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O Soft Power turco na era Erdoğan: concepção, desempenho e adaptação

Author: Castro, Ana Filipa Pinto de Sousa
Year: 2025
Source: https://repositorium.uminho.pt/bitstreams/14bfa531-fd11-46db-985e-c43a8482dd5d/download
Uni e sidade do Minho
Escola de Economia e Ges ão
Ana Filipa Pin o de Sousa Cas o
O
So Powe
u co na E a E doğan:
Concepção, desempenho e adap ação
ma ço de 2025
O
So Powe
u co
na E a E doğan: Concepção, desempenho e
adap ação
Ana Filipa Pin o de Sousa Cas o
UMinho | 2025
Ana Filipa Pin o de Sousa Cas o
O
So Powe
u co na e a E doğan: concepção,
desempenho e adap ação
Disse ação de Mes ado
Mes ado em Relações In e nacionais
T abalho e e uado sob a o ien ação de
P o esso a Dou o a Lau a C is ina Fe ei a-Pe ei a
P o esso Dou o Paulo A onso B a do Dua e
ma ço de 2025
Uni e sidade do Minho
Escola de Economia e Ges ão
i
DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS
Es e é um abalho académico que pode se u ilizado po e cei os desde que espei adas as eg as e
boas p á icas in e nacionalmen e acei es, no que conce ne aos di ei os de au o e di ei os conexos.
Assim, o p esen e abalho pode se u ilizado nos e mos p e is os na licença abaixo indicada.
Caso o u ilizado necessi e de pe missão pa a pode aze um uso do abalho em condições não p e is as
no licenciamen o indicado, de e á con ac a o au o , a a és do Reposi ó iUM da Uni e sidade do Minho.
A ibuição
CC BY
h ps://c ea i ecommons.o g/licenses/by/4.0/
Ag adecimen os
Aos meus pais, ob igada pelo amo e apoio incondicional.
Aos meus amigos, po me acompanha em e pa ilha em comigo es a e apa.
Aos meus o ien ado es P o esso a Dou o a Lau a C is ina Fe ei a-Pe ei a e P o esso Dou o Paulo
A onso B a do Dua e, ob igada po oda a ajuda, paciência, pa ilha e dedicação.
E po im, a odos os que, de di e sas o mas, con ibuí am pa a a conclusão des e ciclo.
Po não e sido possí el sem o osso con ibu o, dedico- os, com oda a minha g a idão, es as páginas.

i
DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE
Decla o e a uado com in eg idade na elabo ação do p esen e abalho académico e con i mo que não
eco i à p á ica de plágio nem a qualque o ma de u ilização inde ida ou alsi icação de in o mações ou
esul ados em nenhuma das e apas conducen e à sua elabo ação.
Mais decla o que conheço e que espei ei o Código de Condu a É ica da Uni e sidade do Minho
ii
O
So Powe
u co na e a E doğan: concepção, desempenho e adap ação
Resumo
O
so powe
u co em expe ienciado um declínio ao longo da úl ima década. Embo a os es udos
exis en es o econheçam e, inclusi e, salien em o papel do
so powe
u co como ins umen o de
diplomacia cul u al e de polí ica ex e na, a e isão de li e a u a é omissa na a aliação da in luência que
da conceção do líde , que das al e ações domés icas e in e nacionais no
so powe
u co. Em i ude
des a lacuna, a p esen e disse ação p e ende esponde à seguin e pe gun a de in es igação:
De que
o ma é que a conceção e o desempenho do papel de E doğan in luencia am a e olução do so powe
u co de 2013 a 2023?.
Com e ei o, conside amos 2013 o ano de início do es udo na medida em que a
oco ência dos p o es os de Gezi e idencia am o au o i a ismo de E doğan, deneg indo a sua epu ação
an o na es e a nacional, como in e nacionalmen e, e ep esen ando um pon o de i agem na polí ica
u ca. Po sua ez, o ano de 2023 coincide com o cen ená io da República u ca, ao mesmo empo em
que assinala ce ca de duas décadas de go e nação inin e up a de E doğan. A me odologia adop ada
combina a análise de on es p imá ias - como documen os o iciais, ela ó ios e índices de
so powe
- e
secundá ias, apoiada nos p essupos os da
ole heo y
, nomeadamen e na conceção do papel, nas
expec a i as ace ao papel, na adap ação do papel e no desempenho do papel. Apesa do in es imen o
de E doğan no aumen o do núme o de embaixadas e consulados u cos, e o ço da ajuda ao
desen ol imen o, a ibuição de bolsas de es udo e ins i u os de p omoção da cul u a e língua u cas no
es angei o, en e ou os, al não se aduziu numa melho ia do
so powe
u co como co obo am os
indicado es po nós consul ados. Na p á ica, as expec a i as ex e nas ace ao desempenho do papel de
E doğan, e lec em que as inicia i as sup amencionadas não o am capazes de con a ia a insa is ação
sen ida no es angei o ace ao a as amen o dos ideais democ á icos que acompanha a consolidação do
pode po pa e do líde u co.
Pala as-cha e
A a ü k, Concepção e Desempenho, E doğan,
Role Theo y
,
So Powe ,
Tu quia
iii
Abs ac
Tu kish so powe has expe ienced a decline o e he las decade. Al hough exis ing s udies ecognise
his and e en highligh he ole o Tu kish so powe as an ins umen o cul u al diplomacy and o eign
policy, he li e a u e e iew has neglec ed he assessmen o he in luence o bo h he leade 's concep ion
and domes ic and in e na ional changes on Tu kish so powe . Gi en his gap, his disse a ion aims o
answe he ollowing esea ch ques ion: How did E doğan's concep ion and pe o mance o his ole
in luence he e olu ion o Tu kish so powe om 2013 o 2023? In ac , we conside 2013 o be he
s a ing yea o he s udy, as he Gezi p o es s highligh ed E doğan's au ho i a ianism, denig a ing his
epu a ion bo h na ionally and in e na ionally, and ep esen ing a u ning poin in Tu kish poli ics. In u n,
he yea 2023 coincides wi h he cen ena y o he Tu kish Republic, while also ma king nea ly wo
decades o E doğan's unin e up ed ule. The me hodology adop ed combines he analysis o p ima y
sou ces - such as o icial documen s, epo s and so powe indices - and seconda y sou ces, based on
he assump ions o ole heo y, namely ole concep ion, ole expec a ions, ole adap a ion and ole
pe o mance. Despi e E doğan's in es men in inc easing he numbe o Tu kish embassies and
consula es, s eng hening de elopmen aid, awa ding schola ships and ins i u es o p omo e Tu kish
cul u e and language ab oad, among o he hings, his has no ansla ed in o an imp o emen in Tu kish
so powe , as he indica o s we consul ed co obo a e. In p ac ice, ex e nal expec a ions o E doğan's
ole e lec he ac ha he a o emen ioned ini ia i es ha e no been able o coun e he dissa is ac ion
el ab oad wi h he depa u e om democ a ic ideals ha has accompanied he Tu kish leade 's
consolida ion o powe .
Keywo ds
A a ü k, Concep ion and Pe o mance, E doğan,
Role Theo y
,
So Powe ,
Tu key
ix
Índice
Resumo............................................................................................................................................. ii
Abs ac ............................................................................................................................................ iii
Lis a de Ab e ia u as ........................................................................................................................... x
1.In odução ..................................................................................................................................... 11
1.1. Desc ição e delimi ação do Tema .......................................................................................... 11
1.2. Iden i icação e ele ância da p oblemá ica ............................................................................. 12
1.3. Re isão de li e a u a .............................................................................................................. 13
1.4. Quad o eó ico ....................................................................................................................... 15
1.5. Me odologia de In es igação .................................................................................................. 18
1.6. Es u u a da disse ação ........................................................................................................ 19
2.
So Powe
e
Role Theo y
: con ex ualização e ope acionalização .................................................... 20
2.1. O
So Powe
ace aos demais componen es do pode ............................................................ 20
2.2. Os p essupos os da
Role Theo y
............................................................................................ 22
2.3. A in e dependência en e
Role Theo y
e
So Powe
................................................................ 30
3. O
So Powe
p é-E doğan: a imagem da Tu quia no Mundo .......................................................... 37
3.1. Con ex ualização his ó ica e de e minan es da polí ica ex e na u ca ....................................... 37
3.2. O
So Powe
du an e o go e no de A a ü k ............................................................................ 38
3.3. O
So Powe
du an e o go e no de Özal ............................................................................... 41
4. A E olução do
So Powe
na e a E doğan ..................................................................................... 47
4.1 A ascensão e consolidação de E doğan e do AKP no pode ..................................................... 47
4.2. A no a e a da Tu quia - o pon o de i agem ........................................................................... 54
5. Conclusão .................................................................................................................................... 62
Bibliog a ia ....................................................................................................................................... 65
16
papéis de aco do com a sua ac i idade, econhecendo que es es podem se , po ezes, con adi ó ios
(Sil a e Lab iola, 2019).
Como acima mencionado, a
ole heo y
é o mada po um conjun o de concei os,
nomeadamen e: a conceção do papel, as expec a i as ace ao papel, a adap ação do papel e o
desempenho do papel. Quan o à conceção do papel, es a ep esen a a ideia que o ac o em de si
mesmo, ou seja, o modo como es e se ê. De aco do com Hols i (1970), a conceção do papel consis e
no en endimen o que o ac o em das suas p óp ias posições e unções, bem como do compo amen o
que a elas mais se adequa. A
ole heo y
inclui a conceção do papel domés ico que co esponde às
pe ceções dos deciso es polí icos sob e a posição dos seus Es ados no sis ema in e nacional (Wish
apud
Sil a e Lab iola, 2019: 86). Es as são, em eo ia, consensuais em elação a qual de e se o papel
mani es ado pelo país na es e a in e nacional (Thies, 2015). Hols i (1970) ealizou o es udo das
concepções do papel domés ico a a és dos discu sos dos deciso es polí icos. Des e modo, a análise do
discu so é de g ande impo ância pa a a
ole heo y
.
De aco do com Pilch (2012), os discu sos dos deciso es polí icos u cos espelham as
concepções do papel domés ico da Tu quia, mais conc e amen e, o e mo Neo-O omanismo. Segundo
Aleksee ich (2018), o Neo-O omanismo é um dos p incipais concei os u ilizados pa a de ini a ac ual
polí ica ex e na u ca apesa de não se uma ideologia o icial do go e no. Es e concei o implica a ex ensão
da in luência u ca a e i ó ios izinhos, incluindo os do an igo impé io o omano a a és do
so powe
e
de melho ias a ní el económico e social. Pilch (2012) ei e a a isão de Aleksee ich (2018), indo mais
além ao a i ma que o Neo-O omanismo, apesa de cen al na polí ica ex e na u ca, é, con udo, negado
pela classe polí ica do país.
A Tu quia em indo a ede ini a sua conceção do papel domés ico, assim como a sua polí ica
ex e na pa a que es as acomodem melho as exigências da ac ual o dem in e nacional. Com a chegada
do AKP (Adale e Kalkınma Pa isi: Pa ido de Jus iça e Desen ol imen o) ao pode , a na a i a da polí ica
ex e na u ca em indo a al e a -se. As concepções do papel domés ico são “múl iplas e dinâmicas”
(Hols i, 1970: 254). Po ou as pala as, o mesmo país pode ap esen a di e sas concepções do papel
domés ico, sendo que es as podem, po sua ez, muda consoan e a necessidade do Es ado e/ou as
ci cuns âncias domés icas ou in e nacionais. Pilch (2012) iden i icou á ias conceções do papel que
pe mi em comp eende a polí ica ex e na u ca e a o ma como o país se ê a si p óp io, nomeadamen e:
líde egional, p o ec o egional, mediado -in eg ado , colabo ado dos subsis emas egional e global,
Es ado-modelo e aliado iel. Segundo o au o , as mudanças na polí ica ex e na u ca que se de am depois
da ascensão ao pode do AKP em 2002 p oduzi am no as concepções do papel domés ico e um no o

17
discu so de polí ica ex e na, o Neo-O omanismo. Os deciso es polí icos u cos são os p incipais
esponsá eis po es a mudança na conceção do papel da Tu quia. Assim, es es dão a conhece uma
de e minada imagem do país an o a ní el in e no como in e nacionalmen e. Pilch (2012) concluiu que
a u ilização da
ole heo y
se a igu a ú il no es udo da polí ica ex e na da Tu quia, nomeadamen e ao
deb uça -se sob e a conceção do papel domés ico do país.
