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Fatores de risco escolar e fatores de proteção familiar associados ao comportamento antissocial em raparigas adolescentes na comunidade

Monteiro, Ana Catarina Sampaio

Abstract

O comportamento antissocial entre os jovens portugueses tem vindo a aumentar. A literatura tem convergido na exploração dos domínios de risco dos jovens associados ao comportamento antissocial. O contexto escolar surge como um ambiente de risco, uma vez que expõe os jovens a relacionamentos desajustados, ao início de comportamento de consumo de substâncias e, ainda, a uma competitividade exacerbada. A literatura revela que fatores de risco escolar, como é o caso do baixo compromisso com a escola, estão relacionados com o comportamento antissocial. Em contrapartida, o domínio familiar surge como um potencial moderador da relação entre o risco escolar e o comportamento antissocial. No presente estudo recorreu-se ao instrumento Communities That Care - Youth Survey (CTC-YS), de forma a compreender o efeito moderador da proteção familiar na relação entre o risco escolar e o comportamento antissocial em raparigas adolescentes da comunidade. Os resultados foram ao encontro do esperado, demonstrando o efeito moderador da proteção familiar nesta interação. O estudo permite um olhar preventivo, promovendo uma maior proteção familiar em comunidades que apresentem risco escolar.

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Universidade do Minho Escola de Psicologia Ana Catarina Sampaio Monteiro Fatores de Risco Escolar e Fatores de Proteção Familiar Associado ao Comportamento Antissocial em Raparigas Adolescentes na Comunidade junho de 2024 Ana Monteiro UMinho | 2024 Fatores de Risco Escolar e Fatores de Proteção Familiar Associado ao Comportamento Antissocial em Raparigas Adolescentes na Comunidade Universidade do Minho Escola de Psicologia junho de 2024 Ana Catarina Sampaio Monteiro Fatores de Risco Escolar e Fatores de Proteção Familiar Associados ao Comportamento Antissocial em Raparigas Adolescentes na Comunidade Dissertação de Mestrado Mestrado em Psicologia da Justiça Trabalho efetuado sob a orientação de Professora Doutora Ângela Maia Doutor Hugo Gomes Fatores de Risco Escolar e Fatores de Proteção Familiar Associados ao Comportamento Antissocial em Raparigas Adolescentes na Comunidade ii DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho Atribuição-NãoComercial-SemDerivações CC BY-NC-ND https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/ Fatores de Risco Escolar e Fatores de Proteção Familiar Associados ao Comportamento Antissocial em Raparigas Adolescentes na Comunidade iii Agradecimentos Esta dissertação representa o fim de um ciclo de aprendizagem, que envolveu grande ambição e resiliência. Este trajeto não teria sido o mesmo sem a presença de algumas pessoas que tornaram esta jornada ainda mais importante, às quais gostaria de agradecer profundamente. Em primeiro lugar, gostaria de expressar a minha sincera gratidão aos meus pais e a toda a minha família, pelo apoio constante e encorajamento ao longo deste percurso. Um agradecimento especial ao meu namorado Pedro pelo carinho, paciência e suporte nos momentos mais desafiantes. Aos meus amigos de longa data, Bruna, Anabela, Fábio, Paulo, Ana Paula, Gonçalo, Sofia e Rita, agradeço pela amizade e por tornarem este trajeto mais leve e risonho. Um agradecimento também às minhas amigas Carolina e Maria Carolina, pelo apoio incondicional. À minha amiga Beatriz, por ser a maior surpresa e amizade que o Mestrado em Psicologia da Justiça me proporcionou. Aos meus amigos Xica e Bruno, eterno Trio Odemira, pelo apoio nos momentos mais difíceis deste percurso, sem vocês não seria possível. À Unidade de Investigação de Experiências Adversas e Traumáticas, assim como à Escola de Psicologia da Universidade do Minho, pelo papel central na aquisição de conhecimentos, contribuindo para a realização da minha dissertação. Um especial agradecimento à Professora Doutora Ângela Maia, por todo o apoio ao longo do meu percurso académico. A sua disponibilidade e apoio nunca serão esquecidos. Muito obrigada. Também gostaria de agradecer ao Doutor Hugo Gomes, pela disponibilidade inesgotável ao longo deste processo. O seu apoio e orientação foram fulcrais para concretização da minha dissertação. Por fim, a todas as pessoas que, embora não mencionadas, estiveram presentes ao longo destes 5 anos. Fatores de Risco Escolar e Fatores de Proteção Familiar Associados ao Comportamento Antissocial em Raparigas Adolescentes na Comunidade iv DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho. Ana Catarina Sampaio Monteiro Assinado por: ANA CATARINA SAMPAIO MONTEIRO Num. de Identificação: BI14509489 Data: 2024.06.07 11.03.33 GMT Daylight time Fatores de Risco Escolar e Fatores de Proteção Familiar Associados ao Comportamento Antissocial em Raparigas Adolescentes na Comunidade v Fatores de Risco Escolar e Fatores de Proteção Familiar Associados ao Comportamento Antissocial em Raparigas Adolescentes na Comunidade Resumo O comportamento antissocial entre os jovens portugueses tem vindo a aumentar. A literatura tem convergido na exploração dos domínios de risco dos jovens associados ao comportamento antissocial. O contexto escolar surge como um ambiente de risco, uma vez que expõe os jovens a relacionamentos desajustados, ao início de comportamento de consumo de substâncias e, ainda, a uma competitividade exacerbada. A literatura revela que fatores de risco escolar, como é o caso do baixo compromisso com a escola, estão relacionados com o comportamento antissocial. Em contrapartida, o domínio familiar surge como um potencial moderador da relação entre o risco escolar e o comportamento antissocial. No presente estudo recorreu-se ao instrumento Communities That Care - Youth Survey (CTC-YS), de forma a compreender o efeito moderador da proteção familiar na relação entre o risco escolar e o comportamento antissocial em raparigas adolescentes da comunidade. Os resultados foram ao encontro do esperado, demonstrando o efeito moderador da proteção familiar nesta interação. O estudo permite um olhar preventivo, promovendo uma maior proteção familiar em comunidades que apresentem risco escolar. Palavras-chave: Communities That Care – Youth Survey ; comportamento antissocial; fatores de proteção familiar; fatores de risco escolar; raparigas adolescentes. Fatores de Risco Escolar e Fatores de Proteção Familiar Associados ao Comportamento Antissocial em Raparigas Adolescentes na Comunidade vi School Risk Factors and Family Protective Factors Associated with Antisocial Behavior in Adolescent Girls in the Community Sample Abstract Antisocial behavior among young Portuguese people has been increasing. The literature has converged in exploring the risk domains of young people associated with antisocial behavior. The school context appears as a risky environment, as it exposes young people to maladjusted relationships, the onset of substance use behavior and even heightened competitiveness. The literature reveals that school risk factors, such as low commitment to school, are related to antisocial behavior. On the other hand, the family domain appears as a potential moderator of the relationship between school risk and antisocial behavior. In the present study, the Communities That Care - Youth Survey (CTC-YS) instrument was used, in order to understand the moderating effect of family protection on the relationship between school risk and antisocial behavior in adolescent girls in the community. The results were in line with expectations, demonstrating the moderating effect of family protection in this interaction. The study allows for a preventive approach, promoting greater family protection in communities that present school risk. Keywords: Communities That Care - Youth Survey; antisocial behavior; family protection factors; school risk factors; adolescent girls. Fatores de Risco Escolar e Fatores de Proteção Familiar Associados ao Comportamento Antissocial em Raparigas Adolescentes na Comunidade vii Índice Introdução ....................................................................................................................................... 8 Comportamento Antissocial e o Sexo Feminino ............................................................................... 8 Desenvolvimento e Modelos Explicativos do Comportamento Antissocial .......................................... 9 Fatores de Risco Escolar e comportamento Antissocial .................................................................. 12 Fatores de proteção Familiar e Comportamento Antissocial ........................................................... 13 Presente estudo e Limitações ....................................................................................................... 14 Metodologia .................................................................................................................................. 15 Participantes ................................................................................................................................ 