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Arte rupestre e povoamento préhistórico e proto-histórico na margem esquerda da ribeira da Vilariça (Nordeste transmontano)

Vaz, Fernando Pedro Penarroias

Abstract

Esta dissertação tem como objetivo aumentar o conhecimento sobre arte rupestre do Vale da Vilariça e a sua correlação com o povoamento pré-histórico e proto-histórico regional. Na metodologia de investigação deste tema, foi necessário trabalho prévio de gabinete, trabalho de campo, que teve como base a prospeção arqueológica e trabalho avançado de gabinete. Foram identificadas 68 rochas com arte rupestre nos concelhos de Alfândega da Fé e de Torre de Moncorvo, maioritariamente inéditos, de cronologia entre o Paleolítico Superior e, pelo menos, o séc. XIX, mas é, sobretudo, na Pré-história Recente e na Proto-história que se insere uma boa parte dos sítios gravados. As temáticas representadas são naturalistas, esquemáticas e subnaturalistas. Para além da arte Paleolítica, há rochas inseríveis na arte esquemática tardia e na arte figurativa, tal como foram definidas por Bettencourt (2017a, 2017b, 2021, 2023). Há também motivos inseríveis na arte sidérica do Douro. As técnicas de gravação são as de incisão, incisão filiforme, picotado e raspagem e apenas num caso, a pintura. Relativamente ao povoamento, este foi inventariado em ambas as margens da ribeira da Vilariça. Foram identificados, além de 19 povoados, entre o Calcolítico e a romanização, sete monumentos megalíticos, o recinto de estelas do Cabeço da Mina e as estelas isoladas da Quinta do Couquinho, da Quinta da Vila Maior e de Torre de Moncorvo. Em relação às inter-relações entre povoamento e arte rupestre, verificou-se que a maioria das rochas gravadas se relacionam com povoados nos percursos pedestres de 2 h, sendo as da Idade do Ferro aquelas que mantêm uma maior proximidade. Quanto ao santuário do Cabeço da Mina, este apresenta alguma variedade de sítios no aro de 2 h. Para além de algumas rochas com arte rupestre, no seu aro de 30 minutos, a 60 minutos há, também, outras rochas gravadas e monumentos megalíticos, sendo de destacar que o povoado com possibilidade de ser contemporâneo (Castro de Santa Justa) se encontra no aro de 30 minutos. Estes dados parecem evidenciar a existência de um território “sagrado” ou significante em redor do Cabeço da Mina, pelo menos no seu aro de 60 minutos.

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Universidade do Minho Instituto de Ciências Sociais F ernando P edro P enarr oias V az Ar te rupestre e povoamento pré-histórico e proto-his tórico na margem esquerda da ribeira da Vilariça (nordes te transmont ano) maio de 2025 UMinho | 2025 F ernando Pedr o P enar r oias V az Ar te rupestr e e po voamento pré-histórico e proto-his tórico na margem esquerda da ribeira da Vilariça (nordes te transmontano) Fernando Pedro Pe narroias Vaz Arte rupestre e povoament o pré- histórico e proto-histór ico n a margem esquer da da ribeira da Vilariça (Nordest e transmontan o) Diss ertação de Mestrado em Arqueologia Trabalho efetuado sob a orientaçã o da Professora Doutora Ana Maria dos San tos Bettencourt maio de 2025 i DIREIT OS DE AUTOR E CO NDIÇÕES DE UT ILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIR OS Este é um trabalh o académico que pode ser utilizado por t erceiros desde que respeitad as as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que con c erne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser u tilizado nos t ermos pr evistos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de pe rmissão para poder fazer um u so do trabalho em condições não prev istas no licenciame nto i ndicado, dever á contactar o autor, através do RepositóriUM da Un iver sidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho [Caso o autor pretenda usar uma das licenças Creative Commons, deve e scolher e deixa r apenas um dos seguintes ícones e respetivo lettering e URL, eliminando o tex to em itálico que se lhe segue. C ontudo, é possível optar por outro tipo de licença, devendo, nesse caso, ser inc luída a informação n ecess ária adaptando devidamente esta minuta ] Atribuição CC BY https://creativecom mons.org/licen ses/by/4.0/ ii Agradecimentos Esta dissertação de mestrado não é apenas o resultado de uma jornada académica, mas sim um caminho de vida partilhado com pessoas que me apoi aram nos momentos mais di fíceis. Agradeço profundamente à minha orientadora, Professora Doutora An a Maria dos Santos Bettencourt, pela paciência, pelo apoio i n telectual e, sobretudo, pelo enorme i n centivo ao lo n go deste percurso. Os vários telefonemas foram fundamentais para que esta dissertação fosse t erminada. Muito obrigado por tudo. À minha fam ília, sobretudo à minh a mulher Alexandra e ao meu filho Nelson, agradeço o amor, paciência e apoio ao longo destes anos. Sem eles, este trabalho não seria possível . Uma palavra de agradeciment o a um con junto de pessoas que t ornaram esta dissert ação mais com pleta e, sem eles, muito do que aqui está escrito não seria possível. Quero agradecer à Palimpsesto – Estudo e Preservação do Património Cultural, Lda., sobretudo a t rês pes soas que, sem eles, este trabalho seria mais difícil de concretizar. Deste modo, qu ero agradecer ao Ricardo Oliveira pela ajuda na elaboração de cartografia fundamental. Ao João Madureira pelo apoio prestado no layout e, por fim, com um agradecimento muito especial, ao Rui Barbosa. Foi de f acto, um dos grandes impulsionadores para que esta dissertação terminasse em t empo útil, proporcionando os serviços n ecessários. A ti Rui, um muito obrigado. Ao professor Francisco José Lopes, historiador de Alfândega da Fé que, para além de fornecer algum registo fotog ráfico indispensável, foi muito importante nas nossas conversas sobre o patrimón i o arqueológico deste concelho. Por fim, Ao José Moreira pelas informações prestadas e pela partilha de ideias, muito importantes na forma como encarei algumas das rochas gravadas. A todos os que me ajudaram, um muito obrigado! iii DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter at uado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e con firmo que não recorri à prática de plágio n em a qualqu er forma de utilização indevida ou falsificação de informa ções ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minh o. iv Arte ru pest re e povoamento pré-histórico e prot o-histórico na margem esquerda da ribeira da Vilariça (Nordeste transmontano) Resumo Esta dissertação tem como objetivo aumentar o conhecimento sobre arte rupestre do Vale da Vilariça e a sua correlação com o povoamento pré-histórico e proto-histórico region al. Na metodologia de investigação deste tema , foi necessário trabalho prévio de g abinete, trabalh o de campo, que teve como base a prospeção arqueológica e trabalho avan ç ado de gabinete. Foram ident ificadas 68 rochas com arte rupestre n os con celhos de Alfândega da Fé e de Torre de Moncorvo, maiorit ariament e inéditos, de cronologia entre o Paleolítico Superior e, pelo menos, o séc. XIX, mas é, s obretudo, n a Pré-história Recent e e na Proto-história que se insere um a boa parte dos sítios gravados. As temáticas representadas s ão naturalistas, esq uemáticas e subnaturalistas. Para além da arte Paleolítica, há rochas inseríveis na arte esquemática tardia e na arte fi gurativa, tal como foram definidas por Bettencourt (2017 a, 2017b, 20 21, 2023). Há também motivos inseríveis na arte sidérica do Douro. As técnicas de gravação s ão as de incisão, incisão fil iforme, picotado e raspagem e apenas num caso, a pintura. Relativamente ao povoame n to, es te foi inven tariado e m ambas as m argens da ribei ra da Vilariça. F oram identificados, além de 19 povoados, entre o Calcolítico e a romanização, sete monumentos megalíticos, o recinto de estelas do Cabeço da Mina e as estelas isoladas da Quinta do C ouqu inho, da Quinta da Vila Maior e de Torre de Moncorvo. Em relação às inter-relações entre povoamento e arte rupestre, verificou -se q ue a maioria das rochas gravadas se relacionam com povoados n os percursos pedestres de 2 h, sendo as da Idade do Ferro aquelas que m antêm uma maior proximidade. Quanto ao santuári o do Cabeço da Mina, este apresenta alguma variedade de sítios no aro de 2 h . Para a lém de algumas rochas com arte rupestre, no seu aro de 30 minutos, a 60 minutos há, também, outras rocha s gravadas e monumentos megalíticos, sendo de destacar que o povoado com possibilidade de ser contemporân eo (Castro de Sa nta Justa) se en contra no aro de 30 minut os. Estes da dos parecem evidenciar a existência de um território “sagrado” ou significante em redor do Cabeço da Mina, pelo menos no seu aro de 6 0 minutos. Palavras-chave: Vale da Vilariça; artes pal eolítica, esquemática, figurativa e sidérica; arte versus povoados; Cabeço da Mina versus arte rupestre. v Rock Art and Prehistoric and P rotohistoric Settlement on the Left Bank of the Vilariça Stream (Northeast Trás- os -Montes) Abstract This dissertation aims to enhance th e understanding of rock art in the Vilariça Valley and its correlation with regional prehistoric and protoh istoric settlement. The research meth odology included preliminary desk work, archaeological field survey, and advan ced analysis in t he office. A total of 68 rock art sites were identified in the municipalities of Alfândeg a da Fé and Torre de Mon corvo, most of them previously undocument ed. Their chron ol ogy ranges from th e Upper Paleolithic to at least the 19th century, th ough the m ajority of the e ngraved sites are dat ed to the Lat e Prehistory and Protohistory. The represented themes include naturalistic, schematic, and su b -naturalistic styles. In addition to Paleolithic art, there are panels ass igned to Late Sc h e m atic a n d Figurative art , as defined by Bet tencourt (2017a, 2017b, 2 021 , 2023), as well as motifs lin ked to the s o - called “s idereal art” of t he Dou ro re gion. The eng raving techniques ident ified include incision, fine -line incision, pecking, and scraping, wit h only one example of painting. Regarding settlemen t, 19 sites dating from th e Chalcolithic to t he Roma n ization period were recorded on both banks of t he Vilariça stream, along with seven megalith ic monuments, the stelae enclosure at Cabeço da Mina, and isolated stelae at Quint a do Couqu inho, Quinta da Vila Ma ior, and Torre de Moncorvo. The analysis of the relationship between settlement and rock art revealed that most eng raved rocks are located withi n a two - hour walking distan ce from settlements, with Iron Age sites showing the closest proximity. At t he Cabeço da Mina san c tuary, several types of archaeological sites are found within this radius: engraved rocks wit hi n 30 minutes, and ad ditiona l en graved pan els and megali thic monuments up to 60 minutes away. Notably, the Santa Justa hillfort, wh ich may be contemporaneous, is situated just 3 0 m inutes aw ay. These findin gs suggest t he existence of a symbolic or “sacred” te rritory around Cabeço da Mina, at least within a 60-minute walking radius. Keywords: Vilariça Valley; Paleolithic, schema tic, figurative, and sidereal art; art -settlemen t relationships; Cabeço da Mina versus rock art. vi ÍNDICE AGRADECIMENTO ii RESUMO iv ABSTRACT v ÍNDICE DE FIGURAS ix ÍNDICE DE TABELAS xxx ii PARTE I. CONSIDERAÇÕES INTRODU TÓRIAS 1 1. Int rodução 2 2. Quadro dos conh ecime n tos s obre a Pré -história Recente e a Proto-h istória no Vale da Vilariça 3 2.1 Int rodução 3 3. Breve inventário sobre os vestígios da Pré-história Rece nte e da Proto - h istória do Vale da Vilariça 6 3.1 Monumentos megalíticos 6 3.1.1 Concelho de Alfândega da Fé 7 3.1.2 Concelho de Torre de Moncorvo 8 3.1.3 Concelho de Vila Flor 9 3.2 Estelas antropomórficas 10 3.2.1 Concelho de Torre de Moncorvo 11 3.2.2 Concelho de Vila Flor 15 3.3 Povoamento 18 3.3.1 Concelho de Alfândega da Fé 19 3.3.2 Concelho de Torre de Moncorvo 28 3.3.3 Concelho de Vila Flor 38 3.4 Estatuárias zoomórficas 41 3.4.1 Concelho de Torre de Moncorvo 41 4. Objetivos 44 PARTE II. METODOLOGIA 45 1. Praxis 46 1.1 Trabalho inicial de gabinet e 46 1.2 Trabalho de campo 46 1.3 Trabalho avançad o de gabinete 52 vii PARTE III. ESPAÇO DE TRABALHO: VALE DA VILARIÇA 53 1. Introdução 54 2. A área de estudo: o Vale da Vilariça 56 2.1 Litologia 56 2.2 A rede hidrográfica 58 2.3 O clima 58 2.4 Recursos mineiros 59 PARTE IV. OS DADOS 62 1. Catálog o de arte rupestre 63 1.1 Critérios descritivos 63 1.2 Inventário 64 1.2.1 Concelho de Alfândega da Fé 64 1.2.1.1 União de Freguesias de Eucísia, Gouveia e Valverde 64 1.2.1.1.1 Eucísia 64 1.2.1.1.2 Gouveia 20 5 1.2.1.1.3 Santa Justa 3 37 1.2.1.2 Freguesia de Vilarelhos 399 1.2.2 Concelho de Torre de Moncorvo 40 5 1.2.2.1 União de Freguesias de Adeganha e C ardanha 40 5 1.2.2.1.1 Adeganha 40 5 PARTE V. DISCUSSÃO DOS DADOS E INTERPRETAÇÕES 410 1. Int rodução 411 2. Povoamento pré-h istórico e proto -histórico 411 3. Arte rupestre 414 3.1 Distribuição geográfica 414 3.2 Cont e x to geomorfológico 4 17 3.3 Tipo de superfícies gravadas 4 17 3.4 Técnicas 4 19 3.4.1 A arte pintada 4 26 3.4.1.1 Distribuição geográfica e con texto físico 4 26 3.4.1.2 Localização e caract erísticas 4 28 xiv Figura 110 – Em cima: pormenor das gravuras da rocha Favecas 15. Em baixo: motivo triangular. Levantamento sobre fotografia. ....................................................................................................... 139 Figura 111 - Em cima: pormenor das gravuras da rocha Favecas 15. Em baixo: picotados dispersos longitudinalmente. Levantamento sobre fotografia. .......................................................................... 140 Figura 112 - Excerto da folha 105 da Carta Militar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização de Favecas 16. ............................................................................................................................... 141 Figura 113 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 0 00, com a localização de Favecas 16. ............................................................................................................................... 142 Figura 114 - Rocha Favecas 16 com a área assinalada onde se encontram as gravuras. Fotografia do autor. ................................................................................................ ............................................. 143 Figura 115 - Em cima: pormenor das gravuras da rocha Favecas 16. Em baixo: cruciforme e pequenas linhas raspadas a amarelo e picotados a vermelho. Levantamento sobre fotografia. ......................... 144 Figura 116 - Excerto da folha 105 da Carta Militar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização de Favecas 17. ............................................................................................................................... 145 Figura 117 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 0 00, com a localização de Favecas 17. ............................................................................................................................... 146 Figura 118 - Rocha Favecas 17 com a área assinalada onde se encontram as gravuras. Fotografia do autor. ................................................................................................ ............................................. 147 Figura 119 - Em cima: fotogrametria do painel com as gravuras da rocha Favecas 17. Ao centro: pormenor das gravuras. Em baixo: linhas incisas filiformes a vermelho e linhas raspadas a amarelo. Levantamento sobre fotografia. ....................................................................................................... 149 Figura 120 - Excerto da folha 105 da Carta Militar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização de Favecas 18. ............................................................................................................................... 150 Figura 121 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 0 00, com a localização de Favecas 18. ............................................................................................................................... 151 Figura 122 - Rocha Favecas 18 com a área assinalada onde se encontram as gravuras. Fotografia do autor. ................................................................................................ ............................................. 152 Figura 123 – À esquerda: pormenor das gravuras da rocha Favecas 18. À direita: linhas incisas filiformes . Levant amento so bre fotografia. ....................................................................................... 153 Figura 124 - Excerto da folha 105 da Carta Militar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização de Favecas 19. ............................................................................................................................... 154 Figura 125 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 0 00, com a localização de Favecas 19. ............................................................................................................................... 155 Figura 126 - Rocha Favecas 19 com as áreas assinaladas onde se encontram as gravuras. F otografia do autor. ........................................................................................................................................ 156 Figura 127 - Em cima: pormenor das gravuras do painel A. Em baixo: linhas raspadas em ziguezague com terminal inferior raiado. Levantamento sobre fotografia. ........................................................... 157 Figura 128 - Em cima: pormenor das gravuras do painel B. Em baixo: linhas raspadas verticais. Levantamento sobre fotografia. ....................................................................................................... 158 Figura 129 - Excerto da folha 105 da Carta Militar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização de Favecas 20. ............................................................................................................................... 159 Figura 130 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 0 00, com a localização de Favecas 20. ............................................................................................................................... 160 Figura 131 - Rocha Favecas 20 com a área assinalada onde se encontram as gravuras. Fotografia do autor. ................................................................................................ ............................................. 161 xv Figura 132 - Em cima: pormenor das gravuras da rocha Favecas 20. Em baixo: linhas incisas filif ormes em dois grupos dis tintos. Levant amento sobre fotografi a. ................................................................ 162 Figura 133 - Excerto da folha 105 da Carta Militar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização de Favecas 21. ............................................................................................................................... 163 Figura 134 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 0 00, com a localização de Favecas 21. ............................................................................................................................... 164 Figura 135 - Rocha Favecas 21 com a área assinalada onde se encontram as gravuras. Fotografia do autor. ................................................................................................ ............................................. 165 Figura 136 - Em cima: pormenor das gravuras da rocha Favecas 21. Em baixo: motivo retangular preenchido por linhas oblíquas, verticais e áreas com raspagem da superf ície. Levan tamento sobre fotografia. ................................................................................................ ....................................... 166 Figura 137 - Excerto da folha 105 da Carta Militar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização de Favecas 22. ............................................................................................................................... 167 Figura 138 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 0 00, com a localização de favecas 22. ................................................................................................................................ 168 Figura 139 – F avecas 22 com a área assinalada onde se encontram as gravuras . Fotografia do aut or. ...................................................................................................................................................... 169 Figura 140 - Em cima: pormenor das gravuras da rocha de Favecas 22. Em baixo: linhas paralelas incisas e linhas verticais e horizontais entrecruzadas. Levantamento sobre fotografia. ...................... 171 Figura 141 - Excerto da folha 105 da Carta Militar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização de Favecas 23. ............................................................................................................................... 172 Figura 142 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1: 50 000, com a localização de Favecas 23. ............................................................................................................. 173 Figura 143 - Rocha Favecas 23 com a área assinalada onde se encontram as gravuras. Fotografia do autor. ................................................................................................ ............................................. 174 Figura 144 - Em cima: pormenor das gravuras da rocha Favecas 23. Em baixo: reticulado, triangulo aberto de um dos lados, linhas paralelas entre si e linhas curvas. Levantamento sobre fotografia. ... 175 Figura 145 - Excerto da folha 105 da Carta Militar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização de Favecas 24. ............................................................................................................................... 176 Figura 146 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 0 00, com a localização de Favecas 24. ............................................................................................................................... 177 Figura 147 – F avecas 24 com a área assinalada onde se encontram as gravuras . Fotografia do aut or. ...................................................................................................................................................... 178 Figura 148 - Em cima: pormenor das gravuras da rocha Favecas 24. Em baixo: dois grupos de linhas incisas oblíquas, paralelas entre si. Levantamento sobre fotografia. ................................................. 179 Figura 149 - Excerto da folha 105 da Carta Militar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização de Fraga das Ferraduras. ................................................................................................................ 180 Figura 150 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 0 00, a localização de Fraga das Ferraduras. ................................ .................................................................................... 181 Figura 151 - Levantamento de um dos painéis da F raga das Ferraduras efetuado por Mila Simões de Abreu (ABREU, 2012 : 105). ................................................................ ........................................... 182 Figura 152 - Vista geral da Fraga das Ferradur as a partir de sudoeste. A seta a verm elho indica o painel A, a seta a laranja o pain el B, a set a verde o painel C e a seta a zul o p ainel D. Fotografia do autor. . 183 Figura 153 - Esquerda: motivos gravados no painel A: motivos em U. O retângulo a vermelho indica o painel A. A seta indica a localização dos motivos pintados. D ireita: m otivos gravados no topo superior xvi do painel A. É possível identificar motivos em U e alguns pontos picotados dispers os. Fotografias do autor. ................................................................................................ ............................................. 185 Figura 154 - Motivos pintados identificados recentemente no painel A. Os picotados sobrep õem -se às pinturas. A imagem superior es querda corresponde a uma fot ografia sem filtros. A imagem supe rior direita tem um filtro CRGB e a inferior es querda, um filtro YRE. ....................................................... 186 Figura 155 - Motivos gravados no painel B: “ferraduras” ou motivos em U e podomorfos. F otografia do autor. ................................................................................................ ............................................. 187 Figura 156 - Grupos de gravuras assinaladas no painel C. Fotografia do autor. ................................ 188 Figura 157 - Pormenor das gravuras do grupo A do painel C on de são visív eis picotados e incisões filiformes . Fotog rafia do autor. ................................................................................................ ........ 188 Figura 158 - Pormenor das gravuras do grupo B do painel C on de se verif icam motivos circulares, em U picotados e incisões fili formes. Fotografia do autor. ......................................................................... 189 Figura 159 - Pormenor das gravuras do grupo C do painel C on de se ver ificam motivos em U pi cotados e incisões filiformes. F ot ografia do autor. ........................................................................................ 189 Figura 160 - Pormenor das gravuras do grupo D do painel C com motivos picotados em que o da direita parece ser um podomorfo. Fotografia do autor. ................................ .................................... 190 Figura 161 - Pormenor das gravuras do grupo E do painel C on de se ver ifica alguns picotados dispersos e um motivo em U, também picotado, bem como incisões filiformes. Alguns destes picotados dispersos poderão ser históricos. Fotografia do autor. ..................................................................................... 190 Figura 162 - Motivos gravados no painel D: “ferraduras” ou motivos em U e podomorfos. A seta indica um dos podomorfos. Fotografia do autor. ........................................................................................ 191 Figura 163 - Pormenor dos podomorfos do painel D. Fotografia do autor. ........................................ 191 Figura 164 - Excerto da folha 105 da Carta Militar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização de Ferraduras 2. ............................................................................................................................. 192 Figura 165 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 0 00, com a localização de Fraga das Ferraduras 2. ............................................................................................................. 193 Figura 166 - Ferraduras 2 com a localização dos painéis gravados. Fotografia do autor. .................. 194 Figura 167 - Motivos gravados no painel A: “ferraduras” ou motivos em U. Fotografias do autor. ..... 195 Figura 168 - Motivos gravados no painel B: “ferraduras” ou motivos em U. A seta assinala o painel com as gravuras no lado direito da imagem. Fotografia do autor. ............................................................ 195 Figura 169 - Excerto da folha 105 da Carta Militar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização de Ridevides 4. ................................................................ ............................................................... 196 Figura 170 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 0 00, com a localização de Ridevides 4. ................................................................ ............................................................... 197 Figura 171 - Rocha Ridevides 4 com as áreas assinaladas onde se encontram as gravuras. A seta indica a posição do painel C. À esquerda: vista a partir de sudoeste. À direita: vista a partir de noroeste. Fotografias do autor. ....................................................................................................................... 198 Figura 172 - À esquerda: pormenor das gravuras do pain el A. À direita: linhas incisas f iliformes a vermelho e picotados a preto. Levantam e n to sobre fotografia. ......................................................... 199 Figura 173 - À esquerda: pormenor das gravuras do pain el B. À direita: linhas incisas a ve rmelho. Levantamento sobre fotografia. ....................................................................................................... 199 Figura 174 - À esquerda: pormenor das gravuras do pain el C. À direita: linhas incisas a ve rmelho e picotados a preto. Levantamento sobre fotog rafia. ........................................................................... 200 Figura 175 - À esquerda: pormenor das gravuras do pain el D. À direi ta: linhas incisas a vermelho. Levantamento sobre fotografia. ....................................................................................................... 200 xvii Figura 176 - Excerto da folha 105 da Carta Militar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização de Serrinha 1. ................................................................................................................................ 201 Figura 177 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 0 00, com a localização de Serrinha 1. ................................................................................................................................ 202 Figura 178 - Rocha Serrinha 1 com a área assinalada onde se encontram as gravuras. Vis t a a partir de sul. F otografia do autor. .................................................................................................................. 203 Figura 179 - À esquerda: pormenor das gravuras da rocha Serrinha 1. À d ireita: por men or de um dos motivos em U. Fotografia do autor. ................................................................................................ . 204 Figura 180 - Pormenor das incisões da rocha Serrinha 1. Fotografia do autor. ................................ . 204 Figura 181 - Excerto da folha 105 da Carta Militar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização de Coutada 1. ................................ ................................................................................................ 205 Figura 182 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 0 00, com a localização de Coutada 1. ................................ ................................................................................................ 206 Figura 183 - Rocha Coutada 1 com as áreas assinaladas onde se encontram as gravu ras. Fotografia do autor. ................................................................................................ ............................................. 207 Figura 184 - Em cima: pormenor das gravuras do grupo A. Em baixo: linhas incisas a vermelho e picotados a lilás do grupo A. Levantamento sobre fotografia. ........................................................... 208 Figura 185 - Esquerda: pormenor das gravuras do grupo B. Direita: motivo em ziguezague, gravado através da técnica de incisão filiforme do grupo B. Levantamento sobre fotografia. .......................... 209 Figura 186 - Excerto da folha 105 da Carta Militar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização de Coutada 2. ................................ ................................................................................................ 210 Figura 187 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 0 00, com a localização de Coutada 2. ................................ ................................................................................................ 211 Figura 188 - Rocha Coutada 2 com as áreas assinaladas onde se encontram as gravu ras. Fotografia do autor. ................................................................................................ ............................................. 212 Figura 189 - Em cima: pormenor das gravuras da rocha Coutada 2. Fotografia noturna com luz rasante. Em baixo: “tabuleiro de jogo” a vermelho. Levantamento sobre fotografia. ................................ ....... 213 Figura 190 - Excerto da folha 105 da Carta Militar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização de Favecas 28. ............................................................................................................................... 214 Figura 191 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 0 00, com a localização de Favecas 28. ............................................................................................................................... 215 Figura 192 - Rocha Favecas 28 com as áreas onde se encontram as gravuras assinaladas. A seta indica a posição do painel D. Vista a partir de sudoeste. Fotografia do autor. ................................... 216 Figura 193 - À esquerda: pormenor das gravuras do pain el A. À direita: linhas incisas a ve rmelho. Levantamento sobre fotografia. ....................................................................................................... 217 Figura 194 - À esquerda: pormenor das gravuras do pain el B. À direita: linhas incisas a ve rmelho. Levantamento sobre fotografia. ....................................................................................................... 217 Figura 195 - À esquerda: pormenor das gravuras do pain el C. À direita: linhas incisas a ve rmelho e raspadas a amarelo. Levantament o sobre foto grafia. ....................................................................... 218 Figura 196 - À esquerda: pormenor das gravuras do pain el D. À direi ta: linhas incisas a vermelho. Levantamento sobre fotografia. ....................................................................................................... 218 Figura 197 - À esquerda: pormenor das gravuras do pain el D. À direi ta: linhas a vermelho ind icam um antropomorfo, a amarelo incisões e a verde raspagem. Levantamento sobre fotografia. ................... 219 Figura 198 - À esquerda: pormenor das gravuras do pain el D. À direi ta: caracteres (?) incisos a vermelho. Levantamento sobre fotografia. ....................................................................................... 219 xviii Figura 199 - À esquerda: pormenor das gravuras do pain el D. À direi ta: linhas incisas a vermelho. Levantamento sobre fotografia. ....................................................................................................... 220 Figura 200 - Excerto da folha 105 da Carta Militar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização de Favecas 29. ............................................................................................................................... 221 Figura 201 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 0 00, com a localização de Favecas 29. ............................................................................................................................... 222 Figura 202 - Rocha Favecas 29 com a área assinalada onde se encontram as gravuras. Vista a partir de sudoeste. Fotografia do autor. .................................................................................................... 223 Figura 203 - À esquerda: pormenor das gravuras da rocha Favecas 29. À direita: linhas incisas a vermelho. Levantamento sobre fotografia. ....................................................................................... 224 Figura 204 - Excerto da folha 105 da Carta Militar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização de Moinhos 1. ................................ ................................................................................................ 225 Figura 205 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 0 00, com a localização de Moinhos 1. ................................ ................................................................................................ 