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A influência da literacia financeira no comportamento de investimento Catarina Lourenço Dias Catarina Lourenço Dias A influência da literacia financeira no comportamento de investimento julho de 2024 UMinho | 2024
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Universidade do Minho Escola de Economia e Gestão Catarina Lourenço Dias A influência da literacia financeira no comportamento de investimento Dissertação de Mestrado Mestrado em Gestão e Negócios Trabalho efetuado sob a orientação da Professora Doutora Cristiana Maria Silva Cerqueira Leal julho de 2024
i DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho Atribuição-NãoComercial-SemDerivações CC BY-NC-ND https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0
ii AGRADECIMENTOS Gostaria de expressar a minha sincera gratidão a todas as pessoas que contribuíram para a realização deste trabalho. Aos meus pais, à minha irmã e ao Mickael pelo amor incondicional, apoio constante e incentivo ao longo desta jornada acadêmica. Ao Frederico por tornar os dias difíceis mais leves e as conquistas mais memoráveis. É um privilégio ter-te a meu lado. À professora Cristiana Cerqueira Leal pelo apoio e partilha de conhecimentos essenciais ao longo deste percurso. Aos meus colegas Carlos, Eduarda, Leonor e Maria Inês por estarem ao meu lado, compartilhando ideias, oferecendo feedback valioso e proporcionando um ambiente de apoio e colaboração. Por último, a todos os meus amigos que me apoiam diariamente. A todos vocês, o meu profundo agradecimento. Até uma próxima, Catarina Dias
iii DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho.
iv A influência da literacia financeira no comportamento de investimento RESUMO O principal objetivo desta dissertação é analisar a influência da literacia financeira - efetiva e percecionada - sobre o comportamento de investimento, particularmente os hábitos de investimento em valores mobiliários: participação de mercado, peso dos valores mobiliários no património total e o investimento em ações. São consideradas, adicionalmente, na análise algumas variáveis sociodemográficas, nomeadamente, género, idade, estado civil, situação profissional, nível de escolaridade, área de formação, rendimento mensal próprio, rendimento mensal do agregado familiar, dependentes a cargo do próprio e variáveis comportamentais, nomeadamente autocontrolo e excesso de confiança. Para além destas, é analisada a aversão ao risco, sendo considerada uma preferência. Para responder aos objetivos e hipóteses definidas foi criado um questionário online através do Google Forms, tendo sido obtidas 208 respostas. Posteriormente, para a análise dos dados foram utilizadas regressões “Probit” e “Ordered Probit”. Os resultados mostram que o nível de literacia financeira em Portugal é médio. A literacia financeira é influenciada pelo género, área, excesso de confiança e literacia financeira percecionada. Apenas a variável correspondente ao excesso de confiança apresenta uma relação negativa com a literacia financeira efetiva, sendo que as restantes apresentam uma relação positiva. Em relação ao comportamento de investimento, mais especificamente os hábitos de investimento em valores mobiliários: participação de mercado, são influenciados pela literacia financeira efetiva, pela literacia financeira percecionada, pelo excesso de confiança, pela idade, pelo género e pela educação. Já no que concerne peso dos valores mobiliários no património total, este é influenciado positivamente pela literacia financeira efetiva, pela literacia financeira percecionada, pelo excesso de confiança, pelo género e pela educação. Por fim, o investimento em ações é influenciado positivamente pela literacia financeira efetiva, pelo excesso de confiança, pelo género e pela educação. Palavras-chave: Literacia Financeira; Comportamento de Investimento; Autocontrolo; Excesso de confiança; Aversão ao risco
v The influence of financial literacy on investment behavior ABSTRACT The primary objective of this dissertation is to analyze the influence of financial literacy—both actual and perceived—on investment behavior, particularly investment habits in securities: market participation, the proportion of securities in total wealth, and stock investments. Additionally, some sociodemographic variables are considered in the analysis, namely gender, age, marital status, professional situation, education level, field of study, personal monthly income, household monthly income, dependents, as well as behavioral variables, specifically self-control and overconfidence. Moreover, risk aversion is analyzed as a preference. To address the defined objectives and hypotheses, an online questionnaire was created using Google Forms, resulting in 208 responses. Subsequently, "Probit" and "Ordered Probit" regressions were used for data analysis. The results show that the level of financial literacy in Portugal is average. Financial literacy is influenced by gender, field of study, overconfidence, and perceived financial literacy. Only the variable corresponding to overconfidence shows a negative relationship with actual financial literacy, while the others show a positive relationship. Regarding investment behavior, specifically investment habits in securities: market participation is influenced by actual financial literacy, perceived financial literacy, overconfidence, age, gender, and education. Concerning the proportion of securities in total wealth, it is positively influenced by actual financial literacy, perceived financial literacy, overconfidence, gender, and education. Finally, stock investments are positively influenced by actual financial literacy, overconfidence, gender, and education. Keywords: Financial Literacy; Investment Behavior; Behavioral Biases; Overconfidence; Risk aversion
vi Índice 1. Introdução ............................................................................................................................... 10 2. Revisão de Literatura ............................................................................................................... 12 2.1. Literacia financeira .................................................................................................................. 12 2.1.1. Definição de literacia financeira ...................................................................................... 12 2.1.2. Medição do nível de literacia financeira ........................................................................... 14 2.1.3. Literacia financeira efetiva e percecionada ...................................................................... 14 2.1.4. A literacia financeira em Portugal ................................................................................... 15 2.1.5. A literacia financeira no mundo ...................................................................................... 16 2.1.6. Relação entre variáveis sociodemográficas e literacia financeira ....................................... 17 2.2. Comportamento de investimento ............................................................................................. 19 2.2.1. Comportamento de investimento .................................................................................... 19 2.2.2. Relação entre literacia financeira e comportamento de investimento ...............................22 2.2.3. Relação entre fatores comportamentais e comportamento de investimento ..................... 24 2.2.4. Aversão ao risco e comportamento de investimento ........................................................ 24 2.2.5. Análise do perfil do investidor .........................................................................................25 3. Metodologia ............................................................................................................................26 3.1. Objetivos de Análise ....................................................................................................... 27 3.2. Hipóteses .......................................................................................................................28 3.3. Estrutura do Questionário ...............................................................................................29 3.4. Descrição das Variáveis .................................................................................................. 31 3.4.1. Variáveis dependentes ....................................................................................................32 3.4.2. Variáveis independentes ..................................................................................................36 3.5. Teste Piloto ....................................................................................................................39 3.6. Modelos em análise .......................................................................................................40 4. Dados ..................................................................................................................................... 41 4.1. Universo e amostra ........................................................................................................ 41 4.2. Análise de confiabilidade ................................................................................................42 4.3. Análise da multicolinearidade .........................................................................................43 4.4. Descrição dos dados ...................................................................................................... 47 5. Resultados e análise empírica ..................................................................................................62 5.1. Literacia financeira .........................................................................................................62 5.2. Comportamento de investimento ....................................................................................66 5.2.1. Investimento em valores mobiliários ...............................................................................66 5.2.2. Peso dos investimentos em valores mobiliários no património total..................................70 5.2.3. Razões mais importantes dos investimentos ................................................................... 74
13 letrados se forem competentes e conseguirem demonstrar que usaram o conhecimento que aprenderam. Sendo assim, a literacia financeira não é apenas o conhecimento de conceitos financeiros, mas também reflete a habilidade de um individuo realizar tarefas relacionadas com a mesma. Já a próxima categoria, a capacidade na tomada de decisões financeiras apropriadas, é mencionada por Lusardi e Mitchell (2014) que definem literacia financeira como a capacidade de análise de informações económicas e tomada de decisão financeira informada. Se os indivíduos têm conhecimento financeiro, mas não conseguem usá-lo adequadamente para tomar decisões financeiras sólidas, então não são financeiramente letrados. Por fim, no que concerne, à categoria da confiança no planeamento eficaz para necessidades financeiras futuras, é de importância mencionar o autor Coalition (2007), defendendo que literacia financeira se reflete na aptidão de utilizar conhecimentos e competências para gerir recursos financeiros eficazmente e promovendo segurança financeira para o futuro. O departamento de trabalho dos Estados Unidos, responsável pelo programa Wi$eUp – programa de literacia financeira direcionado para as mulheres da geração Y e Z, defende que a literacia financeira envolve hábitos de poupança responsáveis com vista a um melhor futuro e reforma (Remund, 2010). Envolvendo as várias categorias, a definição padrão de literacia financeira desenvolvida pelo “Literacy Definition Committee” e utilizado pelo “National Adult Literacy Survey” corresponde a informações para funcionar em sociedade, para alcançar objetivos e para desenvolver o conhecimento e potencial (Kirsch et al., 2001). Também tocando nas diversas categorias e, por isso, uma definição bastante abrangente e completa (French e McKillop 2016), a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) definiu literacia financeira como o conhecimento e compreensão de conceitos e riscos financeiros, e as habilidades, motivação e confiança para tomar decisões eficazes numa série de contextos financeiros, para melhorar o bem-estar financeiro dos indivíduos e da sociedade e para permitir a participação na vida económica (OCDE, 2014).
14 2.1.2. Medição do nível de literacia financeira A literatura não chega a um consenso no que diz respeito ao modo de operacionalização e medição da literacia financeira (Ramalho e Forte, 2019). As medidas de literacia financeira utilizadas na literatura podem ser classificadas em dois grupos principais, nomeadamente medidas objetivas e subjetivas, ambas através de questionários (Allgood e Walstad, 2016). Grable et al., (2009) e Lusardi e Tufano. (2015) fizeram avaliações objetivas, solicitando aos inquiridos que avaliassem os seus próprios conhecimentos. Por outro lado, alguns estudos têm medido subjetivamente a educação financeira, desenvolvendo questões de conhecimento com quatro opções de resposta (Volpe et al., 1996; Chen e Volpe, 2002; Beal e Delpachitra 2003). Além disso, alguns autores têm defendido a utilização de mais uma opção de resposta, nomeadamente “não sei”, diminuindo resultados enganosos devido a tentativas de adivinhar (Manton et al., 2006; Hill e Perdue, 2008; Lusardi e Mitchell, 2008; van Rooij et al., 2011). Lusardi e Mitchell (2011) acrescentaram um conjunto de perguntas destacadas pela simplicidade, pela diferença, pela relevância e pela brevidade ao Estudo de Saúde e Reforma de 2004 (HRS) - um inquérito a agregados familiares norte-americanos com 50 ou mais anos de idade, estas foram consideradas fundamentais em vários inquéritos destinados a medir a literacia financeira nos EUA e no resto do mundo. Os inquiridos são avaliados em 3 conceitos, nomeadamente, em termos de conhecimento de taxas de juro, inflação e diversificação de risco, exigindo habilidades básicas de numeracia/ matemática e familiaridade com a definição de ações e fundos mútuos. Estas três questões ficaram conhecidas como as “Big Three”. Para além de duas perguntas relacionadas com o preço de obrigações e hipotecas, as três questões foram incorporadas ao National Financial Capability Study (NFCS) de 2009 nos EUA, uma grande pesquisa nacional sobre as capacidades financeiras da população adulta. Estas 5 deram origem às “Big Five”. 2.1.3. Literacia financeira efetiva e percecionada Nota-se uma divergência relativamente à definição de literacia financeira, como indicado no início da revisão de literatura. Sendo assim, alguns autores optam por mencionar não só o
15 conceito de literacia financeira efetiva, mas também o de literacia financeira percecionada. A literacia financeira efetiva é avaliada através das respostas corretas e incorretas às perguntas de um teste, sendo a forma mais tradicional de medir a literacia financeira. Já a literacia financeira percecionada é uma avaliação subjetiva e centra-se no que as pessoas pensam que sabem sobre finanças pessoais com base em autoavaliações da sua literacia financeira. Recentes pesquisas têm destacado o papel crucial da perceção da literacia financeira na tomada de decisões econômicas, como por exemplo, Allgood e Walstad (2016) concluíram que a literacia financeira percecionada é mais eficaz na previsão de comportamentos financeiros positivos do que a literacia financeira efetiva, sendo especialmente evidente em áreas como investimentos financeiros, uso de cartão de crédito, hipotecas e empréstimos, uso de seguros e procura de aconselhamento financeiro. Sendo assim, conforme a perceção de alfabetização financeira aumenta, observa-se uma tendência de melhoria nas escolhas financeiras. Outros estudos também corroboraram essa tendência (Bellofatto et al., 2018; Neubert,e Bannier 2016; LaBorde et al., 2013). 2.1.4. A literacia financeira em Portugal Em 2020, num inquérito internacional de 26 países à literacia financeira dos adultos promovido pela International Network on Financial Education da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE/INFE), Portugal ficou em 7º lugar, apresentando uma pontuação de literacia financeira de 13.1, sendo superior à média de 12.7, numa escala de 0 a 21. O nível de literacia global inclui três vertentes, atitudes, comportamentos e conhecimentos financeiros. Em relação à vertente atitudes, numa escala de 1 a 5, Portugal apresenta 3.2, comparativamente à média de 3, já no que toca aos comportamentos, numa escala de 0 a 9, apresenta uma pontuação de 5.9, relativamente à média de 5.2 e, por fim, no que concerne aos conhecimentos, numa escala de 0 a 7, Portugal apresenta um valor de 4, contra uma média de 4.4 (OECD, 2020). Num quadro menos positivo, surge o estudo realizado por Klapper et al. (2020), onde Portugal surge em último lugar entre os países da zona euro, comparativamente aos três países com melhores pontuações, nomeadamente Alemanha, Holanda e Finlândia. Nem 30% dos inquiridos portugueses responderam corretamente a pelo menos 3 perguntas das 5 sobre
16 conceitos financeiros. As questões diziam respeito à diversificação de riscos, inflação, numeracia e juros compostos. Para combater este baixo nível de literacia financeira efetiva, surge em 2011 o Plano Nacional de Formação Financeira (PNFF), assumindo um papel crucial no desenvolvimento do país, pois cidadãos financeiramente letrados tomam decisões mais ponderadas e assertivas, sendo uma mais-valia não só individualmente, como coletivamente. Com este plano surgiram iniciativas de forma a aumentar a educação financeira entre os portugueses, destacando-se o portal "Todos Contam" e o "Referencial de Educação Financeira" para escolas (Conselho Nacional de Supervisores Financeiros, 2022). 2.1.5. A literacia financeira no mundo É notável o crescimento da importância da literacia financeira, tanto nos países menos, como mais desenvolvidos. Sendo assim, os governadores têm investido em programas de educação financeira (Xu e Zia, 2012). Os países com as maiores taxas de literacia financeira são Austrália, Canadá, Dinamarca, Finlândia, Alemanha, Israel, Holanda, Noruega, Suécia e Reino Unido, onde cerca de 65% ou mais dos adultos são alfabetizados financeiramente. No outro extremo do espectro, o sul da Ásia abriga países com algumas das mais baixas pontuações de educação financeira, onde apenas um quarto dos adultos, ou menos, são alfabetizados financeiramente. A compreensão dos conceitos financeiros é mais alta no norte da Europa, nomeadamente, Dinamarca, Alemanha, Holanda e Suécia, onde pelo menos 65% de seus adultos são alfabetizados financeiramente. As taxas são muito mais baixas no sul da Europa, por exemplo, na Grécia e na Espanha, as taxas de alfabetização são de 45% e 49%, respetivamente. Itália e Portugal têm algumas das taxas de alfabetização mais baixas do sul. A Romênia, com 22% de educação financeira, tem a taxa mais baixa da União Europeia (Klapper et al., 2015). Um estudo da OCDE (2005) analisou dados sobre literacia financeira nos países e demonstraram que a iliteracia financeira é uma característica comum a muitos países desenvolvidos, incluindo países europeus, Austrália, Japão e Estados Unidos da América.
