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O design inclusivo em ambientes universitários através da implementação dos 17 ODS da ONU – uma proposta para a Universidade Católica de Pelotas

Rolan, Bruna Rodrigues

Abstract

Avaliar questões sociais de participação de indivíduos num contexto é fundamental para promover espaços inclusivos que garantam o pertencimento de um grupo de pessoas na sua totalidade. Soluções baseadas em parâmetros técnicos têm vindo a ser utilizadas para a resolução de problemas inerentes à utilização de um espaço. Quando se trata de edifícios existentes, esta abordagem acarreta uma série de intervenções que, devido à efetivação posterior da construção, segregam e diferenciam elementos utilizados para a resolução de más condições de acesso ou utilização. Os processos que envolvem a interação entre o utilizador e um serviço baseiam-se na resposta obtida através da experiência do uso. Deste modo, a fim de questionar e analisar as intervenções propostas nos espaços comuns do Campus I da Universidade Católica de Pelotas, criadas a fim de atender premissas legais de acessibilidade de edifícios, propõe-se o estudo de soluções com base em conceitos de inclusão que garantam uma abordagem global. Na elaboração desta análise foram avaliados os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável estabelecidos estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde, incluídas no documento ‘‘Transformando Nosso Mundo: a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável‖.

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O design inclusivo em ambientes universitários através da implementação dos 17 ODS da ONU – Uma proposta para a Universidade Católica de Pelotas Bruna Rodrigues Rolan UMinho | 2024 dezembro de 2024 Bruna Rodrigues Rolan O design inclusivo em ambientes universitários através da implementação dos 17 ODS da ONU – Uma proposta para a Universidade Católica de Pelotas Dissertação de Mestrado Mestrado em Design de Produto e Serviços Trabalho efetuado sob a orientação do Professor Doutor Miguel Jorge Alves Miranda Bandeira Duarte Mestre em Arquitetura e Urbanismo Vitória Silveira da Costa i Direitos de autor e condições de utilização do trabalho por terceiros Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Assinado por: Bruna Rodrigues Rolan Num. de Identificação: TR:PT-Q962Q8320 Data: 2024.12.20 14:14:15-03'00' ii Declaração de Integridade Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho. Assinado por: Bruna Rodrigues Rolan Num. de Identificação: TR:PT-Q962Q8320 Data: 2024.12.20 14:15:04-03'00' iii O design inclusivo em ambientes universitários através da implementação dos 17 ODS da ONU – Uma proposta para a Universidade Católica de Pelotas RESUMO Avaliar questões sociais de participação de indivíduos num contexto é fundamental para promover espaços inclusivos que garantam o pertencimento de um grupo de pessoas na sua totalidade. Soluções baseadas em parâmetros técnicos têm vindo a ser utilizadas para a resolução de problemas inerentes à utilização de um espaço. Quando se trata de edifícios existentes, esta abordagem acarreta uma série de intervenções que, devido à efetivação posterior da construção, segregam e diferenciam elementos utilizados para a resolução de más condições de acesso ou utilização. Os processos que envolvem a interação entre o utilizador e um serviço baseiam-se na resposta obtida através da experiência do uso. Deste modo, a fim de questionar e analisar as intervenções propostas nos espaços comuns do Campus I da Universidade Católica de Pelotas, criadas a fim de atender premissas legais de acessibilidade de edifícios, propõe-se o estudo de soluções com base em conceitos de inclusão que garantam uma abordagem global. Na elaboração desta análise foram avaliados os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável estabelecidos estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde, incluídas no documento ‘‘Transformando Nosso Mundo: a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável‖. Palavras-chave: design inclusivo, universidade, acessibilidade. iv The applicability of Inclusive Design in university environments, a case study at the Catholic University of Pelotas. ABSTRACT Evaluating social issues related to individuals' participation in a given context is essential for promoting inclusive spaces that ensure the full belonging of a group of people. Designers have employed solutions based on technical parameters to address problems inherent in the use of a space. When it comes to existing buildings, this approach results in a series of interventions that, due to being implemented after construction, segregate and differentiate elements used to resolve poor access or usage conditions. Responses gathered from user experiences shape the processes of interaction between users and a service. Thus, in order to question and analyze the proposed interventions in the common spaces of Campus I at the Catholic University of Pelotas, created to meet legal accessibility requirements for buildings, this study proposes solutions based on inclusion concepts that ensure a comprehensive approach. In preparing this analysis, the 17 Sustainable Development Goals established by United Nations, included in the document ―Transforming Our World: the 2030 Agenda for Sustainable Development,‖ were evaluated. Keywords: design, narrative, emergency exits. v Índice 1. Introdução ..................................................................................................................... 2 2. Objetivo ......................................................................................................................... 5 2.1. Objetivo Geral ........................................................................................................... 5 2.2. Objetivos Específicos ................................................................................................ 5 3. Revisão bibliográfica – Design inlcusivo, sustentável e suas dferentes formas .................. 6 3.1. Deficiência, Incapacidade e Diversidade .................................................................... 6 3.2. Design Inclusivo ....................................................................................................... 9 3.3. Design Positivo ....................................................................................................... 17 3.4. Design para Virtude ................................................................................................ 18 3.5. Design Sutentável ................................................................................................... 21 3.6. Agenda ONU 2030 ................................................................................................. 23 3.7. Público Universitário no século XXI ......................................................................... 30 3.8. Narrativa do Design ................................................................................................ 32 3.9. Co-Design .............................................................................................................. 34 4. Caso de Estudo – Universidade Catolica de Pelotas ...................................................... 35 4.1. Caracterização do espaço ....................................................................................... 35 5. Métodos e técnicas ...................................................................................................... 39 6. Resultados e Discussão ................................................................................................ 42 6.1. Objeto de estudo .................................................................................................... 42 6.2. Público-alvo ............................................................................................................ 44 6.3. Intervenção ............................................................................................................ 57 7. Considerações finais .................................................................................................... 68 8. Referências bibliográficas ............................................................................................. 70 vi Lista de abreviaturas e siglas APAC – Associação Pelotense de Apoio a Cultura ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas EMEA – Escritório Modelo de Engenharia de Arquitetura NBR – Norma Brasileira ODS – Objetivos de Desenvolvimento Sustentável ONU – Organização das Nações Unidas UCPel – Universidade Católica de Pelotas PcD – Pessoa Com Deficiência PNE – Pessoa com Necessidades Especiais CIF - Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde 4 intitulado como ―Transformando Nosso Mundo: a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável‖ criado em 2015, numa Assembleia Geral da ONU, realizada em Nova York (Assis & Nunes, 2019). Através destas premissas percebe-se que as lacunas que envolvem soluções para espaços acessíveis ainda possuem larga escala, e que as decisões habitualmente adotadas para edifícios construídos até o final do século XXI, de modo geral, estão muito aquém do esperado para atingir este nível de satisfação. A Universidade Católica de Pelotas, empresa situada em edifício construído na década de 1950 e utilizado desde então para fins académicos, tem sofrido uma série de adaptações que convergem a solução de problemas técnicos detectados, ao longo dos anos, nomeadamente no que diz respeito a questões de acessibilidade exigidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (Norma Brasileira 9050/2020 - Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos) não atende um conjunto de soluções a resultar num programa único que visa, preferencialmente, o bem-estar e a correta utilização do espaço. 