Ca a ina Manuela Ma ques Cos a
A Responsabilidade Social nas Emp esas:
o papel e o impac o das ce i icações sociais
ou ub o de 2024
A Responsabilidade Social nas Emp esas: o papel e o impac o das ce i icações sociais
Ca a ina Manuela Ma ques Cos a
UMinho|2024
Uni e sidade do Minho
Escola de Economia e Ges ão
Ca a ina Manuela Ma ques Cos a
A Responsabilidade Social nas Emp esas:
o papel e o impac o das ce i icações sociais
ou ub o de 2024
Disse ação de Mes ado
Mes ado em Ges ão de Recu sos Humanos
T abalho e e uado sob a o ien ação da
P o esso a Dou o a Ana C is ina Almeida Ca alho
Uni e sidade do Minho
Escola de Economia e Ges ão
ii
DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS
Es e é um abalho académico que pode se u ilizado po e cei os desde que espei adas as eg as e
boas p á icas in e nacionalmen e acei es, no que conce ne aos di ei os de au o e di ei os conexos.
Assim, o p esen e abalho pode se u ilizado nos e mos p e is os na licença abaixo indicada.
Caso o u ilizado necessi e de pe missão pa a pode aze um uso do abalho em condições não
p e is as no licenciamen o indicado, de e á con ac a o au o , a a és do Reposi ó iUM da Uni e sidade
do Minho.
Licença concedida aos u ilizado es des e abalho
A ibu ion-NonComme cial-NoDe i a i es
CC BY-NC-ND
h ps://c ea i ecommons.o g/licenses/by-nc-nd/4.0/
iii
Ag adecimen os
Es a disse ação é o esul ado de dois, longos e in ensos, anos. Dois anos da lu a cons an e en e a
exaus ão e a ambição.
Ao meu pai, po se o meu maio ídolo. O melho exemplo de esiliência! A pessoa cujo al uísmo
in ade odas as suas decisões. À minha mãe, pela paciência e semp e disponibilidade. Mãe é mãe!
Sou mui o g a a po e um pe cu so ão bem ampa ado. Ao meu che inho. O
mini me
e são
masculina. Tenho em i o desejo de e e c esce , eliz e conc e izado. O obje i o de e da semp e
mais e melho . Amo único. Aos meus a ós, que são o meu pila . A o igem da g ande amília que me
o gulha. Ob igada po se em sinónimo de “ i e a ida in ensamen e”. À minha pequena, a minha
a ilhada, a minha melho e são. A odos, ob igada po aze em pa e de mim e da minha elicidade.
Às minhas amigas, Nana, Ca , Viki, Bibi, Ca Gib a, Lina, são um pila undamen al. No ilme “Di e ida-
Men e”, ocês se iam a g ande base da ilha da amizade. São a pala a ce a, o po o segu o, o omb o
amigo. Aos meus apazes, Mi, Kallu, Paulex, Mi anda, Jaime, Zé, Mo ais, Febio, que são os amigos que
me acompanham. A amizade mais since a e p o e o a. Aos
Public Se ice
, po se em os meus
ide o
die
. Os p o agonis as das mais belas
deep alks
. Em especial, ao meu Ped inho, po se o companhei o
de iagem, o ab aço p esen e e o p esen e de cada dia. O melho ! Ao meu g upo de p axe. Em
especial, à minha mad inha e ao meu quin e o, Jess, Guida, Ca e Duda. Unus P imogéni o: ocês são
p o a de que os amigos da uni e sidade ma cam a nossa ida pa a semp e! Nos algia de an o. Vão
se semp e casa. À minha equipa, Cláudia, Syl ie, C is ininha, Tiago e Vidal, ob igada pela paciência,
pelos o os de con iança e po se em os melho es p o issionais e amigos. Es a ese le a um pedacinho
de cada ap endizagem. Um pedacinho de cada um de ocês.
À minha o ien ado a, P o esso a D a. Ana Ca alho, po e sido semp e p es á el e ão disponí el a
cada solici ação. Ob igada pela paciência e pe sis ência. Desejo-lhe que con inue com o espí i o
asse i o que an o a ca ac e iza e mui o sucesso pa a o u u o!
A odos os amigos e conhecidos que ize am igualmen e pa e do meu pe cu so, ob igada. A odos
ocês, desejo- os que i am in ensamen e, semp e! Cos a, 2024
i
Decla ação De In eg idade
Decla o e a uado com in eg idade na elabo ação do p esen e abalho académico e con i mo que não
eco i à p á ica de plágio nem a qualque o ma de u ilização inde ida ou alsi icação de in o mações
ou esul ados em nenhuma das e apas conducen e à sua elabo ação. Mais decla o que conheço e que
espei ei o Código de Condu a É ica da Uni e sidade do Minho.
A Responsabilidade Social nas Emp esas: o papel e o impac o das ce i icações sociais
Resumo
Es e es udo e e como obje i o analisa o papel e o impac o das Ce i icações Sociais na
Responsabilidade Social das Emp esas e a sua in luência na Ges ão de Recu sos Humanos. A a és de
uma abo dagem quali a i a, o am ealizadas en e is as semi-es u u adas com 20 ges o es de
ecu sos humanos de di e en es se o es, nomeadamen e o êx il, alimen a , ecnológico e calçado. A
in es igação p ocu ou comp eende as mo i ações pa a a adoção de p á icas de RSE e de CS,
comp eende o impac o e os desa ios das CS nas emp esas e na GRH, analisando algumas pe ceções
dos p o issionais da á ea dos Recu sos Humanos. Os esul ados e ela am que as emp esas ado am
p á icas de RSE sob e udo de ido a p essões ex e nas, como exigências de consumido es e
in es ido es, e pela necessidade de melho a e aumen a a compe i i idade. As CS são is as como
uma ex ensão das p á icas de RS, o necendo c edibilidade e assegu ando a con o midade das
mesmas com as no mas in e nacionais. Con udo, su gem desa ios signi ica i os, p incipalmen e os
cus os ele ados e a complexidade dos p ocessos de audi o ia, que di icul am e, em alguns casos,
impedem, a aplicação des as p á icas. Concluiu-se que, embo a as CS alidem as p á icas de RSE e
melho em a sa is ação e e enção dos colabo ado es, o seu impac o a ia consoan e o comp omisso da
emp esa com a RS. A adoção de CS, quando acompanhada po p á icas de RSE, pode e impac os
posi i os e du adou os an o na GRH quan o na compe i i idade das emp esas no me cado global.
Pala as-Cha e: Ce i icação Social, Compe i i idade, Ges ão de Recu sos Humanos, Polí icas
Sociais, Responsabilidade Social.
i
Co po a e Social Responsibili y: The Role and Impac o Social Ce i ica ions
Abs ac
This s udy aimed o analyze he ole and impac o Social Ce i ica ions on Co po a e Social
Responsibili y (CSR) and hei in luence on Human Resou ce Managemen (HRM). Using a quali a i e
app oach, semi-s uc u ed in e iews we e conduc ed wi h 20 human esou ce manage s ac oss a ious
sec o s, namely ex ile, ood, echnology, and oo wea . The esea ch sough o unde s and he
mo i a ions o adop ing CSR and Social Ce i ica ion p ac ices, o assess he impac and challenges o
Social Ce i ica ions wi hin companies and HRM, and o analyze he pe spec i es o p o essionals in he
Human Resou ces ield. The indings e ealed ha companies p ima ily adop CSR p ac ices due o
ex e nal p essu es, such as demands om consume s and in es o s, and om he need o imp o e and
enhance compe i i eness. Social Ce i ica ions a e seen as an ex ension o CSR p ac ices, p o iding
c edibili y and ensu ing compliance wi h in e na ional s anda ds. Howe e , signi ican challenges a ise,
pa icula ly high cos s and he complexi y o audi p ocesses, which complica e and, in some cases,
hinde he implemen a ion o hese p ac ices. I was concluded ha , al hough Social Ce i ica ions
alida e CSR p ac ices and enhance employee sa is ac ion and e en ion, hei impac a ies depending
on he company’s commi men o CSR. The adop ion o Social Ce i ica ions, when accompanied by
CSR p ac ices, can ha e posi i e and las ing impac s bo h on HRM and on he compe i i eness o
companies in he global ma ke .
