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Ernesto Korrodi e arquitetura bancária em Portugal: um património a conhecer e a valorizar

Moleirinho, Andrea Cateano

Abstract

A salvaguarda do património cultural edificado tem sofrido ao longo dos tempos um certo descaso e abandono por parte das autarquias e de alguns particulares empobrecendo o acervo patrimonial português. Com a modificação ou demolição de alguns edifícios a autoria desse património vê-se prejudicada. O presente estudo pretende expor algumas obras de edifícios bancários executadas em Portugal pelo arquiteto Ernesto Korrodi no período da 1.ª República. Com isto traz ao conhecimento alguns edifícios ainda existentes que conectam ao seu tempo a arquitetura de uma época onde a modernização se alia a tradição e importância das agências bancárias: templo do dinheiro e progresso.

Full text

ANDREA CAETANO MOLEIRINHO "Ernesto Korrodi e arquitetura bancária em Portugal: um património a conhecer e a valorizar" Dissertação de Mestrado em Património Cultural Trabalho efetuado sob a orientação do Professor Doutor José Manuel Lopes Cordeiro Novembro de 2020 ii DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇOES DE UTILIZAÇAO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permisso para poder fazer um uso do trabalho em condiçes no previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho Atribuiço-NoComercial-SemDerivaçes CC BY-NC-ND https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/ iii “O passado no volta. Importantes so a continuidade e o perfeito conhecimento de sua história”. (Lina Bo Bardi) iv AGRADECIMENTOS Agradeço a todas as pessoas que contribuíram de uma maneira direta ou indireta no desenvolvimento deste trabalho em particular: Ao Professor Doutor José Manuel Lopes Cordeiro, o meu Orientador e Professor no Curso de Mestrado em Património Cultural, pela sua disponibilidade, apoio, orientação e incentivo, pelo seu olhar que muitas vezes dizia mais que muitas palavras e por seu carinho ao longo dessa jornada; À Professora Doutora Paula Virgínia de Azevedo Bessa, que ensinou sempre com ternura e paciência; À minha família portuguesa, a que escolhi aqui nesta terra que me acolheu, por abraçarem meu trabalho e compartilharem os momentos de estudo e descobrimento, pela troca de informações e disponibilidade na ajuda; À minha família de sangue, que amo tanto, por acreditar em mim e mesmo distante estarem acompanhando este sonho; A todas as pessoas que tive o prazer de contatar e que surgiram no decorrer da minha pesquisa: Sr. Nuno Fernandes Carvalho, Sra. Ana Monteiro, Sra. Sonia Bonacho, Sr. Rui Miguel Costa (CGD - Arquivo Histórico); Sra. Maria Carmo Rogado, Sr. Filipe Manuel Fernandes (Banco de Portugal - Arquivo Histórico); Dra. Sandra Ferreira, Sra. Elisabete (Arquivo Municipal da Covilhã); Sra. Dulce Figueiredo Henriques (Divisão Secretária Geral; Unidade Orgânica de Arquivo - Viseu); Sr. Eng. Hugo Alexandre de Sousa Lomba, Sr. Arq. Rui Vieira (Departamento de Planeamento Urbanístico e Ambiente - Barcelos); Sr. Fernando Pessanha (Arquivo Histórico Municipal - António Rosa Mendes - Vila Real de santo António); Sra. Vera Gonçalves (Divisão Jurídica e Administrativa – Arquivo - Silves); Agradeço também ao Sr. Eduardo Pinto (Blog por Viseu); Sr. Tiago Barão (Chefe de Unidade de Arquivo e Documentação - Câmara Municipal do Faro); Sra. Margarida Telmo (Biblioteca Municipal de Faro); Sr. Miguel Ritto; Sra. Orquídea do Céu Ferreira Félix (Divisão Municipal do Património Cultural - Câmara Municipal do Porto); Sra. Elsa Taborda, Sra. Sara Brandão, Sra. M. Fátima Marques, Sra. Maria Bento (Arquivo Distrital de Leiria); Sr. Joaquim Barreira Gonçalves (Arquivo Regional de Vila Real); Sra. Isabel Campaniço (Divisão de Administração Geral - Arquivo Municipal - Beja); Sra. Fátima Calvão (Departamento De Coordenação Geral - Gabinete de Notariado e Expropriações - Chaves) meu muito obrigada. v DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho. vi Ernesto Korrodi e arquitetura bancária em Portugal: um património a conhecer e a valorizar RESUMO A salvaguarda do património cultural edificado tem sofrido ao longo dos tempos um certo descaso e abandono por parte das autarquias e de alguns particulares empobrecendo o acervo patrimonial português. Com a modificação ou demolição de alguns edifícios a autoria desse património vê-se prejudicada. O presente estudo pretende expor algumas obras de edifícios bancários executadas em Portugal pelo arquiteto Ernesto Korrodi no período da 1.ª República. Com isto traz ao conhecimento alguns edifícios ainda existentes que conectam ao seu tempo a arquitetura de uma época onde a modernização se alia a tradição e importância das agências bancárias: templo do dinheiro e progresso. Palavras-chave: Ernesto Korrodi; Arquitetura financeira; Património Cultural; Banco Nacional Ultramarino; Banco de Portugal. vii Ernesto Korrodi and banking architecture in Portugal: a heritage to know and appreciate ABSTRACT The safeguarding of the built cultural heritage has, over time, suffered a certain neglect and abandonment by the municipalities and some individuals, impoverishing the Portuguese heritage collection. With the modification or demolition of some buildings, the authorship of this heritage is impaired. The present study intends to expose some bank building works executed in Portugal by the architect Ernesto Korrodi in the period of the 1st Republic. This brings to light some still existing buildings that connect the architecture of a time when modernization joins the tradition and importance of bank branches: the temple of money and progress. Keywords: Ernesto Korrodi; Financial architecture; Cultural heritage; Bank Nacional Ultramarino; Portugal's bank. viii ÍNDICE DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇES DE UTILIZAÇO DO TRABALHO POR TERCEIROS ........................ ii AGRADECIMENTOS ............................................................................................................................. iv DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE ......................................................................................................... v RESUMO ............................................................................................................................................. vi ABSTRACT ......................................................................................................................................... vii ÍNDICE ............................................................................................................................................. viii INDÍCE DE FIGURAS ........................................................................................................................... x LISTA DE SIGLAS ............................................................................................................................... xii Capítulo I ............................................................................................................................................ 1 1. 1 Introdução ................................................................................................................................... 1 1. 2 Objetivos Gerais ........................................................................................................................... 1 1. 2.1 Objetivos Específicos ................................................................................................................. 2 Capítulo II ........................................................................................................................................... 5 2. 1 Ernesto Korrodi, breve biografia ................................................................................................... 5 2. 2 Prémio Valmor ............................................................................................................................. 9 Capítulo III ........................................................................................................................................ 20 3. 1 A Banca em Portugal ................................................................................................................. 20 3. 2 Projetos ..................................................................................................................................... 22 3. 3 Edifícios existentes ..................................................................................................................... 23 3. 3. 1 Agência do Banco Nacional Ultramarino em Barcelos ............................................................. 23 3. 3. 2 Agência do Banco Nacional Ultramarino em Chaves ............................................................... 27 3. 3. 3 Agência do Banco de Portugal na Covilhã ............................................................................... 31 3. 3. 4 Agência do Banco Nacional Ultramarino na Covilhã ................................................................ 37 3. 3. 5 Agência do Banco de Portugal em Leiria ................................................................................ 