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Será que a prevenção vale o investimento? O caso da diabetes na Europa

Author: Faria, Maria João Ferreira Barbosa
Year: 2025
Source: https://repositorium.uminho.pt/bitstreams/98896d7e-d2d3-4a91-8a8b-b285ac82a991/download
Ma ia João Fe ei a Fa ia
Se á que a P e enção Vale o In es imen o?
O caso da diabe es na Eu opa
ab il de 2025
Se á que a P e enção Vale o In es imen o? O caso da diabe es na Eu opa
Ma ia João Fe ei a Fa ia
UMinho|2025
Uni e sidade do Minho
Escola de Economia, Ges ão e Ciência Polí ica
Ma ia João Fe ei a Fa ia
Se á que a P e enção Vale o In es imen o?
O caso da diabe es na Eu opa
ab il de 2025
Disse ação de Mes ado
Mes ado em Economia Indus ial e da Emp esa
T abalho e e uado sob a o ien ação da
P o esso a Dou o a Joana Daniela Fe ei a Cima
Uni e sidade do Minho
Escola de Economia, Ges ão e Ciência Polí ica
ii
DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS
Es e é um abalho académico que pode se u ilizado po e cei os desde que espei adas as eg as e
boas p á icas in e nacionalmen e acei es, no que conce ne aos di ei os de au o e di ei os conexos.
Assim, o p esen e abalho pode se u ilizado nos e mos p e is os na licença abaixo indicada.
Caso o u ilizado necessi e de pe missão pa a pode aze um uso do abalho em condições não
p e is as no licenciamen o indicado, de e á con ac a o au o , a a és do Reposi ó iUM da Uni e sidade
do Minho.
Licença concedida aos u ilizado es des e abalho
A ibuição-NãoCome cial-SemDe i ações
CC BY-NC-ND
h ps://c ea i ecommons.o g/licenses/by-nc-nd/4.0/
iii
DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE
Decla o e a uado com in eg idade na elabo ação do p esen e abalho académico e con i mo que não
eco i à p á ica de plágio nem a qualque o ma de u ilização inde ida ou alsi icação de in o mações
ou esul ados em nenhuma das e apas conducen e à sua elabo ação.
Mais decla o que conheço e que espei ei o Código de Condu a É ica da Uni e sidade do Minho.

i
Se á que a P e enção Vale o In es imen o? O caso da diabe es na Eu opa
Resumo
Es e es udo analisa a elação en e in es imen os em p e enção e indicado es de saúde, com especial
en oque na edução dos Anos de Vida Po encialmen e Pe didos (AVPP) de ido à Diabe es ipo 2, no
con ex o eu opeu. A a és de uma abo dagem quan i a i a, o am examinados dados de 28 países
en e 2011 e 2023 u ilizando écnicas a ançadas de análise de
clus e s
e modelos de eg essão linea .
No que oca aos modelos de eg essão, as espos as indicam que um maio in es imen o em
p e enção es á di e amen e associado a uma edução signi ica i a dos AVPP no médio p azo, sendo
es e e ei o mais p onunciado nos países que seguem o modelo de saúde
Be e idge
. Na p á ica,
Po ugal, apesa de segui o modelo
Be e idge
e dos es o ços na p omoção da p e enção, ap esen a
desa ios es u u ais e limi ações na alocação de ecu sos que impedem a edução mais exp essi a dos
AVPP.
Es as espos as e o çam a necessidade de epensa as polí icas públicas e de p io iza um
inanciamen o sus en á el e e icien e da p e enção. Ao demons a que sis emas de saúde melho
es u u ados conseguem ans o ma o in es imen o p e en i o em ganhos angí eis, es e es udo
cons i ui um ale a undamen al pa a os deciso es polí icos, sublinhando a u gência de es a égias mais
obus as e di ecionadas.
Pala as-cha e:
Diabe es melli us, E iciência, Mo alidade e i á el, P e enção, Sis ema Saúde
Is P e en ion Wo h he In es men ? The Case o Diabe es in Eu ope
Abs ac
This s udy analyzes he ela ionship be ween in es men s in heal h p e en ion and heal h indica o s,
wi h a special ocus on he educ ion o Po en ial Yea s o Li e Los (PYLL) due o Type 2 Diabe es in he
Eu opean con ex . Using a quan i a i e app oach, da a om 28 coun ies be ween 2011 and 2023
we e examined h ough ad anced clus e analysis echniques and linea eg ession models.
Rega ding he eg ession models, he indings indica e ha g ea e in es men in heal h p e en ion is
di ec ly associa ed wi h a signi ican educ ion in PYLL in he medium e m, wi h his e ec being mo e
p onounced in coun ies ollowing he Be e idge heal hca e model. In p ac ice, Po ugal, despi e
ollowing he Be e idge model and making e o s o p omo e p e en ion, aces s uc u al challenges
and esou ce alloca ion limi a ions ha hinde a mo e subs an ial educ ion in PYLL.
These indings ein o ce he need o e hink public policies and o p io i ize sus ainable and e icien
inancing o p e en ion. By demons a ing ha be e -s uc u ed heal h sys ems can ans o m
p e en i e in es men in o angible gains, his s udy se es as a undamen al ale o policymake s,
unde lining he u gency o mo e obus and a ge ed s a egies.
