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A redefinição do papel e das competências do tradutor em contexto de estágio na L10N Studio, Lda.

Author: Ferreira, Maria João Dantas
Year: 2025
Source: https://repositorium.uminho.pt/bitstreams/2e9e4ba3-ee7f-45e2-b36f-d1ecb427dbaa/download
Escola de Le as, A es e Ciências Humanas
Ma ia João Dan as Fe ei a
A ede inição do papel e das
compe ências do adu o em
con ex o de es ágio na L10N S udio,
Lda.
janei o de 2025
Uni e sidade do Minho
Escola de Le as, A es e Ciências Humanas
Ma ia João Dan as Fe ei a
A ede inição do papel e das
compe ências do adu o em
con ex o de es ágio na L10N S udio,
Lda.
Rela ó io de es ágio
Mes ado em T adução e Comunicação Mul ilingue
T abalho e e uado sob a o ien ação do
P o esso Dou o Fe nando Gonçal es
Fe ei a Al es
janei o de 2025
i
DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS
Es e é um abalho académico que pode se u ilizado po e cei os desde que espei adas as eg as
e boas p á icas in e nacionalmen e acei es, no que conce ne aos di ei os de au o e di ei os
conexos.
Assim, o p esen e abalho pode se u ilizado nos e mos p e is os na licença abaixo indicada.
Caso o u ilizado necessi e de pe missão pa a pode aze um uso do abalho em condições não
p e is as no licenciamen o indicado, de e á con ac a o au o , a a és do Reposi ó iUM da
Uni e sidade do Minho.
Licença concedida aos u ilizado es des e abalho
A ibuição CC BY
h ps://c ea i ecommons.o g/licenses/by/4.0/
ii
Ag adecimen os
Gos a ia de exp essa a minha mais p o unda g a idão a odas as pessoas e ins i uições
que, de di e sas o mas, con ibuí am pa a a conc e ização des e ela ó io de es ágio.
Em p imei o luga , di ijo um especial ag adecimen o ao meu o ien ado , P o esso Dou o
Fe nando Gonçal es Fe ei a Al es, pela paciência, pelos aliosos conselhos, pela o ien ação
p ecisa e pelas ecomendações bibliog á icas ao longo de odo o p ocesso de elabo ação des e
ela ó io. Pa a além disso, ag adeço-lhe po se um exemplo de excelência, an o a ní el p o issional
como pessoal. Não pode ia e escolhido melho o ien ado pa a me guia nes e pe cu so
académico.
Ag adeço igualmen e aos es an es p o esso es do cu so de MTCM, que, ao longo da sua
docência, o am undamen ais na cons ução das minhas e e ências académicas e na o mação
da minha é ica p o issional. O conhecimen o que ansmi i am, aliado à sua pos u a e ao igo com
que exe cem a sua a i idade, ma cou p o undamen e o meu desen ol imen o.
À equipa da L10N, e em pa icula à minha o ien ado a Ana Ri a Can ei o, exp esso o meu
since o ag adecimen o po me e em p opo cionado uma isão cla a e acolhedo a do
uncionamen o de uma emp esa de adução em c escimen o, pe mi indo-me i encia essa
ealidade de o ma en iquecedo a, ainda que num con ex o i ual.
A minha g a idão es ende-se ambém à minha mãe, que semp e oi o meu maio pila ,
assegu ando não só o meu bem-es a mas ambém odas as condições pa a o meu sucesso,
zelando semp e pelos meus in e esses. Ao meu i mão, Dinis, que é o meu cons an e apoio, e aos
meus amigos, que i e am es a jo nada ao meu lado, deixo ambém o meu p o undo
ag adecimen o pela amizade, en eajuda e cama adagem, que an o signi ica am pa a mim
du an e es e pe cu so.
Po im, dedico es e abalho a odos os p o issionais e u u os p o issionais da á ea da
adução, cuja dedicação e empenho me inspi am a p ossegui nes e caminho.

iii
DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE
Decla o e a uado com in eg idade na elabo ação do p esen e abalho académico e con i mo que
não eco i à p á ica de plágio nem a qualque o ma de u ilização inde ida ou alsi icação de
in o mações ou esul ados em nenhuma das e apas conducen e à sua elabo ação.
Mais decla o que conheço e que espei ei o Código de Condu a É ica da Uni e sidade do Minho.
i
A ede inição do papel e das compe ências do adu o em con ex o de es ágio na
L10N S udio, Lda.
Resumo
Es e ela ó io de es ágio cen a-se na ede inição do papel e das compe ências do adu o
no con ex o do es ágio cu icula ealizado na L10N S udio, Lda., ep esen ando a conclusão do
Mes ado em T adução e Comunicação Mul ilingue.
O enquad amen o eó ico sublinha a c escen e ele ância do ema nos Es udos de
T adução, em espos a às ans o mações signi ica i as induzidas pela globalização, pelos a anços
ecnológicos e pelas dinâmicas das economias neolibe ais. São abo dados ópicos como a de inição
do concei o do adu o , as mudanças na indús ia e no me cado global, a noção de compe ência
adu ó ia, a o mação de adu o es, a “dança da agência” en e o elemen o humano e a máquina
e o au oconcei o do adu o , culminando nas pe spe i as u u as da p o issão, e le idas na secção
“
Quo Vadis, in e p es
?”.
A componen e p á ica do es ágio o nece uma isão ge al do ambien e de abalho,
incluindo a ap esen ação da en idade de acolhimen o, os de alhes do es ágio, o luxo de abalho
e os ipos de a e as ealizadas. A análise dos dados dos p oje os, englobando domínios, ipologias
ex uais e ecu sos u ilizados, como e amen as de ges ão de p oje os e CAT Tools, pe mi e uma
comp eensão ap o undada da o ina do adu o e dos desa ios en en ados na p á ica.
Pala as-cha e: compe ência adu ó ia, o mação de adu o es, GILT, papel do
adu o , adução especializada
The Rede ini ion o he T ansla o 's Role and Compe encies in he Con ex o an
In e nship a L10N S udio, Lda.
Abs ac
This in e nship epo ocuses on ede ining he ole and compe encies o he ansla o
wi hin he con ex o he cu icula in e nship comple ed a L10N S udio, Lda., se ing as he inal
equi emen o he Mas e 's in T ansla ion and Mul ilingual Communica ion.
The heo e ical amewo k emphasizes he inc easing ele ance o his subjec in
T ansla ion S udies, d i en by signi ican shi s d i en by globaliza ion, echnological ad ances, and
he ise o neolibe al economies. Key opics explo ed include he de ini ion o he ansla o 's ole,
changes in he indus y and global ma ke , he concep o ansla ion compe ence, ansla o
aining, he “dance o agency” be ween human and machine, and he ansla o ’s sel -concep ,
culmina ing in u u e pe spec i es o he p o ession, discussed in he sec ion “
Quo Vadis,
in e p es
?”
The p ac ical componen o he in e nship p o ides an o e iew o he wo k en i onmen ,
including he p esen a ion o he hos company, he in e nship de ails, he wo k low, and he ypes
o asks pe o med. The analysis o p ojec da a, co e ing domains, ex ypes, and esou ces used,
such as p ojec managemen ools and CAT Tools, o e s an in-dep h unde s anding o he
ansla o 's ou ine and he challenges aced in p ac ice.
Keywo ds: GILT, ole o he ansla o , specialized ansla ion, ansla ion compe ence,
ansla o aining
i
Índice
I. In odução ........................................................................................................................ 1
II. Enquad amen o eó ico ..................................................................................................... 3
2.1. O Concei o e De inição do T adu o ................................................................................ 3
2.2. As mudanças da Indús ia e do Me cado Global .............................................................. 4
2.3. A noção de compe ência adu ó ia ................................................................................. 7
2.4. Fo mação de adu o es ............................................................................................... 10
2.5. A “dança da agência” e o au oconcei o do adu o ....................................................... 13
2.6.
Quo Vadis, in e p es?
(Onde ais adu o ?) ................................................................... 15
III. Con ex ualização do es ágio ........................................................................................ 22
3.1. Ap esen ação da en idade de acolhimen o ............................................................... 22
3.2. De alhes do es ágio ................................................................................................. 23
3.3. Fluxo de abalho .................................................................................................... 24
IV. Dados dos p oje os ..................................................................................................... 27
4.1. Dados ge ais ........................................................................................................... 27
4.2. Tipos de a e a ........................................................................................................ 29
4.3. Domínios e ipologias ex uais ................................................................................. 31
4.3.1. Domínios ........................................................................................................ 32
4.3.2. Tipologias ex uais .......................................................................................... 35
4.4. Recu sos ................................................................................................................ 39
4.4.1. Fe amen as de Ges ão de P oje os................................................................. 39
4.4.2. CAT Tools/TEnTs ........................................................................................... 41
4.4.3. Fe amen as de QA ......................................................................................... 44
4.4.4. Ou os ecu sos linguís icos ............................................................................ 46
V. Análise SWOT do es ágio ................................................................................................. 51
VI. Conside ações inais ................................................................................................... 54
VII. Re e ências Bibliog á icas ............................................................................................ 57
5
pad ão, eg as e dados especí icos a uma língua e a uma egião geog á ica (Esselink, 2000) — o
que espole ou uma g ande p ocu a po se iços de adução. Es e pe íodo es emunhou ambém
o apa ecimen o das e amen as CAT que possibili a am a au oma ização da a i idade adu ó ia
a a és de sis emas de ges ão de e minologia, memó ias de adução (TM) e bases de dados
bilingues que pe mi em o a mazenamen o de co po a pa alelos pa a a ecupe ação e eu ilização
de segmen os de ex o p e iamen e aduzidos (concei o conhecido, na indús ia, como
le e aging
),
e ainda sis emas de adução au omá ica (MT) que êm o pode de p é- aduzi odo o ex o a im
de poupa abalho ao adu o . Mais a de, com o ad en o e o desen ol imen o da In e ne , a
localização deixou de es a associada apenas a p odu os de
so wa e
e ha dwa e, mas ambém a
websi es, mul imédia e qualque ipo de con eúdo digi al, ans o mando a indús ia da localização
no “ca alisado da p odução e publicação ele ónica mul ilingue” (Schäle , 1999, p. 26). Es a no a
ace do se o da localização esul ou da con e gência de ecnologias e indús ias como a
in o má ica, a comunicação, a c iação de con eúdos, a p odução de ilmes e ídeos, en e ou os.
Es a con e gência ab iu caminho pa a a chamada “ i agem ecnológica” (C onin, 2010, p. 1) nos
Es udos de T adução, con ibuindo, po sua ez, pa a a p ocu a in ensa de se iços de adução e
localização em odo o mundo e pa a a mu ação da na u eza da adução p o issional.