Uma ou a componen e da
ole heo y
diz espei o às expec a i as ace ao papel. Es as consis em
em “no mas, c enças e p e e ências ela i as ao desempenho de qualque indi íduo numa posição social
em elação a indi íduos que ocupam ou as posições” (Thies, 2008:9). Po ou as pala as, no caso da
p esen e disse ação, as expec a i as ace ao papel dizem espei o às expec a i as que os ou os países
êm em elação à Tu quia.
Já a adap ação do papel conce ne e en uais mudanças quan o ao desempenho do mesmo
(Ha nisch e al., 2011). Di o de ou o modo, a adap ação do papel aduz-se na o ma como o país em
es udo (a Tu quia) adap a a isão de si mesma – o seu papel – pa a i ao encon o das expec a i as de
e cei os. Como exemplo des a adap ação do papel, apon e-se a mudança da polí ica ex e na u ca nas
suas elações com os Es ados Unidos da Amé ica (EUA). Com e ei o, a é 2013 a Tu quia dispunha de
boas elações com os EUA. No en an o, a elação en e os dois so eu um e és quando os EUA
começa am a apoia o Pa ido dos T abalhado es do Cu dis ão (PKK) na Sí ia. Tal ac o le ou a uma
adap ação na polí ica ex e na u ca, que se aduziu numa ap oximação ace à Rússia.
Po im, o desempenho do papel co esponde, segundo Ha nisch
e al.
, ao “compo amen o
polí ico do a o no con ex o social” (2011:114). Po ou as pala as, a a-se da o ma como o país
desempenha o seu papel. Po sua ez, de aco do com Hols i, o desempenho do papel domés ico é o
compo amen o da polí ica ex e na dos go e nos. Es e inclui “pad ões de a i udes, decisões, espos as,
unções e comp omissos pa a com ou os Es ados” (Hols i, 1970: 245). Des aque-se que que o
so
powe
que a
ole heo y
êm po denominado comum as dinâmicas da imagem, da pe cepção an o do
´eu’ como do `ou o´, bem como da in e dependência na in e ação en e os ac o es. A a és da análise
dos elemen os cons i u i os da
ole heo y
acima mencionados, e i icamos que es a len e concep ual
o e ece e amen as pa a comp eende o modo como o
so powe
u co in luencia as pe ceções e
expec a i as do ‘eu’ e do ‘ou o’. A
ole heo y
admi e ainda a possibilidade de adap ação de/no papel
dos Es ados, pe mi indo assim que es es a injam os seus obje i os. Es a len e concep ual espelha a
mudança e a e olução do
so powe
u co, uma ez que es e não pode se en endido como algo acabado.
Ao in és, o
so powe
es á em pe manen e mudança, p ocu ando i ao encon o simul aneamen e das
expec a i as domés icas e ex e nas. O a, al só é possí el po meio de uma len e concep ual que pe mi a
18
a coexis ência de a iá eis que se pau am po cons an e in e ação, dinamismo e in e dependência. Po
sua ez, o
so powe
u co em, ele p óp io, sido e lexo de uma busca ac i a de adap ação no con ex o
de um sis ema in e nacional igualmen e luido. Po conseguin e, em i ude das azões acima
enume adas, a u ilização da
ole heo y
a igu a-se a mais adequada no âmbi o des a disse ação pa a a
análise do
so powe
u co.
1.5. Me odologia de In es igação
Es a disse ação adop a á uma me odologia p edominan emen e quali a i a, que isa comp eende mais
do que desc e e o papel da Tu quia no a ual sis ema in e nacional. Com e ei o, comungamos do
en endimen o de que as Ciências Sociais são undamen almen e do domínio da he menêu ica, is o é, da
comp eensão do que mo e es e ou aquele ac o a agi de de e minada o ma.
Di o is o, a p esen e disse ação em po obje i o analisa a e olução do
so powe
u co de
2013 a 2023, p ocu ando pe cebe de que o ma é que a conceção e o desempenho do papel de E doğan
a in luencia am nes e pe íodo
.
A análise se á ealizada com base no ecu so a on es p imá ias,
nomeadamen e a índices de
so powe
como o So Powe Index 30, documen os o iciais e ela ó ios,
disponí eis na sua maio ia em inglês. Adicionalmen e, se ão u ilizados dados p o enien es da Agência
Tu ca de Coope ação e Coo denação (TIKA), en e ou as, com is a à comp eensão de aspec os sociais,
humani á ios, educacionais, económicos e cul u ais. Po sua ez, as on es secundá ias são compos as
po a igos de e is as cien í icas, li os e capí ulos de li os.
Segundo Nye (2004), o
so powe
de um país é suscep í el de inclui aspec os ão dis in os
como o seu his ó ico de di ei os humanos, libe dade de imp ensa, acolhimen o de e en os despo i os
in e nacionais ou o seu pa imónio cul u al. Tais dimensões se ão p i ilegiadas no âmbi o do p esen e
es udo, com is a à análise de como es as impac am o
so powe
u co.
Cabe ambém ealça o ac o de a maio pa e dos dados se em p o enien es de on es
ociden ais, como a es a, po exemplo, o indicado
So Powe 30
. Des e modo, as e e idas on es não
es ão isen as que de in e p e ações, que de alo es polí icos e cul u ais ociden alizados. No seguimen o
do aciocínio an e io , os alo es polí icos u cos podem se in e p e ados de modo dis in o, con o me o
con ex o e a cul u a em que se inse em.
Ou o en a e a es e es udo que impo a ealça consis e na al a de dados e e en es ao pe íodo
empo al ab angido pela p esen e análise. A í ulo de exemplo, o
so powe
u co e e en e aos anos de
2016 e 2018 não é englobado na análise do
The So Powe 30
uma ez que o país es a a, à da a,
classi icado o a dos 30 países com maio pon uação no
so powe
. Assim, a análise eque a u ilização
19
de ou as e amen as pa a es uda a emá ica e e en e a es es anos. Po im, cabe menciona que a
candida a não é luen e, ainda que es udiosa da língua u ca. Des e modo, es a sua lacuna linguís ica
se á compensada po meio do ecu so a ou as on es, ais como agências no iciosas u cas, bem como
a consul a de documen os o iciais aduzidos pa a inglês e di ec amen e disponibilizados pelos ó gãos
es a ais u cos.
1.6. Es u u a da disse ação
Es a disse ação es á di idida em ês capí ulos. O p imei o cen a -se-á na con ex ualização e
ope acionalização do
So Powe
e da
Role Theo y
. O segundo e o e cei o capí ulos deb uça -se-ão sob e
a e olução do
So Powe
nas e as p é-E doğan e E doğan, espec i amen e. Po im, a conclusão
esponde á à ques ão de in es igação e ap esen a á as conside ações inais.
20
2.
So Powe
e
Role Theo y
: con ex ualização e ope acionalização
2.1. O
So Powe
ace aos demais componen es do pode
De o ma a alcança mos os obje i os des e capí ulo, começamos po de ini o pode . De seguida,
ca ac e izamos o concei o de
so powe
, dis inguindo-o de ou os ipos de pode , nomeadamen e o
ha d
powe , o sha p powe e o sma powe
. Depois, ap esen a emos e explica emos os p essupos os da
eo ia que se e de e amen a de análise pa a o p esen e es udo: a
ole heo y.
E, po im, analisa emos
a in e dependência en e
so powe
e
ole heo y
, p ocedendo, igualmen e, à ope acionalização das
a iá eis daí p o enien es.
O concei o de pode é, ce amen e, um dos concei os mais impo an es das Relações
In e nacionais (RI). Tan o os deba es como as eo ias que cons i uem a disciplina de RI, a lo am em o no
des e concei o (Ka iani, 2017). Con udo, a sua de inição não é al o de consenso en e os académicos
(D ezne , 2021). Po exemplo, pa a Ba ne e Du all (2005), o pode aduz-se na capacidade de “um
ac o con ola o ou o pa a que es e aça o que de ou a manei a não a ia” (2005: 39). Nes e sen ido,
é pe cep í el que a de inição dos au o es con e ge com o en endimen o clássico de Dahl, pa a quem “A
em pode sob e B na medida em que ele pode le a B a aze algo que es e não a ia de ou a o ma”
(1957: 202-203).
Des a manei a, e como e o çam Ba ne e Du all (2005), embo a a de inição de pode
enunciada seja impo an e, es a p imazia concep ual a ibuída pela disciplina de RI negligencia ou as
o mas de pode . Po es a azão, os au o es de endem a u ilização de múl iplos concei os de pode .
Como al, passa emos a analisa os concei os de pode mais impo an es pa a o p esen e es udo,
nomeadamen e o
so powe
, o
ha d powe , o sma powe
e
o sha p powe
.
No que conce ne ao
so powe ,
es e concei o oi inicialmen e in oduzido po Joseph Nye com
a ob a
Bound o Lead: The Changing Na u e o Ame ican Powe
, publicada em 1990. De aco do com
Nye, o
so powe
é a capacidade de in luencia e cei os com is a a ob e os esul ados que se deseja
a a és da a acção em ez da coe ção ou pagamen o (2008: 94). Nye (2004) admi e que o
so powe
se baseia p incipalmen e em ês ecu sos: a cul u a, os alo es polí icos e a polí ica ex e na. Com e ei o,
es es são os ins umen os que, segundo Nye (2004), p oduzem a a acção ca ac e ís ica do
so powe
.
Em oposição a es e pode de a ação, encon amos o
ha d powe
, que co esponde ao exe cício
de coacção.
O ha d powe
, ao con á io do
so powe
, deco e do pode mili a e económico (Nye, 2004).
De ac o, segundo Wilson (2008), ais ecu sos são passí eis de se ins umen alizados com o p opósi o
de aze cump i os in e esses nacionais de de e minado Es ado ou Es ados. Apesa des es dois concei os
21
– o
so powe
e o
ha d powe
– pa ece em con adi ó ios, é possí el, em ce os casos, que ambos
coexis am. Po isso, en e es es dois concei os, exis e um espaço in e médio susce í el de acomoda
ou os de pode , nomeadamen e, o
sma powe
e o
sha p powe
.
Comecemos pelo
sma powe
, que à semelhança do
so powe
, ambém em o p opósi o de
in luencia . Con udo, Nye (2009) de ende que o exe cício do
so powe
não exclui a u ilização do
ha d
powe
, po pa e de de e minado Es ado e em unção de ci cuns âncias e necessidades especí icas. Po
ou as pala as, o
sma powe
consis e na combinação in eligen e e es a égica de
so powe
e
ha d
powe
po pa e de de e minado Es ado.
Po im, o
sha p powe
em sido u ilizado nos úl imos anos como o ma de edesenha pe ceções
e opiniões a ní el in e nacional. Des a o ma, o
sha p powe
é susce í el de ca ac e iza uma p opensão
au o i á ia pa a manipula a ealidade, o jando, pa a o e ei o, uma na a i a que ende a ocul a
de e minados aspec os (nega i os, en enda-se) e a en a iza ou os (posi i os) (Walke e Ludwig, 2017).
A í ulo ilus a i o, podemos conside a o
Telling China's S o y Well
(Vicke s e Chen, 2024; Xu e Gong,
2024) como uma o ma de Xi Jinping ocul a os aspec os nega i os da China, azendo p opaganda do
que de melho possui a cul u a, as a es, a iloso ia, a gas onomia chinesas, en e ou os.
Nye (2018) admi e, assim, que as écnicas usadas no âmbi o do concei o de
sha p powe
se
dis anciam
do
so powe
, uma ez que se baseiam na manipulação ao in és da a acção. O
sha p powe
pode se de inido, de aco do com o
The Economis
(2017), como a conciliação da in imidação, p essão
e sub e são. Des a o ma, os p essupos os menos a ac i os po que se pau a o au o i a ismo, como a
censu a e o con olo, são usados pa a masca a a ealidade do país, moldando-a pa a que á ao encon o
da ealidade que os deciso es polí icos p e endem.
Apesa das di e en es dimensões que o pode assume, o
so powe
é a que melho pe mi e
analisa o objec o de es udo da p esen e disse ação. A in es igação de De Ma ino (2020) apon a
mudanças no sis ema in e nacional que con e i am ao
so powe
uma g ande impo ância e que nos
se e de a gumen o pa a a ele ância da u ilização des e ipo de pode nes a disse ação. A p imei a oi
a g ande ans o mação na dinâmica das Relações In e nacionais, nomeadamen e nas elações en e
ac o es in e nacionais. Tal como a li e a u a a es a, em pa icula Nye (2004), a abo dagem adicional,
mui o mais apoiada em dinâmicas de
ha d powe
e, que po isso, baseia o pode dos países no pode
mili a , não se coaduna com as exigências da o dem in e nacional con empo ânea. Des a o ma, e como
conside a De Ma ino (2020), o mundo a ual é mais complexo do que ou o a, ha endo um maio núme o
de ac o es a in e agi no con ex o in e nacional. De en e esses ac o es, me ece especial des aque a
opinião pública. Como conside am Osée
e al.