Key Wo ds: Compe i i eness, Co po a e Social Responsiabili y, Human Resou ce Managemen , Social
Ce i ica ion, Social Policies.
ii
Índice
Ag adecimen os .................................................................................................................................. iii
Decla ação De In eg idade .................................................................................................................. i
Resumo ...............................................................................................................................................
Abs ac .............................................................................................................................................. i
Índice de abelas/ igu as ................................................................................................................... iii
Lis a de ab e ia u as........................................................................................................................... ix
Capí ulo 1: In odução, mo i ações e obje i os ..................................................................................... 1
Capí ulo 2: Enquad amen o eó ico ...................................................................................................... 3
2.1. In odução à Responsabilidade Social nas Emp esas: e olução e Concei ualização ..................... 3
2.1.1. A RSE: em Po ugal ............................................................................................................ 7
2.2. P á icas de Responsabilidade Social nas Emp esas ................................................................... 8
2.2.1. Mensu ação das p á icas de RSE ...................................................................................... 10
2.3. A Responsabilidade Social nas Emp esas e a Ges ão de Recu sos Humanos ........................... 12
2.4. Ce i icações Sociais: Enquad amen o ..................................................................................... 14
2.4.1. SA8000, ISO26000 e ou as ce i icações ele an es ........................................................ 15
2.4.2. P ocessos de Ce i icação Social ...................................................................................... 17
2.4.3. Mo i ações e bene ícios das Ce i icações Sociais nas emp esas ...................................... 17
2.4.4. Di iculdades e impac os das ce i icações sociais nas emp esas ....................................... 18
2.5. Relação en e a RS e as CS nas emp esas: desa ios e impac os ............................................. 21
Capí ulo 3: Me odologia de in es igação .............................................................................................23
3.1. Obje i os de in es igação e pe gun a de pa ida .......................................................................23
3.2. Iden i icação do es udo e ca ac e ização da me odologia ......................................................... 24
3.3. Ins umen os de ecolha e a amen o de dados ...................................................................... 27
Capí ulo 4: Análise e discussão de esul ados ....................................................................................30
4.1. Discussão de esul ados ..........................................................................................................30
4.2. Conclusões do es udo ............................................................................................................. 34
4.3. Limi ações e ecomendações u u as ......................................................................................36
Re e ências Bibliog á icas ..............................................................................................................38
Anexos ............................................................................................................................................. 44
Apêndices .........................................................................................................................................45
5
Os p imei os es udos sob e o concei o de “Responsabilidade Social nas Emp esas” (ou
Responsabilidade Social Co po a i a, como mui os o abo dam) su gem g aças a Howa d Bowen com a
ob a “
Social Responsibili y o he Businessman”
onde de ine es e concei o como “ob igações dos
emp esá ios pa a segui essas polí icas (…) que são desejá eis em e mos de obje i os e alo es da
nossa sociedade” (Bowen, 1953, p.6, ci ado po Ca alho em 2022). Depois da de inição de Bowen,
su gi am mui as ou as de inições de Responsabilidade Social, como é o caso da in e p e ação de
Schwa z e Ca oll (2003), que c ia am um modelo com 3 domínios di e en es: é ico, económico e
legal, p e endendo mos a a RSE como um mecanismo dinâmico onde os di e en es domínios se
elacionam en e si (Figu a 1).
Figu a 1
Rep esen ação do modelo dos 3 domínios de Schwa z e Ca oll (2003).
Es e modelo é uma e olução signi ica i a que p opõe uma abo dagem idimensional, onde cada
domínio é ep esen ado como uma es e a, que se conec a com as es e as pe i é icas, anspa ecendo
a in e dependência en e essas esponsabilidades – e lexo da ealidade emp esa ial. Além disso, es e
modelo não es abelece uma hie a quia pe an e as esponsabilidades, como azia o modelo em
pi âmide de Ca oll, ep oduzindo in enções de maio lexibilidade e dinamismo. Ou os au o es,
abo dam ou as pe spe i as, que e le em a mul idimensionalidade da RSE, mas que p ocu am
igualmen e pe cebe a RSE e como es a de e se inco po ada nas p á icas e es a égias da emp esa
(Schwa z e Ca oll, 2003).
Nas úl imas duas décadas, as endências da RSE o na am-se cada ez mais so is icadas,
impulsionadas pelos desa ios globais, como as al e ações climá icas, a desigualdade social e as no as
exigências dos consumido es. Mais do que uma ob igação mo al, a RSE pode se uma on e de
6
ino ação e an agem compe i i a, a a és da c iação de alo . Po e e K ame de endem que as
emp esas podem ge a bene ícios an o pa a a sociedade quan o pa a os seus negócios, ao abo da
p oblemas sociais de o ma es a égica (Po e e K ame , 2006). Em 2001, a Comissão Eu opeia
de iniu a RS como “a in eg ação olun á ia de p eocupações sociais e ambien ais po pa e das
emp esas nas suas ope ações e na in e ação das a i idades com as pa es in e essadas” (Comissão
Eu opeia, pág. 7, 2001), o que signi ica que a RS é, essencialmen e, um conjun o de p á icas que as
emp esas decidem (ou não) ado a . As emp esas são mui as ezes mo i adas a p á icas esponsá eis
ace à p essão exe cida em p ol de uma sociedade mais jus a e mais conscien e (Fonseca, 2014). De
um modo ge al, a RSE é um concei o que in oduz uma pe spe i a socio-ambien al na es a égia
emp esa ial, na medida em que compo a uma dimensão social e ambien al associadas à pe o mance
da emp esa, e que en a co esponde às ci cuns âncias compe i i as (Mou a, 2014). Nos p imó dios
do ema, Vo aw já de endia a RSE como um concei o amplo, uma ez que “(…) signi ica alguma coisa,
mas nem semp e a mesma coisa pa a odos. Pa a alguns, ansmi e a ideia de esponsabilidade legal
ou ob igação; pa a ou os, signi ica compo amen o socialmen e esponsá el no sen ido é ico; pa a
ou os ainda, o sen ido ansmi ido é o de ' esponsá el po ', de um modo casual; mui os simplesmen e
o equipa am a uma con ibuição de ca idade (…)” (Vo aw, 1972, p.25, ci ado po Ca alho em 2022).
É um concei o ão amplo e múl iplo que, mui as ezes, é ambém associado ao desen ol imen o
sus en á el, à sus en abilidade, ao ma ke ing social ou à cidadania co po a i a (Ga cia, 2004).
Funciona como um io condu o , ans e sal e inspi ado , ine en e à p óp ia o ganização, e que “ az
pa e da sua es a égia, dos seus p incípios e alo es (…) en ol endo os
s akeholde s
, assim como as
suas p eocupações a uais e u u as, no âmbi o da sua qualidade de ida” (Gonçal es, 2012, p.18).
A ualmen e, a RSE es á ambém associada aos Obje i os de Desen ol imen o Sus en á el da
O ganização das Nações Unidas, que o am es abelecidos em 2015 (ONU, 2015). Esses obje i os
o necem um quad o global pa a que as emp esas alinhem as suas p á icas de RSE com me as de
desen ol imen o económico, social e ambien al. Con o me salien a Ruggie (2017), a in eg ação dos
ODS nas es a égias emp esa iais é uma endência c escen e, à medida em que as emp esas en am
con ibui pa a a esolução de desa ios globais, como a pob eza, a desigualdade de géne o e a c ise
climá ica. Pa a além des as endências, impo a-nos en ende que o impulsionamen o dos
compo amen os de RS nas emp esas esul ou numa c escen e impo ância pela anspa ência, o que
le ou ao desen ol imen o de ce i icações sociais, como a SA8000 e a ISO 26000, que o e ecem um
quad o de e e ência pa a as emp esas implemen a em e epo a em as suas p á icas de RSE. Des a
o ma, a RSE passou de um concei o di e so a uma pa e es u u ada e cen alizada das es a égias
7
emp esa iais mode nas, que con inua a e olui à medida em que as emp esas en en am no os
desa ios globais e espondem às c escen es expec a i as dos seus
s akeholde s
(Ruggie, 2017).
