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A experiência da perda e luto vivenciado por colaboradores: estudo exploratório

Author: Azevedo, Jéssica Santos
Year: 2025
Source: https://repositorium.uminho.pt/bitstreams/d0257596-9765-462c-b4c2-59ee99af8acb/download
Uni e sidade do Minho
Escola de Economia e Ges a o
Je ssica San os Aze edo
A expe iência da pe da e lu o
i enciado po colabo ado es:
Es udo Explo a ó io
ou ub o de 2024
A expe iência da pe da e lu o i enciado po
colabo ado es: Es udo Explo a ó io
UMinho
| 2024
Je ssica San os Aze edo
Uni e sidade do Minho
Escola de Economia e Ges a o
Je ssica San os Aze edo
A expe iência da pe da e lu o i enciado po
colabo ado es: Es udo Explo a ó io
Disse aça o de Mes ado
Mes ado em Ges a o de Recu sos Humanos
T abalho e e uado sob a o ien aça o da:
P o esso a Dou o a Gina Gaio San os
ou ub o 2024
1
DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO
POR TERCEIROS
Es e e um abalho acade mico que pode se u ilizado po e cei os desde que
espei adas as eg as e boas p a icas in e nacionalmen e acei es, no que conce ne
aos di ei os de au o e di ei os conexos.
Assim, o p esen e abalho pode se u ilizado nos e mos p e is os na licença abaixo
indicada.
Caso o u ilizado necessi e de pe missa o pa a pode aze um uso do abalho em
condiço es na o p e is as no licenciamen o indicado, de e a con a c a o au o , a a e s
do Reposi o iUM da Uni e sidade do Min ho.
Licença concedida aos u ilizado es des e abalho
A ibuição-NãoCome cial-SemDe i ações
CC BY-NC-ND
h ps://c ea i ecommons.o g/licenses/by-nc-nd/4.0/
2
DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE
Decla o e a uado com in eg idade na elabo ação do p esen e abalho académico e
con i mo que não eco i à p á ica de plágio nem a qualque o ma de u ilização inde ida
ou alsi icação de in o mações ou esul ados em nenhuma das e apas conducen e à sua
elabo ação.
Mais decla o que conheço e que espei ei o Código de Condu a É ica da Uni e sidade
do Minho.

3
Ag adecimen os
A ealização des a disse ação só oi possí el g aças ao apoio e à colabo ação de
di e sas pessoas e ins i uições, às quais exp esso minha mais p o unda g a idão.
P imei amen e, gos a ia de ag adece à minha o ien ado a, pela opo unidade,
dedicação e disponibilidade que semp e demons ou ao longo do meu pe cu so. Os seus
con ibu os o am de e as impo an es pa a a elabo ação des a disse ação.
Aos meus colegas e amigos, em especial Sa a Pe ei a, ag adeço pela colabo ação, oca
de ideias e apoio mo al. A bondade e o espí i o de coope ação o na am es e pe cu so mais le e
e en iquecedo .
Um ag adecimen o especial à minha amília, que es e e ao meu lado em odos os
momen os. Aos meus pais, po odo o amo incondicional e supo e emocional, e ao Ca los, pela
comp eensão e incen i os diá ios. Sem ocês, es a conquis a não se ia possí el.
Po im, ag adeço a odos os pa icipan es do meu es udo, cuja disposição em con ibui
com es e abalho oi undamen al pa a o desen ol imen o das minhas análises.
A odos, meu since o ob igada.
4
5
A expe iência da pe da e lu o i enciado pelos colabo ado es: Es udo de Caso
Resumo
O ema da expe iência da pe da e do lu o é de ex ema impo ância de ido ao seu
impac o signi ica i o na ida pessoal e p o issional de cada indi íduo. Nos dias de hoje,
há uma c escen e conscien ização sob e a impo ância de econhece e apoia as pessoas
que en en am um p ocesso de pe da e lu o. Apesa de exis i uma maio abe u a pa a
discu i o ema do lu o no local de abalho, apenas são sa is ei os os di ei os bu oc á icos
dos colabo ado es. Ainda há mui o a se ei o pa a melho a o supo e ao lu o no ambien e
p o issional. Des a o ma, é undamen al p omo e uma cul u a de compaixão e empa ia,
assim como p og amas de apoio onde os uncioná ios se sin am à on ade pa a
compa ilha as suas expe iências de lu o e ecebam o apoio necessá io pa a lida com
elas de manei a saudá el.
Nes e es udo, oi implemen ada uma en e is a com um conjun o de 18 pe gun as a
um g upo de 8 pessoas, de o ma a pe cebe como i encia am o p ocesso de pe da e lu o
e como isso impac ou a sua elação com o abalho e a ida em ge al. Pa a a análise das
espos as, oi u ilizada o mé odo de análise de con eúdo.
As en e is as e ela am que o lu o é um p ocesso complexo e con ínuo, que a e a
p o undamen e o bem-es a emocional e a p odu i idade no abalho. Embo a alguns
uncioná ios ejam o e o no ao abalho como um e úgio, ou os en en am desa ios
emocionais signi ica i os. O es udo ainda apon ou uma lacuna nas polí icas
o ganizacionais de supo e ao lu o, com a maio ia das emp esas o e ecendo apenas o
mínimo exigido po lei.
Pala as-cha es: Expe iências de Lu o, Bem-es a do colabo ado , Polí icas e P á icas
de Ges ão de Recu sos Humanos.
6
Abs ac
The opic o loss and g ie is c ucial due o i s signi ican impac on indi iduals'
pe sonal and p o essional li es. The e is a g owing awa eness o he need o ecognize
and suppo hose going h ough he g ie ing p ocess. Despi e he inc easing openness o
discussing g ie in he wo kplace, mos companies s ill only ul il he undamen al legal
igh s o employees, lea ing much o be done o imp o e suppo o g ie ing indi iduals
in a p o essional se ing. The e o e, i is essen ial o os e a cul u e o compassion and
empa hy alongside suppo p og ams ha allow employees o eel com o able sha ing
hei expe iences o g ie and ecei ing he necessa y suppo o cope wi h hem heal hily.
In his s udy, we conduc ed semi-s uc u ed in e iews wi h eigh indi iduals,
asking 18 ques ions. The pu pose was o gain insigh in o he p ocess o loss and g ie
wi hin he wo kplace and in li e in gene al. We used con en analysis o e alua e he
esponses.
The in e iews’ analysis showed ha g ie ing is a complex and con inuous
p ocess ha deeply impac s emo ional well-being and wo k p oduc i i y. Some
employees iew e u ning o wo k as a sou ce o com o , while o he s encoun e
signi ican emo ional hu dles. The s udy also highligh ed a lack o comp ehensi e g ie
suppo policies in o ganiza ions, as mos companies only o e he minimum suppo
manda ed by law.
Keywo ds: Expe iencing G ie , Employee well-being, Policies and P ac ices o Human
Resou ce Managemen
13
des acando a impo ância undamen al dos elacionamen os a e i os desde os p imei os
momen os da exis ência a é a ma u idade.
No que diz espei o às complexas ases que pe meiam a expe iência de pe da,
Bowlby (1998) delineou qua o e apas de eação dian e da pa ida de um en e que ido ou
de alguém p óximo. Con udo, é c ucial comp eende que essas ases não obedecem a um
pad ão uni o me em cada indi íduo, e le indo a singula idade do p ocesso de lu o. A
p imei a ase é ca ac e izada pelo en o pecimen o ou choque, mani es ando-se num
conjun o de sen imen os, com des aque pa a a ai a e pa a os sen imen os de a lição em
espos a ao e en o impac an e. Nessa ase inicial, a negação eme ge como o sen imen o
dominan e, uma de esa empo á ia con a a c uel e dolo osa ealidade que o indi íduo
en en a. Essa negação, longe de se um aumen o da is eza, se e como uma adap ação
empo á ia, cedendo espaço a uma acei ação pa cial com o empo (Küble Ross, 1996). A
segunda ase é ma cada pela ansiedade e busca pela igu a pe dida, uma jo nada
emocional que pode pe du a po meses e, po ezes, anos. Iden i ica os p óp ios
sen imen os o na-se uma a e a desa iado a, enquan o o ompimen o dos laços a e i os
essu ge com uma gama de emoções, como ai a, incon o mismo, medo, angús ia,
is eza e desalen o. O p ocesso de ansi a po essas ases do lu o exibe uma no á el
a iabilidade em e mos de elocidade e du ação, sendo mais len o e demo ado pa a
algumas pessoas. A e cei a ase ap esen a-se como um pe íodo de deso ganização e
desespe o, onde as emoções es ão num es ado de u bulência, e le indo a complexidade
in ínseca ao en en a a pe da. Po im, a qua a ase az consigo a eo ganização,
suge indo que a adap ação e a econs ução se o nam possí eis, embo a em di e en es
g aus pa a cada indi íduo. Es as ases, en elaçadas numa jo nada única e pessoal,
essal am a impo ância de econhece a indi idualidade do p ocesso de lu o.
Comp eende e acei a a a iedade de emoções i enciadas ao longo dessas e apas é
undamen al pa a uma na egação saudá el a a és da complexidade da pe da e pa a a
e en ual busca de uma eo ganização que pe mi a segui em en e.