Keywo ds:
A oidable mo ali y, Diabe es melli us, E iciency, Heal h sys em, P e en ion
i
Índice
1. In odução ............................................................................................................................ 1
2. Re isão de li e a u a ............................................................................................................. 4
3. Dados e Mé odos ............................................................................................................... 11
3.1. Dados e on e de dados ............................................................................................ 11
3.2. Va iá el dependen e .................................................................................................. 11
3.3. Va iá eis independen es ........................................................................................... 12
3.4. Es a ís ica desc i i a.................................................................................................. 13
3.5. Me odologia .............................................................................................................. 15
3.5.1. Análise de
clus e s
........................................................................................... 15
3.5.2. Modelo de eg essão ........................................................................................ 17
4. Resul ados ......................................................................................................................... 21
4.1. Análise de
clus e s
.................................................................................................... 21
4.2. Modelo de eg essão................................................................................................. 26
5. Análise e discussão dos esul ados .................................................................................... 29
6. Conclusão .......................................................................................................................... 32
Re e ências ................................................................................................................................ 33
Índice de abelas
Tabela 1: Polí icas go e namen ais p e en i as aplicadas na Eu opa (WHO Regional O ice o
Eu ope, 2015) ............................................................................................................................. 6
Tabela 2: Es a ís icas desc i i as da a iá el dependen e a edondada às duas casas decimais 12
Tabela 3: Va iá eis independen es ............................................................................................. 12
Tabela 4: - Es a ís icas desc i i as das a iá eis independen es a edondada às duas casas
decimais .................................................................................................................................... 14
Tabela 5: Va iá eis independes es – elação espe ada .............................................................. 18
ii
Tabela 6: G upos empo ais ....................................................................................................... 18
Tabela 7: Va iá el Sis ema de Saúde ......................................................................................... 19
Tabela 8: Análise de Clus e s ..................................................................................................... 23
Tabela 9: Es a ís ica desc i i a po clus e ................................................................................. 24
Tabela 10: Dados Po ugal 2019 ............................................................................................... 25
Tabela 11: Reg essão linea – modelo de médio p azo .............................................................. 26
Tabela 12: Reg essão linea – modelo de médio com in e ação ................................................ 27
Índice de igu as
Figu a 1: Despesa em p e enção em p opo ção da despesa co en e com saúde, 2019 (eu os a ,
s.d.) ............................................................................................................................................. 1
Figu a 2: Despesa em saúde em pe cen agem do PIB ................................................................ 2
Figu a 3: Despesa em p e enção em pe cen agem do PIB .......................................................... 2
Figu a 4: Dend og ama – países ................................................................................................ 21
Figu a 5: Modelo do Co o elo po Clus e ing hie á quico ........................................................... 21
Figu a 6: Análise da silhue a – mé odo de wa d po Clus e ing Hie á quico .............................. 22
Figu a 7: Modelo do Co o elo po K-means ................................................................................ 22
Figu a 8: G á ico da silhue a po K-means ................................................................................. 23
Figu a 9: E ei os ma ginais do sis ema de saúde em despesa de p e enção ............................. 28
7
empo, uma ez que os indi íduos mui as ezes dão p io idade ao p aze ins an âneo em
de imen o do bem-es a a longo p azo; os des ios da acionalidade, pa icula men e em jo ens,
pois os indi íduos omam decisões acionais pa a maximiza a u ilidade espe ada, no en an o, é
econhecido que os jo ens equen emen e azem escolhas que podem não se as melho es a
longo p azo, mesmo quando in o mados sob e as consequências a longo p azo; e a in o mação
impe ei a.
O caso da diabe es é um caso in e essan e pa a oca pois em um impac o c escen e e os
a amen os no longo p azo são cus osos, o que le a a p e enção a assumi uma impo ância
pa icula .
A diabe es é uma doença me abólica c ónica ca ac e izada po ní eis ele ados de glicose no
sangue, que p o ocam danos g a es no co ação, asos sanguíneos, olhos, ins e ne os, ao longo
do empo. Exis em dois ipos de diabe es: diabe es ipo 2, que se á o oco do es udo e oco e
ge almen e em adul os, quando o co po se o na esis en e à insulina ou não p oduz insulina
su icien e; e a diabe es ipo 1, conhecida como diabe es ju enil ou diabe es dependen e de
insulina, que é uma condição c ónica na qual o pânc eas p oduz pouca ou nenhuma insulina po
si só (Wo ld Heal h O ganiza ion, n.d.).
Em Po ugal, nos úl imos anos, em se egis ado um aumen o da p e alência da diabe es, com
dados que indicam uma passagem de 13,7% em 2019 pa a 14,1% em 2021, na população en e
os 20 e os 79 anos. Dessa o ma, em 2021 es ima-se que ha iam 1,1 milhões de po ugueses
nes e g upo e á io com diabe es, sendo que apenas 56% des es indi íduos inham sido
diagnos icados (Sociedade Po uguesa de Endoc inologia, n.d.).
Pa a além do impac o humano, a ca ga económica ambém em indo a aumen a , com cus os
di e os es imados en e 1200 e 1400 milhões de eu os em 2019 e en e 1400 e 1700 milhões
de eu os em 2021.
Obse ando a endência global, é no ó io que segue o mesmo pad ão, es imando-se que a diabe es
a e e um em cada dez adul os e seja esponsá el po 11,5% dos gas os de saúde e 6,7 milhões
de mo es, em 2021.
Con o me o IDF Diabe es A las 10 h Edi ion (2021), as causas da diabe es ipo 2 não são
comple amen e comp eendidas, mas há uma o e ligação com o excesso de peso e obesidade,
aumen o da idade, e nia e his ó ico amilia . No en an o, a diagnós ico p ecoce aduz-se em
esul ados bené icos uma ez que o na o a amen o mais e icaz e consequen e aumen a o
núme o de anos de ida.

8
Como se a a de uma doença c ónica, não há, há da a de hoje, uma cu a pa a a diabe es ipo 2,
de endo o a amen o se con inuo ao longo da ida.
Segundo o Rela ó io Anual do Obse a ó io Nacional da Diabe es 2023, o “p imei o passo no
a amen o da Diabe es ipo 2 é o mais impo an e e implica uma adap ação naquilo que se come
e quando se come e na a i idade ísica que se e e ua dia iamen e. Mui as ezes, es e p imei o
passo, com a e en ual pe da de peso se es e o excessi o, é o su icien e pa a man e a Diabe es
con olada.”.
No en an o, quando es a mudança não é possí el ou su icien e a con ola a diabe es, é necessá io
aze a amen o com comp imidos e, em ce os casos, u iliza insulina. É ainda comum a
necessidade de u ilização de medicamen os pa a con ola o coles e ol e a p essão a e ial.
No malmen e, a insulino e apia ese a-se apenas pa a os casos de diabe es ipo 2 mais
a ançados, que já não espondem à medicação.
Quando a doença já p o ocou complicações mais g a es, são necessá ias abo dagens mais
complexas como dialise pa a insu iciência enal ou ci u gia ca dio ascula (Sociedade Po uguesa
de Endoc inologia, n.d.).
Uma sé ie de es udos indicam que a p e enção passa pela in e enção no es ilo de ida, sendo
que enca am es a medida como um in es imen o que p o oca o aumen o da saúde e impac a
signi ica i amen e a capacidade de abalho e os cus os médicos de longo p azo.
A me a-análise de Yamaoka & Tango (2005) mos ou que a educação sob e es ilo de ida eduz a
incidência de diabe es em indi íduos de al o isco em a é 50%, e idenciando a e icácia das
in e enções p e en i as. No mesmo seguimen o, o a igo Tuomileh o e al. (2001) demos a uma
edução de 58% na incidência de diabe es ipo 2 a a és de uma mudança no es ilo de ida, como
são exemplos melho ia na die a e aumen o da a i idade ísica.
Além disso, a análise de cus o-bene ício de Al‐Oma e al. (2024) des acou que in e enção em
indi íduos com p é-diabe es são e icazes e p opo cionam uma melho ia económica signi ica i a
em compa ação com a inação.
Po im, uma e isão sis emá ica e me a-análise de Uusi upa e al. (2019) eio e o ça a ideia de
que as in e enções no es ilo de ida são e icazes na p e enção da diabe es ipo 2, com uma
edução de isco de 53% pa a os pa icipan es das in e enções, o que supo a a ideia de que
es a égias p e en i as podem se sus en adas ao longo do empo pa a p e eni a doença e as
e en uais complicações pos e io es.