Po sua ez, na e a da Globalização 3.0, a indús ia da adução p o issional passou po
mudanças p o undas impulsionadas pelo ap imo amen o da T adução Au omá ica e pelo
su gimen o do modelo de
c owdsou cing
, dois enómenos que susci a am g andes p eocupações
na comunidade de adu o es, nomeadamen e po esul a em na diminuição da p ocu a pelos seus
se iços, a ine i á el descida das suas a i as e o desp es ígio ge al do es a u o e c edibilidade da
p o issão. No caso da adução au omá ica, F ank Aus e mühl (2011) a gumen a que o seu
sucesso e adesão c escen e se de em ao declínio das expec a i as dos u ilizado es e da p og essi a
“humanização” dos ou pu s dos sis emas de MT conseguida a a és de co po a e i ados de
compilações de ex os p oduzidos po humanos (Aus e mühl, 2011, p. 4). Es es co po a podem
ambém se um mo i o pa a o insucesso das aduções au omá icas, pois, mui as ezes, são
e i ados da Web sem qualque c i é io, dando o igem a e os g a es nas aduções, especialmen e
de ca iz e minológico, que só pode ão se co igidos a a és da pós-edição humana e, a longo
p azo, podem con amina e polui as bases de dados. Po sua ez, o
c owdsou cing —
ambém
chamado de adução colabo a i a, adução ei a po ãs, adução baseada em u ilizado es,
adução amado a, adução olun á ia, CT3 ( adução comuni á ia, de c owdsou cing e
colabo a i a), adução em ede, adução social, adução Web 2.0., e c. (Aus e mühl, 2011:15)

6
— é desc i o como o segundo “ca alisado de deso dem” no me cado da adução, de aco do com
Aus e mühl (2011).
C owdsou cing
é um e mo que oi cunhado po Je Howe, em 2006, e que o
mesmo de ine como “o a o de acei a um abalho adicionalmen e e e uado po um agen e
designado (no malmen e um emp egado) e ex e nalizá-lo pa a um g upo inde inido e ge almen e
g ande de pessoas num anúncio público”. Es e p ocesso colabo a i o o nou-se popula po azões
ób ias, dado que se a a de uma o ma de ob e aduções ba a as, ou mesmo g a ui as, e bem
mais ápidas, uma ez que são ealizadas em con ex o de adução colabo a i a. Es a opção acaba
po se uma g ande ameaça pa a os adu o es p o issionais, uma ez que é “o público po encial
da adução que az a adução”, o nando-o num “modelo de in e nalidade o ien ado pa a o
consumido ” (C onin, 2013, p. 100). adicionando p essão inancei a adicional a um abalho já
des alo izado,
Po an o, em ce ca de ês ou qua o décadas, os adu o es p o issionais assis i am a
mudanças p o undas que impac a am a sua p o issão pa a semp e, nomeadamen e: a
agmen ação do me cado; a p og essi a di isão e p o issionalização das a e as; a ees u u ação
e eo ganização da p o issão; a adoção impe a i a e p og essi a de no os conjun os de ap idões e
compe ências; a c escen e au oma ização e deslocalização da a i idade adu ó ia; o aumen o do
impac o da ecnologia; e o su gimen o de ameaças como a adução au omá ica e o
c owdsou cing
que põe em causa a sua es abilidade económica e es a u o social (Raído, 2016).
P o a-se assim que, ace a odas as icissi udes ago a enume adas, as de inições de
adu o inicialmen e ci adas acabam po não aze , de odo, jus à p o issão, al como ela se
ap esen a hoje. Nesse seguimen o, Vanessa Raído p opõe uma de inição mui o mais iel e
a ualizada, desc e endo os adu o es p o issionais como “agen es al amen e poli alen es cujo
abalho eque compe ências linguís icas a ançadas, li e acia da in o mação a ançada e g ande
compe ência ecnológica e ins umen al, ope ando a ualmen e numa e pa a uma sociedade cada
ez mais ecnologizada, num sis ema complexo e compe i i o de expec a i as de clien es e
u ilizado es, e amen as e no as o mas de o ganização e condições de abalho” (Raído, 2016).
O que se e i a des a de inição é que o adu o , enquan o p o issional, deixou de se apenas
de inido po aquilo que p oduz, as aduções/ ex os de chegada, e passou a se de inido pelas suas
compe ências, aquilo de que dispõe pa a ob e o seu p odu o inal. O que nos le a ao assun o das
compe ências do adu o e da aquisição das mesmas a a és da o mação de adu o es.
7
2.3. A noção de compe ência adu ó ia
A noção de compe ência na á ea da adução cons i ui um obje o de es udo ela i amen e
ecen e em compa ação com ou as disciplinas. A Compe ência T adu ó ia oi mencionada pela
p imei a ez po Wilss, em 1976, endo começado a se analisada nos Es udos de T adução na
me ade da década de 1980 e o nando-se p oeminen e na década de 1990, consolidando-se
pos e io men e nos anos 2000. Nos di e sos modelos que su gi am pos e io men e, não se
conseguiu ob e consenso em elação à de inição do concei o de compe ência adu ó ia. No
en an o, Pym (2003), após es uda modelos de ou os adu ólogos, des acou qua o noções mais
comuns de compe ência adu ó ia: a inexis ência de compe ência adu ó ia, os modelos
mul icomponenciais, os modelos que conside am a soma das compe ências linguís icas bilíngues
e o concei o de supe compe ência. A maio ia dos modelos que desc e em a compe ência adu ó ia
são modelos componenciais que se cen am nas componen es (ou subcompe ências) que
ca ac e izam a adução esc i a, ais como o conhecimen o linguís ico, o conhecimen o
ex alinguís ico, a compe ência de ans e ência, as capacidades de documen ação e a
compe ência es a égica (Hu ado Albi , 2010).
O modelo componencial mais econhecido é o Modelo Holís ico do g upo PACTE, um g upo
de in es igação lide ado po Ampa o Hu ado Albi , c iado em 1997 com o obje i o de in es iga a
na u eza da compe ência adu ó ia (CT) e a o ma como es a é adqui ida. Ao longo do empo, o
g upo e inou os modelos de CT com base em pesquisas empí ico-expe imen ais. Es e modelo
holís ico dis ingue en e compe ência (o sis ema subjacen e de conhecimen o) e pe o mance (o
a o de aduzi ), pos ulando que a compe ência adu ó ia é quali a i amen e di e en e da
compe ência bilíngue, sendo es a úl ima apenas um dos componen es da CT. A compe ência
adu ó ia é de inida como um sis ema subjacen e de conhecimen os, habilidades, des ezas e
a i udes necessá ias pa a aduzi , o qual, como qualque conhecimen o especializado, possui
componen es decla a i os e ope a i os.
Na sua p imei a e são, ap esen ada em 1998, o modelo holís ico de inia a compe ência
adu ó ia como um conjun o de seis subcompe ências in e elacionadas. Es as incluem a
compe ência bilíngue, que en ol e a comp eensão da língua de pa ida e a p odução na língua de
chegada, ab angendo conhecimen os g ama icais, ex uais, ilocu i os e sociolinguís icos; a
compe ência ex alinguís ica, que ab ange conhecimen os sob e o mundo, cul u as e á eas
emá icas especí icas; a compe ência de ans e ência, conside ada cen al e que in eg a a odas
as es an es subcompe ências, e e indo-se à capacidade de ealiza o p ocesso de ans e ência
8
do sen ido en e o ex o de pa ida e o ex o de chegada; a compe ência ins umen al e p o issional,
que se e e e ao uso de on es de documen ação, ecnologias de adução e ao conhecimen o do
me cado de abalho; a compe ência psico isiológica, que engloba ecu sos cogni i os,
psicomo o es e compo amen ais, como a memó ia, a concen ação, o igo e a c ia i idade; e, po
im, a compe ência es a égica, que inclui os p ocedimen os u ilizados pa a iden i ica e esol e
p oblemas no p ocesso adu ó io, desempenhando um papel c ucial na moni o ização e co eção
de de iciências nas ou as subcompe ências.
Em 2003, o g upo PACTE ealizou uma e isão signi ica i a des e modelo, eliminando a
subcompe ência de ans e ência, uma ez que se e i icou que es a se sob epunha à de inição
global de compe ência adu ó ia. A compe ência adu ó ia passou, en ão, a se en endida como
o sis ema subjacen e de conhecimen os, habilidades e des ezas necessá ias pa a aduzi ,
compos o po componen es decla a i os e p ocedimen ais, e in eg ando os conhecimen os
necessá ios pa a comple a o p ocesso de adução, desde a comp eensão do ex o de pa ida a é
à sua eexp essão no ex o de chegada, em con o midade com o obje i o da adução e o público
des ina á io. Nes a e são e is a, o modelo passou a se compos o po cinco subcompe ências:
compe ência bilíngue, compe ência ex alinguís ica, compe ência em conhecimen os sob e
adução, compe ência ins umen al e compe ência es a égica. A emoção da subcompe ência de
ans e ência e e como obje i o cla i ica que es a já não de e ia se conside ada uma
subcompe ência au ónoma, mas an es como sinónimo da p óp ia compe ência adu ó ia,
e le indo assim o ca á e especializado e in eg ado des e conhecimen o.
No que diz espei o à aquisição da compe ência adu ó ia, o g upo PACTE conside a que
es e é um p ocesso de ap endizagem dinâmico, não linea e cíclico, que en ol e a ees u u ação
e o desen ol imen o do conhecimen o, desde um ní el amado (compe ência p é- adu ó ia) a é a
um ní el especializado (compe ência adu ó ia). Es a p og essão não oco e de o ma sequencial
ou p e isí el, mas sim a a és de uma e olução g adual e complexa que implica a anços e ecuos,
bem como a in e ação cons an e en e as di e en es subcompe ências. Es e p ocesso eque a
compe ência de ap endizagem e esul a numa ees u u ação in eg ada de conhecimen os
decla a i os e ope a i os.
Du an e a aquisição da compe ência adu ó ia, os ap endizes a a essam di e en es
es ágios de desen ol imen o, os quais podem se in luenciados po di e sos a o es, como o ipo
de adução, a combinação linguís ica, a especialização e o con ex o de ap endizagem. A
expe iência p á ica de adução é c ucial pa a a o mação dos adu o es, na medida em que
9
pe mi e aos ap endizes in e naliza em os p incípios da adução e desen ol e em as suas
compe ências. À medida que se expõem a di e en es si uações de adução, as suas
subcompe ências são con inuamen e desen ol idas e ees u u adas.
Es a ees u u ação implica a in eg ação e o desen ol imen o de di e en es ipos de
conhecimen o, incluindo o conhecimen o decla a i o (sabe o quê) e o conhecimen o
p ocedimen al (sabe como). O conhecimen o decla a i o e e e-se aos p incípios eó icos da
adução, enquan o o conhecimen o p ocedimen al en ol e as compe ências p á icas necessá ias
pa a ealiza o p ocesso adu ó io. Duas a iá eis-cha e na aquisição da compe ência adu ó ia
são o conhecimen o de adução (decla a i o) e o p oje o de adução (p ocedimen al). O p imei o
ab ange o conhecimen o implíci o que o ap endiz possui sob e os p incípios da adução, enquan o
o segundo se e e e à abo dagem que o ap endiz aplica na adução de um ex o especí ico e nas
unidades que o compõem, semp e em um de e minado con ex o.
Pa a a alia o desen ol imen o da compe ência adu ó ia, são u ilizados indicado es como
o índice de dinamismo e o coe icien e de coe ência. O índice de dinamismo mede se a abo dagem
à adução é mais dinâmica ( ex ual, in e p e a i a, comunica i a e uncionalis a) ou es á ica
(linguís ica e li e al). O coe icien e de coe ência, po sua ez, a alia a consis ência da conceção de
adução do ap endiz, e i icando se a sua abo dagem aos di e en es aspe os da adução é
coe en e.
