scieee AI-readable full text Open interactive document viewer

Preditores de dropout: intervenção com perpetradores de violência na intimidade

Silva, Andreia Fernandes da

Abstract

No presente estudo pretendeu-se analisar as diferenças entre indivíduos perpetradores de violência em relações de intimidade (VRI) que concluíram e que desistiram do Programa de Promoção e Intervenção com Agressores Conjugais (PPRIAC), ao nível das caraterísticas sociodemográficas, jurídico-penais e intrapessoais e identificar as variáveis que melhor predizem o dropout da intervenção. Os dados foram recolhidos por recurso a medidas de autorrelato. A amostra do presente estudo é constituída por 83 perpetradores de VRI do sexo masculino, sendo que 47 dos participantes concluíram a intervenção. Os resultados revelaram que a idade, as habilitações literárias, a situação profissional, as crenças face à violência e a agressividade constituem-se como preditores do dropout. Assim, indivíduos mais jovens, com habilitações literárias superiores, inativos profissionalmente, com mais crenças legitimadoras da VRI e com menores níveis de agressividade evidenciam uma maior probabilidade de desistir do programa de intervenção. As implicações práticas dos resultados obtidos serão exploradas e discutidas.

Full text

Universidade do Minho Escola de Psicologia Andreia Fernandes da Silva Preditores de Dropout : Intervenção com Perpetradores de Violência na Intimidade junho de 2019 Preditores de Dropout : Intervenção com Perpetradores de Violência na Intimidade Andreia Silva UMinho | 2019 Escola de Psicologia Andreia Fernandes da Silva Preditores de Dropout : Intervenção com Perpetradores de Violência na Intimidade Dissertação de Mestrado Mestrado Integrado em Psicologia Trabalho realizado sob a orientação da Doutora Olga Cunha e do Professor Rui Abrunhosa Gonçalves junho de 2019 Universidade do Minho ii DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Atribuição-NãoComercial-SemDerivações CC BY-NC-ND https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/ iii Agradecimentos À Doutora Olga Cunha por toda a orientação, disponibilidade, boa disposição e tempo investido nesta dissertação! Aprendi muito consigo. Parabéns pela excelente profissional que é! Ao meu grupo de investigação: ao Professor Doutor Rui Abrunhosa agradeço o seu encorajamento e ensinamentos ao longo deste ano, à Professora Doutora Andreia Rodrigues pelo seu olhar atento e pelas críticas construtivas, à Professora Doutora Ana Rita pelo seu contributo indispensável na melhoria deste projeto, e às minhas colegas pelo companheirismo. Aos meus pais, que sempre fizeram e fazem tudo por mim. Devo-vos muito do que sou hoje. Vocês são os melhores do mundo e merecem todos os agradecimentos possíveis! Adoro-vos! Ao meu irmão por estar lá e me fazer rir nos momentos mais stressantes deste percurso! Aos meus primos, Miguel e Paulo, por acreditarem em mim mais do que eu própria! A toda a minha família! Todos contribuíram e contribuem para aquilo que sou hoje. Às minhas amigas mais espetaculares de sempre por me apoiarem e nunca me deixarem ir a baixo. Obrigada pela vossa força e ajuda. Sem vocês isto teria sido muito mais difícil! Aos meus amigos de uma vida, por simplesmente existirem. Ao João por acreditar em mim e me dar força todos os dias. A ti, um especial obrigado! “Por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar. Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota.” Madre Teresa de Calcutá iv DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho. v Preditores de Dropout: Intervenção com Perpetradores de Violência na Intimidade Resumo No presente estudo pretendeu-se analisar as diferenças entre indivíduos perpetradores de violência em relações de intimidade (VRI) que concluíram e que desistiram do Programa de Promoção e Intervenção com Agressores Conjugais (PPRIAC), ao nível das caraterísticas sociodemográficas, jurídico-penais e intrapessoais e identificar as variáveis que melhor predizem o dropout da intervenção. Os dados foram recolhidos por recurso a medidas de autorrelato. A amostra do presente estudo é constituída por 83 perpetradores de VRI do sexo masculino, sendo que 47 dos participantes concluíram a intervenção. Os resultados revelaram que a idade, as habilitações literárias, a situação profissional, as crenças face à violência e a agressividade constituem-se como preditores do dropout . Assim, indivíduos mais jovens, com habilitações literárias superiores, inativos profissionalmente, com mais crenças legitimadoras da VRI e com menores níveis de agressividade evidenciam uma maior probabilidade de desistir do programa de intervenção. As implicações práticas dos resultados obtidos serão exploradas e discutidas. Palavras-chave: Dropout , Intervenção, Perpetradores de violência em relações de intimidade, Preditores, Violência na intimidade vi Predictors of dropout: Intervention with perpetrators of intimate violence Abstract In the present study we aimed to analyze the differences between perpetrators of intimate partner violence (IPV) that concluded the Promotion and Intervention Program with Marital Offenders (PPRIAC) and perpetrators that dropped out, in terms of sociodemographic, criminal and intrapersonal characteristics. In addition, we also aimed to identify the variables that best predict the dropout. Data were obtained through self-report measures, from a sample that included 83 male IPV perpetrators, 47 of them completed the intervention. The results revealed that age, education, professional status, attitudes toward marital violence and aggression were predictors of dropout. As so, younger perpetrators, with higher educational qualifications, professionally inactive, with more IPV legitimating beliefs and with lower levels of aggression were more likely to dropout from the intervention program. The practical implications of the results obtained were explored and discussed. Keywords: Dropout, Intervention, Perpetrators of intimate violence, Predictors, Violence in intimacy vii Índice Preditores de Dropout : Intervenção com Perpetradores de Violência na Intimidade .............................. 