5 2. Objetivo 2.1. Objetivo Geral O objetivo da presente dissertação consiste na análise de soluções pautadas no conceito de Design Inclusivo e que alinhem com os 17 Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelecidos no documento ‗‘Transformando Nosso Mundo: a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável‖ da Organização Mundial da Saúde (ONU) para espaços de serviço, nomeadamente espaços de convívio e, a partir da analise, avaliar as características do Espaço de Convivência do Campus I da Universidade Católica de Pelotas, situada no estado do Rio Grande do Sul, Brasil, a fim de propor possíveis melhorias. 2.2. Objetivos Específicos Realizar questionários com estudantes, professores e funcionários a fim de entender suas necessidades e perceções em relação a utilização das áreas comuns, a partir do mapeamento atual; a partir dos resultados obter informações sobre o modo como os espaços são utilizados atualmente. Analisar, com base nos resultados das entrevistas e no levantamento das características do público utilizador dos espaços, considerando o perfil projetado para o futuro das universidades brasileiras, as sensibilidades, pontos críticos e áreas subutilizadas, a fim de conceber cenários futuros. Propor soluções inclusivas que considerem as condições identificadas através da aplicação dos conceitos de Design Inclusivo e dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelecidos no documento "Transformando Nosso Mundo: a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável" para as áreas identificadas. 6 3. Revisão bibliográfica – Design inlcusivo, sustentável e suas dferentes formas 3.1. Deficiência, Incapacidade e Diversidade Para dar inicio ao debate que envolve as questões relacionadas a inclusão torna-se necessária a conceituação da expressão e a determinação da sua importância na área do Design. Inicialmente surgem problemáticas relacionadas com as palavras ―sustentabilidade‖ e ―usabilidade‖ que deram origem a novos projetos motivados a propor soluções para um objetivo identificado. Ao avaliar o meio académico verificase que inumeras temáticas são lançadas de acordo com um objetivo estabelecido em determinado período histórico. Porém somente algumas temáticas permanecem no programa devido a sua relevância no que diz respeito ao quotidiano humano (Gomes & Quaresma, 2018). O surgimento da palavra INCLUSÃO vem acompanhado pela busca de abordagens de pesquisas e metodologias que possibilitem a usabilidade com conforto e segurança. Neste sentido, para que seja possivel esclarecer a abordagem, faz-se necessária a revisão de alguns conceitos, que dizem respeito a Acessibilidade, Design Inclusivo, Design Universal e Design for all (Gomes & Quaresma, 2018, p. Prefácio). A preocupação com a acessibilidade ganha força nos anos de 1970 com a necessidade encontrada por pessoas que eram impedidas de atuar, contribuir e viver em conjunto de melhorar as suas condições de trabalho, edificações e transporte. Os estudos relacionados com este tema tiveram origem nos Estados Unidos na década de 1960 e permecem em desenvolvimento até os dias de hoje. A acessibilidade está relacionada com a eliminação de barreiras que impedem o acesso, envolvimento ou serviço de pessoas com diferenças funcionais a locais, produtos e serviços (Gomes & Quaresma, 2018, p. 20). É importante salientar que acessibilidade e Design Inclusivo não são equivalentes. Enquanto o Design Inclusivo se preocupa com as soluções baseadas na diversidade como essência do projeto, a acessibilidade propõe exclusivamente a busca por soluções que adaptem o ambiente às diferenças funcionais. A nomenclatura atribuida às diferenças funcionais divergem em relação a definição e variam de acordo com o país em que se referencia (Gomes & Quaresma, 2018, p. 21). Os países de lingua portuguesa apesar de possuirem um idioma comum apresentam diferentes expressões para exprimir intenções semelhantes. Esta dimensão torna-se relevante neste contexto visto que o presente trabalho contempla a teoria desenvolvida em Portugal, aplicada a um objeto de estudo situado no Brasil, através da contemplação de inquéritos que comunicam com o público brasileiro. 7 Uma definição importante para a percepção dos temas abordados é o público ao qual as soluções se destinam. Em Portugal o termo ―incapacidade‖ definido no documento ―Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde‖ estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) denominado [CIF] é atribuído a condição de deficiências, limitações e restrições de atividades que impossibilitam um individuo (com uma condição de saúde) de interagir com fatores contextuais (ambientes e pessoas). De modo a avaliar o conceito então apresentado e relacioná-lo com o conceito de deficiência, nota-se que o segundo está relacionado a uma anormalidade, defeito, perda ou outro desvio relativo ao padrão das estruturas do corpo, o que pode ou não gerar uma incapacidade (Bispo & Branco, 2016, p. 21). Ainda de acordo com a CIF existem fatores externos que agem como barreira ou facilitador quando se trata do acesso de pessoas com incapacidade, o que determina que o ambiente também é determinante, não só as condições físicas do indivíduo (Bispo & Branco, 2016, p. 22). Facilitadores são fatores ambientais que, através da sua ausência ou presença, melhoram a funcionalidade e reduzem a incapacidade de uma pessoa. Estes fatores incluem aspetos como um ambiente físico acessível, disponibilidade de tecnologia de assistência apropriada, atitudes positivas das pessoas em relação à incapacidade, bem como serviços, sistemas e políticas que visam aumentar o envolvimento de todas as pessoas com uma condição de saúde em todas as áreas da vida. A ausência de um fator também pode ser um facilitador, por exemplo, a ausência de estigma ou de atitudes negativas. Os facilitadores podem impedir que uma deficiência ou limitação da atividade se transforme numa restrição de participação, já que o desempenho real de uma ação é melhorado, apesar do problema da pessoa relacionado com a capacidade (OMS, 2004, p. 187). Ao considerar a nomenclatura comumente utilizada no Brasil, torna-se importante a definição de Pessoa Com Deficiencia (PcD) em comparação a Pessoas com Necessidades Especiais (PNE). São consideradas PcD, segundo a Convenção Internacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, individuos que possuem impedimentos de natureza física, mental, intelectual ou sensorial considerados de longo prazo e que impeçam sua interação e obstruam sua participação na sociedade em condições de igualdade. Pode ser entendida também como uma alteração biológica que gera uma diferença funcional. Neste sentido podem ser incluidas deficiências adquiridas, contornadas pelo reaprendizado das funções alteradas ou perdidas. 8 Já o termo PNE está vinculado a pessoas com dificuldades atípicas, sendo elas portadoras de alguma deficiencia ou não, como por exemplo pessoas idosas, pessoas com obesidade e gestantes. Estas caracteristicas não possuem carater permanente, o que sugere que a maioria de nós poderá estar em alguma destas posições em alguma fase da vida (Gomes & Quaresma, 2018, pp. 21, 22). Embora possuam definições distintas, ambas as classes contemplam pessoas com diversidade física, mental e sensorial que as diferencia do então homem médio padrão que é jovem saudável e de estatura média. São classificadas como pessoas com diferenças funcionais o conjunto que inclui os PcD e PNE. Ao unificar esta parcela de individuos a pessoas com funcionalidades plenas passamos a constituir um grupo com diversidade funcional. A Figura 1 apresenta a relação existente entre os termos e a diferença da classe de pessoas que cada um deles abrange (Gomes & Quaresma, 2018). Figura 1 - Representação gráfica dos termos ‗diferença funcional‘ e ‗diversidade funcional‘ (Gomes & Quaresma, 2018) Em síntese, as expressões PcD (termo utilizado no Brasil) e incapacidade (termo utilizado em Portugal), contemplam grupos com definições baseadas diferenças funcionais, vinculadas ou não à deficiência. Estas definições são importantes para que consigamos compreender as abordagens no Design, definidas como Design Universal, Design Inclusivo e Design for all (Gomes & Quaresma, 2018). A definição da palavra design, traduzida do inglês para projeto, tem origem no latim designare, traduzida para o portugês como designare que significa: mostrar, detrminar e caracterizar. O termo esta intimamente ligado à palavra projeto e caracteriza-se por constituir uma relação entre utilizador e serviço, com o intuito de solucionar problemas existentes, prevenir conflitos ou criar oportunidades. O termo 9 Design Inclusivo (Design Universal) foi utilizado a primeira vez nos Estados Unidos pelo arquiteto Ronald Mace da Universidade da Carolina do Norte no ano de 1985. Segundo Mace, o Design Universal deve abranger projetos de produtos e ambientes a serem utilizados por todas as pessoas, sem que seja necessária a adaptação. A definição de Design for all foi estabelecida a partir da Declaração de Estocolmo e estabelece que todas as pessoas tenham oportunidades iguais no que diz respeito a participação em todos os aspectos da sociedade, nomeadamente a possibilidade de acesso a ambientes construidos, a objetos quotidianos, a serviços, a cultura e a informação. Considera-se Design Inclusivo a uma metodologia de projeto na qual o designer garante na concepção do seu produto ou serviço pela abordagem das necessidades do maior público possivel, independentemente da idade ou habilidade (Gomes & Quaresma, 2018, p. 31). Embora a origem de ambas esteja pautada por intenções equivalentes, existem algumas lacunas conceituais que incitam dúvidas, nomeadamente, a busca pela possibilidade de acesso por parte das pessoas condiferenças funcionais a locais, produtos e serviços (Gomes & Quaresma, 2018, p. 32). 