2.1.1. A RSE: em Po ugal
Em Po ugal, o p ocesso de consciencialização ela i amen e à RS acon eceu um pouco mais a de do
que a maio pa e dos países indus ializados. Foi sob e udo no i a do milénio, com o Plano Nacional
de Desen ol imen o Económico e Social (1998), que se começou a e mudanças nas men alidades
emp esa iais, que começa am a es a o ien adas pa a quad os que mobilizassem ações num sen ido
mais social e humano. Duas décadas depois, o es udo da RS con inua a se uma necessidade, uma
ez que, compa a i amen e aos países izinhos, ainda não é um
mindse
comple amen e en aizado na
maio ia das emp esas po uguesas. (Rego e al., 2007) Ainda, segundo Sil a (2013), pa a as PMEs, a
RS a ua de o ma menos o mal e mais in ui i a em elação às emp esas de g ande dimensão que
necessi am de uma ges ão da RSE mais exigen e, ponde ada e o ganizada pa a que nu a os e ei os
desejados. Há au o es que conside am que, pa a mui as emp esas, o oco na RS consis e em
demons a aos seus
s akeholde s
que a emp esa se p eocupa com ques ões sociais e ambien ais,
ou os ac edi am que, ao ado a em p á icas de RS, podem es a , consequen emen e, a con ibui pa a
o aumen o dos seus esul ados. Aliás, Mou a (2014), na sua ese de dou o amen o, menciona que o
aumen o de luc os de uma emp esa, embo a dependa da sua capacidade p odu i a, ambém es á
di e amen e elacionado com a combinações dos seus ecu sos, nomeadamen e a a iculação da
es a égia de luc o da emp esa com p á icas de RS. No en an o, econhece que em Po ugal ainda não
há es a cul u a de RS in ínseca nas emp esas e que é um caminho que de e se , com alguma
u gência, pe co ido, pa a que con inuemos a se um país a a i o e compe i i o nas condições e
qualidade de abalho (Mou a, 2014).
Em ó uns mais ecen es, como é o caso do ó um “T ans on ei iço: Responsabilidade Social das
Emp esas e Igualdade Labo al (RES+I)”, que oco eu no Al ice Fó um B aga, em Po ugal, no dia 22 de
junho de 2024, o am iden i icadas e pa ilhadas medidas de RSE, no sen ido de impulsiona a ge ação
de emp egos de qualidade. Nesse ó um, es e e p esen e o, na al u a, p esiden e do Município de
B aga e da In es B aga, Rica do Rio, que a i mou que a “digni icação das a i idades p o issionais e a
alo ização do abalho são condições undamen ais pa a que os cidadãos possam encon a a o es de
a a i idade no nosso e i ó io. Po isso, é necessá io que os agen es económicos enham especial
p eocupação com o bem-es a social e labo al dos seus colabo ado es, pa a que se sin am ealizados
pessoal e p o issionalmen e”. Fo am á ios os es emunhos, de á ios se o es de indús ia, que
con ibuí am pa a es e deba e e que des aca am a implemen ação de medidas Responsabilidade
8
Social como um a o de desen ol imen o in eg ado dos e i ó ios, salien ando as á ias polí icas de
equilíb io en e a ida p o issional, pessoal e amilia (In es B aga, 2024).
Du an e mui o empo, a RS esul a a de um plano olun á io exe cido li emen e pelas en idades
emp esa iais, não exis indo qualque co po no ma i o ou e e encial que pe mi isse às emp esas
sis ema iza os seus ela os de RS de aco do com uma di e i a lógica. No en an o, com o a anço das
ideologias e p á icas de RS, começa am a su gi no mas que di eciona am os in e esses e que se
ce i ica am de que as emp esas cump iam com as di e izes com que se comp ome iam. A
Ce i icação Social da RSE começou a se um ins umen o cujo in ui o é alinha as p á icas das
o ganizações com um no o modelo de desen ol imen o, assen e na elação en e a é ica, o diálogo e o
comp omisso (Sil a, 2013), como e emos mais à en e.
2.2. P á icas de Responsabilidade Social nas Emp esas
As p á icas de RSE isam p omo e uma a uação é ica e esponsá el das emp esas em elação aos
seus colabo ado es, à sociedade, ao meio ambien e e, cla o, ao desen ol imen o económico. Es e
concei o mul idisciplina de e es a p esen e na es a égia das emp esas, pa a ga an i que as
a i idades emp esa iais são sus en á eis e que conside am não só o luc o, mas ambém o seu impac o
(Ca oll, 1991).
As p á icas de RSE, no âmbi o social, ocam-se p incipalmen e na c iação de condições de abalho
jus as, segu as e equi a i as. Um dos aspe os undamen ais é a p e enção do assédio no abalho.
Com a publicação da Lei n.º 73/2017, o am in oduzidas al e ações ao Código do T abalho e à Lei
Ge al do T abalho em Funções Públicas, que impõem a c iação de códigos de condu a pa a p e eni o
assédio labo al, sendo es a uma medida ob iga ó ia pa a as emp esas (República po uguesa, 2009,
2014). Segundo Almeida e Pin o (2020), o comba e ao assédio no abalho não só p o ege os
colabo ado es, mas ambém e o ça a cul u a de espei o e dignidade no ambien e labo al,
con ibuindo pa a um clima o ganizacional saudá el. Aliado às ques ões legais, em semp e a
necessidade de ins ui as equipas, in o ma os colabo ado es e sensibilizá-los pa a as condições de
abalho, que são p á icas que de em se pensadas e p omo idas pelos ges o es de RH. A Lei n.º
93/2019 es ipula que odos os abalhado es com con a o êm di ei o a 40 ho as anuais de o mação,
o que isa p omo e o desen ol imen o e a capaci ação dos colabo ado es (República po uguesa,
2009, 2014). Segundo Sousa e Gonçal es (2021), o in es imen o na o mação con ínua, pa a além de
se uma p á ica que con ibui pa a o comba e à desin o mação, é um dos p incipais a o es que
9
in luencia a e enção de alen o, uma ez que demons a o comp omisso da emp esa com o
desen ol imen o dos seus ecu sos humanos.
Em pa alelo com as p á icas elencadas, a sus en abilidade ambien al o nou-se uma á ea de ealce na
RSE e, as emp esas, são cada ez mais p essionadas a ado a p á icas que con ibuam pa a a
mi igação das al e ações climá icas e a p ese ação dos ecu sos na u ais. Po ugal comp ome eu-se a
a ingi a neu alidade ca bónica a é 2050, a a és da implemen ação de polí icas como o Plano
Nacional Ene gia e Clima 2030, que isa p omo e a ansição ene gé ica e a u ilização de ene gias
eno á eis. (Exp esso, 2023) A adoção de ecnologias limpas, como a ins alação de painéis sola es e a
edução da u ilização de combus í eis ósseis, são p á icas comuns en e emp esas que se alinham
com os obje i os de desca bonização, sendo inicia i as que, não só ajudam a eduzi a pegada de
ca bono das o ganizações, mas ambém con ibuem pa a uma edução signi ica i a dos cus os
ene gé icos a longo p azo (Ma ins, 2021). Além disso, o incen i o à e iciência ene gé ica e à ges ão
esponsá el dos ecu sos híd icos em sido amplamen e p omo ido po polí icas eu opeias e nacionais
(Exp esso, 2023). Segundo a Comissão Eu opeia (2021a), a implemen ação de p á icas de economia
ci cula , que isam eduzi o despe dício e maximiza o uso dos ecu sos eno á eis, é uma endência
c escen e en e as emp esas que ado am a RSE como pa e cen al da sua es a égia.
A comunicação in e na é ou a p á ica essencial e que o alece o comp omisso dos colabo ado es com
a o ganização. A a és de uma comunicação e icaz e anspa en e, as emp esas conseguem c ia uma
cul u a o ganizacional onde os colabo ado es se sen em ou idos e alo izados, c iando o sen ido de
pe ença. Es a anspa ência con ibui pa a uma maio coesão e colabo ação en e as equipas,
melho ando o desempenho global da emp esa.
De aco do com San os (2018a), mui as emp esas o ganizam e en os ins i ucionais e ações sociais que
en ol em an o os colabo ado es quan o as suas amílias, p omo endo o bem-es a e a coesão social.