226 Figura 206 - Vista geral da rocha Moinhos 1. Os retângulos a vermel ho assinalam as gravuras . Vista a partir de sul. Fotografia do autor. .................................................................................................... 227 Figura 207 - À esquerda: pormenor das gravuras do grupo A. À direita: pormenor das gravu ras do grupo B. Fotografias do autor. ......................................................................................................... 227 Figura 208 - Excerto da folha 105 da Carta Militar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização de Moinhos 2. ................................ ................................................................................................ 228 Figura 209 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 0 00, com a localização de Moinhos 2. ................................ ................................................................................................ 229 Figura 210 - Vista geral da rocha Moinhos 2. Os retângulos a vermel ho assinalam as gravuras . Vista a partir de sul. Fotografia do autor. .................................................................................................... 230 Figura 211 - Em cima: pormenor das gravuras do grupo A. Em baixo: levantamento sobre o painel onde estão representadas a verde as gravuras do grupo A. Os pi cotados são as fraturas nat urais da rocha. Levantamento do autor. ................................ .................................................................................. 231 Figura 212 - Em cima: pormenor das gravuras do grupo B. em baixo: levantamento sobre o painel onde estão representadas a preto as gravuras do grupo B. Os picotados são as fraturas naturais da rocha. Levantamento do autor. ................................ .................................................................................. 232 Figura 213 - Excerto da folha 105 da Carta Militar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização de Moinhos 3. ................................ ................................................................................................ 233 Figura 214 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 0 00, com a localização de Moinhos 3. ................................ ................................................................................................ 234 Figura 215 - Vista geral da rocha Moinhos 3. O retângulo a vermelho assinala as gravuras. Vis ta a partir de sul. F otografia do autor. ............................................................................................................. 235 Figura 216 - Pormenor das gravuras da rocha Moinhos 3. Fotografia do autor. ................................ 236 Figura 217 - Excerto da folha 105 da Carta Militar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização de Moinhos 4. ................................ ................................................................................................ 237 Figura 218 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 0 00, com a localização de Moinhos 4. ................................ ................................................................................................ 238 Figura 219 - Vista geral da rocha Moinhos 4. O quadrado a vermelho assinala as gravuras. Vista a partir de sul. F otografia do autor. ............................................................................................................. 239 Figura 220 - Pormenor das gravuras da rocha Moinhos 4. Fotografia do autor. ................................ 240 xix Figura 221 - Excerto da folha 105 da Carta Militar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização de Moinhos 5. ................................ ................................................................................................ 241 Figura 222 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 0 00, com a localização de Moinhos 5. ................................ ................................................................................................ 242 Figura 223 - Vista geral da rocha Moinhos 5. O quadrado a vermelho assinala as gravuras. Vista a partir de sul. F otografia do autor. ............................................................................................................. 243 Figura 224 - Pormenor das gravuras da rocha Moinhos 5. Fotografia do autor. ................................ 244 Figura 225 - Excerto da folha 105 da Carta Militar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização de Pias 1. ....................................................................................................................................... 245 Figura 226 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 0 00 com a localização de Pias 1. ....................................................................................................................................... 246 Figura 227 - Vista geral da rocha Pias 1 onde estão assinalados os seis painéis com g ravuras . Fotografia do autor. ........................................................................................................................ 247 Figura 228 - Em cima: Pormenor das gravuras do painel A. Em baixo: possível antropomorfo picotado e linhas incisas. Levantamento do autor. ........................................................................................... 248 Figura 229 - Linhas incisas filiformes do painel B. Levantamento do autor. ...................................... 248 Figura 230 - Em cima: pormenor das gravuras do painel C. Em baixo: linhas incisas, picotados e fusif ormes. Levant amento do autor. ................................................................................................ 249 Figura 231 - Em cima: pormenor das gravuras do painel D. Em baixo: motivo em U ou “ferr adura” picotado. Levantamento do autor. ................................................................................................... 249 Figura 232 - Em cima: pormenor das gravuras do painel E. Em baixo: provável motivo em U picotado. Levantamento do autor. ................................ .................................................................................. 250 Figura 233 - Painel F com linhas incisas filiformes . Levant amen to do autor. .................................... 250 Figura 234 - Excerto da folha 105 da Carta Militar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização de Pias 2. ....................................................................................................................................... 251 Figura 235 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal com a localização de Pias 2 . .......... 252 Figura 236 - Vista geral da rocha Pias 2 onde estão assinalados os três painéis com gravuras. Fotografia do autor. ........................................................................................................................ 253 Figura 237 - Em cima: pormenor do painel A. Em baixo: linhas incisas filif ormes, linhas raspadas, picotados e um pentagrama raspado. Levantamento do autor. ........................................................ 255 Figura 238 - Em cima: pormenor das gravuras do painel B. Em baixo: linhas raspadas, picotados e um cruciforme picotado. Levantamento do autor. .................................................................................. 256 Figura 239 - Em cima: pormenor das gravuras do painel C. em baixo: cruciforme picotado. Levantamento do autor. ................................ .................................................................................. 256 Figura 240 - Excerto da folha 105 da Carta Militar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização de Pias 3. ....................................................................................................................................... 257 Figura 241 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 0 00, com a localização de Pias 3. ....................................................................................................................................... 258 Figura 242 - Vista geral da rocha Pias 3 onde está assinalado o painel com gravuras. Fotografia do autor. ................................................................................................ ............................................. 259 Figura 243 - Linhas incisas filiformes da rocha Pias 3. Fotografia do autor. ...................................... 260 Figura 244 - Excerto da folha 105 da Carta Militar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização de Pias 4. ....................................................................................................................................... 261 Figura 245 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 0 00, com a localização de Pias 4. ....................................................................................................................................... 262 xx Figura 246 - Vista geral da rocha Pias 4 onde está assinalado o painel com gravuras. Fotografia do autor. ................................................................................................ ............................................. 263 Figura 247 - Em cima: pormenor das gravuras da rocha Pias 4. Em baixo: linhas incisas fil iformes. Levantamento do autor. ................................ .................................................................................. 264 Figura 248 - Excerto da folha 105 da Carta Militar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização de Pias 5. ....................................................................................................................................... 265 Figura 249 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 0 00, com a localização de Pias 5. ....................................................................................................................................... 266 Figura 250 - Vista geral da rocha Pias 5 onde está assinalado o painel com gravuras. Fotografia do autor. ................................................................................................ ............................................. 267 Figura 251 - Pormenor de parte de uma data picotada e um tabuleiro de jogo efetuado através da incisão filiforme. F otografia do autor. .............................................................................................. 268 Figura 252 - Excerto da folha 105 da Carta Militar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização de Pias 6. ....................................................................................................................................... 269 Figura 253 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 0 00, com a localização de Pias 6. ....................................................................................................................................... 270 Figura 254 - Vista geral da rocha Pias 6. Fotografia do autor. .......................................................... 271 Figura 255 - Em cima: pormenor de alguns motivos em U da rocha de Pias 6 fotografados com luz rasante. Em baixo: a seta azul indica um eventual antropomorfo e a seta vermelha um outro antropomorfo, de maiores dimensões. Fotografias do autor. ............................................................ 272 Figura 256 – F otogramet ria da rocha de Pias 6. A seta indica um eventual antropomorfo. ............... 273 Figura 257 - Excerto da folha 105 da Carta Militar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização de Pias 7. ....................................................................................................................................... 274 Figura 258 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 0 00, com a localização de Pias 7. ....................................................................................................................................... 275 Figura 259 - Vista geral da rocha Pias 7 com os grupos de gravuras assinalados no mesmo painel. Fotografia do autor. ........................................................................................................................ 276 Figura 260 - Em cima à esquerda: gravuras do grupo A que podem corresponder a um tabuleiro de jogo. Em cima à direita: grupo B constituído por linhas raspadas paralelas entre si e algumas entrecruzadas. Em baixo: grupo C que corresponde a linhas raspadas paralelas entre si, também com algumas entrecruzadas. Fotografias do autor. ................................................................................. 277 Figura 261 - Excerto da folha 105 da Carta Militar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização de Pias 8. ....................................................................................................................................... 278 Figura 262 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 0 00, com a localização de Pias 8. ....................................................................................................................................... 279 Figura 263 - Vista geral da rocha Pias 8 com as gravuras ass inaladas. Fotografia do autor. ............. 280 Figura 264 - Pormenor das gravuras da rocha Pias 8. Fotografia do autor. ................................ ...... 281 Figura 265 - Excerto da folha 105 da Carta Militar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização de Pias 9. ....................................................................................................................................... 282 Figura 266 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1: 50 000, com a localização de Pias 9. ..................................................................................................................... 283 Figura 267 - Vista geral da rocha Pias 9 com os painéis gravados assinalados a partir de sul. F otografia do autor. ........................................................................................................................................ 284 Figura 268 - Vista geral da rocha Pias 9 com os painéis gravados assinalados a partir de sudeste. Fotografia do autor. ........................................................................................................................ 284 xxi Figura 269 - À esquerda: pormenor das gravuras do pain el A. À direita: linhas incisas p aralelas na parte central e linhas dispersas abaixo e na parte direita destas. No canto superior esquerdo existe um pequeno grupo de linhas oblíquas, p a ralelas entre si. Levan tamento sobre fotografia. ...................... 286 Figura 270 - À esquerda: pormenor das gravuras do pain el B (seta a vermelho). À d ireita: linhas incisas dispersas um pouco por todo o painel. Existem algumas gravuras agrupadas, s obretudo na part e central. Levantamento sobre fotografia. ........................................................................................... 286 Figura 271 - À esquerda: pormenor das gravuras do pain el C. À direita: linhas u m pouco por todo o painel. Há um motivo que se repete algumas vezes , se melhante a um A. As setas i n dicam esses motivos. Há um pequeno grupo de linhas oblíqu as, par alelas entre si na parte superior do painel. As gravuras a preto correspondem a linhas raspadas. Levantamento sobre fotografia. .......................... 287 Figura 272 - À esquerda: pormenor das gravuras do pain el D. À direi ta: linhas incisas a amarelo, dispersas pela parte direita do painel. A preto linhas raspadas, ocupando quase todo o painel. A vermelho está identificado um eventual antropomorfo com uma linh a horizontal à cintura. Do lado direito deste motivo, encontram-se dois pequenos picotados a rosa. Levantam ento sobre fotografia. 288 Figura 273 - À esquerda: pormenor das gravuras do pain el E. À direita: linhas incisas f iliformes com a representação de um eventual antropomorfo na parte supe rior, semelhante ao d o painel D, com picotados junto a este motivo. A seta a vermelho indica este possível ant ropomorfo. Há um pequ eno grupo de gravuras raspadas, assinalado pelo círculo. Levantamento sobre fotografia. ...................... 289 Figura 274 - À esquerda: pormenor das gravuras do pain el F . À direita: linhas raspadas horizontais paralelas entre si com duas linhas verticais curvas e u ma oblíqua, de menores dimensões, no grupo da direita. No grupo da esquerda, linhas dispersas. Levanta mento sobre fotografia. ............................. 290 Figura 275 - À esquerda: pormenor das gravuras do pain el G. À direi ta: linhas paralelas entre si numa posição oblíqua e, perpendiculares a estas, outras linhas, quase como se formasse um axadrezado aberto. Na parte lateral esquerda deste painel, foi gravad o, um motivo picotado semelhante a um báculo (?), para além de pontos dispersos. Lev antam ento sobre f otografia. ..................................... 291 Figura 276 - Pormenor das gravuras do painel G. Fotografia do autor. ............................................. 292 Figura 277 - Em cima: pormenor das gravuras do painel H. Em baixo: linhas incisas paralel as entre si, um ziguezague e, no fundo do painel, uma linha horizontal, com linhas perpendiculares a esta, para além de picotados dispersos. Levantamento sobre fotografia. .......................................................... 293 Figura 278 - À esquerda: pormenor das gravuras do pain el I. À direita: forma quase quadrada, com linhas incisas filiformes dispersas no seu interior. Levant amento sobre fotografia. ........................... 294 Figura 279 - Pormenor das gravuras picotadas do painel J. ............................................................. 295 Figura 280 - Em cima: pormenor das gravuras do painel K. Em baixo: linhas incisas fili fo rmes, curvas, e na parte inferior esquerda do painel, um pequeno motivo em “espinha”. Levantamento sobre fotografia. ................................................................................................ ....................................... 296 Figura 281 - Excerto da folha 105 da Carta Militar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização de Pias 10. ..................................................................................................................................... 297 Figura 282 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 0 00, com a localização de Pias 10. ..................................................................................................................................... 298 Figura 283 - Vista geral da rocha Pias 10 com os oito painéis gravados assinalados. Fotografia do autor. ................................................................................................ ............................................. 299 Figura 284 - Em cima: pormenor das gravuras do painel A. Fotografia noturna com luz rasante. Em baixo: sulcos incisos filiformes, alguns deles parecendo alfabet iformes, e l inhas paralelas raspadas. Levantamento do autor. ................................ .................................................................................. 301 Figura 285 - Pormenor das gravuras do painel B com sulcos em ziguezague. .................................. 302 xxii Figura 286 - À esquerda: pormenor das gravuras do pain el C: À direita: pentagrama g ravado através de incisão filiforme. Levantamento do autor. ........................................................................................ 302 Figura 287 - Pormenor das gravuras do painel D com pequeno reticulado na parte inferior. Fotografia do autor. ........................................................................................................................................ 303 Figura 288 - À esquerda: pormenor das gravuras do pain el E. À direita: linhas incisas f iliformes verticais, horizontais e um motivo triangular aberto. Levantamento do autor. ................................... 303 Figura 289 – À esquerda: pormenor das gravuras do painel F. Fotografia noturna com luz rasante. À direita: sulcos incis os filifor mes na vertical. Levantame nto do autor. ................................................ 304 Figura 290 - Vista geral das gravuras do painel G com linhas incisas filiformes de difícil perceção. O retângulo assinala a área gravada. Fotografia do autor. ................................................................... 304 Figura 291 - Em cima: pormenor das gravuras na parte proximal do painel H. Ao centro: pormenor do eventual zoomorfo. Em baixo: sulcos incisos ao longo de quase todo o painel. No topo há, pelo menos, dois motivos que parecem alfabetiformes. Na base do painel (can to inferior esqu erdo) parece existir um zoomorfo muito estilizado, com cauda curta (caprídeo?). Levantamento do autor. ............................ 306 Figura 292 - Excerto da folha 105 da Carta Militar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização de Pias 11. ..................................................................................................................................... 307 Figura 293 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 0 00, com a localização de Pias 11. ..................................................................................................................................... 308 Figura 294 - Vista geral da rocha Pias 11 com a representação sítios gravados. Fotografia do autor. 309 Figura 295 - Em cima: pormenor das gravuras do painel A. Em baixo: linhas incisas filif ormes e raspadas (linhas ténues). Levantamento do autor. ........................................................................... 310 Figura 296 - Em cima: pormenor das gravuras do painel B. Em baixo: cruciformes incisos. Levantamento do autor. ................................ .................................................................................. 311 Figura 297 - Excerto da folha 105 da Carta Militar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização de Pias 12. ..................................................................................................................................... 312 Figura 298 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 0 00, com a localização de Pias 12. ..................................................................................................................................... 313 Figura 299 - Vista geral da rocha Pias 12 com as gravuras assinaladas. Fotografia do autor. ........... 314 Figura 300 - Pormenor dos picotados da rocha Pias 12. Fotografia do autor. ................................... 315 Figura 301 - Excerto da folha 105 da Carta Militar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização de Vale Concelho 1. ........................................................................................................................ 316 Figura 302 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 0 00, com a localização de Vale Concelho 1. ........................................................................................................................ 317 Figura 303 - Vista geral da rocha Vale Concelho 1 com os dois painéis gravados assinalados. Fotografia do autor. ........................................................................................................................................ 318 Figura 304 - À esquerda: pormenor das gravuras do pain el A. À direita: linhas incisas p aralelas entre si. Levantamento sobre fotografia. ....................................................................................................... 319 Figura 305 - Á esquerda: pormenor das gravuras do pain el B. À direita: motivos ef etuados através da técnica de raspagem em forma de “folha” com algumas li n has e pontos a preenchê -lo. Levantamento sobre fotografia. ............................................................................................................................. 319 Figura 306 - Excerto da folha 105 da Carta Militar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização de Vale Concelho 2. ........................................................................................................................ 320 Figura 307 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 0 00, com a localização de Vale Concelho 2. ........................................................................................................................ 321 xxiii Figura 308 - Vista geral da rocha Vale Concelho 2 com as gravuras assinaladas. Fotografia do autor. ...................................................................................................................................................... 322 Figura 309 - À esquerda: pormenor das gravuras da rocha Vale Concelho 2. À direita: motivo triangular inciso. Levantamento sobre fotografia. ............................................................................................ 323 Figura 310 - Excerto da folha 105 da Carta Militar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização de Vale Concelho 3. ........................................................................................................................ 324 Figura 311 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 0 00, com a localização de Vale Concelho 3. ........................................................................................................................ 325 Figura 312 - Vista geral da rocha Vale Concelho 3 com as gravuras assinaladas. Fotografia do autor. ...................................................................................................................................................... 326 Figura 313 - Á esquerda: pormenor das gravuras da rocha Vale Concelho 3. Á direita: linhas raspadas com várias disposições. Levantamento sobre fotografia. .................................................................. 326 Figura 314 - Excerto da folha 105 da Carta Militar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização de Vale Concelho 4. ........................................................................................................................ 327 Figura 315 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 0 00, com a localização de Vale Concelho 4. ........................................................................................................................ 328 Figura 316 - Vista geral da rocha Vale Concelho 4 com as gravuras assinaladas. Fotografia do autor. ...................................................................................................................................................... 329 Figura 317 – Em cima: pormenor das gravuras da rocha Vale Concelho 4. Em baixo: linhas incisas verticais, paralelas e entrecruzadas no grupo da esquerda e linhas verticais, oblíquas e horizontais no grupo da direita. Levantamento sobre fotografia. ............................................................................. 331 Figura 318 - Excerto da folha 105 da Carta Militar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização de Vale Concelho 5. ........................................................................................................................ 332 Figura 319 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 0 00, com a localização de Vale Concelho 5. ........................................................................................................................ 333 Figura 320 - Vista geral da rocha Vale Concelho 5 com as gravuras assinaladas. Fotografias do autor. ...................................................................................................................................................... 334 Figura 321 - Pormenor das eventuais gravuras do painel A, com dois grupos de linhas incisas filiformes verticais paralelas e ntre si. Fotografia do aut or. ............................................................................... 335 Figura 322 - Pormenor das gravuras do painel B com incisões fi liformes, forman do dois pequenos grupos de linhas paralelas, um horizontal e o outro oblíquo. Fotografia do autor. ............................. 336 Figura 323 - Pormenor das gravuras do painel C com linhas incisas filiformes, de difícil interpretação. Fotografia do autor. ........................................................................................................................ 337 Figura 324 - Excerto da folha 105 da Carta Militar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização de Pedra Nova. ............................................................................................................................... 338 Figura 325 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 0 00, com a localização de Pedra Nova. ............................................................................................................................... 339 Figura 326 - Vista geral da rocha Pedra Nova com as áreas assinaladas onde se encontram as gravuras. Fotografia do autor. ......................................................................................................... 340 Figura 327 - Pormenor das gravuras do painel A, com incisões filiformes paralelas entre si. Fotografias do autor. ........................................................................................................................................ 341 Figura 328 - Pormenor do grupo de motivos em U, picotados, do painel B. Fotografia do autor. ....... 341 Figura 329 - Pormenor das gravuras do painel B onde se identificam motivos em U, picotados. ....... 342 Figura 330 - Pormenor de um grupo de sulcos fusiformes do painel B. Fotografia noturna com luz rasante do autor. ............................................................................................................................ 342 xxx Figura 469 - Grupos de picotados. Da esquer da para a direita: Favecas 1 2 e Favecas 16 (a vermelho). A figura da direita apresenta picotados a vermelho. Levantamento sobre fotografia. ......................... 477 Figura 470 - Picotados associados elemento natural da supe rfície – um veio de quartzo branco. Ridevides 4 (a preto). Levantamento sobre fotografia. ................................ ...................................... 477 Figura 471 - Alguns exemplos de motivos em U. Em cima: Fraga das Ferradur as. Em baix o: Ferradur as 2. Fotografias do autor. ................................................................................................................... 478 Figura 472 - Podomorfo da Fraga das Ferradur as. Foto grafia do autor. ............................................ 479 Figura 473 - Esquerda: antropomorfo de Pias 6. Direita: possível antropomorfo ou vulva de Pias 1. Fotografias e levantamento do autor. .............................................................................................. 479 Figura 474 - Covinhas do abrigo do Castro de Santa Justa. Fotografias do autor. ............................. 480 Figura 475 - Cruciformes de Pias 2 . Fotografias do autor. ............................................................... 480 Figura 476 - Alguns exemplos de datas. Da esqu erda para a direita: Moin hos 1 e Pias 6. Fotografias do autor. ................................................................................................ ............................................. 480 Figura 477 - Alguns exemplos de picotados que s e sobrepõem a out ras técnicas, nomeadamente a incisão filiforme (três casos) e à in cisão fu siforme (um caso, em baixo, à direita). Em cima da esquerda para a direita: Fraga das Ferraduras. Em baixo: Pias 6 e Pias 1. Fotografias do autor. ..................... 483 Figura 478 – Arte paleolítica na marg e m esqu erda do Vale da Vilariça, na escala 1:50 000. ............ 484 Figura 479 – Em cima: possível cabeça de auroque de Vilariça 4. Fotografia do autor. Em baixo, da esquerda para a direita: Rocha 13 da Ribeira de Piscos (BAPTISTA et al., 200 8: 118), rocha 40 da Canada do Inferno (BAPTISTA et al., 2008: 130), rocha d e Redor do Porco (BAPTISTA et. al., 2011: 16) e o auroque do painel 4 de Siega Verde (MARCOS, 201 8: 71). ................................ ................. 485 Figura 480 - Arte da passagem do Paleolítico Superior para o Epipaleolítico/Mesolítico na margem esquerda do Vale da Vilariça, na escala 1:50 000. .......................................................................... 486 Figura 481 – Em cima: “unhadas do diabo” de Pedra Nova. Fotografia do autor. Em baixo: painel 6 do Abrigo Rupestre da Foz do Tua (TEIXEIRA et. al., 2017: 41). ........................................................... 487 Figura 482 – Arte da Pré-história Recente n a margem esquer da do Vale da Vilariç a, na escala 1: 50 000. ................................................................................................ .......................................... 488 Figura 483 – Em cima: pinturas da Fraga das Ferraduras. Em baixo: Gravuras das rochas 1 e 2 de Namoradas (GOMES, 2025: 251). .................................................................................................. 488 Figura 484 – F otogramet ria da Pedra Escrita de Ridevides 1, com as alabardas assin aladas. .......... 489 Figura 485 – Pormenor fotogramétrico de algumas alabardas da Pedra Escrita de Ridevides 1. ....... 489 Figura 486 - Arte da Idade do Bronze a inícios da Idade do Ferro na margem esquerda do Vale da Vilariça, na escala 1:50 000. .......................................................................................................... 490 Figura 487 – F otogramet ria geral da Fraga das Fer raduras, onde se podem observar inúmeros motivos em U. ............................................................................................................................................. 490 Figura 488 - Em cima: fotogrametria geral de Ferraduras 2. Em baixo: pormenor fotogramétrico dos painéis A e B com três grupos de motivos em U, assinalados. ......................................................... 491 Figura 489 – F otogramet ria de Pias 6, com motivos em U e covinha central. .................................. 492 Figura 490 - Fotogrametria de Serrinha 1, onde os ténues motivos em U, picotados, não são visíveis . ...................................................................................................................................................... 492 Figura 491 - Arte rupes tre da Prot o-história na margem esquer da do Vale da Vilariça, n a escala 1:50 000. ............................................................................................................................................... 493 Figura 492 - Pormenor das gravuras do painel A de Moinhos 2. Levantamento do autor. ................. 493 Figura 493 - Possíveis alfabetiformes de Pias 10 (esquerda) e de Favecas 28 (direita). .................... 494 xxxi Figura 494 – À esquerda: alfabetiformes do Vale da Casa (Vila Nova de Foz Côa), segundo Mário Varela Gomes (2013: 78). À direita: quadro de alfabetos gregos arcaicos, etrusco e romano antig o e os identificados em Vale da Casa (G OMES, 2013: 85). ........................................................................ 495 Figura 495 - Arte rupes tre de época roma na ou mediev al na margem esquerda do Vale da Vilariça, na escala 1:50 000. ............................................................................................................................ 496 Figura 496 – Em cima: tabuleir o de jog o de Moinhos 5. Em baixo: possível tabuleiro de jogo de Coutada 2. Fotografia e levantam e n to do autor. .............................................................................. 497 Figura 497 – Pentagrama inciso de Pias 10. Fotografia do autor. .................................................... 498 Figura 498 - Territórios teóricos de circulação, na escala 1:110 000, entre o santuário de estelas do Cabeço da Mina (triângulo a preto), os povoados do Castro de Santa Justa, Senhora do Castelo e Castelo da Junqueira (quadrados a vermelho), os monumentos megalíticos (pontos a branco) e as rochas com arte rupestre Pedra Escrita de Ridevides 1 e 2, Pedra Nova e Pias 9 (lo sangos azuis ). .. 