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Adesão e atitudes dos psicólogos face à prática baseada em evidência em Portugal: validação da EAPBE-36

Costa, Cláudia Maria da Silva

Abstract

As atitudes face à prática baseada na evidência (PBE) já há muito são exploradas, mas pouco se sabe sobre estas em Portugal. A literatura indica que há ainda uma grande parte de profissionais de saúde mental que tem uma atitude negativa face à PBE. Este estudo tem como objetivos 1) avaliar as atitudes dos psicólogos e estudantes de psicologia em relação à PBE, 2) identificar aspetos que possam contribuir para atitudes negativas face à PBE, 3) explorar o impacto do aumento da carga de trabalho na área da saúde mental, consequente da pandemia COVID-19, no uso da PBE e, por fim, 4) testar as propriedades psicométricas da Escala de Atitudes face à Prática Baseada em Evidência (EAPBE-36) em Portugal. Para esses efeitos foram recrutados 155 participantes (73 psicólogos e 82 estudantes de psicologia), que responderam a um questionário sociodemográfico, à EAPBE-36, à Escala de Fé na Intuição e à Escala de Necessidade de Cognição. As atitudes dos psicólogos e estudantes de psicologia portugueses face à PBE revelam-se positivas. A experiência, o modelo teórico de referência utilizado e um estilo de pensamento intuitivo parecem influenciar as atitudes face à PBE. A EAPBE-36 demonstrou boas propriedades psicométricas em Portugal.

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Universidade do Minho Escola de Psicologia Cláudia Maria da Silva Costa Adesão e atitudes dos psicólogos face à prática baseada em evidência em Portugal – Validação da EAPBE-36 junho de 2021 Adesão e atitudes dos psicólogos face à prática baseada em evidência em Portugal – Validação da EAPBE-36 Cláudia Costa UMinho | 2021 Universidade do Minho Escola de Psicologia junho de 2021 Cláudia Maria da Silva Costa Adesão e atitudes dos psicólogos face à prática baseada em evidência em Portugal – Validação da EAPBE-36 Dissertação de Mestrado Mestrado Integrado em Psicologia Trabalho efetuado sob a orientação do Professor Doutor Paulo Machado ii DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual CC BY-NC-SA https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/ iii Agradecimentos Dedico esta secção a todos aqueles que, de alguma forma, tornaram este ano e este percurso melhor e mais leve. Agradeço, em primeiro lugar, ao Professor Doutor Paulo Machado pelo seu valioso contributo científico na orientação deste estudo. Agradeço também à Doutora Ana Pinto Bastos e à Doutora Tânia Rodrigues pela disponibilidade e pela ajuda fundamental. À minha família, um enorme obrigada pelo apoio incondicional, não só nesta fase, mas ao longo de toda a minha vida académica e pessoal. Agradeço aos participantes pelo tempo dedicado às suas respostas, sem as quais este estudo não poderia ter sido realizado. Aos meus amigos, que me acompanharam e estiveram sempre dispostos a ouvir-me e a apoiarme. Em especial, à Mariana (Miri), à Adriana (Drica) e ao Andrés, muito obrigada pela motivação, suporte e paciência. A todos os que contribuíram para a conclusão desta etapa, muito obrigada! iv DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho. (Cláudia Costa) v Adesão e atitudes dos psicólogos face à prática baseada em evidência em Portugal – Validação da EAPBE-36 Resumo As atitudes face à prática baseada na evidência (PBE) já há muito são exploradas, mas pouco se sabe sobre estas em Portugal. A literatura indica que há ainda uma grande parte de profissionais de saúde mental que tem uma atitude negativa face à PBE. Este estudo tem como objetivos 1) avaliar as atitudes dos psicólogos e estudantes de psicologia em relação à PBE, 2) identificar aspetos que possam contribuir para atitudes negativas face à PBE, 3) explorar o impacto do aumento da carga de trabalho na área da saúde mental, consequente da pandemia COVID-19, no