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A comunicação interna na promoção da sustentabilidade do CIIMAR: da estratégia à implementação

Torcato, Paulo Filipe Oliveira

Abstract

Nos últimos anos, assistimos ao constante processo de transformação interno e externo das organizações, muito influenciado pela era digital. Esta mudança tem sido marcada pela forma como as organizações passam a comunicar e a relacionar-se com os diversos públicos. Atualmente, passamos a ter organizações mais diversificadas socio e culturalmente que comunicam de forma global e com preocupações ambientais. Com esta transformação aparecem, também, novos desafios que impulsionam as empresas a reforçarem a sua comunicação interna, as suas estratégias e processos de sustentabilidade, colocando os seus colaboradores como porta-vozes das marcas. Através da análise da realidade da comunicação interna e da comunicação para a sustentabilidade do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR), juntamente com o seu departamento de comunicação e departamento de sustentabilidade e responsabilidade social, foram implementadas novas ações de comunicação interna. Tendo como base de estudo o conhecimento sobre o contexto atual da organização desde a comunicação organizacional, estratégica, interna, digital e de sustentabilidade, este projeto de investigação-ação permitiu analisar a realidade e as necessidades de comunicação interna da organização. Feito o levantamento dessas necessidades, foi proposto um plano de comunicação e, posteriormente, implementadas várias ações de comunicação de forma a promover os valores e as atividades do CIIMAR junto dos seus colaboradores. Numa fase final, foi realizada uma análise das ações implementadas de forma a compreender a sua recetividade e impacto nos públicos internos da organização.

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Universidade do Minho Instituto de Ciências Sociais Paulo Filipe Oliveira Torcato A Comunicação Interna na promoção da Sustentabilidade do CIIMAR: da estratégia à implementação. Outubro de 2024 UMinho | 2024 Paulo Torcato A Comunicação Interna na promoção da Sustentabilidade Do CIIMAR: da estratégia à implementação. ii Paulo Filipe Oliveira Torcato A Comunicação Interna na promoção da Sustentabilidade do CIIMAR: da estratégia à implementação. Projeto de Ação Mestrado em Ciências da Comunicação Ramo de Publicidade e Relações-Públicas Trabalho efetuado sob a orientação da Professora Doutora Sara Balonas Outubro de 2024 iii DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho Atribuição CC BY https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ Creative Commons Attribution 4.0 International License Braga, 05 de outubro de 2024 iv Agradecimentos O percurso deste mestrado foi, sem dúvida, repleto de desafios, alguns imprevistos e muitas aprendizagens. Ser trabalhador-estudante, especialmente em cidades diferentes, trouxe consigo um conjunto de exigências e sacrifícios que, em determinados momentos, pareceram quase intransponíveis. No entanto, foram também essas adversidades que me ajudaram a crescer, tanto a nível pessoal como profissional. Quero expressar o meu sincero agradecimento a todos aqueles que, de uma forma ou de outra, estiveram ao meu lado durante esta jornada, desde conhecidos, colegas de profissão, professores e amigos. Agradeço profundamente a quem acreditou sempre em mim, apoiando-me nos momentos mais exigentes e celebrando as minhas conquistas. Agradeço, em especial, aos meus pais e ao meu irmão, que desde a minha infância sempre me proporcionaram todas as ferramentas e o incentivo necessário para alcançar o sucesso académico e profissional. Sem o vosso amor incondicional e apoio constante, muitos dos meus sonhos e metas não teriam sido possíveis. À minha namorada, Sara, que nos momentos mais desafiantes deste projeto por ter sido um pilar de força e motivação. A sua compreensão, conhecimento e entreajuda foram fundamentais para que eu conseguisse manter o foco e a determinação ao longo desta meta final. Por fim, agradeço de forma sincera a mim mesmo. A perseverança, a resiliência, o espírito crítico e a vontade constante de aprender foram os alicerces que me permitiram desenvolver este projeto de forma única e singular, independente de todas as adversidades. Desistir nunca foi uma opção. Reconheço que um dos maiores pilares para qualquer sucesso na vida é a confiança que depositamos em nós mesmos, e neste sentido, orgulho-me da jornada que trilhei até aqui. Cada etapa deste processo contribuiu para a minha formação, não só enquanto estudante, mas enquanto ser humano e profissional de comunicação. Assim, a todos os que de alguma forma participaram nesta caminhada, o meu mais sincero agradecimento. v “ To see the world, things dangerous to come to, to see behind walls, draw closer, to find each other, and to feel. That is the purpose of life. ” - The Secret Life of Walter Mitty vi DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho. Universidade do Minho, 5 de outubro de 2024. Paulo Filipe Oliveira Torcato vii A Comunicação Interna na promoção da Sustentabilidade do CIIMAR: da estratégia à implementação. Resumo Nos últimos anos, assistimos ao constante processo de transformação interno e externo das organizações, muito influenciado pela era digital. Esta mudança tem sido marcada pela forma como as organizações passam a comunicar e a relacionar-se com os diversos públicos. Atualmente, passamos a ter organizações mais diversificadas socio e culturalmente que comunicam de forma global e com preocupações ambientais. Com esta transformação aparecem, também, novos desafios que impulsionam as empresas a reforçarem a sua comunicação interna, as suas estratégias e processos de sustentabilidade, colocando os seus colaboradores como porta-vozes das marcas. Através da análise da realidade da comunicação interna e da comunicação para a sustentabilidade do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR), juntamente com o seu departamento de comunicação e departamento de sustentabilidade e responsabilidade social, foram implementadas novas ações de comunicação interna. Tendo como base de estudo o conhecimento sobre o contexto atual da organização desde a comunicação organizacional, estratégica, interna, digital e de sustentabilidade, este projeto de investigação-ação permitiu analisar a realidade e as necessidades de comunicação interna da organização. Feito o levantamento dessas necessidades, foi proposto um plano de comunicação e, posteriormente, implementadas várias ações de comunicação de forma a promover os valores e as atividades do CIIMAR junto dos seus colaboradores. Numa fase final, foi realizada uma análise das ações implementadas de forma a compreender a sua recetividade e impacto nos públicos internos da organização. Palavras-Chave: Comunicação Estratégica; Comunicação Organizacional; Comunicação Digital; Comunicação Interna; Sustentabilidade; CIIMAR. viii Internal Communication in Promoting Sustainability of CIIMAR: from strategy to implementation. Abstract In recent years, we have witnessed a constant process of internal and external transformation, greatly influenced by the digital era. This change has been marked by the way organizations start to communicate and relate to different audiences. Currently, we now have more socio-culturally diverse organizations that communicate globally and with environmental concerns. With this transformation, new challenges also arise that encourage companies to reinforce their internal communication, their sustainability strategies and processes, placing their employees as spokespersons for the brands. Through the analysis of the internal communication reality of the Interdisciplinary Center for Marine and Environmental Research (CIIMAR), together with its communication department and sustainability and social responsibility department, new internal communication actions were implemented. Based on knowledge about the current context of the organization, from organizational, strategic, internal, digital and sustainability communication, this action-investigation project allowed to analyze the reality and internal communication needs of the organization. After surveying these needs, a communication plan was proposed and, subsequently, several communication actions were implemented to promote CIIMAR's values and activities among its employees. In a final phase, an analysis of the actions implemented was carried out to understand their receptivity and impact on the organization's internal audiences. Keywords: Strategic Communication; Organizational Communication; Digital Communication; Internal Communication; Sustainability; CIIMAR. xv Índice de Imagens Imagem 1: Instalações do CIIMAR-UP no Pólo do Campo Alegre da Universidade do Porto, em 1998 Fonte: Retirado do documento disponibilizado pelo CIIMAR ............................................................... 38 Imagem 2: Logótipo do CIIMAR, em 2000 Fonte: Retirado do documento disponibilizado pelo CIIMAR ........................................................................................................................................................ 39 Imagem 3: Primeiras instalações do CIIMAR na Rua dos Bragas, Porto Fonte: Retirado do documento disponibilizado pelo CIIMAR .............................................................................................................. 40 Imagem 4: 1ª missão à Antártida com o projeto PROPOLAR Fonte: Retirado do documento disponibilizado pelo CIIMAR ..................................................................................................................................... 41 Imagem 5: Instalações do CIIMAR no Terminal de Cruzeiros do Porto de Leixões Fonte: Retirado do documento disponibilizado pelo CIIMAR ............................................................................................ 42 xvi Índice de Figuras Figura 1: Processo de Comunicação - Elaboração própria ................................................................. 26 Figura 2: Redes sociais X (antigo Twitter), Facebook, LinkedIn e Instagram do CIIMAR ...................... 55 Figura 3: Diferentes páginas do website do CIIMAR .......................................................................... 56 Figura 4: Logótipo do CIIMAR ........................................................................................................... 75 Figura 5: 1ª Proposta do logótipo do CIIMAR Sustentabilidade (versão PT) – Elaboração própria ....... 76 Figura 6: 2ª Proposta do logótipo do CIIMAR Sustentabilidade (versão PT) – Elaboração própria ....... 77 Figura 7: Logótipo do CIIMAR com a transcrição por extenso do acrónimo ........................................ 77 Figura 8: 1ª Proposta do logótipo do CIIMAR Sustentabilidade (versão EN) – Elaboração própria ....... 78 Figura 9: 2ª Proposta do logótipo do CIIMAR Sustentabilidade (versão EN) – Elaboração própria ....... 78 Figura 10: Logótipo do CIIMAR com o lettering de cor branca ........................................................... 78 Figura 11: 1ª e 2ª Propostas do logótipo do CIIMAR Sustentabilidade (versão PT) com o lettering de cor branca – Elaboração própria ............................................................................................................. 79 Figura 12: 1ª e 2ª Propostas do logótipo do CIIMAR Sustentabilidade (versão EN) com o lettering de cor branca – Elaboração própria ............................................................................................................. 79 Figura 13: Banner do mercado de natal com o logótipo do CIIMAR GreenLab ................................... 79 Figura 14: 3ª Proposta do logótipo do CIIMAR Sustentabilidade (versão PT) – Elaboração própria ..... 81 Figura 15: 4ª Proposta do logótipo do CIIMAR Sustentabilidade (versão EN) – Elaboração própria ..... 81 Figura 16: 3ª e 4ª Propostas do logótipo do CIIMAR Sustentabilidade (versão PT e EN) com o lettering de cor branca – Elaboração própria .................................................................................................. 82 Figura 17: Logótipo do CIIMAR versão branca .................................................................................. 82 Figura 18: 3ª e 4ª Propostas do logótipo do CIIMAR Sustentabilidade (versão PT e EN) na versão totalmente de cor branca – Elaboração própria ................................................................................. 83 Figura 19: Manual de Identidade Visual CIIMAR Sustentabilidade – Elaboração própria ..................... 85 Figura 20: Proposta de cartaz para o Dia Mundial da Bicicleta para CIIMAR Sustentabilidade (versão PT) – Elaboração própria ........................................................................................................................ 86 xvii Figura 21: Propostas de cartazes para as diferentes ações a serem implementadas pelo CIIMAR Sustentabilidade (versão PT) – Elaboração própria ............................................................................ 87 Figura 22: Proposta de cartaz para o Dia Mundial da Bicicleta para CIIMAR Sustentabilidade (versão PT e EN) – Elaboração própria ............................................................................................................... 88 Figura 23: Proposta de cartaz para o TEA Corner , ação a ser desenvolvida pelo CIIMAR Sustentabilidade (versão PT e EN) – Elaboração própria .............................................................................................. 89 Figura 24: Proposta de cartaz para a redução de papel, ação a ser desenvolvida pelo CIIMAR Sustentabilidade (versão PT e EN) – Elaboração própria .................................................................... 90 Figura 25: Proposta de cartaz para a Washing Station , ação a ser desenvolvida pelo CIIMAR Sustentabilidade (versão PT e EN) – Elaboração própria .................................................................... 91 Figura 26: Proposta de banner para o Dia Mundial da Bicicleta para CIIMAR Sustentabilidade (versão PT e EN) – Elaboração própria ............................................................................................................... 92 Figura 27: Imagem 3D que simula a copa do CIIMAR e os locais dos novos espaços – Elaboração própria ........................................................................................................................................................ 94 Figura 28: Proposta do mural informativo para decorar a copa do CIIMAR – Elaboração própria ....... 94 Figura 29: Logótipos apresentados pelo designer do GSAS ............................................................. 100 Figura 30: Proposta dos cartazes para as ações a serem desenvolvidas pelo CIIMAR Sustentabilidade (versão PT e EN) – Elaboração própria ............................................................................................ 100 Figura 31: Proposta de banners para as ações a serem desenvolvidas pelo CIIMAR Sustentabilidade (versão PT e EN) – Elaboração própria ............................................................................................ 101 Figura 32: Proposta final do cartaz para o abastecimento de água, ação a ser desenvolvida pelo CIIMAR Sustentabilidade (versão PT e EN) – Elaboração própria .................................................................. 102 Figura 33: Proposta final do cartaz para a estante do TEA Corner , ação a ser desenvolvida pelo CIIMAR Sustentabilidade (versão PT e EN) – Elaboração própria .................................................................. 103 Figura 34: Proposta final do cartaz para o TEA Corner , ação a ser desenvolvida pelo CIIMAR Sustentabilidade (versão PT e EN) – Elaboração própria .................................................................. 103 Figura 35: Proposta final do cartaz para a Reciclagem de Papel, ação a ser desenvolvida pelo CIIMAR Sustentabilidade (versão PT e EN) – Elaboração própria .................................................................. 104 xviii Figura 36: Proposta final do cartaz para a redução de papel, ação a ser desenvolvida pelo CIIMAR Sustentabilidade (versão PT e EN) – Elaboração própria .................................................................. 104 Figura 37: Proposta final do cartaz para a Washing Station , ação a ser desenvolvida pelo CIIMAR Sustentabilidade (versão PT e EN) – Elaboração própria .................................................................. 105 Figura 38: Compilação das propostas dos cartazes apresentados ao GSAS – Elaboração própria .... 119 xix Índice de tabelas Tabela 1: Evolução da Estrutura Organizacional do CIIMAR – Elaboração própria a partir de dados fornecidos pelo CIIMAR ..................................................................................................................... 44 Tabela 2: Análise SWOT do CIIMAR – Realizada pelo GICD ................................................................ 54 Tabela 3: Estratégias de comunicação e planeamento do CIIMAR ...................................................... 57 Tabela 4: Análise SWOT do CIIMAR – Realizada pelo GSAS ............................................................... 