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We4Youth: A Mediação na capacitação de jovens voluntários/as Universidade do Minho Instituto de Educação Juliana Matos Araújo janeiro de 2023 We4Youth: A Mediação na capacitação de jovens voluntários/as Juliana Matos Araújo UMinho|2023
Juliana Matos Araújo janeiro de 2023 We4Youth: A Mediação na capacitação de jovens voluntários/as Trabalho efetuado sob a orientação da Professora Doutora Ana Maria Carneiro Costa Silva Relatório de Estágio Mestrado em Educação Área de Especialização em Mediação Educacional Universidade do Minho Instituto de Educação
ii DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho Atribuição-NãoComercial-SemDerivações CC BY-NC-ND https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/
iii Agradecimentos O agradecimento é algo que marcou todos os dias desta intensa jornada. De que forma podemos VIVER, no sentido mais natural da palavra, sem agradecer? Estou grata por todas as situações, boas e menos boas, todas as emoções e sobretudo, por todas as pessoas que integraram este processo deixando um bocadinho delas, em mim. Enquanto escrevia este breve texto surgiram-me nomes de pessoas que possuíram um papel tão significativo no desfecho desta história, contudo, tomei a decisão manter o anonimato dessas pessoas por dois motivos. O primeiro motivo deve-se ao facto de existir inúmeras pessoas a quem devo o meu agradecimento, sendo que, também constam nessa lista aquelas pessoas que apareceram nesta jornada como um desafio. Sem esses desafios não seria possível evoluir como profissional ou mesmo como pessoa, e por isso, obrigada por integrarem esta jornada de aprendizagem. Obrigada por me fazerem crescer e por me motivarem a provar que sou capaz. Obrigada pelos momentos difíceis que serviram de combustível para continuar em frente e que me fizeram aprender a acreditar mais em mim. Obrigada por me ensinarem a retirar aprendizagens imprescindíveis de momentos menos bons. O segundo motivo sustenta-se nos meus valores pessoais. Acredito que a verdadeira beleza no agradecimento é quando o mesmo é sincero e espontâneo, e por isso, todos/as aqueles/as que foram fulcrais nesta jornada estão cientes da importância que têm para mim. Penso que mais determinante que uma página de agradecimentos é fazermos esses agradecimentos ao longo do processo, expressando o significado que a presença dessas pessoas teve. Obrigada a todas essas pessoas por todas as palavras e encorajamentos, por dedicarem o seu tempo a apoiar-me e a doarem-me o seu carinho. Obrigada pelas chamadas de atenção realistas, pelas críticas, mas sobretudo, por confiarem e acreditarem em mim. Destaco que o presente relatório e toda a intervenção desenvolvida não seria possível sem todos/as vocês que fizeram parte deste processo dando sempre o vosso contributo. Guardo um pouco de vocês no meu coração e espero que possam guardar um pouco de mim no vosso.
iv DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho.
v WE4YOUTH: A MEDIAÇÃO NA CAPACITAÇÃO DE JOVENS VOLUNTÁRIOS/AS RESUMO Abrangendo uma imensidade de contextos distintos e únicos, a mediação é uma área de ação marcada pela diversidade o que vem a permitir a sua disseminação independentemente das características particulares dos ambientes e das pessoas. Como tal, partimos à descoberta sobre as potencialidades da mediação socioeducativa no contexto de voluntariado, mais concretamente na capacitação de jovens voluntários. A presente investigação-intervenção, sustentada pela metodologia qualitativa, surge numa Organização Não-Governamental (ONG) humanitária localizada no Norte de Portugal e corresponde ao estágio académico do 2º ano do Mestrado em Educação, na área de especialização em Mediação Educacional da Universidade do Minho. No presente relatório de estágio, apresentamos o trabalho realizado ao longo do estágio, uma proposta de capacitação e empoderamento de jovens voluntários/as, explorando as potencialidades da mediação socioeducativa através do projeto “We4Youth: A Mediação na capacitação de jovens voluntários/as”. Reconhecemos a ação educativa dos/as voluntários/as na atualidade pandémica provocada pela COVID-19, um catalisador de transformação nas comunidades educativas e, por isso, veio a ser essencial investir na sua capacitação. As evidências resultantes da investigação-ação apontaram para a imprescindibilidade de desenvolver nos/as voluntários/as competências-chave que lhes permitissem encarar, de forma resiliente, as adversidades emergentes nos contextos educativos. Desta forma, planeamos uma intervenção sustentada em sessões de capacitação para a aquisição de competências relacionais e socioemocionais e concebemos um Manual de Formação para Jovens Voluntários/as de forma a possibilitar a continuidade do projeto na ONG. Desde o início, a nossa ambição foi ter impacto positivo nos/as voluntários/as, na ONG e nas comunidades educativas, focalizando-nos principalmente nos/as voluntários/as envolvidos em projetos educativos e com interesse em participar no projeto “We4Youth: A Mediação na capacitação de jovens voluntários/as”. Palavras-chave: Competências relacionais e socioemocionais; Mediação socioeducativa; Voluntariado.
vi WE4YOUTH: MEDIATION IN THE TRAINING OF YOUNG VOLUNTEERS ABSTRACT By covering many distinct and unique contexts, mediation is a field of action marked by diversity, which allows its diffusion regardless of the contexts features and people. As such, we began to discover the socio-educational mediation potentialities in the voluntary context, more specifically in the empowerment of young volunteers. This research-intervention, sustained by the qualitative methodology, emerges in the context of a humanitarian Non-Governmental Organization (NGO) located in the North of Portugal and corresponds to the 2nd year academic Master's Degree in Education internship, in the specialization area of Educational Mediation at the University of Minho. In this report, we present the work carried out during the internship a proposal for training and empowerment of young volunteers, exploring the potentialities of socio-educational mediation through the project "We4Youth: Mediation in the training of young volunteers". We acknowledge the educational action of the volunteers in the pandemic caused by COVID-19, a catalyst for transformation in the educational communities and, therefore, it became essential to invest in their empowerment. The evidence resulting from the action research pointed to the indispensability of developing key competencies in the volunteers that would allow them to face, in a more resilient way, the emerging adversities in the educational contexts. Thus, we planned an intervention based on training sessions for acquiring relational and socio-emotional skills and designed a Training Manual for young volunteers to enable the project's continuity in the NGO. From the outset, our ambition has been to positively impact the volunteers, the NGO and the educational communities, focusing mainly on the volunteers involved in educational projects and interested in participating in the "We4Youth: mediation in the training of young volunteers" project. Keywords: Relational and socio-emotional skills; Socio-educational mediation; Volunteering.
vii Índice geral Agradecimentos ............................................................................................................... iii RESUMO ............................................................................................................................ v ABSTRACT ........................................................................................................................ vi Capítulo I – Introdução ..................................................................................................... 1 Capítulo II – Enquadramento Contextual do Estágio ......................................................... 4 2.1. Instituição onde decorreu o estágio ........................................................................................... 4 2.1.1. Expectativas e motivações no processo de integração no contexto de estágio ...................... 5 2.2. Público-alvo participante na Investigação-Intervenção ................................................................ 6 2.2.1. Primeiros contactos e desafios .........................................................................................10 2.3. Levantamento de necessidades, oportunidades e interesses....................................................11 2.4. Área de investigação-intervenção: a sua relevância e pertinência .............................................15 Capítulo lll – Enquadramento teórico da problemática do estágio .................................. 18 3.1. O Voluntariado: uma expressão da cidadania ativa ..................................................................19 3.2. A Mediação: conceito, princípios e características ...................................................................22 3.2.1. Mediação Socioeducativa e as suas potencialidades no contexto de voluntariado ..............24 3.3. Relacionamento interpessoal: um fator decisivo no sucesso de um grupo ................................26 Capítulo IV – Enquadramento metodológico do estágio .................................................. 33 4.1. Questão de investigação e objetivos de intervenção-investigação ..............................................33 4.2. Fundamentação da metodologia de investigação-intervenção ...................................................35 4.2.1. Técnicas de investigação-intervenção e regulação da ação ................................................37 4.2.2. Tratamento e análise dos dados ..........................................................................................46 4.4. Identificação dos recursos mobilizados e das limitações do processo ......................................48 Capítulo V - Apresentação e discussão do processo de investigação-intervenção ............ 53 5.1. We4Youth: A Mediação na capacitação de jovens voluntários/as - sessões de capacitação para jovens voluntários/as ................................................................................53
4 Capítulo II – Enquadramento Contextual do Estágio O atual capítulo, Capítulo II, abrange uma breve caracterização da organização que acolheu este projeto de estágio; as primeiras impressões, expectativas e motivações emergentes ao longo do processo de integração no contexto de estágio; a caracterização das participantes no projeto implementado; a inserção na instituição e os desafios que surgiram; apresentação da área de investigação-intervenção e os motivos de ser tão pertinente na área de especialização em Mediação Educacional; A terminar o presente capítulo, é apresentada a identificação e avaliação do levantamento de necessidades, motivações e expectativas. 2.1. Instituição onde decorreu o estágio A ONG que acolheu este projeto é uma instituição humanitária (IH), de caráter voluntário e interesse público. As ONG são organizações não lucrativas, possuem o papel de amenizar e até mesmo solucionar os problemas sociais emergentes em função de alcançar uma sociedade mais justa e pacífica (Cerqueira, 2015). Esta ONG alicerça a sua atividade na ação de voluntariado, uma ação que expressa a livre vontade do/a voluntário/a em prestar apoio à comunidade, intrínseca ao exercício da cidadania. Esta instituição localiza-se no norte de Portugal especificamente na cidade de Braga, que é “considerada uma das mais jovens cidades europeias, Braga consegue aliar na perfeição a sua História bimilenária a uma juventude e vitalidade revigorante" 1 . Estando inserida num ambiente jovem, a ONG integra projetos que atuam com as comunidades jovens nos mais diversos contextos educativos nomeadamente nas escolas. A IH possui objetivos que remetem para a criação de comunidades (particip)ativas, responsáveis, sustentáveis e pacíficas, sendo eles: Formar e educar individual e coletivamente os seus membros; Promover a solidariedade humana e a paz; Sensibilizar para o valor da saúde pública e individual; Promover o respeito pelo ambiente e educar para uma participação ativa dos/as jovens na sociedade civil, tendo em vista a formação de cidadãos críticos e responsáveis A principal metodologia utilizada pela IH é a educação não-formal, uma vertente de formação que ocorre fora do sistema tradicional de ensino e que, neste caso, pretende (trans)formar, promover o conhecimento de temas transdisciplinares e capacitar para a aquisição de competências transversais. Neste sentido a IH integra diferentes projetos destinados, na sua maioria, a crianças e jovens adultos entre os 5 e os 35 anos instigando a sua integração e participação. De acordo com o site da 1 Consultado a 17 de janeiro de 2021: https://www.cm-braga.pt/pt/0101/viver/cidade
5 organização, as principais áreas de atuação dos projetos educativos são: a Promoção e Educação para a Saúde; Intervenção para a Inclusão e Igualdade de Género; Educação para o Desenvolvimento e Cooperação Internacional; Empregabilidade, Empreendedorismo e Cidadania Ativa; Educação Ambiental e Desenvolvimento Sustentável; Educação Humanitária. Para além destas áreas de atuação, a instituição diferencia-se das restantes devido à sua natureza nacional, estando assim encarregue de gerir, coordenar e prestar apoio às diferentes delegações locais distribuídas ao pelo país. É também indispensável assinalar a Estratégia de Participação Juvenil (EPJ) como uma das bases da atividade da ONG, onde os/as jovens/as voluntários/as assumem um papel de protagonistas. O documento de EPJ identifica estes/as jovens como “agentes da mudança positiva” (Estratégia de Participação Juvenil, 2015, p. 3) e, por isso, aposta em três diferentes dimensões: Educação, Espaços Favoráveis e Empoderamento. O facto dos/as principais agentes da ONG serem, na sua maioria, jovens voluntários/as faz parte da sua estratégia investir na capacitação, empoderamento e envolvimento dos/as mesmos/as. Diante deste cenário entendemos como pertinente dirigir a proposta do projeto “We4Youth: A Mediação na capacitação de jovens voluntários/as” a este público. 2.1.1. Expectativas e motivações no processo de integração no contexto de estágio O voluntariado foi uma área que nos fascinou devido ao seu alcance nas diferentes comunidades e ao seu impacto social positivo. Reconhecemos estas ações como uma expressão de cidadania ativa por parte daqueles que abnegadamente, prestam serviços à sua comunidade sem esperar um retorno. Para além da nossa admiração pelo voluntariado, o que nos despoletou interesse em desenvolver esta investigação-intervenção foi a inexistência de registos das potencialidades da mediação nesta área. Atendendo à experiência adquirida pela estagiária nesta àrea durante mais de quatro anos na IH em questão, as expectativas em relação ao ambiente eram, sobretudo, realistas, dado já existir um contacto prévio tanto com o contexto institucional como com os próprios profissionais. Destas expectativas realistas esperou-se, principalmente, um ambiente de colaboração entre os profissionais multidisciplinares e a estagiária na realização de múltiplas tarefas por desenvolver. Dado que a estagiária dispunha de uma relativa desenvoltura no contexto institucional, o seu processo de integração foi simplificado. Assim, foi possível analisar as características institucionais, os comportamentos da equipa e o funcionamento da própria instituição através de outras lentes, as lentes de investigação. Esta questão foi crucial para agilizar o processo de investigação no seu todo. Embora a maior parte da equipa conhecesse a estagiária, conhecia apenas o seu perfil como voluntária. Por
6 conseguinte, foi oportuno introduzir à equipa a sua função como estagiária bem como a índole do seu estágio académico integrado no Mestrado em Educação, especialização em Mediação Educativa. Foi com entusiasmo e apreço que recebíamos os comentários motivacionais dos profissionais, que valorizaram e reconheceram o papel da estagiária e as potencialidades da mediação na organização. Relataremos agora uma das anotações registadas no diário de bordo, na qual se evidenciam os comentários motivacionais e a apreciação da investigação-intervenção em causa “- Parece muito interessante e de facto será uma mais-valia na instituição! Acredito que a tua intervenção nos vá enriquecer a nós e que te ajude a desenvolver.” (Acompanhante de Estágio, Diário de Bordo, 6 de outubro 2021). Manteve-se o reconhecimento no decorrer do estágio académico, tendo sido demonstrado confiança e valorização do trabalho desenvolvido. Embora tenham surgido alguns desafios durante a realização do presente projeto, a presença contínua e consistente da orientadora de estágio constituiu um valioso contributo para o desenvolvimento deste trabalho assim como para a aprendizagem e desenvolvimento pessoal e profissional da estagiária. Assumimos a colaboração, interesse e apreciação como fatores que enriqueceram o processo de conceção e de execução deste trabalho e do projeto - "We4Youth": Mediação no empoderamento de jovens voluntários/as". 2.2. Público-alvo participante na Investigação-Intervenção Foi do nosso interesse, desde o início, desenvolver um projeto conjunto com jovens voluntários/as que prestam apoio à IH em Braga. Este interesse foi principalmente motivado pelo facto de a estagiária ser voluntária na instituição, tendo integrado diversos projetos educativos e conhecendo, à priori, as dificuldades dos/as jovens que exercem esta atividade e intervêm na comunidade através de projetos educativos. As necessidades destes/as jovens, oriundas de diversas causas, condicionam a efetividade desta ação, limitando o aproveitamento das crianças e jovens nos contextos educativos e, em alguns casos, desmotivando os/as próprios/as agentes de voluntariado. Tendo como base a experiência já adquirida pela estagiária, foi possível compreender algumas perspetivas que nem sempre os/as coordenadores/as voluntários/as conseguem ter devido à elevada carga de trabalho na gestão da área de voluntariado. Cientes que o bem-estar dos/as jovens voluntários/as era elementar, quer para o bom funcionamento da organização como para todas as crianças e jovens que participam nos projetos educativos em que atuam, consideramos estar perante uma oportunidade de intervir em conjunto com estes agentes de mudança – os/as jovens voluntários/as. Ao estabelecermos os primeiros contactos
7 com o IH, manifestámos o interesse em colaborar com este público-alvo, mantendo-nos, no entanto, sempre abertos a dirigir o nosso projeto a outros públicos. Não obstante esta flexibilidade, a instituição considerou como essencial o direcionamento deste projeto aos jovens voluntários da delegação de Braga. A união dos interesses da IH com os nossos interesses proporcionou-nos a identificação do público-alvo sem qualquer dificuldade. Percebemos, através de uma conversa informal com a equipa de coordenadores a conveniência de estabelecer critérios de seleção caso existissem muitos participantes. Após a reflexão sobre quais poderiam ser estes critérios e traçamos o perfil de voluntários/as, decidimos intervir com jovens dos dezoito aos trinta anos de idade, que estivessem inseridos em projetos educativos e que possuíssem características como proatividade, compromisso, responsabilidade interesse em investir no autodesenvolvimento. Os/As voluntários/as com este perfil são aqueles/as que tendem a fidelizar-se com IH e permanecer na atividade por mais tempo. Feita esta seleção, contactamos com a coordenadora local de forma a perceber como poderíamos disseminar o projeto junto destes/as jovens voluntários/as. Foi através do diálogo que compreendemos que a pandemia causou, na organização, um decréscimo de voluntários ativos – aqueles/as que dedicam o seu tempo de forma consistente e baseada no princípio do compromisso. Ainda que esta circunstância fosse, suscetível de representar um grande entrave para o desenvolvimento integral do projeto, mantivemo-nos persistentes. Anunciámos esta possibilidade de colaboração no projeto via e-mail , através de uma breve descrição do escopo do projeto, juntamente com uma hiperligação para aceder ao formulário de candidatura. Contudo, devido à ausência de adesão foi necessário repensarmos a estratégia de divulgação deste projeto. Após explorarmos esta questão com a equipa de coordenadores/as da instituição, surgiu a oportunidade de apresentar o projeto “We4Youth: A Mediação na capacitação de jovens voluntários/as” em reuniões online com voluntários/as inseridos em diferentes projetos educativos. Esta ocasião revelou-se positiva, uma vez que conseguimos conquistar a atenção da audiência. Após este acontecimento, foram obtidas cinco inscrições que correspondiam a jovens interessadas e motivadas em participar no projeto. Relatamos algumas das afirmações das jovens inscritas quanto ao motivo de quererem participar neste projeto: V1Gostaria de participar neste projeto considerando que é uma oportunidade única que me poderá dotar de ferramentas úteis para a esfera pessoal e profissional. Considero que as relações interpessoais são a base da vida em sociedade e que por essa razão o projeto tem enorme potencial para nos auxiliar no desenvolvimento de competências relacionais, principalmente no que diz respeito aos voluntários que lidam de perto e trabalham com a