8 Programa de Promoção e Intervenção com Agressores Conjugais – PPRIAC ...................................... 14 Método ............................................................................................................................................. 15 Participantes ................................................................................................................................ 15 Instrumentos ................................................................................................................................ 18 Procedimento ............................................................................................................................... 19 Análise dos dados ........................................................................................................................ 20 Resultados ....................................................................................................................................... 21 Discussão......................................................................................................................................... 26 Contributos e Limitações .............................................................................................................. 29 Referências ...................................................................................................................................... 32 Anexos ............................................................................................................................................. 38 Anexo A ........................................................................................................................................ 39 Índice de tabelas Tabela 1 Características sociodemográficas, jurídico-penas e intrapessoais da amostra. .............. 16 Tabela 2 Diferenças entre os dois grupos ao nível das variáveis sociodemográficas. .................... 22 Tabela 3 Diferenças entre os dois grupos ao nível das variáveis jurídico-penais. .......................... 23 Tabela 4 Associação entre a conclusão ou não do PPRIAC e o estádio motivacional. ................... 24 Tabela 5 Diferenças entre os grupos ao nível dos instrumentos de avaliação. .............................. 24 Tabela 6 Modelo de Regressão Logística para predizer o dropout da intervenção. ....................... 25 DROPOUT — PERPETRADORES DE VIOLÊNCIA NA INTIMIDADE 14 Programa de Promoção e Intervenção com Agressores Conjugais – PPRIAC (Cunha, 2013) O PPRIAC foi desenvolvido na Unidade de Consulta em Psicologia da Justiça e Comunitária (UCPJC) da Universidade do Minho, no âmbito de um projeto de doutoramento (ver Cunha, 2013). Este programa destina-se a indivíduos perpetradores de VRI do sexo masculino, adultos, que tenham cometido comportamentos de violência física, psicológica e/ou sexual contra a sua parceira ou ex-parceira (relações heterossexuais). São critérios de exclusão do programa o facto de o indivíduo padecer de perturbações do foro psicótico; apresentar défice cognitivo significativo; padecer de perturbação psicológica significativa e/ou desordem da personalidade; apresentar abuso de substâncias (álcool ou drogas); reclusos preventivos (para a intervenção em contexto prisional); e tempo de pena inferior a 1 ano (para a intervenção em contexto prisional). Os agressores conjugais podem ser encaminhados através do sistema criminal, no plano do cumprimento de medidas judiciais (e.g. suspensão provisória do processo, pena suspensa), por instituições de apoio (i.e. Segurança Social, Comissão de Proteção de Crianças e Jovens em Risco) ou autorreferenciados, isto é, os próprios indivíduos proporem-se a intervenção. O programa assume um caráter remediativo, uma vez que a intervenção é efetuada numa situação disfuncional já instalada, e promocional, dado que promove o desenvolvimento de competências que se encontram em défice. Este apresenta uma estrutura multimodal, aplicando estratégias da entrevista motivacional, técnicas dos modelos cognitivo-comportamentais e psico-educacionais. Na íntegra, o programa abarca quatro a seis sessões individuais e 18 sessões grupais, tendo uma frequência semanal e duração aproximada de seis meses. A componente individual encontra-se integrada na fase da triagem, diagnóstico e abordagem motivacional, dividindo-se, posteriormente, em duas etapas: a) entrevista de triagem e avaliação; e b) abordagem motivacional. A componente grupal corresponde à fase da intervenção psicoterapêutica e controlo comportamental, dividida em quatro etapas: a) coesão grupal e motivação; b) compreensão do fenómeno e das dinâmicas violentas; c) promoção de