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Comer, gravar, editar: os segredos audiovisuais de um programa de culinária

Author: Ferreira, Mariana da Silva
Year: 2025
Source: https://repositorium.uminho.pt/bitstreams/342675e0-1ffa-4768-81f7-0ffdd604ed5e/download
Ma iana da Sil a Fe ei a
Come , G a a , Edi a :
os seg edos audio isuais
de um p og ama de culiná ia
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ou ub o de 2024
Come , G a a , Edi a : os
seg edos audio isuais de um p og ama
de culiná ia
UMinho | 2024
Ma iana da Sil a Fe ei a
i
Ma iana da Sil a Fe ei a
Come , G a a , Edi a :
os seg edos audio isuais
de um p og ama de culiná ia
Rela ó io de Es ágio
Mes ado em Ciências da Comunicação:
Audio isual e Mul imédia
T abalho e e uado sob a o ien ação do
P o esso Daniel B andão
ou ub o 2024
ii
DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS
Es e é um abalho académico que pode se u ilizado po e cei os desde que espei adas as eg as e
boas p á icas in e nacionalmen e acei es, no que conce ne aos di ei os de au o e di ei os conexos.
Assim, o p esen e abalho pode se u ilizado nos e mos p e is os na licença abaixo indicada.
Caso o u ilizado necessi e de pe missão pa a pode aze um uso do abalho em condições não
p e is as no licenciamen o indicado, de e á con ac a o au o , a a és do Reposi ó iUM da Uni e sidade
do Minho.
Licença concedida aos u ilizado es des e abalho
A ibuição Não Come cial Sem De i ações
CC BY-NC-ND
h ps://c ea i ecommons.o g/licenses/by-nc-nd/4.0/
iii
AGRADECIMENTOS
Em p imei o luga , que o exp essa a minha mais p o unda g a idão aos meus pais, cuja dedicação e
amo incondicional me pe mi i am segui os meus sonhos e dedica -me aos es udos. Sem a con iança
deles em mim, nada dis o se ia possí el.
À minha i mã, que semp e es e e ao meu lado, a o e ece -me apoio e a se um exemplo de disciplina e
mo i ação, o meu mui o ob igado po me inspi a es a cada passo do caminho.
Ag adeço aos meus amigos, po ans o ma em es a caminhada numa expe iência ão ica e eliz.
Ao meu bloco, que es e e p esen e em odas as e apas da ida uni e si á ia.
Ma ga ida, Ca a ina e Peixo o pelas ga galhadas.
E um ag adecimen o especial ao Rica do, à Ana e à Ri a, cujas con e sas e companhia ilumina am os
momen os de desa io.
Ag adeço à minha o ien ado a de es ágio, Ca olina Pe ei a, pela o ien ação cons an e e po me ajuda
a desen ol e p o issional e pessoalmen e. Também que o ag adece ao p odu o Ped o B a o, que
ac edi ou em mim e me p opo cionou uma expe iência en iquecedo a que le a ei pa a oda a ida.
Po im, ag adeço ao p o esso Daniel B andão, cuja paciência e auxílio na elabo ação des e ela ó io
o am undamen ais pa a o meu c escimen o académico.

i
DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE
Decla o e a uado com in eg idade na elabo ação do p esen e abalho académico e con i mo que não
eco i à p á ica de plágio nem a qualque o ma de u ilização inde ida ou alsi icação de in o mações ou
esul ado em nenhuma das e apas conducen e à sua elabo ação.
Os p o issionais en e is ados de am consen imen o pa a se em iden i icados.
Mais decla o que conheço e que espei o o Código de Condu a É ica da Uni e sidade do Minho.
Tí ulo
Come , G a a , Edi a : os seg edos audio isuais de um p og ama de culiná ia
Resumo
O p esen e Rela ó io de Es ágio nasce da expe iência cu icula na p odu o a Kinéma, em Lisboa,
Po ugal, no pe íodo de seis meses, en e 18 de se emb o de 2023 e 18 de ab il de 2024. Es e
documen o isa p ocede a uma e lexão sob e os conhecimen os e ap endizagens adqui idos no
deco e da expe iência, e a sua elação com o plano eó ico e académico es udado pela aluna no
Mes ado em Ciências da Comunicação, na á ea p o issionalizan e de Audio isual e Mul imédia, do
Ins i u o de Ciências Sociais da Uni e sidade do Minho.
Nes a expe iência, a aluna p ocu ou abso e o máximo de conhecimen o e desen ol e
compe ências p o issionais únicas des a indús ia cul u al, sob a o ien ação de Ca olina Pe ei a,
p odu o a da Kinéma. Es a emp esa do amo audio isual é especializada na p odução de p og amas de
culiná ia, onde o am desen ol idas mui as das a e as no âmbi o do es ágio, endo pos e io men e
eme gido a ques ão de in es igação do p esen e abalho: “Quais são os p ocessos in ínsecos à
p odução audio isual de um p og ama de culiná ia?”. De o ma a in es iga es e ema, o am ealizadas
en e is as a cinco p o issionais da á ea que possuem expe iência di e a e conhecimen o especializado
na p odução de p og amas de culiná ia.
Os obje i os des a análise ocam-se em comp eende as implicações écnicas e p á icas da
p odução audio isual de p og amas de culiná ia; en ende as disciplinas de uma p odução audio isual;
analisa o papel e a impo ância de cada equipa na c iação de um p og ama de culiná ia; enquad a a
impo ância dos elemen os undamen ais do audio isual pa a o sucesso de um ídeo de culiná ia; e
con ibui pa a a comp eensão do enómeno de um ídeo de culiná ia.
Com es a análise, de modo ge al, conclui-se que apesa de alguns desa ios se em encon ados
no p ocesso de uma p odução audio isual de culiná ia em Po ugal e de algumas especi icidades, é
possí el e sucesso nes a á ea e desen ol e p oduções de qualidade.
Pala as-cha e: audio isual; culiná ia; p og amas de culiná ia; culiná ia na ele isão; p odução.
i
Ti le
Ea , Reco d, Edi : he audio isual sec e s o a cooking show
Abs ac
This In e nship Repo s ems om he cu icula expe ience a he p oduc ion company Kinéma,
in Lisbon, Po ugal, o e a six-mon h pe iod, om Sep embe 18, 2023, o Ap il 18, 2024. This documen
aims o e lec on he knowledge and lessons acqui ed du ing he expe ience, and hei connec ion o he
heo e ical and academic amewo k s udied by he s uden in he mas e ’s p og am in Communica ion
Sciences, specializing in Audio isual and Mul imedia, a he Ins i u e o Social Sciences, Uni e si y o
Minho.
Th oughou his expe ience, he s uden sough o abso b as much knowledge as possible and
de elop unique p o essional skills wi hin his cul u al indus y, unde he guidance o Ca olina Pe ei a,
p oduce a Kinéma. This audio isual p oduc ion company is specialized in c ea ing cooking shows, whe e
many o he in e nship asks we e ca ied ou , e en ually leading o he esea ch ques ion o his p ojec :
“Wha a e he in insic p ocesses in ol ed in he audio isual p oduc ion o a cooking show?” To explo e
his opic, in e iews we e conduc ed wi h i e p o essionals in he ield who ha e di ec expe ience and
specialized knowledge in he p oduc ion o culina y shows.
The objec i es o his analysis ocus on unde s anding he echnical and p ac ical implica ions o
audio isual p oduc ion o cooking shows; unde s anding he a ious disciplines in ol ed in audio isual
p oduc ion; analyzing he ole and impo ance o each eam in c ea ing a cooking show; con ex ualizing
he signi icance o undamen al audio isual elemen s in he success o a cooking ideo; and con ibu ing
o he unde s anding o he phenomenon o cooking ideos.
In gene al, he analysis concludes ha , despi e some challenges and speci ici ies encoun e ed in
he p ocess o p oducing culina y audio isual con en in Po ugal, i is possible o succeed in his a ea
and de elop high-quali y p oduc ions.
Keywo ds: audio isual; cooking; cooking shows; cooking on ele ision; p oduc ion.
ii
Índice
In odução ................................................................................................................ 12
1. O es ágio .............................................................................................................. 14
1.1. A p odu o a Kinéma ......................................................................................................... 14
1.2. His ó ia e Su gimen o ....................................................................................................... 15
1.3. Á ea de a uação ............................................................................................................... 16
1.4. Posicionamen o ................................................................................................................ 17
1.5. Missão e Valo es .............................................................................................................. 17
1.6. A expe iência de es ágio ................................................................................................... 18
1.6.1. A escolha de es ágio na p odu o a Kinéma ............................................................. 18
1.6.2. Acolhimen o e In eg ação ....................................................................................... 18
1.6.3. A i idades desen ol idas ........................................................................................ 20
1.7. Re lexão C í ica ................................................................................................................ 46
2. Me odologia ......................................................................................................... 48
2.1. Obje i os .......................................................................................................................... 48
2.2. Recolha de dados ............................................................................................................. 49
2.3. Seleção de en e is ados .................................................................................................. 50
2.4. Realização de en e is as .................................................................................................. 51
3. A his ó ia dos p og amas de culiná ia e a sua p esença na cul u a
con empo ânea ..................................................................................................... 52
4. Os seg edos audio isuais de um p og ama de culiná ia ......................................... 56
4.1. A g amá ica exclusi a e a linguagem audio isual dos p og amas de culiná ia .................... 56
4.1.1. Elemen os Visuais: dos planos à di eção de a e ..................................................... 57
4.1.2. Elemen os Sono os ................................................................................................ 64
4.1.3. Elemen os Na a i os ............................................................................................. 66
4.2. A equipa po ás das câma as ......................................................................................... 68
4.2.1. O papel do p odu o execu i o ................................................................................ 69
4.2.2. O ealizado ........................................................................................................... 70
4.2.3. O che ................................................................................................................... 72
4.2.4. O
che
assis en e ................................................................................................... 73
4.2.5. A equipa de p odução ............................................................................................ 74
14
1. O es ágio
No segundo ano do Mes ado em Ciências da Comunicação do Ins i u o de Ciências Sociais
da Uni e sidade do Minho, cada aluno em a opo unidade de ealiza um es ágio cu icula de du ação
de ês a seis meses. No caso da aluna, ao longo de seis meses, e e o p i ilégio de ealiza um es ágio
cu icula na p odu o a Kinéma, na á ea p o issionalizan e de Audio isual e Mul imédia. Es e es ágio
oi inicialmen e ocado na especialização de assis en e de ealização. Con udo, ao longo do pe íodo
de es ágio, su gi am di e sas opo unidades pa a explo a ou as á eas da p odução audio isual, ais
como as de assis en e de p odução e de di e o a de a e.
De o ma a melho ela a a expe iência de es ágio, é dedicada a p imei a secção des e
capí ulo à ap esen ação da Kinéma. Se á explo ado o con ex o his ó ico da p odu o a, á ea de a uação
e p incipais missões e alo es que o ien am as suas a i idades. Es e pano ama ajuda á a comp eende
melho o ambien e da emp esa.
Na segunda secção, se á de alhada a expe iência de es ágio e as unções que o am a ibuídas
à aluna. Es e ela o inclui á as a e as desempenhadas na especialização de assis en e de ealização
e as opo unidades que pe mi i am explo a ou as á eas da p odução audio isual.
Po im, a úl ima secção se á dedicada a uma e lexão c í ica sob e o es ágio. Se ão discu idos
os conhecimen os adqui idos, as habilidades desen ol idas e os impac os des a expe iência na
aje ó ia p o issional pessoal da aluna. Es a e lexão ai pe mi i a alia , de o ma ab angen e, a
ele ância do es ágio pa a a o mação e as u u as pe spe i as p o issionais na á ea de audio isual e
mul imédia.
1.1. A p odu o a Kinéma
A p odu o a Kinéma, o icialmen e egis ada como KNMA Media Unipessoal LDA, oi
o malmen e cons i uída como emp esa no dia 30 de maio de 2010. Es e ma co assinalou a
conc e ização de um p oje o que e e início á ios anos an es pelo jo em emp eendedo Ped o B a o,
que, desde cedo, mos ou um in e esse e o oso pelo mundo do cinema e da p odução audio isual.
A ualmen e, encon a-se egis ada como emp esa de “p odução de ilmes, de ídeos e de p og amas
de ele isão” pela SICAE (Sis ema in o mação da Classi icação Po uguesa de A i idades Económicas).

15
1.2. His ó ia e Su gimen o
A his ó ia da Kinéma começa a su gi quando Ped o B a o, ainda na adolescência, descob iu
a sua a eição pelo ídeo, onde já demons a a alen o pa a a c iação audio isual.
Ao a ingi a maio idade, decidiu o maliza a sua ocação na Escola Supe io de Tea o e
Cinema do Ins i u o Poli écnico de Lisboa, no amo de p odução e imagem. Após econhece a
impo ância de se es abelece no me cado, p ocedeu ao egis o legal da sua p odu o a, e assim
nasceu, o icialmen e, a Kinéma. A escolha do nome não oi alea ó ia, inspi ou-se na pala a g ega
“κι#νημα” (kinema), que signi ica mo imen o, que espelha a essência dinâmica e e olu i a do cinema.
A o icialização oi um momen o signi ica i o, que ans o mou um sonho de adolescência
numa ealidade emp esa ial. Es e egis o pe mi iu que Ped o B a o começasse a ope a de manei a
es u u ada, o que possibili ou a ealização de p oje os mais ambiciosos e a c iação de uma ede de
con ac os p o issionais no se o audio isual. Assim se ab i am po as pa a colabo ações com a is as,
ma cas e canais de ele isão, solidi icando a posição da Kinéma no me cado po uguês.
Du an e os anos iniciais, a p odu o a concen ou-se p incipalmen e na p odução de
ideoclipes. Es es ideoclipes e am is os como p oduções mais luc a i as em compa ação com
cu as-me agens e ou os p oje os maio es, uma ez que exigiam menos empo e ecu sos écnicos.
O e dadei o impulso pa a o c escimen o da Kinéma eio com a expansão pa a no os ipos
de p odução e pa ce ias es a égicas. A emp esa começou a di e si ica os seus p oje os, incluindo
con eúdos de moda e colabo ações com agências de comunicação pa a p oduções de maio escala.
A p odução de con eúdo de moda e a pa icipação em e en os, como a exibição no Cinema São Jo ge,
o am ma cos impo an es que aumen a am a isibilidade e epu ação da p odu o a.
A ualmen e, a Kinéma inse e-se no me cado dos p og amas de culiná ia, es a pa e da his ó ia
começa quando a p odu o a já colabo a a com a, na al u a, Fox Po ugal, no desen ol imen o de
con eúdos de ma ca, em conjun o com o depa amen o come cial. Na al u a, a Fox ainda não inha
sido al e ada pa a Disney e a equipa da p odu o a oi desa iada a p oduzi algo no o com o
depa amen o edi o ial da Fox, esponsá el pelos p og amas de p odução local. Es e depa amen o
cump ia uma ob igação impos a às sucu sais in e nacionais da Fox, que exigia a c iação de con eúdos
nacionais, mesmo que ossem pa a se di undidos num canal cuja p og amação e a maio i a iamen e
in e nacional.
