Uni e sidade do Minho
Ins i u o de Ciências Sociais
Débo a Ja dim Ja dim
“VOCÊ É MINHA PESSOA FAVORITA”: UM
OLHAR SOBRE A SÉRIE HEARTSTOPPER E A
REPRESENTAÇÃO DO AMOR ENTRE
PERSONAGENS LGBTQIAPN+ EM SÉRIES E
FILMES DA CULTURA POP
janei o 2025
UMinho | 2025 Débo a Ja dim Ja dim
“VOCÊ É MINHA PESSOA FAVORITA”: UM OLHAR SOBRE
A SÉRIE HEARTSTOPPER E A REPRESENTAÇÃO DO AMOR LGBTQIAPN+
EM SÉRIES E FILMESDACULTURAPOP
Débo a Ja dim Ja dim
“VOCÊ É MINHA PESSOA FAVORITA”: UM
OLHAR SOBRE A SÉRIE HEARTSTOPPER E A
REPRESENTAÇÃO DO AMOR ENTRE
PERSONAGENS LGBTQIAPN+ EM SÉRIES E
FILMES DA CULTURA POP
Disse ação de Mes ado
Mes adol em Comunicação, A e e Cul u a
T abalho e e uado sob a o ien ação do(a)
P o esso (a) Dou o (a) Ece Canlı
P o esso (a) Dou o (a) Sil ana Fe ei a da Sil a
Mo a Ribei o
Uni e sidade do Minho
Ins i u o de Ciências Sociais
janei o de 2025
1
2
DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS
Es e é um abalho académico que pode se u ilizado po e cei os desde que espei adas as
eg as e boas p á icas in e nacionalmen e acei es, no que conce ne aos di ei os de au o e di ei os
conexos.
Assim, o p esen e abalho pode se u ilizado nos e mos p e is os na licença abaixo indicada.
Caso o u ilizado necessi e de pe missão pa a pode aze um uso do abalho em condições não
p e is as no licenciamen o indicado, de e á con ac a a au o a, a a és do Reposi ó iUM da Uni e sidade
do Minho.
A ibuição-NãoCome cial CC BY-NC
h ps://c ea i ecommons.o g/licenses/by-nc/4.0/
3
AGRADECIMENTOS
A minha ilha A iel e ao meu ilho T is an, po e em a paciência de me ensina odos os dias, de
me comp eende e de es a jun o, mesmo longe. Em qualque luga do mundo eu econhece ia ocês
como pa e de mim. A melho e mais boni a. Vocês são nosso o gulho. Essa pesquisa é uma homenagem
singela, mas, já a iso, que nada do que eu ize se á su icien e pa a exp essa o que sin o. Vocês
ouxe am co e essigni ica am a minha exis ência.
Ao Ra aelle, po semp e o na udo possí el e po e me p opo cionado as melho es pessoinhas
da minha ida. Essa conquis a é nossa.
À minha no a Isabela e ao meu gen o Wes, po pa ilha em a ida com minha ilha e meu ilho
e po me aze em eliz.
A mulhe da minha ida, Janaína, po me mos a que o amo em di e sas o mas.
A minha amília, po me apoia ; aos amigos e amigas que me incen i a am, ocês o am pa e
impo an e de odo esse p ocesso.
A odas, odos e odes que conheci quando i e a hon a de aze pa e do Cen o de In o mação
e Documen ação do G upo de Apoio à P e enção da AIDS – GAPA/RS e que conhece am meu ilho ainda
na ba iga.
Aos p o esso es e p o esso as pelos ensinamen os no deco e do cu so, a P o a. D a. Susana
No onha po me inspi a a pesquisa sob e algo me emocionasse e me mos a o que é a Semió ica. Aos
uncioná ios e uncioná ias da UMinho que, de uma o ma ou ou a, me a ende am.
As minhas o ien ado as: a ma a ilhosa P o a. D a. Ece Canli, po pe cebe e ins iga minha o ma
de “c iação”; a que ida P o a. D a. Sil ana Mo a-Ribei o pelos ensinamen os e a P o a. D a. Ri a Ma ia
Gonçal es Ribei o pelo cons an e cuidado e apoio.
Aos pesquisado es e pesquisado as, mesmo os(as) que já nos azem al a, po me
p opo ciona em ex os que mui o me emociona am e desa ia am, gos a ia de e mais pala as pa a
exp essa o quan o suas pesquisas o am e são essenciais.
Aos you ube s e aos pa icipan es dos comen á ios que con ibuí am na cons ução dessa
pesquisa, po pa ilha em suas expe iências e i ências.
E a odas as pessoas que lu a am e esis i am e que, mesmo sem sabe , ize am pa e dessa
caminhada.
Meu mui o ob igada!
4
DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE
Decla o e a uado com in eg idade na elabo ação do p esen e abalho académico e con i mo
que não eco i à p á ica de plágio nem a qualque o ma de u ilização inde ida ou alsi icação de
in o mações ou esul ados em nenhuma das e apas conducen e à sua elabo ação.
Mais decla o que conheço e que espei ei o Código de Condu a É ica da Uni e sidade do Minho.
5
Flu ua
(pa . Linike )
Johnny Hooke
O que ão dize de nós?
Seus pais, Deus e coisas ais
Quando ou i em umo es, do nosso amo
Baby, eu já cansei de me esconde
En e olha es, sussu os com ocê
Somos dois homens e nada mais
Eles não ão ence
Baby, nada há de se , em ão
An es dessa noi e acaba
Dance comigo, a nossa canção
E lu ua, lu ua
Ninguém ai pode , que e nos dize como ama
E lu ua, lu ua
Ninguém ai pode , que e nos dize como ama
En e con e sas sol as pelo chão
Teu co po eso, du o, são
E o eu chei o que ainda icou na minha mão
Um no o empo há de ence
P a que a gen e possa lo esce
E, baby, ama , ama , sem eme
Eles não ão ence
Baby, nada há de se , em ão
An es dessa noi e acaba
Baby, escu e, é a nossa canção
E lu ua, lu ua
Ninguém ai pode , que e nos dize como ama
E lu ua, lu ua
Ninguém ai pode , que e nos dize como ama
6
“VOCÊ É MINHA PESSOA FAVORITA”: UM OLHAR SOBRE A SÉRIE
HEARTSTOPPER
E A
REPRESENTAÇÃO DO AMOR ENTRE PERSONAGENS LGBTQIAPN+ EM SÉRIES E FILMES
DA CULTURA POP
RESUMO
A p esen e disse ação em po obje i o p incipal, analisa a ep esen ação do amo en e pe sonagens
LGBTQIAPN+ em sé ies e ilmes da cul u a pop, sob e udo na p imei a empo ada da sé ie
Hea s oppe
(Ne lix, 2022-2023). O ema cen al jus i ica-se pela ele ância do audio isual e da mídia na
ep esen ação dessas iden idades. Como obje o de es udo dessa pesquisa, o am selecionadas ambém
as sé ies
The 100
(The CW, 2014-2020) e
Wa io Nun
(Ne lix, 2020-2022), buscando-se mos a a
di e ença exis en e en e elas na abo dagem das ep esen ações omân icas. As ês sé ies o am
escolhidas po e em causado uma g ande mo imen ação do público nas edes sociais. No deco e do
desen ol imen o da pesquisa, p ocu ou-se con ex ualiza como o amo en e pe sonagens LGBTQIAPN+
oi ep esen ado du an e o passa do empo em p oduções audio isuais, bem como sua in luência na
cons ução e mesmo desen ol imen o de iden idades, p incipalmen e en e jo ens LGBTQIAPN+.
Fundamen ada nesse his ó ico, o am abo dadas duas si uações especí icas: as que co obo am o e mo
Bu y You Gays
(BYG) e as que se u ilizam de
quee bai ing
.
Disco eu-se ambém sob e como a
comunidade LGBTQIAPN+ é a ada em di e sos países, p incipalmen e no B asil. A es u u a
me odológica escolhida pa a esse es udo se dá a a és de uma abo dagem quali a i a, a pa i de uma
pesquisa documen al. Embasada na obse ação desses documen os, no conhecimen o si uado dos
pa icipan es da pesquisa e no e e encial eó ico que ab ange a ep esen ação de pe sonagens
LGBTQIAPN+ em p oduções audio isuais, bem como a análise semió ica e a linguagem cinema og á ica;
oi ealizada uma análise mais ap o undada da empo ada 1 da sé ie
Hea s oppe
e de algumas cenas
e episódios especí icos das sé ies
The 100
e
Wa io Nun.
Pa a e i ica -se o ipo de ep esen ação das
pe sonagens LGBTQIAPN+ nas e e idas sé ies se ão u ilizados os c i é ios elabo ados a pa i do “Tes e
Vi o Russo” e do “Tes e de Bechdel” e que, somados ao “Tes e de Rep esen a i idade” de Souza,
espelham os ques ionamen os da pesquisado a. Pa a pe cebe a ecepção de uma pa e do público à
sé ie
Hea s oppe
, se ão analisados os comen á ios pos ados em seis canais do You ube a pa i de
c í icas ei as à sé ie: qua o canais de cul u a pop ap esen ados po pessoas decla adamen e
LGBTQIAPN+ e dois canais que abo dam cinema e cul u a em ge al. As in e p e ações e obse ações
sob e os comen á ios se ão ei as com base na me odologia de análise de con eúdo e da análise de
discu so, bem como a écnica de amos agem in encional ou po julgamen o e a não p obabilís ica
in encional. Nas conside ações inais cons a ou-se, espaldada na análise dos obje os que compõem o
co pus dessa pesquisa, a impo ância de ep esen ações posi i as de pe sonagens LGBTQIAPN+ e que
sé ies como
Hea s oppe
azem discussões que possibili am essas ep esen ações em uma cons ução
na qual a pa icipação do público, pa a ga an ia e manu enção das conquis as, é undamen al.
PALAVRAS-CHAVE: Amo LGBTQIAPN+; Bu y You Gays; P odução Audio isual; Quee bai ing;
Rep esen ação LGBTQIAPN+.
13
Figu a 73: Nick em con e sa com Cha lie; e Nick pesquisando sob e sexualidade ........................... 110
Figu as 74 e 75: Nick imagina a eação Cha lie, e não consegue ajudá-lo du an e o jogo ................. 111
Figu a 76: A eação de Cha lie na con e sa com Ben sob e namo o .............................................. 112
Figu as 77 e 78: Nick começa a pe cebe seus sen imen os po Cha lie.......................................... 113
Figu as 79 e 80: A necessidade do oque en e os meninos ............................................................ 113
Figu as 81 e 82: Os mindinhos de Cha lie e Nick se encon am ...................................................... 114
Figu as 83 e 84: Os mindinhos de Cha lie e Nick na es a e no cinema .......................................... 114
Figu as 85 e 86: Os mindinhos de Wilhelm e Simon (esque da), e Conno e Jude (di ei a) ............... 115
Figu as 87, 88 e 89: Os mindinhos de Luisi a e Amelia ................................................................... 115
Figu as 90 e 91: As mãos de Nick e Cha lie sob a mesa; e os dois na en e de odos ..................... 116
Figu as 92 e 93: Com as mãos dadas, o que es a a em seg edo é e elado .................................... 116
Figu as 94 e 95: Os ab aços de Nick e Cha lie ................................................................................ 117
Figu as 96 e 97: Os olha es en e Cha lie e Nick ........................................................................... 118
Figu as 98 e 99: O olha de p ocu a; e o olha que não abandona e que comp eende .................. 118
Figu as 100 e 101: O olha de encan amen o e de se cuidado ....................................................... 119
Figu as 102 e 103: O olha depois do beijo ..................................................................................... 119
Figu a 104: O olha de Nick pa a Cha lie no episódio inal .............................................................. 120
Figu as 105 e 106: Nick obse a os colegas no cinema .................................................................. 120
Figu as 107, e 108: O olha dos colegas em Nick; e Nick enso com Imogen .................................. 121
Figu a 109: Banne do Canal “Isabela Bosco ” ............................................................................... 149
Figu a 110: Banne do Canal “Lo elay Fox” .................................................................................... 150
Figu a 111: Banne do Canal “Jessica Ballu ” ................................................................................. 151
Figu a 112: Banne do Canal “Gay Ne d” ....................................................................................... 152
Figu a 113: Banne do Canal “Ca ol Mo ei a” ................................................................................. 153
Figu a 114: Banne do Canal “PH San os” ..................................................................................... 154
14
1. INTRODUÇÃO
A ep esen ação de pe sonagens LGBTQIAPN+ em p oduções no deco e da his ó ia do
audio isual, passou de nula, po meio de seu silenciamen o, pa a uma sequência de his ó ias onde as
pe sonagens se iam como alí io cômico ou acaba am agicamen e (B idges, 2018). Ou seja, his ó ias
que passa am de uma não exis ência pa a uma exis ência es e eo ipada ou adada a punição.
Com o passa do empo, p incipalmen e após o Código Hays - um conjun o de eg as de censu a
pa a ilmes de Hollywood -, c iado em 1930 (San os, 2022), poucas p oduções mos a am
ep esen ações posi i as de pe sonagens LGBTQIAPN+. Em uma sociedade es u u ada de manei a
he e ocisno ma i a al a am e e ências sob e o amo com inal eliz pa a adolescen es e jo ens adul os
dessa comunidade. Nesse cená io de conquis as len as em ma é ia de his ó ias de omance
LGBTQIAPN+
een
em p oduções
mains eam
1
, pudemos assis i a ilmes como
Com amo , Simon
(EUA,
2018) e sé ies como
Hea s oppe
2
(Ne lix, 2022-2024).
A con a desse con ex o, a pesquisa em po obje i o p incipal comp eende a ep esen ação do
amo en e pe sonagens LGBTQIAPN+ na p imei a empo ada da sé ie
Hea s oppe
, bem como os
signos que essa sé ie u iliza pa a se conec a com o público e as discussões que eles susci am. Pa a
comp eende mos a ecepção desse público (Bo ges, 2023) em elação à sé ie
Hea s oppe
e o possí el
alcance dos signos escolhidos pa a ep esen a a his ó ia, analizou-se, ambém, os comen á ios em seis
canais de you ube s b asilei os, esul an es de ídeos com c í icas
à sé ie.
Fo am selecionadas, como oco de in es igação complemen a , as sé ies
The 100
3
(The CW,
2014-2020) e
Wa io Nun
4
(Ne lix, 2020-2022). O p opósi o dessa escolha se de e ao a o de que essas
ês sé ies, po mo i os dis in os que se ão discu idos no desen ola da pesquisa, mo imen a am a
opinião do público, p inciplamen e LGBTQIAPN+, nas edes sociais, eículo de comunicação mui o
u ilizado pela comunidade LGBTQIAPN+ (Woods & Ha dman, 2021).
O ema cen al jus i ica-se na ele ância do audio isual e da mídia na ep esen ação dessas
iden idades. A pesquisa é ampla no que se e e e ao con ex o his ó ico, ao embasamen o eó ico e a
quan idade de conexões azidas, e abo da, a pa i da análise dessas sé ies, a impo ância de
ep esen ações posi i as de pe sonagens LGBTQIAPN+ que con emplem esse público ão di e so, em
oda sua complexidade, e e ências e gos os.
1
“[...] ab iga escolhas de con ecção do p odu o econhecidamen e e icien es, dialogando com elemen os de ob as consag adas e com sucesso ela i amen e
ga an ido. Ele ambém implica uma ci culação associada à ou os meios de comunicação de massa, como a TV (a a és de ideoclipes), o cinema (as ilhas
sono as) ou mesmo a In e ne ( ecu sos de imagem, plug ins e wallpape s)” (Ca doso Filho; Jano i Júnio , 2006, p. 8).
2
Re i ado de h ps://www.ne lix.com/ i le/81059939
3
Re i ado de h ps://www.ne lix.com/p / i le/70283264
4
Re i ado de h ps://www.ne lix.com/p / i le/70283264
15
A pa i de uma abo dagem quali a i a e compa a i a, o am u ilizados concei os semió icos pa a
a análise das sé ies selecionadas. A segui , u ilizando-se o e e encial eó ico jun amen e com o “Tes e
Vi o Russo” e o “Tes e de Bechdel”, c iados pela GLAAD - Gay & Lesbian Alliance Agains De ama ion
(B andino, 2022), somados ao “Tes e de Rep esen a i idade” c iado po Olí ia Souza (Souza, 2021),
p ocu ou-se elabo a c i é ios pa a analisa o ipo de ep esen ação dessas pe sonagens nas ês sé ies
escolhidas. As cenas que con am com as pe sonagens Cla ke e Lexa, na empo ada 2 e 3 da sé ie
The
100,
bem como as que azem as pe sonagens A a e Bea ice nas duas empo adas da sé ie
Wa io
Nun
, o am analisadas com o p opósi o de e i ica a exis ência de signos que co obo em a iden i icação
de boa pa e dos ãs dessas p oduções de si uações de
Bu y You Gays e quee bai ing
(B idges, 2018).
Os dados ob idos po meio dessa obse ação o am aplicados na e i icação dos c i é ios de
ep esen ação de cada sé ie, bem como das pe sonagens e seus elacionamen os e, pos e io men e, na
análise compa a i a das ês e e idas sé ies.
O apo e eó ico que baliza essa pesquisa, cujo co pus de pessoas au o as se á ampliado no
deco e do abalho, se undamen a em es udos e e en es a ep esen ação de pe sonagens
LGBTQIAPN+ his o icamen e ma ginalizados nas mídias audio isuais, desde os empos mais an igos com
as Sissys (San os, 2022) a é os dias a uais; obse ando-se a impo ância pa a o público na o ma como
essas pe sonagens são ep esen adas. Fala emos sob e o opo
Bu y You Gays (BYG)
ambém
conhecido como
Dead Lesbian Synd ome
(B idges, 2018; Hulan, 2017), uma espécie de punição dada
aos LGBTQIAPN+ po suas “escolhas” e que oco e em maio núme o com pe sonagens emininas.
Disco e emos, do mesmo modo, sob e a u ilização do
quee bai ing
- e mo
que se e e e à pe sonagens
LGBTQIAPN+ i endo um amo suge ido, mas que nunca se e e i a ealmen e – que acaba po ideliza
esse público, ao mesmo empo em que a ama não pe de o público he e ocis (Woods & Ha dman,
2021).
O e e encial eó ico u ilizado embasou a pe cepção de como essas ações são u ilizadas den o
de p oduções audio isuais, com p incipal in e esse em his ó ias de amo en e pe sonagens
LGBTQIAPN+. Re e en e aos e ei os da ep esen ação nega i a na comunidade LGBTQIAPN+ nos meios
de comunicação (Pe ei a & Leal, 2004) se ão es udados os que co obo am ou se alinham aos ês
e o es
5
ag upados po Lock e S eine (Lock & S eine , 1999) e que in luenciam na au oiden i icação
5
Os ês e o es de Lock e S eine (Lock & S eine , 1999), se e e em a:
1. Adolescen es que se iden i ica em como LGBTQIAPN+ e ão aumen o de p oblemas de saúde, especialmen e saúde men al,
di e en emen e daqueles que não o azem; 2. Os jo ens que ela am não e ce eza da sua o ien ação sexual ambém co em g ande isco
de p oblemas de saúde, especialmen e p oblemas de saúde men al, em compa ação com aqueles que se iden i icam como he e ossexuais.
No en an o. po que eles não es ão se iden i icando a i amen e com um g upo social mino i á io e des alo izado, es es p oblemas se ão
meno es no ge al; 3. Jo ens que se iden i icam como LGBTQIAPN+ ica ão menos con o á eis com a sua o ien ação sexual do que aqueles
que se au oiden i icam como he e ossexuais ou que não êm ce eza da sua o ien ação sexual de ido à homo obia in e nalizada.
16
dessas pessoas com opiniões e a i udes nega i as a espei o de sua o ien ação. Essa au oiden i icação
é capaz de induzi-los, em suas elações sociais, a ce os compo amen os que ge am s ess, isolamen o,
en e ou os a o es. As cob anças po um compo amen o he e ocisno ma i o podem le a a um ou o
lado dessa ep esen ação, como é demons ado no ilme es aduniense
B okeback Moun ain
(Focus
Fea u es, 2005), de Ang Lee: aquele que ge a camu lagem, az de con a e “ ida dupla”, o que pode se
al e ado, em pa e, a pa i do econhecimen o de seus “iguais” (Ca nei o & Menezes, 2004) e do con a o
com uma pe cepção mais o imis a de sua ealidade. A impo ância de imagens mais ealis as e posi i as
que ep esen em a comunidade são e a adas po Linné (Linné, 2007).
A pa i dessa conjun u a, pa a analisa -se melho a ob a p incipal, a sé ie
Hea s oppe
, e os
signos u ilizados em sua p odução, oi azido o e e encial na á ea de semió ica da a e (signos plás icos,
linguagem co po al e e bal, me á o a, música e c.), apo e esse que se da á a a és de Muka o sky
(Muka o sky, 1981), Joly (Joly, 1994; 2005) e Nö h e San aella (Nö h & San aella, 2017). Ao abo da mos
as co es e seu signi icado, o embasamen o se deu a pa i de Helle (Helle , 2022), bem como de Sil ei a
(Sil ei a, 2015) e, den o dessa pe spec i a, no que se e e e a in luência das co es no audio isual e
como elas a e am a emoção e a azão, incluiu-se ambém os es udos de S ama o; S a a e Von Zeidle
(S ama o; S a a & Von Zeidle , 2013).
Sob e a linguagem cinema og á ica p ocu ou-se oca em alguns pon os abo dados pelos
cineas as Eugène G een (G een, 2019) e Jacques Aumon (Aumon , 1995). Pa a as imagens e maio es
in o mações sob e as sé ies
Hea s oppe , The 100 e Wa io Nun
o am u ilizados os ma e iais de cunho
acadêmico e cien í ico exis en es, bem como o que se encon a disponí el em pla a o mas i uais e
edes sociais.
1.1. OBJETIVOS DA PESQUISA
Respondendo aos p oblemas de in es igação des acados a pesquisa em, po obje i o p incipal,
analisa a ep esen ação do amo en e pe sonagens LGBTQIAPN+ em sé ies e ilmes da cul u a pop,
bem como pe cebe de que manei a ela é ealizada na sé ie
Hea s oppe
. Como obje i os especí icos
busca:
1. Comp eende a ep esen ação do agmen o de ealidade que a sé ie
Hea s oppe
e a a,
a pa i do con ex o em que os signos apa ecem na his ó ia;
17
2. Explo a a ep esen ação do amo en e pe sonagens LGBTQIAPN+ ap esen ada nas sé ies
The 100 e Wa io Nun,
bem como na sé ie
Hea s oppe ,
e como ela se di e e das ou as
duas em con eúdo e consequen e e e be ação;
3. Discu i quais as possí eis si uações que se ca ac e izam como
quee ba ing,
bem como
aquelas que co obo am o opo
Bu y You Gays
em
The 100
e
Wa io Nun
;
4. T aça um pano ama da ecepção do público à sé ie
Hea s oppe
e seus desdob amen os;
5. P omo e a ep esen ação posi i a de pe sonagens LGBTQIAPN+ na cul u a pop, an o pa a
o público adul o quan o pa a o adolescen e.
No deco e do p óximo capí ulo os obje os da pesquisa se ão con ex ualizados, bem como a
escolha do eco e geog á ico do público selecionado.
18
1.2. OS USOS DE LGBTQIAPN+, QUEER E OUTROS: “É PRECISO ESTAR ATENTO E FORTE, NÃO TEMOS
TEMPO DE TEMER A MORTE”
6
“Um nome não é só um nome, ele cons ói ep esen ações”
(Le ícia Gianella)
7
No deco e da pesquisa se á u ilizado o e mo LGBTQIAPN+ (usado, mais comumen e, em
países como o B asil) com a in enção de ep esen a , ao máximo, as iden idades exis en es na
comunidade. Toda ia, exis em ou as siglas e ab e ia u as que podem se is as no e e encial eó ico
emp egado na pesquisa e que ambém es ão co e as. Se á emp egado, ademais, o e mo comunidade
que, mesmo em cons an e ein e p e ação e essigni icação, pode se comp eendida como “[...] ecida
em conjun o a pa i do compa ilhamen o e do cuidado mú uo; uma comunidade de in e esse e
esponsabilidade em elação aos di ei os iguais de se mos humanos e igual capacidade de agi mos em
de esa desses di ei os” (Bauman, 2003, p. 134).
A sigla LGBTQIAPN+ ma ca pa a a comunidade um econhecido posicionamen o de lu a pelos
seus di ei os, esis ência aos e eses impos os po um sis ema he e ocisno ma i o
8
e o gulho po sua
his ó ia e conquis as. A di e sidade exis en e nessas le as/iniciais que compõem a sigla pode se e e i
a di e sos aspec os: ca ac e ís icas sexuais
9
, iden idade de gêne o
10
, exp essão de gêne o
11
e o ien ação
sexual
12
. Buscamos desc e e a ep esen ação de cada le a da sigla a pa i da de inição ei a po Mo ei a
(Mo ei a, 2022): L (lésbicas - mulhe es que se elacionam com mulhe es), G (gays – homens que se
elacionam com homens), B (bissexuais – pessoas que se elacionam com homens e mulhe es), T
( ansexuais e a es is), Q (quee /ques ionando), I (in e sexo – pessoas que nascem com ca ac e ís icas
sexuais que não ão ao encon o das no mas pa a os co pos emininos ou masculinos), A (assexuais –
pessoas que não sen em a ação sexual po ou as, a omân icas – pessoas com pouca ou nenhuma
a ação omân ica, agêne o – sem iden idade de gêne o), P (pansexuais, polissexuais – pessoas cujos
elacionamen os não se de inem po gêne o), N (não-biná ias – pessoas que não se iden i icam com a
6
Re ão da música “Di ino Ma a ilhoso”, de Gilbe o Gil e Cae ano Veloso (1968).
7
Le ícia Gianella é pesquisado a do IBGE - Ins i u o B asilei o de Geog a ia e Es a ís ica.
8
Se e e e a no ma i idade a elada ão somen e a he e ossexualidade (o ien ação sexual) e a cisgene idade (iden idade de gêne o) que p edominam sob e
as ou as (No a da Au o a).
9
A ibuídas “aos indi íduos no nascimen o, com base na geni ália ex e na, na geni ália in e na e nos c omossomos” (Uni e sidade, 2023, p. 9), caso de
pessoas in e sexo.
10
Pe cepção que uma pessoa em de si como sendo de de e minado gêne o ou mesmo da combinação deles (Al es, 2019). A ca ego ia se e e e an o as
iden idades ans em ge al quan o a iden idade cis. Basicamen e as pessoas que se iden i icam com o sexo biológico com as quais o am designadas são
chamadas de cisgêne o e as que não se iden i icam são chamadas de ansgêne os ou pessoas ans, den o de oda a a iabilidade exis en e nessa ca ego ia:
mulhe ans, homem ans, pessoas não biná ias, ansmasculinos, ans emininos e c. (Ma ins, 2023).
11
Como a pessoa se mani es a publicamen e, po meio do seu nome, de sua es é ica, do compo amen o, de ca ac e ís icas co po ais e da o ma como
in e age com as demais pessoas (GLAAD, 2016).
12
Se e e e a “um en ol imen o no plano emocional, amo oso e/ou da a ação sexual po homens, mulhe es, po ambos os sexos/gêne os ou po nenhum
dos sexos/gêne os” (Salei o, 2022, p. 12). A o ien ação sexual di e e da iden idade sexual, no sen ido de que essa úl ima se e e e ao “ econhecimen o,
acei ação e au oiden i icação da pessoa ela i amen e à sua p óp ia o ien ação sexual” (Salei o, 2022, p. 12).
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bina idade de géne o homem/mulhe ) e o símbolo adi i o + (ou os g upos e a iações de sexualidade e
demais ca ego ias iden i á ias não no ma i as). Essas iden idades “ êm um ca á e mul idimensional,
esul am de um p ocesso desen ol imen al e, embo a sejam es á eis, não são imu á eis (is o é, podem
muda ao longo do empo). Pa a além disso c uzam-se com ou as ca ego ias iden i á ias es igma izadas,
dando o igem a disc iminação in e seccional” (Salei o, 2022, p. 44).
Essa di e sidade se e e e ambém a pa icula idades conce nen es as ca ac e ís icas que
en ol em ques ões geog á icas, polí icas, sociais e cul u ais e que são ep esen a i as de cada pessoa
que se iden i ica com a comunidade, em uma cons an e busca e lu a po ep esen ação e po pode
cul u al (B i zman, 1996). E é esse econhecimen o de uma cul u a
quee ,
com oda a complexidade
que ela az, que o alece o sen imen o de pe ença e a iden idade dos pa icipan es dessa comunidade.
É uma escolha eó ica baseada nas e e ências da au o a da pesquisa, mas se pode ia, ao in és do
e mo LGBTQIAPN+, usa o e mo
quee
que, segundo Lou o, é “es anho, a o, esquisi o.
Quee
é,
ambém, o sujei o da sexualidade des ian e – homossexuais, bissexuais, ansexuais, a es is, d ags. É
o excên ico que não deseja se ‘in eg ado’ e mui o menos ‘ ole ado’” (Lou o, 2004, p. 7); ou, ainda, é
um e mo que pode se is o como um gua da-chu a que aba ca odas essas a iações, mui as ezes
u ilizado po pessoas que ac edi am que a ca ego ização dessas iden idades é pe cebida como ó ulo
que es inge as possibilidades e oda a complexidade que as en ol e (Reis, 2018). Há ambém uma
c escen e ede inição, po pa e de g upos is os como mino i á ios, do uso de ce as pala as e e mos
que du an e anos o am aplicados socialmen e de manei a pejo a i a (Boena ides, 2019). Essas pessoas
se ap op iam e se empode am a pa i desse uso, o que se aplica an o a pala as como “ iado” e
“sapa ão”, quan o ao e mo
quee
que,
po ol a dos anos 80, ganhou o ça “pa a se pensa a sub e são
e o ca á e diluído das sexualidades e gêne os” (Jagose, 1996, p. 76) e que des i ua “uma lógica
emb enhada nas elações de pode pa a man e es á eis es u u as como gêne o e sexualidade” (Sil a,
2018, p. 17).
