Já num segundo momento, abordando o subtema da higiene pessoal, inicia-se um diálogo sobre a importância da higiene e que hábitos de higienização diários que as crianças 96 - Vídeo do corpo humano, power point sobre os dentes, power point sobre a alimentação saudável, músicas, ingredientes para a confeção das bolachas, dentes e escova gigantes. -demonstre gosto pelas atividades físicas, procurando progredir a partir do que já é capaz de fazer; -coopere com os/as colegas em situações de jogo, envolvendo-se no trabalho de equipa; -aceite e cumpra as regras dos jogos, quer acordadas no grupo, quer propostas pelo/a educador/a ou pré-definidas pelo jogo escolhido; -se aproprie da diversidade de possibilidades motoras, criando ou imaginando outras, propondo-as ao grupo. ∙Subdomínio da Música: -cante canções com controlo progressivo da melodia, da estrutura rítmica e da respiração; -comente a música que ouve ou que interpreta manifestando as suas opiniões e utilizando vocabulário adequado. ∙Subdomínio da Dança: -tenha prazer em expressar-se de forma rítmica através do corpo; -realize movimentos locomotores e não locomotores básicos, de forma coordenada, utilizando o corpo no espaço, no tempo e com diferentes dinâmicas; têm, questionando-os sobre quais os hábitos e quantas vezes os fazem (lavar os dentes, lavar as mãos, tomar banho, cortar as unhas, etc.). De seguida procede-se à demonstração de um power point (realizado pela educadora) que inclui as regras de escovagem de dentes, a importância de lavar os dentes, o nome dos quatro tipos de dentes e imagens dos mesmos. Acompanhado do power point mostra-se uma dentição e uma escova gigantes, para poderem ver em realidade aumentada a dentição e o processo de escovagem (requisitei na Universidade do Minho este materialdentição e escova). No fim realiza-se um jogo, previamente elaborado pela educadora, em que devem ordenar peças, 5 peças com uma imagem cada, que representam os paços que devem seguir para lavar os dentes (passar a escova por água, colocar a pasta na escova, escovar bem os dentes, enxaguar a boca e deitar a água fora). Para terminar cantam uma música, que por norma já conhecem, sobre a escovagem de dentes “Um copo com água, uma escova e pasta, para lavar os dentes é o que me basta. Esfrego, esfrego, esfrego, bem esfregadinho, já lavei os dentes, que rico cheirinho!”. - Num terceiro, e último, momento procede-se ao diálogo sobre o subtema da alimentação saudável, mencionando a ordem de quantidades de ingestão de variados alimentos, mostrando a roda dos alimentos. Para mostrar alguns 97 ∙ Área do Conhecimento do Mundo -interprete pequenas sequências de movimento dançando, de forma coordenada; ∙Comunicação oral: -faça perguntas sobre novas palavras e use novo vocabulário; -elabore frases completas aumentando gradualmente a sua complexidade; -relate acontecimentos, mostrando progressão não só na clareza do discurso como no respeito pela sequência dos acontecimentos. ∙Abordagem às Ciências: -use e justifique algumas rezões de práticas promotoras da saúde e segurança (lavar as mãos antes das refeições, evitar o consumo excessivo de doces e refrigerantes, etc.). exemplos de alimentos saudáveis e não saudáveis, mostrase um power point (realizado previamente pela educadora) em que as crianças devem afirmar se são saudáveis ou não, confirmando depois com uma carinha contente (saudável) e triste (não saudável), como que um jogo em que primeiramente aparece o alimento e depois a carinha. Para terminar a atividade, já no refeitório do JI, dá-se início à confeção de bolachas, em que a educadora deve levar os ingredientes (ou pedir às crianças para levarem), e passar à fase de mistura de ingredientes, mexer, amassar, fazer as bolachas na forma que quiserem (podem usar moldes de bolachas, em coração, estrela, círculo, etc.) e colocar, por fim, no forno. Depois de estarem prontas provam as bolachas e dialogam sobre eventuais dúvidas das crianças, como por exemplo porque é que devemos colocar farinha, porque é que colocamos no forno, etc. 98 Anexo 8Power point realizado para a atividade 7 99 Anexo 9Power point realizado para a atividade 7 100 Anexo 10Planificação da atividade: Os órgãos internos do corpo humano Organização do Grupo/ Espaço/ Duração/ Material Áreas de conteúdo Objetivos específicos Descrição da