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Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: apoio ao estudo para iniciantes de CLE

Costa, Vitória Delgado da

Abstract

O seguinte trabalho relata a utilização de materiais de apoio no auxílio do ensino e da aprendizagem de Chinês Língua Estrangeira para iniciantes, inserindo-se no âmbito de um estágio realizado no contexto do Mestrado em Estudos Interculturais Português/Chinês da Universidade do Minho. Dividido em três partes distintas, o relatório inicia com um estudo à teoria de aquisição de língua de Stephen Krashen e à teoria das cinco dimensões de estilos de ensino de Grasha–Riechmann. Desta forma, intenta-se explorar as diferentes etapas do ser humano no processo de aprendizagem de uma nova língua e a forma como diferentes estilos de ensino podem influenciar esse procedimento. Além disso, será realizada uma análise e comparação entre o método de ensino tradicional e não tradicional de línguas com o objetivo de identificar qual dos métodos se adapta melhor à turma do primeiro ano da Licenciatura em Estudos Orientais: Estudos Chineses e Japoneses no ano letivo de 2023/24. Tendo em consideração o anteriormente exposto, o segundo capítulo apresenta as teorias estudadas sob formas de apoio aplicadas à turma e materiais concebidos para auxiliar a sua aprendizagem com a inclusão de observações realizadas no decorrer desta atividade. Por fim, o terceiro capítulo exibe a validade dos apoios e dos métodos de ensino utilizados e expõe as dificuldades sentidas pelos alunos ao longo do semestre, através da recolha, análise e avaliação das suas respostas a um inquérito implementado na turma.

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Universidade do Minho Escola de Letras, Artes e Ciências Humanas Vitória Delgado da Costa Dificuldade na aprendizagem do Chinês Lingua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE fevereiro de 2025 UMinho | 2025 Vitória Delgado da Costa Dificuldade na aprendizagem do Chinês Lingua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE Vitória Delgado da Costa Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE Relatório de Estágio Mestrado em Estudos Interculturais Português/Chinês - Chinês para Falantes de Português Trabalho efetuado sob Orientação de Doutor João Marcelo Mesquita Martins fevereiro 2025 ii DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. iii Agradecimentos Dedico este espaço para manifestar a minha profunda gratidão a todas as pessoas que, com o seu apoio inestimável, tornaram possível a realização deste trabalho. Em primeiro lugar, quero expressar um agradecimento genuíno ao meu orientador, Doutor João Martins. As suas palavras de encorajamento sempre oportunas, o seu comprometimento e dedicação exemplares foram fatores fundamentais ao longo deste percurso e servem como inspiração para esta aluna que procura seguir os seus passos na área do ensino. Um agradecimento à Universidade do Minho, a instituição que me acolheu e na qual vivi experiências inesquecíveis que enriqueceram o meu crescimento pessoal. Sou grata ao Departamento de Estudos Asiáticos (DEA) pela valiosa oportunidade de realizar este estágio e a todos os seus docentes que cruzaram o meu caminho, pelo apoio e conhecimento transmitido, essencial para o desenvolvimento deste trabalho. Eternamente grata aos meus pais, cuja dedicação e sacrifícios incondicionais, assim como o constante apoio na realização dos meus sonhos, tornaram possível a concretização das minhas aspirações e o estudo daquilo que verdadeiramente amo. Gostaria de agradecer à turma do primeiro ano de LEO:ECJ do ano letivo de 2023/24 na qual estagiei, obrigada pela preciosa contribuição para a conceção deste trabalho e pelas encorajadoras mensagens de apoio, que não apenas me motivaram a melhorar, mas também me ajudaram a clarificar o caminho que desejo seguir. Por fim, gostaria de agradecer aos meus familiares e amigos, cuja presença constante e incentivo ao longo deste percurso foram cruciais para o meu sucesso. Obrigada! iv DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho. v Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE Resumo O seguinte trabalho relata a utilização de materiais de apoio no auxílio do ensino e da aprendizagem de Chinês Língua Estrangeira para iniciantes, inserindo-se no âmbito de um estágio realizado no contexto do Mestrado em Estudos Interculturais Português/Chinês da Universidade do Minho. Dividido em três partes distintas, o relatório inicia com um estudo à teoria de aquisição de língua de Stephen Krashen e à teoria das cinco dimensões de estilos de ensino de Grasha–Riechmann. Desta forma, intenta-se explorar as diferentes etapas do ser humano no processo de aprendizagem de uma nova língua e a forma como diferentes estilos de ensino podem influenciar esse procedimento. Além disso, será realizada uma análise e comparação entre o método de ensino tradicional e não tradicional de línguas com o objetivo de identificar qual dos métodos se adapta melhor à turma do primeiro ano da Licenciatura em Estudos Orientais: Estudos Chineses e Japoneses no ano letivo de 2023/24. Tendo em consideração o anteriormente exposto, o segundo capítulo apresenta as teorias estudadas sob formas de apoio aplicadas à turma e materiais concebidos para auxiliar a sua aprendizagem com a inclusão de observações realizadas no decorrer desta atividade. Por fim, o terceiro capítulo exibe a validade dos apoios e dos métodos de ensino utilizados e expõe as dificuldades sentidas pelos alunos ao longo do semestre, através da recolha, análise e avaliação das suas respostas a um inquérito implementado na turma. Palavras-chave: Aquisição de Língua, Chinês Língua Estrangeira, Ensino Não Tradicional, Ensino Tradicional, Materiais de Apoio vi Difficulties in learning Chinese as a Foreign Language: Study Support for CFL Beginners Abstract The following work reports the use of support materials to aid the teaching and learning of Chinese as a Foreign Language for beginners. It is a report conducted within the scope of the Master’s in Portuguese/Chinese Intercultural Studies at the University of Minho. Divided into three distinct parts, the report begins with a study of Stephen Krashen's language acquisition theory and Grasha– Riechmann's theory of the five dimensions of teaching styles. In this way, the aim is to explore the different stages of human beings in the process of learning a new language and the way in which different teaching styles can influence this procedure. In addition, an analysis and comparison will be carried out between the traditional and non-traditional language teaching methods with the aim of identifying which method best suits the 2023/24 first-year class of the Degree in Oriental Studies: Chinese and Japanese Studies. Taking into account the above, the second chapter presents the theories studied in forms of support applied to the class and materials designed to assist their learning with the inclusion of observations made during this activity. Finally, the third chapter displays the validity of the support and teaching methods used and exposes the difficulties experienced by students throughout the semester, through the collection, analysis and evaluation of their responses to a survey developed by the author. Keywords: Chinese as a Foreign Language, Language Acquisition, Non-Traditional Teaching, Support materials, Traditional Teaching vii 对外汉语学习的难点:为汉语初学者提供学习支持 摘要 以下的研究报告了辅助材料在初学者汉语作为外语的教学与学习中的应用。这 是一份在米尼奥大学葡萄牙语/中文跨文化研究硕士课程框架内进行的报告。报告分为 三个部分,研究了史蒂芬·克拉申的语言习得理论和 Grasha-Riechmann 的五维教学风格 理论。这种方式旨在探讨人类在学习新语言过程中的不同阶段以及不同教学风格对这 一过程的影响。此外,还将对传统和非传统语言教学方法进行分析和比较,以确定哪 种方法最适合 2023/24 学年东方研究专业学习汉语和日语的一年级班级。考虑到上述 因素,第二章介绍了所研究的理论,这些理论的形式是向学生提供学习支持,并设计 了辅助材料来帮助他们学习,材料中还包含在这一活动中的观察结果。最后,第三章 通过收集、分析和评估学生对课堂调查的答复,来证明所使用的辅助和教学方法的有 效性,并展示出学生在整个学期中所遇到的困难。 关键词:传统教学,非传统教学,辅助材料,汉语作为外语, 语言习得 Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE 3 das “cinco dimensões de estilo de Ensino” de Grasha–Riechmann (1994) de modo a não só complementar a análise às teorias já referidas, mas também determinar a natureza do ensino aplicado em LEO:ECJ. Segundo Krashen (2003), a aquisição de uma língua dá-se apenas de uma forma, isto é, “quando compreendemos mensagens” (p. 4). Para alguns indivíduos a aquisição de uma nova língua pode ser um cenário intimidante, principalmente quando a língua difere vastamente da sua língua materna. Os aprendentes deparam-se com novos alfabetos, estruturas frásicas alteradas, pronúncias distintas e todo o tipo de elementos que constituem uma língua e a compreensão de mensagens na língua-alvo para os iniciantes é um processo gradual que requer paciência e um estudo consistente. Todavia, existem formas de mitigar as dificuldades sentidas pelos estudantes. Destarte, de forma a assistir os alunos no início da sua jornada de aprendizagem da língua chinesa, o segundo capítulo apresenta recursos inspirados nas teorias estudadas. Estes procuram, assim, auxiliar os estudantes no desenvolvimento de uma boa base de conhecimento, o qual, por sua vez, lhes permita uma mais simples progressão de nível de língua. Estes materiais procuram ainda ser um suporte ao método de ensino utilizado, preenchendo qualquer fraqueza que este possa vir a demonstrar. Com a finalidade de decifrar a utilidade e validez dos métodos de apoio aplicados, o terceiro e último capítulo recorre à implementação de três meios diferentes de análise, especificamente às avaliações dos alunos, a observações realizadas pela autora durante o semestre e, principalmente, às respostas obtidas num inquérito elaborado pela autora. Este levantamento de informações tem, assim, por objetivo determinar a eficácia dos atuais métodos de ensino-aprendizagem exercidos em LEO:ECJ, a aplicabilidade e pertinência de metodologias suplementares e simultaneamente evidenciar as principais adversidades sentidas pela turma do primeiro ano no decorrer do semestre. No cômputo geral, tendo em conta o supramencionado, o presente trabalho tem como principal aspiração contribuir para a melhoria das práticas pedagógicas no ensino de CLE, promovendo uma aprendizagem mais eficaz e adaptada às necessidades específicas dos alunos e fornecendo recomendações concretas para a otimização dos métodos de ensino e dos recursos de aprendizagem no ensino inicial de chinês. Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE 4 Capítulo I - A aprendizagem de uma Língua Estrangeira Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE 5 Capítulo I - A aprendizagem de uma Língua Estrangeira 1.1) Definição de Língua Estrangeira (LE) O conceito de Língua Estrangeira, também designada por LE, possui uma abundância de interpretações distintas e, apesar de estar associado e poder ser, dependendo do contexto, intercambiável com o termo Língua Segunda (LS), não devem ser confundidos. Richards e Schmidt (2010), de uma forma abrangente, definem LS como a língua de “qualquer pessoa que a aprenda depois de aprender a sua primeira língua na infância, em casa” (p.196). A fim de diferenciar as duas terminologias, Richards e Schmidt tomam como exemplo a língua inglesa para explicar o que as distingue: “Alguém que aprenda Inglês num contexto formal de sala de aula, com oportunidades de uso fora da sala de aula limitadas ou inexistentes, num país onde o Inglês não pratica um papel importante em comunicação interna (China, Japão e Coreia, por exemplo), diz-se aprender Inglês Língua Estrangeira. Alguém que aprenda Inglês num contexto em que a língua seja necessária para o quotidiano (por exemplo, um imigrante a aprender Inglês nos EUA) ou num país em que o Inglês pratica um papel importante na educação, em negócios e no governo (por exemplo em Singapura, nas Filipinas, Índia e Nigéria) diz-se aprender Inglês Língua Segunda.” 1 (2010, pp. 196-197) De modo a simplificar, a definição de LE pode resumir-se às seguintes características: ser uma língua não materna, sem estatuto jurídico e aprendida de forma consciente e estruturada. 