8 comunidade. Por essa razão, qualquer aprendizagem que nos possa tornar melhores naquilo que fazemos deve ser aproveitada! O meu interesse pelo projeto reveste-se não só pelo papel fundamental que poderá ter no meu trabalho como voluntária, mas também porque penso que me poderá ajudar no meu futuro como profissional, tendo em conta a minha área de estudo, a psicologia, que vive muito da relação com o outro. V2Para ser uma melhor voluntária e poder desenvolver capacidades pessoais. V3Para desenvolver certas competências, por exemplo, a comunicação que acho crucial para um bom relacionamento interpessoal. E gosto de participar em coisas diferentes e inovadoras. V4Gostaria de participar em algo diferente para poder crescer como pessoa, gostaria também de fazer parte de algo que possa fazer mudanças positivas. V5Gosto de estar envolvida com projetos e ações sociais. Me torna mais viva, mais humana, mais realizada em um mundo cada vez mais desigual e desumano. No Quadro 1 apresentamos as características das participantes quanto ao sexo, idade, grau de área de formação: Quadro 1 - Caracterização das participantes quanto à idade, sexo, nível e área de formação Pretendeu-se inicialmente colaborar com um grupo heterogéneo de participantes entre os dezoito e trinta anos de idade, todavia, para que este correspondesse ao idealizado seria necessário constituir pessoas de diferente sexo, integradas em projetos educativos diversos e com áreas de formação distintas. Contudo, não foi possível garantir a heterogeneidade em termos de sexo visto que as inscrições foram, na totalidade, de pessoas do sexo feminino. Para nossa surpresa tivemos uma voluntária inscrita com trinta e seis anos (V5). Apesar de um dos critérios de seleção dos/as participantes no projeto ser o fator da idade, devido ao reduzido número de inscrições decidimos 2 Identificação; VVoluntária 3 A voluntária 4 não pode participar na entrevista 4 Toda a experiência de voluntariado foi realizada no Brasil, sendo que, a sua experiência como voluntária em Portugal é recente. Identificação2 Sexo Idade Grau de Formação Área de formação Participação no projeto V1 Feminino 21 Licenciatura Psicologia Clínica e da Saúde Participante V2 Feminino 22 Mestrado Engenharia e Gestão Industrial Sem Participação V3 Feminino 24 Licenciatura Educação Social Participante V4 Feminino 27 Mestrado Ensino de Inglês do 1ºciclo do Ensino Básico Participante V5 Feminino 36 Mestrado Ciências da comunicação Sem Participação
9 eliminar esse critério. Encaramos a diversidade formativa das participantes um indicador que enriqueceu o projeto. Acreditamos que o aprofundamento do conhecimento sobre estes voluntários constituiu um valioso contributo no sentido de melhor compreendermos o perfil das participantes e, subsequentemente, adequar o projeto às características das mesmas. Sob esta ótica, utilizámos a técnica - inquérito de entrevista - a fim de explorar as características individuais destas voluntárias, paralelamente às respetivas motivações para esta atividade. Quadro 2Caracterização pessoal e motivações para o voluntariado das voluntárias Como se pode verificar no Quadro 2, as voluntárias têm uma autoperceção, identificando certas características juntamente com as suas principais motivaçõe. Atendendo a que o nosso objetivo foi o de capacitar as jovens voluntárias por forma a ter um impacto nos contextos onde atuam, foi fundamental compreendermos as características e motivações destas participantes nesta área. Esta informação serviu para traçar um perfil concreto e único de cada participante, a fim de permitir a implementação de um projeto adaptado às suas características individuais. Para complementar esta informação, foi também fundamental compreender a experiência de e os projetos em que cada uma das participantes esteve envolvida. A fim de sintetizar esta informação, criámos o Quadro 3 que representa a caracterização das voluntárias no que diz respeito à sua experiência de voluntariado e aos projetos em que estão envolvidas. Quadro 3 - Caracterização das voluntárias quanto à experiência e projetos de voluntariado 3 A voluntária 4 não pode participar na entrevista 4 Toda a experiência de voluntariado foi realizada no Brasil, sendo que, a sua experiência como voluntária em Portugal é recente. Identificação Características pessoais Motivações para o voluntariado V1 Sociável; Proativa; Organizada e envergonhada Aprendizagem e desenvolvimento pessoal; gosto por ajudar o outro V2 Criativa; Comunicativa; Organizada Ambiciosa; Persistente. Capaz de gerir o seu tempo Gosto por ajudar o outro V3 Capaz de gerir o seu tempo Gosto por ajudar o outro V43 - - V5 Transparente; bondosa Gosto por ajudar o outro Identificação Experiência de voluntariado Projeto de voluntariado V1 1ª experiência Projeto 1 V2 1ª experiência Projeto 1 V3 1ª experiência Projeto 1 V4 Possui muita experiência Projeto 2,3 e 4 V5 Possui muita experiência4 Ações pontuais
10 Como podemos ver no Quadro 3 as V1, V2 e V3 vivenciaram pela primeira vez a sua experiência de voluntariado como participantes ativas no Projeto 1 - projeto educativo que intervém com jovens, de idades compreendidas entre os 13 e os 18 anos, em contexto escolar. A V4 foi a participante que possuiu maior experiência tendo estado integrada no Projeto 2 - um projeto educativo que atua com jovens na comunidade cigana; no Projeto 3 - projeto educativo na área da sexualidade em escolas e no Projeto 4 que interage com a multiculturalidade e a cooperação internacional. Embora a V5 tenha muita experiência na área do voluntariado, essa experiência foi adquirida numa realidade estrangeira. Atualmente, a V5 participa em ações específicas na organização de eventos e até na prestação de apoio a imigrantes. Em suma, o público-alvo participante foi constituído por cinco voluntárias com idades compreendidas entre os 21 e 36 anos e que partilham o gosto de ajudar o próximo, iniciativa para viver experiências inovadoras e relacionar-se com os outros. 2.2.1. Primeiros contactos e desafios O ambiente de colaboração, entreajuda, respeito e reconhecimento existente entre a equipa de profissionais na IH foi enriquecedor para a incubação e desenvolvimento do projeto “We4Youth: A mediação na capacitação de jovens voluntários/as”. Todos contribuíram ativa e construtivamente para este projeto mediante ações, nomeadamente articulando com outras pessoas que podiam contribuir, ou até mesmo, através de reforços simbólicos e materiais que motivaram a estagiária no decorrer do seu estágio académico (apêndice 1). Todavia, nem todos os momentos foram favorecedores e harmoniosos no decorrer do desenvolvimento deste projeto, sendo que os desafios emergentes geraram alguns momentos de tensão e ansiedade à estagiária. O projeto desenvolvido destinou-se a voluntários/as integrados na IH de Braga, porém, devido à “crise de voluntários/as” provocada pela pandemia verificaram-se contratempos relativamente à inscrição dos/as voluntários/as ao projeto. Em acréscimo à escassez de voluntários, verificou-se também uma diminuição acentuada da participação ativa da maioria dos/as voluntários/as que permaneciam na IH que se envolviam esporadicamente em ações pontuais da instituição. Tal passividade, fundamentada na insuficiência de tempo, impossibilidade de participar por diversas razões, condicionou a instituição e, consequentemente, o número de inscrições no projeto. Com a divulgação relativa à abertura das inscrições para projeto realizada em vários momentos entre novembro e janeiro, foi possível assinalar esta disseminação em diversos grupos e plataformas, nomeadamente: grupo de voluntários/as no WhatsApp; através do Mailing ; grupo de Facebook de
11 voluntários/as e até sessões de esclarecimento. O empenho e envolvimento de todos os membros da IH juntamente com os esforços da orientadora e estagiária na disseminação do projeto e incentivo à participação voluntária no mesmo, resultou na superação deste contratempo que afigurava ser um obstáculo. Embora houvesse somente cinco inscrições, um número inferior ao inicialmente idealizado, a estagiária identificou a motivação do grupo para participar no projeto e se desenvolver pessoal e relacionalmente. Reportamos o teor de um e-mail enviado por uma das participantes revelando a motivação e o apreço pelo projeto: Agradeço a oportunidade de poder ingressar no projeto «We4Youth: A Mediação na capacitação de jovens voluntários/as», que acredito ter enorme potencial de aprendizagem e desenvolvimento pessoal que será certamente útil para diversas áreas da minha vida, mas em específico para a minha ação como voluntária da Cruz Vermelha! Podes contar comigo para a entrevista! Tenho todo o gosto! (V2, dezembro de 2021) . Desta forma, iniciamos uma jornada conjunta com um grupo de cinco jovens voluntárias que procuraram no projeto uma base para desenvolver competências e consequentemente identificar o seu potencial como agentes do voluntariado e da transformação social. 2.3. Levantamento de necessidades, oportunidades e interesses Com vista à criação do projeto “We4Youth: A mediação na capacitação de jovens voluntários/as” foi necessário desenvolver a fase do levamento de necessidades. Esta fase, segundo Serrano (2008), é o ponto de partida de qualquer projeto, pois, permite uma compreensão pura e inteligível da realidade do contexto, possibilitando a identificação das necessidades e oportunidades do mesmo. Os projetos baseiam-se no diagnóstico a uma temática/problemática procurando contribuir positivamente para a realidade contextual através da resolução de aspetos menos positivos (Stephanou, 2003 cit. por Comerlatto, 2012, p.42). É pertinente salientar a relevância de identificar as oportunidades existentes no contexto e nas pessoas que nele se inserem, visto que constituem um meio de potenciar a evolução do próprio ambiente institucional. Em função do sucesso da fase de diagnóstico é necessário existir um conhecimento profundo sobre o contexto, que irá permitir o desenho e a apropriação de um plano de intervenção. Sendo que esta fase é um dos principais pilares do desenvolvimento deste projeto, importa ressaltar os dados recolhidos no decorrer da fase diagnóstica. A fase de levamento de necessidades e
12 oportunidades teve início no mês de outubro de 2021 e possibilitou o acesso a informação relevante que apresentamos no Quadro 4. Este quadro sintetiza informações relativas aos objetivos do diagnóstico, juntamente com as técnicas mobilizadas no decorrer da investigação-intervenção para concretizar os objetivos do diagnóstico e as conclusões retiradas relativamente às necessidades e oportunidades identificadas. Objetivos do Diagnóstico Técnicas Necessidades, oportunidades e interesses identificados - Identificar as necessidades dos/as jovens voluntários/as; - Compreender como pode ser mobilizada a intervenção através da mediação socioeducativa - Inquérito por entrevista; - Inquérito por questionário; - Conversas informais; - Observação participante não estruturada; - Aprimoramento das competências relacionais e socioemocionais dos/as jovens voluntários/as; - Criação de espaços de formação; - Criação de um plano educativo que oriente a prática das delegações da ONG a nível nacional; - Promoção da participação ativa dos/as voluntários/as na atividade da IH. - Compreender os modos de potenciar os projetos educativos da IH - Conversas informais - Analisar o trabalho desenvolvido pela instituição na área da educação - Análise documental Quadro 4 – Necessidades, Oportunidades e interesses identificados ao nível de voluntariado Através do Quadro 4 podemos compreender que o foco deste diagnóstico se cingiu à ação dos/as voluntários/as e às características da IH. A experiência da estagiária como voluntária na IH foi determinante para definir este foco, dado que, já conhecia parte das necessidades dos/as voluntários/as e da própria IH. A estagiária constatou, ao longo dos anos, que os/as voluntários/as identificavam as necessidades seguintes: ausência de um acompanhamento contínuo e personalizado que forneça apoio profissional e emocional aos voluntários, e escassez de cursos de formação que desenvolvam soft skills e estimulem a autoconfiança na implementação dos projetos. Embora este historial de informação e conhecimento da estagiária enquanto voluntária existisse, entendemos como essencial o reforço do levantamento das necessidades, através da auscultação dos interesses da IH. A fim de coligir dados tangíveis sobre a realidade deste contexto, tornou-se crucial a mobilização de técnicas de recolha de dados tais como: inquérito por entrevista; inquérito por questionário; conversas informais; observação não estruturada dos participantes; conversas informais e análise de documentos.
13 Numa primeira instância, a análise documental foi primordial no sentido de aprofundar o conhecimento relativamente à instituição. O acompanhante de instituição forneceu-nos o acesso à documentação institucional interna o que veio a permitir compreender aprofundadamente a natureza da instituição, a estratégia de participação juvenil, o perfil dos/as voluntários/as e alguns projetos educativos. As conversas informais e a observação participante não estruturada com os coordenadores da instituição foram indispensáveis, uma vez que permitiram um entendimento direto dos interesses e necessidades da instituição. Com a aplicação destas técnicas verificou-se a importância de investir na capacitação dos/as jovens voluntários/as, considerando que estes/as agentes são os/as principais impulsionadores/as no bom funcionamento da instituição. Mediante as conversas informais com os/as coordenadores/as foi possível identificar como uma das necessidades existentes a nível nacional, a criação de um guia formativo direcionado para orientar e capacitar os/as voluntários/as da IH. A ausência de tempo dos coordenadores/as voluntários/as ao longo do país criava fissuras nas ações desenvolvidas, que consequentemente, criavam dificuldade em selecionar conteúdos e conceber atividades para abordar os temas-chave da IH nos diferentes contextos educativos. Segundo os/as coordenadores/as, a idealização de um guia educativo que promovesse a orientação dos/as voluntários/as a nível nacional, iria possibilitar, a (re)organização da ação das delegações e, simultaneamente, a capacitação dos membros adequando os conteúdos às características particulares da sua realidade contextual. Neste sentido, os objetivos deste guia idealizados pelos/as coordenadores/as da IH, seriam: estimular a atividade de voluntariado na intervenção das diferentes áreas de interesse, fornecendo uma base de possíveis atividades que orientem e sustentem a sua ação, capacitar os/as voluntários/as e otimizar o tempo dos/as coordenadores/as voluntários. Para verificar a veracidade destas informações e explorarmos as dimensões do voluntariado IH recorremos à técnica inquérito por questionário. O inquérito por questionário online foi o instrumento mobilizado para determinar quais os conhecimentos e competências essenciais que um/a voluntário da IH deveria ter, na perspetiva dos/as voluntários, e quais as necessidades que identificavam no decorrer da sua ação. Este instrumento foi aplicado a nível nacional com um total de trinta e nove respostas, do qual pudemos concluir que os principais conhecimentos evidenciados remeteram para os valores, princípios e a missão da organização; as competências destacadas possuíram um grande enfoque em competências de relacionamento interpessoal como: trabalho em equipa, responsabilidade e comunicação; relativamente às necessidades, a maioria dos inquiridos revelou ser necessária a criação de um guia
20 deste tipo de ações. A ação de voluntariado promove diversos valores nomeadamente a solidariedade e empatia estimulando assim “o desenvolvimento harmonioso das sociedades europeias”, sendo considerada pelos autores Serapioni, Ferreira e Lima (2013, p.21) “uma dimensão fundamental da democracia e da cidadania ativa”. Denotamos, também, o impacto da motivação pessoal dos/as voluntários/as no exercício da ação voluntária. Nesta definição os/as voluntários/as e as suas motivações pessoais para a realização deste serviço, devem ser tidos em conta devido à sua influência direta na qualidade e frequência das ações desenvolvidas. Após consultarmos a plataforma “Educação para a Cidadania” 5 conseguimos compreender uma nova dimensão do conceito que caracteriza a atividade de voluntariado como uma atividade de atuação polifacetada. Este serviço não se restringe ao meio social, mas abrange múltiplos contextos, como: o cultural, educativo, jurídico, ambiental e desportivo. De forma a colmatar a exploração do conceito de voluntariado, Fernandes e Mourão (2012) adicionam outro valor a esta definição: O voluntariado é uma expressão de dádiva. O Voluntário doa o seu tempo, mas sobretudo, a sua pessoa na própria complexidade (aptidões, sentimentos e conhecimentos) a um serviço organizado, a uma causa, a um partido político ou a um ideal (Fernandes & Mourão, 2012, p. 1). Nesta definição de Fernandes e Mourão, enfatizamos a pertinência que as características pessoais do/a voluntário/a têm no desempenho do voluntariado, sendo que, por conseguinte, atribuímos maior importância ao papel daquele/a que é voluntário/a. Com isto, podemos entender que a qualidade da ação de voluntariado depende, em parte, do perfil do/a voluntário/a. Em Portugal a prática de voluntariado é demarcada por uma “apatia participativa” (Augusto, 2020, p. 147). Os dados apontam que a participação da sociedade portuguesa no voluntariado, entre 1990 (19%) e 2011 (12%), desceu de cerca 7%. Quando comparados com os países da Europa Continental e do Norte, Portugal ainda apresenta baixas taxas de participação em atividades de voluntariado. Acredita-se que os motivos que sustentam a “apatia participativa” dos portugueses, relativamente ao voluntariado registada até 2011 se deve a Portugal ter vivido um longo período de ditadura, à característica cívica pouco participativa dos/as portugueses e a um mercado de trabalho que não permite às pessoas conciliar o tempo com a atividade de voluntariado (Augusto, 2020). Porém, entre 5 Consultado a 12 de março de 2022: https://cidadania.dge.mec.pt/voluntariado/o-que-e-o-voluntariado
21 2011 e 2016 a percentagem de participação da sociedade portuguesa no voluntariado sofreu um aumento de 5% representado no total um valor de 17%. Apesar de a participação em ações de voluntariado ter verificado este aumento positivo, Portugal ainda está longe de alcançar a percentagem de participação voluntária de outros países europeus (Jacinto, 2020). O voluntariado é planeado pelas organizações e implementado pelos/as dos/as voluntários/as, que atuam de forma desinteressada, doando o seu tempo sem intenção de retorno e espelhando as suas características, competências e conhecimentos nas suas ações. Assim sendo, é impensável deixar de questionar qual é o perfil do/a voluntário/a. De acordo com a Lei n.º 71/98 de 3 de novembro: O voluntário é o indivíduo que de forma livre, desinteressada e responsável se compromete, de acordo com as suas aptidões próprias e no seu tempo livre, a realizar ações de voluntariado no âmbito de uma organização promotora. Apesar deste conceito de voluntário ser consensual, cada organização de voluntariado define aquelas que são as características e competências-chave de um/a voluntário/a. Na generalidade as organizações de voluntariado traçam o perfil do/a voluntário/a como: uma pessoa que se identifica com a missão e valores da organização; senso de responsabilidade e compromisso elevados; cumpridor/a de regras e procedimentos organizacionais; abertura a adquirir novas aprendizagens numa lógica de continuidade; capacidade de trabalhar em equipa; autoconsciência e humildade; possuir condições físicas e psicológicas estáveis (Fernandes, 2011). Sabemos que todas as pessoas podem desempenhar a função de voluntários/as, mas será que possuem as competências indicadas para explorar o máximo potencial da sua ação? Percebemos que, como seres únicos, e por isso, diferentes, possuímos características e perfis que nos diferenciam das restantes pessoas, todavia, podemos optar por desenvolver características que nos destacam, nomeadamente as competências. Através da formação existe a possibilidade de aprimorar as qualidades e as competências de modo a empoderar os/as voluntários/as e aumentar a chance de serem bem-sucedidos/as (Fernandes, 2011). Consideramos que uma abordagem formativa alicerçada nos princípios da mediação apresenta fortes potenciais para o desenvolvimento progressivo dos/as voluntários sem que os/as mesmos/as comprometam a sua identidade pessoal.
