Uni e sidade
do
Minho
Escola
de
Economia
e
Ges ão
Lau a Pimen el Sil a Cha es Te es
O desen ol imen o do me cado de ações e o
c escimen o económico na China
ab il de 2025
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escimen o
Económico da China
Lau a Te es
UMinho
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2025
Uni e sidade do Minho
Escola de Economia, Ges ão e Ciência Polí ica
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O Desen ol imen o do Me cado de Ações e
o
C escimen o Económico da China
Uni e sidade
do
Minho
Escola
de
Economia
,
Ges ão e Ciência Polí ica
ab il de 2025
Lau a Pimen el Sil a Cha es Te es
O Desen ol imen o do Me cado de Ações e o
C escimen o Económico da China
Disse ação de Mes ado
Mes ado em Economia
Mone á ia, Bancá ia e
Financei a
T abalho
e e uado
sob
a
o ien ação
do(a)
P o esso a
Dou o a
Ma ia João Cab al Almeida Ribei o
Thompson
P o esso Dou o Ped o Albuque que Je ónimo Rosá io Dias
ii
DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS
Es e é um abalho académico que pode se u ilizado po e cei os desde que espei adas as eg as e
boas p á icas in e nacionalmen e acei es, no que conce ne aos di ei os de au o e di ei os conexos.
Assim, o p esen e abalho pode se u ilizado nos e mos p e is os na licença abaixo indicada.
Caso o u ilizado necessi e de pe missão pa a pode aze um uso do abalho em condições não p e is as
no licenciamen o indicado, de e á con ac a o au o , a a és do Reposi ó iUM da Uni e sidade do Minho.
Licença concedida aos u ilizado es des e abalho
A ibuição-NãoCome cial-SemDe i ações
CC BY-NC-ND
h ps://c ea i ecommons.o g/licenses/by-nc-nd/4.0/
iii
Ag adecimen os
A conclusão des a disse ação ep esen a o culmina de uma impo an e e apa da minha ida académica
e pessoal, e, como al, gos a ia de ag adece às pessoas que con ibuí am pa a a sín ese des e abalho.
Em p imei o luga , gos a ia de ag adece aos meus o ien ado es, P o esso a Dou o a Ma ia João
Thompson e P o esso Dou o Ped o Dias, pela dedicação, disponibilidade e o ien ação aliosa, cujos
con ibu os o am essenciais pa a a conclusão des e abalho.
Aos meus pais, Mau a e Pa ício, ag adeço o apoio incondicional, as pala as ce as nos momen os
ce os e po nunca me deixa em desis i . Sem o seu supo e emocional e p á ico, nada dis o e ia sido
possí el.
Às minhas i mãs, Júlia e Inês, que me apoia am nos momen os mais di íceis.
À minha a ó Te esa, pelas pala as ca inhosas nos momen os de ince eza e po me e incen i ado a
conclui es e abalho.
Ao Ma eus, po e es ado semp e p esen e e pelo incen i o a da semp e o melho de mim.
E, po im, mas não menos impo an e, à minha amiga Ma ia Inês, pela sua p esença e apoio cons an es,
mesmo à dis ância.
i
DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE
Decla o e a uado com in eg idade na elabo ação do p esen e abalho académico e con i mo que não
eco i à p á ica de plágio nem a qualque o ma de u ilização inde ida ou alsi icação de in o mações ou
esul ados em nenhuma das e apas conducen e à sua elabo ação.
Mais decla o que conheço e que espei ei o Código de Condu a É ica da Uni e sidade do Minho.
Resumo
Es a disse ação analisa a elação en e o desen ol imen o do me cado de ações e o c escimen o
económico, com oco na China enquan o me cado eme gen e. A a és de uma ex ensa e isão de
li e a u a e da aplicação de um modelo de co eção de e os e o iais (VECM) pa a a China en e 2003
e 2022, são analisadas a iá eis explica i as mac oeconómicas e inancei as. O es udo e e uado
iden i ica que a axa de o a i idade, o in es imen o di e o es angei o (en adas líquidas) e as expo ações
ap esen am uma elação de longo p azo com a axa de c escimen o do PIB, sendo as expo ações a
única a iá el es a is icamen e signi ica i a, enquan o a capi alização de me cado e a axa de in lação
e elam con ibu os mais mode ados. Complemen a men e, analisa-se a e olução do sis ema inancei o
chinês, o papel do se o p i ado e os impac os das e o mas ins i ucional e bancá ia no con ex o de um
modelo económico híb ido de o ien ação es a al e abe u a ao ex e io .
Pode, po an o, conclui -se que, apesa das limi ações que ainda en en a, o me cado de ações em
po encial pa a desempenha um papel impo an e no c escimen o económico da China. A sua in luência,
embo a condicionada po a o es ins i ucionais e es u u ais, ende a ganha ele ância à medida que a
economia chinesa a ança no sen ido de uma maio libe alização, com um en oque c escen e no me cado
e sus en ada po um sis ema inancei o mais mode no e acessí el.
Pala as-cha e:
China, c escimen o económico, economias eme gen es, me cado de ações, VECM.
i
Abs ac
This disse a ion in es iga es he ela ionship be ween s ock ma ke de elopmen and economic g ow h,
ocusing on China as an eme ging ma ke . D awing on an ex ensi e li e a u e e iew and he applica ion
o a Vec o E o Co ec ion Model (VECM) on China o he pe iod 2003 o 2022, he s udy analyses
mac oeconomic and inancial explana o y a iables. The esul s show ha he u no e a io, o eign di ec
in es men (ne in lows) and expo a ions p esen a long e m ela ionship wi h GDP g ow h a e, being
ha expo a ions is he only signi ican explana o y a iable, while ma ke capi aliza ion and in la ion a e
ha e mo e mode a e e ec s. The s udy u he o e iews China’s inancial sys em e olu ion, he ole o
he p i a e sec o and he e ec s o ins i u ional and banking e o ms wi hin a hyb id economic model
cha ac e ized by s a e in e en ion and openness o o eign in es men .
I can he e o e be concluded ha , despi e he limi a ions i s ill aces, he s ock ma ke has he po en ial
o play an impo an e ole in China’s economic g ow h. I s in luence, al hough condicioned by ins i u ional
and s uc u al ac o s, ends o become inc easingly ele an as he Chinese economy mo es owa d
g ea e libe aliza ion, wi h a g owing ma ke o ien a ion and suppo ed by a mo e mode n and accessible
inancial sys em.
Keywo ds:
China, economic g ow h, eme ging ma ke s, s ock ma ke , VECM.
ii
Índice
1. In odução .................................................................................................................................. 1
2. Re isão de li e a u a .................................................................................................................... 3
2.1. Sis ema inancei o baseado na banca s no me cado de ações ........................................ 3
2.2. Desen ol imen o inancei o e c escimen o económico ......................................................... 4
2.2.1. Implicações do desen ol imen o do sis ema inancei o pa a a es abilidade inancei a
nos ME ...................................................................................................................................... 7
2.3. O desen ol imen o económico e o me cado de ações nos me cados eme gen es ................. 9
2.4. O me cado de ações e as decisões de inanciamen o das emp esas .................................. 12
2.4.1. Impo ância do me cado de ações como on e de inanciamen o na China .................. 14
3. A economia chinesa .............................................................................................................. 16
3.1. Desc ição da economia chinesa ......................................................................................... 16
3.2. O sis ema inancei o chinês ............................................................................................... 18
3.3. C escimen o do se o p i ado ............................................................................................ 21
3.4. Re o ma ins i ucional ......................................................................................................... 23
3.5. Re o ma bancá ia .............................................................................................................. 24
4. Eme gência do me cado de ações da China .......................................................................... 25
4.1. Desen ol imen o do me cado de ações .......................................................................... 29
4.1.1. Bolsas de alo es ....................................................................................................... 32
5. Es udo empí ico .................................................................................................................... 34
5.1. Va iá eis ........................................................................................................................... 34
5.1.1. Amos a .................................................................................................................... 35
5.1.2. Es a ís icas desc i i as ............................................................................................... 35
5.2. Modelo economé ico ........................................................................................................ 37
5.2.1. Especi icação ............................................................................................................. 37
5.3. Diagnós ico, seleção e es imação ...................................................................................... 38
5.3.1. Es aciona iedade ....................................................................................................... 38
5.3.2. Diagnós ico dos esíduos ............................................................................................. 39
5.4. Es udo economé ico ......................................................................................................... 43
5.4.1. Es a égia de es imação ............................................................................................. 43
5.5. Resul ados e discussão ..................................................................................................... 47
6. Conclusão ................................................................................................................................. 50
7. P óximos desen ol imen os ...................................................................................................... 52
8. Re e ências bibliog á icas .......................................................................................................... 53
4
desen ol imen o comple o do me cado de ações é um aspe o c ucial pa a uma libe alização inancei a
in eg al e, pos e io men e, a p omoção do c escimen o económico. Os au o es que de endem a isão do
me cado de ações como um se iço (Le ine, 2003; Le ine & Ze os, 1998), e elam que a banca e es es
me cados são complemen a es e não subs i u os (Le ine & Ze os, 1998).
Os bancos ambém podem ealiza in es imen os sem di ulga de imedia o as suas decisões e
es e a aso c ia incen i os pa a os p óp ios p ocu a em in o mações ace ca de emp esas, com
consequências posi i as na alocação de ecu sos e c escimen o económico (Le ine, 2003). Allen & Gale
(1997) ealçam que sis emas baseados na banca o e ecem se iços mais e icien es de pa ilha de isco
que os me cados de capi ais.
Alguns es udos e elam que os sis emas inancei os baseados na banca são líde es no que oca
ao omen o do c escimen o económico (Le ine, 2003). Is o suge e que os países eme gen es de em
consolida os seus sis emas bancá ios ao in és da p omoção dos seus me cados de ações numa ase
inicial de expansão económica (Tadesse, 2002).
A e iciência de uma de e minada es u u a inancei a depende de a o es ins i ucionais
especí icos a cada país. Como esul ado, de em se ealizados es udos indi iduais pa a pe cebe qual a
es u u a inancei a mais adequada. Le ine (2003) a gumen a que o desen ol imen o de uma
de e minada es u u a inancei a não é ele an e na p omoção do c escimen o económico, mas se á o
ní el de desen ol imen o inancei o que de e mina o g au de c escimen o de um país. Po an o, quan o
mais desen ol ido se encon a um sis ema inancei o, mais e icien es são os bancos e os me cados de
ações e, consequen emen e, i ão desempenha um papel ele an e na p omoção da expansão
económica.
Em suma, a es u u a inancei a é essencial pa a o desen ol imen o económico em países
eme gen es. Se á alioso conduzi os p óximos es udos de modo a pe cebe os canais a a és dos quais
uma es u u a inancei a em pa icula in luencia a expansão económica. Assim sendo, o
desen ol imen o do sis ema bancá io de e se uma p io idade dos go e nos, já que se o na numa on e
de inanciamen o al e na i a à emissão de ações (e a es u u a de p op iedade da emp esa não é
al e ada) no inanciamen o de a i idades de longo p azo (Haide e al., 2017).