A con a do momen o em que há um sexo biológico (a pa i de ca ac e ís icas biológicas
obse á eis ou não), com o qual somos designados e designadas e que nos iden i icam com um
de e minado gêne o econhecido pela sociedade (Salei o, 2022), é de ce a o ma “sac amen ado” os
pad ões que de e emos segui pa a se mos acei os socialmen e den o da comunidade em que es amos
inse idos. Con a iando essa pe spec i a podemos dize que o gêne o se e e e ao econhecimen o do
homem e da mulhe enquan o p odu os de uma ealidade e de uma cons ução social e não somen e a
designação pela ana omia de seus co pos (Gêne o, 2009). Com base nessas expec a i as podemos
obse a uma linha ênue que sepa a a colocação da sexualidade como ina a e que po isso pode se
20
en endida como algo “na u al” e a ques ão da pa ologização das sexualidades di as não-con encionais
(Leal, 2004), o que se con apõe a ques ão da sexualidade como cons ução social, bem como disposi i o
de pode e eo ia
quee
(Aboim, 2010).
Há, ainda, aspec os e e en es a cada pessoa, elacionados ao con ex o geog á ico, social,
cul u al, eligioso, en e ou os, e que, majo i a iamen e, no eiam um compo amen o espe ado
inculado a pad ões de masculinidade e eminilidade. Caso esse compo amen o não seja seguido pode
ge a si uações de p econcei o, de disc iminação e de iolência (OPP, 2020). Ci cuns âncias de maio
op essão ou de p i ilégios na comunidade se con igu am ambém con o me aspec os in ínsecos à
p óp ia sociedade, ais como: e nia/ aça, ní el de ins ução, s a us socioeconômico, condição mig a ó ia,
p o issão, exis ência de de iciência, so oposi i idade, pe encimen o a eligiões que es igma izam a
comunidade LGBTQIAPN+, a i ência em uma á ea u al, em cidades pequenas ou em si uação de ua,
bem como a o es que se in e põem e in luenciam ques ões no âmbi o de saúde men al, como s ess,
dep essão e ideação suicida (Baé e & Zanello, 2020); e que con ibuem pa a o seu “silenciamen o”:
Assim, é impo an e no a que g ande pa e da in es igação sob e as pessoas de mino ias
sexuais e de géne o e le e ainda as expe iências daquelas que de êm mais p i ilégios, ao
passo que aquelas que i enciam múl iplas o mas de op essão são ge almen e menos
acessí eis e es udadas. (Salei o, 2022, p. 13)
O p econcei o e a disc iminação, en ão, se ap esen am em di e sas camadas que, con o me as
a ian es ap esen adas e a le a/inicial a qual o indi íduo pe ence den o da comunidade LGBTQIAPN+,
azem uma possibilidade maio de iolência e bal e, po ezes, ísica, cujo g au pode di e i , mas que
pe manece, dolo osamen e, semp e à esp ei a. Den o desse con ex o, o es igma sexual ambém pode
a ingi as pessoas he e ossexuais que pe o mam (po exp essão ou ca ac e ís icas ísicas) de o ma
di e en e do que oi es abelecido pa a o seu gêne o, o que az com que ambém es ejam ulne á eis a
iolência (Po al Folha de Pe nambuco, 2023). As si uações p o enien es dessa es igma ização a iam
con o me a ca ego ia a qual o indi íduo pe ence “as pessoas ans e as pessoas in e sexo são as maio es
í imas dessas si uações, já as mais disc iminadas quan o a ques ão da o ien ação sexual são as pessoas
bissexuais e pansexuais” (Salei o, 2022, p. 44). Es udos ealizados pela Associação Acção Pela
Iden idade (API), de Po ugal, com pessoas ans, não-biná ias e in e sexo e elou que “a maio ia das
pessoas in e sexo, ans e não-biná ias que i e em Lisboa em di iculdades económicas, não ecebe
acompanhamen o clínico ou á-lo no p i ado e acha que a cidade exclui as pessoas com es as
ca ac e ís icas” (Lusa, 2018, §1). Uma pessoa ans, p incipalmen e se não possui uma maio
21
passabilidade
13
, co e g ande isco de não consegui emp ego, não se acei a em ambien es sociais e,
consequen emen e, es á mais p opensa a so e odo ipo de iolência.
Essa op essão sis emá ica é uma das consequências da he e ocisno ma i idade: a manu enção
da no ma cis e he e ossexual pa a pensa o compo amen o de odos os indi íduos em di e sos aspec os;
sejam eles ins i ucionais, sociais, cul u ais, e que impac a as di as mino ias sociais du an e oda a ida.
Si uações que podem in e e i na manei a como indi íduos são in luenciados e na o ma como acabam
po ep oduzi discu sos que es ão p esen es em á ios “equipamen os” u ilizados como ins umen os
de pode e con ole, caso da íade amília, escola e eligião. Ins i uições que, na maio ia das ezes,
a uam pa a iscaliza e cala a i udes não conce nen es a odo esse concei o de he e ocisno ma i idade
igen e e ao que ele signi ica. A he e ossexualidade, denominação que se e e e a homens e mulhe es
que se elacionam com o gêne o opos o (Mo ei a, 2022) é o compo amen o conside ado socialmen e
como pad ão, que de e se “exal ado” e “pe pe uado”, pois que possibili a a con inuidade de es u u as
como a “ amília adicional”. Uma das o mas de solidi icá-lo é di ulgando-o epe idamen e e mos ando
que udo o que é con á io a ele é inadequado e inacei á el, mui as ezes u ilizando-se de um iés
eligioso e mo al, o que pode se ei o an o de uma manei a ag essi a quan o sublimina , nas
en elinhas.
Esses e ou os disposi i os de con ole e pode são esponsá eis po si uações abo dadas no
deco e do abalho e a e am ambém a o ma de ep esen ação dessas pessoas em p oduções
audio isuais, o que acabou po mo i a as escolhas ei as e o caminho açado nessa pesquisa.
1.3. A BASE DA PESQUISA E MOTIVAÇÕES: “CONSIDERAMOS JUSTA TODA FORMA DE AMOR”
14
O amo é pa a odas, odos, odes?
Em g ande pa e das ezes a possibilidade de i e o amo de o ma plena pa ece se possí el
somen e pa a quem é he e ocis (Linné, 2007). Em mui os casos, a pessoa LGBTQIAPN+ só pode
exp essa o seu amo em luga es que não são públicos, longe de sua amília e dos ambien es sociais
equen ados po pessoas di e en es dela, em um silenciamen o con ínuo de seu co po e de sua
exis ência (B idges, 2018). Isso oco e mesmo que a ealidade de pessoas LGBTQIAPN+ enha
g ada i amen e mudando em alguns países. Mesmo que, a ualmen e, possamos e uma maio
ep esen a i idade cul u al, social e polí ica de pessoas da comunidade, ainda há ou os países
13
Se e e e, nesse caso especí ico, a
passa po
uma pessoa cisgêne o, o que oco e quando a pessoa ans é pe cebida mais acilmen e den o do que é
econhecido como sendo ca ac e ís ico do gêne o com o qual ela se iden i ica (No a da Au o a).
14
T echo do e ão da música “Toda o ma de amo ”, de Lulu San os.
22
a ualmen e em e ocesso dos di ei os de pessoas LGBTQIAPN+, si uação que oco e, po exemplo, em
Uganda, Hung ia e mesmo no B asil (Padinge , 2022) e que se á abo dada pos e io men e nessa
pesquisa. O que o na ainda a uais as pala as de Lou o:
A isibilidade que odos esses no os g upos adqui i am pode se , e en ualmen e,
in e p e ada como um a es ado de sua p og essi a acei ação. Con udo, nem mesmo a
exube ância das pa adas da di e sidade sexual, das ei as mix, dos es i ais de ilmes
al e na i os. pe mi e igno a a longa his ó ia de ma ginalização e de ep essão que esses
g upos en en a am e ainda en en am. Não podemos oma de modo ingênuo essa
isibilidade. (Lou o, 2008, p. 21)
Essa colocação se e como um ale a an o pa a as pessoas LGBTQIAPN+ como pa a qualque
ou o g upo em lu a po seus di ei os. O silenciamen o que es á p esen e ainda nos dias de hoje, a a és
de p opos as ex emis as que se espalham po di e sas pa es do mundo, ambém pode se encon ado,
no deco e da his ó ia, em p oduções audio isuais com uma ep esen ação nega i a de pe sonagens
LGBTQIAPN+ (B idges, 2018). Um ipo de ep esen ação que pode e con ibuído com a o ma como as
pessoas LGBTQIAPN+ se iam e e am is as, aca e ando consequências sob e udo en e adolescen es
(Guima ães & Fe nandes, 2022) que nes a ase, sal o exceções, es ão começando a pe cebe e a i e
suas elações amo osas.
His ó ias sob e o amo en e pe sonagens LGBTQIAPN+ o am con adas no deco e dos anos,
mas es as, na g ande maio ia das ezes, abo da am elacionamen os ex emamen e sexualizados e
mos a am pe sonagens en ol idos com d ogas e com compo amen o p omíscuo, em uma espécie de
“demonização” dessa comunidade que acabou en e edando pa a ou as es e as (Bensho & G i in,
2005). Na maio ia dos casos, as his ó ias de amo ep esen adas em ilmes e sé ies pa a esse público
e mina am de manei a in eliz, seja po sepa ação ou mesmo mo e de uma das pessoas apaixonadas,
o que acabou po ge a o opo
Bu y You Gays
. Além disso, começou-se a discu i ambém o uso de um
possí el
quee bai ing
em algumas p oduções audio isuais
.
Os dois e mos e, consequen emen e, a o ma
como são usados nesses eículos são ex emamen e impo an es pa a essa pesquisa, pois mos am os
sub e úgios u ilizados pa a pa ece que uma de e minada his ó ia a ende a pessoas LGBTQIAPN+, pois
quem não em nada se con en a com pouco (B idges, 2018).
Um opo e ações que mo i a am a au o a dessa pesquisa, a pa i da sua i ência como mãe
de um ilho e uma ilha que azem pa e da comunidade LGBTQIAPN+ - embasada, dessa o ma, em um
“conhecimen o si uado”, como a i ma a pesquisado a eminis a Donna Ha away (Ha away, 1995) – e
que não pôde esquece uma ase di a po sua ilha adolescen e “a gen e se con en a com migalhas,
com his ó ias mal esc i as, mal-acabadas, po que não emos p a icamen e nada", ase essa u o do
29
LGBTQIAPN+ i e em basicamen e e e ências nega i as de pe sonagens que os ep esen am, o que isso
pode aca e a ?:
A é os núme os es a em em igual p opo ção com mo es de pe sonagens
he e ossexuais po um pe íodo p olongado, e a é que os leads LGBTQ se o nem
comuns e banais, os c iado es êm a esponsabilidade é ica de conside a
p o undamen e o impac o de seu abalho nas audiências. (B idges, 2018, p. 122)
Apesa das mudanças que em oco endo nos ambien es amilia es, em mui as amílias a ideia
de suas c ianças como p íncipes e p incesas ainda lo esce e e o ça o pad ão epassado po inúme as
animações e ilmes que abo dam esse uni e so. E é neles que pe du am os papeis que a sociedade
econhece como ce os: o menino como um p íncipe sal ado e a menina como uma p incesa à espe a
desse p íncipe. Discu sos que o alecem as ep esen ações de gêne o e o olha sob e o que é a
masculinidade e a eminilidade (Xa ie Filha, 2011).
Du an e mui os anos a possibilidade de p é-adolescen es e adolescen es LGBTQIAPN+ e em
sé ies e ilmes com elações amo osas i idas po pessoas como eles e que i essem um inal eliz, lhes
oi negada (B idges, 2018). Esse público, na maio ia das ezes, não se ia em nenhuma das his ó ias
omân icas das quais se lemb a a e nem das que começa a a conhece , seja em lei u as, seja em
momen os em en e à TV ou mesmo nas elas de cinema. Se o cinema é “um p odu o da ealidade”
(Deleuze, 1996, p. 76) e nele a maio ia das pe sonagens LGBTQIAPN+ mo em ou “desapa ecem”, qual
a ealidade que es á sendo mos ada pa a esse público?
Um ipo de ep esen ação que acaba a po expo uma “ ó mula” de compo amen os e a i udes
pensadas pa a um de e minado público e que ep oduziam e colabo a am pa a a pos e io ep odução
dessa ideia de que his ó ias de amo não e am pa a pessoas LGBTQIAPN+ (Linné, 2007). Pa a esses
jo ens, odas as suas i ências, descobe as e ap endizagens, em um pe íodo ão impo an e como a
adolescência, e que azem mui o de e os e ace os, podem se comp ome idas po a os assim. As
descobe as dessa ase ão impo an e são ei as, mui as ezes, de o ma soli á ia, sem a o ien ação ou
diálogo com um adul o e sem o con a o ou in e ação de ou as pessoas como essa ou esse jo em
(Salei o, 2022). Ainda hoje, em pleno século XXI, adolescen es LGBTQIAPN+, além de não pode em
con a com ep esen ações posi i as no audio isual e na mídia da mesma o ma que jo ens he e ocis
(B idges, 2018), es ão sujei os a se em expulsos de casa po e ela em sua sexualidade ou po e em
ela descobe a. Em alguns casos, essa pa e do que são, se o na in isí el en e os meios que ci culam.
Uma in isibilidade que de e se comba ida e que pode con a com a disponibilização cada ez maio de
p oduções que con emplem esse público.
30
Em alguns países, essa possibilidade pode signi ica um “ espi o” no meio do caos. Pa a uma
maio comp eensão do signi icado dessa ase, no p óximo capí ulo, se á abo dado a ques ão do eco e
geog á ico que inco e sob e um dos obje os dessa pesquisa.
2.3. O CASO DO BRASIL E A CENA GLOBAL: “O AMOR NUNCA DEVE SIGNIFICAR TER QUE VIVER COM
MEDO”
21
O núme o de casos de mo es iolen as de pessoas LGBTQIAPN+ no B asil oi de 316 (2021),
273 (2022), 257 (2023) e 291 (2024) (Gas aldi & Bene ides, 2024; G upo Gay da Bahia, 2025). Apesa
desses núme os e em dec escido em 2022 e 2023, o aumen o mos ado em 2024 deixa e iden e que
o B asil segue sendo o país que mais ma a e que possui mais ações de iolência con a a população
LGBTQIAPN+ - obse ando-se que esses dados não podem se ob idos em países em que esses
le an amen os não são ealizados.
Tabela 1: Es a ís ica de núme o de mo es de pessoas LGBTQIAPN+ po g upo no ano de 2023 e 2024
Fon e: Comissão LGBTQIAPN+ Anama a, 2024 e G upo Gay da Bahia, 2025
Pe cebe-se na Tabela 1 que os núme os aumen a am e que em 2023 o g upo que mais so eu
iolência e oi mo o oi o de a es is e mulhe es ans, cuja média da expec a i a de ida, no B asil, é
de apenas 35 anos (Gas aldi & Bene ides, 2024). Em 2024 esse núme o elizmen e baixou, ao con á io
dos casos com homens gays que quase dob ou. O eco e geog á ico em que se inse e o público
escolhido, no caso, o b asilei o, pa a análise dos comen á ios, se de e ao a o de que o compo amen o,
as expe iências e a iden idade LGBTQIAPN+ em um país como o B asil, são o emen e in luenciados
pela iolência e p econcei o com que essa comunidade é a ada, como mos am esses dados. Há que
se en ende a necessidade desse eco e, pois a ealidade de pessoas LGBTQIAPN+ di e e mui o de um
país pa a ou o e no B asil ainda há mui o o que se conquis a . Isso se de e basicamen e ao a o do
B asil, de sis ema democ á ico ainda jo em, es a em um c escimen o p og essi o da ex ema di ei a e,
21
F ase de DaShanne S okes, sociólogo es adunidense.
GRUPOS
Nº. DE MORTES 2023
Nº. DE MORTES 2024
T a es is/Mulhe es T ans
159
96
Gays
96
165
Homens T ans/Pessoas T ansmasculinas
8
6
Mulhe es Lésbicas
8
11
Pessoas Bissexuais
1
7
31
po conseguin e, um o alecimen o de sua ideologia sob o ema “Deus, pá ia e amília” que exclui a
comunidade LGBTQIAPN+ de suas ações, pa a se dize o mínimo. Si uação que ganha o ça,
p incipalmen e, a pa i da oz de líde es conse ado es, simpa izan es dessas ideologias, apoiados po
mo imen os e ins i uições eligiosas e que, mesmo com o passa dos anos, se eno am pe iodicamen e,
como bem exp essa a pesquisado a Guaci a Lou o:
Se, po um lado, alguns se o es sociais passam a demons a uma c escen e
acei ação da plu alidade sexual e, a é mesmo, passam a consumi alguns de seus
p odu os cul u ais, po ou o lado, se o es adicionais eno am (e ec udescem) seus
a aques, ealizando desde campanhas de e omada dos alo es adicionais da amília
a é mani es ações de ex ema ag essão e iolência ísica. (Lou o, 2008, p. 21)
As edes sociais são canais usados com sucesso po pessoas que e le em esse ipo de
compo amen o, bem como a TV e seus p odu os, que são econhecidamen e mui o consumidos pelo
público b asilei o. Segundo o Rela ó io Global Digi al 2024, publicado em pa ce ia com a Mel wa e “os
b asilei os ocupam o segundo luga em empo online diá io, com os in e nau as do país gas ando em
média 9h13min po dia usando a in e ne ” (We A e Social, 2024). Ainda segundo a pesquisa, os
b asilei os u ilizam as edes sociais em média 3h37min po dia, o que deixa o país em e cei o luga no
anking mundial.
2.3.1. Ma cas da Violência
No B asil, e em an os ou os luga es, há casos, como o di ulgado na imp ensa, de uma c iança
ans que e e sua casa aped ejada, sua luz co ada e oi o endida com pala as de baixo calão po
habi an es que se diziam eligiosos (Me gulhão, 2022). Uma c iança, como an as ou as, í ima de um
país em que mui as leis não são cump idas e que possui um Es a u o da C iança e do Adolescen e (ECA),
es a u o esse que de e ia se i pa a e i a ba bá ies como es a. Em si uações assim, acaba-se c iando
uma dinâmica o almen e di e en e en e memb os de amílias LGBTQIAPN+, em que pais de em e a
a enção edob ada no que é o ien ado aos seus ilhos, ilhas e ilhes sob e os cuidados pa a sua
segu ança e, po que não dize , sob e i ência, em países como o B asil (Mães pela Di e sidade, 2024).
O que acaba po uni mães e pais que passam po si uação semelhan e, como oco e com amílias de
pessoas neg as, cujas mães e pais p ecisam ensina seus ilhos, ilhas e ilhes a se p o ege de ido ao
acismo cada ez mais p esen e no país, como mos am Ma ins e Fe ei a “mui os pais e mães ensinam
seus ilhos neg os e neg as a se p o ege do acismo dizendo pa a não usa capuz, não co e , e não e
compo amen os que possam i a se is os como a ep esen ação eal daquilo que o acis a ê: o pe igo”
32
(Ma ins & Fe ei a, 2020, p. 6). Se a pessoa LGBTQIAPN+ o neg a, ela es á duas ezes mais ulne á el e
se o ambém uma a es i ou mulhe ans são g andes as chances de so e iolência no deco e da ida
(Gas aldi & Bene ides, 2024).
Em si uações como essa, oda a amília p ecisa de apoio, algo que g upos como o “Mães pela
Di e sidade
22
”, uma ONG o mada po mães e pais de pessoas LGBTQIAPN+, o e ece. G upos esses que
su gem pa a, além de acolhe e in o ma , p eenche lacunas deixadas po ins i uições o mais, caso das
escolas, haja is a que “po ezes, a disc iminação con a c ianças e adolescen es LGBTQIA+ é
na u alizada po ges o es e docen es da educação básica, o que inse e esses indi íduos em uma
condição de ulne abilidade que den e p oblemas psicológicos e sen imen os de exclusão, ocasionam
ambém o abandono escola ” (Guima ães & Fe nandes, 2022, p. 1284).
Si uações desse ipo endem a oco e de o ma mais signi ica i a em pequenas localidades,
onde as pessoas “ alem” pelo nome de amília que em (Sousa, 2020), o que pode le a mui os
LGBTQIAPN+ a muda em pa a cidades g andes e, assim, pode em i e sua sexualidade e seu amo
mais li emen e. Mui as ezes, a amília sabe da o ien ação sexual de seu amilia , mas inge que não,
dessa o ma á ios “p oblemas” podem se e i ados. Quan o mais jo em, pio essa si uação se o na,
pois não há a independência inancei a necessá ia pa a se e a libe dade de se quem se é, longe da
al a de ap o ação amilia , con o me cons a no le an amen o sob e a si uação inancei a de pessoas
LGBTQIAPN+ in o mado no diagnós ico ei o pelo Cole i o Vo e LGBT+ “é impo an e essal a que a
capacidade de se au ossus en a é de e minan e na possibilidade de i e e comunica plenamen e a
sexualidade e as exp essões de gêne o” (Vo eLGBT, 2021).
2.3.2. Alguns Re ocessos e Conquis as
No ícias sob e e ocessos em assun os e e en es aos di ei os da comunidade LGBTQIAPN+ não
deixam de se eiculadas, sejam no B asil (Pi hon, 2023) ou no es o do mundo (Guima ães, 2023).
Mesmo quando se pensa a que ha iam di ei os sendo conquis ados g ada i amen e, começa a
pa alelamen e a p eocupação com a ga an ia desses di ei os que se dá, in elizmen e, con o me a on ade
e a ideologia dos ep esen an es de um país. Podemos ci a como exemplo, o a o de que, em 2019, no
B asil, con o me decisão publicada no Diá io O icial, o go e no do ex-p esiden e do país (2018-2022)
suspendeu edi al e e en e a sé ies LGBTQIAPN+ pa a TVs públicas (Niklas, 2019). A ualmen e, P oje os
de Lei ami am pa a e i a di ei os e e o ça o p econcei o e a iolência con a a comunidade. Desde
o e o ao econhecimen o do casamen o en e pessoas LGBTQIAPN+, com o PL 5.167/2009 (Haje,
22
In o mação na bio do ins ag am da ONG. Re i ado de h ps://www.ins ag am.com/maespeladi e sidade/
33
2023), passando pela p oibição de c ianças e/ou meno es de 18 anos em pa adas do o gulho
LGBTQIAPN+, ou mesmo e en os ol ados à de esa dos di ei os e da cidadania de pessoas LGBTQIAPN+,
como cons a no PL 0325/2023 (Câma a Municipal de São Paulo, 2023); PLO 159/2023 (Band UOL,
2024); PL 103/2024 (Assembleia Legisla i a de SC, 2024) a é a p oibição de o ien ação e dis ibuição
às escolas públicas, pelo Minis é io da Educação e Cul u a, de li os que e sem sob e di e sidade sexual
pa a c ianças e adolescen es PL 5487/2016 (Câma a dos Depu ados, 2016). Alguns emas são mais
isados que ou os em p oje os an i-LGBTQIAPN+ “um ou o le an amen o, ealizado pela Agência
Diado im, mos a que os qua o p incipais emas abo dados nas p opos as an i-LGBTQIA+ são: p oibição
da linguagem neu a, de banhei os unissex, publicidade que p omo a a di e sidade LGBTQIA+ e a
pa icipação de a le as ans em compe ições espo i as” (Guima ães, 2023, §10).
A ní el mundial ambém hou e o ecuo sob e di ei os LGBTQIAPN+ no esboço da Decla ação do
G7 (JB In e nacional, 2024), ao con á io do que oco eu na eunião do g upo em 2023, ealizada em
Hi oshima. Assim como a ança a ex ema di ei a mundialmen e, a ançam p opos as an i-LGBTQIAPN+.
Quan o maio o núme o de polí icos conse ado es, maio o núme o de p opos as nesse sen ido e elas
êm sido ap esen adas, e algumas ap o adas, nos pa lamen os em odo o mundo. A de o a mais ecen e
e que e á um p o undo impac o sob e a comunidade LGBTQIAPN+ es á inculada a decisão da Me a –
conglome ado de ecnologia e mídia social que inclui pla a o mas como Facebook, Ins ag am, Th eads
e Wha sApp – que, de aco do com no a publicada pelo p esiden e execu i o Ma k Zucke be g, subs i ui á
a checagem de a os pois “os mode ado es p o issionais u ilizados a é ago a são ‘mui o endenciosos
poli icamen e’ e que e a ‘ho a de ol a às nossas aízes, em o no da libe dade de exp essão’ (B aun,
2025), em uma e iden e ap oximação às ideias de endidas pelo p esiden e elei o dos EUA, Donald
T ump. Os desdob amen os dessa decisão da Me a p eocupam a i is as e ins i uições inculadas às
mino ias que so em com discu sos de ódio nessas pla a o mas, caso da comunidade LGBTQIAPN+.
T ump a aca e ozmen e a comunidade LGBTQIAPN+ p incipalmen e as pessoas ans, endo como uma
de suas ações iniciais a e isão de “medidas de di e sidade e de iden idade de gêne o” (Reu e s, 2025).
En e an os e ocessos há i ó ias ambém: no B asil mui as se dão po in e e ência do p óp io
Sup emo T ibunal Fede al, como a decisão de que escolas de em comba e disc iminação po gêne o
ou o ien ação sexual (Rocha, 2024), bem como o PL 7292/2017 (Câma a dos Depu ados, 2017) que
o na LGBTcídio c ime hediondo ou, ainda, o aumen o em cinco ezes do núme o de p é-candida u as
LGBTQIAPN+ pa a as eleições municipais de 2024 (The eso, 2024). No mundo, em ma é ia de
conquis as, podemos ci a a Tailândia como o p imei o país do Sudes e Asiá ico a legaliza o casamen o
en e pessoas LGBTQIAPN+ (B asil de Fa o, 2024).
34
Nes e capí ulo, disco eu-se sob e apenas alguns dos desa ios e i ó ias, o que pode se
en endido como su icien e pa a se pe cebe que nós de emos semp e es a a en os, pois a lu a é diá ia
e pa ece não e im. E essa lu a da comunidade LGBTQIAPN+ se e e e desde aos di ei os mais básicos
e u gen es a é a o ma como essas pessoas são ep esen adas nos mais di e en es meios de
comunicação, inclusi e ilmes e sé ies, ópico que se á abo dado no p óximo capí ulo.
35
3. REPRESENTAÇÃO DE PERSONAGENS LGBTQIAPN+ NA TELA: ACEITAR QUALQUER
REPRESENTAÇÃO É MELHOR DO QUE NÃO TER REPRESENTAÇÃO?
O audio isual e a mídia, mui o mais que apenas en e enimen o, são e amen as pode osas de
p opagação de discu sos, conhecimen o de ou as i ências e disseminação de assun os em
consonância com uma época ou e a. Um olha sob e na a i as e his ó ias con adas e compa ilhadas,
colabo ando com a ap eensão de pa e da ealidade em um mundo cada ez mais “conec ado”
(Townsend, 2021).
Mesmo conco dando que mui as ezes as p oduções independen es pe mi em uma maio
libe dade de o ei o e p omo e m um olha
quee ,
ou seja, um olha que “ques iona o sis ema biná io
he e ossexual no ma i o, e suas imposições nos co pos do mundo eal, bem como as eg as e discu sos
ei e ados e puni i is as que de e minam como de emos nos es i , nos compo a , nos elaciona , e
i e ” (Lage, 2022, p. 35) - caso, po exemplo, da película ilmada em p e o e b anco
Looking o
Langs on
(B i ish Film Ins i u e, 1989), de Isaac Julien e de
Long ime Companion
(The Samuel Goldwyn
Company, 1989), de No man René. Reconhece-se que quan o mais p oduções sob e esse ema o em
ei as po g andes es údios e
s eamings
ou mesmo apenas dis ibuídas po eles, maio se á a
opo unidade de alcance de público e, consequen emen e, de discussão dessas his ó ias. His ó ias que
se e o çam a a és de
andoms
23
, e mo que se e e e a “comunidade de memb os emocionalmen e
en ol idos no consumo/ uição egula de uma de e minada na a i a da cul u a popula ” (Anaz, 2018,
p. 253), e pe is de pessoas LGBTQIAPN+ que se p oli e am nas edes; azendo ambém impo an es
dados e cu iosidades que mui as ezes não são abo dados pela mídia con encional.
Ou o pon o impo an e é que a in e ne po encializa a dinâmica en e os g upos, bem como
en e as pessoas que deles azem pa e, conexão que ul apassa as on ei as geog á icas e amplia o
alcance das discussões. Os
andoms
c iam e pa ilham con eúdo nas edes, pesquisam sob e a equipe
de uma de e minada p odução,
shippam,
24
omances, seja nas p oduções ou o a delas, opinam,
di ulgam e acabam po mo imen a odo o con ex o de sé ies e ilmes.
A escolha do
cas ing
, as pe sonagens e, consequen emen e, sua ep esen ação, podem se
in luenciadas pela o ça desse ipo de público, po isso a impo ância do ema do p óximo capí ulo.
23
União de duas pala as do inglês: an e Kingdom. O p incipal in e esse desses g upos cos uma se o uni e so a ís ico, seja ele li e á io, musical ou
audio isual e inclui ambém a ida e a ob a de a izes e a o es.