Os es udos do g upo PACTE e idenciam a impo ância de uma conceção e de uma
abo dagem dinâmicas à adução, an o pa a a compe ência adu ó ia como pa a o p ocesso de
aquisição dessa compe ência. A p og essão de um conhecimen o decla a i o es á ico pa a um
dinâmico é uma ca ac e ís ica undamen al do desen ol imen o da compe ência adu ó ia. Es es
esul ados e o çam a necessidade de in eg a nas o mações de adução uma abo dagem que
p omo a o desen ol imen o de uma conceção dinâmica da adução. Assim, a o mação de e
p opo ciona aos ap endizes expe iências p á icas di e si icadas que lhes pe mi am ap imo a as
suas compe ências de esolução de p oblemas e de omada de decisão, bem como a capacidade
de aplica es a égias de adução e icazes. É igualmen e c ucial que a o mação de adu o es
abo de não apenas as compe ências especí icas da adução, mas ambém as compe ências
gené icas, como a au oc í ica, o pensamen o c í ico e a capacidade de abalha sob p essão
(PACTE, 2020).
10
2.4. Fo mação de adu o es
No âmbi o da aquisição de compe ências adu ó ias, o na-se, como já oi mencionado,
de g ande ele ância, abo da os p og amas de o mação de adu o es e, consequen emen e, a
conceção dos planos cu icula es. Do o hy Kelly, no seu guia pa a o mado es de adu o es (
A
Handbook o T ansla o T aine s
, 2005), dedica um capí ulo às ques ões essenciais pa a a
elabo ação de planos cu icula es o ien ados pa a a adução. Ela inicia es e capí ulo com uma
ci ação de Cannon & Newble (2000), a i mando que “a cha e do planeamen o cu icula eside
na c iação de ligações educacionalmen e sólidas e lógicas en e as in enções planeadas (exp essas
como obje i os), o con eúdo do cu so, os mé odos de ensino, de ap endizagem e de a aliação da
ap endizagem dos alunos, endo em con a as suas ca ac e ís icas” (2000: 142–143, adução
p óp ia). Pa indo des e p incípio, Kelly es ipula que o p imei o passo é de ini obje i os explíci os
e anspa en es, bem como os esul ados espe ados pa a os cu sos o ma i os, algo que, segundo
a au o a, já az pa e na maio ia dos sis emas, enquan o es o ço con ínuo pa a melho a a
ap endizagem dos es udan es.
Kelly (2005) ambém ap esen a a o es a e em conside ação ao de ini os esul ados
espe ados. En e es es incluem-se: as necessidades sociais, ligadas à economia local ou egional;
as no mas p o issionais, que em alguns casos se ão ap esen adas o malmen e (caso da ISO
17100 e do
EMT Compe ence F amewo k
, que se á ap esen ado mais abaixo); as necessidades
da indús ia; a polí ica ins i ucional; as es ições ins i ucionais, como a legislação ou as
egulamen ações nacionais; as conside ações disciplina es, como as pesquisas e a bibliog a ia
exis en es, p á icas comuns dos cu sos semelhan es, e c.; e, po im, os p óp ios pe is dos
es udan es. Um dos a o es mais impo an es, segundo Kelly, é o con ex o sociocul u al e
ins i ucional em que os cu sos são desen ol idos. Es e con ex o, mui as ezes, p oduz e ap esen a
a desc ição ealis a do que é pedido que um adu o p o issional aça. Es e oi um g ande pon o
de pa ida pa a o Espaço Eu opeu de Ensino Supe io no p ocesso de Bolonha, que isa ha moniza
o ensino supe io eu opeu, p omo endo a mobilidade de es udan es e docen es, e o nando-o mais
inclusi o e compe i i o. Os países comp ome em-se a ado a um sis ema de ês ciclos
(licencia u a, mes ado e dou o amen o), a econhece quali icações ob idas no es angei o e a
ga an i a qualidade do ensino (Comissão Eu opeia, 1999).

11
Nes e con ex o, a Comissão Eu opeia c iou o
EMT Compe ence F amewo k
, do qual o
Mes ado em T adução e Comunicação Mul ilingue da Uni e sidade do Minho passou a aze pa e
es e ano, 2024. O
EMT Compe ence F amewo k
(Quad o de Compe ências do Mes ado Eu opeu
em T adução), inicialmen e publicado em 2009 e a ualizado signi ica i amen e em 2017, o nou-
se uma e e ência essencial pa a a o mação de adu o es na União Eu opeia e nou os con ex os,
an o no meio académico como na indús ia. A sua c iação baseia-se nos p incípios undado es do
EMT, es abelecidos em 2009 pelo G upo de Pe i os, e inco po a os esul ados das in es igações
sob e adução e compe ência adu ó ia conduzidas pela comunidade académica. Em 2022, oi
a ualizado pa a e le i as no as p io idades dos p og amas de adução eu opeus e as mudanças
na indús ia dos se iços linguís icos, p epa ando os o mandos pa a um me cado de abalho
al amen e dinâmico e ecnologizado. Es e quad o isa consolida e melho a a emp egabilidade
dos g aduados de mes ados em adução em oda a Eu opa.
O quad o assume que os p og amas de mes ado de em ensina uma combinação de
conhecimen o e ap idões, pe mi indo aos es udan es desen ol e as compe ências conside adas
essenciais pa a acede à indús ia da adução e ao me cado de abalho em ge al. Pa a al, u iliza
concei o de inidos no
Eu opean Quali ica ions F amewo k
, onde o “conhecimen o” é is o como a
assimilação de in o mações, como ac os, eo ias e p á icas; a “ap idão” e e e-se à capacidade de
aplica esse conhecimen o na execução de a e as e esolução de p oblemas; e a “compe ência”
consis e na capacidade comp o ada de usa conhecimen os e ap idões, jun amen e com
capacidades pessoais, sociais e me odológicas, em con ex os p o issionais e académicos. Es es
elemen os são undamen ais pa a que os es udan es alcancem os esul ados de ap endizagem, ou
seja, o que sabem, comp eendem e são capazes de aze após o p ocesso o ma i o, ga an indo a
sua au onomia e esponsabilidade no me cado labo al.
O quad o de compe ências não p e ende desc e e de o ma exaus i a odas as
compe ências e conhecimen os que os g aduados em adução de em adqui i , omi indo, po
exemplo, o conhecimen o eó ico e as compe ências de in es igação incluídas em p og amas
a ançados. No en an o, es abelece um conjun o comum de esul ados de ap endizagem ocado
em compe ências ge ais e ap idões especí icas, pe mi indo que os p og amas incluam ou as á eas
de conhecimen o, con o me as suas pa icula idades.
O
EMT Compe ence F amewo k
de ine cinco á eas p incipais de compe ência que são
undamen ais pa a a o mação de adu o es ao ní el de mes ado, a endendo às necessidades do
me cado p o issional e à p epa ação dos es udan es pa a os desa ios complexos no se o da
12
adução. A p imei a á ea, Língua e Cul u a (Consciência T anscul u al e Sociolinguís ica e Ap idões
Comunica i as), ab ange o conhecimen o linguís ico e cul u al necessá io pa a a adução de ní el
a ançado, incluindo a capacidade de en ende a iações linguís icas (sociais, geog á icas ou
his ó icas) e adap a -se a es u u as g ama icais e lexicais ap op iadas, bem como iden i ica
elemen os cul u ais e alo es subjacen es nos ex os. O domínio de pelo menos duas línguas de
abalho (ní el C1 ou supe io no QECR) é um equisi o undamen al.
A segunda á ea, T adução (Compe ência Es a égica, Me odológica e Temá ica), é o cen o
do quad o e ab ange o p ocesso de ans e ência de signi icado en e línguas (in e linguís ica e
in alinguís ica) e inclui as compe ências me odológicas necessá ias pa a a ges ão do p ocesso de
adução. Es a á ea sublinha ambém a impo ância da adução au omá ica nos luxos de abalho
a uais, exigindo li e acia em TA e uma comp eensão das suas limi ações e po encialidades.
A e cei a á ea, Tecnologia (Fe amen as e Aplicações), concen a-se no uso da ecnologia
no p ocesso de adução. Es a compe ência ab ange o conhecimen o e a ap idão pa a implemen a
e aconselha sob e o uso de ecnologias de adução, incluindo a adução au omá ica e o uso de
e amen as de apoio à adução, assegu ando que os adu o es es ejam p epa ados pa a um
ambien e cada ez mais ecnologizado.
A qua a á ea, Pessoal e In e pessoal, ab ange as chamadas “so skills”, que são
undamen ais pa a a emp egabilidade dos adu o es. Es as incluem a capacidade de
comunicação, abalho em equipa, ges ão de empo e esolução de con li os, á eas que aumen am
a adap abilidade dos g aduados num me cado de abalho dinâmico.
Po im, a quin a á ea, P es ação de Se iços, es á elacionada com a capacidade de
p es a se iços linguís icos num con ex o p o issional, incluindo a ges ão de clien es, negociação
de con a os, ges ão de p oje os e ga an ia de qualidade. Es a compe ência e le e a necessidade
de os adu o es não só se em compe en es no a o de adução, mas ambém de es a em cien es
dos equisi os dos clien es, comissá ios e u ilizado es, e de p es a em se iços de aco do com os
mais al os pad ões p o issionais e é icos.
Embo a as cinco á eas possam se is as sepa adamen e, são complemen a es e
igualmen e impo an es na p es ação do se iço de adução, que cons i ui o obje i o inal des e
p ocesso.
13
2.5. A “dança da agência” e o au oconcei o do adu o
A adução con empo ânea é indubi a elmen e uma o ma de in e ação humano-máquina
(HCI), de inida po Johnson (1992) como “o es udo da in e ação en e pessoas, compu ado es e
a e as”. Es e campo in e disciplina combina elemen os das ciências, engenha ia e a e, com um
oco cen al nas exigências que os compu ado es impõem ao conhecimen o, às a e as e à
ap endizagem dos u ilizado es. A HCI não se limi a à in e ace do u ilizado de um p odu o de
so wa e
, mas ab ange uma gama mais ampla de in e ações en e humanos e máquinas.
No domínio da HCI, des acam-se dois concei os equen emen e u ilizados: os a o es
humanos e a e gonomia. Os a o es humanos concen am-se na o ma como as pessoas in e agem
com e amen as e ecnologias, enquan o o e mo “e gonomia” se e e ia, adicionalmen e, à
acilidade de uso do ha dwa e, como eclados, mas e oluiu pa a inclui ambém a usabilidade de
p odu os de
so wa e
. Um subdomínio da e gonomia, designado e gonomia cogni i a, abo da as
exigências cogni i as impos as aos u ilizado es pelo
design
e pela complexidade dos p og amas de
compu ado .
Sha on O’B ien (2012) aplicou es e concei o ao campo da adução, uma ez que es a
depende amplamen e de ecu sos in o má icos, o nando-se a ualmen e uma p o issão quase
simbió ica com a máquina. A adução eque uma in e ação cada ez maio com os compu ado es,
o que em sido an o uma acili ado a quan o uma on e de descon en amen o na p o issão. Es e
desen ol imen o ouxe bene ícios, mas ambém desa ios signi ica i os, que de em se o oco de
maio discussão e in es igação na comunidade adu ó ia.
