Arte rupestre e povoamento préhistórico e proto-histórico na margem esquerda da ribeira da Vilariça (Nordeste transmontano)
Abstract
Esta dissertação tem como objetivo aumentar o conhecimento sobre arte rupestre do Vale da Vilariça e a sua correlação com o povoamento pré-histórico e proto-histórico regional. Na metodologia de investigação deste tema, foi necessário trabalho prévio de gabinete, trabalho de campo, que teve como base a prospeção arqueológica e trabalho avançado de gabinete. Foram identificadas 68 rochas com arte rupestre nos concelhos de Alfândega da Fé e de Torre de Moncorvo, maioritariamente inéditos, de cronologia entre o Paleolítico Superior e, pelo menos, o séc. XIX, mas é, sobretudo, na Pré-história Recente e na Proto-história que se insere uma boa parte dos sítios gravados. As temáticas representadas são naturalistas, esquemáticas e subnaturalistas. Para além da arte Paleolítica, há rochas inseríveis na arte esquemática tardia e na arte figurativa, tal como foram definidas por Bettencourt (2017a, 2017b, 2021, 2023). Há também motivos inseríveis na arte sidérica do Douro. As técnicas de gravação são as de incisão, incisão filiforme, picotado e raspagem e apenas num caso, a pintura. Relativamente ao povoamento, este foi inventariado em ambas as margens da ribeira da Vilariça. Foram identificados, além de 19 povoados, entre o Calcolítico e a romanização, sete monumentos megalíticos, o recinto de estelas do Cabeço da Mina e as estelas isoladas da Quinta do Couquinho, da Quinta da Vila Maior e de Torre de Moncorvo. Em relação às inter-relações entre povoamento e arte rupestre, verificou-se que a maioria das rochas gravadas se relacionam com povoados nos percursos pedestres de 2 h, sendo as da Idade do Ferro aquelas que mantêm uma maior proximidade. Quanto ao santuário do Cabeço da Mina, este apresenta alguma variedade de sítios no aro de 2 h. Para além de algumas rochas com arte rupestre, no seu aro de 30 minutos, a 60 minutos há, também, outras rochas gravadas e monumentos megalíticos, sendo de destacar que o povoado com possibilidade de ser contemporâneo (Castro de Santa Justa) se encontra no aro de 30 minutos. Estes dados parecem evidenciar a existência de um território “sagrado” ou significante em redor do Cabeço da Mina, pelo menos no seu aro de 60 minutos.