22 3.2. A Mediação: conceito, princípios e características O conceito de mediação deriva do latim “ mediare ” que significa a ação de intervir de maneira pacífica e, imparcial em função de alcançar uma solução mutuamente satisfatória entre as partes envolvidas no conflito. Ainda que este aparente ser um conceito relativamente recente, existem registos da sua prática nos povos antigos, sendo que o primeiro registo da prática da mediação surge nas comunidades indígenas através da prática imparcial e dialogante como modo de solucionar os conflitos emergentes (Silva, 2018). Os líderes dessas comunidades tinham como função mobilizar esta práxis de forma a apaziguar os desentendimentos, com o objetivo de alcançar a paz, e possuíam um perfil, que agora é associado aos/às mediadores/as, de uma pessoa justa, comunicativa, com competências interpessoais e empática (Torremorell, 2008, p. 11). A meados dos anos noventa a autonomização da mediação relativamente a outras práticas alternativas de resolução de conflitos é evidente, tal como a sua institucionalização com visibilidade na criação de diversas Associações de Mediadores em diferentes países (Silva, 2018). A mediação tornouse então uma metodologia de intervenção social baseada nos princípios gerais: respeito, responsabilidade, integridade e competência (Código Ético-Deontológico dos Mediadores apresentado pela Comissão Nacional de Mediação, Portugal, 2021). O respeito pelos direitos humanos e a responsabilização quanto às próprias ações e as suas respetivas consequências, são princípios que orientam todo o processo e que devem ser esclarecidos pela entidade mediadora no início do processo. O/A mediador/a deve ter presente também os princípios da integridade e competência, mostrando-se imparcial no decorrer de todo o processo e garantindo profissionalismo na mobilização das competências associadas ao perfil do/a mediador/a. Estes princípios gerais são as linhas mestras na orientação do processo de mediação; porém, a mediação possui princípios específicos que vêm a orientar de forma mais rigorosa os/as participantes neste processo, sendo eles: a imparcialidade e isenção, independência, diligência, confidencialidade, autodeterminação, consentimento informado e investigação. Sustentada nestes princípios, a mediação torna-se então num processo sigiloso e confidencial, onde os/as participantes, voluntariamente, protagonizam momentos de partilha e diálogo de forma respeitosa (Costa et. al., 2021). O/A mediador/a possui um papel fundamental na garantia do cumprimento destes pilares e, por isso, deve esclarecer os mesmos aos/às intervenientes e assumir uma postura de equidistância, consciente, com um discurso prudente, capaz de assegurar uma intervenção eficaz e possuir uma atitude interessada em adquirir conhecimentos mais profundos na área (Bush & Folger, 1996).
23 A mediação diferencia-se das restantes metodologias de resolução de conflito devido à sua natureza de cooperação onde os intervenientes participam ativamente no processo de comunicação (Bush & Folger, 1996). As potencialidades da mediação convertem esta, num processo único, particular e distinto dos restantes devido à sua dimensão dialógica, mas também devido ao paradigma que rege a mediação - paradigma ganhar-ganhar (Torremorell, 2008). A satisfação mútua dos/as intervenientes envolvidos/as é uma das características mais notórias na mediação, visto que, exclui a ideia de que para alguém ganhar é necessário existir um derrotado. Este paradigma demonstra a possibilidade de fundir interesses e necessidades de tal forma, que todos/as ficam satisfeitos e beneficiados com o acordo final (Lascoux, 2009). Com o passar dos anos a mediação veio a expandir-se tornando-se um “movimento polifacetado, variado e pluralista” (Torremorell, 2008, p. 16). A mediação, inicialmente utilizada para solucionar conflitos num âmbito formal, - procedimento estruturado e planeado - passou por um processo de metamorfose que lhe veio conferir um caráter informal e adaptável a múltiplos contextos como: escolar, familiar, profissional, social, entre outros (Silva, 2016). Percebemos então que a mediação é aplicável a qualquer ambiente que envolva pessoas devido ao seu caráter educativo que estimula o pensamento crítico dos/as envolvidos/as. A mediação é uma atividade fundamentalmente educativa, pois o objetivo essencial é proporcionar uma sequência de aprendizagem alternativa (nomeadamente entre pessoas em conflito, explícito ou implícito) superando o estrito comportamento reativo ou impulsivo, contribuindo para que os participantes no processo de mediação adotem uma postura reflexiva (Silva, et al., 2010, p. 120). A mediação revê-se também numa perspetiva preventiva, transformativa dos/as indivíduos/as e dos contextos onde se inserem. É através da reflexão, (co)responsabilização e da criação de espaços de diálogo positivo que este processo visa desenvolver sociedades sustentáveis, inclusivas, pacificas e, sobre tudo, humanísticas (Silva & Munuera, 2020). Compreendemos então a mediação como um processo adaptável a múltiplos contextos e situações. De forma a garantir esta versatilidade, a mediação pode ser realizada através de múltiplos modelos, que possuem enfoques e objetivos distintos uns dos outros (Costa et. al., 2021). Bush e Folger (1996) consideram que os principais modelos de mediação são: o modelo de resolução de problemas, modelo transformativo e modelo circular narrativo. Enquanto este modelo, tal como o nome indica, possui o enfoque na resolução eficaz do conflito, o modelo transformativo centra-se nas
24 pessoas, com objetivo de transformar e/ou prevenir comportamentos prejudiciais. O modelo circular narrativo é a compilação dos modelos anteriores, sendo que possui enfoque no conflito e nas histórias pessoais dos/as envolvidos/as no conflito (Torremorell, 2008). A existência destes modelos permite ao/à mediador/a selecionar o modelo mais adequado ou até mesmo combinar estes modelos, garantindo a adequação da intervenção às pessoas e os seus respetivos contextos. Revemo-nos nas palavras de Torremorell (2008, p. 40) relativamente ao verdadeiro propósito da mediação: (…) o objetivo primordial da mediação é conseguir que cada humano utilize efetivamente a sua força pessoal para enfrentar o conflito, para se corresponsabilizar pela situação e para criar e reparar uma rede de relações baseada no respeito mútuo (…) a verdadeira participação exige acreditar que cada pessoa pode controlar a sua vida se lhe for permitido tomar consciência disso e desenvolver o seu potencial. É neste cenário de constante ascensão da mediação que surge este projeto de estágio, em contexto de voluntariado. A valorização da mediação juntamente com a ambição em explorar as potencialidades da mesma no voluntariado, uma vertente ainda pouco explorado pela área da mediação, deu origem à nossa investigação/intervenção que assume uma vertente educativa, formativa, preventiva e transformativa dos/as voluntários/as. Assim, consideramos a mediação socioeducativa como o campo de atuação mais adequado para a concretização daquele que foi o nosso principal objetivo - capacitar e empoderar estas/as jovens voluntários/as. 3.2.1. Mediação Socioeducativa e as suas potencialidades no contexto de voluntariado A mediação no âmbito socioeducativo vem a ter um papel fulcral numa pluralidade vasta de contextos educativos, escolares e comunitários. Apesar deste âmbito ser maioritariamente explorado na instituição escolar, a mediação socioeducativa possui grandes potencialidades no âmbito de educação não-formal e informal (Silva, et al., 2010). A mediação socioeducativa insere-se no campo de mediação informal estando a sua ação diretamente ligada à dimensão social e educativa, permitindo assim a criação de ambientes colaborativos, transformativos e de partilha de perspetivas, conhecimentos e emoções. Reconhecemos a perspetiva apresentada por Freire e Caetano (2011, p. 601) para representar a essência da mediação socioeducativa:
25 Formar, em e pela mediação implica, pois, um trabalho de formação onde a dimensão pessoal e relacional, os saberes da ordem do ser, do dever ser e do aprender com os outros seja central. (…) Pretende-se, pois, uma formação que questione, interpele, desafie a um trabalho sobre si próprio, na relação com o outro e com o mundo e que se mantenha ao longo da vida, para sustentar e fortalecer os conhecimentos novos que vão emergindo como necessários (..). Consideramos então que a mediação socioeducativa possui uma forte vertente comunicacional, intrapessoal e interpessoal, caracterizada pelo seu enfoque no desenvolvimento e (trans)formação de competências pessoais, emocionais e relacionais das pessoas (Ribeiro, 2015). Este âmbito da mediação perspetiva as diferenças existentes entre as pessoas como um aspeto positivo no enriquecimento das relações interpessoais, como oportunidade de desenvolvimento pessoal e na aprendizagem (Silva, 2011). Alicerçada na modalidade transformadora e preventiva, a mediação socioeducativa potencializa a criação de espaços de reflexão, (auto)consciencialização, autossuperação, (auto)desenvolvimento e desta forma, transformação de si e das suas relações e dos próprios contextos. A modalidade preventiva deste âmbito da mediação acrescenta uma vertente a “longo prazo”, que (re)educa os/as intervenientes para que estes/as sejam capazes de encarar positivamente futuros conflitos (Costa, et. al., 2021). Consideramos ainda que a mediação socioeducativa possui bases semelhantes à teoria construtivista de Piaget, visto que, a aprendizagem individual é um processo de construção constante entre facilitador/a e participante (Bidarra & Festas, 2005). Tal como Mezirow (1996, p. 162) reconhecemos que a aprendizagem é concebida como um processo de utilizar as interpretações anteriores com vista a construir uma interpretação nova ou uma interpretação alterada acerca do sentido da experiência atual, em ordem a guiar a ação futura. O ponto de partida do/a mediador/a socioeducativo/a no processo de aprendizagem dos/as participantes são os conhecimentos, experiências, perfis, interesses e ambições dos/as mesmos/as. Desta forma, este processo distingue-se dos restantes devido à sua ação personalizada e adaptada aos/as participantes e aos contextos onde estão estes/as se inserem. Contudo, para que seja possível adaptar a intervenção ao perfil dos/as participantes é necessário dedicar tempo a construir conhecimento sobre os/as mesmos/as. Este processo de conhecimento interpessoal é um trabalho bidirecional entre a mediação, o contexto de atuação e as pessoas (Vieira, Vieira, & Marques 2021). Ainda que não haja registo quanto à implementação da mediação socioeducativa no âmbito do voluntariado, especificamente com os/as jovens voluntários/as,
26 reconhecemos que esta é uma mais-valia na capacitação e empoderamento destes/as jovens e no ambiente institucional onde os/as mesmos/as se inserem. Incorporamos a definição de Fernandes e Mourão (2012, p. 1) sobre a atividade de voluntariado: O voluntariado é uma expressão de dádiva. O Voluntário doa o seu tempo, mas sobretudo, a sua pessoa na própria complexidade «aptidões, sentimentos e conhecimentos» a um serviço organizado, a uma causa, a um partido político ou a um ideal. Acreditamos assim que a mediação socioeducativa é uma oportunidade de ter impacto positivo a grande escala, pois, capacitar estes/as agentes no âmbito do seu relacionamento intrapessoal e interpessoal, potencializa a efetividade da sua ação de voluntariado na IH, como também nos contextos educativos onde os/as voluntários/as intervém. O enfoque na capacitação e (trans)formação dos/as intervenientes para a aquisição e/ou desenvolvimento de competências relacionais, influência não só os/as intervenientes diretos/as, - voluntários/as - como em adição todos/as aqueles que contactam com eles/as. É através da mediação socioeducativa que procuramos dar uma resposta personalizada às necessidades sentidas pelos/as jovens voluntários/as, nomeadamente no desenvolvimento de competências socioemocionais e relacionais. Através deste processo é possível potencializar as oportunidades existentes no nosso contexto de atuação, capacitar e empoderar os/as agentes ativos/as na ação de voluntariado e contribuir positivamente para a melhoria do relacionamento entre os/as jovens nas respetivas comunidades e os/as voluntários/as. Desta forma, consideramos ser imprescindível explorar a importância do papel das competências relacionais na garantia de uma ação voluntária efetiva, ou seja, baseada no respeito, comunicação não-violenta, democracia, partilha, inclusão, estimuladora da cidadania ativa e da liderança. 3.3. Relacionamento interpessoal: um fator decisivo no sucesso de um grupo Como procuramos evidenciar, o contexto de voluntariado beneficia, nas suas intervenções quando os/as voluntários/as se relacionam positivamente entre si e com a própria IH. Compreendemos que o fator das relações interpessoais é um fator preponderante no sucesso da ação de voluntariado. A investigação relacionada com o conceito - relacionamento interpessoal - direciona o seu enfoque para os relacionamentos que possuímos com as outras pessoas, a forma como interagimos, o tipo de vínculos sociais e afetivos que temos com os outros (Garcia, et al., 2013). As primeiras investigações sobre as relações interpessoais surgem na década de 90, conduzida pelo psicólogo Kurt Lewin.
27 Direcionando o seu estudo para a identificação e caracterização das dinâmicas existentes entre membros da mesma equipa de trabalho, este psicólogo realizou descobertas que revolucionaram a psicologia organizacional. Embora os membros de um grupo de trabalho fossem os mais conceituados, possuindo grande conhecimento e reconhecimento nas suas áreas de trabalho, muitas das vezes a produtividade não correspondia ao que era esperado por aquele grupo de excelência (Costa, 2010). Aprofundando esta questão percebeu-se que existiam múltiplos fatores que interferiam com a dinâmica grupal e o seu sucesso: objetivos abstratos; diferentes interpretações dos objetivos; atritos na definição de tarefas; ausência de limites temporais para a realização de tarefas; ideias pré-concebidas quanto à etnia, cultura e outros aspetos relacionados com os colegas e ausência de comunicação efetiva entre membros do grupo (Lewin, 1947). Explorando estes fatores que limitam o grupo percebemos que fatores como o planeamento e definição clara de tarefas, prazos de entrega, distribuição de papeis vem a comportar uma grande importância na garantia do bom funcionamento, contudo, as competências de comunicação são essenciais. Partilhamos das ideias de Lewin (1947) quando salienta a importância das competências de relacionamento interpessoal como sendo um dos pilares primordiais na garantia de uma ação organizacional efetiva, ou seja, capaz de cumprir os objetivos definidos de forma eficiente, eficaz e possuir uma atitude pragmática e harmoniosa na resolução de possíveis conflitos. Este é um ponto de viragem para aqueles que acreditavam que os conhecimentos técnico-científicos se sobrepunham a qualquer competência relacional. Interessadas sobre o estudo do relacionamento interpessoal e a sua influência nas equipas, em função de compreender o impacto das competências dos/as voluntários/as no contexto de voluntariado e os seus respetivos projetos educativos, recorremos ao livro “Equipas”. Para além de abordar inúmeras situações conflituosas quando os grupos de trabalho não conseguem gerir as suas interações, este livro de Amabile (2010) reflete a importância de competências como: comunicação, empatia, escuta ativa, inteligência emocional, autoconhecimento e consciência do eu e do outro. Todas estas competências são pertinentes não só para o bom funcionamento de uma equipa, mas também para a eficácia de uma organização (Amabile, 2010). Para complementar esta visão, Álvarez (2010), afirma que as competências de relacionamento pessoal influenciam a qualidade de vida das próprias pessoas. De forma a compreender se estas competências fazem parte do perfil ideal dos/as voluntários/as para o nosso contexto de atuação, recorremos ao Regulamento Interno e à Estratégia de Participação Juvenil. Percebemos que ser o/a voluntário/a ideal, para IH, é ser: capaz de escutar ativamente, imparcial, liderar, comunicar de forma positiva, mostrar inteligência emocional,
28 consciência, autoconhecimento e identificar com sensibilidade as características de um ambiente, adequando o seu comportamento. Podemos então afirmar que as competências relacionais apresentam uma forte presença no contexto de voluntariado da IH onde realizamos a nossa investigação/intervenção. Na base deste conjunto de competências sublinhamos duas dimensões elementares que categorizam estas competências: a dimensão intrapessoal e a dimensão interpessoal. Para perspetivarmos uma pessoa com elevadas competências relacionais, devemos contemplar estas dimensões como complementares. A dimensão intrapessoal, ou seja, a relação que possuímos com nós próprios, é um fator crucial nas nossas interações, relacionamentos e vínculos com os/as outros/as. Para além da consciência de nós, da nossa identidade, a nossa missão pessoal e o papel que possuímos na sociedade, a dimensão intrapessoal está fortemente relacionada com os sentimentos e as emoções que certas experiências, situações e/ou momentos nos despertam. É precisamente na pesquisa sobre os sentimentos e as emoções que surge o conceito – inteligência emocional. Este conceito surge nos anos 90 com a obra “Emotional Intelligence” do psicólogo Goleman, e veio a expandir-se até a atualidade (Roberts, FloresMendoza, & Nascimento, 2002). Atualmente, a inteligência emocional é cada vez mais requisitada pelas organizações pois, é uma competência determinante no desempenho individual do/a trabalhador/a e potencializa o bom funcionamento de uma equipa. Esta competência permite superar as adversidades e as situações inesperadas de forma saudável e eficiente, associando-se à capacidade de saber gerir positivamente as suas emoções, impulsos, estado de espírito de forma a automotivar-se e a persistir no desempenho de uma função ou perante uma situação (Goleman, 2012). A inteligência emocional é a capacidade que permite desencadear emoções nos momentos adequados, quer a nível intrapessoal ou interpessoal, sendo assim, uma competência essencial tanto para a vida em sociedade, como para a vida pessoal (Barrantes-Elizondo, 2016). Acreditamos que esta competência faça parte da lista de competências fulcrais para a ação de voluntariado, na IH, uma vez que, os/as jovens voluntários/as inseridos/as em projetos educativos são expostos a situações delicadas nos contextos de intervenção. Situações de exclusão social, racismo, insucesso escolar, exiguidade de autoestima dos/as jovens e por vezes casos de depressão, exigem, a estes/as agentes de mudança uma grande capacidade de regulação emocional para que sejam capazes de pensar/agir e não reagir. A diferença entre pensar/agir e a reação está no processo de assimilação e análise da informação e no tipo de resposta. A reação é uma ação sem fundamento, automática, precoce e instintiva, que
29 ocorre devido ao descontrolo emocional em situações de tensão e stress, correndo o risco de se tornar desadequada à situação. Em contrapartida, o processo de pensar/agir, ou seja, responder, é um processo que exige a análise da informação e a maturação de uma resposta positiva e adequada às particularidades do contexto, da situação e da pessoa em questão (Nunes-Valente & Monteiro, 2016). Este processo exige uma capacidade emocional elevada para que possamos fazer a gestão positiva das emoções e a adequação dos nossos comportamentos, evitando perder o controlo dos sentimentos de tensão que a situação desencadeou. Outra das capacidades fulcrais que estes/as jovens voluntários/as devem possuir para poderem responder às situações de maneira particular e personalizada é a empatia. A empatia é uma competência social que incorpora três componentes: cognitiva, afetiva e comportamental. Referimos a componente cognitiva da empatia como a capacidade de compreender, “trocar de sapatos” com ou outro, ou seja, incorporar os sentimentos, perspetivas, interesses e necessidades da outra pessoa. O sentimento de compaixão, simpatia e preocupação pelo bem-estar do/a outro/a é outra das características necessárias, visto que, para podermos compreender profundamente, precisamos de sentir - componente afetiva. Por fim, a componente comportamental, que, exige uma capacidade de comunicação e inteligência emocional elevada para demonstrar à pessoa que ela foi verdadeiramente ouvida e compreendida (Falcone, 1999). Imprescindível é reforçar o papel das competências de mediação, com destaque às competências de escuta ativa e comunicacionais neste processo de resposta a situações desafiantes. A escuta ativa é uma das técnicas mais utilizadas pelos/as mediadores/as visto que permite ouvir, atentamente e de forma interessada, tudo o que os/as intervenientes estão a dizer e a forma como o dizem. Para adquirir a competência de escuta ativa é necessário total concentração e atenção, procurando escutar com empatia, livre de julgamentos e evitando formular uma resposta antes que a pessoa acabe de falar (Vieira & Vieira, 2017). Esta competência cria a possibilidade de compreendermos, na totalidade, a mensagem que a pessoa nos está a transmitir, e, ainda, identificar aspetos que por vezes ficam suprimidos. Esses aspetos estão, muitas das vezes, expressos na comunicação que a pessoa utiliza. Quando referimos o conceito de comunicação é necessário compreender a sua vertente nãoverbal, ou seja, a linguagem corporal e a informação que a mesma transmite. Esta vertente engloba postura corporal, expressões faciais, movimentos, contacto ocular, utilização de espaço e gestos e revela informações pertinentes sobre o nosso estado de espírito, o interesse perante algum assunto, se concordamos ou não com o que está a ser dito, entre outras (Guix, 2008). Sublinhamos a definição de
