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Associativismo cultural: uma aplicação no concelho de Chaves

Martins, Margarida de Barros

Abstract

Neste trabalho decidimos fazer uma abordagem que parte na Economia Social e afunila até chegar à atuação de uma associação em específico. Neste caso, a escolha é uma associação cultural localizada em Chaves de forma a perceber de que forma é que a cultura tem impacto num meio pequeno muitas vezes desprovido de oportunidades iguais àquelas que se encontrar nas cidades mais urbanizadas. De forma a entender a atuação, realizou-se um estudo de caso, através de uma combinação de metodologias quantitativas e qualitativas de forma a entender não são qual a intenção e atuação atual da associação, mas também a perspetiva da comunidade, cujo objetivo final é sempre a maximização do seu bem-estar, tornando o seu papel essencial naquilo que definimos como Economia Social. Com este trabalho pretendemos abordar uma vertente que às vezes não é priorizada, que é a cultura, e perceber como é que um grupo de jovens com uma vontade conseguiu dinamizar a cidade, e combater uma necessidade que se faz sentir pela maioria. Este tema insere-se no âmbito da Economia Social, onde analisaremos um pouco da sua história e definição, do associativismo em específico e, numa instância final, a INDIEROR.

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ii DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Atribuição CC BY https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ iii Agradecimentos Em primeiro lugar gostaria de agradecer ao meu orientador, o Professor Orlando Petiz Pereira pela disponibilidade demonstrada e, principalmente, paciência. Quero agradecer à Marta, ao Tiago e ao Diogo da INDIEROR por se mostrar tão disponíveis para responder a todas as minhas questões e colaborarem comigo para a execução desta tese. Quero agradecer à minha mãe por me dar a oportunidade de ter acesso à educação que todos merecemos, mas nem todos conseguimos e por me apoiar durante toda à minha vida e principalmente neste percurso. Sem ela não teria sido possível. Ao meu irmão, deixo um obrigada enorme por estar sempre do meu lado mesmo nas minhas loucuras. Passo agora a destacar algumas pessoas que impactaram muito o meu percurso, como forma de agradecimento. À Maria, Luísa, Nocas, Letícia, Rafaela e Beatriz, agradeço o facto de me terem proporcionado a melhor experiência académica e melhores momentos dos meus últimos anos. Foi um privilégio poder crescer tanto convosco e é ainda mais poder continuar a fazê-lo. Ao João, Helena e Rudolfo, agradeço por verem sempre o melhor de mim e acreditarem mais em mim do que eu própria. A Francisca, por tomar conta de mim mesmo que ela não tenha essa noção. A Sofia, por ter sido a melhor parceira de tese que o universo me podia ter dado. Ao Diogo por acreditar em mim desde o momento em que me conheceu, me ouvir sempre e explorar o melhor de mim. À Cláudia que me mostrou sempre que há espaço para todas as paixões e ambições e que é possível ser-se feliz com todas elas. Ao Pedro agradeço o facto de, no meio dos meus tantos medos e ansiedades, encontrar sempre uma forma de me meter um sorriso na cara. Por fim, agradeço à Dona Rosa e ao Senhor Manuel por serem os meus pais longe de casa e preocuparem-se sempre com o meu bem-estar e sucesso. A todos um bem-haja! iv DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho. v Associativismo Cultural: uma aplicação no Concelho de Chaves Resumo Neste trabalho decidimos fazer uma abordagem que parte na Economia Social e afunila até chegar à atuação de uma associação em específico. Neste caso, a escolha é uma associação cultural localizada em Chaves de forma a perceber de que forma é que a cultura tem impacto num meio pequeno muitas vezes desprovido de oportunidades iguais àquelas que se encontrar nas cidades mais urbanizadas. De forma a entender a atuação, realizou-se um estudo de caso, através de uma combinação de metodologias quantitativas e qualitativas de forma a entender não são qual a intenção e atuação atual da associação, mas também a perspetiva da comunidade, cujo objetivo final é sempre a maximização do seu bem-estar, tornando o seu papel essencial naquilo que definimos como Economia Social. Com este trabalho pretendemos abordar uma vertente que às vezes não é priorizada, que é a cultura, e perceber como é que um grupo de jovens com uma vontade conseguiu dinamizar a cidade, e combater uma necessidade que se faz sentir pela maioria. Este tema insere-se no âmbito da Economia Social, onde analisaremos um pouco da sua história e definição, do associativismo em específico e, numa instância final, a INDIEROR. Palavras-chave: Associativismo Cultural, Cultura, Desenvolvimento Local, Desertificação do Interior em Portugal, Dinamização Cultural, Economia Social. vi Cultural Associativism: an application in the municipality of Chaves Abstract In this paper, we decided to take an approach that starts in the general field of Social Economy and narrows until it reaches the performance of a specific association. In this case, the choice is as cultural associations located in Chaves in order to perceive the impact of culture in a small environment often deprived of equal opportunities which are mostly found in urbanized cities. In order to understand their performance, a case study was carried out through a combination of quantitative and qualitative methodologies in order to understand not what the association’s current intention and action is, but also the perspective of the community, whose ultimate goal is always the maximization of their well-being, making their role essential in what we define as Social Economy. With this dissertation, we intend to address a slope that sometimes is not prioritized, which is culture, and perceive how a group of young people with will managed to dynamize the city,and fight a need that is felt by the majority. This theme is part of the field of Social Economy, where we will analyze its history and definition, followed by associations and, in a final instance, INDIEROR. Keywords: Cultural Associativism, Culture, Local Development, Desertification on the Interior of Portugal, Cultural Dynamization, Social Economy. vii Conteúdo 1. Introdução .............................................................................................................................. 1 1.1. Contexto e objeto da dissertação ......................................................................................... 1 1.2. Sistematização .................................................................................................................... 3 2. Enquadramento Teórico e Conceitos Correlacionados .............................................................. 4 2.1. Economia Social e o Terceiro Setor ...................................................................................... 4 2.1.1. Economia Social .......................................................................................................... 4 2.1.2. Enquadramento histórico ............................................................................................. 4 2.1.3. Delimitação do conceito de Economia Social ................................................................ 6 2.1.4. Outras abordagens conexas à Economia Social ............................................................ 8 2.2. Associativismo Cultural no desenvolvimento da Economia Social ........................................ 11 2.2.1. Desenvolvimento Local e o Terceiro Setor .................................................................. 11 2.2.2. Delimitação do Conceito de Associativismo ................................................................ 12 2.2.3. Associativismo Cultural .............................................................................................. 14 3. Metodologia .......................................................................................................................... 15 3.1. Tema de Partida e Objetivos do Trabalho ....................................................................... 15 3.2. Opções Metodológicas Tomadas .................................................................................... 16 3.3. Estudo de caso e a justificação da associação escolhida– associação INDIEROR ............ 