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Educação e saúde: dois pilares fundamentais no desenvolvimento integral das crianças

Cardoso, Joana Sofia Carvalho

Abstract

A saúde, pilar estrutural e primordial da existência humana, requer atenção desde os primeiros anos de vida. Promover a consciencialização para estilos de vida saudáveis desde a infância é essencial para que as crianças cresçam com hábitos que favoreçam o seu desenvolvimento cognitivo, social, emocional e motor. A infância constitui uma fase basilar do desenvolvimento, representando um período privilegiado para a aquisição e consolidação de competências e valores que se prolongam e se transformam, de forma significativa, ao longo do ciclo da vida. Neste sentido, a articulação entre educação e saúde assume um papel estruturante no desenvolvimento integral da criança. Partindo desta premissa, este projeto, desenvolvido no âmbito da Prática de Ensino Supervisionada do Mestrado em Educação Pré-Escolar e Ensino do 1.º Ciclo do Ensino Básico, assentou na promoção de estilos de vida saudáveis como eixo central da intervenção pedagógica e procurou integrar, de forma transversal e significativa, práticas que estimulassem o desenvolvimento integral das crianças. Com base na aplicação de uma Metodologia de Investigação-Ação, foram dinamizadas atividades que permitiram alcançar os objetivos inicialmente definidos, quer de investigação, quer de intervenção. Identificar o conhecimento das crianças sobre saúde e estilos de vida saudáveis, averiguar as perceções das famílias sobre hábitos saudáveis das crianças e aferir se estão a ser desenvolvidas práticas educativas que fomentem hábitos saudáveis revelou-se fundamental para delinear o percurso a seguir, centrado em quatro suportes essenciais para um desenvolvimento saudável: a alimentação, a atividade física, a gestão emocional e o sono. Todo este processo foi orientado com o propósito de potenciar uma aprendizagem holística, articulando as atividades desenvolvidas a outras áreas do saber, de modo a garantir um desenvolvimento integral e integrado das crianças. É imperativo que a promoção e o reforço destes hábitos e princípios sejam uma responsabilidade partilhada por todos, de forma a criar uma base sólida para o progresso contínuo.

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Joana Sofia Carvalho Cardoso Educação e Saúde: dois pilares fundamentais no desenvolvimento integral das crianças junho de 2025 Educação e Saúde: dois pilares fundamentais no desenvolvimento integral das crianças Joana Sofia Carvalho Cardoso UMinho|2025 Universidade do Minho Instituto de Educação Joana Sofia Carvalho Cardoso Educação e Saúde: dois pilares fundamentais no desenvolvimento integral das crianças junho de 2025 Relatório de Estágio Mestrado em Educação Pré-Escolar e Ensino do 1.º Ciclo do Ensino Básico Trabalho efetuado sob a orientação da Professora Doutora Rute Marina Roberto Santos Universidade do Minho Instituto de Educação ii DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho Atribuição CC BY https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ iii AGRADECIMENTOS A viagem que aqui termina é feita de passos meus, mas alicerçada nas pegadas firmes de quem, desde sempre, me apoiou com amor, coragem e esperança. Agradeço, em primeiro lugar, aos meus pais, as âncoras da minha vida, por me terem dado as bases mais sólidas daquilo que sou e por acreditarem incondicionalmente no meu potencial. O que sinto por vocês excede o que as palavras conseguem dizer! Ao meu mano Gonçalo, agradeço com a certeza de que há vínculos que se tecem para lá das palavras. Entre nós, bastam olhares para nos compreendermos e para sabermos, sem que seja preciso dizê-lo, o quanto nos orgulhamos um do outro. À Francisca, a minha mana emprestada e eterna menina dos meus olhos. Inspiraste-me desde o primeiro instante, e continuarás a fazê-lo, porque há algo em ti que me lembra, todos os dias, a beleza e a responsabilidade de cuidar, de ensinar e de acreditar. À Rosália, uma verdadeira amiga que tornou esta caminhada mais leve e mais bela. És, para mim, uma inesgotável fonte de inspiração. À Professora Rute Santos, pela orientação cuidada e encorajadora, que me permitiu viver este percurso com dedicação e confiança. À Professora Teresa Sarmento, pelos valiosos ensinamentos partilhados ao longo deste percurso, bem como pela constante disponibilidade e atenção demonstradas. À Professora cooperante Paula Sobrinho, agradeço por termos sido um verdadeiro par pedagógico, no mais belo sentido de apoiar, partilhar e construir conhecimento em conjunto. À minha equipa multidisciplinar, o vosso exemplo faz-me crescer enquanto pessoa e profissional. A todas as crianças com as quais tive o privilégio de me cruzar. Foram e serão sempre o coração deste caminho, o verdadeiro sentido desta missão. Ao meu João, o meu mais sincero e emocionado OBRIGADA! Pela presença firme nos dias bons e, sobretudo, nos menos bons. Por acreditares em mim com todas as forças, mesmo nos momentos em que a minha confiança vacilava. Pela paciência, pelo amor, por estares sempre lá — sem exigências, mas com a certeza de quem cuida, ampara e caminha lado a lado Obrigada por seres o meu lugar seguro. És o melhor do mundo e a tua forma de amar é, sem dúvida, uma das razões mais bonitas pelas quais este caminho fez tanto sentido. Porque educar é, em essência, um gesto de amor e cada passo deste percurso foi trilhado com amor. A todos os que fizeram parte desta viagem transformada, obrigada! iv DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho. v Educação e Saúde: dois pilares fundamentais no desenvolvimento integral das crianças RESUMO A saúde, pilar estrutural e primordial da existência humana, requer atenção desde os primeiros anos de vida. Promover a consciencialização para estilos de vida saudáveis desde a infância é essencial para que as crianças cresçam com hábitos que favoreçam o seu desenvolvimento cognitivo, social, emocional e motor. A infância constitui uma fase basilar do desenvolvimento, representando um período privilegiado para a aquisição e consolidação de competências e valores que se prolongam e se transformam, de forma significativa, ao longo do ciclo da vida. Neste sentido, a articulação entre educação e saúde assume um papel estruturante no desenvolvimento integral da criança. Partindo desta premissa, este projeto, desenvolvido no âmbito da Prática de Ensino Supervisionada do Mestrado em Educação Pré-Escolar e Ensino do 1.º Ciclo do Ensino Básico, assentou na promoção de estilos de vida saudáveis como eixo central da intervenção pedagógica e procurou integrar, de forma transversal e significativa, práticas que estimulassem o desenvolvimento integral das crianças. Com base na aplicação de uma Metodologia de Investigação-Ação, foram dinamizadas atividades que permitiram alcançar os objetivos inicialmente definidos, quer de investigação, quer de intervenção. Identificar o conhecimento das crianças sobre saúde e estilos de vida saudáveis, averiguar as perceções das famílias sobre hábitos saudáveis das crianças e aferir se estão a ser desenvolvidas práticas educativas que fomentem hábitos saudáveis revelou-se fundamental para delinear o percurso a seguir, centrado em quatro suportes essenciais para um desenvolvimento saudável: a alimentação, a atividade física, a gestão emocional e o sono. Todo este processo foi orientado com o propósito de potenciar uma aprendizagem holística, articulando as atividades desenvolvidas a outras áreas do saber, de modo a garantir um desenvolvimento integral e integrado das crianças. É imperativo que a promoção e o reforço destes hábitos e princípios sejam uma responsabilidade partilhada por todos, de forma a criar uma base sólida para o progresso contínuo. Palavras-Chave: bem-estar; desenvolvimento integral; educação para a saúde; estilos de vida saudáveis vi Education and Health: two fundamental pillars in the integral development of children ABSTRACT Health, a structural and primordial pillar of human existence, requires attention from the earliest years of life. Promoting awareness of healthy lifestyles from an early age is essential if children are to grow up with habits that favor their cognitive, social, emotional and motor development. Childhood is a fundamental stage of development, representing a privileged period for the acquisition and consolidation of skills and values that will continue and change significantly throughout the life cycle. In this sense, the link between education and health plays a key role in the child's integral development. Based on this premise, this project, developed as part of the Supervised Teaching Practice of the master’s degree in Preschool Education and 1st Cycle of Basic Education, was based on the promotion of healthy lifestyles as the central axis of pedagogical intervention and sought to integrate, in a transversal and significant way, practices that stimulated the integral development of children. Based on the application of an Action Research Methodology, activities were carried out that enabled the initially defined research and intervention objectives to be achieved. Identifying children's knowledge of health and healthy lifestyles, investigating families' perceptions of children's healthy habits and assessing whether educational practices are being developed to encourage healthy habits proved to be fundamental in outlining the path to follow, focusing on four essential supports for healthy development: food, physical activity, emotional management and sleep. This whole process was guided by the assumption of promoting holistic learning, linking the activities developed to other areas of knowledge, so that guarantee the children's integral and integrated development. It is imperative that the promotion and reinforcement of these habits and principles is a responsibility shared by all, in order to create a solid foundation for continuous progress. Keywords: well-being; integral development; health education; healthy lifestyles vii ÍNDICE GERAL DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS ....... ii AGRADECIMENTOS .......................................................................................................... iii DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE ....................................................................................... iv RESUMO ............................................................................................................................ v ABSTRACT ........................................................................................................................ vi ÍNDICE GERAL ................................................................................................................. vii ÍNDICE DE FIGURAS .......................................................................................................... x ÍNDICE DE QUADROS ...................................................................................................... xii LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS ................................................................................ xiii INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 1 Capítulo I: Contexto de Intervenção e Investigação .......................................................... 3 ............................................................................................................................. 3 Nota introdutória 1. ............................................................................................................................ 3 A instituição ............................................................................................... 5 Contexto de Educação Pré-Escolar ........................................................................................ 6 Contexto de 1.º Ciclo do Ensino Básico 2. ............................................................................................................................. 9 As crianças ............................................................................................... 9 Contexto de Educação Pré-Escolar ......................................................................................10 Contexto de 1.º Ciclo do Ensino Básico 3. ..............................................11 Apresentação do Tema e Justificação da relevância do mesmo Capítulo II: Enquadramento Teórico e Conceptual .......................................................... 13 ...........................................................................................................................13 Nota Introdutória ..............................................................................................13 Abordagem Conceptual e Curricular ............19 A Educação e a Saúde como eixos estruturantes no desenvolvimento integral das crianças ...........................................................................26 Pilares do desenvolvimento integral das crianças .............................................................................26 A importância de uma alimentação saudável ....................................................................................................28 O papel fundamental do sono ............................................................................................33 A atividade física como peça-chave ......................................36 A importância do brincar para o desenvolvimento integral das crianças ..........................................................................39 Educação emocional como ponto fundamental Capítulo III: Metodologia de Investigação e Plano Geral de Intervenção ......................... 42 1 INTRODUÇÃO O presente relatório insere-se no âmbito da Unidade Curricular de Estágio, associado à Prática de Ensino Supervisionada (PES), pertencente ao plano de estudos do 2.º ano do Mestrado em Educação Pré-Escolar e Ensino do 1.º Ciclo do Ensino Básico, do Instituto da Educação da Universidade do Minho. O tema que norteia este projeto — “Educação e Saúde: dois pilares fundamentais no desenvolvimento integral das crianças” — nasce de uma inquietação pedagógica e de uma profunda convicção pessoal: a de que não é possível educar sem cuidar, nem promover saúde sem educar. A infância, enquanto etapa decisiva no desenvolvimento humano, exige um olhar atento, sensível e integral onde a dimensão física, emocional, cognitiva e social da criança seja igualmente valorizada. Neste sentido, este projeto de Investigação-Ação (I-A) teve como propósito investigar de que modo os ambientes educativos podem assumir um papel ativo na promoção da saúde, enquanto condição essencial para o bem-estar e a aprendizagem das crianças. Procurou-se, assim, compreender quais os hábitos de vida saudáveis já presentes nos contextos observados, qual a importância que lhes é atribuída pelas crianças, educadores e famílias, e de que forma é possível potenciar práticas educativas que promovam o desenvolvimento integral. As ações desenvolvidas privilegiaram uma abordagem holística e participativa, centrada nos interesses e necessidades das crianças, permitindo-lhes descobrir, experimentar e refletir sobre o seu corpo, as suas emoções, os seus hábitos e as suas rotinas. As atividades planificadas tiveram como base os princípios orientadores das Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar (OCEPE) e das Aprendizagens Essenciais (AE), assegurando uma articulação entre o currículo e a promoção da saúde em todas as suas dimensões. Quanto à organização global deste relatório, este encontra-se organizado por capítulos, de forma a permitir uma leitura clara e coerente do percurso realizado. No primeiro capítulo apresentam-se os contextos de intervenção e os respetivos grupos de crianças. Enuncia, também, o tema do projeto e a justificação da relevância do mesmo. O segundo capítulo é dedicado ao enquadramento teórico, abordando a articulação entre educação e saúde no desenvolvimento da criança e refletindo sobre o papel da escola e da família na promoção do bem-estar infantil. Relativamente ao capítulo III, este introduz a questão orientadora do projeto e os objetivos de investigação e de intervenção inicialmente definidos. Apresenta a metodologia adotada, bem como os 2 procedimentos de intervenção e os instrumentos de recolha de dados. Procede, ainda, à análise dos questionários aplicados. O Capítulo IV, descreve as atividades realizadas nos diferentes contextos, acompanhadas de uma análise crítica sobre o seu impacto nas crianças e na prática pedagógica. Por fim, o último capítulo expõe as considerações finais, sintetizando os principais contributos do projeto, as suas limitações e as aprendizagens resultantes da formação. Com base numa abordagem sistemática, sustentada no rigor e na atenção ao detalhe, este relatório visa evidenciar as aprendizagens consolidadas ao longo deste percurso de construção, reflexão e transformação, que culminará na obtenção do grau de Mestre em Educação Pré-Escolar e Ensino do 1.º Ciclo do Ensino Básico. 3 Capítulo I: Contexto de Intervenção e Investigação Nota introdutória O primeiro capítulo incide na contextualização da instituição educativa onde foram realizadas as Práticas de Ensino Supervisionado I e II, nos contextos de Educação Pré-Escolar (EPE) e de 1.º Ciclo do Ensino Básico (1.º CEB). Procede-se, igualmente, à caracterização dos grupos de crianças envolvidos em cada um dos contextos, bem como à apresentação do tema do projeto de intervenção e da justificação da relevância do mesmo. 1. A instituição A ação educativa realizada no âmbito deste projeto, na valência do Pré-Escolar e do 1.º CEB, foi desenvolvida num contexto educativo que pertence à rede pública do Ministério da Educação. Tratase de um centro escolar da zona Norte do país, que resultou de uma reestruturação na rede de escolas e integra duas valências de ensino: EPE e 1.º CEB. Este centro escolar insere-se num agrupamento que faz parte do Programa TEIP (Territórios Educativos de Intervenção Prioritária), uma iniciativa do Ministério da Educação, destinada a escolas localizadas em áreas socioeconómicas mais desfavorecidas ou que enfrentam desafios específicos no seu contexto educativo. Este programa tem como objetivo principal melhorar a qualidade do ensino e a inclusão nas escolas que se encontram em contextos mais vulneráveis. Essas escolas, geralmente, acolhem populações com maior risco de exclusão social e têm índices mais altos de abandono escolar precoce, insucesso escolar ou dificuldades no acesso a recursos educativos. O Programa Territórios Educativos de Intervenção Prioritária constitui-se como uma medida de política educativa destinada a agrupamentos de escolas e escolas não agrupadas, doravante designados por escolas, localizados em territórios com maior vulnerabilidade social, tendo em vista garantir a inclusão e o sucesso educativo de todos os alunos, a melhoria da qualidade das aprendizagens, bem como o combate ao abandono escolar. (Despacho n.º 7798, 2023, p.65) Atualmente, a instituição tem 272 alunos (101 na EPE e 171 no 1.º CEB), provenientes de diferentes países e culturas. No que respeita às suas instalações, o edifício da instituição é constituído por dois andares e é composto por salas de atividades, uma cozinha, um refeitório, instalações sanitárias, um salão polivalente, uma biblioteca/sala de informática, uma sala de Atividades de Animação de Apoio à Família (AAAF), um Centro de Apoio à Aprendizagem (CAA) e um elevador, que facilita o acesso entre 4 os dois pisos de pessoas com mobilidade condicionada. Contém ainda um amplo espaço exterior, composto por um parque infantil, um parque sensorial, um campo de jogos e, ainda, uma área coberta que assegura um ambiente adequado a diferentes condições climáticas. Este espaço exterior agrega uma composição de elementos naturais, incluindo árvores e vegetação diversificada, que enriquecem o ambiente escolar e promovem o contacto com a natureza. É fundamental referir que nas imediações da instituição existe uma zona verde, com uma área aproximada de três hectares e com um lago artificial. É um excelente local para percursos pedonais e de aprendizagem para as crianças, tendo em conta a elevada diversidade florística e faunística, sendo uma mais-valia para proporcionar às crianças a ligação com o meio ambiente. Relativamente ao projeto educativo da instituição, este documento estruturante orienta toda a ação educativa desta comunidade escolar, assumindo-se como uma bússola estratégica que guia o caminho a seguir pela escola enquanto espaço de aprendizagem, crescimento e realização pessoal e coletiva. Reflete uma visão clara e comprometida com a promoção de uma educação inclusiva e de qualidade. A missão do agrupamento centra-se na mobilização de todos os recursos — humanos, institucionais e comunitários — para assegurar o sucesso educativo dos alunos e a valorização do território em que a escola se insere. Compromete-se com a prestação de um serviço público de educação e formação de qualidade, que proporcione aos jovens uma formação sólida e competências relevantes para a resolução de problemas complexos e a adaptação às exigências da sociedade atual. Simultaneamente, promove a participação democrática, o reforço da dimensão humana e a construção de um ambiente escolar motivador, saudável e colaborativo. Para além disso, procura afirmar-se como uma escola de referência, aberta à comunidade, próxima das famílias e orientada para o futuro. Este ideal concretiza-se através de quatro pilares fundamentais: a transformação digital, a educação para a inovação, a consciência ambiental e a valorização da cultura e das tradições locais. A escola ambiciona ser um lugar de bem-estar, onde o conhecimento, a criatividade e a cidadania se articulam para formar cidadãos íntegros e ativos. Os valores que sustentam a identidade do agrupamento são assumidos com clareza e coerência: liberdade, responsabilidade, integridade, cidadania, participação, excelência, exigência, curiosidade, reflexão e inovação. Estes princípios orientam a prática pedagógica quotidiana e promovem uma cultura escolar assente no respeito, na justiça e na construção de relações educativas significativas. No que diz respeito aos objetivos estratégicos, o Projeto Educativo estabelece metas ambiciosas, mas concretizáveis. Entre as mais relevantes, destacam-se: garantir a inclusão de todos os alunos; melhorar a qualidade do ensino e da aprendizagem; promover o envolvimento ativo das famílias; prevenir o abandono escolar, o absentismo e a indisciplina; operacionalizar o Perfil dos Alunos 5 à Saída da Escolaridade Obrigatória (PASEO); fomentar uma cidadania ativa e responsável; e valorizar o bem-estar físico, emocional e social de toda a comunidade educativa. Este projeto assume, ainda, um papel dinâmico na adaptação da escola aos desafios contemporâneos, propondo uma articulação contínua entre inovação pedagógica, sustentabilidade, multiculturalismo e desenvolvimento digital. A valorização das boas práticas, a aposta na formação contínua dos profissionais e a construção de