499 Figura 499 – Territórios teóricos de circulação, na escala 1:150 000, entre Pedra Escrita de Ridevides 1 e 2 (triângulo a preto) e os povoados da Senhora do Castelo e Baldoeiro (quadrados a vermelho). 500 Figura 500 - Territórios teóricos de circulação, na escala 1:100 000, entre Serrinha 1 (triângulo a preto) e o povoado do Castelo da Junqueira (quadrado a vermelho). ............................................... 501 Figura 501 - Territórios teóricos de circulação, na escala 1:100 000, entre Pedra Nova (triângulo a preto) e o povoado do Castelo da Junqueira (quadrado a vermelho). ............................................... 501 Figura 502 - Territórios teóricos de circulação, na escala 1:100 000, entre Pias 1 (triângulo a preto) e o povoado do Castelo da Junqueira (quadrado a vermelho). ............................................................... 502 Figura 503 – Territórios teóricos de circulação, na escala 1:100 000, entre Pias 6 (triângulo a preto) e o povoado do Castelo da Junqueira (qu adrado a vermelh o). ............................................................ 502 Figura 504 – Territórios teóricos de circulação, na escala 1:100 000, entre Fraga das Ferraduras (triângulo a preto) e o povoado do Castelo da Junqueira (quadrado a vermelho). ............................. 503 Figura 505 - Territórios teóricos de circulação, na escala 1:100 000, entre F erradu ras 2 (triângulo a preto) e o povoado do Castelo da Junqueira (quadrado a vermelho). ............................................... 503 Figura 506 - Territórios teóricos de circulação, na escala 1:100 000, entre Moinhos 2 (triângulo a preto) e os povoados da Idade do Ferro do Cabeço de S. Pedro, Nossa Senhora do s Anúncios e Castelo de Gouveia (quadrados a vermelho). ............................................................................................... 504 Figura 507 - Territórios teóricos de circulação, na escala 1:100 000, entre Pias 10 (triângulo a preto) e os povoados da Idade do Ferro do Cabeço de S. Pedro, Nossa Senhora dos Anúncios e Castelo de Gouveia (quadrados a vermelho). .................................................................................................... 505 Figura 508 - Territórios teóricos de circulação, na escala 1:100 000, entre F avecas 28 (triângulo a preto) e os povoados da Idade do Ferro do Cabeço de S. Pedro, Nossa Senhora do s Anúncios e Castelo de Gouveia (quadrados a vermelho). ............................................................................................... 505 xxxii ÍNDICE DE TA BELAS Tabela 1 - Monumentos megalíticos identificados no Vale da Vilariça ................................................... 7 Tabela 2 - Estelas antropomórficas encontradas no Vale da Vilariça ................................................... 11 Tabela 3 - Povoados da Pré-história Recente e Proto -históri a do Vale da Vilariça ................................ . 19 Tabela 4 - Estatuárias zoomórficas encontrada s no Vale da Vilariça ................................................... 41 Tabela 5 – Métodos de registo da arte rupestre ................................................................................. 50 Tabela 6 - Distribuição da arte rupestre por concelhos ................................................................ .... 415 Tabela 7 - Tipo de superfície gravada relativamente ao seu destacamento ....................................... 418 Tabela 8 - Tipo de superfície dos painéis gravados .......................................................................... 418 Tabela 9 - Várias técnicas existentes na área de trabalho ................................................................ 422 Tabela 10 - Tipo de afloramento com raspage m relativamente ao seu destacamento no meio físico . 434 Tabela 11 - Forma das superfícies com motivos efetuados por raspagem ........................................ 436 Tabela 12 - Orientação dos painéis com motivos efetuados por raspagem ....................................... 437 Tabela 13 - Alcance visual a partir das rochas com motivos efetuados por raspagem ....................... 438 Tabela 14 - Principais motivos efetuados através da técnica d e rasp agem ....................................... 443 Tabela 15 - Tipo de afloramento com i n cisão relativame nte ao seu destacamento do solo atual ....... 449 Tabela 16 - Orientação dos painéis com a técnica de incisão ........................................................... 452 Tabela 17 - Alcance visual a partir das rochas com a técnica de incisão .......................................... 453 Tabela 18 - Principais motivos efetuados através da técnica d e incisão fil iforme .............................. 456 Tabela 19 - Principais motivos efetuados através da técnica d e incisão fu siforme ............................ 463 Tabela 20 - Tipo de afloramento com pico t ado relativamente ao seu destacament o no contexto físico ...................................................................................................................................................... 470 Tabela 21 - Inclinação dos painéis gravados .................................................................................... 472 Tabela 22 - Orientação dos painéis com motivos picotados ............................................................. 473 Tabela 23 - Alcance visual a partir das rochas com motivos picotados ................................ ............. 475 Tabela 24 - Principais motivos efetuados através da técnica d e picotado ................................ ......... 481 1 PARTE I. CONSIDERAÇÕES INTRODUT ÓRIAS 2 1. Introdu ção Esta dissertação, que tem como título Arte rupes tre e povoamento pré-histórico e proto-histórico, na margem esquerda da ribeira da Vilariça (Nordeste t ransmontano) , estrutura-se em diversas part es e capítulos. A Parte I, int itulada Considerações I ntrodutórias tem três capítulos que correspondem à Introdução, ao Quadro dos Conhecimentos sobre a Pré -história e Proto-h istória no Vale da Vilariça e ao Breve invent ário sobre os vestígios da Pré -história Recente e da Proto-história do Vale da Vilariça. A Parte II, designada Metodologia, tem, apenas, um capítulo. A Parte III, corresponde ao Espaço de Trabalho, com dois capít ulos : um referent e à In trodução e o outro à Área de Estudo. A Parte IV, designada os Dados, apresent a um capítulo que corre sponde ao Catálogo da Arte Rupestre. Por fim, a Parte V, s ob re a Discussão dos Dados e Interpretações, subdivide -se em cinco capítulos: Introdução, Povoamento pré - histórico e proto-histórico, Arte Rupestre, Discussão dos Dados e Considerações F inais. Os objetivos centram-se no es tudo da arte rupestre de parte do Vale da Vilariça , numa perspetiva diacrónica, e da sua articulação com o povoamento. Relativamente à met odologia a ser utilizada, esta contou com levant amentos vetorizados sobre fotografia com escala, levantam e n tos clássicos, com a utilização de polivinilo diretamente sobre os painéis gravados, fotog rafias de alt a resolução, fotog rametria (quando possível), con textualiz ação dos sítios de arte ru pestre e a su a articulação co m o povoamen to através de n ovas t ecnologias de informa ção e de métodos da arqueologia espacial. Foram registados 68 sítios com arte rupes tre (62 inédi tos) de diferentes cron ologias, técnicas e temáticas. Verificou-se que existe uma longa diacronia com gravu ras do Paleolítico Superior, com a rocha Vilariça 4, até à Con temporaneidade, materializada através das da tas, dos finais do século XIX, das rochas de Moinhos 1 ou Pias 6. É durante a Pré -história Recent e que esta área é gravada mais intensamente, aparecendo t ambém a pintura. Destacamos a Pedra Escrita de Ridevides 1 e 2, onde aparece um número consid erável de alabardas. Posteriormente, já da Idade do B ro n ze ou na passagem da Idade do Bronze para a Idade do Ferro, vemo s emergir os motivos em U (inseríveis na arte esquemática) sendo o m otivo mais gravado na área de estudo, on de aparece n a F raga da s Ferraduras, Ferraduras 2, Pedra Escrita de Ridevides 1, Pedra Nova, Pias 1, Pias 6 e Ser rinha 1 e os podomorfo s que só aparecem uma vez. 3 Em t odos os casos nota -se uma relação hipotética com povoados genericamente contemporâneos, quase sempre, locali zados na periferia do territó rio, a mais de 90 minutos, à exc eção do Castro de Sant a Justa que fica a cerca de 30 minutos. O único local onde se not a uma maior proximidade de arte rupestre com um sítio arqueológico, é com o Recinto de Estelas do C abeço da Mina, o que poderá revelar uma área cerimon ial m uito maior do que a área física do próprio recinto. 2. Quadro dos con hecimentos sobre a Pré- história Recente e a Proto -história do V ale da Vilariça 2.1 Introdução As primeiras ref erências arqueológicas para a Terra Q uente Transmon tana, onde está inserido o Vale da Vilariça, datam de 1549 e são da aut oria de João de Barros. A sua obr a int itula -se Libro da s Antiguidades e Cousas Notáveis de Ant re Douro e Minho e de Outras Muitas de Hespanha e Portugal (CRUZ, 2000: 9). Também do século XVI é a primeira referência arqueológica para este vale, referente ao período romano, que tem como autor A ntónio Gasco. Refere uma ara da Civitas B aniensium , relacionando-a com o povoado do Baldoeiro (Adeg a nha) ( idem ). No século seguinte, fruto da criação da Acad emia Real de História de Lisboa ( 1721), há t odo um manancial de informação sobre antiguidades que os párocos locais vão noticiando. É neste cenário que Jerónimo Contador de Argote (ARGOTE, 1734, tomo II) surge co m uma obra basilar da historiografia desta região. Há, de facto, u m a mudança tanto no dis curso sobre antiguidades, com o na quan tidade de informações fornecidas. Tam bém nesse século, apó s o t erramoto de 1755, s urgem as Memórias Paroquiais , que relatam notícias de achados e monumentos (LEMOS, 1993: 35). Neste período, que pode s er en tendido entre o Renascimento e o Romantismo, vemos emergir uma fase dos ant iquários . A pres entam discursos al usivos à h istória dos imperadores romanos, reis cristãos, mártires da igreja ou à mitologia clássica. No ent anto, tam b ém fazem alusões , ainda que dispersas, a monumentos ou achados concretos ( idem ). É num importante manus crito de João Pinto de Morais e de António de Sousa Pinto e Magalhães, de 1721, intitulado Memórias de Ansiães (MORAIS et. al. , 1985: 60), que o pároco das fregu esias de S. 4 João de Ansiães e Marzagã o divulga as pint uras pré -históricas do Cach ão da Rapa pormenorizadam ente, para além da referência a outros sítios arqueológicos da região (LEMOS, 1993: 40). Carneiro de Fontoura (1784 – 18 56) fo i mais um erudit o que tam bém escreveu sobre história e arqueologia tendo registado sítios arqueológicos, epígrafes e outros achados. Mais tarde, José Leite de Vasconcelos extrai informações das notas de Carneiro de Font oura e aca ba por divulgá-las na revista O Arqueólogo Português (LEMO S, 1993 : 43). Aliás, as inf ormações que os ant iqu ários foram obten do ao longo do t empo, acabam por ser aprove itadas pelos autores da segunda metade do século XIX e a primeira metade do século XX, como importante fonte arqueológica. Na segunda metade do século XIX, nomeadamente a partir de 1880, a Arqueologia em Portugal estabelece-se como disciplina científica. Prova disso são as revistas que vão surgindo, sendo O Arqueólogo Português aquela que terá maior projeção e on de diversos autores publicam sobre Trás - os - Montes. Tal é o caso de nomes como Celestino B eça (1904, 1905, 1 915), Albino Pereira Lopo (1896, 1897, 1898, 1899/1900, 1901, 1902, 1905, 1906, 1908, 1909, 1910, 1911) ou José A ugusto Tavares (1895). Este último autor é respons ável por estudos nas áreas de Vila Flor e de Torre de Moncorvo (TAVARES, 1895: 12 6 – 129). É neste último concelho que dá a conhecer as estel as an tropomórficas pré -históricas da Quinta do C ouqu inho e de Torre de M oncorvo e que José Leite de V asconcelos publica na revista O A rqueólogo Português (VASC ONCELOS, 1910: 33 – 34). Também dá a conhecer o povoad o do Castelo da Min a (CRUZ, 2000: 10) e as esculturas zoomórficas do Olival do s Berrões (TAVARES, 1895: 127 – 128). Na década de 30 do século XX, vai s er produzida por Fran cisco Manuel Alves , também conhecido por Abade de Baçal, uma obra de referência para o estudo da arqueologia em Trás - os -Montes (ALVES, 2000). O manancial de informação divulgada por este autor torn ou -se uma referência para o estudo da arqueologia em Trás- os -Montes, nomeadamente o Tomo IX da sua obra. Além do Abade de Baçal, também Joaquim Neto (1975) e Sa ntos Júnior (1952, 1963, 1975, 1978), fazem estudos ne sta região. No entan to, é com es te último autor q ue surgem trabalhos arqueológicos m ais numero sos e important es em Trás - os -Montes, como veremos mais à frente. Santos Júnior estuda esta região quase até à década de 80 do século XX. De facto, a década de 80 é o vi rar de página no panorama da Arqueologia n acional e, deste modo, a região transmontana n ão é exceção. Com o s urgimento de vários projetos de investiga ção, dá -se o increment o da descoberta de sítios arqueológicos, bem como um salto qualitativo n a investigação. Foi efetuado o Inventário dos Sítios Arqueológicos do Plan alto de Miranda por Domingos Ma rcos (1983). També m é criado o Projeto Arqueológico da Região de Mon corvo (P.A.R.M.) liderad o por Nelson Rebanda e Miguel Rodrigues. 5 Embora este projeto tivesse o int uito de estudar os sítios medievais da região, a verdade é que colocou a descoberto novos dados sobre outros período s, nomead amente da Pré -história. Também Francisco Sande Lemos, em 1984, faz o Inventário Arqueológico da Te rra Q uente Transmontana (CRUZ, 2000: 12). Mais tarde, Maria de Jesus San ches faz trabalhos de prospeção e escavação m uito significantes para a região. Escava o Buraco da Pala (Mirandela), um sítio muito importante n o contexto da Pré -história Recente do Nordeste t rans montano. C onsequentemen t e, escreve a sua tese de doutoramento sobre este sítio e t ambém regista e estuda outros sítios p ré-históricos at ravés de artigos e monografias que são uma referência para o estudo da Pré-história Recent e transmontana (SANCHES, 1986, 1987, 1996, 1997, 1999, 2000, 2006, 2007, 2014, 2017, 2019). Relativamente à arte rupestre, as primeiras referências a este tipo de sítios identificad os no V ale da Vilariça remontam à primeira metade do século XX com os trabalhos do Abade de Baçal (1934) e de Santos Júnior (1930, 1940, 1963), fazendo -se refer ência ao Penedo do Cobrão (Estevais, Torre de Moncorvo) 1 , à Pedra Escrita do Poço da Mour a (Vilarelhos, Alfândega da Fé) e à Pedra Escrita de Ridevides (Santa Justa, Alfândega da Fé). No povoado do Baldoeiro, San tos Júnior refere a exis tência de gravuras com motivos serpentiformes e publica, em 1931, o artigo: As serpentes g ravadas do Castro do Baldoeiro . Algumas década s mais tarde, mais propriament e em 1963, e ste autor publica um estudo monog ráfic o da Pedra Escrita de Ridevid es, embora o primeiro contact o com esta rocha remonte aos primeiros anos da década de 30 (SANT OS JÚNIOR, 1963). Nest a publi cação ex põe um levantamento mais pormenorizado do que aquele apresentado pelo Abade de B açal. Segundo Maria Emília Simões de Abreu ( 2006), e no âm bito do “Projecto Gravado n o Tempo – Inventário total da arte rupes tre Portuguesa” a Pedra Escrita de Ridevides foi visitada e estudada, sendo apresentada nesta pequena brochura, uma parte do levantamento efetuado. O mesmo ocorreu na sua tese de doutoramento (ABREU, 201 2). Também o h istoriador local, Francisco Jo sé Lop es (2006), no seu livro “Alfândega da Fé – registos de um percurso histórico. Vol. I ” dedica alg uns parágrafos a rochas com art e rupestre como são os casos da Fraga das Ferraduras , Poço da Moura e Pedra de Rid evides, já conhecidas, mas também refere outras, entretanto identificadas e inéditas, como a Pedra Nova e a Pedra do David . Posteriormente, no âmbito da elaboração da Cart a Concelhia do Património do concelho de Alfândega da Fé, foi possível identificar n ovas roch as co m gravuras nas freguesias de Eucísia e Gouveia, 1 O Penedo do Cobrão está inserido no povoado do Baldoeiro e apr esent a um motivo serpentif o rm e com quase 2 metros de compriment o. Santos Júnior refere a exist ência de out ras roc has co m estes motivos . 6 ainda inéditas. Estes achados efetuaram -se aquando da identificação dos moinhos hidráulicos nas várias linhas de água existentes no concelho. Não será de estranhar que nesta área existam mais rochas com gravuras rupestres e, deste modo, seja necessária uma prospeção sistemática para a sua identificação e estudo e a sua articulação com o povoamento. Para a nossa área de estudo, import a referir que a oc upação pré-h istórica e proto- histórica do Vale da Vilariça t em sido docume ntada em algumas teses de doutoramento (LEMOS, 1993; SANCHES, 1997; JORGE, 1986; GUADARMINO-URIB E, 2010; ABREU, 2012 ; VI EIRA, 2015), dissert ações de mestrado (SOUSA, 1996; CRUZ, 2000) e artigo s (FIGUEIREDO e MACIEL, 2015; NEVES, 2012) que tanto se referem ao povoament o, como à arte rupestre. No ent anto, o que se tem verificado, é a separação destas duas realidades, não exist i n do art iculação entre os diferentes tipos de vestígios entre si. Deste modo, este trabalho tem como objetivo tentar colmatar esta situação, como se verá nos objetivos. Com exceção da arte rupestre que irá ser estudada de modo detalhado, este estado da arte compreende, igualmente, um breve inven tário de sítios da pré -história recente e da proto -história. Esta opção justifica-se, na medida em que se pr etende articular a arte ru pestre às outras evidências arqueológicas. 3. Breve inventário sob re os vestígios da Pré -história Recente e da Proto -história do Vale da Vilariça 3.1 Monumentos megalíticos São raros os mon umentos megalíticos identificados no Vale da V ilariça (Fig. 1), o que é uma característica desta região. Conhecem-se apenas referências a sete (Tab. 1). 7 Figura 1 – Monumentos megalíticos ainda existente s no Vale da Vilariça. Tabela 1 - Monumentos megalíticos ide ntificados no Vale d a Vilariça Designação Localidade Concelho Tipo de sítio Cronologia Cabeço do Murado 2 Vilares da Vilariça Alfândega da Fé Monumento megalítico Pré-história Recente S. Martinho do Prado/Junqueira Junqueira Torre de Moncorvo Monumento megalítico Neolítico (?)/Calcolítico(?) Outeiro da Mula Junqueira Torre de Moncorvo Monumento megalítico Pré-história Recente Cimo de Valongo Junqueira Torre de Moncorvo Monumento megalítico Pré-história Recente Chã Grande Sampaio Vila Flor Monumento megalítico Neolítico/Calcolíti c o Chã da Senhora da Rosa 1 Sampaio Vila Flor Monumento megalítico Neolítico/Calcolíti c o Chã da Senhora da Rosa 2 Sampaio Vila Flor Monumento megalítico Neolítico/Calcolíti c o 3.1.1 Concelho de Alfândega da Fé Cabeço do Murado 2 (Vilares da Vilariça) O Cabeço do Murado corresponde a um m o numento megalítico que, segundo a descrição da base de dados do Endovélico da DGPC, encon tra-se no sopé do monte com o mesmo nome. A descrição 14 2010: 138). Tal com o parece acont ecer com a estela da Quinta do Couquinho, também n esta estela está representado uma espécie de colar, sete semicírculos e até um cinturão ( GUADARMINO -URIB E, 2010: 170). Esta estela também tem um motivo retangular gravado so bre o cint urão e pode ser interpretado tanto como símbolos a evocar a masculinidade ou a feminidade ( GUADRAMINO -URIB E, 2010, 234). A dispos ição dos motivos representados, submete esta estela para o grupo das peças com círculos entre o toucado e os colares (GUADRAMINO-URIBE, 2010: 274). A cron ologia avançada por Guada rmino-Uribe baliza-se en tre 2200/20 00 – 1500/1400/1200 a. C. (GUADARMINO-URIB E, 2010 : 174). Por sua vez, An tónio Correia coloca esta peça num momento mais precoce, atribuindo-lhe uma cronologia calcolítica (CORREIA, 2010: 78). Se atendermos à localização desta peça, e admitirmos que estaria sensivelmente no seu local original, o Barral dos Passa dores, habitat pré-h istórico, encont ra-se bastante próximo do local onde foi identificada, para além do Cabeço da Mina que, também relat ivamente próximo, encontra-se a nor te do local de achado desta estel a. Sobre esta questão, Raqu el Vilaça faz uma i nterpretação interessante ao tentar relacionar os diferentes locais com a vida comuni tária procurando uma ligação da estela da Q uinta de Vila Maior e da Quinta do Couquinho com o santuário do Cabeço da Mina ( VILAÇA, 2 011: 16 2), on de foram identificadas dezenas de estelas. 15 Figura 6 – Esquerda: fotografia da este la (CA MPOS, 2002, in Correia, 2010: 77). Direita: Re presentação gráfica da estela antropomórfica de Quinta de Vila Maior (Cab eça Boa, Torre de Moncorvo) com levantamento sobre fotografia de Dí az -Guadarmino Uribe (CORREIRA, 2010: 77). 3.2.2 Concelho de Vila Flor Cabeço da Mina (Assares) – Neo -Calcolítico O Cabeço da Mina tem sido abordado em várias publicaçõ es. Este sítio foi identificado por N elson Rebanda, em 1984, embor a a população da s aldeias vizinhas tenha referido o a parecimento de lajes com sinais ilegíveis , na década de 40 do século XX (SO USA, 1996: 72 e 7 3). Nos meados dos an os 80 , na sua t ese de doutoramen to, Susana Oliveira Jorge defende que as estelas do C abeço da Mina, do concelho de Torre de Moncorvo e da Q uinta do Couquinho, pela sua morfologia, enqu a dram-se no grupo de tradição “calcolítica mediterrânica” (JORGE, 1986: 953). A autora também defende uma ligação dos motivos re presentados na s estelas do Cabeço da Mina com co nt extos meg alíticos e com ou tros 16 exemplares das províncias de Cáceres e Salam anca (JORGE,1999a) e coloca a hipótese de o Cabeço da Mina ter uma ocupação inicial no IV – III mil énios a.C. (JORGE,1999a). As estelas do Cabeço da Min a foram efetuadas em suportes tan to em xisto, como em granito e Vítor Oliveira Jorge e Susan a Oliveira Jorge avan çam com a possibilidade de se se t ratar de um sant uário (JORGE e JORGE, 1990: 303). Em 1996, O rlando Sousa, escrev e a sua di ssertação de mestrado sobre as estelas ant ropomórficas do Cabeço da Mina e estu da -as aprofundada mente. Para além das escavações aí realizadas, também efetuou pro spe ções n o loc al embora n ão tendo iden tificado outros v estígios para além daqueles já conhecidos (SOUSA, 1996: 84). As escavações arqueológicas permitiram aferir um alinhamento de estelas ant ropomórficas (SOUSA, 1 996: 82), embora o aparecimento de uma boa parte das pe ças t enha mais a ver com os t rabalhos ag rícolas do que propriamente com a escavação arqueológica de 1985 (SANCHES, 1996: 83). Ve rifi ca que são feitas em suportes tanto de granito como de xisto, com heterogeneidade no tamanho, na forma e na decoração. Nalguns exemplares, h á a ausência de decoração (SOUSA, 1996: 84). Figura 7 – Estelas 1 a 5 do Cabeço da Mina, segundo Orlando Sousa (SO USA, 1996). Figura 8 – Estela 5 a 12 do Cabeço da Mina, segundo Orlando Sousa, (S OUS A, 1996). 17 Figura 9 – Estela 13 a 20 do Cabeço da Mina, segundo Orlando Sousa (SOUSA, 1996). Figura 10 – Estela 21 do Cabeço da Mina, segundo Orlando Sousa (SOUSA, 1996). Em 2010, Guadarmino -Uribe, na sua tese de doutoramento sobre as es t elas pr é -históricas decoradas da Península I b érica, classifica-as com cronologias distintas, interligadas à sua icon ografia. Por exemplo, a estela Cabeço da Min a 4 (Fig. 7), t endo em conta o corpo e o rosto, e por paralelismos efetuados pela autora, pode enquadrar-se n o Bronze Médio (2200 – 1700/1600 a . C.) (GUADARMINO- URIBE, 2010: 259) . Aquelas que apre sentam armas associadas a elementos retangulares e até paralelismos fo rmais com colares, balizou ent re 2200 – 1200 a.C. e até avançarem em cronologias m ais tardias (GUADARMINO-URIBE, 2010: 1 69, 174). A autora, de fact o, coloca as estelas do Cabeço da Mina em cronolog ias mais recent es comparat ivamente àquelas avan çadas por Prim itiva Bueno et. al. onde defendem datas entre 4500 – 2000 a. C. (GUADARMINO-URIB E, 2010: 1 79). Mais recentemente, Sofia Figueir edo e José Maci el dão a conh ecer mais uma estela antropomórfica decorada e uma laje g ravada, encon tr adas no Cabeço da Mina (Fig. 11 e 12). Estas peças foram ident ificadas por Sérgio Simões Pereira e por Lu ís Pereira, técn ico da Direção Ge ral do Património Cultural aquando da sua visita ao local (F IGUEIREDO et. al. , 2015: 1639). A laje apresenta 18 duas figuras antropomórficas e com linh as na parte inferior da peça (FIGUEIREDO et. al. , 2015: 1640). Apesar dos aut ores não avançarem com uma cronologia para esta nova descoberta, referem a importância do estudo das estelas an tropomórficas na pas sag em do IVº par a o II Iº milénio a. C . (FIGUEIREDO et. al. , 2015: 1641). Figura 11 – Registo fotográfi co da estela identificada em 2015 (FIG UEIRE DO, 2015: 1639) . Figura 12 - Laje do Cabeço da Mina identificada em 2015 (FIGUEIREDO et . al., 2015: 1640). 3.3 Povoamento Nos diversos con celhos que abarcam o Vale da Vilariça, con hecem-se povoados desde o Calcolítico até à Idade do Ferro e romanização (Tab. 3). Um re sumo de cada um dos povoados da Pré -história Recente e Proto -história s erá ef etuado para cada concelho, por ordem cronológica. 19 Tabela 3 - Povo ados d a Pré-história Recente e Proto-história do Vale da Vilariça Designação Localidade Concelho Tipo de sítio Cronologia Barral dos Passadores Cabeça Boa Torre de Moncorvo Habitat Pré-história Recente Castelo dos Mouros Adeganha Torre de Moncorvo Povoado fortificado Pré-história Recente Fraga Amarela Adeganha Torre de Moncorvo Abrigo natural Pré-história Recente Moinho 2 Roios Vila Flor Habitat Pré-história Recente Curral da Cerca Gouveia Alfândega da Fé Povoado fortificado Pré-história Recente - Calcolíti co (?) Castro de Nossa Senhora dos Anúncios Vilarelhos Alfândega da Fé Povoado fortificado Pré-história Recente e Idade do Ferro Senhora do Castelo Adeganha Torre de Moncorvo Povoado fortificado Pré-história Recente e Idade do Ferro Castro de Santa Justa Eucísia Alfândega da Fé Povoado fortificado Pré-história Recente e Idade do Ferro (?) Baldoeiro Estevais da Vilariça Torre de Moncorvo Povoado Calcolíti co e Idade do Ferro Castelo da Junqueira Junqueira Torre de Moncorvo Povoado fortificado Bronze Final/Ferro Inicial Castelo de Gouveia Gouveia Alfândega da Fé Povoado fortificado Idade do Ferro (?) Cabeço do Murado Vilares da Vilariça Alfândega da Fé Povoado fortificado Idade do Ferro (?) Cabeço de S. Pedro Assares Vila Flor Povoado fortificado Idade do Ferro (?) Castelo da Mina Cabanas de Baixo Torre de Moncorvo Povoado fortificado - Cabanas de Cima Cabanas de Cima Torre de Moncorvo - - Cabeço da Alfarela Torre de Moncorvo Torre de Moncorvo Povoado fortificado (?) - Cabeço dos Apostolónios Torre de Moncorvo Torre de Moncorvo - - Santa Marinha Sampaio Vila Flor Povoado fortificado - 3.3.1 Concelho de Alfândega da Fé Curral da Cerca (Gouveia) – Calcolítico (?) O Curral da Cerca é um pov oado fortificado que se encontra na serra de Gouveia ( Fig . 13). O único indício apresentad o é uma li nha de muralha em formato oval, já bastante derru bada. T al como acon tece com o Castelo de Gouveia, e ste também apresenta boas condições de visibilidade, mas do ponto de vi sta da defesa natural, esta é bastante escassa. Encontra-se a 635 met ros de altitude máx ima sen do, dest e modo, o povoado da bacia hidrográfica da ribeira da Vilariça a maior altitude. 20 Francisco José Lopes ident ificou-o em 2006 através de informação do então Presiden te de Junta de Freguesia de Gouveia, d izendo que o t opónimo era Monte do Curral da Cerca (LOPES, 2006: 63) 2 . Embora este au t or refira que o muro tem as mesmas características construtivas que os castelos de Gouveia e Picões e que poderá ter uma ocupação a partir da Idade do Ferro com continuidade para períodos posteriores (LOPES, 200 6: 64), parece-n os que as semelhan ças são maiores com outro t ipo de povoados n as proximidades e que apresentam , até ao momento, cron ologias m ais antigas. Estas semelhanças encontram -se no povoado do Pinhal Grande (Cabreira, Alfândega da Fé) ( Fig. 13) e Rebentão ( Cabreira, Alfân de ga da Fé) (Fig. 14). Estes povoados já se encon tram sobranceiros à marge m direita do rio Sa bor e, portanto, não entram n este estudo. Nestes dois sítios fora m identificados vários materiais à superfície. No povoado do Pinh al Grande, foi identificado um machado de pedra polida, pequenos fragm entos de cerâmica manual li sa e uma mó dormente. N o Rebent ão, surgiram fragmentos de cerâmica manual lisa e decorada, n omeadame nte com decoração incis a penteada o ndulante, machados de pedra polida, líticos e uma pon ta de seta em xisto de aletas e ped únculo. A penas foram identificados materiais pré-históricos e não com cronologias posteriores. Não quer dizer que com este paralelismo o Curral da Cer ca seja um povoado pré -histórico, mas a muralha é semelhan te aos povoados do Pinhal Grande e Rebentão, t a nto no tipo de aparelho como no estado atual de conservação conferindo uma cronologia relativamente aproximada. No Curral da Cerca não for am iden tificados materiais arqueológicos à superfície, mas, tal como acontece com a maioria dos pov oados da região, a ve getaçã o não permite visualizar corret amente o s olo para a aferição de vestígios. 2 Este povoado já te ria sido referido por Ca r los Pinhe ir o e m 2000 através do sítio ww w .bra gancanet.pt mas sem menciona r a fonte de informa ção. Atualmente o sítio já não se encontra disp onível para que poss amos pesquisa r esta referência. 21 Figura 13 – Esquerda: Vista aérea a partir de sul do Curral da Cerca onde é possível ver a linha de muralha. Fotografia d o autor. Direita: Vista geral da li nha de muralha nordeste do povoado do Pinhal Grande. Fotografia do autor. Figura 14 – Vista aérea a partir de norde ste do povoado do Rebentão, onde é possível ver um troço da linha de muralha. Fotografia do autor. Castro de Santa Justa (Santa Justa) - Calcolít ico e Idade d o Ferro O castro de Santa Justa localiza-se praticam ente n o extremo n oroeste da serra de Gouveia ( Fig. 15 ). Apresenta uma área es carpada a sul e um colo d e acesso a este. As condições de visibilidade são excelentes para o Vale da Vilariça e para a serra de Bornes, dominando uma vasta área deste vale. Francisco José Lope s, em 1995, identifica o Castro de Santa Justa e integra -o numa cronologia que pode remontar ao Calcolítico (LOPES, 2006: 6 3). Alexandra Vieira, na sua tese de doutoramento, cataloga o castro de Santa Justa com informação retirada da base de dados do Portal do Arqueólogo da DGPC (VIEI RA, 201 5: 72). Aquando da at ualização do Plano Diretor Municipal em 20 11, prospetámos este sítio e foi pos sível identificar estruturas e m ateriais arqueológicos à superfície. Os materiais resumem -se a fragment os de 22 cerâmica com várias cron ologias, m as destacamos um fragmento de cerâmica manual decorada com incisões penteadas ondulantes e um fragmento com um triângulo preenchido por ban das horizontais, também preenchidas com pequenos t raços. Esta decoração é inc isa e poderá ser do Neo -Calcolítico 3 . Para além dos fragmentos decorados, também foram identificados alg uns de fabrico manual liso e líticos para uma fase mais antiga que poderá corresponder à Pré -história Recente. A cerâmica penteada pode submeter a ocupação deste sítio desde o Calcolítico . T ambém surgem alg uns fragmen tos de cerâmic a com cozeduras redutoras, m icáceas e que podem cor responder à I dade do Ferro. O material mais recente identificado, corresponde a um fragment o de cer âmica com decoração plástica com um cordão com dedadas de cronologia medieval. Relativamente às estruturas, estas circunscrevem-se ao topo deste promontório. É possível ver duas linhas de muralha, algumas estruturas quadrangulares, pequenos arr uamentos e, já a cota superi or, aquilo que parece ser um torreão (F ig. 15). Uma vez que este sítio t ambém parece t er conhecido uma ocupação durante a Ida de Média, é p rovável que as alt erações efetuadas ten ham tornado o lugar diferente daquele existente durante a Idade do Ferro. Posto isto, o Castro de San ta Justa conheceu uma ocupação durante a Pré -história Recente, nomeadamente no Calcolítico e, provavelmente, duran te a Idade do Ferro, par a além da de época histórica. Figura 15 – Esquerda: vista aérea a partir de sul do Castro de Santa Justa. Fotografia do autor. Direita: possível t orreão do Castro de Santa Justa. Fotografia do autor. 3 A cronolo gia para este fragmento de cerâmica foi sugerida por Su sana S oares Lopes , após a sua observação . 23 Cabeço do Murado (Vilares da Vilari ça) – Idad e do Bronze (?) O Cabeço do Murado é um povoado fortificado que se situa n o topo de um monte sobranceiro à margem direita da ribeira da Burga, num dos contrafortes da serra de Bornes, com am plo domínio visual para o Vale da Vilariça que lhe fica a sul. Na prospeção efetuada em 2005 no âm b ito da Subconcessão Douro Interior – EI A – IP2 Vale B enfeito/Junqueira/Ponte do Sabor – Lote 1 , foram identificados fragmentos de cerâmica manual que poderão corresponder à Idade do Bronze 4 . Casas dos Mouros (Vilares da Vilariça) – Idade do Bronze (?) Casas dos Mouro s é um habitat pré-h istórico que se localiza n a encosta da m ar gem direita da ribeira do Cerejal, num dos con trafortes da serra de B ornes ( Fig. 16). O dom ínio visual para o Vale da Vilariça é relativamente escaço. Situa -se numa zona de granitos com pequenos abrigos e p alas. Em 2011, no âmbito da atualização do Plan o Dir etor Municipal do concelho de A lfândega da Fé, foram realizadas pros peções n esta encosta. I dentificámos numerosos fragmentos de cerâmica manual lisa (Fig. 17) e decorada, líticos e machados de pedra polida (Fig. 18). A cerâmica decorada resume-se a linhas penteadas, pressupondo uma cronologia calcolítica. A área de dispersão do s materiais é bastante ampla, embora a sua concentração seja numa pequena plataforma alongada a meia encosta. Não é possível iden tificar com rigor es te sítio arqueológico uma ve z qu e a dispers ão dos m ateriais ocorre numa área bastante grande. 4 Informação retirada da bas e de dados da Direçã o Geral do Patr imónio Cultura l. O r elatório de prospeç ão foi aprova do em 20 05 t endo como respons ável Margarida da Silva Monteiro. 30 a ocupação da Senhora do Castelo da Adeganha pode remontar ao I V mil énio a.C. devido às cerâm icas de tradição neolítica aí encontrada s (CRUZ, 2000: 16), embora con sidere que est e sítio e o Baldoeiro poderão ter-se prolongado para os meados do II milénio a.C. (SANCHES, 1995: 197). Refe re, t ambém, a existência de duas linhas de muralha que correspondem à I dade do B ronze (S A NCHES, 199 7 apud CRUZ, 2000 : 110) estando em linha com o que foi ref erido por Francisco Sande Lemos ( LEMOS: 1993: 204). Mais tarde, Carlos Cruz cat aloga este sítio arqueológ ico e apoia -se na bibliografia existente, compilando a informação dos autores referidos anteriormente (CRUZ, 2000 : 110). Figura 22 – Vista aérea a partir de sul da Senhora do Castelo. Fotografia do autor. Barral dos Passadores (Foz do Sabor ) – Pré-hist ória Recente O Barral dos Passadores é um sítio arqueológico descoberto por Nelson Rebanda e Higino Tavares aquando das prospeções realiz adas em 1989 no âmbit o do s es tudos do Projeto Arqueológico da Região de Moncorvo. Sobre este sítio, Miguel Rodrigues refere o seguinte: Desprendimentos d e t erras em de ze mbro de 1988 prov o caram cortes no terreno, onde foram detectados, a um metro de profundidade, em as sociação com lajes de xisto e blocos de granito rolados, fragmentos de cerâmica m an ual e oss o s (RODRIGUES, 1990 apud CRUZ, 2000: 110). Esta é a única informação conhecida sobre este sítio. No en tanto, Carlos Cruz r efere este sítio como sendo um povoado calcolítico, ain da que com as devidas reservas do aut or (CRUZ, 2000: 110, 111). 