De aco do com Küble -Ross (1998), "a mo e pode se uma das maio es
expe iências que alguém pode e . Se ocê i e bem cada dia da sua ida, não em nada
a eme ". A a és de diálogos ín imos e p o undos com pacien es e minais, a au o a
o mulou uma eo ia que ajuda a en ende os aspe os psicológicos, sociais e espi i uais do
p ocesso de mo e . Segundo Küble -Ross (1998), na ase que an ecede a mo e, pacien es
com doenças g a es e seus amilia es passam po uma sé ie de eações emocionais

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na u ais, que podem se di ididas em cinco e apas: negação ou isolamen o, ai a,
dep essão ou in e io ização, e acei ação. Segundo a au o a, essas ases ambém podem
se expe imen adas, an es e após a mo e, pelos amilia es dos pacien es e a é mesmo
pelos p o issionais de saúde, humanizando ambém essas elações a e i as. Assim, a
au o a demons ou que o lu o de e se is o po odos como um p ocesso i al e humano.
1.3- Implicações pa a a o ganização do sen imen o de pe da e lu o no local de abalho
As epe cussões do sen imen o de pe da e lu o no local de abalho são de g ande
impo ância e eque em uma a enção cuidadosa po pa e das o ganizações. Quando
exis e um memb o da equipa a en en a uma pe da signi ica i a, as dimensões
emocionais não se ocam apenas na pessoa, mas p olongam-se a é ao seu ambien e de
abalho. Nes e seguimen o, es es sen imen os pode ão in luencia a concen ação e a
espe i a capacidade de inaliza o abalho nos p azos de inidos, a e ando des e modo o
desempenho e a p odu i idade (Oc a ius & Timo ius, 2022). Na isão dos au o es Schu
e S oebe (2005), o p ocesso de ajus amen o ao lu o pode es ende -se po meses ou a é
anos, ap esen ando uma conside ação impo an e que e idencia a ensão en e as
necessidades indi iduais dos uncioná ios e os obje i os de p odu i idade da o ganização.
Os e ei os no á eis dessa emá ica podem-se mani es a a a és de uma diminuição na
concen ação, p ejudicando a capacidade de cump i p azos e conclui a e as
pon ualmen e. Nesse con ex o, S ein e Winokue (1989, ci ado po Ba clay e Kang, 2019)
suge em que as necessidades emocionais de um indi íduo enlu ado podem en a em
con li o com as me as de e iciência do local de abalho. Adicionalmen e, Hazen (2008)
a gumen a que o lu o pode aca e a pe das inancei as pa a a o ganização, uma ez que
os uncioná ios podem en en a di iculdades pa a oma decisões e man e o oco.
Enquan o as o ganizações p ecisam man e uma consciência e e i a de seus p ocessos de
abalho, impo limi es de empo igo osos que ob iguem os uncioná ios a abalha
quando es ão emocionalmen e pe u bados pode esul a em desa ios a longo p azo, como
al a o a i idade e desempenho insa is a ó io.
Pode-se conside a que a mo e e a pe da êm o po encial de impac a
signi ica i amen e o ambien e de abalho e as elações in e pessoais. Nesse sen ido,
comp eende os sen imen os daqueles que es ão enlu ados é essencial pa a o bom
uncionamen o da o ganização (Da is, 2012). O clima o ganizacional ep esen a as
expec a i as dos uncioná ios em elação à o ganização, e idenciando as in luências
mo i acionais p esen es nela, o que impac a posi i amen e na qualidade e na
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p odu i idade do abalho (Mousque , Rod igues, Sil a & Schadeck 2015). Con o me a
isão do au o Luz (2001, ci ado po Mousque , Rod igues, Sil a e Schadeck 2015), o
clima o ganizacional e le e o ní el de sa is ação ma e ial e emocional das pessoas no
ambien e de abalho. No a-se que esse clima exe ce uma p o unda in luência na
p odu i idade indi idual e, po conseguin e, na e iciência da emp esa. Po an o, é c ucial
que p omo e um ambien e que seja p opício, incen i ando mo i ação e in e esse aos
uncioná ios, além de po encializa uma elação saudá el en e es es e a emp esa. Assim,
a ges ão do clima o ganizacional o na-se de ex ema impo ância pa a cul i a a
mo i ação dos uncioná ios, esul ando em maio p odu i idade na o ganização, is o que
sen imen os posi i os con ibuem pa a ações mais e icazes.
Nes e seguimen o, é no ó io a p esença de di e sos sen imen os nega i os quando
associados à p esença de pe da, ais como is eza e ai a, e que podem in luencia as
elações in e pessoais no abalho. Dessa o am, o na-se impo an e es abelece uma
cul u a e clima o ganizacionais que incen i em o apoio mú uo en e colegas, o necendo
ecu sos pa a os colabo ado es que passem po esses sen imen os. Con o me Cha les
(2009), ecomendou que odos os líde es, ges o es de linha e colegas ou ou os
uncioná ios ossem capaci ados pa a o e ece supo e às pessoas enlu adas, des acando
que esse apoio de e á se o necido po pessoas comuns e não apenas po especialis as.
2- A impo ância do con ex o abalho pa a o indi íduo
2.1- A sa is ação e bem-es a emocional no abalho
O modelo mul idimensional de Fishe (2014) suge e que o bem-es a no abalho é
compos o po ês dimensões: subje i o, eudemónico e social. O bem-es a subje i o
inclui sa is ação, a i udes como o comp ome imen o o ganizacional, a e os posi i os e
nega i os. O bem-es a eudemónico en ol e concei os como en ol imen o, p ospe idade
e signi icado no abalho. Já o bem-es a social e e e-se à sa is ação nas elações sociais
com colegas e líde es, supo e social, e sen imen os de pe ence den o da o ganização.
O bem-es a subje i o en ol e an o julgamen os posi i os de a i ude quan o a
expe iência de a e os, sejam eles posi i os ou nega i os. No con ex o do abalho, cada
um desses elemen os pode se abo dado de manei a dis in a, conside ando an o a
sa is ação e o comp ome imen o como as emoções posi i as e nega i as que os indi íduos
expe imen am no ambien e labo al (Fishe , 2014). É amplamen e econhecido que o bem-
es a subje i o (BES) consis e em ês componen es p incipais, con o me indicado po
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Diene (1984), a expe iência equen e de emoções posi i as, a expe iência pouco
equen e de emoções nega i as e a aliações cogni i as posi i as elacionadas à
sa is ação com a ida. Fishe (2014), ambém en a iza que in e enções pa a melho a o
bem-es a subje i o de em oca an o na edução das emoções nega i as quan o no
aumen o das emoções posi i as e na melho ia da sa is ação com a ida. Já o bem-es a
eudemónico, os ilóso os de endem que é essencial, en a izando uma ida com p opósi o,
além do p aze imedia o. As abo dagens eudemónicas es ão associadas à sa is ação de
necessidades humanas undamen ais, como compe ência, au onomia, elacionamen os e
au oacei ação. Elas se concen am no c escimen o pessoal, na busca de um p opósi o, no
signi icado da ida, na ealização de obje i os alinhados com os p óp ios alo es, na
au oa ualização e no desen ol imen o da i ude (Sheldon & Ellio , 1999; Wa , 2007
ci ado po Fishe ). Na isão dos au o es Baumeis e e Lea y (1995) e idenciam a
impo ância c ucial das elações sociais pa a o bem-es a humano. Eles concluí am que
as pessoas p ecisam de in e ações equen es den o de elacionamen os es á eis, nos
quais haja ecip ocidade de cuidados, ou seja, da e ecebe apoio emocional. O supo e
social é undamen al pa a o bem-es a social, pois c ia uma ede de segu ança emocional,
p á ica e in o ma i a. Essa ede ajuda as pessoas a en en a em os s esses e desa ios da
ida co idiana (Uchino, 2004). Em ou as pala as, con a com amigos, amilia es e
comunidades que nos apoiam o na mais ácil lida com as di iculdades, po que sabemos
que não es amos sozinhos ou isolados. Essas conexões o e ecem-nos con o o emocional,
conselhos ú eis e assis ência p á ica quando mais p ecisamos, o alecendo nossa
capacidade de supe a obs áculos e melho ando nossa qualidade de ida.
De aco do com a isão de Sil a (1998, ci ado po Cunha e a.l, 2016), a sa is ação
no abalho consis e numa emoção posi i a de bem-es a , sendo que es a in luência an o
o indi íduo como a o ganização. Assim, o que é i enciado num con ex o de abalho
pode condiciona o indi íduo o a ou den o do mesmo, e ice- e sa (Pí es, 2020). Nes a
linha de pensamen o, pa a a maio ia das pessoas, não exis e um in e alo g ande de empo
du an e o qual possam ica a as adas do seu abalho, pois não podem abdica des e pa a
so e em uma pe da. Des a o ma, o eg esso ao abalho pode se ma cado
maio i a iamen e pelo silêncio dos ou os, ou exigências p óp ias pa a ecupe a o a aso
no abalho, não exis indo ajudas necessá ias pa a al. O p óp io abalho pode impac a
a capacidade de en ol e e in e essa um indi íduo que es eja em p ocesso de lu o, sendo
que o lu o pode passa despe cebido ou se mal in e p e ado pelos ou os (Hazen, 2008).