uso da PBE e, por fim, 4) testar as propriedades psicométricas da Escala de Atitudes face à Prática Baseada em Evidência (EAPBE-36) em Portugal. Para esses efeitos foram recrutados 155 participantes (73 psicólogos e 82 estudantes de psicologia), que responderam a um questionário sociodemográfico, à EAPBE-36, à Escala de Fé na Intuição e à Escala de Necessidade de Cognição. As atitudes dos psicólogos e estudantes de psicologia portugueses face à PBE revelam-se positivas. A experiência, o modelo teórico de referência utilizado e um estilo de pensamento intuitivo parecem influenciar as atitudes face à PBE. A EAPBE-36 demonstrou boas propriedades psicométricas em Portugal. Palavras-chave: atitudes, COVID-19, EAPBE-36, intuição, prática baseada em evidência em psicologia vi Adherence and attitudes towards evidence-based practice in Portugal – Validation of the EBPAS-36 Abstract Attitudes towards evidence-based practice (EBP) have long been explored, but little is known about them in Portugal. The literature indicates that there is still a large proportion of mental health professionals who have a negative attitude towards EBP. This study aims to 1) assess the attitudes of psychologists and psychology students towards EBP, 2) identify aspects that may contribute to negative attitudes towards EBP, 3) explore the impact of the increased mental health workload, resulting from the COVID-19 pandemic, on the use of EBP, and finally, 4) test the psychometric properties of the Evidence-based Practice Attitude Scale (EBPAS-36) in Portugal. For these purposes, 155 participants (73 psychologists and 82 psychology students) were recruited, and answered a sociodemographic questionnaire, the EBPAS-36, the Faith in Intuition Scale, and the Need for Cognition Scale. The attitudes of portuguese psychologists and psychology students towards EBP are positive. Experience, the theoretical reference model used and an intuitive thinking style seem to influence attitudes towards EBP. The EBPAS-36 showed good psychometric properties in Portugal. Keywords: attitudes, COVID-19, EBPAS-36, evidence-based practice in psychology, intuition vii Índice Introdução .......................................................................................................................................... 8 Método ............................................................................................................................................. 13 Participantes ................................................................................................................................ 13 Instrumentos ................................................................................................................................ 13 Questionário sociodemográfico .................................................................................................. 13 Evidence-based Practice Attitude Scale (EBPAS-36) traduzida para português (PT) ..................... 14 Escala de Fé na Intuição ........................................................................................................... 14 Escala de Necessidade de Cognição .......................................................................................... 15 Procedimento ............................................................................................................................... 15 Análise de dados .......................................................................................................................... 15 Resultados ....................................................................................................................................... 16 Estatística descritiva das variáveis em estudo ................................................................................ 16 Correlações entre as subescalas da EAPBE-36 .............................................................................. 