1.2) Teoria de aquisição de uma nova língua por Krashen Stephen Krashen (2003), um conceituado investigador na área da linguística, desenvolveu a teoria de aquisição de uma segunda língua, atualmente constituída por um total de cinco hipóteses: Aquisição-Aprendizagem, Ordem Natural, Monitor, Compreensão e Filtro Afetivo. 1 “Someone who learns English in a formal classroom setting, with limited or no opportunities for use outside the classroom, in a country in which English does not play an important role in internal communication (China, Japan, and Korea, for example), is said to be learning English as a foreign language. Someone who learns English in a setting in which the language is necessary for everyday life (for example, an immigrant learning English in the US) or in a country in which English plays an important role in education, business, and government (for example in Singapore, the Philippines, India, and Nigeria) is learning English as a second language.” (TdA) Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE 6 1.2.1) A Hipótese de Aquisição-aprendizagem Quando se reflete sobre a ideia de “aquisição” e “aprendizagem” de uma língua, há a tendência de rotular as duas palavras como sinónimos e, num discurso mais informal, não estará muito longe da verdade. Contudo, no campo linguístico, Krashen (2003) distingue nitidamente estes dois conceitos, definindo “aquisição” de língua como “um processo inconsciente; enquanto acontece, não é percetível o seu acontecimento. Além disso, quando adquirimos algo, não estamos cientes que possuímos conhecimento; o conhecimento é armazenado no cérebro inconscientemente” (p.1). Um exemplo de aquisição de língua é a inserção de um indivíduo num ambiente onde a língua-alvo é maioritariamente empregada e, de forma inconsciente, adquirir vocabulário frequentemente utilizado. Assim sendo, o processo de aquisição é algo que pode ocorrer em qualquer circunstância e, segundo Krashen (2003), é o principal fator para a conquista da fluência. Contudo, nem todos os investigadores nesta área mantêm a mesma perspetiva, já que Tomlinson (2008) acredita que a aquisição da língua corresponde apenas ao “estágio inicial de obtenção de competência comunicativa básica” 2 (p.3), descrevendo a habilidade de utilizar esse conhecimento eficazmente como “desenvolvimento de língua”. Por outro lado, “aprender” uma língua consiste num processo consciente e voluntário por parte do indivíduo. Faerch & Kasper (1980) compartilham uma visão similar relativamente ao conceito de aprendizagem e descrevem-no como sendo “processos onde o aprendente descobre as regras (pragmáticas, semânticas, sintáticas, fonológicas) da Língua Segunda, e gradualmente domina-as, desta forma desenvolvendo um sistema discreto de Interlíngua” 3 (p.51) Este processo pode ser exemplificado pela aprendizagem de línguas através de aulas e/ou uso de manuais ou materiais que apoiem o aluno neste processo. No ponto de vista de Wu (2014) relativamente a esta hipótese, “no processo real de aquisição de uma segunda língua, a "aquisição" e a "aprendizagem" não são mutuamente exclusivas; elas interagem e influenciam-se mutuamente. O conhecimento adquirido pode promover a aprendizagem de novos conhecimentos, e o conhecimento aprendido pode, após atingir um certo nível, ser transformado em conhecimento adquirido” (p. 97). 4 2 “initial stage of gaining basic communicative competence” (TdA) 3 “processes where the learner discovers the (pragmatic, semantic, syntactic, phonological) rules of L2, and gradually comes to master them, thereby developing a discrete IL system” (TdA) 4 “在实际的二语习得过程中“习得”与“学得”不是截然对立的,二者相互作用、相互影响。已习得的知识会促进新知识的学得, 学得的知识在达到一定程度之后可以转换成习得的知识” (TdA) Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE 7 1.2.2) A Hipótese da Ordem Natural A Hipótese da Ordem Natural defende que, no decorrer do processo de aquisição de uma língua, existem certos aspetos da língua que são adquiridos mais facilmente que outros e, por isso, existe uma ordem natural. Podemos afirmar, claramente, que cada adquirente da língua possui a sua própria ordem natural, contudo, é possível estabelecer uma ordem de aquisição padrão entre os adquirentes, visto que, apesar de presentes, estas variações são moderadas. No que toca a esta hipótese, Krashen (2003) destaca ainda três particularidades. A primeira particularidade baseia-se na rejeição da ideia de que aspetos linguísticos julgados complexos pelos linguistas são adquiridos mais tardiamente que aspetos considerados simples. Krashen ilustra esta ideia com a regra da terceira pessoa do singular em inglês “-s” (ex.: He sings .), uma vez que, apesar de ser uma regra simples, demora cerca de seis meses a um ano até ser adquirida, ao contrário do marcador “-ing” para ações que prolongam no tempo e que é facilmente adquirida (ex.: He is singing .). É por esta razão que a realização e organização de currículos e manuais de estudo demonstra ser um procedimento intrincado. A segunda particularidade alega que a ordem natural é imutável. Krashen (2003, p. 2) refere, assim, que: “É imune ao ensino deliberado. Não podemos alterar a ordem natural através de explicações, treinos e exercícios. Um professor pode treinar a terceira pessoa do singular durante semanas, mas não será adquirida até o adquirente estar pronto para a mesma. Isto explica grande parte da frustração que os estudantes de línguas possuem.” 5 Tendo em atenção o acima referido, Krashen afirma que seria simplesmente natural tentar descobrir que aspetos linguísticos seriam mais facilmente adquiridos primeiro e, a partir desses resultados, tentar criar uma ordem de ensino mais vantajosa para os estudantes de línguas. Contudo, o autor acredita que a ordem natural não deve ser a ordem de ensino, sendo esta a terceira e última particularidade desta hipótese aprofundada no ponto 1.2.4.. 5 “It is immune to deliberate teaching. We cannot alter the natural order by explanations, drills, and exercises. A teacher can drill the third person singular for weeks, but it will not be acquired until the acquirer is ready for it. This explains a great deal of the frustration language students have.” (TdA) Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE 8 1.2.3) A Hipótese do Monitor A Hipótese do Monitor explica a relação entre o uso das competências linguísticas de aquisição e das de aprendizagem de uma língua quando esta é posta em prática. Krashen (2003) esclarece que as competências adquiridas contribuem maioritariamente para a fluência de uma língua, enquanto que as competências de aprendizagem servem apenas a função de “monitor”, o que, por sua vez, contribui ligeiramente para a precisão da língua. O autor (2003, p. 2), neste parâmetro, exemplifica: “Quando se está prestes a dizer algo noutra língua, a estrutura da frase surge no nosso pensamento graças à nossa competência adquirida inconscientemente. Em seguida, imediatamente antes de produzirmos a frase, antes de esta ser dita, é examinada, inspecionada e é usado o sistema aprendido conscientemente para a correção de erros.” 6 No entanto, Krashen acrescenta também que, através de estudos, foi possível determinar que, das suas várias funções, as competências adquiridas podem assumir também o papel de “monitor” e são responsáveis pela maior parte da fluência e precisão. Existe um total de três exigências a cumprir para beneficiar do “monitor”. Inicialmente, é necessário que haja conhecimento da regra a aplicar. Em seguida, o indivíduo deverá pensar ativamente na correção e estrutura da frase. Finalmente, o adquirente deve usufruir de tempo para poder aplicar eficazmente o “monitor”, sendo, por esta razão, que Krashen desaconselha o seu uso em conversações, uma vez que dificulta o diálogo, tornando a troca de informações demorada. Este conceito é habitualmente aplicado aquando da realização de testes de gramática. Quando se medita sobre a obtenção da fluência de uma língua, o “monitor” não possui grande relevância, embora não perca a sua importância, pois alguns aspetos da língua apenas podem ser aprendidos de forma consciente. 1.2.4) A Hipótese da Compreensão A Hipótese da Compreensão, também conhecida como a Hipótese do Input , tem como principal objetivo tentar explicar de que forma as línguas são adquiridas. Krashen (2003) explica que uma língua 6 ”We are about to say something in another language. The form of our sentence pops up into our minds, thanks to our subconsciously acquired competence. Then, just before we actually produce our sentence, just before we say it, we scan it internally, inspect it, and use our consciously learned system to correct errors” (TdA) Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE 9 é adquirida quando o adquirente compreende uma mensagem na sua língua-alvo, intitulando este fenómeno de “ input compreensível”. Esta hipótese defende que o input compreensível é a única forma de adquirir uma língua e, ao contrário da Hipótese da Ordem Natural acima referida, não existe variabilidade entre indivíduos. Servindo-se destas duas hipóteses, o autor formula uma equação simples para uma melhor compreensão de como considera que a língua é adquirida: “Assumindo uma versão simplificada da hipótese da ordem natural – que adquirimos as regras de uma língua numa ordem linear: 1,2,3… A questão de como adquirimos língua pode ser reformulada da seguinte forma: Como é que se move da regra 3 para a regra 4, da regra 987 para a regra 988? De forma geral, se i representa a última regra adquirida, como movemos de i para i + 1, em que i + 1 corresponde à próxima estrutura a adquirir?” 7 (Krashen, 2003, p.4) Sintetizando, a Hipótese da Compreensão declara que um indivíduo consegue progredir numa língua ao compreender mensagens contidas em i + 1, através de conhecimento adquirido previamente e contexto, descrito por Krashen como um conhecimento do mundo e/ou da situação na qual o indivíduo se encontra inserido. Além disso, segundo esta hipótese, existem duas características inerentes à aquisição de uma língua: é um processo involuntário e do qual não é requerido qualquer esforço. Concluindo, desde que haja uma compreensão da mensagem por parte do indivíduo, o mesmo irá adquirir a língua espontaneamente. Na eventualidade de se confirmar a veracidade desta hipótese, Krashen confirma a existência de duas verdades. A primeira verdade reconhece que falar na língua-alvo não contribui para a aquisição da língua, mas é sim um resultado da mesma. Não obstante, a fala pode auxiliar indiretamente essa aquisição, por exemplo, em diálogos entre indivíduos na língua-alvo, e ocorre principalmente quando o recetor ouve e compreende a mensagem transmitida pelo emissor. Jim Scrivener, um escritor e formador de professores, manifesta uma perspetiva semelhante à de Krashen e afirma que é necessário que os alunos “ganhem exposição a amostras compreensíveis de língua (não apenas aos monólogos dos professores)” e eles precisam de oportunidades para brincar e comunicar com a língua em formas relativamente seguras” 8 (2005, p. 19) para que haja uma evolução do seu nível de língua. A segunda verdade, por sua vez, menciona que, para atingir a precisão gramatical, é dispensável seguir uma ordem de aprendizagem fixa na qual o ensino das regras gramaticais ocorra de forma direta, 7 “Let us assume a very simple version of the natural order hypothesis – that we acquire the rules of a language in a linear order: 1,2,3… The question of how we acquire language can be restated as: How do we move from rule 3 to rule 4, from rule 987 to rule 988? More generally, if i represents the last rule we have acquired, how do we move from i to i + 1, where i + 1 is the next structure we are ready to acquire?” (TdA) 8 “to gain exposure to comprehensible samples of language (not just the teachers' monologues) and they need chances to play with and communicate with the language themselves in relatively safe ways.” (TdA) Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE 10 uma vez que, desde que haja um constante fornecimento de input compreensível, o indivíduo irá naturalmente adquirir as estruturas gramaticais na sua ordem natural e com maior eficácia. 