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No con ex o labo al, um ges o de e possui a capacidade de c ia um ambien e
a o á el, de manei a que o mesmo possibili e o econhecimen o e ap o ei amen o das
capacidades emocionais dos seus colabo ado es, de o ma a i a p o ei o pa a a
o ganização (Goleman, 2002). Apesa do mencionado an e io men e, exis e um conjun o
de a o es que podem in luencia a elação en e colabo ado es e o seu ges o , apelidado
de ambien e emocional, ou seja, o sen imen o pa ilhado po odos num con ex o labo al.
Nes e seguimen o, es e a o pode induzi os planos e p ocessos da o ganização, dos
es ilos de lide ança, do ní el de con iança, assim como, da in eg idade e mo i ação dos
seus colabo ado es. Nes a pe spe i a, a elação en e ges o e colabo ado é undamen al
pa a desen ol e um ínculo es á el e saudá el. Nes a isão, o desen ol imen o de
líde es e icazes, com as compe ências necessá ias pa a en en a adequadamen e os
desa ios o ganizacionais, em sido um desa io pa a as o ganizações, de aco do com
Amagoh (2009). Des a o ma, um líde de e á consegui alinha os in e esses indi iduais
com os in e esses ge ais e es a égicos da emp esa (Minello, 2015). Num es udo
desen ol ido po Cha les-Edwa d (2009), Louise, ge en e de um depa amen o de
sinis os, solici ou ajuda ao depa amen o de RH, após a ágica mo e do bebê de seis
meses de Da en, um memb o da sua equipa. O depa amen o de RH, in imidado pela
si uação, pediu ajuda ao au o . Du an e a ausência de Da en em licença, o au o ajudou
Louise a con ola a sua ansiedade e a lida com a ca ga emocional sen ida pela agédia
en e os memb os da equipa, o necendo-lhe eedback’s posi i os. Eles conco da am em
ealiza um plano de ação, incluindo euniões em pequenos g upos com os colegas de
Da en pa a exp essa em suas p eocupações e p epa a em-se pa a seu e o no. Nas
euniões, os colegas de Da en compa ilha am suas emoções e pe cebe am que mui os
sen iam o mesmo, apesa de não e em con e sado sob e isso an es, de ce a o ma,
encon a am alí io em pode pa ilha as suas p eocupações. Es e es udo e le iu a
equência com que colegas de abalho, que a é en ão se comunica am de manei a
ela i amen e ácil e abe a, subi amen e descob em que não êm ce eza se de em, ou
como, ala uns com os ou os quando um deles é sujei o a uma pe da signi ica i a. De
o ma a e i a es e ipo de silêncio das emoções, os ges o es necessi am de se
su icien emen e ins uídos a ní el emocional pa a comp eende que um colega enlu ado
pode passa po ases mais dep imen es e e aídas. Po ezes, os sen imen os podem
bo bulha de o ma esmagado a (Cha les-Edwa d, 2009). O papel da lide ança pode se
assim mui o impo an e na o ma como são ge idos os p ocessos de lu o den o da
o ganização, enquan o elemen o undamen al de apoio.
18
2.2 - A complexidade da dualidade T abalho- amília in luencia o p ocesso de bem-es a
no colabo ado .
O concei o de bem-es a pode se comp eendido a a és da a iedade de
con en amen os ou descon en amen os em di e en es á eas da ida, incluindo aspe os não
elacionados ao abalho, como ida social, amilia , laze e c enças; além das á ias
dimensões de sa is ação no abalho, como a equidade de salá io, opo unidades de
p og essão na ca ei a, a p óp ia na u eza do abalho, elacionamen os com colegas de
abalho e saúde ge al (Danna & G i in, 1999). O bem-es a no ambien e de abalho
pode se compos o po ês elemen os undamen ais: sa is ação no abalho, en ol imen o
com as a e as e comp ome imen o o ganizacional a e i o (Siquei a & Pado am, 2008;
Siquei a, O engo, & Pei ó, 2014). Es e bem-es a pode se comp eendido a a és de uma
pe spe i a psicológica, que engloba um es ado men al posi i o ca ac e izado pela
in e ação dos ês elemen os mencionados an e io men e, esul ando numa ligação
emocional posi i a (Siquei a, O engo, & Pei ó, 2014). Esse es ado men al possibili a que
o colabo ado expe imen e momen os nos quais i encia sen imen os posi i os
o iginados po aspe os do ambien e de abalho (sa is ação), pela sensação de ha monia
en e as exigências da o ganização e as suas compe ências p o issionais (en ol imen o
com o abalho) e pelos sen imen os posi i os em elação à o ganização onde abalha
(comp ome imen o o ganizacional a e i o) (Siquei a, O engo, & Pei ó, 2014).
As p imei as o mulações basea am-se na eo ia da segmen ação (Edwa ds &
Ro hba d, 2000; F one, 2003), que ia o abalho e a amília como es e as ela i amen e
sepa adas e independen es. Segundo es a pe spe i a, se ia possí el que os indi íduos
man i essem essas duas á eas de suas idas apa adas, sem que uma in luenciasse a ou a
signi ica i amen e. Nas úl imas décadas, oco e am mudanças econômicas e sociais
signi ica i as, como: globalização e di e si icação do me cado de abalho, com no os
ipos de con a os e mobilidade geog á ica; aumen o da pa icipação eminina no me cado
de abalho; su gimen o de no as es u u as amilia es, como amílias monopa en ais e
ees u u adas; en elhecimen o populacional c escen e e po im, mudanças nos alo es
indi iduais, com maio ên ase na qualidade de ida e no bem-es a (Amo im, 2013).
Há mui as abo dagens do concei o de in e ace abalho- amília e á ios au o es
explicam-no de di e en es manei as. Edwa ds e Ro hba d (2000) p opuse am cinco
mecanismos de conexão en e essas es e as; sendo elas: a segmen ação (manu enção de

19
uma sepa ação en e abalho e amília), cong uência (simila idade en e as duas á eas
in luenciada po a o es ex e nos), spillo e ( ansbo damen o de expe iências en e
es e as), escassez de ecu sos (limi ações de empo e ene gia) e con li o abalho- amília
(di iculdades em equilib a as exigências de ambos os domínios). Es udos pos e io es
suge i am que a elação en e abalho e amília em uma dimensão nega i a, posi i a e
in eg a i a (Ca lson & G zywacz, 2008).. A isão nega i a des aca os con li os e ensões
en e essas es e as, a posi i a en oca os bene ícios e sine gias que podem su gi , enquan o
a pe spe i a in eg a i a conside a que essas á eas podem coexis i de o ma equilib ada,
com in e ações an o posi i as quan o nega i as. A pe spe i a mais analisada na li e a u a
sob e a elação abalho- amília é a nega i a, cujo concei o cen al é o con li o abalho-
amília (CTF). Inicialmen e, o CTF e a is o como unidi ecional, ocado na in luência do
abalho sob e a amília (G eenhaus & Beu ell, 1985). Hoje, en ende-se que o con li o é
bidi ecional, en ol endo an o a in e e ência do abalho na amília quan o da amília no
abalho (Fiksenbaum, 2014). Isso pe mi e uma isão mais ampla da o ma como as
esponsabilidades em uma á ea podem p ejudica o desempenho na ou a.
G eenhaus e Beu ell (1985) iden i icam ês o mas de con li o abalho- amília:
1. Con li o baseado no empo: Oco e quando o empo gas o em um con ex o
( abalho ou amília) in e e e no ou o, como longas ho as de abalho
di icul ando a pa icipação amilia .
2. Con li o baseado na ensão: Su ge quando o s esse de um con ex o p ejudica o
desempenho no ou o, como s esse no abalho a e a o ambien e amilia .
3. Con li o baseado no compo amen o: Acon ece quando os compo amen os
necessá ios em um con ex o são inadequados ou incompa í eis no ou o.
G eenhaus & Powell (2006) de inem a acili ação abalho- amília como o g au em
que um papel melho a o desempenho no ou o. Nesse con ex o, su gem os concei os de
en iquecimen o, ans e ência posi i a e po enciação. A ans e ência posi i a e e e-se à
passagem de compe ências, alo es e compo amen os de um domínio pa a ou o,
o nando-os mais semelhan es. Já a po enciação en ol e a u ilização de ecu sos e
expe iências adqui idos em um domínio pa a lida com as exigências do ou o, pe mi indo
que habilidades e conhecimen os desen ol idos no abalho ou na amília sejam aplicados
em ambas as á eas. Assim como no con li o abalho- amília, o impac o posi i o dessa
elação ambém pode se bidi ecional (F one, 2003; G eenhaus & Powell, 2006). Isso
20
signi ica que o desempenho nos papéis amilia es pode bene icia os papéis p o issionais
( amília- acili a- abalho) e, da mesma o ma, as expe iências e ecu sos adqui idos no
ambien e de abalho podem in luencia posi i amen e o ambien e amilia ( abalho-
acili a- amília).