competências, pessoais, comunicacionais e sociais; d) finalização e prevenção da recaída. Os objetivos primordiais do PPRIAC (Cunha, 2013) são: (a) o término dos comportamentos abusivos (e promoção da segurança da vítima); (b) aceitação da responsabilidade pela conduta abusiva e diminuição do sentimento de impunidade; (c) promoção de competências pessoais e sociais; modificação das crenças irracionais em torno dos papéis de género e do uso da violência contra as mulheres; (d) promoção do respeito das mesmas e de relações saudáveis; e (e) promoção de estratégias de não-violência na resolução dos conflitos domésticos e manutenção e generalização dos DROPOUT — PERPETRADORES DE VIOLÊNCIA NA INTIMIDADE 15 comportamentos aprendidos. Método Participantes O presente estudo incluiu 83 indivíduos do sexo masculino perpetradores de VRI, sendo que 91.6% (n = 76) dos participantes pertencia ao grupo experimental na comunidade e 8.4% (n = 7) pertencia ao grupo experimental em contexto institucional. A idade dos indivíduos variava entre os 23 e os 75 anos ( M = 46.38, DP = 11.74). A maioria dos participantes era casado ou coabitava com a vítima (52.5%; n = 42), possuía habilitações literárias ao nível do 1º ciclo (29.5%; n = 23), pertencia a um nível socioeconómico baixo (49.4%; n = 39) e encontrava-se empregado (50.6%; n = 41). Todos os participantes desta amostra eram portugueses e caucasianos, à exceção de um participante de raça negra. A duração do relacionamento abusivo variou entre um mínimo de seis meses e um máximo de 50 anos ( M = 19.06, DP = 12.28). A maioria dos participantes foi integrado no PPRIAC na sequência de imposições judiciais (63.2%; n = 48), tinha medida judicial (80.3%; n = 61), foi encaminhado pelas Equipas de Reinserção (55.1%; n = 38), tinha cometido atos de violência anterior (mesmo sem condenação) (74.3%; n = 55) e não era reincidente no crime de violência doméstica (95.1%; n = 77). Quanto ao tipo de violência perpetrada, a maioria dos participantes perpetrou violência física e psicológica contra a vítima (72.5%; n = 50). Finalmente, a maioria dos participantes encontrava-se no estádio de contemplação face à mudança (32.8%; n = 22). A Tabela 1 apresenta os dados sociodemográficos que caracterizam os participantes. DROPOUT — PERPETRADORES DE VIOLÊNCIA NA INTIMIDADE 16 Tabela 1 Características sociodemográficas, jurídico-penas e intrapessoais da amostra. M (DP; Min.; Max.) / % (n) Características Sociodemográficas Idade 46.39 (11.74; 23;75) Estado Civil Casado/União de Facto 52.5 (42) Divorciado/Separado 47.5 (38) Nível Socioeconómico Baixo 49.4 (39) Médio 45.6 (36) Alto 5.1 (4) Escolaridade 1º Ciclo 29.5 (23) 2º Ciclo 25.6 (20) 3º Ciclo 21.8 (17) Ensino secundário 15.4 (12) Ensino superior 7.7 (6) Etnia Caucasiana 98.8 (82) Negra 1.2 (1) Situação Profissional Empregado 50.6 (41) Desempregado/a 33.3 (27) Reformado/a 16 (13) DROPOUT — PERPETRADORES DE VIOLÊNCIA NA INTIMIDADE 17 Variáveis Jurídico-Penais Violência anterior Sim 74.3 (55) Não 25.7 (19) Reincidente Sim 4.9 (4) Não 95.1 (77) Fonte de Referenciação CAFAP Tribunal DGRSP Segurança Social Autoproposto GNR/NIAVE CPCJ 7.2 (5) 17.4 (12) 55.1 (38) 5.8 (4) 8.7 (6) 1.4 (1) 4.3 (3) Medida Judicial Sim Não Modalidade de Integração Ordenado pelo tribunal Não ordenado pelo tribunal 19.7 (15) 80.3 (61) 63.2 (48) 36.8 (28) Tipo de violência perpetrada Física Psicológica Física e Psicológica 5.8 (4) 21.7 (15) 72.5 (50) Características Intrapessoais Estádio Motivacional Pré-contemplação Contemplação Preparação Ação elevada recaída Ação baixa recaída 29.9 (20) 32.8 (22) 11.9 (8) 7.5 (5) 17.9 (12) DROPOUT — PERPETRADORES DE VIOLÊNCIA NA INTIMIDADE 18 Instrumentos Inventário de Violência Conjugal – IVC – (Machado, Gonçalves, & Matos, 2007) O IVC é um instrumento de autorrelato que permite aferir a prevalência e a frequência de atos de violência física e emocional contra a parceira/ex-parceira. Contém 21 itens, que envolvem comportamentos fisicamente abusivos (e.g., pontapés) e emocionalmente abusivos (e.g., insultar) e comportamentos de intimidação/coerção (e.g., impedir o contacto com outras pessoas), sendo as opções de resposta “a) nunca fiz na minha relação atual/passada/já fiz ao meu parceiro(a) atual/passado”, “b) o meu parceiro(a) atual/passado nunca me fez/o meu parceiro(a) atual/passado já me fez” e ainda “uma única vez/mais do que uma vez”. Na presente amostra o instrumento apresentou um alpha de Cronbach de .87 para a escala global. Questionário de Agressividade Buss-Perry – QA – (Buss & Perry, 1992; retroversão e adaptação à população portuguesa de Cunha & Gonçalves, 2012) O QA é um questionário de autorrelato que avalia a agressividade segundo quatro fatores: agressividade física, agressividade verbal, raiva e hostilidade. Possui 29 itens (e.g., “alguns dos meus amigos pensam que sou conflituoso”), organizados numa escala do tipo likert (1 = nunca ou quase nunca até 5 = sempre ou quase sempre). Nesta investigação foi utilizada a versão de Cunha e Gonçalves (2012), a qual apresenta uma consistência interna para a escala total de .88, .79 para a raiva, .79 para a agressividade física, .76 para a hostilidade e .56 para a agressividade verbal. Na presente amostra, o instrumento apresentou um alpha de .79 para a escala global, .47 para a hostilidade, .52 para a agressividade verbal, .62 para a agressividade física e .73 para a raiva. Escala de Crenças de Violência Conjugal – ECVC – (Machado et al., 2007) A ECVC é uma escala de autorrelato que permite avaliar crenças em relação à violência física e psicológica no contexto de relações de intimidade. Contém 25 itens (e.g., “algumas mulheres merecem que lhes batam”), organizados numa escala do tipo likert (1 = discordo totalmente até 5 = concordo totalmente). Na análise fatorial da ECVC identificaram-se quatro fatores: Fator 1 - legitimação e banalização da pequena violência; Fator 2 - legitimação da violência pela conduta da mulher; Fator 3 - legitimação da violência pela sua atribuição a causas externas; e o Fator 4 - legitimação da violência pela preservação da privacidade familiar. A pontuação total obtém-se através da soma das respostas dos participantes a cada um dos itens. A consistência interna para o total da escala é de .93. Na presente amostra, o instrumento apresentou um alpha de .88 para a escala global. DROPOUT — PERPETRADORES DE VIOLÊNCIA NA INTIMIDADE 19 Inventário de Resolução de Problemas – IRP – (Serra, 1987) O IRP é um inventário de autorrelato que se destina a medir e avaliar as estratégias de coping que o indivíduo utiliza para lidar com os problemas. Possui 40 itens (e.g.,” vou deixar correr a situação; o tempo ajuda a resolver os problemas”), cotados numa escala de resposta de tipo likert de 5 pontos (1 = não concordo até 5 = concordo muitíssimo). É constituído por nove fatores: fator 1 - pedido de ajuda; fator 2 - confronto e resolução ativa de problemas; fator 3 - abandono passivo perante a situação; fator 4 – controlo interno/externo dos problemas; fator 5 - estratégias de controlo das emoções; fator 6 - atitude ativa de não interferência na vida quotidiana pelas ocorrências; fator 7 - agressividade internalizada/externalizada; fator 8 - autorresponsabilização e medo das consequências; e fator 9 - confronto com os problemas e planificação de estratégias. Quanto mais elevada for a pontuação obtida na escala, melhor serão as estratégias de coping utilizadas pelo indivíduo. A consistência interna da versão original é de .86. Na presente amostra, o instrumento apresentou um alpha de .83 para a escala global. Escala de Avaliação da Mudança da Universidade de Rhode Island – Violência Doméstica - Revista (URICA-DV-R) – (Levesque, 2006) O URICA-DV-R é uma escala de autorrelato que avalia o estádio de mudança em que o indivíduo se encontra. É composto por 20 itens (e.g., “Começo a ver que a violência na minha relação é um problema”), respondidos numa escala do tipo likert (1 = discordo fortemente até 5 = Concordo fortemente). A escala permite aferir em qual dos estádios os indivíduos se encontram: Pré-contemplação, Contemplação, Ação e Recaída. Da mesma forma, é possível obter-se um índice global de preparação para a mudança, somando-se a pontuação obtida nas quatro dimensões. Em três amostras distintas de agressores conjugais em intervenção, a média dos alphas de Cronbach para as quatro escalas foi de .70, .77, .83 e .75, para as escalas de précontemplação, contemplação, ação e recaída, respetivamente. Na presente amostra, o instrumento apresentou um alpha de .43 para a escala de précontemplação, .83 para a escala de contemplação, .86 para a escala de ação e .80 para a escala de recaída. Procedimento O presente estudo foi submetido à Subcomissão de Ética das Ciências Sociais e Humanas da Universidade do Minho, tendo sido aprovado. Os dados para este estudo foram obtidos através de uma base de dados já construída, com informações referentes aos indivíduos que tinham participado no DROPOUT — PERPETRADORES DE VIOLÊNCIA NA INTIMIDADE 20 PPRIAC. O programa de intervenção em estudo foi aplicado na UCPJC da Universidade do Minho, num Gabinete de Psicologia em funcionamento numa Junta de Freguesia, e num estabelecimento prisional no norte do país, pelo que os participantes são maioritariamente da zona norte de Portugal. Os participantes, aquando da sua integração no PPRIAC, preenchiam o consentimento informado e um conjunto de medidas de avaliação, tendo-lhes sido explicados os objetivos do programa e os procedimentos do mesmo. Ainda que no PPRIAC tenham sido aplicados vários instrumentos de avaliação psicológica (e.g., Inventário Breve de Sintomas – BSI (Derogatis, 1993; tradução e adaptação de Canavarro, 1999, 2007); Checklist de avaliação do risco de violência conjugal – SARA (Kropp & Hart, 2000, tradução de Almeida & Soeiro, 2005); Inventário Clínico de Auto-conceito – ICAC (Serra, 1986); Escala de Auto-estima de Rosenberg – RSES (Rosenberg, 1965; tradução e adaptação de Santos, 2008), esta investigação focouse apenas nos dados dos instrumentos acima descritos, na medida em que são aqueles que avaliam as variáveis que se pretende estudar. Análise dos dados Os dados foram analisados através do programa estatístico IBM ® SPSS ® Statistics ( Statistical Package for Social Sciences, 24) e para o cálculo dos tamanhos de efeito e do poder estatístico utilizouse o programa G*Power 3.1. Na caracterização sociodemográfica, jurídico-penal e intrapessoal dos participantes recorreu-se a estatística descritiva. Foram utilizados testes t para amostras independentes e testes de Mann-Whitney com o objetivo de analisar as diferenças entre os grupos em estudo, e testes de qui-quadrado para verificar a existência de associações entre variáveis. Atendendo a que não se encontrava cumprido o pressuposto da normalidade dos dados, com exceção da variável