1.2.5) A Hipótese do Filtro Afetivo A quinta e última hipótese de Krashen afirma que a aquisição de uma língua também está dependente de variáveis afetivas. Apesar destas variáveis não influenciarem a aquisição de forma direta, elas podem impedir o input compreensível de alcançar o “Dispositivo de Aquisição de Linguagem” (DAL), assim denominado por Chomsky (1965). Este autor defende que: "uma criança tem uma teoria inata de descrições estruturais potenciais que é suficientemente rica e completamente desenvolvida, de modo a que seja capaz de determinar, a partir de uma situação real em que ocorre um sinal, quais descrições estruturais podem ser apropriadas a este sinal, e também que seja capaz de fazer isso em parte antes de qualquer suposição sobre a estrutura linguística deste sinal.” 9 (1965, p. 32) Por outras palavras, Chomsky teoriza que uma criança faz uso da sua “capacidade inata de formação de conceitos” (1995, p.32) para adquirir uma língua. Quando lhe é fornecida uma mensagem, ou sinais de input , a criança, que já possui “dados linguísticos primários”, recorrerá ao seu DAL para analisar as hipóteses criadas para a compreensão da estrutura gramatical da língua apresentada na mensagem e irá compará-las à gramática já internalizada até que haja uma combinação que permita tornar o input incompreensível em input compreensível e, desta forma, permitir um processo gradual de aquisição. As variáveis afetivas que bloqueiam a retenção do input são maioritariamente emoções negativas, como a ansiedade, a baixa autoestima ou a desmotivação. Por outro lado, emoções positivas perante a língua permitem uma maior facilidade da sua aquisição. Krashen (2003, p. 6) acrescenta que “a presença do filtro afetivo explica como dois estudantes podem receber o mesmo input (compreensível), mas um progride e o outro não. Um estudante está aberto ao input enquanto o outro não” 10 . 9 “the child has an innate theory of potential structural descriptions that is sufficiently rich and fully developed so that he is able to determine, from a real situation in which a signal occurs, which structural descriptions may be appropriate to this signal, and also that he is able to do this in part in advance of any assumption as to the linguistic structure of this signal.” (TdA) 10 “The presence of the affective filter explains how two students can receive the same (comprehensible) input, yet one makes progress while the other does not. One student is open to the input while the other is not.” (TdA) Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE 11 1.3) O ensino 1.3.1) O papel do aluno e do professor Neste contexto, entende-se por papel de aluno e professor “os padrões consistentes de pensamentos e comportamentos que adotamos em situações tais como as de sala de aula” (Grasha, 1996, p.17) 11 . Desta forma, Grasha refere que um aluno típico deve ser caracterizado pela sua presença e participação ativa nas aulas, pela realização de trabalhos de casa, assim como pela preparação para as avaliações através do estudo regular da matéria lecionada. Por outro lado, o mesmo autor descreve um professor como um aglomerado de papéis, desde instrutor e avaliador até conselheiro e orientador. Como instrutor, é esperado do professor que organize as aulas definindo não só a matéria a lecionar, mas também o seu método de ensino. Além do mais, um professor deve-se encontrar disposto a apoiar os alunos nas suas dificuldades, demonstrando-se disponível para esclarecer possíveis dúvidas e, por fim, determinar o progresso dos mesmos por meio de avaliações. 1.3.2) As cinco dimensões de estilos de ensino de Grasha–Riechmann Como resultado de uma extensa investigação e análise aos comportamentos e métodos de ensino dos professores no contexto de sala de aula, Grasha (1994) foi capaz de distinguir cinco estilos diferentes de ensino: Especialista, Autoridade Formal, Modelo Pessoal, Facilitador e Delegante. 12 Grasha (1994) detalha um professor “Especialista” como um indivíduo com um bom domínio e vasto entendimento da matéria, uma característica essencial para a educação dos estudantes. Um indivíduo que se reja por este estilo manifesta frequentemente o seu conhecimento aprofundado e procura desafiar os alunos de modo a impulsionar as suas capacidades, o que pode, por vezes, ser um fator de intimidação para alunos iniciantes. Para além disso, este estilo de ensino enfatiza a hierarquia na relação professor-aluno através da notória diferença em nível de experiência. Desta forma, é importante que o professor seja capaz de utilizar este estilo de ensino adequadamente para, de forma proveitosa, transmitir a matéria e assegurar uma boa preparação académica dos alunos. O segundo estilo de Grasha, a “Autoridade Formal”, procura ser um estilo mais padronizado, limitando-se a métodos de ensino comuns e aceitáveis pela maioria. É priorizado o estabelecimento de 11 “consistent patterns of thoughts and behaviors we adopt in situations such as the classroom.” (TdA) 12 “Expert, Formal Authority, Personal Model, Facilitator, Delegator” (TdA) Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE 12 objetivos de aprendizagem e o fornecimento de feedback , tanto negativo como positivo. É esperado dos alunos que cumpram as regras e que sejam capazes de alcançar as expectativas que lhes foram estipuladas. Como supramencionado, é importante saber adaptar o estilo de ensino ao contexto em que se insere, uma vez que este, ainda que seja uma escolha segura, poderá cingir-se apenas a estratégias padronizadas e inflexíveis para lidar com as dificuldades dos alunos se usado inapropriadamente. Ao contrário dos estilos referidos anteriormente, o “Modelo Pessoal” tem por base o uso da experiência para ensinar os alunos. Estes observam o exemplo proporcionado pelo professor que os guia e incentiva a, de seguida, reproduzir o que lhes foi ensinado. A desvantagem apresentada por Grasha do “Modelo Pessoal” fixa-se na eventualidade do professor considerar o seu método de ensino único e ideal, o que desmotiva os alunos que se sentem incapazes de alcançar as suas expectativas. O estilo “Facilitador” aborda o ensino com métodos mais flexíveis, incitando os alunos a serem independentes e capazes de tomar decisões informadas. Os professores orientam os alunos com perguntas pertinentes e auxiliam-nos, por meio de reflexão, na descoberta de diferentes possibilidades ou trajetos que os permitam atingir os seus objetivos. Por se tratar de um estilo mais versátil, a aprendizagem torna-se também vagarosa, ao contrário de um estilo mais direto. Por fim, o estilo “Delegante” assemelha-se ao estilo “Facilitador”, pois prioriza a independência do aluno. No entanto, o papel do professor anteriormente estabelecido como guia altera-se para o de pessoa de recurso, ou seja, o indivíduo a quem os alunos, por vontade própria, se dirigem em caso de necessidade. Como resultado, os alunos são encorajados a aprender e a realizar as suas tarefas de forma autónoma. Contudo, este estilo encontra-se dependente da perceção que o professor tem relativamente à preparação dos alunos para certas atividades. Caso seja feita uma má interpretação do nível dos alunos, este estilo poderá desencorajar os alunos e criar um sentimento de ansiedade quando lhes é dada autonomia. Grasha (1994) explica que a divisão em estilos de ensino não implica a limitação e classificação dos professores a somente um. Pelo contrário, apesar de haver uma certa preferência num estilo, todos os professores utilizam os cinco estilos em medidas e contextos diferentes. Adicionalmente, a junção de dois ou mais estilos por parte dos professores também é habitual. O autor elucida esta ideia com um exemplo da união do estilo “Especialista” com o estilo “Autoridade Formal”, pois juntos destacam o professor como figura de comando detentora de autoridade, originando “um clima emocional neutro ou “frio”” (1994, p.143) na turma. Todavia, se for feita a substituição da “Autoridade Formal” com o estilo “Facilitador” e “Delegante” haverá uma diferença de métodos e comportamentos. Grasha explica, nesta conjetura, que esta combinação: Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE 19 estudar e rever os conteúdos aprendidos, de forma a alcançar um resultado satisfatório nas provas. Novamente, é possível observar a implementação do estilo de ensino “Autoridade Formal”. 2.2) Definição de Materiais de Apoio Materiais de apoio, como o próprio nome indica, são ferramentas que têm em vista auxiliar não só os alunos no seu processo de aprendizagem, mas também assistir os professores na sua instrução. Os materiais de apoio podem assumir diversos formatos, porém, no ensino tradicional, as aulas são tipicamente acompanhadas por um manual estruturado em várias lições pelo qual o professor se rege para lecionar a matéria. Ainda assim, este método de ensino não é impeditivo de uma certa flexibilidade por parte do professor na sua instrução, uma vez que o manual serve como um guia geral dos temas a abordar, não sendo estritamente necessário, até ordem contrária, segui-lo à risca. Relativamente aos alunos, estes utilizam o manual por diversas razões. O seu principal e mais comum propósito é o de ajudar no acompanhamento da aula. Além disso, pode funcionar como material de recurso à prática e revisão do conhecimento obtido nas aulas, visto que os manuais genericamente adotados pelas escolas contém explicações dos conceitos a serem abordados pelo professor, assim como exercícios sobre os mesmos. Segundo Tomlinson (2008), os atuais materiais utilizados para o ensino de línguas são, em parte, a razão pela qual os aprendentes falham na obtenção de habilidades que lhes permitam fazer uso da língua eficazmente. O autor justifica a sua posição referindo que os materiais são elaborados do ponto de vista do ensino e não da aprendizagem. Tomlinson, assim sendo, explica que há um foco no “ensino de itens linguísticos em vez da provisão de oportunidades para aquisição e desenvolvimento” 19 (2008, p.3). Na sua visão, para que um material sirva como um recurso eficiente da aprendizagem, é importante que, no seu conteúdo, não só a língua seja transmitida de forma autêntica, “através de textos orais e escritos com o potencial de envolver os aprendentes de forma cognitiva e afetiva” 20 (2008, p.4), mas também inclua “atividades que ajudem os próprios aprendentes a notar características [da língua] salientes nos textos” 21 (p. 5), de maneira a facilitar a aquisição de futuros inputs . Desta forma, os materiais de apoio têm por objetivo oferecer aos estudantes as ferramentas básicas para progredir no seu nível de língua. 19 “teaching of linguistic items rather than on the provision of opportunities for acquisition and development” (TdA) 20 “through spoken and written texts with the potential to engage learners cognitively and affectively” (TdA) 21 “activities which help learners to notice for themselves salient features of the texts” (TdA) Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE 20 Tendo em conta tudo o que já foi referido, é possível criar e fazer uso de materiais de apoio atípicos de um ensino tradicional que tenham mais em vista a aprendizagem e possam complementar o estudo dos alunos. Na atual era digital, o uso de aplicações e plataformas digitais ou outro tipo de ferramentas possibilita novas formas de aprendizagem e estudo em qualquer local e circunstância. Exemplificando, a utilização de dicionários e/ou tradutores digitais e aplicações de flashcards são instrumentos que oportunizam a aprendizagem e revisão de novas palavras em qualquer lugar. O uso de programas de entretenimento ou aplicações para conversação com nativos na língua-alvo são um método de aquisição e aprendizagem de língua cativante e divertido para os alunos que as utilizam e aprofundam os seus conhecimentos com diálogos mais autênticos sobre situações do dia-a-dia, oportunizando também a possibilidade de aprender mais sobre a cultura e costumes do país. Wang (2024) refere o seguinte: “Os professores podem utilizar eficazmente ilustrações, demonstrações ou materiais audiovisuais para fornecer aos alunos mais input compreensível. Podem também tirar proveito de ter alunos de diferentes países, devolvendo a sala de aula aos alunos, permitindo que eles apresentem os costumes e hábitos dos seus países em diversos tópicos de conversação, aumentando assim a quantidade de input compreensível.” 