17 Um estudo utilizou um conjunto de dados da Rússia, uma economia na qual os empréstimos ao consumo cresceram a um ritmo chocante para examinar a importância da literacia financeira e dos seus efeitos no comportamento. Embora o endividamento do consumidor tenha aumentado muito rapidamente na Rússia, os autores concluem que apenas 41% dos inquiridos demonstram compreensão do funcionamento da composição dos juros e apenas 46% conseguem responder a uma pergunta simples sobre a inflação (Klapper et al., 2012). Com o intuito de melhor o nível de literacia financeira da população e consequente melhor estilo de vida, alguns países têm tomado atitudes. Na Austrália, a Comissão Australiana de Valores Mobiliários e Investimentos lançou o ASIC (2011). Já a Nova Zelândia, elaborou a Estratégia Nacional para a Literacia Financeira (2012). Também, no Reino Unido surgiram os Serviços Financeiros do Reino Unido e na India o Reserve Bank of India (Garg, e Singh, 2018). 2.1.6. Relação entre variáveis sociodemográficas e literacia financeira Alguns autores defendem que a literacia financeira é influenciada por características sociodemográficas, como idade, género, estado civil, escolaridade, estatuto profissional e rendimento (Garg, e Singh, 2018). Lusardi e Mitchell (2011) constataram que o analfabetismo financeiro é generalizado e particularmente agudo entre grupos específicos da população, como as mulheres, os idosos e as pessoas com baixos níveis de instrução. O nível de literacia conforme a idade, normalmente, é representado por uma curva em forma de “U” invertido, ou seja, o nível de literacia no caso da população mais jovem e mais idosa é mais baixo relativamente àqueles que se encontram no meio do seu ciclo de vida. Os resultados de um estudo de Klapper e Lusardi (2020), utilizando os inquéritos do Estudo Nacional de Capacidade Financeira (NFCS) de 2012 e 2015 concluíram o mesmo, existindo uma proporção considerável de idosos entrevistados (mais de 30 por cento) com montantes excessivos de dívida perto de reforma, quando deveriam estar no auge de sua acumulação de riqueza. No que concerne ao género, tem se chegado à conclusão de que os homens são melhores a gerir as finanças do que as mulheres, ou seja, os homens têm mais confiança em
18 tomar decisões financeiras (Ansong e Gyensare., 2012). Também Bucher‐Koenen et al. (2016) concluem que as mulheres tendem a ter níveis inferiores de literacia, visto nos questionários realizados os seus resultados serem inferiores aos dos homens. Lusardi e Mitchell (2014) concluem que existe um analfabetismo financeiro generalizado entre as mulheres, notando-se pouca confiança no assunto devido a um grande número de respostas “Não Sei”. Num estudo realizado em 2016, com uma amostra de 25.000 indivíduos japoneses entre os 18 e 79 anos, concluiu-se que os homens tendem a ser mais alfabetizados financeiramente do que as mulheres, no entanto, as tendências entre ambos os géneros foram semelhantes: a idade foi associada a um aumento na literacia financeira, mas a taxa de crescimento diminuiu entre os inquiridos mais velhos (Okamoto e Komamura, 2021). Adam et al. (2018) investigaram a desigualdade de género na literacia financeira de indivíduos reformados de Gana. O estudo utilizou dados de um total de 334 reformados, sendo 151 mulheres e 183 homens e concluiu que os inquiridos do sexo masculino eram mais instruídos financeiramente do que os inquiridos do sexo feminino. A influencia do estado civil no nível de literacia dos indivíduos foi pouco estudada. Mattia et al. (2017) acreditam que outras variáveis podem explicar a diferença entre géneros e, por isso, incluem no seu estudo o estado civil. Estes concluíram que tanto os homens como as mulheres casadas têm um nível de literacia superior, comparativamente aos indivíduos solteiros e que nunca foram casados. Bashir, T. et al. (2013) concluem o mesmo. Hsu (2015) conclui que as mulheres apenas investem na literacia financeira à medida que os maridos começam a perder competências cognitivas. O nível de escolaridade apresenta uma relação positiva com a literacia financeira, isto é, quão maior o grau de escolaridade do individuo, maior será a sua literacia financeira (Lusardi e Mitchell, 2014), (Klapper e Lusardi, 2020). O estatuto profissional também influencia o nível de literacia financeira. O estudo realizado por Arrondel et al. (2014) da população francesa concluiu que os inquiridos que não estavam empregados à data do inquérito tiveram um desempenho muito pior do que os que estavam empregados ou por conta própria. A população que não está empregada também é mais propensa a relatar "não sabe" do que outros entrevistados. Uma pesquisa realizada pela ANZ Survey (2008) e Worthington (2005) na Austrália descobriu que as pontuações de literacia financeira são tipicamente mais altas entre indivíduos que estão em ocupações profissionais
19 (Roespinoedji e Al, 2021). Para além disto, a área também está associada ao nível de literacia financeira do indivíduo. Uma pesquisa com investidores dos Emirados Árabes Unidos descobriu que os indivíduos que trabalham em finanças, geralmente apresentam maior conhecimento financeiro do que outros em outras áreas de emprego (Hassan Al‐Tamimi e Anood Bin Kalli, 2009). No que concerne ao rendimento, Stolper e Walter (2017) também defendem que aqueles que possuem maior riqueza financeira apresentam um maior nível de literacia financeira e viceversa. 2.2. Comportamento de investimento 2.2.1. Comportamento de investimento O comportamento de investimento é uma peça fundamental na complexa atividade econômica global, moldando não apenas as fortunas individuais, mas também influenciando o panorama econômico de nações inteiras. O investimento está na génese do crescimento e do desenvolvimento da economia. Esta é uma atividade econômica que pode ser uma forma de uma pessoa expandir, manter a sua riqueza e, no pior cenário, de a perder, ou seja, investir significa abdicar de consumir no presente em troca de um aumento da capacidade produtiva, que irá possibilitar um maior consumo no futuro. A decisão de investir ou não é influenciado por fatores como, o rendimento, o conhecimento financeiro (compreensão e ao domínio de conceitos e princípios financeiros), o autocontrolo, o comportamento financeiro (ações práticas e observáveis) e a atitude financeira (crenças, valores, emoções e mentalidade em relação ao dinheiro) (Atmaningrum et al., 2021). O comportamento de manada refere-se à tendência de imitar as ações ou decisões de uma maioria, desconsiderando as suas convicções (Kameda e Hastie, 2015). No mundo financeiro também acontece, sendo que os gestores preocupados com as suas reputações tendem a imitar o comportamento da maioria com o objetivo de se demonstrarem competentes. Este comportamento leva a volatilidade do mercado, pois muitos investidores compram ou vendem simultaneamente (Scharfstein e Stein, 2000).
20 É possível investir em ativos ou passivos. Os ativos têm potencial de valorização ou geram renda ao longo do tempo, como ações, imóveis e títulos. Por outro lado, investir em passivos envolve adquirir itens que consomem recursos financeiros, como carros e férias de luxo, sem oferecer retorno financeiro significativo. A diferenciação entre os dois tipos de investimento está no potencial de crescimento do patrimônio líquido ao longo do tempo, com os ativos contribuindo para esse crescimento e os passivos consumindo recursos financeiros (Jaquart et al., 2023) Shiller (2000) afirmou que o comportamento do investimento é determinado por fatores estruturais, fatores culturais e fatores psicológicos. O processo de tomada de decisão de investimento é um processo crítico que depende de vários fatores e, também, são diferentes de pessoa para pessoa. As pessoas são deparadas com fatores complexos, como risco, ambiguidade e sobrecarga de escolha, sendo um desafio para profissionais financeiros, investidores experientes, e especialmente famílias. Os investimentos tanto podem gerar lucros, como despesas, devido a decisões tomadas com base em dados enganosos. As despesas de investimento presentes são feitas para obter ganhos futuramente e podem ser alcançados de duas maneiras, nomeadamente investimentos em ativos fixos, como edifícios e máquinas e investimentos em termos de dinheiro como ações e títulos (Awais et al., 2016). Um estudo realizado por Aregbeyen e Mbadiugha (2011) sobre investidores nigerianos concluem que as dez variáveis que mais influenciam o investimento são “motivação por pessoas que alcançaram segurança financeira através do investimento em ações, segurança financeira futura, recomendações de corretores de ações respeitáveis e confiáveis, equipa de gestão da empresa, consciência das perspetivas de investir em ações, composição do conselho de administração das empresas, desempenho financeiro recente da empresa, estrutura de propriedade da empresa e previsões respeitáveis de aumento futuro no valor das ações. O fator social foi classificado como o fator mais influenciador ao lado dos fatores econômicos, seguido por fatores psicológicos e culturais”. Através de um questionário, concluiu-se que os fatores que influenciam o comportamento do investidor dos Emirados Árabes Unidos, nomeadamente por ordem de importância, "lucros corporativos esperados", "enriquecer rapidamente", "comerciabilidade de ações", "desempenho passado das ações da empresa", "participações do governo", "criação de mercados financeiros organizados". Já no que concerne aos fatores menos influenciadores, por
21 ordem de importância, são "perdas esperadas noutros investimentos locais", "minimização de riscos", "perdas esperadas nos mercados financeiros internacionais", "opiniões de familiares" e "intuições sobre a economia" (Hassan Al‐Tamimi e Anood Bin Kalli, 2009). O investimento empresarial não é apenas um fator determinante do crescimento a longo prazo, mas também uma componente altamente cíclica da procura agregada, isto é, em períodos de crescimento, as empresas investem mais, impulsionando a procura agregada, enquanto durante recessões, os investimentos tendem a diminuir, afetando a procura agregada de forma negativa. Sendo assim, é um dos principais contribuintes para as flutuações do ciclo económico, sendo que o colapso do investimento em 2008 verificado em inúmeros países foi responsável por uma grande parte da contração da procura agregada que levou muitas economias avançadas a viverem a sua pior recessão em anos (Banerjee, Kearns e Lombardi, 2015). Os investimentos financeiros sofreram um enorme desenvolvimento nos últimos anos, desde o simples investimento em ações ordinárias, títulos e fundos mútuos até derivados financeiros mais avançados, incluindo contratos a prazo, opções e futuros (Ayedh et al., 2021). Surgiu uma nova era dos mercados financeiros com a invenção das blockchains e a criação de criptomoedas. O mercado de criptomoedas passou por um crescimento exponencial nos 10 anos seguintes à sua criação em 2008 (Xi et al., 2020). Em contraste com os ativos financeiros tradicionais, os preços das criptomoedas flutuam significativamente (Li et al., 2020). Estas mudanças de preços tão incomuns e significativas indicam a natureza altamente arriscada e volátil das criptomoedas, sendo, por isso, mais indicado para as pessoas com uma literacia financeira mais elevada (Ante et al., 2020). O investimento em Portugal sofre mudanças ao longo dos anos. No período entre 1960 e 2000, Portugal presenciou um crescimento notável nos Investimentos em Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), posicionando-se entre os países com maior expansão na Zona Euro. No entanto, a partir de 2001 até 2007, a economia portuguesa destacou-se negativamente, apresentando o pior desempenho na Zona Euro em termos de FBCF. Esta situação foi agravada pela crise financeira internacional e pela crise específica da Zona Euro, contribuindo para um declínio significativo nos investimentos em capital fixo no país (Bação et al., 2017).
22 É de notar o rápido crescimento do investimento na China no início dos anos 2000, atingindo mais de 40% do PIB. A indústria transformadora, as infraestruturas e o setor imobiliário têm sido os principais impulsionadores do investimento. Também a expansão do crédito bancário, ou seja, o fornecimento de dinheiro ou recursos financeiros por parte dos bancos aos seus clientes, com a expectativa de que esses recursos sejam pagos de volta num período futuro, acrescido de juros ou taxas, contribuiu para um grande aumento no rácio investimento/PIB. Para além destes fatores, as reformas imobiliárias e bancárias também estimularam o investimento. A forte dependência do autofinanciamento proveniente dos lucros, combinada com a fraca governação das empresas chinesas, pode dar origem a uma pro ciclicidade no investimento (tendência de os investimentos aumentarem durante períodos de expansão econômica e diminuírem durante períodos de recessão), à medida que os gestores reinvestem os lucros e expandem os ativos e a quota de mercado, em vez de se concentrarem na maximização do retorno (Barnett e Brooks, 2006). 2.2.2. Relação entre literacia financeira e comportamento de investimento A literacia financeira forma a base para um comportamento de investimento informado, racional e alinhado com os objetivos financeiros individuais, capacitando os investidores a navegar pelos complexos mercados financeiros, tomar decisões fundamentadas e construir portfólios que reflitam as suas necessidades e aspirações. Um nível de literacia maior traduz-se em melhores resultados financeiros, nomeadamente num melhor investimento e gestão de riqueza. Quando um indivíduo tem mais conhecimento financeiro, é mais provável que ele utilize as suas finanças de maneira adequada, enquanto pessoas com um nível menor enfrentam mais problemas e duvidas (van Rooij, Kool e Prast, 2007; Capuano e Ramsay, 2011; Hastings e Ashton, 2008). Também, Sabri (2008) concluíram que a literacia financeira influência positivamente as decisões de investimento dos indivíduos. Um estudo examinou os efeitos potenciais da literacia financeira na escolha da carteira das famílias e no retorno do investimento utilizando dados do Inquérito Chinês sobre Financiamento ao Consumidor de 2014. Este estudo testou a hipótese de que a literacia financeira afeta a escolha das famílias entre ações e fundos mútuos. Os resultados indicaram que as famílias com maior literacia financeira tenderam a delegar pelo menos parte da sua
29 H4.c: O investimento em ações é influenciado positivamente pelo gênero, idade, educação e área. H5: O comportamento de investimento é influenciado positivamente pelo excesso de confiança e negativamente pelo autocontrolo. H5.a: Os hábitos de investimento em valores mobiliários: participação de mercado são influenciados positivamente pelo excesso de confiança e negativamente pelo autocontrolo. H5.b: O peso dos valores mobiliários no património total é influenciado positivamente pelo excesso de confiança e negativamente pelo autocontrolo. H5.c: O investimento em ações é influenciado positivamente pelo excesso de confiança e negativamente pelo autocontrolo. H6: O comportamento de investimento é influenciado negativamente pela aversão ao risco. H6.a: Os hábitos de investimento em valores mobiliários: participação de mercado são influenciados negativamente pela aversão ao risco. H6.b: O peso dos valores mobiliários no património total é influenciado negativamente pela aversão ao risco. H6.c: O investimento em ações é influenciado negativamente pela aversão ao risco. H7: A literacia financeira efetiva é influenciada negativamente pelo excesso de confiança e pela eversão ao risco e positivamente pelo autocontrolo. 3.3. Estrutura do Questionário De forma a avaliar o impacto da literacia financeira no comportamento de investimento foi realizado um questionário. Este começa com uma breve introdução ao objetivo da pesquisa. Além disso, é destacada a confidencialidade e a anonimidade das respostas para promover a participação. O questionário é dividido em secções, de forma a tornar a resposta mais intuitiva e fácil devido à organização de toda a informação.