31 Baldoeiro (Estevais) – Calcolítico e Bronze O B aldoeiro situa-se a m eia encosta da margem esquerda da ribeira da Vilariça e, a part ir daí, o domínio vi sual sobre o Vale da Vilariça é exc ecional (Fig. 23). Este s ítio apresenta ocupações pré e proto- histórica, para além dos materiais romanos, um templo româ nico e sepulturas es cavad as n a rocha com cronologia medieval. Na década de 30 do século XX, o Abade de B açal refere-se ao B aldoeiro como povoado arcaico e castro (ALVES, 2000: 640). Aí surgem gravuras, epígrafes roman as, um templo românico e sepulturas escavadas na rocha, mas nunca uma ocupação inequívoca da Idade do Ferro. Armando Coelho Ferreira da Silva, também cataloga este sítio na sua tese de doutoramento e refere-o com o sendo um castro, pegan do na bibliografi a de inícios do século XX e seguindo -a (SILVA, 1986: 103). Nas escavações efetuadas por Miguel Rodrigues e Nelson Rebanda, em 1990 e 1991, identificaram cerâmicas de transição da Idade do B ro nze para a I dade do Ferro (LEMO S, 1993: 149). No entant o, sobre estas escavações, Maria de Jesus Sa nches refere a existência de um nível Calcolítico onde foram recolhidos fragmentos de cerâmica manual com decoração penteada (SA NCHES, 1997: 283), para além de decoração com puncionamento simples e arrastado e mat eriais líticos (dua s enxós e um mach ado) (CRUZ, 2000: 10 9). Mar ia de Je sus Sa nches inclui, em t ermos cron ológicos, o B aldoeiro na primeira met ade do III º milénio a.C., prolongando essa ocupação para finais do IIIº milénio ou m eados do IIº milénio a.C. (SANCHES, 1997: 195). Orlando Sousa também cataloga o Baldoeiro nas estações pré -históricas da sua dissertação (SOUSA, 1996: 69). Com estudos mais pormen orizados sobre o Baldoeiro, Maria de Jesus Sanch e s avança com considerações bastante inte ressantes. Para a autora, existem vários povoados ao longo da Vilariça que poderiam suportar uma econom ia ag ro-pastoril de longa duração e aqui refere-se ao s povoados da Nossa Senhora do Castelo e Baldoeiro, am bos no concelho de Torre de Moncorvo (SANCHES, 1997: 219). Também são estes dois p ovoados que poderiam ter uma maior capac idade de ren ovação florística (SANCHES, 1997: 192) e ótimas condiçõe s para a criação de gado devido à disponibilidade de água corrente nas imediações (SANCHES, 1997: 194). Pela sua posição geog ráfica, o Baldoeiro permitia u ma relativa int e n sificação económica através da pastorícia e at é uma certa inte nsificação ag rícola (S ANCHES , 1997: 196) pela proximidade ao Vale da Vilariça e, consequentemente, aos seus solos férteis. Maria de Jesus Sa nches avan ça a hipótese de qu e o desenvol vimento agro -pastoril permitisse um inc remento 32 demográfico que poderia ser “colmatado” através da expan são da população para outras áreas, traduzindo-se na fundação de novos povoados, eventualmente alguns sazonais, satélites de outros de maiores dimensões ( idem ). Figura 23 – Vista aérea a partir de sudoeste do Baldoei ro. Fotografia do autor. Cabeço da Alfarela (Torre de Moncorvo) – Pré-história Recente O Cabeço da Alfarela localiza -se num promontório inserido no V ale da Vilariça a uma alt itude máxima de 229 metros. A part ir do pont o m ais alto, é possível obter um amplo do mínio visual sobre e ste vale, principalmente para noroeste (Fig. 24). Francisco Sande Lemos aponta uma ocupação deste sítio para a Idade Média afirmando tratar -se de um local on de terá existido uma atalaia com formato subcir cular (LEMOS, 199 3: 375) e no sopé do monte t a mbém há ind ícios de romanização e a existência de uma n e crópole medieval (LEMOS, 1993: 376). Carlos Cruz também refere este sítio, retiran do a informação publicada por Miguel Rodrigues e Nelson Rebanda a propósito deste sítio arqueológico (CRUZ, 2000 : 113). Até aqui não foi referido o tipo de ocupação durante a Pré-história, ou seja, se e ra um povoado, um habitat aber to ou de outro tipo. No entant o, no âmbito da diss ertação de mestrado de João M uralh a Cardoso sobre um sítio arq ueológico a sul do Douro ( Castanheiro do V ento), o autor refere um dado diferenciador para o Cabeço da Alfarela. Men ciona que este sítio seria um recinto semelhante a Castanheiro do Vento ou C a stelo Velho (CARDOSO, 2007: 334). Elabora um estudo int eress ante do ponto de vista da intervisibilidade dos vários recint os estudados e inc lui o C abeço da Alfarela n aqueles cuja visibilidade é maioritariamente aberta (CARDOSO, 200 7: 358). Embora João Muralha Cardoso não 33 elabore estudos pormenoriz ados sobre este sítio, a verdade é que, por com paração com outros existentes a sul do rio Douro, refere que este tipo de locais teriam desempenhado um papel importante na estruturação das comunidades (CARDOSO, 2007: 360). Figura 24 – Vista aérea a partir de sudeste do Cabeço de Alfarela. Fotografia do autor. Fraga Amarela (Adeganha) – Pré-história Recente A Fraga Amarela é um h abitat pré-histórico que tem vindo a ser referido n a bibliografia ao longo do tempo por Rodrigues e Brandão (RODRIGU ES et. al. 1962: 6), O rlando Sousa (SOUSA, 1996: 68), Miguel Rodrigues e Nel son Rebanda (RODRIGUES et. al. , 1998) e po r Carlos Cruz (CRUZ, 2000: 109). No entan to, atualmente, ainda não foi possível identificar a localização exat a deste sítio on de Miguel Rodrigues e Nel son Rebanda referem o aparecimento de achados cerâmicos. F icaria n a e ncosta entre o Baldoeiro e a Senhora do Castelo (RODRIGUES et. al. , 1998). O rlando Sousa acaba por seguir aquilo que diz Rodrigues e Brandão. Pelo exposto, é bastante difícil identificar este sítio sem uma prospeção arqueológica sistemática, pese embora o facto de Carlos Cruz acredit ar que a Fraga Amarela se encontra muito próxima do Baldoeiro (CRUZ, 2000: 109). Cabeço dos Apostolónios (Torre de Moncorvo) – P ré-história Recen t e O Cabeço dos Apostolónios é um habitat pré -histórico que, tal como acont ece n o Cabeço da Alfarela, tam bém é pos sível obter um amplo domínio vi sual sobre o Vale da Vilariça (Fig. 25). Distam um do outro cerca de 2670 metros. 34 Este sítio foi identificado por Higino Tavares, em 1 991, e os indícios res umem -se a frag mentos de cerâmica manual e mós (CRUZ, 20 00: 114). Orlando Sous a cataloga-o como h abi tat pr é-histórico pegando, cert am ente, na informação recolhida pelo Projeto Arqueológico da Região de Moncorvo (SOUSA, 1996: 69). Numa visita efetuada em 2010 pe lo autor, n o âmbito da construção do A provei tament o Hidroelétrico do Baix o Sab or, não foram identificados materiais arqueológicos à superfície, embora o local tenha sido bastante alterado devido aos trabalhos mecân icos aí realizados na déca d a de 90 do século passad o. Figura 25 – Vista aérea a partir de noroeste do Cabeço dos Apostolónios. Fotografia do autor. Cabanas de Cima (Ca ba nas de Cima) – Pré-história Recente (?)/Idade do Bronze No âmbito do projeto EIA – A provei tament o Hi droelétrico de Foz Tu a: Linha F oz T u a – Armamar a 400 Kv , foram efetuadas, em 2013, prospeções arqueológicas direcionad as. Estes trabalhos t iveram como responsável Mário Jorge Mascarenhas Monteiro. O local caract eriza-se por se encontrar n uma zona abrigada, de fundo de vale, com blocos graníticos a “circundar” uma pequena sobrelev ação (Fig. 26). É neste local e nas imediações que se encontra uma mancha de ocupação caracterizada por bordos e bojos, líticos em quartzo leitoso, lascas retocadas em sílex, com destaque para um buril tam bém efetuado nesta matéria -prima. Na zona mais elevada, os fragment os de cerâmica são de maiores di mensões e po uco rolados. A cronolog ia dest e sítio, 35 aponta para uma ocupação identificável do Bronze F ina l devido aos bordos simples e uma carena bastante pronunciada aí encontrada 6 . Figura 26 – Vista aérea a partir de sul de Cabanas de Cima. Fotografia do autor. Castelo da Junqueira (Junqueira) – Idade do Bronze/ Idade do Ferro O Castelo da Junqueira é um povoado fortificado que se encontra a meia encos ta da margem esquerda da ribeira da Vilariça (Fig. 27) . As con dições de vi sibilidade são excelent es para t odo o vale. N o âmbito do levantamento arqueológico do con celho de Torre de Mon corvo, os ar queólogos do P rojeto Arqueológico da Região de Moncorvo ide ntificaram muralhas em duas zonas distintas 7 . Uma linha de muralha encontra-se a uma cota mais baixa, limitada a norte, sul e oeste e a outra en contra -se a uma cota mais elevada a este. Este povoado é referido pelo Abade de Baçal no Tomo IX da sua obra e, de facto, refere a existência de fortes muralhas . Também refere os indícios medievais, sendo de destacar as sepulturas escavadas na rocha (ALVES, 2000: 154). Este sítio foi escavado sob a orientação de Miguel Rodrigues nos finais da década de 80 e inícios da de 90 do século XX. Seg undo Miguel Rodrigues e Nelson Rebanda, nas escavações arqueológicas efetuadas, identificaram vestígios do Bron ze Final/Ferro I nicial (RODRIGUES et. al. , 1998). A testemunhar estas cronologias estão os mat eriais cerâm icos de fabrico man ual e decorações plásticas (mamilos e cordões) e com a t écnica de bouquiqu e em forma de g rin alda. Estes são os indícios do B ronze 6 Esta in f orma ção f oi retirada da Base de Dados Endovélico d a Direção Geral do Património C ultural. Não é referida a bibliografia consultada, um a vez que este sítio, apa r entemente, f oi relocalizado. O CNS de Cabanas d e Cima é o 34957. 7 S egun do a base de dados Endovélico da Direção Geral do Património Cultural, este trabalho foi realizado por A ntó nio da Cunha Leal, Miguel Ro drigues, Nelson Rebanda, P aulo Dó rdio e Ric ardo Teixeira em 1983. 36 Final. Para o Ferro Inicial, os dados circunscrevem -se a fragmentos de cerâmica com decorações impressas (dedadas) e incisões sob re o bordo, para além de fragmentos com pastas heterogéneas de acabamentos rugosos (CRUZ, 2000 : 184). Figura 27 – Vista aérea a partir de sul do Castelo da Junqueira. A set a indica o sítio arqueológico Fotografia do autor. Castelo da Mina (Cabanas de Baixo) – Idade do Ferro (?) A referência mais an tiga ao C astelo da Mina remonta aos finais do séc ulo XIX, através de uma publicação do Abade Tavar es na revi sta O Arqueólogo Português . O Pe. José A ugus to Tavares refere o seguinte sobre este sítio arqueológicos: No sítio denominado Castello , freguesia de Cabeça Boa, conc elho de Moncorvo, ainda hoje se vêem grandes vestígios de sólidos e extensos muros de granito. ...houve antigamente dois castelos no recinto d´estes muros, estando colocados em dois montes, mas actualmente só existem d´elle s alguns destroços: rest os de muralhas, caliça, tij olos, escumalha de f erro, etc. (TAVARES , 1 89 5 : 126). Mais tarde, na década de 30 do século XX, o A bade de Baçal refere o Castelo da Mina, mas sem novos dados, acaban do por seguir o que o Abade Tavares já t inha escrito nos finais do século XIX (ALVES, 2000: 140). Armando Coelho da Silva, n o âmbito da sua tese de doutoramento, coloca este povoado n o catálogo de sítios da Idade do Ferro avançando, assim, com uma cronologia (SILVA, 1986: 103) . Francisco Sa nde Lemos classifica es t e po voado, tal como o da Senhora do Castelo com o “assentamento em castelos graníticos em pontos des tacados, com ampla visibilidade e domínio s obre o meio envolvente” (LEMOS, 1993: 203). Este autor, t ambém refere que no Castelo da Mina existem troços 37 de muralha mais cuidados que poderão corresponder a uma fase posterior da Idade do Ferro (LEMOS, 1993: 204). De facto, é provável que partes da muralha t e nham sido reconstruídas já durante a Idade Média, uma vez qu e este sítio foi ocupado d urante este perí odo, observável atr avés dos vestígios no interior da muralha (LEMOS, 1993: 349). Para além das estruturas ainda visíveis, este autor também identificou cerâmicas de fabrico manual da Idade do Ferro (LEMOS, 1993: 350). Mais tarde, C arlos Cruz t ambém refere que este povoado apresenta um torreão com uma li nha de muralha que poderia ser da I dade do Ferro, mas a ocupação medieval dificulta tal interpretação (CRUZ , 2000: 186). Não existem novos dados, até ao momento, s obre este sítio. Figura 28 – Vista aérea a partir de sul do Castelo da Mina. A s eta ind ica a localização deste sítio. Fotogra fia do autor. Castelo dos Mouros/Castelo Velho (Adeganha) – Idade do Ferro ou posterior A primeira refer ência ao Castelo dos Mouros é das Memórias Paroquiais de 1 758. Em 1895, através da revista O Arqueólogo Português foi referido o seguinte por A. Herculano: No limite desta Freguesia ha hum monte a que c hamão Castello-Vel ho , p ovoado d e arvoredo silvestre; e no mais alto delle está muita quantidade de pe dra, q ue par ece ser ruina de alguma ant iga fortal eza; e dizem que era hum castell o de Mou ros (HERCULANO, 1895: 143). No ano seguinte, Pedro A. de Azevedo t ambém faz referência e este povoado, pegan do na informação retirada por A. Herculano (AZEVEDO, 1896: 64). Mais tarde, já na década de 30 do século XX, o Abade de Baçal volta a referir o Castelo dos Mouros pegando na informação avançada por Pedro A. de Azevedo em 1896, não acrescentando nenhuma informação para além daquela conhecida até então (ALVES, 2000 : 95). 38 Figura 29 – Vista aérea a partir de este do Castelo V elho. Fotografia do autor. 3.3.3 Concelho de Vila Flor Moinho 2 (Roios) – Pré-história Recente Este sítio arqueológico encontra-se a sudeste da localidade de Roios, muito próximo da estrada IC5. Na informa ção obtida n a base de da dos do Endovélico da Direção Geral do Pat rimónio Cultural, pode ler-se o seguinte: Habitat aberto pré-histórico, cortado em dois pela estrada que l iga Ro ios a Lodões. Do lado esquerdo da estrada fica um cabeço arredondado, de vertentes pouc o p r onunciadas. No topo do cabeço, muito remexido p ela agricultura, nã o se encontraram vestígios arq ueológicos, m as, na encosta virada à ribeira de Roios, encontram -se alguns escassos fragmentos de cerâmica manual p ré-histórica. Do lado direito da es trada, nas plataformas agricultadas q ue formam o s opé sul do cabeço, e que ocupam o esp aço entre o cabeço e a ribeira, aparecem abundantes fragmentos de cerâmica manual pré -his tórica, junto com um ou outro fragm ento de mó manua l de g ranito. As cerâmicas são de pastas c laras, de cores c astanha, bege ou avermelhadas. Muitas são brunidas e há gra nde quantidade de cerâmicas decoradas, essencialmente decoração penteada, tanto retilínea como ondulada. Também na base de da dos d o Endovélico estão reporta das as sonda gens arqueológicas efetuadas no âmbito dos Trabalhos arqu eológicos int egrados no E I A – Concessão do Douro In t erior – Lote 7 – I C5 Nó de Pombal/Nozelos IP2 – V ila Flor . Nas catorze sondagens efetuadas, não identificaram contexto s arqueológicos conservados, ficando o registo da recolha de alguns materiais, eventualmente associados à ocupação deste sítio. 39 Santa Marinha (Sampaio) – Idade do Ferro Santa Marinha localiza-se n o topo de um monte bem destacado na paisagem, na bordadura da encosta oeste do Vale da Vilariça (Fig. 30). A partir deste local, o domínio visual faz -se por uma vasta área, sobretudo para todo o corredor deste vale. Joaquim Neto refere q ue este sítio seria um povoado da Idade do Ferro (NETO, 1975: 309), embora Francisco Sande Lemos não tenha identificado vestígios deste período , aquando da prospeção aí efetuada (LEMOS, 1993: 396). Aliás, este autor sug ere uma ocupação calcolítica, apoian do -se no aparecimento de fragmento s de cerâmica m anual de pas tas g ross eiras (LEMO S, 1993: 158). Carlos C ruz também refere este sítio, pegando na informação veiculada por Francisco San de Lemos (CRUZ, 2000: 115). Na prospeção por n ós efetuada em 2010, n o âmbito da construção do Aproveitament o Hidroelétrico do Baixo Sabor, não foram identificados mat eriais arqueológicos à s uperfície que pudessem atestar o que acima ficou escrito. Figura 30 – Vista aérea a partir de oeste de Santa Marinha. Fotografia do autor. Castro de Sampaio/Cabeço de S. Pedro (Sampaio) – Idade do Ferro e Romanização O C astro de Sampaio localiz a-se no Cabeço de S. Pedro entre as localidades de Sam paio e Lodões, ambas no con celho de Vila Flor. A part ir de ste cabeço, o con trolo visu al sobre o Vale da Vilariça é excelente, dominando uma vasta área (Fig. 3 1). A defesa natural faz-se em algumas partes, sob retudo a sudeste e a noroeste. 46 1. Praxis As diferentes etapas que possibilitaram este trabalho podem subdividir-se em t rabalho inicial de gabinete; trabalho de campo e trabalho avançado de gabinet e. 1.1 Trabalho inicial de gabinete Esta primeira fase relacionou -se com a aquis ição de conh ecime n tos e com a pesquisa e rev isão bibliográfica, assim como a aquisição de con ceitos teóricos importan tes para este estudo , como o de arte rupestre, superfície versus suporte, paisagem e lugar. Iniciou-se este estudo at ravés de uma revisão bibliográfica exten siva sobre a Pré -história Recente e a Proto-história do Vale da Vilariça e sob re a arte rupestre, pe rcebendo-se o e stado dos conhecimentos e quais os principais aspetos que p odiam ser colmatados com este estudo. Posteriormente, foram efetu adas leitur as teóricas s obre os con ceitos fundamentais a t er em conta no âmbito desta temática e que se prendem com os con ceitos de arte em arqu eologia: seu valor e significado; o conceito de paisagem e perspetiva de como encaram os o conhecimento em arqueologia. Foi n esta fase inicial que se consultou, igualment e, cart o grafia diversa para um melhor conhecimento da região de trabalho, n omeadamen te as Cart as Militares de Portugal, n a escala 1: 25 000 e as Cartas Geológicas de Portugal, em diversas escalas, estas últimas aco mpanhadas da s suas respetivas notícias explicativas. Estas foram muito importan tes para a deteção de jazidas primárias e secundárias de cobre, estanho e ouro. Estabelecemos, ain da, as bases para prospeções de campo e os critérios a us ar n o inven tário que consta da Parte IV desta dissertação. Quanto à ba se de dados para o es tudo da arte r upes tre, usámos a que f oi efetuada no âmbito do projeto Espaços Naturais, A rquiteturas , Arte Rupestre e Deposições na Pré -história que deu origem ao Corpus Virtual de Arte Rupestre do Noroeste , atualmente desativado online. 1.2 Traba lho de campo O t rabalho de campo incidiu em prospeções a rqueológicas direcion adas para o inven tário de locais gravados já conh ecidos e inéditos, descrição dos seus con textos físicos e arqu eológicos, descrição da 47 superfície gravada, do número de painéis e dos motivos e técn icas usadas. Esta p rospeção contou com apoio de cartografia topog rá fica e g eológica, previamente analisada. Não se efetuaram limpezas profundas das rochas gravadas, dado a á rea geo gráfica abarcada por esta dissertação, o número de rochas a inventariar, a ca racterística das superfícies, maioritariam ente em xisto e, por vezes, frágeis, bem com o a ausência de um Pr ojeto de Investigação Plurianual específico para intervir nas rochas gravadas. Estas foram limpas a seco e com vassouras de pelo macio . Foram retirados alguns musgos ou líquenes com espátulas de madeira. Estas limpezas su perficiais permitiram o levantam e n to fotográfico e fotogramétrico e a sua descrição física e iconog ráfica da maioria das rochas. A metodologia de an álise da arte rupestre assentou, sobretudo, n o registo fotog ráfico e decalqu e da própria fotografia das g ravuras mais difíceis de se verem apenas com o registo fotográfico. Em quatro casos procedeu-se ao deca lque das gravuras sobre plást ico polivinílico. Devido à gran de quantidade de rochas com gravuras e ao escasso tempo disponível, abandonou -se este tipo de registo. No registo fotográfico da s rochas, foi utilizada uma câmara fot ográfica full frame, com lentes de 35 mm e de 50 mm, bem como uma t eleobjetiva a 2x e 3x de telemóvel , n a fotografia dos painéis. Para as fotografias gerais das roch as não foi usada teleobjetiva (Fig. 35) . Nalguns casos, procedeu- se à utilização de fotografias com luz rasant e com recurso ao dis positivo Light Emitting Diode, nas fot ografias noturnas, embora a maioria dos registos fotográficos tives sem sido efetuados ao nascer e ao pôr do sol . Nalguns casos, efetuaram- se fotografias como sol no zénite, para não evitar sombras . Devido à disposição e vegetação que circundava algumas rochas, foi impo ssível, por vezes, posicionar corretamente a luz para as fot ografias ou mes mo t irar as fotografias com ângulos desejáve is , o que não permitiu, em alguns casos com gravuras filiformes, obter imagens pormenorizadas das gravuras. 48 Figura 35 – Exemplo de registo fotográfi c o diurno de Fe rraduras 2. Quanto ao registo em plástico polivinílico, este foi cort ado de modo a abranger a totalidade do painel (normalmente pequenos) ou apenas as gravuras, quando os painéis eram de dimensões consideráveis, por motivos de tempo. Procedeu- se ao levant amento das gravuras sobre este plástico através de can e tas de acetato com quatro cores distintas. O vermelho foi utilizado para marcar os elementos naturais do pai nel, ou seja, fraturas e est alamentos , o verde foi usado no decalque das gravuras efetuadas atravé s da téc nica de raspagem, o azul nas efetuadas atravé s d a picotagem e o preto nas gravuras com a técn ica de incisão filiforme e fusiforme (Fig. 36). Procedeu- se à digita lização do levantamento sobre plástico para posterior processament o vetorial das gravuras com o software Adob e Illustrator e Inkscape . No caso do levantamento sobre fotog rafia, este foi efetuado com a aplicação Adobe I llu strator para tablet at ravés da vectorização das gravuras com can eta dig ital (Fig. 37). As cores usadas variaram para permitir uma melhor visu alização das gravuras, sobretudo com as incisões filiformes. No caso das pinturas da Fraga das Ferraduras, o registo foi efetuado com a aplicação iDStretch e posterior adição de filtro. O levantamento das pinturas foi efetuado com um filtro do software A dob e Photoshop de modo a realçar as cores aver melhadas que correspondem à pintura. 49 Figura 36 – Utilização de plástico polivinílico no levantamento de gravuras. Figura 37 – Ve ctorização das gravuras através de tablet. Um outro tipo de registo utilizado foi a fotogrametria , apenas nalgumas rochas. No caso das rochas com incisões filiformes mais ténues, este método mostrou-se pouco informat ivo, para além de fornecer uma visão tridimensional da rocha. Para a fot ogrametria utiliz a ram-se o s softwares Agisoft Photoscan , 50 RealityScan e 3D F Zephyr, no processamento das fotografias para visualização tridimensional da s rochas, e o Meshlab para a criação de filtros que permitiram uma melhor visualização da s mesmas (Fig. 38) . Foram ainda feitos registos fotográficos a diferentes horas do dia e em momentos do ano distintos . Figura 38 – Utilização do software 3D Zephyr para o processamento fotogramétrico. Tabela 5 – Métodos de registo da arte rupestre Sítios com arte rupestre Métodos de registo da art e rupestre Favecas 1 Levantamento sobre fotografia Favecas 2 Levantamento sobre fotografia Favecas 3 Levantamento sobre fotografia Favecas 4 Levantamento sobre fotografia Favecas 5 Levantamento sobre fotografia Favecas 6 Levantamento sobre fotografia Favecas 7 Levantamento sobre fotografia Favecas 8 Levantamento sobre fotografia Favecas 9 Levantamento sobre fotografia Favecas 10 Levantamento sobre fotografia Favecas 11 Levantamento sobre fotografia Favecas 12 Levantamento sobre fotografia Favecas 13 Levantamento sobre fotografia Favecas 14 Levantamento sobre fotografia 51 Favecas 15 Levantamento sobre fotografia Favecas 16 Levantamento sobre fotografia Favecas 17 Levantamento sobre fotografia Favecas 18 Levantamento sobre fotografia Favecas 19 Levantamento sobre fotografia Favecas 20 Levantamento sobre fotografia Favecas 21 Levantamento sobre fotografia Favecas 22 Levantamento sobre fotografia Favecas 23 Levantamento sobre fotografia Favecas 24 Levantamento sobre fotografia Fraga das Ferraduras Levantamento sobre fotografia/ iDStretch /Registo fotográfico Ferraduras 2 Registo fot ográfico Ridevides 4 Levantamento sobre fotografia Serrinha 1 Registo fot ográfico Coutada 1 Levantamento sobre fotografia Coutada 2 Levantamento sobre fotografia Favecas 28 Levantamento sobre fotografia Favecas 29 Levantamento sobre fotografia Moinhos 1 Registo fot ográfico Moinhos 2 Levantamento com plástico poliviníl ico Moinhos 3 Registo fot ográfico Moinhos 4 Registo fot ográfico Moinhos 5 Registo fot ográfico Pias 1 Levantamento sobre plástico polivinílico Pias 2 Levantamento sobre plástico polivinílico Pias 3 Registo fot ográfico Pias 4 Levantamento sobre plástico polivinílico Pias 5 Registo fot ográfico Pias 6 Registo fot ográfico e fotogrametri a Pias 7 Registo fot ográfico Pias 8 Registo fot ográfico Pias 9 Levantamento sobre fotografia Pias 10 Levantamento sobre plástico polivinílico Pias 11 Levantamento sobre plástico polivinílico Pias 12 Registo fot ográfico Vale Concelho 1 Levantamento sobre fotografia Vale Concelho 2 Levantamento sobre fotografia Vale Concelho 3 Levantamento sobre fotografia Vale Concelho 4 Levantamento sobre fotografia Vale Concelho 5 Registo fot ográfico Pedra Nova Registo fot ográfico e fotogrametri a Bogalheira 1 Registo fot ográfico 52 Bogalheira 2 Levantamento sobre fotografia Cabeço da Mina 1 Levantamento sobre fotografia Abrigo do Castro de Santa Justa Levantamento sobre fotografia Pedra Escrita de Ride vides 1 Registo fot ográfico/Fotogrametria/Levantam ento sobre fotografia/Levantamentos anteriores pub licados Pedra Escrita de Ride vides 2 Registo fot ográfico Vilariça 1 Levantamento sobre fotografia Vilariça 2 Registo fot ográfico Vilariça 3 Levantamento sobre fotografia Vilariça 4 Levantamento sobre fotografia e fotogrametria Poço da Moura Levantamento em bibliografia Penedo do Cobrão Registo fot ográfico 1.3 Traba lho avançado de gabinete Nesta et apa a distribuição geográfica, tanto dos sítios com arte rupestre, como dos demais vestígios arqueológicos pré e proto-históricos foram registados e tornados visív eis a través de programas informáticos, com o o Quantum GIS ou o Google Earth . Estas ferramentas possibilitaram a obtenção de uma visão mais ampla da distribuição destes sítios no espaço e em relação à topografia regional. Posteriormente foram aplicadas diversas metodologias da arqueologia espacial através dos Sis temas de Informação Geográfica, nomeadamente o Site Catchment An alysis que possibilitou a análise da articulação dos sítios arqueológ icos (povoados e o santuário do Cabeço da Mina) com a arte rupes tre e outros vestígios arqueológicos considerados g enericamente contemporâneos. Esta análise foi feita num raio de 2 h pedestres. Também foram elaborados ma pas de análise relativamente ao nível de visualização. D este modo, foi utilizado o programa open source Quantum GIS , para toda a cartografia produzi da. Finalmente , n a posse de todos os dados foi escrita esta dissertação. 53 PARTE III. ESPAÇO DE TRABALHO: VALE DA VILARIÇA 54 1. Introdu ção Este capítulo incide, genericament e, n a caracterização geomorfológica da região transmontana e, em particular, sobre o Vale da V ilariça. Deste modo, faz todo o sentido subdividir Trás- os -Mont es e Alto Douro em “Terra Fria” e “Terra Quente”, ain da que esta dicotomia seja extensíve l às províncias das Beiras Baixa e Alta. A climatologia, hipsometria, hidrologia, pedologia e recursos mineiros que, de um modo ou de outro, influenciam a compreensão da exploração dos recursos end ógenos, bem como o enquadramento do povoamento pré-histórico e proto-histórico, são estudos imperativos no tema abordado nesta dissertação. Antes de caracterizarmos a geomorfologia do Vale da Vilariça, é importante um enquadramento regional mais amplo para percebermos a int er-relação dos con textos geológicos mais próximos à á rea de estudo. O Nordeste transmontano, t al com o as partes cent ral e ocidental da Pen í n sula Ibérica, insere - se no Soco Hercínico peninsular, atualmente designado por Maciço Hespé rico e que se caract eriza pela presença de roch as ante-mesozóicas, nomeadamente as m etamórficas, ígneas e sediment ares. Devido aos movimen tos h ercínico s, e a par do metamorfismo decursivo, foram gerados fenómenos de granitização em grandes partes da região tran smonta na, decorrentes no final do Paleozoico (RODRIGUES et . al. , 2006: 27). Esta região encontra-se inserida na Zona Centro Ibérica, uma das cin c o faixas rochosas que se formaram em períodos e rit mos diferentes com particularidades distint as como é o caso dos m aciços de Morais e de Bragança ou os aflorament os de gn aiss e do tipo “olho - de - sapo”, em Miran da do Douro (RODRIGUES et . al. , 2006: 29). Fruto de vária s tran sgres sões marítimas nos períodos acima referidos, fa zem com que o substrato Paleozoico acabe por ficar coberto de depósitos sedimentares. No entanto, em algumas partes da Meseta, nomeadamente as zonas mais periféricas, e em Trás - os -Montes Oriental, é possível aferi r este substrato nas áreas mais planas (RODRIGUES et . al. , 2006: 27). Outro aspeto geomorfológico importante da área estud ad a tem a ver com a orogenia alpina, i. e., verificou-se uma inclinaçã o no sentido Este - Oeste por parte do bloco da Meseta devido às moviment ações alpinas. A con sequ ência des te fenómeno levou ao increment o da altitude de alguns elementos do Maciço Hespéri co, originando relevos importan tes como são, a título de exem plo, as ser ras do Gerês, Marão e Alvão e os planaltos transmontanos. Para além destes relevos marcan tes, verificou -se a origem de 55 grabens que, para a área em questão, culminou no Vale da Vilariça . Esta estrutura deu -se devido à fragmentação e consequente deslocação do soco hercínico (RODRIGUES et . al. , 2006: 28). As formações predominantes em Trás- os -Mon tes e A lto D ouro são as de tipo g ranitoide forman do, assim, terraços e as met amórficas, on de os xistos têm particular relevo. No en tanto, a paisagem também é pautada pela presença de alguns materiais det ríticos, fruto de erosões episódica s, e qu e se en contram em cursos de água ou em depressões mais escarpadas (RODRIGUES et .al. , 2006: 29). Em Trás- os -Montes e Alto Douro, é possível verificar o grande predomínio dos leptossolos, seguindo-se os cam bissolos. Os menos representativos são os l uviss olos, alissolos e pódzois. A estes, também podemos juntar os antrossolos, de génese a ntrópica, quase por toda a região, m as que se concentram, sobretudo, no vale do Douro (RODRIGUES et . al ., 2006: 42). Sendo os xistos e os gran itos as principais formações geológicas na região transmontana, estes últimos caracterizam-se por granitos alcalinos de duas micas com uma área abran gente, percetível desde Montalegre at é Mirandela, prolongan do-se m ais para sul até Carrazeda de Ansiães. Apesar dos granitos alcalinos serem o s mais co muns, também os granitos ricos em biot ite e m oscovite são relativamente representativos e estendem - se desde a região do Peso da Régua at é a uma parte do concelho de Miran d a do Douro. Ainda relat ivamente aos granitos, é possível verifi car a ocor rência de granitos gnáissicos, presentes na faixa Bragança/Miranda do Douro, ou seja, na parte mais orient al de Trás - os -Montes (RODRIGUES et . al. , 2006: 30). No que à formaç ão das rochas metamórficas diz re speito, é possível verificar formações de x istos - grauvaques onde a litologia apresenta um elevado grau de laminação e estratifica ção e que se estende entre Freixo de Espada-à-Ci nta a Vila Real, na sub-regiã o duriense. No en tanto, t ambém são identificáveis xistos-grauváquicos noutras regiões de Trás- os -Montes como são os casos de Murça e uma parte de Mogadouro e Miranda do D ouro. Uma outra formação importante de x istos são os xis tos quartzíticos que ocupam áreas mais ext ensas, nomeadamente a parte mais oriental do Nordeste t ransmontano e qu e corresponde, na su a maioria, aos concelhos de Mogadouro e Mi randa do Douro. O s xistos mais raro s na região circunscrevem-se ao s concelhos de Vimioso, Macedo de Cavaleiros e Bragança e corresponde m a xistos verdes, micaxistos, gnaisses, anfibolitos, etc. (RODRIGUES et . al. , 2006: 30). É neste cont exto que surge o Maciço de Morais. 62 PARTE IV. OS DADOS 63 1. Catálogo de arte rupestre Este catálogo de sítios s erá dividido em dois capítulos. O que des creve os critérios de inventário e o inventário propriamente dito. 1.1 Critérios descritivos O presente catálog o foi dividido por concelhos, freguesias e localidades, uma vez que todos partilham a rede hidrográfica da ribeira da Vilariça. Deste modo, os concelhos abrangidos são os de Alfândega da Fé, Torre de Moncorvo e Vila Flor. A cada entrada foi atribuído um número de inventário, bem como descritores de caracterização num t otal de treze, a saber: (a) t ipo de sítio; (b) cron ologia ; (c) localização administrat iva; (d) coordenadas geográficas decimais (sistema WGS 84) e altitude; (e) acessos; (f ) localização fí sica e am biental; (g ) contexto arqueológico; (h ) historial; (i) descrição do afloramen to gravado; (j ) descrição dos motivos gravados; (k) atribuição de crenças; (l) conservação; (m) bibliografia. A designação dos sítios corresponde ao topónimo que vem referenciado na bibliografia ou nas Cartas Militares de Portugal, n a escala 1:25 000. É de referir que, n algumas entradas, é -lhes associado o CNS (Código Nacional de Sítio) existente na base de dados do Endovélico da DG PC (Direção Geral do Património Cultural). A cron ologia, ainda que g e nérica, foi atribuída segundo as técnicas de g ravação utilizadas, os motivos gravados e o apoio da bibliografia. Quando a at ribuição cron ológica dos s íti os com arte rupestre é bastante vag a, optámos por colocá-los na “Pré - história Antiga ou Recent e”, “Moderno/Contemporâneo”, etc., uma vez que sabem os que as gravuras se inserem n um determina do período cron ológico, ain da que n ão con sigamos atribuir-l he uma cron ologia mais fina. Noutras situações, não é possível atestar, de t odo, uma cronologia segura, pelo que optám os pela designação de “indeterminada”. Quanto à localização administrativa há que referir que, para além do concelho e da freguesia, também colocámos o lugar, quando existe, de m odo a pormenorizar mos os sítios dos achados. As coorden ad as utilizadas neste cat álogo foram retiradas a partir de GPS GARMI N GPS 12 e as altitudes foram atribuídas c om a ajuda do open source Google Ea rth e também de GPS GARMI N GPS 1 2. O contexto físico e am bien tal refere-se às caract erís ticas físicas do local em que o achado foi encontrado (topografia, h idr ologia, geologia, recursos mineiros nas proximidades e ambiente ). 64 Nos acessos, explicamos, ainda que n ão de forma exaustiv a, com o se chega aos sítios arqueológicos. No contexto arqueológico referir- se -ão povoados, contextos funerários e depósitos met álicos, numa cronologia desde o Neolítico à Idade do Bronze. A recolha de at ribu ição de crença s, teve como base o Arquivo Português de Lendas, dis ponível em linha em https://lendarium.org/pt/ e as informações populares. O último ponto, referente à bibliografia, res pe ita a ordem cronológica d as refer ências. 1.2 Inventári o 1.2.1 Concelho de Alfândega da Fé 1.2.1.1 União de Freguesias de Eucísia, Gouveia e Valverde 1.2.1.1.1 Eucísia (1) Favecas 1 Tipo de sítio: Arte rupestre de ar livre e traços aleatórios? Cronologia: Indeterminada e histórica. Localização administrativa: União de Freguesias de Eucísia, Gouveia e Valverde. Lugar: Favecas. Coordenadas geográficas decimais e altitude: Lat itude: 41.29657 N; Longitude: -7.03656 O; Altitude: 433 m. 65 Figura 41 – Excerto da folha 105 da Carta Milit ar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização de Favec as 1. Acessos: Entre as localidades de Eucísia e Nozelos, n uma curva onde funcionou uma pequena pedreira, seguir um caminh o a partir da estrada N215 e a apro ximadamente 135 met ros fazer um desvio para este ju n to a uma plantação de sobreiros em direção a um lameiro. Atrav essar o lameiro e a cerca de 10 metros deste encontram-se as gravuras de F avecas 1. Localização física e ambiental: O local situa- se numa vertente suave, na bordadura de um pequeníssimo vale em pleno planalto do Marco, sobranceiro à ribeira de S. Mart inho, afluente da margem esquerda da ribeira da Vilari ça. As condições de visibi lidade são relativamente escassas devido à sua posição alcantilada na vertente do vale. No entanto, é para oeste que o domínio visual é predominante. A partir deste local, é po ssível ver, a n ordeste, a serra de B ornes, a n orte o Vale da Vilariça e a este a Serra da Gouveia. Os afloramen tos são verticais e subverticais de tam a nhos variad os, alguns ravinosos, próximos da ribeira de S. Marcos. O substrato geológico local é com posto pela alternância de fi litos com laminação fina, paralela, metagrauvaques e metaquart zogr auvaque s, correspondendo à Formação de Desejos a (Fig. 42 ) (PEREI RA, 2000 ). Ambientalm ent e, trat a-se de área de pastoreio com vegetação constituída por giestas, estevas e sobreiros. 