36 para a compreensão de perspetivas e comportamentos dos/as participantes (Flick, 2005). Devido à complexidade e imensidão de informação que é recolhida no decorrer da investigação qualitativa, é fundamental que o/a investigador/a possua, rigor e organização de forma a conseguir sistematizar a informação recolhida, relacionar dados e extrair conclusões. Outas características fulcrais para o desempenho do papel de investigador/a, são: imparcialidade, sensibilidade. O contacto direto com as pessoas exige que o/a investigador/a saiba não tomar partidos ou fazer juízos de valor mantendo-se imparcial, e assim, evitando distorcer o enfoque do estudo com as suas perceções pessoais. Por outro lado, deve possuir sensibilidade face aos pormenores que o/a rodeiam, sendo capaz de os relacionar e enriquecer o processo de recolha e análise de dados (Brandão et al., 2019). Uma particularidade desta metodologia é a sua flexibilidade em explorar outras questões que possam surgir na investigação, ou seja, podendo ir para além da pergunta de partida definida a priori (Bogdan & Biklen, 1994). Os contextos reais de atuação que envolvem pessoas, são caracterizados pela imprevisibilidade e múltiplas interações únicas e complexas, que muitas das vezes, influenciam o rumo da investigação-intervenção inicialmente idealizada. Assim, consideramos que a abordagem qualitativa é uma vantagem na compreensão de uma vertente mais humana, sensível e próxima da realidade (Brandão et al. 2019, p. 15): Talvez por isso, uma das principais vantagens deste paradigma encontra-se na oportunidade de explorar pressupostos que interferem na nossa compreensão do mundo social, procurando o significado das coisas e possibilitando um conhecimento mais humanista, que emerge das pessoas e que é culturalmente sensível e por isso não deve ser apropriado sem ter atenção às características do contexto. É baseado neste pressuposto metodológico qualitativo que surge nossa pergunta de partida “De que forma a mediação pode ser uma mais-valia para a capacitação dos/das voluntários/as?” e os objetivos de investigação-intervenção. Apesar de não existirem certezas sobre o autor que criou o conceito – investigação-intervenção - este, tornou-se um método bastante utilizado nas ciências sociais devido à complementaridade entre a teoria e a prática (Tripp, 2005, p. 445). Este método caracterizase pelo seu foco na resolução de problemas sociais existentes, que utiliza a investigação como forma de extrair informação específica sobre determinado assunto, e a posteriori , alicerçar a vertente interventiva nas conclusões retiradas. Assim, este conceito traduz-se na fusão harmoniosa de duas dimensões elementares para a as questões sociais e os contextos de atuação reais. A natureza do método investigação-intervenção é de particularista, pois, adequa, de forma personalizada, todo o
37 processo às características do contexto de atuação e os/as seus/suas respetivos/as envolvidos/as (Flick, 2005). Para além desta essência particularista é importante destacar o caráter participativo desta metodologia. A vertente participativa e colaborativa da investigação-intervenção, implica um envolvimento particip(ativo) das pessoas coletiva ao longo de todo o processo. Esta colaboração no desenvolvimento da investigação-intervenção contribui para alcançar uma solução a necessidades atuais, para a prevenção de futuras necessidades, empoderando as pessoas e o ambiente institucional (Toledo & Jacobi, 2013). Afirmamos assim, que alicerçar este projeto o pressuposto desta metodologia trouxe contributos valiosos, tanto para o nosso trabalho, como para a IH e todos/as os/as seus/suas participantes. Foi através da investigação-intervenção que podemos criar espaços de partilha, colaboração e reflexão, que fortalecessem os laços de confiança das voluntárias relativamente a si próprias, às restantes voluntárias e à própria IH. Investigar e agir neste contexto, contribuiu para a compreensão da realidade institucional e a identificação dos interesses da IH como das próprias participantes originando, assim, um projeto personalizado às suas características. Damos destaque à importância que teve a colaboração das voluntárias no decorrer deste projeto, pois, sem esta postura ativa, as adversidades no planeamento e implementação do mesmo teriam sido bastante superiores e difíceis de ultrapassar. O envolvimento dos/as coordenadores/as e as suas demonstrações de interesse em participar no decorrer do desenvolvimento e implementação do projeto, também foram um fator determinante no decorrer deste processo. 4.2.1. Técnicas de investigação-intervenção e regulação da ação As técnicas que utilizamos no decorrer da investigação-intervenção foram definidas tendo em consideração a natureza qualitativa e humanística deste projeto. A abordagem qualitativa serviu de orientação para a seleção de algumas técnicas, também elas de caráter qualitativo. Estas técnicas incorporam instrumentos fundamentais para a recolha de informação, que conforme as suas características, a maneira como são aplicados e o momento em que os aplicamos permitem obter dados específicos relativamente a diversas dimensões. Assim, consideramos que aplicar um conjunto de técnicas e instrumentos, de caráter qualitativo, diversificados possibilitou a extração de informações pertinentes e complementares que contribuíram para o enriquecimento da investigação-intervenção (Barros, 2012). As principais técnicas mobilizadas no decorrer do processo investigativo e interventivo, foram: a observação, conversas informais, análise documental, inquérito por questionário e inquérito por entrevista. Destas técnicas, criamos os seguintes instrumentos de recolha de dados: questionário
38 online, entrevista semiestruturada, grupo focal, grelhas de observação, diários de bordo, notas de campo e observação participante não estruturada. Denotamos que estas técnicas e os seus respetivos instrumentos foram aplicados desde outubro de 2021 até junho de 2022. Consideramos que a recolha de dados deve evitar ser aplicada de forma singular e, abranger um modelo de aplicação feito ao longo de todo o processo, de forma continua, sistemática e fortemente articulada. Tal como o perfil dos/as investigadores/as, possuímos uma cede incessável pela descoberta e a busca pelo conhecimento e, por isso, consideramos importante acompanhar as constantes mudanças existentes no contexto através da recolha constante de informação. Sob esta ótica, dividimos o processo de recolha de dados em fases, representadas no Quadro 7. Fases de investigação-intervenção Técnicas de recolha de dados Fase I Integração na instituição Inquérito por questionário Inquérito por entrevista Diários de bordo reflexivos Conversas informais Análise documental Fase II Implementação do projeto Grelha de observação Diários de bordo reflexivos Observação participante não estruturada Fase III Avaliação final Inquérito por questionário Grupo focal Quadro 7Técnicas de recolha de informação Numa primeira fase foi importante aplicar as técnicas representadas no Quadro 7 de forma a diagnosticar as necessidades, interesses, potencialidades (ponto 2.3, Quadro 4). No decorrer da Fase II, fase do desenvolvimento e implementação do projeto “We4Youth: A Mediação na capacitação de jovens voluntários/as”, foi importante monitorizar continuamente o impacto do projeto nas voluntárias e recolher os seus feedbacks relativamente às sessões e a forma como eram dinamizadas, mas também, o próprio desempenho da dinamizadora. Por fim, a Fase III retrata a fase de avaliação final do projeto onde vão ser recolhidas informações relativamente à caracterização do impacto que o projeto teve nas voluntárias e na instituição. Quando abordamos a recolha de dados com pessoas, não podemos deixar de falar sobre a ética. A ética é um conceito que pressupõe princípios relacionados com os direitos humanos, bem-estar dos/as participantes e as espectativas dos/as mesmos/as (Carvalho, 2018). De forma a garantir uma
39 recolha de dados que respeite os princípios da ética, criamos um formulário de consentimento para o inquérito por questionário online (apêndice 2) e para a entrevista semiestruturada (apêndice 3). 4.2.1.1. Conversas Informais As conversas informais, apesar de parecerem algo sem importância devido à naturalidade com que surge nos contextos, é uma técnica fundamental que permite aprofundar o conhecimento acerca das realidades organizacionais. No contexto da IH, foi através dos diálogos que pudemos compreender o tipo certos detalhes que contribuíram para identificar algumas perspetivas, interesses e necessidades não só dos/as coordenadores/as como também dos/as voluntários/as. Como a estagiária já tinha experiências na IH, uma vez que foi voluntária há quase 5 anos, adquiriu informações mais internas relativamente à perspetiva dos/as voluntários/as e dos/as coordenadores/as. Através das conversas informais tidas ao longo destes 5 anos, a estagiária compreendeu que os/as jovens voluntários/as que integravam projetos educativos, possuíam algumas dificuldades em gerir as suas emoções nos momentos de dinamização das sessões nos contextos. Essa dificuldade na gestão positiva das emoções tinha consequências, não só, na sua motivação para continuarem afiliados/as à IH mas também, na efetividade da sua ação. Fatores como a insuficiência de competências interpessoais influenciava igualmente de forma negativa a sua ação e criava um sentimento de frustração que transparecia e afetava os/as participantes do projeto, que acabavam por perder o interesse e/ou adotar uma postura desadequada nas sessões. No início do estágio (outubro-novembro de 2021) as conversas informais surgem para que fosse possível obter informações mais próximas da realidade da IH, uma vez que, apesar da estagiária ter a sua perspetiva enquanto voluntária seria pertinente explorar a perspetiva dos/as coordenadores/as. Esta técnica revelou a sua utilidade para complementar as informações anteriormente adquiridas e clarificar quais seriam as necessidades e os interesses da IH da perspetiva dos/as coordenadores/as. Os diários de bordo relatam algumas das conversas informais tidas no decorrer do projeto: “Ao longo da conversa percebi que o meu acompanhante de instituição mostrava grande interesse na intervenção, visto que intervinha várias vezes fazendo comentários como: «Parece muito interessante e de facto será uma mais-valia na instituição» e «Acredito que a tua intervenção nos vá enriquecer a nós e que te ajude a desenvolver» (Diário de Bordo número 1, dia 6 de outubro de 2021). Esta técnica foi particularmente importante para a estagiária que, conseguiu refletir sobre si e sobre a sua ação e, consequentemente, reconfigurar a sua prática. Acreditamos na importância que as
40 conversas informais têm no aperfeiçoamento de um projeto, visto que nessas conversas, são expostas ideias, perspetivas, sugestões, críticas construtivas e elogios. Todas estas interações são cruciais na garantia da motivação da estagiária e no fortalecimento dos laços entre instituição, estagiária e universidade. 4.2.1.2. Observação Consideramos que a técnica com maior impacto no decorrer da implementação do projeto “We4Youth: A mediação na capacitação de jovens voluntários/as” foi a observação, técnica utilizada no desenvolvimento da investigação-intervenção, uma vez que a estagiária não teve contacto com voluntários/as no momento inicial do seu estágio (outubro a dezembro de 2021). O tipo de observação utilizado designa-se de - observação participante - sendo considerada a técnica que se adequa melhor aos investigadores nas ciências sociais devido às suas características inter-relacionais e participativas, que permitem uma pesquisa próxima do contexto e das pessoas que o integram. Esta técnica envolve a integração participativa do/a investigador/a no no dia-a-dia coletivo dos/as participantes, permitindo estudar e compreender, em primeiro plano, os hábitos, interações, relacionamentos e entre outros fenómenos sociais. Aplicar a observação participante implica um aumento de sensibilidade, rigor e precisão na observação para que o/a agente de investigação evite interferir no modo de vida natural das pessoas (Quivy & Campenhoudt, 1995). A observação participante permite que o/a investigador estude os fenómenos emergentes no contexto de forma autêntica, podendo adotar uma observação sem estrutura e instrumentos ou seguindo uma estrutura sistematizada que permita a manutenção do foco de investigação (Pardal & Correia, 1995). No nosso projeto integramos, de forma simultânea, estas duas vertentes da observação participante: estruturada e não estruturada. Através da observação participante não estruturada pudemos observar os comportamentos, pontos de vista, interações e o relacionamento entre a IH e as voluntarias. Esta técnica permitiu também acompanhar as participantes e o contexto de forma constante e contínua, o que beneficiou o processo de recolha de dados e formulação de respostas às necessidades/interesses. Para fundamentar esta ideia, recorremos a um excerto dos diários de bordo que expressa informação relativa às interações das voluntárias num primeiro contacto em grupo: Neste momento reparei que as voluntárias faziam perguntas entre si mostrando interesse em conhecerem-se. Dizendo “Podes falar mais sobre essa experiência?” ou “O que é que te faz pensar que és assim?” Também mostraram bastante empatia quanto às colegas “Não devias ser tão insegura porque tens capacidades” ou “Claro que consegues, ser pessimista às vezes é
41 normal, mas é bom conseguirmos desligar-nos disso”. Fiquei muito satisfeita com este àvontade umas com as outras, visto que não se conheciam e esta sessão foi a primeira vez que contactavam umas com as outras (Diário de Bordo número 13, dia 31 de janeiro de 2022). Por outro lado, a técnica de observação participante estruturada teve um papel determinante na complementaridade da não estruturada, pois, permitiu manter o foco nos seguintes domínios de observação: responsabilidade, participação, capacidades e Interesse. A Grelha de observação para as voluntárias (apêndice 4) veio a ser um instrumento fundamental na manutenção do foco de observação, permitindo filtrar a recolha de informação e observar os domínios que identificamos ser mais relevantes. 4.2.1.3. Diários de bordo reflexivos De forma a monitorizar a atividade da estagiária e explorar os seus sentimentos, dilemas, comportamentos e ideias, decidimos fazer uso ao instrumento – diário de bordo reflexivo. O diário de bordo reflexivo é escrito na primeira pessoa e expressa a um nível mais profundo o que o/a autor/a está a vivenciar, assim sendo este é um instrumento valioso no processo de recolha de dados biográficos e na instigação da autorreflexão (Zabalza, 1994). Este instrumento de recolha de dados distingue-se dos restantes devido ao seu caráter altamente reflexivo que permite desvendar aspetos anteriormente ocultos no inconsciente. A prática de escrever sobre acontecimentos, contexto, tarefas, comportamentos, sentimentos, pensamentos, problemas e soluções desenvolve a autoconsciência do/a investigador/a, permitindo que este/a agente regule e monitorize a sua atividade. Outra característica particular do diário de bordo reflexivo recai sobre o facto de promover o autoconhecimento do/a investigador/a, que reflete sobre como reage perante as situações e explora o motivo de sentir determinadas emoções (Cañete, 2010). Os diários de bordo podem assumir diferentes enfoques, podendo ser: focados na estrutura das sessões; descrição de tarefas realizadas; nos participantes e os seus comportamentos e, por fim, um diário que compila todos estes enfoques – diário de bordo misto/reflexivo (Zabalza, 1994). Orientadas por esta perspetiva de Zabalza (1994), compreendemos como uma potencialidade à monitorização de toda a ação a utilização do diário de bordo com um enfoque reflexivo. Desde o primeiro momento de integração na instituição (outubro 2021), o diário de bordo assumiu uma estrutura (apêndice 5) composta por: objetivos previstos, objetivos alcançados e descrição (objetivos cumpridos, tarefas, emoções, motivações, comportamentos, dilemas e novas ideias) e notas (observações adicionais). Apesar da mesma estrutura ter sido adotada do início ao fim do projeto
42 (outubro 2021 a junho 2022) os diários de bordo realizados apresentaram características distintas. Na fase inicial do projeto (outubro a dezembro 2021), os diários de bordo eram caracterizados por ser mais sintéticos, objetivos e pouco reflexivos, indicando apenas os objetivos alcançados, as tarefas realizadas e as decisões que foram tomadas. Apesar da objetividade ser crucial para o/a investigador compreender aspetos concretos e reais, a componente reflexiva e a tomada de consciência sobre os fenómenos que rodeiam o/a investigador/a são também um fator de importância na monitorização e (auto)regulação da ação. Com esta tomada de consciência, a janeiro de 2021 foi necessário reconfigurar a o conteúdo dos diários de bordo e adotar uma vertente mais reflexiva, pessoal e consciente. De forma a garantir a extração de dados mais reflexivos compreendemos que seria pertinente alterar processo de registo no diário de bordo, ou seja, adotar estratégias que estimulassem a reflexão. Das estratégias adotadas, consideramos registar as evidências no próprio dia e reservar um horário e um ambiente para que fosse possível refletir e autoquestionar foram as principais. A adoção destas estratégias facilitou o processo de reflexão como evidência desta afirmação passamos a citar um estrato do diário de bordo número 21 que retrata um momento de reflexão da estagiária: Por muito que o conteúdo que esteja a transmitir esteja a ter impacto positivo nas voluntárias, as participantes são apenas 3, o que é um grupo bastante reduzido. Este fator poderia ser um impedimento ao objetivo de ter impacto a uma escala significativa, no entanto, depois de uma reflexão profunda sobre como poderia ultrapassar esta situação consegui encontrar uma alternativa. O facto de serem apenas 3 voluntárias faz com que as sessões se tornem mais personalizadas e adequadas aos interesses e necessidades das mesmas. Assim sendo, considero que as voluntárias tenham um ritmo de evolução mais intenso do que se tivessem integradas num grupo com muitos elementos. Após considerar estas potencialidades planeei direcionar 2 sessões para que as voluntárias possam desenhar 1 sessão de capacitação relativamente ao tema – relacionamento interpessoal - para aplicarem nos seus diferentes contextos de atuação. (Diário de bordo número 21, dia 30 de março de 2022) Consoante o que foi evidenciado anteriormente percebemos a utilidade formativa deste instrumento em todo o processo de desenvolvimento do projeto. 4.2.1.4. Análise documental A análise documental foi outra das técnicas utilizadas numa fase inicial (outubro 2021 a janeiro 2022) e foi extremamente útil para compreender o regulamento interno e as regras da IH. Com a
43 análise documental foi possível: compreender normas institucionais; conhecer pormenorizadamente os princípios, a missão e a história da IH; explorar as áreas de intervenção da IH e os projetos educativos; conhecer as metas e os objetivos educacionais da organização e compreender a estratégia de participação juvenil da IH. Todos estes dados foram possíveis de reunir através da análise documental, que veio a ser uma base indispensável para compreender e aprofundar a natureza da IH. 4.2.1.5. Inquérito por questionário Uma das técnicas cruciais para o diagnóstico de necessidades, para a avaliação da facilitadora e autoavaliação das voluntárias foi o inquérito por questionário. Esta técnica é caracterizada por possuir uma estrutura sistemática, organizada por perguntas e questões diretamente relacionadas com a temática em estudo. Aplicada a um grupo de pessoas – inquiridos – estas pessoas representam uma parte representativa da população em estudo e, normalmente, partilham um conjunto de características comuns (faixa etária, nível de formação, cargo profissional, entre outros). As perguntas inseridas no inquérito por questionário podem estudar opiniões, atitudes, expectativas, conhecimentos ou grau de consciência dos/as inquiridos/as sobre o tema, ou seja, aspetos que estejam relacionados com o interesse do/a investigador/a. (Quivy & Campenhoudt, 1995, p.188). Este instrumento explora os fenómenos sociais e pretende compreender modos de vida, comportamentos e valores dos inquiridos o que é particularmente útil para a investigação. Para a criação do inquérito por questionário orientamo-nos pelas fases de elaboração de um inquérito por questionário referidas por Almeida e Pinto (1980): planeamento do inquérito, que pretende definir dimensões e sub-dimensões a serem estudadas e os seus respetivos objetivos; preparação do instrumento, que consiste na construção do inquérito por questionário acessível e adequando aos inquiridos, informando-os dos seus objetivos e adquirindo o seu consentimento; análise dos resultados, que trata da análise de conteúdo das respostas recolhidas através dos métodos de recolha de dados, permitindo-nos assim retirar conclusões; De forma a estruturar um inquérito por questionário que tivesse como objetivo recolher informações para o diagnóstico de necessidades/interesses, foi necessário criar uma planificação (apêndice 6). As perguntas/questões formuladas foram de dois tipos: abertas, onde cada inquirido poderia expressar livremente a sua opinião através da formulação de uma resposta escrita, e fechadas, onde a sua resposta restringia-se apenas a uma das opções definidas a priori .