41 3.3.6 Agência do Banco Nacional Ultramarino em Vila Real Trás-os-Montes ....................................... 46 3. 3. 7 Agência do Banco Nacional Ultramarino no Porto ................................................................... 49 3. 3. 8 Agência do Banco Nacional Ultramarino em Viseu (demolida) ................................................. 52 3.3.9 Agência do Banco Nacional Ultramarino em Faro (demolida) .................................................... 55 3. 3. 10 Agência do Banco Nacional Ultramarino em Vila Real de Santo António (inexistente) ............. 58 3. 3. 11 Agência do Banco Nacional Ultramarino em Beja (inexistente) .............................................. 62 3. 3. 12 Agência do Banco Nacional Ultramarino na Póvoa de Varzim (inexistente) ............................ 64 3. 3. 13 Agência do Banco Nacional Ultramarino em Silves ............................................................... 65 3. 3. 14 Agência do Banco Nacional Ultramarino em Coimbra (demolida) .......................................... 67 ix 3. 3. 15 Agência do Banco Nacional Ultramarino em Peso da Régua (demolida) ................................ 69 CAPÍTULO IV ..................................................................................................................................... 71 FONTES, BIBLIOGRAFIA E WEBGRAFIA ............................................................................................. 73 3 1. 3 Metodologia A metodologia adotada para a realização da presente tese foi estruturada de acordo com várias fases. A primeira consistiu no levantamento e na recolha bibliográfica sobre o arquiteto, pesquisando a sua trajetória de vida. A segunda fase foi direcionada para a pesquisa sobre o caso de estudo, ou seja, os edifícios das agências bancárias, pesquisados no acervo histórico do Banco de Portugal e do antigo acervo histórico do Banco Nacional Ultramarino pertencente à Caixa Geral de Depósitos, ambos na cidade de Lisboa. A terceira fase desenvolveu-se em trabalho de gabinete com troca de mensagens com as autarquias das cidades onde se encontram as filiais dos edifícios, para obtenção de dados acerca dos mesmos, como documentos, alvarás e plantas das obras. A quarta fase consistiu na localização desses edifícios e verificação in loco dos mesmos, buscando extrair ao máximo a identidade quanto a autoria da obra. Essa fase foi complexa não sendo possível a visitação de todas os locais, mas apenas a uma boa parte deles, existentes nas seguintes cidades: Barcelos, Covilhã, Chaves, Leiria, Vila Real (Trás-os-Montes), Viseu, Porto e Peso da Régua. Em cada cidade procurou-se conversar com os locais a respeito dos edifícios. Posto isto, a presente dissertação estrutura-se em três capítulos. Após um primeiro capítulo introdutório, no qual se aborda a motivação desta pesquisa e a metodologia seguida para a realização do trabalho, vislumbra-se o descaso das autarquias frente à salvaguarda do património edificado e o empobrecimento do acervo patrimonial. O segundo capítulo é dedicado a apresentação do arquiteto Ernesto Korrodi, sua trajetória de vida e obra. Apresentam-se as obras objeto da obtenção dos seus dois prémios Valmor e suas respectivas plantas e descrições. O terceiro capítulo apresenta um breve contexto histórico da banca em Portugal. Desde a criação de várias companhias financeiras até o período difícil que a banca atravessou por motivos políticos com a mudança de regime, da Monarquia para a República. Apresenta as agências bancárias 4 projetadas pelo arquiteto Korrodi, suas descrições e plantas e o estado em que se encontram esses edifícios. O quarto e último capítulo destina-se às considerações finais a respeito da pesquisa realizada. 1. 4 Estado da Arte Para elaboração deste trabalho teve grande importância a tese de mestrado de Lucília Verdelho da Costa: “Ernesto Korrodi 1889-1944: arquitectura, ensino e restauro do património” que depois teve uma edição comercial. Utilizei esta obra como ponto de partida para pesquisar uma parte pouco divulgada e conhecida, a arquitetura bancária na qual Ernesto Korrodi teve uma certa participação. Trata-se da primeira obra escrita sobre o arquiteto. A autora evidencia todos os projetos e obras de Korrodi, inclusive os projetos para as filiais ou agências do Banco Nacional Ultramarino e Banco de Portugal. Outro trabalho que merece destaque é a tese de mestrado integrado em arquitetura de Diogo Felipe Monteiro Damásio: “ Arquitetura do Banco de Portugal. Evolução dos projetos para a sede, filial e agências do Banco de Portugal (1846-1955)”. Damásio, evidencia a criação do Banco de Portugal, no seu contexto histórico, destacando a expansão do Banco e sua evolução no sistema bancário português com a criação de suas filiais ou agências em todas as capitais de distrito. Aborda os projetos realizados para os edifícios e os respectivos arquitetos, constituindo um dos mais completos e respeitados trabalhos feitos a respeito da arquitetura financeira em Portugal. Outro trabalho que serviu de suporte para enriquecer e dar a conhecer a história do Banco Nacional Ultramarino é o de Monica Ferreirinha: “Breve História do BNU”, que apresenta os conhecimentos históricos sobre o Banco Nacional Ultramarino. Aborda a história do Banco em diferentes épocas e sobretudo a evolução histórica da economia portuguesa. Através deste estudo foi possível identificar algumas agências bancárias objeto desta investigação. Outro trabalho que merece destaque é a tese de mestrado em arquitetura e urbanismo de José Manuel Teixeira: “Arquiteto Ernesto Korrodi, Vi(n)da e Obra”. Neste trabalho o autor aborda a biografia do arquiteto Korrodi, no seu aspecto mais íntimo, ou seja, desde os traços da personalidade, sua ação pedagógica, seus estudos e obras. Faz menção as obras das agências bancárias. Existem ainda outras obras de grande importância que foram fontes de consulta e que se encontram mencionadas na bibliografia deste trabalho de pesquisa. 5 Capítulo II Neste capítulo será apresentado uma breve biografia do arquitecto Ernesto Korrodi, evidenciando sua origem, sua formação e trajectória de vida até sua morte. 2. 1 Ernesto Korrodi, breve biografia Ernest Korrodi, não obstante o seu apelido de origem italiana, nasceu na Suíça, na cidade de Zurique, em 30 de janeiro de 1870 1 . Filho de Hans Heinrich Korrodi, professor do Liceu Cantonal de Zurique e de Anna Muller (Oliveira, 2009). Seu verdadeiro nome era “Ernest” e com o passar dos anos, por viver em Portugal, passou assinar Ernesto. Menciona na carta da sua autobiografia, datada de 9 de julho de 1901 e escrita na cidade de Leiria, que a sua vida antes de vir para Portugal era muito simples, ou seja, não tinha grande relevância 2 . Aos 15 anos de idade entrou para a Escola de Arte Industrial, onde cursou as disciplinas de escultor-decorador e de professor de desenho, tendo concluído o curso em nove semestres. Passou alguns meses na Itália, em viagem de estudo, pela qual sentiu um grande interesse em conhecer a vida dos países mediterrâneos e portanto, em 1888, aos seus 18 anos, quando o governo português abriu na sua delegação na cidade de Berna o concurso para uma vaga para professores de desenho, Ernesto Korrodi, orientado por seu pai e com grande interesse, candidatou-se, não tinha ainda completado 20 anos de idade. Sua entrada a Portugal deu-se pela região do Minho, tendo sido encaminhado para a Escola Industrial de Braga, criada por decreto de 10 de janeiro de 1889, onde ensinou desenho ornamental e onde passou cinco anos em estado de inatividade e mal-estar como ele mesmo relata devido às diferenças no meio oficial (Costa, 1997). Foi transferido em 1894 para a cidade de Leiria, para substituir o professor holandês Van Kriecken na disciplina de desenho ornamental e modelação na Escola Domingos Sequeira. Também lecionou na secção da Batalha desta mesma escola sendo sua vida nessa época, diversificada e dedicada ao ensino (Oliveira, 2009). 1 Ernesto Korrodi in VITERBO, Sousa - Dicionário histórico e documental dos arquitetos, engenheiros e construtores portugueses. p. 45. 2 Testemunho de Ernest Korrodi prestado a Sousa Viterbo. Dicionário histórico e documental dos arquitetos, engenheiros e construtores portugueses. p. 45. 