30 A secção A corresponde à dimensão sociodemográfica, incluindo questões sobre idade, gênero, estado civil, nível de escolaridade, situação profissional e rendimento. Estas são as variáveis sociodemográficas mais referidas e relevantes na literatura. Também foi questionado se o inquirido tem algum dependente a seu cargo e caso respondesse que sim, era perguntado quantos. Ao explorar estas relações, é possível obter uma compreensão mais profunda de como os fatores sociodemográficos influenciam as decisões e comportamentos financeiros dos indivíduos e identificar quaisquer padrões ou tendências que possam surgir. Esta secção não se baseou em nenhum estudo em específico dado que são questões diretas, porém foi tido em consideração as variáveis sociodemográficas que são frequentemente abordadas na literatura, como analisado na revisão de literatura. A secção B corresponderá à literacia financeira percecionada, isto é, ao conhecimento que o inquirido acha que tem em assuntos financeiros. Esta é composta por 3 questões adaptadas de Lusardi e Mitchell, 2014. As questões foram respondidas tendo em consideração a escala de Likert, com sensibilidade entre 1 e 5, onde 1 = “Discordo totalmente” e 5 = “Concordo totalmente”. A secção C corresponderá a uma avaliação da literacia financeira efetiva, ou seja, o conhecimento que realmente possuem. Esta secção irá permitir aferir qual o conhecimento dos inquiridos sobre temas financeiros como inflação, juros, obrigações e ações. No que concerne à literacia financeira efetiva, serão apresentadas 5 perguntas, conhecidas como as Big Five , três das quais de escolha múltipla e duas de verdadeiro ou falso. As três primeiras (“Big 3”) perguntas aparecem no Estudo de Saúde e Aposentadoria de 2004. As duas últimas aparecem na Pesquisa Nacional de Capacidade Financeira de 2009 e 2012, e coletivamente denominadas “Big 5” (Anderson, A. et al., 2017). No final, é questionado ao inquirido para indicar qual o número de respostas que acha ter correto, avaliando-se aqui o excesso de confiança. A secção D será dedicada a perceber a experiência ou comportamento financeiro do inquirido, incluindo questões para perceber se as pessoas já investiram em produtos financeiros e quais as fontes de informação a que habitualmente recorrem quando pretendem obter informações sobre os mesmos, disponível no Relatório do Inquérito à Literacia Financeira da população portuguesa feito em 2020. Também é questionado se têm investimentos em valores mobiliários e a percentagem que ocupa do seu património total, baseadas no Relatório do Inquérito à Literacia Financeira da população portuguesa feito em 2015. Também são
31 questionados os objetivos financeiros e o horizonte temporal dos seus investimentos, baseados num questionário de perfil de investidor realizado pela ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) (De Bortoli et al., 2019). A secção E será dedicada aos fatores comportamentais, nomeadamente, excesso de confiança e autocontrolo. Em relação ao excesso de confiança é questionado ao inquirido que assinale de 1 a 5, em que 1 é “Acredito fortemente que não posso escolher ações acima da média” e 5 é “Acredito firmemente que posso escolher ações acima da média” (Pan e Statman, 2012). Para além desta, também está presente na secção da literacia financeira efetiva outra questão relacionada com excesso de confiança. No que concerne ao autocontrolo foram adaptadas três questões do questionário realizado por Strömbäck et al. (2020). Já a secção F dedica-se à aversão ao risco, sendo feitas três perguntas baseadas na escala de tolerância ao risco Grable e Lytton (1999). A primeira corresponde a uma escala de Likert entre “muito avesso ao risco” e “muito propenso ao risco”. A segunda questão dá a escolher ao inquirido várias hipóteses no caso de perder o seu emprego. A última questão corresponde ao nível de risco que o inquirido correria num programa de entretenimento, apresentado menores probabilidades conforme o valor do prémio aumenta. O questionário é composto por 33 questões e para a construção do mesmo utilizou-se a ferramenta Google Forms. O questionário esteve aberto de 20/01/2024 a 13/02/2024, tendo-se obtido 208 respostas. Em seguida exportou-se os dados para um ficheiro Microsoft Excel tendose procedido ao tratamento e codificação dos dados para posterior análise estatística no software Stata. 3.4. Descrição das Variáveis Neste estudo, as variáveis apresentam-se agrupadas em variáveis independentes, que representam variáveis que são controladas num experimento, e variáveis dependentes, cujo valor dependem de como a variável independente está a ser controlada (Creswell, 2014).
32 3.4.1. Variáveis dependentes A tabela 1 apresenta as variáveis dependentes, nomeadamente, inv,, per_valores, depósitos à ordem d_ordem, dep_prazo, c_af_tes, acoes, obrigaçoes, f_investimento, p_comercial, pou_reforma, p_complexos, cripomoeda, razoes_fiscais, rendimento_superior, gostar_risco, habito, amigos, gestor_conta, maisvalia, info_gestor, info_amigos, info_imprensa, info_televisao, info_internet, horizonte_temporal, rentabilidade_superior, diversificar_investimentos, reserva_financeira e, por fim, preservar_patrimonio. A variável investimento (inv) resulta da resposta dada à questão 21 (apêndice 1). O objetivo desta é perceber se o inquirido tem investimentos ou não ou se já teve em valores mobiliários. Sendo assim, se o individuo responde “Não tenho nem nunca tive” é atribuído 0, é atribuído 1 se não tem mas já teve investimentos em valores mobiliários no passado e, por fim, é atribuído 2 se tem investimentos em valores mobiliários A lista dos 9 produtos financeiros que o indivíduo detém ou já deteve apresentados na tabela surgiram da questão 20 (apêndice 1) e foram criadas variáveis dummy para cada um. São estes d_ordem, d_prazo, c_af_tes, acoes, obrigacoes, f_investimento, p_comercial, pou_reforma, p_complexos. criptomoeda e, por fim, crowdfunding. Sendo assim, quando um individuo detém ou já deteve certo produto financeiro é atribuída a pontuação = 1, se não será = 0, pois significa que não investe. A variável percentagem de investimento (percentagem_val) resulta da resposta dada à questão 22 (apêndice 1). O objetivo é perceber o espaço que ocupa os investimentos em valores mobiliários no total do seu património. É atribuído 0 se a resposta é “0 %”, 1 se a % de valores imobiliários for entre 1% e 10%, 2 se a % de valores imobiliários for entre 10% e 25%, 3 se a % de valores imobiliários for entre 25% e 50% e, por fim, 4 se a % de valores imobiliários for > 50%. No que concerne às variáveis relacionadas com os aspetos mais importantes na escolha de um investimento presentes na questão 23 (apêndice 1) surgiram razoes_fiscais, rendimento_superior, gostar_risco, habito, amigos, gestor_conta e maisvalia. Estas são variáveis binárias, pois as respostas enquadram-se em uma das duas categorias mutuamente exclusivas, isto é, é atribuído 0 se não for um dos aspetos importantes e 1 se for.
33 Da questão 24 (apêndice 1), surgiram 5 variáveis, nomeadamente info_gestor, info_amigos, info_imprensa, info_televisao e, por fim, info_internet. O objetivo desta questão é saber quais as fontes de informação de eleição do inquirido. Novamente, foram criadas variáveis dummy para cada uma. Posto isto, quando um individuo indica certa fonte de informação é atribuída a pontuação = 1, se não será = 0. A variável horizonte_temporal é uma variável categórica ordinal e surge da resposta dada à questão 25 (apêndice 1). O objetivo desta é saber o tempo médio dos investimentos do inquirido. É atribuído 0 se a resposta é “não realizo”, 1 se o máximo é 1 ano, 2 se o máximo são 2 anos, 3 se se no máximo 5 anos, e por fim, 4 se indefinidamente, pois não tem planos para seu uso. As quatro últimas variáveis presentes na tabela correspondem à questão 26 (apêndice 1), em que tem como propósito dar conhecimento dos objetivos financeiros dos investimentos dos indivíduos. As variáveis são rentabilidade_superior, diversificar_investimentos, reserva_financeira e, por fim, preservar_patrimonio. Se o inquirido selecionar uma destas será atribuída uma pontuação de 1, se não será atribuído 0. Tabela 1 - Variáveis dependentes Variável Descrição Tipo de variável d_ordem = 1 se depósitos à ordem é um dos produtos financeiros que detém ou já deteve dummy d_praz = 1 se depósitos a prazo é um dos produtos financeiros que detém ou já deteve dummy c_afo_tes = 1 se certificados de aforro e tesouro é um dos produtos financeiros que detém ou já deteve dummy acoes = 1 se ações é um dos produtos financeiros que detém ou já deteve dummy obrigacoes = 1 se obrigações é um dos produtos financeiros que detém ou já deteve dummy fundos_inv = 1 se fundos de Investimento é um dos produtos financeiros que detém ou já deteve dummy
34 p_comercial = 1 se Papel Comercial é um dos produtos financeiros que detém ou já deteve dummy pou_reforma = 1 se planos de poupança para a reforma (excluindo fundos de investimento) é um dos produtos financeiros que detém ou já deteve dummy p_complexos = 1 se produtos de investimento complexo é um dos produtos financeiros que detém ou já deteve dummy criptomoeda = 1 se criptomoeda é um dos produtos financeiros que detém ou já deteve dummy crowdfunding = 1 se investimentos em crowdfunding é um dos produtos financeiros que detém ou já deteve dummy inv = 0 se não tem nem nunca teve investimentos em valores mobiliários; = 1 se não tem, mas já teve investimentos em valores mobiliários; = 2 se tem investimentos em valores mobiliários ordinal percentagem_inv = 0 se não tem; = 1 se a % de valores imobiliários for entre 1% e 10%; = 2 se a % de valores imobiliários for entre 10% e 25%; = 3 se a % de valores imobiliários for entre 25% e 50%; = 4 se a % de valores imobiliários for >50% ordinal razoes_fiscais = 1 se razões fiscais é o mais importante na escolha dos seus investimentos em valores mobiliários dummy rendimento_superior = 1 se o rendimento ser superior ao dos depósitos bancários é o mais importante na escolha dos seus investimentos em valores mobiliários dummy gostar_risco = 1 se gostar do risco é o mais importante na escolha dos seus investimentos em valores mobiliários dummy habito = 1 se o hábito é o mais importante na escolha dos seus investimentos em dummy
35 valores mobiliários amigos = 1 se amigos, conhecidos ou familiares é o mais importante na escolha dos seus investimentos em valores mobiliários dummy gestor_conta = 1 se a opinião do gestor de conta ou bancário é o mais importante na escolha dos seus investimentos em valores mobiliários dummy maisvalia = 1 se realizar mais-valias é o mais importante na escolha dos seus investimentos em valores mobiliários dummy info_gestor = 1 se o gestor de conta/bancário ou um intermediário financeiro/mediador de seguros bancário é a fonte de informação a que habitualmente recorre quando pretende obter informações sobre produtos financeiros dummy info_amigos = 1 se amigos/familiares/colegas é a fonte de informação a que habitualmente recorre quando pretende obter informações sobre produtos financeiros dummy info_imprensa = 1 se jornais da especialidade ou outra imprensa (em papel ou online) é a fonte de informação a que habitualmente recorre quando pretende obter informações sobre produtos financeiros dummy info_televisao = 1 se televisão/rádio é a fonte de informação a que habitualmente recorre quando pretende obter informações sobre produtos financeiros dummy info_internet = 1 se internet (exceto imprensa) é a fonte de informação a que habitualmente recorre quando pretende obter informações sobre produtos financeiros dummy horizonte_temporal = 0 se a resposta é “não sei” ou “não realizo”; = 1 se o máximo 1 ano; = 2 se no máximo 3 anos; = 3 se se no máximo ordinal
36 5 anos; = 4 se indefinidamente crescimento_capital = 1 se crescimento de é o objetivo principal dos seus investimentos dummy diversificar_inv = 1 se diversificar os investimentos é o objetivo principal dos seus investimentos dummy reserva_financeira = 1 se criar uma reserva financeira para uso futuro é o objetivo principal dos seus investimentos dummy preservar_patrimonio = 1 se preservar o meu patrimônio é o objetivo principal dos seus investimentos dummy 3.4.2. Variáveis independentes São analisadas 15 variáveis independentes, nomeadamente: literacia financeira efetiva (literacia_efetiva), literacia financeira percecionada (literacia_perc), género (gen), idade (idade), estado civil (estado_civil), situação profissional (prof), nível de escolaridade (educacao), área de formação (area), rendimento médio mensal próprio (rend), rendimento mensal do agregado familiar (rend_agregado), dependentes a cargo do próprio (dependentes), número de dependentes (num_dependentes), aversão ao risco (aversao_risco), autocontrolo (autocontrolo) e excesso de confiança (excesso_confiança). A variável dependente literacia financeira percecionada (literacia_perc) é uma variável categórica e resulta das respostas dadas às questões 11, 12 e 13 (apêndice 1). Para cada uma destas questões, as opções de resposta são de acordo com a escala de Likert, com sensibilidade entre 1 (discordo totalmente) e 5 (concordo totalmente), sendo que quanto mais próximo de 1 for a resposta, menor é a literacia financeira percecionada e, quanto mais próximo de 5, maior é a literacia financeira percecionada. Esta variável é medida através da média entre o valor indicado em cada questão e dividido por 3, sendo assim, pode variar entre 1 e 3, em que 1 significa que o indivíduo tem nível de literacia financeira percecionada muito baixo, e 3 significa que o indivíduo tem nível de literacia financeira muito alto. A variável literacia financeira efetiva (literacia_efetiva) é uma variável categórica e resulta das respostas dadas às questões 14, 15, 16, 17 e 18 (apêndice 1). Para cada questão foi criada
