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Do trauma à reclusão: um estudo qualitativo com homens que cometeram homicídio

Gonçalves, Tânia Silva

Abstract

Existem inúmeros fatores que influenciam as trajetórias de vida, tanto positiva quanto negativamente. Na presença de fatores de risco, como história de vitimação e trauma, parece haver um aumento na predisposição para a prática de comportamentos/crimes violentos. O crime de homicídio é considerado o crime mais grave dentro da categoria de crimes violentos. Em Portugal, pouco se sabe sobre o impacto de experiências adversas e traumáticas no percurso de vida de pessoas que cometeram homicídio, recorrendo a uma metodologia qualitativa. O objetivo foi explorar e compreender de que forma as pessoas condenadas por crime de homicídio integram o impacto de possíveis adversidades presentes na sua história de vida e na perpetração do crime pelo qual estão condenadas. Foram analisadas 15 entrevistas através de análise temática indutiva. Os participantes relataram as adversidades que experienciaram nas suas vidas e as estratégias que encontraram para lidar com as mesmas. Os tipos de adversidades relatados foram: falta de apoio familiar, dificuldades a nível socioeconómico, violência intrafamiliar observada, experienciada e negligência, contudo os participantes não estabeleceram uma relação entre estas experiências e o cometimento do crime. Propõe-se que sejam realizadas intervenções preventivas, com crianças em risco, e remediativas, nos próprios, promovendo a diminuição da criminalidade.

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Universidade do Minho Escola de Psicologia Tânia Silva Gonçalves Do Trauma à Reclusão: Um Estudo Qualitativo com Homens que Cometeram Homicídio junho de 2023 Do Trauma à Reclusão: Um Estudo Qualitativo com Homens que Cometeram Homicídio Tânia Gonçalves UMinho | 2023 Universidade do Minho Escola de Psicologia Tânia Silva Gonçalves Do Trauma à Reclusão: Um Estudo Qualitativo com Homens que Cometeram Homicídio Dissertação de Mestrado Mestrado em Psicologia da Justiça Trabalho efetuado sob a orientação da Professora Doutora Ângela da Costa Maia e da Professora Doutora Vanessa Azevedo junho de 2023 ii Despacho RT - 31 /2019 - Anexo 3 DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho Atribuição-NãoComercial-SemDerivações CC BY-NC-ND https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/ iii Agradecimentos À Professora Doutora Ângela Maia, um sincero obrigada por me ter acolhido tão bem na equipa, por todo o apoio prestado ao longo do meu percurso académico, especialmente na dissertação, e por todo o conhecimento que me transmitiu ao longo destes anos. À Doutora Vanessa Azevedo pelo incentivo, pela paciência, disponibilidade e, acima de tudo, pela preocupação e por toda a orientação. À Bárbara e à Carina pelo apoio ao longo destes cinco anos, por estarem comigo nos bons e nos maus momentos, sempre disponíveis a qualquer hora para me ajudar com tudo o que eu precisasse. Mas acima de tudo, pela forma como me acolheram e partilharam os seus conhecimentos, permitindo-me crescer e desenvolver competências. Obrigada por darem sentido à palavra “equipa”. A todos os elementos da equipa de investigação “Experiências Adversas e Traumáticas” por toda a ajuda, pelos comentários construtivos e conselhos, que me forneceram e que me permitiram o aperfeiçoamento deste trabalho. Obrigada pela partilha de experiências e conhecimento nos mais variados temas. À minha família, pelo apoio ao longo deste percurso. Ao Gabriel pela paciência, por me ter incentivado a não desistir e por acreditar em mim, mesmo quando eu não o fazia. A todos os participantes deste estudo, que entrevistei e, em alguns casos, acompanhei, um enorme obrigada pelas partilhas, por toda a confiança, respeito, interesse e disponibilidade com que me receberam e aceitaram participar neste estudo. Sem eles este estudo não teria sido possível. Por fim, obrigada a todos os que de uma forma ou outra cruzaram o meu caminho e que contribuíram para a minha formação e realização desta dissertação. iv Despacho RT - 31 /2019 - Anexo 4 DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho. Braga, 05 de junho de 2023 ____________________________________________________ v Do Trauma à Reclusão: Um Estudo Qualitativo com Homens que Cometeram Homicídio Resumo Existem inúmeros fatores que influenciam as trajetórias de vida, tanto positiva quanto negativamente. Na presença de fatores de risco, como história de vitimação e trauma, parece haver um aumento na predisposição para a prática de comportamentos/crimes violentos. O crime de homicídio é considerado o crime mais grave dentro da categoria de crimes violentos. Em Portugal, pouco se sabe sobre o impacto de experiências adversas e traumáticas no percurso de vida de pessoas que cometeram homicídio, recorrendo a uma metodologia qualitativa. O objetivo foi explorar e compreender de que forma as pessoas condenadas por crime de homicídio integram o impacto de possíveis adversidades presentes na sua história de vida e na perpetração do crime pelo qual estão condenadas. Foram analisadas 15 entrevistas através de análise temática indutiva. Os