24
O neologismo “shipa ” eio de “ ela ionship”, em inglês, a pa i do ship ( o ce ). Quando ocê “shipa” um casal, que dize que ocê (shippe ) o ce po
ele, seja na icção ou na ida eal. O e mo é usado p incipalmen e pa a se e e i a “pe sonagens de sé ies, li os, ilmes, mangás, e c. [...] No B asil, o
e mo icou mais conhecido na década de 2000. De ido aos lançamen os de á ias sé ies de li os e ilmes. Além disso, g aças aos lei o es e c iado es de
an ics (his ó ias c iadas po ãs), a exp essão se popula izou.” Re i ado de h ps://seg edosdomundo. 7.com/o-que-e-shippa /
36
3.1. BREVE HISTÓRIA DA REPRESENTAÇÃO LGBTQIAPN+ NA TV E NO CINEMA
A ep esen ação de ce os pe sonagens em p oduções audio isuais e le e, mui as ezes, quem
de ém o pode sob e de e minada na a i a. A começa po quem es á po de ás dessas p oduções, a o
que pode in e e i di e amen e sob e o que ai ou não se mos ado ao público. A o ma como um g upo
é ep esen ado, con o me o que imos a é ago a, p eponde an emen e in luencia de manei a di e a como
ele é is o pelos ou os. Filmes com emá ica LGBTQIAPN+ mais p óximos da ealidade dessa
comunidade, e am ealizados, mui as ezes, como p oduções independen es que chega am somen e
em uma pa cela do público. Sob e a di e ença en e Cinema LGBTQIAPN+ e Cinema
Quee
pode-se dize
que o p imei o se e e e a ilmes com pe sonagens gays, lésbicas, ans e c, mas não necessa iamen e
ques ionado es; já o segundo além de pe sonagens LGBTQIAPN+, p opõe um ques ionamen o do
s a us
quo
(Valle, 2024). Ao p ocede mos uma busca e i icamos ambém que á ias p oduções mais an igas
não são encon adas em nenhum
s eaming
, o que pode se modi ica con o me o país em que é ei a
essa busca, haja is a que a g ade de p og amação se modi ica de país pa a país, p incipalmen e no
caso da Ne lix (Cosse i, 2023).
Du an e a his ó ia da pa icipação de pe sonagens LGBTQIAPN+ em p oduções audio isuais
pe cebemos que oda a complexidade e di e sidade que en ol e ques ões como sexualidade e gêne o,
em sua maio ia, não e am e a adas ou o e am de manei a equi ocada/es e eo ipada (e mui os ainda
o são). Dessa o ma odas as discussões e possibilidades de desdob amen os de suas his ó ias e am
impossibili adas e, em alguns casos, ha ia um apagamen o li e al (Sac amen o & Fe ei a, 2019), além
de ep esen ações asas se compa adas a p o undidade das i ências LGBTQIAPN+:
A his ó ia da ep esen ação de lésbicas e gays no cinema mains eam é poli icamen e
inde ensá el e es e icamen e e ol an e. Pode ha e uma abundância de pe sonagens gays
lu uando pelas elas ul imamen e, mas
plus ça change
... Visibilidade gay nunca oi ealmen e
uma ques ão nos ilmes. Gays semp e o am isí eis. É a o ma como eles são mos ados
que em pe manecido o ensi a po quase um século. (Russo, 1981, p. 325)
Se Russo conside a que, apesa da o ma como e am mos ados, os pe sonagens gays e am
isí eis, o mesmo não se pode dize de pe sonagens sá icas
25
. Pe sonagens LGBTQIAPN+ e am
alegó icas, não obse adas sob a sua indi idualidade e p omo iam, na maio ia das ezes, a possibilidade
de alí io cômico ou ilania - a é mesmo em animações da Disney - em um
quee coding
26
já consolidado
(Gio anelli, 2021). Em ou as p oduções audio isuais, pe sonagens LGBTQIAPN+, p incipalmen e
25
Se á usado ambém, no deco e da pesquisa, o e mo “público sá ico”, ambos se e e em a mulhe es que se elacionam com mulhe es, den e as mais
di e sas o ien ações sexuais (No a da Au o a).
26
O e mo
quee coding
conce ne a “(...) signos indiciais que associam pe sonagens ic ícios a ca ac e ís icas idas como pe encen es a pessoas
LGBTQIA+[...]” (Gio anelli, 2021).
37
masculinos, ep esen a am co pos que se iam apenas pa a o sexo e não pa a o amo (Fe nandes,
2023). Assim, a a essamos uma longa jo nada a é que pudéssemos e ep esen ações de his ó ias de
amo dessa comunidade que ossem di e sas e que con emplassem g adualmen e ambém a
di e sidade desse público.
Ao es a mos em en e a uma ela do cinema, de TV ou de ou os disposi i os, nos conec amos
a a és dos sen idos, das sensações e sen imen os que en ol em a abs ação e a imaginação (Cos a,
2022). A possibilidade de conhece mos agmen os de ou as i ências ou mesmos de assis i mos
aspec os da nossa p óp ia exis ência, e a ados nessa ela, deno am a impo ância de uma
ep esen ação posi i a. Mas qual a di e ença en e ep esen ação e ep esen a i idade? Souza en ende
que “a ep esen a i idade unciona como um no o aspec o da ep esen ação, não a excluindo, mas que
ap esen a no as ca ac e ís icas” (Souza, 2021, p. 41).
A ep esen ação possui á ias designações, azidas du an e a his ó ia po di e en es eó icos
como Pla ão, Pie ce, Pi kin, Laga de, en e ou os, e pode se conside ada “uma pa e essencial do
p ocesso pelo qual os signi icados são p oduzidos e compa ilhados en e os memb os de uma cul u a.
Rep esen a en ol e o uso da linguagem, de signos e imagens que signi icam ou ep esen am obje os”
(Hall, 2016, p. 31). Ademais, po ou o iés, ela ambém pode se e e i a pessoas de um de e minado
g upo ou ca ac e ís icas em uma p odução, enquan o a ep esen a i idade se ia sob e a ida e a his ó ia
dessas pe sonagens possuí em um signi icado, sob e elas es a em inse idas no mundo e não à ma gem
dele, em um cons an e diálogo com as ou as pe sonagens da ama (Ma ciano, 2021).
A ep esen ação pode ou não ge a uma iden i icação com uma ou mais pe sonagens, “ azendo
com que seja possí el nos e mos na imagem ou na pe sonagem ap esen ada na ela (Woodwa d, 2009,
p. 19) - como se á mos ado na análise dos comen á ios nessa pesquisa -, o que az com que o público
acabe po se en ol e com sua his ó ia, i encia suas emoções, pe cebe o mundo a a és do seu olha :
A ep esen ação inclui as p á icas de signi icação e os sis emas simbólicos po meio dos
quais os signi icados são p oduzidos, posicionando-nos como sujei o. E po meio dos
signi icados p oduzidos pelas ep esen ações que damos sen ido à nossa expe iência e àquilo
que somos. Podemos inclusi e suge i que esses sis emas simbólicos omam possí el aquilo
que somos e aquilo no qual podemos nos o na . (Woodwa d, 2009, p. 15)
Aspec os como a complexidade, a impo ância das pe sonagens e o impac o de sua his ó ia
den o do en edo es ão di e amen e ligados a qualidade dessa ep esen ação. Há a necessidade de
p o agonismo ou pelo menos de um espaço maio pa a as pe sonagens que ep esen am a comunidade,
38
assim como pessoas LGBTQIAPN+ agindo po ás das elas. Em suma: o “es a ” ali di e e mui o de
“como” se es á ali. O “luga ” é ocupado, mas “qual” luga é esse?
Algumas possibilidades signi ica i as êm oco endo a ualmen e com uma maio ealização de
p oduções com emá ica LGBTQIAPN+ (Velloso, 2018). O público dessas p oduções pode ago a escolhe
his ó ias com múl iplas abo dagens, com uma ampla ca ela de pe sonagens, p opo cionando uma
iden i icação e conexão maio , con emplando, assim, as di e en es expec a i as de pessoas da
comunidade. P oduções audio isuais com um abalho cuidadoso de ep esen ação das pe sonagens
LGBTQIAPN+ podem con ibui com a mudança do imaginá io homo óbico e aze com que pessoas
he e ossexuais e ejam seus concei os; con o me in o mado no ela ó io GLAAD em pa ce ia com a
Ne lix e exempli icado na igu a 1 “pa a 81% do público en e is ado e que não é LGBTQIAPN+ assis i
p oduções que e a am esses pe sonagens acaba po conec á-los a eles. Já 85% das pessoas
LGTQIAPN+ en e is adas ela am sob e o papel dessas p oduções na comp eensão de seus amilia es
sob e a emá ica” (GLAAD, 2023).
Figu a 1: His ó ias que ap oximam público he e ossexual e LGBTQIAPN+
Fon e: Gay Blog
27
, 2024
27
Re i ado de h ps://gay.blog.b /wp-con en /uploads/2020/06/BRA_P ide-In og aphic-1.jpg
45
XXI,
O seg edo de B okeback Moun ain
(Focus Fea u es, 2005), de Ang Lee, ambos ilmes em que as
his ó ias de amo en e pe sonagens LGBTQIAPN+ e mina am de o ma ágica. As abo dagens
ealizadas, pa a his ó ias de amo , sal o uma ou ou a p odução, seguiam ge almen e essa linha. O
con o “B okeback Moun ain”, da esc i o a Anne P oulx. do qual a ob a oi adap ada “ e o ça a p á ica de
assassina os a homossexuais de o ma b u al em pequenas cidades es adunidenses ao longo do século
XX” (Beze a Júnio , 2024, p. 155). Mesmo
Boys don’ c y
sendo baseado em uma his ó ia eal - ou seja,
in elizmen e, um e a o do que oco e na ealidade - e
B okeback Moun ain
se uma icção, não há como
não obse a mos a di eção omada pelas na a i as “que buscam cons ui , d ama u gicamen e, os
con li os cul u ais da expe iência quee , e é a pa i desses con li os que as iden idades quee são isí eis”
(B i zman, 1996, p. 54). Como que pa a compensa o peso dessas his ó ias é lançado, ainda em 2005,
a comédia omân ica sá ica
Imagine eu & ocê
(2005), que e mina com um inal eliz pa a as
p o agonis as.
No B asil, em meados de 2010, hou e o p emiado cu a-me agem
Eu não que o ol a sozinho
33
- um sucesso no YouTube com quase 9,5 milhões de isualizações – seguido pelo longa
Hoje eu que o
ol a sozinho
34
(Lacuna Filmes, 2014), ambos de Daniel Ribei o. As películas ize am sucesso com o
público b asilei o e abo dam o desen ol imen o do p imei o amo en e meninos de o ma delicada,
endo como di e encial impo an e o a o do p o agonis a se um ga o o com de iciência isual. O ilme
Ca ol
(2016), de Todd Haynes, baseado na ob a “The P ice o Sal ” (1952), da conhecida au o a Pa icia
Highsmi h, sob o pseudônimo Clai e Mo gan. O li o abo da o desen ol imen o da elação amo osa en e
duas mulhe es, com possibilidade de um inal eliz. Em en e is as a au o a ela a a e ecebido ca as
de lei o as ag adecendo a possibilidade de um inal eliz que o li o ha ia azido (Souza, 2021). Mas
Ca ol
não e a um ilme pa a adolescen es, apesa de uma das pe sonagens en ol idas se uma mulhe
jo em, chamada The ese, que se apaixona po Ca ol, uma mulhe mais expe ien e, p esa em um
casamen o in eliz.
E eis que chega, em 2018, baseado no li o
“
Simon s. a agenda homo sapiens” (Balze & B ay,
2015), da esc i o a ame icana Becky Albe alli, o ilme es aduniense
Com amo , Simon
35
(Fox 2000
Pic u es, 2018), de G eg Be lan i, um di e o abe amen e gay que disse ao Omele e En e is a
36
“ e a
p esença de um adolescen e gay no cen o de uma comédia omân ica é algo posi i o de um jei o
di e en e (...). Ele p eencheu um azio que eu nem sabia que es a a lá, em me e , ou uma e são de
mim, em uma ela”. O ilme deu início a uma no a ase pa a as elações omân icas en e pe sonagens
33
Re i ado de h ps://www.you ube.com/wa ch? =1Wa 5KjBHbI
34
Re i ado de h ps://www.ado ocinema.com/no icias/ ilmes/no icia-1000080541/
35
Re i ado de h ps://www.disneyplus.com/p -p /mo ies/com-amo -simon/iOs6PV lB9Ng
36
Re i ado de h ps://www.you ube.com/wa ch? =RNA8p3 R3xY
46
LGBTQIAPN+, p incipalmen e jo ens, com uma ep esen ação mais posi i a, mos ando que é possí el,
sim, i e uma his ó ia de amo LGBTQIAPN+
com inal eliz, com possibilidades u u as. Seu sucesso
acabou po inspi a a sé ie
Com amo , Vi o
37
(Hulu, 2020-2022), c iada po Isaac Ap ake e Elizabe h
Be ge . No inal do ilme, o p o agonis a Simon, ao esc e e no si e da escola - o mesmo cujo esponsá el
ha ia ei o um pos que acabou po “ i á-lo do a má io” con a sua on ade - diz:
Eu sou gay. Po mui o empo, iz de udo p a esconde o a o. Eu inha á ios mo i os. E a
injus o que só gays se assumissem. Es a a a o de mudanças..., mas e a medo. Pensei que
osse coisa de gay. Depois no ei que, acima de udo, anuncia quem ocê é p o mundo é
apa o an e. E se o mundo não gos a de ocê? En ão eu iz de udo p a man e seg edo. [...]
Cansei de e medo. Cansei de i e num mundo onde não sou eu mesmo. Eu me eço i e
uma g ande his ó ia de amo . [...] O ca a que eu amo esc e eu que se sen ia p eso numa
oda-gigan e. No opo do mundo uma ho a e no undo do poço na ou a. É como me sin o.
Não pode ia pedi amigos mais inc í eis, nem amília mais comp eensi a. Mas se ia melho
se i esse com quem compa ilha . (Com amo , Simon, 2018)
Sob e sé ies, ci a ei
Bu y, a caça- ampi os
(Uni ed Pa amoun Ne wo k, The WB, 1997-2003),
de Joss Whedon, ambém iniciada na década de 90, com o inspi ado elacionamen o de Willow e Ta a.
Mais ecen emen e, a já ci ada sé ie
The 100
, de Jason Ro henbe g, que ouxe a elação en e Cla ke e
Lexa (
Commande o he G ounde s
) - essa úl ima, apesa de sua lide ança e o ça, não escapou da
mo e, na en e de sua amada, assim como Ta a. Sob um ce o p isma is o nos eme e a ques ão da
in luência da imagem (Joly, 2005) que, baseada em um iés “ o o”, p opaga essa ideia de
impossibilidade amo osa pa a a comunidade LGBTQIAPN+. Essa ci cuns ância e a, po um lado, e lexo
da esis ência de pa e do público he e ocis que ala sob e a in luência nega i a que a isualização de
cenas en ol endo pe sonagens LGBTQIAPN+ pode ia e em “ amílias adicionais”, como se a
o ien ação sexual dos jo ens da amília pudesse se modi icada pela in luência da imagem is a (Joly,
2005). Assim, não há su p esa no a o de que mui as pessoas LGBTQIAPN+ não se iden i icassem com
nenhuma das pe sonagens ou das his ó ias mos adas nas elas, e que mui os jo ens i essem
di iculdade em comp eende a sua sexualidade, pois não ha ia exemplos a se em obse ados.
Su gem al e na i as di e en es, en e elas, a sé ie
Glee
(2009-2015), c iada po Ryan Mu phy
mesmo c iado da sé ie
Pose)
, B ad Falchuk e Ian B ennan, que ouxe uma plu alidade de pe sonagens,
ap esen ando ca ismá icos pe sonagens LGBTQIAPN+ com suas his ó ias de amo , endo como plano
de undo o clube de co al de uma escola. Os pe sonagens p incipais e o ema cen al ainda não gi a am
em o no de uma his ó ia de amo LGBTQIAPN+ nos moldes de con os de adas adolescen es. Ha ia,
37
Re i ado de h ps://www.disneyplus.com/p -p /se ies/lo e- ic o /3 V91pQuQk2K
47
ademais, á ias p oduções com pe sonagens LGBTQIAPN+ que o bi a am em o no de p o agonis as
he e ocis ou cuja his ó ia não inha como oco p incipal uma his ó ia de amo , um omance en e
pe sonagens LGBTQIAPN+, que é o que o na uma sé ie como
Hea s oppe
necessá ia. Há á ias ou as
sé ies com pe sonagens e/ou emá ica LGBTQIAPN+, lançadas a pa i dos anos 2000:
[...] Quee as Folk (2000 - 2005) e The L Wo d (2004 - 2009) e a c escen e en ada de
pe sonagens LGBT, sob e udo em p oduções ol adas pa a o público adolescen e como The
OC (2003 – 2007), Skins (2007 – 2013) e Glee (2009 – 2015). [...] A ualmen e, é possí el
encon a mos pe sonagens lésbicas, gays, bissexuais e ansgêne as em p a icamen e odas
as na a i as ele isi as. House o Ca ds, Game o Th ones, The Walking Dead, The Fos e s,
O phan Black, The 100, P e y Li le Lia s, Ame ican Ho o S o y, Unb eakable Kimmy
Schmid , Once Upon a Time, Boy Mee s Gi l, Mas e o None, O ange Is The New Black,
T anspa en (...). (Sa me & Bal a , 2016, p. 52)
Além das p oduções já ci adas, há p oduções mais a uais que azem, como p o agonis as,
pe sonagens LGBTQIAPN+ jo ens e complexos, com sua his ó ia desen ol ida e di e sidade de
e nia/ aça, co po, iden idade e c. No caso de ilmes, emos a comédia omân ica “le e”,
Alex S angelo e
(Ne lix, 2018), de C aig Johnson; nes e ano ambém oi possí el conhece o como en e
Ra iki
(Big Wo ld
Cinema, 2018) de Wanu i Kahiu, inspi ado no con o
Jambula T ee
, esc i o pela au o a ugandense Monica
A ac de Nyeko. Em 2020, é lançado o is e e belo ilme aiwanês
Seu nome g a ado em mim
(Film
Oxygen, 2020), de Pa ick Kuang-Hui Liu. Nes e mesmo ano ambém emos um ilme que nos deixou
com gos o de que o mais, caso de
Você nem imagina
(Likely S o y, 2020), de Alice Wu. A película
C ush
(Animal Pic u e, 2022), de Sammi Cohen, mos a um “ iângulo amo oso” sá ico. No p óximo ano o ilme
Bo oms
(O ion Pic u es, 2023), de Emma Seligman, mos ou uma in e são de papeis em uma comédia
esc achada que con a com um omance en e a impagá el Josie (Ayo Edebi i) e Isabel (Ha ana Rose
Liu). Há, ainda,
Ve melho b anco e sangue azul
(Amazon S udios, 2023), de Ma hew Lopez - inspi ado
na comédia omân ica homônima (2019), de Casey McQuis on - que az uma possibilidade insóli a de
omance en e um p íncipe e o ilho da p esiden e dos Es ados Unidos da Amé ica.
Em p oduções se iadas, que êm como p o agonis as pe sonagens LGBTQIAPN+ e e a am
his ó ias de amo , em-se
Special
(Ne lix, 2019-2021), de Ryan O'Connell, baseada no li o de memó ias
“I'm Special: And O he Lies We Tell Ou sel es” (2015) do mesmo au o , sé ie que a a sob e um jo em
gay com pa alisia ce eb al e suas descobe as sexuais e amo osas; no mesmo ano emos
Dickinson
(Apple TV+, 2019-2021), de Alena Smi h, inspi ada na ida da esc i o a Emily Dickinson quando jo em.
A espanhola
Smiley
(Ne lix, 2022), de Da id Ma ín Po as e Ma a Pahissa, baseada na peça de mesmo
nome de Guillem Clua e que con a a his ó ia de dois homens e um g upo de amigos em sua jo nada na
48
busca pelo amo ; e, po úl imo, uma sé ie que ambém é admi ada po boa pa e dos ãs de
Hea s oppe
: a sueca
Young Royals
(Ne lix, 2022-2024), de Lisa Ambjö n, So ie Fo sman e To e
Fo sman, cujo en edo gi a em o no da his ó ia de amo en e o p íncipe da Suécia, Wilhelm (Ed in
Ryding), e o plebeu Simon (Oma Rudbe g).
Além das sé ies
een
já ci adas
,
há pe sonagens LGBTQIAPN+ no núcleo cen al de á ias sé ies,
en e elas,
S ange Things
(Ne lix, 2016-), dos i mãos Ma e Ross Du e ;
Jo ens Ti ãs
(Ne lix, 2018-
2023), de Aki a Goldsman, Geo Johns e G eg Be lan i, baseado na equipe dos “No os Ti ãs”, da DC
Comics;
Sex Educa ion
(Ne lix, 2019-2023), de Lau ie Nunn;
Umb ella Academy
(Ne lix, 2019-2024),
de S e e Blackman, baseada na sé ie de his ó ias em quad inhos de mesmo nome c iada po Ge a d
Way e ilus ada po Gab iel Bá,
O ilho bas a do do diabo
(Ne lix, 2022), de Joe Ba on, inspi ada na
ilogia de li os "Hal Bad", esc i a pela au o a inglesa Sally G een e
Aga ha All Along
. (Disney+, 2024-)
que explo a a es é ica Camp
38
e em como co-p o agonis a Joe Locke, a o abe amen e gay, - in é p e e
de Cha lie em
Hea s oppe
– no papel do Wiccano, um pe sonagem gay dos quad inhos, além do
en ol imen o da p óp ia b uxa Aga ha (Ka h yn Hahn) com Rio Vidal (Aub ey Plaza) que in e p e a a
Mo e na ama. Impo an e salien a que Locke se á homenageado com o P êmio Impac o da Human
Righ s Campaign (HRC)
39
po “ aze his ó ias e ozes LGBTQ+ signi ica i as pa a públicos de odo o
mundo” (Pappy, 2025, §1). Sob e a homenagem o a o alou “ em sido uma aleg ia e um p i ilégio
con a his ó ias LGBTQ+ e con ibui pa a um mundo onde odos, independen emen e de quem sejam
ou de quem amam, possam i e de o ma au ên ica e sem medo” (Pappy, 2025, §4). Uma das g andes
i ó ias conseguidas pelo a o oi a e ogação da lei que p oibia a doação de sangue po homens gays
na Ilha de Man, sua e a na al. O anúncio oco eu após a epe cussão da sua ala na Pa ada do O gulho
do país (Sales, 2022).
Pa a a alia p oduções com emá ica LGBTQIAPN+, a ONG GLAAD - Gay & Lesbian Alliance
Agains De ama ion
40
, c iou o “Tes e Vi o Russo”, baseado no “Tes e de Bechdel”, ambém c iado pela
ins i uição, que az os seguin es ques ionamen os: “o ilme ap esen a uma pe sonagem iden i icá el
lésbica, gay, bissexual e / ou ansgêne o (LGBTQIA+)?”, “esse pe sonagem LGBTQIA+ exis e pa a além
da sua o ien ação sexual ou iden idade de gêne o?”; “caso esse pe sonagem LGBTQIA+ seja e i ado da
ama, ha e ia um e ei o signi ica i o na his ó ia?” (B andino, 2022). Em 2013, no as ecomendações
o am suge idas:
38
Susan Son ag diz que "a essência do camp é seu amo pelo não na u al: do a i ício e do exage o". Essa es é ica acabou po se o na ep esen a i a no
uni e so quee (C iscuolo, s.d.). Re i ado de h ps://www.domes ika.o g/p /blog/8006-como-camp-se- o nou-a-es e ica-essencial-do-uni e so-quee
39
Reconhecida como a maio o ganização de di ei os ci is de lésbicas, gays, bissexuais, ansgêne os e
quee
(LGBTQ+) dos Es ados Unidos da Amé ica.
40
GLAAD é econhecida como a maio o ganização em de esa da ep esen ação na mídia pa a lésbicas, gays, bissexuais, ansgêne os e
quee
do mundo
(No a da Au o a).
49
Filmes de gêne o, como adap ações de quad inhos e anquias de ação, são mui o popula es
globalmen e, e po isso de em se o na mais di e sos e inclusi os, é p eciso ha e mais
papéis p incipais LGBTQIA + no cinema; de e ia ha e um maio núme o de papéis LGBTQIA
+, e esses pe sonagens de e iam se ambém di e sos em elação a gêne o, aça e o igem;
a ep esen ação na mídia de pessoas ans em pe manecido décadas a ás da de pessoas
gays e lésbicas, e quando essas pessoas apa ecem, são de o ma ma ginalizada; insul os
an i-gays são menos comuns no cinema ago a do que e am há 20 anos, mas, in elizmen e
eles ainda não es ão ex in os. (B andino, 2022, §10)
Ou o aspec o nega i o a se obse ado é a e ichização das pe sonagens emininas, sejam elas
de qual o ien ação o em, den o do aspec o de que a mulhe e sua imagem se em a algo, obje i icando-
a (Mul ey, 1999).
Esse ipo de olha em uma na a i a es á imb icado em uma dinâmica de pode , u o
de um
male gaze.
Em mui os casos é como se uma pe sonagem que i e um elacionamen o sá ico só
es i esse à espe a de um homem chega pa a muda sua ida. Uma das p oduções com emá ica
LGBTQIAPN+ que az á ias con o é sias em seus bas ido es é o p emiado ilme ancês
Azul é a co
mais quen e
(Qua ’sous Films, 2013) o ei izado e di igido po Abdela i Kechiche, um cineas a
he e ossexual, cisgêne o, endo como co- o ei is a sua esposa, a a iz Ghalia Lac oix (Machado 2017, p.
124). O ilme é baseado na
g aphic no el
“Le bleu es une couleu chaude”
41
(2010) esc i a po Jul’
Ma oh – uma pessoa ansgêne o e não-biná ia. Quando uma p odução é ealizada a a és de um
quee
gaze
, a possibilidade de ep esen ações es e eo ipadas e e ichizadas, a p incípio, é de ubada.
As p oduções audio isuais e le em o que é pau a no momen o e podem acaba po in luencia
aspec os nega i os que a e am a população LGBTQIAPN+, con o me alguns eó icos “o que p e alece
nas sociedades con empo âneas é a anca disseminação, pelos Mass Media, de más ep esen ações e
es e eo ipias, com o deslocamen o dos locais de ala” (Machado, 2017, p. 120). A ealidade mui as
ezes é mos ada, mas apenas po um iés, sem uma possibilidade de mudança.
Uma ep esen ação nega i a, pode e o ça discu sos dis o cidos sob e essa comunidade,
ab indo espaço pa a o p econcei o e a disc iminação, como e emos a segui .
3.3.
BURY YOUR GAYS
E
THE DEAD LESBIAN SYNDROME
T opos são ep esen a i os de es u u as de pode e podem e o ça discu sos e p oduzi
signi icados. O opo
Bu y You Gays
(BYG), a ua como símbolo de um mé odo de punição execu ado
du an e á ios anos e que se pe pe ua ainda hoje, mesmo com a ex inção dos códigos de censu a e, não
41
Re i ado de h ps://www.glena .com/ho s-collec ion-glena -bd/le-bleu-es -une-couleu -chaude-9782723498760
50
obs an e, mesmo com o aumen o de p oduções LGBTQIAPN+. Esse opo possui á ias “ ami icações”
como o opo
Dep a ed Homosexual
que se e e e à quando “pe sonagens explici amen e gays são
inculados à uma ideia de ilania e sua sexualidade é enca ada como aço nega i o” (Pais, 2020), o
que pode le a a um inal ágico; os opos
Too Good o This Sin ul Ea h
e ao
Homophobic Ha e C ime
se e e em a iolência ou mo e de pe sonagens LGBTQIAPN+ em deco ência da homo obia, como
oco eu em B okeback Mou ain e
Bu No Too Gay
ou de
Bai -and-Swi ch Lesbians
“em que os c iado es
conseguem da con inuidade ao omance, mas e i am mos á-lo em de alhes ma ando um dos
pe sonagens” (Pais, 2020).
O
BYG
é conhecido ambém de ido ao g ande núme o de mo es de
pe sonagens lésbicas no deco e das mais a iadas amas, seja em ilmes, sé ies ou no elas, con o me
apu ado pelo es udo GLAAD 2016, que ge ou no ícias em di e sas agências “(...) CNN, The Washing on
Pos e a é a ONU Mulhe es ela a am a onda de ca á e lésbico e bissexual nas mo es que o es udo
des acou” (B idges, 2018, p. 122).
Em his ó ias como a da sé ie
Wa io Nun
- um dos obje os dessa pesquisa -, em mui os
momen os, podemos obse a olha es, so isos e con e sas que demons am um in e esse mú uo e isso
a é pode se “acei o”: uma elação que ica no imaginá io e que ali pode ou não se desen ol e
( empo ada 1), mas, a pa i do momen o que esse elacionamen o se o na e iden e, mesmo que
a a és de um simples beijo, o esul ado pode se ca as ó ico pa a as pe sonagens ( empo ada 2). Além
de á ios ilmes, há di e sas sé ies com pe sonagens lésbicas que em um inal ágico, de uma o ma
ou de ou a:
The Child en's Hou (1961) e The Fox (1968) o necem dois exemplos do Dead Lesbian
T ope, uma o ma especí ica de BYG. Essencialmen e, uma pe sonagem lésbica se apaixona
po ou a mulhe que é ap esen ada como bissexual ou hé e o, e se elas o mam um
elacionamen o, a lésbica mo e logo depois delas expe imen am algum ipo de ealização
ou econciliação sexual ou omân ica, an o quan o o público de TV iu com Ta a e depois
Lexa. A mulhe bissexual equen emen e acaba com um homem, es au ando assim o s a us
quo da adicional amília nuclea . (B idges, 2018, p. 126)
Além dessas p oduções, pode se ac escen ado o se iado
The Ele en h Hou
(1962-1964) cuja
pe sonagem Hallie (Ka h yn Hays) em sua possí el homossexualidade cu ada (T opiano, 2002).