44 Inicialmente (novembro 2021 a dezembro de 2021) o inquérito por questionário inicial foi implementado a nível nacional a 39 jovens voluntários/as e coordenadores/as voluntários/as que pertencem à organização. Ao longo de um mês foi essencial reforçar a divulgação do inquérito por questionário (tabela 1) com o objetivo de recolher o maior número de respostas possíveis, pois, desta forma, teríamos uma perspetiva mais ampla da realidade do que se obtivéssemos um conjunto reduzido de respostas. Tabela 1 - Datas, frequência de incentivos e total de respostas obtidas ao questionário Apesar de ambicionarmos obter mais respostas do que as 39, consideramos que o número total de inquiridos que respondeu ao inquérito por questionário online providenciou dados bastante relevantes para a investigação-ação. Com o inquérito por questionário inicial procuramos: conhecer as características sociodemográficas dos/as inquiridos/as; compreender a suas conceções relativamente ao conceito de voluntariado e identificar os seus conhecimentos e competências (apêndice 7). Numa fase final, consideramos que planear o inquérito por questionário de avaliação final (apêndice 8) seria uma mais-valia para que as participantes pudessem avaliar, anonimamente, o desempenho da estagiária no decorrer da facilitação das sessões e autoavaliarem o seu desempenho e evolução ao longo das sessões. 4.2.1.6. Entrevista semiestruturada O guião de entrevista semiestruturada revelou a sua utilidade em dois momentos do projeto, a fase inicial/diagnóstica (dezembro 2021, apêndice 9) e a fase final/avaliação (junho 2021, apêndice 10). A entrevista possibilita um contacto direto entre entrevistador e entrevistado, sendo também um instrumento flexível, pois permite explorar questões que não foram planeadas (Coutinho, 2011). 6 As cores utilizadas distinguem as diferentes plataformas utilizadas para a divulgação do inquérito por questionário. A cor vermelha representa o Gmail; Verde o WhatsApp no grupo de voluntários/as de Braga; Azul o Facebook nos grupos de voluntários/as e coordenadores/as e por fim, lilás que representa uma formação. Datas Plataformas de divulgação 6 Respostas 18/11/2021 0 22/11/2021 10 24/11/2021 9 10/12/2021 7 14/12/2021 13 18/12/2021 Fim da disponibilização Total: 39
45 Neste caso, optamos pela utilização da entrevista semiestruturada, uma vertente da entrevista caracterizada pela sua estrutura, flexibilidade e dinamismo no decorrer da implementação da entrevista. Este tipo de entrevista possui um guião com um conjunto de tópicos previamente definidos tendo como objetivo a garantia do foco de investigação, contudo, esta distingue-se da entrevista estruturada por possuir uma maior flexibilidade. O/A entrevistado/a é convidado/a a falar sobre uma temática e, ao longo deste diálogo, o/a investigador/a possui a liberdade de explorar profundamente as questões que emergem no decorrer da entrevista (Sá et al., 2021). Com a implementação deste instrumento percebemos que as vantagens do seu caráter flexível, porém, estruturado, potencializaram na recolha de informação pertinente. De facto, quando procedemos às entrevistas as voluntárias exploravam os temas de forma bastante distinta, nomeadamente em termos de desenvolvimento da resposta e de assuntos que relacionavam às perguntas. Este instrumento possibilita “obter e recolher dados cujo principal objetivo é compreender os significados e sentidos que os entrevistados atribuem a determinadas questões e/ou situações” (Morgado, 2013, como citado em Sá et al., 2021, p. 19). Reparamos que o caráter adaptável da entrevista semiestruturada serviu para adequar e fazer uma recolha de dados mais personalizada às características e respostas das entrevistadas. Ambas as entrevistas aplicadas quer na fase diagnóstica como na fase avaliativa, a estagiária necessitou de excluir algumas das perguntas planeadas, pois, no decorrer das entrevistas, as voluntárias desenvolviam a sua resposta de tal forma que acabavam por responder a várias perguntas em simultâneo. 4.2.1.7. Estratégias de autosupervisão As estratégias de autosupervisão foram indispensáveis no decorrer do planeamento e implementação do projeto. Apesar de todas as técnicas e instrumentos terem sido fundamentais para a contribuição da completude do projeto, destacamos as técnicas de autosupervisão como um catalisador da reflexão após as sessões de capacitação. O instrumento desenvolvido consistiu numa grelha de observação com múltiplos parâmetros relacionados com princípios, conhecimentos e capacidades da estagiária (apêndice 11). Relativamente ao domínio de observação dos princípios, foi preciso compreender se existiu pontualidade, assiduidade, cumprimento do plano de sessão e respeito pelas participantes; o domínio de observação relacionado com os conhecimentos permitiu tomar consciência sobre a clareza dos conteúdos mobilizados pela facilitadora, o conhecimento sobre o tema e a capacidade de dar resposta a questões colocadas pelas voluntárias; por fim, o domínio das
52 Outro dos aspetos que reconhecemos como fundamental para todo o processo está explicito na Fase III. A avaliação foi um fator-chave no decorrer da investigação-intervenção, uma vez que, nos permitiu recolher uma diversidade de informação pertinente de forma continua. A continuidade da avaliação foi permitindo que (re)ajustássemos constantemente a nossa intervenção às características das participantes e à IH. Acreditamos que esta distribuição temporal das atividades desenvolvidas culminou numa simbiose entre o que fora previamente definido e o que foi implementado no contexto institucional.
53 Capítulo V - Apresentação e discussão do processo de investigação-intervenção O Capítulo V destina-se a descrever as ações desenvolvidas quer no âmbito investigativo, quer no âmbito de intervenção no período de outubro de 2022 a junho de 2022. A descrição das sessões tem um papel determinante na compreensão clara e detalhada daquele que foi o trabalho desenvolvido. No presente capítulo abordamos as atividades realizadas no decorrer do período de intervenção, nomeadamente: as sessões de capacitação; o Manual de Formação para Jovens Voluntários/as e o Manual do/a Facilitador/a da ferramenta Play4equality II. A intervenção feita através das sessões de capacitação decorreu de dia 31 de janeiro de 2022 a 8 de junho de 2022 e teve como principal objetivo empoderar e capacitar as jovens voluntárias da IH para a aquisição/desenvolvimento de competências relacionais e socioemocionais. Em seguida, no período de 2 de fevereiro de 2022 a 2 de junho de 2022, foi desenvolvido Manual de Formação para Jovens Voluntários/as com o intuito de dar continuidade à intervenção mesmo depois do término do estágio. 5.1. We4Youth: A Mediação na capacitação de jovens voluntários/as - sessões de capacitação para jovens voluntários/as O projeto We4Youth: “A Mediação na capacitação de jovens voluntários/as” foi o nome que decidimos atribuir ao projeto realizado na IH. We4Youth (Nós pela juventude) foi uma designação deste projeto que consideramos estratégica pois um dos objetivos do projeto seria não só intervir com jovens voluntários/as, mas também que esses/as pudessem dar continuidade ao projeto e implementá-lo com outros/as jovens voluntários/as. No logotipo vemos um conjunto de elementos distintos, nomeadamente: três tipos de cores diferentes, duas mãos e três pessoas. As diferentes cores usadas nas letras estão diretamente relacionadas com as cores do logotipo da IH; as duas mãos simbolizam o altruísmo, compaixão e entreajuda; as pessoas representam a humanidade e a juventude. A nossa intervenção na IH traduziu-se, principalmente, nas sessões de capacitação para as jovens voluntárias. As sessões de capacitação foram desenvolvidas tendo em conta os dados extraídos no diagnóstico de necessidades, conversas informais com os/as coordenadores/as da IH e entrevistas semiestruturadas. Imagem 1 - Logotipo do projeto We4Youth
54 O grupo de participantes contemplou 5 jovens voluntárias na IH, no entanto, a voluntária 5 e voluntária 2 nunca compareceram às sessões devido a motivos pessoais e profissionais. Estas ausências foram justificadas no início do projeto, porém, após três ausências consecutivas a estagiária teve de convidar as voluntárias a sair do projeto uma vez que estas ausências eram desmotivadoras para as voluntárias que participavam assiduamente nas sessões. Como já referimos, os dados apontaram para a necessidade de desenvolver competências relacionais, socioemocionais e em abordar temas como: inteligência emocional; relacionamento interpessoal e direitos humanos. Contudo, sentimos que seria essencial auscultar as voluntárias relativamente a possíveis temas e subtemas. A esta atividade realizada na sessão de apresentação denominamos de “Caixa de sugestões – temas de interesse” onde as participantes escreveram um ou mais temas que fossem do seu interesse. Representados na imagem 2, apresentamos o conjunto de temas identificado pelas voluntárias organizados num Gráfico de Veen: Imagem 2 - Caixa de sugestão sobre temas de interesse Representados no círculo amarelo surgem os conceitos que remetem para problemáticas sociais associadas à violência física, verbal e psicológica, nomeadamente: violência no namoro e bullying . Associados ao combate da discriminação (representado na transição entre o círculo amarelo e o verdeágua) identificamos os conceitos: feminismo e comunidade LGBT+. Os movimentos feministas e das comunidades LGBT+ representam um fenómeno social que visa o combate à violência de género, promovendo a paz e a inclusão. A palavra inclusão situa-se na transição do círculo verde-água e do círculo lilás, estabelecendo uma ligação entre os conceitos: mediação e gestão de conflitos. A mediação numa ótica de prevenção e na gestão dos conflitos potencializa comunidades pacíficas e inclusivas, priorizando os direitos humanos e reconhecendo que a socialização entre pessoas diferentes cria Inclusão Relacionamento interpessoal Mediação Feminismo Comunicaçã o Violência no namoro Bullying Comunidade LGBT+ Gestão de conflitos Discriminação
55 oportunidades de desenvolvimento pessoal e social. Desta forma, os conceitos relacionamento interpessoal e comunicação ganharam centralidade no Gráfico de Veen devido à abrangência de todos os temas anteriormente referidos. Neste sentido, foi possível compreender interesses específicos das participantes, que nos possibilitou ajustar os exercícios, as atividades e todo o projeto às voluntárias. Diante disto, estas sessões tiveram como principal objetivo empoderar e capacitar as jovens voluntárias da IH para a aquisição/desenvolvimento de competências relacionais e socioemocionais. As sessões de capacitação registaram-se na modalidade mista, ou seja, presencial e online. O nosso objetivo foi garantir uma interação próxima entre estagiária e participantes, uma necessidade que foi colmatada com a modalidade presencial. Contudo, a modalidade online foi crucial para garantir a flexibilidade horária e a possibilidade de as sessões continuarem independentemente da Covid-19. Acreditamos que a junção destas duas modalidades de forma complementar foi um aspeto bastante positivo na implementação do projeto permitindo uma maior adequação às situações em que as participantes se encontravam. Na experiência extracurricular da estagiária, a mesma percebeu que as sessões deveriam ter uma duração estratégica para que fosse possível abordar todos os conteúdos planeados; assim sendo, foi decidido que a duração total de cada sessão de capacitação seria de 2 horas. Outro objetivo do projeto “We4Youth: A Mediação na capacitação de jovens voluntários/as” era criar um ambiente de partilha e à-vontade entre o grupo de voluntárias, de forma a garantir interações de aprendizagem colaborativa. De forma a alcançar este objetivo a estagiária desenvolveu estratégias que incentivassem a interação colaborativa entre as participantes e, simultaneamente, lhes conferisse um sentido de pertença ao grupo. Estas estratégias resumiram-se à criação de um grupo de WhatsApp onde eram trocadas mensagens motivacionais entre a estagiária e as voluntárias e, simultaneamente, uma plataforma de comunicação para combinar datas para as próximas sessões ou tratar de outros assuntos relacionados com o projeto. À medida que o tempo foi passando, este grupo serviu também para que as voluntárias comunicassem e partilhassem experiências pessoais e de voluntariado entre si. A partir disto, foi possível observar um fortalecimento de laços entre as jovens voluntárias e estagiária como podemos comprovar nas seguintes mensagens enviadas através do grupo de WhatsApp a 7 de abril de 2022 pelas voluntárias: Obrigada Juliana!! 😊E obrigada também pelas oportunidades e momentos que nos tens proporcionado ao longo deste projeto!! Tem sido um ambiente de partilha muito bom 💕 ” (V1, mensagem, abril de 2022); E quem tem de agradecer somos nós, pelos momentos de partilha
56 e aprendizagem que nos tens proporcionado! Tem sido mesmo gratificante e estou muito feliz por isso 🥰” (V3, mensagem, abril de 2022). Outra estratégia utilizada para conferir às voluntárias o sentimento de pertença ao grupo foi a introdução do projeto “We4Youth: A Mediação na capacitação de jovens voluntários/as” através do tema de super-heróis. Na apresentação do projeto foi essencial destacar o impacto positivo que os/as voluntários/as podem ter na vida das pessoas, tal como todos/as super-heróis. Desta forma, também estas jovens voluntárias têm o seu “superpoder” – qualidade que as torna únicas – e, como todos/as super-heróis a sua “fraqueza” – característica que consideram ser algo menos bom. Depois de cada voluntária e a própria estagiária identificar o seu superpoder e a sua fraqueza, tomamos a decisão de criar os cartões de identificação representados na imagem 3. Os cartões de identificação possuem uma imagem de um perfil anónimo sobreposto à fotografia de cada cartão, pois, entendemos como fundamental respeitar o anonimato e as normas éticas. Estes cartões de identificação pessoal do projeto “We4Youth: A Mediação na capacitação de jovens voluntários/as” foram criados com o intuito de conferir o sentido de pertença de grupo. Para que as voluntárias e a estagiária pudessem levar esse cartão de identificação pessoal para as sessões, a estagiária decidiu incorporar nos cartões umas fitas para que fosse mais fácil a utilização desses cartões ao pescoço. Esta estratégia causou um impacto bastante surpreendente nas voluntárias, que inicialmente reagiram de forma muito positiva e entusiasmada, mas que, com o passar do tempo, se esqueciam de levar estes cartões para a sessão, com exceção da voluntária 3 que fazia questão de usar sempre o seu cartão. Imagem 3 - Cartões de identificação pessoal We4Youth
57 De modo a tornar a ideia de um grupo de super heroínas ainda mais real, criamos uma ilustração representada na imagem 4 onde os rostos das voluntárias estavam sobrepostos sobre o corpo de heroínas, que possuíam características únicas como a cor da roupa, associada aos cartões abaixo retratados. Imagem 4 - Ilustração das participantes como super heroínas Por fim, outra das estratégias utilizadas para garantir a coesão e união do grupo foi a criação de um quadro de regras. De forma a garantir a participação ativa de todas as voluntárias, a estagiária incentivou à elaboração deste quadro de regras. O quadro de regras consistiu na criação de um conjunto de regras que as voluntárias gostassem de ver cumpridas nas sessões, sendo que, as regras identificadas foram: respeito pelas diferentes opiniões das colegas; boa disposição nas sessões; compromisso com o projeto; cedência e flexibilidade de horário para a marcação das datas das sessões e música de fundo durante as sessões. Visto que o projeto “We4Youth: A Mediação na capacitação de jovens voluntários/as” surge numa modalidade mista criamos um padlet 7 , uma plataforma online, que possibilitasse às voluntárias aceder aos conteúdos e materiais utilizados nas sessões, como também, fazer comentários e sugestões sobre as atividades e as sessões. Inicialmente, o plano das sessões foi desenhado para contemplar dose sessões, no período de 31 de janeiro de 2022 a 8 junho de 2022; no entanto, devido à incompatibilidade horária do grupo, o número de sessões encurtou-se para dez sessões. Ainda que os temas inteligência emocional e 7 Link do Padlet We4Youth: https://padlet.com/projetowe4youth/45i3b2vqdpnep9sj
