Full text
Escola de Letras, Artes e Ciências Humanas João Pedro Passos Cunha O papel da tradução na divulgação turística: uma experiência na cidade de Viana do Castelo maio de 2025 Universidade do Minho
Escola de Letras, Artes e Ciências Humanas João Pedro Passos Cunha O papel da tradução na divulgação turística: uma experiência na cidade de Viana do Castelo Relatório de estágio Mestrado em Tradução e Comunicação Multilingue Trabalho efetuado sob a orientação da Doutora Márcia Cristina Almeida Oliveira maio de 2025
I Agradecimentos Gostaria de começar por agradecer à minha família por sempre me ter apoiado neste percurso de 23 anos que é a minha vida e por sempre estarem presentes em todos os momentos. Em segundo lugar, gostaria de agradecer à Câmara Municipal de Viana do Castelo, e em especial à Unidade de Turismo, por terem apostado em mim e por me permitirem realizar este estágio curricular. Também gostaria de agradecer à equipa que trabalha na Unidade de Turismo, por me ajudarem em tudo, por me ensinarem várias coisas sobre o trabalho no setor do turismo e por me terem recebido tão bem, assim como à equipa que trabalha no Posto de Turismo de Viana do Castelo, tanto da Câmara Municipal, como da empresa Viv’Experiência, que me ensinaram a atender os visitantes da melhor forma possível. Por fim, gostaria de agradecer especialmente às minhas orientadoras de estágio, Dra. Leontina Cardona, da Câmara Municipal de Viana, e Dra. Márcia Oliveira da Universidade do Minho, por todo o apoio e acompanhamento que me deram, durante e após o estágio curricular, e por estarem sempre disponíveis a ajudar-me em tudo o que precisei.
DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho Atribuição CC BY https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/
III Declaração de Integridade Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho. Statement of Integrity I hereby declare having conducted this academic work with integrity. I confirm that I have not used plagiarism or any form of undue use of information or falsification of results along the process leading to its elaboration. I further declare that I have fully acknowledged the Code of Ethical Conduct of the University of Minho.
O papel da tradução na divulgação turística: Uma experiência na cidade de Viana do Castelo Resumo Atualmente, a tradução tem um papel fundamental em diversas áreas que afetam diretamente o desenvolvimento de diferentes países e regiões, sendo uma delas o turismo. Ao longo dos últimos anos, o turismo em Portugal tem verificado um aumento significativo, contribuindo enormemente para a economia e desenvolvimento nacional e regional. No sentido de dar resposta aos desafios desse aumento, a comunicação e o atendimento aos turistas tornou-se essencial, pois não só permitem que estes tenham uma melhor experiência quando visitam o nosso território, mas também uma melhor divulgação das regiões visitadas. Tendo em consideração o perfil dos turistas que nos visitam atualmente, sendo estes na sua maioria visitantes estrangeiros que não falam português, revela-se então necessário apostar na tradução. Como pude verificar ao longo do estágio que realizei na Câmara Municipal de Viana do Castelo, a tradução, apesar de ter uma grande importância neste setor de atividade, nem sempre é uma aposta dentro das entidades públicas, como câmaras municipais. Estas instituições recorrem frequentemente a serviços de empresas de tradução em detrimento da contratação de tradutores profissionais especializados, o que, como argumento, nem sempre é a melhor opção, tendo em conta que os tradutores dessas empresas podem não possuir conhecimentos sobre os locais visados nos projetos de tradução. Esta é uma questão, entre outras, que enfatizarei ao longo do presente trabalho. Neste relatório, irei abordar a minha experiência na Câmara Municipal de Viana do Castelo, descrevendo as tarefas que realizei, refletindo sobre o papel da tradução na divulgação turística de uma cidade e sobre o que, neste âmbito, pode ser melhorado, de forma a garantir que quem visite Portugal possa ter uma melhor compreensão da nossa cultura. Palavras-Chave: Turismo. Cultura. Divulgação turística. Caminhos de Santiago. Viana do Castelo
V The role of translation in tourism promotion: An experience in the city of Viana do Castelo Abstract Nowadays, translation plays a fundamental role in a number of areas that directly affect the development of different countries and regions, one of which is tourism. Over the last few years, tourism in Portugal has seen a significant increase, contributing enormously to the national and regional economy and development. In order to meet the challenges of this expansion, communication and service to tourists has become essential, as it not only allows them to have a better experience when they visit our territory, but also to better publicise the regions they visit. Considering the profile of the tourists who visit us today, most of whom are foreign visitors who don't speak Portuguese, it is therefore necessary to invest in translation. As I was able to perceive during my internship at Viana do Castelo Municipal Council, although translation is very important in this activity sector, it is not always a priority for public organisations such as municipal councils. These institutions often use the services of translation companies to the detriment of hiring specialised professional translators, which, as I argue, is not always the best option, given that the translators of these companies may not have any knowledge of the locations targeted in the translation projects. This is one issue, among others, that I will be emphasising throughout this work. In this report, I will discuss my experience at Viana do Castelo Municipal Council, describing the tasks I carried out, reflecting on the role of translation in publicising a city's tourism and what could be improved in this area to ensure that those visiting Portugal have a better understanding of our culture. Keywords Tourism. Culture. Tourism promotion. The Way of Saint James. Viana do Castelo
4 objetivo de atrair cada vez mais pessoas à cidade e de colocar o nome de Viana do Castelo no mapa. O Turismo do Porto e Norte é também uma das instituições que tem apoiado o turismo de Viana do Castelo, através do fornecimento de materiais informativos, como mapas e brochuras para serem distribuídos aos turistas, mas também através do apoio a diversos projetos, de campanhas de divulgação de todas as regiões da zona Norte de Portugal, e ainda do financiamento às diversas instituições turísticas existentes que visam o desenvolvimento do turismo em todas as localidades, contribuindo assim para despesas em termos de equipamento e recursos humanos e para as atividades que são realizadas e que dão a conhecer ao público externo o melhor que o país tem para oferecer. De acordo com o Plano de Orçamento do Turismo de Porto e Norte para o ano de 2022, que pode ser consultado no website desta entidade (http://www.portoenorte.pt/pt/informacao-institucional/plano-de-acao-e-orcamento/), foi prevista a realização de vários projetos no montante de 1.578.000 de euros destinados à promoção do turismo, entre os quais se destacam a Agenda Regional 2030, os Caminhos de Santiago, e o programa Reativar o Turismo, entre outros. Neste contexto, um dos elementos que considero ter grande importância na divulgação da cidade são os mapas, fornecidos por diversas entidades, como a Unidade de Turismo, o Posto de Turismo e os estabelecimentos hoteleiros de restauração. Estes mapas são os materiais mais requisitados pelos turistas, tendo uma grande distribuição ao longo do ano. De acordo com dados que me foram fornecidos na Unidade de Turismo da Câmara Municipal de Viana do Castelo no contexto do estágio, foram oferecidos no ano de 2023 cerca de 27.839 mapas a turistas (nacionais e internacionais), dos quais 16.340 estavam disponíveis em quatro línguas, para além do português. Os mapas mais requisitados pelos turistas estrangeiros foram os mapas em inglês (cerca de 7.340), seguidos pelos mapas em espanhol (7.260), em francês (1.575) e em alemão (165). Apesar de os dados serem evidentes e mostrarem os números de mapas fornecidos pelas entidades municipais nos diferentes idiomas, há outros fatores que podem influenciar estes números, como por exemplo o facto dos mapas em línguas como francês e alemão não estarem tão disponíveis em formato físico como os mapas nas restantes línguas, obrigando a maior parte dos turistas estrangeiras a optar pelos mapas em inglês. De forma a evitar este tipo de constrangimento, estes mapas também estão disponíveis em formato digital nas diferentes línguas, aos quais os visitantes podem ter acesso através de um QR Code que se encontra nos postos de turismo e em alguns estabelecimentos hoteleiros da cidade.