Obse a-se, ao analisa sé ies e ilmes exis en es que, dependendo da ca ego ia a qual a p odução az
pa e, é bas an e p o á el que ha e á alguma mo e, sal o exceções, inclusi e de pe sonagens he e ocis.
O p oblema eside na di e ença pe cen ual do núme o de mo es de pe sonagens he e ocis pa a
pe sonagens LGBTQIAPN+ (GLAAD, 2023), o que mui as ezes a ua como uma punição di e a pela
consumação de um amo “p oibido”. Há ambém a manei a como essas mo es acon ecem, mui as
51
ezes somen e pa a se i de “deg au” ao en edo de pe sonagens he e ocis. Vá ias mo es oco em
mui as ezes apenas pa a sepa a pe sonagens LGBTQIAPN+ em um elacionamen o, o que em um
o e impac o sob e o público ambém LGBTQIAPN+. A manei a como isso é ei o é abo dada pela
pesquisado a Elizabe h B idges “mais a de, à medida que os códigos elaxa am e a homossexualidade
se o na a isí el na ela, os ilmes e a TV passa am de silencia pa a puni , com a endência de ma a
pe sonagens quee ou ap esen á-los como mise á eis e mo almen e comp ome idos” (B idges, 2018, p.
115).
O ela ó io anual do GLAAD - que expõe mui as dessas si uações que oco em com pe sonagens
LGBTQIAPN+ - epassado a c iado es em 2016, como di o an e io men e, al ez izesse com que essa
ep esen ação de mulhe es lésbicas e bissexuais mudasse e suas mo es diminuíssem, modi icando essa
endência his ó ica “de ma a pe sonagens LGBTQ – mui as ezes apenas pa a en edo de um
pe sonagem hé e o e cisgêne o - o que en ia uma pe igosa mensagem pa a o público. É impo an e que
os c iado es não e igo em opos noci os, que explo am uma comunidade já ma ginalizada” (GLAAD,
2016). Uma p o ocação a p odu o es e esc i o es sob e uma possibilidade c ia i a que ugisse de odas
essas décadas de ep esen ações nega i as e de mo es a il an es (B idges, 2018). Se á que eles não
consegui iam aze melho do que es a a sendo ei o?
Po ha e uma maio oco ência de sepa ação ou mo e com pe sonagens sá icas, podemos
cons a a que esse a o pode se is o como um dos mui os b aços da misoginia, do julgamen o
ad
in ini um
impu ado às mulhe es. Quando há pe sonagens emininas que se dis anciam do papel de
menininha e p incesa que cons uímos desde a in ância pelos mais di e en es canais e meios, há,
inexo a elmen e, a in isibilidade da sua ala, de seu co po. Um co po que pode se is o e admi ado
(W ay, 2003), desde que es eja nos pad ões e que si a a algo ou alguém, de p e e ência um homem.
Quando esse co po inspi a e/ou sen e desejos e a e o po ou o co po como o seu, ele de e se de
alguma o ma “calado” e essa o ma de e se “comp eendida” po quem assis e, não deixando dú idas
sob e a impossibilidade de se i e o que es á su gindo:
As mulhe es quee supo a am o peso des e opo, especialmen e na ele isão, de al
o ma que eio a se conhecido como o T opo da Lésbica Mo a ou Sínd ome da
Lésbica Mo a. Mui as ezes esses pe sonagens encon am seus des inos in elizes
logo após expe imen a em a ealização omân ica, às ezes logo após uma cena pós-
coi o ou de sexo. (B idges, 2018, p. 122)
Den o dessa pe spec i a, é necessá io ci a duas cenas de sé ies que de ini i amen e são
exemplos dessas colocações, como já comen ado: a mo e da pe sonagem Ta a Maclay (Ambe Benson),
no ano de 2002, em
Bu y: a caça- ampi os
e da pe sonagem Lexa (Alycia Debnam-Ca ey), de
The 100
,
52
em 2016. Ambas mo as po uma a ma dispa ada po um homem, du an e um momen o de elicidade
e in imidade, depois de aze em amo . As pe sonagens Willow (Alyson Hannigan), namo ada de Ta a, e
Cla ke (Eliza Taylo ), a azão do a e o da pe sonagem Lexa, são bissexuais, mesmo a pe sonagem Willow
endo se iden i icado enquan o lésbica após inicia seu elacionamen o com Ta a. O c iado da sé ie
Bu y
, Joss Whedon, em en e is a a Me o UK
42
a i mou que, a ualmen e, a pe sonagem Willow se
iden i ica ia como bissexual, mas que na época os esponsá eis ac edi a am que se isso osse expos o,
o público acha ia que o omance se ia uma “ ase” da pe sonagem e po con a disso pode iam não
econhece a o ça do amo en e as duas. Esse eceio oco e jus amen e po que há pessoas que
ac edi am que bissexuais são “con usos” ou p omíscuos, pe cepção u o de uma binega i idade (Dya
& Feins ein, 2018) in elizmen e ainda mui o p esen e na ida de pessoas bissexuais.
A mo e da pe sonagem Lexa a ingiu uma dimensão que não oi possí el à ou as pe sonagens
na mesma si uação, ossem elas de ilmes, sé ies ou mesmo no elas. Um mo imen o que se de e,
majo i a iamen e, aos
andoms
e a sua a uação nas edes sociais, sob e udo no X (ex-Twi e ) e no
Tumbl , bem como à p óp ia “ o ça” da pe sonagem. Uma
end
que uniu pessoas LGBTQIAPN+,
sob e udo mulhe es sá icas, das mais di e sas nacionalidades, como a esc i o a Cassidy Blues “é algo
que nos ma a: al a de acei ação, al a de comp eensão, al a de espe ança. (...) A comunidade LGBT+,
pa icula men e os jo ens, es á cons an emen e endo sua ep esen ação se mo a na ela. Não
podemos nem exis i em mundos
de men i a
” (Blues, 2019, §23, ên ase da au o a). A pesquisado a
B idges, selecionada como e e ência no opo BYG, em uma opinião que se alinha com essa ci ação:
No en an o, apesa do impac o du adou o que a mo e de Lexa e e em des aca o p oblema
do BYG, não se conseguiu apaga a mensagem que o opo manda pa a o público da
comunidade LGBTQ: o amo gay e o sexo são puní eis com a mo e, a elicidade é ina ingí el
e idas LGBTQ não impo am. Longe de me a suposição po pa e de elespec ado es, essa
conclusão apa ece undamen ada na ma iz his ó ica de discu sos e p á icas cul u ais,
médicas, ju ídicas e eligiosas que cons i uiu de inições con empo âneas de sexualidade e
no mas sociais. (B idges, 2018, p. 122)
P á icas que e o çam uma das amas exis en es mais conhecidas em p oduções que se u ilizam
do in e esse de uma pe sonagem lésbica po uma pe sonagem bissexual ou mesmo hé e o que na
maio ia dessas his ó ias acaba icando com homens ou mo em, si uações que oco em em á ias
p oduções, em di e en es épocas (B idges, 2018).
42
Re i ado de h ps://en e enimen o.uol.com.b /no icias/ edacao/2020/05/21/bu y-willow-se ia-bissexual-se-se ie- osse- ei a-hoje-em-dia-diz-c iado .h m
53
Figu a 2 e 3: Ques ionamen o de uma ã sob e a mo e Lexa e Ou doo com p o ocação (The 100)
Fon e: Si e Tha s No mal
43
, 2018.
Em alguns casos, a cena mos ada não p ecisa de mui os conhecimen os semió icos pa a que
sua mensagem seja comp eendida, caso do ilme
The Child en's Hou
(Uni ed A is s, 1961), de
William
Wyle - baseado na peça homônima de Lillian Hellman - em que a pe sonagem Ma ha (Shi ley MacLaine)
se suicida “a úl ima cena do ilme é uma somb a assus ado a do co po de Ma ha depois que ela se
en o cou, signi ica i amen e, em um a má io” (B idges, 2018, p. 126). Em uma cena, Ma ha ala pa a
Ka en (Aud ey Hepbu n) “eu e amei do modo como eles disse am”, mas o ilme não mos a mais do
que isso e não u iliza e mos que pode iam comp ome e seu lançamen o, in en o alcançado já que ele
oi o p imei o ilme a escapa à censu a desde a implan ação do Código Hays.
Pe sonagens sá icas bem esol idas e com elacionamen os saudá eis e am a as em
p oduções, algo que em mudado g ada i amen e. Se os elacionamen os en e mulhe es mal iniciam e
já acabam, não há como exis i uma ep esen ação de um elacionamen o du adou o. Não podemos
ambém des incula a in isibilidade, o silenciamen o e a iolência, impu ados as pe sonagens sá icas,
de a o es que êm do p óp io papel da mulhe na sociedade e de como ela é is a.
Nes e capí ulo o am ela ados alguns casos em que o opo
Bu y You Gays
es á p esen e, agindo
como o ma de uma punição, nem ão elada, a pe sonagens LGBTQIAPN+, p incipalmen e mulhe es.
Teó icos como B idges, êem a p á ica do
quee bai ing
a elada ao
BYG
em p oduções audio isuais, o
43
Re i ado de h ps:// ha s-no mal.com/2018/03/lexa-s ill-dese es-be e -a- an-led-mo emen -ca ies-on- wo-yea s-la e /
54
que em sido discu ido cada ez mais em pesquisas e nas edes sociais, e que se á mos ado a pa i de
ago a.
3.4.
QUEERBAITING
Ao isualiza ep esen ações escassas ou ca ica as em ilmes e sé ies, pa e do público
LGBTQIAPN+ se sujei a a mínima possibilidade de ep esen ação da comunidade, em his ó ias com
en edo du idoso e com pe sonagens cuja sexualidade ica apenas no sub ex o (B idges, 2018). Há á ias
de inições pa a o e mo
quee bai ing
. Após a ealização de um es udo oi p opos o uma no a axonomia
de
quee bai ing
cujos exemplos “podem se encon ados em pla a o mas e di e en es ipos de mídia,
com alguma sob eposição na ca ego ização” (Woods & Ha dman, 2021, p. 9). Os ês ipos são:
Quee bai ing do consumido – po meio de ma ke ing e p odu os; Quee bai ing cul u al - a a és do
en e enimen o de mídia de massa online e o line; e Quee bai ng social – po meio da in e ação e da
apa ência, incluindo a de celeb idades e in luenciado es. Vale essal a que esse é um ecu so u ilizado
isando o consumo de um de e minado “p odu o”, do uso de um elacionamen o/pe sonagem que se e
come cialmen e, sendo impossí el des inculá-lo do p óp io sis ema que ege nossas elações.
O
quee bai ing
e o
Bu y you gays
(BYG) es ão in imamen e ligados, podendo, os dois, es a em
p esen es na mesma p odução audio isual. No caso de p oduções audio isuais, o
quee bai ing
se e e e
à pe sonagens LGBTQIAPN+ i endo um amo suge ido, mas que nunca se e e i a ealmen e, o que
man ém iel o espec ado LGBTQIAPN+, ao mesmo empo em que a ama não pe de o espec ado
he e ocis. B idges e a a a ques ão do
quee bai ing
elacionada ao opo
Bu y You Gays
além de analisa
a oco ência desses dois emas na sé ie
The 100
, seu e ei o e as eações no público:
Quee bai ing apaga ou ma ginaliza pe sonagens LGBTQ, limi ando sua sexualidade ao ní el
do sub ex o, eliminando-as po comple o ou elegando-as a elações de sexo opos o, apesa
de qualque codi icação quee an e io . De o ma simila , o opo BYG pune esses
pe sonagens apagando-os da na a i a in ei amen e se a ep esen ação ealmen e o além
do sub ex o pa a inclui iden idade quee . Tan o o quee bai ing quan o o BYG ambém punem
o público quee pela suges ão (ou mesmo p omessa) de ep esen ação LGBTQ de qualidade,
apenas pa a e em suas espe anças us adas. (B idges, 2018, p. 116)
Con o me essa colocação, o
quee bai ing
acon ece desde o começo das p oduções, em his ó ias
nas quais pe sonagens LGBTQIAPN+ se em apenas como apoio a pe sonagens hé e os, como alí io
cômico ou mesmo como um amigo eng açado e pa icipa i o que quase oda pessoa, p incipalmen e
mulhe es, gos a ia de e . Pe sonagens que, na maio ia das ezes, não possuem his ó ia p óp ia, nem
61
Canal
Nº
insc i os
Tí ulo do ídeo
Visualizações
To al de
comen á ios
Da a da
pos agem
Isabela Bosco
893 mil
“Hea s oppe : já
ui is e, ago a
que o se eliz”
357 mil
2320
10 maio
2022
Lo elay Fox
1,03 mi
“ASSISTI
HEARTSTOPPER”
161 mil
1898
5 maio
2022
Jessica Ballu
1,03 mi
“HEARTSTOPPER
APERTA ONDE
DÓI – e cu a!”
121 mil
819
5 maio
2022
Gay Ne d
129 mil
“HEARTSTOPPER
e nossa
adolescência
oubada”
37 mil
528
2 maio
2022
Ca ol Mo ei a
939 mil
“HEARTSTOPPER
| Po que ez
an o sucesso?”
30 mil
416
6 junho
2022
PH San os
610 mil
“HEARTSTOPPER:
Assis i ia odos os
dias…”
15.694
156
3 maio
2022
Tabela 2: Dados dos canais selecionados
Fon e: Elabo ação da au o a, 2024
Pa a a análise da ecepção i ual aplicamos, na escolha do público, a écnica que mais se
ap oxima da p opos a da pesquisa: a de amos agem in encional ou po julgamen o que consis e em
“seleciona um subg upo da população, com base nas in o mações disponí eis, que possa se
conside ado ep esen a i o de oda a população” (Minei o, 2020, p. 296). A pa i disso, o ipo de
amos agem u ilizada nos comen á ios oi a não p obabilís ica in encional que “não ap esen a
undamen ação ma emá ica ou es a ís ica e depende, unicamen e, de c i é ios do pesquisado ” (Pessôa
& Rami es, 2013, p. 122) e oco e segundo os obje i os especí icos elencados.
A lei u a dos comen á ios elacionados a cada c í ica
dos you ube s ci ados, o alizou ce ca de
6.172 comen á ios lidos. Desses, oi ex aída uma amos a de 510 com base nos seguin es c i é ios:
a) Assun os eco en es;
b) Complexidade;
c) Con ibuição pa a o deba e;
d) Possibilidade de co elação com os demais comen á ios.
Os emas abo dados em pelos menos ês comen á ios o am planilhados pa a que
pa icipassem da análise. A pa i da cole a dos dados, den o dos c i é ios es abelecidos, pa iu-se pa a
a análise ge al, buscando esponde aos obje i os que di ecionam essa pesquisa.
62
4.2. MÉTODOS DE ANÁLISE DE DADOS
A me odologia u ilizada pa a a pesquisa oi undamen ada no apo e eó ico e na análise
semió ica, bem como na análise de discu so e de con eúdo. Embasada nesses conhecimen os busquei
analisa , de manei a sucin a, as sé ies
The 100
e
Wa io Nun
, pa a e i icação de si uações que sejam
econhecidas como
quee bai ing
ou o opo
Bu y You Gays
, con o me mos ado pela mo imen ação dos
ãs nas edes sociais. Na sequência, oi e a ada a pe cepção sob e a mensagem suge ida a a és dos
signos u ilizados pa a ep esen a , simboliza e/ou ansmi i a ideia cen al da sé ie
Hea s oppe
,
escolhida como obje o p incipal dessa pesquisa.
As cenas o am analisadas p ocu ando-se pon os em comum nos signos que compõem as
imagens. A pa i do con ex o em que apa ecem, buscou-se aça uma possibilidade de ep esen ação
do agmen o de ealidade que se p e ende e a a a a és das sé ies. No caso de
Hea s oppe
ealizou-
se uma análise isual a pa i das co es, elemen os g á icos, mensagem ex ual, signos, me á o a e
exp essão co po al, bem como uma áudio-análise ab angendo as músicas e a linguagem e bal.
Pa a e i ica -se a qualidade da ep esen ação nas sé ies se ão u ilizados os c i é ios
o ganizados na Tabela 3. Des aco no amen e que os c i é ios o am elabo ados a pa i do “Tes e Vi o
Russo” e do “Tes e de Bechdel”, bem como do “Tes e de Rep esen a i idade” de Souza (Souza, 2021),
já ci ados no deco e da pesquisa, e espelham os ques ionamen os da pesquisado a.
EIXO
PERGUNTAS
A ep esen ação
A sé ie/ ilme ap esen a uma ou mais
pe sonagem(ns) LGBTQIAPN+ iden i icá el(is)?
Essa(s) pe sonagem(ns) LGBTQIAPN+ exis e(m)
pa a além da sua o ien ação sexual ou iden idade
de gêne o?
Essa(s) pe sonagem(ns) é/são di e sa(s) em
elação a gêne o, aça e o igem?
Há uma ede de apoio pa a a(s) pe sonagem(ns)
LGBTQIAPN+?
A impo ância
Essa(s) pe sonagem(ns) az(em) pa e do núcleo
cen al?
Caso essa(s) pe sonagem(ns) seja(m) e i ada(s)
da ama, ha e ia um e ei o signi ica i o na
his ó ia?
A(s) pe sonagem(ns) mulhe (es) az(em) pa e do
núcleo cen al? Sua(s) his ó ia(s) é/são
independen es?
Os não-es e eó ipos
Essa(s) pe sonagem(ns) ep oduz(em) os
es e eó ipos de alí io cômico, hipe sexualização,
p omiscuidade ou de gêne o?
O quan i a i o
Quan os pe sonagens LGBTQIAPN+ há na
p odução?
63
Quan as dessas pe sonagens azem pa e do
núcleo cen al?
Há pessoas LGBTQIAPN+ a ás e na en e das
câme as?
Quan as pe sonagens são do gêne o masculino e
eminino no núcleo cen al? Há pe sonagens não-
biná ias ou agêne o? Quan as?
Quan as pe sonagens ans exis em em elação
as pe sonagens cis? Ela(s) az(em) pa e do
núcleo cen al?
Tabela 3: C i é ios pa a Ve i icação da Rep esen ação de Pe sonagens LGBTQIAPN+ na Sé ie
Fon e: Elabo ação da au o a, 2024
U ilizando-se dos c i é ios elabo ados sob e a ep esen ação somados a análise das sé ies oi
ealizada a compa ação en e elas ambém no que se e e e especi icamen e ao elacionamen o en e
as pe sonagens, a a és dos pon os elencados na Tabela 4.
Tabela 4: Le an amen o da Rep esen ação do Relacionamen o en e as Pe sonagens LBTQIAPN+
Fon e: Elabo ação da au o a, 2024
As pe gun as elencadas são c i é ios pa a um maio en endimen o da ques ão da ep esen ação
e da con igu ação do p óp io elacionamen o en e as pe sonagens nas sé ies escolhidas. Após essa
e apa, iniciou-se a análise dos comen á ios ealizada da seguin e o ma: cada you ube selecionado e e
sua c í ica assis ida como base pa a se comp eende os comen á ios; o am obse adas as imp essões
Pe gun as
Hea s oppe
Wa io Nun
The 100
Há o p o agonismo das pe sonagens en ol idas?
De um(a) ou dos(as) dois/duas?
As pe sonagens são complexas, ap o undadas?
Uma ou as duas?
As pe sonagens êm seus p óp ios núcleos den o
da his ó ia? Uma ou as duas?
Iden i ica-se que as pe sonagens são LGBTQIAPN+?
Uma ou as duas?
As pe sonagens possuem di e sidade de
e nia/ aça, co po e iden idade? Uma ou as duas?
O omance en e as pe sonagens é e iden e?
Qual o ipo de con a o/ elação en e as
pe sonagens?
Há algo que iden i ique a p á ica de
quee bai ing
na
his ó ia ou o a dela?
O inal da(s) empo ada(s) analisada(s) ecai no
opo
Bu y You
Gays
(BYG)?
64
de cada you ube e o que a his ó ia ep esen ou pa a eles. P ocu ou-se ap esen a a desc ição do ídeo,
bem como as pe gun as que o(a) you ube ez a quem assis iu a sua c í ica. Os comen á ios con idos
em cada ídeo o am lidos na sua o alidade e, após, ealizou-se a seleção desses comen á ios con o me
os c i é ios an e io men e mos ados. Pa a e e ua a análise de con eúdo dos comen á ios selecionados,
p ocu ou-se elenca emas e pala as eco en es. Os comen á ios nega i os, po ep esen a em uma
pequena pa cela da o alidade dos comen á ios, o am odos u ilizados, o que acili a a sua análise. A
análise dos comen á ios oi escolhida como o ma de pe cebe a ecepção à sé ie
Hea s oppe
de
manei a mais isce al, pois quem es á ali o az po li e e espon ânea on ade, a ando de um assun o
de seu in e esse e de o ma mui o luida/o gânica. A iden i icação dos usuá ios, em pla a o mas como o
You ube, é ge almen e au odecla ada e mui os azem uso de um
nickname
- limi ação que se á abo dada
pos e io men e no capí ulo 9. Ga cia az esse iés sob e pesquisa ao a i ma que “se no pensamen o
quee os sujei os e subje i idades são luídos, ins á eis e se azem con inuamen e, como cole a dados
u ilizando os mé odos cos umei os, como en e is as e ques ioná ios?” (Ga cia, 2012, p. 242). Os
comen á ios são modos de comunicação impo an es pa a discussão de algum ema ou obje o:
[...] comen á ios, em ese, são modos de comunicação ea i os, a alia i os e
con ex ualmen e incados sob e o con eúdo que lhes mo i a – ídeos, o og a ias, ex os,
p odu os come cializados e c. Comen á ios podem se p oduzidos imedia amen e após uma
publicação dispa ado a, mas ambém depois de ho as, dias ou anos, com pode inclusi e de
eacende – no sen ido de o na no amen e isí el – uma celeuma já esquecida. (Bia &
Paschoal, 2020, p. 1054).
A ecepção da sé ie
Hea s oppe
,
pa a o público analisado, se á mensu ada a pa i dos
seguin es ópicos, elacionados a assun os conce nen es ao obje o p incipal:
EIXO
TÓPICOS
Hea s oppe
1. Opinião/Sen imen o/Lemb anças
Rep esen ação
2. Há econhecimen o de ep esen ação posi i a na sé ie?
3. Há alguma compa ação ou suges ão de ou as p oduções a pa i
de
Hea s oppe
? Qual(is)?
4. Hou e iden i icação com algum pe sonagem? Qual?
Sexualidade
5. Há alguma e e ência sob e
come ou
?
6. Há alguma e e ência sob e elacionamen os?
T aumas
7. Há alguma menção sob e bullying ou si uações aumá icas?
Adolescência
8. É azida alguma ques ão e e en e à adolescência?
Tabela 5: Tópicos Relacionados à Recepção da Sé ie
Hea s oppe
Fon e: Elabo ação da au o a, 2024
65
O ma e ial esul an e da análise dos comen á ios se á a ado de o ma indi idual na sua análise
e de manei a única na sua in e p e ação.
O p óximo capí ulo, abo da á as sé ies
The 100
e
Wa io Nun
, sua desc ição, quais os
pe sonagens que compõem a his ó ia e como o elacionamen o en e as pe sonagens LGBTQIAPN+ é
ep esen ado.
66
5. ANÁLISE DE DUAS SÉRIES:
QUEERBAITING
E
BURY YOUR GAYS
?
Pa a essa pesquisa ago uma análise sucin a das sé ies
The 100
e
Wa io Nun
, selecionadas
po possuí em um g ande núme o de ãs que agi a am di e sas edes sociais, mo imen a am
comunidades e
andoms
, ao aze
discussões sob e ep esen ação LGBTQIAPN+, com menções a
quee bai ing
e
Bu y You Gays
(Co e & Milne, 2023). Essa mo imen ação mos a a o ça do público e
apon a pa a uma possibilidade de modi ica de o ma mais e icaz essa his ó ia de ep esen ações
nega i as e inadequadas, mas que se iam e ainda se em a um p opósi o.
Após a obse ação das cenas co esponden es, ocada p incipalmen e na in e ação das
pe sonagens Cla ke e Lexa (
The 100
) e A a e Bea ice (
Wa io Nun
), oi ealizada, espec i amen e, a
análise dos momen os conside ados signi ica i os pa a o desen ol imen o do elacionamen o e o
en endimen o das pe sonagens LGBTQIAPN+. Em seguida oi ei a a análise ge al de cada sé ie, pa a
que se possa pe cebe o que le ou os ãs a econhece em aspec os de
quee bai ing
e o
opo Bu y You
Gays
(BYG), bem como a aplicação dos C i é ios de Rep esen ação da sé ie e do p óp io elacionamen o
en e as pe sonagens LGBTQIAPN+.
5.1.
THE 100
“Ju o- e idelidade Cla ke kom Skaik u. As uas necessidades se ão as minhas e o eu po o se á o meu”
Decla ação de Lexa, ajoelhada em en e à Cla ke (T2E15)
Figu a 4: Banne da sé ie The 100
Fon e: Si e This Go My A en ion Today
47
, 2024.
A sé ie
The 100
(The CW, 2014-2020) é uma sé ie de icção cien í ica c iada po Jason
Ro henbe g, baseada no li o homônimo de Kass Mo gan. A sín ese exis en e no si e do P ime Vídeo
48
in o ma “pa a impedi a ex inção da humanidade, um g upo de 100 p isionei os ju enis é exilado em
47
Re i ado de h ps:// hisgo mya en ion oday.wo dp ess.com/2016/03/05/a -imi a es-li e-lessons- om- he-100/
48
Re i ado de h ps://www.p ime ideo.com/ egion/na/de ail/0OFL7RJBJ9JPM2PP93VXXMBHIL/ e =a _dp_season_selec _s1
67
seg edo a pa i da A ca pa a e i ica se a a mos e a é no amen e acei á el pa a se es i os. Assim, os
jo ens he dam a Te a”. Esses 100 adolescen es, po e em indo do espaço são chamados de
po o do
céu
ou
Skaik u
, enquan o o po o que i e na supe ície da e a, o mado po 12 clãs; uni icados sob a
lide ança da
Commande
Lexa – a “Heda” -
,
são chamados de
e es es
ou
G ounde s
. Conside o que
o núcleo cen al é o mado po 10 pe sonagens, endo Cla ke (Eliza Taylo ), como p o agonis a.
5.1.1. Sinopse da Tempo ada 2
Os memb os dos 100 en en am pe igos e dilemas mo ais na e o mulação de oda uma
sociedade. Os
G ounde s
(Lexa) e os
Skaik u
(Cla ke) se unem e elabo am um plano pa a sal a seus
amigos p esos no Mon e Wea he . A empo ada abo da o emba e en e po os di e en es em busca da
sob e i ência e en a i as de coexis ência, bem como o choque de cul u as e o papel de lide ança.
Figu as 5 e 6: Dois momen os de Lexa
Fon e: A qui os do Pin e es
49
, 2024
Cla ke e Lexa
T2E6 - Né oa de Gue a
: a apa ição de Lexa oi mui o impac an e pa a os ãs. Uma mulhe no
comando de doze clãs, uma gue ei a a qual os maio es gue ei os de seu po o se cu a am. A p incípio,
o público nada sabia sob e “o
” commande
– se não con a mos os
spoile s
que semp e chegam a a és
das edes sociais. Nesse episódio emos uma amos a do s a us e da o ça de Lexa sob e seus
comandados.
T2E7 - Po mui o empo no abismo
: Cla ke conhece Lexa ao en a na enda da
commande
, no acampamen o mon ado p óximo ao seu. É quando Lexa diz pa a Cla ke " oi ocê que
queimou i os 300 dos meus gue ei os". A in enção de Cla ke é aze uma p opos a que cesse o a aque
49
Re i ado de h ps://b .pin e es .com/pin/146859637838151534/ e h ps://b .pin e es .com/pin/489344315751375481/
68
iminen e. Nas cenas, de ido aos diálogos e aos olha es de Lexa pa a Cla ke é possí el pe cebe uma
ce a admi ação po pa e da
commande
pela o ma como Cla ke conduziu as negociações en e os
po os.
T2E 8 - Caminhan e no Espaço
: quando Lexa nega o pedido de Cla ke pa a subs i ui Finn - que
se ia mo o po e ei o uma chacina em uma aldeia G ounde -, ela ê o cho o de Cla ke, e é nesse
momen o que pe cebemos que isso a e a Lexa.
T2E9 - Lemb e-se de Mim
: elas es ão lado a lado
obse ando as cinzas de Finn e Lexa con idencia: “ ambém pe di alguém que e a especial pa a mim”,
sua oz pa ece eme “chama a-se Cos ia”. Cla ke olha pa a ela “ oi cap u ada pela Nação do Gelo cuja
ainha acha a sabe os meus seg edos”. A câme a oca no seu pe il e ela con inua “como ela e a
minha... eles o u a am-na”, seu pei o sobe e desce pesadamen e. A câme a es á p óxima à Cla ke
ago a e Lexa p ossegue “ma a am-na. Co a am-lhe a cabeça”, seus olhos icam asos de lág imas.
Figu a 7: Lexa ala pa a Cla ke sob e Cos ia
Fon e: Si e The 100 Wiki Fandom
50
, 2024
T2E10 - Sob e i ência do mais ap o
: após uma eunião sob e o a aque a Mon e Wea he , Cla ke
é ag edida po um dos homens de Lexa. A
commande
o a inge com uma aca e ala: “a aca a ela é
a aca a mim”. Em Camp Jaha/A kadia, local onde i em os
Skaik u
, Lexa deixa um de seus homens
enca egado de p o ege Cla ke acima de qualque coisa.