Es e ipo de a i idades não só e o ça o elacionamen o en e a emp esa e a comunidade, mas
ambém aumen a o ní el de sa is ação e mo i ação dos colabo ado es (San os, 2018a). Nes a linha de
pensamen o, não podemos deixa de ala sob e o indicado “equilíb io en e a ida p o issional e
pessoal”. O equilíb io en e a ida p o issional e pessoal em-se o nado uma p eocupação c escen e
nas polí icas de RSE. Emp esas socialmen e esponsá eis são aquelas que implemen am medidas que
pe mi em aos seus colabo ado es concilia , com mais acilidade, as exigências do abalho com as
suas esponsabilidades amilia es e pessoais. Segundo Ma ins (2021), a adoção de ho á ios lexí eis,
ele abalho e ou os mecanismos de conciliação são medidas que não só melho am a qualidade de
ida dos abalhado es, mas ambém êm impac os posi i os na sua p odu i idade. Es e assun o é
10
pa icula men e ele an e num me cado de abalho que é cada ez mais compe i i o, onde a e enção
de alen os depende cada ez mais da capacidade das emp esas c ia em um ambien e de abalho que
p omo a a sa is ação pessoal e p o issional. Os esul ados mos am que colabo ado es que conseguem
equilib a a ida pessoal com o abalho são mais p opensos a pe manece na emp esa e a con ibui
pa a o seu sucesso a longo p azo (Ma ins, 2021).
No que diz espei o aos clien es, as p á icas de RSE p e endem, sob e udo, ga an i a anspa ência e a
segu ança dos p odu os e se iços o e ecidos. Oli ei a (2021) usa como exemplo o comp omisso das
emp esas em o nece in o mações anspa en es sob e a o igem dos seus p odu os, os ma e iais
u ilizados e o seu impac o ambien al. As p á icas e PS mais anspa en es, não só p o egem os di ei os
dos p odu o es, como ambém aumen a a con iança e a idelidade dos consumido es, p opo cionando
uma an agem compe i i a no me cado (Jones e al., 2017). Pa a a comunidade local, uma p á ica
comum en e emp esas socialmen e esponsá eis é o en ol imen o em inicia i as comuni á ias, que
ão desde o apoio a p oje os de desen ol imen o local a é à o ganização de ações de olun a iado
en e os colabo ado es. Segundo San os (2018b), es as p á icas o alecem os laços en e a emp esa e
a comunidade, e ainda aumen am a epu ação da emp esa na comunidade local. Além disso, mui as
emp esas implemen am p og amas de esponsabilidade ambien al, como o inanciamen o de p oje os
de conse ação e a c iação de pa ce ias com ONGs (Ma ins, 2020).
Rela i amen e aos o necedo es, uma p á ica de RSE comum é a ges ão esponsá el da cadeia de
abas ecimen o. As emp esas êm indo a implemen a polí icas de o necimen o é ico, assegu ando
que os seus pa cei os de negócios cump em com no mas labo ais e ambien ais adequadas. No que
oca aos in es ido es, pa a além da comunicação in e na, as emp esas êm indo a ado a uma
comunicação mais anspa en e e abe a, o necendo ela ó ios de alhados sob e as suas p á icas de
RSE e o impac o des as nas suas ope ações, pe mi indo que os in es ido es açam escolhas mais
in o madas e esponsá eis, alinhando os seus in es imen os com os p incípios e é ica emp esa ial. Em
suma, as p á icas de RSE, além de o alece em as elações in e nas e ex e nas da emp esa,
con ibuem pa a a cons ução de uma imagem co po a i a sólida e consequen e longe idade das
emp esas (Po e e K ame , 2006).
2.2.1. Mensu ação das p á icas de RSE
A mensu ação das p á icas de RSE é essencial pa a a GRH, pois pe mi e às o ganizações a alia o
impac o eal das suas inicia i as e ajus a as suas es a égias de aco do com os esul ados ob idos. No
en an o, mensu a o impac o da RS nas emp esas pode se desa ian e, dado o seu ca á e
mul idimensional, que ab ange á eas ão di e sas. No en an o, uma das e amen as mais u ilizadas
11
pa a medi a e iciência e impac o das inicia i as de RS é o
Global Repo ing Ini ia i e
(consul a anexo
1), que o nece um quad o pa a as emp esas epo a em o seu desempenho em á ias. O GRI pe mi e
que as emp esas quan i iquem o impac o das suas ações, a a és de indicado es especí icos que
a aliam desde o consumo de ene gia e emissões de ca bono a é à igualdade de géne o no local de
abalho e p á icas labo ais esponsá eis. Es es ela ó ios são amplamen e econhecidos
in e nacionalmen e e p opo cionam anspa ência, pe mi indo aos
s akeholde s
a alia de o ma
obje i a o comp omisso da emp esa com a RS (Global Repo ing Ini ia i e, 2021).
Além do GRI, há mui as ou as me odologias de mensu ação que incluem a u ilização de indicado es
de desempenho - Key Pe o mance Indica o s (KPIs) - especí icos pa a RSE, que pe mi em a alia o
impac o das inicia i as sociais e ambien ais ao longo do empo. Indicado es como a axa de e enção
de colabo ado es, ní eis de sa is ação no abalho, compa ação das emissões de ca bono do passado
com as e i adas e o olume de esíduos eciclados, são exemplos conc e os de indicado es que
o necem uma isão cla a sob e o desempenho da emp esa no âmbi o da RS. Es es KPIs ajudam as
emp esas a de ini me as de melho ia con ínua e a ajus a as suas polí icas de aco do com as
necessidades iden i icadas (Hubba d, 2009).
Ou o aspe o impo an e na mensu ação da RSE é o concei o “C iação de Valo Pa ilhado” (CVP), que
pe mi e a medição simul ânea do alo económico e do alo social. Emp esas que ado am es a
es a égia de CVP, p ocu am mensu a o impac o das suas p á icas de RSE não só em e mos de
bene ícios pa a a sociedade, mas ambém como é que essas p á icas a e am a compe i i idade e a
en abilidade da emp esa. A in eg ação de mé icas inancei as e sociais, pe mi e que as emp esas
maximizem os esul ados de ambas as e en es, alinhando o desempenho económico com os
obje i os sociais. (Po e e K ame , 2011) Eps ein e Buho ac (2014), au o es do li o “
Making
sus ainabili y wo k
”, apon am que um dos desa ios na mensu ação da RSE eside na di iculdade em
quan i ica impac os quali a i os, como a melho ia da epu ação da emp esa ou a sa is ação dos
colabo ado es. Embo a exis am mé odos de a aliação obje i a, como inqué i os e en e is as com
s akeholde s
, que ajudam a cap a pe ceções sob e a emp esa, a al a de pad onização e
compa abilidade o na di ícil pa a as emp esas compa a em o seu desempenho com o de ou as. Es a
lacuna acaba po se já mui o isada pelas emp esas, mas é uma ca ac e ís ica das ciências sociais e
humanas, que, po não se em ciências exa as, di icul am a medida e a pon uação das inicia i as.
Medi o impac o e a e iciência das p á icas de RSE, o na-se undamen al pa a o desenho es a égico
das emp esas. Ao iden i ica as á eas de sucesso e as opo unidades de melho ia, pe mi e-se que as
emp esas ajus em as suas inicia i as de RS pa a maximiza o seu impac o e alinha melho as suas
12
ações com as expec a i as dos
s akeholde s
e os obje i os de sus en abilidade. As emp esas que
in es em na mensu ação igo osa das suas p á icas de SER, são is as como mais esponsá eis e
anspa en es, o que pode aumen a a sua a a i idade pa a in es ido es, clien es e po enciais
colabo ado es (Eps ein e Buho ac, 2014).
2.3. A Responsabilidade Social nas Emp esas e a Ges ão de Recu sos Humanos
A RSE em-se o nado um concei o cen al pa a as emp esas mode nas, especialmen e à medida em
que es as en en am exigências c escen es po pa e dos
s akeholde s
, pa a agi em de o ma é ica e
sus en á el. Nes e con ex o, a GRH em um papel c ucial na p omoção e implemen ação de p á icas de
RSE den o das o ganizações. A GRH não só apoia a es a égia de RS ao ní el da ges ão dos
colabo ado es, como ambém assegu a que as p á icas emp esa iais es ão alinhadas com os alo es
de RS, p omo endo o bem-es a dos colabo ado es e das comunidades onde a emp esa ope a. A
elação en e a RSE e a GRH mani es a-se a a és da implemen ação de p á icas e polí icas de
Recu sos Humanos que p omo em os p incípios da RS. Segundo Ehne e Ha y (2012), a GRH
sus en á el é de inida como um conjun o de p á icas de RH que isa equilib a as necessidades dos
colabo ado es com os obje i os económicos e ambien ais da emp esa. Nes e sen ido, a GRH pode se
is a como um meio pelo qual as emp esas podem inco po a os seus comp omissos de RS nas suas
ope ações diá ias.