6 Para Oliveira, “Ernst Korrodi era um experimentalista, um precursor do ensino profissional; a escola era para ele um palco onde a teoria era um mero caminho da iluminação da experiência ”. Verdelho enfatiza que durante toda a sua vida, Korrodi se dedicará com paixão aos estudos histórico-arqueológicos e à reconstituição dos monumentos do passado. Adquiriu a nacionalidade portuguesa através do casamento, realizado em 29 de abril de 1901 na cidade de Leiria, com Quitéria da Conceição Fernandes Carvalho Maia, professora do ensino primário na freguesia de Marrazes. Embora a Sra. Quitéria fosse irmã do pároco, o casamento foi realizado na casa paroquial e não na igreja, devido às diferenças de culto religioso pois ele era protestante (Costa, 1997). Deste matrimónio advieram três filhos:, o primeiro, que faleceu à nascença (1902), Maria Teresa Korrodi Maia (1903-2002) e Ernesto Camilo Korrodi (1905-1985), que viria também a ser arquiteto (Teixeira, 2018). Ernesto Camilo Korrodi, (Leiria, 8 de março de 1905 - Leiria, 7 de janeiro de 1985), foi um arquiteto português. Iniciou o curso na Escola de Belas-Artes de Lisboa em 1925, mas viria a prossegui-los na Escola de Belas-Artes do Porto em 1931. Casou com Susana Bouhon, com quem veio a ter três filhas, e regressou a Leiria 3 . Em 1902, Korrodi foi agraciado com a Ordem de S. Thiago do Mérito Científico Literário e Artístico pelo projeto de reconstituição dos Paços do Duque de Bragança, em Barcelos (Oliveira, 2010). Desenvolvendo atividade paralela ao ensino, figurou não só como arquitecto mas também como modelador e empreiteiro. Foi sócio do engenheiro militar de Leiria, José Diogo Lopes da Costa Theriaga, na empresa que se designava “Korrodi & Theriaga construtores” (Queiroz, 2014) 4 . Em 1905, estabeleceu uma oficina de cantarias, a fim de executar os trabalhos de sua criação e fornecer materiais de construção. Apesar de estrangeiro nunca se viu impedido de exteriorizar suas convicções e lutar para construir um Portugal melhor, pois para ele este país já era a sua segunda pátria. Sempre envolvido nos acontecimentos da época, defendia a conservação dos monumentos nacionais e em especial o Castelo de Leiria,, pelo qual tinha grande paixão e que veio a ser classificado em 1910 como Monumento Nacional (Teixeira, 2018). 3 Antigos Estudantes Ilustres da Universidade do Porto. Disponível em: https://sigarra.up.pt/up/pt/web_base.gera_pagina?p_pagina=antigos%20estudantes%20ilustres%20-%20camilo%20korrodi. Acesso em: 21 dezembro 2019. 4 Disponível em: http://www.franciscoqueiroz.com/Oficina_de_cantarias_de_Ernesto_Korrodi.pdf. Acesso em: 21 dezembro 2019. 7 O trabalho sobre o Castelo de Leiria foi editado em Zurique (Suíça), no Instituto Polygraphico, em 1898, sob o título de Estudos de reconstrução sobre o Castello de Leiria (Reconstituição gráfica de um notável exemplo de construção civil e militar portuguesa). Contém 26 estampas, de reproduções photolitographicas dos desenhos originais (plantas, perspectivas, apontamentos do estado atual, etc.) 5 . No ano de 1909 Korrodi participou no Congresso Pedagógico, expondo sua opinião acerca do ensino industrial em Portugal, visando com isso uma alteração no mesmo. Com afinco, critica o governo quanto a denominação utilizada as escolas de ensino ministrado, expõe e sugere uma complementação às escolas industriais, tais como aulas de ensino especial, cursos teóricos, propondo um plano de reforma, como a criação de cursos noturnos de primeiras letras, caligrafia, aritmética elementar etc. e tantas outras providências 6 . Em 1911, viria a liderar um movimento de âmbito nacional a favor do descanso dominical, promovendo-o energicamente através de conferências e artigos na imprensa (Oliveira, 2010). Sempre atento, Ernesto Korrodi manifestava as suas preocupações participando ativamente na vida política portuguesa, reivindicando igualdade de oportunidades, sendo um visionário em favor do desenvolvimento de uma sociedade mais justa. Um facto interessante é que Ernesto Korrodi foi iniciado na maçonaria em 1908, na loja Trindade Leitão, de Alcobaça, com o pseudónimo Helvétius. Depois transitou para a loja Gomes Freire, em Leiria. Filiou-se na maçonaria, uma associação de elite semi-secreta que por volta de 1914 abrigava aproximadamente 4000 maçons, sendo mais de metade dos ministérios da I República regidos por maçons (Marques, 1986). Renomados arquitetos portugueses estavam ligados à maçonaria, que lhes proporcionava uma extensa carteira de clientes. Naquela época, a maçonaria concedia aos seus membros um intercâmbio de regalias favorecendo os trabalhos e encomendas de obras, por estarem diretamente ligados à elite burguesa. Em 1926, foi-lhe concedido pela Escola de Belas-Artes de Lisboa, o diploma de “ Arquiteto”, 7 consagrando assim seu trabalho em termos legais (Costa, 1997). 5 Ernesto Korrodi in VITERBO, Sousa - Dicionário histórico e documental dos arquitetos, engenheiros e construtores portugueses. p.47. 6 (1909), "O ensino profissional em Portugal em face do analfabetismo, por Ernesto Korrodi", Fundação Mário Soares / DCD - Documentos Carvalhão Duarte/Simões Raposo, Disponível HTTP: http://hdl.handle.net/11002/fms_dc_147754 (2019-12-21). 7 Decreto n.º 11.089, de 17 de Setembro de 1925. Disponível em: http://arquivo.fba.up.pt/docs/legislacao/1925_Decreto_11089_17_Setembro.pdf. 8 Em 1929, publicou um “Estudo Histórico-Archeológico e Artístico sobre Real Abadia de Santa Maria de Alcobaça”. No ano de 1932, foi nomeado vogal da Academia Nacional de Belas-Artes de Lisboa. Realizou sua última viagem à Suíça no ano de 1939, com passagem por Espanha, França, Itália e Marrocos. Faleceu no ano de 1944, a 3 de fevereiro, e foi sepultado, a seu pedido, voltado para o castelo de Leiria e envolvido na bandeira da Suíça. Figura 2: Cartão de visita do arquiteto e fornecedor de cantarias Ernesto Korrodi. (Fonte: Arquivo Distrital de Leiria) 9 Figura 3: Bilhete de Identidade de Ernesto Korrodi. (Fonte: Banco das Artes, Leiria) 2. 2 Prémio Valmor O prémio Valmor foi criado de acordo com o testamento deixado por Fausto de Queirós Guedes, falecido em França em 1878. Começou a ser atribuído em 1902. Tornou-se o prémio mais prestigiado na área da arquitetura portuguesa lisboeta e também o mais polémico devido às controvérsias que gerava no tocante ao estilo dos edifícios premiados. 10 Em 1910 o prémio Valmor foi atribuído a Ernesto Korrodi pela execução da casa de habitação de António Macieira, situada na Avenida Fontes Pereira de Melo n.º 30 na cidade de Lisboa 8 . Este edifício refletia um certo gosto provinciano, com a sua entrada abrindo para um estreito corredor lateral. Foi demolido em 1961 e no local foi construído o Teatro Villaret 9 . A casa foi capa da revista quinzenal Ilustrada A Construção Moderna , que continha a descrição de algumas obras de Ernesto Korrodi e uma breve biografia. Figura 4: Fachada Principal sobre a Avenida Fontes Pereira de Melo. (Fonte: Arquivo Distrital de Leiria) 8 O prémio Valmor. Disponível em: http://www.cm-lisboa.pt/viver/urbanismo/premios/premio-valmor-e-municipal-de-arquitetura. Acesso em 17, dezembro 2019. 9 SANTOS, Ricardo. Blog O Pacto Português, Prémios Valmor Demolidos. Disponível em: <https://opactoportugues.blogspot.com/2013/11/premios-valmor-demolidos-ii.html> Acesso em 3 de novembro de 2019. 11 Figura 5: Fachada Lado da Passagem e Fachada Traseira. (Fonte: Arquivo Distrital de Leiria) Figura 6: Disposição do Jardim e Dependências. (Fonte: Arquivo Distrital de Leiria) 12 Figura 7: Fachada Traseira e Fachada Lado da Passagem. (Fonte: Arquivo Distrital de Leiria) Figura 8: Planta da Parte do Sótão Aproveitado para Habitação. (Fonte: Arquivo Distrital de Leiria) 19 A revista exalta a arte de Ernesto Korrodi ao tirar proveito da execução do projeto realizado num terreno irregular aproveitando a condição do mesmo quebrando assim a monotonia existente em certos prédios edificados naquela época na capital. O edifício ainda existente na cidade de Lisboa, onde se podem encontrar também outros exemplares premiados. Porém, nota-se o desprezo quanto à manutenção desses edifícios premiados, não contribuindo para a sua salvaguarda. 20 Capítulo III Neste capítulo será abordado, resumidamente, a evolução da atividade bancária em Portugal até à implementação de uma nova legislação comercial bancária, assim como a expansão do Banco Nacional Ultramarino, com a criação das suas agências, sendo algumas delas obra do arquitecto Ernesto Korrodi. 3. 1 A Banca em Portugal A partir do ano de 1838, Portugal, vivenciou a criação de várias companhias financeiras. Com a fusão da Companhia Confiança Nacional com o Banco de Lisboa deu-se origem ao Banco de Portugal 13 . A Companhia Confiança Nacional, criada por Decreto de 25 de setembro de 1844, surge da arrematação do Contrato do Tabaco, Sabão e Pólvora, à qual o Governo associou um empréstimo de 4.000 contos de réis, tendo havido um acordo prévio entre os fundadores da Companhia e os arrematantes do Contrato, relativamente ao empréstimo. Constituída a Companhia, fixaram-se as bases da sublocação do dito empréstimo, tendo sido lavrada a respetiva escritura em 19 de dezembro de 1844, a qual foi aprovada por Decreto de 27 de janeiro do ano seguinte. A Companhia abriu a Caixa Económica de Lisboa a 20 de abril de 1845 e a do Porto a 15 de setembro desse ano, mas não chegou a abrir mais nenhuma. Em setembro de 1845, por ocasião da abertura da Caixa Económica do Porto, estabeleceu aí uma Agência, que recebia todo o dinheiro proveniente dos depósitos na Caixa Económica. Os sucessivos empréstimos feitos ao Governo e a falta de pagamento por parte deste levaram a Companhia a uma situação difícil, que conduzirá à assinatura do Decreto de 19 de novembro de 1846, pelo qual o ativo e o passivo da Companhia são integrados no ativo e no passivo do Banco de Lisboa, passando este a designar-se Banco de Portugal. O Banco de Portugal foi criado por decreto régio em 19 de novembro de 1846, com a função de ser um banco comercial e emissor. Partilhou com outras instituições, até o ano de 1887, o direito de emitir notas, e em 1891, com a publicação do decreto de 9 de julho, passou efetivamente a deter a função exclusiva da emissão para o Continente, Açores e Madeira. Tornou-se o banco mais importante do país até o advento da 1.