O Ciúme
T2E14 - O Gua da-cos as de men i as
: Cla ke e Lexa es ão na enda dessa úl ima e con e sam
sob e es a égias pa a um a aque aos mon anheses. Quando Cla ke demons a p eocupação com a
p esença de Bellamy em Mon e Wea he , ê-se uma mudança no semblan e de Lexa que es á de cos as
pa a ela “gos as dele”, diz. Cla ke esponde “eu gos o de odos eles”, Lexa se i a e e uca “mas
50
Re i ado de h ps:// he-100-b asil. andom.com/p -b /wiki/
69
p eocupa- e mais com ele”. Pe cebemos essa ala e as exp essões de Lexa como sinal de um possí el
ciúme, ou, no mínimo, um descon o o com o que Cla ke sen e po Bellamy.
A B iga
T2E14:
Cla ke discu e com Lexa “dizes que e sen imen os me o na aca, mas u é que és
aca, po e esconde es deles. Posso se hipóc i a Lexa, mas u és uma men i osa. (...) Que es que odos
pensem que és supe io a isso udo, mas a mim não enganas”. Enquan o ala, Cla ke se ap oxima cada
ez mais de Lexa, que ai ecuando a é encos a em uma mesa, desconce ada. Elas icam mui o
p óximas uma da ou a e Lexa ala en eden es “ o a daqui”, Cla ke insis e lemb ando sob e a aldeia da
qual as duas ugi am “duzen os e cinquen a pessoas mo e am naquela aldeia. Sei que sen is e essa
pe da, mas deixas e-os a de ”. Ao que Lexa esponde, emocionada “não odos” “a i não”. Podemos
pe cebe um momen o de ensão sexual, de in ensidade en e as duas.
Figu a 8: Cla ke discu e com Lexa
Fon e: Tumbl
51
, 2024
O Beijo
Ainda no
T2E14
, Cla ke se desconce a com o olha e a ala de Lexa. Logo, Lexa manda chama
Cla ke e diz-lhe que con ia nela “pensas que os nossos cos umes são du os. Mas é assim que
sob e i emos”. Cla ke e uca “ al ez a ida não de a se apenas sob e i e , não me ecemos melho
que isso?”. “Tal ez me eçamos”, conco da Lexa pensa i a, olha ixo nos lábios de Cla ke. Lexa se
ap oxima e a beija. Cla ke co esponde, mas depois in e ompe o beijo e diz “lamen o, eu... não es ou
51
Re i ado de h ps://acidglue234. umbl .com/pos /142607523632/lexa-lo es-cla ke-analysis-pa -1
70
p on a pa a es a com alguém”. Dian e do olha de Lexa, Cla ke comple a “ainda não”. Há um g ande
signi icado nessa cena. A ase de Cla ke deixa uma possibilidade u u a.
Figu as 9 e 10: Lexa obse a os lábios de Cla ke e acon ece o beijo en e as duas
Fon e: Tumbl
52
, 2024
5.1.2. Sinopse da Tempo ada 3
T ês meses após os acon ecimen os no Mon e Wea he e a aição de Lexa aos
Skaik u
, Cla ke
– que se o nou a “Wanheda”, a Comandan e da Mo e - es á sendo caçada po alguns
G ounde s
, pois,
segundo a c ença local, quem ma a a “Wanheda” consegue domina a mo e.
O Reencon o
T3E2 - “Wanheda”, pa e 2
: ao sabe que Cla ke es a a sendo caçada, com o in ui o de p o egê-
la, Lexa az um aco do com Roan (Zach McGowan), p íncipe de
Azgeda
, a Nação do Gelo, pa a que ele
aga Cla ke a é ela na capi al. A coligação es á p es es a se des uída e Lexa que Cla ke ao lado dela,
como “Wanheda”, mas quando Lexa se ap oxima de Cla ke, essa, u iosa, cospe em seu os o.
A Decla ação
T3E3 – Vós que en ais aqui
: após a ce imônia em que Cla ke e seu po o se o nam o 13º clã
sob o comando de Lexa, essa ai a é o qua o de Cla ke e se ajoelha aos seus pés "ju o- e idelidade,
Cla ke kom Skaik u. As uas necessidades se ão as minhas e o eu po o se á o meu". Cla ke lhe es ende
a mão e seus olhos se encon am.
52
Re i ado de h ps://acidglue234. umbl .com/pos /142607523632/lexa-lo es-cla ke-analysis-pa -1
77
O
quee bai ing
mencionado nas mídias oco eu pois, além do empo p olongado pa a que o
elacionamen o se conc e izasse en e as pe sonagens (enquan o ou os elacionamen os se o ma am
apidamen e), a p óp ia equipe, encabeçada pelo c iado , alimen a a a ilusão dos ãs nas edes, o que
pode se pe cebido ao e o ça em a p esença de Lexa, mesmo com a mo e dela já endo sido g a ada,
com comen á ios da equipe e o os de momen os das ilmagens (Cole i, 2017). Possi elmen e po e em
pe cebido o impac o e a o ça da pe sonagem pa a o público e sua impo ância na p óp ia na a i a,
Lexa oi “ azida” de ol a em alguns episódios após sua mo e, mas mesmo assim o público não se
deixou con ence . Os ãs u iliza am nas edes a #LGBT ansdese ebe e e as ases “CW usou ãs
LGBT”, “Mino ias não são desca á eis” e “Alycia que ia ol a ” (Blues, 2018).
A mo e da pe sonagem Lexa em
The 100
pode se conside ada undamen al den o da
mo imen ação dos ãs, pois deu início a uma onda de mudanças a pa i de suas ações, en e elas as
campanhas #LexaDese edBe e
59
, #FansDese edBe e
60
, bem como a inicia i a de a ecadação de
undos pa a o The T e o P ojec
61
, uma o ganização sem ins luc a i os que abalha pa a p e eni
suicídios de pessoas LGBTQIAPN+. Além disso, “como esul ado das eações in lamadas de ãs,
legi imamen e decepcionados, um g upo de mulhe es da sé ie canadense ‘Sa ing Hope’ se uniu pa a
c ia o Lexa Pledge, uma p omessa esc i a pa a a a pe sonagens LGBTQ com espei o” (San os, 2016,
§1). Hou e ambém mudanças na u ilização de e mos e nomencla u a na o ma como são emp egados
a ualmen e, inspi ando ainda ou as ei indicações, como mos a o í ulo da ma é ia no si e
Va ie y
:
“Wha TV Can Lea n F om ‘The 100’ Mess” - O que a TV pode ap ende com a bagunça de ‘The 100’
(Ryan, 2016).
Ao e -se dado con a do que ha ia acon ecido, Ro henbe g elencou a o es que a e am sob e udo
adolescen es LGBTQIAPN+ e que mos am a impo ância da ep esen ação posi i a no audio isual. Os
mesmos já disco idos no deco e dessa pesquisa: disc iminação, dep essão, ideação suicida, al a de
opo unidade pa a pessoas LGBTQIAPN+, sob e udo mulhe es, e an os ou os. Apesa desse
econhecimen o, Ro henbe g esqueceu de um pon o mui o o e que se e e e à espe ança: a negação
da possibilidade de i e um amo . Uma impossibilidade na cons ução de a e os.
59
Re i ado de h ps:// ha s-no mal.com/2018/03/lexa-s ill-dese es-be e -a- an-led-mo emen -ca ies-on- wo-yea s-la e /
60
Re i ado de h ps:// a ie y.com/2016/ /opinion/ he-100-lexa-jason- o henbe g-1201729110/
61
Re i ado de h ps:// a ie y.com/2016/ /opinion/ he-100-lexa-jason- o henbe g-1201729110/
78
5.1.4. C i é ios pa a Ve i icação da Rep esen ação de Pe sonagens LGBTQIAPN+ na Sé ie
The 100
EIXO
PERGUNTAS
The 100
A ep esen ação
A sé ie/ ilme ap esen a uma ou mais pe sonagem(ns)
LGBTQIAPN+ iden i icá el(is)?
Sim.
Essa(s) pe sonagem(ns) LGBTQIAPN+ exis e(m) pa a além da
sua o ien ação sexual ou iden idade de gêne o?
Sim.
Essa(s) pe sonagem(ns) é/são di e sa(s) em elação a
gêne o, aça e o igem?
Sim.
Há uma ede de apoio pa a a(s) pe sonagem(ns)
LGBTQIAPN+?
Sim.
A impo ância
Essa(s) pe sonagem(ns) az(em) pa e do núcleo cen al?
Sim.
Caso essa(s) pe sonagem(ns) seja(m) e i ada(s) da ama,
ha e ia um e ei o signi ica i o na his ó ia?
Sim e não.
A(s) pe sonagem(ns) mulhe (es) az(em) pa e do núcleo
cen al? Sua(s) his ó ia(s) é/são independen es?
Sim. Sim.
Os não-
es e eó ipos
Essa(s) pe sonagem(ns) ep oduz(em) os es e eó ipos de
alí io cômico, hipe sexualização, p omiscuidade ou de gêne o?
Não.
O quan i a i o
Quan os pe sonagens LGBTQIAPN+ há na p odução?
5.
Quan as dessas pe sonagens azem pa e do núcleo cen al?
1/10.
Há pessoas LGBTQIAPN+ a ás e na en e das câme as?
Não sabemos.
Quan as pe sonagens são do gêne o masculino e eminino no
núcleo cen al? Há pe sonagens não-biná ias ou agêne o?
Quan as?
F: 4 e M: 6
NB: 0 e AG: 0
Quan as pe sonagens ans exis em em elação as
pe sonagens cis? Ela(s) az(em) pa e do núcleo cen al?
0/10.
Tabela 6: C i é ios pa a Ve i icação da Rep esen ação de Pe sonagens LGBTQIAPN+ na Sé ie
Fon e: Elabo ação da au o a, 2024
Pe gun as
The 100
1. Há o p o agonismo das pe sonagens en ol idas? De um(a) ou dos(as)
dois/duas?
Sim.1.
2. As pe sonagens são complexas, ap o undadas? Uma ou as duas?
Sim. 2.
3 As pe sonagens êm seus p óp ios núcleos den o da his ó ia? Uma ou as duas?
Sim. 2.
4. Iden i ica-se que as pe sonagens são LGBTQIAPN+? Uma ou as duas?
Sim. 2.
5. As pe sonagens possuem di e sidade de e nia/ aça, co po e iden idade? Uma
ou as duas?
Não.
6. O omance en e as pe sonagens é e iden e?
Somen e no inal.
7. Qual o ipo de con a o/ elação en e as pe sonagens?
En ol imen o.
8. Há algo que iden i ique a p á ica de
quee bai ing
na his ó ia ou o a dela?
Sim. Fo a das elas.
9. O inal da(s) empo ada(s) analisada(s) ecai no opo
Bu y You
Gays
(BYG)?
Sim.
Tabela 7: Le an amen o da Rep esen ação do Relacionamen o en e as Pe sonagens LBTQIAPN+
Fon e: Elabo ação da au o a, 2024
79
5.2.
WARIOR NUN
“Es a ei com ocê em cada passo”
Bea ice pa a A a (T1E9)
Figu a 18: Banne da sé ie
Wa io Nun
Fon e: Si e da Ne lix
62
, 2024
A sé ie
Wa io Nun
(2020-2022) é uma sé ie de ação e an asia c iada po Simon Ba y -
inspi ada na
g aphic no el
“Wa io Nun A eala”, de Ben Dunn - cuja sín ese exis en e no si e da Ne lix
63
in o ma: “Uma jo em aco da numa mo gue e descob e que em os supe pode es da po ado a do Halo,
o que az dela a escolhida numa sociedade sec e a de ei as que caçam demônios”.
5.2.1. Sinopse da Tempo ada 1
A a (Alba Bap is a), e a uma jo em e aplégica que, ao ecebe o Halo, e i e e ecupe a os
mo imen os. A jo em é um an o inc édula seja sob e ins i uições eligiosas ou a p óp ia exis ência de
Deus. A a só que se di e i e ap o ei a a segunda chance de i e .
A a e Bea ice
T1E2 - P o é bios 31:25 -
A a é emoção, enquan o Bea ice (K is ina Ton e i-Young) é azão. A a
e Bea se conhecem
. T1E3- E ésios 6:11
: no e ei ó io, A a se sen a ao lado de Bea analisando suas
exp essões. Momen os depois, elas con e sam e A a obse a Bea p o undamen e, enquan o ela con a
que seus pais são diploma as na Ingla e a, conse ado es e p eocupados com a apa ência “eu não
seguia as no mas, en ão me manda am pa a um in e na o ca ólico”. A a diz que há mais do que ela
es á con ando. Bea em pé ao lado de A a, baixa os olhos, se ap oxima ainda mais e esponde “semp e
em mais.” A a le an a o os o e seus olhos se encon am. É o p imei o con a o mais p óximo das
62
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63
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80
pe sonagens. Aqui é mos ado que Bea az algo que mui os não sabem o que é. E nos indagamos como
ela não seguia as no mas se ela apa en a a se a mais disciplinada de odas as
wa io nun
.
Figu a 19: A con e sa en e A a e Bea sob os olhos dos ãs
Fon e: Pla a o ma Y img
64
, 2024
O Diá io
T1E8 - P o é bios 14:1 -
A a ecupe a um diá io das
wa io nun
que Shannon ha ia escondido.
Bea lê a his ó ia com a enção. No diá io, a Wa ion Nun Melanie con a que ha ia se o nado po ado a
do Halo quando escapou do campo de concen ação de Dachau. A a pe gun a como ela podia se judia
e ei a. Bea explica “pe seguiam as pessoas po se em di e en es. Não só judeus.” Ela olha ápido pa a
A a “ela e a lésbica.” Bea lê um a o na ado no diá io. Ao la ga o diá io em cima da mesa de cen o,
ela cho a e dá um longo suspi o. Fala pa a A a “minha ida in ei a, en a am me aze se algo que não
sou. Me aze se ‘no mal’ ou, no mínimo, ‘ ole á el’. Eu me e sei em an as coisas só pa a ainda e
algum alo apesa dos meus de ei os, ou do que me ensina am que e am de ei os. É ób io que en ei
me adequa ..., mas quando se é punida só po se di e en e, começa a se odia o que se é. E o que
ama, o que de e ia da elicidade... só az do ”. A a esponde “não odeie o que ocê é. É lindo o que é.
Lamen o a sua do ”.
No episódio 9 - Co ín ios 10:4 -
quando A a consegue e mina um es e mui o
di ícil, Bea a ab aça e oca seu os o, olhando-a nos olhos ala “ ocê conseguiu”. “G aças a ocê” A a
esponde. Bea dis a ça e piga eia ao dize “es a ei com ocê em cada passo”.
Impo an e menciona que, nas edes sociais, os ãs pos am cenas das sé ies
The 100
e
Wa io
Nun
com diálogos mui o pa ecidos en e as p o agonis as.
64
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81
Figu as 20 e 21: Bea e A a no momen o do diá io e do es e
Fon e: Si e Guia Mundo Mode no
65
, 2024
Figu as 22 e 23: A a e Bea na cena do beijo e da dança
Fon e: Pin e es
66
, 2024
5.2.2. Sinopse da Tempo ada 2
As i mãs são aídas e A a acaba sendo usada pa a libe a um au odenominado p o e a
chamado Ad iel (William Mille ) que que domina o mundo. Uma ba alha en e as
wa io nun
e Ad iel
esul a na mo e de Ma y (Toya Tu ne ) e na dispe são do g upo. Ago a A a es á em um ila ejo na Suíça
jun o com Bea ice, onde busca esconde sua e dadei a iden idade enquan o eina com a inco sob a
supe isão de Bea.
A Dança
T2E1- Gála as 6:4-5 -
A a e Bea es ão escondidas na Suíça, abalhando em um ba . A a sobe
pa a ala com Bea “não p ecisa se semp e pe ei a”, b inca e lhe dá um beija no os o. Quando A a
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sai, Bea, sozinha, dá um suspi o êmulo. À noi e, A a embebeda Bea e elas dançam mui o p óximas.
Ambas se olham e icam de mãos dadas enquan o dançam. Em um desses momen os da dança a
câme a mos a o olha “encan ado” de A a, com os lábios en eabe os enquan o olha pa a Bea
dançando. Pe cebe-se que ali, mesmo sob o e ei o do álcool, A a se dá con a de que sen e algo mais.
Figu a 24: A a obse a Bea dançando
Fon e: Reddi
67
, 2024
A União
T2E2 - P o é bios 31:25
- no ba onde elas abalham, Bea es á sen ada em uma das mesas e
obse a A a no balcão já há algum empo. Uma mulhe pe gun a se Bea es á sozinha e se sen a a seu
lado “es ou e endo olha pa a ela [A a] há 20min. Você de e que e algo dela”. Depois da espos a de
Bea, a mulhe ala “ ambém enho uma amiga assim”. A a, de ca a eia, assis e a con e sa delas. A
mulhe se ap oxima mais “deixo bem cla o pa a ela que ela não é a única amiga do mundo”. Olha Bea
de cima a baixo. Bea esponde “E se ela o ?”, a mulhe ape a sua emen e o b aço de Bea e a ca a de
A a ica ainda pio . A mulhe ala como ê Bea “pa edes den o de pa edes e, no cen o, um ogo
queimando pa a se li e”, encos a o indicado no pei o dela. A mulhe ê que A a as obse a e ala algo
no ou ido de Bea, so indo suges i amen e. A exp essão “azeda” de A a deixa e iden e o que ele es á
sen indo.
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Em uma cena pos e io , quando A a cai de um p édio, Bea g i a e a ab aça aos p an os “po
a o não me deixe, não que o que mo a”. As duas so iem uma pa a a ou a e se ab açam. A a
esponde “não podem nos ence Bea. Jun as não” Bea aca icia o os o de A a “eu sei disso” conco da.
Figu as 25 e 26: A a e Bea na cena da queda
Fon e: Si e Reddi
68
, 2024
O Beijo
T2E8 - Je emias 29:13 -
nos momen os inais do episódio, quando A a se p epa a pa a lu a , ela
diz pa a Bea “as coisas mudam quando ocê pe cebe que não é o oco de udo. Es ou azendo isso p a
ocê i e . En ão i a, ok?”. Bea esponde com os olhos cheios de lág imas “não ou. Não posso”. Elas
se beijam.
Figu as 27 e 28: A a e Bea se beijam
Fon e: Si e Reddi
69
, 2024
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O Fim
T2E8
- A a es á e ida e Bea a le a ao a co (uma passagem pa a ou as dimensões). A a ala
pa a Bea “me deixe i .” Bea conco da “Seja li e”. Na cenas pós-c édi os, Bea es á pensa i a p óxima à
espada que pe encia a A a enquan o Wa io Nun. A mad e ala com ela sob e o einamen o das
no a as, mas Bea la ga o hábi o e sai so indo do con en o. Onde ela es a a a espada de di inium b ilha,
mos ando a p oximidade da Wa io Nun.
Figu as 29 e 30: A a se decla a pa a Bea an es de pa i
Fon e: Si e Reddi
70
, 2024
5.2.3. Análise Ge al de
Wa io Nun
O cená io que se es abeleceu depois da sé ie
The 100
ainda hoje em dia se e de exemplo pa a
ãs de ou as sé ies, como oco eu com
Wa io Nun.
A sé ie e e uma in ensa pa icipação dos ãs nas
edes e ouxe á ias discussões ace ca do
quee bai ing
e
BYG
já na empo ada 1, a a és do
elacionamen o en e as pe sonagens A a e Bea ice. Após seu cancelamen o pela Ne lix, depois da
empo ada 2, a mo imen ação se in ensi icou com a campanha #Sa eWa io Nun que chegou aos
ending opics
do an igo Twi e , hoje X. Uma p essão que acabou ocasionando mudanças impo an es:
Em junho des e ano, o show unne Simon Ba y anunciou que o es o ço dos espec ado es
e e esul ado e que a sé ie ha ia sido sal a. [...] um ídeo publicado pelo si e
Wa io Nun
Sa ed
, o p odu o [o p odu o -execu i o Dean English] con i mou que a his ó ia da a ação
e á uma con inuação di idida em ês longa-me agens. (Cha leaux, 2023, n.p.,
ên ase da au o a)
A dinâmica da análise sob e essa sé ie compa adamen e a
The 100
é di e en e, p incipalmen e
pela sua a ualidade. A sé ie e e suas duas empo adas exibidas pela Ne lix en e 2020 e 2022,
enquan o os acon ecimen os en e Lexa e Cla ke oco e am em 2015 e 2016, o que pe mi e bas an e
empo pa a p odução de es udos e pesquisas.
70
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85
Figu as 31 e 32: Campanha #Sa eWa io Nun
Fon e: Pla a o ma X (an igo Twi e )
71
, 2024
Wa io Nun
se passa p incipalmen e na Espanha e êm pessoas que a uam de di e en es e nias
e nacionalidades, inclusi e po uguesa (Alba Bap is a, como A a, e Joaquim de Almeida, como ca deal
Du e i e, depois, como o Papa). Uma sé ie cujas pe sonagens p incipais são ei as e que c i ica
o emen e a eligião, o cle o e a Ig eja Ca ólica, bem como os undamen os nos quais ela es á
“sac amen ada” e seus mecanismos de pode . A sé ie mos a como é ácil manob a , iludi , ludib ia
pessoas que que em se sal a a qualque cus o, pois no inal, em odos os pon os, ac edi amos naquilo
que que emos. No deco e dos episódios, á ias pe sonagens são “usadas”, em di e en es momen os
e de aco do com suas ca ac e ís icas, pa a e ela um lado somb io das ins i uições. As c í icas não se
a êm apenas a eligião, mas ambém ao sis ema e a p óp ia humanidade.
Wa io Nun
ambém abo da a ques ão das esponsabilidades que nos são impos as mesmo que
não quei amos ou que não es ejamos p epa ados pa a elas. E o quan o, mui as ezes, é di ícil nos
sen i mos à on ade na nossa p óp ia pele. A pe sonagem A a nos az a aleg ia de i e , de
expe imen a , de se encon a em si mesma e Bea nos mos a que nada impo a mais do que aquilo que
somos. Fugi ou apaga o que somos é uma o ma de iolência con a nós mesmos que deixa cica izes
p o undas. Assim como em
The 100, em Wa io Nun
ambém são mulhe es que coo denam as ações.
A di e ença es á em que, como o núcleo cen al é compos o po ei as, ob iamen e há mais pe sonagens
emininas. Du an e odo o empo emos que elas não es ão sós, en e elas há uma i mandade que
ul apassa o con en o. Ma y, em um momen o com A a, ala que ela não e a a única com cica izes, que
odas as ei as inham um passado e que se ela se impo asse mais, sabe ia. Du an e a his ó ia, mui as
mulhe es iam pa a con en os e acaba am po i a em ei as po di e en es mo i os: uga de um
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86
casamen o a anjado, ep essão dos pais e a é mesmo a sua p óp ia sexualidade (Caldei a, 2021).
Mesmo a maio ia das pe sonagens sendo ei as, há uma espécie de econhecimen o das elações, caso
de Ma y e Shannon. Ma y não ez os o os, mas a na a i a nos le a a c e que ela es a a en ol ida com
alguém que ha ia ei o, no caso, Shannon (Melina Ma hews).
Na sé ie há á ios a qué ipos emininos: Deusa – Reya (And ea Ti ada ); Mundana – A a;
P o esso a/Men o a – Mad e (Syl ia De Fan i); Cien is a e mãe – Jillian (Thekla Reu en); Gue ei a –
Ma y; Dis up i a – Bea ice, Religiosa – Camila (Oli ia Delcán) e Ambiciosa – Lili h (Lo ena And ea). As
mulhe es es ão na lide ança, não são casadas, não p ecisam de homens pa a aze em o que que em.
As mães são mui o ci adas, mas em casos de pe da: JC (Emilio Sak aya) pe deu a mãe doen e; Ma y
em a mãe p esa; na aldeia em que Ma y e Bea pa am um dos aldeões ala na esposa mo a; K is ian
(Pe e de Je sey) ambém ala na mãe mo a e a p óp ia A a, po azão do aciden e que so eu, pe gun a
apenas pela mãe. Jillian ep esen a a sepa ação do mundo eal do espi i ual. Da iluminação pelo
conhecimen o de um mundo em busca de descob i seus limi es. Uma cien is a que ê a união en e a
ciência e a eligião e cujas a i mações plan am dú idas a é mesmo en e as ei as. Há á ias alas dessa
pe sonagem e e en es ao con ole sob e as mulhe es “o in e no... é um concei o c iado po homens
pa a subjuga as massas, especi icamen e as mulhe es” (T1E4). A pe sonagem ep esen a ambém a
lu a pa a se mãe e o que somos capazes de aze po nossos ilhos, ilhas e ilhes.
Na sé ie as mulhe es não aem, elas se p o egem, mas odas são aídas pelos homens em
di e en es aspec os. A única que di e e das ou as ei as é Lili h - mi ologicamen e ida como p imei a
mulhe de Adão -, que po ezes age de o ma egoís a, mui as ezes manipulada po alguns dos homens
da his ó ia, o que acaba po apaga a o ma como ela é de inida po algumas eó icas “[...] como pa e
do discu so eminino pós-mode no con a o pa ia cado” (Sil a, 2012, p. 7). A eligião é simbolizada po
qua o homens: o pad e Vicen (T is án Ulloa), um aido das ei as que depois se a epende; o
ca deal/papa Du e i, um eligioso de ações dúbias; Ad iel, o also p o e a e K is ian, um ca ólico que
depois se desilude e no deco e da his ó ia o na a se c édulo. Todos eles êm a i udes du idosas e que
cus am a ida de ou as pessoas, p incipalmen e mulhe es. Na lu a con a Ad iel, no inal da empo ada
1, A a es á “ eca egando” o Halo e qua o das
wa io nun
lu am con a ele, o que pe cebemos se
mui o simbólico. Essas mulhe es, sem pode es, somen e com suas his ó ias, sem p i ilégios, mas jun as,
lu am con a um homem, supe pode oso, com seus p i ilégios, que que aze ale sua e dade. Em
ce o sen ido, a cena pa eceu se e e i não somen e a um homem em si, mas as ca ac e ís icas do
pa ia cado que ele ep esen a, uma es u u a que op ime as mulhe es que, jun as, podem des uí-lo.
93
Figu a 34: Núcleo cen al da ama, al a Isaac
Fon e: Pe il do Hea s oppe ases
77
no Ins ag am, 2024
A adap ação do ol. 1: Dois Ga o os, Um Encon o e do ol. 2: Minha pessoa a o i a das
G aphic
No els
pa a essa ou a linguagem, e e pa e de sua ecepção posi i a de ida aos signos escolhidos e
que se o na am isí eis em seu signi icado pa a o público, “o que no ámos ambém é que odos esses
signos (icónicos, plás icos, linguís icos) são ealmen e signos po que não es ão lá po si mesmos, mas
pa a p oduzi sen ido, mó el, i o, semp e deslocado, a pa do que eles nos p opõem pe cebe de início”
(Joly, 2005, p. 178).
Alice Oseman, que esc e eu e o ei izou
Hea s oppe
, ela a que esc e eu “a his ó ia que
gos a ia de e lido quando adolescen e. Todos me ecem o empo, o apoio e o espaço necessá ios pa a
en ende seu sen imen o e sua iden idade” (Oseman, 2021, p. 318). A au o a az pa e da comunidade
LGBTQIAPN+., o que explica mui o do cuidado com os assun os a ados na sé ie, em oda a cons ução
psicológica dos pe sonagens, da his ó ia e da subje i ação, o que mos a a impo ância do
quee gaze
nes e caso. As au o as Sa me e Bal a disco em sob e a impo ância desse ipo de olha que “como se
pudesse ab i uma enda empo al e co po al na his ó ia, o olha quee oca nossas en anhas e nos
conec a com sensações do passado e de um u u o que ainda não conhecemos, mas já pa ece melho ”
(Sa me & Bal a 2016, p. 65). Sensações essas que se mos am nos p óp ios comen á ios sob e a sé ie.
A bissexualidade, no caso masculina, é abo dada o emen e a a és da pe sonagem Nick, uma
ques ão que ainda susci a mui as dú idas em pessoas que ge almen e pensam que a bissexualidade
77
Re i ado de h ps://www.ins ag am.com/p/Cc2x2-dOiZY/
94
em ínculo di e o com a p omiscuidade, com a con usão de sen imen os ou que é apenas uma ase
(Weinbe g, Williams & P yo , 1994). A sé ie, mesmo ao aze os p oblemas en en ados pela
comunidade LGBTQIAPN+, du an e o desen ol imen o da his ó ia o az de o ma le e, since a e a e uosa,
e ocando a descobe a de no as possibilidades (Sil a, 2022). Mui os si es, colunis as e in luenciado es
compa ilham dessa ideia sob e a sé ie:
O que se segue é uma das mais omân icas e ancas abo dagens a um p imei o amo , ão
posi i a e eple a de luz que é capaz de deixa odos os que eêm – do adolescen e pa a
quem o con eúdo oi pensado a é aos seus pais – me gulhados em sen imen os de
en e necimen o pu o. Acima de udo, “Hea s oppe ” é uma sé ie adolescen e com al a de
an agonismos, d ogas e es as decaden es ou e dadei as desg aças – e que lu ada de a
esco depois do pesadelo es ilizado de “Eupho ia“. (Sil a, 2022, n.p., ên ase do au o )
Apesa de e cenas que podem se chamadas de clichês em his ó ias omân icas, de emos
obse a que esse ipo de abo dagem, com esse alcance, ainda não inha sido o e ecida ao público
LGBTQIAPN+.
