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Ansiedade em crianças em idade pré-escolar no pós-pandemia: o olhar dos profissionais da Educação de Infância

Author: Rodrigues, Sara Daniela Carvalho
Year: 2025
Source: https://repositorium.uminho.pt/bitstreams/c41f2740-cee8-42f9-9fa8-4b479e11ed28/download
Sa a Daniela Ca alho Rod igues
Ansiedade em C ianças em Idade P é-Escola no
Pós-Pandemia: O Olha dos P o issionais da
Educação de In ância
junho de 2025
Ansiedade em C ianças em Idade P é-Escola no Pós-Pandemia:
O Olha dos P o issionais da Educação de In ância
Sa a Rod igues
UMinho | 2025
Sa a Daniela Ca alho Rod igues
Ansiedade em C ianças em Idade P é-Escola no Pós-
Pandemia: O Olha dos P o issionais da Educação de
In ância
Disse ação de Mes ado
Mes ado em Es udos da C iança
T abalho ealizado sob a o ien ação da
Dou o a Susana Cai es
junho de 2025
ii
DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS
Es e é um abalho académico que pode se u ilizado po e cei os desde que espei adas as
eg as e boas p á icas in e nacionalmen e acei es, no que conce ne aos di ei os de au o e
di ei os conexos.
Assim, o p esen e abalho pode se u ilizado nos e mos p e is os na licença abaixo
indicada.
Caso o u ilizado necessi e de pe missão pa a pode aze um uso do abalho em condições
não p e is as no licenciamen o indicado, de e á con ac a o au o , a a és do Reposi ó iUM
da Uni e sidade do Minho.
A ibuição-NãoCome cial-SemDe i ações
CC BY-NC-ND
h ps://c ea i ecommons.o g/licenses/by-nc-nd/4.0/
iii
AGRADECIMENTOS
P imei amen e, ag adece aos meus pais e à minha i mã, que possibili a am a
conclusão de mais uma e apa na minha ida, ajudando-me a e le i sob e o abalho a
desen ol e , azendo-me ac edi a que quando se de inem obje i os de ida os mesmo
podem se alcançados, com es o ço, dedicação e paciência.
À Dou o a Susana Cai es, começo po ag adece e acei e o ien a a minha
disse ação, po oda a dedicação, pela disponibilidade pa a euniões ao longo do p esen e
ano, po odo o ma e ial de abalho que me disponibilizou, pela disponibilidade de me
acompanha nas en e is as que lhe o am possí eis e pelas c í icas cons u i as no deco e
da disse ação que me ajuda am imenso e que le a ei no u u o pa a p óximos abalhos.
A odos os docen es que me acompanha am ao longo do p imei o ano de Mes ado,
acul ando-me e amen as que me possibili a am ap o unda mais os meus conhecimen os.
Às Di eções das Ins i uições, Educado as de In ância, Assis en es Ope acionais e
Psicólogas, pela disponibilidade e pela colabo ação, pois sem as mesmas a ecolha de dados
não e ia sido possí el.
Às minhas amigas ag adeço po nunca me deixa em desis i , pelo apoio e con iança ao
longo des e pe cu so.

i
DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE
Decla o e a uado com in eg idade na elabo ação do p esen e abalho académico e
con i mo que não eco i à p á ica de plágio nem a qualque o ma de u ilização inde ida ou
alsi icação de in o mações ou esul ados em nenhuma das e apas conducen e à sua
elabo ação.
Mais decla o que conheço e que espei ei o Código de Condu a É ica da Uni e sidade do
Minho.
ANSIEDADE EM CRIANÇAS EM IDADE PRÉ-ESCOLAR NO PÓS-PANDEMIA: O OLHAR DOS
PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO DE INFÂNCIA
RESUMO
Es e abalho p e endeu a e igua as pe ceções dos p o issionais da Educação de In ância
ela i amen e ao po encial impac o da Pandemia Co id-19 no bem-es a emocional das
c ianças em idade P é-Escola , designadamen e se es a con ibuiu pa a o eme gi ou ag a a
de quad os de ansiedade en e es e g upo e á io. Conside ando es es p o issionais como
in o man es-cha e des es p ocessos, p ocu ou-se auscul a o seu olha sob e e en uais
di e enças pe cecionadas nos ní eis de ansiedade e bem-es a ge al das c ianças com idades
comp eendidas en e os 3 e os 6 anos an es da Pandemia e o mesmo g upo e á io no pós-
pandemia. O es udo ealizou-se a pa i de g upos ocais jun o de no e educado as de
in ância e cinco assis en es ope acionais a abalha em con ex os de educação P é-Escola –
da es e a pública -, inse idos em meio u bano, u al e semi u al do no e de Po ugal. Os
esul ados do es udo e ela am que as c ianças des a aixa e á ia mani es am ansiedade no
seu dia a dia em con ex o de educação P é-Escola , a qual é a ibuída a á ios a o es que
não apenas ci cunsc i os ao pe íodo da Pandemia. Segundo es as p o issionais, é
especialmen e na ansiedade dos pais, no seu acele ado i mo de ida, na sua pa ca
disponibilidade ( ísica e emocional) pa a a c iança, e/ou na pouca paciência pa a lida com as
suas demandas (de a e o, de a enção, de empo pa a b inca ) que eside a o igem de g ande
pa e das mani es ações cogni i as, emocionais e compo amen ais obse adas en e es as
c ianças e que deno am a p esença de ansiedade nas suas idas. Ou seja; pa ece que algum
do mal-es a e os a asos desen ol imen ais obse ados po es e g upo de p o issionais
en e as c ianças com que lidam dia iamen e no seu con ex o labo al (nascidas um pouco
an es, du an e ou pouco depois da Pandemia) são um e ei o “cola e al” do p óp io mal-es a
e “indisponibilidade” dos pais, dando luga a p ocessos p oximais mais pob es (em e mos
de es imulação, a e o, a enção), mais ensos e/ou menos a en os aos seus “ i mos” e
ca ac e ís icas desen ol imen ais. Nas conside ações inais do p esen e abalho deixam-se
ica algumas suges ões de in e enção bem como de in es igação no sen ido de uma
comp eensão mais ampla e p o unda dos enómenos em es udo.
Pala as-cha e: ansiedade, c iança, Pandemia, pe ceções dos p o issionais Educação de
i
In ância
ANXIETY IN PRESCHOOL CHILDREN IN THE POST-PANDEMIC PERIOD: THE PERSPECTIVE OF
EARLY CHILDHOOD EDUCATION PROFESSIONALS
ABSTRACT
This wo k aimed o in es iga e he pe cep ions o ea ly childhood educa ion p o essionals
ega ding he po en ial impac o he COVID-19 pandemic on he emo ional well-being o
p eschool-aged child en, namely whe he i con ibu ed o he eme gence o wo sening o
anxie y among his age g oup. Conside ing hese p o essionals as key in o man s in hese
p ocesses, we sough o hea hei iews on any pe cei ed di e ences in he le els o
anxie y and gene al well-being o child en aged be ween 3 and 6 yea s old be o e he
pandemic and he same age g oup in he pos -pandemic pe iod. The s udy was conduc ed
using ocus g oups wi h nine p eschool eache s and i e ope a ional assis an s wo king in
public p eschool educa ion con ex s in u ban, u al, and semi- u al a eas in no he n
Po ugal. The esul s o he s udy e ealed ha child en in his age g oup expe ience anxie y
in hei daily li es in he p eschool educa ion con ex , which is a ibu ed o se e al ac o s
ha a e no limi ed o he pandemic pe iod. Acco ding o hese p o essionals, i is especially
in he anxie y o pa en s, hei as -paced li es yle, hei limi ed a ailabili y (physical and
emo ional) o he child, and/o hei lack o pa ience in dealing wi h hei demands ( o
a ec ion, a en ion, ime o play) ha lies a he oo o mos o he cogni i e, emo ional,
and beha io al mani es a ions obse ed among hese child en, which deno e he p esence
o anxie y in hei li es. In o he wo ds, i seems ha some o he discom o and
de elopmen al delays obse ed by his g oup o p o essionals among he child en hey deal
wi h daily in hei wo k con ex (bo n sho ly be o e, du ing, o sho ly a e he pandemic)
a e a “colla e al” e ec o he pa en s' own discom o and “una ailabili y,” gi ing ise o
poo e p oximal p ocesses (in e ms o s imula ion, a ec ion, a en ion), which a e mo e
ense and/o less a en i e o hei “ hy hms” and de elopmen al cha ac e is ics. In he inal
conside a ions o his pape , some sugges ions o in e en ion and esea ch a e o e ed
wi h a iew o a b oade and deepe unde s anding o he phenomena unde wo k.
Keywo ds: anxie y, child, Pandemic, pe cep ions o Ea ly Childhood Educa ion
p o essionals
ii
ÍNDICE
AGRADECIMENTOS ..................................................................................................................... iii
RESUMO ......................................................................................................................................
ABSTRACT ................................................................................................................................... i
In odução .................................................................................................................................. 1
PARTE I – Componen e Teó ica .................................................................................................. 4
CAPÍTULO I – O Modelo Bioecológico do Desen ol imen o Humano ....................................... 4
In odução .................................................................................................................................. 4
1.1. Dimensões nuclea es do Modelo Bioecológico do Desen ol imen o Humano . 6
Con ex o ..................................................................................................................................... 6
P ocesso ..................................................................................................................................... 6
Pessoa ......................................................................................................................................... 7
Tempo......................................................................................................................................... 9
CAPÍTULO II – Ansiedade na C iança P é-Escola ..................................................................... 11
In odução ................................................................................................................................ 11
1. Ansiedade na C iança nos P imei os Anos de Vida ...................................................... 11
2. Ansiedade No mal s Ansiedade Pa ológica ................................................................ 14
3. E iologia das Pe u bações de Ansiedade no P é-Escola ............................................ 16
CAPÍTULO III – Ansiedade em empos de Pandemia ............................................................... 19
1. Pandemia Co id-19 ...................................................................................................... 19
2. O impac o da Pandemia no Mac ossis ema……………………………………………………………..20
3. O impac o da Pandemia no Mic ossis ema amilia .................................................... 21
4. A i ência das c ianças: o impac o da Pandemia no desen ol imen o e bem-es a da
c iança .......................................................................................................................... 25
PARTE II – Componen e Empí ica ............................................................................................. 33
CAPÍTULO IV – Me odologia do Es udo Empí ico .................................................................... 33
In odução ................................................................................................................................ 33
1. Ques ões de In es igação ............................................................................................ 33
2. Obje i os ...................................................................................................................... 34
2.1. Obje i os Ge ais .................................................................................................... 34
2.2. Obje i os Especí icos ............................................................................................ 34
3. Tipologia de es udo ........................................................................................................ 35
4. P ocedimen os de ecolha de dados .............................................................................. 35
5. Pa icipan es .................................................................................................................. 36
6. Ins umen os .................................................................................................................. 37
7. T a amen o e análise dos dados .................................................................................... 37
CAPÍTULO V – RESULTADOS ..................................................................................................... 38
Tema 1: Mani es ações de ansiedade na c iança .................................................................... 38
Tema 2: Fa o es ge ado es de ansiedade na c iança ............................................................... 39
2.1. A ansiedade dos pais ............................................................................................. 39
2.2. P oblemas amilia es ............................................................................................. 43
2.3. Es ilos educa i os pa en ais .................................................................................. 44
2.4. A “ausência” dos pais ............................................................................................ 45
6
1.1. Dimensões nuclea es do Modelo Bioecológico do Desen ol imen o Humano
Con ex o
O Modelo Bioecológico, cuja p imei a e são como e e ido an e io men e, é p opos a
em 1979 assume como p incipais de e minan es do desen ol imen o humano os con ex os
onde es e em luga , mais p ecisamen e aqueles em que se encon am em qua o ní eis
ambien ais: o mic ossis ema, o mesossis ema, o exossis ema e o mac ossis ema.
O mic ossis ema é o sis ema ecológico mais p óximo, o qual comp eende as elações
en e a pessoa em desen ol imen o e os ambien es mais p óximos da c iança, como a
amília e a escola (B on enb enne & Mo is, 1998, ci . po Pole o & Kolle , 2008). O
mesossis ema inclui as elações en e dois ou mais mic ossis emas onde a pessoa em
desen ol imen o pa icipa a i amen e (e.g., elações amília-escola). O seu messosis ema é
ampliado semp e que a c iança em desen ol imen o equen a num no o ambien e
(B on enb enne & Mo is, 1998, ci . po Pole o & Kolle , 2008). O exossis ema en ol e os
ambien es que a c iança não equen a como pa icipan e a i o, mas que êm uma
in luência indi e a sob e o seu desen ol imen o, podendo comp eende es u u as sociais
o mais e in o mais, como o emp ego dos pais ou o seu g upo de amigos e amília de o igem.
(B on enb enne , 1996). Po úl imo, o mac ossis ema engloba os pad ões sociocul u ais da
comunidade/sociedade mais ampla em que a c iança se desen ol e, aba cando os alo es,
c enças, polí icas e o pad ão global de ideólogas que igo am nessa sociedade. Delas são
exemplo, as ep esen ações sociais da c iança (e.g., suas capacidades, necessidades e/ou
di ei os); as polí icas de p o eção à c iança; ou legislação ela i a à escola idade ob iga ó ia.
P ocesso
Segundo B on enb enne e Mo is (1998), as mudanças que acon ecem no
desen ol imen o da pessoa, es ão ligadas ao p ocesso. O p ocesso engloba in e ações
ecíp ocas, em e mos de complexidade, en e o indi íduo em desen ol imen o e as
pessoas, obje os e símbolos que exis em nos seus ambien es mais imedia os. Delas são
exemplo, no caso da c iança. As in e ações da pessoa p o ocam mudanças nas suas
ca ac e ís icas biopsicológicas, o iginando mudanças no con ex o. (Leme, 2016, ci . po
B on enb enne & E ans, 2000).

7
Segundo os au o es do Modelo, o desen ol imen o humano acon ece a a és
daqueles que designam de “p ocessos p oximais”, os quais co espondem à o ma mais
indi idual de in e ação en e a pessoa e o ambien e, p ocessos esses que oco em de o ma
egula , ao longo do empo. Tais p ocessos de in e ação da pessoa com as pessoas, obje os
e/ou símbolos dos seus ambien es mais imedia os es imulam (ou inibiem), segundo
B on enb enne e Mo is (1998, ci . po Leme, 2016), a a enção, a explo ação, a
manipulação e a imaginação da pessoa, assumindo-se, po esse mo i o, como os p incipais
mo o es do desen ol imen o de qualque se humano, nas suas di e en es es e as (e.g.,
social, mo al, a e i a). Pa a que al possa oco e , es as in e ações (p ocessos p oximais)
su gem com egula idade po longos pe íodos de empo.
Pessoa
Es e elemen o do Modelo Bioecológico (Leme, 2016, ci . po B on enb enne & Mo is,
1998), ab ange as ca ac e ís icas biológicas e psicológicas da Pessoa em desen ol imen o.
Segundo os seus au o es, ais ca ac e ís icas são, simul aneamen e p odu o as e p odu os
do desen ol imen o. Enquan o p odu o as, es as in luenciam a o ma, a o ça, o con eúdo e
a di eção dos p ocessos p oximais; enquan o p odu o, es as são o esul ado da in e ação
com os con ex os, ao longo do seu ciclo de ida (B on enb enne , 1999, 2005) es ando o
desen ol imen o associado à “concepção de e olução da pessoa sob e o ambien e
ecológico, sua elação com ele, e ambém com a c escen e capacidade da pessoa de
descob i , sus en a ou al e a suas p op iedades” (2011, p. 91; ci . po Sousa, no p elo).
Quan o à in luência das ca ac e ís icas da Pessoa no cu so do seu desen ol imen o, o
Modelo assume que a in e ação do indi íduo com os seus con ex os é e o çada quando as
suas ca ac e ís icas mo imen am, sus en am e enco ajam os p ocessos de in e ação com
di e en es aspe os de ais con ex os e seus p o agonis as, sendo es as ca ac e ís icas: a
Fo ça/Disposições, Recu sos e as Demandas, B on enb enne e Mo is (1998; ci . po Leme,
2016).
Po Fo ça/Disposições, B on enb enne e Mo is (1998, p. 995) en endem se a a das
ca ac e ís icas de uma pessoa que ap esen am p obabilidades de in luencia o
desen ol imen o u u o uma ez que são esponsá eis pela o ma como o indi íduo se
elaciona com o ambien e e com os ou os, não e ocando p op iamen e as eações des es
8
úl imos, mas moldando a esponsi idade do indi íduo ao mesmo (Bhe ing & Sa kis, 2009; p.
