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outubro de 2019 Dissertação de Mestrado Mestrado Integrado em Engenharia Biológica Ramo Tecnologia Química e Alimentar Trabalho efetuado sob a orientação de Professora Doutora Maria Alcina Pereira Engenheiro Nuno Silva Rita da Silva Sampaio Alves Implementação de Plano de Segurança da Água numa Indústria de Bebidas Universidade do Minho Escola de Engenharia
DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho Atribuição-NãoComercial-SemDerivações CC BY-NC-ND https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/
iii AGRADECIMENTOS A um passo de concluir uma das etapas mais importante da minha vida, resta-me agradecer a todos os que contribuíram para o sucesso da mesma. A realização desta dissertação não teria sido possível sem a ajuda e colaboração de inúmeras pessoas. Aqui ficam expressos, os meus sinceros agradecimentos. À empresa Etanor/Penha – Produção Alimentar e Consultoria Técnica, S.A., principalmente ao Doutor Marco Martins, Diretor da Qualidade e SIG, pela oportunidade de realização do estágio curricular, pelas condições que me proporcionaram, por me disponibilizarem todos os meios necessários para a elaboração da presente dissertação e por me permitirem enriquecer a minha experiência académica, profissional e pessoal. Ao Eng. Nuno Silva pela orientação na empresa Etanor/Penha – Produção Alimentar e Consultoria Técnica, S.A., pelas sugestões fornecidas, pela disponibilidade e ensinamentos prestados ao longo de todo o estágio. A toda a equipa do Departamento de Qualidade, pelo acolhimento, pela simpatia, boa-disposição e pelo espírito de interajuda. À minha orientadora, Professora Doutora Maria Alcina Pereira, por ter aceite o pedido de orientação para esta dissertação, por todo o apoio, assim como, todos os conselhos, disponibilidade e amabilidade. Agradeço aos meus pais, familiares e ao meu namorado por todo o apoio prestado nesta longa caminhada. Por último, mas não menos importante, às amigas de curso, por todas as aventuras partilhadas, pelo apoio, companheirismo, compreensão e incentivo. À Universidade do Minho, principalmente ao Departamento de Engenharia Biológica, pelo excelente ensino. “Nas grandes batalhas da vida, a primeira vitória é o desejo de vencer” Mahatma Gandhi
iv DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho.
v Implementação de Plano de Segurança da Água numa Indústria de Bebidas RESUMO Segundo a Organização Mundial da Saúde, o Plano de Segurança da Água é o instrumento mais eficaz para garantir consistentemente a segurança do abastecimento de água potável, através de uma abordagem abrangente de gestão de riscos, englobando todas as etapas, desde a fonte até ao consumidor. A abordagem do Plano de Segurança baseia-se na identificação de todos os riscos significativos para a saúde pública, assegurando a implementação de controlos e barreiras eficazes, que minimizem esses riscos para níveis aceitáveis, e monitorizando a operação dos mesmos controlos para garantir que a segurança seja mantida. Dada a complexidade dos pontos de utilização de água numa indústria de bebidas e a tendência crescente para uma abordagem assente numa gestão de risco (Decreto-Lei n.º 152/2017; Lei n.º 52/2018), é expectável que a implementação de um Plano de Segurança seja a forma mais eficiente de dar resposta às necessidades neste domínio. Posto isto, a presente dissertação tem como objetivo implementar um Plano de Segurança da Água na empresa Etanor/Penha. Para atingir este propósito, procedeu-se às seguintes atividades: identificação de todos os perigos (biológicos, químicos, físicos e radiológicos) que podem ocorrer ou ser introduzidos em todo o sistema de água; caracterização e avaliação dos riscos associados através de uma metodologia de priorização de riscos; definição de medidas de controlo e limites de controlo para os perigos identificados; criação de um plano de monitorização aplicável a todo o sistema de água. Através deste estudo foi possível identificar oito pontos críticos de controlo. PALAVRAS-CHAVE Água, Avaliação de Risco, Perigos, Plano de Segurança, Qualidade.
vi Implementation of Water Safety Plan in a Beverage Industry ABSTRACT According to the World Health Organization, the Water Safety Plan is the most effective instrument to consistently ensure the safety of drinking water supplies through a comprehensive risk management approach, including all stages from source to consumer. The Safety Plan approach is based on identifying all significant public health risks, ensuring the implementation of effective controls and barriers, minimizing those risks to acceptable levels, and monitoring the operation of the same controls to ensure safety maintenance. Given the complexity of water use points in a beverage industry and the increasing trend towards a risk management approach (Decreto-Lei n.º 152/2017; Lei n.º 52/2018), it is expected that implementation of Water Safety Plan arise as the most efficient tool to fulfill all requirements.. In this way, this dissertation aims to implement a Water Safety Plan in Etanor/Penha. In order to achieve this purpose, the following activities were undertaken: identification of all hazards (biological, chemical, physical and radiological) that may occur or be introduced into the entire water system; characterization and assessment of associated risks through a risk prioritization methodology; definition of control measures and control limits for identified hazards; creation of a monitoring programme throughout the water system. Through this study it was possible to identify eight critical control points. KEYWORDS Water, Risk Assessment, Hazard, Safety Plan, Quality.
vii ÍNDICE Resumo............................................................................................................................................... v Abstract.............................................................................................................................................. vi Índice de Figuras ................................................................................................................................ ix Índice de Tabelas ................................................................................................................................ x Lista de Abreviaturas, Siglas e Acrónimos .......................................................................................... xii 1. Enquadramento .......................................................................................................................... 1 1.1 Objetivo Específico do Trabalho ........................................................................................... 1 1.2 Apresentação da Empresa Etanor/Penha ............................................................................ 1 2. Caracterização da Indústria de Bebidas ....................................................................................... 4 3. A Água ........................................................................................................................................ 4 3.1 Inadequada gestão de sistemas de água ............................................................................. 6 3.2 A água da Etanor/Penha ..................................................................................................... 6 4. Plano de Segurança da Água ....................................................................................................... 8 4.1 Benefícios e Dificuldades ..................................................................................................... 9 4.2 Estrutura ............................................................................................................................. 9 5. Implementação do PSA na Etanor/Penha .................................................................................. 11 5.1 Etapas Preliminares .......................................................................................................... 11 5.1.1 Constituição da equipa .............................................................................................. 11 5.1.2 Descrição do Sistema de Abastecimento .................................................................... 11 5.1.3 Distribuição da água na Etanor/Penha ....................................................................... 15 5.1.4 Tratamentos de água em equipamentos auxiliares ..................................................... 18 Torres de Refrigeração ............................................................................................... 18 Caldeiras ................................................................................................................... 19 Chillers ...................................................................................................................... 20 CIP ............................................................................................................................ 21 5.2 Avaliação do Sistema ........................................................................................................ 21 5.2.1 Identificação dos perigos ........................................................................................... 22
viii 5.2.1.1. Perigos Biológicos .................................................................................................. 22 5.2.1.2. Perigos Físicos ....................................................................................................... 23 5.2.1.3. Perigos Químicos ................................................................................................... 23 5.2.1.4. Perigos Radiológicos .............................................................................................. 23 5.2.1.5. Eventos Perigosos Identificados .............................................................................. 24 5.2.2 Caracterização de riscos ............................................................................................ 28 5.2.3 Identificação e avaliação de medidas de controlo ....................................................... 39 5.3 Monitorização Operacional ................................................................................................ 41 5.3.1 Estabelecimento de limites críticos ............................................................................. 41 5.3.2 Estabelecimento de procedimentos de monitorização ................................................. 42 5.3.3 Estabelecimento de ações corretivas .......................................................................... 42 5.4 Planos de Gestão .............................................................................................................. 50 5.4.1 Estabelecimento de procedimentos para a gestão de rotina ........................................ 50 5.4.2 Estabelecimento de procedimentos para a gestão em condições excecionais .............. 58 5.4.3 Estabelecimento de documentação e protocolos de comunicação .............................. 61 5.5 Validação e Verificação ...................................................................................................... 62 5.5.1 Validação ................................................................................................................... 64 5.5.2 Verificação ................................................................................................................. 64 5.5.2.1. Testes ................................................................................................................... 64 5.5.2.2. Auditorias .............................................................................................................. 64 6. Considerações Finais ................................................................................................................ 66 6.1 Resultados ........................................................................................................................ 66 6.2. Análise Crítica ................................................................................................................... 66 Bibliografia ....................................................................................................................................... 68
ix ÍNDICE DE FIGURAS Figura 1. Localização da empresa Etanor/Penha - Produção Alimentar e Consultoria Técnica, S.A.. ..... 2 Figura 2. Esquematização da evolução histórica da empresa. .............................................................. 3 Figura 3. Imagem aérea da planta dos furos, com respetiva localização. ............................................. 7 Figura 4. Quadro de referência para o estabelecimento de segurança da qualidade da água (adaptada de WHO, 2017). ................................................................................................................................. 8 Figura 5. Estrutura de um plano de segurança da água (adaptada de Vieira & Morais, 2005). ........... 10 Figura 6. Diagrama do Sistema Predial, Etanor/Penha. ..................................................................... 16 Figura 7. Identificação dos Lava-mãos, com respetiva distribuição de água fria e quente, na Etanor/Penha. .................................................................................................................................. 17 Figura 8. Vias de transmissão e exemplos de patogénicos relacionados com a água (adaptada de WHO, 2017). .............................................................................................................................................. 23 Figura 9. Árvore de decisão para a definição de PCC (adaptada de Vieira & Morais, 2005). ............... 30
3 Figura 2. Esquematização da evolução histórica da empresa. 1994 •Início de atividade da Etanor –Empresa de Turismo e Águas do Norte, S.A. •Embalamento de água de nascente da marca Serra da Penha. •Embalamento de marcas de distribuição (Jumbo e Mini Preço). 1997 •Início da produção de refrigerantes, propriedade da sua acionista Proleite, S.A., cliente exclusivo da Etanor. 1999 •Constituição da Etanor/Penha –Produção Alimentar e Consultoria Técnica, S.A., com capital social detido maioritariamente pela Lactogal (60%). 2001 •Desenvolvimento de produtos inovadores no segmento dos refrigerantes (Pleno). •Novo sistema de preparação e enchimento, nova imagem das embalagens e fabrico de embalagens pelo sopro de pré-formas. •Negociação com a Parmalat do enchimento dos refrigerantes da marca Santàl. 2003 •A Etanor/Penha consegue atingir resultados positivos. 2007 •Implementação do sistema MRP SAP pelo grupo Lactogal. 2009 •Sistema SAP abrange a área de produção. •Implementação dos sistemas de gestão da Qualidade e Segurança Alimentar, obtendo a certificação ISO 9001:2008 e ISO 22000:2005. •Melhoria dos processos produtivos. 2011 •Reforço na análise ao nível do controlo de custos. •Diminuição do peso das embalagens. 2014 •Parceria com novo cliente, levando ao aumento das marcas produzidas e o número de referências. •Início de um projeto global de melhoria contínua, alicerçado nas metodologias Kaizen . 2016 •1.º Prémio para Equipas de Melhoria da Associação Portuguesa da Qualidade.
