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Universidade do Minho Escola de Psicologia Beatriz de Brito Coêlho Comer emocional, regulação emocional e eventos stressores: um estudo EMA junho de 2022 Comer emocional, regulação emocional e eventos stressores: um estudo EMA Beatriz de Brito Coêlho Uminho | 2022
Beatriz de Brito Coêlho Comer emocional, regulação emocional e eventos stressores: um estudo EMA Dissertação de Mestrado Mestrado em Psicologia Aplicada Trabalho efetuado sob a orientação do Professor Doutor Paulo P. P. Machado
ii Direitos de autor e condições de utilização do trabalho por terceiros Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho Atribuição-NãoComercial-SemDerivações CC BY-NC-ND https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/
iii Agradecimentos À minha mãe, meus avós José e Marisa, Nalva Oliveira, Hugo Matalonga, comunidade académica e todos os amigos que estiveram ao meu lado neste percurso em terras lusitanas, a minha eterna gratidão.
iv DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho.
v Resumo O comer emocional é um campo de estudo relevante não somente para a área académica, mas também para a prática clínica de psicólogos. Sendo assim, este estudo teve como objetivo investigar a relação do comer emocional com a inflexibilidade psicológica/evitamento experiencial, a regulação emocional, a perceção de stress e o IMC (índice de massa corporal) em população comunitária residente em Portugal e Brasil. Através de questionários de autorrelato e de aplicação do Ecological Momentary Assessment (EMA) durante uma semana em uma amostra de 44 participantes, procuramos identificar que relações estas variáveis tinham entre si. Os resultados apontam que foram positivamente correlacionados com o comer emocional o IMC, o stress, a inflexibilidade psicológica/evitamento experiencial (sendo esta preditiva) e dificuldades na regulação emocional (uma mediadora entre a variável preditiva e a a dependente). As emoções deprimido/a e angustiado/a foram negativamente correlacionadas com o nível de fome. Este estudo teve como diferencial a criação de uma aplicação para telemóvel com sistema operacional Android que também procurou contribuir para o autoconhecimento de comportamentos no hábito alimentar dos sujeitos, sem caráter julgativo. Palavras-Chaves: comer emocional; regulação emocional; inflexibilidade psicológica; evitamento experiencial; EMA.
vi Abstract Emotional eating is a relevant field of study not only for the academic field, but also for the clinical practice of psychologists. Therefore, this study aimed to investigate the relationship between emotional eating and psychological inflexibility/experiential avoidance, emotional regulation, stress perception and BMI (body mass index) in the community population residing in Portugal and Brazil. Through a series of self-report participants and application of the Ecological Momentary Assessment (EMA) we looked for a sample of 4 these relationships, we identified which variables had between them. The results indicate that they were positively correlated with emotional, BMI, stress, psychological inflexibility/avoidance (which is predictive) and difficulties in emotion regulation (a mediator between a predictive and a dependent variable). The depressed and distressed emotions were attracted/related to the level Study had as a differential a mobile application with Android operating system that also sought to contribute to the self-knowledge of behavior in the eating behavior of the subjects, without a judgmental character. Keywords: emotional eating; emotion regulation; psychological inflexibility; experiential avoidance; EMA
vii Índice Introdução .......................................................................................................................................... 9 Metodologia ...................................................................................................................................... 13 Participantes ................................................................................................................................ 13 Instrumentos ................................................................................................................................ 13 Medidas EMA ............................................................................................................................... 14 Questionários ............................................................................................................................... 14 Procedimentos ............................................................................................................................. 15 Análises Estatísticas ..................................................................................................................... 16 Resultados ....................................................................................................................................... 17 Amostra ....................................................................................................................................... 