66 Figura 42 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 000, com a localização de Fave c as 1. Contexto arqueológico: Próximo desta rocha encontram -se vários povoados fortificados. Os mais próximos são os de Santa Ju sta e da Nossa Senhora d os Anúncios a norte e os de Castelo de Gouveia e Curral da Cerca a este. Também o Cabeço da Mina, que lhe fica a norte, encontra-se bastan te próximo. Historial: Descoberto no âmbito deste trabalho. Descrição do a floramento gravado: Afloramento bem destacado do solo, laminado subve rticalmente (Fig. 43 ). O painel gravado encontra -se orient ado para oes te e é visível na paisage m. As suas dimensões são de cerca de 2 met ros de altura por 1.5 met ros de l arg ura. As gravuras distribu em-se em dois painéi s retangulares e verticais com algu mas fraturas naturais, orientado s para oeste. O painel A fica a cerca de 50 cm do solo. O painel B, mais pequeno, fica a cerca de 70 cm do solo e a 30 cm do painel A. 67 Figura 43 – Rocha Favecas 1 com a área assinalada onde se encontram os painéis gravados A e B. Fotografi a do autor. Descrição dos motivos gravados: Os motivos gravados no painel A (Fig. 44 ) estão circunscri tos a algumas partes do mesmo e são constituídos por linhas h orizontais e parale las entre si dividindo -se em dois grupos: u m com maior quantidad e de sulcos , n a p arte mesial direita e o outro n a mesial esqu erda, com menor n úmero de linhas. F oram efetuadas através da técnica de inc isão filiforme. Quanto ao painel B (Fig. 45) as gravuras cor respondem a linh as entrecruzadas en tre si d ispostas vert icalmente e algumas ligeiramente oblíquas. No g rupo mais à esquerda do painel, também foram identificadas linhas entrecruzadas. É possível distinguir um pentagram a inacabado. As gravuras foram efetuadas na diago nal, de forma a aproveitar a orientação dos painéis. A s linhas entrecruzadas são difíceis de definir, mas a intencionalidade do pent a grama é óbvia. A técnica utilizada foi a incisão filiforme (em menor quan tidade) e a raspagem e caracterizam-se, sobretudo, por pontos, devido à irregularidade da superfície. 68 Figura 44 - Em cima: pormenor das gravuras do painel A. Em baixo: motivos gravados: linhas incisas fil iformes . Levantamento sobre fotografia. 69 Figura 45 – Em cima: pormenor das gravuras do painel B. Em baixo: Motivos gravados: p ontos raspados e linhas incisas fil iformes a preto. Apesar do levantamento sugerir picotado, devid o aos pequenos pon tos, a técnica é a raspagem . Levantamento sobre fotografia. Atribuição de crenças: Não se conhecem. Conservação: Em bom estado de conservação. 70 Bibliografia: Inédito. (2) Favecas 2 Tipo de sítio: Arte rupestre de ar livre ou traços aleatórios? Cronologia: Indeterminada. Localização administrativa: União de Freguesias de Eucísia, Gouveia e Valverde. Lugar: Favecas. Coordenadas geográficas decimais e altitude: Lat itude: 41.29657 N; Longitude: -7.03656 O; Altitude: 433 m. Figura 46 - Excerto da folha 105 da Carta Militar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização de Favec as 2. Acessos: Entre as localidades de Eucísia e Nozelos, n uma curva onde funcionou uma pequena pedreira, tomar um caminho a partir da estrada N215 e a apro ximadamente 135 m etros f azer um des vio para este ju n to a uma plantação de sobreiros em direção a um lameiro. Atravessar o lam eiro e próximo deste encontram-se as gravuras de Favecas 2. 71 Localização física e ambiental: O local situa- se numa vertente suave, na bordadura de um pequeníssimo vale em pleno planalto do Marco, sobranceiro à ribeira de S. Mart inho, afluente da margem esquerda da ribei ra da Vilariça. Apesar desta zona se en con trar num pequ en o planalto, as condições d e visibilidade seriam relativa mente escassas devido à s ua posição alcant ilada n um vale com penden te suave para sul, em direção à ribeira de Marco s. No entanto, é para oeste qu e o domínio vi sual é predominante. A partir d este pequeno planalto é possível ver , a nordeste, a serra de Bornes, a n or te o Vale da Vilariça e a este a Se rra da Gouveia. Onde está i mplantada a rocha Favecas 2, é possível visualizar afloramentos verticais e subverticais, em xisto, com ta manh os variados. É a este destes lameiros que se encontram a maior parte dos afloram entos. A oeste são mais escassos e n aqueles prospetados n ã o foram identificadas gravuras. Com a aproximação da ri beira de Marcos, alg uns afl oramentos tornam -se pequenas rav inas. Nas imediações existem pequenas l inhas de água provenientes de escorrências de vertente. O subs t rato geológico local é composto pela alternância de filitos com lami nação fina, paralela, metagrauvaques e met aquartzograuvaque s, correspon dendo à Formação de Desejosa (Fig. 47) (PEREIRA, 200 0). Ambientalmente, trata-se de área de pastoreio com vegetação constituída por g iestas, estevas e sobreiros. Figura 47 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 000, com a localização de Fave c as 2. 78 79 Figura 54 - Em cima: pormenor das gravuras do painel A. Em baixo: motivos gravados que correspondem a linhas incisas fi liformes . Levantamento sobre fotografia. 80 81 Figura 55 - Em cima: pormenor das gravuras do painel B. Em baixo: moti vos gravados q ue correspondem a li nhas raspadas a amarelo, motivo em U (ferradura) a vermelho e picotados a preto. Levantam ento s obre fotografia. Atribuição de crenças: Não se conhecem. Conservação: Em bom estado de conservação. Bibliografia: Inédito. (4) Favecas 4 Tipo de sítio: Arte rupestre de ar livre ou traços aleatórios? Cronologia: Indeterminada. Localização administrativa: União de Freguesias de Eucísia, Gouveia e Valverde. 82 Lugar: Favecas. Coordenadas geográficas decimais e altitude: Lat itude: 41.29637 N; Longitude: -7.03663 O; Altitude: 417 m. Figura 56 - Excerto da folha 105 da Carta Militar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização de Favec as 4. Acessos: Entre as localidades de Eucísia e Nozelos, n uma curva onde funcionou uma pequena pedreira, tomar um caminho a partir da estrada N215 e a apro ximadamente 135 m etros f azer um des vio para este junto a uma plantação de sobreiros em direção a um lam eiro. At rave ssar o lameiro e a cerca de 4 metros deste encontram-se as gravuras de F avecas 4. Localização física e ambiental: O local situa- se numa vertente suave, na bordadura de um pequeníssimo vale em pleno planalto do Marco, sobranceiro à ribeira de S. Mart inho, afluente da margem esquerda da ribei ra da Vilariça. Apesar desta zona se en con trar num pequ en o planalto, as condições d e visibilidade seriam relativa mente escassas devido à s ua posição alcant ilada n um vale com penden te suave para sul, em direção à ribeira de Marco s. No entanto, é para oeste qu e o domínio vi sual é predominante. A partir deste pequeno planalto é possível ver a nordeste a serra de Bornes, a n orte o Vale da Vilariça e a este a serra da Gouveia. Onde está implantad a a roc ha Favecas 4, é possível verificar afloramentos verticais e subverticais em xisto com tam anhos variados. É a este destes lameiros que se encontram a maior parte dos afloram entos. A oeste são mais escassos e n aqueles prospetados n ã o 83 foram identificadas gravuras. Com a aproximação da ri beira de Marcos, alg uns afl oramentos tornam -se pequenas rav inas. Nas imediações existem pequenas l inhas de água provenientes de escorrências de vertente. O subs t rato geológico local é composto pela alternância de filitos com laminação fina, paralela, metagrauvaques e met aquartzograuvaque s, correspon dendo à Formação de Desejosa (Fig. 57) (PEREIRA, 200 0). Ambientalmente, trata-se de área de pastoreio com vegetação constituída por g iestas, estevas e sobreiro s. Figura 57 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 000, com a localização de Fave c as 4. Contexto arqueológico: Próximo desta rocha encontram -se vários povoados fortificados. Os mais próximos são os de Santa Ju sta e da Nossa Senhora d os Anúncios a norte e os de Castelo de Gouveia e Curral da Cerca a este. Também o Cabeço da Mina, que lhe fica a norte, encontra-se bastan te próximo. Historial: Descoberto no âmbito deste trabalho. Descrição do aflorame nto gravado: A floramento bem destaca do do solo, lamina do vertical e subverticalmente (Fig. 58). O painel gravado está orientado para oeste, bem visível na paisagem. A sua dimensão é de cerca de 2 met ros de alt ura por 1.5 m etros de largura. As gravuras encontram -se apenas no painel de maior dimensão, vertical com algumas fraturas naturais. O painel com as g ravuras encont ra- se a cerca de 30 cm do solo. 84 Figura 58 - Rocha Favecas 4 com a área assinalada onde se encontram as gravuras. Fotografi a do autor. Descrição dos mot ivos gravados: O s motivos gravados no painel estão circunsc ritos à parte superior do mesmo (Fig. 59). É possível verificar algumas linhas oblíquas de pequena dimensão e, acima destas, há traços aleatórios, difícei s de identificar, e ventualmente efetuados por populações históricas. E stas gravuras são pouco percetíveis devido à “leveza” dos traços e po rque foram efetuadas num espaço m uito pequeno do painel. A técnica de gravação é a raspagem. 85 Figura 59 - Em cima: pormenor das gravuras da rocha Favecas 4. Em bai xo: traços aleatórios. Levantamento sobre fotografi a. Atribuição de crenças: Não se conhecem. Conservação: Em bom estado de conservação. Bibliografia: Inédito. 86 (5) Favecas 5 Tipo de sítio: Arte rupestre de ar livre, inscrição e traços aleatórios? Cronologia: Proto-histórica (?) . Localização administrativa: União de Freguesias de Eucísia, Gouveia e Valverde. Lugar: Favecas. Coordenadas geográficas decimais e altitude: Lat itude: 41.29494 N; Longitude: -7.03266 O; Altitude: 405 m. Figura 60 - Excerto da folha 105 da Carta Militar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização de Favec as 5. Acessos: Entre as localidades de Eucísia e Nozelos, n uma curva onde funcionou uma pequena pedreira, tomar um caminho a partir da estrada N215 , entre o Olival do Soldado e Favecas. Na bifu rcação deste caminho, seguir a linha de água para oeste. Localização física e ambiental: O local situa- se numa vertente suave, na bordadura de um pequeníssimo vale em pleno planalto do Marco, sobranceiro à ribeira de S. Mart inho, afluente da margem esquerda da ribei ra da Vilariça. Apesar desta zona se en con trar num pequ en o planalto, as condições d e 87 visibilidade seriam relativa mente escassas devido à s ua posição alcant ilada n um vale com penden te suave para sul, em direção à ribeira de Marco s. No entanto, é para oeste qu e o domínio visu al é predominante. A partir deste pequeno planalto é possível ver a nordeste a serra de Bornes, a n orte o Vale da Vilariça e a este a serra da Gouveia. Onde está implantad a a roc ha Favecas 5, é poss ível verificar afloramentos verticais e subverticais em xisto com tam anhos variados. É a este destes lameiros que se encontram a maior parte dos afloram entos. A oeste são mais escassos e n aqueles prospetados n ã o foram identificadas gravuras. Com a aproximaçã o da ribeira de Marcos, alg uns afl oramentos tornam -se pequenas rav inas. Nas imediações existem pequenas l inhas de água provenientes de escorrências de vertente. O subs t rato geológico local é composto pela alternância de filitos com laminação fina, paralela, metagrauvaques e met aquartzograuvaque s, correspon dendo à Formação de Desejosa (Fig. 61 ) (PEREIRA, 200 0). Ambientalmente, trata-se de área de pastoreio com vegetação constituída por g iestas, estevas e sobreiros. Figura 61 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 000, com a localização de Fave c as 5. Contexto arqueológico: Próximo desta rocha encontram -se vários povoados fortificados. Os mais próximos são os de Santa Ju sta e da Nossa Senhora d os Anúncios a norte e os de Castelo de Gouveia e Curral da Cerca a este. Também o Cabeço da Mina, que lhe fica a norte, encontra-se bastan te próximo. Historial: Descoberto no âmbito deste trabalho. 94 Figura 67 - Em cima: pormenor das gravuras do painel E. Em baixo: quat ro pequenas linhas ob líquas p aralelas entre si. Levantamento sobre fotografia. Atribuição de crenças: Não se conhecem. Conservação: Em bom estado de conservação. Bibliografia: Inédito. (6) Favecas 6 Tipo de sítio: Arte rupestre de ar livre. Cronologia: Pré -história Recente (Calcolítico?) e indeterminado. Localização administrativa: União de Freguesias de Eucísia, Gouveia e Valverde. Lugar: Favecas. Coordenadas geográficas decimais e altitude: Lat itude: 41.29385 N; Longitude: -7.03392 O; Altitude: 390 m. 95 Figura 68 - Excerto da folha 105 da Carta Militar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização de Favec as 6. Acessos: Entre as localidades de Eucísia e Nozelos, n uma curva onde funcionou uma pequena pedreira, tomar um caminho a partir da estrada N215 , entre o Olival do Soldado e Favecas. Na bifu rcação deste caminho, seguir a linha de água para oeste. Localização física e ambiental: O local situa- se numa vertente suave, na bordadura de um pequeníssimo vale em pleno planalto do Marco, sobranceiro à ribeira de S. Mart inho, afluente da margem esquerda da ribei ra da Vilariça. Apesar desta zona se en con trar num pequ en o planalto, as condições d e visibilidade seriam relativa mente escassas devido à s ua posição alcant ilada n um vale com penden te suave para sul, em direção à ribeira de Marco s. No entanto, é para oeste qu e o domínio vi sual é predominante. A partir deste pequeno planalto é possível ver a nordeste a serra de Bornes, a n orte o Vale da Vilariça e a este a serra da Gouveia. Onde está implantad a a roc ha Favecas 6, é poss ível verificar afloramentos verticais e subverticais em xisto com tam anhos variados. Est a zon a tem um pequeno vale de pendente suave para sul e é a este desta depressão que se encon tram a maior parte dos afloram entos. A oeste são mais escassos e naqueles prospetados não foram iden tificadas g ravuras . Com a aproxim ação da ribei ra de Marcos, alguns afloramentos tornam-se pe quenas ravinas. Nas imediações existem pequenas linh as de água provenientes de escorrências de vertent e . O substrato geológico local é composto pela alternân cia de fili tos com la minação fina, paralela, metagrauvaques e metaquartzograuvaques, c orrespondendo à Formação de Desejosa (F ig. 69 ) (PEREIRA, 2000). 96 Ambientalmente, trata-se de área de pastoreio com vegetação constituída por gies tas, estevas e sobreiros. Figura 69 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 000, com a localização de Fave c as 6. Contexto arqueológico: Próximo desta rocha encontram -se vários povoados fortificados. Os mais próximos são os de San ta Ju sta e da Nossa Senhora dos Anúncios , a nort e e os de Castelo de Gouve ia e Curral da Cerca, a e ste. Ta mbém o Cabeço da Min a, que lhe fica a norte, encont ra-se bastant e próximo. Historial: Descoberto no âmbito deste t rabal ho. Descrição do aflorame nto gravado: A floramento bem destaca do do solo, lamina do vertical e subverticalmente (Fig. 70 ). O painel gravado está orientado para oeste, bem visível na paisagem. A sua dimensão é de cerca de 2.70 met ros de alt ura por 3 m etros de largura. As grav uras encont ram -se no painel de maior dimensão e ocupam uma pequena parte central do mesmo. O painel gravado encontra- se entre 30 cm a 1 metro do solo. 97 Figura 70 - Rocha Favecas 6 com a área assinalada onde se encontram as gravuras. Fotografi a do autor. Descrição dos motivos gra vados: Os m otivos gravado s encontram -se distribuídos por um painel (Fig. 71 ). Neste painel existe um grupo de gravuras com sulcos horizont ais, verticais e oblíquas. É possível verificar um an tropomorfo esquemático, cuja cabeça se define por um semicír culo e por dois pon tos que poderão representar os olhos . Os braços, definem-se por u m traço na horizontal. U m deles parece estar a segurar um objeto que se ergue na vertical. Encontra-se na parte central das gravu ras, efetuado com incisão filiforme e foi sobreposto pelas g ravuras efetua das através de raspagem. As gravuras efetuadas através desta técnica, são de difícil int erpretação, mas nota -se, pelo menos, na parte inferior do painel, outro antropomorfo esquemát ico, de pequ enas dimensõ es, cuja cabeça é de finida por um traço horizontal (toucado?), os b raços por outro traço hori zontal e as pernas em V invertido. Numa das extremidades do braço, este antropomorfo parece associar-se a um motivo semicircular (um arco?). 98 99 100 Figura 71 - Em cima: vista geral das gravuras da ro cha de Favecas 6. Ao centro: fot ogra metria do painel com gravu ras e pormenor do eventual antropomorfo. Em baixo: linhas horizontais, verticais e oblíquas, um eventual antropom orfo de menor es dimensões assinalado com a seta branca. Na parte central ide ntifica -se um eventual antropomorfo, assinalado com a seta verde. As gravuras a vermelho foram efetuad as através da técnica de raspagem e a amarel o através da incisão filiforme . Levantamento sobre fotografia. Atribuição de crenças: Não se conhecem. Conservação: Em bom estado de conservação. Bibliografia: Inédito. (7) Favecas 7 Tipo de sítio: Arte rupestre de ar livre. Cronologia: Histórico. Localização administrativa: União de Freguesias de Eucísia, Gouveia e Valverde. Lugar: Favecas. 101 Coordenadas geográficas decimais e altitude: Lat itude: 41.29930 N; Longitude: -7.03732 O; Altitude: 419 m. Figura 72 - Excerto da folha 105 da Carta Militar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização de Favec as 7. Acessos: Entre as localidades de Eucísia e Nozelos, n uma curva onde funcionou uma pequena pedreira, tomar um caminho a partir da estrada N215 , entre o Olival do Soldado e Favecas. Na bifu rcação deste caminho, seguir a linha de água para oeste. Localização física e ambiental: O local situa- se numa vertente suave, na bordadura de um pequeníssimo vale em pleno planalto do Marco, sobranceiro à ribeira de S. Mart inho, afluente da margem esquerda da ribei ra da Vilariça. Apesar desta zona se en con trar num pequ en o planalto, as condições d e visibilidade seriam relativa mente escassas devido à s ua posição alcant ilada n um vale com penden te suave para sul, em direção à ribeira de Marco s. No entanto, é para oeste qu e o domínio vi sual é predominante. A partir d este pequeno planalto é possível ver , a nordeste, a serra de Bornes; a norte o Vale da V ilariça e a este, a serra da Gouveia. O nde está implant ada a rocha Favecas 7, é possível verificar afloramentos verticais e subverticais em xisto com tam anhos variados. É a este destes lameiros que se encontram a maior parte dos afloram entos. A oeste são mais escassos e n aqueles prospetados n ã o foram identificadas gravuras. Com a aproximaçã o da ribeira de Marcos, alg uns afl oramentos tornam -se pequenas rav inas. Nas imediações existem pequenas l inhas de água provenientes de escorrências de 102 vertente. O subs t rato geológico local é composto pela alternância de filitos com lami nação fina, paralela, metagrauvaques e met aquartzograuvaque s, correspon dendo à Formação de Desejosa (Fig. 73) (PEREIRA, 200 0). Ambientalmente, trata-se de área de pastoreio com vegetação constituída por g iestas, estevas e sobreiros. Figura 73 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 000, com a localização de Fave c as 7. Contexto arqueológico: Próximo desta rocha encontram -se vários povoados fortificados. Os mais próximos são os de San ta Ju sta e da Nossa Senhora dos Anúncios , a nort e e os de Castelo de Gouve ia e Curral da Cerca, a e ste. Ta mbém o Cabeço da Min a, que lhe fica a norte, encont ra-se bastant e próximo. Historial: Descoberto no âmbito destes trabalh os. Descrição do aflorame nto gravado: A floramento bem destaca do do solo, lamina do vertical e subverticalmente (Fig. 74 ). O painel gravado está orientado para oeste, bem visível na paisagem. A sua dimensão é de cerca de 1.90 met ros de alt ura por 4 m etros de largura. As grav uras encont ram -se no painel de maior dimensão e ocupam a parte superior do m esmo. O painel gravado en co ntra -se entre 1.50 metros a 1.70 metros do solo. 103 Figura 74 - Rocha Favecas 7 com a área assinalada onde se encontram as gravuras. Fotografi a do autor. Descrição dos mot ivos gravados: Os m otivos gravados encontram -se inserido apenas n um painel (Fig. 7 7). I dentificaram-se dois motivos circulares em que o da es querda t em, n o seu int erior, sulcos oblongo s que s e ass emelh am a folhas. O mo tivo da direita, mais imperfeito, parece estar inacabado. No entanto, h á a clara intenção de ambos representarem o mesmo. Poderão ser mot ivo s que correspondem a rosetas quadripé talas. Foi considerada arte histórica pelo tipo de motivo, muito comum em contextos de romanização e medievais, associados ao m undo funerário, como se poderá v erificar em inúmeras publicações (Calo Lourido 1994; Redentor, 2002; Barroca, 2000). A t écnica de gravação é a incisão. No motivo da esquer da, foram efetuad os vário s su lcos incisos, ao con trário do da direita, apenas com um sulco, para definir o círculo exterior. 110 Localização física e ambiental: O local situa-se na marg em direita de uma linha de água, tributária da margem esquerda da ribeira de Ridevides. As condições de visibilidade seriam relativamen te escassas devido à sua posição alcan tilada n um vale com pendente suave para nort e. No entanto, é para este ponto cardeal que o domínio visual é pre dominante. É possível ver u ma parte do Vale da V ilariça e da serra de Bornes. O nde está implantada a rocha Favecas 9, é possível verificar afloramentos verticais e subverticais em xisto com tamanhos variados. É na margem direita desta linha de água que se encontram a maior parte dos afloramen tos. Na margem esquer da são m a is escassos e n aqueles pro spetados não foram identificadas gravuras. Nas imediações existem pequenas linh as de água provenientes de escorrê ncias de vertente. O subs trato geológico local é composto pela alt ernância de filitos com laminação fina, paralela, metag rauvaques e met aquartzograuvaques , c orrespondendo à Formação de Des ejosa (Fig. 81 ) (PEREIRA, 200 0). Ambientalmente, trata-se de área de pastoreio com vegetação constituída por g iestas, estevas e sobreiros. Figura 81 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 000, com a localização de Favecas 9. Contexto arqueológico: Próximo desta rocha encontram -se vários povoados fortificados. Os mais próximos são os de Santa Ju sta e da Nossa Senhora d os Anúncios a norte e os de Castelo de Gouveia e Curral da Cerca a este. Ta mbém o Cabeço da Mina, que lhe fica a norte, encontra -se bastant e próximo. Mais a sul estão os povoados do Castelo e da Senhora do Castelo, ambos na freguesia de Adeganha. 111 Historial: Descoberto no âmbito deste trabalho. Descrição do aflorame nto gravado: A floramento bem destaca do do solo, lamina do vertical e subverticalmente (Fig. 82 ). O painel gravado está orientado para oeste, bem visível na paisagem. A sua dimensão é de cerca de 2 metros de altura por 2 metros de largur a. As grav uras e ncontram -se n o painel central ocupando-o quase na sua totalidade. O painel g ravado e stá a cerca de 1 metro do solo. Figura 82 - Rocha Favecas 9 com a área assinalada onde se encontram as gravuras. Fotografi a do autor. Descrição dos motivos gravados: Os motivos gravados encon tram-se circunscritos a um pequeno painel vertical (Fig. 83 ) . Aí foram identificados sulcos verticais e horizont ais, paralelos en tre si, feitos através de raspagem. Na parte esqu erda do painel, há um mot ivo, logo abaixo de uma linha curva, que pode corresponder a um reticulado com linha superior curva, também por raspagem. Apenas foram efetuados quatro pontos: dois centrais e outros doi s n a parte direita do painel. As técnicas de gravação são a raspagem, esta em maior quantidade, e a picotagem. 112 Figura 83 - Em cima: pormenor das gravuras da rocha Favecas 9. Em bai xo: linhas raspadas a amarelo e quatro p equenos picotados a vermelho. Dentro do quadrado parece estar uma ponta de lança . A seta branca indica um possível reticulado com linha superior curva . Levantamento sobre fotografia. 113 Atribuição de crenças: Não se conhecem. Conservação: Em bom estado de conservação. Bibliografia: Inédito. (10 ) Favecas 10 Tipo de sítio: Arte rupestre de ar livre ou traços aleatórios? Cronologia: Indeterminada. Localização administrativa: União de Freguesias de Eucísia, Gouveia e Valverde. Lugar: Olival do Soldado. Coordenadas geográficas decimais e altitude: Lat itude: 41.30073 N; Longitude: -7.03878 O; Altitude: 397 m. Figura 84 - Excerto da folha 105 da Carta Militar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização de Favecas 10. Acessos: Entre as localidades de Eucísia e Nozelos, junto à estrada N215, onde funcionou uma pequena pedreira, encontra-se a rocha Favecas 1 0, a escassos metros a norte desta est rad a. 114 Localização física e ambiental: O local situa-se na marg em direita de uma linha de água, tributária da margem esquerda da ribeira de Ridevides. As condições de visibilidade seriam relativamen te escassas devido à sua posição alcan tilada n um vale com pendente suave para nort e. No entanto, é para este ponto cardeal que o domínio visual é pre dominante. É possível ver u ma parte do Vale da V ilariça e da serra de Bornes. Onde está implantada a rocha Favecas 10, é po ssív el verificar afloramentos verticais e subverticais em xisto com tamanhos variados. É na margem direita desta linha de água que se encontram a maior parte dos aflorament os. Na margem esquerda são m ais escassos e naqueles prospetados não foram ident ificadas gravuras. Nas imediações existe m pequenas linh as de água provenientes de escorrências de vertente. O s ubstrato geológico local é composto pela alternância de filitos com laminação fina, paralela, metagrauvaques e metaquart zograuvaques , corresponden do à Formação de Desejos a (Fig. 85) (PEREI RA, 2000). Ambient alment e, t rata-se de área de past oreio com vegetação constituída por giestas, estevas e sobreiros. Figura 85 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 000, com a localização de Favecas 10. Contexto arqueológico: Próximo desta rocha encontram -se vários povoados fortificados. Os mais próximos são os de Santa Ju sta e da Nossa Senhora d os Anúncios a norte e os de Castelo de Gouveia e 115 Curral da Cerca a este. Ta mbém o Cabeço da Mina, que lhe fica a norte, encontra -se bastante próximo. Mais a sul estão os povoados do Castelo e da Senhora do Castelo, ambos na freguesia de Adeganha. Historial: Descoberto no âmbito deste trabalho. Descrição do aflorame nto gravado: A floramento bem destaca do do solo, lamina do vertical e subverticalmente (Fig. 86). O painel gravado está orientado para oeste, bem visível na paisagem. A sua dimensão é de cerca de 1 metro de altura por 1 m e t r o de largura. As gravuras encontram -se no painel da esquerda ocupando a parte superi or do mesmo. Este encontra-se a cerca de 50 cm do solo. Figura 86 - Rocha Favecas 1 0 com a área assinalada onde se encontram as gravuras. Fotografi a do autor. Descrição dos motivos gravados: O s mot ivos gravados dividem-se em dois grupos distintos (Fig. 87) . O conjunto do lado esquerdo caract eriz a -se pela presença d e sulcos verticais, horizontais e oblíquo s, alguns paralelos entre si. O grupo da esqu erda é onde há maior presença de traços, embora de difícil compreensão. O da direita, com menos t raços gravados, apenas tem algumas linhas onduladas . Estes motivos são difíceis de in terpretar, talvez aleatórios e eventualmente provocados por populações históricas. A técnica utilizada foi a raspagem. 116 Figura 87 - Em cima: pormenor das gravuras da rocha Favecas 1 0. Em bai xo: linhas ras padas a amarelo, f ormando dois grupos de gravuras. Levanta m ento sobre fotograf ia. Atribuição de crenças: Não se conhecem. Conservação: Em bom estado de conservação. 117 Bibliografia: Inédito. (11 ) Favecas 11 Tipo de sítio: Arte rupestre de ar livre. Cronologia: Proto-histórica (?). Localização administrativa: União de Freguesias de Eucísia, Gouveia e Valverde. Lugar: Olival do Soldado. Coordenadas geográficas decimais e altitude: Lat itude: 41.30100 N; Longitude: -7.03767 O ; Altitude: 408 m. Figura 88 - Excerto da folha 105 da Carta Militar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização de Favecas 11. Acessos: Entre as localidades de Eucísia e Nozelos, junto à estrada N215, onde funcionou uma pequena pedreira, encontra-se a rocha Favecas 1 1, a escassos metros a norte desta est rad a. Localização física e ambiental: O local situa-se na marg em direita de uma linha de água, tributária da margem esquerda da ribeira de Ridevides. As condições de visibilidade seriam relativamen te escassas devido à sua posição alcan tilada n um vale com pendente suave para nort e. No entanto, é para este ponto 118 cardeal que o domínio visual é pre dominante. É possível ver u ma parte do Vale da V ilariça e da serra de Bornes. Onde está implantada a rocha Favecas 11, é possível verificar afloramentos verticais e subverticais em xisto com tamanhos variados. É na margem direita desta linha de água que se encontram a maior parte dos aflorament os. Na margem esquerda são m ais escassos e naqueles prospetados não foram ident ificadas gravuras. Nas imediações existe m pequenas linh as de água provenientes de escorrências de vertente. O s ubstrato geológico local é composto pela alternância de filitos com laminação fina, paralela, metagrauvaques e metaquart zograuvaques , corresponden do à Formação de Desejos a (Fig. 89) (PEREI RA, 2000). Ambient alment e, t rata-se de área de past oreio com vegetação constituída por giestas, estevas e sobreiros. Figura 89 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 000, com a localização de Favecas 11. Contexto arqueológico: Próximo desta rocha encontram -se vários povoados fortificados. Os mais próximos são os de Santa Ju sta e da Nossa Senhora d os Anúncios a norte e os de Castelo de Gouveia e Curral da Cerca a este. Ta mbém o Cabeço da Mina, que lhe fica a norte, encontra -se bastant e próximo. Mais a sul estão os povoados do Castelo e da Senhora do Castelo, ambos na freguesia de Adeganha. Historial: Descoberto no âmbito deste trabalho. Descrição do afloramento gravado: Afloramento bem destacado do solo, la minado vertical mente (Fig. 90 ). Os painéis gravad os est ão orient ados para oeste, bem visíve is na paisagem. A sua dim ensão é 119 de cerca de 1.40 metros de altura por 1.50 m etros de la rgura. As g ravuras encont ra m -se nos dois painéis mais superiores do afloramen to. O painel A encontra-se a cerca de 1m do solo e o painel B a cerca de 90 cm. Figura 90 - Rocha Favecas 1 1 com as áreas assinaladas onde se encontr am as gravuras. Fotografia do autor. Descrição dos mot ivos gravados: O s motivos gra vados dividem -se em dois painéis. No painel A identificaram-se dois mot ivos que cor respondem a u m reticulado , a traços de difícil interpretação (antropomorfos?) e mot ivos grosseiramente triang ulares (Fig. 91 ). O reticulado enco ntra -se dent ro de um motivo ovalado. É difícil iden tificar outros mot ivos , uma vez que existe um “e maranhado” de linhas, algumas delas curvas. O reticulado e os outros motivos, apresentam linhas inc isas maiores e com o traço mais “vivo”. M otivos muito s obrepostos são f requentes na arte sidérica do N ordeste tran smontano como também acontece no Vale da C asa (BAPTISTA, 1982), em Vila Nova de Foz Côa, pelo que se consideram, embora provisoriamente, arte proto-h istórica. No painel B, há um motivo com linhas interligadas de variadas orientações e dimensões, mas de difícil compr eensão (Fig. 92 ). A técnica utilizada foi a incisão filiforme. A B 222 Figura 201 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 000, com a localização de Fav ecas 29. Contexto arq ueológico: Pr óximo desta roc h a existem vári os pov oados fortificados. Os povoados mais próximos são os de Santa Justa e da Nossa Senhora dos An úncios a n oroeste e os de Castelo de Gouveia e Curral da Cerca a s udeste. Também o Cabeço da Mina, que lhe fica a n oroeste, encontra -se bastante próximo. A sudoeste encontram- se os povoados do Castelo e da Senhora do C astelo , ambos na freguesia de Adeganha. Historial: Descoberto no âmbito deste trabalho. Descrição do afloramento gravado: Afloramento em xisto bem destacado do s olo, laminado verticalmente e subverticalmente (Fig. 202 ). Apresenta vários painéis, divididos por pequenas fendas naturais. Esta roch a é bem visível a partir de todos os pon tos cardeais, à exceção de nordeste . As dimensões são de aproximadamente 2 metros de largura por 1.50 metros de altura máx ima. As gravuras encontram-se a cerca de 40 cm do solo. 223 Figura 202 - Rocha Favecas 29 com a área assinalada onde se encontram as gravuras. Vista a parti r de sudoeste. Fotografia do autor. Descrição dos motivos gravados: As gravuras ap resentadas circunscrevem-se a um único painel (Fig. 203 ). Corre spondem a linhas verticais, paralelas entre si, localizadas na parte central do painel, e a três linhas horizontais, q ue se sobrepõem às primeir as. Há, ain da, motivos trian gulares, abertos. No topo, há linhas cruzadas mal definidas. A orientação do painel gravado faz-se para sudoeste. A técnica utilizada foi a incisão filif or me. 224 Figura 203 - À esquerda: pormenor das gravuras da rocha Favecas 29. À direita: linhas incisas a vermelho. Levantamento sobre fotografia. Atribuição de crenças: Não se conhecem. Conservação: Em bom estado de conservação. Bibliografia: Inédito. (33) Moinhos 1 Tipo de sítio: Inscrições. Cronologia: Contemporânea. Localização administrativa: União de Freguesias de Eucísia, Gouveia e Valverde. Lugar: Ribeira dos Moinhos. Coordenadas geográficas decimais e altitude: Lat itude: 41.28636 N; Longitude: - 7. 00705 O; Altitude: 4 55 m. 225 Figura 204 - Excerto da folha 105 da Carta Militar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização de Moin hos 1. Acessos: A sudoeste de Gouveia, seguir cam inho de t erra bat ida para noroeste que parte da estrada M611, em direção à ribeira de S. Martinho. Ao chegar a um pequeno vale, segu ir a pé at é à rocha Moinhos 1. Esta rocha encon tra-se n a margem direita da ribeira dos Moin hos, t ributária da m argem esquerda da ribeira da Vilariça. Localização física e ambiental: O local situa-se n a margem direita do ribeiro dos Moinhos . As condições de visibi lidade são es cassas para todos os po ntos card eais, à exc eção de este e oeste em que há um domínio sobre um pequeno vale . No local é possível observar afloram entos verticais e subverticais, em x isto, com tamanhos variados. Nas imediações ex istem pequenas linh as de ág ua provenientes de escorrências de vertente. O substrato geológico local é composto pe la altern ância de filitos com laminação fina, paralela, metagrauvaques e metaquart zograuvaques, correspondendo à Formação de Desejos a (Fig. 20 5 ) (PEREI RA, 2000). Ambientalmente, trat a-se de área de pastoreio com vegetaçã o constituída por giestas, estevas e sobreiros e a prática ag rícola do olival. 226 Figura 205 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 000, com a localização de Moi nhos 1. Contexto arqueológico: Próximo desta rocha existem vários povoados fortificados. O s mais pr óximos são os de Sa nta Justa e da Nossa Senhora dos A núncios a noroeste e os de Castelo de Gou veia e Curral da Cerca a sud este. Também o Cabeço da Mina, que l h e fica a nor oeste, encontra-s e bastante próximo. A sudoeste encontram- se os povoados do Castelo e da Senhora do Castelo, am bos na freguesia de Adeganha. Historial: Descoberto no âmbito deste trabalho. Descrição do afloramento gravado: Afloramen to em xisto, bem destacado do solo, lamina do verticalmente (Fig. 206). Ap resenta um painel , dividido por pequ en as fenda s n aturais. Esta rocha é bem visível a partir de t odos os pont os cardeais, à exceção de nordeste . A s dimensões são de aproximadamente 1.50 metros de largura por 1.30 metros de altura máxima. As gr avuras encontram -se a cerca de 1.10 m do solo. Encontra-se a escassos metros de um açude de um moinho hidráulico, podendo querer assinalar a construção do açude e/ou do moinho. 