18 3.4. Amostra para o questionário e técnicas de recolha de dados .......................................... 19 4. Trabalho Empírico ................................................................................................................. 20 4.1. Análise da região: contextualização .................................................................................... 20 4.1.1. Envelhecimento da população .................................................................................... 20 4.1.2. Investimento em Cultura ............................................................................................ 22 4.2. Associação em análise: INDIEROR ..................................................................................... 22 4.2.1. Criação da INDIEROR ................................................................................................ 22 4.2.2. Objetivos ................................................................................................................... 23 4.2.3. Estrutura Interna da Associação e processos .............................................................. 23 4.2.4. Parceiros principais da INDIEROR .............................................................................. 24 4.2.5. Sustentabilidade Financeira ....................................................................................... 25 4.2.6. Público-alvo ............................................................................................................... 25 4.2.7. O papel da INDIEROR na inclusão social .................................................................... 26 4.3. Análise de dados ............................................................................................................... 27 4.3.1. Interpretação dos dados do questionário .................................................................... 27 4.3.1.1. Caracterização da amostra .................................................................................... 27 4.4. Discussão dos Resultados ................................................................................................. 39 5. Conclusão ............................................................................................................................. 44 viii Referências Bibliográficas ............................................................................................................. 46 TABELAS .......................................................................................................................................... 49 ANEXOS ........................................................................................................................................... 53 7 De acordo com o relatório de 1990 do Comité de Economia Social Walloon (citado por Monzon e Chaves, 2008, pág. 554), as características das entidades privadas deste setor são: 1) Ter como objetivo servir a comunidade e não o lucro; 2) Gestão autónoma; 3) Um processo de tomada de decisão democrático; 4) A predominância do trabalho e dos indivíduos sobre a distribuição de rendimento. Segundo Monzon e Chaves (2008, pág. 557) não existe um consenso claro à volta do conceito de economia social. Ainda assim, eles consideram que a definição corrente do conceito é o conjunto de empresas privadas, formalmente organizadas, com autonomia de decisão e liberdade de associação, criadas para atender às necessidades dos seus membros através do mercado através da produção de bens e fornecimento de serviços, seguros e finanças, onde a tomada de decisões e qualquer distribuição de lucro ou superavits entre os membros não estão diretamente ligados ao capital ou taxas pagas por cada membro, em que cada um tem um voto. A Economia Social também inclui organizações privadas, formalmente organizadas, com autonomia de decisão e liberdade de associação que produzem serviços não mercantis para as famílias e cujos excedentes, se existentes, não podem ser apropriados pelos agentes económicos que os criam, controlam ou financiam. Desta definição, retiramos que a economia social é então um espaço do mercado, feito de empresas e instituições privadas que nascem da vontade dos indivíduos que fazem parte de uma determinada sociedade e visam cumprir as necessidades comuns e atingir o bem-estar que não está a ser garantido pelos outros dois setores sem ter o lucro como objetivo. A economia social é um setor humano desprovido de interesses pessoais ou políticos, que luta apenas por uma sociedade melhor, como nos diz Namorado (2006) que a considera e encara como uma esperança de um futuro melhor e uma visão crítica sobre as sociedades atuais ou é vista como uma simples constelação de organizações . No caso de Portugal, não existe uma noção jurídica de economia social no plano das leis comuns ou constitucional. O que existe atualmente é um setor cooperativo e social, presente na Constituição da República Portuguesa (a partir de agora denominado como CRP), que é o terceiro setor ao lado do público e do privado. Sendo que este setor se situa num espaço de atuação fora do primeiro e o segundo, é importante entender de que forma esta vai de encontro com o conceito de economia social. (Namorado, 2006) 8 De acordo com o artigo 82 da CRP, este setor divide-se nas vertentes cooperativa e social e que a social se desdobra em três subsetores: comunitário, autogestionário e solidário. O subsetor cooperativo é constituído por meios de produção possuídos e geridos por cooperativas, em obediência aos princípios cooperativos (art. 82, nº4, al. a). O subsetor comunitário é composto pelos meios de produção comunitários, possuídos e geridos por comunidades locais (art. 82, nº4, al. b), o autogestionário pelos meios de produção objeto de exploração coletiva por trabalhados (art. 82, nº4, al. C) e o solidário pelos meios de produção geridos por pessoas coletivas, sem caráter lucrativo, que tenham como principal objetivo a solidariedade social, designadamente entidades de natureza mutualista (art. 82, nº4, al. d). Esta variedade de abordagens da economia social permite-nos então definir a mesma como, de uma forma geral, o espaço de atuação para além do público e do privado, que procura ir de acordo com as necessidades geradas por falhas que estes dois setores não conseguem responder. As entidades que dela fazem parte são geridas por pessoas coletivas e, de uma forma geral, estas pessoas são motivadas por uma visão melhor da comunidade em que se inserem. 2.1.4. Outras abordagens conexas à Economia Social 2.1.4.1. Terceiro Setor O terceiro setor é um dos conceitos que mais se usa no mesmo sentido de economia social pois se é o próprio termo coloca-se ao lado do primeiro e do segundo e, como vimos anteriormente, a economia atua nesse mesmo espaço entre o privado e o público. Segundo Monzon e Chaves (2008), a expressão terceiro setor é neste momento um conceito com diferentes abordagens, mas fundamentalmente baseados no setor não lucrativo e na economia social. Porém, e apesar de ter muito em comum com a economia social, estes têm alguns pontos que não coincidem. Em Portugal, a origem das organizações atuais do terceiro setor situa-se no século XIX com os ideais revolucionários e a aparição da preocupação pela questão social. Neste caso, caracteriza-se menos pela industrialização e mais pela presença da Igreja Católica, sem atingir o mesmo nível de penetração que em outros países da Europa. (Quintão, 2011) Na entrada do século XX, começa a ser estimulada a legislação destas iniciativas o que introduz uma nova fase de desenvolvimento do terceiro setor e dando-lhe a devida importância e relevância na 9 intervenção social. Em Portugal, as cooperativas começam a ser reconhecidas na Lei Basilar de 2 de Julho de 1867 o que fez com que disparasse o número de cooperativas. Com a entrada do regime ditatorial e devido a uma elevada estimulação agrícola e a redução das relações com o exterior e a redução da liberdade de expressão e associação, existiu uma estimulação de algumas formas de organização ainda que vigiadas e controladas pelo Estado. Devido a esta realidade tão específica e diferente do contexto europeu, Portugal segue um caminho diferente do resto dos países da europa que onde dominou o crescimento do Estado Social. Novos tempos trazem novas formas de viver, e esta nova forma de estar na sociedade traz uma nova forma de encarar o terceiro setor. Com a Revolução de 25 de Abril de 1974, Portugal começa a ter objetivos de alinhamento com os padrões da Europa Comunitária. Com a entrada de Portugal na União Europeia, entra-se num período estável de integração económica que leva a uma integração nacional do conceito europeu. Quintão (2011) define as seguintes características do novo terceiro setor: 1) Aumento do número de organizações, cooperativas, mutualidades, fundações, IPSS’s e organizações ligadas à Igreja Católica (como as misericórdias e centro paroquiais e sociais). 