4 2. CARACTERIZAÇÃO DA INDÚSTRIA DE BEBIDAS A indústria de bebidas, subsetor da indústria agroalimentar, engloba as bebidas alcoólicas e as bebidas não alcoólicas. Relativamente às bebidas alcoólicas, as que se destacam são o vinho e a cerveja. Em relação às bebidas não alcoólicas, as que mais se evidenciam são as águas engarrafadas, os sumos de frutos e néctares e os refrigerantes. De salientar que as bebidas refrigerantes abrangem as bebidas gaseificadas, bebidas à base de chá e café, bebidas sem gás onde se inclui os sumos de frutas, bebidas concentradas e xaropes (diluíveis), águas aromatizadas ou frutadas e bebidas energéticas (Probeb, s.d.). Segundo um estudo realizado pelo Banco de Portugal, em 2015 o segmento dos refrigerantes e águas representavam 6 % das empresas do setor, sendo responsáveis, no entanto, por 23 % do volume de negócios da indústria de bebidas (Banco de Portugal, 2016). 3. A ÁGUA A água é o elemento mais abundante do planeta e um dos ingredientes mais valiosos e indispensável para a vida, por isso a sua segurança é extremamente importante, tanto para garantir a saúde dos consumidores como para o bom funcionamento do ecossistema (Tsoukalas & Tsitsifli, 2018). As águas potáveis podem ser divididas em três tipos, sendo eles, as águas minerais naturais, as águas de nascente e as demais águas destinadas ao consumo humano. Estas águas diferenciam-se pelas suas propriedades naturais ou pelo tratamento que recebem nas empresas de engarrafamento. Em Portugal, a indústria de engarrafamento apenas extrai, acondiciona e comercializa águas minerais naturais e águas de nascente (APIAM, s.d.). As águas classificadas por “demais águas destinadas ao consumo humano”, pela Associação Portuguesa dos Industriais de Águas Minerais Naturais e de Nascente (APIAM), são as que precisam de ser submetidas a tratamentos físico-químicos para as tornar potáveis, podendo ser tanto de origem subterrânea como superficial. Assim sendo, nem todas as águas têm características garantidamente naturais e saudáveis para a ingestão humana. Apenas as águas minerais naturais e as águas de nascente mantêm a pureza natural, contribuindo, desta forma, para manter o equilíbrio do nosso corpo.
5 Mantendo a atenção nas águas de nascente, que é o tipo de água que a empresa Etanor/Penha se dedica a engarrafar, estas são águas completamente naturais e de origem subterrânea. As águas de nascente apresentam um tempo de circulação no subsolo mais curto quando comparadas com as águas minerais naturais, o que faz com que a presença de sais minerais possa variar. Estas águas possuem características químicas e bacteriológicas originais, sendo obrigatório que o seu engarrafamento seja efetuado no local de exploração (APIAM, s.d.). A tabela 1 apresenta a informação relativa a toda a legislação, referente à água, mencionada no presente trabalho. Tabela 1. Legislação consultada referente à água Legislação consultada Descrição Decreto-Lei n.º 156/98 de 6 de junho Estabelece as regras relativas ao reconhecimento das águas minerais naturais e as características e condições a observar nos tratamentos, rotulagem e comercialização das águas minerais naturais e águas de nascente. Decreto Lei n.º 236/98 de 1 de agosto Estabelece normas, critérios e objetivos de qualidade com a finalidade de proteger o meio aquático e melhorar a qualidade das águas em função dos seus principais usos. Decreto-Lei n.º 382/99 de 22 de setembro Estabelece perímetros de proteção para captações de águas subterrâneas destinadas ao abastecimento público. Decreto-Lei n.º 306/2007 de 27 de agosto Estabelece o regime da qualidade da água destinada ao consumo humano. Decreto-Lei n.º 152/2017 de 7 de dezembro Altera o regime da qualidade da água para consumo humano. Lei n.º 52/2018 de 20 de agosto Estabelece o regime de prevenção e controlo da doença dos legionários.
6 3.1 Inadequada gestão de sistemas de água Segundo Dufour et al. (2004), no século XXI, a quantidade de água tem-se tornado um tema importante a nível mundial, mas é a qualidade da água que está relacionada com a saúde humana, bem-estar e qualidade de vida (Dufour, et al. , 2004) . A inadequada conceção e gestão de sistemas de água tem efeitos consideráveis na saúde (podendo causar surtos de doenças), bem como impactos económicos e sociais diretos e indiretos significativos. Relativamente às doenças transmitidas pela água, estas são uma das principais preocupações de saúde no mundo, ocorrendo tanto em países desenvolvidos como em países em desenvolvimento, levando assim à perda de vidas (Costa, 2010). Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), milhões de pessoas morrem, a cada ano, de doenças transmitidas pela água (WHO, 2017). Contudo estes riscos para a saúde são evitáveis e podem ser facilmente controlados através dos PSA. 3.2 A água da Etanor/Penha A água utilizada na Etanor/Penha é proveniente de captações próprias e da rede de abastecimento pública. Atualmente, encontram-se em exploração 9 furos, cuja localização se encontra representada na figura 3. Desses furos, 5 (SP2, SP4, SP5, SP6 e SP7) estão licenciados para captação e engarrafamento de água de nascente (estes furos estão em funcionamento contínuo dada a necessidade de manter constante o nível dos furos, de modo a garantir a qualidade da água de nascente) e os restantes 4 (EP9, F8, F9 e F11) são dedicados à captação de água de consumo (o funcionamento destes furos é passível de interrupção). A água de nascente difere da água de consumo, visto que a água de nascente é “água subterrânea, considerada bacteriologicamente própria, com características físico-químicas que a tornam adequada para consumo humano no seu estado natural”, segundo o Decreto-Lei n.º 156/98 de 6 de junho. No que diz respeito à água de consumo, no Decreto-Lei n.º 306/2007 de 27 de agosto, esta corresponde a “i) Toda a água no seu estado original, ou após tratamento, destinada a ser bebida, a cozinhar, à preparação de alimentos, à higiene pessoal ou a outros fins domésticos, independentemente da sua origem e de ser fornecida a partir de uma rede de distribuição, de um camião ou navio-cisterna, em garrafas ou outros recipientes, com ou sem fins comerciais; ii) Toda a água utilizada numa empresa da
7 indústria alimentar para fabrico, transformação, conservação ou comercialização de produtos ou substâncias destinados ao consumo humano, assim como a utilizada na limpeza de superfícies, objetos e materiais que podem estar em contacto com os alimentos, exceto quando a utilização dessa água não afeta a salubridade do género alimentício na sua forma acabada”. Figura 3. Imagem aérea da planta dos furos, com respetiva localização. Em suma, na Etanor/Penha, a água de nascente é utilizada para engarrafamento do produto “Serra da Penha” e a água de consumo é utilizada para preparação de refrigerantes e também é consumida noutros pontos do processo industrial. As águas subterrâneas apresentam uma qualidade mais estável e melhor qualidade microbiana quando comparadas com as águas superficiais, por esse motivo, as águas subterrâneas geralmente requerem pouco ou nenhum tratamento para serem adequadas para ingestão, enquanto as águas superficiais geralmente precisam de ser tratadas, extensivamente (WHO, 2006).
8 4. PLANO DE SEGURANÇA DA ÁGUA Em 2004, a OMS em Guidelines for Drinking-water Quality recomendou que os fornecedores de água desenvolvessem e implementassem PSA para garantir a qualidade da água, incorporando metodologias de avaliação e gestão de riscos, bem como práticas de boa operação dos sistemas (Setty, et al. , 2017; WHO, 2017). Nos dias de hoje, é preferível aplicar sistemas preventivos em vez de corretivos, pois tem sido comprovado que os sistemas tradicionais de gestão de risco, baseados no tratamento e correção da falha após a sua ocorrência, são inadequados (Tsoukalas & Tsitsifli, 2018). Os PSA correspondem a um documento que todas as entidades gestoras devem elaborar e implementar nos seus sistemas de abastecimento de água. Este documento consiste numa ferramenta preventiva, baseada na análise de perigos e avaliação do risco efetuada sistematicamente ao longo do sistema de abastecimento de água, que engloba todas as etapas, desde a captação de água até aos consumidores (Costa, 2010). É de salientar que estes documentos devem, assim, obedecer a critérios técnicos, a legislações de saúde, ao meio ambiente, aos recursos híbridos e às normas relativas aos sistemas de abastecimento de água (ERSAR, s.d.). Na figura 4 encontram-se as principais componentes que constituem o PSA. A metodologia PSA foi implementada pela primeira empresa pública portuguesa de água em 2003. Desde aí tem sido realizada uma extensa pesquisa científica para adotar as práticas de PSA pelas empresas de água em Portugal (Tsoukalas & Tsitsifli, 2018). Figura 4. Quadro de referência para o estabelecimento de segurança da qualidade da água (adaptada de WHO, 2017).
9 4.1 Benefícios e Dificuldades De uma forma mais detalhada, é possível afirmar que, os principais benefícios da implementação dos PSA compreendem a melhoria da segurança e qualidade da água potável, a melhor análise dos desvios observados, a redução de potenciais riscos, a prevenção de incidentes perigosos, avaliação efetiva do risco, a melhor resposta a situações de falha e emergência e o aumento no cumprimento da regulamentação. Além disso, leva a uma melhoria do desempenho dos funcionários, melhor monitorização da fonte de água e diminuição das reclamações dos clientes. No entanto, as dificuldades relativas à sua implementação são os procedimentos de gestão incorretos, a escassa experiência do pessoal, a falta de infraestrutura, a heterogeneidade dos potenciais riscos, a grande extensão da rede de distribuição e a incapacidade de encontrar recursos financeiros (Tsoukalas & Tsitsifli, 2018). 4.2 Estrutura Existe um conjunto de etapas a considerar para desenvolver um PSA, as quais se encontram sintetizadas na figura 5. Segundo Vieira & Morais (2005), primeiramente, deve-se estabelecer etapas preliminares que envolvam a constituição da equipa responsável pela elaboração do PSA, uma caracterização geral do sistema e a construção do diagrama de fluxo correspondente a todo o sistema em avaliação. A primeira etapa do PSA envolve o desenvolvimento das bases técnicas necessárias para a avaliação de processos, de modo a identificar os perigos e avaliar os riscos que lhe estão associados. O PSA deve incluir todos os aspetos relacionados com as fontes de água e o seu controlo de qualidade. A segunda etapa envolve a definição de limites críticos, estabelecimento de procedimentos de monitorização e definição de ações corretivas a considerar em todo o sistema. A terceira etapa envolve uma série de atividades, cujo objetivo é o de garantir a aplicabilidade do PSA. Para tal, desenvolvem-se procedimentos para a gestão do controlo do sistema, que englobam a monitorização das medidas de controlo estabelecidas e os limites críticos definidos. Também devem ser estabelecidos protocolos de comunicação, incluindo informação interna e comunicação com autoridades externas.