2.2.
Desen ol imen o inancei o e c escimen o económico
Desde há mui o que os economis as es ão in e essados em en ende a elação en e as
ins i uições e me cados inancei os e o c escimen o económico (Henisz, 2000), sendo que o es udo da
5
e olução do me cado de ações é impo an e na medida em que pode á explica al e ações no sis ema
inancei o como um odo. No en an o, mui os analis as êm o p imei o como um “casino” com
consequências nega i as pa a o c escimen o económico (Demi guç-Kun & Le ine, 1996, p. 229), de ido
a uma ele ada sensibilidade a alhas de me cado (Ca p, 2012).
Assim sendo, exis em duas posições opos as e e en es a es a elação. Luin el & Khan (1999)
encon am uma elação de causalidade bidi ecional en e o desen ol imen o inancei o e o c escimen o
económico em odos os países analisados. Le ine (1996) de ende que países com me cados de ações
mais desen ol idos possuem me cados bancá ios e in e mediá ios inancei os igualmen e mais
desen ol idos e países com me cados de ações subdesen ol idos endem a possui in e mediá ios
inancei os com a mesma ca a e ís ica, logo cada país apenas necessi a de um ácil acesso a me cados
de ações líquidos, uma ez que é a habilidade de ansaciona e emi i í ulos que acili a o c escimen o
de longo p azo. Igualmen e Ch is opoulos & Tsionas (2004) concluem que o ipo de elação en e es as
duas a iá eis é causal unidi ecional do desen ol imen o inancei o pa a o c escimen o económico.
Segundo Kai & Liao (2021, p. 49), en e os modelos ele an es que explicam a elação do
me cado de ações e o c escimen o económico, des aca-se o modelo AK3, a pa i do qual se iden i icam
ês ias a a és das quais o p imei o p omo e o segundo. Em p imei o luga , o me cado de ações
p o oca o aumen o da axa de poupança (e ei o iqueza), ou seja, quando há o aumen o do alo de uma
ação e do endimen o, a qualidade e quan idade dos a i os que os in es ido es possuem podem se
melho adas. Em segundo luga , em-se a p omoção do p og esso ecnológico, sendo que as indús ias
de ecnologia en en am maio es iscos e in es imen os de longa du ação. Nes a pe spe i a, o me cado
de ações p omo e a dispe são do isco, o imização da alocação de ecu sos e es u u a de ges ão
emp esa ial e a ai in es ido es e capi al pa a inanciamen o das emp esas des e amo. A e cei a ia
es á elacionada com a edução dos cus os de in e mediação inancei a de ido ao aumen o da liquidez4
e meno es cus os ocul os no me cado de ações.
3 O
modelo AK é um modelo de c escimen o económico endógeno, no qual o p odu o o al de uma economia é p opo cional à acumulação de capi al.
Rep esen a uma das o mas mais simples de modela o c escimen o económico sus en ado sem endimen os dec escen es de capi al
e
sem necessidade
de p og esso ecnológico exógeno
.
4 Le ine (1996, p. 7-8) conside a ês indicado es de liquidez de me cado. A p imei a medida é o alo o al de ações ansacionadas na bolsa de alo es de
um de e minado país como ação do seu PIB. Es e ácio pode á a ia com o aumen o da acilidade de negociação nos me cados, ou seja, se o isco ou
cus o de ansação são ele ados, a ansação de ações se á eduzida. Os dados suge em que os países que possuem me cados líquidos endem a ap esen a
um c escimen o mais acen uado quando compa ado com me cados ilíquidos. A segunda medida de liquidez é o alo de ações ansacionadas como
pe cen agem do o al da capi alização de me cado. Es a axa de o a i idade (
u no e a io
; e no a de odapé núme o 5) mede o olume de ansações em
compa ação com a dimensão do me cado. Uma axa de o a i idade mais ele ada signi ica um c escimen o acele ado. A e cei a medida de liquidez do
me cado de ações é o índice de alo negociado di idido pela ola ilidade do p eço das ações. Os me cados líquidos de em se capazes de supo a um
ele ado olume de ansações sem a e a os p eços de me cado de o ma signi ica i a. Dados empí icos pe mi em conclui que os me cados de ações
líquidos, ou seja, com ácios ansações- ola ilidade ele ados, c escem mais apidamen e que os me cados mais ilíquidos.
6
Moh adi & Aga wal (2007) analisam a elação en e o me cado de ações e o c escimen o
económico di e a e indi e amen e, em que a ia indi e a oma a ia da in luência do in es imen o no
c escimen o económico, ou seja, a ia indi e a é a medição do impac o das a iá eis explica i as no
in es imen o que, po sua ez, a e a o c escimen o económico. Os au o es u ilizam a iá eis do me cado
de ações ( ácio de capi alização de me cado, ácio do alo o al de ações negociadas e a axa de
o a i idade5) e ou as a iá eis (c escimen o da economia, in es imen o di e o es angei o6 (FDI),
in es imen o eal e educação de ní el de ensino secundá io), a a és da análise de dados em painel de
21 me cados eme gen es ao longo de 21 anos (1977-1997). Da análise da ia indi e a, a axa de
o a i idade e o ácio de capi alização de me cado são impo an es a o es pa a o c escimen o
económico, assim como o in es imen o di e o es angei o. Já no modelo di e o, em que é medido o
impac o di e o das a iá eis explica i as sob e o c escimen o económico, de en e as a iá eis do
me cado de ações, apenas a axa de o a i idade é ele an e pa a a explicação da a iá el dependen e,
uma ez que é um bom indicado do ní el de liquidez do me cado de ações. O ácio do alo o al de
ações negociadas não é ele an e na ia di e a, já que como o alo de ações negociadas lu ua ao longo
do empo e o PIB ende a ap esen a a iações anuais posi i as, a elação o na-se nega i a en e es as
duas a iá eis. Ou as a iá eis que in luenciam posi i amen e a axa de c escimen o de uma economia
são o FDI e a educação de ní el de ensino secundá io. Po an o, es e modelo é consis en e com a
hipó ese de que a liquidez medida pela axa de o a i idade em um e ei o di e o no c escimen o, pa a
além do papel desempenhado pelo ní el de in es imen o (Le ine, 1991).
Do mesmo modo, Le ine & Ze os (1998) concluem que uma capi alização de me cado mais
ele ada es á associada a um ápido c escimen o de capi al e p odu o. O esul ado des e es udo é uma
elação es a is icamen e signi ica i a en e es as a iá eis, ou seja, os países com sis emas inancei os
de qualidade endem a c esce mais apidamen e po melho p o e em ecu sos a emp esas com
necessidades de inanciamen o. Es es esul ados são consis en es com o a gumen o de que a liquidez
do me cado de ações auxilia e acili a o c escimen o económico de longo p azo (Le ine, 1991).
Ca p (2012) analisa a elação en e o me cado de ações e o c escimen o económico na Roménia
no pe íodo 1995-2010, em que a a iá el dependen e é a axa de c escimen o do PIB e as a iá eis
independen es são a capi alização de me cado de emp esas co adas como ação do PIB, a axa de
o a i idade, o in es imen o eal e alo o al de ações negociadas, endo concluído que a capi alização
de me cado e o alo o al de ações negociadas não exe cem um impac o di e o na axa de c escimen o
5 Rácio en e o alo de cada ação domés ica e a espe i a capi alização de me cado.
6 Fluxos de in es imen o líquido de países es angei os em emp esas domés icas.
7
económico, ou seja, os esul ados indicam que não exis e uma elação causal a longo p azo en e es as
duas a iá eis e a a iá el dependen e. No en an o, assegu a-se uma co elação bidi ecional en e a axa
de c escimen o do PIB e a axa de o a i idade.
Acha & Akpan (2019) obse a am que na Nigé ia en e 1987 e 2014, o desen ol imen o do
me cado de ações impac a posi i amen e a economia e exis e uma elação de causalidade que segue
do p imei o pa a o segundo. As a iá eis u ilizadas nes e es udo são o c escimen o económico (cuja
p oxie
é o PIB) e o desempenho do me cado de ações é medido pela capi alização de me cado, o al de
no as emissões, olume de ansações e núme o de ações co adas. Os esul ados e elam que os
mo imen os dos p eços das ações da bolsa de alo es da Nigé ia e le em as condições
mac oeconómicas do país e es e compo amen o pode se u ilizado na p e isão da axa de c escimen o
da economia. Mais especi icamen e, a capi alização de me cado ( elação unidi ecional pa a com o PIB)
e o núme o de ações co adas ( elação bidi ecional) a e am posi i amen e a economia, o que ai ao
encon o do de endido po Osase i & Osamwonyi (2019) e Ca p (2012), enquan o o o al de no as
emissões e o olume de ansações possuem uma elação posi i a com o PIB. O núme o de ações
co adas é a a iá el com meno con ibuição pa a o desen ol imen o económico.
2.2.1.
Implicações do desen ol imen o do sis ema inancei o pa a a es abilidade inancei a nos
ME
Segundo Woold idge (2020), ao longo das úl imas duas décadas, os me cados inancei os nos
ME êm ap esen ado um desen ol imen o posi i o e o na am-se mais amplos e líquidos. O seu p og esso
o aleceu o sis ema inancei o como um odo e ajudou a o na cla os os bene ícios dos luxos de capi al
e ao mesmo empo a alia os desa ios elacionados com a sua ola ilidade.
Enquan o as ações dos bancos cen ais auxilia am a es abilização dos me cados, a c ise
pandémica da Co id-19 o nou cla o que os ME não ap esen am o mesmo g au de desen ol imen o dos
me cados das EA (economias a ançadas). Alguns a o es que pode ão es a a a asa o desen ol imen o
dos ME p endem-se com a e en e mac oeconómica, como a au onomia de me cado, quad os ju ídicos
o es e egimes egula ó ios e icazes (Woold idge, 2020).
O desen ol imen o do me cado de ações pode á se medido a a és da capi alização de
me cado, do alo o al de ações negociadas e da axa de o a i idade (Ca p, 2012). A capi alização dos
me cados de ações dos ME (Figu a 1) duplicou du an e o pe íodo 2000-2017, endo a ingido o seu pico
em 2017 ep esen ando 50% do PIB (Woold idge, 2020), sendo que nas EA (Figu a 2) os ní eis são
8
supe io es pa a odos os países ap esen ados, pelo que es e indicado oi nega i amen e a e ado pela
C ise Financei a Global, assim como a axa de o a i idade, que assinalou uma endência dec escen e,
mas começou a ecupe a desde 2010.