227 Figura 206 - Vista geral da rocha Moinhos 1. Os retângulos a vermelho assinalam as gravuras. Vista a part ir de sul. Fotografia do autor. Descrição dos mot ivos gra vados: As gravuras apre sentadas circunscrevem-se a um painel, divididos por uma fenda n atural ( Fig. 207). N o grupo A, mais pert o do t opo, en contra-se a data 1831 ( ?). No grupo B , na parte mais lateral e inferior da rocha, forma gravados “caracteres” de difícil compreensão, mas onde se pode ler um E e um T. A orientação deste painel faz-se para sul. A técnica de gravação foi o picotado. Figura 207 - À esquerda: pormenor das gravuras do grupo A. À di reita: pormenor das gravuras do grupo B. Fotografias do autor. Atribuição de crenças: Não se conhecem. Conservação: Em bom estado de conservação. A B 228 Bibliografia: Inédito. (34) Moinhos 2 Tipo de sítio: Arte rupestre de ar livre. Cronologia: Idade do Ferro. Localização administrativa: União de Freguesias de Eucísia, Gouveia e Valverde. Lugar: Ribeira dos Moinhos. Coordenadas geográficas decimais e altitude: Lat itude: 41.28643 N; Longitude: - 7. 00746 O; Altitude: 4 54 m. Figura 208 - Excerto da folha 105 da Carta Militar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização de Moin hos 2. Acessos: A sudoeste de Gouveia, seguir cam inho de t erra bat ida para noroeste que parte da estrada M611, em direção à ribeira de S. Martinho. Ao chegar a um pequeno vale, segu ir a pé at é à rocha Moinhos 2. Esta roch a encont ra-se na margem direita da ribeira dos Moinh os, tributária da margem esquerda da ribeira da Vilariça. Localização física e ambiental: O local situa-se n a margem direita do ribeiro dos Moinhos . As condições de visibilidade são escassas para todos o s p ontos cardeais, à exceção de n ordeste em qu e há 229 um domínio sobre um pequeno vale. No local é possível observar afloramentos verticais e subverticais, em x isto, com tamanhos variados. Nas imediações ex istem pequenas linh as de ág ua provenientes de escorrências de vertente. O substrato geológico local é composto pe la altern ância de filitos com laminação fina, paralela, metagrauvaques e metaquart zograuvaques , corresponden do à Formação de Desejos a (Fig. 20 9 ) (PEREI RA, 2000). Ambientalmente, trat a-se de área de pastoreio com vegetaçã o constituída por giestas, estevas e sobreiros. Figura 209 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 000, com a localização de Moi nhos 2. Contexto arqueológico: Próximo desta rocha existem vários povoados fortificados. Os mais próximos são os de Sa nta Justa e da Nossa Senhora dos Anúncios, a noroeste, e os de Castelo de Gouveia e C urral da C erca, a s udeste. T ambém o Cabeço da Mina, que lhe fi ca a noroeste, encontr a-se bastant e próximo. A sudoeste encontram-se os povoados do Castelo e da Senh ora do Castelo, am bos na freguesia de Adeganha. Historial: Descoberto no âmbito deste trabalho. Descrição do afloramento gravado: Afloramento em xisto bem destacado do solo, laminado verticalmente (Fig. 2 10 ). Apresenta um painel gravado. Esta rocha é bem visível a part ir de t odos os pontos cardeais, à exceção de nordeste . A s dimensões são de aproxim adamente 2 metros de largura por 1.50 metros de altura máxima. As gravuras encont ram-se a cerca de 70 cm do solo . 230 Figura 210 - Vista geral da rocha Moinhos 2. Os retângulos a vermelho assinalam as gravuras. Vista a p artir de sul. Fotografia do autor. Descrição dos mot ivos gravados: As gravuras ap resentadas circunscrevem -se a um único pa inel, gravado em duas áreas distintas. As gravuras do grupo A correspondem a uma cena de caça onde, um antropomorfo muito esquemático, m o ntado num equídeo, segura uma arma de arremesso com a mão direita que pretende lançar sobre um cerv ídeo ( Fig. 2 11 ). Os quadr úpedes são semi -naturalistas. O pescoço do equídeo é atravess ad o por sulcos em zi guezague que poderão representar rédeas. No grupo B, foram efetuadas linh as incisas filiformes , formando, sobretudo, triâng ulos abertos (Fig. 2 12 ). A orientação deste painel faz-se para sul. A técnica de gravação é a incisão filiforme. A B 231 Figura 211 - Em cima: pormenor das gravuras do grupo A. Em baixo: leva ntam ento sobre o painel onde e stão representadas a verde as gravuras do grupo A. Os picotados são as fraturas naturais da rocha. Leva ntam ento do autor. 238 Figura 218 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 000, com a localização de Moi nhos 4. Contexto arqueológico: Próximo desta rocha existem vários povoados fortificados. O s mais pr óximos são os de Sa nta Justa e da Nossa Senhora dos A núncios a noroeste e os de Castelo de Gou veia e Curral da Cerca a sud este. Também o Cabeço da Mina, que l h e fica a nor oeste, encontra-s e bastante próximo. A sudoeste encontram- se os povoados do Castelo e da Senhora do Castelo, am bos na freguesia de Adeganha. Historial: Descoberto no âmbito deste trabalho. Descrição do afloramento gravado: Afloramento em xisto bem destacado do solo, laminado verticalmente (Fig. 219). Apresenta um painel de dim ensões consideráveis, bast ante liso. Est e é bem visível a part ir de t odos os pontos cardeais, à exceção de nordeste. As dim e n sões são, aproxim adamente , de 1.50 metros de largura, por 1.20 metros de altur a m áxima. As gravuras encontram-se a cerca de 40 cm do solo. 239 Figura 219 - Vista geral da rocha Moinhos 4. O quadrado a vermelho assinala as gravuras. Vista a partir d e sul. Fotografia do autor. Descrição dos motivos gravados: As gravuras ap resentadas circunscrevem-se a um único painel (Fig. 2 20 ). Correspondem a linhas incisas verticais e horizont ais ent recruzadas, l inhas em ziguezague com curvas arredon das, na parte direita do con jun t o, e alguns picotad os dispersos sobre as inc isões, sendo estes m ais recentes. A orientação deste painel faz-se para sul. A t écnica de gravação é a incisão filiforme e o picot ado . Os picotados pela ausência de patine parecem ser relativamente recentes. 240 Figura 220 - Pormenor das gravuras da rocha Moinhos 4. Fotografia do autor. Atribuição de crenças: Não se conhecem. Conservação: Em bom estado de conservação. Bibliografia: Inédito. (37) Moinhos 5 Tipo de sítio: Arte rupestre de ar livre. Cronologia: Histórica. Localização administrativa: União de Freguesias de Eucísia, Gouveia e Valverde. Lugar: Ribeira dos Moinhos. Coordenadas geográficas decimais e altitude: Lat itude: 41.28740 N; Longitude: - 7. 01226 O; Altitude: 4 40 m. 241 Figura 221 - Excerto da folha 105 da Carta Militar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização de Moin hos 5. Acessos: A sudoeste de Gouveia, seguir cam inho de t erra bat ida para noroeste que parte da estrada M611, em di reção à ribeira de S. Martinh o. Ao chegar a um pequeno vale, seguir a pé até à rocha dos Moinhos 5. Esta rocha encon tra-se n a margem direita da ribeira dos Moinh os, tributária da margem esquerda da ribeira da Vilariça. Localização física e ambiental: O local situa-se n a margem direita do ribeiro dos Moinhos . As condições de visibi lidade são es cassas para todos os po ntos card eais, à exc eção de nordeste e sudoeste em que há um domínio sobre um peq ueno vale. No loca l é possível observar afl oramentos verticais e subverticais , em xisto, com tamanhos variados. Nas imediações exist em pequenas linhas de água provenientes de escorrências de verten te. O substrato geológico local é composto pela alt ernância de filitos com laminação fina, paralela, metagrauvaques e m etaquartzograuvaques, correspondendo à Formação de Desejosa (Fig. 2 22) (PEREIRA, 2000) . Am bientalmente, trata -se de área de pastoreio com vegetação constituída por giestas, es tevas e sobreiros. 242 Figura 222 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 000, com a localização de Moi nhos 5. Contexto arqueológico: Próximo desta rocha existem vários povoados fortificados. O s mais pr óximos são os de Sa nta Justa e da Nossa Senhora dos A núncios a noroeste e os de Castelo de Gou veia e Curral da Cerca a sud este. Também o Cabeço da Mina, que l h e fica a nor oeste, encontra-s e bastante próximo. A sudoeste encontram- se os povoados do Castelo e da Senhora do Castelo, am bos na freguesia de Adeganha. Historial: Descoberto no âmbito deste trabalho. Descrição do afloramento gravado: Afloramen to em x isto, bem destacado do solo, lamina do verticalmente (F ig. 2 23 ). Ap resenta vários painéis, divididos por pequenas fendas naturais. É bem visível a partir de todos os pontos cardeais, à exceção do norte. As dimensões são, aproximada mente, de 3 metros de largura por 1.50 met ros de altura m áxima. As gravuras encontram-se a cerca de 30 cm do solo. 243 Figura 223 - Vista geral da rocha Moinhos 5. O quadrado a vermelho assinala as gravuras. Vista a partir d e sul. Fotografia do autor. Descrição dos mot ivos gravados: As gravuras ap resentadas circunscrevem -se a um único pa inel. Correspondem ao que parece um “t abuleiro de jogo” (Fig. 2 24 ). Este motivo acompanha a orientação da rocha, posicionado na diagonal. De todo s os motivos identificados neste t rabalho, este é aquele que apresenta maior perfei ção na sua execução. O painel encontra-se orientado para sul. A técnica de gravação é a incisão filiforme. 244 Figura 224 - Pormenor das gravuras da rocha Moinhos 5. Fotografia do autor. Atribuição de crenças: Não se conhecem. Conservação: Em bom estado de conservação. Bibliografia: Inédito. (38) Pias 1 Tipo de sítio: Arte rupestre de ar livre e traços eventualmente aleatórios. Cronologia: Proto-história e indeterminada. Localização administrativa: União de Freguesias de Eucísia, Gouveia e Valverde. Lugar: Ribeiro das Pias. Coordenadas geográficas decimais e altitude: Lat itude: 41.28378 N; Longitude: -7.00278 O; Altitude: 475 m. 245 Figura 225 - Excerto da folha 105 da Carta Militar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização de Pias 1. Acessos: Entre as localidades de Gouveia e Carda nha, seguir o caminho de terra batida que parte da estrada M611 em direção ao ribeiro das Pias. A cerca de 100 metros, existe um edifício em pedra e, a partir daí, seguir em direção ao leito da ribeira para sudoeste. Junto a um lameiro, encontra-se esta rocha. Localização física e ambien tal: O local situa-se n a bordadura de uma pequeníssima veiga localiz ad a a este do ribeiro das Pias. As condições de visibilidade são relativamente escassas dev ido à sua posição alcantilada entre o plan alto de Gouveia a sudeste e o c urso da ribeira com pendent e para noroeste, em direção à ribeira dos Moin hos. É apen as no curso médio do ribeiro das Pias que o domínio visual é predominante. A partir daqui, é possível ver uma parte do planalto de Gouveia, a sul e a serra de Gouveia, a nordeste. On de se en c ontra implantada a rocha Pias 1, verificam -se afloramentos verticais e subverticais em xisto com t amanhos variados, sobretudo n a margem direita do ribeiro das Pias. A margem oposta, praticam e n te n ão contém afloramen t os à vista. Nas imediações ex istem pequenas linhas de água provenientes de escorrências de vertente . O substrato geológico local é composto pela alternância de filitos com laminação fina, paralela, metagrauvaques e metaquartzograuvaques , correspondendo à Formação de Desejosa (Fig. 22 6 ) (PEREI RA, 2000). Ambient almente, trata-se de área 246 de pastoreio com vegetação constituída por giestas, estevas e sobreiros e a práti ca agrícola do olival e amendoal. Figura 226 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 000 com a localização de Pia s 1. Contexto arqueológico: A nordeste enco ntra -se o Castelo de Gouveia, a cerca de 1800 metros e que pode corresponder a um povoado da Ida de do Ferro. A este, relativamente próximo do Castelo de Gouveia, existe o Curral da Cerca, um povoado com cronologia i n determinada, qu e fica a c erca de 1900 metros. Historial: Descoberto no âmbito deste trabalho. Descrição do a floramento gravado: Afloramento bem destacado do solo, laminado subve rticalmente (Fig. 227) . Os painéi s grava dos encontram -se orientados para sudoeste, à exceção do pain e l F, que se encontra orientado para este. Esta rocha não é identificável a partir de norte, encontrando -se ao nível d o solo, devido à pendent e da encosta . No entan to, apenas é vi sív el a partir de sudoeste. Apresenta pequenos painéis, sendo q ue o maior apen as contém dois mot ivos em U picotad os e são os mais pequenos que cont êm maior quant idade de gravuras. A maior parte dos painéis desta rocha são de pequenas dim ensões e com alg umas fraturas naturais. A s dimen sões desta rocha são de 2.5 metros de largura por 2 metros de altura máxima e cerca de 50 cm de altura mínima. 247 O painel A encontra- se a cerca de 90 cm do solo. O paine l B, a cerca de 80 cm do solo. Relativamente ao paine l C, este encontra-se a cerca de 60 cm do solo. O pain e l D é aquele que se encont ra mais próximo do solo, a cerca de 50 cm. O pain e l E, encontra-se a cerca de 70 cm do solo. O pain e l F, o único gravado com uma orientação diferente dos restantes, encontra -se a cerca de 80 cm do solo. Figura 227 - Vista geral da rocha Pias 1 onde estão assinalados os seis painéi s com gravuras. Fotografia d o autor. Descrição dos motivos gravados: Os mot ivos g ravados nestes seis painéis estão circunscritos a algumas partes dos mesmo s. No paine l A encontra-se um m otivo picotado que pode corresponder a um antropomorfo e linhas incisas filiformes (Fig. 22 8 ). No paine l B, identificaram-se duas linhas inc isas paralelas entre si e três linhas subverticais de m enores dimensões, t ambém paralelas ent re si e acima das ve rticais (Fig. 229 ). A técnica utilizada foi a incisão filiforme. O pain e l C é o mais elaborado, ou s eja, estão presentes doi s f usiformes de perfil em V, paral elos e subverticais; linhas incisas filiformes paralelas e pe rpendiculares ent re si e em relação aos fusiformes; picotados um pouco dis persos, mas, sobretudo, sobre os fusiformes em que uns parecem ser mais recent es que outros devido à patine mais “gasta” (Fig. 2 30 ). No pain e l D apen as foi gravado um mot ivo em U com ponto cen tral picotado, mas com um a forma quadran gular (Fig. 2 31 ). O paine l E, encontra-se na mesma face do paine l D, mas n a outra extremidade da rocha. Aparentemente, est á representado um m o tivo em U picotado, mas sugerindo a A E 254 entre si. Em mais nenhuma parte da rocha há incisões. Também foram efetuados picotad os, um pou co por todo o painel, embora a maior con centração coincid a com as gravuras raspadas ( Fig. 23 7). No paine l B, identificou-se uma forma quadrada com linhas no int erior entrecruzadas e p aralelas entre si q ue poderão t er a ver com o esb oço de um tabulei ro de jogo ou u m ideog rama m ágico-religioso. Existem s eis picotados onde foram gravadas estas linhas e um acim a, q uase na extremidade superior do pain el. O outro m otivo que se destaca, é um cruciforme picotado ( Fig. 23 8). O paine l C é o mais simples e corresponde a um cr uciforme picotado (Fig. 23 9 ). As linhas gravadas através da t écnica de raspagem são de difícil perceção. No entanto, n ão lhe podemos co nferir uma m aior antiguidade. Talvez os picotad os tenham sido efetuados por populações m ais recentes e que, ev entualmente, pretendessem an ular o simbolismo dos motivos anteriores. 255 Figura 237 - Em cima: pormenor do painel A. Em baixo: li nhas incisas fili f ormes, linhas raspadas, picotados e um pentagrama raspado. Levantamento do autor. 256 Figura 238 - Em cima: pormenor das gravuras do painel B. Em baixo: linh as raspadas, picotados e um cruciforme picotado. Levantamento do autor. Figura 239 - Em cima: pormenor das gravuras do painel C. em baixo: cruc iforme picotado. Levantamento do autor. Atribuição de crenças: Não se conhecem. Conservação: Em bom estado de conservação. Bibliografia: Inédito. 257 (40) Pias 3 Tipo de sítio: Arte rupestre de ar livre ou traços aleatórios? Cronologia: Indeterminada. Localização administrativa: União de Freguesias de Eucísia, Gouveia e Valverde. Lugar: Ribeiro das Pias. Coordenadas geográficas decimais e altitude: Lat itude: 41.28438 N; Longitude: -7.00306 O; Altitude: 480 m. Figura 240 - Excerto da folha 105 da Carta Militar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização de Pias 3. Acessos: Entre as localidades de Gouveia e Carda nha, seguir o caminho de terra batida que parte da estrada M611 em direção ao ribeiro das Pias. A cerca de 100 met ros, existe uma bifurcação com um edifício em ped ra e, a partir daí, seguir em direção ao l eito da ribe ira para oeste. Após esta bifurcação, seguir cerca de 60 metros e abaixo d o caminho e ncontra -se esta rocha. Localização física e am biental: O local situa-se a m eia en costa da margem direita do ribeiro das Pias. Este afloramento é o qu e s e encontra a cota mais elevada e, consequ entemente, mais afastado do leito do ribeiro. A pesar da sua posição geográfica, as condições de visibili da de são rel at ivamente escassas 258 devido à sua pos ição alcantilada ent re o planalto de Gouveia a sudeste e o curso da ribeira com penden te para noroeste, em direção à ribeira dos Moinhos. É apenas no curso médio do r ibeiro das Pias que o domínio visual é predominan te. A par tir daqui, é pos sível ver uma parte do planalto de Gouveia, a sul e a serra de Gouveia, a n ordeste. Onde se encontra implantada a rocha Pias 3, verificam -se afloramentos verticais e s ubverticais , em x isto, com t amanhos variados, sobretudo na margem direita do ribeiro das Pias. A marg em oposta, prat icamente não contém afloramentos à vista. Nas imediações existem pequenas linh as de água provenientes de escorrênci as de vertente. O subs trato g eológico local é composto pela alternância de filitos com laminação fina, paralela, met agrau vaques e metaquartzograuvaques, correspondendo à Formação de D esejosa (Fig.2 41 ) (PEREIRA, 2000). Ambientalmente, trata-se de área de pastoreio com vegetação constituída por gies tas, estevas e sobreiros. Figura 241 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 000, com a localização de Pias 3. Contexto arqueológico: A cerca de 1800 m etros, a nordeste, en contra-se o Cas t elo de Gouveia e que pode corresponder a um povoado da I dade do Ferro. A este, relativament e próximo do Castelo de Gouveia, en contra-se o C urr al da Cerca, um povoado com cronologia i ndeterminada, que fica a cerca de 1900 metros. Historial: Descoberto no âmbito deste trabalho. 259 Descrição do afloramento gravado: Afloramento bem destacado do solo, la minado verticalmente (Fig. 2 42 ). Os painéis g ravados encontram -se orientado para sudoeste. Esta rocha é bem visível a partir de todos os pont os cardeais. Apresenta painéis de tam anhos variados, embora de p equena dimensão e com fraturas naturais. Apenas dois dest es foram gravados. As dimen sões desta roch a são de 1.30 metros de largura por 1.20 metros de altura m áxima. As gravuras encont ram-se a cerca de 70 cm do solo. Figura 242 - Vista geral da rocha Pias 3 onde está assinalado o painel com gravuras. Fotografia do autor. Descrição dos motivos gra vados: Os motivos gravados estão circunscritos a uma pequena parte d a rocha. No painel gravado encont ram-se linhas paralelas ent re si dispostas em posiç ão oblíqua. No centro do mot ivo, as linhas são mais curtas relativamente às das extremidades (Fig. 2 43 ). A t écnica de gravação é a incisão filiforme. 260 Figura 243 - Linhas incis as filiformes da rocha Pias 3. Fotografia do autor. Atribuição de crenças: Não se conhecem. Conservação: Em bom estado de conservação. Bibliografia: Inédito. (41) Pias 4 Tipo de sítio: Arte rupestre de ar livre ou traços aleatórios? Cronologia: Indeterminada. Localização administrativa: União de Freguesias de Eucísia, Gouveia e Valverde. Lugar: Ribeiro das Pias. Coordenadas geográficas decimais e altitude: Lat itude: 41.28461 N; Longitude: -7.00453 O; Altitude: 476 m. 261 Figura 244 - Excerto da folha 105 da Carta Militar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização de Pias 4. Acessos: Entre as localidades de Gouveia e Carda nha, seguir o caminho de terra batida que parte da estrada M611 em direção ao ribeiro das Pias. A cerca de 100 met ros, existe uma bifurcação com um edifício em pedra e, a parti r daí, s eguir em d ireção ao leito da ribe ira para oe ste. Quando termina este caminho, há um afloramento junto a este do lado direito que corresponde a Pias 4. Localização física e ambiental: O local situa-se na parte mais encaix ada, na m argem direita do ribeiro das Pias. As con dições de visibilidade são escassas devido à sua po sição alcant ilada entre o planalto de Gouveia, a sude ste, e o curso da ribeira co m penden te para noroeste, em direção à ribeira dos Moinhos. É apenas n o curso médio do ri beiro da s Pias que o dom ínio visual é p redominante. A part ir daqui, é possível ver uma parte do plan alto de Gouveia, a su l e a serra de Gou veia, a nordeste. Onde se encontra implantada a roch a Pias 4, verificam -se aflorament os verticais e subverticais em x isto com tamanhos variados, sobretudo na margem direita do ribeiro das Pias. A margem oposta, prat icamente não contém afloramentos à vista. Nas imediações exist em pequenas linhas de água provenientes de escorrências de vertente. O substrato geológico local é composto pe la altern ância de filitos com laminação fina, paralela, metagrauvaques e metaquart zograuvaques , corresponden do à Formação de Desejos a (Fig. 24 5 ) ( PEREIRA, 2000). Ambient almente, trata -se de área de pastoreio com vegetação constituída por giestas, estevas e sobreiros. 262 Figura 245 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 000, com a localização de Pias 4. Contexto arqueológico: A nordeste enc ontra-se o Ca stelo de Gou veia, a cerca de 1800 met ros, e q ue pode corresponder a um povoado da Ida de do Ferro. A este, relativamente próximo do Castelo de Gouveia, en contra-se o C urr al da Cerca, um povoado com cronologia i ndeterminada, que fica a cerca de 1900 metros. Historial: Descoberto no âmbito deste trabalho. Descrição do afloramento gravado: Afloramento bem destacado do solo, la minado verticalmente (Fig. 246). O pain el g ravado encontra-se orient ado para sudoeste. Este é bem vis ível a partir de todo s os pontos cardeais. Apresenta painéis de taman hos variados, embora de pequena dimensão e com frat uras naturais. Apenas um destes foi gravado. As dimensões desta rocha são de 2 metros de largura por 1.30 metros de altura máxima. O pain el com gravuras fi ca a cerca de 80 cm do solo. 263 Figura 246 - Vista geral da rocha Pias 4 onde está assinalado o painel com gravuras. Fotografia do autor. Descrição dos mot ivos gravados: As gravuras ap resentadas neste painel correspondem a linhas incisas filiformes, horizontais, verticais (em menor quan tidade) e oblíquas (Fig. 247). As linhas horizontais são as de maior dimensão. As linhas de menor dimensão encontram -se na parte inferior deste painel. 270 Figura 253 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 000, com a localização de Pias 6. Contexto arqueológico: A nordeste enco ntra -se o Castelo de Gouveia, a cerca de 1800 metros e que pode corresponder a um povoado da Ida de do Ferro. A este, relativamente próximo do Castelo de Gouveia, en contra-se o C urr al da Cerca, um povoado com cronologia i ndeterminada, que fica a cerca de 1900 metros. Historial: Descoberto no âmbito deste trabalho. Descrição do afloramento gravado: Afloramento bem destacado do solo, la minado verticalmente (Fig. 254). O painel gravado encontra -se orientado para sudoeste. Esta rocha é bem visível a partir de todos os pontos cardeais, à exceção de norte. Apresenta um painel de t amanho relativamente grande , sendo aliás, o maior painel existent e nas roch as desta linha de água. É de referir que a part e central deste painel foi alt erada por processos ero siv os, t endo sofrido um e stalamen to da superfície, que poderia conter gravuras. As dimensões desta rocha são de cerca de 5 metros de largura máxima por 2.20 met ros de altura máxima. O painel com gravuras fica a cerca de 1.50 metros do solo. 271 Figura 254 - Vista geral da rocha Pias 6. Fotografia do autor. Descrição dos motivos gravados: As gravuras apresentadas neste painel correspondem a su lcos incisos filiformes, paralelos entre eles e a picotados que correspondem a motivos em U, com e sem ponto central, e dois ant rop om orfos esquemáticos também picot ados. Um deles apresenta dimensões relativamente acentuadas (Fig. 25 5). As suas dim ensões são de ap roximadamente 18 cm de altura por 14 cm de largura . Acima de um dos membro s sup eriores do antropomorfo da figura 250, exi ste , eventualmente, um outro de dimensões men ores, com cerca de 10 cm tan to de alt ura, como de largura. Há, ainda, uma data. Esta é do ano de 1898 e encont ra -se g ravada, duas ve zes, no painel. Os motivos em U es tão es palha dos um pouco por t odo o painel, embora a maior quantidade es teja na parte inferior. Os antropomorfos encontra m-se, também, na parte inf erior, estan do dois relativament e juntos e o outro, mais afastado, na parte inferior esquerda do painel (Fig. 256). 272 Figura 255 - Em cima: pormenor de alguns motivos em U da rocha de Pias 6 fotografados com luz rasante. Em baixo: a seta azul indica um eventual antropomorfo e a seta vermelha um ou tro antro pomorfo, de maiores dimensões. Fotografias do autor. 273 Figura 256 – Fotogrametria da rocha de P ias 6. A seta indica um eventual antropomorfo. Atribuição de crenças: Não se conhecem. Conservação: Em bom estado de conservação. Bibliografia: Inédito. (44) Pias 7 Tipo de sítio: Arte rupestre de ar livre ou traços aleatórios? Cronologia: Indeterminada. Localização administrativa: União de Freguesias de Eucísia, Gouveia e Valverde. Lugar: Ribeiro das Pias. Coordenadas geográficas decimais e altitude: Lat itude: 41.28480 N; Longitude: -7.00548 O; Altitude: 470 m. 1 m 274 Figura 257 - Excerto da folha 105 da Carta Militar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização de Pias 7. Acessos: Entre as localidades de Gouveia e Carda nha, seguir o caminho de terra batida que parte da estrada M611 em direção ao ribeiro das Pias. A cerca de 100 met ros, existe uma bifurcação com um edifício em pedra e, a parti r daí, s eguir em d ireção ao leito da ribe ira para oe ste. Quando termina este caminho, há um afloramento a cerca de 100 metros que corresponde a Pias 7 . Localização física e ambiental: O local situa-se na parte mais encaix ada, na m argem direita do ribeiro das Pias. As con dições de visibilidade são escassas devido à sua po sição alcant ilada entre o planalto de Gouveia a sudest e e o curso da ribeira com pendent e para noroeste, em direção à ribeira dos Moinhos. É apenas no curso médio do ribeiro das Pias que o domínio visual é predom inante. A partir daqui, é possível ver uma parte do plan alto de Gouveia, a su l e a serra de Gou veia, a nordeste. Onde se encontra implant ada a rocha Pias 7, verificam -se afloramen tos verticais e subvertica is em xisto com tamanhos variados, sobretudo na margem direita do ribeiro das Pias. A margem oposta, prat icamente não contém afloramentos à vista . Nas imediações existem pequenas linhas de água provenient es de escorrências de vertente . O substrato g eológico local é composto pela altern ância de fi litos com laminação fina, paralela, metagrauvaques e metaquart zograuvaques , corresponden do à Formação de Desejos a ( Fig. 25 8) (PEREI RA, 2000). Ambientalm ente, t rata-se de área de pastoreio com vegetação constituída por giestas, estevas e sobreiros. 275 Figura 258 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 000, com a localização de Pias 7. Contexto arqueológico: A nordeste enco ntra -se o Castelo de Gouveia, a cerca de 1800 metros e que pode corresponder a um povoado da Ida de do Ferro. A este, relativamente próximo do Castelo de Gouveia, en contra-se o C urr al da Cerca, um povoado com cronologia i ndeterminada, que fica a cerca de 1900 metros. Historial: Descoberto no âmbito deste trabalho. Descrição do afloramento gravado: Afloramen to bem destacado do solo, la minado verticalmente (Fig. 259). O painel gravado encontra -se orientado para sudoeste. Esta rocha é bem visível a partir de todos os pontos cardeais, à exceção de nort e. Apresenta vários painéis de dimen sões médias, orientados para várias direções, for mando uma configuração côncava. O painel gravado está orientado para sul. As dimensões desta rocha são de 1.70 metros de largura por 70 cm de altura máx ima. O painel com gravuras fica a cerca de 30 cm do solo. 276 Figura 259 - Vista geral da rocha Pias 7 com os grupos de gravuras assinal ados no mesmo painel. Fotografia do autor. Descrição dos mot ivos gravados: As gravuras ap resentadas neste painel correspondem a linhas incisas filifor mes, paralelas en tre si, perpendiculares e oblíquas (grupo C). Parecem representar um tabuleiro de jogo ou um ideogram a (grupo A), mas são de difícil interpretação, uma vez que não apresentam a perfeição de outros exemplares deste tipo de mot ivos. As linhas raspada s são para lelas entre si e encontram -se n a parte central do painel (Grupo B) (Fig. 2 60 ). Com exceção do que parece ser um t abuleiro de jogo, os motivos são difíceis de int erpretar e t alvez sejam aleat órios, eventualment e, efetuados por populações h istóricas. Foi difícil efetuar o decalque sobre fotografia des t a rocha, uma vez que o registo fotográfico ta mbém foi dificultado pelo a cesso. A técnica de gravação foi a incis ão filiforme e a raspagem. 277 Figura 260 - Em cima à esquerda: gravuras do grupo A que podem corre sponder a um tabuleiro de j ogo. Em cima à direita: grupo B constituído por linhas raspadas paralelas entre si e algumas entrecruzadas. Em baixo: grupo C que corresponde a linhas raspad as paralelas entre si, também com algumas entrecruzadas. Fotografias do autor. Atribuição de crenças: Não se conhecem. Conservação: Em bom estado de conservação. Bibliografia: Inédito. 278 (45) Pias 8 Tipo de sítio: Arte rupestre de ar livre ou traços aleatórios? Cronologia: Indeterminada. Localização administrativa: União de Freguesias de Eucísia, Gouveia e Valverde. Lugar: Ribeiro das Pias. Coordenadas geográficas decimais e altitude: Lat itude: 41.28489 N; Longitude: -7.00556 O; Altitude: 464 m. Figura 261 - Excerto da folha 105 da Carta Militar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização de Pias 8. Acessos: Entre as localidades de Gouveia e Carda nha, seguir o caminho de terra batida que parte da estrada M611 em direção ao ribeiro das Pias. A cerca de 100 met ros, existe uma bifurcação com um edifício em pedra e, a parti r daí, s eguir em d ireção ao leito da ribe ira para oe ste. Quando termina este caminho, há um afloramento a cerca de 100 met ros que corresponde à rocha Pias 8. Esta rocha encontra-se a cerca de 50 metros da estrada M611, uma vez que esta corta o ribeiro das Pias. 279 Localização física e ambiental: O local situa-se na parte mais encaix ada, na m argem direita do ribeiro das Pias. As con dições de visibilidade são escassas devido à sua po sição alcant ilada entre o planalto de Gouveia a sudest e e o curso da ribeira com pendent e para noroeste, em direção à ribeira dos Moinhos. É apenas n o curso final do ribeiro das Pias q ue o dom ínio visual é predominante. A partir da qui, é possível ver uma parte do planalto de Gouveia, a sul e a serra de Gouveia, a nordeste. Onde se encontra implant a da a rocha Pias 8, ver ificam-se afloramentos verticais e subverticais em xisto com tam a nhos variados, sobretudo na margem direita do ribeiro das Pias. A margem oposta, praticamente n ão contém aflorament os à vista. Nas imediaç ões existem pequenas linhas de água provenientes de escorrências de verten te . O substrato geológico local é composto pela alt ernância de filitos com laminação fina, paralela, metag rauvaques e metaquartzograuvaques, correspondendo à Formação de Desejos a (F ig. 2 62 ) (PEREIRA, 2000). Ambientalmente, trat a-se de área de pastoreio com vegetação constituída por giestas, es tevas e sobreiro s. Figura 262 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 000, com a localização de Pias 8. Contexto arqueológico: A nordeste enco ntra -se o Castelo de Gouveia, a cerca de 1800 metros e que pode corresponder a um povoado da Ida de do Ferro. A este, relativamente próximo do Castelo de Gouveia, en contra-se o C urr al da Cerca, um povoado com cronologia i ndeterminada, que fica a cerca de 1900 metros. 286 Figura 269 - À esquerda: pormenor das gravuras do painel A. À direita: linhas incisas paralelas na parte central e linhas dispersas abaixo e na parte direit a destas. No canto s uperior esquerdo existe um pequeno grupo de linhas oblíquas, paralel as entre si. Levanta me nto sob re fotografia. Figura 270 - À esquerda: pormenor das gravuras do painel B (seta a vermelho). À direita: linhas incisas dispersas um pouco por tod o o painel. Existem algumas gravuras agrupadas, sobretudo na parte central. Levantamento sobre fotografia. 287 Figura 271 - À esquerda: pormenor das gravuras do painel C. À direita: linhas um pouco por todo o painel. Há um motivo que se repete algumas vezes, semelhante a um A. As setas indicam esses motivos. Há um pequeno grupo de l inhas oblíquas, paralelas entre si na parte superior do painel. As gravuras a preto correspondem a linhas raspadas. Levantamento sobre fotografia. 288 Figura 272 - À esquerda: pormenor das gravuras do painel D. À direita: linhas incisas a amarelo, dispersas pela parte direit a do painel. A preto linhas raspadas, ocupando quase tod o o painel. A vermelho está identif icado um eventual antropom orfo com uma linha horizontal à cintura. Do lado direito de ste motivo, encontram -se dois pequenos picotados a rosa. Levantamento sobre fotografia. 289 Figura 273 - À esquerda: pormenor das gravuras do painel E. À direita: linhas incisas filiformes com a represent aç ão de um eventual antropomorfo na parte superior, semelhante ao do painel D, com picotados junto a este motivo. A seta a vermelho indi ca este p ossível antropomorfo. Há um pequeno grupo de gravuras raspadas, assinalado pel o círculo. Levantamento sob re fotogr afia. 290 Figura 274 - À esquerda: pormenor das gravuras do painel F. À direita: linhas raspadas horizontais paralelas ent re si com duas linhas verticais curvas e uma oblíqua, de menores di mensões, no grupo da direita. No grupo da esquerda, linhas dispersas. Levantamen to s o br e fotografia. 291 Figura 275 - À esquerda: pormenor das gravuras do painel G. À direita: linhas paralelas entre si numa posição oblíqua e, perpendiculares a estas, outras linhas, quase como se formasse um axadrezado aberto. Na parte lateral esquerda deste painel , foi gravado, um moti vo picotado semelhante a um báculo (?), para além de pontos dispersos. Levantamento sobre fotografia. 292 Figura 276 - Pormenor das gravuras do painel G. Fotografia do autor. 293 Figura 277 - Em cima: pormenor das gravuras do painel H. Em baixo: linh as incisas paralelas entre si, um zigue zague e, no fundo do painel, uma linha horizontal, com linhas perpendiculares a esta, para alé m de picotados dispersos. Levantament o sobre fotogra fia. 294 Figura 278 - À esquerda: pormenor das gravuras do painel I. À direita: forma q u ase quadrada, com linhas incisas filif ormes dispersas no seu interior. Levantamento sobre fotografia. 295 Figura 279 - Pormenor das gravuras picotadas do painel J. 302 Figura 285 - Pormenor das gravuras do painel B com sulcos em ziguezague. Figura 286 - À esquerda: pormenor das gravuras do painel C: À direita: pentagrama gra vado através de incisão fi l iforme. Levantamento do autor. 303 Figura 287 - Pormenor das gravuras do painel D com peq ueno reticulado na parte infe rior. Fotografia do autor. Figura 288 - À esquerda: pormenor das gravuras do painel E. À direita: linhas incisas filiformes verti cais, horizontais e um motivo triangular aberto. Levantamento do autor. 304 Figura 289 – À esquerda: pormenor das gravuras do painel F. Fotografia noturna com luz rasante. À direi ta: sulcos incisos filiformes na vertical. Levantamento do autor. Figura 290 - Vista geral das gravuras do painel G com linhas incisas fil ifor mes de dif ícil perceção. O retângulo assinala a área gravada. Fotografia do autor. 