12). No Modelo, os au o es assumem que as disposições de e minam “a o ma como a
pessoa se elaciona com o ambien e e assegu am que os p ocessos p oximais es ejam em
mo imen o e con inuem a p omo e o desen ol imen o da pessoa” (B on enb enne &
Mo is, 1998, p. 995) e ab angem a ibu os pessoais p esen es desde o nascimen o e que
podem con ibui pa a a qualidade dos p ocessos p oximais, conduzindo a esul ados de
compe ências (e.g, sen ido de au oe icácia, au oes ima) ou a dis unções (e.g., insegu ança,
ansiedade) (Leme, 2016). Como nos suge em B on enb enne e Ceci (1993), den e as
ca ac e ís icas da pessoa podem, po exemplo, exis i p oblemas gené icos, de iciências
ísicas e men ais, doenças ou p ocessos degene a i os que possi elmen e ão agi como
inibido es pessoais do desen ol imen o. Nesse caso es a ão em cu so às ações inibido as,
sendo essas: a impulsi idade. Delas são exemplo a cu iosidade; a capacidade pa a ajus a
a i idades soli á ias ou cole i as; a impulsi idade; a in empes i idade; a apa ia; a dis ação;
a i esponsabilidade, a insegu ança e a imidez excessi a (B on enb enne & Mo is, 1998,
ci . po Leme, 2016).
Quan o às ca ac e ís icas dos Recu sos, es as dizem espei o aos “ ecu sos
bioecológicos de capacidade, expe iência, conhecimen o e habilidade necessá ios pa a o
uncionamen o e e i o dos p ocessos p oximais em um de e minado es ágio do
desen ol imen o humano” (B on enb enne & Mo is, 1998; p. 995, ci . po Souza, no
p elo). Segundo os au o es, ais compe ências, conhecimen os e expe iências o mam-se ao
longo do cu so de ida e de cada indi íduo (Leme, 2016).
Po im, as Demandas, ab angem as ca ac e ís icas pessoais que enco ajam ou inibem
eações do ambien e social, eações essas que podem p omo e ou impedi a oco ência de
p ocessos p oximais (B on enb enne & Mo is, 1998, ci . po Leme, 2016). Es as Demandas
podem se in luenciadas pelas ca ac e ís icas do indi íduo, como po exemplo: apa ência
ísica, a idade, o géne o, a e nia, as quais so em a in luência dos papéis es abelecidos pela
cul u a onde a pessoa es á inse ida.
Segundo Souza (no p elo), associado a es as Demandas eme ge um ou o impo an e
concei o: o de Ca ac e ís icas Desen ol imen almen e Ins igado as. Nas pala as de
B on enb enne (2011) es as co espondem aos “modos de compo amen o e as c enças
que e le em uma o ien ação a i a, sele i a e es u u ada ol ada ao ambien e e/ou
endendo a p o oca eações ambien ais” (p. 172; ci . po Souza, no p elo). Es a
9
ca ac e ís ica eme ge quando a pessoa, a i a e espon aneamen e, eo ganiza o ambien e,
ampliando, dessa o ma, a sua capacidade pa a a ai a a enção do ou o, pa a p omo e a
in e ação ecíp oca e/ou in luencia o compo amen o de ou em. A a és dessa endência
es u u an e, o indi íduo amplia o cí culo de pessoas que in e agem consigo no seu
ambien e imedia o. B o enb enne e Mo is ac escen am, ainda, o concei o de C enças
Di e i as, as quais dizem espei o à pe ceção que a pessoa em da sua p óp ia expe iência,
ou seja; as suas c enças sob e a sua elação com o meio e da sua capacidade pa a o
in luencia .
Quan os aos es udos que conside am as ca ac e ís icas da pessoa e as suas in e ações
nos di e en es con ex os, B on enb enne (2011) ale a pa a a necessidade de se
obse a em si uações oco idas em di e en es con ex os e com di e en es in e locu o es. No
caso, po exemplo, dos es udos com c ianças, é impo an e conside a as in e ações com os
pais, os amigos, os educado es, de endo igualmen e conside a -se, se possí el, a pe ceção
que a c iança em de si mesma.
Tempo
A qua a dimensão do Modelo epo a-se à a iá el Tempo. Segundo B on enb enne
e Mo is (1998), o desen ol imen o oco e ao longo do empo e, pa a comp eende o
desen ol imen o do indi íduo, é necessá io analisa as mudanças e con inuidades que
o am ma cando o seu ciclo de ida e o dos con ex os em que i e (ao ní el, po exemplo, do
sis ema social, económico, poli ico e cul u al), e cujas ca ac e ís icas ão-se man endo ou
modi icando ao longo das ge ações (alguns dos quais uncionando como “ma cos his ó icos”
na ida de uma amília), e sendo a e adas pelo momen o his ó ico i ido (B on enb enne ,
1994, ci . po Leme, 2016). Assim, nes e p ocesso, há que conside a , simul aneamen e, as
ca ac e ís icas do indi iduo e as do meio sociocul u al, as quais ão a iando em unção do
empo his ó ico e dos seus e ei os cumula i os (Del P e e & Del P e e, 2001). Há que,
igualmen e, conside a , na aje ó ia de ida do indi íduo, os acon ecimen os de ida
no ma i os (e.g. en ada pa a o in an á io, nascimen o de um i mão) e os não no ma i os
(e.g. doença, aciden e g a e, di ó cio pa en al) como ge ado es de al e ações na elação
indi íduo-meio (Polle o & Kolle , 2008).
De e e i que es a qua a dimensão eme ge apenas na 3ª e são do Modelo
10
Bioecológico, e deco e da cons a ação de que o es udo do desen ol imen o e a
comp eensão das descon inuidades e mudanças oco idas na es u u a biológica e
psicológica dos se es humanos ao longo do seu cu so de ida em que con empla as
a iá eis c onológicas. Assim, no âmbi o des a no a o mulação, a passagem do empo deixa
de se a ada como se osse apenas sinónimo de idade c onológica, passando o momen o e
a sequência em que de e minados e en os oco em no ciclo de ida do indi íduo, bem como
o con ex o his ó ico mais amplo (da humanidade) em que se enquad am a se conside ados.
Assim, a a és da análise des a no a dimensão – C onossis ema – é possí el, po exemplo,
iden i ica o impac o que – isolada ou sequencialmen e – alguns e en os e expe iências
i idos an e io men e pelo indi íduo i e am no seu desen ol imen o subsequen e.
11
CAPÍTULO II – Ansiedade na C iança P é-Escola
In odução
De aco do com Amo im e Polle o (2021), a ansiedade na c iança P é-Escola é um
enómeno cada ez mais equen e no cená io mundial, azendo consequências g a es pa a
o desen ol imen o dos indi íduos. Tal enómeno pode se en endido como um mecanismo
de au op o eção que su ge de o ma espon ânea quando a c iança é con on ada com
si uações que lhe podem aze a sensação de pe igo, pa a si e/ou pa a os seus conhecidos
(Asbah , 2004; S alla d, 2010). Nas pala as de Almeida e Viana (2013, p.471) - epo ando-
se aos concei os de medo e ansiedade na c iança, es es “…são um conjun o de es a égias
p ecocemen e desen ol idas que ão desde a pe ceção (de ameaça) a é à execução ápida
de ações que êm como obje i o a p o eção do indi íduo pe an e uma ameaça ou o pe igo”.
1. Ansiedade na C iança nos P imei os Anos de Vida
Em e mos desen ol imen ais, alguns dos medos exis en es en e os se es humanos
êm ca ac e ís icas ina as e são desencadeados po es ímulos in ensos e súbi os como
uídos, quedas ou mo imen os b uscos (Wena , 1990). Segundo o au o , as p imei as
eações de medo po pa e do bebé oco em logo nos seus p imei os seis meses de ida,
seguindo-se as mani es ações de ansiedade aquando da ap oximação de es anhos, o medo
das al u as e a ansiedade de sepa ação das suas igu as de inculação. No que se e e e a
es a úl ima - a ansiedade de sepa ação, segundo Ba os (2003), es a é despole ada pela
an ecipação, ou oco e como eação ao a as amen o ou pe da de uma igu a de e e ência,
su gindo como um medo gene alizado na p imei a in ância. O seu auge oco e en e os 9 e
os 13 meses de idade, e diminui g adualmen e a pa i dos 2 anos e meio (ibidem). Na ó ica
de Amo im e Pole o (2021), a ansiedade da c iança nes a ase deco e do medo do no o,
podendo su gi em si uações em que es a se con on a com um ambien e es anho, mui o
di e en e daquele a que es á habi uada, longe do con í io com as pessoas que a é aí aziam
pa e do seu quo idiano. O mesmo ipo de medo pode, segundo es es úl imos au o es,

12
oco e aquando do eg esso a es e ambien e (e.g. c eche) depois um pe íodo de é ias mais
p olongado.
No seu es udo com c ianças em idade P é-Escola , Almeida e Viana (2013) e i ica am
a endência pa a um aumen o da ansiedade de sepa ação a é aos 6 anos, deco en e do
medo de que alguma coisa má acon eça aos pais ou a si p óp ia (com exceção do medo de
do mi o a de casa). A pa i dos 6 anos, ais medos endem a so e declínio, podendo essa
diminuição explica -se pela c escen e capacidade da c iança pa a lida com as expe iências
de a as amen o das suas p incipais igu as de inculação, a qual, segundo os au o es, pa ece
es a associada à expe iência de socialização que em luga aos 5 anos, no P é-Escola e,
pouco depois, com a en ada na escola idade ob iga ó ia (Almeida & Viana, 2013).
Desen ol imen almen e, em esul ado de expe iências an e io es; da exposição da
c iança a uma maio di e sidade de es ímulos; do desen ol imen o do pensamen o
simbólico e/ou da capacidade de ep esen ação men al e da linguagem, é cada ez maio o
núme o de si uações ge ado as de medo e ansiedade. O medo de dano ísico su ge como
um dos mais comuns, sendo deles exemplo os medos e obias a obje os, animais ou a
si uações po encialmen e ameaçado as da sua in eg idade ísica (e.g., escu o, a anhas,
al u as, ba a as, cães, o oadas ou empes ades) ou deco en es da imaginação da c iança
(e.g., mons os, an asmas ou ou os se es an ás icos). Segundo Piage (1971), nes a aixa
e á ia, a maio ia das c ianças ainda não possui compe ências me acogni i as que pe mi am
analisa e ela a os seus pensamen os e emoções, su gindo es as, ge almen e, só en e os 5
e os 7 anos de idade, com o eme gi do pensamen o conc e o. De aco do com Ba os (2003),
o medo de dano ísico ende a so e inc emen o a é aos 6 anos, começando a declina a
pa i dessa idade. Po seu lado, segundo a mesma au o a, o medo do escu o aumen a a é
aos 5 anos e diminui a pa i daí.
En e an o, o c escen e núme o de opo unidades de socialização da c iança (com
pa es ou adul os que não os do seu núcleo amilia ) dão luga à exp essão de angús ias
associadas a si uações sociais que implicam a sua exposição, designadamen e o medo de
que o seu compo amen o ou desempenho sejam al o de idicula ização po pa e dos
adul os ou de ou as c ianças, que su ge, ge almen e, pelos 6 anos. Fala em público ou a
exposição da c iança a qualque ou a si uação em que possa exibi algum compo amen o
que a emba ace pe an e os ou os são exemplo de si uações que ge am ansiedade social na
c iança (Almeida & Viana, 2013; Ba os, 2003). Segundo Almeida e Viana (2013), é ambém
13
comum o eme gi da ansiedade ge al na c iança aos 6 anos, aduzindo-se, po exemplo, na
sua di iculdade em acalma e/ou em do mi quando p eocupada.
De aco do com Compas e al. (2001; ci . po Almeida & Viana, 2013), o aumen o de
medos du an e a idade P é-Escola pa ece deco e de uma c escen e omada de
consciência, pela c iança, do seu luga no mundo e das po enciais ameaças que en en a,
sem que, em e mos de desen ol imen o, ainda enha as es a égias necessá ias pa a lida
com esses medos. G adualmen e, ao longo da idade P é-Escola , e a a és das suas
expe iências de socialização (nomeadamen e as que lhe são p opo cionadas pela en ada no
in an á io), a c iança ai adqui indo compe ências que conco em pa a a sua maio
egulação emocional, dessensibilização e uma meno exp essão de ansiedade em si uações
ou con ex os sociais, o nando-se, pois, mais capaz de lida com as suas di iculdades
(Almeida & Viana, 2013).
Quan o ao modo como a c iança eage às si uações susce í eis de ge a medo e
ansiedade, Rapee e al. (2010) e e em que, aquando do con on o com ais si uações, as
suas eações mani es am-se em ês ases, e a i ando dimensões dis in as do seu
uncionamen o. Assim, (i) inicialmen e, a eação é do o o cogni i o; a c iança é “in adida”
po pensamen os de pe igo ou ameaça; (ii) numa segunda ase, a ansiedade mani es a-se
isicamen e (e.g., aumen o da equência ca díaca e espi a ó ia, anspi ação, do es de
es ômago, ómi os) e, (iii) po úl imo, aduz-se em e mos compo amen ais (e.g. agi ação
mo o a, cho o, emo es).
Deb uçando-se igualmen e sob e a ansiedade na c iança P é-Escola e sob e a
na u eza das suas mani es ações, ou os au o es desc e em-na como podendo se
iden i icada a a és de sin omas e queixas ísicas como do es de ba iga, do es de cabeça,
enjoos, anspi ação excessi a, palpi ações ou di iculdades em do mi . Ao ní el cogni i o e
emocional, Assis e al. (2007) azem alusão a um conjun o de eações cogni i as (e.g.,
an ecipação de consequências desas osas), mo i acionais (e. g., desejo de es a longe de
uma si uação aumá ica) e/ou emocionais (e.g., sen imen o de e o ) que aduzem a
p esença de uma pe u bação de ansiedade na c iança. A p eocupação excessi a e
pe sis en e, os medos i acionais, as di iculdades de concen ação, os pensamen os
nega i os, ou, em e mos compo amen ais, o e i amen o e/ou uga de ci cuns âncias ou
con ex os ge ado es de medo e descon o o (e.g., i à escola, pa icipa em e en os sociais)
são mani es ações comuns en e c ianças com uma pe u bação de ansiedade. A es es
14
úl imos somam-se a agi ação psicomo o a e a i i abilidade (Almeida & Viana, 2013; Dumas,
2018; F iedbe g & McClu e, 2004).
2. Ansiedade No mal s Ansiedade Pa ológica
Segundo Amo im e Polle o (2021, p.30), a ansiedade é uma eação no mal do nosso
co po pa a nos p o ege de si uações de pe igo. In e samen e, uma pe u bação de
ansiedade es á p esen e quando os sin omas dessa eação não acon ecem numa si uação de
pe igo eal, pe du ando no meno sinal de medo e a e ando a ida e o desen ol imen o da
c iança. O Manual de Diagnós ico e Es a ís ico de Doenças Men ais (DSM-5) desc e e os
dis ú bios da ansiedade como “…es ados de medo, p eocupação ou pa o ,
desp opo cionais com a si uação, e que en aquecem as habilidades uncionais no mais da
c iança”. Assim, quando es as mani es ações são ex emadas - ge ando g ande so imen o e
e i amen o, e comp ome endo signi ica i amen e a ida da c iança (e da amília) -, é de
conside a a possibilidade de es a mos pe an e um diagnós ico de pe u bação de
ansiedade.
Olhando as mani es ações mais p ecoces do medo e ansiedade na c iança, apesa da
escassez de in o mação sob e as mesmas (uma ez que nas ases iniciais do seu
desen ol imen o a c iança em di iculdade em e baliza o que sen e), exis e um conjun o
de sin omas que es ão p esen es desde cedo, e cuja equência e in ensidade pode ão se
al o de p eocupação ac escida (Almeida & Viana, 2013). Segundo os au o es, apesa de se
conside a que na idade P é-Escola se possam encon a pad ões compo amen ais
compa í eis com os c i é ios de diagnós ico de pe u bações de ansiedade - designadamen e
ansiedade de sepa ação, ansiedade social ou obias especí icas - não exis em mui as
e idências em c ianças em idade P é-Escola que pe mi am conclui que essas
mani es ações pode ão p eenche os c i é ios de diagnós ico de uma pe u bação de
ansiedade (DSM-V, 2013). De aco do com Almeida e Viana (2013), al ac o é la gamen e
explicado pelo pa co núme o de ins umen os de a aliação e de diagnós ico
desen ol imen almen e adequados, iá eis e especí icos pa a a população P é-Escola
po uguesa. Apesa do ecu so a escalas de a aliação global das pe u bações
in e nalizado as (e.g., CBCL 1,5-5, de Achenbach, 1992) - escalas essas que aba cam pad ões
compo amen ais elacionados com a ansiedade, o isolamen o social e a dep essão -, es es
15
o necem pouca in o mação sob e sin oma ologia especí ica da ansiedade (ibidem).
De aco do com as es a ís icas na á ea, a pe u bação de ansiedade no P é-Escola é,
a ualmen e, uma das psicopa ologias mais comuns (Asbah , 2004; Albano, Cho pi a &
Ba low, 2003; Ca w igh -Ha on, McNicol, Doubleday, 2006; Fe oli e al., 2007; Ma os e
al., 2015). Ce ca de 10% das c ianças so em de algum ans o no ansioso e os mais
equen es são: o T ans o no de Ansiedade de Sepa ação, que a inge ce ca de 4%; o
T ans o no de Ansiedade Excessi a (TAG), que a inge de 2,7% a 4,6%, e obias especí icas,
que acome em de 2,4% a 3,3%; ge almen e, os ans o nos a iam de aco do com a idade
das c ianças (ASBAHR, 2004). Re i a-se que, segundo Assis e al. (2007), as c ianças podem
ap esen a , ao mesmo empo, mais do que um ans o no, podendo es e se da es e a da
ansiedade ou um dis ú bio de compo amen o.
