Uni e sidade
do
Minho
Ins i u o
de
Educação
Má cia Liliana Gomes da Sil a
As Ciências da Na u eza e o Desen ol imen o
da Consciência Ambien al das C ianças da
Educação P é-Escola e do 1.º CEB
julho
de
2025
UMinho|2025
Má cia Sil a
As Ciências da Na u eza e o Desen ol imen o da Consciência Ambien al das C ianças da Educação P é-Escola e do 1.º CEB
Julho 2025
Má cia Liliana Gomes da Sil a
As Ciências da Na u eza e o Desen ol imen o
da Consciência Ambien al das C ianças da
Educação P é-Escola e do 1.º CEB
Rela ó io de Es ágio
Mes ado em Educação P é-Escola e
Ensino do 1.º Ciclo do Ensino Básico
T abalho e e uado sob a o ien ação de
P o esso Dou o Paulo Idalino Balça Va ela
ii
DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS
Es e é um abalho académico que pode se u ilizado po e cei os desde que espei adas as
eg as e boas p á icas in e nacionalmen e acei es, no que conce ne aos di ei os de au o e di ei os
conexos. assim, o p esen e abalho pode se u ilizado nos e mos p e is os na licença abaixo indicada
caso o u ilizado necessi e de pe missão pa a pode aze um uso do abalho em condições não p e is as
no licenciamen o indicado, de e á con ac a o au o , a a és do eposi ó ium da Uni e sidade do Minho.
Licença concedida aos u ilizado es des e abalho
A ibuição-NãoCome cial-SemDe i ações
CC BY-NC-ND
h ps://c ea i ecommons.o g/licenses/by-nc-nd/4.0/
iii
AGRADECIMENTOS
À minha amília, ao meu ma ido, José, e aos meus ilhos, Rod igo e Guilhe me, que o ag adece
p o undamen e! Ob igada po me aze em ac edi a , semp e, que e a possí el chega a é aqui! Po odo
o empo em que es i e ausen e, po odas as ho as que não o am ossas po que es a am a se
en egues à minha o mação. E ob igada ambém po se em o meu po o segu o nos momen os em que
p ecisei de ex a asa , não po causa de ocês, mas a a és de ocês…
Aos meus pais, que semp e sonha am com es e momen o e me apoia am em cada passo. Em
especial, ao meu pai, que es e e ao meu lado quando concluí a licencia u a, mas ago a, de alguma
o ma, sei que con inua a acompanha -me de onde que que es eja. Es e sonho ambém é osso!
Às amizades que a Uni e sidade do Minho me ouxe e que le o pa a a ida: à minha que ida
amiga Bia — sem i, como sabes, não e ia conseguido con inua nem chega a é aqui —, à Ca a ina, à
Ma ga ida e à Sónia, o meu mui o ob igada po es a em e se em p esen es.
Aos meus amigos de semp e, "F iends" e “Ca pe Diem”, ob igada po comp eende em e
acei a em as minhas ausências du an e an os anos. Ob igada po nunca deixa em de es a lá pa a mim.
Ao meu supe iso , P o esso Dou o Paulo Va ela, mui o mais do que um simples “ob igada”, o
meu mais since o e p o undo ag adecimen o po odo o acompanhamen o, o ien ação e incen i o ao
longo des e pe cu so.
Às educado a e p o esso a o ien ado as: que p i ilégio imenso oi e - os ao meu lado! Com ocês
ap endi, na p á ica, o que signi ica se docen e! Dize “ob igada” é mui o pouco dian e do impac o que
i e am na minha o mação e na minha ida. Um ag adecimen o mui o especial aos “meus meninos” –
c ianças e alunos que ão bem me ecebe am e quem jamais esquece ei! Se ão semp e especiais pa a
mim e gua da - os-ei com ca inho pa a semp e! Que o ag adece , ambém, a oda a comunidade escola ,
em ambos os con ex os, onde me sen i acolhida e incluída.
E, po im — mas com igual impo ância —, à ins i uição Valo iza ADL, que me apoiou desde o
início des a jo nada. Mui o ob igada po me deixa em oa .
A odos ocês, o meu mais since o ag adecimen o. Dize “ob igada” não chega. Que o que saibam
que es e caminho só oi possí el po que me apoia am e es i e am comigo. Es e abalho é meu, mas
es e pe cu so é nosso…
“Educa a men e sem educa o co ação não é educação.”
“As aízes da educação são ama gas, mas o u o é doce.”