parcerias com a comunidade são também pilares fundamentais da sua ação estratégica. Em suma, traduz uma visão sistémica, exigente e inspiradora da educação, comprometida com a construção de uma escola mais justa e inclusiva, capaz de transformar contextos e de formar cidadãos preparados para participar plenamente na sociedade. Contexto de Educação Pré-Escolar Relativamente à sala onde estagiei, esta possuía 8 áreas, nomeadamente: a área do acolhimento, a área da casinha, a área da biblioteca, a área das construções, a área das expressões, a área dos jogos de mesa, a área do computador e a área das ciências. Acerca da estética da sala, esta apresenta um ambiente moderno e visualmente agradável e as paredes são o reflexo do processo de aprendizagem, uma vez que são preenchidas maioritariamente por trabalhos realizados pelas crianças e por material educativo. Os recursos essenciais para o uso diário das crianças encontravam-se à sua disposição na sala, enquanto os materiais suplementares encontravam-se armazenados na arrecadação da mesma. De ressaltar, ainda, o facto de existir bastante luz natural na sala. Contudo, comparativamente com outras salas da mesma instituição, esta apresentava um espaço relativamente reduzido, o que acabava por subvalorizar determinadas áreas, especialmente a área de acolhimento. No que se refere aos modelos pedagógicos da educação de infância, a atuação da educadora cooperante não se regia por nenhum modelo em específico. Na minha perspetiva, não existe uma abordagem pedagógica melhor ou pior. Acredito que é o conjunto das diferentes metodologias que nos proporcionam alcançar grandes objetivos, sempre com o enfoque no respeito pelo ritmo e individualidade de cada criança, como por exemplo: o Movimento da Escola Moderna, a Metodologia do Trabalho de Projeto, a Abordagem Curricular High Scope e a Abordagem Pedagógica de Reggio Emilia. Relativamente ao Movimento da Escola Moderna, esta é uma corrente pedagógica que tem como objetivo reformular a educação, tornando-a mais centrada no aluno e no seu desenvolvimento integral. Esse movimento defende uma educação democrática, livre e inclusiva, em oposição ao modelo tradicional, rígido e autoritário. A ideia principal é promover uma aprendizagem ativa, onde os alunos têm autonomia para explorar, questionar e aprender de acordo com seus próprios ritmos e 6 interesses. Folque (1999) refere que “o papel da escola deverá ser o de proporcionar uma aprendizagem que tenha um significado social, através de uma troca de conhecimentos numa interação constante com a comunidade” (p. 6). Quanto à Metodologia de Trabalho de Projeto, esta é uma abordagem pedagógica centrada nas crianças, que promove aprendizagens significativas através da exploração de temas de interesse do grupo, envolvendo-as ativamente na planificação, investigação e ação. Baseia-se na curiosidade natural, desenvolvendo o pensamento crítico, a criatividade e o trabalho em equipa e integra diversas áreas do currículo de forma interdisciplinar e contextualizada. O educador atua como mediador, documentando o processo e valorizando as descobertas, enquanto a ligação com o mundo real e a comunidade enriquece as experiências. Silva e Miranda (1990) referem que “O projeto surge, portanto, a partir dos interesses dos alunos e implica a preocupação de lhes dar uma maior autonomia, de tal modo que o conhecimento seja adquirido de uma forma ativa (p. 122). A abordagem curricular High Scope defende que as crianças aprendem melhor através da interação direta com o ambiente, com os materiais variados e com as pessoas ao seu redor e tal como referido por Epstein & Hohmann (2019), “mais ninguém pode ter experiências ou construir conhecimento pela criança […] as crianças têm de o fazer por elas próprias” (p. 17). O educador tem um papel de facilitador, apoiando as crianças no seu processo de descoberta e aprendizagem. Relativamente à abordagem pedagógica de Reggio Emilia, esta valoriza a criatividade, a autonomia e o protagonismo das crianças no seu processo de aprendizagem. Parte da ideia de que as crianças são seres curiosos, capazes e criativos, com enorme potencial para explorar e construir conhecimento. Malaguzzi (1999) defende que “o ambiente deve atuar como uma espécie de aquário que reflete as ideias, atitudes e culturas das pessoas que nele vivem” (p.97), isto é, o ambiente é considerado o “terceiro educador” e deve ser cuidadosamente preparado para estimular a curiosidade e a interação. Para além disso, esta metodologia valoriza as "cem linguagens da criança", ou seja, as múltiplas formas de expressão, que permitem às crianças comunicar e explorar o mundo de forma diversificada. Contexto de 1.º Ciclo do Ensino Básico No que concerne à sala onde decorreu a minha PES II no. 1.º CEB, esta caracteriza-se por um ambiente acolhedor e funcional, apresentando condições físicas que, de forma geral, favorecem a aprendizagem e o bem-estar das crianças. Um dos elementos que mais se destaca é a excelente incidência de luz natural, proveniente de janelas amplas que permitem uma boa ventilação e criam um 7 ambiente luminoso, agradável e estimulante. Do ponto de vista dos recursos materiais, a sala está equipada com um quadro verde tradicional e um quadro interativo, o que proporciona uma articulação eficaz entre metodologias mais convencionais e abordagens pedagógicas digitais, permitindo diversificar as estratégias de ensino e promover o envolvimento dos alunos em diferentes modalidades de aprendizagem. As mesas estão organizadas em grupos de formato retangular, o que favorece o trabalho colaborativo, a partilha entre pares e a interação constante, elementos fundamentais nesta fase de desenvolvimento. Esta disposição permite igualmente uma maior flexibilidade na gestão das atividades e facilita a mobilidade dentro da sala, contribuindo para uma dinâmica de aprendizagem mais ativa e centrada na criança. A sala dispõe, ainda, de uma pequena arrecadação, que se revela bastante útil para guardar materiais pedagógicos, jogos didáticos e outros recursos de apoio à prática letiva. Esta divisão adicional permite manter o espaço principal mais organizado e funcional, garantindo que os materiais estão acessíveis quando necessários, sem interferirem com o ambiente de trabalho diário. No início do estágio, foi notória a simplicidade visual das paredes, que se encontravam maioritariamente despidas. Contudo, à medida que o tempo foi passando e que as atividades pedagógicas foram sendo desenvolvidas, o espaço ganhou vida através das produções das crianças, que foram sendo afixadas, contribuindo para um ambiente mais personalizado, participativo e representativo das vivências do grupo. Esta transformação do espaço refletiu não apenas o progresso das crianças, mas também o reconhecimento da sua expressão e identidade no contexto educativo. Apesar das diversas potencialidades da sala, alguns aspetos suscitaram reflexão no que diz respeito à sua organização funcional e estética. A inexistência de elementos naturais, como plantas ou flores, foi um dos aspetos notados, uma vez que a presença de pequenos apontamentos que remetam para a natureza poderia contribuir para um ambiente mais harmonioso, relaxante e estimulante, promovendo uma ligação simbólica com o mundo natural. Paralelamente, verificou-se que as mesas estavam frequentemente ocupadas pelas caixas individuais com os materiais de cada aluno, o que conferia à sala uma aparência visualmente carregada e diminuía o espaço disponível para a disposição dos livros e dos cadernos durante as atividades. Para além do impacto visual e funcional, esta organização impedia, em grande medida, a introdução de pequenas pausas ativas no decorrer das tarefas. Uma reorganização dos materiais — por exemplo, deslocando as caixas para um ponto fixo da sala — permitiria não só libertar espaço nas mesas, como também potenciar momentos de liberdade de movimentos, ao incentivar os alunos a levantarem-se sempre que necessitassem de aceder aos seus materiais. Esta reorganização poderia assumir-se como uma oportunidade de interrupção dos 8 comportamentos sedentários, valorizando o movimento como parte integrante do processo de aprendizagem e promovendo um maior equilíbrio entre concentração e dinamismo ao longo do dia. Em síntese, a sala de aula foi-se tornando, ao longo do tempo, um espaço dinâmico, participativo e pedagogicamente enriquecido, refletindo o envolvimento dos alunos, a intencionalidade educativa da docente titular e a valorização das aprendizagens desenvolvidas. Relativamente à metodologia de ensino, a professora cooperante utiliza a aprendizagem cooperativa como metodologia central, valendo-se de estratégias que promovem a interdependência positiva, a partilha de responsabilidades e o desenvolvimento de competências sociais. Segundo Lopes & Silva (2009), a aprendizagem cooperativa surge quando “os alunos se ajudam no processo de aprendizagem, atuando como parceiros entre si e com o professor, visando adquirir conhecimentos sobre um dado objeto” (p. 4). A aprendizagem cooperativa assenta num conjunto de princípios que a distinguem de outras formas de trabalho em grupo. Um dos seus traços mais significativos reside na consciência partilhada de que o êxito individual está intrinsecamente ligado ao sucesso coletivo. Assim, todos os elementos assumem que os seus objetivos pessoais só podem ser plenamente alcançados se os colegas também progredirem. Por isso, promover um ambiente cooperativo vai além da simples organização de grupos de trabalho, uma vez que cooperar é “mais do que estar perto dos colegas a discutir a matéria com os outros, ajudarem-se, ou partilharem os materiais, embora cada uma destas situações seja importante na aprendizagem cooperativa” (Lopes & Silva, 2008, p. 14). Cabe ao educador/professor criar oportunidades de aprendizagem que estimulem a imaginação, a descoberta, a criação e a construção de saberes por parte das crianças. Para tal, é essencial que compreenda a criança como um ser ativo, competente e capaz de agir de forma autónoma, “de aprender a aprender, de reagir ao que está certo e errado, fará diferença na sala de aula” Lopes e Silva (2008, p. 32). De acordo com Johnson e Johnson (1999), a aprendizagem cooperativa assenta em cinco princípios estruturantes. A interdependência positiva destaca-se como elemento central, uma vez que o sucesso de cada aluno depende diretamente do envolvimento e progresso dos seus colegas. A responsabilidade individual assegura que todos os elementos do grupo contribuem ativamente, evitando desequilíbrios no trabalho conjunto. A interação presencial é igualmente essencial, pois permite a troca direta de ideias e a construção colaborativa do conhecimento; no entanto, um clima hostil ou a ausência de cooperação pode comprometer a dinâmica do grupo e os resultados. O desenvolvimento de competências interpessoais é também valorizado, na medida em que esta abordagem favorece a interação, estimula o diálogo e incentiva o respeito mútuo. Como sublinhado por Johnson et al. (1998), integrar práticas cooperativas na rotina da sala de aula é criar oportunidades não só para aprofundar 9 conteúdos académicos, mas também para cultivar habilidades interpessoais essenciais à convivência e ao trabalho em equipa. Por fim, a avaliação contínua permite monitorizar o progresso dos alunos e do grupo, garantindo uma adaptação constante do processo às suas necessidades. 2. As crianças Contexto de Educação Pré-Escolar No que diz respeito às características do grupo de crianças do Pré-Escolar, este era constituído por vinte crianças, dez do género feminino e dez do masculino, em que todas completaram os quatro anos de idade até 31 de dezembro de 2024. Duas crianças do grupo são de nacionalidade brasileira, uma é angolana e as restantes são portuguesas. Uma criança do grupo foi diagnosticada com a Perturbação do Espectro do Autismo – Variável Não Falante e, outra, que integrou este ano o grupo, tem um relatório de Perturbação do Défice de Atenção (PDA). Apesar de relativamente homogéneo em termos de idades, o grupo manifestava, naturalmente, diferentes níveis de desenvolvimento e de aprendizagem. Na generalidade, eram crianças curiosas e empenhadas no desenvolvimento das atividades propostas, apesar de algumas ainda dispersarem a sua atenção com alguma facilidade. Para além disso, a maioria demonstrava fragilidades na comunicação, sendo, por vezes, impercetível a mensagem que pretendiam transmitir. Relativamente à rotina do grupo, todos os dias cantavam-se os bons dias sentados no tapete, cada criança registava a sua presença no Mapa de Presenças e o Responsável do dia (por ordem alfabética) registava o estado do tempo e contabilizava o número de crianças presentes. A parte da manhã envolveu, maioritariamente, a apresentação de atividades e o diálogo sobre as diferentes temáticas, enquanto que o período da tarde englobou atividades mais práticas e a exploração das áreas. Na Quadro 1, apresenta-se a rotina diária do grupo do pré-escolar: Quadro 1 - Rotina diária do grupo de EPE Rotina Diária 09:00h – 09:30h Acolhimento e roda da conversa. 09:30h – 10:15h Atividades, em grande grupo ou pequeno grupo. 10:15h – 11:00h Lanche e recreio. 11:00h – 11:45h Atividades, em grande grupo ou pequeno grupo. 11:45h – 13:15h Almoço e recreio. 10 13:15h – 15:30h Atividades, em grande grupo ou pequeno grupo. 15h30 Lanche. Atividades de Animação e Apoio à Família Artes Performativas – Segunda e Sexta-feira (15:30h – 16:30h) Atividade Física Desportiva – Segunda e Quartafeira (16:30h – 17:30h) Contexto de 1.º Ciclo do Ensino Básico Quanto às características da turma onde realizei a PES II, tratava-se de uma turma do 2.º ano, composta por 21 crianças com idades compreendidas entre os 7 e os 8 anos, sendo 11 crianças do sexo feminino e 10 crianças do sexo masculino. Desta turma, 3 crianças beneficiam da aplicação de medidas de suporte à aprendizagem e à inclusão, ao abrigo do Decreto-Lei n.º 54/2018 no âmbito da educação inclusiva, sendo 2 de nível universal e 1 de nível seletivo. Relativamente à dinâmica de sala de aula, a turma está dividida em 5 grupos – 4 grupos compostos por 4 elementos e 1 grupo composto por 5 elementos - este último grupo apresenta maiores dificuldades de aprendizagem e necessitam de um maior acompanhamento na realização das tarefas. Nos grupos, cada criança tem uma responsabilidade que semanalmente vai alterando. Existe o Gestor das Tarefas, o Controlador do Tempo, o Capitão do Silêncio, o Porta-voz e o Secretário, em que cada criança desempenha a sua função. De um modo geral, as crianças são bastante educadas, colaborativas e autónomas. O facto de trabalharem em grupo, potencia o envolvimento das crianças e a entreajuda, ainda assim, percebe-se algumas divergências entre algumas crianças dos grupos. Acerca das rotinas da turma, todos os dias são iniciados com a Palavra do Dia , onde as crianças escolhem uma palavra, classificam-na morfologicamente, elaboram frases em grupo e, de seguida, pesquisam o seu significado no dicionário. Quando iniciam a área da Matemática, abrem o dia com o Número do Dia , onde fazem a decomposição do número da data e realizam operações com esse número. Para além disso, fazem-se todos os dias perguntas acerca das tabuadas. Após o intervalo da manhã, temos o projeto “10 minutos a ler”, em que cada criança lê individualmente os livros que requisitam na biblioteca da escola. Após os 10 minutos a ler, executam exercícios de relaxamento para retornarem à calma após o intervalo. Para além disso, todas as segundas-feiras fazem um exercício de caligrafia – ditado – e às sextas-feiras realizam o concurso “Tabuadas&Contas”, que consiste na realização de contas de somar, subtrair, multiplicar e dividir através do cálculo mental. Ademais, no 17 consciencialização quanto à influência que os seus comportamentos exercem nas relações sociais e na sustentabilidade ambiental;  a compreensão crítica dos equilíbrios e fragilidades do mundo natural, incentivando uma atuação responsável perante os desafios globais que afetam o ambiente;  uma postura ética e colaborativa na construção de um futuro sustentável (p. 27). Paralelamente, a área do Desenvolvimento pessoal e autonomia centra-se na:  consolidação de competências que permitem ao aluno compreender e relacionar conhecimentos, emoções e comportamentos;  capacidade de identificar os próprios interesses e necessidades de aprendizagem, planear e implementar projetos com responsabilidade e, sobretudo, comprometer-se com uma lógica de aprendizagem ao longo da vida;  construção de uma identidade pessoal sólida, reflexiva e orientada por valores de autonomia e responsabilidade (p. 26). Importa também sublinhar a relevância do domínio do Pensamento crítico e pensamento criativo, que procura;  desenvolver nos alunos a capacidade de observar, analisar, argumentar e tomar decisões fundamentadas, tanto com base em experiências pessoais como em diferentes fontes de conhecimento;  promover o diálogo entre saberes científicos e humanísticos, incentivando a produção de ideias novas e a resolução criativa de problemas, num exercício constante de reflexão individual e interação com os outros (p. 24). Ao serem trabalhadas de forma transversal e integrada, estas áreas não só potenciam o bemestar físico, mental e cognitivo das crianças e jovens, como os capacitam para um exercício pleno e consciente da cidadania. Neste sentido, constituem-se como alicerces fundamentais para a construção de um percurso educativo que valoriza a pessoa como um todo e a prepara para participar, de forma ativa, crítica e solidária, na transformação positiva da sociedade. Esta lógica de educação integrada é também sustentada pelo DL n.º 54/2018, de 6 de julho, que estabelece o regime jurídico da educação inclusiva. Este diploma assenta no princípio da participação plena e equitativa de todos os alunos, valorizando as suas potencialidades e promovendo contextos educativos que respeitam a diversidade. Tal como preconiza o DL, cabe às instituições educativas “garantir condições que favoreçam o bem-estar físico, emocional e social dos alunos, enquanto condição fundamental para a aprendizagem” (artigo 3.º, p. 2918). 18 A prática pedagógica acolhe profundamente esta filosofia inclusiva ao reconhecer e responder aos diferentes ritmos de aprendizagem, às diversas expressões emocionais e às necessidades individuais das crianças, promovendo um ambiente seguro, estimulante e respeitador. Ao integrar práticas diferenciadas e sensíveis às singularidades do grupo, oferece estratégias educativas universais e adaptáveis, contribuindo para o desenvolvimento integral de todos, em consonância com o princípio da equidade. Complementarmente, o DL n.º 55/2018, de 6 de julho, define os princípios orientadores da organização curricular do ensino básico e secundário, destacando a importância da gestão flexível e integrada do currículo, da valorização do trabalho interdisciplinar e da promoção de aprendizagens significativas. Refere-se que se deve garantir “tempo para a consolidação e uma gestão integrada do conhecimento, valorizando os saberes disciplinares, mas também o trabalho interdisciplinar, a diversificação de procedimentos e instrumentos de avaliação, e o desenvolvimento da autonomia e da responsabilidade dos alunos” (pp. 2928–2929). O desenvolvimento deste projeto rege-se em estreita consonância com estes princípios, estruturando as atividades de forma transversal às áreas do saber, desde a matemática até à expressão plástica, passando pelas ciências e a linguagem oral e escrita, sempre em articulação com o tema central da saúde. Esta interdisciplinaridade permitiu transformar os conteúdos escolares em experiências reais, significativas e motivadoras. O Despacho n.º 6944-A/2018, de 19 de julho, homologa as AE do Ensino Básico, que constituem um referencial curricular fundamental para o planeamento, implementação e avaliação do ensino-aprendizagem. No 1.º CEB, estas aprendizagens preveem, de forma clara, que os alunos devem desenvolver competências relacionadas com o cuidado da sua saúde, a adoção de hábitos saudáveis, a autonomia e o pensamento crítico. Por exemplo, na área de Estudo do Meio, as AE sugerem a exploração do corpo humano, da alimentação, do descanso e das práticas de higiene, o que está em perfeita sintonia com os conteúdos abordados ao longo da intervenção. Por último, a Portaria n.º 223-A/2018, de 3 de agosto, e a Portaria n.º 181/2019, de 11 de junho, que regulamentam respetivamente as ofertas educativas e os planos de inovação pedagógica, conferem às escolas e aos docentes a possibilidade de ajustarem o currículo à realidade local, desenvolvendo respostas inovadoras, flexíveis e adaptadas aos desafios da contemporaneidade. Estas normas reforçam a importância de projetos pedagógicos com impacto real no bem-estar e na aprendizagem dos alunos, fomentando a cooperação, o pensamento crítico e a autonomia. 19 Este projeto inscreve-se plenamente nesta perspetiva, assumindo-se como uma prática educativa reflexiva, contextualizada e orientada para a transformação. Ao conjugar a saúde e a educação enquanto eixos estruturantes da infância, alicerçado em fundamentos legais e pedagógicos, promove-se o desenvolvimento integral das crianças e consolidando a escola como um espaço de cuidado, cidadania e desenvolvimento humano. Neste sentido, ao privilegiar a promoção de hábitos saudáveis nas rotinas escolares — como a alimentação equilibrada, o exercício físico, o descanso e a regulação emocional — constitui-se como uma prática pedagógica em estreita consonância com as orientações legais e curriculares que estruturam o sistema educativo português. Com base nestes documentos normativos, a intervenção não só responde às necessidades atuais das crianças e das comunidades educativas, como reforça o papel da escola enquanto promotora de saúde, cidadania e bem-estar. A Educação e a Saúde como eixos estruturantes no desenvolvimento integral das crianças Ao longo dos últimos anos, têm-se observado cada vez mais condições de saúde que afetam o desenvolvimento integral das crianças e esta temática tem estado frequentemente nos assuntos da ordem do dia. Mas, afinal, qual será o impacto das questões da educação e da saúde no desenvolvimento integral das crianças? A relação entre educação e saúde alcança aspetos essenciais do bem-estar e da saúde física e mental, bem como do desenvolvimento cognitivo, social, emocional e motor que afetam diretamente a aprendizagem e o desenvolvimento global das crianças. “Educar é formar a pessoa como um todo. Significa atingir o indivíduo em profundidade, na cama ante-intelectual do seu ser, dos seus hábitos, emoções e afeições primárias.” (Reboul, 2017, p. 9) No contexto do processo educativo, os educadores — sejam eles pais, professores, tutores ou outros intervenientes com função pedagógica — assumem um papel estruturante na mediação das aprendizagens. Através da utilização de metodologias, estratégias e recursos ajustados às necessidades das crianças, procuram criar ambientes promotores de desenvolvimento integral, caracterizados por segurança afetiva, inclusão e estímulo constante à curiosidade, à autonomia e à construção do conhecimento. “Aos pais e educadores cabe a difícil tarefa de contribuir para a adequada constituição do modo de pensar de cada criança, condição necessária para que ela possa vir a ser uma criatura mais feliz e um membro construtivo de sua comunidade.” (Gikovate, 2002, p.21) 20 Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS, 2016), a saúde é definida como “o bem-estar físico, mental e social, mais do que a mera ausência de doença...”