De aco do com Woold idge (2020), apesa do c escimen o dos me cados de capi ais locais nos
ME, a liquidez dos me cados con inua ágil e as oscilações que oco em nos p eços são de ele ada
magni ude em espos a ao olume de ansações. Nos me cados de ações da maio ia dos ME (Figu a
No a: Base de dados “Wo ld De elopmen Indica o s (WDI)” do Banco Mundial
Figu a 1:
Capi alização de me cado de emp esas domés icas co adas (% PIB) (ME)
Figu a 2:
Capi alização de me cado de emp esas domés icas co adas (% PIB) (EA)
0
50
100
150
200
250
300
Emi ados Á abes Unidos
A gen ina
B asil
Chile
China
Colombia
Egi o
Húng ia
Indonésia
Índia
I ão
México
Malasia
Filipinas
Polónia
Rússia
A ábia Saudi a
Tailândia
Tu quia
Á ica do Sul
%
2003-2008 2009-2022
0
200
400
600
800
1000
1200
Aus ália
Áus ia
Bélgica
Canadá
Suíça
Chip e
Alemanha
Espanha
F ança
Reino Unido
I landa
I ália
Japão
Luxembu go
Mal a
No uega
No a Zelândia
Po ugal
Es ados Unidos da Amé ica
Hong Kong
%
2003-2008 2009-2022
No a: Base de dados “Wo ld De elopmen Indica o s (WDI)” do Banco Mundial
9
3), o olume de ansações de ações oi de meno dimensão no pe íodo 2009-2022 ela i amen e a
2003-2008 e pe maneceu mui o abaixo dos ní eis e i icados nas EA (Figu a 4).
2.3.
O desen ol imen o económico e o me cado de ações nos me cados eme gen es
Ao longo das úl imas décadas, o desempenho dos me cados mundiais de ações em egis ado
g andes melho ias e os ME ep esen am uma g ande p opo ção nes e desen ol imen o (Le ine, 1996).
Figu a 3:
Volume de ações negociadas ( axa de o a i idade de emp esas domés icas)
(ME)
No a: Base de dados “Wo ld De elopmen Indica o s (WDI)” do Banco Mundial
Figu a 4:
Volume de ações negociadas ( axa de o a i idade de emp esas domés icas)
(EA)
0
50
100
150
200
250
A gen ina
B asil
Chile
China
Colombia
Egi o
Húng ia
Índia
Indonésia
I ão
Malásia
México
Filipinas
Polónia
Rússia
A ábia Saudi a
Tailândia
Tu quia
Emi ados Á abes Unidos
Á ica do Sul
%
2003-2008 2009-2022
0
50
100
150
200
250
Aus ália
Áus ia
Bélgica
Canadá
Chip e
F ança
Alemanha
Hong Kong
I landa
I ália
Japão
Luxembu go
Mal a
No a Zelândia
No uega
Po ugal
Espanha
Suíça
Reino Unido
Es ados Unidos da Amé ica
%
2003-2008 2009-2022
No a: Base de dados “Wo ld De elopmen Indica o s (WDI)” do Banco Mundial
10
A China, em pa icula , em ap esen ado a maio axa de c escimen o de capi alização de me cado,
p e endo-se que ul apassa á os EUA em 2030 (Goldman Sachs, 2023). Os me cados de ações das
economias eme gen es desempenham um papel ulc al na economia in e nacional e os seus e ei os no
c escimen o económico oco em a a és de al e ações na liquidez, capi alização de me cado, pa ilha de
isco e di e si icação de ca ei as (Ca p, 2012).
A capi alização o al de me cado ep esen ada pelos ME passou de 13% em 1996 (Le ine, 1996)
pa a 27% em 2023, e a Goldman Sachs Resea ch (2023) p e ê que alcance os 35% em 2030, 45% em
2050 e 55% em 2070 (Figu a 5). Es e c escimen o de e-se à c escen e libe alização inancei a e aumen o
das en adas de capi ais de economias indus ializadas es angei as (Kassima is & Spy ou, 2001).
Pa a Dokmen e al. (2015), nas economias eme gen es o desen ol imen o do me cado de ações
exe ce um impac o posi i o sob e o PIB, endo o desempenho do me cado de ações sido o p incipal
mo o da p omoção da a i idade económica nos ME. De aco do com es es esul ados, é espe ado que
as emp esas que u ilizam como on e de inanciamen o os me cados de ações sejam sensí eis ao seu
desempenho. Po an o, o desen ol imen o do me cado de ações nos ME es imula o desen ol imen o da
economia eal. A elação en e o desen ol imen o do me cado de ações e o c escimen o económico é
acei e a cu o p azo, mas no longo p azo as duas a iá eis não es ão elacionadas. Os ês au o es
suge em que os me cados de ações são c uciais pa a o c escimen o económico po p o e em se iços
pa a o se o não- inancei o da economia, pelo que se pode assumi que in es i nos me cados de ações
dos ME p omo e a possibilidade de maio c escimen o económico.
0,00%
10,00%
20,00%
30,00%
40,00%
50,00%
60,00%
70,00%
80,00%
90,00%
100,00%
1980
1985
1990
1995
2000
2005
2010
2015
2020
2025
2030
2035
2040
2045
2050
2055
2060
2065
2070
2075
ME Me cados desen ol idos Linea (ME)
Fon e: Goldman Sachs Resea ch (2023)
Figu a 5:
P opo ção da capi alização de me cado
11
O es udo desen ol ido po Kassima is & Spy ou (2001) com os 5 ME mais impo an es (Chile,
México, Índia, Co eia do Sul e Taiwan), em que as a iá eis são o loga i mo da p odução indus ial (como
p oxy
pa a o c escimen o económico), o loga i mo da capi alização de me cado (como
p oxy
pa a o
desen ol imen o do me cado de ações) e a e olução do sis ema bancá io (es a a iá el é medida a a és
dos loga i mos do c édi o bancá io de bancos públicos e p i ados e a o e a de moeda), pe mi e conclui
que o me cado de ações a e a, de ac o, o c escimen o de economias ela i amen e libe alizadas, como
o Chile e México. Em economias inancei amen e menos desen ol idas, como a Índia, o me cado de
ações não a e a o c escimen o económico, de ido à exis ência de uma o e egulação do me cado. Já
na Co eia do Sul, o me cado de ações in luencia o desen ol imen o económico, mas a causalidade não
é obse ada no sen ido con á io. Em países onde o me cado de ações é p incipalmen e especula i o,
como no Taiwan, exis e uma elação nega i a bila e al en e as duas a iá eis, de ido à elação posi i a
en e a ola ilidade e o c escimen o do me cado de ações, o que suge e que quan o mais ele adas são
a ince eza e a especulação, maio é a axa de capi alização do me cado, mas meno é o c escimen o
económico.
Osase i & Osamwonyi (2019) es udam a elação en e o desen ol imen o do me cado de ações
e o c escimen o económico nos BRICS (B asil, Rússia, Índia, China e Á ica do Sul) no pe íodo 1994-
2015. As a iá eis u ilizadas são a axa de c escimen o do PIB, a capi alização de me cado, a axa de
o a i idade, o alo o al de ações negociadas e o núcleo da axa de in lação. Conclui-se que o
desen ol imen o do me cado de ações exe ce um impac o signi ica i o no c escimen o económico des es
países, ou seja, exis e, de ac o, uma co elação posi i a en e es as duas a iá eis. A axa de o a i idade
a e a a economia de o ma nega i a, em con as e com Ca p (2012), e a capi alização de me cado
in luencia signi ica i amen e de o ma posi i a a axa de c escimen o do PIB.
Alajekwu & Achugbu (2012) examina am a in luência do desen ol imen o do me cado de ações
no c escimen o económico a a és do es udo de uma sé ie empo al de dados en e 1994-2009 e
concluí am que a axa de o a i idade do me cado de ações exe ce uma o e in luência no c escimen o
económico, enquan o o ácio de capi alização do me cado ap esen a uma co elação nega i a aca. Po
ou o lado, Ha is (1997) encon ou uma elação aca en e o me cado de ações e o c escimen o
económico ao u iliza uma amos a de 49 países de 1980 a 1991, pelo que não encon ou e idência de
que o ní el de a i idade do me cado de ações explica o c escimen o
pe capi a
, an o pa a me cados
eme gen es, como pa a economias a ançadas. Na subamos a dos ME, Wang & Aji (2001) concluí am
que o ní el de a i idade do me cado de ações possui algum pode explica i o, mas a sua signi icância
12
es a ís ica é aca. Laopodis & Papas amou (2016) concluem que pa a as 14 economias eme gen es
es udadas, o compo amen o do me cado de ações de cada país é independen e do es ágio de
desen ol imen o económico, ou seja, não exis e uma elação es a is icamen e signi ica i a en e es as
a iá eis. No en an o, quando adicionadas ou as a iá eis de con olo ao modelo economé ico, o
me cado de ações já se co elaciona com o c escimen o económico a ual e u u o. Po an o, de ende-se
que o me cado de ações pe si não é capaz de ge a desen ol imen o económico, a não se que aça
pa e de um sis ema inancei o e icien e.
No caso da China, Kai & Liao (2021) concluem que a dimensão do me cado de ações em um
e ei o posi i o e a ola ilidade um e ei o nega i o no c escimen o económico. Em e mos de signi icância,
o impac o da dimensão do me cado de ações é mais signi ica i o, enquan o a signi icância de ou os
indicado es é ela i amen e aca, o que indica que, segundo os au o es, o me cado de ações chinês já
a ingiu uma ce a escala e é um bom indicado pa a o c escimen o económico. No en an o, de ido à sua
es u u a impe ei a de desen ol imen o e ele ada in e enção go e namen al, a co elação en e a
liquidez do me cado de ações, ola ilidade e c escimen o económico é aca. Liang & Teng (2006)
concluem que, pa a o pe íodo 1952-2001, exis e uma elação de causalidade unidi ecional do
c escimen o económico pa a o desen ol imen o inancei o, esul ado que di e e ligei amen e da es an e
li e a u a exis en e.
Face ao expos o acima, pode conclui -se que o impac o do desen ol imen o do me cado de
ações se á posi i o ou nega i o consoan e o es ágio de desen ol imen o económico e social em que o
país se encon a, pelo que as a iá eis que são signi ica i as pa a uns países pode ão não o se pa a
ou o g upo de países.
2.4.
O me cado de ações e as decisões de inanciamen o das emp esas
O pad ão de inanciamen o das emp esas co adas conjuga a iados ipos de undos, como
emissão de dí ida e capi al p óp io. Segundo Modigliani e Mille (1959), o alo de uma emp esa é
independen e da sua es u u a de capi al e, po an o, a sua decisão de inanciamen o é i ele an e.