3.2. Design Inclusivo 3.2.1. Origem e História do termo A movimentação pela eliminação de barreiras físicas em elementos arquitetónicos teve origem na década de 1960 a partir de mudanças ocorridas nas universidades americanas, fundamentadas em eliminar barreiras físicas existentes nos próprios prédios escolares e nos transportes universitários e urbanos. Há relatos de iniciativas ocorridas por volta de 1950 criadas por veteranos da segunda guerra mundial e advogados dos PcD que reivindicaram mudanças nas políticas publicas. Segundo a declaração de Estocolmo, o design inclusivo tem raízes no funcionalismo escandinavo ocorrido na década de 1950 e foi influenciado por políticas públicas socioeconómicas escandinavas, dando origem, no ano de 1960, ao conceito ―Uma sociedade para todos‖, com referência principalmente em acessibilidade. No ano de 1988, a exposição Os projetos para a vida independente , do Museu de Arte Moderna em New York, apresentou produtos produzidos em diferentes países destinados a incluir pessoas com diferenças funcionais, passando a reconhecer idosos e PcD como público possível para utilização destes produtos (Gomes & Quaresma, 2018). O termo Design Univeral (Design Inlusivo) foi utilizado pela primeira vez na Universidade da Carolina do Norte nos Esatdos Unidos e vem sendo desde então pesquisado no laboratório de desenvolvimento e 10 promoção do Design Universal (DU) desta mesma universidade, chamado de The Center for Universal Design (CDU). Em 1997, este mesmo centro de pesquisa e define os princípios do Design, sendo eles: uso equitativo, uso flexivel, uso simples e intuitivo, informação perceptivel, tolerancia a erros, baixo esforço fisico, tamanho e espaço para a aproximação do uso (Gomes & Quaresma, 2018). Os princípios de Design propostos são conhecidos no mundo inteiro e adotados em qualquer programa de acessibilidade plena. A partir dos seus conceitos é possivel elaborar requisitos para a elaboração de projetos de produtos e arquitetura. O Tabela 1 representa estes dados (Gomes & Quaresma, 2018). Tabela 1 - Os princípios de Design Universal 1. USO EQUITATIVO Entende-se por uso equitativo a capacidade que um objeto, produto ou espaço possui em garantir a utilização do mesmo ambeinte de forma equivalente para todos. Exemplo: Portas com sensores eletrónicos. 2. USO FLEXÍVEL São produtos ou espaços adaptáveis a qualquer público a partir da sua versatilidade. Exemplo: tesoura para destros e canhotos. 3. USO SIMPLES E INTUITIVO São considerados produtos ou espaços de uso simples e intuitivos todos os ambientes que possuírem fácil compreensão de uso considerando a experiência de conhecimento, habilidade de linguagem ou nível de concentração do seu utilizador. Exemplo: Instalação sanitária para pessoas com deficiência. 4. INFORMAÇÃO PERCEPTIVEL Trata-se de elementos que comunicam a mensagem de modo a contemplarem pessoas com dificuldade de visão e audição, ou que apresentem fluência em idiomas diferentes do apresentado. Exemplo: Informações de mapas em alto relevo. 5. TOLERÃNCIA A ERROS Entende-se como produtos com baixa tolerância a erros aqueles que apresentam caracteristicas que tendem a minimizar o riscos e consequencias de ações acidentais ou não intecionais. Exemplo: Corrimão em escadas. 6. BAIXO ESFORÇO FÍSICO Consideram-se nessa categoria de produtos os espaços que garantam, durante o seu uso, o mínimo de fadiga e o máximo de conforto possível. Exemplo: maçanetas do tipo alavanca. 7. ABRANGENTE (TAMANHO E ESPAÇO PARA APROXIMAÇÃO E USO) São elementos ou ambientes que consideram padrões físicos distintos (obesos, anões, etc.) e condições adversas (pessoa com cadeira de rodas, carrinhos de bebé, bengalas) e com isso produzam dimensões e espaços apropriados ao acesso, alcance, manipulação e uso. 11 Ao considerar o espectro de atuação dos projetos de design e o público que se pretende atingir, verifica-se que o conceito de Design Inclusivo implementado desde a origem da ideia, garante que futuras adaptações ao projeto vinculadas a uso desigual do produto ou espaço não serão necessárias (Gomes & Quaresma, 2018). Existem questões muitas vezes negligenciadas em processos de criação e que podem vir a condicionar a efetividade da proposta, bem como a satisfação em atender as necessidades materiais e psciologicas do público a que se destina. Para evitar frustrações desta natureza, o designer tem como responsabilidade avaliar os materiais, processos de fabricação, normas, patentes existentes, custos, viabilidade económica e a produtividade industrial (Gomes & Quaresma, 2018). Uma das grandes carências identificadas na implementação do design Inclusivo pelos profissionais tem origem na instrução académica ao qual são submetidos. Para compreender melhor a ideia, ao avaliar por exemplo, um estudante que desenvolve uma tese de doutoramento em natação, conclui-se que ele não sabe, necessariamente, nadar visto que esta não é uma competencia exigida. Por outras palavras, a inclusão das ideologias inclusivas funcionam na prática somente a partir do exercício o que reforça a ideia de que a prática não pode ser codificada e adquirida mediante métodos somente discursivos (Gomes & Quaresma, 2018, p. 25). Avaliar as metodologias envolvidas no ensino do Design desde sua origem exige que façamos um retrocesso no tempo e compreendamos as mudanças que a área vem sofrendo no decorrer do tempo. A maneira de ensinar os processos de design vem sofrendo alterações em paralelo a visão do próprio Design, pautada inicialmente na articulação entre o conhecimento teórico e a pratica, suportados pelo desenvolvimento de raciocínio lógico e autoconfiança por meio da elaboração de um bom discurso (Gomes & Quaresma, 2018, p. 26). 12 3.2.2. Design Inclusivo e as diferenças culturais COM FÚRIA E RAIVA Com fúria e raiva acuso o demagogo E o seu capitalismo das palavras Pois é preciso saber que a palavra é sagrada Que de longe muito longe um povo a trouxe E nela pôs sua alma confiada De longe muito longe desde o início O homem soube de si pela palavra E nomeou a pedra a flor a água E tudo emergiu porque ele disse Com fúria e raiva acuso o demagogo Que se promove à sombra da palavra E da palavra faz poder e jogo (…) Sophia de Mello Breyner Andresen, O nome das coisas, 1974 A língua como instrumento vivo sofre transformações e vem sendo resignificada no decorrer da história a partir da reflexão sobre a utilização das palavras. A língua portuguesa espalhou-se na época da colonização e, a partir das suas colónias, deu origens ao Criolo em muitos dos territórios conquistados. No entanto, no que diz respeito ao território brasileiro, o contato com línguas indígenas e africanas promoveu uma transmissão linguística irregular leve, levando a uma erosão morfológica. O poema de Sofia de Mello Breyner, de 1974, traz uma reflexão dura e severa sobre o poder do discurso e a intensidade como pode romper ideologias. As palavras e os seus pesos precisam ser doseados e, de forma muito particular, ganham espaços distintos dependendo do lugar onde se inserem (Lucchesi, 2012). 13 As questoes que envolvem o Design para Todos, apesar de o termo possuir aparentemente abrangência, são dependentes de aspectos intimamente ligados a cultura e história – não sendo, assim, um conhecimento univesal. O Design Inclusivo não é global, o que produz a necessidade de avaliar as diferenças de gostos, culturas e etnias. Apesar disso, a diferença notada é apenas prática, não havendo necessidade de reflexão na base do conceito (Gomes & Quaresma, 2018, pp. 45, 47 e 51). Os seres humanos, apesar de possuirem características comuns comportam-se de forma completamente distinta entre si. Este pensamento faz com que atinjamos um patamar de reflexão sobre as atitudes que ultrapassem os limites da deficiência. O que potencializa a espécie humana é a sua capacidade de superar as adversidades e evoluir em conjunto com outros indivíduos. A partir desse pensamento fica fácil compreender que a filosofia do Design Inclusivo visa enaltecer a diversidade funcional em resposta à busca por igualdade de direitos (Gomes & Quaresma, 2018, p. 48). A compreensão global do assunto pode ser avaliada de forma a identificar quais os pontos aplicados em países nos quais este tipo de iniciativa está a ser implementada e quais os ideais que envolvem a estrutura da sociedade baseados na teoria aplicada ao projeto. Nota-se a sua presença e relvante influência nas práticas desenvolvidas para a sociedade em duas grandes potenciais mundiais, líderes de fabricação, os Estados Unidos e a China. Apesar disso, a disseminação deste assunto ainda é muito restrita no cenário mundial, estando presente de forma relevante em poucos países. A Figura 2 demonstra as localidades onde o design inclusivo recebe atenção oriunda por especialistas na área (Gomes & Quaresma, 2018). Figura 2 - Mapa mundi mostrando as localidades onde o design inclusivo é fomentado (Gomes & Quaresma, 2018) 20 Figura 6 - Resumo das experiências de significados pessoais do Design Positivo (Caetano & Linden, 2018). 