O vídeo e a estatística enquanto estratégias de treino psicológico de atletas
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- - - - - André Luis Aroni Kauan Galvão Morão Guilherme Bagni Afonso Antonio Machado (org.) OS ESPORTES E AS NOVAS TECNOLOGIAS
- - - - - EDIÇÕES HIPÓTESE é nome fictício da coleção de livros editados pelo Núcleo de Estudos Transdisciplinares: Ensino, Ciência, Cultura e Ambiente, o Nutecca. http://nutecca.webnode.com.br OS LIVROS PUBLICADOS SÃO AVALIADOS POR PARES. CONSELHO EDITORIAL: Prof. Dr. Ivan Fortunato (coordenador), Profa. Dra. Marta Catunda (UNISO), Prof. Dr. Claudio Penteado (UFABC), Dr. Cosimo Laneve (Società Italiana di Pedagogia), Prof. Dr. Luiz Afonso V. Figueiredo (CUFSA), Dr. Helen Lees (Newman University), Prof. Dr. Tiago Vieira Cavalcanti (Nutecca), Prof. Ms. Alexandre Shigunov Neto (Nutecca), Prof. Dr. Juan José Mena Marcos (Univ. de Salamanca), Prof. Dr. Fernando Santiago dos Santos (IFSP), Prof. Dr. Viktor Shigunov (UFSC), Prof. Dr. José Armando Valente (UNICAMP); Prof. Dr. Paulo Sérgio Calefi (IFSP), Prof. Dr. Pedro Demo (UnB), Prof. Ms. Marilei A. S. Bulow (Fac. CNEC/Campo Largo), Prof. Dr. Juarez do Nascimento (UFSC), Prof. Dr. Reinaldo Dias (Mackenzie), Prof. Dr. Marcos Neira (USP), Profa. Dra. Ana Iorio (UFC), Profa. Dra. Maria de Lourdes Pinto de Almeida (UNOESC), Profa. Dra. Patricia Shigunov (Fiocruz), Profa. Dra. Maria Teresa Ribeiro Pessoa (Univ. de Coimbra), Prof. Dr. Francesc Imbernon (Univ. de Barcelona), Prof. Dr. José Ignacio Rivas Flores (Univ. de Málaga), Prof. Dr. Luiz Seabra Junior (Cotuca/Unicamp), Profa. Ms. Hildegard Jung (Unilassale), Prof. Dr. Fernando Gil Villa (Univ. de Salamanca), Profa. Dra. Rosa Maria Esteban (Univ. Autónoma de Madrid), Prof. Dr. Agustín de la Herrán Gascón (Univ. Autónoma de Madrid), Profa. Dra. Maria Cristina Monteiro Pereira de Carvalho (PUC/Rio), Prof. Dr. José Tavares (Univ. Aveiro), Profa. Dra. Idália Sá-Chaves (Univ. Aveiro), Prof. Dr. António Cachapuz (Univ. Aveiro), Prof. Dr. Luis Miguel Villar Angulo (Univ. Sevilha), Prof. Dr. André Constantino da Silva (IFSP); Prof. Ms. João Lúcio de Barros (IFSP). EBOOK DE DISTRIBUIÇÃO LIVRE E GRATUITA
Os esportes e as novas tecnologias. São Paulo: Hipótese, 2018. - - - CAPÍTULO 8 O Vídeo e a Estatística enquanto Estratégias de Treino Psicológico de Atletas20 Catarina Morais21; A. Rui Gomes22 INTRODUÇÃO23 A investigação aplicada em diversas disciplinas científicas tem contribuído para o desenvolvimento do rendimento desportivo, oferecendo um estudo sistemático de diferentes modalidades e informando clubes, treinadores e atletas sobre as novas e mais eficazes formas de promover o rendimento. Neste processo, o uso de múltiplas tecnologias tem sido particularmente benéfico (cf. Carling, Bloomfield, Nelson, & Reilley, 2008). O uso de tecnologias que permitem uma análise de performance mais rigorosa como o vídeo e a estatística, por exemplo também se têm progressivamente aplicado à Psicologia do Desporto e, nomeadamente, ao treino mental dos atletas. Importa, por isso, realçar que o uso deste tipo de estratégias não constituem, por si só, inovações e ferramentas que promovam o rendimento e garantam o sucesso desportivo. No entanto, quando utilizadas com determinadas cautelas e aliadas a outras técnicas, podem constituir uma poderosa ferramenta para auxiliar o treino mental de atletas. Neste sentido, o presente capítulo apresenta uma abordagem ao uso do vídeo e da estatística na intervenção psicológica, com particular incidência no treino mental. Partindo-se de um exemplo prático sobre o uso destas estratégias no âmbito de uma intervenção com jovens atletas, este capítulo apresenta uma reflexão acerca das implicações práticas, falácias comuns e cautelas a ter no uso destas duas estratégias no contexto da Psicologia do Desporto. 