2) Ligado as associações, nascem novas áreas de intervenção de acordo com novos desafios como direitos da mulher, do ambiente, do consumo, dos imigrantes, entre muitas outras, a par de formas de organização mais tradicionais como as associações desportivas e recreativas, as associações de bombeiros voluntários, entre outras . 3) Com esta integração, aumenta a abertura ao exterior que consequentemente leva à implementação de organizações do terceiro setor com intervenção internacional . 4) Na década de 90 criaram-se formas de enquadramentos jurídicos do terceiro setor como as CERCI e as Empresas de Inserção . Quintão (2011) sublinha, ainda, que as características das organizações sem fins lucrativos segundo o projeto Johns Hopkins, são: 1. Organizadas – apresentam coerência institucional sendo que organização reuniões regularmente, tem procedimentos de funcionamento e algum grau de permanência organizacional; 2. Privadas – mantêm-se afastadas do Estado. 3. Não distribuidoras de lucro – nenhum dos membros pode receber qualquer lucro gerado pela sua atividade. 4. Autogovernadas – criam o seu próprio sistema de gestão sem recorrer a um controlo de entidades externas. 10 5. Voluntárias – parte do seu rendimento provem de contribuições voluntárias. Em Portugal, segundo a Lei das Bases da Economia Social (Lei n.º30/2013, art 4ª) as entidades que integram a economia social são: a) As cooperativas; b) As associações mutualistas; c) As misericórdias; d) As fundações; e) As instituições particulares de solidariedade social não abrangidas pelas alíneas anteriores; f) As associações com fins altruísticos que atuem no âmbito cultural, recreativo, do desporto e do desenvolvimento local; g) As entidades abrangidas pelos subsetores comunitário e autogestionário, integrados nos termos da Constituição no sector cooperativo social; h) Outras entidades dotadas de personalidade jurídica, que respeitem os princípios orientadores da economia social previstos no artigo 5º da presente lei constem da base de dados da economia social. Constata-se que existe uma diversidade de instituições que integram o Terceiro Setor. Todas convergem para as preocupações do bem-estar da população ou, simplesmente, das preocupações das comunidades locais, como é o caso da Associação INDIEROR que será analisada no caso prático deste trabalho. 2.1.4.2. Economia Solidária De acordo com Amaro (2005), o conceito de economia solidária é recente, e é usado para definir novas formas de economia social que estão associadas às novas problemáticas sociais como o empobrecimento e a exclusão social criada pela crescente globalização com a que geraram um aumento da solidariedade, principalmente nas últimas três décadas do século XX. Em França, surge o conceito de Economia Solidário, onde adquiriu uma grande importância e visibilidade. Esta nova forma de economia dá relevo à intervenção ecológica, ao desenvolvimento local e à autogestão como forma de organização interna. É em França que se marca a sua origem através da criação da Agência de Ligação para o Desenvolvimento de uma Economia Alternativa (ALDÉA). 11 Aquilo que distingue esta economia da economia social é a consideração de que a iniciativa parte dos cidadãos e da sua vontade em contribuir e ajudar o próximo. É vista, por alguns autores, como a consciência externa da economia social, definida no sentido de atividade económica, tendo por lógica o sistema de valores dos atores com base nos critérios de gestão das suas instituições. 2.2. Associativismo Cultural no desenvolvimento da Economia Social Sendo que este trabalho incide sobre o trabalho do associativismo, que está dentro das instituições do Terceiro Setor, entendemos que é relevante expor e relacionar o conceito com a problemática do Terceiro Setor. Ainda assim começamos por definir o conceito de desenvolvimento local sendo que é um termo utilizado com frequência quando nos referimos ao papel das associações. 2.2.1. Desenvolvimento Local e o Terceiro Setor Sendo que este trabalho incide sobre o trabalho do associativismo é importante debruçarmo-nos um pouco sobre esse mesmo conceito. Ainda assim começamos por definir o conceito de desenvolvimento local sendo que é um termo utilizado com frequência quando nos referimos ao papel das associações. Sendo o conceito de Desenvolvimento Local associado ao objetivo das associações e instituições da Economia Social, é importante perceber a evolução do seu estudo e a forma como o conceito evolui. De acordo com Muls (2008) o dilema relativamente às diferenças de desenvolvimento de territórios aparentemente semelhantes na forma como o Estado e o Mercado se relacionam e que isto pode ser explicado por novas formas de intervenção social grupos sociais como promotores de desenvolvimento local. Citando-o “a mobilização dos atores locais, a formação de redes entre organismos e instituições locais e uma maior cooperação entre empresas situadas num mesmo território, são instrumentos que têm possibilitado aos territórios novas formas de inserção produtiva e uma atenuação das desigualdades sociais”. Apesar de existir uma abordagem tradicional no estudo do desenvolvimento local, é cada vez mais reconhecido o papel das instituições nas abordagens deste estudo sendo um fator que não pode ser ignorado quando este assunto é estudado (Boyer, 2001). 12 Existem um conjunto que autores, enumerados por Muls (2008) que estudaram o conceito de capital social sobre bases diferentes. Em 1980, Bourdieu 1 apresenta a importância de uma rede de relações que permite aos indivíduos criar um capital fora daquilo que é o ambiente económico, tanto cultural como social, e que pode ser usado para fins económicos. Coleman 2 , em 1990, debruçou-se sobre a forma como o capital social podia ir de encontro com a resolução de problemáticas da ação coletiva. Já Fukuyama 3 , em 1995, insere novos conceito como hábitos, tradições e normas que caracterizam diferentes comunidades e na forma como estes são criados não de forma individual, mas de forma coletiva. De todos estes, ele destaca Putnam 4 , que em 1993, que partiu de uma análise comportamental, a influencia do mesmo na comunidade geral e depois a forma como o agregado influencia o particular. Denota-se, porém, uma preocupação geral entre estes autores em perceber a relação que os indivíduos têm fora do circuito tradicional que envolve apenas a relação Estado-Mercado. Através do seu estudo, Muls (2008) considera então que é o papel das instituições locais é essencial na construção e desenvolvimento interno e para a construção da identidade e que o papel individual dos constituintes de um território têm nesse desenvolvimento. 