. Esta perspetiva holística enfatiza a necessidade de considerar o bem-estar na sua totalidade, reconhecendo que uma vida saudável implica não só a prevenção de patologias, mas também a capacidade de gerir o stress, de estabelecer relações interpessoais saudáveis e de experienciar um sentimento geral de satisfação com a vida. Assim, promover a saúde é promover um estado de harmonia entre o corpo e a mente - condição indispensável para o crescimento pessoal e para a construção de um quotidiano pleno de sentido. A Carta de Ottawa define a promoção da saúde como “o processo que visa aumentar a capacidade dos indivíduos e das comunidades para controlarem a sua saúde, no sentido de a melhorar”, por conseguinte, para alcançarmos um “estado de completo bem-estar físico, mental e social, o individuo ou o grupo devem estar aptos a identificar e realizar as suas aspirações, a satisfazer as suas necessidades e modificar ou adaptar-se ao meio.” (OMS, 1986, p. 1) Carvalho et al. (2017), destacam no Referencial de Educação para a Saúde que A Promoção e Educação para a Saúde (PES) em meio escolar é um processo contínuo que visa o desenvolvimento de competências das crianças e dos jovens, permitindo-lhes confrontarem-se positivamente consigo próprios, construir um projeto de vida e serem capazes de fazer escolhas individuais (...) (p.6) Segundo a OMS (1998), a educação para a saúde define-se como “qualquer combinação de experiências de aprendizagem que tenham por objetivo ajudar os indivíduos e as comunidades a melhorar a sua saúde, através do aumento dos conhecimentos ou influenciando as suas atitudes”. Uma Escola Promotora de Saúde (EPS) é entendida como uma instituição em constante evolução, comprometida em reforçar a sua capacidade de se constituir como um ambiente saudável para aprender, viver e trabalhar (OMS, 1998). O seu propósito primordial assenta na melhoria dos resultados educativos e na promoção de ações estruturadas em prol da saúde, fomentando a aquisição de conhecimentos, atitudes e competências nos domínios cognitivo, social e comportamental. Esta abordagem sustenta-se em princípios orientadores como a equidade, a sustentabilidade, a participação democrática, a educação inclusiva e a capacitação (“empowerment”) de todos os membros da comunidade educativa para a promoção da saúde e do bem-estar (IUHPE, 2009). Neste modelo inter-relacional, a Educação para a Saúde (EpS) é centrada no desenvolvimento das capacidades individuais através de processos educativos que estimulam a motivação, a aquisição de competências, a autoconfiança e a consciencialização crítica, constituindo alicerces indispensáveis para a construção da literacia em saúde (OMS, 2012). Assim, este conceito transcende a transmissão de informação, integra, também, o desenvolvimento de aptidões que favorecem a autonomia e a 21 tomada de decisões conscientes, informadas e responsáveis em saúde. Estas decisões assentam na compreensão dos determinantes sociais, económicos, políticos e ambientais da saúde, bem como na identificação dos fatores de risco e de proteção (OMS, 1998). Como forma de fortalecer a promoção de saúde no ambiente escolar e de fundamentar a estreita relação entre educação e saúde, o Ministério da Educação criou o Programa de Apoio à Promoção e Educação para a Saúde (PAPES), em 2014, que estabelece que a escola é um espaço privilegiado para a promoção de saúde. Este programa visa integrar a educação para a saúde nas práticas pedagógicas, abordando temas fundamentais como a saúde física, saúde mental, prevenção de comportamentos de risco e a importância de um estilo de vida saudável. O PAPES ressalta que as crianças saudáveis apresentam uma maior capacidade de aprendizagem, maior estabilidade emocional e desenvolvem melhor as suas habilidades sociais, além de serem menos suscetíveis a problemas de saúde ao longo da vida. A rede Schools for Health in Europe (SHE) promove uma abordagem holística para escolas promotoras de saúde. Vilaça et al. (2019) referem que as escolas devem trabalhar em conjunto com a comunidade para formar um ambiente que suporte tanto a saúde física quanto o bem-estar emocional dos alunos, defendendo a criação de programas de saúde que envolvam não só os educadores e os profissionais de saúde, mas também os pais e as entidades locais, visando transformar a escola num espaço promotor de saúde. Propõem, ainda, que as escolas incorporem práticas de promoção da saúde em atividades diárias e curriculares, além de enfatizar a criação de um ambiente que apoie a saúde mental e previna comportamentos de risco. O conceito de whole-school approach (abordagem de escola integral) “centra-se na obtenção de resultados tanto na saúde como na educação, através de uma abordagem sistemática, participativa e orientada para a ação.” (p.14) Desta forma, é importante analisar a criança como um todo e ter em conta as suas especificidades pessoais. Assim, cada criança pode absorver estímulos iguais de diferentes formas, tendo em conta as suas condições de saúde, vivências e contextos em que estão inseridas. A sociedade contemporânea enfrenta uma multiplicidade de desafios, muitos deles de elevada complexidade. Segundo a Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP, 2019), os principais obstáculos situam-se nos domínios económico-político, social e individual. As transformações demográficas, a sustentabilidade económica e ambiental, as alterações globais que exigem o contributo ativo dos cidadãos, bem como as novas formas de promover a inclusão, a inovação e a segurança, configuramse como temas centrais de preocupação a nível nacional e europeu. Dentro deste conjunto de desafios, a Saúde destaca-se como um pilar fundamental, uma vez que constitui um fator determinante para a 22 qualidade de vida de uma população saudável. Além disso, é indiscutivelmente um componente essencial para uma economia e uma sociedade sustentáveis e prósperas (OPP, 2019, p. 2). A Saúde influencia diversos aspetos da vida coletiva, entre os quais a produtividade económica, o desempenho educativo, o envolvimento cívico, a cidadania ativa e a resiliência social, conforme destaca a Ordem dos Psicólogos Portugueses (2019). Os desafios que se colocam nesta área são descritos como complexos, englobando questões como doenças crónicas, obesidade, perturbações de saúde mental, desigualdades, elevados custos associados à saúde e o envelhecimento da população. Diante deste cenário, torna-se imperativo estabelecer a saúde como uma prioridade. Barros (2013, p. 15) enfatiza que “a saúde pertence a cada um de nós, determina a nossa maior, ou menor, capacidade de agir e viver livremente, no que fazemos individualmente e na nossa participação na sociedade”, sublinhando assim a sua centralidade na autonomia e na cidadania. De acordo com a Direção-Geral da Saúde (DGS, s.d.), os determinantes da saúde podem ser classificados em várias categorias: “ambientais, biológicos, comportamentais ou estilos de vida, demográficos e sociais, económicos, e relacionados com o sistema de saúde e a prestação de cuidados de saúde” (p. 89). Carona et al. (2017) associam o conceito de bem-estar à ausência de malestar, este último entendido como a manifestação de patologias, desmotivação para a ação pessoal, improdutividade social ou desorganização a nível individual e coletivo. Contudo, defendem que o bemestar não se caracteriza como uma condição permanente ou como uma fuga às dificuldades inerentes à existência humana. Trata-se, antes, de alcançar um equilíbrio emocional que abrange a aceitação e a vivência das diversas emoções universais, sem a pretensão de evitar ou rejeitar aquelas que possam gerar desconforto. Segundo a definição da OMS (1998), o estilo de vida corresponde a um modo de vida baseado em padrões de comportamento que resultam da interação entre as características individuais e os contextos sociais e socioeconómicos. Estes padrões são continuamente interpretados e ajustados em diferentes situações sociais, estando, por isso, sujeitos a transformação. Importa sublinhar que o estilo de vida de cada pessoa exerce um impacto significativo na sua própria saúde e na saúde coletiva. Diante do contexto atual, e reconhecendo que o futuro constrói-se com base nas vivências das crianças do presente, impõe-se uma reflexão crítica acerca do papel que os educadores e professores podem assumir na promoção de um estado de bem-estar integral. A educação, quando centrada no desenvolvimento holístico dos indivíduos, estende-se para além da mera transmissão de conhecimentos, assumindo-se como um instrumento transformador de competências, atitudes e valores. 23 Manjón (1964) defendia que o educador educa não apenas ensinando, mas também despertando e desenvolvendo competências nas crianças, cujo objetivo final coincide com o da educação: fomentar o crescimento e o desenvolvimento dos educandos. Cunha (2008) acrescenta que “a eficácia do professor estará diretamente interligada às transformações que a sua acção pedagógica produz nos alunos. Estas transformações devem ser realizadas, não só no domínio do conhecimento, mas também no da atividade, da personalidade e da vontade” (p. 62). De acordo com este autor, uma das funções do professor consiste em promover o desenvolvimento pessoal dos seus alunos. Carvalho (2012) reforça esta visão, salientando que a escola representa um espaço onde as crianças passam grande parte do seu tempo, experienciando uma vasta gama de emoções e situações diversas. Lusquinhos e Carvalho (2022) complementam esta perspetiva, defendendo que a EpS não deve ser exclusivamente responsabilidade dos profissionais da área da saúde. Pelo contrário, todos os agentes que mantêm contacto direto ou indireto com crianças e jovens — familiares, amigos, educadores — têm um papel ativo na promoção do seu bem-estar. Neste sentido, “deste modo, parece fácil assumir que […] as creches, jardins-de-infância e escolas deverão ocupar um papel fundamental na educação para a saúde. Assim, entre estes dois campos - a educação e a saúde - […] compreende-se uma total interrelação” (Esteves & Anastácio, 2011, p. 1). Já o autor Precioso (2009) considera que educar para a saúde é, provavelmente, uma das formas mais eficazes de promover a adoção de comportamentos saudáveis e a alteração de condutas prejudiciais. Estabelece, assim, uma relação de causalidade clara: “Se o estado de saúde está diretamente relacionado com os comportamentos das pessoas devemos procurar as vias mais adequadas para promover a adoção de comportamentos saudáveis ou alteração de condutas prejudiciais” (p. 85). Assim, a escola é indiscutivelmente um dos locais privilegiados para a implementação de programas de EpS, onde os alunos devem ser preparados para o autocuidado e para o cuidado dos outros, assumindo que cuidar da saúde e adotar um estilo de vida saudável são fundamentais para o bem-estar global. A Literacia em Saúde (LS) deve capacitar os alunos com conhecimentos sólidos e competências práticas que lhes permitam agir de forma autónoma, consciente e responsável no domínio da saúde. Neste contexto, é essencial que desenvolvam uma compreensão crítica sobre os determinantes de saúde, reconhecendo o impacto que estes exercem tanto na sua condição pessoal como na saúde coletiva. O objetivo primordial reside em fomentar a adoção de estilos de vida saudáveis, sustentados por decisões informadas, promovendo não apenas o bem-estar individual, mas também o bem-estar social e comunitário. Assim, a LS assume-se como um instrumento fundamental na formação de cidadãos ativos, conscientes dos seus direitos e deveres em matéria de saúde, e 24 dotados de sentido de responsabilidade perante si mesmos e perante os outros (Carvalho & Jourdan, 2014). Na perspetiva destes autores são necessárias três dimensões para o desenvolvimento da LS na escola:  Conhecimento científico (teórico e prático) - facilitando a aquisição de conhecimento científico dos alunos, particularmente aqueles relacionados com o corpo e a saúde;  Pensamento crítico - ajudando os alunos a resistirem às pressões do ambiente (estereótipos, média, pressão dos pares) e capacidade de identificar fontes locais de apoio pessoal; – Competências de vida – contribuindo para desenvolver nos alunos capacidades para a vida - competências pessoais, sociais e cívicas. (p. 102). A Ordem dos Psicólogos Portugueses (2015) enumera um conjunto de benefícios da LS e das consequências negativas da falta de LS, que se encontram evidenciados no Quadro 2: Quadro 2 – Literacia em Saúde – Benefícios e Consequências da sua falta Literacia em Saúde Benefícios da LS Consequências da falta de LS  Melhores resultados de saúde e aumento do bem-estar;  Melhor utilização dos serviços de saúde;  Participação ativa e informada dos cidadãos nos cuidados de saúde;  Diminuição dos comportamentos de risco para a saúde;  Diminuição dos gastos com a saúde;  Redução das desigualdades em saúde;  Aumento da resiliência dos consumidores face à adversidade;  Enriquecimento do capital social e cultural das comunidades.  Pior estado de saúde;  Fraca adesão à terapêutica e erros na toma de medicação;  Taxas mais elevadas de hospitalização e rehospitalização;  Maior utilização dos serviços de urgência;  Taxas mais elevadas de morbilidade e morte prematura;  Adoção de comportamentos de risco para a saúde;  Capacidade diminuída para tomar decisões de saúde adequadas e comunicar com profissionais de saúde;  Má gestão de doenças crónicas (como a diabetes ou a asma);  Menor participação em acções de prevenção e promoção da saúde;  Custos económicos mais elevados. Nota. Adaptado de Ordem dos Psicólogos Portugueses (2015) 25 Torna-se, então, evidente que a integração da temática da saúde no currículo escolar não constitui apenas uma mais-valia, mas antes uma necessidade incontornável no âmbito da formação integral das crianças e dos jovens e da sociedade em geral. A OMS (2022) sublinha que as competências e os hábitos desenvolvidos ao longo do percurso educativo são determinantes para que os indivíduos possam, mais tarde, enfrentar os desafios e exigências da vida quotidiana de forma resiliente e consciente. A própria educação, conforme ressalta esta entidade, assume um papel protetor, contribuindo ativamente para a prevenção de perturbações associadas à saúde mental e para a construção de estilos de vida promotores do bem-estar. Importa reconhecer que, embora o risco de adversidade seja transversal a todas as etapas do ciclo de vida, a infância constitui uma janela de desenvolvimento particularmente sensível, na qual os acontecimentos experienciados podem deixar marcas significativas, com implicações profundas ao nível da gestão emocional, relacional e comportamental. Neste enquadramento, assume especial relevância a perspetiva dos direitos da criança, que devem ser entendidas como “agentes ativos da sociedade. O direito à Saúde e Educação, sendo dos mais elementares, subentende uma visão do Bem-Estar num âmbito alargado, em que os aspetos biológicos, emocionais e contextuais se entrecruzam de forma determinante”(DGE & DGS, 2017, p. 14). A partir desta linha de orientação, impõe-se a necessidade de uma intervenção educativa intencional, precoce e sustentada, centrada na promoção da saúde mental e do bem-estar psicológico. O Referencial de Educação para a Saúde (DGE & DGS, 2017) reforça o papel da escola enquanto espaço privilegiado de desenvolvimento de competências essenciais para a vida, entre as quais se destacam os comportamentos alimentares saudáveis, as atitudes positivas face ao corpo, a valorização da atividade física e a adoção de estilos de vida sustentáveis. Promover a saúde em contexto escolar, numa lógica preventiva e formativa, significa, pois, agir sobre o presente com uma visão de futuro, evitando a consolidação de padrões de comportamento desajustados que, mantidos ao longo do tempo, poderão acarretar consequências profundamente nefastas para o desenvolvimento integral e para a qualidade de vida das crianças e dos jovens. Ora, se enquanto educadores, nos preocuparmos com uma abordagem integrada da educação e da saúde desde tenra idade, certamente estaremos a fomentar competências e valores que promovem o desenvolvimento global e equilibrado das crianças. Sintetizando, a educação e a saúde constituem dois pilares indissociáveis e estruturantes no percurso de desenvolvimento das crianças, influenciando de forma decisiva o seu bem-estar, a 26 construção da identidade e o exercício pleno da cidadania. Estes domínios não devem ser encarados como realidades paralelas, mas como esferas profundamente interdependentes, cujo diálogo constante potencia aprendizagens mais significativas e vidas mais equilibradas. Para além da alimentação e do sono e, de acordo com a OMS (2022), os benefícios da prática de atividade física são incontáveis, destacando-se: a prevenção e ajuda no controlo das doenças do coração, hipertensão e diabetes; a redução do risco de desenvolver cancro; a melhoria dos sintomas da depressão e ansiedade; o contributo na saúde cerebral, incluindo a função cognitiva; e, ainda, o fortalecimento dos músculos e dos ossos. Pilares do desenvolvimento integral das crianças A importância de uma alimentação saudável A DGS (2022) define alimentação saudável como aquela que é variada, equilibrada e completa, garantindo o consumo diário de alimentos nutricionalmente adequados, com o objetivo de satisfazer as necessidades do organismo, promover a saúde e prevenir um vasto leque de doenças. Inversamente, uma alimentação inadequada configura-se como a antítese desta definição, sendo caracterizada pelo consumo excessivo de produtos com elevada densidade energética e baixo valor nutricional, os quais são considerados alimentos não saudáveis. Tal como preconizado pela Roda dos Alimentos, um instrumento pedagógico e nutricional de referência (Rodrigues, 2006), pressupõe-se a ingestão diária de alimentos pertencentes a todos os grupos representados na roda, garantindo uma diversidade alimentar que respeite as proporções recomendadas. Os grupos alimentares incluem: cereais, derivados e tubérculos (4 a 11 porções); hortícolas (3 a 5 porções); fruta (3 a 5 porções); gorduras e óleos (1 a 3 porções); lacticínios (2 a 3 porções); carnes, pescado e ovos (1,5 a 4,5 porções); e leguminosas (1 a 2 porções). Para além disso, é fundamental beber 1,5 a 3 litros de água por dia. O equilíbrio nutricional resulta, assim, do consumo proporcional dos diferentes grupos, privilegiando-se os alimentos com maior recomendação diária e moderando-se aqueles de menor porção (Rodrigues, 2006). Adotar uma alimentação equilibrada desde os primeiros anos de vida é, por isso, essencial. Como sublinha Accioly (2009), os hábitos alimentares tendem a consolidar-se na infância, o que acentua a relevância de incutir práticas saudáveis logo nas etapas iniciais do desenvolvimento. Nesta fase, a alimentação das crianças é fortemente moldada pelo padrão familiar, sendo este o primeiro núcleo social a exercer influência sobre as escolhas alimentares. Posteriormente, esta influência 33 Cordeiro (2010) salienta, ainda, a importância dos pais nas rotinas de sono das crianças e nas histórias contadas, na medida em que os pais devem considerar as histórias para adormecer e os objetos de transição, pois muitas crianças gostam de ouvir histórias e os pais também apreciam contálas. Esse momento íntimo é importante, pois as histórias acalmam as crianças com o seu ritmo e melodia, além de transmitir valores e reforçar a dimensão ética das crianças. Em suma, de um modo geral, o sono é uma parte essencial da saúde e do bem-estar das crianças e garantir que elas durmam o suficiente tem um impacto direto na qualidade de vida e no desenvolvimento integral das crianças. A atividade física como peça-chave Ser saudável implica, desde cedo, despertar o corpo para o movimento, onde reside o impulso vital que sustenta o bem-estar. A infância é a fase em que se criam os pilares para um estilo de vida ativo e saudável. Por isso, é essencial promover e incentivar a atividade física, que traz benefícios importantes para o desenvolvimento das crianças. (Piercy et al., 2018) A atividade física é definida pela OMS (2022) “como qualquer movimento corporal produzido pelos músculos esqueléticos que requer gasto de energia e pode ser realizado em diversas intensidades” (p. 4) Neste sentido, a infância e a adolescência constituem períodos privilegiados para a consolidação de hábitos de prática regular de atividade física, uma vez que os comportamentos adquiridos nestas fases tendem a perdurar na idade adulta (Lopes et al., 2006). Assim, investir na criação de uma base sólida de comportamentos motores e rotinas saudáveis nas etapas iniciais do desenvolvimento humano representa uma estratégia eficaz na prevenção do sedentarismo e das suas consequências negativas a longo prazo (Lazzoli et al., 1998). Segundo Neto (1994), a atividade física é uma forma de educar que usa o movimento para ajudar as crianças a melhorar as suas habilidades motoras, o comportamento emocional e a interação com os outros. Este autor, explica, ainda, que a prática regular de atividade física traz muitos benefícios: ajuda no crescimento saudável, melhora as capacidades físicas, cria oportunidades para fazer amizades e aumenta a autoestima das crianças, tornando-as mais confiantes e felizes. A OMS (2014) refere que a idade escolar é ideal para começar a praticar atividade física, uma vez que promove a prevenção do sedentarismo e de problemas de postura e musculares. É nessa fase que muitas vezes surgem hábitos não saudáveis, que podem causar doenças e problemas de saúde no futuro. A DGS (2017), no seu Programa Nacional para a Promoção da Atividade Física, menciona que a 34 escola tem uma grande influência nos hábitos e comportamentos das crianças e jovens, incluindo na prática de atividade física e desportiva. Segundo Bragada (2000), a Educação Física deve auxiliar no desenvolvimento equilibrado e completo das crianças, promovendo tanto as capacidades motoras quanto as habilidades motoras básicas, de forma integrada e interdisciplinar. Serrano (2003) defende que é importante que as crianças pratiquem atividade física não apenas para melhorar a sua forma física, mas também pelos benefícios para a saúde, facilitando a socialização, contribuindo para o desempenho escolar e estando diretamente ligada ao seu bem-estar geral. Feraz (2004) destaca, ainda, que todas as crianças, independentemente do género, raça, cultura ou limitações físicas ou mentais, devem ter as mesmas oportunidades de desenvolvimento. Como o movimento é essencial para o crescimento humano, abrangendo aspetos cognitivos, motores e sociais, a Educação Física deve trabalhar todos esses elementos, tanto separadamente quanto de forma integrada. A idade escolar constitui uma etapa marcada por um crescimento progressivo e por um desenvolvimento global relativamente harmonioso, abrangendo tanto as dimensões físicas como emocionais da criança (Hockenberry et al., 2018). Durante este período, observam-se melhorias significativas na postura corporal, as quais facilitam a marcha e favorecem uma utilização mais eficaz dos membros superiores e do tronco. Em termos de desenvolvimento motor, destaca-se um incremento da massa muscular, acompanhado de uma maior flexibilidade e resistência ao esforço físico. A estatura aumenta, em média, cerca de cinco centímetros por ano, refletindo um crescimento linear estável. Este alongamento do esqueleto, conjugado com a diminuição do tecido adiposo, contribui para um aumento proporcional da massa muscular no peso corporal total, traduzindo-se numa maior força física e capacidade motora (Hockenberry et al., 2018). Neste contexto, a prática regular de atividade física revela-se indispensável para todas as crianças em fase de crescimento. As atividades motoras mais adequadas durante o período escolar incluem, entre outras, a corrida, o salto à corda, a natação, a patinagem, a dança e o uso da bicicleta. O exercício físico desempenha um papel fulcral no desenvolvimento do tónus muscular, no aperfeiçoamento do equilíbrio e da coordenação motora, no reforço da força e da resistência física, bem como na estimulação das funções metabólicas e fisiológicas do organismo (Hockenberry et al., 2018). Importa ainda sublinhar que, dada a natureza energética e lúdica das crianças, a prática de atividade física integra-se naturalmente nas suas rotinas quotidianas, sendo facilitada pela sua inclinação para os jogos e o movimento. Este aspeto revela uma predisposição inata para o exercício, 35 implicando frequentemente uma reduzida necessidade de motivação externa para o envolvimento em atividades motoras (Gesell, Ilg, Ames & Bullis, 1977). Apresentam-se, a seguir, os níveis diários de atividade física recomendados para cada faixa etária, visando garantir uma prática adequada que favoreça a saúde em cada etapa de crescimento. (Quadro 7) Quadro 7 - Níveis diários de atividade física recomendados para cada faixa etária Idades Níveis diários de atividade física recomendados 0 – 11 meses  Pelo menos 30 minutos de bruços para quem não tiver mobilidade;  Para os que têm mobilidade, praticar atividade física várias vezes, de diversas formas, principalmente brincadeiras interativas no chão. 1 – 2 anos  Pelo menos 180 minutos dedicados a atividades físicas de qualquer intensidade. 