(A is ó eles)
i
DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE
Decla o e a uado com in eg idade na elabo ação do p esen e abalho académico e con i mo que não
eco i à p á ica de plágio nem a qualque o ma de u ilização inde ida ou alsi icação de in o mações ou
esul ados em nenhuma das e apas conducen e à sua elabo ação.
Mais decla o que conheço e que espei ei o Código de Condu a É ica da Uni e sidade do Minho.
RESUMO
As Ciências da Na u eza e o Desen ol imen o da Consciência Ambien al das C ianças da
Educação P é-Escola e do 1.º CEB
O p esen e ela ó io de es ágio e le e a conceção, o desen ol imen o e a a aliação de um p oje o
de in e enção e in es igação pedagógica, ealizado no âmbi o da Unidade Cu icula de Es ágio, do
segundo ano do Mes ado em Educação P é-Escola e Ensino do 1.º Ciclo do Ensino Básico, da
Uni e sidade do Minho. O p incipal obje i o da in es igação oi pe cebe de que o ma uma abo dagem
p á ica das Ciências da Na u eza pode ajuda no desen ol imen o da consciência ambien al em c ianças
da Educação P é-Escola e do 1.º Ciclo do Ensino Básico. A a és da me odologia de In es igação-Ação,
o p oje o seguiu um ciclo con ínuo de plani icação, ação, obse ação e e lexão, que pe mi iu ajus a as
es a égias às necessidades de cada con ex o educa i o, pe mi indo, assim, que as c ianças ossem
p o agonis as do seu p óp io p ocesso de ap endizagem, sendo enco ajadas a le an a hipó eses, es a
ideias e cons ui conhecimen o a a és de expe iências p á icas. Fo am de inidos obje i os pedagógicos
e de in es igação, e os dados o am ecolhidos eco endo a obse ação pa icipan e, egis os o og á icos
e g a ações de áudio. Pos e io men e, o am es abelecidos c i é ios e ca ego ias pa a análise das
in o mações ecolhidas. Os esul ados mos am que a ealização de a i idades p á icas de Ciências da
Na u eza a o ece a cons ução de signi icados e ap endizagem, ao es imula momen os de diálogo e
e lexão. Essa abo dagem e elou-se e icaz pa a p omo e a cu iosidade, o pensamen o c í ico e o espí i o
in es iga i o, con ibuindo pa a ap endizagens mais signi ica i as e pa a o desen ol imen o de uma
consciência ambien al desde os p imei os anos de escola idade. Ao longo des e pe cu so, oi possí el
ap o unda e in eg a no os conhecimen os eó icos e pedagógicos na p á ica p o issional, e o çando a
impo ância do planeamen o, da e lexão e do in es imen o con ínuo na o mação docen e.
Pala as-cha e: Educação P é-Escola , 1.º Ciclo do Ensino Básico, Ensino po In es igação, A i idades
p á icas de ciências, Consciência Ambien al.
i
ABSTRACT
Lea ning Na u e Sciences in P eschool and P ima y School
The p esen in e nship epo e lec s he implemen a ion o a pedagogical in e en ion and
esea ch p ojec , ca ied ou wi hin he scope o he In e nship Cu icula Uni , in he second yea o he
Mas e 's Deg ee in P e-School Educa ion and Teaching o he 1.s Cycle o Basic Educa ion, a he
Uni e si y o Minho. The main objec i e o he esea ch was o unde s and how a p ac ical app oach o
Na u al Sciences can suppo he de elopmen o en i onmen al awa eness in child en in P e-School and
he 1.s Cycle o Basic Educa ion. Th ough he Ac ion Resea ch me hodology, he p ojec ollowed a
con inuous cycle o planning, ac ion, obse a ion, and e lec ion, which allowed he s a egies o be
adjus ed o he needs o each educa ional con ex , enabling child en o become p o agonis s o hei own
lea ning p ocess. They we e encou aged o o mula e hypo heses, es ideas, and cons uc knowledge
h ough hands-on expe iences. Pedagogical and esea ch objec i es we e de ined, and da a we e
collec ed h ough di ec and pa icipan obse a ion, pho og aphic eco ds, and audio eco dings.
Subsequen ly, c i e ia and ca ego ies we e es ablished o he analysis o he collec ed in o ma ion. The
esul s show ha ca ying ou p ac ical ac i i ies in Na u al Sciences suppo s meaning-making and
lea ning by s imula ing momen s o dialogue and e lec ion. This app oach p o ed e ec i e in os e ing
cu iosi y, c i ical hinking, and an in es iga i e spi i , con ibu ing o mo e meaning ul lea ning and he
de elopmen o en i onmen al awa eness om he ea ly yea s o schooling. Th oughou his jou ney, i
was possible o deepen and in eg a e new heo e ical and pedagogical knowledge in o p o essional
p ac ice, ein o cing he impo ance o planning, e lec ion, and con inuous in es men in eache
educa ion.
