scieee AI-readable full text Open interactive document viewer

Em que tom de ‘verde’ se encontra a indústria têxtil? Estudos de caso das marcas H&M e ZARA

Orvalho, Maria Tabau

Abstract

A indústria têxtil desempenha um papel fundamental no mundo e na economia global. Deste modo, a sua importância também está intrinsecamente interligada com os desafios relacionados com a sustentabilidade, uma temática bastante complexa. Neste contexto, a sustentabilidade na indústria têxtil abrange uma necessidade de compreensão das diferentes dimensões que a definem: ambiental, social, económica e cultural. Este setor apresenta limites e dificuldades na implementação de práticas sustentáveis ao longo de toda a cadeia de valor. Nomeadamente, a indústria têxtil tem vindo a alinhar-se com os objetivos para o desenvolvimento sustentável - Agenda 2030 das Nações Unidas. A avaliação dos níveis de sustentabilidade têxtil é possibilita uma melhor compreensão dos esforços necessários às organizações. De igual modo, importa analisar o comportamento do consumidor, pois é imperativa a sua consciencialização perante as exigências da mudança de paradigma. Como forma de analisar a coerência entre a comunicação das marcas sobre a sustentabilidade e as suas atuações no mercado, foram realizados dois estudos de casoque revelam as suas boas práticas mas, também, aspectos ainda não totalmente coerentes fase às declarações das marcas sobre as suas estratégias de adequação aos princípios da economia circular.

Full text

Universidade do Minho Escola de Engenharia Maria Tabau Orvalho Em que tom de ‘verde’ se encontra a indústria têxtil? Estudos de caso das MarcasH&MeZARA dezembro 2023 UMinho | 2023 Maria Tabau Orvalho Em que tom de ‘verde’ se encontra a indústria têxtil? Estudos de caso das MarcasH&MeZARA Maria Tabau Orvalho Em que tom de ‘verde’ se encontra a indústria têxtil? Estudos de caso das MarcasH&MeZARA Dissertação de Mestrado Mestrado em Design de Comunicação de Moda Trabalho efetuado sob a orientação da Professora Doutora Maria da Graça Guedes Universidade do Minho Escola de Engenharia dezembro 2023 i DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho Atribuição-NãoComercial-SemDerivações CC BY-NC-ND https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/ __________________________ Maria Tabau Orvalho Universidade do Minho, dezembro 2023 II ii DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho. Maria Tabau – PG46500 III iii Agradecimentos Agradeço à minha orientadora, Professora Doutora Maria da Graça Guedes, que se comprometeu de coração, com uma disponibilidade enorme, desde o primeiro momento para a orientação deste trabalho. Muito obrigada pela contínua presença e amizade que se desenvolveu ao longo deste período. Eternamente grata pelo carinho. Agradeço a toda a minha família e amigos, que não desistiram de mim, que acreditaram quando eu não acreditava e me deram as forças certas para chegar ao fim desta etapa. Agradeço em especial à minha irmã Inês, que me deu uma mão cheia de amor e ternura. Um exemplo que me faz querer ser sempre mais e melhor. Agradeço aos meus quatro colegas e amigos de coração Andreia Costa, João Silva, Maria Peixoto e Matilde Lopes, por serem abraço-casa ao longo deste Mestrado, principalmente nesta última fase. IV iv Resumo A indústria têxtil desempenha um papel fundamental no mundo e na economia global. Deste modo, a sua importância também está intrinsecamente interligada com os desafios relacionados com a sustentabilidade, uma temática bastante complexa. Neste contexto, a sustentabilidade na indústria têxtil abrange uma necessidade de compreensão das diferentes dimensões que a definem: ambiental, social, económica e cultural. Este setor apresenta limites e dificuldades na implementação de práticas sustentáveis ao longo de toda a cadeia de valor. Nomeadamente, a indústria têxtil tem vindo a alinhar-se com os objetivos para o desenvolvimento sustentável - Agenda 2030 das Nações Unidas. A avaliação dos níveis de sustentabilidade têxtil é possibilita uma melhor compreensão dos esforços necessários às organizações. De igual modo, importa analisar o comportamento do consumidor, pois é imperativa a sua consciencialização perante as exigências da mudança de paradigma. Como forma de analisar a coerência entre a comunicação das marcas sobre a sustentabilidade e as suas atuações no mercado, foram realizados dois estudos de casoque revelam as suas boas práticas mas, também, aspectos ainda não totalmente coerentes fase às declarações das marcas sobre as suas estratégias de adequação aos princípios da economia circular. Palavras-chave: Indústria Têxtil; Sustentabilidade; Agenda 2030; Limites à Sustentabilidade; Economia Circular; Comunicação de marca. V v Abstract The textile industry plays a fundamental role in the world and the global economy. In this way, its importance is also intrinsically interconnected with the challenges related to sustainability, a very complex topic. In this context, sustainability in the textile industry encompasses a need to understand the different dimensions that define it: environmental, social, economic and cultural. This sector presents limits and difficulties in implementing sustainable practices throughout the value chain. In particular, the textile industry has been aligning itself with the objectives for sustainable development - United Nations 2030 Agenda. The assessment of textile sustainability levels allows for a better understanding of the efforts required by organizations. Likewise, it is essential to analyse the consumers' behaviour, as it is imperative to raise awareness of the demands of the paradigm shift. As a way of analysing the coherence between the brands' communication on sustainability and their actions in the market, two case studies were carried out, in the case studies carried out, which revealed both their good practices but also aspects and inconsistencies not yet fully coherent phase with the brands' statements about their strategies to adapt to the principles of the circular economy. Keywords: Textile industry; sustainability; Agenda 2030; limits to sustainability; circular economy; brand communication. VI vi Índice Resumo ......................................................................................................................................... V Abstract ........................................................................................................................................ VI CAPÍTULO I ................................................................................................................................... 1 1. Introdução ................................................................................................................................ 1 1.1 Enquadramento da temática em análise ....................................................................................... 1 1.2 Objetivos da investigação/questão de investigação ........................................................................ 4 1.3 Metodologia e estrutura da dissertação ......................................................................................... 4 CAPÍTULO II .................................................................................................................................. 5 2. A Sustentabilidade no Setor Têxtil Moda ............................................................................... 5 2.1 Conceitos e Definições de Sustentabilidade Aplicadas ao Setor Têxtil e Moda ................ 5 2.1.1 Sustentabilidade Ambiental....................................................................................... 5 2.1.3 Sustentabilidade económica ..................................................................................... 9 2.1.4 Enquadramento Cultural ........................................................................................ 12 2.2 Limites Atuais da Sustentabilidade no Setor Têxtil ........................................................... 13 2.2.1 Limites Atuais da Reciclagem...................................................................................................13 2.2.2 Limites no Domínio dos Materiais ............................................................................................22 2.2.3 Limites Tecnológicos na Produção ...........................................................................................24 2.2.4 Limites na Distribuição ............................................................................................................27 2.2.5 Limites no Uso e Tratamento ...................................................................................................27 2.2.6 Limites dos Modelos de Negócios Circulares ............................................................................28 2.3 Modelos de Avaliação dos Níveis de Sustentabilidade das Marcas de Moda ................. 41 2.4 O Consumo Consciente ....................................................................................................... 46 2.4.1 O Papel das Necessidades e Desejos do Consumidor na Procura de Moda Sustentável ............46 CAPÍTULO III ............................................................................................................................... 50 3. ESTUDOS DE CASO EXPLORATORIOS DE MARCAS GLOBAIS ............................................. 50 3.1. A Seleção dos Casos para Estudo ..............................................................................................50 3.2 H&M ..........................................................................................................................................51 3.2.1 Zara ........................................................................................................................................57 CAPÍTULO IV ............................................................................................................................... 68 4. Conclusão e Investigação Futura .......................................................................................... 68 Bibliografia ................................................................................................................................. 71 6 ser humano como é o caso do poliéster que é um material proveniente do petróleo, não biodegradável, e que, por cada lavagem, emite 700 000 fibras de microplásticos para o oceano (Sajn, 2019). Um exemplo de uso excessivo e contaminação de águas é a produção da matéria-prima algodão, tendo em conta o uso que requer de pesticidas e químicos prejudiciais à saúde e ao meio ambiente, e que não só afetam as águas superficiais e subterrâneas, como o solo e o ar (OEcoTextiles, 2005). O algodão é produzido em grande escala o que implica o uso de uma grande quantidade de terra fértil o que causa esgotamento de solos e perda de biodiversidade. Também relacionada com a produção do algodão, ocorre a poluição do ar gerada pelos fertilizantes e pesticidas (Slater, 2003). A nível global, o setor em questão é responsável por 10% das emissões de gases com efeito de estufa. Estima-se que a produção têxtil emite 1.2 mil milhões de toneladas de gases com efeito de estufa todos os anos (Beall, 2020). O poliéster é a fibra mais procurada e, em 2019, representou 52,2% da produção global de fibras. Em 2015, estimou-se que a produção de poliéster para têxteis libertou mais de 706 mil milhões de kg de gases com efeito de estufa (Create Fashion Brand, 2022). Entende-se por resíduos têxteis quaisquer materiais que sobrem ou sejam descartados durante a produção têxtil ou no final da vida útil dos produtos (Chioma, 2023). Cerca de 87% dos têxteis, a nível global, são descartados em aterros ou incinerados (Tonti, 2023). A acumulação de resíduos têxteis em aterros é difícil de gerir, principalmente quando ocorre um contínuo crescimento. O aumento dos aterros resulta em queimadas e incêndios, conduzindo à poluição da água, do ar e do solo (Chioma, 2023). Um recente estudo realizado pela Pulse of The Fashion Industy expõe que a maioria das matériasprimas e dos produtos finais são importados e que esta etapa da cadeia se traduz em 2% dos impactos ambientais, provenientes do transporte e da distribuição. Caracteriza-se, também, pelos resíduos gerados através de embalagens, etiquetas, cabides e sacos, bem como por uma elevada quantidade de produtos que não são vendidos e acabam como desperdício têxtil (Šajn, 2019). 