(2019), os cidadãos êm cada ez mais peso nos assun os

22
da o dem in e nacional, nomeadamen e na capacidade de in luência das decisões polí icas. Po es a
azão, os mesmos au o es sublinham que a opinião pública em sido cada ez mais ida em con a como
pa e in eg an e do pode de decisão.
2.2. Os p essupos os da
Role Theo y
A
ole heo y
é o quad o eó ico-concep ual u ilizado nes a disse ação. De modo a o e ece uma melho
comp eensão da in e dependência en e
ole heo y
ao
so powe
, começamos po explica os
p essupos os em que assen a a
ole heo y
. Iniciamos com o concei o de papel. Es e oi in oduzido po
sociólogos e depois u ilizado nas ciências sociais. O concei o de papel co esponde, segundo Ha nisch
e al, aos “ alo es e con icções que os indi íduos azem pa a as suas in e ações com os ou os”
(2011:2). Os papéis e lec em, assim, o en endimen o que os indi íduos possuem sob e si mesmos e o
que gos a iam de ep esen a ace a e cei os. Po conseguin e, um papel é cons i uído po duas
dimensões: o `ego´ e o `al e ´. O `ego´ co esponde, como econhece Mülle (2011), ao que o ac o
é. Po ou as pala as, ele equi ale à pe cepção que o sujei o em de si mesmo. O mesmo au o a i ma
ambém que es a dimensão se ap oxima bas an e, podendo inclusi e se equi alen e ao concei o de
iden idade, a qual é um p odu o da e olução his ó ica de cada país.
Mais a de, Hols i (1970) adap ou es e concei o às Relações In e nacionais (RI). Nes a adap ação
da
ole heo y
às RI, o concei o de papel pe mi e explica as in e acções dos Es ados da mesma o ma
como se es es se ap esen assem em con ex o social (Sil a e Lab iola, 2019). Nes e sen ido, Hols i (1970)
aplica o concei o de papel aos Es ados como se de indi íduos se a assem. Como admi em Sil a e
Lab iola (2019), o papel de um de e minado ac o engloba, an o a pe cepção que o ac o possui ace ca
de si mesmo, como ambém as expec a i as que os ou os possuem em elação a ele. Es as são as
dimensões de `ego´ e `al e ´ aplicadas, po sua ez, aos Es ados. Des a o ma, Sil a e Lab iola (2019)
sublinham que o mesmo ac o pode exe ce di e sos papéis de aco do com as suas necessidades e
objec i os no sis ema in e nacional. A
ole heo y
é en ão, como sus en am Ha nisch
e al.
(2011), uma
e amen a que pe mi e es uda um dos quesi os mais complexos das RI: a in e ação en e os ac o es e
o sis ema in e nacional. Po isso, como a i mam os au o es, os papéis pe mi em não só auxilia a
comp eensão e explicação das polí icas ex e nas dos países, como ambém analisa e en ende a
dinâmica e e olução da o dem in e nacional.
Segundo Thies, “a
ole heo y
não co esponde a uma eo ia única, mas sim a um conjun o de
eo ias, abo dagens ou pe spec i as que ê no concei o de
ole
ou papel, a cen alidade da ida social”
23
(2009: 4). Po conseguin e, a p esen e eo ia
em indo a se u ilizada nas RI como e amen a de análise
do compo amen o dos Es ados no sis ema in e nacional, o nando possí el a ligação en e o es udo da
polí ica ex e na e as eo ias das RI. Des a o ma, a
ole heo y
admi e que os Es ados podem
desempenha á ios papéis de aco do com a sua ac i idade, econhecendo que es es podem se , po
ezes, con adi ó ios (Sil a e Lab iola, 2019).
Como mencionado acima, a
ole heo y
é o mada po um conjun o de concei os,
nomeadamen e: a conceção do papel, as expec a i as ace ao papel, a adap ação do papel e o
desempenho do papel. Quan o à conceção do papel, es a ep esen a a ideia que o ac o em de si
mesmo, ou seja, o modo como es e se ê. De aco do com Hols i (1970), a conceção do papel consis e
no en endimen o que o ac o em das suas p óp ias posições e unções, bem como do compo amen o
que a elas mais se adequa. A
ole heo y
inclui a conceção do papel domés ico que co esponde às
pe ceções dos deciso es polí icos sob e a posição dos seus Es ados no sis ema in e nacional (Wish
apud
Sil a e Lab iola, 2019). Es as são, em eo ia, consensuais in e namen e em elação a qual de e se o
papel mani es ado pelo país na es e a in e nacional (Thies, 2015). Os discu sos dos deciso es polí icos
são de al o ma impo an es pa a a conceção do papel domés ico que Hols i (1970) ealizou o es udo
das conceções do papel domés ico a a és des es. Tal aplica-se, na u almen e, ao caso da Tu quia, que
é al o de análise na p esen e disse ação.
Fazendo e e ência a Hudson (1999), B euning (2011) de ende que a ascensão dos líde es
polí icos oco e, em g ande pa e, pelo ac o de es es pe soni ica em uma de e minada conceção do
Es ado em que se inse em, conceção es a p o undamen e en aizada nas con icções cul u ais em elação
ao seu p óp io Es ado. Des a o ma, ac edi a-se que a conceção do papel domés ico assen a no legado
cul u al do Es ado. Po conseguin e, Hudson (1999) ac escen a que os líde es se encon am de e as
ocados na sociedade em que se inse em. Tal como a gumen a B euning (2011), a ins umen alização
da
ole heo y
pode se po enciada se as pe spec i as e opiniões dos líde es polí icos o em in eg adas
na análise. Aliado a isso, es e au o apon a que a
ole heo y
ambém pode se o imizada se as elações
en e as conceções de papel adop adas pelos deciso es polí icos e as isões p eponde an es dos
cidadãos o em analisadas de o ma mais diligen e. Em e cei o luga , B euning (2011) de ende que a
ole heo y
pode ainda se melho ada se se a a em dogma icamen e as dinâmicas de mudança e
adap ação das conceções de papel domés ico. Po úl imo, B euning (2011) e e e ambém que é c ucial
in es iga o ac o de os deciso es polí icos pode em adop a papéis múl iplos e a é di e gen es. Em
conc e o, o au o ecomenda analisa em que medida es es papéis são p oeminen es ou se a iam endo
em con a o con ex o em que se ap esen am. Finalmen e, B euning (2011) ac escen a que a cul u a é,
24
de manei a consensual, conside ada como uma pa e impo an e da conceção do papel domés ico. Des a
o ma, adicionamos à equação a dimensão cul u al. Assim, B euning (2011) sublinha que o papel dos
líde es depende, não só do seu en endimen o da iden idade e da cul u a, como ambém da ansposição
de ambas pa a uma conceção de papel. Es a de e, assim, ge a iden i icação no domínio domés ico e
coaduna -se com as demandas in e nacionais.
A Tu quia e o P esiden e E doğan espelham exa amen e as conside ações desc i as acima,
endo, sob e udo, po base os pos ulados do Neo-O omanismo. Segundo Aleksee ich (2018), o Neo-
O omanismo é um dos p incipais concei os usados pa a de ini a a ual polí ica ex e na u ca, apesa de
não se uma ideologia o icial do go e no. Es e concei o implica a ex ensão da in luência u ca a e i ó ios
izinhos, incluindo os do an igo impé io o omano a a és do
so powe ,
e de melho ias a ní el económico
e social. Pilch (2012) ei e a a isão de Aleksee ich (2018), indo mais além ao a i ma que o Neo-
O omanismo, apesa de cen al na polí ica ex e na u ca, é, con udo, negado pela classe polí ica do país.
A Tu quia em indo a ede ini a sua conceção do papel domés ico, assim como a sua polí ica ex e na
pa a que es as acomodem melho as exigências da a ual o dem in e nacional.
Com a chegada do AKP (
Adale e Kalkınma Pa isi
: Pa ido de Jus iça e Desen ol imen o) ao
pode , a na a i a da polí ica ex e na u ca em indo a al e a -se. As conceções do papel domés ico são
“múl iplas e dinâmicas” (Hols i, 1970: 254). Tal co obo a o a gumen o dos eó icos da
ole heo y
de
que um país pode ap esen a di e sas conceções do papel domés ico, sendo que es as podem, po sua
ez, muda consoan e a necessidade do Es ado e/ou as ci cuns âncias domés icas ou in e nacionais.
Pilch (2012) iden i icou á ias conceções do papel que pe mi em comp eende a polí ica ex e na u ca e
a o ma como o país se ê a si p óp io, nomeadamen e: líde egional, p o e o egional, mediado -
in eg ado , colabo ado dos subsis emas egional e global, Es ado-modelo e aliado iel. Segundo o au o ,
as mudanças na polí ica ex e na u ca que se de am depois da ascensão ao pode do AKP em 2002
p oduzi am no as conceções do papel domés ico e um no o discu so de polí ica ex e na, o Neo-
O omanismo. Os deciso es polí icos u cos são os p incipais esponsá eis po es a mudança na conceção
do papel da Tu quia. Assim, es es dão a conhece uma de e minada imagem do país an o a ní el in e no,
como in e nacionalmen e. Pilch (2012) conclui que a u ilização da
ole heo y
se a igu a ú il no es udo
da polí ica ex e na da Tu quia, nomeadamen e ao deb uça -se sob e a conceção do papel domés ico do
país.
Um ou o componen e da
ole heo y
diz espei o às expec a i as ace ao papel. Es as consis em
em “no mas, c enças e p e e ências ela i as ao desempenho de qualque indi íduo numa posição social
em elação a indi íduos que ocupam ou as posições” (Thies, 2008:9). Po ou as pala as, no caso da
25
p esen e disse ação, as expec a i as ace ao papel dizem espei o às expec a i as que os ou os países
e o p óp io elei o ado u co êm em elação à conceção do papel e ao desempenho do papel po pa e
do líde u co. Des e modo, as expec a i as ace ao papel incluem an o a audiência ex e na como a
audiência domés ica. Nes e sen ido, o am ealizados es udos em g ande escala sob e as pe ceções
nes as audiências ace ca da polí ica ex e na u ca. Des a o ma, à semelhança do ap esen ado acima,
sepa a -se-ão as pe ceções do público domés ico das do público ex e no.
No que conce ne ao público domés ico, comungamos das conclusões da pesquisa do
Pew
Resea ch Cen e
(2014) segundo o qual a Tu quia é um país mui o di idido em elação às pe ceções
dos u cos nas suas di e sas á eas. De o ma a pe mi i uma melho comp eensão ace ca des e ópico,
o ganizámo-lo em e mos c onológicos. Começamos, assim, com o es udo de 2014 sob e o en ão
p imei o-minis o u co Recep Tayyip E doğan. Tal es udo é ele an e nes a disse ação uma ez que a
sua análise compo a os p o es os de Gezi oco idos em 2013. Es es cons i uem um pon o de i agem
na polí ica u ca e, po conseguin e, co espondem ao início da baliza empo al da p esen e disse ação.
O es udo e e ido oi conduzido pelo
Pew Resea ch Cen e
que in es igou as pe ceções da opinião pública
u ca ela i amen e às condições do país, ao p imei o-minis o Recep Tayyip E doğan e às ins i uições
nacionais. Além des as, a pesquisa ambém se concen ou nas pe ceções da opinião pública u ca em
elação aos p o es os de Gezi, con o me e e ido acima. Pa a o e ei o, o es udo oi elabo ado com base
em 1000 en e is as a adul os com 18 ou mais anos.
No que diz espei o às pe ceções ace ao a ual P esiden e u co Recep Tayyip E doğan, a
pesquisa elabo ada pelo
Pew Resea ch Cen e
, e ela que a opinião pública u ca se encon a di idida
de o ma quase iguali á ia en e os que es ão sa is ei os com a lide ança de E doğan e aqueles que
conside am que es e es á a lide a o país na di eção e ada. Em e mos pe cen uais, 44% dos u cos
mos a am-se sa is ei os e 51% e ela am-se descon en es com a lide ança do en ão p imei o-minis o.