9
Não obs an e, uma das g andes ques ões elacionadas a es e ema é se o ala gamen o de
p og amas di ecionados de mudança de es ilo de ida se á e icaz no comba e à epidemia de
diabe es ipo 2. As dú idas deco em da logís ica, do cus o dos p og amas e da e icácia diluída
dos mesmos quando são implemen ados no mundo eal (G egg & Holman, 2023).
Segundo G een e al. (2012), a implemen ação de um p og ama de p e enção con a a diabe es,
na saúde pública, en en a mui os desa ios como a al a de adap ação às di e en es ealidades e
necessidades dos sis emas de saúde, enquan o ga an em a sus en abilidade inancei a. No
en an o, es es ambém a i mam que as opo unidades são p omisso as, com po encial pa a
in eg a cuidados p imá ios e es a égias de saúde pública, de o ma a p omo e uma abo dagem
mais holís ica e p e en i a. O sucesso do p og ama e do comba e à diabe es depende da
colabo ação en e á ias pa es in e essadas, incluindo go e nos, p o issionais de saúde e
comunidades, pa a c ia um ambien e a o á el à adoção de hábi os de ida saudá eis e à
p e enção da diabe es ipo 2.
Em complemen o G een e al. (2012), analisa am alguns ensaios clínicos andomizados, aplicado
em di e sos países como ao EUA, Finlândia, China, Índia, Japão, I ália e Suécia, e en a iza am a
impo ância da aplicação das e idências dos ensaios nas p á icas de saúde pública. Des aca am
ambém a necessidade de es a égias ab angen es e in eg a i as que ão além da mudança de
compo amen o indi idual, ealçando a impo ância de polí icas públicas, mudanças ambien ais e
abo dagens comuni á ias na p e enção da diabe es ipo 2.
Um es udo de (Schwa z e al., 2014), que analisou o impac o económico sus en ado de um
p og ama de p e enção de doenças en e 2002 e 2009 indicou que os pa icipan es i e am
cus os o ais de assis ência médica signi ica i amen e meno es, além de meno axa de
in e namen os hospi ala es, quando compa ados aos não pa icipan es. O e o no posi i o sob e
o in es imen o oi e idenciado odos os anos e o alizou um impac o inancei o posi i o de US$ 6
milhões.
Ou os es udos des acam que medidas p e en i as, como mudanças no es ilo de ida, medidas
de saúde pública e p og amas de iagem, ep esen am um uso e icien e de ecu sos, no en an o,
o cus o-bene ício dessas in e enções mui as ezes não é o almen e cap ado nas análises
económicas, pois bene ícios in angí eis, como a edução da do e do so imen o, são di íceis de
medi (Sche le & Pa inge , 1980).
A p e e ência social e polí ica en e p e enção e a amen o ambém é um a o ele an e.
Pesquisas indicam que a disposição a paga pelo a amen o é signi ica i amen e supe io à
10
disposição pa a p e enção, de ido à pe ceção de u gência associada ao a amen o de doenças
já mani es adas (Co so e al., 2002). No en an o, ou os es udos indicam que, quando a população
é incen i ada a conside a compa ações di e as, a p ocu a po p e enção supe a a do a amen o
(Rheinbe ge e al., 2016).
Assim, a li e a u a suge e que a alocação e icien e de ecu sos de e equilib a es a égias de
p e enção e a amen o que le em em conside ação não apenas os cus os di e os, mas ambém
os impac os indi e os e in angí eis da diabe es no sis ema económico e social (Mee ens e al.,
2013).
Apesa da ex ensa li e a u a sob e a impo ância da p e enção no con olo de doenças c ónicas
como o diabe es ipo 2, no melho do meu conhecimen o, nenhum es udo analisa de o ma
empí ica como a elação en e maio es gas os em p e enção e os esul ados em saúde a iam
consoan e o sis ema de saúde do país. G ande pa e dos abalhos apenas se concen am nos
bene ícios no longo p azo, não iden i icando de o ma cla a os bene ícios dessas polí icas em
pe íodos mais cu os.
Um Es udo ealizado no Canadá, que se iu de base pa a es a in es igação, ap esen ou esul ados
que mos a am que um aumen o nos gas os com saúde pública co elaciona-se com uma
diminuição na mo alidade po causas e i á eis no longo p azo. No cu o p azo, os coe icien es
ela i os a gas os com saúde pública ge almen e não são signi ica i os (Ammi e al., 2024).
Dessa o ma, o p esen e es udo em como obje i o a alia se os in es imen os em p e enção es ão
associados a melho ias nos indicado es de saúde, nomeadamen e na edução dos Anos de Vida
Po encialmen e Pe didos pela Diabe es ipo 2. O es udo oca-se em pe íodos empo ais mais cu os
(médio p azo), de ido a es ições de dados, e p e ende comp eende como o ipo de sis ema de
saúde (ie.
Be e idgiano
e
Bisma ckiano
) a e a a e icácia desses in es imen os.
11
3. Dados e Mé odos
Segundo Laka os & Ma coni (2017) o "Mé odo é o conjun o das a i idades sis emá icas e acionais
que, com maio segu ança e economia, pe mi e alcança o obje i o de p oduzi conhecimen os
álidos e e dadei os, açando o caminho a se seguido, de e ando e os e auxiliando as decisões
do cien is a."
O início do p ocesso de in es igação dá-se aquando da colocação de uma ou mais ques ões a
esponde , sendo necessá io que a escolha da me odologia enha como base a na u eza dos
enómenos, obje o da pesquisa, ecu sos inancei os, en e ou os Laka os & Ma coni (2017).
Nes e es udo, as ques ões a esponde são:
H1: Os gas os em p e enção es ão elacionados com melho es esul ados em saúde?
H2: O sis ema de saúde ado ado pelos países em impac o nos e ei os dos in es imen os em
p e enção?
H3: Os di e en es ní eis de desen ol imen o e es u u as de saúde p oduzem impac o no e o no
dos in es imen os em p e enção?
Pa a ob e espos as, eco eu-se a análises economé icas, de o ma a cap u a a a iação en e
os países ao longo do empo e con ola os e ei os indi iduais (po país) e empo ais (po ano).
3.1. Dados e on e de dados
Es e es udo ab ange 28 países no pe íodo de 2011 a 2023, sendo que os países analisados são:
Áus ia, Bélgica, Bulgá ia, C oácia, Dinama ca, Es ónia, Finlândia, F ança, Alemanha, G écia,
Hung ia, Islândia, I landa, I ália, Le ónia, Li uânia, Luxembu go, Países Baixos, No uega, Polónia,
Po ugal, Roménia, Eslo áquia, Eslo énia, Espanha, Suécia, Suíça e Reino Unido.