As e amen as ecnológicas, como as memó ias de adução (TM) e a adução au omá ica
(TA), p opo cionam bene ícios cla os em e mos de elocidade, qualidade e cus o. Pa a os clien es
e u ilizado es inais, a apidez no p ocessamen o, a a és da eu ilização de aduções an e io es,
e a consis ência assegu ada, especialmen e em domínios écnicos ou especializados, cons i uem
an agens indiscu í eis. Além disso, a edução de cus os associada à eu ilização de ma e ial
aduzido ep esen a um incen i o económico impo an e.
Pa a os adu o es, o uso de TM e TA aumen a a p odu i idade, pe mi indo-lhes conclui
p oje os mais apidamen e e concen a -se em a e as mais desa iado as, sem a necessidade de
epe ição con ínua de ases. O acesso ins an âneo a e amen as de ges ão de e minologia e a
dicioná ios ele ónicos acili a o p ocesso, enquan o a TA c ia no as opo unidades de abalho,
14
como a pós-edição e a a aliação de qualidade, expandindo o leque de papéis possí eis pa a os
adu o es.
Con udo, apesa des as an agens, as des an agens não de em se igno adas. O uso
c escen e de ecnologias de adução pode esul a numa desumanização e des alo ização do
papel do adu o . Mui os p o issionais sen em-se elegados à unção de e iso es de e os ge ados
po máquinas, o que pode des alo iza a sua pe ícia e c ia i idade. Além disso, a p essão pa a
ado a a TA pode conduzi a uma diminuição das a i as, sub alo izando o abalho do adu o . A
dependência excessi a de TM pode não só pe pe ua e os, mas ambém limi a a ino ação e a
o iginalidade no p ocesso adu ó io, o nando-o mais mecânico.
A qualidade e a c ia i idade, que cons i uem os pila es undamen ais da adução humana,
ambém es ão em isco. A busca incessan e po apidez e consis ência pode sup imi a libe dade
c ia i a dos adu o es, eduzindo o seu papel à co eção de e os i iais. A acei ação c escen e de
uma adução “su icien emen e boa” em de imen o da excelência pode, a longo p azo,
comp ome e as compe ências dos adu o es, a e ando a qualidade global do se iço de adução
(O’B ien, 2012).
É nes e con ex o que Öne Bulu (2019) suge e que o adu o humano já não é o único
agen e na es e a da adução, pa ilhando a agência — a on ade e capacidade de agi (Kinnunen
& Koskinen, 2010) — com a máquina, ans o mando a in e ação numa e dadei a “dança de
agência”. Bulu ques iona como de em os o mado es de adu o es adap a -se a es a ealidade,
endo conduzido um es udo em 2019 que p e endia explo a a o ma como se ia possí el p epa a
os u u os adu o es pa a es a no a dinâmica. Es e es udo de ende que a ede inição do papel do
adu o humano es á in imamen e ligada à necessidade de epensa os cu ículos de o mação.
Bulu p opõe um en oque na “compe ência do adu o humano”, conside ando-a como uma no a
cons ução na o mação, que ai além das subcompe ências adicionais, como a “compe ência
ins umen al” ou a “compe ência ecnológica”.
A no a pe spe i a de Bulu suge e o desen ol imen o de uma “me acompe ência de
adução humana”, que não implica a ejeição dos a anços pedagógicos alcançados, mas sim o
eposicionamen o das compe ências adicionais dos adu o es a a és de uma análise SWOT e
da in eg ação de abo dagens ino ado as de o mação. O au o suge e, po exemplo, que a adução
au omá ica seja in eg ada na o mação o mais cedo possí el, de modo a aumen a a consciência
dos es udan es sob e os seus papéis a uais e u u os enquan o adu o es humanos. Es es papéis
21
e o p aze encon ado no p ocesso de adução. Pa a o alece a p o issão, a gumen a que é
necessá io ap oxima a eo ia da p á ica p o issional, e o mulando a eo ia da adução pa a o ná-
la mais aplicá el ao dia-a-dia dos adu o es, bem como p omo e no mas de qualidade e uma
maio egulamen ação da p o issão, essenciais pa a o econhecimen o das compe ências
especializadas dos adu o es.
Pa a além das suges ões des es au o es, á ias medidas podem se ado adas pa a
maximiza a agência do adu o e, consequen emen e, melho a a sua qualidade de ida. A ní el
indi idual, é essencial que os adu o es desen ol am con inuamen e no as compe ências. O
domínio das e amen as ecnológicas de adução, incluindo a comp eensão dos o ma os de
dados u ilizados e do es a u o legal da p op iedade dos dados, é c ucial pa a ga an i a sua
ele ância no me cado. Ki aly (2000, ci ado po Moo kens 2017) sublinha a impo ância da
ap endizagem ao longo da ida, pe mi indo que os adu o es se adap em de o ma dinâmica às
cons an es mudanças na p o issão.
Adicionalmen e, Ka an (2016, ci ado po Moo kens, 2017) suge e que os adu o es se
des inculem de abalhos insa is a ó ios e se concen em na ansc iação, uma á ea menos
susce í el à subs i uição po máquinas. Es a abo dagem não apenas p opo ciona econhecimen o
p o issional pelo seu papel c ia i o, mas ambém pe mi e que se dediquem a abalhos mais
g a i ican es e que maximizem as suas a i as. Além disso, é i al que os adu o es ado em uma
es a égia ao acei a apenas p oje os que co espondam às suas compe ências, ga an indo uma
emune ação jus a. A edução da qualidade do abalho ou a acei ação de condições p ecá ias,
con o me e elado po Abdallah (2010, ci ado po Moo kens, 2017), pode esul a em
consequências ad e sas pa a a p o issão. Assim, a au o alo ização e a seleção conscien e dos
p oje os são undamen ais.
No que espei a a soluções cole i as, a c escen e p eocupação com os di ei os dos
abalhado es con ingen es em impulsionado inicia i as signi ica i as. Um exemplo dis o é a
emenda legisla i a na I landa (2016/17), que isa p o ege os eelance s e pe mi i a negociação
cole i a. Nos Es ados Unidos, aco dos de negociação cole i a pa a abalhado es con ingen es
es ão em igo no es ado de Washing on desde 2013. No sec o da adução, a Ca a do T adu o
da Fede ação In e nacional de T adu o es (1963/1994) e a Recomendação da UNESCO sob e a
p o eção ju ídica dos adu o es (1976) ecomendam a equipa ação sala ial dos adu o es a ou as
p o issões. Embo a pequenas i ó ias enham sido alcançadas, como os aco dos en e adu o es

22
li e á ios i alianos e edi o as independen es em 2016, e o aco do cole i o pa a in é p e es no es ado
de Washing on, melho ias subs anciais con inuam a se um desa io (Moo kens, 2017).
Be a di (2015, p. 329) essal a que a “au o-o ganização dos abalhado es cogni i os” em
alhado em g ande pa e de ido à p eca iedade e à globalização, que comp ome em a solida iedade
social necessá ia pa a uma o ganização au ónoma. Abdallah e Koskinen (2007, ci ado po
Moo kens, 2017) no am um c escen e clima de descon iança en e clien es e adu o es,
di icul ando a in e ação e a o ganização a a és das edes sociais. Po an o, é undamen al que os
adu o es se es o cem pa a o alece associações p o issionais e explo em opo unidades de
negociação cole i a, p omo endo uma abo dagem uni icada dian e da p essão global po eduções
de p eço.
III. Con ex ualização do es ágio
3.1. Ap esen ação da en idade de acolhimen o
A L10N é uma emp esa de adução e ou as soluções linguís icas, com sede em Lisboa,
undada em 2009. A emp esa é ce i icada pela no ma ISO 17100 e des aca-se pela p odução
anual de ap oximadamen e 18.000.000 pala as aduzidas em 120 idiomas. A L10N a ua em
di e sos se o es, ais como saúde, indús ia,
ma ke ing
, inanças, di ei o, IT &
so wa e
, bem como
e-lea ning
e o mação.
Pa a além de o e ece se iços de adução especializada, a L10N p opo ciona soluções
de localização, legendagem, ansc ição, ges ão e minológica,
ma ke ing
mul ilingue (SEO,
ansc iação e
copyw i ing
) e ecnologia (DTP e adução au omá ica). O p incipal obje i o da
emp esa é ajuda ou as emp esas e ma cas a ence nos me cados in e nacionais, adap ando a
sua comunicação às necessidades dos seus clien es em odo o mundo. Es e comp omisso é
e le ido no seu slogan “making ansla ion in isible”, uma alusão à eo ia de Alexande F ase
Ty le (1791) que de inia uma boa adução como aquela que e le e o mesmo om, ideia, luência
e na u alidade do ex o o iginal, e no mo e “e iciência, iabilidade e oco no clien e”. Con o me
des acado no seu websi e, “é incalculá el o p eço da iabilidade e do conhecimen o”. Ou seja, a a-
se de uma en idade cujo obje i o é a ua nos “bas ido es” das ope ações dos seus clien es,
aduzindo os seus con eúdos com o igo e o conhecimen o especializados exigidos no domínio
da adução écnica e especializada, assegu ando semp e a idelidade à mensagem o iginal do
clien e e espe i os obje i os.
23
Rela i amen e à sua es u u a o ganizacional, a L10N con a com uma equipa in e na
compos a po seis ges o es de p oje o, um líde de equipa, um esponsá el pela qualidade e
ecu sos humanos, um esponsá el de
ma ke ing
, um esponsá el de endas, se e linguis as
in e nos e o CEO. Es a equipa mul idisciplina colabo a pa a ga an i a máxima e iciência e
qualidade nos se iços p es ados, semp e com um oco cons an e na sa is ação do clien e.
Figu a 1 - O ganog ama da L10N (Elabo ação P óp ia)
3.2. De alhes do es ágio
O es ágio cu icula desc i o nes e ela ó io deco eu en e 5 de e e ei o e 31 de maio,
com uma du ação o al de ês meses e 24 dias. O ho á io de expedien e es abelecido oi das 9h
às 18h, com uma pausa pa a almoço das 13h às 14h, de segunda a sex a- ei a. Todas as a i idades
o am ealizadas emo amen e, u ilizando o ambien e de abalho emo o o necido pela emp esa.
Du an e es e pe íodo, a es agiá ia es e e sob a o ien ação de Ana Ri a Can ei o, uma das
ges o as de p oje o da emp esa, com quem comunica a egula men e ia Skype, assim como com
o es o da equipa. Realiza am-se ideochamadas espo ádicas pa a aze o pon o de si uação.
O p incipal en oque do es ágio oi a execução de p oje os de adução écnica e
especializada em di e sas á eas, en ol endo adução e pós-edição, p edominan emen e do inglês
pa a o po uguês, com alguns p oje os anceses ao longo do pe cu so, embo a em quan idade
eduzida de ido à meno a luência de abalho nesse pa linguís ico.
24
No âmbi o das a i idades ealizadas, oi possí el expe imen a um pouco de odos os
domínios ab angidos pela emp esa, u ilizando uma g ande a iedade de CAT Tools.
Abaixo, segue uma c onologia que apon a os acon ecimen os mais signi ica i os, do
pe íodo p é-es ágio ao pós-es ágio:
Figu a 2 - C onologia do Es ágio (elabo ação p óp ia)
3.3. Fluxo de abalho
O luxo de abalho ado ado pela L10N pa a os seus p oje os de adução é me odicamen e
es u u ado com o p opósi o de ga an i e iciência e qualidade em odas as e apas do p ocesso.