15 Instrumento .................................................................................................................................. 16 Procedimento ............................................................................................................................... 18 Estratégia e análise de dados ........................................................................................................ 19 Resultados ..................................................................................................................................... 19 Descrição amostral ....................................................................................................................... 19 Risco Escolar e Proteção Familiar ................................................................................................. 21 Risco Escolar e Comportamento Antissocial .................................................................................. 22 Moderação ................................................................................................................................... 22 Discussão ...................................................................................................................................... 24 Conclusão ...................................................................................................................................... 27 Referências ................................................................................................................................... 29 Anexo A: Parecer da Comissão de Ética para a Investigação em Ciências Sociais e Humanas .......... 33 Índice de Tabelas e Figuras Tabela 1: Distribuição da amostra segundo a idade………………………………………………………………..16 Fatores de Risco Escolar e Fatores de Proteção Familiar Associados ao Comportamento Antissocial em Raparigas Adolescentes na Comunidade 13 estudos anteriores com o Communities that Care (CTC), refere que o insucesso académico e o baixo compromisso com a escola estão correlacionados com problemas comportamentais. Fatores de proteção Familiar e Comportamento Antissocial Em oposição aos fatores de risco, os fatores de proteção surgem como um modificador e moderador das situações adversas na vida dos indivíduos (Poletto & Koller, 2008). Gottfredson e Hirschi (1990) referem que o autocontrolo nos jovens tem influência nas suas práticas. Os autores acrescentam que a qualidade das práticas parentais são cruciais para o desenvolvimento de autocontrolo e para a correção quando este aparenta estar em falta. Estes referem que para a promoção de autocontrolo, é necessário o desenvolvimento de vínculos saudáveis entre os pais e o jovem, uma supervisão parental adequada, assim como o reconhecimento destes comportamentos e a punição dos mesmos. A literatura defende a esfera familiar como um contexto de maior atenção nas raparigas adolescentes, uma vez que as relações intrafamiliares são de maior importância para as mesmas (Poletto & Koller, 2008). A esfera familiar como uma estrutura fundamental para o desenvolvimento dos indivíduos pode surgir como um efeito protetor ou de risco, dependendo da sua dinâmica (Poletto & Koller, 2008). A vinculação positiva, práticas parentais adequadas, qualidade na comunicação e apoio emocional e afetivo são algumas das características da família, que permitem aos adolescentes um sentido de equilíbrio e uma menor exposição destes indivíduos a situações de risco (Duarte, 2012; Poletto & Koller, 2008). Partindo deste ponto de vista, a qualidade e a estrutura familiar funcionam como um fator de proteção para diversos comportamentos de risco, como o comportamento antissocial (Poletto & Koller, 2008). Estudos de Lanza e Taylor (2010), analisaram o efeito moderador da rotina familiar na relação do desinteresse escolar e o comportamento antissocial. Os autores verificaram presença do efeito moderador da rotina familiar, comprovando o efeito “ buffer ” deste fator na relação entre o desinteresse escolar e o comportamento antissocial, numa amostra de 204 adolescentes da comunidade. Sutherland e Cressey (1978), nos seus estudos junto de uma amostra de 534 adolescentes, analisaram o efeito moderador do funcionamento familiar na relação entre o contacto com grupos de pares desviantes e o comportamento antissocial. Neste seguimento, os autores concluíram que um funcionamento familiar adequado e valores elevados de preocupação parental apresentam um efeito Fatores de Risco Escolar e Fatores de Proteção Familiar Associados ao Comportamento Antissocial em Raparigas Adolescentes na