participantes relataram as adversidades que experienciaram nas suas vidas e as estratégias que encontraram para lidar com as mesmas. Os tipos de adversidades relatados foram: falta de apoio familiar, dificuldades a nível socioeconómico, violência intrafamiliar observada, experienciada e negligência, contudo os participantes não estabeleceram uma relação entre estas experiências e o cometimento do crime. Propõe-se que sejam realizadas intervenções preventivas, com crianças em risco, e remediativas, nos próprios, promovendo a diminuição da criminalidade. Palavras-chave: análise temática; experiências adversas e traumáticas; homicídio; crimes violentos. vi From Trauma to Prison: A Qualitative Study With men who Committed Homicide Abstract There are numerous factors that influence life trajectories, both positively and negatively. In the presence of risk factors such as victimization history and trauma, there is an increased predisposition to commit violent behavior/crime. Homicide is considered the most severe crime within the category of violent crimes. In Portugal, little is known about the impact of adverse and traumatic experiences on the trajectories of people who committed homicide, especially by adopting a qualitative methodology. The aim was to explore and understand how people convicted of homicide integrate the impact of adversity presented in their life story and in the perpetration of the crime for which they are convicted. Fifteen interviews were analyzed through inductive thematic analysis. Participants reported the adversities they experienced in their lives and the strategies they found to cope with them. The types of adversities reported were lack of family support, socioeconomic difficulties, observed and experienced intra-familial abuse and neglect, however, the participants did not establish a relationship between these and committing the crime. We suggest that preventive interventions, with children at risk, and remedial interventions, with the inmates themselves, should be implemented, promoting a decrease in criminality. Keywords: thematic analysis; adverse and traumatic experiences; homicide; violent crimes vii Índice Do Trauma à Reclusão: Um Estudo Qualitativo com Homens que Cometeram Homicídio ............................ 8 Método ........................................................................................................................................................11 Design do Estudo e População ................................................................................................................11 Recrutamento de Participantes e Recolha de Dados ...............................................................................12 Descrição dos Participantes ....................................................................................................................12 Guião da Entrevista Qualitativa ................................................................................................................14 Análise Qualitativa: Análise Temática ......................................................................................................14 Rigor Qualitativo ......................................................................................................................................15 Resultados ..................................................................................................................................................15 Tema 1. (Sobre)vivência em Ambiente Adverso ......................................................................................15 1.1. Condições Socioeconómicas Adversas .........................................................................................15 1.2. Qualidade do Apoio Familiar ........................................................................................................16 1.2.1. Ausência de Rede de Apoio Familiar .....................................................................................16 1.2.2. Presença de Rede de Apoio Familiar.....................................................................................17 1.3. Violência Intrafamiliar ..................................................................................................................17 1.3.1. Violência Intrafamiliar Observada ..........................................................................................17 1.3.2. Violência Intrafamiliar Experienciada .....................................................................................18 Subtema 1.4. Negligência ...................................................................................................................18 Tema 2: Origem e Explicação do Comportamento Criminal ....................................................................19 Discussão ...................................................................................................................................................21 Conclusão ...................................................................................................................................................26 Referências .................................................................................................................................................26 Índice de Tabelas Tabela 1 Descrição das Características Sociodemográficas e Jurídico-Penais dos Participantes…..