idade, optouse por realizar quer os testes paramétricos quer os não paramétricos. Sempre que estes produziram conclusões semelhantes optou-se pela apresentação dos resultados dos testes paramétricos (Fife-Schaw, 2000). Paralelamente, realizou-se uma regressão logística para identificar as características que melhor predizem o dropout . Algumas variáveis foram recodificadas e transformadas em variáveis dummy com vista a permitir a realização das análises estatísticas (e.g., estado civil - casados vs não casados; nível socioeconómico - baixo vs médio e alto; escolaridade - 1º ciclo e 2º ciclo, 3º ciclo, ensino secundário e superior; situação profissional - ativo vs inativo; estádio motivacional - pré-contemplação, contemplação, preparação e ação). DROPOUT — PERPETRADORES DE VIOLÊNCIA NA INTIMIDADE 21 Resultados Do total da amostra, 47 indivíduos completaram o programa de intervenção, resultando numa taxa de conclusão de 56.6%. Sendo que 25% (n = 9) dos participantes apenas frequentaram seis sessões do PPRIAC e 47,2% (n = 17) não frequentaram metade das sessões que constituam o mesmo. De forma global, relativamente às variáveis sociodemográficas, os resultados, exibidos na Tabela 2, apontam para diferenças estatisticamente significativas entre os indivíduos que concluíram o PPRIAC e os que desistiram do mesmo ao nível da idade, t (76) = -2.43, p =.017 ( r =.28). Assim, os indivíduos que desistiram da intervenção eram em média mais jovens que aqueles que concluíram o processo de intervenção. Quanto às variáveis estado civil, situação profissional e nível socioeconómico, não se verificaram associações estatisticamente significativas entre estas e a conclusão ou não do PPRIAC. Paralelamente, não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas no que respeita à escolaridade entre os indivíduos que concluíram o PPRIAC e os que desistiram do mesmo. DROPOUT — PERPETRADORES DE VIOLÊNCIA NA INTIMIDADE 22 Tabela 2 Diferenças entre os dois grupos ao nível das variáveis sociodemográficas. Total (N = 83) Conclusão (n = 47) Não conclusão (n = 36) t M DP M DP Idade 78 49.07 11.01 42.73 11.87 -2.431* n % n % 𝑥2 /U Escolaridade 1º Ciclo/2ºCiclo 3º Ciclo Ensino secundário/superior Estado Civil Casado/União de facto Divorciado/Separado Nível Socioeconómico Baixo Médio ou alto Situação Profissional Ativo Inativo 78 80 79 81 27 60 10 22.2 8 17.8 23 50 23 50 22 48.9 23 51.1 27 57.4 20 42.6 16 48.5 7 21.2 10 30.3 19 55.9 15 44.1 17 50 17 50 14 41.2 20 58.8 635 .602 .01 2.089 * p < .05 DROPOUT — PERPETRADORES DE VIOLÊNCIA NA INTIMIDADE 23 No que concerne às variáveis jurídico-penais (Tabela 3), não se verificaram associações estatisticamente significativas entre a violência anterior, a medida judicial e a modalidade de integração e a conclusão ou não do PPRIAC. Tabela 3 Diferenças entre os dois grupos ao nível das variáveis jurídico-penais. Total (N = 83) Conclusão (n = 47) Não conclusão (n = 36) n % n % 𝑥2 Violência Anterior Sim Não 74 31 75.6 10 24.4 24 72.7 9 27.3 .08 Medida Judicial Sim Não 76 35 83.3 7 16.7 26 76.5 8 23.5 .559 Modalidade de Integração Ordenado pelo tribunal Não ordenado pelo tribunal 76 26 61.9 16 38.1 22 64.7 12 35.3 .063 Em relação às variáveis intrapessoais (Tabela 4), não foram encontradas associações estatisticamente significativas entre o estádio motivacional (medido através do URICA-DV-R) dos participantes e a conclusão ou não do PPRIAC. DROPOUT — PERPETRADORES DE VIOLÊNCIA NA INTIMIDADE 30 lado, e pondo a hipótese de que os agressores que relatam mais agressividade são de facto os mais agressivos, os dados obtidos podem ser importantes, pois indicam que agressores mais violentos tendem a permanecer na intervenção (Buttell & Carney, 2008). Ademais, os resultados encontrados permitem corroborar os resultados dos estudos anteriores que apontam para a existência de consideráveis inconsistências a este nível (e.g., Buttell & Carney, 2008). Assim, para além das variáveis que a literatura evidencia como estando na base do dropout , provavelmente existem outras razões que ainda não foram consideradas. No caso concreto do PPRIAC, alguns dos indivíduos desistiram da intervenção por outros motivos, como por exemplo problemas de saúde, mudança de país/residência, questões profissionais e falecimento de um participante. Portanto, parecem existir outros fatores que influenciam a conclusão (ou não) do tratamento e que devem ser considerados em futuras investigações (Lauch et al., 2017). Não obstante os contributos, este estudo apresenta algumas limitações. Uma das principais e mais evidentes prende-se com um número reduzido da amostra e o reduzido poder estatístico da mesma. A ausência de resultados significativos em diferentes variáveis pode ser um artefacto da ausência de poder estatístico da amostra em questão. De facto, os testes estatísticos utilizados apresentam um poder estatístico inferior a 80%. Outra limitação está relacionada com o facto de a amostra ser maioritariamente constituída por indivíduos da região norte do país, pelo que se verifica uma ausência de representatividade geográfica. Paralelamente, apenas se analisaram os dados do PPRIAC, por isso não é possível generalizar estes resultados quando analisados outros programas de intervenção com diferentes estruturas. Concomitantemente, a presença de diferentes facilitadores na implementação da intervenção pode ter influenciado os resultados. Uma outra limitação diz respeito