7 2.1.2 Sustentabilidade Social A responsabilidade social é uma das múltiplas categorias representativas do ideal de sustentabilidade. Segundo as Nações unidas, sustentabilidade social consiste em identificar e gerir os impactos empresariais, tanto positivos como negativos, nas pessoas. De uma forma direta, ou indireta, as empresas que integram a indústria têxtil produzem impactos na vida dos seus funcionários, dos trabalhadores da cadeia de valor, dos clientes e das comunidades locais, e é fulcral concretizar a gestão destes impactos de forma proativa. Os problemas sociais, interligados com a indústria têxtil, envolvem as temáticas dos direitos humanos, direitos do trabalho e igualdade de género. A análise do trabalho centrado na sustentabilidade social considera questões sobre o trabalho propriamente dito, o empoderamento das mulheres e a igualdade de género, a proteção das crianças, o respeito pelas populações, pelas pessoas com limitações e, além disso, permite a abordagem sobre os impactos das empresas sobre na pobreza (UN Global Compact). A redução dos custos de produção conduziu à democratização do consumo de vestuário atual e trendy e as consequências ao nível da injustiça social e ambiental são inegáveis, principalmente nos países de baixos custos de produção (Bick, 2018). O conceito da teoria CSR (Corporate Social Responsibility) surge nos finais de 1950, início da década de 60 com Howard Bowen. Em 1953, Howard define a CSR como sendo uma obrigação dos empresários em perseguir estas políticas sustentáveis, de tomar decisões conscientes, ou de seguir as linhas de ação que são desejáveis em termos de objetivos e valores na sociedade ocidental. No livro Social Responsibilities of the Businessman , Bowen identifica o grande poder das empresas e a dimensão do seu impacto na sociedade e ambiente. Este modelo de negócio divide-se em quatro categorias: impactos ambientais, responsabilidade ética, empreendimentos filantrópicos e responsabilidade financeira (Fernando, 2023). A CSR ajudou na prática da visão sustentável em que se exige, por exemplo, investimentos em energias verdes, controlo das cadeias de valor e abolição de trabalho antiético. Os benefícios não são visíveis apenas no ambiente e as próprias empresas começam a ver como optar por estratégias sustentáveis se tornou uma oportunidade de negócio e de diferenciação, conduzindo a uma maior reputação e credibilidade da marca (Schoff, 2023). À medida que a tecnologia evolui permite maior transparência e escrutínio corporativo, e o estímulo para ser socialmente responsável permite manter o desenvolvimento organizacional. 8 Fonte: https://www.thegivingmachine.co.uk/blog/posts/corporate-social-responsibility-a-simple-guide/ Acesso em 29 de outubro, 2023 Figura 1 – Corporate Social Responsibility Colocando a questão da sustentabilidade social como prioridade de discussão, o conceito Triple Bottom Line (TBL), surge em 1994 com a obra de John Elkington, que pretendeu provocar a alteração de mentalidades perante o capitalismo, o futuro e a interligação das empresas com as questões sociais e ambientais, para além das económicas. A base do seu conceito consistiu em demonstrar que o lucro não se sobrepõe aos meios nem às consequências – ignorar as pessoas e o meio ambiente, não é solução positiva a longo prazo. Ou seja, tem de existir um compromisso, por parte das organizações, em avaliar não só a parte financeira, como também as dimensões social e ambiental. A TBL é, também, referida por 3P’s: people , planet , prosperity , entre si interligadas (Extended Campus, 2022). Estas componentes da sustentabilidade servem para melhor definir e prevenir os impactos negativos de uma organização, forçando-a a assumir total responsabilidade pelas suas práticas (Miller, 2020). Deste modo, as empresas iniciam mudanças de comportamento tais como inserir estratégias sustentáveis e socialmente responsáveis nos seus modelos de negócios. 9 Fonte: https://impact-nv.org/the-triple-bottom-line Acesso em 29 de outubro, 2023 Figura 2 – Tripple Bottom Line Provenientes de um ideal linear ( take-make-waste) de produção e consumo extrarrápidos, os impactos ambientais e sociais da indústria têxtil são, na sua maioria, negativos. Ao visionar sustentabilidade neste setor, surge a implicação de maior transparência ao longo da cadeia de valor. Transparência é a capacidade de tornar disponível, a todos os atores da cadeia de valor, informações relativas aos produtos, desde químicos, materiais utilizados e práticas de produção, o que permitirá um entendimento comum, acessibilidade, comparabilidade e clareza (Ellen MacArthur Foundation, 2020). De acordo com a iniciativa Fashion for Good, é essencial melhorar a transparência dos fornecedores e a rastreabilidade dos materiais de origem, reforçando que apenas assim será possível uma tomada de decisão mais sustentável. Esta organização defende, ainda, que aquelas práticas constituem um fator facilitador para a redução dos impactos ambientais e sociais negativos da cadeia de valor têxtil e moda. 2.1.3 Sustentabilidade económica O modelo linear que inspira o consumismo não é sustentável, afirma Patrik Lundström, CEO da empresa Renewcell. Mesmo atualmente, apesar as exigências de adoção do paradigma da sustentabilidade, o modelo linear ‘t ake , make , waste ’ ainda se perpetua. O modelo de negócios linear foca-se num crescimento rápido, causador de sobreprodução, consumismo excessivo, desperdício imenso e inúmeras consequências ambientais e sociais (Vieira, 2015). Um sistema linear permite que fiquem por explorar inúmeras oportunidades económicas, gera poluição, pressiona os recursos do planeta e sobrecarrega a economia das sociedades (Chen, 2021). A 10 transição para uma economia circular, no âmbito da sustentabilidade, é desafiante, mas imperativa (Gardetti, 2019). A diminuição da qualidade dos produtos e o aumento de volume de produção levaram a um desequilíbrio financeiro para que urge encontrar soluções (Han, 2015). A economia circular é a implementação de ideais que desassociem crescimento económico de extração e consumo de recursos limitados, recursos de pegada ecológica negativa (combustíveis fosseis, metais e minerais de difícil reciclagem). A indústria têxtil tem de visionar o conceito ‘circular’ como tendência e, economia circular como limpa, justa e boa (Ellen Macarthur Foundation, 2017). ‘Circular’ propõe manter, valorizar recursos e transformar resíduos em riqueza, evitando ao máximo o desperdício (Meadows, 1972). Concluímos que, economia circular surge como um conceito de influência aplicado às indústrias, com o intuito de maximizar recursos e diminuir o desperdício (Geissdoerfer, 2017). Fonte: https://www.europarl.europa.eu/news/en/headlines/economy/20151201STO05603/circular-economy-definitionimportance-and-benefits Acesso em 29 de outubro, 2023 Figura 3 - Esquema do modelo da Economia Circular McDonough e Braungart na sua obra mundialmente reconhecida Cradle-to-cradle (2002), defendem a circulação segura de materiais, quimicamente inofensivos e recicláveis num sistema fechado que denominam closed-loop . Esta teoria pretendia contribuir para a alteração fundamental do pensamento social e dar início a comportamentos individuais e coletivos orientados para a importância de transformar e não desperdiçar. Para tal torna-se premente investir em inovação e 11 tecnologia. Os conceitos que suportam a visão Cradle-to-cradle estão na base do modelo da economia circular que segue as três abordagens principais - reduzir, reutilizar e reciclar - centrais nas estratégias de gestão de resíduos. O modelo da economia circular é impulsionado pela restrição no uso de recursos, o desenvolvimento tecnológico e as oportunidades socioeconómicas (Meadows, 1972). Recentemente a Agenda 2030 promoveu o crescimento económico sustentado, inclusivo e sustentável, o emprego pleno e produtivo e o trabalho digno para todos. Dados partilhados recentemente pela organização Clean Clothes Campaign , expõe a atual problemática, presente nas fábricas têxteis de Bangladesh. O principal tema abordado entra em confronto tanto com a sustentabilidade económica como com a sustentabilidade social – a questão salarial. Os dados apresentam que 100% dos entrevistados dizem que o seu salário é tão baixo que é impossível alimentarem-se ou às suas famílias, de forma nutritiva, durante um mês. Muitos comprometem a nutrição para conseguir pagar as contas e 82% são forçados a pedir empréstimos regularmente, para sobreviver, verificando-se que 69% enfrentam situação de dívida perpétua, Cerca de um quarto do inquiridos declararam terem sido forçados a iniciar a sua vida laboral nesta indústria quando ainda eram crianças (é predominante que o custo de vida e o salário baixo forcem ao trabalho infantil em fábricas têxteis). Este tipo de situação não se verifica apenas naquele país, antes é recorrente nos Estados de custo de produção mais baixos em geral. Sempre que na cadeia de valor têxtil, vestuário moda este tipo de condições de trabalho se verifica, não é apenas a sustentabilidade das marcas que fica em causa, é toda a credibilidade do setor. Na perspetiva do mercado global, os consumidores não questionam se as empresas têxteis e vestuário cumprem com as leis laborais do território em que operam e que são idênticas para todos os setores. Sabem, com toda a certeza, que as marcas aproveitam os baixos preços praticados por esses fornecedores precisamente devido ao esmagamento dos custos de produção, sobretudos do custo e despesas com os trabalhadores. Para um consumidor consciente, o facto dessas condições serem legais não altera a situação de base que é o baixo preço ser obtido com base na manutenção de pobreza de milhões de trabalhadores. 12 2.1.4 Enquadramento Cultural Definir cultura é um desafio, tendo em conta a alta complexidade do conceito. Em 1871 Edward Tylor definiu cultura como um todo complexo que inclui conhecimento, crenças, artes, moral, leis, costumes e quaisquer outras capacidades e hábitos adquiridos por um ser humano como membro de uma dada sociedade (Sabatini, 2019). Existem duas definições de cultura que se interligam e destacam: a) formação e passagem social de identidades, significados, conhecimentos, crenças, valores, aspirações, memórias, propósitos, atitudes e compreensão e b) o ‘modo de vida’ de um conjunto de pessoas/sociedade, que envolve costumes, crenças e convenções, códigos de boas maneiras, vestuário, culinária, linguagem, artes, ciência, tecnologia, religião e rituais; normas e regulamentos de comportamento, tradições e instituições. A cultura compreende os aspetos das relações humanas, os valores, os meios, a família, a educação, os sistemas jurídicos, políticos e de transporte, os meios de comunicação de massa, as práticas de trabalho, os programas de bemestar, as atividades de lazer, a religião, enfim, todo o ambiente construído por uma sociedade (Hawkes, 2001). Nas últimas décadas, a cultura foi alcançando o lugar de quarto pilar da sustentabilidade pelo seu contributo a nível do desenvolvimento internacional, pelo impacto nas comunidades e indivíduos e progresso em aspetos sociais e económicos. Este conceito é percecionado como uma ‘cola’ que conecta a humanidade, pelas tradições, práticas, valores geracionais, pela criatividade e inovação. Somente aceitando que a cultura é a manifestação do que é ser humano se poderá perceber que a perspetiva cultural é primordial na base de qualquer planeamento público. Revela-se fundamental atingir um compromisso entre valores e os interesses dos envolvidos (British Council, 2020). A UNESCO defende que o desenvolvimento sustentável é uma meta centralizada nas pessoas “salvaguardar o património cultural em todas as suas formas, tanto tangíveis como intangíveis; promover a diversidade de expressões culturais; garantir o acesso a espaços culturais, infraestruturas e instituições; e proteger os direitos de todos os povos de desfrutar e partilhar a sua cultura sem medo, as pessoas são justamente colocadas no centro das estratégias locais e nacionais para o desenvolvimento sustentável. 