…………13 Tabela2 Guião Semiestruturado…………………………………………………………………………………….……..…..14 DO TRAUMA À RECLUSÃO 14 Guião da Entrevista Qualitativa O guião da entrevista foi desenvolvido com base na literatura existente, no quadro teórico do estudo, e no conhecimento adquirido acerca de interação com populações de risco, nomeadamente com ofensores. Dado tratar-se de um guião semiestruturado, sempre que necessário foram incluídas questões adicionais suscitadas pelas respostas dos participantes. Tabela 2 Guião Semiestruturado 1. Como era para si um dia normal enquanto criança? 2. Quais foram as experiências mais significativas para si / aquelas de que não se esqueceu na infância e juventude? 3. De forma geral, sentia-se seguro / protegido? Onde considerava ser o seu local seguro? 4. Alguém notava quando estava doente ou triste? Quem lhe dava colo? 5. Tendo em conta tudo aquilo de que fomos falando, considera que a sua história de vida pode ter contribuído para aquilo que o trouxe até aqui? Análise Qualitativa: Análise Temática Com recurso a entrevistas semiestruturadas procurou-se explorar e compreender aprofundadamente a história de vida de cada participante e a integração que estes faziam da mesma relativamente ao envolvimento no comportamento criminal. Posteriormente, foi conduzida uma análise temática indutiva que seguiu as orientações propostas por Braun e Clarke (2006). A análise temática é um método de análise qualitativa usualmente utilizado para “identificar, analisar e reportar padrões de dados” (Braun e Clark, 2006, p.79). De acordo com a terminologia destes autores, foi adotado um paradigma essencialista, tendo sido do nosso interesse reportar experiências, significados e perceções do participante acerca da sua realidade, juntamente de alguma interpretação por parte do investigador principal (Braun e Clark, 2006). As entrevistas realizadas foram transcritas, anonimizando-se quaisquer dados que permitissem a identificação dos participantes, tais como nomes. Foi atribuído um código a cada participante para preservar o anonimato e a confidencialidade. Usou-se o software qualitativo QSR NVivo versão 10 para a gestão, codificação e análise dos dados. Procedeu-se a “um processo de codificação dos dados sem tentar ajustálos a um quadro de codificação pré-existente ou aos pré-conceitos do investigador” (Braun & Clarke, 2006, p. 83), seguindo a estrutura de seis etapas destes autores. As informações das entrevistas foram reduzidas DO TRAUMA À RECLUSÃO 15 a pequenos pedaços de significado (códigos) que foram organizados, posteriormente, em temas mais amplos de significado que são de potencial interesse para responder à questão de investigação e ao objetivo previamente estabelecido (Maguire & Delahunt, 2017). De modo a assegurar a validade, implementaram-se estratégias, nomeadamente a codificação das entrevistas por duas investigadoras e realização de múltiplas apresentações e questionamentos à equipa de investigação, de forma a chegar a um consenso sobre os códigos, os subtemas e os temas. Rigor Qualitativo Aspetos como validade e confiabilidade devem ser tidos em consideração por investigadores qualitativos durante a realização de um estudo, a análise dos resultados, e a avaliação da qualidade do estudo (Cypress, 2017). Assim, para melhorar a credibilidade e a coerência interna de cada entrevista, o protocolo de entrevista foi elaborado de modo a serem incluídas perguntas diretas e indiretas sobre a experiência dos participantes. Para além disso foram utilizadas várias estratégias como a replicação passo a passo no processo de codificação, onde outro investigador codificou 40% da transcrição e codificação da entrevista, bem como apresentações e questionamentos à equipa de investigação, de forma a chegar a um consenso sobre os códigos, os subtemas e os temas (Morse, 2015). Resultados Da análise das 15 entrevistas emergiram dois temas centrais: 1) (Sobre)vivência em Ambiente Adverso e 2) Origem e Explicação do Comportamento Criminal. Quatro subtemas compuseram o primeiro tema: 1.1) Condições Socioeconómicas Adversas; 1.2) Qualidade do Apoio Familiar, que se subdivide em 1.2.1) Ausência de Rede de Apoio familiar e 1.2.2) Presença de Rede de Apoio Familiar; 1.3) Violência Intrafamiliar, que se subdivide, por sua vez, em: 1.3.1) Violência Intrafamiliar Observada e 1.3.2) Violência Intrafamiliar Experienciada; e 1.4) Negligência. Os aspetos relevantes de cada um destes temas e subtemas associados são descritos seguidamente e exemplificados através de excertos de entrevistas. Tema 1. (Sobre)vivência em Ambiente Adverso Este tema refere-se à forma como os participantes descreveram o ambiente em que viveram durante a sua infância, visando caracterizar e explorar as adversidades que relatam. Todos os participantes do estudo ( N = 15) descreveram que ao longo dos seus percursos de vida viveram em ambientes adversos. Segundo os relatos dos participantes estes ambientes caracterizaram-se por condições socioeconómicas adversas, falta de apoio familiar, violência intrafamiliar e negligência. 