58 relacionamento interpessoal se mantivessem, este imprevisto exigiu uma reconfiguração do plano de ação onde adicionamos uma nova componente de sessões de capacitação – sessões mistério. Todas as sessões de capacitação foram planeadas de forma a realizar uma simbiose entre a vertente mais teórica e uma componente prática do tema desenvolvido. Este equilíbrio entre a conceptualização teórica e a vertente experimental acrescentou maior complementaridade a estas sessões e permitiu criar um ambiente de aprendizagem baseado na partilha e colaboração. Compreendemos a monitorização continua da nossa intervenção como um aspeto indispensável e, nesse sentido, estruturamos as sessões de capacitação de forma a dedicar uma parte da sessão à recolha de feedbacks das voluntárias. 5.1.2. Inteligência Emocional Abordar o tema – inteligência emocional – surge como forma de colmatar as necessidades expressas pelo grupo de jovens voluntárias, que se sentiam menos capazes de gerir as suas emoções em momentos de pressão, stress ou momentos que exigissem uma postura formal. As voluntárias foram convidadas a eleger aqueles momentos que fossem emocionalmente desestabilizadores, sendo que, o exemplo comum a todas as voluntárias eram momentos de apresentações orais e/ou discursos com bastante público. Com esta informação, planeamos uma sessão (cf. Quadro 10) que fosse dedicada exclusivamente ao autoconhecimento, distinção entre as emoções e sentimentos e possíveis estratégias para a gestão de emoções. Tema: Inteligência Emocional Objetivo geral da sessão Objetivos específicos Atividades Introduzir e trabalhar o conceito de inteligência emocional. Explorar os conhecimentos das voluntárias quanto ao conceito - Inteligência Emocional Chuva-de-ideias Promover o autoconhecimento e estimular o conhecimento interpessoal do grupo Quem sou? Conhecer a origem e definição do conceito - inteligência emocional; refletir sobre diferentes estratégias de regulação emocional; trabalhar os 4 domínios de Goleman: autoconsciência, autogestão, a consciência social e a gestão das relações; PowerPoint: Autorregulação das emoções Refletir sobre a importância da gestão emocional Questão de vida ou… Promover a distinção entre o conceito de emoção/sentimento Mímica: Sentimento VS Emoção Avaliar o impacto da sessão A tua estrela Quadro 11 - Objetivos gerais e específicos das atividades implementadas para a sessão sobre inteligência emocional
59 De forma a compreender qual a perceção do grupo de jovens relativamente ao conceito de inteligência emocional foi realizada uma atividade de chuva-de-ideias. Com esta atividade a estagiária pode compreender que as voluntárias estavam familiarizadas com o tema e mostravam um bom domínio dos conceitos e da definição de inteligência emocional. Primeiramente foi realizada a atividade “Será que te conheces”, uma atividade implementada com o intuito de desenvolver o autoconhecimento das voluntárias e promover o interconhecimento do grupo. Esta atividade consistiu na realização de um desenho, em cerca de cinco minutos, que representasse os três momentos temporais passado, presente e futuro como podemos ver no apêndice 12. Este desenho, realizado por uma das voluntárias, representa o resumo da sua infância, do seu presente e daquilo que projeta para o seu futuro. Convidada a explicar o seu desenho, a voluntária retratou a sua infância numa quinta, onde vivia inquietante e esperançosa por se tornar adulta pois perspetivava essa fase da vida como “fixe” devido à maturidade e independência que conquistaria. No presente, a voluntária sente que a puberdade a atirou para um penhasco onde as dúvidas sobre si predominam, onde sente que a sua identidade está incompleta e necessita de ser descoberta. Por fim, o futuro é representado por uma escada caracterizada por ter objetivos a cada degrau e, ao lado, um conjunto de atividades/hobbies que a voluntária gosta de fazer. Apesar desta descrição corresponder a este desenho, os restantes desenhos possuíam fatores em comum. O grupo de jovens voluntárias representa o passado como uma fase de vida feliz em que mostravam entusiasmo e alguma pressa em crescer para se tornarem jovens adultas. No entanto, atualmente sentem-se insatisfeitas com as incertezas e sobrecarregadas com o acréscimo das responsabilidades académicas e pessoais. Todas as participantes perspetivam o futuro de forma otimista e esperançosa, onde se veem a alcançar os seus objetivos e estabilizar a sua vida. A reflexão feita em torno desta atividade incidiu na importância do autoconhecimento e de prestar atenção sobre o que estamos a sentir no presente para que possamos canalizar esses sentimentos e emoções de forma positiva. Após a atividade “será que te conheces” a estagiária recorreu ao suporte PowerPoint para realizar a abordagem a diversos temas como: os oito tipos de inteligência; origem e definição de inteligência emocional; distinção de emoções e sentimentos; os quatro níveis da inteligência emocional e estratégias de regulação emocional e hábitos/vícios a evitar. No decorrer desta apresentação de conceitos as participantes mostraram uma grande adesão aos conteúdos, como podemos ver neste excerto de diário de bordo As voluntárias, apesar de avisarem que se sentiam cansadas com a carga académica, mostraram-se extremamente atentas, interessadas e envolvidas, possibilitando a criação de um
60 espaço de (auto)reflexão, (auto)consciência e partilha de experiências, sentimentos e conhecimentos (Diário de Bordo número 15, dia 16 de fevereiro 2022). Apesar de termos dedicado uma sessão em específico para abordar a temática de inteligência emocional, foi preciso compreender que este conceito envolve uma componente intrapessoal, mas também uma componente interpessoal e, por isso, dedicamos as restantes cinco sessões à temática de relacionamento interpessoal. 5.1.3. Relacionamento interpessoal A diversidade cultural, educacional, religiosa, etc, exige um leque completo de competências de relacionamento interpessoal. Estas competências são requisitadas nos contextos de voluntariado, uma vez que, o/a voluntário/a contacta com múltiplos ambientes onde se inserem pessoas diferentes e únicas. A base de todas as relações humanas centra-se, principalmente, numa das competências do relacionamento interpessoal – a comunicação. O processo de comunicação, apesar de ser algo natural e inerente ao ser humano que se insere no contexto social, é complexo e, muitas das vezes, disfuncional. Na raiz desta disfunção comunicacional está, na maioria das vezes, o desenvolvimento precoce de competências relacionais que, consequentemente, geram situações conflituosas. Após a realização do levantamento de necessidades (ponto 2.3, Quadro 5), percebemos que uma das maiores necessidades referidas pelas voluntárias remetia para as competências de comunicação. Conscientes de que a comunicação é muito mais abrangente do que apenas a componente verbal, decidimos dedicar um conjunto de cinco sessões (Quadro 11) para desenvolver: competências de escuta ativa, comunicação verbal e não-verbal e comunicação positiva (técnicas de mediação). Tema: Relacionamento interpessoal Objetivos gerais da sessão Objetivos específicos Atividades Introdução à temática da comunicação Alertar para a importância da comunicação não-verbal Conta-me uma história Desenvolver competências de comunicação verbal e estratégias de comunicação O leilão Consciencializar para o impacto que a comunicação pode ter Estratégias para uma boa comunicação Desenvolver a comunicação verbal Às cegas Avaliar o impacto da sessão Autosupervisão: Padlet Introdução ao conceito conflito; refletir sobre a importância da comunicação positiva no conflito. Explorar os conhecimentos das voluntárias quanto ao conceito - Conflito Conflito Conhecer a origem e definição do conceito - Mediação; refletir sobre diferentes estratégias de comunicação positiva; PowerPoint: A mediação
61 Consciencializar para a importância do conflito na evolução humana Amigos ou inimigos Alertar para a importância da comunicação efetiva; destacar a escuta ativa como uma competência-chave do relacionamento interpessoal Laranja Recolher o feedback das participantes relativamente à sessão, ao seu desempenho pessoal e ao desempenho da dinamizadora Autosupervisão: Padlet Explorar o conceito de mediação; desenvolver competências de comunicação positiva Avaliar os conhecimentos das participantes; sintetizar alguns dos conceitos abordados Quiz - o que sabes? Aprofundar o conceito de mediação A mediação: o que é? Desenvolver competências de comunicação positiva - parte 1 O que dirias? Avaliar o nível de atenção/conhecimento relativo ao conceito de mediação Quiz - a mediação Aprofundar o desenvolvimento de competências de comunicação positiva; refletir sobre a importância de incorporar o paradigma ganhar-ganhar no nosso dia-a-dia Desenvolver competências de comunicação positiva - parte 2 Faz a seleção Refletir sobre o paradigma ganhar-ganhar Campo Vs cidade Desenvolver competências de comunicação positiva - parte 3 Vamos colocar em prática Colocar em prática os conhecimentos adquiridos através da simulação de um conflito A simulação Partilhar experiências em contextos educativos com crianças e jovens Refletir sobre os estereótipos associados à criança/jovem Quem são el@s? Refletir sobre o impacto do comportamento dos adultos no desenvolvimento da criança Na minha infância Refletir sobre comportamentos positivos e os negativos Fazemos ou não Quadro 12 - Objetivos gerais e específicos das atividades implementadas para relacionamento interpessoal Tal como podemos observar no Quadro 11 a plataforma Padlet veio a ser uma ferramenta valiosa na recolha de feedbacks relativamente às sessões, ao desempenho da estagiária e ao desempenho e reflexões das voluntárias. Para além da recolha de feedbacks, esta plataforma veio a acrescentar flexibilidade horária ao projeto “We4Youth: A mediação na capacitação de jovens voluntários/as”. Uma vez que, a disponibilidade das voluntárias não coincidia entre si, foi necessária a adotação de uma estratégia que viesse a colmatar esta incompatibilidade e, simultaneamente, permitir a continuidade da implementação das sessões de capacitação. Compostas por vídeos formativos realizados pela estagiária, atividades e exercícios, as sessões assíncronas surgem neste contexto. A adesão por parte das voluntárias foi bastante positiva, mostrando abertura e interesse em realizar os exercícios e refletir sobre os conceitos. 5.1.4. Sessões mistério Como mencionado anteriormente, a incompatibilidade horária causou alguma frustração quer às voluntárias participantes que tinham dificuldade em chegar a um consenso de horário com as colegas, quer para a estagiária pois teria de alterar o plano de intervenção. De forma a ultrapassar este constrangimento foi oportuno repensar e reconfigurar o plano de ação com o intuito de atingir os
68 liderança. As restantes respostas apontaram para o nível excelente em todos os domínios. A totalidade das inquiridas considerou a prestação da facilitadora, na generalidade, excelente, destacando uma clara mobilização de conteúdos ao longo das sessões; clarificou os objetivos das sessões; incentivou à participação; estimulou à criatividade; mostrou recetividade a diferentes pontos de vista; conseguiu dar resposta às questões colocadas e capacidade de comunicação. Adicionamos também uma secção não obrigatória de comentários adicionais, para que as voluntárias pudessem expressar livremente a sua opinião relativamente ao desempenho da estagiária como facilitadora. Passamos a citar duas das respostas: V1 - Programa construído com muito rigor, pormenorizado, dinâmico e com temáticas associadas a competências essenciais para a atividade de voluntariado, mas também para a vida em sociedade. Adorei as dinâmicas das sessões e o ambiente de partilha de conhecimentos e experiências. Destaco o papel fundamental da dinamizadora que se mostrou muito acolhedora, aberta às opiniões e dificuldades de horário das participantes, tentando sempre adaptar toda a sua ação tendo em vista o bem do outro. Além disso, destaco também a sua comunicação exemplar e criatividade! Muitos parabéns e obrigada pela oportunidade de poder fazer parte de um projeto tão único e enriquecedor!! (Entrevista, junho de 2022). V2 - A criação e dinamização deste projeto foi muito útil e interessante, proporcionando-me uma experiência bastante enriquecedora. A dinamizadora mostrou ser capaz de liderar, comunicar e estimular a participação de uma forma eficiente (Entrevista, junho de 2022). Devido à natureza da técnica entrevista semiestruturada (Ponto 4.2.1.6) pudemos também extrair alguns dados relativamente a esta componente de avaliação. Apesar das perguntas e questões colocadas no decorrer da entrevista semiestruturada se direcionarem mais à apreciação geral das voluntárias relativamente ao projeto e à sua experiência como participantes, todas as entrevistadas mencionaram aspetos que, na sua opinião, foram fatores cruciais para o projeto: V1Fazendo uma retrospetiva das nossas sessões, o que mais tenho a destacar foi o ambiente que se criou nas próprias sessões, porque apesar de ser uma formação e ter de existir um ambiente mais formal, acho que se criou muito acolhedor, muito de partilha. Tanto que até nós fomos criando relação (…) A questão de partilhar as próprias vivências que tivemos (…) conseguimos falar sobre isso e tu com as competências que tens, nomeadamente ao nível da questão da comunicação, eu em específico partilhei uma questão (…) e tu foste sempre com as ferramentas que tens foste sempre ajudando a entender de que maneira poderia dar a volta
69 (…) Tornaste as coisas muito práticas o que facilitou imenso a aquisição dos conteúdos e alargou para outras questões, não se focou só naquele tema (…) Fez-me ver que, mesmo pela maneira como tu transmites as coisas e falas connosco que temos de ter calma, respirar, e que eventualmente com esforço e dedicação as coisas vão acabar por melhorar. Embora nem tudo vá ser perfeito, há sempre alguma coisa que podemos fazer (…) Mostraste sempre preocupação se estávamos a gostar, se naquele momento não estávamos tão bem e tentaste puxar por esse lado mais humano, ou seja, perceber as vivências que tínhamos, tentaste não só criar uma relação profissional (porque no fundo tu eras a formadora e nós as formandas), mas também procuraste uma relação mais informal e de ajuda mesmo, o que é bastante bom e que nos fez ter mais interesse no projeto e com que quiséssemos participar mais e dar mais de nós ao projeto. Tínhamos essa correspondência do outro lado, e quando isso acontece é muito bom e claro que a motivação muda completamente se tivermos uma pessoa que vai lá e despeja conteúdos e pronto. A questão da flexibilidade, já referi (Entrevista, junho de 2022). V2 – (…) E para além disso perguntaste-nos no início o que gostaríamos de falar e penso que isso é muito importante, tu pedires a nossa opinião, ou seja, sempre incentivaste à nossa autonomia e ao nosso espírito critico, não foste para lá e falaste só teoricamente. Eu acho que todo esse espaço que nos deste foi incrível, senti que tu não estavas… num lugar de superioridade, mas sim que eras uma de nós e que também estavas a aprender connosco. Eu senti muito isso! Estavas a ensinar, mas também tomaste o papel de aprendiz, de estudante e acho que isso fez com que nós criássemos muito bons laços entre nós e o diálogo entre nós sempre foi ótimo (Entrevista, junho de 2022). V3 – (..)Tu também foste puxando muito por esse lado, ou seja, cada um de nós é compreendido por isto, logo de início tu perguntaste quais eram as características que nós destacávamos como mais positivas e negativas, precisamente para pegares nesses aspetos e criares essa identidade para nós, para nós nos encaixarmos no projeto e ao mesmo tempo percebermos aquilo que poderíamos melhorar em termos de personalidade, de competências profissionais e do nosso perfil de voluntário (Entrevista, junho de 2022). Torna-se evidente, portanto, que o estilo de facilitação adotado pela estagiária e as capacidades que veio a demonstrar ao longo das sessões, foi um dos fatores que criou impacto bastante positivo na motivação, participação ativa e no desenvolvimento de competências relacionais e socioemocionais das voluntárias.