2.2.2. Delimitação do Conceito de Associativismo O associativismo parte de um ponto essencial que já foi abordado e descrito até agora que é a associação dos interesses comuns e exercer o seu direito para uma maior qualidade de vida, bem-estar e inclusão de um determinado local. (Leonello e Cosac, 2008) 1 Citado por MULS, L. M. (2008). "Desenvolvimento local, espaço e território: o conceito de capital social e a importância da formação de redes entre organismos e instituições locais." Revista Economia, Brasília 9(1): pág: 7 2 Citado por MULS, L. M. (2008). "Desenvolvimento local, espaço e território: o conceito de capital social e a importância da formação de redes entre organismos e instituições locais." Revista Economia, Brasília 9(1): pág: 7 3 Citado por MULS, L. M. (2008). "Desenvolvimento local, espaço e território: o conceito de capital social e a importância da formação de redes entre organismos e instituições locais." Revista Economia, Brasília 9(1): pág: 7 4 Citado por MULS, L. M. (2008). "Desenvolvimento local, espaço e território: o conceito de capital social e a importância da formação de redes entre organismos e instituições locais." Revista Economia, Brasília 9(1): pág: 7 13 O associativismo tem para Toqueville, citado por Groppo (2008), um papel primário na organização das sociedades democráticas tendo em vista a coexistência de dois conceitos por vezes difíceis de conciliar que são a liberdade e a igualdade. Para ele, o associativismo cria novas formas de civilidade nas sociedades modernas de forma a substituir as das sociedades tradicionais baseada em valores que já não se encaixam na atualidade. Segundo ele, esta nova abordagem olha para os indivíduos de forma isolada e não apenas inserido num grupo social, abordando-se questões de direitos individuais e na igualdade perante a lei e o estado. Tendo esta ideia em mente, surge a necessidade das associações como complemento da administração local, como um novo método de sociabilidade que previna os riscos associados à igualdade. Numa sociedade em que os indivíduos não são vistos enquanto seres isolados, mas em grupos, isto levaria a perda de individualidade e identidade dos mesmos e, para além disto, levaria ao risco de tirania do Estado. Cria-se a possibilidade de este impor a sua vontade pressionando um conjunto de cidadãos face a impotência social. Através das associações voluntárias, cria-se uma forma dos cidadãos se envolverem e interessarem pela gestão da comunidade e pelo destino coletivo através da participação social, resistência ao poder do estado e da criação de uma consciência coletiva. Viegas (1986), baseia-se na perspetiva de Toqueville, coloca o associativismo numa forma alternativa de interação social que nasce com a evolução da sociedade tradicional para a moderna que passa muito pela importância que passou a ser dada aos direitos individuais e em valores como a igualdade dos cidadãos. Este conceito de igualdade traz novas dificuldades e novas lutas o que faz com que os indivíduos começassem a lutar por uma maior inclusão social e usando as associações como uma forma de o atingir. Ele considera que as associações como “grupos de indivíduos que decidem voluntariamente pôr em comum os seus conhecimentos ou atividades de forma continuada, segundo regras por eles definidas, tendo em vista compartilhar os benefícios da cooperação ou defender causas ou interesses”. Esta definição dá um maior relevo à participação voluntária ao invés da burocracia das organizações do setor público uma vez que as suas estruturas não comportam o mesmo nível de hierarquização assentando mais na participação informal dos seus membros. 5 No Código Civil existe uma série de artigos dirigidos “às associações que não tenham por fim o lucro económico dos associados” ainda que não exista uma definição proposta pelo mesmo a não ser no art. 168º que fornece os requisitos necessários para a sua constituição legal e funcionamento dos órgãos internos. Na Constituição da República Portuguesa o mesmo acontece sendo que apenas 5 Viegas, J. M. L. (1986). "Associativismo e dinâmica cultural." Pág. 110 baseado na visão de Tocqueville e Albert Meister 14 consagra o princípio da liberdade de constituição de associações no art. 46º dizendo que estas podem existir “desde que estas não se destinem a promover a violência e os respetivos fins não sejam contrários à lei penal”. Através deste artigo dá-se a liberdade de agrupamento de indivíduos em prol de um fim ou interesse comum desde que não ultrapassem os limites impostos pela lei durante a sua atividade tendo de respeitar o fins e valores normativos que constituem a base e garantia de liberdade de todos os cidadãos. 2.2.3. Associativismo Cultural Existem associações de todo o tipo, mas aquelas que iremos explorar nesta dissertação são as associações culturais. Mas será a cultura uma necessidade na comunidade? Segundo Kashimoto, Marika e Russef (2016) respondem a esta pergunta dizendo que é de uma importância fulcral para o desenvolvimento local existir uma valorização da identidade cultural onde a criatividade é o principal instrumento no desenvolvimento e projetos alinhados com as condições sociais e culturais de cada comunidade. Esta afirmação da identidade cultural das comunidades e valorização do património é essencial no fortalecimento da comunidade que resulta no desenvolvimento da mesma. De acordo com Viegas (1986), as associações culturais incluem-se dentro do que é conhecido como sociologia dos tempos livres e tem origem nos Estados Unidos da América entre 1925 e 1940 que corresponde ao acesso das classes médias a um leque alargado de consumo cultural. É esta ideia de cultura que queremos abordar, o acesso à cultura e basear o conceito de inclusão social no que diz respeito à mesma e sendo que, tendo em conta a importância que a cultura tem para uma comunidade, é essencial preservá-la e potenciá-la em todo o lado. 15 3. Metodologia Na primeira parte desta dissertação apresentamos alguma revisão teórica no que diz respeito à economia social e associativismo e estamos agora prontos para desenvolver o tema específico desta dissertação, nomeadamente o papel da associação INDIEROR na dinamização cultural flaviense e contributo para o bem-estar na comunidade. Na primeira parte deste capítulo, dedicado à metodologia, iremos elaborar a apresentação no que diz respeito às opções metodológicas do nosso estudo que abrange: • O tema de partida da investigação e os seus objetivos. • A metodologia adotada de caráter qualitativo: estudo de caso. • A apresentação do caso estudado. • A técnica de recolha de dados utilizada. Estamos então prontos para iniciar começando pela descrição do raciocínio que guiou a elaboração da conceção e também os aspetos concretos do seu desenvolvimento. 3.1. Tema de Partida e Objetivos do Trabalho Segundo Carmo e Ferreira (1998), devemos começar por nos questionar o que queremos investigar sendo que é essencial para não se perder tempo e recursos ao recolher dados cegamente sem proceder a delimitação do propósito do estudo. Depois de elaborado o primeiro passo, é necessário avaliar outras questões aquando o tema que se escolheu. Gil (2006) considera essencial na formulação da questão responder às questões: Por que pesquisar? Qual a importância do fenômeno a ser pesquisado? Que pessoas ou grupos se beneficiarão com os seus resultados? No que afeta a importância do fenómeno a ser estudado, este também considera que devemos avaliar a relevância científica e prática. No que concerne a relevância prática, devemos questionar o papel do estudo numa determinada sociedade, quem irá beneficiar com a resolução do problema e as consequências sociais do estudo. Já na relevância social está associada a discussão de para quem é o estudo relevante, guiando para as possíveis direções de uma investigação e as suas diferentes consequências. 16 No que diz respeito a esta dissertação, começamos então por definir o objetivo geral que era perceber o papel da INDIEROR enquanto associação cultural em Chaves realizando um estudo de caso sobre o mesmo. É a nossa intenção entender a forma como a comunidade perceciona atualmente a associação e alinhar a forma de atuação da INDIEROR com a mesma de forma a ser melhorada e otimizada. 3.2. Opções Metodológicas Tomadas Para atingir o objetivo pretendido e descrito em cima, realizamos questionários à comunidade e uma entrevista à entidade em estudo, nomeadamente à vice-presidente da INDIEROR. Assim, esta dissertação enquadra-se no campo do estudo de caso pois pretendemos compreender os fenómenos na perspetiva da entidade estudada, sendo estes fenómenos contemporâneos e estando inseridos no seu contexto real (Meirinhos e Osório, 2010). Relativamente à investigação qualitativa, Bogdan e Biklen (1994) apresentam-nos cinco características intrínsecas a este tipo de investigação: 1) o ambiente natural é a fonte direta de informação e o investigador o principal instrumento; 2) a informação recolhida é de cariz descritivo; 3) existe uma maior relevância no processo do que propriamente nos resultados ou produtos; 4) os dados são analisados de forma intuitiva e não através da confirmação de hipóteses; 5) a preocupação assenta na maneira como os indivíduos percecionam as suas vivências. Ainda de acordo com estes autores, é o nosso papel estabelecer formas de conseguir considerar as experiências na perspetiva do informador como se existisse um diálogo entre o sujeito investigado e o investigador. Relativamente à informação quantitativa, segundo Clara Coutinho (2014) que tem por base alguns autores como Bisquerra, Creswell e Wiersma, as características da informação quantitativa são: 1) enfase em factos, comparações, relações, causas, produtos e resultados; 2) a investigação é teórica e muita vezes visa testar e comprovar hipóteses e teorias; 3) o plano de investigação é estruturado; 4) estudos são feitos sobre amostras de sujeitos, através de técnicas de amostragem probabilística; 5) aplicação de testes válidos, estandardizados e medidas de observação objetiva de comportamento; 6) o investigador é externo ao estudo, sendo ele objetivo; 7) análise de dados é feita através de técnicas estatísticas e 8) o estudo é feito com o intuito de aumentar o conhecimento e prever, explicar e controlar fenómenos. Dito isto, a informação aqui apresentada é de âmbito qualitativo e quantitativo, sendo que achamos relevante a combinação dos dois tipos de informação em momentos diferentes da recolha de dados. 