Comunidade 14 moderador na relação entre o contacto com grupos de pares desviantes e o comportamento antissocial (Sutherland e Cressey, 1978). Arthur et al. (2002), nos seus estudos com o CTC ( Communities that Care ), acrescenta que no domínio familiar, a baixa supervisão parental, a história familiar de comportamento antissocial, bem como as atitudes favoráveis ao comportamento antissocial, estão correlacionadas com problemas comportamentais. Presente estudo e Limitações Este estudo tem como base o sistema CTC ( Communities That Care ), elaborado para planeamento de estratégias preventivas e intervenção na comunidade, como objetivo de reduzir o comportamento antissocial entre os jovens. O CTC reúne 4 domínios principais subjacentes ao comportamento antissocial, tais como a família, pares/individual, comunidade e escola (Washington University, 2014). O presente estudo foca-se, essencialmente, em compreender os fatores de proteção familiar e os fatores de risco escolar no comportamento antissocial em raparigas adolescentes na comunidade. O estudo do comportamento antissocial em raparigas apresenta um conjunto de limitações associadas à falta de informação científica na área. Os estudos atuais apresentam estar continuamente focados no sexo masculino, condicionando o conhecimento sobre as dimensões dos fatores de risco e de proteção no comportamento antissocial do sexo feminino. Partindo deste ponto de vista, o estudo do comportamento antissocial nas raparigas adolescentes da comunidade e as suas causas manifesta-se como um tema relevante para a continuidade dos estudos. Em Portugal, o número de estudos direcionado aos fatores protetores e de risco é reduzido, daí a importância deste estudo, no sentido de aprofundar o conhecimento nas duas áreas centrais da vida destes indivíduos, como é o caso do ambiente escolar e familiar. Desta forma, a exploração do conhecimento das causas do comportamento antissocial irá permitir um trabalho preventivo adequado, assim como uma intervenção que considere as necessidades específicas das raparigas. O estudo tem como objetivo geral analisar os fatores de risco escolar e fatores de proteção familiar associados ao comportamento antissocial em raparigas adolescentes na comunidade. Foram, ainda, elaborados objetivos específicos para o estudo, como: 1) Descrever os comportamentos antissociais em raparigas adolescentes na comunidade; 2) Analisar os fatores de risco escolar que predizem o comportamento antissocial em raparigas adolescentes na comunidade; 3) Analisar o fator Fatores de Risco Escolar e Fatores de Proteção Familiar Associados ao Comportamento Antissocial em Raparigas Adolescentes na Comunidade 15 de proteção familiar como moderador da relação entre o fator de risco escolar e o comportamento antissocial em raparigas adolescentes na comunidade. Tendo por base a literatura existente sobre o tema, foram elaboradas as seguintes hipóteses de investigação: 1) Espera-se encontrar uma relação positiva entre os fatores de risco escolar e o comportamento antissocial em raparigas adolescentes na comunidade; 2) Espera-se que o fatores de proteção familiar moderem a relação entre os fatores de risco escolar e comportamento antissocial em raparigas adolescentes na comunidade. Metodologia O presente estudo, de metodologia quantitativa, encontra-se integrado no projeto de adaptação e validação do instrumento “ Communities That Care-Youth Survey (CTC-YS)” para a população portuguesa (Gomes et al., 2024). O estudo apresenta uma amostra de conveniência, com participantes com idades compreendidas entre os 10 e 21 anos. Os participantes foram selecionados em diferentes escolas do país. Participantes Da amostra inicial de 368 raparigas adolescentes, foram eliminadas 35 participantes para evitar erros de análise. Estes dados forma eliminados, uma vez que algumas participantes não concluíram os questionários na totalidade e revelaram não terem sido honestas no preenchimento do questionário. A amostra final do presente estudo é composta por 333 indivíduos do sexo feminino com idades compreendidas entre os 10 e 21 anos, com uma idade média de 14.95 anos (SD=2.54). O estudo é composto por raparigas adolescentes, de diferentes nacionalidades, sendo a nacionalidade portuguesa a mais prevalente (92.2%) entre as participantes. No que diz respeito à zona de habitação, a maioria vive no meio rural (70.3%) e o restante vive em contexto urbano (28.8%). As participantes encontram-se 138 (41.5%) no Ensino Básico (5º ano até ao 9ºano), e 195 (58.5%) frequenta o Ensino Secundário (10ºano até ao 12ºano). Fatores