Keywo ds: P e-School Educa ion, 1s Cycle o Basic Educa ion, Inqui y-Based Teaching, P ac ical Science
Ac i i ies, En i onmen al Awa eness.
ii
ÍNDICE
AGRADECIMENTOS ......................................................................................................... III
RESUMO ........................................................................................................................... V
ABSTRACT ....................................................................................................................... VI
ÍNDICE ........................................................................................................................... VII
ÍNDICE DE TABELAS ........................................................................................................ IX
ÍNDICE DE IMAGENS ....................................................................................................... IX
INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 1
CAPÍTULO I – CONTEXTOS DE INTERVENÇÃO E INVESTIGAÇÃO ...................................... 3
1.1. Educação P é-Escola .............................................................................................................. 3
1.1.1. Ca ac e ização da Ins i uição............................................................................................ 3
1.1.2. O g upo de c ianças ......................................................................................................... 4
1.1.3. A sala de a i idades ......................................................................................................... 4
1.2. Ensino do 1.º Ciclo do Ensino Básico ....................................................................................... 6
1.2.1. Ca ac e ização da Ins i uição............................................................................................ 6
1.2.2. A u ma ........................................................................................................................... 7
1.2.3. A sala de aula .................................................................................................................. 8
1.3. Iden i icação da p oblemá ica .................................................................................................. 9
1.3.1. Obje i os de in e enção e in es igação pedagógica ........................................................10
CAPÍTULO II – ENQUADRAMENTO CURRICULAR E TEÓRICO .......................................... 11
2.1. As Ciências da Na u eza nas OCEPE e no cu ículo do 1.º CEB ..............................................11
A impo ância da Educação em Ciências pa a c ianças ..........................................................15
Abo dagem das Ciências po in es igação .............................................................................18
A consciência ambien al na in ância ......................................................................................20
CAPÍTULO III – PLANO GERAL DE INTERVENÇÃO E INVESTIGAÇÃO PEDAGÓGICA ......... 24
3.1. Me odologia do p oje o de in e enção pedagógica ....................................................24
Es a égias de in e enção pedagógica ...................................................................................28
Plani icação da ação pedagógica ...........................................................................................30
Técnicas e ins umen os de ecolha de dados ........................................................................33
3.4.1 Obse ação pa icipan e .................................................................................................34
3.4.2 Regis os o og á icos e g a ações de áudio .....................................................................35
3.4.3 Regis os esc i os: no as de campo, e lexões semanais e po e ólios e lexi os ................35
3.4.4 Análise documen al e inciden es c í icos .........................................................................36
T a amen o e análise de dados ..............................................................................................36
3
CAPÍTULO I – Con ex os de in e enção e in es igação
Nes e capí ulo é ap esen ada uma ca a e ização das ins i uições onde ealizei a P á ica de Ensino
Supe isionada (PES), ela i a aos con ex os de Educação P é-Escola e Ensino do 1.º Ciclo do Ensino
Básico, assim como uma ca a e ização dos g upos de c ianças en ol idos nas PES, de modo a
con ex ualiza a escolha da p oblemá ica e da si uação jus i ica i a que o iginou o P oje o de In e enção
e de In es igação implemen ado.
.
1.1. Educação P é-Escola
1.1.1. Ca ac e ização da Ins i uição
A ins i uição na qual i e a opo unidade de ealiza a P á ica de Ensino Supe isionada (PES) em
Educação P é-Escola , es á inse ida na ede pública e pe ence ao concelho de Vila Ve de. Com o lema
“An ecipa Fu u os com Exigência e Ino ação”, a ins i uição apos a na excelência educa i a, na inclusão
e p omo e uma educação de qualidade, p epa ando as c ianças pa a os desa ios do u u o.
A ins i uição acolhe c ianças da Educação P é-escola e do 1.º Ciclo do Ensino Básico,
p opo cionando um ambien e a o á el à ap endizagem e ao desen ol imen o das c ianças, incluindo
um Cen o de Apoio à Ap endizagem, onde são implemen adas es a égias educa i as especializadas
pa a apoia alunos com mul ide iciência, p omo endo a inclusão e o sucesso educa i o.