ª Guerra Mundial. 13 BANCO DE PORTUGAL , Arquivo Histórico. Disponível em: https://www.bportugal.pt/page/arquivo-historico, Acesso em: 11 de novembro de 2019. 21 Fundado em Lisboa em 1864, o Banco Nacional Ultramarino começou logo de seguida a desempenhar um papel relevante na vida financeira nacional (Real, 2009) 14 . Em poucos anos Portugal presenciou o aumento no número de bancos, aproximadamente 60, sob a forma de sociedades anónimas espalhadas por todo território, além dos bancos privados e outras instituições financeiras. A criação desses bancos dera-se com o intuito de captar capitais, porém, com a má gestão de seus administradores, acabou por gerar a crise sistémica em 1876. Com o surgimento da segunda crise financeira, monetária e económica que se instalou no ano de 1891, oriunda de acontecimentos internacionais, houve um período de estagnação que afetou a economia portuguesa até ao pós-segunda guerra mundial. Em 1891 as finanças do Estado e o sistema bancário entraram em colapso. Logo após esse período nota-se uma diminuição no número de bancos comerciais reduzindo pela metade, quer por fusão com outros ou mesmo por encerramento até 1914, aproximadamente. Como consequência, os políticos determinaram reexaminar a política bancária, pois esta era demasiadamente permissiva, tendo resolvido regular então a função emissora do Banco de Portugal. Foi atribuído um novo tratamento às sociedades anónimas de responsabilidade limitada, às sociedades por ações, com fulcro de prestar transparência nas operações bancárias, impondo algumas condições, inclusive, se necessário, a intervenção estatal nas instituições financeiras que estiverem numa situação de irregularidade e de ilegalidade. Mesmo assim, ainda houve mais três crises bancárias nos anos de 1920 -1921, 1923 e 1925. Só sobreviveram a estas crises as instituições sólidas, entre as quais o Banco Nacional Ultramarino e o Banco de Portugal. O Banco Nacional Ultramarino foi o banco das colónias portuguesas, como vimos, estabelecido em 1864. Desempenhou um papel importante no fomento financeiro do comércio português ultramarino. Contou com duas sucursais no continente português: Porto e Faro. Teve doze sucursais na África Ocidental, sete na África Oriental, incluindo Lourenço Marques (actual Maputo) em Moçambique, sete no Brasil, incluindo as do Rio de Janeiro, Santos, Baía e Pará; duas no então Estado Português da Índia, uma em Macau, atualmente na China, e uma em Timor. Teve, ainda, agentes em todo o mundo (Costa, 2014) 15 . 14 Disponível em:https://www.cgd.pt/Institucional/Patrimonio-Historico-CGD/Estudos/Documents/Estudo-Historia-CGD.pdf. Acesso em 17 dezembro de 2019. 15 Disponível em: https://www.cgd.pt/Institucional/Patrimonio-Historico-CGD/Estudos/Documents/Joao-Ulrich.pdf. Acesso em: 17 dezembro 2019. 22 Com a governação de João Ulrich houve a intenção de expandir as dependências do Banco em todo país, tanto que no final da sua gestão, em 1931, o BNU contava com 40 agências em Portugal e Ilhas e 15 no estrangeiro. João Ulrich foi o sétimo Governador do Banco Nacional Ultramarino. Nasceu em Lisboa em 1880. O seu pai, João Henrique Ulrich, foi Vice-Governador da Companhia Geral de Crédito Predial Português. O seu avô paterno, João Henrique Ulrich foi um dos fundadores do Banco Nacional Ultramarino e membro do seu primeiro quadro de diretores. O seu avô materno, Guilherme José Ennes, foi diretor do Banco de Portugal 16 . O ano de 1919 foi marcado pela incorporação no Ultramarino, do Banco Eborense e do Banco Agrícola Industrial e Comercial de Vila Real, do Banco do Douro e do Banco de Bragança e foram criadas dependências em Beja, Bragança, Castelo Branco, Covilhã, Guarda, Leiria, Olhão, Portalegre, Viana do Castelo, Vila Real e Viseu (Paixão, 1964). E em 1920 já almejavam a abertura das seguintes filiais e agências: Évora, Lamego, Santarém, Portimão, Silves e Torres Vedras. Havia também a projeção de abertura das filiais de Chaves e Setúbal e das agências de Barcelos, Estremoz, Fafe, Famalicão, Marinha Grande, Mirandela, Ovar, Penafiel, Póvoa de Varzim, Tavira e Vila Real de Santo António (Ferreirinha, 2009) 17 . 3. 2 Projetos Um sinal de credibilidade, expansão e desenvolvimento do Banco Nacional Ultramarino refletiase na construção das suas agências, sendo estas edificadas por arquitetos de renome, numa época onde todos queriam deixar seu traço. Vários foram os arquitetos que despontaram no tocante a arquitetura bancária no século XX; entre eles destacam-se Arnaldo Redondo Adães Bermudes, responsável pelos projetos do Banco de Portugal em Bragança, com realização do projeto em 5 de agosto de 1902 e inauguração do edifício em 1907, do Banco de Portugal em Viseu, com realização do projeto em 1904 e inauguração do edifício em 1907, do Banco de Portugal em Évora, com realização do projeto em 1907 e inauguração do edifício em 1909, do Banco de Portugal em Coimbra, com realização do projeto em 1909 e inauguração do edifício em 1912, do Banco de Portugal em Vila Real, com realização do projeto em 1911 e inauguração do edifício em 1923, do Banco de Portugal em Faro, com realização do projeto em 1918 16 Disponível em: https://www.cgd.pt/Institucional/Patrimonio-Historico-CGD/Estudos/Pages/Joao-Ulrich-Governador-BNU.aspx. Acesso em 17 dezembro 2019. 17 Disponível em: https://www.bnu.tl/Grupo-CGD/Historia-BNU/Documents/Breve-Historia-BNU.pdf. Acesso em 17 dezembro 2019. 23 e inauguração do edifício em 1927, do Banco de Portugal em Setúbal, com realização do projeto em 1922 e inauguração do edifício em 1928; João de Moura Coutinho de Almeida D´Eça, responsável pelos projetos do Banco Nacional Ultramarino em Braga, com a data aproximada de realização do projeto em 1914 e inauguração do edifício em julho de 1918, do Banco do Minho no Porto, com realização do projeto em 1918 e edificação concluída em 1922, do Banco de Portugal em Braga, com realização do projeto em 1920 e inauguração do edifício em 1928, e do Banco de Portugal em Viseu. Relativamente ao Banco de Viseu, trata-se do segundo edifício para o Banco de Portugal nesta cidade, uma vez que o primeiro é da autoria de Adães Bermudes, de 1904-1907, na Avenida de Massorim, tendo sido alienado a partir do momento que o segundo banco ficou concluído, e atualmente acolhe o Governo Civil, com realização do projeto em 1921 e inauguração do edifício em 1930 (Martins, 2010) 18 ; Eurico Salles Viana responsável pelo projeto do Banco de Portugal em Castelo Branco, com a realização do projeto em 1922 e inauguração do edifício em 1930; Miguel Ventura Terra responsável pelo projeto do Banco Totta & Açores em Lisboa, em 1905, do Banco de Portugal no Porto, com o arquiteto José Teixeira Lopes, em 1918, e muitos outros (Damásio, 2013) 19 . 3. 3 Edifícios existentes Alguns projetos de Ernesto Korrodi para a construção dos edifícios foram executados e ainda se pode verificar sua existência nos dias atuais. A região Norte e Centro de Portugal abrigam muitos desses edifícios que persistiram aos longos dos tempos, graças ao desempenho de algumas autarquias em salvaguardá-los. Por vezes é difícil a verificação de autoria junto às entidades públicas, seja por não haver acervo histórico disponível, seja por não haver necessidade de autorização para a construção ou simplesmente porque desapareceram, por descuido das autoridades em preservar os documentos desses edifícios. 3. 3. 1 Agência do Banco Nacional Ultramarino em Barcelos Em 9 de fevereiro de 1925, o Banco Nacional Ultramarino adquiriu um prédio urbano situado a Rua António Barroso, n.ºs 120 a 134, composto pela casa com três pavimentos. 18 Disponível em <http://hdl.handle.net/10216/55698>. Acesso em janeiro de 2019. 19 Disponível em: <http://hdl.handle.net/10316/24865>, Acesso em janeiro de 2019. 24 Posteriormente, ocorre a fusão do Banco Nacional Ultramarino com a Caixa Geral de Depósitos, sendo o edifício transmitido a favor desta em 11 de fevereiro de 2002. Trata-se de um edifício situado no centro histórico de Barcelos, na Rua Direita, preservado, e hoje encontra-se arrendado para loja comercial. Constitui uma obra de raiz do arquiteto Ernesto Korrodi. Segundo Verdelho, “ possui três corpos definidos por pilastras jónicas, rematado ao centro por um frontão curvo quebrado onde se inscreve um escudo emoldurado por uma decoração floral brotando de fitas” (Costa, 1997). Para abrigar a loja, os novos comerciantes mantiveram algumas características do antigo edifício, como a insígnia do BNU. Figura 19: Fachada do Banco Nacional Ultramarino em Barcelos, 1925. (Fonte: Arquivo Histórico da Caixa Geral de Depósitos) 25 Figura 20: Fachada Principal do Banco Nacional Ultramarino em Barcelos. (Fonte: Arquivo Histórico da Caixa Geral de Depósitos) Figura 21: Fachada posterior sobre a viela. (Fonte: Arquivo Histórico da Caixa Geral de Depósitos) 26 Figura 22: Secção Transversal. (Fonte: Arquivo Histórico da Caixa Geral de Depósitos) Figura 23: Planta do Rés-do-chão (Rua Dr. António Barroso). Planta do 1.