19 Experiência, tempo dedicado à prática/investigação e atitudes face à PBE .................................... 21 Grau académico, grau de especialidade e atitudes face às PBE ..................................................... 21 Modelo teórico de referência e atitudes face à PBE........................................................................ 21 Perturbações da alimentação e da ingestão e atitudes face à PBE ................................................. 21 Estilo de pensamento intuitivo ou racional e atitudes face à PBE ................................................... 22 Efeito do aumento da carga de trabalho na área da saúde mental no uso da PBE .......................... 22 Propriedades psicométricas da EAPBE-36 ..................................................................................... 22 Discussão......................................................................................................................................... 26 Referências Bibliográficas ................................................................................................................. 31 Anexo. Declaração de adenda ao projeto aprovada pela CEICSH ....................................................... 34 Índice de Tabelas Tabela 1. Descrição das variáveis sociodemográficas… ….………………………………………....……………..16 Tabela 2. Caraterização da amostra para as várias medidas……………………………… ……………………..18 Tabela 3. Matriz de correlações…… ………………………………………………………………………………………20 Tabela 4. Consistência interna da EAPBE-36……… …………………………………………………………………..22 Tabela 5. Ajustamento do modelo…………… ……………………………………………………………………………24 Índice de Figuras Figura 1. Modelo de equação estrutural… ………………………………………………………………………………25 14 perturbações com que lida mais frequentemente. Abrange também informação relativa à possível alteração na carga de trabalho dos psicólogos devida à pandemia COVID-19, e a sua possível influência na adesão à prática baseada em evidência. Evidence-based Practice Attitude Scale (EBPAS-36) traduzida para português (PT) A Evidence-based Practice Attitude Scale (EBPAS-36) (Rye et al., 2017) é uma escala de autorrelato, com 36 itens, que permite aferir as atitudes dos profissionais da saúde mental e de serviços sociais relativamente à adoção de práticas baseadas em evidência, em que a resposta aos itens pode variar entre 0 e 4 (0=não concordo nada; 4=concordo totalmente). Com esta escala são medidas 12 dimensões: o Apelo intuitivo da PBE, a probabilidade de aderir à PBE se fazê-lo fizer parte de Requisitos , Abertura a novas práticas, Divergência percebida entre tratamentos empiricamente validados e a prática atual, Limitações da PBE, Adequação da PBE às necessidades e aos valores dos clientes, perceção negativa da Monitorização ou supervisão, elevada perceção de habilidades e minimização do papel da ciência na prática terapêutica ( Equilíbrio ), a Sobrecarga administrativa associada a adotar práticas baseadas em evidência, a probabilidade percebida do aumento da Segurança do trabalho pela adesão à PBE, Apoio Organizacional associado a aderir à PBE e, contrariamente à dimensão de monitorização, perceção positiva de receber Feedback (Aarons, Cafri, et al., 2012). Os itens de cinco destas subescalas (Divergência, Limitações, Monitorização, Equilíbrio e Sobrecarga), dado a direção concetual ser oposta à das restantes, são cotadas inversamente (0-5; 1-4; 2-3; 3-2; 4-1). A consistência interna desta escala revela-se boa, variando o alfa de Cronbach entre .79 (Estados Unidos) e .86 (Noruega). A adequação das propriedades psicométricas tanto nos Estados Unidos como na Noruega indicam uma validade intercultural. Neste estudo foi aplicada a versão portuguesa (PT) desta escala e aferida a adequação da mesma em Portugal. Escala de Fé na Intuição A Faith in Intuition Scale (Epstein et al., 1996; traduzida e adaptada à população portuguesa por Silva & Garcia-marques, 2006) é uma escala de autorrelato com 5 itens, em que a resposta pode variar entre 1 e 5 (1=discordo totalmente; 5= concordo totalmente), e avalia a tendência a pensar de forma intuitiva. A consistência interna da versão portuguesa desta escala, obtida pelo cálculo do alfa de Cronbach , varia entre .64 e .81. Neste estudo o alfa de Cronbach foi de .87, indicando uma boa consistência interna. 