305 306 Figura 291 - Em cima: pormenor das gravuras na parte proximal do painel H. Ao centro: pormenor do eventual zoomorfo. Em baixo: sulcos incisos ao longo de quase todo o painel. No topo há, pelo menos, dois motivos que parecem alfabetif orm es. Na base do p ainel (canto inferior esquerdo) parece existi r um zoomorfo muito estilizado, com cauda curta (caprídeo?). Levantamento do autor. Atribuição de crenças: Não se conhecem. Conservação: Em bom estado de conservação. Bibliografia: Inédito. (48) Pias 11 Tipo de sítio: Arte rupestre de ar livre ou traços aleatórios? Cronologia: Indeterminada. Localização administrativa: União de Freguesias de Eucísia, Gouveia e Valverde. Lugar: Ribeiro das Pias. Coordenadas geográficas decimais e altitude: Lat itude: 41.28260 N; Longitude: -7.00119 O; Altitude: 483 m. 307 Figura 292 - Excerto da folha 105 da Carta Militar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização de Pias 11. Acessos: Entre as localidades de Gouveia e Carda nha, seguir o caminho de terra batida que parte da estrada M611 em direção ao ribeiro das Pias. A cerca de 500 metros, encont ra -se um lameiro junt o ao caminho. Na extremidade oposta, encontra -se es ta rocha. Localização física e am biental: O local situa-se junto de uma pequeníssima veiga formada por lameiros relativamente estreitos, localizados a este do ribeiro da s Pias. A s con dições de vi sibi lidade são boas, uma vez que é um do s pontos do ribeiro on de o v ale abre mais e e sta passa no meio dos lameiros, em pequenos leitos. Esta é a roch a identificada com arte rupestre mais a montante do conjunto de rochas gravadas deste ribeiro. Onde se en contra implantada a roch a Pias 10, verificam-se afloramentos verticais e subverticais em xisto co m tamanhos variados, sobretudo na marg em direita do ribeiro das Pias. A margem oposta, praticamente não contém afloramentos à vista. Nesta área, existe uma quant idade muito menor de afloramentos relativamente a jusante do restante curso do ribeiro das Pias. Nas imediações existem pequenas linh as de ág ua provenient es de escorrências de vertente. O substrato geológico local é composto pela alternân cia de filitos com laminação fina, paralela, m etagrauvaques e metaquartzograuvaques, corresponden do à Formação de Desejosa (Fig. 2 93 ) (PEREI RA, 2000). Ambientalmente, trat a-se de área de pa storeio com veget ação constituída por giestas, estevas e sobreiros e a prática agrícola do olival e amendoa l. 308 Figura 293 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 000, com a localização de Pias 11. Contexto arqueológico: A nordeste encontra-se o Castelo de Gouveia, a cerca de 1800 metros, que pode corresponder a um povoad o da Ida de do Ferro. A este, relativamente próximo do Castelo de Gouveia, en contra-se o C urr al da Cerca, um povoado com cronologia i ndeterminada, que fica a cerca de 1900 metros. Historial: Descoberto no âmbito deste trabalho. Descrição do afloramento gravado: Afloramento bem destacado do solo, la minado verticalmente (Fig. 2 94 ). O pain el g ravado encontra-se orientado para sudoeste. Esta rocha é identificável a partir de todos os pontos cardeais, uma vez que se encon tra em terreno direito e pr aticamente isolada. Apresenta um painel de tam anho considerável. A pesar de se en contrar com bastantes líquenes, apenas identificámos as extremidades laterais da s rochas gravadas. As dimensões desta roch a são de 2.6 metros de largura por 1.2 metros de altura máxima. T anto o gru po A como o B, ficam a cerca de 50 cm do solo. 309 Figura 294 - Vista geral da rocha Pias 11 com a representação sítios gravados. Fotografia do autor. Descrição dos motivos gravados: O s motivos gravados nesta rocha estão circunscritos às extremidades laterais da mesma. No grupo A, encontra-se um int rincado de incisões , a saber: linhas incisas filiformes, paralel as entre si, tanto verticais como horizontais; linhas curva s; t riângulos, por ve zes abertos (pont as de seta?); linhas em ziguezague. Neste “caos ”, t ambém estão pres entes alg u m as linhas efetuadas através da técnica de raspagem. São, sobretudo, linh as entrecruzadas, paralelas en tre si, e algumas curvas. Abaixo da área mais gravada, há um pequeno grupo de linhas filifor mes paralelas e entrecruzadas, embora de men or tamanho, relativam en te às superiores . Na extremidade inferior do painel, h á um outro pequeno g rupo de gravuras, também filiformes, formando sulcos n a diagon al e curvos (Fig. 2 95 ). O g rupo B é mais modesto e contem, apenas, cruciformes e alg uns s ulcos verticais e oblíquos. A técnica utilizada neste conjunto foi a incisão filiforme (Fig. 29 6 ). A B 310 Figura 295 - Em cima: pormenor das gravuras do painel A. Em baixo: linhas incisas fi liformes e raspadas (linhas ténues). Levantamento do autor. 311 Figura 296 - Em cima: pormenor das gravuras do painel B. Em baixo: cruci formes incisos. Levantamento do autor. Atribuição de crenças: Não se conhecem. Conservação: Em bom estado de conservação. Bibliografia: Inédito. 318 Figura 303 - Vista geral da rocha Vale Concelho 1 com os dois painéi s gravados assinalados. Fotografi a do autor. Descrição dos motivos gravados: As grav uras apresentad as nes ta roch a encontram-se em dois painéis. As g ravuras do pain el A c orrespondem a linhas incisas filiformes, oblíquas e paralelas entre si (Fig. 304) e no painel B é possível verificar dois sulcos raspados, de difícil perceção, também paralelos entre si. Estes últimos, par ecem convergir num ponto comum, fazendo supor um motivo em forma de “folha” (Fig. 305 ). B A 319 Figura 304 - À esquerda: pormenor das gravuras do painel A. À direita: linhas incisas paralelas entre si. Levantamento sobre fotografia. Figura 305 - Á esquerda: pormenor das gravuras do painel B. À direita: motivos efet uados através da técnica de rasp agem em forma d e “folha” com algumas linhas e pontos a preenchê -lo. Levantamento sobre fotografia. Atribuição de crenças: Não se conhecem. Conservação: Em bom estado de conservação. Bibliografia: Inédito. 320 (52) Vale Concelho 2 Tipo de sítio: Arte rupestre de ar livre ou traços aleatórios? Cronologia: Indeterminada. Localização administrativa: União de Freguesias de Eucísia, Gouveia e Valverde. Lugar: Vale Concelho. Coordenadas geográficas decimais e altitude: Lat itude: 41.28874 N; Longitude: -7.00333 O; Altitude: 477 m. Figura 306 - Excerto da folha 105 da Carta Militar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização de Vale Concelho 2. Acessos: Na extremidade sudoeste da localidade de Gouveia, seguir um cam inho de terra batida que passa na ETAR e, após atra vessar a ribeira dos Moinhos, n uma zona on de existem várias h ortas, seguir o caminho da esqu erda. A cerca de 6 metros a norte d este caminho en co ntra -se a rocha Vale Con celho 2. Localização física e ambiental: O local situa-se n a margem direita da ribei ra dos Moinhos, praticamente a nascent e. As condições de vi sibili dade são relativamente amplas quer para este, quer 321 para oeste. A partir daqui é poss íve l ver a s erra da Gouveia, a este. Onde se encontra implantada a rocha Vale Concelho 2, verifi cam -se aflorament os verticais e subverticais, em x isto, com tamanhos variados, sobretudo na margem direita desta linha de á gua. A margem oposta, co ntém menos afloramentos, mas com superfícies pouco lisas. Nas imediações existe m pequenas linhas de água provenient es de escorrências de vertente. O substrato g eológico local é composto pela altern ância de fi litos com laminação fina, paralela, metagrauvaques e metaquart zograuvaques, correspondendo à Formação de Desejos a (Fig. 30 7) (PEREI RA, 2000 ). Ambientalmente, trat a-se de área de pastoreio com vegetaçã o constituída por giestas, estevas e sobreiros e a prática ag rícola do olival e amendoal. Figura 307 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 000, com a localização de Vale Concelho 2. Contexto arqueológico: A nordeste encontra-se o Castelo de Gouveia, a cerca de 1390 metros, que pode corresponder a um povoado da Ida de do Ferro. A este, relativamente próximo do Castelo de Gouveia, en contra-se o C urr al da Cerca, um povoado com cronologia i ndeterminada, que fica a cerca de 1900 metros. Historial: Descoberto no âmbito deste trabalho. Descrição do afloramento gravado: Afloramen to pouco dest acado do solo, la minado verticalmente (Fig. 308). O painel gravado en contra-se ori entado para sul. Esta rocha é bem visível a part ir de todos os 322 pontos card eais, à exceção de norte. As suas dimensões são de 2.50 met ros de largura por 1 metro de altura máxima. O painel com gravuras fi ca a cerca de 40 cm do solo . Figura 308 - Vista geral da rocha Vale Concelho 2 com as gravuras assinaladas. Fotografi a do autor. Descrição dos mot ivos gravados: As gravuras ap resentadas neste painel correspondem a linhas incisas filiformes. Uma é oblíqua, outra vertical e outra h orizontal. Estas linhas entrecru zam -se, forman do um motivo triangular (Fig. 309). 323 Figura 309 - À esquerda: pormenor das gravuras da rocha Vale Concelho 2. À direita: motivo triangular inciso. Levantamento sobre fotografia. Atribuição de crenças: Não se conhecem. Conservação: Em bom estado de conservação. Bibliografia: Inédito. (53) Vale Concelho 3 Tipo de sítio: Arte rupestre de ar livre ou traços aleatórios? Cronologia: Indeterminada. Localização administrativa: União de Freguesias de Eucísia, Gouveia e Valverde. Lugar: Vale Concelho. Coordenadas geográficas decimais e altitude: Lat itude: 41.28881 N; Longitude: -7.00352 O; Altitude: 477 m. 324 Figura 310 - Excerto da folha 105 da Carta Militar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização de Vale Concelho 3. Acessos: Na extremidade sudoeste da localidade de Gouveia, seguir um cam inho de terra batida que passa na ETAR e, após atra vessar a ribeira dos Moinhos, n uma zona on de existem várias h ortas, seguir o caminho da esqu erda e quando este termina num olival, encontra - se a rocha Vale Concelho 3. Esta rocha encontra-se relativamente perto da aldeia. Localização física e ambiental: O local situa-se n a margem direita da ribei ra dos Moinhos, praticamente a Nascente. As condições de visibilidade são relativament e am plas quer para este, quer para oeste. A partir da qui é poss ível ver a s erra da Gouveia a este. Onde se en contra implantada a rocha Vale Con celho 3, verificam-se afloramentos verticais e subverticais em xisto com tamanhos variados, sobretudo na margem direita desta linha de á gua. A margem oposta, co ntém menos afloramentos, mas com faces pouco lisas. Nas imediações existem pequ enas linhas de água provenientes de escorrências de vertente. O subs trato geológico local é composto pela alt ernância de filitos com laminação fina, paralela, met agrauvaques e metaquartzograuvaques, correspondendo à Formação de D esejosa (Fig. 3 11) (PEREI RA, 2000). A mbientalmente, trata -se de áre a de pastoreio com vegetação con sti t uída por giestas, estevas e sobreiros e a prática agrícola do olival e amendoa l. 325 Figura 311 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 000, com a localização de Vale Concelho 3. Contexto arqueológico: A nordeste encontra-se o Castelo de Gouveia, a cerca de 1390 metros , que pode corresponder a um povoado da Ida de do Ferro. A este, relativamente próximo do Castelo de Gouveia, en contra-se o C urr al da Cerca, um povoado com cronologia i ndeterminada, que fica a cerca de 1900 metros. Historial: Descoberto no âmbito deste trabalho. Descrição do afloramento gravado: Aflorament o bem destacado do solo, lamina do subverticalmente, embora apresente um painel de pequenas dimensões, onde se encontram as gravuras, numa posição quase horizo ntal (Fig. 3 12 ). Esta rocha tem uma configuração semicircular e ao n ível do solo é prat icamente horizontal, formando uma parte rel at ivamente abrigada. O pain el gravado encontra- se orient ado para sudoeste. É bem visível a partir de t o dos os pon tos cardeais, à e x ceção de norte. As dimensões des ta rocha são de 3 .50 metros de largura por 1 .20 metros de altura máxima. O painel com gravuras fica a cerca de 15 cm do solo. 326 Figura 312 - Vista geral da rocha Vale Concelho 3 com as gravuras assinaladas. Fotografi a do autor. Descrição dos mot ivos gravados: As gravuras ap resentadas neste painel correspondem a linhas efetuadas através da técnica de raspagem. É difícil discernir os motivos aq ui apresentados dada a “confusão” de linhas. Existem linhas horizont ais, oblíquas e verticais e, nalguns casos, estas sobrepõem - se (Fig. 3 13 ). Figura 313 - Á esquerda: pormenor das gravuras da rocha Vale Concelho 3. Á direita: li nhas ras padas com várias disposições. Levantamento sobre fotografia. Atribuição de crenças: Não se conhecem. 327 Conservação: Em bom estado de conservação. Bibliografia: Inédito. (54) Vale Concelho 4 Tipo de sítio: Arte rupestre de ar livre ou traços aleatórios? Cronologia: Indeterminado. Localização administrativa: União de Freguesias de Eucísia, Gouveia e Valverde. Lugar: Vale Concelho. Coordenadas geográficas decimais e altitude: Lat itude: 41.28786 N; Longitude: -7.00498 O; Altitude: 468 m. Figura 314 - Excerto da folha 105 da Carta Militar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização de Vale Concelho 4. Acessos: Entre as localidades de Gouveia e Carda nha, seguir o caminho de terra batida que parte da estrada M611 em direção à ribeira dos Moinhos, logo após o fim da aldeia a sudoeste. Na segunda bifurcação, a ce rca de 250 met ros, seguir o caminh o da direita até um pequeno val e cultivado. Em fr ente encontra-se um pequeno vale e é na extremidade oeste que se localiza a rocha Vale Con celho 4. 334 Figura 320 - Vista geral da rocha Vale Concelho 5 com as gravuras assinaladas. Fotografi as do autor. A B C 335 Descrição dos motivos gravados: As gravuras apresentadas no pain el A surgem em dois grupos distintos: o grupo que se e ncontra na parte superior corresponde a linhas inc isas filifor m es, paralelas entre si e dispostas n a vertical, embora haja algumas, em menor quant idade, perpendiculare s a estas. O g rupo inferior apresenta linh as horizontais, verticais e oblíquas, entrecruzadas (Fig. 3 21 ). No pain e l B foram g ravadas linhas incisas filiformes, de pequenas dimensões, que fazem uma quebra, ou seja, existem linhas um pouco acima e, alguns centímetros abaixo , existe outro grupo de linhas paralelas, denotando um vazio entre estes dois grupos (Fig. 3 22 ) . Poderão as linhas dos painéis A e B corresponder a g arras de an imais? No p ainel C, surgem linhas inci sas filiformes h orizontais e paralelas ent re si que vão deste o topo deste painel até meio, sensivelmente (Fig. 3 23 ). Os m otivos são difíceis de int erpretar, e talvez aleatórios, eventualmente efetuados por populações his tóricas. Figura 321 - Pormenor das event uais gravuras do painel A, com dois grup os de linhas incisas filiformes verticais paralelas entre si. Fotografia do autor. 336 Figura 322 - Pormenor das gravuras do painel B com incisões fili formes, formando dois pequenos grupos de linhas paralelas, um horizontal e o outro oblíquo. Fotografia do autor. 337 Figura 323 - Pormenor das gravuras do painel C com linhas incisas fil iformes, de difícil interpret ação. Fotograf ia do autor. Atribuição de crenças: Não se conhecem. Conservação: Em bom estado de conservação. Bibliografia: Inédito. 1.2.1.1.3 Santa Justa (56) Pedra Nova Tipo de sítio: Arte rupestre de ar livre. Cronologia: Proto-história e indeterminada. Localização administrativa: União de freguesias de Eucísia, Gouveia e Valverde. Lugar: Canadas. Coordenadas geográficas decimais e altit ude: Lat itude: 41.320 028 N; Lon gitude: -7.043233 O; Altitude: 229 m. 338 Figura 324 - Excerto da folha 105 da Carta Militar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização de Pedra Nova. Acessos: Entre as localidades de Eucísia e Sant a Justa, seguir caminh o de t erra bat ida que part e da estrada m unicipal, em direção a oeste. A cerca de 200 m, junto a uma linha de ág ua de escorrências de vertente, encontra-se a rocha Pedra Nova. Está a 5 metros de um caminho, na margem direita desta linha de água. Localização física e ambiental: Esta rocha localiza-se na margem esquerda de um pequeno tributário da margem esquer da da ri beira de Ridevide s. Est a linha de água é proveniente de escorrências de vertente, com início no topo do m o nte designado por Favecas. É relativamen te encaixada em alguns pontos. No entanto, es ta rocha encontra-se num ponto em que o ribeiro é u m pouco mais aberto, n um a zona que forma um pequeníss imo vale. As condições de visibilidade são bastante amplas, quer para o Vale da Vilariça, a oeste, quer para o castro de Sa nta Justa, a n orte . O s afloramentos são verticais e subverticais , geralmen te de pequenas dimensões. O substrato geológico local é composto pela alternância de filitos com laminação fina, paralela, metagrauvaques e metaquartzograuvaques , correspondendo à Formação de De sejos a (Fig. 3 25 ) (P EREIRA, 2000). Ambientalm ente, trata -se de área de pastoreio com vegetação constituída por giestas, estevas e sobreiros e a práti ca agrícola do olival e amendoal. 339 Figura 325 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 000, com a localização de Ped ra Nova. Contexto arqueológico: Próximo desta rocha existem vários povoados fortificados. O s mais pr óximos são os de Sa nta Justa, a norte, e da Nossa Senhora dos A núncios a noroeste e os de Castelo de Gou veia e Curral da Cerca a s udeste. Também o Cabeço da Mina, que lhe fica a n oroeste, encontra -se bastante próximo. A sudoeste encontram- se os povoados do Castelo e da Senhora do C astelo , ambos na freguesia de Adeganha. Historial: Esta roch a foi id ent ificada pelo his toriador lo cal Francisco José Lopes no início do século XXI . Foi publicada em 2006, não sendo pormenorizada em t ermos técnicos e quais os m otivos que e sta rocha contém. Descrição do afloramento gravado: Afloramen to em x isto, bem destacado do solo, lamina do verticalmente e subverticalmente (Fig. 326). Apresenta vários painéis, dividido s por pequenas fendas naturais. Esta rocha é bem visível a partir de sul, ficando menos exposta relativamente aos outros pontos cardeais, uma vez que está ao nível do solo. As dimensões são de aproximadam ente 5 metros de largura por 1.80 cm de altura máxima. As gravuras encontram-se ent re os 3 0 cm e 1.60 m do solo. 340 Figura 326 - Vista geral da rocha Pedra Nova com as áreas assinaladas on de se encontram as gravuras. Fotografi a do autor. Descrição dos motivos gravados: As gravuras apresentadas en contram-se em dois painéis e subdivididas em pequenos grupos. No painel A temos linhas incisas filiformes paralelas entre si e dispostas n a diagonal (Fig. 327). No painel B , existem m otivos em U, picotados, com a abertura virada para baixo, para cima e paralelos entre si (Figs. 328 e 329) . Também h á fusiformes paralelos entre si e dispostos na ve rtical do tipo “unhadas do diabo” , co m dimensões diferentes (Fig. 330, 331, 3 32 e 333) . Todos os f usif ormes têm secção em V, com a parte mais profunda a meio dos traços. As técnicas de gravação utilizadas foram a incisão filiformes, a inc isão de vai-e-vem nos fusiformes e a picotag e m . Todas as gravuras apresentam- se com patine acentuada. A B 341 Figura 327 - Pormenor das gravuras do painel A, com incisões filiformes paralelas entre si. Fotografias do autor. Figura 328 - Pormenor do gru po de motivos em U, picotados, do painel B. Fotografia do autor. 342 Figura 329 - Pormenor das gravuras do painel B onde se identificam motivos em U , picotados. Figura 330 - Pormenor de um grupo de sulcos fusiformes do painel B. Fotografia noturna com luz rasante do autor. 343 Figura 331 - Pormenor das gravuras do painel B onde se encontram incisões filiformes e fusiformes. Fotografia noturna com luz rasante do autor. Figura 332 - Pormenor de um grupo de li nhas fusiformes do painel B. Fotogra fia noturna com luz rasante do autor. 350 Figura 339 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 000, com a localização de Bog alheira 2. Contexto arqueológico: Próximo desta rocha encontram -se vários povoados fortificados. Os mais próximos são os de Santa Ju sta e da Nossa Senhora d os Anúncios a norte e os de Castelo de Gouveia e Curral da Cerca a este. Também o Cabeço da Mina, que lhe fica a norte, encontra-se bastan te próximo. Historial: Descoberto no âmbito deste trabalho. Descrição do a floramento gravado: Afloramento bem destacado do solo, laminado subve rticalmente (Fig. 3 40 ). O painel g ravado encontra-se orientad o para sudoeste e t em alg umas fraturas nat urais , sendo bem visível. As suas d imensões são de cerca de 1. 70 m de largura por 1.30 m de altura m áxima. O painel gravado encontra- se a cerca de 70 cm do solo. 351 Figura 340 - Vista geral da rocha Bogalheira 2 com as gravuras assinaladas. Fotografia do autor. Descrição dos motivos gravados: Os motivos gravados estão circunscritos a algumas partes do painel, ou seja, n ão abarcam a t o talidade da superf ície rochosa. São de difícil leitura, embora seja possível visualizar alguns traços verticais, em triângulo e curvos (Fig. 3 41 ). A técnica utilizada é a raspagem. 352 Figura 341 - Pormenor das gravuras da rocha da Bogalheira 2. Fotografi a do autor. Atribuição de crenças: Não se conhecem. Conservação: Em bom estado de conservação. Bibliografia: Inédito. (59) Cabeço da Mina 1 Tipo de sítio: Arte rupestre ou traços aleatórios? Cronologia: Indeterminada. Localização administrativa: União de Freguesias de Eucísia, Gouveia e Valverde. Lugar: Cabeço da Mina. Coordenadas geográficas decimais e altitude: Lat itude: 41.32011 N; Longitude: -7.05683 O; Altitude: 188 m. 353 Figura 342 - Excerto da folha 105 da Carta Militar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização de Cabeço da Mina 1. Acessos: Entre as localidades de Eucísia e Santa Justa, seguir um caminho a partir da estrada M587 em direção ao Vale da Vilariça . Seg uir o caminh o que atravessa a ribeira da V ilariça e, ao longo da margem esquerda desta ribeira, seguir cerca de 1 30 metros para sudoeste. Localização física e ambiental: Esta rocha localiza-se a m eia encosta na margem esquerda da ribeira da V ilariça, distando cerca de 20 metros do leito. As condições de visibilidade são escassas para este e oeste, embora para nordeste e su doeste o domínio visual seja u m pouco m aior devido ao percurs o desta ribeira. Os a floramentos são verticais e subverticais d e pequenas dimensões e em baixa quantidad e. Ambientalmente, trata-se de área agrícola e de pastoreio, já inserida no Vale da Vilariça, com bons solos e algumas zonas húmidas, junto às linhas de água. O substrato g eológico local é composto pela alternância de filitos com laminação fina, paralela, metagrauvaques e metaquartzograuvaques , correspondendo à Formação de De sejos a (Fig. 3 43 ) (PERE IRA, 2000). A mbientalmente, tra t a-se de área agrícola e de pastoreio, já inserida no Vale da Vilariça, com bons solos e alg umas zonas húmidas, junto às linhas de água. 354 Figura 343 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 000, com a localização de Cabeço da Mina 1. Contexto arqueológico: A cerca de 1580 metros a nordeste encontra -se o C astro de Santa Justa, a norte e a cerca de 1800 metros o castro da Nossa Senhora dos Anúncios . Relat iv amen te ao Cabeço da Mina, este localiza-se a cerca de 2500 metros a noroeste. Historial: Descoberto no âmbito deste trabalho. Descrição do afloramento gravado: Afloramento bem destacado do solo, la minado verticalmente (Fig. 3 44 ). Apresenta supe rfícies estaladas, um pouco soltas e relativamente rugosas. O painel gravado encontra-se orientad o para sudoeste e visível na paisagem. As suas dimen sões são de cerca de 1.60 m de largura por 1 m n a parte onde se encontra gravado. As g ravuras distribuem-se na part e central do painel, ocupando uma pequena parte deste. O pai n el gravado fica a cerca de 50 cm do solo. 355 Figura 344 - Rocha Cabeço da Mina 1 com a área assinalada onde se enc ontram as gravuras. Fotografia do autor. Descrição dos mot ivos gravados: Os motivos gravados n este painel e stão circunscritos a alg umas partes do mesmo. Podemos disting uir dois grupos. O g rupo da direita apresenta uma linha incisa com perfil em U, po uco profunda e com cerca de 4 mm de largura. Abaixo desta linha, encon tram -se linhas incisas, horizontais e oblíquas, em am bos os casos paralelas entre si e algumas lin has formam motivos triangulares. O outro grupo, da parte esquerda do painel, apresenta picotados dispersos numa pequena parte do mesmo (Fig. 3 45 ). A técn ic a utilizada é a incisão, a incisão filiforme e o picot ado . 356 Figura 345 - Em cima: pormenor das gravuras da rocha do Cab eço da Mina 1. Em bai xo: a amarelo, linha incisa com secção em U, a vermelho linhas incisas filiformes e a preto picotados. Levantamento sobre fotografia. Atribuição de crenças: Não se conhecem. Conservação: Em bom estado de conservação. Bibliografia: Inédito. 357 (60 ) Abrigo do Ca stro d e San ta justa Tipo de sítio: Arte rupestre de ar livre e/ou traços aleatórios? Cronologia: Indeterminada. Localização administrativa: União de Freguesias de Eucísia, Gouveia e Valverde. Lugar: Cabeço da Mina. Coordenadas geográficas decimais e altit ude: Latitude: 41.321920 N; Lo ngitude: -7.038051 O ; Altitude: 309 m. Figura 346 - Excerto da folha 105 da Carta Militar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização do Abri go do Castro de Santa Justa. Acessos: Ent re as localidades de Eucísia e Sant a Just a, seguir em direção à enco sta sudoeste do castro de Santa Justa. Este abrigo encontra-se logo abaixo d as escarpas. Localização física e ambiental: Este abrigo localiza-se a meia encosta na margem direita da ribeira de Ridevides. As condições de visibilidade são e xcelentes para o Vale da Vilariça, que lhe fica a su doeste . Os aflorament os são verticais e subve rticais de dimen sões variáveis q ue, vão desde escarpas com mais de 20 metros de alturas at é pequenos afloramen tos, na maioria soltos . O substrato geológico local é composto pela alternância de filitos com laminação fina, paralela, met agrau vaques e 358 metaquartzograuvaques, correspondendo à Formação de Desejosa (Fig. 34 7) (PEREIRA, 2000). Ambientalmente, trata-se de área agrícola e de pastoreio, já inserida no Vale da Vilariça, com bons solos e algumas zonas húmidas, junto às linhas de água. Figura 347 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 000, com a localização do Abrigo do Castro de Santa Justa. Contexto arqueológico: Encontra- se na encosta sudoeste do Castro de Santa Justa, a escassas de zenas de metros da zona amuralhada . A cerca de 1400 met ros encont ra- se o castro da Nossa Sen hora dos Anúncios, a noroeste, e o Cabeço da Mina a cerca de 2200 metros a oeste. Historial: Descoberto no âmbito deste trabalho. Descrição do afloramento gravado: Pequeno abrig o na base de um afloramento bem destacado do solo, laminado subverticalmente e verticalmente (Fig. 348). Os painéis gravados , em número de onze encontram-se no exterior e interior do abrigo. O interior desta cavidade é pequeno, sendo possível a entrada de apenas uma pessoa, pois a s ua altura máxima não ultrapassa os 70 c m. O afloramento é em xisto com incursões de q uartzo leitoso. Os painéis vert icais, en contram-se orientados para sudeste, norte e sul. É apena s no int erior do abrigo que se encontram dois painéis em posição horizontal. As suas dimensões são de cerca de 4 m de largura por 4.50 m de altura máx ima . Os painéis gravados encontram - se entre os 60 cm e 1.20 m do solo. 359 Figura 348 - Abrigo do Castro de Santa Justa com as áreas assinaladas ond e se encontram as gravuras. Fotografia do autor. Descrição dos mot ivos gravados: O s mot ivos gravados encontram -se distribuídos por on ze painéis com orient ações variadas. No painel A , encont ra-se uma covinh a com secção em U, com cerca de 1.3 cm de profundidade e 5 cm de diâmetro (Fig. 349). O p ainel B apresenta o m esmo mot ivo, ou seja, duas covinhas: uma com secção em U e a outra em V, ainda que pouco pronunciado. A profu ndidade é de cerca de 2.5 cm e o diâmet ro 3 cm (F ig. 3 50 ). No painel C estão gravadas linh as muito ténues que combinam as técnicas de raspagem e da incisão, de difícil visualização. No entan to, é pos sível observar linhas horizontais e vertica is ( Fig. 3 51 ). O painel D apresenta linh as incisas n a diagonal, fo rmando losangos (Fig. 3 52 ). Quant o ao painel E, cont ém linhas horizon tais mais juntas em cima e mais afastadas em baixo. Estas linhas são raspadas (Fig. 3 53 ). Relativamente ao painel F, este apresenta uma linha horizontal e, perpendicular a esta, outras horizontais paralelas entre si, sobre a linha vertical . Aqui, a técnica utiliz ada t a mbém foi a raspagem. Encontra -se n o canto inferior esquerdo do painel. No can to E F H 366 Bibliografia: Inédito. (61) Pedra Escrita de Ridevides 1 Tipo de sítio: Arte rupestre de ar livre. Cronologia: Bronze Inicial e período posterior (Proto-história). Localização administrativa: União de freguesias de Eucísia, Gouveia e Valverde. Lugar: Quinta de Ridevides. Coordenadas geográficas decimais e altitude: Lat itude: 41.32011 N; Longitude: -7.05683 O; Altitude: 202 m. Figura 360 - Excerto da folha 105 da Carta Militar de Portugal, na escala 1:10 000, com a localização de Pedra Escrita d e Ridevides 1. Acessos: Entre as localidades de Eucísia e Sant a Justa, seguir caminh a de terra batida que parte da estrada municipal, em direção a oeste. Seguir o caminho paralelo à margem esquerda da ribeira da Vilariça e na primeira bifurc ação, seguir para a direita. A cerca de 150 metros, en cont ra-se a rocha Pedra Escrita de Ridevides 1. Localização física e ambiental: O local situa-se na marg em direita de uma linha de água, tributária da margem esquerda da ribei ra da V ilariça. As condições de visibilidade são relativament e amplas, uma 367 vez que já se encontra no Vale da Vilariça. Onde está implantada a rocha Pedra Escrita de Ridevides 1, é possível verificar afloram entos verticais e subverticais em xisto com t amanhos variados, sendo esta rocha e a Pedra Escrita de Ridevides 2 a s únicas naquela área diagon ais, po uco acima do solo. N as imediações existem pequenas linhas de água provenientes de escorrências de vertent e. O substrato geológico local é com posto pela alternância de filitos com laminação fina, parale la, met a grauvaques e metaquartzograuvaques, correspondendo à Formação de Desejosa (Fig. 3 61 ) (PEREIRA, 2000). Ambientalmente, trata-se de área agrícola e de pastoreio, já inserida no Vale da Vilariça, com bons solos e algumas zonas húmidas, junto às linhas de água. Figura 361 - Excerto da Folha 2 da Carta Geológica de Portugal, na escala 1:50 000, com a localização da Pedra Escrita de Ri devides 1. Contexto arqueológico: Próximo desta rocha encontram -se vários povoados fortificados. Os mais próximos são os de Santa Ju sta e da Nossa Senhora d os Anúncios a norte e os de Castelo de Gouveia e Curral da Cerca a este. Ta mbém o Cabeço da Mina, que lhe fica a norte, encontra -se bastant e próximo. Mais a sul estão os povoad os do Castelo e da Senhora do Castelo, am bos na fregues ia de Adeganha e os de Santa Marinha e Cabeço de S. Pedro em Sampaio e Lodões, res pet ivamente. Historial: A pr imeira re ferência a esta rocha, remonta à primeira m etade do século XX com os t rabalhos do Abade de Baçal (1934) e de Santos Júnior (1930 , 1940, 19 63) . O Abad e de Baçal publica um 368 levantamento de uma pequena parte da rocha, bastante inc ompleto, mas fica n do j á uma perceção dos motivos gravados (Fig. 355 ) (ALVES, 2000: 6 49 – 652). Algumas déca das mais t arde, mais propriamente em 1963, Santos Júnior p ublica um estudo monográfico da Pedra Escrita de Ridevides, embora o primeiro cont acto com este sítio remon te aos primeiros anos da década de 30 (SA NT OS JÚNIOR, 1963). Nesta publicação e x põe um levant amento mais pormenorizado do que aquele ap resentado pelo Abade de Baçal, para além das descrições e interpretações efetuadas pelo autor (Fig. 3 62 ). O trabalho levado a cabo por San tos Júnior ainda cont inua a ser uma referência, quer para o est udo desta roch a em part icular, quer pa ra o estudo da art e esquemática regional. António Martinho B ap tista analisa as gravuras filiformes de algumas rochas e sobre a Pedra Escrita de Ridevides refere as interpretações e da tações avançadas por Santos Júnior na publicação da década de 60 do século passado (BA PTISTA, 198 3: 78). Este a utor iden tifica um possível i doliforme e remete a cronologia das gravuras des ta rocha posteriores ao Bron ze Médio (Fig. 363) ( BAPTISTA, 1986: 31 – 56). Nos m eados da década de 90 do século XX, Orlando Sousa cataloga este sítio (SO USA, 1996: 65 ). Maria de Jesus Sa nches, no âmbito da tese de doutoramento re fere, para além de alguns m otivos gravados e da cronologia de algumas destas gravuras, que é necessário enquadrar estas rochas com o santuário/recinto do Cabeço da Mina (Vila Flor) e com os povoad os calcolíticos que se en contrem nas imediações (SANCHES, 1997: 2 24). Carlos Cruz tam bém refere esta rocha pegando naquilo que António Ma rtinho Baptista refere em 1986 (CRUZ, 2000: 124) . Maria Emília Simões de A br eu (2006), e no âmbito do “Projecto Gravado no Temp o – Inventário total da arte rupestre Portuguesa” a Pedra Escrita de Ridevides foi visita da e estudada, sendo apresentada nesta pequena brochura, uma parte do levantamento efetuado. O mesmo ocorreu na sua tese de doutoramento (ABREU, 2012). É alvo de um decalque parci al por Abreu (Fig. 3 64 e 3 65 ) (2012: vol. IV, 109-110). Em 2021, as alabardas, são, em parte, reint erpr etadas por Bettencourt (2021) . 369 Figura 362 - Levantamentos efetuado pelo Abade de Baçal da Pedra Escrita de Ridevides, na primeira metade do século XX (ALVES, 2000: 650). Figura 363 - Decalque de Santos Júnior (1963, n.p). 370 Figura 364 - Decalque efetuado por Emília Simões de Abreu e equipa, no conte xto do Projeto Gravado no Tempo (Fotografia cedida por Francisco José Lopes). Figura 365 - Decalque parcial da Pedra Escrita de Ri devides, em Abreu (2012, vol. IV, 110) onde se verifica a sobreposição de um motivo em U sobre o cabo de uma alabarda invertida. Descrição do afl oramento gravado : Aflo ramento pouco destaca do, com elevação entre os 5 e os 30 cm relativamente ao solo, em posição diagonal com pendente para sudoeste. Tem um contorno quase quadrado, com alguns can tos arredondados. Apresenta cerca de 12 m ² , com a sua área praticamen te toda gravada. Localiza-se junto a uma pequena linha de água proveniente de e scorrências de v ertente, 371 que desagua na margem es querda da ribeira da Vilariça. A rocha, em xis to, encontra -se praticamente ao nível do solo, em posição semivertical, seguindo a pen d ente nat ural do terreno (Fig. 3 66 ). Alguns metros a n ordeste desta rocha, encontra -se outra, na m esma posição, mas com m enor número de g ravuras . Neste caso, a Pedra Escrita de Ridevides é um conjunto de duas rochas gravadas. Figura 366 - Vista geral da Pedra Escrita de Ride vides 1 a par tir d e sudoeste. Fotografia do autor. Descrição dos motivos gravados: A roch a Pedra Escrita de Ridevides 1, c om cerca de 12 m², apresenta a supe rfície prati camente t oda gravada (Fig. 367). 0s motivos mais re presentativos são os triângulos (mais de três dez enas), simples ou com apên dices, por vezes com o int erior preenchido com algumas incisões (SA NTOS JUNIOR, 1963: 12 2). Bettencourt (2021) int erpretou -os com o alabardas. Nalguns casos, es tes motivos encon tram-se interligados, sej a pelos lados, seja pelos vértices (Fig. 36 8). Há ain da, escalariformes de diferent es tamanhos (Fig. 3 69 ), doze ax adrezados (Fig. 3 70 ), sulcos paralelos e convergentes (Fig. 3 71 ), quadrados e re tângulos, incisões em ziguezagu e, u m serpe n tiforme e cruciformes, alguns deles podendo ser antropomorfos esquemáticos. Todas estes motivos foram realizados por incisões. Ex istem também motivos em U, com e sem covinha central, motivos circulares e quadrangular picot ados. Também se ident ificam linh as incisas filiformes, basta nte “gastas”, que, em 372 alguns casos en contram-se sobrepos tas por fusiformes e por picot ados, sendo, portant o, as mais antigas. Sobre es ta questão, B ettencou rt (2021) refe re a sobreposições de mot ivos sendo os es calariforme s e as alabardas incisas, mais antiga s do que os motivos em U com ou sem covinh a no interior, alteriformes e covinhas associadas a sulcos retilíneos e curvos , gravado s por picotado (F ig. 3 72 ) . Santos Júnior isola alguns motivos e refe re a possibilidade da exist ência de um ídolo comparando -o às placas-ídolo neolíticas (SANTOS JÚNIOR, 1963 : 128). Este cor responde a um m otivo “isolado”, ou seja, sem conexão com as restantes gravuras . Devido à escassez de tempo, não nos foi possível e fetuar le vantamen to quer s obre a rocha, quer sobre fotografia. Figura 367 – Fotogrametria da Pedra Escrita de Ridevides 1. 