3 – 4 anos  Pelo menos 180 minutos dedicados à atividade física, dos quais 60 minutos de brincadeiras energéticas. 5 – 17 anos  Pelo menos 60 minutos de atividade física moderada a vigorosa, com uma variedade de atividades aeróbicas.  As atividades de fortalecimento muscular e ósseo dveem ser incorporadas pelo menos 3 dias por semana. Nota. Adaptado de Canadian 24-Hour Movement Guidelines. De acordo com a OMS (2022), os benefícios da atividade física centram-se com os seguintes:  Previne e auxilia no controlo de doenças do coração, hipertensão e diabetes;  Reduz o risco de desenvolver cancro;  Melhora os sintomas da depressão e ansiedade;  Contribui para a saúde cerebral, incluindo a função cognitiva;  Fortalece os músculos e ossos. Apesar de serem amplamente reconhecidos os inúmeros benefícios da atividade física para a saúde e bem-estar das crianças e adolescentes, a verdade é que o progresso tecnológico tem vindo a fomentar, de forma crescente, hábitos de sedentarismo nestas faixas etárias (Costa et al., 2017). Neste sentido, e em consonância com o pensamento de Lazzoli et al. (1998), torna-se imperativo que a promoção de comportamentos ativos se inicie precocemente, estabelecendo-se como uma prioridade educativa e de saúde pública. 36 Baptista et al. (2011) sublinham que a prática de atividade física deve ser contínua e consistente ao longo do tempo, sendo essa regularidade determinante para que os seus efeitos benéficos sobre a saúde se manifestem de forma significativa. Neste enquadramento, Lazzoli et al. (1998) avançam com um conjunto de diretrizes essenciais à implementação eficaz da atividade física nas idades mais jovens:  O combate ao sedentarismo infantojuvenil deve ser uma responsabilidade partilhada, contando com o envolvimento ativo dos profissionais de saúde, os quais devem assumir um papel promotor da prática regular de exercício físico;  Aos professores e educadores incumbe a tarefa de privilegiar o carácter lúdico da atividade física em detrimento de abordagens excessivamente competitivas, garantindo simultaneamente condições ambientais adequadas à sua prática, nomeadamente evitando a exposição a temperaturas elevadas;  A educação física no contexto escolar deve ser integrada de forma coerente no processo educativo global, contribuindo para o desenvolvimento holístico da criança e do adolescente;  A atividade física deve ser encarada como uma dimensão estratégica de saúde pública, o que implica não só a divulgação adequada de informação junto da comunidade, como também a criação e implementação de programas estruturados que incentivem hábitos de vida saudáveis desde a infância. Assim, a construção de uma cultura de movimento deve ser sustentada numa ação concertada entre os diversos agentes educativos e sociais, visando contrariar a tendência crescente para a inatividade física e promovendo uma infância mais ativa, saudável e equilibrada A importância do brincar para o desenvolvimento integral das crianças A importância do brincar para o desenvolvimento e aprendizagem da criança, vem sendo amplamente reconhecida por cientistas, pedagogos e educadores, como um elemento basilar no desenvolvimento infantil, promovendo o desenvolvimento de capacidades motoras, cognitivas, sociais e emocionais. Contudo, a brincadeira é, ainda e muitas vezes, subestimada, apesar de vários estudos e teorias que abordam a temática sob diferentes perspetivas, destacando a relevância no desenvolvimento e crescimento holístico da criança. O brincar é uma atividade fundamental para o desenvolvimento das crianças, sendo amplamente reconhecido como um direito essencial. Direito esse, consagrado pela Declaração dos 37 Direitos da Criança, proclamada pela Resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas n.º 1386 (XIV), no seu princípio sétimo: A criança tem direito à educação, que deve ser gratuita e obrigatória, pelo menos nos graus elementares. Deve ser-lhe ministrada uma educação que promova a sua cultura e lhe permita, em condições de igualdade de oportunidades, desenvolver as suas aptidões mentais, o seu sentido de responsabilidade moral e social e tornar-se um membro útil à sociedade. O interesse superior da criança deve ser o princípio diretivo de quem tem a responsabilidade da sua educação e orientação, responsabilidade essa que cabe, em primeiro lugar, aos seus pais. A criança deve ter plena oportunidade para brincar e para se dedicar a atividades recreativas, que devem ser orientados para os mesmos objetivos da educação; a sociedade e as autoridades públicas deverão esforçar-se por promover o gozo destes direitos. (Assembleia Geral das Nações Unidas, p. 3). Do mesmo modo, a Convenção sobre os Direitos da Criança das Nações Unidas (1989), no seu artigo 31º, convencionaram que: 1 - Os Estados Partes reconhecem à criança o direito ao repouso e aos tempos livres, o direito de participar em jogos e atividades recreativas próprias da sua idade e de participar livremente na vida cultural e artística. 2 - Os Estados Partes respeitam e promovem o direito da criança de participar plenamente na vida cultural e artística e encorajam a organização, em seu benefício, de formas adequadas de tempos livres e de atividades recreativas, artísticas e culturais, em condições de igualdade (pp. 25-26). Neste contexto, Pyle & Danniels (2017), defendem que a pedagogia baseada em brincadeiras, quando bem implementada, pode equilibrar as exigências académicas com práticas centradas na criança. O seu estudo, realizado em salas de aula do jardim de infância, revela que a aprendizagem através do brincar não se limita apenas ao desenvolvimento pessoal e social, mas também pode apoiar objetivos académicos específicos. O estudo identifica duas perceções principais: uma que separa o jogo e a aprendizagem e outra que vê o jogo como um meio para atingir objetivos académicos, sendo esta última mais eficaz em promover tanto o desenvolvimento cognitivo quanto o desenvolvimento socio emocional dos alunos. A presença de uma abordagem lúdica, orientada pelo educador de forma intencional, permite que as crianças explorem e consolidem conceitos de forma envolvente e eficaz. Se o objetivo final é ensinar às crianças os conhecimentos académicos fundamentais incluídos no currículo atual, fazê-lo através desta visão mais ampla da aprendizagem baseada em brincadeiras, é uma forma de ensino envolvente e apropriada ao desenvolvimento para crianças em idade de educação pré-escolar 1 (Pyle & Danniels, 2017, p. 28). 1 Tradução livre 38 A teoria de Parten sobre as sequências do brincar social, revisitada por Xu (2010), evidencia a importância do brincar como um meio de interação social que promove o desenvolvimento de competências de comunicação, autocontrolo e cooperação. Segundo Xu, “a brincadeira não é apenas uma atividade prazerosa, mas uma ferramenta essencial para o desenvolvimento da linguagem, conceitos intelectuais e capacidades sociais” 2 (Xu, 2010, p. 289). Esta abordagem destaca que, apesar da sequência natural de desenvolvimento das formas de brincar, os fatores culturais e contextuais podem influenciar significativamente como as crianças participam e interagem durante o jogo. A ambiguidade do brincar, discutida por Brian Sutton-Smith (1997), explora como o brincar transcende definições simples e abrange uma multiplicidade de significados e funções, de tal forma que “Alguns dos mais extraordinários estudiosos das brincadeiras infantis ficaram preocupados com esta ambiguidade” 3 (Sutton-Smith, 1997, p. 297), argumentando que o brincar pode ser visto tanto como uma forma de aprendizagem adaptativa que prepara as crianças para desafios futuros, como um veículo de expressão criativa e improvisação. Essa dualidade realça a natureza multifacetada do brincar, sublinhando a sua importância não só para o desenvolvimento imediato, mas também para o desenvolvimento de capacidades futuras. Kishimoto (2010) argumenta que a brincadeira é uma linguagem natural das crianças, através da qual elas expressam as suas emoções, perceções e compreensões sobre o mundo ao seu redor. O brincar é descrito como um processo ativo de construção do conhecimento, onde a criança aprende de forma experiencial, experimentando diferentes papéis e realidades. Este processo de aprendizagem envolve tanto a imitação de comportamentos que observa no mundo adulto quanto a criação de novos significados, fomentando habilidades como empatia, comunicação e resolução de problemas. Ao brincar, a criança experimenta o poder de explorar o mundo dos objetos, das pessoas, da natureza e da cultura, para compreendê-lo e expressá-lo por meio de variadas linguagens. Mas é no plano da imaginação que o brincar se destaca pela mobilização dos significados. Enfim, sua importância se relaciona com a cultura da infância, que coloca a brincadeira como ferramenta para a criança se expressar, aprender e se desenvolver (Kishimoto, 2010, p.1). Zosh et al. (2017) identificam cinco características essenciais das brincadeiras que promovem uma aprendizagem eficaz e que estão frequentemente presentes em atividades lúdicas produtivas, sendo estas: jogo com propósito ( Meaningful Play ), papel ativo das crianças no brincar, interação social, repetição e exploração e, também, alegria e satisfação. Os autores destacam que estas 2 Tradução livre 3 Tradução livre 39 características não necessitam de estar presentes simultaneamente, mas devem ocorrer ao longo do tempo, sendo que a alegria é essencial para que a experiência seja considerada verdadeiramente lúdica. As cinco caraterísticas vão e vêm à medida que as crianças se envolvem na aprendizagem através de atividades lúdicas. As cinco caraterísticas não são necessárias a todo o momento, mas ao longo do tempo (...). A alegria é um requisito necessário para que uma experiência seja lúdica 4 (Zosh et al., 2017, p.16). Kuschner (2012) argumenta que “o brincar é uma forma de assimilação, enquanto que a escola promove adaptação” 5 (Kuschner, 2012, p. 245). Defende, ainda, que há contradições fundamentais entre a natureza espontânea do brincar infantil e a estrutura institucional da escola. Piaget (1962) refere que enquanto o brincar é uma atividade livre, guiada pela imaginação e assimilação, a escola frequentemente exige adaptação a regras e normas culturais. Porém, integrar o brincar ao currículo sem desvirtuar a sua essência permanece um desafio. “Quando o brincar é colocado ao serviço da concretização dos objetivos académicos do currículo, deixa de ser brincar” 6 (Kuschner, 2012, p. 247). Assim, é crucial proporcionar espaço e tempo para o brincar genuíno nas práticas escolares, promovendo tanto o desenvolvimento infantil quanto a autonomia. Em suma, através do brincar, as crianças aprendem sobre si próprias, sobre os outros e sobre o mundo. Mais do que uma atividade, é um direito, uma necessidade e uma oportunidade para que cada criança cresça de forma saudável, feliz e integrada na sociedade. Ao valorizarmos o brincar, estamos a valorizar a infância e a construir as bases para um futuro mais rico e pleno de possibilidades. Educação emocional como ponto fundamental Compreender as emoções desde cedo é fundamental para o desenvolvimento emocional e social das crianças. Ao aprenderem a identificar, expressar e gerir os seus sentimentos, as crianças recebem ferramentas essenciais para lidar com os desafios da vida. A educação emocional fortalece a empatia, a autoestima e a capacidade de estabelecer relações saudáveis, além de ajudar na tomada de decisões e na resolução de conflitos. Ao entendermos as nossas emoções desde tenra idade, tornamonos mais preparados para navegar pela complexidade da vida, construindo um equilíbrio interior que perdura ao longo da vida. Estapé (2019) considera relevante clarificar que por emoções se pode entender que: 4 Tradução livre 5 Tradução livre 6 Tradução livre 40 São estados afetivos de maior ou menor intensidade. São a resposta que o corpo oferece às circunstâncias da vida, aos acontecimentos do dia a dia, à nossa objetividade, que revelam a forma de ser e expressam a forma como nos sentimos. As emoções estão relacionadas com a saúde física e mental. (p. 159) Barish (2019) afirma que ter capacidades emocionais fornece ferramentas fundamentais para a vida, já que: A saúde psicológica, na infância e ao longo da vida, depende da nossa capacidade para nos agarrarmos a emoções positivas e expectativas positivas. As crianças com uma expectativa positiva para o futuro tomarão mais vezes boas decisões no presente. (...) As crianças florescem numa atmosfera de positividade e de encorajamento. (pp. 210-211) As crianças com uma inteligência emocional bem desenvolvida revelam maior estabilidade interior e demonstram estar mais capacitadas para enfrentar contrariedades, imprevistos e desafios do quotidiano, lidando com frustrações de forma mais adaptativa e resiliente. Por conseguinte, torna-se imperioso valorizar a Educação Emocional desde os primeiros anos de vida, reconhecendo o seu papel fulcral na promoção de um desenvolvimento pleno e harmonioso, que abranja não só a esfera cognitiva, mas também os domínios afetivo e relacional da criança. “O desenvolvimento pessoal e a autonomia pressupõem que os alunos desenvolvam confiança em si próprios, autorregulação, tomada de decisões, entre outros.” (Martins, et al., 2017) De acordo com Goleman (2012), a educação emocional desempenha um papel fundamental na preparação das crianças para lidarem com os desafios inerentes ao seu quotidiano. É essencial que os educadores e professores promovam ambientes que favoreçam a expressão emocional, incentivando as crianças a compreender e gerir sentimentos como o medo, a frustração ou a ansiedade. Nesse sentido, o adulto deve adotar uma postura empática e sensível, proporcionando oportunidades para que os mais novos desenvolvam competências socioemocionais e fortaleçam a sua autoconfiança, acreditando nas suas capacidades e no seu valor pessoal. Veiga-Branco (2019) refere que: O conceito de Educação Emocional emerge como proposta alternativa ao paradigma clássico de educação e formação, que incide mais no que se conhece como o primado da razão – através das metodologias e dos curricula dos programas académicos – e não traz à consciência de professores e alunos as competências sociais, nomeadamente a autoconsciência e gestão emocionais a nível intra e interpessoal (p.224). Fonseca (2016) salienta que as necessidades das crianças têm evoluído ao longo do tempo, e, por isso, é essencial que a escola e as suas metodologias acompanhem essa transformação. Atualmente, a função da escola não deve restringir-se apenas ao desenvolvimento intelectual das crianças, mas também à sua formação emocional e social. O autor refere, ainda, que as neurociências já comprovaram que as emoções desempenham um papel crucial no processo de aprendizagem. 41 Bisquerra (2003) destaca como objetivos da educação emocional as seguintes competências:  melhorar o conhecimento das próprias emoções;  reconhecer as emoções em si mesmo e nos outros;  aprender a controlar as próprias emoções;  prevenir os efeitos prejudiciais das emoções negativas;  fomentar a capacidade de gerar emoções positivas;  promover uma maior compreensão emocional. O contexto escolar e, em particular, o papel do educador, revelam-se decisivos no que respeita ao desenvolvimento emocional das crianças. Quando os profissionais da educação demonstram sensibilidade face às necessidades individuais dos seus educandos e lhes oferecem um ambiente emocionalmente seguro e acolhedor, estão a fomentar de forma significativa a sua capacidade de reconhecer, gerir e regular emoções. Neste processo, os vínculos estabelecidos entre criança e educador assumem, também eles, uma influência crucial na construção de estratégias de autorregulação emocional (Cadima et al., 2016). De um modo geral, a educação emocional é, deste modo, é uma dimensão estruturante do desenvolvimento das crianças, na medida em que capacita a criança para lidar com as suas emoções, interpretar as dos outros e construir relações interpessoais equilibradas. Num contexto educativo que visa uma formação integral, reconhecer o valor das emoções é essencial para favorecer um comportamento ajustado, a empatia e a tomada de decisões conscientes. Fomentar a literacia emocional desde os primeiros anos de vida contribui para o fortalecimento da autonomia pessoal, do autocontrolo e do respeito mútuo — competências basilares para uma convivência saudável e para uma aprendizagem significativa. 42 Capítulo III: Metodologia de Investigação e Plano Geral de Intervenção Nota Introdutória O terceiro capítulo inicia-se com a apresentação das questões que norteiam este projeto, assim como os objetivos inicialmente definidos, tanto ao nível da investigação como da intervenção. De seguida, são descritas as estratégias de intervenção e a metodologia adotada, baseada nos princípios da Metodologia de Investigação-Ação (I-A). Por fim, identificam-se os instrumentos de recolha de dados utilizados, essenciais para a concretização e análise do projeto desenvolvido, que contempla a análise dos inquéritos aplicados. 1. Questões orientadoras e Objetivos do Projeto Ao delinear o meu plano de investigação-ação, formulei algumas questões que nortearam a concretização do meu Plano de Intervenção:  De que forma a relação entre a educação e a saúde impacta o desenvolvimento integral da criança?  De que modo as práticas educativas e de saúde podem, em conjunto, promover um desenvolvimento infantil saudável?  Qual é a importância da atuação conjunta entre a educação e a saúde no desenvolvimento cognitivo, social, emocional e motor das crianças?  Em que medida o ambiente escolar pode contribuir para práticas de saúde preventiva e para a promoção do bem-estar nas crianças?  Qual é o papel da família e da comunidade na articulação entre a educação e a saúde no desenvolvimento das crianças? Em articulação com estas questões, defini os objetivos que procurei alcançar com a implementação do Plano de Intervenção. Objetivos de Investigação:  Identificar o conhecimento das crianças sobre saúde e estilos de vida saudáveis;  Averiguar as perceções das famílias sobre hábitos saudáveis das crianças; 49 Quanto às atividades físicas praticadas (Figura 8), o 1.º CEB apresenta uma maior diversidade de atividades. Na EPE, predomina o movimento espontâneo e as atividades integradas na rotina escolar, como a Atividade Física Desportiva. As atividades estruturadas fora da escola (como natação ou ginástica) são menos referidas na EPE. É fundamental salientar que 11,8% das crianças da EPE não praticam nenhuma atividade física, o que representa um fator de risco que deve ser acompanhado. Figura 8 - Atividades físicas praticadas pelas crianças A análise das rotinas de sono (Figura 9) revela que a maioria das crianças mantém horários relativamente estáveis, com períodos de descanso entre as oito e as dez horas por noite. As famílias demonstram estar conscientes da influência do sono na regulação emocional, na atenção e no rendimento escolar, embora se observe, em ambos os contextos, a presença de exposição a ecrãs antes de dormir, ainda que maioritariamente com tempo controlado. Apesar do controlo de tempo, a exposição a ecrãs antes do sono continua a ser um tema sensível, dado o seu potencial impacto negativo na qualidade do sono e na saúde mental. A escola poderá desempenhar um papel importante na literacia digital e nos impactos da utilização precoce das tecnologias nos ritmos biológicos das crianças. EPE 1.º CEB 50 Figura 9 - Rotinas de sono das crianças A maioria das famílias da EPE - 58,8% - consideram que a atuação conjunta da escola e da comunidade educativa no apoio ao desenvolvimento emocional dos alunos (Figura 10) é muito eficiente. Já no 1.º CEB prevalece em 64,7% a opinião de que a atuação é moderadamente eficiente. Figura 10 - Atuação conjunta da escola e da comunidade educativa no apoio ao desenvolvimento emocional das crianças Quanto aos benefícios atribuídos à colaboração entre a escola e a comunidade educativa para o desenvolvimento integral das crianças (Figura 11), as famílias destacam ganhos ao nível do equilíbrio emocional, da melhoria do desempenho escolar, da maior concentração e da maior estabilidade comportamental. Esta perceção positiva reforça a ideia de que os hábitos saudáveis são reconhecidos como fatores de proteção e de promoção do sucesso educativo. EPE 1.º CEB EPE 1.