No que conce ne à in luência de Recep Tayyip E doğan no país, a endência de di isão da opinião pública
man inha-se, sendo des a ez ainda mais equilib ada. Com e ei o, 48% conside a a, à da a de 2014, que
o en ão p imei o-minis o in luencia a a Tu quia de o ma posi i a, sendo que a mesma pe cen agem de
inqui idos ac edi a a que E doğan in luencia a o país de manei a nega i a. Além disso, quando
ques ionados sob e libe dades indi iduais, c ime, co upção e a si uação na Sí ia, 56% dos inqui idos
ep o a a a o ma como E doğan ge iu es as ques ões. Em e mos económicos, 49% da opinião pública
u ca condena a a manei a como E doğan ge iu a economia do país, enquan o 46% dos u cos se
e ela am sa is ei os. O es udo salien a que os u cos mais eligiosos demons a am, em 2014, maio
apoio a E doğan em elação aos que são mais secula es. Na e dade, es a é uma di isão omnip esen e.
32
in e ação, dinamismo e in e dependência en e os ac o es e as pe ceções que es es êm de si e dos
ou os.
As eo ias adicionais das Relações In e nacionais são, po ezes, al o de c í icas uma ez que
nem semp e sup em as necessidades que a análise da a ual o dem in e nacional eque . Uma delas é,
como admi em Gö ene e Ucal (2011), o ac o de as a iá eis indi iduais se em, po no ma,
des alo izadas pelas eo ias
mains eam
. Nes e sen ido, segundo os au o es, as mesmas ma ginalizam
a ele ância dos líde es aos quais cabe in e p e a as exigências e necessidades in e nacionais que, po
sua ez, êm impac o nas suas decisões polí icas. A
ole heo y
, no en an o, pe mi e a análise do pe il
dos líde es, o que se e ela bas an e ú il no caso u co, já que as decisões polí icas da Tu quia se
concen am la gamen e na pessoa de E dogan. Des a o ma, com uma len e concep ual que enha em
con a esse p isma indi idual de análise de E dogan, é possí el ealiza uma a aliação mais adequada do
so powe
u co.
Além disso, Gö ene e Ucal (2011) de endem que exis e um econhecimen o cada ez maio do
en iquecimen o que a inco po ação das a iá eis indi iduais, ais como as pe ceções ou as mo i ações,
p opo cionam na análise do compo amen o da polí ica domés ica e ex e na. Mais uma ez, a
ole heo y
consegue esponde a es as necessidades, adequando-se ao es udo da Tu quia. Assim, o con ibu o de
Gö ene e Ucal (2011) ealça o ac o de a polí ica ex e na u ca se indissociá el do p isma de alo es do
es adis a que a in luencia. Po conseguin e, é undamen al não se descu a a polí ica ex e na endo em
con a que es a é um p ocesso de omada de decisão que inclui a subje i idade humana em conjun o
com a in luência das a iá eis es u u ais. No caso u co, a nos algia é um ac o a e em con a, uma
ez que condiciona a omada de decisão po pa e de E dogan. Assim, B own (2002) conside a que a
nos algia é impo an e pa a en ende o p ocesso de cons ução das iden idades, que dos indi íduos,
que das ins i uições. Des e modo, o au o admi e que es a pode se uma e amen a an o pa a p ese a
o sen ido de g upo, como pa a des ia os indi íduos das suas p eocupações diá ias.
O es udo de B own (2002) mos a que as na a i as cons uídas o mam a iden idade de g upo.
Des a o ma, a nos algia de g upo pe mi e o nece in o mações sob e a o ma como, que os indi íduos,
que os g upos pe cecionam de e minadas si uações e ameaças. Po im, o au o conside a a nos algia
como um eículo pa a acede ao legado comum de alo es e con icções que são, de ac o, impo an es
pa a a iden idade, na medida em que se e de base emocional em al u as de mudança. Des a o ma,
B own (2002) admi e que es a é uma o ma de mani es ação da indi idualidade em p ocessos de
econhecimen o da iden idade, an o dos indi íduos como das o ganizações. Um pon o impo an e a
ealça é o ac o de a nos algia se ele an e pa a que os sujei os cons uam as suas na a i as de o ma

33
a que es as sejam c edí eis e agam anquilidade aos indi íduos (B own, 2002). Es a é, na p á ica,
uma es a égia usada po E dogan. Segundo o au o , o en oque na nos algia pe mi e analisa a o mação
e mudança da iden idade com base nas pe spec i as dos sujei os no con ex o social. Além disso, o au o
ealça que es uda es e ópico é uma o ma e icaz de explo a ap o undadamen e os diálogos (Hazen,
1993
apud
B own, 2002).
É possí el es abelece uma pon e en e a
ole heo y
e o acima expos o. Como admi e B euning
(2011), a
ole heo y
es á in imamen e ligada a concei os como os de iden idade, imagem e au o-imagem,
no mas e cul u a. Acima abo dámos a impo ância da nos algia na cons ução da iden idade e como es a
nos o nece in o mações impo an es pa a comp eende mos as pe ceções dos di e sos ac o es,
elemb ando que as pe ceções são um concei o-cha e pa a a
ole heo y.
Como cons a a Ayoob (2020), a he ança do Impé io O omano con inua mui o pa en e na
memó ia dos u cos, ainda que A a ü k i esse p ocu ado dis ancia -se des e legado, egendo-se po
linhas de acção mais ociden alizadas e que, po conseguin e, podem e escondido es es sen imen os de
pe ença. No en an o, Ayoob (2020) ac escen a que es es sen imen os a lo a am aquando da ascensão
ao pode do AKP. Com e ei o, es e pa ido espelha as ca ac e ís icas de E doğan, mais p ecisamen e,
como e e e Ayoob (2020), o o gulho do legado o omano e islâmico da Tu quia. Tal não deixa de e
impac o, ob iamen e, no
so powe
u co, nomeadamen e na isão que E doğan em do legado da
Tu quia no mundo, o que se e lec e na o ma como a Tu quia ge a o seu
so powe
. De ac o, a
mensagem de ilmes e sé ies elacionados com o Impé io o omano p ojec am, que nos u cos, que no
es angei o a iden idade de um empo glo ioso pa a es e po o. Tal em, po sua ez, impac o na manei a
como E doğan concebe simul aneamen e o seu papel e o da Tu quia, p ojec ando uma ce a iden idade
a ní el in e nacional.
Conside amos pe inen e menciona aqui o papel da ac ual mesqui a Hagia Sophia. Es a ha ia
sido ans o mada num museu no empo de A a ü k, que se empenhou em c ia um Es ado laico. Es a
mesqui a é uma das maio es da Tu quia e um dos símbolos de o gulho e pode esul an es da i ó ia
dos o omanos sob e os bizan inos, como a i ma Ayoob (2020). O au o e e e ambém que quando
A a ü k decidiu con e ê-la num museu, ê-lo pa a que isso ep esen asse uma queb a ace ao passado
o omano, con ibuindo assim pa a que o Ociden e passasse a e a Tu quia como um país “ci ilizado”.
O a, a decisão de E doğan con e e o museu em mesqui a em 2020 ge ou g andes c í icas em cí culos
c is ãos e ou os ociden ais, uma ez que ac edi a am que a con e são do museu pa a p á icas
exclusi amen e muçulmanas pode ia acen ua ainda mais as di isões eligiosas pa en es no seio da
sociedade u ca (Público, 2020). Nes e sen ido, a mesqui a Hagia Sophia é ins umen alizada, po
34
E doğan, como um símbolo da “No a Tu quia”, elemen o essencial da no a conceção do papel da
Tu quia. Es e desempenho do papel isa obus ece o Islão num Es ado laico (Ya uz e Öz ü k, 2019).
Além disso, há mui o que a econ e são da Hagia Sophia em mesqui a e a solici ada pelos muçulmanos
(BBC, 2020). Des a o ma, num con ex o em que a quase o alidade da população u ca é muçulmana,
E doğan euniu es o ços pa a i ao encon o das expec a i as da maio pa e da população u ca que se
e ê no Islão.
35
Conclusão pa cial
No capí ulo que aqui inda p ocedemos à análise de á ios ipos de pode , des acando, em especial, o
so powe
, que co esponde à capacidade de in luencia . De seguida, in oduzimos e explicámos as
a iá eis e pos ulados da
ole heo y
, que g a i a em o no de qua o concei os-cha e: a conceção do
papel, as expec a i as ace ao papel, a adap ação do papel e o desempenho do papel.
Em elação à conceção do papel, concluiu-se que a Tu quia em indo a ede ini o seu papel,
inclusi e no âmbi o da sua polí ica ex e na, sob e udo desde a ascensão do AKP ao pode . No que
conce ne às expec a i as ace ao papel, ealçámos a g ande di isão da opinião pública domés ica ace
ao papel do p esiden e E doğan. E ec i amen e, cons a ámos que os u cos mais eligiosos são os que
demons am maio apoio ao p esiden e, compa a i amen e aos di os ‘mais secula es’, sendo es a uma
di isão omnip esen e na Tu quia. Ainda no que conce ne à eligião, pe cebemos que os u cos lhe
a ibuem uma impo ância c escen e desde que o AKP é go e no, o que impac a as expec a i as do papel
da Tu quia e, po conseguin e, a conceção do papel do seu p esiden e. Rela i amen e às expec a i as do
público in e nacional, des acámos que es as são o emen e in luenciadas pelos discu sos, pela polí ica
ex e na da Tu quia e pelas no ícias nos
media
que as acompanham. Como e emos ao longo des a
disse ação, es es são ac o es undamen ais nas pe ceções in e nacionais ace à Tu quia endo, po
conseguin e, uma g ande in luência no
so powe
do país.
Em elação à adap ação do papel, concluímos que o papel da Tu quia so eu mudanças
p o undas desde que se encon a sob a go e nação de E doğan. A p imei a década da sua go e nação
icou ma cada po uma polí ica ex e na em a o da in eg ação egional e alianças na egião, iniciando
ambém o p ocesso de negociação pa a adesão à UE. Já na segunda década, E doğan buscou a i ma a
au onomia da Tu quia, po meio de in e enções mili a es e diplomacia coe ci a, colocando de pa e a
sua neu alidade na egião. Deu-se, en ão, a i agem da polí ica ex e na u ca sob e udo pa a a Ásia,
sem deixa , oda ia, de se memb o da OTAN, em consequência do esmo ecimen o das elações com o
Ociden e. Quan o ao desempenho do papel, apesa de a Tu quia não e publicado nenhum documen o
o icial con endo a sua es a égia global, iden i icámos múl iplas es a égias ao ní el da sua polí ica
ex e na.
Po im, concluímos que o es udo do
so powe
u co é pe ei amen e analisá el à luz da
ole
heo y,
que admi e a in e ação, dinamismo e in e dependência en e os ac o es e as pe ceções que es es
êm de si e dos ou os. Po ou o lado, a
ole heo y
pe mi e analisa as di e en es adap ações da Tu quia
no con ex o in e nacional e o pe il de E doğan, is o que as decisões polí icas se concen am na sua
36
pessoa, ou seja, nas suas pe ceções e mo i ações. Assim, no p óximo capí ulo inicia emos a análise do
so powe
u co no pe íodo p é-E doğan, pa a melho pe cebe mos a sua e olução.
37
3. O
So Powe
p é-E doğan: a imagem da Tu quia no Mundo
3.1. Con ex ualização his ó ica e de e minan es da polí ica ex e na u ca
De o ma a in oduzi es e no o capí ulo, conside amos pe inen e p ocede a uma b e e con ex ualização
his ó ica da conceção do papel da Tu quia no mundo, uma ez que ela es á in imamen e ligada à
iden idade u ca que, po sua ez, se a igu a uma e amen a essencial à análise do
so powe .
De
seguida, analisa emos a lide ança de A a ü k e de Özal, is o que es es o am os líde es mais ele an es
na ans o mação da polí ica ex e na u ca an es de E doğan.
Nes e sen ido, ecuamos ao pe íodo O omano pa a con ex ualiza a análise. Como econhece
Ayoob (2020), a queda do impé io e e início a pa i da segunda me ade do século XIX, e i icando-se
uma pe da g adual dos e i ó ios o omanos na Eu opa, mais conc e amen e, nos Balcãs. Es e ac o
jus i ica os laços his ó icos que a Tu quia em com os países pe encen es a es a egião, na medida em
que ambos pe enciam ao Impé io O omano. No en an o, o au o a i ma que o abalo mais o e pa a o
impé io esul ou das de e minações do pós-P imei a Gue a Mundial. O a ado de Sè es a ibuiu, como
zona de in luência, a Ana ólia Ociden al à G écia, endo o sul da Ana ólia sido cedido a I ália, e o sudes e
a F ança. Pa a além des as, pa es conside á eis de e i ó io si uadas na zona les e da Ana ólia o am
con e idas, que em encla es, que em p o oes ados a ménios e cu dos (Ayoob, 2020). O a, o au o
conside a que es a si uação não ag adou aos u cos.