De aco do com Xiao (2003, p. 62), o me cado en en a o p oblema de assime ia de in o mação,
dado que o ges o de uma emp esa possui maio conhecimen o sob e a mesma do que agen es ex e nos,
sendo que a decisão de emi i ob igações ou ações em um e ei o ele an e no me cado. Uma ez que
as emp esas mais en á eis endem a emi i menos ob igações ou pedi emp és imos, os in es ido es
conside am que uma emp esa só emi e ações quando os ges o es da mesma ac edi am que es ão
13
sob ea aliadas pelo me cado e, po an o, se a p e isão do desempenho u u o da emp esa é posi i a,
não se ão emi idos í ulos de capi al p óp io po o ma a não pa ilha p o ei os u u os com no os
acionis as. Po ou o lado, se as emp esas p e eem que possuem undos pa a cob i o se iço da dí ida,
i ão emi i ob igações pa a e i a sinalização ad e sa. Logo, pode conclui -se que a assime ia de
in o mação en e ges o es e in es ido es in luencia a decisão de inanciamen o das emp esas, assim
como es a passa em p imei o luga pelo inanciamen o com undos in e nos, dí ida (se é necessá io o
inanciamen o ex e no) e, em úl imo luga , a a és da emissão de í ulos de capi al p óp io. Es a o dem
de p e e ência segue a chamada Hipó ese da Hie a quia7 (Mye s & Majlu , 1984). Es e modelo explica
pad ões nas inanças emp esa iais em que as emp esas endem a emi i menos ações p e e indo a
e enção dos undos in e nos pa a acon ecimen os imp e is os.
Singh & Hamid (1992) analisam ês on es de inanciamen o como p opo ção dos a i os líquidos
numa amos a de dados con abilís icos emp esa iais indi iduais. Es es au o es concluem que, pa a que
se e i ique o c escimen o das maio es emp esas de manu a u a em países eme gen es, o inanciamen o
ex e no é de maio impo ância, pelo que a emissão de í ulos de capi al p óp io ep esen a a maio
p opo ção da o igem do inanciamen o o al.
A eo ia suge e que a decisão de inanciamen o a a és da con a ação de c édi o ou emissão de
ações, po exemplo, em po base a es u u a de impos os e ou as impe eições do me cado (Demi guç-
Kun & Le ine, 1996). Segundo Demi guç-Kun & Maksimo ic (1996), o e ei o do desen ol imen o do
me cado de ações sob e a escolha do alo do ácio dí ida-capi al p óp io ( ácio de ala anca inancei a)
das emp esas depende da ase de desen ol imen o inicial do me cado de ações. Em países com
me cados inancei os subdesen ol idos, as emp esas dependem sob e udo de dí ida bancá ia. Com o
desen ol imen o do me cado de capi ais, passam a e maio acesso ao inanciamen o po capi al
p óp io, o que ende a eduzi o seu ácio de ala anca inancei a, uma ez que a p opo ção de
inanciamen o a a és da emissão de ações aumen a. Já em me cados mais madu os, embo a haja
maio di e sidade de ins umen os, mui as emp esas con inuam a p e e i a con a ação de dí ida
bancá ia, de aco do com a Hipó ese da Hie a quia. Es as conclusões são consis en es com o ac o de o
p og esso do uncionamen o do me cado ende a melho a a qualidade da in o mação disponí el,
moni o ização e con olo, uma ez que es as qualidades incen i am os c edo es a concede mais c édi o.
7 A Hipó ese da Hie a quia pos ula que as emp esas p e e em undos in e nos em elação a ou as on es de inanciamen o, mas, se o çadas à u ilização de
undos ex e nos, a con a ação de dí ida é p e e ida à emissão de ações. Es e modelo explica alguns pad ões nas inanças emp esa iais incluindo a endência
das emp esas em não emi i ações e e e undos e ou as o mas de ma gem inancei a.
20
sen iu uma necessidade de aumen a o g au de in e mediação inancei a. Como esul ado, o sis ema
inancei o chinês i enciou g andes ans o mações.
O sis ema bancá io so eu um p ocesso de descen alização e di e si icação, pelo que os bancos
são ago a sujei os a mais c i é ios na concessão de emp és imos (Xiao, 2003). Em 1983, o BPC o nou-
se, o icialmen e, o banco cen al da China e as suas ope ações come ciais o am ans e idas pa a qua o
bancos especializados – o Banco Ag ícola da China, Banco da China, Banco Come cial e Indus ial da
China e o Banco de Cons ução da China (Tabela 2) (Zhang e al., 2012; Xiao, 2003). De ido a es e
ele ado g au de descen alização, oi possí el que bancos es angei os es abelecessem sucu sais na
China, mas no início da C ise Financei a Asiá ica de 2015/1611 o go e no aumen ou o g au de con olo
sob e o sis ema bancá io. Com a libe alização pa cial das axas de ju o, os bancos passa am a pode
de e mina as suas axas do cus o de emp és imos e depósi os den o de um maio in e alo. A
libe alização comple a das axas de ju o oco eu em ou ub o de 2015 (Xiao, 2003).
No seu es udo sob e a China, Hasan e al. (2009) u iliza am dados em painel de 31 p o íncias
chinesas pa a es uda a elação en e a medida do desen ol imen o das ins i uições polí icas e legais e
indicado es de desen ol imen o do me cado inancei o, assim como do c escimen o económico, sendo
o pe íodo de análise 1986 a 2003. Os esul ados indicam que as egiões com maio es ado de di ei o,
di ei os de p op iedade e plu alismo polí ico são aquelas que ap esen am maio g au de desen ol imen o
económico. As p o íncias cos ei as ap esen am uma maio axa de c escimen o que as p o íncias
in e io es, apesa de algumas des as e em ap esen ado nos anos 1980 um desen ol imen o acele ado,
endo, em anos pos e io es, ap esen ado axas de c escimen o dec escen es. A p incipal conclusão a
que Hasan e al. (2009) chega am é o ac o de que, após e em con a e con ola os e ei os especí icos
de cada p o íncia, endogeneidade das a iá eis e po enciais p oblemas associados a ins umen os de
análise acos, os dados suge em uma elação o e e signi ica i a en e o desen ol imen o das
11 Em 2015, o me cado de ações colapsou após o e alo ização impulsionada po incen i os es a ais e uso excessi o de
ma gin ading
. A queda oi ag a ada
po ala ancagem ia ins i uições inancei as não bancá ias e espos a egula ó ia descoo denada, esul ando em pe das supe io es a 40% no me cado de
ações. a in e enção es a al es abilizou pa cialmen e o me cado, mas aumen ou a ince eza e coincidiu com uma desacele ação económica.
Nome do banco come cial de ido pelo es ado Se o es que subsidia
Banco da China Câmbio, comé cio com o ex e io e economia nacional
Banco de Cons ução da China Se o da cons ução
Banco Ag ícola da China Negócio bancá io u al
Banco Come cial e Indus ial da China A i idades indus iais e come ciais em á eas u banas
Fon e: Zhang e al. (2012)
Tabela 2:
Bancos come ciais e espe i os se o es de a uação
21
ins i uições inancei as e o c escimen o económico na China. Concluí am ambém que a p esença de
um se o p i ado na economia em uma o e e signi ica i a in luência posi i a no c escimen o económico.
3.3.
C escimen o do se o p i ado
Cons a ando a es agnação do endimen o nacional, que indicou cla amen e que uma economia
de “comando” não e a a mais adequada dadas as necessidades do país, em 1978 o go e no chinês
decidiu e e a es u u a económica do país (Peng e al., 2024). Po an o, ainda nes e ano, o am
iniciadas as e o mas na economia chinesa.
Numa p imei a ase (1979-1984), no se o u al os di ei os de p op iedade so e am uma
descen alização ao mesmo empo que o an e io sis ema de ag icul u a cole i a oi subs i uído pelo
sis ema de esponsabilidade domés ica (Xiao, 2003). No se o u bano, as SOEs ganha am alguma
au onomia inancei a e oi-lhes pe mi ida a e enção de pa e dos seus luc os, assim como ambém oi
pe mi ido aos go e nos locais o di ei o de aloca os seus ecu sos ia emp és imos ou au o inanciamen o
(Zhang e al., 2012). Numa pe spe i a in e nacional, o go e no aumen ou o g au de abe u a da
economia pa a com o ex e io pa a a p omoção do comé cio e a ai undos es angei os (Xiao, 2003).
Numa segunda ase (1985-1991), o am implemen ados mecanismos o ien ados pa a o
me cado, como o es abelecimen o de um me cado de bens e e i icou-se a libe alização dos p eços.
Es as medidas isa am o aumen o da independência de agen es mic oeconómicos (Xiao, 2003). O
décimo qua o Cong esso Nacional do PCC em ou ub o de 1992, de iniu o es abelecimen o de uma
economia socialis a de me cado, o que legi imou a p i a ização das SOEs. Po es a azão, a p omoção e
ixação do me cado de ações é pa e in eg al do p ocesso de p i a ização des as emp esas, sendo que
se e i ica uma ans e ência de a i os do se o público pa a o p i ado (Xiao, 2003, pág. 32).
Em 1999, a China econheceu o malmen e a eme gência do se o p i ado12 no país (Reu e s,
2023; Xiao, 2003). Com es a ansição, as polí icas iscal e mone á ia são ago a u ilizadas na ges ão da
mac oeconomia e as axas de ju o o am libe alizadas. Em 1994, a moeda passou a se con e í el e
em 2001, a China ing essou a O ganização Mundial do Comé cio (OMC), pe mi indo uma maio abe u a
ao comé cio in e nacional e maio libe alização do se o inancei o. No en an o, a economia ab andou
12 O p ocesso de p i a ização en ol e a ans o mação das emp esas em sociedades cujo capi al es á di idido em ações, a a és da enda de uma po ção de
ações aos colabo ado es da emp esa, ao público ge al, ou as emp esas de idas pelo Es ado e a ou as en idades, como bancos e companhias de segu os,
a um alo p óximo do alo nominal. Pa icula men e, as ações de idas pelo Es ado e po en idades legais não podem se ansacionadas (Liu & Sh es ha,
2008).
22
signi ica i amen e en e 1995 e 2002, já que so eu uma sé ie de p oblemas como de lação, desemp ego
ele ado e ins abilidade social (Xiao, 2003, pág. 32-33).
A ualmen e, o se o p i ado cons i ui ce ca de 60% do PIB chinês, assim como ep esen a ce ca
de 70% da capacidade de ino ação da economia, 80% do emp ego e 90% de no os pos os de abalho
(Cunningham, 2022). De aco do es e au o , o go e no chinês em uma in e enção p esen e na
economia, numa en a i a de con ola in e namen e de e minadas indús ias. Além disso, o Es ado
p e ende ab i ao ex e io , de o ma con olada, ou as indús ias que necessi am de ecu sos e
conhecimen os es angei os. Es as ações êm como consequência a imposição de mais es ições a
médio p azo po pa e do go e no sob e en idades domés icas p i adas, mas com abe u a con olada a
en idades p i adas es angei as em indús ias-cha e. Assim sendo, su gi am polí icas que in ensi ica am
o g au de in e enção do Es ado na economia pouco an es do su gimen o da c ise inancei a de 2007/8,
ma cando o im da libe alização que se seguiu após a en ada da China na OMC.