23 4.2.2. Objetivos A INDIEROR foi criada com o objetivo de contribuir ativamente para uma oferta cultural diferente daquela que se sentia e complementá-la. Marta diz “Nunca quisermos, de modo algum, sobrepor a nossa atividade à que estava a ser praticada. Apenas quisemos funcionar como um complemento”. Procuram agora, com a nossa de que mais pessoas partilham da mesma opinião, satisfazer as necessidades que outrora encontraram enquanto espectadores de querer assistir a espetáculos diferentes muitas vezes inseridos em circuitos nacionais culturais ao qual Chaves não pertencia. Tomaram então a decisão de criar uma opção diferente para os flavienses e seguiram o caminho mais complicado, tendo encontrado pessoas com uma visão semelhante que os ajudaram nesse caminho. “O principal objetivo sempre foi pensar de dentro para fora. Acreditamos que a envolvência da comunidade leva ao aumento da sensação de pertença e, consequentemente, de orgulho no produto criado” diz-nos Marta. Uma das grandes preocupações da INDIEROR passa por dar um sentido de pertença à comunidade através da sua participação ativa na atividade deles não só na perspetiva de artistas locais, mas existe uma preocupação no sentido de envolver os espectadores no processo de criação dos projetos. A INDIEROR procura aproximar comunidade e artistas com o propósito de criar experiências culturais únicas tanto de um lado como de outro sendo algo que um meio pequeno como Chaves pode oferecer ao invés de uma cidade maior. 4.2.3. Estrutura Interna da Associação e processos A INDIEROR é uma associação cultural sem fins lucrativos, à semelhança de qualquer associação, é composta por sócios e três órgãos: Direção, Assembleia-Geral e Conselho Fiscal. Além da estrutura da associação existem 3 pessoas contratadas para trabalhar a tempo inteiro para a associação. Neste caso as pessoas contratadas são o Diogo Martins – Presidente da Direção - a Marta da Costa – Vice-Presidente da Direção - e o Tiago Ribeiro – Tesoureiro. Enquanto associação ativa, cumprem a obrigatoriedade de reunir ao longo do ano, sobretudo para a definição do plano de atividades e balanço das contas. Para além destas reuniões, reúnem sempre que surge alguma proposta relevante de colaboração com a INDIEROR. 24 4.2.4. Parceiros principais da INDIEROR O braço direito da INDIEROR é, desde a sua origem, o professor Marcelo Almeida juntamente com as duas instituições que ele representa: a Academia de Artes de Chaves e a Fai (Produtora de Espetáculos). A nível pessoal o professor Marcelo Almeida foi não só quem os formou mas também que lhes deu sempre força e apoio na criação e desenvolvimento do trabalho da INDIEROR. Para além disto, as duas entidades que ele representa trazem apoio técnico aos projetos da INDIEROR e uma grande equipa de profissionais que contribuem também para os espetáculos. Outro parceiro é o Município de Chaves, cujo apoio passa por garantir o espaço onde os seus projetos são apresentados (que é no Auditório do Centro Cultural de Chaves). A Marta da Costa afirma que “ao longo destes anos, foram inúmeras as vezes em que nos foram dados votos de confiança por parte dos diferentes executivos, e isso só nos pode deixar satisfeitos por vermos o nosso trabalho ser reconhecido desta forma”. Fora de Chaves existe uma parceria com o Município de Ílhavo e o Município de Fafe, com os quais trabalham em rede e com quem partilham objetivos idênticos criando quase como que um circuito cultural. Por último é de destacar o músico Glen Hansard que depois da sua primeira passagem por Chaves se apaixonou não só pela cidade como também pelo trabalho desenvolvido por esta associação. Por esta razão, criou uma ligação estreita com eles contribuindo para a programação que têm vindo a apresentar. No futuro, a INDIEROR reconhece que seria importante alargar as parcerias que tem neste momento principalmente com as regiões à volta do concelho de Chaves, sempre numa ótica de complemento com o objetivo de eliminar de vez o provincianismo e dedicar-se seriamente a potencialização cultural da região de Trás-os-Montes. Há inúmeros projetos sólidos a ter uma atividade regular e de qualidade, bem como outros projetos a emergir. Querem valorizar toda a região e acreditam que é vantajoso trabalhar em parceria de forma a perceber o que as regiões vizinhas estão a fazer de forma a não agir de forma sobreposta ao trabalho de cada um. 25 4.2.5. Sustentabilidade Financeira A INDIEROR é uma associação sem fins lucrativos e por isso, tem por objetivo não perder dinheiro e saldar as despesas. Para garantir esse balanço, o trabalho da associação é obrigado a ser mais do que a produção de espetáculos no Centro Cultural de Chaves. Existem outros trabalhos como a exportação de espetáculos para outros pontos do país e a prestação de serviços a diferentes entidades na área multimédia. Têm clientes ligados ao turismo que também requisitam os seus serviços e trabalham para o Município de Chaves com muita frequência tendo um contrato com os mesmos para a promoção cultural da cidade. Através destes trabalhos geram dinheiro que é depois aplicado em produções de forma a nunca darem prejuízo. Verificamos através da análise dos dados financeiros (TABELA 1) que de oito espetáculos no ano de 2018, apenas três produções conseguiram ter mais entrada de dinheiro do que despesas. Em alguns daqueles que não cobriram as despesas, existe uma diferença brutal o que revela que, se a INDIEROR de dedicasse exclusivamente às suas produções, não seria financeiramente sustentável. Existe, então, uma necessidade de procurar financiamento através de outras atividades pois é uma utopia para eles viver apenas da produção e promoção de espetáculos em Chaves. A sustentabilidade parte muito do leque de clientes e trabalho que têm e, por isso, é sempre um objetivo trabalhar mais e prestar mais serviços sendo a única forma de eles conseguirem elevar a fasquia dos seus espetáculos e dos artistas que contratam. 4.2.6. Público-alvo O público-alvo da INDIEROR foi, desde a sua origem, o jovem-adulto. Ainda assim, com o desenrolar do seu trabalho, começaram a notar que recebiam mais atenção de um público mais velho. Atualmente os seus espetadores situam-se maioritariamente entre os 35 e 50 anos. O principal obstáculo que encontram na hora de atingir o público pretendido prende-se com o facto de ser um público com pouca representatividade em Chaves. A maioria dos jovens-adultos estão a estudar ou trabalhar fora da cidade e a suas idas a Chaves para um espetáculo apenas acontece quando o artista em questão tem algum peso na decisão. Para além disso, muitos têm acesso a uma programação cultural rica nas cidades onde estudam ou trabalham o que acaba por prejudicar o seu consumo de cultura em terras flavienses. Apesar disto, o feedback é positivo e acreditam que estão a caminhar no sentido certo e este público está a crescer cada vez mais. 26 4.2.7. O papel da INDIEROR na inclusão social A Inclusão Social é um dos principais objetivos da INDIEROR e, para esse objetivo, procuram sempre marcar de alguma forma o público e, acima de tudo, envolver a população nos trabalhos que desenvolvem. Defendem que o facto de pertencer a um meio pequeno, circundado por montes e cujas políticas centralistas se refletem no dia-a-dia da população, não pode de