59 Tabela 5: Necessidades de comunicação e GSAS .............................................................................. 60 Tabela 6: Organização temporal das ações realizadas – Elaboração própria ...................................... 61 Tabela 7: Etapas e processos da metodologia de investigação-ação inspirada em Coutinho (2014) – Elaboração própria ........................................................................................................................... 66 Tabela 8: Divisão das etapas do estudo empírico – Elaboração própria .............................................. 69 Tabela 9: Propostas a desenvolver no Gabinete de Sustentabilidade Ambiental e Social – Elaboração própria ............................................................................................................................................. 74 Tabela 10: Proposta da estratégia de comunicação para a divulgação das atividades e ações do GSAS – Elaboração própria ........................................................................................................................... 97 Tabela 11: Proposta da estratégia de comunicação para as curiosidades de sustentabilidade do GSAS – Elaboração própria ........................................................................................................................... 98 Tabela 12: Caracterização dos inquiridos por género – Elaboração própria ...................................... 109 Tabela 13: Caracterização dos inquiridos por faixa etária – Elaboração própria ................................ 110 Tabela 14: Caracterização dos inquiridos por categoria profissional – Elaboração própria ................ 110 Tabela 15: Número de inquiridos que conhecem o GSAS – Elaboração própria ............................... 111 Tabela 16: Número de inquiridos que conhecem as ações/iniciativas do GSAS – Elaboração própria ...................................................................................................................................................... 111 Tabela 17: Número de inquiridos que estão dispostos a conhecer as ações/iniciativas do GSAS – Elaboração própria ......................................................................................................................... 112 Tabela 18: Número de inquiridos que avaliou os logótipos apresentados ao GSAS – Elaboração própria ...................................................................................................................................................... 113 xx Tabela 19: Avaliação da opção 1, proposta do logótipo apresentado ao GSAS – Elaboração própria . 115 Tabela 20: Avaliação da opção 2, proposta do logótipo apresentado ao GSAS – Elaboração própria . 116 Tabela 21: Avaliação da opção 3, proposta do logótipo apresentado ao GSAS – Elaboração própria . 116 Tabela 22: Avaliação da opção 4, logótipo final apresentado pelo GSAS – Elaboração própria .......... 117 Tabela 23: Avaliação geral das propostas dos logótipos apresentados ao GSAS – Elaboração própria ...................................................................................................................................................... 118 Tabela 24: Número de inquiridos que consideram visualmente atrativos os cartazes apresentados ao GSAS – Elaboração própria ............................................................................................................. 119 Tabela 25: Avaliação geral das propostas dos cartazes apresentados ao GSAS – Elaboração própria 120 Tabela 26: Número de participantes que consideram que as propostas criam um maior envolvimento nas ações desenvolvidas pelo GSAS – Elaboração própria ............................................................... 121 Tabela 27: Avaliação geral da relevância dos cartazes para as ações/iniciativas desenvolvidas pelo GSAS – Elaboração própria ...................................................................................................................... 123 21 Introdução Nos últimos anos, as organizações têm enfrentado uma transformação profunda, impulsionada pela era digital e pelas crescentes preocupações com a sustentabilidade. Esta mudança não só afeta a forma como as organizações comunicam entre si e para com a sociedade, mas também a maneira como interagem com os seus públicos, tanto internos quanto externos. Numa sociedade cada vez mais globalizada e culturalmente diversa, as organizações necessitam de reforçar as suas estratégias de comunicação interna de forma a envolverem os seus colaboradores e promoverem áreas como a sustentabilidade e a responsabilidade social de forma integrada. Atualmente, tendo em conta as exigências da sociedade, somos levados a passar uma boa parte da nossa vida nas organizações onde trabalhamos, tornando-se essencial que os colaboradores se sintam ouvidos, valorizados e integrados. Nesta nova era das organizações, onde os colaboradores não querem apenas cumprir funções, mas sim contribuir de forma sustentável para o crescimento das empresas e terem tempo para a sua vida pessoal, torna-se crucial que as organizações reconheçam o valor de cada colaborador, incorporando-o na construção da sua identidade e dos seus valores. Torna-se essencial que as organizações compreendam que o sucesso organizacional depende diretamente do compromisso, da inclusão e do bem-estar dos seus colaboradores, sendo vistos como pilares essenciais, não apenas na execução de tarefas, mas como motores estratégicos para a criação de valor, inovação e para o alcance sustentável dos objetivos institucionais. Esta visão de parceria mútua favorece tanto o crescimento individual quanto o coletivo, fortalecendo a cultura organizacional e impulsionando os resultados a longo prazo. Segundo Kreps (1990), a comunicação nas organizações desempenha um papel fundamental ao permitir que os colaboradores não criem e partilhem apenas informação, mas estabeleçam também conexões significativas entre si. Este processo permite facilitar a cooperação e a coordenação das iniciativas internas, tornando-se essencial para a estruturação e o funcionamento eficiente das organizações. Através da comunicação, os colaboradores conseguem alinhar objetivos, esclarecer tarefas e resolver conflitos, promovendo um ambiente de trabalho mais colaborativo e produtivo. A comunicação organizacional vai para além da simples transmissão de informações. Uma boa comunicação organização envolve a construção de mensagens com valor e significado, envolve o fortalecimento de relações interpessoais e o desenvolvimento de uma cultura organizacional coesa. Este fluxo constante de troca de ideias e conhecimento contribui para a eficiência operacional das 22 organizações e para o crescimento pessoal e coletivo, potenciando um ambiente organizacional onde a inovação e a adaptação às mudanças podem tornar-se mais favorecidas. Neste contexto, o presente projeto de investigação-ação explora o papel da comunicação interna no Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR), posicionando-a como uma ferramenta estratégica essencial para a promoção de práticas de sustentabilidade ambiental e responsabilidade social. Este estudo procura ir para além da análise convencional, adotando uma abordagem integrada que examina como a comunicação interna pode catalisar mudanças positivas no comportamento dos colaboradores e na cultura organizacional, alinhando-a com os valores e objetivos sustentáveis da instituição. Os principais objetivos do projeto foram definidos de forma a proporcionar uma compreensão aprofundada e crítica dos processos de comunicação internos. Inicialmente, o investigador procurou compreender a comunicação interna da organização através da identificação e reflexão crítica sobre as suas dinâmicas, os canais e materiais de comunicação utilizados, e os principais intervenientes envolvidos. Posteriormente, pretende-se identificar a natureza dos problemas de comunicação interna existentes, com vista à resolução e melhoria dos problemas identificados e/ou à apresentação de novas propostas. Por fim, o projeto visa reformular as dinâmicas e os canais e materiais de comunicação utilizados, considerando os desafios e as contribuições relevantes para o Gabinete de Sustentabilidade Ambiental e Social (GSAS). É importante destacar que a escolha do CIIMAR como local para o desenvolvimento deste projeto de investigação-ação foi influenciada pela paixão do investigador por dois campos interligados: a comunicação e o oceano. A aliança entre estas duas áreas permitiu desenvolver uma maior afinidade com o objeto de estudo e um envolvimento mais profundo e comprometido na análise e desenvolvimento de soluções que visem fortalecer a comunicação interna e a promoção de uma cultura organizacional sustentável no CIIMAR e para o GSAS. Para responder de forma eficaz a este desafio, o presente projeto adota o método de investigação-ação, que pressupõe uma integração dinâmica entre a teoria e a prática, numa abordagem cíclica e participativa. A metodologia de investigação-ação é particularmente adequada neste contexto, uma vez que tem como principal propósito a melhoria contínua das práticas e a resolução de problemas concretos do objeto de estudo. Assim, o objetivo primordial deste projeto é promover mudanças significativas nas dinâmicas de comunicação interna do (GSAS), tendo em consideração a resolução de problemas 23 existentes e a otimização dos materiais de comunicação desde a definição estratégica até à sua implementação. Para garantir uma compreensão mais profunda e holística do fenómeno em estudo, será utilizada uma combinação de técnicas mistas, integrando abordagens quantitativas e qualitativas (Coutinho, 2014). Esta estratégia metodológica diversificada permitirá captar dados numéricos e as perceções dos participantes, proporcionando uma análise mais robusta e detalhada. O projeto será executado em três fases interdependentes – Diagnóstico, Implementação e Avaliação. Na fase de diagnóstico, o foco estará na análise crítica das práticas atuais de comunicação interna do GSAS, identificando os principais desafios e oportunidades de melhoria. Na implementação, as melhorias propostas serão colocadas em prática através de intervenções estratégicas nos materiais de comunicação produzidos, nos meios de divulgação e nas dinâmicas de interação entre os colaboradores. Por fim, na fase de avaliação, serão recolhidos e analisados dados que permitam medir o impacto das propostas apresentadas e implementadas, com o objetivo de avaliar a sua eficácia e ajustar as estratégias conforme necessário. Esta abordagem permitirá desenvolver um acompanhamento contínuo do desenvolvimento dos materiais de comunicação, uma reflexão crítica e melhorias em tempo real, assegurando que o projeto se mantém flexível e capaz de responder às necessidades emergentes ao longo do processo. Desta forma, o método de investigação-ação não só contribui para a melhoria das práticas de comunicação interna do GSAS, como também promove um processo de aprendizagem contínua, não só para o investigador e os intervenientes, como para a organização. Em suma, a análise das ações implementadas evidenciará que, quando os colaboradores são adequadamente envolvidos, informados e motivados, o impacto sobre a comunicação interna e a cultura organizacional torna-se profundamente transformador. 24 Capítulo I – Enquadramento teórico 1.1 Da comunicação organizacional à comunicação digital nas organizações A comunicação é um processo de troca de informações, ideias, sentimentos, pensamentos ou significados entre indivíduos ou grupos e envolve a transmissão de mensagens através de diferentes meios, como a linguagem falada, escrita e gestual, através sinais, imagens e sons. Cherry (1956, p.3), refere que a comunicação é um processo social e que desempenha um papel fundamental na interação humana e na sociedade como um todo, defendendo que esta é essencial para a compreensão mútua, a colaboração entre os pares, a influência social, a expressão de sentimentos e emoções e na formação de relações sociais. Apesar de a comunicação existir em diversos níveis e formas na natureza, envolvendo também a comunicação entre animais irracionais, através da transmissão de sinais químicos, rituais de acasalamento, caça, sons e todo um conjunto de ações que os caracterizam, o ser humano como animal racional, é o único que tem a capacidade para organizar pensamentos. Através desta organização e criação intelectual, a eficácia da comunicação depende da clareza da mensagem, da compreensão do público-alvo, da escolha apropriada do meio de comunicação e da habilidade do emissor em transmitir a mensagem de forma mais adequada para o seu recetor. Desta forma, conseguimos compreender que a comunicação é um processo essencial para a interação, compreensão e colaboração entre indivíduos e grupos na sociedade. Segundo a autora, “a comunicação está na base das atividades de cooperação entre os seres humanos” (Ruão, 1999, p. 4-5), e são estes instrumentos que compõem e reúnem informação para o funcionamento das organizações. Se a informação é um produto da comunicação e pode ser considerada como “como qualquer outro ativo da empresa” (Ruão, 1999, p. 4-5), a comunicação torna-se uma importante ferramenta na gestão das organizações. As organizações, desde a sua génese, são compostas por pessoas que comunicam entre si. Desta forma, na visão de Kunsch (2006, p. 167), a comunicação deve ser compreendida como um pilar inerente à natureza das organizações onde os seus colaboradores comunicam através de processos interativos que permitem a sobrevivência e execução dos objetivos estabelecidos pelas organizações nos diferentes contextos onde estão inseridos. A defender este pensamento, Taylor (2005, p. 215), refere que as organizações são capazes de se autoorganizarem e obterem como resultado a dinâmica da interação local. “A auto-organização é um 31 externamente da organização, de forma a alcançarem e realizarem os seus objetivos. Torquato (2015), comprova este pensamento afirmando que as organizações perceberam que a comunicação pode ocorrer de diversas formas e ser proveniente de diferentes áreas. Havendo esta sinergia, o somatório das estratégias de comunicação dará origem à área da comunicação estratégica. No entanto, para além da comunicação estratégica, é essencial para o planeamento estratégico das organizações que exista também a comunicação integrada. Kunsch, M. (2009), refere que o pensamento estratégico envolve a intuição e valoriza os insights da organização que ocorrem no processo da elaboração do planeamento. Refere ainda que o pensamento estratégico procura novas transformações e alternativas para que o reposicionamento das atitudes corporativas e os seus produtos levem a ideias inovadoras e desafiantes. Com a evolução das tecnologias de comunicação e com as mudanças que foram ocorrendo nas organizações após os anos 80, surge o desafio de uma maior consciencialização de que é necessário planear e aplicar de forma integrada as suas ações de comunicação num campo de atuação específico e global. Ruão (1999), reforça este pensamento salientando que as organizações devem trabalhar para construir um verdadeiro sistema de comunicação universal, pensado de forma a partilharem a sua missão, visão e valores, envolvendo e motivando os seus públicos. Van Riel (1992), afirma também que todos os profissionais de comunicação têm a responsabilidade de integrarem os objetivos das organizações nas suas ações, ajudando a definir a imagem organizacional. No entanto, torna-se necessário para as organizações definirem o seu público e aquilo que devem comunicar para cada um deles. A linguagem utilizada pelos comunicadores deve seguir os pilares fundamentais da organização, como a visão, a missão, os valores e os seus objetivos. Assim, através da construção de uma linguagem coerente e personalizada, as organizações conseguem criar uma maior proximidade com os seus públicos. Argenti et al. (2005) fortalecem este pensamento ao referirem que a mensagem transmitida aos diferentes públicos e os seus responsáveis são cruciais para a estratégia da organização. Balonas (2021, p. 156), salienta que comunicar não é, necessariamente, o mesmo que informar e refere que se as organizações utilizarem estratégias para comunicar, estas devem ser definidas através de objetivos concretos e mensuráveis. Reforçando esta ideia, George T. Doran refere que “The establishment of objectives and the development of their respective action plans are the most critical steps in a company’s management process.” (Doran, 1981, p.35). 32 Em suma, a comunicação estratégica assume um papel determinante no envolvimento, participação, cooperação e motivação dos públicos internos e externos das organizações, segundo Brønn (2014, p.65). 