16
Foi nes e con ex o que su giu a opo unidade de c ia um p og ama de culiná ia. A Fox que ia
p oduzi uma no a empo ada com um
che
po uguês de enome, Hen ique Sá Pessoa, que inha
acabado de aze a ansição da RTP2 pa a um canal especializado em culiná ia. Além disso, ele e a
um dos poucos
che s
com Es ela Michelin e um p og ama de culiná ia. Con udo, o obje i o e a ugi
ao o ma o adicional dos p og amas de culiná ia que já exis iam em Po ugal, como a popula ia
Cá ia.
A p odu o a, já econhecida pela qualidade dos seus con eúdos come ciais, oi enca egue de
c ia algo di e en e e mais con empo âneo. Foi assim que nasceu o
Com adição
, um p og ama com
uma abo dagem esca que se des aca a dos o ma os adicionais. O iming oi peculia : a p imei a
empo ada do p og ama es eou no inal de e e ei o de 2020, apenas duas semanas an es do
p imei o con inamen o causado pela pandemia Co id-19. Com odos em casa, as audiências do
p og ama dispa a am. Du an e o con inamen o, as pessoas edescob i am a cozinha e começa am a
cozinha em massa, o que impulsionou ainda mais o sucesso do p og ama.
Com a p imei a empo ada a se um êxi o inespe ado, segui am-se apidamen e a segunda
empo ada e ou os p og amas culiná ios. E assim começou o pe cu so da p odu o a no uni e so dos
p og amas de culiná ia, p omo ido po um momen o de so e e pelas ci cuns âncias inespe adas da
pandemia.
1.3. Á ea de a uação
A p odu o a Kinéma con inua a a i ma -se como uma p odu o a audio isual dinâmica e
ino ado a no me cado po uguês. A emp esa em e oluído ao longo dos anos, adap ando-se às
mudanças do se o e expandindo o seu po e ólio de se iços.
A á ea de a uação da Kinéma é a p es ação de se iços, que se baseia na p odução de ídeos
e p og amas de ele isão, com uma pe spe i a ma can e que combina c ia i idade a ís ica com
écnicas cinema og á icas a ançadas. A a i idade da Kinéma assume-se em ês á eas p incipais de
p odução de abalhos:
• P oje os ele isi os, p og amas de culiná ia pa a o canal de ele isão 24Ki chen, que
pe ence à S a ;
17
• P odução cinema og á ica e documen á ia, man ém o seu es a u o a ís ico e
di e si ica o seu po ólio, colabo a com emisso as como a RTP;
• P odução con ínua de pequenos p oje os de B anded Con en pa a ma cas nacionais
e in e nacionais, como o Con inen e.
1.4. Posicionamen o
Nos dias de hoje, a p odu o a é pe cebida pelo me cado como uma pequena-média emp esa.
A Kinéma encon a-se numa posição in e média en e os ipos dis in os de p odu o as: as g andes
p odu o as nacionais ocadas em con eúdos ele isi os como eleno elas e as p odu o as mais
pequenas e modes as que se dedicam a p oje os meno es ao longo do ano como ídeos p omocionais.
A Kinéma pe ence às p odu o as de média dimensão que ocupam um espaço equidis an e en e
es as duas ca ego ias.
1.5. Missão e Valo es
A missão da Kinéma é dedica -se à c iação de expe iências audio isuais únicas e impac an es.
A a és da combinação de c ia i idade a ís ica e igo écnico, ambiciona sa is aze as expec a i as
dos clien es. A Kinéma segue um conjun o de p incípios que in eg am os alo es que p omo e e
ajudam na sua di e enciação ela i amen e ao pano ama audio isual nacional. São des acados alo es
como qualidade, c ia i idade, adap ação, in eg idade e excelência.
Além disso, a Kinéma ambém se p eocupa com a sus en abilidade ambien al, in eg ando
uma “g een p oduc ion”1 nas suas ope ações. Assume medidas como a u ilização de ma e iais
écnicos que eduzem os gas os de ene gias (p oje o es LED), a aplicação de a igos eu ilizá eis e
con en o es de eciclagem nas suas p oduções, bem como a p omoção de ele abalho, quando
possí el. A emp esa p ocu a minimiza o impac o ambien al das p oduções e p omo e a
consciencialização sob e ques ões ambien ais en e os colabo ado es, pa cei os e clien es.
1
G een p oduc ion
é o e mo u ilizado pa a designa p oduções audio isuais que ado am p á icas sus en á eis
pa a minimiza o impac o ambien al, como edução de esíduos e emissões de ca bono, bem como uso de ma e iais
ecologicamen e co e os.
18
1.6. A expe iência de es ágio
1.6.1. A escolha de es ágio na p odu o a Kinéma
O in e esse em ealiza um es ágio numa p odu o a audio isual independen e eme giu de um
sonho que se mani es ou em 2016. Nessa época, a aluna c iou um canal no YouTube onde publica a
con eúdos de en e enimen o e cu as-me agens ealizadas e p oduzidas pela mesma. Foi a pa i
desse momen o que su giu a paixão pelo meio audio isual, po ep esen a uma ealidade em que e a
possí el combina ídeo, en e enimen o e a e, de o ma in eg ada.
O gos o da aluna pela á ea c escia exponencialmen e a cada aula que equen a a, que
pe mi iam explo a um mundo em cons an e descobe a. Quando su giu a opo unidade de ealiza
um es ágio, não exis i am dú idas de que e a ansiado adqui i expe iência numa p odu o a audio isual
independen e. A aluna p ocu ou um ambien e que p opo cionasse a libe dade e a opo unidade de
comp eende e acompanha odo o p ocesso ine en e à c iação de um p og ama de en e enimen o
ele isi o.
Assim, quando apa eceu a opo unidade de desen ol e o es ágio na p odu o a Kinéma, não
exis i am hesi ações em ap o ei a . Su giu uma g ande mo i ação pa a adqui i o máximo de
in o mação possí el, com o obje i o de en iquece a sua o mação e consolida os conhecimen os
adqui idos ao longo do cu so. Es e es ágio ep esen ou uma opo unidade pa a me gulha no p ocesso
de p odução audio isual, e con ibuiu pa a o desen ol imen o p o issional e académico da aluna.
1.6.2. Acolhimen o e In eg ação
A aje ó ia p o issional e e o ma co inicial no dia 16 de Agos o, quando a aluna euniu com
a sua u u a o ien ado a da emp esa, a p odu o a Ca olina Pe ei a, ex-aluna do Mes ado em Ciências
da Comunicação, no âmbi o do qual ambém es agiou na Kinéma (Pe ei a, 2023). Es e encon o oi
c ucial, pois uncionou não apenas como uma en e is a de ap esen ações o mais, mas ambém
como uma in odução ao ambien e e à dinâmica da emp esa que i ia a in eg a .
Du an e a eunião, oi in oduzida a ealidade da Kinéma, com explicações sob e o
uncionamen o diá io, os p ocessos in e nos e a cul u a o ganizacional. A p odu o a Ca olina Pe ei a
o neceu um con ex o ab angen e sob e as di e sas a i idades e esponsabilidades que se iam
19
assumidas pela aluna du an e o es ágio. Além disso, o am discu idos os ho á ios de abalho e as
expec a i as em e mos de p azos e p odu i idade, o que pe mi iu en ende o comp omisso e a
dedicação necessá ios pa a cump i as unções de o ma e icaz.
O es ágio começou o icialmen e a 18 de se emb o de 2023. No deco e dos seis meses
seguin es exis iu a opo unidade de pa icipação na p odução de seis p oje os audio isuais. A aluna
in eg ou a equipa como es agiá ia com especialização em ealização, no en an o, no deco e des a
expe iência, o am p opo cionadas opo unidades pa a explo a ou as e en es do mundo audio isual
e, des a o ma, comp eende melho a sua ocação nes a as a á ea.
Na Kinéma, os ho á ios de abalho e am lexí eis con o me a ase da p odução. Du an e a
p é ou pós-p odução, os colabo ado es ge almen e abalha am das 10 ho as da manhã a é às seis
ho as da a de, com uma pausa de uma ho a pa a almoço. Es e abalho podia se ealizado no
esc i ó io si uado em Lisboa, ou em egime de ele abalho que, no caso da aluna, acon ecia com a
supe isão de Ca olina Pe ei a, o ien ado a de es ágio, ou de Ped o B a o, o ealizado e p odu o da
Kinéma, u ilizando pla a o mas como o e-mail e o Wha sApp.
Já du an e as ilmagens, os ho á ios e am ajus ados con o me necessá io pa a apoia as
exigências especí icas da p odução. Em p oje os mais ex ensos, os ho á ios podiam es ende -se das
oi o ho as da manhã a é às se e ho as da a de, ambém com uma pausa de uma ho a pa a almoço,
e uma olga semanal adicional, ge almen e às qua as- ei as, pa a além dos ins de semana. Es as
pausas egula es pe mi iam à equipa eju enesce e man e uma abo dagem p odu i a no ambien e
de abalho. Numa p imei a in e ação, es a p eocupação com o bem-es a dos colabo ado es oi algo
que c iou um impac o posi i o na pe ceção da p odu o a.
No dia 27 de se emb o de 2023, às no e ho as da manhã, a aluna oi acolhida com
en usiasmo pela o ien ado a Ca olina Pe ei a, que de imedia o a conduziu numa isi a aos di e en es
espaços da p odu o a. Inicialmen e, oi explo ado o a mazém, localizado em Odi elas, onde es a am
o ganizados odos os ade eços de deco ação e p odução, com di isões dedicadas a elemen os
cenog á icos e deco a i os. E, de seguida, e e o p i ilégio de conhece o que an o ansia a: o es údio
de g a ações, ainda azio, mas que imedia amen e despe ou oda a sua a enção. Ao longo desse dia,
a aluna oi ap esen ada a ou os memb os da equipa, com quem i ia colabo a nos meses seguin es.
Uma no a ealidade oi in oduzida, di e en e daquela que e a conhecida an es de começa o es ágio.

20
1.6.3. A i idades desen ol idas
O es ágio na p odu o a Kinéma e e a du ação de 6 meses, iniciado a 18 de se emb o de
2023 e ence ado a 18 de ab il de 2024, com uma pausa du an e o mês de janei o, uma ez que as
g a ações ealizadas pela emp esa nesse pe íodo o am em Macau.
Du an e es e pe íodo, a aluna pa icipou a i amen e em seis p oje os: os p og amas ele isi os
Com adição
,
À La Ba ios
e
Che de Se iço
pa a o canal 24Ki chen, os anúncios publici á ios
Espelho
Meu
e
A P eço Pelo P a o
pa a a ma ca Con inen e, exibidos no canal S a . E um p og ama cul u al
pa a a RTP2 chamado
Danças na Cidade
.
Nes e documen o i á se desc i a a expe iência da aluna nos p oje os mencionados. De no a
que, uma ez que á ias ases de cada p oje o oco e am simul aneamen e, a ap esen ação dos
di e en es ela os do es ágio i á segui a o dem c onológica de g a ações.
Che de Se iço
A en ada na p odu o a Kinéma coincidiu com o inal do pe íodo de pós-p odução de um no o
p og ama do 24Ki chen: o
Che de Se iço
. Es e p og ama con ou com um o ma o ino ado e com a
p esença de ês
che s
que u ilizam a mesma cozinha pa a ap esen a as suas ecei as. Tinha como
p o agonis as Ca los A onso, Ma ga i a Pugo ka e Miguel Mesqui a. Cada
che
cozinha a as suas
ecei as e, num egis o de en e is a, ala a sob e o seu pe cu so e isão sob e a culiná ia. O p og ama
oi compos o po 31 episódios e 3 empo adas, sendo que cada empo ada co espondeu a um
che
.
O p oje o es eou no p imei o dia de es ágio na p odu o a, dia 18 de Se emb o de 2023.
A p imei a a e a a ibuída à aluna dizia espei o à pós-p odução des e p og ama
Che de
Se iço
, ou seja, a úl ima ase do p oje o. Po no ma ealiza-se nos esc i ó ios da Kinéma, no en an o,
oi desen ol ida em o ma o online a a és de casa, com a o ien ação de Ca olina Pe ei a.
Como a en ada na emp esa oi a dia, endo em con a es e p oje o, as a e as desen ol idas
o am de e isão, no en an o, mos a am-se essenciais pa a en ende o igo que az pa e do dia a
dia de abalho na p odu o a Kinéma.
Pa a além dos p og amas de ecei as que são exibidos no canal do 24Ki chen, a cada es eia
de episódio, é publicado ambém um documen o no websi e do 24Ki chen com os passos de alhados
de cada ecei a ap esen ada pelos espe i os
che s
. Nes e con ex o, a aluna icou enca egue pela
co eção e e isão des es documen os de ansc ição das ecei as. Es as ansc ições são uma pa e
21
undamen al pa a as audiências, pois pe mi em ao espec ado acede ao con eúdo das ecei as de
o ma ácil e ápida.
Du an e a pós-p odução, exis e ambém a edição de pequenos ídeos explica i os de ecei as,
com a du ação de ce ca de um minu o, que icam disponí eis no websi e e na pla a o ma YouTube.
Pa a es es, são g a ados pos e io men e
oice-o e s
, ou seja, áudios, de cada
che
a explica as
ecei as de o ma b e e. Pa e da a e a da aluna passou pelo ape eiçoamen o e co eção des es
guiões, pa a ga an i que não exis iam e os na edição inal.
Figu a 1: Recei a 01 do episódio 04 empo ada 03.
22
Figu a 2:
OFF
do episódio 01 empo ada 03.
Apesa da pa icipação nes e p oje o e sido pouco p o unda, es e se iu pa a conhece pa es
da pós-p odução, pe mi indo que alguns aspe os es i essem já explo ados, e acili ando a
comp eensão des a e apa nou os p oje os.
Com adição
A en ada na p odu o a Kinéma coincidiu ambém com a ase de p é-p odução do p og ama
ele isi o
Com adição
, p o agonizado pelo concei uado
che
Hen ique Sá Pessoa, de en o de duas
es elas Michelin. Es e p og ama não só es eou no canal 24Ki chen, mas ambém es a á disponí el
na pla a o ma de
s eaming
Disney+.