No en an o, o c escimen o do se o p i ado condicionou os cus os sociais das e o mas ela i as
às emp esas es a ais e esul ou numa ele ada pe cen agem de expo ações da China em elação ao o al
das expo ações mundiais. Apesa das con ibuições posi i as do se o p i ado pa a a economia, o seu
inanciamen o a a és dos me cados inancei os o mais é de icien e, pelo que apenas uma pequena
ação de c édi o bancá io es á des inado a emp esas p i adas e é de no a que apenas uma pequena
pa e de emp esas co adas em bolsa são o almen e p i adas (China needs o unblock, sus ain inancial
channels o p i a e i ms, 2023).
Em adição a es as in e enções, o mon an e de in es imen o de Pequim em emp esas do se o
p i ado aumen ou de €8,4 biliões em 2016 pa a mais de €112 biliões em 2020, assim como ambém
se e i icou o aumen o do núme o de emp esas p i adas com in es ido es elacionados com o Es ado
de 14,1% de odo o capi al egis ado na China em 2000, pa a 33,5% em 2019 (China needs o unblock,
sus ain inancial channels o p i a e i ms, 2023). Chen & Feng (2000) concluí am que o c escimen o
de emp esas p i adas e semip i adas conduz a um aumen o do c escimen o económico, enquan o a
p esença de emp esas de idas pelo Es ado eduz as axas de c escimen o en e as 29 p o íncias al o de
es udo de 1978 a 1989.
Consequen emen e, emp esas p i adas es angei as de maio dimensão aumen a am os seus
in es imen os na China, com ganhos pos e io es signi ica i os nas endas de imó eis e no in es imen o.
Como exemplos, em-se a Black ock, que conseguiu a ap o ação dos egulado es chineses pa a o
lançamen o de um undo mú uo; os bancos de in es imen o J. P. Mo gan e Goldman Sachs que ago a
23
podem es abelece na China emp eendimen os de alo es mobiliá ios; a Ame ican Exp ess que em 2021
o nou-se a p imei a pla a o ma de pagamen os digi ais au o izada a ealiza ansações em enminbi na
China e a Tesla que ob e e a o alidade de p op iedade es angei a da sua
Giga ac o y
3. Nes as
indús ias, em que são c í icos aspe os como a ecnologia e o
know-how
es angei os e em que emp esas
es angei as são is as como um meio de eduzi a ensão en e os Es ados Unidos da Amé ica e a China,
in e esses p i ados es angei os podem p e alece sob e os domés icos p i ados (China needs o
unblock, sus ain inancial channels o p i a e i ms, 2023).
3.4.
Re o ma ins i ucional
A ansição de uma economia planeada e al amen e con olada pelo go e no, como a China,
pa a uma economia de me cado, implicou o su gimen o de no as ins i uições. No en an o, e uma ez
que o PCC p e endia con inua a de e o monopólio sob e o pode polí ico, o desen ol imen o de
ins i uições legais e das au o idades go e namen ais locais oi p ejudicado. Apesa des e a aso,
oco e am al e ações ideológicas que pe mi i am o desen ol imen o g adual das ins i uições legais na
China, a descen alização das ins i uições polí icas, o ápido c escimen o do se o p i ado e a e olução
dos me cados inancei os (Hasan e al., 2009, pág. 158).
De modo ge al, a elação en e desen ol imen o ins i ucional e c escimen o económico em sido
al o de es udo po mui os in es igado es. Johnson e al. (2002) analisam a impo ância ela i a dos
di ei os de p op iedade e das inanças ex e nas nos países em ansição13, concluindo que os p imei os
são de impo ância ex ema. Adicionalmen e, o e ei o de c escimen o mos a-se mais signi ica i o quan o
maio e melho é o acesso a on es de inanciamen o. Rela i amen e ao desen ol imen o ins i ucional na
China, Cull & Xu (2005) cons a am que o isco de exp op iação14, execução de con a os, acesso a
inanciamen o e es u u a de p op iedade são aspe os ele an es pa a as decisões de ein es imen o das
emp esas chinesas.
Um indicado de desen ol imen o ins i ucional que começa a a ai maio a enção é o plu alismo
polí ico. Ao con á io de um egime o ali a is a, uma economia plu alis a econhece e de ende a
di e sidade de in e esses e conside a legí imo que os memb os da sociedade ap esen em di e en es
pe spe i as, conjugando-as de modo a ha e um p ocesso de diálogo. Plu alismo polí ico é um dos
de e minan es do c escimen o económico, uma ez que exis e uma elação endógena en e a dispe são
13 Países em ansição são aqueles em p ocesso de al e ação de economias cen ais pa a economias mis as ou de me cado.
14 P ocesso pelo qual o go e no ou en idade au o izada adqui e uma p op iedade p i ada pa a ins públicos, median e pagamen o de indemnização jus a ao
p op ie á io (República Po uguesa, s.d.).
24
do pode polí ico in ínseco ao me cado compe i i o e plu alismo na es e a polí ica (Rod ik & Waczia g,
2005). Rep esen a i idade, esponsabilidade e anspa ência são aspe os p imá ios de ins i uições
polí icas em bom uncionamen o, e desde que são es as que de e minam a polí ica económica, é
espe ado que a libe alização económica de e es a posi i amen e elacionada com o g au de plu alismo
polí ico, pelo que Hasan e al. (2009) de endem que o su gimen o do mesmo na China exe ce um
impac o posi i o no c escimen o económico.
As e apas essenciais pa a o desen ol imen o ins i ucional de um país em ansição são a
eme gência, consolidação e legalização de uma economia de me cado, o es abelecimen o de di ei os de
p op iedade, c escimen o e desen ol imen o das ins i uições do se o p i ado e me cado inancei o e a
libe alização das ins i uições polí icas (Hasan e al., 2009).
3.5.
Re o ma bancá ia
Os me cados de c édi o na China ap esen am uma dimensão conside á el de aco do com
pad ões in e nacionais: o ag egado mone á io M2 é mais ele ado do que em mui os países
desen ol idos, assim como o c édi o pa a o se o p i ado que coloca a China em e cei o luga 15, em
2023 com o alo de 194,67% do PIB (Figu as 9 e 10) (Domes ic c edi o p i a e sec o (% GDP), s.d.).
15 O país com o c édi o pa a o se o p i ado como pe cen agem do PIB mais ele ado é Hong Kong, com 248,75% (Domes ic c edi o p i a e sec o (%
GDP), s.d.). O c édi o pa a o se o p i ado na China aumen ou após a implemen ação das e o mas e e idas an e io men e.
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2023
% do PIB
C édi o domés ico pa a o se o p i ado M2
Figu a 9:
C édi o domés ico pa a o se o p i ado e massa mone á ia
No a: Base de dados “Wo ld De elopmen Indica o s (WDI)” do Banco Mundial
25
A e o ma que oco eu no sis ema inancei o começou no início dos anos 1990 quando o go e no
cen al delibe ou a sepa ação en e bancos cen ais e bancos come ciais. Desen ol imen os
subsequen es incluí am a ans o mação de coope a i as de c édi o u bano em bancos come ciais,
a ibuindo licenças limi adas a alguns bancos es angei os e a bancos come ciais não pe encen es ao
Es ado, incluindo a in odução de no mas con abilís icas p udenciais in e nacionais. Apesa des es
a anços, ou os p oblemas ela i os ao se o bancá io pe sis i am, como os emp és imos em
incump imen o (NPLs) e co upção (Chen & Feng, 2000), o que sob eca egou os
Big Fou
(Tabela 2),
amosos pela sua ine iciência (Zhang e al., 2012). No en an o, oco e am al e ações adicionais após a
en ada da China na OMC, que pe mi iu a c escen e libe alização das axas de ju o, meno es es ições
à p op iedade e aumen o da independência ope acional. Os desen ol imen os mais ecen es incluem a
p i a ização pa cial de bancos que possuem ações em ci culação no me cado e a pe missão de
pa icipações mino i á ias es angei as (Be ge e al., 2009), assim como ambém se e i icou a
diminuição das es ições nas axas de ju o de emp és imos e depósi os (Zhang e al., 2012).
4.
Eme gência do me cado de ações da China
Du an e a c ise da dí ida sobe ana na Amé ica La ina, á ios países assis i am à queda dos seus
sis emas bancá ios. Como esul ado, e i icou-se uma maio p omoção dos me cados de ações, assim
como de ou os luxos de capi ais elacionados. Em 1989, o Banco Mundial omen ou a adoção do
me cado de ações e do sis ema bancá io na p omoção do c escimen o económico (Xiao, 2003) e, como
consequência, os me cados de ações mundiais, em pa icula aqueles dos países eme gen es, so e am
uma expansão signi ica i a.
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2023
% do PIB
B asil China Alemanha Índia Es ados Unidos
Figu a 10
:
C édi o pa a o se o p i ado
No a: Base de dados “Wo ld De elopmen Indica o s (WDI)” do Banco Mundial
26
An e io men e a 1978, o go e no chinês con ola a a maio ia das decisões e alocação de undos
de in es imen o. O sis ema inancei o consis ia em bancos de idos pelo Es ado e bancos especializados
com sucu sais espalhadas po odo o país. Após as e o mas de 1978, o sis ema inancei o o nou-se
mais di e enciado e abe o à compe ição de me cado (Xiao, 2003, pág. 38) e a es u u ação das
emp esas de idas pelo Es ado oi, desde o início, uma p io idade pa a o go e no. Inicialmen e, algumas
SOEs o am inco po adas ou ans o madas em emp esas cujo capi al es á ep esen ado po ações,
semelhan es a ob igações, com uma axa de e o no ga an ida e esga á eis com da a de ma u idade. O
p opósi o da emissão des as ações ixa a-se com a ecolha de undos ao in és da al e ação da
composição da es u u a de p op iedade das espe i as emp esas. Es as emissões o am o p imei o
passo pa a a p i a ização e oi em 1984 que se ealizou a p imei a ansação de balcão16 (Xiao, 2003,
pág. 39). Dada a acessibilidade do me cado de ações a no os in es ido es, o me cado de ações chinês
é dominado po in es ido es de e alho (ou indi iduais), que, po e em pouco conhecimen o de emas
inancei os, a uam no me cado como “in es ido es uidosos”17 e apenas especulam no me cado na
ausência de anspa ência (Wang & Li, 2020; Liu & Sh es ha, 2008), e ep esen am ce ca de 99% das
con as de negociação a i as (Peng e al., 2024).
No inal dos anos 1980, o go e no es abeleceu um me cado de ações nacional de modo a
simpli ica a eo ganização e co ação de SOEs18. Pos e io men e, o go e no p omo eu o me cado de
ações ecém- o mado e iu aumen a o núme o de emp esas co adas, assim como a capi alização de
me cado e a axa de o a i idade
(Figu as 11 e 12). O empenho do go e no na p omoção do me cado
de ações se iu, p incipalmen e, como incen i o à p i a ização e implemen ação de ou as e o mas a
a o do me cado e ambém como uma o igem de undos es á el pa a o in es imen o de SOEs, uma ez
que incen i a a melho ia da es u u a de ges ão e po e icazmen e aloca a i idades de in es imen o
(Xiao, 2003).