As o ganizações ambém bene iciam na medida em que podem ob e colabo ado es
mais sa is ei os e comp ome idos, que ealizam o seu abalho de o ma mais p odu i a,
ac escen ando alo à o ganização (Chiuzi, Siquei a & Ma ins, 2012). De igual o ma, o
comp ome imen o o ganizacional é uma a i ude de abalho equen emen e a aliada,
sendo di idido em dois ipos como o comp ome imen o no ma i o, que e le e a
iden i icação pessoal com os obje i os e alo es da o ganização, e o comp ome imen o
a e i o, que en ol e o sen imen o de pe ence à " amília" o ganizacional. Esses ipos de
comp ome imen o êm nuances a e i as, que podem se componen es impo an es pa a o
bem-es a no abalho, uma ez que in luenciam di e amen e a sa is ação e o
en ol imen o do uncioná io com a o ganização. Logo, a pe ceção que o indi íduo e a
equipa possuem sob e a o ma como a o ganização p omo e o bem-es a , assim como as
expe iências de bem-es a no ambien e labo al, a o ecem que os abalhado es pe cebam
posi i amen e o seu desempenho na o ganização ( Fogaça, 2018).
Há indícios que as polí icas e p á icas di ecionadas à melho ia do bem-es a subje i o
dos uncioná ios podem aumen a o desempenho no local de abalho e p omo e o
c escimen o económico, embo a exis am poucas e idências empí icas pa a sus en a essa
ideia (B yson, Fo h, & S okes, 2017). O apoio amilia dos colabo ado es é c ucial pa a
lida com os desa ios no abalho, e é impo an e que a o ganização comp eenda as suas
ques ões amilia es, p opo cionando-lhes a anquilidade e apoio necessá ios pa a lida
com p oblemas pessoais (Feijó e al., 2017). Con o me Feijó (2017), o ambien e de
labo al a ual pede uma isão mais humana abalhado . Es e não é apenas uma peça do
p ocesso p odu i o, mas uma pessoa com ida, sen imen os, desa ios e conquis as que
ão além do esc i ó io. Esses aspe os pessoais e le em di e amen e no seu en ol imen o
com o abalho e na sua dedicação à emp esa. Reconhece essas es e as da ida do
abalhado , como suas di iculdades e iun os, é undamen al pa a en ende seu
e dadei o comp ome imen o e p omo e um ambien e mais empá ico e colabo a i o
O p ocesso de cuida consis e numa esponsabilidade in ansmissí el,
pa icula men e no que se e e e ao papel dos líde es e ges o es de Recu sos Humanos de
uma emp esa. Des e modo, o na-se undamen al, pa a a ges ão de ecu sos humanos não
21
banaliza os p ocessos lu o i enciados pelos colabo ado es, de o ma a a a odos os
indi íduos com a dignidade que es e p ocesso p ecisa.
3- Desa ios pa a a GRH no p ocesso de lu o dos seus colabo ado es
To na-se de ácil en endimen o que odos os colabo ado es são essenciais pa a o
sucesso de uma o ganização, e assim, odos de em es a comp ome idos e en ol idos na
p omoção do bem-es a o ganizacional. O p ocesso de cuida consis e numa
esponsabilidade in ansmissí el, pa icula men e no que se e e e ao papel dos líde es e
ges o es de Recu sos Humanos de uma emp esa. Des e modo, o na-se undamen al, pa a
a ges ão de ecu sos humanos não banaliza dos p ocessos lu o i enciados pelos
colabo ado es, de o ma a a a odos os indi íduos com a dignidade que es e p ocesso
p ecisa.
3.1- Lu o no abalho e pa adoxo da empa ia-e iciência
De aco do com a isão de Pa kes (2009), o lu o pode se designado po uma
exp essão de descon en amen o pela pe da de alguém ou de algo, concei uado como
essencial. Nes a medida, é possí el des aca a p esença de duas pe sonagens, sendo uma
delas a que é pe dida, e a ou a, a que lamen a a pe da. Po sua ez, as o ganizações
possuem um alo undamen al na ida dos indi íduos, como e e ido an e io men e,
sendo que es es passam a maio pa e do empo da sua ida em con ex o labo al.
Conside ando es e a o e a impo ância dada pelas pessoas ao abalho, as elações
pessoais es abelecidas podem consis i em a o es acili ado es no p ocesso de lu o
(Ma as, 2016). Em consonância, Hazen (2009) abo da a ele ância que o local de
abalho em na cu a no p ocesso de lu o. No en an o, é possí el e e i que as
o ganizações e os seu líde es não se encon am de idamen e o mados pa a lida com um
p ocesso de lu o dos seus colabo ado es, sendo po ezes pouco empá icos no que se
e e e à do causadas pelo lu o. Mazo a (2009, ci ado po Cibele Ma as, 2016),
menciona a impo ância de econhece mos o ipo de elação es abelecida en e o enlu ado
e a ida pe dida. Nes a mesma isão, apon a que pode exis i mais do que uma elação
que impac e de o ma nega i a a ida de um enlu ado, conside ando que es e p ocesso
en ol e mais do que uma pe da, às quais se designa po pe das secundá ias. Es as pe das
podem a e a de o ma nega i a os ou os p ocessos sociais do indi iduo enlu ado, seja
pela pe da de papéis sociais, da condição inancei a, seja pela al a de p odu i idade e
e iciência na o ganização, en e ou os.
22
No que se e e e à isão de Kano (2004), o p ocesso de empa ia e compaixão
pode se e le ido a a és de ês subp ocessos, sendo o p imei o conside ado o p ocesso
indi idual do so imen o do colabo ado , o segundo ep esen a a exp essão e pa ilha da
p eocupação empá ica pela o ganização, e po im, as espos as ao so imen o de o ma
cole i a, po meio de p á icas que p omo am a emoção e minimização do so imen o.
Nomeadamen e, a a és de o mações de in eligência emocional, de supo e psicológico
na emp esa a a és de médicos ce i icados pa a al. Pesquisas an e io es des acam que a
capacidade de se conec a com ou as pessoas enlu adas e ecebe empa ia são dois dos
meios de apoio mais aliosos (Dy eg o , 2004). O pe íodo pós-lu o, que en ol e a ida,
o abalho e as habilidades de en en amen o, en a iza a impo ância de uma abo dagem
de apoio indi idualizada pa a ajuda os enlu ados em suas a e as diá ias, no au ocuidado
e na capacidade de desempenha suas unções (Case a, Lund & Ob ay 2004). Conside a-
se pa icula men e impo an e que as pessoas na o ganização esponsá eis po o nece
apoio enham uma comp eensão básica das ques ões de lu o e saibam onde encon a
ou os ecu sos ú eis o a da emp esa. Faz sen ido iden i ica alguém, in e na ou
ex e namen e, que enha conhecimen o e consciência su icien es pa a ajuda a ga an i
que a compe ência da emp esa nessa á ea seja adequada. Exis em á ios ipos de apoios
que podem auxilia um abalhado nes e p ocesso, nomeadamen e:
• Coaching ou o mação de indi íduos em pequenos g upos cha es na
emp esa, como RH e ges o es;
• Men o ia de cu o p azo pa a ges o es e especialis as de RH;
• Aconselhamen o e apoio ao pessoal e ao seu ges o , indi idualmen e ou
em pequenos g upos.
En ende o ipo de apoio conside ado bené ico po um uncioná io em lu o, assim
como o impac o do lu o nas exigências do ambien e de abalho, pode ajuda os líde es a
desen ol e p ocessos que auxiliem no planeamen o e na o ien ação de um supo e
posi i o pa a uncioná ios com so imen o men al (Flux, Hasse & Callanan, 2020). Um
es udo desen ol ido pelos au o es Flux, Hasse e Callanan (2020), con emplando com
qua en a e cinco indi íduos de odo o Reino Unido, e elou que os pa icipan es
deseja am que seus ges o es econhecessem seu lu o e suas eações ao lu o. Alguns
pa icipan es no a am que a polí ica pad ão de licença médica oi aplicada sem econhece
os desa ios que en en a am. Nesse sen ido, os indi íduos sen i am que hou e pouca
compaixão demons ada e pouco es o ço po pa e de seus ges o es pa a en ende
29
5. Discussão e Análise de esul ados
Nes e capí ulo, são analisados e in e p e ados os esul ados ob idos du an e o p ocesso
de en e is as, elacionando-os com a li e a u a exis en e e a aliando as suas implicações
eó icas e p á icas. Em seguida, discu e-se as possí eis explicações pa a esses esul ados,
conside ando a iá eis in e enien es, limi ações do es udo e po enciais ieses. Po im,
explo am-se as implicações dos esul ados pa a a p á ica, a eo ia e u u as pesquisas.
Nes a e apa, os emas das en e is as o am di ididos em sub í ulos pa a ap esen a
uma es u u a mais o ganizada e de ácil comp eensão:
Temas a analisa das en e is as
Signi icados a ibuídos ao Lu o e a Expe iência da Pe da
A Expe iência de Re oma o T abalho
A pe ceção sob e o apoio o ganizacional na expe iência de lu o
Tabela 2: Temas a analisa das en e is as (desen ol ido pela au o a)
5.1- Signi icados a ibuídos ao Lu o e a Expe iência da Pe da
Comp eende como cada en e is ado de inia o lu o oi o p imei o passo. Es e passo
inicial oi undamen al pa a comp eende como cada pa icipan e in e p e a e expe iência
o concei o de lu o, pe mi indo uma análise mais ap o undada e con ex ualizada das
espos as subsequen es. Des a o ma, após análise de alhada das espos as de cada
pa icipan e, oi possí el des aca que a pala a “lu o” co esponde, segundo o E2:
“signi ica ul apassa um momen o menos posi i o na nossa de ida…uma do di ícil”.