No que se e e e ao e en o especí ico da Pandemia po Co id-19, se, po um lado, as
c ianças e adolescen es se e ela am mais esis en es aos e ei os do í us, cons a ou-se que
as suas men es o am mais a e adas. Es udos ealizados em o no da saúde men al dos mais
jo ens ie am comp o a um aumen o signi ica i o dos casos de ansiedade e dep essão,
desde a p imei a In ância a é p a icamen e a maio idade. O le an amen o coo denado pela
Uni e sidade de Calga y, do Canadá, compilou in o mações de 29 es udos que a alia am a
saúde men al de 80.000 pequenos pa icipan es, de di e sas pa es do mundo. Nes e
le an amen o cons a ou-se que a pe cen agem de jo ens ansioso subiu de 11,6% pa a 25%
du an e a Pandemia, co espondendo a um aumen o supe io a 100%. Tais núme os dão
con a que um em cada qua o c ianças e adolescen es desen ol eu algum ipo de ansiedade
à medida que a Pandemia se oi p oli e ando pelo mundo. O consumo de an i-dep essi os
so e am um aumen o de 12,9%, nos empos p é-Co id, pa a 20,5% (Vidale & B i o, 2024).
Em e mos de ansiedade, es udos comp o am que de 7% a é 30% das c ianças e
adolescen es são a e ados po es e ans o no nas suas a i idades diá ias. No caso das
c ianças mais pequenas, mui as ezes alguns compo amen os podem se con undidos com
eações de ansiedade sendo, na ealidade, o mas de ges ão de no as in o mações e de
adap ação aos acon ecimen os do dia a dia. Es e p ocesso de adap ação oco e com mais
in ensidade en e os 3 aos 5 anos e con inua, de o ma g adual, du an e a adolescência e a
ase adul a (Felix, 2022). De aco do com um esumo cien í ico ealizado pela O ganização
Pan-Ame icana da Saúde (OPAS), em 2022, o apa ecimen o da Pandemia po Co id-19, em
pa icula no seu p imei o ano, aumen ou os índices de ansiedade e dep essão em 25%,
22
e compo amen os, designadamen e na es e a in a e in e pessoal. Assim, aspe os como a
comp eensão (de si e do ou o), a sua au o-es ima, au o-e icácia, au onomia, ou, as suas
eações espon âneas e inconscien es em elação a si, ao ou o e aos con ex os são
la gamen e de e minados pelas igu as pa en ais (Falsa ella, 2003; Ma os e al., 2015).
Du an e o pe íodo de Pandemia, as medidas de con inamen o go e namen almen e
dec e adas exigi am às amílias um eno me es o ço de adap ação, impondo, nalguns casos,
uma exp essi a eo ganização das suas o inas, dinâmicas e, en e ou os, dos p óp ios
espaços e o mas de in e ação, conduzindo a si uações de g ande s esse e ansiedade en e
os adul os e com e ei os nas p óp ias c ianças (Pai a e al., 2021; Rocha & Di z, 2021). A pa
dos desa ios diá ios no sen ido de cump i a e as básicas como i às comp as (semp e com
espei o pelas no mas de e ique a sani á ia e sob o isco de con aí em a doença), de e que
concilia a sua ida pessoal e p o issional no mesmo espaço ísico, de a con i ência en e
odos oco e num egis o de “24 sob e 24 ho as”, ge ou, en e ou os, desgas e nas
elações amilia es, inclusi e, o exe cício da pa en alidade, pe u bando o es abelecimen o
dos ínculos a e i os, ge ando ensões ac escidas e/ou con li os, odos eles azendo isco
ac escido pa a o bem-es a e desen ol imen o in an il e dos adul os (Rocha & Di z, 2021;
Souza e al., 2022). Alguns dos p imei os es udos em o no do impac o psicossocial do
con inamen o (e consequen e isolamen o social) ela a am a p eocupação, o medo e s esse
associados a uma po encial con aminação (Beze a e al., 2020, ci . po Rocha & Di z, 2021;
B ookse e al., 2020; ci . po Rocha & Di z, 2021; OMS, 2020), as al e ações de sono
(Beze a e al., 2020) e a us ação, édio e insegu ança (B ookse e al., 2020 ci . po Rocha
& Di z, 2021) como as mani es ações mais comuns.
Ou os es udos assinala am o s esse inancei o como es ando p esen e em á ias
amílias, em mui os casos deco en es da pe da de emp ego (Beze a e al., 2020; B ookse
e al., 2020; By ne e al., 2023). No que se e e e aos abalhado es em si uação de ínculo
labo al p ecá io, segundo a Di eção-Ge al do Emp ego e das Relações de T abalho (2023)
aumen ou a sua condição de desemp ego e e i icou-se (en e a p ima e a de 2019 a 2020)
uma descida, na o dem dos 17%, nos con a os empo á ios.
Adicionalmen e, a Pandemia po Co id-19 ouxe consigo g andes exigências labo ais
pa a a g ande pa e da população adul a que se man e e p o issionalmen e a i a. Tal
implicou uma eo ganização e ges ão, simul âneas, da sua ida labo al e amilia , e elando-
se pa icula men e desa ian es pa a aqueles que inham ao seu cuidado pessoas

23
dependen es, ais como os ilhos com idade p ecoce, idosos e/ou amilia es com algum ipo
de doença e/ou incapacidade (By ne e al., 2023; Cos a, 2021). Tais condicionan es
con ibuí am pa a um ag a amen o das di iculdades em e mos da saúde men al dos
abalhado es (Cos a, 2021), sendo que, pa a aqueles que inham ilhos ao seu cuidado, as
e idências e elam a p esença de um ac escido núme o (e in ensidade) de s esso es,
designadamen e a di ícil conciliação “den o de po as” da ida labo al e amilia , a p esença
de p eocupações inancei as que, em á ios casos, se aduzi am em ela os de isolamen o e
solidão e, en e as mães, num aumen o de casos de dep essão (By ne, 2023).
De e e i , ambém, o maio núme o de di ó cios eme gidos du an e es a e apa,
pa ecendo que o con inamen o a que odas as amílias o am ob igadas e a con i ência
pe manen e (24 sob e 24 ho as) “ o çada”, e á conco ido pa a o agudiza das ensões e
con li os en e alguns casais, o iginando desgas e, ísico e emocional nos elacionamen os, e,
nos casos mais g a es, acen uando incompa ibilidades que se o na am insus en á eis e
acabando po culmina em di ó cio. Segundo o Ins i u o Nacional de Es a ís ica o am
53.038 os di ó cios egis ados em Po ugal du an e o pe íodo de 2020 a 2022 (Es a ís icas
Demog á icas - 2022, 2023).
Em e mos labo ais, pa a os pais que se encon a am en e os p o issionais de
p imei a linha, as di iculdades o am ac escidas, uma ez que se i am ob igados a a as a -se
da sua amília pa a cuida dos ou os; disponibilizando menos empo pa a es a com e cuida
dos “seus” e/ou a as ando-se isicamen e dos mesmos uma ez que - po que mais expos os
ao í us - e am maio es as p obabilidades de se em in e ados e de con amina os seus
amilia es. Assim sendo, á ios des es p o issionais, especialmen e os da á ea da saúde,
i am-se o çados a man e -se longe dos p óp ios ilhos (e de ou os amilia es conside ados
“de isco”) de modo a assegu a a sua p o eção (Me can e, 2021). Adicionalmen e, os pais
i am-se con on ados com o ac o de e em de explica às c ianças o que é a Pandemia,
ajudando-as a lida com o medo e a ansiedade des es empos de ince eza, a e a
pa icula men e di ícil dada a idade p ecoce de mui as des as c ianças e a sua ima u idade
cogni i a e emocional (Fege e al., 2020).
Po seu lado, Rocha e Di z (2021) chamam a a enção pa a o ac o de que os e ei os
psicossociais associados ao con inamen o a ia am em unção “do momen o i enciado po
cada pessoa” (p.11), ou seja, do seu c onossis ema, segundo o Modelo Bioecológico do
Desen ol imen o Humano (B o enb enne , 2011). Ilus ando essas di e enças, o au o dá o
24
exemplo daquele que oi o oco de um dos seus es udos du an e o pe íodo pandémico: as
i ências dos pais que expe iencia am o in e namen o do seu ilho ecém-nascido numa
Unidade de Cuidados In ensi os Neona ais. Focando-se nas mães - a igu a habi ualmen e
p esen e du an e o in e namen o do bebé -, os au o es desc e em o impac o nega i o que
as medidas hospi ala es i e am no seu bem-es a psicológico. A es ição no núme o de
pessoas a ci cula nos se iços de saúde e/ou a limi ação ou suspensão de isi as são
exemplos de algumas das medidas que o a am es as mães ao isolamen o social, p i ando-
as do apoio (p á ico e emocional) do seu companhei o e amilia es mais p óximos (Sil a e
al., 2020; ci . po Rocha & Di z, 2021) num pe íodo de pa icula ulne abilidade ísica e
emocional (Diaz, Cai es & Co eia, 2016). De aco do com as e idências ecolhidas po Rocha
e Di z (2021), en e os maio es medos des as mães su gia o de o seu bebé se con aminado,
dada a ulne abilidade ac escida do mesmo pelo ac o de se p ema u o. Segundo as
desc ições dos au o es, al medo “in ensi ica nelas as p eocupações em elação às medidas
de higiene an es de e con a o com o bebê”, le ando a que algumas delas e i assem oca
ou pega no bebé ao colo, com eceio de o con amina (p.11). Nes e es udo, os seus au o es
e i ica am ambém os e ei os do in e namen o numa unidade neona al na dinâmica
amilia e no au o-cuidado des as mães (mais negligenciado), aspe o igualmen e obse ado
po Diaz e al. (2016).
De salien a , ainda, as i ências dos casais cuja ges ação de um dos ilhos e espe i o
nascimen o i e am luga du an e a Pandemia. Es ela e al. (2020), cen ando-se nas
p incipais di iculdades e p eocupações dos pais, des aca o eceio, das ges an es, de não lhes
se possibili ada a p esença de um acompanhan e du an e o pa o; o medo do p óp io pa o
(Sou o e al, 2020) - e de alguma possibilidade de in eção du an e o mesmo ou no
in e namen o hospi ala -; de não consegui amamen a o seu bebé e/ou a al a de apoio de
ou os amilia es nos p imei os empos de ida do bebé, dadas as es ições colocadas pelo
con inamen o ao ní el dos cí culos sociais mais ala gados.
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4. A i ência das c ianças: o impac o da Pandemia no desen ol imen o e bem-es a da
c iança
O medo do desconhecido, a possibilidade de in eção e mo e, a pe da de en es
que idos e, en e ou os, a ince eza cons an e do que se ia o dia de amanhã acaba am po
se epe cu i (de o ma mais ou menos in ensa, mais ou menos du adou a) na ida de cada
um. De en e os g upos mais ulne á eis - aqueles cuja doença ísica e/ou men al, idade
a ançada, pe ença a es a os económicos e sociais mais baixos (Singh e al., 2020) e am
assumidos como “g upos de isco” -, as c ianças ie am a e ela -se como uma aixa da
população jun o da qual a Pandemia e e e ei os especialmen e debili an es,
designadamen e ao ní el das suas ap endizagens e na es e a psicossocial. Tais e ei os
deco e am de inúme os a o es já enunciados pa a a ida amilia e a população adul a,
o nando-se mais e iden es (e g a es) en e as c ianças e adolescen es que se encon a am
em si uação de des an agem social e económica, deco en es da al a de espos as
ajus adas e/ou a empadas aos di e en es cená ios de ad e sidade a que es as c ianças
es i e am expos as (du an e um pe íodo signi ica i o da sua ida), con ibuindo pa a um
quad o de maio ulne abilidade, e aumen ando o osso en e aqueles que i iam em
cená ios económica e socialmen e con as an es (Cai es, 2021; San os, 2021).
A Pandemia ouxe ambém consequências bas an es signi ica i as deco en es das
medidas omadas ao ní el educa i o. Alçada (2020), an e endo os e ei os da p i ação da
educação P é-Escola em anos c uciais do seu desen ol imen o, assumiu as c ianças com
menos de 5 anos como a aixa e á ia po encialmen e mais a e ada pelas medidas omadas
em e mos de con inamen o. Con i mando o “p ognós ico” de Alçada, es udos mais
ecen emen e publicados em o no do impac o psicossocial que o con inamen o e e jun o
das c ianças que i e am uma pa e da sua (cu a) exis ência du an e o pe íodo da
Pandemia, dão con a da p esença de algum comp ome imen o nas á eas do
desen ol imen o social, mo o e comunicacional das c ianças mais pequenas. By ne e al.
(2023), po exemplo, no seu es udo com bebés i landeses de 2 anos (nascidos du an e os 3
p imei os meses da Pandemia), obse a am meno es compe ências sociais em e mos de
comunicação mas, ambém, meno agilidade ao ní el da sua mo icidade g ossa, apesa de
com meno exp essão. Os au o es azem ambém alusão aos esul ados de ou os es udos,
após uma e isão sis emá ica da li e a u a, cujos esul ados - em con o midade com o que
26
obse a am no seu es udo - e elam que bebés com idades in e io es a 12 meses inham
alguns de ici s desen ol imen ais, em pa icula na á ea da comunicação, não endo
iden i icado ou as di e enças en e es as c ianças e as que nasce am an es da Pandemia (e
que na al u a do es udo inham 3 ou 4 anos de idade) nou as á eas desen ol imen ais ou
no seu compo amen o (By ne e al., 2023).
Adicionalmen e, du an e a Pandemia, a ob iga o iedade do uso das másca as em sí ios
públicos, ou a necessidade de ecu so às mesmas como o ma de diminui a p opagação da
doença (mesmo que em casa), impediu, en e ou os, a isualização do os o do ou o,
comp ome endo a capacidade de in e i emoções a a és da obse ação das suas
exp essões aciais. No caso das c ianças mais pequenas, as di iculdades associadas ao uso da
másca a pa ecem e sido signi ica i amen e mais acen uadas. Pa a além do descon o o
ge ado, G en ille e Dwye (2022) des acam os seus e ei os jun o das c ianças en e os 3 e os
5 anos. Dado a a -se de uma e apa especialmen e impo an e do seu desen ol imen o
sócio emocional, o ecu so às másca as pa ece e ido e ei os pa icula men e exp essi os
nes e g upo e á io. A es e p opósi o, By ne e al. (2023) ques ionam qual o impac o do seu
uso ao ní el do desen ol imen o da linguagem da c iança, especialmen e po ol a dos dois
anos de idade, apon ando pa a e idências mais ecen es que e elam que a mielinização da
ma é ia b anca do cé eb o associada à linguagem encon a-se posi i amen e associada à
con e sação (p.846).
As e idências e eladas po es es es udos dão, pois, con a do impac o psicossocial do
pe íodo pandémico (c onossis ema) jun o de c ianças com idade mais p ecoce, endo o
isolamen o social e o ence amen o de mui os se iços básicos na á ea da educação P é-
Escola , assis ência à saúde e laze conco ido pa a o a ual cená io. Assim, o con inamen o
dec e ado com o in ui o de mi iga a p opagação do í us, não só o çou as c ianças com
idade mais p ecoce a se adap a em a no as dinâmicas e o inas, como as p i a am de uma
sé ie de expe iências e con ac os impo an es pa a o seu desen ol imen o e bem-es a
psicológico e emocional (By ne e al., 2023). Segundo Fege e al.(2020) e Cai es (2021), as
al e ações oco idas ao ní el da o ganização do con ex o amilia (pais a abalha ; i mãos
menos disponí eis pa a b inca du an e a “ho a da escola” e do es udo; o inas e a i idades
“con inadas” ao espaço do la , e c.); a p i ação do con í io com os pa es e seus cuidado es
em ambien e educa i o; bem como o p ejuízo que ep esen ou pa a as suas in e ações
nou os con ex os de ida ( amília mais ala gada, a i idades de laze , a i idades
27
despo i as), pa ecem e ge ado nes as c ianças si uações de s esse ac escido. Segundo
Figas e al. (2023) a ando-se de um g upo e á io emocionalmen e mais ulne á el, es as
o am as que so e am um impac o de maio exp essão ao ní el da sua saúde men al, endo-
se egis ado um aumen o de casos de ansiedade e dep essão no P é-Escola , que,
consequen emen e, desencadeou uma maio p ocu a de consul as pediá icas na á ea da
saúde men al.