17 Associações entre o comer emocional, IMC, stress, inflexibilidade psicológica/evitamento experiencial e dificuldades na regulação emocional ....................................................................... 18 O papel mediador das dificuldades na regulação emocional na relação entre a inflexibilidade psicológica/esquiva experiencial e o comer emocional .................................................................. 20 Dados EMA .................................................................................................................................. 21 Discussão ......................................................................................................................................... 24 Conclusões ....................................................................................................................................... 27 Referências ...................................................................................................................................... 28 Anexos ............................................................................................................................................. 31 Anexo 1 – Imagens da APP “Ema Diário Alimentar” e Lembretes .................................................. 31 Anexo 2 – PARECER DA COMISSÃO DE ÉTICA DA UNIVERSIDADE DO MINHO .............................. 36 Índice de Tabelas Tabela 1 ........................................................................................................................................... 17 Caracterização da Amostra ........................................................................................................... 17 Tabela 2 ........................................................................................................................................... 18 Pontuações dos Questionários de Autorrelato ................................................................................ 18 Tabela 3 ........................................................................................................................................... 19 Correlações Entre o Comer Emocional, IMC, Stress, Inflexibilidade psicológica/Evitamento Experiencial e Dificuldades Na Regulação Emocional ..................................................................... 19 Tabela 4 ........................................................................................................................................... 19 Resumo do Modelo de Regressão Linear ....................................................................................... 19 Tabela 5 ........................................................................................................................................... 20 Regressão Linear .......................................................................................................................... 20 Tabela 6 ........................................................................................................................................... 21
14 Medidas EMA EMA consiste em “uma coleção de métodos para obter avaliações repetidas em tempo real do comportamento e experiência dos sujeitos em seus ambientes naturais, para minimizar o viés da memória, maximizar a validade ecológica e documentar a variação ao longo do tempo” (Shiffman et al., 2008, p. 25). O EMA foi administrado através de uma aplicação para telemóvel com sistema operacional Android criada exclusivamente para o presente estudo (ver Anexo 1). Nesta aplicação, era solicitado que o participante inserisse dados sempre que ocorresse a ingestão de alimentos. Ao clicar no botão de “novo registo”, o ecrã passava a mostrar três perguntas. A primeira relacionava-se com o nível de fome em que a pessoa sentia, através de um controle deslizante de classificação 0-100 (em que 0 correspondia a estar sem fome e 100 a estar com bastante fome). A seguir, era suposto indicar que tipo de refeição fez: pequeno-almoço, almoço, jantar, lanche ou ceia. O próximo item era “o que estavas a sentir quando foste comer?” seguido por uma lista de 10 emoções apresentadas em ordem aleatória. 5 emoções positivas: alegre, entusiasmado, acordado, calmo e relaxado; e 5 emoções negativas: irritado, entediado, nervoso, angustiado e deprimido. Além da opção “não sei” no caso de o participante não conseguir identificar a emoção. Esta medida foi inspirada no estudo de Reichenberger et al. (2018). Durante uma semana (em alguns casos, mais do que isto) os participantes introduziram informações previamente descritas no dispositivo móvel e receberam lembretes durante sua experiência, no caso de esquecimento por dois dias seguidos (ver Anexo 1). Os dados duplicados foram excluídos tendo em conta o horário de entrada de cada evento. Questionários O EPS-10 - Escala de Perceção de Stress (Reis et al., 2018), é um questionário de autorrelato com 10 itens de escala Likert variando de 1 (nunca) a 5 (muito frequente) pontos acerca de acontecimentos e situações nos últimos 30 dias que remetem ao enfrentamento ao stress. É uma medida projetada para lidar com a grau em que as situações na vida de um indivíduo são avaliadas como stressantes. O TFEQ-R21 - Questionário Alimentar de Três Fatores (Duarte, Palmeira & Pinto-Gouveia, 2016) é uma escala de autorrelato utilizada em estudos de comportamento alimentar em indivíduos com sobrepeso e peso normal. Avalia três domínios cognitivos e comportamentais da alimentação: restrição
