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Universidade do Minho Escola de Engenharia Cláudia de Castro Jacinto Desenvolvimento de um método para avaliação da qualidade do ambiente interior de edifícios de escritórios em Portugal Maio de 2022 Desenvolvimento de um método para avaliação da qualidade do ambiente interior de edifícios de escritórios em Portugal Uminho | 2022 Cláudia de Castro Jacinto
Universidade do Minho Escola de Engenharia Cláudia de Castro Jacinto Desenvolvimento de um método para avaliação da qualidade do ambiente interior de edifícios de escritórios em Portugal Dissertação de Mestrado Construção e Reabilitação Sustentáveis Trabalho efetuado sob a orientação do Professor Doutor Ricardo Filipe Mesquita da Silva Mateus e coorientação da Professora Doutora Sandra Maria Gomes Monteiro da Silva Maio de 2022
ii DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho Atribuição CC BY https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/
iii AGRADECIMENTOS Primeiramente agradeço a Deus por ter me permitido chegar até aqui, guiando meus passos e escolhas a cada jornada. Aos meus pais, Maria Eugênia e Cláudio, pela educação que me deram, pelo apoio incondicional e por todo o amor depositado. Vocês são meus exemplos de força e superação. Ao meu noivo, Adilson, por ser o meu grande suporte e me ajudar a ultrapassar todos os obstáculos. Sem seus conselhos e encorajamento, nada disso seria possível. Obrigada pelo amor, carinho e parceria de sempre. Aos meus familiares, em especial ao meu irmão Douglas, minha tia Mara, meus sogros Maria Amelia e Adilson, meus cunhados Giseli e Tadeu, e meus sobrinhos Mateus e Marcos, pelo constante apoio e amizade. Aos meus amigos, novos e antigos, que se fizeram presentes em minha vida, sempre me apoiando nos momentos mais difíceis. Aos meus orientadores, Professor Ricardo Mateus e Professora Sandra Silva, gostava de expressar o meu sincero agradecimento pela disponibilidade, interesse e paciência que sempre demonstraram no decorrer deste trabalho. Obrigada por partilharem um pouco do vosso conhecimento comigo. A todos que direta ou indiretamente contribuíram para a minha formação, tanto pessoal quanto acadêmica, o meu muito obrigada!
iv DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho.
v RESUMO Mesmo antes da pandemia de COVID-19, as pessoas já passavam a maior parte do seu tempo em ambientes interiores, seja na sua habitação, locais de trabalho, zonas comerciais ou de lazer. Agora, mais do que nunca, percebe-se a importância de os edifícios oferecerem uma alta qualidade do ambiente interior (QAI), uma vez que está diretamente relacionada com o conforto, saúde e produtividade dos seus ocupantes. Nesse sentido, os estudos sobre a QAI e os fatores que a influenciam têm-se intensificado nos últimos anos. Também se nota o aumento de ferramentas de avaliação de edifícios que adotam a QAI como um de seus critérios. No entanto, a sua análise é, muitas vezes, superficial e genérica. Assim sendo, o objetivo deste estudo consiste em desenvolver um método de avaliação da QAI para edifícios de escritórios, adaptada ao contexto português. Para isso, foram analisadas diversas certificações que avaliam aspetos de sustentabilidade ambiental e social, a fim de identificar os fatores que influenciam a QAI mais recorrentes nas avaliações. Juntamente com a revisão da literatura feita e os regulamentos e Normas aplicados em Portugal, listaram-se as categorias, indicadores e parâmetros que serão adotados pelo método desenvolvido. Para a avaliação dos parâmetros foram apresentados os níveis de prática convencional e melhor prática a serem considerados como benchmarks para a sua normalização. Os pesos adotados são resultado da média daqueles usados nas diferentes ferramentas estudadas, tanto para os indicadores, quanto para as categorias, a fim de possibilitar a avaliação global da QAI. Espera-se que o método desenvolvido facilite a compreensão da QAI e saliente a sua importância. Além disso, acredita-se que sua aplicação auxilie na otimização dos ambientes interiores, de modo a proporcionar conforto, saúde e bem-estar dos ocupantes, resultando em melhores níveis de produtividade dos trabalhadores. PALAVRAS-CHAVE Qualidade do ambiente interior; Método de avaliação; Ferramenta de apoio à decisão; Edifícios de escritórios.
vi ABSTRACT Even before the COVID-19 pandemic, people already spent most of their time indoors, whether in their homes, workplaces, shopping, or leisure areas. Now, more than ever, the importance of buildings that have high Indoor Environmental Quality (IEQ) is highlighted, as it is directly related to the comfort, health, and productivity of its occupants. In this sense, studies about the IEQ and the factors that influence it have intensified in recent years. There is also an increase in building assessment tools that adopt the IEQ as one of their criteria. However, their analysis is often generic and no not comprehensive. Therefore, this study aims to develop an IEQ assessment method for office buildings adapted to the Portuguese context. For this, several certifications that assess aspects of environmental and social sustainability were analysed to identify the prominent factors that influence the IEQ. Along with the literature review carried out and the regulations and Standards applied in Portugal, the categories, indicators, and parameters that will be adopted by the developed method were listed. For the evaluation of parameters, the levels of conventional practice and best practice to be considered as benchmarks for their normalisation were presented. The weights adopted are the result of the average of those used in the different methods studied, either for the indicators or the categories, to enable the global assessment of the IEQ. It is expected that the method developed will facilitate the understanding of the IEQ and emphasise its importance. In addition, it is believed that its application helps in the optimisation of interior environments, providing comfort, health, and well-being of the occupants, resulting in better levels of worker productivity. KEYWORDS Indoor environment quality; Assessment Method; Decision-support tool; Office buildings.
xiii LISTA DE ABREVIATURAS, SIGLAS E ACRÓNIMOS APO Avaliação Pós-Ocupação Al Alumínio As Arsénio ASHRAE American Society of Heating Refrigerating and Air-Conditioning Engineering AVAC Aquecimento, Ventilação e Ar Condicionado B Boro BEAM Building Environmental Assessment Method Bq Becquerel BRE Building Research Establishment BREEAM Building Research Establishment's Environmental Assessment Method BrO3 Bromatos C Carbono Ca Cálcio CaCO3 Carbonato de cálcio CASBEE Comprehensive Assessment System for Built Environment Efficiency cd Candela Cd Cádmio CFC Clorofluorocarbono CH2O Formaldeído Cl Cloretos ClO2 Cloritos ClO3 Cloratos cm Centímetro
xiv CN Cianetos CO Monóxido de Carbono CO2 Dióxido de Carbono COT Carbono orgânico total COVs Compostos Orgânicos Voláteis Totais Cr Crómio CRI Color Rendering Index Cu Cobre º C Celsius dB Decibel DGEG Direção-Geral de Energia e Geologia DGI Daylight Glare Index DGNB German Sustainable Building Council DI Dose Indicativa DRE Doenças Relacionadas ao Edifício D2m,nT,w Índice de Isolamento Sonoro a Sons de Condução Aérea E. coli Escherichia coli EN Norma Europeia F Fluoretos Fe Ferro FLD Fator de Luz do Dia GWP Potencial de Aquecimento Global h Hora HAP Hidrocarbonetos Aromáticos Policíclicos HCFC Hidroclorofluorocarbono
xv HEPA High Eficiency Particulate Air Hg Mercúrio HR Humidade Relativa do Ar HQE Haute Qualité Environnementale Hz Hertz iiSBE International Initiative for a Sustainable Built Environment l Litro LED Light-Emitting Diode LEED Leadership in Energy and Environmental Design lm Lúmen LAr,nT Nível de Avaliação do Ruído Particular de Equipamentos L’nT,w Índice de Isolamento Sonoro a Sons De Percussão m2 Metro Quadrado m3 Metro Cúbico Mg Magnésio mg Miligrama ml Mililitro Mn Manganês μg Micrograma μS Microsegundo N Número Na Sódio NABERS IE National Australian Built Environment Rating System Indoor Environment NH Amónio Ni Níquel
xvi NO3 Nitratos NO2 Nitritos OMS Organização Mundial da Saúde O2 Oxigénio ODP Potencial de Destruição da Camada de Ozono Pb Chumbo pH Potencial Hidrogeniónico PM Partículas em Suspensão ppb Partes por Bilião ppm Partes por Milhão ppmv Partes por Milhão em Volume PtCo Platino Cobalto QAI Qualidade do Ambiente Interior RCCTE Regulamento das Características do Comportamento Térmico dos Edifícios RECS Regulamento de Desempenho Energético dos Edifícios de Comércio e Serviços RSECE Regulamento dos Sistemas Energéticos de Climatização em Edifícios s Segundo Sb Antimónio SBTool Sustainable Building Tool Se Selénio SED Síndrome dos Edifícios Doentes SO4 Sulfatos T Tempo de Reverberação THM Trihalometanos Trm Temperatura Externa Média Operacional
xvii UFC Unidade Formadora de Colónias UNT Unidades Nefelométricas de Turbidez V Volume
1 1 INTRODUÇÃO 1.1 Considerações Iniciais Neste capítulo apresenta-se a introdução ao assunto deste trabalho, abordando o contexto atual e a relevância do estudo deste tema. Além disso, são identificados os objetivos desta dissertação e a sua estrutura é descrita. Desde as primeiras civilizações, o homem tem a preocupação de construir abrigos (Figura 1), com o objetivo de criar um espaço interior seguro, onde possam desenvolver as suas atividades, sejam elas produtivas ou de lazer, sob proteção das intempéries climáticas (Afonso, 2009; S. Silva, 2009). À medida que o conhecimento sobre os ambientes do edifício, tanto interno quanto externo, foram-se aprimorando ao longo do tempo, outras condições foram adicionadas aos requisitos básicos da construção (Carmo e Prado, 1999; S. Silva, 2009). Figura 1. Construções primitivas em Portugal. (Oliveira et al. , 1988) Os avanços tecnológicos permitiram a criação de novos materiais e técnicas construtivas e, até há algumas décadas, tanto o projeto quanto a construção de edifícios atentavam-se apenas às características relacionadas à engenharia, economia e estética (Carmo e Prado, 1999; Soares, 2017). A qualidade do ambiente interior (QAI) só começou a ser considerada após o surgimento de sintomas patológicos apresentados em ocupantes, associados à construção (Soares, 2017).
2 Atualmente, segundo Bronsema et al. (2004), um dos principais objetivos das edificações é proporcionar ambientes saudáveis e confortáveis para as atividades humanas, fornecendo abrigo, luz, espaço e comodidades suficientes para trabalhar, viver, aprender, curar, entre outros. Os autores ainda ressaltam que o edifício não deve provocar danos aos ocupantes ou ao meio ambiente, sendo, desta forma, resistente às ações e à prova de fogo, prezando pelo desenvolvimento sustentável. Mesmo antes da pandemia de COVID-19, um estudo feito por Klepeis et al. (2001) demonstrou que as pessoas passam cerca de 90% do seu tempo em ambientes interiores, seja na sua habitação, locais de trabalho, zonas comerciais ou de lazer. Com isso, percebe-se a importância de uma QAI elevada, uma vez que está diretamente relacionada com o conforto, saúde e produtividade dos seus ocupantes, potencializando o combate à Síndrome dos Edifícios Doentes (SED) (A. Silva, 2017). 1.2 Contexto e relevância do tema Nos dias de hoje, a eficiência energética é uma das maiores preocupações mundiais e o setor da construção tem sido destaque nas áreas de intervenção. Segundo a DGEG (2021), "o setor dos edifícios é responsável pelo consumo de aproximadamente 40% da energia final na Europa e cerca de 30% em Portugal". Contudo, através de medidas de eficiência energética é possível reduzir em mais de 50% esse consumo (DGEG, 2021). A necessidade dessa redução começou na década de setenta (século XX), após a primeira crise petrolífera (Figura 2), refletindo-se no aumento dos preços de produtos derivados de petróleo. Isso direcionou à consciencialização no uso racional da energia, a fim de diminuir o consumo e evitar desperdícios (Sanguessuga, 2012). Para tal, tanto o padrão arquitetónico quanto os materiais de construção foram modificados, de modo a melhorar o isolamento térmico. O que resultou em edifícios com maior estanquidade do ar, sem aberturas externas que permitissem a ventilação natural, criando os chamados "edifícios estanques" (Brickus e Neto, 1999; Sanguessuga, 2012). Além disso, houve também o aumento no grau de automação, sendo utilizados sistemas mecânicos de ventilação e de ar condicionado, entre outros, controlados por computadores. Estes conduziam a uma diminuição no consumo de energia a partir da redução na quantidade de ar introduzido no edifício, baseado apenas na carga térmica dos espaços ocupados, negligenciando o conforto e a saúde dos ocupantes (Carmo e Prado, 1999). A limitação das trocas de ar por ventilação teve consequências negativas, como o aumento da humidade relativa e dos fenómenos de condensação, que por sua vez podem resultar no aparecimento de fungos
3 e bolores, aumentando a concentração de poluentes no ambiente (Fernandes, 2015; S. Silva, 2009). Com isso, na década de oitenta (século XX), foram relatados os primeiros casos de SED, caracterizada por situações de desconforto laboral e/ou de problemas agudos de saúde apresentados pelos trabalhadores, que possivelmente estavam relacionados com a permanência no interior de alguns edifícios (A. Silva, 2017). Figura 2. Evolução do preço do barril do petróleo, em dólares da época. Adaptado de BP Statistical Review of World Energy (2021) Esta síndrome é classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um problema de saúde pública e, só nos Estados Unidos, o custo anual atribuído a ela em empresas comerciais é estimado entre US$ 10 mil milhões a US$ 70 mil milhões (Awada et al. , 2021). Ou seja, para além do problema de saúde, é gerado um problema económico, pois aumentam-se os gastos com saúde e com pensões por invalidez, e há o prejuízo quanto à produtividade dos trabalhadores e quanto às obras de reabilitação necessárias para combater os problemas do edifício doente (Fuente, 2013). Diversos estudos (Allen et al. , 2016; Lamb e Kwok, 2016; Leaman e Bordass, 2007; Residovic, 2017; Wargocki e Wyon, 2017) demonstram que melhorar a QAI resulta no aumento da produtividade e concentração da equipa, a partir de maior conforto, saúde e bem-estar dos trabalhadores. O Conselho de Propriedade da Austrália estimou que, para escritórios, uma melhoria de 1% na produtividade seria equivalente ao custo total energético de todo o edifício (Residovic, 2017). Os custos de pessoal, incluindo salários e benefícios, são estimados em 90% dos custos operacionais da empresa, enquanto os custos com energia são em torno de 3% (Alker et al. , 2014; Residovic, 2017). Além disso, a influência de uma
4 QAI inadequada pode gerar despesas com a saúde do funcionário duas vezes maior do que os custos com energia (Wargocki e Wyon, 2017). Dados recentes revelam que Portugal é o sétimo país da União Europeia com menor produtividade por hora de trabalho (PORDATA, 2021c) e que o setor terciário no país se encontra em expansão, sendo responsável por empregar 69,8% da população ativa em 2020 (em 2010, era 61,5% e em 2000, 52,6%) (PORDATA, 2021b). Diante deste cenário, é fundamental o investimento em práticas voltadas para a QAI nesse setor, a fim de fornecer um ambiente interno de boa qualidade aos funcionários para a criação de negócios competitivos. No que se refere a edifícios de serviços, estes são responsáveis pelo consumo de grande quantidade de recursos na fase de operação. Neles se concentram um conjunto de pessoas, que por si só aquecem o ambiente, além dos próprios equipamentos, como computadores, fotocopiadoras ou impressoras para o caso de edifícios de escritórios. Isso faz com que este tipo de edifício tenha um alto consumo de energia para adequar a sua climatização, razão pela qual a maioria dos programas e atividades existentes neste âmbito seja focada nesta matéria (Bragança et al. , 2016). Em Portugal, esse tipo de edifício foi responsável por 14,2% da energia total consumida em 2018, 2,6% a mais que em 2008, como mostra a Figura 3 (Observatório da Energia et al. , 2020). Um número expressivo uma vez que representam menos de 1% do total de edifícios no país (PORDATA, 2021a). Figura 3. Consumo de energia final por setor de atividade, em 2008 e 2018. Adaptado de Observatório da Energia et al. (2020) Devido às preocupações com o ambiente e o futuro, a sustentabilidade também deve ser considerada. Ela visa satisfazer as necessidades no presente sem comprometer o futuro das próximas gerações, a partir de uma boa gestão dos recursos naturais (Barros, 2013). Tendo em conta todos estes fatores,
5 justifica-se, cada vez mais, a importância de avaliar a QAI de edifícios de escritórios e desenvolver ferramentas que permitam suportar as tomadas de decisão dos projetistas. É essencial, ainda, relacionálas com a eficiência energética e a sustentabilidade, aplicando os seus princípios em todos os projetos de construção, tanto para edifícios novos como para existentes. 1.3 Objetivos Diversos métodos de avaliação dos edifícios adotam a QAI como um de seus indicadores. No entanto, a sua análise é, muitas vezes, superficial e genérica. Assim sendo, o objetivo principal deste estudo consiste em desenvolver um método de avaliação da QAI para edifícios de serviços, particularmente os de escritórios. O método será adaptado ao contexto português e visa melhorar a produtividade, bemestar e saúde do trabalhador. Para isso, serão levantados os principais fatores que afetam a QAI, a saúde e o bem-estar dos ocupantes de edifícios de escritórios, bem como os métodos de classificação existentes que a consideram na sua análise, além de normas nacionais e internacionais. Com isso, serão listados os indicadores, parâmetros e categorias que melhor se adequam ao parque edificado português, desenvolvendo o processo de avaliação da ferramenta proposta. No final, será possível classificar, através de uma pontuação única, a QAI global do edifício. Acredita-se que a criação desse método facilite a compreensão da QAI e saliente a sua importância para o conforto, saúde e bem-estar dos ocupantes. Além disso, considera-se que, com o desenvolvimento deste estudo, será possível melhorar a qualidade dos métodos de avaliação da sustentabilidade dos edifícios que têm a QAI como uma das suas categorias. Por fim, com a sua utilização, espera-se alcançar melhores níveis de produtividade dos trabalhadores, otimizando os resultados dos escritórios. 1.4 Estruturação do trabalho O trabalho encontra-se estruturado em 5 capítulos. No Capítulo 1 é realizado o enquadramento do trabalho e são apresentados os objetivos. O Capítulo 2 apresenta uma análise da QAI e dos principais fatores que a afetam, realizando o enquadramento normativo e regulamentar de cada um deles. Além disso, é feita uma abordagem acerca de outros aspetos que influenciam a saúde e bem-estar dos ocupantes, da SED e dos métodos de avaliação da construção que consideram a QAI entre seus critérios.
12 ocasionar o encerramento temporário do edifício (Fantozzi e Rocca, 2020). Além disso, a má qualidade do ar interior também foi associada ao aumento das faltas por doença em escritórios (Milton et al. , 2000). Considerando os custos, pode-se pensar inicialmente que mais vale um edifício estanque com uma boa eficiência energética, dificultando a entrada de ar para diluir os poluentes e sendo prejudicial a qualidade do ar interior (Barros, 2013). No entanto, Djukanovic et al. (2002) concluíram que os benefícios de melhorar a satisfação com o ar interior, pode aumentar a produtividade em 10% e exceder em 10 vezes o custo de energia para atingir essa melhoria. A qualidade do ar interior é influenciada pelos seguintes fatores (J. Santos, 2010): • Sistemas de ventilação e de climatização; • Comportamento e atividade dos ocupantes; • Fontes de poluição interior, como materiais, equipamentos, produtos de limpeza, entre outros; • Fontes de poluição exterior, como produtos da combustão de veículos, emissões industriais, pólen, deposição de resíduos, etc. O ar que os ocupantes do edifício respiram é fornecido através do sistema de ventilação, seja ele natural, mecânico ou misto (Awada et al. , 2021). A ventilação natural ocorre pelas aberturas na envolvente e depende da posição destas, da característica do fluxo, do gradiente de temperatura entre o interior e o exterior do edifício e do coeficiente de pressão (Figura 4) (Barros, 2013). Como Portugal é um país de clima ameno, porém ventoso, é expectável que a ventilação natural seja assegurada pela ação do vento, uma vez que a diferença de temperatura pode não ser suficiente na maior parte do ano (Viegas e Pinto, 2006). Figura 4. Tipos de Ventilação Natural. Adaptado de Stouhi (2021). A ventilação natural tem diversas vantagens, como proporcionar um bom condicionamento térmico e melhorar a qualidade do ar interior, além de permitir ao ocupante controlar as características do ambiente interior (L. Ferreira, 2012; V. Ferreira, 2016). Esse controlo, que pode ser feito a partir da
13 abertura das janelas, funciona como um estímulo psicológico tornando os ocupantes mais tolerantes ao ambiente, mesmo quando as condições de conforto recomendadas estão longe de ser atingidas (L. Ferreira, 2012). Caso a ventilação natural não seja suficiente para assegurar a taxa de ventilação mínima, é necessária a instalação de equipamentos para uma ventilação mecânica (Barros, 2013). Esta, por sua vez, provoca uma diferença de pressão a partir da insuflação e da extração do ar por meio de condutas associadas a ventiladores, permitindo uma diluição dos poluentes e circulação do ar interior (Barros, 2013; V. Ferreira, 2016). No entanto, o uso deste sistema conduz ao aumento do consumo de energia (V. Ferreira, 2016). Alguns estudos indicam que a ventilação mista obtém melhores resultados de satisfação com a qualidade do ar e menores custos energéticos (Ezzeldin e Rees, 2013; Gou et al. , 2014). Esse tipo de ventilação, também conhecido como híbrida, é resultado da aplicação do sistema de ventilação mecânico em conjunto com o natural, onde há um funcionamento intermitente do primeiro. Assim a taxa de ventilação é aumentada apenas quando necessário (Abreu et al. , 2011). A Figura 5 apresenta um esquema com os sistemas de ventilação. Figura 5. Sistemas de ventilação: (a) natural, (b) e (c) híbrida, e (d) mecânica. (LaborSegur, 2020) Em Portugal, a Portaria n.º 138-I/2021 (Portugal, 2021b) em concordância com a norma EN 16789-2 (CEN, 2014b), define que a taxa de renovação de ar mínima é de 0,5 h-1 para habitações e o caudal mínimo de ar novo, determinado em função da carga poluente devida à ocupação, é de 24 m3/h por pessoa (aproximadamente 6,7 l/s.ocupante) em escritórios. Contudo, Wargocki et al. (2000) sugerem que aumentar a taxa de ventilação reflete-se em benefícios para a saúde, conforto e produtividade do ocupante. O estudo feito por Milton et al. (2000) corrobora esta ideia. Nele, a comparação entre escritórios nos Estados Unidos com taxas de fornecimento de ar de 12 l/s por pessoa e 24 l/s por pessoa mostra que,
14 no primeiro, há um número significativamente maior de licenças médicas de curto prazo associado a doenças respiratórias. Além disso, algumas pesquisas destacam o maior risco de SED e outras doenças quando a taxa de ventilação é abaixo de 10 l/s por pessoa (Dimitroulopoulou e Bartzis, 2014; Fisk et al. , 2009; Seppänen et al. , 1999). Segundo Sanguessuga (2012), ambientes com taxa de renovação de ar reduzida frequentemente apresentam uma elevada concentração de partículas, microrganismos e dióxido de carbono (CO2). Um aumento na concentração deste último de 500 para 900 ppm, em ambientes interiores, pode reduzir o desempenho cognitivo dos trabalhadores de escritório (Allen et al. , 2016). Além do sistema de ventilação, o controlo dos poluentes ajuda na melhoria da qualidade do ar interior. São diversas as origens dos poluentes do ar interior: o ocupante, a atividade humana exercida, materiais de construção, equipamentos utilizados no local, produtos de limpeza, contaminantes externos, entre outros (Abreu et al. , 2011; Awada et al. , 2021; Fantozzi e Rocca, 2020). De acordo com Altomonte et al. (2020), o ar em edifícios não industriais normalmente contém diversos poluentes em baixas concentrações, sendo que alguns não são emissões primárias, mas sim produtos da transformação de poluentes internos. Fernandes (2015) destaca os poluentes mais frequentes em ambientes interiores: odores, CO2, formaldeído, compostos orgânicos voláteis totais, ozono, radão, óxidos de azoto e aerossóis. A Portaria n.º 138-G/2021 (Portugal, 2021a) estabelece os limiares de proteção e condições de referência para os poluentes do ar interior dos edifícios de comércio e serviços. Eles são divididos em duas categorias, físico-químicos e microbiológicos, e apresentados na Tabela 1 e Tabela 2, respetivamente. Alguns poluentes importantes que influenciam na saúde e conforto dos ocupantes não são abordados pela legislação portuguesa, especificamente o fumo do tabaco, os óxidos de azoto e o ozono (L. Silva, 2015). O fumo do tabaco é prejudicial não só a quem fuma, mas também às pessoas ao redor (os fumadores passivos), uma vez que libera mais 5000 substâncias nocivas a saúde humana, causando irritação das mucosas, alergias e cancro (Barros, 2013). Desde 2007, a Lei n.º 37 (Portugal, 2007b) proíbe fumar no interior de espaços em Portugal, a fim de promover a saúde pública. Os óxidos de azoto têm origem no processo de combustão, a partir de fogões e queimadores a gás, por exemplo, e afetam principalmente o sistema respiratório, podendo causar inflamações severas (L. Silva, 2015; Soares, 2017). A Agência de Proteção do Ambiente dos Estados Unidos (EPA, 2018) limita a exposição a um nível de 100 ppb por 1h e uma média anual de 53 ppb.