Gonçal es (2020), des aca a ele ada dependência do bem-es a das c ianças do
p óp io bem-es a e equilíb io emocional dos adul os, cabendo a es es úl imos secu iza e
p o ege a c iança em momen os de c ise. Tal como e e ido em capí ulo an e io , a o ma
como a c iança en en a o “Mundo” e as si uações de ameaça e/ou ad e sidade depende
la gamen e dos p ocessos p oximais es abelecidos com os seus adul os de e e ência nos
seus p incipais mic ossis emas: a amília e a escola (B on enb enne & Mo is, 1998, ci . po
Pole o & Kolle , 2008). A en ando ao impac o que a Pandemia e suas consequências ao
ní el do Mac ossis ema e da saúde men al dos adul os, de uma o ma gene alizada (e.g.,
quad os de ansiedade mode ada ou g a e, s esse pós- aumá ico, dep essão mode ada a
g a e e bu nou ) - deco en es do aumen o dos índices de desemp ego e pob eza, exposição
ao í us, medo da mo e, pe da de en es que idos, di iculdade em a icula o abalho com a
amília (Beze a e al., 2020; B ookse e al., 2020; By ne e al., 2023; Di eção-Ge al do
Emp ego e das Relações de T abalho, 2023) – alguns au o es apon am o s esse psicossocial
a que as c ianças es i e am expos as du an e uma ase de e minan e do seu
desen ol imen o, e po um pe íodo ex enso da sua cu a exis ência (uso abusi o de álcool e
d ogas; insegu ança alimen a , s esse inancei o, dep essão ma e na, con li os amilia es,
di ó cio pa en al, e c.) como explicando a maio incidência de di iculdades ao ní el da saúde
men al e emocional das c ianças. A es e p opósi o G inbe gas (2022) ala sob e as
epe cussões que os maio es p oblemas psíquicos e sociais i idos po es as c ianças
pode ão e na sua In ância.
Cen ando-se nas si uações da pe da de en es que idos, Bosi e Al es (2023) aludem à
complexidade de g ande pa e dos p ocessos de lu o ge ados pela Pandemia, que pelas
ci cuns âncias da doença e da impossibilidade de acompanha de pe o o amilia (po isco
de con ágio), que pela al a de apoio en e amilia es, pela impossibilidade de con ac o
en e odos, pelas despedidas com es ições (ou inexis en es), ou, ainda, pela ausência de
i uais úneb es.

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Se pa a os adul os se o na di ícil ge i o ele ado so imen o emocional associados a
es es p ocessos, ala de mo e com uma c iança, em pa icula quando se e e e a alguém
mui o p óximo (e.g. um a ô), colocou-se como um desa io ac escido no seio das amílias
enlu adas. A es e p opósi o B ombe g (1998) en a iza o papel de e minan e que a o ma
como os adul os de e e ência da c iança se compo am em elação â p esen e pe da e
como comunicam com a c iança. Nes a si uação, os adul os êm um papel de g ande
ele ância, cabendo-lhes a eles explica à c iança o que é a mo e e ajudá-las a ge i os seus
sen imen os, pe mi indo-lhes empo e abe u a pa a pode em se exp essa ace a es a
emá ica (Po ela, 2020; Sil a, 2021). Nas si uações em que a i ência dos adul os de
e e ência da c iança, no seu mic ossis ema amilia , aca e ou lu os pa icula men e
di íceis, pa a além da comum pe ceção po pa e dos adul os de que as c ianças não êm
ma u idade pa a ala e comp eende es e assun o (le ando-os a omi i ou e i a a abo da
es e ema jun o da c iança), o so imen o psicológico do adul o pode á e sido de al modo
ulne abilizan e que a disponibilidade e a a enção pa a com a c iança pode ão e icado
signi ica i amen e comp ome idas.
Nob e (2021) e Câma a (2020), po seu lado, oca am a sua a enção nas implicações do
pe íodo da Pandemia no desen ol imen o cogni i o das c ianças com idade mais p ecoce.
Pa indo da e idência de que as c ianças, nos seus dois p imei os anos de ida, “necessi am
de explo ação e p á ica social pa a o desen ol imen o linguís ico e cogni i o, além do
amadu ecimen o das habilidades mo o as e socioemocionais” (Nob e, 2021, ci . po
Vasconcelos, 2023, p. 3/4) associam o meno con a o di e o des as c ianças com pessoas,
obje os e b inquedos com algumas consequências no desen ol imen o das suas unções
men ais e habilidades de a enção. Segundo Nob e (2021), o ac o de que os cí culos sociais a
que es as c ianças i e am acesso du an e o con inamen o e em sido se iamen e
es ingidos, le ou a que, mui o p o a elmen e, a g ande pa e delas enha ido pa cas
opo unidades pa a con e sa com pessoas o a do seu cí culo amilia (e que, a acon ece ,
al oco eu p o a elmen e com másca a ou a dis ancia); que enha ido menos empo de
jogo e b incadei a e/ou menos empo de a enção exclusi a po pa e dos pais
(nomeadamen e enquan o abalha am e ge iam as lides da casa). A p opósi o do meno
empo de exposição à in e ação humana, um “ eco e de jo nal” ci ado po By ne e al. dá
con a que os bebés nascidos du an e a Pandemia ou iam apenas de 20 a 70 pala as po
ho a, subs ancialmen e menos do que os bebés que nasce am 3 anos an es da Pandemia e
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que, nessa mesma ase do seu desen ol imen o, ou iam ce ca de 100 a 140 pala as.
Re le indo as consequências des a ealidade, o es udo desen ol ido po Shu ey e al. (ci .
po By ne e al., 2023) e elou que mui os bebés de 6 meses que nasce am du an e a
Pandemia inham meno es ní eis de desempenho em e mos de comunicação.
No B asil, Pinhei o e al. (2023) p e endendo a alia o impac o da in eção po Co id-19
du an e a g a idez no desen ol imen o dos bebés e o impac o da Pandemia (e odas as
es ições que aca e ou) no desen ol imen o e compo amen o das c ianças nos seus dois
p imei os anos de ida lide ou um es udo cujos esul ados se assemelham aos dos es udos
an e io men e desc i os. Nes e es udo longi udinal, os au o es e i ica am a p esença de um
acen uado núme o de casos com suspei a de a aso desen ol imen al. A p imei a e apa do
es udo oi ei a ia ele ónica, jun o das mães, quando os bebés inham 6 meses de ida.
Nes a p imei a e apa e i ica am a p esença de 22% de casos de suspei a de a aso no
desen ol imen o global des es bebés, e 52% com algum ipo de p oblema de
compo amen o, designadamen e i i abilidade e in lexibilidade. De e e i que, segundo
es a equipa de in es igado es, as di e enças obse adas não se de iam à con aminação ou
não des as mães du an e a g a idez, uma ez que não obse a am di e enças signi ica i as
no desen ol imen o dos bebés en e os dois g upos (ges an es in e adas e sus não
in e adas). Nas pala as dos au o es, “Nossa hipó ese é que os iscos ambien ais se
sob epõem aos e ei os di e os da in ecção pelo SARS-CoV-2 nos bebês du an e a ges ação”,
associando-se, pois, os p oblemas de desen ol imen o e compo amen o obse ados en e
es es bebés ao s esse psicossocial expe ienciado pelas suas amílias du an e a Pandemia.
Na sua en a i a de iden i ica os a o es de isco associados ao ambien e amilia , Pinhei o
e al. (2023) iden i ica am 32% de casos de uso abusi o de álcool e d ogas; 29% dos casos
que padeciam de insegu ança alimen a , 16% das mães com dep essão. Tais dados apon am,
en ão, pa a a p esença de uma ulne abilidade psicossocial aumen ada en e as c ianças que
e am o iundas de meios amilia es onde (pelo menos) um des es a o es de isco es a a
p esen e.
Nob e (2021) e Câma a (2020) colocam o seu oco nos e ei os que a maio exposição
de c ianças com menos de dois anos de idade a disposi i os ele ónicos - oco ida du an e a
Pandemia – pode á e ido na sua saúde ísica e men al. Cons a ando-se que, na sociedade
a ual, o ecu so às ecnologias em indo a c esce signi ica i amen e á ios au o es ale am
pa a a necessidade de a alia o impac o do “digi al” nos indi íduos e nas elações amilia es
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(Vale & Paulis a, 2024). No caso dos (a uais) pais, endo sido uma das p imei as ge ações a
e con ac o com as ecnologias digi ais na adolescência, são ago a con on ados com a
ges ão da p esença des es disposi i os na ida dos seus ilhos e com as inúme as ques ões
que a exposição aos mesmos susci am (e.g., a pa i de que idade pode ão acede aos
mesmos? Quan o empo de exposição? Que iscos ao ní el da sua segu ança? Repe cussões
desen ol imen ais?, e c.).
Aquando do e en o da Pandemia, e das inúme as al e ações oco idas na ida des as
amílias e na dos seus di e en es memb os, á ias o am as al e ações oco idas na u ilização
des es disposi i os e no ipo de con eúdos consumidos a pa i dos mesmos. Pa a além de
es a em p edominan emen e na ida p o issional dos adul os (deco en e do ele abalho),
es es passa am a ocupa um luga exp essi amen e maio na ida das c ianças,
nomeadamen e as que se encon a am em idade escola . No mundo dos mais no os, a
ecnologia passou ambém a aze pa e do seu quo idiano, su gindo, nalguns momen os,
nomeadamen e enquan o os pais da am espos a às suas demandas labo ais, como um
ecu so pa a man e a c iança ocupada. Tal como e e e Sampaio (2021), pa a mui os pais,
em ele abalho, o nou-se mais ácil liga a ele isão ou da à c iança um able ou um
elemó el du an e a sua jo nada labo al. Assim sendo, du an e o con inamen o o ecuso às
no as ecnologias aumen ou de o ma exp essi a en e c ianças e adul os (Fe ei a, 2021).
Assim sendo, o am á ias as c ianças que, desde uma idade p ecoce, i e am um “ empo de
ela” maio do que o habi ual e do que o ecomendado pelas en idades o iciais. Po
exemplo, a O ganização Mundial de Saúde (OMS), s.d. (ci . po Nações Unidas B asil, 2019),
p eocupada com as ques ões do seden a ismo e da obesidade, deixou com ecomendação
que as “C ianças a é aos cinco anos de idade não de em passa mais de 60 minu os po dia
em a i idades passi as dian e de uma ela de sma phone, compu ado ou TV”.
Recomendou ambém que bebés com idade in e io aos 12 meses não de em e qualque
con ac o com es es disposi i os.
Po seu lado, en a izando a ele ância da “explo ação e p á ica social pa a o
desen ol imen o linguís ico e cogni i o, além do amadu ecimen o das habilidades mo o as
e socioemocionais” de c ianças de 0 a 2 anos, Nob e (2021) az alusão às in e e ências
ge adas po es es disposi i os no desen ol imen o cogni i o da c iança as quais, segundo
Câma a (2020, ci . po Vasconcelos e al., 2023) pode ão coloca -se ao ní el das “suas
unções men ais e habilidades de a enção” (p. 4) po subs i uí em ou diminuí em o empo
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de con ac o di e o da c iança, com as pessoas, b inquedos e obje os, o qual assume um
papel de e minan e no desen ol imen o de qualque se humano, especialmen e nos
p imei os anos de ida.
Aludindo ao aumen o da exposição de c ianças em idade p ecoce às “ elas” Robidoux
(2019, ci . po Vasconcelos e al., 2023), na mesma linha dos au o es an e io es, en a iza os
iscos que es a ep esen a pa a a saúde ísica e men al da c iança, bem como pa a o seu
desen ol imen o cogni i o, social, emocional e linguís ico ge ando, consequen emen e,
“Cansaço ex emo, ansiedade, dep essão, p oblemas de concen ação, mudanças
ápidas de humo , maus esul ados escola es, es esse c ônico, dis ú bios alimen a es e
p oblemas compo amen ais” (p.4). Rocha (2022, ci . po Vasconcelos e al., 2023) ala de
ou o ipo de epe cussões que o uso inadequado des es disposi i os pode á e em di e sas
á eas do uncionamen o diá io da c iança, e com implicações a longo p azo. Delas são
exemplo as al e ações oco idas nos seus hábi os de sono (des egulação), alimen ação
(i egula ), ida social (menos con ac os sociais) e maio seden a ismo. Dado que os
p imei os anos de ida são ca ac e izados po uma signi ica i a plas icidade ce eb al e po
um céle e aumen o das conexões neu onais (sinapses), e do ac o de a o mação de sinapses
nas di e en es egiões do cé eb o depende da idade da c iança, McA u e al. (2022) e
Va ada ajan e al. (2021) - ambos ci ados po Vasconcelos e al. (2023) -, a i mam que as
epe cussões desen ol imen ais deco en es da exposição aos disposi i os ele ónicos
podem a ia em unção do pe íodo do desen ol imen o em que essa exposição em luga .
Em concomi ância com os an e io es au o es, Nob e e al., (2021) e Zhao e al. (2022) -
ambém e e idos no abalho de Vasconcelos e al. (2023) -, a i mam que a elação
exis en e en e pe u bações do desen ol imen o e a exposição aos disposi i os ele ónicos
a ia consoan e a idade em que a c iança começou a se expos a aos mesmos. A es e
p opósi o, Vasconcelos e al. (2023) mencionam os esul ados de es udos ealizados po
McA hu e al. (2022), Moon e al., (2019), e Zhao e al. (2022), isando que, segundo es es,
o am obse adas di e enças ao ní el da aquisição da lei u a en e as c ianças que o am
expos as an es ou depois dos 3 anos de idade. De aco do com as e idências ecolhidas no
âmbi o dos mesmos, as c ianças expos as a es es disposi i os aos 24 meses ap esen a am
meno p o iciência na lei u a quando compa adas com ou as c ianças cujo início da sua
exposição oco eu mais a de, en e os 36 e os 60 meses. Ou os es udos p ocu a am a alia
os e ei os de uma exposição diá ia supe io a duas ho as em c ianças em idade P é-Escola
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CAPÍTULO V- RESULTADOS
No p esen e apa ado, sis ema izam-se as espos as do g upo de pa icipan es às
ques ões que in eg a am o guião dos g upos ocais (ou en e is a indi idual) ealizados. Os
esul ados são ap esen ados de aco do com os emas eme gidos no discu so das educado as
de in ância e das assis en es ope acionais.
Tema 1: Mani es ações de ansiedade na c iança
Ace ca da ansiedade obse ada nas c ianças en e os 3 e os 6 anos, as p o issionais
de Educação de In ância que pa icipa am no es udo, conside am, de modo ge al que,
e e i amen e, a ansiedade es á p esen e no dia a dia des as c ianças. Deb uçando-se sob e
as mani es ações de ansiedade mais equen emen e obse adas, as p o issionais sinalizam
uma sé ie de compo amen os p esen es en e as c ianças que acompanham dia iamen e na
sua a i idade p o issional.
Segundo as suas e lexões, a ansiedade des as c ianças pa ece mani es a -se de uma
o ma mais e iden e nas dimensões cogni i a, emocional e compo amen al. Delas são
exemplo as di iculdades de concen ação obse adas; alguma agi ação psicomo o a na
o ma como es ão em sala e deso ganização na o ma como lidam com as a i idades e/ou
a e as desen ol idas em sala; ou, a sua baixa pe se e ança nas a e as (p opos as pelo
adul o ou escolhidas pelas p óp ias c ianças). Seguem-se alguns exemplos dos ela os des as
p o issionais:
“…ao sen a na cadei a, es ão i equie os, nós en amos mesmo pô a pos u a às
cos as e udo mesmo, mas não, são c ianças que não, não conseguem” (Assis en e
Ope acional 02);
“Sen e-se mais, mui as mais di iculdades de concen ação. Sen e-se nisso e na pa e de
ins abilidade, mesmo na o ganização das a i idades (…) escolhem ão abalha naquela
á ea, azem um plano de ação pa a aquela á ea, mas dep essa se cansam” (Educado a 03);
“Mesmo que seja um abalho que eles ado am; [que eles achem] mui o in e essan e
eles desmo i am com mui a acilidade (…) Eles, eles desmo i am [em elação] a qualque
coisa (Assis en e Ope acional 01);

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“…não sei se em a e com os jogos de elemó el que es á udo ali com uma
elocidade…” (Educado a 03).
Algumas das educado as salien am, ambém, o ac o de que mui as des as c ianças
não sabe em espe a nem escu a ; mani es am um cu o empo de espe a, de adiamen o da
sua g a i icação, que endo udo no imedia o, como as duas passagens seguin es dão con a:
“Eu acho que eles p ocu am espos a, p on o, ápida (….) não sabem ou i , não sabem
espe a ” (Educado a 04);
“…a espe a, a espe a ago a é mui o di ícil pa a as c ianças (Educado a 03).
De e e i ainda que, mui o embo a maio i a iamen e ocadas em exemplos
epo ados ao P é-Escola (o seu con ex o de a uação), algumas pa icipan es azem alusão a
si uações em que a al a de oco e de in es imen o pa ece es a ambém a “alas a -se” pa a
as c ianças do 1º Ciclo.
“…os meninos mais c escidos [1º ciclo] (…) a ideia com que se ica é que os meninos
es ão mais agi ados, mais al a de concen ação, mais al a esponsabilidade de se em
cump ido es; não êm a noção ou não que em e a noção da consequência dos a os”
(Educado a 06).
Tema 2: Fa o es ge ado es de ansiedade na c iança
2.1. A ansiedade dos pais
Olhando as espos as do g upo de pa icipan es à ques ão em o no dos a o es –
in e nos e ex e nos – po enciado es da ansiedade mani es ada pelas c ianças no seu
quo idiano educa i o, oi possí el iden i ica alguma di e sidade nos mo i os e ocados,
encon ando-se a ansiedade dos p óp ios pais en e um dos mais equen emen e
sinalizados pelos p o issionais auscul ados.