3.4.2. Design para o Prazer Os benefícios práticos e emocionais relacionados ao uso de um produto estão associados a experiências agradáveis de contentamento ou alegria, normalmente relacionadas a satisfação de um desejo, vontade ou necessidade. O prazer, apesar de não poder ser considerado uma emoção, descreve os estados emocionais de contemplação numa experiência de interação com um produto e pode ser classificado em quatro classes de experiências: prazeres fisiológicos, sociais, psicológicos e ideológicos (Caetano & Linden, 2018, p. 59). É possível considerar que as experiências prazerosas, dependentes da estética (agrado dos sentidos – perceções de beleza visual, sons agradáveis, deleite ao toque, bons odores e sabores oriundos do produto) e do significado (o envolvimento de processos cognitivos, interpretações e reinterpretações das interações, acessos à memória de uso de produtos) dado pelo utilizador ao utilizar um produto, estão dependentes de experiências emocionais (Caetano & Linden, 2018, p. 59). Ao utilizar um produto, passamos por uma série de respostas emocionais, chamadas appraisals . Em resposta a questões oriundas dos processos de avaliações inerentes ao uso dos produtos relacionadas com o bem-estar, identificou-se as principais avaliações cognitivas, sendo elas: consistência de motivo, 21 agradabilidade, confirmação de expectativas, agente causador, confirmação de normas sociais, potencial de enfrentamento e segurança e certeza (Caetano & Linden, 2018, p. 60). Algumas das soluções que contribuem para o entendimento de análise do bem-estar foram sendo sugeridas no decorrer do tempo. Desmet, Hekkert e Jacobs propuseram a criação de um instrumento não verbal denominado Medida de Emoção com Produtos (no inglês Measure Consumer Emotions & Product Experience, PrEmo), Posteriormente, Caicedo e Desmet (2009), elaborando uma nova proposta baseada na anteriormente citada, PrEmo, a partir de 14 animações que representavam as respostas emocionais durante interações com produtos, são elas: desejo, esperança, orgulho, alegria, admiração, satisfação, fascinação, aborrecimento, desgosto, desprezo, tristeza, vergonha, medo e repugnância (Caetano & Linden, 2018, p. 60). Figura 7 - Resumo das experiências de prazer do Design Positivo (Caetano & Linden, 2018). 3.5. Design Sutentável A relação com o meio ambiente é intrinseca ao ser humano, embora a sua relação consciente se tenha manifestado apenas através de correntes filosóficas e ações da sociedade civil, muitas vezes em contraste com o avanço da industrialização (Nunes, 2020, p. 11). 22 Para que houvesse desenvolvimento sustentável fez-se necessário, inicialmente, o suprimento das necessidades básicas do indivíduo para que lhes fossem proporcionadas oportunidades de concretizar as suas aspirações a uma vida melhor. Na sua essência, o desenvolvimento sustentável é um processo de mudança que harmoniza a exploração de recursos, os investimentos, o avanço tecnológico e as instituições, de modo a fortalecer a capacidade de atender tanto às necessidades presentes quanto às futuras (Nunes, 2020, p. 11). Propor uma relação entre design e sustentabilidade é considerar as capacidades de ambos sistemas produtivos em atender a fatores sociais de bem-estar e com isto reduzir significativamente os níveis de consumo dos recursos ambientais atualmente empregados. Isso exige uma gestão coordenada das ferramentas essenciais: produtos, serviços e comunicações (Nunes, 2020, p. 16). O design voltado para a sustentabilidade pode ser visto como um design estratégico que reúne um conjunto de ferramentas e métodos aplicadas que buscam praticar o design de forma sustentável, minimizando impactos negativos para a sociedade e o meio ambiente. Para isso, busca-se desenvolver soluções que sejam ambientalmente sustentáveis e que garantam a viabilidade económica e social. Em síntese, o design deve promover resultados que considerem vertentes importantes vinculadas aos aspetos social, ambiental e económico, minimizando impactos nestas três dimensões (Nunes, 2020, p. 16). A aplicação de um design estratégico permite integrar as necessidades humanas presentes e futuras sem comprometer o ambiente. Para que seja eficaz, a atuação do design deve abranger processos de criação de produtos, métodos e sistemas, atendendo a demandas identificadas pela sociedade, meio ambiente e economia. A contextualização permite avaliar os impactos causados por produtos e serviços nessas três áreas, considerando o presente e o futuro, e reparar os danos que possam ocorrer (Nunes, 2020, p. 16). A implementação deste tipo de sistema promove o desenvolvimento da responsabilidade social ao criar ambientes que valorizam a diversidade e promovem o bem-estar comunitário de forma sustentável. Ao integrar princípios de sustentáveis, os projetos não apenas minimizam o impacto ambiental, mas também criam espaços que respeitam e preservam o ambiente natural (Caetano & Linden, 2018). Espaços bem projetados não facilitam apenas o acesso físico para pessoas com diferentes habilidades, como também incentivam interações positivas entre diferentes grupos demográficos, promovendo uma maior coesão social e uma comunidade mais unida, o que pode ser produzido através de medidas que possibilitem o menor impacto ambiental (Caetano & Linden, 2018). 23 Parques e áreas verdes em espaços que oferecem experiências de prazer e, quando bem projetados, possibilitam a interação independentemente delimitações físicas. Este exemplo demonstra que as soluções sustentáveis estão presentes em inumeras aplicações que promovem bem-estar. A adaptação de edifícios públicos e culturais para torná-los inclusivos cria ambientes acolhedores que fomentam atividades educacionais, recreativas e culturais (Caetano & Linden, 2018). 3.6. Agenda ONU 2030 No contexto global contemporâneo a busca por um medidas sustentáveis tornou-se imperativa. A fim de definir prioridades e aspirações do desenvovimento sutentáveis global, surge no ano de 2015, com entrada oficialmente em vigor em 2016, a Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas - ONU, adotada por todos os países membros, com 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Esses objetivos representam um compromisso universal para enfrentar os desafios prementes que afetam não apenas o meio ambiente, mas também a sociedade e a economia. Entre esses objetivos, destacam-se iniciativas essenciais para promover a qualidade de vida e a igualdade de oportunidades, especialmente no contexto académico e nos espaços de convivência. Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável surgem a partir das oito metas estabelecidas nos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM), efetivados entre os anos de 2000 e 2015, que por sua vez apresentaram sucesso. A Figura 8 apresenta os 17 ODS propostos pela Organização das Nações Unidas. (ONU, 2024) que se estruturam em cinco princípios: Planeta, Pessoas, Prosperidade, Paz e Parcerias, como apresentado na Figura 9 (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, 2024). Figura 8 - 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, 2024) 24 Figura 9 - Cincos princípios do ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, 2024) Figura 10 - Representação gráfica dos principais fatores para o surgimento do ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, 2024) 25 ―Paz, diplomacia e cooperação internacional são condições fundamentais para o mundo progredir nos ODS até 2030. As guerras e conflitos militares são tragédias humanitárias que impactam a prosperidade e os resultados sociais no resto do mundo, incluindo o agravamento da pobreza, a insegurança alimentar e o acesso a energia acessível. As crises do clima e da biodiversidade amplificam o impacto dessas últimas. É claro que estas crises múltiplas e simultâneas desviaram a atenção e as prioridades políticas de objetivos de médio e longo prazo, como os ODS e o Acordo de Paris‖ (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, 2024). Neste contexto, o design inclusivo desempenha um papel crucial ao integrar princípios de sustentabilidade e responsabilidade social na conceção e adaptação de espaços físicos, como universidades e instituições de ensino superior. Neste contexto, o alinhamento dos ODS em implementações de design inclusivo contribuem para a promoção de ambientes que estimulam a interação social e o desenvolvimento pessoal e académico. Apesar de interligados, os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável apresentam relevância relacionada a intervenção pretendida. A análise dos ODS 3, 4, 10, 11, 13 e 15 oferecerá fundamentos sobre como esses princípios são aplicados para criar espaços de convivência sustentáveis, equitativos e resilientes, fundamentais para o futuro das comunidades académicas e sociedades globais (ONU, 2024). 26 3.6.1. Objetivos de Desenvolvimento Sustentável Figura 11 - ODS 3 (ONU, 2024) ―ODS 3: Garantir o acesso à saúde de qualidade e promover o bem-estar para todos, em todas as idades. Garantir saúde e bem-estar para todos. Reduzir a taxa de mortalidade global. Acabar com as mortes evitáveis de recém-nascidos e crianças menores de 5 anos. Erradicar as epidemias de HIV, tuberculose, malária e doenças tropicais negligenciadas. Promover a saúde mental e o bemestar. Alcançar a cobertura universal de saúde.‖ (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, 2024). Figura 12 - ODS 4 (ONU, 2024) ―ODS 4: Garantir o acesso à educação inclusiva, de qualidade e equitativa, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos. Garantir uma educação inclusiva e de qualidade para todos. Promover a aprendizagem ao longo da vida. Eliminar as disparidades de género na educação. Garantir que todas as meninas e meninos tenham acesso a cuidados e desenvolvimento de qualidade na primeira infância. Garantir a igualdade de acesso a todos os níveis de educação para os mais vulneráveis, incluindo pessoas com deficiência, povos indígenas e crianças em situação de vulnerabilidade.‖ (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, 2024). 