70 5.4.1.2. Desenvolvimento de competências nas voluntárias O projeto “We4Youth: A Mediação na capacitação de jovens voluntários/as” teve como foco principal capacitar os/as jovens voluntários/as para competências relacionais e socioemocionais. Optámos por capacitar estas jovens para competências que, de acordo com a bibliografia consultada, são essenciais para o bom funcionamento de uma equipa e consequentemente, da organização em causa. De forma a garantir a sinergia da nossa intervenção com a IH e o seu perfil de voluntário/a ideal, decidimos também estimular algumas das competências-chave para a IH. Neste sentido, o nosso enfoque baseia-se nas competências de liderança, inteligência emocional, empatia, escuta ativa e comunicação positiva. Foi através da mediação socioeducativa que surge esta ambição de capacitar as jovens, e como tal, foi necessário compreendermos o impacto que o projeto teve no desenvolvimento das competências das voluntárias. Com a junção dos dados extraídos através dos instrumentos acima destacados, consideramos que as voluntárias participantes adquiriram autoconsciência, o que lhes permitiu desenvolver algumas competências relacionais e socioemocionais. Ao longo das sessões, a estagiária recorreu às grelhas de observação para registar o desempenho das participantes ao longo das sessões de capacitação. Após analisarmos e realizarmos uma comparação entre as grelhas das primeiras sessões e as grelhas das últimas sessões, podemos concluir que existiu uma evolução significativa em termos de mobilização de competências. Apesar das voluntárias apresentarem uma prestação excelente ao longo das sessões, demonstrando interesse, dedicação e motivação em participar, inicialmente alguns dos elementos tinham bastante dificuldade em mobilizar a capacidade de liderança como podemos evidenciar nesta observação feita pela estagiária na sessão número dois: Em geral o desempenho das participantes foi excelente, mostrando grandes capacidades de diálogo, reflexão critica, partilha de sentimentos, experiência e conhecimentos (...) Existe uma capacidade excelente de liderança por um dos membros específicos do grupo, penso que a capacidade de liderança deve ser trabalhada nas restantes pois, ainda vejo uma atitude reticente e pouco assertiva (Grelha de observação, Sessão número 2). À medida que as sessões foram sendo implementadas, foi possível observar uma melhoria gradual da capacidade de liderança: Em geral, a cada sessão que passa noto uma grande melhoria de todas. A capacidade de liderança vai aumentando progressivamente e noto uma grande evolução no seu envolvimento
71 e partilha de experiências. O seu desempenho é muito bom.” (Grelha de observação, Sessão número 4). Esta sessão todas chegaram a horas e mostraram elevado sentido critico, trabalho em equipa, liderança e interesse. São capazes de relacionar os conteúdos dados e relacionar com situações reais do seu dia-a-dia. Trazer assuntos para serem discutidos no decorrer da sessão e formulam perguntas pertinentes relativamente ao tema.” (Grelha de observação, Sessão número 6). De forma a complementar esta informação, recorremos ao inquérito por questionário online servindo de autoavaliação para as voluntárias participantes. Este instrumento foi estruturado com diversas afirmações como “Demonstrei capacidade de …” onde as voluntárias teriam de se avaliar numa escala de zero a cinco, tal como a heteroavaliação da estagiária acima mencionada. A apreciação geral das voluntárias relativamente à mobilização de competências e o seu desempenho, corresponde à avaliação realizada pela estagiária ao longo da implementação do projeto. O parâmetro destacado como menos positivo foi, tal como já evidenciado pela estagiária ao longo das sessões, a capacidade de liderança, com um total de duas respostas “satisfaz” e apenas uma “excelente”. Contudo, duas das voluntárias consideram que a sua mobilização de competências como diálogo, trabalho em equipa e pensamento critico foi excelente e apenas uma considera ter sido bastante satisfatório. Em geral, consideramos que as voluntárias demonstraram uma grande capacidade de reflexão e autoconhecimento que resultou numa autoavaliação consciente e real. Ressaltamos uma das questões colocadas no inquérito por questionário online que serviu para quantificar, numa escala de zero a cinco, se consideravam ter desenvolvido competências relacionais e socioemocionais através do projeto “We4Youth: A Mediação na capacitação de jovens voluntários/as”. A esta questão duas das participantes atribuíram a classificação máxima e apenas uma delas identificou como bastante satisfatório. Uma vez que, evidenciar o impacto do projeto na aquisição destas competências veio a ser essencial, exploramos também esta questão durante as entrevistas semiestruturadas de forma a obter informação mais detalhada. As voluntárias consideram ter adquirido algumas das competências relacionais e socioemocionais, atribuindo destaque à: escuta ativa; empatia; regulação emocional; autoconhecimento e comunicação positiva. Passamos a demonstrar algumas unidades de registo da entrevista às voluntárias que evidenciam a aquisição de competências:
72 V1 - Acho importante pegarem no projeto e dotarem as pessoas de competências porque todos nós podemos ajudar nas mais diversas situações e para ajudarmos temos de ter muitas das competências que fomos desenvolvendo ao longo das sessões, a questão da: escuta ativa, comunicação verbal e não-verbal, compreender o lado do outro (…). O projeto em si foi bastante útil para desenvolver as tais competências que são úteis em diversos contextos da minha vida. Acho que já fui dizendo isso. Assim exemplos mais práticos… acho que também em algumas situações, (…) até acho que já chegaste a dar um exemplo das sessões, um exemplo pessoal, que me identifiquei bastante porque penso – vou continuar a participar nesta discórdia? Ou vou agir de outra maneira e ter calma? (…) Penso que agora já refleti mais sobre isso e tento perceber o lado do outro (…) Eu agora também tento fazer isto não só pelos outros, mas também por mim que é dar tempo (…) se eu tenho aquela necessidade de conversar com a outra pessoa, ela também tem o direito de ter o seu tempo (…) porque é que eu não posso responder a esse tempo? Se calhar tenho de ajustar esta característica em mim (...) Agora tento ter mais calma e respirar antes de agir e ter tempo para me acalmar (…) e às vezes no voluntariado isso é muito preciso porque vamos encontrar pessoas muito diferentes de nós, com vivências muito diferentes de nós e mais difíceis e uma pessoa que não esteja habituada a lidar com este tipo de situações e contextos precisa de saber como é que se deve comportar e agir perante as situações. Acho que o projeto é muito útil a esse nível porque nos dá indicações mais concretas de formas de comunicar, tentar perceber o outro, desligar os nossos julgamentos. Sinto que este projeto é um ponto de partida para o desenvolvimento destas competências e nessa perspetiva, nós enquanto voluntários vamos tendo imensas relações com a comunidade, com diversas comunidades, porque os projetos são muito alargados, muito extensos, as comunidades têm as suas especificidades e dentro de cada uma delas cada pessoa tem as suas necessidades e características e este projeto adapta-se muito por isso mesmo (Entrevista, junho de 2022). V2 -Bem, a questão da regulação das emoções acho que me ajudou imenso a entender as minhas próprias emoções e a entender que às vezes eu fervo em pouca água (…). Acho que essa sessão me deixou a pensar nesse aspeto e eu sinto uma diferença em mim (…) então acho que melhorei bastante nesse aspeto, de não explodir na hora e dizer as coisas sem pensar nelas. Na parte da comunicação também nesse modo, porque eu comunico muito verbalmente, eu digo as coisas na cara, muito diretamente/frontalmente… e há pessoas que não sabem lidar com (…) Mas por exemplo, a V1 é uma pessoa oposta a mim nesse aspeto e
73 penso que ela me ajudou a compreender melhor o que é estar nos sapatos dela e isso também me ajudou a entender melhor os outros. Na parte da mediação tem a ver com a negociação com as pessoas, principalmente nas discussões e ver que há outro lado da conversa, e eu acho que tenho razão, mas se calhar temos ambas razão porque ambas fizemos coisas que não gostávamos (Entrevista, junho de 2022). V3 - Na questão das emoções e sentimentos eu acho que no meu dia-a-dia também pensei muito nisso de as vezes me sentir um bocado desmotivada e acho que pensei muito na questão de tentar pensar em alternativas para eu não me sentir assim (…).. Na comunicação não-verbal também me ajudou um bocadinho quando eu dava sessões, pensar muito na minha postura. Como é que eu deveria estar a apresentar e estar com os alunos e acho que foi isso que utilizei no meu dia-a-dia (Entrevista, junho de 2022). Após analisarmos estas citações retiradas das entrevistas semiestruturadas realizadas às voluntárias, pudemos concluir que o projeto “We4Youth: A Mediação na capacitação de jovens voluntários/as” possibilitou o desenvolvimento das competências socioemocionais e relacionais. As voluntárias destacam ter desenvolvido uma perspetiva diferente relativamente à noção do “eu” e do/a “outro/a” em momentos de conflito, compreendendo que pontos de vista diferentes não implicam que os mesmos sejam mutuamente exclusivos. Compreenderam a comunicação positiva e o autoconhecimento como aspetos-chave à resolução e prevenção de conflitos na sua vida pessoal e de voluntariado, ressaltando a importância do autoquestionamento, regulação emocional, comunicação verbal e não verbal. A V3 menciona que as sessões foram um catalisador de tomada de consciência de si, permitindo melhorar progressivamente a sua comunicação nas sessões de voluntariado. Desta forma é possível concluir que o projeto “We4Youth: A Mediação na capacitação de jovens voluntários/as” alcançou o seu principal objetivo, capacitando assim as voluntárias participantes para a aquisição de competências essenciais, quer para a sua vida pessoal, quer no âmbito do voluntariado na IH. 5.4.1.3. O projeto “We4Youth: A Mediação na capacitação de jovens voluntários/as”: perspetivas do presente e do futuro Compreendidas as implicações da facilitadora no decorrer do projeto “We4Youth: A Mediação na capacitação de jovens voluntários/as”, juntamente com o impacto do projeto no desenvolvimento de competências socioemocionais e relacionais das voluntárias foi necessário explorar e avaliar o projeto
74 como um todo, desde a sua natureza à sua adequação às necessidades e interesses do grupo de participantes e IH. Apesar do inquérito por questionário online surgir com o propósito de heteroavaliação da facilitadora e autoavaliação das voluntárias participantes, existiu uma questão qualitativa que abria a possibilidade de realizar comentários adicionais. Nesta questão, uma das voluntárias redigiu um breve comentário apreciativo relativamente à natureza do projeto: Programa construído com muito rigor, pormenorizado, dinâmico e com temáticas associadas a competências essenciais para a atividade de voluntariado, mas também para a vida em sociedade. Adorei as dinâmicas das sessões e o ambiente de partilha de conhecimentos e experiências. (...) Muitos parabéns e obrigada pela oportunidade de poder fazer parte de um projeto tão único e enriquecedor!! (V2, Inquérito por questionário online, junho de 2022) Pudemos investigar mais sobre a opinião das voluntárias durante a realização das entrevistas semiestruturadas, onde foram referidas dimensões como o ambiente das sessões; a natureza teóricoprática do projeto no desenvolvimento de competências; a importância dos temas abordados na atualidade e a transversalidade e extensividade do projeto a outras áreas e contextos. V1De certa forma acho que este foi um ambiente de treino e de prática que me permitiu desenvolver esta competência em específico (…) nunca tive assim um contexto deste género que me permitisse treinar numa vertente mais séria mais concreta esta questão. E neste sentido, lá está, o propósito era dotar os voluntários de competências, desenvolvê-las e promovê-las, mas não só em termos de voluntários. Esse objetivo estava presente desde o início, era desenvolver essas competências em nós como voluntários, mas também competências que nos fossem úteis para a vida pessoal porque nós temos outras tarefas para além da IH e acho que tudo aquilo que foi aplicado nas sessões pode ser extensível a outras áreas e com certeza que me dará imenso jeito nesse sentido. Acho que no fundo foi isto, o ambiente, os novos conhecimentos e ferramentas que aprendemos e desenvolvemos, os próprios conteúdos, eu não conhecia muitos dos conteúdos relacionados com a comunicação e a comunicação também é um tema central na minha área, só que não enveredamos só por aí. O projeto em si foi bastante útil para desenvolver as tais competências que são úteis em diversos contextos da minha vida (Entrevista, junho de 2022).
75 Para além das dimensões anteriormente referidas, as voluntárias exploram a importância da IH integrar o projeto “We4Youth: A Mediação na capacitação de jovens voluntários/as” na formação base a jovens voluntários/as, novatos/as. V2 - Eu acho que isto seria importante até de ser feito com todos os voluntários novos, assim como se dá a formação institucional e a formação da juventude, eu penso que isto deveria ser incluído no leque formativo (Entrevista, junho de 2022). V3 - Acho que são temas bastante importantes até para trabalhar com jovens principalmente na IH e acho que são temas muito importantes (Entrevista, junho de 2022). É referida igualmente a aplicabilidade do projeto em diferentes contextos para além da IH, estendendo as sessões de capacitação a vários públicos, com destaque a jovens no âmbito escolar. V2 - Nas escolas ainda mais (…) eu acho que ia ser muito benéfico porque eu acho que maior parte das pessoas não tem qualquer tipo de espírito crítico porque as escolas não incentivam muito à autonomia ou ao espírito crítico. (…) As pessoas não duvidam daquilo que veem e eu acho que a tua formação também ia ser muito importante nesse sentido para que as pessoas possam pensar por si próprias (Entrevista, junho de 2022). V3 – (…) são temas muito importantes e essenciais para trabalhar com crianças, jovens seja de que idade forem, sim (Entrevista, junho de 2022). Em síntese, o projeto “We4Youth: A Mediação na capacitação de jovens voluntários/as” foi reconhecido pelas voluntárias participantes como essencial. A estrutura das sessões de capacitação permitiu a criação de um ambiente de partilha de experiências, conhecimentos e desenvolvimento de competências onde as participantes, livres de julgamentos, podiam colocar em prática os conhecimentos e competências adquiridas. Complementar a esta perspetiva, algumas voluntárias reconhecem o potencial do projeto, afirmando que seria útil à sua continuidade na IH bem como também existir uma futura implementação do mesmo, de forma adequada, a diferentes faixas-etárias.
76 Capítulo VI – Considerações finais Com grande entusiasmo e compromisso, abraçámos a oportunidade de desenvolver o presente trabalho no seio da instituição que acolheu o estágio. Foi o interesse pela área da mediação e a vontade em explorar, da melhor forma possível, o potencial das pessoas e do respetivo contexto, o impulsionador que tornou esta jornada única e gratificante. Ao longo do processo de estágio interessámo-nos em estudar o impacto do domínio das competências socioemocionais e relacionais no âmbito do voluntariado. Destacamos competências como: comunicação, empatia, escuta ativa, inteligência emocional, autoconhecimento e consciência do eu e do outro como competências pertinentes para o bom funcionamento de uma equipa e para a eficácia de uma organização. Fundamentando esta ideia que remete para a importância destas competências no contexto de voluntariado, estudamos o que seria um/a voluntário/a ideal, resultando num/a agente de voluntariado com domínio da escuta ativa; um/a líder com competências de comunicação positiva; imparcial; capaz de compreender e gerir positivamente as suas emoções; consciente de si e do contexto onde se insere; capaz de adequar o seu comportamento face às situações que enfrenta. Analisando o conjunto de competências identificadas, concluímos que existe uma forte presença da dimensão intrapessoal e interpessoal na IH. Como tal, procurámos destacar através da nossa investigação que o relacionamento positivo entre voluntários/as, pessoas nos contextos e com a própria IH, torna-se um fator preponderante no sucesso da ação de voluntariado. Sustentadas nos dados recolhidos acerca do voluntariado, nomeadamente, os dados relativos à instituição que acolheu o nosso estágio, foi crucial investigar sobre as potencialidades da mediação na promoção de relações interpessoais positivas. Foi do nosso interesse reconhecer a ação destes/as agentes de (trans)formação social, que dedicam o seu tempo de forma desinteressada com objetivo de contribuir positivamente nos respetivos ambientes. Inicialmente, verificámos que o grupo de voluntárias duvidavam das suas capacidades socioemocionais e relacionais, reconhecendo a existência de diversos obstáculos nos momentos de facilitação de atividades de voluntariado. Partindo dos dados recolhidos no decorrer do estágio, refletimos e implementamos estratégias que nos permitiriam ajustar os nossos interesses de investigação-intervenção aos interesses de todos/as envolvidos/as – voluntárias, estagiária e IH. Acreditamos que a mediação socioeducativa potencializa a criação de espaços colaborativos, reflexivos e de aprendizagem mútua e permite capacitar, empoderar e (trans)formar os/as jovens voluntários/as e, por conseguinte, sustentamos a nossa ação no âmbito da mediação. Assim, apoiadas nos princípios da mediação socioeducativa encaramos as características que tornavam as participantes
77 únicas como um aspeto enobrecedor do projeto, que foi potenciador das interações positivas e criou um ambiente de (co)aprendizagem no decorrer das sessões de capacitação. Numa perspetiva bidirecional e colaborativa, as voluntárias foram o elemento determinante no desenrolar do projeto e das atividades implementadas, uma vez que, foi nossa intenção adaptar toda a intervenção às características do grupo. Desde o início das sessões de capacitação do projeto “We4Youth: A Mediação na capacitação de jovens voluntários/as” obtivemos uma adesão muito positiva por parte das participantes que demonstraram interesse, participação ativa e vontade de desenvolverem as suas competências em função de ultrapassar as dificuldades nos momentos de implementação do voluntariado. Com a implementação das sessões de capacitação, identificamos uma notória transformação da participação que, apesar de ser bastante positiva desde a fase inicial, tornou-se cada vez mais ativa e enriquecedora, o que veio a permitir desencadear debates em torno dos temas abordados. Em particular, as voluntárias demonstraram sentido de compromisso e envolvimento o que vem a comprovar a importância de (trans)formar os/as voluntários/as e investir no seu desenvolvimento através da mediação. Tal como pudemos verificar ao longo deste relatório, a implementação da mediação socioeducativa veio a promover o ambiente de aprendizagem colaborativa, reflexão crítica e consequentemente a aquisição e desenvolvimento de competências relacionais e socioemocionais nas jovens voluntárias. Resultante da nossa ação, idealizamos o desenvolvimento de um material pedagógico que pudesse dar resposta às dificuldades identificadas pelos/as coordenadores/as no levantamento de necessidades. Ambicionamos desenvolver uma investigação-intervenção que marcasse positivamente a instituição e, para isso, o Manual de Formação para Jovens Voluntários/as surge com o intuito de transcender temporalmente o nosso estágio, permitindo a continuidade do projeto na IH. Acreditamos que o nosso estágio académico contribui, de alguma forma, para a IH que acolheu o nosso estágio e que, diariamente, promove o desenvolvimento das comunidades e contribui para a pacificação da sociedade. Este relatório reflete a importância da mediação e o seu impacto no âmbito do voluntariado, que, embora pouco investigada, deve ser considerada como imprescindível para desenvolver e explorar o potencial das pessoas que se inserem nos contextos de voluntariado. Ainda que Portugal apresente uma percentagem de atividade de voluntariado a baixo da média europeia, o investimento feito à formação dos/as agentes de voluntariado tem impacto positivo na tríade, voluntário/a, instituição e comunidade. O voluntariado demarca uma presença muito forte nas comunidades, intervindo e
84 Roberts, R. D., Flores-Mendoza, C. E. & Nascimento, E. (2002). Inteligência emocional: um construto científico? Paidéia, 12(23), 77-92. https://www.scielo.br/j/paideia/a/mjMYwQXKcxjzCGp53S7Px9s/?format=pdf&lang=pt Rodrigues, M. (2011). O tratamento e a análise de dados. In Metodologia para a investigação social (Cap. IX). https://bibliotecadigital.ipb.pt/handle/10198/6563 Sá, P., Costa, P. A., Alves, A. T. A. R. B., Nascimento, A., Ulhôa, A., Batista, B., Capela, C., Venturine, C., Rodrigues, D., Moreira, E., Ribeiro, E., Silva, F., Demba, J., Lapa, L. D. P., Mota, M., Fortunato, M. & Silva, P. C. B. (2021). Reflexões em torno de Metodologias de Investigação: recolha de dados. UA Editora. http://dx.doi.org/10.34624/ka02-fq42 Santos. B. S. (2001). Globalização, fatalidade ou utopia? Edições Afrontamento. Serapioni, M., Ferreira, S. & Lima, T. M. (2013). Voluntariado em Portugal: Contextos, atores e práticas . Fundação Eugénio de Almeida. https://estudogeral.sib.uc.pt/handle/10316/44013 Serrano, G, P. (2008). Elaboração de Projectos Sociais: Casos práticos . Porto Editora. Silva, A. M. C. & Munuera, P. (2020). A mediação enquanto ramo do conhecimento e disciplina científica. Revista da Federação Nacional de Mediação de Conflitos , 1-11. http://repositorium.sdum.uminho.pt/handle/1822/66318 Silva, A. M. C. (2011). Mediação e(m) educação: discursos e práticas. Revista Intersaberes 6(12), 249265.https://www.researchgate.net/publication/304011362_Mediacao_em_educacao_discursos_e_pr aticas Silva, A. M. C. (2016). Formação, investigação e práticas de Mediação para a Inclusão Social (MIS) em Portugal.In A. M. C. Silva; M. L.Carvalho & L. R. Oliveira (Eds.), Sustentabilidade da Mediação Social: processos e práticas. (pp. 35-51). CECS. https://www.researchgate.net/publication/303996912_Formacao_investigacao_e_praticas_de_Media cao_para_a_Inclusao_Social_MIS_em_Portugal Silva, A. M. C. (2018). O que é a Mediação? Da concetualização aos desafios sociais e educativos. In M. A. Flores, A. M. C. Silva &S. Fernandes (orgs.), Contextos e Abordagens de Mediação e de Desenvolvimento Profissional. (pp. 17-34). De Facto. https://repositorium.sdum.uminho.pt/handle/1822/62112 Silva, A. M. C., Caetano, A. P., Freire, I., Moreira, M. A., Freire, T. & Ferreira, A. S. (2010). Novos actores no trabalho em educação: os mediadores socioeducativos. Revista Portuguesa de Educação , 23(2), pp. 119-151. https://revistas.rcaap.pt/rpe/article/view/13989
85 Toledo, R. F. & Jacobi, P. R. (2013). Pesquisa-ação e educação: compartilhando princípios na construção de conhecimentos e no fortalecimento comunitário para o enfrentamento de problemas. Educ. Soc. 34(122), 155-173. https://www.scielo.br/j/es/a/GQXTGfPMhWpFktxq8dLW6ny/?lang=pt Tripp, D. (2005). Pesquisa-ação: uma introdução metodológica. Educação e Pesquisa , v.31(3), p. 443-466. https://www.scielo.br/j/ep/a/3DkbXnqBQqyq5bV4TCL9NSH/?format=pdf&lang=pt Vala, J. (1986). A análise de conteúdo. In A. S. Silva & J. M. Pinto (Orgs.), Metodologia das ciências sociais (pp. 101 ‑128). Afrontamento. Vieira, A. M., Vieira, R. & Marques, J. C. (2021). Temas e contextos de pedagogia-educação social . Edições Afrontamento https://iconline.ipleiria.pt/bitstream/10400.8/6423/1/Temas_e_Contextos__in.pdf Vieira, R., & Vieira, A. M. (2017). Construindo pontes e travessias: das mediações sociais à mediação intercultural. Medi@ções , 5(1),44-56. https://mediacoes.ese.ips.pt/index.php/mediacoesonline/article/view/150 Zabalza, M. A. (1994). Diários de aula: contributo para o estudo dos dilemas práticos dos professores . Porto Editora.