15 Tabela 1. Limiar de proteção para os poluentes físico-químicos. (Portugal, 2021a) Poluentes Unidade Limiar de proteção Partículas em suspensão (PM10) [μg/m3] 50 Partículas em suspensão (PM2,5) [μg/m3] 25 Compostos Orgânicos Voláteis Totais (COVs) [μg/m3] 600 Monóxido de carbono (CO) [mg/m3] 10 [ppmv] 9 Formaldeído (CH2O) [μg/m3] 100 [ppmv] 0,08 Dióxido de carbono (CO2) [mg/m3] 2250 [ppmv] 1250 Radão* [Bq/m3] 300 *A análise de radão é obrigatória em edifícios construídos em zonas graníticas, nomeadamente nos distritos de Braga, Vila Real, Porto, Guarda, Viseu e Castelo Branco. Tabela 2. Condições de referência para poluentes microbiológicos. (Portugal, 2021a) Poluentes Unidade Limiar de proteção Bactérias [UFC/m3] Concentração de bactérias totais no interior inferior à concentração no exterior, acrescida de 350 UFC/m3 Fungos [UFC/m3] Concentração de fungos no interior inferior à detetada no exterior O ozono, por sua vez, é um gás altamente radioativo e oxidante, que pode reagir com outros químicos existentes no ambiente interior, como perfumes, carpetes, móveis, vernizes, dentre outros. As suas principais fontes são fotocopiadoras, impressoras a laser e filtros eletrónicos, e a exposição a este gás pode causar infeções respiratórias, irritações nos olhos e pele, dores de cabeça, etc.. Em 2015, Agência de Proteção do Ambiente dos Estados Unidos (EPA, 2015) atualizou o limite de concentração de ozono em 0,070 ppm em média de 8 horas. Todavia, não se deve focar apenas no controlo da concentração dos poluentes, sendo importante conduzir manutenções regulares aos materiais e equipamentos com o intuito de reduzir as possíveis fontes de poluição interna (S. Silva, 2009). Isso porque materiais de construção, revestimentos e equipamentos são responsáveis por até 40% de contaminação no interior de um edifício, enquanto os sistemas de ventilação podem introduzir no ambiente interior vírus, fungos, pólen e bactérias, como, por exemplo, a Legionella (Fuente, 2013).
16 2.2.2 Conforto Térmico O conforto térmico é um fator de grande relevância para a saúde e bem-estar das pessoas (L. Ferreira, 2012). A partir de uma revisão abrangente da literatura, Frontczak e Wargocki (2011) relataram que este aspeto tem maior impacto na satisfação global dos ocupantes em relação à QAI. Segundo a ASHRAE Handbook – Fundamentals (ASHRAE, 2017) e a ISO 7730 (ISO, 2005), o conforto térmico é a “condição mental que expressa satisfação com o ambiente térmico”. Sendo assim, a criação de um ambiente térmico que satisfaça a todos é uma tarefa complexa, pois existem variações a nível físico e psicológico entre as pessoas, resultando em condições requeridas diferentes para um conforto térmico (L. Ferreira, 2012). O conforto térmico está relacionado com o equilíbrio térmico entre o corpo humano e o ambiente envolvente, ou seja, depende das trocas térmicas entre ambos (Fernandes, 2015). O corpo humano deve manter uma temperatura interna de 37ºC, tendo um mecanismo termorregulador para este propósito (L. Ferreira, 2012). Assim, quando o ocupante está satisfeito com o conforto térmico, não há trocas de calor com o ambiente e a temperatura da pele e o suor estão dentro dos limites (Barros, 2013). Além disso, é possível que o individuo esteja satisfeito com a temperatura do corpo, porém que alguma parte dele sinta um incómodo (desconforto térmico local), devido a determinada atividade ou ocorrência no local, como, por exemplo, correntes de ar. Desse modo, de acordo com ASHRAE 55 (ASHRAE, 2010) e a ISO 7730 (ISO, 2005), existem três condições essenciais para atingir o conforto térmico: (i) que o ocupante esteja termicamente neutro; (ii) que a temperatura da pele e a taxa de suor estejam dentro dos limites de acordo com a atividade realizada; e (iii) que a pessoa não sinta nenhum desconforto localizado. A ASHRAE 55 (ASHRAE, 2010) e a ISO 7730 (ISO, 2005) ainda destacam seis parâmetro para avaliar um ambiente termicamente: • Temperatura do ar; • Humidade relativa do ar; • Velocidade do ar; • Temperatura média de radiação das superfícies; • Atividade metabólica; • Resistência térmica da roupa.
17 Nota-se que os quatro primeiros parâmetros são fatores ambientais e os dois últimos são pessoais, e todos eles variam com o tempo (L. Ferreira, 2012; Mujan et al. , 2019). Além destes, outras características como idade, sexo, clima, localização geográfica, dentre outros, também influenciam no conforto térmico (ASHRAE, 2017; Cena e de Dear, 2001; Indraganti et al. , 2015; Quang et al. , 2014). Como alcançar um conforto térmico geral é um processo complicado, a insatisfação com as condições térmicas internas é conhecida por ser uma das fontes mais comuns de reclamações em relação à QAI por parte dos trabalhadores de escritórios (al Horr et al. , 2016; de Dear e Brager, 1998). Diversos estudos demonstram que essa insatisfação afeta a saúde, produtividade e bem-estar do ocupante (P. Ferreira et al. , 2012; Jamrozik et al. , 2018; Jensen et al. , 2009; Vischer, 2008). A pesquisa feita por Lan et al. (2011) concluiu que diversas manifestações negativas, como dores de cabeça e dificuldade de concentração e raciocínio claro, tem maior ocorrência quando há um aumento da temperatura. Os sintomas de SED aumentaram também no estudo realizado por Reinikainen e Jaakkola (2000), quando a temperatura do ar ultrapassava os 22°C. Já para Mikulić et al. (2016), um ligeiro aumento de 2°C da temperatura confortável resultou no declínio de 10% da produtividade do trabalhador de escritório. Seppänen et al. (2003) encontraram uma diminuição de 2% no desempenho do trabalho para um aumento de uma unidade na temperatura do escritório acima de 25°C. Destaca-se ainda que que diferentes tipos de trabalho mental podem ter diferentes temperaturas ótimas para melhorar a produtividade (al Horr et al. , 2016). Uma solução para essa situação seria a aplicação do sistema de controlo local em diferentes zonas de tarefas de um escritório. Isso ajudaria a manter o conforto e a produtividade geral dos ocupantes (al Horr et al. , 2016). Nesse sentido, Boerstra et al. (2013) descobriram que o conforto térmico dos ocupantes em escritórios europeus aumentou com o grau de controlo percebido. Um estudo conduzido por Luo et al. (2014) mostra que os ocupantes com oportunidades de controlo tinham uma temperatura neutra mais baixa no inverno do que aqueles sem controlo pessoal. Já Brager et al. (2004) revelaram que um nível mais alto de controlo sobre as janelas resultou numa temperatura neutra mais alta no verão. Assim, observa-se que o controlo por parte dos ocupantes é muito importante nos processos adaptativos e tem consequências significativas na quantidade de energia usada para assegurar aos requisitos térmicos. Da mesma forma que a temperatura, o aumento na humidade pode afetar negativamente o desempenho (Shi et al. , 2013; Tsutsumi et al. , 2007). A humidade relativa do ar (HR) é estabelecida como a razão
18 entre a tensão de vapor a uma dada temperatura e a tensão de saturação à mesma temperatura (Fernandes, 2015). Um valor baixo de HR pode provocar a secagem da pele e membranas mucosas, causando desconforto e irritação dos olhos e garganta. Por outro lado, valores altos diminuem a evaporação do suor, gerando incómodo ao ocupante, além de poder levar ao aparecimento de fungos, organismos patogénicos e alergénicos e ácaros, afetando a saúde e a qualidade do ar interior (Fernandes, 2015; S. Silva, 2009). A velocidade do ar está relacionada com as trocas de calor por convecção e evaporação, sendo de grande importância para o conforto térmico (S. Silva, 2009). Ela é definida como a velocidade média do ar à qual o corpo é exposto e pode causar desconforto térmico local devido à corrente de ar (L. Ferreira, 2012). Não há um valor mínimo definido para a velocidade de ar mas, no entanto, de acordo com ASHRAE 55 (ASHRAE, 2010), ela deve compreender valores inferiores a 0,15 m/s no inverno, para evitar desconforto local devido à corrente de ar, e um máximo de 0,8 m/s no verão para ambientes de escritório. Não menos importante, a temperatura média de radiação é definida como “a temperatura uniforme de um ambiente imaginário no qual a transferência de calor por radiação do corpo é igual à transferência por radiação num ambiente não uniforme” (S. Silva, 2009). A sua combinação com a temperatura ambiente resulta na temperatura operativa (S. Silva, 2009). O grau das trocas de calor por radiação entre o individuo e a envolvente (superfícies) é influenciado por diversos fatores, como a disposição geométrica das superfícies, a característica das superfícies opacas e envidraçadas e o corpo humano. Estas trocas de calor por radiação podem ser muito significativas em locais onde os ocupantes estão rodeados por superfícies que se encontram a temperaturas diferentes da temperatura ambiente como, por exemplo, em edifícios com grandes áreas de envidraçados (S. Silva, 2009). Algumas características da construção também influenciam no conforto térmico, tais como, a resistência térmica dos materiais constituintes do edifício, a inércia térmica, o fator solar dos envidraçados e a proteção solar (V. Ferreira, 2016). O conforto térmico, por sua vez, influência nas perceções de outros fatores da QAI, como qualidade do ar, ruído e iluminação (Geng et al. , 2017). Relativamente aos regulamentos portugueses, os primeiros padrões de conforto surgiram nos anos 80. Em 1991, entrou em vigor o Regulamento das Características do Comportamento Térmico dos Edifícios (RCCTE) que impõe os requisitos para a satisfação do conforto térmico visando a eficiência energética.
19 Em 2006, o RCCTE (Portugal, 2006b) foi revisto de forma a considerar os consumos de energia de maneira mais realista, devido ao crescente uso dos equipamentos de climatização. O Regulamento dos Sistemas Energéticos de Climatização em Edifícios (RSECE) (Portugal, 2006a), que foi aprovado em 1998 e atualizado pelo Decreto-lei 79, em 2006, complementa o RCCTE. Seu objetivo é garantir que os ocupantes dos edifícios tenham conforto térmico e qualidade do ambiente interior, principalmente através melhoria da qualidade térmica da envolvente. Além disso, visa melhorar a eficiência energética global dos edifícios, não só nos consumos para climatização, mas em todos os tipos de consumos de energia. Regulado pelo Decreto-Lei 188/2013 (Portugal, 2013), o Regulamento de Desempenho Energético dos Edifícios de Comércio e Serviços (RECS) permite uma análise do desempenho energético dos edifícios de comércio e serviços através da classificação da eficiência energética, possibilitando a emissão de um certificado energético. O RECS estabelece as condições de conforto do ambiente de referência como uma temperatura do ar de 18°C para a estação de aquecimento. 2.2.3 Conforto Acústico Além do conforto térmico, as condições acústicas também são um motivo frequente de reclamações de ocupantes de escritórios, principalmente daqueles de planta aberta (Frontczak et al. , 2011; Kim e de Dear, 2013). O conforto acústico é definido como um estado de satisfação com as condições acústicas do ambiente (Frontczak e Wargocki, 2011). Assim, qualquer som indesejado que gera incómodo, pode ser considerado como ruído (OMS, 2005). A redução deste em ambientes internos é, então, fundamental para o bem-estar e saúde dos ocupantes. Isso porque ele pode causar danos tanto a nível fisiológico como psicológico no ser humano (Altomonte et al. , 2020; Barros, 2013; Medvedev et al. , 2015). A exposição ao ruído pode causar efeitos à audição do ocupante, como redução da sensibilidade ao som em várias frequências até a perda da audição (Altomonte et al. , 2020; Fantozzi e Rocca, 2020). No entanto, ela também pode impactar outros sistemas do corpo humano, como o cardiovascular, o endócrino e o sistema nervoso central, ocasionando fadiga, interferência no sono e redução do desempenho no trabalho (Altomonte et al. , 2020; Basner et al. , 2014; Münzel et al. , 2018; Muzet, 2007). O impacto no desempenho dos trabalhadores pela insatisfação com a acústica do ambiente também foi objeto de estudos (Balazova et al. , 2008; Frontczak et al. , 2011; Toftum et al. , 2012). Segundo Mujan
20 et al. (2019), níveis elevados de ruído alteram a capacidade de lembrar e reduzem a concentração, ainda podendo causar nervosismo e ansiedade no ocupante. Em escritórios, os sons produzidos por equipamentos, como aparelhos de fax, telefones e sistemas de ar condicionado, também podem elevar os níveis de pressão arterial e hormonas de estresse dos trabalhadores (Ayr et al. , 2003). Além disso, um estudo feito por Banbury e Berry (2005) demonstrou uma queda de 66% no desempenho dos trabalhadores quando foram expostos a diferentes tipos de ruídos de fundo. Quase a totalidade dos participantes desta pesquisa relataram que sua concentração foi prejudicada por sons como os de telefones sem resposta e de outras pessoas conversando. Assim, é essencial conhecer as características dos ruídos aos quais o ambiente e seus ocupantes estão expostos, a fim de melhorar a satisfação com o aspeto acústico e, consequentemente com a QAI (Pinto, 2014). Ressalta-se ainda a importância de se obterem níveis sonoros compatíveis com as atividades a serem desenvolvidas no local (S. Silva, 2009). As fontes do ruído podem ser externas, como do tráfego rodoviário, ferroviário e aéreo e de instalações industriais ou comerciais na envolvente, ou internas, como equipamentos mecânicos e eletrónicos, sistemas e equipamentos de ventilação e AVAC, estruturas e instalações do edifício, circulação de pessoas, conversas e atividades dos próprios ocupantes (ASHRAE, 2017; Awada et al. , 2021; Banbury e Berry, 2005). Cabe ao projeto da construção e aos elementos construtivos (paredes, lajes, acabamentos, dentre outros) a capacidade de isolarem o ruído, contribuindo para um ambiente de maior conforto aos ocupantes (Gonçalves, 2008). Nesse sentido, novas pesquisas sobre a perceção da natureza multifatorial do som e o impacto restaurador na recuperação do estresse e bem-estar fisiopsicológico vem sendo realizadas (Medvedev et al. , 2015). Além disso, uma técnica chamada “mascaramento de som” vem sendo usada por projetistas de escritório para ajudar na confidencialidade e diminuir distrações. Com o uso de som ambiente de baixo nível e não invasivo, ele reduz a inteligibilidade da fala humana diminuindo o impacto da distração (al Horr et al. , 2016). A qualidade acústica de um espaço está ligada a vários parâmetros físicos, que incluem as propriedades físicas do próprio som e as propriedades físicas do ambiente. Este último é caracterizado pelo isolamento acústico, tempo de reverberação e absorção sonora, sendo relacionado ao volume do espaço e a qualidade de absorção das superfícies do local (al Horr et al. , 2016; Frontczak e Wargocki, 2011). Já o som é caracterizado pelo nível de pressão sonora em um período de curto e longo prazo e pela frequência do som (baixa - sons graves, média ou alta - sons agudos) (al Horr et al. , 2016; V. Ferreira,
21 2016; Frontczak e Wargocki, 2011). O nível de pressão sonora é uma medição logarítmica da média quadrática da pressão sonora em relação a um valor de referência (Fernandes, 2015). O ouvido humano não é capaz de perceber todos os níveis sonoros a que é exposto, sendo a sua gama audível apresentada na Figura 6. Figura 6. Gama audível. Adaptado de Cristófaro (2021). Em geral, ruídos de até 50 dB(A) são incómodos, mas aceitáveis. A partir de 55 dB(A) começa a provocar estresse leve, levando a durável desconforto. Para níveis acima de 65 dB(A) passa a ser nocivo à saúde, havendo desequilíbrio bioquímico, aumentando o risco de enfarte, derrame cerebral, infeções, osteoporose, etc. (Pimentel-Souza, 2009). Para escritórios com ar condicionado, a pressão sonora neutra pode variar entre 45 dB e 70 dB (Mui e Wong, 2006). Em Portugal, os edifícios devem respeitar o Regulamento Geral do Ruído (RGR) e o Regulamento dos Requisitos Acústicos dos Edifícios (RRAE). O RGR aprovado pelo Decreto-Lei n.º 9/2007 (Portugal, 2007a), determina o regime de prevenção e controlo da poluição sonora, na tentativa de preservar a saúde humana e bem-estar da população. O RRAE, por sua vez, foi aprovado pelo Decreto-Lei n.º 129/2002 (Portugal, 2002) e estipula os requisitos para um conjunto de parâmetros, em função do tipo de edifício, definindo o isolamento sonoro que os elementos construtivos devem respeitar, em relação aos sons de condução aérea e aos sons de percussão. Segundo ele, os edifícios de serviço devem cumprir os seguintes requisitos acústicos: a) O índice de isolamento sonoro a sons de condução aérea, D2m,nT,w, entre o exterior dos edifícios, como local emissor, e o ambiente de escritório, como local recetor, deve satisfazer o seguinte: D2m,nT,w ≥ 30 dB. 010 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120 130 140 Estúdio de gravação Estúdio de radiodifusão Rua residencial congestionada Ao longo de uma linha ferroviária Sala de estar com música ou televisão com volume reduzido No interior de um autocarro Buzina de carro alta a um metro Intensidade sonora (dB) Escritório silencioso Quarto Conversa Sensação dolorosa Aeroporto Limiar de audição
28 Particularmente para escritórios, existem diversas pesquisas que analisam a composição dos ambientes e seus efeitos na produtividade dos ocupantes. O projeto, a proximidade e a privacidade foram estudados por Haynes (2018) e Lee (2010). Já Haynes (2007a), Heerwagen et al. (2004) e Roper e Juneja (2008) relatam que os trabalhadores desejam um local livre de distrações, mas que possam interagir informalmente com os colegas. As diferenças entre os escritórios de planta aberta versus células é um tema recorrente. De acordo com Veitch et al. (2002), o escritório de planta aberta tem sido usado principalmente para reduzir os custos de acomodação. No entanto, isso resulta numa maior carga em relação a iluminação e ventilação. Os estudos de Brennan et al. (2002) e Brill e Weidemann (2002) sugerem que os ocupantes se sentem mais distraídos num escritório de plano aberto. O nível de insatisfação devido ao ruído e à falta de privacidade foram identificados como as principais fontes de insatisfação para escritórios de planta aberta. Além disso, os benefícios da interação entre colegas não compensaram as desvantagens desse tipo de ambiente de trabalho (Kim e de Dear, 2013). Embora os escritórios de planta aberta tenham problemas, Van der Voordt (2004) destaca que os escritórios celulares podem não ser adequados a todos os tipos de empresas. O autor propõe a criação de locais de trabalho flexíveis, uma combinação de espaços de trabalho compartilhados e privados que permitem que os ocupantes superem as desvantagens de cada tipo. Outro estudo demonstrou que o controlo dos ocupantes sobre o ambiente de trabalho, por exemplo a capacidade de selecionar qual espaço de trabalho usar, teve um impacto significativo na produtividade percebida (Haynes et al. , 2017). As cores aplicadas no espaço também afetam o ocupante, pois influenciam na perceção da geometria. Por exemplo, uma cor escura no teto faz com que pareça mais baixo, e nas sensações e emoções, a cor verde, que remete à natureza, traz sentimentos de calma e harmonia (Ou et al. , 2004; S. Silva, 2009). Além disso, os esquemas de cores podem afetar o desempenho e a produtividade do trabalhador (Kwallek et al. , 1988; Öztürk et al. , 2011). Um estudo feito por Mehta e Zhu (2009) demonstrou que a cor vermelha melhora o desempenho numa tarefa orientada para detalhes, enquanto o azul beneficia tarefas criativas. As cores também se relacionam com o conforto visual, onde um elevado contraste da iluminação pode causar desconforto. Adicionalmente, a utilização de cores claras pode reduzir os gastos com o sistema de iluminação, uma vez que refletem mais luz (S. Silva, 2009). Assim, a utilização adequada de cores servirá para melhorar o humor geral e o bem-estar das pessoas, bem como a produtividade das mesmas (Küller et al. , 2009).