º Pavimento. (Fonte: Arquivo Histórico da Caixa Geral de Depósitos) Figura 24: Planta das Fundações (Rua Dr. António Barroso). (Fonte: Arquivo Histórico da Caixa Geral de Depósitos) 27 Figura 25: Fachada da loja Salsa, 2019. [Fonte: Fotografia de Andrea C. Moleirinho (Acervo Pessoal) - Local - Barcelos - 23 de outubro de 2019] 3. 3. 2 Agência do Banco Nacional Ultramarino em Chaves Edifício de gaveto localizado no centro histórico de Chaves, na antiga Rua do Calau, assim denominada até pelo menos no ano de 1913 20 . Em 1920, sob a presidência da Câmara do General Ribeiro de Carvalho, aquela artéria mudou o seu nome para Rua do Tabolado, o qual permaneceu até os dias atuais. O edifício do antigo Banco Nacional Ultramarino encontra-se situado ao lado direito da rua e encontra-se preservado sendo hoje um edifício comercial. Obra de raiz, realizada pelo arquiteto Ernesto Korrodi. Verdelho faz a descrição da obra, (...) o edifício possui “tratamento dos silhares almofadados do pavimento principal, assentando sobre um embasamento corrido. Os andares superiores são ainda mais ritmados por pilastras, em três corpos diferenciados pela cor da pedra, quer nos gavetos, quer no que define o centro da fachada principal 21 . O edifício encontra-se bem preservado mantendo ainda muitas das suas características desde a sua construção. 20 RIBEIRO, Fernando DC. https://chaves.blogs.sapo.pt/51538.html. 21 COSTA, Lucília Verdelho da - Ernesto Korrodi 1889-1944 arquitetura, ensino e restauro do património . p. 266. 28 Não foi possível a reprodução das plantas do interior do edifício por estas estarem em restrição no Arquivo Distrital de Leiria devido ao estado de conservação. A fotografia do edifício foi fornecida pelo Arquivo Histórico da Caixa Geral de Depósitos 22 . Em contato com o Departamento de Coordenação Geral da Câmara Municipal de Chaves (Gabinete de Notariado e Expropriações) foi-nos comunicado que devido à data da construção do edifício ser de 1920 as obras de construção civil naquela época não estavam sujeitas a licenciamento municipal, o que dificultou a pesquisa sobre o imóvel. Figura 26: Fachada Principal do BNU em Chaves. (Fonte: Local - Arquivo Distrital de Leiria) 22 BNU Chaves, Arquivo Histórico da Caixa Geral de Depósitos. BNU/AF/02AG/13:29 Vol. I. 35 Figura 32: Planta: 1.º e 2.º pavimento do Banco de Portugal, na Covilhã. (Fonte: Arquivo Distrital de Leiria) Figura 33: Corte e fachada lateral direita. Banco de Portugal na Covilhã. (Fonte: Arquivo Distrital de Leiria) 36 Figura 34: Pormenores da fachada. [Fonte: Fotografia de Andrea C. Moleirinho (Acervo Pessoal) - Local - Covilhã - 18 de março de 2019] Figura 35: Fachada do antigo Banco de Portugal na Covilhã. [Fonte: Fotografia de Andrea C. Moleirinho (Acervo Pessoal) - Local - Covilhã - 18 de março de 2019] 37 3. 3. 4 Agência do Banco Nacional Ultramarino na Covilhã No dia 14 de junho de 1907, na Rua António Augusto de Aguiar, junto à praça do Município, deflagrou um incêndio que ficou conhecido como o incêndio “da mineira”. A notícia consta do artigo publicado na imprensa da época, de 27 de junho de 1907, com o título de “Incêndio violento” 30 : Na Covilhã manifestou-se um violento incêndio na madrugada da penúltima sextafeira num estabelecimento de Josepha Mineira. O fogo propagou-se com enorme rapidez e pouco depois, uma enorme explosão, não se sabe de que, fez-se ouvir com medonho estampido, derrubando à frontaria da antiga casa Silvestre Azevedo. Então estabeleceu-se um pânico horrível, fugindo gente de todas as direções e gritando-se desesperadamente. Dos escombros foram retiradas várias pessoas, outras foram feridas por estilhaços da explosão. As chamas comunicaram-se às casas próximas, e devido à falta de braços e de água, desenvolveu-se assombrosamente, incendiando-se muitos prédios. Morreram queimadas quatro pessoas e ficaram feridas cerca de vinte. Os prejuízos são calculados em 100 contos. Dos escombros desse incêndio foi construído na década de 20 um edifício de 5 pisos, com frontaria em azulejos de arquitetura estilo Arte Nova, projetado por Ernesto Korrodi para aí funcionar a Agência do Banco Nacional Ultramarino (Borges, 2009). Segundo Figueiredo (2009), sobre a descrição do edifício, sabe-se que 31 : O Edifício é composto por planta retangular simples, de volume único, de tendência verticalista, com cobertura homogénea em telhado de duas águas e pequeno terraço. Fachada principal virada a O., assimétrica, com o piso inferior revestido a cantaria, encimada por friso e cornija, tendo a zona superior revestida a azulejo branco, pontuado por azulejo decorativo e figurativo, azul sobre fundo branco, rematada em amplo friso, cornija e platibanda plena, ornada por quatro pináculos de bola, havendo vestígios da existência de um quinto. A fachada está dividida em quatro panos por duas ordens de pilastras toscanas, as superiores colossais, assentes em plintos paralelepipédicos. O pano do extremo esquerdo possui um eixo de vãos, compostos por porta de verga reta e moldura simples, que se prolonga superiormente, sustentando o frontão semicircular do remate, uma janela de peitoril, com moldura recortada e friso de azulejos e cornija, possuindo pano de peito em cantaria, recortado na zona central, formando falso avental, com pingentes na zona inferior; esta é encimada por janela de peitoril com moldura simples, que se prolonga inferiormente, formando pingentes na zona inferior. Os dois panos extremos do lado direito possuem um eixo de vãos semelhantes. 30 A Verdade , Folha regeneradora, n.º 184, 4.º Anno, Sábado 27 de junho de 1907. <http://purl.pt/24298/1/961640_1907-0627/961640_1907-06-27_item2/961640_1907-06-27_PDF/961640_1907-06-27_PDF_24-C-R0150/961640_1907-0627_0000_Obra%20Completa_t24-C-R0150.pdf.> Acesso em 27 de abril de 2019. 31 Disponível em <http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=27488> Acesso em 15 de junho de 2019. 38 O pano de maiores dimensões é marcado, no primeiro piso por três arcos de acesso, de volta perfeita, assentes em duas pilastras e dois pilares de cantaria, com fecho saliente e protegidos por portões metálicos pintados de verde, ornados por elementos entrelaçados que, na zona superior, formam um falso frontão semicircular, ornado por elementos radiais. No segundo piso, três janelas de varandim com guarda balaustrada e moldura recortada, encimada por friso e frontão semicircular, envolvido por festões e possuindo, entre cada janela, cartela envolvida por decoração vegetalista, ostentando uma caravela. No piso superior, três janelas de peitoril, com molduras simples, terminando em lacrimais, possuindo elementos em azulejo vegetalista nos extremos e, entre cada janela, as figuras alegóricas da Fama e Mercúrio. Interior com paredes rebocadas e pintadas de branco, possuindo vários painéis expositivos e colunas cilíndricas que seccionam o espaço, com tetos falsos, onde surge embutida as fontes de iluminação e pavimento flutuante, possuindo, nas janelas, portadas de madeira. A ligação entre os cinco pisos é possível por um elevador, no lado esquerdo e por escadas de madeira na mesma zona. O piso inferior, situado abaixo do solo, possui expostos elementos arqueológicos, surgindo, no piso térreo, elementos de arte religiosa, surgindo, no segundo, pintura, no terceiro, elementos antropológicos e, no superior, arte contemporânea, um bar e um pequeno terraço, protegido pela platibanda do remate. No segundo e último pisos, surgem instalações sanitárias. Estrutura em cantaria e alvenaria de granito; modinaturas, cornijas, frisos, platibanda, pináculos, pilastras, plintos, embasamento, frontões, balaústres em cantaria de granito; revestimento a azulejo industrial; escadas, portadas e pavimentos em madeira; portões de ferro fundido; cobertura em telha. O edifício possuía arcadas no piso térreo e janelas de sacada encimadas por frontões no superior. O interior, preservado em fotografias antigas, era marcado, no piso térreo, por um enorme balcão corrido, em madeira, sobre o qual surgiam colunas de fustes lisos marmoreados, com capitéis jônicos, que compartimentavam as várias zonas do balcão; possuía teto em caixotões e um amplo espaço para os funcionários, com portas de verga reta, que os ligavam a outras zonas de serviço. A Câmara Municipal da Covilhã adquiriu o edifício depois da saída do Banco, utilizando-o como armazém até ser recuperado. A sua parte interna foi toda remodelada para atender aos serviços da Câmara e para abrigar futuras exposições. Em 1 de agosto de 2008 registou-se a inauguração do Museu de Arte e Cultura denominado PATRIMONIVS, incluindo mais de 100 obras de arte de carácter religioso e arquitetônico, demonstrando uma parte da história patrimonial do Concelho. O Museu de Arte e Cultura possui uma divisão temática nos seus pisos, sendo o piso 1 Património Histórico e Arqueológico, o piso 00 Património Religioso, o piso 01 Pintura Religiosa, o piso 02 Arte Civil e no piso 03 Arte Contemporânea 32 . O Edifício está incluído na Zona de Proteção do Edifício dos Correios, Telégrafos e Telefones, CTT, da Covilhã (v. PT020503200247). 32 Disponível em < http://www.centerofportugal.com/pt/museu-de-arte-e-cultura-da-covilha/>Acesso em 15 de junho de 2019. 