O concei o cen al do
Com adição
é desa ia a culiná ia adicional po uguesa, como o
p óp io nome suge e. Hen ique Sá Pessoa ap o ei a a sua expe ise pa a ein en a p a os clássicos,
onde inco po a in luências e écnicas de cozinhas de ou as pa es do mundo. Cada episódio des e
p og ama é uma caminhada onde o
che
ap esen a no as o mas de p epa a e se i p a os
adicionais. O p og ama não só celeb a a iqueza da culiná ia po uguesa, mas ambém a en iquece
ao in oduzi elemen os in e nacionais, p opo cionando ao público uma expe iência culiná ia exci an e.
Du an e as empo adas 9 e 10, com um o al de 24 episódios, Hen ique Sá Pessoa con inuou
a sua missão de ele a a cozinha adicional.
23
A. P é-p odução
Du an e es e pe íodo de p é-p odução, a aluna bene iciou da opo unidade de acompanha de
pe o as p epa ações que molda am o p og ama, o que pe mi iu adqui i comp eensão dos p ocessos
en ol idos na c iação de um con eúdo ele isi o de g ande exigência. A pa i do momen o em que se
jun ou à equipa, a p é-p odução já se encon a a num es ágio a ançado, o que p opo cionou uma
isão ab angen e do uncionamen o in e no da p odução.
A p imei a a e a que oi a ibuída pela o ien ado a consis iu em a ua como assis en e de
p odução. Com o obje i o de ga an i uma dinâmica mais e icien e, a aluna icou enca egue de
o ganiza um ecei uá io que con inha odos os ing edien es necessá ios pa a a p odução do
p og ama. Es a a e a e a undamen al, pois pe mi ia que ou os memb os da equipa de p odução
pudessem o ganiza as comp as essenciais pa a cada dia. Assim, a ges ão dos ing edien es o na a-
se mais ácil.
Figu a 3: Lis a de ing edien es necessá ios.
Pa alelamen e, na á ea da ealização, a aluna colabo ou na o ma ação do guião do p og ama.
Es a a e a en ol ia a o ma ação do documen o, a e i icação de possí eis alhas e a pesquisa de
ing edien es pa a ecei as que ainda não es a am comple as.
30
Figu a 9: Página de In en á io de A e da Kinéma.
Es e mé odo de o ganização assegu a que, em u u os p oje os, es es i ens possam se mais
acilmen e localizados e eu ilizados, o que o imiza o empo e os ecu sos da p odu o a. Uma ez que
as deco ações são emo idas do cená io, uma equipa en a em ação pa a a desmon agem das
es u u as p incipais. Es a ase en ol e a emoção segu a de componen es do es údio, ga an indo
assim que udo se man ém em boas condições pa a usos u u os.
Após a desmon agem comple a, os elemen os o am anspo ados pa a os a mazéns da
Kinéma, localizados em Odi elas, onde o am gua dados. Es a abo dagem na ase de desmon agem
e le e o comp omisso da Kinéma na sus en abilidade da p odução, pe mi indo a maximização dos
ecu sos.
Du an e a desmon agem, a aluna e i ica a cada peça, e ce i ica a-se de que es a am
in ac as e em bom es ado e embala a as mesmas. Es e abalho é essencial pa a man e boas

31
elações com os pa ocinado es e assegu a que a p odu o a cump isse com os aco dos es abelecidos,
p ese ando a epu ação e a possibilidade de u u as colabo ações.
Pos e io men e, começa a a ase de edição dos episódios, es a pode ia se ei a em
ele abalho, mas ambém no esc i ó io da Kinéma, localizado em Lisboa.
Du an e es a ase da pós-p odução à aluna oi delegada a a e a de p epa a odas as ecei as
pa a o websi e do 24Ki chen. No deco e do pe íodo de g a ações, o ano ado ansc e eu odas as
ecei as, e coube à aluna o ganiza e o ma a es es con eúdos pa a publicação online. Es e abalho
en ol eu a e isão e edição dos ex os em con o midade com o o ma o e es ilo do p og ama do
che
Hen ique Sá Pessoa. E a necessá io que as ecei as e le issem de o ma iel o que oi ap esen ado
no p og ama, pa a os espec ado es eplica em os p a os em casa.
Figu a 10: Exemplo de ecei a do p og ama Com adição.
32
Ou a unção con iada pela o ien ado a de es ágio oi a elabo ação de sinopses pa a cada
episódio, is o é, um esumo que cap asse a a enção do público, que se iam usadas nas in o mações
do se iço de ele isão e no si e do 24Ki chen.
Figu a 11: Exemplo de Sinopse do p og ama Com adição.
Du an e a e isão e co eção dos ma e iais a esc i a de sinopses, e a semp e con i mada com
os episódios já edi ados. En ão, pa a consegui comple a a unção co e amen e, e a necessá io
agua da a conclusão de mon agem de cada episódio, pa a que nenhum de alhe osse omi ido.
À medida que e a desempenhada cada a e a, aziam-se ma cações num mapa de pós-
p odução.
Figu a 12: Mapa de checklis de e apas da pós-p odução.
33
Espelho Meu
Ou o p oje o no qual a aluna es e e en ol ida oi o
Espelho Meu
, es e consis ia num anúncio
publici á io pa a a ma ca Con inen e. Foi um p og ama que con ou com 6 episódios com ce ca de 60
segundos cada. Os emas dos episódios e am:
• Episódio 01: Como aze ondas pe ei as e du adou as no cabelo
• Episódio 02: Pe il pele sensí el e cuidados de os o
• Episódio 03: Ro ina skinca e an i ugas
• Episódio 04: Make-up look day ime, da e nigh , o ice look
• Episódio 05: Pen eados Simples e ápidos que dão aquele oque ex a
• Episódio 06: Como elimina olhei as
Cada episódio e a ou uma emá ica di e en e no âmbi o dos p odu os de beleza e das
ans o mações. O obje i o oi ilus a a capacidade p esc i a do
s a
do Con inen e do se o da
cosmé ica com uma mensagem posi i a e de a i mação pessoal. Es es episódios p omocionais
passa iam somen e nos canais ele isi os da S a . Tinham como p emissa a possibilidade de cada
indi íduo consegui melho a a sua apa ência e assumiam um papel de u o ial, mos ando que é
alcançá el a odos.
A. P é-p odução
Nes e p oje o, a aluna oi enca egue de desen ol e a olha de p opos a pa a o anúncio
publici á io
Espelho Meu
. A p incipal esponsabilidade consis iu em euni odas as in o mações
o necidas pelo di e o c ia i o e c ia um documen o coeso pa a se ap esen ado aos clien es e aos
es an es memb os da equipa, como assis en es de câma a,
ga e s
,
mixado
de som,
s ylis s
e
make
up a is s
. Es a olha de p opos a incluía di e sos componen es essenciais, ais como: o concei o do
anúncio publici á io, os emas de cada episódio, in o mações sob e o
cas
, o
moodboa d
, o
s o yboa d
,
a calenda ização e o esquema de co es.
34
Ou a a e a que a aluna desempenhou oi a c iação da olha de in o mações dos a o es pa a
a equipa de
s yling
. Es a olha incluía de alhes impo an es sob e cada a o , ais como medidas,
p e e ências e necessidades especí icas, acili ando o abalho da equipa de
s yling
na escolha e
p epa ação do gua da- oupa adequado pa a cada um, ga an indo uma ap esen ação coe en e e
alinhada com o concei o isual do anúncio.
Figu a 13: Moodboa d pa a o anúncio publici á io
Espelho Meu
.
35
Figu a 14: O ganização de in o mações do Cas pa a a equipa de S yling.
Além disso, ambém icou esponsá el pela elabo ação da olha de se iço, que de alha a as
unções e esponsabilidades de cada memb o da equipa du an e a p odução.
Figu a 15: Capa da Folha de Se iço do P imei o dia de G a ações.
B. P odução
As g a ações des e p oje o es ende am-se po um pe íodo de ês dias. No p imei o dia, 09
de no emb o de 2023, a ação desen olou-se nas ins alações de uma loja Con inen e, na Amado a,
onde oi g a ada g ande pa e de odos os seis episódios. O cená io e a mo imen ado, com uma a iz

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que desempenha a o papel de colabo ado a da loja, in e agindo e aconselhando os clien es no
ambien e de comp as.
Du an e es e dia, a p incipal esponsabilidade da aluna oi p es a assis ência à p odução,
com um oco especial na ges ão do espaço. Ficou enca egue de auxilia no
ca e ing
e na ecolha de
p odu os que se iam u ilizados nos seguin es dias de odagens.
Ou a das a e as oi ga an i que indi íduos não en ol idos na p odução não apa ecessem
nos enquad amen os das câma as, assegu ando assim a in eg idade isual das ilmagens.
Os es an es dias de odagem o am em es údio, com seis a o es pa a cada episódio, que
assumiam o papel de clien es e seguiam os u o iais e ecomendações da uncioná ia do Con inen e.
Nes es dias a aluna apoiou a p odução, a ealização e o o óg a o.
O p incipal ca go oi o de assis en e de ealização. Es a unção en ol ia man e o cená io em
o dem, e ga an i que odos os ade eços es a am no luga co e o. Além disso, e a esponsá el po
p epa a os p odu os que se iam u ilizados em cada episódio, de aco do com a linha empo al
p e iamen e es abelecida.
Figu a 16: P epa ação dos p odu os pa a o anúncio publici á io.
37
Uma ez que a cu iosidade da aluna es a a semp e a i a, p ocu a a desa ia -se nou os
campos, endo decidido p es a assis ência ao o óg a o. Nes e papel, auxiliou na es é ica e
o ganização do espaço, ga an indo que cada elemen o es i esse alinhado com a isão c ia i a do
o óg a o e das clien es do Con inen e e da Disney+. T abalhou de pe o com o o óg a o pa a
posiciona os p odu os e assegu a que o enquad amen o osse ideal pa a cap a as imagens.
No âmbi o de assis en e de p odução, auxilia a na dis ibuição do
ca e ing
, assegu ando que
as e eições e lanches ossem o necidos a oda a equipa, e ambém ajuda a na ins alação dos
equipamen os necessá ios.
À La Ba ios
Pa a além dos p oje os já mencionados, a aluna ambém pa icipou no p og ama
À La Ba ios
,
mais uma das p oduções da Kinéma pa a o canal 24Ki chen, p o agonizado pela cozinhei a, a iz e
in luence
Joana Ba ios. Es e p og ama es eou no canal 24Ki chen, no dia 03 de Junho de 2024, e
ica á disponí el ambém nas pla a o mas de
s eaming
da Disney+.
O concei o p incipal des e p og ama, pa a além das ecei as ex a agan es, é a pe sonalidade
de Joana Ba ios, que se o na um pon o di e enciado dos es an es p og amas e ga an e momen os
inesquecí eis. Es as g a ações con a am com 3 empo adas, cada uma com 10 episódios, e cada
episódio com 3 ecei as.
Uma no idade nes a edição, oi a inclusão de dois episódios especiais ilmados em Macau,
onde Joana emba cou numa a en u a gas onómica, pa a encon a inspi ação, es es episódios o am
g a ados du an e o mês de Janei o de 2024, du an e o qual a aluna ez uma pausa do es ágio.
As g a ações dos episódios em Po ugal oco e am de 04 de ma ço a 05 de ab il de 2024.
P é-P odução
A p é-p odução des e p og ama oi a que a aluna e e a opo unidade de acompanha mais
de pe o. Como os episódios em Macau o am g a ados com uma an ecedência conside á el em
elação aos es an es, a p é-p odução iniciou-se em ou ub o de 2023.
A p imei a a e a a ibuída nes e p oje o oi essencialmen e a de pesquisa. A aluna o ganizou
um ichei o de alhado com in o mações sob e os es au an es exis en es em Macau, com o obje i o
de acili a a equipa de p odução na seleção dos locais onde i iam deco e as g a ações. Es a
38
pesquisa incluía de alhes sob e a localização, especialidades culiná ias, ambien e, a aliações, en e
ou os.
Figu a 17: Lis agem de Res au an es em Macau.
Após conclui a pesquisa sob e os es au an es em Macau, o ealizado Ped o B a o,
enca egou a aluna de desen ol e documen os in o ma i os des inados a di e en es equipas
en ol idas na p odução. Es es documen os o am undamen ais pa a ga an i uma comunicação cla a
e e icaz en e odos os pa icipan es do p oje o:
1. P opos a ge al do p og ama: des inada a se encaminhada como ap esen ação das no as
empo adas do p og ama
À La Ba ios
, pa a clien es, po enciais pa ocinado es e pa cei os.
Es e documen o incluía di e sas in o mações, como o concei o do p og ama, uma espécie de
sinopse, a desc ição do cená io, o eedback nas edes sociais, os mé odos de g a ação, a
exibição, e ainda uma análise do en ol imen o e eceção de Joana Ba ios nas edes sociais.
A p opos a se ia como um guia pa a odas as pa es in e essadas. Es e documen o oi esc i o
em inglês e po uguês, pa a comunicação com ma cas in e nacionais.
39
2. P opos a pa a os Clien es: es e documen o se iu como comunicação da p opos a dos
episódios em Macau pa a os esponsá eis do 24Ki chen. Pa a al, após a seleção das
localizações, a aluna desen ol eu uma pesquisa sob e a his ó ia de Macau e dos espe i os
es au an es, de o ma e idencia a ele ância daqueles espaços pa a o p og ama. Es e
documen o se iu ambém como um s o yboa d, uma ez que explica a o que acon ecia em
cada localização e como cada cena con ibuía pa a o desen ol imen o dos episódios.
3. P opos a pa a o u ismo de Macau: a aluna desen ol eu uma p opos a de colabo ação que
incluía uma ap esen ação do p oje o e das necessidades da equipa de p odução, como
e eições e es adia. Es e documen o explica a os equisi os logís icos, os locais de in e esse
pa a as ilmagens, e os bene ícios po enciais pa a o u ismo de Macau ao colabo a com o
p og ama.
Es es documen os não só ajuda am a es abelece uma base sólida pa a a colabo ação e o
pa ocínio, mas ambém assegu a am que odas as pa es in e essadas inham en endimen o do
p oje o e dos seus obje i os.
Figu a 18: Página da olha ge al do p og ama.
46
do in en á io dos ma e iais cénicos, e amen as e obje os de p odução. Es e abalho exigiu um
ele ado ní el de o ganização, uma ez que en ol ia a ca alogação de odos os i ens u ilizados nas
p oduções.
Além das esponsabilidades logís icas e de p odução, exis iu ambém a opo unidade de
pa icipa num p oje o ocado em emp esas sus en á eis. Es e p oje o inha como obje i o p omo e
p á icas sus en á eis den o da emp esa, in eg ando alo es ecológicos e de esponsabilidade social
nas a i idades diá ias.
1.7. Re lexão C í ica
A expe iência de es ágio que a aluna i eu oi um ma co signi ica i o no seu pe cu so. A a és
dela, e e a opo unidade de me gulha no uni e so da p odução audio isual p o issional, onde ob e e
comp eensão dos p ocessos e das dinâmicas que compõem es a á ea.