37 uma variável dummy, em que = 1 se o indivíduo responde corretamente à questão e = 0 se responde incorretamente ou se não sabe responder. Sendo assim, esta variável varia entre 0 se o indivíduo não acerta em nenhuma questão e 5 se o indivíduo responde corretamente a todas as questões. Quanto mais próximo de 0, significa que o indivíduo tem nível de literacia financeira efetiva muito baixo e, quanto mais próximo de 5, significa que o indivíduo tem nível de literacia financeira efetiva muito alto. No que concerne às variáveis resultantes dos fatores sociodemográficos, a variável genero é uma variável dummy em que é = 1 se for homem e = 0 se for mulher. A variável idade é uma variável contínua representando a idade dos participantes. A variável estado_civil é uma variável categórica e pretende analisar o estado do inquirido. A variável prof é uma variável categórica e pretende analisar a situação profissional do indivíduo. Educacao é uma variável categórica, com opções de resposta desde o 1º ciclo até ao doutoramento. Area é uma variável dummy, que é = 1 se a área de formação base é economia/gestão/finanças ou similar, e = 0 em caso contrário. rend_proprio e rend_agregado são variáveis discretas, com opções de resposta que variam entre 1000€ e 2500€ para o rendimento mensal próprio e 2000€ e 5000€ para o rendimento do agregado familiar. A variável dependente é uma variável dummy, em que = 1 se tem dependentes a seu cargo e = 0 se não tem. A variaval num_dep é uma variável continua e representa o número de dependentes que o individuo tem a seu cargo. A variável aversao_risco resulta das respostas dadas às questões 31, 32 e 33 (apêndice 1). Tem como objetivo analisar o nível efetivo de aversão ao risco do indivíduo. É atribuído um valor entre 1 e 5 na questão 31 conforme a opção do individuo acarretar mais riscos ou não. Na questão 32 (apêndice 1), “cancelar a viagem” = 1, “optar por uma viagem mais modesta” = 2, “Ir como planeado, pois precisa de tempo para se preparar para a procura do próximo trabalho” = 3, “Prolongar as férias, porque pode ser a última vez que surge a oportunidade” = 4. Na questão 33, “1.000€ garantidos” = 1, “50% de probabilidade de ganhar 5.000€” = 2, “25% de probabilidade de ganhar 25.000€” = 3 e “5% de probabilidade de ganhar 100.000€” = 4. A pontuação máxima obtida será de 13 pontos e a mínima será de 3 pontos. A variável autocontrolo surge das respostas dadas às questões 28, 29 e 30 (apêndice 1). O objetivo é analisar o nível de autocontrole do inquirido. Cada questão é respondida de acordo com a escala de Likert, com sensibilidade entre 1 e 5, em que 5 = discordo totalmente e 1 = concordo totalmente. Sendo assim, a pontuação máxima será 15, apresentando um alto nível de
38 autocontrolo e a pontuação mínima será de 3 para quem apresenta um baixo nível de autocontrolo. A variável excesso_confiança surge das respostas as questões 19 e 27 (apêndice 1). A questão 19 surge após as 5 questões de literacia financeira efetiva, com o intuito de saber quantas questões o individuo acha que acertou anteriormente. Se o valor mencionado for menos do que a resposta efetivamente correta será atribuída uma pontuação = 0, se o valor mencionado for superior será atribuída uma pontuação = 1, pois o indivíduo apresenta excesso de confiança. Tabela 2 - Variáveis independentes Variável Descrição Tipo de variável literacia_perc Nível de literacia financeira percecionada, medido numa escala de 1 a 5 ordinal literacia_efetiva Nível de literacia financeira efetiva, medido numa escala de 1 a 5 ordinal genero = 1 se masculino dummy idade Idade mencionada estado_civil = 1 se casado ou em união de facto dummy prof = 1 se é se é trabalhador por conta de outrem ou independente dummy educacao = 1 se frequentou o 1º, 2º e 3º ciclo; = 2 secundário; = 3 licenciado; = 4 com mestrado ou pós-graduação; = 5 doutorado ordinal area = 1 se a área de formação base é economia/gestão/finanças ou similar dummy rend_proprio = 0 se a resposta é “Não sei” ou” Prefiro não responder”; = 1 se a resposta é “não tenho”; = 2 se o rendimento é inferior a 1000€; = 3 se é entre 1001€ - 1500€; = 4 se é entre 1501€ - 2000€; = 5 se é entre 2001€ - 2500€; = 6 se é mais de 2500€ ordinal
45 Para analisar a multicolinearidade mais profundamente, é calculado o FIV – Fator de Inflação da Variância, usado para medir o quanto a variância do coeficiente de regressão estimado é inflacionada se as variáveis independentes estiverem correlacionadas. O valor de VIF =1 indica que as variáveis independentes não estão correlacionadas entre si. Se o valor de VIF for 1< VIF < 5, ele especifica que as variáveis estão moderadamente correlacionadas entre si. O valor desafiador do VIF está entre 5 e 10, pois especifica as variáveis altamente correlacionadas. Se a VIF ≥ 5 a 10, haverá multicolinearidade entre os preditores no modelo de regressão e a VIF > 10 indica que os coeficientes de regressão são fracamente estimados com a presença de multicolinearidade (Shrestha, 2020). Como é possível verificar na tabela 4, a variável num_dependente foi omitida/ excluída, pois apresenta colinearidade. Os restantes valores não são superiores 5 ou a 10, logo a multicolinearidade não é um obstáculo. Tabela 5 – VIF modelo 1 VIF 1/VIF autocontrolo 1.02 0.984262 excesso_confiança 1.01 0.985381 aversão_risco 1.01 0.987803 literacia_perc 1.01 0.993763 VIF médio 1.01 Tabela 6 - VIF modelo 2 VIF 1/ VIF estado_civil 2.29 0.437568 rend_prop 2.07 0.482793 dependentes 1.88 0.532766 idade 1.86 0.536350 prof 1.79 0.560122 rend_agr 1.73 0.576551 literacia_perc 1.49 0.669897 educaçao 1.30 0.767268 autocontrolo 1.17 0.852373 genero 1.15 0.871458 excesso_confiança 1.14 0.875571
46 área 1.14 0.876670 aversão_risco 1.11 0.898644 VIF médio 1.55 Tabela 7 - VIF modelo 3 VIF 1/VIF literacia_efetiva 1.66 0.603893 literacia_prec 1.49 0.672797 excesso_confiança 1.23 0.816208 autocontrolo 1.02 0.980782 aversão_risco 1.02 0.984668 VIF médio 1.28 Tabela 8 – VIF modelo 4 VIF 1/ VIF estado_civil 2.31 0.433457 rend_prop 2.09 0.478231 literacia_efetiva 1.99 0.503297 idade 1.88 0.530786 dependentes 1.88 0.531816 prof 1.80 0.555904 rend_agr 1.74 0.576088 literacia_perc 1.73 0.579188 excesso_confiança 1.43 0.700925 educaçao 1.33 0.752532 área 1.20 0.832744 género 1.19 0.841853 autocontrolo 1.18 0.849090 aversão_risco 1.12 0.893290 VIF médio 1.63
47 4.4. Descrição dos dados Nesta secção são analisados os dados obtidos através das respostas dadas ao questionário. A primeira análise é sobre os dados sociodemográficos, estes fatores influenciam a literacia financeira, como mencionado na revisão de literatura. Começando pela idade, a tabela 9 apresenta as estatísticas descritivas da mesma. A idade mínima é de 18 anos, visto ser a idade mínima para a participação e a idade máxima é de 85. A média de idades é 40 anos e o desvio padrão de 14.45425, indicando o quanto os valores de um conjunto estão afastados, em média, da média aritmética desse conjunto. A tabela 10 apresenta o resto das variáveis sociodemográficas. É possível verificar que 52,40% dos inquiridos são do sexo feminino e 47,60% do sexo masculino, notando-se um equilíbrio entre os géneros. Em relação ao estado civil, 71 indivíduos são solteiros (34,13%), 123 indivíduos são casados ou vivem em união de facto (59,13%) e 14 indivíduos são divorciados ou viúvos (6,73%), valor bastante baixo comparativamente às outras duas categorias. No que concerne à variável educação, 13 indivíduos (6,25%) concluíram o ensino básico, 50 indivíduos (24,04%) concluíram o secundário, 69 (33,17%) têm uma licenciatura, 51 (24,52%) têm mestrado ou pós-graduação e 7 (3,37%) têm doutoramento. Sendo assim, a amostra é caracterizada principalmente por indivíduos com ensino superior, representando 145 indivíduos. Relativamente à área de formação, 37 indivíduos têm como área de formação ciências empresariais, representando 17,79% do total. É de notar a elevada quantidade de inquiridos com área de formação em engenharia (37) e, também, com o valor mais elevado, a opção de outras áreas de estudo, com um total de 50 respostas. No que concerne à situação profissional da amostra é de realçar o elevado valor de individuo que trabalham por conta de outrem, representando 55.77%. De seguida temos 44 indivíduos que trabalham por conta própria e 20 indivíduos que se encontram apenas a estudar. Relativamente ao rendimento mensal próprio, a opção entre os 1001€ e os 1500€ é esmagadora, representando 36.54% do total da amostra. O rendimento mensal do agregado familiar da amostra é maioritariamente entre 2001€ e 3000€ com 65 respostas, de seguida 48 indicam ser menos de 2000€. No que concerne à amostra ter dependentes a seu cargo ou não, este aspeto é bastante equilibrado, sendo que 101 têm dependentes a seu cargo e 107 não têm. No caso de terem dependentes, número varia entre 1 e 3 filhos, sendo que 53
48 pessoas indicam ter 2 dependentes a seu cargo, comparativamente com apenas 6 pessoas que indicam ter apenas 1. Tabela 9 - Estatísticas descritivas relativas à Idade: nº de observações, média, desvio padrão, mínimo e máximo Nº Média Desvio Padrão Mínimo Máximo Idade 208 40.20192 14.45425 18 85 Tabela 10 – Estatísticas descritivas para os Fatores Sociodemográficos: frequência, percentagem e percentagem acumulada Frequência Percentagem Percentagem Acumulada Género Masculino 99 47.60 52.40 Feminino 109 52.40 100.00 Total 208 100.00 Estado Civil Casado/a / União de facto 123 59.13 59.13 Divorciado/ a 14 6.73 65.87 Solteiro/a 71 34.13 100.00 Total 208 100.00 Educação 1º Ciclo (4º ano) 1 0.48 0.48 2º Ciclo (6º ano) 1 0.48 0.96 3ª Ciclo (9º ano) 11 5.29 6.25 Secundário 50 24.04 30.29 Doutoramento 7 3.37 33.65 Licenciatura 69 33.17 66.83 Mestrado 51 24.52 91.35 Pós-graduação 18 8.65 100.00 Total 208 100.00 Área Arquitetura 11 5.29 5.29 Artes 3 1.44 6.73 Ciências da comunicação 10 4.81 11.54
49 Ciências empresariais 37 17.79 29.33 Ciências exatas 12 5.77 35.10 Ciências sociais 15 7.21 42.31 Direito 9 4.33 46.63 Engenharia 35 16.83 63.46 Humanidades 15 7.21 70.67 Outro 49 23.56 94.23 Saúde 12 5.77 100.00 Total 208 100.00 Situação Profissional Desempregado(a) 3 1.44 1.44 Doméstico(a) 3 1.44 2.88 Estudante 20 9.62 12.50 Reformado(a) 12 5.77 19.23 Trabalhador(a) por conta de outrem 116 55.77 74.04 Trabalhador(a) por conta própria 44 21.15 95.19 Trabalhador(a)/Estudante 10 4.81 100.00 Total 208 100.00 Rendimento mensal próprio Entre 1001€ - 1500€ 76 36.54 36.54 Entre 1501€ - 2000€ 26 12.50 49.04 Entre 2001€ - 2500€ 19 9.13 58.17 Mais de 2500€ 20 9.62 67.79 Menos de 1000€ 36 17.31 85.10 Não tenho 25 12.02 97.12 Prefiro não responder 6 2.88 100.00 Total 208 100.00 Rendimento mensal do agregado familiar Entre 2001€ - 3000€ 65 31.25 31.25 Entre 3001€ - 4000€ 41 19.71 50.96 Entre 4001€ - 5000€ 12 5.77 56.73 Mais de 5000€ 22 10.58 67.31 Menos de 2000€ 48 23.08 90.38
50 Prefiro não responder 20 9.62 100.00 Total 208 100.00 Dependentes Não possui 107 51.44 51.44 Possui 101 48.56 100.00 Total 208 100.00 No que concerne à variável literacia_perc, a pontuação máxima é de 5, como é possível verificar na tabela 11, se a resposta às 3 questões for “discordo completamente” e o máximo é de 5 se todas as respostas forem “concordo completamente”. A média é aproximadamente 3,5, o que indica que a amostra acredita moderadamente que tem capacidades para tratar da sua vida financeira. A moda ser 4 enfatiza esta confiança que os inquiridos sentem em relação ao conhecimento de aspetos financeiros e tudo o que os envolve. Relativamente à literacia efetiva, o mínimo é 0, se errar as “Big Five” e 5 se acertar todas, apresentando resultados bastante otimistas. A moda é de 4, destacando-se uma lógica entre a literacia financeira percecionada e efetiva, isto é, o que os indivíduos acreditam saber parece estar de acordo com o que realmente sabem. A media é ligeiramente menor comparativamente à literacia financeira percecionada. O desvio padrão é maior, significando que existe uma variância nas respostas, ou seja, a presença de valores muito altos ou baixos é de reparar. De seguida, o autocontrolo já não apresenta resultados tão positivos. O mínimo e o máximo desta variável é de 1 e 5, respetivamente. A moda e a média são bastante similares (aproximadamente 4) indicando que a amostra, em geral, tem um nível de autocontrolo bastante alto. O desvio padrão não é acentuado. Por fim, relativamente à aversão ao risco o mínimo é 1 e o máximo é 13. A moda é bastante baixa, diferindo apenas um ponto do mínimo, e a média também não apresenta um valor alto. Sendo assim, podemos concluir que a amostra não é propensa ao risco. No que concerne ao excesso de confiança, como podemos verificar na tabela 12, a grande maioria não apresenta excesso de confiança, sendo que apenas 30.29% apresenta excesso de confiança. Tabela 11 - Estatísticas descritivas relativas à literacia financeira percecionada, literacia financeira efetiva, autocontrolo e aversão ao risco: nº de observações, moda, média, desvio padrão, mínimo e máximo Nº Moda Média Desvio Padrão Mínimo Máximo
51 Literacia financeira percecionada 208 4 3.531401 .9770597 1 5 Literacia financeira efetiva 208 4 3.0625 1.285721 0 5 Autocontrolo 208 3.6666667 3.573718 .8864177 1 5 Aversão ao risco 208 2 2 .744275 .3333333 4.333333 Tabela 12 - Estatísticas Descritivas relativas ao excesso de confiança - frequência, percentagem e percentagem acumulada Frequência Percentagem Percentagem Acumulada Excesso de confiança Não possui 145 69.71 69.71 Possui 63 30.29 100.00 Total 208 100.00 Através da tabela 13 conseguimos constatar o número de respostas corretas dadas pelos inquiridos. É de notar os valores bastante próximos entre acertar 3 e 4 questões, representando respetivamente 27.88% e 28.85% do total da amostra. Apenas 5 (2.40%) inquiridos dos 208 não acertaram nenhuma questão e, do outro lado do espetro, 26 (12.50%) inquiridos responderam corretamente a todas as questões. Em geral, os resultados são promissores, com um total de 144 inquiridos a responder corretamente a pelo menos metade das questões. Tabela 13 - Estatísticas Descritivas relativas ao número de respostas corretas (literacia financeira efetiva): frequência, percentagem e percentagem acumulada Frequência Percentagem Percentagem acumulada Nº respostas corretas 0 5 2.40 2.40 1 25 12.02 14.42
52 2 34 16.35 30.77 3 58 27.88 58.65 4 60 28.85 87.50 5 26 12.50 100.00 Total 208 100.00 Analisando cada questão em específico, como apresentado na tabela 14, é de destacar o baixo número de respostas corretas dadas à última questão, em que aborda a relação entre as taxas de juro e as obrigações. As questões que envolvem taxas de juro e inflação, taxas de juro e conta poupança e, também, hipoteca apresentam resultados positivos, com 163, 159 e 149 respostas corretas, respetivamente. Já a questão que compara ações a fundo mútuo de ações não apresentou resultados tão favoráveis, com apenas 117 dos 208 inquiridos a acertar a questão. Tabela 14 - Estatísticas Descritivas relativas a cada questão (literacia financeira efetiva): frequência e percentagem Frequência Percentagem Questões (literacia financeira efetiva) Q14 (taxas de juro e conta poupança) 159 76.44 Q15 (taxas de juro e inflação) 163 78.37 Q16 (ações e fundo mútuo de ações) 117 56.25 Q17 (hipoteca) 149 71.63 Q18 (obrigações) 49 23.56 A tabela 15 indica se o inquirido detém ou já deteve os produtos financeiros apresentados. O produto financeiro com mais destaque é, evidentemente, depósitos à ordem com 93.27% de inquiridos a selecionarem este produto, sendo que nenhum produto apresenta um valor tão elevado como este. A seguir estão os depósitos a prazo com 52.40% de inquiridos que detêm ou já detiveram os mesmos. Os certificados de aforro, as ações e os planos de poupança para reforma apresentam valores parecidos, sendo que, respetivamente, 62, 59 e 56 indivíduos selecionarem que detêm ou já detiveram os mesmos. De seguida, temos a