27 Figura 13 - ODS 8 (ONU, 2024) "ODS 8: Promover o crescimento económico inclusivo e sustentável, o emprego pleno e produtivo e o trabalho digno para todos. Garantir o desenvolvimento económico inclusivo e sustentável em todo o mundo. Alcançar níveis mais altos de produtividade económica por meio da diversificação, atualização tecnológica e inovação. Alcançar emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todos, inclusive para jovens e pessoas com deficiência. Alcançar salário igual para trabalho de igual valor." (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, 2024). Figura 14 - ODS 10 (ONU, 2024) ―ODS10: Reduzir as desigualdades no interior dos países e entre países. Capacitar e promover a inclusão social, económica e política de todos, independentemente de idade, sexo, deficiência, raça, etnia, origem, religião ou condição económica ou outra. Garanta a igualdade de oportunidades. Reduzir as desigualdades de resultado, eliminando leis, políticas e práticas discriminatórias.‖ (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, 2024). 28 Figura 15 - ODS 11 (ONU, 2024) ―ODS 11: Tornar as cidades e comunidades inclusivas, seguras, resilientes e sustentáveis. Construir cidades e sociedades sustentáveis em todo o mundo. Garantir o acesso de todos a uma habitação adequada, segura e acessível. Aumentar a capacidade de planeamento e gestão integrados e sustentáveis de aglomerados humanos. Reduzir o impacto ambiental adverso das cidades, prestando atenção especial à qualidade do ar e à gestão de resíduos.‖ (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, 2024). Figura 16 - ODS 13 (ONU, 2024) ―ODS 13: Adotar medidas urgentes para combater as alterações climáticas e os seus impactos. Tomar medidas urgentes para combater as mudanças climáticas e seus impactos. Fortalecer a resiliência e a capacidade de adaptação aos perigos e desastres naturais relacionados ao clima. Integrar soluções e medidas de mudança climática nas políticas, estratégias e planeamento nacionais. Melhorar a educação sobre mitigação das mudanças climáticas, redução de impacto e alerta precoce.‖ (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, 2024). 29 Figura 17 - ODS 15 (ONU, 2024) ―ODS 15: Proteger, restaurar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, travar e reverter a degradação dos solos e travar a perda de biodiversidade. Prevenir ameaças à biodiversidade. Garantir a conservação, restauração e uso sustentável dos ecossistemas terrestres e de água doce, incluindo florestas, pântanos, montanhas e terras secas. Promover a implementação da gestão sustentável de todos os tipos de florestas. Deter o desmatamento. Combater a desertificação e restaurar terras e solos degradados.‖ (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, 2024). 36 Figura 21 - Fachada Principal do Campus I da Universidade Catolica de Pelotas (Universidade Católica de Pelotas, s.d.) Além das funções pedagógicas, a Universidade Católica de Pelotas (UCPEL) também possui atividades administrativas, distribuídas em vários setores da instituição. O Escritório Modelo de Engenharia e Arquitetura (EMEA) é responsável pelas obras e reformas nos diversos prédios da universidade. O EMEA conta com uma equipe ampla e diversificada, composta por arquitetos, engenheiros civis, técnicos administrativos, administradores e estagiários (Universidade Católica de Pelotas, s.d.). Como forma de respeitar as necessidades e obrigações do espaço físico, é comum observar a alteração do uso para promover maior integração e suprir demandas. Numa dessas iniciativas, em 2016, foi realizada uma revisão das premissas estabelecidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) - NBR 9050 – Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. Esta norma prevê a adaptação dos espaços físicos por meio de intervenções que possibilitem o acesso a pessoas com deficiência. Na ocasião, a área comum da UCPEL precisou ser adaptada, conforme ilustrado nas Figuras 3 e 4. O Escritório Modelo de Engenharia e Arquitetura (EMEA) foi fundamental nesse processo, com o envolvimento de seus funcionários na elaboração do novo plano. A partir de então um novo espaço foi criado com carater individual, denominado espaço mundo e identificado na Figura 22 na área principal da Universidade a fim de suprir a escassez de espaços de convivio para estudantes. Apesar de existirem critérios limitadores, principalemente no que diz respeito ao investimento financeiro, percebe-se a necessidade de criar um plano global para que então possa atingir um carácter único. A 37 escolha do espaço surge a partir da análise de problemas ou questões referentes ao objeto de estudo, identificados desde a pirmeira intervenção citada, realizada em 2016. As condições atuais do espaço foram avaliadas para desenvolver um conjunto de intervenções necessárias ao cumprimento da legislação, garantindo a acessibilidade e o bem-estar de todos os usuários. Figura 22 - Planta do Rés-do-chão do Campus I – Prédio C da Universidade Católica com a área de convivência - receção, acesso à biblioteca, restaurante e sala dos professores - devidamente identificado Como membro integrante da equipa responsável pela intervenção descrita, ao avaliar o resultado das implementações, indentificou-se uma constante requisição e inquietação por parte dos funcionários e alunos no que diz respeito ao acesso e utilização, de modo a instigar a presente investigação. Hoje, com os conhecimentos adquiridos a partir de uma abordagem voltada para o Design, percebe-se a carência de aproveitamento integral dos espaços, considerando os elementos inclusivos no conceito visual e funcional. É evidente a necessidade de um planeamento mais cuidadoso que incorpore princípios de design inclusivo, visando não apenas atender às normas de acessibilidade, mas também garantir uma experiência mais harmoniosa e integrada para todos os usuários. Além disso, a Agenda 2030, proposta pela ONU, deve estar ligada aos critérios avaliados, visto que surge como assunto preponderante no planeamento de novas intervenções. As Figuras 23, 24 e 25 retratam as instalações da UCPel atualmente. 38 Figura 23 - Circulação de acesso ao restaurante, lourge, Prédio B e setor administrativo (Fonte: coorientadora da presente dissertação) Figura 24 - Circulação que abrange a Central de atendimento a partir da Entrada principal do Campus I pela Rua Gonçalves Chaves (Fonte: coorientadora da presente dissertação) Figura 25 - Circulação que abrange a Central de atendimento a partir da Entrada principal do Campus I pela Rua Gonçalves Chaves (Fonte: coorientadora da presente dissertação) 39 5. Métodos e técnicas A presente dissertação refere-se a análise da utilização do espaço de convivência do Campus I da Universidade Católica de Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil de modo a identificar os possíveis pontos de melhoria baseados em critérios estabelecidos. O interesse surge pela proximidade com o tema, fruto da experiência de trabalho obtida durante os anos de 2015 e 2019 como membro da equipa técnica do Escritório Modelo de Engenharia e Arquitetura da UCPel. Devido a Pandemia da COVID 19 que perdurou de 2019 a 2022, o fluxo de pessoas esteve bastante reduzido e, portanto, o espaço ocioso. Por se tratar de uma pretensão baseada na interação entre o utilizador e o espaço, uma alternativa possível para a análise seria a utilização de um método indutivo, onde os dados recolhidos a partir do particular, expandem para o generalizado. Para a criação de uma narrativa de utilização um dos métodos de pesquisa académica aplicável é o estudo de caso, visto que contempla as características necessárias para a investigação pretendida (Santos, 2018). Como ponto de partida, verficou-se a disponibilidade e abertura da UCPel frente ao fornecimento de dados, relativamente desenhos e fotografias do espaço, visto que durante o processo de dissertação a análise foi feita à distância a partir do intermédio de integrantes da equipa do EMEA, nomeadamente a coorientadora do trabalho, Mestre Vitória Silveira da Costa. A metodologia adotada para a presente dissertação está sustentada por uma base teórica, produto de uma recolha de dados que permitiram o estabelecimento do estado da arte, principalmente no que diz respeito ao Design Inclusivo e as temáticas envolvidas nos 17 pontos da Agenda 2030 estabelecidos pela ONU. Esta etapa tem sua sustentação baseada numa análise criteriosa dos resultados e a partir da reflexão, de forma descritiva e complementar, obtém-se recolha de dados fundamentados. As informações obtidas a partir desta etapa serão reproduzidas numa visão descrita e refletida no decorrer da dissertação. Quanto a documentação utilizada como base acima descrita, esta foi obtida através de acesso a fontes variadas, relativamente: artigos científicos, dissertações, publicações períodicas e permanentes e pesquisa online de trabalhos desenvolvidos por outros autores. Todas as referências utilizadas relacionadas com a temática, garantem valor acrescentado a investigação, baseado num conjunto alargado de estudos. Dado por finalizada a explicação dos diversos conteúdos, destacar-se a necessidade de descrever a estrutura da mesma. A Figura 26 representa a organização da pesquisa de modo a elencar em grupos os teorias avaliadas. Utilizou-se como referência para a elaboração da análise referente a inclusão os 40 conceitos de design positivo e inclusivo, assim como a avaliação pautada na sustentabilidade, referenciada a partir das definições de Design Sustentável e da Agenda ONU 2030. O público a ser analisado estará dividido em três grupos já citados, o que reforça as teorias abordadas no Estado da Arte referentes a Narrativa no Design e Co-design. Figura 26 - Mapa mental da metodologia adotada A recolha de dados incluirá profissionais e estudantes da UCPel que utilizam o Campus I e, portanto, diariamente a área destinada a análise no presente estudo. Para além da referência baseada na utilização, propõe-se a identificação de possíveis pontos cegos do ponto de vista da população com alguma difiuldade de locomoção ou incapacidade, proposta a partir de uma narrativa. Na Figura 27 apresenta-se de forma esquemática a organização do público descrito. Figura 27 - Público-alvo Em síntese, o processo completo de estruturação da pesquisa aparece descrito na Figura 28 de modo a esquematizar as etapas de desenvolvimento do trabalho, nomeadamente suas relações e condiconantes. 