En e as p incipais á eas onde a RSE e a GRH a uam, encon amos a di e sidade e inclusão, o bem-
es a no local de abalho, a o mação e desen ol imen o con ínuo, e a ges ão é ica de emune ações e
bene ícios. A implemen ação de polí icas de di e sidade, po exemplo, es á di e amen e elacionada
com o comp omisso das emp esas em c ia um ambien e inclusi o, onde odas as pessoas,
independen emen e da sua nacionalidade, géne o, o ien ação sexual ou ou as ca ac e ís icas, são
a adas de o ma jus a e equi a i a (Ba ney e W igh , 1998). Da mesma o ma, o oco na saúde e
segu ança no local de abalho, pa a além das ob iga o iedades legais que a emp esa em de cump i ,
é uma á ea onde a GRH desempenha um papel c ucial, ga an indo e sensibilizando pa a que os
colabo ado es enham condições jus as de abalho. Além disso, a GRH pode acili a a implemen ação
de inicia i as de RS en ol endo os colabo ado es di e amen e em p og amas sociais, como
olun a iado co po a i o ou p oje os comuni á ios. Alguns au o es de endem que a pa icipação dos
colabo ado es em a i idades de RS aumen a o seu comp omisso e sa is ação, con ibuindo pa a um
ambien e de abalho mais posi i o e p odu i o. Assim, a GRH se e de pon e en e os obje i os de
RSE, a mo i ação e o bem-es a dos seus colabo ado es (B amme , Milling on e Ray on, 2007).
13
A RSE ambém pode se implemen ada di e amen e a a és de p á icas de GRH que p omo am a
sus en abilidade e a RS no local de abalho. Exis em á ias á eas especí icas onde as polí icas de RH
podem e le i p incípios sociais. A di e sidade e a inclusão o na am-se uma pa e essencial da RSE e
os ges o es de RH êm um papel undamen al na sua implemen ação. Emp esas socialmen e
esponsá eis p ocu am ga an i que as suas polí icas de con a ação, p omoção e emune ação são
jus as e equi a i as pa a odos os colabo ado es, independen emen e de a o es ex e nos, como
géne o, e nia, idade ou de iciência. As o ganizações que p omo em a di e sidade não apenas
cump em as suas esponsabilidades sociais, mas ambém melho am o desempenho o ganizacional ao
bene icia da di e sidade de pe spe i as e compe ências das mais di e sas equipas (Kochan e al.,
2003).
Ou o pila impo an e da RSE na GRH é a p omoção de condições de abalho segu as e o bem-es a
dos colabo ado es. As emp esas êm a esponsabilidade de c ia um ambien e de abalho que
minimize os iscos pa a a saúde e a segu ança, ao mesmo empo que p omo e o bem-es a ísico e
men al dos seus colabo ado es. Inicia i as como p og amas de saúde, apoio psicológico e ho á ios de
abalho lexí eis são exemplos de p á icas de GRH que in eg am a RSE. De aco do com Danna e G i in
(1999), as emp esas que p io izam o bem-es a dos seus colabo ado es acabam po sen i menos
u no e
e absen ismo, enquan o aumen am a p odu i idade e a sa is ação no abalho. Em pa alelo, a
o mação e o desen ol imen o con ínuo dos colabo ado es são uma pa e in eg an e da RSE. Emp esas
que in es em no desen ol imen o das compe ências dos seus colabo ado es, o necendo-lhes as
e amen as e os ecu sos necessá ios pa a o seu c escimen o p o issional e pessoal, pa a além do
impac o posi i o que ob êm nos colabo ado es, são p á icas que bene iciam a o ganização ao
aumen a a compe i i idade, a a a i idade e ino ação da emp esa (Collins e Smi h, 2006).
A RS ambém se e le e na o ma como as emp esas ge em a emune ação dos seus colabo ado es.
Se as polí icas de GRH que são alinhadas com a RSE, de em ga an i que os colabo ado es ecebem
salá ios jus os e compe i i os ace às si uações a uais, e que as p á icas de emune ação são
anspa en es e equi a i as. O
li ing wage
, po exemplo, começa a se um e mo amplamen e alado no
que diz espei o a polí icas sala iais. O concei o é, desde há mui o empo, p econizado pelas Nações
Unidas como uma o ma de assegu a que os abalhado es conseguem i e dignamen e com o
p odu o do seu abalho e que a emune ação es á ajus ada às suas despesas e necessidades básicas
(Li ing Wage Funda ion, 2024).
As emp esas são desa iadas a p omo e polí icas sociais (PS), a se em melho es e a o e ece em
qualidade às suas equipas. Pa a além das polí icas sala iais, há ou os bene ícios que podem con ibui
14
pa a a qualidade e sa is ação dos colabo ado es, como segu os de saúde, planos de poupança pa a a
e o ma e/ou apoios à educação, que são o mas de demons a o seu comp omisso com o bem-es a
dos colabo ado es e com a RS. G eening e Tu ban (2000) a gumen am que as emp esas que,
alinhadas à con ibuição sala ial, o e ecem um conjun o de bene ícios compe i i os são mais a a i as
pa a candida os p es igiados, e o çando a sua compe i i idade no me cado, nomeadamen e pa a
pe is jo ens e ins uídos.
A adoção de polí icas de RS em um impac o di e o na mo i ação e no desempenho dos colabo ado es.
De aco do com Heslin e Ochoa (2008), os colabo ado es endem a sen i -se mais sa is ei os e
mo i ados quando abalham pa a emp esas que demons am comp omisso com a RS. Es e aumen o
da mo i ação aduz-se equen emen e em melho ias no desempenho, na comunicação en e equipas,
bem como num maio ní el de comp omisso e lealdade à o ganização. O en ol imen o dos
colabo ado es em inicia i as de RSE, como o olun a iado co po a i o, ambém em sido associado a
uma maio iden i icação com os alo es da emp esa (Heslin e Ochoa, 2008). O mundo emp esa ial
caminha pa a uma dimensão em que o comp omisso social das emp esas é um a o de e minan e
pa a a c iação de uma cul u a o ganizacional posi i a, onde os colabo ado es sen em que es ão a
con ibui pa a algo maio do que apenas o sucesso económico da o ganização (Rio dan, Ga ewood e
Bill, 1997).
2.4. Ce i icações Sociais: Enquad amen o
As Ce i icações Sociais (CS) su gem como uma espos a pa a o alinhamen o das in enções en e
emp esas, c iando um sen ido de maio equidade na mensu ação das p á icas, mas ambém dão
espos a ao aumen o da p essão po pa e dos consumido es, go e nos e in es ido es, que exigiam às
emp esas p á icas mais anspa en es, é icas e sus en á eis. A ibuídas po en idades independen es,
as ce i icações êm como obje i o ga an i que as emp esas seguem no mas de RS, espei ando os
di ei os dos abalhado es, o meio ambien e e os p incípios é icos que egem a a i idade emp esa ial.
O papel das CS em-se o nado cada ez mais ele an e à medida que a sociedade dá maio
impo ância ao impac o social e ambien al das emp esas. A RSE, que inicialmen e e a is a como uma
esponsabilidade olun á ia, em-se ans o mado numa exigência do me cado. Es a e olução acabou
po le a ao su gimen o de no mas in e nacionais que es abelecem pa âme os cla os sob e como as
emp esas de em a ua de manei a socialmen e esponsá el. As CS su gem, assim, como ins umen os
que pe mi em às emp esas p o a o seu comp omisso com p á icas de RS, melho ando
simul aneamen e a sua c edibilidade e epu ação no me cado. As CS uncionam como um mecanismo
21
2.5. Relação en e a RS e as CS nas emp esas: desa ios e impac os
A RS o nou-se um concei o cen al na ges ão emp esa ial mode na, especialmen e no que oca à
in eg ação de p eocupações sociais, ambien ais e é icas nas es a égias emp esa iais. A elação en e
RS e CS é undamen al pa a alida as ações das emp esas, o e ecendo uma o ma mensu á el de
demons a o comp omisso com p á icas sus en á eis e socialmen e esponsá eis. Em 1991, Ca oll,
de iniu as CS como uma ex ensão p á ica dos concei os de RS. Is o po que, embo a a RS possa se
en endida como o comp omisso olun á io das emp esas, as ce i icações o necem um mecanismo
conc e o pa a a alia e alida es e comp omisso (Ca oll, 1991).