20 Financiamento Este trabalho foi realizado em parte no Centro de Investigação em Psicologia (UID/PSI/01662/2013), Universidade do Minho, e foi financeiramente suportado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia e pelo Ministérios da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, através de fundos nacionais, e cofinanciado pelo FEDER, através do COMPETE2020, no âmbito do acordo Portugal 2020 (POCI-01-0145-FEDER-007653). 21 Grupo de Investigação. Universidade do Minho Minho, Portugal. 22 Universidade do Minho. Escola de Psicologia Minho, Portugal. 23 Este capítulo seguiu as normas da American Psychological Association (APA).
Os esportes e as novas tecnologias. São Paulo: Hipótese, 2018. - - - USO DO VÍDEO E DA ESTATÍSTICA NA PROMOÇÃO DO RENDIMENTO Na maioria dos casos, não existindo elementos próprios na equipa para realizar uma tarefa específica de análise de rendimento, os treinadores baseiamse nas suas próprias observações dos treinos e competições, muitas vezes em tempo real, para tomarem as suas decisões. No entanto, a quantidade de informação passível de ser absorvida nestas circunstâncias é reduzida: por um lado, apenas uma pequena parte da informação é posteriormente relembrada e, por outro, a informação retida contém vieses (por exemplo, informação associada a decisões ou momentos controversos ou performances excecionais são lembradas com mais facilidade do que os momentos que não são críticos; cf. Hughes & Franks, 2008). Assim, a análise do rendimento é particularmente importante para dar uma visão objetiva e não enviesada de todos os momentos de jogo ou treino. Para além disso, se considerarmos ainda os desportos coletivos, a tarefa de observação, análise e feedback dos treinadores torna-se ainda mais complicada, uma vez que o rendimento individual é altamente influenciado pelo rendimento dos restantes colegas de equipa. O uso da estatística e da gravação contribuição de um único atleta para o rendimento da equipa, tendo em consideração os contributos dos restantes elementos da equipa (cf. Liebermann et al., 2002; Piette, Pham, & Anand, 2011). Ao permitir uma leitura do rendimento desportivo mais compreensiva, o uso de dados objetivos permite otimizar o feedback dado ao atleta no sentido deste melhorar o rendimento (Liebermann, Katz, Hughes, Bartlett, McClements, & Franks, 2002). Este processo é sustentado na observação sistemática, um método que permite recolher informação sobre o rendimento de forma válida, fiável e detalhada. O processo de treino pode, então, sair fortalecido com a análise do rendimento (Hughes & Bartlett, 2002), através da informação de vídeo e da estatística. O Modelo Operacional do Processo de Treino apresentado na Figura 1 constitui um exemplo dos diferentes momentos em que a estatística e o vídeo poderão ser úteis na avaliação e devolução de informação objetiva aos agentes desportivos nas diferentes fases que integram o ciclo (cf. Horne, 2013).