15 cognitiva (6 itens), alimentação descontrolada (9 itens) e alimentação emocional (6 itens). É composto por 21 itens em uma escala Likert de quatro pontos para os itens 1 a 20 e em uma escala numérica de oito pontos para o item 21. A versão reduzida do DERS (Gratz & Roemer, 2004), o DERS-VR (Moreira et al., 2020) foi utilizada para avaliar as dificuldades na regulação das emoções. Este questionário possui 18 itens, com seis subescalas: acesso limitado às estratégias de regulação emocional, não aceitação das respostas emocionais, falta de consciência emocional, dificuldade no controlo dos impulsos, dificuldade em agir de acordo com os objetivos e falta de clareza emocional. Escores mais altos representam maiores dificuldades de regulação emocional. O AAQ II - Questionário de Aceitação e Ação II (Pinto-Gouveia et al., 2012) avalia a inflexibilidade psicológica e a esquiva experiencial e tem uma estrutura de fator único. A escala é composta por 7 itens em uma escala Likert de 7 pontos, variando de 1 (nunca verdadeiro) a 7 (sempre verdadeiro). Esta escala reflete o único domínio de inflexibilidade psicológica com pontuações mais altas indicando maior inflexibilidade psicológica ou evitação experiencial. Procedimentos Os participantes, após serem recrutados, receberam por e-mail instruções relacionadas ao estudo e ao uso da aplicação. Ao instalarem a app no Google Play , leram o consentimento informado em formato digital, e responderam um breve questionário sociodemográfico com informações sobre data de nascimento, género, localidade, habilitações académicas, profissão, peso, altura, e presença ou ausência de perturbação alimentar. Aqueles que aceitaram os termos do consentimento e tinham em posse um smartphone Android, prosseguiram para o estudo que tinha uma participação mínima de 7 dias. Inicialmente, os participantes responderam a quatro diferentes questionários de autorrelatos, via Google Forms , referentes às variáveis de interesse do estudo. Completada esta etapa, dava-se início à experiência na aplicação intitulada “EMA Diário Alimentar”. Sempre que verificávamos que o participante não havia colocado informações por dois dias seguidos na aplicação, um lembrete via email era enviado. De toda maneira, foi assegurada a possibilidade de cessar participação em qualquer momento sem quaisquer implicações. No final de cada participação um pequeno feedback informando as emoções mais registadas e níveis de fome eram enviadas.
16 Análises Estatísticas Para realizar as análises estatísticas deste estudo foi utilizado o IBM® SPSS® Statistics, versão 28.00 (SPSS Inc., Chicago, IL). Estatísticas descritivas foram calculadas para examinar a demografia da amostra, tais como idade, género, IMC, localidade, presença de perturbações alimentares, habilitações académicas e profissão dos sujeitos. As confiabilidades da consistência interna do DERS-VR, EPS-10, AAQ II e TEFQ-21 foram medidas com os coeficientes α de Cronbach, e a normalidade dos dados foi verificada a partir do teste de Kolmogorov-Smirnov. Tendo em vista que nem todas as variáveis avaliadas apresentaram distribuição do tipo normal, padronizou-se a utilização do coeficiente de Spearman para as correlações não-paramétricas entre as variáveis. O nível de significância adotado foi de p ≤ 0,05. A correlação foi escolhida para medir a magnitude de uma possível associação entre o comer emocional com dificuldades na regulação emocional, stress, inflexibilidade psicológica/evitamento experiencial e IMC. Análises de regressão linear foram usadas para examinar as associações entre dificuldades em regulação emocional e comer emocional, assim como entre inflexibilidade psicológica/evitamento experiencial e comer emocional. Após resultados significativos (p ≤ 0,05), dois modelos criados a partir da macro Process ( PROCESS Procedure for SPSS version 4.1 ) foram utilizados a fim de averiguar presença de variáveis moderadoras (módulo 1) e variáveis mediadoras (módulo 4). Para analisar dados provenientes da aplicação “EMA Diário Alimentar” foi criado um outro banco de dados, no qual os registos realizados através da aplicação foram aninhados por sujeito. Também foram realizadas estatísticas descritivas a fim de perceber a média grupal do nível de fome, frequências das emoções, e de refeições. Por ter caráter longitudinal, foi escolhido o método de Generalized Estimating Equation (GEE) para análise de medidas repetidas. Foram criados dois modelos, no qual o primeiro utilizou como preditor do nível de fome as emoções experienciadas ( factor predictor ), e no segundo optou-se por introduzir, além das emoções, o stress como fator preditivo ( covariate ). Em ambos os modelos lineares, utilizamos o id dos sujeitos como subject variable, o tempo dos registos realizados em cada entrada como o withinsubject variable, e nível de fome como variável dependente .