5 Durante o meu estágio na Unidade de Turismo de Viana do Castelo, tive a oportunidade de atender vários peregrinos que estavam de passagem por Viana, pelo que verifiquei que um dos materiais mais requisitados é o mapa da cidade, que destaca todos os pontos de interesse. Este mapa representa um grande apoio aos visitantes, embora nem sempre pode ser fornecido às pessoas, quer por não se encontrar disponíveis nas devidas instituições turísticas, quer por atrasos na sua produção ou pela necessidade de aguardar autorização para serem distribuídos. Figura 3 - Mapas da cidade de Viana do Castelo em diferentes línguas Figura 4 - Mapas do Caminho Português da Costa nas diferentes línguas Assim, no âmbito do Mestrado em Tradução e Comunicação Multilingue da Escola de Letras e Ciências Humanas da Universidade do Minho, foi-nos dada a opção de fazer um de três projetos, sendo estes uma tese, um estágio curricular ou a elaboração de um projeto, sendo que a minha opção recaiu no estágio curricular. Nesse sentido, durante os meses de dezembro e janeiro, contactei várias instituições públicas, como câmaras municipais, propondo a realização de um estágio curricular nas suas unidades de turismo, área que escolhi para desenvolver no mestrado. O turismo sempre foi uma área de interesse para mim, por englobar várias temáticas que considero fascinantes, como cultura, história, geografia e marketing. As instituições abordadas foram as
6 câmaras municipais de Braga, Ponte de Lima e Viana do Castelo, da qual obtive uma resposta positiva. Tendo a minha proposta sido aceite, decidi marcar uma reunião na Câmara Municipal para acertar os pormenores do estágio curricular, como data de início, horário de trabalho, tarefas a realizar, entre outros aspetos. Nessa ocasião, contactei com a responsável pela Unidade de Turismo, Dra. Leontina Cardona, que me fez uma breve descrição de como seria realizado o estágio e de que forma me poderia ajudar nas tarefas desempenhadas na instituição, tendo o início do estágio ficado marcado para o dia 1 de fevereiro e terminar no dia 17 de maio, com um horário de 7 horas diárias (das 9h às 17h, de segunda a sexta-feira), cumprindo assim o número de horas estipuladas no regulamento. Chegado finalmente o dia de iniciar o estágio a Dra. Leontina Cardona começou por me apresentar o espaço e as pessoas que trabalham na Unidade de Turismo. Esta unidade, assim como a Unidade de Cultura, funciona a partir do edifício conhecido como “Hospital Velho”, juntamente com o Centro Interpretativo do Caminho Português da Costa, integrando uma equipa de nove pessoas (um assistente operacional, um assistente técnico e sete técnicos superiores). Esta equipa tem como principais responsabilidades desenvolver e divulgar o turismo de Viana do Castelo, através da gestão dos postos de turismo municipais e centros de interação com turistas; promover e representar o município em iniciativas de apoio às atividades económicas, como feiras e exposições; organizar eventos tradicionais de interesse turístico; gerir a difusão de informação de interesse para agentes de promoção turística do município; e tratar do desenvolvimento de linhas de merchandising turístico. O Hospital Velho, para além das Unidades de Turismo e Cultura, também alberga o Centro Interpretativo do Caminho Português da Costa, que funciona como um centro de apoio aos peregrinos, fornecendo informações e prestando auxílio a todos os que se encontram em peregrinação para Santiago de Compostela. Para além disso, funciona também como núcleo museológico, apresentando uma pequena exposição interativa sobre o Caminho Português da Costa. Aqui, desempenhei algumas funções, nomeadamente a tradução de documentos ligados a diversas áreas enquadradas no âmbito municipal, como o turismo e o ambiente, e o apoio aos peregrinos no Centro Interpretativo do Caminho Português da Costa e a turistas no Posto de Turismo – Viana Welcome Center.
7 Ao realizar este estágio curricular na Unidade de Turismo do Município de Viana do Castelo, propus-me cumprir alguns objetivos que visam enriquecer o meu percurso profissional, académico e pessoal. Um dos meus principais objetivos foi pôr em prática os conhecimentos que adquiri ao longos dos três anos de licenciatura em Línguas Aplicadas e do ano e meio de mestrado em Tradução e Comunicação Multilingue, de forma a dar apoio na Unidade de Turismo, quer na tradução de documentos turísticos (como folhetos, brochuras e mapas), quer no atendimento a turistas e peregrinos que estão de passagem e que pretendem conhecer a cidade de maneira mais aprofundada. Para além de contribuir com o meu conhecimento, também pretendi adquirir mais competências através de uma experiência em trabalho real na área do turismo, para perceber como se processam todas a tarefas que são efetuadas no âmbito municipal e para entender como são organizados os eventos que visam a divulgação da cidade, tanto no interior como no exterior. Da mesma forma, tinha ainda o objetivo de aprender o vocabulário específico que é utilizado nesta área e de que forma este pode ser usado e transformado para facilitar a sua compreensão por quem vem de fora; de estudar de que forma os materiais fornecidos ajudam os turistas a conhecer mais sobre o destino que visitam e ainda, mais concretamente, de que maneira é que o conhecimento de outras línguas tem impacto na comunicação com estrangeiros e na divulgação de um determinado local a nível internacional. Para mim, para além da tradução, a vertente da comunicação inerente a um estágio desta natureza teve um papel fundamental na minha aprendizagem, sendo esta uma competência que precisava de trabalhar e aprimorar. Portanto, pretendi também, com este estágio, colocar-me à prova e testar a minha capacidade de falar e comunicar com outras pessoas dentro da área do turismo e obter conhecimentos específicos das técnicas de comunicação, como por exemplo saber o que se deve dizer a pessoas que visitam o país e a cidade pela primeira vez, como as abordar, o que deve ou não ser recomendado, entre outras competências que um bom comunicador deve possuir. Entendo que a aprendizagem destes fatores é fundamental na formação de jovens que pretendem trabalhar nesta área, pois, como vivemos numa sociedade cada vez mais globalizada e na qual é cada vez mais fácil visitar países que outrora estavam fora do nosso alcance, é essencial conhecermos o que existe para lá das nossas fronteiras, as diferentes línguas e culturas que coexistem no nosso mundo, de forma a que se possa fornecer um serviço de qualidade e, em certo sentido, personalizado a cada cidadão estrangeiro que tem curiosidade de ver e saber coisas novas nos locais que visitam.
8 II. Turismo e Tradução Marcado por um mundo cada vez mais globalizado, o Turismo é uma área de estudo que que suscita interesse e discussão por parte investigadores e especialistas da área, que estudam e enquadram o seu impacto na sociedade, tendo em conta a sua evolução e os novos fatores que permanentemente surgem. Ainda que de forma resumida, abordarei de seguida alguns elementos importantes neste contexto. 2.1 O Turismo e o Desenvolvimento Regional Atualmente, o turismo é uma das atividades com maior grau de desenvolvimento em todo o mundo, movimentando todos os anos milhões de pessoas que viajam em busca de lazer, conhecimento, ou simplesmente de descanso. Para a compreensão desta atividade, entendemos como necessário começar pela sua definição. Como expresso na dissertação “A Definição e o Âmbito do Turismo: um aprofundamento necessário” (Cunha, 2010), o conceito de turismo tem vindo a ser alvo de discordância entre vários autores ao longo dos anos, sendo que no início, verificou-se que, para definir o turismo, seria necessário definir previamente a noção de “turista”. Este termo, cuja definição oficial surgiu pela primeira vez em 1937, através da Sociedade das Nações, e que afirmava que “turista” abrange “todas as pessoas que viajam durante 24 horas ou mais, num país diferente daquele onde possuem a sua residência habitual” (Fuster, 1974, p. 17 citado em Moesch, s.d, p. 4), foi sofrendo várias alterações, com a adoção de outros termos que a complementam. Atualmente, o termo “turista” é considerado uma das duas categorias do termo “visitante”, assim como o termo “excursionista”. O Instituto Nacional de Estatística define visitante como “um indivíduo que se desloca a um local situado fora do seu ambiente habitual, por um período inferior a 12 meses, cujo motivo principal é outro que não o exercício de uma atividade não renumerado no local visitado” (Instituto Nacional de Estatística, s.d.). A partir daqui, este conceito é dividido em duas categorias: o “turista”, que é um visitante que pernoita pelo menos uma vez num determinado alojamento no local visitado; e o “excursionista”, que não pernoita no local. A partir desta definição de ‘interveniente’, é mais fácil definir o turismo em si. De acordo com a definição adotada pela Organização Mundial de Turismo (OMT) em 1994, o turismo “compreende as atividades que as pessoas realizam durante as suas viagens e estadias em lugares distintos dos que vivem, por um período inferior a um ano, para fins de lazer, negócios e outros”