41 Figura 28 – Metodologia utilizada para o desenvolvimento da dissertação (fonte: autor) 42 6. Resultados e Discussão Identificar oportunidades para a implementação de uma percepção inclusiva, apesar do cumprimento de requisitos legais de acessibilidade, exige um planeamento integrado que assegure o uso sustentável dos espaços. Para que essas soluções sejam eficazes, é fundamental que elas estejam alinhadas com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030, promovendo não apenas a inclusão, mas também a sustentabilidade no ambiente universitário. Neste sentido, algumas soluções que conciliam acessibilidade e sustentabilidade podem ser implementadas, como a construção de rampas de acesso mais integradas ao espaço, a criação de corredores de circulação amplos, bem iluminados e ventilados quando a solução for possível e o uso de paisagismo acessível, que além de facilitar o deslocamento, também contribui para a melhoria da qualidade ambiental e a promoção do bem-estar. Essas soluções visam não apenas eliminar barreiras arquitetónicas e de mobilidade, mas também integrar práticas sustentáveis que promovam a preservação do meio ambiente e a eficiência energética. Ao adotar essa abordagem integrada, o estudo visa não apenas identificar as lacunas no planeamento de acessibilidade da universidade, mas também propor soluções inovadoras que estejam em sintonia com os princípios de inclusão e sustentabilidade, conforme os valores da Agenda 2030. O objetivo final é transformar o espaço universitário num ambiente inclusivo e sustentável, proporcionando uma experiência educacional plena, segura e acessível para todos. 6.1. Objeto de estudo A escolha da Universidade Católica de Pelotas (UCPel) como caso de estudo fundamenta-se na familiaridade que se possui com a instituição, decorrente da condição de ex-aluna e ex-funcionária, bem como no conhecimento prévio acerca de suas instalações e ambientes. Esta proximidade permite uma análise mais aprofundada e contextualizada das condições de funcionalidade dos espaços, possibilitando a identificação de aspetos relevantes para a pesquisa. Para facilitar o estudo, optou-se por limitar a análise à área de convivência, uma vez que se trata de um espaço de acesso necessário e utilizado por todos os membros da comunidade universitária. Essa escolha visa destacar a importância de ambientes inclusivos que promovam a interação social e o bem-estar de todos os usuários. A Figura 29 apresenta a área de intervenção proposta no presente estudo. 43 Figura 29 - Área de intervençao do estudo As instalações da UCPel não atendem adequadamente aos princípios estabelecidos nos conceitos de design inclusivo e sustentável. Embora a universidade tenha implementado algumas medidas para garantir a acessibilidade, ainda existem barreiras significativas que comprometem a plena utilização dos espaços por todos os usuários, incluindo pessoas com deficiência e idosos. Além disso, é importante salientar que a Universidade se encontra em constante modificação para o melhoramento dos espaços a fim de atingir as proposições de acessibilidade universal. No que tange à sustentabilidade, as instalações da UCPel necessitam de práticas que estejam alinhadas aos ODS. Desta forma, tem-se por premissa estabelecer novos projetos de reformulação dos espaços físicos que utilizem materiais sustentáveis e a melhoria das áreas verdes existentes para que desta forma promovam o bem-estar. Destaca-se também a necessidade de um planeamento mais eficaz quanto as estratégias de eficiência energética. Utiliza-se como exemplo a iluminação que em algumas áreas é inadequada, utilizando-se de maneira exacerbada a iluminação artificial, sem a implementação de soluções que contemplem a iluminação natural de forma a reduzir o consumo de energia. É fundamental uma revisão e planeamento que incorpore os princípios do design inclusivo e sustentável, promovendo uma infraestrutura que respeite e valorize a diversidade. Isso não melhoraria apenas a 44 experiência dos utilizadores, como também alinharia a instituição com os compromissos globais estabelecidos pela Agenda 2030. 6.2. Público-alvo 6.2.1. Criação de Narrativa Com base nos dados coletados, as universidades privadas, assim como a maioria das instituições de ensino, estarão legalmente obrigadas a garantir a participação ativa de pessoas com deficiência ao longo do tempo. Essa mudança representa um avanço significativo na inclusão e na equidade dentro do ambiente académico. Além disso, o número de idosos tem crescido de forma significativa no cenário universitário, refletindo uma tendência de maior participação de diferentes faixas etárias na educação superior. Esse fenómeno ressalta a importância de incluir esses grupos na análise de um público futuro, pois suas necessidades e experiências podem influenciar a dinâmica das instituições de ensino. Para avaliar tais critérios, faz-se importante o desenvolvimento de uma narrativa que leve em conta as transformações demográficas e sociais, explorando como a inclusão de pessoas com deficiência e de idosos pode enriquecer o ambiente académico e promover uma cultura de diversidade e respeito. Essa narrativa deve também considerar como os elementos visuais e funcionais no design podem contar essa história, guiando o usuário por meio de uma experiência visual e interativa. Ao integrar essas duas perspetivas, as universidades podem adaptar as abordagens pedagógicas e as infraestruturas, garantindo que todos os estudantes tenham acesso equitativo às oportunidades de aprendizagem. Cada detalhe no design deve contribuir para reforçar uma mensagem central ou sensação, criando um espaço que não apenas atenda às necessidades de diferentes grupos, mas também envolva e conecte todos os utilizadores. Assim, a narrativa torna-se uma ferramenta poderosa para fomentar um ambiente educacional inclusivo e acolhedor, que valorize a pluralidade e promova uma experiência enriquecedora para todos. Para alcançar esse objetivo, foram elaborados dois perfis que refletem as características previamente mencionadas, com o intuito de compreender as possíveis barreiras físicas e sociais identificados no Campus I da UCPel. Esses perfis permitem uma análise mais aprofundada da experiência, considerando 45 as suas interações com o espaço. Importante destacar que além das narrativas são descritos os processos que a Universidade tem estudado para tornar o ambiente educacional inclusivo e acolhedor. Essas trajetórias proporcionam perspetivas valiosas sobre como diferentes grupos enfrentam desafios específicos em suas vivências diárias. Ao considerar as particularidades de cada perfil, é possível identificar barreiras físicas e sociais que podem impactar a inclusão e o acesso aos recursos disponíveis na instituição. Essa abordagem não apenas enriquece a compreensão dos constrangimentos enfrentados, mas também ajuda a direcionar futuras intervenções e melhorias no ambiente académico. Dessa forma, a criação desses perfis não se limita a uma simples representação; ela serve como uma ferramenta analítica que contribui para o desenvolvimento de um campus mais inclusivo e acolhedor, garantindo que todos os estudantes tenham a oportunidade de participar plenamente na vida universitária. Persona 1: Narrativa baseada numa pessoa idosa com 72 anos, obesa, e que apresenta dificuldade de locomoção e baixa capacidade visual. Essa pessoa precisa solicitar um documento relacionado com a sua matrícula na UCPel, solicitado na Central de Atendimento. O design do ambiente, os seus desafios e insatisfações serão analisados para avaliação dos possíveis constrangimentos. Ao chegar ao campus, o usuário depara-se com um problema que antecipa uma jornada desafiadora: as catracas instaladas na entrada principal. Por ser uma pessoa com dificuldade de locomoção e sobrepeso, passar por esta barreira representa um obstáculo. O movimento de girar ou passar pela estrutura estreita gera desconforto físico e até insegurança. Esse primeiro contato com o espaço já gera uma sensação de exclusão, pois o design do acesso não foi pensado para contemplar as necessidades de pessoas com restrições físicas ou visuais. Destaca-se que o corpo técnico da Universidade está em processo de revisão do sistema de acesso do espaço físico através da retirada das catracas e a possível inclusão de um sistema de monitorização de câmaras com reconhecimento facial ou sistema similar de portaria eletrónica. Ao chegar à zona de espera para ser atendido, o usuário encontra mais uma barreira: poucas cadeiras de descanso adequadas para sua condição. De maneira geral, os projetos desenvolvidos em larga escala em ambientes públicos não são pensados para acomodar pessoas com sobrepeso ou com dificuldades de locomoção, as cadeiras têm dimensões estreitas e assentos duros. A Universidade através do setor de infraestrutura está em constante reestruturação dos espaços físicos de maneira a realizar a substituição 52 Figura 33 - Desconforto identificado na forma como a área de espera e balcões são distribuídos Em relação aos fatores de iluminação e ventilação na área de estudo, foi questionado aos participantes se esses aspetos atendem aos requisitos mínimos de conforto. De acordo com os resultados obtidos, 69,60% dos entrevistados afirmaram que a área é adequada, satisfazendo as exigências básicas para um ambiente confortável. Por outro lado, 30,40% dos respondentes relataram que a área não oferece o nível de conforto esperado, especificamente em relação à qualidade da iluminação e da ventilação. Esse grupo sinaliza que o ambiente pode ser insuficientemente iluminado, possivelmente causando cansaço visual, ou mal ventilado, o que pode gerar uma atmosfera abafada e desconfortável para quem passa períodos prolongados no local. Essa parcela significativa demonstra que, embora a maioria considere o ambiente aceitável, ainda há uma porção relevante de usuários que encontram desafios em relação à infraestrutura do espaço. A Figura 34 ilustra de forma clara esses dados, permitindo uma visualização precisa da divisão entre os que consideram o ambiente adequado e aqueles que percebem falhas, destacando a necessidade de uma possível reavaliação das condições de iluminação e ventilação para melhor atender a todos os usuários. 