13 2.2 Limites Atuais da Sustentabilidade no Setor Têxtil 2.2.1 Limites Atuais da Reciclagem Ao longo das últimas décadas, o tema da sustentabilidade tem sido tópico de discussão nas empresas, governos e sociedade e conquistou um peso crescente na visão de desenvolvimento. O estudo Limits to Growth, publicado em 1972, tornou visível e percetível a urgência de se alterar comportamentos e a forma de operar dos vários setores da economia. A filosofia que se designou como cradle-to-cradle , é das mais valorizadas e desenvolveu-se da junção de conhecimentos e visões entre o químico Michael Braungart e o arquiteto visionário William McDonough, em 2002. Esta filosofia é uma explicação de como um produto/material se pode reintegrar na cadeia de valor, com a mesma finalidade ou uma finalidade diferente da inicial. Centraliza o ideal do desperdício zero (Ellen MacArthur Foundation, 2017). Esta teoria considera dois sistemas, mais concretamente, dois ciclos: o biológico (bens de consumo) e o tecnológico (produtos de serviço). Estabelece a necessidade do investimento no upcyling para obtenção de maior valor através de um ciclo positivo, renunciando ao downcyling, ou seja, o sistema de reciclagem que transforma os produtos em algo diferente dos originais, mas com menor qualidade. Os autores deixam claro que se trata de fazer escolhas certas e conscientes desde a primeira etapa, a de design do produto. O desperdício é uma fonte de possibilidades, de reaproveitamento eficaz e eficiente. Não se resume a diminuir as influências negativas, antes tendo como objetivo uma pegada ecológica positiva. Braungart e McDonough (2002) idealizam o recurso sistemático a produtos quimicamente inofensivos e recicláveis, a desenvolver através de atividades de inovação, da criação de consciência ambiental quer por parte das empresas quer por parte dos consumidores, do investimento incondicional na qualidade e através de um design benéfico (EPEA). O mindset desta visão pressupõe que os nutrientes continuem a ser nutrientes, que o aproveitamento de energias renováveis se torne uma realidade e se amplie o apoio à diversidade de sistemas/ideias. Isto levou ao debate acerca da postura das empresas, cujos esforços atuais passam por being less bad , em vez de optarem por estratégias coerentes e conducentes à redução (até à eliminação) da pegada ambiental dos seus produtos e atividades. Teoricamente, a reciclagem é o processo de conversão em materiais de todos os tipos de desperdícios para a produção de novos produtos. A reciclagem têxtil é considerada uma solução na discussão sobre a sustentabilidade do setor. Este método envolve a reutilização e reintrodução 14 de roupas ou fibras materiais no processo. Perspetiva a eliminação do desperdício têxtil e a criação de circularidade. O processo pode ser efetuado por meio de múltiplos meios: mecânico, térmico, químico, downcycling, upcycling, circuito aberto e circuito fechado (Celep, 2022). O processo mecânico na reciclagem têxtil é fácil de executar, tem +baixo custo e permite a reciclagem de variedades diversificadas de resíduos têxteis. Geralmente, os resíduos são gerados na fase pósconsumo e o processo concretiza-se através da reciclagem mecânica. Relativamente à questão técnica, o processo requer uma triagem através da qual são eliminados componentes como metais e etiquetas. O tecido é decomposto em fibras por corte, trituração, cardagem e outros processos mecânicos (Coşkun, 2015). Após este tratamento, as fibras obtidas são reutilizadas na produção de fios ou tecidos não tecidos. As desvantagens destas fibras são a sua baixa qualidade e são mais curtas que as fibras originais. De modo a fortalecer e a aumentar a qualidade, são acrescentadas fibras virgens da matéria-prima. As fibras mecanicamente recicladas, devido à grande perda de qualidade, transformam-se em outros produtos como materiais para isolamento e enchimentos (Beall, 2020). Segundo o estudo realizado pela Ellen Macarthur Foundation, New Textiles Economy , menos de 1% do material usado na produção de peças de vestuário é reciclado e incorporado em novas peças. A reciclagem têxtil, embora pareça constituir um processo ideal para o reaproveitamento dos materiais dos produtos após o seu fim de vida, apresenta resultados reais que não correspondem à mudança necessária. A Reserve Resource é uma plataforma de software como serviço (SaaS) que combina resíduos têxteis com as melhores soluções de reciclagem possíveis. Visa a transparência e a construção de cadeias de valor orientadas por dados. Na plataforma afirma-se que, ‘’like an Uber of textile waste that allows the industry to plan and oversee the textile flows endto-end from the source of the waste to recycling and build the longest circular life cycles for the fibres.’’ É crucial do ponto de vista tecnológico abrangendo projetos como Circular Fashion Partnership, dirigido pela Global Fashion Agenda (Bangladesh), Sorting for Circularity dirigido pela Fashion For Good (India) e apoiado pela fundação Laudes, entre outros projetos que abrangem regiões desde o Vietname, ao norte de África, à Tunísia e Egipto. Nomeadamente, foi vencedora do prémio PDS Innovation em 2022. Apesar das suas conquistas, a Reserve Resource aponta limites na sua pesquisa. Reforça a ideia de que a qualidade dos produtos de moda e falta de informação acerca dos mesmos, limita a performance da tecnologia. Completa, ainda, que a ausência de informação relativa às fibras têxteis que circulam no mercado, os preços inflacionados 15 causados pelas práticas das cadeias de valor ineficientes constituem entraves no desenvolvimento do mercado. A empresa Renewcell, fundada em 2017 na Suécia, recolhe roupas usadas e resíduos da produção têxtil com alto teor celulósico, como algodão e viscose. Os tecidos são desabotoados, triturados, descompactados, descoloridos e transformados em pasta. Os contaminantes e outros conteúdos não celulósicos são separados, obtendo, por fim, a Circulose (material 100% reciclado, feito de algodão, roupas usadas e resíduos de produção). As folhas de Circulose são embaladas e reintroduzidas na cadeia de valor da produção têxtil como um substituto de igual qualidade, de base biológica, para materiais virgens como algodão, óleo e madeira. No corrente ano, na Copenhagen Fashion Week, trabalhou com marcas como GANNI, Jade Copper e P.L.N.. A tecnologia da Renewcell possui limitações, sendo-lhe possível reciclar apenas roupas compostas por algodão com o limite máximo de 5% de outras matérias-primas. O diretor estratégico da Renewcell, CavalliBjörkman, defende ainda que o poliéster se mantém como opção por ser barato, mas que o seu custo ambiental é elevado. Assume o compromisso de trabalhar para reverter esta prática, para que se possa obter materiais limpos e menos misturas em circularidade. Da sua perspetiva, o poliéster deveria estar presente em roupas de trabalho ou que requeiram propriedades específicas, nomeadamente que exijam durabilidade excecional. 22 2.2.2 Limites no Domínio dos Materiais A sustentabilidade de um produto está diretamente associada a cada momento do seu ciclo de vida e inicia-se na pré-produção. O design de um produto é a primeira etapa da cadeia de valor e é fundamental a procura por materiais sustentáveis, biodegradáveis, recicláveis e que não criem impactos negativos no planeta. É fundamental aliar desde o início uma estratégia sustentável ao processo de design (Vezzoli, 2008). As matérias-primas podem ser de caráter vegetal/animal ou manmade /sintéticos. Atualmente é um desafio conseguir distinguir e considerar um material sustentável, devido à complexidade dos processos de fornecimento de materiais e da produção têxtil. São várias as matérias-primas e fibras naturais que aparentam ser ‘orgânicas’, todavia, poderão estar contaminadas em consequência da extração de materiais e dos processos de produção, incluindo branqueamento, tingimento, estampagem e acabamento (Hur, 2019). A produção de matérias-primas é responsável por uma grande parte dos impactos ambientais da indústria têxtil (Sajn, 2019). Agregando os custos de produção à contínua exigência do mercado, a indústria têxtil tornou-se dependente dos materiais sintéticos. Estes materiais têm como base combustíveis fósseis, que são mais baratos, mais adaptáveis, bem como amplamente disponíveis comparativamente aos materiais de origem natural. Contudo, requerem muita energia na extração e processamento, libertando microplásticos e químicos significativamente prejudiciais ao planeta e à saúde do ser humano (Harvard Business Review, 2022). Incluídos na categoria de materiais sintéticos encontram-se o poliéster, o nylon, o elastano e o acrílico. O poliéster é o mais comum e é considerado forte e de grande durabilidade. Porém tanto o seu processo de produção como o seu uso e tratamento criam desequilíbrios no ecossistema e impactos negativos ambientais profundos. Em 2021, o algodão representou 22% da produção de fibras e é cultivado em 70 Estados. Mesmo sendo uma matéria-prima natural o algodão é das maiores ameaças à sustentabilidade e ao desenvolvimento sustentável pois provoca a degradação dos solos, a contaminação das águas subterrâneas e superficiais, produz emissões significativas de gases com efeito de estufa e afeta a muitos níveis as comunidades que se encontram mais próximas das áreas cultivadas (World Wild Life). A criação da organização Better Cotton Initiative promove melhores práticas de agricultura do algodão e tem como princípios minimizar o impacto negativo das práticas da produção de algodão, o uso responsável e cuidado da água, a preservação dos solos, a conservar da biodiversidade, cuidar e preservar a qualidade da fibra e promover o trabalho digno. Apesar este 23 esforço, torna-se essencial a procura de novas matérias-primas com uma pegada ambiental menos significativa. O algodão-orgânico é uma solução ao algodão tradicional pois uma menor intensidade de uso de pesticidas significa melhoria na qualidade de vida dos trabalhadores e das comunidades, a água e os solos são menos prejudicados devido à diminuição de uso produtos químicos e as roupas são mais seguras para a saúde. Não obstante, o ‘orgânico’ não é uma solução totalmente sustentável, visto que, produz menos fibras que o algodão, ou seja, são necessários mais campos de cultivo para a produção e importa não ignorar que a pegada ambiental não se restringe ao cultivo desta matéria-prima mas inclui as etapas de tingimento e outros processamentos, que requerem o uso intensivo de químicos (McFarlane, 2022). O relatório Pulse of the Fashion Industry de 2017, afirma que as fibras naturais têm o maior impacto ambiental. Como o algodão, a seda também é desfavorável ambientalmente, contribuindo para o esgotamento dos recursos naturais e intensificação do aquecimento global. A lã prejudica o ambiente aumentando o nível de emissões de gases com efeito de estufa (GEE). O linho e a urtiga começam a ser mais utilizados na indústria têxtil e são mais sustentáveis, sendo que requerem menos água mas implicam o uso de fertilizantes e pesticidas. O cânhamo parece surgir como a matéria-prima que efetivamente requer baixa intensidade de no uso de água, não requerendo pesticidas nem uso de adubos (Šajn, 2019). O uso do cânhamo industrial, contudo, esteve fortemente condicionado globalmente. A situação na China mudou em 2015 e nos EUA em 2019 (Hemp Bill). A Europa acompanhou este desenvolvimento, aumentando significativamente a produção de cânhamo entre 2015 e 2019, sendo a França o maior produtor europeu. Atualmente marcas como a Patagónia, a Lee e a Wrangler perfilam-se para absorver a produção de cânhamo dos EUA e aplicá-la nos seus produtos de vestuário procurando, assim, tornar-se realmente sustentáveis. Na Europa, contudo, verifica-se que o uso do cânhamo industrial é usado no setor têxtil em pequena percentagem (no caso da França, até ao presente apenas 1% do cânhamo é utilizado no setor), dada a amplitude das aplicações desta matéria-prima. Espera-se que esta situação se altere com a produção de fibras para a têxtil na China e nos EUA, bem como na Europa com a produções de Estados como a Roménia, por exemplo, que começam a aperceber-se do interesse do cânhamo enquanto matéria-prima sustentável. Uma limitação na questão do design sustentável e no domínio dos materiais, consiste na falta de informação. O número de marcas capazes de saber a origem dos materiais é muito reduzido. Com isto, é um desafio construir relações com os distribuidores em prol de uma diminuição da pegada ecológica (Harvard Business Review, 2022). O papel dos designers, neste momento é bastante 24 importante, bem como a interiorização da sustentabilidade na primeira instância e a escolha responsável por parte dos consumidores (Lilley, 2009). É imperativo questionar o ciclo de vida de um produto, quais os seus impactos e se, no seu final de vida, os materiais que o compõe poderão ser recuperados, reutilizados e reciclados (Beall, 2020). A importância em criar produtos não nocivos ao meio ambiente, nem às pessoas é crucial, bem como visionar, desde a escolha das matérias-primas, um ciclo sustentável e circular. 