16 T ansações de balcão e e em-se a ope ações ealizadas o a dos me cados o ganizados (como bolsas de alo es). São ei as di e amen e en e duas
pa es, ge almen e com maio lexibilidade, mas menos anspa ência e egulação.
17 Da exp essão em inglês “
noise ade s
”, es es in es ido es omam decisões de comp a ou enda com base em in o mações i ele an es, umo es, emoções
ou pad ões pe cebidos, e não em undamen os económicos sólidos ou análises acionais. Podem aumen a a ola ilidade e des ia os p eços dos a i os do
seu alo eal, assim como ambém con ibuem pa a ine iciências de me cado.
18 Foi ambém em pa e uma en a i a de edução da a i idade do me cado neg o (Xiao, 2003, pág. 39).
27
Pa a que uma emp esa possa se co ada, a mesma de e se ap o ada pelo Conselho Regula ó io
de Tí ulos da China (CSRC, do inglês
China Secu i ies Regula o y Commission
) e de e ap esen a luc o
em dois ou ês anos consecu i os pa a alcança o ano da IPO (o e a pública inicial do inglês
ini ial public
o e ing
). No en an o, emp esas de idas pelo Es ado, emp esas de indús ias apoiadas pelo go e no e
aquelas com elações com os egulado es se ão co adas em bolsa com maio acilidade, ao in és de
emp esas p i adas, especialmen e as inse idas em indús ias ecen emen e c iadas sem en abilidade
co en e ele ada (Qian, 2024). Ainda de aco do com es e au o , a pe o mance de emp esas co adas cai
ab up amen e a segui à sua IPO. O ROA ( e o no dos a i os) médio caiu de 13% p é-IPO pa a ce ca de
6% pós-IPO, queda mais signi ica i a que no ROA de emp esas co adas de ou os me cados. Es es
esul ados indicam que as emp esas com melho desempenho nem semp e são selecionadas pa a
1287 1377 1381 1434 1550 1625 1718 2063 2342 2494 2489 2613 2827 3052 3485 3584 3777 4154 4615 4917 5107
2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022 2023
No a: Dados d
o Gabine e Nacional de Es a ís icas da China
0,00
50000,00
100000,00
150000,00
200000,00
250000,00
300000,00
350000,00
2003
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2018
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2020
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2022
2023
Capi alização o al de me cado (100 milhões eu os)
Tu no e da ansação de ações (100 milhões eu os)
Figu a 12:
Capi alização de me cado e axa de o a i idade
Figu a 11:
Núme o de emp esas co adas
No a: Dados do Gabine e Nacional de Es a ís icas da China
28
se em co adas no me cado de ações do ipo A, ou seja, numa en a i a de en ada nes e me cado, as
emp esas aumen am a sua a a i idade pa a aumen o da IPO, compo amen o não sus en á el a longo
p azo. Uma ez co adas, assim o icam e o g au de “p o eção” é ele ado de ido ao cus oso p ocesso de
lis agem, ou seja, emp esas pouco en á eis co adas em bolsa não são excluídas do me cado, o que
ag a a o p oblema de seleção ad e sa.
Já os esul ados do es udo de Xiao
(2003), a a és do modelo do alo p esen e mos am que,
quan o pio o desempenho das emp esas, maio es são os seus ácios de a aliação, pa icula men e
du an e os anos de maio expansão do me cado de ações chinês. Ainda, o pagamen o de di idendos não
exe ce uma in luência signi ica i a na a aliação da emp esa pelo me cado. Es es esul ados con a iam
a hipó ese de e iciência de me cado e acionalidade dos in es ido es (assen e no p essupos o da
de enção de oda a in o mação disponí el), que a i ma que oda a in o mação disponí el no me cado
de e se e le ida ápida e co e amen e nos p eços dos í ulos19.
Segundo Chen (2003, p. 453), pa a me cados de capi ais num es ágio inicial de ida, é o
desen ol imen o económico que p ecede al e ações legais. Ao con á io da Rússia e ou os países da
Eu opa de Les e, que ado a am medidas ag essi as pa a o desen ol imen o das suas economias, a
China, de 1978 em dian e, ado ou uma es a égia de en a i a-e-e o pa a a ansação da sua economia
cen alizada pa a uma de me cado, sendo que as p imei as al e ações oco e am no se o ag ícola. Após
o sucesso da ans o mação des e se o , o segundo passo oi a es u u ação das emp esas indus iais
de idas pelo Es ado pa a emp esas co adas em bolsa e daqui su giu a Bolsa de Valo es de Xangai em
dezemb o de 1990, em que á ias emp esas de idas pelo Es ado se ans o ma am em en idades
p i adas.
Dos aspe os ap esen ados an e io men e, a maio ia dos indicado es adicionais de medição do
desen ol imen o inancei o es ão posi i amen e elacionados com o c escimen o económico. No en an o,
segundo Pan & Mish a (2017) e Zhang e al. (2012), não exis e e idência de uma elação en e o me cado
de ações e o c escimen o económico a cu o p azo na China. Wang & Aji (2001) concluem que en e
1996-2011 exis e uma elação nega i a en e o me cado de ações (cuja
p oxie
é a capi alização de
me cado) e o c escimen o económico chinês. As a iá eis u ilizadas nes a análise são o PIB eal ( a iá el
dependen e) e as es an es são os gas os do go e no, o e a eal de moeda e capi alização eal de
me cado. Es e esul ado é consis en e com o de Ha is (1997) e uma possí el explicação passa pelo
19 As lu uações do me cado podem se explicadas pelos es udos de inanças compo amen ais, que es uda o compo amen o dos in es ido es, que em um
impo an e con ibu o pa a econhece as limi ações e i acionalidade no p ocesso de omada de decisões (Xiao, 2003).
29
ac o de o me cado de ações ep esen a , à da a, uma pequena p opo ção da economia chinesa (Pan &
Mish a, 2017). Es es au o es ambém encon a am uma elação nega i a en e o me cado de ações e o
c escimen o económico chinês, uma ez que o p imei o é u ilizado pelo go e no pa a a ingi
de e minados obje i os ao in és de e le i a economia eal.
De aco do com um es udo ins uído po Hasan e al. (2009), o desen ol imen o dos me cados
inancei os, o ambien e legal, a exis ência de di ei os de p op iedade e plu alismo polí ico são
ca a e ís icas que es ão associadas ao c escimen o económico.
4.1.
Desen ol imen o do me cado de ações
Embo a as p imei as emissões de í ulos emon em a 1984, nes a época apenas se negocia am
ob igações do esou o, e, po exemplo, em 1989, as ansações de ações ep esen a am me amen e 1%
do olume o al negociado na Bolsa de Valo es de Xangai (SSE). Pos e io men e, com a expansão
acele ada do me cado acionis a, a negociação de ações ganhou dinamismo, enquan o o olume de
ansações com ob igações diminuiu (Xiao, 2003, pág. 40-41).
O me cado de ações chinês é compos o pela Bolsa de Valo es de Xangai, Shenzhen, Pequim
(BSE) (es abelecida em 2021), pelo Me cado STAR (STAR Ma ke ) (es abelecido em ma ço de 2019) e
ChiNex 20 (O e iew o Exchange, 2024). O es abelecimen o das Bolsas de Valo es de Xangai em 1990 e
Shenzhen (SZSE) em 1991 pe mi i am a p omoção da e o ma das emp esas de idas pelo Es ado. No
início dos anos 1990, o p ocesso pa a uma emp esa o na -se co ada em bolsa e a al amen e con olado,
assim como exis ia uma exigen e egulação sob e o me cado secundá io, e, no inal des a década, a
au o idade egulado a cen al conseguiu consolida a sua in luência. Desde es as al e ações, o g au de
con iança dos in es ido es públicos no me cado de ações aumen ou e ap esen ou um ní el ele ado de
c escimen o (Hasan e al., 2009, p. 158). O me cado de ações ambém em a aído um núme o no á el
de in es ido es: em 1992 exis iam ce ca de 2 milhões de in es ido es egis ados, que c esce am pa a
os 45 milhões no inal de 1999 e a ualmen e egis am-se ce ca de 200 milhões (China’s wild s ock
ma ke swings hu a US$21 illion bull case, 2024).
O me cado de ações da China é um dos maio es do mundo. De ido a ele adas capi alizações
de me cado, o me cado de ações chinês é is o como uma impo an e e amen a de auxílio ao
c escimen o económico, uma ez que se o nou uma das p incipais on es de inanciamen o das
20 Nes a disse ação o me cado de ações se á analisado como um odo, não ha endo, po isso, dis inção en e cada bolsa de alo es.
36
aos p essupos os dos modelos economé icos a u iliza . A análise que se segue isa in e p e a es es
esul ados indi idualmen e, de modo a iden i ica pad ões ele an es e possí eis implicações pa a a
análise empí ica.
N
Mínimo
Máximo
Média
Des io
pad ão
Assime ia
Cu ose
TCPIB
20
2,239
14,231
8,400
2,903
-0,218
0,517
CMP
20
17,579
126,154
57,256
24,704
0,884
1,922
TOV
20
75,637
480,287
203,308
88,568
1,421
4,175
TJR
20
-2,306
5,531
1,721
2,283
-0,187
-1,129
IDEI
20
1,003
4,554
2,782
1,157
0,085
-1,344
EXP
20
18,410
36,035
25,270
5,848
0,585
-0,904
TIN
20
-0,210
8,076
3,546
2,702
0,448
-1,019
De aco do com os dados na Tabela 5, e idenciam-se os seguin es pad ões:
§ En e 2003 e 2022, a média anual da axa de c escimen o económico na China oi de 8,4%,
bas an e acima da média da Zona Eu o (1,21%) e dos EUA (2,00%). O des io pad ão de 2,90%
aduz-se num compo amen o ela i amen e es á el da economia;
§ A capi alização de me cado ap esen a um alo médio de 57,26, com compo amen o dispe so,
em que alguns anos ap esen am alo es mui o ele ados (como po exemplo a abe u a da SSE
e SZSE), ou seja, ap esen a um pad ão de e olução desigual, com expansões acen uadas em
de e minados momen os his ó icos (des io pad ão de 24,70%);
§ O me cado de ações ap esen a um ele ado olume de ansações em média, com dis ibuição
desigual, uma ez que algumas bolsas de alo es exibem a i idade mui o in ensa (SSE e SZSE)
em de imen o de ou as (ChiNex , BSE), pela obse ação de um des io pad ão de 88,57%;
§ A axa de ju o ap esen a um desempenho ela i amen e es á el ao longo do empo sem ex emos
signi ica i os;
§ Fluxos de in es imen o di e o es angei o es á eis, com baixa p esença de alo es ex emos, com
um des io pad ão de 1,16%;
§ Sendo a economia chinesa al amen e depende de expo ações, es as ap esen am um alo
médio ele ado de 25,27%, mas sem alo es mui o ex emos;
Tabela 5:
Es a ís icas desc i i as do modelo
37
§ In lação média mode ada, mas es á el, com alo es concen ados p óximos da média (des io
pad ão de 2,21%).