A ansiedade dos pais quan o à en ada do seu ilho no P é-Escola ou à sua ansição,
aos 5/6 anos, pa a o 1º Ciclo do Ensino Básico su ge en e um dos a o es ge ado es da
ansiedade des es pais e, consequen emen e, da c iança. No que se e e e à en ada no P é-
Escola , a ansiedade dos pais p ende-se essencialmen e com o p ocesso de adap ação do
40
seu ilho a um no o mic ossis ema. Eis um dos exemplos e e idos po uma das assis en es
ope acionais:
“A ansiedade de os deixa [no P é-Escola ]; ica pela p imei a ez: Como é que ai
unciona ? Se ai come ? Se ai cho a ? Se ai adap a -se? Po que nós aqui emos de
meninos na sala com á ias idades, 3, 4, 5. Se ai da bem com os mais elhos? Se ai gos a ?
E no undo, co e semp e udo mui o bem. Os pequeninos ado am os mais elhos e acho
que não há nada de ansiedade, êm um bocadinho ne osos é cla o. Mas depois de es a em
den o da sala (…) ambém os acolhemos mui o bem. Não há qualque [p oblema]; eu acho
que so em mais os pais” (Assis en e Ope acional 01).
No que oca à ansição pa a o 1º Ciclo, o desconhecimen o ela i amen e a quem se á
o/a p o esso /a do seu ilho ou, po exemplo, uma e en ual mudança de ins i uição é is a
como um a o ge ado de ansiedade en e os pais que, à medida que o inal do ano se
ap oxima, se ai agudizando e que, pela e ocação do ema nas con e sas em amília pode
melind a as c ianças, o nando-as mais ansiosas, al como as duas passagens seguin es dão
con a:
“Nes e momen o, os que ão ansi a pa a o 1º Ciclo es ão mui o ansiosos, po que
os pais ambém es ão. Eu acho que os pais ambém passam um bocado dessa ansiedade aos
ilhos (…) Eles icam ansiosos de quem se á a no a p o esso a ou p o esso , quem em,
quem não em [ensina o seu ilho]. É cla o que es as ansiedades são passadas às c ianças
po que, senão, eu acho que eles nem se da am mui o con a, po que nós aqui azemos a
ansição e co e mui o bem, e eles ão e icam elizes (...) Eles começam a ica ansiosos
quando se ap oximam as ma ículas e os pais começam a aze pe gun as (…) depois das
ma ículas, depois dos pais ala em comigo. O que eu acho é que é a ansiedade dos pais que
passa pa a os ilhos po que a é ali, pa a eles [os ilhos], e a udo mui o anquilo. Eles
es a am e que iam i [pa a a escola] e ica am con en es” (Educado a 02);
“…aquele co ação [dos pais] que es á ape adinho, e os ilhos es a am elizes. Es a am
con en es, aleg es, mas e am os pais [que es a am ansiosos]. É po isso que eu acho, e que
eu digo, que a ansiedade do 1º Ciclo é mais sob e os pais” (Educado a 02).
Segundo uma das pa icipan es, a ansiedade pa ece so e um c escendo du an e o
pe íodo das é ias de Ve ão, al u a em que o ema es á mui o p esen e nas con e sas em
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amília, acabando os pais po , ao abo da em o assun o com os ilhos, ansmi i , de algum
modo, alguns dos seus eceios à c iança. Eis o discu so de uma das educado as:
“Eu acho que quando eles ão de é ias e sabem que não ão eg essa ao Ja dim, aí é
que eles começam, em casa, a se ape cebe ; quando chega ali pe o de se emb o…e, às
ezes, alguns pais dizem: “Ele es a a ne oso!”, e eu a é digo: “En ão, ne oso po quê?
En ão? A escola é a mesma, não mudou nada, é udo igual, só mudam de sala”. E eu digo-
lhes semp e: “ ocês depois podem i à sala aze isi as. E acon ece, nos ec eios, mui as
ezes ão a é a sala, às nossas salas” (Educado a 01).
Po ou o lado, nos casos “condicionais” (c ianças que, po comple a em 6 anos a é ao
inal do ano ci il, êm a possibilidade de ing essa no 1º ciclo ainda com 5 anos), há pais que
colocam g ande p essão na c iança em elação à en ada mais p ecoce na escola. Assim,
enquan o que alguns comp eendem que o ilho necessi a de con inua no P é-Escola pa a
a ingi maio ma u idade, ou os p essionam a c iança (e o educado de in ância) pa a que
es a a ance; mesmo ale ados pa a o ac o de a c iança ainda não es a p epa ada pa a aze
es a ansição. Tal p essão apa ece ep esen ada no discu so de uma das educado as de
in ância:
“Há semp e meninos na sala que icam [no P é-Escola ]; e em indo a acon ece isso
es es anos odos. E c ianças condicionais que icam mui o bem e co e bem. Faz-se um
abalho pa a elas ica em; há um abalho po de ás, e eles acei am mui o bem. Às ezes é
os pais que não que em; que em que eles a ancem e é, po exemplo, o caso des a menina
que oi com os pais e eu disse pa a eles pensa em bem, po que “Olhem que is o é assim lá”,
jus i iquei udo e eles - ago a que a p o esso a diz “Realmen e a é acho que sim, que não
conseguia” mas anda am ali du an e um empo a p essiona a menina: “Tu ens que aze ,
ens que aze o que os inalis as azem!” e ela não conseguia, po que é ima u a (Educado a
01).
De salien a a compa ação ei a po uma das educado as en e a pos u a dos pais que
êm o seu ilho a equen a uma ins i uição pública ou p i ada. Tendo expe iência em
ambos os con ex os, es a educado a sinaliza maio es ní eis de ansiedade en e os pais “do
p i ado” aquando da ansição do seu ilho pa a o 1º Ciclo. Segundo as pala as des a
educado a:
42
“No p i ado, os pais icam mais ansiosos. A é sabem quem é p o esso a, po que se
ica em no p i ado sabem quem é a p o esso a. Mesmo assim, o co e [en e o P é-Escola e
o 1º ciclo] é mui o g ande e depois, mesmo depois das c ianças es a em no 1º pe íodo
[es ão ansiosos]; no segundo já não. Mas, no 1º pe íodo, eles sen em mui a di e ença (…)
São pais mais a en os [os do p i ado], penso eu. Nós aqui [público] emos de udo; emos
aqueles pais que são mui o p eocupados e mui o a en os, mas ambém emos aqueles pais
que deixam anda . Eles ão andando, não são [ ão a en os] (…). Às ezes não é saudá el (…)
em a e com as condições económicas dos pais. Também, pa ecendo que isso não em
in luência [são pais de ní el sócio económico] médio baixo, mui o baixo… Mas, emos pais
mui o in e essados, e pais a é com poucos ecu sos, mas são in e essados, mas há ou os
que não” (Educado a 02).
Algumas pa icipan es des acam, ambém, que, nalguns casos, a ansiedade da c iança
e le e a pe sonalidade ansiosa de alguns dos pais e/ou a “supe p o eção” de ou os,
ge ando a sua ea i idade alguma ansiedade adicional à c iança. Eis exemplos des es ês
cená ios:
“…e como há ou os casos de c ianças ansiosas, po que ou a mãe ou o pai são ansiosos
em casa… E en ão ansmi e à c iança. Pais ansiosos, ilhos ansiosos, quase semp e é
ansmi ido” (Educado a 02);
“Eles conhecem bem quando a gen e es á ansiosa e quando não es á, eu ambém acho
que a ansiedade deles ambém em mui o de casa…” (Educado a 04).
“Eu acho que os pais de hoje alo izam coisas que não êm alo às ezes, pequenas,
pequenos a i os que há en e eles, nos ec eios que é o no mal, não é, que é o no mal,
alo izam, não conseguem comp eende que aquilo az pa e do se c iança, o p oblema é
muda , ão e nódoas neg as nas pe nas, ou aspa -se no ec eio, aquilo pa a alguns pais é
logo os ecados, é logo udo, meu deus, eles não conseguem pe cebe ” (Educado a 05).
Uma ez mais en a izando a ansiedade dos pais, alguns dos pa icipan es aludem ao
s esse associado à ida quo idiana des es pais como es ando em g ande pa e na o igem da
ansiedade da c iança P é-Escola . As mudanças oco idas na sociedade, nos úl imos anos
(c onossis ema), que no que oca à ida p o issional dos pais, que ao empo que as
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c ianças passam no Ja dim de In ância pa ecem, en e ou os, conco e pa a a ansiedade de
ambos. De aco do com a sua expe iência - pa icula men e a das que abalham em
con ex o educa i o há mais empo, o i mo de ida dos pais é a ualmen e mui o di e en e,
sendo mais acele ado, passado em con ex o labo al e, po ezes, implicando g andes
deslocações casa- abalho. Eis alguns dos seus comen á ios e e lexões:
“Comp eendemos que há idas mui o complicadas amilia es, os ho á ios são mui o
di e en es do que e am há uns anos a ás no abalho dos pais. As exigências ambém no
abalho, são ou as” (Educado a 02);
“Po que os pais, nós sabemos que são as ho as, es es jo ens abalham e não
abalham à bei a de casa, além de não ganha em mui o, não ganha em mui o, abalham
longe” (Educado a 03).
Pa a além do mais, o supo e social no seio des as amílias é, a ualmen e, meno ,
es ando os pais mais isolados, ou po que i endo longe da sua amília de o igem, ou, po
que os a ós - an igamen e mais disponí eis pa a apoia a logís ica, o inas e cuidado dos
ne os – êm ainda uma ida p o issional a i a. Tal como a i mam ês das pa icipan es:
“… os pais são no os e os a ós ambém abalham, os a ós ainda abalham e há mui o
na o mação dos meninos que inha dos a ós” (Educado a 09);
“An igamen e nós ambém ínhamos as a ós e ago a as a ós abalham (…)
an igamen e e am os pais que inham mui a e agua da amilia …” (Assis en e Ope acional
04);
“…alguns casais jo ens que não êm e agua da (…) ha ia a e agua da e alguns não
êm, depende deles, ou não são de cá…” (Educado a 04).
2.2. P oblemas amilia es
Nou as si uações, a ansiedade da c iança aduz o mal-es a amilia , aplicando-se
es as si uações a casos em que exis em p oblemas em casa, ge ando uma maio
ulne abilidade emocional po pa e da c iança. Eis a si uação desc i a po uma das
p o issionais:

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“Eu enho c ianças ansiosas na sala (…) essas são os que me p eocupam mais, po
mo i os amilia es, às ezes. Tenho uma si uação de uma c iança que em uma si uação
p oblemá ica em casa. A c iança, ao meno obs áculo que lhe apa eça - uma coisa
insigni ican e - ele desa a num cho o descon olado mesmo. Tem 6 anos essa c iança e isso é
que me p eocupa” (Educado a 01).
A ques ão do di ó cio dos pais e a pa ilha da gua da pa en al é ou o a o que, na
pe spe i a des as p o issionais, ge a ins abilidade emocional na c iança, e que se aduz de
á ias o mas em e mos do seu compo amen o. Eis alguns exemplos:
“Sen em udo, é mui o cedo, mui o cedo. Tudo, udo, udo (…) nós emos aqui mui os
miúdos que os pais es ão sepa ados” (Assis en e Ope acional 02);
“Acon eceu uma si uação es e ano na minha sala; uma c iança de 3 anos oi pela
p imei a ez [ao Ja dim de In ância]. E logo na p imei a semana essa menina es á uma
semana com o pai e uma semana com a mãe, es ão sepa ados. A mãe á-la e diz assim pa a
a auxilia : “Ela em a cho a po que ela logo ai pa a o pai, já é o pai que a em busca .” E
depois eu alei com a mãe e disse, “Po que é que disse à menina? É que ela já en ou num
so imen o po que logo o pai a ai busca ; não ale a pena se ela, eage assim. Es a a dize -
lhe já que ela em [que i com o pai no inal do dia], é mui o pequenina ainda não en ende as
coisas”. E a mãe disse “pois, se calha a culpa é minha, não de ia e di o” (Educado a 01);
“…pa a a semana ai pa a o pai; o pai az as on ades; essa semana ai pa a a mãe; a
mãe az as on ades. E, ambém, a gen e sen e aqui; nós não podemos aze as on ades
odas” (Assis en e Ope acional 02);
“Há c ianças que sabem a é onde podem i com o pai ou com a mãe e, mesmo o
compo amen o delas no dia que es á com A ou B, nós no amos a di e ença aqui den o;
no a-se quando i e am a semana que es e e com a mãe e a semana que es e e com o pai”
(Assis en e Ope acional 04).
2.3. Es ilos educa i os pa en ais
Con on adas com a ques ão de em que medida a Pandemia pode ia es a po de ás
das mani es ações de ansiedade obse adas nes as c ianças, algumas pa icipan es
desca am es a hipó ese apon ando-a, inclusi e, como um p e ex o mui o eco en emen e
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usado pa a jus i icá-la, mas que, na sua opinião se p ende com ou os a o es,
designadamen e o modo como enca am a educação dos seus ilhos, o empo de qualidade
que passam com os mesmos, ou, a sua eal “p esença” enquan o pais. Eis algumas das
e lexões e comen á ios das pa icipan es do es udo em o no des as ques ões.
“Eu acho que; eu con inuo a dize que nem udo é culpa do Co id; não é jus i ica i o.
Acho que em mui o a e com a sociedade, como a o ma como são educados, como os pais
educam (…) al ez po que i e am mui o empo em casa com os pais [du an e o
con inamen o] em que lhes pe mi i am, só po que os pais ambém es a am a abalha e
de am-lhes pe missão de ou as coisas; o pai es a a em ele abalho e da am-lhe [ udo o
que] ele que ia; não es a am ali” (Educado a 07);
“Os pais mais ecen es, lá es á is o ambém depende da ge ação que es amos a i e
(…) eles acham que a educação es á onde: em deixa o que a c iança que aze e da udo o
que ela que ? E a educação nem semp e es á aí...” (Assis en e Ope acional 04);
“É, hoje em dia, é po isso que eu digo, que o Co id en ou mais na cabeça dos pais.
Não é o sen imen o po que eu ac edi o que qualque pai gos a do ilho, isso não es á em
ques ão. Sim, mas o que o mais ácil, eles que em p a ica o que é mais ácil” (Assis en e
Ope acional 02);
“E como disse a minha colega, e mui o bem, o deixa aze udo, pois as c ianças não
êm eg as.” (Educado a 02).
2.4. A “ausência” dos pais
Algumas das pa icipan es azem alusão a si uações em que os pais, delibe adamen e
ou de ido às suas idas p o issionais mui o exigen es, es ão mui o ausen es na ida da
c iança aduzindo-se em pouco empo de qualidade nas in e ações com a c iança e
e le indo-se, po ezes, nos seus compo amen os. Em seguida ap esen am-se alguns
exemplos que o ilus am:
“Nós emos o exemplo do ATL, no Ve ão, os pais chegam aqui, deixam os miúdos, de
manhã, ou ão pa a a p aia ou pa a o io e es ão lá dei ados. Às ezes acon ece chega ao io
mesmo e chegamos ao io com o g upo e es ão os pais (…) is o é ão mau! Po que as
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c ianças sen em e eles que em i pa a a bei a dos pais, os pais es ão na ida deles, po que
eles es ão no ATL. Aí se ê. É complicado” (Assis en e Ope acional 03);
“Há c ianças que sen em que são aqui despejadas (…) en am aqui às 7:30 da manhã e
são capazes, de i pe o, das 19:00 da noi e. É e dade, ou às 19:00 ou depois das 19:00 da
noi e. E isso no a-se, no a-se pe ei amen e aquelas c ianças que en am às 9:00 e as
c ianças que en am às 7:30, po que eles não passam empo com os pais. A e ol a é maio .
Tempo, não es ou a ala do empo em ho as, es ou a ala de empo de qualidade”
(Assis en e Ope acional 02).
De salien a , ainda, os casos em que os pais, deco en es de uma ida p o issional
exigen e, da inexis ência de apoio da amília mais ala gada, da impossibilidade de paga a
alguém que os ajude nas lides domés icas e/ou com a necessidade do cump imen o de
algumas a e as labo ais que azem pa a casa, acabam po e mui o pouco empo pa a os
ilhos:
“…às ezes com o s esse da ida, às ezes ambém os pais êm pa a casa aze is o,
aze aquilo, não há an o empo pa a pode em es a ” (Assis en e Ope acional 04);
“…es amos a ala em ansiedade, é mui o impo an e os pais pensa em nisso, po que
as c ianças ansiosas ambém êm des as coisas (…), a da banho à c iança, es á 5 minu os,
pode ala com a c iança. Do que dize “Pa a quie o! Anda lá, enho que la a a cabeça!
Olha, es ás a e que a água o a?” (Educado a 02);
“E depois aí es á, quando passam mui o empo na escola quando ão pa a casa é udo
ambém um bocado a co e , os pais são capazes de não e empo de os ou i e isso é que
eu acho que lhes c ia assim um bocado p on o da ansiedade e do s esse…” (Educado a 07);
“Os pais es ão mui o mais ocupados, êm ou as ob igações e mui as ezes não êm
empo pa a os ilhos” (Educado a 01).