17 Resultados Amostra Participaram deste estudo 44 sujeitos, sem presença de diagnóstico de perturbação alimentar. A idade dos participantes variou entre 18 e 47 anos (M = 22,82, DP = 6,58). O IMC médio (kg/m2) foi de 23,36 (DP = 3,72). A maioria da amostra (95,5%, n = 42) era solteira, tinha o secundário completo, 15,9% (n = 7), e era residente em Portugal (90,9%, n = 40). O tempo da participação, contabilizado em dias, variou entre 7 e 13 dias (M = 8,07, DP = 1,54), com média de 24,11 refeições por participante (DP = 9,69). A Tabela 1 apresenta mais detalhadamente os aspetos demográficos. Tabela 1 Caracterização da Amostra N % M DP Min-Máx Idade IMC Género Masculino Feminino Não-binário Habilitações Académicas Secundário Licenciatura Bacharelado Mestrado Doutoramento Estado Civil Solteiro/a Casado/a Divorciado/a Profissão 2 42 1 27 7 3 6 1 42 1 1 4.5 93.2 2.3 61.4 15.9 6.8 13.6 2.3 95.5 2.3 2.3 22.82 23.36 6.58 3.72 18-47 17.21-33.59
18 Estudante Advogado/a Cientista de dados Psicólogo/a Empregado/a de mesa Autónomo/a 34 4 1 2 1 1 77.3 9.1 2.3 4.5 2.3 2.3 Nota: M = média; DP = Desvio Padrão. Associações entre o comer emocional, IMC, stress, inflexibilidade psicológica/evitamento experiencial e dificuldades na regulação emocional A Tabela 2 apresenta média e desvio padrão para todas as medidas de autorrelato preenchidas pelos participantes deste estudo. Os questionários apresentaram níveis de consistência interna (α) adequadas, sendo EPS (α = 0,89), TEFQ-21 (α = 0,95), AAQ II (α = 0,93), e DERS-VR (α = 0,94). Tabela 2 Pontuações dos Questionários de Autorrelato M DP Min-Máx Total EPS Fatores Negativos (R) Fatores Positivos Total TEFQ-21 Comer Emocional Restrição Cognitiva Descontrole Alimentar Total AAQ II Total DERS-VR Consciência (R) Clareza Metas Impulsividade 18 6.70 11.29 44.11 12.91 11.98 19.23 22.68 40.20 5.68 6.29 6.91 6.79 7.69 2.94 5.31 13.64 5.61 4.33 6.04 10.03 14.07 2.04 3.08 2.96 2.89 3-38 1-14 1-24 22-78 6-24 6-24 10-32 7-47 19-81 3-11 3-15 3-15 3-15
19 Não-Aceitação 7.64 3.12 3-15 N = 44. Os itens com pontuação inversa são indicados com um (R). De acordo com os nossos objetivos estabelecidos para este estudo, procurou-se analisar as possíveis correlações do comer emocional com as restantes variáveis de interesse. A tabela 3 apresenta os resultados obtidos desta análise, no qual sugerem que comer emocional foi significativamente correlacionado com a inflexibilidade psicológica/evitamento experiencial (p ≤ .01), dificuldades na regulação emocional (p ≤ .01), perceção de stress (p ≤ .01), e com o índice de massa corporal – IMC (p ≤ .05). Tabela 3 Correlações Entre o Comer Emocional, IMC, Stress, Inflexibilidade psicológica/Evitamento Experiencial e Dificuldades Na Regulação Emocional Variáveis 1 2 3 4 5 1. Comer Emocional (TEFQ-21) 2. IMC 3. EPS 4. AAQ II 5. DERS-VR - .359* .621** .688** .639** .359* - .236 .167 .225 .621** .236 - .694** .738** .688** .167 .694** - .750* .639** .225 .738** .750** - * p ≤ .05, ** p ≤ .01 Nota: EPS Escala de Perceção de Stress, AAQ II Questionário de Aceitação e Ação II e DERS-VR versão reduzida da Escala Dificuldades na Regulação Emocional Considerando a significância das correlações encontradas, foi testado um modelo de regressão linear que incluiu o comer emocional como variável dependente e o IMC, a inflexibilidade psicológica/evitamento experiencial, a perceção de stress, e as dificuldades na regulação emocional como variáveis preditivas. As tabelas 4 e 5 apresentam os resultados alcançados, no qual sugere-se que a inflexibilidade psicológica/evitamento experiencial (AAQ II) tem um valor preditivo significativo no comer emocional.