As opo unidades e conhecimen os esul an es do a ual mes ado e da expe iência de es ágio,
supe a am la gamen e as expec a i as iniciais. O ascínio pelo audio isual começou a in e liga -se de
o ma mais cla a e coesa, com po encial pa a uma ca ei a p o issional e não somen e um sonho.
Es a expe iência p opo cionou uma comp eensão ap o undada da ealidade de uma p odução
audio isual, e descodi icou odos os p ocessos, an e io men e in isí eis aos seus olhos, que, mesmo
sendo conhecidos em eo ia, o am pos os em p á ica.
Es e con ac o com uma p odução audio isual p o issional en iqueceu e ab iu po as aos
conhecimen os a ní el dos p ocessos audio isuais e espe i as a i idades desen ol idas em cada um,
assim como uma noção sob e a complexidade de uma equipa de p odução e como os di e en es
ca gos se undem pa a desempenha o mesmo p opósi o. Ao e le i c i icamen e, su gem algumas
conside ações sob e o ema.
Um dos p incipais desa ios que a aluna en en ou oi a ges ão das p io idades. O ambien e de
p odução é no o iamen e acele ado e as decisões p ecisam de se omadas apidamen e. Hou e
momen os em que a p essão pa ecia esmagado a. No en an o, es e desa io oi uma opo unidade de
c escimen o. A aluna ap endeu a se mais o ganizada, a p io iza a e as de o ma e icaz e a man e
a calma em si uações de al a p essão.

47
Ou a dimensão des a expe iência oi o desen ol imen o de no as compe ências écnicas, a
opo unidade de a ua em di e sas unções, desde assis en e de câma a a é di eção de a o es,
ampliou o seu leque de habilidades. Comp eendeu que a p odução audio isual é, an es de mais, um
abalho de equipa, onde a colabo ação e o espei o mú uo são undamen ais pa a o sucesso do
p oje o.
O es ágio ambém p opo cionou uma isão ealis a das exigências da indús ia audio isual. A
aluna pe cebeu que, pa a além da paixão pela á ea, é necessá io um conjun o de compe ências e
uma esis ência conside á el pa a lida com as longas ho as e as exigências ísicas e men ais do
abalho.
Po ou o lado, a aluna e e a opo unidade de e le i sob e o equilíb io en e a c ia i idade e
a logís ica. Enquan o a p odução audio isual é um campo c ia i o po na u eza, a ealidade é que uma
g ande pa e do abalho en ol e a e as adminis a i as e es a dualidade oi uma das maio es
ap endizagens adqui idas no es ágio.
Após es a expe iência, a aluna conseguiu consolida as suas pe spe i as p o issionais, onde
na u almen e desen ol eu um gos o pela á ea da p odução.
48
2. Me odologia
2.1. Obje i os
Es e abalho, desen ol ido no âmbi o do Mes ado em Ciências da Comunicação, na e en e
de Audio isuais e Mul imédia pela Uni e sidade do Minho, em o obje i o de desen ol e e ap esen a
uma e lexão que se á expos a nos p óximos capí ulos, a pa i da expe iência de es ágio da aluna,
sob e as implicações écnicas e p á icas da p odução audio isual de p og amas de culiná ia. Inse ido
num con ex o de c escen e popula idade des e géne o de con eúdo, a e lexão p ocu a explo a as
pa icula idades associadas à sua c iação, des acando an o os aspe os écnicos quan o os c ia i os
que en ol em a p odução de ídeos de culiná ia. Pa a al, oi desen ol ido um b e e enquad amen o
his ó ico sob e o enómeno dos p og amas ele isi os de culiná ia desde o seu su gimen o a é à
a ualidade, ao qual se seguiu o c uzamen o de uma e isão de li e a u a sob e os mais impo an es
aspe os da p odução des e ipo de p og amas, c uzando com um conjun o de cinco en e is as
semies u u adas conduzidas com di e en es especialis as e p o issionais da á ea e a análise in o mal
de alguns exemplos.
Segundo McCombes (2022), a ques ão de in es igação é “um p oblema de in es igação é
uma ques ão especí ica, di iculdade, con adição, ou lacuna de conhecimen o que se p e ende abo da
num p oje o de in es igação”.
O obje i o ge al des a in es igação é comp eende as e apas écnicas e p á icas que ajus am
a p odução de um p og ama de culiná ia.
Como obje i os especí icos, es e abalho p ocu a:
• En ende as disciplinas de uma p odução audio isual: es e obje i o isa mapea as di e en es
ases que compõem a c iação de um con eúdo audio isual, desde a p é-p odução, a p odução,
a é à pós-p odução.
• Analisa o papel da equipa e a sua impo ância na c iação de um p og ama de culiná ia: a
e lexão p ocu a des aca o papel essencial dos elemen os da equipa en ol ida, incluindo
ealizado es, p odu o es, edi o es, ope ado es de câma a, écnicos de som, esponsá eis pela
iluminação e a é os che s.
49
• Enquad a a impo ância dos elemen os undamen ais do audio isual pa a o sucesso de um
ídeo de culiná ia: a p odução de um p og ama de culiná ia eque mui a a enção a elemen os
audio isuais, como ângulos de câma a, iluminação adequada, cla eza do som pa a ins uções
de ecei as, e c. Es e obje i o oca-se na análise da g amá ica e linguagem audio isual
especí ica des es con eúdos.
Com a ealização des e abalho, espe a-se con ibui pa a a li e a u a académica sob e a
p odução audio isual, pa icula men e no con ex o dos p og amas de culiná ia, o e ecendo uma isão
écnica e c í ica sob e os elemen os que o nam es es ídeos a aen es pa a o público.
2.2. Recolha de dados
A ecolha de dados pa a es a análise oi ealizada a a és de uma combinação de
me odologias quali a i as, com o in ui o de ob e uma comp eensão ap o undada das implicações
écnicas e p á icas en ol idas na p odução audio isual de p og amas de culiná ia.
Uma das p incipais me odologias ado adas oi a obse ação pa icipan e e e nog á ica,
ap o ei ando a expe iência de es ágio da aluna que e e início an es da o mulação des a e lexão.
Es e es ágio pe mi iu uma ime são di e a no ambien e de p odução de p og amas de culiná ia,
p opo cionando uma opo unidade única pa a obse a de pe o os p ocessos, as o inas e os desa ios
en en ados pelas equipas en ol idas. Conside a-se es a expe iência enquan o obse ação
pa icipan e, po pe mi i que o in es igado a ue como um
inside
, acili ando a ecolha de dados
de alhados e con ex ualizados, essenciais pa a a comp eensão do dia-a-dia das p oduções
audio isuais.
Além disso, na ecolha de dados, a omada de no as de campo dos p odu o es e elou-se um
ecu so undamen al. Es as no as e le em as expe iências p á icas du an e a p odução, sendo icas
em de alhes sob e as decisões écnicas, c ia i as e o ganizacionais que in luenciam o sucesso do
p og ama.
Ou o mé odo impo an e oi a isualização de con eúdos de p og amas de culiná ia, mais
especi icamen e dos p og amas
Com adição
,
À La Ba ios
e
Che de Se iço
, que pe mi iu uma
análise dos p odu os inais. Es e p ocesso oi essencial pa a iden i ica elemen os isuais e sono os
p eponde an es que compõem a linguagem audio isual des e géne o.
50
Po im, o am ealizadas cinco en e is as semies u u adas à equipa en ol ida na p odução
dos p og amas de culiná ia, pela p odu o a Kinéma. Es as en e is as i e am como obje i o
comp eende as pe spe i as dos p o issionais sob e os p ocessos de abalho, os desa ios en en ados
e as decisões c ia i as. As en e is as pe mi i am explo a em maio p o undidade o papel de cada
um na c iação do con eúdo audio isual.
Em conjun o, es as di e en es me odologias de ecolha de dados o nece am uma base sólida
pa a a análise das implicações écnicas e p á icas da p odução audio isual de p og amas de culiná ia,
o que pe mi iu uma comp eensão ab angen e das á ias dimensões en ol idas nesse ipo de
p odução.
2.3. Seleção de en e is ados
A seleção dos en e is ados seguiu c i é ios es a égicos que isa am ga an i uma amos a
que, ainda que po con eniência, osse ele an e pa a os obje i os da in es igação. Foi undamen al
seleciona en e is ados que possuam expe iência di e a e conhecimen o especializado sob e o
p ocesso de p odução e os desa ios especí icos des e ipo de con eúdo.
O p imei o c i é io pa a a seleção dos en e is ados oi o da unção desempenhada na
p odução. Fo am incluídos memb os de di e en es equipas écnicas e c ia i as que pa icipa am na
p odução de p og amas de culiná ia.
Ou o c i é io impo an e oi o da expe iência p o issional dos en e is ados. Fo am p io izados
p o issionais com aje ó ia em p oduções audio isuais de con eúdos culiná ios.
A disponibilidade e acessibilidade dos en e is ados ambém oi um a o a se conside ado.
Tendo em con a a pa icipação da in es igado a no es ágio e expe iências an e io es no campo, oi
possí el eco e a edes de con ac o p é-exis en es pa a seleciona p o issionais dispos os a colabo a
com a análise.
Após conside ados es es elemen os, o am selecionados cinco elemen os da equipa
audio isual: o ealizado , a coo denado a de p odução, o di e o de som, o assis en e de cozinha e a
maquilhado a.
51
2.4. Realização de en e is as
As en e is as segui am uma abo dagem semies u u ada, o que pe mi iu um equilíb io en e
a consis ência nos emas abo dados e a lexibilidade pa a explo a á eas especí icas de aco do com o
papel de cada en e is ado.
Inicialmen e, oi es u u ado um guião ge al, com pe gun as o ien ado as que abo da am os
p incipais ópicos de in e esse, ais como: as unções desempenhadas na p odução, os desa ios
en en ados e a colabo ação en e as equipas. Es e guião se iu como base pa a ga an i que odas
as en e is as cob issem as á eas essenciais pa a os obje i os da in es igação.
No en an o, uma das ca ac e ís icas undamen ais da ealização des as en e is as oi
a adap ação das pe gun as ao papel especí ico de cada en e is ado. Dado que di e en es p o issionais
desempenham unções dis in as no p ocesso de p odução, as pe gun as o am ajus adas pa a
ecolhe os conhecimen os únicos de cada um.
A lexibilidade na condução das en e is as oi impo an e pa a explo a ópicos inespe ados
que su giam du an e a con e sa, que mui as ezes le a am a no as e lexões que não inham sido
p e is as no guião inicial.
Em e mos de logís ica, quase odas as en e is as o am ealizadas po ideocon e ência,
a a és da e amen a Zoom, dada a con eniência e a lexibilidade que o e ecia an o pa a a aluna
quan o pa a os en e is ados, que inham agendas mui o ocupadas de ido ao abalho em p oduções
em cu so. Além disso, pe mi iu a ealização das en e is as em di e en es localizações geog á icas,
mas ambém a g a ação das con e sas, o que acili ou a pos e io ansc ição e análise dos dados.

52
3. A his ó ia dos p og amas de culiná ia e a sua
p esença na cul u a con empo ânea
Quando a ele isão su giu oi um g ande ma co pa a a ida das pessoas, que na al u a
olha am pa a ela como um dos mais impo an es acon ecimen os do momen o, isão que ainda se
man ém na a ualidade. A nheim (1957) e le e que “A cu iosidade do homem ul apassa o alcance
dos sen idos. Das in enções écnicas que con ibuem pa a diminui es a dispa idade, a ele isão é a
mais ecen e e al ez a mais impo an e. Es e no o in en o pa ece simul aneamen e mágico e
mis e ioso” (p. 151).
O su gimen o da ele isão em Po ugal é um ma co impo an e na his ó ia dos meios de
comunicação do país (Lopes da Sil a & Te es, 1971; Te es, 1998). A ele isão em Po ugal oi
o icialmen e lançada em dezemb o de 1955. Apesa da expansão da ele isão na Eu opa e sido
a asada de ido à Segunda Gue a Mundial, o su gimen o des e meio de comunicação e a ine i á el,
dado o c escimen o e massi icação obse ados nou os países, especialmen e nos Es ados Unidos.
Assim, iniciou-se o p ocesso de c iação da ele isão em Po ugal, culminando na p imei a emissão
egula da Rádio Tele isi a Po uguesa, em ma ço de 1957, que ope a a como o único canal de
ele isão nacional, numa época em que a ele isão e a um bem a o e de acesso es i o a amílias
com maio pode aquisi i o. Uma ez que es e ma co oco eu num con ex o de di adu a, o con eúdo
e a al amen e con olado pelo egime do Es ado No o, lide ado po An ónio de Oli ei a Salaza , e a
ele isão acaba a po se u ilizada como ins umen o de p opaganda go e namen al.
O p imei o p og ama de culiná ia po uguês su giu em 1957, ap esen ado po Ma ia de
Lou des Modes o. Es e p og ama o nou-se apidamen e um enómeno, com Modes o a ganha o
apelido de azedo a de pi éus e a o na -se numa das igu as emininas mais que idas da ele isão
po uguesa. Ensina a ecei as adicionais po uguesas e écnicas culiná ias às donas de casa. Es e
p og ama es abeleceu um pad ão pa a os u u os p og amas de culiná ia, combinando ins ução
culiná ia com en e enimen o.
A maio e olução oi a in odução da ele isão a co es, em 1980, que melho ou a expe iência
isual, o nando os p og amas mais apela i os pa a o público.
Os anos 1990 es emunha am o apa ecimen o de p og amas de concu sos de culiná ia, que
ouxe am uma dinâmica ao géne o. Além disso, su gi am os
che s
-celeb idade, igu as ca ismá icas
53
que se o na am conhecidas pelas suas habilidades culiná ias e pelas suas pe sonalidades ele isi as
ca i an es.
Com o su gimen o do no o século, su giu a ele isão po cabo e os canais especializados,
como o 24Ki chen. As quan idades de p og amas de culiná ia aumen a am exponencialmen e. Es e
pe íodo iu uma explosão de o ma os e es ilos de p og amas de culiná ia, desde p og amas de
cozinha ao i o, a é documen á ios que explo a am a his ó ia e a cul u a da comida.
A ualmen e, a ele isão de culiná ia em Po ugal con inuou a e olui , o emen e in luenciada
pela e a digi al e pelas edes sociais. Os p og amas de culiná ia ago a coexis em com con eúdos
online, como ídeos no YouTube e u o iais no Ins ag am, e p opo cionam no as o mas de in e ação
e en ol imen o com o público. A pandemia COVID-19 e e um impac o signi ica i o na ele isão da
culiná ia, com um aumen o na p ocu a po con eúdos de cozinha à medida que as pessoas passa am
mais empo em casa.