10 Após entrada em funcionamento do PSA, torna-se necessário proceder à sua validação e verificação. Através da validação assegura-se que o sistema em operação é eficaz e é composto por barreiras que garantem o controlo dos perigos detetados. Periodicamente deve ser realizada uma verificação, para determinar se o PSA está a ser corretamente aplicado e se é capaz de atingir os objetivos de qualidade, previamente estabelecidos. Todo o processo de aplicação do PSA deve ser fiscalizado por uma entidade independente, o que constitui, por si só, um elemento adicional de controlo externo. Esta fiscalização pode ser exercida através de auditorias ao próprio plano, de validação das medidas de controlo propostas e de verificação do produto final (Vieira & Morais, 2005). Figura 5. Estrutura de um plano de segurança da água (adaptada de Vieira & Morais, 2005). Etapas preliminares •Constituição da equipa •Descrição do sistema de abastecimento •Construção e validação do diagrama de fluxo Avaliação do sistema •Identificação de perigos •Caracterização de riscos •Identificação e avaliação das medidas de controlo Monitorização operacional •Estabelecimento de limites críticos •Estabelecimento de procedimentos de monitorização •Estabelecimento de ações corretivas Planos de gestão •Estabelecimento de procedimentos para a gestão de rotina •Estabelecimento de procedimentos para a gestão em condições excecionais •Estabelecimento de documentação e protocolos de comunicação Validação e Verificação •Avaliação do funcionamento do PSA
11 5. IMPLEMENTAÇÃO DO PSA NA ETANOR/PENHA 5.1 Etapas Preliminares 5.1.1 Constituição da equipa A primeira etapa no desenvolvimento de um PSA é formar uma equipa multidisciplinar de especialistas, com um entendimento completo do sistema de água envolvido. A equipa deve ser constituída por alguém que possua experiência suficiente relativamente à captação e distribuição da água potável, deve incluir indivíduos envolvidos em cada fase do sistema de água potável, assim como, elementos responsáveis pelas análises de qualidade da água e pessoas diretamente envolvidas nas operações diárias do sistema (Vieira & Morais, 2005; WHO, 2017). A equipa multidisciplinar da Etanor/Penha deve ser constituída por 7 elementos, nomeadamente: • Diretor Geral; • Diretor de Qualidade e SIG; • Assistente de Controlo Industrial; • Responsável de Produção; • Responsável de Manutenção; • Responsável da Fábrica de Garrafas; • Técnico SIG. O líder da equipa será o Diretor de Qualidade e SIG. A nomeação dos elementos teve em conta a combinação de conhecimentos e experiências multidisciplinares no desenvolvimento e implementação do PSA. 5.1.2 Descrição do Sistema de Abastecimento A utilização quer da água de nascente (AN) quer da água de consumo (AC), não se limita às atividades indicadas anteriormente. Posto isto, e dada a complexidade do sistema tornou-se necessário elaborar um diagrama para esquematizar o sistema predial (figura 6). Assim sendo, a estrutura do sistema predial elaborado é constituída por 5 etapas, iniciando-se na origem da água, seguindo-se do armazenamento, da distribuição de água fria (AF), do aquecimento e por fim da distribuição de água quente (AQ). Além da água de nascente e da água de consumo, a Etanor/Penha também dispõe de água da rede pública. É importante salientar que esta água fornecida pelos sistemas públicos de distribuição é uma
12 água de qualidade, devidamente controlada a fim de garantir todas as características para ser consumida (ERSAR, 2017). De acordo com o Decreto-Lei n.º 306/2007 de 27 de agosto, compete às entidades gestoras de sistemas de abastecimento de água garantir que a água seja salubre, limpa e equilibrada, isto é, que não contenha nenhum microrganismo, parasita ou substância em quantidade ou concentração que possa constituir um perigo potencial para a saúde humana. Ainda de acordo com este diploma legal, a água distribuída deve ser submetida a um processo de desinfeção, com o objetivo de eliminar bactérias e outros microrganismos que a possam contaminar, sendo recomendado que as concentrações de cloro residual livre, na rede de distribuição, estejam compreendidas entre 0,2 e 0,6 mg/L (EPAL Grupo Águas de Portugal, 2015; ERSAR, s.d.). Relativamente à água de nascente, esta é armazenada nos tanques TQ01, TQ02, TQ03, TQ04, TQ05, TQ06, TQ07, TQ08. A capacidade total de armazenamento de água de nascente é de 840000 L, uma vez que quatro dos tanques apresentam uma capacidade individual de 100000 L, e os restantes apresentam a capacidade individual de 110000 L. A água de consumo encontra-se armazenada nos tanques TQ1C, TQ2C, TQ3C, TQ4C, TQ5C sendo que cada tanque possui a capacidade de 100000 L, perfazendo um total de 500000 L. Além dos tanques referidos, existem mais dois tanques de armazenamento de água, na Etanor/Penha, sendo eles o tanque que armazena a água bruta (TQ Água Bruta) cuja capacidade é de 60000 L e por fim o tanque que armazena a água de rega (Depósito de Água). No Decreto-Lei n.º 382/99 de 22 de setembro, a qualidade da água é definida como o conjunto de valores de parâmetros físicos, químicos, biológicos e microbiológicos da água que permite avaliar a sua adequação como origem de água para a produção de água para consumo humano, nos termos dos artigos 13º a 19º do Decreto Lei n.º 236/98 de 1 de agosto. Desta forma, torna-se necessário sublinhar que a água sujeita a um controlo de qualidade mais apertado é a água de nascente. Assim sendo, a Etanor/Penha estipulou que a transferência de água apenas pode ocorrer no seguinte sentido: água de nascente → água de consumo → água bruta. A transferência destas águas por qualquer outra ordem não é permitida, isto é, o tanque de água bruta pode receber água de nascente direta ou indiretamente, água de consumo diretamente e água reaproveitada na etapa de enxaguamento. Torna-se importante salientar que esta água é reaproveitada uma vez que se apresenta aceitável para o tipo de utilização que a água bruta tem, isto é, apresenta características de qualidade suficientes para que a recirculação seja efetuada.
19 de substâncias antimicrobianas oxidantes (cloro<0.7 mg/L para prevenir corrosão) e não-oxidantes (Teixeira, Pereira, Santos, & Beleza, 1997). Recentemente foi publicada a Lei nº 52/2018 de 20 de agosto que estabelece o regime de prevenção e controlo da doença dos legionários e ainda procede à quinta alteração ao Decreto-Lei n.º 118/2013. Esta lei estabelece o regime de prevenção e controlo da doença dos legionários definindo procedimentos referentes, tanto à utilização como à manutenção de redes, sistemas e equipamentos propícios à proliferação e disseminação da Legionella. Para além disso, estipula as bases e condições para a criação de uma estratégia de prevenção primária e controlo da bactéria Legionella em todos os edifícios e estabelecimentos de acesso ao público, independentemente de terem natureza pública ou privada. O referido diploma aplica-se aos seguintes equipamentos de transferência de calor associados a sistemas de aquecimento, ventilação e ar condicionado ou a unidades de tratamento do ar e que possam gerar aerossóis de água: • Torres de arrefecimento; • Condensadores evaporativos; • Sistemas de arrefecimento de água de processo industrial; • Sistemas de arrefecimento de cogeração; • Humidificadores. Também se encontram abrangidos por esta lei os sistemas inseridos em espaços de acesso e utilização pública que utilizem água para fins terapêuticos ou recreativos e que possam gerar aerossóis de água, redes prediais de água, designadamente água quente sanitária, ou mesmo sistemas de rega ou de arrefecimento por aspersão, fontes ornamentais ou outros geradores de aerossóis de água com temperatura entre 20 ⁰C e 45 ⁰C. Os responsáveis por equipamentos propícios ao desenvolvimento e proliferação de Legionella que sejam visados, ficarão assim obrigados ao registo das mesmas em plataforma desenvolvida para o efeito pelos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, E. P. E., e gerida pela Direção Geral de Saúde (DGS). Caldeiras As caldeiras são um equipamento construído em metal (aço, cobre, ferro fundido) para transferir calor de uma câmara de combustão (ou uma resistência elétrica), para água, na fase líquida, na fase de
20 vapor ou em ambas (Carpinteiro, 2011). Sendo a Etanor/Penha uma indústria de bebidas, esta necessita de água quente e/ou vapor, como por exemplo, no tanque de esterilização, esterilização da enchedora e pasteurizadores. A água de alimentação à caldeira, independentemente da sua proveniência, contém várias substâncias. A presença destas poderá originar diversos problemas. Desta forma, torna-se necessário realizar um tratamento químico à água da caldeira, de modo a evitar incrustação, corrosão e arrastamento. Na Etanor/Penha, este tratamento é efetuado através de fosfatos, que são usados para precipitar o cálcio evitando as incrustações. Também se utilizam sulfitos para remover o oxigénio dissolvido, de forma a inibir a corrosão. Posto que, um valor baixo de pH acentua a tendência corrosiva da água, devido ao alto teor de iões de hidrogénio, este deve ser mantido em valores suficientemente elevados para controlar a corrosão, como por exemplo, através da adição de um reagente alcalino, sendo o mais habitual o hidróxido de sódio (Martinelli Jr., 2013). Chillers Um chiller de água é uma máquina que apresenta a função de arrefecer água ou outro líquido em diferentes tipos de aplicações, através de um ciclo termodinâmico, sendo os dois principais tipos de chiller: • Chiller de compressão ou elétrico; • Chiller de absorção. O que distingue o funcionamento de ambos é o facto de o chiller de absorção ter como princípio de base um “compressor termoquímico”. Estes permitem produzir água gelada a partir de uma fonte de calor, utilizando para tal uma solução de um sal num processo termoquímico de absorção. Relativamente aos chillers de compressão, estes utilizam um compressor mecânico, usualmente acionado por um motor elétrico, de forma a aumentar a pressão em determinada fase do ciclo termodinâmico do sistema (CEEETA, 2001). Na Etanor/Penha são utilizados este tipo de chillers. Com o intuito de evitar ou minimizar os fenómenos de corrosão, nos chillers, a água tem de ser tratada. O tratamento desta água passa pela adição contínua de um produto químico que possui na sua formulação um inibidor de corrosão à base de molibdatos e polímeros como dispersantes (Capela, 2015).