º CEB 51 Figura 11 - Benefícios da colaboração entre a escola e a comunidade educativa para o desenvolvimento integral das crianças Acerca dos desafios identificados pelas famílias para integrar a educação e a saúde no quotidiano das crianças (Figura 12), estes centram-se essencialmente com a falta de tempo para acompanhar os filhos, a dificuldade em manter rotinas consistentes, a pressão social associada ao consumo e à tecnologia, bem como a escassez de recursos humanos especializados nas escolas, nomeadamente psicólogos. Figura 12 - Desafios enfrentados pelas famílias para integrar a educação e a saúde no quotidiano das crianças Em suma, a análise dos inquéritos aplicados às famílias permite concluir que tanto na EPE quanto no 1.º CEB, existe consciência das mesmas sobre a importância da saúde no processo educativo. No entanto, é crucial que a escola adote um papel proativo na promoção de estilos de vida saudáveis, desde a infância, envolvendo todos os agentes educativos. A educação, enquanto processo formativo integral, só se concretiza plenamente quando assenta numa base sólida de saúde física, EPE 1.º CEB EPE 1.º CEB 52 emocional e social. Investir na educação para a saúde é, por isso, investir num futuro mais equilibrado e consciente para todas as crianças. Os dados recolhidos evidenciam, de forma clara, a relação entre educação e saúde enquanto pilares indissociáveis no processo de desenvolvimento das crianças. A partir das respostas obtidas, torna-se evidente que os contextos familiares e escolares desempenham um papel determinante na promoção de hábitos de vida saudáveis, os quais influenciam diretamente o bem-estar físico, emocional, cognitivo e social das crianças. A perceção das famílias relativamente à saúde emocional das crianças é, de um modo geral, positiva. No entanto, os casos em que a saúde é considerada apenas suficiente exigem um olhar mais atento por parte dos educadores e professores, no sentido de promoverem ambientes emocionalmente seguros, afetivos e empáticos, tanto na EPE como no 1.º CEB. Quanto à atividade física, observa-se que, embora presente em ambos os contextos, tende a ser mais estruturada no 1.º CEB, enquanto na EPE assume uma dimensão mais espontânea. Esta diferença realça a importância de proporcionar oportunidades intencionais de movimento no dia a dia, valorizando o brincar livre como componente essencial da educação em saúde nesta faixa etária. No domínio da alimentação, os dados revelam que a maioria das famílias considera a dieta das crianças equilibrada. Contudo, as respostas do 1.º CEB evidenciam já alguns desafios associados à maior autonomia alimentar e à exposição a escolhas menos saudáveis. Este dado reforça a urgência de intervenções educativas consistentes e contínuas que desenvolvam competências alimentares e espírito crítico desde cedo. As rotinas noturnas são maioritariamente regulares, o que é um indicador de estabilidade e estrutura. Ainda assim, as práticas relacionadas com o sono devem continuar a ser alvo de valorização nas mensagens educativas, uma vez que o descanso adequado é essencial para a autorregulação emocional, o rendimento escolar e o crescimento saudável. Já as sugestões deixadas pelas famílias, sobretudo no 1.º Ciclo, revelam um elevado grau de envolvimento, preocupação e disponibilidade para refletir sobre os hábitos de vida dos seus filhos. 53 Capítulo IV: Prática Pedagógica Nota introdutória No quarto capítulo procede-se à descrição e análise das atividades implementadas nos contextos de EPE e do 1.º CEB. De forma sucinta, estas ações centraram-se na promoção do bemestar físico, cognitivo, social e mental das crianças em ambos os níveis educativos, sendo cuidadosamente planeadas para assegurar o cumprimento dos objetivos definidos. Para cada contexto, apresenta-se inicialmente uma visão geral, seguida por uma análise detalhada de algumas das atividades concretizadas. O projeto de I-A intitulado “Educação e Saúde: dois pilares fundamentais no desenvolvimento integral das crianças”, teve como propósito a promoção de hábitos saudáveis com impacto positivo no desenvolvimento integral das crianças. As atividades foram estrategicamente concebidas para abordar quatro pilares essenciais - alimentação, atividade física, sono e gestão emocional —, enfatizando a importância destes desde os primeiros anos de vida. Sublinho a relevância de abordar esta temática desde a infância, dado que a promoção precoce de hábitos saudáveis contribui decisivamente para o desenvolvimento global das crianças, estabelecendo bases sólidas para uma vida equilibrada e saudável. 1. Atividades desenvolvidas em Contexto de Educação Pré-Escolar O meu projeto de investigação-ação intitula-se “Educação e Saúde: dois pilares fundamentais no desenvolvimento integral das crianças”. Interligado com a escolha do tema, planifiquei e coloquei em prática atividades relacionadas a promoção de hábitos saudáveis, visando uma contribuição positiva no bem-estar, na aprendizagem e no desenvolvimento das crianças. Desta forma, explorei pontos-chave que considero fundamentais para na infância: (i) a alimentação saudável, (ii) a gestão emocional, (iii) a higiene do sono e (iv)a prática regular de atividade física. Considero essencial abordar esta temática com as crianças desde os primeiros anos de vida, pois é crucial para o seu desenvolvimento global. Deste modo, apresentam-se, abaixo, as atividades desenvolvidas no âmbito do projeto. 54 1.1.Síntese Geral Quadro 8 - Atividades desenvolvidas em EPE Atividade Sessões Objetivos Vamos explorar a natureza! 4  Proporcionar experiências de exploração direta da natureza, promovendo a descoberta e o contacto sensorial com o mundo natural, respeitando a curiosidade inata das crianças e reforçando a consciência ambiental;  Desenvolver competências linguísticas através do reconto oral, do diálogo em grupo e da escuta ativa da obra literária, estimulando a capacidade de expressão, de questionamento e de interpretação;  Estimular o pensamento matemático através da organização sequencial de acontecimentos, da classificação e da seriação de elementos naturais, fomentando a observação, a comparação e a representação;  Promover o desenvolvimento da motricidade global e fina, através de atividades ao ar livre e propostas que envolvem a manipulação de materiais, respeitando o ritmo e as capacidades individuais de cada criança;  Valorizar a importância do brincar ao ar livre como prática promotora de saúde física, emocional e social, contribuindo para estilos de vida mais equilibrados e conscientes;  Favorecer a construção de atitudes de cuidado, respeito e responsabilidade face à natureza, integrando o domínio do conhecimento do mundo numa perspetiva de educação para a sustentabilidade. Alimenta-te bem e cresce também! 4  Despertar o interesse das crianças para a importância de uma alimentação variada, equilibrada e saudável, promovendo a literacia alimentar desde tenra idade, numa lógica preventiva e formativa;  Estimular o pensamento crítico e a capacidade de argumentação através do diálogo sobre conceções prévias, promovendo a escuta ativa, a construção coletiva de conhecimento e a valorização da opinião dos pares;  Desenvolver competências no domínio da linguagem oral e da abordagem à escrita através da leitura partilhada, da exploração vocabular e da expressão de ideias e sentimentos;  Explorar noções matemáticas, como a recolha e organização de dados, a contagem e a construção de gráficos, promovendo a relação entre quantidades e a leitura de representações visuais;  Favorecer aprendizagens no domínio do conhecimento do mundo, com destaque para a compreensão do funcionamento do corpo humano, da função dos alimentos e da importância de escolhas conscientes;  Envolver as famílias no processo educativo, reforçando a ligação escola–casa e reconhecendo o papel da comunidade no desenvolvimento de hábitos de vida saudáveis; 55  Estimular a motricidade fina e a criatividade através de atividades de recorte, colagem, desenho e composição visual, respeitando os interesses e as expressões individuais das crianças;  Incentivar a experimentação alimentar e o contacto direto com os alimentos, promovendo a curiosidade sensorial, a aceitação de novos sabores e a autonomia na relação com a comida;  Promover atitudes de partilha, cooperação e respeito, criando experiências de grupo que favorecem o desenvolvimento emocional e social num ambiente afetivo, seguro e motivador. Somos Iguais, Somos Especiais! 3  Incentivar a reflexão sobre o conceito de respeito e a importância de valorizar as diferenças, promovendo a construção de atitudes inclusivas e empáticas no seio do grupo;  Desenvolver a consciência emocional através da identificação de sentimentos associados a atitudes de rejeição, troça ou incompreensão, contribuindo para a expressão saudável das emoções;  Estimular a autoestima e o reconhecimento da própria identidade através da elaboração de autorretratos simbólicos, permitindo às crianças afirmarem-se enquanto seres únicos, com qualidades que merecem ser celebradas;  Reforçar competências linguísticas e comunicacionais com recurso à leitura dialogada, ao reconto oral e à exploração de vocabulário associado à temática das emoções e das caraterísticas pessoais;  Fomentar a consciência fonológica através da exploração de palavras significativas extraídas da narrativa trabalhada;  Desenvolver noções de esquema corporal, com foco na identificação e nomeação de partes do corpo, apoiando simultaneamente o desenvolvimento da linguagem e da perceção de si;  Estimular a sensibilidade tátil e a escuta atenta no jogo do tato, promovendo a concentração, a empatia e a capacidade de reconhecer o outro através de pistas não visuais;  Criar um ambiente seguro e afetuoso onde cada criança possa sentirse aceite, valorizada e reconhecida, contribuindo para a construção de um clima relacional positivo, fundamental ao seu bem-estar e ao processo de aprendizagem. Energia para brincar? Preciso de descansar! 3  Consciencializar as crianças para a importância de uma boa higiene do sono, promovendo hábitos noturnos saudáveis e consistentes que favoreçam o descanso, a reposição de energia e a saúde física e mental;  Estimular a expressão oral e a partilha de experiências, através do diálogo sobre as rotinas da noite e das estratégias pessoais que ajudam a adormecer, incentivando a escuta mútua e o respeito pela diversidade de vivências;  Desenvolver a capacidade de interpretação e reflexão através da leitura dialogada da obra literária, promovendo o pensamento crítico em torno da importância do descanso no dia a dia das crianças;  Valorizar o subdomínio da Música como meio de expressão e interiorização de mensagens significativas, promovendo a memorização, o ritmo, a expressão corporal e a criatividade musical, 56 através da canção criada para o efeito;  Explorar conceitos temporais associados aos ciclos do dia e da noite, favorecendo a consciência da organização do tempo e das atividades que ocorrem em cada período;  Reforçar a articulação entre expressão plástica, linguagem oral e pensamento simbólico, através do registo gráfico das atividades realizadas durante o dia e a noite;  Promover o bem-estar emocional e físico através da interiorização de rotinas estruturadas, reconhecendo o sono como um direito fundamental para o desenvolvimento equilibrado da criança. Missão: Corpo em Ação 1  Sensibilizar as crianças para a importância da atividade física como prática promotora de saúde, energia, bem-estar e equilíbrio, reforçando a sua incorporação em rotinas quotidianas;  Promover o desenvolvimento da motricidade global, através da realização de movimentos de deslocamento, equilíbrio, manipulação e controlo corporal em contextos de jogo e desafio;  Estimular a perceção do corpo em movimento, bem como o controlo da respiração e da frequência cardíaca, através de momentos distintos de ativação, esforço e relaxamento;  Fomentar o espírito de equipa, a cooperação e a entreajuda, por meio de jogos coletivos que promovem a convivência positiva, o respeito pelas regras e a alegria de brincar em grupo;  Reforçar aprendizagens relativas a hábitos de vida saudáveis, como a higiene pessoal, a alimentação equilibrada e o descanso, através da história introdutória e do diálogo reflexivo com as crianças;  Criar experiências significativas que integrem o simbolismo do Natal com valores educativos, favorecendo a articulação entre imaginação, movimento e construção de sentido. Os reis das emoções: cada coroa um sentimento *Atividade não realizada 1  Fomentar a identificação e a nomeação de diferentes emoções e sentimentos, promovendo a consciência de que todas as emoções são válidas e fazem parte da experiência humana;  Desenvolver estratégias de autorregulação emocional, proporcionando momentos de reflexão, escuta e partilha sobre formas de lidar com emoções intensas ou desconfortáveis;  Estimular atitudes de empatia e respeito pelos sentimentos dos outros, criando um espaço onde as crianças possam compreender que também podem ser um apoio para os colegas na gestão emocional;  Promover o bem-estar físico e mental através da prática de ioga e de exercícios de respiração, incentivando o relaxamento, a concentração e a tranquilidade interior;  Valorizar o brincar simbólico e os jogos estruturados como veículos de aprendizagem emocional e de expressão afetiva, reforçando a construção de uma convivência mais harmoniosa e consciente no grupo;  Integrar, de forma criativa e significativa, uma data comemorativa tradicional com o trabalho pedagógico em torno da saúde emocional, numa lógica de educação holística e promotora de bem-estar. 57 Atividade “Vamos explorar a natureza!” 1.ª sessão  Enquadramento da atividade no âmbito da exploração do outono.  Diálogo de pré-leitura com a turma.  Leitura dialogada da obra literária O Ladrão de Folhas , da autoria de Alice Hemming.  Questionamentos das crianças após a leitura.  Estimulação do domínio da Linguagem Oral e Abordagem à Escrita com recurso ao reconto oral.  Abordagem ao domínio da Matemática com a organização temporal dos acontecimentos da história, bem como a ordem dos animais e, da Área do Conhecimento do Mundo, com a identificação das suas características. 2.ª sessão  Ida a uma área verde localizada no exterior da escola.  Exploração dos elementos da natureza.  Distinção entre árvores de folha caduca e de folha persistente.  Compreensão das mudanças do estado do tempo com as estações do ano.  Recolha de folhas de diferentes cores e tamanhos e de bolotas para análise e para atividades de contagens.  Fortalecimento do desenvolvimento motor das crianças com as brincadeiras ao ar livre. 3.ª sessão  Questionamento das crianças sobre aquilo que observaram e sentiram no contacto direto com a natureza.  Explicação da importância de brincarem ao ar livre para o seu desenvolvimento.  Análise dos conceitos matemáticos grande e pequeno e ordenação e classificação das folhas quanto ao seu tamanho e cor.  Desenvolvimento da consciência fonológica com palavras da história abordada. 4.ª sessão  Estimulação da motricidade fina com a picotagem de folhas e a sua pintura com cores do outono. 58 Atividade “Alimenta-te bem e cresce também!” 1.ª sessão  Enquadramento da atividade no âmbito do Dia Mundial da Alimentação.  Debate sobre as conceções prévias das crianças sobre a definição do conceito de alimentação saudável.  Leitura dialogada do livro Eu gosto muito de...Fruta , escrito por Débora Cláudio, Nuno Pereira de Sousa, Rui Tinoco e Ângela Menezes.  Questionamentos das crianças após a leitura do livro.  A minha fruta preferida – construção de um gráfico de imagens com vista à organização e tratamento dos dados. 2.ª sessão  Pedido prévio às famílias para que as crianças trouxessem uma fruta à sua escolha.  Nomeação das frutas trazidos pelas crianças.  Organização das frutas conforme o número de elementos, organizando-os do menor para o maior.  Questionamento sobre qual será a fruto mais doce – como introdução para a preparação da salada de fruta e para a importância de provarem antes de dizerem que não gostam.  Elaboração da salada de fruta.  Retribuição do contributo dos pais com o envio de recipientes com a salada de frutas.  Registo da atividade, através do desenho e da pintura. 3.ª sessão  Introdução à Roda dos Alimentos - análise e exploração.  Jogo Semáforo da Alimentação – Organização dos alimentos no semáforo verde (Posso comer todos os dias), no semáforo amarelo ( Posso comer alguns dias) ou no semáforo vermelho (Só em dias de festa). 4.ª sessão  A nossa Roda dos Alimentos – elaboração de uma Roda dos Alimentos com recurso ao recorte e à colagem de alimentos dos folhetos de supermercado. 65 Figura 16 - A salada de fruta nos recipientes Figura 17 – Criações artísticas das crianças "Os frutos da salada de frutas" Posteriormente, jogamos o jogo do “Semáforo da Alimentação” (Figura 18), em que cada criança escolhia uma imagem de um alimento e colocava no semáforo verde (“Posso comer todos os dias”), no semáforo amarelo (“Posso comer alguns dias”) ou no semáforo vermelho (“Só em dias de festa”). Com esta atividade incita-se, uma vez mais, à importância de manter uma alimentação saudável e equilibrada. No final, trabalhamos mais uma vez a matemática com a contagem do número de elementos de cada semáforo. Figura 18 - Jogo "Semáforo da Alimentação" No dia seguinte, mostrei às crianças a Roda dos Alimentos (Figura 19). As crianças não a conheciam e, por esse motivo, estivemos a analisá-la, bem como as dimensões de cada categoria da roda. Para dar continuidade, decidi potencializar a aprendizagem com a elaboração da nossa Roda dos Alimentos com o auxílio de folhetos do supermercado (Figura 20). As crianças trabalharam a 66 motricidade fina, através do recorte e colagem dos alimentos. São evidentes algumas dificuldades na pega da tesoura. O recorte é uma tarefa que permite à criança desenvolver a motricidade fina, fundamental para a interação da criança com o meio, uma vez que esta tarefa implica não só a perceção do movimento da tesoura, ou seja, a maneira como este instrumento funciona, como também o planeamento motor, nomeadamente o movimento repetitivo de abertura e fecho da tesoura, e o controlo oculo-manual no processo de recorte das imagens dos alimentos, uma vez que a criança tem de olhar para a imagem enquanto a recorta. Figura 19 - Exploração da Roda dos Alimentos Figura 20 - Recorte dos alimentos dos folhetos Figura 21 - A Roda dos Alimentos elaborada pelas crianças Finda a atividade, concluí a Semana da Alimentação com o sentimento de dever cumprido e uma profunda consciência da pertinência desta temática no contexto educativo. A alimentação saudável revelou-se mais do que um conteúdo a transmitir, mas uma dimensão essencial da formação integral da criança, com implicações diretas no seu bem-estar físico, emocional e cognitivo. Através das experiências vividas ao longo da semana, foi possível constatar que abordar esta área de forma lúdica, intencional e adaptada à idade das crianças potencia a construção de conhecimentos relevantes e a adoção progressiva de atitudes conscientes. A resposta positiva do grupo, marcada pela curiosidade, participação ativa e entusiasmo, veio reforçar a convicção de que educar para a saúde — e, em particular, para escolhas alimentares equilibradas — é uma responsabilidade partilhada e um caminho que deve ser trilhado desde os primeiros anos de vida. 67 1.4. Atividade “Somos Iguais, Somos Especiais!” Promover a aceitação da diversidade e o respeito pelas diferenças desde os primeiros anos de vida é essencial para a construção de uma sociedade mais justa, empática e inclusiva. A infância constitui um momento privilegiado para cultivar valores como a solidariedade, a tolerância e o reconhecimento do outro enquanto ser único e valioso. Partindo desta premissa, foi dinamizada uma atividade orientada para a valorização da identidade individual e coletiva, incentivando as crianças a reconhecer as semelhanças e a respeitar as diferenças presentes no grupo. Através de estratégias lúdicas, narrativas e momentos de partilha, procurou-se criar um espaço seguro e afetuoso onde cada criança se sentisse ouvida, aceite e valorizada. Esta proposta teve como objetivo principal fomentar uma convivência assente na empatia, no diálogo e no respeito mútuo, contribuindo para a construção de um ambiente educativo verdadeiramente inclusivo. Desde o início do estágio, percebi a necessidade de abordar o tópico da diversidade e da inclusão com as crianças, uma vez que no grupo temos uma criança com a Perturbação do Espetro do Autismo – Variável não Falante e crianças de diferentes culturas. Apesar de ser evidente, uma sensibilidade e compreensão das diferenças por parte das crianças, em determinados momentos, há atitudes que nos deixam a pensar e que necessitam de uma intervenção imediata. A certa altura, enquanto concluíamos a nossa rotina diária de acolhimento, antecedendo o momento em que tinha planeado abordar com as crianças a história Orelhas de Borboleta , de Luísa Aguilar, que reflete justamente a aceitação pelas diferenças que nos tornam seres únicos e especiais, uma criança dirigiu-se até mim e fez um comentário depreciativo acerca de outra criança de raça negra. Esta atitude não foi um ato isolado por parte desta criança e esta atitude fez-me refletir sobre a importância de mostrar, desde cedo, às crianças a necessidade de compreender e aceitar a diversidade para vivermos numa sociedade que inclui e que respeita o outro, independentemente da sua condição ou das suas características. Ora, isto significa que expor as crianças às diversidades ajuda a combater preconceitos e estereótipos que podem ser transmitidos de geração em geração. Quanto mais cedo uma criança vê a diversidade como algo natural, tendencionalmente diminuirá o julgamento e a discriminação por alguém ser “diferente”. Entender as diferenças é colocar-se no lugar do outro, é compreender que cada criança tem vivências e sentimentos únicos, é fomentar relações respeitadoras, é saber viver em comunidade. Somos todos diferentes, mas os ideais, esse sim, devem ser universais. 68 Antes de iniciar a leitura do livro, questionei as crianças sobre “O que é o respeito?”