22 (p. 94) Todos os dias são encontradas novas formas que auxiliam a aprendizagem e aquisição de uma língua e nenhum indivíduo aprende da mesma forma. Por estes motivos, é importante que não haja uma fixação por um método de instrução e que sejam abertos horizontes no campo do ensino. 2.3) Realização de materiais de apoio 2.3.1) Aulas de apoio ao estudo Sensivelmente a meio do semestre, foi iniciada a realização de aulas de apoio ao estudo. O principal objetivo destes apoios era a revisão da matéria lecionada nas aulas anteriores através da realização de exercícios de trabalhos de casa orais e escritos, assim como a melhoria das notas dos alunos. 22 “教师可以充分运用图示、演示或影视资料为学生提供更多的可理解输入,也可以利用学生来自不同国家这样的优势,将课堂还 给学生,让学生针对不同的口语话题介绍自己国家的风俗习惯等,从而达到增加可理解输入的目的。” (TdA) Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE 21 Os apoios eram maioritariamente realizados em blocos de trinta minutos cada e antecediam as aulas habituais. Os alunos eram convidados e encorajados a assistir, mas a sua participação era feita de forma voluntária. Uma aula de apoio típica era iniciada com uma breve e simples revisão das estruturas gramaticais que haviam já sido ensinadas e que eram pertinentes para os exercícios a realizar. Desta forma, nos primeiros dez minutos, os alunos podiam relembrar as estruturas, tirar dúvidas existentes sobre as mesmas ou até aprendê-las pela primeira vez em caso de não comparência nas aulas anteriores. Fig. I: Exemplo de revisão de uma estrutura gramatical Em seguida, eram apresentados os exercícios delegados pelo professor como trabalho de casa. Os alunos dispunham de aproximadamente cinco minutos por exercício para os resolver, caso já não os tivessem feito fora do contexto de sala de aula, expor as suas dificuldades aquando da realização e prepararem-se para responder. Por fim, alguns alunos selecionados ou aqueles que se voluntariaram para participar por vontade própria apresentavam, no quadro, as suas respostas para correção em conjunto com o resto dos integrantes do apoio. Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE 22 Fig. II: Exemplo de exercício resolvido em contexto de Apoio Como ilustrado acima, a matéria recapitulada e os exercícios realizados nas aulas de apoio eram exibidos em formato Powerpoint de forma a cativar a atenção dos alunos, assim como facilitar a administração do tempo disponibilizado. No final de cada apoio, os powerpoints eram disponibilizados a todos os alunos da turma para complementar o seu estudo. Em conformidade com as cinco dimensões de estilo de ensino de Grasha (1994), durante as aulas de apoio foi adotado um estilo de ensino “Facilitador”, contrastando com a combinação de estilos “Especialista” e “Autoridade Formal”, aplicados na cadeira de Chinês Moderno A1.2. Por se tratarem de estilos bastante diretos, esta fusão cria um ritmo de aprendizagem mais apressado quando comparado com o estilo “Facilitador”, que é exercido numa tentativa de o desacelerar para motivar os estudantes com maior dificuldade no acompanhamento da matéria. 2.3.1.1) Observações Entre abril e maio de 2024, foram realizadas um total de seis aulas de apoio de trinta minutos, assim como uma aula final de revisão de uma hora e meia. Durante este intervalo de tempo foram feitas algumas observações sobre a turma relativamente aos apoios: Participação - Apesar de ter havido algumas falhas de comunicação entre a turma na partilha de informação sobre a realização do apoio n.º 2 e 3, o que justifica a queda na participação apresentada no gráfico I, foi possível observar que a turma se mostrou bastante cooperativa nesta atividade. Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE 23 Dos 37 alunos da turma, em média 21,1 alunos, equivalente a 57,1% da turma, marcaram presença em cada apoio. Se se excluírem os apoios n.º 2 e n.º 3, pelas razões apontadas anteriormente, houve, em média, 24,8 alunos participantes por apoio, perfazendo 67% da turma. Gráfico I - Participação dos alunos nas aulas de apoio Características da turma - Inicialmente, a maioria da turma revelou-se bastante introvertida e os alunos mostravam-se relutantes para responder a perguntas colocadas durante os apoios. Isto ocorria principalmente devido à grande incerteza dos integrantes nas suas respostas, impedindo-os de participar e expor efetivamente possíveis dúvidas. Existia, contudo, uma pequena percentagem de alunos que não hesitava envolver-se nas aulas de apoio e este esforço para tirar o melhor proveito das mesmas era refletido nas suas avaliações bastante positivas. Este comportamento pode ser explicado pela teoria do Filtro Afetivo de Krashen (2003). Os alunos com maiores dificuldades possuíam baixa autoestima e grande incerteza perante a língua, muitas vezes procurando confirmação dos colegas antes de proferir a sua resposta ou retribuindo a pergunta com a expressão “não sei” repetidamente. Estas emoções negativas impediam a melhoria do nível de língua dos alunos que procuravam uma saída rápida para uma situação de maior stress . Por outro lado, os alunos com maior autoconfiança não eram oprimidos pelo medo de errar, a despeito das suas incertezas, pois, nestes cenários, frequentemente manifestavam as suas dúvidas procurando aprofundar os seus conhecimentos. Ao longo do semestre, foi possível notar um maior à vontade por parte dos alunos e, apesar de ainda presente, a sensação de ansiedade e a hesitação foi diminuindo. Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE 24 Motivação - No decorrer das aulas de apoio, foi possível observar um aumento no empenho dos participantes na aprendizagem da matéria e na realização de exercícios. Contudo, esta motivação apenas se verificava em contexto de sala de aula, uma vez que a grande maioria dos alunos confessava que o estudo e as revisões feitas limitavam-se predominantemente às aulas de apoio. Estilo de ensino utilizado - O uso do estilo de ensino “Facilitador” mostrou-se uma abordagem positiva para a turma. Este estilo mais vagaroso de ensino, caracterizado pela atribuição de uma certa independência aos alunos na sua aprendizagem, permitiu à autora a inquisição frequente de tópicos relativos ao conteúdo lecionado e, por vezes, a criação de breves atividades ou desafios que concediam aos alunos a possibilidade de praticar a língua de forma mais envolvente e dinâmica. Foi possível observar, nestes cenários, momentos de reflexão entre os elementos da turma que, em conjunto, e com alguma orientação da autora, procuravam soluções para os problemas expostos e esclareciam dúvidas entre si. Para além do que foi anteriormente referido, os estudantes também tentavam explorar outros pontos de vista para os exercícios realizados, saciando a sua curiosidade e expandindo o seu conhecimento em certos temas. 2.3.2) Materiais complementares De forma a suplementar o estudo e a aprendizagem, foram criados materiais de apoio para os alunos. Os materiais foram elaborados de acordo com as necessidades dos alunos e podem ser divididos em três categorias diferentes: Listas de Vocabulário - Listas com palavras extras, divididas por temáticas, relativas à matéria aprendida nas aulas de forma a auxiliar os alunos que pretendiam expandir o seu léxico. Nas listas, eram apresentadas as palavras acompanhadas pelos seus respetivos caracteres chineses e pinyin . Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE 25 Fig. III: Excerto de um material de apoio da categoria “Listas de Vocabulário” Notas das Lições - Consistem em documentos, divididos por lições, com explicações simplificadas e aprofundadas dos conteúdos discutidos e aprendidos em aula, assim como frases exemplificativas dos mesmos. Possui, igualmente, apontamentos sobre dúvidas apresentadas pelos alunos, tal e qual curiosidades culturais. Tem como propósito guiar os alunos e oferecer alternativas às explicações dadas em aula e às apresentadas no manual para uma melhor compreensão da matéria. Os alunos que demonstram complicações no acompanhamento das lições ou aqueles que por vezes falham em marcar presença nas aulas podem utilizar as notas para se orientarem e evitarem que o seu nível defira consideravelmente dos restantes alunos. Por fim, dado ser um conjunto de documentos que alude ao conteúdo aprendido nas lições, pode ser facilmente usado pela turma como um resumo e assisti-los numa revisão precedente às suas avaliações. As notas das lições foram criadas devido ao número de horas disponibilizado para as aulas de ensino de gramática - cerca de três horas semanais - e pela ausência contínua ou saída antecipada de alguns alunos das aulas. Estas circunstâncias revelaram-se obstáculos para os alunos que procuraram manter-se em sintonia com a matéria. A conceção das notas permite aos estudantes superar estes desafios. Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE 26 Fig. IV: Breve explicação de um ponto gramatical pertencente às “Notas de lições” Aspetos Gramaticais - Materiais que abordam assuntos mais específicos da língua chinesa e que demonstram ser de difícil memorização para os alunos, sendo necessária uma constante revisão. O seu desenvolvimento teve origem em certos aspetos da gramática chinesa abordados em aula, mas nem sempre presentes no powerpoint ou no manual utilizado ou com apenas breves referências aos mesmos. Fig. V: Excerto de um material de apoio da categoria “Aspetos Gramaticais” Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE 27 2.3.2.1) Observações De forma geral, a criação de materiais complementares para os estudantes foi originária de pequenas críticas levantadas por alguns alunos da turma sobre o atual método de ensino da língua chinesa, assim como pela vontade da autora em elaborar materiais adaptados aos alunos da UC. Estas críticas eram especialmente direcionadas à escolha de vocabulário ensinado. Uma vez que o conteúdo das aulas é estruturado para que os alunos priorizem a aprendizagem do vocabulário utilizado mais recorrentemente em conversas quotidianas, é bastante comum o sentimento de indignação dos alunos no que toca à falha de instrução de léxico que os próprios consideram fundamental. Visto que o vocabulário da língua chinesa não é ensinado por temáticas, se se tomar o tema “animais” como exemplo e se se considerar o nível de língua no qual os alunos estão atualmente situados, eles poderão saber utilizar a palavra “gato” e “cão”, mas não a palavra chinesa para “pássaro” por, comparativamente falando, não ser uma palavra tão frequente no dia a dia, apesar de igualmente importante. Desta forma, foi possível constatar que os alunos assimilavam apenas cerca de duas ou três palavras por temática. Esta situação verificou-se algumas vezes em sala de aula quando os estudantes procuravam elaborar frases mais complexas, mas não conseguiam descrever objetos sem, por exemplo, repetir as mesmas três cores, criando uma sensação de frustração e impotência na transmissão de mensagens. Relativamente à compatibilidade do material já utilizado pela turma, nomeadamente o manual “Developing Chinese”, do ponto de vista da autora, não é o mais indicado para a subárea referente à gramática. O conteúdo do livro encontra-se escrito em chinês e inglês, o que poderá dificultar a introdução dos alunos à nova língua e a todos os novos conceitos conectados à mesma. As explicações de estruturas gramaticais utilizam terminologia inglesa, são curtas e pouco elaboradas e, por vezes, descartam a explicação de possíveis exceções à regra. Fig. VI: Excerto do manual utilizado com a explicação da partícula 呢 Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE 28 Tomando a Figura VI como exemplo, um aluno português que domine a língua inglesa ao ponto de ser capaz de ter conversas quotidianas com um nativo nem sempre estará familiarizado com certos termos como “special questions” ou “alternative questions”, criando conflito no entendimento da matéria. Além disso, as frases de exemplo não possuem qualquer tradução que permita assegurar ao aluno que, de facto, compreendeu o significado da frase. Ademais, nem todos os pontos gramaticais esclarecem as formas de aplicar as palavras aprendidas na frase. Fig. VII: Excerto do manual utilizado com a explicação do advérbio 还 Adicionalmente, o livro contém vários exercícios para os alunos praticarem os assuntos desenvolvidos em aula, mas não oferece a resolução dos mesmos. Visto que apenas são disponibilizadas três horas de aulas semanais, grande parte dos exercícios são resolvidos em casa pelos alunos e a criação de soluções fica a cargo do professor. Assim, tendo em conta os parâmetros referenciados, na perspetiva da autora, o manual não se encontra adaptado para os estudantes da UC na subdivisão da gramática e falha em auxiliar tanto os alunos como o professor no processo de ensino-aprendizagem da língua chinesa. Contudo, não deixa de ser um bom instrumento para o ensino de outros segmentos da UC, como, por exemplo, a de Compreensão de Leitura ou Oralidade, uma vez que se encontra enriquecido de textos diálogos e exercícios que favorecem a discussão na língua-alvo. Para finalizar, os materiais complementares foram realizados com o intuito de contrariar estas dificuldades e obstáculos sentidos tanto pelos alunos, como possivelmente pelo professor. 