53 criptomoeda com 41, os fundos de investimento com 37 e as obrigações com 28. Os investimentos em papel comercial são o produto que apresenta menor adesão, com apenas 3 inquiridos a afirmar que detêm ou já detiveram o mesmo. Também os produtos de investimento complexo e em crowdfunding apresentam valores baixíssimos, nomeadamente 7 e 5 inquiridos, respetivamente. Tabela 15 - Estatísticas descritivas relativas aos produtos financeiros: frequência, percentagem e percentagem acumulada. Frequência Percentagem Percentagem Acumulada Depósitos à ordem Não detém, nem nunca deteve 14 6.73 6.73 Detém ou já deteve 194 93.27 100.00 Total 208 100.00 Depósitos a prazo Não detém, nem nunca deteve 99 47.60 47.60 Detém ou já deteve 109 52.40 100.00 Total 208 100.00 Certificados de aforro e tesouro Não detém, nem nunca deteve 146 70.19 70.19 Detém ou já deteve 62 29.81 100.00 Total 208 100.00 Ações Não detém, nem nunca deteve 149 71.63 71.63 Detém ou já deteve 59 28.37 100.00 Total 208 100.00 Obrigações Não detém, nem nunca deteve 180 86.54 86.54 Detém ou já deteve 28 13.46 100.00 Total 208 100.00
54 Fundos de Investimento Não detém, nem nunca deteve 171 82.21 82.21 Detém ou já deteve 37 17.79 100.00 Total 208 100.00 Papel Comercial Não detém, nem nunca deteve 205 98.56 98.56 Detém ou já deteve 3 1.44 100.00 Planos de Poupança para a reforma (excluindo fundos de investimento) Não detém, nem nunca deteve 152 73.08 73.08 Detém ou já deteve 56 26.92 100.00 Total 208 100.00 Produtos de investimento complexo Não detém, nem nunca deteve 201 96.63 96.63 Detém ou já deteve 7 3.37 100.00 Total 208 100.00 Criptomoeda Não detém, nem nunca deteve 167 80.29 80.29 Detém ou já deteve 41 19.71 100.00 Total 208 100.00 Investimentos em crowdfunding Não detém, nem nunca deteve 203 97.60 97.60 Detém ou já deteve 5 2.40 100.00 Total 208 100.00 Outros Não detém, nem nunca deteve 203 97.60 97.60
61 Não é principal objetivo 144 69.23 69.23 É principal objetivo 64 30.77 100.00 Total Diversificar os investimentos Não é principal objetivo 192 92.31 92.31 É principal objetivo 16 7.69 100.00 Total Criar uma reserva financeira para uso futuro Não é principal objetivo 145 69.71 69.71 É principal objetivo 63 30.29 100.00 Total 208 100.00 Preservar o meu patrimônio Não é principal objetivo 176 84.62 84.62 É principal objetivo 32 15.38 100.00 Não sei 33 15.87 Total 208 100.00
62 5. Resultados e análise empírica O capítulo 5 apresenta os resultados do questionário aplicado. 5.1. Literacia financeira Através dos efeitos marginais médios por meio de uma regressão Ordered Probit é analisada a influencia de todas as variáveis independentes sobre a literacia financeira efetiva. A variável literacia_efetiva será considerada como variável dependente. A Tabela 21 apresenta esses efeitos marginais, ilustrando a probabilidade de cada variável influenciar, positiva ou negativamente, o nível de literacia financeira, isto é, proporcionam insights sobre como cada fator contribui para a melhoria ou redução da literacia financeira. Utilizando o primeiro modelo, as variáveis que denotam significância estatística são a literacia percecionada e o excesso de confiança. Na primeira regressão é possível verificar que aqueles que apresentam melhores resultados relativamente à literacia financeira percecionada registam valores superiores no que toca à literacia financeira efetiva, ou seja, um ponto adicional no nível de literacia_perc, promove, em média, um aumento de 10.41% de obter 4 respostas corretas na literacia_efetiva e, também, um aumento de 12.09% da probabilidade de obter 5 respostas corretas. Pelo contrário, os indivíduos com maiores níveis de literacia financeira percecionada são menos prováveis de obterem entre 0 a 3 respostas corretas. Por outro lado, a variável correspondente ao fator comportamental excesso de confiança apresenta uma relação negativa com a literacia financeira efetiva, nomeadamente, indivíduos com excesso de confiança apresentam uma maior probabilidade de obterem apenas entre 0 a 3 respostas corretas e uma menor probabilidade de acetarem 4 ou 5 questões (-14.51% e -16.85%, respetivamente). Utilizando a segunda regressão, estas variáveis mantém-se estatisticamente significativas, e juntam-se as variáveis sociodemográficas género e área. Os resultados de ambos os modelos no que concerne as variáveis literacia_perc e excesso_confiança são bastante semelhantes. No que concerne à literacia financeira percecionada, um aumento de uma unidade da mesma faz com que os indivíduos tenham uma maior probabilidade de possuir níveis mais elevados de literacia financeira efetiva, ou seja, um aumento de uma unidade na literacia percecionada está
63 associado a um aumento esperado de 6,80% na probabilidade de ter literacia financeira efetiva igual a 4 e 7.19% de ter literacia financeira efetiva igual a 5. Pelo contrário, quando a literacia financeira percecionada aumenta em uma unidade, a probabilidade de ter literacia financeira efetiva igual a 0 diminui 2,34%, de ter igual a 1 diminui 6.08%, de ter igual a 2 diminui 4.49% e, por fim, de ter igual a 3 diminui 1.09%, ou seja, um aumento na literacia percecionada está associado a uma diminuição na probabilidade de ter literacia efetiva igual a 0, 1, 2 ou 3, repetindo-se um padrão. Estes resultados são consistentes com a literatura (Allgood e Walstad, 2016; Bellofatto et al., 2018; Neubert e Bannier, 2016; LaBorde et al., 2013). No que concerne ao fator comportamental excesso de confiança, aqueles com excesso de confiança têm uma menor probabilidade de registar níveis mais elevados de literacia financeira efetiva e maior probabilidade de registar níveis mais baixos, isto é, um aumento de uma unidade de excesso de confiança está associado a uma diminuição de 15.77% de probabilidade de obter 4 respostas corretas e 16.68% de obter 5, e pelo contrário, a um aumento de 5.42% de probabilidade de errar todas as questões, de 14.08% de acertar apenas uma, de 10.41% de acertar duas e, por fim, 2.53% de acertar três. Este resultado está alinhado com estudos anteriores, que descobriram que indivíduos com excesso de confiança tendem a ter níveis mais baixos de literacia financeira (Mudzingiri et al., 2018). Em relação ao género, o masculino é mais propenso a obter níveis mais altos de literacia financeira efetiva, mais especificamente, 5.80% mais prováveis de obter 4 respostas corretas e 6.13% mais prováveis de acertarem todas as questões e menos prováveis de errarem todas, acertarem uma, duas ou três. Esta conclusão vai de acordo com a literatura, que conclui que indivíduos do sexo masculino são financeiramente mais letrados (Ansong e Gyensare, 2012; Bucher‐Koenen et al., 2016; Lusardi e Mitchell, 2014). No que toca à área de formação, aqueles que possuem Ciências Empresariais exibem uma maior probabilidade para registarem melhores níveis de literacia financeira, mais especificamente, 8.53% mais prováveis para obter o nível 4 e 9.02% mais prováveis para obter o nível 5 e menor probabilidade para resultados inferiores (Lusardi e Mitchell, 2014). Posto isto, a hipótese H1 não é rejeitada no que concerne à área e ao género, ou seja, indivíduos com área de formação em ciências empresariais e do sexo masculino são mais predispostas a obterem resultados mais positivos de literacia financeira efetiva, nomeadamente obterem 4 ou 5 respostas corretas. A hipótese H7 não é rejeitada no que concerne ao excesso de confiança. As variáveis correspondentes à idade, educação, aversão ao risco e autocontrolo não têm influência estatisticamente significativa sobre a variável literacia financeira efetiva.
64 Tabela 21 - Efeitos Marginais (médios) de uma regressão "Ordered Probit" para literacia financeira efetiva. M#1 M#2 0 1 2 3 4 5 0 1 2 3 4 5 literacia_perc -.0354454*** -.0940399*** -.0692636*** -.0262777*** .1041138*** .1209129*** -.0233671*** -.0607525*** -.0449241*** -.0109338 .0680402*** .0719374*** (.0120354) (.0158749) (.0115307) (.0096718) (.0145161) (.0178153) (.0086178) (.0130692) (.0099666) (.006751) (.0131286) (.0147001) aucontrolo .0046904 .0124439 .0091654 .0034772 -.013777 -.0159999 .0047582 .0123708 .0091477 .0022264 -.0138548 -.0146483 (.0041551) (.010669) (.0076994) (.0030454) (.0115859) (.0133953) (.0042083) (.0106888) (.0078407) (.0021954) (.0118549) (.0122879) excesso_confiança .0493993*** .1310608*** .0965308*** .0366225** -.1451005*** -.16851*** .0541647*** .1408238*** .1041336 .0253445* -.1577165*** -.1667501*** (.0179181) (.0258921) (.0190552) (.0142332) (.0256225) (.0312503) (.0194481) (.0265701) (.0195946) (.015169) (.025049) (.0287215) aversao_risco -.0050335 -.0133543 -.0098359 -.0037316 .0147848 .0171704 -.0056514 -.0146932 -.0108651 -.0026444 .0164558 .0173983 (.0064614) (.016766) (.0124097) (.0049314) (.0185595) (.0215876) (.0064738) (.0163444) (.0122554) (.0034702) (.0183929) (.0194592) idade -.0004357 -.0011329 -.0008377 -.0002039 .0012688 .0013415 (.0003366) (.0008069) (.0006035) (.0001883) (.0009021) (.0009513) género -.019909** -.0517617** -.0382757 -.0093157 .0579708* .0612913* (.0095269) (.0195857) (.0143538) (.0058493) (.0208497) (.0217321) estado_civil -.0132401 -.034423 -.0254545 -.0061952 .0385523 .0407605 (.0109267) (.0260085) (.0194182) (.0058853) (.0291194) (.030756) educação -.0105136 -.0273344* -.0202127 -.0049195 .0306133* .0323668* (.0065699) (.0154149) (.0114578) (.0037926) (.0168669) (.0178557) área -.029291** -.0761541*** - .0563129*** -.0137057 .0852893** * .0901745*** (.0132618) (.0263662) (.0196141) (.0088628) (.0285019) (.029433) prof -.0128564 -.0334256 -.0247169 -.0060157 .0374352 .0395794 (.0109053) (.0272888) (.0199556) (.0058966) (.030048) (.0317958)
65 rend_prop -.0043648 -.011348 -.0083914 -.0020423 .0127093 .0134372 (.0033913) (.0083309) (.0060438) (.0016575) (.0089393) (.0089393) rend_agr -.000573 -.0014897 -.0011015 -.0002681 .0016684 .0017639 (.0030629) (.0079397) (.0058636) (.0014349) (.0089097) (.0093756) dependendentes .0055293 .0143758 .0106303 .0025873 -.0161002 -.0170224 (.0091012) (.0233122) (.0172156) (.0045054) (.0260446) (.0276037) Observações 5 25 34 58 60 26 5 25 34 58 60 26 Prob > chi2 0.0000 0.0000 Pseudo R2 0.1609 0.2176 Nota: Esta tabela representa os efeitos marginais (médios) de uma regressão “Ordered Probit”. M#1 representa a primeira regressão (utilizando o modelo 1) e M#2 representa a segunda regressão usada (utilizando o modelo 2). Para corrigir a heterocedasticidade, os erros padrões robustos foram calculados. Erros padrão robustos entre parênteses. *** p<0.01, ** p<0.05, * p<0.1
66 5.2. Comportamento de investimento Para analisar o comportamento de investimento são consideradas as variáveis inv, percentagem_inv, horizonte_temporal, todas as variáveis correspondentes a cada produto financeiro, às razões mais importantes para investir, às fontes de informação e aos objetivos financeiros. 5.2.1. Investimento em valores mobiliários Primeiramente, será analisada a variável inv, que representa a percentagem de investimentos em valores mobiliários no total do património, através de regressões Ordered Probit, como observável na tabela 22. Na primeira regressão (modelo 3), as variáveis que denotam significância estatística são a literacia financeira efetiva, a literacia financeira percecionada e o excesso de confiança. Nota-se uma relação positiva entre o investimento em valores mobiliários e as três variáveis em questão. Posto isto, estima-se, em média, que indivíduos com níveis mais elevados de literacia financeira efetiva, literacia financeira percecionada e excesso de confiança tenham uma probabilidade de investir em valores mobiliários aumentada em 16,94%, 9,90% e 31.99%, respetivamente. Pelo contrário, um ponto adicional dos mesmos, faz com que a probabilidade de não terem investimentos mobiliários no presente, mas terem tido no passado e de terem no presente aumente. Já para o modelo 4, destacam-se pela sua significância estatística as variáveis literacia_efetiva, a idade, o género, a educação e excesso de confiança. Começando pela literacia efetiva, um ponto adicional no resultado da literacia financeira efetiva promove, em média, uma maior probabilidade de 11.29% de ter investimentos em valores mobiliários e 1.19% de já terem tido e torna os indivíduos 12.48% menos propensos a ter investimentos, tanto no momento como no passado. Estes resultados são bastante semelhantes aos do primeiro modelo. Sendo assim, aqueles com melhores resultados a nível de literacia financeira são mais propensos a ter investimentos em valores mobiliários, estando de acordo com a literatura (van Rooij et al., 2007; Capuano e Ramsay, 2011; Hastings e Ashton, 2008; Sabri, 2008). No que toca à idade, um ponto adicional na mesma promove, em média, a probabilidade em 0.52% e 0.05%,
67 respetivamente, de possuir investimentos no presente ou de já ter possuído no passado e diminui em 0.57% de não possuir. É possível também verificar que indivíduos do sexo masculino têm uma maior tendência para possuírem investimentos em valores mobiliários, mais concretamente 10.96% e 12.12% mais probabilidade de terem investimentos no presente ou de já terem possuído no passado. Pelo contrário, comparativamente às mulheres, os homens são 12.12% menos prováveis de não terem investimentos nem no presente, nem no passado. Relativamente à educação, um ponto adicional na mesma está associado a um aumento de 11.70% e 1.23% na probabilidade de possuir investimentos em valores mobiliários ou de já ter possuído no passado, respetivamente, e a uma redução de 12.93% na probabilidade de não possuir. Os indivíduos com excesso de confiança são 25.17% e 2.66%, respetivamente, mais prováveis de terem investimentos no presente ou de já terem tido no passado e, pelo contrário, 27.83% menos prováveis de nunca terem possuído investimentos, observando-se uma relação positiva entre o excesso de confiança e o comportamento de investimento. Posto isto, os resultados referentes ao excesso de confiança vão de acordo com a literatura, pois apesar de alguns estudos apoiarem uma relação negativa entre o comportamento de investimento e o excesso de confiança (De Zwaan et al, 2017), outros defendem o contrário (Wan et al., 2021). Posto isto, a hipótese H2.a e a H3.a não são rejeitadas, pois a literacia financeira efetiva e percecionada está positivamente relacionada com o comportamento de investimento, mais especificamente, com o investimento em valores mobiliário. A hipótese H4.a não é rejeitada no que toca à idade, ao género e à educação influenciar positivamente o comportamento de investimento, mais especificamente aos hábitos de investimento em valores mobiliários e, também, a H5.a não é rejeitada no que concerne ao excesso de confiança.