39 Figura 36: Edifício do antigo Banco Nacional Ultramarino na Covilhã, 1919. (Fonte: Arquivo Histórico da Caixa Geral de Depósitos) Figura 37: Fachada principal do Banco Nacional Ultramarino, na Covilhã. (Fonte: Arquivo Distrital de Leiria) 40 Figura 38: Fachada do edifício do Banco Nacional Ultramarino na Covilhã em 2019. [Fonte: Fotografia de Andrea C. Moleirinho (Acervo Pessoal) - Local - Covilhã - data18 de março de 2019] Figura 39: Fachada do edifício do Banco Nacional Ultramarino na Covilhã em 2019. [Fonte: Fotografia de Andrea C. Moleirinho (Acervo Pessoal) - Local - Covilhã - data18 de março de 2019] 41 3. 3. 5 Agência do Banco de Portugal em Leiria Leiria é a cidade onde residiu o arquiteto Ernesto Korrodi, até sua morte em 1944. Muitas das suas obras encontram-se nesta cidade, como elenca a publicação Ernesto Korrodi, Roteiro na Cidade de Leiria , . São elas: Villa Hortênsia, Moagem, Prédio Marques da Cruz, Sé de Leira, Residencial Leiriense, Casa do Arco, Edifício Zúquete, Pensão Beira Rio, Retábulo na Igreja de St.º Agostinho, Casa no Largo Luís de Camões, Casa na Rua José Jardim, Paços do Concelho (Câmara Municipal), Casa do Largo Cândido dos Reis, Castelo de Leiria, Mercado de Santana, Banco de Portugal entre outros (Oliveira, 2010). Inicialmente, os serviços da Agência do Banco de Portugal estiveram instalados, gratuitamente, numas dependências do edifício do Governo Civil, passando a ocupar outras onde funcionava o Tribunal Administrativo, no mesmo edifício 33 . A cedência destas instalações foi feita enquanto o Banco fosse do Estado e encarregado dos seus pagamentos, ficando, porém, essa cedência sem efeito se o Banco deixasse de usufruir de tais prerrogativas não podendo ainda o mesmo exigir quaisquer indemnizações por reparações ou obras que tivesse executado nas referidas instalações. O Banco de Portugal foi criado por decreto régio em 19 de novembro de 1846, com a função de banco comercial e de banco emissor. Como vimos, surgiu da fusão do Banco de Lisboa, um banco comercial e emissor, e da Companhia Confiança Nacional, uma sociedade de investimento especializada no financiamento da dívida pública. Foi fundado com o estatuto de sociedade anónima e, até à sua nacionalização, em 1974, era maioritariamente privado 34 . A escritura da compra do terreno para construção de raiz do edifício do Banco de Portugal em Leiria foi lavrada em 13 de julho de 1920, perante o notário Tavares de Carvalho. Foi adquirido por 24 contos (24.000$00 escudos) ao Sr. João Leal podendo dar início às obras e proceder ao despejo dos inquilinos no terreno 35 . Os agentes que trabalhavam na cidade enviaram uma carta para os Srs Presidente e Vogais da Comissão Executiva da Câmara Municipal de Leiria, solicitando a construção da nova Agência no Largo 5 de outubro, segundo projeto anexado em 24 de maio de 1924 36 . Extrato da memória descritiva e explicativa da construção do Edifício para Instalação da Agência do Banco de Portugal em Leiria por Ernesto Korrodi 37 : 33 Informação BP.SJ, 42ª Ed do Banco, Arquivo Histórico do Banco de Portugal. 34 Banco de Portugal, https://www.bportugal.pt/page/historia. Acesso em 26 de abril de 2019. 35 Livro nº29, fls 11 verso, Banco de Portugal, Arquivo Histórico. 36 Arquivo Municipal de Leiria - Cota PT_AMLRA_CMLRA_L_011_1924-000020_Page_2.pdf. 37 Arquivo Municipal de Leiria - Cota PT_AMLRA_CMLRA_L_011_1924-000020_Page_3.pdf. 42 O projeto junto representa um Edifício que a Direção do Banco de Portugal pretende construir nesta cidade para as instalações da sua agência e num terreno que possui junto do Largo 5 de Outubro, propriedade do falecido Conselheiro Rino Jordão. O edifício projetado, que deverá tomar o alinhamento do prédio pertencente ao Sr. Mario Zuquete, apresenta a forma de dois retângulos desiguais agregados, com uma superfície total de 427 m2 ficando ainda para pátios e terraço proximamente 200m.2. Ao contrário do prédio ora existente e destinado a demolição, o futuro edifício ficará isolado dos prédios vizinhos, praticando-se do lado sul uma passagem de 3 a 4m. de largura acessível por um portão de ferro em tudo idêntico ao que deverá flanquear o corpo principal do lado oposto. Com o mesmo fim estabelece-se ao fundo do prédio e em parte ao lado norte um saguão estabelecendo uma quase total vigilância circulatória de vantajosas condições em caso de incêndio. Pelo deslocamento ou isolamento do edifício do lado sul passe a ser ocupada parte do jardim ou terraço, pelo anexo destinado às instalações higiênicas. Quanto ao nível do pavimento principal julgamos prudente colocar este ao abrigo de futuras contingências, como são a gradual elevação dos pavimentos públicos em cidades como Leiria, edificadas em terrenos de aluvião. Assim marcamos para o pavimento 38 nobre a cota de 2 m. acima do terreno atual do largo, de modo que, mesmo na hipótese que o nível do largo venha um dia ultrapassar a altura do passeio projetado e diminuir portanto a importância da sacada, não ficará prejudicado o aspecto do edifício, nem amesquinhadas as proporções da fachada, e as instalações do subsolo, cujas janelas se encontrem a altura conveniente não serão inutilizadas. Exterior: Este apresenta as formas de arquitetura tradicional da primeira metade do século 18, próprias em edifícios apalaçados daquela época. Simula dois corpos laterais apilastrados ligados por um corpo central, no qual domine um pórtico monumental encimado pelas armas nacionais. Toda a cantaria, a exceção das colunas dos pórticos e a base rusticada que serão em lioz, deverão ser de calcário brando. A cornija termine por um beiral saliente característico regional, cuja função, todavia apenas é decorativa, porquanto as águas pluviais serão recolhidas num algeroz disfarçado por uma platibanda discreta. Distribuição interior: Uma escada de 13 degraus, cinco dos quais exteriores, conduz ao Hall Central ou São do Expediente. Este é iluminado superiormente e em redor dele agrupam-se os diferentes serviços, como expediente, contabilidade, tesouro, gabinete dos senhores Agentes e outro do funcionário de finanças para o “visto” das transaçes por conta do Estado. No andar superior encontram-se os arquivos e restantes serviços que não precisam estar ao contato do público. No subsolo do prédio serão instaladas as caixas fortes, uma privativa do Banco e outras acessíveis ao público, precedidas de vestíbulos com luz e ar diretos. A restante superfície 39 é destinada a arrecadações, casa de caldeira para aquecimento central, depósitos de lenha ou carvão. Instalações higiênicas: Colocado em meia altura dos dois pavimentos superiores encontram-se instalados num pavilhão anexo as necessárias retretas, lavatórios e urinóis e ainda uma sala para refeições com uma pequena cozinha anexa. Além das mencionadas instalações higiênicas haverá na extremidade oposta do prédio retretas e lavatórios reservados para os Srs. Agentes e Inspetor. Duas fossas diluidoras, construídas respectivamente no pátio sul e norte sendo ligadas diretamente com o coletor público que passa próximo ao edifício. Finalmente no Rés-do-chão do anexo, que se encontre separado do edifício principal por uma passagem abobadada, encontra-se instalada a guarda do edifício, dispondo de uma pequena caserna para três guardas e uma cozinha anexa. A parte gráfica, suficientemente completa, para dar uma ideia nítida do que será o prédio em projeto, dispensa-nos de uma mais pormenorizada descrição. Leiria, maio de 1924 Ernesto Korrodi - o arquiteto. 38 Arquivo Municipal de Leiria - Cota PT_AMLRA_CMLRA_L_011_1924-000020_Page_4.pdf. 39 Arquivo Municipal de Leiria - Cota PT_AMLRA_CMLRA_L_011_1924-000020_Page_5.pdf. 43 Os serviços nesta Agência foram encerrados em 31 de julho de 1994, tendo a Câmara Municipal de Leiria comprado o imóvel com a finalidade de constituir a sede do Departamento da Cultura da Câmara Municipal e espaço cultural seria utilizado para acomodar exposições de pintura (Damásio, 2013) 40 . O espaço interior foi adaptado com paredes falsas para abrigar melhor as exposições não alterando o exterior do edifício (Coelho, 2017) 41 . Figura 40: Projeto de um edifício para Agência do Banco de Portugal, em Leiria - Fachada. (Fonte: Arquivo Municipal de Leiria) Figura 41: Projeto da fachada principal do Banco de Portugal, em Leiria. (Fonte: Arquivo Municipal de Leiria) 40 Disponível em: https://estudogeral.sib.uc.pt/handle/10316/24865. Acesso em 09 de junho 2019. 41 Disponível em http://recil.grupolusofona.pt/jspui/handle/10437/7809, Acesso em 09 de junho de 2019. 44 Figura 42: Planta da fundação e do segundo pavimento. (Fonte: Arquivo Municipal de Leiria) Figura 43: Planta do Pavimento Principal e do Subsolo. (Fonte: Arquivo Municipal de Leiria) Figura 44: Vários cortes (Secção transversal pelo Jardim anexo), (Fachada lado norte e secção transversal pelo corpo de ligação do anexo), (Fachada lado sul e secção pelo portão) e (Secção pelo saguão e corpo lateral sul). (Fonte: Arquivo Municipal de Leiria) 51 Figura 55: Fotografia atual da Fachada do Banco Nacional Ultramarino, no Porto. [Fonte: Fotografia de Andrea C. Moleirinho (Acervo Pessoal) – Local - Porto - data 18 de março de 2019] Figura 56: Projeto de ampliação e elevação do prédio da filial do Banco Nacional Ultramarino, no Porto. (Fonte: Arquivo Distrital de Leiria) 52 3. 