modo algum contribuir para que sejam os “coitadinhos” de uma região onde nada parece acontecer. Em título de exemplo, em abril de 2017 realizaram o projeto “Plano a Salto” onde, de forma resumida, os alunos do concelho de Chaves tinham uma semana para escrever, produzir e filmar uma curta-metragem assente num conto tradicional da zona. Ao longo da semana de trabalho tiveram o acompanhamento de profissionais do meio. Um deles foi o conceituado realizador João Canijo. Na gala de apresentação dos trabalhos, o realizador este à conversa com os pais de uma das alunas e acabou por convencê-los a deixar a filha entrar num curso de cinema. Um ano depois, isso aconteceu, e dentro do curso dela os próprios professores ficaram surpreendidos com o facto de ela ter conhecido um realizador tão conhecido em Chaves. “ Na gala de apresentação dos trabalhos, o realizador esteve à conversa com os pais de uma das alunas, convencendo-os a deixar a filha entrar num curso de Cinema. Os pais aceitaram e, no ano passado, ela contou-nos que os colegas e professores da universidade ficaram surpreendidos por, aos 17 anos, ela ter tido o contacto com um realizador tão importante, em Chaves. Mas porque não em Chaves? O nosso papel inclusivo passa também pela oportunidade de dar estas experiências àqueles com os quais lidamos” conta Marta da Costa. Para além disto, em 2018, a INDIEROR criou as oficinas criativas no Museu de Arte contemporânea Nadir Afonso com o objetivo de estimular a criatividade e um interesse cultural em crianças dos 5 e os 7 anos. Este projeto serviu de projeto piloto para no futuro se criarem atividades semelhantes. Através destas oficinas, os participantes tiveram a oportunidade de explorar teatro, música e artes plásticas enquanto também conheciam e descobriam mais sobre a obra e vida de Nadir Afonso. As experiências que a INDIEROR pretende oferecer prende-se muito com este exemplo. Mais que um espetáculo uma simples produção, a INDIEROR dá-se ao trabalho de aproximar a comunidade da arte e daqueles que a criam. Existem inúmeros exemplos como há pouco tempo David Keenan, músico irlandês, numa passagem por Chaves, primeiro de muitos concertos em Portugal, passou uns dias na cidade a conhecer a região e as pessoas e foi a várias escolas conhecer os alunos e contactar diretamente com os mesmos. Estes exemplos que já se começam a multiplicar são esforços na direção desse mesma 27 inclusão. Experiências e oportunidades que por vezes parecem estar tão afastadas do interior a serem realizadas com distinção e oferecendo algo que as grandes cidades nunca conseguirão oferecer. 4.3. Análise de dados Esta parte da dissertação recaí sobre os questionários à comunidade que são o foco central do nosso trabalho por o objetivo é criar formas de ir de encontro com os dados que daqui recolhermos. Inicialmente vamos começar por fazer uma breve descrição da amostra e passaremos então a discutir os resultados para concluirmos, por fim, quais os passos que devem e podem ser tomados pela INDIEROR de forma a agilizar e tornar o seu trabalho mais inclusivo e ir mais de encontro com as necessidades e potenciamento do bem-estar da população. 4.3.1. Interpretação dos dados do questionário 4.3.1.1. Caracterização da amostra O presente estudo foi realizado a 265 pessoas consumidoras de cultura e arte no concelho de Chaves – residentes e não residentes do concelho de forma a aferir não só os seus hábitos culturais, a forma como percecionam a oferta cultural flaviense e quem a fornece e também a relação que encontram entre essa oferta e o bem-estar. Relativamente à idade, conforme o gráfico 1, pode-se verificar que as faixas etárias predominantes são as dos [20 e 25] (n=68), e a dos superiores a 40 anos, que respondem por 25,70% (n=68) e 31,70% (n=84), respetivamente. 28 Gráfico 1 – distribuição dos respondentes segundo o escalão etário Fonte: Elaboração própria No que diz respeito à distribuição por género, as mulheres representam 56,6% (n=150) e os homens 42,6% (n=113) da amostra. A resposta “outro género” é marginal, não ultrapassando os 0,8 % (n=2), conforme se poderá verificar pelo gráfico 2 a seguir indicado. Gráfico 2Distribuição dos respondentes segundo o género Fonte: Elaboração própria 7% 25,70% 14,70% 10,60% 10,60% 31,70% 0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35% < 20 20 aos 25 26 aos 30 31 aos 35 36 aos 40 > 40 anos Feminino 43% Feminino 56% Outro 1% 29 A grande maioria dos respondentes está inserida no mercado de trabalho, atingindo esta o peso de 69,4% (n=.184) Apenas 6,4% dos respondentes (n=17) está desempregada e os restantes 24% (n= 64) diz respeito à classe dos jovens e aos estudantes, conforme o gráfico 3. Gráfico 3 – Distribuição dos respondentes segundo a sua inserção no mercado de trabalho Fonte: Elaboração própria Os níveis literários dos respondentes é-nos dado pelo gráfico 4. Nele pode constatar-se que os licenciados predominam, atingindo o peso de 47,55 (n=126). Também se verifica que 20,4% (n=54) possui grau académico acima de licenciado. Por seu lado, verifica-se que os respondentes com habilitações iguais ou inferiores ao 2º Ciclo do Ensino Básico não ultrapassam os 2,7% (n=7). Empregados 69% Desempregados 7% Estudantes 24% 30 Gráfico 4 -Distribuição dos respondentes segundo as suas habilitações literárias Fonte: Elaboração Própria Para o rendimento mensal líquido, foram apenas inquiridos aqueles que auferem de um rendimento sendo o tamanho da amostra igual a 238. Como se vê no gráfico 5, é possível destacar que a faixa com mais peso é a que representa um rendimento abaixo de 650€ com 33,6% (n=80). Ainda assim, existe uma grande maioria que aufere de um rendimento entre os 650€ e 2000€ que representa 63,5% (n=151). Uma minoria tem um rendimento mensal líquido acima dos 2000€ com uma percentagem de 2,9% (n=7). 0,4% 2,30% 27,50% 47,50% 1,50% 20,40% 0,40% 0,0% 5,0% 10,0% 15,0% 20,0% 25,0% 30,0% 35,0% 40,0% 45,0% 50,0% 1º ciclo do Ensino Básico 2º ciclo do Ensino Básico Ensino Secundário Licenciatura Bacherlato Mestrado Doutoramento 31 Gráfico 5 – Distribuição dos respondentes segundo o rendimento mensal líquido Fonte: Elaboração própria Para além disto, 78,9% (n=209) dos inquiridos é natural do concelho de Chaves e uma percentagem de 67,9% (n=180) dos mesmo reside atualmente no concelho. 34% 32,40% 31,10% 2,90% 0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35% 40% < 650€ 650€ a 1000€ 1001€ a 2000€ > 2000€ 32 4.3.1.2. Resultados Numa primeira parte, decidimos questionar os inquiridos sobre os seus hábitos culturais e aquilo que influencia as suas escolhas. A primeira questão refere-se aos fatores que influenciam a escolha dos inquiridos na hora de fazer opções culturais onde tinham o direito de escolher uma ou mais opções entre: preço, facilidade geográfica, artista/espetáculo, entidade organizadora e infraestruturas onde decorre o espetáculo. Como demonstra o gráfico 6, os três fatores que mais pesam na opção do consumidor são o artista ou espetáculo em si, o preço e a facilidade geográfica com as respetivas percentagens de 89,4% (n=237), 40,8% (n=108) e 29,8% (n=79). Já as infraestruturas e a entidade organizadora do mesmo não são fatores de peso na decisão dos inquiridos com apenas 15,5% (n=41) e 11,7% (n=31) respetivamente. Gráfico 6: Fatores que influenciam os respondentes nas suas opções culturais Fonte: Elaboração própria De acordo com o gráfico 7 que fornece informação sobre os tipos de espetáculos preferidos pelo público, os concertos são os mais procurados com uma percentagem de 92,8% (n=246). Já o teatro e o 0,00% 10,00%20,00%30,00%40,00%50,00%60,00%70,00%80,00%90,00%100,00% Preço Facilidade Geográfica Artista/Espetáculo Entidade Organizadora do Espetáculo Infraestruturas 39 bem-estar e na inclusão social sendo este um indicador de desenvolvimento de uma comunidade. Contudo, a questão que mais gera divisão, ainda que não avassaladora, está no facto de ser ou não um dever do Estado garantir o acesso à arte e à cultura. Existe uma divisão maior de opinião em que 16,6% (n=44) acreditam que não deve ser o Estado a ter esse papel. Nesta ordem, uma maioria avassaladora de 95,8% (n=254) acredita que o papel das associações é essencial no desenvolvimento local. 