68 Tabela 22 - Efeitos Marginais (médios) de uma regressão "Ordered Probit" para investimento em valores mobiliários. M#3 M#4 "Não tenho nem nunca tive" "Não tenho, mas já tive no passado" "Sim, tenho" "Não tenho nem nunca tive" "Não tenho, mas já tive no passado" "Sim, tenho" literacia_efetiva -.1694904*** .0068922 .1625983*** -.1248203*** .0119124*** .112908*** (.0213655) (.0052472) (.0214784) (.0224157) (.004169) (.0220903) literacia_perc -.0990276*** .0040269 .0950007*** -.0538329* .0051376 .0486953* (.0295859) (.003231) (.0286911) (.0293408) (.0033517) (.0266292) aucontrolo -.0404129 .0016434 .0387695 -.0169825 .0016207 .0153618 (.0272364) (.0016542) (.0261793) (.0263138) (.0024654) (.0239248) excesso_confiança -.319916*** .0130091 .306907*** -.2782527*** .0265553** .2516974*** (.0543921) (.0101167) (.0531152) (.0549575) (.0110697) (.050553) aversao_risco .0416228 -.0016926 -.0399302 .0428038 -.004085 -.0387187 (.0434765) (.0022975) (.041586) (.0406512) (-.004085) (-.0387187) idade -.0057462*** .0005484* .0051978*** (.0019747) (.000303) (.0017542) género -.1212074*** .0115675* .1096398*** (.0462787) (.0069585) (.0408078) estado_civil -.0252868 .0024133 .0228736 (.0622428) (.0060262) (.0562882) educação -.129292*** .0123391** .1169529*** (.0374512) (.0060336) (.0337098) área .0461728 -.0044065 -.0417662 (.0641563) (.0061446) (.0582449)
69 prof .0510656 -.0048735 -.0461921 (.0752955) (.007637) (.0678875) rend_prop -.0182337 .0017402 .0164935 (.0192879) (.0019317) (.0174751) rend_agr -.0003587 .0000342 .0003245 (.0211025) (.0020181) (.0190845) dependendentes -.1093431* .0104353 .0989078* (.0561171) (.0064476) (.0510556) Observações 99 38 71 99 38 71 Prob > chi2 0.0000 0.0000 Pseudo R2 0.2390 0.3456 Nota: Esta tabela representa os efeitos marginais (médios) de uma regressão “Ordered Probit”. M#3 representa a primeira regressão (utilizando o modelo 3) e M#4 representa a segunda regressão usada (utilizando o modelo 4). Para corrigir a heterocedasticidade, os erros padrões robustos foram calculados. Erros padrão robustos entre parênteses. *** p<0.001, ** p<0.05, * p<0.1
70 5.2.2. Peso dos investimentos em valores mobiliários no património total A próxima variável analisada é percent_inv. Esta é uma variável categórica, por isso, uma regressão Ordered Probit, usando os modelos 3 e 4, foi posta em prática como observável na tabela 23. Primeiramente, no modelo 3, as variáveis que denotam significância estatística são, tal como a variável do investimento em valores mobiliários, a literacia financeira efetiva, a literacia financeira percecionada e o excesso de confiança. Indivíduos com níveis mais altos de literacia financeira efetiva, literacia financeira percecionada e excesso de confiança são, respetivamente, 12.27%, -14.78% e -23.70% menos prováveis de o peso do investimento em valores mobiliários representar 0% do seu património total. Contrariamente, indivíduos com níveis mais elevados destas três variáveis apresentam uma maior probabilidade de os investimentos em valores mobiliários representarem entre 1% e 10%, entre 10% e 25%, entre 25% e 50% e mais de 50% do seu património total. Passando para o modelo 4, estas 3 variáveis continuam estatisticamente significativas e acrescentam-se o género e a educação. Em relação à literacia financeira efetiva, um ponto adicional na mesma reduz em 7.53% a probabilidade de não ter investimentos e aumenta a probabilidade de representar qualquer umas das percentagens em analise. Mais detalhadamente, aumenta em 2.32% a probabilidade de representarem mais de metade do património total, sendo esta a percentagem mais elevada. Igualmente, um ponto adicional na literacia percecionada diminui, em média, 8.25% a probabilidade de os valores mobiliários representaram 0% do total do património e aumenta a probabilidade de representarem qualquer umas das restantes opções. Em relação ao excesso de confiança, um ponto adicional no mesmo diminui, em média, 17.23% a probabilidade de os valores mobiliários representarem 0% do património total e aumenta a probabilidade de qualquer uma das outras opções, sendo que a mais elevada é a probabilidade de representarem mais de 50% (5.30%). Sendo assim, nota-se uma grande semelhança com o primeiro modelo e verifica-se uma relação positiva entre a literacia financeira efetiva e percecionada e o comportamento de investimento, nomeadamente o peso que os investimentos em valores mobiliários representam no total do património. Além disto, também se nota uma relação positiva entre o excesso de confiança e o comportamento de investimento, como concluído na regressão a anterior. Relativamente ao género, o sexo
77 Tabela 65 - Efeitos marginais (médios) de uma regressão “Probit” as razões mais importantes para investir (razões fiscais; por ter rendimento superior ao dos depósitos bancários; gostar do risco; por hábito, amigos/ conhecidos/ familiares também investem; conselho do gestor conta/ bancário; realizar mais-valias) (PARTE 2). M#4 razoes_fiscais rendimento_superior gostar_risco habito amigos gestor_conta maisvalia literacia_efetiva .0545182 .0437169 .0342218 .0323646 -.0118769 -.019331 .0852335*** (.0294518) (.0338967) (.0424167) (.0237411) (.0256881) (.0336657) (.0319707) literacia_perc -.0015983 -.054104 .0432696 -.0402521 -.0555926* -.1103205*** -.0084737 (.0350448) (.0422251) (.0378978) (.0264173) (.0314726) (.0401917) (.0397601) aucontrolo -.0456887 .0449379 -.0595215* -.0127059 .0585627* .049509 -.0671527* (.0293469) (.038638) (.0312617) (.0136306) (.0302393) (.0371811) (.0342918) excesso_confiança .0795378 .1810368** .0617141 .0429407 -.0155091 -.0316615 .0438355 (.0620678) (.0778434) (.0907228) (.0365961) (.0577127) (.0760517) (.0724238) aversao_risco .0283972 .0166342 -.0308667 -.0207231 -.0873584** -.0558467 .035318 (.0478363) (.0608377) (.0672448) (.0337958) (.0426458) (.0584711) (.0591747) idade .0041386 -.0035798 -.0042708 -.0006975 .0023205 .0037341 -.0017891 (.0022383) (.0029378) (.003041) (.001564) (.0022864) (.0028247) (.0026696) género .0562135 .1617839** 0 .0131423 .0062352 .0570245 .0571859 (.0523127) (.0650773) (0) (.029017) (.0498142) (.0643174) (.0595861) estado_civil .0385671 .1990671 -.077165 .0626244 .014548 .0811663 -.0607721 (.0769922) (.0971553) (.1067632) (.0599745) (.0682173) (.091383) (.0841517) educação .1251628*** .1937946*** -.037854 .0632948** .0765364 .1352345** .0744511 (.0472455) (.0536908) (.050507) (.0342877) (.0466676) (.054701) (.0521458) área .0344202 -.0240725 .0053793 .0155977 -.0801344 .0932502 .0102551 (.0639425) (.0846393) (.0648538) (.0306206) (.0721971) (.0817835) (.0718024)
78 prof -.0343454 -.225049 .1038118 0 .151255** .0363717 .0737907 (.0780364) (.0937258) (.1052284) (0) (.073823) (.0959957) (.0841338) rend_prop .0017929 .0074139 .0537519 -.0022597 -.0566618** -.0258168 .0312792 (.0227968) (.0290178) (.0321741) (.0131513) (.0251173) (.0298489) (.0260999) rend_agr -.0161348 .0447097 .019453 .0095192 .0663906*** .0474163* .0091573 (.0232732) (.0276277) (.0266716) (.0143245) (.0223424) (.0282612) (.0255921) dependendentes -.0179421 .0633703 -.1055449 -.0167807 -.1336407** -.0665217 -.1124698 (.0654863) (.0858803) (.0732903) (.0346232) (.061618) (.0807654) (.0728279) Observações 37 83 10 4 31 59 54 Prob > chi2 0.0020 0.0001 0.0836 0.4139 0.0037 0.0710 0.0009 Pseudo R2 0.1754 0.1521 0.3162 0.3594 0.1841 0.0902 0.1532 Nota: Esta tabela representa os efeitos marginais (médios) de uma regressão “Probit” para cada razão. M#4 representa a segunda regressão usada (utilizando o modelo 4). Para corrigir a heterocedasticidade, os erros padrões robustos foram calculados. Erros padrão robustos entre parênteses. *** p<0.001, ** p<0.05, * p<0.1
79 5.2.4. Fontes de informação A tabela 26 apresenta os efeitos marginais médios de várias regressões Probit, uma vez que foram criadas variáveis dummy para cada fonte de informação. As variáveis info_gestor e info_televisao não apresentam nenhuma variável estatisticamente significativa. No que concerne à fonte de informação acerca de produtos financeiros serem os amigos, familiares e colegas, pessoas com maiores níveis de literacia financeira percecionada, rendimento mensal próprio e rendimento mensal do agregado familiar. As vaiáveis correspondentes à literacia financeira percecionada e e o rendimento mensal próprio apresentam uma relação negativa com a escolha da fonte em questão, ou seja, indivíduos com maiores níveis de literacia percecionada e com um rendimento mensal próprio mais elevado são, respetivamente, 1.39% e 5.91% menos prováveis de pedirem informação financeiros aos seus amigos, familiares e colegas. Contrariamente, indivíduos com maior rendimento mensal de agregado familiar são 9.91% mais prováveis de optarem pela fonte em analise. Passando para a fonte de informação serem jornais de especialidade ou outra imprensa (em papel ou online) as variáveis literacia financeira efetiva, género, educação, situação profissional e, por fim, excesso de confiança destacam-se pela sua significância estatística. Os indivíduos com níveis de literacia financeira efetiva e excesso de confiança mais elevados são, respetivamente, 8.06% e 14.41% mais prováveis de optarem por esta fonte de informação. Os indivíduos do sexo masculino são 19.53% mais prováveis de optarem por procurar informação sobre investimentos em jornais de especialidade ou outra imprensa (em papel ou online), comparativamente as mulheres. Também, a educação demonstra uma relação positiva com a escolha deste tipo de fonte de informação, sendo que indivíduos com níveis de escolaridade mais elevados são mais predispostos a optarem por esta fonte, nomeadamente 18.15% mais predispostos do que os com níveis mais baixos. Por fim, a variável correspondente à situação profissional é a única que apresenta uma relação negativa com a fonte de informação em questão, ou seja, indivíduos que se encontram a trabalhar são menos 17.30% menos prováveis de recorrem a jornais de especialidade ou outra imprensa. Por fim, a fonte de informação ser a internet (exceto imprensa) exibe como variáveis estatisticamente significativas a idade, o género e o estado civil. Os indivíduos mais velhos e casados ou em união de facto são, respetivamente, 1.06% e 19.17% menos prováveis de optarem
80 por esta fonte de informação, preferindo meios mais conservadores. Pelo contrário, os indivíduos do género masculino são 18.69% mais prováveis de optarem por esta fonte. Tabela 26 - Efeitos marginais (médios) de uma regressão “Probit” para as fontes de informação (gestor de conta/bancário e intermediário financeiro/mediador de seguros; amigos/familiares/colegas; jornais da especialidade e outra imprensa; televisão/rádio; internet). info_gestor info_amigos info_imprensa info_televisao info_internet literacia_efetiva -.007662 -.0139189 .080661*** -.0143439 .0258429 (.0314891) (.0326907) (.030873) (.0238367) (.0345791) literacia_perc -.0047658 -.0946682** -.0116423 .0348548 -.015343 (-.0016224) (.0395105) (.0378401) (.0278048) (.0424349) aucontrolo .0236333 -.0285454 -.0047022 -.02383 -.0045176 (.0365356) (.0363137) (.0317267) (.0229906) (.0377242) excesso_confiança -.1322222* .0068658 .1441281** .0342347 .0387756 (.0755196) (.074816) (.0658287) (.050338) (.0811514) aversao_risco -.0459053 -.0713382 .0358948 -.0085771 -.034048 (.0557488) (.0590897) (.0546303) (.0401955) (.0616693) idade -.0016224 .0036666 -.0017728 -.0013978 -.0105789 (.0027645) (.0028194) (.0025256) (.002149) (.0030818) género .0743014 .0488152 .1952959*** .057196 .1869301*** (.0653634) (.0656027) (.0503824) (.044895) (.0635146) estado_civil .0687164 -.1449677 .0582864 -.0374206 -.1916759** (.0929017) (.0911556) (.0823654) (.0604503) (.0928345) educação .0328164 .0041466 .1814503*** .0070958 .0259161 (.0558008) (.053492) (.0523797) (.0337104) (.0560219) área -.051036 .0219182 -.0191558 -.0692433 .1576763* (.0849631) (.084211) (.0643616) (.0665437) (.0851082) prof .0640914 .0294121 -.1730452** .0666468 -.0057105 (.0886971) (.0940802) (.0761442) (.0713455) (.0976586) rend_prop .0212399 -.0591132 .0284777 -.0010201 .0451771 (.0282954) (.0293638) (.023008) (.0203235) (.029597) rend_agr .0189613 .0991329 -.0158559 -.0066922 -.022588 (.027309) (.0272712) (.0227141) (.019632) (.028426) dependendentes .153215 -.0565576 -.0117152 .0060961 .103744 (.0807779) (.0821709) (.0703024) (.0538034) (.0882009) Observações 147 68 47 21 93 Prob > chi2 0.1065 0.0023 0.0000 0.7222 0.0000 Pseudo R2 0.0827 0.1279 0.2480 0.0774 0.1575 Nota: Esta tabela representa os efeitos marginais (médios) de uma regressão “Probit” para cada razão, utilizando o modelo 4. Para corrigir a heterocedasticidade, os erros padrões robustos foram calculados. Erros padrão robustos entre parênteses. ***