2.2.3 Limites Tecnológicos na Produção A sustentabilidade é o paradigma central deste início de século e constitui-se como central para a sobrevivência das sociedades humanas em geral e para o bem-estar das populações em particular. A indústria 4.0, como são genericamente dignados os novos processos de fabricos, revolucionaram já a forma como as empresas inovam, produzem e distribuem os seus produtos. O desenvolvimento e inovação tecnológicos são fundamentais para o aumento da eficiência, a redução da pegada ambiental da indústria têxtil, bem como para quer esta, no contexto das estratégias sustentáveis, desenvolva de maior qualidade e durabilidade (Todeschini, 2017). Esta indústria enfrenta uma série de desafios como a redução do consumo de recursos e energia, a poluição da água e do solo, as emissões de CO2, as más condições de trabalho que ainda subsistem em muitos Estados de baixos custos de produção, e o desperdício de resíduos têxteis ao longo da cadeia de valor e no fim de vida útil dos produtos (Yacout, 2016). Reconhecer e identificar os limites da sustentabilidade na indústria têxtil exige uma mudança fundamental na maneira como esta opera, incluindo a adoção de práticas mais sustentáveis ao longo da cadeia, e no investimento em pesquisa e inovação (Parlamento Europeu, 2022). O maior desafio para a transformação digital da indústria têxtil advém da maioria das fábricas e instalações estarem localizadas em países menos desenvolvidos, em que o acesso a boas infraestruturas e equipamentos mais avançados se torna menos fácil. Nestes contextos industriais, o acesso a data network é fraca (International Centre for Industrial Transformation, 2023), o que dificultada a rápida transformação dos sistemas produtivos. Não existe uma garantia de acesso a eletricidade fiável ou boa conexão à Internet. O investimento em soluções tecnológicas e sustentáveis requer capital elevado, o custo é muito elevado e a eficiência nas atividades produtivas não é evidente em pouco tempo. Um estudo realizado pelo Sustainable Fashion Forum (SFF) apresenta os valores de investimentos efetuados pelos grupos Inditex e H&M Foundation 25 (influência filantrópica do H&M Group). De acordo com esses dados, em 2020 o Grupo Inditex investiu 3,5 milhões de dólares num estudo para a reciclagem têxtil, que foi realizado pelo Instituto de Investigação do Massachusetts. Por seu turno, estabeleceu-se a colaboração entre a H&M Foundation e a HKRITA para a criação da máquina Loop, que representou um investimento de cento e setenta e dois milhões de dólares, de acordo com os dados do SFF. Acrescentando à exigência em capital, as mudanças de hábitos, práticas de produção, negócios de longa data, falta de pessoas especializadas na área, constituem outros tantos aspetos que dificultam ou retardam o sucesso da transformação do setor têxtil segundo os parâmetros d Indústria 4.0 (Ministry of Industry and Trade, 2022). A transição do físico para o digital procura a integração da tecnologia desde a fase de design de um produto. A tecnologia do gémeo digital, suportado por inteligência artificial (AI), a Internet of Things (IOT) e um número significativo de bases de dados, são recursos que permitem criar versões digitais de produtos físicos (Hinduja, 2020). As soluções tecnológicas tornam possível realizar simulações de um produto evitando a criação de protótipos físicos, o que reduz tempos e custos de produção e a criação de desperdícios têxteis. Os progressos dos sistemas em breve também permitirão que o consumidor tenha acesso visual ao produto na fase de criação e a liberdade de customizar peças antes de realizar uma compra (World Fashion Exchange, 2023). A tecnologia 3D responde à necessidade de eficiência para trabalhar estruturas, formas e protótipos criativos, com materiais distintos. Além disso, este software permite visualizar um produto sem realmente o produzir, evitando desperdício de tecido e produção de resíduos têxteis. Desta forma, é possível evitar a superprodução, aumentar a velocidade de vendas e minimizar os custos operacionais (StartUs Insights, 2023). A start-up holandesa New Industrial Order fabrica peças de vestuário de malha impressas em 3D para reduzir o desperdício e stocks não vendidos e centra-se nas necessidades do consumidor, oferecendo roupas de malha personalizadas e feitas à medida. Produz peças sem a necessidade de cortar ou costurar e esta técnica permite desmanchar as peças e reutilizar o fio em novos produtos de knitwear . A plataforma Knitcloud , desenvolvida pela New Industrial Order, oferece aos designers e marcas a possibilidade de encomendarem malhas impressas em 3D, produzindo as peças em sete dias, o que é uma solução produtiva sustentável de malhas e acessórios, que combina produção digital e automatização da cadeia no fornecimento de malhas 3D, e promove a economia circular na indústria têxtil. 26 A empresa portuguesa SmartexAI tem como missão reduzir o descarte e os resíduos da indústria têxtil. Fornece uma plataforma que auxilia a alcançar a total transparência da cadeia de valor, visando o aumento da sustentabilidade, a produtividade e a lucratividade. Atua por meio de uma inspeção automatizada, em tempo real, em máquinas de tear circulares. O sistema é suportado por câmaras de alta resolução, análise de luz e retrofit à medida. Com ajuda de inteligência artificial e machine learning systems , é possível aprimorar a qualidade e desenvolver um roll map automatizado. Incorporados na plataforma de software estão painéis de desenvolvimento, controlo remoto e business intelligence . A integração de ferramentas digitais, como Product Life Management (PLM) e Enterprise Resource Planning (ERP), facilitaram a comunicação e colaboração digital entre fornecedores, designers e compradores, reduzindo a necessidade de viagens e garantindo eficiência e menores prazos de entrega. A ferramenta de análise de dados possibilita decisões mais otimizadas no processo e informadas, como preferências dos compradores avaliação da eficiência da fábrica e monotorização do desemprenho da produção. As empresas estão a dinamizar plataformas digitais para simplificar a comunicação entre agentes pois os sistemas cloud permitem rastreamentos em tempo-real. Um bom nível de transparência diminui a possibilidade de erros e respostas mais rápidas. A simplificação destes processos através de bases de dados e melhor comunicação, aumentam a eficiência, reduzem os custos e permitem que se atinja maior satisfação por parte do consumidor (World Fashion Exchange) O blockchain é uma tecnologia que se está a desenvolver e a inserir na indústria têxtil. Constitui uma base de dados aberta, descentralizada, que permite o acompanhamento de transações digitais, com uma rede de dados e uma conexão ponto-a-ponto visível a todos os intervenientes da cadeia de valor têxtil (Pérez, 2020). Permite uma maior transparência e rastreabilidade de matérias-primas e produtos, principalmente quando designers e consumidores exigem respostas às questões de quem, onde, quando e como um produto foi fabricado (Pigni, 2007). Contudo, a tecnologia blockchain ainda é relativamente nova. Não existe um regulamento, padrão ou certificado que estruture o seu desenvolvimento. É uma tecnologia dispendiosa, daí inacessível a marcas mais pequenas (Rauturier, 2023). Esta tecnologia a longo-prazo poderá ser um problema à sustentabilidade, devido ao exorbitante consumo de energia e pegada ecológica proveniente da utilização de cripto moedas. 27 2.2.4 Limites na Distribuição Apesar de a maioria das matérias-primas e produtos finais ainda serem importados, o que significa longas rotas na cadeia de valor, esta fase é apenas responsável por 2% pegada ecológica da indústria têxtil (Pulse of Fashion Industry, 2017) e deve-se a uma otimização de fluxos por parte dos maiores intervenientes. Não obstante, é uma etapa caracterizada por originar uma elevada quantidade de resíduos: embalagens, etiquetas, cabides, sacos, produtos que não chegam a ser vendidos e, por isso, são descartados (Šajn, 2019). Tornar a distribuição ‘verde’ é um desafio, em consequência da elevada complexidade do sistema e rapidez de mudança de produtos em razão dos ciclos das estações, inicialmente e devido a que neste momento são cada vez mais curtos. 2.2.5 Limites no Uso e Tratamento A etapa de uso e tratamento é um ponto crítico da cadeia de valor têxtil que impacta os ecossistemas e a saúde do ser humano (Notten, 2020). As consequências ecológicas derivam de um excessivo consumo de água, energia e químicos utilizados nas lavagens, secagem e engomadoria, bem como o problema dos microplásticos libertados (Šajn, 2019). Todos os anos estima-se que meio milhão de toneladas de microplásticos são libertados para o oceano, derivados do tratamento de têxteis – o equivalente a 50 mil milhões de garrafas de plástico (Ellen MacArthur Foundation, 2017). Para além de um design mais consciente, duradouro e sustentável, principalmente na escolha de matérias-primas, o consumidor também pode ser agente de mudança e reduzir estes impactos, ao alterar comportamentos como lavar a roupa com menos frequência (e arejando-as), evitar lavar a roupa a temperaturas muito elevadas (lavagens com água fria, procurar sempre lavagens de máquina completa, evitar secar roupa na máquina e evitar engomar desnecessariamente (Beton, 2014). A inovação ‘Air Fiber Washer’ é o primeiro sistema de ar industrial, desenvolvido pela Inditex em conjunto com a especialista espanhola de acabamento em roupas sustentáveis, a empresa Jeanologia, para extrair microfibras dos têxteis durante a produção e, assim, reduzir a libertação de microplásticos durante as lavagens domésticas. Este sistema permite extrair até 60% de microplásticos durante o processo de produção. De acordo com a Inditex e a Jeanologia, cada máquina industrial Air Fiber Washer permitirá a recolha de até 325 quilos de microplásticos por 28 ano, com potencial reaproveitamento, dependendo do tipo de tecido e das condições da máquina (Preuss, 2023). A tecnologia ProSteam é uma inovação ‘verde’ apresentada pela marca AEG. Através de vapor elimina odores e refresca a roupa, consumindo apenas 2 litros de água por ciclo e proporcionando um cuidado mais suave dos tecidos – um programa de apenas 25 minutos possibilita a redução do consumo de água em 96%. 2.2.6 Limites dos Modelos de Negócios Circulares Modelos de negócios circulares contribuem para a preservação de produtos e matérias-primas, mantendo o seu valor máximo na economia, estendendo o seu uso, desvinculando, de forma eficaz, os fluxos de receita da produção e do consumo de recursos, através de quatro ações: repensar indicadores de desempenho, incluindo incentivos e experiências do cliente; alterar hábitos de consumo e de produção; designs de maior durabilidade e de qualidade superior; criar redes capazes de incluir na economia circular produtos como origem e/ou consumo e/ou descarte local e global; e, por último, ampliar o conjunto de modelos de negócios circulares (Ellen MacArthur Foundation, 2011). Estatisticamente 85% dos têxteis pós-consumo são descartados, não existindo a possibilidade de integração no modelo circular. Isto revela que o consumidor não possui um grande conhecimento acerca do valor da reutilização dos produtos. Para mais, atualmente os consumidores não possuem capacidades, nem interesse ou tempo, para procurar soluções para reparar produtos danificados, optando por comprar um novo (Schumacher, 2022). O modelo ‘resale’/ ‘reuse’ é considerado o futuro da indústria da moda, tendo em conta a crescente tendência do second-hand, que significa a compra de produtos outrora usados e/ou uma alteração de um produto para novo uso (Blackburn, 2009). Esta prática, contudo, é de menor impacto do ponto de vista ambiental (Schumacher, 2022). A abordagem cradle-to-cradle perspetiva manter recursos, matérias-primas e produtos na economia, durante o máximo de tempo possível. O investimento no mercado global de segunda mão também está a revelar-se bemsucedido no mercado de luxo. A multinacional francesa Kering, em 2021, adquiriu uma participação de 5% da Vestiaire Collective, uma plataforma líder em segunda mão (Moro, 2021). O uso de têxteis e vestuário em segunda mão, se é visto como solução para reduzir o desperdício e lixo criados pela indústria têxtil, ainda assim apresenta um impacto real reduzido devido à grande quantidade de produtos descartados de baixa qualidade, fabricados com matérias-primas igualmente de baixa qualidade. Estes produtos, abundantes na produção do tipo fast fashion , 29 tornam questionável a possível adaptação de peças ou o reuso. A iniciativa Worn Wear da marca Patagonia é um programa que promove a reutilização e reciclagem de roupas e de produtos usados da marca. Os clientes podem enviar os seus artigos usados à marca, que avalia e os revende caso estejam em boas condições. Ao realizarem este processo, os clientes recebem créditos para compras futuras – incentivo à reutilização. No caso de um produto não estar em condições para ser reutilizado, a marca Patagonia certifica-se que é realizada uma reciclagem