15 Escala de Necessidade de Cognição A Need for Cognition Scale (Cacioppo & Petty, 1982; traduzida e adaptada à população portuguesa por Silva & Garcia-marques, 2006) é uma escala de autorrelato com 18 itens, em que a resposta pode variar entre 1 e 5 (1=discordo totalmente; 5= concordo totalmente), e avalia a tendência de pensar de forma racional. A consistência interna da versão portuguesa desta escala, obtida pelo cálculo do alfa de Cronbach , varia entre .80 e .84, tendo sido obtido um alfa de Cronbach de .82 neste estudo. Procedimento Antes de dar início ao estudo em si, foi submetido o projeto deste à Comissão de Ética para a Investigação em Ciências Sociais e Humanas da Universidade do Minho. Tendo o estudo recebido parecer favorável da mesma, procedeu-se à recolha de dados, feita através da internet, com recurso a uma funcionalidade de questionários online (Qualtrics) e cada recolha teve a duração aproximada de 15 minutos. Foi divulgado o link para o mesmo na página da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) e também através de redes sociais (e.g. Facebook , Linkedin) . Para além disso, o estudo esteve inserido no Sistema de Creditação da Escola de Psicologia da Universidade do Minho. A recolha de dados teve início com o consentimento informado não assinado, em que os participantes eram informados do carater voluntário da participação e do anonimato e confidencialidade dos dados, seguindo-se do preenchimento do questionário sociodemográfico. Tendo sido concedido consentimento e preenchido o questionário sociodemográfico, foram respondidas três escalas: a Escala de Fé na Intuição, a Escala de Necessidade de Cognição e a Escala de Atitudes face à Prática Baseada em Evidência. Análise de dados Para a análise de dados foram utilizados os softwares IBM® SPSS® (versão 27) e IBM® SPSS® Amos (versão 27). Primeiramente, foi averiguada a normalidade da amostra para cada variável e feita uma análise descritiva da mesma. Seguidamente, considerando que a distribuição da amostra se revelou não normal, foram realizados testes não paramétricos de associação entre as variáveis, através de correlações de Spearman , e testes de diferenças, através de testes Mann-Whitney ( U ), com o intuito de explorar associações entre as atitudes face à PBE e determinadas variáveis sociodemográficas (idade) e académicas/profissionais (anos de experiência e tempo dedicado à prática/investigação), assim como diferenças entre grupos nas atitudes face às PBE (grau académico, especialidade, situação profissional, 16 área de exercício de funções, modelo teórico de referência e perturbações com que lida frequentemente). Foram também, através de correlações de Spearman , testadas associações entre os scores total e das subescalas da EAPBE-36 e as escalas de Fé na Intuição e de Necessidade de Cognição, de modo a averiguar a possível relação entre estilos de pensamento intuitivo e racional e atitudes face à PBE. Para avaliar as propriedades psicométricas da Escala de Atitudes face à Prática Baseada em Evidência de 36 itens (EAPBE-36) foi feita a avaliação da consistência interna, através do cálculo de alfas de Cronbach , e foi feita análise fatorial confirmatória (AFC). Para a avaliação da consistência interna foram considerados aceitáveis valores do alfa de Cronbach superiores a .70 (Maroco & Garcia-marques, 2006). A especificação do modelo foi feita de acordo com a estrutura fatorial da EBPAS-36 (Rye et al., 2017) e foram utilizados os seguintes índices de ajustamento: a estatística