. Automaticamente, surgiram respostas relacionados com as regras da sala e da convivência entre pares, tais como: D.: É portar bem. M.Ma.: É ser amigo. C.: É não bater. I.: É não tratar mal. F.: É sentar de pernas à chinês. M.Me.: É ouvir a professora. A.: É não fazer queixinhas. G.: É não gritar. Ao longo da leitura, debatemos as atitudes de troça e os comentários depreciativos por parte das crianças para com a personagem principal da história, a Mara. Unanimemente, as crianças conseguiram perceber que comentar as características do outro em forma de gozo são atitudes incorretas. No final da história, olhamos para o nosso grupo e percebemos que somos todos diferentes, mas são as características que nos diferenciam que fazem de nós seres únicos e especiais. Converter em positivo aquilo que para outros é motivo de troça, torna-nos ainda mais especiais. Como forma de sabermos reconhecer-nos e identificar as nossas características que nos diferenciam dos demais, sugeri que cada criança se desenhasse, de forma a começarem a identificar as características do corpo humano, por exemplo: “Quantos olhos tenho?”, “O meu cabelo é curto ou comprido?”, “Qual é a forma do meu nariz?”, entre outras. (Figura 22) Figura 22 – Autorretrato elaborado pelas crianças 69 Numa terceira atividade, jogamos o “Jogo do Tato” (Figura 23) em que uma criança com os olhos vendados tinha de adivinhar quem seria a criança que estava à sua frente somente através do toque. À medida que iam tocando, iam exprimindo aquilo que sentiam e as características que estavam a identificar. Relativamente a este jogo, gostaria de salientar que foi a primeira vez, em grande grupo, que a criança com Perturbação do Espetro do Autismo, por vontade própria, decidiu participar na atividade. Criar atividades em que todas as crianças participam é mesmo uma sensação de dever cumprido! Figura 23 - Jogo do Tato Para abordar o domínio da Linguagem Oral e Abordagem à Escrita, realizamos um jogo na plataforma Wordwall , de modo a consolidar e recontar os acontecimentos importantes da história (Figura 24). Figura 24 - Atividade de Interpretação e Reconto Por fim, trabalhamos a Consciência Fonológica e o Domínio da Matemática através das contagens do número de letras e de sílabas, bem como a identificação do numeral correspondente. (Figura 25) 70 Figura 25 – Atividade de consciência fonológica No final da semana, percebi que a atitude daquela criança não voltou a repetir-se e que, tanto ela como todas as outras crianças, entenderam de facto que somos todos diferentes e que é imperativo respeitarmo-nos e aceitar as diferenças. Quando a criança cresce a compreender a diversidade, estará mais preparada para se relacionar de forma construtiva e colaborativa em ambientes multiculturais, seja na escola, no trabalho ou na sociedade em geral. Para além de ser fundamental para o bem-estar coletivo, entender precocemente as diferenças permite que as crianças fortaleçam a autoestima e a identidade, visto que ao ver que todas as diferenças são valorizadas, as crianças também aprendem a aceitar a própria identidade e a se sentirem confiantes em ser quem são. Esta característica é fundamental particularmente para as crianças que possam sentir-se diferentes ou à margem dos padrões sociais, pois promove um ambiente de aceitação e de integração. A verdade é que ao preparar uma geração que respeita e acolhe as diferenças, pavimentamos o caminho para uma sociedade mais inclusiva. Estas crianças, ao crescerem, tornar-se-ão adultos mais tolerantes e proativos na luta contra a discriminação e no apoio a políticas de inclusão. 1.5. Atividade “Energia para brincar? Preciso de descansar!” No dia 20 de novembro celebrou-se o Dia Universal dos Direitos das Crianças e o Dia Nacional do Pijama, que tem como objetivo promover a consciencialização sobre os direitos das crianças em todo o mundo e reconhecer a importância de garantir proteção, educação, saúde, igualdade e bemestar para todas as crianças. O Dia Nacional do Pijama promove os direitos das crianças, em particular o direito de todas as crianças a crescerem numa família. Esta iniciativa, promovida pela Mundos de Vida , é um movimento educativo, solidário e divertido que envolve crianças, escolas e famílias, com foco na sensibilização para o acolhimento familiar e para o apoio a crianças em situações de vulnerabilidade. 71 Aproveitando a comemoração deste dia, procurei dialogar com as crianças acerca das suas rotinas da noite. Surpreendentemente, 90% das crianças frisaram que chegavam a casa e ficavam a ver televisão, tablet ou telemóvel no sofá até à hora de irem dormir, sendo que a maioria das crianças costuma ir dormir tarde e acorda cedo. Apenas duas crianças referiram que conversavam com a família acerca do seu dia e que os pais lhes liam livros antes de dormir e, ainda, somente quatro crianças abordaram o tópico da higiene pessoal. Portanto, tendo em conta que é um grupo com algumas fragilidades na fala, é um pouco preocupante esta falta de estímulo por parte da família. Para além disso, é essencial que as crianças mantenham desde tenra idade uma rotina de higiene pessoal, fundamental para o bem-estar físico, emocional e social das crianças, uma vez que além de promover a saúde, esses hábitos ajudam no desenvolvimento da autonomia e são uma base para práticas saudáveis ao longo da vida. A criação de uma rotina desde cedo ajuda a transformar as práticas de higiene em hábitos naturais e automáticos e quando as crianças aprendem a cuidar de si mesmas, internalizam a importância de preservar a sua saúde e o seu bem-estar. Relativamente à importância da higiene do sono, esta desempenha um papel fundamental no desenvolvimento global da criança, sendo determinante para o crescimento físico, a consolidação das aprendizagens, a regulação emocional e o equilíbrio comportamental. Dormir bem permite que a criança recupere energias, processe experiências vividas e mantenha um estado de bem-estar que favorece a atenção, a memória e a participação ativa nas rotinas diárias. A promoção de bons hábitos de sono desde cedo constitui, por isso, um fator protetor essencial, com impactos significativos na saúde e na qualidade de vida das crianças. Reconhecendo esta importância, foi dinamizada uma proposta pedagógica centrada na sensibilização para a higiene do sono e na valorização de rotinas tranquilizadoras, ajustadas às necessidades das crianças. Posto isto, de forma a abordar a importância do sono, trabalhei com as crianças o livro Camila não quer dormir , elaborado por Nancy Delvaux, que reflete o desafio comum enfrentado por muitas famílias: a dificuldade das crianças em ir para a cama e dormir. No momento de pré-leitura, questionei as crianças acerca do título: Estagiária: Porque é que acham que a Camila não quer dormir? M.: Porque tem frio. A.: Porque não gosta de dormir. V.: porque ela quer dormir com os pais. 72 No final da leitura, conversamos sobre o que é o sono e a importância de dormir bem: Como forma de consolidação da temática abordada, escrevi uma canção (Figura 26) para ensinar às crianças e trabalhar as rimas, a capacidade de memorização e o uso da expressão corporal para criar um ritmo. As crianças adoraram e rapidamente memorizaram os versos da música (Figura 27). Abordamos, ainda, a dicotomia Dia e Noite, bem como as atividades que costumam realizar em cada período, para que tenham uma maior consciência daquelas que são as suas rotinas do quotidiano (Figura 28). Estagiária: O que acham que é o sono? M.C.: É a hora de dormir. B.: É quando estamos muito cansados. Estagiária: Porque é que acham que temos de dormir bem? A.: Para ficar com energia. I.: Se tenho muito sono e não dormir vou ficar cansado e sem energia. C.: Música “A magia dos sonhos” O Sol já foi dormir, A Lua está a chegar. Amanhã vou-me divertir, Mas agora vou descansar! Sem energia não vou crescer, Preciso de adormecer. E quando eu acordar, O mundo vou conquistar! Letra inédita Figura 28 - Criações artísticas das rotinas das crianças Figura 26 - Canção original Figura 27 - Dinamização da música "A Magia dos Sonhos" 73 A intervenção desenvolvida no âmbito da higiene do sono permitiu não só abordar um tema muitas vezes negligenciado no contexto educativo, como também contribuir para uma maior consciencialização, por parte das crianças, da importância de dormir bem. Ao longo das atividades, foi possível promover momentos de escuta, diálogo e exploração lúdica que ajudaram as crianças a compreender que o descanso adequado é essencial para que o corpo recupere, a mente se organize e a energia se renove. Ficou claro que sem descanso, não há energia, e sem energia, não existe motivação nem disponibilidade para aprender, explorar ou relacionar-se com o outro. As mensagens partilhadas e interiorizadas durante a atividade constituíram passos importantes na construção de hábitos mais saudáveis e conscientes, reconhecendo o sono como parte integrante de um estilo de vida equilibrado e promotor de bem-estar físico e emocional. 1.6. Atividade “Missão: Corpo em Ação” A prática regular de atividade física na infância é essencial para o desenvolvimento harmonioso da criança, contribuindo de forma direta para o fortalecimento das suas capacidades motoras, cognitivas, sociais e emocionais. O movimento, enquanto forma privilegiada de expressão e descoberta, permite que a criança explore o seu corpo, o espaço e o outro, promovendo não só a coordenação e o equilíbrio, mas também a autonomia, a autoestima e a cooperação. Nesta etapa do desenvolvimento, o corpo é o primeiro instrumento de relação com o mundo, e é através da ação que a criança aprende, comunica e se desenvolve integralmente. Assim, fomentar a atividade física desde os primeiros anos é investir na saúde, no bem-estar e na construção de estilos de vida ativos e saudáveis. Aliado à magia das comemorações do Natal, nada melhor do que realizar um Circuito Natalício (Figuras 29 a 33) com diferentes estações e objetivos, onde mais importante era, sem dúvida, permitir que as crianças pudessem, finalmente, ter uma atividade em que podiam movimentar-se livremente e que fossem muito felizes. Por forma a dar início à nossa atividade, optei por, primeiramente, abordar a história “Um Pai Natal saudável” (Figura 28) que fala sobre temáticas importantes relacionadas com a higiene pessoal, a alimentação saudável e a prática de atividade física. 74 Estagiária: O que quer dizer “ser saudável”? I.: É comer frutinha. M.: Beber leite. D.: Tem de comer sopa. Estagiária: Ser saudável é só ter uma boa alimentação? M.C.: É só. F.: Não, não. Ser saudável também é dormir bem. C.: Sim, também é importante descansar. Estagiária: E devemos estar sempre sentados? Todos: Nãooooo. Estagiária: Então? O que devemos de fazer? V.: Já sei! Temos de caminhar. Estagiária: Para sermos saudáveis é muito importante praticar exercício físico! D.: Sim! Andar de bicicleta, correr, saltar... Estagiária: Então, hoje vamos fazer uma atividade muito gira. Vamos ser todos Pais-Natais e fazer exercício físico! Figura 29 - Leitura da história "Um Pai Natal saudável" Figura 30 - "Vamos aquecer!" Figura 31 - Estação 1: "Move-te, Pai Natal!" Figura 32 - Estação 2: "Cumpre a tua missão: Entrega os presentes!" Todos: Yupiiiii!!! 81 Atividade “Os Guardiões da Natureza: Um Planeta Melhor, Um Futuro Mais Saudável!”  Atividade no exterior da escola num parque verde.  Realização de um piquenique: Espetadas de Fruta e bolo de iogurte – enquadramento conjunto com o Projeto da Câmara Municipal de aproveitamento do leite e fruta escolar.  O que vejo à minha volta? O que sinto aqui? – Exploração da natureza e brincadeiras ao ar livre.  Realização de atividades em grupo sobre o que observamos com base nos conteúdos abordados nas diferentes áreas disciplinares, bem como atividades motoras e artísticas.  Recolha do lixo na natureza – Consciencialização para a preservação da natureza 2.2 Atividade “Pitadas de Sabor e Saber!” A turma está inscrita no Programa Nestlé – Por crianças mais saudáveis , que em parceria com a Direção Geral da Educação do Ministério da Educação, Ciência e Inovação, tem como objetivo promover uma alimentação saudável e sustentável como parte de um estilo de vida promotor de saúde. Para a comemoração dos 25 anos, o programa lançou este ano letivo o concurso “Somos o que comemos” , desafiando cada turma a recriar o número 25 com inspiração do tema: “Um Dia Alimentar Equilibrado”. Iniciamos a dinâmica Palavra do Dia com a palavra “saudável”, para introduzir a temática. De seguida, dialogamos sobre o que é ser saudável. Estagiária: O que é afinal ser saudável? M.: Comer frutas. S.M.: Comer sopa. L.: Beber leite. C.: Não ficar ao frio. G.: Comer sentado para digerir bem os alimentos. R.: Beber água. Estagiária: Por que razão devemos de ter uma alimentação saudável? J.P.: Para não ficarmos doentes. 82 M.: Para termos energia. S.L.: Devemos consumir alimentos da horta, porque não tem pesticidas. De seguida, exploramos a Roda dos Alimentos e recorremos à plataforma +Cidadania para a visualização de um vídeo informativo sobre a alimentação saudável e para a realização de um jogo interativo e educativo que consistia na organização dos alimentos nas diferentes categorias da Roda dos Alimentos. (Figura 35) Figura 35 - Exploração da temática De seguida, apresentei às crianças a música “Canção da alimentação”, da Escola Virtual . (Figura 36) Cantamos e, posteriormente, realizamos um ditado musical – uma atividade perfeita para trabalhar a compreensão oral e a atenção à escrita/ortografia e à música (Figura 37). Esta atividade revelou ser de grau de dificuldade elevado para algumas crianças, necessitando de várias repetições, verso a verso. Considero importante realçar que a atividade foi adaptada para as crianças com dificuldades de aprendizagem, facultando-lhes imagens numeradas e legendadas que correspondiam às palavras em falta da música. Figura 36 - Canção da alimentação Figura 37 - Ditado musical - diferentes níveis de aprendizagem 83 Continuando esta temática, e, uma vez que as crianças tinham abordados os sinais de trânsito em Estudo do Meio, decidimos construir os nossos sinais da alimentação, utilizando diferentes materiais e agrupando os alimentos nos sinais correspondentes tendo em conta as suas características. Os resultados ficaram bastante interessantes e diversificados (Figura 38). Figura 38 – Criações artísticas das crianças “Os sinais da alimentação” Solicitei, ainda, às crianças para que durante a semana seguinte registassem as suas refeições para analisarmos os registos em grupo. A verdade é que a maioria das crianças tem uma alimentação variada, equilibrada e saudável (Figura 39). Para além disso, as crianças construíram o seu arco-íris da alimentação, através de uma pesquisa em casa, com a ajuda da família (Figura 40). Ademais, a turma participa, ainda, num projeto de aproveitamento dos lanches escolares (leite, iogurte e fruta) da Câmara Municipal. Para isso, elaborei com as crianças uma receita de panquecas (Figura 41), onde abordamos diferentes conceitos matemáticos, tais como: noção de quantidade, múltiplos, divisores e medidas de capacidade. As nossas panquecas ficaram deliciosas, as crianças Figura 39 - Alguns registos das refeições semanais das crianças Figura 40 - Alguns registos do arco-íris da alimentação 84 Figura 41 - Lanche saudável: panquecas Figura 42 – Realização da ficha de trabalho matemática Ademais, para a continuação do projeto da Nestlé , abordei com as crianças a temática da importância do exercício físico e da adoção de estilos de vida saudáveis e realizamos algumas atividades físicas no exterior (Figura 43). Foi um momento mais descontraído que contribuiu para a alegria e motivação das crianças! Estagiária: Já falamos sobre a importância de uma alimentação saudável. Mas que outras coisas precisamos de fazer para sermos saudáveis? M.: Essa é fácil! Devemos de praticar exercício físico. Estagiária: Qual é a importância de praticar exercício físico? S.M.: Para mantermos o nosso corpo ativo. Estagiária: Muito bem! É exatamente isso que vamos fazer! Figura 2 - Lanche saudável: Panquecas adoraram a atividade e ficaram com a certeza de que podemos facilmente diversificar os nossos lanches, primando sempre por serem saudáveis. No final, como forma de consolidação, as crianças realizaram uma ficha de trabalho matemática (Figura 42). 85 Alunos: Uau! Adoramos! Realizamos, ainda, outro lanche saudável. Desta vez, confecionamos granola para adicionarmos ao iogurte e à fruta escolar. (Figura 44) Ficou delicioso! Figura 44 - Lanche Saudável: Granola Ora, concluídas as atividades realizadas ao longo das semanas relacionadas com estilos de vida saudáveis, chegou o momento de concretizarmos com a construção de um livro infinito, que representa todas as atividades desenvolvidas. Primeiramente, decidimos o título do nosso livro e, de seguida, fiz a montagens das páginas do mesmo. Depois, com a ajuda das crianças, construímos o nosso livro, realizando as colagens, dobragens e a escrita de frases que descrevem as ilustrações do nosso livro (Figura 45). O resultado final (Figura 46) ficou espetacular e as crianças ficaram super entusiasmadas com a construção do nosso próprio livro de uma forma inovadora! Figura 43 - Realização de atividade física ao ar livre 86 Figura 45 - Construção do livro " Vinte e cinco pitadas de Sabor e Saber" Figura 46 – Livro infinito “Vinte e cinco pitadas de Sabor e Saber” E, deste modo, chegamos ao fim das atividades desta temática, com o coração pleno e o sentimento genuíno de dever cumprido. É profundamente gratificante poder proporcionar às crianças experiências distintas e enriquecedoras, que ampliam horizontes e alimentam o gosto por aprender. Com a certeza de que trilhamos o caminho certo, seguimos em frente, firmes na nossa missão e entusiasmados para os desafios que se avizinham. Para concluir, considero fundamental salientar que a realização de atividades diversificadas em torno de uma dada temática revela-se essencial para a consolidação de aprendizagens significativas, na medida em que permite abordar os conteúdos sob diferentes práticas, estimulando múltiplos estilos de aprendizagem. No caso específico da alimentação saudável, esta diversidade metodológica assume particular relevância, pois possibilita que as crianças compreendam a importância de escolhas 87 alimentares equilibradas de forma lúdica, prática e contextualizada. Ao articular saberes com experiências concretas e envolventes, promove-se não só o desenvolvimento de competências cognitivas, mas também a formação de hábitos conscientes e duradouros, contribuindo para o bemestar físico e emocional dos alunos e para a construção de cidadãos responsáveis e ativos. 2.3 Atividade “À descoberta da joia interior!” Um clima emocional particularmente instável fez-se sentir no grupo nos últimos dias. As crianças revelavam-se mais frágeis, mais chorosas e facilmente reativas nas interações com os colegas. Esta sensibilidade acrescida manifestava-se em pequenos conflitos, dificuldades em gerir frustrações e numa menor capacidade de autorregulação emocional. Perante este cenário, tornou-se evidente a necessidade de criar um momento pedagógico centrado na educação emocional, que permitisse às crianças parar, reconhecer o que estavam a sentir, escutar-se e, acima de tudo, encontrar palavras para nomear as suas emoções. Foi com esse propósito que a atividade foi planeada, procurando criar um espaço seguro de partilha, escuta e compreensão mútua. A capacidade de reconhecer, nomear e compreender as próprias emoções é um pilar essencial no desenvolvimento pessoal e social da criança. Desde tenra idade, é fundamental que lhes sejam oferecidas oportunidades para explorar o que sentem, percebendo que todas as emoções são válidas e merecem ser acolhidas. Quando as crianças aprendem a identificar o que se passa no seu mundo interior, desenvolvem gradualmente competências de autorregulação, empatia e comunicação emocional. Este processo fortalece a autoestima, reduz a impulsividade e melhora significativamente a qualidade das relações interpessoais. Ao integrar a educação emocional nas vivências escolares, não estamos apenas a minimizar comportamentos reativos ou disfuncionais — estamos a promover o desenvolvimento de crianças emocionalmente competentes, com maior capacidade de interpretar o que sentem, comunicar de forma ajustada e responder com maturidade às exigências do meio que as envolve. Iniciamos a dinâmica com uma pergunta, com o intuito de perceber as ideias prévias das crianças: 88 De seguida, dirigimo-nos à biblioteca — um espaço sereno e acolhedor, onde o silêncio e a proximidade favorecem a concentração e a partilha genuína. Reunidos em círculo para uma roda de leitura e conversa, envolvemo-nos na história A Joia Interior , de Anna Llenas (Figura 47). Este livro convida-nos a uma viagem ao interior de nós próprios, despertando a consciência emocional. As crianças mostraram-se bastante atentas e conectadas com a mensagem da história, evidenciando uma sensibilidade surpreendente para a importância do cuidado pessoal. Através das reflexões suscitadas pela narrativa, foram capazes de reconhecer que o bem-estar emocional é tão fundamental quanto o físico, compreendendo que nutrir a joia interior implica escutar as próprias emoções, acolher-se com ternura e desenvolver uma atitude de amor-próprio. Este momento partilhado transformou-se numa verdadeira experiência de aprendizagem afetiva, onde o diálogo e a escuta ativa permitiram fortalecer laços, fomentar a empatia e lançar as bases para uma educação emocional sólida, tão essencial para o equilíbrio e a felicidade das crianças. As reflexões partilhadas pelas crianças, à luz da leitura do livro, revelaram uma compreensão tocante e profundamente sensível da sua mensagem essencial. Reconheceram que acreditar em si mesmas é um gesto de coragem e que cultivar a bondade — para com o outro e para consigo próprias Estagiária: Para ti, o que é uma joia interior? Porquê? M.: É o coração, porque é uma joia que brilha. F.: É o coração, porque é uma forma de mostrar amor. J.P: É o coração, porque bate forte. I.: É o amor, porque faz-nos sentir vivos. V.: É o coração, porque está no nosso corpo. Ro.: É o coração, porque cuida de nós. M.J: É o coração, porque faz-nos viver. C.: É uma coisa que eu gosto, porque deixa-me alegre. B.: É a alegria, porque eu gosto de pessoas felizes. Ma.: É o coração, porque é amor. Ru: É o coração, porque é importante para todos nós. M.S.: É o amor, porque é o maior tesouro do mundo. S.M.: É o coração, porque faz-nos viver, é importante para a saúde e representa o amor. G.: É o coração, porque quando estou triste, o coração sente. S.L.: É o coração, porque se não tivéssemos coração, não estaríamos vivos. J.A.: É o amor, porque é muito importante. Ca.: É o amor, porque uma joia é uma coisa especial para mim, igual ao amor. T.: É ter um amigo, porque sem um amigo não podemos brincar. Ra.: É o coração, porque quando estou triste ou alegre ele sente. Ga.: É o coração, porque quando é o que nos faz respirar e sentir. L.: É aquilo que sentimos, porque faz-nos ter emoções. 