Na sequência des e descon en amen o, e e luga uma á dua gue a pela independência da
Tu quia em que as opas u cas, lide adas po Mus a a Kemal, se e ol a am con a o sul ão o omano,
em azão da assina u a da endição. Ao im de qua o anos de lu a, os u cos o am capazes de e e e
as al e ações do a ado de Sè es acima mencionadas. Con udo, Mus a a Kemal - pos e io men e
apelidado A a ü k - p ocu ou não in e e i nos e i ó ios á abes não- u cos do Impé io pe encen es à
G ã B e anha e à F ança, is o que isso signi ica ia um con on o di ec o com es es dois países. De ac o,
es as duas po ências a i ma am o seu domínio na egião do c escen e é il, pelo que um con li o com
es es países pode ia signi ica uma ameaça à independência e sobe ania da Tu quia (Ayoob, 2020).
Aqui chegados, passamos ago a à análise do
so powe
u co sob a lide ança de A a ü k e Özal.
Comungamos, pa a o e ei o, do en endimen o de A aman (2002) que de ende que com a mudança de
líde es su gem no as conceções do papel, acompanhadas da al e ação de objec i os e p io idades as
quais, po sua ez, in luenciam a polí ica ex e na. Po ou as pala as, di e en es conceções do papel
epe cu em-se em dis in os desempenhos do papel, como de ende a
ole heo y.

38
3.2. O
So Powe
du an e o go e no de A a ü k
Após a con ex ualização his ó ica do papel da Tu quia abo dada acima, p ocede emos de seguida à
análise da lide ança do undado da República - A a ü k. Es e líde di ecionou a polí ica ex e na u ca pa a
o Ociden e (Isik, 2021). Dan o h (2008) sus en a que o dis anciamen o de A a ü k ace ao Médio O ien e
e a pos e io ap oximação de E doğan à egião - ou seja, a adap ação do papel - é uma espos a p á ica
e es a égica ace à mudança da conjun u a in e nacional. De ac o, ainda du an e o Impé io O omano,
assis iu-se a di e sas mudanças (adap ações do papel) com o in ui o de en a e i a o seu colapso, como
a mode nização da adminis ação, da economia e da sociedade. Não obs an e, o impé io acaba ia po
cai . Com a undação da República, a p io idade de A a ü k con inua a a se a de ga an i a in eg idade
do Es ado (Oğuzlu, 2007
apud
Mu e 2018).
Dan o h (2008) econhece que, em ez de um en oque na conceção do papel dos líde es u cos,
os es udiosos êm analisado a polí ica ex e na do país concen ando-se, sob e udo, no con on o en e
as iden idades ociden ais e o ien ais. De ac o, a posição geog á ica da Tu quia, en e o Ociden e e o
O ien e, jus i ica o emp ego des as noções. Com e ei o, Aydın
(2019)
a gumen a que a localização
geog á ica da Tu quia o na di ícil que o enquad amen o do país numa egião especí ica, que a
capacidade de es e se liga a múl iplos Es ados com cul u as, dinâmicas polí icas, e oluções his ó icas
e económicas ambém dis in as. De aco do com Dan o h (2008), ao dilema iden i á io sob e a
iden i icação da Tu quia com o O ien e
e sus
Ociden e, ac esce ambém o do Islão e da democ acia.
No undo, o au o apon a pa a uma usão de iden idades pau adas pelo Islão, democ acia e secula ismo
que p edominam nos deba es sob e a polí ica ex e na u ca, an o na Tu quia como no es angei o. Des a
o ma, o en endimen o de Dan o h (2008) e ela-se de ex ema impo ância, ao ala ga o campo de
isão cen ado nas iden idades, ao conside a as decisões de A a ü k e E doğan como sendo
condicionadas pelo con ex o in e nacional e não de e minadas apenas pelo ac o iden i á io ou
ideológico, ou seja a conceção do papel dos mesmos.
Assim, en endemos que es a pos u a espelha uma adap ação do papel po pa e de A a ü k, na
medida em que es e adap ou a polí ica ex e na do país à si uação que en ão se i ia na egião. Des a
o ma, abandona as exigências e o legado o omano oi, segundo Dan o h (2008), uma das medidas
mais ans o mado as que A a ü k adop ou. O líde u co p ocu ou, igualmen e, dis ancia -se das
p e ensões impe iais que ha iam ca ac e izado o sul ana o u co no pe íodo p eceden e. Tal
posicionamen o consubs ancia, uma ez mais, uma adap ação do papel do líde pe an e a sua lei u a da
e olução da conjun u a his ó ica.
39
Des a o ma, A a ü k concen ou os seus es o ços em c ia uma imagem e uma iden idade mais
ol adas pa a o Ociden e, baseando-se an o no nacionalismo como na mode nização (Sanca
apud
Mu e , 2018). Es e empenho deu, en ão, o igem a uma no a conceção do papel da Tu quia. A ní el
cul u al, es es es o ços de ap oximação ao Ociden e começa am a se ealizados mesmo an es da
implan ação da República u ca. De ac o, as aduções de ob as eu opeias começa am a se ei as a
pa i de 1850. Além disso, os esc i o es o omanos começa am ambém a es abelece con ac o com
géne os de omance da Eu opa, assim como es ilos de poesia. Con udo, es a ap oximação ao modelo
eu opeu anscendeu o domínio li e á io e e lec iu-se em di e sas ou as á eas como modelos de
consumo, a i idades de empos li es, na a qui e u a e na educação (Gulmez e al., 2023).
Assim, as e o mas le adas a cabo po A a ü k busca am elimina os elemen os islâmicos, an o
da polí ica como da sociedade u ca, dis anciando-se da he ança o omana e islâmica e adop ando aços
ci ilizacionais ociden ais (A aman, 2002). Com e ei o, a adap ação oi no ó ia ambém na indumen á ia.
Re i a-se, a í ulo ilus a i o, a subs i uição do Fez po chapéus com aços mais ociden ais, numa
en a i a de apaga as ca ac e ís icas mais o ien ais da cul u a u ca. Es a al e ação deu-se uma ez que
as es es islâmicas e am pe cecionadas de o ma nega i a, enquan o o es ilo ociden al e a is o como
e oluído. Além des as, deu-se ambém a abolição do sul ana o e do cali ado; a subs i uição do al abe o
á abe pelo al abe o la ino; a p omoção do u ebol no país e a c iação da ópe a u ca. Todas es as medidas
o am adop adas com o in ui o de es abelece uma no a iden idade da Tu quia (Gulmez e al., 2023).
Po im, impo a ambém ealça a passagem do ensino p imá io pa a um egime g a ui o e ob iga ó io
e a a ibuição de di ei os ci is e polí icos iguais às mulhe es (Huijgh e Walick, 2016
apud
Ayhan, 2018).
Po conseguin e, es as e o mas ep esen am uma cla a adap ação do papel da Tu quia.
Nes e seguimen o, a mode nização e a pe cecionada pela ideologia kemalis a como sinónimo
de ociden alização (Ya uz e Öz ü k, 2019). O Kemalismo assen a, assim, em seis pila es basila es,
nomeadamen e o epublicanismo, populismo, nacionalismo, e o mismo, es a ismo e secula ismo. O
secula ismo consis iu na exclusão dos p incípios islâmicos pelos Kemalis as como o ma de alcança a
ociden alização. Con udo, embo a a Tu quia buscasse iden i ica -se com o Ociden e, exis iam azões
es u u ais desde a génese do Es ado que impossibili a am essa o ien ação ociden al, an o na es e a
domés ica como in e nacional. Assim, o kemalismo en e edou po polí icas au o i á ias com o in ui o de
a as a os seus inimigos domés icos (A aman, 2002). Po ou o lado, embo a as e o mas p ó-Ociden e
ossem pe cecionadas de o ma posi i a em algumas es e as ociden ais, a pe cepção adicional dos
u cos pelos eu opeus não se al e ou necessa iamen e, já que não oi capaz de os con ence de que
es es es o ços se e lec i iam na mudança de iden idade u ca (Gulmez e al., 2023). Além das e o mas
40
implemen adas não e em ido a capacidade de uni o miza a sociedade u ca, elas exace ba am a
di isão da mesma, es ando es a agmen ação p esen e a é aos dias de hoje (Ibid).
A a ü k ambiciona a descons ui a imagem que a Eu opa inha dos u cos, ao desen ol e os
seus p incípios de secula ismo e não-in e enção. O concei o de secula ismo é pa icula men e
impo an e, uma ez que o líde de endia que o Islão ajuda a a p omo e uma imagem dos u cos
enquan o sociedade di e en e da eu opeia. Assim, ao adop a o secula ismo, es e deixa ia de se um
pon o de e minan e pa a os eu opeus. Ao mesmo empo, a Eu opa e a pe cecionada pelos Kemalis as
como o “cen o do p og esso e da ci ilização”, azão pela qual es es empenha am es o ços com is a à
ociden alização da Tu quia (Gulmez e al, 2023). Os Kemalis as pe cepciona am os países eu opeus
como “amigos espon âneos”, assim como as alianças com os países do elho con inen e e am is as
como ligações espon âneas. Po conseguin e, o desejo de adesão à UE e a pe cepcionado pelos
Kemalis as como algo igualmen e espon âneo (A aman, 2002). É nes e sen ido que se comp eende a
adesão ao Conselho da Eu opa em 1949 e à OTAN em 1952. No domínio cul u al des aquemos, po sua
ez, a p imei a pa icipação do país no Fes i al da Eu o isão em 1975. Sublinhemos ambém as isi as
de Cha les de Gaulle e Elizabe h II à Tu quia, que a es am o o alecimen o dos laços do país com a
Eu opa (Gulmez e al., 2023).
Con udo, es as inicia i as o am mo i adas pela necessidade de segu ança, uma ez que no
con ex o da Gue a F ia, a Tu quia e a is a pelos países eu opeus como um aliado impo an e pa a
con e a ameaça so ié ica, mas não necessa iamen e pe cepcionada como pa e do Ociden e. Toda ia,
es a conjun u a al e ou-se aquando da ap esen ação dos c i é ios de Copenhaga em 1993, que
ealça am a impo ância da democ acia como p incipal c i é io na de inição de um Es ado Eu opeu.
Assim, aquando do pedido de adesão da Tu quia à Comunidade Económica Eu opeia (CEE) em 1987,
um dos p incipais en a es que o país en en ou e que con ibuíam pa a que a Eu opa se opusesse a
es a adesão e am a ins abilidade económica e democ á ica e o des espei o pelos di ei os humanos
(Gulmez e al, 2023).
De en e os desa ios domés icos e egionais salien e-se o nacionalismo cu do e o Islão polí ico
(A aman, 2002). No que conce ne ao p imei o, podemos aça uma elação causa-e ei o en e es e e o
ac o de o egime kemalis a e es abelecido a e nia u ca como a iden idade p incipal do Es ado u co
(Ibid.). De ac o, es a pe spec i a de A a ü k da Tu quia como um Es ado é nico único es á na génese da
ques ão cu da, que pe manece ac ualmen e um dos p incipais emas que agmen am a polí ica u ca
(Ins i u e o Secu i y and De elopmen Policy, 2016). Com e ei o, a c iação de um Es ado é nico único
numa sociedade cons i uída po á ias e nias, le ou a que o egime u co e oluísse de o ma au o i á ia,
41
uma ez que ha ia a necessidade de dispo de um pode cen al o e pa a p ese a a segu ança e a
in eg idade do e i ó io (Ins i u e o Secu i y and De elopmen Policy, 2016; Ya uz e Öz ü k, 2019).
Des a o ma, as p eocupações de segu ança sob epuse am-se à en a i a de esolução das di e enças
é nicas, negligenciando, no p ocesso, di ei os básicos como a jus iça social (E gil, 2000
apud.
Ins i u e
o Secu i y and De elopmen Policy, 2016).
E ec i amen e, a desin eg ação do Impé io O omano p opo cionou a di isão dos cu dos em
qua o Es ados, nomeadamen e a Tu quia, o I ão, o I aque e a Sí ia. A pa i de en ão, os cu dos
começa am a en en a os Es ados em que es ão dis ibuídos depois de e em o econhecimen o dos
seus di ei os polí icos, cul u ais e linguís icos lhes se em ecusados (Mohammed e Romano, 2023).