Hea s oppe
mos a que his ó ias de amo com pe sonagens LGBTQIAPN+ podem i po
caminhos dis in os e con empla um ou o pe il de público, que pede e se iden i ica com his ó ias como
essa. Todos, odas e odes de em e o di ei o de conhece his ó ias com os quais se sin am
ep esen ados, como e le e a you ube Lo elay Fox, que e á os comen á ios sob e sua c í ica a
Hea s oppe
analisados pos e io men e:
En ão eu ico pensando que, p as pessoas que em 15 anos, que são adolescen es hoje em
dia, e em uma sé ie como Hea s oppe p a se inspi a , p a sonha e p a e em que ‘Pu z,
a gen e pode e , assis i ilmes bobos, sob e amo es pla ônicos, sem en a c ia uma g ande
ques ão em cima de nada disso, onde a maio ques ão é: se á que eu mando uma mensagem
ou não? Se á que eu segu o a mão dele du an e o in e alo ou não?’, sabe? É mui o mágico,
de e se mui o mágico se no inho e pode pa ilha de uma sé ie dessas. (Canal Lo elay
Fox, 2022)
Há na sé ie um abalho en e ex o, imagem, música, exp essão co po al, en e ou os signos,
que azem signi icado, ansmi em a ideia o iginal e dão sen ido global à ob a. Sil a des aca que
“Hea s oppe – em oda a sua simplicidade de en edo – é belo, posi i o, o og a ado e ilmado com um
cuidado in enso pa a que oda a coesão es é ica con ibua pa a a c iação de um e dadei o
eenage
d eam quee
” (Sil a, 2022, n.p., ên ase do au o ). Des a o ma, p ocu ei abo da esses aspec os que
o am obse ados na análise e que consis i am em uma signi icação que possibili a pe cebe a
mensagem que a sé ie que aze ao seu público. Segui ei esse pa âme o, pois que odos esses
elemen os que cons i uem signi icado e con ex ualizam a ama “são po ado es de signi icação, e,
po an o, ambém ac o es pa icipan es na c iação do sen ido global da ob a [...],
odos
os elemen os
95
componen es da ob a, sem dis inção. Todas as componen es pa icipam no p ocesso semân ico a que
demos o nome de con ex o, [...]” (Muka o sky, 1981, p. 141-142).
Numa p odução audio isual, di e en emen e da ida, na qual as coisas simplesmen e “es ão”,
quase nada es á po acaso, o que nos é mos ado em uma cena, na g ande maio ia das ezes, oi ei o
e escolhido pa a es a ali, u o de abalho e pensamen o e se em pa a comunica e exp essa algo,
com um p opósi o e uma “ isão” em men e.
Iden i ica-se ambém, que essa di e sidade de e e ências p oduz sen ido sob e o que se á
analisado e, a pa i dessas ca ac e ís icas escolhidas pa a a na a i a e possi elmen e iden i icá eis pelo
público, dá-se o início a Análise Visual e a Áudio-análise da sé ie
Hea s oppe
.
6.1. ANÁLISE VISUAL
“O p aze quee de e , oca , sen i udo que nos é p oibido e usu pado, nos eap op iando do mundo
e suas coisas pa a de ol ê-las pa a um uso em comum e de ol e -lhes com aleg ia, com gozo”
(Sousa & B andão, 2020, p. 135)
O audio isual, em sua busca po o na uma his ó ia pe cep í el a quem assis e, se u iliza de
disposi i os p óp ios que o alecem o sen ido na a i o p e endido. Assim, a imagem ansmi e uma
mensagem que pode se exp essa e p opo ciona a comunicação p e endida a a és de signos como
co es, exp essão co po al, me á o a, en e ou os, e que es á imp egnada de signi icados:
Ademais, mesmo an es de sua ep odução, qualque obje o já eicula pa a a sociedade na
qual é econhecí el uma gama de alo es dos quais é ep esen an e e que ele “con a”:
qualque obje o já é um discu so em si. É uma amos a social que, po sua condição, o na-
se um iniciado de discu so, de icção, pois ende a ec ia em o no dele (mais exa amen e,
aquele que o ê ende a ec ia ) o uni e so social ao qual pe ence. (Aumon , 1995, p. 90)
A a és da
webcomic, e
das
g aphic no els
, é possí el obse a que já ha ia uma “mensagem
isual” inculada aos pe sonagens de ido aos quad inhos. Assim, o
cas ing
oi escolhido a pa i das
in o mações isuais já ap esen adas, em espei o ao g ande e iel público que acompanha a ob a. Todo
o p ocesso e e o olha cuidadoso da pessoa au o a, Alice Oseman, que ambém o ei izou e p oduziu a
sé ie.
96
Figu a 35: As pe sonagens e seus in é p e es
Fon e: Si e da Legião dos He óis
78
, 2024
Podemos assim, obse a as di e enças en e a pe cepção de uma ob a li e á ia, seja ela em
quad inhos ou não, e a linguagem cinema og á ica, da qual se ap oxima o abalho ealizado em uma
sé ie. Po não pode aze a quan idade e complexidade de si uações e diálogos que cons am em ob as
li e á ias, os ilmes e sé ies, u os de adap ação, são o esul ado de escolhas ei as con o me o obje i o
p opos o pa a a his ó ia. E é aí que eside a impo ância dos signos u ilizados pa a amplia a pe cepção
de quem os ecebe. Pode-se e uma ideia disso a pa i do que ala o cineas a Eugène G een “
o génio
do cinema
, é cap a agmen os de ealidade (...) e depois o dená-los pa a cons i ui uma ep esen ação.
O espec ado que assis e a es a ep esen ação pe cepciona um ní el de ealidade a que não e ia acesso
se isse esses agmen os no seu con ex o" (G een, 2019, p. 40). Den o desse p isma somos de en o es
de um ce o pode po que, es ando o a da imagem, podemos obse á-la em seu odo. A pa i de uma
ela, um ec ã, conseguimos e um “con ole” sob e a imagem mos ada, haja is a que podemos pa a ,
u iliza uma elocidade mais baixa, e ê-las caso achemos que algo icou pa a ás, sem e que busca
o que que emos apenas na memó ia.
No deco e dos episódios a au o a mos a em mui os momen os da sé ie, a mesma “cena”
u ilizada nos quad inhos, com a di e ença que, es es, na
webcomic
, e am em p e o e b anco, nos li os
são em ons pas éis, com p edominância do e de. Na sé ie as co es, mui as ezes ib an es, es ão
p esen es, seja em maio ou meno quan idade du an e oda a his ó ia, mos ando sua impo ância na
con ex ualização da ama.
78
Re i ado de h ps://www.legiaodoshe ois.com.b /lis a/hea s oppe -ne lix-di e encas-hq-se ie.h ml
97
6.1.1. As Co es em
Hea s oppe
“Você ans o mou minha ida pa a algo que nem econheço mais
E ma a ilhou meus olhos
Ago a eles pin am em aqua ela quando cho am
Eu cos uma a e o mundo em p e o e b anco
Ago a eu, eu
Es ou cobe a com as suas co es”
(Baby Queen, adução de echo da música “Colou s o You”)
Na sé ie (sal o a os momen os) as co es pulsam como que pa a mos a um uni e so de
descobe as, supe ação, amizades, a e o e amo - sen imen os e sensações ão p esen es na
adolescência - celeb ados com a aleg ia de uma no a ealidade possí el. A ala de Kandinsky ci ado po
Joly “a co é ape cebida op icamen e e i ida isicamen e” (Joly, 2005, p. 178) ambém e o ça esse
a gumen o. As co es ansmi em signi icados que a iam con o me o luga e a o ma como são
colocadas; mas a base de in e p e ação na cul u a ociden al cos uma e pon os em comum e es á
associada a di e en es a o es, que podem le a à escolha das co es que se ão u ilizadas em uma ob a
e que são impo an es pa a a na a i a “quando de e mina uma co como dominan e, o di e o es á
escolhendo minimiza ou ampli ica de e minados concei os. Co dominan e é aquela que es á semp e
acen uando elemen os e independe do amanho da á ea que ocupa” (S ama o, S a a & Von Zeidle ,
2013, n.p.).
As co es azul e ama elo e ocam mui o da pe sonalidade dos p o agonis as da sé ie. Há á ios
momen os e cená ios na ama, em que essas duas co es apa ecem jun as ou sepa adamen e,
p incipalmen e quando as pe sonagens cen ais es ão p esen es. Pe cebe-se que o azul es á semp e
elacionado a Nick e o ama elo a Cha lie, e se ans e em de um pa a o ou o con o me seu
elacionamen o e olui. O azul e o ama elo es ão p esen es em á ios momen os e são cap ados em
de alhes pelas câme as, sejam nos co edo es da escola que eles equen am ou mesmo na escola das
meninas, nas salas de aula, nos cole es de eino e na bola de ugby; nos ma e iais das alunas e alunos
ou em de alhes na casa e nos acessó ios de Cha lie, de Nick e de seus amigos e amigas:
Com o desen ol imen o do es udo das co es e de suas eações, as cenas passa am a
ca ega uma bagagem maio de emoção e sen ido. Essa e olução é pe cep í el an o nos
planos mais ge ais da di eção a ís ica do con eúdo, como o cená io e na iluminação, quan o
no igu ino, designado especi icadamen e a cada pe sonagem. Assim, po a ibuí em
simbologias, quando bem escolhidas, as co es con ibuem pa a a mon agem ex e na e
in e na dos elemen os da na a i a, o nando-se uma pa e indispensá el pa a comunicação.
(S ama o, S a a & Von Zeidle , 2013, n.p.)
98
Figu as 36 e 37: Ca az de di ulgação e as co es nos co edo es da escola
Fon e: Si e Cinema 10
79
e Si e Má cia T a essoni
80
, 2022
Na Sala de Música da escola as pa edes são eple as de pin u as de colo idos ins umen os
musicais, com des aque no amen e pa a o ama elo e azul. Ao undo da sala es á a ba e ia na co azul,
ins umen o ocado po Cha lie, que em a música como uma aliada em momen os de es esse e is eza.
Alunos que são excluídos na escola, po di e en es mo i os, ge almen e p ocu am um local no espaço
escola que lhe p opo cione segu ança. A Sala de A es é o local segu o escolhido po Cha lie pa a es a
du an e o ano de bullying que so eu na escola, após a descobe a de que ele e a gay. Nessa sala, no
can o di ei o, pin ada sob e a pa ede e a janela, há uma á o e cujas olhas são ei as com o o ma o de
mãos nas co es azul e ama elo. No deco e da ama podemos pe cebe a adição das co es osa e oxo
( ep esen an es da bissexualidade) nos galhos da e e ida á o e. Cha lie possui o cos ume de se sen a
sozinho no que se iam as aízes dessa á o e, mas udo muda quando ele se en ol e com Nick.
Esse espaço eple o das co es ama elo e azul é coo denado po um p o esso que demons a
ca inho e cuidado com Cha lie, M . Ajayi (Fisayo Akinade), e que ambém é LGBTQIAPN+.
Figu as 38 e 39: A Sala de A es
Fon e: Si e Cinemação
81
, 2022 e Pla a o ma do You ube
82
, 2024
79
Re i ado de h ps://cinema10.com.b /se ies/hea s oppe
80
Re i ado de ma cia a essoni.com.b /en e enimen o/hea s oppe - eja-cu iosidades-sob e-a-no a-se ie-lgb qia-da-ne lix/
81
Re i ado de cinemacao.com/2022/05/06/como-hea s oppe -u iliza-as-co es-pa a- ep esen a -os-p o agonis as/
82
Re i ado de h ps://www.you ube.com/wa ch? =Txyyypl yQ0. Acesso 15 ma . 2022
99
Figu a 40: M . Aja i con e sa com Cha lie
Fon e: Pla a o ma do You ube
83
, 2024
Em uma impo an e con e sa com o p o esso , Cha lie em ao lado a imagem de uma a e
p esen e na sala: uma eno me bo bole a azul sob e um undo ama elo, abaixo dela, uma bo bole a
ama ela. A bo bole a é um símbolo ge almen e associado a ans o mação.
A pe sonagem Nick inicia a ama com oupas do uni o me da escola, no qual o azul p edomina.
Pe cebemos que ele usa oupas semp e nesse om, mas, à medida que seu en ol imen o com Cha lie
aumen a, ou as co es ão sendo somadas ao seu igu ino. No
episódio 1 - Mee
, há um momen o em
que a cane a in ei o de Nick aza e suas mãos icam eple as da co azul, endo a ás de si o ama elo
de um mu al. Esse momen o ma ca as p imei as con e sas en e Cha lie e Nick, pa a além dos assun os
de aula:
Assim, po a ibuí em simbologias, quando bem escolhidas, as co es con ibuem pa a a
mon agem ex e na e in e na dos elemen os da na a i a, o nando-se uma pa e
indispensá el pa a comunicação. Quando ligada a cons ução do pe sonagem, o uso
pensado das co es se dá p incipalmen e a pa i do igu ino [...]. Ao encon o das simbologias
da co , esse elemen o abalha como um cons u o de iden idades. (S ama o, S a a & Von
Zeidle , 2013, p. 8)
Figu a 41: Nick com as mãos sujas de in a azul
Fon e: Cinemação112, 2022
83
Re i ado de cinemacao.com/2022/05/06/como-hea s oppe -u iliza-as-co es-pa a- ep esen a -os-p o agonis as
100
À medida que a ama ai se desen ol endo, o azul que se e e e à Nick pa ece ab aça Cha lie
e ice- e sa, como se um osse g ada i amen e azendo pa e do ou o. É o que oco e no
episódio 2 -
C ush
, na cena em que eles ão b inca na ne e e Nick - que es á com mole om azul - alcança ou o
mole om, ambém azul, pa a Cha lie. Nes a cena podemos pe cebe os de alhes g á icos ep esen ando
a ne e e que nos eme em a
g aphic no el
da au o a.
Figu as 42 e 43: Os p o agonis as com as co es de cada um; Cha lie, na ne e, com a co de Nick
Fon e: Magazine HD
84
, 2022
Há á ios signi icados pa a a co azul, sejam eles sociocul u ais, emocionais e psicológicos, que
podem e ela essa escolha pa a a ep esen ação da pe sonagem Nick. A exp essão idiomá ica
T ue
Blue
85
signi ica leal, e dadei o e iel. Segundo Helle “na Ingla e a, o azul é ainda mui o mais
equen emen e ci ado como a co da idelidade e da con iabilidade” (Helle , 2022, p. 60) - a pessoa
c iado a e p odu o a da sé ie é inglesa. Sob e essa co , Helle ainda diz mais “o azul é a co p e e ida.
É a co de odas as ca ac e ís icas boas que se a i mam no deco e do empo, de odos os sen imen os
bons que não es ão no domínio da paixão pu a e simples, e sim da comp eensão mú ua” (Helle , 2022,
p. 53). A ep esen a i idade de Nick como pe sonagem bissexual é inegá el, e as ca ac e ís icas
inspi adas po essa co , em uma o ien ação sexual que so e di e sos julgamen os, podem se um dos
mo i os pa a essa escolha.
A di e ença en e os hobbies de Cha lie e Nick, bem como suas co es e ou os de alhes pessoais
é mos ada em seus qua os, que po sua ez são idên icos aos das
g aphic no els
.
84
Re i ado de h ps://www.magazine-hd.com/apps/wp/hea s oppe -p imei a- empo ada-em-analise/
85
Re i ado de aus omag.com/ ue-blue-e-os-30-anos-de-busca-pelo-que-e- e dadei o-leal-e- iel/
101
Figu as 44 e 45: Os qua os de Nick (esque da) e de Cha lie (di ei a)
Fon e: Si e Magazine HD
86
, 2022 e Pla a o ma Kwai
87
, 2024
Na cozinha de Cha lie os u ensílios são na co ama elo, com alguns pon os em azul. Na cozinha
de Nick acon ece o con á io: o azul p edomina com pi adas de ama elo que ão c escendo no deco e
da empo ada, onde a xíca a que Nick usa, possui a inicial de seu nome (e da Ne lix) em ama elo. É
nesse momen o que sua mãe (com igu ino ama elo) lhe diz que Nick pa ece mais à on ade com Cha lie
do que com os ou os amigos.
Figu as 46 e 47: A mãe de Nick, e Nick com sua xíca a
Fon e: Business Inside
88
, 2024
Assim, como oco e com a co azul, há um signi icado p óp io pa a a co ama ela que ansmi e
a “(...) sensação de aleg ia dos dias de sol; sensação da ene gia do calo do sol [...] sensação de auge
da ida” (Sil ei a, 2015, p. 123-124). No
Diá ios de Andy Wha ol
(Ne lix, 2022) - documen á io
89
sob e
o amoso nome da a pop e ambém uma pessoa LGBTQIAPN+ - há um momen o em que uma o o do
seu namo ado apa ece e nela es a a esc i o "Jed ouxe o sol", aze o sol pode se e e i a aze luz,
“calo ” e ida, jus amen e o que Nick mos a que Cha lie ez com ele. No
episódio 4 - Sec e
, emos a
86
Re i ado de h ps://www.magazine-hd.com/apps/wp/hea s oppe -p imei a- empo ada-em-analise/
87
Re i ado de h ps://www.kwai.com/disco e / ile ype:pd -hea s oppe -alice-oseman?lang=p -BR
88
Re i ado de h ps://www.businessinside .com/hea s oppe -scenes- s-o iginal-comic-ne lix
89
Re i ado de h ps://www.ne lix.com/ i le/81026142
102
espe ada (pelos ãs da
webcomic
e das
g aphic
no els
) cena do beijo na chu a. Nick e Cha lie es em
suas co es e o beijo acon ece sob um gua da-chu a com as co es que os ep esen am. E, apesa da
chu a, o sol b ilha no os o dos dois.
Figu as 48 e 49: O beijo e o p esen e de Nick com as co es dos dois
Fon e: Si e Plano C í ico
90
, 2022 e Pla a o ma do You ube
91
, 2024
O inal da empo ada, no
episódio 8 - Boy iend
, oco e com os dois acompanhados das co es
que os ep esen a am du an e odos os episódios, seja na mochila de Nick ou na oalha de cada um.
Nes e dia Nick não es e mais o habi ual azul, mas um ama elo ib an e, quase la anja, como se ele
es i esse “imp egnado” po Cha lie (Cu y, 2022). O que nos eme e ambém ao ama elo do sol. Um
belo dia de sol, na p aia, onde eles podem se eles mesmos e agi como namo ados que são.
Figu as 50 e 51: Cha lie e Nick, na p aia, no inal da empo ada 1, em duas e sões
Fon e: Si e Magazine HD
92
e Si e Plano C í ico
93
, 2022
No a-se que a camisa que Cha lie usa em as co es azul, osa e ama elo. Esse episódio é c ucial
pa a o elacionamen o dos dois, p incipalmen e po que Nick decide se “assumi ” pa a as pessoas que
90
Re i ado de www.planoc i ico.com/lis a- op-10-os-melho es-momen os-da-1a- empo ada-de-hea s oppe /
91
Re i ado de h ps://www.you ube.com/wa ch? =s YjKb m8
92
Re i ado de h ps://www.magazine-hd.com/apps/wp/hea s oppe -p imei a- empo ada-em-analise/
93
Re i ado de www.planoc i ico.com/lis a- op-10-os-melho es-momen os-da-1a- empo ada-de-hea s oppe /
109
Figu a 71: Cha lie e Nick, em momen o na sé ie e na
webcomic
Fon e: Si e Magazine HD122, 2022
Figu a 72: O
come ou
de Nick em dois o ma os
Fon e: Si e Business Inside
106
, 2024
As mensagens de ex o, um ecu so a ual, são ocadas en e odo o núcleo cen al de
pe sonagens, seja no g upo dos amigos de Cha lie, seja en e Tao e Elle, Ta a e Da cy e, p incipalmen e,
en e Nick e Cha lie. A g ande maio ia desses ex os é idên ico aos que es á esc i o nas
webcomics
e
consequen emen e nas
g aphic no els.
As mensagens
ocadas pelos sma phones en e o casal, em
momen os soli á ios ou mesmo escondidos dos olha es de colegas mais cu iosos, e le em a dú ida de
esc e e ou não, o medo de não ob e uma espos a, a p eocupação de um com o ou o. O sma phone
é u ilizado po Nick pa a p ocu a Cha lie nas edes sociais e ambém quando pe cebe a di e ença da
ida que ele mos a aos ou os e o que ele ealmen e sen e e i e quando es á com Cha lie. Há,
ou ossim, os momen os de pesquisa u ilizados po Nick pa a en a descob i sob e sua sexualidade.
106
Re i ado de h ps://www.businessinside .com/hea s oppe -scenes- s-o iginal-comic-ne lix
110
Figu a 73: Nick em con e sa com Cha lie; e Nick pesquisando sob e sexualidade
Fon e: Si e Business Inside
107
, 2024
6.1.3. Símbolos e Me á o a
A pa i da in o mação de que Nick é a es ela do ime de ugby - um espo e que simbolicamen e
a ua na signi icação do con eúdo imagé ico que emos de uma a i idade espo i a is a, de manei a
ge al, como exemplo de masculinidade b u a en ol a em um ambien e he e ono ma i o (Sil a & Almeida,
2020) - pe cebemos o que signi ica a escolha desse espo e pa a uma pe sonagem que começa a du ida
da p óp ia sexualidade e ques iona o meio em que es á inse ido. Den o desse con ex o o espo e e o ça
a ques ão dos pad ões a se em seguidos e que, no deco e da his ó ia, não se i ão mais a pe sonagem.
No
episódio 1 - Mee
, Tao, amigo de Cha lie, ep oduz esse concei o ao sabe que Cha lie ai pa icipa
do ime de ugby da escola a con i e de Nick, dizendo “o une al é seu”.
Ou o símbolo que az signi icado sob e como Nick é is o, mos a-se du an e uma cena, ainda
no
episódio 1
, quando ele, que es á einando com seus colegas de ugby, é compa ado a um
Golden
Re ie e
po Tao. Podemos pe cebe que Tao não es á se e e indo li e almen e a apa ência ísica de
Nick, mas sim a semelhança de suas ca ac e ís icas com as do cão, con o me o que Joly ela a “quando
Julie e D oue esc e e a Vic o Hugo: ‘Tu és o meu sobe bo e gene oso leão’, não é que ele seja
e ec i amen e um leão, mas ela a ibui-lhe, po compa ação, as qualidades de nob eza e de ga bo do
leão, ei dos animais” (Joly 1994, p. 22). Um Golden Re ie e é um cão conhecido po sua delicadeza
e amabilidade, que inspi a con iança em quem es á p óximo. Ao obse á-lo pe cebemos o quan o ele
pode se g ande, ba ulhen o e possui acilidade em se elaciona (Rod igues, 2018). Aspec os do seu
compo amen o são acilmen e iden i icá eis em Nick e demons ados com o passa dos episódios. Nick
ambém es á semp e com sua cacho inha Nellie, o que e o ça a sensação de con iança, lealdade e
107
Re i ado de h ps://www.businessinside .com/hea s oppe -scenes- s-o iginal-comic-ne lix
111
cuidado que o pe sonagem e oca. É eco en e usa animais como me á o a pa a ipos especí icos de
pe sonalidade (Ma in, 2005). A compa ação ei a en e Nick e um golden e i ie é iden i icada como
sendo uma me á o a plás ica, que “(...) o iginam-se numa semelhança ou analogia de es u u a ou
onalidade psicológica no con eúdo pu amen e ep esen a i o das imagens. Assim, em ‘S achka’
(‘G e e’), Eisens ein coloca em pa alelo os os os dos in o mado es da polícia com nomes de animais e
a imagem dos animais em ques ão” (Ma in, 2005, p. 119).
O ecu so da me á o a ambém é emp egado em ocasiões de chu a, p esen e em momen os
signi ica i os, como no
episódio 4 – Sec e
, seja em elemen os g á icos exis en es na abe u a do
episódio, seja ao deixa Nick “ensopado” na po a da casa de Cha lie ou quando um beijo é ocado
en e eles na ua. A chu a cai o encialmen e em um dia de jogo de ugby quando Cha lie so e um
ackle
mal posicionado, e se e como uma me á o a ao es ado de espí i o de Nick: con uso com suas
emoções e en e gonhado po não sabe como agi na en e de odos. A chu a, ep esen ada no amen e
po elemen os g á icos, es á ao edo de Cha lie quando Nick imagina como ele se sen e com seu pedido
de seg edo, o que Ben ambém ha ia p opos o, mas mais como uma exigência e um desdém a Cha lie.
Figu as 74 e 75: Nick imagina a eação Cha lie, e não consegue ajudá-lo du an e o jogo
Fon e: A qui o pessoal da au o a e Pla a o ma do You ube
108
, 2024
Ou a me á o a impo an e u ilizada é a do espelho. O mesmo ecu so é is o, como já mos ado
an e io men e, na abe u a do
episódio 7 – Bullying
e es á p esen e em algumas cenas; seja quando
Nick pe cebe algo de di e en e em seus sen imen os enquan o p ocu a po Cha lie no Ins ag am ou
quando Cha lie se obse a e pensamen os nega i os sob e ele e suas elações em à ona. Quando ele,
em uma con e sa com Ben, ala sob e se em namo ados, os elemen os g á icos u ilizados lemb am um
id o se queb ando, jus amen e onde es á o os o de Cha lie, como se algo den o dele se es ilhaçasse
e ele ambém.
108
Re i ado de h ps://www.you ube.com/wa ch? =s YjKb m8
112
Figu a 76: A eação de Cha lie na con e sa com Ben sob e namo o
Fon e: Pla a o ma do You ube
109
, 2024
Esse “co po despedaçado” nos eme e aos es ágios do espelho de Lacan em que obse amos
“as co espondências que unem o
Eu
à es á ua em que o homem se p oje a e aos an asmas que o
dominam” (Lacan, 1949, p. 95). E os an asmas que dominam Cha lie são mui os.
6.1.4. Exp essão Co po al
Em na a i as com pe sonagens LGBTQIAPN+, de aco do com o local, momen o ou pessoas que
es ão p esen es, como o ma de se man e segu o ou mesmo de e i a uma ejeição, há manei as de
mos a como a pe sonagem se sen e, de o ma implíci a, sem se de manei a discu si a. O que não é
di o é uma pa e signi ica i a da i ência de mui os LGBTQIAPN+ ainda a ualmen e, e pode se mos ado
a a és de um de e minado olha cap ado pela câme a, um oque ou mesmo sen imen os e desejos que
se sob essaem a a és da exp essão do co po, “a hipe alo ização do oque é cen al pa a a pedagogia
dos desejos. São momen os em que há uma co po alização do desejo na ela a pa i do uso
concomi an e de ecu sos como câme a len a, ilha sono a, hipe dimensionamen o do som da
espi ação e close-ups” (Bal a & Sa me , 2016, p. 61).
O oque que ge a a mudança do olha de Nick pa a Cha lie se dá, a pa i de ges os econhecidos
den o de um uni e so he e ono ma i o. No
episódio 1 - Mee
, quando Cha lie dá um
ackle
em Nick,
obse amos, pelo olha mais demo ado que ele lança a Cha lie que, naquele momen o, Nick pe cebe
um sen imen o di e en e, em um “discu so in e io susci ado po um con ac o u i o com o co po (mais
p ecisamen e a pele) do se desejado” (Ba hes, 1981, p. 56). Nas igu as pe cebemos ambém a
p esença das co es dos dois, an o no “H” dos
ys,
quan o na bola e no uni o me.
109
Re i ado de h ps://www.you ube.com/wa ch?app=desk op& =CY-MNoDw54o
113
Figu as 77 e 78: Nick começa a pe cebe seus sen imen os po Cha lie
Fon e: Pla a o ma do You ube
110
, 2024
Depois disso há o momen o em que Nick, sozinho, obse a Cha lie e o sal a da iolência de Ben.
Quando isso acon ece e Cha lie pede desculpa pelo que acon eceu, a câme a mos a Nick ocando em
seu b aço, um oque u o da on ade, mas ambém que pode se is o como algo he e ossexual, que
não comp ome e o papel que se espe a dele. Esse oque é epe ido quando eles se encon am na es a
de ani e sá io de Ha y e no boliche (Cha lie oca no b aço de Nick), du an e a comemo ação do
ani e sá io de Cha lie. O mesmo oque acon ece na sé ie
Young Royals
, na cena em que o p íncipe
Wilhelm (Ed in Ryding) dá algumas dicas pa a Simon (Oma Rudbe g) sob e emo e um colega chega,
Wilhelm, en ão, se despede ba endo no b aço de Simon. A sé ie ambém ez sucesso, inclusi e en e os
ãs de
Hea s oppe .
Figu as 79 e 80: A necessidade do oque en e os meninos
Fon e: Pla a o ma do You ube
111
e A qui o pessoal da au o a, 2024
Essa on ade do oque se p olonga em ou os momen os, como quando Nick con ida Cha lie
pa a i à sua casa conhece Nellie (a cacho inha de Nick). Cha lie acei a pa ecendo não ac edi a . Ao
ab i a po a pa a ecebê-lo, Nick pe cebe o no o co e de cabelo de Cha lie e, na u almen e, pega uma
“mecha” do seu cabelo. Quando Cha lie pe gun a se es á uim, Nick o olha de cima a baixo e esponde
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encan ado: “Não, ocê es á...” pe cebemos que ele se engasga: “Ó imo”. Ges o que se epe e quando
eles b incam na ne e e Nick a i a do cabelo de Cha lie.