1.4 Comunicação Interna No que toca à comunicação interna, esta desempenha um papel fundamental nas organizações e é essencial para o seu sucesso. A nível organizacional, à medida que os níveis de multiculturalidade e de amplitude geracional aumentam, é essencial que as organizações se sobre a importância comunicação interna, adotando estratégias adequadas à comunicação utilizada entre os colaboradores, líderes e restantes departamentos (Argenti, 1996; Ruão 1999; Bharadwaj, 2014). Esta área da comunicação permite que os líderes transmitam a visão, missão, valores e metas da organização para os seus colaboradores, garantindo que todos estão alinhados com os objetivos estratégicos e trabalhem na mesma direção, de fora coesa. Ao comunicarem de forma clara e consistente, os líderes das organizações contribuem para um sentimento de pertença e propósito, mantendo todos os seus colaboradores alinhados Dolphin (2005). Reforçando este pensamento, Curvello (2012), refere que a comunicação interna foi definida durante vários anos como a comunicação direcionada para o público interno das organizações, de forma a “informar e integrar os diversos segmentos desse público aos objetivos e interesses organizacionais” (Curvello, 2012, p. 22). No entanto, o mesmo autor afirma que atualmente a definição de comunicação interna é um conjunto de ações em que a organização tem como principal objetivo de “ouvir, informar, mobilizar, educar e manter a coesão interna em torno de valores que precisam ser reconhecidos e compartilhados por todos e que podem contribuir para a construção de boa imagem pública” (Curvello, 2012, p.22). Ao manterem a coesão interna em torno dos valores da organização, os responsáveis contribuem para que os colaboradores se sintam mais informados, mais ouvidos e valorizados. Tendo colaboradores mais valorizados, através do reconhecimento do seu trabalho, feedback construtivo e possibilitando oportunidades de desenvolvimento, as organizações contribuem ativamente para o desenvolvimento do seu sucesso. Apesar disso, estas devem estar atentas às preocupações do seu ambiente interno através da promoção do trabalho em equipa, de informações relevantes e transparentes, troca de conhecimentos e experiências de forma que todos os agentes possam apoiar-se mutuamente na realização das suas tarefas e promovendo a cultura da organização. Assim, são promovidos os relacionamentos interpessoais, a cooperação e as sinergias, impulsionando a eficiência e eficácia organizacional. Defendendo este pensamento, Ruão (1999), refere que à medida que as organizações se tornam mais 33 globais, multiculturais e amplamente geracionais, torna-se fundamental estarem atentas às preocupações da comunicação interna de forma que as suas ações e as suas estratégias de comunicação sejam adequadas aos diferentes públicos internos. A comunicação interna, desempenha ainda um papel crucial durante os períodos de mudança organizacional. Seja uma mudança estratégica, de reestruturação ou implementação de novas políticas a transparência das mensagens é fundamental para garantir que todos os colaboradores compreendem a necessidade de mudança, estejam cientes das expectativas e possam adaptar-se de forma adequada. Ao agirem desta forma, as organizações reduzem a resistência à mudança, aumentam a aceitação e ainda facilitam uma transição suave. Para além disso, o papel da inovação e das novas tecnologias tornase fundamental para fornecer canais eficazes de comunicação através de diferentes plataformas digitais, reuniões e grupos de discussão onde os colaboradores têm a oportunidade de partilhar as suas ideias, o desenvolvimento dos seus projetos e estar em constante comunicação com os seus responsáveis, promovendo a criatividade, resolução de problemas em tempo real e a melhoria continua da organização. 1.5 Comunicação Digital A comunicação digital veio transformar a forma como vivemos e experienciamos o nosso quotidiano, tanto a nível profissional, dentro de um contexto empresarial, organizacional e industrial, como a nível pessoal. Esta nova forma de comunicar está centrada na troca de informações, mensagens e dados entre pessoas, sistemas e organizações, através de dispositivos eletrónicos, fixos ou móveis e através de redes digitais. Esta diferenciação na forma de comunicar, não só passa pelo aspeto materialístico dos aparelhos como computadores, tablets ou telemóveis, mas também pela transformação social e cultural na forma como o ser humano se relaciona e coexiste em sociedade. Erlanga, H., Muchtar, A., Sunarsi, D., Widodo, A., Salam, R. (2020), referem que a arte de comunicar é o significado do ser humano interagir entre si, principalmente nestes tempos modernos, uma vez que com a comunicação digital a interação entre as pessoas torna-se desafiante. Almeida, F. (2014), refere que apesar das tecnologias da comunicação digital contribuírem para acelerar a dinâmica dos processos de comunicação organizacional internos e externos, as ferramentas de comunicação digital nem sempre são otimizadas para a realidade da organização. A reputação de uma organização pode ser determinada através do estilo de comunicação utilizado pela liderança e por todos os colaboradores da empresa. A autora refere, a título de exemplo, que na comunicação interna “isso pode ser observado quando um informativo interno impresso passa a ser enviado por e-mail, mas ainda 34 formatado com o mesmo conteúdo unilateral.” (Almeida, 2014, p.16). A troca de informações, na comunicação digital, acontece através de dispositivos eletrónicos e de redes digitais, através de formatos textuais, visuais (imagens e vídeos) e auditivas (áudios e músicas). Corrêa, E. (2009), refere que nestes formatos, a ampla diversidade de tecnologias e plataformas como as redes sociais, e-mail , mensagens instantâneas (através de chats internos), videoconferências e outras aplicações de comunicação, websites e blogs , podem aumentar o ruído dentro da organização. No entanto, segundo Almeida, F. (2014), com a mensagem adaptada às novas plataformas e à realidade da organização, a comunicação poderá influenciar o sentimento de integração e cooperação de todos colaboradores. A autora refere ainda que: O perfil de um recetor interno com alto senso de colaboração, somado às possibilidades que a comunicação digital permite, evidenciam a necessidade de refletir sobre a lógica dos sistemas de comunicação interna e não simplesmente a troca das ferramentas de comunicação por outra mais avançada. (Almeida, 2014, p. 25) Apesar da possibilidade do aumento do ruído da comunicação digital e das tecnologias digitais utilizadas nas organizações, existem também vantagens. A rapidez com que a informação consegue ser transmitida em tempo real, o seu alcance e interatividade, permitem uma comunicação instantânea em comparação com os meios de comunicação mais tradicionais, conseguindo alcançar um público global com parceiros, clientes e/ou outros colaboradores em diferentes partes do mundo. Almeida, F. (2014), refere que este ambiente digital nas organizações pode proporcionar um papel mais ativo do colaborador, incentivando a uma “cultura de conhecimento”, tornando a organização mais direcionada para a inovação. 1.6 Comunicação para a Sustentabilidade A comunicação para a sustentabilidade nas organizações é uma prática essencial que visa integrar os princípios sustentáveis nas estratégias da comunicação organizacional, com o objetivo de promover o desenvolvimento sustentável e melhorar a imagem e a responsabilidade social da organização. Esta abordagem é fundamental para construir uma relação de confiança com os stakeholders , melhorar a transparência e contribuir para a sustentabilidade ambiental, social e económica (Bruton, Eweje & Taskin, 2017). 35 Porter & Kramer referem que a sustentabilidade nas organizações consiste “(...) na capacidade de uma empresa gerir a sua atividade e criar valor a longo prazo ao mesmo tempo que cria benefícios sociais e ambientais para os seus stakeholders. ” (Porter & Kramer, 2011). A adoção destas práticas sustentáveis contribui para a construção de uma reputação positiva, atraindo colaboradores e investidores que valorizam a responsabilidade social e ambiental. As organizações sustentáveis tendem a ser mais resilientes e adaptáveis às mudanças de mercado e regulamentações ambientais, o que pode resultar numa melhor gestão de riscos e oportunidades de inovação. Elkington, J. (2004) refere que a implementação de iniciativas de sustentabilidade, como a redução de emissões de carbono, a promoção de condições de trabalho justas e a utilização eficiente dos recursos naturais, pode levar a uma melhor gestão financeira e económica, tal como melhorias na eficiência organizacional e operacional. Desta forma, a sustentabilidade corporativa não promove apenas um impacto positivo na sociedade e no meio ambiente, mas fortalece também a posição competitiva da organização no mercado global. As organizações e as instituições, por outro lado, devem assumir ainda um papel de responsabilidade na “melhoria das condições de vida das populações e preservação do planeta.” (Eiró-Gomes & Raposo, 2020, p.91). Weder, Krainer e Karmasin (2021), referem que, atualmente, as organizações procuram equilibrar a agenda social com a agenda corporativa. Estas agendas estão ancoradas na área da sustentabilidade, que se tornou um pilar fundamental no mundo empresarial moderno. A crescente pressão dos colaboradores internos, stakeholders , consumidores e entidades reguladoras para as práticas organizacionais responsáveis estão a impulsionar essa mudança. Os autores reforçam, também, que a sustentabilidade deve estar integrada na estratégia corporativa e na cultura organizacional antes de ser divulgada. Desta forma, os principais responsáveis da organização devem criar uma sinergia entre a identidade da organização e o seu posicionamento relativamente à sustentabilidade. Estas estratégias não só ajudam a construir uma reputação positiva, como também podem criar vantagens competitivas e significativas no mercado global. A transparência e uma comunicação eficaz sobre iniciativas sustentáveis são cruciais para ganhar a confiança e o apoio do público interno. Atualmente, as organizações utilizam cada vez mais relatórios de sustentabilidade e responsabilidade social, seguindo as diretrizes da ONU, através dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Estes objetivos estão incluídos na Agenda 2030, adotada por todos os Estados-Membro das Nações Unidas em 2015, definem as prioridades e as aspirações globais em áreas que afetam a qualidade de vida de todos os cidadãos do mundo e daqueles que ainda estão para vir. Os ODS, assumidos pelos 193 países das Nações Unidas, têm como ambição “não deixar ninguém 36 para trás”, através do estabelecimento de uma linguagem comum para todos os stakeholders , com foco em áreas críticas para a humanidade.2 Tendo como base esta contextualização teórica, relativa às diferentes áreas da comunicação nas organizações, partimos para um processo de investigação-ação, tendo como principal objetivo compreender como é que a comunicação para a sustentabilidade e a comunicação interna serão trabalhadas no CIIMAR, qual o seu impacto e de que forma podem ser melhoradas. 2 Consultado o site dos ODS. Acedido a 18 de maio de 2024 em: https://ods.pt/ods/ 37 Capítulo II – CIIMAR – Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental Considerando todos os conceitos e temas abordados nos capítulos anteriores, para efeitos de elaboração e colaboração desta investigação-ação, foi escolhido o CIIMAR (Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental). A seleção do CIIMAR como o contexto específico para este trabalho acrescenta valor à escolha metodológica, uma vez que esta organização oferece um ambiente propício para explorar os conceitos previamente apresentados. Ao escolher o CIIMAR como o objeto de estudo, é possível inferir que a decisão não foi arbitrária, mas sim estratégica. O CIIMAR, sendo um centro interdisciplinar de pesquisa marinha e ambiental, poderá apresentar dinâmicas e desafios únicos em termos de comunicação organizacional. Para além do gosto pessoal pelo ambiente marinho, esta escolha também foi motivada pela intenção de compreender como as teorias e conceitos discutidos nos capítulos anteriores se manifestam e podem ser aplicados num contexto específico, tendo como exemplo a comunicação, enriquecendo a pesquisa com insights práticos e contextualmente relevantes. Ao centrar a investigação no CIIMAR, este projeto ganha a oportunidade de contribuir diretamente para a melhoria das práticas de comunicação da organização. Ao vincular os conceitos teóricos previamente discutidos aos desafios e oportunidades específicas enfrentadas pelo CIIMAR, este trabalho pretende adquirir uma aplicabilidade imediata e relevância nas ações de comunicação. Desta forma, poderá contribuir para o fortalecimento da validade e utilidade dos resultados, proporcionando uma base sólida para recomendações e intervenções específicas que podem beneficiar tanto o CIIMAR, como outras organizações com características semelhantes. Assim, de forma a compreender melhor o funcionamento do CIIMAR, foi necessário realizar uma pesquisa aprofundada sobre a organização e os respetivos departamentos associados a este projeto. Esta pesquisa começou pela visita ao website da organização, de forma a alcançar as informações necessárias sobre a instituição, pela realização de um questionário aplicado por entrevista, enviado ao Gabinete de Imagem, Comunicação e Divulgação e pelas diversas reuniões online com o Gabinete de Sustentabilidade Ambiental e Social. Devido à não conciliação de tempo e presença física, estes foram o formatos que melhor se adaptaram para obter respostas sobre o funcionamento, gestão e organização do CIIMAR. Para além da contribuição das respostas ao inquérito por questionário realizado, ambos os gabinetes disponibilizaram vários documentos internos sobre a história da organização ao longo dos anos, a criação de vários projetos e gabinetes, e sobre o relatório de sustentabilidade da organização. 38 Os subcapítulos que se seguem contêm as informações provenientes dos métodos referidos anteriormente. 2.1 A história do CIIMAR De acordo com os dados fornecidos pela organização, a história do CIIMAR – Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental, inicia em 1991 através da criação do IMAR – Instituto do Mar. O Pólo do Porto do IMAR, contou com a participação do ICBAS – Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar e da FCUP – Faculdade de Ciências da Universidade do Porto através dos seus representantes em diferentes anos, como por exemplo, Carlos Azevedo em 1991, Jorge Eiras em 1994 e João Coimbra em 1996. Em 1997, após 6 anos de participação conjunta das Instituições de Ensino Superior referidas anteriormente, surge a criação do CIMAR-UP – Centro de Investigação Marinha e Ambiental da Reitoria da Universidade do Porto, tornando-se o embrião da organização que conhecemos atualmente. Tendo uma considerável importância na área de investigação marinha e ambiental, surgem em 1998 as primeiras instalações do CIMAR-UP, em pré-fabricados, no Pólo do Campo Alegre da UP. Imagem 1: Instalações do CIIMAR-UP no Pólo do Campo Alegre da Universidade do Porto, em 1998 Fonte: Retirado do documento disponibilizado pelo CIIMAR 39 Em 2000, é fundado o CIIMAR – Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental com a Reitoria da UP, FCUP e ICBAS como sócios coletivos e tendo como Presidente o Prof. João Coimbra. Nesse mesmo ano, o CIIMAR participa na Presidência Portuguesa da União Europeia através da organização de uma conferência internacional nos Açores. Imagem 2: Logótipo do CIIMAR, em 2000 Fonte: Retirado do documento disponibilizado pelo CIIMAR No ano seguinte, o CIIMAR estabelece um protocolo de cooperação com a Estação Litoral da Aguda (ELA), através do Diretor Mike Weber, e dá início aos “ Open Seminar of CIIMAR ”. Ainda em 2001, o CIMAR integra a BIOPLTAFORM – European Platform for Biodiversity , demonstrando uma estrutura coesa na investigação marinha e ambiental. Em 2002, em conjunto com o CCMAR – Ualg, através do Diretor João Coimbra, é obtido o estatuto de Laboratório Associado ao CIMAR, tornando-se o CIMAR – LA. No mesmo ano, o CIMAR – LA integra o projeto MARBENA – Creating a long term infrastructure for marine biodiversity researchi in Europe . O ano de 2003 foi um ano de grandes mudanças, não só houve a abertura das instalações do CIIMAR na Rua dos Bragas, como foram contratados os primeiros investigadores. 40 Imagem 3: Primeiras instalações do CIIMAR na Rua dos Bragas, Porto Fonte: Retirado do documento disponibilizado pelo CIIMAR Em 2004 é assinado um protocolo de cooperação com o Grupo de Tecnologia Marinha do INEGI, no Porto, e o CIMAR integra um novo projeto, o MARBEF – Marine Biodiversity and Ecosystem Functioning Network . 