de teste do Qui-quadrado (𝑥2) de ajustamento, o índice de discrepância populacional Root Mean Square Error of Approximation (RMSEA), o Standardized Root Mean Square Residual (SRMR), os índices relativos Comparative Fit Index (CFI) e Tucker-Lewis Index (TLI). Segundo as recomendações de pontos de corte de Hu e Bentler (1999), considera-se que o ajustamento do modelo é aceitável se o RMSEA for inferior a .06, o SRMR inferior a .08 e o CFI e TLI próximos de .95 (idealmente superiores). Resultados Estatística descritiva das variáveis em estudo De entre os participantes que são psicólogos, 63% são membros efetivos da OPP, a esmagadora maioria tem o grau académico de mestrado (90.4%), 60.3% não têm especialidade, 65.8% exercem funções na área de Psicologia Clínica e da Saúde. Dos psicólogos clínicos, 93.8% indica lidar frequentemente com perturbações de ansiedade e 87.5% com perturbações depressivas. O modelo cognitivo-comportamental é o modelo teórico de referência mais vezes indicado (89%). Na tabela 1 encontra-se, com mais detalhe, a caracterização das variáveis sociodemográficas. Tabela 1 Descrição das variáveis sociodemográficas. Psicólogos n = 73 Estudantes n = 82 Total N = 155 Grau académico Mestrado 90.4% - - Doutoramento 9.6% - - 17 Pós-doutoramento 0.0% - - Situação Profissional Psicólogo júnior 37.0% - - Membro efetivo da OPP 63.0% - - Especialidade Sem especialidade 60.3% - - Especialidade geral 21.9% - - Especialidade avançada 17.8% - - Ciclo de estudos 2º ciclo (Mestrado) - 100% - Área de exercício de funções Psicologia Clínica e da Saúde 65.8% - - Psicologia do Trabalho, Social e das Organizações 2.7% - - Psicologia da Justiça 11.0% - - Psicologia da Educação 11.0% - - Psicologia do Desporto 1.4% - - Neuropsicologia 5.5% - - Modelo teórico de referência Cognitivo-comportamental 89.0% - - Psicodinâmica/Psicanalítica 12.3% - - Humanista 23.3% - - Fenomenológico/Existencial 4.1% - - Familiar/Sistémica 32.9% - - Interpessoal 8.2% - - Processo-Experiencial 6.8% - - Perturbações mentais Perturbações depressivas 87.5% - - Perturbações de ansiedade 93.8% - - Perturbações da alimentação e da ingestão 22.9% - - 18 Perturbações do espectro da esquizofrenia/Outras perturbações psicóticas 16.7% - - Perturbações da personalidade 35.4% - - Perturbações aditivas 20.8% - - Disfunções sexuais 6.3% - - Disforia de género 2.1% - - Perturbações do sono-vigília 22.9% - - Perturbação obsessivo-compulsiva 29.2% - - Perturbações dissociativas 6.3% - - Anos de experiência Média (DP) 5.1 (8.3) - - Tempo dedicado à prática (%) Média (DP) 55.1% (32.0) - - Nota . Para Anos de experiência , n =65; para Perturbações mentais com que lida frequentemente, n =48 Relativamente aos scores da EAPBE, a média de respostas da escala total por parte dos psicólogos é de 4.06, sendo que os scores das subescalas variam entre 2.92 (Segurança do trabalho) e 4.67 (Sobrecarga). Relativamente às respostas dos estudantes, a média do score total é de 4.02 e a média das subescalas varia entre 3.17 (Segurança do trabalho) e 4.64 (Sobrecarga). Nas ENC e EFI foi obtida, por parte dos psicólogos, uma pontuação média de 3.75 e 3.39, respetivamente. Quanto aos estudantes, as pontuações médias nessas escalas foram de 3.71 e 3.56, respetivamente. As pontuações médias, mínimas e máximas, e desvios padrão para as três escalas (EAPBE, ENC e EFI) podem ser verificados na tabela 2. Tabela 2 Caraterização da amostra para as várias medidas. 19 Nota. Para EAPBE total e respetivas subescalas, N =155; para ENC total , n =150; para EFI total , n =149. EAPBE, Escala de Atitudes face à Prática Baseada em Evidência; ENC, Escala de Necessidade de Cognição; EFI, Escala de Fé na Intuição Correlações entre as subescalas da EAPBE-36 Foram verificadas correlações positivas consideradas moderadas (ρ ≥ .40) entre a subescala de Apelo e as subescalas de Abertura , Requisitos e Adequação , entre a subescala de Apoio Organizacional e as subescalas de Requisitos , Adequação , Segurança do trabalho e Feedback , e entre a subescala de Feedback e a subescala de Monitorização . Psicólogos Estudantes Total M DP Mín.