às informações obtidas que são maioritariamente fornecidas pelo ofensor. Tal pode afetar os resultados, principalmente nos questionários de autorrelato utilizados, em que as respostas dos indivíduos podem estar influenciadas por processos de desejabilidade social. Assim, futuras investigações deverão igualmente incluir um instrumento que avalie a desejabilidade social. Uma vez que o estudo é apenas quantitativo, seria interessante incluir uma componente qualitativa. Sempre que possível seria relevante que fosse questionado a cada participante que desiste da intervenção os motivos subjacentes à desistência. Tal poderia contribuir para um conhecimento mais aprofundado acerca dos motivos para o seu abandono e fornecer novas explicações. Ademais dada a importância da supervisão neste contexto, em futuras investigações, seria DROPOUT — PERPETRADORES DE VIOLÊNCIA NA INTIMIDADE 31 pertinente que fosse abordado o conceito e o nível de supervisão fornecido pela fonte de referenciação para perceber se realmente esta variável pode e deve ser considerada um preditor de dropout (e.g., Barber & Wright, 2010). Por último, em futuras investigações seria também pertinente incluir a variável suporte social, com o objetivo de perceber até que ponto as pessoas mais próximas do indivíduo o apoiam e o incentivam a participar no programa de intervenção e se isso condiciona ou não a sua conclusão ou desistência do mesmo. Pois segundo a literatura esta variável é identificada como um importante preditor do envolvimento na intervenção e do sucesso terapêutico (Raghavan, Rajah, Gentile, Collado, & Kavanagh, 2009). Para concluir e dado que o PPRIAC continua a ser implementado, seria interessante continuar a recolha de dados, de modo a verificar se a tendência dos resultados se mantém, ou, pelo contrário, se altera. DROPOUT — PERPETRADORES DE VIOLÊNCIA NA INTIMIDADE 32 Referências Almeida, I., & Soeiro, C. (2005). Manual de avaliação de risco de violência conjugal (2ª ed.). Lisboa, Portugal: Gabinete de Psicologia e Selecção da Escola da Polícia Judiciária. Arias, E., Arce, R., & Vilariño, M. (2013). Batterer intervention programmes: A meta-analytic review of effectiveness. Psychosocial Intervention, 22 , 153-160. http://dx.doi.org/10.5093/in2013a18 Babcock, J., Greena, C., & Robie, C. (2004). Does batterers’ treatment work? A meta-analytic review of domestic violence treatment. Clinical Psychology Review, 23 , 1023-1053. doi:10.1016/j.cpr.2002.07.001 Babcock, J. C., & Steiner, R. (1999). The relationship between treatment, incarceration and recidivism of battering: A program evaluation of Seattle’s coordinated community response to domestic violence. Journal of Family Psychology, 13 , 46-59. Barber, S., & Wright, E. (2010). The effects of referral source supervision. Criminal Justice and Behavior, 37 , 847-859. doi: 10.1177/0093854810367771 Bennett, L., Stoops, C., Call, C., & Flett, H. (2007). Program completion and re-Arrest in a batterer intervention system. Research on Social Work Practice, 17 , 42-54. doi:10.1177/1049731506293729 Bowen, E., & Gilchrist, E. (2006). Predicting dropout of court-mandated treatment in a British sample of domestic violence offenders. Psychology, Crime & Law, October, 12 , 573-587. doi:10.1080/10683160500337659 Buss, A. H., & Perry, M. (1992). The aggression questionnaire. Journal of Personality and Social Psychology, 63 , 452-459. Buttell, F., & Carney, M. (2002). Psychological and demographic predictors of attrition among batterers court ordered into treatment. Social Work Research, 26 , 31-41. https://doi.org/10.1093/swr/26.1.31 Buttell, F., & Carney, M. (2008). A large sample investigation of batterer intervention program attrition: Evaluating the impact of state program standards. Research on Social Work Practice,18 , 177188. doi: 10.1177/1049731508314277 Canavarro, C. (1999). Inventário de sintomas psicopatológicos (BSI). In M. Simões, M. Gonçalves & L. Almeida (Eds.), Testes e provas psicológicas em Portugal, I (pp. 95-109). Braga, Portugal: APPORT/SHO. DROPOUT — PERPETRADORES DE VIOLÊNCIA NA INTIMIDADE 33 Canavarro, M. C. (2007). Inventário de Sintomas Psicopatológicos: Uma Revisão crítica dos estudos realizados em Portugal. In L. Almeida, M. Simões, C. Machado e M. Gonçalves (Eds.) Avaliação psicológica. Instrumentos validados para a população Portuguesa (Vol. III, pp. 305-331). Coimbra, Portugal: Quarteto Editora. Carney, M., Buttell, F., & Muldoon, J. (2006). Predictors of batterer intervention program attrition: Developing and implementing logistic regression models. Journal of Offender Rehabilitation, 43 , 35-54. doi:10.1300/J076v43n02_02 Catlett, B., Toews, M., & Walilko, V. (2010). Men’s gendered constructions of intimate partner violence as predictors of court-mandated batterer treatment drop out. American Journal of Community Psychology, 45 , 107-123. doi: 10.1007/s10464-009-9292-2 Chen, H., Bersani, C., Myers, S., & Denton, R. (1989). Evaluating the effectiveness of a court sponsored abuser treatment program. Journal of Family Violence, 4 , 309-322. https://doi.org/10.1007/BF00978573 Coulter, M., & VandeWeerd, C. (2009). Reducing domestic violence and other criminal recidivism: Effectiveness of a multilevel batterers intervention program. Violence and Victims, 24 , 139-152 . doi: 10.1891/0886-6708.24.2.139 Crowne, D., & Marlowe, D. (1960). A new scale of social desirability independent of psychopathology. Journal