O lu o co esponde a um sen imen o de do pela pe de alguém.
Já o E1 e e e que o “lu o” co esponde a uma “do cons an e”. De igual o ma, o E8
a i ma que pa a ele o lu o “… ep esen a uma do cons an e, um azio du adou o”. As
ases e le em uma pe ceção pessoal do lu o como um es ado con ínuo de in ospeção e
alo ização da ida. Os en e is ados suge em que o lu o não em um empo de e minado
e que, embo a a do inicial possa se mais in ensa, ela pe sis e de o ma menos aguda ao
longo do empo. Es e comen á io en a iza a na u eza du adou a do lu o, como indica am
an e io men e os au o es Ca alcan i, Samczuk & Bon im (2013), e a mudança na
pe ceção de alo es e p io idades que pode acompanha a expe iência da pe da. Ele

30
mos a como o lu o pode in luencia p o undamen e o pensamen o e os sen imen os de
alguém sob e a ida e o que é impo an e.
No que se e e e ao E6, mencionou que “É um momen o que ninguém es á p epa ado
e não se em noção que pode á acon ece . Ao acon ece , uma pessoa “congela” e não
em uma eação de imedia o. Com a ajuda da sua ede de supo e e a ausência do en e
que ido, acaba po se da início ao p ocesso de lu o.” Nes a a i mação, oi possí el
e i ica que o en e is ado se sen iu de o ma imedia a pa alisada emocionalmen e. Esse
"congelamen o" inicial é comum, pois a men e mui as ezes em di iculdade em p ocessa
uma pe da ão signi ica i a de imedia o. Isso es á de aco do com o que mui os eó icos
do lu o a i mam, como Elisabe h Küble -Ross (1998) que iden i icou ases de negação,
choque e dú ida como eações iniciais ao lu o.
Rela i amen e à pe gun a “O que eco da mais des a expe iência?”, os en e is ados
ap esen a am pon os de is a a iados, no en an o, e idencia am ca ac e ís icas
semelhan es. Todos os en e is ados menciona am e passado po pe das de di e en es
pessoas, como amilia es e amigos, mas des aca am que a lemb ança mais ma can e oi o
momen o em que ecebe am a no ícia da pe da. O E5 mencionou que ecebeu a no ícia
do alecimen o da sua ia quando se p epa a a pa a sai pa a o seu local de abalho. Ele
mencionou que o que mais eco da oi a eação da sua mãe, que en ou em pânico.
Num es udo desen ol ido ela i amen e às mo es po Co id-19 em cuidados
palia i os (Fe nandes, Fonseca, F anco & Soa es, 2021) o núme o de mo es ge ou
sen imen os de medo, pânico, is eza e desolação, le ando a um c escimen o na
p e alência de doenças men ais. Des a o ma, a pa i des e acon ecimen o, pe de um
amilia ai mui o além de um dado es a ís ico, o nando-se essencial es abelece
es a égias de apoio adap adas às necessidades indi iduais de cada amília enlu ada. O
pânico é uma eação emocional in ensa que pode oco e quando a men e e o co po são
subi amen e con on ados com uma si uação de s esse ex emo, como a pe da de um en e
que ido. O pânico pode mani es a -se a a és de sin omas ísicos, como aumen o da
equência ca díaca, espi ação acele ada, e sensação de deso ien ação, e sin omas
men ais como pensamen os con usos e sensação de pe da de con olo.
Já na isão do E2, e e iu que icou “inc édulo… endo em con a que o caso em si, e a
de uma pessoa que e a bas an e no a...” A ase exp essa su p esa e inc edulidade dian e
31
da mo e de uma pessoa jo em, des acando a di iculdade em acei a a pe da de ido à
expec a i a de uma ida longa pela en e. A ju en ude do alecido o na o impac o
emocional mais p o undo, pois con a ia a o dem na u al da ida biológica, onde se espe a
que os jo ens i am po mui os anos. De igual o ma, o E6 a i mou que “…não
ac edi a a no que es a a a acon ece , es ando descon olada com as minhas emoções.”
A ase "não ac edi a a no que es a a a acon ece " suge e uma eação inicial de negação,
uma de esa psicológica comum desc i a po Elisabe h Küble -Ross (1998) na sua eo ia
das cinco ases do lu o. Es a ase é ma cada po um choque ou incapacidade de acei a a
ealidade da pe da, o que ge a con usão e deso ien ação emocional. Nes e sen ido,
descon olo das suas emoções é ípico do impac o emocional que o lu o az, com eações
in ensas como is eza, ai a, ou a é apa ia.
A a iação nas espos as dos en e is ados sob e as suas expe iências de pe da pode
se en endida à luz da Teo ia do Apego de John Bowlby (1998). Segundo Bowlby, a o ma
como uma pessoa lida com a pe da es á in imamen e ligada aos pad ões de apego
desen ol idos na in ância. A su p esa e inc edulidade mencionadas pelo E2 e le em a
di iculdade em acei a a mo e p ema u a, que con adiz as expec a i as no mais de ida.
Es a eação pode se pa icula men e desa iado a pa a aqueles com pad ão de apego, pois
a mo e de uma pessoa jo em in ensi ica o sen imen o de ulne abilidade.
Já no que se e e e à ques ão “Conside a que a ques ão do apego in luencia o p ocesso
de lu o?”, o E2 menciona que “…e a uma pessoa po quem nu ia um g ande apego, pois
c esci com ela, desen ol i um ínculo e um ca inho mui o g ande…”. Em consonância,
o E8 e e iu que “E a a minha pessoa a o i a, c esci com ela e cus ou-me mui o a sua
pe da.”. Tal como é e idenciado na eo ia de John Bowlby (1998), exis e uma elação
en e os laços a e i os na o mação e o seu desen ol imen o emocional, especialmen e
du an e a in ância. Os en e is ados mencionam e em nu ido um g ande apego pela
pessoa pe dida, suge indo um elacionamen o p óximo e du adou o. O a o de e c escido
com a pessoa implica que essa elação se desen ol eu ao longo de mui os anos,
e o çando o ínculo emocional pa a com a mesma. Des aca-se ainda que a u ilização da
pala a "desen ol i" indica que o ínculo não oi ins an âneo, mas cons uído ao longo
do empo. Isso suge e que hou e mui as expe iências compa ilhadas que con ibuí am
mais ainda pa a o alece essa elação. De igual o ma, o E6 indica que “Sim, o apego
in luencia o p ocesso de lu o. Quan o mais p óxima o da pessoa, mais di ícil é o
32
p ocesso de lu o”. É no ó io, uma ez mais, a eo ia de Bowbly (1998), que a i ma que o
g au de apego que emos a uma pessoa in luencia di e amen e a in ensidade do lu o.
Quan o mais o e e ín ima o a elação com o en e que ido, mais di ícil ende a se o
p ocesso de lu o. A p oximidade emocional e o ínculo a e i o o nam a pe da mais
dolo osa, já que a pessoa lida não só com a ausência ísica, mas ambém com a u u a de
laços p o undos de segu ança e supo e emocional.
Quando ques ionados sob e como eagi am à no ícia da pe da, á ios pon os de is a
o am e e idos. No que se e e e ao E1, disse que numa p imei a ase “a icha não inha
caído…”, mas que pos e io men e “de ido ao ambien e que se i ia, dás po i a pensa
mais sob e o assun o…”. Pa a es e en e is ado, inicialmen e expe imen ou uma
di iculdade em p ocessa e acei a a no ícia da pe da. Es e é um mecanismo de de esa
comum em si uações de choque e auma, onde a men e p ecisa de empo pa a
comp eende a ealidade dolo osa. Como indicado na pa e da e isão da li e a u a, a
au o a Küble Ross (1996) menciona que a ase da negação, em ez de in ensi ica a
is eza, a ua como uma adap ação empo á ia, g adualmen e pe mi indo uma acei ação
pa cial ao longo do empo.
Da mesma o ma, o E4 indicou que o seu es ado emocional oi de choque: “Eu iquei
inc édulo apenas … endo em con a que o caso em si é de uma pessoa que e a no a, po
isso achei ex emamen e chocan e.”. Nes a eação, o a o idade possuiu uma g ande
ele ância no es ado de espí i o do en e is ado. O a o de a pessoa se jo em adiciona
ou a camada de impac o, pois a mo e em ques ão pode pa ece ainda mais pe u bado a
de ido à idade da pessoa en ol ida. A eação de inc edulidade suge e uma mis u a de
emoções, como choque, pe plexidade e a é indignação dian e da injus iça pe cebida.
Rela i amen e ao E3, e e iu que en ou “...em modo de acei ação. Como a minha a ó
já es a a doen e, men almen e já es a a a p epa a -me pa a esse acon ecimen o…”.
Como é e idenciado pela au o a Küble Ross (1998), exis em ases que an ecedem a
mo e, al como é mos ada po es e en e is ado, a ase de in e io ização e acei ação.