4.4. Discussão dos Resultados Como objetivo deste trabalho, procurávamos alinhar os objetivos e as práticas da INDIEROR com aquilo que a comunidade precisa e perceciona atualmente, de forma a otimizar as forma de atuação da associação e contribuir, de igual forma, para o bem-estar da comunidade onde se insere a Associação. Assim, primeiramente, é importante denotar a perceção da população referente à relação entre a cultura e o bem-estar, dado que a ligação que existe faz da Associação uma instituição da Economia Social, ou de uma forma mais abrangente, do Terceiro setor, que é um setor privado sem finalidade lucrativa. Daí, a importância do seu estudo no âmbito do Mestrado em Economia Social. É possível verificar, através dos resultados obtidos com os questionários, que a população reconhece que a arte e a cultura estão diretamente associadas ao bem-estar da população e promovem a inclusão social, sendo este o grande objetivo da INDIEROR. Esta Associação procura, através do seu trabalho, proporcionar oportunidades e experiências à comunidade que não são comuns na região. Estas oportunidades passam não só pela oferta cultural, mas também pelo trabalho que a Associação faz com jovens nas escolas em projetos diversos, como é o caso da semana de cinema onde os alunos trabalham diretamente com realizadores de renome na elaboração de curtas-metragens ou no esforço deles na aproximação dos artistas com a comunidade fora dos espetáculos. Na nossa opinião, este trabalho é relevante pois, no caso do contacto com as escolas, trabalha com o objetivo de tornar a educação mais informal, motivando os alunos a participar de forma ativa e a desenvolverem a sua criatividade que, por vezes, é limitada numa simples sala de aula. Também, ao relacionar os artistas e a comunidade, promovem o desenvolvimento do artista, através de experiências diferentes e únicas que os faz querer voltar à Comunidade Flaviense. De igual forma, do lado da comunidade, proporciona uma relação de proximidade entre os cidadãos e os artistas, o que é mais difícil nas grandes cidades. No nosso caso, por exemplo, num concerto a que assistimos de um artista irlandês, David Keenan, tivemos a oportunidade de subirmos ao palco com ele e, no final, de conversarmos com o mesmo e percebermos o quão apaixonado ficou por uma zona do país que muitos artistas não têm a oportunidade de visitar nem são estimulados a fazê-lo. 40 O trabalho das associações é reconhecido pela população no desenvolvimento local e é importante perceber que a área cultural é, de facto, um fator importante para todos, estando a cultura diretamente associada à identidade da região, principalmente num país tão ricos em tradições como é Portugal. Mas, com o envelhecimento de regiões como Trás-os-Montes, parece-nos que é essencial garantir que não só existam oportunidades iguais para todos, mas também que se preserve a cultura, as tradições e a identidade, de forma a não se perder uma parte essencial daquilo que faz Portugal o que sempre foi. Na análise dos dados recolhidos foi possível perceber que a INDIEROR é uma das principais entidades organizadoras de espetáculos e que é reconhecida entre um mgrupo de Instituições, como a Câmara Municipal, o Casino Sol Verde ou até o projeto Para Cá do Marão. O facto de haver uma diversidade de entidades reconhecidas como organizadoras de eventos culturais não é negativo. Pelo contrário, sublinha que o trabalho da INDIEROR não é monopolizar a área cultural, mas sim complementar o trabalho que outras instituições estavam a fazer. Este trabalho conjunto permite, assim, complementar os esforços e abranger toda a população no que diz respeito aos seus gostos pessoais e necessidades culturais. O ponto ideal seria haver vários organizadores culturais com ofertas diferentes e regulares. O problema que encontramos aqui é que os únicos organizadores de eventos regulares a preços acessíveis são a INDIEROR e o Para Cá do Marão, que organizam concertos mensais, mas numa onda mais alternativa de um nicho específico e não o gosto mais popular que deve ser abrangido. Por este motivo, a população procura na INDIEROR uma oferta mais diversificada de artistas e outros estilos musicais, porque este espaço de atuação não está a ser preenchido na localidade. O trabalho da Câmara incide principalmente em eventos pontuais relacionados com datas específicas e festejos religiosos ou de importância local, passando a oferta, de uma forma mais expressiva, por música popular e tradicional. Por vezes trazem artistas mais comerciais, mas são situações muito pontuais e não garantem uma oferta ao longo do ano. Para além destas entidades, existem espetáculos no Casino Solverde mas a um preço muito elevado que é, principalmente, dirigido para uma faixa etária mais elevada e de maior capacidade financeira. Apesar do seu preço, a verdade é que é, provavelmente, a entidade que oferece os espetáculos de maior escala e maior diversidade desde a música à comédia, sendo que é o único a oferecer espetáculo de stand up na cidade de Chaves. Sendo que o artista ou espetáculo em si é o principal fator de escolha da população e o preço é um fator de peso, como verificamos na análise em cima, entendemos que a INDIEROR deveria aumentar o leque de oferta dos seus produtos, apesar de saber que a sua oferta atual está muito ligada às parcerias existentes, como é o caso do artista Glen Hansard. Mas, das respostas dos inquiridos não existe uma 41 perceção desta parceria e existem muitas queixas no que diz aos artistas que vão atuar fruto desta ligação. Por isso, a comunicação da Associação tem aqui uma debilidade que é urgente ultrapassar. De facto, o reconhecimento de um artista internacional como o Glen, vencedor de um óscar, é algo que deve ser valorizado, porque esses artistas trazem personalidade e visibilidade à cidade de Chaves. facto daquele artista querer associar-se à INDIEROR é positivo e se os locais tivessem a noção das coisas positivas que poderão decorrer desse facto, perceberiam melhor as opções da associação no que diz respeito aos artistas. A forma como as pessoas têm conhecimento dos espetáculos é também curiosa pois uma maioria de 67,1% (n=155) passa por passa-a-palavra o que mostra que a execução de um trabalho de qualidade faz com que as pessoas falem mais sobre ela e os métodos tradicionais são menos eficientes, apesar de as redes sociais terem um peso bastante relevante. Assim, a dinamização das redes sociais e do site parece-nos essencial, tal como alguns inquiridos se manifestam. A sua proposta passa por criar uma “série” onde se promoveria o trabalho de artistas locais e da região que estão a emergir e/ou já têm um bom posicionamento nacional ou internacional. Existe já uma iniciativa com “live sessions” com artistas que vão fazer espetáculos, mas seria interessante estender a ideia a uma série. No que diz respeito à venda de bilhetes em espaços físico, existe uma percentagem elevada de 47,2% (n=125) que acredita que devem existir mais pontos de venda físicos e, apesar de não ser uma maioria, é uma percentagem bastante elevada. Os locais mais recomendados são cafés, centro cultural, comércios, posto de turismo, quiosques e supermercados. Atualmente, a venda é feita apenas online e no espaço físico da INDIEROR. Na nossa opinião e tendo em conta que o objetivo é tentar expandir para o público jovem, a venda poderia ser feita em locais frequentados pelos mesmos como em alguns bares estratégicos. Esta questão deve levar à reflexão da Associação de forma a contornar essa debilidade identificada pelos inquiridos. A forma como as pessoas têm conhecimento é também curiosa pois uma maioria de 67,1% (n=155) passa por passa-a-palavra o que mostra que a execução de um trabalho de qualidade faz com que as pessoas falem mais sobre ela e os métodos tradicionais são menos eficientes ainda que as redes sociais tenham um peso bastante relevante. Face ao exposto, pensamos que a Associação, para melhorar o seu desempenho e cumprir com o seu objetivo social, deverá refletir sobre si mesma, tomando como pontos fracos os que foram identificados. Dessa forma, sugerimos à Associação: 42 (i) Remodelação do site da INDIEROR: i.1 Disponibilizar e difundir mais informação no que diz respeito à origem da associação e ao trabalho que desenvolve. i.2 Demostrar mais profissionalismo organizativo, nomeadamente ao nível da disponibilização da informação. i.3 Para facilitar a difusão da informação, esta deveria estar estruturada e agrupada