9 (Sancho, A., 2001, p.46), abrangendo assim aspetos sociais, económicos e culturais. Contudo, durante vários anos, esta definição foi abordada de diferentes perspetivas, tendo em conta fatores distintos que podem ser associados ao turismo. Mathieson e Wall (1982) consideraram que o turismo é “um movimento temporário de pessoas para destinos fora dos seus locais de trabalho e residência, as atividades desenvolvidas durante a sua estadia nesses destinos e as facilidades criadas que servem para satisfazer as necessidades” (p.1). A partir daqui, podemos afirmar que o turismo engloba essencialmente o conjunto de atividades que são realizadas por pessoas que se deslocam para uma zona fora da área do seu quotidiano e o conjunto de serviços que são fornecidos a essas pessoas. Passando para uma perspetiva mais local, o turismo é um dos setores com maior crescimento em Viana do Castelo, verificando-se um aumento do número de turistas que visitam esta cidade do Alto Minho com o intuito de conhecer a sua cultura e tradição, assim como os monumentos e tudo aquilo que tem para oferecer. De acordo com o artigo “Viana do Castelo cresce 22% e regista número recorde de hóspedes em 2023” (Câmara Municipal de Viana do Castelo, 2023), por exemplo, Viana do Castelo ocupou, dentro do ranking da região Norte de Portugal, a 7ª posição no número total de hóspedes e a 6ª posição no número de dormidas, com um aumento de 11% no primeiro indicador e de 22% no segundo face ao ano anterior. Dentre os visitantes, verificou-se que 52% são turistas nacionais e 48% de turistas estrangeiros. Dados divulgados por este artigo da Câmara Municipal também indicam que os principais mercados que optam por Viana do Castelo são Espanha, Alemanha, França, EUA, entre outros. Já em relação ao ano de 2024, o turismo em Viana do Castelo registou os melhores resultados de sempre no primeiro semestre, em relação a fatores como número de hóspedes, registando um total de 87.776 (aumento de 14% face a 2023), e o número de dormidas, com um total de 143.312 (aumento de 9%), verificando-se também uma variação de dados relativamente aos principais mercados internacionais, com um registo surpreendente do mercado Norte-Americano, que teve um crescimento notável ao longo deste ano (aumentou cerca de 45% em número de hóspedes, e 49% em dormidas). Este aumento resulta da promoção turística que é feita pelo Turismo de Portugal no estrangeiro, mais concretamente o Turismo do Porto e Norte, entre outros fatores, como a oficialização do Caminho Português da Costa, que levou cada vez mais peregrinos a optarem por esta rota aquando da realização da sua peregrinação a Santiago de Compostela. Atualmente, cerca de 30% dos peregrinos opta pelo Caminho Português da Costa, como noticiado pelo jornal O Minho (2024). Este caminho, que tem início no Porto e termina em Valença, passando por várias cidades da orla costeira portuguesa, incluindo Viana do Castelo, apresenta uma grande riqueza, tanto a nível de paisagens como a nível
10 cultural. O percurso encontra-se próximo do mar, tornando-o muito atrativo tanto para os peregrinos nacionais como para os peregrinos internacionais, que podem fazer o caminho a pé ou de bicicleta e pernoitar nos diversos albergues que se encontram em todas as paragens obrigatórias do Caminho Português da Costa. Apesar da passagem de peregrinos em Viana do Castelo atingir o seu pico durante os meses de verão, o Centro Interpretativo do Caminho Português da Costa faz um registo de dados sobre as pessoas que realizam esta peregrinação, como nacionalidade e número de peregrinos, ao longo do ano inteiro, o que mostra que o turismo religioso pode ser um fator com elevada importância para o desenvolvimento de uma região. O turismo religioso, neste caso, está também relacionado com o turismo cultural, levando as pessoas a deslocarem-se para diversos locais que apresentam uma enorme riqueza cultural, que se tornam locais de peregrinação, como referido na obra A experiência e o marketing turístico em contextos religiosos e de peregrinação: o caso ilustrativo dos Caminhos de Santiago (Sousa et al., 2017, p. 793). Segundo Bond, Packer e Ballantyne, citados por Sousa et. al. (2017, p. 793), tal acontece “em centros onde se desenvolve toda a atividade turística de uma região e onde há espaço para o desenvolvimento do produto turístico para lá do fator religioso de forma a enriquecer e diferenciar a experiência que lhe serve de motor”. 2.2 A Tradução no setor turístico O turismo é um setor de atividade que pode ser ligado a diversas áreas da sociedade, como a economia, a geografia e a política, sendo que a tradução desempenha um papel fundamental nesta atividade económica. Atualmente, vivemos num mundo cada vez mais global, onde viajar entre países é significativamente mais fácil e acessível. Este facto torna necessária a comunicação entre pessoas de diferentes países e culturas. Assim, a tradução possuí um papel fundamental nesta atividade, pois tem como função facilitar a visita dos turistas a um determinado destino, permitindo que estes consigam relacionar-se com a cultura do país e absorver as suas tradições, proporcionando momentos de interação entre turistas e locais. Desta forma, a tradução tem um impacto profundo no desenvolvimento turístico dos países, visto que possibilita uma experiência mais agradável aos visitantes, o que resultará na formação de boas memórias e de uma boa imagem do local visitado, levando os turistas a recomendar o destino na sua área de habitação, divulgando o país e as suas tradições além-fronteiras. A tradução turística, para além de facilitar a comunicação entre o tradutor e o público-alvo, também deve manter o objetivo principal dos textos turísticos, que, de acordo com Sanning (2010,
11 p.125) é “atrair a atenção do turista, despertar o seu interesse e dar-lhe uma ideia estética, de forma a persuadi-lo a visitar uma atração turística e fornecer-lhe conhecimentos relativos à natureza, cultura, história e tradições dessa mesma atração através da leitura”, produzindo o mesmo efeito do texto de partida. Para isto, segundo a mesma autora, a tradução de textos turísticos não deve apenas lidar com o contexto em que estes são escritos, como o tempo, espaço e situação político-social, mas também com os seus aspetos culturais, que podem influenciar a receção do texto, como é o caso de diferenças ideológicas e de valores, religião, contexto e significado de certas palavras, entre outros. Assim, é necessário que estes textos sejam trabalhados por tradutores profissionais e especializados nesta área, de forma a que o produto final apresente a máxima qualidade esperada para este tipo de tarefa, mantendo todas as características do documento original. Apesar disso, como apontado por Calvi (2012) e por Castello Martinez (2019) (citados por Carreira et. al, 2023, p.29), um dos grandes problemas da tradução no turismo é a falta de investimento por parte desta indústria na contratação de tradutores profissionais e especializados nesta área, o que resulta na realização de produtos de baixa qualidade. A falta de profissionalismo na tradução de textos turísticos pode ser verificada, por exemplo, em documentos que apresentam textos que não se encontram adaptados ao público de chegada ou que se encontram traduzidos de forma literal, o que pode levar a dificuldades no entendimento de certas expressões ou termos, o que por sua vez pode levar a falhas de comunicação ou à transmissão de informações erradas dos elementos que são referidos nos documentos traduzidos. A linguagem utilizada na tradução de textos turísticos pode, por outro lado, levantar várias questões, como por exemplo o seu grau de especialização, ou seja, se a linguagem usada em textos turísticos deve ser considerada como especialidade ou como algo que é utilizado no quotidiano. Gotti (2003) refere que apesar do turismo possuir termos e expressões que são usados no dia-a-dia, também pode ter uma linguagem considerada especializada, dado possuir um conjunto de componentes que resultam da combinação de conceitos comuns e especializados. Desta forma, este autor chegou à conclusão que esta linguagem tem dois níveis: um mais especializado, que é usado entre profissionais da área, composto por uma terminologia mais específica; e um nível mais simples, que é usado entre especialistas e não especialistas, com termos mais correntes, o que faz com que a linguagem do turismo possa ser de certa forma especializada, mas não restrita. Tendo em contas estes aspetos, é pertinente referir a teoria de Skopos, formulada por Reiss e Vermeer (1996) (citados em Saldanha et. al, 2021, p.1), que aborda o funcionalismo da tradução, ou seja, toda a tradução tem uma função, cujo objetivo é determinado pelo seu recetor.