Acei a a ealidade da doença de um en e que ido e p epa a -se emocionalmen e pa a o
ine i á el pode se uma o ma de lida com a si uação da melho manei a possí el.
Embo a seja um momen o de g ande sensibilidade, essa disposição pa a en en a a
si uação de en e pode aze uma sensação de con ole e paz in e io , ajudando a eduzi
o impac o emocional quando a pe da oco e.
33
No caso do en e is ado E7, indicou que “Quando e e i amen e comp eendi o que
inha acon ecido, a minha eação oi logo cho a na al u a”. Ao comp eende o que
ealmen e acon eceu, E7 expe imen a uma eação emocional in ensa, mani es ada pelo
cho o imedia o. Essa espos a é comum e espe ada no lu o, pois a omada de consciência
da pe da p o oca um con on o di e o com a ealidade, desencadeando emoções
p o undas como is eza, do e a é desespe o. O cho o, nes e con ex o, se e como uma
o ma de exp essão e libe ação dessas emoções con idas. É um sinal de que o indi íduo
es á a começa a p ocessa a pe da, mesmo que de o ma inicial e mui as ezes caó ica.
Küble -Ross (1996) a gumen a que a exp essão dessas emoções, incluindo o cho o, é uma
pa e na u al e necessá ia do p ocesso de lu o, pe mi indo que o indi íduo comece a
p ocessa a pe da e, e en ualmen e, a encon a um caminho pa a a acei ação.
Os en e is ados des aca am que o lu o é um p ocesso con ínuo, al como e e ido pelo
E4: “É assim…nunca e ais habi ua . Cada dia que passa pensas na pe da em si…acho
que e ais apenas men alizando e ais a anjando o mas di e en es de ul apassa .” A
mesma isão oi pa ilhada pelo E5: “Pa a mim, du an e o p ocesso de lu o ai
diminuindo a do , ais- e abs aindo com ou as coisas... ai melho ando, mas nunca
esquecemos.” À medida que o empo passa, a in ensidade da do diminui e es es
en e is ados conseguem g adualmen e dis ancia -se dos pensamen os dolo osos, mas
nunca esquecem comple amen e. Ainda, o E8 indicou que “o sen imen o de lu o pode se
compa ado como um azio cons an e… ais i endo a ida aos poucos e en as, de ce a
o ma, econs ui - e.”
O E1 ambém mencionou que a ualmen e dá mais alo às coisas que possui. O
comen á io do E1 suge e uma mudança de pe spe i a após passa po um pe íodo de lu o.
Valo iza mais as coisas que possui pode e le i um econhecimen o eno ado da
impo ância dos elacionamen os e das expe iências. Essa e lexão pode se uma espos a
na u al ao p ocesso de lu o, onde a pe da pode aze com que as pessoas ea aliem as suas
p io idades e ap eciem mais p o undamen e o que êm. De igual o ma, o E7 ela ou que
“A pa i desse momen o comecei a alo iza cada ez mais os meus amigos…as
amizades que aço pa a mim alem ou o”.
A pe da de alguém que ido a e a a ealidade como a conhecemos e como nos emos
nela, de manei a al que não se á possí el con inua da mesma o ma depois da mo e da
pessoa (Dias, Caixe a, Zubicue a & F ei as, 2022). O p ocesso de lu o não é linea e pode
34
a ia mui o de pessoa pa a pessoa, mas há pad ões comuns de mudanças que oco em ao
longo do empo:
E5: “A ní el pessoal icamos semp e com uma isão di e en e do que é a ida e a
impo ância da nossa ealidade e do ago a.”
E4: “A ní el pessoal, acho que comecei a en a ap o ei a um pouco mais a
ida…a en a ap o ei a o dia a dia.”
E3: “Em e mos pessoais, ela i izo mais as coisas... alo izo mais o momen o de
ago a.”
E6: “Consigo ambém nes e momen o da mais alo à ida pessoal do que
p o issional.”
5.2- A Expe iência de Re oma o T abalho
Quando ques ionados sob e o que sen i am ao e o na ao local de abalho, o E4
mencionou que es a a “mais a e ada, es a a de cabiz baixo…” pois o seu a ô inha
alecido a um domingo, e o en e is ado i ia e oma logo unções. No en an o, a sua
en idade labo al soube da no ícia pela mesma e indicou que pode ia ica em casa na
segunda- ei a. Sen i -se "mais a e ada" e "de cabeça baixa" é indica i o de is eza e lu o,
emoções na u ais e espe adas após a mo e de um amilia p óximo. A p on idão do
e o no ao abalho após uma pe da signi ica i a pode se ex emamen e di ícil. A
p oximidade empo al en e a mo e do a ô e o e o no ao abalho não o e ece ao
indi íduo empo su icien e pa a p ocessa a pe da e começa a ajus a -se emocionalmen e
às unções labo ais. A eação da en idade labo al, pe mi indo que o en e is ado icasse
em casa na segunda- ei a, demons a um ní el de empa ia e comp eensão. Es a espos a
é c ucial, pois como indica Cha les-Edwa d (2009), é mui o pouco p o á el que o lu o
seja uma emá ica no opo da agenda do depa amen o de ges ão de RH, ace às exigências
que ou as e en es possuem como i al pa a uma emp esa.
Es e en e is ado desc e e o e o no ao abalho do seguin e modo:
“Nos p imei os dias, andei assim um bocado em modo au omá ico e azia o
abalho mui o de o ma au omá ica…. no meu caso, po mui a pouca on ade que
inha de ol a à o ina, sen i que me ez bem pois oi um e úgio pa a mim…”

35
De igual o ma, o E6 mencionou que “⁠Sen i que não ol a a ao abalho há mui o
empo, sen i que e ia de me habi ua no amen e à o ina. Po ou o lado, sen i como
uma escapa ó ia ao que es a a a sen i …”
A suges ão de S ein e Winokue (1989), de que as necessidades emocionais de um
indi íduo enlu ado podem en a em con li o com as me as de e iciência do local de
abalho, me ece uma análise cuidadosa. Os en e is ados desc e em um pe íodo inicial
de en o pecimen o emocional, uncionando de o ma desligada da ealidade. Isso é
comum após um e en o aumá ico ou s essan e, onde a pessoa ealiza a e as diá ias
sem mui o en ol imen o emocional ou men al, como uma o ma de p o eção psicológica.
Nes e pe íodo, e segundo o desc i o po alguns en e is ados, exis iu uma esis ência
inicial ao e o no à o ina, o que é espe ado após uma g ande pe da. A al a de on ade
demons a a di iculdade em ol a à no malidade após um pe íodo de lu o. Apesa da
esis ência inicial, o e o no à o ina é pe cebido como bené ico. A o ina do abalho
se e como um e úgio, p opo cionando uma sensação de no malidade e dis ação das
emoções in ensas.
E3: “Exe ces o eu abalho mui o de o ma au omá ico... de ce a o ma, começas a
en a oca - e mais no abalho de o ma a dis ai . No en an o, oi possí el e i ica que
se o nou um e úgio pa a mim.”
Rela i amen e ao E5 “nos p imei os empos andei de uma o ma ins á el…”, nes a
ase é demons ada uma eação comum após uma pe da signi ica i a, onde a pessoa
expe imen a um pe íodo de ins abilidade emocional. Isso pode inclui di iculdades de
concen ação, al e ações de humo e uma sensação ge al de deso ien ação. É uma espos a
na u al ao lu o ou auma, e le indo a di iculdade em man e a o ina habi ual. Tal como
é desc i o no es udo de Küble -Ross (1998), algumas das ases de eação ao lu o passam
pela negação e a ai a. Es as eações suge em que a negação é uma eação de choque e
desc ença. As pessoas podem ecusa -se a acei a a ealidade da pe da, o que unciona
como um mecanismo de de esa. A ai a su ge quando a ealidade da pe da começa a
es abelece -se. É uma exp essão da do e da us ação de se sen i impo en e dian e da
si uação.
Quando ques ionados sob e como a sua p odu i idade inha sido a e ada, o E1
espondeu que: “nesse dia, ob iamen e ui em mau es ado…, mas pensei, bem ou
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abalha pa a en a abs ai -me…, no en an o, não esul ou, en ei abalha na pa e
da manhã e na pa e da a de já não consegui ol a …” A concen ação e a capacidade
de ealiza a e as o am p ejudicadas, e idenciando que a do emocional e o impac o
men al do lu o podem se ão in ensos que di icul am o uncionamen o diá io. S oebe e
Schu (2016), suge em que em ci cuns âncias no mais um abalho exigen e pode se
acilmen e adminis á el, no en an o, quando se mis u a sen imen os de do e lu o, es e
pode o na -se a assalado pa a o indi íduo:
E8: “Reg essei ao abalho, mas a minha men e não es a a ali, inha icado em
casa…”
Da mesma manei a, o E5 indicou que: “o meu desempenho de ce a o ma oi a e ado,
comecei a ica com mui a pouca paciência... al ez, deixei de es a ão disponí el pa a
elas [as pessoas no abalho].” A edução da paciência pode e le ado a in e ações
menos posi i as com colegas e clien es, a e ando o ambien e de abalho e a colabo ação.