O conjun o de dados longi udinais u ilizado oi cons uído a a és da junção de um g upo de dados
disponí eis publicamen e sob e mo alidade, gas os de saúde e in o mações socioeconómicas.
Todos o am e i ados dos si es PORDATA, WDB e EUROSTAT. Foi ambém c iada uma a iá el
biná ia pa a iden i ica os sis emas de saúdes ado ados pelos países com base na in o mação de
Van de Zee & K oneman (2007).
3.2. Va iá el dependen e
A a iá el dependen e des e es udo é os "Anos de Vida Po encialmen e Pe didos po Diabe es
Melli us" (AVPP) e oi u ilizada pa a medi o impac o da p e enção na mo alidade causada pela
doença. De aco do com a OCDE, es a é uma “medida sumá ia da mo alidade p ema u a que
12
o nece uma o ma explíci a de ponde a as mo es oco idas em idades mais jo ens e que são, a
p io i, e i á eis. O cálculo dos AVPP en ol e soma as mo es oco idas em cada idade e mul iplica
isso pelo núme o de anos es an es pa a i e a é um limi e de idade selecionado.”
Va iá el
OBS
Média
Des io-pad ão
Mínimo
Máximo
AVPP
256
4.709
1.855
2.695
10.619
Tabela 2: Es a ís icas desc i i as da a iá el dependen e a edondada às duas casas decimais
Es a a iá el ap esen ou uma g ande di e ença en e o alo mínimo e máximo, o que suge e uma
dispe são signi ica i a en e os países analisadas. Es a análise é ei e ada pelo des io-pad ão que
ap esen a a um alo ela i amen e al o em compa ação com a média, o que suge e os dados
es ão bas an e espalhados.
As es an es a iá eis o am conside adas endo em con a a li e a u a, que nos indica que
endimen o, idade, es u u a populacional e o e a e p ocu a de saúde podem in luencia o
esul ado.
3.3. Va iá eis independen es
A abela 3 ap esen a as a iá eis independen es, o nome que ado am e as espe i as on es:
Va iá el
Nome ado ado
Fon e de dados
Abandono p ecoce da educação e
o mação
APE
Eu os a
Despesa saúde em p e enção pe
capi a (milha es de €)
DP
Eu os a
Necessidades não sa is ei as au o-
epo adas (%)
CNA
Eu os a
Médicos po 100 mil habi an es
M100
PORDATA
PIB Pe capi a, PPP ($
in e nacionais co en es)
PIB
WDB
Pessoas em isco de pob eza ou
exclusão social (%)
RP
Eu os a
Despesas em saúde pagas
di e amen e (PPP, €)
OOP
WDB
P opo ção da população com 65
anos ou mais (%)
EP
Eu os a
Sis ema de saúde
SS
Zee & K oneman
Tabela 3: Va iá eis independen es
A p incipal a iá el independen e de in e esse é Despesa saúde em p e enção e aduz a
disponibilidade do país pa a gas a no amo especí ico da p e enção, po habi an e. É impo an e
e e i que, quando alamos de despesas de saúde em p e enção, a diabe es é econhecida

13
globalmen e como uma das p incipais á eas de in es imen o em p e enção den o das doenças
c ónicas não ansmissí eis, po causa da ele ada p e alência e dos al os cus os de a amen o.
Tan o a O ganização Mundial de Saúde quan o a IDF e a OCDE apon am que, em mui os países,
uma a ia signi ica i a dos ecu sos se concen a em ações con a o diabe es e a obesidade, dada
a e icácia dessas in e enções na edução de cus os u u os.
No que oca às es an es a iá eis, emos o Abandono p ecoce da educação e o mação que é
de inido como indi íduos com idades en e os 18 e os 24 anos que concluí am, no máximo, o
ensino secundá io in e io e não es a am em educação ou o mação complemen a du an e as
qua o semanas an e io es ao inqué i o à o ça de abalho (LFS). Es a p e ende cap u a o ní el
de educação da sociedade.
Ainda no con ex o dos cuidados de saúde, emos a a iá eis Médicos po 100 mil habi an es
e
necessidades não sa is ei as au o- epo adas de exame médico e cuidados, que aduzem a o e a
e p ocu a de se iços de saúde, espe i amen e.
Quando alamos em endimen os e do ação disponí el pelas amílias pa a o a amen o ou
p e enção, são ap esen adas as a iá eis PIB Pe capi a (exp esso em dóla es in e nacionais
co en es, ajus ado pela Pa idade do Pode de Comp a — o que pe mi e compa ações mais jus as
en e países ao conside a di e enças de p eços e cus o de ida), Pessoas em isco de pob eza ou
exclusão social e Despesas em saúde pagas di e amen e ( aduz o gas o médio po pessoa,
exp esso em eu os, ajus ado pelo pode de comp a e ixado a p eços de 2015).
Po im, incluímos a a iá el a P opo ção da população com 65 anos com in ensão de medi a
es u u a populacional e con ola endências demog á icas.
3.4. Es a ís ica desc i i a
Pa a comp eende as ca ac e ís icas das a iá eis selecionadas, eco eu-se a uma análise de
es a ís ica desc i i a. Es a abo dagem pe mi e esumi e explo a os dados a a és de medidas
como média, des io pad ão, alo es mínimos e máximos, o que acili a a iden i icação de
dispe sões e pad ões p elimina es. Es e mé odo é undamen al pa a en ende a dis ibuição dos
dados e a alia possí eis desigualdades en e os países es udados, se indo de base pa a as
e apas seguin es da análise.
A abela 4 ap esen a a es a ís ica desc i i a das a iá eis sup aci adas.
Va iá el
OBS
Média
Des io-pad ão
Mínimo
Máximo
APE
333
9.705
4.481
2.100
26.30
PIB
351
48.323
22.699
15.747
146.457
14
Va iá el
OBS
Média
Des io-pad ão
Mínimo
Máximo
M100
247
375.9
84.14
223.4
629.2
CNA
355
3.161
3.265
0
16.40
EP
360
18.56
2.587
11.50
24
RP
243
21.63
6.241
11.30
46
OOP
303
496.6
160.4
225.3
1.140
DP
273
0.106
0.0985
0.00442
0.575
Tabela 4: - Es a ís icas desc i i as das a iá eis independen es a edondada às duas casas decimais
A es a ís ica desc i i a e elou uma g ande a iação nas a iá eis u ilizadas en e os di e sos
países, o que indica a p esença de desigualdades signi ica i as no con ex o socioeconómico e de
saúde.
A pe cen agem de abandono p ecoce da educação e o mação ap esen ou uma média de 9.7%,
mas com uma dispe são especí ica en e os países, a iando de 2.1% a 26.3%, o que suge e que
alguns países en en am desa ios mais g a es em elação ao abandono escola .