As CS pe mi em a e i icação ex e na das p á icas de RS de uma emp esa, p opo cionando uma
ga an ia de con o midade com no mas in e nacionais e assegu ando que as ações sociais e ambien ais
es ão de aco do com pad ões econhecidos. Po exemplo, a ce i icação SA8000, já abo dada
an e io men e, é um ipo de ce i icação que não só a alia a con o midade da emp esa com os
p incípios de RS, mas ambém p omo e a melho ia con ínua das suas p á icas, uma ez que eque
audi o ias pe iódicas pa a ga an i o cump imen o ao longo p azo (P ue , 2005). Além disso, ambém
como já analisado an e io men e, as CS êm um papel c ucial na c edibilidade e na con iança que as
emp esas ganham jun o dos seus
s akeholde s
, pois são essenciais pa a legi ima a a uação da
emp esa (Huq, Chowdhu y e Klassen, 2016).
Ou o elemen o da elação en e a RS e as CS é o incen i o à melho ia das cadeias de o necedo es,
uma ez que o çam as emp esas a ga an i que os seus pa cei os ambém cump em com no mas
é icas e sus en á eis, p omo endo a RS ao longo de oda a cadeia de p odução e dis ibuição. Es e
“e ei o dominó” é especialmen e impo an e em indús ias de al o isco, como o êx il e o
ag oalimen a , onde as más condições labo ais e ambien ais podem comp ome e a in eg idade das
ope ações (Pon e, 2019).
A ges ão de iscos é ou o pon o c ucial onde a elação en e a RS e as CS se o na e iden e. De aco do
com Po e e K ame (2006), as emp esas que ado am CS, não só minimizam o isco de
incump imen o de leis labo ais e ambien ais, mas ambém conseguem melho a a sua posição
compe i i a, ao se em is as como líde es em RS. Es a ges ão de iscos é pa icula men e impo an e
num con ex o global onde os consumido es e os in es ido es es ão cada ez mais conscien es das
p á icas sociais e ambien ais das emp esas. O ela ó io de 2019 da Deloi e, apon a que as emp esas
que in es em em CS êm uma maio esiliência a c ises de epu ação, especialmen e em empos de
maio esc u ínio público. Ao se em ce i icadas, as emp esas êm uma p o a conc e a de que es ão a
22
segui as melho es p á icas, o que lhes pe mi e esponde de o ma e icaz a po enciais c ises. Embo a
as CS sejam um mecanismo undamen al pa a ga an i a RSE, exis em limi ações que p ecisam de se
conside adas. Um dos p oblemas apon ados é que mui as ce i icações dependem de audi o ias
pe iódicas, que podem se alí eis, especialmen e em con ex os onde os audi o es podem se
in luenciados po con li os de in e esse. Além disso, exis e a c í ica de que as ce i icações podem
o na -se uma p á ica supe icial, onde as emp esas apenas cump em com o mínimo, pa a ob e a
ce i icação, sem um e dadei o comp omisso com a melho ia con ínua e com a ans o mação social
(Eps ein e Buho ac, 2014).
23
Capí ulo 3: Me odologia de in es igação
3.1. Obje i os de in es igação e pe gun a de pa ida
O p esen e es udo em como obje i o analisa a elação en e a Responsabilidade Social e o impac o
das Ce i icações Sociais nas emp esas, dando especial des aque à á ea da Ges ão de Recu sos
Humanos. A in es igação isa comp eende de que o ma as CS con ibuem pa a a implemen ação de
p á icas de RS e como es as impac am a ges ão das pessoas nas o ganizações. Nes e sen ido, os
obje i os des a in es igação são os que se lis am abaixo:
Iden i ica as mo i ações que le am as emp esas a ado a em p á icas de
Responsabilidade Social e Ce i icações Sociais.
Com es e obje i o, p e ende-se iden i ica os a o es (in e nos e ex e nos) que incen i am as emp esas
a in es i em em ce i icações, como pa e da sua es a égia de RS.
Analisa o impac o das Ce i icações Socias na Ges ão de Recu sos Humanos.
Es e obje i o p ocu a explo a a o ma como a ob enção de CS in luencia as p á icas de ges ão de
pessoas nas emp esas. P e ende-se in es iga de que o ma as ce i icações a e am a polí ica de
o mação, a ges ão do desempenho, o bem-es a dos colabo ado es e as p á icas de igualdade e
inclusão.
A alia os desa ios en en ados pelas emp esas na implemen ação e manu enção de
Ce i icações Sociais.
Es e obje i o p e ende analisa os p incipais obs áculos e ba ei as que as emp esas en en am ao
en a ob e e man e as CS.
Pe cebe as (di e en es) pe ceções dos ges o es de Recu sos Humanos sob e a
e icácia das Ce i icações Sociais, na Responsabilidade Social.
Finalmen e, com es e obje i o, p e ende-se guia a in es igação numa ó ica de comp eende as
di e sas opiniões dos ges o es de RH, sob e o impac o das CS, bem como a sua pe ceção se es as
ealmen e conduzem a p á icas socialmen e esponsá eis ou se são me os equisi os o mais que
con ibuem pa a uma imagem de epu ação no me cado
24
Com base nos obje i os, p e endemos da espos a a duas pe gun as de pa ida, nomeadamen e:
Qual é a elação en e a Responsabilidade Social e as Ce i icações Socias nas
emp esas?
Qual é o impac o da Responsabilidade Social e das Ce i icações Sociais, no p esen e
e u u o, da Ges ão de Recu sos Humanos das emp esas?
Nos pon os que se seguem, damos início à discussão das espos as que esul a am em pad ões e
conclusões, que con ibuí am pa a um en endimen o sob e o papel e o impac o das CS na RSE e na
GRH.
3.2. Iden i icação do es udo e ca ac e ização da me odologia
Es e es udo segue uma abo dagem de in es igação quali a i a, que é pa icula men e adequada
quando se p e ende explo a enómenos de ca iz social. De aco do com C eswell (2013), a
in es igação quali a i a pe mi e ob e uma isão sob e as pe ceções, expe iências e opiniões dos
pa icipan es, sendo especialmen e ú il em con ex os onde se p e ende explo a a implemen ação e o
impac o das p á icas de RSE.
A in es igação quali a i a oi conseguida a a és da e isão de li e a u a, que p opo cionou uma isão
ab angen e sob e a RSE e as CS. Es a e isão se iu como base eó ica pa a o desen ol imen o das
pe gun as de pa ida e obje i os, po enciou a elabo ação da es u u a das en e is as e,
pos e io men e, auxiliou a análise e compa ação dos dados ecolhidos.
Fo am ealizadas en e is as a uma amos a de 20 ges o es de GRH, de di e sas emp esas e de
di e en es se o es de a i idade, en e eles: indús ias de êx il de moda, êx eis de au omó eis, de
calçado, se o alimen a , ecnológico, indús ias de me alomecânica e ó ica. A ab angência das
en e is as a es es se o es, pe mi iu ecolhe um leque de esul ados a iado, baseados em mais
expe iências e com di e sos pon os de is a. A seleção dos pa icipan es oi ei a endo como c i é io a
dimensão da emp esa, sendo selecionadas emp esas de g ande dimensão, uma ez que, na e isão de
li e a u a, ui cons a ando que a ce i icação em RS implica a (g andes) in es imen os, po isso, com o
p opósi o de a ingi espos as mais ol adas pa a os obje i os do abalho, decidi implemen a as
en e is as em emp esas de média ou g ande dimensão. Como o obje i o e a escla ece a ma é ia da
RSE e das CS nas emp esas, o meu obje i o e a chega às emp esas onde, pelo seu posicionamen o
inancei o, se ia mais e iden e ha e a anços nes as p á icas. Além des e c i é io, embo a enha
25
en e is ado um conjun o de se o es di e enciados pa a uma amos a mais comple a e com
a iadíssimas pe spe i as, en ei co esponde com o enquad amen o eó ico, nomeadamen e, ao
en e is a o se o êx il e alimen a , an as ezes mencionado na li e a u a como sec o es
po encialmen e p oblemá icos no âmbi o da RSE.
Alguns p o issionais op a am po man e nome da emp esa em o ma o sigiloso, pelo que acabei po
es abelece , como p incípio, que a análise das espos as osse ei a a a és de código (Emp esa 1,
Emp esa 2, …) ou a a és da menção do se o de indús ia, mas sem expo a on e de e e ência. A
opção po en e is as semies u u adas oi a es a égia mais adequada pa a o es udo, pois pe mi iu a
con e sa com p o issionais munidos de conhecimen os e expe iências na á ea, e que es ão
di e amen e elacionados com o obje o de es udo, assegu ando assim uma mais lexibilidade nas
espos as e na condução das con e sas, o nando-as mais icas e com maio pe inência de dados.