29 Outro aspeto importante que influencia, principalmente a saúde do ocupante, é a ergonomia. Para atenuar o impacto de longos períodos sentados, o que é típico de funcionários de escritório, devem ser disponibilizados postos de trabalho ergonômicos (McArthur e Powell, 2020). Posturas desconfortáveis podem criar tensões nas articulações, músculos e nervos, desenvolvendo problemas graves no corpo humano (Alavi et al. , 2016). As desordens musculoesqueléticas relacionas com o trabalho estão entre os distúrbios ocupacionais mais comuns em todo o mundo, sendo presente em 20 a 60% dos funcionários administrativos (Hoe et al. , 2018). Em ambientes bem projetados, a ergonomia pode minimizar a tensão e o estresse causado ao corpo (Awada et al. , 2021). De acordo com MacKerron e Mourato (2013), os humanos têm um nível mais alto de felicidade e bemestar no ambiente natural. Essa natureza pode ser trazida para o ambiente construído por meio do projeto biofílico, uma abordagem que integra elementos naturais ou os usa como inspiração, visando criar espaços restauradores (Gillis e Gatersleben, 2015). Uma revisão da literatura apresentada por Gillis e Gatersleben (2015) observou que as áreas mais comuns de pesquisa sobre os efeitos psicológicos do projeto biofílico concentram-se na incorporação de plantas, de paisagens naturais e ecossistemas no ambiente interior. Outros estudos destacam ainda o uso de sons naturais, elementos olfativos, ar fresco e cores naturais (Awada et al. , 2021; Ryan et al. , 2014). A adoção de aspetos do projeto biofílico pode aumentar a produtividade, amenizar o estresse, melhorar o bem-estar, promover um ambiente de trabalho colaborativo e a satisfação dos trabalhadores, contribuindo assim para um local de trabalho de alto desempenho (Gray e Birrell, 2014). Elzeyadi (2011) relata uma redução de 10% no absenteísmo dos trabalhadores devido à inclusão da biofilia nos escritórios. O uso de plantas no interior dos escritórios, além de contribuir positivamente para a produtividade, ajuda na redução da poluição do ar interior, diminuindo os compostos orgânicos voláteis produzidos por diferentes móveis e materiais sintéticos (Grinde e Patil, 2009; Lohr et al. , 1996). O acesso a espaços verdes traz benefícios para a saúde potencialmente significativos, incluindo melhoria no desempenho cognitivo, estresse reduzido e taxas de mortalidade reduzidas (Heidari et al. , 2017). Adicionalmente, a observação da paisagem exterior através das janelas pode alterar a forma como as pessoas reagem ao ambiente interior. A vista da natureza, seja de locais ajardinados, com vegetação natural ou com água, como lagos ou fontes, ajudam a reduzir a ansiedade e a tensão dos ocupantes, fazendo com que eles se sintam menos enclausurados. Além disso, resultam no aumento da
30 produtividade e do bem-estar dos ocupantes, bem como na sensação de conforto do ambiente interior (C. Chang e Chen, 2005; Gillis e Gatersleben, 2015; S. Silva, 2009). 2.3 Qualidade da Água A qualidade, distribuição e controlo da água num edifício também desempenham um papel significativo na saúde e bem-estar dos ocupantes (Awada et al. , 2021; McArthur e Powell, 2020). Ela é, sem dúvida, o nutriente mais importante para o ser humano e o único cuja ausência será letal em alguns dias (Popkin et al. , 2010). São diversas as consequências da desidratação, mesmo que leve, no homem. A título de exemplo destacam-se: o decréscimo no desempenho físico, problemas gastrointestinais, renais e cardíacos, e dores de cabeça constantes (Popkin et al. , 2010). O desempenho cognitivo também pode ser afetado pela falta de água. Uma pesquisa feita por Shirreffs et al. (2004) demonstra que a capacidade de concentração e o estado de alerta dos participantes foram reduzidos, no período de restrição de fluídos. Outros estudos apresentam que níveis leves a moderados de desidratação podem prejudicar o desempenho em tarefas como memória de curto prazo, discriminação percetual, habilidade aritmética e habilidades psicomotoras (Cian et al. , 2001; D’anci et al. , 2009). Além da desidratação, o consumo de água de baixa ou má qualidade pode causar surtos de doenças que, na maioria dos casos, requerem hospitalização (Cunliffe et al. , 2011; Whelton et al. , 2015). Esses surtos podem acontecer por contaminações químicas ou microbianas e são devidos a falhas nos sistemas de água, crescimento de micróbios ou conexão cruzada entre a água potável e diversas fontes de poluição (Awada et al. , 2021). A doença do legionário por exemplo, embora não seja um risco significativo em sistemas de água potável, tem origem em fontes de água e é disseminada por gotículas de água através do ar interior. Se não for tratada, pode levar à morte de pessoas mais vulneráveis, especialmente aquelas com mais de 50 anos (Cunha et al. , 2016). Por isso é essencial um bom projeto e gestão do sistema de água de um edifício. Em Portugal, o Decreto-Lei n.º 152/2017 (Portugal, 2017) apresenta o regime da qualidade da água para consumo humano. Ele visa proteger a saúde humana dos efeitos nocivos resultantes da eventual contaminação da água, além de assegurar a disponibilização de água salubre, limpa e equilibrada na sua composição a toda a população. Os parâmetros estabelecidos por ele para verificação da conformidade da água são apresentados na Tabela 4, Tabela 5 e Tabela 6.
31 Tabela 4. Parâmetros microbiológicos. (Portugal, 2017) Parâmetro Unidade Valor paramétrico Escherichia coli (E. coli) N/100 ml 0 Enterococos N/100 ml 0 Fora as orientações dadas pelo governo, existem ações adicionais que podem ser tomadas no nível do edifício para fornecer proteção extra contra doenças transmitidas pela água e fornecer água potável com características além dos requisitos locais. Tratamento UV, mitigação da turbidez e remoção de metais pesados contribuem para a redução do mau gosto, odor ou cor da água, os quais podem parecer desagradáveis para os ocupantes do edifício e reduzir a quantidade de água que consomem (OMS, 2008). Tabela 5. Parâmetros químicos. (Portugal, 2017) Parâmetro Unidade Valor paramétrico Acrilamida μg/l 0,10 Antimónio μg/l Sb 5,00 Arsénio μg/l As 10 Benzeno μg/l 1,00 Benzo(a)pireno μg/l 0,01 Boro mg/l B 1,00 Bromatos μg/l BrO3 10 Cádmio μg/l Cd 5,00 Cianetos μg/l CN 50 Chumbo μg/l Pb 10 Cloreto de vinilo μg/l 0,50 Crómio μg/l Cr 50 Cobre mg/l Cu 2,00 1,2-dicloroetano μg/l 3,00 Epicloridrina μg/l 0,10 Fluoretos mg/l F 1,50 Hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAP) μg/l 0,10 Mercúrio μg/l Hg 1,00 Níquel μg/l Ni 20 Nitratos mg/l NO3 50 Nitritos mg/l NO2 0,50 Pesticida individual μg/l 0,10 Pesticidas - total μg/l 0,50 Selénio μg/l Se 10 Tetracloroeteno e Tricloroeteno μg/l 10 Trihalometanos (THM) μg/l 100
32 Tabela 6. Parâmetros indicadores. (Portugal, 2017) Parâmetro Unidade Valor paramétrico Alumínio μg/l Al 200 Amónio mg/l NH 0,50 Bactérias coliformes N/100 ml 0 Cálcio mg/l Ca 100 Carbono orgânico total (COT) mg/l C Sem alteração anormal Cheiro, a 25°C Fator de diluição 3 Cloretos mg/l Cl 250 Cloritos mg/l ClO2 0,70 Cloratos mg/l ClO3 0,70 Clostridium perfringens (incluindo esporos). N/100 ml 0 Condutividade μS/cm a 20°C 2500 Cor mg/l PtCo 20 Desinfetante residual mg/l - Dureza total mg/l CaCO3 ≥ 150 e ≤ 500 Ferro μg/l Fe 200 Magnésio mg/l Mg 50 Manganês μg/l Mn 50 Microcistinas — LR total μg/l 1 Número de colónias a 22°C N/ml a 22°C Sem alteração anormal Número de colónias a 36°C N/ml a 36°C Sem alteração anormal Oxidabilidade mg/l O2 5 pH Unidades de pH ≥ 6,50 e ≤ 9,50 Sabor, a 25°C Fator de diluição 3 Sódio mg/l Na 200 Sulfatos mg/l SO4 250 Turvação UNT 4 Dose indicativa (DI) mSv 0,10 Radão Bq/l 500 Trítio Bq/l 100 2.4 O Ocupante e a Comunidade Existem outros aspetos, para além dos que influenciam a QAI, que podem afetar a saúde, o bem-estar e a produtividade dos ocupantes de um edifício. A atividade física é um deles (McArthur e Powell, 2020). Um estudo realizado pela OMS (2003) nos Estados Unidos demonstrou que introduzir programas de atividade física regularmente no local de trabalho pode reduzir as licenças médicas de curto prazo em até 32%, diminuindo também os custos com saúde (de 20 a 55%). Adicionalmente, a produtividade dos trabalhadores pode aumentar em até 52%.
33 Sallis et al. (2016) destacam que a inatividade física é uma das principais causas de morte prematura e doenças crónicas, como diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e depressão. Nesse sentido, Buckley et al. (2015) também evidenciaram os riscos para a saúde associados ao trabalho de escritório cada vez mais sedentário e apresentou diretrizes para mitigá-los. A utilização de estações de trabalho ativas, como mesas equipadas com esteiras ou bicicletas, bem como a disponibilização de locais seguros para armazenar bicicletas e balneários para apoiar os trabalhadores ativos, estão cada vez mais a ser adotados em edifícios de escritórios (Podrekar et al. , 2020; Zhu et al. , 2020). Uma pesquisa feita por de Cocker et al. (2015) sobre a aceitabilidade de medidas no local de trabalho para lidar com o comportamento sedentário demonstrou que essas instalações são benéficas, porém o seu uso deve ser uma escolha do funcionário, em vez de forçá-lo. Outra solução que pode ser aplicada é proporcionar espaços dedicados à atividade física. Segundo Shephard (1992), criar um ginásio ou centro fitness no interior do edifício reduz as barreiras à aptidão física, levando à diminuição dos custos com saúde por parte da empresa. Além disso, disponibilizar equipamentos de fitness ao ar livre ou percursos pedestres no exterior do edifício, promove um maior bem-estar através da ligação com a natureza (McArthur e Powell, 2020). Alguns estudos apontam que o simples ato de usar as escadas mais vezes ao dia gera benefícios para a saúde (Kerr et al. , 2004; Rey-Lopez et al. , 2019; Soler et al. , 2010; Van Nieuw-Amerongen et al. , 2009). Assim, incentivar o movimento dos ocupantes é importante para abandonar o aspeto de escritório sedentário e promover a saúde, o bem-estar e a produtividade do trabalhador (McArthur e Powell, 2020). Impulsionar opções de viagem até o trabalho como caminhar ou andar de bicicleta pode ser visto como a melhor maneira de aumentar a atividade física, pois permite que as pessoas realizem duas coisas ao mesmo tempo (Toronto Public Health, 2012). Além disso, usar o transporte público resulta em andar até 30 minutos a mais do que aquelas pessoas que usam viatura própria (Besser e Dannenberg, 2005). Deste modo, escritórios localizados próximos a serviços de transporte público, ciclovias de boa qualidade e com boa capacidade de caminhada tendem a proporcionar um acesso mais fácil e conveniente aos funcionários, resultando em maior satisfação por parte deles (Duffy et al. , 1992; Leaman, 1995). Edifícios de escritórios localizado perto de uma grande infraestrutura de transporte público têm o potencial de reduzir de 20 a 40% o uso de combustível por pessoa, sendo, consequentemente, mais económico para o ocupante e sustentável para o planeta (Haider et al. , 2013). Uma pesquisa feita por Gordon-Larsen et al. (2009) concluiu que funcionários que costumam ir de bicicleta para o trabalho
34 adoecem com menos frequência, resultando em menos absenteísmo em comparação com colegas que não pedalam. A presença de amenidades perto do local de trabalho também pode influenciar a produtividade dos funcionários. Segundo Deng e Gao (2010), as amenidades e os serviços foram classificados em quarto lugar numa pesquisa de satisfação no local de trabalho. Destacam-se cinco tipos principais de amenidades para se ter perto de um ambiente de trabalho: clínica de saúde; espaços recreativos; instalações desportivas; opções de entretenimento e creches (al Horr et al. , 2016). É amplamente conhecido que, aliada à atividade física regular, uma dieta saudável traz melhores resultados à saúde humana (McArthur e Powell, 2020). No entanto, poucos são os estudos que relacionam a alimentação com o ambiente de trabalho. Atualmente, há um interesse crescente por parte dos consumidores de conhecer a origem dos seus alimentos, em busca de produtos menos industrializados (The Nielsen Company, 2016). Nesse sentido, as empresas podem contribuir disponibilizando espaço para a realização de refeições e para a produção de alimentos no local de trabalho ou nas proximidades, ou criar um espaço para aquecer refeições confecionadas em casa. Isso não só promove uma alimentação saudável, mas também a atividade física, o contato com a natureza e a sustentabilidade ambiental (McArthur e Powell, 2020). Além disso, de acordo com Crutchfield et al. (2001), existem benefícios económicos por meio de rotulagem nutricional e dimensionamento adequado das porções. Este estudo calcula uma economia de até US$ 125 milhões anualmente devido ao potencial de redução de derrames e doenças cardíacas, por adoção da alimentação saudável. Outro aspeto cuja relevância vem crescendo nos últimos tempos é a abordagem sobre a saúde mental no trabalho. A pesquisa feita por Goetzel et al. (2018) relaciona as doenças mentais aos custos económicos, de saúde, produtividade e segurança nesse local. Estudos recentes ainda revelam que as intervenções são moderadamente eficazes na análise dessa questão social e têm um impacto significativo na diminuição de faltas do trabalhador (Chen et al. , 2015; Wagner et al. , 2016). Nesse sentido, a adoção de melhores políticas para licença familiar, licença parental e apoio por luto, além de maior flexibilidade para os pais, refletiu no aumento da produtividade, redução do absenteísmo e dos custos de recrutamento e retenção, diminuindo a rotatividade de pessoal (Lero e Fast, 2018).
35 2.5 Síndrome do Edifício Doente Em busca de melhores desempenhos energéticos, edifícios construídos na década de setenta priorizavam a diminuição da ventilação natural a partir de uma maior estanquidade da envolvente, criando os chamados "edifícios estanques" (Brickus e Neto, 1999; Sanguessuga, 2012). Assim, na década de oitenta (século XX), começaram a surgir relatos de desconforto e problemas de saúde associados à permanência dos ocupantes em edifícios, sejam residenciais, comerciais ou de serviços (Sanguessuga, 2012; A. Silva, 2017). Os principais sintomas apresentados eram irritação dos olhos, nariz e garganta, secura da pele e mucosas, fadiga mental, sonolência, dor de cabeça, dificuldade respiratória, tosse, náuseas, dentre outros (Fuente, 2013; S. Silva, 2009). E a principal particularidade é que eram manifestações transitórias, já que normalmente eles desapareciam quando as pessoas afetadas deixavam o edifício (Carmo e Prado, 1999). Assim, em 1982, foi identificado pela OMS o fenómeno da SED, caracterizado por um conjunto de sintomas sem causa conhecida, que afetam pelo menos 20% dos ocupantes a partir da permanência em edifícios com problemas de QAI (Abreu et al. , 2011; Sanguessuga, 2012; S. Silva, 2009). Os principais fatores responsáveis pela SED são (INSST, 1991): • Agentes químicos, como formaldeído, COV’s, poeira, fibras, CO, CO2, óxidos de nitrogénio, ozono, etc.; • Agentes biológicos, por exemplo bactérias, fungos, esporos, toxinas e ácaros; • Agentes físicos, tal como iluminação, ruído, vibrações, ambiente térmico, humidade relativa, ventilação; e • Agentes psicossociais, exemplificativamente a organização do trabalho, as relações interpessoais e o controlo das condições ambientais. A idade do edifício, o género e a idade do ocupante podem influenciar de diferentes formas no risco da SED (Sanguessuga, 2012). Muitas vezes a origem dos fatores de risco está na falta de manutenção dos equipamentos e do ambiente interior, de forma geral (Carmo e Prado, 1999). Outra possibilidade de diagnóstico são as Doenças Relacionadas com o Edifício (DRE) que provocam doenças reais, como asma, infeções bacteriológicas, virais ou por fungos. A SED, por sua vez, não provoca doenças, mas pode agravar males de pessoas predispostas ou, como já referido, de provocar um estado doentio transitório (Carmo e Prado, 1999; A. Silva, 2017; S. Silva, 2009). A DRE pode ser
36 detetada por testes de laboratório, enquanto a SED pode não ter nenhum agente causador identificado. Geralmente, a DRE é um estágio avançado da SED (Carmo e Prado, 1999; S. Silva, 2009). Segundo a OMS, dos edifícios europeus construídos entre os anos 70 e 80, mais de 30% são vulneráveis a sofrer desse tipo de síndrome (Abreu et al. , 2011). Hoje em dia, a SED é classificada como um problema de saúde pública e só nos Estados Unidos, o custo anual atribuído a ela para empresas comerciais é estimado entre US$ 10 mil milhões a US$ 70 mil milhões, o que indica a dimensão do problema e justifica a preocupação mundial sobre o assunto (Awada et al. , 2021). 2.6 Ferramentas de Avaliação de Edifícios Nos últimos tempos, tem havido uma tendência na construção civil que enfatiza o baixo consumo de energia e a redução nos impactos que essa indústria tem no meio ambiente (Baleta et al. , 2019; Ingrao et al. , 2018). Nesse sentido, é cada vez maior o número de edifícios certificados a partir de ferramentas de avaliação da sustentabilidade (Mujan et al. , 2019). Essas ferramentas, embora diferentes umas das outras, possuem algumas categorias semelhantes, como eficiência energética, consumo de água, sustentabilidade do local, dentre outras. E, recentemente, muitos métodos passaram a adotar a QAI em sua avaliação, com o propósito de melhorar a satisfação do ocupante com o edifício e, consequentemente, aumentar a produtividade (Mujan et al. , 2019). No entanto, a sua abordagem é, muitas vezes, superficial e genérica. O estudo feito por Rohde et al. (2019) comparou o conteúdo relacionado a QAI de cinco dessas certificações. O resultado demonstrou que o peso geral da QAI (analisando parâmetros de qualidade do ar interior, conforto térmico, acústico, visual e controlo do ocupante sobre eles) variou de 10% a 31% do esquema total, que é relativamente baixo devido a sua importância. Alguns estudos sugerem que há uma influência positiva na produtividade dos ocupantes de edifícios “verdes” (Abbaszadeh et al. , 2006; Singh et al. , 2010). A pesquisa feita por Newsham et al. (2013) demonstra, também, que essas construções tiveram melhores desempenhos de QAI quando comparados às convencionais. Um melhor desempenho cognitivo dos trabalhadores ainda foi observado por MacNaughton et al. (2017). Apesar disso, Liang et al. (2014) comparou dados de monitoramento da QAI e de pesquisas de satisfação dos ocupantes conduzidas em edifícios certificados e comuns de Taiwan. O resultado demonstrou que as medições de ambos estavam acima do padrão, enquanto a satisfação geral era maior nos edifícios ecológicos. Isso se deve ao facto de que os trabalhadores tendem a perdoar e avaliar as condições
37 internas de maneira mais altas do que em edifícios convencionais, mesmo quando a satisfação no trabalho não é maior (Leaman e Bordass, 2007). A investigação feita por Altomonte et al. (2017) a partir de um banco de dados com 93 edifícios de escritórios com classificação LEED e mais de 11.000 respostas dos ocupantes, revelou que a satisfação dos ocupantes não aumentou com os créditos concedidos a um determinado fator da QAI, como era esperado. Além disso, a satisfação no trabalho não foi afetada pela certificação concedida. Tal resultado poderá estar relacionado com o facto das métricas de avaliação da QAI da referida certificação não terem sido definidas tendo em vista a maior satisfação do ocupante. Este cenário representa um desafio para os sistemas de classificação, principalmente devido às diferenças que caracterizam o local de trabalho e a particularidade dos ocupantes (Altomonte et al. , 2017). Outro estudo relatou que não havia nenhuma diferença significativa entre edifícios “verdes” e tradicionais no conforto térmico e na qualidade do ar interior (Pei et al. , 2015). Isso demonstra que, para que haja uma melhora considerável na satisfação, saúde, conforto e produtividade do ocupante, a QAI deve ser abordada de forma mais profunda pelas certificações. Awada et al. (2021) apresenta um resumo do conceito de construção saudável, relacionando os aspetos a serem considerados na promoção do bem-estar físico, mental e social dos ocupantes (Figura 8). Nos próximos tópicos serão apresentadas as principais metodologias de avaliação de edifícios que consideram a QAI dentro de seus critérios de análise. A maioria delas ( Active House , BREEAM, CASBEE, DGNB, Green Globes SI , Green Star – Interiors , HQE, LEED, LiderA e SBToolPT STP) são ferramentas para a certificação da sustentabilidade do edifício, enquanto as outras (BEAM Plus Interiors , Fitwel , NABERS IE e WELL) fazem uma análise focada na QAI. Figura 8. Conceito de edifícios saudáveis. Adaptada de Awada et al (2021).