O PIB pe capi a, com uma média de 48.3$, ambém ap esen ou g andes di e enças, com alo es
que a iam de 15.7$ a 146.5$, o que e le e uma desigualdade económica subs ancial en e os
países do es udo.
O isco de pob eza inha uma a iação conside a elmen e, com uma média de 21.6%.
A quan idade de médicos po 100 mil habi an es inha uma média de 375.9, mas ambém
ap esen a a uma g ande a iação, com alguns países com uma concen ação mui o maio de
médicos, enquan o ou os ap esen am núme os mui o baixos.
No que diz espei o às necessidades não sa is ei as au o- epo adas a média e a de 3.2%, mas o
alo máximo de 16.4%. Is o suge e que alguns países en en am lacunas signi ica i as nos
cuidados p es ados à população.
As despesas de saúde pagas di e amen e pelos cidadãos (ou -o -pocke ) mos a am uma média
de 496.6€, com uma g ande dispe são en e os países, o que pode indica uma desigualdade no
acesso a cuidados de saúde inanciados pelo go e no.
O gas o em p e enção pe capi a ap esen ou um alo máximo de 575€ po pessoas e mínimo de
4.42€ sendo, em média 106€, o que e le e a al a de in es imen os em ações p e en i as na á ea
da saúde em mui os países.
Po im, a es u u a populacional, po sua ez, e e uma dis ibuição mais equilib ada, com uma
média de 18.56%, e le indo uma a iação mode ada en e os países.
15
Es es dados e idencia am desigualdades subs anciais nas condições socioeconómicas e de saúde
en e os países, com implicações pa a polí icas públicas, especialmen e no que diz espei o ao
acesso a cuidados de saúde e à educação.
3.5. Me odologia
Dada a he e ogeneidade en e os países analisados, op ou-se po uma análise de
clus e s
pa a
segmen a os países em g upos mais homogéneos. Es a écnica pe mi e iden i ica pad ões
ocul os nos dados, ag upando as obse ações com base em semelhanças nas a iá eis
selecionadas.
Pa a examina o impac o dos gas os em p e enção nos AVPP, aplica am-se modelos de eg essão
linea . Es a abo dagem oi escolhida po que pe mi e cap u a an o a a iação en e os países
quan o ao longo do empo, endo em con a os e ei os especí icos de cada unidade.
A análise subdi ide-se em dois modelos. O p imei o inha como obje i o obse a os e ei os das
a iá eis independen es no médio p azo, baseada no modelo de Dis ibu ed Lag (DL), que cap a
impac os des asados das a iá eis explica i as. No segundo, ac escen ou-se uma a iá el de
in e ação en e gas os em p e enção e uma a iá el biná ia que di e encia os países endo em
con a os sis emas de saúde:
Be e idg
e e
Bisma ck
1
. A inclusão des a a iá el de in e ação pe mi e
explo a se a e icácia da despesa em p e enção a ia con o me o modelo de sis ema de saúde
ado ado, o que possibili a ealiza uma análise mais obus a da ealidade dos di e en es países.
Assim, es a me odologia, undamen ada em écnicas amplamen e econhecidas, p opo ciona uma
base sólida pa a explo a as elações en e gas os em p e enção, sis emas de saúde e os AVPP,
espei ando a complexidade e a di e sidade dos con ex os analisados.
3.5.1. Análise de
clus e s
Tendo em con a o pano ama e elado pela es a ís ica desc i i a, o nou-se e iden e que os países
incluídos no es udo ap esen am ealidades bas an e dis in as. Essas di e enças suge em que uma
análise global pode masca a pad ões impo an es que só se o nam isí eis quando os países
são ag upados de aco do com ca ac e ís icas semelhan es.
1
O sis ema
Be e idge
é inanciado po meio de impos os ge ais e a esponsabilidade pelo o çamen o es á nas mãos do Minis é io da Saúde, o
sis ema
Bisma ck
é inanciado a a és de p émios e em menos in luência do es ado, sendo mais plu alis a, com uma o e in luência dos
p es ado es de cuidados de saúde e das segu ado as (sociais). De no a que, apesa de segui em linhas o ien ado as semelhan es, os sis emas
de saúde den o de cada modelo ap esen am di e enças ele an es na sua es u u a e uncionamen o. (Böhm a al., 2013)
16
Assim, a análise po
clus e s
su giu como uma abo dagem me odológica adequada pa a
segmen a os países em g upos mais homogéneos, pe mi indo iden i ica pe is dis in os de
sis emas de saúde e con ex os socioeconómicos. Ao ag upa países com ca ac e ís icas
compa á eis — como ní eis semelhan es de PIB pe capi a, isco de pob eza, abandono escola ,
acesso a médicos e in es imen os em p e enção — o nou-se possí el comp eende melho as
dinâmicas que in luenciam AVPP em cada ealidade especí ica.
Es a análise concen ou-se exclusi amen e nos dados do ano de 2019 de ido a dois a o es
p incipais. Em p imei o luga , op ou-se po um ano com meno incidência de alo es em al a,
ga an indo uma base de dados mais comple a e ep esen a i a. Em segundo luga , en ou-se
escolhe o ano mais ecen e, mas e i ou-se a escolha de anos impac ados pela pandemia de
COVID-19, cujos e ei os pode iam dis o ce as conclusões, dada a pe u bação signi ica i a que a
c ise sani á ia causou nos sis emas de saúde e nas a iações socioeconómicas e i icadas.
A escolha de um pe íodo de apenas um ano ambém se jus i ica pela p esença de di e sas queb as
de sé ie ao longo do empo, o que pode ia in oduzi inconsis ências na análise longi udinal e
comp ome e a iabilidade dos ag upamen os. Assim, ao es ingi a análise a um único ano com
meno p esença de dados em al a e sem in luências ex e nas ab up as, assegu a-se uma
segmen ação mais consis en e e es a is icamen e álida.
A análise de
clus e s
é uma écnica es a ís ica u ilizada pa a ag upa obse ações de aco do com
a simila idade en e a iá eis selecionadas. Como des acado po Rousseeuw & Kau man (2005),
em dados ans e sais e de painel, o
clus e ing
pode su gi na u almen e de ido à isibilidade in a-
g upo, exigindo ajus es pa a ob e in e ências obus as.
Nes e es udo, u ilizou-se dois mé odos p incipais de ag upamen o, sendo eles o
clus e ing
hie á quico e po
K-means
, ambos amplamen e aplicados na li e a u a pa a a segmen ação de
dados mul idimensionais.
O mé odo de ag upamen o hie á quico oi aplicado u ilizando a mé ica de dis ância euclidiana e
os ó ulos de ligação de Wa d, que minimizam a a iabilidade den o dos g upos. Como a gumen a
Rousseeuw & Kau man (2005), quando há dependência den o de g upos (po exemplo, países
que possuem ca ac e ís icas es u u ais), é essencial conside a a obse ação
in a-clus e
na
análise es a ís ica.