12 Desta forma, a tradução está dependente de um conjunto de fatores que não só envolvem a componente linguística, mas também fatores externos, como o público e o contexto em que este se encontra. Esta tradução funcional visa, portanto, criar uma ponte entre o texto e o público, tendo em conta os seus aspetos sociais e culturais, permitindo assim que os documentos sejam bem-recebidos. 2.3 O papel do tradutor na Tradução Turística O tradutor desempenha um papel fundamental dentro da área turística, pois o seu trabalho não se limita a apenas traduzir documentos para uma língua de chegada, mas abrange também fazer a divulgação de um destino a um público mais alargado, mais internacional e mais abrangente. É através do trabalho do tradutor que os turistas têm o seu primeiro contacto com a cultura de um país, pois é através dele que podem obter as informações e conhecimentos sobre o seu local de visita, pelo que não será incorreto dizer que este profissional é uma espécie de “guia turístico”. Munõz (2011) considera o tradutor como um mediador, isto é, alguém que cria uma ponte entre o texto de partida e o público-alvo a nível linguístico, ao transcrever o texto para a língua de chegada, facilitando a compreensão do leitor relativamente aos documentos, que também ocorre a nível cultural, permitindo conectar duas culturas diferentes através da tradução. Neste contexto, é então necessário que o tradutor possua não só conhecimentos linguísticos, como também conhecimentos culturais, do seu país e do país do público-alvo, essenciais para tarefas de localização que servem para adaptar os textos à cultura e à sociedade a que o texto se destina. O tradutor deve portanto, para além de conhecer o destino que está a retratar nas suas traduções, ter conhecimentos sobre os países a que se destinam os documentos turísticos, tendo em conta vários elementos culturais, mas também as diferenças linguísticas. Desta forma, o tradutor deve ser capaz de adaptar os textos ao seu público, evitando assim termos ou frases que possam ser ofensivos no contexto de crenças e ideologias de povos diferentes. A presença de profissionais da área da tradução dentro das diversas instituições e estabelecimentos ligados ao setor do turismo tem-se revelado, assim, cada vez mais importante, tendo em conta o aumento da atividade turística e do número de viagens internacionais que são registadas todos os anos, o que leva a um intercâmbio de culturas cada vez maior. Neste contexto, o tradutor deve saber usar as diversas estratégias de tradução para conseguir obter um produto final com o máximo de qualidade possível. Munõz refere também que, para existir uma garantia
13 de qualidade, as traduções devem ser realizadas por tradutores profissionais, que por sua vez devem seguir a norma elaborada pelo CEN (Comité Europeu de Normalização), constante do projeto prEN 15038 de setembro de 2004, e que surge em destaque em vários websites de tradução, como por exemplo, o website da empresa Password Europe (https://www.passwordeurope.com/images/PWE/PDF/DIN_EN15038.pdf). Esta norma indica as competências que um tradutor deve ter quando traduz, sendo estas: Competência de Tradução; Competência Linguística e Textual, ou seja, ter a capacidade de compreender um texto e traduzi-lo; Competência de Pesquisa, que é a capacidade de obter conhecimento sobre o que vai ser traduzido ou para onde vai ser traduzido; Competência Cultural, que é a forma como as informações são utilizadas; e Competência Técnica, essencial na preparação e produção de traduções. Na produção de material informativo e promocional, é conveniente ainda que o tradutor utilize uma escrita simples e atrativa, de forma a facilitar a compreensão de documentos como mapas e brochuras. Esta compreensão de textos e, consequentemente, dos temas que estes abrangem, pode também facilitar a comunicação entre os visitantes e a população local, tornando assim as visitas mais fáceis e aprazíveis. A aproximação entre o destino e o público-alvo potenciada pelo tradutor representa um dos mais importantes meios de divulgação, pois permite fazer uma apresentação do local de forma a que os turistas possam compreendê-lo, ou simplesmente suscitar a curiosidade sobre os elementos apresentados. É em larga medida devido a este papel que o tradutor se assume como um elemento determinante para o desenvolvimento de uma região, ao contribuir para atrair diferentes públicos, que, por sua vez, irão contribuir para o crescimento económico local e nacional. III. O Estágio Curricular – Descrição da entidade empregadora A realização de um estágio curricular é uma das opções disponibilizadas no âmbito do mestrado em Tradução e Comunicação Multilingue, para além da realização de um projeto ou da elaboração de uma tese. No meu caso, o estágio foi a melhor decisão, pois permitiu-me ter uma primeira experiência daquilo que é o mundo do trabalho e obter competências não só relacionadas com a área de estudo, mas também relativamente a questões práticas como o cumprimento de horários, a comunicação com colegas de trabalho e superiores, e o cumprimento das regras da entidade empregadora. O contacto com a experiência da dinâmica profissional de uma empresa, entidade pública ou negócio é também central na realização de um estágio.
20 Tema: Pontos de Interesse turístico de Viana do Castelo Tipo de Texto: Brochura – Informativo Público-Alvo: Turistas que pretendem visitar Viana do Castelo Registo Linguístico: Formal Função: Destacar os principais pontos de interesse turístico de Viana do Castelo, assim como experiências e elementos culturais, fazendo uma breve descrição de cada um destes. Nº de palavras TP: 5586 Nº de palavras TC: 5646 Tabela 1 - Translation Brief (Sugestões de visita 2024) Versão Original (PT) Versão Traduzida (EN) A Matriz medieval, a Praça da República - os Antigos Paços do Concelho, a quinhentista Casa da Misericórdia e o Chafariz do mesmo século, entre outros, são marcos importantes de um passado com História. As ruas e ruelas do centro histórico, um dos mais belos e conservados do País, chamam a nossa atenção, quer pelas belas fachadas armoriadas, quer pelos painéis de azulejos preciosos no traço e na cor, constituindo um The Medieval Matrix, the Republic Square - the Old City Hall, the fifteenth-century House of Misericórdia and the Fountain of the same century, among others, are important landmarks of a past with History. The streets and alleys of the historic centre, one of the most beautiful and well-preserved of the Country, keep calling our atention, for both the gorgeous armorial façades and the panels of precious tile in feature and colour, constituing autêntico compêndio da história da arquitetura em Portugal. an authentic compendium of architecture in Portugal. Tabela 2 - Problema de tradução 1 Apesar de ser um documento que apresenta textos simples que visam indicar aquilo de melhor que a cidade de Viana do Castelo tem para oferecer e consequentemente atrair o leitor, foram encontradas algumas expressões e frases que suscitaram dificuldades, como é o caso dos exemplos indicados acima, evidenciado as expressões “fachadas armoriadas” e a expressão “compêndio”, que de certa forma se enquadram num contexto mais formal e ligado a áreas relacionadas com a História da Arte. Desta forma, foi necessária a realização de uma pesquisa, feita através de dicionários e motores de pesquisa, como a Wikipédia, para encontrar os devidos
21 significados e traduções. Contudo, conforme verificado, apesar de serem palavras de certa forma complicadas, são quase idênticas em ambas as línguas. 4.1.2 Guia de Registo Vinarium Enquanto realizava a primeira tarefa de tradução, foi-me pedido para fazer uma pausa nesse trabalho e traduzir um panfleto referente a um concurso internacional de Vinhos que viria a decorrer em maio deste ano na Roménia. Este documento tinha como objetivo informar os participantes deste concurso sobre as respetivas regras, como é feita a candidatura dos produtores e dos seus vinhos, e como devem ser enviados os vinhos que serão apresentados no concurso. A tradução deste documento visava informar os produtores de vinho locais da região de Viana do Castelo sobre este concurso e dar-lhes a conhecer este conjunto de informações caso eles mostrassem interesse em participar. Translation Brief Título: Registration Guide (VINARIUM INTERNATIONAL Wine Contest) Língua de Partida: Inglês Língua de Chegada: Português Tema: Guia de registo e informações úteis para um concurso internacional de vinhos Tipo de texto: Brochura Público-alvo: Produtores e empresários do setor vinícola que pretendem entrar no concurso Registo linguístico: Formal Função: Informar o público a que se destina como realizar o registo no concurso, assim como dar algumas informações sobre o funcionamento deste. Nº de palavras TP: 1051 Nº de palavras TC: 1155 Tabela 3 - Translation Brief (Guia de Registo VINARIUM) Versão Original (EN) Versão Traduzida (PT)
22 Each participant will e-mail the organizers on [email protected] the following filledin documents: • Participant Registration Form • Product Registration Form; each form will have attached the front and back label • Analysis Certificate for the samples Cada participante enviará por email para os organizadores em daniela.[email protected] os seguintes documentos preenchidos: • Formulário de Inscrição do Participante • Formulário de Registo do Produto; cada formulário deverá ter anexado o rótulo frontal e de verso • Certificado de Análise para as amostras Tabela 4 - Problema de tradução 2 Neste documento, uma das expressões que me causou maior dúvida foi “back label”. O termo “Label” é utilizado para referir uma etiqueta ou um selo de identificação de determinado objeto. Sendo que, neste caso, o principal objeto referido era o vinho, seja em garrafa ou em amostras, estes dois termos deixam de estar tão enquadrados, tendo então optado pelo termo “rótulo”, que considero o termo mais adequado para indicar um impresso usado para identificar um recipiente que contém vinho. A expressão também contém o termo “back”, que é usado para referir a localização de um dos rótulos, estando neste caso localizado na parte de trás do recipiente. Neste caso, algumas expressões podem ser utilizadas para substituir o termo “back”, como “traseiro” ou “de trás”. Contudo, dado este ser um documento que ilustra um evento mais formal, considerei a expressão “do verso” mais indicada. Apesar disto, esta escolha não foi a mais correta pois, após alguma pesquisa, percebi que o termo “contrarrótulo” seria o mais adequado para esta expressão em específico. 4.1.3 Swedutech Outra das tarefas que me foi proposta foi a tradução de um folheto enviado por um produtor de vinhos sueco sobre um encontro que se iria realizar no Algarve. Este documento era muito confuso e trouxe algumas dificuldades na sua tradução, pois abordava algumas temáticas diferentes que não tinham muita relação entre si, como a realização de uma prova de vinhos, o banco alimentar e a redução das emissões de CO2. Este documento não possuía nenhuma função fundamental, servindo apenas para ajudar um colega a entender melhor o que estava escrito, de forma a poder comunicar mais facilmente com o remetente do email.