Os esportes e as novas tecnologias. São Paulo: Hipótese, 2018. - - - Figura 1. Modelo Operacional do Processo de Treino (Fonte: Horne, 2013). O modelo acima descrito demonstra de que forma o uso do vídeo e da estatística fundamenta a avaliação do rendimento desportivo. Esta informação, aliada à avaliação subjetiva dos treinadores, permite identificar os pontos fortes e fracos do desempenho do atleta e auxiliar na planificação das intervenções necessárias que, por sua vez, podem ocorrer durante o treino, através do feedback interativo (Horne, 2013). Ao melhorar a qualidade do feedback dado aos atletas e treinadores, a subsequente intervenção terá, potencialmente, um maior impacto no rendimento desportivo. Inúmeras investigações têm-se focado no uso da tecnologia para o melhoramento das competências motoras e técnicas dos atletas (e.g., Morgan & Mora, 2017; Mullineaux, Underwood, Shapiro, & Hall, 2012). No entanto, é por demais evidente que estas técnicas e estratégias podem também ser aplicadas no treino mental dos atletas. O TREINO MENTAL Cada vez mais, assiste-se a uma crescente atenção e importância da componente psicológica (mental) associada ao rendimento desportivo e, particularmente, ao alto rendimento. Tal como o próprio nome indica, o treino
Os esportes e as novas tecnologias. São Paulo: Hipótese, 2018. - - - mental (ou de competências psicológicas) tem subjacente a ideia de que as competências psicológicas podem ser aprendidas (Cruz & Viana, 1996). O Treino de Competências Psicológicas (TCP), encontra-se particularmente associado às correntes comportamentalista e cognitivista procurando-se, através da aprendizagem e/ou aperfeiçoamento de competências específicas, que os atletas sejam capazes de dar respostas mais eficazes e consistentes às diferentes exigências das situações desportivas (Vealey, 1988; Cruz & Viana, 1996). Os Programas de Treino de Competências Psicológicas (PTCP) têm sido amplamente utilizados por psicólogos desportivos e um vasto número de investigações tem mostrado o seu impacto positivo no rendimento de atletas em diferentes modalidades (coletivas e individuais) e em diferentes momentos, desde jovens atletas e atletas amadores a profissionais (e.g. Cohn, Rotella, & Lloyd, 1990; Daw & Burton, 1994; Johnson & Gilbert, 2004; Lautenbach, Laborde, Mesago, Lobinger, Achtzehn, & Arimond, 2015; Mamassis & Doganis, 2004; Mathers, 2017). Estes programas possuem diversas utilizações (como o aperfeiçoamento de capacidades, aprendizagem motora e rendimento desportivo) e podem incluir inúmeras competências, técnicas e estratégias, tais como a imagética, a regulação física, a motivação, controlo da ansiedade, diálogo interno, entre outras (cf. Behncke, 2004; Landers & Feltz, 1983, para uma revisão). Weinberg e Gould (2015) sintetizaram as etapas do desenvolvimento de um TCP, salientando que a estruturação e implementação de um programa de treino de competências assenta em três fases distintas, que passamos a explicar: Fase 1: Educação A fase da educação, ou formação, tem como objetivo a sensibilização e consciencialização dos atletas (ou outro público-alvo ao qual o TCP se destina) para a importância de adquirirem uma determinada competência psicológica. É importante que nesta fase seja explicado aos atletas a relação entre a competência e o rendimento desportivo, isto é, de que forma a primeira influencia o segundo. Durante esta fase, é importante que os atletas reconheçam as competências em si próprios (fazendo, por exemplo, uma autoavaliação dessas