Meno disponibilidade pa a os ou os pode e p ejudicado a comunicação e o supo e
mú uo no ambien e de abalho.
Ainda, o E6 a i mou que “Inicialmen e a e ou as endas, pois du an e os p imei os
dias não i e a mesma pe o mance. O comen á io e le e como o lu o pode impac a
di e amen e o desempenho p o issional, especialmen e em abalhos que exigem al a
pe o mance, como endas. Nos p imei os dias após a pe da, é comum que a pessoa enha
di iculdades em man e o oco e a mo i ação, de ido à ca ga emocional e ao s ess que
acompanham o lu o. De aco do com a isão dos au o es Gonçal es, Pin o, San os & Sousa
(2021), an o o abalho quan o a amília êm a capacidade de se in luencia mu uamen e.
Nesse sen ido, oi possí el iden i ica a oco ência de um con li o abalho- amília, como
desc i o po Edwa ds e Ro hba d (2000), que se e e e às di iculdades de equilib a ambos
os domínios. Esse con li o pode su gi quando as exigências amilia es a e am a
capacidade de cump i as ob igações p o issionais, esul ando em ensão e s ess em
ambas as á eas.
No caso do E4, es e e idenciou um pon o de is a di e en e, e e indo que: “A ní el de
p odu i idade, sin o que não in luenciou… não abalou a p odu i idade, pois en ei oca -
me mais naquilo que es a a a aze no momen o.” Demons a que, apesa do impac o
emocional do lu o, a p odu i idade pode se man ida, indica um al o ní el de esiliência.
37
De igual o ma, o E7 desc e eu que “Enquan o pe o mance não sin o que a e ou po que
ambém u ilizei o abalho um bocadinho como escape. A e ou-me mais nos momen os de
pausa ou o a do abalho. A na a i a de E7 suge e que, apesa das di iculdades
en en adas, o impac o emocional ou psicológico não in e e iu signi ica i amen e no
desempenho no abalho. Pelo con á io, o abalho oi u ilizado como uma o ma de
escape, ajudando a lida com as si uações di íceis.
De aco do com Cha les-Edwa d (2009), o apoio necessá io pode depende das
ci cuns âncias indi iduais das pessoas a e adas, is o é, pa a alguns o abalho pode se
uma on e de dis ação do domínio do lu o em casa. Na en e is a com o E1, es e indicou
que: “dos ou os colegas, o que ecebi oi simplesmen e uma pala a amiga…como po
exemplo “ o ça” e não se alonga am mui o…”. Aqui oi possí el obse a que os colegas
de equipa do indi íduo e idencia am compaixão pelo enlu ado. A demons ação de
compaixão con o me mencionado an e io men e po Choi e al. (2016), pode se
impo an e nes e p ocesso. Pa a o enlu ado, essas in e ações podem se is as como
insensí eis ou insu icien es, apesa das boas in enções dos colegas. A do da pe da pode
aze com que o enlu ado deseje um ipo de apoio mais empá ico e comp eensi o, que á
além de pala as de enco ajamen o. A o ma como os colegas e a o ganização abo dam o
lu o pode e le i a cul u a o ganizacional em elação ao bem-es a dos uncioná ios
(Cha les-Edwa d, 2009). As emp esas que p omo em uma cul u a de apoio emocional e
comp eensão podem ajuda os uncioná ios a lida melho com o lu o e a ecupe ação
emocional.
De igual o ma, o E6 mencionou que “⁠ Sim, sen i-me apoiada. Liguei à minha
che ia o a de ho as a menciona o que inha acon ecido e deu-me mui a o ça. Recebi
uma mensagem dela mui o que ida. Com os colegas, udo co eu bem”. O comen á io
e le e a impo ância de uma ede de supo e du an e o p ocesso de lu o, an o no âmbi o
p o issional quan o no pessoal. O apoio ecebido da che ia e dos colegas de abalho oi
undamen al pa a ajuda a pessoa a lida com o impac o emocional da pe da. Ao sen i -se
apoiada, a pessoa pode e uma ecupe ação emocional mais ápida e uma melho
adap ação ao lu o. A ecip ocidade de cuidados, ou seja, a oca de apoio en e as pessoas,
o alece esses laços e p omo e um maio equilíb io emocional. Esse concei o es á
in imamen e ligado às eo ias de apoio social, al como indica am os au o es Baumeis e
e Lea y (1995). Rela i amen e à a i ude da che ia di e a, oi conside ada como bas an e
38
posi i a, especialmen e ao o e ece pala as de con o o o a do ho á io de abalho,
demons ando empa ia e cuidado, o que o alece o ínculo e con iança en e ambos.
Já o E2 des acou que: “Não sen i g ande di e ença pelo seguin e mo i o, nós
abalhamos mais de o ma online e po isso não sen i g ande apoio po pa e da che ia
di e a isicamen e. No en an o, alá amos quase odos os dias de o ma i ual…e pelos
meus colegas de equipa sen i-me apoiado”. A comunicação equen e, mesmo que i ual,
é essencial. Ela mos a que a che ia e os colegas es ão cien es da si uação do enlu ado e
es ão dispos os a o e ece supo e. Isso pode ajuda a cons ui um ambien e de abalho
mais inclusi o e comp eensi o, mesmo à dis ância. Con a iamen e ao obse ado no
es udo nos Es ados Unidos de Cha les-Edwa d (2009), nes a si uação, o E2 indicou que,
mesmo de o ma i ual, sen iu-se apoiado pelos colegas de equipa a a és de mensagens
e chamadas de apoio du an e um pe íodo. Não exis iu um ambien e silencioso, mas sim
um ambien e que podemos apelida de emocional e compassi o.
De igual o ma, o E5 des acou o acompanhamen o “de mui os colegas…os mais
p óximos” e que os mesmos o nece am um omb o amigo apesa de ao mesmo empo
sabe em espei a o espaço do en e is ado. A mesma pe spe i a oi pa ilhada pelo E8:
“Sen i-me apoiada pelos mais p óximos, as suas pala as, de ce a o am
econ o an es”. O bem-es a é uma expe iência subje i a, como e e ido pelos au o es
Teh ani e al. (2007). O apoio p es ado pode a ia signi ica i amen e com base em
di e sas ci cuns âncias indi iduais e nas pe sonalidades das pessoas en ol idas (Cha les-
Edwa d, 2009). Du an e o lu o, as necessidades emocionais podem a ia amplamen e de
um momen o pa a o ou o. Sabe quando o e ece con o o e quando da espaço é c ucial
pa a p opo ciona um ambien e de apoio e icaz. O espei o pelo espaço do en e is ado
demons a, nes e caso, uma sensibilidade às necessidades indi iduais de cada pessoa em
lu o. Nem odos p ecisam do mesmo ipo ou quan idade de supo e, e a capacidade dos
colegas de pe cebe em e esponde em a essas necessidades indi iduais é um componen e
i al do apoio e icaz.
O abalho desempenha um papel c ucial na o mação da iden idade pessoal de mui as
pessoas e, consequen emen e, na manu enção do seu bem-es a e saúde men al. Segundo
Goleman (2003), é impossí el igno a as emoções no ambien e de abalho, e ep imi
essas emoções não o na os abalhado es mais p odu i os. Pa a esse au o , o que
ealmen e impo a é econhece as p óp ias emoções e sabe con olá-las. Além disso,
45
Conclusão
Baseado no que oi e idenciado ao longo des a pesquisa, o p opósi o oi p ocu a uma
solução pa a as duas ques ões iniciais p e iamen e es abelecidas. Nesse con ex o, es e
capí ulo abo da os p incipais esul ados da análise das en e is as, isando esponde ao
obje i o ge al e aos obje i os especí icos des e es udo. Du an e es a pesquisa, explo ou-
se a expe iência de pe da e lu o en e os colabo ado es, com oco na Ges ão de Recu sos
Humanos.
Pa a esponde à Ques ão de Pa ida 1 "Como a expe iência de pe da e lu o in luencia
o desempenho e bem-es a dos colabo ado es?", um dos obje i os especí icos e a explo a
a pe ceção dos pa icipan es sob e o concei o de lu o. Foi obse ado que o lu o é is o
como um p ocesso p olongado e mul i ace ado, en ol endo não apenas a do inicial da
pe da, mas ambém um ajus e con ínuo às mudanças emocionais e às no as ealidades
sem a p esença do en e que ido. De aco do com os esul ados ob idos, os pa icipan es
de ini am o lu o como:
o Cons an e;
o Um momen o menos posi i o;
o Um sen imen o de pe da de alguém que nos é impo an e.
Além disso, os pa icipan es des aca am os momen os mais ma can es das suas
expe iências de lu o, especialmen e a impac an e no ícia da pe da e as eações imedia as
que isso desencadeou. A inc edulidade dian e da mo e p ecoce de uma pessoa jo em oi
pa icula men e essal ada, sublinhando como ais e en os podem desa ia as expec a i as
no mais de ida e in ensi ica o impac o emocional do lu o. Quan o às eações indi iduais
à pe da, os en e is ados desc e e am uma a iedade de espos as emocionais, incluindo
choque, negação inicial, e um pe íodo de en o pecimen o emocional. Essas eações o am
con ex ualizadas à luz de eo ias como a Teo ia do Apego de Bowlby (1998), que des aca
como os pad ões de apego desen ol idos na in ância in luenciam a o ma como lidamos
com a pe da na ida adul a.