23 Translation Brief Título: Swedutech Língua de Partida: Inglês Língua de chegada: Português Tema: Encontro vínico; reciclagem, metalurgia Tipo de texto: Brochura Público-alvo: Convidados do evento (encontro vínico) Registo Linguístico: Formal Função: Este documento tinha várias funções diferentes, como anunciar a realização de um encontro vínico, referir o papel e a importância do banco alimentar; abordar a temática da redução das emissões de CO2 Nº de palavras TP: 780 Nº de palavras TC: 951 Tabela 5 - Translation Brief (Swedutech) Versão Original (EN) Versão Traduzida (PT) The 9 circularity loops for cement/concrete, steel, aluminium, plastics, glass and gypsum are assessed through a) recirculation of materials, b) renewable and recovered energy and c) low emissions by carbon capture/storage (CCS) and carbon capture/utilization (CCU). Os 9 circuitos de circularidade para cimento/betão, aço, alumínio, plásticos,vidro e gesso são avaliados através de a) recirculação de materiais, b) energias renováveis e recuperadas e c) baixas emissões através da captura/armazenamento de carbono (CCS) e captura/utilização de carbono (CCU). Tabela 6 - Problema de tradução 3 Neste documento são abordadas várias temáticas, como foi referido anteriormente, sendo uma delas o impacto dos materiais de construção no ambiente e como estes podem ser alterados de forma a se tornarem sustentáveis. Na primeira linha deste texto no documento original, o autor usa a expressão “9 circularity loops”, cujo significado eu desconhecia. Após alguma pesquisa, descobri que esta expressão é usada para referir um circuito onde determinados recursos são novamente colocados no ciclo económico de reciclagem. Apesar de não ter muita segurança neste termo, optei por transcrever esta expressão como “9 circuitos de circularidade”, tratando-se assim de uma tradução mais literal, tendo em conta as dúvidas que permaneceram.
24 4.1.4 CMIA A área turística não foi a única a ser abordada nas traduções que realizei ao longo do estágio. Na sequência de um pedido feito pela Engenheira Leonor Cruz do CMIA (Centro de Monitorização e Interpretação Ambiental), procedi à tradução de quatro brochuras destinadas à divulgação de informação sobre a biodiversidade de Viana do Castelo e do Alto Minho, dando a conhecer aos leitores as diferentes espécies de plantas e animais que habitam a região. Conforme pedido, a tradução destes documentos foi feita para inglês, sendo que foi uma tarefa muito desafiante, dado algumas espécies de plantas e animais possuírem nomes bastante diferentes em inglês e português. Para me apoiar, recorri à Wikipédia para descobrir a designação de cada espécie na língua de chegada, utilizando os seus nomes científicos para conseguir obter os resultados de pesquisa pretendidos. Esta foi a tarefa que mais tempo me levou a realizar, dado tratar-se de quatro documentos bastante extensos, nomeadamente: 4.1.5 Caderno de Campo BIOREGISTO O primeiro documento fornecido pelo CMIA a ser trabalhado foi um pequeno livro informativo, designado “Caderno de Campo BIOREGISTO”. Este documento, disponibilizado no Centro de Monitorização e Interpretação Ambiental ao público com interesse em visitar o parque e conhecer a vida selvagem de Viana do Castelo, tem como função indicar as espécies de plantas e animais que aqui existem, assim como dar algumas informações sobre fisiologia, comportamentos e distribuição das espécies. No final deste documento também se encontram algumas linhas por preencher, com o intuito de fazer com que o leitor faça uma exploração do território ambiental de Viana do Castelo e que faça os seus próprios registos sobre as espécies que possa encontrar, de forma a contribuir para o estudo ambiental e ecológico desta região do Alto Minho. Translation Brief Título: Caderno de Campo BIOREGISTO Língua de Partida: Português Língua de Chegada: Inglês Tema: As espécies de plantas e animais existentes em Viana do Castelo Tipo de texto: Caderno Informativo Público-alvo: Visitantes do CMIA Registo linguístico: Formal
25 Função: Este documento serve para indicar ao leitor todas as espécies de plantas e animais que podem ser encontradas nesta zona do Alto Minho, assim como apresentar algumas informações sobre cada uma destas. Neste documento o leitor também pode fazer os seus próprios registos sobre as espécies que encontrar. Nº de palavras TP: 6532 Nº de palavras TC: 6512 Tabela 7 - Translation Brief (Caderno de Caderno BIOREGISTO) Apesar de apresentar textos simples, para facilitar a leitura e a compreensão das pessoas em relação às diferentes espécies que podem ser encontradas neste habitat, foi necessária a realização de uma breve pesquisa sobre cada uma das espécies, não em relação às suas características, mas sobre o nome comum que cada um tem. Este aspeto revelou-se importante pelo facto de vários nomes de plantas e animais possuírem diferenças evidentes nas línguas inglesa e portuguesa, como é o caso de alguns nomes que contêm determinada cor ou característica da espécie numa língua que não se encontram presentes na outra língua. Neste caso, optei pela utilização da Wikipédia, pela sua grande base de dados no que toca à fauna e flora global. Aqui, a pesquisa foi feita recorrendo ao nome científico das espécies, de forma a obter resultados mais precisos. Figura 7Excerto do documento "Caderno de Campo BIOREGISTO"
26 Figura 8 - Segmento da Wikipédia sobre a árvore "Austrália" 4.1.6 PEUVC_Catálogo Didático O documento PEUVC_Catálogo Didático é um manual de 51 páginas que faz a descrição do Parque Ecológico Urbano de Viana do Castelo aos seus visitantes, local de grande importância local pois, para além de ser um local de lazer, é também um espaço que desempenha a tarefa de gerir recursos naturais como água, solo, vegetação e vida selvagem. O parque é aberto ao público durante todo o ano e pode ser visitado gratuitamente. Este documento está dividido em cinco secções que abordam várias temáticas dentro do parque, como o seu projeto e os seus espaços e equipamentos; a sua história; os seus valores naturais (nomeadamente a descrição da vida selvagem existente no interior do parque e informações sobre cada animal); o estudo no parque, onde é abordado o trabalho do CMIA (Centro de Monitorização e Interpretação Ambiental), cuja função é a divulgação do espaço natural e a disseminação de conhecimentos relacionados com a ética ambiental e como a população deve contribuir na conservação das espécies; e a listagens de todas as plantas e animais que podem ser encontrados no parque, com as suas denominações científicas e comuns. Assim como o Caderno de Campo, este catálogo do Parque Ecológico Urbano apresenta terminologia específica da área ecológica, relativamente às características das diversas plantas e animais, e até mesmo aos seus nomes (científicos e comuns), como já foi referido anteriormente, que são apresentados ao longo de todo o documento. Translation Brief Título: PEUVC – Catálogo Didático
27 Língua de Partida: Português Língua de Chegada: Inglês Tema: O Parque Ecológico Urbano de Viana do Castelo Tipo de texto: Brochura Público-alvo: Visitantes do Parque Biológico Urbano Registo Linguístico: Formal Função: Este documento visa informar o leitor sobre o Parque Ecológico Urbano de Viana do Castelo sobre diversos temas, como a sua história, o seu projeto e infraestruturas, valores naturais, a sua biodiversidade e a sua importância para a preservação das espécies que habitam a região. Nº de palavras TP: ? Nº de palavras TC: 8638 Tabela 8 - Translation Brief (PEUVC - Catálogo Didático) 4.1.7 Guia Montedor Montedor, pertencente à freguesia de Carreço, município de Viana do Castelo, é um espaço natural composto por praias e monte que abriga várias espécies de plantas e animais, alguns deles únicos no país, o que faz desta zona uma área de grande importância ambiental e em termos de conservação natural. Para além disso, dispõe ainda de um ponto de interesse único: o farol de Montedor. Este farol tem uma característica que o distingue dos restantes: é o único farol de formato quadrangular de Portugal, para além de ser o mais setentrional do país. Entrou em funcionamento a 20 de março de 1910, com uma função inicial de apoio em testes, mas até aos dias de hoje tem guiado as embarcações que passam na costa de Viana do Castelo. O Guia Montedor é um documento fornecido pelo CMIA (Centro de Monitorização e Interpretação Ambiental) no próprio Centro aos seus visitantes, que faz uma introdução a tudo o que pode ser encontrado nesta zona natural, descrevendo a beleza natural que aqui se encontra e abordando a importância de conservar esta área e todos os seres que nela habitam. Os textos presentes neste documento, apesar de serem simples, possuíam alguns elementos mais complexos e técnicos, como é o caso de termos ligados componente ecológica de Montedor. Translation Brief Título: Guia Montedor Língua de Partida: Português Língua de Chegada: Inglês