2.3.3) Padlet A plataforma Padlet , um software desenvolvido para todas as idades, permite aos seus utilizadores criar e organizar posts com imagens, inquéritos, fotos, gifs, links e ficheiros de áudio e escrita. Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE 35 Gráfico VI: Gráfico representativo das respostas dos alunos à pergunta n.º 5 Resumindo, das informações conseguidas, foi possível concluir que a turma do primeiro ano de LEO:ECJ é formada por jovens adultos entre os 18 e os 24 anos, havendo uma proeminência dos alunos de 18 e 19 anos. O seu gosto pela língua chinesa é notório devido à resposta bastante positiva dos inquiridos à pergunta n.º 2, com cerca de 86,2% da turma a responder “sim” contrastando com os 13,7% a escolher a resposta “não” e “não sei”. No entanto, a pergunta n.º 4 revela que esta apreciação pela língua chinesa não é um fator decisivo na eleição da língua a aprender aquando do prosseguimento dos estudos, uma vez que 37,9% da turma prioriza a língua japonesa ao contrário dos 58,6% de alunos que escolhem a língua chinesa como favorita. Ainda assim, os participantes do inquérito demonstraram que, independentemente da língua a seguir, a motivação para aprender chinês (pergunta n.º 5) sentida no início da licenciatura é evidente, com 93,1% da turma motivada. Para além disso, a maioria afirma ter o hábito do estudo, sendo a moda um estudo entre as três e as cinco horas semanais. Contudo, as horas dedicadas ao estudo aparentam ser insuficientes de acordo com o “Regulamento de Aplicação do Sistema de Créditos Curriculares (ECTS) aos Cursos” da Universidade do Minho. A instituição refere que, por cada crédito atribuído a uma cadeira é esperado dos estudantes cerca de 28 horas de trabalho em sala de aula e trabalho realizado de forma independente. Neste caso em específico, à cadeira “Chinês Moderno A1.2” são atribuídos 7,5 créditos correspondendo a 210 horas de trabalho. Desvalorizando as 60 horas atribuídas para trabalho desempenhado em sala de aula, é ainda esperado dos alunos 150 horas de trabalho independente equivalente a 7 horas e meia de estudo semanal. Tendo em consideração o anteriormente referido, é possível constatar que os alunos que responderam à pergunta n.º 3 com respostas diferentes das opções Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE 36 “Entre seis e dez horas” e “Mais de dez horas”, ou seja, cerca de 76% dos inquiridos, não possuem hábitos de estudo que satisfaçam as exigências da cadeira. 3.2.2) Método de Ensino A segunda parte do inquérito é iniciada com duas perguntas dirigidas aos métodos de ensino utilizados na cadeira e o impacto que estes tiveram na motivação dos alunos para aprender a língua chinesa: ● Pergunta 6: Comparado ao primeiro semestre, sentiu-se mais motivado/a em aprender chinês neste semestre? Porquê? ● Pergunta 7: Sente que, na sua generalidade, a forma como a língua chinesa é lecionada no curso é boa? Desenvolva sobre os aspetos positivos e negativos e/ou formas de melhorar. (Possíveis pontos a referir: Métodos de ensino dos professores, manuais utilizados, tempo de aulas semanais, etc...) Gráfico VII: Gráfico representativo das respostas dos alunos à pergunta n.º 6 O gráfico VII, quando comparado com o gráfico VI, evidencia mudanças ocorridas na turma relativamente à motivação sentida no segundo semestre. Aproximadamente 24,1% da turma afirma, de facto, ter sentido um aumento gradual na sua motivação para aprender a língua chinesa, justificando esta verdade com o gosto que possuem pela língua, assim como a vontade de melhorar e aprofundar Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE 37 os seus conhecimentos. Por volta de 37,9% da turma declara um nível de motivação igual ao apresentado no primeiro semestre, isto deve-se a razões já apresentadas, como o gosto e o interesse pela língua, mesmo não sendo esta a língua de eleição. Por outro lado, 34,5% da turma manifesta uma diminuição da motivação, fortemente ligada à elevação do nível de dificuldade da matéria, complicando o seu acompanhamento e contribuindo para uma maior sensação de stress e cansaço. Além disso, alguns alunos reconhecem não atribuir a devida atenção à cadeira devido a exigências postas por outras cadeiras ou pela pouca apreciação que têm pela língua chinesa. Finalmente, um aluno (3,4%) refere nunca ter tido qualquer motivação, não apresentando uma justificação clara para a sua resposta. Quando, na pergunta n.º 7, foi pedido aos inquiridos para expor os seus pensamentos sobre a forma como a língua chinesa é lecionada no curso de LEO:ECJ, a generalidade mostrou-se satisfeita com os atuais métodos, caracterizando-os como eficientes e fáceis de entender e com professores dedicados, empáticos e sempre dispostos a ajudar. Além do mais, alguns alunos manifestaram agrado na divisão da língua chinesa em diferentes cadeiras (audição, oralidade e gramática). No entanto, relatam também, por vezes, haver uma discrepância entre as partes, relativamente à velocidade em que a matéria é ensinada, dificultando o estudo. Apesar dos comentários serem maioritariamente positivos, uma fração significativa da turma criticou o método de ensino como desorganizado e apressado em comparação com o primeiro semestre, sentindo falta de mais momentos que permitissem pôr em prática o que aprenderam por meio de exercícios. Alguns alunos especificaram ainda a incapacidade de memorizar todo o vocabulário requerido pela cadeira, por se tratar de um maior número de palavras a aprender quando comparado com o primeiro semestre. Por fim, uma pequena porção de estudantes comentou o tempo semanal atribuído às aulas e o manual utilizado. As observações feitas a ambos os pontos foram igualmente positivas e negativas. Enquanto uma parte dos alunos se sentiu satisfeita, a outra parte considerou o tempo de aula semanal não proporcional à quantidade de matéria a aprender. Alguns alunos sentiram-se intimidados pelo acúmulo de vocabulário e pontos gramaticais imprescindíveis, sentindo necessidade de mais aulas dedicadas à resolução de exercícios. A utilização do primeiro volume do manual “Developing Chinese Elementary Comprehensive Course” mostrou-se um desafio para alguns alunos que tiveram dificuldades em adaptar-se à sua estrutura considerando-a desorganizada e confusa. Ademais, a utilização de um manual em inglês em alunos iniciantes poderá ter contribuído para possíveis complicações no entendimento da matéria. Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE 38 3.2.3) Formas de Apoio A última parte do inquérito questiona os alunos sobre as formas de apoio postas em prática entre abril e maio. ● Pergunta 8: No decorrer do segundo semestre, fez uso dos materiais de apoio disponibilizados na plataforma Padlet? Se respondeu "Não", porquê? Gráfico VIII: Gráfico representativo das respostas dos alunos à pergunta n.º 8 ● Pergunta 9: Se fez uso da plataforma Padlet, qual foi para si o campo mais útil? Gráfico IX: Gráfico representativo das respostas dos alunos à pergunta n.º 9 Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE 39 Como é possível verificar pelo gráfico VIII, os alunos da cadeira de Chinês Moderno A1.2 mostraram-se bastante receptivos à utilização da plataforma Padlet como um recurso extra para o seu estudo, com um total de 26 utilizadores perfazendo 89,7% dos inquiridos. Houve, contudo, três alunos (10,3%) que admitiram não recorrer à plataforma por falta de necessidade ou por não terem o hábito do estudo. Quando questionados pelo campo preferido e mais útil, houve uma diversidade de respostas. A secção “Aspetos Gramaticais” foi a favorita com nove votos (31%), seguida pela secção “Apoio de Lições” (27,6%) com oito. Cinco participantes (17,2%) afirmaram beneficiar de todos os campos. Por fim, as secções com menos votos são as dedicadas às aulas de apoio (6,9%), ao vocabulário (3,4%) e a materiais auxiliares extra (3,4%). ● Pergunta 10: Crê que as diferentes formas de apoio ao estudo e à aprendizagem disponibilizadas durante o semestre foram uma mais valia para um melhor entendimento da matéria lecionada? (Apoios na aula e materiais de apoio no Padlet) Gráfico X: Gráfico representativo das respostas dos alunos à pergunta n.º 10 ● Pergunta 11: Acredita que os materiais extra e a participação em apoios proporcionou uma melhoria nas suas notas? Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE 40 Gráfico XI: Gráfico representativo das respostas dos alunos à pergunta n.º 11 Dois meses após ter sido dada a oportunidade aos alunos de explorar outras formas de apoio que pudessem potenciar o seu estudo, 26 participantes do inquérito (89,7%) declararam a eficácia desta experiência no que toca a um melhor entendimento da matéria. Por outro lado, três alunos (10,3%) afirmam não saber se houve qualquer alteração na sua compreensão. Ainda assim, quando inquiridos relativamente à eficiência dos apoios quando associados às suas notas, as respostas mostram-se mais divididas. Dos 29 alunos, 37,9% relatam, de facto, ter havido uma melhoria das notas proporcionada pelos apoios e 34,5% escolheram a resposta “talvez”. Todavia, 24,1% encontra-se indecisa se terá havido alguma diferença e 3,4% confessa não acreditar ter havido qualquer melhoria. Para determinar se os apoios oferecidos aos alunos tiveram algum impacto nas suas notas, foram recolhidas e analisadas todas as suas avaliações. Durante o segundo semestre foram realizados três minitestes, um teste intermédio e um teste final. Uma vez que a aplicação dos apoios só foi iniciada em abril, todas as avaliações realizadas até essa data não tiveram qualquer influência dos recursos extra disponibilizados aos alunos e, por isso, serão comparadas com as avaliações realizadas a partir de abril para determinar se houve alguma melhoria nas notas. O miniteste um e dois será comparado ao miniteste três e o teste intermédio será comparado ao teste final por se tratarem de avaliações com graus de dificuldade semelhantes. Para fazer esta comparação, foi utilizada a percentagem de participação dos alunos nos apoios ocorridos em aula: Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE 41 Aplicação de Apoios Sem aplicação Com aplicação Avaliações Miniteste n.º 1 Miniteste n.º 2 Miniteste n.º 3 N.º de notas positivas 23 13 24 N.