Es e luxo pode se di idido em á ias ases dis in as que se complemen am pa a assegu a um
p odu o inal de al a qualidade.
O p ocesso inicia-se com a p epa ação do p oje o, onde o ges o de p oje os es abelece o
con a o inicial com o clien e. Du an e es a ase, são analisados os equisi os do p oje o, negociados
os de alhes elacionados com o p eço e de inido o calendá io de execução. É nes a e apa que se
es abelece a base sob e a qual odo o abalho subsequen e se á desen ol ido.
Na ase seguin e, a adução, o ges o de p oje os disponibiliza ao(s) adu o (es), a a és
da pla a o ma Plune , os ecu sos essenciais pa a a execução do abalho o necidos pelo clien e.
25
Es es incluem glossá ios, guias de es ilo, memó ias de adução, ins uções (
ansla ion b ie s)
e
ou os documen os de e e ência como imagens, ídeos, e sões an e io es do documen o, en e
ou os. U ilizando uma CAT Tool ap op iada, o adu o ealiza a adução do ex o, assegu ando a
idelidade ao
b ie ing
o necido e man endo a consis ência e p ecisão e minológica com base nos
ecu sos disponibilizados.
Após a conclusão da adução, o p oje o a ança pa a a ase de e isão, onde o adu o
ealiza a co eção linguís ica do(s) documen o(s), u ilizando o co e o do Mic oso Wo d e
e i icando a e minologia, consis ência, pon uação e o ma ação, a a és de e amen as de
so wa e
pa a QA, como o Ve i ika.
Po im, o adu o inaliza o p oje o e ealiza a en ega a a és da pla a o ma Plune ,
seguindo os p o ocolos especí icos pa a cada ipo de e amen a de adução u ilizada. Es a e apa
pode inclui a submissão de documen os adicionais como no as de en ega e
que ies
. “Que y”
e e e-se a uma pe gun a, dú ida ou solici ação de escla ecimen o ei a pelo adu o , e iso ou
ou o p o issional en ol ido no p ocesso de adução. Essas
que ies
podem su gi quando há
ambiguidades, e mos écnicos não escla ecidos, pa es do ex o o iginal que não são cla as o
su icien e pa a se em aduzidas com p ecisão, ou ou as ques ões que p ecisam de se esol idas
pa a ga an i a qualidade e a exa idão da adução inal. As
que ies
são no malmen e
documen adas e a adas pelo ges o de p oje os ou pela equipa esponsá el e en iadas pa a o
clien e a im de ga an i que odas as ques ões sejam esol idas de manei a sa is a ó ia an es da
conclusão do p oje o.
Du an e odo o p ocesso, os ges o es de p oje os desempenham um papel cen al na
coo denação e na ga an ia de que odos os passos sejam seguidos de aco do com as expec a i as
dos clien es e os pad ões de qualidade da emp esa. Es a abo dagem es u u ada não só acili a a
ges ão e icien e dos p oje os de adução, como ambém p omo e a colabo ação en e os memb os
da equipa, esul ando em aduções de al a qualidade que sa is azem plenamen e as necessidades
e expec a i as dos clien es da L10N.
26
Figu a 3 - Fluxo de abalho na L10N (Elabo ação P óp ia)

27
IV. Dados dos p oje os
4.1. Dados ge ais
Du an e o es ágio, a es agiá ia pa icipou na execução de um o al de 247 p oje os. Des es,
os p imei os 11 o am “dummies”, ou seja, documen os ic ícios c iados pa a amilia iza os no os
memb os da equipa com os p ocessos e e amen as da emp esa, simulando condições eais de
abalho. Todos os p oje os i e am como língua de pa ida o inglês, à exceção de 6 p oje os, cujo
ex o de pa ida e a em língua ancesa.
G á ico 1 - Rácio en e p oje os eais e “dummies” (Elabo ação P óp ia)
96%
4%
Rácio en e p oje os eais e "dummies"
Reais Dummies
28
G á ico 2 - Rácio en e pa es linguís icos (Elabo ação P óp ia)
Du an e o es ágio, as a i idades concen a am-se em ês á eas p incipais: adução
especializada, adução écnica e localização.
A adução especializada, en endida como a adução dos campos de conhecimen o
especí ico que se enquad am na adução não-li e á ia (Go i & Sa ce ic, 2007), en ol eu a
adução de ex os pe encen es a domínios especí icos, como ciência, ecnologia, economia,
ma ke ing
e di ei o. Es e ipo de adução exigiu um conhecimen o ap o undado an o da língua de
o igem quan o do ema abo dado, pa a assegu a a p ecisão e a idelidade do con eúdo o iginal.
Exemplos p á icos incluí am a adução de ela ó ios écnicos e documen os de
ma ke ing
, onde a
comp eensão da e minologia e do con ex o e a essencial pa a a qualidade do abalho.
A adução écnica, en endida como a adução de documen os que con êm in o mações
especializadas, com oco na cla eza e na p ecisão écnica (By ne, 2006), ocou-se na adução de
documen os com in o mações especializadas, como manuais, guias de u ilizado e especi icações
écnicas. En e ou os aspe os, a cla eza e a p ecisão o am c uciais pa a ga an i que as ins uções
ossem comp eensí eis e e icazes pa a os u ilizado es inais. Es a á ea de abalho é en iquecida
pela aplicação de p incípios de engenha ia de usabilidade e comunicação écnica, com o obje i o
de melho a a acessibilidade e a e icácia comunica i a dos ex os aduzidos.
98%
2%
Rácio en e pa es linguís icos
EN>PT FR>PT
29
Po im, a localização, que se e e e ao p ocesso de adap ação de um p odu o de o ma a
o ná-lo linguis icamen e e cul u almen e adequado ao público-al o da egião ou país onde se á
u ilizado e come cializado (
locale
) (Esselink, 2000), es e e di e amen e associado à adução e
adap ação de
so wa e
. Es e p ocesso incluiu a in e ace de u ilizado (UI) e oda a documen ação
associada, como ichei os de ajuda e mensagens de e o. A localização de
so wa e
exigiu especial
a enção a elemen os como menus, bo ões, no i icações e ou os componen es da UI, de modo a
assegu a uma expe iência de u ilizado luida e in ui i a.
As ês á eas mencionadas con e gi am equen emen e nos p oje os ealizados, e le indo
a necessidade das emp esas de aduzi e localiza uma as a gama de con eúdos com unções
dis in as. Es es con eúdos ab angem desde ma e iais pa a uso in e no e con eúdos de
ma ke ing
des inados a a ai no os clien es, a é in o mações di ecionadas ao u ilizado inal. A a iação na
unção e no público-al o dos ex os acaba po e um impac o di e o no om e no es ilo da linguagem
u ilizada, no g au de especialização ou ecnicidade exigido, e no meio mais adequado pa a alcança
o des ina á io.
Des a o ma, é na u al que as á eas de adução écnica e especializada se en elacem,
especialmen e com a c escen e digi alização dos negócios que o na a localização de
websi es
e
so wa e
cada ez mais in e ligada com essas á eas. Is o po que as emp esas dos se o es
especializados p ecisam de man e uma p esença
online
e icaz pa a alcança audiências
in e nacionais, o que exige uma combinação p ecisa de igo écnico e adap ação cul u al em odos
os ipos de con eúdo. Es a in eg ação é undamen al pa a ga an i uma comunicação global e icaz
e adap ada às necessidades de cada me cado.
4.2. Tipos de a e a
É ambém ele an e menciona que es e es ágio não se limi ou exclusi amen e a a e as
de adução, embo a es as enham cons i uído a sua maio ia. O escopo das a i idades ab angeu
uma a iedade de unções que con ibuí am pa a um desen ol imen o p o issional ab angen e e
pa a uma comp eensão mais ap o undada do se o . Essa di e sidade e le e a c escen e
poli alência exigida aos adu o es no me cado de abalho a ual, onde compe ências como a
e isão e edição de ex os são essenciais pa a ga an i a qualidade e a consis ência do con eúdo.
A segui , ap esen am-se os ipos de a e as ealizadas, acompanhados de in o mações
ele an es pa a con ex ualiza cada uma, den o do espe i o ambien e de abalho:
30
• T adução: Foi a a e a p edominan e du an e o es ágio. A ualmen e, o p ocesso de
adução é in a ia elmen e assis ido po CAT Tools, uma p á ica que se es abeleceu
como no ma no campo da adução, com o uso de
so wa e
especializado, sendo
essencial pa a ga an i a e iciência e a p ecisão do abalho. Em mui os p oje os, a
escolha da CAT Tool e a de inida pelo clien e, alguns dos quais dispunham das suas
p óp ias e amen as e ambien es na nu em, onde se aduziam e ge iam os p oje os.
O p ocesso de adução bene icia a equen emen e de ecu sos o necidos pelo
clien e, como glossá ios especí icos, memó ias de adução e documen os de
e e ência, semp e que es es se encon a am disponí eis. A in eg ação com CAT Tools
assegu ou um ele ado ní el de consis ência e con o midade com as exigências,
especi icações e e minologias especí icas de cada clien e.
• Pós-edição: Cada ez mais comum no me cado da adução pelo seu baixo cus o,
en e ou os a o es, a pós-edição e e uada du an e o es ágio consis iu na e isão,
edição e melho ia de uma adução p e iamen e ei a po um mo o de adução
au omá ica.
• Re isão de ex o: Foi uma a e a menos equen e, mas igualmen e impo an e,
ocada na co eção de aduções concluídas pa a ga an i p ecisão e ausência de e os.
Es e p ocesso é essencial pa a assegu a que o ex o inal es eja em con o midade
com os pad ões de qualidade espe ados e e li a ielmen e o con eúdo do ex o o iginal.
• T ansc ição: Es a a e a oi solici ada apenas algumas ezes. Consis iu semp e na
ansc ição de ex o p esen e em imagens, como ó ulos e embalagens, pa a
documen os Wo d. Es e p ocedimen o pe mi iu que o ex o osse pos e io men e
impo ado e aduzido u ilizando CAT Tools.
• C iação de glossá ios: Uma a e a ela i amen e a a du an e o es ágio, a c iação
de glossá ios consis iu na ex ação de e mos o iundos de aduções já ap o adas,
com o obje i o de compila esses mesmos e mos em abelas Excel. Es es glossá ios,
bilíngues e desp o idos de de inições, con inham apenas os e mos e as suas
espe i as aduções. Pos e io men e, essas abelas pode iam se u ilizadas como
bases de dados e minológicas (
Te m Bases
), passí eis de se em impo adas pa a CAT
Tools, a im de auxilia no p ocesso de adução de p oje os u u os.
37
Figu a 4 - Diag ama das Tipologias Tex uais (Elabo ação P óp ia)
Es e diag ama em como obje i o ap esen a , de o ma isual, os ipos de ex o mais
equen emen e abalhados du an e o es ágio cu icula , posicionando-os na pi âmide de aco do
com as suas ca ac e ís icas, que a iam em unção da sua p oximidade ou a as amen o dos
é ices — exp essi o, in o ma i o e ope a i o. Tal disposição não apenas acili a a isualização do
ca ác e híb ido de alguns ipos de ex o, como ambém o e ece uma pe spe i a sob e as
endências dos ex os abo dados, bem como a sua a iabilidade con ex ual.