28 Tema: Montedor e a sua componente ecológica Tipo de texto: Livro informativo Público-alvo: Turistas, público com interesse em ecologia e biologia Registo Linguístico: formal Função: Informar o leitor sobre a biodiversidade existente em Montedor e o seu contributo na preservação de várias espécies de plantas e animais Nº de palavras TP: 9981 Nº de palavras TC: 9776 Tabela 9 - Translation Brief (Guia Montedor) 4.1.8 Sentir Património Este documento, à semelhança do anterior, aborda a zona de Montedor, mais especificamente o Alcantilado de Montedor, e a sua enorme riqueza ecológica e cultural. Esta brochura começa por apresentar as três grandes temáticas que podem ser estudadas nesta região, sendo estas a geodiversidade, a arqueologia, e a biodiversidade. O documento pode ser adquirido no Centro de Monitorização e Interpretação Ambiental pelo público com interesse no património da região Sendo uma zona costeira, Montedor possui um vasto número de formações geológicas, resultantes da erosão provocada pelas correntes marítimas e do processo de criação de solo ocorrido há milénios atrás. Para além da componente natural presente em Montedor, esta área também contém diversos vestígios arqueológicos que representam a passagem de vários povoamentos e civilizações ao longo dos séculos, através de elementos como o conjunto de pinturas rupestres existentes na colina e o tesouro romano de Montedor, que remete para o processo de romanização do território. Por fim, a biodiversidade é um dos elementos que fazem de Montedor um espaço ecológico de excelência, contendo em si um grande número de plantas e espécies animais, que, em vários casos, são únicos no país, o que leva a um cuidado reforçado em termos de conservação. Translation Brief Título: Sentir Património Língua de Partida: Português Língua de Chegada: Inglês Tema: A região de Montedor Tipo de texto: Informativo Público-alvo: Turistas Registo linguístico: Formal
29 Função: Dar a conhecer a região de Montedor e todos os elementos que compõem esta área natural, desde a sua geodiversidade, biodiversidade e vestígios arqueológicos. Nº de palavras TP: ? Nº de palavras TC: 1556 Tabela 10 - Translation Brief (Sentir Património) Versão Original (PT) Versão Traduzida (EN) As relíquias de arenito ferruginoso que se conservam em nichos de alcantilado, deixam antever que nessa altura terá existido um amplo campo dunar que terá coberto esta paisagem granítica. The ferruginous sadstone relics that are conserved in the alcantilado niches foreshadow that on that time, it would have existed a wide dune field that would cover this granitic landscape. Tabela 11 - Problema de tradução 4 Neste exemplo, encontramos um conjunto de termos específicos ligados à área da geologia. Comparando este documento com os anteriores, verifiquei durante a sua tradução que foi um dos que me apresentou mais dificuldades, tendo em conta os vários termos que são específicos de cada uma das temáticas abordadas. A geodiversidade foi um dos temas mais complexos, uma vez que é um tema sobre o qual não possuo grande conhecimento. De forma a contornar estas dificuldades, foi realizada uma pesquisa quanto aos elementos que são descritos no documento, recorrendo a diversos websites ligados a cada uma das temáticas apresentadas, assim como à Wikipédia, onde foi possível encontrar a maior quantidade de informação de forma mais rápida. Na tabela também é possível verificar que o termo “alcantilado” não foi traduzido, pelo facto de não ter encontrado uma palavra adequada para o traduzir. Neste caso, considero que este termo, que refere um local bastante íngreme ou uma escarpa, que podia ser traduzido, sendo o adjetivo “steep” aquele que poderia descrever melhor a paisagem indicada neste texto. 4.1.9 Folheto Taxa Municipal Turística Conforme foi noticiado ao longo do ano de 2024, algumas cidades de Portugal passariam a cobrar uma taxa turística aos seus visitantes nos locais de alojamento. Esta taxa implica o pagamento de uma pequena quantia adicional por cada noite passada na cidade de forma a dar um contributo para a economia e sustentabilidade locais. Assim como várias cidades, Viana do
36 Brasileiro x Belga x Holandês x Checo x Polaco x Irlandês x Tailandês x Filipino x Australiano x Chileno x Eslovaco x Turco x Sul-Africano x Ucraniano x Maltês x Tabela 16 - Nº de turistas atendidos no estágio por nacionalidade Dentro do conjunto destes visitantes, também foi possível verificar os motivos que os levaram a escolher Viana do Castelo como o seu destino de férias, sendo que estes podem ser divididos em dois grupos: aqueles que simplesmente querem conhecer a cidade, devido a recomendação de terceiros ou através de outros meios de divulgação; ou aqueles que se encontram a fazer o Caminho Português da Costa. Neste último caso, a passagem por Viana do Castelo é obrigatória, dado ser um dos municípios que faz parte deste caminho. Aqui, assim como em todas as outras paragens obrigatórias, os peregrinos necessitam de obter um carimbo para preencher a sua credencial. Estas credenciais servem posteriormente para provar que os peregrinos realizaram, de facto, o respetivo caminho, dando-lhes então o direito de obter a Compostela, ou seja, um perdão de todos os pecados feitos pelos peregrinos. Durante a realização dos atendimentos aos visitantes nos dois centros, também foi possível verificar os meses de maior afluência de turistas que procuraram informação:
37 1-10 10-20 20-30 30-40 Fevereiro x Março x Abril x Maio X Tabela 17 - Nº de turistas atendidos no estágio por mês Como é possível verificar nos dados recolhidos, os meses que registaram uma maior afluência de turistas durante a realização deste estágio foram abril e maio, que representam os meses de primavera e, por sua vez, os meses em que se começam a verificar temperaturas e condições atmosféricas mais propícias à prática de turismo. 4.2.2 Análise dos dados obtidos no atendimento ao público Como pode ser verificado na tabela anterior, durante os quatro meses em que realizei o atendimento de turistas e peregrinos registou-se que a grande maioria dos visitantes que passaram por Viana do Castelo são oriundos de países europeus, sendo que dessas pessoas, um grande número é oriundo de países economicamente desenvolvidos como Espanha, França e Alemanha. Estes números também podem evidenciar que Portugal e, neste caso, a região Norte do país, se está a tornar um destino cada vez mais internacional, tendo em conta a quantidade de visitantes estrangeiros que fizeram a sua passagem nos respetivos postos de informação turística, vindos de quase todos os continentes do mundo. Outro dado interessante que surge evidenciado pelos dados recolhidos é o grande número de turistas americanos que foram atendidos, o que demonstra que, para além da restante Europa, Portugal tem sido um destino cada vez mais divulgado por todo o mundo, com o mercado americano a ter um papel importantíssimo no turismo e na economia portuguesa. Fazendo uma comparação entre o número de turistas que registei ao longo do estágio e o número de turistas que estiveram hospedados em Viana do Castelo no primeiro semestre deste ano, de acordo com os registos que foram apresentados pela Câmara Municipal e divulgados no artigo “Primeiros seis meses de turismo em Viana do Castelo com os melhores resultados de sempre” (Município de Viana do Castelo, 2024) é possível verificar que as nacionalidades cuja
38 presença na cidade foi mais registada são as mesmas. Visto que estes dados foram obtidos durante o atendimento ao público na unidade de Turismo e no Posto de Turismo de Viana do Castelo, podemos então verificar que os visitantes que fizeram a sua passagem por estas entidades optaram por obter informações ao dirigirem-se aos espaços designados a este fim, para pedirem ajuda a um profissional desta área ou para recorrerem a qualquer tipo de material físico, como mapas ou brochuras. Isto mostra que, apesar da existência de vários recursos e ferramentas online, os turistas continuam a procurar o contacto com pessoas e outros meios, de forma a obterem um serviço mais personalizado de acordo com as suas necessidades. Relativamente à altura escolhida pelos visitantes para viajar, verificou-se, através dos dados obtidos, que a maior parte dos turistas, nacionais e estrangeiros, optam por viajar após os meses de invernos, quando as temperaturas começam a subir e o clima se torna mais estável, o que proporciona as condições ideias para que estes possam visitar o seu destino sem constrangimentos. Outro fator que pode provocar uma grande afluência de turistas nesta altura do ano são os preços dos alojamentos, que, por se encontrarem em época baixa, possuem preços mais reduzidos em comparação com os meses de verão, ou seja, época alta. V. Outras Tarefas Apesar de a maioria das tarefas realizadas estarem relacionadas com a minha área de formação, também me foi pedido, em determinadas ocasiões, para desempenhar tarefas diferentes do habitual. Uma dessas tarefas foi levantar um conjunto de mapas e brochuras para serem distribuídos no Posto de Turismo e no Centro Interpretativo do Caminho Português da Costa. Primeiramente, eu e um colega da Unidade de Turismo deslocámo-nos à Câmara Municipal para requisitar um carro para fazer o levantamento dos materiais necessário. Durante este caminho, tive a oportunidade de conhecer o interior da Câmara Municipal e todas as suas divisões, assim como as atividades que eram realizadas em cada setor. De seguida, o meu colega ensinou-me como funciona o procedimento de requisitar um carro na Câmara. Em primeiro lugar, deve-se ligar à pessoa responsável para ver se há carros disponíveis para determinado horário. Depois, já na Câmara, deve-se preencher um documento, indicando o nome de quem iria usar a viatura, para que serviço esta seria usada e a hora de levantamento do automóvel. Posteriormente, deveria ser indicado a hora de entrega da viatura e o número de quilómetros que foram feitos. Já com o carro, deslocámo-nos aos armazéns da câmara para levantar o primeiro carregamento de mapas e