21 Como referido anteriormente, as tubagens no interior da Etanor/Penha são de aço inoxidável que comparado com aços convencionais apresenta uma excelente resistência à corrosão, uma vez que a forma como o aço é processado faz com que possua uma camada passiva (rica em óxido de cromo), aderente e impermeável, na sua superfície, quando expostos ao ar. No entanto, quando exposto a diferenças de temperatura, sistemáticas e contínuas, estas danificam a camada de óxido de cromo, deixando a superfície vulnerável à corrosão. Este acontecimento pode ser contrariado através do tratamento superficial de passivação química, o qual atua através da remoção de iões de ferro e outros contaminantes, além de melhorar a capacidade protetiva da camada passiva devido ao seu enriquecimento de cromo, o que pode resultar numa maior resistência à corrosão (Casimiro, 2010; Santos Jr, Biehl, & Antonini, 2017). CIP O CIP é um método de limpeza utilizado para remover resíduos de equipamentos, assim como, das tubagens, sem ser necessário desmontar ou abrir o mesmo. É um método projetado para fornecer limpeza de alta qualidade, rápida, produtiva e consistente (Moerman, Majoor, & Rizoulières, 2014). Este sistema funciona através da circulação de agentes de limpeza, como o detergente e o desinfetante, e enxaguando a água através dos equipamentos. A Etanor/Penha utiliza como agentes de limpeza o ácido nítrico e o hidróxido de sódio. O ácido nítrico tem como função remover as incrustações e o hidróxido de sódio tem o poder de dissolver gorduras (Dudeja & Singh, 2017). 5.2 Avaliação do Sistema A qualidade da água varia ao longo de todo o sistema e por esse motivo, a avaliação deve ter como objetivo determinar se a qualidade final da água fornecida cumpre as metas de saúde estabelecidas. A avaliação do sistema deve ser realizada periodicamente, uma vez que é necessário acompanhar o comportamento de substâncias que podem afetar a qualidade da água. Depois de identificados os perigos pode-se determinar o nível de risco para cada perigo e classificá-lo com base na probabilidade de ocorrência (P) e na severidade da consequência (S) (Vieira & Morais, 2005). Por fim, procede-se à identificação e avaliação das medidas de controlo que visam, assim, contribuir para a preservação da qualidade da água.
22 5.2.1 Identificação dos perigos Segundo o Decreto-Lei n.º 152/2017 de 7 de dezembro, um perigo é um agente biológico, químico, físico ou radiológico presente na água com potencial para causar um efeito adverso na saúde. Pela definição da OMS um evento perigoso é um incidente ou situação que pode levar à presença de um perigo (o que pode acontecer e como). Um risco é a probabilidade de os perigos identificados causarem danos nas populações expostas num período específico, incluindo a magnitude desse dano e/ou as consequências. Assim sendo, um risco pode-se traduzir pelo produto da probabilidade de ocorrência de um acontecimento indesejado pelo respetivo efeito causado numa determinada população (WHO, 2017). Esta etapa exige a identificação de todos os perigos, sendo que estes podem ocorrer ou ser introduzidos em todo o sistema de água, desde a captação até ao consumidor (Serra, Domenech, Escriche, & Martorell, 1998). 5.2.1.1. Perigos Biológicos Relativamente aos perigos biológicos, estes costumam estar associados à presença de microrganismos patogénicos na água, como bactérias, vírus, protozoários, entre outros. Deve-se manter a concentração de microrganismos patogénicos dentro dos limites legais estabelecidos, de modo a serem garantidos os objetivos de qualidade (Vieira & Morais, 2005). Na figura 8 encontra-se esquematizado alguns exemplos de microrganismos patogénicos que podem ser encontrados na água, assim como a respetiva via de transmissão. As doenças transmitidas pela água continuam a ser uma das principais preocupações de saúde no mundo. Apesar da ingestão de água potável contaminada representar o maior risco, existem outras vias de transmissão que também podem levar à doença. Certas doenças graves resultam da inalação de gotículas de água (aerossóis) nas quais os organismos causadores se multiplicam devido às águas quentes e à presença de nutrientes, como é o caso da Doença dos Legionários, causada por Legionella spp., como referido anteriormente (WHO, 2017). Tendo em consideração que a água utilizada na Etanor/Penha é água subterrânea, e considerando as informações bibliográficas relativas a este tipo de água, dos microrganismos presentes na figura 8, apenas a Escherichia coli , a Salmonella e a Legionella serão mais suscetíveis de se desenvolverem. No entanto, a Etanor/Penha além de realizar análises aos microrganismos referidos, também realiza
23 análises às bactérias coliformes, Enterococcus , Pseudomona aeruginosa , Clostridium perfringens , pois encontra-se legislado no Decreto-Lei n.º 306/2007 de 27 de agosto. Figura 8. Vias de transmissão e exemplos de patogénicos relacionados com a água (adaptada de WHO, 2017). 5.2.1.2. Perigos Físicos Os perigos físicos encontram-se associados às características organoléticas da água, como cor, turvação, cheiro e sabor, sendo os mais comuns a presença de sedimentos, de materiais de tubagens, materiais de revestimento de tubagens e biofilmes (Vieira & Morais, 2005). 5.2.1.3. Perigos Químicos Os perigos químicos podem ser considerados como qualquer substância química (orgânica ou inorgânica) que possa comprometer a segurança da água, sendo que estas substâncias podem ter diversas origens, isto é, podem ocorrer naturalmente, assim como surgirem de atividades agrícolas, de fontes industriais ou, até mesmo, surgirem nas fases de armazenamento e distribuição da água (Vieira & Morais, 2005). 5.2.1.4. Perigos Radiológicos Os perigos radiológicos, geralmente, ocorrem como resultado da contaminação por espécies radioativas que ocorrem naturalmente em fontes de água ou como resultado de atividades humanas,
24 como por exemplo a contaminação por efluentes da indústria mineira e radionuclídeos de uso médico ou industrial de materiais radioativos (Vieira & Morais, 2005). O facto da Etanor/Penha se localizar na Serra da Penha e esta apresentar aspetos de morfologia granítica, as penhas, que dão o nome ao local, faz com que esta região apresente algumas características radiológicas provenientes do solo (Laranjeira, 2017). Posto isto, um dos isótopos que mais contribui para a exposição natural é o radão, uma vez que as maiores concentrações deste elemento estão associadas a regiões cujo substrato geológico é maioritariamente constituído por granito. A radioatividade numa água para consumo humano pode ser determinada através das medições de α total, β total e radionuclídeos específicos (Silva Mendes, 2010). 5.2.1.5. Eventos Perigosos Identificados Os eventos perigosos identificados, no subsistema captação, com os respetivos perigos associados, encontram-se listados na tabela 2. No subsistema captação, o perigo relativo aos “Microrganismos Patogénicos” corresponde à presença de bactérias coliformes, Escherichia coli , Enterococcus , Pseudomonas aeruginosa , Clostridium perfringens e Salmonella . No caso da água de nascente, os microrganismos que devem ser analisados são as bactérias coliformes, Escherichia coli , Enterococcus , esporos de Clostrídios sulfito-redutores e Pseudomonas aeruginosa , de acordo com o Decreto-Lei n.º 156/98 de 6 de junho. Para a água de consumo devem ser analisadas as bactérias coliformes, Escherichia coli , Enterococcus e Clostridium perfringens, de acordo com o Decreto-Lei n.º 306/2007 de 27 de agosto. Como referido anteriormente a Etanor/Penha, para a água de nascente, além de analisar os microrganismos descritos ainda realiza a análise de Salmonellas , como se encontra recomendado pela OMS em Guidelines for Drinking-water Quality (WHO, 2017). Relativamente ao perigo associado às “Algas”, este corresponde à presença de diatomáceas, clorófitas, criptófitas, crisófitas, dinófitas, euglenófitas e ainda de outro grupo taxonómico que são as cianobactérias (INAG, I.P., 2009). Por fim, o perigo relacionado com as “Substâncias Químicas” varia de evento perigoso para evento perigoso, por exemplo, pode existir a presença de hipoclorito de sódio devido a ações de vandalismo e sabotagem, de microcistinas produzidas pelas cianobactérias, de hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (PAHs) devido a incêndios, de arsénio, bário, boro, crómio, fluoreto, selénio, no caso da
25 ocorrência natural de substâncias químicas (WHO, 2017), assim como, a presença de radão, α e βtotal associada à ocorrência natural de radioatividade, e de nitratos e nitritos provenientes de usos agrícolas, como refere o Decreto-Lei n.º 306/2007 de 27 de agosto. Tabela 2. Eventos perigosos associados ao subsistema captação Ações de Vandalismo e Sabotagem (1) Microrganismos Patogénicos Substâncias Químicas Acumulação de Sedimentos adaptado de (2) Turvação Aquífero Contaminado adaptado de (1) Algas Microrganismos Patogénicos Substâncias Químicas Crescimento de Algas adaptado de (3) Substâncias Químicas Estagnação e baixos fluxos de água adaptado de (1) Algas Microrganismos Patogénicos Falhas elétricas/mecânicas (sistemas de alarme/equipamento de monitorização) (1) Falta de água Falhas na Construção da Captação (4) Algas Microrganismos Patogénicos Falhas na Construção da Tubagem (4) Microrganismos Patogénicos Formação de Biofilmes adaptado de (2) Microrganismos Patogénicos Turvação Funcionamento Contínuo adaptado de (5) Quantidade Insuficiente de Água Higienização Inadequada (4) Algas Microrganismos Patogénicos Substâncias Químicas Manutenção Inadequada adaptado de (5) Microrganismos Patogénicos Substâncias Químicas Turvação Ocorrência de Incêndios nos Terrenos adaptado de (1) Substâncias Químicas Ocorrência Natural de Radioatividade (6) Substâncias Radioativas Ocorrência Natural de Substâncias Químicas acima do recomendável (5*) Substâncias Químicas Oscilação Nível da Água (p. ex. falhas de energia, avarias) adaptado de (5) Algas Microrganismos Patogénicos Turvação Químicos Provenientes de Usos Agrícolas (4) Substâncias Químicas Seca (1) Quantidade Insuficiente de Água
26 (1) Planos de Segurança da Água para Consumo Humano em Sistemas Públicos de Abastecimento (2) Water Safety in Buildings (3) Manual para a avaliação da qualidade biológica da água em lagos e albufeiras segundo a diretiva quadro da água: Protocolo de amostragem e análise para o Fitoplâncton *adaptado pág.3 (4) Protecting Groundwater for Health: Managing the Quality of Drinking-water Sources (5) Guidelines for Drinking‑water Quality: Fourth edition incorporating the first addendum *adaptado da tabela 8.8 pág. 178 (6) Management of Radioactivity in Drinking-Water Os eventos perigosos identificados, no subsistema armazenamento, com os respetivos perigos associados, encontram-se listados na tabela 3. Tabela 3. Eventos perigosos associados ao subsistema armazenamento (1) Planos de Segurança da Água para Consumo Humano em Sistemas Públicos de Abastecimento (2) Guidelines for Drinking‑water Quality (3) Manual para a avaliação da qualidade biológica da água em lagos e albufeiras segundo a diretiva quadro da água: Protocolo de amostragem e análise para o Fitoplâncton *adaptado pág.3 (4) Water Safety in Distribution Systems (5) Plano de Segurança da Água - Caso de Estudo: Sistema de Abastecimento Público de Água de Castro Verde Ações de vandalismo e sabotagem (1) Microrganismos Patogénicos Microrganismos Patogénicos transmitidos por inalação Substâncias Químicas Acumulação de sedimentos adaptado de (2) Turvação Crescimento anormal de algas (3) Substâncias Químicas Estagnação e baixos fluxos de água adaptado de (4) Algas Microrganismos Patogénicos Microrganismos Patogénicos transmitidos por inalação Falha na Construção do Tanque (1) Microrganismos Patogénicos Microrganismos Patogénicos transmitidos por inalação Substâncias Químicas Turvação Falhas elétricas/mecânicas (sistemas de alarme/equipamento de monitorização) adaptado de (1) Falta de água Formação de Biofilmes (4) Microrganismos Patogénicos Microrganismos Patogénicos transmitidos por inalação Turvação Formação de Subprodutos Resultantes da Limpeza e da Desinfeção adaptado de (1) Substâncias Químicas Higienização Inadequada adaptado de (2) Microrganismos Patogénicos Microrganismos Patogénicos transmitidos por inalação Manutenção Inadequada adaptado de (2) Microrganismos Patogénicos Microrganismos Patogénicos transmitidos por inalação Substâncias Químicas Turvação Mau funcionamento do filtro de carvão ativado (5) Substâncias Químicas Saturação do carvão ativado adaptado de (2) Microrganismos Patogénicos Substâncias Químicas