Hoje, cada ez mais assis imos a uma media ização ex ema da cozinha, com p og amas
alimen a es a ocupa em mais espaço nas elas do que nunca, e as nossas idas a se em inundadas
po imagens media izadas de alimen os. Além do aumen o de p og amas de culiná ia exibidos na
ele isão, es emunhamos uma expansão na a iedade desses p og amas.
Além do que já oi mencionado an e io men e, é impo an e des aca que, em empos
passados, a culiná ia e a baseada em in e ações p esenciais e expe iências di e as. No en an o, como
pe cebemos, com o ad en o da ele isão e, mais ecen emen e, da In e ne , o modo como
ap endemos e ap eciamos a culiná ia mudou (Lee & Po lsen, 2016; Ma quioni & Andach , 2016;
Ma wick & Ma wick, 2014; Phillipo , 2023). Ago a, mediada po esses meios, o na-se ele an e
explo a o papel das imagens na comunicação e en ende como elas são c uciais e e icazes na
ansmissão de sen idos e emoções (Ba z e al., 2023; Ca alcan i-de Oli ei a, 2016).
A es é ica de um p og ama de ele isão e e e-se ao es ilo isual e senso ial que de ine a
apa ência e a sensação do p og ama. Es a es é ica é undamen al pa a a ai e e e a audiência,
comunicando o om e a iden idade do p og ama de o ma imedia a e impac an e.
A es é ica isual é um elemen o c ucial na c iação de uma iden idade única pa a cada
p og ama. Cada p odução ap esen a uma es é ica dis in a que e le e a isão c ia i a da equipa.
A a és de uma combinação cuidadosa de elemen os isuais, é possí el c ia uma a mos e a
en ol en e que não só de ine o es ilo do p og ama, como ambém es abelece a sua iden idade isual
54
ma can e. Cada escolha, desde as co es e ex u as a é à ap esen ação dos p a os e a in e ação do
ap esen ado com a comida, é pensada pa a ga an i que a audiência seja in o mada, en e ida e
inspi ada. Isabelle de Solie (2005) a i ma que “a ele isão culiná ia não só es e iza a culiná ia, como
ambém educa em es é ica” (p. 7).
Ve um p og ama de culiná ia é uma expe iência isual onde os sen idos são cons an emen e
es imulados. A combinação das co es i as dos ing edien es, o b ilho de uma ca ne bem cozinhada,
o som c ocan e de um ege al a se co ado, udo é planeado pa a in ensi ica o apelo isual e
senso ial. Numa en e is a ealizada no âmbi o des e abalho, o assis en e de cozinha Rica do
Capucho comen a que, mui as ezes, o sabo é secundá io quando se a a de ele isão. Pa a ele, o
mais impo an e é que a comida seja “ca i an e aos olhos” (R. Capucho, comunicação pessoal, 2 de
Ou ub o, 2024), po que, a inal, o público não pode p o a o p a o. Um exemplo que ele dá é o caso
da massa: em ez de se cozinhada a é ao pon o pe ei o pa a come , é e i ada ligei amen e an es
pa a man e uma apa ência mais i me e isualmen e ape ecí el.
Ou o elemen o cen al na es é ica des es p og amas é o emp a amen o, que ai mui o além
de simplesmen e coloca a comida no p a o. Es a é a ase em que a comida se ans o ma em a e.
Cada mo imen o do
che
, cada co e de ca ne ou a o ma como uma calda de chocola e é de amada
sob e um bolo, é planeado pa a c ia um espe áculo isual. Rica do Capucho e e e-se a isso como
momen os que “apelam mui o mais isualmen e”, e que são ei os pa a p o oca uma eação no
espec ado , adiciona “pega uma ca ne que demo ou ho as pa a se ei a e co á-la na en e do
espec ado , (...) pega aquele molho e de ama , uma calda de chocola e sob e um bolo” (R. Capucho,
comunicação pessoal, 2 de Ou ub o, 2024) es es pequenos de alhes são ei os pa a despe a uma
sensação de desejo. A comida o na-se algo que que emos e e admi a , quase como uma peça de
a e em mo imen o.
Com o c escimen o da endência de “ ood po n”2, os p og amas de culiná ia passa am a
ele a ainda mais a es é ica isual. Aqui, os p a os são ap esen ados de o ma ão pe ei a e desejá el
que anscendem a simples unção de alimen a , o ealizado Ped o B a o, ealça que é impo an e
pe cebe “de que o ma é que um p a o pode ica o mais sexy possí el na ele isão” (P. B a o,
2
Food Po n
é um e mo u ilizado pa a desc e e imagens ou ídeos es e icamen e apela i os de alimen os,
ge almen e pa ilhados em edes sociais, com o in ui o de despe a desejo e ape i e a a és da apa ência exage adamen e
a aen e dos p a os.
55
comunicação pessoal, 28 de Agos o, 2024). A comida ans o ma-se em algo pa a se is o e
ap eciado, ei a pa a cap u a a a enção e o desejo dos espec ado es. O p aze isual ganha an o ou
mais des aque do que o p óp io p aze de come (Ba z e al., 2023). Es a abo dagem le a-nos de
ol a ao que Ma ial a Ba bosa a i mou em 2007: “a na a i a da ele isão se cons ói apelando ao
sensó io” (p. 11). E é exa amen e isso que acon ece nos p og amas de culiná ia: os p odu o es e
che s
abalham pa a c ia uma expe iência que en ol e mui o mais do que o simples a o de cozinha ,
é um espe áculo pa a os sen idos.
Um aspe o in e essan e é como o público eage a es as imagens de comida. Ve um p a o a
se p epa ado p oduz no espec ado o desejo de o ec ia e a sensação de p aze . Mesmo sem p o a ,
a o ma como os ing edien es são p epa ados e ap esen ados já c ia uma sensação de sa is ação.
Esse enómeno é explo ado na ele isão, onde a comida é mos ada de o ma luxuosa, mesmo que o
obje i o do espec ado não seja necessa iamen e ap ende a ecei a, mas sim se anspo ado pa a
uma expe iência isual e emocional onde os sen idos es ão semp e em ale a. Como Rica do Capucho
des aca, o obje i o é p o oca o espec ado , c ia um desejo, uma on ade de p o a ou a é de ec ia
aquilo que es á a e .
62
simbolismo plás ico de uma ob a dependem da ha monização des es dois elemen os” (p. 167). Es a
in eg ação é i al pa a c ia um ambien e que a ai o espec ado e in ensi ica a expe iência senso ial
de assis i a es es p og amas.
A iluminação é uma pa e essencial das p oduções audio isuais, e pode a e a oda a
qualidade do p oje o. Luís de Pina (1980) ealça, “A iluminação é undamen al, sob e udo quando o
ealizado não pode ou não que ilma com luz na u al” (p. 81). É essencial pa a des aca a apa ência
dos ing edien es e dos p a os. Pa a além de melho a a qualidade do p og ama, ajuda a ealça
de alhes impo an es, como ex u as e co es. Es e aspec o é undamen al pa a ansmi i a escu a e
qualidade dos ing edien es.
Nos p og amas de culiná ia que assumem um ca á e não- ic ício, es e é um aspe o que
p ecisa de se cuidado e planeado pa a se man e iel à ealidade das co es. Cada p og ama de
culiná ia possui uma es é ica pa icula , na qual a luz con ibui pa a a pe ceção de sabo e qualidade
dos p a os. Na p á ica, a decisão sob e o ipo de luz, in ensidade, co e posicionamen o cos uma se
omada pelo ealizado em colabo ação com o di e o de o og a ia, de o ma a ga an i que a es é ica
seja alcança, semp e com a enção à e acidade isual.
A p odu o a Kinéma op a po dedica um dia de p é-p odução à c iação e mon agem da luz,
um p ocesso conhecido como p é-
ligh
, no qual a equipa de imagem eúne e de ine odos os ajus es.
Nos p og amas de culiná ia, é obse ado, maio i a iamen e, uma iluminação sua e e na u al,
que c ia uma a mos e a acolhedo a, que se assemelha a uma cozinha domés ica. A iluminação é
quen e e di usa, pois p ocu a simula a luz na u al.
O ealizado Ped o B a o, assume que exis e, de ac o, uma ex ema a enção à iluminação
nos p og amas, uma ez que es a é um a o undamen al pa a apela a essência do palada a a és
de um ec ã. Ele explica que “o umo da comida e a comida in e agi com umo e u sen i es que es á
a se cozinhada no momen o, pa ece uma coisa supe básica, mas não é, é das coisas que dá mais
on ade de come (...) e, pa a e es o umo e sen i es o umo na imagem, há odo um abalho de
iluminação, que é complicado” (P. B a o, comunicação pessoal, 28 de Agos o, 2024). Aqui pe cebe-
se que a iluminação pode se usada pa a ins es é icos, mas ambém pa a aumen a o desejo do
espec ado pa a os alimen os.
A disposição dos obje os no cená io, is o é, a di eção de a e, é ambém ulc al na cons ução
da a mos e a. Gio ana Ma ino (2022) salien a que “mui o an es da in enção da ele isão, desde o

63
ea o g ego, a cenog a ia já apa ecia de di e en es manei as, se indo como ins umen o pa a
en ol e o público e soma aos a o es du an e a encenação”.
Nos p og amas de culiná ia, a di eção de a e co esponde à seleção de obje os, u ensílios e
deco ação que azem pa e do
se
da cozinha. Luís de Pina (1980) des aca que, “que se a e de um
cená io cons uído em es údio, que se a e de um cená io na u al, impo a que o ambien e assim
cons uído seja e dadei amen e uncional, is o é, não domine a luência na a i a” (p. 75). Nes as
p oduções em especí ico, a uncionalidade do cená io da cozinha é essencial. É necessá io apa elhos
ele odomés icos a unciona , pa a não p ejudica o deco e da p á ica de cozinha po pa e dos
che s
.
Os elemen os deco a i os, não são apenas es é icos, êm de se ambém uncionais.
Uma deco ação inadequada pode comp ome e a iden idade isual do p og ama, como oi
des acado pelo ealizado Ped o B a o: “há duas coisas essenciais: a luz e a deco ação”. Es es
aspe os são insepa á eis na cons ução da iden idade isual. Ped o B a o ac escen a “se o cená io
não i esse enchido de co e se a luz não osse assim, os p a os não b ilha am”, salien ando ainda
que começa “po c ia uma boa base, com um cená io segu o, uma luz iel e os p a os ambém são
di e en es. De epen e a comida, mesmo que não es i esse ão bem ilmada, há an a coisa pa a olha
que e dis ais ali no meio” (comunicação pessoal, 28 de Agos o, 2024). Ou seja, a coo denação en e
o cená io e a iluminação é undamen al pa a man e o in e esse isual do espec ado , mesmo quando
os ou os elemen os podem não es a ão a aen es ou bem execu ados.
Uma obse ação que se az nes es p og amas é a con igu ação pa a os cená ios simula em,
quase semp e, cozinhas domés icas. Po exemplo, no p og ama
À La Ba ios
, assis imos a um eno me
núme o de deco ações pessoais da cozinhei a, como desenhos dos seus ilhos e o og a ias de amília,
o que c ia um ambien e mais ín imo.
É possí el ainda pe cebe a elação en e a iluminação e o cená io nes es p oje os audio isuais
a a és de uma análise do p og ama
Che de Se iço
, que es eou em 2023, onde o ealizado ado ou
uma abo dagem c ia i a ao op a po um cená io mais limpo e minimalis a. Segundo ele: “ob iamen e
que eu iz coisas na ealização que me in e essa am aze , (...) aze uma coisa mui o simples, mui o
limpa, em que o cená io é
clean
e assumes o es údio, em que deixas de en a ingi que es ás numa
casa, no ambien e que exis e” (P. B a o, comunicação pessoal, 28 de Agos o, 2024). Nes e caso, o
cená io é in encionalmen e eduzido ao essencial, o que pe mi e que a iluminação desempenhe um
papel p oeminen e. Ped o B a o ac escen a que “a luz é supe impo an e, ago a no
Che de Se iço
,
64
o cená io não em p a icamen e nada, a maio pa e dos planos é uma ped a má mo e, mas a o ma
como a luz ba e na ped a e e le e no p a o e az umas somb as, de epen e olhas pa a a comida (...)
e às ezes es á melho na câma a do que ao i o” (comunicação pessoal, 28 de Agos o, 2024). Es a
ase e idencia como a iluminação pode comple a o cená io e alo iza os elemen os isuais da
p odução.
4.1.2. Elemen os Sono os
Os elemen os sono os cump em um papel impo an e na c iação da expe iência audio isual,
não sendo unicamen e um complemen o aos elemen os isuais, mas sim uma pa e in eg an e da
na a i a. No caso dos p og amas de culiná ia, o uso do som é ele an e po que ajuda a c ia uma
a mos e a que apela di e amen e aos sen idos e pe mi e simula a expe iência eal de es a numa
cozinha. O som aumen a as sensações ansmi idas a a és do ec ã, o que ampli ica o sen imen o de
au en icidade e ime são na expe iência gas onómica. Como sublinhado pelo di e o de som,
Alexand e F anco: “quando es ás a aze um p og ama de culiná ia, es ás a mos a imagens que são
es é icas, e que são apela i as, e as pessoas dão mui o alo à imagem e à pa e isual da comida,
mas há mui os sons que a comida az que ambém são pa e dessa a ação” (comunicação pessoal,
10 de Se emb o, 2024).
Nos p og amas de culiná ia, depa amo-nos com ês ca ego ias de som: a oz humana, o som
ambien e ou uído e a música de undo, odas a uam em conjun o pa a o ma elemen os sono os
idedignos. Ca he ine Kellinson (2006) desc e e o design de som como “uma a e al amen e c ia i a”
e ealça que “o som é sub il e, embo a os espec ado es nem semp e enham consciência do que
ou em, eles êm uma imp essão sono a disso” (p. 104).
Há uma o e p esença dos sons diegé icos, is o é, que êm o igem di e a no que é mos ado
no ec ã, e são de g ande ele ância. O som da oz humana, que ajuda a salien a a dimensão humana
nos p og amas, su ge nas indicações dos
che s
, em o ma de na ação e diálogo e nas in e ações
com os espec ado es, sendo essencial pa a man e um p og ama coeso. A p eocupação com es a
dimensão é sen ida no p odu o inal, uma ez que é necessá ia boa cla eza e uma en oação de oz
ajus ada, pa a ga an i que as ins uções são áceis de segui e comp eende . Sob e o ambien e de
g a ações, Alexand e F anco, menciona que “o som em que es a o mais limpo possí el, pa a que os
65
edi o es consigam u iliza e enham libe dade na mon agem” (comunicação pessoal, 10 de Se emb o,
2024).