of Consulting Psychology, 24 , 349-354. Cuevas, D., & Bui, N. (2016). Social factors affecting the completion of a batterer intervention program. Journal of Family Violence, 31 , 95-107. doi: 10.1007/s10896-015-9748-0 Cunha, O. (2013). Perpetradores de violência em relações de intimidade: Da caracterização à intervenção (Dissertação de doutoramento não publicada). Universidade do Minho, Braga, Portugal. Cunha, O., & Gonçalves, R. A. (2012). Análise confirmatória de uma versão Portuguesa do Questionário de Agressividade de Buss-Perry. Laboratório de Psicologia, 10 , 3-17. Cunha, O., & Gonçalves, R. A. (2014). The current practices of intervention with batterers. Revista de Psiquiatria Clínica, 41 , 40-48. doi:10.1590/0101-60830000000008 Cunha, O., & Gonçalves, R. A. (2015). Efficacy assessment of an intervention program with batterers. Small Group Research, 46 , 455-482. doi: 10.1177/1046496415592478 Daly, J., & Pelowski, S. (2000). Predictors of dropout among men who batter: A review of studies with implications for research and practice. Violence and Victims, 15 , 137-160. DROPOUT — PERPETRADORES DE VIOLÊNCIA NA INTIMIDADE 34 Davis, C., & Moser, S. (2014). Social desirability and change following substance abuse treatment in male offenders. Psychology of Addictive Behaviors, 28 , 872-879. http://dx.doi.org/10.1037/a0037528 Davis, R. C., & Taylor, B. G. (1999). Does batterer treatment reduce violence? A synthesis of the literature. Women and Criminal Justice, 10 , 69-93. Davis, R. C., Taylor, B. G., & Maxwell, C. D. (2000). Does batterer treatment reduce violence? A randomized experiment in Brooklyn. Justice Quarterly, 18 , 171-201. DeMaris, A. (1989). Attrition in batterers' counseling: The role of social and demographic factors. Social Service Review, 63 , 142-154. Derogatis, L. R. (1993). BSI: Brief Symptom Inventory: Administration, scoring and procedures manual . Minneapolis, MN: Natural Computers System. Duplantis, A., Romans, J., & Bear, T. (2006). Persistence in domestic violence treatment and selfesteem, locus of control, risk of alcoholism, level of abuse, and beliefs about abuse. Journal of Aggression, Maltreatment & Trauma, 13 , 1-18. doi:10.1300/J146v13n01_01 Eckhardt, C., Holtzworth-Munroe, A., Norlander, B., Sibley, A., & Cahill, M. (2008). Readiness to change, partner violence subtypes, and treatment outcomes among men in treatment for partner assault. Violence and Victims, 23 , 446-475. doi: 10.1891/0886-6708.23.4.446 Feder, L., & Wilson, D. (2005). A meta-analytic review of court-mandated batterer intervention programs: Can courts affect abusers’ behavior? Journal of Experimental Criminology, 1 , 239262. doi: 10.1007/s11292-005-1179-0 Ferrer-Perez, V., & Bosch-Fiol, E. (2016). Batterer intervention programs in Spain: An analysis of their effectiveness. International Journal of Offender Therapy and Comparative Criminology, 62 , 113. doi: 10.1177/0306624X16672455 Fife-Schaw, C. (2000). Levels of measurement. In G. M. Breakwell, S. Hammond, & C. Fife-Schaw (Eds.), Research methods in psychology (2nd ed., pp. 147-157). London, England: Sage. Gastaud, M., & Nunes, M. (2010). Abandono de tratamento na psicoterapia psicanalítica: em busca de definição. Jornal Brasileiro de Psiquiatria, 59 , 247-254. Gonçalves, A. R., & Cunha, O. (2018). Agressores nas relações de intimidade: O olhar da psicologia. In I. Dias (Coord), Violência doméstica e de género: Uma abordagem multidisciplinar (pp. 207221). Lisboa: Pactor. Gover, A., Jennings, W., Davis, C., Tomsich, E., & Tewksbury, R. (2011). Factors related to the completion of domestic violence offender treatment: The Colorado experience. Victims & DROPOUT — PERPETRADORES DE VIOLÊNCIA NA INTIMIDADE 35 Offenders: An International Journal of Evidence-based Research, Policy, and Practice, 6 , 137156. doi: 10.1080/15564886.2011.557323 Hamel, J., Ferreira, R., & Buttell, F. (2015). Gender and batterer intervention: implications of a program evaluation for policy and treatment. Research on Social Work Practice, 27 , 405-412. doi:10.1177/1049731515577451 Jewell, L., & Wormith, J. (2010). Variables associated with attrition from domestic violence treatment programs targeting male batterers: A meta-analysis. Criminal Justice and Behavior, 37 , 10861113. https://doi.org/10.1177/0093854810376815 Kropp, P. R., & Hart, S. D. (2000). The spousal assault risk assessment (SARA) guide: Reliability and validity in adult male offenders. Law and Human Behavior, 24 , 101-118. doi:10.1023/A:1005430904495 Labriola, M., Rempel, M., O'Sullivian, C., & Frank, P. (2007). Court responses to batterer program noncompliance: A national perspective. Report submitted to the National Institute of Justice, Washington, DC. Lauch, K., Hart, K., & Bresler, S. (2017). Predictors of treatment completion and recidivism among intimate partner violence offenders. Journal of aggression, maltreatment & trauma, 26 , 543557. Levesque, D. A. (2006). Processes of resistance in domestic violence offenders . Washington, DC: NCJRS, U.S. Department of Justice. Lila, M., Gracia, E., & Catalá-Miñana, A. (2017). More likely to dropout, but what if they don’t? Partner violence offenders with alcohol abuse problems completing batterer intervention programs. Journal of Interpersonal Violence, 1-24. doi: 10.1177/0886260517699952 Mach, J., Cantos, A., Weber, E., & Kosson, D. (2017). The impact of perpetrator characteristics on