39 brochuras. Estes estavam divididos em diversas caixas que estavam assinaladas conforme a sua temática e o ano. De seguida, dirigimo-nos ao Turismo do Porto e Norte, que se localiza no interior das muralhas do Forte de Santiago da Barra, para recolher o resto dos materiais necessários. Esta entidade tem a função de valorizar e apoiar o desenvolvimento turístico do norte de país, através da promoção das diversas regiões, da gestão dos destinos e das políticas ligadas a este setor. No fim, todos estes materiais foram entregues nos respetivos postos. Já em maio, realizei uma tarefa totalmente diferente de todas as outras: no dia 17 desse mês, Viana do Castelo recebeu um conjunto de estudantes do ensino primário, pertencentes a um agrupamento de escolas do distrito do Porto, que iriam passar o dia a visitar os cinco museus da cidade, nomeadamente o Museu do Traje, o Museu de Artes Decorativas, o Navio Hospital Gil Eanes, o Centro Interpretativo do Caminho Português da Costa e a Casa dos Nicho (sendo este último o Museu Arqueológico de Viana do Castelo). Como se tratava de muitas crianças, estas foram divididas em cinco grupos de 20, devidamente acompanhadas por um ou dois professores, e um guia que iria orientar cada grupo pela cidade e indicar o caminho até cada museu. Foi-me então pedido para guiar um dos grupos na sua visita aos museus. De forma a que todos os grupos pudessem ver igualmente cada museu, foi-nos indicado que cada visita deveria demorar no máximo 45 minutos, restando então 15 minutos para deslocações entre museus. Eu e o meu grupo iniciámos o percurso no Navio Hospital Gil Eanes, um navio que esteve em atividade entre 1955 e 1998 apoiando a frota bacalhoeira que pescava na Gronelândia. Este museu é uma verdadeira viagem ao passado, mostrando a vida dos vários marinheiros e profissionais médicos que trabalhavam no navio, assim como os seus aposentos, postos de trabalho, casa das máquinas, entre outras divisões que formam este ícone de Viana do Castelo. Posteriormente, dirigimo-nos ao Museu de Artes Decorativas que se encontra numa mansão senhorial do século XVIII e que apresenta várias exposições de desenho, pintura e arte sacra, para além de uma das mais importantes coleções de faiança antiga portuguesa dos séculos XVII a XIX, mobiliário indoportuguês e azulejaria portuguesa e hispano-árabe, e peças de louça de Viana. Este museu, para além de visar demonstrar as diversas peças de arte nele existentes, também pretende valorizar o património artístico e cultural de Portugal e dar a conhecer a história que cada uma das peças conta, como é referido no website da Câmara Municipal de Viana do Castelo. Após a hora de almoço, prosseguimos para o Museu do Traje. Este museu, criado em 1997, visa estudar o património etnográfico e divulgar um dos elementos mais importantes e característicos da cultura vianense: o Traje à Vianesa. Durante a visita, os estudantes puderam visualizar a vasta coleção dos diferentes tipos de trajes tradicionais das mulheres vianenses, que
40 variavam conforme a sua profissão ou a região em que viviam. Para além dos trajes, este museu também apresenta uma exposição de ourivesaria tradicional portuguesa, que é composta de várias peças de filigrana, como colares e brincos, que eram usadas como complemento à restante indumentária, completando assim o traje à vianesa. Através destas exposições, o Museu do Traje não só demonstra um pouco deste património, mas também trabalha na sua recuperação, e consequentemente, na sua valorização. Para além disso, apresenta também, ao longo do ano, algumas exposições temporárias que remetem para outros aspetos do passado e da cultura de Viana do Castelo, como foi o caso da exposição “Viana do Castelo e as profissões do século passado” organizada por Lúcia Bonifácio Patrícia Araújo (Araújo, 2021) ou as três exposições de 2019 organizadas pela Câmara Municipal, com a temática da “Romaria”. Relativamente à visita guiada, além da exposição permanente deste Museu, os estudantes também tiveram a oportunidade de ver a exposição temporária “100 anos de Moda no Feminino, organizada por Rosa Maria dos Santos Mota (Mota, 2023), que assinala a transformação da moda desde o início do século XX até aos anos 2000 e o impacto que estas mudanças tiveram na forma de pensar e de agir da mulher dentro de uma sociedade dominada pelos homens. De seguida, dirigimo-nos para o Centro Interpretativo do Caminho Português da Costa, onde um dos meus colegas fez a apresentação do centro, referindo qual era a sua função e abordando a história do edifício, que durante muitos anos funcionou como albergue para aqueles que se encontravam em peregrinação a Santiago de Compostela. Por fim, terminámos a nossa visita na Casa dos Nichos, onde, por breves momentos, as crianças puderam ver um pouco da coleção de elementos arqueológicos que foram encontradas em Viana do Castelo, que contam um pouco a história dos povos que passaram pelo nosso país, como os romanos e alguns povos bárbaros, e que permitem ter um vislumbre de como seria a vida há muitos séculos atrás. Este museu também possui material didático que permitem às crianças brincar e ao mesmo tempo aprender sobre a história da região.
41 VI. Considerações Finais A Câmara Municipal de Viana do Castelo tem vindo, nos últimos anos, a investir cada vez mais no turismo na região, criando novos projetos e iniciativas que visam atrair um número cada vez maior de turistas todos os anos, o que pode ser verificado no número crescente de visitas que a cidade tem vindo a registar, tanto em termos de visitantes nacionais, como de visitantes internacionais. O estágio realizado na unidade de turismo foi uma experiência importantíssima para mim, pois não só me permitiu aprender as funções desta unidade, que tipo de tarefas realizam e que importância possuem no desenvolvimento cultural e económico da cidade, como também me permitiu aprender muita informação que considerei muito interessantes em relação aos Caminhos de Santiago e à sua peregrinação, ao impacto do turismo em Viana do Castelo e às atividades que são feitas para promover o turismo da região. O trabalho na unidade de turismo permitiu-me ainda esclarecer algumas questões quanto a esta atividade que traz cada vez mais lucro ao país, mas também representou uma oportunidade única para refletir sobre a importância que o conhecimento linguístico pode ter para apoiar este setor e se a sua utilização na tradução de documentos nos dias de hoje é o suficiente para alcançar o que é pretendido ou o que é proposto pelas entidades que trabalham nesta área. No entanto, uma das conclusões a que cheguei a partir desta experiência é que, apesar da aposta nos mercados internacionais e na utilização de línguas estrangeiras para promover um determinado destino, a tradução especializada é por vezes menosprezada, fazendo com que os textos que estão ligados a esta área sejam trabalhados por pessoas que apresentam formação e capacidade para traduzir em várias línguas, mas que não possuem experiência no turismo em si, o que pode criar uma certa distância entre o texto e o leitor. A aposta das empresas em tradutores especializados é, na minha ótica, um passo importantíssimo na obtenção de ferramentas de qualidade que podem proporcionar aos seus clientes melhores serviços, que lhes garanta uma experiência única que possa ser recomendada a outros que tenham interesse em viajar, sem terem receio de problemas de comunicação ou faltas de entendimento. A dinâmica profissional da Unidade de Turismo permitiu-me verificar o quão desafiante é trabalhar neste setor, que tem tendência a crescer todos os anos, tornando assim necessária uma reinvenção constante dos projetos que visam satisfazer as necessidades sempre crescentes de um público que procura algo novo para vivenciar e recordar no futuro, enquanto continuam a trabalhar para divulgar um destino que tem muito para oferecer.
42 A nível pessoal, este estágio foi fundamental na minha evolução, tanto profissional como social, pois a interação com um conjunto tanto único de pessoas, turistas e colegas de trabalho, permitiu melhorar as minhas capacidades de comunicação com o público em geral, o que anteriormente representava para mim uma grande dificuldade. Essa tarefa foi, acima de tudo, muito gratificante, pois, para além do fator informativo e da prestação de apoio a todos aqueles que precisaram, o atendimento permitiu-me conhecer várias histórias de pessoas de diferentes faixas etárias e vivências, origens e culturas, que acabam por deixar a sua marca nos locais por onde passam. Em conclusão, posso dizer que esta experiência me permitiu confirmar que a tradução não se baseia apenas na transposição de textos para uma língua estrangeira: trata-se, isso sim, de um projeto social que tem como principal função aproximar as pessoas, dar a conhecer diversas histórias e culturas através de um texto e abrir novos horizontes a quem tem receio de se aventurar em novas terras e realidades, sem perder a autenticidade da mensagem que está a ser transmitida.