373 Figura 368 - Exemplos de alabardas com e sem cabo da Ped ra Escrita de Rid evides 1. Fotografias do autor. Figura 369 - A seta indica um escalarif orme da Pedra Escrita de Ridevides 1. Fotografia do autor. 374 Figura 370 - Um exemplo de axadrezado da Pedra Escrita de Ridevides. Fotografi a do autor. Figura 371 - Alguns exemplos de sulcos incisos paral elos e convergentes da Pedra Escrita de Rid evides 1, bem como covinha s e covinha associada a sulcos retilíneos. Fotografia do autor. 375 Figura 372 - Esquerda: possível idoliforme da Pedra Escrita da Ride vides 1. Direita: levantamento do autor sobre fotografia deste possível idoliforme. Atribuição de crenças: Não se conhecem. Conservação: Em bom estado de conservação. Bibliografia: SANTOS JÚNIO R, 1963 ; ALVES, 2000: 649-652; C RUZ, 20 00: 123-124; GOMES, 2002: 153, 2010: 154, 378; LOPES, 2006; ABREU, 2012; BETTENCOURT , 2021 e da dos inéditos. (62) Pedra Escrita de Ridevides 2 Tipo de sítio: Arte rupestre de ar livre. Cronologia: Bronze Inicial e período posterior Localização administrativa: União de Freguesias de Eucísia, Gouveia e Valverde. Lugar: Quinta de Ridevides. Coordenadas geográficas decimais e altitude: Latitude: 41.320 11 N; Lon gitude: -7.056 83 O; Altitude: 203 m. 467 Figura 463 - Exemplo de picotados sobrepostos a fusiformes na rocha Pias 1. Fotografia do autor. Tal como tem aco ntecido p ara outras técnicas, rochas com gravuras efetuadas através da técnica de incisão também se mostram difíceis na sua atribuição cronológica. Uma gran de problemática tem a ver com a ausência de patine nalgumas situações, podendo dar a ideia de que as g ravuras foram efetuadas n um mome n to relativamente rece nte e de modo ocasional, sem que se p ossam considerar arte rupestre. O motivo mais antigo, com os devi das ressalvas, parece ser a cabeça de auroqu e da rocha Vilariça 4, atribuível ao Paleolítico Superior. Quanto às linhas paralelas entre si, quer por incisão filiforme quer por incisão fusiforme, também designadas por unhadas do diabo, Sanches e Teixeira (SANCHES et. al. , 2017: 34) con sideram-nas de um p er ío do d e t r an si ç ão d o Ma g da l en en s e/ Ep i pa l eo lí t ic o pa ra o E p ip a le o lít i c o/ M eso l ít ic o , co m b a se n os d ad o s d o a b ri go d o Pa ssa d ei r o, em Pa la ç o ul o ( M i ra nd a d o Do ur o ). No en t an t o , M ár io Re i s ( RE I S, 20 14 : 4 7) c on s id er a - a s do Ne o lít i c o/ Ca l co l ít ic o , o qu e S a n c he s e Te i xe i ra ( SANCHES et. al. , 201 7: 35 ) nã o d e sc a rt a m, c o m o pr o lo ng a me nt o . Alguns dos eventuais a ntropomorfos es quemáticos parecem encontrar par alelo na arte esquemática pintada do painel B da Rocha 2 de V ale Videir o no Vale do Côa (FIGU EIREDO et. al. , 20 13: 308), sendo semelhante ao de Pias 1, embora também se possam considerar vulvas. No caso das alaba rdas e stas serão do Bron ze Inicial, segundo Bettencourt (BETTENCOURT , 2021: 135). No caso do cervídeo macho e do equídeo montado, sendo cavalo portador de rédea, os paralelos com a arte móvel do Castelinho e de outros sítios do Vale do Côa é evidente, com contextos regionais 468 bem demarcados. Quanto à iconografia, há figuras de equ ídeos com algumas semelhanças ao de Moinhos 2, mas apenas pe quenas partes da figu ra como a cabeça, por exemplo. Deste modo, poderíamos considerar o equídeo da placa nº 149/0 01/A/07 do Castelinho (SI LVA , 2020: 49) que indiciam a sua cronologia na Idade d o Ferro. Na verdade, h á uma gr and e con cen tr açã o d e cer víde os , no va le do rio Sa bor , e m div ers os co nt ext o s, c om o pla ca s, a brig o s e af lo ram ent o s, com um a am pl it ude c ron oló gi ca de sd e o P al eolí t ico Su per io r à I da de d o Fer ro (Si lv a et. a l. , 2016). Quanto à cabeça do eventual bovídeo do Paleolítico Superior, é possível encont rar alguns paralelismos regionais, nomeadamente o auroque da roch a 13 da Ribeira de Pi scos, em Vila Nova de Foz Côa (BAPTISTA et. alli. , 2008: 118), a rocha 40 da Canada do I nferno (BAPT I STA et. alli. , 2008: 130) ou até o da rocha de Redor do Porco, de Figueira de Castelo Rodrigo (B APTISTA et. al. , 2011: 2 0). Os eventuais caracteres por paralelo com os apresentados por Baptista (1982) e analisados por Gomes (2013), seriam também da Idade do Ferro. O antropomorfo de Favecas 28 poderia, eventualmente, dada a técn ica, a proximidade e o paralelo com o encontrado no Castelinho, poderá ser desta mesma cronologia. Já a roseta e os pentagramas deverão inserir - se em época h istórica, embora provavelmente em momentos distintos, podendo ser a roseta mais ant iga, dado os paralelos existentes nos element os arquitetónicos desde o Ferro Recente/Roman ização, época roman a e Idade Média (Calo Lourido 1994; Redentor, 2002; Barroca, 2000). No en tanto deve referir -se que a s rosetas da Idade do Ferro são qua se todas de seis pétalas com uma exc eção, segundo Calo Lourido (199 4) e que o m ot ivo, na época romana, é raro na região (Redentor, 2002). Os m otivos gravados por incisão parecem ter, assim, uma longa t emporalidade no Vale da Vilariça . Estes pare cem iniciar-se na Pré-história A ntiga, no m eadamente no Paleolítico Superior e t erminar, já em época histórica, passando pelo Neo -Calcolítico, Bronze I nicial e Idade do Ferro. Isto não significa, necessariamente, continuidade entre os diferentes períodos. 3.4.4 Gravuras rupestres por picotado 3.4.4.1 Distribuição geográfica e contexto físico Foram identificadas vinte e quatro rochas com a técnica de picotado (Fig. 464 ). Estas encontram-se no concelho de Alfândega da Fé, na União de Fregues ias de E ucísia, Go uveia e Valverde, embora seja a freguesia de Eucísia a que tem maior quantidade. 469 Estes sítios ocorrem ao longo de linhas de água, t ributárias da margem esqu erda da ribeira da Vilariça, entre os 183 e os 475 m de altitude. No que à topografia diz respeito, encontra -se uma rocha n o topo de um monte, cinco rochas n a vertente e dezassete rochas no vale, catorze delas muit o próximas do leito de inunda ção das linhas de água, com acesso facilitado, quer seja ao longo da s lin has de água, quer pelo topo dos montes. Figura 464 - Rochas com gravuras efetuadas através da técnica de picotado, na escala 1:50 000. Nas imediações da s rochas g ravadas, existem vários aflorament os de dime nsões vari adas que podem ser pequenos, não ultrapassando 1 m², até afloramentos com algumas dezenas de m². Os vint e e cin co afloramentos com gravuras efetuadas através da técnica de picotado, part ilham as mesmas características, u ma vez que, do ponto de vista g eológico, encontram -se no mesmo local, ou seja, na Formação da Desejosa, onde existe a alt ernância de fili tos com laminação fina paralela, metagrauvaques e metaquartzograuvaques, por vezes c arbonatados, correspondendo a afloramentos em xisto. Embora se destaquem no m eio, as roch as com esta técnica de gravação, são, maioritariamente, pouco impressivas, existindo, até, outras de maiores dimensões nas imediações (Tab. 20). A Pedra Escrita de Ridevides 1, na freguesia de Eucí sia, é rasante ao s olo atual e, portanto, pou co impressiva (4 % ) (Fig. 465 ). Quanto aos afloram entos destacados e impress ivos, estes correspondem às 470 rochas do Abrigo do Castro de Santa Jus ta, Favecas 3, Fraga das Ferraduras e Ridev ides 4, na fregues ia de Eucísia, e Pias 6, na freguesia de Gouveia (20 %) (Fig. 4 66). Relativament e às rochas destacadas e pouco impressivas no contexto físico t emos Favecas 8, Favecas 9, Faveca s 12, Favecas 15 , Favecas 16, Ferraduras 2, Se rrinha 1, Pedra Nova e Cabeço da Mi na, na freguesia de Eucísia, Coutada 1, Moinh os 1, Moinh os 4, Pias 1, Pias 2, Pias 5, Pias 6, Pias 9 e Pias 12, na freguesia de Gouveia e, por fim, Poço da Moura, na freguesia de Vilarelhos (7 6 %) (Fig. 467). Tabela 20 - Tipo de afloramento com picotado relativamente ao seu destacam ento no conte xto físico Tipo de afloramento Nº de afloramentos Rasante e pouco impressivos 1 (4%) Destacado do solo e impressivo 5 (20% Destacado do solo, mas pouco impressivo 19 (76%) TOTAL 25 Gráfico 11 - Número de afloramentos relativamente à sua impressividade. 1 5 19 0 5 10 15 20 Rasante e pouco impressivos Destacado do solo e impressivo Destacado do solo, mas pouco impressivo 471 Figura 465 - Exemplo de afloramento rasante e pouco impressivo. Pedra Escrita de Ride vides 1. Fotografia do autor. Figura 466 - Alguns exemplos de afloramentos destacados do solo e i mpressivos. Esquerda: Abrigo do Castro d e Santa Justa. Direita: Favecas 3. Fotografias do autor. 472 Figura 467 - Alguns exemplos de afloramentos gravados, de stacados do solo, mas pouco impressivos. Da esquerd a para a direita: Favecas 8, Favecas 9 e Favecas 15. Fot ogra fias do autor. Relativamente à dimensão dos afloramentos, consideramos que são de pequena a média dimensão, atendendo à generalidade do tamanho dos afloramentos gravados. Quanto à s superfícies gra vadas dos afloramentos, estas podem ser planas, de dim ensões relativamente grandes, com mais de 1 m², mas também muito mais pequenas. As de maiores dimensões são pouco fraturadas, contrastando com as mais pequenas que se caracterizam por forte fratura. Quanto à inclinação dos painéis gravados, em n úmero de vinte e nove, estes são oblí quos ao nível do solo e acima do solo em um caso cada um, t otaliza ndo 6%. Seg uem -se os subverticais em 18% dos casos e, por fim, os essencialmente verticais, em 76% dos casos (Tab. 21 ). Tabela 21 - Inclinação dos painéis gravados Forma das superfícies Nº de afloramentos Oblíquo ao nível do solo 1 (3%) Oblíquo acima do solo 1 (3%) Subverticais 5 (18%) Verticais 22 (76%) TOTAL 29 473 Gráfico 12 – Número de afloramentos relativamente à sua inclinação. Os painéis gravados apres entam ori entações distin tas (T ab . 22). Para noroeste, apenas se encontra Ridevides 4 (3%). Para este encontram -se qu at ro painéis da Fraga das Ferraduras (14%). Para sul, encont ram-se a Serrinha 1, Moinhos 1, Moinhos 4 e Pedra Nova (4%). Para oeste Favecas 3, Favecas 8, F aveca s 9 e Coutada 1 (4%). Favecas 12, Favecas 15, Favecas 16, F raga das F erraduras, F er raduras 2, Pias 1, Pi as 2, Pias 5, Pias 6, Pias 9, Pi as 1 2, Cabeço da Mina 1, Pedra Escrita de Ridevides 1 e Poço da Moura têm painéis orientados para sudoeste (55%). Apesar da maioria se orientar para o momen to do ocaso no solstício de inverno ( 48 %), h á, tam bém, alguns que se o rientam para o ocaso nos equinócios (14%), sendo os orientados para o oca so, no solstício de verão, os menos representados (3%). No entanto nota -se que a distribuição n ão é aleatória, send o estes orientados maioritariamente para o ocaso (6 6%), o qu e parece revelar u ma vinculação com o ciclo solar. Os virados a sul poderão relacionar-se com as estrelas de orientaçã o, ou seja, o oposto da estrela so lar. Tabela 22 - Orientação dos painéis com motivos picotados Orientação dos painéis gravados Nº de painéis Noroeste 1 (3%) Este 4 (14%) Sul 4 (14%) Oeste 4 (14%) Sudoeste 16 (55%) TOTAL 29 1 1 5 22 0 5 10 15 20 25 Oblíquo ao nível do solo Oblíquo acima do solo Subverticais Verticais 474 Gráfico 13 – Orientação dos painéis com motivos picotados. 3.4.4.2 Condições de visibilidade e visualização das gravuras Estas gravuras são de fácil visualização, uma vez que se en contram em painéis verticais ou subverticais e praticamen te sempre de fácil acesso. No ent anto, h á casos em que as gravuras foram efetuadas em painéis de maiores dimensões e aí a visualização é melhor do que aquelas em que os painéis são de tamanho reduzido e pouco expressivos no afloramento. Relativamente às condições de visibilidade a partir destas rochas, este aspeto teve como base a análise cart ográfica a partir do sítio. No ent anto, é de ress alvar que existem variant es que podem influenciar esta ques tão como, por exemplo, as característica s do coberto vegetal qu an do fora m efetuadas as gravuras (Tab. 23 ). Atualmente, Favecas 3 e Se rrinha 1 (8 %) ap resentam am pla visibilidade para quem estives se no local. Favecas 8 e Favecas 16 (8 %) também apresentam uma ampla visibilidade, mas apenas para um pequeno planalt o. Quanto à ampla vis ibilidade para o vale, esta f oi registada em 29 % dos casos, nomeadamente em Favecas 9, Favecas 12, Favecas 15, Pi as 2, Pedra Nova, Abrigo do Castro de Santa Justa e Pedra Escrita de Ridev ides 1 . No ent anto é a reduz ida visibilidade para o meio cir cundante, nomeadamente um pequ e no vale, que impera. Os casos são a Fraga da s Ferraduras, Ferraduras 2, Ridevides 4, Coutada 1, Moinhos 1, Moinh os 4, Pi as 1, Pias 5, Pias 6, Pias 9, Pias 12, Cabeço da Mina 1 e Poço da Moura (54 %). 1 4 4 4 16 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 Noroeste Este Sul Oeste Sudoeste 475 Tabela 23 - A lcance visual a partir das rochas com motivos picotados Alcance visual Nº de rochas Ampla 2 (8%) Ampla para planalto 2 (8%) Ampla para vale 7 (29%) Reduzida para vale 13 (54%) TOTAL 24 Gráfico 14 – Número de afloramentos relativamente ao alcance visual. 3.4.4.3 Motivos O picot ado corresponde a uma técnica efetuada apenas sobre o xisto onde os motivos são relativamente bem vis íveis, existindo duas situações distint as, ou sej a, uma em que as gravuras apresentam patine e outras, como no caso da Fraga das Ferraduras, em q ue algu ns mot ivos não apresentam patine, o que pode dever -se às condições de maior expos ição aos agent es erosiv os ou a reavivamentos efetu ados no tempo. As larguras dos motivos variam entre 5 e 1 0 cm, s en do o comprimento também bastante variável, entre 10 e 17 cm. Algumas gravuras são difíceis de correlacionar com a lgum tipo de motivo específi co, como os picotados dispers o s (existentes em doze casos), os grupos de picotados (dois c asos) e os picotados associados a um elemen to natural da superfície ( um caso). Nestes casos é possível que correspondam a gravados recent es e aleatórios, sem carácter simbólico. No en tanto, noutras situações é possível identificar m otivos como acontece com os designados motivos em U (oito casos) 9 , antropomorfos (dois casos), podomorfos calçados (um caso), covinhas (dois casos), m otivos quadran gulares (um caso) , motivos circulares (um caso) , cruciformes (um caso) e dat as (três casos ). 9 Vulgarmente ape lid ados de ferraduras. 2 2 7 13 0 2 4 6 8 10 12 14 Ampla Ampla para planalto Ampla para vale Reduzida para vale 482 Datas 3.4.4.4 Sobreposição de motivos e problemáticas cronológicas Os picot ados sobrepõem-se às re stantes técnicas, sobretudo à incisão filiforme e at é à incis ão fusif orme (Fig. 477 ). Tal como tem acontecido para os mot ivos gravados com outras técnicas, os efetuados através da técnica de picotado também apresentam celeuma na sua atribuição cronológica. Uma gran de problemática tem a ver com a a usência d e patine, nalgumas situações, podendo t al evidenciar que as gravuras foram efetuadas n um momento relativame nte recente , como n as datas do século XIX e inícios do XX. No entanto, t al pode aparecer, também, em motivos em U da Fraga das Ferraduras ou de Pias 6. No caso da Fraga das Fer raduras, os motivos em U que se encontram mais próximos do solo, num painel oblíquo, são os que apresen tam maior patine, tal como acontece na Pe dra Escrita de Ridevides 1. A ssim, n o caso destes motivos, existência de maior ou me nor patine pode n ão ser apenas cronológica, mas relacionar-se com maior ou menor exposição aos agentes erosivos. Os motivos em U, tradicionalmente conhecidos como “ferraduras”, o u design ados por metad es de círculo por Baptista et al. (2011) têm uma va sta exten são geográfica, tanto aparecendo n o Noroeste português, em superfícies graníticas, aplanad as, no que B ettencourt (2017 b: 131) considerou de arte esquemática tardia e que at ribuiu a um moment o pos t erior ao Bronze Antigo, por se sobrep o rem a uma alabarda incisa, na Pedra Escrita de Ridevides . Apar ecem também no Centro -Norte de Portugal, no concelho de Tondela, Viseu, onde Santos (2006 : 52) os considera prot o -históricos e no Centro de Portugal, em Piódão (SANTOS et. al. , 2011) . Outros aut ores, como António Martinho Baptista, enqua dra estes mot ivos na Idade do Bronze Fin al (BAPTISTA, 1983 : 76) ou até da Idade do Ferro onde, por exem plo, s e en contram associados a podomorfos (COIMBRA, 2008: 122). Quanto aos podomorfos da F raga das Ferraduras, e stes poderão ser contemporân e os dos motivos em U a que se associam . A cronologia dos podomorfos não é u n ânime como ficou demon strado na dissertação de mestrado de José More ira, uma v ez que se baliza m ent re o Bronze Final e a I dade do Ferro, sendo, por vezes, gravados em períodos mais recentes (MOREIRA, 2018: 13). Já a atribuição cronológica das covinhas é problemática. 483 As cruzes , de morfologia lat ina, serão históricas e as datas da contemporaneidade. Assim, tendo em conta as sobreposições e o tipo de motivos , consideramos que esta t écnica foi aplicada, na ribeira da Vilariça, desde a Idade do Bronze até à época contemporânea. Figura 477 - Alguns exemplos de picot ados que se sobrepõem a outras técnicas, nomeadamente a incisão filiforme (três casos) e à incisão fusiforme (um caso, em baixo, à direi ta). E m cima da esquerda para a direit a: Fraga das Ferraduras. Em baixo: Pias 6 e Pias 1. Fotografias do autor. 3.5. Síntese cronológica A questão da problemática cron ológica em a rte rupestre, torna -se bastante complexa, desde logo pela conjugação da técn ica com os motivos gravado s e, at é, pela ausência de pa t ine nalguns motivos incisos e picotados, da ndo a ideia de que o seu moment o de gra vação foi relativamen te recente. Também é verdade que as intervenções arqueológicas nestes contextos são basta nte escass as, adensan do o problema de atribuição cronológica. Apesar de terem sido efetuadas algumas sondag ens arqueológicas de diagnóstico, junto de algumas rochas gravadas, no âmbito da construção do Aproveitamento Hidroelétrico do Baixo Sabor, estas não permitiram n íveis e stratigráficos preservados, embora fos sem recolhidos alguns fragmentos de cerâmica manual e líticos ( XAVIER et. al ., 2012: 94). Assim, para o estabelecimento de uma cronolog ia geral, sempre provisóri a, usou -se o paralelismo, de preferências com gravuras de áreas geográficas próximas, como se verificou nos pontos anteriores. 484 Em síntese, n a margem esquerda da Ribeira da Vil ariça, pode considerar- se , embora co m reservas, a existência de Arte do Paleolítica Superior (Fig. 4 78 ), manifestada em Vilariça 4 at ravés da gravação de uma possível cabeça de auroque (Fig. 4 79 ), incisa, com paralelos em Vila Nova de F oz Côa , nomeadamente, na rocha 13 da Ribeira de Pi scos (BAPTISTA et al., 2008: 118), na roch a 40 da Canada do Inferno (BA PTISTA et al., 2008: 130) ou n a rocha de Redor do Porco, de F igueira de Castelo Rodrigo, e para a qual se aponta u ma cronologia Gravet to-Solutrense, ou s eja, entre os 25 000 e os 20 000 anos BP (BAPTISTA et. al. , 2011: 16). No entan to, existe maior semelhança com o auroque gravado por abrasão do painel 4 de Siega Verde (VÁ ZQUEZ MARCO S, 2018: 7 1), técnica usada, também, em Vilariça 4 (Fig. 479). Figura 478 – Arte paleolítica na margem esquerda do Vale da Vilariça, na escala 1:50 000. 485 Figura 479 – Em cima: possível cabeça de auroque de Vilari ça 4. Fotografia do autor. E m baixo, da e squerda para a direita: Rocha 13 da Ribeira de Piscos (BAP TISTA et al. , 2008: 118), roc ha 40 da Canada do Inf erno (BAPTIS TA et al ., 2008: 130), rocha de Redor do Porco (BAPTISTA et. al. , 2011: 16) e o auroque do painel 4 de Siega Verde (MARCOS, 2018: 71) . Talvez da passagem do Pale olítico Superior para o Epipaleolítico /Mesolítico (Fig. 4 80), s e pos sam considerar algu ma s linhas paralelas (vulgarment e conh ecidas por Unh adas do Diabo) que ocorrem em Pedra Nova, Pedra Escrita de Ridevides 1 e Pias 1 (Fig. 481 ). Segu iu -se a cronologia atribuída por Teixeira et. al. (2017 : 26) às linh as paralelas fusif ormes do abrig o rupes tre da Foz do Tua 486 Figura 480 - Arte da passagem do Paleol ítico Superior para o Epipaleolí tico /Mesolítico na margem esquerda do Vale da Vilariça, na escala 1:50 000. 487 Figura 481 – Em cima: “ u nhadas do di ab o” de Pedra Nova. Fotografia do autor. Em baixo: painel 6 do Abrigo R upestre da Foz do Tua (TEIXEIRA et. al. , 2017: 41). À Pré -História Recente (Fig. 482) poderão associar-se as figuras pint adas da Fraga das Ferraduras, onde existe, pelo men os, um antropomorfo com toucado (Fig. 483), com paralelos na arte rupestre esquemática do Baixo Douro, com algumas semelhanças com os ant ropomorfos do abrigo de Penas Roias ( Mogadouro) (SANCHES et. al. , 202 2: 1 17) o u das gravuras das roch as 1 e 2 de Namoradas (Urgal, Vila Nova de Foz Côa) (GOMES, 2025: 251) . 488 Figura 482 – Arte da Pré-história Recente na margem esquerda do Vale da Vilari ça, na esc ala 1: 50 000. Figura 483 – Em cima: pinturas da Fraga das Ferraduras . Em baixo: Gravuras das rochas 1 e 2 de Namoradas (GOMES, 2025: 251). Do Calcolítico Final/Bronze Inicial serão as alabardas de Pedra de Ridevides 1 e 2 (Fig. 48 4 e 485 ), efetuadas por incisão fusiforme, ambas localizadas no concelho de Alfândega da Fé . 489 Figura 484 – Fotogrametria da Pedra Escrita de Ridevides 1, com as alaba rdas assinaladas . Figura 485 – Pormenor fotogramétrico de algumas alabardas da Pedra Es c rita de Ridevides 1. A um período posterior, da I dade do B ronze a inícios da Idade do Ferro (Fig. 486), será a gravação dos podomorfos e motivos em U, picotados, que s ão abundan tes na área, nomea damente na Fraga das Ferraduras, Ferraduras 2 (Figs. 487, 4 88 ) , Pias 1 e Pias 6 (F ig. 4 89 ), Pedra Nov a, Serrinha 1 ( Fig. 490) e Pedra Escrita de Ridevides 1 (Fig. 484). 490 Figura 486 - Arte da Idade do Bronze a inícios da Idade do Ferro na margem esquerda do Vale d a Vilariça, na escala 1:50 000. Figura 487 – Fotogrametria geral da Fraga das Ferraduras , onde se podem observar inúmeros motivos em U. 491 Figura 488 - Em cima: fotogrametria geral de Ferraduras 2. Em baixo: p ormenor fot ogramétrico dos painéis A e B com três grupos de motivos em U, assinalados. A A B 498 Figura 497 – Pentagrama inciso de Pias 10. Fotografia do autor. Alguns cruciformes latinos, como os de Pias 2 , efetuados por picotado, parecem de época cristã. As dat as do séc. XIX e XX f eitas por picotado de Moinhos 1 e Pias 6, atestam bem a persistência da gravação de roch as ao ar l ivre até épocas bem recentes. Em suma , o t erritório da m argem esquerda da ribeira d a Vilariça foi pro fusamente gravado, desde , provavelmente, o Paleolítico at é à co n temporaneidade, com especial ênfase para a Proto -história , aparentemente com hiatos e com significações e propós itos distintos no tempo. Também n ão parece haver sucessão técnica, em termos cronológicos, com exc eç ão da pintura, que neste cont exto parece ser da Pré-história Recent e, estan do sobreposta por incisões filiformes e picotados. 3.6. Arte rupe stre e povoamento Um dos objetivos deste trabalho era o de articular a arte rupestre com outros sítios arqueológicos, o qu e se tornou muito difícil at endendo à pouca precisão cronológica de muitos s ítios inventariados e às dificuldades encontrada s para da tar a arte rupestre . Me smo assim, e ste exercício foi t estado para sítios considerados, indiscutivelmente, de art e rupestre inseríveis entre a Idade do Bronze In icial e o Fer ro Recente. 499 O primeiro sítio a ser testado foi o santuário do Cabeço da Mina, at ribuído por Jorge (1986, 1999a) ao Neo-calcolítico e por Diaz Guadarmino (2010) ao Bro nze Médio com perduração por cronologias mais recentes. A con clusão a que se ch ega é a de que este santuário está muito próximo do Castro de Santa Justa (Pr é-história Recente) e das gravuras da Pedra Escrita de Ridevides 1 e 2, ou sej a, num aro de trinta m inutos. Já os monumentos mega lí t icos ficam mais afastados, entre os trinta e os sess enta minutos, como é o caso d o C hão da Senh ora da Rosa 1 e 2, a sul. En tre os sessenta e os novent a minutos apenas se encontra o m onumento megalítico de Chã Gran de, também a sul. Entre os n oventa minutos e as duas horas, encontra -se o povoado da Senh ora do Castelo (Pré -história Recente) e o monumento megalítico do Cabeço do Murado 2, que lhe fica a norte. (Fig. 498). Figura 498 - Territórios teóricos de circulação, na escala 1:110 000, entre o santuário de estel as do Cabeço da Mina (triângulo a preto), os povoados do Castro de Santa Justa, Senhora do Castel o e Castelo da Junqueira (quadrados a vermelho), os monumentos megalít icos (pontos a branco) e as rochas com art e rupestre Pedra Escrita de Ride vides 1 e 2, Pedra Nova e Pias 9 (losan gos azuis). O exercício foi efetuado, também, para as gravuras d a Pedra Escrita de Ridevid es 1 e 2 (com alabardas) e, portanto, com uma cronologia, pelo menos, do Bronze Inicial, face aos povoados considerados com ocupação g enericamente contemporânea que são, pelo menos, Baldoeiro e Senhora do Castelo, segundo Sa nch es (1997: 283) e Cruz (2000). O s re sultados para o s territórios teóricos de circulação concluíram que só o povoado da Senhora do C astelo se encontra no l imit e das duas horas pedestres a partir destes lugares gravados (Fig. 499 ). 500 Figura 499 – Territórios teóricos de circulação, na escala 1:150 000, entre Pedra Escrita de Ridevide s 1 e 2 (triângulo a preto) e os povoados da Senhora do Castelo e Baldoei ro (quadrados a vermelho). Também se testou a distribuição dos sítios com motivos em U e podomorfos face ao povoado do Castelo da Junqueira, que teria ocupações do Bronze Final e da Idade do Ferro (CRUZ, 20 00: 183, 184). Quanto à rocha de Serrinha 1 co m motivos em U, o resultado foi de praticamente duas horas relativamente a este povoado (Fig. 500). Relativamen te à rocha Pedra Nova, esta já se encont ra mais próxima do povoado do Castelo da Junqueira num percurso pedestre en tre os noventa m inutos e as duas horas (Fig. 50 1 ). Para o caso de Pia s 1, o percurso, tal com o acontece com a Pedra Nova, também se estabeleceu entre os noventa minutos e as duas horas (Fig. 50 2 ). Q uanto a Pias 6, dada a proximidade a Pias 1, a escassas centen as de metros a jusante desta última, e na mesma linha de ág ua, o Castelo da Junqueira localiza- se ent re os novent a minutos e as duas horas de circulação pedestre (Fig. 50 3 ). Para a Fraga das Ferraduras, o Castelo da Junqueira também se encontra entre os novent a minutos e as duas horas de percurso pedestre (Fig. 50 4), acontecendo o mes m o para Ferraduras 2 (Fig. 50 5), at é porque dista da Fraga das Ferraduras cerca de 100 metros para jusante. 501 Figura 500 - Territórios teóricos de circulação, na escala 1:100 000, entre Serrinha 1 ( triângulo a pret o) e o povoado do Castelo d a Junqueira (quadrado a vermelho). Figura 501 - Territórios teóricos de circulação, na escala 1:100 000, entre Pedra Nova ( triângulo a preto) e o povoado do Castelo da Junqueira (quadrado a vermelho). 502 Figura 502 - Territórios teóricos de circulação, na escala 1:100 000, entre Pias 1 (triângulo a preto) e o povoado do Castel o da Junqueira (quadrado a vermelho). Figura 503 – Territórios teóricos de circulação, na escala 1:100 000, entre Pias 6 (triângulo a preto) e o povoado do Castelo da Junqueira (quadrado a vermelho). 503 Figura 504 – Territórios teóricos de circulação, na escala 1:100 000, entre Fraga das Ferraduras (triângulo a pret o) e o povoado do Castelo da Junqueira (quadrado a vermelho). Figura 505 - Territórios teóricos de circulação, na escala 1:100 000, entre Ferraduras 2 (triângulo a preto) e o povoado do Castelo da Junqueira (quadrado a vermelho). 504 Assim, para os lugares com motivos em U verifica- se que os povoados genericamente contemporâneos, se encontram, sempre, nos limites dos seus territórios teóricos de duas horas. Já os lu g ares gravados do Ferro Recent e (cavalo/cervo, inscri ções e possível antropomorfo) foram estudados face ao território de circulação de duas horas pedestres dos povoados de Cabeço de S. Pedro, Nossa Senhora dos Anúncios e Castelo de Gouveia, considerados deste período por Cruz (2000). O resultado desta análise permitiu evidenciar que estes povoad os se localiza ram n um percurso pedestre menor face os lugares g ravados . No caso de Moin hos 2, onde surgiu um fr iso com u m equídeo e cervídeo, o Castelo de Gouveia é o povoad o mais próximo, não chega ndo aos trinta minut os, seguindo -se o povoado da Nossa Senhora dos Anúncios, entre os noventa m i nutos e as duas horas (Fig. 50 6 ). Quan to a Pias 10, onde foram identificados alfabetiformes fi liformes, o Castelo de Gouve ia encontra-se a menos d e trinta m inutos e Nossa Senh ora dos Anúncios entre os noventa m inu tos e as duas horas (Fig. 5 07). Por fim, F avecas 28 , também com alfabetiformes e um antropomorfo, partilha o mesm o modelo da s roch as anteriores, ou s eja, encontra-se a menos de trinta minutos do povoado de Castelo de Gouveia e entre os noventa minutos e as duas horas do povoado da Nossa Senhora dos Anúncios (Fig. 5 08). Figura 506 - Territórios teóricos de circulação, na escala 1:1 00 000, entre Moinhos 2 (t riângulo a preto) e os povoados da Idade do Fe rro do Cabeço de S. Pedro, Nossa Senhora dos Anúncios e Caste lo de Gouveia (quadrados a vermelho). 505 Figura 507 - Territórios teóricos de circulação, na escala 1:100 000, entre Pias 10 (tri ângulo a preto) e os povoados da Idade do Ferro do Cabeço de S. Pedro, Nossa Senhora dos Anúncios e Castel o de Gouveia (quadrados a vermelho). Figura 508 - Territórios teóricos de circulação, na escala 1:100 000, entre Favecas 28 (triângulo a preto) e os p ovo ados da Idade do Ferro do Cabeço de S. Pedro, Nossa Senhora dos Anúncios e Caste lo de Gouveia (quadrados a vermelho). 506 Se as cronologias dos povoados se vieram a confirmar, a proximidade entre as gravu ras sidéricas e povoados contradiz a hipótese de Luís L uís (2009 : 218) q uando defende que a arte sidérica se encontra, intencionalmente, longe dos povoados, funcionan do como demarcadora de fronteiras de territórios étnicos distintos. Embora n ão seja possível at ribui com segurança uma cronologia às rosetas de Favecas 7, é interessante verificar que se localizam relativamente pr óx imas do sítio da Noss a Sen hora dos Anúncios , com ocupação do período roman o, e de um eventual ramal que sairia para a zona m ineira de Vale de Ferreiros e para a civitas dos Ban ienses, já em pleno Vale da Vilariça (LEMOS, 1993: 31 8). 4. Considerações finais Os objetivos deste trabalho tinh am como intuito perceber a inter -relação entre o povoamento pré - histórico e proto-histórico e a arte rupestre. Os sítios com arte rupestre, aqui ident ificados, encont ram -se, fundam e ntalmente, na marg em esquerda da ribeira da V ilariça, na bordadura dos ribeiros de Moinhos, Pias, Ride vides e da própria ribeira da Vilariça. Na margem direita, apenas se conh ecem um sít io com arte rupestre: o Poço da Moura. Tal facto deve-se, apenas e só, à área selecionada para estudo, uma vez que abar car toda a sua rede hidrográfica da ribeira da Vilariça seria tarefa dem asiado exaustiva no âmbito deste t rabalho. Mesmo assim, foram inventariados 67 sítios com arte rupestre. Algumas dificuldades s e impuseram na elaboração desta disser tação. Desde logo a não identificação, no ca mpo, de rochas gravadas referidas na bibliografia. Referimo-n os à rocha 1 da Quinta do Feiticeiro, em Torre de Moncorvo, datada da Ida de do Ferro por Neves (NEVE S, 2012) e ao Poço da Moura, em Alfândega da Fé. Quant o ao Poço da Mour a, foi possível identificar a rocha, mas n ão as gravuras, uma vez que o local se encontrava coberto po r ve getação arbustiva m uito densa, pelo que nos apoiamos, exclusivamente na bibliografia, para o seu estudo. A inventariação de 6 7 roch a gravada s, onde 6 1 são inéditas, permitiu aferir que estas foram efetuadas por quatro t écnicas de gravação distintas, a saber: pintura, ra spagem, incisão (filiforme e fusif orme) e picotagem. A pintura apenas foi identificada numa pequeníssima áre a do painel A da Fraga das Ferraduras, em Eucís ia, no concelho de Alfândega da F é e era, até agora, inédita, apesar dest e sítio ser conh ecido e descrita por vários autores (LOPES, 2006 e AB REU, 201 2). Trata -se de, pelo menos, um antropomorfo com toucado, genericamente atribuído ao Calcolítico. 507 A raspagem foi identificada em 2 3 casos. Foi a técnic a que m ais dúvidas suscitou em termos cronológicos. Por um lado, o aspeto da patine é sempre “fresco”, induzindo -nos a pen sar que as gravu ras são re centes. Por outro lado, apres entam motivos semelhantes àqueles efetuados por incisão, com o é o caso de Favecas 9 com a possível representação de uma arma. A incisão é, no es paço compreendido des te traba lho, a técnica mais usada (60 casos), subdividindo-se em incisão filiforme e incisão f usiforme, sendo a primeira a predominante (50 casos). Os motivos elaborados por esta técnica apresentam uma longa diacron ia , ou seja, desde o Paleolítico Superior (como parece se r o caso da roch a da Vilariça 4, on de se parece representar a cabeça de um auroque), até à Idade do Ferro (com a cena de caça de Moinhos 2). A primeira com inc isão fusiforme e a segunda com incisão filiforme. Os fusiformes en contram -se relativamente circunscritos num espaço geográfico, n omeadamente o concelho de A lfândega da Fé. Corre spondem à Pedra Escrita de Ridevides 1 e 2 , Pedra N ova, Poço da Moura e Pias 1, esta um pouco mais distante das restantes. De uma forma geral parecem iniciar -se na Idade do Bronze Inicial (com a representação de alabardas). Já os picotados, em número de 24, encontram -se mais dispersos n o espaço. A iconografia predominante são os motivos em U (com ou sem covi nha/sulco central) seguindo -se os antropomorfos e, em menor quantidade, os podom orfos, apenas iden tificados na Fraga das Ferraduras. Os motivos efetuados nesta técnica parecem ter ocorrido desde a Pré-h istória Recent e e Proto-história (antropomorfo ou vulva; podomorfos e motivos em U) até à contemporaneidade (cruciforme e datas do século XIX). Se observarmos os motivos em U da Frag a das Ferraduras, vemos que a s superfície s dos painéis A, B e C se encontram “frescas” como se estes tivessem s ido feitos m uito re centemente. N o entanto, noutro painel desta rocha (C), os mesmos motivos encont ram-se bastante patinados. Teriam os primeiros sido reavivados ou encontram-se assim por estarem em superfícies mais protegidas de ag entes erosivos ? Relativamente à inserção destes lugares n o povoamento pré -histórico e proto-histórico do Vale da Vilariça, colocam-se vários problemas. O primeiro relaciona -se com o facto de a maioria dos sítios arqueológicos conhecidos, principalmente os povoados e os túmulos, n ão terem sido escavados, pelo que a sua at ribuição cronológica se efe tuou com base ou nas s uas características arqu itetónicas ou em ma t eriais de superfície, por vezes , difíceis de classificar. Apesar destas dificuldades, considerou-se importan te efetuar alguns exercícios sobre possíveis inter-relações espaciais entre sítios gravados e outros elementos arqueológicos ex istentes no território, pois foram identificados povoados com ocupações Calcolít icas (Castro de Santa Justa, em Alfân dega da 514 SANTOS JÚNIOR, J. R. S. ( 1931): As serpentes g ravadas do castro do Baldoeiro (Mon corvo – Trás- os - Montes). In XV Congrès I nternational d´Anth ropologie & d´Archéologie Préhis toriqu e , IV Session de l´Institut International d´Anthropologie. Paris: Librairi e e Nourry: 413 – 418. SANTOS JÚNIO R, J. R. S. 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