atividade -Inicialmente o grupo encontra-se formado em grande grupo, e, numa segunda parte, realizam a atividade de forma individual. -Sala 1. -Esta atividade, estando dividida em duas partes, cada uma delas deve ter uma duração de duas. -Enciclopédia, torso humano, rolos de papel, tecidos, cola e pincel, plasticina, palhinhas, limpa cachimbo, esferovite, fotografia de cada criança, lã, esferovite, base em cartão. ∙ Área de Formação Pessoal e Social ∙ Área de Expressão e Comunicação ∙Consciência de si como aprendente: -expresse as suas opiniões, preferências e apreciações críticas, indicando alguns critérios ou razões que as justificam; -colabore em atividades de pequeno e grande grupo, cooperando no desenrolar do processo e na elaboração do produto final; -avalie, apreciando criticamente, os seus comportamentos, ações e trabalhos, bem como os dos colegas, dando e pedindo sugestões para melhorar; -participe na planificação de atividades e de projetos individuais e coletivos cada vez mais complexos, explicitando o que pretende fazer, tendo em conta as escolhas dos outros e contribuindo para a elaboração de planos comuns. ∙Subdomínio das Artes Visuais: -tenha prazer em explorar e utilizar, nas suas produções, modalidades diversificadas de expressão visual (pintura, desenho, colagens, modelagem, etc.), recorrendo a diferentes elementos da linguagem plástica; -Numa primeira parte, recorrendo a uma enciclopédia que aborde o corpo humano, proporcionar um diálogo, com as crianças, sobre a constituição do corpo humano e os órgãos mais importantes. Neste diálogo é fundamental mencionar os órgãos internos e as suas funções: pulmões (estão encarregues de inspirar e expirar o ar, ou seja, a respiração), fígado (ajuda que a comida se transforme nos elementos necessários para viver e crescer), coração (bombeia o sangue a todo o corpo), estômago (decompõe a comida para que o corpo a possa utilizar), rins (limpam o sangue das impurezas), intestino (passa para o sangue as substâncias que podem permanecer). Em grande grupo, de modo a tornar a atividade mais prática e lúdica, segue-se a visualização do torso humano (requisitado na Universidade do Minho), sendo que se deve desmontar e mostrar um órgão de cada vez e reforçar as suas funções. De seguida, organizar as crianças em pequenos grupos, para que cada uma possa mexer, montar e desmontar o torso. -Numa segunda parte da atividade, ainda abordando a temática do corpo humano, passa-se à concretização de um corpo humano em 3 dimensões. Aqui espera-se que a educadora aborde os sexos, feminino e masculino, e que 101 ∙ Área do Conhecimento do Mundo -represente e recrie plasticamente vivências individuais, temas, histórias, pessoas, animais, etc., utilizando diferentes materiais e diversos meios de expressão; -introduza, nas suas produções plásticas, elementos visuais de modo espontâneo ou intencional, para representar temáticas, ilustrar histórias, etc.. ∙Abordagem às Ciências: -reconheça e identifique partes do corpo e alguns órgãos, incluindo órgãos dos sentidos, e compreenda as suas funções; -saiba o seu nome completo, a sua nacionalidade e seja capaz de se descrever, indicando algumas das suas características individuais. cada criança seja capaz de se representar a si próprio em 3 dimensões, percebendo as semelhanças e diferenças entre os colegas, tentando reproduzir a figura humana como um autorretrato, sendo capaz de se caracterizar. A educadora deve ceder às crianças bastantes materiais e mostrar um molde, apenas para servir de exemplo. Este molde não tem de ser seguido pelas crianças, serve apenas para se inspirarem e perceberem como a figura humana se encaixa de maneira a segurar-se, em pé. O rolo de papel serve para fazer o tronco, colocando enchimento lá dentro, e colando o tecido em volta do rolo. Os paus de cachimbo a as palhinhas servem para fazer os braços e pernas, ou outro material à escolha. As crianças devem moldar a plasticina para formar os pés e as mãos. De seguida, se concordarem com a educadora em colar uma fotografia de cada criança para representar a cara, devem colá-la no esferovite. Para finalizar cola-se a lã para fazer de cabelo e coloca-se uma base de cartão para segurar o boneco. Todos estes aspetos devem ser de escolha da crianças, sendo ela a escolher as cores e como pretende fazer.