53 Figura 34 - Atendimento do nível de conforto (ventilação e iluminação) do espaço No que tange à organização do espaço analisado, os participantes foram questionados sobre a adequação da disposição. Os resultados revelam que 30,40% dos entrevistados consideram que a organização do ambiente não satisfaz as suas necessidades. Esse grupo pode ter percebido problemas relacionados ao layout do espaço, como a falta de fluidez nas áreas de circulação, disposição inadequada dos móveis ou falta de otimização dos recursos, dificultando o uso eficiente do ambiente. Esses aspetos podem impactar negativamente tanto a funcionalidade quanto o conforto geral do local. Por outro lado, 69,60% dos respondentes acreditam que a organização do espaço é adequada, atendendo satisfatoriamente às suas expectativas e necessidades. Esse percentual reflete que uma parte significativa dos usuários se sente confortável com o arranjo atual, indicando que o layout pode ser funcional para determinadas atividades ou grupos de pessoas. No entanto, a diferença entre as opiniões sugere que há oportunidades para ajustes no design e na distribuição do espaço, de forma a aumentar a eficiência e a satisfação dos usuários. Os dados obtidos estão visualmente representados na Figura 35, permitindo uma análise mais clara da divisão entre os que estão satisfeitos com a organização do espaço e os que acreditam que melhorias são necessárias. Esses resultados são importantes para guiar possíveis intervenções no layout, visando atender melhor as expectativas dos usuários e promover uma experiência mais confortável e eficiente. 54 Figura 35 - Satisfação em relação a organização do espaço No que diz respeito à permanência prolongada na área analisada, foi questionado aos participantes da pesquisa se o local oferece os requisitos básicos para que se sintam confortáveis durante períodos mais longos de utilização. Os resultados indicam que apenas 43,50% dos entrevistados consideram que a área atende a esses requisitos, sugerindo que, para uma parcela dos entrevistados, o espaço é adequado para atividades que demandam um tempo prolongado de permanência. Esse grupo possivelmente percebe o ambiente como funcional e suficientemente confortável para manter a produtividade sem grandes desconfortos. Entretanto, a maioria de 56,50% dos respondentes acredita que a área não atende às necessidades para uma estadia prolongada. Esse dado pode indicar diversos problemas relacionados ao conforto, como cadeiras inadequadas, mesas mal dispostas, ventilação deficiente ou até iluminação inadequada, que podem afetar diretamente a capacidade de permanecer no local por períodos mais longos sem incómodo. Essa percepção negativa pode ter um impacto direto na frequência de uso e na eficiência das atividades realizadas no espaço. Os dados estão representados de maneira clara na Figura 36, ilustrando a disparidade entre as pessoas que consideram o espaço adequado para uma permanência prolongada e aquelas que não se sentem confortáveis o suficiente. Esse contraste aponta para a necessidade de melhorias no ambiente, visando aumentar o conforto e proporcionar melhores condições para quem precisa utilizar o local por mais tempo. 55 Figura 36 - Cumprimento dos requisitos básicos para permanência prolongada do espaço Em relação ao deslocamento intuitivo dentro da área analisada, os participantes foram questionados sobre a facilidade de se locomover no espaço sem enfrentar obstáculos ou confusões. Os dados mostram que 78,30% das pessoas declararam não ter encontrado problemas nesse aspeto, indicando que, para uma parcela menor dos entrevistados, a disposição do local é clara e permite uma movimentação fluida e intuitiva, sem a necessidade de orientação ou esforço adicional para se localizar. Por outro lado, 21,70% dos entrevistados relataram ter dificuldades com o deslocamento dentro do ambiente, evidenciando que enfrentam algum nível de confusão ou desconforto ao tentar se orientar no espaço. Essas dificuldades podem estar relacionadas a um layout pouco claro, falta de sinalização adequada ou uma organização espacial que não facilita o fluxo natural das pessoas. Isso sugere que o ambiente pode não estar totalmente otimizado para promover uma circulação eficiente e intuitiva, o que pode resultar em frustração para os usuários, especialmente aqueles que visitam o local pela primeira vez. Esses dados são ilustrados na Figura 37, que destaca a diferença significativa entre os que consideram o deslocamento dentro do espaço intuitivo e aqueles que encontram dificuldades. A análise desses resultados aponta para a necessidade de intervenções no design do espaço de forma a facilitar a navegação e a experiência do utilizador. 56 Figura 37 - Facilidade de deslocamente de forma intuitiva É possível observar que, de forma geral, a maioria dos entrevistados não relatou grandes problemas em relação a diversos aspetos do ambiente. Elementos como o acesso ao Campus I, a disposição dos balcões na sala de espera, o conforto vinculado à ventilação e à iluminação, a organização do espaço e a facilidade de locomoção de maneira intuitiva foram bem avaliados por grande parte das pessoas consultadas. Esses fatores parecem ser satisfatórios, garantindo uma experiência razoavelmente confortável para o uso cotidiano e de curta duração. Contudo, uma questão importante que emerge da pesquisa é o desconforto associado a permanências mais prolongadas no local. Embora o espaço seja funcional e atenda bem às necessidades de quem utiliza o ambiente por curtos períodos, quando a permanência é estendida, a perceção de conforto tende a diminuir. A maioria dos entrevistados relatou desconforto nessas situações, o que sugere que aspetos como ergonomia, disposição dos móveis e até a qualidade da ventilação e iluminação podem não ser suficientes para garantir o bem-estar em longas permanências. Essa constatação aponta para uma possível necessidade de adaptações no espaço para diferentes circunstâncias de uso. Melhorias no conforto das cadeiras, a otimização da circulação de ar, uma iluminação que permita maior flexibilidade, assim como uma reorganização que torne o ambiente mais acolhedor podem ser soluções viáveis para mitigar tais desconfortos. Dessa forma, o ambiente atenderia as necessidades tanto de uma utilização breve quanto a de maior permanência, proporcionando uma experiência mais confortável e funcional em ambos os casos. 57 6.3. Intervenção A partir da coleta de dados obtidos na pesquisa realizada com alunos, docentes e funcionários da UCPel, juntamente com as características identificadas nos perfis dos futuros utilizadores do espaço, propõe-se uma intervenção que visa aprimorar a experiência de todos os integrantes da comunidade acadêmica. Embora a pesquisa indique que o maior desconforto ocorra em situações de prolongamento, é importante considerar as premissas estabelecidas por especialistas, que trazem um olhar técnico e fundamentado sobre questões urgentes enfrentadas pelo planeta. Esses problemas incluem impactos ambientais crescentes, como mudanças climáticas, escassez de recursos naturais e perda de biodiversidade, os quais exigem ações conscientes e rápidas. Compreender essas premissas nos permite não apenas identificar a origem dos problemas, mas também promover soluções que considerem o bem-estar coletivo e a sustentabilidade a longo prazo. Por isso, é fundamental analisar os dados com profundidade e agir com responsabilidade, visando minimizar os impactos negativos sobre o meio ambiente e construir um futuro mais equilibrado. Diante da necessidade de melhorar a funcionalidade dos espaços, a solução elaborada visa atender às demandas da comunidade académica, promovendo um ambiente mais inclusivo e sustentável. As alterações foram pautadas em três princípios: a redução das barreiras físicas, a construção de um espaço mais amplo e a promoção da iluminação e ventilação natural. A redução das barreiras físicas é essencial para garantir a autonomia e a mobilidade de todos os usuários, especialmente aqueles com deficiência ou mobilidade reduzida. A ampliação dos espaços foi planeada para criar áreas de convivência mais integradas, facilitando a interação social e a troca de experiências entre os estudantes. Além disso, a promoção da iluminação e ventilação natural não só melhora a qualidade do ambiente, mas também contribui para a eficiência energética, alinhando-se com práticas de sustentabilidade e aos ODS. Assim, a nova proposta representa um passo significativo rumo a um campus universitário mais acolhedor e adaptado às necessidades contemporâneas. Para sistematizar o processo e garantir uma abordagem eficiente, buscou-se desenvolver uma solução de intervenção global, utilizando um sistema integrado de medidas que possibilite uma unidade coesa do e atenda às necessidades específicas de cada ambiente. A Figura 38 ilustra a solução proposta, destacando intervenções planeadas para melhorar a circulação no espaço. 