2005 foi um ano de grandes iniciativas através da criação do Biotério de Organismos Aquáticos – Boga, a abertura do AquaMuseu no Rio Minho através do Diretor Carlos Antunes, é celebrado um protocolo para a cedência da coleção de conchas de Russell-Pinto e o CIMAR – LA integra novamente um novo projeto, o MGE – Marine Genomics Europe Network . Em 2006 é implementado, com o INEGI, um Sistema Hiperbárico para o estudo de organismos de mar profundo, o CIIMAR participa na primeira Universidade Itinerante do Mar – UIM e foi iniciado o projeto de literacia do Oceano “MoBIDiC – a escola na praia”. Em 2007, é celebrado um protocolo de cooperação e é celebrada a abertura do Centro de Monitorização e Interpretação Ambiental – CMIA de Vila do Conde, é lançado o primeiro Programa Doutoral em Ciências do Mar e do Ambiente em parceria com a UP, UAlg e UA. Ainda no mesmo ano, é constituída a Rede Nacional de Biodiversidade Marinha e Costeira e sucede a participação do CIIMAR na Presidência Portuguesa da União Europeia através da organização de duas conferências internacionais. No ano de 2008 o CIMAR é integrado na Unidade de Eco-Etologia do Instituto Universitário de Ciências Psicológicas, Sociais e da Vida – ISPA em Lisboa, adere ao Marine Board e surge também a integração do ESFRI – European Strategy Forum on Research Infrastructures . No ano seguinte o CIMAR torna-se no líder português do RAIA – Observatório Oceânico da Margem Ibérica, o Grupo de Hidráulica da FEUP é 47 Segundo o Gabinete de Imagem, Comunicação e Divulgação a informação disponibilizada, de uma forma global, os colaboradores estão alinhados com pilares da organização, isto é, estão alinhados com a missão, a visão e a cultura do CIIMAR. Segundo o mesmo gabinete, existem determinados fatores que nem sempre são integrados por todos os colaboradores ou por todas as investigações. Exemplo disso é o nível de colaboração e envolvimento público por parte dos mesmos ou da sua aplicação na sustentabilidade dos projetos e da organização. 2.3 CIIMAR GreenLab Em outubro de 2021, através de um grupo de colaboradores voluntários, nasce o “CIIMAR GreenLab”, dedicado à abordagem do impacto ecológico da investigação científica. Aliando estas iniciativas, o grupo tinha como objetivo reduzir a pegada ecológica associada ao trabalho laboratorial, aos custos de energia, água e aos resíduos urbanos recicláveis.4 De acordo com a informação disponibilizada pela organização, atualmente, o CIIMAR GreenLab é composto por investigadores, estudantes e técnicos da organização que estão comprometidos com a iniciativa. 2.3.1 Missão De acordo com a informação disponibilizada pela organização, enquanto centro de investigação em ciências e tecnologias marinhas e ambientais, o CIIMAR reconhece que a adoção de práticas de desenvolvimento sustentável na sua gestão e investigação é fundamental. O CIIMAR GreenLab pretende integrar critérios ambientais como fatores determinantes na criação de valor e sustentabilidade das atividades de investigação, inovação, formação avançada, apoio a políticas públicas e disseminação de conhecimento, apoiando e fortalecendo a estratégia e a imagem da organização. A responsabilidade ambiental é fundamental para a realização de atividades de pesquisa. O grupo tem como compromisso continuar a estabelecer políticas de gestão ambiental para a conservação dos recursos naturais, reduzindo o impacto ambiental da organização, contribuindo para um futuro sustentável. 4 Consultado o site do CIIMAR. Acedido a 18 de maio de 2024 em: https://www.ciimar.up.pt/pt-pt/sociedade/laboratorio-verde/ 48 2.3.2 Visão Promover a redução do impacto ambiental em todos os projetos onde o CIIMAR opera e trabalhar com a firme intenção de caminhar para um mundo onde rentabilidade e opções inteligentes sejam sinónimos de sustentabilidade e utilização de recursos. 2.3.3 Objetivos O grupo pretende enfrentar os desafios ambientais, mantendo a qualidade e a excelência da investigação. O CIIMAR GreenLab está alinhado com os objetivos de sustentabilidade das Nações Unidas e com a meta da União Europeia de se tornar neutra em carbono até 2050 e procura contribuir para esta missão defendendo a ciência cada vez mais sustentável como princípio fundamental nas Instituições de Investigação Portuguesas. Como parte integrante do compromisso da organização, o CIIMAR GreenLAb aderiu ao GreenLabs Portugal, também conhecido como Rede Nacional Greenlabs de Laboratórios de Investigação Portugueses, uma rede de inúmeras iniciativas de laboratórios verdes de base em todo o país. Ao aderir à Greenlabs Portugal, cada Instituição e as respetivas Equipas Verdes comprometem-se com diversas ações para reduzir a pegada carbónica e energética nos seus laboratórios, edifícios ou áreas e espaços envolventes. Algumas dessas ações incluem: 1. Reduzir o desperdício diário associado à investigação científica, incentivando práticas de reciclagem e reutilização de materiais de laboratório, sempre que possível; 2. Implementar práticas e estratégias que reduzam o consumo de água e energia; 3. Incentivar a implementação de práticas de compras ecológicas; 4. Promover viagens sustentáveis para conferências; 5. Apoiar eventos de sustentabilidade locais e nacionais (reuniões/congressos/workshops), promovidos pelas suas equipas verdes ou pela rede Greenlabs Portugal; 6. Apoiar estudos e pesquisas de sustentabilidade locais e nacionais dos greenlabs; 7. Implementação de formação sobre práticas ambientalmente sustentáveis dentro da Instituição; 8. Fomentar seminários de sustentabilidade dentro do calendário anual de eventos da Instituição; 9. Encorajar colaborações e trabalhar como uma rede de laboratórios sustentáveis e não individualmente, através do apoio institucional da rede Greenlabs Portugal. 49 2.4 Gabinete de Sustentabilidade Ambiental e Social Através da contextualização do departamento mencionado anteriormente e de acordo com a informação disponibilizada pela organização, o CIIMAR sentiu a necessidade de criar o Gabinete de Sustentabilidade Ambiental e Social, no segundo semestre de 2023, de forma a dar resposta às necessidades de planificação e coordenação geral de toda a política de responsabilidade ambiental e social da organização e não apenas aos laboratórios. Nestas políticas, participam várias unidades do CIIMAR, como os Gabinetes/Departamentos/Centros: • Saúde e Segurança no Trabalho; • Recursos Humanos; • Jurídico e Contratação Pública; • Infraestruturas; • Comunicação, Ciência e Inovação; • Comissão de Igualdade de Género; • Comissão para a Prevenção e Combate ao Assédio no Trabalho; • Serviço de Onboarding; • Comissão de Alunos de Doutoramento; • BOGA; • CIIMAR Sport; • Centro de Monitorização e Interpretação Ambiental (CMIA) de Matosinhos e Vila do Conde. Na ótica da responsabilidade social e ambiental, o CIIMAR pretende ser um centro internacional de referência para o conhecimento e sustentabilidade do oceano e do ambiente, com atuação a nível global (regional, nacional e internacional), centralizando e profissionalizando a coordenação desta área. 50 Este departamento comunica de forma eficaz os resultados das investigações que realiza não só pela comunidade científica, como pela sociedade civil, de forma a assegurar que todos os dados sejam facilmente reconhecidos e compreensíveis por todos os públicos.5 De acordo com a informação disponibilizada pela organização, através do Plano de Responsabilidade Social e Ambiental, o CIIMAR, como centro de investigação em ciências e tecnologias do mar e ambiente, reconhece como fundamental a adoção de práticas de desenvolvimento sustentável na sua gestão e atividades correntes, bem como, na investigação que produz. As medidas previstas de Sustentabilidade Ambiental do CIIMAR têm como objetivos fundamentais: • Promover a utilização eficiente dos recursos: reduzir o consumo de energia e água através da implementação medidas de eficiência energética e hídrica e de consciencialização sobre boas práticas ambientais, redução da utilização de plásticos de utilização única. A avaliação da evolução e eficiência das medidas adotadas será% efetuada através de indicadores precisos e rigorosos, nomeadamente o registo regular dos dados dos contadores de água e energia; • Fomentar a gestão adequada de resíduos: implementar medidas para alargar a reciclagem de diferentes resíduos no edifício sede do CIIMAR, disponibilizando mais recipientes e locais adequados para a separação seletiva e consciencializando a comunidade sobre a importância da separação adequada de resíduos. O CIIMAR responsabiliza-se também pela gestão de produtos químicos perigosos e sua substituição por novos produtos ou técnicas laboratoriais com menos impacto ambiental; • Promover a mobilidade sustentável: incentivar o uso do transporte público, bicicletas e partilha de boleias, através de campanhas de sensibilização, adesão a aplicações informáticas de carpooling e instalação e infraestruturas adequadas, como estacionamento para bicicletas; • Consciencializar a Comunidade CIIMAR através da disseminação das medidas propostas, do conhecimento sobre os desafios ambientais e a importância da sustentabilidade, visando a mudança de atitudes e comportamento em direção a um estilo de vida mais sustentável. Promover a literacia científica, o aumento do conhecimento e sensibilização sobre questões ambientais globais, promovendo uma sociedade mais informada e empenhada na adoção de 5 Consultado o site do CIIMAR. Acedido a 18 de maio de 2024 em: https://www.ciimar.up.pt/pt-pt/sociedade/responsabilidade-sociale-ambiental/ 51 comportamentos mais sustentáveis. Fomento de eventos que promovam uma economia circular, como por exemplo feiras de trocas. • Promover ações de proteção, promoção e restauro de ecossistemas e da biodiversidade, bem como colaborar em ações de voluntariado ambiental, que visem por exemplo a criação de pequenas massas de água, ações de reflorestação terrestre ou de florestas marinhas, e de limpezas de praias; • Promover a aquisição de produtos e serviços com base em critérios de responsabilidade claros e imparciais para a seleção de fornecedores/prestadores de serviços, em linha com os compromissos assumidos institucionalmente na temática da sustentabilidade. Em suma, este gabinete ou, de forma impessoal, o CIIMAR Sustentabilidade nasce da necessidade de centralizar todas as ações e estratégias relativas à promoção da sustentabilidade da organização. 2.5 Análise e diagnóstico Como secção integrante do primeiro capítulo, partimos para o diagnóstico da organização. Segundo Coutinho (2014), a Investigação-Ação é “situacional, porque visa o diagnóstico e a solução de um problema em contexto social específico” (Coutinho, 2014, p. 365). Quanto às técnicas de recolha de dados, foram aplicadas técnicas com “estratégias interativas”, como classifica Coutinho (2014, p.371), tendo como exemplo o desenvolvimento de um questionário, observação participante e não participante, reuniões e análise de documentos e plataformas digitais. Assim, para compreender melhor o funcionamento do CIIMAR, foi necessário realizar uma pesquisa aprofundada sobre a organização. Esta pesquisa começou pela visita ao website da organização (www.ciimar.up.pt), de forma a obter as informações necessárias sobre a instituição e pela realização de um questionário aplicado por entrevista, enviado ao Gabinete de Imagem, Comunicação e Divulgação, que pode ser consultado no Apêndice 1, pelas diversas reuniões online com o Gabinete de Sustentabilidade Ambiental e Social e pela realização de questionário aplicado por entrevista, enviado a este último gabinete, que pode ser consultado no Apêndice 2. Devido à não conciliação de tempo e presença física, esta foi a solução que melhor se adaptou para obter respostas sobre o funcionamento, gestão e organização do CIIMAR. Para além da contribuição das respostas aos questionários aplicados por entrevistas realizadas, ambos os gabinetes disponibilizaram vários documentos internos sobre a 52 história da organização ao longo dos anos, a criação de vários projetos e gabinetes, e sobre o relatório e plano de responsabilidade social e ambiental da organização. Uma vez obtidas as respostas, foi possível compreender que o modelo de trabalho do CIIMAR utiliza abordagens baseadas no conhecimento para promover o capital natural e a gestão sustentada dos recursos marinhos através da monitorização da saúde dos ecossistemas, otimização da aquicultura e exploração biotecnológica dos recursos para aplicações ambientais e de saúde humana. Foi possível, ainda, apurar que o CIIMAR fornece soluções e produtos inovadores que respondem aos atuais desafios económicos e sociais, incluindo novos medicamentos e produtos marinhos para necessidades industriais e medicinais, para a qualidade da água, pesca sustentável, preparação e mitigação de derramamentos de óleo e outros contaminantes emergentes, monitorização ambiental e avaliação de risco, gestão dos oceanos, da orla costeira e alfabetização oceânica. O modelo organizacional do CIIMAR inclui ainda um Conselho Consultivo Científico Externo que presta assessoria e avaliação independente da atividade científica da instituição e é composto por três membros distintos da comunidade científica internacional. O CIIMAR é também regularmente avaliado pela FCT - Fundação para a Ciência e Tecnologia através de painéis de avaliação internacionais. Os investigadores estão agrupados em três linhas de investigação principais, cada uma com um coordenador. Cada linha de investigação está subdividida em vários grupos de investigação e estes em equipas de investigação ou laboratórios, que são dirigidos por um investigador principal.6 2.5.1 Análise ao Gabinete de Imagem, Comunicação e Divulgação Segundo o questionário aplicado por entrevista realizada ao Gabinete de Imagem, Comunicação e Divulgação do CIIMAR, a estrutura apresentada no website da organização é a mais atualizada, no entanto, quando falamos dos dados apresentados na plataforma, o gabinete refere que apesar da última atualização da equipa ser de 2017, esta é a equipa atual, mas que apresenta algumas dificuldades logísticas dando como exemplo a falta de uma plataforma centralizada onde toda a informação pessoal é colocada à entrada do CIIMAR, a falta de um mecanismo de aviso de saída dos colaboradores, entre outros aspetos. No entanto, sempre que possível, a atualização dos dados é feita de forma regular. 6 Consultado o site do CIIMAR. Acedido a 17 de abril de 2024 em: https://www2.ciimar.up.pt/about.php 53 Ainda no questionário, quando colocada a questão: “Relativamente à equipa (colaboradores), o Gabinete de Imagem, Comunicação e Divulgação considera que todos podem ser considerados público interno? Isto é, estudantes que estão a realizar os seus projetos e/ou teses de licenciatura, mestrado e/ou doutoramento, como o caso do estudante que está a realizar este questionário aplicado por entrevista, e outros elementos que realizem projetos e/ou intervenções de forma temporária, são considerados público interno ou público externos?”, o gabinete refere que de uma forma geral, todos os colaboradores são considerados público interno. No entanto, dependendo do tipo investigação realizada, existem diferentes mailling lists para encaminhar a informação para os públicos selecionados. Como exemplo, o gabinete refere que a informação sobre candidaturas a financiamento de projetos ou reuniões do Conselho Científico é enviada apenas para colaboradores doutorados. Como lacuna, o mesmo refere que existe dificuldade na atualização das mailling lists , principalmente no que diz respeito aos estudantes de mestrado. Realizada uma análise SWOT ( Strengths, Weaknesses, Opportunities and Threats ), o Gabinete de Imagem, Comunicação e Divulgação fez a seguinte análise: Forças Fraquezas • Notoriedade pública do CIIMAR; • Atração pública para os temas de investigação e sustentabilidade marinha; • Atenção da sociedade em geral aos assuntos relacionados com o mar; • Edifício do CIIMAR, como sede, ser emblemático e reconhecido. • Dificuldade na mediatização de notícias sobre investigação nos meios de comunicação tradicionais e nacionais; • Comunicação externa limitar-se apenas às redes sociais e website; • Comunicação interna limitar-se ao e-mail, com grande número de e-mails diários, levando à falta de atenção dos colaboradores face aos e-mails do Gabinete de Imagem, Comunicação e Divulgação; • Falta de financiamento específico (orçamento interno ou fontes de 54 financiamento externo) para a área da comunicação (o que leva a limitações para uso de ferramentas audiovisuais e multimédia e alargamento da equipa com colaboradores de comunicação com diferentes áreas de especialização – e.g. comunicação, jornalismo e assessoria de imprensa, redes sociais, vídeo e multimédia); • Falta de vias de comunicação abertas entre a ciência e os meios políticos. Oportunidades Ameaças • Criação de vias de comunicação diretas entre a ciência e os meios políticos; • Fortalecimento da equipa de comunicação com pessoas com especialidades e experiência em áreas estratégicas (em especial comunicação, jornalismo e assessoria de imprensa, redes sociais, vídeo e multimédia). • Cortes de financiamento ou necessidade de redução da equipa de comunicação; • Perda progressiva de espaço disponível para a área da ciência e ambiente nos meios de comunicação. Tabela 2: Análise SWOT do CIIMAR – Realizada pelo GICD Relativamente às estratégias de comunicação e planeamento dos media utilizadas, conforme pode ser visto na tabela n.º 3, as redes sociais são a principal ferramenta de comunicação externa. O Gabinete usa as seguintes plataformas digitais com as seguintes métricas7: 7 As métricas apresentadas foram retiradas das plataformas digitais do CIIMAR a 25 de maio de 2024 55 • Facebook (CIIMAR/CIMAR Associate Laboratory) com 9200 seguidores; • Instagram (@ciimar.up) com 2027 seguidores; • LinkedIn (CIIMAR) com 15874 seguidores; • X - antigo Twiiter (@CiimarUP) com 2323 seguidores; • Youtube (@ciimarcomunicacao) com 678 subscritores. Nestas plataformas, o CIIMAR realiza o mínimo de uma publicação diária, adaptada ao público de cada rede social. À exceção da página de Youtube, apenas são divulgados conteúdos relacionados com a presença de algum elemento do CIIMAR nos media, conteúdos educativos ou de promoção de projetos. Figura 2: Redes sociais X (antigo Twitter), Facebook, LinkedIn e Instagram do CIIMAR Apesar do website do CIIMAR ser utilizado para a divulgação das principais atualidades do Centro de Investigação, a sua principal função é funcionar como um repositório de informação. 