Pa a de e mina o núme o ideal de
clus e s
, u ilizou-se o mé odo do co o elo, que examina as
al u as das usões no dend og ama e iden i ica o pon o de in lexão onde a a iabilidade
in a-clus e
não eduz signi ica i amen e ao aumen a o núme o de
clus e s
. Além disso, a aliou-se a qualidade
23
Figu a 8: G á ico da silhue a po K-means
Com base nos esul ados ob idos, obse ou-se que o pico da la gu a média da silhue a oco e em
k = 2, com um alo de 0,22. Apesa de se um alo ela i amen e baixo (se conside a mos que
alo es supe io es a 0,5 indicam uma es u u a de
clus e s
mais bem de inida), es e ep esen a a
melho solução en e os alo es es ados.
A in e p e ação des e esul ado suge e que es a con igu ação o e ece a segmen ação mais coesa
dos dados, ou seja, os elemen os den o dos
clus e s
es ão mais p óximos en e si e mais dis an es
dos ou os g upos, compa a i amen e a ou os alo es de k. A inclusão de mais
clus e s
(k > 2)
não melho a a qualidade da segmen ação, pelo con á io, e i ica-se uma es abilização ou a é
mesmo uma ligei a descida nos alo es da silhue a, o que suge e
o e i ing
ou a o mação de
g upos menos consis en es.
Des a o ma, podemos ag upa os países, com base no modelo hie á quico, em 2
clus e s
, icando
da seguin e o ma:
Clus e s
Países
Clus e 1
Áus ia, Bélgica, Dinama ca, Finlândia, Alemanha, Islândia, I landa,
Luxembu go, Países Baixos, No uega, Suécia, Suíça, Reino Unido
Clus e 2
Bulgá ia, C oácia, Es ónia, F ança, G écia, Hung ia, I ália, Le ónia,
Li uânia, Polónia, Po ugal, Roménia, Eslo áquia, Eslo énia, Espanha
Tabela 8: Análise de Clus e s
Após a de inição dos
clus e s
, o nou-se undamen al ca ac e iza cada g upo em e mos das
a iações e i icadas.
Numa p imei a análise, e i icou-se que o
clus e
1 em, na sua maio ia, países do No e e Oes e
da Eu opa, com economias mais desen ol idas e sis emas de saúde bem es u u ados. Po ou o
lado, o
Clus e
2 em p edominância de países do Sul e Les e da Eu opa, ge almen e com
economias eme gen es ou mais ágeis.

24
Es e ag upamen o po
clus e s
e le e mais a di isão en e economias o es e economias
eme gen es do que a classi icação pelo ipo de sis ema de saúde, o que pode suge i que a o es
económicos e egionais in luenciam mais a es u u a e o desempenho dos sis emas de saúde do
que o modelo de inanciamen o p op iamen e di o.
Va iá el
Clus e
1
Clus e
2
DP
0.901
-0.781
CNA
-0.328
0.263
AVPP
-0.52
0.567
EP
-0.419
0.363
RP
-0.59
0.472
APE
-0.079
0.069
PIB
0.743
-0.69
M100
0.039
-0.024
OOP
0.272
-0.321
Tabela 9: Es a ís ica desc i i a po clus e
A análise compa a i a en e os dois
clus e s
e elou di e enças signi ica i as nas a iá eis
socioeconómicas e de saúde. O
Clus e
1 e o
Clus e
2 ap esen a am ca ac e ís icas con as an es
em elação a di e sos indicado es, o que suge e a exis ência de dois g upos com con ex os
socioeconómicos e sani á ios dis in os.
Ao analisa a a iá el dependen e (AVPP), o
Clus e
1 ap esen ou um alo nega i o (-0.52) o que
indica que es e g upo possui uma axa meno de mo alidade p ecoce ou de doenças e i á eis,
e le indo condições de saúde mais a o á eis. Em con as e, o
Clus e
2 exibiu um alo posi i o
(0.567), o que suge e que uma maio elação en e mo es p ema u as ou doenças que pode iam
se e i adas e melho es condições de saúde pública.
Olhando pa a a a iá el independen e p incipal - Despesa em P e enção pe Capi a - e i icou-se
que o
Clus e
1 ap esen a um alo posi i o (0.901), o que indica maio despesa em p e enção
pe capi a em compa ação com o
Clus e
2, que exibiu um alo nega i o (-0.781). Dessa o ma,
o
Clus e
1 possui maio in es imen o em es a égias de p e enção, o que pode e le i polí icas
públicas ou compo amen os indi iduais mais ol ados à p e enção de doenças.
No que oca aos endimen os, o
Clus e
1 ambém ap esen ou um PIB pe capi a supe io (0.743),
e le indo maio p ospe idade económica, em con as e com o
Clus e
2, que mos ou um PIB pe
capi a mais baixo (-0.69). O
Clus e
1 ambém se des acou a a és de um isco de pob eza mais
baixo (-0.59), e le indo um con ex o socioeconómico mais a o á el, enquan o o
Clus e
2 en en a
uma maio ulne abilidade à pob eza (0.472).
25
Em elação à es u u a populacional, o
Clus e
1 possui uma população mais jo em (-0.419),
enquan o o
Clus e
2 em uma população mais en elhecida (0.363).
No campo educacional, o
Clus e
1 ap esen ou meno es axas de abandono escola (-0.079), o
que suge e melho es condições educacionais, enquan o o
Clus e
2 en en a maio es di iculdades,
com uma axa posi i a (0.069) de abandono p ecoce da escola.
Além disso, o
Clus e
1 em maio disponibilidade de médicos po 100 mil habi an es (0.039),
ga an indo melho acesso à saúde, enquan o o
Clus e
2 en en a uma meno o e a de médicos
(-0.024). O
Clus e
1 ambém exibiu uma meno incidência de necessidades não sa is ei as au o-
epo adas (-0.328), indicando melho es condições de saúde compa ação com o
Clus e
2.
Po im, o
Clus e
1 ap esen ou maio es gas os di e os com saúde (0.272), o que suge e uma
maio ca ga inancei a sob e os indi íduos, enquan o o
Clus e
2 em meno es cus os di e os (-
0.321), possi elmen e de ido a um maio acesso a se iços públicos ou subsídios.
Po ugal es á posicionado no
Clus e
2, que ap esen ou ca ac e ís icas socioeconómicas e de
saúde menos a o á eis em compa ação com o
Clus e
1, no en an o en ou-se en ende qual a
posição den o do seu
clus e
.