the completion of a partner abuse intervention program. Journal of Interpersonal Violence, 1-27. https://doi.org/10.1177/0886260517719904 Machado, C., Gonçalves, M. M., & Matos, M. (2007). Manual do inventário de violência conjugal (I.V.C.) e da escala de crenças sobre violência conjugal (E.C.V.C.) . Braga, Portugal: Psiquilíbrios Edições. Manita, C. (2005). Estudo preliminar de caracterização da intervenção com agressores no contexto da violência em Portugal. Lisboa, Portugal: Comissão para a Igualdade e para os Direitos das Mulheres, Presidência do Conselho de Ministros. DROPOUT — PERPETRADORES DE VIOLÊNCIA NA INTIMIDADE 36 Manita, C. (2008). Programas de intervenção em agressores de violência conjugal. Intervenção psicológica e prevenção da violência doméstica. Ousar Integrar - Revista de Reinserção Social e Prova, 1 , 21-32. McMurran, M., Huband, N., & Overton, E. (2010). Non-completion of personality disorder treatments: A systematic review of correlates, consequences, and interventions. Clinical Psychology Review, 30 , 277-287. McMurran, M., & Theodosi, E. (2007). Is treatment non-completion associated with increased reconviction over no treatment? Psychology, Crime & Law, 13 , 333-343. doi:10.1080/10683160601060374 Olver, M., Wormith, J., & Stockdale, K. (2011). A meta-analysis of predictors of offender treatment attrition and its relationship to recidivism. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 79 , 621. Organização Mundial de Saúde (OMS) (2010). Preventing intimate partner and sexual violence against women: taking action and generating evidence. Geneva, WHO Publications. Pence, E., & Paymar, M. (1993). Education groups for men who batter: The Duluth Model . New York, NY: Springer. Pike, C., & Buttell, F. (2002). Investigating predictors of treatment attrition among court-ordered batterers. Journal of Social Service Research, 28 , 53-68. https://doi.org/10.1300/J079v28n04_03 Raghavan, C., Rajah, V., Gentile, K., Collado, L., & Kavanagh, A.M. (2009). Community violence, social support networks, ethnic group differences, and male perpetration of intimate partner violence. Journal of Interpersonal Violence, 24 , 1615-1632. doi:10.1177/0886260509331489 Rosenberg, M. (1965). Society and the adolescent self-image . Princeton, NJ: Princeton University Press. Santos, P. J. (2008). Validação da Rosenberg Self-esteem Scale numa amostra de estudantes do ensino superior. In A. P. Noronha, C. Machado, L. Almeida, M. Gonçalves, S. Martins, & V. Ramalho (Orgs.), Avaliação psicológica: Formas e contextos (Vol. XIII). Braga, Portugal: Psiquilibrios Edições. Sartin, R., Hansen, D., & Huss, M. (2006). Domestic violence treatment response and recidivism: A review and implications for the study of family violence. Aggression and Violent Behavior, 11 , 425-440. doi:10.1016/j.avb.2005.12.002 DROPOUT — PERPETRADORES DE VIOLÊNCIA NA INTIMIDADE 37 Scott, K., King, C., McGinn, H., & Hosseini, N. (2011). Effects of motivational enhancement on immediate outcomes of batterer intervention. Journal of Family Violence, 26 , 139149. doi:10.1007/s10896-010-9353-1 Serra, A. V. (1986). O inventário clínico de auto-conceito. Psiquiatria Clínica, 7 , 67-84. Serra, A. V. (1987). Um estudo sobre coping: O inventário de resolução de problemas. Psiquiatria Clínica, 9 , 301-316. Sistema de Segurança Interna (2019). Relatório anual de segurança interna 2018 . Lisboa, Portugal: Ministério da Administração Interna. Taft, C., Murphy, C., Elliott, J., & Morrel, T. (2001). Attendance-enhancing procedures in group counseling for domestic abusers. Journal of Counseling Psychology, 48 , 51-60. doi:10.1037//0022-0167.48.1.51 Timko, C., Valenstein, H., Stuart, G., & Moos, R. (2015). Substance abuse and batterer programmes in California, USA: factors associated with treatment outcomes. Health and Social Care in the Community, 23 , 642-653. doi: 10.1111/hsc.12178 Wierzbicki, M., & Pekarik, G. (1993). A meta-analysis of psychotherapy dropout. Professional Psychology: Research and Practice, 24 , 190-195. Zemore, S. (2012). The effect of social desirability on reported motivation, substance use severity, and treatment attendance. Journal of Substance Abuse Treatment, 42 , 400-412. doi:10.1016/j.jsat.2011.09.013 38 Anexos 39 Anexo A Conselho de Ética Conselho de Ética - Ciências Sociais e Humanas Identificação do documento: CE.CSH 102/2018 Título do projeto: Intervenção com Perpetradores de Violência na Intimidade: Preditores de Dropout Investigador(a) Responsável: Andreia Fernandes da Silva, Mestrado Integrado em Psicologia, Universidade do Minho; Doutora Olga Cunha (orientadora), Universidade Lusíada do Porto/Universidade do Minho; Doutor Rui Abrunhosa Gonçalves (coorientador), Centro de Investigação em Psicologia (CIPsi), Escola de Psicologia, Universidade do Minho PARECER O Conselho de Ética analisou o processo relativo ao projeto de investigação acima identificado, intitulado Intervenção com Perpetradores de Violência na Intimidade: Preditores de Dropout. Os documentos apresentados revelam que o projeto obedece aos requisitos exigidos para as boas práticas na investigação com humanos, em conformidade com as normas nacionais e internacionais que regulam a investigação em Ciências Sociais e Humanas. Face ao exposto, o Conselho de Ética nada tem a opor à realização do projeto, emitindo o seu parecer favorável. Braga, 7 de janeiro de 2019. A Presidente do CEUMinho