Um dos objec i os dos á ios go e nos desde a o mação da República consis ia na diluição da
e nia cu da no Es ado u co a a és da p oibição da língua e de ac i idades cul u ais cu das, bem como
da execução de massac es e depo ações de cu dos (Ibid.). Ao in és do que sucedia na e a o omana,
em que a iden idade e a baseada na eligião, aquando da cons i uição da República u ca e, mesmo no
inal do século XIX com o ainda impé io o omano, a no a iden idade do país assen a ia na língua e cul u a
u cas, desenco ajando a c iação de um espaço pa a acomoda as necessidades dos cu dos. Es e
con ex o le ou, assim, ao ápido su gimen o de e ol as cu das que ei indica am a legi imação da sua
iden idade (Ibid
.
).
3.3. O
So Powe
du an e o go e no de Özal
A aman (2002) admi e que os líde es que sucede am a A a ü k p ocu a am man e a mesma o ien ação
de polí ica ex e na ace à egião e ao Ociden e. Con udo, o au o conside a que es a pos u a oi, pela
p imei a e única ez, desa iada po Özal enquan o P imei o-Minis o u co, de 1983 a 1989, e como
P esiden e do país no pe íodo de 1989 a 1993. De ac o, com Özal e i icou-se uma ans o mação da
polí ica ex e na u ca, passando dos p incípios mais isolacionis as de A a ü k pa a uma polí ica ex e na
mais dinâmica (Laçine , 2009). Özal p ocu ou di e si ica o conjun o de alianças do país, concen ando,
oda ia, as suas polí icas mais a O ien e, uma ez que a melho ia das elações com o mundo u co e a
uma das p io idades do seu go e no. Es a en a i a de ede inição da conceção dos objec i os e do papel
da Tu quia isou essencialmen e con ibui pa a a consolidação do país como po ência egional (Ibid).
Assim, nos anos 80, Özal ab aça ia uma no a iden idade polí ica, abandonando alguns dos pila es do
Kemalismo, nomeadamen e o “es a ismo” e o “populismo”, e al e ando a na u eza do “secula ismo”,
48
ans o mações e ela am-se in ensas, súbi as e cons an es, em especial após a Segunda Gue a do
Gol o e, com maio impac o pa a a Tu quia, como o am as e ol as á abes de 2011 (Guida e Göksel,
2018). Assim, en ende-se que an o as p eocupações de na u eza económica como de segu ança
con ibuí am pa a a adap ação do papel da Tu quia, de o ma a esponde às exigências domés icas e
in e nacionais. Des a o ma, ambas as dinâmicas de am o igem a uma no a conceção do papel da
Tu quia.
À luz des e cená io domés ico e ex e no, E doğan e a pe cecionado como uma igu a bené ica
pa a a segu ança económica do país (Yeşilada, 2023). A ní el domés ico, a c ise económica (2000-2001)
cons i uiu um pon o de i agem ao acele a o p ocesso de e o mas an o a ní el económico como
democ á ico com is a à possí el adesão da Tu quia à UE (Onis, 2003). De ac o, a maio ia dos u cos
apoia a es a adesão, na espe ança de uma saída e icaz pa a a c ise económica em que o país se
encon a a (Ibid.). As e o mas ope adas pela Tu quia na década de 2000, em consequência do seu
p ocesso de candida u a à UE, ie am ala anca o
so powe
u co ao comp eende em a melho ia do
Es ado de di ei o, das libe dades eligiosas, e da anspa ência do go e no (Çe ik, 2019). Des e modo,
a o ien ação da polí ica ex e na u ca p ó-União Eu opeia o aleceu a imagem de que a p io idade do
go e no de e ia concen a -se na e o ma económica e na polí ica ex e na, ao in és de p i ilegia o
essu gimen o islâmico (Ki diş, 2016).
Es as mudanças espelham uma adap ação do papel da Tu quia ace às expec a i as
in e nacionais, nes e caso da UE. Além disso, elas a es am a capacidade de as e o mas democ á icas
ge a em
so powe
, algo que aumen ou conside a elmen e desde que o AKP ascendeu ao pode em
2002, o nando-se uma das p io idades do pa ido no que conce ne à polí ica ex e na (Yenokyan, 2023).
Po sua ez, a ní el in e nacional, o 11 de se emb o de 2001 eio e o ça a impo ância da Tu quia pa a
o Ociden e, sob e udo ao ní el da segu ança.
Desde o p imei o manda o, a pa i de 2002, o pa ido de E doğan (AKP) omou no as decisões
de e o ma em elação à ques ão cu da, que passa am po con e i mais di ei os às mino ias, assim
como ope a um desa mamen o g adual dos ebeldes do PKK. Es a en a i a inicial de inclusão dos
cu dos pode se is a como uma es a égia do pa ido pa a a ai os elei o es mais conse ado es de
o igem cu da (Ins i u e o Secu i y and De elopmen Policy, 2016)
Po ou o lado, a expec a i a da adesão à UE pe mi i ia à Tu quia desen ol e simul aneamen e
uma elação mais equilib ada com os EUA e desempenha um papel mais comedido e cons u i o a ní el
egional. Em suma, as mudanças domés icas e ex e nas, nes e pe íodo, con ibuí am pa a a ansição
de um papel coe ci o pa a um de po ência egional po encialmen e benigna e cons u i a (Onis, 2003).

49
O objec i o de adesão à UE e lec iu-se ambém nas polí icas do go e no ela i amen e à
diplomacia cul u al, que sen iu a necessidade de melho a a pe ceção da opinião pública da UE ace à
Tu quia. Nes e sen ido, e i icou-se um e o ço da diplomacia pública u ca, sob e udo na es e a cul u al,
na UE, isí el, en e ou os, ao ní el das exposições de a e e sessões de cinema (Mu e , 2018).
Nes e con ex o, oi c iada a Fundação Yunus Em e, em 2007, endo sido a p imei a ins i uição
o icial ao ní el da diplomacia cul u al u ca. Es a em como objec i o di ulga a cul u a, a his ó ia e a
língua u cas, bem como p opo ciona o in e câmbio cien í ico en e a Tu quia e ou os Es ados. Apesa
de, an es des a, exis i em ou as ins i uições com o objec i o de desen ol e laços com o es angei o, a
Fundação Yunus Em e oi a p imei a o ganização do Es ado a azê-lo de o ma cons an e, an o domés ica
como in e nacionalmen e. O elemen o mais impo an e des a o ganização é o Yunus Em e Ins i u e (YEE),
c iado com o in ui o de pe mi i o in e câmbio cul u al en e cidadãos u cos e cidadãos es angei os
(Çe ik, 2019). Nas egiões dos Balcãs e do Médio O ien e e i ica-se uma p esença signi ica i a des es
ins i u os, o que a es a o desejo da Tu quia em p omo e a sua cul u a e laços cul u ais nes as egiões
(Donelli, 2019). Akıllı (2018) salien a o con ibu o do YEE na c iação de uma imagem posi i a da Tu quia
a ní el in e nacional. Na p á ica, es e ins i u o é um dos maio es ins umen os de diplomacia cul u al
u ca,
na ion b anding
e elemen o de p es ígio da Tu quia no es angei o (Szyszlak, 2021).
A a és da Fundação Yunus Em e, a Tu quia ambém em p ocu ado es abelece melho es
elações com a sua diáspo a, econhecendo a sua impo ância polí ica. Como esul ado desse
econhecimen o, oi c iada a YTB - P esidência pa a os Tu cos no Es angei o e Comunidades
Relacionadas - agência da diáspo a u ca que omen a inicia i as de en ol imen o des as comunidades
(Çe ik, 2019; P esidência dos Tu cos no Ex e io e Comunidades Relacionadas, s/d). A YTB oi c iada
que pa a moni o iza inicia i as que en ol em u cos a i e no es angei o, que pa a inc emen a os
laços sociais, cul u ais e económicos no seio das comunidades u cas. Tais inicia i as isam p omo e o
diálogo e omen a uma imagem posi i a da Tu quia ao ní el da sua his ó ia e cul u a. Além disso, a YTB
ambém c iou p og amas de bolsas - as Tü kiye Bu sla ı
2
. Todas es as inicia i as êm ajudado a Tu quia
a melho a a sua capacidade de in luencia as audiências ex e nas, descons uindo es e eó ipos e
p econcei os sob e o país e a sociedade (Donelli, 2019).
Ainda no p imei o e segundo manda os de E doğan, além do YEE, passou a ha e uma maio
apos a nou as ins i uições enquan o e amen as de
so powe
(Szyszlak, 2021). É o caso da TIKA, que
in oduzimos no capí ulo an e io . Em 2011, a TIKA passou po uma ees u u ação, com is a a melho a
2
As Tü kiye Bu sla ı, ambém denominadas Tü kiye Schola ships, são bolsas de es udo inanciadas pelo go e no u co e des inadas a es udan es e
in es igado es in e nacionais (Tü kiye Schola ships, 2023).
50
a sua e icácia na coope ação e coo denação. A agência e elou pa icula in e esse em in e i em á eas
que ou o a pe enciam ao an igo impé io o omano, o que se e ela coe en e com as isões de polí ica
ex e na do go e no de E doğan que se ocam na he ança o omana e nas espec i as elações com os
Balcãs, o Médio O ien e e a Ásia Cen al (Akıllı e Çelenk, 2019). O núme o de p ojec os da TIKA
p a icamen e quad uplicou em 2011, em compa ação com o ano de 2002, o que comp o a os es o ços
ei os pelo AKP em p omo e uma imagem posi i a da Tu quia. Além disso, ambém o o çamen o
des inado às inicia i as des a agência aumen ou exponencialmen e desde 2002, ano em que o AKP
ascendeu ao pode . De ac o, du an e o pe íodo de 2003 a 2013 o in es imen o ei o oi cinco ezes
maio compa a i amen e ao pe íodo de 1992 a 2002 (Akıllı e Çelenk, 2019). Assim, os in es imen os na
o dem dos 85 milhões de dóla es em 2002, aumen a am pa a mais de mil milhões de dóla es em 2011
(Tu kish De elopmen Assis ance Repo
2018, 2019). Es a e olução não se cingiu apenas ao
in es imen o ei o, mas ambém ao núme o de esc i ó ios abe os da TIKA e ao núme o de países aos
quais a ajuda ex e na u ca chegou. E ec i amen e, a agência que em 2002 possuía 12 esc i ó ios,
passou a dispo de 25 em 2011 (Akıllı e Çelenk, 2019). Po sua ez, o núme o de países al o do apoio
da TIKA ul apassou os 100 em 2011 (TIKA
apud
Akıllı e Çelenk, 2019).
Embo a a Tu quia enha passado po di iculdades - nomeadamen e com as c ises económicas
dos anos 90 e en e 2000 e 2001 - o c escimen o da economia, a es abilidade e o p ocesso de
democ a ização a pa i des a década pe mi iu ao país a ai a a enção de di e sos ac o es (Ayhan,
2018). E ec i amen e, a c ise de 2000-2001 incen i ou à ealização de e o mas nas ins i uições polí icas
e económicas, que le a am à ecupe ação en e 2002 a 2007. Es a oi incen i ada po dois pila es
essenciais: a implemen ação bem-sucedida das e o mas apoiadas pelo Fundo Mone á io In e nacional
(FMI) e a abe u a das negociações pa a a adesão à UE. Con udo, es e pe íodo bem-sucedido de e o mas
económicas, polí icas económicas p uden es, edução da dí ida pública e c escimen o do p odu o in e no
b u o conhece ia desen ol imen os menos posi i os a pa i das eleições de 2007 (Maco ei, 2009)
O AKP en ou cons ui uma imagem c edí el da Tu quia, con encendo os ou os ac o es de que
o país con inua a a se uma democ acia. Po ou o lado, a polí ica ex e na, mais o ien ada pa a a es e a
económica do que de segu ança, desempenhou um papel ac i o em
o a
impo an es de ca iz económico
e polí ico e aco dos de coope ação mul ila e ais e egionais, o que pe mi iu o e o ço da imagem da
Tu quia como po ência média. Es a p oac i idade do
so powe
u co con i ma a conceção do papel de
E doğan em ala ga a á ea de in luência da Tu quia, an o na es e a egional como in e nacional. Assim,
a Tu quia passa ia a assumi cumula i amen e di e sos papéis: “líde egional”, “p o ec o ” e
“mediado ” (Gü zel, 2014).