responsável, evitando aterros. O repair/remake consiste em conseguir adaptar e reparar um produto, prologando o seu uso, evitando o descarte do mesmo e o consumo excessivo. O setor de reparação é fundamental para a circularidade dos têxteis, e estabelecer parcerias e colaborações pode exigir esforço adicional (Schumacher, 2022). Além disso, no sistema atual, a reparação em grande escala de roupas não é uma opção viável, tendo em conta o aumento dos custos de transporte, o tempo requerido pela execução dos processos, a redução da qualidade das roupas pelo uso e o custo relativamente baixo das roupas novas. O papel das marcas é essencial para educar os consumidores e criar iniciativas que conduzam ao aumento da sustentabilidade no setor (Feitelberg, 2018). Por exemplo, a marca internacional sueca H&M inseriu no site oficial ideias para dar nova vida a produtos: remendar peças, coser um botão, ou tornar umas jeans em calções, customizar casacos de pele e/ou aplicar remendos ou aplicar tecidos para personalizar. Fonte: https://www2.hm.com/en_gb/sustainability-at-hm/take-care/repair-remake.html Acesso em 29 de outubro, 2023 Figura 9 - Repair&Remake H&M (Official Website) 30 Fonte: https://www2.hm.com/en_gb/sustainability-at-hm/take-care/repair-remake.html Acesso em 29 de outubro, 2023 Figura 10 – Repair&Remake H&M (Cut Jeans Into Shorts) Fonte: https://www2.hm.com/en_gb/sustainability-at-hm/take-care/repair-remake.html Acesso em 29 de outubro, 2023 Figura 11 - Repair&Remake H&M (Customise a Leather Jacket) 31 Fonte: https://www2.hm.com/en_gb/sustainability-at-hm/take-care/repair-remake.html Acesso em 29 de outubro, 2023 Figura 12 - Repair&Remake H&M (Sew a Button) Fonte: https://www2.hm.com/en_gb/sustainability-at-hm/take-care/repair-remake.html Acesso em 29 de outubro, 2023 Figura 13 -Repair&Remake H&M (Patch Clothes) O sistema de Rental começa a ser uma opção para as marcas e negócios, tornando a possibilidade de alugar roupas viável, podendo substituir a sua compra (Poratelli, 2022). As pessoas podem recorrer a serviços de aluguer para, por exemplo, adquirir vestuário de cerimónia para acontecimentos importantes e específicos como casamentos ou galas. As peças deste tipo de vestuário são peças de uso pouco frequente que requerem alterações a cada nova utilização no 38 O décimo quarto ODS está focado na água enquanto bem essencial. Contudo, tem vindo a ser tratado e usado, por esta indústria bem como por muitas outras, de forma irresponsável. A contaminação da água é feita através de múltiplos produtos químicos e a vida marinha também é afetada pela atividade têxtil, contribuindo a lavagem dos produtos têxteis ao longo da sua vida útil com a libertação de quantidade indeterminadas, mas muito elevadas de microplásticos que poluem os oceanos e contaminam as reservas alimentares de origem marítima (Sajn, 2019). Além disso, a nível do domínio das matérias-primas, por exemplo, a plantação de algodão requer grande quantidade de solo fértil, provoca o desgaste do solo e o uso excessivo de água e pesticidas (Celep, 2022). Importa salientar que contribui também para a criação de zona de "mar morto" em zonas costeiras que são particularmente atingidas pela escorrência de águas pluviais que lixiviam dos solos, arrastando químicos entre os quais adubos e pesticidas utilizados nas plantações nomeadamente de algodão e linho. O décimo quinto ODS pretende ‘proteger, restaurar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, travar e reverter a degradação dos solos e travar a perda de biodiversidade’. A percentagem de solo fértil dedicado à indústria têxtil, o desgaste dos solos na extração de matérias-primas, o consumo excessivo de recursos naturais e a produção sobreabundante, provocaram um aumento dos resíduos têxteis e o consequente impacto nos ecossistemas terrestres (Rukhaya, 2021). Os solos são sofredores de grandes impactos - os aterros criados para descarte de roupas em fim de vida libertam partes iguais de dióxido de carbono (CO2) e metano - 28 vezes mais potente do que que CO2, num período de 100 anos (Santi, 2023). O Gana é um país de terceiro mundo, sofredor dos impactos desta indústria. O mercado de Kantamanto, na capital ganesa, tem mais de três hectares e representa o maior mercado de segunda mão africano. No entanto, traduz o caos das consequências da moda rápida, da despreocupação pelo meio ambiente e planeta. Em Acra acumulam-se montes de lixo (em terra e na água) e estima-se que 60% desse lixo é fruto das toneladas de roupa que todos os dias chegam ao mercado de Kantamanto. Como tentativa de diminuir a gravidade da situação, os habitantes recorrem a queimadas, não percebendo a gravidade do seu impacto. Este fenómeno é visto como um desastre ambiental que o desperdício está a causar ao planeta (SIC Notícias, 2022). 39 Fonte: SIC Noticías https://sicnoticias.pt/programas/reportagemsic/2022-05-11-a-roupa-dos-brancos-mortos Acesso em 29 de outubro, 2023 Figura 14 – SIC Notícias, Gana Fonte: SIC Noticías https://sicnoticias.pt/programas/reportagemsic/2022-05-11-a-roupa-dos-brancos-mortos Acesso em 29 de outubro, 2023 Figura 15 – SIC Notícias, Gana 40 Fonte: SIC Noticías https://sicnoticias.pt/programas/reportagemsic/2022-05-11-a-roupa-dos-brancos-mortos Acesso em 29 de outubro, 2023 Figura 16 – SIC Notícias, Gana O décimo sexto ODS apela à paz, justiça para todos, sociedades inclusivas e ‘erradicar o abuso, a exploração e o tráfico e todas as formas de violência e tortura de crianças’. O termo ‘modern slavery’ é bastante frequente e pode existir de múltiplas formas: tráfico humano; trabalho forçado; servidão por dívida; escravidão por descendência; trabalho infantil, casamento forçado e precoce; e, por último, servidão doméstica. Aproximadamente um quarto de todas as vítimas da escravatura moderna são crianças (Anti-slavery International). Ao longo de um estudo realizado pela Oxfam, em 2019, foram entrevistados 472 trabalhadores de empresas têxteis ao serviço de grandes marcas da Austrália, localizadas no Bangladesh e no Vietname. As conclusões retiradas foram as seguintes: 90% dos trabalhadores no Bangladesh enfrentam dificuldades significativas como não conseguir comprar comida suficiente para as suas famílias, o que conduz a saltarem frequentemente refeições, ou a acumulação de dívidas; no Bangladesh, 72% dos trabalhadores não têm recursos para recorrer a cuidados médicos e no Vietnam, a percentagem é de 53%; 76% dos trabalhadores nas fábricas do Bangladesh não têm acesso a água potável em casa e, mais de 40% no Vietnam relatam preocupação em relação ao uso de água de poço ou da chuva; no Bangladesh, um em cada três trabalhadores está separado dos seus filhos e, em quase 80% desses casos a causa é, maioritariamente, a falta de rendimento adequado. 41 O último ODS estabelece que alcançar o desenvolvimento sustentável depende do compromisso comum de governos nacionais, comunidade internacional, sociedade civil, setor privado e outros atores, em se unirem em torno da concretização desta ambiciosa, mas imperativa agenda. São necessárias fortes parcerias e programas eficazes para a implementação de medidas e ações que erradiquem os problemas que impedem as sociedades humanas de atingir o desenvolvimento sustentável. A indústria têxtil tem de enquadrar a sua forma de atuar neste contexto desafiador, baseando-se nestes objetivos para dar o seu contributo para o bem comum. 2.3 Modelos de Avaliação dos Níveis de Sustentabilidade das Marcas de Moda Os modelos de avaliação dos níveis de sustentabilidade são cruciais na indústria do têxtil e moda por várias razões: permitem a compreensão do impacto ambiental de uma organização; possibilitam uma maior eficiência no uso dos recursos; ajudam as empresas a garantir conformidade com as regulamentações de cada país; auxiliam as organizações perante a crescente exigência dos mercado e na obtenção de competências que lhes permitam destacaremse ao nível da sustentabilidade; identificam e gerem riscos; criam uma reputação positiva e forte imagem de marca; são essenciais para avaliar e melhorar a sustentabilidade de toda a cadeia de valor; impulsionam a inovação; demonstram um compromisso com a sustentabilidade e podem melhorar os relacionamentos com os intervenientes da cadeia de valor (Gbolarumi, 2021). A The Apparel Aliance é um compromisso realizado entre as organizações Apparel Impact Institute, Sustainable Apparel Coalition (SAC), Textile Exchange e ZDHC Foundation. As metas, soluções, ferramentas, relatórios, formação e eventos desta aliança estão alinhados com a necessidade de criar ações sustentáveis para a indústria têxtil e do calçado e, nomeadamente, atingir no mínimo a redução de 45% em GEE até 2030. Através desta aliança foi criada uma estrutura sustentável para toda a indústria, que abrange as áreas de recursos principais: programas e ferramentas (envolvimento e comunicações, ferramentas/padrões e administração); implementação global (acesso regional, implementação e educação/formação); gestão de impacto e financiamento (projetos de impacto e financiamento, desenvolvimento de negócios, relatórios de impacto industrial); administração e infraestrutura (recursos humanos, operações e financeiro e jurídico). O Higg Index é um conjunto de ferramentas para avaliar a sustentabilidade na cadeia de valor e é central na transformação das empresas para obter um impacto exponencial. Desenvolvido pela 42 SAC, membro da Apparel Aliance, permite avaliar cinco parâmetros do processo de produção: aquecimento global, poluição da água, escassez da água, esgotamento de recursos e químicos (Common Objetive, 2018). Os impactos são calculados pelo Higg Index de um ponto de vista sustentável a nível ambiental e social. Os resultados obtidos permitem à marcas, empresas e organizações perceber a sua performance ao longo do tempo e compará-la com o desempenho da concorrência e dos outros agentes do mercado (Sustainable Apparel Coalition, 2019). Marcas de vestuário como a Patagonia, a H&M e a Nike, trabalham com o Higg Index para alcançarem uma maior e mais profunda compreensão dos impactos ambientais e sociais, provenientes das práticas de produção (Sustainable Apparel Coalition, 2021). O objetivo é trabalhar em conjunto para alterar a situação atual. Fonte: https://www.ecotextile.com/2020080326464/materials-production-news/improved-higg-tool-makes-impact-easier-tomeasure.html Acesso em 29 de outubro, 2023 Figura 17 – Ferramenta Higg Index O Life Cycle Assessment (LCA) é um método determinado pela ISO 14040:2006 para o entendimento e avaliação do impacto causado por um produto ao longo do seu ciclo de vida, abrangendo o consumo de recursos naturais, as emissões de GEE, impactos na saúde humana e ecossistema. Este modelo considera quatro fases: definição de objetivo e finalidade, análise de inventário, avaliação de impacto do ciclo de vida e interpretação. 43 Fonte: https://stich.culturalheritage.org/life-cycle-assessment-explained/ Acesso em 29 de outubro, 2023 Figura 18 – Ferramenta Life Cycle Assessment A Better Cotton Initiative tem como missão ajudar as comunidades e o ambiente com a implementação de práticas sustentáveis na plantação de algodão (Celep, 2022). Marcas como Adidas, Abercrombie & Fitch, Nike, New Balance, Levi Strauss & Co., são membros deste compromisso mapeado para uma mudança real, aleada ao desenvolvimento sustentável da Agenda 2030. O The Better Cotton System é um sistema concebido para garantir boas práticas e encorajar à intensificação da ação coletiva em estabelecer o Better Cotton como um produto convencional sustentável. Desenvolve-se sob quatro desígnios. O primeiro é obter uma licença para a venda do algodão como sendo Better Cotton, caso cumpram os critérios estabelecidos pela organização. Em segundo lugar, melhorar a estrutura da produção em função das práticas sustentáveis. Em terceiro, estabelecer e desenvolver uma boa comunicação entre produtores e parceiros. Por fim, medir o desempenho sustentável dos produtores. 