44 2.6.8 Green Star – Interiors O Green Star – Interiors (Green Building Council of Australia, 2019) fornece às equipas de projeto, proprietários e utilizadores referências de melhores práticas para o desenvolvimento de ambientes interiores sustentáveis. Criado na Austrália, em 2012, possui mais de 160 projetos certificados, sendo avaliado espaços de escritórios, hotéis, restaurantes, escolas, entre outros. Essa ferramenta auxilia na avaliação da sustentabilidade dos projetos de forma objetiva, incentivando uma nova abordagem para projetar e construir no país. Ela ainda visa promover a responsabilidade social corporativa e compromisso com o ambiente de trabalho. Sua avaliação é feita a partir das seguintes categorias: gestão; qualidade do ambiente interior; energia; transporte; água; materiais; uso do solo e ecologia; emissões; e inovação (Green Building Council of Australia, 2019). A Tabela 14 exibe as categorias e seus indicadores que influenciam na QAI e na saúde e bem-estar dos ocupantes. Tabela 14. Categorias e indicadores do Green Star – Interiors relacionados a QAI e aos ocupantes. Adaptada de Green Building Council of Australia (2019) Categoria Indicador Qualidade do Ambiente Interior Qualidade do ar interior Conforto acústico Conforto lumínico Conforto visual Poluentes interiores Conforto térmico Qualidade das amenidades Ergonomia Emissões Controlo microbiano Impactos do refrigerante Transporte Transporte sustentável 2.6.9 HQE O Haute Qualité Environnementale (HQE) (Cerway, 2016) é uma certificação de construção sustentável criada na França, sendo apresentada a versão internacional em 2013. Presente em 25 países, possui em sua avaliação requisitos internacionais genéricos, podendo fazer ajustes de critérios para melhor adequação ao local. Esse método de avaliação considera todo o ciclo de vida do edifício, podendo ser aplicado à construção, renovação e operação de edifícios residenciais, escritórios, hotéis, lojas, entre outros, além de
45 compreender também o planeamento e desenvolvimento urbano. Ele valoriza o equilíbrio entre o meio ambiente, a qualidade de vida e o desempenho económico por meio da abordagem das seguintes categorias: local; componentes; campo de trabalho; energia; água; resíduo; manutenção; conforto higrotérmico; conforto acústico; conforto visual; conforto olfativo; qualidade dos espaços; qualidade do ar; e qualidade da água (Cerway, 2016). As categorias e indicadores do HQE que influenciam na QAI e na saúde e bem-estar dos ocupantes são apresentadas na Tabela 15. Tabela 15. Categorias e indicadores do HQE relacionados a QAI e aos ocupantes. Adaptada de Cerway (2016) Categoria Indicador Local Qualidade dos espaços ao ar livre acessíveis aos ocupantes Impactes da edificação sobre os moradores locais Componentes Escolhas de construção para a sustentabilidade e adaptabilidade do edifício Escolhas de construção para facilitar a manutenção do edifício Escolhendo produtos de construção para limitar o impacto relacionado à saúde Resíduo Otimizando a reciclagem de resíduos operacionais Qualidade do sistema operacional de gestão de resíduos Manutenção Otimizando o projeto do edifício para manutenção e serviços simplificados dos sistemas de construção Conforto Higrotérmico Medidas arquitetónicas destinadas a otimizar o conforto higrotérmico Criando condições de conforto higrotérmico no modo de aquecimento Criando condições de conforto higrotérmico em salas que não têm acesso a um sistema de refrigeração Criando condições de conforto higrotérmico no modo de resfriamento Conforto Acústico Criando um ambiente acústico de qualidade adequado para as várias salas Conforto Visual Otimizando a iluminação natural Iluminação artificial confortável Conforto Olfativo Controlando as fontes de odores desagradáveis Qualidade dos Espaços Criando condições especiais de saúde Qualidade do Ar Garantindo ventilação eficaz Controlando fontes de poluição do ar interior Qualidade da Água Qualidade do projeto da rede de água interna do edifício Controlar a temperatura no interior da rede de água interna do edifício Controlo de tratamentos de água 2.6.10 LEED O Leadership in Energy and Environmental Design (LEED) (Green Building Council, 2021) é um sistema de classificação mundial para o projeto, construção, operação e desempenho de edifícios verdes. Criado em 1998 nos Estados Unidos e com mais de 93.000 projetos certificados atualmente, está disponível
46 para praticamente todos os tipos de edifícios. O método incentiva o projeto de edifícios altamente eficientes e econômicos, visando diminuir os custos operacionais, aumentar o valor dos ativos e garantir a produtividade, conforto, saúde e bem-estar para os ocupantes. Seus critérios de avaliação estão divididos em nove categorias: processo integrativo; localização e transporte; locais sustentáveis; eficiência da água; energia e atmosfera; materiais e recursos; qualidade do ambiente interior; inovação; e prioridade regional. Essa última se refere a créditos identificados pelos conselhos regionais como tendo importância adicional para a localização geográfica do projeto (Green Building Council, 2021). A Tabela 16 apresenta as categorias e indicadores relacionados a QAI e aos ocupantes do espaço a ser avaliado. Tabela 16. Categorias e indicadores do LEED relacionados a QAI e aos ocupantes. Adaptada de Green Building Council (2021) Categoria Indicador Categoria Indicador Localização e Transporte LEED para local de desenvolvimento de bairro Qualidade do Ambiente Interior Desempenho mínimo da qualidade do ar interior Local de alta prioridade e desenvolvimento equitativo Estratégias aprimoradas de qualidade do ar interior Densidade envolvente e diversos usos Controlo ambiental da fumaça do tabaco Acesso ao trânsito de qualidade Materiais de baixa emissão Instalações para bicicletas Conforto térmico Pegada de estacionamento reduzida Iluminação interior Veículos elétricos Luz do dia Locais Sustentáveis Proteger ou restaurar o habitat Vista de qualidade Espaço aberto Desempenho acústico Redução da poluição luminosa Materiais e Recursos Armazenamento e coleta de recicláveis Energia e Atmosfera Gestão fundamental de refrigerante Planejamento de gestão de resíduos de construção e demolição Gestão aprimorada de refrigerante 2.6.11 NABERS IE O National Australian Built Environment Rating System Indoor Environment (NABERS IE) (State of NSW and Office of Environment and Heritage, 2015) é um sistema de classificação de edifícios e locações criado na Austrália em 2010 visando melhorar o ambiente interior. Com mais de 700 projetos certificados, ele permite avaliar apenas edifícios de escritório até o momento. Essa certificação mede fatores que influenciam na QAI e compara o seu desempenho com um conjunto de benchmarks que refletem os padrões da indústria da construção australiana, pesquisas científicas e desempenho atual do mercado de edifícios de escritórios. Com o NABERS IE é possível classificar um
47 edifício a partir de três vertentes: uma para os serviços do edifício básico projetada para proprietários e gerentes de edifícios; uma para os ocupantes como inquilinos; e uma que avalia todo o edifício para organizações que gerenciam e ocupam seu espaço de escritório (State of NSW and Office of Environment and Heritage, 2015). A Tabela 17 apresenta suas categorias e indicadores. Tabela 17. Categorias e indicadores do NABERS IE. Adaptada de State of NSW and Office of Environment and Heritage (2015) Categoria Indicador Qualidade do ar Eficácia da ventilação Níveis de poluentes internos Conforto percebido em relação à qualidade do ar Serviços térmicos Temperatura do ar Temperatura radiante média Humidade relativa Velocidade do ar Conforto térmico percebido Conforto acústico Níveis de som no espaço ocupado Conforto percebido em relação aos níveis de som Iluminação Níveis de luz horizontais Conforto percebido em relação aos níveis de luz Disposição do escritório Satisfação percebida em relação à disposição física do espaço do escritório 2.6.12 WELL O WELL Building Standard (WELL) (International WELL Building Institute, 2021) é um sistema de certificação centrado no ocupante. Desenvolvido nos Estados Unidos em 2013, ele está presente em mais de 60 países com mais de 4.000 projetos. Essa ferramenta visa medir, certificar e monitorizar os parâmetros do ambiente construído que afetam a saúde e o bem-estar humanos, por meio do ar, água, nutrição, luz, condicionamento físico, conforto e mente. Para isso, ela estabelece padrões de desempenho para intervenções no projeto, protocolos operacionais e políticas, além de promover a cultura de saúde e o bem-estar (International WELL Building Institute, 2021). A Tabela 18 mostra as categorias e os seus indicadores, relacionados com a QAI e aos ocupantes do ambiente a ser avaliado.
48 Tabela 18. Categorias e indicadores do WELL relacionados a QAI e aos ocupantes. Adaptada de International WELL Building Institute (2021) Categoria Indicador Categoria Indicador Ar Qualidade do ar Som Mapeamento de som Ambiente livre de fumaça Níveis máximos de ruído Projeto de ventilação Barreiras de som Gestão de poluição da construção Tempo de reverberação Qualidade do ar aprimorada Superfícies de redução de som Projeto de ventilação aprimorado Som de fundo mínimo Janelas operáveis Gestão de ruído de impacto Monitoramento e conscientização da qualidade do ar Dispositivos de áudio aprimorados Gestão de infiltração de poluição Conservação da saúde auditiva Minimização da combustão Materiais Restrições de materiais Separação de fontes Gestão de materiais perigosos interiores Filtragem de ar CCA e gestão de chumbo Fornecimento de ar aprimorado Perigos do local Controle de micróbios e mofos Restrições de material aprimoradas Conforto térmico Performance térmica Restrições de COV Conforto térmico verificado Transparência de materiais Zoneamento térmico Otimização de materiais Controle térmico individual Gestão de resíduos Conforto térmico radiante Manejo de pragas e uso de pesticidas Monitoramento de conforto térmico Produtos de limpeza e protocolos Controle de humidade Redução de contato Janelas operáveis aprimoradas Luz Exposição à luz Conforto térmico ao ar livre Projeto de iluminação visual Comunidade Promoção da saúde e bem-estar Projeto de iluminação circadiana Preparação para emergências Controle de brilho de luz elétrica Pesquisa de ocupantes Estratégias de projeto para luz do dia Pesquisa de ocupantes aprimorada Simulação de luz do dia Serviços de saúde e benefícios Equilíbrio visual Promoção de saúde e bem-estar aprimorada Qualidade da luz elétrica Suporte aos novos pais Controlo de iluminação dos ocupantes Apoio à nova mãe Água Indicadores de qualidade da água Apoio da família Qualidade da água potável Engajamento cívico Gestão básica da água Diversidade e inclusão Qualidade da água aprimorada Acessibilidade e projeto universal Gestão da qualidade da água potável Recursos de emergência Promoção de água potável Resiliência e recuperação de emergência Gestão de humidade Práticas trabalhistas responsáveis Suporte de higiene
49 Categoria Indicador Categoria Indicador Movimento Edifícios e comunidades ativos Mente Promoção da saúde mental Projeto ergonómico da estação de trabalho Natureza e lugar Rede de circulação Serviços de saúde mental Instalações para ocupantes ativos Educação em saúde mental Planejamento e seleção do local Gestão de estresse Oportunidades de atividade física Oportunidades restaurativas Mobiliário ativo Espaços restauradores Espaços e equipamentos de atividade física Programação restaurativa Promoção de atividade física Acesso aprimorado à natureza Auto-monitoramento Cessação do tabaco Programação de ergonomia Serviços de uso de substâncias Nutrição Frutas e vegetais Nutrição Educação alimentar Transparência nutricional Alimentação consciente Ingredientes refinados Dietas especiais Publicidade de alimentos Fornecimento responsável de alimentos Ingredientes artificiais Produção de alimentos Tamanhos das porções Ambiente alimentar local 2.6.13 SBToolPT STP O Sustainable Building Tool (SBTool) (ECOCHOICE e Universidade do Minho - Laboratório de Física e Tecnologia, 2013) é uma ferramenta voluntária internacional de avaliação e reconhecimento da sustentabilidade, desenvolvida pela International Initiative for a Sustainable Built Environment (iiSBE). Essa certificação é resultado de um consórcio de equipas que representam mais de 20 países e pode avaliar diversos tipos de edifícios. Adaptado ao contexto português, o SBToolPT STP avalia edifícios de serviços de forma a incluir as três dimensões do desenvolvimento sustentável (meio ambiente, sociedade e economia), a partir da análise de vinte e seis indicadores. Elaborada para limitar o uso de critérios subjetivos e/ou qualitativos, essa certificação visa incluir os impactos mais importantes dos edifícios ao ambiente, apresentando uma lista reduzida de critérios para potencializar a sua utilização na prática (ECOCHOICE e Universidade do Minho - Laboratório de Física e Tecnologia, 2013). Os indicadores e categorias associados à QAI e ao bem-estar e saúde do ocupante são apresentados na Tabela 19.
50 Tabela 19. Categorias e indicadores do SBToolPT STP relacionados a QAI e aos ocupantes. Adaptada de ECOCHOICE e Universidade do Minho - Laboratório de Física e Tecnologia (2013) Categoria Indicador Materiais, Resíduos Sólidos e Gestão de Recursos Gestão Ambiental Conforto e saúde dos utilizadores Qualidade do ar interior Conforto térmico Conforto lumínico Conforto acústico Sustentabilidade do local Acessibilidade a transportes públicos Acessibilidade a amenidades Acessibilidade Plano de Mobilidade Segurança Segurança dos ocupantes 2.6.14 LiderA O LiderA – Sistemas de avaliação da sustentabilidade (Pinheiro, 2019) é uma certificação portuguesa, que visa melhorar a sustentabilidade do ambiente construído considerando a criação e valor. Criado em 2005, consta com mais de 1000 projetos avaliados. Este método permite certificar diferentes tipologias como residencial, turismo, serviços, comercial, entre outros, bem como diferentes escalas (como moradia, edifício, zona urbana e empreendimento) em diferentes fases (projeto, construção, operação e reabilitação). A sua abordagem integra aspetos ambientais, sociais e económicos, disponibilizando estrutura, orientação e assessoria para atingir de forma eficiente a sustentabilidade a partir da análise de cinco categorias (Integração Local, Recursos, Qualidade do Serviço e Resiliência, Vivências Socioeconómicas e Uso Sustentável) (Pinheiro, 2019). As categorias que influenciam a QAI e a saúde e bem-estar dos ocupantes, bem como seus indicadores, são as apresentadas na Tabela 20. Tabela 20. Categorias e indicadores do LiderA relacionados a QAI e aos ocupantes. Adaptada de Pinheiro (2019) Categoria Indicador Categoria Indicador Integração Local Paisagem Energia e Património Qualidade do Serviço e Resiliência Qualidade do serviço Vivências Socioeconómicas Acessibilidade Recursos Materiais Espaço para todos Produção Alimentar Vitalidade social Resíduos Amenidades e Cultura Outras emissões Uso Sustentável Conectividade
51 3 METODOLOGIA 3.1 Enquadramento Neste capítulo é descrita a abordagem aplicada para a seleção do conteúdo do método desenvolvido neste trabalho, apresentando os critérios para a escolha das categorias, indicadores e parâmetros. Além disso, é explicado como foi definido o sistema de pontuação e os pesos adequados para a avaliação integrada dos diversos indicadores. 3.2 Considerações Gerais O sistema desenvolvido neste estudo é destinado a avaliar o potencial dos edifícios de escritórios em fornecer uma boa QAI aos trabalhadores. Ele visa também apoiar as equipas de projeto nas suas escolhas referentes às soluções técnicas disponíveis no mercado português. Assim sendo, busca-se proporcionar um ambiente para estimular a produtividade, que seja saudável e confortável para ocupante, desde as primeiras etapas de conceção do edifício. Para isso, o método foi fundamentado nas seguintes prioridades: • Deve ser baseado no estado da arte atual, considerando os mais importantes e recentes sistemas de avaliação da sustentabilidade e da QAI, além dos trabalhos em curso que visam a normalização dos sistemas de avaliação; • Deve fundamentar-se em regulamentos e normas existentes, tanto nacionais como internacionais, sempre que possível; • Deve apresentar uma lista de indicadores otimizada, com o intuito de facilitar o uso do método. Na criação dessa avaliação tentou-se considerar parâmetros suficientes para abranger os impactes mais relevantes associados à QAI e ao bem-estar do ocupante, limitando a utilização de indicadores qualitativos ou subjetivos que são de difícil validação. Deste modo, as seguintes etapas foram adotadas para o desenvolvimento do método proposto: • Seleção dos métodos de avaliação da sustentabilidade e da QAI a serem considerados como base; • Definição das categorias, indicadores e parâmetros que serão avaliados; • Definição da metodologia de cálculo de cada parâmetro e dos benchmarks aplicados à realidade portuguesa;
52 • Definição do sistema de agregação e de pesos. 3.3 Seleção dos Métodos de Avaliação de Edifícios Para a seleção dos sistemas de avaliação de edifícios que servirão de base no desenvolvimento da proposta deste estudo, foram considerados os seguintes critérios: • Tipo de avaliação: deverá permitir a avaliação da sustentabilidade ou da QAI de edifícios; • Tipo de espaço: deverá permitir a avaliação de edifícios de escritórios, podendo avaliar outros tipos paralelamente, como habitações, hotéis, hospitais, dentre outros; • Abrangência do domínio: deverá ter em consideração pelo menos um indicador relacionado a QAI. Com base nesses critérios, catorze métodos de avaliação foram selecionados. 3.4 Categorias, Indicadores e Parâmetros Abordados Segundo Mateus (2009), um parâmetro representa uma característica de um fenómeno, ambiente ou área, que pode ser medida ou calculada. O valor associado a um parâmetro, ou a combinação de vários, é conhecido como um indicador, e uma categoria, por sua vez, é um conjunto de indicadores. Neste sentido, para a definição das categorias, os métodos selecionados foram analisados e as suas categorias de avaliação foram identificadas a partir de informações contidas em documentos disponíveis nas páginas oficiais. Além disso, foram considerados os estudos apresentados no estado da arte, capítulo 2 deste trabalho. Destaca-se aqui a pesquisa elaborada por Awada et al. (2021), que resumiu o conceito de construção saudável, ressaltando os principais aspetos que influenciam o bem-estar físico, mental e social dos ocupantes. Ponderou-se também os regulamentos e normas associados à QAI. Sobretudo, as normas europeias EN 16789-2 (CEN, 2014b), que relaciona diferentes condições de QAI ao desempenho energético, e EN 16309 (CEN, 2014a), que apresenta quesitos relacionados ao desempenho social da edificação. A combinação dessas considerações resultou em nove categorias a serem avaliadas pela ferramenta proposta neste estudo. Com as categorias definidas, foi feita uma lista bruta de indicadores e parâmetros relacionados com a QAI de todos os métodos de certificação estudados. Ressalta-se que os métodos apresentam diferenças no modo com realizam a avaliação integrada dos diferentes indicadores. Isso acontece, pois, as diretrizes
53 de projeto de cada local são únicas, devido a aspetos socioculturais, económicos, tecnológicos e ambientais existentes entre os respetivos países de origem (Mateus, 2009). Apesar dessas diferenças, muitos indicadores e parâmetros com designações distintas, avaliam critérios análogos. Desta forma, a nomenclatura deles foi uniformizada. Além disso, não foram considerados aqueles que não podem ser aplicados a edifícios de escritórios (como aqueles destinados a avaliação de habitações, hospitais, hotéis, prisões, dentre outros) e que não se coadunam com realidade portuguesa. Com base nos resultados obtidos, definiram-se 38 indicadores e 48 parâmetros. Ressalta-se ainda que os parâmetros selecionados respeitam obrigatoriamente as especificações abordadas pela regulamentação vigente em Portugal. A Tabela 21 apresenta um resumo dos diplomas legais referidos no capítulo 2 deste trabalho, com uma breve descrição. Tabela 21. Regulamentação vigente em Portugal relacionada a QAI e ao bem-estar do ocupante. Regulamentação Descrição Lei n.º 37 Proíbe o fumo no interior de espaços em Portugal, a fim de promover a saúde pública Decreto-Lei n.º 129/2002 Aprova o RRAE, definindo os níveis de isolamento sonoro os elementos construtivos devem respeitar, em relação aos sons de condução aérea e aos sons de percussão Decreto-Lei n.º 79/2006 Estabelece o RSECE, cujo objetivo é garantir que os ocupantes dos edifícios tenham conforto térmico e qualidade do ambiente interior, principalmente através melhoria da qualidade térmica da envolvente. Decreto-Lei n.º 80/2006 Aprova o RCCTE, que impõe os requisitos para a satisfação do conforto térmico visando a eficiência energética. Decreto-Lei n.º 9/2007 Estabelece o RGR, que determina o regime de prevenção e controlo da poluição sonora, na tentativa de preservar a saúde humana e bem-estar da população Decreto-Lei n.º 188/2013 Estipula o RECS, que permite uma análise do desempenho energético dos edifícios de comércio e serviços através da classificação da eficiência energética, possibilitando a emissão de um certificado energético. Decreto-Lei n.º 152/2017 Apresenta os parâmetros que definem o regime da qualidade da água para consumo humano Portaria n.º 138-I/2021 Determina a taxa de renovação de ar mínima e o caudal mínimo de ar novo, de acordo com a carga poluente devida à ocupação Portaria n.º 138-G/2021 Define os limiares de proteção e condições de referência para os poluentes do ar interior dos edifícios de comércio e serviços 3.5 Processo de avaliação O processo de avaliação do método proposto é baseado no método de avaliação da sustentabilidade SBToolPT (ECOCHOICE e Universidade do Minho - Laboratório de Física e Tecnologia, 2013), uma vez que o seu sistema de avaliação permite uma comparação entre o nível de desempenho do projeto em análise e as práticas de mercado (melhor prática e prática convencional). Tal abordagem resulta numa