56 Figura 3: Diferentes páginas do website do CIIMAR No que toca à assessoria de imprensa, o CIIMAR conta com um gabinete de imprensa que trabalha de forma mais irregular, dependendo da disponibilidade de notícias com potencial de atração. Outras estratégias de comunicação com o CIIMAR utiliza, incluem a participação em feiras de ciência e tecnologias nacionais e internacionais tendo como exemplo a presença no evento internacional Business2Sea, a Mostra da Universidade do Porto e o Dia Aberto do CIIMAR que contam com mais de 20.000 visitantes. Segundo o Gabinete de Imagem, Comunicação e Divulgação, o impacto da comunicação externa é alargado. No que toca às estratégias de comunicação interna, o Gabinete refere que esta é realizada principalmente através de mailling lists , difundidas através de um e-mail específico para divulgação (divulgaçã[email protected]) e considera que a informação chega regularmente à maior parte dos colaboradores, mantendo-os a par de tudo aquilo que acontece no CIIMAR. Apesar desta difusão de informação, o gabinete refere que existem dificuldades na atualização das listas de distribuição dos e-mails e na distribuição das diferentes informações apenas para colaboradores relacionados com o tema em questão. As listas de distribuição, segundo o Gabinete, são divididas pela seguinte segmentação: 63 Segundo os teóricos da comunicação organizacional, referidos por Ruão T. e Kunch, M. (2014), as organizações são um conjunto de pessoas que trabalham em uníssono para um objetivo comum. Nas organizações, o papel da comunicação é fundamental para que a sua coordenação geral seja eficiente. No CIIMAR, esta premissa enquadra-se no seu plano de ações, tendo todos os colaboradores alinhados para o desenvolvimento de novos estudos em representação da Instituição. Como reforço, Taylor, J. (1993), sustentava que a comunicação é o mecanismo que une os colaboradores e a Organização, permitindo uma ampla e coerente interação entre todos os públicos. Ruão, T. (1999), reforça esta premissa referindo que a gestão dos colaboradores passa por um processo de evolução sobre o papel e a importância do fator humano nas organizações, reconhecendo que o público interno é um recurso fundamental para o crescimento de qualquer empresa. Desta forma, as instituições devem reforçar o papel da comunicação interna, fortalecendo a sua atenção, de forma atrair, desenvolver, motivar e reter os seus agentes internos. A comunicação estratégica é, também, fundamental para o desenvolvimento das ações de comunicação interna do CIIMAR. Esta área da comunicação, segundo Ruão et al. (2021), tem sido uma área de especialização emergente dentro das ciências e dos estudos de comunicação. A comunicação estratégica tem, ainda, a capacidade de influenciar a decisão de todos os agentes da organização ajudando a melhorar e a cumprir os seus objetivos, a sua missão e visão. A transformação das organizações passa também pela comunicação digital. Ainda que por definir, uma possível proposta de ação de comunicação interna passa pelo uso das plataformas digitais internas como o e-mail, a newsletter ou o website interno. As empresas estão, atualmente, mais tecnológicas e dependentes das TIC para o seu bom funcionamento e gestão. Não só é importante para o seu desenvolvimento como na forma como comunica com os seus públicos. Corrêa, E. (2005), reforça esta ideia salientado que a comunicação digital facilita a dinamização e a construção de qualquer processo de comunicação nas organizações contribuindo para o desenvolvimento da empresa e dos seus públicos. Numa ótica mais relacionada com a gestão dos colaboradores, Ruão, T. (1999) refere que esta gestão passa por uma crescente evolução do entendimento sobre o papel e a importância do fator humano nas organizações. Este reconhecimento, reforça que os colaboradores são um recurso fundamental na concretização de objetivos estabelecidos pelas organizações. Em suma, este projeto de investigação-ação com o tema “A Comunicação Interna na promoção da Sustentabilidade do CIIMAR: da estratégia à implementação.”, pretende fornecer insights valiosos para os gestores e profissionais de comunicação sobre como maximizar o potencial da comunicação interna 64 para impulsionar a sustentabilidade e os departamentos responsáveis por esta temática. Para além disso, os resultados podem servir como base para o desenvolvimento de políticas e estratégias que promovam um crescimento organizacional mais sustentável e integrado. 3.2 Metodologia aplicada ao Estudo de Caso 3.2.1 Investigação-Ação na comunicação: estratégias e impactos organizacionais Atualmente, vivemos de forma imersiva numa era em que a informação existe de forma massificada, apresentando-se de diversas formas, sendo transmitida de forma rápida e constante. Desde o aparecimento da internet e da sua popularidade até da disseminação das redes digitais, a comunicação, conforme a conhecemos através de pensadores como Platão e Aristóteles, Nietzsche, Arendt até Walter Benjamim, tem passado por constantes mudanças, sendo reformulada e adaptada aos novos meios e canais de comunicação disponíveis. Hoje, as redes sociais e as plataformas internas de comunicação, desempenham um papel contínuo na construção do nosso quotidiano, tanto a nível pessoal como profissional, e essa influência estende-se em todas as áreas da sociedade como política, social, económica, saúde, ambiental e ciência. Por este motivo, escolheu-se a metodologia de investigação-ação, uma vez que o objetivo final é compreender de que forma é que as estratégias utilizadas contribuíram para a melhoria dos processos da organização. A metodologia de investigação-ação é um método de pesquisa que integra a ação prática com a reflexão crítica e a pesquisa sistemática. Segundo Coutinho, C.P. (2014): A Investigação-Ação (…) [inclui] ação (ou mudança) e investigação (ou compreensão) ao mesmo tempo, utilizando um processo cíclico ou em espiral, que alterna entre ação e reflexão crítica. Nos ciclos posteriores são aperfeiçoados, de modo contínuo, os métodos, os dados e a interpretação feita à luz da experiência (conhecimento) obtida no ciclo anterior. (Dick, 1999, cit. em Coutinho, 2014, p.364) Desde que foi inicialmente desenvolvida por Kurt Lewin, psicólogo social, na década de 1940, esta metodologia foi adotada em diversas áreas como a educação, a saúde e as ciências sociais. Segundo o 65 autor, esta abordagem envolve a colaboração entre os investigadores e participantes de forma a identificar problemas ou questões específicas dentro de um determinado contexto prático. A metodologia de investigação-ação envolve a seguintes etapas (Coutinho, 2014, p. 366): Etapa Processo 1º Identificação do problema O investigador trabalha em colaboração com os participantes ou organização para identificar um problema específico que precisa de ser abordado ou melhorado. 2º Planeamento O investigador define um plano de ação para resolver ou melhorar as necessidades identificadas através de estratégias que podem ser interativas, digitais e colaborativas. 3º Implementação O investigador executa o plano de ação planeado, intervindo de forma prática junto dos participantes ou organização previamente estudados. 4º Observação e recolha de dados O investigador recolhe diversos dados durante a implementação do plano, usando diferentes técnicas como a observação, entrevistas, questionários, focus groups , entre outros. 5º Reflexão e análise O investigador analisa, de forma crítica, os dados recolhidos durante a ação realizada e reflete sobre o processo, identificando as ações que tiveram sucesso e os desafios, realizando os ajustes necessários. 6º Melhoria e novas ações O investigador, com base na sua reflexão e análise, ajusta as ações do plano inicial. Este processo é feito de forma continua e colaborativa entre os participantes 66 ou organização, de forma ser encontrada uma solução satisfatória para a necessidades encontradas. Tabela 7: Etapas e processos da metodologia de investigação-ação inspirada em Coutinho (2014) – Elaboração própria Uma vez que é pretendido abordar as ações de comunicação interna para a sustentabilidade realizadas pelo CIIMAR, torna-se importante estudá-las e oferecer uma interpretação sobre elas, de forma a compreender o impacto que tem junto dos colaboradores da organização. Para Coutinho (2014), esta metodologia remete para a relação estabelecida entre o investigador e a organização (o investigado), realizando um trabalho em que ambos se adaptam tendo em conta a sua realidade organizacional e os contextos socioculturais. A autora faz uma abordagem esclarecedora sobre a investigação-ação, definindo-a como parte integrante de uma “família de metodologias de investigação” (Coutinho, 2014, p. 363-364). Esta abordagem metodológica engloba a ação - o ato de implementar mudanças - e a investigação - a procura pela compreensão - em simultâneo. Um dos aspetos diferenciadores desta metodologia, segundo a autora, é o processo cíclico ou em espiral que se desenvolve, variando entre a ação prática e a reflexão crítica, criando uma abordagem interativa entre o investigador e o investigado. Este processo ao ser aplicado num contexto de investigação, permite aos participantes/organização não só implementarem as ações de melhoria como permite envolverem-se de forma ativa na reflexão dos resultados, promovendo uma reflexão mais profunda do estudo realizado. A reforçar esta ideia, a autora refere ainda que: Tendo em conta que o que se pretende com esta metodologia é operar mudanças nas práticas tendo em vista alcançar melhorias nos resultados da intervenção, normalmente esta sequência de fases repete-se ao longo do tempo, porque há necessidade por parte do investigador de explorar e analisar convenientemente e com consistência todo o conjunto de interacções ocorridas durante o processo, não deixando de lado eventuais desvios processados por razões exógenas mas que têm de ser levados em conta e, desse modo, proceder a reajustes na abordagem ao problema em estudo. (Coutinho, 2014, p.370) 67 De um modo geral, segundo os autores anteriormente mencionados, esta metodologia segue uma combinação de vários métodos, sendo denominada como uma modalidade mista de planos metodológicos. Assim sendo, os métodos selecionados para a realização deste projeto foram de natureza qualitativa e quantitativa. 3.3 Aplicação da Metodologia no Projeto de Ação Considerando a natureza empírica deste estudo, é fundamental destacar o seu enquadramento no paradigma sociocrítico, que vai além da mera observação, procurando uma reflexão profunda e transformadora sobre o tema a ser investigado, não se limitando apenas à análise e interpretação dos dados, mas envolvendo também o planeamento e a implementação das estratégias que visam promover mudanças concretas no contexto estudado. Baum, MacDougall e Smith (2006, p. 854) realçam a importância da adoção de uma abordagem interventiva na metodologia de investigação, apontando-a como um meio de "questionar a própria natureza do conhecimento" e de "explorar e aprimorar o mundo por meio de ações transformadoras", reforçando a ideia de que a investigação-ação não se restringe apenas à observação passiva, mas sim a uma compreensão profunda e à possibilidade de provocar mudanças positivas através do conhecimento adquirido. Esse paradigma valoriza a participação ativa dos indivíduos envolvidos, promovendo uma abordagem colaborativa e emancipadora. Ao integrar a teoria e a prática, o paradigma sociocrítico permite que os investigadores e participantes trabalhem juntos de forma a identificarem problemas, desenvolverem soluções e implementarem ações que criem um impacto real e positivo na investigação, Patton, M (1980). No contexto deste projeto de investigação-ação, focado na comunicação interna e na sustentabilidade, o paradigma sociocrítico é particularmente relevante uma vez que permite uma análise crítica das práticas de comunicação dentro da organização, identificando como estas podem ser melhoradas de forma a apoiar os objetivos de sustentabilidade do CIIMAR. Através de uma reflexão crítica, como investigador, juntamente com o Departamento de Sustentabilidade Ambiental e Social, poderei desenvolver estratégias de comunicação interna que não serão apenas informativas, mas que poderão motivar os colaboradores a adotarem práticas sustentáveis. 68 Este paradigma facilita, também, a criação de um ambiente onde os colaboradores se sentem valorizados e ouvidos, promovendo uma cultura organizacional mais inclusiva e responsável. Ao incentivar a participação ativa dos colaboradores no processo de mudança, a organização pode implementar práticas sustentáveis de maneira mais eficaz e duradoura. Segundo Stenhouse, L. (1983), esta perspetiva, sendo caracterizada por um maior dinamismo na forma de encarar a realidade, maior interatividade social e uma maior proximidade real, torna-se essencial para muitos dos investigadores que desenvolvem as suas investigações no contexto das sociais. Este projeto de investigação-ação não se limita apenas a aprofundar os conceitos teóricos referidos anteriormente, mas também a incorporar uma análise crítica que procura ir além das fronteiras teóricas estabelecidas. Desta forma, este projeto de investigação-ação torna-se uma ferramenta dinâmica e enriquecedora, permitindo uma investigação aprofundada do tema em questão criando soluções inovadoras para os problemas identificados no contexto da organização. 3.4 Técnicas de Recolha e Análise de Dados Tendo como base a metodologia referida nos subcapítulos anteriores, referentes ao paradigma sociocrítico, partimos do precipício que: A Investigação-Ação (…) [inclui] ação (ou mudança) e investigação (ou compreensão) ao mesmo tempo, utilizando um processo cíclico ou em espiral, que alterna entre ação e reflexão crítica. Nos ciclos posteriores são aperfeiçoados, de modo contínuo, os métodos, os dados e a interpretação feita à luz da experiência (conhecimento) obtida no ciclo anterior. (Dick, 1999, cit. em Coutinho, 2014, p. 364) Desta forma, este estudo empírico foi divido em três etapas de forma a facilitar a organização da pesquisa, assim como a aplicação prática da metodologia escolhida, conforme pode ser visto na tabela que se segue: 69 Etapas 1º Análise do Departamento de Imagem, Comunicação e Divulgação, do Departamento de Sustentabilidade Ambiental e Social, materiais e conteúdos de comunicação da organização de forma a identificar o problema e/ou melhoria dos processos e/ou ações, analisá-los e planear a sua melhoria. 2º Projeto e respetivo planeamento colocados em prática através de um constante processo de observação-reflexão. 