43 Referências Câmara Municipal de Viana do Castelo. (2022). Ourivesaria popular . https://www.cm-viana-castelo.pt/wpcontent/uploads/2022/12/ourivesaria_popular_ebook.pdf Câmara Municipal de Viana do Castelo. (2023). 48% do total de hóspedes que pernoitam em Viana do Castelo são estrangeiros . https://www.cm-viana-castelo.pt/48-do-total-de-hospedes-que-pernoitam-em-vianado-castelo-sao-estrangeiros/ Câmara Municipal de Viana do Castelo. (2023). Sente Viana . Câmara Municipal de Viana do Castelo. (2024). Centro Interpretativo do Caminho Português da Costa . https://www.cm-viana-castelo.pt/visitar/turismo-e-lazer/caminho-portugues-da-costa/centro-interpretativo/ Câmara Municipal de Viana do Castelo. (2024). Primeiros seis meses de turismo em Viana do Castelo com melhores resultados de sempre . https://www.cm-viana-castelo.pt/primeiros-seis-meses-de-turismo-em-vianado-castelo-com-melhores-resultados-de-sempre/ Câmara Municipal de Viana do Castelo. (2024). Viana do Castelo cresce 22% e regista número recorde de hóspedes em 2023 . https://www.cm-viana-castelo.pt/viana-do-castelo-cresce-22-e-regista-numero-recorde-dehospedes-em-2023/ Carreira, V., Plag, C., & Conceição Carapinha. (n.d.). Os discursos do turismo e o desafio da sua tradução . Imprensa da Universidade de Coimbra. Ciberdúvidas da Língua Portuguesa. (n.d.). O conceito de personalidade jurídica . ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa. https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/o-conceito-de-personalidadejuridica/19061 European Committee for Standardization. (2004). prEN 15038: Translation services – Service requirements (versão portuguesa) . https://idiomaglobal.com/wp-content/uploads/2016/06/en15038_pt.pdf Gotti, M. (2003). Specialized discourse: Linguistic features and changing conventions . Peter Lang. H&A Engenharia. (n.d.). Encontros vínicos do Vinho Verde a 10 e 11 de maio em Viana do Castelo . Ordem dos Engenheiros Região Norte. https://haengenharia.pt/noticias/encontros-vinicos-do-vinhoverde-a-10-e-11de-maio-em-viana-do-castelo/ Instituto Nacional de Estatística. (n.d.). FAQ: População residente . https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_faqs&FAQSfaq_boui=242238463&FAQSmodo=1&xla ng=pt Lusa, A. (2024). Mais de 2,5 milhões de pessoas assistiram à Romaria d’Agonia . Observador. https://observador.pt/2024/08/27/mais-de-25-milhoes-de-pessoas-assistiram-a-romaria-dagonia/ Marques, A. C. (2014). Breve simbologia do Templo-Monumento de Santa Luzia . Cadernos Vienenses , 48 . https://lm.redeescolardeciencia.pt/wp-content/uploads/2020/08/63-SimbolStaLuzia.pdf
44 Mathieson, A., & Wall, G. (1982). Tourism: Economic, physical, and social impacts . Longman. Moesch, M. M. (n.d.). O domínio material e conceitual do turismo . https://www.anptur.org.br/anais/anais/files/2/Artigo_23.pdf Mott, G. (2023). Sabe para que serve a tradução turística? Traductanet. https://traductanet.com/ptpt/ultimas-noticias/traducao-turistica-um-projeto-crucial/ Mota, R. M. S. (2023). 100 anos de moda no feminino . Câmara Municipal de Viana do Castelo. Município de Viana do Castelo. (2024). Primeiros seis meses de turismo em Viana do Castelo com melhores resultados de sempre . https://www.cm-viana-castelo.pt/primeiros-seis-meses-de-turismo-em-viana-do-castelocom-melhores-resultados-de-sempre/ Muñoz, I. D. (2011). Tourist translations as a mediation tool: Misunderstandings and difficulties. Cadernos de Tradução, 27 , 29–49. https://doi.org/10.5007/2175-7968.2011v1n27p29 O Minho. (2024). Cerca de 30% dos peregrinos de Santiago fazem caminho que passa em Viana . https://ominho.pt/cerca-de-30-dos-peregrinos-de-santiago-fazem-caminho-que-passa-em-viana/ Password Europe. (n.d.). DIN EN 15038: Translation services – Service requirements . https://www.passwordeurope.com/images/PWE/PDF/DIN_EN15038.pdf Público. (2024). Viana do Castelo começa a cobrar taxa turística . https://www.publico.pt/2024/08/06/fugas/noticia/viana-castelo-comeca-cobrar-taxa-turistica-2099992 Rodrigues, G. (2022). Estudo da dinâmica da procura do Caminho Português da Costa em contexto de pandemia . http://repositorio.ipvc.pt/bitstream/20.500.11960/2748/3/Guilherme_Rodrigues.pdf Saldanha, C. T., Lainõ, M. J., & de Melo, N. T. (2021). Tradução sob a ótica funcionalista: Teoria e prática. Rónai – Revista de Estudos Clássicos e Tradutórios, Edição Especial , 1–3. https://periodicos.ufjf.br/index.php/ronai/article/view/37051 Sancho, A. (2001). Introducción al turismo . Organização Mundial de Turismo. https://www.academia.edu/15784912/Introduccion_al_turismo_sancho_OMT Sanning, H. (2010). Lost and found in translating tourist texts: Domesticating, foreignising or neutralising approach. The Journal of Specialised Translation, 13 , 125–126. https://www.jostrans.soap2.ch/issue13/art_sanning.pdf Sousa, B., Casais, B., Malheiro, A., & Simões, C. (2017). A experiência e o marketing turístico em contextos religiosos e de peregrinação: O caso ilustrativo dos Caminhos de Santiago. Revista Turismo & Desenvolvimento, 27/28 , 789–800. Turismo do Porto e Norte de Portugal. (2022). Plano de atividades e orçamento 2022-2026 . http://www.portoenorte.pt/fotos/gca/plano_de_atividades_e_orcamento_20222026_assinado_198905713 9628bc4a2ad973.pdf
45 Visitar o Norte. (2023). Viana do Castelo o que visitar: Dicas essenciais 2024 . https://visitaronorte.com/viana-do-castelo-o-que-visitar/ Viana Festas. (n.d.). Romaria Senhora d’Agonia . https://vianafestas.com/eventos/romaria-dagonia/
52 • Guia de Registo Vinarium – Original
53 Documento original completo: https://drive.google.com/file/d/1KWHLeUbfxGG-jkeMiyqwZg7n9LJPbrb/view?usp=sharing
54 • Guia de Registo Vinarium - Versão Traduzida
55
56 Documento traduzido completo: https://docs.google.com/document/d/1_Uj99DS99MulRVkc6wLOyhUr_pczbrtA/edit?u sp=sharing&ouid=111658822356197473915&rtpof=true&sd=true
57
• 58 Caderno de Campo (BioRegisto) – Original
• 59 Documento original completo: https://drive.google.com/file/d/16YC21wDmb34wGeVl1ymX75EEB0hREHE/view?usp =sharing Caderno de Campo (BIOREGISTO) - Versão Traduzida
• 60 Documento traduzido completo: https://docs.google.com/document/d/1qooGeKb3xM_0zXVgWPfE6UIm9yM_7mAt/ed it?usp=sharing&ouid=111658822356197473915&rtpof=true&sd=true Catálogo Didático PEUVC - Original
• 61
68 “Sentir Património_Montedor” – Original
69 Documento original completo: https://drive.google.com/file/d/1MeCBI9bN28JeUMUxUS6ifgzq0BzHwf6c/view?usp= sharing • “Sentir Património_Montedor” – Versão Traduzida Documento traduzido completo: https://docs.google.com/document/d/1c7Aa6ZQoxsxM0OY_et9QG7KJ6rBZIjU3/edit? usp=sharing&ouid=111658822356197473915&rtpof=true&sd=true
70
71 Taxa Municipal Turística de Viana do Castelo - Original
72 Taxa Municipal Turística de Viana do Castelo – Versão Traduzida (Inglês)
73 Taxa Municipal Turística de Viana do Castelo - Versão Traduzida (Francês)
74 Taxa Municipal Turística de Viana do Castelo – Versão Traduzida (Espanhol)
75
• 76 “Viana com Açúcar e Ouro” - Original
• 77