Os sons ambien es são os ba ulhos que anspo am o público pa a o ambien e da cozinha e
c iam uma sensação de au en icidade, como se a audiência es i esse a p esencia a p epa ação dos
p a os ao i o, como mencionado pelo di e o de som, “como es amos numa cozinha, e es amos num
ambien e de abalho, (...) há semp e ba ulhos que es ão a in adi , e de ce a o ma a es aga , mas
são ba ulhos no mais e é p eciso cap á-los” (A. F anco, comunicação pessoal, 10 de Se emb o, 2024).
Es es sons diegé icos, como o uído dos u ensílios, o cozinha dos alimen os na igidei a, o som da
aca a co a os alimen os, en e mui os ou os sons, são undamen ais pa a a noção de ealismo na
cons ução da na a i a e da a mos e a. Ci ando Alexand e F anco, “há mui os sons que es ão
associados às comidas que êm de es a lá, e se não i e em é es anho, (...) jogam com essa a ação,
mas é de uma o ma mui o inconscien e” (comunicação pessoal, 10 de Se emb o, 2024). O som
assume-se como uma e amen a pode osa, u ilizada pa a es imula a audiência, e indi e amen e,
a i a a memó ia ol a i a e gus a i a, o na-se en ão, num meio de ansmi i a essência da comida.
Hen i Agel (1983/1954) des aca a impo ância de uma composição sono a equilib ada, “o
compos o sono o o ma um odo: diálogo, uídos e música o mam um conjun o homogéneo, e o
ealizado de e p e e um encadeamen o en e eles” (p. 117). E como mencionado, pa a além dos
sons diegé icos, a música, adicionada em pós-p odução, ambém apa ece como elemen o ele an e,
sendo u ilizada pa a c ia uma a mos e a ag adá el e en ol en e.
Na p á ica, o p ocesso de cap ação de áudio exige cuidados igo osos e a enção aos de alhes
pa a e i a uídos indesejá eis que possam p ejudica a cla eza e a qualidade do som. Ao con á io de
ou as p oduções, onde o som pode se manipulado e edi ado de manei a mais lexí el, nos p og amas
de culiná ia, há uma necessidade de cap u a o áudio de o ma iel, e sem uídos que possam dis ai
ou incomoda o espec ado . Alexand e F anco salien a que “ e um momen o de silêncio é a o, há
pessoas na equipa que es ão a anda , há uma pessoa que es á a i a o og a ias, es á cons an emen e
a mexe -se pa a encon a o melho ângulo, ou pessoas a ossi , e há semp e sons e uídos, há semp e
qualque coisa” e que ace ca disso, é necessá io assumi “o comp omisso de: enquan o di e o de
som, (...) en a es pe cebe , po expe iência, se em pós-p odução dá pa a e i a aquele uído”
(comunicação pessoal, 10 de Se emb o, 2024). Es as in e enções sono as podem in e e i na
g a ação e, po isso, o ambien e em es údio em de es a p epa ado pa a a sensibilidade dos
66
equipamen os de áudio. Fous , Fink e G oss (2018) e e em que “pa edes e e os de em se à p o a
de som. Os sis emas de a condicionado e en ilação p ecisam de se silenciosos pa a que o som não
seja cap ado pelos mic o ones” (p. 19).
Nas p oduções da Kinéma, o áudio é cap u ado com o uso de ma e iais como uma pe che5 e
um mic o one di ecional pa a sons di e os, e mic o ones de lapela disc e amen e posicionados na
oupa do
che
, de o ma a ga an i , na cap ação, cla eza nas alas e explicações dos mesmos sob e
as ecei as. O di e o de som, em en e is a, con essa que “os p og amas de culiná ia êm uma
pa icula idade, que é: u dependes da lapela, ou seja, não é como um ilme em que u en as depende
da pe che. (...) emos de depende da lapela e emos uma pe che lá em cima só pa a cap a um
ambien e ge al” (A. F anco, comunicação pessoal, 10 de Se emb o, 2024). Es a a enção ao de alhe
sono o pe mi e que a audiência sin a, quase isicamen e, o calo do ogão e os a omas dos alimen os
em p epa ação.
4.1.3. Elemen os Na a i os
Os elemen os na a i os são undamen ais pa a man e o in e esse do espec ado em
p og amas de culiná ia, ao es u u a a his ó ia de cada episódio de o ma en ol en e.
Como a i ma He gesel (2020): “A na a i a ele isi a, iccional ou e ídica, c ia em si uma
dimensão chamada diegese, que consis e numa espécie de mundo na a ológico. Elemen os que
azem pa e desse mundo são conside ados diegé icos”. No con ex o de p og amas de culiná ia, es a
diegese é pa icula men e in e essan e pois, embo a seja um géne o não iccional, depende de
es a égias na a i as pa a en ol e o público, equilib ando a au en icidade da cozinha com o
en e enimen o.
A ualmen e, os p og amas de culiná ia anscendem a simples ansmissão de conhecimen o
gas onómico. O papel do
che
ai mui o além de ensina ecei as, o nando-se igu a cen al na
na a i a, capaz de en e e e c ia empa ia com o público. Es a pe sonalização é uma das cha es
pa a o sucesso. Os espec ado es p ocu am his ó ias que possam elaciona -se com a comida, seja
pela pa ilha de memó ias pessoais, seja pela descon ação que o
che
consegue ansmi i .
5 Supo e mó el ex ensí el pa a mic o ones.
67
Nos p og amas a uais, como des aca Ped o B a o, o ealizado de p og amas como
À La
Ba ios
e
Che de Se iço
, a au en icidade e o ca isma dos
che s
são essenciais pa a a c iação de uma
na a i a en ol en e. B a o obse a que, mesmo com um guião p é-de inido, há um es o ço pa a
man e a na u alidade e o humo , que são aspe os al amen e alo izados pelo público. Ele explica que,
no caso do p og ama de Joana Ba ios, “as pessoas já espe am ou i piadas dela, en ão, quando nós
p epa amos os episódios, nós p epa amos episódios com emas, e os emas em si já são eng açados,
e as ecei as que escolhemos pa a cada ema já são elas p óp ias di e idas” (P. B a o, comunicação
pessoal, 28 de Agos o, 2024). Es a abo dagem in oduz um ipo de humo que se in eg a na p óp ia
na a i a do episódio.
Ou o elemen o na a i o impo an e é a inclusão de his ó ias pessoais e en e is as com os
che s
. No p og ama
Che de Se iço
, po exemplo, os
che s
pa ilham a his ó ia po de ás das ecei as
an es de começa em a cozinha . Ped o B a o menciona que, ao e o
che
elaxado numa en e is a
an e io , o público já c ia uma ligação emocional com ele, o que acili a o p ocesso na a i o du an e
a execução da ecei a, uma ez que “quando eles es ão a cozinha , mesmo que es ejam ne osos, o
nosso cé eb o acabou de ê-los bem-dispos os” (P. B a o, comunicação pessoal, 28 de Agos o, 2024).
Is o c ia uma dinâmica mais humana e ín ima en e o espec ado e o
che
. Es e ipo de na ação
pessoal in oduz uma camada adicional de con ex o emocional e cul u al que en iquece a expe iência
do p og ama, o nando-o mais do que apenas uma demons ação écnica.
Como conclui B a o, a ideia é man e o público não só in e essado na comida, mas ambém
en e ido ao longo de odo o episódio. Com momen os que a iam en e a descon ação e o humo ,
“o episódio odo em que es a a e comida, em que ica com aquela coisa de o que em a segui ,
es ou a i , es ou-me a di e i , es ou a gos a dis o, is o en ol e-me” (P. B a o, comunicação pessoal,
28 de Agos o, 2024). Assim, a na a i a não se cons ói apenas à ol a da comida, mas ambém das
emoções, his ó ias e in e ações que oco em em o no dela, o que c ia uma expe iência ele isi a ica,
onde o en e enimen o e a au en icidade caminham lado a lado.

68
4.2. A equipa po ás das câma as
Todas as p oduções audio isuais dependem da dedicação e colabo ação de uma equipa
alen osa e mul i ace ada, compos a po p o issionais com habilidades especí icas que abalham em
conjun o de o ma ha moniosa pa a da ida a cada p oje o.
No po al Só Escola (2023) bas ido es são de inidos como “aspe os ocul os e não isí eis de
uma de e minada si uação ou e en o”6. Es e mundo é ascinan e e, ao mesmo empo, mis e ioso pa a
a maio ia dos espec ado es, que mui as ezes não êm noção da complexidade e do es o ço
necessá ios pa a c ia as imagens e sons que consomem.
John Ellis (2019) des aca que “há uma hie a quia de habilidades e uma hie a quia de unções
que exige um ní el de espei o mú uo e negociação” (p. 11). Es a hie a quia é essencial pa a que a
p odução uncione de o ma e icaz, e ga an e que cada memb o da equipa saiba o seu papel.
Nes e capí ulo, o obje i o é e ela o abalho que acon ece longe dos holo o es e explica os
bas ido es de um p og ama ele isi o de culiná ia, endo como e e ência a expe iência de es ágio e
a dinâmica de abalho da p odu o a Kinéma, que ado ou um mé odo de abalho que, embo a não
seja necessa iamen e o pad ão pa a odas as p oduções de culiná ia, ep esen a uma abo dagem
e icaz que ga an e um luxo de abalho coeso e na u al.
Cada memb o da equipa desempenha um papel ele an e. Como explica Ellis (2019), “ odos
os memb os da equipa abalham de o ma e icien e e com o al comp eensão da di isão de
esponsabilidades” (p. 11). Além disso, es e au o menciona que “a di isão de habilidades signi ica
que os dois ope ado es de câma a êm habilidades di e en es do écnico de som e do ele icis a” (p.
11). Es a di e sidade de compe ências é undamen al pa a o bom cu so das p oduções, pois pe mi e
que cada especialis a se concen e no seu campo, maximizando a qualidade do p odu o inal.
6 h ps://www.soescola.com/glossa io/bas ido es-o-que-e-signi icado#gsc. ab=0
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Figu a 25: Esquema de abalho da p odu o a Kinéma.
O esquema de abalho ap esen ado na Fig. 5 oi desen ol ido pela aluna, a a és de uma
obse ação pa icipan e e em con e sa com a equipa da p odu o a Kinéma.
4.2.1. O papel do p odu o execu i o
O p odu o execu i o é o esponsá el p incipal po assegu a o inanciamen o necessá io pa a
que os p oje os possam se ealizados. Es a unção en ol e a cap ação de ecu sos e a i idades de
ges ão. Ca h ine Kellison de ine que “es e é o mais obscu o de odos os í ulos de p odu o es po que
ab ange uma gama de desc ições. Ele é des inado a designa a pessoa que az os aco dos, encon a
as inanças, (...) con igu a e con ola o o çamen o” (p. 11). Ou seja, o p odu o execu i o é quem lida
di e amen e com as on es de inanciamen o, seja a a és de in es ido es, pa ocinado es, ou canais
de dis ibuição. No caso p á ico da Kinéma, o canal de dis ibuição é o 24Ki chen.
Es e p o issional ap esen a-se como o elo en e a emp esa p odu o a e a en idade
inanciado a. No caso que es udámos, de aco do com as no as de campo da p odu o a Ca olina
Pe ei a, “é ei o um o çamen o pa a o p og ama, e o Rui (p odu o execu i o) analisa com a Disney+
se é possí el aquele alo , e a pa i daí a p odu o a ge e esse dinhei o” (C. Pe ei a, no as de campo,
2022). Is o ilus a como o p odu o execu i o em a esponsabilidade de negocia o o çamen o com a
en idade inanciado a, ga an indo que o alo alocado seja su icien e pa a cob i odos os cus os de
70
p odução, desde o início a é a im. A pa i do momen o em que o p oje o é ap o ado, a Kinéma
assume esponsabilidade da sua ges ão.
4.2.2. O ealizado
O papel do ealizado de p og amas ele isi os de culiná ia é mul i ace ado e p imá io pa a o
sucesso de cada p odução. Ele é, essencialmen e, o maes o de uma sin onia audio isual, con o me
desc i o po Fous , Fink e G oss (2019): “O di e o é como um maes o de sin onia. Os memb os da
equipa ocam seus “ins umen os”. O di e o os coo dena, dá as o dens de quem “ oca” o quê quando
e de ine o empo e o i mo do p og ama” (p. 21).
Assim como um maes o coo dena músicos, o ealizado supe isiona odos os elemen os
écnicos e ga an e que cada pa e da equipa desempenhe o seu papel no empo. O ealizado não é
apenas esponsá el po ga an i que as ilmagens luam sem p oblemas, mas ambém po es abelece
um ambien e c ia i o e colabo a i o que pe mi e que a magia da cozinha se e ele no ec ã.
Um dos aspe os mais impo an es do abalho do ealizado é a de inição da isão c ia i a do
p og ama e o es ilo isual. Como salien ado po Ma ne (1972): “o ealizado e á de oma esoluções
imedia as no que diz espei o ao local, à iluminação, à mon agem, à in e p e ação, e c., que, de uma
manei a ou de ou a, e le i ão a sua p óp ia sensibilidade e, consequen emen e, da ão uma imagem
do ealizado como a is a c ia i o” (p. 35). No con ex o de um p og ama de culiná ia, es a
sensibilidade de e ha moniza a necessidade de cap u a p ocessos com a c iação de um es ilo isual
que encan e o público. A es é ica dos p a os é um dos a o es que mais a aem a audiência, e a
habilidade do ealizado de ans o ma a comida em a e isual é c ucial. Ped o B a o en a iza que é
necessá io “um abalho au oc í ico de u olha es pa a as imagens e pe cebe es de que o ma é que
um p a o pode ica o mais sexy possí el na ele isão” (comunicação pessoal, 28 de Agos o, 2024).
Além da isão es é ica, o ealizado de e domina os aspe os écnicos da p odução. Ma ne
(1972) obse a que “a endência mais equen e obse ada nos di e o es é a de que e em des u a
de um domínio écnico comple o sob e odos os p ocessos da p odução” (p. 24). No caso da Kinéma,
o ealizado acumula ambém unções de p odu o e guionis a, o que lhe concede uma maio
independência c ia i a no desen ol imen o dos p og amas. De aco do com Ma ne (1972), “o papel
do ealizado a ia segundo a possibilidade de i a se ele ambém o p odu o ” (p. 21). Es a
independência, deco e ambém da as a expe iência no se o , como Ped o B a o menciona: “já iz
71
1500 ecei as, mais ou menos, ou seja, é mui o a o a ecei a, que eu á aze ago a, que eu já não
saiba quais é que são os p ocessos” (comunicação pessoal, 28 de Agos o, 2024). Es e conhecimen o
acumulado não só acili a o abalho du an e as g a ações, mas ambém en iquece a na a i a do
p og ama.