º de notas negativas 14 24 13 Tabela I: Tabela comparativa das notas dos minitestes dos alunos da UC Aplicação de Apoios Sem aplicação Com aplicação Avaliações Teste Intermédio Teste Final N.º de notas positivas 14 13 N.º de notas negativas 23 24 Tabela II: Tabela comparativa das notas dos testes dos alunos da UC Aplicação de Apoios Sem aplicação Com aplicação Avaliações 1º Semestre 2º Semestre N.º de notas positivas 28 15 N.º de notas negativas 8 22 Tabela III: Tabela comparativa das notas dos testes dos alunos da UC Se as notas forem comparadas através das tabelas I, II e III, é possível constatar que, na sua totalidade, o emprego de outras formas de apoio não aparenta ter qualquer impacto nas avaliações da turma. No entanto, se conferirmos as notas dos alunos individualmente e as comparamos com a sua participação nas aulas de apoio é possível verificar o seguinte: Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE 42 Avaliações Presença nos apoios (%) Miniteste Teste Semestral 61-100 2,18 -0,12 -1,25 50-60 2,25 -1,22 -4,68 0-49 -1,79 -2 -6,61 Tabela IV: Tabela comparativa das notas dos alunos da UC com a sua participação nos apoios Os alunos que participaram entre 61 a 100% das aulas de apoio, tiveram em média uma subida de 2,18 valores no miniteste, uma descida de 0,12 valores no teste e de 1,25 entre semestres. Os alunos que totalizaram uma percentagem entre os 50 e os 60 tiveram uma subida média de 2,25 valores no miniteste, e descidas de 1,22 no teste e 4,68 entre semestres. Finalmente, os alunos que não participaram ou participaram em menos de 49% dos apoios tiveram uma descida média de 1,79 valores no miniteste, 2,0 valores no teste e de 6,61 valores entre semestres. Estes dados, demonstrados na tabela IV, comprovam que os apoios, de facto, produziram resultados na turma e, ainda que nem sempre tivessem melhorado as notas dos alunos, preveniram descidas mais acentuadas para quem neles participou. ● Pergunta 12: Qual ou quais foram para si os aspetos mais positivos dos apoios ocorridos em sala de aula? E os mais negativos? ● Pergunta 13: Na sua opinião, de que forma é que estes apoios poderiam ser melhorados? Através da pergunta n.º 12 e n.º 13, os alunos expressaram as opiniões relativamente aos apoios ocorridos em contexto de sala de aula. Como aspetos positivos, vários elementos da turma referiram a oportunidade de realizar e corrigir exercícios acompanhada da capacidade de esclarecer dúvidas que surgiam na execução dos mesmos. Mais acrescentam, que a repetição, assistida de uma diferente forma de ensino da matéria já lecionada, permitiu uma melhor compreensão e consolidação dessa mesma Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE 43 matéria. Por último, alguns alunos mencionam, como ponto positivo, a interação aluno e professor ocorrida durante os apoios, uma vez que houve mais possibilidades de pôr à prova os seus conhecimentos através da resposta a perguntas feitas pela autora. ● Pergunta 14: Entre os materiais disponibilizados na plataforma Padlet e os apoios que ocorreram em contexto de sala de aula, qual foi para si o mais proveitoso? Porquê? Gráfico XII: Gráfico representativo das respostas dos alunos à pergunta n.º 14 Uma vez que a turma exprimiu ser reservada e inicialmente pouco participativa, a pergunta n.º 14 intentou perceber se haveria um formato de apoio para onde os alunos se inclinaram mais. Segundo os dados do inquérito, a maioria (51,7%) confessou tirar proveito tanto da utilização da plataforma Padlet , como também dos apoios realizados em aula. Analisados individualmente, os apoios foram o formato preferido pelos alunos (37,9%) com apenas 6,9% da turma a optar pelo Padlet . Apenas um aluno (3,4%) escolheu a opção “nenhum” reconhecendo não ter vontade de estudar. De forma sintetizada, a maioria justifica a escolha dos apoios por ser um auxílio presencial, mais direto e interativo, que facilita a exposição de dificuldades e com resultados mais imediatos. Por outro lado, os alunos que elegeram o Padlet como formato favorito referem tê-lo feito por se tratar de uma ótima fonte de informação que se encontra condensada e de fácil entendimento. Por último, os alunos relatam que ambos os formatos se complementam e são benéficos para o estudo. Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE 44 ● Pergunta 15: Crê que a existência de um apoio semanal seria uma mais valia para os alunos e uma boa adição ao curso? (apoio para revisões, correção de TPC, resolução de exercícios, dúvidas, etc...) Gráfico XIII: Gráfico representativo das respostas dos alunos à pergunta n.º 15 De forma a concluir o inquérito, a pergunta n.º 15 procurou aglomerar as posições dos estudantes relativamente à existência de um apoio semanal no curso. Como é possível observar no gráfico XIII, 93,1% da turma demonstrou-se aberta a tal ideia, com apenas um inquirido contra (3,4%) e um inquirido irresoluto (3,4%). 3.3) Observações Uma vez recolhidas todas as informações facultadas pelos alunos e todas as observações feitas no decorrer do semestre, foi possível chegar a algumas conclusões. A grande maioria da turma mostrou-se bastante recetiva às diferentes formas de apoio disponibilizadas, porém, os 30 minutos de apoio em formato de aula antecedente às lições foram claramente a opção favorita e mais eficaz, sendo a utilização do Padlet um bom complemento. Isto poderá dever-se ao facto de se tratar de uma abordagem mais interativa e prática que permitiu aos alunos interagir mais com a língua pela constante realização de exercícios tanto escritos, como de forma Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE 51 Kuzu, A. (2007a). Views of Pre-service teachers on blog use for instruction and social interaction. Turkish Online Journal of Distance Education - TODJE . Retrieved from https://files.eric.ed.gov/fulltext/ED498812.pdf Mamadodilovna, M. N. (2022). Using Non-Traditional Methods in Teaching Foreign Languages . Ijodkor O’qituvchi, 2 (23), 68-71. Mendes, F. R. N. (2016). 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Quando usado com cores ou para falar sobre cores, estes adjetivos são traduzidos por claro e escuro, respectivamente. 浅 + Cor = Cor clara 深 + Cor = Cor escura 浅蓝 = Azul claro 浅黄 = Amarelo claro 浅红 = Vermelho claro 深蓝 = Azul escuro 深黄 = Amarelo escuro 深红 = Vermelho escuro Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE 76 Outros 汉字 拼音 意思 金色 Jīn sè Dourado 银色 Yín sè Prateado 彩色 Cǎi sè Multicor Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE 83 你有什么事儿? Tu tens que afazeres? 他现在做什么事? O que é que ele está a fazer agora? 你去大学做什么事情? Tu vais à universidade fazer o que? Quando usar 事,事儿 ou 事情? As três formas têm igual significado, no entanto 事 e 事儿 são mais usadas num contexto informal e 事情 num contexto mais formal. Para além disso, 事 é mais utilizado no sul da China e 事儿 no norte. 3) Predicado + 什么 + Objeto Como visto em cima, quando é feita uma pergunta onde se utiliza o pronome interrogativo 什么 (significado: que, o quê, qual), este é sempre colocado entre o predicado e o objeto. Para responder a uma pergunta que siga esta estrutura, substitui-se “什么 + Objeto” pela resposta sem alterar o resto da frase. 你叫什么名字? Qual é o teu nome?/Como te chamas? 明天是安娜的生日。你准备什么礼物? Amanhã é o aniversário da Anna. Que presente preparaste? A: 他学什么语言? B: 他学汉语。 A: Que língua é que ele estuda? B: Ele estuda chinês. 生词: 语言 (yǔyán, língua) Importante Aquando do uso de um pronome interrogativo numa frase, como é o caso de 什么 nos exemplos à esquerda, não é usada a partícula 吗. Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE 84 4) Sujeito + 去 / 来 / 回 + Local + Predicado + Objeto Através desta estrutura é possível indicar a que local o sujeito se dirige para realizar determinada ação. 去 (qù) - ir 来 (lái) - vir 回 (huí) - voltar, regressar É importante referir que, como o verbo 回 tem o significado de “regressar” este é usualmente associado à nossa casa ou país. Aquando do uso de 回 neste contexto, este não pode ser substituído por 去 e/ou 来. 我去超市买东西。 Eu vou ao supermercado comprar coisas. 我朋友每年都回葡萄牙看家人。 O meu amigo regressa todos os anos a Portugal para ver/visitar os familiares. 他来这里做什么事儿? O que (que coisa) é que ele veio aqui fazer? 5) Sujeito + 什么时候 + Predicado + Objeto É uma estrutura utilizada para perguntar em que intervalo de tempo o sujeito realiza uma determinada ação. 时候 tem como significado literal “altura” ou “momento”. Quando acompanhado pelo pronome interrogativo “什么” passa a ter o significado de “em que altura?” ou “em que momento?” e deve ser traduzido por “Quando”. 例句: 超市什么时候开门? Quando é que o supermercado vai abrir (as portas)? 你什么时候去西班牙旅游? Quando é que vais viajar para Espanha? Tal e qual à estrutura “Predicado + 什么 + Objeto”, para responder a uma pergunta feita com o pronome interrogativo “什么时候”, mantém-se a estrutura substituindo-se apenas 什么时候 pela informação requerida. 例句: 你 [什么时候] 回葡萄牙? Quando é que tu regressas a Portugal? 我 [明天] 回葡萄牙。 Eu regresso a Portugal amanhã. Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE 85 6) Sujeito + 先 + Predicado 1 + Objeto 1, 然后 + Predicado 2 + Objeto 2 É uma estrutura que permite descrever duas ações realizadas em sequência pelo mesmo sujeito. 先 (xiān), por se tratar de um advérbio, deve ser colocado logo após o sujeito. Para além disso, visto que possui o significado de “primeiramente” ou “em primeiro lugar” deve ser seguido da primeira ação. A conjunção 然后 (ránhòu), traduzida por “depois (disso)” ou “em seguida” é colocada antes da segunda ação. 例句: 我先起床,然后洗澡。 Primeiro eu acordo/levanto-me (da cama), depois tomo banho. 爸爸先吃早饭,然后去工作。 Primeiro o pai toma o pequeno-almoço, depois vai trabalhar. Importante Por se tratar de um pronome interrogativo, assim como 什么, perguntas feitas com 什么时候 não são acompanhadas da partícula 吗. Extra É ainda possível criar uma sequência com três ações: Sujeito + 先 + Predicado 1 + Objeto 1, 然后 + Predicado 2 + Objeto 2, 最后 + Predicado 3 + Objeto 3 最后 (zuìhòu) significa “finalmente” ou “por fim”. 我先去大学上汉语课,然后去图书馆看书,最后回家。 Primeiro eu vou à universidade ter aulas de chinês, em seguida vou à biblioteca ler livros e, por fim, regresso a casa. Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE 86 7) Horas 7.1) 现在几点? “现在几点?” é a expressão chinesa para perguntar “Que horas são?”. É composta pelo substantivo 现在 (xiànzài) que significa “agora” ou “neste momento”, o pronome interrogativo 几 (Jǐ) e pelo classificador para horas 点 (diǎn). Porquê usar 几 e não 多少? 几 tem como função perguntar sobre uma quantidade limitada, sendo por isso usado em ciclos. Quando perguntamos a data de um determinado evento a alguém, é utilizada a expressão “几月几号” ou “几月几日”, isto porque um ano corresponde a um ciclo de 12 meses e um mês a um ciclo de 28-31 dias. Também um dia corresponde a um ciclo de 24 horas. 7.2) Indicadores de tempo Uma vez que a China recorre ao sistema de 12 + 12 horas, é necessário fazer a distinção das diferentes partes do dia. Em inglês, o dia é dividido em dois, separando cada parte do dia por AM e PM. Contudo, em chinês um dia pode ser dividido até sete partes: Indicadores de tempo Horário 早上 (Zǎoshang) ou 早晨 (Zǎochén) (manhã cedo) 06:00 - 09:00 上午 (Shàngwǔ) (manhã) 09:00 - 12:00 中午 (Zhōngwǔ) (meio-dia) 12:00 - 13:00 下午 (Xiàwǔ) (tarde) 13:00 - 18:00 Importante Na China, as horas não seguem o sistema de 24 horas assim como em Portugal, mas sim de 12 + 12 horas. Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE 87 晚上 (Wǎnshàng) (noite) 18:00 - 00:00 半夜 (Bànyè) (meia-noite) 00:00 - 03:00 凌晨 (Língchén) (madrugada) 03:00 - 06:00 (É importante referir que estes horários não seguem qualquer regra, sendo apenas aproximações feitas de modo a facilitar a compreensão e escolha do indicador de tempo a usar.) 7.3) Horas certas Horas + 点 + (钟) Nesta estrutura, o uso de 钟 (Zhōng) não é obrigatório, contudo a sua utilização enfatiza a exatidão da hora. 8 horas (certas) 八点(钟) 10 horas (certas) 十点(钟) 12 horas (certas) 十二点(钟) 7.4) Meia hora Horas + 点 + 半 A palavra 半 (Bàn) significa “metade”. Quando usada com horas, esta palavra expressa a ideia de metade de uma hora, sendo traduzida por “meia”. 