3º Análise com vista à discussão de resultados, respetiva avaliação e conclusão do projeto. Tabela 8: Divisão das etapas do estudo empírico – Elaboração própria Dando continuidade à linha de orientação da metodologia de investigação referida nos subcapítulos anteriores, é agora apresentada uma descrição detalhada dos procedimentos adotados para estruturar, sustentar e recolher as informações deste projeto de investigação-ação. Inicialmente, foi delineada a estrutura metodológica utilizada, que serve como base para a organização dos dados recolhidos. De seguida, foram descritas as estratégias e os mecanismos que sustentam a investigação, garantindo a integridade e a validade das informações recolhidas. Por fim, os métodos específicos da recolha de dados foram descritos, assegurando que cada etapa do processo foi realizada de forma rigorosa e sistemática, estando alinhada com os objetivos desta investigação. Coutinho (2014), refere que é fundamental aperfeiçoar de forma sistemática e intencional a perspetiva sobre os aspetos da realidade a ser estudada. Esta melhoria pretende simplificar a forma como a realidade da organização é analisada. Ao adotar esta abordagem, a autora refere que se torna mais eficaz a fase de reflexão, permitindo uma análise mais clara e aprofundada sobre os dados recolhidos. A autora refere ainda, como técnicas para a recolha de dados as observações, entrevistas, documentos pessoais e oficiais, fotografias, desenhos, e-mails e conversas informais são exemplos de fontes valiosas de informação numa investigação qualitativa. Cada uma dessas fontes oferece uma perspetiva única sobre o objeto de estudo, contribuindo para uma compreensão mais profunda e multifacetada dos fenómenos a serem investigados. No entanto, os dados obtidos a partir dessas fontes têm um 70 denominador comum: a sua análise é, em grande medida, dependente das capacidades integradoras e interpretativas do investigador (Coutinho, 2014, p.370). Tratando-se de uma abordagem de natureza qualitativa, analisou-se a comunicação dos respetivos gabinetes, nomeadamente o GICD e o GSAS, através da análise documental do website institucional do CIIMAR, da leitura dos documentos disponibilizados pela organização, plataformas digitais, redes sociais, reuniões com os membros dos gabinetes mencionados anteriormente e através da observação dos espaços internos da organização. As sociedades contemporâneas são, atualmente, marcadas pela predominância da imagem. Esta característica estende-se também às organizações, onde a comunicação visual facilita e torna mais eficaz a forma como a informação é disponibilizada, assegurando uma maior atenção e o interesse do público interno. Patton, M. (2002), destaca que a triangulação de dados obtidos através de entrevistas, métodos de observação, imagens e questionários, fortalece a validade da pesquisa qualitativa (Patton, 2002, p. 221224). Esta metodologia é especialmente relevante no contexto organizacional, onde a combinação de diferentes métodos de recolha de dados contribuem para uma visão mais completa e detalhada das dinâmicas internas e das interações entre os membros da organização. A integração de elementos visuais, como gráficos e infográficos, com métodos tradicionais da pesquisa qualitativa, não só enriquecem a análise dos dados, como também facilitam a comunicação dos resultados e insights para um público mais amplo e diversificado. Este mecanismo é crucial para a tomada de decisões informadas e para o desenvolvimento de estratégias eficazes dentro das organizações. Kawulich, B. (2005) e Hopper, M. J. & Quinõnes, S. (2012), corroboram com o autor mencionado anteriormente, realçando a importância de utilizar uma abordagem metodológica diversificada e visualmente orientada na metodologia qualitativa, beneficiando esta aplicação em contextos sociais e organizacionais. No decorrer desta investigação-ação, foi necessária a utilização de imagem, através do registo fotográfico, utilizando a técnica de observação. Esta técnica, de acordo com Coutinho (2014), de natureza qualitativa, é centrada no investigador – aquele que observa – e permite a realização de uma ação em tempo real do fenómeno a ser estado (Coutinho, 2014, p. 370-372). Nesta observação, que foi de cariz não participante, segundo a autora, o investigador observa a ação sem interagir diretamente com ela. Esta técnica permite realizar uma análise imparcial e detalhada das ações, uma vez que o investigador se 71 mantém distante, evitando influenciar o ambiente a ser observado. Esta abordagem é particularmente útil onde a presença do investigador poderia alterar os resultados do estudo, proporcionando uma perspetiva objetiva e genuína sobre a ação investigada (Coutinho, 2014, p. 370). O recurso a questionários aplicados por entrevistas durante esta investigação-ação, foi fundamental. Coutinho (2014), refere que esta técnica é de extrema importância, uma vez que é através dela que o investigador percebe a forma como os sujeitos interpretam as suas vivências (Coutinho, 2014, p. 382). Quivy, R. & Campehoudt, L. V. (2005), acrescentam ainda que o recurso a esta técnica contribui para a descoberta de aspetos a ter em conta que alargam ou corrigem o campo da investigação, contribuindo para o enriquecimento do estudo (Quivy & Campehoudt, p. 69-71). A variante de entrevista utilizada no decorrer desta investigação-ação, foi a entrevista semi-estruturada. Esta técnica é frequentemente utilizada na investigação sociocrítica uma vez que a estrutura não é totalmente aberta nem rígida e utiliza um conjunto de perguntas de resposta fechada. Neste projeto, uma vez que foi necessário realizar questionários aplicados por entrevistas ao GICD e o GSAS de forma a realizar a primeira etapa de diagnóstico do trabalho, as questões foram previamente construídas, sem terem um esquema obrigatório, permitindo que o entrevistado descrevesse abertamente aquilo que lhe era questionado e pela ordem que lhe fosse mais conveniente (Quivy & Campehoudt, p. 192-193). Após a realização dos questionários aplicados por entrevistas, foi realizada uma análise aos conteúdos que, segundo Bardin, L. (1977), este método é eminentemente empírico e dependente de mensagens de natureza qualitativa, visando uma interpretação objetiva. O autor descreve, ainda, que a análise de conteúdos pode ser vista como um conjunto de técnicas de ampla aplicabilidade, uma vez que têm como foco a mensagem proveniente dos entrevistados. Krippendorff, K. (2013), destaca também que a análise de conteúdos é essencial para a investigação qualitativa, uma vez que permite a identificação de padrões e temas recorrentes nas comunicações (Krippendorff, 2013, p. 188). Miles, M. B., Huberman, A. M. & Saldaña, J. (2014), reforçam que a importância da codificação sistemática e a categorização das informações, promovem a validade e a confiabilidade dos dados interpretados durante a análise dos conteúdos. Uma vez que este questionário aplicado por entrevista, Bell, J. (2005), refere que a utilização desta técnica num projeto de investigação-ação é crucial, uma vez que os questionários fornecem uma estrutura consistente na recolha de dados, garantido que todas as áreas de interesse sejam abordadas de forma sistemática. Esta abordagem permite ao investigador obter respostas comparáveis entre diferentes participantes, tendo a possibilidade de adaptar perguntas abertas e fechadas, oferecendo uma 72 maior amplitude e profundidade nas respostas, facilitando a análise e a interpretação dos dados (Bell, 2005, p. 11). Como forma de análise e tratamento dos dados recolhidos, ainda sob o paradigma sociocrítico, foram examinados os dados recolhidos nos questionários aplicados por entrevistas em formato de questionário e dos inquéritos por questionário ao GICD, GSAS e restante público. Esta análise é de caráter mista – qualitativa e quantitativa – permitindo explorar e gerir da melhor forma o planeamento das ações a ser realizado. 3.5 Confidencialidade Lidando com questões de melhoria organizacional onde os colaboradores podem não se sentir confortáveis para expor as suas opiniões e/ou descontentamentos, a ética e a deontologia da investigação obrigam ao cumprimento de normas que protejam a privacidade e identidade dos participantes. Sempre que necessário, todos os formulários ou questionários aplicados for entrevistas realizadas a todos os intervenientes e participantes do estudo, contarão com todas as informações relevantes e descritivas do estudo em questão, assim como uma secção de aceitação de participação e consentimento de dados. Em concordância com ética e deontologia da investigação, não serão divulgados quaisquer dados de natureza identificativa. 79 Figura 11: 1ª e 2ª Propostas do logótipo do CIIMAR Sustentabilidade (versão PT) com o lettering de cor branca – Elaboração própria Figura 12: 1ª e 2ª Propostas do logótipo do CIIMAR Sustentabilidade (versão EN) com o lettering de cor branca – Elaboração própria Após o envio destas propostas para o responsável do GSAS, para apreciação, apesar do mesmo ter gostado dos logótipos, referiu como sugestão que as cores do símbolo do CIIMAR poderiam ter como base o ESG – Enviornment Social Governance , que é já utilizado pelo CIIMAR GreenLab, como pode ser visto na figura 13. Figura 13: Banner do mercado de natal com o logótipo do CIIMAR GreenLab ESG - Environmental, Social and Governance , tendo como tradução livre em português “governação ambiental, social e corporativa”, é um conjunto de critérios que mede a sustentabilidade e o impacto ético das organizações. O critério ambiental tem como principal objetivo avaliar como as organizações 80 gerem os seus recursos naturais, a emissões de gases de efeito estufa e as suas práticas de conservação. Já o critério social avalia as relações de trabalho, diversidade, inclusão, direitos humanos e envolvimento da organização na e com a comunidade. Por fim, a governação avalia a estrutura de liderança, transparência, ética, políticas de remuneração e a gestão interna da organização. Segundo o responsável do GSAS, a importância do ESG - Environmental, Social and Governance nas organizações é ampla e multifacetada. Este organismo tem como bases orientadoras a promoção da sustentabilidade e da responsabilidade social, melhorando a reputação e a confiança entre consumidores e investidores, a mitigação os riscos ambientais, sociais e de governação, evitando ilegalidades e possíveis crises. Para além disso, têm também como base orientadora a atração de investidores que procuram empresas bem posicionadas para o sucesso a longo prazo, ampliando o acesso ao capital.8 As cores normalmente utilizadas para identificar estas práticas são as cores verde para o ambiente, azul para a governação e laranja para a parte social. Tendo como orientação a sugestão do responsável do GSAS e as cores utilizadas, as propostas do novo logótipo deste departamento tiveram de ser ajustadas. Salientando novamente a autora anterior, Heller, E. (2013), descreve a cor laranja como uma das mais ambíguas em termos de suas conotações emocionais e culturais. O laranja é frequentemente associado à energia, entusiasmo e alegria. A autora refere, ainda, que a cor laranja é compreendida como uma cor sociável e acolhedora, muitas vezes associada à extroversão e à criatividade, estimulando a comunicação. Para além disso, a cor laranja também pode ser vista como uma cor de transição e mudança, representando o amanhecer e o final do dia, simbolizando novos começos e ciclos de renovação (Heller, 2013, p. 335-356). Refletindo sobre a designação da autora sobre esta cor, o tom laranja, associado aos tons de azul e verde das primeiras propostas, refletem a mensagem que a organização e o GSAS pretendem transmitir, sendo um Instituto ligado à investigação marinha e ambiental. Assim, tendo como reflexão a contextualização anterior, foram desenvolvidas novas propostas para o logótipo do GSAS, mantendo as premissas da 1ª e 2ª propostas. 8 Consultado o site do fi group. Acedido a 30 de junho de 2024 em: https://pt.fi-group.com/sustentabilidadeesg?utm_medium=paid_google&utm_source=search&utm_campaign=sustentabilidade_ax&campaignid=21222612479&adgroupid=15666 8471010&gad_source=1&gclid=CjwKCAjwhIS0BhBqEiwADAUhc4nt7ZAg3B4WXTH86wdc9C_eajsxeETy6Ngd9-2Mydre_9K 81 Figura 14: 3ª Proposta do logótipo do CIIMAR Sustentabilidade (versão PT) – Elaboração própria Figura 15: 4ª Proposta do logótipo do CIIMAR Sustentabilidade (versão EN) – Elaboração própria Nestas novas propostas, seguindo as orientações do responsável do GSAS, as cores do ESG - Environmental, Social and Governance foram utilizadas nos três aros do logótipo do CIIMAR. A alteração da cor preta da palavra “sustentabilidade”, seguindo a linha do logótipo do CIIMAR, foi também solicitada pelo responsável do GSAS. Seguindo a reflexão mencionada anteriormente, tendo como premissa a fácil associação à sustentabilidade, a palavra “sustentabilidade” nas versões portuguesa e inglesa passou a estar na cor verde. Para as versões e tons de branco, foram realizadas propostas semelhantes às figuras 11 e 12, no entanto, o responsável do GSAS pediu que o novo logótipo fosse também criado todo em branco de forma a facilitar ainda mais a sua utilização nas plataformas digitais e em materiais de divulgação. 82 Figura 16: 3ª e 4ª Propostas do logótipo do CIIMAR Sustentabilidade (versão PT e EN) com o lettering de cor branca – Elaboração própria Uma vez que o logótipo original do CIIMAR apresenta diferentes nuances de cor e transparência, a utilização das cores brancas neste símbolo não teriam a mesma eficácia visual. À semelhança daquilo que o CIIMAR já utiliza nas suas comunicações, o responsável pelo GSAS disponibilizou a versão em branco do logótipo do CIIMAR para inspiração. Figura 17: Logótipo do CIIMAR versão branca 83 À semelhança daquilo que o CIIMAR também utiliza nas suas plataformas digitais e materiais de divulgação, como pode ser visto na figura 17, as propostas do novo logótipo do GSAS também foram pensadas para serem utilizadas em materiais com tons de outras cores sendo totalmente de cor branca, como pode ser visto na figura 18. Figura 18: 3ª e 4ª Propostas do logótipo do CIIMAR Sustentabilidade (versão PT e EN) na versão totalmente de cor branca – Elaboração própria As propostas apresentadas anteriormente foram desenvolvidas tendo como principal objetivo a identidade visual já existente. A principal preocupação na criação dos novos logótipos consistiu em assegurar que cada elemento gráfico fosse coerente com o logótipo original, preservando as cores e fonte tipográfica, como características distintivas da marca. Esta abordagem permite garantir a continuidade e o reconhecimento imediato por parte dos diferentes públicos do CIIMAR, fortalecendo a consistência da marca em todas as suas manifestações visuais como os materiais gráficos, documentos institucionais, merchandising, publicações em plataformas digitais, entre tantos outros. Desta forma, em cada proposta 84 apresentada, foi procurada a harmonização entre a inovação, sustentabilidade e tradição, respeitando a essência e os valores estabelecidos pela identidade visual do CIIMAR. Todas as propostas, foram enviadas para o responsável do GSAS, para apreciação. Apesar de numa primeira instância as decisões passarem por este responsável, segundo o mesmo, para uma apreciação final, as propostas terão de ser analisadas pelo GreenLab e pelo Diretor do CIIMAR. No entanto, de forma a consolidar estas propostas, foi desenvolvido um manual de identidade visual incluindo apenas os logótipos das figuras 14, 15, 16 e 18, onde as informações mais importantes para a sua utilização foram realçadas. A utilização de um manual de identidade visual, conforme pode ser visto na figura 19 e no apêndice 3 de forma completa, é crucial para qualquer marca, uma vez que estabelece diretrizes claras sobre o uso dos elementos visuais que a representam, assegurando a sua coerência e consistência visual. Segundo Wheeler, A. (2017), a uniformização visual em todos os materiais de comunicação, sejam eles impressos, digitais ou físicos, torna-se essencial para o reconhecimento e confiança da marca (Wheeler, 2017, p.162-163). Kotler, P. & Keller, K. L. (2016), referem que este tipo de documentos serve como uma referência para profissionais de comunicação, prevenindo constrangimentos ao nível do uso da marca e padroniza os elementos visuais, economizando tempo e recursos (Kotler & Keller, 2016, p.297). Para além disso, um manual de identidade visual protege a marca desenvolvida ao definir regras específicas para o uso do logótipo, evitando que o uso incorreto possa prejudicar a imagem da organização. Todos os ficheiros editáveis foram partilhados com o GSAS de forma a facilitar a sua utilização e edição, sempre que necessário. 85 Figura 19: Manual de Identidade Visual CIIMAR Sustentabilidade – Elaboração própria Com estas propostas, a identidade visual do Gabinete de Sustentabilidade Ambiental e Social terá refletida os seus valores e objetivos, transmitindo uma imagem clara de responsabilidade, inovação e compromisso com a sustentabilidade ambiental e social da organização. 