Os esportes e as novas tecnologias. São Paulo: Hipótese, 2018. - - - competências) e que compreendam que a aprendizagem e aquisição dessas competências é progressiva: é um treino (tal como as competências técnicas, ou físicas). Neste sentido, ao ensinar, por exemplo, competências de controlo da ansiedade, deverá ser explicado ao atleta quais são as causas mais comuns da ansiedade competitiva, bem como a forma como esta ansiedade afeta o rendimento e qual a importância e potencialidades das capacidades pessoais de autocontrolo da ansiedade. Fase 2: Aquisição O foco desta fase incide nas estratégias e técnicas para a aprendizagem e domínio das competências psicológicas. Assim, depois de aprenderem de que forma uma competência afeta o seu rendimento e a importância da aquisição dessa competência (fase da educação), os atletas aprendem técnicas específicas para o desenvolvimento e mestria dessa competência. Usando o exemplo do controlo da ansiedade, o relaxamento muscular ou a implementação de rotinas mentais poderão ser duas técnicas a ensinar nesta fase. De salientar a importância da adequação e individualização das técnicas a cada atleta (por exemplo, o relaxamento muscular poderá ser mais indicado para um atleta que experiencie ansiedade somática e o controlo de pensamentos uma técnica mais ajustada para um atleta que experiencie ansiedade cognitiva e para o aumento da concentração antes da realização de uma tarefa competitiva). Fase 3: Treino A terceira (e última) fase está relacionada com a prática das estratégias adquiridas, tendo como objetivo a sua automatização e integração, de forma sistemática, em situações competitivas, através do treino e realização de exercícios. Remetendo novamente para o exemplo de um atleta com elevada ansiedade somática, este poderá começar por usar as técnicas de relaxamento sob orientação do psicólogo, progredindo para a aplicação autónoma das mesmas, para a aplicação autónoma em contexto de treino e progressivamente para o uso da técnica na preparação e realização das competições. Dada a importância do treino mental, importa clarificar o modo como as tecnologias podem constituir uma ferramenta útil de trabalho na aprendizagem, automatização e aplicação das competências mentais dos atletas na situação de
Os esportes e as novas tecnologias. São Paulo: Hipótese, 2018. - - - treino e competição. No sentido de ilustrar uma destas aplicações, apresentamos de seguida um caso prático e real que ilustra uma destas aplicações no treino de competências psicológicas com jovens atletas. VÍDEO E ESTATÍSTICA NO TREINO MENTAL EM CONTEXTO DE FORMAÇÃO DESPORTIVA: UM EXEMPLO O Contexto No âmbito de uma intervenção psicológica com jovens atletas, num clube de ténis, foi-nos solicitado para intervir na melhoria das rotinas mentais dos atletas que se iniciavam na competição juvenil de ténis. Depois de realizado o levantamento de necessidades junto dos atletas, pais e treinadores, definiramse um conjunto de competências psicológicas a trabalhar com os atletas. Para este exemplo, focar-nos-emos na implementação de uma rotina mental associada ao momento prévio à execução do serviço, que representa o momento inicial de todas as jogadas realizadas durante a competição. Trata-se de um momento fundamental no jogo, pois a qualidade do serviço executado no jogo pode influenciar decisivamente o desenlace de cada jogada e, consequentemente, de cada set e competição. A intervenção incluiu 11 atletas (entre os 11 e os 14 anos), englobando 10 sessões, durante 3 meses. O objetivo da intervenção prendia-se com a necessidade de aumentar a concentração e o controlo da ansiedade dos atletas nos momentos antecedentes à execução do serviço, na convicção de que uma melhoria destas competências mentais poderia contribuir para uma melhor execução motora. Dada a necessidade de conciliarmos o treino das competências mentais com o desempenho motor dos atletas no momento da execução do serviço, tornou-se imperativo o uso de ferramentas que consubstanciassem o impacto produzido pelo treino mental no rendimento desportivo. Neste sentido, o uso da estatística e do vídeo apoiaram o processo de implementação e monitorização das competências mentais.