8 horas e meia 八点半 10 horas e meia 十点半 7.5) Um quarto de hora Horas + 点 + ⼀ /三 + 刻 刻 (Kè) é o classificador para quartos de hora, ou seja, 15 minutos. Quando falamos em horas, este apenas pode ser usado com o número um (一) e três (三), sendo 三刻 equivalente a 45 minutos. Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE 88 8 horas e um quarto/ 8:15 八点一刻 10 horas e “três quartos”/10:45 十点三刻 7.6) Indicadores de tempo, horas e minutos Indicadores de Tempo + Horas + 点 + Minutos + (分) 分 (Fēn) atua como classificador para minutos. O seu uso torna-se obrigatório quando outra unidade de tempo menor é adicionada após 分 (ex: segundos). Os indicadores de tempo são colocados antes das horas para especificar a parte do dia onde estas se inserem, seguindo a regra chinesa “do maior para o menor”. ↓ ↓ ↓ (7:26 PM) 7 horas e 25 minutos da noite 晚上七点二十六(分) * (6:45 AM) 6 horas e 45 minutos da manhã 早上六点四十五(分) * (11:30 AM) 11 horas e 30 minutos da manhã 上午十一点三十分 * 半 e 刻 podem ambos ser substituídos pela escrita do seu respectivo número em extenso. Para além do que já foi acima referido, é importante ter em atenção a utilização de 分 com os minutos no intervalo de 1 a 9. A obrigatoriedade do uso do classificador depende da utilização de 〇 ou 零. com 〇 ou 零 sem 〇 ou 零 06:06 六点零六 11:01 ⼗一点〇⼀ 17:03 五点零三 22:04 ⼗二点〇四 分 分 分 分 06:06 六点六分 11:01 ⼗一点⼀分 17:03 五点三分 22:04 ⼗二点四分 Facultativo Obrigatório Indicadores de tempo Horas Minutos Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE 89 7.7) Horas + 点 + 差 + Minutos + 分 (trad. literal: Para as ?? horas, faltam ?? min.) 差 + Minutos + 分 + Horas + 点 (trad. literal: Faltam ?? min, para as ?? horas) No contexto desta estrutura, 差 (chà) assume a função de verbo de significado “faltar”. As duas estruturas expressam de formas diferentes a ideia de “Faltar ?? minutos para as ?? horas”. 6:45 AM Faltam 15 minutos para as 7 horas 七点差十五分 11:53 AM Faltam 7 minutos para as 12 horas 差七分十二点 Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE 90 Anexo X - Notas da Lição n.º 11 (Materiais complementares) Lição 11 第十一课 Tabela de termos 汉字 Hànzì Caracteres chineses 拼音 Pīnyīn Pinyin 意思 Yìsi Significado 例句 Lìjù Frase de exemplo 生词 Shēngcí Vocabulário Notas da Lição 1) Sujeito + 在 + Local + Predicado + Objeto 在 é uma preposição que enfatiza o local onde decorre uma ação e pode ser traduzido pelas preposições “em”, “no” e “na” em português. 例句: 我在大学学习汉语。 Eu estudo chinês na universidade. 我在学校前面的超市买水果。 Eu compro fruta no supermercado à frente da escola. 我的同屋在房间听音乐。 O meu colega de quarto ouve música no quarto. 他妈妈喜欢在图书馆看书。 A mãe dele gosta de ler livros na biblioteca. * * Uso do 喜欢 com 在: A palavra 喜欢 (Xǐhuān, gostar), morfologicamente falando, pode ser reconhecida de três formas: Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE 91 É importante notar que por 喜欢 se tratar de verbo psicológico este pode ainda ser acompanhado de advérbios de intensidade tais como “ 很 ”,“ 太 ... 了 ”, ou “ 非常 ”. 我很喜欢苹果。 Eu gosto muito de maçãs. Recuperando o exemplo acima: 他妈妈喜欢在图书馆看书。 A mãe dele gosta de ler livros na biblioteca. Neste caso, 喜欢 encontra-se antes do verbo principal 看, por se tratar de um verbo auxiliar. Mas qual a razão de 喜欢 se posicionar antes da preposição 在? Isto deve-se principalmente às diferentes possíveis formas de interpretação da frase da qual depende a posição de 喜欢. 例句: 1我喜欢在家画画儿。Eu gosto de pintar em casa. 2我在家喜欢画画儿。Eu em casa gosto de pintar. Na primeira frase podemos verificar que há um maior gosto por pintar quando esta ação é feita em casa. Contudo, a segunda frase dá a entender que gostar ou não gostar de pintar depende do local onde decorre a ação, ou seja, o sujeito apenas gosta de pintar quando se encontra em casa e não noutros lugares. 2) (Tempo) + Sujeito + (Tempo) + 在 + Local + Predicado + Objeto Quando se pretende especificar quando uma ação ocorre ou a sua frequência através de advérbios temporais, estes devem ser colocados antes de 在, podendo ser posicionados antes ou depois do sujeito. 妈妈常常在家看葡萄牙电视剧。 A mãe frequentemente vê programas de televisão portugueses em casa. 昨天我爸爸在厨房做午饭。 Ontem, o meu pai estava na cozinha a fazer o almoço. adjetivo 这是我喜欢的菜。 Este é o prato que eu gosto. verbo 我喜欢你。 Eu gosto de ti. verbo auxiliar 我喜欢看书。 Eu gosto de ler livros. Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE 92 我每天都在大学学习汉语。 Eu todos os dias estudo chinês na universidade. 生词 电视剧 (Diànshìjù) - programa de televisão, série de tv 厨房 (Chúfáng) - cozinha 午饭 (Wǔfàn) - almoço 3) Principais diferenças entre 工作 e 上班: 工作 (Gōngzuò) 上班 (Shàngbān) Forma geral de referir “trabalho”. É o ato de ir trabalhar, iniciar um turno de trabalho. (Semelhante à expressão “Picar o ponto”, contudo não deve ser traduzida pela mesma). Morfologicamente esta palavra pode assumir tanto o papel de substantivo “trabalho”, como o de verbo “trabalhar”. 老师在 Minho 大学工作。(Verbo) O professor trabalha na Universidade do Minho. 我很喜欢我的工作。(Substantivo) Eu gosto muito do meu trabalho. Morfologicamente assume o papel de verbo. 我爸爸早上八点去上班。 O meu pai vai trabalhar às 8 da manhã. 我每天都要去上班。** Eu tenho de ir trabalhar todos os dias. ** 要 é usado, neste caso, para descrever um dever ou uma obrigação. Pode ser utilizado com objetos eletrónicos: 我的电脑停止工作。 O meu computador parou de trabalhar. Não pode ser usado com objetos eletrónicos. Não possui antónimo. Possui antónimo. ( 下班 , Xiàbān - sair do trabalho) Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE 99 我对汉语感兴趣。 Eu relativamente à língua chinesa ter interesse. (Tradução literal) I towards the chinese language to be interested.(Tradução literal) Eu tenho interesse na língua chinesa (Tradução) 他对我的工作很满意。 Ele relativamente a meu trabalho muito satisfeito. (Tradução literal) He towards my work very satisfied.(Tradução literal) Ele está muito satisfeito com o meu trabalho. (Tradução) (Ver tabela de possíveis verbos a usar com 对 disponível no padlet na secção “Aspetos gramaticais”.) 2) 可是 可是 (Kěshì) é a conjunção adversativa “mas” para transmitir oposição. 例句: 我喜欢猫,可是它们不喜欢我。 Eu gosto de gatos, mas eles não gostam de mim. 你想打排球,可是他想打羽毛球。 Tu queres jogar voleibol, mas ele quer jogar badminton. * Assim como em português, é necessário usar a vírgula antes de 可是 . 3) 一样 (Yíyàng) Adjetivo utilizado para expressar a existência de uma característica igual entre duas realidades. 一样 é usualmente traduzido para “igual” ou “igualmente”. Eis três diferentes formas de usar: 3.1) Sujeito (plural) + ⼀样 我们一样。 Nós somos iguais. Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE 100 Para criar a forma negativa, é colocado 不 antes de 一样. 我们不一样。 Nós não somos iguais. 3.2) Sujeito A + 和/跟 + Sujeito B + ⼀样 这道菜和那道菜一样。 Este prato (de comida) e aquele prato são iguais. Assim como foi acima referido, para criar a forma negativa, é colocado 不 antes de 一样. 面包和包子不一样。 Pão e baozi não são iguais. 3.3) Sujeito A + 和/跟 + Sujeito B + ⼀样 + Adjetivo Ao contrário das estruturas acima referidas, que permitem dizer que tanto o sujeito A como o sujeito B são iguais, com a adição do adjetivo após “⼀样” esta nova estrutura permite declarar que sujeito A e sujeito B possuem uma mesma característica. 我和他一样高。 Eu e ele somos igualmente altos. 排球和乒乓球一样好玩。 Voleibol e pingue-pongue são igualmente divertidos (de jogar). Para a negação desta estrutura é importante ter em consideração que tanto 一样 (不一样 Adj) como o adjetivo (一样不 Adj) podem ser negados, contudo eles não transmitem a mesma mensagem. (不一样 Adj) → 葡萄和香蕉不一样好吃。 Uvas e bananas não são igualmente boas. (一样不 Adj) → 葡萄和香蕉一样不好吃。 Uvas e bananas são igualmente más (não boas). Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE 101 4) 上 vs 下 Outra função de 上 e 下 é que estes dois caracteres podem ser combinados com certas palavras para referir intervalos de tempo. Quando se dá esta combinação 上 passa a significar “anterior” ou “passado” e 下 “próximo”. Por exemplo: 上 下 上个月 Mês passado 下个月 Próximo mês 上个星期 Semana passada 下个星期 Próxima semana 上个周末 Fim de semana passado 下个周末 Próximo fim de semana *Ver tabela sobre o uso de 上 e 下 , 以后 e 以前 com dias, semanas, meses e anos disponível no padlet na secção “Aspetos gramaticais”. Porque é que 上 é associado a passado e 下 a futuro? Quando pensamos no conceito de tempo, temos tendência a imaginá-lo como uma linha que vai da esquerda para a direita: Passado Futuro De acordo com algumas teorias, isto deve-se principalmente à nossa língua, mais concretamente à nossa forma de escrever (da esquerda para a direita). O mesmo acontece com o chinês, que é tradicionalmente escrito de cima para baixo. Desta forma, podemos criar a seguinte linha temporal: Passado (上, cima) Futuro (下, baixo) Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE 102 5) 还是 (Háishì) vs 或者 (Huòzhě) 还是 或者 Ambas as palavras são morfologicamente classificadas como conjunções de significado “ou”. Seguem exatamente a mesma estrutura gramatical e oferecem duas opções numa frase: Sujeito + Predicado + Opção 1 + 还是 + Opção 2 ? Sujeito + Predicado + Opção 1 + 或者 + Opção 2 。 Usado em perguntas. 你喜欢喝茶还是咖啡? Gostas de beber chá ou café? 他是韩国人还是中国人? Ele é coreano ou chinês? Usado em afirmações. 我想喝茶或者咖啡。 Eu quero beber chá ou café. 明天我打篮球或者打乒乓球。 Amanhã, eu vou jogar basquetebol ou vou jogar ping-pong. Usado em perguntas embutidas.* 我不知道他喜欢喝茶还是咖啡。 Eu não sei se ele gosta de beber chá ou café. Não pode ser abreviado. Pode ser abreviado para 或. * Perguntas embutidas: Frases usualmente iniciadas por expressões como “Não sei se”, “Quero saber”, “Não tenho certeza“ e seguidas por duas opções “A ou B”. Este tipo de frases, apesar de serem afirmações, implicam que uma pergunta seja feita a alguém para se obter essa determinada informação, sendo por isso usada a conjugação 还是. 6) Sujeito + 坐 + Meio de Transporte + 去 / 来 / 回 + (Frase) + 开 + 骑 Esta estrutura permite indicar de que forma o sujeito se desloca para um local. Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE 103 Atente nos seguintes verbos: 坐 (Zuò, sentar) Quando usado com transportes, transmite a ideia de “andar como passageiro” e é utilizado para qualquer veículo no qual uma pessoa se possa sentar: 汽车,公共汽车,船,飞机,火车, etc 开 (Kāi, Conduzir) Utilizado quando o próprio sujeito conduz um veículo para se deslocar a um local. 骑 (Qí, montar) Utilizado não só em bicicletas, motas e similares, mas também com animais (ex: cavalo, camelo, etc) 走路 (Zǒulù) Utilizado para descrever a ação de se deslocar para um lugar a pé Além do que foi acima referido, é importante referir que a indicação de meio de transporte assemelha-se à de um advérbio, sendo por isso colocada antes do predicado da frase. 例句: 我的同学坐火车回家。 O meu colega regressa a casa de comboio. 老师骑摩托车来大学。 O professor vem para a universidade de mota. 我走路去书店。 Eu vou a pé para a livraria. 我爸爸每天都开车去波尔图。 O meu pai todos os dias vai ao Porto a conduzir. Formulação de Perguntas ● Estrutura + 吗? 你坐飞机去西班牙吗?Foste para Espanha de avião? ● Verbo (坐/开/骑) 不 Verbo (坐/开/骑) 他骑不骑自行车来我家?Ele veio ou não veio de bicicleta a minha casa? ● 怎么去 / 来 / 回 Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE 104 昨天妈妈怎么回家?Como (De que forma) é que a mãe regressou a casa ontem? ● Verbo (坐/开/骑) 什么车 你的朋友开什么车来公园?O teu amigo conduziu que veículo para vir ao parque? 7) 最 + Adjetivo 最 + Verbo (psicológico) O advérbio 最 (Zuì) possui uma função semelhante aos advérbios de intensificação 很, 太 e 非常, sendo usado exatamente da mesma forma, antes de um adjetivo ou verbo psicológico. Com 最 é possível formar adjetivos no seu grau superlativo. 我太渴了,现在最想喝水。 Estou cheio de sede, o que mais desejo agora é beber água. 那个超市卖城市最贵的草莓。 Aquele supermercado vendo os morangos mais caros da cidade. 生词: 渴 (Kě) - com sede, sedento; Verbos psicológicos Verbos que não são relativos a ações físicas, mas sim a sentimentos e emoções. Ex: 喜欢, 爱, 恨 (Hèn, odiar/detestar), 讨厌 (Tǎoyàn, não gostar/detestar), 想, … Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE 105 Anexo XII - Notas da Lição n.