de Risco Escolar e Fatores de Proteção Familiar Associados ao Comportamento Antissocial em Raparigas Adolescentes na Comunidade 16 Tabela 1 Distribuição da amostra segundo a idade (N=333) Sexo Idade Feminino % 10 16 4.8 11 28 8.4 12 25 7.5 13 32 9.6 14 28 8.4 15 41 12.3 16 59 17.7 17 54 16.2 18 32 9.6 19 12 3.6 20 5 1.5 21 1 0.3 Total 333 100 Instrumento Para o presente estudo foi utilizada a versão portuguesa do questionário CTC-YS ( Communities That CareYouth Survey ), tendo sido traduzida e adaptada por Gomes et. al. (2024), para a população Fatores de Risco Escolar e Fatores de Proteção Familiar Associados ao Comportamento Antissocial em Raparigas Adolescentes na Comunidade 17 portuguesa. Caracteriza-se por um questionário de autorrelato, tendo como principal objetivo identificar fatores de risco e proteção que afetam os jovens nos seus diversos contextos, no sentido de desenvolver estratégias e programas mais eficazes para a prevenção e intervenção. Este é constituído por 139 itens, nos quais 6 correspondem a questões sociodemográficas, como a idade, sexo, nacionalidade, ano escolar e zona de habitação. As restantes questões correspondem aos fatores de risco e de proteção avaliados pelo instrumento, distribuídos por 4 domínios, sendo eles, Família, Escola, Pares-Individual e Comunidade. Para além dos domínios referidos anteriormente, o presente instrumento permite avaliar questões, como o consumo de substâncias, comportamento antissocial, entre outros (Arthur et al., 2002). O atual estudo foca-se no domínio familiar, escolar e no comportamento antissocial. No atual estudo, o domínio escolar compreende dois fatores de risco com 7 itens no total, nomeadamente, o Insucesso escolar (2 itens em escala do tipo Likert de 4 pontos; alfa de Cronbach α= .61) (e.g. “As tuas notas escolares são melhores do que as da maioria dos teus colegas de turma?”) e Baixo Compromisso com a Escola (5 itens em escala do tipo Likert de 4 pontos; α= .59) (e.g. “Achas que os trabalhos da escola são importantes?”). Na proteção do domínio familiar, a variável apresenta 11 itens no conjunto de 3 fatores, sendo estes a Vinculação (4 itens em escala do tipo Likert de 4 pontos; α = .70)(e.g. ”Sentes-te muito próximo da tua mãe?”), Oportunidades para o Envolvimento Pró-social (3 itens em escala do tipo Likert de 4 pontos; α = .72) (e.g. “Os meus pais pedem a minha opinião antes de tomarem a maioria das decisões familiares sobre mim”) e Recompensas pelo Envolvimento Pró-social (4 itens em escala do tipo Likert de 4 pontos; α = .10) (e.g. “Os meus pais percebem quando estou a fazer um bom trabalho e dizemme isso”). Para o risco escolar e para a proteção familiar foram elaborados os pontos de corte como referido por Arthur et al. (2007). Para os fatores risco, o ponto de corte é calculado através da subtração da mediana com a multiplicação de .15 com o desvio absoluto da média (MAD). Já na proteção, utilizou-se a soma da mediana com a multiplicação de .15 com o desvio absoluto da média (MAD) (Arthur et. al., 2007). De seguida, os fatores foram dicotomizados com 0= (“ausência de risco/proteção) e 1 = (“presença de risco/proteção”), considerando os pontos de corte elaborados. Neste seguimento, para obter o índice geral de risco escolar realizou-se o somatório, verificando que 109 (32.7%) das participantes apresenta risco escolar. Para obter o índice geral da proteção familiar Fatores de Risco Escolar e Fatores de Proteção Familiar Associados ao Comportamento Antissocial em Raparigas Adolescentes na Comunidade 18 realizou-se igualmente o somatório, constatando-se que 171 (51.4%) das participantes apresenta proteção familiar. O comportamento antissocial é composto por 26 itens em escala de resposta de 8 pontos. Esta variável apresenta itens para diferentes tipos de comportamentos antissocial, como furto de veículos (e.g. “Nos últimos 12 meses, quantas vezes tu roubaste ou tentaste roubar um carro ou uma mota?”), agressão (e.g.” Nos últimos 12 meses, quantas vezes bateste em alguém com a intenção de o ferir gravemente?), consumos em contexto escolar (e.g.” Nos últimos 12 meses, quantas vezes tu estiveste bêbado (a) ou drogado (a) na escola?”), entre outros. As respostas aos itens do comportamento antissocial variam entre “nunca” e “mais de 40 vezes”. Os itens foram analisados na prevalência e frequência do comportamento antissocial, recorrendo à variável da prevalência para os testes realizados. Para a análise da prevalência, os itens foram dicotomizados variando entre 0 (= “ausência de comportamento antissocial ao longo da vida”) e 1 (= “presença