58 Figura 38 - Intervenções propostas para o Espaço físico da área de convivência da Universidade Católica de Pelotas Como o foco está na experiência e na funcionalidade do ambiente, apresenta-se uma solução espacial geral, sem se aprofundar nos detalhes arquitetónicos ou estruturais. A proposta contempla algumas alterações físicas que visam proporcionar um ambiente mais retilíneo, alinhando-se aos princípios do design inclusivo como uma alternativa desejada. Essa abordagem incorpora um olhar arquitetónico, fundamentado nas competências adquiridas pela licenciatura anterior em Arquitetura, que possibilitam uma análise mais ampla do espaço. Considerando o edifício como um produto da construção, sua modificação é avaliada com o intuito de propor soluções de design, sem ênfase nos elementos estruturais. Como resultado, identifica-se a proposta de uma circulação interligada que assegura um acesso fluido e linear, livre de obstáculos. Essa configuração é fundamental para promover a mobilidade, garantindo que todos os usuários, independentemente de suas habilidades ou necessidades, possam transitar com facilidade e segurança. 59 A figura 39 ilustra essa nova organização do espaço, evidenciando como a circulação foi planeada para facilitar o deslocamento e minimizar pontos de estrangulamento. Essa abordagem não apenas melhora a experiência do usuário, mas também promove um ambiente mais inclusivo. Além disso, a interligação das diferentes áreas do campus permite uma navegação mais intuitiva, contribuindo para uma melhor orientação e integração dos usuários no ambiente académico. Ao eliminar barreiras físicas e visuais, cria-se um espaço que incentiva a interação social e o engajamento entre alunos, docentes e funcionários. Dessa forma, a proposta de circulação interligada torna-se um elemento crucial para transformar a dinâmica do campus. Figura 39 - Planta da proposta para a área de convivência da Universidade Católica de Pelotas Para destacar os espaços com características de maior relevância, a área a ser intervencionada foi dividida em três pontos principais: a entrada do edifício, onde dá-se o acesso ao Campus I; a circulação de acesso ao restaurante, lourge, Prédio B e setor administrativo, identificados na Figura 39 e a área de atendimento, contemplada pela circulação que dá acesso as duas áreas anteriormente descritas. Essa segmentação permite uma abordagem mais focada e eficiente, assegurando que cada um desses locais receba a devida atenção nas intervenções propostas. 60 Figura 40 - Identificação das zonas estabelecidas para desenvolvimento da proposta A Entrada do Campus I é o primeiro ponto de contato com o espaço, e, portanto, deve refletir uma receção acolhedora e funcional. Investir em melhorias nessa área não só cria uma primeira impressão positiva, mas também estabelece um ambiente inclusivo, a partir da implementação de alternativas menos estigmatizantes. A circulação de acesso ao restaurante, lourge, Prédio B e setor administrativo é outro aspeto crítico, pois serve como um elo entre os diversos ambientes. O planeamento cuidadoso desta circulação garante que o fluxo de alunos e professores ocorra de maneira natural, o que reduz os obstáculos e melhora a eficiência nas transições. Por fim, a área de atendimento é essencial para proporcionar suporte, sendo um espaço onde docentes, alunos e funcionários podem interagir de forma produtiva. Ao aprimorar esse local, busca-se não apenas facilitar a resolução de questões administrativas, mas também criar um ambiente que favoreça a comunicação e a colaboração. 61 6.3.1. Proposta: Entrada do Campus I Figura 41 – Planta das intervenções propostas para a Entrada do Campus I - Rua Gonçalves Chaves Figura 42 - Implementação dos ODS na Área de acesso do Campus I 68 7. Considerações finais A presente dissertação teve como objetivo analisar e propor soluções para a otimização do Espaço de Convivência do Campus I da Universidade Católica de Pelotas (UCPel), utilizando princípios do Design Inclusivo e alinhando-se aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. Ao longo deste estudo, identificaram-se necessidades claras de transformação do espaço físico em prol da criação de ambientes mais inclusivos, sustentáveis e adaptados às demandas contemporâneas. A pesquisa, fundamentada em metodologia indutiva e com suporte de estudo de caso, revelou como o envolvimento direto com os utilizadores pode fornecer perceções valiosas sobre a funcionalidade e as melhorias desejáveis nesses espaços. Com base nos dados obtidos junto a estudantes, professores e funcionários da UCPel, verificou-se que o Espaço de Convivência, embora funcional e bem avaliado para permanências curtas, apresenta desafios que se acentuam em usos prolongados, destacando oportunidades de melhoria alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). A pesquisa indica que, enquanto elementos como a disposição dos balcões, a ventilação e a iluminação são geralmente satisfatórios para breves utilizações, a experiência de conforto diminui significativamente quando a permanência se prolonga. Esse desconforto sugere que o espaço poderia ser adaptado e reorganizado de modo a promover a otimização da iluminação e ventilação para atender melhor às demandas de uso prolongado. Em resposta aos objetivos específicos de captar as necessidades dos usuários e mapear o uso dos espaços, a dissertação revela que a falta de ventilação e iluminação naturais, bem como a disposição inadequada dos elementos de circulação, impactam a funcionalidade dos ambientes de convivência. Esse diagnóstico fundamenta-se em questionários e observações que deram voz aos utilizadores. Para além das necessidades práticas, os dados reforçam a importância de ambientes que respeitem as normas de sustentabilidade e acessibilidade, valores essenciais para um ambiente acadêmico acolhedor e inclusivo. A proposta de intervenções, que inclui a ampliação das janelas para iluminação e ventilação naturais, assim como a reorganização de circulação interna, visa a criação de cenários futuros que respeitem as características do público universitário brasileiro. A partir da análise detalhada dos espaços e suas subutilizações, foi possível conceber um plano que, além de otimizar o espaço, também valoriza o uso de recursos sustentáveis e alinha-se às diretrizes do Design Inclusivo, promovendo um ambiente acessível para todos. 69 Outro ponto importante desta conclusão é a mensagem de esperança de que as mudanças propostas são plenamente realizáveis. No contexto académico da UCPel, a abertura para a cocriação e o engajamento com o Escritório Modelo de Engenharia e Arquitetura (EMEA) demonstram que há um terreno fértil para a implementação de sugestões. Essa parceria tem o potencial de proporcionar resultados práticos, que vão além da teoria e que podem inspirar outras instituições de ensino a adotar o co-design como metodologia de desenvolvimento espacial. Os resultados obtidos apontam para um futuro em que o design dos espaços académicos pode — e deve — refletir valores de sustentabilidade e inclusão. As sugestões aqui propostas, fundamentadas nas entrevistas com os utilizadores do espaço da UCPel, foram validadas com base nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, que são parâmetros globais para a criação de ambientes mais justos e humanos. Assim, esta dissertação serve não apenas como uma análise crítica do espaço de convivência, mas também como um guia para o desenvolvimento de um espaço acadêmico que respeita e valoriza as necessidades de seus usuários. Espera-se que, ao avaliar as intervenções propostas, a UCPel sirva de exemplo no cenário educacional, promovendo uma integração eficaz entre o ambiente físico e o bem-estar dos seus usuários. Essa expectativa não se restringe apenas ao ambiente acadêmico, mas também demonstra que espaços inclusivos e funcionais são viáveis e desejáveis em qualquer contexto que envolva a interação humana. Com isso, acredita-se que o esforço conjunto da equipe da UCPel, ao abraçar as recomendações e diretrizes discutidas nesta dissertação, contribuirá para um ambiente que transcende o simples uso prático e que promove a convivência saudável, a colaboração e o desenvolvimento pessoal e profissional dos indivíduos. A melhoria dos espaços de convivência não é uma meta inatingível, mas uma necessidade tangível que, ao ser atendida, pode transformar a experiência acadêmica e, consequentemente, contribuir para uma sociedade mais inclusiva e igualitária. Por fim, a conclusão reafirma a importância de confrontar e superar as dificuldades estruturais identificadas durante a pesquisa. A proposta apresentada busca não apenas responder a um problema concreto, mas também inspirar uma nova abordagem de design institucional. Ao alinhar-se aos princípios do co-design e do desenvolvimento sustentável, a UCPel pode se tornar um modelo de inovação e inclusão, destacando-se como uma instituição que compreende a importância de investir na qualidade dos espaços e na experiência de seus usuários, consolidando-se como um espaço de convivência acolhedor e integrador. 70 8. Referências bibliográficas Assis, G. B., & Nunes, V. G. (2019). 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No que diz respeito a organização do espaço, acredita que satisfaz a necessidade?  Sim  Não No que diz respeito a organização do espaço, acredita que satisfaz a necessidade?  Sim  Não Quanto a necessidade de permanência prolongada no Saguão, acredita que requisitos básicos de conforto são atendidos?  Sim  Não Consegue deslocar-se no espaço de modo intuitivo?  Sim  Não