4.4.2 Desenvolvimento de uma Linha Gráfica O desenvolvimento de uma linha gráfica coerente, em sintonia com a identidade visual anteriormente criada, torna-se crucial para manter a consistência em todos os materiais de comunicação do GSAS. Tendo em conta esta reflexão, a criação de templates para apresentações, relatórios, materiais de divulgação e publicações online e offline, devem ser cuidadosamente desenvolvidos de forma a garantir 86 que toda a comunicação do GSAS esteja visual e estrategicamente alinhada, proporcionando uma experiência de marca uniforme e profissional, facilitando também o seu reconhecimento e credibilidade. Seguindo estas premissas, a primeira proposta de materiais de comunicação desenvolvida para o GSAS partiu do princípio do logótipo do CIIMAR Sustentabilidade, tendo em consideração um maior envolvimento dos colaboradores nas ações desenvolvidas, a pedido do responsável gabinete. Após diversas reuniões e trocas de e-mails com o responsável do GSAS, foi solicitado o desenvolvimento de diversos cartazes e banners digitais. Estes materiais serão utilizados para a divulgação, através da comunicação interna, das atividades e ações a serem promovidas no CIIMAR. Figura 20: Proposta de cartaz para o Dia Mundial da Bicicleta para CIIMAR Sustentabilidade (versão PT) – Elaboração própria Tendo em consideração as atividades planeadas pelo GSAS, foi desenvolvida esta primeira proposta (figura 20) tendo em consideração a celebração do Dia Mundial da Bicicleta, celebrado a 3 de junho de 2024. O objetivo deste cartaz centrou-se em promover a aproximação dos colaboradores, incentivando 87 sua participação ativa nesta atividade. Para que isso fosse possível, o design pensado foi inspirado na primeira proposta do logótipo do CIIMAR Sustentabilidade onde as cores verdes e azuis remetem para sustentabilidade e para o fator social, promovendo a cultura da mobilidade sustentável dentro do CIIMAR, os benefícios do uso da bicicleta e o convívio entre colaboradores, através de um design simples e atrativo. Os elementos visuais, como a fotografia da bicicleta, as cores, o logótipo do CIIMAR Sustentabilidade, as informações claras e a data do evento, tornaram-se elementos essenciais para promover o envolvimento dos colaboradores. Para além do desenvolvimento de cartazes para atividades específicas, como o Dia Mundial da Bicicleta, foi também importante criar materiais visuais para as diversas ações e campanhas internas que o GSAS planeava implementar no CIIMAR. Esses materiais visam não apenas promover eventos isolados, mas também promover uma comunicação contínua e eficaz sobre as iniciativas de sustentabilidade do GSAS. Figura 21: Propostas de cartazes para as diferentes ações a serem implementadas pelo CIIMAR Sustentabilidade (versão PT) – Elaboração própria Na figura 21 e nos apêndices 4, 5 e 6 em maior destaque, observa-se o desenvolvimento de diferentes cartazes para as ações a serem implementadas no CIIMAR. Estes cartazes mantêm a linha visual do cartaz anterior (figura 20), seguindo os princípios de uniformização dos materiais, facilitando o reconhecimento por parte de todos os colaboradores da organização. Segundo Kotler, P. & Keller, K. L. (2016), a consistência visual nos materiais de comunicação reforça a identidade da marca e melhora a memorização das mensagens transmitidas. Mayer, R. E. (2020), também defende que a coerência dos 88 elementos visuais facilita o raciocínio e a retenção de informações, tornando a comunicação mais eficaz (Mayer, 2020, p. 332). O desenvolvimento de uma linha gráfica coerente e uniforme nos cartazes do CIIMAR aumenta o seu reconhecimento e fortalece as ações de comunicação do GSAS. À semelhança daquilo que aconteceu com as duas primeiras propostas do logótipo do CIIMAR Sustentabilidade, após o envio destas propostas para o responsável do GSAS, para apreciação, apesar do mesmo ter gostado, referiu como sugestão que as cores utilizadas poderiam ter como base o ESG – Enviornment Social Governance , e que poderia ser também acrescentado a versão inglesa da informação no mesmo cartaz de forma a evitar a duplicação de folhas com a mesma informação, mas com traduções diferentes. Nestas novas propostas, seguindo as orientações do responsável do GSAS, os cartazes passaram a ter a utilização da terceira e quarta proposta do logótipo do CIIMAR, e a informação em português e inglês. Figura 22: Proposta de cartaz para o Dia Mundial da Bicicleta para CIIMAR Sustentabilidade (versão PT e EN) – Elaboração própria 95 4.4.4 Estratégias de Comunicação e Divulgação As estratégias de comunicação para o GSAS foram elaboradas com o objetivo de facilitar a implementação das ações de sustentabilidade do gabinete, promovendo um ambiente mais colaborativo e consciente dentro da organização. Estas estratégias, predominantemente executadas através do meio digital, nomeadamente o e-mail, incluem a utilização dos banners digitais, como pode ser visto na figura 26, dos cartazes das figuras 22, 23, 24 e 25 e outras formas de comunicação visual que o gabinete possa considerar pertinentes. O principal objetivo passa por envolver os colaboradores do CIIMAR nas iniciativas do GSAS, incentivando a sua participação ativa, contínua e em linha com as orientações de sustentabilidade e responsabilidade social da organização. Elkington, J. (1997), sustenta este objetivo referindo que uma comunicação eficaz é crucial para que todas as partes interessadas interajam e garantam que as práticas sustentáveis sejam compreendidas e adotadas por toda a organização (Elkington, 1997, p.318-320). Estando em concordância com aquelas que são as orientações do GSAS, pretende-se que as ações pensadas contribuam para o aumento do conhecimento, por parte dos colaboradores, sobre práticas sustentáveis, dados relevantes e iniciativas que proporcionem oportunidades para que estes possam partilhar, também, as suas ideias e se sintam parte integrante das ações do gabinete. Schein, E. (2010), refere que a importância de criar um ambiente onde os colaboradores se sentem seguros para partilhar as suas ideias e participarem de forma ativa nas iniciativas da organização (Schein, 2010, p.93). Este pensamento reforça aquilo que é exposto anteriormente, demonstrando que a integração e a participação dos colaboradores fortalecem a cultura de sustentabilidade e responsabilidade social dentro do CIIMAR. Para garantir a máxima eficácia na divulgação das atividades e ações, é importante implementar uma estratégia abrangente que utilize múltiplos canais de comunicação e um cronograma de estratégias. Na tabela que se segue e no apêndice 7, pode ser vista de forma detalhada da estratégia proposta: Estratégia de Comunicação para a Divulgação das Atividades e Ações 1º Afixação de cartazes Sempre que um novo cartaz com uma atividade ou ação for desenvolvido, este deve ser imediatamente afixado em locais estratégicos e de alta visibilidade dentro das instalações, como locais de afixação de materiais, entradas e áreas de convívio. 96 2º Envio de e-mails Assim que o cartaz for afixado, deve ser enviado um e-mail com todas as informações detalhadas sobre a atividade, incluindo o cartaz e o banner digital. Apesar de a principal informação constar no cartaz, o e-mail deve conter as seguintes informações: • Título e descrição da atividade ou utilização do banner digital; • Data, hora e local; • Benefícios e/ou objetivos da participação dos colaboradores; • Informações sobre inscrição, se aplicável; • Links para páginas de eventos e/ou formulários de inscrição online. 3º Calendarização de lembretes dos e-mails Primeiro Envio: Assim que o cartaz for afixado e a atividade anunciada, enviar um e-mail inicial para todos os colaboradores ou para as mailing lists adequadas. E-mails Semanais: Enviar e-mails de lembrete duas vezes por semana, mantendo um intervalo de alguns dias entre eles, até a data da atividade. • Por exemplo, enviar lembretes às segundas e quintasfeiras. E-mail Final: Um último lembrete deve ser enviado na véspera ou no dia da atividade, para garantir que a informação esteja fresca na mente dos participantes. 4º Integração com o calendário digital As datas das atividades devem ser adicionadas aos calendários digitais dos colaboradores (como por exemplo o Outlook), de forma que seja mais um lembrete da atividade a ser realizada. 97 5º Feedback e melhoria continua Após a realização da atividade deve ser enviado por e-mail, um questionário de satisfação para os colaboradores que participaram, solicitando o seu feedback sobre a eficácia das estratégias de comunicação utilizadas e sugestões de melhoria das atividades. Tabela 10: Proposta da estratégia de comunicação para a divulgação das atividades e ações do GSAS – Elaboração própria Com essa abordagem integrada pretende-se garantir uma comunicação eficiente, aumentando a participação dos colaboradores nas atividades do GSAS. Para além destas estratégias mais direcionadas para as atividades e ações deste gabinete, foi também sugerida uma temática de divulgação de curiosidades sobre sustentabilidade e responsabilidade social. Na tabela que se segue e no apêndice 7, pode vista de forma detalhada da estratégia proposta: Estratégia de Comunicação para as curiosidades sobre sustentabilidade 1º Envio de e-mails Envio de e-mails semanais com curiosidades e informações relevantes sobre sustentabilidade. Este e-mail deve ter como objetivo aumentar a consciencialização e o conhecimento dos colaboradores sobre práticas sustentáveis, iniciativas e projetos de sustentabilidade a decorrem no CIIMAR. 98 2º Conteúdos dos e-mails Curiosidades sobre sustentabilidade • Apresentar factos interessantes sobre sustentabilidade que possam chamar atenção dos colaboradores e incentivá-los a aprender mais sobre esta temática. Iniciativas do CIIMAR • Destaques semanais de projetos, investigações e atividades relacionadas com a sustentabilidade que estão a decorrer no CIIMAR; • Histórias de sucesso, progressos alcançados em projetos específicos e perfis de investigadores com as suas contribuições para a temática da sustentabilidade. Dicas práticas • Sugestões simples e práticas que os colaboradores podem adotar no seu dia a dia para contribuírem para a sustentabilidade da organização. Eventos e workshops • Informações sobre próximos eventos, workshops e seminários relacionados com sustentabilidade. Recursos adicionais • Links para artigos, vídeos, podcasts e outras fontes de informação que ofereçam uma visão mais aprofundada sobre os tópicos que o GSAS e o CIIMAR abordam diariamente. Tabela 11: Proposta da estratégia de comunicação para as curiosidades de sustentabilidade do GSAS – Elaboração própria O objetivo desta estratégia é promover uma cultura organizacional que valorize a sustentabilidade e a responsabilidade social como pilares fundamentais do CIIMAR. Pretende-se que, através da 99 implementação de práticas sustentáveis e socialmente responsáveis, o CIIMAR fortaleça o seu compromisso com o meio ambiente e com a comunidade, tanto interna como externamente. Através de uma comunicação transparente, regular e acessível, pretende-se que estas estratégias promovam a educação contínua dos colaboradores sobre temas de sustentabilidade, promovam a implementação de projetos que reduzam o impacto ambiental e incentivem à participação em iniciativas de responsabilidade social. Desta forma, estas estratégias permitirão contribuir para a promoção de uma cultura organizacional que valoriza a sustentabilidade e a responsabilidade social como pilares fundamentais do CIIMAR. 4.5 Feedback das Propostas Após o envio das propostas apresentadas anteriormente, o responsável do GSAS referiu que os logótipos apresentados não representavam a ideia inicialmente concebida. Em resposta, solicitou uma nova proposta ao designer que colabora com o GSAS na área da sustentabilidade. A proposta enviada pelo designer foi bem recebida pelo responsável do GSAS, que decidiu adotá-la como o novo logótipo oficial a ser utilizado em todos os materiais de comunicação. Com a introdução desta nova imagem, tornou-se necessário realizar alguns ajustes nas propostas previamente mencionadas, nomeadamente nos cartazes e banners . Estas alterações visaram alinhar o design gráfico com a nova identidade visual, garantindo coerência e uma comunicação mais eficaz dos valores e objetivos estabelecidos pelo GSAS. Relativamente às restantes propostas, as estratégias de comunicação permanecerão inalteradas, assegurando a continuidade das abordagens já estabelecidas. No entanto, a proposta do mural não avançou devido aos custos elevados associados à sua implementação. Como alternativa, decidiu-se intensificar o uso dos cartazes, que foram estrategicamente distribuídos pelos locais designados pelo GSAS, de forma a maximizar a visibilidade e o impacto da comunicação. Nas figuras que se seguem, poderá ser visto o novo logótipo aprovado pelo gabinete, os cartazes e banners atualizados com a nova imagem, conforme solicitado pelo responsável do GSAS. Para além desta nova reformulação gráfica, que já incorporou imagens reais conforme sugerido anteriormente ao gabinete, o responsável do GSAS destacou a importância de garantir que todos os materiais de comunicação apresentassem os logótipos do CIIMAR e do Green Lab, reforçando a identidade institucional e a colaboração entre as duas entidades. 100 Figura 29: Logótipos apresentados pelo designer do GSAS Figura 30: Proposta dos cartazes para as ações a serem desenvolvidas pelo CIIMAR Sustentabilidade (versão PT e EN) – Elaboração própria 101 Figura 31: Proposta de banners para as ações a serem desenvolvidas pelo CIIMAR Sustentabilidade (versão PT e EN) – Elaboração própria Após o envio das propostas iniciais, o responsável pelo GSAS reuniu-se com a equipa do Green Lab para apresentar os materiais de comunicação apresentados nas figuras 30 e 31, que podem ser consultados com maior detalhe entre os apêndices 8 e 18. Durante essa reunião, e com base nos materiais apresentados, segundo o responsável pelo GSAS, o Green Lab sugeriu que a paleta de cores dos materiais fosse ajustada para tons de azul, tendo como objetivo a continuidade da linha gráfica da identidade visual do CIIMAR, cujo logótipo também utiliza essa cor predominante. Tendo em consideração as novas orientações, embora tenha sido justificado que a utilização da paleta de cores verde visava destacar a área da sustentabilidade, conforme detalhado no subcapítulo 4.4.1, e reforçar a identidade visual do novo departamento, alinhando-se com as orientações do GSAS, decidiuse proceder à adaptação dos materiais. Assim, foram desenvolvidas novas versões dos cartazes, incorporando a sugestão do ajuste cromático para tons de azul, conforme solicitado pelo Green Lab, de modo a manter a coerência com a identidade visual do CIIMAR. A informação colocada nos cartazes, nomeadamente os textos inseridos, foram fornecidos pelo responsável do GSAS. Embora tenha sido recomendado que este tipo de materiais de comunicação contivessem mensagens objetivas, simples e diretas, o responsável justificou que, por se tratarem de 102 cartazes informativos, era imprescindível incluir uma quantidade significativa de informação. Essa abordagem tinha como objetivo assegurar que todas as informações necessárias fossem transmitidas, ainda que isso exigisse a redução do tamanho da fonte para caber toda a informação enviada. No que diz respeito aos banners , ambas as equipes concluíram que não seria adequado anexar esse material de comunicação nos e-mails de divulgação preliminares. A estratégia acordada foi que, no momento da divulgação das ações, os cartazes seriam enviados como anexos nos e-mails de comunicação, igualmente impressos e colocados nos locais designados pelo GSAS para maximizar a visibilidade das campanhas e garantir maior alcance ao público-alvo. Nas figuras a seguir, encontram-se os cartazes finais, elaborados em conformidade com as orientações fornecidas por ambos os gabinetes. Figura 32: Proposta final do cartaz para o abastecimento de água, ação a ser desenvolvida pelo CIIMAR Sustentabilidade (versão PT e EN) – Elaboração própria 103 Figura 33: Proposta final do cartaz para a estante do TEA Corner , ação a ser desenvolvida pelo CIIMAR Sustentabilidade (versão PT e EN) – Elaboração própria Figura 34: Proposta final do cartaz para o TEA Corner , ação a ser desenvolvida pelo CIIMAR Sustentabilidade (versão PT e EN) – Elaboração própria 104 Figura 35: Proposta final do cartaz para a Reciclagem de Papel, ação a ser desenvolvida pelo CIIMAR Sustentabilidade (versão PT e EN) – Elaboração própria Figura 36: Proposta final do cartaz para a redução de papel, ação a ser desenvolvida pelo CIIMAR Sustentabilidade (versão PT e EN) – Elaboração própria 111 que a maioria dos participantes, nomeadamente 28, não conhece as ações ou iniciativas desenvolvidas pelo GSAS. Participantes que conhecem o GSAS Resposta Número de participantes Sim 40 Não 12 Tabela 15: Número de inquiridos que conhecem o GSAS – Elaboração própria Participantes que conhecem as ações/iniciativas do GSAS Resposta Número de participantes Sim 24 Não 28 Tabela 16: Número de inquiridos que conhecem as ações/iniciativas do GSAS – Elaboração própria Este contraste poderá significar que, apesar de já ter existido algum nível de divulgação do departamento a nível institucional, principalmente por ser um departamento recente no CIIMAR e por ser responsável pela elaboração do Plano de Responsabilidade Social e Ambiental, a divulgação ou a forma de interagir com os colaboradores não está a ter a eficácia pretendida. Este contraste poderá sugerir que, embora o departamento tenha promovido algumas iniciativas, a forma como as informações são transmitidas ou os canais de comunicação utilizados podem não estar a gerar o impacto desejado, limitando o alcance e a visibilidade das suas ações. Alguns ajustes na estratégia de comunicação, como a diversificação dos meios utilizados ou a segmentação do público, poderão aumentar a interação e o conhecimento sobre o departamento entre os colaboradores, conforme foi também enviado numa das propostas deste projeto de ação e que pode ser consultada no sub-sub-capítulo 4.4.4. 