1.1. Condições Socioeconómicas Adversas Todos os participantes do estudo ( N = 15) descreveram que cresceram em condições socioeconómicas adversas. DO TRAUMA À RECLUSÃO 16 … “Lembra-me quando o meu pai chegava do trabalho com a marmita às costas, nós íamos sempre a correr a ver quem é que a apanhava… porque ele deixava sempre a marmita meia comida e era uma fome medonha… então nós pegávamos uns com os outros para comer os restos…” (P9) Associada às necessidades económicas relatadas pelos participantes, surge a necessidade de abandono escolar precoce, dando início ao trabalho infantil e assim poderem contribuir para os rendimentos familiares. Os participantes relatam que como abandonaram o meio escolar numa fase precoce não lhes foi possível investir na sua formação profissional o que contribuiu para que todos os trabalhos que encontrassem, para além de mal remunerados, fossem fisicamente muito exigentes e com poucas condições de trabalho. O descontentamento com estas condições laborais precárias fez com que os participantes trocassem frequentemente de trabalho, em busca de melhores oportunidades, que não encontravam. Os participantes descrevem ainda, que o facto de terem trocado frequentemente de trabalho não os permitiu progredir nas carreiras, o que promovia a manutenção do baixo nível socioeconómico. … “Já não me recordo de coisas boas da infância… Essa altura foi sempre… foi sempre castigo a trabalhar.” (P4) … “Depois sabe como é… andava sempre de pouso em pouso, não subia de posto, andava sempre a trocar... eu era a ver se havia uma coisita melhor mas nunca foi melhor... mas pronto com o 4a classe não... não sabia para mais…” (P14) 1.2. Qualidade do Apoio Familiar Este subtema retrata as características do apoio familiar com as quais os participantes viveram ao longo da infância e adolescência. Através dos relatos dos participantes foi possível perceber que, se por um lado uma minoria dos participantes não mencionou qualquer tipo de apoio familiar ( n = 3), por outro lado, a maioria dos participantes ( n = 12) descreveu a presença de algum apoio familiar. Na maioria dos casos, este apoio era apenas prestado por uma pessoa, que os participantes consideraram de confiança e na qual viam uma fonte de apoio, em alguns casos um avô ou a mãe. ... “O único local onde sempre me senti seguro foi com o meu avô, enquanto foi vivo, sem sombra de dúvidas, podia contar com ele para tudo.” (P5) … “Mas… a minha infância foi boa… Tudo bem que eu não tive uma infância que… podia ter sido melhor sim, mas não foi má, comparada à de outras pessoas… foi boa” (P15) … “Sinceramente a maior parte da minha família só lhes digo “boa tarde”. Não sou muito apegado a eles. Crescemos todos juntos, mas não é gente com quem goste de estar. Mas dou-me bem com todos. Não tenho problema com nenhum.” (P6) 1.2.1. Ausência de Rede de Apoio Familiar Os participantes que relataram a ausência de uma rede de apoio familiar ( n = 3) foram DO TRAUMA À RECLUSÃO 17 institucionalizados durante a infância, referindo que cresceram em lares de infância e juventude. Apesar de não terem tido contacto com nenhum elemento da sua família até à idade adulta, estes participantes descreveram a sua infância como positiva. … “Agora é lar juvenil. Estive lá dos quatro aos dezasseis anos. Gostei mesmo muito do colégio. Gostei muito da minha infância e embora não nunca estivessem presentes os meus pais… que nunca estiveram… não tinham condições e teve de ser assim. Só conheci a minha mãe com quarenta e dois anos por exemplo…” (P9) 1.2.2. Presença de Rede de Apoio Familiar A maioria dos sujeitos ( n = 12) relatou ter uma rede de apoio familiar. … “A minha mãe, a minha mãe era sempre caprichosa comigo, a minha mãe era aquela mulher que mesmo eu me portasse mal tirava as dores.” (P14) … “O meu avô, o meu falecido avô era espetacular, eu ia lá vê-lo a casa, ia lá ter com ele, ele fazia o comer para mim, eu ajudava-o na vinha, foi a pessoa mais relevante na minha infância, foi o meu avô e o meu padrinho, apesar do meu padrinho andar na vida que andava.” (P11) 1.3. Violência Intrafamiliar Este subtema refere-se aos relatos de violência, quer observada quer experienciada, por parte dos participantes. A maioria dos participantes ( n = 12) relatou ter vivido alguma forma de violência ao longo da infância, o que relataram ter provocado diversos tipos de reações e sentimentos, que serão descritos nos subtemas seguintes. 