Na análise do diag ama, obse a-se que, no opo da pi âmide, na zona mais in o ma i a,
se encon am os A igos Técnicos e os Es udos Médicos. Es es ex os ep esen am a exp essão
máxima da unção in o ma i a, ca ac e izando-se po um ele ado g au de p ecisão e de alhe. A sua
p incipal unção é a ansmissão de conhecimen os especializados, sendo, po an o,
essencialmen e in o ma i os, com pouca ou nenhuma in enção exp essi a ou ope a i a.
Descendo na dimensão in o ma i a e ap oximando-se da ope a i a, si uam-se os Te mos e
Condições e os Ca álogos de P odu os. Embo a ainda ap esen em um ele ado con eúdo
in o ma i o, es es ex os possuem ambém uma unção ope a i a, o ien ando o compo amen o do
lei o , seja no cump imen o de ob igações con a uais, seja na aquisição de p odu os.
Mais p óximos do é ice ope a i o, encon am-se os Manuais e Guias Técnicos — como
manuais de u ilizado , especi icações écnicas de p odu os e ins uções de ope ação e
uncionamen o. Es es ex os dis inguem-se po assumi em uma o e componen e ins ucional,
sendo p edominan emen e ope a i os, dado que o seu obje i o p incipal é guia o u ilizado na
execução de a e as especí icas, embo a man enham ambém um ca á e in o ma i o.

38
No cen o da pi âmide, ep esen ando um equilíb io en e as dimensões in o ma i a e
exp essi a, es á o Comunicado Emp esa ial (documen os u ilizados pa a uso in e no) — que
ab ange esul ados inancei os, usões e aquisições, mudanças na ges ão, es a égias,
lançamen os de p odu os e sus en abilidade. Es e ipo de ex o não só ansmi e in o mações
co po a i as, como ambém pode e le i a iden idade e os alo es da emp esa, incluindo elemen os
exp essi os, como ases mo i acionais des inadas aos uncioná ios.
Um pouco abaixo, localiza-se o Con eúdo de
E-lea ning
, que inclui jogos, ques ioná ios e
ap esen ações de cená ios hipo é icos. Embo a con enha elemen os in o ma i os e ins ucionais,
inco po a equen emen e aspe os exp essi os com o obje i o de cap a a a enção do lei o a a és
de uma abo dagem mais in e a i a e c ia i a.
Si uado na in e seção en e as dimensões exp essi a e ope a i a, encon a-se o Ma e ial
de
Ma ke ing
e Publicidade — como b ochu as, campanhas, anúncios e e-mails de
ma ke ing
. Es e
ipo de ex o u iliza uma linguagem c ia i a e apela i a pa a pe suadi e in luencia o
compo amen o do público-al o, combinando uma unção exp essi a, que isa ca i a
emocionalmen e o consumido , com uma componen e ope a i a, que o ien a as decisões de
comp a.
As In e aces de U ilizado (UI), que se e e em a odos os elemen os isuais e in e a i os
com que o u ilizado inal in e age em cada momen o da u ilização de uma aplicação, websi e ou
qualque p odu o digi al, como, po exemplo, ícones, bo ões e menus, embo a p edominan emen e
ope a i as, ambém ap esen am uma componen e exp essi a. A expe iência do u ilizado é
equen emen e o imizada a a és do design e da linguagem u ilizados, melho ando a in e ação
com sis emas e e amen as digi ais. Nes e caso, o p ocesso u ilizado é a localização, que ai além
da adução de ex o e en ol e a adap ação cul u al desses elemen os UI, pa a a ende melho às
expec a i as dos u ilizado es do me cado-al o (
locale
). Essa adap ação assegu a que a UI
man enha an o a sua uncionalidade quan o a sua componen e exp essi a, p opo cionando uma
in e ação mais in ui i a e sa is a ó ia, espei ando a di e sidade cul u al dos públicos globais.
Po úl imo, o diag ama p opos o, inspi ado na eo ia de Reiss (1976), o e ece uma isão
ab angen e e cla a das di e en es unções que os ex os podem desempenha . Ao o ganiza os
ex os ao longo das dimensões Exp essi a, Ope a i a e In o ma i a, o diag ama não só acili a a
comp eensão das suas unções p edominan es, como ambém e idencia as in e - elações e
sob eposições en e es as unções. Es a análise pe mi e econhece que, embo a os ex os possam
se p edominan emen e in o ma i os, exp essi os ou ope a i os, inco po am, mui as ezes,
39
múl iplas unções, e le indo a complexidade e a di e sidade da comunicação esc i a. Assim, a
pi âmide não só se e como uma e amen a de análise das ipologias ex uais, mas ambém como
um e lexo da di e sidade de desa ios en en ados e da iqueza dos p oje os desen ol idos ao longo
do es ágio.
4.4. Recu sos
Du an e o p ocesso de adução, a u ilização de ecu sos adequados é c ucial pa a ga an i
a p ecisão, a consis ência e a e iciência do abalho ealizado. Es a subsecção isa ap esen a os
p incipais ecu sos que o am u ilizados ao longo do es ágio, ab angendo e amen as de ges ão
de p oje os, e amen as de apoio à adução, e amen as de QA e ecu sos linguís icos
(dicioná ios, bases e minológicas, websi es). Cada uma des as ca ego ias desempenhou um papel
essencial na o imização do p ocesso de adução, pe mi indo uma abo dagem mais es u u ada e
p o issional aos desa ios encon ados. A segui , são de alhados os ecu sos especí icos den o de
cada ca ego ia, demons ando a sua ele ância e impac o no sucesso dos p oje os desen ol idos.
4.4.1. Fe amen as de Ges ão de P oje os
A ges ão e icaz de p oje os de adução exige não apenas a o ganização e coo denação
das a e as, mas ambém uma comunicação cla a e cons an e en e odos os memb os da equipa.
Pa a a ingi esses obje i os, oi essencial o uso de algumas e amen as que acili a am an o o
acompanhamen o dos p oje os como a in e ação com os ges o es de p oje os e a es an e equipa.
Es e con ex o a i ou compe ências in e pessoais undamen ais, como a capacidade de
comunicação, a colabo ação e a esolução de p oblemas, que são c uciais pa a o sucesso da
ges ão de p oje os de adução. Es as compe ências in e pessoais e ela am-se nuclea es ao longo
do es ágio, e le indo a impo ância de uma in e ação e icaz e de um abalho em equipa
ha monioso pa a ga an i a qualidade e a e iciência dos p ocessos de adução.
Plune
O Plune é uma pla a o ma a ançada de ges ão de p oje os de adução, amplamen e
u ilizada pela sua capacidade de au oma iza e in eg a odas as ases do ciclo de ida dos p oje os.
Desde a c iação de o çamen os e a ibuição de a e as, a é à moni o ização do p og esso, a u ação
40
e ge ação de ela ó ios de alhados, o Plune acili a o abalho an o pa a ges o es de p oje os
quan o pa a adu o es.
Pa a os ges o es de p oje os, o Plune cen aliza odas as in o mações essenciais,
p opo cionando uma isão comple a e em empo eal de cada p oje o. As suas uncionalidades
pe mi em au oma iza p ocessos-cha e, como a ges ão de p azos e a comunicação com clien es,
o que melho a a e iciência e a p ecisão na omada de decisões. A in eg ação com CAT Tools, como
o SDL T ados S udio e o memoQ, assegu a uma ligação luida en e a ges ão adminis a i a e a
execução écnica das aduções.
Do pon o de is a dos adu o es, o Plune o e ece um ambien e cen alizado onde é
possí el acede a odas as in o mações, documen os e ins uções necessá ias pa a os seus
abalhos. A in eg ação com as CAT Tools pe mi e o uso consis en e de memó ias de adução e
glossá ios, acili ando o abalho e ga an indo a qualidade e a uni o midade das aduções. Ao
concen a as a e as e ecu sos num único local, o Plune con ibui signi ica i amen e pa a a
e iciência e o ganização do abalho dos adu o es.
Fe amen as de Comunicação
Du an e o es ágio emo o, a comunicação oi undamen al pa a a coo denação e execução
e icaz dos p oje os de adução, ga an indo um luxo de in o mações ágil en e odos os memb os
da equipa. Fo am u ilizadas ês e amen as p incipais de comunicação, cada uma com unções
especí icas.
O Mic oso Ou look se iu como a p incipal pla a o ma pa a a ges ão de e-mails,
desempenhando um papel cen al na comunicação o mal e na pa ilha de in o mações c í icas.
A a és do Ou look, e am ecebidas no i icações de no as a e as a ibuídas no Plune e a isos
sob e p azos de en ega. Além disso, e a u ilizado pelos ges o es de p oje o pa a en ia
eedback
de alhado sob e os abalhos ealizados, equen emen e em o ma de abelas compa a i as de
Excel com comen á ios e suges ões de melho ias, pe mi indo uma análise cla a e es u u ada do
desempenho em cada p oje o.
Pa a a comunicação diá ia e ins an ânea, o Skype oi u ilizado sob e udo pa a mensagens
de ex o, acili ando a esolução ápida de dú idas e a discussão de ques ões que su giam du an e
o p ocesso de adução. Es a e amen a p opo cionou uma comunicação mais di e a e in o mal
em compa ação com o
e-mail
.
41
Pa a euniões mais ex ensas ou pa a discu i ques ões complexas com a o ien ado a, o
Zoom oi a pla a o ma escolhida pa a ideochamadas, pe mi indo uma in e ação mais ica e
de alhada, quando necessá io.
Essas e amen as de comunicação o am c uciais pa a assegu a a ealização e icien e e
colabo a i a dos p ocessos de adução, ga an indo um luxo con ínuo de in o mações e a ápida
esolução de quaisque ques ões que su gissem ao longo do es ágio.
4.4.2. CAT Tools/TEnTs
Como an e io men e e e ido no p esen e ela ó io, a adução con empo ânea é
indubi a elmen e uma in e ação humano-máquina (HCI), sendo as CAT Tools os segundos
p o agonis as des a in e ação. O e mo “CAT” e e e-se à adução assis ida po compu ado , ou
seja, ao uso de
so wa e
que auxilia o adu o humano no p ocesso de adução. Es e concei o
aplica-se a aduções cuja esponsabilidade p incipal ecai sob e o adu o , mas que en ol em
e amen as in o má icas que acili am de e minados aspe os do abalho, ao con á io da adução
au omá ica, que é ealizada p incipalmen e po um compu ado , embo a possa en ol e alguma
in e enção humana, como a p é ou pós-edição. Es as e amen as êm sido obje o de es udo po
pa e dos in es igado es desde os anos 60; con udo, oi apenas a pa i de meados dos anos 90
que se o na am amplamen e disponí eis no me cado. Desde en ão, a ápida e olução ecnológica
o nou a adução assis ida po compu ado acessí el, económica, popula e, a é mesmo,
essencial, ajudando os adu o es, numa e a globalizada da in o mação, a lida com olumes cada
ez maio es de ex o e p azos de en ega mais cu os (Bowke & Fishe , 2010).
Exis em mui as e amen as que pode iam se incluídas sob o concei o de CAT; no en an o,
es e e mo e e e-se, ge almen e, a
so wa e
p oje ado especi icamen e pa a a a e a de adução,
e não a e amen as de uso ge al, como p ocessado es de ex o ou co e o es o og á icos.