de comportamento antissocial ao longo da vida”), constatando-se que 82 (24.6%) participantes relatam presença de comportamento antissocial ao longo da vida. Na frequência recodificámos entre 1 e 8, os itens da escala, e, posteriormente, foi feita soma destes itens. Na frequência do comportamento antissocial encontramos como mínimo o valor 5 e como máximo 34 (M=13.62, SD=2.01). Procedimento Este estudo reuniu a autorização da Comissão de Ética da Universidade do Minho para a tradução e adaptação para o contexto português do instrumento. Posteriormente, foi feito um pedido de autorização à Direção Geral da Educação (DGE) e à direção das escolas que dariam lugar à recolha de dados. A recolha dos dados terminou em 2022. A participação no estudo foi de carácter voluntário, sendo garantida a possibilidade de abandonarem, assim que pretendido. Uma vez que os participantes, na sua grande maioria, eram menores de idade, foi feito um pedido de autorização para a participação aos responsáveis legais, constando a informação do estudo, os seus objetivos e garantindo os princípios de confidencialidade e anonimato. A recolha ocorreu em salas de aulas, com a presença do investigador, tendo o preenchimento dos questionários a duração de cerca de 50 minutos. Fatores de Risco Escolar e Fatores de Proteção Familiar Associados ao Comportamento Antissocial em Raparigas Adolescentes na Comunidade 19 O tamanho da amostra foi analisado recorrendo ao software Gpower 3.1.9.4 (effect size f2: .15; probabilidade erro α: .05 – poder estatístico: .95; número de preditores: 2). O tamanho da amostra adequada de efeito moderado deve ser composta por, pelo menos, 111 participantes. Estratégia e análise de dados Para a análise dos dados recorreu-se ao software estatístico SPSS ( Statistical Package for the Social Science ), versão 28.0 (IMB SPSS, 2019). Inicialmente, foram elaboradas análises descritivas da amostra e do comportamento antissocial das raparigas adolescentes. Posteriormente, foram analisadas as propriedades psicométricas do instrumento (Field, 2013). No sentido de testar a correlação dos fatores de proteção familiar e fatores de risco escolar, com o comportamento antissocial recorreu-se aos coeficientes de correlação de Pearson . Seguidamente, foi analisada a normalidade da amostra, indicando a não normalidade dos dados, não cumprindo os requisitos para a utilização de testes paramétricos. Contudo, os testes não paramétricos são geralmente considerados menos robustos nas análises, uma vez que não têm por base suposições restritivas, como é o caso dos testes paramétricos. Após a análise das correlações Pearson e Spearman da amostra, verificou-se a mesma significância dos dados. Ainda, foram analisados os valores de assimetria e curtose, optando-se pela utilização de testes paramétricos, uma vez que não viola grosseiramente a viabilidade dos resultados (Field, 2018). Para o teste da primeira hipótese utilizou-se a regressão linear, no sentido compreender o carácter preditor do risco escolar no comportamento antissocial. De forma a analisar a moderação dos fatores de proteção familiar foi utlizada a extensão PROCESS , recorrendo ao modelo de moderação simples (Hayes, 2013). Resultados Descrição amostral Da amostra total feminina de 333 participantes, 82 raparigas (24.6%) reportaram comportamento antissocial, pelo menos, uma vez ao longo da vida. Contudo, apenas 25 raparigas (7.5%) apresentam mais do que um comportamento antissocial ao longo da vida. O comportamento antissocial das participantes apresenta diferentes contornos. Das 82 participantes que reportam comportamento antissocial, destaca-se que 7 (2.1%) participantes já esteve Fatores de Risco Escolar e Fatores de Proteção Familiar Associados ao Comportamento Antissocial em Raparigas Adolescentes na Comunidade 20 detida ou presa, 21 (6.3%) participantes já agrediu alguém com intenção de ferir gravemente, 21 (6.3%) participantes refere já ter estado sobre o efeito de álcool e/ou drogas no contexto escolar, 11 (3.3%) participantes afirma já ter roubado algo que valia mais de 5 euros, 26 (7.8%) participantes reporta ter danificado ou destruído bens que não lhe pertencem, e ainda 20 (6%) participantes referem furto em lojas. Tabela 2 Frequência do comportamento antissocial (N=333) Comportamento antissocial ao longo da vida Total n % “…foste suspenso da escola?” 6 1.8 “…andaste com uma faca/navalha?” 7 2.1 “…andaste com uma pistola?” 0 0 “…vendeste drogas ilegais?” 3 0.9 “…roubaste ou tentaste roubar um carro ou uma mota?” 2 0.6 “…foste detido (a) ou preso (a)?” 