A opção po en e is as semies u u adas oi a es a égia mais adequada pa a o es udo, pois pe mi iu
explo a os conhecimen os e as expe iências do g upo de pa icipan es, que es ão di e amen e
elacionados com o obje o de es udo, assegu ando assim a iqueza e pe inência dos dados. Na abela
1, pode ão analisa alguns de alhes sob e os en e is ados e as p óp ias en e is as.
26
IDENTIFICAÇÃO DO ENTREVISTADO
DETALHE DA ENTREVISTA
En e is ado
Se o Indus ial
Idade
Dep. RH/ ca ego ia
Anos de expe iência
Du ação (ap ox)
Fo ma o
1
Têx il de Moda
28 anos
Técnico
5 anos
35 min
P esencial
2
Alimen a
31 anos
Técnico
9 anos
33 min
Online
3
Têx il au omó el
43 anos
Técnico
n/a
30 min
Online
4
Calçado
49 anos
Técnico
24 anos
32 min
Online
5
Me alomecânica e Ó ica
45 anos
Di e o
22 anos
40 min
Online
6
Têx il de Moda
38 anos
Di e o
14 anos
31 min
Online
7
Alimen a
40 anos
Técnico
n/a
32 min
Online
8
Têx il de Moda
37 anos
Di e o Adjun o
13 anos
30 min
P esencial
9
Calçado
n/a
Técnico
n/a
35 min
Online
10
Têx il au omó el
35 anos
Técnico
10 anos
37 min
Online
11
Tecnológico
29 anos
Ges o
3 anos
39 min
Online
12
Têx il de Moda (in e io )
36 anos
Técnico
7 anos
31 min
Online
13
Me alomecânica e Ó ica
42 anos
Di e o
12 anos
25 min
P esencial
14
Ó ica
36 anos
Técnico
n/a
38 min
P esencial
15
Tecnológico
31 anos
Técnico
7 anos
30 min
Online
16
Têx il au omó el
36 anos
Técnico
n/a
31 min
Online
17
Calçado
38 anos
Técnico
n/a
32 min
Online
18
Alimen a
41 anos
Di e o
n/a
37 min
Online
19
Alimen a
39 anos
Técnico
13 anos
34 min
Online
20
Têx il de Moda
51 anos
Técnico
29 anos
33 min
P esencial
Tabela 1 De alhe da amos a dos 20 pa icipan es
.
27
3.3. Ins umen os de ecolha e a amen o de dados
A e isão de li e a u a oi conduzida com base em on es conside adas académicas e cien í icas, como
a igos publicados em e is as, li os de e e ência e ela ó ios de o ganismos nacionais e
in e nacionais. A e isão de li e a u a e e como obje i o o nece um enquad amen o eó ico sob e
Ce i icações Sociais, Responsabilidade Social nas Emp esas e os impac os na Ges ão de Recu sos
Humanos, dando semp e especial oco à elação, ao papel e ao impac o que as p á icas de RS e a
implemen ação de CS êm en e si, na GRH e nas emp esas.
Apoiado nos
inpu s
eó icos es udados, oi es u u ado um guião de en e is a, que auxiliou a
con inuidade des a in es igação. As en e is as semies u u adas o am um mé odo pa a a ecolha de
dados e oi escolhido pelo seu ca a e lexí el, an o pa a ge i os momen os em que as en e is as
oco iam e em que o ma o oco iam (p esencial ou online), como pe mi iam que a con e sa luísse
pa a além do guião, explo ando no as ques ões à medida que a con e sa deco ia. An es de inicia a
en e is a, oi ei o um enquad amen o do ema, apoiado num documen o elabo ado, com alguns
apon amen os sob e o ema em es udo e espe i os obje i os (pa a consul a no apêndice 1). Quan o ao
guião das en e is as, oi elabo ado com base nos emas iden i icados na e isão da li e a u a e oi
es imado pa a en e is as en e 30 a 60 minu os (disponí el apêndice 2). Pa a além dos apon amen os
ei os ao longo das en e is as, com o consen imen o p é io dos en e is ados, iz a g a ação das
mesmas, pa a que pudesse ( e)ou i-las e analisá-las pos e io men e, sendo que, pa a o e ei o, oi
solici ado o consen imen o de g a ação a odos os en ol idos, a a és da assina u a de uma minu a de
consen imen o de áudio, disponibilizada no apêndice 3.
Quan o ao a amen o dos dados ecolhidos, oi ealizada uma compa ação en e o con eúdo ecolhido
na e isão de li e a u a e dos esul ados das en e is as, onde oi possí el pe cebe as endências nas
espos as dos en e is ados. Aquando da análise das g a ações das en e is as, a es a égia pa a a
o ganização dos dados oi a a és do p eenchimen o de uma abela, disponí el no apêndice 4, que
pe mi iu o ganiza as á ias ideias ansmi idas e ca ego iza os di e en es emas abo dados, o que
acili ou a iden i icação de pad ões de espos a. Não p ocedi à ansc ição das en e is as, uma ez
que, como e am 20 en e is ados, conside ei impo an e ado a uma es a égia que o ien asse a
análise e que pe mi isse a compa ação de dados de uma o ma mais luída, di e a e dinâmica.
Comecei po ou i as en e is as e aze os de idos apon amen os na abela. Pos e io men e, p ocu ei
iden i ica e ma ca as espos as mais comuns, des acando-as e ag upando as espos as, com a ajuda
de uma abela de análise (consul a apêndice 5). Com es a abela, p ocu ei elaciona as espos as
28
ano adas na p imei a abela (apêndice 4) com os obje i os do es udo, de modo pad oniza espos as e
conclui pon os de is a. Fui ag upando as ano ações, de modo a o ganiza as ideias po obje i os,
pe mi indo compa a á ias espos as en e se o es e o ganiza o discu so pa a a discussão de
esul ados. Com a composição da segunda abela e com in o mação su icien e sob e as mo i ações, os
impac os, os desa ios e pe ceções sob e a RSE e a CS, deu-se o início da esc i a do con eúdo,
discu indo-o com a ma é ia cons an e no enquad amen o eó ico.
Abaixo, na abela 2, é possí el analisa mos alguns apon amen os ei os ao longo da es a égia de
análise. O p eenchimen o das abelas oi ei o manualmen e, sendo ansc i a pos e io men e e de uma
o ma mais obje i a e cla a. Po isso, a in o mação que cons a na abela abaixo deno a, de o ma
sin e izada, esses mesmo apon amen os.
29
OBJETIVOS DO
ESTUDO
IDENTIFICAR AS
MOTIVAÇÕES QUE LEVAM AS
EMPRESAS A ADOTAREM
PRÁTICAS DE
RESPONSABILIDADE SOCIAL
E CERTIFICAÇÕES SOCIAIS.
ANALISAR O IMPACTO DAS
CERTIFICAÇÕES SOCIAS
NA GESTÃO DE RECURSOS
HUMANOS.
AVALIAR OS DESAFIOS
ENFRENTADOS PELAS
EMPRESAS NA
IMPLEMENTAÇÃO E
MANUTENÇÃO DE
CERTIFICAÇÕES SOCIAIS.
PERCEBER AS (DIFERENTES)
PERCEÇÕES DOS GESTORES DE
RECURSOS HUMANOS SOBRE A
EFICÁCIA DAS CERTIFICAÇÕES
SOCIAIS, NA RESPONSABILIDADE
SOCIAL.