112 Participantes que estão dispostos a conhecer as ações/iniciativas do GSAS Resposta Número de participantes Sim 48 Não 4 Tabela 17: Número de inquiridos que estão dispostos a conhecer as ações/iniciativas do GSAS – Elaboração própria Na questão final desta secção, conforme demonstrado na tabela 17, quando questionados se estariam dispostos a conhecer as ações ou iniciativas do GSAS caso ainda não as conhecessem, a maioria dos participantes respondeu afirmativamente, demonstrando abertura e curiosidade para se envolverem nas atividades e propostas desenvolvidas para o departamento. No entanto, quatro participantes optaram por responder que não, o poderá sugerir que, apesar das iniciativas do GSAS direcionadas para a promoção da responsabilidade social e ambiental, tanto ao nível institucional quanto para os próprios colaboradores, estes demonstraram desinteresse em familiarizarem-se com estas políticas. Este fenómeno poderá também sugerir que este grupo de participantes parece adotar uma postura de neutralidade em relação às áreas de intervenção do GSAS, o que pode demonstrar a necessidade de uma abordagem mais personalizada ou atrativa para captar a atenção de todos os colaboradores. Na terceira parte do questionário, os 48 participantes tiveram a oportunidade de avaliar as propostas desenvolvidas no âmbito deste projeto. As questões foram cuidadosamente elaboradas de forma a compreender as perceções, expectativas e necessidades dos inquiridos em relação aos logótipos e cartazes apresentados. Avaliação das propostas de logótipos apresentadas ao GSAS Opção Logótipo Número de participantes 113 1 5 2 17 3 7 4 19 Tabela 18: Número de inquiridos que avaliou os logótipos apresentados ao GSAS – Elaboração própria Entre as opções um e três, os participantes tiveram a oportunidade de encontrar as propostas dos logótipos em versão portuguesa, desenvolvidas para o GSAS. Na opção quatro, desenvolvida pelo GSAS, os participantes encontraram a proposta final e definitiva do logótipo, para a utilização nas diferentes ações e iniciativas deste departamento. Conforme demonstrado na tabela 18, as opções dois e quatro foram as mais votadas pelos participantes. Entre as justificações fornecidas, destacam-se as algumas das seguintes respostas que refletem as preferências dos inquiridos: Opção 2 • “Mais esteticamente apelativo, sem apagar a imagem CIIMAR”; • “Assegura uma uniformidade de imagem como o logo do CIIMAR, incluindo vestígios do azul característico do seu logo”; • “Mantém o logótipo do CIIMAR em destaque, mas com o toque de verde da sustentabilidade”; • “É simples, as letras vêm-se melhor e tem um apontamento de azul que penso ser necessário”; • “O símbolo "oficial" de sustentabilidade é circular/triangular verde e acho que para o CIIMAR incluir essa ideia com a adição do azul CIIMAR seria o ideal”; • “Mantém o símbolo e dá-lhe toques de verde para indicar a parte da sustentabilidade; os outros símbolos alteram muito a identidade do símbolo do CIIMAR”; 114 • “Junta as cores verde e azul, potencialmente simbolizando a sustentabilidade em ambos os biomas terrestre e marinho, embora colocasse um pouco mais de azul”. Opção 4 • “Penso que é o que melhor representa a ideia e o conceito do gabinete”; • “As cores do logótipo original não devem ser alteradas, mas sim existir um complemento como acontece na opção 4”; • “Mostra o original do CIIMAR, mas dá enfase à diferença, ao diferente gabinete, além da alusão à água”; • “Mantém a identidade do CIIMAR, adicionando uma camada (interligação verde) relativa à ação do gabinete. Esta opção permite seguir a mesma lógica/formato caso serviços/gabinetes pretendam desenvolver sub-identidades específicas”; • “Este logótipo consegue-se diferenciar mais do CIIMAR, pois quando estão os dois presentes, se a cor for monocromática não se consegue ver a distinção. com este logótipo consegue-se distinguir em qualquer situação”; • “Não parece completamente uma reprodução do logo do CIIMAR, mas em outras cores. Acho que adicionar algum elemento (mesmo que não seja especificamente este) liga com a atividade do CIIMAR, mas o diferencia do centro em si e da atividade de investigação”; • “Esteticamente mais apelativo e penso incluir melhor as duas componentes da sustentabilidade no gabinete: ambiental e social”. Com base nas respostas fornecidas, foi possível identificar que a maioria dos inquiridos que demonstrou a sua preferência pela opção dois valoriza a preservação da identidade visual do CIIMAR, destacando a importância de manter o logótipo original, sugerindo apenas a adição de elementos visuais, como referências às cores associadas à sustentabilidade, de modo a atualizar o design sem comprometer a marca institucional. Por outro lado, os inquiridos que preferiram a opção quatro demonstram uma tendência na dissociação do logótipo do CIIMAR, favorecendo um design mais independente e focado nas ações e iniciativas específicas do gabinete. As respostas fornecidas, refletem a intenção de criar uma identidade visual própria para o gabinete, diferenciada da marca original, permitindo uma comunicação mais direcionada e adequada às suas atividades. 115 Após a primeira avaliação coletiva das propostas, os logótipos foram reapresentados individualmente aos participantes, permitindo uma análise complementar. Cada proposta foi avaliada numa escala de um a cinco, onde um correspondia a "muito fraco" e cinco a "muito bom". Esta abordagem tinha como objetivo aprofundar a compreensão das justificações previamente mencionadas, oferecendo uma oportunidade para que os participantes reavaliassem as suas perceções tendo como foco cada elemento visual de forma isolada. Para além disso, esta estratégia pretendeu identificar possíveis mudanças nas preferências individuais, à medida que cada proposta era avaliada de forma mais minuciosa e independente das comparações anteriores. Avaliação individual do logótipo (opção 1) apresentado ao GSAS Logótipo (Opção 1) Escala Número de participantes 1 – Muito fraco 3 2 – Fraco 9 3 – Satisfaz 15 4 – Bom 17 5 – Muito bom 4 Tabela 19: Avaliação da opção 1, proposta do logótipo apresentado ao GSAS – Elaboração própria Avaliação individual do logótipo (opção 2) apresentado ao GSAS Logótipo (Opção 2) Escala Número de participantes 1 – Muito fraco 2 2 – Fraco 3 3 – Satisfaz 15 116 4 – Bom 13 5 – Muito bom 15 Tabela 20: Avaliação da opção 2, proposta do logótipo apresentado ao GSAS – Elaboração própria Avaliação individual do logótipo (opção 3) apresentado ao GSAS Logótipo (Opção 3) Escala Número de participantes 1 – Muito fraco 11 2 – Fraco 11 3 – Satisfaz 13 4 – Bom 9 5 – Muito bom 4 Tabela 21: Avaliação da opção 3, proposta do logótipo apresentado ao GSAS – Elaboração própria Avaliação individual do logótipo (opção 4) apresentado ao GSAS Logótipo (Opção 4) Escala Número de participantes 1 – Muito fraco 8 2 – Fraco 8 3 – Satisfaz 10 4 – Bom 12 5 – Muito bom 10 117 Tabela 22: Avaliação da opção 4, logótipo final apresentado pelo GSAS – Elaboração própria Conforme apresentado entre a tabela 19 e 21, ao compararem-se os resultados da primeira avaliação com as justificações fornecidas, foi possível identificar uma ligeira mudança nas perceções e escolhas dos participantes, bem como na avaliação dos logótipos. Inicialmente, as opções dois e quatro foram as mais votadas, com uma ligeira preferência pela opção quatro. No entanto, ao serem avaliados individualmente, os logótipos revelaram uma alteração nas preferências e gostos dos inquiridos. Esta nova avaliação revelou uma mudança nas preferências dos participantes, que agora demonstraram maior inclinação pelas opções um e dois. Ambas as propostas são semelhantes, mantendo a identidade visual do CIIMAR, tendo como fator diferenciador os tons verdes e azuis. Por outro lado, a opção quatro, que inicialmente havia sido a mais votada, passou a ter uma perceção menos favorável quanto à criação de uma identidade visual própria para o GSAS, diferenciada da marca original Essa mudança, conforme pode ser vista na tabela 22, poderá indicar que, quando analisadas isoladamente, as propostas despertaram diferentes perceções, sugerindo que a avaliação individual proporcionou uma nova perspetiva sobre a qualidade e a adequação de cada logótipo, o que pode ter influenciado as escolhas finais. Avaliação geral das propostas de logótipos apresentadas ao GSAS Opção Logótipo Avaliação geral 1 Satisfaz – 15 Bom – 17 Muito bom – 4 2 Satisfaz – 15 Bom – 13 Muito bom – 15 118 3 Muito fraco – 11 Fraco – 11 Satisfaz – 13 4 Satisfaz – 10 Bom – 12 Muito bom – 10 Tabela 23: Avaliação geral das propostas dos logótipos apresentados ao GSAS – Elaboração própria Após a avaliação das propostas dos logótipos, os participantes avançaram para a análise das propostas dos cartazes. Nesta secção, foram apresentadas seis opções desenvolvidas para o GSAS. A avaliação incluiu questões como "Considera que estes cartazes são visualmente atrativos?" e foi novamente utilizada, como na etapa anterior, uma escala de avaliação de um a cinco, onde um correspondia a "muito fraco" e cinco a "muito bom". No final, os participantes tinham um campo onde poderiam justificar de forma breve as suas escolhas, permitindo uma análise qualitativa das perceções, semelhante ao procedimento adotado na avaliação dos logótipos. Esta abordagem teve como objetivo compreender a sua preferência gráfica e visual e as razões subjacentes que influenciaram a escolha de cada cartaz, contribuindo para a melhoria das propostas apresentadas e uma melhor adequação às necessidades do GSAS. 119 Figura 38: Compilação das propostas dos cartazes apresentados ao GSAS – Elaboração própria Quando questionados se consideravam os cartazes visualmente atrativos, a maioria dos participantes respondeu que sim, conforme demonstrado na tabela 24, indicando que o desenvolvimento de uma linha gráfica coerente, em sintonia com a identidade visual, facilita o reconhecimento e credibilidade das ações desenvolvidas pela GSAS, proporcionando uma maior aproximação dos colaboradores a estas iniciativas. Participantes que consideram os cartazes visualmente atrativos Resposta Número de participantes Sim 33 Não 15 Tabela 24: Número de inquiridos que consideram visualmente atrativos os cartazes apresentados ao GSAS – Elaboração própria No entanto, ao analisar os resultados da avaliação dos cartazes, constatou-se que a maioria dos participantes considerou as propostas como "boas", embora um número considerável tenha atribuído 120 uma avaliação apenas de "satisfaz", conforme demonstrado na tabela 25. Esta perceção pode estar alinhada com a avaliação geral dos logótipos, uma vez que, assim como na primeira etapa, os cartazes foram avaliados de maneira mais ampla, sem uma análise individualizada de cada proposta. Avaliação dos cartazes apresentados ao GSAS Escala Número de participantes 1 – Muito fraco 0 2 – Fraco 4 3 – Satisfaz 13 4 – Bom 24 5 – Muito bom 7 Tabela 25: Avaliação geral das propostas dos cartazes apresentados ao GSAS – Elaboração própria Quando questionados se consideravam que os cartazes promoviam um maior envolvimento nas ações/iniciativas desenvolvidas pelo GSAS, a maioria dos participantes respondeu afirmativamente, conforme pode ser visto na tabela 26. No entanto, é importante destacar que um número significativo de participantes respondeu negativamente, podendo esta divergência de opiniões estar relacionada com a avaliação "satisfaz" mencionada anteriormente. 127 como o desenvolvimento de novos, de forma a potenciar a sua utilização, compreensão e aproximação junto do público interno do CIIMAR. Retomando o tema inicial definido para este projeto, “ A Comunicação Interna na promoção da Sustentabilidade do CIIMAR: da estratégia à implementação ” , é possível afirmar que a execução das estratégias de comunicação interna no CIIMAR foi um marco decisivo para consolidar os valores de sustentabilidade ambiental e social na organização. A análise das ações implementadas evidenciou que, quando os colaboradores são adequadamente envolvidos, informados e motivados, o impacto sobre a comunicação interna e a cultura organizacional torna-se profundamente transformador. As propostas desenvolvidas não só permitiram melhorar o fluxo de comunicação, como também abriram espaço para que os colaboradores se pudessem tornar embaixadores das práticas sustentáveis, reforçando o compromisso organizacional com a sustentabilidade. Esta partilha colaborativa de informações facilitou a criação de uma identidade organizacional coesa e genuinamente alinhada com os objetivos de preservação ambiental e responsabilidade social, um dos objetivos propostos pelos GSAS. Para além disso, a integração das práticas sustentáveis no quotidiano dos colaboradores, através das mensagens desenvolvidas nos materiais de comunicação propostos, abre agora espaço para que o posicionamento do CIIMAR se torne ainda mais reforçado na área da sustentabilidade ambiental e social, reforçando que o poder da comunicação interna como ferramenta estratégica na promoção de uma cultura organizacional é possível, sustentável e eficaz. O facto deste projeto de ação ter seguido as diretrizes da investigação-ação tornou o processo mais desafiador e dinâmico, uma vez que permitiu a implementação de alterações organizacionais, nomeadamente no GSAS, e na avaliação continua do impacto destas alterações. Esta abordagem, embora enriquecedora, gerou algumas dificuldades, como o cumprimento dos prazos inicialmente estabelecidos e a introdução de algumas limitações ao longo do desenvolvimento deste projeto. Em relação às limitações encontradas durante o desenvolvimento deste estudo, destacam-se principalmente as alterações internas ao nível das coordenações do GICD, que causaram constrangimentos significativos. Inicialmente, o projeto foi concebido para a comunicação interna do CIIMAR, em colaboração com o GICD. No entanto, durante um período significativo de ausência de respostas por parte deste gabinete, a coordenação do GICD foi substituída. Assim que houve, finalmente, resposta por parte da nova coordenação, ficou claro que esta não demonstrava interesse em que o investigador continuasse a desenvolver este projeto naquele gabinete. Tendo em conta esta situação, foi necessária a intervenção direta da Professora Orientadora deste projeto 128 e do Coordenador de Estágios e Projetos de Mestrado em Ciências da Comunicação do Instituto de Ciências Sociais (ICS), da Universidade do Minho (UMinho), para reorientar o rumo desta investigação. Com a mediação dessas partes, foi possível dar uma nova direção ao projeto, que passou a focar-se na área da sustentabilidade, embora mantendo o objetivo de trabalhar e melhorar a comunicação interna. Neste novo formato, o projeto seria desenvolvido no GSAS, onde o anterior responsável pelo GICD assumia o cargo de coordenador, demonstrando total disponibilidade para continuar o acompanhar o investigador. Para além destas questões institucionais, outra limitação encontrada foi o número reduzido de participantes no estudo, em comparação com o universo total de colaboradores do CIIMAR. Embora este número possa ter restringido o alcance e a representatividade das sugestões de melhoria propostas pelo investigador, as respostas obtidas foram suficientemente relevantes para criar insights valiosos e possibilitar a implementação de melhorias dentro do GSAS. Mesmo com esta limitação numérica, as contribuições dos participantes mostraram-se fundamentais para o sucesso da fase final do projeto. Apesar destes desafios, os resultados alcançados foram significativos. Este projeto não só ressaltou e reforçou a importância da comunicação interna como ferramenta estratégica para promover a sustentabilidade ambiental e social, como também evidenciou a necessidade constante de ajustar as práticas comunicacionais às exigências de um ambiente organizacional em permanente evolução. A flexibilidade e a capacidade de adaptação demonstradas ao longo do projeto foram fundamentais para superar os obstáculos e atingir os objetivos propostos. Como sugestões para projetos de investigação-ação futuros, o investigador propõe que a temática deste projeto seja continuamente desenvolvida e aprofundada, com o objetivo de promover um maior envolvimento e compromisso dos colaboradores do CIIMAR nas áreas da responsabilidade ambiental e social, tornando-se fundamental que se explorem novos métodos de comunicação, divulgação e participação ativa, consolidando uma cultura de sustentabilidade em toda a organização. Outra área a ser investigada é a integração de ferramentas digitais voltadas para a sustentabilidade, como o uso de plataformas de intranet, aplicações colaborativas ou outros meios tecnológicos que facilitem a comunicação interna e a disseminação de boas práticas, permitindo uma partilha mais eficiente de informações e gerar um maior alinhamento entre os colaboradores em relação às metas e compromissos de sustentabilidade. O investigador propõe ainda a implementação de um projeto de investigação-ação focado na gamificação da comunicação interna para a promoção da sustentabilidade. Através deste modelo, 129 poderão ser criadas iniciativas onde os colaboradores sejam reconhecidos ou ganhem incentivos por adotarem e promoverem práticas sustentáveis, como a redução do consumo de energia, a diminuição do desperdício ou o uso consciente dos recursos do CIIMAR. Este tipo de abordagem poderá promover a motivação e o envolvimento dos funcionários, como incentivar a competitividade saudável e a cooperação entre equipas, tendo como objetivo o cumprimento de metas ambientais e sociais. Para o sucesso destas propostas, seria também relevante estudar o impacto da comunicação entre departamentos na criação de sinergias para a sustentabilidade, assegurando que todas as áreas do CIIMAR colaborem de forma integrada. Estas ações podem ser complementadas pela capacitação de líderes internos, formando agentes de mudança que utilizem a comunicação como ferramenta estratégica para fomentar comportamentos sustentáveis entre as suas equipas, acrescentando valor ao GSAS. Em suma, a experiência adquirida com o desenvolvimento deste projeto de ação no CIIMAR, oferece lições valiosas para outras organizações que procuram integrar a sustentabilidade ambiental e social nas suas estratégias, reforçando a ideia de que uma comunicação interna clara, eficiente e alinhada com os valores institucionais é essencial para o sucesso e a longevidade de qualquer iniciativa de comunicação para a sustentabilidade. 130 Referências Bibliográficas Almeida, F. (2014). Tecnologias da Comunicação Digital Interna nas Organizações. Revista Multiplicidades [Volume V], 15-30. ISSN: 2179-8753 Andrade, J., Ruão T. (2022). Navigating Digital Communication and Challenges for Organizations. 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