por categorias (por exemplo concertos, produções próprias, projetos em escolas). Esta organização pode beneficiar a procura de informação e a forma como as pessoas têm acesso à mesma. i.4 Dar informação sobre parcerias e sobre a ligação que existe com o Glen Hansard, para aumentar a perceção do público sobre a forma como atua a INDIEROR e a sensação de transparência, pois de forma a corrigir essa sensação. Se a perceção de transparência aumentar com a comunidade, poderá levar a uma maior aderência do público. i.5 Disponibilizar as datas de eventos futuros de forma a quem aceda ao site tenha diretamente acesso a essa mesma informação e possa ser direcionado para o local de venda online e também ter informação dos espaços físicos onde estão a ser vendidos os bilhetes. (ii) Aumentar a diversidade de artistas que vão atuar a Chaves de forma a ir de encontro com os gostos de todos e conseguir abranger o máximo a comunidade e não um grupo específico de pessoas. (iii) Alimentar e solidificar as parcerias com o município de Ílhavo e de Fafe de forma a criar um circuito cultural nacional mais forte e poder aumentar a escala dos concertos organizados pelos mesmos. (iv) Continuar com a execução de Live Sessions com os artistas que por aqui passam e promover outros artistas locais, da região tornando-se uma plataforma ativa de partilha de talentos emergentes. Esta ideia também é uma forma de estimular a comunicação da INDIEROR, principalmente nas redes sociais, e uma forma de se dar a conhecer e conquistar mais público. Estes vídeos podem, também, ser gravados em pontos estratégicos de Chaves e arredores de forma a promover a localidade. (v) Dado que já existe algum trabalho com as escolas, embora de forma pontual, seria interessante reforçar as ligações com as mesmas de forma a atrair mais jovens e estimular talentos e criatividade que no sistema de educação atual é pouco estimulado. Pensamos que no sentido de educar a população, o impacto nos jovens é um trabalho importante que poderá moldar a forma como eles irão, mais tarde, agir, podendo moldar a forma como Chaves encara a cultura. (vi) Avançar com mais oficinas com crianças mais novas no Museu de Nadir Afonso de forma a não só estimular as crianças mais novas mas também outras faixas etárias jovens, dinamizando o museu que atualmente não tem muita aderência. 43 (vii) Alargar o impacto à região de Trás-os-Montes, através da criação de parcerias com municípios e entidades nessas regiões de forma a: vii.1 Aumentar a divulgação dos espetáculos de Chaves; vii.2 Criar espetáculos nessas regiões; vii.3 Promover turisticamente essas regiões junto dos artistas e na criação de material audiovisual (como na criação das live sessions em que estas podem ser gravadas em pontos turisticamente estratégicos); vii.4 Quando criados projetos em Escolas, alargar para Escolas de toda a região de forma a aumentar a inclusão social dos estudantes das mesmas. (viii) Diversificar e divulgar os locais para venda e promoção dos concertos de forma estratégica e associada ao público alvo. (ix) Atualizar o grupo de jovens com quem trabalham neste momento de forma a poder abranger mais pessoas sendo que existe a perceção de que estes trabalham apenas com pessoas que conhecem e amigos e tornar a INDIEROR mais inclusiva aos olhos da comunidade e especialmente dos jovens. Isto pode ser atingindo através de open days, castings para produções próprias, de projetos em escolas ou contacto pessoal. (x) Promover a INDIEROR durante festas e eventos da cidade que existam e tragam pessoas de todo o lado e trabalhar em parceria com quem os organiza como por exemplo, na Feira dos Santos que é a altura que mais pessoas se dirigem à cidade de Chaves. Poderia ser uma oportunidade não só para promover a INDIEROR mas também, coordenando-se com o resto dos festejos, oferecer uma opção cultural diferente nessa altura dirigida a um público que não esteja a ser abrangido pelos festejos da mesma podendo ser através de um espetáculo ou de uma produção própria. Estas foram soluções que encontrei às principais problemáticas retiradas do questionário feito à comunidade e que estão a ser discutidas diretamente com os membros da INDIEROR que estão abertos a feedback e a tentar priorizar estas sugestões. 44 5. Conclusão Baseado naquilo na análise que fizemos, consideramos importante refletir, como um todo, na forma como a sociedade está a evoluir e o papel e responsabilidade e capacidade de todos nós conseguirmos impactar e colmatar as falhas que encontramos. Neste sentido, a Economia Social nasce neste contexto e evolui neste contexto. A Economia Social representa o poder de um conjunto de pessoas trabalhar de forma a colmatar necessidades que se fazem sentir a um nível geral aumentando assim o bem-estar geral da comunidade. Apesar de isto ser uma realidade atual, este conceito já vem de há muito tempo e o processo desde então até agora baseia-se muito na perceção do cidadão sobre os seus direitos e poder de execução dos mesmos. A partir daí parte da vontade de ver uma mudança ou, como afirmou Rui Namorado, parte da esperança de ver uma realidade a ser alterada. A INDIEROR nasce nessa base, nessa esperança de ver Chaves responder as necessidades culturais que merece e por Trás-os-Montes num mapa cultural do qual fazem parte as grandes cidades. O trabalho da INDIEROR está a ter um impacto real naquilo que era a realidade flaviense antes da sua criação, não só na programação cultural local, mas também na forma como se preocupam em envolver toda a comunidade no seu trabalho, desde os mais jovens aos mais velhos, tendo a noção que para atingir o seu objetivo, é necessário “educar” os hábitos de uma população que não tem na sua rotina consumir cultural em Chaves. Existe ainda um percurso para a INDIEROR mas o facto do seu trabalho estar a ser reconhecido internacionalmente é um sinal de que estão num caminho certo. Ainda assim, a comunidade regista algumas falhas e sugestões que devem ser tidas em conta desde a forma como atuam até ao desejo de ver o seu campo de atuação alargado. Neste momento a INDIEROR já recebeu a informação e as propostas e neste momento já estão a ser consideradas para a elaboração do festival de verão em Chaves pelo qual ficaram responsáveis numa parceria com o município onde estão a alargar o leque de artistas que estão a trazer à cidade (o que é facilitado por um maior orçamento dado pela câmara) e o feedback da comunidade já está a ser positivo. Para além disso, já existe um esforço na remodelação do site onde estamos a ter em conta as respostas obtidas através dos questionários para alinhar e torna-lo o mais eficaz possível. 45 É nesta nota positiva que termino, garantindo que todo este feedback já está a ser discutido de forma a ajustar a posição atual da INDIEROR que irão, com certeza, otimizar o impacto deles aumentando o bem-estar da comunidade e a inclusão social no que diz respeito ao acesso à cultura em Chaves. 46 Referências Bibliográficas Almeida, V. A. d. S. (2010). Governação, instituições e terceiro sector: as instituições particulares de solidariedade social, FEUC. Amado, J. (2009). "Introdução à investigação qualitativa em educação." Relatório de Provas de Agregação). Universidade de Coimbra. Biklen, S. and R. C. Bogdan (1994). "Investigação qualitativa em educação." Porto: Porto Editora: 134301. Boyer, R. (2001). "L’après-consensus de Washington: institutionnaliste et systémique?" 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É da opinião de que devem ser vendidos em mais espaços físicos? o Sim o Não • Se sim, quais? ________________ • Este espaço serve para adicionar comentários, opiniões e sugestões à atual atuação da INDIEROR. _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _______________________________________ 3ª Parte – Arte e Cultura no Desenvolvimento Local Responda verdadeiro ou falso de acordo com a sua opinião e sentimento às seguintes afirmações: • A arte e a cultura estão diretamente associadas ao bem-estar da comunidade. o Verdadeiro o Falso • A arte e a cultua promovem a inclusão social. o Verdadeiro o Falso • Uma programação cultural rica é um indicador de uma sociedade desenvolvida. o Verdadeiro o Fácil • O acesso à cultura devia ser garantido pelo Estado o Verdadeiro o Falso • As associações são essenciais no desenvolvimento local. o Verdadeiro o Falso