A ualmen e, as e amen as mais popula es e amplamen e come cializadas são as chamadas
TEnT,
T ansla ion En i onmen Tools
. Es e e mo, cunhado po Jos Ze zsche (2006), e e e-se a
so wa e
que em a memó ia de adução como componen e cen al, in eg ando ambém unções
adicionais, como e amen as de e minologia, alinhamen o ou análise. Embo a os e mos “CAT
Tool” e “TEnT” se enham o nado p a icamen e sinónimos, exis e uma dis inção impo an e en e
ambos. As CAT Tools e e em-se ao conjun o comple o de
so wa es
que um adu o p o issional
42
u iliza no seu p ocesso de abalho — ou seja, as e amen as p op iamen e di as. Po ou o lado,
as TEnT e e em-se ao
so wa e
que in eg a essas á ias CAT Tools num único ambien e de abalho
ela i amen e ácil de u iliza — ou seja, o
wo kbench
ou ambien es de abalho.
O es ágio cu icula na L10N e e como p incipal obje i o o domínio de um a iado leque
de CAT Tools e, pa a al, o am in oduzidas á ias TEnT que as con êm. Du an e esses meses,
abalhou-se com TEnT an o locais, de
desk op
, quan o na nu em, cuja escolha pa a cada p oje o
ecaía, na maio pa e das ezes, sob e o clien e, que, po ezes, a é inham a sua p óp ia
e amen a. Das TEnT com base no
desk op
con ou-se com o memoQ, a e amen a u ilizada pela
es agiá ia no seu pe cu so académico, o SDL T ados S udio e o Ph ase. Na ca ego ia de
so wa e
na nu em, incluiu-se o XTM e o GlobalLink. Es as pla a o mas baseadas na nu em não possuem
an as uncionalidades quan o as TEnT de
desk op
, pelo que susci a ainda alguma dú ida se
pode ão se conside adas TEnT.
Abaixo, ap esen a-se uma abela que con ém as uncionalidades espe adas numa TEnT:
Funcionalidade
Desc ição
Á ea de Edição
Exibe o ex o on e e o e ece um campo pa a digi a a adução,
acili ando a compa ação en e o ex o o iginal e a e são aduzida.
Á ea de Visualização
Pe mi e e uma p é- isualização do a qui o em adução.
Memó ia de
T adução
A mazena aduções ealizadas, exibindo aduções an e io es
semelhan es, pe mi indo a eco ência a abalhos an e io es e
man endo a consis ência e minológica.
Te m Base
Con ém e exibe e minologia impo an e, mos ando aduções dos
e mos e in o mações adicionais pa a ga an i o uso consis en e dos
e mos-cha e.
Módulo de T adução
Au omá ica
O e ece suges ões de adução, acili ando o p ocesso,
especialmen e em segmen os no os ou desa iado es, embo a a
in e enção humana ainda seja necessá ia.
Módulo de QA
Ve i ica o a qui o aduzido em elação a e os o mais, minimizando
e os que pode iam a e a a ap esen ação inal do ex o.
Fil os e Funções
Pe sonalizá eis
Pe mi em adap a a e amen a às necessidades especí icas do
adu o , aumen ando a e iciência e p odu i idade du an e o
p ocesso de adução.
Conco danciado
Pesquisa um (bi) ex o pa a odas as oco ências de uma sequência
de ca ac e es especi icada pelo u ilizado , exibindo-as em con ex o.
Módulo de Análise de
Documen os
Compa a um no o ex o a aduzi com o con eúdo de uma base de
dados TM ou TB especi icada, de e minando o núme o/ ipo de
co espondências, pe mi indo que os u ilizado es omem decisões
sob e quais bases de dados consul a , p eços e p azos.
Sis ema de T adução
Au omá ica
Ge a uma adução au omá ica de um segmen o que não possui
co espondência na base de dados TM.

43
Módulo de Ges ão de
P oje os
Ajuda os u ilizado es a as ea in o mações do clien e, ge i p azos
e man e a qui os de p oje o pa a cada abalho de adução.
Módulo de Con olo
de Qualidade
Pode inclui e i icado es de con o midade com linguagem
con olada po o og a ia, g amá ica, comple ude ou e minologia.
Ex a o de Te mos
Analisa (bi) ex os e iden i ica e mos candida os, acili ando a c iação
e manu enção de bases de e mos.
Tabela 1 - Funcionalidades de uma TEnT (Elabo ação P óp ia, com base em Bowke & Fishe , 2010)
As uncionalidades acima ap esen adas es ão p esen es em odos os p og amas de
desk op
, sendo que alguns a é excedem essas expec a i as. É o caso do memoQ e do T ados
S udio, que, de aco do com a es agiá ia e a equipa, são ge almen e conside ados os p og amas
mais comple os. No en an o, ambos ap esen am uma cu a de ap endizagem mais acen uada,
exigindo mais empo de adap ação po pa e dos u ilizado es.
Po ou o lado, nos p og amas baseados em
b owse
, algumas uncionalidades são
limi adas. Apesa des as limi ações, a maio ia das uncionalidades essenciais es á disponí el,
embo a sejam con oladas pelas pe missões de inidas pelo clien e. Des e modo, a expe iência da
es agiá ia ao u iliza essas e amen as a ia a signi ica i amen e consoan e o clien e e as
espe i as con igu ações.
Embo a as e amen as de
desk op
o e eçam maio e sa ilidade e um conjun o mais
amplo de uncionalidades, em-se e i icado um c escen e in e esse, po pa e dos clien es, nas
e amen as baseadas na nu em. Es as são, em g ande pa e, g a ui as pa a os adu o es, ao
con á io das soluções de
desk op
mencionadas, e acili am o acompanhamen o do p og esso dos
p oje os globalmen e dis ibuídos pelas emp esas.
Rela i amen e à expe iência da es agiá ia, o início e elou-se mais desa ian e, sob e udo
com o T ados S udio, que, apesa de se semelhan e ao memoQ em e mos de uncionalidades,
di e e conside a elmen e no que diz espei o ao
layou
e aos comandos, o que ge ou alguma
con usão inicial. A u ilização do memoQ, po ou o lado, oi mais luida, uma ez que a es agiá ia
já inha explo ado as suas uncionalidades du an e a licencia u a e o mes ado, sendo a única
no idade a in eg ação com se ido es
online
. O Ph ase, in oduzido mais a de no es ágio, e elou-
se de ácil ap endizagem de ido ao seu
layou
simples e à meno quan idade de opções no seu
iso, quando compa ado com os ou os dois p og amas.
44
Nos p og amas baseados em
b owse
, a maio di iculdade inicial consis iu em
comp eende como en ega o p oje o na pla a o ma e, pos e io men e, como expo á-lo pa a
en ega no Plune , de e minando o o ma o adequado, en e ou os de alhes écnicos. Es as
in o mações e am o necidas num ichei o Wo d desca egado no Plune , que con inha os dados
de login pa a acede ao p oje o, bem como ou as in o mações ele an es ela i as ao clien e ou
p oje o.
Essas di iculdades o am apidamen e supe adas com o apoio dos u o iais disponibilizados
pela emp esa no ambien e de abalho emo o, que incluíam an o documen os como ídeos
explica i os. Es es ídeos, com g a ações do ec ã, demons a am de alhadamen e os passos a
segui pa a ealiza a e as especí icas, com í ulos cla os e obje i os, como “expo a p oje o” ou
“execu a QA”. Pa a quaisque ou as dú idas, a es agiá ia podia eco e à o ien ado a ou a um
memb o da equipa mais amilia izado com a e amen a em ques ão.
De o ma ge al, à medida que se ganha expe iência com di e en es e amen as, a
adap ação a no as pla a o mas o na-se mais ápida e in ui i a. Es a acilidade de e-se ao ac o de
os ab ican es de
so wa e
de adução e em cada ez mais em con a a expe iência do u ilizado ,
desen ol endo in e aces e
layou s
amilia es, que seguem pad ões es abelecidos. Assim, o
conhecimen o p é io de ou as e amen as acili a a ap endizagem de no as, uma ez que es as
pa ilham mui as das mesmas uncionalidades e es u u as de na egação, o que o na o p ocesso
de adap ação mais e icien e.
4.4.3. Fe amen as de QA
Embo a as CAT Tools o e eçam uncionalidades de QA, es as não são su icien es pa a
ga an i que os p oje os es ejam o almen e isen os de e os e p on os pa a en ega ao ges o de
p oje os. As CAT Tools desempenham um papel impo an e na e i icação da qualidade du an e o
p ocesso de adução, especialmen e no que se e e e à consis ência e minológica e à con agem
de pala as. No en an o, as suas uncionalidades de QA são equen emen e limi adas, sendo mais
elemen a es na de eção de e os complexos, como p oblemas de conco dância, epe ições e
inconsis ências es ilís icas. Em con as e, as e amen as especializadas em QA pe mi em uma
análise mais igo osa e de alhada da qualidade da adução, ge ando ela ó ios pe sonalizados que
podem se u ilizados pa a melho a a qualidade e a consis ência em p oje os u u os.
45
Du an e o es ágio cu icula , oi u ilizado o Ve i ika, uma e amen a de QA especializada
desen ol ida pela Palex G oup, des inada a apoia adu o es, e iso es e ges o es de p oje os na
de eção e co eção de e os em aduções, complemen ando e expandindo as capacidades das
CAT Tools con encionais. O Ve i ika dis ingue-se pelas suas uncionalidades a ançadas, como a
de eção de inconsis ências e minológicas e ex uais, iden i icação de incoe ências en e o ex o de
o igem e o ex o de des ino, e os de adução, omissões de ex o, segmen os não aduzidos e
incump imen o de glossá ios e memó ias de adução especí icas. A e amen a ambém e i ica a
conco dância e bal e nominal, além de iden i ica epe ições indesejadas, melho ando a qualidade
e luidez do ex o aduzido e eliminando e os que equen emen e passam despe cebidos nas
e i icações au omá icas das CAT Tools.
Ou o des aque do Ve i ika é a sua capacidade de análise de o ma ação e
ags
, que
assegu a a p ese ação co e a do layou e dos elemen os es u u ais do documen o, como
ags
em ichei os HTML, XML ou ou os o ma os complexos. A e amen a ge a ela ó ios
pe sonalizados e in e a i os que documen am os e os encon ados, ca ego izando-os po ipo e
g a idade e suge indo co eções. Es es ela ó ios são al amen e con igu á eis, pe mi indo ajus a
os c i é ios de QA às necessidades especí icas de cada clien e ou p oje o, acili ando o p ocesso
de e isão e ap o ação inal.
O Ve i ika pe mi e ainda a con igu ação de pe is de QA pe sonalizados, ajus ando as
e i icações de aco do com as p e e ências e exigências de cada u ilizado ou p oje o, o que o o na
ex emamen e lexí el e e icien e em di e en es con ex os. Com supo e pa a múl iplos o ma os de
ichei o, como XLIFF, SDLXLIFF e TMX, a e amen a assegu a uma ampla compa ibilidade com as
p incipais CAT Tools, como SDL T ados e memoQ, acili ando a sua in eg ação nos luxos de
abalho exis en es sem necessidade de con e são adicional de ichei os. Adicionalmen e, o Ve i ika
des aca-se pela apidez na análise de g andes olumes de ex o, sendo especialmen e ú il em
p oje os com p azos ape ados, ao p ocessa com apidez os ichei os e iden i ica á eas c í icas
que necessi am de e isão.