2.5. Tempo excessi o na ins i uição
Algumas das p o issionais isam o ac o de as c ianças passa em demasiado empo
nas ins i uições pa a jus i ica a g ande agi ação e mal-es a de algumas delas. Eis o que,
segundo o seu olha , as longas ho as de pe manência no Ja dim de In ância podem ge a na
c iança:
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“…coloca a c iança às 7:30/08:00 ho as num local des es e le á-lo ou a ez à mesma
ho a, são 12h no mesmo espaço, po an o, às ezes é um bocadinho comp eensí el, po
na u eza o na-se agi ada po que nunca há um momen o calmo” (Educado a 04);
“É sa u an e (…) icam odo o dia na mesma sala; à a de ão pa a ou o espaço, mas
acaba po se o mesmo ambien e: escola. É cansa i o, es ão cansados” (Educado a 08);
“…e a c iança es a a cinco ho as na escola; depois ela anda a à sol a” (Assis en e
Ope acional 05).
2.6. Disposi i os ele ónicos
Nas suas e lexões em o no do “digi al” na ida des as c ianças, o seu discu so o na
bem cla a a in ensi icação da p esença dos disposi i os ele ónicos na ida des as c ianças.
Pa a as p o issionais que pa icipa am no es udo, o isolamen o em casa du an e o pe íodo
de con inamen o e a necessidade, po pa e dos pais, de da espos a às suas ob igações
p o issionais (em ele abalho) le a am a que, em á ios momen os eco essem a es es
disposi i os como o ma de ocupa a c iança. Segundo os seus es emunhos, o am cla as as
di e enças obse adas na elação das c ianças com es es disposi i os en e o “an es” e o
“depois” do con inamen o, su gindo a ualmen e o elemó el como um “obje o” cen al da
ida da c iança. Os exemplos que se seguem ilus am-no bem:
“…quando começamos com a Pandemia (…) eles an es não ala am mui o nos
elemó eis dos pais; eu acho que desde a Pandemia (…) os pais chega am aqui, inham
busca o menino na ho a da saída e, a p imei a coisa [que as c ianças aziam], iam à bolsa da
mãe, i a o elemó el. Que dize , pa ece que o elemó el começou a aze pa e da ida
deles e eles jogam em casa, mesmo os nossos, meninos dos 3 aos 5 jogam” (Educado a 03);
“Se calha na Pandemia e e in luência po que os pais es a am com as c ianças,
da am-lhe um able , usa am o elemó el, po que nós ambém abalhá amos po
(compu ado ) semp e usá amos as aulas online, aquilo começou-se a o na , eles e am com
um elemó el, maio pa e dos pais não inha compu ado ou en ão inha um ilho com
compu ado , ou o com ou o, os pais p ecisa am e o P é-Escola icou com um elemó el,
os alunos ica am com o elemó el, o P é-Escola icou com o elemó el, o am eles que
ica am com o elemó el po que e a o mais ácil” (Educado a 04).
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a asos egis ados são is os po es as p o issionais com endo epe cussões nou as á eas
do desen ol imen o da c iança. Os ela os que se seguem dão con a da ex ensão do
enómeno e da ap eensão dos p o issionais em elação ao a ual cená io:
“Nas euniões alamos mui o, po exemplo, nós emos aqui uma g ande lacuna que é
na linguagem e aí no ou-se bas an e a Pandemia; oi mui o pio , es e g upo que eu enho
(Educado a 06);
“a linguagem (…) é incomp eensí el, mesmo aos 3 anos alguns não se comp eendem a
ala ” (Educado a 05);
“…cada ez menos eles alam co e o; e apia da ala p ecisa am quase odos.”
(Educado a 05);
“Eu enho se e meninos a aze e apia da ala e ainda há quem mais p ecisa a, nunca
i e an os” (Educado a 08);
“Esses p oblemas de linguagem acabam po in luencia os compo amen os po que,
po exemplo, enho meninas da minha sala que o compo amen o delas às ezes é
complicado, po que elas não se conseguem aze en ende e depois icam ne osas e eu
não pe cebo; elas que em dize e eu não consigo pe cebe , icam agi adas. Es ão a aze
e apia, po an o, é uma p oblemá ica que depois ai a as a -se pa a as ou as,
compo amen o, desen ol imen o e ap endizagem” (Educado a 08).
Uma das educado as e e e como um dos a o es que es á na o igem das di iculdades
linguís icas de algumas des as c ianças se p ende com alguns dos aspe os e e idos
an e io men e pelas assis en es ope acionais: a sua alimen ação, al como explici ado na sua
in e enção, que em seguida se ap esen a.
“A linguagem em a e com a alimen ação; a alimen ação é udo papa; [a comida] é
mui o passada, êm mui o o bibe ãozinho pela manhã, mas, é como digo às mães, no meu
en endimen o, o bibe ão an es de le an a no In e no a é pa a as c ianças ica em
alimen adas, é pací ico; é p e e í el o bibe ão à chupe a a é mais a de, semp e no meu
en endimen o. Mas, êm que lhe in oduzi alimen os sólidos” (Educado a 04).
A p eocupação de uma das educado as é ac escida pelo ac o de que algumas c ianças,
apesa de p ecisa em de e apia da ala, po ques ões inancei as ou po incapacidade de
espos a do sis ema (ele ado núme o de pedido e ho á ios es i os e sus acen uada
p ocu a de ajuda especializada), não es ão a e es e acompanhamen o. Tal como diz es a
educado a:

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“…nem é só os pais; odo o sis ema é di ícil, po que depois, a maio pa e não em
condições pa a paga . Eu enho só dois na e apia, po que é p eciso uma consul a, depois é
p eciso ha e sessões semanais. [inicialmen e é ei a uma consul a de] A aliação e depois
são as consul as semanais. Eu enho c ianças que azem duas sessões semanais. E empo
pa a os pais? Tempo pa a os pais le a po que depois os ho á ios pós-labo al esgo am,
es ão cheios…” (Educado a 08).
4.4. Des espei o pelas eg as e pela igu a de au o idade
Re le indo sob e as p á icas educa i as de uma no a ge ação de pais - alguns dos quais
endo-se es eado nes e papel du an e a Pandemia - e sob e as epe cussões des as p á icas
no desen ol imen o da c iança, as pa icipan es des acam algumas p oblemá icas que se
o am “ins alando” no seio des as amílias e que são ge ado as de s esse adicional nas suas
dinâmicas. Segundo á ias des as p o issionais, a egulação do compo amen o das c ianças
a a és das eg as e as ques ões associadas ao “pode ” no seio da amília, são as mais
p emen es a ualmen e. Segundo as suas pe ceções:
“Es ão mui os miúdos a manda em casa, mui os e a ans o ma a ida amilia .
Começámos [a c ia ] pequenos i anos, não é assim? Alguns alam “consegui em”. Se os pais
soube em con e sa com eles - que às ezes eles dizem que con e sam: “Olha, ago a u é
que decides; u é que mandas ago a em casa e depois sou eu”. E eu: “Mas não pode se , eles
não êm que manda nunca em casa, emos que manda odos!”. Mas cada um, o pai é que
manda, po que alguns [ ilhos] é: “Hoje é o meu dia de manda em casa!”. Um dia de manda
em casa!?! Hoje manda os pais e mandas al dia, já é uma negociação” (Educado a 03);
“… pa a os jo ens casais ambém não es á ácil, jo ens pais, alguns es ão a e
di iculdade a educa . (…) E es a mudança de concei os, p on o, ago a espei a a c iança, ok,
udo isso é mui o impo an e, mas, a c iança ago a não es á a se espei ada: a c iança ago a
es á a manda em casa! A c iança az o que que , se não em [à escola] não eio” (Educado a
04);
“Ago a que eu acho é que os miúdos, não espei am, a igu a, a igu a de au o idade
ou o adul o digamos, não é? Que seja au o idade” (Assis en e Ope acional 02);
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“Que hoje em dia a c iança, seja ela qual o , pa a chama a a enção, a gen e chama a
p imei a, a segunda, a e cei a, só se al ea de oz é que eles [ou em]. É e dade, é. Não é
ácil. Eu sin o isso no e ei ó io. Eles não êm espei o pelo adul o” (Assis en e Ope acional
02).
Tema 5: P á icas pa en ais e p ocessos p oximais no sis ema amilia : seu impac o no
desen ol imen o da c iança
De en e as e lexões das p o issionais em o no do desen ol imen o e bem-es a das
c ianças do P é-Escola , bem como das azões subjacen es ao que ão obse ando no seu
quo idiano labo al, as p á icas educa i as pa en ais e a qualidade dos p ocessos p oximais
pais-c iança são equen emen e elici adas. O seu olha oscila en e a c í ica e a
comp eensão po algumas das di iculdades i idas po es es pais em esul ado da agi ação e
inúme as exigências que o seu quo idiano coloca, nomeadamen e em e mos labo ais.
No que oca à ima u idade obse ada en e “a no a ge ação” de c ianças que
acompanham a ualmen e, segundo o olha de algumas des as p o issionais, es a pa ece
es a co elacionada com algum “ acili ismo”/p á icas pa en ais mais pe missi as ou alguma
negligência e/ou des alo ização, po pa e dos pais, das necessidades de es imulação,
“p esença” e de a e o po pa e da c iança. Eis alguns exemplos do seu discu so:
“… É o que eu alo desde início: a au onomia; que os p óp ios pais não delegam, “Olha,
amos en a ”. Não, nada é ao i mo das c ianças, ao i mo deles. Nós chegamos com
c ianças com aldas a é aos 5 anos. Eu enho ai aze 4 ago a em se emb o mas a mãe diz
que es a ó imo, “deixe lá”, es á ó imo, é ao i mo deles, êm que subi às sani as. (…) Isso é
mui o mau, eu acho, os pais começam a descu a mesmo esse ipo de coisas pa a o na a
c iança au ónoma” (Educado a 05);
“O que o mais ácil pa a os pais, assim é menos p eocupação (…) É como come com
as mãos, é uma coisa que amos ba alhando dia iamen e po que eles qualque , a oz,
massa, é udo à mão, não em aquela coisa dos alhe es” (Assis en e Ope acional 02);
“Eu acho que eles [c ianças] de em ica mui o p esos den o de casa, com os
elemó eis, e, pa a mim, acho que de e se semp e em casa e só com o elemó el, isolados,
po que os pais êm ou as p io idades” (Assis en e Ope acional 04);
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“….a gen e ai pa a um passeio qualque , a gen e não ê nenhumas c ianças, poucas
c ianças ê” (Assis en e Ope acional 05);
“Ago a aqui se no e ei ó io i esse um elemó el à en e dele e uma mão a me e [a
comida na boca da c iança]. É o que eu digo, os pais não êm paciência, não. Eu acho que os
pais é que ica am mais a ingidos, não o am as c ianças, pa a mim o am os pais, os pais é
que ica am” (Assis en e Ope acional 04);
“Tenho meninos, que ê-se que ali a é comem sozinhos, mas é aquela ca ência de e
os que en a am ago a ecen emen e a nós a da mos a comida, já não comem: “Ai, já não
sei come sozinho”. Qua o anos: “Já não sei come sozinho”, po que que em que dê, é uma
chamada de a enção; é uma chamada de a enção como quem “Se lhe podes da de come a
ele ambém podes da a mim”, eles não êm aquela coisa de “ah, é pa a os ajuda ”, é al a
de a e o, é al a de a e o” (Assis en e Ope acional 02).
No que se e e e, especi icamen e, aos a asos obse ados na linguagem de mui as
des as c ianças, alguns dos p o issionais associam-no ao ac o de os pais e em uma ida
mui o ocupada e agi ada, endo que di idi o empo do abalho com a a enção dada aos
ilhos. Re elando comp eensão e empa ia em elação à ges ão que es es pais êm que aze ,
um des es p o issionais en a iza o cansaço que mui os des es pais p o agonizam:
“Eu acho que nes e momen o é os pais ambém é, ambém é udo, é uma ca ga
po que em que abalha , é impensá el nes e momen o não se abalha , êm que ao
mesmo empo, acompanha o ilho em que da educação, is o emos que en ende que os
pais ambém es ão a i e a ida deles” (Assis en e Ope acional 05).
Tema 6: O Mesossis ema Família-Con ex o de Educação P é-Escola
No que se e e e à comunicação exis en e en e dois mic ossis emas cen ais na ida
da c iança, a amília e o P é-Escola (mesossis ema), o discu so das p o issionais
en e is adas dá con a da ele ância dada à a iculação en e es es e os pais, con ibuindo
de o ma bené ica e coo denada pa a o desen ol imen o e bem-es a des as c ianças. En e
es es, segundo o discu so des as p o issionais pa ilham-se es a égias, suges ões,
in o mação e conhecimen os, que a a és de con e sas in o mais que de momen os de
o mação mais es u u ados. Eis as es a égias de colabo ação que, segundo es as
p o issionais, são ge almen e ado adas, indi idual ou ins i ucionalmen e, nas suas p á icas.
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“Pelo que nós alamos com os pais, nós damos-lhe dicas e eles, no undo, dizem que
nunca pensa am nisso e ag adecem-nos. Ce as si uações, ce as coisas em que a gen e diz
“Ai nunca pensei nisso, olha boa ideia, ou en a aze isso!”. Demons a que, embo a eles
enham mui os conhecimen os, às ezes uma coisa mais p á ica que eles nunca pensa am
no assun o [pode se ú il]” (Educado a 02);
“Sim, alamos com os pais p imei o e depois com o psicólogo. Nós emos aqui uma
psicóloga, mas (…) ela es á cá uma a de po semana, é mui o pouco. Fala-se com os pais e
os pais quando êm, às ezes, possibilidades [ inancei as], eles p óp ios le am ao psicólogo,
no p i ado (…) Não indo, nós e e enciamos pa a a psicóloga aqui e ela ai-nos dando uma
ajuda, mas não é aquela que nós p e endíamos. Mas, undamen almen e a gen e abalha
com os pais e com a c iança” (Educado a 02);
“Como ins i uição nós azemos essas ais pales as com psicólogos pa a explica como
é que ha iam de aze pa a anquiliza os ilhos. Como educado a a mesma coisa, alamos,
abalhamos, dizemos que é a p o esso a pa a não se p eocupa em” (Educado a 01).
De e e i que as e lexões das pa icipan es em o no da elação exis en e com es es
pais dão ambém con a da p esença de algumas ensões e/ou “desencon os” en e es es
dois mic ossis emas. En e es es des acam-se algumas di e enças em e mos dos alo es
p econizados po es es ês g upos de cuidado es (pais, educado es de in ância e assis en es
ope acionais) ao ní el de como de e se educada uma c iança e de qual o papel dos pais
nes e p ocesso. Assim, de um lado es ão os pais - na maio ia mui o jo ens e de uma ge ação
dis in a dos p o issionais que cuidam da c iança e, po ou o, as educado as de in ância e as
assis en es ope acionais cujo olha é aqui dado a conhece .
Po exemplo, no que diz espei o à e lexão em o no das p á icas pa en ais, um dos
aspe os especialmen e c i icados po á ias des as p o issionais p ende-se com alguma
pe missi idade na o ma como es es pais educam os seus ilhos, ou, pa a alguns, a
des esponsabilização do seu papel enquan o p incipais educado es da c iança. Eis algumas
passagens do seu discu so que dão a conhece es e olha c í ico:
“A des esponsabilização dos pais, que endem a dize semp e “sim” à c iança, pois é
mais ácil do que dize “Não”, pois o “Não” aca e a jus i ica à c iança o po quê do “Não”.
Eu cos umo dize , nas euniões, aos pais: “[Há que] pensa mui o bem an es de dize o
“Não” e o “Sim”, po que se disse mos o “Não”, de emos le a a é ao im e o “Sim” a mesma
59
coisa, po que senão c iamos ins abilidade na p óp ia c iança. Mas, o “Sim” é mais ácil”
(Educado a 02);
“…é o deixa que ela aça o que ela que , po que já es ão ão pouco empo com eles”
(Educado a 04).
No que se e e e às di iculdades iden i icadas nes as c ianças ao ní el do espei o pelas
eg as e pela igu a de au o idade, as p o issionais a ibuem-nas, po um lado, ao eme gi de
no as o mas de concebe qual o melho modo de educa a c iança (as quais, segundo es as
p o issionais, são ma cadas pelo coloca “no cen o” a on ade da c iança) e,
consequen emen e, pela adoção de p á icas educa i as mais “condescenden es”. Po ou o
lado, a ausência des as “ e e ências” no sis ema de alo es dos p óp ios pais é ambém
apon ada como uma explicação possí el. Ou seja; segundo es es p o issionais
(maio i a iamen e de uma ge ação dis in a dos pais des as c ianças) os p óp ios pais o am
educados “sem eg as”. Os exemplos que se seguem ilus am o olha des es p o issionais em
o no des a di e ença de alo es educacionais que pau am as p á icas de ambos:
“Eu acho que, eu já digo is o há mui os anos, ambém já são mui os anos a abalha .