O ambien e de uma cozinha pode se imp e isí el, e o ealizado em de ga an i que as
ilmagens p ocedem sem in e upções e que odos os de alhes são cap u ados. John Ellis (2019)
desc e e essa unção de o ma cla a: “o ealizado pode pa ece não e nenhuma unção especí ica
nes a ase, mas na e dade es á a ga an i o uncionamen o anquilo e ápido da equipa e a ge ência
pa a e i a con li os” (p. 11), e ac escen a que “ele sabe que odos execu a ão suas a e as especí icas
sem e que checá-los. A sua unção é ga an i que odas as a e as con ibuam pa a conc e iza a
conceção ge al do p og ama” (p. 11). Es e ní el de coo denação é uma ques ão de lide ança e
empa ia. Toda a equipa desen ol e o seu abalho em ol a do ealizado . O di e o de som, Alexand e
F anco, ealça que “o ealizado é que manda nesse sen ido” e adiciona que “ele p óp io já sabe que
em de in e i ” (comunicação pessoal, 10 de Se emb o, 2024). A maquilhado a Inês Lapa ambém
salien a que oda a equipa em “de es a em sin onia com a ealização, e pe cebe qual é a linguagem
que os ealizado es u ilizam” (comunicação pessoal, 2 de Ou ub o, 2024).
A elação en e o ealizado e o
che
é uma colabo ação undamen al pa a o sucesso do
p og ama. O ealizado , pa a ga an i que o
che
comunica de o ma cla a e e icaz com o público, a ua
como um mediado , e ajuda a ali ia a p essão das g a ações. Ped o B a o ealça: “c iamos aqui uma
da a de mecanismos e adap ei a ealização ao máximo pa a b ilha em. Quando es ão a g a a , os
che s
es ão mui o ne osos, quando eu in e enho e aço uma indicação ou uma piada, eles
desbloqueiam e icam mais na u ais, e mais au ên icos” (comunicação pessoal, 28 de Agos o, 2024).
Ac escen a ainda que “enquan o ealizado , não consegues comunica com os
che s
, nem pe cebe
as insegu anças deles e o que é que u ens de p o ege a ní el de ealização, ou não, se não
conhece es os p ocessos”, adicionando que “ ens mesmo que pe cebe minimamen e dis o, a é pa a
eles sen i em alguma con iança na pessoa que es á do ou o lado, e que os ai ajuda e pe cebe o
que é que eles es ão a aze ” (P. B a o, comunicação pessoal, 28 de Agos o, 2024). Ou seja, pa a
além de comp eende os aspe os écnicos e isuais, o ealizado p ecisa de e conhecimen o sob e
culiná ia pa a ganha a con iança do
che
e sabe como o ien á-lo du an e as ilmagens.
78
4.2.7. A equipa de beleza
A equipa de beleza nos p og amas ele isi os de culiná ia desempenha um papel mui as ezes
subes imado na c iação da imagem dos che s que apa ecem no ec ã. É compos a po p o issionais
como a maquilhado a e a es ilis a, es a equipa é esponsá el po ga an i que os
che s
não só se
sin am bem, mas que ambém se ap esen em da melho o ma possí el ao público.
A maquilhado a, Inês Lapa, explica a impo ância da sua unção: “es ou esponsá el pela
imagem dos alen os, que são os che s, sejam homens ou mulhe es, e de cuida da maquilhagem e
do cabelo” (comunicação pessoal, 2 de Ou ub o, 2024). Pa a ela, a maquilhagem ai mui o além de
cosmé icos, é uma o ma de ealça a pe sonalidade dos che s. Inês ajuda a ansmi i a essência de
cada um, assegu a que o isual do
che
es á alinhado com a sua iden idade e es ilo. Es a maquilhado a
ac escen a que, com “a maquilhagem, o cabelo e o
s yling
, em conjun o, nós es amos a da um pouco
da iden idade ao
che
” (I. Lapa, comunicação pessoal, 2 de Ou ub o, 2024). Es e abalho é uma a e
que en ol e sensibilidade e in uição.
4.2.8. O abalho em equipa
John Ellis (2019) e e e que “cada pessoa de ine as suas esponsabilidades especí icas que
se elacionam a um i em ou classe de equipamen o, após o qual sua unção é nomeada. (...) Essas
a e as encaixam-se numa sé ie ge al que é cla amen e en endida po odos” (p. 5). É a a és da
de inição de unções que se c ia uma dinâmica que pe mi e que odos abalhem em ha monia.
Luís de Pina (1980) ac escen a que essa ha monia de e se man ida “en e odos os se o es,
odas as idades, odas as p o issões” (p.67). Quando a equipa en ende que cada memb o é essencial,
c ia-se um ambien e de espei o e colabo ação. Ca olina Pe ei a a i ma: “não há um elemen o que
não seja p eciso” (comunicação pessoal, 28 de Agos o, 2024). A coope ação en e odos os
elemen os, mesmo aqueles que podem pa ece menos ele an es, é o que ga an e a luidez da
p odução.
Inês Lapa assegu a: “Eu acho que se nós não abalhássemos odos em conjun o, as coisas
não acon eciam, isso é o que é boni o no audio isual, nós dependemos mesmo odos uns dos ou os”
(comunicação pessoal, 2 de Ou ub o, 2024). Es a in e dependência o na-se e iden e à medida que
a equipa a ança em di eção ao seu obje i o comum que é c ia con eúdo de qualidade que possa se

79
ap eciado pelo público. Rica do Capucho ambém en a iza a impo ância da colabo ação, “a
colabo ação e abalho em equipa é i al po que cada um assume uma unção ali den o. Não osse
cada peça desse queb a-cabeça, as coisas de ac o não acon eciam” (comunicação pessoal, 2 de
Ou ub o, 2024). Comp eende o papel de cada um e a icula as unções é undamen al pa a o
sucesso do p oje o.
A ges ão de di e en es pe sonalidades e emoções é um aspe o impo an e do abalho em
equipa. Ca olina Pe ei a explica que “es ás mui o empo naquele sí io, e ens de es a semp e a ge i
di e en es pessoas e di e en es emoções” (comunicação pessoal, 28 de Agos o, 2024). É comum
ha e dias menos inspi ados, mas o e dadei o desa io es á em consegui que odos se sin am pa e
do mesmo p opósi o. Inês Lapa complemen a es a ideia, a i mando que “nós somos se es humanos,
e os se es humanos êm as suas indi idualidades, mas nós p ecisamos mesmo odos uns dos ou os,
senão ninguém conseguia le a o ba co pa a a en e” (comunicação pessoal, 2 de Ou ub o, 2024).
Ca olina Pe ei a e le e ainda sob e como uma equipa bem es u u ada pode ali ia a ca ga
do coo denado de p odução: “as coisas azem-se, mas a pa i do momen o que ens uma equipa,
i a peso a ou as pa es da p odução, e de epen e es á udo a unciona au oma icamen e”
(comunicação pessoal, 28 de Agos o, 2024). Es a dinâmica é essencial, pois o p odu o , que é mui as
ezes “pau pa a oda a ob a”, al como apelida Ca olina Pe ei a (comunicação pessoal, 28 de Agos o,
2024), pode oca em aspe os mais es a égicos quando sabe que a sua equipa es á a unciona em
sin onia.
Po úl imo, é a paixão pelo que se az que o na odo o es o ço álido. Inês Lapa menciona
que “ emos de e mesmo mui o amo à camisola, e gos a mos mesmo de se c ia i os” (comunicação
pessoal, 2 de Ou ub o, 2024). Essa dedicação não só melho a o ambien e de abalho, mas ambém
e le e na qualidade do que é p oduzido. A sa is ação de sabe que se es á a c ia algo boni o e
in e essan e pa a o público é o que mo i a odos a da em o seu melho .
80
4.3. As ases da p odução
4.3.1. P é-p odução
A p é-p odução de um p og ama de culiná ia é uma ase de e minan e e de e se p epa ada
com, pelo menos, ês meses de an ecedência. Es e pe íodo inicial é essencial pa a ga an i que odos
os de alhes écnicos, c ia i os e logís icos es ejam no luga quando as g a ações começa em.
Um aspe o essencial da p é-p odução é a ges ão o çamen al. Ca olina Pe ei a, coo denado a
de p odução da Kinéma, de ine “es ou semp e a, como é que se diz... a planea o u u o”
(comunicação pessoal, 28 de Agos o, 2024). As p oduções audio isuais mo imen am mui os undos
e dinhei o, po an o, cada p odu o a em de p ocu a es a égias pa a melho ge i os seus
o çamen os. No caso p á ico da Kinéma, como mencionado nas no as de campo da p odução, “é e
um único Excel com links pa a os gas os (...) den o de cada link es ão os gas os de cada p oje o” (C.
Pe ei a, no as de campo, 2022). Es e ipo de o ganização ga an e que a p odução deco e den o dos
limi es es abelecidos e pe mi e um con ole mais igo oso sob e as despesas.
Pa a de ini o i mo de uma p odução cinema og á ica, é essencial a c iação de um mapa de
p odução, que é o p imei o passo a se desen ol ido. Ca olina Pe ei a, menciona que de ine “qual é
que se ia a
deadline
pa a a emissão do p og ama. A pa i daí é desen ol ido um mapa de p odução
que em em con a a edição, a e isão (...). É odo o mapa de p odução que demo a algum empo a
se planeado, e que di a quando é que começamos e e i amen e a g a a ” (comunicação pessoal, 28
de Agos o, 2024). Es e mapa “pe mi e o ganiza odo o pe íodo da odagem” e inclui odas as unções
de cada dia de p odução. Além disso, ajuda a ga an i que os p azos são cump idos e os episódios
mon ados e en egues a empo. Ca olina e e e: “No caso da Kinéma, exis em da as de en ega dos
p og amas e os episódios ão sendo mon ados consoan e essas da as” (comunicação pessoal, 28 de
Agos o, 2024), o que assegu a uma en ega es u u ada e bem coo denada.
O passo seguin e, como apon ado po Ca olina Pe ei a é: “com as da as das g a ações (e o
mapa de p odução e minado), podemos começa a con a a se iços essenciais pa a as g a ações“.
De em se ei os con ac os com “se iços essenciais pa a as g a ações, nomeadamen e, nes e caso,
um espaço, que é o es údio, se iço de limpeza, se iços de o necimen o de águas, de ca é, se iços
81
de ca e ing” (comunicação pessoal, 28 de Agos o, 2024), que de em es a alinhados com o
c onog ama da p odução, pa a que es ejam disponí eis nos dias co e os.
Em pa alelo, con i ma-se que a equipa p incipal es a á disponí el pa a as da as de g a ação.
Ca olina Pe ei a con a: “ alamos com elemen os da equipa, que já enham abalhado connosco ou
no os” (comunicação pessoal, 28 de Agos o, 2024), ealçando a impo ância de seleciona
p o issionais de con iança que comp eendam o cu so da p odução. Mas se algum desses memb os
não es i e disponí el, a p odução de e á apidamen e p ocu a subs i u os adequados. E uma ez
con i mada a equipa, começa a ase de planeamen o écnico.
Logo em seguida, acon ece a p epa ação das ecei as, que é ou o pon o c í ico da p é-
p odução. Os
che s
são con idados a c ia as ecei as que se ão ap esen adas e az-se uma p é-
seleção em conjun o com o ealizado , caso seja necessá io. Nas pala as da p odu o a, “depois de
escolhe um ema, é necessá io o ganiza um documen o com odas as ecei as po p og ama.
Escolhe a ecei a, uma o o de e e ência de como ela de e ica e os ing edien es necessá ios” (C.
Pe ei a, comunicação pessoal, 28 de Agos o, 2024).
Ao al a em ce ca de seis semanas pa a o início das g a ações, é i al ga an i que odos os
o necedo es e pa cei os es ejam a abalha con o me o plano. É essencial que os se iços
con a ados es ejam in o mados sob e as da as de chegada e e i ada dos ma e iais do es údio.
Duas a ês semanas an es das g a ações, é necessá io “con ac a a equipa oda in o mando
das g a ações, e e indo: da as; in o mações sob e almoços; in o mações sob e da as de g a ações e
as pausas; in o mações sob e os cuidados a e no es údio“(C. Pe ei a, comunicação pessoal, 28 de
Agos o, 2024). Es as são ecomendações undamen ais que man êm odos os en ol idos
sinc onizados.
Quando a p odução de um p og ama de culiná ia inalmen e en a em es údio, o p ocesso é
di idido em ês e apas p incipais: a mon agem, as g a ações e a desmon agem. Es e abalho começa
com a ase de mon agem, que pode demo a ce ca de ês dias, como Ca olina Pe ei a desc e e: “nós
mon amos o cená io semp e que amos g a a , ou seja, ce ca de ês dias pa a mon a o
Se up
odo,
desde o p óp io cená io, pa a deco ação, e isso eque odo um abalho de ás” (comunicação
pessoal, 28 de Agos o, 2024). A equipa não possui um es údio p óp io e p ecisa de mon a odo o
cená io de aiz.
82
Du an e es es ês dias, “ emos uma equipa de ês pessoas na p odução que es ão a
desca ega caixas com ade eços”, e e e Ca olina Pe ei a (comunicação pessoal, 28 de Agos o,
2024). Além disso, há o abalho da copei a que la a e p epa a oda a louça a se usada no
se
, já
que é p eciso que es eja udo impecá el pa a o momen o das g a ações.
Simul aneamen e, a equipa de imagem ambém começa a sua p epa ação. “A equipa da
imagem, no p imei o dia de mon agens, ica a aze
pick-ups
” (C. Pe ei a, comunicação pessoal, 28
de Agos o, 2024). No segundo dia, a equipa o ganiza e p epa a odo o equipamen o pa a ga an i que
udo es á alinhado. O e cei o dia é dedicado ao p é-
ligh
, onde a iluminação é ajus ada pa a assegu a
a qualidade es é ica da g a ação. A maquilhado a Inês Lapa ealça que es e dia ambém é impo an e
pa a si, uma ez que “há á ias coisas que podem se es adas: como é que a pele eage à iluminação,
como é que a pele eage ao
skinca e
que oi u ilizado” (comunicação pessoal, 2 de Ou ub o, 2024).
Segundo Ca olina Pe ei a, es e p ocesso de mon agem pode, em alguns casos, es ende -se:
“às ezes podem se quad os de qua o dias, ipo dois de mon agem e deco ação, e dois de p é-ligh ”
(comunicação pessoal, 28 de Agos o, 2024), pois dependendo da complexidade do cená io e do
se up
écnico, o p ocesso pode se mais demo ado.
Ao im desses dias de p epa ação, o cená io es á mon ado, os ade eços posicionados e as
luzes ajus adas, p on os pa a o início das g a ações. A p odu o a Ca olina Pe ei a menciona que a
sensação de e es a e apa a lui bem é p aze osa:
Ado o a pa e da mon agem em que já es amos adian ados e eu sei que udo ai co e bem, en ão
es á a equipa de p odução oda e es amos com música a e as coisas a luí em (...) aquele momen o
em que só al am po meno es pequenos como me e as cadei as no sí io, gua da as úl imas caixas,
ajus a as mesas, uns úl imos e oques, isso é a melho sensação. Ti e aqui ês dias e is o ao e cei o
dia es á udo mon ado. (C. Pe ei a, comunicação pessoal, 28 de Agos o, 2024).