27 No subsistema armazenamento, o perigo relativo aos “Microrganismos Patogénicos” e às “Algas” são iguais aos referidos no subsistema captação. O perigo relativo aos “Microrganismos Patogénicos transmitidos por inalação” corresponde à presença de Legionella . Por fim, o perigo relacionado com as “Substâncias Químicas” varia de evento perigoso para evento perigoso, por exemplo, pode existir a presença de hipoclorito de sódio devido a ações de vandalismo e sabotagem, de microcistinas produzidas pelas cianobactérias (WHO, 2017), de peróxido de hidrogénio no caso de formação de subprodutos resultantes da limpeza e da desinfeção e por fim a presença de cloro, devido ao mau funcionamento do filtro de carvão ativado e saturação do carvão ativado. Os eventos perigosos identificados, no subsistema distribuição, com os respetivos perigos associados, encontram-se listados na tabela 4. Tabela 4. Eventos perigosos associados ao subsistema distribuição Acumulação de Sedimentos (1) Turvação Avaria Controlador de Cloro adaptado de (2) Microrganismos Patogénicos transmitidos por inalação Deficiente Controlo de Temperatura Microrganismos Patogénicos Estagnação e baixos fluxos de água (1) Microrganismos Patogénicos Microrganismos Patogénicos transmitidos por inalação Falhas elétricas/mecânicas (sistemas de alarme/equipamento de monitorização) (2) Microrganismos Patogénicos transmitidos por inalação Formação de aerossóis (3) Microrganismos Patogénicos transmitidos por inalação Formação de Biofilmes (1) Microrganismos Patogénicos Microrganismos Patogénicos transmitidos por inalação Turvação Funcionamento Intermitente (1) Microrganismos Patogénicos transmitidos por inalação Manutenção Inadequada (1,2) Microrganismos Patogénicos Substâncias Químicas Turvação Residual de cloro excessivo (1,2) Substâncias Químicas Residual de cloro insuficiente (1,2) Microrganismos Patogénicos Rutura de stock de cloro adaptado de (2) Microrganismos Patogénicos transmitidos por inalação Tempo de contacto insuficiente da água com o cloro adaptado de (2) Microrganismos Patogénicos transmitidos por inalação (1) Water Safety in Distribution Systems (2) Planos de Segurança da Água para Consumo Humano em Sistemas Públicos de Abastecimento (3) Prevenção e Controlo de Legionella nos Sistemas de Água
28 No subsistema distribuição, o perigo relativo aos “Microrganismos Patogénicos” corresponde à presença de bactérias coliformes, Escherichia coli , Enterococcus , e Clostridium perfringens . O perigo relativo aos “Microrganismos Patogénicos transmitidos por inalação” corresponde à presença de Legionella . 5.2.2 Caracterização de riscos A presente etapa procede à avaliação do risco associado a cada perigo, e para tal, estabelece-se a probabilidade dele ocorrer, através de uma Escala de Probabilidade de Ocorrência, assim como as respetivas consequências, através de uma Escala de Severidade das Consequências (Vieira & Morais, 2005). Posto isto, esta avaliação será baseada nas recomendações da OMS em Guidelines for Drinking-water Quality, com as escalas de probabilidade de ocorrência e severidade de consequência (WHO, 2017), apresentadas respetivamente, na tabela 5 e 6. Entenda-se por impacto de conformidade, um desvio face aos critérios definidos internamente pela Etanor, sem outro tipo de impacto. O impacto organolético corresponde a um desvio que não representa incumprimento legal, ou seja, apesar de apresentar os valores paramétricos inferiores ao que se apresenta legislado, a água não apresenta as características ideais para consumo (odor, sabor…). Relativamente ao impacto regulatório, este corresponde a um desvio que entra no campo da legislação, ou seja, os valores paramétricos legislados são ultrapassados. O último nível da escala de severidade é aplicável a situações que possam colocar em causa a saúde pública quer dos consumidores, quer da população envolvente. Um dos objetivos principais desta etapa consiste em priorizar os riscos e, para tal, procede-se à elaboração de uma matriz de classificação de riscos, como aquela que se encontra na tabela 7. Tabela 5. Escala de Probabilidade de Ocorrência Probabilidade de ocorrência Descrição Peso Quase certa Vai acontecer provavelmente 1 vez por dia 5 Muito provável Vai acontecer provavelmente 1 vez por semana 4 Provável Vai ocorrer provavelmente 1 vez por mês 3 Pouco provável Vai ocorrer provavelmente várias vezes por ano 2 Rara Pode ocorrer 1 vez por ano, ou menos 1
35 Tabela 12. Avaliação da água bruta no subsistema armazenamento Tipo Água Local Evento Perigoso Perigo P S Pontuação Classificação Q1 Q Q2 Q3 Q4 Resultado Água Bruta Tanque 60000 Estagnação e baixos fluxos de água MP 1 5 5 Baixo Estagnação e baixos fluxos de água Algas 1 3 3 Baixo Ações de vandalismo e sabotagem MP 1 5 5 Baixo Formação de Biofilmes MP 4 5 20 Extremo S - N S N PCC Manutenção Inadequada MP 1 5 5 Baixo Higienização Inadequada MP 2 5 10 Elevado S - N S N PCC Falha na Construção do Tanque MP 1 5 5 Baixo Ações de vandalismo e sabotagem SQ 1 5 5 Baixo Formação de Subprodutos Resultantes da Limpeza /Desinfeção SQ 1 3 3 Baixo Manutenção Inadequada SQ 1 3 3 Baixo Falha na Construção do Tanque SQ 1 3 3 Baixo Crescimento anormal de algas SQ 1 5 5 Baixo Formação de Biofilmes T 2 3 6 Moderado S - N S N PCC Manutenção Inadequada T 1 3 3 Baixo Acumulação de Sedimentos T 2 3 6 Moderado S - N S N PCC Falha na Construção do Tanque T 1 3 3 Baixo Falhas elétricas/mecânicas FA 2 2 4 Baixo Tanque Rega Estagnação e baixos fluxos de água MPI 1 5 5 Baixo Estagnação e baixos fluxos de água Algas 1 3 3 Baixo Ações de vandalismo e sabotagem MPI 1 5 5 Baixo Formação de Biofilmes MPI 3 5 15 Elevado S - N S N PCC Manutenção Inadequada MPI 1 5 5 Baixo Higienização Inadequada MPI 1 5 5 Baixo Falha na Construção do Tanque MPI 1 5 5 Baixo Ações de vandalismo e sabotagem SQ 1 3 3 Baixo Formação de Subprodutos Resultantes da Limpeza/Desinfeção SQ 1 3 3 Baixo Manutenção Inadequada SQ 1 3 3 Baixo Falha na Construção do Tanque SQ 1 3 3 Baixo Crescimento anormal de algas SQ 1 3 3 Baixo Formação de Biofilmes T 2 1 2 Baixo Manutenção Inadequada T 1 1 1 Baixo Acumulação de Sedimentos T 2 1 2 Baixo Falha na Construção do Tanque T 1 1 1 Baixo Falhas elétricas/mecânicas FA 2 1 2 Baixo
36 Ao aplicar a árvore de decisão aos PC identificados no subsistema armazenamento, todos eles foram considerados como PCC. Na tabela 13 encontram-se todos os PCC identificados e a sua denominação. Tabela 13. Denominação dos PCC identificados no subsistema armazenamento TQ Água Consumo Mau funcionamento do filtro de carvão ativado PCC 1 TQ 60000 Formação de biofilmes PCC 2 Higienização Inadequada Formação de Biofilmes PCC 3 Acumulação de sedimentos TQ Rega Formação de biofilmes PCC 4 Nas tabelas 14, 15 e 16 encontram-se os resultados obtidos da avaliação do subsistema distribuição. Ao analisar a tabela 14 verifica-se que os eventos perigosos foram todos classificados como “Baixo”. Tabela 14. Avaliação da água de nascente no subsistema distribuição Tipo Água Local Evento Perigoso Perigo P S Pontuação Classificação Água Nascente Tubagens Estagnação e baixos fluxos de água MP 1 5 5 Baixo Formação de Biofilmes MP 1 5 5 Baixo Manutenção Inadequada MP 1 5 5 Baixo Deficiente Controlo de Temperatura MP 1 5 5 Baixo Manutenção Inadequada SQ 1 3 3 Baixo Acumulação de Sedimentos T 1 3 3 Baixo Formação de Biofilmes T 1 3 3 Baixo Manutenção Inadequada T 1 3 3 Baixo Lavatório/ LM Formação de aerossóis MPI 1 5 5 Baixo Ao analisar a tabela 15 verifica-se a existência de vários eventos perigosos classificados como “Elevado” que correspondem à formação de aerossóis no sistema de rega, à estagnação e baixos fluxos de água e o deficiente controlo de temperatura nas tubagens associadas à água bruta, assim como, todos os eventos perigosos associados à torre de refrigeração (formação de aerossóis, estagnação e baixos fluxos de água, formação de biofilmes, avaria no controlador de cloro, tempo de contacto insuficiente da água com o cloro, rutura de stock de cloro, funcionamento intermitente, falhas elétricas/mecânicas). Para estes PC os perigos associados são os microrganismos patogénicos. Também se verifica a existência de eventos perigosos classificados como “Extremo” que correspondem à formação de biofilmes nas tubagens associadas à água bruta e à formação de aerossóis nos chuveiros presentes na fábrica das garrafas e no contentor dos químicos. Para estes PC os perigos
37 associados são respetivamente os microrganismos patogénicos e os microrganismos patogénicos transmitidos por inalação. Tabela 15. Avaliação da água bruta no subsistema distribuição Tipo Água Local Evento Perigoso Perigo P S Pontuação Classificação Q1 Q Q2 Q3 Q4 Resultado Água Bruta SAC Formação de aerossóis MPI 1 5 5 Baixo UTA’s Formação de aerossóis MPI 1 5 5 Baixo Sistema de Rega Formação de aerossóis MPI 2 5 10 Elevado S - N S N PCC Tubagens Estagnação e baixos fluxos de água MP 3 5 15 Elevado S - N S N PCC Formação de Biofilmes MP 4 5 20 Extremo S - N S N PCC Manutenção Inadequada MP 1 5 5 Baixo Deficiente Controlo de Temperatura MP 2 5 10 Elevado S - N S N PCC Manutenção Inadequada SQ 1 3 3 Baixo Acumulação de Sedimentos T 1 3 3 Baixo Formação de Biofilmes T 1 3 3 Baixo Manutenção Inadequada T 1 3 3 Baixo Chuveiro Formação de aerossóis MPI 4 5 20 Extremo S - N S N PCC Lavatório/ LM Formação de aerossóis MPI 1 5 5 Baixo Torre de Refrigeração Formação de aerossóis MPI 2 5 10 Elevado S - N S N PCC Estagnação e baixos fluxos de água MPI 2 5 10 Elevado S - N S N PCC Formação de Biofilmes MPI 2 5 10 Elevado S - N S N PCC Avaria Controlador de Cloro MPI 2 5 10 Elevado S - N S N PCC Tempo de contacto insuficiente da água com o cloro MPI 2 5 10 Elevado S - N S N PCC Rutura de stock de cloro MPI 2 5 10 Elevado S - N S N PCC Funcionamento Intermitente MPI 2 5 10 Elevado S - N S N PCC Falhas elétricas/mecânicas (sistemas de alarme/equipamento de monitorização) MPI 2 5 10 Elevado S - N S N PCC Ao analisar a tabela 16 verifica-se a existência de eventos perigosos classificados como “Moderado” que correspondem à acumulação de sedimentos nas tubagens associadas à água da rede pública e o excesso de cloro residual nos diversos pontos de utilização desta água. Para estes PC os perigos associados são a turvação e as substâncias químicas, mais especificamente, o cloro. Também se verifica a existência de um evento perigoso classificado como “Elevado” que corresponde ao deficiente controlo de temperatura nas tubagens associadas à água da rede pública.