Nós an es de educa mos os ilhos de íamos educa os pais. Os pais são os p imei os que
p ecisam. Eles são de uma ge ação que anda am um bocadinho à sol a, não é? Os pais”
(Assis en e Ope acional 02);
“Po que depois há o pai, há casos assim, o pai que não conco da bem com aquela
o ma de se [da c iança], mas, aquela ideia de que a c iança ago a é o cen o, e de e se ,
de e se no aspe o que de emos da a enção, mas às ezes não é o deixa que ela aça o que
ela que …” (Educado a 04);
“Mas ambém em que sabe , aquele espei o que se inha pelo adul o, ou dize bas a
um bom dia boa a de, às ezes há meninos que en am aqui, pa ece que não es á ninguém,
não dizem bom dia, boa a de ou a é amanhã. Acon ece po quê? Quan as ezes passas pelos
pais ali à po a e alguém diz bom dia, boa a de e eles ambém não espondem” (Educado a
06).
Es es p o issionais a i mam ainda que os p óp ios pais não êm espei o pelos
p o esso es e que mui as ezes se exal am à po a da escola, não espei ando a é as p óp ias

60
educado as de in ância e espe i as assis en es ope acionais. Segundo as suas in e enções,
es a exal ação, po no ma, acon ece sem seque en a em escla ece e/ou comp eende o
que pode á e acon ecido com o ilho no con ex o do P é-Escola :
“Acho que [os pais] es ão mais exal ados; não êm assim aquela pos u a, não êm
aquele espei o. An igamen e, a gen e inha ala com o p o esso , com espei o, não
a a a mal nem aumen a a a oz. Eles ago a são os p óp ios a aumen a a oz aos
p o esso es” (Assis en e Ope acional 05);
“A escola es á pa a desen ol e ou as compe ências, ago a a educação, se não ie de
casa, não é, se o pai se o ilho não espei a o pai ou mãe em casa, como é que ele ai chega
à escola e me ai espei a ? Isso já é de be ço” (Assis en e Ope acional 02).
Um ou o alo que, de algum modo eme ge no discu so des es p o issionais e que
denuncia a não o al sin onia en e os pais e os p o issionais p ende-se com o empo
dedicado pelos pais à sua elação com os ilhos. Algumas des as p o issionais apon am o
pouco empo “de qualidade” que alguns des es pais dedicam à c iança. Inclusi e, algumas
a ibuem os a asos de desen ol imen o an e io men e assinalados (ou a p esença de
alguns compo amen os menos ajus ados) a es a “ausência” dos pais, si uações pa a as
quais as educado as ão chamando a a enção ou suge indo o mas de os impedi ou
colma a . Eis alguns exemplos do discu so des as p o issionais a es e p opósi o:
“O empo que dedicam a eles; é isso: o empo que es ão com eles e a o ma como
es ão, acho que é mui o, passa mui o po aí ambém. Acho que os pais i em mui o o
ma e ialismo, em ez de, só alo izam o pode da , po exemplo, quando êm algum empo
pa a abalha mais, pa a e mais [dinhei o], azem-no e não pensam que esse empo es á a
aze al a pa a es a em com os ilhos" (Educado a 06);
“Eu acho que é a al a de diálogo, é aquilo que eu ba o semp e nas euniões com os
pais, con e sem, pe gun em como é que oi o dia, po que es ão a comunica ” (Educado a
03);
“Os pais não podem dize que abalham, odos os dias, odas as ho as, po an o,
con inuo a dize há empo pa a a c iança, de qualidade, se os pais quise em. A es u u a
amilia é a base de udo” (Educado a 02);
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“A quan idade aqui não in e essa, po que eu posso e o dia odo com o meu ilho e de
qualidade e um minu o, ou, posso e cinco minu os de qualidade po que só enho aqueles
cinco minu os com o meu ilho, mas é de qualidade; e é o mais impo an e” (Educado a 04);
“Qualidade, passa empo com a mãe, em que a mãe não enha que aze o jan a , não
enha que a a da oupa, não enha que lhe da banho a co e , não em que i dei a ;
empo, es a ali, p esen e, sen a com a c iança, le um li o, aze um jogo, um desenho,
ala pa a ele, pe gun a como é que co eu o dia, há c ianças que não êm isso e depois,
no a-se nas a i udes deles” (Assis en e Ope acional 03);
“Eu cos umo dize aos pais, às ezes cinco minu os com o ilho pode se mais
impo an e que uma mãe que enha um dia odo com o ilho. Po que uma mãe que em o
dia odo com o ilho a é ai abalha e não ligou. Há mães assim que, du an e o dia odo,
são capazes de não liga , se calha um minu o e uma mãe que em do abalho se i e 5
minu os com o ilho e disse , “olha, o que é que u izes e, olha amos con a uma his ó ia”,
po an o, eu acho que nós não podemos dize [que não há empo]” (Educado a 02).
Um ou o aspe o que espelha alguns dos “desencon os” de alo es en e pais e
p o issionais - e que encon a pa icula exp essão en e as assis en es ope acionais que
acompanham a c iança na ho a das e eições – p ende-se com a ques ão do despe dício
alimen a e com a al a de cuidado (ou alguma displicência) po pa e dos pais em elação a
es a ques ão. En e alguns dos aspe os apon ados pelas p o issionais como es ando
subjacen es a es a a i ude, pa ecem es a , po um lado, (i) o ac o de que, pa a algumas
des as amílias, as e eições se em g a ui as; (ii) a sob eposição do alo “p a icidade” à do
cus o; e/ou (iii) a pa ca consciência ou sensibilidade de alguns des es pais ao signi icado
simbólico da comida, um bem que, em meios (e ge ações) de maio escassez ou p i ação, é
ido como um alo “ines imá el”. Eis as e balizações eme gidas en e as assis en es
ope acionais de um dos g upos en e is ados, nes e caso o iundo de um meio u al:
“É aí que es á a al a de sensibilidade dos pais, os pais nem se ape cebem que a ida
es á di ícil, que se lhe puse uma maçã, cus a 50 cên imos, mas se lhe puse um boião de
u a (mais ca o), é mais ácil, não dá an o abalho, não p ecisa descasca a maçã nem de
nada, lá es á is o ago a udo que o p á ico pa a os pais é o melho ” (Assis en e Ope acional
02);
“Nós não conseguimos me e na cabeça dos pais que êm que a isa que o menino não
em po que a comida ai pa a o lixo. Po que alguns pais não pagam e pa a eles [não
62
impo a]. Não me en a na cabeça. Pois não, po que mui os ambém não pagam, não es ão
p eocupados” (Assis en e Ope acional 04);
“Mesmo em elação à can ina, há pais que mandam uma mochila de lanche como
quem ai a um passeio, po que eles sabem que eles chegam ao e ei ó io, não comem e po
isso em que e comida na mochila, su icien e pa a o dia odo. A meu e is o es á e ado
po que a e eição es á paga nem que não es i esse paga, a comida não se dei a o a (…) É
que em que ha e espei o po aquilo que es á no p a o, não é? Eu dece o sou an iquada”
(Assis en e Ope acional 02);
“Ti emos uma mãe que nos espondeu, “Ah, es á bem, ao que eu pago”. Exa o não há
essa, não há p eocupação, não pagam, não há p eocupação. Eu disse: “Se 20 c ianças po dia
izessem o que a senho a az o que é que se azia à comida? Elas pensam em ques ões de
dinhei o, não em ques ões de despe dício” (Assis en e Ope acional 02).
Tema 7: Es a égias que os p o issionais u ilizam pa a lida com a ansiedade da c iança
Ques ionadas sob e o modo como a uam pe an e uma si uação em que a c iança
e idencia ansiedade, algumas das p o issionais e ocam uma abo dagem anquila,
e o çado a da capacidade da c iança de se au o egula e de supe a a si uação que lhe
ge ou ansiedade, como a mais ajus ada. Nalgumas si uações, o ecu so a uma es a égia de
e asão/dis ação e a não excessi a alo ização do sucedido pode ão ambém se u ilizadas.
De e e i que no discu so des as p o issionais pa ece es a bem pa en e a consciência do
seu papel cen al no secu iza da c iança, e na ajuda que pode ão da à sua (au o) egulação
emocional.
“Em p imei o luga , ala semp e com calma pa a a c iança e não demons a que es á
ansiosa e da semp e um e o ço posi i o à c iança: “Tu és capaz!; “Tu azes…” e ambém
não alo iza mui o as si uações. Há pais que alo izam mui o uma si uação e depois es ão
semp e a ala nessa si uação à c iança” (Educado a 01);
“Es imulá-la, da -lhe um e o ço posi i o: “Tu és capaz; não ens que e medo!”,
alamos, con e samos. Às ezes, quando uma c iança ica mui o ansiosa e dá-lhe aquelas
c ises: “Vá lá, u és capaz, espi a undo! “Vamos lá, ais e calma, espi a undo”
(Educado a 01);
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“No meu caso, ou busca um jogo que ele gos e mais e sen o-me ali ao pé dele pa a
ele aze um puzzle, po que o puzzle acalma (…) eu ajudo ali a abalha com eles quando
eles es ão mais s essados. Quando ão pa a o ec eio deixo-os anda à on adinha, pa a
eles gas a em [a ene gia] que eles que em. Den o da sala é que amos busca um puzzle,
um jogo que ele gos a e es amos ali ao pé dele” (Assis en e Ope acional 05).
Tema 8: O papel do psicólogo da ins i uição
No que se e e e ao supo e psicológico exis en e na ins i uição, segundo os ela os
dos di e en es g upos en e is ados (pe encen es a di e en es ag upamen os de escolas), o
psicólogo é um ecu so escasso nos seus con ex os, podendo exis i um no ag upamen o em
que se insc e e a sua ins i uição mas não es ando p esen e dia iamen e não dando, po isso,
espos a às necessidades eme gidas no seu con ex o labo al. Segundo as pe ceções des as
p o issionais, exis e uma boa a iculação en e si e os p o issionais de Psicologia, sinalizando
e encaminhando alguns casos pa a a aliação e/ou acompanhamen o psicológico e/ou
eco endo à sua ajuda quando necessá io. Quan o às p oblemá icas mais p edominan es
em e mos da in e enção psicológica na sua ins i uição, a pe ceção des es p o issionais é a
de que são di e sas e que a ansiedade não cons a en e as mais comuns. Eis as espos as dos
p o issionais quan o à incidência de casos de ansiedade que eque em uma a enção
ac escida po pa e dos Se iços de Psicologia.
“Nesses casos de ansiedade, não sob e isso não. Hou e si uações, mas é c ianças com
di iculdades, com necessidades educa i as mesmo” (Educado a 05);
“Apa ece semp e um ou ou o caso que, no ano passado, po exemplo, a minha
menina que encaminhei de ido ao compo amen o, mas no malmen e es á elacionado com
ou as p oblemá icas. No malmen e são c ianças que (…) já êm ou as p oblemá icas,
diagnós icos já de inidos e com p oblemá icas de inidas, e depois há mui as ezes a
necessidade de se em a aliados ambém a ní el da psicologia, sim e acompanhados a é”
(Educado a 08);
“Não, [ansiedade não], é po ques ões, ou al a de concen ação ou miúdos que se
opõe, que êm p oblemas, que êm que se sinalizados, mais po aí” (Assis en e Ope acional
02).
70
diaposi i os ecnológicos po longas ho as, o a jogando sozinha e/ou assis indo a ídeos
in an is, o a, po exemplo, com os i mãos mais elhos, excedendo la gamen e as o ien ações
da (OMS, s.d, ci po . Nações Unidas B asil, 2019), que ecomenda a exposição máxima de 1
ho a diá ia pa a as c ianças com idades mais p ecoces e a o al ausência de con ac o com os
mesmos en e bebés com menos de 12 meses. Alguns dos ela os das pa icipan es dão
ambém con a do ecu so aos disposi i os ele ónicos nos momen os das e eições, su gindo
como uma o ma de dis ai a c iança e/ou mi iga as ensões comummen e exis en es em
o no da comida. Qualque uma des as si uações – onde os ec ãs ganham pa icula
p o agonismo e começam a da sinais de que, pa a além dos a asos desen ol imen ais,
ge am dependência en e algumas des as c ianças ( al como alguns dos ela os des as
p o issionais dão con a), são lidas po algumas das pa icipan es como e le indo o
“ acili ismo” ou pe missi idade que, segundo o seu olha , ma cam as p á icas educa i as de
uma no a ge ação de pais. Alguns des es p o issionais leem-no como negligência e/ou como
des alo ização das necessidades de es imulação, “p esença” e de a e o po pa e da c iança.
De e e i que o olha , po ezes, pa icula men e c í ico dos p o issionais que
pa icipa am no es udo, pa ece e le i as di e enças de ge ação exis en es en e os pais
des as c ianças e os p o issionais que as acompanham no Ja dim de In ância as quais, ais
como os p óp ios econhecem, são, po ezes, ge ado as de algumas ensões. As mudanças
exp essi as que êm indo a oco e nos úl imos empos em ma é ia de p á icas pa en ais
são esponsá eis po um olha algo di e gen e sob e a melho o ma de educa uma c iança,
oscilando es a en e uma abo dagem – a dos pais mais jo ens - que coloca a c iança no
cen o e lhe dá p imazia nas omadas de decisão ( enha ela ou não ma u idade de o aze ) e
uma ou a – a dos p o issionais - que p ocu a um equilíb io en e a e o e exigência, uma
abo dagem que coloca a c iança no cen o mas que assume o adul o como aquele que
ep esen a a igu a da au o idade, o que de ine e pon ua as eg as; alguém quem a c iança
de e espei o. A di e ença de alo es e de p á icas educa i as decla adamen e pa en e no
discu so das pa icipan es pa ece se mo i o de alguns “desencon os” en e pais e
educado es, dando con a de um messosis ema amília-con ex o de educação P é-Escola
nem semp e ha monioso e que, mui o embo a não explici ado no discu so das pa icipan es,
pode á conco e pa a o inc emen o da ansiedade des as c ianças, po que i endo en e
dois mundos que nem semp e “ alam a mesma língua” ou es ão em sin onia quan o à o ma

71
como se de e educa uma c iança e quais os elemen os cha e pa a p omo e o seu
desen ol imen o e bem-es a .
72
CONSIDERAÇOES FINAIS
Num mundo em que a ansiedade es á cada ez mais p esen e na ida de odos, a
obse ação – du an e um es ágio cu icula ealizado na alência do P é-Escola - de
acen uados ní eis de agi ação, i equie ude, ag essi idade ou cho o equen e en e
c ianças com idades en e os 3 e os 6 anos conduziu à on ade de explo a mais a undo
aquela que oi umas das ques ões em que assen ou a componen e empí ica do abalho aqui
ap esen ado: quais os e ei os que as expe iências “impos as” pela Pandemia po Co id-19
i e am no desen ol imen o e bem-es a das c ianças que nasce am du an e ou pouco
depois do pe íodo pandémico (2020 e 2021). Depois de um pe íodo signi ica i o da ida
des as c ianças, du an e o qual pe manece am em casa com a sua amília nuclea
(maio i a iamen e os pais e i mãos, se exis en es), p i adas de libe dade, ge almen e
con inadas ao espaço de um apa amen o, com pa ca possibilidade de b inca em ao a li e
e p i adas do con ac o com ou as c ianças da sua idade e/ou do con ac o com adul os pa a
além do núcleo amilia , uma das lei u as possí eis pa a algum do mal-es a obse ado en e
es as c ianças no seu eg esso ao Ja dim de In ância (ou, pa a algumas, a sua es eia) oi a de
que o pe íodo da Pandemia deixou sequelas no desen ol imen o e bem-es a nas c ianças,
su gindo a ansiedade como uma das suas mani es ações.
Numa en a i a de a e igua a plausibilidade des a hipó ese, buscou-se o olha dos
p o issionais que, no âmbi o da educação P é-Escola , acolhem e acompanham dia iamen e
es as c ianças, e cuja expe iência su ge como e e ência pa a baliza e en uais di e enças no
desen ol imen o e bem-es a des e g upo e á io no an es e no depois da Pandemia.
P ocu ando a e igua se as hipo é icas di e enças e iam dis in as exp essões consoan e as
ca ac e ís icas sócio-demog á icas das suas amílias e do con ex o de inse ção das
ins i uições de educação P é-Escola equen adas po es as c ianças, o es udo p ocu ou
cob i ins i uições do meio u al, semi- u al e u bano.