51
Quando ascendeu ao pode , o pa ido de E doğan e a cons i uído po memb os com di e sas
ideologias mas que con e giam no descon en amen o ace aos pa idos secula es e às suas polí icas
aus e as. Pai a a, con udo, a descon iança de que es as ossem apenas p omessas, i ando p o ei o da
má si uação polí ica e económica que o país a a essa a, em consequência da c ise económica de 2001
(Yeşilada, 2023). A imagem de pa ido e o mado e p ó-UE pe mi iu que o AKP ganhasse elei o ado,
que po pa e dos mais conse ado es, que dos que não se iden i ica am como eligiosos embo a
ossem mais libe ais. Tal acon eceu uma ez que ambos se i am ep esen ados pelo pa ido: pa a os
libe ais as e o mas democ á icas na en a i a da adesão à UE, e pa a os conse ado es, a sal agua da
dos seus di ei os eligiosos (Ki diş, 2016). Assim, o pa ido conseguiu adap a o seu papel às expec a i as
do público domés ico.
E ec i amen e, du an e o p imei o manda o do AKP - de 2002 a 2007 - desen ol e am-se
es o ços com is a à possí el adesão da Tu quia à UE, o que culminou numa abe u a às negociações
de Anca a com B uxelas em 2005. Es as acções consegui am con ence o elei o ado mais cé ico de que
o pa ido se ap esen a a como mode ado em e mos eligiosos (Ki diş, 2016). O país p oduziu polí icas
pa a o Médio O ien e espei ado as do
s a us quo
da egião, ao não in e i mili a men e nos con li os
egionais. Em ez disso, a Tu quia op ou po eco e ao seu
so powe
pa a en a di imi e en uais
con li os na egião, ais como en e a Sí ia e Is ael. Des a o ma, os deciso es de polí ica ex e na u cos
consegui am, p incipalmen e no p imei o manda o do AKP, conjuga os in e esses da Tu quia no Médio
O ien e com a o ien ação das suas polí icas pa a o Ociden e (Özpek e Demi ağ, 2014).
Apesa de E doğan ei e a con inuamen e que a eligião não se de e ia mis u a com a polí ica,
na p á ica, a si uação se ia di e en e. E doğan es o ça a-se em a as a , aos poucos, os seus oposi o es
den o do pa ido, bem como em des aze as e o mas an e io es com ecu so a emendas na
cons i uição, a o ecimen o e co upção pa a consolida o seu pode . Aquando da c iação do AKP hou e
um g ande cuidado em camu la as e e ências à eligião, mui as ezes sob o p e ex o da de esa dos
di ei os polí icos e ci is. Além disso, o AKP ambém se mos ou a o á el à UE, menos nacionalis a e
islâmico do que os pa idos an e io es. Após a sua segunda eleição, em 2007, a maio ia das e o mas
concebidas pa a alcança o objec i o da adesão à UE o am des ei as, com is a à c iação g adual de
um egime au o i á io cen ado na pessoa de E doğan (Yeşilada, 2023). Des e modo, a e i a ol a nas
e o mas ez ab anda o p ocesso de adesão, o que se ez sen i na polí ica ex e na u ca (Ki diş, 2016).
Po conseguin e, du an e o segundo manda o (2007-2011), o pa ido passou po um pe íodo
ímpa em que no campo domés ico ia o seu elei o ado c esce , go e nando, assim, sem coligações.
Con udo, deco ia, ao mesmo empo, um p ocesso pa a o ence amen o do AKP no ibunal
52
cons i ucional u co, sendo que no plano ex e no a desacele ação das negociações com is a à adesão
da Tu quia à UE e am no ó ias (Ki diş, 2016).
Nas eleições de 2007, a ques ão cu da e o Islão polí ico o am emas cen ais. No ano an e io
às eleições, 2006, a ele isão pública - a Rádio e Tele isão Tu ca (TRT) - ha ia inaugu ado um canal em
cu do - o
TRT Ku dı
. Não obs an e a melho ia da qualidade an o da
TRT Wo ld
como da
TRT Ku dı
, es es
canais não consegui am compe i com ou os do mesmo géne o, como a
Al Jazee a
. Tal ac o di icul ou
a disseminação da na a i a/modelo da Tu quia a ou as sociedades (Guida e Göksel, 2018). Apesa
disso, a c iação do canal cu do a es a um es o ço, po pa e do AKP, em acolhe e dissemina a
iden idade cu da no es angei o.
Com e ei o, no segundo manda o do AKP, em 2007, E doğan anunciou esoluções pa a a ende
a algumas demandas cu das, nomeadamen e com is a a aze de ol a à Tu quia memb os do PKK
indos an o do I aque, como de á ias bases na Eu opa. Apesa de ais en a i as de adap ação do papel
ace às expec a i as dos cu dos pa ece em ep esen a um pon o de i agem na ques ão cu da, a mesma
p oduziu apenas uma pe ceção de i ó ia po pa e dos cu dos, que le ou à p isão de alguns memb os
do PKK e ao eg esso de ou os ao I aque.
Ainda nos seus es o ços pa a apazigua a ques ão cu da, E doğan aboliu a necessidade de is os
po pa e dos sí ios que iajassem pa a a Tu quia, e ice- e sa. No en an o, com a P ima e a Á abe na
Sí ia, su giu um no o pe igo, uma ez que a medida acili a a a en ada de sí ios na Tu quia. Es e ac o
i ia, assim, impac a a dinâmica das elações en e a Tu quia e a Sí ia. Mais a de, em 2010, as p opos as
de e o ma que o AKP ap esen ou no pa lamen o u co não e e iam os cu dos (Bengio, 2011), a es ando
o declínio das polí icas que en ol em es a mino ia, não sem impac o no
so powe
u co. De ac o, o
p oblema cu do ambém a ec ou as elações en e a UE e a Tu quia, sob e udo no espei an e aos di ei os
humanos no país, ep esen ando es e um dos maio es obs áculos à adesão da Tu quia à UE. Po sua
ez, a UE mos a a-se p eocupada quan o ao ac o de o PKK e o mado edes em alguns países da
União. Em 2002, o PKK oi conside ado, pela UE, uma o ganização e o is a, no seguimen o do 11 de
se emb o de 2001. Po conseguin e, es a conjun u a eio comp ome e as pe ceções da Tu quia po
pa e de alguns países da UE, e ice- e sa. Assim, a ques ão cu da, que an e io men e e a ida pela
Tu quia como uma ques ão de segu ança domés ica, ans o mou-se numa das p incipais p eocupações
do país, an o a ní el domés ico como in e nacional (Bengio, 2011).
No que conce ne ao Islão polí ico, o ano de 2007 oi ambém ma cado pelas acusações do
Es ado-Maio do exé ci o u co a E doğan, de es e segui uma agenda islâmica camu lada (Pola , 2009).
No início do segundo manda o do AKP, deu-se uma ede inição da iden idade u ca na polí ica ex e na
53
do país - adap ação do papel - com um dis anciamen o ace à pos u a passi a da Tu quia e ao
es abelecimen o de elações dinâmicas e amplas com os seus izinhos (Ki diş, 2016). Nes e
seguimen o, oi in oduzido po Da u oğlu (2001) o concei o de “p o undidade es a égica” que em po
oco a posição geog á ica da Tu quia. Assim, es e ealça a his ó ia u ca, nomeadamen e o seu passado
o omano e as elações cul u ais com as egiões dos Balcãs, Médio O ien e e Ásia Cen al (Rabasa &
La abee, 2008
apud
Yenokyan, 2023). Além des a dou ina, o
so powe
u co da época ambém incluiu
a polí ica “ze o p oblemas com os izinhos” que p ocu a a esol e os a i os com países p óximos,
melho ando as elações com os mesmos (Yenokyan, 2023). Es as polí icas pe mi i am, po exemplo,
desen ol e elações de amizade com a G écia, apesa da ques ão do Chip e (Guida, 2018).
Es a eo ien ação da polí ica ex e na u ca ep esen ou ambém uma adap ação do papel ace
às expec a i as do público domés ico. De ac o, os u cos en endiam que a Tu quia acomoda a de o ma
passi a as demandas das po ências - em pa icula , das po ências ociden ais - mesmo que es as
di e gissem dos in e esses u cos. Assim, ao eo ien a a polí ica ex e na, o AKP conseguiu conquis a
apoio po pa e de di e en es o ien ações polí icas mo idas pelos sen imen os nacionalis as (Ki diş,
2016).
Apesa da polí ica de “ze o p oblemas com os izinhos”, a dispu a com o Chip e oi e con inua
a se um g ande obs áculo à adesão da Tu quia à UE (Eu onews, 2023). Em 1960 o Chip e conquis ou
a sua independência ace ao Reino Unido sob uma cons i uição baseada na pa ilha de pode es en e
cip io as g egos e u cos, sendo que o Reino Unido pode in e i na ilha jun amen e com a Tu quia e a
G écia. O Chip e encon a-se di idido desde 1974, aquando da in asão da Tu quia ao no e da ilha, em
espos a ao golpe mili a que e e apoio do go e no g ego. A ilha oi assim di idida: um e ço a no e que
es á sob go e no u co-cip io a e dois e ços a sul go e nados po um go e no g eco-cip io a econhecido
in e nacionalmen e (BBC, 2023).
Em 2003 deu-se um acon ecimen o impo an e na his ó ia des e con li o quando os cip io as
u cos e g egos a a essa am a linha que di ide a ilha - linha e de - como consequência do alí io das
es ições on ei iças po pa e das au o idades cip io as u cas. Po sua ez, em 2004 o Chip e o nou-
se memb o da UE mas como uma ilha di idida (BBC, 2023). Quando ascendeu ao pode em 2002, o
AKP de endeu uma solução con ede al pa a a ques ão do Chip e ou seja, uma euni icação da ilha, o
que ep esen ou uma g ande mudança na polí ica ex e na u ca acompanhada po uma pe ceção posi i a
na UE ace à Tu quia (Öze em, 2021). Es a pos u a es á em consonância com o compo amen o mais
mode ado que o AKP adop ou aquando da sua subida ao pode , uma ez que o apoio a uma

54
con ede ação no caso do Chip e p essupõe um es o ço de conciliação. Po ou o lado, a de esa de uma
solução con ede al p essupõe a p ese ação da au onomia do Es ado.
Con udo, depois de á ios anos de negociações, a Tu quia decidiu ol a à sua pos u a inicial
ace ao Chip e. Öze em (2021) en ende que es a mudança de posição da Tu quia é esul ado de uma
mul iplicidade de ac o es, incluindo as negociações de décadas, que diminuí am a capacidade
ans o mado a da UE na Tu quia e a mudança nos equilíb ios de pode na egião em que o país se
inse e. Além des es, ac esce ainda as baixas pe spec i as de uma adesão da Tu quia à UE e a descobe a
de hid oca bone os p óximos da ilha. A ques ão do Chip e con inua a se um ema melind oso nas
elações Tu quia - UE. Es a p oblemá ica in ensi icou-se após a adesão do Chip e à UE, uma ez que a
ques ão do Chip e passou a aze pa e da agenda in e na da UE. Além disso, com a adesão à UE, os
cip io as g egos ganha am in luência nas decisões da União de ido ao pode de e o, o que o nou ainda
mais complicada a elação Tu quia - UE. Com es a conjun u a, as polí icas p ó-UE começa am a a as a -
se g adualmen e das p io idades do AKP (Öze em, 2021).
Po ou o lado, a pa i de 2011, as e ol as á abes o igina am p eocupações com a segu ança
ainda maio es na polí ica ex e na dos Es ados, uma ez que es as dinâmicas inci a am à escalada de
ensões en e a Tu quia e ou os Es ados, nomeadamen e Is ael, G écia, Chip e e Egi o. Po sua ez, a
Tu quia passou a aze uso do seu
ha d powe
na egião em busca de maio segu ança, p incipalmen e
na segunda me ade da década de 2010 (Öze em, 2021).
Face ao expos o, conside a-se en ão que a “e a de ou o” da diplomacia pública u ca oco eu
en e 2007 e 2013. Nos anos seguin es, a sua capacidade diplomá ica diminuiu de o ma adical,
consequência da ins abilidade polí ica in e na e do sucessi o isolamen o in e nacional da Tu quia. Po
conseguin e, o
so powe
u co i ia a conhece um pe íodo de declínio como analisa emos de seguida.
4.2. A no a e a da Tu quia - o pon o de i agem
De 2010 a 2016 o
so powe
u co so eu um declínio signi ica i o em i ude dos acon ecimen os
domés icos e in e nacionais. Na es e a domés ica, e i icou-se a cen alização do pode , o declínio dos
alo es democ á icos e o essu gimen o do con li o cu do. Po sua ez, na es e a in e nacional, a Tu quia
mani es a a di iculdade em conc e iza os seus objec i os, ao mesmo empo em que p osseguia a
islamização da polí ica (Szyszlak, 2021).