38 Tabela 16. Avaliação da água da rede pública no subsistema distribuição Tipo Água Local Evento Perigoso Perigo P S Pontuação Classificação Q1 Q Q2 Q3 Q4 Resultado Água Rede Pública Tubagens Estagnação e baixos fluxos de água MP 1 5 5 Baixo Formação de Biofilmes MP 1 5 5 Baixo Manutenção Inadequada MP 1 5 5 Baixo Deficiente Controlo de Temperatura MP 2 5 10 Elevado S - N N - Não é PCC Manutenção Inadequada SQ 1 3 3 Baixo Acumulação de Sedimentos T 2 3 6 Moderado N N - - - Não é PCC Formação de Biofilmes T 1 3 3 Baixo Manutenção Inadequada T 1 3 3 Baixo Chuveiros Formação de aerossóis MPI 1 5 5 Baixo Lavatórios Formação de aerossóis MPI 1 5 5 Baixo PUA Residual de cloro insuficiente MP 1 5 5 Baixo Residual de cloro excessivo SQ 2 3 6 Moderado N N - - - Não é PCC É necessário salientar que existem 3 UTA’s na Etanor/Penha e estas encontram-se distribuídas pelo Enchimento, Fábrica das Garrafas e Embalamento. A UTA presente no Enchimento contem serpentinas que fazem circular água fria proveniente do chiller que se encontra na Produção. A UTA presente na Fábrica das Garrafas utiliza a água proveniente das torres de refrigeração, sendo que uma fuga de água nas serpentinas desta UTA pode levar à formação de aerossóis e consequentemente ao desenvolvimento de microrganismos patogénicos transmitidos por inalação como é o caso da Legionella , pois esta água apresenta todas as características favoráveis para o seu desenvolvimento. A UTA presente no Embalamento não contem água, apenas há recirculação de ar. Ao aplicar a árvore de decisão aos PC identificados no subsistema distribuição, todos eles foram considerados como PCC, exceto os PC associados à água da rede pública, isto porque no caso da turvação e substâncias químicas não são implementadas medidas de controlo, visto que compete à entidade gestora garantir a qualidade da água para consumo. De qualquer forma, não são considerados como PCC porque se entende que mesmo que o evento perigoso ocorra, o impacto é limitado ao nível organolético, não constituindo risco elevado para a segurança. Relativamente à temperatura também não foi considerado PCC, apesar de existir uma medida de controlo associada, que é a verificação trimestral da temperatura dos termoacumuladores. Neste caso, considera-se que mesmo que ocorra um desvio da temperatura, as caraterísticas da água neste ponto (existência de cloro residual, períodos de estagnação curtos…) levam a crer que o perigo em causa não irá atingir níveis superiores/inaceitáveis.
39 Na tabela 17 encontram-se todos os PCC identificados e a sua denominação. Tabela 17. Denominação dos PCC identificados no subsistema distribuição Sistema de Rega Formação de aerossóis PCC 5 Tubagens água bruta Estagnação e baixos fluxos de água PCC 6 Formação de Biofilmes Deficiente controlo de temperatura Chuveiros água bruta Formação de aerossóis PCC 7 Torre de Refrigeração Formação de aerossóis PCC 8 Estagnação e baixos fluxos de água Formação de Biofilmes Avaria Controlador de Cloro Tempo de contacto insuficiente da água com o cloro Rutura de stock de cloro Funcionamento Intermitente Falhas elétricas/mecânicas (sistemas de alarme/equipamento de monitorização) 5.2.3 Identificação e avaliação de medidas de controlo A presente etapa consiste em determinar as medidas de controlo, que correspondem às ações, atividades ou processos usados para eliminar ou reduzir significativamente a ocorrência de riscos. Estas medidas não devem ser imprecisas ou vagas e devem ser aplicadas coletivamente e permanentemente para garantir que a qualidade da água é controlada eficazmente (WHO, 2006; WHO, 2011). As medidas já implementadas pela Etanor para o subsistema captação são: • Vigilância e controlo dos terrenos das captações; • Acesso vedado às bombas na captação, e a toda a zona da captação; • Realização de rondas periódicas; • Limpeza dos terrenos; • Monitorização do caudal e nível das captações; • Realização de análises à qualidade da água; • Seleção de empresas que cumpram as regras estabelecidas no caderno de encargos; • Cumprimento do Plano de Limpeza e Desinfeção; • Sistema de captação com variadores de velocidade.
40 As medidas já implementadas pela Etanor para o subsistema armazenamento são: • Perímetro do reservatório devidamente protegido e o acesso condicionado; • Alarme de deteção contra intrusão; • Realização de rondas periódicas; • Vigilância através de câmaras de vídeo; • Cumprimento do Plano de Limpeza e Desinfeção; • Seleção de empresas que cumpram as regras estabelecidas no caderno de encargos; • Purga da primeira água de enchimento do tanque após desinfeção; • Análises para deteção da presença de substâncias químicas usadas nos desinfetantes (peróxido de hidrogénio e cloro). No subsistema armazenamento deverão ser adotadas as seguintes medidas de controlo: • Substituição do leito de carvão ativado nos prazos planeados; • Lavagem com água e desinfeção do leito de carvão ativado em intervalos regular; • Lavagem em contra-corrente com um fluxo correto, em intervalos regulares. As medidas já implementadas pela Etanor, para o subsistema distribuição, são: • Medição da temperatura da água quente à saída do ponto de utilização (trimestral); • Verificação trimestral da temperatura de funcionamento dos termoacumuladores; • Realização de análises à qualidade da água (diário); • Manutenção preventiva das UTA´s – verificação do estado dos filtros e eventuais fugas nas serpentinas de refrigeração (mensal); substituição dos filtros de ar dos equipamentos (anual); • Realização de análise para deteção da presença de Legionella (PUA – trimestral; Torre de Refrigeração – mensal); • Programa de controlo e desinfeção da água da torre de refrigeração (adição de hipoclorito de sódio e biocida não oxidante); • Verificação do funcionamento do equipamento de doseamento de cloro e biocida (diário); • Análise de parâmetros de controlo da qualidade da água de refrigeração (pH, residual de cloro, entre outros) (semanal). No subsistema distribuição deverão ser adotadas as seguintes medidas de controlo: • Garantir a existência de um plano de manutenção para o controlador de cloro;
41 • Instalar sistemas de alarme para avisar sempre que a concentração de cloro for incorreta; • Fazer uma gestão eficiente do stock; • Verificação do funcionamento diário do sistema de rega (controlador de rega); • Abertura do chuveiro presente no contentor dos químicos (mensal). 5.3 Monitorização Operacional Após estarem identificadas as medidas de controlo, torna-se importante assegurar procedimentos de avaliação do sistema, de modo a garantir o seu correto funcionamento. Assim sendo, a monitorização operacional permite avaliar se as medidas de controlo se encontram devidamente implementadas e se são eficazes, através de observações e medições de alguns parâmetros (WHO, 2017). Os parâmetros selecionados para monitorização operacional devem refletir a eficácia de cada medida de controlo, fornecer uma indicação oportuna do desempenho, ser facilmente medidos e fornecer oportunidade para uma resposta apropriada. Exemplos de parâmetros operacionais são o pH, a turvação, a cor, a condutividade, o cloro residual, entre outros (WHO, 2005). De um modo geral, a etapa de monitorização operacional contém três fases, primeiramente a definição dos limites para as medidas de controlo, de seguida, a monitorização desses limites e, por último, a aplicação de ações corretivas em resposta a um desvio detetado. Os planos de monitorização para os PCC identificados encontram-se nas tabelas de 18 a 25. 5.3.1 Estabelecimento de limites críticos As medidas de controlo precisam de ter limites definidos para a aceitabilidade operacional que podem ser aplicados aos parâmetros de monitorização operacional. Para cada potencial perigo há que estabelecer os respetivos limites críticos (LC) determinando-se, assim, os objetivos a serem cumpridos pelo sistema, de modo a garantir a qualidade da água dentro dos limites impostos pela legislação em vigor (Vieira & Morais, 2005). Os LC podem ser limites superiores, limites inferiores, um intervalo ou um conjunto de medidas de desempenho. Estes estabelecem valores que separam a aceitabilidade da inaceitabilidade do funcionamento do sistema e devem ser mensuráveis direta ou indiretamente (Vieira & Morais, 2005). Os LC devem ainda ser estabelecidos tendo em conta a legislação em vigor aplicável aos sistemas de abastecimento de água em Portugal.