60 • Materiais e Poluentes: Restrições de Materiais, Gestão de Resíduos, Controlo Biológico, Manutenção; • Alimentação e Nutrição: Fornecimento Responsável de Alimentos, Produção de Alimentos, Educação Nutricional; • Ocupante e Comunidade: Vida Ativa, Apoio à Higiene, Acessibilidade, Infraestrutura de Mobilidade, Amenidades, Segurança, Bem-estar do Ocupante, Desenvolvimento do Bairro. Tabela 25. Reagrupamento dos indicadores das ferramentas estudadas. Indicador Indicadores das Ferramentas Estudadas Ventilação Qualidade do ar interior ( Active House ); Desempenho mínimo de ventilação (BEAM Plus Interiors ); Conforto térmico (BEAM Plus Interiors ); Qualidade do ar interior (BREEAM); Qualidade do ar (CASBEE); Saúde, conforto e satisfação do ocupante(DGNB); Ventilação ( Green Globes SI); Controlo de fontes poluentes interiores ( Green Globes SI); Qualidade do ar interior ( Green Star – Interiors ); Garantindo ventilação eficaz (HQE); Desempenho mínimo da qualidade do ar interior (LEED); Eficácia da ventilação (NABERS IE); Qualidade do ar interior (SBToolPT STP); Projeto de ventilação (WELL); Projeto de ventilação aprimorado (WELL) Controlo da Ventilação pelo Ocupante Qualidade do ar interior ( Active House ); Saúde, conforto e satisfação do ocupante (DGNB); Ventilação ( Green Globes SI); Conforto percebido em relação à qualidade do ar (NABERS IE); Gestão de poluição da construção (WELL); Janelas operáveis (WELL) Poluição do ar Qualidade do ar interior ( Active House ); Qualidade do ar interior (BEAM Plus Interiors ); Exaustão do ar (BEAM Plus Interiors ); Qualidade do ar local (BREEAM); Qualidade do ar interior (BREEAM); Consideração do ambiente local (CASBEE); Consideração do meio ambiente (CASBEE); Saúde, conforto e satisfação do ocupante(DGNB); Política de qualidade do ar interior ( Fitwel ); Teste de qualidade do ar interior ( Fitwel ); Resultados do teste de qualidade do ar interior ( Fitwel ); Ventilação de local de armazenamento químico( Fitwel ); Ambiente livre de tabaco e fumaça ( Fitwel ); Sinalização de local livre de tabaco e fumo ( Fitwel ); Espaços ao ar livre livres de tabaco e fumo ( Fitwel ); Controlo de fontes poluentes interiores ( Green Globes SI); Qualidade do ar interior ( Green Star – Interiors ); Controlando fontes de poluição do ar interior (HQE); Desempenho mínimo da qualidade do ar interior (LEED); Estratégias aprimoradas de qualidade do ar interior (LEED); Controlo ambiental da fumaça do tabaco (LEED); Níveis de poluentes internos (NABERS IE); Qualidade do ar interior (SBToolPT STP); Qualidade do ar (WELL); Qualidade do ar aprimorada (WELL); Monitoramento e conscientização da qualidade do ar (WELL); Filtragem de ar (WELL); Fornecimento de ar aprimorado (WELL); Ambiente livre de fumaça (WELL); Gestão de poluição da construção (WELL); Gestão de infiltração de poluição (WELL); Minimização da combustão (WELL); Separação de fontes (WELL) Temperatura Ambiente térmico ( Active House ); Conforto térmico (BEAM Plus Interiors ); Conforto térmico (CASBEE); Saúde, conforto e satisfação do ocupante (DGNB); Conforto térmico ( Green Globes SI); Conforto térmico ( Green Star – Interiors ); Medidas arquitetónicas destinadas a otimizar o conforto higrotérmico (HQE); Criando condições de conforto higrotérmico em salas que não têm acesso a um sistema de refrigeração (HQE); Temperatura do ar (NABERS IE); Velocidade do ar (NABERS IE); Temperatura radiante média (NABERS IE); Conforto térmico (SBToolPT STP); Performance térmica (WELL); Conforto térmico verificado (WELL); Conforto térmico radiante (WELL) Humidade Ambiente térmico ( Active House ); Conforto térmico (BEAM Plus Interiors ); Conforto térmico (CASBEE); Saúde, conforto e satisfação do ocupante(DGNB); Conforto térmico ( Green Star – Interiors ); Medidas arquitetónicas destinadas a otimizar o conforto higrotérmico (HQE); Criando condições de conforto higrotérmico em salas que não têm acesso a um sistema de refrigeração (HQE); Humidade relativa (NABERS IE); Gestão de humidade (WELL); Performance térmica (WELL); Conforto térmico verificado (WELL); Zoneamento térmico (WELL); Controlo térmico individual (WELL); Monitoramento de conforto térmico (WELL); Controlo de humidade (WELL)
61 Indicador Indicadores das Ferramentas Estudadas Velocidade do Ar Ambiente térmico ( Active House ); Conforto térmico (BEAM Plus Interiors ); Saúde, conforto e satisfação do ocupante (DGNB); Criando condições de conforto higrotérmico no modo de aquecimento (HQE); Criando condições de conforto higrotérmico no modo de resfriamento (HQE); Velocidade do ar (NABERS IE) Sistemas de Automação AVAC Ambiente térmico ( Active House ); Uso de refrigerantes não baseados em CFC (BEAM Plus Interiors ); Conforto térmico (CASBEE); Ventilação ( Green Globes SI); Impactos do refrigerante ( Green Star – Interiors ); Gestão fundamental de refrigerante (LEED); Gestão aprimorada de refrigerante (LEED) Controlo da Temperatura pelo Ocupante Ambiente térmico ( Active House ); Conforto térmico (BREEAM); Saúde, conforto e satisfação do ocupante (DGNB); Controlos de sistemas AVAC ( Green Globes SI); Criando condições de conforto higrotérmico no modo de aquecimento (HQE); Conforto térmico (LEED); Conforto térmico percebido (NABERS IE); Janelas operáveis aprimoradas (WELL); Zoneamento térmico (WELL); Controlo térmico individual (WELL) Isolamento Acústico Qualidade acústica ( Active House ); Acústica (BEAM Plus Interiors ); Desempenho acústico (BREEAM); Ambiente sonoro (CASBEE); Saúde, conforto e satisfação do ocupante(DGNB); Qualidade Técnica (DGNB); Conforto Acústico ( Green Globes SI); Conforto Acústico ( Green Star – Interiors ); Criando um ambiente acústico de qualidade adequado para as várias salas (HQE); Desempenho acústico (LEED); Conforto percebido em relação aos níveis de som (NABERS IE); Conforto acústico (SBToolPT STP); Barreiras de som (WELL); Superfícies de redução de som (WELL); Dispositivos de áudio aprimorados (WELL) Reverberação Acústica (BEAM Plus Interiors ); Desempenho acústico (BREEAM); Ambiente sonoro (CASBEE); Saúde, conforto e satisfação do ocupante (DGNB); Conforto Acústico ( Green Star – Interiors ); Criando um ambiente acústico de qualidade adequado para as várias salas (HQE); Desempenho acústico (LEED); Conforto acústico (SBToolPT STP); Tempo de reverberação (WELL) Ruído Interno Acústica (BEAM Plus Interiors ); Desempenho acústico (BREEAM); Consideração do meio ambiente (CASBEE); Ambiente sonoro (CASBEE); Qualidade Técnica (DGNB); Conforto Acústico ( Green Star – Interiors ); Desempenho acústico (LEED); Outras emissões (LiderA); Níveis de som no espaço ocupado (NABERS IE); Conforto acústico (SBToolPT STP); Mapeamento de som (WELL); Níveis máximos de ruído (WELL); Som de fundo mínimo (WELL); Gestão de ruído de impacto (WELL); Conservação da saúde auditiva (WELL) Emissão de Ruído Qualidade acústica ( Active House ); Qualidade acústica ( Active House ); Redução da poluição sonora (BREEAM); Outras emissões (LiderA) Conforto Lumínico Luz do dia ( Active House ); Iluminação natural (BEAM Plus Interiors ); Qualidade da iluminação interior (BEAM Plus Interiors ); Conforto visual (BREEAM); Iluminação (CASBEE); Saúde, conforto e satisfação do ocupante (DGNB); Luz natural ( Fitwel ); Iluminação ( Green Globes SI); Luz do dia ( Green Globes SI); Conforto visual ( Green Star – Interiors ); Conforto lumínico ( Green Star – Interiors ); Otimizando a iluminação natural (HQE); Iluminação artificial confortável (HQE); Redução da poluição luminosa (LEED); Luz do dia (LEED); Iluminação interior (LEED); Níveis de luz horizontais (NABERS IE); Conforto lumínico (SBToolPT STP); Exposição à luz (WELL); Projeto de iluminação visual (WELL); Projeto de iluminação circadiana (WELL); Estratégias de projeto para luz do dia (WELL); Simulação de luz do dia (WELL); Qualidade da luz elétrica (WELL) Gestão de Brilho Luz do dia ( Active House ); Qualidade da iluminação interior (BEAM Plus Interiors ); Conforto visual (BREEAM); Iluminação (CASBEE); Saúde, conforto e satisfação do ocupante (DGNB); Iluminação Comfort ( Green Star – Interiors ); Conforto visual ( Green Star – Interiors ); Interior Iluminação (LEED); Controlo de brilho de luz elétrica (WELL) Reprodução de Cores Qualidade da iluminação interior (BEAM Plus Interiors ); Iluminação interior (LEED); Equilíbrio visual (WELL) Controlo da Iluminação pelo Ocupante Iluminação (CASBEE); Saúde, conforto e satisfação do ocupante (DGNB); Sombreamento operável ( Fitwel ); Iluminação ( Green Globes SI); Iluminação Comfort ( Green Star – Interiors ); Iluminação interior (LEED); Luz do dia (LEED); Conforto percebido em relação aos níveis de luz (NABERS IE); Controlo de brilho de luz elétrica (WELL); Controlo de iluminação dos ocupantes (WELL)
62 Indicador Indicadores das Ferramentas Estudadas Vistas Luz do dia ( Active House ); Vistas para o exterior (BEAM Plus Interiors ); Conforto visual (BREEAM); Saúde, conforto e satisfação do ocupante (DGNB); Vistas da natureza ( Fitwel ); Conforto visual ( Green Star – Interiors ); Vista de qualidade (LEED) Projeto de Interiores Saúde e segurança ocupacional (BEAM Plus Interiors ); Materiais modulares (BEAM Plus Interiors ); Flexibilidade e adaptabilidade (CASBEE); Saúde, conforto e satisfação do ocupante(DGNB); Acesso por escada ( Fitwel ); Localização da escada ( Fitwel ); Projeto da escada ( Fitwel ); Sinalização da escada ( Fitwel ); Visibilidade da escada ( Fitwel ); Estações de trabalho ativas ( Fitwel ); Ergonomia ( Green Star – Interiors ); Satisfação percebida em relação à disposição física do espaço do escritório (NABERS IE); Projeto ergonómico da estação de trabalho (WELL); Rede de circulação (WELL); Programação de ergonomia (WELL) Flexibilidade e Adaptabilidade Projetado para desmontagem e adaptabilidade (BREEAM); Capacidade de serviço (CASBEE); Flexibilidade e adaptabilidade (CASBEE); Desenvolvimento econômico (DGNB); Funcionalidade (DGNB); Desconstrução, desmontagem e remontagem ( Green Globes SI); Uso minimizado de materiais internos ( Green Globes SI); Escolhas de construção para a sustentabilidade e adaptabilidade do edifício (HQE); Vitalidade social (LiderA) Áreas Externas Iluminação externa (BREEAM); Paisagem urbana (CASBEE); Características locais e comodidades ao ar livre (CASBEE); Horta de frutas e vegetais ( Fitwel ); Qualidade dos espaços ao ar livre acessíveis aos ocupantes (HQE); Espaço aberto (LEED); Amenidades e Cultura (LiderA); Paisagem Energia e Património (LiderA); Conforto térmico ao ar livre (WELL) Projeto Biofílico Construção sustentável ( Active House ); Plantio interno (BEAM Plus Interiors ); Preservação e criação de biótopo (CASBEE); Consumo de recursos e geração de resíduos (DGNB); Jardim restaurador ( Fitwel ); Poluentes interiores ( Green Star – Interiors ); Proteger ou restaurar o habitat (LEED); Natureza e lugar (WELL); Acesso aprimorado à natureza (WELL) Parâmetros de Qualidade da Água Pesquisa de qualidade da água (BEAM Plus Interiors ); Qualidade da água ( Fitwel ); Controlo de tratamentos de água (HQE); Qualidade da água aprimorada (WELL); Qualidade da água potável (WELL); Indicadores de qualidade da água (WELL) Gestão da Qualidade da Água Sem água engarrafada (BEAM Plus Interiors ); Abastecimento de água universalmente acessível ( Fitwel ); Estação de reabastecimento de garrafas de água ( Fitwel ); Acesso à água ( Fitwel ); Qualidade do projeto da rede de água interna do edifício (HQE); Controlar a temperatura no interior da rede de água interna do edifício (HQE); Gestão básica da água (WELL); Gestão da qualidade da água potável (WELL); Promoção de água potável (WELL) Restrições de Materiais Qualidade do ar interior ( Active House ); Qualidade do ar interior (BREEAM); Qualidade do ar (CASBEE); Evitando o uso de materiais com conteúdo poluente (CASBEE); Propriedade segura de amianto ( Fitwel ); Ventilação ( Green Globes SI); Poluentes interiores ( Green Star – Interiors ); Escolhendo produtos de construção para limitar o impacto relacionado à saúde (HQE); Criando condições especiais de saúde (HQE); Materiais de baixa emissão (LEED); Materiais (LiderA); Qualidade do serviço (LiderA); Níveis de poluentes internos (NABERS IE); Qualidade do ar interior (SBToolPT STP); Restrições de materiais (WELL); Gestão de materiais perigosos interiores (WELL); CCA e gestão de chumbo (WELL); Perigos do local (WELL); Restrições de material aprimoradas (WELL); Transparência de materiais (WELL); Otimização de materiais (WELL) Gestão de Resíduos Instalações mínimas de reciclagem de resíduos (BEAM Plus Interiors ); Instalações de reciclagem de resíduos (BEAM Plus Interiors ); Resíduos operacionais (BREEAM); Resíduos ( Green Globes SI); Controlando as fontes de odores desagradáveis (HQE); Otimizando a reciclagem de resíduos operacionais (HQE); Qualidade do sistema operacional de gestão de resíduos (HQE); Armazenamento e coleta de recicláveis (LEED); Planejamento de gestão de resíduos de construção e demolição (LEED); Resíduos (LiderA); Gestão Ambiental (SBToolPT STP); Gestão de resíduos (WELL) Controlo Biológico Controlo de pragas integrado ( Fitwel ); Controlo de fontes poluentes interiores ( Green Globes SI); Controlo de pragas integrado ( Green Globes SI); Controlo microbiano ( Green Star – Interiors ); Controlando fontes de poluição do ar interior (HQE); Criando condições especiais de saúde (HQE); Controlo de micróbio e bolor (WELL); Manejo de pragas e uso de pesticidas (WELL)
63 Indicador Indicadores das Ferramentas Estudadas Manutenção Limpeza verde (BEAM Plus Interiors ); Capacidade de serviço (CASBEE); Qualidade Técnica (DGNB); Protocolo de limpeza das instalações sanitárias ( Fitwel ); Protocolo de limpeza de áreas de descanso ( Fitwel ); Equipamento de zeladoria ( Green Globes SI); Plano de vida útil do edifício ( Green Globes SI); Escolhas de construção para facilitar a manutenção do edifício (HQE); Otimizando o projeto do edifício para manutenção e serviços simplificados dos sistemas de construção (HQE); Gestão Ambiental (SBToolPT STP); Produtos de limpeza e protocolos (WELL); Redução de contato (WELL); Gestão de infiltração de poluição (WELL) Fornecimento Responsável de Alimentos Política de alimentos e bebidas saudáveis ( Fitwel ); Máquinas de venda automática e lanchonetes saudáveis ( Fitwel ); Incentivos de preços ( Fitwel ); Arquitetura de opções de venda e lanchonete ( Fitwel ); Frutas e vegetais (WELL); Ingredientes refinados (WELL); Publicidade de alimentos (WELL); Ingredientes artificiais (WELL); Tamanhos das porções (WELL); Dietas especiais (WELL); Fornecimento responsável de alimentos (WELL); Ambiente alimentar local (WELL) Produção de Alimentos Incentivos de preços de vendas e lanchonetes ( Fitwel ); Produção Alimentar (LiderA); Produção de alimentos (WELL); Ambiente alimentar local (WELL) Educação Nutricional Arquitetura de escolha ( Fitwel ); Transparência nutricional (WELL); Educação alimentar (WELL); Alimentação consciente (WELL) Vida Ativa Área de ginástica ao ar livre ( Fitwel ); Cómodo multiuso ( Fitwel ); Sala de exercícios ( Fitwel ); Ginásio ( Fitwel ); Programação de saúde ( Fitwel ); Edifícios e comunidades ativos (WELL); Oportunidades de atividade física (WELL); Mobiliário ativo (WELL); Espaços e equipamentos de atividade física (WELL); Promoção de atividade física (WELL); Auto-monitoramento (WELL) Apoio à Higiene Chuveiros de passageiros ativos ( Fitwel ); Sinalização de lavagem das mãos ( Fitwel ); Instalações para ocupantes ativos (WELL); Suporte de higiene (WELL); Redução de contato (WELL) Acessibilidade Ambiente seguro e saudável (BREEAM); Entrada principal de pedestres ( Fitwel ); Comodidades da entrada principal ( Fitwel ); Uso publicamente acessível ( Fitwel ); Ativar áreas de pedestres ( Fitwel ); Sistemas de entrada ( Fitwel ); Espaço para todos (LiderA); Acessibilidade e projeto universal (WELL) Infraestrutura de Mobilidade Avaliação de transporte e plano de viagem (BREEAM); Medidas de transporte sustentável (BREEAM); Ambiente seguro e saudável (BREEAM); Qualidade Técnica (DGNB); Qualidade do Local (DGNB); Mobilidade pedonal ( Fitwel ); Pista de caminhada ( Fitwel ); Proximidade de trânsito ( Fitwel ); Percurso pedonal ( Fitwel ); Estacionamento de bicicletas ( Fitwel ); Estacionamento eficiente ( Fitwel ); Incentivando o trânsito ( Fitwel );Transporte sustentável ( Green Star – Interiors ); Acesso ao trânsito de qualidade (LEED); Instalações para bicicletas (LEED); Pegada de estacionamento reduzida (LEED); Veículos elétricos (LEED); Acessibilidade (LiderA); Plano de Mobilidade (SBToolPT STP); Acessibilidade a transportes públicos (SBToolPT STP); Planejamento e seleção do local (WELL); Instalações para ocupantes ativos (WELL); Amenidades Instalações de responsabilidade social corporativa (BEAM Plus Interiors ); Características locais e comodidades ao ar livre (CASBEE); Capacidade de serviço (CASBEE); Qualidade do Local (DGNB); Saúde, conforto e satisfação do ocupante (DGNB); Desenvolvimento econômico (DGNB); Amenidades do espaço ao ar livre ( Fitwel ); Publicidade de amenidades locais ( Fitwel ); Qualidade das amenidades ( Green Star – Interiors ); Densidade envolvente e diversos usos (LEED); Vitalidade social (LiderA); Amenidades e Cultura (LiderA); Conectividade (LiderA); Acessibilidade a amenidades (SBToolPT STP) Segurança Segurança (BREEAM); Ambiente seguro e saudável (BREEAM); Iluminação externa (BREEAM); Redução da poluição luminosa noturna (BREEAM); Saúde, conforto e satisfação do ocupante (DGNB); Qualidade Técnica (DGNB); Segurança da escada ( Fitwel ); Plano de preparação para emergências ( Fitwel ); Desfibrilhador automático externo ( Fitwel ); Socorristas certificados ( Fitwel ); Notificação de endereço de emergência ( Fitwel ); Iluminação do caminho e da área de estacionamento ( Fitwel ); Iluminação de entrada e saída segura ( Fitwel ); Qualidade do serviço (LiderA); Espaço para todos (LiderA); Segurança dos ocupantes (SBToolPT STP);Preparação para emergências (WELL); Recursos de emergência (WELL); Resiliência e recuperação de emergência (WELL);
64 Indicador Indicadores das Ferramentas Estudadas Bem-estar do Ocupante Orientação do ocupante (BEAM Plus Interiors ); Pesquisa de passageiros ( Fitwel ); Áreas de descanso comuns ( Fitwel ); Sala silenciosa ( Fitwel ); Salas e estações de amamentação ( Fitwel ); Pesquisa de satisfação dos ocupantes ( Fitwel ); Promoção da saúde mental (WELL); Serviços de saúde mental (WELL); Educação em saúde mental (WELL); Gestão de estresse (WELL); Oportunidades restaurativas (WELL); Programação restaurativa (WELL); Cessação do tabaco (WELL); Serviços de uso de substâncias (WELL); Espaços restauradores (WELL); Serviços de saúde e benefícios (WELL); Suporte aos novos pais (WELL); Apoio à nova mãe (WELL); Apoio da família (WELL); Diversidade e inclusão (WELL); Práticas trabalhistas responsáveis (WELL); Acesso aprimorado à natureza (WELL); Pesquisa de ocupantes (WELL); Pesquisa de ocupantes aprimorada (WELL); Promoção da saúde e bem-estar (WELL); Promoção de saúde e bemestar aprimorada (WELL) Desenvolvimento do Bairro Qualidade do Local (DGNB); Mercado de agricultores ( Fitwel ); Impactes da edificação sobre os moradores locais (HQE); LEED para local de desenvolvimento de bairro (LEED); Local de alta prioridade e desenvolvimento equitativo (LEED); Vitalidade social (LiderA); Engajamento cívico (WELL) A partir da análise da Tabela 25, foi possível selecionar os parâmetros mais relevantes de acordo com o apresentado no estado da arte, capítulo 2 deste estudo, e adequá-los a realidade portuguesa. Assim, 48 parâmetros foram selecionados, sendo divididos entre as categorias e indicadores definidos conforme apresenta a Tabela 26. Tabela 26. Categorias, indicadores e parâmetros definidos no estudo. Categoria Indicador Parâmetro C1. Qualidade do Ar Interior I1. Ventilação P1. Suprimento de Ar P2. Filtração de Ar I2. Controlo da Ventilação pelo Ocupante P3. Níveis de Controlo P4. Janelas Operáveis I3. Poluição do ar P5. Concentração de Poluentes P6. Monitoramento C2. Conforto Térmico I4. Temperatura P7. Temperatura Máxima Operativa P8. Temperatura Mínima Operativa I5. Humidade P9. Humidade Relativa I6. Velocidade do Ar P10. Velocidade do Ar I7. Sistemas de Automação AVAC P11. Tipos de Sistema I8. Controlo da Temperatura pelo Ocupante P12. Controlo da Temperatura C3. Conforto Acústico I9. Isolamento Acústico P13. Níveis de Conforto Acústico I10. Reverberação P14. Tempo de Reverberação I11. Ruído Interno P15. Níveis de Ruído Interno I12. Emissão de Ruído P16. Gestão de Ruído
65 Categoria Indicador Parâmetro C4. Conforto Visual I13. Conforto Lumínico P17. Fator de Luz do Dia P18. Iluminação Natural P19. Iluminação Constante I14. Gestão de Brilho P20. Índice de Brilho da Luz do Dia I15. Reprodução de Cores P21. Índice de Reprodução de Cores I16. Controlo da Iluminação pelo Ocupante P22. Controlo da Iluminação I17. Vistas P23. Vistas de Qualidade C5. Composição do Ambiente I18. Projeto de Interiores P24. Ergonomia P25. Escadas I19. Flexibilidade e Adaptabilidade P26. Flexibilidade e Adaptabilidade I20. Áreas Externas P27. Valorização da paisagem P28. Área verde P29. Plantas Autóctones I21. Projeto Biofílico P30. Conexão Com a Natureza C6. Qualidade da Água I22. Parâmetros de Qualidade da Água P31. Concentração dos Parâmetros I23. Gestão da Qualidade da Água P32. Gestão da Qualidade da Água C7. Materiais e Poluentes I24. Restrições de Materiais P33. Materiais com COV P34. Materiais com Outros Poluentes I25. Gestão de Resíduos P35. Tratamento de Resíduos I26. Controlo Biológico P36. Materiais resistentes I27. Manutenção P37. Manutenção do Edifício C8. Alimentação e Nutrição I28. Fornecimento Responsável de Alimentos P38. Promoção da Alimentação Saudável I29. Produção de Alimentos P39. Incentivo à Produção Alimentar I30. Educação Nutricional P40. Informação Nutricional C9. Ocupante e Comunidade I31. Vida Ativa P41. Promoção da Atividade Física I32. Apoio à Higiene P42. Comodidades Para Promoção da Higiene I33. Acessibilidade P43. Espaços Inclusivos I34. Infraestrutura de Mobilidade P44. Plano de Mobilidade I35. Amenidades P45. Comodidades das Imediações I36. Segurança P46. Segurança dos Ocupantes I37. Bem-estar do Ocupante P47. Promoção do Bem-estar I38. Desenvolvimento do Bairro P48. Contributo Para a Comunidade 4.3 Método Proposto A seguir, apresentam-se os parâmetros a serem avaliados, divididos entre as categorias e os indicadores relacionados. Além disso, os valores estipulados como prática convencional e melhor prática para cada um deles também é indicado.