Pa indo das pa icula idades ine en es a qualque amília (desde o amanho do
ag egado amilia , núme o de ilhos, idade dos ilhos, ipologia de amília – “ adicional”,
monopa en al, econs i uída, e c. –, si uação p o issional dos pais ou, en e ou os, o seu
ní el sócio-económico), bem como a especi icidade das suas dinâmicas e o inas, pa iu-se
da p emissa de que nem odos os ag egados amilia es sen i am de igual modo o impac o da
Pandemia. Apesa de (g ande pa e) e em ido em comum odos os desa ios ine en es à
73
ges ão en e a ida amilia , escola e labo al, de epa i em o seu empo en e as a e as
p o issionais, escola es e domés icas no mesmo espaço ísico num egime de 24/24 ho as;
de e em que e bem p esen e a logís ica da higienização, o uso de másca as, a desin eção
das mãos e de assegu a em que ambém os memb os mais pequenos da amília a
cump iam, o modo como a amília (enquan o sis ema) e cada um dos seus memb os i eu
( eagiu, sen iu, comp eendeu) es e pe íodo e e di e en es nuances e impac os. No caso dos
pais, os inúme os ajus amen os – pessoais, amilia es e p o issionais – que a Pandemia
aca e ou, e a esponsabilidade assumida pelo seu bem-es a e p o eção da sua saúde, da
dos ilhos e dos memb os da amília mais elhos, ou, en e ou os, pela subsis ência amilia
con ibuí am pa a um aumen o (bas an e exp essi o, pa a alguns) dos seus ní eis s esse
emocional, inancei o e conjugal (en e ou os). Po seu lado, pa a as c ianças,
nomeadamen e em idade P é-Escola , a não in eg al comp eensão do “po quê” de se em
ob igadas a a as a -se dos seus amigos, a e em que pe manece em casa, não pode em
b inca no pa que, ou não con ac a di e amen e com amilia es que idos (e.g. os a ós e/ou
ou os memb os da amília mais ala gada) pa ece e o iginado s esse e ansiedade
ac escidos, que en e as c ianças que en e os pais, al como a li e a u a na á ea, e alguns
dados do es udo empí ico des e abalho, dá con a. Segundo os ela os de algumas das
pa icipan es do es udo, ais e ei os pode ão e sido meno es en e as amílias cuja
esidência inha um ja dim/quin al que i e am a opo unidade de p opo ciona à c iança
um con ac o mais equen e com a na u eza e/ou com espaços em que pôde b inca ao a
li e.
Pa a além de e em sido opo unidades de e asão, b incadei a e “dispêndio de
ene gia”, es es momen os de con ac o com o ex e io o am opo unidades de “ ompe ”
com um ou o ipo de en e enimen o que ocupou a ida de mui as des as c ianças du an e
a Pandemia (e que, segundo as pa icipan es do es udo, ainda hoje pe manecem): os
disposi i os ele ónicos. A b aços com os desa ios da ges ão en e a ida amilia e
p o issional, oi mui o comum, po pa e des es pais, a cedência do acesso dos seus ilhos –
alguns deles em idades mui o p ecoces – a es es disposi i os, nomeadamen e aos seus
elemó eis pessoais ou able . Segundo os ela os das p o issionais en e is adas, e em
consonância da li e a u a consul ada pa a a elabo ação da p imei a pa e des a disse ação,
é cada ez maio o núme o de c ianças em idade P é-Escola que êm acesso a es es
disposi i os, em idades cada ez mais p ecoces e com um maio empo de exposição aos
74
mesmos. Em esul ado, são á ios os es udos mais ecen es que ão dando con a dos e ei os
noci os que uma exposição p olongada aos mesmos em, em especial en e os mais no os,
não apenas em e mos do seu desen ol imen o (e.g., linguagem, a a enção, a mo icidade,
au onomia, compe ências sócio emocionais) mas na sua saúde ísica e men al (e.g.
alimen ação, pad ões de sono, humo ). Em consequência, que no es udo ealizado no
âmbi o da p esen e disse ação, que en e os esul ados de es udos congéne es, su gem
e idências que apon am pa a a p esença de ac escidos ní eis de s esse e ansiedade, bem
como p oblemas de a enção e di iculdade em pe manece nas a e as (mesmo as de ca á e
lúdico), cansaço, ápidas mudanças de humo e/ou p oblemas compo amen ais en e es as
c ianças.
Mui o embo a apon ando a ansiedade a ualmen e obse ada en e as c ianças en e
os 3 e 6 anos como podendo deco e da exposição p ecoce e de empos de exposição
desajus ados du an e a Pandemia, e a ualmen e, con a iando odas as ecomendações de
en idades o iciais como a OMS, não é es a que o discu so das p o issionais en e is adas
a ibui como p incipal a o esponsá el po algum do mal-es a obse ado en e es as
c ianças. Segundo es as p o issionais, é especialmen e na ansiedade dos pais, no seu
acele ado i mo de ida, na sua pa ca disponibilidade ( ísica e emocional) pa a a c iança,
e/ou na pouca paciência pa a lida com as suas demandas (de a e o, de a enção, de empo
pa a b inca ) que esidem os p incipais a o es po de ás das mani es ações cogni i as,
emocionais e compo amen ais obse adas en e es as c ianças e que deno am a p esença
de ansiedade nas suas idas. Ou seja; pa ece que algum do mal-es a e os a asos
desen ol imen ais obse ados en e es e g upo e á io (nascido um pouco an es, du an e ou
pouco depois da Pandemia) são um e ei o “cola e al” do p óp io mal-es a e
“indisponibilidade” dos pais, dando luga a p ocessos p oximais mais pob es (em e mos de
es imulação, a e o, a enção), mais ensos e/ou menos a en os aos seus “ i mos” e
ca ac e ís icas desen ol imen ais.
A es es su gem ambém associados os con li os exis en es en e es es pais, alguns
deles ge ados pelo s esse labo al e/ou inancei o a que es ão sujei os, às inúme as
exigências associadas ao cuidado dos ilhos dependen es, aos ho á ios de abalho e as
longas dis âncias pe co idas en e casa e o abalho e/ou, en e ou os, ao pouco supo e
dos a ós (que ainda abalham) ao ní el de oda a logís ica associada ao cuida da c iança.
Nalgumas des as amílias, o di ó cio (oco ido du an e ou após o con inamen o) e as
75
ensões exis en es en e os mic ossis emas “casa da mãe” e “casa do pai” são mo i os
ac escidos do mal-es a da c iança em idade P é-Escola os quais, al como an e io men e
desc i o, podem es a na o igem da agi ação, ag essi idade ou cho o equen e da c iança.
Face ao cená io an e io men e desc i o – undamen ado que nos es emunhos e
e lexões das p o issionais en e is adas, que das e idências ecolhidas po ou os es udos
na á ea – e endo em con a as implicações que pode á e a médio e longo p azo, assume-se
da maio ele ância uma e lexão em o no de quais as in e enções mais ajus adas à
supe ação das di iculdades a ualmen e expe ienciadas po es as c ianças e suas amílias,
bem como do mino a das suas epe cussões a médio e longo p azo. Pa indo de um olha
sis émico, p econiza-se que ais in e enções de em se desenhadas e implemen adas em
a iculação com os pais e ou os agen es impo an es na ida da c iança (e.g., p o issionais
de saúde, amília mais ala gada, agen es de ou os mic ossis emas que in eg am a ida da
c iança) e que conside em o seu desen ol imen o global, espei ando as idiossinc asias de
cada c iança, p omo endo e mobilizando ecu sos (in e nos e ex e nos) que a o eçam
ap endizagens signi ica i as e o bem-es a da c iança P é-Escola .
No que se e e e à iden i icação de po enciais p oblemas na c iança, bem como à
p ocu a de auxílio especializado – com is a ao seu (e en ual) diagnós ico e espe i o
a amen o - é undamen al o papel dos pais e dos educado es o mais, de endo o
mesossis ema amília-con ex o de educação P é-Escola se ma cado po uma boa
comunicação, oca de in o mação ele an e e uma in e enção coo denada (San os, 2016).
Tal como a i ma es e úl imo au o , quando es e mesossis ema unciona bem, ou seja; se o
cuidado e a ga an ia do bem-es a e desen ol imen o da c iança é ei o em conjun o e com
a colabo ação de odos, “os esul ados podem se bem melho es” (p.13).
No caso dos p o issionais que lidam com a c iança no P é-Escola , o acesso à c iança
em con ex o educa i o e os seus conhecimen os e expe iência em o no do
desen ol imen o da c iança podem se pa icula men e impo an es na sinalização e
diagnós ico (deseja elmen e) p ecoce dos p oblemas da c iança. O seu papel pode á se
igualmen e ele an e na in e enção a desen ol e jun o da c iança (e dos p óp ios pais), no
âmbi o da qual o supo e emocional se assume cen al.
Po sua ez, os pais, assumem um papel igualmen e p imo dial, não só na iden i icação
de po enciais di iculdades da c iança, mas ambém na a iculação com os ou os adul os
que, nou os mic ossis emas cuidam da c iança (e.g., a ós), e, ambém, no exossis ema, na

76
p ocu a do olha de um écnico da psicologia e/ou da pedopsiquia ia na e en ualidade da
suspei a de um quad o mais g a e.
Quan o à in e enção nos con ex os mais imedia os da c iança (e.g., mic ossis emas
casa, P é-Escola , a ós), nos casos em que a c iança oi diagnos icada com um p oblema de
ansiedade, o lúdico pode á su gi como o ma p i ilegiada de ajuda a c iança a en en a as
si uações i idas po es a como ameaçado as. Po exemplo, en e as c ianças que padecem
de Ansiedade de Sepa ação na ase de adap ação ao Ja dim de In ância, suge e-se que o
adul o que a ecebe à en ada assegu e um acolhimen o di e ido e a á el; que con e se
com a c iança e não descu e o que es a es á a sen i , mos ando in e esse em escu á-la e em
ajudá-la a supe a as suas di iculdades (Amo im & Polle o, 2021). Po sua ez, em sala, ou no
ec eio, o adul o pode suge i jogos que ge em a in e ação com ou as c ianças e que
p omo am a sua socialização e in eg ação no g upo de pa es, c iando opo unidades pa a
que, de en e ou os, a esol e con li os ap enda, a negocia , a pe de ou a espe a pela sua
ez. O ecu so ao e o ço posi i o - mos ando que ela é capaz de en en a e supe a os
seus medos, de aze amigos, de desen ol e as a i idades p opos as - su ge igualmen e
como uma es a égia impo an e, uma ez que ge a au ocon iança na c iança e conco e
pa a a diminuição dos seus sin omas de ansiedade (Amo im & Polle o, 2021).
No caso dos pais (ou ou os cuidado es p incipais), quando a ansiedade é despole ada
po algum medo(s) da c iança, a ecomendação de Amo im e Polle o (2021) é a de que a
incen i em a en en a o(s) seu(s) medo(s), mo i ando-a a aze ace ao(s) mesmo(s) e
e o çando posi i amen e as suas en a i as, mesmo quando exibindo p og essos pouco
signi ica i os ou quando não é in ei amen e bem-sucedida. Pa a além do mais, os pais
podem secu iza a c iança quando demons am con iança nos adul os que cuidam dela na
ins i uição. Combina com a c iança i buscá-la a um de e minado local e cump i a sua
p omessa su ge igualmen e en e as o ien ações de Amo im e Polle o (2021). A es as
ac esce a suges ão de que, em casa, se ese e empo pa a escu a a c iança sob e como
co eu o seu dia na escola, se enha empos de exclusi idade com a c iança, se b inque com
a c iança ou se lhe pe mi a joga li emen e e que, nas o inas diá ias (do banho, das
e eições, do es i ), se espei em os seus empos e se lhes dê a opo unidade de ealiza
algumas a e as o inei as de o ma au ónoma (e.g., es i , calça os sapa os, la a os
den es, come ), seguida de e o ços posi i os.
Po im, p ocede-se ago a a um balanço de odo o abalho desen ol ido, apon ando-
77
se alguns aspe os posi i os e nega i os que o am i idos e iden i icados ao longo do mesmo
bem como no p odu o inal que aqui se ap esen a. Como aspe os posi i os é de ealça a
ece i idade das di eções das ins i uições p esen es no es udo, as quais c ia am as
condições adequadas ao no mal deco e do es udo, nomeadamen e o acesso às
pa icipan es e acili ando odo o p ocesso de ecolha de dados. De des aca , ambém, a
ele ada ece i idade e disponibilidade das p o issionais que pa icipa am no es udo, endo,
desde o início, e elado g ande abe u a e in e esse pela emá ica em es udo, bem como
o al ece i idade em e mos da pa ilha das suas expe iências e pe ceções ao longo das
en e is as, con ibuindo pa a um conhecimen o mais ap o undado do enómeno em es udo
e da ealidade i ida po es as c ianças e amílias no pós-pandemia.
No que se e e e aos aspe os menos posi i os do abalho le ado a cabo, des aca-se a
logís ica das en e is as que, em alguns g upos, oi mais di ícil agiliza , dada a necessidade
de conciliação de ho á ios bem como, no caso daquele que e a o plano inicial do es udo, a
di iculdade em acede às psicólogas das ins i uições onde o am ecolhidos os dados. No
caso des as úl imas, as di iculdades de agenda e/ou o pouco empo que disponibiliza am
pa a a en e is a in iabilizou a sua in eg ação no g upo de pa icipan es. C ê-se que, a pa
dos pais, o olha dos p o issionais da Psicologia pode á pe mi i não apenas iangula o
olha de agen es cen ais na ida da c iança (os pais), com os de um écnico especializado e
o das educado as e das assis en es ope acionais en e is adas, a e iguando semelhanças e
con as es no seu olha , mas, ambém, e uma isão mais ap o undada das ques ões
explo adas ao longo da p esen e disse ação.
Assim sendo, c ê-se que, ponde ando-se a possibilidade de da con inuidade ao
p esen e es udo, se ia impo an e conside a ou as ques ões e olha es, podendo es es
conduzi a no os e mais p o undos insigh s, ele an es pa a uma melho comp eensão e
in e enção jun o das p oblemá icas em es udo. A í ulo de exemplo, pode ia se
in e essan e explo a o olha dos pais quan o à o ma como i e am e ge i am o pe íodo
pandémico, bem como o impac o que es e e e, en e ou os, na sua saúde ísica e men al, e
de que o ma al impac o e e epe cussões na o ma como exe ce a sua pa en alidade e
sua ligação ao desen ol imen o e bem-es a do(s) seu(s) ilho(s). Adicionalmen e, e pa indo
das pe ceções dos p o issionais en e is ados de que uma das es a égias u ilizadas pelos
pais du an e o con inamen o oi o ecu so aos disposi i os ele ónicos, pa ece-nos ele an e
a e igua a “ e acidade” de ais pe ceções. Um ou o ópico de ele o a explo a p ende-se
78
com o di ó cio pa en al e seus e ei os no desen ol imen o e bem-es a da c iança P é-
Escola . Tendo es e enómeno so ido um inc emen o exp essi o du an e e após a
Pandemia, a explo ação de se, du an e o con inamen o, a c iança oi expos a aos con li os
pa en ais e, no caso de di ó cio, como oi ei a a ges ão da gua da pa en al, bem como as
epe cussões que, na ó ica dos pais ais p ocessos impac a am no desen ol imen o e bem-
es a dos seus ilhos.
No caso das c ianças mais pequenas, pensando que algumas delas nasce am em plena
Pandemia, se ia igualmen e de pa icula ele o explo a como o am i idos, pelos pais, a
g a idez, o pa o e os p imei os empos de ida do bebé. A endendo a aspe os como as
inúme as ince ezas que pon ua am o uni e so des es pais du an e es e pe íodo; o pouco
apoio que i e am da amília mais ala gada; a ausência do pai du an e o pa o; as si uações
em que as mães, endo con aído Co id-19, não amamen a am os seus bebés é de
equaciona o impac o que os ele ados ní eis de s esse e ansiedade p esen es en e es es
pais i e am na elação pais- ilhos e, consequen emen e no seu desen ol imen o e bem-
es a .
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ANEXOS
Anexo I - En e is a Educado as de In ância e Assis en es Ope acionais
A p esen e en e is a in eg a a componen e de in es igação da minha disse ação de
mes ado, ealizada no âmbi o do Mes ado em Es udos da C iança, que me encon o a
ealiza na Uni e sidade do Minho. O ema cen al des e es udo é a ansiedade i ida pelas
c ianças em idade P é-Escola . Tendo em con a que, na sua p á ica p o issional, lida
dia iamen e com c ianças nes a aixa e á ia, a sua expe iência é mui o impo an e pa a
ajuda a comp eende melho es e enómeno e os a o es que con ibuem pa a o mesmo.
Po esse mo i o, ag adeço desde já a sua colabo ação e salien o que os dados que i ei aqui
ecolhe são con idenciais e a sua iden idade enquan o pa icipan e não se á e elada.
 No osso dia a dia p o issional obse am algumas mani es ações de ansiedade en a as
c ianças com as quais abalham? Se sim, quais?
 Sen i am algumas di e enças nas mani es ações de ansiedade en e as c ianças an es e no
pós-pandemia? Se sim, quais? E em e mos da sua in ensidade?
 Quais os a o es que pode ão e conco ido/es a a conco e pa a es as (e en uais)
di e enças?
 Quais as á eas da ida des as c ianças que, na ossa ó ica, so em maio es epe cussões
em esul ado da ansiedade i ida?
 Quais as es a égias que habi ualmen e u ilizam pa a lida com a ansiedade das c ianças?
E são e icazes?
 Como a iculam com os pais em elação a es as ques ões? Ge almen e como abo dam o
assun o? E os pais, como eagem?
 E nos casos mais g a es? Recomendam aos pais algum ipo de acompanhamen o?
 Há algum psicólogo na ins i uição pa a esponde a es e ipo de si uações no sen ido de
ajuda em a c iança e os adul os a lida em com a si uação?
 Acham que os pais es ão p epa ados ou êm es a égias ajus adas pa a lida com a
ansiedade dos seus ilhos?