1.3.1. Violência Intrafamiliar Observada Quatro participantes referem ter observado violência intrafamiliar, como por exemplo: violência física e emocional perpetrada pelo pai contra a mãe. Associados a esta exposição, se por um lado identificaram sentimentos de revolta para com o agressor e a necessidade de proteção da mãe, por outro referiram desculpabilização dos comportamentos agressivos por parte do pai, normalizando os mesmos. … “Na minha infância… as coisas menos boas… era a violência doméstica em casa… do meu pai. Era com a família toda... é normal, naquele tempo era assim.” (P3) … “Pronto, depois o meu pai não sei, o meu pai também bebia muito. Pronto, depois eu nasci num ambiente de violência, a minha mãe batia no meu pai, o meu pai batia na minha mãe, cheguei a ver o meu pai a apontar uma pistola à minha mãe. Uma coisa de que de que me arrependo foi ter empurrado o meu pai porque o meu pai ia a bater à minha mãe.” (P11) … “Escondia-me, outras vezes metia-me à frente da minha mãe para não deixar e ele vinha com aquela coisa e eu empurrava-o. Eu não queria que ele batesse nela mas eu era pequenito não tinha como fazer frente.” (P4) DO TRAUMA À RECLUSÃO 18 Os participantes descrevem ainda que, como ao longo da infância sentiam que tinham de proteger a mãe – inversão de papéis – e que acabaram por desenvolver uma necessidade de proteção do outro, como por exemplo, necessidade de cuidar de irmãos – parentificação – e até mesmo de companheiras que foram tendo ao longo das suas vidas. … “Eu criei os meus dois irmãos. Mudava a fralda, dava o biberão, fazia tudo o que uma mãe fazia… dava o banho. Criei os dois até aos cinco anos, foi essas as coisas boas que eu tive. Eles só queriam estar comigo, não queriam os pais… Os pais também só sabiam dar porrada… as crianças a gente a falar para elas, elas entendem, agora à porrada não se faz nada. Criei-os como se fossem meus filhos.” (P4) 1.3.2. Violência Intrafamiliar Experienciada Do total de participantes deste estudo, quatro referiram ter sido vítimas de violência por parte de elementos da família, tal como abuso físico e emocional. … “cheguei a levar porrada do meu pai quando me portava mal, chicoteadas, tenho marcas nas costas!” (P11) … “eu cheguei a um ponto que até já estranhava se algum dia não levava um tabefe… Porque ele era por tudo e por nada. Bastava o vizinho chegar, independentemente de ser verdade ou não, se a vizinha fizesse queixa “ah o seu filho partiu-me uma planta” pronto, já era motivo para levar nos olhos.” (P3) Subtema 1.4. Negligência Paralelamente, quatro participantes descreveram ter sido negligenciados ao longo da infância. Apesar de não relatarem estas experiências de negligência com consciência de que de negligência se tratava, descreveram falta de cuidado por parte dos pais ou cuidadores, não lhes sendo garantidas necessidades mínimas como higiene, alimentação e conforto. … “A parte boa de ter ido para a “tituria” foi que ganhei a minha higiene… até lá não sabia o que era um gel de banho, uma pasta dos dentes… nesse sentido foi bom” (P13) Estes participantes descreveram dificuldade em confiar nos outros, em pedir e aceitar ajuda, preferindo resolver os seus problemas sozinhos, bem como a crença de que só podiam contar com eles próprios. … “Sabe que naquele tempo havia muita ignorância por haver muitos analfabetos e às vezes as pessoas mais velhas não escutam, dizem aquilo “Ai não quero saber, não quero saber.” e eu perguntava assim: “Oh vó mas eu quero desabafar consigo.” e ela “Desenrasca-te, desenrasca-te.”. E eu tinha de resolver as minhas coisas sozinho” (P1) … “O primeiro abraço que o meu pai me deu foi na polícia judiciária, eu tinha dezoito anos. Nunca tinha recebido um abraço dele. Prendas sim, carros, um carro, dois carros que queria, dava-me, mota sim, DO TRAUMA À RECLUSÃO 19 um abraço não… não.” (P2) Tema 2: Origem e Explicação do Comportamento Criminal Este tema refere-se à forma como os participantes descreveram o surgimento dos comportamentos violentos e o escalar destes para o comportamento criminal. A maioria dos participantes ( n = 9) relataram ter recorrido frequentemente à violência como forma de defesa pessoal e dos outros, mais especificamente, recurso à violência para proteção dos outros, estratégia que sempre fez parte da sua vida. … “Ainda hoje eu me passo, mesmo na rua quando às vezes há algum tipo de agressão de um homem para uma mulher eu… era uma situação que… eu lá fora passava-me mesmo e intervinha sempre… várias vezes. Não foi uma, foram mesmo várias situações…” (P3) Aquando do final da adolescência e início da idade adulta, alguns participantes ( n = 10) referiram abandonar as famílias de origem e criar a sua própria família. É neste momento de mudança que descreveram a necessidade de procurar alternativas que lhes permitissem ter uma fonte de rendimento superior, podendo assim sustentar financeiramente todas as necessidades das suas novas famílias. … “Depois surgiu uma oportunidade de ir trabalhar com meu padrinho… trabalhava em roubos, tráfico internacional, etc. Comecei a roubar carros para o meu padrinho, comecei a traficar droga, comecei a roubar pessoas…” (P2) Quatro participantes cresceram em contexto de bairro social e oito em meio rural. Os participantes que cresceram em bairros sociais, descrevem ter tido contacto constante com violência e crime ao longo de toda a vida, o que parece ter contribuído para a normalização dos comportamentos criminais e consequente desvalorização do impacto dos crimes, tanto dos outros como do próprio. … “Porque eu acho que de ter crescido num bairro social, eu acho que por exemplo… já é banal. Não é banal na minha vida as pessoas irem presas, mas é banal ver outras pessoas a serem presas lá na zona.” (P7) Já os participantes que cresceram em meio rural descreveram que estes percursos criminais se desenvolveram em idade adulta e que quando surgiram, ao