- Máx. M DP Mín.- Máx. M DP Mín.- Máx. EAPBE total 4.06 0.43 3.0-4.8 4.02 0.36 2.9-4.8 4.04 0.40 2.9-4.8 Abertura 3.98 0.68 2.0-5.0 3.93 0.65 2.0-5.0 3.95 0.66 2.0-5.0 Divergência 4.25 0.67 2.3-5.0 4.11 0.78 1.0-5.0 4.18 0.73 1.0-5.0 Apelo 4.16 0.61 2.3-5.0 4.04 0.69 2.3-5.0 4.09 0.65 2.3-5.0 Requisitos 3.43 1.09 1.0-5.0 3.46 0.82 1.3-5.0 3.45 0.95 1.0-5.0 Adequação 4.47 0.48 3.0-5.0 4.40 0.60 3.0-5.0 4.43 0.55 3.0-5.0 Limitações 4.25 0.76 1.7-5.0 4.29 0.66 2.7-5.0 4.27 0.71 1.7-5.0 Monitorização 4.47 0.77 1.7-5.0 4.33 0.74 2.7-5.0 4.40 0.75 1.7-5.0 Equilíbrio 3.89 0.88 1.0-5.0 3.52 0.90 1.3-5.0 3.69 0.91 1.0-5.0 Sobrecarga 4.67 0.49 2.7-5.0 4.64 0.56 2.7-5.0 4.65 0.53 2.7-5.0 Segurança do trabalho 2.92 1.26 1.0-5.0 3.17 1.03 1.0-5.0 3.06 1.20 1.0-5.0 Apoio Organizacional 3.84 0.90 1.0-5.0 3.87 0.84 2.0-5.0 3.86 0.87 1.0-5.0 Feedback 4.45 0.73 2.0-5.0 4.50 0.73 2.0-5.0 4.48 0.73 2.0-5.0 ENC total 3.75 0.44 2.8-4.8 3.71 0.49 2.0-4.8 3.73 0.47 2.0-4.8 EFI total 3.39 0.74 1.0-5.0 3.56 0.82 1.0-5.0 3.48 0.78 1.0-5.0 Tabela 3 Matriz de correlações. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 1.Abertura - 2.Divergência 0.091 - 3.Apelo 0.423** 0.100 - 4.Requisitos 0.231** 0.123 0.466** - 5.Adequação 0.348** 0.135 0.571** 0.238** - 6.Limitações 0.122 0.305** 0.042 0.105 0.094 - 7.Monitorização 0.151 0.215** 0.056 0.103 0.043 0.301** - 8.Equilibrio -0.152 0.263** 0.036 0.117 0.134 0.331** 0.227** - 9.Sobrecarga 0.210** 0.219** 0.039 0.019 0.075 0.324** 0.170* 0.069 - 10.Segurança do trabalho 0.205* 0.133 0.125 0.200** 0.153 0.241** 0.140 0.125 0.114 - 11.Apoio Organizacional 0.371** 0.146 0.382** 0.413** 0.408** 0.250** 0.228** 0.101 0.137 0.584** - 12.Feedback 0.347** 0.215** 0.286** 0.273** 0.316** 0.226** 0.443** 0.050 0.203* 0.250** 0.499** - 13.Total EAPBE 0.490** 0.423* 0.522** 0.529** 0.500** 0.490** 0.457** 0.392** 0.308** 0.602** 0.751** 0.632** - 14.ENC 0.172* 0.115* 0.132 0.025 0.143 0.017 0.078 -0.133 0.272** -0.027 0.114 0.226** 0.140 - 15.EFI 0.175* -0.077 0.100 0.035 0.184* -0.081 -0.047 -0.212* 0.170* -0.037 0.086 0.064 0.037 0.126 - Nota . ENC, Escala de Necessidade de Cognição; EFI, Escala de Fé na Intuição; EAPBE, Escala de Atitudes face à Prática Baseada em Evidência. *p < .05; **p < .01 Experiência, tempo dedicado à prática/investigação e atitudes face à PBE Através do teste de Mann-Whitney ( U ) foram identificadas diferenças estatisticamente significativas nas dimensões de Abertura ( U = 814.00 , p ≤ .05), Requisitos ( U = 805.50 , p ≤ .05) e Equilíbrio ( U = 740.00 , p ≤ .01) entre os estudantes e os psicólogos júnior, sendo a média de resultados nestas dimensões mais elevada no grupo de psicólogos júnior. Foram também verificadas diferenças entre os psicólogos júnior e os psicólogos membros efetivos da Ordem dos Psicólogos Portugueses, nas dimensões de Abertura ( U = 427.50 , p ≤ .05) e Requisitos ( U = 402.50 , p ≤ .01), sendo a média de resultados nestas dimensões mais elevadas no grupo de psicólogos júnior. Não foram encontradas correlações significativas entre os anos de experiência e os resultados da EAPBE-36. No que diz respeito à associação entre o tempo dedicado à prática/investigação e a EAPBE-36, verificou-se que mais tempo dedicado à prática está negativamente correlacionado com a dimensão de Equilíbrio (ρ = -.273, p ≤ .05). Grau académico, grau de especialidade e atitudes face às PBE Não há diferenças significativas, nos scores da EAPBE-36, entre o grupo de psicólogos com o grau de mestrado e o grupo de psicólogos com o grau de doutoramento. No que diz respeito ao score total da EAPBE-36, há diferenças significativas entre os grupos de psicólogos sem especialidade e com especialidade geral ( U = 230.50 , p ≤ .05), tendo sido mais elevada a