89 — é um caminho de crescimento ético e afetivo. Sublinhando a importância do respeito pela diferença, expressaram, com a sabedoria simples da infância, que cada ser é único e valioso na sua singularidade. Afirmaram ainda que não devemos agir com os outros de modo que não gostaríamos que agissem connosco, evidenciando uma consciência clara do valor da empatia e da reciprocidade. Por fim, demonstraram entender que todas as emoções têm lugar, que mesmo os momentos menos luminosos são partes integrantes da jornada da vida e que, acolhendo-os, se constrói uma existência mais inteira, mais verdadeira e mais humana. Figura 47 - Leitura dialogada do livro “A Joia Interior” De seguida, jogamos o jogo PlayMento (Figura 48) que consiste em cartas com emoções/sentimentos e perguntas. Este jogo revelou-se uma ferramenta valiosa para introduzir e aprofundar o diálogo sobre as emoções junto das crianças. Através das suas cartas ilustrativas que representam diversas emoções e sensações corporais, este recurso permitiu que as crianças reconhecessem e expressassem aquilo que sentiam de forma lúdica e acessível, promovendo não apenas a identificação emocional, mas também a reflexão sobre a forma como as emoções se manifestam no corpo e influenciam o nosso comportamento. Esta abordagem facilitou conversas genuínas e abertas, incentivando a empatia, a autorregulação emocional e a comunicação, essenciais para o desenvolvimento integral e saudável das crianças. Assim, o jogo tornou-se um instrumento pedagógico que, de modo envolvente, contribuiu para a construção de competências socioemocionais fundamentais desde a primeira infância. Ao longo do jogo, surgiram alguns comentários como: 90 Figura 48 - Jogo PlayMento Para aprofundar a compreensão do livro explorado e promover uma leitura mais crítica e significativa, elaborei um mini livro (Figura 49) que acompanhou o momento de interpretação. Este incluiu atividades orientadas para a identificação e análise dos elementos paratextuais, permitindo às crianças familiarizarem-se com aspetos fundamentais da estrutura do livro. Seguiram-se questões de interpretação textual, cuidadosamente formuladas para estimular o pensamento reflexivo, a inferência e a expressão pessoal. Por fim, integrei exercícios gramaticais que, partindo do texto literário, visaram consolidar conhecimentos linguísticos de forma contextualizada e funcional, articulando, assim, a educação literária com o desenvolvimento da competência linguística. F.: Eu fico alegre quando brinco com os meus amigos. B.: Quando estou triste fico sentado a pensar. R.: Eu sinto-me solitário em casa, porque a minha mãe não tem tempo para brincar comigo. L.: Saudade é uma emoção que nós sentimos quando os nossos pais estão longe de nós. M.: Eu nasci em Angola e estou longe da minha família e tenho muitas saudades. C.: Eu senti orgulho, porque consegui ler em voz alta. JP: Eu não gosto de não ter nada para fazer, fico aborrecido. S.M.: Eu fico envergonhado ao falar em frente a outras pessoas. G.: É importante percebermos que é normal sentirmos emoções positivas e negativas, porque a vida é feita de altos e baixos, mas temos de dar a volta por cima! 97 Atividade “Os Guardiões da Natureza: Um Planeta Melhor, Um Futuro Mais 2.6 Saudável!” Brincar ao ar livre é, por excelência, uma das formas mais autênticas e enriquecedoras de aprendizagem na infância. O contacto direto com a natureza favorece o desenvolvimento integral das crianças, proporcionando experiências únicas. Ao ar livre, o brincar torna-se mais livre, mais espontâneo e, por isso mesmo, mais significativo. Neste contexto, o espaço exterior é, simultaneamente, cenário de descoberta e palco de aprendizagens essenciais à formação de uma consciência ecológica e social responsável. Foi neste espírito que assinalámos o Dia Mundial do Meio Ambiente, dia 5 de junho, com atividades dinamizadas que privilegiaram a exploração da natureza enquanto contexto educativo e espaço de bem-estar. As crianças foram convidadas a participar em propostas que favoreceram não apenas o movimento e a descoberta do corpo, mas também a escuta ativa, a observação atenta e o respeito pelos elementos naturais que as rodeavam. Foram organizados diversos momentos de exploração livre e orientada (Figura 55). Cada pormenor da natureza foi vivido com encanto e curiosidade, fomentando o desejo genuíno de compreender, cuidar e preservar. Um dos momentos mais marcantes foi, sem dúvida, o piquenique realizado no exterior. Com simplicidade e carinho, preparámos uma refeição saudável composta por elementos do lanche escolar: pão fresco, espetadas de fruta coloridas e bolo de iogurte. Este momento de partilha, envolto por uma atmosfera de descontração e alegria, promoveu não só a convivência social, como também o desenvolvimento de competências ao nível da autonomia, da responsabilidade e da apreciação da alimentação equilibrada. Durante toda a atividade, as crianças revelaram grande entusiasmo e participação ativa. Sentiram-se verdadeiramente livres, seguras e felizes, expressando através dos seus gestos e palavras a alegria que o contacto com o espaço exterior lhes proporciona. As interações fluíram de forma harmoniosa, com gestos de entreajuda, cuidado pelo outro e partilha de descobertas. A experiência permitiu observar um evidente bem-estar emocional nos grupos. O riso fácil, os olhos brilhantes e os comentários espontâneos das crianças revelaram o impacto positivo da vivência em contexto natural. As aprendizagens não se limitaram à dimensão ambiental; estenderam-se ao campo relacional, emocional e até cognitivo, com o surgimento de questões, hipóteses e observações feitas pelas próprias crianças. 98 Esta atividade reforça, assim, a importância de integrar com regularidade experiências ao ar livre no quotidiano pedagógico. A natureza, quando acolhida como aliada no processo educativo, tornase uma poderosa fonte de aprendizagens e de felicidade. Continuar a oferecer às crianças estes momentos de liberdade, descoberta e relação com o mundo natural é investir no seu bem-estar presente e na construção de um futuro mais consciente e sustentável. Figura 55 - Piquenique e Exploração da Natureza 99 Capítulo V: Considerações Finais Nota introdutória O capítulo final do relatório reúne as considerações conclusivas relativas a todo o trabalho desenvolvido ao longo do ano letivo. Inicialmente, apresentam-se as principais conclusões extraídas da análise da intervenção realizada. Seguidamente, são identificadas e refletidas as limitações observadas durante a implementação do projeto, reconhecendo os desafios e constrangimentos enfrentados. Em terceiro lugar, formulam-se recomendações com vista a futuras intervenções. Por fim, efetua-se um balanço global da experiência formativa, sintetizando as aprendizagens e conhecimentos adquiridos ao longo do percurso. 1. Principais Conclusões A promoção de estilos de vida saudáveis assume um papel decisivo no desenvolvimento integral das crianças, abrangendo as dimensões físicas, cognitivas, sociais e emocionais. Num mundo cada vez mais marcado por desafios à saúde infantil, torna-se imprescindível que a educação e a saúde caminhem lado a lado, promovendo práticas contínuas e contextualizadas desde a infância. No contexto escolar, verifiquei que a escola desempenha um papel ativo na sensibilização para condutas promotoras de saúde. Destaco particularmente o trabalho da professora cooperante do 1.º CEB, que, com consistência e dedicação, alerta diariamente para questões cruciais como o consumo excessivo de açúcar nos lanches, a necessidade de um descanso adequado, a importância da prática regular de exercício físico e a valorização de todo e qualquer tipo de emoção e sentimentos. No que concerne ao contexto familiar, observei a existência de sensibilidade por parte dos encarregados de educação para esta temática, ainda que a sua participação nas ações de sensibilização dinamizadas pela escola seja limitada. Contudo, persistem desafios, por exemplo, o uso frequente de ecrãs antes do período de descanso, a reduzida atividade física fora do horário escolar e, ainda, a pouca atenção na seleção dos alimentos para as lancheiras das crianças. Estes elementos carecem de maior atenção e intervenção conjunta. Relativamente aos objetivos de intervenção definidos, as atividades realizadas ao longo do projeto permitiram alcançar plenamente cada um deles, contribuindo de forma significativa para o desenvolvimento global das crianças. Através de abordagens diversificadas, as crianças foram progressivamente sensibilizadas para a importância de adotar estilos de vida saudáveis, compreendendo melhor as consequências que estes têm para o seu bem-estar ao longo da vida. A 100 integração destas atividades com outras áreas do saber reforçou a sua relevância e impacto, numa aprendizagem verdadeiramente articulada. A concretização das atividades revelou-se um êxito incontestável, manifestando-se através da notória evolução dos conhecimentos e da consciência crítica das crianças relativamente aos hábitos que sustentam um estilo de vida saudável, quer nas crianças do pré-escolar quer nas do 1.º ciclo do ensino básico. Este progresso evidenciou não apenas a assimilação de conceitos, mas sobretudo o despertar de uma atitude reflexiva e responsável face às práticas que influenciam o seu bem-estar global, traduzindo-se num marco significativo para a promoção do desenvolvimento integral das crianças. Substancia-se, assim, a eficácia da intervenção, sublinhando a importância de um trabalho articulado entre escola, família e toda comunidade educativa na construção de bases sólidas para o crescimento saudável das crianças. 2. Limitações do Projeto A implementação de um projeto implica, inevitavelmente, enfrentar obstáculos que, longe de comprometerem a sua validade, contribuem para o amadurecimento do percurso formativo. Neste caso em específico, uma das limitações sentidas prende-se com a própria organização da prática de estágio, repartida por duas valências — EPE e 1.º CEB. Embora esta dualidade seja coerente com os objetivos do mestrado e enriquecedora do ponto de vista experiencial, o tempo disponível em cada um dos contextos revelou-se reduzido face à complexidade inerente à investigação e à ação pedagógica. Esta restrição temporal condicionou o aprofundamento da recolha de dados e a possibilidade de acompanhar, de forma mais contínua e efetiva, os efeitos do trabalho desenvolvido com as crianças. A intervenção teve, assim, de ser ajustada a um horizonte de curta duração, exigindo foco, clareza e uma definição precisa dos objetivos a alcançar. A este condicionante acresce a necessidade de integrar o projeto num contexto escolar já previamente organizado, com planificações anuais e estruturas curriculares definidas. Em contexto de EPE, a maior flexibilidade permitiu uma integração mais espontânea das propostas. Já no 1.º CEB, a densidade curricular e a realização de atividades extra na escola – mas extremamente enriquecedores para as crianças – reduziu a margem de atuação, exigindo uma planificação mais ajustada e criteriosa. Este equilíbrio entre o que é obrigatório e o que é proposto implicou esforço de adaptação e diálogo constantes. Acresce ainda, como fator a considerar, a heterogeneidade dos grupos, marcada por diferentes ritmos de aprendizagem, níveis de maturidade e perfis individuais. Esta diversidade, ainda que 101 enriquecedora, exigiu um esforço contínuo de diferenciação pedagógica, nem sempre possível de operacionalizar plenamente dentro das limitações temporais e logísticas do estágio. A par disso, sentiuse por vezes a escassez de recursos e de profissionais especializados, nomeadamente nas áreas da saúde mental e da educação especial, cuja presença nas instituições onde decorreu o estágio teria possibilitado um acompanhamento mais ajustado às necessidades específicas de algumas crianças. Estas limitações reforçam a importância de uma abordagem colaborativa e multidisciplinar, que valorize a individualidade de cada criança e promova respostas mais inclusivas e integradas. Ainda que o cenário ideal pressupusesse maior liberdade de tempo e de ação, ficou claro que é possível desenvolver projetos exequíveis, consistentes e pedagogicamente relevantes, desde que estes se articulem de forma sensível com a realidade concreta das instituições. Neste sentido, as limitações não funcionaram como entraves, mas sim como desafios que estimularam a capacidade de planeamento, de ajuste e de reflexão crítica sobre a prática pedagógica. 3. Recomendações Futuras Perspetivando o futuro da intervenção educativa, torna-se imperativo reforçar a integração da temática da saúde como eixo transversal e contínuo na formação das crianças. Esta não deve ser tratada como um complemento curricular ou uma ocorrência episódica, mas antes como parte indissociável do percurso educativo, desde os primeiros anos. Uma abordagem verdadeiramente holística à infância carece que se valorize, de forma equitativa, o desenvolvimento motor, social, cognitivo e emocional — dimensões que se entrelaçam e sustentam mutuamente na construção do bem-estar e da aprendizagem significativa. Importa, por isso, implementar práticas educativas que favoreçam o desenvolvimento integral da criança, contemplando, de forma equilibrada, essas dimensões. Cada uma dessas vertentes contribui de modo indissociável para a construção de um bem-estar pleno e duradouro. Ainda persiste, contudo, a tendência para privilegiar aspetos mais visíveis do desenvolvimento, como os progressos físicos ou académicos, em detrimento de outras expressões igualmente fundamentais, como as relações interpessoais, a gestão emocional ou a motricidade. Esta perspetiva fragmentada limita o potencial da ação educativa e exige, por isso, uma mudança de paradigma que reconheça a criança como um ser complexo e multifacetado, cujas necessidades devem ser acolhidas na sua totalidade. Adicionalmente, deve consolidar-se uma cultura educativa orientada para a prevenção, em detrimento de abordagens reativas centradas na correção de problemas já instalados. Neste sentido, é essencial investir na formação contínua de profissionais que, conscientes da complexidade do 102 desenvolvimento infantil, saibam intervir de forma informada, ética e sensível. A comunicação com as crianças sobre temas ligados à saúde deve ser clara, acessível e, sobretudo, vivenciada através de práticas concretas, rotinas consistentes e atividades que lhes permitam compreender e interiorizar hábitos saudáveis desde cedo. Finalmente, recomenda-se que sejam conduzidas investigações a nível nacional que permitam compreender com maior profundidade de que forma as escolas estão a contribuir, de facto, para o bem-estar e desenvolvimento integrais das crianças. Mais do que cumprir metas curriculares, é necessário repensar o papel da escola como espaço de vida, onde se aprende não só a ler e a escrever, mas também a sentir, a cuidar e a viver em sociedade. Investir na saúde, em todas as suas expressões, é investir no futuro de uma geração — e disso não se pode abdicar! 4. Balanço Geral da Formação Ao refletir sobre o balanço geral da minha formação, torno-me cada vez mais consciente de que a dimensão teórica não apenas sustenta a prática, mas também a ilumina. É nela que se inscrevem os princípios orientadores que conferem sentido à ação pedagógica, oferecendo-lhe estrutura, consciência e direção. Durante este caminho, fui guiada por conceitos, metodologias e estratégias que moldaram o olhar com que hoje observo a criança, o grupo e o mundo que os rodeia. No pulsar da realidade, no contacto direto com as crianças, nos gestos imprevisíveis e nos pequenos grandes desafios de cada dia, a aprendizagem ganhou vida e significado. Diariamente, tive a oportunidade de me testar, de errar e refazer, de observar com atenção e agir com intencionalidade. Foi nesse espaço entre o saber e o sentir que verdadeiramente aprendi — onde a dimensão teórica encontrou na prática o seu eco mais autêntico. Assumir a condução das atividades, planeá-las com significado, respeitando os ritmos e as singularidades de cada criança, foi um dos momentos mais transformadores deste percurso. Descobri, com encantamento, a responsabilidade e a beleza de orientar pedagogicamente, de criar ambientes que acolhem, desafiam e fazem crescer. Cada desafio emergente — seja na gestão das dinâmicas de grupo, na adaptação das propostas pedagógicas, na articulação com a comunidade educativa ou no reconhecimento das necessidades das crianças — foi acolhido como uma oportunidade de aprendizagem genuína. Evoluí enquanto profissional ao cultivar competências que a experiência e a reflexão proporcionam: a atenção plena aos detalhes, a interpretação sensível dos contextos, a flexibilidade criativa e a capacidade de agir com rigor, jamais, sem abdicar da ternura. 103 Cresci, de igual modo, enquanto pessoa. Esta vivência com as crianças revelou-se uma fonte inesgotável de crescimento pessoal, onde a paciência, a empatia e a capacidade de observar o mundo através do seu olhar inocente e curioso tornaram-se aprendizagens essenciais. Ensinou-me a apreciar mais profundamente o agora, reconhecendo que educar é, antes de mais, um gesto profundamente humano. As crianças, com a sua sinceridade e simplicidade, mostram-nos o valor de cada momento, a autenticidade dos sentimentos e a beleza de estar verdadeiramente presente. Aprendi com elas que o erro é parte do caminho, que cada pequena conquista merece ser celebrada com a mesma intensidade que as grandes vitórias, e que a humildade é um companheiro constante nesta jornada de aprendizagem mútua. A linha orientadora do meu projeto emergiu da convicção de que a infância é o terreno mais fértil para semear escolhas conscientes que favoreçam o bem-estar ao longo da vida. Escolhi, por isso, centrar a intervenção e a vertente investigativa numa dimensão muitas vezes subestimada nas primeiras idades: a promoção de estilos de vida saudáveis. Esta não é, a meu ver, uma responsabilidade adiada para a idade adulta, mas sim uma urgência educativa que deve integrar desde cedo o dia a dia das crianças. Ao longo da implementação do projeto, fui observando, com admiração crescente, a forma como os mais pequenos se envolviam, compreendiam e interiorizavam os conceitos abordados. Cada momento superava o anterior, não só em entusiasmo, mas também em profundidade. Esse processo dinâmico foi, para mim, uma fonte contínua de motivação e redescoberta, confirmando que educar para o bem-estar é, em essência, educar para a liberdade de ser. Apesar das adversidades naturais de qualquer percurso formativo, o que prevalece é uma profunda sensação de plenitude. A certeza de que consegui estar à altura do compromisso que assumi desde o início: proporcionar às crianças oportunidades significativas de crescimento em todas as dimensões do seu ser — emocional, social, cognitiva e motora. Ver o brilho nos seus olhos, testemunhar as suas descobertas e acompanhar o desenvolvimento de competências, revelou-se não apenas motivador, mas também ilustrativo do verdadeiro alcance da prática educativa quando é orientada por um propósito e reconhecimento. Hoje, ao olhar para trás, reconheço, com serenidade, que cumpri o meu papel e deixei uma marca que ultrapassa qualquer plano ou objetivo inicial. Em síntese, a minha formação foi um processo de interligação entre saber e sentir, entre teoria e prática, entre razão e afeto. A dimensão teórica sustentou-me e a dimensão prática moldou-me. E, entre ambas, descobri o verdadeiro sentido de educar: alguém que escuta, que age com intenção, que reflete com humildade, e que, todos os dias, disponibiliza-se para aprender com o outro — esse outro que, tantas vezes, nos revela aquilo que ainda nem sabíamos precisar de saber. 104 Referências bibliográficas e Legislação consultada Referências Bibliográficas Accioly, E. (2009). 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Tema: Explorações e brincadeira ao ar livre Estagiária Joana Sofia Carvalho Cardoso Sessões 07 a 11 de outubro de 2024 Áreas de Conteúdo Objetivos Descrição da Atividade Recursos Materiais Formação Pessoal e Social  Participa ativamente na atividade;  Respeita os colegas e adultos;  Espera pela sua vez;  Compreende a importância do trabalho de equipa;  Tem iniciativa e autonomia;  Manifesta opiniões sobre a atividade. A presente atividade surge na sequência da exploração do Outono. Por forma a dar-se início à dinamização da atividade, começar-se-á por ler a obra "0 Ladrão de folhas", realizando questões sobre a capa e o conteúdo da mesma, com o intuito que o grupo realize previsões sobre a história. Durante a leitura, solicitar-se-á a participação das crianças sobre os próximos acontecimentos da história. Posteriormente, realizar-se-á não só o reconto da narrativa, como também se farão algumas questões relacionadas com os diferentes tipos de animais e árvores e as mudanças do estado do tempo. Após esta exploração, procurar-se-á potenciar o contacto com a natureza, com ida a uma área verde, onde poderão brincar livremente, observar os elementos naturais e apanhar folhas e bolotas.  Obra O Ladrão de Folhas ;  Imagens com nomes das personagens das história e elementos do outono, cartaz e tampas de garrafas para trabalhar a consciência fonológica;  Material de picotagem;  Tintas: vermelha, castanha, laranja e amarela. Área da Expressão e Comunicação Domínio da Educação Artística (Subdomínio das Artes Visuais)  Realiza a picotagem de moldes de folhas;  Pinta as folhas com cores do Outono. Domínio da Linguagem Oral e Escrita  Utiliza as regras de conversação;  Coloca questões pertinentes referentes à temática;  Constrói frases simples;  Utiliza e apropria-se de novo vocabulário;  Identifica as personagens que aparecem na narrativa;  Reconta a história, com recurso a suporte visual;  Desenvolve a consciência fonológica. 114 Domínio da Matemática  Ordena, corretamente, a entrada das personagens na história;  Recorre a expressões para referir a ordem das personagens;  Conta o número de personagens;  Classifica as folhas consoante o tamanho e a cor. Posteriormente, serão abordados conceitos matemáticos com as folhas que as crianças irão apanhar. De seguida, individualmente, cada criança picotará o molde de uma folha e irá pintá-la com fintas com cores iguais às que encontrarão na natureza. Por fim, desenvolver-se-á a consciência fonológica com o nome das personagens da história e dos elementos do outono. Formas de organização do grupo: Grande/Pequeno grupo Área do Conhecimento do Mundo  Identifica as características dos animais;  Distingue os tipos de árvores;  Relaciona as mudanças do estado do tempo com as estações do ano;  Explora livremente os elementos da natureza. Registo de avaliação:  Analisar a atenção demonstrada pelas crianças acerca do tema em questão.  Analisar a capacidade de improviso das crianças.  Avaliar a capacidade de resolução de desafios das crianças, em grupo.  Averiguar a capacidade das crianças de responder a questões relacionadas com a temática em análise.  Registar os acontecimentos provenientes da participação ativa das crianças.  Retirar eventuais conclusões sobre os conhecimentos adquiridos inerentes à temática.  Retirar conclusões pertinentes das respostas dadas às questões colocadas.  Verificar a tarefa no sentido da sua execução e originalidade.  Verificar o seu interesse através da participação ativa no momento. 