Os esportes e as novas tecnologias. São Paulo: Hipótese, 2018. - - - Etapa 1: Desenvolvimento da Rotina Nesta primeira etapa, seguimos as quatro fases habitualmente descritas no treino psicológico (avaliar, analisar, preparar e executar; cf. Viana & Cruz, 1996), efetuando-se as devidas adaptações para a execução do serviço no ténis, de modo a manter o foco atencional dos atletas na tarefa competitiva. Para cada uma destas fases, foram definidas as pistas atencionais e os ciclos de pensamentos nos distintos momentos da execução do serviço, efetuando-se as devidas adaptações em função das características, necessidades e desejos de cada atleta. Etapa 2: Construção da Grelha de Registo Após a definição da rotina, criou-se uma grelha de observação para a avaliação e monitorização da aprendizagem das competências mentais e, consequente, efeito no rendimento desportivo. Esta etapa compreendeu duas fases: (a) Definição dos indicadores de avaliação. A seleção dos indicadores de rendimento depende naturalmente da questão de investigação e do problema ao qual se pretende dar resposta (Hughes & Bartlett, 2002). Nesta fase, é importante definir o número de indicadores, quais serão esses indicadores e como serão medidos. Neste caso concreto, foram definidos os seguintes indicadores: total de jogos ganhos, número de ases, número de duplas-faltas, reação positiva/neutra/negativa ao erro:), registando-se (neste caso, o indicador é subjetivo, inferindo-se a execução do plano estabelecido através da análise das reações verbais, não-verbais e comportamentais dos atletas). (b) Definição do plano de avaliação. Nesta fase definimos, juntamente com equipa técnica e atletas, as situações de avaliação da rotina de serviços (treino vs. competição), a duração da avaliação, a forma como serão devolvidos os resultados e as tarefas dos avaliadores, nomeadamente os aspetos relativos à equipa técnica e ao profissional de psicologia.
Os esportes e as novas tecnologias. São Paulo: Hipótese, 2018. - - - Para que Circunstâncias? Tendo por base o contexto específico de intervenção (ex.: formação desportiva, recreação, alta competição) e as circunstâncias específicas de cada situação, a estatística apresenta um leque substancial de aplicações, tal como referimos de seguida: (a) Mensurar os comportamentos implicados na execução motora dos atletas. Neste caso, importa perceber o modo como os comportamentos implicados no desempenho de uma tarefa motora ocorrem. O registo de sucesso de ocorrência destes comportamentos pode ajudar o psicólogo do desporto a perceber que dimensões pode apostar mais ou aperfeiçoar no treino mental. Por exemplo, técnicas como a visualização mental podem ser ajustadas em função dos indicadores de execução motora dos atletas. (b) Mensurar a execução motora e desportiva dos atletas. Nestas situações, importa perceber qual a eficácia obtida pelos atletas no desempenho das do desporto a perceber que circunstâncias e condições facilitam o rendimento dos atletas, podendo ajustar as rotinas mentais de modo a enquadrarem-se nas exigências específicas que estes enfrentam. (c) Mensurar a relação entre o desempenho desportivo individual e coletivo. Neste caso, importa perceber a relação entre o nível alcançado pelo atleta individualmente e pela sua equipa, quando este está integrado em modalidades coletivas. Por vezes, desfasamentos nos indicadores obtidos podem sugerir a importância do psicólogo do desporto trabalhar áreas relacionadas com as dinâmicas de equipa. (d) Mensurar a estabilidade do desempenho desportivo dos atletas, podendo o psicólogo do desporto utilizar os dados para monitorizar o desempenho dos atletas ao longo da época desportiva, auxiliando na estabilidade das suas ações. Cuidados na Utilização Apesar dos benefícios do uso da estatística, é fundamental garantir alguns aspetos, nomeadamente: (a) A existência de condições objetivas e metodológicas para se efetuar a avaliação do comportamento humano. De facto, é fundamental que a