contrário do que acontece com os participantes que cresceram em bairros sociais, estavam associados a um sentimento de culpa e à necessidade de esconder este percurso criminal das suas famílias, pois não é algo que, segundo os mesmos, fosse normalizado nos ambientes em que cresceram. … “Eu meti-me nisso porque é assim… uma pessoa precisava e não ia pedir ajuda aos meus pais, eles viam os carros, as roupas… viam que o dinheiro aparecia, mas eu nunca disse de onde vinha…” (P5) Alguns dos participantes ( n = 4), descreveram ainda a procura por adrenalina, que encontraram ao jogar videojogos violentos e na realização de pequenos furtos. O envolvimento neste tipo de atividades DO TRAUMA À RECLUSÃO 20 facilitou a identificação com pares com os mesmos interesses, promovendo o escalar da gravidade dos comportamentos criminais e o início da carreira criminal. … “Foi uma saturação completa dentro de mim, comecei a jogar [videojogos]… estava 24 horas a jogar, comecei a ficar violento, comprei armas… e fiquei violento.” (P11) … “Por exemplo, eu ia fazer um furto com dinheiro [no bolso]. Eu queria mais. Eu fui absorvido pela ganância. Eu sempre que fui detido eu tinha sempre dinheiro comigo. Eu não precisava de fazer o furto, mas eu queria… queria ter mais, queria a sensação de poder. Foi o que acabou por me destruir.” (P7) … “O meu mal foi mesmo esse. Era sempre “roda-viva”. E era muito tolo, desafiava a lei da gravidade, mesmo. Era mesmo maluco. Tudo… era muito tolo. Fazia… só fazia asneira. Andar a experimentar o máximo de adrenalina…. Era sempre vida louca.” (P11) Os participantes vítimas de violência intrafamiliar ( n = 8), relataram não se sentirem compreendidos pelos cuidadores, mas sentirem-se compreendidos junto dos pares (desviantes), pois partilhavam deste mesmo sentimento e ainda da necessidade de poder e controlo, que encontravam, juntos, na prática de atividades ilícitas. … “Comecei a fazer uns amiguitos, amigos sempre da borga… e foi o descalabro total, foi mesmo... comecei a acompanhar-me de pessoas… e acabei por vir aqui parar. Não havia como. Depois de estar lá metido no meio já não há como fugir, já não... parece que... Até se sente medo que possam a fazer mal à tua família, aos teus filhos, ou assim… Porque quando não apareces, já começam a dizer “então, não sei quê, não vens?” e tal, é tudo desse género, assim…” (P10) … “Tudo o que fosse para me portar mal e para me divertir um bocadinho com os meus amigos, para sentir adrenalina, estava dentro.” (P7) Aliado a este convívio com pares desviantes, alguns participantes descreveram ter iniciado consumos de estupefacientes, o que, segundo os mesmos, potenciava a prática de comportamentos violentos. Paralelamente, estes participantes relataram um crescente sentimento de revolta para com os seus cuidadores. O medo de que os padrões de violência que sofreram se viessem a repetir gerou um comportamento defensivo e agressivo por parte destes participantes para com as pessoas com quem conviviam – desconhecidos, conhecidos e até membros da família. … “Foi um mar de descobrimento, foi ver o outro lado, foi a adrenalina, foi o começar a experimentar coisas novas, começar a fumar ganza, começar a fumar ácidos… aí eu dava razão aos meus amigos, se calhar a minha revolta estava aí, eu dizia “Não, os meus amigos é que têm razão, os meus pais não têm razão, porque é que eles me batiam se eu não fazia nada de errado, só porque eu chorava?”. (P7) … “Tenho medo de me rebaixar, que as pessoas me dominem, como o meu pai me dominou, isso é o que eu tenho medo. Eu gosto de estar por cima, gosto de tomar decisões e eu estar por cima.” (P7) DO TRAUMA À RECLUSÃO 21 … “Gera revolta, gera em vingar-me da sociedade, gera em vingar-me em nós, gera nós dizermos assim: “Não está nada bem connosco, quem tem culpa das coisas estarem-nos a acontecer é das outras pessoas.”. Não é a família!” (P8) Por fim, quando questionados sobre o impacto destas experiências adversas nos seus percursos de vida e no cometimento dos crimes violentos, todos os participantes ( N = 15) responderam que não existiu qualquer impacto e que passar por incidentes difíceis nada teve a ver com o seu percurso criminal e o cometimento do crime. … “ Não posso dizer que o que me levou a fazer isso foi o que eu vivi no passado. Eu acho que são decisões que nós tomamos, não podemos dizer “A culpa foi daquilo, x, não!”, são decisões que nós tomamos, nós pomos na balança e sabemos que vamos fazer mal. O meu avô muitas vezes dizia “Plantas o mal, colhes o mal, se plantares o bem, colhes o bem.”