86 Apêndices Apêndice 1 - Medalha de agradecimento pelo trabalho desenvolvido Apêndice 2Consentimento informado do questionário online
87 Apêndice 3 - Consentimento informado do inquérito por entrevista semiestruturada
88 Apêndice 4Grelha de observação para das voluntarias Apêndice 5Estrutura dos diários de bordo
89 Apêndice 6Planificação do instrumento de inquérito por questionário inicial Apêndice 7Inquérito por questionário inicial
90 Apêndice 8Planificação do instrumento de inquérito por questionário final
91 Apêndice 9Guião do instrumento de inquérito por entrevista semiestruturada inicial Apêndice 10Guião do instrumento de inquérito por entrevista semiestruturada final
92 Apêndice 11Grelha de observação para a estagiária
93 Apêndice 12Desenho da atividade “Será que te conheces?” Apêndice 13Plano de sessão “Desenvolvimento da inteligência emocional através do teatro”
100
101 Apêndice 19 - PowerPoint “A mediação”
102
103 Apêndice 20 - Expectativas e medos relativos ao projeto das voluntárias participantes Apêndice 21 - Padlet We4Youth
104 Apêndice 22 - Manual de formação para jovens voluntários/as
jovens voluntári@s de formação de formação para para
Mediação no desenvolvimento de competências socioemocionais e relacionais Autora: Juliana Matos Araújo
Ficha técnica Título: Manual de formação para jovens voluntários/AS: mediação no desenvolvimento de competências socioemocionais e relacionais Autora: Juliana Matos araújo Coordenadora: Ana maria costa silva
índice Nota Prévia.......................... 01 Enquadramento.................... 02 Projeto We4Youth................ 04 Quadro de sugestões.......... 06 Capítulo I: Enquadramento teórico A mediação .......................................9 mediação socioeducativa....... 15 Competências relacionais...... 16 InteliGência emocional.......... Empatia........................................ Escuta ativa............................... Comunicação................................ 17 19 18 Sessão 1................................................. Relacionamento interpessoal............ Sessão 2 - comunicação verbal e não-verbal......................................... Sessão 3O conflito nas relações............................................. Capítulo Ii: Voluntariado 22 Voluntariado............................... 32 27 32 18 36 Sessão 4A mediação na comunicação positiva.................... 40 Capítulo Iii: Sessões de capacitação Informações gerais............................ Inteligência emocional..................... 26 27 Sessão 5Técnicas de comunicação positiva.................... 46 Sessão 6Relacionamento com crianças e jovens.......................... 51 Sessão 7Sessão mistério........ 54 Continuação : Sessão 8........................................ 58 Sessão 9........................................ 60 Direitos humanos ..................................... 61 Nota .................................... 66 Bibliografia.......................... 67 Autoras................................ 69 Contactos............................ 70
Nota prévia Este manual foi desenvolvido no decorrer do estágio académico do 2º ano do Mestrado em Educação, área de especialização em Mediação Educacional, da Universidade do Minho e surge como um manual de apoio e formação destinado a jovens voluntários/as. É no seio do projeto "We4Youth: A mediação na capacitação de jovens voluntários/as" que surge este manual de desenvolvimento de competências socioemocionais e relacionais. Mais do que um mero manual, este é um guia destinado a curiosos/as que procurem o autodesenvolvimento e o desenvolvimento interpessoal com os diferentes públicos e comunidades. IMPORTANTE destacar esta ferramenta como flexível e suscetível a qualquer alteração que vise a adequação às pessoas e ao contexto a que se destina. Acreditamos na mediação como um modo de (trans)formar comportamentos, capacitar e empoderar todos/as aqueles/as que nela participam. Este manual compila um conjunto de sessões de formação destinadas a abordar temas como: inteligência emocional; comunicação verbal e não verbal; mediação; direitos humanos. Todo este trabalho baseia-se em metodologias pedagógicas de educação não-formal. 01
O pressuposto da evolução do ser humano ao longo da história da humanidade é refletido nos momentos de tensão existentes – os conflitos. Como exemplos mais extremos da importância do conflito na evolução humana temos as guerras, que, por um lado revolucionaram e reformularam todo o sistema obsoleto ditatorial, trazendo à superfície temas como os direitos humanos, por outro lado, instauraram o caus e trouxeram a morte a milhares de inocentes. Estes momentos de conflito foram também marcados por agentes da paz, que através do seu carisma inspiraram enumeras pessoas a agir através do diálogo e empatia (Torremorell, 2008). À medida que os tempos foram passando é possível compreender um aumento das interações humanas. Mantemos um contacto constante com todo o tipo de pessoas independentemente da sua cultura, religião, educação, ou do sítio onde elas se encontrem (Cheron, Zanella, & Moya, 2019). Este aumento das interações humanas implica também um aumento das situações de hostilidade. É neste contexto que o conceito de mediação tem vindo a crescer e a demarcar a sua importância na estabilização da harmonia nos relacionamentos. A mediação baseia-se num processo dialógico, de caráter educativo, democrático, inclusivo e transformador que visa beneficiar todos/as envolvidos/as. 08
Mediação 1O que é a mediação? 2Que princípios tem? 3quem participa? 4O que se pretende? 5Quando é que é bem sucedida? Um processo dialógico de prevenção, gestão e resolução de conflitos e (trans)formação de comportamentos e pessoas Respeito; Responsabilidade; Integridade; Competência; Imparcialidade; Independência; Diligência; Confidencialidade; Autodeterminação; Consentimento informado e Investigação. Tod@s podem participar neste processo. O/a profissional de mediação é, também, essencial para este processo. Dependendo do enfoque da mediação, esta pode: prestar assistência na obtenção de acordos; (trans)formar as pessoas e os seus comportamentos e prevenir futuros conflitos. Quando tod@s @s participantes beneficiam do processo de mediação. 09
1O que é a mediação? 2Que princípios tem? Do latim “mediare” que significa a ação de intervir de maneira pacífica, imparcial em função de alcançar uma solução mutuamente satisfatória entre as partes envolvidas no conflito, a mediação é um processo voluntário baseado no diálogo. Este processo pode assumir várias vertentes como: a resolução de conflitos; prevenção de futuros conflitos através da vertente formativa e/ou transformar comportamentos. O que caracteriza a mediação é o seu paradigma ganharganhar que pretende que todos/as os/as participantes beneficiem neste processo. Respeito - Dignidade e respeito pelos direitos da pessoa humana. Responsabilidade - O/A mediador/a deve assumir a responsabilidade pela mesma e considerar a possível vulnerabilidade dos/as mediados/as. Integridade - O/A mediador/a deverá assegurar e não se deixar influenciar pelas suas próprias motivações, interesses pessoais, crenças, preconceitos e juízos morais, nem por pressões decorrentes dos/as mediados/as. Competência - O/A mediador/a deve revelar competência na organização, na condução e na avaliação de processos de mediação, bem como competências de comunicação e de negociação, para desenvolver estratégias colaborativas, resolutivas e de empoderamento. 10
Independência - O/A mediador/a é responsável pelo exercício da sua atividade e não tem subordinação, técnica ou deontológica, a qualquer organização pública ou privada para a qual preste serviços de mediação, ou a quaisquer profissionais de outras áreas. Confidencialidade - O processo de mediação é por natureza confidencial, devendo o/a mediador/a manter o sigilo em todas as informações de que tenha conhecimento no âmbito do processo de mediação, delas não podendo fazer uso. Autodeterminação - A voluntariedade, característica fundamental da mediação, implica, para os/as mediados/as, o direito a desistir da mediação em qualquer momento do processo. O/A mediador/a procura assegurar a plena autonomia dos mediados durante todo o processo de mediação, recusando-se a mediar processos em que esta autonomia esteja em causa. Aos/às mediados/as assiste o direito à livre escolha do mediador/a, no âmbito do princípio da autonomia da vontade dos participantes. Imparcialidade - O/A mediador/a deve respeitar as diferenças entre os mediados, sejam de género, étnico culturais, ideológicas, religiosas, sociais ou de qualquer outro tipo, bem como promover o respeito pela diferença no processo de mediação, garantindo a igualdade de direitos. 11
Informação retirada do Código Ético-Deontológico dos Mediadores apresentado pela Comissão Nacional de Mediação (CNM, 2021, não publicado). InvestigaçãoA atitude investigativa dos/as mediadores/as é fundamental para o avanço do conhecimento e atuação mais sustentada nesta área, por isso a investigação deve constituir um princípio de ação, podendo ser desenvolvida de modo estruturado em parceria com instituições de ensino superior. Diligência - O/A mediador/a deve ser diligente, efetuando o seu trabalho de forma conscienciosa, prudente e eficaz, assegurando as condições para o desenrolar do processo de mediação de acordo com as disposições do presente Código e da Lei. Consentimento informadoNo respeito pela autodeterminação dos/as mediados/as, estes/as devem ser esclarecidos/as sobre o que é a mediação e o processo de mediação, a fim de poderem decidir iniciar o processo, dando o seu consentimento oral ou escrito. A informação deve ser dada, pelo/a mediador/a, de uma forma clara, acessível, adequada e isenta de juízos de valor. O consentimento informado, numa lógica negocial, constitui um processo participado que se prolonga no tempo e que pode ser objeto de revogação ou renovação. 12
3Quem participa Para que a mediação possa ser aplicada, é necessário existir uma entidade mediadora e, no mínimo duas pessoas - os/as mediados/as. A mediação é um processo abrangente, livre de julgamentos ou preconceitos, e, por isso, qualquer pessoa pode participar desde que o faça de forma voluntária. Assim, qualquer pessoa, pode participar na mediação. 4O que se pretende? A mediação pode ter muitas metas a atingir e objetivos a alcançar dependendo da situação e de todos/as aqueles/as que participam no processo. Sendo que este é um processo flexível e personalizado às características dos/as mediados/as, o que se pretende da mediação também varia de caso para caso. Desde a gestão e resolução de um conflito existente, à transformação de comportamentos e, consequentemente, prevenção de futuros conflitos, a mediação pode possuir enfoques diferenciados dando respostas adequadas às situações. 13
5Quando é que é bem sucedida? Visto que a mediação é uma área que trabalha com pessoas, é difícil medir os resultados de forma clara e objetiva, no entanto, é possível perceber quando a mesma foi bem sucedida. A única forma de compreender se a mediação foi bemsucedida é quando percebemos que todos/as envolvidos/as no processo de mediação alcançaram um acordo mutuamente satisfatório, ou, no caso de não existir um conflito explicito, quando todos/as mediados/as se desenvolveram, (trans)formaram adquirindo competências futuras para gerirem os seus próprios conflitos de forma autónoma e positiva. A este fenómeno é-lhe atribuído o nome de - paradigma ganhar-ganhar. Este paradigma é uma das principais características que diferencia a mediação de outras formas de resolução de conflitos, tornando a mediação um dos procedimentos cada vez mais reconhecido. 14
15 A mediação socioeducativa A mediação socioeducativa tem um papel muito importante numa pluralidade vasta de contextos educativos: escolas, comunidades, museus, bibliotecas, entre outros. Esta vertente da mediação assume um papel de mediação informal, ou seja, social e educativa e possui grandes potencialidades nos contextos de educação não-formal e informal (Silva et al., 2010). A sua forte vertente comunicacional, intrapessoal e interpessoal, caracterizada pelo seu enfoque no desenvolvimento e (trans)formação de competências pessoais, emocionais e relacionais das pessoas é o que distingue esta vertente de mediação das restantes (Ribeiro, 2015). Para além disso, este âmbito da mediação perspetiva as diferenças existentes entre as pessoas como um aspeto positivo no enriquecimento das relações interpessoais e como oportunidade de desenvolvimento pessoal e de aprendizagem (Silva, 2011).
Competências Relacionais 1Relacionamento interpessoal? 2Inteligência emocional 3Empatia 4Escuta ativa Relacionamentos que possuímos com as outras pessoas, a forma como interagimos, o tipo de vínculos sociais e afetivos que temos com os outros (Garcia et al., 2013). Capacidade que permite desencadear e gerir as emoções nos momentos adequados, quer a nível intrapessoal ou interpessoal Capacidade de se colocar no lugar de outra pessoa, tentando compreender o que a pessoa pensa e sente perante uma determinada situação. Capacidade de compreendermos, na totalidade, a mensagem que a pessoa nos está a transmitir através da escuta. 5Comunicação Capacidade de expressar sentimentos, pensamentos e ideias de forma adequada e apropriada através da comunicação verbal e nãoverbal. 16
Cada pessoa tem potenciais e fragilidades o que as torna únicas em todo o mundo e, por isso, especiais. Devido a esta particularidade individual, as seguintes atividades e temas devem ser adaptadas de forma adequada ao perfil das pessoas. Observações
120 minutos 5 a 15 pessoas Informações gerais As sessões apresentadas no "Manual de formação para jovens voluntários/as" foram criadas para contemplar um total de 120 minutos por sessão. O limite temporal para cada sessão pode ser alterado conforme a interação do grupo e a dinamização das atividades. Esta flexibilidade garante uma adequação ao grupo, às suas características ou mesmo ao seu estado de espírito nas sessões. A dimensão do grupo deve ser de 5 a 15 pessoas. Sugestões Sessão de apresentação Realizar um quebra-gelo que promova o conhecimento do grupo Apresentar os temas e objetivos da formação Negociar com o grupo algumas regras (ex: respeito pela opinião dos/as colegas; chegar a horas; etc) Compreender as expectativas dos/as voluntários/as relativamente à formação 26
Emocional Inteligência
O que é..? InteliGência emocional Sessão 1 10 minutos Cartolina, lápis e post-it Conhecer as perceções do grupo quanto ao conceito Sugestão: Esta atividade deve ser realizada no início da sessão pois, permite conhecer o nível de familiarização do grupo quanto ao conceito de inteligência emocional. Esta informação é útil para que o/a facilitador/a possa adaptar a abordagem do conteúdo planeado às ideias que foram destacadas pelos/as participantes. Palavras como: emoção, sentimentos, gestão emocional, autoconhecimento, etc, são algumas das palavras que podem ser identificadas pelo grupo. Passo a passo: 1. Distribuir post-its pelos/as participantes 2. Solicitar que escrevam palavras associadas ao conceito inteligência emocional 3. pedir que colem os post-it´s na cartolina que tenha escrito "inteligência emocional" 4. Refletir sobre as palavras associadas ao conceito 27
Quem sou? InteliGência emocional 30-45 minutos Papel, caneta ou lápis; Promover o autoconhecimento e a perceção de si Sugestão: Os desenhos devem ser sobre o que os/as participantes sentem relativamente aos diferentes momentos temporais (passado, presente e futuro). Cada participante pode optar por desenhar sobre algum acontecimento, projeto, sonho, etc, desde que identifique os motivos para ter feito aquele desenho. Passo a passo: 1. Colocar 3 folhas no chão (folha 1: Passado/2: presente/ 3:Futuro) 2. O grupo deve dividir-se e deslocar-se até às folhas colocadas no chão 3. Distribuir folhas e lápis/Canetas para cada participante 4. Desenhar a perceção que possuem de si nas diferentes fases ( Passado/presente/Futuro) 28 No fim, solicita-se aos participantes que comparem as mensagens dos 3 desenhos, refletindo sobre o que os distingue num momento de introspeção e tomada de consciência. Esta atividade fará com que os/as participantes reflitam sobre a sua perspetiva de si promovendo assim o autoconhecimento.
Sentimento Vs emoção 20-30 minutos Papeis e lápis Diferenciar e aprofundar os conceitos - sentimento e emoção Sugestão: Passo a passo: 1. Solicitar ao grupo para se colocar em fila "indiana" 2. Entregar à primeira pessoa da fila um papel com uma palavra relativa a um sentimento ou emoção 3. Com a condição de não verbalizar a palavra, a primeira pessoa da fila deve fazer mimica para a pessoa que se encontra atrás 4. A pessoa que está atrás deve adivinhar qual é o sentimento ou a emoção e assim sucessivamente Para aplicar esta atividade deve ser criado um ambiente de à-vontade entre o grupo e o/a dinamizador/a. Essa boa-disposição fará com que o grupo se entregue à atividade e reflita sobre o que são sentimentos e emoções. Para além desta reflexão, cada participante terá de colocar em prática as suas competências de comunicação não-verbal para que os/as colegas consigam adivinhar que palavra estava escrita no papel. Caso o grupo seja grande e existam elementos muito inibidos/as, o/a facilitador/a deve aplicar esta atividade numa perspetiva de trabalho em equipa, desafiando o grupo a adivinhar todas as palavras num tempo limite. Esta adversidade temporal, fará com que os elementos do grupo se motivem mutuamente. 29
Questão de vida ou... 20-30 minutos Projetor Estimular a capacidade de tomada de decisão e gestão de emoções Passo a passo: 1. Projetar as informações na imagem 1 2. Explicar que o objetivo é conseguirem tomar uma decisão que todos/as concordem em menos de 5 minutos 3. Observar a dinâmica existente no grupo 4. Refletir sobre as interações existentes no grupo e explorar as emoções sentidas ao longo da atividade Imagem 1 - Enunciado questão de vida ou... 30 Flores, M. A. (2020).
A tua estrela 5 minutos papel e caneta recolher a avaliação do grupo quanto à sessão Passo a passo: 1. Distribuir um papel com a imagem de uma estrela 2. Mostrar o significado das 5 pontas da estrela: 3. Solicitar que preencham a estrela e entreguem no fim de preencher Sugestão: Esta atividade pode tornar-se bastante intensa devido à argumentação do grande grupo relativamente à prioridade de objetos a levar no barco. O/A facilitador/a deve observar atentamente as interações de forma a compreender que elementos do grupo "lideram" a discussão de ideias e quem tem uma postura mais passiva. Afundando o barco ou não, o importante é compreender que emoções surgiram no decorrer do debate (ex: sentimento de frustração por não terem ouvido a minha opinião; satisfação por concordarem comigo, etc.) 1 - O que mais gostei; 2O que menos gostei; 3O que poderia ter sido melhor; 4o que gostava de saber mais e 5o que aprendi Sugestão: Deve ser esclarecido que esta atividade é anónima para que os/as participantes demonstrem sinceridade total. Esta atividade serve para monitorizar e avaliar a sessão. 31
interpessoal Relacionamento