Pode conclui -se que os dados e a am uma economia em o e expansão, com um se o
inancei o ainda em consolidação e sujei o a lu uações, mas com undamen os mac oeconómicos
ela i amen e es á eis.
5.2.
Modelo economé ico
5.2.1.
Especi icação
Não an ecipando o ipo de modelo adequado ao enómeno em in es igação, conside ou-se a
seguin e es u u a gené ica, adap ada a modelos de sé ies empo ais:
ΔY!=α+&γ"Y!#$
%
"&$
+&δ'X!#'
(
'&)
+Π(Y!#$ ,−β*X!#$)+&Γ+ΔX!#+
%#$
+&$
+ε!
Onde Y!,(TCPIB!) é a axa de c escimen o do PIB; X!,(CMP!,TOV!,TJR!,IDEI!,EXP!,TIN!)
é o e o de a iá eis explica i as; α a cons an e do modelo e ε! o e mo de e o.
Es e modelo pe mi e cap u a di e en es dinâmicas, nomeadamen e:
a) Os e ei os passados do c escimen o económico (es u u a VAR (Ve o Au o eg essi o)
e ADL
(Modelo de Des asagens Dis ibuídas Au o eg essi as)), que cap u a o impac o das p óp ias
aje ó ias passadas do PIB no seu c escimen o p esen e:
&γ"Y!#"
%
"&$
b) O impac o passado e con empo âneo das a iá eis explica i as no c escimen o (es u u a ADL e
ARDL (Mé odo de Limi es com Modelo de De asagens Dis ibuídas Au o eg essi as)), que
cap u a o impac o acumulado ao longo do empo das a iá eis mac oeconómicas e do me cado
de ações no c escimen o económico:
&δ'X!#'
(
'&)
(1)
(2)
(3)
38
c) A elação de longo p azo en e c escimen o económico e a o es explica i os (es u u a VECM),
que ga an e que, caso as a iá eis sejam coin eg adas, os des ios do equilíb io de longo p azo
sejam co igidos ao longo do empo:
Π(Y!#$ ,−β*X!#$)
d) O impac o das a iações passadas das a iá eis explica i as (es u u a VECM e ARDL), que
cap u a os e ei os de cu o p azo e os ajus es dinâmicos das a iá eis explica i as sob e o
c escimen o económico:
&Γ+ΔX!#+
%#$
+&$
5.3.
Diagnós ico, seleção e es imação
5.3.1.
Es aciona iedade
Realiza-se o Tes e de Dickey-Fulle Aumen ado (ADF) (Dickey & Fulle , 1979) pa a e i ica a
p esença de aiz uni á ia nas sé ies empo ais das a iá eis analisadas. O es e a alia a es aciona iedade
de uma sé ie empo al, ou seja, se ela possui uma endência de e minís ica ou es ocás ica.
A acei ação da hipó ese nula decla a a exis ência de aiz uni á ia na sé ie, o nando-a não-
es acioná ia. Se a es a ís ica do es e Z( ) o meno (mais nega i a) do que o alo c í ico co esponden e
de 5%, a hipó ese nula de aiz uni á ia é ejei ada, indicando que a sé ie é es acioná ia.
Os esul ados do es e de ADF pa a as a iá eis do modelo es ão ap esen ados na Tabela 6.
Va iá el
Es a ís ica Z( )
alo -p
TCPIB
-0,685
0,8505
CMP
-3,045
0,0309
TOV
-2,101
0,2441
TJR
-3,491
0,0082
IDEI
-0,573
0,8769
EXP
-1,277
0,6398
TIN
-2,935
0,0415
(4)
(5)
Tabela 6:
Resul ados do Tes e de Raiz Uni á ia (ADF) pa a as
a iá eis analisadas
Es a ís icas desc i i as do modelo
39
Pela análise da Tabela 6, pode conclui -se que as sé ies CMP, TJR e TIN são es acioná ias, ou
seja, podem se u ilizadas em ní el. As es an es a iá eis não são es acioná ias, pelo que de seguida
se á e i icado se a sua p imei a di e ença é es acioná ia, pa a a alia a coin eg ação en e elas.
Pela análise da Tabela 7, as a iá eis TCPIB, TOV, IDEI e EXP - não es acioná ias em ní el - são
es acioná ias após p imei a di e ença, indicando que são in eg adas de o dem 1. Pa a e i a eg essões
espú ias (G ange & Newbold, 1974), es as a iá eis de em se modeladas em p imei a di e ença, a
menos que haja e idências de coin eg ação. Se exis i uma elação de longo p azo en e as a iá eis, a
modelagem adequada en ol e es es de coin eg ação, como os mé odos de Engle & G ange (1987) ou
Johansen (1991).
5.3.2. Diagnós ico dos esíduos
5.3.2.1. Au oco elação
A Tabela 8 ap esen a o diagnós ico da au oco elação se ial no modelo o iginal. O es e Du bin’s
Al e na i e AR (1) mos a um alo da es a ís ica de 13,33 com um alo -p de 0,0003, indicando a
ejeição da hipó ese nula de ausência de au oco elação. Is o con i ma que os esíduos ap esen am
dependência empo al signi ica i a.
O es e de Du bin-Wa son o iginal em um alo de 3,08, o que suge e uma o e au oco elação
nega i a. Além disso, o R² ajus ado do modelo o iginal ap esen a um alo nega i o de 12,30%, o que
indica um modelo com baixo pode explica i o e possí eis p oblemas es u u ais, pelo que se de e
p ocede à sua co eção.
Va iá el
Es a ís ica Z( )
alo -p
D.TCPIB
-4,136
0,0008
D.TOV
-3,627
0,0053
D.IDEI
-4,569
0,0001
D.EXP
-2,967
0,0381
Tabela 7:
Resul ados do Tes e de Raiz Uni á ia (ADF) nas p imei as di e enças
das a iá eis não es acioná ias
40
Tes e
Es a ís ica
Du bin's Al e na i e Tes AR (1)
13,331
Du bin-Wa son (o iginal)
3,075
R² ajus ado (modelo o iginal)
-0,1230
A Tabela 9 ap esen a os esul ados da co eção da au oco elação se ial po meio da a ian e de
P ais & Wins en (1954), do mé odo p opos o po Coch ane & O cu (1949). A co elação se ial es imada
(ρ) oi ajus ada pa a -0,87, mos ando uma ans o mação signi ica i a pa a elimina a au oco elação
nos esíduos. O es e de Du bin-Wa son co igido ap esen a ago a um alo de 2,30, o que indica que a
au oco elação oi subs ancialmen e eduzida. O R² ajus ado do modelo co igido aumen ou pa a 27,45%,
indicando uma melho ia na explicação da a iabilidade dos dados, ainda que não su icien e pa a ga an i
um modelo o almen e adequado. Des e modo, a co eção da au oco elação melho ou a obus ez do
modelo, eduzindo a dependência se ial nos esíduos e aumen ando o R² ajus ado.
Indicado
Es a ís ica
Co elação se ial es imada (
ρ
)
-0,8672
Du bin-Wa son (co igido)
2,299
R² ajus ado (modelo co igido)
0,2745
5.3.2.2. Mul icolinea idade
A Tabela 10 ap esen a os esul ados do es e de mul icolinea idade u ilizando o Fa o de In lação
da Va iância (VIF). A eg a de decisão indica que alo es de VIF acima de 10 ep esen am o e
mul icolinea idade, exigindo a emoção ou ans o mação de a iá eis. Valo es en e 5 e 10 indicam
mul icolinea idade mode ada, o que suge e possí eis ajus es, enquan o alo es abaixo de 5 não
ep esen am p eocupação signi ica i a.
Tabela 8:
Diagnós ico da co elação se ial
Tabela 9:
Co eção da au oco elação a a és da a ian e P ais-Wins en do
mé odo de Coch ane-O cu
41
Va iá el
VIF
TJR
9,97
TIN
9,45
D.EXP
2,18
D.IDEI
1,80
CMP
1,10
D.TOV
1,03
Os esul ados mos am que as a iá eis TJR e TIN ap esen am alo es de mul icolinea idade
mui o p óximos de 10, pelo que podem comp ome e a es abilidade do modelo. Con ém, nes es casos,
a alia possí eis ans o mações ou e i ica a pe inência da inclusão de ambas as a iá eis. As es an es
a iá eis ap esen am um alo VIF abaixo de 5, indicando que não há p eocupações signi ica i as quan o
à mul icolinea idade das mesmas. Assim sendo, o modelo pode se ins á el de ido à mul icolinea idade
en e TJR e TIN.
Na Tabela 11 es á p esen e a ma iz de co elações das a iá eis explica i as à da a.
CMP
D.TOV
TJR
D.IDEI
D.EXP
TIN
CMP
1,0000
D.TOV
0,0971
1,0000
TJR
0,0998
0,0500
1,0000
D.IDEI
-0,1114
0,0670
-0,3390
1,0000
D.EXP
-0,2731
-0,0592
-0,4768
0,6529
1,0000
TIN
-0,0814
-0,0357
-0,9451
0,3218
0,4288
1,0000
A análise da ma iz de co elação mos a que a a iá el TJR ( axa de ju o eal) possui uma
co elação o emen e nega i a com a TIN ( axa de in lação), com um coe icien e de -0,95, ou seja,
co elação quase pe ei a, uma ez que se ap oxima da unidade. Es a co elação ex emamen e ele ada
indica o e mul icolinea idade, o que pode da o igem a di iculdades na es imação dos coe icien es do
modelo e, na e dade, ambas as a iá eis cap u am “os mesmos” enómenos quan i a i os.
Tabela 10:
Diagnós ico da mul icolinea idade ia Fa o de In lação da
Va iância (VIF)
Tabela 11:
Ma iz de co elação das a iá eis do modelo
42
Nes e sen ido, op ou-se po e i a a axa de ju o eal do modelo. A decisão de emo e es a
a iá el é baseada na mul icolinea idade ex ema iden i icada com a axa de in lação e na sequência
empo al em e mos de polí ica mone á ia, uma ez que, po exemplo, du an e a pandemia da Co id-19
a exis ência de in lação ob igou à subida da axa de ju o pa a mode a o consumo e p o oca a diminuição
da in lação. Em e mos de polí ica mone á ia, a axa de in lação (TIN) p ecede a axa de ju o eal (TJR):
a es abilidade dos p eços é man ida pela egulação da segunda em unção da p imei a. Isso signi ica
que a TIN é c i é io pa a a ixação da TJR. Assim, ao man e a TIN no modelo, já se cap u a a p incipal
dinâmica da polí ica mone á ia, o nando edundan e a inclusão da TJR. Des e modo e dado que TIN
an ecede TJR no p ocesso de o mulação da polí ica mone á ia e que há uma o e edundância
es a ís ica en e ambas, a emoção da TJR do modelo é ecomendada. Es e ajus amen o melho a a
es abilidade da eg essão e e i a p oblemas de mul icolinea idade sem pe da signi ica i a de in o mação.