Va iá el
Dados Po ugal 2019
AVPP
-0.172
APE
0.374
DP
-0.865
CNA
-0.305
M100
1.647
PIB
-0.6889
RP
0.065
OOP
0.952
EP
1.266
Tabela 10: Dados Po ugal 2019
Em e mos de despesa em p e enção pe capi a, Po ugal encon a-se abaixo da média do seu
clus e
, o que indica um bom in es imen o (-0.865), no en an o o alo de AVPP em Po ugal é -
0.172, o que suge e um alo ela i amen e baixo, mas acima da média do
Clus e
1.
Com uma es u u a populacional en elhecida (1.266), Po ugal en en a desa ios demog á icos
ípicos do
Clus e
2.
O abandono p ecoce da escola é ela i amen e ele ado (0.374), e le indo maio es axas de e asão
escola do que no
Clus e
1.
26
O PIB pe capi a de Po ugal (-0.689) es á abaixo da média do
Clus e
1, o que e le e uma
economia menos desen ol ida, no en an o, o isco de pob eza em Po ugal (0.065) é mode ado,
mas ainda supe io ao do
Clus e
1.
Quan o às necessidades não sa is ei as au o- epo adas, o país ap esen ou um alo de -0.305,
indicando desa ios no acesso a cuidados médicos, embo a mais mode ados do que em ou os
países do
Clus e
1. Apesa disso, a disponibilidade de médicos (1.647) é ela i amen e boa,
compa ada com ou os países do
Clus e
1, mas ainda abaixo do
Clus e
2.
Po im, os gas os di e os com saúde em Po ugal são ele ados (0.952), indicando uma maio
ca ga inancei a sob e a população.
4.2. Modelo de eg essão
Rela i amen e ao modelo 1, ob i emos os seguin es esul ados.
∆_AVPP
Coe icien e
Signi icância
CNA
-6.106496
PIB
-175.609
∆_DP
-688.0188
**
EP
-16.53391
APE
13.11096
RP
-9.404823
M100
-0.8253541
OOP
0.5841371
Tabela 11: Reg essão linea – modelo de médio p azo
No a: ***0.01 **0.05 *0.1
Nes e no o modelo, a despesa em p e enção em uma elação nega i a com os AVPP e ap esen ou
signi icância, o que nos le ou a en ende que, a elação ap esen ada pelos gas os em p e enção
é signi ica i a no médio p azo.
Todas as ou as a iá eis não ap esen a am signi icância, no en an o, á exceção da a iá el de
médicos po 100 mil habi an es, as es an es a iá eis p oduzi am a elação espe ada.
Es e modelo ap esen ou um
p- alue
de 0.1817, o que demons a que o mesmo não é
es a is icamen e signi ica i o como um odo.
27
Rela i amen e ao modelo 2, ap esen ou os seguin es esul ados:
∆_AVPP
Coe icien e
Signi icância
CNA
10.68278
PIB
-320.7953
∆_DP
-3545.746
***
SS
-430.208
**
SS#∆_DP
3343.741
**
EP
-31.28492
APE
33.51822
**
RP
-47.24287
***
M100
-0.9650153
OOP
0.5540777
Tabela 12: Reg essão linea – modelo de médio com in e ação
No a: ***0.01 **0.05 *0.1
O p esen e modelo ap esen ou um
p- alue
de 0,0001, o que o o na, como um odo,
es a is icamen e signi ica i o.
A a iá el que ep esen a a as despesas em p e enção con inua a a ap esen a um coe icien e
nega i o, no en an o a signi icância aumen ou em elação ao modelo 1.
Em elação às a iá eis socioeconómicas:
• O coe icien e de abandono escola p ecoce oi posi i o e signi ica i o, o que suge e que
uma maio axa de abandono escola es á associada a mais AVPP.
• O isco de pob eza in e polado e e um coe icien e nega i o e signi ica i o, o que nos
indicou que o aumen o no isco de pob eza es á associado a uma edução na a iá el
dependen e.
• As es an es a iá eis ap esen a am o e ei o espe ado, à exceção das necessidades não
sa is ei as au o- epo adas de exames médicos e cuidados. No en an o, nenhuma des as
e elou uma elação es a is icamen e signi ica i a.
Focando-nos na análise da in e ação en e despesa em p e enção e sis ema de saúde ado ado,
os esul ados o am signi ica i os e posi i os.
28
Figu a 9: E ei os ma ginais do sis ema de saúde em despesa de p e enção
O g á ico ilus a os e ei os ma ginais da a iá el e mede a a iação da despesa em p e enção
sob e os anos po enciais de ida pe dida, dis inguindo países com sis emas de saúde do ipo
Bisma ck
e sis ema de saúde do ipo
Be e idge
. Es e e o ça os esul ados ob idos na eg essão,
ao ilus a como a e icácia da despesa em p e enção di e e consoan e o sis ema de saúde
ado ado.
Nos países com sis ema de saúde do ipo
Be e idge
(codi icado como 0), obse a-se um
coe icien e nega i o es a is icamen e signi ica i o, uma ez que o in e alo de con iança não
ab ange o ze o. Is o suge e que, nes es países, o aumen o da despesa em p e enção es á
e e i amen e associado a uma edução signi ica i a nos AVPP. Já nos países do modelo
Bisma ck
(codi icado como 1), o coe icien e é p óximo de ze o e o in e alo de con iança inclui o alo nulo,
o que signi ica que, es a is icamen e, não é possí el a i ma que exis a um e ei o signi ica i o da
despesa em p e enção sob e os AVPP. Es es esul ados podem indica que, nos países
bisma ckianos
, os e o nos ma ginais do in es imen o em p e enção são p a icamen e nulos no
médio p azo, ao con á io dos países
be e idgianos
, onde ainda se obse a uma elação posi i a,
ainda que possi elmen e sujei a a endimen os ma ginais dec escen es. Es a di e ença pode á
es a elacionada com a o ma como os sis emas o ganizam e in eg am as polí icas p e en i as
nos cuidados de saúde, o que in luencia a capacidade de ans o ma despesa em ganhos
conc e os de saúde pública.

29
5. Análise e discussão dos esul ados
O p esen e es udo, que analisou o impac o dos gas os em p e enção nos esul ados em saúde,
bem como a in luência do sis ema de saúde nos e ei os desses in es imen os, explo ou dados de
28 países no pe íodo de 13 anos.
Uma das ques ões de in es igação assen a sob e a ideia de os gas os em p e enção es a em
elacionados com melho es esul ados em saúde, sendo que os esul ados con i mam essa
elação no médio p azo. Assim, os dados indicam que países com maio es in es imen os em
p e enção ap esen am uma edução signi ica i a nos AVPP, e idenciando que os bene ícios
dessas medidas podem se obse ados não apenas no longo p azo, como indicado na li e a u a.