81 p<0.01, ** p<0.05, * p<0.1 5.2.5. Produtos financeiros Na Tabela 27 é apresentada uma análise do investimento em vários produtos financeiros, sendo que cada variável dependente na tabela corresponde a um produto financeiro específico. Essas variáveis dependentes são variáveis dummy, isto é, representam a presença ou ausência de investimento em cada produto financeiro. Sendo assim, serão calculados os efeitos marginais de uma regressão Probit, indicando como a probabilidade de investimento em um determinado produto financeiro muda em resposta a uma mudança unitária nas variáveis independentes, mantendo todas as outras variáveis constantes. Como os produtos financeiros papel comercial, produtos de investimento complexos e investimento em crowdfunding apresentam uma grande maioria dos casos pertencentes à categoria "falha" (não investem) e apenas mínimos casos pertencentes à categoria "sucesso" (investem), nomeadamente e respetivamente 3, 7 e 5, podem levar a problemas de convergência e estimativas enviesadas, por isso, não será possível analisar os mesmos. A variável literacia_percecionada é estatisticamente significativa para o investimento em depósitos à ordem, concluindo-se que indivíduos com um maior nível de literacia percecionada têm 5.35% mais probabilidade de investir no produto financeiro em questão. O rendimento mensal próprio de um individuo influencia positivamente o investimento em depósitos a prazo, isto é, indivíduos com um rendimento mais alto são 9.19% mais prováveis de procurarem este tipo de investimento. Contrariamente, o rendimento mensal do agregado familiar influencia negativamente o investimento neste tipo de produto financeiro, sendo que um aumento do rendimento diminui em 9.41%% a probabilidade de optarem por este tipo de investimento. O número de dependentes apresenta uma relação positiva com o investimento em depósitos a prazo, sendo que indivíduos com dependentes, geralmente mais velhos, são inegavelmente mais suscetíveis a obterem este produto financeiro (20.16%). Por fim, o excesso de confiança também impacta positivamente a obtenção de depósitos a prazo, sendo que os indivíduos que apresentam demasiada confiança são 20.26% mais prováveis de optarem por estes.
82 Passando para os certificados de aforro e de tesouro, destacam-se pela sua significância estatística as variáveis financeira efetiva, pelo estado civil e pela educação. Os três partilham uma relação positiva com o investimento neste tipo de produto financeiro. Posto isto, indivíduos com maiores níveis de literacia financeira efetiva são 8.74% mais propensos a optarem por certificados de aforro, os indivíduos casados ou em união de facto são 16.42% mais propensos e, por fim, indivíduos com um maior nível de escolaridade são 26% mais propensos. No que concerne às ações, destacam-se pela sua significância estatística as variáveis a literacia financeira efetiva, o género, a educação e o excesso de confiança. Indivíduos com um nível maior de literacia financeira efetiva são 9.81% mais suscetíveis a investirem em ações, assim como indivíduos casados ou em união de facto e com maiores níveis de escolaridades, apresentando probabilidade de 3.35% e 10.28% respetivamente. Os indivíduos do sexo masculino são mais predispostos a investirem em ações, comparativamente com o sexo feminino, nomeadamente mais 12.75% mais prováveis. No que concerne ao fator comportamental excesso de confiança, nota-se uma relação positiva com o investimento em ações, ou seja, indivíduos com maiores níveis de excesso de confiança são 20.57% mais prováveis de investir. Sendo assim, o comportamento de investimento, mais precisamente o investimento em ações, é influenciado positivamente pela literacia financeira efetiva e pelo excesso de confiança, sendo, por isso possível não rejeitar a hipótese H2.c e , parcialmente, a hipótese H5.c. Também, é possível não rejeitar a hipótese H4.c no que concerne ao género e à educação. O rendimento mensal do agregado familiar, o autocontrolo e o excesso de confiança são estatisticamente significativos em relação à variável correspondente às obrigações. Os indivíduos que apresentam um rendimento mensal do agregado familiar mais elevado são 4.31% mais prováveis de investirem em obrigações. No que concerne aos fatores comportamentais, o autocontrolo apresenta uma relação negativa, isto é, um aumento do autocontrolo reduz 4.88% a probabilidade de optarem por este tipo de produto financeiro. Passando para o excesso de confiança, verifica-se o contrário, ou seja, um aumento do nível de excesso de confiança, aumenta em 13.56% a probabilidade de investir em obrigações. A literacia financeira efetiva e o excesso de confiança influenciam positivamente o investimento em fundos de investimento, ou seja, indivíduos com maiores níveis de literacia financeira efetiva e com maiores níveis de excesso de confiança são, respetivamente, 10.65% e 15.60% mais prováveis de investirem em fundos de investimento.
83 Os planos de poupança para a reforma são influenciados positivamente pela literacia financeira efetiva, pelo estado civil e pela situação profissional. As três variáveis têm um efeito positivo no investimento em planos de poupança para a reforma, ou seja, indivíduos com maiores níveis de literacia financeira efetiva, que estejam casados ou eu união de facto e que estejam a trabalhar são, respetivamente, 7.75%, 16.41% e 21.48% mais prováveis de optarem por este tipo de investimento. Por fim, no que concerne à criptomoeda, as variáveis que denotam significância estatística são o género e a situação profissional. Os indivíduos do sexo masculino têm uma maior probabilidade de investirem em criptomoeda, assim como as pessoas que se encontram a trabalhar, nomeadamente e respetivamente, 23.23% e 17.80%.
84 Tabela 27 - Efeitos Marginais (médios) de uma regressão Probit para os produtos financeiros (depósitos à ordem; depósitos a prazo; certificados de aforro ou tesouro; ações; obrigações; fundos de investimento; planos de poupança para a reforma; criptomoeda). dep_ordem dep_prazo cert_af_tes pro_açoes pro_obrigaçoes fundos_inv planos_pou criptomoeda literacia_efetiva -.0231848 .0534324 .0873612*** .0981103*** .0415207* .1064904*** .0775234** .0419663 (.0216292) (.0333704) (.0317578) (.0291698) (.024442) (.0305758) (.0317952) (.0289589) literacia_perc .0534605* .0100519 .0334961 .0505493 -.0000905 -.0235703 -.0149699 .028638 (.0275096) (.0399052) (.0363562) (.034426) (.0270073) (.0337879) (.038395) (.0343358) aucontrolo -.0171593 -.0015833 -.0247293 -.0099678 -.0488336** -.0053134 .0366357 -.0124287 (.0262226) (.0369414) (.031394) (.0290787) (.0203167) (.028771) (.0347308) (.0299992) excesso_confiança -.0194258 .2025525*** .0891035 .2056795 .135626*** .1559749** -.0145274 .076765 (.0557263) (.0747717) (.0684638) (.0607231) (.0466305) (.061281) (.0705752) (.0640166) aversao_risco .0370555 .0234304 .0184896 -.0157567 -.0430728 .053626 .0279988 .097194* (.0444722) (.0565647) (.0506106) (.0494344) (.0390003) (.0516358) (.0568888) (.054814) idade -.0004453 .0001381 .0023602 .0036448 .0021001 .004144* .0007871 -.0044531 (.0020012) (.0027978) (.0024802) (.0022404) (.0019541) (.0022007) (.0027613) (.0028444) género -.0593619 -.0666355 .0547917 .1275449** .039989 .07053 .0543539 .2337441*** (.0461648) (.0643761) (.0552062) (.0492365) (.0419329) (.0533913) (.0611431) (.0485656) estado_civil .0798589 .0671615 .1642388** .0334571*** .1339541* -.0482645 .1641452** -.1317935* (.0691646) (.0889066) (.0754671) (.071098) (.0682758) (.0734918) (.0807276) (.0727143) educação .0120194 .0751577 .2600571*** .1027969 .0678542* .0324817 -.0438252 .0627146 (.0343752) (.0520954) (.0526691) (.043567) (.0358852) (.0419331) (.0476297) (.0471915)
85 área 0 .0883404 .0374045 -.0419287 -.0241125 .0967933 -.0446133 -.029519 (0) (.0856872) (.0686182) (.0658439) (.0479099) (.0588882) (.0793581) (.0642129) prof .0292639 -.0114299 .0091483 .0174441 .0513251 .0156647 .2147996 .1779901** (.0627382) (.0941286) (.0878089) (.0876471) (.0780294) (.0810027) (.1066417) (.0807919) rend_prop .0170364 .0919058*** -.0252426 .0312208 -.0055959 .0028993 .023236 -.0117667 (.0211223) (.0276152) (.0233563) (.020914) (.0195529) (.021143) (.0263096) (.0217631) rend_agr -.0330032 -.0941161*** .0006809 -.0105591 .043053** -.0031496 -.0029197 .0288118 (.0203298) (.0285665) (.024504) (.0228641) (.0195449) (.0225023) (.0284812) (.0216602) dependendentes -.0424162 .2015917*** .0388113 -.0061614 -.070635 .0666971 -.0281228 -.0321364 (.0668374) (0754869) (.0682543) (.0620003) (.0472225) (.0654946) (.071308) (.067859) Observações 194 109 62 59 28 7 56 41 Prob > chi2 0.4685 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 Pseudo R2 0.1314 0.2206 0.3138 0.3736 0.4213 0.2464 0.1765 0.2431 Nota: Esta tabela representa os efeitos marginais (médios) de uma regressão “Probit” utilizando o modelo 4. Para corrigir a heterocedasticidade, os erros padrões robustos foram calculados. Erros padrão robustos entre parênteses. *** p<0.001, ** p<0.05, * p<0.1
86 5.2.6. Horizonte temporal No que concerne ao horizonte temporal do investimento serão utilizadas duas regressões Ordered Probit, uma para cada modelo, como apresentado na tabela 28. Relativamente ao modelo 3, a única variável estatisticamente significativa é a literacia financeira efetiva. Os indivíduos com um maior nível de literacia financeira efetiva são menos prováveis de responderem “Não sei”, “Não realizo” e “No máximo 1 ano” e, contrariamente, mais prováveis de realizarem investimentos durante 2 anos (0.93%), 5 anos (4.72%) e até indefinidamente (10.55%). No que concerne ao modelo4, a literacia financeira efetiva continua a ser estatisticamente significativa, estabelecendo uma relação positiva com o tempo de investimento, ou seja, indivíduos com um maior número de respostas corretas são mais propensos a realizarem investimentos no máximo 2 anos, 5 anos e até indefinidamente (7.95%), pois não têm planos para seu uso e, contrariamente, menos 6.89% propensos a não realizarem sequer investimentos. Acontece uma situação semelhante com a idade, ou seja, quão mais velho for o individuo, maior será a probabilidade de realizarem investimentos indefinidamente (0.34%) e, também, será maior a probabilidade de investirem durante no máximo 1, 2 e 3 anos. Do lado oposto, menor será a probabilidade de não realizarem investimento em valores mobiliários (- 0.29%). Os indivíduos do sexo masculino são mais predispostos a investir em qualquer opção apresentada (no máximo 1 anos, 2 anos, 5 anos e até indefinidamente) e menos predispostos a não investirem (-8.75%).