OUTROS DETALHES
RESPOSTAS-
CHEVE
E.1, E.6, E.8, E.10, E.14,
E.16, E.20: “a exigência dos
nossos clien es in luência mui o
as nossas ações”
E.3, E.13: exigências legais é o
maio mo i o pa a a adoção de
ce i icações
E.4, E.9 e E.5: expansão da
emp esa; o acesso a me cados
es á cada ez mais condicionado
E.12: “as p á icas de RS azem
com que os nossos colabo ado es
se sin am alo izados (…) odos os
anos a ualizamos as nossas PS”
Opinião pa ilhada po odos:
o alece a con iança dos clien es
E.1, E.2, E.4, E.8, E.13,
E.18, E.19: melho ias no clima
o ganizacional, no u no e , no
absen ismo; “ o alece o ínculo
à emp esa”
E.3, E.7, E.9: sa is ação e
mo i ação das equipas
E.15: “as p á icas e es a égias
no âmbi o da RS é que nos
dis inguem das es an es
emp esas (…) emos de e e os
nossos alen os, pa a
con inua mos a e qualidade”
E.10: anspa ência in e na
E.2, E.12: complexidade das
audi o ias
E.1, E.6, E.9, E.10: esis ência à
mudança
E.14 e E.15: o p ocesso, a
implemen ação e manu enção de
ce i icações condiciona o “ empo
de abalho” dos DRH
E.13: complexidade em cump i
com as exigências de cada
p ocesso de ce i icação
E.20: “cada ce i icação em a sua
o ma de se , isso implica es a
semp e a eadap a ”
Opinião pa ilhada po odos:
al os cus os na implemen ação, na
aplicação e na manu enção das CS
E.5: man ém as emp esas alinhadas
com uma é ica e condu a comum
E.11: boa es a égia de ma ke ing
E.1, E.2, E.6, E.9, E.12, E.19: “um
meio pa a a ingi um im”; a
ce i icação é o caminho pa a a ingi
bons esul ados no me cado
E.20: “as ce i icações dis inguem-nos
e alo izam o nosso negócio, não
posso men i ”
Quase unânime: os desa ios e os
bene ícios es ão em equilíb io
Opinião quase unânime: as CS são
um in es imen o mui o g ande nas
emp esas, mas há e o no na
con iança das equipas e na idelização
dos clien es
E.20: “ emos PS que apoiam
não só as nossas equipas,
mas ambém os seus
amilia es”
Quase unânime: iden i icam
a o mação, es as de Na al e
es as de amília, como as
p á icas sociais mais
impac an es na RSE
E.8: “es amos a in es i nas
nossas emp esas pa a que a
nossa pegada seja mais
saudá el, pa a o ambien e e
pa a as pessoas (…) azemos
in es imen os na RS (…) an o
a ní el mic o, em inicia i as,
como a ní el mac o, com a
ino ação dos nossos
ecu sos”
Tabela 2
B ains o ming já p eenchida (amos a). O p eenchimen o oi baseado na in o mação ecolhida na abela de análise das en e is as (apêndice 4), já sin e izada e
o ien ada pa a os obje i os do es udo e ou os de alhes.
30
Capí ulo 4: Análise e discussão de esul ados
4.1. Discussão de esul ados
Es a disse ação p e endia in es iga o papel e o impac o das Ce i icações Sociais, na
Responsabilidade Social das Emp esas. Pa a es e e ei o, p ocu amos en ende as mo i ações das
emp esas pa a a adoção de p á icas RS e a adoção de CS, o impac o que a adoção de CS azia às
emp esas e à sua GRH, pe cebe que desa ios as emp esas en en a am com a
implemen ação/manu enção das CS e, ainda, discu i as di e en es pe spe i as de se o pa a se o .
Es es pila es de in es igação nu i am mui os esul ados, que passamos a discu i .
No início des a disse ação, na e isão de li e a u a, a RSE é abo dada como um concei o que ai pa a
além das ob igações legais e que e le e o comp omisso das emp esas em con ibui pa a o
desen ol imen o sus en á el, a a és de p á icas que espei am o meio ambien e, p omo em o bem-
es a dos colabo ado es e apoiam o desen ol imen o das comunidades locais. Es a de inição oi
con i mada com os 20 en e is ados, onde ges o es e écnicos de RH, cada um à sua manei a,
econhece am que a RSE implica um conjun o de p á icas é icas que de em se implemen adas em
di e sas á eas da emp esa. No en an o, as mo i ações que le am as emp esas a ado a p á icas de
RSE a iam en e se o es de a i idade. Po exemplo, no se o êx il, seja de moda (E.20, E.1, E.6) ou de
au omó el (E.3, E.10, E.16), os ges o es de RH e e em que a RSE é o emen e impulsionada pela
necessidade de e enção de alen os, já que se a am de indús ias an igas e com um pe il pouco
a a i o de ido ao seu egis o his ó ico. Como imos nas a i mações de Cannon (2012) e P ue (2005),
em anos passados o se o êx il e a egula men e iden i icado pelo incump imen o dos di ei os
humanos e pela o e poluição do ambien e causado pelos seus p ocessos p odu i os. No en an o, os
mesmos ges o es e e em que as p á icas de RSE são, ambém, mui as ezes es imuladas pela
p essão dos consumido es eu opeus que, cada ez mais, exigem p odu os ab icados com base nas
polí icas de sus en abilidade. Es e esul ado es á alinhado com a pe spe i a de Po e e K ame (2006),
que desc e em a RS como uma es a égia de c iação de alo pa ilhado, onde as emp esas ado am
p á icas de RSE não só po azões é icas, mas ambém pa a aumen a a sua compe i i idade nos
me cados globais. Já no se o alimen a , po ou o lado, salien am que a adoção de p á icas de RSE
es á elacionada com a con iança dos consumido es e com a necessidade de ga an i a segu ança
alimen a . Ainda assim, um dos écnicos, do se o alimen a , en e is ados, E.7, con idenciou-nos que a
37
di iculdade em encon a au o es que explo assem o ema, uma ez que é um ópico em cons an e
e olução. Hou e mui a pesquisa, sob e udo em si es in e nacionais pa a sus en a o ema com as
melho es a i mações. Es a limi ação essal a a necessidade de ha e mais in es igação académica
sob e os emas, especialmen e no con ex o da GRH.
Com base nes as limi ações, deixo como ecomendação pa a u u as in es igações que p ocu em
expandi o público en ol ido no es udo, incluindo uma maio di e sidade de emp esas e se o es, ou
cen ando o ema na compa ação de dois se o es, po exemplo. Tal ez um es udo que combine
mé odos quan i a i os e quali a i os, como a u ilização de inqué i os complemen ados às en e is as,
pode ia o nece uma isão mais ab angen e e mais ep esen a i a. Po im, se ia igualmen e alioso
explo a o ema das CS a pa i de uma pe spe i a longi udinal, acompanhando emp esas ao longo do
empo pa a en ende como as p á icas de ce i icação e de RS e oluí am e con inuam a e olui ; al ez
a a és de um es udo de caso ou de um p oje o.
38
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44
Anexos
Anexo 1
Os GRI podem se consul ados no si e o icial (h ps://www.global epo ing.o g/ ) e são amplamen e u ilizados
po o ganizações em odo o mundo pa a epo a de o ma consis en e e anspa en e os seus desempenhos
ambien ais, sociais e económicos. O GRI segue um modelo de ela ó ios que cob e di e sas á eas de a uação, e
incen i a as emp esas a alinha a sua esponsabilidade social com as necessidades dos s akeholde s, c iando
assim ela ó ios de alhados e cla os sob e os seus impac os.
Es u u a dos Pad ões GRI:
1.
Uni e sal S anda ds
: de inem o con eúdo ge al, como a abo dagem da o ganização em elação à
sus en abilidade e a o ma como epo a esses impac os.
o GRI 101: Fundamen os
o GRI 102: Di ulgações Ge ais
o GRI 103: Abo dagem de Ges ão
2.
Topic-Speci ic S anda ds
: ap o undam as á eas especí icas como: meio ambien e, di ei os humanos, p á icas
de abalho, en e ou as.
o GRI 200: Pad ões económicos (ex. an ico upção, p á icas de con a ação)
o GRI 300: Pad ões ambien ais (ex. emissões, uso de água)
o GRI 400: Pad ões sociais (ex. di ei os humanos, saúde e segu ança no abalho)
o (…)
As o ganizações u ilizam os pad ões GRI pa a iden i ica e comunica os seus impac os mais ele an es.
No malmen e p oduzem ela ó ios de sus en abilidade, que podem se baseados em odos ou em alguns dos
pad ões GRI, median e os seus obje i os, que podem se es a égias pa a ap esen a aos
s akeholde s
, de modo
a a alia em a pe o mance da emp esa em e mos de sus en abilidade, é ica e RS.
Fon e: h ps://www.global epo ing.o g/, consul ado em 23 de se emb o de 2024.
45
Apêndices
Apêndice 1
Documen o en egue aos en e is ados, com in o mações pe inen es sob e a disse ação.
46
Apêndice 2
Guião da en e is a semi-es u u ada, que se i u de o ien ação a odas as en e is as.