3. 8 Agência do Banco Nacional Ultramarino em Viseu (demolida) Segundo informação do Arquivo Histórico da Caixa Geral de Depósitos, e através de fotografias fornecidas, constata-se que houve dois edifícios da Agência do BNU na cidade de Viseu, sendo que o segundo se encontrava no gaveto da Rua Formosa com a Avenida dos Combatentes no centro histórico 44 . Este segundo edifício é que se pressupõe constituir um projeto do arquiteto Ernesto Korrodi. Figura 57: Fachada Banco Nacional Ultramarino em Viseu 1.º edifício. (Fonte: Arquivo Histórico da Caixa Geral de Depósitos) 44 BNU Viseu, Arquivo Histórico da Caixa Geral de Depósitos - BNU/AF/02AG/13.126 Vols. I e II. 53 Figura 58: Fotografia da Fachada do Banco Nacional Ultramarino, em Viseu. (Fonte: Arquivo Histórico da Caixa Geral de Depósitos) Figura 59: Alçado da fachada do Banco Nacional Ultramarino, em Viseu. (Fonte: Arquivo Histórico da Caixa Geral de Depósitos) 54 Descrição, segundo Costa (1997): (...) a fachada principal, agenciada por um retângulo dourado - uma das constantes dos projetos de Korrodi-, articula-se com o corpo lateral, de acesso à residência do 3º pavimento e com o gavetodestacando-se ambos pelo tratamento das superfícies de silhares almofadados, idêntico ao dos cunhais. Os vãos do 2º. e 3º pavimentos, subdivididos em três lumes, repetem o ritmo da fachada, acusado por pilastras encimadas por um entablamento que limita os dois pisos destinados às instalações do banco. O portal principal, no gaveto, é emoldurado por colunas de capitéis jônicos e um entablamento encurvado onde se apoia a varanda do 1º. piso, assente sobre mísulas nos ângulos. Os silhares, dispostos em forma de cunha sobre a bandeira da porta da varanda, dividida em dois lumes - ritmo que se repete na janela envidraçada do último piso -, e o frontão curvo alteado enobrecem a fachada, de uma certa singeleza, do gaveto, rematado por uma cúpula… O edifício de gaveto fora demolido segundo solicitação do próprio Banco Nacional Ultramarino, em documento datado de 9 de dezembro de 1976, direcionado ao Presidente da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Viseu 45 . O estudo da ocupação e memória descritiva do edifício fora elaborado e assinado pelo arquiteto José Telo Rato Martins Zúquete e Manuel G. Rodrigues, em Lisboa, em 16 de fevereiro de 1977, no qual alegavam que a capacidade do edifício em questão se encontrava esgotada pelo deficiente aproveitamento interno e que o estado de conservação era bastante mau devendo ser demolido para se poder construir um novo edifício. Segundo informações apuradas pessoalmente junto à Câmara Municipal de Viseu, não foi possível obter documentação relativa ao antigo edifício do Banco Nacional Ultramarino em Viseu, ficando a pesquisa prejudicada quanto à confirmação de sua autoria. Em matéria publicada, no jornal As Beiras , “Viseu - O camartelo do progresso determina demolição”, transmite-se a notícia da demolição do edifício do Banco Nacional Ultramarino, um edifício elegante em pedra de Ançã, o único no género, na cidade”. 45 Documentação administrativa pertencente ao Município de Viseu - Banco Nacional Ultramarino, processo 01/1977/484. 55 Figura 60: Fotografia da fachada do novo edifício Banco Nacional Ultramarino em Viseu. [Fonte: Fotografia de Andrea C. Moleirinho (Acervo Pessoal) – Viseu - 15 de abril de 2019] Em visita ao local, constata-se uma nova construção, que destoa dos edifícios presentes, que se encontram preservados no centro histórico de Viseu, não se justificando a demolição do edifício anterior. Apesar de demolida, a beleza e imponência do edifício da Agência do Banco Nacional Ultramarino em Viseu faz parte da memória de alguns cidadãos de Viseu. 3.3.9 Agência do Banco Nacional Ultramarino em Faro (demolida) Outro caso de difícil verificação foi o do Edifício do Banco Nacional Ultramarino de Faro, uma vez que contatada a Câmara Municipal de Faro esta informou que no Arquivo Municipal não existe documentação relativa ao Edifício da antiga Agência do Banco Nacional Ultramarino, que se localizava 56 na Rua de Santo António. Por se tratar de uma agência bancária de cariz público não fora exigido licenciamento para a referida construção, pelo que não existe o projeto nos arquivos. Trata-se de uma agência de gaveto construída no ano de 1920 e que fora demolida no ano de 1978. O Arquivo Histórico da Caixa Geral de Depósitos forneceu a seguinte fotografia da agência que existiu no Faro, datada do ano de 1920, e atribuída à Ernesto Korrodi 46 . Figura 61: Fachada Banco Nacional Ultramarino em Faro 1920. (Fonte: Arquivo Histórico da Caixa Geral de Depósitos) Para Costa (1997), este edifício assemelha-se, na sua concepção, ao edifício de Viseu: “de dois pisos apenas, embora com um terceiro sobre o gaveto, este liga-se ao corpo da fachada que define o acesso à residência e que se prolonga por uma mansarda que é o andar superior de um prédio, sobre o qual assenta o telhado e de cuja armação ou madeiramento faz parte. Tem uma estrutura bem característica, constituída, em corte, por duas paredes inclinadas e telhado de duas águas pouco inclinadas” 47 ,. 46 BNU Faro, Arquivo Histórico da Caixa Geral de Depósitos - BNU/AF/02AG/13.38 Vol. I. 47 Mansarda - Disponível em: http://www.trabalharcomarquitectos.pt/glossario. Acesso em 17 de setembro de 2020. 57 Figura 62: Alçado da fachada do Banco Nacional Ultramarino em Faro. (Fonte: Arquivo Distrital de Leiria) Em contato com o Arquivo Distrital de Faro foi-nos comunicado não possuírem quaisquer documentos sobre o referido edifício. Segundo matéria do site “Fotos do Faro Antigo” este edifício fora substituído por um novo imóvel com uma arquitetura civil contemporânea para agência bancária 48 . Verifica-se mais um caso de desprezo em salvaguardar o património histórico. 48 Fotos de Faro Antigo Disponível em: https://www.facebook.com/Madalenareislores/. Acesso em 13 de janeiro de 2020. 58 Figura 63: Após a demolição do 2º Edifício foi construído um novo onde se encontra a funcionar a Óptica Optimax, desde 2010. (Fonte :https://www.facebook.com/Madalenareislores/photos/a.670841736400551/1385993904885327/?type=3&theater - data 13 de janeiro de 2020) 3. 3. 10 Agência do Banco Nacional Ultramarino em Vila Real de Santo António (inexistente) Outro edifício que causa controvérsia é o do Banco Nacional Ultramarino em Vila Real de Santo António, cidade raiana portuguesa, localizada no Algarve. Nascida de uma pequena aldeia piscatória na desembocadura do Rio Guadiana, chamada Santo António de Arenilha, no ano de 1755 registou um terramoto e maremoto de 9 graus na escala de Richter, o qual originou um tsunami de grandes proporções que assolou a capital portuguesa e também, as costas espanholas de Huelva e Cádiz. As ondas gigantes, que terão atingido os 16 metros, chegaram a Huelva, a cerca de 250 quilómetros de Lisboa, em apenas 30 minutos, destruindo toda a povoação 49 . Depois foi edificada uma nova povoação por ordem do então Ministro do Reino, o Marquês de Pombal, decidiu edificar uma cidade no local sinistro, para demonstrar força à Espanha, o país vizinho pouco amado. O Marquês de Pombal recorreu a técnicas que tinham dado provas da sua valia na 49 Terramoto em Faro:” Fonte: http://pt.algarve-portal.com/city.php?p=3&id=28. Acesso em 3 de maio de 2019. 59 reconstrução da igualmente destruída capital, Lisboa. Em tempo recorde, ou seja, em apenas cinco meses nasceu uma cidade, projetada a régua e esquadro, com uma planta que imita uma tábua de xadrez. Em honra do rei D. José I, foi batizada de “Vila Real”, e com referência à aldeia tragicamente desaparecida, manteve também o nome do padroeiro Santo António. Vila Real de Santo António foi um centro importantíssimo de pesca de atum e sardinha e também um porto indispensável do comércio de minério. Na época áurea da indústria das conservas no Algarve, os Ramirez, uma família pioneira neste sector, que fundou a sua primeira fábrica em 1853, obteve tanto êxito, e sendo tão visionária, que almejava muito mais, tendo para tal encomendado ao arquiteto Ernesto Korrodi o projeto para aquele que seria o primeiro hotel a sul do Tejo. Juntamente com este projeto, por possuir ações do Banco Nacional Ultramarino, o Sr. Ramirez tinha o desejo de construir uma agência definitiva do Banco, no rés-do-chão do Hotel de Turismo, que encomendara ao Arquiteto Ernesto Korrodi, embora já existisse uma Agência do Banco Nacional Ultramarino em Vila Real de Santo António, a qual se encontrava junto à cerca do torreão do canto nordeste da Praça Real (atual Praça Marquês de Pombal) 50 51 . Observa-se o trecho extraído da memória descritiva e explicativa do projeto de Ernesto Korrodi para o Hotel de Turismo ao qual contém informações do projeto para instalações definitivas da Agência do Banco Nacional Ultramarino: (...) Pelo Exmo. Sr. Manoel Ramires, proprietário e industrial em Vila Real de Santo António, fui no ano p.p convidado para lhe executar um projeto de transformação e adaptação para Hotel de Turismo de um edifício já então em adiantado estado de construção. A memória descritiva referia-se a um prédio apalaçado, projeto de autoria de um construtor do Algarve e que naquela data se encontrava já executado até a linha do pavimento do andar nobre, sendo indispensável proceder com a máxima rapidez ao estudo da transformação, já para evitar uma futura interrupção dos trabalhos que se encontravam em plena laboração, já para habilitar o condutor da obra com os elementos necessários para proceder à construção das divisórias do andar nobre, parte inteiramente destinada para instalação do futuro Hotel. 