66 4.3.1 Categoria: C1. Qualidade do Ar Interior 4.3.1.1 Indicador: I1. Ventilação P1. Suprimento de Ar Determinar o valor da taxa de renovação de ar (PRPH) do ambiente. O valor da prática convencional adotado para este parâmetro é de 0,6, uma vez que é apresentado na certificação de referência SBToolPT STP, sendo superior ao mínimo estabelecido pela Portaria n.º 138I/2021 (Portugal, 2021b). A melhor prática também segue o valor definido pelo SBToolPT STP, que é de 0,8. Esta ferramenta foi escolhida dentre outras que avaliam este parâmetro, pois foi desenvolvida para o contexto português. O valor normalizado deste parâmetro é calculado a partir da Equação 1. Para sistemas de ventilação mecânico, as entradas de ar devem ser orientadas longe de fontes de poluição, a pelo menos 10 metros de distância, considerando as condições das áreas ao redor do edifício. P2. Filtração de Ar Determinar o valor do potencial de filtração do ar do edifício, através da contabilização de créditos da Tabela 27. Tabela 27. Potencial de filtração do ar. Parâmetro Descrição Crédito ✓ 1 Filtração do Ar Externo 1.1 Todo sistema que fornece ar externo para o ambiente ocupado deve ter filtros para partículas ou dispositivos de limpeza do ar 1 2 Filtração do Ar Recirculado 2.1 Todo sistema que fornece ao ambiente interno ar recirculado deve ter incorporado filtro de carvão ativado e filtro com remoção de PM2,5 de ≥90% (por exemplo, MERV 14 ou F8) ou UVGI ( Ultraviolet Germicidal Irradiation ). 1 ∑créditos= O valor da prática convencional é 0 créditos, porque até o momento não foi identificada nenhuma regulamentação que obrigue o uso de filtros nos sistemas que fornecem ar externo ao ambiente ocupado. Para a melhor prática o valor adotado é 1 crédito, que representa a aplicação de pelo menos um dos parâmetros descritos. Estes, por sua vez, foram identificados nas certificações BREEAM, HQE, LEED e WELL que premiam a adoção de filtros. O valor normalizado é calculado a partir da Equação 1.
67 4.3.1.2 Indicador: I2. Controlo da Ventilação pelo Ocupante P3. Níveis de Controlo Determinar o valor do potencial de controlo da ventilação pelo ocupante, através da contabilização de créditos da Tabela 28. Tabela 28. Potencial de controlo da ventilação pelo ocupante. Parâmetro Descrição Crédito ✓ 1 Em pelo menos 90% dos espaços ocupados regularmente, a ventilação do ambiente pode ser ajustada: a) Pelos ocupantes, de modo geral 1 b) Individualmente pelos ocupantes ou pelo grupo de até 3 pessoas 2 2 Níveis 2.1 Para ventilação natural, é possível abrir janelas em diferentes níveis ou fechar temporariamente as grades de ventilação 1 2.2 Para ventilação mecânica, é possível variar a taxa de fluxo de ar. 1 ∑créditos= O valor da prática convencional é de 1 crédito, referente ao cumprimento de pelo menos um dos dois créditos disponíveis no parâmetro 2, considerado muito importante pela certificação de referência Active House . Como melhor prática, além da aplicação da prática convencional, foi considerado a adoção do parâmetro 1b, que representa a pontuação máxima de acordo com a certificação DGNB, totalizando 3 créditos. O valor normalizado é calculado a partir da Equação 1. P4. Janelas Operáveis Determinar a percentagem de espaços ocupados que tenham janelas operáveis com acesso ao ar externo. O valor da prática convencional é 0%, pois até o momento não foi identificada nenhuma regulamentação que obrigue a instalação de janelas operáveis em espaços ocupados. A melhor prática é considerada quando pelo menos 75% dos espaços ocupados tenham janelas operáveis com acesso ao ar externo. Essas janelas devem estar localizadas em pelo menos duas fachadas do edifício, para permitir uma renovação eficaz do ar. Este valor é definido pelas certificações LEED e WELL. O valor normalizado é calculado a partir da Equação 1.
68 4.3.1.3 Indicador: I3. Poluição do ar P5. Concentração de Poluentes Calcular o valor normalizado relativo à concentração de cada poluente, através do preenchimento da Tabela 29, por comparação entre a concentração de cada poluente e as práticas de referência. Tabela 29. Valor normalizado relativo à concentração dos vários poluentes avaliados. Poluente Concentração do Poluente no local Benchmarks Valor Normalizado* Prática Convencional Melhor Prática Partícula em Suspensão PM10 50 µg/m³ 20 µg/m³ Partícula em Suspensão PM2,5 25 µg/m³ 10 µg/m³ COVs 600 µg/m³ 300 µg/m³ Monóxido de carbono 10 mg/m³ 6,25 mg/m³ Formaldeído 100 µg/m³ 50 µg/m³ CO2 2250 mg/m³ 800 mg/m³ Radão 300 Bq/m³ 200 Bq/m³ Ozono 0,070 ppm 0,051 ppm Dióxido de azoto 100 ppb/h 21 ppb/h Bactérias 500 UFC/m³ 250 UFC/m³ Fungos 500 UFC/m³ 250 UFC/m³ Legionella 100 UFC/m³ 50 UFC/m³ Média Aritmética * O valor normalizado é calculado a partir da Equação 1. Os valores das concentrações de poluentes adotadas como prática convencional foram definidos tendo por base a Portaria n.º 138-G/2021 (Portugal, 2021a), com exceção do ozono e do dióxido de azoto, que utilizam valores defendidos como mínimo aceitáveis pela Agência de Proteção do Ambiente dos Estados Unidos (EPA, 2015; EPA, 2018), e das bactérias, fungos e Legionella cujos valores adotados foram definidos de acordo com os valores apresentados no método SBToolPT STP. Para melhores práticas, considerou-se os dados encontrados no SBToolPT STP, com exceção do ozono e do dióxido de azoto, que foram retirados do WELL. O valor do parâmetro será a média aritmética dos valores normalizados. P6. Monitorização Determinar o valor do potencial de monitoramento dos poluentes, através da contabilização de créditos da Tabela 30.
69 Tabela 30. Potencial de monitoramento dos poluentes. Parâmetro Descrição Crédito ✓ 1 Para espaços densamente ocupados, existem sensores instalados que medem pelo menos três dos seguintes: 1 1 crédito a mais para cada poluente medido além dos três. a) CO2 com precisão de 10% a 750 ppmv; b) PM10 ou PM2,5 com precisão de 25% a 30 µg/m³; c) Formaldeído com precisão de 25 µg/m³ em valores entre 0 e 100 µg/m³; d) Ozono com precisão de 0,010 ppm em valores entre 0 e 0,1 ppm; e) Monóxido de carbono com precisão de 1 ppm em valores entre 0 e 10 ppmv; f) Dióxido de azoto com precisão de 20 ppb em valores entre 0 e 100 ppb; g) COVs totais com precisão de 25% a 500 μg/m³. 2 Fumo: Este critério considera o fumo do tabaco, de cannabis e de outras substâncias controladas, bem como emissões produzidas por dispositivos eletrónicos para fumar. 2.1 Proibido fumar fora do prédio, exceto em áreas designadas para fumadores localizadas a pelo menos 7,5 metros de todas as entradas, entradas de ar externo e janelas operáveis. 1 2.2 Implementar disposições para fiscalização ou sinalização de proibição de fumar 1 ∑créditos= O valor da prática convencional é de 1 crédito, uma vez que o cumprimento do parâmetro 2.2 é considerado como pré-requisito na certificação WELL. Como melhor prática, considerou-se a adoção do parâmetro 2, bem como a medição de 5 poluentes no parâmetro 1, resultando na pontuação de 5 créditos. Esta abordagem é partilhada pelos métodos BREEAM, DGNB e WELL. Calcular o valor normalizado a partir da Equação 1. 4.3.2 Categoria: C2. Conforto Térmico 4.3.2.1 Indicador: I4. Temperatura P7. Temperatura Operativa Máxima Determinar a temperatura operativa máxima do ambiente. Os limites máximos de temperatura interna aplicam-se em períodos com um Trm (temperatura externa média operacional) de 12°C ou mais. O valor da prática convencional é de 27°C e da melhor prática é de 25,5°C. Embora diversos métodos apontem limites de temperatura operativa máxima, foram adotados como benchmarks os valores definidos pelo SBToolPT STP, uma vez que este foi desenvolvido para o contexto português. Calcular o valor normalizado a partir da Equação 1.
76 P19. Iluminação Constante Determinar a percentagem de área de piso que contém fotossensores em locais iluminados para manter níveis de iluminação constantes ao longo do dia, usando iluminação natural e artificial. O valor da prática convencional é de 0%, uma vez que não há regulamentação que incentive o uso desses fotossensores. A melhor prática é de pelo menos 75%, valor definido pelo método Green Globes SI. Calcular o valor normalizado a partir da Equação 1. 4.3.4.2 Indicador: I14. Gestão de Brilho P20. Índice de Brilho da Luz do Dia Determinar o DGI dos espaços ocupados. O valor da prática convencional é de 24 DGI, baseado no mínimo recomendado pela EN 12464-1 (CEN, 2002). A melhor prática é de 20 DGI, sendo este valor definido pelo método WELL. Calcular o valor normalizado a partir da Equação 1. 4.3.4.3 Indicador: I15. Reprodução de Cores P21. Índice de Reprodução de Cores Determinar o CRI das fontes de luz dos espaços ocupados. O valor da prática convencional é de 80 CRI, baseado no mínimo recomendado pela EN 12464-1 (CEN, 2002). A melhor prática é de no mínimo 90 CRI, sendo este valor determinado pelos métodos DGNB, HQE, LEED e WELL. Calcular o valor normalizado a partir da Equação 1. 4.3.4.4 Indicador: I16. Controlo Do Ocupante de Iluminação P22. Controlo da Iluminação Determinar o valor do potencial de controlo da iluminação por parte do ocupante, através da contabilização de créditos da Tabela 36. O valor da prática convencional é de 2 créditos, sendo considerado normalmente atendidos os parâmetros 1a e 3a. Como melhor prática, é adotado o valor de 10 créditos, considerando a implementação dos parâmetros 1c, 3b e 4c, além da disponibilização de duas opções apresentadas no
77 parâmetro 2. Estes parâmetros são também os que são mais premiados nos métodos DGNB e WELL. Calcular o valor normalizado a partir da Equação 1. Tabela 36. Valor do potencial de controlo da iluminação pelo ocupante. Parâmetro Descrição Crédito ✓ 1 Em pelo menos 90% dos espaços ocupados regularmente, a iluminação artificial pode ser ajustada dentro de uma determinada faixa: a) A luz artificial pode ser ajustada na sala 1 b) A luz artificial pode ser controlada por grupos de ocupantes (2 a 3 pessoas) 2 c) A luz artificial pode ser controlada individualmente por um ocupante 3 2 Em pelo menos 90% dos espaços ocupados regularmente, o sistema de iluminação permite a mudança de pelo menos um dos seguintes: a) Pelo menos 3 níveis de iluminação; 1 b) Cor; 1 c) Temperatura de cor; 1 d) Distribuição de luz pelo controlo de diferentes grupos de luzes ou por meio de cenas predefinidas. 1 3 Todos os ocupantes regulares têm controlo sobre seu ambiente de iluminação por meio de pelo menos um dos seguintes: a) Controlos manuais (por exemplo, interruptores ou painéis de controlo) localizados no mesmo espaço de cada zona de iluminação. 1 b) Interface digital disponível em um computador ou telefone. 2 4 A proteção contra reflexos e sombras pode ser ajustada dentro de uma determinada faixa: a) A proteção contra sombras ou reflexos pode ser controlada na sala 1 b) A proteção contra sombras ou reflexos pode ser controlada por grupos de ocupantes (1 a 3 pessoas) 2 c) A proteção contra sombras e reflexos pode ser controlada individualmente por um ocupante 3 ∑créditos= 4.3.4.5 Indicador: I17. Vistas P23. Vistas de Qualidade Determinar a percentagem de postos de trabalho ou assentos que têm linha de visão direta para o ambiente exterior natural ou urbano. As vistas dos átrios internos podem ser usadas para atender até 30% da área necessária. As vistas devem ser através de vidro com uma transmitância luminosa acima de 40%. As visualizações devem incluir pelo menos natureza, marcos urbanos ou arte; ou objetos a pelo menos 7,5 metros do exterior do envidraçado.
78 O valor da prática convencional é de 10%, pois este é o pré-requisito definido no método Green Globes SI. A melhor prática é de 60%, valor premiado pelos métodos Green Globes SI, e HQE. Calcular o valor normalizado a partir da Equação 1. 4.3.5 Categoria: C5. Composição do Ambiente 4.3.5.1 Indicador: I18. Projeto de Interiores P24. Ergonomia Determinar o valor do potencial ergonómico do ambiente de trabalho, através da contabilização de créditos da Tabela 37. Tabela 37. Valor do potencial ergonómico do ambiente de trabalho. Parâmetro Descrição Crédito ✓ 1 Todos os monitores de computador podem ser posicionados pelo trabalhador por meio de um ou mais dos seguintes: a) Uso de monitores que permitam o ajuste da altura e do ângulo de visão 1 b) Uso de suporte de monitor que permitam o ajuste da altura, do ângulo de visão e distância horizontal 2 2 Cadeiras ajustáveis 2.1 Todas as cadeiras dos postos de trabalho permitem o ajuste da altura e da profundidade do assento pelo trabalhador. 1 2.2 Além disso, podem permitir os seguintes ajustes adicionalmente: a) Altura do encosto e apoio lombar 1 b) Ângulo do encosto 1 c) Altura do apoio de braço e distância entre os apoios de braço 1 3 Pelo menos 25% de todos os postos de trabalho podem ser ajustados pelo ocupante para trabalho sentado e em pé, por meio de um dos seguintes: a) Superfícies de trabalho com ajuste de altura manual ou elétrico que fornecem aos ocupantes a capacidade de personalizar a altura do posto de trabalho tanto na posição sentada quanto em pé. 1 b) Soluções suplementares (por exemplo, suporte) que permitam que toda ou parte da superfície de trabalho, monitor e dispositivos de entrada primários (por exemplo, teclado, mouse) sejam levantados ou abaixados para as alturas de sentado ou em pé. 1 4 Todos os funcionários recebem uma orientação (por exemplo, formação presencial, educação interativa, educação baseada em vídeo com verificação de competência) para os postos de trabalho no espaço que cobre, no mínimo: 1 a) Características ergonómicas e ajustáveis de um determinado posto de trabalho e seus benefícios b) Demonstração de como fazer ajustes com base nas necessidades individuais c) Recursos disponíveis que podem ser usados para referência futura e onde acedê-los ∑créditos=
79 O valor da prática convencional é de 2 créditos, uma vez que se considera que normalmente são atendidos os parâmetros 1a e 2.1. Como melhor prática é adotado o valor de 8 créditos, considerando a implementação dos parâmetros 1b, 2, 3a e 4. Estes parâmetros são também os considerados mais relevantes no método WELL. Calcular o valor normalizado a partir da Equação 1. P25. Escadas Determinar o valor do potencial atrativo das escadas, através da contabilização de créditos da Tabela 38. Tabela 38. Valor do potencial atrativo das escadas. Parâmetro Descrição Crédito ✓ 1 Existe uma escada acessível igualmente ou mais visível do que qualquer elevador e/ou escada rolante da entrada principal do edifício 1 2 Existem sinais permanentes para a promoção do uso de escadas nos seguintes pontos de decisão: 1 a) Perto da entrada do edifício principal ou da receção b) Perto da entrada de elevadores ou escadas rolantes em cada andar c) Na base das escadas e pontos de reentrada em cada andar 3 Pelo menos uma escada é aberta para ocupantes regulares, atendendo todos os andares do projeto e é esteticamente projetada através da inclusão de pelo menos uma estratégia da seguinte lista em cada andar: a) Música 1 b) Obra de arte 1 c) Janelas ou claraboias que dão acesso à luz natural 1 d) Elementos que remetam a natureza (por exemplo, plantas, recursos hídricos, imagens da natureza) 1 e) Ludificação 1 ∑créditos= O valor da prática convencional é de 0 créditos, uma vez que não há regulamentação que incentive a implementação de características atrativas às escadas. A melhor prática é de 5 créditos, considerando a implementação dos parâmetros 1 e 2, além da adoção de três estratégias descritas no parâmetro 3. Estas prioridades são comuns aos métodos Fitwel e WELL. Calcular o valor normalizado a partir da Equação 1.
80 4.3.5.2 Indicador: I19. Flexibilidade e Adaptabilidade P26. Flexibilidade e Adaptabilidade Determinar o valor do potencial de flexibilidade e adaptabilidade do ambiente de trabalho, através da contabilização de créditos da Tabela 39. Tabela 39. Valor do potencial de flexibilidade e adaptabilidade do ambiente de trabalho. Parâmetro Descrição Crédito ✓ 1 Medidas ao nível dos espaços interiores: 1.1 As paredes de separação das divisões interiores são facilmente amovíveis: a) menos de 50% das paredes 2 b) mais de 50% das paredes 4 1.2 Existem espaços com duplo pé direito, de forma a permitir a adaptação de novos usos 2 1.3 São usados sistemas modulares de móveis 1 1.4 São usados móveis que podem ser convertidos para servir a várias funções (por exemplo, sentar que também pode ser usado para dormir). 2 2 Medidas ao nível dos espaços exteriores: 2.1 O mobiliário urbano é de fácil remoção: a) menos de 50% do mobiliário 1 b) mais de 50% do mobiliário 2 2.2 São usadas superfícies de pavimento facilmente amovíveis a) menos de 50% da superfície 1 b) mais de 50% da superfície 2 ∑créditos= O valor da prática convencional é de 0 créditos, uma vez que não há regulamentação que incentive a flexibilidade e adaptabilidade no projeto do ambiente de trabalho. O valor da melhor prática é de 13, considerando a implementação dos parâmetros 1.2, 1.3 e 1.4, além de adotar as melhores soluções apresentadas em 1.1, 2.1 e 2.2. Estas prioridades são comuns às certificações Green Globes SI e LiderA. Calcular o valor normalizado a partir da Equação 1. 4.3.5.3 Indicador: I20. Áreas Externas P27. Valorização da paisagem Determinar o potencial de valorização da paisagem, através da contabilização de créditos da Tabela 40. O valor da prática convencional é de 1 crédito, pois foi considerado o parâmetro 1 como normalmente atendido. A melhor prática é de 7 créditos, adotando a implementação dos parâmetros 1, 2, 3 e 4, além
81 da melhor solução apresentada no parâmetro 5. Os mesmos valores são definidos pelo método LiderA, desenvolvido para o contexto português. Calcular o valor normalizado a partir da Equação 1. Tabela 40. Potencial de valorização da paisagem. Parâmetro Descrição Crédito ✓ 1 A altura do edifício é semelhante à média existente no local (altura 2 pisos superior ou inferior à média do quarteirão) 1 2 Conservação da característica da paisagem 1 A fachada do edifício deve ser inserida no visual circundante, ou seja, em uma região montanhosa, a construção deve ser tipicamente montanhosa, um edifício no Alentejo deve ser uma construção tipicamente alentejana. Caso seja uma paisagem histórica, esta deve ser mantida por meio da conservação, restauração ou recriação do exterior de edifícios históricos 3 As cores utilizadas na fachada devem fazer parte da paleta de cores existente no local 1 4 Os materiais utilizados na fachada devem estar de acordo com os tipicamente utilizados no local 1 5 A percentagem da área externa acessível pavimentada é: a) mais de 30% 0 b) 20% ou mais, menos de 30% 1 c) 10% ou mais, menos de 20% 2 d) Menos de 10% 3 ∑créditos= P28. Área verde Determinar a percentagem de áreas verdes no espaço exterior acessível. As áreas verdes devem incluir plantas de médio e grande porte ou elementos naturais. Para isso, deve-se determinar a área destinada a espaços verdes (𝐴𝑒𝑣), a área acessível exterior à construção (𝐴𝑎𝑒) e calcular a percentagem a partir da equação 2: 𝑃28 = 𝐴𝑒𝑣 𝐴𝑎𝑒 𝑥 100 (%) (2) Até o momento não foi identificada nenhuma regulamentação que especifique a área verde mínima nas propriedades. Portanto, o valor da prática convencional adotado é de 0%. Como melhor prática, o valor é de 50%, sendo o valor definido como melhor prática no método CASBEE. Calcular o valor normalizado a partir da Equação 1.