1Livro O Ladrão de Folhas 2Sequencialização dos animais e as suas características 115 Apêndice II – Atividade Alimenta-te bem e cresce também! Nome da atividade: Alimenta-te bem e cresce também! Tema: Alimentação saudável e equilibrada Estagiária Joana Sofia Carvalho Cardoso Sessões 14 a 18 de outubro de 2024 Áreas de Conteúdo Objetivos Descrição da Atividade Recursos Materiais Formação Pessoal e Social  Participa ativamente na atividade;  Respeita os colegas e adultos;  Espera pela sua vez;  Compreende a importância do trabalho de equipa;  Tem iniciativa e autonomia;  Manifesta opiniões sobre a atividade. A presente atividade surge na sequência da comemoração da Semana da Alimentação. Por forma a dar-se início à dinamização da atividade, começar-se-á por questionar as crianças sobre "O que é uma alimentação saudável?". Depois ler-se-á a obra "Eu gosto muito de...frutas", realizando questões sobre a capa e o conteúdo da mesma, com o intuito que o grupo realize previsões sobre a história. Durante a leitura, solicitar-se-á a participação das crianças acerca das características das frutas. Posteriormente, realizar-se-á não só o reconto da narrativa, como também se farão algumas questões relacionadas com os tipos de frutas e a importância de provar todo o tipo de alimentos. Por conseguinte, as crianças serão questionadas sobre qual será o seu fruto preferido e esses dados serão organizados num gráfico e analisados. De seguida, com as frutas que as crianças irão trazer para a escolar, iremos nomeá-las e organizá-  Obra Eu gosto muito de. ..frutas;  Cartão;  Frutas;  Material de desenho; Área da Expressão e Comunicação Domínio da Educação Artística (Subdomínio das Artes Visuais)  Realiza o registo individual da atividade, recorrendo ao desenho;  Realiza atividades de recorte e colagem. Domínio da Linguagem Oral e Abordagem à Escrita  Utiliza as regras de conversação;  Coloca questões pertinentes referentes à temática;  Constrói frases simples;  Utiliza e apropria-se de novo vocabulário;  Identifica as personagens que aparecem na narrativa;  Reconta a história;  Nomeia os frutos e as suas características. Domínio da  Ordena, corretamente, a entrada das 116 Matemática frutas na história;  Recorre a expressões para referir a ordem das frutas;  Conta o número de frutas;  Classifica as frutas consoante o seu tamanho;  Organiza e compara os dados num gráfico. las por quantidades, bem como ordenar com base no seu tamanho. Após esta exploração, as crianças cortarão as frutas para fazer uma salada de frutas, irão prová-Ias e farão o desenho das frutas presentes na sala de frutas. Posto isto, serão apresentados alimentos às crianças e estas irão distinguir os alimentos em saudáveis e não saudáveis, bem como na periocidade em que devem consumi-los, através do jogo "Semáforo da Alimentação". Depois, apresentar-se-á a Roda dos Alimentos e as crianças irão construir a sua própria Roda dos Alimentos, através de técnicas de recorte e colagem. Grande/Pequeno Formas de organização do grupo: grupo Área do Conhecimento do Mundo  Identifica os diferentes tipos de frutas;  Explora as frutas, recorrendo à visão, ao tato, ao olfato e ao paladar;  Distingue os alimentos por categorias;  Organiza os alimentos, consoante a periocidade em que os devem consumir. Registo de avaliação:  Analisar a atenção demonstrada pelas crianças acerca do tema em questão.  Analisar a capacidade de improviso das crianças.  Avaliar a capacidade de resolução de desafios das crianças, em grupo.  Averiguar a capacidade das crianças de responder a questões relacionadas com a temática em análise.  Registar os acontecimentos provenientes da participação ativa das crianças.  Retirar eventuais conclusões sobre os conhecimentos adquiridos inerentes à temática.  Retirar conclusões pertinentes das respostas dadas às questões colocadas.  Verificar a tarefa no sentido da sua execução e originalidade. 117  Verificar o seu interesse através da participação ativa no momento. 3Livro Gosto muito de...fruta 4Recursos para o jogo Semáforo da Alimentação 5Roda dos Alimentos 118 Apêndice IV - Atividade Somos Iguais, Somos Especiais! Nome da atividade: Somos Iguais, Somos Especiais! Tema: A aceitação das diferenças e a inclusão Estagiária Joana Sofia Carvalho Cardoso Sessões 21 a 25 de outubro de 2024 Áreas de Conteúdo Objetivos Descrição da Atividade Recursos Materiais Formação Pessoal e Social  Participa ativamente na atividade;  Respeita os colegas e adultos;  Espera pela sua vez;  Compreende a importância do trabalho de equipa;  Tem iniciativa e autonomia;  Manifesta opiniões sobre a atividade;  Entende o significado de empatia. A presente atividade surge na sequência da abordagem ao tópico da diversidade e da inclusão. Por forma a dar-se início à dinamização da atividade, começar-se-á por explorar a obra "Orelhas de Borboleta" , realizando questões sobre a capa e o conteúdo da mesma, com o intuito que o grupo realize previsões sobre a história. Durante a leitura, solicitar-se-á a participação das crianças em excertos que se repetem e que antecipem os próximos acontecimentos, de modo que estas se envolvam mais no relato. Posteriormente, realizar-se-á não só o reconto da narrativa, como também se farão algumas questões relacionadas com a diversidade, o respeito pelas diferenças e o entendimento de que todos somos especiais. Por conseguinte, iremos consolidar os acontecimentos da história, através da plataforma Wordwall. De seguida, cada criança irá desenhar um autorretrato, atendendo às suas características físicas. Após essa exploração, iremos jogar o "Jogo do Tato", onde uma criança com os olhos vendados terá de  Obra Orelhas de Borboleta;  Computador;  Plataforma Wordwall ;  Folhas brancas A4;  Material de desenho;  Vendas;  Imagens com palavras da história, cartaz e tampas de garrafas para desenvolver a consciência fonológica. Área da Expressão e Comunicação Domínio da Educação Artística (Subdomínio das Artes Visuais)  Realiza um autorretrato, com recurso a materiais de desenho. Domínio da Linguagem Oral e Abordagem à Escrita  Utiliza as regras de conversação;  Coloca questões pertinentes referentes à temática;  Constrói frases simples;  Utiliza e apropria-se de novo vocabulário;  Identifica as personagens que aparecem 119 na narrativa;  Reconta a história;  Desenvolve a consciência fonológica. adivinhar quem será a criança que estará à sua frente, através do tato. Por fim, desenvolver-se-á a consciência fonológica com as palavras presentes na obra abordada, com a contagem do número de letras e sílabas da palavra, bem como a identificação do numeral correspondente. Grande/Pequeno grupo Formas de organização do grupo: Domínio da Matemática  Conta o número de letras e de sílabas das palavras;  Identifica o numeral correspondente. Área do Conhecimento do Mundo  Reconhece as características de si próprio e do seu corpo;  Identifica os colegas, através do tato. Registo de avaliação:  Analisar a atenção demonstrada pelas crianças acerca do tema em questão.  Analisar a capacidade de improviso das crianças.  Avaliar a capacidade de resolução de desafios das crianças, em grupo.  Averiguar a capacidade das crianças de responder a questões relacionadas com a temática em análise.  Registar os acontecimentos provenientes da participação ativa das crianças.  Retirar eventuais conclusões sobre os conhecimentos adquiridos inerentes à temática.  Retirar conclusões pertinentes das respostas dadas às questões colocadas.  Verificar a tarefa no sentido da sua execução e originalidade.  Verificar o seu interesse através da participação ativa no momento. 6Livro Orelhas de borboleta 7Recurso exemplificativo da plataforma Wordwall 8Materiais para desenvolver a consciência fonológica 120 Apêndice IV - Atividade Energia para brincar? Preciso de descansar! Nome da atividade: Energia para brincar? Preciso de descansar! Tema: O sono e a sua importância Estagiária Joana Sofia Carvalho Cardoso Sessões 18 a 22 de novembro de 2024 Áreas de Conteúdo Objetivos Descrição da Atividade Recursos Materiais Formação Pessoal e Social  Participa ativamente na atividade;  Respeita os colegas e adultos;  Espera pela sua vez;  Compreende a importância do trabalho de equipa;  Tem iniciativa e autonomia;  Manifesta opiniões sobre a atividade;  Compreende as suas rotinas e a importância do sono. A presente atividade surge na sequência da comemoração do Dia Nacional do Pijama e da abordagem ao tema do sono e da sua importância. Por forma a dar-se início à dinamização da atividade, começar-se-á por questionar as crianças acerca das suas rotinas da noite. De seguida, abordar-se-á a obra "Camila não quer dormir! realizando questões sobre a capa e o conteúdo da mesma, com o intuito que o grupo realize previsões sobre a história. Durante a leitura, solicitar-se-á a participação das crianças e no final realizar-se-á o reconto da narrativa, bem como colocar-se-ão questões acerca do sono e da sua importância. Depois, as crianças irão aprender a música "A magia dos sonhos", escrita por mim, e irão cantá-la, produzindo um ritmo com os sons do próprio corpo, e dinamizar uma coreografia para a mesma. Posteriormente, serão abordadas as diferenças • Obra Camila não quer dormir; • Letra da música A magia dos sonhos ; • Folhas A4; • Lápis de cor. Área da Expressão e Comunicação Domínio da Educação Artística (Subdomínio das Artes Visuais, da Dança e da Música)  Desenha as suas rotinas do dia e da noite;  Aprende a letra da música e canta-a;  Utiliza o corpo para emitir sons;  Produz um ritmo.  Dinamiza uma coreografia para a música. Domínio da Linguagem Oral e Abordagem à Escrita  Utiliza as regras de conversação;  Coloca questões pertinentes referentes à temática;  Constrói frases simples;  Utiliza e apropria-se de novo vocabulário;  Identifica as personagens que aparecem na narrativa; 121  Reconta a história;  Memoriza a música. da dicotomia Dia e Noite e, no final cada criança irá desenhar as suas rotinas do dia e da noite, numa folha de papel A4. Formas de organização do grupo: Grande/Pequeno grupo Área do Conhecimento do Mundo  Identifica as diferenças entre o dia e a noite; Registo de avaliação:  Analisar a atenção demonstrada pelas crianças acerca do tema em questão.  Analisar a capacidade de improviso das crianças.  Avaliar a capacidade de resolução de desafios das crianças, em grupo.  Averiguar a capacidade das crianças de responder a questões relacionadas com a temática em análise.  Registar os acontecimentos provenientes da participação ativa das crianças.  Retirar eventuais conclusões sobre os conhecimentos adquiridos inerentes à temática.  Retirar conclusões pertinentes das respostas dadas às questões colocadas.  Verificar a tarefa no sentido da sua execução e originalidade.  Verificar o seu interesse através da participação ativa no momento. 9Livro Camila não quer dormir 10 Canção de autoria própria 122 Apêndice V – Atividade Missão: Corpo em Ação! Atividade: Missão: Corpo em Ação! Grupo: Pré-Escolar – 20 crianças com 4 anos de idade Estagiária: Joana Cardoso Duração: 60 minutos PARTE ATIVIDADE DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE OBJETIVOS ESQUEMA MATERIAL TEMPO Início: “Vamos aquecer!” Ativação geral  Corrida ligeira;  O Pai Natal senta no trenó e agarra as renas;  Sobe até à chaminé: levanta o braço e a perna;  Salta pela chaminé em diferentes sentidos e movimentos;  Realiza alguns alongamentos;  Jogo para verificar a atenção das crianças na tarefa: bato 1x com a bola no chão e as crianças têm de bater uma palma.  Aumentar a temperatura corporal;  Aumentar a frequência cardíaca.  Superfície horizontal não escorregadia ;  Aparelhagem sonora com músicas de Natal;  Poster com a indicação do aquecimento ;  Fitas para dividir as estações;  1 bola de ténis. 10 minutos Sessão: 03 de dezembro de 2024 129 circulação e ao atravessamento enquanto peão;  Identificar, conhecer e adotar comportamentos adequados enquanto passageiro;  Identificar comportamentos adequados e inadequados e adotar comportamentos seguros, enquanto condutor. Câmara Municipal de aproveitamento do leite e fruta escolar. Por fim, na sexta sessão iremos construir o nosso livro infinito 25 pitadas de Sabor e Saber, com base no tema do concurso e nas atividades desenvolvidas relacionadas com a temática. Formas de organização do grupo: Grande/Pequeno grupo Registo de avaliação:  Analisar a atenção demonstrada pelos alunos acerca do tema em questão.  Analisar a capacidade de improviso dos alunos.  Aferir qualitativamente as intervenções efetuadas.  Avaliar a capacidade de resolução de desafios dos alunos, em grupo.  Averiguar a capacidade dos alunos de responder a questões relacionadas com a temática em análise.  Observar e, eventualmente, proceder a correções das atividades realizadas pelos alunos.  Registar os acontecimentos provenientes da participação ativa dos mesmos.  Retirar eventuais conclusões sobre os conhecimentos adquiridos inerentes à temática.  Retirar conclusões pertinentes das respostas dadas às questões colocadas.  Verificar a tarefa no sentido da sua execução e originalidade.  Verificar o seu interesse através da participação ativa no momento. 130 13 Roda dos Alimentos e Plataforma +Cidadania 14 Acesso à Escola Virtual 15 Letra da canção 16 Ditado musical 17 Registo das refeições 6Arco-íris da alimentação 18 Ficha de trabalho de português 19 Fichas de trabalho de matemática 20 Páginas do livro infinito 131 Apêndice VII – Atividade À descoberta da joia interior! Nome da atividade: À descoberta da joia interior! Tema: Gestão Emocional Estagiária Joana Sofia Carvalho Cardoso Sessões 12 a 16 de maio de 2025 Áreas Curriculares Objetivos Descrição da Atividade Recursos Materiais Português  Selecionar informação relevante em função dos objetivos de escuta e registá-la por meio de técnicas diversas;  Falar com clareza e articular de modo adequado as palavras;  Usar a palavra na sua vez e empregar formas de tratamento adequadas na interação oral, com respeito pelos princípios de cooperação e cortesia;  Escrever textos curtos com diversas finalidades (narrar, informar, explicar);  Escrever corretamente palavras com todos os tipos de sílabas, com utilização correta dos acentos gráficos e do til;  Compreender o sentido de textos com características narrativas e descritivas, associados a finalidades diferentes (lúdicas, estéticas, informativas);  Recontar histórias e narrar situações vividas e imaginadas  Identificar e referir o essencial de textos lidos;  Reconhecer a flexão nominal e adjetival quanto ao número e ao género;  identificar a classe das palavras: determinante artigo, nome, adjetivo, verbo. A primeira sessão iniciará com a dinâmica Frase do Dia . De seguida, proceder-se-á ao levantamento das conceções prévias das crianças sobre a definição de joia interior. Posteriormente, faremos a leitura dialogada do livro A joia interior , da autoria de Anna Llenas., onde questionar-se-ão as crianças durante e após a leitura do livro. Seguidamente, jogar-se-á o jogo de cartas PlayMento, de forma a explorar as emoções e sentimentos. Na segunda sessão, realizar-se-ão exercícios de interpretação textual e de gramática acerca do livro abordado. Depois, explorar-se-á os diferentes tipos  Quadro interativo;  Computador/telemóvel;  Ficheiro para registo das conceções prévias e das conclusões;  Livro A joia interior , de Annna Llenas;  J ogo PlayMento;  Mini livro de exercícios;  Sólidos geométricos;  Ficha de trabalho matemática;  Planificação do paralelepípedo;  Pedras;  Materiais de artes visuais diversos. 132 de joias, interligando com os sólidos geométricos e situações problemáticas. A terceira sessão enquadrar-se-á com a comemoração do Dia da Família. Construir-se-á uma lembrança para as famílias como agradecimento por cuidarem da joia interior das crianças. Começar-se-á pela construção de uma caixa de papel, através da planificação de um paralelepípedo. De seguida, pintar-seão pedras que simbolizam joias e, por fim, escrever-se-á uma dedicatória. Formas de organização do grupo: Grande/Pequeno grupo Matemática  Reconhecer e aplicar as etapas do processo de resolução de problemas;  Ler e interpretar ideias e processos matemáticos expressos por representações diversas;  Usar representações múltiplas para demonstrar compreensão, raciocinar e exprimir ideias e processos matemáticos, em especial linguagem verbal e diagramas;  Descrever as características (existência de superfícies planas ou curvas, vértices, arestas e forma das faces planas) de sólidos comuns (cone, cilindro, esfera, cubo, paralelepípedo, pirâmide, prisma);  Distinguir poliedros de outros sólidos;  Classificar figuras planas com base nas suas características (linhas retas ou curvas, número de lados, número de vértices, igualdade dos lados), apresentando e explicando as suas ideias;  Reconhecer polígonos e relacionar a sua designação (triângulos, quadriláteros, pentágonos e hexágonos) com o respetivo número de lados. Estudo do Meio  Refletir sobre comportamentos e atitudes, vivenciados ou observados, que concorrem para o bem-estar físico e psicológico, individual e coletivo. Educação Artística – Artes Visuais  Escolher técnicas e materiais de acordo com a intenção expressiva das suas produções plásticas;  Manifestar capacidades expressivas e criativas nas suas produções plásticas, evidenciando os conhecimentos adquiridos; 133  Apreciar os seus trabalhos e os dos seus colegas, mobilizando diferentes critérios de argumentação. Cidadania e Desenvolvimento  Saber colocar questões, levantar hipóteses, fazer inferências, comprovar resultados e saber comunicá-los, reconhecendo como se constrói o conhecimento;  Reconhecer a importância das relações interpessoais;  Valorizar as relações de cooperação e de interajuda;  Desenvolver valores de respeito, tolerância e partilha. Registo de avaliação:  Analisar a atenção demonstrada pelos alunos acerca do tema em questão.  Analisar a capacidade de improviso dos alunos.  Aferir qualitativamente as intervenções efetuadas.  Avaliar a capacidade de resolução de desafios dos alunos, em grupo.  Averiguar a capacidade dos alunos de responder a questões relacionadas com a temática em análise.  Observar e, eventualmente, proceder a correções das atividades realizadas pelos alunos.  Registar os acontecimentos provenientes da participação ativa dos mesmos.  Retirar eventuais conclusões sobre os conhecimentos adquiridos inerentes à temática.  Retirar conclusões pertinentes das respostas dadas às questões colocadas.  Verificar o seu interesse através da participação ativa no momento. 134 21 Obra “A joia interior” 22 Jogo PlayMento 23 Mini livro de exercícios 24 Ficha de trabalho de matemática 25 Planificação do paralelepípedo 135 Apêndice VIII – Atividade Corpo que mexe, corpo que cresce! Atividade: Corpo que mexe, corpo que cresce! Grupo: 2.º ano do 1.º CEB – 21 alunos Estagiária: Joana Cardoso Duração: 45 minutos Sessão: 26 de maio de 2025 PARTE ATIVIDADE DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE OBJETIVOS ESQUEMA MATERIAL TEMPO Jogo coletivo: “Caçagelo” Ativação geral  As crianças correm pelo espaço, enquanto 2 crianças as tentam apanhar;  Quando são apanhadas, têm de congelar, abrindo as pernas;  Só descongelam quando outra criança passar pelo meio das suas pernas;  O jogo termina quando todas as crianças forem apanhadas.  Aumentar a temperatura corporal;  Aumentar a frequência cardíaca;  Coletes 10 minutos Estação 1 Deslocamentos e Equilíbrios  As crianças iniciam o percurso equilibrando-se em cima de uma corda;  De seguida, contornam os cones em ziguezague, apoiando-se num só pé;  Por fim, seguindo à retaguarda, voltam a equilibrar-se na corda.  Realizar deslocamentos e equilíbrios através de ações motoras básicas de deslocamento, no solo e em aparelhos, segundo uma estrutura rítmica, encadeamento, ou  Cones;  Cordas 20 minutos 136 Estação 2  Dois a dois, iniciando cada um numa extremidade percorrem os arcos, saltando dentro e fora a pés juntos alternadamente;  Quando se cruzarem, jogam o jogo “Pedra, papel, tesoura” para decidirem quem continua no jogo;  Ganha a criança que conseguirem alcançar o ponto de partida da equipa adversária. combinação de movimentos, coordenando a sua ação, no sentido de aproveitar as qualidades motoras possibilitadas pela situação.  Arcos Estação 3  As crianças iniciam o percurso rastejando por baixo de um obstáculo e depois levantam-se e atravessa outro obstáculo com uma perna, seguida da outra.  De seguida, saltam à corda;  Por fim, fazem um rolamento à frente e outro à retaguarda.  Sinalizad ores;  Varas;  Cordas;  Tapete Jogo do Mata Lúdico coletivo  A turma divide-se em duas equipas e cada uma situa-se no seu campo;  Coloca-se duas bolas de espuma no centro do jogo e após o apito as crianças pegam na bola e dirigem-se para o fundo do campo;  O objetivo é acertar com a bola no corpo da criança da equipa adversária para que esta seja eliminada;  Caso a criança consiga agarrar a bola, é eliminada a criança que executou o lançamento da bola;  O jogo termina quando todas as  Participar nos jogos ajustando a iniciativa própria e as qualidades motoras na prestação às possibilidades oferecidas pela situação de jogo e ao seu objetivo, realizando habilidades básicas e ações técnico-táticas fundamentais, com oportunidade e correção de movimentos em jogos coletivos com bola, jogos  Bolas;  Cones 10 minutos 137 crianças de uma das equipas forem eliminadas. de perseguição, entre outros. Vamos relaxar! Relaxamento  As crianças fazem alongamentos;  Posteriormente, sentam-se calmamente e fazem um exercício de controlo da respiração.  Retorno da frequência cardíaca e da pressão arterial aos valores próximos ao de repouso.  Música relaxante Registo de avaliação:  Avaliar o interesse demonstrado e a aptidão física da turma no geral.  Registar os momentos mais marcantes e aferir o nível de cansaço manifestado.  Verificar o respeito e a compreensão evidenciados pelas regras do jogo. 5 minutos 138 Apêndice IX – Atividade O Poder do Bom Descanso! Nome da atividade: O Poder do Bom Descanso! Tema: Higiene do sono Estagiária Joana Sofia Carvalho Cardoso Sessões 04 de junho de 2025 Áreas Curriculares Objetivos Descrição da Atividade Recursos Materiais Português  Selecionar informação relevante em função dos objetivos de escuta e registá-la por meio de técnicas diversas;  Falar com clareza e articular de modo adequado as palavras;  Usar a palavra na sua vez e empregar formas de tratamento adequadas na interação oral, com respeito pelos princípios de cooperação e cortesia;  Escrever corretamente palavras com todos os tipos de sílabas, com utilização correta dos acentos gráficos e do til; A atividade iniciar-se-á com a partilha de uma adivinha com as crianças para introduzir a temática. Posteriormente, proceder-se-á ao levantamento das conceções prévias das crianças sobre a importância do sono e da qualidade do seu sono. Seguidamente, dialogar-se-á coletivamente e partilhar-se-ão estratégias para melhorar a qualidade do sono. Por fim, realizar-se-á um Kahoot! como forma de consolidação da temática abordada, com recurso às contagens matemáticas, à consolidação dos números ordinais e cardinais e às decisões por unanimidade na seleção da resposta correta.      Kahoot! Estudo do Meio  Refletir sobre comportamentos e atitudes, vivenciados ou observados, que concorrem para o bem-estar físico e psicológico, individual e coletivo. Matemática  Reconhecer os numerais ordinais até ao 20.º, em contextos diversos;  Interpretar matematicamente situações do mundo real, construir modelos matemáticos adequados, e reconhecer a utilidade e poder da Matemática na previsão e intervenção nessas situações. Cidadania e  Saber colocar questões, levantar hipóteses, Quadro interativo; Computador/telemóvel; Ficheiro com a adivinha e questões iniciais; Placas coloridas (amarelo, azul, verde e vermelho);