Ainda no médio p azo, se conside a mos a p esença da in e ação en e os gas os em p e enção
e o ipo de sis ema de saúde ado ado, e i ica-se uma elação es i icamen e mais signi ica i a, no
médio p azo. Assim sendo, as polí icas de saúde publica que apos am na p e enção da doença
de diabe es êm espaço pa a eduzi os AVPP pela doença.
Quan o ao sis ema de saúde ado ado pelos países, es e in luencia os e ei os dos in es imen os em
p e enção, medida pelos AVPP, os esul ados ambém con i mam essa hipó ese an o a a és do
esul ado da eg essão, como a a és do g á ico de e ei os ma ginais. Assim, oi obse ado que
países com sis emas de saúde uni e sais e com inanciamen o público êm um ap o ei amen o
mais e icien e dos in es imen os em p e enção, esul ando numa maio edução dos AVPP. Em
con apa ida, países com sis emas de saúde agmen ados ap esen am uma elação menos di e a
en e gas os em p e enção e melho ia no indicado de saúde.
Essa di e ença suge e que o mon an e u ilizado não é o único oco de e minan e pa a a saúde,
mas ambém a o ma como os ecu sos são alocados e in eg ados ao sis ema de saúde.
No caso especí ico de Po ugal, que pe ence ao
Clus e
2 e ado a o modelo de saúde
Be e idge
,
esses esul ados são pa icula men e ele an es.
Em eo ia, um sis ema de saúde como o de Po ugal de e ia ap esen a um al o impac o dos
in es imen os em p e enção, pois em cobe u a uni e sal e con olo cen alizado sob e as
polí icas de saúde, no en an o, se os ecu sos não o em bem dis ibuídos, po exemplo, se hou e
um maio oco no a amen o do que na p e enção ou se os p og amas p e en i os não o em
bem execu ados, os e ei os posi i os espe ados podem se eduzidos, na p á ica.
O ac o de o impac o dos in es imen os em p e enção se mais signi ica i o no modelo com
in e ação de sis ema de saúde suge e que países como Po ugal pode iam ob e ganhos
30
subs anciais na edução dos AVPP caso e o çassem as polí icas de p e enção den o da es u u a
do sis ema de saúde.
Es es esul ados des acam a ele ância dos in es imen os em p e enção como e amen a
essencial pa a a edução dos AVPP, demons ando que os e ei os podem se pe cebidos não
apenas no longo p azo, mas ambém em pe íodos in e médios. Além disso, e o çam que a
e icácia desses in es imen os es á di e amen e condicionada não só ao sis ema de saúde ado ado,
mas ambém à es u u a e o ganização do mesmo, o que o na undamen al uma abo dagem
in eg ada que maximize o impac o das polí icas p e en i as.
No en an o, algumas limi ações de em se conside adas.
P imei amen e, a análise baseia-se num conjun o de dados que ab ange um pe íodo de apenas
13 anos. Embo a esse in e alo pe mi a cap a e ei os de cu o e médio p azo, um ho izon e
empo al mais amplo possibili a ia uma a aliação mais obus a dos impac os da p e enção no
longo p azo e a u ilização de modelos economé icos de maio ampli ude. Adicionalmen e, pa e
dos dados oi a e ada pela pandemia de COVID-19, o que exigiu a exclusão de algumas
obse ações. Além disso, a a iá el u ilizada pa a medi a despesa em p e enção e e e-se ao
in es imen o global em medidas p e en i as, sem desag egação especí ica pa a a p e enção do
diabe es ipo 2. Embo a a p e enção des inada a comba e es a doença ep esen e uma pa cela
signi ica i a desse mon an e, a p opo ção exa a pode a ia en e os países, o que pode in oduzi
alguma he e ogeneidade nos esul ados.
Uma das p incipais implicações polí icas do nosso es udo é a necessidade de assegu a a
es abilidade e o e o ço dos in es imen os em p e enção, p o egendo-os de co es o çamen á ios
mo i ados po ciclos económicos. A li e a u a indica que os gas os em saúde pública endem a
se pa icula men e ulne á eis a pe íodos de aus e idade iscal, sendo equen emen e eduzidos.
No con ex o a ual, com mui os países a ea alia as p io idades o çamen ais na sequência da
pandemia de COVID-19 e en en a desa ios no acesso a cuidados cu a i os, os in es imen os em
p e enção es ão a se eduzidos. Apesa de in e enções cu a i as pode em ap esen a esul ados
mais imedia os e isí eis, como a ealização de uma ci u gia ou o a amen o de uma complicação
aguda, os bene ícios da p e enção, ainda que menos angí eis no imedia o, aduzem-se numa
diminuição exp essi a da ca ga da doença.
Assim, qualque edução indisc iminada nos in es imen os em p e enção, que não es eja ocada
apenas nas in e enções que não são cus o-e e i as, podem comp ome e os ganhos alcançados
na edução dos AVPP e esul a em impac os ad e sos sob e a saúde pública nos anos seguin es.
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A e idência suge e que polí icas de aus e idade mal di ecionadas podem comp ome e o cus o-
e e i idade dos sis emas de saúde, ag a ando desigualdades e aumen ando a ca ga da doença.
Pa a e i a esses e ei os nega i os, é essencial que os go e nos ado em uma abo dagem
es a égica e ga an am que os ecu sos des inados à p e enção não sejam apenas man idos, mas
o imizados pa a maximiza os impac os sob e a saúde da população.
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6. Conclusão
O p esen e es udo e e como obje i o a alia o impac o dos in es imen os em p e enção na
edução dos Anos de Vida Po encialmen e Pe didos (AVPP) de ido à diabe es ipo 2 na Eu opa,
analisando ainda a in luência dos di e en es sis emas de saúde nes e p ocesso. A a és da
u ilização de um conjun o de dados ela i os a 28 países, no pe íodo de 2011 a 2023, e eco endo
a écnicas de análise de
clus e s
e a modelos de eg essão linea , p ocu ou-se comp eende não
apenas a e icácia da p e enção no médio p azo, mas ambém as a iações nos esul ados
associadas aos di e en es con ex os ins i ucionais e socioeconómicos.
A e idência ob ida mos a que maio es gas os em p e enção es ão associados a eduções
signi ica i as nos AVPP, no médio p azo, sendo es e e ei o mais p onunciado nos países que
seguem o modelo de saúde
Be e idge
.
Apesa de o modelo economé ico u ilizado cap a esul ados ele an es, a limi ação empo al dos
dados impediu uma análise de longo p azo mais ap o undada. Além disso, a he e ogeneidade
es u u al en e os países des aca que a o es económicos e sociais ambém in luenciam a e icácia
da p e enção.
Es e abalho con ibui pa a e o ça a impo ância dos in es imen os p e en i os como es a égia
undamen al pa a a melho ia dos esul ados em saúde pública, salien ando a necessidade de
polí icas sus en á eis que in eg em a p e enção como pila cen al dos sis emas de saúde.