Há os momen os do oque nas mãos escondidas, e do pequeno oque, en e os dedos mindinhos,
signos usados de o ma eco en e em p oduções audio isuais que mos am pe sonagens LGBTQIAPN+,
como na cena em que Cha lie oca o mindinho de Nick pa a con idá-lo pa a o seu ani e sá io, ges o que
Nick e ibui ao ala sob e o p esen e que que lhe da . Toques que e o çam a impo ância da linguagem
co po al quando não podemos exp essa de o ma li e o que sen imos:
O
oque
é um elemen o ca alisado em p a icamen e oda a his o iog a ia do cinema
quee , pos o que é uma imagem pa ilhada po odos os indi íduos que já i e am a
expe iência de bu la as a madilhas da igilância dos co pos e desejos dissiden es. O
ca inho u i o na sala de aula; as mãos que oçam uma na ou a no cinema; os co pos
que se esba am em uma es a. (Sa me & Bal a , 2016, p. 59)
Figu as 81 e 82: Os mindinhos de Cha lie e Nick se encon am
Fon e: Pla a o ma do You ube
112
, 2024
Figu as 83 e 84: Os mindinhos de Cha lie e Nick na es a e no cinema
Fon e: Pla a o ma do You ube
113
, 2024
Vá ias p oduções azem essa ques ão e a câme a en a iza aquilo que não pode se e elado.
Ainda em
Young Royals
, a his ó ia de Simon e Wilhelm omou um ou o umo, depois de Simon en elaça
o seu mindinho com o de Wilhelm du an e a exibição de um ilme en e os alunos da escola. Na sé ie
112
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113
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115
The Fos e s
(ABC Family, 2013-2018), Conno (Ga in MacIn osh) e Jude (Hayden Bye ly), ize am o
mesmo ges o.
Figu as 85 e 86: Os mindinhos de Wilhelm e Simon (esque da), e Conno e Jude (di ei a)
Fon e: Pla a o ma Tumbl
114
e Si e Good T ouble & The Fos e s
115
, 2024
A eleno ela espanhola
Ama es Pa a Siemp e
(An ena 3, 2013-2024) ambém e e cenas com
esse ges o en e as pe sonagens Luisi a (Paula Use o) e Amelia (Ca ol Ro i a) que, pos e io men e,
i e am um spin-o chamado
#Luimelia em um uni e so al e na i o
81, de ido ao seu g ande sucesso jun o
ao público. Esse ges o é ão simbólico pa a o casal que apa ece no ma e ial p omocional da sé ie.
Figu as 87, 88 e 89: Os mindinhos de Luisi a e Amelia
Fon e: Si e Zedge
116
, 2024
Na maio ia das ezes, sal o em alguns momen os e na con igu ação de ce os elacionamen os,
es a ou anda de mãos dadas com alguém signi ica assumi essa pessoa, e um elacionamen o com
ela. As mãos que an es se escondiam, es ão expos as, como nos é mos ado nas imagens abaixo, quando
Nick “assume” Cha lie na en e de odos, em um e en o espo i o da escola. Conside amos impo an e
114
Re i ado de h ps://www. umbl .com/ agged/Jude%20and%20conno
115
Re i ado de h ps://good ouble. andom.com/wiki/Jude_and_Conno
116
Re i ado de h ps://www.zedge.ne /wallpape /3e93 b2c-63 -4d85-a9e6-22075b6813b
116
a obse ação de que, em á ias cenas, quando Nick descob e algum no o aspec o em seu
sen imen o/ elacionamen o com Cha lie, ele es á semp e abaixo de Cha lie. Do pon o de is a de Nick,
Cha lie es á semp e acima dele, como mos am as igu as 78, 91 e 102.
Figu as 90 e 91: As mãos de Nick e Cha lie sob a mesa; e os dois na en e de odos
Fon e: Pla a o ma do You ube
117
, 2024
Figu as 92 e 93: Com as mãos dadas, o que es a a em seg edo é e elado
Fon e: Pla a o ma do You ube
118
, 2024
O ab aço, po ou o lado, é uma o ma de cump imen o bas an e comum em algumas cul u as,
caso da b asilei a, po exemplo. O ab aço é aquele que con o a, p o ege, mas mais que isso “o ges o
do ab aço amo oso pa ece ealiza po um momen o, pa a o sujei o, o sonho de união o al com o se
amado” (Ba hes, 1981, p. 12). E Nick ab aça Cha lie em odos os sen idos, de odas as o mas e nos
mais di e en es luga es. Um ab aço que acolhe no momen o de maio ulne abilidade, um ab aço de
saudade, de aleg ia e de a e o. Há ambém o impulso e a aleg ia de ab aço quase dado na en e dos
ou os.
117
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118
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117
Figu as 94 e 95: Os ab aços de Nick e Cha lie
Fon e: Pla a o ma do You ube
119
, 2024
O olha ambém é uma “p esença” o e em boa pa e das cenas en e os p o agonis as. A
câme a se demo a ao mos a o olha de um pa a o ou o. Sabemos que em mui os luga es as pessoas
LGBTQIAPN+ não podem exp essa a sua manei a de se , o seu amo de o ma li e. Nesses momen os
o olha e a subje i idade que o acompanha é a única o ma de mani es a esses sen imen os:
Mas o olha ensina a dis ância. O olha ensina a cau ela. O olha ensina que o obje o ado ado
pode de ol e o olha . E nessa de olução há semp e a ameaça de se lag ada olhando além
da con a. Mais e gonha. Pa a a pessoa quee o olha é semp e um isco. Tá olhando o quê?
(Sousa & B andão, 2020, p. 132)
Na sé ie há uma conexão mui o o e en e o casal, demons ada desde o p imei o momen o
a a és do olha , p incipalmen e o olha da pe sonagem Nick. A a és dele emos a dú ida, a descobe a
assus ada dos sen imen os que ão su gindo, a admi ação, o cuidado, o ca inho e o que e bem que
c escem du an e o deco e da na a i a em elação a Cha lie “são as mãos que quase se ocam, os
olha es des iados e os so isos ímidos que dizem mui o mais do que diálogos exposi i os, e
Hea s oppe
sabe mui o bem como usa isso a seu a o ” (Sousa, 2023, n.p.).
O olha in e essado de Cha lie pa a Nick se e ela no
episódio 1 - Mee
, quando o p o esso diz
que ele e á que se sen a ao lado de Nick Nelson, do ime de ugby, in o mação dada de manei a i ônica.
Cha lie se mos a con a iado, a câme a se ap oxima e emos que udo muda quando ele olha em
di eção a classe e ê Nick que esc e e em um cade no. Po ou o lado, quando Cha lie se ap oxima,
Nick o olha de cima a baixo e so i, algo que Cha lie não espe a a de alguém como ele.
119
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Figu as 96 e 97: Os olha es en e Cha lie e Nick
Fon e: Pla a o ma do You ube
120
, 2024
Há o olha daquele que es á en ando en ende seus sen imen os e que obse a odos os passos
da azão do seu possí el a e o, seja ao p ocu á-lo em uma es a ou quando os colegas de ime o
pa abenizam após uma
y
no ugby. Um olha que não é de um hé e o pa a seu amigo. O olha de quem
ao pe cebe que algo não es a a bem, sal a seu a e o da iolência e do abuso.
Figu as 98 e 99: O olha de p ocu a; e o olha que não abandona e que comp eende
Fon e: Pla a o ma do You ube
121
, 2024
Há o olha encan ado de quem ecebe o ca inho e o cuidado depois de uma elação em que isso
lhe e a negado, em que o único oque possí el e am os beijos escondidos do olha dos ou os e na qual
o olha ecebido e a de indi e ença.
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125
se sen e, quem ele ealmen e é. A ase “po que nós somos assim?” ambém é ep esen a i a dos dois
em á ios momen os no deco e da elação e se es ende pelas p óximas empo adas da sé ie.
Música T adução
Las nigh I smoked a ciga e e On em à noi e eu umei um ciga o
My dad would ha e been so upse Meu pai ica ia ão cha eado
Then we go a oos by he coas En ão nós izemos a uagens na cos a
And I jus s ood he e like a ghos E eu apenas iquei lá como um an asma
Maybe I'm an old soul apped Tal ez eu seja uma alma elha p esa
in a young body em um co po jo em
Maybe you don’ eally wan me Tal ez ocê ealmen e não me quei a
he e a you bi hday pa y lá na sua es a de ani e sá io
I'll be he e in he co ne , Eu es a ei lá no can o
hinking igh o e pensando bem
E e y single wo d o he con e sa ion Cada pala a da con e sa
we jus had que acabamos de e
So why am I like his? En ão, po que eu sou assim?
Why am I like his? (2x) Po que eu sou assim? (Re ão)
Why am I? Po que eu sou?
Oh, I ’s like I’m looking down Oh, é como se eu es i esse olhando pa a baixo
om he ceiling abo e do e o acima
Ne e in he momen , Nunca no momen o,
ne e gi ing enough nunca dando o su icien e
Le 's go ou and shou Vamos sai e g i a
he wo ds we ne e said as pala as que nunca dissemos
I go my mis akes on loop Eu enho meus e os em loop
inside my head (2x) den o da minha cabeça
Nick ab e sua gale ia de o os, a obse a, clica em uma o o onde es ão ele, Cha lie e Nellie (sua
cacho inha), amplia a imagem de Cha lie e so i ao ê-lo. Ao se da con a disso, pega seu no ebook, se
sen a em um can o e no escu o do qua o digi a “I am gay?”. A cena se ence a com a úl ima pe gun a
da música, pa e do e ão “Why am I?”. Esse é um dos momen os mais impo an es e que emocionou
di e sas pessoas que assis i am à sé ie: o da busca pela au odescobe a po Nick e que ep esen a o
que mui os LGBTQIAPN+ passam. Um momen o soli á io e di ícil, como ela a a you ube Jessica Ballu
e que mos a emos no capí ulo 7 dessa pesquisa. Na p imei a linha da música, se pe cebe a ques ão
sob e se es a azendo algo escondido que decepciona ia seu pai (ou mãe, ou os dois), ep esen ada
pelo ciga o e, ambém, algo di e en e, uma queb a de pad ões ípicos, a i ude que ge almen e es á
associada a a uagem, algo que ica g a ado em nossa pele. Sob e a alma elha em um co po jo em, é
como se o que es á den o de ocê osse di e en e do que ocê apa en a. E a pe gun a deixa ób ia a
en a i a de en ende o que es á acon ecendo com ele:
126
Ao aze mos me á o as à música, essas se des inam à comunicação mais ampla e de
conexões com ou as ideias em que há uma p ojeção de dois domínios concei uais: um
cogni i o, de na u eza conc e a e expe iencial; e o ou o senso ial, de ca á e mais abs a o,
em que ambos pe mi em comp eende o domínio-al o, o alcance da ideia musical, não
necessa iamen e aquilo que é eal como ambém o imaginado (...). (Medei os & Lopes, 2021,
p. 301).
Essas ep esen ações e in e p e ações inculadas a músicas são e a adas e é in e essan e
obse a que nenhuma pala a é di a nesses momen os de au odescobe a, nem na casa de Cha lie,
nem na de Nick, o que demons a a impo ância da mensagem isual e das músicas nesses momen os.
Iniciando o
episódio 3 - Kiss
, apa ecem os esul ados da busca de Nick, que azem no ícias
nega i as (cu a gay, iolência po homo obia, p econcei o con a casamen os
quee
) e um di o es e pa a
descob i se ocê é gay. O esul ado do es e é de 62% Homossexual. Du an e odo esse momen o a
música que oca é “My Own Pe son”
134
– Smoo hboi Ez a.
Música T adução
Been o a ing he same wo ou i s Fazendo as mesmas duas oupas
o h ee yea s now há ês anos
Wai ing o some kind o inspi a ion Espe ando po algum ipo de inspi ação
To make me eel like Pa a me aze sen i como
I'm my own pe son se eu osse minha p óp ia pessoa
Bu buying new clo hes Mas comp a oupas no as
jus make me eel down só me az sen i mal
Ha ing new s yle would cause me Te um no o es ilo me chama ia
mo e a en ion mais a enção
And I don' eel like E eu não me sin o como
I'm my own pe son se osse minha p óp ia pessoa
I jus eel like some o he e sion o me Eu só me sin o como uma ou a e são de mim
Been alking abou he same p oblems Falando sob e os mesmos p oblemas
o yea s now há anos
Bu no hing I do seems o make Mas nada do que aço pa ece aze
hings happen as coisas acon ece em
No ma e wha I do i 's bad Não impo a o que eu aça, é uim
I 's hu ing and I don' eel like Es á doendo e não me sin o como
I'm my own pe son se osse minha p óp ia pessoa
I jus eel like some o he e sion o me Eu só me sin o como uma ou a e são de mim
Ela ala sob e se mos uma ou a e são de nós mesmos e a do que isso es á causando. A pa i
de ago a ocê não é aquilo que acha a que e a, e pode a é que e ol a a se como an es, mas udo
mudou. Depois dessa descobe a emos um Nick in ospec i o, soli á io, mesmo com os colegas à sua
ol a. É nesse momen o que ele é con idado pa a uma es a de ani e sá io em que pode le a uma
134
Re i ado de www.le as.mus.b /smoo hboi-ez a/my-own-pe son/
127
pessoa. Nick con ida Cha lie, que acei a depois da sua insis ência, pois um ambien e hé e o e com os
apazes do ugby, não é o melho luga pa a uma pessoa como Cha lie. Quando Cha lie é deixado na
es a pelo pai (que mos a a a lição ípica de pa e de pais de pessoas LGBTQIAPN+, po medo do que
possa acon ece com os ilhos em ambien es sociais com g ande maio ia he e ossexual (AMPLOS, 2021),
a música que oca é “Telephone”
135
- Wa e pa ks. Nick socializa com os amigos, enquan o p ocu a po
Cha lie e Cha lie po ele.
Música T adução
I alk a lo , bu we could Eu alo mui o, mas pode íamos
ill you ames p eenche seus quad os
Wi h pic u es o ou aces Com o os de nossos os os
' il we sha e a name a é compa ilha mos um nome
I'm li ing on a a ge and Es ou i endo em um al o e
you sho i wi h an a ow ocê a i ou com uma lecha
Now I los my sel -con ol, Ago a eu pe di meu au ocon ole,
I can' s op hinking não consigo pa a de pensa
Whe e you go, I'll ollow Onde ocê o , eu segui ei
I know we only jus me Eu sei que acabamos de nos conhece
I can be you bes ye Eu posso se o seu melho ainda
Fu u e a o i e eg e A ependimen o a o i o u u o
Do you eel i oo? (2x) Você ambém sen e?
I' e go a le you know Eu enho que deixa ocê sabe
Tha I hink ha I lo e you so Que eu acho que e amo an o
You could be my only one Você pode ia se meu único
A música ala sob e quad os com seus os os a é compa ilha em um nome, uma alusão a uma
ida jun os, a pe da do au ocon ole que se elaciona as mudanças que es ão oco endo. Na le a é
e o çada a ques ão da dú ida sob e a ecip ocidade do sen imen o. A ase “Onde ocê o , eu segui ei”
lemb a as pala as di as po Lexa pa a Cla ke, con o me mos ado na análise da sé ie ap esen ada no
capí ulo 5. A cena se ence a com um indo ao encon o do ou o, enquan o alam ao mesmo empo “eu
es a a p ocu ando po ocê”. Essa es a é mui o impo an e pa a a his ó ia, po que é nela que Nick
começa a pe cebe que há ou as pessoas como ele e Cha lie, o que acaba o enco ajando a da um
passo a mais no elacionamen o en e eles. Ali, ambém, ele demons a o choque, a is eza e a ai a ao
pe cebe um momen o de homo obia e es ido de b incadei a.
A música “Clea es Blue”
136
– CHVRCHES, oca em uma das cenas mais signi ica i as no
p ocesso de au odescobe a da pe sonagem. Nick es á a li o à p ocu a de Cha lie na es a e é quando
ê Ta a e Da cy (que namo am, mas ainda não “o icialmen e”). Elas dançam e se di e em e um beijo
135
Re i ado de www.le as.mus.b /wa e pa ks/ elephone/
136
Re i ado de www.le as.mus.b /ch ches/clea es -blue/
128
acon ece na en e de odos. Nick, que es á descob indo sua sexualidade ao sen i um in e esse c escen e
po Cha lie, obse a a cena, encan ado. A música az um pedido pa a que a pessoa diga que o encon a,
que o gua da em si mesma e indica que a pessoa ome uma decisão. Sob e o azul, que é mencionado
na le a, ele é usado na sé ie como a co ep esen a i a de Nick, que acaba po le a seu signi icado
pa a a ida de Cha lie. Nesse momen o é como se udo icasse “ní ido” pa a Nick.
Música T adução
Tell me, ell me you'll mee me Dize , dize que me encon a
Tell me, ell me you'll keep me Dize , dize que me gua da consigo
Tell me, ell me you'll mee me Dize , dize que me encon a
Shaped by, clea es blue (2x) Nos con o nos do mais ní ido azul
A música “Alaska (Toby G een Remix)”
137
– Maggie Roge s, oca enquan o Nick e Cha lie ão
pa a um luga mais anquilo, longe de odos, e onde acaba acon ecendo o p imei o beijo. A le a az o
momen o de sai de um elho eu, como um sonho, que az com que Nick, jun o à Cha lie possa
inalmen e “ espi a ” e se o seu e dadei o eu, o que complemen a a música “My Own Pe son”,
mos ada an e io men e.
Música T adução
And I walked o you E eu saí de ocê
And I walked o an old me E eu saí de um elho eu
Oh me, oh my, I hough i was a d eam Oh eu, oh meu, eu pensei que e a um sonho
So i seemed Assim pa ecia
And now, b ea he deep E ago a, espi e undo
I'm inhaling Es ou inalando
You and I, he e's ai in be ween Você e eu, há a no meio
Lea e me be Deixe-me se
I'm exhaling Es ou exalando
You and I, he e's ai in be ween Você e eu, há a no meio
No
episódio 4 - Sec e
, emos a música “Wha ’s I Gonna Be?”
138
– Shu a, que oca na manhã
após o p imei o beijo, a pa i da saída de Nick da casa de Cha lie, que co e em di eção a ele, esul ando
na ão espe ada, pelos ãs, cena do beijo embaixo do gua da-chu a azul e ama elo (co es dos dois).
Música T adução
Do I ell you I lo e o no ? De o dize que e amo ou não?
Cause I can’ eally Po que eu ealmen e não posso
guess wha you wan adi inha o que ocê que
I you le me down, le me down slow (2x) Se ocê o me decepciona , que seja len amen e
I you go eelings o me Se ocê sen e algo po mim
137
Re i ado de www.le as.mus.b /maggie- oge s/alaska- oby-g een- emix/
138
Re i ado de www.le as.mus.b /shu a/wha s-i -gonna-be/
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You jus go a speak hones ly Apenas ale hones amen e
I you le me down, le me down slow (2x) Se ocê o me decepciona , que seja len amen e
I don’ wanna gi e you up Eu não que o desis i de ocê
I don’ wanna le you lo e Eu não que o deixa ocê ama
somebody else bu me ninguém além de mim
So wha ’s i gonna be? (2x) En ão o que ai se ?
Pe cebemos que a le a se e e e a Cha lie e sua insegu ança habi ual, sob e não e ce eza do
que o ou o que , à espe a de uma possí el decepção, mas, ambém, sob e a impossibilidade de
desis ência e a on ade de se amado, icando no a o que ai acon ece .
No
episódio 6 – Gi ls
, emos a música “Knock Me O My Fee ”
139
– SOAK, que oca quando Nick
con a a Cha lie e e elado a Ta a e Da cy que eles es a am jun os. Uma inicia i a que az com que
Cha lie o ab ace, encan ado. Na le a obse amos que não impo a o que acon eça, essa a i ude é o
começo do caminho pa a o
come ou
de Nick.
Música T adução
You can, you can knock me o my ee Você pode, ocê pode me de uba
Bu I won' s op now, you can ake a sea Mas não ou pa a ago a, ocê pode se sen a (2x)
(2x)
O
episódio 7 - Bullying
, az a música “Ti ed”
140
– beabadoobee que oca depois de Cha lie, que
es a a no cinema com Nick e seus amigos, se í ima de bullying (no amen e sob e o p isma da
b incadei a), o que le a Nick a en a em uma b iga quando uma pala a mui o o ensi a ( *g) é di a,
enquan o Cha lie, que já inha saído, é in e pelado po Ben (o “boy lixo”), dois a os deses abilizado es
pa a ele.
Música T adução
You ha en' been good o long Faz empo que ocê não anda se sen ido bem
Is i he sound o you own hough s É o som dos seus p óp ios pensamen os
Tha always keeps you up a nigh ? Que semp e e man ém aco dado à noi e?
Maybe i 's ime o say goodbye Tal ez seja ho a de se despedi
'Cause I'm ge ing p e y ucking i ed Pois es ou icando cansada p a ca alho
Cha lie es á cansado, Nick es á cansado e machucado emocional e isicamen e e eles em uma
con e sa, pois Cha lie eima em dize que já es á acos umado com pessoas alando dele. A espos a de
Nick acaba po impulsiona Cha lie a ou as a i udes no u u o. A música e le e a culpa que Cha lie sen e
po acha que es á in e e indo nega i amen e na ida de Nick, po ele es a se me endo em b igas e se
a as ando de seus amigos.
139
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140
Re i ado de www.le as.mus.b /beabadoobee/ i ed/
130
A música “Any o he way”
141
– Tombe lin, oca quando Cha lie se encaminha pa a a Sala de A es,
o luga pa a onde ai quando es á so endo e que se isola . Ali, ele se sen a no chão, nas aízes da
g ande á o e cujas olhas an es e am ei as de mãos pin adas com as co es ama elo e azul e que ago a
ambém con am com as co es osa e oxo – co es que jun as com o azul, nos eme em as co es da
bandei a Bissexual. Cha lie começa a pensa no que es á causando à ida de Nick e as coisas começam
a se encaminha pa a um ompimen o po pa e de Cha lie. A música e o ça a ques ão da e gonha, da
culpa e de não sabe ou a manei a de agi .
Música T adução
Hopped on a plane o he i s ime oday Emba cou em um a ião pela p imei a ez hoje
I can' look back Eu não posso olha pa a á
Ou o guil and ou o shame Po culpa e po e gonha
Bu did we know any o he way Mas nós sabíamos de ou a manei a
I didn' know any o he way Eu não sabia de ou a manei a
No
episódio 8 - Boy iend
, udo se encaminha pa a o é mino. A bela e is e música “Ou
Window”
142
– Noah and The Whale, mos a pe ei amen e isso, mas ao mesmo empo com uma
possibilidade de p omessa.
Música T adução
Well i 's ou in he mo ning Bem, são qua o da manhã
Things a e ge ing hea y As coisas es ão icando pesadas
And we bo h know ha i 's o e , E nós dois sabemos que es á acabado
bu we bo h a e no eady mas nós dois não es amos p on os
Sp ing can be he c ueles o mon hs A p ima e a pode se o mais c uel dos meses
Bu b inging in you li e Mas azendo em sua ida
Yeah we' e p omising so much É, es amos p ome endo an o
Essa música oca quando Nick p ocu a Cha lie na DM do Ins ag am, implo ando po uma
con e sa e é igno ado. Os aco des ao undo se pa ecem com o ique- aque de um elógio con ando a
passagem do empo. Cha lie e i a Nick na escola e du an e o dia do maio e en o espo i o le i o. É
en ão que Nick, du an e a pa ida de ugby, após aze um
y
e se p epa a pa a a con e são, sai do
jogo e pega na mão de Cha lie, na en e de odos. Enquan o ele se decla a e pede pa a que não se
sepa em, dizendo que espei a ia a decisão de Cha lie, mas que ele e a a sua pessoa a o i a no mundo,
a música “Momen In The Sun”
143
– Sun lowe Bean, começa a oca e segue a é o momen o em que
Nick az uma su p esa pa a Cha lie e o le a à p aia.
141
Re i ado de www.le as.mus.b / ombe lin/any-o he -way/
142
Re i ado de www.le as.mus.b /noah-and- he-whale/1537582/
143
Re i ado de www.le as.mus.b /sun lowe -bean/momen -in- he-sun/
131
Música T adução
Win e , sp ing, summe , all In e no, p ima e a, e ão, ou ono
A momen is ine, Um momen o é bom,
bu I wanna eel hem all mas eu que o sen i odos eles
I wanna eel hem all Eu que o sen i odos eles
I don' need money, Eu não p eciso de dinhei o,
I don' need o be cool não p eciso se descolada
I'd ade i o a momen Eu oca ia isso po um momen o
in he Sun wi h you ao Sol com ocê
Wi h you, wi h you, wi h you com ocê, com ocê, com ocê
E e y hing I' e d eamed abou is coming on Tudo o que eu sonhei es á chegando
T ade i o a momen in he Sun T oco po um momen o ao Sol
All ha o he noise is jus a was e o ime Todo esse ou o ba ulho é só uma pe da de empo
You' e he only music on my mind Você é a única música em minha men e
Essa música deixa cla o o sen imen o de Nick po Cha lie, ao mesmo empo que nos eme e ao
passa do empo, o ama elo do sol e da co que ep esen a Cha lie na sé ie. Quando Nick chega em
casa, a mãe, Sa ah, comen a sob e sua aleg ia. Nick acaba po e ela que Cha lie é seu namo ado e
assume sua bissexualidade pa a ela. É um belo e singelo momen o, em que pensamos o quão bom se ia
se odo pai e oda a mãe eagisse como ela. Sa ah pe gun a quando o ilho soube, ao que ele esponde
que ele e Cha lie es a am jun os há alguns meses, mas que ha ia começado a gos a de Cha lie mui o
an es. As cenas do que eles i e am apa ecem, jun o com a música inal “I Belong In You A ms (Pho ek
Remix)”
144
– Chai li e podemos pe cebe que Nick passou a sen i algo po Cha lie no momen o em que
o iu pela p imei a ez.
Música T adução
Feelings a e good Sen imen os são bons
No hing o say Nada a dize
Because he wo ld goes on wi hou us Po que o mundo con inua sem nós
I doesn' ma e wha we do Não impo a o que açamos
All silhoue es wi h no eg e s Todas as silhue as sem a ependimen os
When I'm mel ing in o you Quando es ou de e endo em ocê
I belong in you A ms (2x) Eu pe enço aos seus b aços (2x)
A música con inua enquan o a cena ol a pa a a p aia, onde emos um Nick descon aído,
so indo de olhos echados, ab açado a Cha lie. Cha lie pe gun a se eles ão con a pa a os ou os, ao
que Nick so i e esponde “Sim.” E a empo ada ence a com es a cena e com a música. Uma música
que e oca que a ida segue independen e do que acon eça, como se udo se esol esse com o empo,
sem a ependimen os e que os b aços e ab aços que signi icam p o eção, cuidado e a e o são o luga
144
Re i ado de www.le as.mus.b /chai li /i-belong-in-you -a ms/
132
um do ou o. O ab aço que se o nou, no deco e da na a i a, pa e impo an e na cons ução desse
a e o.
6.2.2. Mensagem Ve bal
As pala as a uam como uma cons ução de sen ido do Eu pa a com o mundo, do Eu com o
ou o e consigo mesmo, em descobe as e his ó ias elabo adas den o de si e que eme gem, às ezes
dolo idamen e, quando o co po já es á eple o. O cineas a Eugène G een nos az, de uma o ma mais
complexa e p o unda, a pe cepção de que “a pala a compele à isão do mundo como lo es a de signos
e à pe cepção do ilme como e elado dos sinais que se escondem sob a supe ície de odas as coisas”
(G een, 2019, p. 37).
Ao pa i do p essupos o de que oda a ala é polí ica e po isso ca egada de sen ido, op o - pa a
um melho en endimen o do sen ido desses discu sos con idos nas pala as ocadas e que pe passam
o elacionamen o e a ida de Cha lie e Nick - sepa á-los po emas pa a uma melho isualização da
impo ância e do impac o do que é di o.
Relacionamen os
O “Oi” u ilizado epe idamen e en e os p o agonis as, desde o início de sua amizade, pode ia
e apenas uma unção á ica, mas udo muda ao en ende mos o con ex o em que ele es á inse ido.
G een já en a iza a a impo ância de poucas pala as ao a i ma que os a o es de em “concen a um
máximo de emoções o es num mínimo de pala as” (G een, 2019, p. 37). Es e simples cump imen o
e a negado a Cha lie po Ben, o ga o o com quem ele “ ica a” an e io men e, o que o na o seu
signi icado, quando di o po Nick, de uma o ça e emoção que ul apassa o seu sen ido básico. Algo que
ica e iden e quando Nick e Cha lie es ão con e sando pelos co edo es da escola e encon am Ben:
Cha lie: Oi (diz so indo).
Ben: O quê?
Cha lie: Só “oi” ( ala, sem jei o).
Ben: Po que alou comigo? Nem sei quem ocê é (Cha lie baixa os olhos, en e gonhado).
Ben: Beleza, ca a? ( ala pa a Nick).
Nick: Beleza (olha, con uso, de Cha lie pa a Ben).
(T1E1. 02:19)
O “oi” en e Nick e Cha lie é e o çado em di e sos momen os no deco e dos episódios e
unciona como uma “ma ca” dos dois. Ou a pala a mui o u ilizada po Cha lie é “desculpa”, algo que
ele ala pelos mais di e en es mo i os, como se a pedisse po simplesmen e exis i . Nos momen os inais
133
do
episódio 1 - Mee
, Nick obse a Cha lie se di igi a uma sala azia da escola. Ben ha ia pedido que
Cha lie o encon asse lá pa a con e sa em. Cha lie e Ben discu em e Cha lie diz que Ben nunca ha ia
se impo ado com ele ou com seus sen imen os e que eles só ica am jun os quando Ben que ia beija
um ga o o. A espos a ecebida é c uel: “a é pa ece que mais alguém ai que e sai com ocê”, Ben diz
ao a ança sob e Cha lie e lhe beija à o ça, mesmo com os pedidos pa a que pa asse. É quando Nick
chega e a as a Ben. Cha lie, mesmo depois do que acon eceu, ainda pede desculpas a Nick:
Cha lie: Desculpa.