50 Segundo Sr. Ramirez (neto) em conversa ao telefone. 51 Relato das lembranças pessoais mencionadas em troca de correspondência com o Sr. Fernando Pessanha do Arquivo Histórico Municipal de Vila Real de Santo António. 60 O programa apresentado pelo proprietário consistia na melhor adaptação possível ao novo fim da construção já principiada, distribuindo o mais racionalmente possível as diversas instalações do Hotel, nos dois pavimentos e águas furtadas. Do rés-do-chão podia igualmente dispor-se das superfícies indispensáveis para as instalações acessórias do Hotel, como escadas de acesso, caves, garagem, etc., ficando a restante superfície ocupada pelas instalações e escritórios da firma Comercial Ramires & C.ª, presumivelmente pelas instalações definitivas da Agência do Banco Nacional Ultramarino”. O Arquivo Histórico da Caixa Geral de Depósitos forneceu a seguinte fotografia da agência existente do Banco Nacional Ultramarino na cidade de Vila Real de Santo António 52 . Figura 64: Fotografia da Fachada do Banco Nacional Ultramarino em Vila Real de Santo António. (Fonte: Arquivo Histórico da Caixa Geral de Depósitos) 52 BNU Vila Real de Santo António - Arquivo Histórico da Caixa Geral de Depósitos - BNU/AF/02AG/13.124 Vol. I. 67 Figura 72: Matérias de jornais. (Fonte: Arquivo Municipal de Silves) Não foi encontrado no Arquivo Distrital de Leiria nenhum projeto para a construção de uma agência na cidade de Silves realizado pelo arquiteto Ernesto Korrodi, porém encontrou-se um cartão endereçado ao mesmo pelo Banco Nacional Ultramarino de Silves. 3. 3. 14 Agência do Banco Nacional Ultramarino em Coimbra (demolida) A agência do Banco Nacional Ultramarino na cidade de Coimbra é outro projeto do qual não se pode afirmar a autoria do arquiteto Korrodi, uma vez que a planta do projeto da agência não se encontra assinada, informação verificada junto ao Arquivo Histórico da Caixa Geral de Depósitos 55 . O Arquivo forneceu-nos a fotografia do edificado, datada do ano de 1920, e que se situava a Rua Ferreira Borges. Este edifício foi demolido. Em correspondência trocada com a Câmara Municipal de Coimbra, informaram-nos da realização de uma pesquisa feita no acervo documental da Câmara 55 BNU Coimbra - Arquivo Histórico da Caixa Geral de Depósito, BNU/AF/02AG/13.29 VOL I. 68 Municipal designadamente, Serviço de Arquivo Geral, Arquivo do DPGU, Sistema de Processos de Obras (SPO) e Divisão de Reabilitação Urbana (DRU), na qual não foi encontrada documentação do edifício do Banco Nacional Ultramarino, edificado em 1920 e desenhado pelo arquiteto Ernesto Korrodi. O que deixaram à disposição foi o número de processo que identifica alterações no r/c, datada de 1995. Segundo Costa (1997) o projeto da agência de Póvoa de Varzim fora depois adaptado para a filial de Coimbra e o edifício construído em Coimbra na Rua Sofia tinha sido demolido. Figura 73: Fachada do Banco Nacional Ultramarino em Coimbra. (Fonte: Arquivo Histórico da Caixa Geral de Depósitos) 69 3. 3. 15 Agência do Banco Nacional Ultramarino em Peso da Régua (demolida) Quanto ao Banco Nacional Ultramarino situado na cidade de Peso da Régua, o Arquivo Distrital de Leiria não possui a planta no seu acervo. Porém, o Arquivo Histórico da Caixa Geral de Depósito disponibilizou-nos uma fotografia datada de 1920, e a informação de que a agência se situava na Rua dos Camilos. Junto, enviou imagem de um projeto para a execução de um novo edifício; porém este contém uma assinatura que não corresponde à do arquiteto Ernesto Korrodi. Conclui-se que esta agência, mencionada na obra de Costa (1997) como sendo do arquiteto Korrodi, não é da sua autoria. Figura 74: Fachada do Banco Nacional Ultramarino em Peso da Régua em 1920. (Fonte: Arquivo Histórico da Caixa Geral de Depósitos) 70 Figura 75: Alçados da fachada do Banco Nacional Ultramarino, Peso da Régua. (Fonte: Arquivo Histórico da Caixa Geral de Depósitos) Projeto para execução de um novo edifício em Peso da Régua Figura 76: Assinatura do autor do projeto para a nova agência do BNU no Peso da Régua, que não foi possível identificar. (Fonte: Arquivo Histórico da Caixa Geral de Depósitos). 71 CAPÍTULO IV CONSIDERAÇÕES FINAIS O Arquivo Distrital de Leiria, por doação da família de Ernesto Korrodi, dispõe de um vasto acervo documental das obras do arquiteto. Graças a esta doação, feita pelos bisnetos Miguel Korrodi Ritto e João Korrodi Mineiro, torna-se possível ter acesso ao extenso trabalho do arquiteto. Esta doação possibilita, também, a manutenção de uma parte da memória da história da arquitetura em Portugal. Neste trabalho, o levantamento de alguns projetos dos edifícios do Banco Nacional Ultramarino e do Banco de Portugal foram obtidos através da consulta deste acervo documental e do acervo documental da Caixa Geral de Depósitos, que detém o arquivo histórico do BNU. Na sua tese de mestrado, Lucília Verdelho da Costa elenca aproximadamente quinze edifícios, como sendo obra da autoria do arquiteto Korrodi (Costa, 1997). Porém na investigação que efetuamos, não se encontra respaldo de autoria, ou seja, ora o edifício não corresponde ao projeto desenhado ora o edifício é obra de outro arquiteto. Sendo eles: Agência do Banco de Portugal em Viseu, Agência do Banco Nacional Ultramarino em Beja, Agência do Banco Nacional Ultramarino em Silves, Agência do Banco Nacional Ultramarino em Coimbra e Agência do Banco Nacional Ultramarino em Peso da Régua. Acredita-se que naquela época abriam-se concursos para que todos os arquitetos participassem, enviando os seus projetos, sendo escolhidos os mais viáveis. Sabe-se também que algumas agências foram adquiridas através da fusão com outros bancos. Mesmo assim, esta situação não invalida a participação de Ernesto Korrodi numa parte da arquitetura financeira em Portugal na década de 1920. O que se procurou esclarecer neste trabalho foi a identificação das obras, ou seja, concluir sobre a autoria dos respetivos projetos. O caso mais controverso na literatura sobre este assunto, por o erro virar “verdade”, foi do edifício do Banco de Portugal em Viseu, que alguns acreditam ser de autoria de Korrodi. Porém, pesquisadores como é o caso de Damásio já solucionaram essa dúvida (Damásio, 2013) 56 . Existiram dois edifícios do Banco de Portugal em Viseu sendo o primeiro inaugurado em 1907, de autoria do arquiteto Adães Bermudes, e o segundo, inaugurado em 1930, de autoria do arquiteto João de Moura Coutinho. 56 Disponível em: https://estudogeral.sib.uc.pt/handle/10316/24865. Acesso em 09 de junho 2019. 72 Percebeu-se uma certa carência de informações por parte de algumas autarquias no tocante aos edifícios levando ao descaso o património cultural de algumas cidades. Partindo do princípio que o património cultural é um assunto de todos e para todos, torna-se necessário a participação ativa, seja do Estado central, das autarquias, assim como da população, em salvaguardá-lo. A legislação existe, porém falta responsabilidade moral por parte dos responsáveis em assegurar esse património, direito fundamental de todos. Para Donizete Rodrigues “O património expressa a identidade histórica e as vivências de um povo” 57 . Ernesto Korrodi fez parte dessa identidade histórica e deixou o seu legado ao povo português cabendo a nós, num simples gesto de gratidão, protegê-lo. 57 RODRIGUES, Donizete. Património cultural, Memória social e identidade: uma abordagem antropológica. Disponível em http://www.ubimuseum.ubi.pt/n01/docs/ubimuseum-n01-pdf/CS3-rodrigues-donizete-patrimonio-cultural-memoria-social-identidadeuma%20abordagem-antropologica.pdf. P.4. 73 FONTES, BIBLIOGRAFIA E WEBGRAFIA FONTES Arquivo Distrital de Leiria – documentos (plantas) Arquivo Municipal do Faroimagens Arquivo Distrital de Viseu/ Casa Amarelaregisto predial e outros Arquivo Histórico de Vila Real de Santo Antónioinformações Arquivo Histórico Municipal do Portoinformações Arquivo da Caixa Geral de Depósitosprocessos de obras do BNU Arquivo Municipal da Covilhãdocumentos Arquivo Municipal de Leiriadocumentos (plantas) Arquivo Municipal de Silvesofício BNU 1955, ofício de inauguração 1957, ata 1955 Arquivo Municipal de Vila Realimagem Arquivo Histórico de Chavesregisto predial Arquivo Histórico do Banco de Portugal-memória descritiva edifícios Arquivo Histórico do Banco Nacional Ultramarinoimagens Câmara Municipal de Barcelosdocumentos (plantas) BIBLIOGRAFIA BANCO NACIONAL ULTRAMARINO (1965). Comemorações do 1.º Centenário, 1864-1964 . Lisboa: Banco Nacional Ultramarino. BERGER, Francisco Gentil (2017), Arquitectos da Primeira República . 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