. Cabe-me a mim avaliar as situações, dizer o que é que está correto e o que não está correto e aprender com isso, eu acho que isso é o mais importante neste momento, é aprender .” (P12) Discussão Este estudo procurou explorar e compreender, através de uma metodologia qualitativa indutiva, de que forma homens condenados por crime de homicídio relatam a sua infância e adolescência e integram o impacto das possíveis adversidades e na explicação para a seu percurso criminal. Apesar de todos os participantes terem relatado experiências adversas na infância e adolescência, foram descritos diferentes tipos de experiências tais como abuso físico, abuso emocional, negligência e exposição a violência interparental. Para além disso, também foi possível identificar diferenças entre relatos de história de vida de participantes que residiram em bairros sociais, participantes que cresceram em lares de infância e juventude e ainda participantes que cresceram em meio rural. De forma geral, é possível constatar que a exposição a este tipo de experiências adversas impactou de forma negativa a infância dos participantes, tal como é descrito na literatura (Widom, 2017). Foi ainda possível observar algumas diferenças nos relatos dos participantes que sofreram abuso físico e/ou emocional versus participantes vítimas de negligência versus participantes que observaram violência. Contudo, este impacto, não era reconhecido pelos participantes, que apesar das adversidades, relataram não acreditar que estas tenham tido impacto nos seus percursos de vida e na prática dos crimes, minimizando as suas experiências de vitimação. Porém, associam estas experiências a sentimentos como raiva, medo, necessidade de controlo, de poder e pertença. A associação entre experiências de maltrato na infância e comportamento violento posterior foi já estabelecida na literatura (Braga et al., 2017) e da mesma forma a exposição a experiências adversas na infância e adolescência em pessoas que cometeram o crime de homicídio é consistente com a investigação DO TRAUMA À RECLUSÃO 22 quantitativa (Malvaso et al., 2018). Contudo, os resultados deste estudo aprofundam a investigação anterior, explorando as perceções dos participantes relativamente ao impacto que estas experiências adversas tiveram nos seus percursos de vida e na perpetração do crime de homicídio. Embora estudos quantitativos e revisões sistemáticas já tenham concluído que pessoas que passam por experiências adversas na infância e adolescência se tornam mais predispostas a terem comportamentos violentos e à prática de crimes (Malvaso et al., 2018), não foram capazes de descrever em profundidade as especificidades desta relação associada à história de vida individual. Desta forma, este estudo foi o primeiro a aplicar, tanto quanto sabemos, uma metodologia qualitativa com esta população tanto a nível nacional como internacional. À semelhança do que se verifica com outros estudos, as condições em que os participantes deste estudo relatam ter crescido foram, de forma geral, desfavoráveis, o que sugere que os participantes não tenham tido as mesmas oportunidades comparativamente a outras pessoas que tenham crescido em condições mais favoráveis (Mesquita & Martins, 2022). Relativamente às condições socioeconómicas, todos os participantes relataram ter crescido em condições socioeconómicas desfavoráveis, o que relatam ter gerado a necessidade de abandonar precocemente o meio escolar para se dedicarem ao trabalho e passarem a contribuir enquanto fonte de rendimento para ajudar com as despesas familiares (Botelho & Gonçalves, 2016). No caso dos participantes que cresceram em meio rural, terem abandonado a escola precocemente levou, segundo os mesmos, a fracas oportunidades de trabalho, quer em termos de condições, quer em termos de remuneração. Tal situação potenciou nos participantes um sentimento de frustração (Saraiva et al., 2011; Walsh & Kosson, 2007) pois, por mais que trabalhassem não conseguiam fazer face às despesas. Estes fatores contribuíram para a procura por alternativas mais bem remuneradas, que foi encontrada no envolvimento em atividades ilícitas. Por outro lado, os participantes que cresceram em bairros sociais relataram a exposição a comportamentos desviantes ao longo de toda a sua infância, por contacto direto com vizinhos e familiares, o que levou à normalização do comportamento criminal e respetivas consequências. Estes participantes que cresceram em bairros sociais relataram também abandono escolar precoce, contudo, as opções laborais que lhes foram apresentadas foram, desde sempre, ilícitas. Assim, apesar de os percursos relatados pelos participantes terem algumas diferenças, ambos culminaram no envolvimento em atividades ilícitas, comportamentos antissociais e, por vezes, violentos. De facto, a literatura tem demonstrado que abandono escolar precoce (Saraiva et al., 2011) bem como crescer em ambientes socioeconómicos desfavoráveis são fatores de risco para comportamentos antissociais e para a prática de comportamentos violentos (Walsh & Kosson, 2007). DO TRAUMA À RECLUSÃO 23 Apesar de as condições socioeconómicas adversas terem sido um fator comum no relato de história de vida de todos os participantes, a qualidade do apoio familiar era diferente: se por um lado, alguns participantes relatam presença de apoio familiar, por outro alguns relatam ausência do mesmo. Ao contrário dos indivíduos que relatam a presença de apoio familiar, por muito escasso que fosse, os que relataram falta deste apoio, ao longo das suas vidas puderam apenas contar com eles próprios para qualquer situação com a qual se deparassem, pois não existia ninguém a quem pudessem recorrer. Como refere a teoria da vinculação (Sutton, 2019), à medida que as crianças desenvolvem ligações aos seus cuidadores, desenvolvem modelos internos de relações que