No que se e e e ao segundo obje i o especí ico “En ende de que o ma essa
expe iência de pe da e lu o pode in luencia o colabo ado em e mos de sa is ação e bem-
es a no abalho”, impo a ealça que a análise das en e is as e ela uma a iedade de
expe iências e pe ceções sob e o lu o en e os pa icipan es. Cada en e is ado ouxe uma

46
isão única sob e como a pe da de en es que idos a e ou as suas idas pessoais e
p o issionais. No ambien e de abalho, os en e is ados compa ilha am as suas
expe iências sob e como o lu o a e ou a sua p odu i idade e as suas elações com colegas
e che ia. Foi obse ado que o e o no ao abalho pode se i an o como um e úgio
quan o um desa io emocional, dependendo da capacidade indi idual de lida com o lu o
enquan o man êm o desempenho p o issional. A impo ância do apoio empá ico dos
colegas e da che ia oi des acada, mos ando como a espos a o ganizacional ao lu o pode
a e a signi ica i amen e o bem-es a emocional dos uncioná ios. O ambien e de abalho
pode desempenha um papel c ucial na es abilidade emocional du an e o lu o, mas, pa a
isso, é essencial que as emp esas desen ol am e implemen em polí icas de supo e
adequadas. O econhecimen o da impo ância do bem-es a emocional dos uncioná ios e
a c iação de um ambien e de abalho empá ico podem não apenas bene icia os
indi íduos enlu ados, mas ambém melho a a cul u a o ganizacional e a p odu i idade
ge al (Balla d, 2019).
Rela i amen e ao e cei o obje i o especí ico “En ende a dualidade T abalho-
Família no p ocesso de bem-es a .”, oi possí el cons a a que ao longo da análise das
en e is as, o con li o T abalho-Família es e e p esen e. Foi no á el, a p esença de algo
mais pessoal ( amília), en ol ida no con ex o social ( abalho). O con li o en e abalho
e amília é uma ques ão delicada que impac a p o undamen e an o a p odu i idade
quan o o bem-es a emocional dos uncioná ios. Quando as emp esas não man êm um
con a o di e o e não econhecem as necessidades emocionais dos seus abalhado es, essa
si uação pode se ag a a ainda mais. Suge e-se a c iação de um ambien e de abalho que
econheça e esponda adequadamen e às necessidades emocionais dos. As emp esas
de em es a a en as às ci cuns âncias pessoais dos seus abalhado es e o nece o supo e
necessá io pa a ajuda a ge i o con li o en e abalho e amília. Ao aze isso, não só
melho am a saúde men al e o bem-es a dos uncioná ios, mas ambém po encialmen e
aumen am a p odu i idade e a sa is ação no abalho.
No que se e e e à 2ª Ques ão de Pa ida “Como a ação da Ges ão de Recu sos
Humanos pode impac a o bem-es a e a p odu i idade dos colabo ado es du an e o
pe íodo de lu o?”, os en e is ados menciona am que ges os simples de empa ia,
paciência e espei o pelo espaço pessoal o am alo izados. A e icácia desse supo e
demons ou se um a o de e minan e pa a ajuda os colabo ado es a e oma em a
mo i ação e a p odu i idade. Rela i amen e ao obje i o especí ico: “Iden i ica as
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es a égias e polí icas mais e icazes da Ges ão de Recu sos Humanos pa a apoia
colabo ado es em pe íodo de lu o”, a pesquisa e elou uma lacuna nas polí icas
o ganizacionais de supo e ao lu o. Em elação às polí icas o ganizacionais de supo e ao
lu o, os pa icipan es exp essa am uma al a ge al de es u u as o mais além das
exigências mínimas legais. Essa lacuna e idenciou a necessidade de polí icas mais
ab angen es e sensí eis, capazes de o e ece supo e emocional e psicológico adequado
aos uncioná ios enlu ados.
A ação da GRH, po an o, pode e um impac o subs ancial no bem-es a e na
p odu i idade dos colabo ado es du an e o pe íodo de lu o. A implemen ação de polí icas
de apoio emocional e psicológico, bem como a p omoção de uma cul u a o ganizacional
empá ica, são essenciais pa a a ende às necessidades dos uncioná ios enlu ados.
O e ece ecu sos como acesso a aconselhamen o psicológico, maio lexibilidade de
ho á ios e supo e con ínuo pode ajuda a minimiza o impac o nega i o do lu o na ida
p o issional dos colabo ado es.
Em suma, as en e is as o nece am uma isão p o unda das complexidades do lu o e
das di e sas manei as pelas quais ele pode in luencia a ida pessoal e p o issional dos
indi íduos. Alguns en e is ados sublinha am a impo ância de polí icas o ganizacionais
sensí eis, do apoio empá ico dos colegas e da che ia, e da pe sonalização das es a égias
de supo e pa a melho a ende às necessidades indi iduais dos uncioná ios enlu ados.
3.1. Limi ações ao es udo desen ol ido e pis as u u as de in es igação
A ealização des e es udo exigiu uma ges ão cuidadosa do empo, pois concilia as
esponsabilidades p o issionais com o desen ol imen o da disse ação ap esen ou
desa ios signi ica i os. Es a limi ação pode e in luenciado o i mo da pesquisa e a
p o undidade das análises ealizadas. O lu o é um ema sensí el e mui as ezes e i ado
nas discussões, an o no ambien e de abalho quan o na sociedade em ge al. Es a
pe ceção pode e di icul ado a ob enção de espos as mais abe as e de alhadas dos
pa icipan es, bem como a disposição de algumas pessoas em pa icipa do es udo. O lu o
é uma expe iência al amen e subje i a e pessoal, a iando amplamen e de indi íduo pa a
indi íduo. Es a a iação pode o na di ícil a c iação de es a égias de apoio que sejam
uni e salmen e e icazes. A subje i idade do ema ambém pode e in luenciado as
48
espos as dos en e is ados, e le indo as suas expe iências e pe ceções indi iduais, o que
limi a a capacidade de ob e conclusões amplamen e aplicá eis.
Com base no es udo sob e a expe iência de pe da e lu o en e colabo ado es e a a uação
da Ges ão de Recu sos Humanos, há á ias di eções signi ica i as que podem se
explo adas em u u as in es igações, ocadas em aze mais comp eensão e sensibilidade
pa a o ema.
1. Reconhecimen o do Lu o In isí el: Mui as pe das não são econhecidas
o malmen e pela sociedade ou pelas polí icas de RH, como o lu o pela pe da de
um amigo p óximo, um animal de es imação ou a é mesmo a pe da de uma elação
signi ica i a. Explo a como as emp esas podem econhece e apoia esses ipos
de lu o in isí el pode ajuda a c ia um ambien e mais inclusi o e comp eensi o.
É possí el apoia -se em au o es como Doka (1989) pa a explo a melho a
emá ica. Segundo o mesmo, o concei o de "lu o não econhecido" e e e-se
àquelas pe das que, po di e sas azões, não são plenamen e admi idas ou acei as,
seja pela p óp ia pessoa que es á i endo o lu o ou pela sociedade ao seu edo .
2. Lu o e Saúde Men al: O lu o pode aze desa ios de saúde men al que a e am
p o undamen e o dia a dia no abalho. Explo a essa conexão e como a GRH pode
in e i com apoio adequado pode aze oda a di e ença na ida dos
colabo ado es, ajudando-os a na ega po momen os ão di íceis. Após a c i ica
pandemia que nos a ingiu nos úl imos empos, a saúde men al ganhou um maio
impac o e oi conside ado um ema mais ele an e. Segundo uma no ícia do Ca la
Aguia (2024), Po ugal é o 5º país da União Eu opeia com a maio p e alência
dessas doenças, com 12% da população diagnos icada com dep essão c ônica, em
compa ação com 7,2% na média da UE. Des a o ma, conside a-se impo an e
e le i como é que as o ganizações, nomeadamen e a GRH, podem auxilia na
diminuição do impac o des a doença nos colabo ado es.
3. Apoio Vi ual ao Lu o: Com o a anço do abalho emo o, é i al en ende como
a ecnologia pode se usada pa a o e ece supo e ao lu o, seja a a és de
pla a o mas de apoio online ou comunidades i uais. Isso ga an i ia que, mesmo
à dis ância, os colabo ado es se sin am acompanhados e ampa ados.
4. Di e sidade Cul u al no Lu o: Cada cul u a em o mas únicas de lida com a
pe da. Explo a como essas di e enças cul u ais a e am a i ência do lu o no
49
abalho pode ajuda a desen ol e p á icas de apoio que espei em e acolham
essas di e sas pe spe i as. Isso pe mi i ia que as emp esas ossem mais inclusi as
e compassi as em suas abo dagens. De igual o ma, cada cul u a em uma isão
única sob e o p ocesso de mo e , a ibuindo signi icados especí icos que ajudam
o g upo a in e p e a e lida com esse momen o. Mui as ezes, isso inclui o uso de
símbolos e i uais que são in eg ados como pa e do en endimen o e acei ação da
mo e (Cemin & Eins eld, 2021).
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