20 Tabela 4 Resumo do Modelo de Regressão Linear R R ² R ² Ajustado Erro Padrão Estimativa Mudança de R ² Mudança F Df1 Df2 p DurbinWatson 0.766ª 0.587 0.545 3.78770 0.587 13.873 4 39 <.001 1,894 a. Preditores: (Constante): IMC, AAQ II, EPS, DERS-VR Tabela 5 Regressão Linear B Erro Erro Beta t p (Constante) DERS-VR EPS AAQ II IMC -3.115 0.082 0.119 0.229 0.231 3.713 0.068 0.125 0.092 0.164 0.206 0.162 0.409 0.153 -0.839 1.201 0.951 2.485 1.410 0.407 0.237 0.248 0.017 0.166 a. Variável Dependente: Comer Emocional O papel mediador das dificuldades na regulação emocional na relação entre a inflexibilidade psicológica/esquiva experiencial e o comer emocional O efeito total do impacto da inflexibilidade psicológica/esquiva experiencial (AAQ II total) no comer emocional (TFEQ21 comer emocional) foi significativo, c = .39, t = 6,52, p ≤ .001. Além disso, o total do AAQ II foi positivamente associado a dificuldades na regulação emocional (DERS-VR total), a = 1,015, IC [.71, 1.32], R² = 52%, o que apresentou, por sua vez, associação positiva em relação ao comer emocional, b = .13, IC [.01, .25], R² = 55,6%. Após apresentar o mediador no modelo, a associação entre o AAQ II e o comer emocional permaneceu significativo, c´= .26, t = x, p ≤ .001. O efeito indireto do AAQ II sobre o comer emocional via o DERS-VR foi positivo e estaticamente significativo, a*b = .13, IC [.02, .25]. Conforme demonstra o modelo representado na Figura 1, a variável dificuldades na regulação emocional mediou aproximadamente 34% da relação entre inflexibilidade psicológica/esquiva experiencial e comer emocional.
21 Figura 1 Modelo de Mediação a = 1.015** b = 0.132* c´= 0.263** c = 0.397** Fig. 1 Diagrama estatístico do modelo de mediação simples da relação entre a inflexibilidade psicológica/esquiva experiencial e o comer emocional, mediado por dificuldades de regulação emocional. DERS-VR – Dificuldades na Regulação Emocional; AAQ II - Questionário de Aceitação e Ação II; TFEQ 21 – Three Factor Eating Questionnaire. * p < 0.05, ** p < 0.01 Dados EMA Os dados provenientes da aplicação “EMA Diário Alimentar” estão mais bem esclarecidos na Tabela 6, a seguir. Em média, os sujeitos participaram da experiência durante 8,07 dias (SD =1,54), sendo o almoço (27,7%) a refeição mais registada. Calmo/a, relaxado/a e alegre foram as emoções que mais apareceram, tendo todas as emoções registadas. O total de registos feitos pelos 44 participantes foram 963, sendo cada um destes aninhado em hora do registo + nível de fome + tipo de refeição + emoção associada. Tabela 6 Descritivas EMA N % M DP Min-Máx Participação(dias) Nível de Fome Refeições Pequeno Almoço 223 23.4 8.07 24.11 56.22 1.54 9.69 25.36 7-13 8-50 0-100 DERS-VR total AAQ II total TFEQ21 Comer Emocional