42 5.3.2 Estabelecimento de procedimentos de monitorização Com o intuito de verificar se os LC foram cumpridos, deve ser realizada a monitorização da qualidade da água. A monitorização depende do estabelecimento dos princípios "O quê?", "Como?", "Quando?" e "Quem?" (WHO, 2005). No caso da monitorização evidenciar que um LC foi excedido, existe a possibilidade de a água se tornar insegura. O objetivo é monitorizar as medidas de controlo em tempo útil para evitar o fornecimento de água potencialmente perigosa. As estratégias e procedimentos de monitorização devem ser documentados e devem incluir a seguinte informação (Vieira & Morais, 2005; WHO, 2005): • Parâmetros a monitorizar; • Locais e frequência de amostragem; • Métodos de amostragem e equipamento utilizado; • Programação de amostragem; • Procedimentos para o controlo de qualidade dos métodos analíticos; • Requisitos para verificação e interpretação de resultados; • Responsabilidades e qualificações necessárias de pessoal; • Requisitos para documentação e gestão de registos; • Requisitos para relatórios e comunicação de resultados. 5.3.3 Estabelecimento de ações corretivas Uma componente importante da segurança da água é o desenvolvimento de ações corretivas. As ações corretivas são impostas quando a monitorização deteta um desvio ao LC, atuando no sentido de corrigir esse desvio. Como referido anteriormente, a deteção do desvio e a implementação da ação corretiva devem ser possíveis num período adequado para manter o desempenho e a segurança da água (WHO, 2017). Para o PCC 1 deve-se monitorizar o cloro residual, semanalmente, à saída do filtro de carvão ativado. O plano de monitorização operacional para este PCC encontra-se na tabela 18.
43 Tabela 18. Plano de Monitorização Operacional para o PCC 1 – Tanque Água de Consumo Parâmetro (O quê?) Limites Críticos Local de monitorização (Onde?) Como? Quando? Quem? Ações Corretivas Valor Unidades Cloro Residual 0 mg/L À saída do filtro de carvão ativado Análise laboratorial Semanalmente Laboratório Interno •Substituição do leito de carvão ativado. •Revisão dos parâmetros de lavagem em contra corrente (caudal, frequência,…). Para o PCC 2 deve-se realizar um controlo das bactérias coliformes, Escherichia coli , Enterococcus e Clostridium perfringens semanalmente e a Legionella deve ser controlada trimestralmente, à saída do tanque de 60000. O plano de monitorização operacional para este PCC encontra-se na tabela 19. Tabela 19. Plano de Monitorização Operacional para o PCC 2 – Tanque 60000 Parâmetro (O quê?) Limites Críticos Local de monitorização (Onde?) Como? Quando? Quem? Ações Corretivas Valor Unidades Coliformes Totais 0 UFC/100mL À saída do tanque Análise laboratorial Semanalmente Laboratório Interno •Repetição da análise para confirmação do resultado. •Em caso de resultado não conforme na repetição realizar choque químico* à água do tanque. •Após o choque químico realizar nova amostra para avaliação da sua eficácia. •Caso se mantenham os valores, purga total do tanque e realizar limpeza/desinfeção do mesmo. Coliformes Fecais Escherichia Coli Enterococcus Clostridium perfringens Legionella pneumophila 0 UFC/L Trimestralmente Laboratório Externo Legionella spp . <100 * Clorar a água com uma solução com cerca de 20 mg/L de cloro residual livre, garantindo que nos extremos da rede o residual de cloro seja 1-2 mg/L, durante 2 a 3 horas.
44 De notar que tanto as bactérias coliformes como a Escherichia Coli , Enterococcus e Clostridium perfringens apresentam menos resistência ao cloro, por esse motivo espera-se que sejam eliminados com uma menor concentração de desinfetante, quando comparado com o utilizado para a Legionella . Para o PCC 3 deve-se monitorizar a turvação, semanalmente, à saída do tanque de 60000. O plano de monitorização operacional para este PCC encontra-se na tabela 20. Tabela 20. Plano de Monitorização Operacional para o PCC 3 – Tanque 60000 Parâmetro (O quê?) Limites Críticos Local de monitorização (Onde?) Como? Quando? Quem? Ações Corretivas Valor Unidades Turvação <4 UNT À saída do tanque Inspeção Visual Semanalmente Laboratório Interno •Colocação de um sistema de filtração à saída do tanque. Para o PCC 4 deve-se monitorizar a Legionella , trimestralmente, à saída do tanque de rega. O plano de monitorização operacional para este PCC encontra-se na tabela 21. Tabela 21. Plano de Monitorização Operacional para o PCC 4 – Tanque Rega Parâmetro (O quê?) Limites Críticos Local de monitorização (Onde?) Como? Quando? Quem? Ações Corretivas Valor Unidades Legionella pneumophila 0 UFC/L À saída do tanque de rega Análise laboratorial Trimestralmente Laboratório Externo •Repetição da análise para confirmação do resultado. •Em caso de resultado não conforme na repetição realizar choque químico* à água do tanque. •Após o choque químico realizar nova amostra para avaliação da sua eficácia. •Caso se mantenham os valores, purga total do tanque e realizar limpeza/desinfeção do mesmo. Legionella spp. <100 * Clorar a água com uma solução com cerca de 20 mg/L de cloro residual livre, garantindo que nos extremos da rede o residual de cloro seja 1-2 mg/L, durante 2 a 3 horas.
51 uma manutenção regular, pode verificar-se a ocorrência de incidentes pontuais ou graduais no sistema de abastecimento que podem pôr em causa a qualidade da água. Estes perigos só podem ser mantidos sob controlo através de verificações sistemáticas e periódicas, como por exemplo, através de inspeções visuais, medições físicas in situ e análises laboratoriais da água em vários pontos do sistema. Por isso, torna-se necessário elaborar um caderno de instruções com o objetivo de controlar os PCC. Nas tabelas de 26 a 32 encontram-se os planos de gestão de rotina para cada PCC identificado. Tabela 26. Plano de gestão de rotina dos tanques de água de consumo PCC 1 - Tanque Água Consumo Eventos Perigosos 1. Mau Funcionamento do Filtro de Carvão Ativado Perigos Substâncias Químicas Medidas de Controlo Substituição do leito de carvão nos prazos planeados. Verificado ꙱ Data Realização_________ Lavagem com água tratada e desinfeção do leito carbonatado em intervalos regulares. Verificado ꙱ Data Realização_________ Lavagem em contra-corrente com um fluxo correto, em intervalos regulares. Verificado ꙱ Data Realização_________ Monitorização Operacional O quê? LC Unidade Quando? Quem? Ação Corretiva Cloro Residual 0 mg/L Semanalmente Laboratório Interno • Substituição do leito de carvão ativado. • Revisão dos parâmetros de lavagem em contra corrente (caudal, frequência,…).
52 Tabela 27. Plano de gestão de rotina do tanque 60000 PCC 2 e 3 - Tanque 60000 Eventos Perigosos 1. Formação de Biofilmes 2. Higienização Inadequada 3. Acumulação de Sedimentos Perigos 1.1. Microrganismos Patogénicos 1.2. Turvação 2.1. Microrganismos Patogénicos 3.1. Turvação Medidas de Controlo Cumprimento do plano de limpeza e desinfeção. Verificado ꙱ Data Realização_________ Monitorização Operacional O quê? LC Unidade Quando? Quem? Ação Corretiva Coliformes Totais 0 UFC/100mL Semanalmente Laboratório Interno • Repetição da análise para confirmação do resultado. • Em caso de resultado não conforme na repetição realizar choque químico à água do tanque. • Após o choque químico realizar nova amostra para avaliação da sua eficácia. • Caso se mantenham os valores, purga total do tanque e realizar limpeza/desinfeção do mesmo. Coliformes Fecais Escherichia Coli Enterococcus Semestralmente Clostridium perfringens Legionella pneumophila 0 UFC/L Trimestralmente Laboratório Externo Legionella spp . <100 Turvação <4 UNT Semanalmente Laboratório Interno • Colocação de um sistema de filtração à saída do tanque. pH [5;8] - - Condutividade [95;130] µS/cm
53 Tabela 28. Plano de gestão de rotina do tanque de rega PCC 4 - Tanque Rega Eventos Perigosos 1. Formação de Biofilmes Perigos Microrganismos Patogénicos Transmitidos por inalação ( Legionella ) Medidas de Controlo Cumprimento do plano de limpeza e desinfeção. Verificado ꙱ Data Realização_________ Monitorização Operacional O quê? LC Unidade Quando? Quem? Ação Corretiva Legionella pneumophila 0 UFC/L Trimestralmente Laboratório Externo • Repetição da análise para confirmação do resultado. • Em caso de resultado não conforme na repetição realizar choque químico à água do tanque. • Após o choque químico realizar nova amostra para avaliação da sua eficácia. • Caso se mantenham os valores, purga total do tanque e realizar limpeza/desinfeção do mesmo. Legionella spp . <100
54 Tabela 29. Plano de gestão de rotina do sistema de rega PCC 5 - Sistema de Rega Eventos Perigosos 1. Formação de aerossóis Perigos Microrganismos Patogénicos Transmitidos por inalação ( Legionella ) Medidas de Controlo Verificação do funcionamento diário do sistema de rega (controlador de rega). Verificado ꙱ Data Realização_________ Monitorização Operacional O quê? LC Unidade Quando? Quem? Ação Corretiva Legionella pneumophila 0 UFC/L Trimestralmente Laboratório Externo •Repetição da análise para confirmação do resultado. • Em caso de resultado não conforme na repetição realizar choque químico à água do tanque. • Após o choque químico realizar nova amostra para avaliação da sua eficácia. • Caso se mantenham os valores, purga total do tanque e realizar limpeza/desinfeção do mesmo. Legionella spp . <100
55 Tabela 30. Plano de gestão de rotina das tubagens de água bruta PCC 6 - Tubagens Água Bruta Eventos Perigosos 1. Estagnação e baixos fluxos de água 2. Formação de Biofilmes 3. Deficiente Controlo de Temperatura Perigos Microrganismos Patogénicos Medidas de Controlo Medição da temperatura da água quente à saída do ponto de utilização (trimestral). Verificado ꙱ Data Realização_________ Verificação da temperatura de funcionamento dos termoacumuladores (trimestral). Verificado ꙱ Data Realização_________ Monitorização Operacional O quê? LC Unidade Quando? Quem? Ação Corretiva Coliformes Totais 0 UFC/100mL Semanalmente Laboratório Interno • Repetição da análise para confirmação do resultado. • Em caso de resultado não conforme na repetição realizar choque térmico nas tubagens / choque químico no tanque. • Após o choque químico realizar nova amostra para avaliação da sua eficácia. • Caso se mantenham os valores, purga total do tanque e realizar limpeza/desinfeção do mesmo. Coliformes Fecais 0 Escherichia Coli 0 Enterococcus 0 Clostridium perfringens 0 Legionella spp . 0 UFC/L Trimestralmente Laboratório Externo Legionella pneumophila <100 Temperatura água quente >50 ⁰C Laboratório Interno • Aumentar a temperatura do termoacumulador de água.