Pa a a e i icação o og á ica, op ou-se pela u ilização do Mic oso Wo d, em ez do
Ve i ika. O Mic oso Wo d o e ece an agens signi ica i as pa a a e isão o og á ica e g ama ical,
dispondo de um dicioná io ab angen e e a ualizado, que ab ange uma as a gama de pala as em
múl iplos idiomas. A Mic oso a ualiza cons an emen e es e dicioná io, ga an indo a inclusão de
no os e mos e co igindo e en uais de iciências. A in e ace in ui i a do Wo d acili a a iden i icação
e co eção de p oblemas no ex o, des acando e os o og á icos com uma linha ondulada e melha
46
e e os g ama icais com linhas azuis ou e des. Além disso, o Wo d suge e co eções com base no
seu dicioná io, pe mi indo uma e isão ápida e e icien e dos e os. A possibilidade de pe sonaliza
o dicioná io, adicionando pala as especí icas como nomes p óp ios ou e mos écnicos, é ou a
an agem signi ica i a, p e enindo que sejam inco e amen e assinaladas como e os. A in eg ação
do Mic oso Wo d com ou as e amen as de e isão, como co eção g ama ical e de es ilo,
p opo ciona uma análise mais comple a do ex o, sendo especialmen e ú il pa a documen os
bilíngues ou mul ilíngues, dada a sua capacidade de al e na en e di e en es dicioná ios
linguís icos.
4.4.4. Ou os ecu sos linguís icos
Na p á ica da adução, a p ecisão e a consis ência e minológicas são c uciais pa a
ga an i a qualidade e a idelidade dos ex os aduzidos. Os ma e iais o necidos pelos clien es,
ais como memó ias de adução e glossá ios especí icos, de em semp e p e alece , uma ez que
assegu am que a adução es á em con o midade com as di e izes e equisi os pa icula es de
cada p oje o. No en an o, em si uações onde es es documen os não o necem soluções adequadas
pa a de e minados e mos ou con ex os, a u ilização de ecu sos linguís icos complemen a es
o na-se necessá ia. Es es ecu sos adicionais, que incluem di e sos websi es e e amen as
especializadas, ajudam a colma a e en uais lacunas e a ga an i as melho es soluções possí eis
pa a os p oblemas de adução encon ados.
A segui , se ão ap esen ados os p incipais ecu sos linguís icos complemen a es que
auxilia am a es agiá ia nas suas escolhas de adução e espe i o p ocesso decisó io:
a) Dicioná ios
Os dicioná ios são, indiscu i elmen e, elemen os essenciais no quo idiano de um adu o
ou de qualque p o issional da á ea das línguas. Du an e o es ágio, a es agiá ia e i icou a o ca ác e
indispensá el do uso de dicioná ios, an o monolingues quan o bilingues, na sua p á ica diá ia.
Es as e amen as p opo ciona am-lhe uma maio segu ança na iden i icação da pala a ou
exp essão mais adequada, assegu ando que a adução se man i esse iel ao ex o o iginal. A
u ilização de dicioná ios e elou-se undamen al, especialmen e dada a mul iplicidade de
signi icados que uma pala a pode assumi consoan e o con ex o. Ao o nece em de inições
53
As opo unidades p opo cionadas pelo es ágio o am no á eis, des acando-se a
possibilidade de expandi a ede p o issional e de adqui i um conhecimen o p o undo sob e o
uncionamen o da indús ia da adução écnica. A opção pelo abalho emo o, em pa icula ,
e elou-se uma an agem signi ica i a, pe mi indo acede a uma expe iência en iquecedo a numa
emp esa de e e ência, sem os cus os adicionais associados a um es ágio p esencial. Es a
modalidade oi c ucial pa a acili a o desen ol imen o p o issional e ga an i uma p og essão
signi ica i a, ala ancando a ca ei a sem comp ome e ecu sos inancei os. Es as i ências não
só en iquece am o cu ículo, como ambém ab i am no as pe spe i as de ca ei a, consolidando
uma base sólida pa a u u as opo unidades no se o .
Po ou o lado, o o ma o emo o ouxe consigo alguns desa ios, como o isco de
isolamen o e a necessidade cons an e de au omo i ação, a o es ine en es a es a modalidade de
abalho. A p essão pa a cump i p azos igo osos, man endo ele ados pad ões de qualidade,
es ou a capacidade de ges ão do empo e a e icácia sob p essão. Adicionalmen e, a ocasional al a
de documen os de e e ência po pa e de alguns clien es ge ou si uações que exigi am uma maio
capacidade de pesquisa e adap ação, e o çando a impo ância da lexibilidade e da p oa i idade.
Em suma, o es ágio na L10N oi uma expe iência en iquecedo a que o e eceu uma isão
ab angen e e ealis a da adução écnica e especializada. Mais do que o desen ol imen o de
compe ências écnicas, o es ágio p opo cionou um alioso conhecimen o sob e o uncionamen o
in e no de uma emp esa de adução de maio dimensão e o quo idiano de um adu o p o issional.

54
VI. Conside ações inais
Es e ela ó io de es ágio, ocado na ede inição do papel e das compe ências do adu o
no con ex o a ual, pe mi iu uma e lexão ap o undada sob e o impac o da globalização, dos a anços
ecnológicos e do su gimen o das economias neolibe ais na p á ica adu ó ia. A expe iência
adqui ida ao longo do es ágio na L10N S udio, Lda., aliada a um sólido enquad amen o eó ico,
p opo cionou uma isão ab angen e das ans o mações que moldam es a p o issão, desde a
concep ualização inicial do adu o a é à sua aplicação p á ica no me cado de abalho.
Es e í ulo, que inicialmen e es a a p oje ado pa a abo da a o ina, o s ess e os hábi os do adu o
na sua elação com a ecnologia, oi mudando o seu con eúdo à medida que o es ágio a ança a e
a es agiá ia e a expos a a uma ou a ealidade que susci ou uma análise mais p o unda do que é
se adu o p o issional, ocando-se em aspe os mais la en es da ida do adu o , como a sua
agência, es a u o, posição hie á quica na sociedade e pe spe i as u u as da p o issão. Nesse
sen ido, es a expe iência p á ica expandiu os ho izon es de e lexão da es agiá ia, p opo cionando
no as pe spe i as sob e o posicionamen o do adu o na sociedade con empo ânea.
A iculando as ês e en es que o ien am es e ela ó io — o enquad amen o eó ico
escolhido, a expe iência no mes ado, ep esen a i o da o mação de adu o es, e a p á ica
adqui ida no es ágio — conclui-se o seguin e:
A o ina numa emp esa de adução em 2024 e elou a apidez com que se i e e abalha
a ualmen e. A colabo ação com clien es de enome in e nacional, os luxos de abalho dis ibuídos
po á ias emp esas de adução e
Language Se ice P o ide s
globais, as g andes ca gas de
abalho e os p azos ape ados são alguns dos desa ios diá ios. A escala des e ipo de cadeia de
o necimen o de se iços de adução ealmen e az com que o adu o sin a a pequena agência e
isibilidade que em ela i amen e ao seu abalho. Além disso, a in o mação limi ada e as poucas
e e ências ela i as a ce os p oje os ambém são a o es que a e am a qualidade e o p ocesso
adu ó io. Rela i amen e à au oma ização do p ocesso adu ó io, a es agiá ia sen iu que, na sua
expe iência de es ágio, o abalho ainda não se encon a ão au oma izado quan o se p e ia, já que
mui os p oje os con inuam a exigi adução manual, embo a haja uma endência c escen e pa a
a pós-edição de ex os aduzidos po MT. Es a ealidade ainda di e e da isão de Alan Melby (2006),
po exemplo, que p e ia um u u o onde o adu o se ia apenas um pós-edi o . O mais p o á el é
que se chegue a essa ealidade e que, com ce eza, há emp esas que já a uam dessa manei a; no
en an o, não desc e e a expe iência que a es agiá ia e e 18 anos após esse a igo se lançado.
55
Quan o à o mação de adu o es, e em pa icula ao Mes ado em T adução e
Comunicação Mul ilingue (MTCM), e i icou-se a e icácia do cu ículo p o issionalizan e. Os p oje os
eais ealizados ao longo do cu so, em colabo ação com emp esas e uni e sidades,
p opo ciona am uma p epa ação adequada pa a o desen ol imen o das compe ências delineadas
pelo EMT (
Eu opean Mas e 's in T ansla ion
). Os es udan es o am desa iados a cump i p azos, a
man e uma comunicação p o issional com as en idades colabo ado as e a abalha com as
ecnologias que hoje in eg am o luxo de abalho do adu o , como as CAT Tools/TEnTs e a
adução au omá ica (MT). O incen i o ao uso des as e amen as, mesmo du an e o p ocesso
o ma i o, oi c ucial, pois pe mi iu aos es udan es econhece as limi ações da MT e, ao mesmo
empo, desen ol e uma maio capacidade de au oc í ica e au oconhecimen o, al como abo dado
po Öne Bulu no enquad amen o eó ico des e ela ó io.
Conside ando o cu ículo do MTCM, que segue o modelo eu opeu do EMT, podemos
conclui que es a uni o mização cu icula cump e, e e i amen e, o seu p opósi o: capaci a os
es udan es com as compe ências necessá ias pa a uma a uação bem-sucedida no me cado de
adução. No en an o, apesa de es a o mação p oduzi bons p o issionais, ainda exis em lacunas
signi ica i as no que diz espei o aos di ei os labo ais dos adu o es. Es as lacunas e le em-se na
al a de econhecimen o o mal da p o issão, na p eca iedade labo al e na qualidade de ida de
quem se dedica à adução como ca ei a, e não apenas como uma ocupação ou
hobby
. A ques ão
da agência do adu o , ambém discu ida no enquad amen o eó ico, é, po isso, essencial nes e
con ex o.
É inegá el que o adu o con empo âneo de e adap a -se aos a anços ecnológicos,
in eg ando-os no seu luxo de abalho. No en an o, não pode pe mi i que a u ilização dessas
mesmas ecnologias o ebaixem ou diminuam a sua impo ância, se indo como jus i icação pa a
eduzi o seu capi al, seja ele simbólico, social, económico ou cul u al. Pa a assegu a a
sob e i ência e a dignidade da p o issão, é necessá io que os adu o es se unam e c iem um
sen ido de iden idade cole i a. O adu o p ecisa de deixa pa a ás o seu es a u o de in isibilidade,
que há mui o empo o acompanha e que, de ce a o ma, em con ibuído pa a a sua p eca iedade.
Maximiza a agência do adu o exige um equilíb io en e o desen ol imen o de compe ências
indi iduais e a ação cole i a. Ao e o ça a impo ância do seu papel, os adu o es pode ão esis i
às p essões globalizado as que ameaçam a sua p o issão.
Es e es o ço conjun o, aliado à capaci ação indi idual, em o po encial de melho a
signi ica i amen e a qualidade de ida dos adu o es e ga an i um econhecimen o mais jus o da
56
sua ele ância no me cado. No en an o, dado que al mudança depende de um mo imen o a pa i
da p óp ia comunidade adu ó ia, implicando um ce o es o ço cole i o, a ques ão pe manece:
Quo Vadis, in e p es?
No a inal: Conside e-se is o um
call o ac ion
pa a es a no a ge ação de adu o es.
57
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