Nick: Não em do que se desculpa .
Cha lie: Desculpa.
Nick: (Baixa os olhos) Você só se desculpa. Não diga.
Cha lie: Eu que o.
Nick: Não ( ala so indo).
(T1E1. 21:16)
Essas a i udes azem com que Nick con e se com Cha lie na en a i a de que ele mude seu
compo amen o quan o a isso. Mais a de, po mensagem, Nick diz que es a a com ai a de Ben, que
não que ia mais se seu amigo e pede pa a que Cha lie não ale mais com ele. O desp ezo e o abuso
mos ado an e io men e se epe i am em ou as cenas em que o público se de on ou com aspec os de
um elacionamen o óxico, mesmo depois do é mino, ealidade i ida po mui as pessoas, sejam elas
LGBTQIAPN+ ou não:
Cha lie: En ão, eu ia pe gun a se ocê que i lá em casa. Fica de bobei a.
Ben: A gen e az isso na escola.
Cha lie: É, mas... Eu pensei... já que somos namo ados...
Ben: O quê? Não somos namo ados. Po que pensa ia isso? ( ala ag essi amen e)
(T1E7. 01:32)
Du an e oda his ó ia, a a és de ações e diálogos en e Cha lie e Nick, é ap esen ado ao público
a di e ença en e o ipo de elacionamen o de Cha lie e Ben e um elacionamen o saudá el. A elação
que Cha lie e e com Ben acaba po e le i no seu desejo de encon a alguém com ca ac e ís icas que
de e iam se ine en es a qualque elacionamen o:
To i: Hipo e icamen e, com que ipo de ga o o ocê que sai ?
Cha lie: Um que não se impo e de se is o comigo, de p e e ência.
To i: Alguém que seja ne d ou algo meio “os opos os se a aem”?
Cha lie: Não posso me da ao luxo de se ão especí ico.
To i: Hipo e icamen e. O ca a dos sonhos? [...]
Cha lie: Não sei... Alguém com quem eu possa i . E que seja legal. E gen il. E
gos e de ica comigo (o au oca o pa a em en e à escola e ele ê Nick com os colegas).
(T1E1. 15:17)
134
Na cena pe cebemos que Cha lie não em an as opções pa a escolhe , po isso ac edi a que
de e se con en a com o mínimo. To i, i mã de Cha lie, é mui o que ida pelos ãs e, apesa de ala
pouco, suas pala as são ce ei as, como oco e quando Cha lie diz que e minou com seu “namo ado”:
To i: Ele e a idio a?
Cha lie: E a.
To i: Que bom, en ão (olha Cha lie a en amen e enquan o bebe algo de canudinho).
(T1E1. 15:27)
As con e sas en e Nick e Cha lie e sua consequen e e olução, po conseguin e ao
desen ol imen o da elação en e os dois, são mos adas no deco e dos episódios: as descobe as, as
dú idas, a since idade e o cuidado são uma cons an e em cada ala e em cada ges o. A pala a ca inhosa
es á p esen e, mesmo quando não se sabe bem o que se sen e:
Cha lie: Que ia que pudesse ica .
Nick: Eu ambém. Você ica mui o o inho assim ( ala, olhando Cha lie que es á
en ol ido em um cobe o ).
Cha lie: Fico?
Nick: Sim (olha Cha lie in ensamen e e o ab aça ape ado). Te ejo na segunda (ab e a
po a e sai ap essado sem olha pa a ás).
To i: Acho que ele não é hé e o (Cha lie olha pa a ela, su p eso com o que acaba a de
acon ece ).
(T1E2. 07:14)
A cada diálogo en e os p o agonis as pe cebemos que Nick “ ê” Cha lie como ele ealmen e é,
aquilo que o deixa eliz e o que é impo an e pa a ele. Ao con á io de Ben que desp eza a Cha lie e azia
com que ele so esse, Nick pe cebe e exal a desde as pequenas coisas que azem pa e da ida de
Cha lie e, assim, o ajuda a comp eende que ele não de e acei a ou se acos uma com que o
menosp ezem:
Nick: Não, ocê é bom em udo.
Cha lie: Não sou.
Nick: É sim, é um ne d popula .
Cha lie: Não sou.
Nick: Olha, ocê é bom em ideogames. Em odas as ma é ias, mas
p incipalmen e ma emá ica. Em oca ba e ia. Em aze amizades com cães e
em espo es. Você co e mui o...
(T1E2. 19:22)
Nick: Quando ocê oi embo a, e eu ol ei p o g upo, ele... Ele começou a ala ... coisas
sob e ocê. Eu su ei. Dei um soco nele e... oi isso. [Sob e a b iga com Ha y].
Cha lie: Nick. Não p ecisa a aze isso. Ju o que es ou acos umado com gen e
alando de mim.
141
A ase di a pelo p o . é um e lexo do que cons a a Gianca lo Co nejo ao ala sob e si mesmo
“o que a cul u a exigia de mim e a que eu acei asse minha p óp ia sup essão” (Co nejo, 2011, p. 87).
Mui as ezes jo ens LGBTQIAPN+ se sen em como únicos nesse luga , pois não há ou eles não êm
conhecimen o de ou os como eles. Algo que pessoas he e ossexuais mui as ezes nem chegam a se
da con a, po não i encia em si uações assim. Nem semp e conseguimos sen i uma do que não dói
den o da gen e.
O p econcei o em suas á ias o mas
As pala as p onunciadas ecoam den o de nós po um longo empo e endem a e o ça
aspec os da ealidade que mui as ezes gos a íamos de esquece “a linguagem é in es ida do pode de
c ia ‘o socialmen e eal’ po meio dos a os de locução dos sujei os alan es” (Bu le , 1990, p. 200). A
linguagem ambém e e quando az à ona discu sos p econcei uosos. As pessoas pe o mam de
di e en es manei as e mui os ainda es ão descob indo sua sexualidade, mesmo assim, os es e eó ipos
exis em e es ão en aizados, es u u almen e, no desconhecimen o, na he e ocisno ma i idade ou a é
mesmo nas e e ências que possuímos. Es e ipo de p econcei o es á inse ido e é exp esso nos mais
di e en es luga es e a é mesmo po amigos, como ize am Tao e Elle em elação a Nick:
Tao: Como seu amigo hé e o, de o lemb a que, às ezes, as pessoas são he e ossexuais.
É um a o is e da ida.
Isaac: Mas não sabemos se ela gos a do Nick [sob e Ta a].
Tao: Isaac, já a isei sob e enco aja os c ushes do Cha lie po hé e os (olha i memen e
pa a Isaac).
Isaac: Mas eu que o ac edi a no amo (diz so indo).
[...]
Elle: Nick Nelson? É melho desis i ago a. Ele é o ca a mais hé e o que já i.
(T1E2. 13:10)
No diálogo, é possí el obse a ambém algo ela ado nos comen á ios que se ão ap esen ados
no capí ulo 7 dessa pesquisa: o in e esse amo oso de pessoas LGBTQIAPN+ em pessoas he e ossexuais,
p incipalmen e as conside adas “pad ão”. Ainda nesse episódio há o momen o em que Tao ê que
Cha lie es á ocando mensagens com Nick:
Tao: Ele é hé e o, Cha lie. Dá p a e que ele é hé e o só de olha pa a ele. Isaac,
me ajuda aqui.
Isaac: Ex emamen e hé e o.
Tao: Exa amen e.
Cha lie: Ca as i is podem se gays. E bissexuais exis em ( ala pa a Isaac que e i a
os olhos).
(T1E2. 24:48)
142
Os diálogos dos ga o os do ugby, no es iá io, quando Cha lie não es á, ambém e elam o
p econcei o ocasionado pela e balização de ce os es e eó ipos:
Menino 1: Cha lie Sp ing?
Menino 2: Ele não é do 8º ano?
Menino 1: Não, é do 1º ano. [...].
Menino 3: Ele gos a de espo es? Todos sabem que ele é gay.
(T1E1. 12:19)
Há pala as que são di as, mesmo quando não que emos, somen e pa a sa is aze o ou o, pa a
con inua mos den o do papel que nos é impos o. Pala as e si uações que ge am á ios
desdob amen os e são consequências da p essão pa a que con inuemos a agi como an es ou como o
g upo que que sejamos. Em casos assim o sujei o não é is o em sua indi idualidade, mas sim como
uma ex ensão das expec a i as do g upo ao qual pe ence.
Nick: O quê? ( ala, enso).
Menino 1: Nada. Es amos alando de Ta a Jones. Ela ai a es a do Ha y.
Nick: O que em ela? (ele es á ao lado de Cha lie no es iá io).
Ha y: Achei que pudesse se in e essa .
Menino 2: Não e e um lance com ela na in ância?
Nick: Não emos nenhum lance. Só nos beijamos em uma es a ( esponde agi ado).
Menino 1: É, ês anos a ás.
Menino 3: Nick em um lance com a Imogen?
Nick: Não. Não, não enho (pa ece impacien e e descon o á el).
Menino 2: Duas ga as que em ica com ele, e ele não es á nem aí.
Ha y: Se não que Imogen, sábado é sua chance com Ta a. Só es ou dizendo.
Nick: É, al ez.
Cha lie olha ixamen e pa a Nick, que des ia o olha , cons angido.
(T1E3. 02:16)
Na es a de ani e sá io de Ha y, Nick e Cha lie es ão sen ados, em um luga mais ese ado,
con e sando animadamen e. Ha y chega com os meninos do ugby e az uma pe gun a a Nick,
p a icamen e igno ando a p esença de Cha lie. No seguimen o da con e sa, sen a-se ao lado de Nick e
coloca o b aço sob e seu omb o, deixando Nick ex emamen e descon o á el com udo:
Ha y: Nicholas!
Nick: Tudo bem, ca a?
Ha y: Po que es á aqui? Não es á meio cha o? (Os meninos iem).
Nick: Po que sim ( ala pouco à on ade e olha pa a Cha lie).
Ha y sen a ao lado de Nick.
Ha y: Tenho g andes no idades.
Nick: É? O quê? ( esponde sem in e esse genuíno)
143
Ha y: Ta a Jones es á aqui.
Meninos: Eahhhh!
Nick: E daí?
Ha y: É a sua segunda chance, ca a. Vamos aze acon ece .
Nick echa os olhos, mui o incomodado e enso.
Ha y: Eles se beija am com 13 anos. Mui o omân ico. Ele de ia en a , né? ( ala pa a
Cha lie). Vamos lá, ca a!
Nick p o es a ao se le ado pa a onde es á Ta a.
(T1E3. 07:42)
Si uação que se epe e em á ias cenas, po exemplo, quando Nick, pa a sa is aze sua u ma
de ugby, acei a o con i e de Imogen pa a um encon o, como já e e ido an e io men e. Qua o diálogos
impo an es su gem dessa si uação: o p imei o e le e essa p essão; o segundo, de Nick com a mãe,
inspi a o epensa ; o ou o oco e com Cha lie quando Nick expõe a si uação pa a ele e udo se esol e
com uma con e sa since a; e o echamen o se dá quando Nick encon a Imogen pa a explica o que
es a a sen indo:
Nick: Imogen, eu... Você é uma pessoa mui o legal, mas... não gos o de ocê
assim. Não em nada a e com ocê. Só acho que a gen e não se encaixa. Não
sei se eu... me encaixo com ocê ou... ou as pessoas do nosso g upo.
Imogen: Mas... somos amigos há an o empo, nos emos odos os dias.
Nick: Você já sen iu que az as coisas só po que os ou os azem? E em medo
de muda ? Ou aze algo que pode con undi ou su p eende as pessoas? Sua
pe sonalidade eal es á... en e ada den o de ocê há mui o empo? Acho que
é como eu enho me sen ido. Foi mal, não de e aze sen ido.
Imogen: Não. Acho que en endo. Ob igada (olha pa a Nick). Po se since o.
Nick suspi a.
(T1E5. 20:53)
Nick, po aze pa e de um espo e is o como uma ep esen ação de masculinidade e po se
popula , é is o como he e ossexual e p essionado cons an emen e. Mesmo que não possa se ab i com
seus amigos eles ainda são o g upo que ele conhece desde a in ância e Nick, ao mesmo empo que
comp eende que udo o que i eu pode muda quando se assumi - uma mudança que ele ainda não se
sen e p epa ado pa a en en a - sen e mui a e gonha po e pedido a Cha lie o mesmo que Ben pedi a,
a o que, com o passa dos meses, se mos a insus en á el:
Nick: No colégio, podemos, ipo... ( ala, emba açado).
Cha lie: Gua da seg edo?
Nick: Isso. Eu só não sei se consigo... Você sabe. Me assumi como algo.
Cha lie: Sim. Tudo bem.
(Nick pa ece emba açado).
(T1E4. 04:15)
144
Mui as ezes de ido a essa p essão, não é incomum que pessoas LGBTQIAPN+ de á ias idades,
pelos mais di e en es mo i os - ambien e, amília, acei ação, não econhecimen o de sua sexualidade -,
enham que i e seu amo “pelos can os” ou a a a azão do seu a e o como se osse apenas um
amigo ou amiga. É impo an e obse a o quan o disso pode se esul ado de uma elação óxica ou se
é mesmo algo passagei o, que depende somen e de ajus es do empo necessá io pa a “abso e ” e
expo essa no a si uação:
Da cy: Cha lie! Meu ca a. Não ou men i . Eu im mais pa a conhece os gays locais, mas,
que sabe , ocê e Nick Nelson pa ecem a é um casal.
Ta a: Meus Deus! Igno e-a ( ala en e gonhada).
Cha lie: Somos amigos. Ele é meu amigo.
Da cy: Amigos mesmo ou, sabe, “amigos”?
Elle: Da cy!
Cha lie: Po quê? Há boa os? (olha, sem jei o, pa a Nick que es á p óximo, se “aquecendo”).
Da cy: Não. Nada além da minha in uição gay.
Cha lie: Eu ju o. Somos só bons amigos pla ônicos.
Nick obse a a udo, ainda cons angido.
(T1E4. 16:33)
Ao nos depa a mos com esses momen os de exp essão de es e eó ipos e de cons angimen os,
não causa espan o que o bullying se o ne o caminho e ado e na u al que se á omado. No
episódio 2 -
C ush
, enquan o Nick ê o Ins ag am de Cha lie, há uma pos “Odeio esse luga ” se e e indo a um
co edo da escola. Nick en ão elemb a as pala as que ou iu sob e Cha lie, quando descob i am que
ele e a gay. Na cena, os alunos não apa ecem, apenas escu amos as ozes e elemen os g á icos são
u ilizados ao edo de Cha lie:
Menino 1: Es á sabendo que em um gay no 9º ano? (Todos iem).
Menino 2: Não é bullying... ele pediu po isso. É um colégio só de ga o os. O que
ele espe a a?
Menino 3: Ele é mui o nojen o. Apos o que nos olhou no es iá io.
Menino 4: P e i o mo e a se gay.
Menino 5: Es á olhando p a gen e. Que esquisi ão.
Menino 6: Ele é um o á io.
(T1E2. 31:44)
A escola, ge almen e é um dos p imei os luga es, mas não o único, em que o p econcei o é
pe cebido de o ma mais e iden e e é ex e nado de manei a iolen a ou mesmo dis a çado de
b incadei a. Na sé ie ele es á p esen e desde a ans obia pe pe ada po um dos p o esso es que não
145
chama Elle pelo seu e dadei o nome
145
; a é nos luga es de laze , ge ando s ess, angús ia e ansiedade
em momen os que de e iam se de di e são e aleg ia. Na es a de ani e sá io de Ha y, quando Nick diz
que es á p ocu ando Cha lie, a homo obia se mos a:
Ha y: O quê? O ne dzinho do 1º ano? Po que ocê anda com ele?
Nick: Ele é meu amigo.
Ha y: Po quê? Tem pena dele po ele se gay? (Os ou os meninos iem).
Nick: O quê? (Olha pa a Ha y, inc édulo).
Ha y: Meu Deus! Não, espe a. Ele em um c ush em ocê? Meu Deus, que is e!
Nick: (Pa ecendo mui o exaspe ado) Isso é homo óbico, Ha y!
Ha y: (Olha pa a seus amigos. As isadas cessam) Qual é, ca a.
Nick: E eu ealmen e não gos o de ocê. Feliz ani e sá io (diz i ando as cos as pa a odos).
(T1E3. 09:41)
O bullying es á semp e à esp ei a, é ealizado mais comumen e em g upo (Ca ini, 2004) e suas
consequências são c uéis, sob e udo quando ampliadas pela solidão. Mesmo no cinema em que Nick e
Cha lie ão jun os, a homo obia é uma somb a pe manen e, que pode le a à eação di e sas. Cha lie
acaba indo embo a, Nick sai pa a ala com ele e pedi desculpas, mas Cha lie se a as a dizendo que já
es a a acos umado com isso. Nick en ão e o na e con on a Ha y:
Nick: Qual é o seu p oblema com Cha lie?
Ha y: Ele não em nada a e com a gen e, né? Não joga ugby e em o amigo es anho
que não me deixa em paz [se e e e a Tao]. Não pode aze um gay p o g upo e
espe a que odo mundo o ame (alguns meninos iem, ou os não).
Nick: En ão o p oblema é ele se gay?
Ha y: Qual é, ninguém es á sendo homo óbico.
Nick: Cala a boca, Ha y! Ele icou descon o á el com suas pe gun as.
Ha y: Você em que le a piadas numa boa.
Nick: Mas não e a piada, né? Só ap o ei ou a chance p a desp eza e humilha alguém,
como semp e.
Ha y: Ele aguen a já de e es a acos umado (empu a Nick). Você es á odo b a o
(empu a Nick no amen e). P ecisa p o egê-lo, né? Po que ele é um eadinho pa é ico [u iliza
a pala a *g que é ex emamen e o ensi a].
Nick lhe dá um soco e eles b igam.
(T1E7. 08:24)
A pala a esc i a ou alada é um impo an e elemen o cons i u i o da nossa p óp ia iden idade,
do nosso ínculo com o ou o e po isso pe meia as mais di e en es in e ações e é p o e ida com as mais
di e sas in enções, “a pala a di a, exp essa, enunciada, cons i ui-se como p odu o ideológico, esul ado
145
Ao in és de nome social u ilizamos o e mo “nome e dadei o” po conside a mos o que melho exp essa o nome que a pessoa ans escolhe pa a si e
não o que lhe oi designado ao nasce (No a da Au o a).
146
de um p ocesso de in e ação na ealidade i a” (S ella, 2005, p.178). Nessa ealidade, cada ez mais,
quem domina a “pala a” de ém pode em quase odos as si uações, nos mais di e en es meios. E as
pala as que es ão con idas nesses meios podem des ui ou c ia , apoia ou disc imina e a é mesmo
elege .
Ence o esse capí ulo em que o am abo dados di e sos signos pe cebidos na sé ie. O signi icado
con ido su ge con o me as i ências e e e ências de cada um, dessa o ma, comp eende-se que nem
odos pe cebe ão esses signos ou conco da ão com a in e p e ação ealizada. Conside a-se que uma
ob a se comple a a pa i do signi icado alcançado jun o ao seu público e que muda con o me suas
pa icula idades e, mesmo, com o passa do empo.
6.3. CRITÉRIOS PARA VERIFICAÇÃO DA REPRESENTAÇÃO EM
HEARTSTOPPER
EIXO
PERGUNTAS
Hea s oppe
A ep esen ação
A sé ie/ ilme ap esen a uma ou mais pe sonagens
LGBTQIAPN+ iden i icá el(is)?
Sim.
Essa(s) pe sonagem(ns) LGBTQIAPN+ exis e(m) pa a além da
sua o ien ação sexual ou iden idade de gêne o?
Sim.
Essa(s) pe sonagem(ns) é/são di e sa(s) em elação a
gêne o, aça e o igem?
Sim.
Há uma ede de apoio pa a a(s) pe sonagem(ns)
LGBTQIAPN+?
Sim.
A impo ância
Essa(s) pe sonagem(ns) az(em) pa e do núcleo cen al?
Sim.
Caso essa(s) pe sonagem(ns) LGBTQIAPN+ seja(m)
e i ada(s) da ama, ha e ia um e ei o signi ica i o na
his ó ia?
Sim.
A(s) pe sonagem(ns) mulhe (es) az(em) pa e do núcleo
cen al? Suas his ó ias são independen es?
Sim.
Os não-
es e eó ipos
Essa(s) pe sonagem(ns) ep oduz(em) os es e eó ipos de
alí io cômico, hipe sexualização, p omiscuidade ou de
gêne o?
Não.
O quan i a i o
Quan os pe sonagens LGBTQIAPN+ há na p odução?
6.
Quan as dessas pe sonagens azem pa e do núcleo cen al?
5/7.
Há pessoas LGBTQIAPN+ a ás e na en e das câme as?
Sim.
Quan as pe sonagens são do gêne o masculino e eminino no
núcleo cen al? Há pe sonagens não-biná ias ou agêne o?
Quan as?
F: 3 e M: 4.
NB: 0 e Ag: 0.
Quan as pe sonagens ans exis em em elação as
pe sonagens cis? Ela(s) az(em) pa e do núcleo cen al?
1/7. Sim.
Tabela 10: C i é ios pa a Ve i icação da Rep esen ação de Pe sonagens LGBTQIAPN+ na Sé ie
Fon e: Elabo ação da au o a, 2024
147
Pe gun as
Hea s oppe
1. Há o p o agonismo das pe sonagens en ol idas? De um(a) ou dos(as)
dois/duas?
Sim.2.
2. As pe sonagens são complexas, ap o undadas? Uma ou as duas?
Sim. 2.
3. As pe sonagens êm seus p óp ios núcleos den o da his ó ia? Uma
ou as duas?
Sim. 2.
4. Iden i ica-se que as pe sonagens são LGBTQIAPN+? Uma ou as duas?
Sim. 2.
5. As pe sonagens possuem di e sidade de e nia/ aça, co po e
iden idade? Uma ou as duas?
Sim. Co po não
pad ão. 1.
6. O omance en e as pe sonagens é e iden e?
Sim.
7. Qual o ipo de con a o/ elação en e elas?
Namo o.
8. Há algo que iden i ique a p á ica de
quee bai ing
na his ó ia ou o a
dela?
Não.
9. O inal da(s) empo ada(s) analisada(s) ecai no opo
Bu y You
Gays
(BYG)?
Não.
Tabela 11: Le an amen o da Rep esen ação do Relacionamen o en e as Pe sonagens LGBTQIAPN+
Fon e: Elabo ação da au o a, 2024
148
7. RECEPÇÃO VIRTUAL DE
HEARTSTOPPER
EM SEIS CANAIS DO YOUTUBE
“A ob a se o na o que é quando olhamos pa a ela"
Ma cel Duchamp
A Teo ia ou Es é ica da Recepção acabou po se a ualiza pa a a o meio i ual, “po Es é ica da
Recepção Vi ual ou Teo ia da Recepção Vi ual, comp eende-se as discussões em o no das a i idades
ealizadas pelos ecep o es e ãs de uma p odução a ís ica no meio i ual, ais como comen á ios”
(Bo ges & A aújo, 2022, p. 408). Nos úl imos empos, a pa icipação do público é majo i a iamen e
ealizada a pa i das edes sociais que podem impulsiona o sucesso e mesmo a discussão dos mais
di e sos a o es inculados a uma ob a, seja ela li o, ilme ou sé ie. Essa ecepção é cons uída de
o ma bas an e subje i a, a con a com um público que possui inúme as ca ac e ís icas, e e ências e
o mas de acesso a essas p oduções, inclusi e c iando con eúdo sob e elas.
A ecepção da sé ie
Hea s oppe ,
pelo público analisado, se á mensu ada a pa i dos c i é ios
elacionados an e io men e. A análise de comen á ios em canais do You ube oi escolhida, pois
conside a-se que os pa icipan es deixam sua opinião de li e e espon ânea on ade e azem emas
impo an es pa a si, emas esses que o am esga ados a pa i da sé ie. Os comen á ios ambém
possibili am uma dinâmica in e a i a, seja mo i ada pela ala do(a) you ube ou de ou os pa icipan es,
em que cada comen á io pode ge a uma espos a ou mesmo um no o comen á io:
Os ‘comen á ios da in e ne ’ são cons i uin es dos p ocessos de socialização e de le amen o
das es e as de comunicação digi al con empo âneas, nas quais qualque pessoa munida de
um celula ou um compu ado pode p oduzi con eúdo amplamen e isí el, eplicá el e
independen e de a a essamen os ins i ucionais. (Bia & Paschoal 2020, p, 1054).
O You ube possui a acilidade de publicação e dis ibuição de qualque ipo de con eúdo e seus
canais p opo cionam uma in e ação com pessoas que possuem in e esses a ins, pois, a p incípio, o pe il
do(a) you ube e le e em ce o g au o pe il do seu público. Uma pla a o ma em que eações/
eac s
e
c í icas sob e os mais a iados ídeos, assun os e p odu os se o nou comum. Uma p opos a
ela i amen e simples e que abalha com a opinião pessoal, undamen ada ou não, de quem ep esen a
o canal. Pla a o mas e edes sociais, a pa i da c iação de con eúdo e da pa icipação do público
p opo cionam que quem pa icipa saia de um compo amen o passi o pa a uma pa icipação a i a, em
que seus comen á ios são impo an es a é mesmo pa a o andamen o dos canais. O usuá io é chamado
a segui , a compa ilha e, sob e udo, a opina , o que acaba po ge a mais engajamen o.
149
7.1. CANAIS DO YOUTUBE
Os seis canais selecionados na pla a o ma de ídeos online You ube, segundo os c i é ios
disco idos an e io men e, são econhecidos pela comunidade e azem i ências di e en es de ido ao
pe il de seus esponsá eis. Den e esses seis canais pudemos pe cebe que ês azem á ios
con eúdos ol ados ao público LGBTQIAPN+ e ês são ol ados ao público em ge al: “Lo elay Fox” cuja
d ag queen
de mesmo nome, conhecida po e colabo ado com o p og ama “Amo & Sexo”
146
(Rede
Globo, 2009-2018), az assun os da cul u a pop e ala di e amen e ao público LGBTQIAPN+; “Jessica
Ballu ” em no comando uma jo em lésbica que az ídeos eagindo a con eúdos da cul u a pop; “Gay
Ne d” é comandado po um homem gay que az ques ões sob e cul u a pop e mundo gay; “Ca ol
Mo ei a” além da esponsá el se iden i ica com a comunidade LGBTQIAPN+, o con eúdo do seu canal
e sa sob e p oduções audio isuais. A you ube ambém se des acou po aze no seu ídeo a ques ão
do
quee bai ing
e do
Bu y You Gays
pa a o deba e; “Isabela Bosco ”, uma das mais que idas e
econhecidas jo nalis a e c í ica de cinema do B asil, Isabela é pe cebida publicamen e como uma pessoa
he e ocis, de ce ca de mais de 50 anos, o que mos a o alcance que uma sé ie como
Hea s oppe
pode
e ; e “PH San os” (não emos conhecimen o se ele pe ence ou não à comunidade), é um comunicado
e c í ico de cinema, especialis a em sé ies e ilmes.
7.1.1. Dados Ge ais dos Canais
Isabela Bosco
Figu a 109: Banne do Canal “Isabela Bosco ”
Fon e: Canal Isabela Bosco
147
, 2024
Tí ulo do ídeo:
“Hea s oppe : já ui is e, ago a que o se eliz”
Desc ição do ídeo:
C í ica da sé ie "Hea s oppe ", da Ne lix, c iada po Alice Oseman, com Joe Locke, Ki Conno ,
Yasmin Finney, William Gao, Sebas ian C o , Co mac Hyde-Co in, Rhea No wood, Oli ia Colman, Tobie
Dono an.
146
Re i ado de h ps://gshow.globo.com/p og amas/amo -e-sexo/
147
Re i ado de h ps://www.you ube.com/@IsabelaBosco
150
O ídeo e e o o al de 2320 comen á ios, dos quais selecionamos 128 comen á ios pa a análise.
Os comen á ios selecionados, con o me abo dado na Me odologia, i e am seus au o es ca ego izados
da seguin e o ma (L: Lésbica; G: Gay; B: Bissexual; F: Feminino; M: Masculino; PF: P onome Feminino;
PM: P onome Masculino – os dois úl imos se e e em a não con i mação do gêne o, mas a u ilização
desses p onomes):
128 comen á ios
Sim
Jo em adul o
Não
Não podemos
a i ma
Adolescen e
00
02
33
93
LGBTQIAPN+
75
--------------
----------
53
O ien ação sexual
L: 2; G: 6; B: 5
--------------
----------
115
Iden idade de gêne o
F: 2; M: 5
PF: 3; PM: 4
--------------
----------
114
Tabela 12: Ca ego ias de Pa icipan es do Canal Isabela Bosco
Fon e: Elabo ação da au o a, 2024
Lo elay Fox
Figu a 110: Banne do Canal “Lo elay Fox”
Fon e: Canal Lo elay Fox
148
, 2024
Tí ulo do ídeo:
“ASSISTI HEARTSTOPPER”
Desc ição do ídeo:
Hoje ou comen a odos os meu [sic] sen imen os sob e a sé ie da Ne lix Hea s oppe ! A
aje ó ia do Nick e do Cha lie e sob e os li os ambém!
Obse ação ei a pela you ube após a c í ica.
- Você já assis iu Hea s oppe ?; Esc e e aqui o que ocê sen iu assis indo essa sé ie.
O ídeo e e o o al de 1898 comen á ios, dos quais selecionamos 132 comen á ios pa a análise.
Os comen á ios selecionados con o me abo dado na Me odologia, i e am seus au o es ca ego izados
148
Re i ado de h ps://www.you ube.com/@lo elay ox