7 2.1 “…bateste em alguém com a intenção de o ferir gravemente?” 21 6.3 “…estiveste bêbado (a) ou drogado (a) na escola?” 21 6.3 “… levaste uma faca/navalha para a escola?” 7 2.1 “…levaste uma pistola para a escola?” 0 0 Fatores de Risco Escolar e Fatores de Proteção Familiar Associados ao Comportamento Antissocial em Raparigas Adolescentes na Comunidade 21 “…roubaste algo que valia mais do 5€?” 11 3.3 “… danificaste ou destruíste de propósito coisas que não te pertenciam (sem contar com coisas de família)?” 26 7.8 “…roubaste alguma coisa de uma loja?” 20 6 Risco Escolar e Proteção Familiar O Risco Escolar (M = 0.80, DP = 0.65), varia entre 0 e 2 e Fator Proteção Familiar (M = 1.59, DP = 1.24) entre 0 e 3. No Risco Escolar verificou-se uma maior prevalência no fator Insucesso escolar , reportado por 168 (45.7%) participantes. O fator Baixo compromisso com a escola está presente em 121 (32.9%) participantes (Tabela 3). Quando analisada a Proteção familiar, constatou-se que o fator Vinculação é reportado por 179 (53.8%) participantes e o fator oportunidades para o envolvimento pro-social por 181 (54.4%) participantes. O fator recompensas pelo envolvimento prosocial é apresentado em 171 (51.4%) participantes. Analisada a correlação de Pearson entre o Risco Escolar e a Proteção Familiar foi possível averiguar uma correlação negativa entre os dois fatores ( r = -.26 p < .001), concluindo que, à medida que o risco aumenta, a proteção diminui, e vice-versa. Tabela 3 Prevalência dos fatores de risco escolar na amostra total (N=333) Fatores de Risco Comunitário n % Insucesso escolar 168 45.7 Baixo compromisso com a escola 121 32.9 Fatores de Risco Escolar e Fatores de Proteção Familiar Associados ao Comportamento Antissocial em Raparigas Adolescentes na Comunidade 22 Tabela 4 Prevalência dos fatores de proteção familiar na amostra total (N=333) Fatores de Proteção Familiar n % Vinculação 179 53.8 Oportunidades para o envolvimento pro-social 181 54.4 Recompensas pelo envolvimento pro-social 171 51.4 Risco Escolar e Comportamento Antissocial No sentido de testar a primeira hipótese do estudo, recorreu-se a uma análise de regressão linear, de forma compreender o risco escolar como preditor do comportamento antissocial em uma amostra comunitária de raparigas adolescentes. O modelo revelou que o risco escolar é um preditor estatisticamente significativo do comportamento antissocial (B = 0.28, SE = 0.07, t = 4.16, p <.001, R2 = .05), explicando 5% da variância. Estes resultados indicam que, com o aumento do risco escolar, o comportamento antissocial também aumenta. Além disso, o coeficiente padronizado (𝛽=0.223) sugere que, para cada aumento de um desvio-padrão no risco escolar, há um aumento correspondente de 22.3% do desvio-padrão no comportamento antissocial, (IC 95% [0.15,0.41]). Moderação De forma a testar a última hipótese do estudo e compreender o efeito moderador da proteção familiar na interação do risco escolar com o comportamento antissocial, recorreu-se ao PROCESS para analisar a moderação. Como analisado, constatou-se que o risco escolar apresenta uma relação positiva (B = 0.20, SE = 0.07, t = 2.96, p =.003, IC 95% = [0.068; 0.339]), sugerindo um aumento no comportamento antissocial na presença destes fatores. Na análise da proteção familiar constatou-se uma relação negativa (B = -0.11, SE = 0.04, t = -2.85, p = .005, IC 95% = [-0.189; -0.035]), indicando que, quando estes fatores aumentam potenciam a redução do comportamento antissocial (Tabela 5). Fatores de Risco Escolar e Fatores de Proteção Familiar Associados ao Comportamento Antissocial em Raparigas Adolescentes na Comunidade 29 Referências Adler, F. (1975). Sisters in crime: The rise of the new female criminal. McGraw-Hill. Arthur, M. W., Hawkins, J. D., Pollard, J. A., Catalano, R. F., & Baglioni, A. J. (2002). Measuring risk and protective factors for use, delinquency, and other adolescent problem behaviors: The Communities That Care Youth Survey. Evaluation review , 26(6),575-601. https://doi.org/10.1177/019384102237850 Arthur, M. W., Briney, J. S., Hawkins, J. D., Abbott, R. D., Brooke-Weiss, B.L., & Catalano, R. F. (2007). Measuring risk and protection in communities using the Communities That Care Youth Survey. 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Retirado de: https://docplayer.net/64108009-2014youth-survey-scale-dictionary.html Fatores de Risco Escolar e Fatores de Proteção Familiar Associados ao Comportamento Antissocial em Raparigas Adolescentes na Comunidade 33 Anexo A: Parecer da Comissão de Ética para a Investigação em Ciências Sociais e Humanas