média para o primeiro grupo. Não foram verificadas diferenças significativas, nos scores total ou de qualquer uma das dimensões, entre os grupos de psicólogos sem especialidade e com especialidade avançada nem entre os grupos de psicólogos com especialidade geral e com especialidade avançada. Modelo teórico de referência e atitudes face à PBE Foram identificadas diferenças significativas entre o grupo de psicólogos que se baseia apenas no modelo cognitivo-comportamental e o grupo que se baseia em mais do que um modelo teórico de referência, para os scores das dimensões de Divergência ( U = 451.50, p ≤ .05) e Equilíbrio ( U = 455.50, p ≤ .05). Para ambas as subescalas, a média foi superior no primeiro grupo. Perturbações da alimentação e da ingestão e atitudes face à PBE Não foram encontradas diferenças, nos scores total e das subescalas da EAPBE-36, entre o grupo de psicólogos que lida frequentemente com perturbações da alimentação e da ingestão (n=11) e o grupo que não (n=37). 22 Estilo de pensamento intuitivo ou racional e atitudes face à PBE Verificaram-se associações positivas significativas entre o score da Escala de Fé na Intuição e as dimensões de Abertura (rs = .175, p ≤ .05), Adequação (rs = .184, p ≤ .05) e Sobrecarga (rs = .170, p ≤.05). Verifica-se também uma correlação negativa entre essa escala e a dimensão de Equilíbrio (rs = - .212, p ≤ .05). Relativamente à Escala de Necessidade de Cognição, foram identificadas correlações positivas com as dimensões de Abertura (rs = .172, p ≤ .05), Sobrecarga (rs = .272, p ≤ .01) e Feedback (rs = .226, p ≤ .01). Efeito do aumento da carga de trabalho na área da saúde mental no uso da PBE Dos 73 psicólogos que participaram no estudo, 61.6% indicaram que o contexto da pandemia COVID-19 levou ao aumento da sua carga de trabalho. Desses 61.6%, 37.8% indicaram que este aumento da carga de trabalho levou ao aumento da sua adesão à PBE e 62.2% indicam que o aumento da sua carga de trabalho não teve influência na adesão à PBE. Propriedades psicométricas da EAPBE-36 Relativamente à consistência interna da EAPBE-36, os alfas de Cronbach das subescalas variam entre .58 (subescala Divergência ) e .93 (subescala Segurança do Trabalho ) e o da escala total é de .87, tendo sido obtido um alfa de Cronbach inferior a .70 em quatro das subescalas (Tabela 4). Tabela 4 Consistência interna da EAPBE-36. M DP Correlação item-total α α se item removido 1.Abertura 3.95 0.66 - .76 - Item 1 3.73 0.87 0.24 - .87 Item 2 4.01 0.85 0.32 - .87 Item 3 4.12 0.70 0.51 - .87 2.Divergência 4.18 0.73 - .58 - Item 4 4.46 1.10 0.17 - .87 Item 5 3.52 1.00 0.31 - .87 Item 6 4.54 0.82 0.31 - .87 3.Apelo 4.09 0.65 - .69 - Item 7 4.31 0.83 0.29 - .87 23 Item 11 3.59 0.93 0.40 - .87 Item 12 4.38 0.71 0.50 - .87 4.Requisitos 3.45 0.95 - .90 - Item 8 3.42 1.00 0.48 - .87 Item 9 3.34 1.08 0.40 - .87 Item 10 3.58 1.06 0.45 - .87 5.Adequação 4.43 0.55 - .75 - Item 13 4.61 0.61 0.52 - .87 Item 14 4.30 0.73 0.29 - .87 Item 15 4.39 0.67 0.39 - .87 6.Limitações 4.27 0.71 - .69 - Item 16 4.56 0.71 0.27 - .87 Item 17 4.01 1.11 0.33 - .87 Item 18 4.24 0.84 0.44 - .87 7.Monitorização 4.40 0.75 - .79 - Item 19 4.41 0.90 0.34 - .87 Item 20 4.17 1.03 0.26 - .87 Item 21 4.61 0.73 0.38 - .87 8.Equílibrio 3.69 0.91 - .67 - Item 22 4.10 1.07 0.28 - .87 Item 23 3.48 1.30 0.21 - .87 Item 24 3.48 1.13 0.10 - .88 9.Sobrecarga 4.65 0.53 - .73 - Item 25 4.75 0.60 0.24 - .87 Item 26 4.68 0.60 0.21 - .87 Item 27 4.54 0.75 0.25 - .87 10.Segurança do trabalho 3.06 1.15 - .93 - Item 28 2.95 1.30 0.49 - .87 Item 29 3.07 1.17 0.53 - .86 Item 30 3.14 1.21 0.46 - .87 30 aferir, nas várias dimensões que abarca, as atitudes dos psicólogos portugueses face à PBE, podendo e devendo ser utilizada no futuro para uma maior compreensão da realidade associada à PBE na área da saúde mental em Portugal. 31 Referências Bibliográficas Aarons, G. 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