Pa a melho analisa mos a e olução do
so powe
u co, eco emos ao
The So Powe 30
, bem
como ao
IFG Monocle
que nos pe mi em e uma isão mais homogénea das pe ceções do público
55
ex e no ace à Tu quia. Assim, o
I G-Monocle 2010 index
posicionou a Tu quia no 25º luga , em 2010,
em ma é ia de
so powe
. O ela ó io des acou a al e ação da dependência da Tu quia ace ao
ha d
powe
pa a uma abo dagem mais ol ada pa a o
so powe
no domínio in e nacional. No plano domés ico
são sublinhadas as e o mas deco en es da candida u a do país à UE. Po sua ez, a ní el in e nacional,
o ela ó io salien a que a e olução da polí ica ex e na u ca p ocu ou se i ês objec i os: e o ça as
elações com os países izinhos, maximiza a sua posição geog á ica p i ilegiada en e o O ien e e o
Ociden e, e ins umen aliza o saudosismo o omano na condução da polí ica ex e na. Nes a al u a, o
p incipal objec i o da Tu quia em ma é ia de polí ica ex e na consis ia em a i ma -se enquan o líde
egional, ou a é global, a a és do
so powe
(Ibid).
Um acon ecimen o impac an e no
so powe
u co oi a dis inção do en ão p esiden e Abdullah
Gül a a és do p émio
Cha ham House 2010
pelo seu papel como impulsionado das e o mas com is a
à adesão da Tu quia à UE. Além des as, o an igo p esiden e oi ambém dis inguido pela sua dedicação
em aze es abilidade e p ospe idade à egião da qual a Tu quia az geog a icamen e pa e (Tu kish
Fo um, 2010).
No inal de 2010, os países á abes o am palco de ans o mações polí icas únicas e adicais,
conhecidas po P ima e as Á abes. Em i ude da sua posição geog á ica e c escen e ele ância na
egião, a Tu quia oi igualmen e in luen e nes es acon ecimen os, assim como bas an e in luenciada po
eles. Des a o ma, as P ima e as Á abes cons i uí am um obs áculo pa a a polí ica ex e na u ca, uma
ez que es a se apoia a nos p incípios de “ze o p oblemas” com os izinhos, de jus iça, libe dade e não-
in e e ência nos assun os domés icos do país. Po es e mo i o, a má ges ão des a ques ão pode ia
mo i a a pe da de c edibilidade da Tu quia (Khali a, 2017).
Em 2011, segundo o
I G-Monocle index
, a Tu quia passou do 25º luga pa a o 23º, man endo a
pos u a desc i a no ano an e io . Des acam-se no amen e as mudanças pa a consolida a sua
democ acia, a polí ica ex e na baseada nos ês pila es enume ados acima e as ambições em a i ma -se
como po ência egional e global, a a és do uso do
so powe
. O ela ó io de 2011 menciona ambém a
Agência de Diplomacia Pública u ca, na sequência do c escimen o da ede diplomá ica da Tu quia.
C iada em 2008, es a agência é um mecanismo que isa melho a as bases do
so powe
u co,
nomeadamen e as ins i uições públicas e a polí ica ex e na (
I G-Monocle index, s/d).
De ac o, a ajuda ex e na, assim como a ajuda humani á ia e ao desen ol imen o é, po na u eza,
um componen e essencial do
so powe
u co (Çe ik, 2019). Es a ep esen a um es o ço pa a minimiza
os e ei os nega i os do declínio dos alo es polí icos, compensando-os com o desen ol imen o de
e amen as cul u ais e humani á ias. Como analisámos an e io men e, dos mais de mil milhões de
56
dóla es em in es imen os na TIKA em 2011, o apoio go e namen al a es a agência oi aumen ando ao
longo dos anos, a ingindo mais de oi o mil milhões de dóla es em 2020 (
Tu kish De elopmen Assis ance
Repo
2018-2021). Po sua ez, ambém se egis ou uma e olução no núme o de esc i ó ios da TIKA
(de 25 esc i ó ios em 2011 pa a 62 em 2020) e no núme o de países aos quais a ajuda ex e na u ca
chegou (em 2011 a ajuda u ca oi ala gada a mais de 100 países, aumen ando pa a ce ca de 170 em
2020). Os p ojec os e ac i idades ealizadas po es a agência pe mi em que a Tu quia seja pe cecionada
de o ma mais posi i a, con ibuindo, po sua ez, pa a o aumen o do
so powe
u co (Akıllı e Çelenk,
2019). Assim, podemos in e i que a TIKA oi o alecida, assumindo um papel mais dinâmico a pa i de
2002. Apesa das di iculdades, an o a ní el in e nacional como a ní el domés ico, a Tu quia con inuou
a euni es o ços pa a con ibui na ajuda a ou os Es ados, sendo um dos países mais gene osos do
mundo (Akıllı e Çelenk, 2019).
Quando as P ima e as Á abes despole a am no Médio O ien e em 2011, as pe ceções dos
líde es u cos ace a es es acon ecimen os o am maio i a iamen e posi i as, uma ez que a Tu quia
apoia a odas as mudanças com o igem popula na egião. Con udo, a P ima e a Á abe na Sí ia começou
a e implicações na Tu quia, a a és do su gimen o do Es ado Islâmico na Sí ia e no I aque, e do
eapa ecimen o do PKK, ealçando os p oblemas an igos da polí ica ex e na u ca no Médio O ien e,
nomeadamen e a ques ão cu da e a o ien ação suni a da Tu quia. Po conseguin e, es es obs áculos
mo i a am a pe da do papel mediado da Tu quia na egião (Işıksal, 2018). Assim, os desen ol imen os
das P ima e as Á abes omen a am o im das polí icas de “ze o p oblemas com os izinhos” (Mu e ,
2018), cons i uindo uma adap ação do papel da Tu quia ace à conjun u a i ida na egião.
No e cei o manda o do AKP - de 2011 a 2015 - o papel da iden idade e ela -se-ia cada ez
mais p oeminen e (Ki diş, 2016). Em conc e o, E doğan en a iza ia ao ní el da polí ica ex e na os alo es,
as adições, a his ó ia e a geog a ia u ca, enquan o modelo pa a os países muçulmanos (Yanık, 2012).
Con udo, es a cons ução iden i á ia acen uou as pola izações la en es na sociedade u ca (Ki diş, 2016).
Nes e manda o, e em especial depois dos p o es os de Gezi, em 2013, p esenciou-se uma c escen e
debilidade do
so powe
u co. E ec i amen e, o aumen o da pola ização ideológica no país a ec ou de
o ma nega i a an o a es abilidade como a imagem da Tu quia desde 2013.
Po sua ez, o qua o manda o - de 2015 a 2018 - oi mui o con u bado, des acando-se a
en a i a de golpe de Es ado a 15 de ou ub o de 2016, o que p o ocou uma mudança na conceção do
papel de E doğan e, consequen emen e, no desempenho da sua polí ica ex e na, que se o na ia mais
nacionalis a com o objec i o de se p o ege de ameaças ex e nas. Es a pos u a aduziu-se, en e ou os
57
aspec os, num maio ce icismo com c í icas ao Ociden e e na c iação de uma na a i a de que es e e a
o inimigo ex e no da Tu quia (Ki diş, 2016).
De aco do com
The Po land So Powe Index 30,
a Tu quia encon a a-se no 28º luga em
2015, sendo que em 2016 não conseguiu aze pa e dos 30 países com melho capacidade de
so
powe
, classi icando-se na 32ª posição dada a ins abilidade domés ica e in e nacional. Na p á ica, a
Tu quia o na a-se g adualmen e num egime au o i á io, ep imindo os c í icos e a as ando os
oposi o es, si uação que a aiu a a enção do público in e nacional (Ins i u e o Secu i y and De elopmen
Policy, 2016).
Além disso, a 15 de julho de 2016, a en a i a de golpe de Es ado com is a a de uba o go e no
de E dogan, alhou, pese embo a as suas epe cussões con inuassem la en es. E dogan e o seu go e no
a ibuí am a culpa des e golpe a Fe hullah Gülen, an igo aliado do p esiden e, que i e exilado desde
1999 po planea uma en a i a de golpe (Al Jazee a, 2022). A en a i a de golpe de Es ado despole ou
mudanças p o undas a ní el polí ico, económico e social no plano domés ico da Tu quia e,
consequen emen e, a ní el in e nacional. Po ou as pala as, ela impac ou an o a conceção do papel,
como o desempenho do papel da Tu quia de E doğan.
Desde logo, a en a i a de golpe e e como p incipal consequência a e o ma cons i ucional.
Ap o ada po e e endo com 51% dos o os, ela e e como objec i o e o ça os pode es de E doğan,
pe mi indo-lhe desa ende o pa lamen o e limi a di ei os e libe dades, assim como a demissão de
milha es de juízes e uncioná ios públicos (Eu onews, 2017; Al Jazee a, 2016). Es as es ições às
libe dades ambém incluí am os
media,
endo as au o idades ence ado mais de uma cen ena de meios
de comunicação, jus i icando-as com alegadas ligações e o is as, de ido mais de 100 jo nalis as e
bloqueado o acesso à wikipédia. A onda de demissões não se icou pelos
media,
ab angendo ambém
as o ças a madas com o ence amen o de academias mili a es, e a demissão de milha es de o iciais do
exé ci o. Po ou o lado, ambém se e i icou o ence amen o de o ganizações não-go e namen ais,
escolas, uni e sidades e sindica os (Eu onews, 2017).
Po conseguin e, o desempenho do papel po pa e de E doğan e e como p incipal
consequência o aumen o das ensões ace ao Ociden e, nomeadamen e pa a com os EUA e a UE a
espei o, undamen almen e, dos Di ei os Humanos e do Es ado de Di ei o (Al Jazee a, 2016; Tol e al.,
2016). Além disso, an o a mudança cons i ucional, que concedeu mais pode es a E doğan, como as
de enções, o am pe cecionadas pelos Es ados democ á icos como uma ia pa a o au o i a ismo,
a ec ando a imagem da Tu quia nes es países (Tol e al., 2016). Em consequência da de e io ação dos
laços com o Ociden e, Anca a p ocu ou ap o unda as elações com po ências não-Ociden ais, como
64
cul u ais é insu icien e pa a compensa o declínio da epu ação do país p o ocado po condu as polí icas
que não são bem ecebidas pela comunidade in e nacional.
Po úl imo, em esul ado do acima expos o, a nossa conclusão inal des aca que o
so powe
da
Tu quia de E doğan em sido mais e icaz no plano domés ico do que ex e no. De ac o, nos úl imos anos
o
so powe
u co em-se e es ido de um c escen e populismo que se ca ac e iza pela explo ação da
e en e islâmica em de imen o da adicional laicidade. Tal conceção do papel é p oduzida à cus a da
us ação das expec a i as de um Ociden e que endeu a ilusão de uma iden idade eu opeia ao país,
mas que não i ia a se consequen e. Po conseguin e, não endo sido co espondida pela UE, mas
ambém pelos EUA, a Tu quia de E doğan op ou po ap o unda iden i a iamen e a sua e en e asiá ica
- na qual a China e a Rússia impo am como polos al e na i os aos alo es ociden ais - ao mesmo empo
em que a ins umen alização do Islão em con ibuído pa a a consolidação do líde u co no pode .
Como con ibu os pa a pesquisas u u as, conside amos opo uno o ap o undamen o da
diplomacia cul u al u ca - ao ní el da p omoção da língua, a es e sé ies, e do seu impac o no
so powe
u co - com en oque na Eu opa ociden al, egião onde es as êm sido al o de um c escimen o ímpa .
Também se a igu a pe inen e um es udo da diplomacia digi al u ca, mais conc e amen e do papel das
pla a o mas digi ais e edes sociais, pa a além dos
media
adicionais, no desen ol imen o do
so powe
da Tu quia. Como imos ao longo des a disse ação, os
media
desempenham um papel undamen al na
o mação de pe ceções, in luenciando p o undamen e o
so powe
u co. Po úl imo, ac edi amos que a
condução de es udos que a aliem os impac os do u ismo es é ico (como, po exemplo, os implan es
capila es) no
so powe
u co é de g ande impo ância.

65
Bibliog a ia
Fon es P imá ias:
Al Jazee a. (2022, 15 de julho).
Wha was Tu key’s ailed coup abou – and wha ’s happened since?
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