93 6. Conclusões O objetivo principal desta dissertação é investigar e compreender de que forma a literacia financeira influência o comportamento de investimento, particularmente os hábitos de investimento em valores mobiliários: participação de mercado, peso dos valores mobiliários no património total e o investimento em ações. De modo a sustentar o objetivo de investigação, foram traçados alguns objetivos específicos, nomeadamente, avaliar o nível de literacia financeira da amostra e determinar a influência da aversão ao risco, excesso de confiança, autocontrolo e demografia na mesma; determinar se literacia financeira, aversão ao risco, excesso de confiança, autocontrolo e a demografia influenciam a decisão de um indivíduo de investir ou não; determinar se os fatores em estudo influenciam a percentagem que os investimentos em valores mobiliários ocupam no património total; determinar se os fatores em estudo influenciam as principais razões para investir; determinar se os fatores em estudo influenciam as fontes de informação a que recorrem no que concerne a produtos financeiros; determinar se os fatores em estudo influenciam o horizonte temporal dos investimentos; determinar se os fatores em estudo influenciam os principais objetivos financeiros. Para responder a estes objetivos e as hipóteses mencionadas anteriormente foi utilizado um questionário partilhado através do Google Forms, tendo sido obtidas 208 respostas. Os dados foram, posteriormente, trabalhados em Excel e analisados através do Stata através de correlações e regressões Probit e Ordered Probit (efeitos marginais médios). Os valores de literacia financeira efetiva (varia entre 0 e 5) e percecionada (varia entre 1 e 5) da amostra foram razoáveis, sendo a sua média, respetivamente, 3.1 e 3.5. A questão com o maior nível de respostas erradas é a das obrigações e das taxas de juro do mercado, com apenas 49 respostas corretas. Apenas uma pequena parte da amostra tem presentemente investimento em valores mobiliário (71) e uma grande parte (143) afirma que os investimentos em valores mobiliários não representam nada no peso do seu património. Sendo assim, estas são limitações desta amostra. No que concerne às razoes mais importantes na escolha de investimentos em valores mobiliários, a razão que se sobrepõem as restantes é o facto de os investimentos mobiliários terem rendimento superior ao dos depósitos bancários, com 39.39% da amostra a concordar. A principal fonte de informação da amostra é o gestor de conta/ bancário ou o intermediário financeiro/ medidor de seguros, com 70.6% da amostra a afirmar que recorre a profissionais para tirar duvidas em relação a produtos financeiros.
94 Este trabalho permite concluir que o excesso de confiança e a literacia financeira efetiva apresentam uma relação negativa, ou seja, os indivíduos com maiores níveis de confiança apresentam níveis mais baixos de literacia financeira efetiva (Mudzingiri et al., 2018). De forma semelhante, indivíduos com uma perceção mais elevada dos seus níveis de literacia financeira, apresentam efetivamente níveis mais elevados (Allgood e Wastald, 2016; Bellofatto et al., 2018; Neubert e Bannier., 2016; LaBorde et al., 2013). Como mencionado em vários estudos, mais uma vez, é concluído que os indivíduos do sexo masculino apresentam maiores níveis de literacia financeira efetiva comparativamente ao sexo feminino (Almenberg e Dreber, 2015). Também, os indivíduos que têm como área de formação ciências empresariais apresentam melhores resultados de literacia financeira (Lusardi e Mitchell, 2014). Com base nas hipóteses em análise, as variáveis género e idade não têm influência estatisticamente significativa sobre a literacia financeira efetiva. Relativamente às diversas dimensões do comportamento de investimento em análise, os resultados demonstram, geralmente, que a literacia financeira percebida tem uma relação positiva significativa com o comportamento de investimento, confirmando os resultados de vários autores (van Rooij et al., 2007; Capuano e Ramsay, 2011; Hastings e Ashton, 2008; Sabri, 2008). O excesso de confiança também apresenta uma relação positiva com as três dimensões do comportamento de investimento em estudo (Wan et al., 2021). Estes indivíduos geralmente acreditam demasiado nas suas capacidades, o que pode levar a decisões de investimento precipitadas. Além destes, a literacia financeira percecionada influencia positivamente o comportamento de investimento, nomeadamente o investimento em valores mobiliários e o peso que os mesmos ocupam no património. (Allgood e Walstad, 2015). As variáveis autocontrolo e aversão ao risco não têm influência estatisticamente significativa sobre as variáveis correspondentes às várias dimensões do comportamento de investimento, nem sobre a variável correspondente à literacia financeira efetiva. Passando para a relação entre o comportamento de investimento e os fatores sociodemográficos foi possível estabelecer a influência das variáveis idade, género e educação. Os indivíduos mais velhos são mais prováveis de investirem em valores mobiliários. Também é possível concluir que os indivíduos do sexo masculino e que apresentam níveis de escolaridade mais elevados apresentam um melhor comportamento de investimento no que concerne as três dimensões em análise (Gallery et al, 2011). Com base nos dados analisados, a influência entre a área de estudos e o comportamento de investimento não é estatisticamente significativa.
95 Esta dissertação apresenta algumas limitações, nomeadamente a dimensão reduzida da amostra, o baixo número de indivíduos com investimentos em valores mobiliários atualmente e a elevada proporção de participantes que afirmam que esses investimentos não representam uma parte significativa do seu património total. Para finalizar, esta dissertação deixa recomendações para estudos futuros. Em primeiro lugar, seria vantajoso uma amostra maior, incluindo uma seleção mais diversificada de participantes nos vários fatores sociodemográficos. Adicionalmente, estudos futuros poderão utilizar um questionário mais extenso para obter dados mais precisos.
96 7. Referências bibliográficas Abdul, A., & Alharthi, K. (2016). An introduction to research paradigms. International Journal of Educational Investigations, 3(8) , 51–59. http://www.ijeionline.com/attachments/article/57/IJEI.Vol.3.No.8.05.pdf Adam, A. M., Boadu, M. O., & Frimpong, S. (2018). Does gender disparity in financial literacy still persist after retirement? Evidence from Ghana. International Journal of Social Economics, 45(1) , 18–28. https://doi.org/10.1108/IJSE-06-2016-0159 Allgood, S., & Walstad, W. B. (2016). The effects of perceived and actual financial literacy on financial behaviors. Economic Inquiry, 54(1) , 675–697. https://doi.org/10.1111/ecin.12255 Almenberg, J., & Dreber, A. (2015). Gender, stock market participation and financial literacy. Economics Letters, 137 , 140–142. https://doi.org/10.1016/j.econlet.2015.10.009 Ameriks, J., Caplin, A., Leahy, J., & Tyler, T. (2007). Measuring self-control problems. American Economic Review, 97(3) , 966–972. https://doi.org/10.1257/aer.97.3.966 Anderson, A., Baker, F., & Robinson, D. T. (2017). Precautionary savings, retirement planning and misperceptions of financial literacy. Journal of Financial Economics, 126(2), 383–398. https://doi.org/10.1016/j.jfineco.2017.07.008 Anderson, A., Baker, F., & Robinson, D. T. (2017). Preventive savings, retirement planning, and misconceptions of financial literacy. Journal of Financial Economics, 126 , 383–398. https://doi.org/10.1016/j.jfineco.2017.07.008 Ansong, A., & Gyensare, M. A. (2012). Determinants of university working-students’ financial literacy at the University of Cape Coast, Ghana. International Journal of Business and Management, 7(9) , 126-133. URL: http://dx.doi.org/10.5539/ijbm.v7n9p126 Ante, L., Fiedler, I., von Meduna, M., & Steinmetz, F. (2020). Returns from Investing in Cryptocurrency: Evidence from German Individual Investors. SSRN Electronic Journal. https://doi.org/10.2139/ssrn.3540876 Aregbeyen, O., & Mbadiugha, S. (2011). Factors influencing investors decisions in shares of quoted companies in Nigeria. Medwell Journals . https://shre.ink/8TzE
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109 a) Ensino Básico 1º ciclo – 4º ano escolaridade b) Ensino Básico 2º ciclo – 6º ano escolaridade c) Ensino Básico 3º ciclo – 9º ano escolaridade d) Ensino Secundário e) Ensino Superior – Licenciatura f) Ensino Superior - Pós-Graduação g) Ensino Superior – Mestrado h) Ensino Superior – Doutoramento 5. Qual é a sua área de formação? a) Ciências empresariais b) Saúde c) Artes d) Ciências sociais e) Ciências da comunicação f) Humanidades g) Ciências exatas h) Arquitetura i) Engenharia j) Direito k) Outro 6. Situação Profissional a) Trabalhador(a) por conta de outrem b) Trabalhador(a) por conta própria c) Desempregado(a) d) Doméstico(a) e) Reformado(a) f) Estudante
110 g) Trabalhador(a)/Estudante 7. Rendimento mensal próprio a) Entre 1001€ - 1500€ b) Entre 1501€ - 2000€ c) Entre 2001€ - 2500€ d) Mais de 2500€ e) Não tenho f) Prefiro não responder 8. Rendimento mensal do agregado familiar a) Menos de 2000€ b) Entre 2001€ - 3000€ c) Entre 3001€ - 4000€ d) Entre 4001€ - 5000€ e) Mais de 5000€ f) Prefiro não responder 9. Tem dependentes a seu cargo (filhos, pais ou outros familiares)? a) Sim b) Não 10. Se respondeu sim à questão anterior, quantos dependentes tem a seu cargo? a) Resposta aberta Secção B - Literacia Financeira Percecionada
111 11. Considero que o meu conhecimento financeiro é suficiente para tomar as minhas decisões financeiras. a) Discordo totalmente b) Tendo a discordar c) Nem concordo nem discordo d) Tendo a concordar e) Concordo totalmente 12. O meu conhecimento é suficiente para compreender os produtos financeiros que me são apresentados pela minha instituição financeira. a) Discordo totalmente b) Tendo a discordar c) Nem concordo nem discordo d) Tendo a concordar e) Concordo totalmente 13. Como avalia o seu conhecimento financeiro atual? a) Muito baixo b) Baixo c) Satisfatório d) Bom e) Muito bom Secção C - Literacia Financeira Efetiva 14. Suponha que tem 100€ numa conta poupança e a taxa de juros é de 2% ao ano. Depois de 5 anos, quanto teria na conta? a) Mais de 102€ b) Exatamente 102€ c) Menos de 102€
112 d) Não sei 15. Imagine que a taxa de juros da sua caderneta de poupança fosse de 1% ao ano e a inflação fosse de 2% ao ano. Após 1 ano, quanto conseguiria comprar com o dinheiro desta conta? a) Mais do que hoje b) O mesmo do que hoje c) Menos do que hoje d) Não sei 16. Comprar ações de uma única empresa geralmente proporciona um retorno mais seguro do que um fundo mútuo de ações. a) Verdadeiro b) Falso c) Não sei 17. Uma hipoteca de 15 anos, geralmente, requer pagamentos mensais mais altos do que uma hipoteca de 30 anos, mas os juros totais durante a vida do empréstimo serão menores. a) Verdadeiro b) Falso c) Não sei 18. Se as taxas de juro do mercado diminuírem, o que deverá acontecer com as obrigações? 1. Aumentam a) Diminuem b) Vão manter-se inalterados c) Não há relação entre as taxas de juro e obrigações d) Não sei
113 19. Depois de responder às 5 questões financeiras anteriores, indique quantas acredita estarem certas. a) 0 b) 1 c) 2 d) 3 e) 4 f) 5 Secção D - Comportamento de investimento 20. Dos seguintes produtos financeiros indique quais detém ou já deteve: a) Depósitos à ordem b) Depósitos a prazo c) Certificados de aforro ou tesouro d) Ações e) Obrigações f) Fundos de Investimento g) Papel Comercial h) Planos de Poupança para a reforma (excluindo fundos de investimento) i) Produtos de investimento complexos j) Criptomoeda k) Investimentos em crowdfunding l) Outros m) Nenhum
114 21. Presentemente tem investimentos em algum valor mobiliário? Considere investimentos em valores mobiliários como ações, obrigações, fundos de investimento, títulos da dívida pública, produtos derivados (como futuros e opções), entre outros. a) Sim, tenho b) Não tenho, mas já tive no passado c) Não tenho nem nunca tive 22. A sua carteira atual de valores mobiliários representa aproximadamente que percentagem do seu patrimônio total? a) 0% b) De 1 % a 10 % c) De 10 % a 25 % d) De 25 % a 50 % e) Mais de 50 % 23. Quais são as razões mais importantes na escolha dos seus investimentos em valores mobiliários? a) Razões fiscais b) Por ter rendimento superior ao dos depósitos bancários c) Gostar do risco d) Por hábito e) Amigos/ conhecidos/ familiares também investem f) Conselho do gestor de conta/ bancário g) Realizar mais-valias h) Outras razões. i) Não sei j) Prefiro não responder
115 24. Quais as fontes de informação a que habitualmente recorre quando pretende obter informações sobre produtos financeiros? a) Gestor de conta/bancário b) Intermediário financeiro/mediador de seguros c) Amigos/familiares/colegas d) Jornais da especialidade (em papel ou online) e) Outra imprensa (em papel ou online) f) Televisão/rádio g) Internet (exceto imprensa) h) Outras i) Não sei 25. Quando realiza algum investimento, qual é o tempo médio do mesmo? a) Indefinidamente, pois não tenho planos para seu uso b) No máximo 5 anos c) No máximo 2 anos d) No máximo 1 ano e) Não realizo f) Não sei 26. Qual é o objetivo principal dos seus investimentos? a) Crescimento do capital b) Diversificar os investimentos, reduzindo o risco c) Criar uma reserva financeira para uso futuro d) Preservar o meu patrimônio e) Não sei
116 Secção E - Fatores comportamentais influenciadores do comportamento de investimento – autocontrole e excesso de confiança. 27. Algumas pessoas acreditam que podem escolher ações que gerariam retornos superiores à média, outras acreditam que não são capazes de o fazer. Assinale de 1 a 5 qual a que acredita que o identifique. a) Acredito fortemente que não posso escolher ações acima da média b) Acredito que não posso escolher ações acima da média c) Nem acredito, nem não acredito d) Acredito que posso escolher ações acima da média e) Acredito firmemente que posso escolher ações acima da média 28. Tenho dificuldade em quebrar maus hábitos. a) Discordo totalmente b) Tendo a discordar c) Nem concordo nem discordo d) Tendo a concordar e) Concordo totalmente 29. Muitas vezes ajo sem pensar em todas as alternativas. a) Discordo totalmente b) Tendo a discordar c) Nem concordo nem discordo d) Tendo a concordar e) Concordo totalmente 30. Faço coisas que me fazem sentir bem no momento, mas arrependo-me mais tarde.
117 a) Discordo totalmente b) Tendo a discordar c) Nem concordo nem discordo d) Tendo a concordar e) Concordo totalmente Secção F – Aversão ao risco 31. Como se classificaria quanto ao seu grau de risco face a investimentos financeiros (sendo que 1 corresponde a conservador, 2 a prudente, 3 a equilibrado, 4 a dinâmico e 5 a arrojado): a) Muito avesso ao risco b) Um pouco avesso ao risco c) Nem avesso nem propenso ao risco d) Um pouco propenso ao risco e) Muito propenso ao risco 32. Nos últimos tempos, economizou para umas férias únicas na vida. Três semanas antes de planear partir, perde o seu emprego. O que faria? a) Cancelar a viagem b) Optar por uma viagem mais modesta c) Ir como planeado, pois precisa de tempo para se preparar para a procura do próximo trabalho d) Prolongar as férias, porque pode ser a última vez que surge a oportunidade e) Não sei
118 33. Imagine que está num programa de entretenimento na televisão e pode escolher uma das seguintes situações. Qual escolheria? a) 1.000€ garantidos b) 50% de probabilidade de ganhar 5.000€ c) 25% de probabilidade de ganhar 25.000€ d) 5% de probabilidade de ganhar 100.000€ e) Não sei