Os esportes e as novas tecnologias. São Paulo: Hipótese, 2018. - - - mensuração seja fiável e objetiva, de modo a suscitar a confiança das pessoas envolvidas. (b) Verificar, e garantir se necessário, a necessidade de proteger os dados recolhidos sob a condição de confidencialidade. Embora muitos dos dados recolhidos sejam públicos, por vezes a mensuração efetuada por psicólogos do desporto engloba dados que apenas interessam ao próprio atleta e, sob autorização deste, ao respetivo técnico. Importa clarificar como serão tratados e utilizados os dados recolhidos. (c) Utilizar a estatística para fins específicos e realistas, evitando inferir sobre aspetos cuja relação com a avaliação seja pouco, ou nada, clara. Por vezes, existe a tentação de utilizar os dados para prever condutas e sucesso desportivo, o que normalmente tem baixa relação com os indicadores efetivamente recolhidos na avaliação. (d) Utilizar a estatística numa base de estimulação das capacidades individuais e não tanto para efeitos comparativos com os demais colegas ou praticantes da mesma modalidade. Uma das principais críticas ao uso da estatística no desporto é o facto de esta ter pouca, ou nenhuma, relevância para explicar o sucesso desportivo; ou junto dos agentes desportivos, particularmente dos técnicos e dos atletas. Uma onde os agentes desportivos inferem que um dado indicador estatístico tem propriedades muito para lá das efetivamente presentes. A título de exemplo, por vezes, afirmapois uma equipa pode ter a bola em seu poder muito mais tempo do que a equipa adversária durante um jogo e, mesmo assim, perder o jogo. Por isso, é uma perda de tempo efetuar este tipo de indica o tempo que uma dada equipa tem a bola em seu poder, não nos informando acerca daquilo que a equipa faz quando tem a bola em seu poder (i.e., oportunidades e eficácia de finalização).
Os esportes e as novas tecnologias. São Paulo: Hipótese, 2018. - - - CONSIDERAÇÕES FINAIS Um dos aspetos mais fascinantes, e desafiadores, da aplicação científica dos princípios da psicologia ao contexto desportivo, prende-se precisamente com a crescente sofisticação das técnicas aplicadas na preparação mental dos atletas (e demais agentes desportivos). Este capítulo procura contribuir neste sentido, reforçando o modo como duas técnicas distintas, mas passíveis de conciliação, podem ser úteis para o profissional de psicologia do desporto. A verdade é que nem a utilização do vídeo, nem o uso de estatísticas, podem, por si só, garantir sucesso desportivo. No entanto, esta regra aplica-se a todas as estratégias de treino desportivo, na certeza de que uma boa conjugação e otimização das diferentes áreas do saber podem, efetivamente, maximizar as possibilidades do desporto representar uma experiência recompensadora para os atletas. REFERÊNCIAS BEHNCKE, L. Mental skills training for sports: A brief review. Athletic Insight, n. 6, p. 1-19, 2004. CARLING, C.; BLOOMFIELD, J.; NELSEN, L.; REILLEY, T. The role of motion analysis in elite soccer: contemporary performance. Sports Medicine, n. 38, p. 839-862, 2008. COHN, P. J.; ROTELLA, R. J.; LLOYD, J. W. Effects of a cognitive-behavioral intervention on the preshot routine and performance in golf. The Sport Psychologist, n. 4, p. 33-47, 1990. CRUZ, J. F.; VIANA, M. F. O treino das competências psicológicas e a preparação mental para a competição. In: CRUZ, J. F. et al. (Eds.). Manual de psicologia do desporto. Braga: Sistemas Humanos e Organizacionais, Lda, 1996. p.389-409. DAW, J.; BURTON, D. Evaluation of a comprehensive psychological skills training program for collegiate tennis players. The Sport Psychologist, n. 8, P. 3757, 1994. HORNE, S. L. The role of performance analysis in elite netball competition structures. In: Peters, P. M.; O'DONOGHUE, P. (Eds.) Performance analysis of sport IX. London: Routledge, 2013, p. 30-37.
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