82 P29. Plantas Autóctones Determinar a percentagem de áreas verdes ocupadas por plantas autóctones. Para isso, deve-se determinar a área destinada a espaços verdes (𝐴𝑒𝑣), a área destinada a espécies autóctones (𝐴𝑒𝑎) e calcular a percentagem a partir da equação 3: 𝑃29 = 𝐴𝑒𝑎 𝐴𝑒𝑣 𝑥 100 (%) (3) Este parâmetro é baseado na avaliação feita pelo método SBToolPT STP, desenvolvido para o contexto português. Assim, o valor da prática convencional é de 30% e da melhor prática é de 90%. Calcular o valor normalizado a partir da Equação 1. 4.3.5.4 Indicador: I21. Projeto Biofílico P30. Conexão Com a Natureza Determinar o valor do potencial de conexão do trabalhador com a natureza, através da contabilização de créditos da Tabela 41. Tabela 41. Valor do potencial de conexão do trabalhador com a natureza. Parâmetro Descrição Crédito ✓ 1 É fornecido um ambiente e instalações apropriadas nos quais os ocupantes do edifício e as pessoas locais possam desfrutar da natureza 1 2 Em todo o espaço, incluindo áreas de circulação, áreas de estar, salas de conferências e estações de trabalho (conforme aplicável), o projeto integra: a) Materiais naturais, padrões, formas, cores, imagens ou sons 1 b) Pelo menos um dos seguintes: - Plantas (por exemplo, vasos de plantas, paredes de plantas) 1 - Água (por exemplo, fonte) 1 - Vistas da natureza 1 3 Os ocupantes são incentivados a aceder a natureza ao ar livre (por exemplo, presença de sinalização ou mapas da natureza ao ar livre, disponibilidade de pausas durante o dia de trabalho para visitar a natureza ao ar livre). 2 ∑créditos= Até o momento não foi identificada nenhuma regulamentação que incentive a adoção de medidas para proporcionar uma maior conexão do trabalhador com a natureza. Deste modo, o valor da prática convencional é de 0 créditos. A melhor prática é de 6, correspondendo à prática premiada nos métodos CASBEE e WELL. Calcular o valor normalizado a partir da Equação 1.
83 4.3.6 Categoria: C6. Qualidade da Água 4.3.6.1 Indicador: I22. Parâmetros de Qualidade da Água P31. Concentração dos Parâmetros Calcular o valor normalizado relativo à concentração de cada parâmetro de qualidade da água, através do preenchimento da Tabela 42, por comparação entre a concentração de cada parâmetro e as práticas de referência. Tabela 42. Valor normalizado relativo a concentração dos parâmetros de qualidade da água. Parâmetro Concentração do Parâmetro no Local Benchmarks Valor Normalizado* Prática Convencional Melhor Prática Cádmio 5 μg/l Cd 3 μg/l Cd Cloreto de vinilo 0,5 μg/l 0,3 μg/l Cobre 2 mg/l Cu 1 mg/l Cu Tetracloroeteno e Tricloroeteno 10 μg/l 4 μg/l Trihalometanos (THM) 100 μg/l 80 μg/l Turvação 4 UNT 1 UNT Média Aritmética * O valor normalizado é calculado a partir da Equação 1. Os valores das concentrações dos parâmetros adotados como prática convencional são os valores definido no Decreto-Lei n.º 152/2017 (Portugal, 2017). Para melhores práticas, consideraram-se os valores definidos no método WELL. O valor do parâmetro será a média aritmética dos valores normalizados. 4.3.6.2 Indicador: I23. Gestão da Qualidade da Água P32. Gestão da Qualidade da Água Determinar o valor do potencial de gestão da qualidade da água no edifício, através da contabilização de créditos da Tabela 43. Como prática convencional foi considerado como normalmente adotado o parâmetro 3.1, resultando em 1 crédito, uma vez que este é dito como pré-requisito pelo método HQE. O valor da melhor prática é de 8 créditos, pois adotou-se o cumprimento de todos os parâmetros. Estes são os parâmetros premiados
84 pelos métodos BEAM Plus Interiors , Fitwel, HQE e WELL. Calcular o valor normalizado a partir da Equação 1. Tabela 43. Valor do potencial de gestão da qualidade da água. Parâmetro Descrição Crédito ✓ 1 Os seguintes parâmetros da água são testados em intervalos não inferiores a uma vez por ano: 1 a) Turvação b) pH c) Cor d) Ferro e) E. Coli f) Coliformes totais 2 É garantido uma temperatura suficiente nas redes de distribuição e produção de água quente sanitária, a fim de minimizar o risco de Legionella 1 3 Escolha materiais compatíveis com a natureza da água que está sendo distribuída 3.1 Para qualquer contato com água destinada ao consumo humano, escolher materiais dentre os abaixo: 1 a) Metais, ligas e revestimentos metálicos à base de cobre, ferro, alumínio e zinco b) Materiais à base de substâncias ligantes hidráulicas, esmaltes, cerâmicas e vidro c) Matérias orgânicas que beneficiam de um certificado de conformidade. 3.2 Para qualquer contato com água destinada ao consumo humano, escolher materiais que permitam o tratamento térmico ou químico curativo da rede de água fria em caso de contaminação 2 4 É fornecido pelo menos um dispensador de água potável por andar e em todas as áreas de refeições 1 5 Todas as fontes de água potável são projetadas para reabastecimento de garrafas de água 1 6 Os bocais, saídas, proteções, arejadores, bacias e pontos de contato de todos os distribuidores de água potável são limpos diariamente 1 ∑créditos= 4.3.7 Categoria: C7. Materiais e Poluentes 4.3.7.1 Indicador: I24. Restrições de Materiais P33. Materiais com COV Determinar a percentagem em peso de materiais de acabamento com baixo conteúdo de COV. Para isso, deve-se determinar a massa de materiais de acabamento com baixo COV (𝑀𝐶𝑂𝑉), a massa de todos os materiais de acabamento previstos no mapa de medições que são suscetíveis de libertar COV (𝑀𝑇𝑂𝑇) e calcular a percentagem a partir da equação 4:
85 𝑃33 = 𝑀𝐶𝑂𝑉 𝑀𝑇𝑂𝑇 𝑥 100 (%) (4) Consideram-se materiais de acabamento com baixo conteúdo de COV: a) As tintas e vernizes que apresentam um conteúdo de COV que corresponde a menos de 8,00% da sua massa total; b) Os produtos derivados da madeira que estejam classificados na classe E1, segundo a norma EN 13986 (CEN, 2004). Deverão ser considerados como materiais de acabamento que são suscetíveis de libertar COV as tintas, vernizes e derivados de madeira utilizados nos revestimentos, rodapés e mobiliário fixo. A massa deverá ser determinada da seguinte forma: a) Tintas e vernizes: de acordo com o número de demãos prevista, superfície a pintar/envernizar e rendimento dos produtos; b) Derivados e madeira: em função do tipo de madeiras, volume e respetiva densidade. Este parâmetro é baseado na avaliação feita pelo método SBToolPT STP, concebido para o panorama português, sendo então utilizados os valores ali encontrados. Assim, o valor da prática convencional é de 0% e da melhor prática é de 90%. Calcular o valor normalizado a partir da Equação 1. P34. Materiais com Outros Poluentes Determinar o valor do potencial de restrição de materiais que contenham outros poluentes na construção e decoração do edifício, através da contabilização de créditos da Tabela 44. O valor da prática convencional é de 1 crédito, sendo considerado o parâmetro 1 como normalmente atendido. O Decreto-Lei n.º 101 (Portugal, 2005) proíbe a utilização e comercialização de fibras de amianto e de produtos que contenham essas fibras. Como melhor prática, é adotado o valor de 9 créditos, representando o cumprimento de todos os parâmetros. Estes parâmetros são também premiados pelos métodos CASBEE, HQE, LEED, LiderA e WELL. Calcular o valor normalizado a partir da Equação 1.
92 Parâmetro Descrição Crédito ✓ 7 É fornecido um local para o armazenamento da produção alimentar 1 ∑créditos= Até o momento não foi identificada nenhuma regulamentação que incentive a produção de alimentos no ambiente de trabalho. Assim, o valor da prática convencional é de 0 créditos. A melhor prática é de 15 créditos, considerando a adoção de todos os parâmetros, sendo de 2 créditos a contribuição do parâmetro 6. Esses valores são baseados na melhor prática apresentada pelos métodos LiderA e WELL. Calcular o valor normalizado a partir da Equação 1. 4.3.8.3 Indicador: I30. Educação Nutricional P40. Informação Nutricional Determinar o valor do potencial de informação nutricional disponível aos ocupantes, através da contabilização de créditos da Tabela 49. Tabela 49. Valor do potencial de informação nutricional disponível aos ocupantes. Parâmetro Descrição Crédito ✓ 1 Pelo menos um dos seguintes itens é oferecido pessoalmente ou virtualmente para ocupantes regulares, sem nenhum custo, no mínimo trimestralmente: a) Demonstrações culinárias lideradas por chefes-instrutores que incluem frutas e ou vegetais, demonstram habilidades culinárias e integram oportunidades de aprendizagem prática 1 b) Sessões de nutrição ou educação alimentar conduzidas por um nutricionista ou nutricionista credenciado 1 c) Consultas nutricionais individuais conduzidas por nutricionista ou nutricionista credenciado 1 d) Oficinas de jardinagem ou plantio com foco em plantas comestíveis que integram oportunidades de aprendizado prático 1 2 Para alimentos e bebidas embalados, incluindo itens em máquinas de venda automática e alimentos a granel de autosserviço, vendidos ou fornecidos diariamente no local de trabalho, as seguintes informações nutricionais são claramente exibidas no ponto de decisão sobre embalagem ou sinalização adjacente: 2 a) Calorias totais por porção ou pacote b) Conteúdo de macronutrientes (proteína total, gordura total e carboidrato total) em peso e / ou como uma percentagem das necessidades diárias estimadas (valores diários) por porção ou pacote c) Conteúdo total de açúcar por porção ou pacote. 3 Todas as áreas de alimentação e pontos de venda de alimentos contêm pelo menos duas instâncias diferentes de mensagens que promovem um dos seguintes: 2 a) O consumo de frutas e vegetais b) O consumo de água potável
93 Parâmetro Descrição Crédito ✓ 4 Se alimentos e bebidas são vendidos ou fornecidos diariamente no local de trabalho, os seguintes requisitos são atendidos: 2 a) Bebidas adoçadas com açúcar não são anunciadas ou promovidas b) As opções de alimentos fritos não são anunciadas ou promovidas c) As opções de alimentos fritos não são exibidas sob as lâmpadas de calor ∑créditos= O valor da prática convencional é de 2 créditos, pois foi considerado o parâmetro 2 como normalmente atendido. A melhor prática é de 8 créditos, considerando que os parâmetros 2, 3 e 4 são implementados, além de pelo menos duas opções do parâmetro 1. Estes valores são baseados na avaliação feita pelo método WELL. Calcular o valor normalizado a partir da Equação 1. 4.3.9 Categoria: C9. Ocupante e Comunidade 4.3.9.1 Indicador: I31. Vida Ativa P41. Promoção da Atividade Física Determinar o valor do potencial de promoção de atividade física disponível aos ocupantes, através da contabilização de créditos da Tabela 50. Tabela 50. Valor do potencial de promoção de atividade física. Parâmetro Descrição Crédito ✓ 1 Oportunidades de atividade física sem custo estão disponíveis para ocupantes regulares e atendem aos seguintes requisitos: 1 a) A programação é apropriada para a população do projeto (por exemplo, idade, habilidade, cultura) b) A programação é oferecida por um profissional de atividade física qualificado pessoalmente a uma distância de caminhada de 200 metros do limite do projeto ou virtualmente por meio de programação ao vivo. 2 A programação de atividade física é oferecida nas seguintes frequências: a) Pelo menos um evento de 30 minutos por semana 1 b) Mais de 150 minutos por semana 3 3 Espaços para atividades físicas 3.1 Uma academia dedicada está disponível dentro dos limites do projeto sem nenhum custo para os ocupantes regulares e é dimensionada de acordo com um dos seguintes requisitos: 4 a) O espaço inclui pelo menos dois tipos de equipamentos de exercício (por exemplo, pesos livres, esteira) em quantidades que permitem o uso por pelo menos 5% dos ocupantes regulares a qualquer momento b) Tem área de, no mínimo, 25 m2 mais 0,1 m2 por ocupante regular 3.2 O projeto fornece aos ocupantes regulares acesso a um ginásio a uma caminhada de 200 m do limite do projeto, sem nenhum custo. 2
94 Parâmetro Descrição Crédito ✓ 3.3 Pelo menos um dos seguintes espaços de atividade física ao ar livre está a uma distância de 400 m a pé do limite do projeto e disponível sem custo para os ocupantes regulares: 1 a) Espaço verde (por exemplo, parque, trilha para caminhada ou ciclismo) b) Campo ou quadra recreativa c) Piscinas d) Zonas com equipamentos fitness permanentes 4 Uma política de incentivo a atividade física está em vigor, permitindo horário de trabalho flexível para acomodar a atividade física e recompensas por prática de exercícios físicos, como prêmios, recompensas financeiras, dentre outros 2 ∑créditos= O valor da prática convencional é de 0 créditos, pois não foi encontrado nenhum regulamento que apoie a promoção de atividade física no ambiente de trabalho. A melhor prática é de 10 créditos, considerando que os parâmetros 1, 2b, 3.1 e 4 são implementados. Estes valores são baseados na avaliação feita pelos métodos Fitwel e WELL. Calcular o valor normalizado a partir da Equação 1. 4.3.9.2 Indicador: I32. Apoio à Higiene P42. Comodidades Para Promoção da Higiene Determinar o valor do potencial das comodidades disponíveis para promoção da higiene no local de trabalho, através da contabilização de créditos da Tabela 51. Tabela 51. Valor do potencial das comodidades disponíveis para promoção da higiene no local de trabalho. Parâmetro Descrição Crédito ✓ 1 Todos os ocupantes têm acesso a pelo menos uma instalação sanitária por piso, que disponibiliza acesso a pessoas com mobilidade reduzida. 2 2 Todos os ocupantes têm acesso a pelo menos um banheiro com trocador de bebê. 2 3 Todas as instalações sanitárias atendem aos seguintes requisitos: a) Fornecem recipientes individuais para lixo nas instalações sanitárias para mulheres. Se o papel higiénico não puder ser colocado na sanita, os recipientes de lixo devem ser colocados em todos os banheiros 1 b) Fornecem absorventes higiénicos, absorventes internos e / ou outros produtos menstruais sem custo ou subsidiados em pelo menos 50% (em casas de banho para mulheres e de uso único) 1 c) Fornecem um gancho, prateleira ou suporte de armazenamento equivalente em cada box do banheiro 1 d) Os sanitários são equipados com descarga mãos-livres 1 e) Fornecem distribuidores de sabonete sem contato 1 f) Os utilizadores podem sair do banheiro com as mãos livres 1 g) As torneiras são ativadas por sensor 1 h) Sinalização exibindo as etapas para a lavagem adequada das mãos. 1
95 Parâmetro Descrição Crédito ✓ i) Um dos seguintes métodos para secagem das mãos: 1 - Toalhas de papel - Secadores de mãos equipados com filtro HEPA. A substituição do filtro e a manutenção do equipamento são realizadas de acordo com as instruções do fabricante - Rolos de toalhas de mão em tecido com dispensador, sendo os rolos substituídos antes de chegar ao fim do serviço 4 Todos os ocupantes têm acesso a pelo menos um balneário com chuveiros e armários, tendo pelo menos um chuveiro para os primeiros 100 ocupantes regulares do edifício e um chuveiro adicional para cada 150 ocupantes regulares do edifício depois disso. 2 5 São implementadas estratégias de design para oferecer operação sem mãos (através do pé, voz, sensor, dispositivo eletrónico pessoal, entre outros) em pelo menos três dos seguintes: 2 a) Portas de entrada de pedestres regularmente usadas durante as horas regularmente ocupadas b) Elevadores c) Todos os enchimentos de garrafas de água, torneiras de água, dispensadores de sabonete e papel toalha d) Persianas e interruptores e/ou controladores de iluminação interna e) Tampas de caixotes de lixo, reciclagem e reutilização ∑créditos= O valor da prática convencional é de 4 créditos, pois foi considerado que os parâmetros 3a, 3c, 3h e 3i são normalmente atendidos. A melhor prática é de 17 créditos, considerando que todos os parâmetros são implementados. Estes valores são baseados na melhor prática definida nos métodos Fitwel e WELL. Calcular o valor normalizado a partir da Equação 1. 4.3.9.3 Indicador: I33. Acessibilidade P43. Espaços Inclusivos Determinar o valor do potencial de inclusão dos espaços, através da contabilização de créditos da Tabela 52. O valor da prática convencional é de 2 créditos, pois foi considerado que os parâmetros 1 e 4 são normalmente atendidos. A melhor prática é de 11 créditos, considerando que todos os parâmetros são implementados, sendo adotada a melhor opção do parâmetro 7. Estes valores são baseados na premiação feita pelos métodos Fitwel e WELL. Calcular o valor normalizado a partir da Equação 1.
96 Tabela 52. Valor do potencial de inclusão dos espaços no local de trabalho. Parâmetro Descrição Crédito ✓ 1 Todas as entradas e saídas do edifício são acedidas sem escadas. Ao menos uma entrada (entrada principal) do edifício tem porta automática 1 2 São adotadas estratégias que ajudam os indivíduos a circular intuitivamente pelo projeto, como sinalização (em braille inclusive), mapas, símbolos, sistemas de informação 1 3 Existe diferenciação dos pavimentos, com o uso de pavimento pitonado por exemplo 1 4 O passeio é rebaixado para facilitar o acesso de pessoas com mobilidade reduzida 1 5 O mobiliário urbano (bancos, bebedouros, lixeiras, dentre outros) escolhido visa atender uma ampla gama de habilidades e necessidades dos ocupantes ao longo do projeto 1 6 São adotadas estratégias que apoiam o acesso fácil a todos os espaços e comodidades e minimizam o risco de lesões, confusão ou desconforto (por exemplo, iluminação ou linhas de visão desobstruídas para aumentar a sensação de segurança). 1 7 A percentagem de área dos compartimentos do edifício aos quais pessoas com mobilidade condicionada podem aceder percorrendo uma distância igual ao semelhante à percorrida por pessoas sem qualquer tipo de condicionamento em termos de mobilidade é de: a) Menos de 25% 0 b) Entre 25% a 50% 1 c) Entre 50% a 75% 2 d) Mais de 75% 4 8 Uma política de inclusão está em vigor, permitindo horário de trabalho flexível para pessoas com deficiência, treinamentos em diversidade e inclusão, dentre outros. 1 ∑créditos= 4.3.9.4 Indicador: I34. Infraestrutura de Mobilidade P44. Plano de Mobilidade Determinar o valor do potencial do edifício para a promoção de um adequado plano de mobilidade, através da contabilização de créditos da Tabela 53. O Walk Score® (2022) é um índice de caminhada que considera uma série de métricas, como proximidade a amenidades, acessibilidade para pedestres, atividade de tráfego, entre outras. Este índice, apresentado numa pontuação numérica de 0 a 100, indica o número de amenidades próximas a uma propriedade, que estão a uma curta distância. O valor da prática convencional é de 2 créditos, pois foi considerado que os parâmetros 2.1 e 8 são normalmente atendidos. A melhor prática é de 19 créditos, considerando que todos os parâmetros são implementados, sendo adotada a melhor opção dos parâmetros 1, 3, 4, 9 e 10. Estes valores são baseados na avaliação feita pelos métodos DGNB, Fitwel , LiderA, SBToolPT STP e WELL. Calcular o valor normalizado a partir da Equação 1.