22 Almoço Lanche Jantar Ceia Emoções Acordado/a Alegre Angustiado/a Calmo/a Deprimido/a Entediado/a Entusiasmado/a Irritado/a Nervoso/a Relaxado/a 263 199 231 35 108 129 67 212 33 67 90 26 81 138 27.7 20.9 24.3 3.7 11.4 13.6 7 22.3 3.5 7 9.5 2.7 8.5 14.5 Nota: N (nível de fome, refeições e emoções) = 963. Associações entre tipos de emoções, stress (EPS) e níveis de fome percebido Procurou-se investigar as associações entre as emoções e os níveis de fome percebido em cada evento registado de comer. Através de testes de efeito Qui-quadrado de Wald do modelo formulado utilizando GEE ( Generalized Estimated Equations ), verificou-se que houve efeito significativo das emoções experienciadas no nível de fome dos sujeitos (p ≤ .001). Os efeitos das emoções deprimido/a, entediado/a e nervoso/a no nível de fome foram significativos e os valores de B (Tabela 7) representam as diferenças na média do nível de fome entre as diferentes emoções, sendo estas significativas ou não. Foi possível observar que quando os participantes do estudo experienciaram a emoção deprimido/a e entediado/a, eles tiveram um nível de fome menor do que quando comparado às outras emoções. No entanto, ao relatarem sentir-se nervosos/as, o nível de fome foi mais alto comparado às restantes.
23 Tabela 7 GEE 1 Estimativas dos Parâmetros Parâmetro B Erro Padrão (Intercepto) 53.790** 2.567 Acordado/a 0.960 3.298 Alegre 5.543 3.771 Angustiado/a Calmo 0.509 2.106 3.964 2.619 Deprimido/a -12.729** 4.006 Entediado/a -7.491* 3.538 Entusiasmado/a 6.077 5.184 Irritado/a 3.826 4.224 Nervoso/a 15.926** 5.6655 Relaxado/a 0ª . (Escala) 614.368 . Variável dependente: nível de fome. Modelo: (Intercepto), emoções. a. Definido para zero porque este parâmetro é redundante. * p < 0,05, ** p < 0,01 Após ter realizado o modelo, descrito anteriormente, com as emoções a serem os interceptos, procurou-se investigar se a relação com o stress também seria significativa para os níveis de fome percebidos. O efeito Qui-quadrado de Wald deste novo modelo foi significativo, sendo p ≤ .001. Além da diferença entre valores brutos de B da Tabela 7 (intercepto = emoções) e da Tabela 8 (intercepto = emoções * stress), os resultados significativos das emoções a interagirem com o stress também se diferenciaram: neste modelo a emoção entediado/a não apresentou significância, permanecendo a emoção deprimido/a associada com menor nível de fome, e nervoso/a com maior nível.
30 Stone, A. A., & Brownell, K. D. (1994). The stress-eating paradox: Multiple daily measurements in adult males and females. Psychology & Health, 9(6), 425–436. https://doi.org/10.1080/08870449408407469 Telch, C. F. (1997). Skills Training Treatment for Adaptive Affect Regulation in a Woman with Binge-Eating Disorder. In Int J Eat Disord (Vol. 22). John Wiley & Sons, Inc. https://doi.org/10.1002/(SICI)1098108X(199707)22:1<77::AID-EAT10>3.0.CO;2-F Wardle, J., Steptoe, A., Oliver, G., & Lipsey, Z. (2000). Stress, dietary restraint, and food intake. Journal of Psychosomatic Research, 48, 195–202. https://10.1016/s0022-3999(00)00076-3
31 Anexos Anexo 1 – Imagens da APP “Ema Diário Alimentar” e Lembretes
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36 Anexo 2 – PARECER DA COMISSÃO DE ÉTICA DA UNIVERSIDADE DO MINHO Declaração Projeto Aprovado pela Comissão de Ética Identificação do documento: CE.CSH 098/2018 (Adenda) 3 de dezembro de 2020 Título do projeto: PRIDE - Personalised Research Informed Interventions for Disordered Eating Investigador(a) Responsável: Paulo PP Machado, Centro de Investigação em Psicologia, Escola de Psicologia, Universidade do Minho