º 13 (Materiais complementares) Lição 13 第十三课 Tabela de termos 汉字 Hànzì Caracteres chineses 拼音 Pīnyīn Pinyin 意思 Yìsi Significado 例句 Lìjù Frase de exemplo 生词 Shēngcí Vocabulário Notas da Lição 1) 怎么 Sujeito + 怎么 + Predicado + Objeto O pronome interrogativo 怎么 possui duas funções: 1. Perguntar ao sujeito de que forma é realizada a ação; (“Como” ou “De que maneira”) 例句: A: 你怎么来大学? Como vieste para a universidade? (De que maneira vieste…?) B: 我骑自行车来大学。 Eu vim de bicicleta para a universidade. 你怎么学习汉语? Como é que tu estudas chinês? 2. Perguntar ao sujeito a razão pela qual praticou a ação; (“Porquê ou “Como”) 例句: 蛋糕怎么不甜? Porque é que o bolo não está doce? 你生病了,怎么来上课? Tu estás doente, porque é que vieste à aula? Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE 106 生词: 蛋糕 (Dàngāo, bolo) ; 甜 (Tián, doce) 2) 离 A palavra 离 (Lí) é um verbo que, apesar de sozinho ter significado de “distar”, quando usado numa frase deve ser traduzido por “ficar” (ex: ficar longe/perto). Este verbo é utilizado para indicar uma distância específica (ex: metros, quilómetros, etc) ou não específica (ex: longe/ perto) entre A e B, seguindo as seguintes estruturas: ● A + 离 + B + Distância não específica Nesta estrutura, é muito frequente o uso de advérbios de intensidade (很, 太...了, 非常) com 远 e 近. 我家离大学很远。 A minha casa fica muito longe da universidade. 卫生间离教室非常近。 A casa de banho fica extremamente perto da sala de aula. ● A + 离 + B + Distância específica Nesta estrutura, o uso do 远 é facultativo, assemelhando-se à expressão “de distância” utilizada em português. 公园离书店 50 米(远)。 O parque fica a 50 metros (de distância) da livraria. 地球离月球 384400 公里(远)。 O planeta terra fica a 384.400 quilómetros (de distância) da lua. 生词: 地球 (Dìqiú, Planeta Terra),月球 (Yuèqiú, Lua) Vocabulário Extra 毫米 (háo mǐ) Milímetro 分米 (Fēn mǐ) Decímetro Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE 107 厘米 (lí mǐ) Centímetro 米 (mǐ) Metro 千米 (Qiān mǐ) ou 公里 (gōng lǐ) Quilómetro Para criar uma frase negativa, mantém-se a estrutura e nega-se os adjetivos: A + 离 + B + 不 + Distância não específica 银行离图书馆不远。 O banco não fica longe da biblioteca. Existem três formas de questionar a distância entre A e B, fazendo uso de 离: A+ 离+ B + 远/近 + 吗? 超市离宿舍远吗? O supermercado fica longe do dormitório? A + 离 + B + 近不近?ou A + 离 + B + 远不远? 教室离图书馆近不近? A sala de aula fica ou não perto (perto ou não perto) da biblioteca? A+ 离 + B + 多远? 葡萄牙离西班牙多远? Quão longe fica Portugal de Espanha? 3) 了 aspetual vs 了 modal 了 aspetual 了 modal Indica a conclusão de uma ação, ou seja, que uma ação ficou ou irá ficar completa. Ocorre uma alteração de estado de uma pessoa ou objeto. Segue a seguinte estrutura: (Objeto simples - O objeto não possui qualquer informação a ele referido.) Sujeito + Predicado + Objeto + 了 Segue a seguinte estrutura: Sujeito + Predicado* + Objeto + 了 * O predicado pode incluir verbos, adjetivos ou Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE 108 我租房子了。 Eu aluguei uma casa. substantivos 我爸爸生病了。 O meu pai adoeceu. 他到了。 Ele chegou. 生词: 到 (Dào, chegar) (Objeto composto - Quando o objeto possui alguma característica ou informação extra a ele associado) Sujeito + Predicado + 了 + Objeto 我租了一套很大的房子。 Eu aluguei uma casa muito grande. ● Negação de frases 了 Ainda que nem sempre a ação ocorra no passado, a partícula 了 é a ele associado e, por isso, a sua negação é feita com 没有 ou simplesmente 没 . Quando se cria a negativa, nunca se usa a partícula 了 na frase. Sujeito + 没 (有) + Predicado + Objeto 我没有做作业。 Eu não fiz os trabalhos de casa. 我没去中国。 Eu não fui à China. ● Inquirir utilizando 了 Existem três formas: 1. Sujeito + Predicado + Objeto + 了 + 吗 ? 你看电影了吗?Tu viste o filme? 2. Sujeito + Predicado + Objeto + 了 + 没有? 你看电影了没有?Tu viste o filme? 3. Sujeito + Predicado + 没 + Predicado + Objeto? 你看没看电影?Tu viste o filme? Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE 115 Anexo XIV - Aspetos Gramaticais: Uso de 以前,以后,上 e 下 para períodos de tempo (Materiais complementares) Ano (年) Mês (月) Semana (星期) Dia (天) Passado 四年以前 (Sì nián yǐqián) Quatro anos atrás 四个月以前 (Sì gè yuè yǐqián) Quatro meses atrás 四个星期以前 (Sì gè xīngqí yǐqián) Quatro semanas atrás 大大前天 (Dà dà qiántiān) Quatro dias atrás 大前年 (Dà qiánnián) Três anos atrás 三个月以前 (Sān gè yuè yǐqián) Três meses atrás 三个星期以前 (Sān gè xīngqí yǐqián) Três semanas atrás 大前天 (Dàqiántiān) Três dias atrás 前年 (Qiánnián) Dois anos atrás 上上个月 (Shàng shàng gè yuè) Dois meses atrás 上上个星期 (Shàng shàng gè xīngqí) Duas semanas atrás 前天 (Qiántiān) Antes de ontem 去年 (Qùnián) Ano passado 上个月 (Shàng gè yuè) Mês passado 上个星期 (Shàng gè xīngqí) Semana passada 昨天 (Zuótiān) Ontem Presente 今年 (Jīnnián) Este ano 这个月 (Zhège yuè) Este mês 这个星期 (Zhège xīngqí) Esta semana 今天 (Jīntiān) Hoje Futuro 明年 (Míngnián) Próximo ano 下个月 (Xià gè yuè) Próximo mês 下个星期 (Xià gè xīngqí) Próxima semana 明天 (Míngtiān) Amanhã 后年 (Hòu nián) Daqui a dois anos 下下个月 (Xià xià gè yuè) Daqui a dois meses 下下个星期 (Xià xià gè xīngqí) Daqui a duas semanas 后天 (Hòutiān) Depois de amanhã 大后年 (Dà hòu nián) Daqui a três anos 三个月以后 (Sān gè yuè yǐhòu) Daqui a três meses 三个星期以后 (Sān gè xīngqí yǐhòu) Daqui a três semanas 大后天 (Dàhòutiān) Daqui a três dias 四年以后 (Sì nián yǐhòu) Daqui a quatro anos 四个月以后 (Sì gè yuè yǐhòu) Daqui a quatro meses 四个星期以后 (Sì gè xīngqí yǐhòu) Daqui a quatro semanas 大大后天 (Dà dàhòutiān) Daqui a quatro dias Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE 116 Anexo XV - Aspetos Gramaticais: Lista de Verbos-Objeto (Materiais complementares) Lista Verbos-Objeto (离合词, líhécí) Lições n.º 9 a 12 汉字 拼音 意思 起//床 qǐ//chuánɡ Acordar Levantar-se da cama 洗//澡 xǐ//zǎo Tomar banho 上//网 shànɡ//wǎnɡ Aceder/estar na internet 开//门 kāi//mén Abrir a porta Abrir/ estar aberto (loja) 开//车 kāi//chē Conduzir 见//面 jiàn//miàn Encontrar-se (com) 游//泳 yóu//yǒng Nadar 跑//步 pǎo//bù Correr 睡//觉 shuì//jiào Dormir 打//球 dǎ//qiú Jogar à bola (mão) 打//蓝球 dǎ//lánqiú Jogar basquetebol 打//排球 dǎ//páiqiú Jogar voleibol 打//乒乓球 dǎ//pīngpāngqiú Jogar pingue-pongue 打//羽毛球 dǎ//yǔmáoqiú Jogar badminton 踢//球 tī//qiú Jogar à bola (pé) 踢//足球 tī//zúqiú Jogar futebol Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE 117 爬//山 pá//shān Escalar (montanha) 画//画儿 huà//huà er Desenhar, pintar 聊//天儿 liáo//tiān er Falar, conversar 上//班 shàng//bān Trabalhar 下//班 xià//bān Sair do trabalho 做//饭 zuò//fàn Cozinhar ⾛//路 zǒu//lù Ir a pé, caminhar 报//名 bào//míng Inscrever-se 唱//歌 chàng//gē Cantar 跳//舞 tiào//wǔ Dançar Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE 118 Anexo XVI - Materiais originários de pedidos dos alunos (Secção Extra do Padlet) Exercícios com partícula 了 e 过 - Soluções 1. Identifique se a partícula 了 utilizada é aspetual ou modal. a) 已经下午六点了。 (了 Modal - Mudança de Estado/Situação nova) b) 他买了一辆自行车。 (了 Aspetual - Ação terminada) c) 妈妈看了这部韩国电影。 (了 Aspetual - Ação terminada) d) 前天你买了多少报纸? (了 Aspetual - Ação terminada) e) 我已经会说汉语了。 (了 Modal - Mudança de Estado/Situação nova) f) 她在超市旁边的饭馆吃午饭了。 (了 Aspetual - Ação terminada) g) 她是医生了。 (了 Modal - Mudança de Estado/Situação nova) h) 我朋友已经请我去他家玩儿了。 (了 Aspetual - Ação terminada) i) 同学们知道教室在那儿了。 (了 Modal - Mudança de Estado/Situação nova) j) 我爸爸生病了。 (了 Modal - Mudança de Estado/Situação nova) k) 我回家以后洗了个澡。 (了 Aspetual - Ação terminada) l) 哥哥喜欢喝咖啡了。 (了 Modal - Mudança de Estado/Situação nova) 2. Traduza as seguintes frases, fazendo uso da partícula 了 : a) A mãe do meu colega de escola trabalhou em Espanha. (我同学的妈妈在西班牙工作了。) b) Este ano eu farei 53 anos. (今年我五十三岁了。) c) Todos os dias como pão, mas hoje quero comer bolo. (我每天都吃面包,可是今天想吃蛋糕了。) d) Antes de ter comprado um carro, ele ia para a universidade de autocarro. (买了一两汽车以前,他坐公共汽车去大学。) e) Agora é uma da tarde, mas os alunos já estão na sala a assistir às aulas. (现在下午一点,可是学生已经在教室上课了。) f) Arrumaste o teu quarto? (你收拾房间了没有?你收拾房间了吗?) 3. Escolha a posição correta, A ou B, para a partícula 了. Caso 了 não pertença à frase, assinale o espaço em branco com X. Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE 119 a) 你吃 (A) 早饭 (B) 没有? (B) b) 今天马丁没来 (A) 上课,老师说她生病 (B) 。 (B) c) 我早上喝 (A) 咖啡 (B) 。 (B) d) 对不起,我昨天没做 (A) 作业 (B) 。 (X) e) 你去医院看 (A) 病 (B) 吗? (B) f) 最近身体不太好。昨天我吃 (A) 很多药 (B) 。 (A) g) 你喝没喝 (A) 绿茶 (B) ? (X) h) 他昨天看 (A) 什么报纸 (B) ? (A) 4. Atente as seguintes frases e escolha qual das partículas, 了 ou 过, pertence à frase e a sua posição (A, B ou C). Exemplo de resposta: (A - 了) a) 我从来没 (A) 学 (B) 法语 (C) 。 (B - 过) b) 前天我买 (A) 一件 (B) 毛衣 (C) 。 (A - 了) c) 妈妈不太喜欢吃 (A) 水果,可是昨天他吃 (B) 葡萄 (C) 。 (C - 了) d) 我朋友曾经 (A) 在中国搬 (B) 家 (C) 。 (B - 过) e) 他的同学没看 (A) 这本日语 (B) 书 (C) 。 (A - 过) f) 我昨天已经 (A) 来 (B) 这个地方 (C) 。 (B - 了) 5. Traduza as seguintes frases. a) O meu irmão mais novo nunca comeu baozi na China. (我弟弟在中国从来没吃过包子。) b) Quando fui à casa do meu amigo, nós jogámos voleibol. (我去朋友家的时候,我们打排球了。) c) Ele não teve a experiência de praticar Taijiquan, mas a irmã mais nova dele já praticou. (他没打过太极拳,可是他妹妹曾经打过。) d) Hoje não fui às aulas de caligrafia, porque constipei-me. (今天我没上书法课,因为感冒了。) Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE 120 Anexo XVII - Questionário “Formas de Apoio na aprendizagem de Chinês Língua Estrangeira” Qual é o seu nome? R:_________________________________________________________ Qual é a sua idade? R:_________________________________________________________ Gosta da Língua Chinesa? ⬜ Sim ⬜ Não ⬜ Não Sei Em média, quantas horas semanais dedica ao estudo da língua chinesa? ⬜ 0 horas ⬜ Entre 1 e 2 horas ⬜ Entre 3 e 5 horas ⬜ Entre 5 e 10 horas ⬜ Mais de 10 horas Que língua pretende continuar a estudar nos próximos anos? ⬜ Chinês ⬜ Japonês ⬜ Pretendo desistir do curso Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE 121 Sentiu-se motivado em aprender a língua chinesa no primeiro semestre? ⬜ Sim ⬜ Não Comparado ao primeiro semestre, sentiu-se mais motivado/a em aprender chinês neste semestre? Porquê? ⬜ Sim ⬜ Não ⬜ O nível de motivação manteve-se igual ⬜ Nunca tive motivação Porquê? R:_________________________________________________________ Sente que, na sua generalidade, a forma como a língua chinesa é lecionada no curso é boa? Desenvolva sobre os aspetos positivos e negativos e/ou formas de melhorar. (Possíveis pontos a referir: Métodos de ensino dos professores, manuais utilizados, tempo de aulas semanais, etc...) R:_________________________________________________________ No decorrer do segundo semestre, fez uso dos materiais de apoio disponibilizados na plataforma Padlet? ⬜ Sim ⬜ Não Se respondeu "Não", porquê? Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE 122 R:_________________________________________________________ Se fez uso da plataforma Padlet , qual foi para si o campo mais útil? ⬜ Apoio de Lições ⬜ Aspetos Gramaticais ⬜ PPTs com exercícios corrigidos em Aula (Apoios) ⬜ Vocabulário Extra ⬜ Extra (Exercícios + Correção de Miniteste) ⬜ Dúvidas ⬜ Sugestões/Pedidos ⬜ Não usei ⬜ Foram todos úteis ⬜ Nenhum foi útil Crê que as diferentes formas de apoio ao estudo e à aprendizagem disponibilizadas durante o semestre foram uma mais valia para um melhor entendimento da matéria lecionada? (Apoios na aula e materiais de apoio no Padlet ) ⬜ Sim ⬜ Não ⬜ Não sei Acredita que os materiais extra e a participação em apoios proporcionou uma melhoria nas suas notas? ⬜ Sim ⬜ Não ⬜ Não sei Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE 123 ⬜ Talvez Qual ou quais foram para si os aspetos mais positivos dos apoios ocorridos em sala de aula? R:_________________________________________________________ E os mais negativos? R:_________________________________________________________ Na sua opinião, de que forma é que estes apoios poderiam ser melhorados? R:_________________________________________________________ Entre os materiais disponibilizados na plataforma Padlet e os apoios que ocorreram em contexto de sala de aula, qual foi para si o mais proveitoso? Porquê? ⬜ Padlet ⬜ Apoios ⬜ Os dois ⬜ Nenhum R:_________________________________________________________ Crê que a existência de um apoio semanal seria uma mais valia para os alunos e uma boa adição ao curso? (apoio para revisões, correção de TPC, resolução de exercícios, dúvidas, etc...) ⬜ Sim ⬜ Não ⬜ Talvez ⬜ Não sei Dificuldade na aprendizagem do Chinês Língua Estrangeira: Apoio ao estudo para iniciantes de CLE 124 Anexo XVIII - Ficha de Apreciação de Desempenho de Estágio