A ní el de in aes u u a, con a com 22 salas dedicadas à Educação P é-Escola e ao 1.º Ciclo do
Ensino Básico, que são complemen adas po espaços especializados que en iquecem a expe iência
educa i a, dos quais des aco a sala de es imulação senso ial, o gabine e de psicologia e a biblio eca, que
con ibuem pa a o bem-es a e o desen ol imen o cogni i o e socioemocional das c ianças.
Além des as, dispõe ainda de espaços comuns que p omo em a in e ação da comunidade
educa i a, como uma sala poli alen e, um ginásio e ins alações despo i as, um gabine e de p imei os
soco os, uma cozinha e um e ei ó io, uma sala de p o esso es/ abalhos, um gabine e de coo denação,
assegu ando um supo e comple o às necessidades pedagógicas e o ganizacionais do ja dim de in ância.
O espaço ex e io é igualmen e bem equipado, com dois pa ques in an is, á ias á eas aja dinadas
e um lago com uma ã, que o e ecem um ambien e de laze e con ac o com a na u eza. Ao ní el da
sus en abilidade, dispõe de um con en o pa a a eciclagem de ma é ia o gânica, painéis sola es e uma
es ação de ecolha e ese a ó io de águas plu iais. Pa a a i idades ec ea i as e despo i as, dispõe
ainda de um campo de jogos pa imen ado e de uma pis a pa a co idas de elocidade, incen i ando a
p á ica de exe cício ísico e p omo endo hábi os de ida saudá eis.
4
1.1.2. O g upo de c ianças
A minha in e enção e in es igação pedagógica no con ex o da Educação P é-Escola oi
desen ol ida na sala 5, onde ealizei o es ágio com um g upo de in e e cinco c ianças, compos o po
eze meninas e doze meninos, com idades comp eendidas en e os ês e os cinco anos. Es e g upo
he e ogéneo, compos o po ês meninos de ês anos, dois meninas e ês meninos de qua o anos,
onze meninas e seis meninos de cinco anos, é acompanhado po uma educado a i ula e uma assis en e
ope acional, que desempenham um papel undamen al na o ganização do ambien e educa i o e no apoio
às necessidades indi iduais das c ianças.
Das in e e cinco c ianças, ês êm o po uguês como língua não ma e na, e mais qua o c ianças
o am assinaladas pela educado a pa a e apia da ala, po ap esen a em di iculdades ac escidas, pa a
a idade, em a icula co e amen e as pala as e / ou ases.
No ge al, as c ianças demons a am se cu iosas, empenhadas e pa icipa i as, mani es ando
semp e g ande in e esse pelas ap endizagens e pelas dinâmicas p opos as. Con udo, dada a di e sidade
e á ia e os di e en es i mos de desen ol imen o, a p á ica pedagógica exige uma abo dagem
di e enciada e lexí el, de modo a esponde às necessidades indi iduais e a p omo e a pa icipação de
odas as c ianças.
No que espei a aos in e esses do g upo, obse ei um en ol imen o especial em a i idades que
en ol e am explo ação da na u eza, exp essão plás ica e musical, jogos de mo imen o e his ó ias
in e a i as. O g upo e elou um gos o c escen e pela lei u a e pelas expe iências, mos ando-se ece i o
a desa ios que es imulassem a descobe a e a imaginação.
1.1.3. A sala de a i idades
O ambien e da sala de a i idades es á cuidadosamen e es u u ado pa a a o ece o
desen ol imen o das compe ências sociais, cogni i as e emocionais das c ianças, p omo endo um
espaço inclusi o e es imulan e. A o ganização do espaço ísico es á em sin onia com a in encionalidade
pedagógica, pois pe mi e que as c ianças explo em, in e ajam e ap endam de o ma au ónoma e
signi ica i a.
A sala es á di idida em di e en es á eas, que incen i am o b inca como ins umen o pedagógico
que pe mi em à c iança escolhe onde p e ende oca a sua a i idade, desen ol endo, assim, di e en es
compe ências. En e os espaços disponí eis, encon am-se o can inho da lei u a, a zona das cons uções,
o anque de explo ação, a casinha, o can inho das ciências e á eas dedicadas a di e en es ipos de jogos,
como puzzles, pis as de mo ociclos, plas icinas e ma e iais de desenho e pin u a. Es es ambien es
5
o e ecem múl iplas opo unidades pa a o desen ol imen o da c ia i idade, da mo icidade ina e da
socialização.