44 Fonte: https://bettercotton.org/ Acesso em 29 de outubro, 2023 Figura 19 – BetterCotton Iniative A OEKO-TEX é uma ferramenta desenvolvida para apoiar empresas e organizações na prevenção e mitigação dos impactos negativos e potenciais impactos das atividades, cadeias de abastecimento e relações comerciais, a nível ambiental e social. Os padrões estabelecidos, impulsionados pela transparência e sustentabilidade, permitem a todos os intervenientes da cadeia de valor a tomada de decisão consciente e responsável. O certificado Made in Green da OEKO-TEX é atribuído a produtos cujos materiais têxteis ou de couro são certificados quanto a substâncias prejudiciais, produção ambientalmente segura e fornecidos por locais de trabalho socialmente responsáveis. Para além desta certificação, a OEKO-TEX atribui outros rótulos que possibilitam a tomada de decisão quanto escolhas sustentáveis e responsáveis: OEKO-TEX Padrão 100 e OEKO-TEX Padrão de Couro (têxteis testados cientificamente quanto à presença de substâncias nocivas, o que os torna uma melhor escolha mais segura para a saúde); e OEKO-TEX Algodão Orgânico que certifica o algodão quanto à utilização de organismos geneticamente modificados (OGM) e substâncias nocivas. Fonte: https://www.oeko-tex.com/en/our-standards Acesso em 29 de outubro, 2023 Figura 20 – Certificações OEKO-TEX 45 O GOTS (Global Organic Textile Standard) estipula requisitos para toda a cadeia de valor têxtil, com a missão de desenvolver, implementar, verificar, proteger e promover a sustentabilidade e a produção orgânica. Estabelece critérios ambientais e sociais relativos à cadeia de valor têxtil e este certificado assegura que as matérias-primas têxteis dos produtos não contêm substâncias nocivas e que os produtos foram produzidos em locais de trabalho ambientalmente seguros e socialmente responsáveis. Fonte: https://algonatural.it/chi-siamo/che-cosa-si-intende-per-cotone-naturale-con-certificazione-gots/ Acesso em 29 de outubro, 2023 Figura 21 – Global Organic Textile Standard BlueSign é um dos padrões sustentáveis, que desenvolve parcerias com marcas e organizações têxteis para o sucesso sustentável. Este sistema garante a sustentabilidade e aborda esta temática preocupante ao longo da cadeia de valor têxtil, desde as matérias-primas ao produto final. As relações de parceria pretendem ajudar produtores de têxteis, marcas e fornecedores na adoção de práticas sustentáveis - avaliar matérias-primas, produtos químicos, processos e produtos finais e, por fim, certificar se estão dentro dos parâmetros estabelecidos relativamente ao ambiente, saúde e segurança. A certificação e orientação realizada pela Bluesign inclui a gestão de fluxos, a produtividade de recursos, a segurança do consumidor, a saúde e segurança no trabalho e o impacto ambiental. Deste modo, a certificação Bluesign garante aos consumidores que as marcas concretizam escolhas ecológicas, conscientes e responsáveis. 46 Fonte: https://www.bluesign.com/en/company/faq Acesso em 29 de outubro, 2023 Figura 22 – Padrão BlueSign (Product) Fonte: https://www.bluesign.com/en/company/faq Acesso em 29 de outubro, 2023 Figura 23 – Padrão BlueSign (Approved) 2.4 O Consumo Consciente 2.4.1 O Papel das Necessidades e Desejos do Consumidor na Procura de Moda Sustentável O crescente mercado de massas conduziu a uma produção excessiva e rápida, assoberbando o consumidor com novas informações. A fast-fashion não possui qualquer compromisso ou preocupação ambiental ou social, pelo que se tornou insustentável, sobretudo pelo fácil acesso que permite e que conduziu o consumidor a um comportamento de compra por impulso e em função da necessidade de estar dentro das novas ‘ trends’ promovida pelas próprias marcas, o que conduziu ao consumo excessivo (Hayes, 2023). As tendências estão em constante alteração, 47 o que acelera o aumento do desperdício têxtil e encurta progressivamente o ciclo de vida das peças. Estima-se que em 2015 os cidadãos da UE compraram 6,4 milhões de toneladas de roupas novas (12,66 kg por pessoa) e que, entre 1996 e 2012, a quantidade de roupas compradas por pessoa na UE aumentou 40% (Šajn, 2019). As pessoas estão mais desapegadas do seu vestuário e a oferta é tanta que a ideia de reparar e valorizar ao máximo um produto perdeu-se. Na prática, fica mais barato e fácil para uma marca usar materiais low-cost , tal como para o consumidor é mais fácil comprar uma nova peça do que se esforçar para recriar e manter em uso uma peça que possua (Beall, 2020). No processo de manutenção das peças de vestuário importa, também, compreender que o consumidor pode não considerar a possibilidade de optar por não descartar as peças quando a qualidade dos materiais é reduzida, anulando a vantagem, ou mesmo a possibilidade, de prolongar o seu uso ou optar pela sua reparação ou atualização. Este facto igualmente anula o interesse económico da reciclagem, ou mesmo uso em segunda-mão (European Comission). A moda sustentável, ou ética com era então designada, surge nos anos 60, quando alguns consumidores começam a tornar-se conscientes do impacto da indústria têxtil e a exigir alterações nas práticas do setor (Henninger, 2016) nomeadamente no que respeitava aos direitos e salários dos trabalhadores, a discrição de género e a prática de preços baixos no pagamento das matériasprimas aos produtores. No final da década de 90 começa a emergir o conceito de slow-fashion por contraponto à fast fashion. Grupos ativistas associados à moda iniciam movimento anti consumistas que integram uma corrente ainda ideológica focada numa filosofia de economia sustentável que preconizava a desaceleração dos excessos no consumo e os impactos sobre o ambiente resultantes de estilos de vida consumistas (Silva, 2020). No entanto, exigir ao consumidor que coloque em prática a sua intenção de ser ecológico e a opção pela moda sustentável, necessariamente focada no fabrico de produtos duráveis, logo de melhor qualidade e estética mais transversal às estações. mostrou que existe uma considerável distância entre a intenção e a opção real por produtos de preço mais elevado (Harvard Business Review, 2022). A moda sustentável não está, de facto, ao alcance de todos e, mesmo quando o consumidor dispõe de recursos e intenção de adquirir produtos de moda sustentável. as dúvidas quanto à efetiva sustentabilidades desta é uma realidade no que respeita a inúmeras marcas, apesar de apregoarem estratégias pró-sustentabilidade com insistência (Silva, 2020). A Agenda 2030 visa estipular a importância do investimento na promoção 54 No que diz respeito a salários mínimos e garantia de boas condições mínimas aos trabalhadores das fábricas, em 2022 foi atribuída à H&M, segundo a plataforma Living Wage Financials, a classificação de ‘Avançado’, pois a marca, consciente da existência do problema, está em processo de implementar medidas efetivas para alterar a situação. O programa Sustainable Impact Partnership Programme (SIPP), criado pela H&M Group, apoia parceiros para uma melhoria no desemprenho ambiental e social. Os parceiros assinam o compromisso estabelecido, comprometendo-se à transparência, dedicação e cuidado ao longo da cadeia de valor e no impacto social e ambiental. O SIPP avalia o desempenho dos fornecedores ao longo de um período de tempo e pretende fortalecer o compromisso pela sustentabilidade e promover práticas conscientes. Em 2013, surgiu o Acordo sobre Segurança contra Incêndios e Edifícios em Bangladesh, na sequência do trágico acidente na Raza Plaza. A H&M Group, em nome de todas as marcas que a constituem, assinou este acordo para garantir condições de trabalho dignas nas fábricas de Bangladesh. Querendo impulsionar a mudança de forma geral, e não apenas em Bangladesh ou em fábricas que produzam para marcas pertencentes a esta organização, em 2021 elaborou o Acordo Internacional para Saúde e Segurança na Indústria Têxtil e de Vestuário, visionando influenciar e reforçar o seu contributo para melhorar a segurança no local de trabalho nas empresas da indústria têxtil em geral. No corrente ano, 2023, o Grupo H&M assinou um novo acordo entre marcas globais e sindicatos para a proteção da saúde e segurança do setor do vestuário, no Paquistão. Apesar da informação disponível apresentar resultados favoráveis da ação do Grupo ao nível da sustentabilidade que considerou o desenvolvimento de estratégias responsáveis e a promoção de acordos e investimentos sustentáveis, a H&M é acusada de greenwashing e constantemente questionada. Verifica-se que três questões criam controvérsia e desconfiança quanto à real eficácia das medidas adotadas. Dados expostos no site da marca revelam que a matéria-prima mais escolhida pela H&M é o algodão (60%). Desde 2020 todo o algodão utilizado na produção é orgânico, reciclado ou possui a etiqueta Better Cotton. Como se pode analisar, o algodão não é uma matéria-prima sustentável, nem o algodão orgânico é uma opção totalmente ‘verde’, sobretudo quando as quantidades envolvidas são tão elevadas como 60% do total das matérias-primas utilizadas na produção da H&M, que se insere num mercado de massas extremamente exigente e de mudança rápida. As 55 fibras sintéticas (poliéster, poliamida, elastano e acrílico) estão em segundo lugar nas matériasprimas da H&M. Estas matérias advêm de combustíveis fósseis, são duradouras e de resistência elevada, mas são, também, poluentes ambientais, principalmente pelo seu método de extração e da quantidade de microplásticos que as peças libertam. A H&M estabeleceu a meta de até 2025 eliminar o poliéster virgem da produção e, de acordo com os dados no site oficial da marca, em 2022, 74% do poliéster utilizado era resultante de fontes recicladas (obtido a partir de garrafas PET ou resíduos têxteis). Ainda assim, a blusa da nova coleção, com a referência 1114731008, é 100% poliéster, sendo apenas 51% desse poliéster reciclado, o que não é suficiente. Fonte: https://www2.hm.com/it_it/productpage.1114731008.html Acesso em 29 de outubro, 2023 Figura 26 – H&M Draped Blouse (ref, 1114731008) 56 Fonte: https://www2.hm.com/it_it/productpage.1114731008.html Acesso em 29 de outubro, 2023 Figura 27 – H&M Draped Blouse (ref. 1114731008) No corrente ano, o jornal sueco Aftonbladet realizou uma investigação ao programa de reciclagem da H&M. Esta fonte denunciou que a H&M transporta a maioria das roupas recolhidas para países de terceiro mundo, onde são queimadas e descartadas. Através da colocação de dez airtags em produtos, o Aftonbladet averiguou o quão sustentável é esta recolha. Em poucas semanas, detetaram que os produtos foram transportados para fora da Suécia. Foram reveladas preocupações sérias sobre as práticas de sustentabilidade da marca. Numa primeira fase, todas as peças (em bom estado) foram enviadas para a Alemanha, percorrendo mais de 1.000 quilômetros. Das dez peças, três terminaram em países em desenvolvimento com problemas relacionados ao descarte e resíduos têxteis. Um destes produtos acabou em Benin, um caso grave conhecido pela queima de têxteis e aterros; outro em Panipat (Índia), que se insere na mesma categoria de descarte e queima de resíduos e onde o trabalho infantil é comum; outras duas peças, terminaram na Roménia, percorrendo uma distância considerável por estrada e mar. Apesar da promessa da marca H&M, duas das dez peças acabaram a ser transformadas em fibras, ou seja, não foram recicladas seguindo o ideal pressuposto, isto apesar do conjunto de peças rastreado 57 incluir uma sweater cinzenta quase nunca usada. Em síntese, os dez produtos percorreram distâncias insustentáveis utilizando diversos meios de transporte, apenas 20% foram recicladas sendo as restantes enviadas para Estados pobres para venda em segunda-mão ou incineração. O jornal Aftonbladet revelou que os parceiros da cadeia de moda sueca H&M enviaram, apenas para o Gana, mais de um milhão de peças de roupa desde o início de 2023. Este caso exige uma revisão aprofundada à eficácia da reciclagem têxtil prometida pela marca H&M, aos dados que apresenta e ao quão sustentável é, na verdade. Outro caso recente envolvendo a marca H&M, foi a investigação realizada por Amanda Shendruk (2022), na qual foi revelado que a H&M apresentava pontuações ambientais falsas para as suas roupas. A H&M é uma marca utilizadora do Higg Index, índice sustentável que avalia e ajuda as organizações num melhor entendimento sobre o seu impacto ambiental e social. As alegações foram comprovadas e, de facto, a H&M distorceu a informação das tabelas de desempenho obtidas pelo Higg Index e publicou-as no seu site oficial. Após esta descoberta, a marca retirou imediatamente as informações e a organização H&M Group colocou em pausa a parceria com o Higg Index. 