56 Tabela 31. Plano de gestão de rotina dos chuveiros abastecidos com água bruta PCC 7 – Chuveiros Eventos Perigosos 1. Formação de Biofilmes Perigos Microrganismos Patogénicos Transmitidos por inalação ( Legionella ) Medidas de Controlo Verificação da temperatura de funcionamento dos termoacumuladores (trimestral). Verificado ꙱ Data Realização_________ Monitorização Operacional O quê? LC Unidade Quando? Quem? Ação Corretiva Legionella spp . 0 UFC/L Trimestralmente Laboratório Externo • Repetição da análise para confirmação do resultado. • Em caso de resultado não conforme na repetição realizar choque térmico / choque químico. • Após o choque químico realizar nova amostra para avaliação da sua eficácia. • Caso se mantenham os valores, purga total do tanque e realizar limpeza/desinfeção do mesmo. Legionella pneumophila <100 Temperatura água fria <20 ⁰C Laboratório Interno • Purga da água do tanque para reencher com água fresca. Temperatura água quente >50 • Aumentar a temperatura do termoacumulador de água.
57 Tabela 32. Plano de gestão de rotina da torre de refrigeração PCC 8 – Torres de Refrigeração Eventos Perigosos 1. Formação de Aerossóis 2. Estagnação e baixos fluxos de água 3. Formação de Biofilmes 4. Avaria Controlador de Cloro 5. Tempo de contacto insuficiente da água com o cloro 6. Rutura de stock de cloro 7. Funcionamento Intermitente 8. Falhas elétricas/mecânicas (sistemas de alarme/equipamento de monitorização) Perigos Microrganismos Patogénicos Transmitidos por inalação ( Legionella ) Medidas de Controlo Realização de análises para deteção da presença de Legionella (mensal). Verificado ꙱ Data Realização_________ Programa de controlo e desinfeção da água das torres (adição de hipoclorito de sódio e biocida não oxidante). Verificado ꙱ Data Realização_________ Verificação do funcionamento do equipamento de doseamento de cloro e biocida (diário). Verificado ꙱ Data Realização_________ Análise de parâmetros de controlo da qualidade da água de refrigeração (pH, residual de cloro, entre outros) (semanal). Verificado ꙱ Data Realização_________ Monitorização Operacional O quê? LC Unidade Quando? Quem? Ação Corretiva Legionella spp . 0 UFC/L Mensalmente Laboratório Externo • Repetição da análise para confirmação do resultado. • Em caso de resultado não conforme na repetição dentro do mesmo intervalo, ajustar os parâmetros de tratamento (aumento do doseamento de cloro, aumento das purgas,…) • 10 dias após alteração do tratamento realizar nova amostra para avaliação da eficácia do tratamento. • Caso se mantenham os valores, purga total do tanque e realizar limpeza/desinfeção do mesmo. Legionella pneumophila <100
58 Tabela 32. Plano de gestão de rotina da torre de refrigeração (continuação) O quê? LC Unidade Quando? Quem? Ação Corretiva Cloro Residual [0.5 ; 1] mg/L Diariamente Técnico do SIG • Se houver excesso de cloro residual, corrigir o sistema de doseamento (dose e frequência). • Se houver défice de cloro residual, reforçar o doseamento. • Ajustar o tempo de contacto do cloro com a água. pH [6.5 ; 9] - Mensalmente Empresa Externa - Condutividade <800 µS/cm ATP Total <400 RLU Inibidor corrosão (Fosfatos) [3 ; 10] ppm PO4 Ciclos de concentração [2 ; 6] - 5.4.2 Estabelecimento de procedimentos para a gestão em condições excecionais Como referido anteriormente, devem fazer parte do PSA procedimentos de gestão para responder a incidentes “previsíveis”, assim como, a eventos imprevistos e emergências. Em relação aos incidentes “previsíveis”, estes correspondem a um desvio significativo na monitorização operacional, isto é, quando um LC é excedido. Alguns cenários que levam a que a água seja considerada potencialmente insegura podem não ser especificamente identificados nos planos de resposta a incidentes. Tal situação deve-se ao facto dos eventos serem imprevistos ou porque foram considerados muito improváveis para justificar a elaboração de planos de ação corretivos detalhados. Relativamente aos planos de emergência, estes devem considerar eventuais desastres naturais (por exemplo, sismos, cheias, secas) e acidentes (por exemplo, interrupções no fornecimento de eletricidade). Posto isto, estes planos devem especificar claramente os responsáveis pela coordenação das medidas a serem tomadas, um plano de comunicação para alertar e informar os consumidores e os esquemas alternativos para o abastecimento de água de emergência (Vieira & Morais, 2005).
59 Após qualquer uma destas situações deve ser realizada uma investigação considerando os seguintes fatores (WHO, 2005; WHO, 2017): • Qual foi a causa inicial do problema? • Como o problema foi identificado ou reconhecido pela primeira vez? • Quais as principais ações tomadas? • Que problemas de comunicação surgiram e como foram abordados? • Quais foram as consequências imediatas e de longo prazo? • Como se comportou o plano de resposta a emergências? A organização deve aprender o máximo possível com estas situações, de modo a melhorar a preparação e o planeamento de situações semelhantes que possam vir a ocorrer no futuro. Para fazer face a eventos que ocorrem em situações excecionais, aconselha-se a elaboração de planos de ação para dar resposta a estas situações. Estes planos consistem num documento de gestão, cujo objetivo é descrever as ações a tomar em resposta a várias situações excecionais (Vieira & Morais, 2005; WHO, 2005). Na tabela 33 encontram-se listados os eventos perigosos que foram classificados como “Baixo” na “Avaliação do Sistema”, e por esse motivo não foram analisados na árvore de decisão e consequentemente não foram considerados PCC, não tendo assim ações corretivas associadas. Apesar de apresentarem baixa probabilidade, isto é, serem improváveis de acontecer, são eventos perigosos com severidade máxima e por essa razão deve existir um plano de resposta (ações). Podem ainda ocorrer eventos que, pela sua natureza, apenas se verifiquem em situações excecionais, tais como desastres naturais e acidentes, que tenham impacto negativo na qualidade da água e, consequentemente, possam pôr em perigo a saúde pública. Na tabela 34 encontram-se alguns exemplos desses eventos, assim como, o respetivo plano de resposta.
60 Tabela 33. Plano de resposta em caso de ocorrência de eventos imprevistos Perigo Parâmetro LC Unidade Eventos Perigosos Plano de Resposta Microrganismos Patogénicos Coliformes Totais 0 UFC/100mL Ações de Vandalismo e Sabotagem • Desvio / Rejeição da água contaminada. • Rejeição da água restante na etapa de armazenamento. • Paragem do sistema de abastecimento de água. • Comunicar ao diretor da qualidade a situação. • Analisar as causas que levaram à ocorrência do perigo. • Consultar a autoridade responsável pela Saúde Pública (DGS), em caso de Legionella superior ao LC. Aquífero Contaminado Coliformes Fecais Oscilação Nível da Água Deficiente Controlo de Temperatura Escherichia Coli Estagnação e baixos fluxos de água Formação de Biofilmes Enterococcus Manutenção Inadequada Higienização Inadequada Clostridium perfringens Residual de cloro insuficiente Saturação do carvão ativado Microrganismos Patogénicos transmitidos por inalação Legionella spp. 0 UFC/L Formação de Aerossóis Estagnação e baixos fluxos de água Legionella pneumophila <100 Ações de vandalismo e sabotagem Manutenção Inadequada Higienização Inadequada Substâncias Químicas Toxinas 0 nº células/mL Crescimento Anormal de Algas
67 Por fim, é possível destacar o cumprimento dos objetivos de estágio, tanto em termos académicos como pessoais, uma vez que foi possível desenvolver o PSA e adquirir novos conhecimentos, ao nível do ambiente, da qualidade e da segurança alimentar.
68 BIBLIOGRAFIA (CS/04), C. S. (2014). Prevenção e Controlo de Legionella nos Sistemas de Água . APIAM. (s.d.). Diferentes tipos de água . Obtido em 11 de fevereiro de 2019, de Associação Portuguesa dos Industriais de Águas Minerais Naturais e de Nascentes: https://www.apiam.pt/conteudo/Diferentes-tipos-de-%C3%A1gua/-/48 Banco de Portugal. (Novembro de 2016). Estudos da Central de Balanços. Análise setorial das sociedades não financeiras em Portugal 2011-2016 . Obtido em 12 de fevereiro de 2019, de https://www.bportugal.pt/sites/default/files/anexos/pdfboletim/estudos_da_cb_26_2016.pdf Baptista, F. P. (2011). Sistemas Prediais de Distribuição de Água Fria. Dissertação, Universidade Técnica de Lisboa, Departamento de Engenharia Civil, Lisboa. Brito, A. G., Oliveira, J. M., & Peixoto, J. M. (2010). Adsorção em Carvão Activado. Em Tratamento de água para consumo humano e uso industrial (pp. 92-95). Publindústria. Capela, H. S. (2015). Avaliação de um chiller de absorção numa unidade de cogeração e trigeração. Dissertação, Instituto Superior de Engenharia do Porto, Departamento de Engenharia Química, Porto. Carpinteiro, J. (2011). Aquecimento, Ventilação, Ar condicionado (3º ed.). Verlag Dashofer. Casimiro, P. N. (2010). Materiais de contacto com água para consumo humano, mecanismos de degradação e contaminação. Dissertação, Universidade Nova de Lisboa, Faculdade de Ciências e Tecnologia, Departamento de Engenharia dos Materiais, Lisboa. CEEETA. (Dezembro de 2001). Tecnologias de Aproveitamento de Calor. Tecnologias de Micro-Geração e Sistemas Periféricos , pp. 55-61. Costa, P. B. (Setembro de 2010). Plano de Segurança da Água. Caso de Estudo: Sistema de Abastecimento Público de Água de Castro Verde. Dissertação, Universidade do Algarve, Faculdade de Ciências e Tecnologia, Faro. Decreto-Lei n.º 152/2017 de 7 de dezembro. Diário da República, 1.ª série — N.º 235 — 7 de dezembro de 2017. Ambiente. Decreto-Lei n.º 156/98 de 6 de junho. Diário da República — I série – A, N.º 131 — 6 de junho de 1998. Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas. Decreto-Lei n.º 236/98 de 1 de agosto. Diário da República — I série – A, N.º 176 — 1 de agosto de 1998. Ministério do Ambiente.
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