4.3.2. P odução
Desde o momen o em que a equipa chega ao es údio, há uma ene gia no a de concen ação.
As olhas de se iço, que o am p epa adas pelo assis en e de ealização, assumem-se como o guia
diá io que oda a equipa segue. Todos os de alhes es ão lá, as cenas que se ão g a adas, os ho á ios,
quem es a á em cada pa e do
se
e os in e alos. Tudo is o é pa ilhado a a és do so wa e
83
S udiobinde , uma e amen a essencial que pe mi e à Kinéma aze ajus es em empo eal. Uma ez
que as g a ações podem muda apidamen e, es a lexibilidade é uma an agem c ucial.
Du an e as g a ações é necessá io um cuidado com o es údio, Ca olina Pe ei a salien a: “no
es údio, con ém e udo o ganizado, anspa ecendo que exis e cuidado em e udo bem”
(comunicação pessoal, 28 de Agos o, 2024). E desc e e ambém que “o es údio es á di idido em
duas pa es, uma pa e ens o pessoal do
se
, ou o ens o pessoal que es á na cozinha de apoio,
digamos assim, e eu es ou com o pessoal da cozinha de apoio” (C. Pe ei a, comunicação pessoal, 28
de Agos o, 2024).
O dia de g a ações no malmen e começa com o assis en e de cozinha que começa po
p epa a as ecei as do dia. Rica do Capucho e e e: “Eu ge almen e sou o p imei o a chega no
es údio, ou um dos p imei os a chega , eu ab o e ou di e o pa a a cozinha”, e p ossegue a menciona
os seus passos, “pega o meu cade no e o ecei uá io e começa a des inça udo o que eu p eciso
de aze naquele dia e aço mesmo uma espécie de lis a de a aze es, pa a depois i iscando udo que
eu já iz” (comunicação pessoal, 2 de Ou ub o, 2024). A pa i daí, cada elemen o da equipa ai
chegando e começa a desempenha as suas unções.
A maquilhado a Inês Lapa es á ambém en e os p imei os a en a em ação. Os
che s
“passam pelo menos uma ho a, uma ho a e meia, às ezes duas ho as, na p epa ação” (I. Lapa,
comunicação pessoal, 2 de Ou ub o, 2024), explica. Es e p ocesso en ol e maquilhagem, pen eados,
escolha de igu inos, e às ezes mudanças de úl ima ho a. “Às ezes, depois de udo, o alen o ai
pa a ap o ação, e se não ap o am, emos que muda a oupa ou ajus a de alhes” con a Inês Lapa
(comunicação pessoal, 2 de Ou ub o, 2024).
Enquan o isso a equipa de p odução começa a p epa a os ing edien es que ão en a em
es údio. A p odu o a Ca olina Pe ei a menciona: “no malmen e no dia an e io eu já deixei a p imei a
ecei a do dia seguin e p epa ada, que é pa a e mais empo pa a as ou as coisas”, e ac escen a:
“pego nesses ing edien es da p imei a ecei a que amos g a a , le o pa a o
se
e sepa o pela o dem
das ases” (comunicação pessoal, 28 de Agos o, 2024).
Ao mesmo empo, a equipa écnica p epa a o ma e ial, como as câma as e as pe ches. Des a
o ma, as p imei as ho as da manhã são semp e em mo imen o po odos os elemen os das equipas.
Apesa da o ganização, a na u eza das g a ações é mui as ezes caó ica. “Nós começamos
a g a a , mas nem semp e começamos pelo episódio um. Mui as ezes sal i amos de episódio em

84
episódio”, diz a maquilhado a, que ac escen a: “De manhã es á amos num episódio, à a de íamos
pa a ou o” (I. Lapa, comunicação pessoal, 2 de Ou ub o, 2024). O assis en e de cozinha menciona:
“Se uma coisa oge do c onog ama, odo o es o da g a ação acaba comp ome ido” (R. Capucho,
comunicação pessoal, 2 de Ou ub o, 2024), e salien a que a ges ão do empo é a cha e pa a e i a
a asos. “São mui as coisas pa a ge i ao mesmo empo, e eu acho que isso é o mais u gen e, sabe
de e mina o que é mais impo an e e o que pode espe a ” (R. Capucho, comunicação pessoal, 2 de
Ou ub o, 2024).
Há semp e uma sensação de u gência, mas ao mesmo empo um i mo quase i ualis a.
“Quando es amos a ilma no es údio, nós es amos a e , mas ambém emos de e mui a a enção a
como é que depois ai ica em câma a, e como é que as pessoas ão e em casa”, e le e Inês Lapa
(comunicação pessoal, 2 de Ou ub o, 2024), conscien e da impo ância da imagem inal.
Todo es e p ocesso ga an e que o p og ama seja g a ado sem p oblemas e que a qualidade
inal seja o mais ele ada possí el. Mesmo que, como o di e o de som e e e, “não á ica pe ei o,
em de ica bom o su icien e pa a que dê pa a ajus a em pós-p odução” (A. F anco, comunicação
pessoal, 10 de Se emb o, 2024).
4.3.3. Pós-p odução
A ase de pós-p odução de um p og ama de culiná ia é um p ocesso compos o po á ias
e apas que, apesa de se desen ola em longe das câma as, são undamen ais pa a ga an i o sucesso
inal. É uma ase que começa com a desmon agem do es údio, mas que apidamen e se expande
pa a um abalho écnico e c ia i o de mon agem, co eção de co e som, e mui o mais.
Após as semanas de g a ações, o es údio p ecisa de se desmon ado com o mesmo cuidado
com que oi mon ado. A p odu o a Ca olina Pe ei a desc e e es e p ocesso: “A desmon agem é
exa amen e igual à mon agem, só que azemos o opos o: a umamos udo em ez de i a das caixas”
(C. Pe ei a, comunicação pessoal, 28 de Agos o, 2024). Pode pa ece simples, mas exige mui a
o ganização pa a ga an i que udo, desde os u ensílios de cozinha a é aos ade eços, sejam
a mazenados co e amen e pa a a p óxima p odução. A equipa de p odução, lide ada po Ca olina
Pe ei a, demo a ge almen e dois a ês dias. “É um abalho cansa i o, mas necessá io” diz Ca olina
Pe ei a (comunicação pessoal, 28 de Agos o, 2024) e ac escen a que no inal, quando o es údio ica
azio, há uma sensação de alí io, “No úl imo dia, quando já passa am meses de g a ações e
85
desmon agens, e o es údio ol a a ica azio, há um suspi o... ‘Meu Deus, acabou’” (C. Pe ei a,
comunicação pessoal, 28 de Agos o, 2024).
Mas, na e dade, o abalho es á longe de e mina . A pa i do momen o em que o es údio é
desmon ado, começa a e dadei a ase de pós-p odução. A mon agem dos episódios já es á em
andamen o, mesmo an es de odas as g a ações es a em concluídas. Ca olina Pe ei a explica: “Cada
edi o em dois dias pa a mon a um episódio” (comunicação pessoal, 28 de Agos o, 2024). No
abalho de edição, cada
ame
é cuidadosamen e selecionado pa a mos a a ecei a da melho o ma.
Assim que o p imei o episódio es á mon ado, é ca egado pa a uma pla a o ma online pa a e isão.
“As clien es eem o p og ama no ame.io e pedem as al e ações necessá ias” (C. Pe ei a,
comunicação pessoal, 28 de Agos o, 2024). Es e p ocesso ágil pe mi e que o eedback seja in eg ado
apidamen e, e mais episódios sejam mon ados em simul âneo.
Na segunda ase de edição, “se as clien es já ap o a am, o episódio ai pa a o es údio de pós-
p odução, onde são ei os os ajus es de co e som” (C. Pe ei a, comunicação pessoal, 28 de Agos o,
2024). Es a e apa é undamen al pa a da o oque inal ao p og ama, e ga an i que odos os aspe os
isuais e audi i os es ão em sin onia com a isão c ia i a da equipa. A co eção de co , po exemplo,
não é apenas um ajus e écnico, mas uma a e, que en ol e c ia a a mos e a pe ei a pa a os p a os
ap esen ados. “T abalhamos com a mesma pessoa que az a nossa co , e c iámos um aco do es é ico.
É um abalho mui o minucioso”, sublinha Ca olina Pe ei a (comunicação pessoal, 28 de Agos o,
2024).
Enquan o udo isso acon ece, deco e ambém a ansc ição das ecei as. Du an e as
g a ações, uma ano ado a egis a odos os passos dos
che s
, e na pós-p odução, essas no as são
ans o madas em ecei as que o público pode segui em casa. Ca olina Pe ei a explica que “a
ano ação é essencial. Se o ei a com p ecisão, c ia uma ligação eal com o público, pe mi indo que
eles epliquem as ecei as que i am no p og ama” (comunicação pessoal, 28 de Agos o, 2024).
Depois da edição de co e som se em inalizados, e as clien es e em ap o ado o abalho, o
p óximo passo é expo a o episódio em di e en es o ma os. “Temos de ga an i que o
g ading
da co
ica consis en e em odas as pla a o mas” explica Ca olina Pe ei a (comunicação pessoal, 28 de
Agos o, 2024). A expo ação pa a di e en es meios pode a e a a o ma como a co e o con as e são
pe cebidos, po isso, a equipa p ecisa de ga an i que a qualidade isual se man ém,
independen emen e do o ma o.
86
Finalmen e, depois de odas as e isões e ajus es, o episódio es á p on o pa a se en iado
pa a emissão. “Assim que o ichei o inal é ap o ado, en iamos pa a emissão” (C. Pe ei a,
comunicação pessoal, 28 de Agos o, 2024), que é o úl imo passo de um longo p ocesso. Es e é o
momen o culminan e de meses de abalho á duo. O episódio inal não é apenas o e lexo da agilidade
écnica da equipa, mas ambém do es o ço colabo a i o odos. Tudo é pensado pa a c ia um p odu o
que inspi e o público a cozinha e expe imen a no as ecei as.
87
4.4. Os desa ios da p odução de p og amas ele isi os de
culiná ia
P oduzi p og amas de culiná ia az consigo uma sé ie de desa ios únicos e momen os
imp e isí eis. Um dos maio es obs áculos é a ges ão do empo, que a e a odos os memb os da
equipa. Com p azos ape ados e longas ho as de abalho, é necessá ia uma g ande coo denação
pa a ga an i que udo co e con o me planeado.
Ca olina Pe ei a desc e e o ambien e como se osse um “ eali y show” em empo eal. “O
desa io é mesmo ge i pessoas (...). A maio ia de nós chega às oi o da manhã e só sai às se e da
noi e, po isso ens mui o pouco empo pa a i” (C. Pe ei a, comunicação pessoal, 28 de Agos o,
2024). Pa a além disso, a ges ão de pa ocínios pode se bas an e complicada. “Po ezes, um
pa ocínio que de ia e sido echado na p é-p odução acaba po su gi du an e as g a ações (...), e
isso ob iga-me a e e odo o planeamen o” (C. Pe ei a, comunicação pessoal, 28 de Agos o, 2024).
Essas mudanças de úl ima ho a a e am oda a logís ica, e exige adap ações ápidas po pa e da
equipa.
Na cozinha, o cená io ambém é exigen e. Rica do Capucho lida dia iamen e com a p essão
de ga an i que udo co e bem, mas nem semp e o empo es á do seu lado. “O maio p oblema é
quando algo co e mal e não há empo pa a e aze ” (R. Capucho, comunicação pessoal, 2 de Ou ub o,
2024). Ele eco da-se de uma si uação em que uma massa não le eda a e não ha ia nada a aze .
“Pode e sido a empe a u a ou a humidade, mas simplesmen e não ha ia empo pa a epe i a
ecei a. Quando chegou a al u a de g a a , aquilo inha de i assim, e isso é mui o us an e” (R.
Capucho, comunicação pessoal, 2 de Ou ub o, 2024).
Inês Lapa, maquilhado a, ambém sen e essa p essão cons an e do empo. No seu abalho,
a apidez é undamen al pa a que odos es ejam p on os a empo das ilmagens. “Tenho de aze uma
mudança de maquilhagem em 20 minu os, é uma e dadei a co ida” (I. Lapa, comunicação pessoal,
2 de Ou ub o, 2024), comen a, cada minu o é p ecioso.
Ped o B a o o e ece ou a pe spe i a sob e os desa ios impos os pela al a de empo. Pa a
ele, os o çamen os limi ados e os p azos cu os es ingem a c ia i idade. “Mui as ezes, não
conseguimos aze mais po ques ões o çamen ais. Temos de g a a udo naquele empo e com
aquelas limi ações” (P. B a o, comunicação pessoal, 28 de Agos o, 2024). Ainda assim, Ped o B a o
94
di e o nas escolhas c ia i as e écnicas. Além disso, a amos a de en e is ados u ilizada pa a a
análise, compos a po cinco p o issionais da Kinéma, em Po ugal, ep esen a um nicho especí ico e
limi ado, o que condiciona a gene alização das conclusões ob idas.
Es a análise, embo a p elimina e com oco num con ex o nacional, le an a pe spe i as
in e essan es pa a es udos u u os, que pode ão expandi o conhecimen o sob e a p odução de
p og amas de culiná ia. En e as di eções a explo a , suge e-se uma análise compa a i a de p oduções
ele isi as de culiná ia a ní el in e nacional, uma ez que di e en es países pode ão dispo de mais
ecu sos ou u iliza abo dagens ino ado as nos seus p ocessos de p odução. Ou a possibilidade de
es udo se ia examina as semelhanças e di e enças en e p oduções iccionais e documen ais de
p og amas de culiná ia, como o caso da sé ie
The Bea
, de o ma a explo a as in luências da es é ica
e da na a i a na ep esen ação da cozinha.
Adicionalmen e, se ia pe inen e in es iga o impac o das pla a o mas de
s eaming
e das
edes sociais, que se êm o nado canais p i ilegiados pa a a di ulgação de con eúdos de culiná ia. A
c escen e p odução domés ica e pessoal, mui as ezes ei a po c iado es indi iduais a pa i de suas
casas, é uma endência que me ece a enção, uma ez que al e a as dinâmicas adicionais de
p odução e desa ia o modelo de p odução audio isual con encional.
Sem esquece que an o na ida, como na culiná ia,
“E e y second coun s”
The bea

95
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97
Apêndices
APÊNDICE I
GUIÃO DE QUESTÕES REALIZADAS AOS ENTREVISTADOS
98
APÊNDICE II
TERMO DE CONSENTIMENTO INFORMADO