3.2.1 Zara A Zara é uma marca fast-fashion espanhola, a principal do Grupo Inditex. Fundada em 1975, é uma marca com história, presente em todos os continentes. O Grupo Inditex procurou alterar os impactos da indústria têxtil, implementando medidas e metas para atingir os objetivos de sustentabilidade que definiu para as suas estratégias de desenvolvimento desde finais da primeira década do séc. XXI. Não obstante, sempre utilizando a abordagem sustentável como uma oportunidade de negócio. A Inditex estabeleceu metas significativas: até 2023, eliminar totalmente o plástico de uso único, usar apenas algodão orgânico, reciclado ou Better Cotton e fibras 100% celulose artificial sustentáveis; até 2025, utilizar apenas linho e poliéster provenientes de fontes sustentáveis, assegurar uma redução de 25% do consumo de água na cadeia de valor (em 2022, a redução já estava nos 17% em compara com 2020); até 2030, o objetivo é restaurar e proteger a biodiversidade, reduzindo as emissões de GEE em mais de 50% e tornar os produtos totalmente 58 sustentáveis, através do uso exclusivo de matérias-primas de impacto nulo. O objetivo para 2040 é que a Inditex atinja zero emissões de GEE. Como objetivos de sustentabilidade já alcançados, a Inditex indicou que, em 2022, 100% da eletricidade das suas instalações era proveniente de energias renováveis (Annual Report Inditex, 2022). Estes objetivos foram todos aprovados pela iniciativa Scienced Based Targets, que é uma colaboração entre o CDP (Carbon Disclosure Project), o Pacto Global das Nações Unidas, o World Resources Institute e o World Wide Fund for Nature. As parcerias são importantes para o desenvolvimento sustentável e, em 2020, a Inditex uniu-se à UNFCC (United Nations Framework Convention on Climate Change) na campanha Corrida ao Zero. Em 2021 passou a ser membro da Leaf Coalition, visando a proteção em grande escala de florestas. Mais recentemente estabeleceu um acordo com a WWF, para o período de 2022 a 2025, apoiando com 10 milhões de Euros nove projetos da organização focados na conservação florestal, restauração e conservação da água e proteção de espécies ameaçadas (Preuss, 2022). A parceria com a IndustryALL (Federação Sindical Internacional) surgiu como forma de impulsionar os direitos humanos, o trabalho digno, relações industriais fortes e a satisfação do trabalhador (Annual Report Inditex, 2022). Foi possível, entre 2020 e 2023, a criação de novos produtos, novas matérias-primas e tecnologias, impulsionando a sustentabilidade ao longo de toda a cadeia de valor. Em conjunto com o CHT Group, em 2020 foi desenvolvida a Pigmentura, que é uma solução de tingimento inovadora que permite reduzir o consumo de água até 96%. Em novembro de 2022, foi lançado com a BASF o primeiro sistema industrial de lavagem a frio (SOKALAN HP 56 A), uma otimização que possibilita a redução do consumo de água, de energia e de libertação de microplásticos (Haile, 2022). Ainda em 2022, o Grupo Inditex investiu na tecnologia da start-up CIRC, que possibilita a reciclagem de produtos feitos de misturas de poliéster e algodão, projeto de extrema relevância, uma vez que as misturas de matérias-primas dificultam o processo (James, 2022). O projeto de reciclagem mecânica em conjunto com a Caritas proporcionou o lançamento de coleções com até 100% de conteúdo reciclado (e 30% de resíduos têxteis pós-consumo). Em 2023, a Zara lançou a primeira coleção cápsula produzida com resíduos têxteis e multifibras recicladas, resultante da parceria com a CIRC. As peças são uma mistura de liocel (50% de fibras de resíduos de polialgodão) e roupas de poliéster, com 43% de fibras recicladas, em tons de bordeaux , leves e fluídas (Alonso, 2023). 59 Fonte: https://circ.earth/zara-launches-first-of-its-kind-recycled-poly-cotton-capsule-with-circ/ Acesso em 29 de outubro, 2023 Figura 28 – ZARA x CIRC 60 Fonte: https://circ.earth/zara-launches-first-of-its-kind-recycled-poly-cotton-capsule-with-circ/ Acesso em 29 de outubro, 2023 Figura 29 – ZARA x CIRC 61 Fonte: https://circ.earth/zara-launches-first-of-its-kind-recycled-poly-cotton-capsule-with-circ/ Acesso em 29 de outubro, 2023 Figura 30 – ZARA x CIRC 62 Criado a patira da colaboração entre a Inditex, a BASF Home Care e aI&I Solutions Europe, surgiu um detergente inovador que prolonga o ciclo de vida de um produto e diminui até 80% a libertação de microplásticos para o ambiente. Os resultados evidenciam que o detergente é mais adequado para lavagens a temperaturas baixas, o que ajuda à redução do consumo de energia (Pirovano, 2022). Fonte: https://www.zarahome.com/it/en/750ml-liquid-detergent-l46444725 Acesso em 29 de outubro, 2023 Figura 31 – The Laundry by ZARA Home Em outubro de 2023 o Grupo Inditex associou-se ao Grupo Maersk com o intuito de reduzir a sua pegada ecológica na distribuição marítima (WCN Editorial, 2023). O programa ECO Delivery Ocean da Maersk opta por combustíveis de emissões de GEE muito baixas, como metanol verde ou biodiesel de segunda geração. Estima-se alcançar uma redução de mais de 80% nas emissões de GEE por litro (Inditex Press, 2023). Outubro de 2023 foi marcado, também, pelo estabelecimento da parceria com a empresa americana Ambercycle. A Inditex assinou um acordo de três anos, durante os quais deverá comprar uma parte significativa da produção anual da matéria-prima inovadora cycora. A cycora é feita de resíduos de poliéster pós-industrial e pós-consumo. Como parte deste acordo, a Zara Athleticz lançou uma coleção cápsula em colaboração com a Ambercycle, apresentando peças fabricadas com cycora até 50% de matéria-prima (Inditex Press, 2023). 63 Fonte: https://www.designscene.net/2023/10/zara-x-ambercycle.html Acesso em 29 de outubro, 2023 Figura 32 – ZARA Athletiz x Ambercyle 70 Esta investigação de pesquisa futura e portadora de insights valiosos e guias. Deste modo, as marcas poderão estabelecer uma direção mais coerente e responsável, na procura por uma indústria têxtil verdadeiramente sustentável. 71 Bibliografia AEG ProSteam. Último acesso em 29/10/2023 - https://www.aeg.com.pt/care/inspiration/prosteam/ . Andrew, M., (2015). The True Cost (Documentary). Annapoorani, G. (2017). Social Sustainability in Textile Industry. Sustainability in the Textile Industry. Springer Araújo, M., Broega, A. & Mota Ribeiro, S., (2014). A Comunicação nas Marcas de Moda Sustentável. CIMODE doi: https://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/43413/2/CIMODE2016_MB_ACB_SMR _pt.pdf Basera, N., (2016). Sustainable development: a paradigm shift with a vision for future. International Journal of Current Research, 8(09) Beall, A., (2020). Why Clothes Are So Hard to Recycle. Último acesso em 29/10/2023: https://www.bbc.com/future/article/20200710-why-clothes-are-so-hard-to-recycle Bernal, (s.d.) What can your fashion business do to achieve the Sustainable Development Goals?. Último acesso em 29/10/2023 - https://bcome.biz/blog/what-can-your-fashion-business-do-toachieve-the-sustainable-development-goals/ . Beton, A., Cordella, M., Perwueltz, A. (2014). Environmental improvement potential of textiles (IMPRO Textiles), Joint Research Centre, Institute for Prospective Technological Studies. doi: https://data.europa.eu/doi/10.2791/52624 . Better Cotton Platform. Último acesso em 29/10/2023 - https://bettercotton.org/membership/better-cotton-platform/ . Bhaduri, G. & Ha-Brookshire, J., (2011). Do Transparent Business Practices Pay? Exploration of Transparency and Consumer Purchase Intention. Clothing and Textiles Research Journal , 29(2), 135-149. doi: 10.1177/0887302X11407910 Bick, R., Halsey, E. & Ekenga, C. (2018). The global environmental injustice of fast fashion. Environtal Health 17, 92 https://doi.org/10.1186/s12940-018-0433-7 Biswas, P., (2023). Ten years on from Rana Plaza, how much have conditions in Bangladesh’s garment industry improved?. Equal Times. Último acesso em 29/10/2023 - https://www.equaltimes.org/ten-years-on-from-rana-plaza-how?lang=en . Blackburn, R. (2009). Sustainable Textiles, Life Cycle and Environmental Impact (1ª ed . ). Woodhead Publishing Limited Bluesign Technologies. Último acesso em 29/10/2023 - https://www.bluesign.com/en . Bowen, H., (1953). Social Responsibilities of the Businessman British Council, (2020). The Missing Pillar – Culture's Contribution to the UN Sustainable Development Goals. Último acesso em 29/10/2023 - https://www.britishcouncil.org/arts/culture-development/our-stories/the-missing-pillar-sdgs 72 Brydges, T. Henninger, C. & Hanlon, M. (2022) Selling sustainability: investigating how Swedish fashion brands communicate sustainability to consumers, Sustainability: Science, Practice and Policy . doi: 10.1080/15487733.2022.2068225 Brydges, T., (2021). Closing the loop on take, make, waste: Investigating circular economy practices in the Swedish fashion industry, Journal of Cleaner Production , Volume 293. doi: https://doi.org/10.1016/j.jclepro.2021.126245 Celep, G., Tetik, G. & Yilmaz, F., (2022). Limitations of Textile Recycling: The Reason behind the Development of Alternative Sustainable Fibers. doi: 10.5772/intechopen.105118 Chen, X., Memon, H., Wang, Y., Marriam, I. & Tebyetekerwa, M., (2021). Circular Economy and Sustainability of the Clothing and Textile Industry Chioma, (2023). The Environmental Impact of Textile Waste: 5 Ways It Impacts Our Planet. Último acesso em 29/10/2023 - https://faircado.com/mag/the-environmental-impact-of-textile-waste-5ways-it-impacts-our-planet/ Clean Clothes Campaign, (2023). Último acesso em 29/10/2023 - https://www.linkedin.com/feed/update/urn:li:activity:7114999038474608640/ Coleo Recycling, Último acesso em 29/10/2023 - https://coleo.es/ Conscious Fashion and Lifestyle Network, United Nations. Último acesso em 29/10/2023 - https://sdgs.un.org/partnerships/action-networks/conscious-fashion-and-lifestyle-network . Coscieme, L., Manshoven, S., Gillabel, J. & Grossi F., (2022). A Framework of Circular Business Models for fashion and textiles: the role of business model technical and social innovation, Sustainability: Science, Practice and Policy , 18:1, 451-462. doi: https://doi.org/10.1080/15487733.2022.2083792 Coscieme, L., Manshoven, S., Gillabel, J., Grossi F., & Mortensen, L., (2022). A framework of circular business models for fashion and textiles: the role of business-model, technical, and social innovation, Sustainability: Science, Practice and Policy , 18:1, 451-462. doi: 10.1080/15487733.2022.2083792 Coskun G., & Basaran, F. (2019). Post-Consumer Textile Waste Minimization: A Review. Journal of Strategic Research in Social Science, 5 (1), 1-18. doi: 10.26579/josress-5.1.1. Coşkun, G., Başaran, F., (2015). Post-Consumer Textile Waste Minimization: A Review. Create Fashion Brand, (2022). Carbon Footprint in Textiles. Último acesso em 29/10/2023 - https://createfashionbrand.com/carbon-footprint/ Dahl, R., (2010). Green Washing, Do You Know What You’re Buying?. Environmental Health Perspectives, Volume 118, 6ª ed., doi: https://doi.org/10.1289/ehp.118-a246 . David, J., (2023). 10 simple steps to being more sustainable. Último acesso em 29/10/2023 - https://www.harpersbazaar.com/uk/fashion/what-to-wear/a41158/how-to-be-sustainablefashion/ . Deloitte, (2017). A Living Wage in Australia’s Clothing Supply Chain, Oxfam Australia. Elkington, J. (1994). Towards the Sustainable Corporation: Win-Win-Win Business Strategies for Sustainable Development. California Management Review, 36, 90-100. 73 Ellen MacArthur Foundation (2017), A new textiles economy: Redesigning fashion’s future. doi: https://www.ellenmacarthurfoundation.org/a-new-textiles-economy Ellen MacArthur Foundation (2021), Circular business models: Redefining growth for a thriving fashion industry. doi: https://www.ellenmacarthurfoundation.org/news/circular-business-modelsin-the-fashion-industry Ellen MacArthur Foundation, (2020). Vision of a circular economy. Ellen MacArthur Foundation, (2021) Circular business models: redefining growth for a thriving fashion industry. Extended Campus, (2022). What is the Triple Bottom Line?. Último acesso em 29/10/2023 - https://uwex.wisconsin.edu/stories-news/triple-bottom-line/ Fashion for Good. Transparency & traceability. Último acesso em 29/10/2023 - https://fashionforgood.com/focus_area/transparency-traceability/ . Feitelberg, R., (2018). The Repair Economy Gains Momentum. Último acesso em 29/10/2023 - https://wwd.com/feature/the-repair-economy-gains-momentum-1202679892/ . Fernando, J., (2023). Corporate Social Responsibility (CSR) Explained with Examples. Último acesso em 29/10/2023 - https://www.investopedia.com/terms/c/corp-social-responsibility.asp FibreGuard, (2022). How technology is changing the textile industry. Último acesso em 29/10/2023 - https://fibreguard.com/sell/blog/how-technology-is-changing-the-textile-industry. Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO). Último acesso em 29/10/2023 - https://www.fao.org/home/pt/ . Gardetti, M. & Torres A., (2017). Sustainable Luxury, Managing Social and Environmental Performance in Iconic Brands (1ªed.) Gardetti, M. (2019). Introduction and the concept of circular economy. Circular economy in textiles and apparel (pp. 1-11). Woodhead Publishing. Gbolarumi, F., Wong, K., & Olohunde, S. (2021). Sustainability Assessment in The Textile and Apparel Industry: A Review of Recent Studies. IOP Conference Series: Materials Science and Engineering, Volume 1051. doi: 10.1088/1757-899X/1051/1/012099 Geissdoerfer, M., Savaget, P., Bocken, N., Hultink, E., (2017). The Circular Economy – A new sustainability paradigm?, Journal of Cleaner Production, Volume 143. Guedes, G. & Rocha, A., (2011). Sustainability as a key asset in establishing differentiation strategies for fashion brands. Guedes., G., (2011). Ethical Fashion Brands: Promotion approach or a real value?. International Conference Fashion and Communication. Lisboa, Portugal Guedes., G., (2019). New Paradigms of the Fashion System, Trends in Textile Engineering & Fashion Technology H&M Foundation, (2020). New facilities for textile blend recycling takes fashion industry one step closer to circularity. Último acesso em 29/10/2023 - https://hmgroup.com/news/new-facilitiesfor-textile-blend-recycling-takes-fashion-industry-one-step-closer-to-circularity/ 74 H&M, Repair & Remake. Último acesso em 29/10/2023 - https://www2.hm.com/en_gb/sustainability-at-hm/take-care/repair-remake.html . Han, S., Tyler D., & Apeagyei, P. (2015). Upcycling as a design strategy for product lifetime optimisation and societal change. Product Lifetimes and the environment conference. Nottingham. Hawkes, J., (2001). The Fourth Pillar of Sustainability: Culture's essential role in public planning. Hayes, A., (2023). Fast Fashion Explained and How It Impacts Retail Manufacturing. Último acesso em 29/10/2023 - https://www.investopedia.com/terms/f/fast-fashion.asp . Henninger, C., Alevizou, P., & Oates, C. (2016). What is sustainable fashion? Journal of Fashion Marketing and Management. doi: https://doi.org/10.1108/JFMM-07-2015-0052 Hinduja, H., Kekkar, S., Chourasia, S., Chakrapani, H., (2020). Industry 4.0: Digital Twin and its Industrial Applications. RIET-IJSET International Journal of Science Engineering and Technology. 8(4). Hur, E. & Cassidy, T. (2019) Perceptions and attitudes towards sustainable fashion design: challenges and opportunities for implementing sustainability in fashion, International Journal of Fashion Design, Technology and Education . doi: 10.1080/17543266.2019.1572789 Igini, M., (2023). 10 Concerning Fast Fashion Waste Statistics. Earth.org. Último acesso em 29/10/2023 - https://earth.org/statistics-about-fast-fashion-waste/ INDITEX GROUP ANNUAL REPORT, (2022). Inditex Group Annual Report, (2022). Último acesso em 29/10/2023 - https://static.inditex.com/annual_report_2022/en/ . International Centre for Industrial Transformation, (2023). How digital transformation is enhancing productivity in textile manufacturing. Último acesso em 29/10/2023 - https://incit.org/en/thought-leadership/digital-transformation-in-textile-manufacturing/ Investigation Aftonbladet, (2023). Último acesso em 29/10/2023 - https://www.aftonbladet.se/nyheter/a/jlME1e/aftonbladet-investigation-into-h-m-s-recyclingairtags-in-items . Investigation Aftonbladet, (2023). Último acesso em 29/10/2023 - https://www.aftonbladet.se/nyheter/a/O8PAyb/har-dumpas-h-m-kladerna-du-atervinner . Lacy, P., Rutqvist, J., (2015), Waste to Wealth - The Circular Economy Advantage Lilley, D. (2009). Design for sustainable behaviour: strategies and perceptions. Design Studies, 30(6), 704-720. doi: 10.1016/j.destud.2009.05.001 Marinelli, T., & Laubscher, M., (2014). Integration of Circular Economy in Business. Going Green - CARE INNOVATION . Vienna: Austria. doi:10.13140/2.1.4864.4164 . McDonough, W., & Braungart, M. (2002). Cradle to cradle: remaking the way we make things. New York, North Point Press. McFarlane, H., (2022). Material Guide: How Sustainable and Ethical Is Organic Cotton?. Good on you. Último acesso em 29/10/2023 - https://goodonyou.eco/know-your-product-a-quick-guide-toorganic-cotton/ 75 Miller, K., (2020). The triple bottom line: what it is & why it’s important. Último acesso em 29/10/2023 - https://online.hbs.edu/blog/post/what-is-the-triple-bottom-line . Moro, S., (2021). Resale, Rental and Repair: the 3 Rs that are changing fashion. Último acesso em 29/10/2023 - https://www.cikis.studio/en/article/resale-rental-and-repair-the-3-Rs-that-arechanging-fashion . Moura, M. & Almeida, M., (2013). A relação entre a sustentabilidade e o design de moda contemporâneo: uma análise sobre o segmento jeanswear. Comunicação e Sociedade , 24, 232– 250. https://doi.org/10.17231/comsoc.24(2013).1786 Moura, M. & Almeida, M., (2013). Comunicação e Sociedade vol.24, A Relação entre a Sustentabilidade e o Design de moda Contemporâneo: uma análise sobre o segmento Jeanswear Muthu, S., (2017). Sustainability in the Textile Industry. Springer New Industrial Order, Knitcloud Platform for 3D printed knitwear. Último acesso em 29/10/2023 - https://new-industrial-order.com/knitcloud New Industrial Order. Último acesso em 29/10/2023 - https://new-industrial-order.com/ Notten, P., (2020). Sustainability and Circularity in the Textile Value Chain. United Nations Environment Programme. OEco Textiles, (2005). Textile industry poses environmental hazards OEKO-TEX. Último acesso em 29/10/2023 - https://www.oeko-tex.com/en/ . Oxfam, (2019). Made in Poverty: The True Price of Fashion Summary. Pérez, J., Queiruga-Dios, A., Martínez, V. & Martín del Rey, A., (2020). Traceability of Ready-toWear Clothing through Blockchain Technology. Sustainability, 12(18), 7491; https://doi.org/10.3390/su12187491 PICVISA, Automated textile sorting Coleo recycling textile recovery plant. Último acesso em 29/10/2023 - https://picvisa.com/en/automated-textile-sorting/ PICVISA, Automation in recycling: a sustainable revolution. Último acesso em 29/10/2023 - https://picvisa.com/en/automation-in-recycling/ Pigni, F., Crave, S., Aurelio, R., (2007). Traceability in the Textile and Clothing Industry: Issues and Implications for RFId Adoption. Popescu, A., (2015). on the sustainability of fast fashion supply chains – a comparison between the sustainability of inditex and h&m’s supply chains. Management and Marketing Journal , 0(2), pag 333-352. Poratelli, F., (2022). What is Fashion Renting and what are the benefits for companies?. Último acesso em 29/10/2023 - https://www.cikis.studio/en/article/what-is-fashion-renting-and-whatare-the-benefits-for-companies . Preuss, S., (2023). Inditex and Jeanologia develop Air Fiber Washer to reduce microfibre shedding. Último acesso em 29/10/2023 - https://fashionunited.uk/news/business/inditex-and-jeanologiadevelop-air-fiber-washer-to-reduce-microfibre-shedding/2023061369992 . 76 Pucker, K. (2022). The Myth of Sustainable Fashion, Harvard Business Review. doi: https://hbr.org/2022/01/the-myth-of-sustainable-fashion Rauturier, S., (2023). Can Blockchain Technology Make Fashion More Transparent?. Good on you. Último acesso em 29/10/2023 - https://goodonyou.eco/blockchain-technology-fashiontransparency/ . Rebello de Oliveira, L., Medeiros, R., Terra, P., & Quelhas, O., (2012). Sustentabilidade: da evolução dos conceitos à implementação como estratégia nas organizações. doi: 10.1590/S010365132011005000062 . Refosco, E., Mazzotti, K., Sotoriva & M., Broega, C., (2011). O Novo Consumidor de Moda e a Sustentabilidade. Retirado de https://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/14946/1/Cbroega_04.pdf, Renewcell, About Us. Último acesso em 29/10/2023 - https://www.renewcell.com/en/section/about-renewcell/ Renewcell, Circulose. Último acesso em 29/10/2023 - https://www.renewcell.com/en/circulose/ Renewcell, Recycle with us. Último acesso em 29/10/2023 - https://www.renewcell.com/en/sourcing/ Renewcell, Technology. Último acesso em 29/10/2023 - https://www.renewcell.com/en/section/our-technology/ Rukhaya, S., Yadav, S., Rose, N., Grover, A., & Bisht, D., (2021). Sustainable approach to counter the environmental impact of fast fashion. Sabatini, F. (2019). Culture as Fourth Pillar of Sustainable Development: Perspectives for Integration, Paradigms of Action. European Journal of Sustainable Development, 8(3), 31. https://doi.org/10.14207/ejsd.2019.v8n3p31 Šajn, N., (2019), Environmental impact of the textile and clothing industry - What consumers need to know. European Parliamentary Research Service Santi, A. (2023). Can clothes ever be fully recycled? Último acesso em 29/10/2023: https://www.bbc.com/future/article/20230227-how-to-recycle-your-clothes Schoff, C., (2023). The Evolution of Corporate Social Responsibility. Último acesso em 29/10/2023 - https://www.ecolytics.io/blog/evolution-of-csr Schumacher, K., & Forster, A. (2022). Textiles in a circular economy: An assessment of the current landscape, challenges, and opportunities in the United States. doi: 10.3389/frsus.2022.1038323 . Shen, D. & Liu, F., (2013). Consumers’ Awareness of sustainable fashion. Marketing Management Journal , 23(2), 134-147. doi: https://www.researchgate.net/publication/272481810_Shen_D_Richards_J_Liu_F_2013_Con sumers'_awareness_of_sustainable_fashion_Marketing_Management_Journal_232_134-147 SIC Noticias, (2022). A roupa dos brancos mortos. Último acesso em 29/10/2023 - https://sicnoticias.pt/programas/reportagemsic/2022-05-11-a-roupa-dos-brancos-mortos . 77 Silva, M., (2020). Práticas de Sustentabilidade no Mundo da Moda e do Vestuário. Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS), Universidade do Minho, Portugal. Slater, K., (2003). Environmental Impact of Textiles: Production, Processes and Protection Smartex.ai. Último acesso em 29/10/2023 - https://www.smartex.ai/case-studies Smartex.ai. Último acesso em 29/10/2023 - https://www.smartex.ai/product Smartex.ai. Último acesso em 29/10/2023 - https://www.smartex.ai/ StartUs Insights, Discover the Top 8 Trends in the Textile Industry 2024. Último acesso em 29/10/2023 - https://www.startus-insights.com/innovators-guide/textile-industry-trends/#3dtechnologies Sustainable Fashion Forum. Quick Question: Why Can’t We Just Recycle Our Old Clothes?. Último acesso em 29/10/2023 - https://www.thesustainablefashionforum.com/pages/quick-questionwhy-cant-clothes-just-be-recycled . Sutton, Ph. (2004). A Perspective on environmental sustainability? The Higg Index, Apparel Coalition. Último acesso em 29/10/2023 - https://apparelcoalition.org/the-higg-index/ . Todeschini,B., Cortimiglia, M., Callegaro-de-Menezes, D., & Ghezzi, A., (2017). Innovative and sustainable business models in the fashion industry: Entrepreneurial drivers, opportunities, and challenges. Tonti, L., (2023). The missing link’: is textile recycling the answer to fashion’s waste crisis?. The Guardian. Último acesso em 29/10/2023 - https://www.theguardian.com/fashion/2023/oct/18/the-missing-link-is-textile-recycling-theanswer-to-fashions-waste-crisis Último acesso em 29/10/2023 - https://www.apparelalliance.org/ Último acesso em 29/10/2023 - https://apparelcoalition.org/the-higg-index/ Último acesso em 29/10/2023 - https://bcome.biz/blog/what-can-your-fashion-business-do-toachieve-the-sustainable-development-goals/ Último acesso em 29/10/2023 - https://sdgs.un.org/partnerships/action-networks/consciousfashion-and-lifestyle-network Último acesso em 29/10/2023 - https://www.un.org/sustainabledevelopment/sustainabledevelopment-goals/ Último acesso em 29/10/2023 - https://www.un.org/sustainabledevelopment/developmentagenda/ Último acesso em 29/19/2023 - https://remake.world/stories/news/how-the-united-nationssdgs-relate-to-the-fashion-industry/ UN Global Compact. Último acesso em 29/10/2023 - https://unglobalcompact.org/what-isgc/our-work/social UNECE, (2018). Fashion and the SDGs: what role for the UN? no International Conference Center Geneva. 78 Unesco, (2017). Relatório mundial das Nações Unidas sobre o desenvolvimento dos recursos hídricos, 2017: Águas residuais: o recurso inexplorado, resumo executivo. UNESCO World Water Assessment Programme. Valente, S., (2008) Luxo Sustentável : a nova estratégia do mercado premium? X Congresso de Ciências da Comunicação da Região Nordeste. Vezzoli, C., (2008). Design for Environmental Sustainability, Life Cycle Design of Products. Vieira, H., (2015). The world needs to stop relying on linear business models that produce waste. Último acesso em 29/10/2023 - https://blogs.lse.ac.uk/businessreview/2015/10/09/theworld-needs-to-stop-relying-on-linear-business-models-that-produce-waste/ Vijeyarasa, R. & Liu, M., (2021) Fast Fashion for 2030: Using the Pattern of the Sustainable Development Goals (SDGs) to Cut a More Gender-Just Fashion Sector. doi: 10.1017/bhj.2021.29 World Fashion Exchange. Último acesso em 29/10/2023 - https://www.worldfashionexchange.com/ World Wild Life, Último acesso em 29/10/2023 - https://www.worldwildlife.org/industries/cotton . Worn Again Technologies, Último acesso em 29/10/2023 - https://wornagain.co.uk/ Yacout, D., & Hassouna, M., (2016). Identifying potential environmental impacts of waste handling strategies in textile industry.