influenciam as suas crenças sobre si próprios, os outros e o mundo (Ansbro, 2008). Estes modelos referem que as relações e comportamentos futuros, incluindo a sua capacidade de formar e manter relações íntimas, podem ser comprometidos por estes problemas (Ansbro, 2008; Sutton, 2019). No caso dos participantes deste estudo, não existiu um estilo de vinculação seguro, pelo que sentiam que apenas poderiam confiar em si próprios para a resolução de problemas, existindo dificuldade em confiar nos outros e em pedir e aceitar ajuda, quando necessário. A literatura tem vindo a demonstrar ainda que indivíduos que não têm uma rede de apoio familiar têm mais probabilidade de se isolarem socialmente, o que pode aumentar o risco de se envolverem em comportamentos violentos ou criminais (Malvaso et al., 2022). Quando se vivenciaram momentos de vida mais desafiantes, como existia esta dificuldade em pedir ajuda e a preferência por resolver problemas sozinhos - o que não conseguiam - os participantes mantiveram-se em percursos desviantes, o que poderá ter promovido a perpetração dos comportamentos e crimes violentos. Além disso, o contacto com violência intrafamiliar, quer experienciada quer observada, bem como com negligência, também foi um fator comum nos seus relatos de vida. Os participantes que descreveram escasso apoio familiar são os mesmos que foram vítimas de negligência. O facto de não verem as suas necessidades básicas satisfeitas, parece ter levado a sentimentos de baixa autoestima e de autoculpabilização pelo que lhes aconteceu. Por outro lado, levou a que sentissem que apenas podiam confiar em si próprios, tal como descrito na literatura como “self-reliance” (Picci et al., 2023). Adicionalmente, os participantes que relataram ter sido vítimas de abuso quer físico quer emocional, descrevem ter vivido num ambiente tenso, imprevisível e injusto, onde não se sentiam compreendidos, o que relatam ter provocado neles sentimentos de raiva e revolta, não só para com os cuidadores, como para com o próprio, o outro e a sociedade em geral. Alguns estudos sugerem ainda que abuso e a negligência estão associados a correlatos de delinquência, externalização de problemas e relações com pares desviantes (Mersky et al., 2012). De facto, a literatura indica que pessoas que sofreram negligência, abuso ou outras experiências traumáticas na infância têm mais probabilidade de ter dificuldades na regulação da raiva enquanto adultas, pois estas experiências adversas podem levar a alterações na estrutura e funcionamento DO TRAUMA À RECLUSÃO 30 Saraiva, A., Pereira, B. O., & Zamith-Cruz, J. (2011). School dropout, problem behaviour and poor academic achievement: a longitudinal view of Portuguese male offenders. Emotional and Behavioural Difficulties , 16 (4), 419-436. https://doi:10.1080/13632752.2011.616351 Silva, S., & Maia, A. (2008). Versão portuguesa do Family ACE Questionnaire. In A. Noronha, C. Machado, L. Almeida et al. (Eds.), Actas da XIII Conferência Internacional de Avaliação Psicológica: Formas e Contextos. Braga: Psiquilibrios . Speer, K. E., Semple, S., Naumovski, N., D'Cunha, N. M., & McKune, A. J. (2019). HPA axis function and diurnal cortisol in post-traumatic stress disorder: A systematic review. Neurobiology of Stress , 11 , 100180. https://doi.org/10.1016/j.ynstr.2019.100180 Sutton, T. E. (2019). Review of attachment theory: Familial predictors, continuity and change, and intrapersonal and relational outcomes. Marriage & Family Review , 55 (1), 1-22. https://doi.org/10.1080/01494929.2018.1458001 Teicher, M. H., & Samson, J. A. (2016). 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Anexo: Formulário de identificação e caracterização do projeto Conselho de Ética Comissão de Ética para a Investigação em Ciências Sociais e Humanas Identificação do documento: CEICSH 092/2022 Relatores: Emanuel Pedro Viana Barbas Albuquerque e Marlene Alexandra Veloso Matos Título do projeto: Do Trauma à Reclusão: Um estudo qualitativo com Reclusos a cumprir pena numa Prisão de Alta Segurança em Portugal Equipa de Investigação: Tânia Silva Gonçalves (IR, Mestrado em Psicologia da Justiça, Escola de Psicologia, Universidade do Minho; Doutora Ângela da Costa Maia (Orientadora), Escola de Psicologia, Universidade do Minho PARECER A Comissão de Ética para a Investigação em Ciências Sociais e Humanas (CEICSH) analisou o processo relativo ao projeto de investigação acima identificado, intitulado Do Trauma à Reclusão: Um estudo qualitativo com Reclusos a cumprir pena numa Prisão de Alta Segurança em Portugal. Os documentos apresentados revelam que o projeto obedece aos requisitos exigidos para as boas práticas na investigação com humanos, em conformidade com as normas nacionais e internacionais que regulam a investigação em Ciências Sociais e Humanas. Face ao exposto, a Comissão de Ética para a Investigação em Ciências Sociais e Humanas (CEICSH) nada tem a opor à realização do projeto nos termos apresentados no Formulário de Identificação e Caracterização do Projeto, que se anexa, emitindo o seu parecer favorável, que foi aprovado por unanimidade pelos seus membros. Braga, 6 de outubro de 2022. O Presidente da CEICSH (Acílio Estanqueiro Rocha)