Os esul ados do es e à mul icolinea idade do no o modelo podem se obse ados na Tabela 12.
Va iá el
VIF
TIN
1,23
D.EXP
2,09
D.IDEI
1,80
CMP
1,10
D.TOV
1,03
Como e idencia a Tabela 12, a es abilidade da eg essão ap esen a uma melho ia signi ica i a
após a emoção da axa de ju o eal e não ap esen a p oblemas de mul icolinea idade signi ica i os.
5.3.2.3. He e oscedas icidade
O es e de B eusch-Pagan/Cook-Weisbe g é u ilizado pa a es a a exis ência de
he e ocedas icidade nos esíduos do modelo.
A hipó ese nula (H₀) do es e assume que os esíduos possuem a iância cons an e
(homocedas icidade), ou seja, não há he e ocedas icidade.
A es a ís ica qui-quad ado (χ²) ob ida é 0,88 e o alo -p associado ao es e é 0,35, pelo que, ao
ní el de signi icância de 5% não ejei amos a hipó ese nula e conclui-se que não oi de e ada
he e ocedas icidade no modelo, sendo que es e possui uma boa capacidade p edi i a.
Tabela 12:
Diagnós ico da Mul icolinea idade ia Fa o de In lação da
Va iância (VIF) após ex ação da TJR
43
5.4.
Es udo economé ico
5.4.1.
Es a égia de es imação
Após a ealização dos diagnós icos undamen ais sob e es aciona iedade, au oco elação,
mul icolinea idade e he e ocedas icidade, oi es abelecida uma es a égia de es imação consis en e com
a na u eza dos dados e os obje i os do p esen e es udo. A análise e elou que algumas a iá eis são
in eg adas de o dem 1 – I(1) - como a axa de c escimen o do PIB (TCPIB), o olume de ansações do
me cado de ações (TOV), o in es imen o di e o es angei o de en ada (IDEI) e as expo ações (EXP)24,
enquan o ou as, como a capi alização do me cado (CMP) e a axa de in lação (TIN), se ap esen a am
es acioná ias em ní el (I(0)).
De e ou-se ainda um ele ado g au de mul icolinea idade en e a axa de ju o eal (TJR) e a axa
de in lação (TIN), com uma co elação de -0,95. Conside ando a p oximidade concep ual en e ambas e
o papel an eceden e da in lação na o mulação da polí ica mone á ia, op ou-se po man e apenas a
a iá el TIN no modelo. Adicionalmen e, os es es aplicados demons a am que, após a co eção po
P ais-Wins en (1954), não se e i icam au oco elações signi ica i as nos esíduos, nem se iden i icou
he e ocedas icidade, pelo que as p e isões do modelo são mais iá eis.
Face a es es elemen os, oi delineada uma es a égia de es imação em qua o passos:
a) Ve i icação da exis ência de uma elação de longo p azo en e as a iá eis p incipais in eg adas
de o dem 1 (TCPIB, TOV, IDEI e EXP), com ecu so ao es e de coin eg ação de Johansen;
b) Es imação de um modelo VECM, ap op iado à p esença de coin eg ação en e as a iá eis,
pe mi indo cap a simul aneamen e as dinâmicas de cu o e longo p azo;
c) Iden i icação da equação de coin eg ação, a pa i da qual se ex ai o e mo de co eção de e o
(ECT);
d) Es imação inal de uma equação expandida, onde o e mo de co eção de e o é combinado com
as a iá eis es acioná ias em ní el CMP e TIN, conside adas como de e minan es adicionais do
c escimen o económico, mas que não pude am se incluídas di e amen e no VECM, dada a
limi ação do comando Vec no S a a.
20 Uma ez que es as a iá eis são in eg adas de o dem 1, é possí el a análise da exis ência de coin eg ação.
44
5.4.1.1.
Tes e de coin eg ação
Pa a es a o ní el de coin eg ação das a iá eis do modelo, se ão aplicadas as écnicas de
coin eg ação de Johansen, p opos as po Johansen (1991). A exis ência de um e o de coin eg ação
exibe a p esença de uma elação de equilíb io de longo p azo en e as a iá eis.
Des e modo, o es e de Johansen (1991) oi aplicado às qua o a iá eis in eg adas de o dem 1
(TCPIB, TOV, IDEI e EXP) e é possí el a sua ealização de ido ao compo amen o não-es acioná io das
a iá eis do modelo. Pa a isso, oi u ilizada a es a ís ica T ace, que indica a p esença de e o es de
coin eg ação en e essas a iá eis. Sob es a es a ís ica, a hipó ese nula enuncia a não exis ência de um
e o de coin eg ação, enquan o a hipó ese al e na i a de ende a exis ência de
n
e o es de coin eg ação.
A acei ação da hipó ese al e na i a implica que a es a ís ica T ace seja maio que o alo c í ico, ou seja,
o es e ejei a es as hipó eses a é que a es a ís ica seja meno que o alo c í ico.
Os esul ados ap esen ados na Tabela 13 e elam a exis ência de um único e o de coin eg ação
signi ica i o ao ní el de 5%, o que alida a hipó ese de uma elação de longo p azo en e as a iá eis
selecionadas.
Pos o ( ank)
LL
Eigen alue
S a . ace
Valo c í ico (5%)
0
-211,43088
52,0974
47,21
1
-198,83623
0,73440
26,9081*
29,68
2
-190,31296
0,59228
9,8616
15,41
3
-185,72047
0,38333
0,6766
3,76
No a:
o as e isco indica signi icância es a ís ica ao ní el de 5%.
A p esença de coin eg ação jus i ica a u ilização de um Modelo Ve o ial de Co eção de E os
(VECM), que pe mi e in eg a an o a elação de equilíb io de cu o e de longo p azo en e as a iá eis.
5.4.1.2.
Modelo VECM (sem a iá eis exógenas)
O modelo VECM oi es imado com base nas qua o a iá eis coin eg adas, com um
lag
ó imo de
1. O e mo de co eção (_ce1) mos a como cada a iá el eage aos des ios da elação de longo p azo.
A a iá el dependen e é D_TCPIB e os esul ados encon am-se na Tabela 14.
Tabela 13:
Tes e de Coin eg ação de Johansen (es a ís ica T ace)
45
Equação
_ce1 (L1)
alo -p
Cons an e
alo -p
R²25
D_TCPIB
-1,3327
0,000
3,114
0,001
0,5169
D_TOV
3,653736
0,826
1,361
0,978
0,0175
D_IDEI
0,0207
0,862
-0,185
0,595
0,0419
D_EXP
0,4996
0,265
-1,638
0,211
0,0844
A equação da a iá el D_TCPIB ap esen a um coe icien e nega i o e es a is icamen e signi ica i o
pa a o e mo de co eção ( alo -p < 0,05), indicando que exis e um mecanismo de ajus amen o pa a o
equilíb io de longo p azo. As es an es equações (D_TOV, D_IDEI, D_EXP) não e elam signi icância
es a ís ica no e mo de co eção. Des e modo, a única a iá el que se ajus a à elação de coin eg ação
é D_TCPIB, pois, como o coe icien e é nega i o e signi ica i o, quando exis e um des io do equilíb io, a
a iá el eage no sen ido de o co igi . Já as es an es a iá eis não possuem coe icien es nega i os no
e mo _ce1, signi icando que não con ibuem di e amen e pa a es au a o equilíb io de longo p azo,
apenas seguem o equilíb io. Assim sendo, o modelo mos a uma elação de coin eg ação com dinâmica
ajus ada po uma a iá el dominan e.
5.4.1.3.
Equação de coin eg ação no malizada
A equação de coin eg ação no malizada o nece a elação de equilíb io en e as a iá eis no
longo p azo. A a iá el dependen e é TCPIB, e os coe icien es es imados e e em-se aos impac os das
a iá eis explica i as no equilíb io de longo p azo. A Tabela 15 ap esen a os esul ados.
Va iá el
Coe icien e
alo -p
In e alo de Con iança (95%)
TOV
-0,00422
0,114
[-0,00947; 0,00102]
IDEI
-0,35584
0,519
[-1,437; 0,726]
EXP
-0,40043
0,000
[-0,608; -0,192]
No caso da China, os esul ados mos am que apenas as expo ações êm um impac o
es a is icamen e signi ica i o sob e a a iá el dependen e no longo p azo, com um coe icien e nega i o
de 0,40 ( alo -p < 0,05). O coe icien e nega i o indica que,
ce e is pa ibus
, um aumen o nas expo ações
25 Os alo es baixos do R2 são comuns em VECMs, onde o p incipal oco é a in e p e ação da elação de longo p azo e não an o na p e isão.
Tabela 14:
Es imação VECM com TCPIB, TOV, IDEI e EXP ( ank = 1; lag = 1)
Tabela 15:
Coe icien es da equação de coin eg ação (no malizada em TCPIB)
52
7.
P óximos desen ol imen os
Os esul ados ob idos nes e es udo ab em caminho pa a desen ol imen os u u os, ainda que
de o ma comedida e o ien ada pa a o ap o undamen o da análise já ealizada. A obus ez dos esul ados
empí icos e a es u u a eó ica ado ada suge em algumas linhas na u ais de con inuação.
Em p imei o luga , uma p io idade cla a consis e na es imação dos coe icien es de longo p azo
da equação de coin eg ação. Embo a a exis ência da elação de equilíb io já enha sido demons ada,
conhece a magni ude e o sinal dos e ei os pe manen es de cada a iá el pe mi i ia quan i ica com
maio igo o impac o espe ado de al e ações es u u ais nos de e minan es do c escimen o.
Em segundo luga , pode á se ele an e es a e sões al e na i as do modelo VECM,
inco po ando
lags
adicionais ou ajus ando a seleção das a iá eis explica i as, com is a a explo a
e ei os dinâmicos mais demo ados. Es a abo dagem pode se pa icula men e ú il no caso do
in es imen o di e o es angei o (IDEI) e das expo ações (EXP), cujos impac os podem demo a mais
empo a mani es a -se.
Em e cei o luga , se ia pe inen e ealiza es es adicionais pa a a alia a obus ez dos esul ados
a di e en es especi icações do e mo de co eção de e o, bem como a inclusão de a iá eis ins i ucionais
ou es u u ais que possam cap a elemen os ins i ucionais, como es abilidade polí ica ou qualidade da
go e nação.
Po im, uma linha de desen ol imen o mais aplicada consis e em explo a aje ó ias que
pe mi am isola o impac o di e o das e o mas inancei as ou dos p og amas de libe alização do me cado
de capi ais na China. Isso pode se ei o, po exemplo, a a és de modelos com a iá eis
dummies
de
e o ma, ou com écnicas de e en os aplicadas a momen os-cha e da polí ica económica chinesa.
Es es passos u u os não p e endem expandi o es udo de o ma inde inida, mas sim consolida
as ias mais p omisso as já suge idas pela e idência empí ica ecolhida, assegu ando uma análise mais
p o unda e poli icamen e ele an e do papel dos me cados inancei os no c escimen o económico da
China.
53
8.
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