97 Tabela 53. Valor do potencial do plano de mobilidade do edifício. Parâmetro Descrição Crédito ✓ 1 O projeto está localizado em uma área (código postal) em que o: a) Walk Score® é 50 ou superior 1 b) Walk Score® é 70 ou superior 2 c) Walk Score® é 90 ou superior 3 2 Percursos para ciclistas e pedestres 2.1 Existem percursos específicos para ciclistas, mas estes são também partilhados por pedestres 1 2.2 Existem percursos específicos para ciclistas separado dos percursos específicos para os pedestres 2 3 Para cada 10 ocupantes permanentes do edifício, existe(m): a) Um lugar para estacionamento específico para bicicletas 1 b) Dois lugares para estacionamento específico para bicicletas 2 4 A distância entre os estacionamentos específicos para bicicletas e a entrada principal do edifício é de: a) Superior a 75 m 0 b) Entre 25 m e 75 m 1 c) Menos de 25 m 2 5 Os estacionamentos específicos para bicicletas localizam-se num local coberto, com medidas antirroubos aplicadas 2 6 São fornecidas ferramentas básicas de manutenção de bicicletas (por exemplo, bomba de bicicleta e kit de remendo) ou serviços trimestrais de manutenção de bicicletas. 2 7 Existem paragens servidas por autocarro, metro ou elétrico situadas até uma distância de 500 m em planta da entrada principal do edifício. 1 8 Existem estações ou apeadeiros de comboio situadas até uma distância de 1000m em planta da entrada principal do edifício. 1 9 A frequência do serviço de transporte publico é: a) A cada 15 minutos no máximo 1 b) A cada 10 minutos no máximo 2 c) A cada 5 minutos no máximo 3 10 Se o edifício possuir estacionamento, existe estação de abastecimento para carros elétricos, com espaços de estacionamento devidamente identificados, sendo: a) 5% de todos os espaços de estacionamento ou pelo menos 2 espaços, o que for maior 1 b) 10% de todos os espaços de estacionamento ou pelo menos 6 espaços, o que for maior 2 ∑créditos= 4.3.9.5 Indicador: I35. Amenidades P45. Comodidades das Imediações Calcular o valor normalizado relativo ao desempenho do edifício quanto a existência de estabelecimentos de amenidades básicas nas imediações. Para isso, deve-se medir a distância entre a entrada principal do edifício e todas as amenidades relevantes no entorno. As distâncias não devem ser medidas em linha
98 reta, mas sim de acordo com o caminho pedonal mais curto que um ocupante pode utilizar para se deslocar de forma segura do edifício até à amenidade em causa. As amenidades mais relevantes são subdivididas em três classes (Tabela 54), de acordo com a sua importância e frequência de utilização. Assim, deve-se identificar as amenidades listadas na Tabela 54 que se situam a uma distância máxima da porta do edifício de 2500 m e atribuir créditos a cada uma delas, de acordo com a sua distância ao edifício, conforme a Tabela 55. As distâncias são arredondadas para o valor imediatamente superior que se encontra listado. Tabela 54. Subdivisão das amenidades por classes. Classe 1 Classe 2 Classe 3 Café/Snack-Bar Farmácia Centro desportivo/ginásio Restaurante Parque infantil Centro médico/médico Banco/caixa de Multibanco Cento Escolar Centro recreativo Estação de correios Centro comercial Local de oração (Igreja) Espaços exteriores públicos Tabela 55. Créditos a atribuir a cada amenidade de acordo com a respetiva classe e distância à porta principal do edifício. Classe Distância (m) 300 500 1000 1500 2000 2500 1 9 8 7 4 2 0 2 7 6 5 3 2 1 3 4 4 3 2 2 1 O desempenho do edifício é resultado da soma dos créditos obtidos. O valor normalizado deve ser calculado a partir da Equação 1, usando os valores de prática convencional e melhor prática encontrados na Tabela 56, de acordo com o tipo de zona urbana onde se localiza o projeto. Estes valores são baseados na avaliação feita pela certificação SBToolPT STP, elaborada dentro do contexto português. Tabela 56. Benchmarks de acordo com o tipo de zona urbana do projeto. Tipo de zona Benchmarks Prática Convencional Melhor Prática Zona 1: Área central de capital de distrito 127 136 Zona 2: Outras áreas de capital de distrito ou zona central de cidade média ou grande dimensão 122 134 Zona 3: Pequena cidade, vila ou subúrbio de cidade de média ou grande dimensão 119 131
99 4.3.9.6 Indicador: I36. Segurança P46. Segurança dos Ocupantes Determinar o valor do potencial do edifício para a promoção de um nível de segurança adequado para os seus ocupantes, através da contabilização dos critérios da Tabela 57. Tabela 57. Valor do potencial do plano de mobilidade do edifício. Parâmetro Descrição Crédito ✓ 1 Energia 1.1 Está instalado um gerador de energia que permite fornecer energia elétrica: a) Aos principais sistemas do edifício em caso de desastre natural ou de falha nos serviços; 1 b) A todo o edifício em caso de interrupção de fornecimento por parte dos serviços públicos. 2 1.2 O sistema elétrico foi dimensionado por secções, e a ocorrência de falha numa parte do sistema não impede o adequado funcionamento das restantes secções. 1 2 Água 2.1 O edifício possui um depósito de água que pode ser utilizado em caso de interrupção do sistema público. 2 2.2 O sistema de distribuição de água foi dimensionado por secções, e a ocorrência de falha numa parte do sistema não impede o adequado funcionamento das restantes secções. 1 3 Telecomunicações 3.1 O edifício possui pelo menos 2 meios de comunicação diferentes (ex. fibra ótica, wireless , etc.). 2 3.2 O sistema de telecomunicações foi dimensionado por secções, e a ocorrência de falha numa parte do sistema não impede o adequado funcionamento das restantes secções. 1 4 Incêndios 4.1 Distância da saída do edifício ao marco de incêndio ou à boca-de-incêndio mais próxima: a) 20 metros; 1 b) 10 metros; 2 4.2 A distância máxima de qualquer ponto do interior do edifício até a um extintor é de: a) Inferior a 15 metros; 1 b) Inferior a 10 metros; 2 4.3 A classe de resistência ao fogo dos elementos estruturais apenas com função suporte de cargas: a) É superior à classe mínima obrigatória para o tipo de utilização indicada no quadro IX do Regulamento Técnico de Segurança Contra Incêndio em Edifícios em 30 minutos. 1 b) É superior à classe mínima obrigatória para o tipo de utilização indicada no quadro IX do Regulamento Técnico de Segurança Contra Incêndio em Edifícios em 60 minutos. 2 4.4 A classe de resistência ao fogo dos elementos estruturais com função suporte e de compartimentação: a) É superior à classe mínima obrigatória para o tipo de utilização indicada no quadro IX do Regulamento Técnico de Segurança Contra Incêndio em Edifícios em 30 minutos. 1 b) É superior à classe mínima obrigatória para o tipo de utilização indicada no quadro IX do Regulamento Técnico de Segurança Contra Incêndio em Edifícios em 60 minutos. 2
100 Parâmetro Descrição Crédito ✓ 4.5 A classe de comportamento ao fogo dos elementos de isolamento e proteção entre utilizaçõestipo distintas: a) É superior à classe mínima obrigatória para o tipo de utilização indicada no quadro X do Regulamento Técnico de Segurança Contra Incêndio em Edifícios em 30 minutos. 1 b) É superior à classe mínima obrigatória para o tipo de utilização indicada no quadro X do Regulamento Técnico de Segurança Contra Incêndio em Edifícios em 60 minutos. 2 5 Iluminação 5.1 Existe um sistema de iluminação nas zonas de estacionamento do edifício de forma a proporcionar a iluminação necessária em termos de segurança (pelo menos 5 lux). 1 5.2 Existe um sistema de iluminação nos percursos pedonais, ciclovias e na entrada principal do edifício disposto linearmente ao longo dos percursos, definindo alinhamentos que auxiliam no encaminhamento até aos acessos do edifício (pelo menos 10 lux). 1 6 Equipamento técnico de Segurança 6.1 O edifício possui instalações técnicas de segurança (telefones de emergência, circuito interno de televisão, sistema de Public Address ou instalações semelhantes): a) Pelo menos uma instalação 1 b) Mais de uma instalação 2 7 Suporte Básico a Vida 7.1 Disponibilize um Desfibrilhador Automático Externo e um kit de primeiros socorros por andar 1 7.2 Promova treinamento de primeiros socorros e preparação para emergências anualmente 1 ∑créditos= O valor da prática convencional é de 2 créditos, pois foram considerados que os parâmetros 1.2 e 2.2 são normalmente atendidos. A melhor prática é de 25 créditos, considerando que todos os parâmetros são implementados, sendo adotada a melhor opção dos parâmetros 1.1, 4 e 6. Estes valores são baseados na avaliação feita pelos métodos DGNB, SBToolPT STP e WELL. Calcular o valor normalizado a partir da Equação 1. 4.3.9.7 Indicador: I37. Bem-estar do Ocupante P47. Promoção do Bem-estar Determinar o valor do potencial do edifício para a promoção do bem-estar de seus ocupantes, através da contabilização dos critérios da Tabela 58. O valor da prática convencional é de 1 crédito, pois foi considerado que o parâmetro 2 é atendido normalmente. A melhor prática é de 26 créditos, considerando que todos os parâmetros são adotados. Estes valores são baseados na avaliação feita pelo método WELL. Calcular o valor normalizado a partir da Equação 1.
101 Tabela 58. Valor do potencial de promoção do bem-estar dos ocupantes do edifício. Parâmetro Descrição Crédito ✓ 1 Todos os ocupantes têm acesso a um guia de usuário onde são fornecidas informações sobre o uso adequado de todos os sistemas disponíveis, a fim de proporcionar um ambiente mais confortável 1 2 Todos os funcionários têm acesso a uma área de descanso comum 1 3 Todos os funcionários têm acesso a uma sala silenciosa dedicada, em uma zona tranquila e com pelo menos uma opção de mobília totalmente reclinável (por exemplo, cama, sofácama, sofá, cadeira, tapete almofadado) para cada 100 funcionários 2 4 Os funcionários estão autorizados a fazer pelo menos uma sesta ou pausa para descanso de pelo menos 30 minutos durante o dia de trabalho (a não ser combinada com o horário designado para os intervalos para refeição) 1 5 Um plano de benefícios de saúde está disponível para todos os funcionários e seus dependentes designados (por exemplo, cônjuge, parceiro, filhos, pais, sogros, avós, netos, irmãos) sem custo ou subsidiado que inclui os seguintes serviços 2 a) Cuidados médicos b) Cuidado dental c) Cuidados com a visão d) Serviços de saúde mental e uso de substâncias e) Serviços de saúde sexual e reprodutiva, incluindo serviços de obstetrícia e ginecologia, e teste e tratamento de infeções sexualmente transmissíveis f) Cobertura de medicação e prescrição g) Imunizações essenciais com base na região h) Programas de cessação do tabagismo i) Teste de doenças infeciosas (por exemplo, tuberculose, malária, COVID-19) durante um surto de doença infeciosa regional ou global, epidemia ou pandemia, conforme declarado por uma agência de saúde pública regional ou global. 6 Pelo menos dois dos seguintes estão disponíveis para todos os funcionários sem nenhum custo: 2 a) Conscientização sobre saúde mental e bem-estar, oferecidos trimestralmente, pessoalmente ou virtualmente (por exemplo, webcast sobre gerenciamento de estresse, apresentação sobre mindfulness , e-mail sobre hábitos saudáveis de sono) b) Treinamentos ou cursos relacionados à saúde mental e bem-estar, oferecidos anualmente, pessoalmente ou virtualmente (por exemplo, primeiros socorros em saúde mental, treinamento em gerenciamento de estresse) c) Programação restauradora oferecida semanalmente, pessoalmente ou virtualmente (por exemplo, acesso contínuo a um aplicativo de meditação guiada, aulas semanais de ioga). d) Espaço dedicado para alimentação e relaxamento, com uma política que permite pausas durante o trabalho 7 O projeto implementa um programa de cessação do tabagismo para todos os funcionários elegíveis, focado em aumentar ou melhorar a motivação ou ação para parar, ou manter o esforço para parar e inclui incentivos ou recompensas (por exemplo, pagamentos financeiros diretos, loteria para prêmios) fornecidos para a participação no esforço de abandono ou sucesso na abstenção do uso do tabaco. 1
108 O resultado obtido do desenvolvimento do sistema de pesos encontra-se na Tabela 63, onde são apresentados os pesos por parâmetro, indicador e categoria do método proposto. Tabela 63. Sistema de pesos do método proposto. Categoria Peso da Categoria (%) Indicador Peso do Indicador (%) Parâmetro Peso do Parâmetro (%) C1. Qualidade do Ar Interior 11,07% I1. Ventilação 3,22% P1. Suprimento de Ar 1,61% P2. Filtração de Ar 1,61% I2. Controlo da Ventilação pelo Ocupante 2,29% P3. Níveis de Controlo 1,15% P4. Janelas Operáveis 1,14% I3. Poluição do ar 5,55% P5. Concentração de Poluentes 2,78% P6. Monitoramento 2,77% C2. Conforto Térmico 11,15% I4. Temperatura 3,79% P7. Temperatura Máxima Operativa 1,90% P8. Temperatura Mínima Operativa 1,89% I5. Humidade 2,46% P9. Humidade Relativa 2,46% I6. Velocidade do Ar 1,21% P10. Velocidade do Ar 1,21% I7. Sistemas de Automação AVAC 2,07% P11. Tipos de Sistema 2,07% I8. Controlo da Temperatura pelo Ocupante 1,62% P12. Controlo da Temperatura 1,62% C3. Conforto Acústico 7,43% I9. Isolamento Acústico 2,38% P13. Níveis de Conforto Acústico 2,38% I10. Reverberação 1,60% P14. Tempo de Reverberação 1,60% I11. Ruído Interno 2,05% P15. Níveis de Ruído Interno 2,05% I12. Emissão de Ruído 1,42% P16. Gestão de Ruído 1,42% C4. Conforto Visual 12,03% I13. Conforto Lumínico 6,05% P17. Fator de Luz do Dia 2,02% P18. Iluminação Natural 2,02% P19. Iluminação Constante 2,01% I14. Gestão de Brilho 1,65% P20. Índice de Brilho da Luz do Dia 1,65% I15. Reprodução de Cores 0,64% P21. Índice de Reprodução de Cores 0,64% I16. Controlo da Iluminação pelo Ocupante 2,25% P22. Controlo da Iluminação 2,25% 1I7. Vistas 1,43% P23. Vistas de Qualidade 1,43%
109 Categoria Peso da Categoria (%) Indicador Peso do Indicador (%) Parâmetro Peso do Parâmetro (%) C5. Composição do Ambiente 15,46% I18. Projeto de Interiores 2,74% P24. Ergonomia 1,37% P25. Escadas 1,37% I19. Flexibilidade e Adaptabilidade 5,26% P26. Flexibilidade e Adaptabilidade 5,26% I20. Áreas Externas 4,08% P27. Valorização da paisagem 1,36% P28. Área verde 1,36% P29. Plantas Autóctones 1,36% I21. Projeto Biofílico 3,38% P30. Conexão Com a Natureza 3,38% C6. Qualidade da Água 3,58% I22. Parâmetros de Qualidade da Água 0,82% P31. Concentração dos Parâmetros 0,82% I23. Gestão da Qualidade da Água 2,76% P32. Gestão da Qualidade da Água 2,76% C7. Materiais e Poluentes 13,81% I24. Restrições de Materiais 5,80% P33. Materiais com COV 2,90% P34. Materiais com Outros Poluentes 2,90% I25. Gestão de Resíduos 2,35% P35. Tratamento de Resíduos 2,35% I26. Controlo Biológico 2,74% P36. Materiais resistentes 2,74% I27. Manutenção 2,92% P37. Manutenção do Edifício 2,92% C8. Alimentação e Nutrição 5,80% I28. Fornecimento Responsável de Alimentos 3,78% P38. Promoção da Alimentação Saudável 3,78% I29. Produção de Alimentos 0,48% P39. Incentivo à Produção Alimentar 0,48% I30. Educação Nutricional 1,54% P40. Informação Nutricional 1,54% C9. Ocupante e Comunidade 19,67% I31. Vida Ativa 2,62% P41. Promoção da Atividade Física 2,62% I32. Apoio à Higiene 0,65% P42. Comodidades Para Promoção da Higiene 0,65% I33. Acessibilidade 1,81% P43. Espaços Inclusivos 1,81% I34. Infraestrutura de Mobilidade 3,71% P44. Plano de Mobilidade 3,71% I35. Amenidades 3,22% P45. Comodidades das Imediações 3,22%
110 Categoria Peso da Categoria (%) Indicador Peso do Indicador (%) Parâmetro Peso do Parâmetro (%) I36. Segurança 2,20% P46. Segurança dos Ocupantes 2,20% I37. Bem-estar do Ocupante 4,43% P47. Promoção do Bemestar 4,43% I38. Desenvolvimento do Bairro 1,03% P48. Contributo Para a Comunidade 1,03%
111 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS 5.1 Enquadramento No presente capítulo apresentam-se as conclusões do trabalho realizado, bem como uma síntese dos principais assuntos abordados ao longo desta dissertação. Além disso, são descritas as limitações encontradas e algumas propostas de temas futuros adequadas à continuidade do estudo. 5.2 Conclusões O principal objetivo deste estudo era desenvolver um método de avaliação da QAI para edifícios de escritórios, adaptado ao contexto português e visando melhorar a produtividade, bem-estar e saúde do trabalhador. Para compreender a relevância deste tema, foi feito um enquadramento do assunto no capítulo 1, apontando a importância de se ter uma QAI elevada uma vez que as pessoas passam a maior parte do seu tempo nos edifícios, locais onde vivem e trabalham. Além disso, melhorar a QAI resulta no aumento da produtividade e concentração da equipa, a partir de maior conforto, saúde e bem-estar dos trabalhadores, ocasionando em melhores resultados para a empresa. Neste sentido, o capítulo 2 apresentou uma análise do estado da arte relativa ao estudo da QAI dos edifícios de escritórios e dos principais fatores que a afetam, em relação às condições da qualidade do ar interior, do conforto térmico, acústico e visual, e da organização do ambiente. Adicionalmente, foram apresentados outros aspetos que interferem no conforto, saúde e bem-estar dos ocupantes: qualidade da água, alimentação, saúde mental, atividade física, infraestrutura e amenidades do local. Observou-se que esses fatores podem influenciar simultaneamente a vida do ocupante, bem como a insatisfação com um tipo de condição do ambiente de trabalho pode resultar na insatisfação com um conjunto não relacionado de condições ambientais. Ainda no capítulo 2, foi feita uma breve abordagem acerca da SED e dos mais relevantes métodos de avaliação e certificação da sustentabilidade e da QAI de edifícios. Ressalta-se que apenas dois dos catorze métodos estudados foram desenvolvidos para o panorama português, e mesmo estes encontram-se voltados para a análise da sustentabilidade e pouco abrangentes no que se refere a QAI. Neste sentido, o método proposto visa preencher essa lacuna identificada. O desenvolvimento do método tem início no capítulo 3, onde são descritas as abordagens aplicadas para a seleção do seu conteúdo, apresentando os critérios para a escolha das ferramentas de avaliação que servirão de base, bem como das categorias, indicadores e parâmetros. Também é detalhado o processo
112 de avaliação adotado, que passa pela quantificação do desempenho a nível de cada indicador e das categorias, bem como sua agregação. A nível do indicador, a avaliação é feita a partir da quantificação dos parâmetros que o compõem, seguido pela normalização dos mesmos. Isso garante que seja possível comparar os resultados através de um valor adimensional. Para isso, são determinados os benchmarks do parâmetro, ou seja, valores de melhor prática e a prática convencional, adequados para o contexto português de edifícios de escritórios. A quantificação do desempenho a nível das categorias deve ser feita a partir do desenvolvimento de um sistema de pesos, o que envolve diversos fatores, como o contexto e as prioridades locais, as diferentes opiniões dos ocupantes do espaço, dentre outros. Por ser complexo e resultar em grande volume de trabalho, a criação de um sistema de pesos para o método proposto ultrapassa os objetivos definidos para essa dissertação. Contudo, para possibilitar uma avaliação global da QAI, adotou-se uma média dos pesos utilizados pelas diferentes certificações analisadas neste projeto. O capítulo 4 apresenta os resultados obtidos neste estudo. Foram analisados catorze métodos de avaliação, tanto de sustentabilidade quanto focados na avaliação da QAI, o que permitiu perceber que ainda não há uma lista de indicadores de sustentabilidade ou da QAI definida, uma vez que eles diferem de metodologia para metodologia. O mesmo ocorre com o peso de cada indicador e categoria no desempenho global. Isso pode ser explicado a partir das diferenças regionais, socioculturais, ambientais e económicas dos países de origem de cada certificação. Apesar destas diferenças, percebeu-se também que diversas ferramentas avaliam alguns parâmetros semelhantes, embora tenham nomenclaturas diferentes. A partir destas análises, foi possível desenvolver um método que consta com 9 categorias, 38 indicadores e 48 parâmetros de avaliação. Na criação do método, atentou-se para que a lista de parâmetros fosse suficientemente extensa para incluir os aspetos que mais influenciam na QAI, na saúde e no bem-estar do ocupante, mas que também fosse a mais reduzida possível para facilitar a sua utilização na prática. O sistema de pesos adotado também foi proposto no capítulo 4. Baseando-se no que foi apresentado no estado da arte, era expectável que os quatro principais campos de especialização da QAI (qualidade do ar, conforto térmico, acústico e visual) tivessem o maior peso na avaliação da QAI. No entanto, com a análise das categorias dos métodos estudados, identificou-se a relevância daquela relacionada diretamente com o ocupante e a comunidade, sobretudo no cenário português. Cabe ressaltar que o método aqui desenvolvido se diferencia dos apresentados na análise do estado da arte que avaliam aspetos da QAI (BEAM Plus Interiors, Fitwel, NABERS IE e WELL), por ser desenvolvido
113 especificamente para o contexto português e principalmente pelas especificidades do seu sistema de avaliação. A maior parte dos sistemas e ferramentas estudados assenta numa abordagem prescritiva, em que créditos são obtidos, quando satisfeitas determinadas condições. Em contraste, o sistema adotado, que é baseado no SBToolPT STP, assenta na avaliação do desempenho resultante da adoção de uma série de princípios e da sua comparação com as práticas convencionais e melhores práticas no contexto em que está a ser realizada a avaliação. Esta abordagem proporciona uma avaliação mais assertiva tendo em consideração as características do local e do ocupante. As principais limitações encontradas durante o estudo estão relacionadas com a falta de dados acerca da QAI, saúde e bem-estar dos ocupantes. A ausência de regulamentação portuguesa que aborda metas a fim de melhorar as condições de saúde e conforto dos ocupantes impediu muitas vezes que os valores de melhor prática dos parâmetros fossem os mais adequados a realidade do país. Além disso, existência de uma base de dados relacionada com a QAI, a saúde e o bem-estar dos ocupantes, que disponibilize informações sobre o mercado da construção e sobre as preferências da população portuguesa facilitaria o desenvolvimento de um sistema de pesos adequado ao contexto nacional. 5.3 Perspetivas futuras Em vista dos resultados obtidos neste estudo, despontam-se algumas propostas de temas futuros adequadas à continuidade do projeto: • A adaptação ao contexto português do sistema de pesos do método proposto; • A validação do método proposto, através do seu uso para avaliação de um ambiente, sendo realizadas medições e pesquisa APO com os ocupantes antes e depois da aplicação; • O desenvolvimento de parâmetros, indicadores e categorias de avaliação para diferentes tipos de edifícios (comércio, turismo, educação, etc.) e fases da construção (projeto, construção nova, reabilitação, edifícios em operação, dentre outros); • O desenvolvimento de um método que incorpore a análise da QAI, da sustentabilidade e da eficiência energética. Em suma, espera-se que a metodologia de avaliação da QAI, da saúde e bem-estar do ocupante que foi desenvolvida seja um contributo para projetistas, gestores de obras, dentre outros, auxiliando-os nas tomadas de decisão que potenciem a realização de ambientes mais confortáveis e saudáveis. Além disso,
114 acredita-se que, com a utilização do método, seja possível alcançar melhores níveis de produtividade dos trabalhadores, otimizando os resultados dos escritórios.
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