Pa a além dos ma e iais es u u ados, a educado a c iou di e sos ecu sos pedagógicos que
con ibuem pa a a o ganização e uncionamen o da sala, como o quad o das eg as, o c onog ama
semanal, o quad o de p esenças, o calendá io, os ábacos e os jogos de con agem ma emá ica, es es
úl imos desen ol idos a pa i de ma e iais eciclados, nomeadamen e ampas de ga a as e copos de
iogu e azidos pelas p óp ias c ianças. Es a abo dagem pedagógica, ao inco po a concei os de
eciclagem e sus en abilidade, p omo e desde cedo a consciência ambien al, ao mesmo empo que
exempli ica o eap o ei amen o de ma e iais como on e de c ia i idade e ensino.
A o ganização do espaço e dos ma e iais incen i a a au onomia das c ianças, pe mi indo-lhes
escolhe e ge i as suas a i idades de o ma a i a e esponsá el. Assim, a sala de a i idades ans o ma-
se num ambien e acolhedo , dinâmico e es imulan e, onde as expe iências são signi ica i as e o ien adas
pa a a cons ução do conhecimen o. Como de endem Oli ei a-Fo mosinho & Fo mosinho (2013), uma
sala de aula de e se “um luga de bem-es a , aleg ia e p aze , um espaço abe o às expe iências plu ais
e in e esses das c ianças e das comunidades” (p. 25). Nesse sen ido, o ambien e educa i o es ende-se
pa a além da sala, com a i idades ealizadas ao a li e e em ou os espaços da escola, como a biblio eca,
en iquecendo as expe iências de ap endizagem e ampliando os ho izon es das c ianças.
1.1.4. Ca ac e ização da o ina diá ia
A o ina diá ia do g upo, no qual desen ol i a minha in e enção e in es igação pedagógica,
ca ac e iza-se po um equilíb io en e consis ência e lexibilidade. Ao longo do dia, são espei ados
di e en es momen os es u u an es, como o acolhimen o, os pe íodos de pequeno e g ande g upo, o
empo de escolha li e, bem como os momen os dedicados à higiene, almoço e lanche.
O acolhimen o é uma o ma impo an íssima de começa o dia, pois é nesse momen o que can am
os bons dias, pa ilham no idades, ma cam as p esenças e os dias da semana, em momen os que
alimen am o sen ido de pe ença e a socialização saudá el, undamen ais pa a desen ol e compe ências
pessoais e sociais de comunicação, de pa ilha e escu a a i a, além da consolidação das ap endizagens
que ão sendo desen ol idas nesse momen o, como o sen ido de núme o, de con agem e da da a.
Após es e momen o inicial, o dia e a p og amado conside ando os in e esses da c iança, seguindo
um c onog ama com os espaços disponibilizados pa a cada sala, de o ma a que odas as c ianças
enham a mesma opo unidade de acede a odos os espaços disponibilizados. Assim, ha ia o dia do
6
ginásio, da biblio eca, da sala mul imédia, do pa que “dos g andes”, que e a o ien ação pa a o espaço
disponí el e pa a a possibilidade de a i idades a ealiza .
Na minha opinião, es a possibilidade de escolha li e é algo a des aca , no sen ido em que pe mi e
às c ianças desen ol e a sua au onomia e inicia i a, aze escolhas, oma decisões e e le i , enquan o
podemos ecolhe in o mação sob e gos os e in e esses pessoais de cada uma das c ianças do g upo.
Des a o ma, não há dias iguais, mesmo com uma o ina diá ia, as a i idades são desen ol idas
dia iamen e, seguindo uma linha o ien ado a da educado a.
1.2. Ensino do 1.º Ciclo do Ensino Básico
1.2.1. Ca ac e ização da Ins i uição
Pa a a ealização da P á ica de Ensino Supe isionada (PES) em Ensino do 1º Ciclo do Ensino
Básico, a ins i uição que me acolheu oi um colégio p i ado, pe encen e a uma IPSS, no concelho de
B aga, que, de ido às di e en es alências, desempenha papel um ele an e no âmbi o da educação e
da in e enção social.
A ins i uição su giu de um p ocesso de ees u u ação de um an igo con en o e asilo, pa a o a ual
modelo educa i o e in e ge acional, que engloba a Educação P é-Escola , o 1.º Ciclo do Ensino Básico
uma alência de La Residencial Sénio .
Bene icia de uma localização p i ilegiada, ambém pa a os pais que abalham na cidade, mas
p incipalmen e pa a os alunos, que usu uem de um acesso acili ado a uma as a di e sidade de
ecu sos cul u ais, his ó icos e sociais. Es a p oximidade pe mi e a ealização de isi as de es udo e
a i idades explo a ó ias que con ibuem pa a a consolidação de ap endizagens, a a és da a iculação
en e o meio en ol en e e o cu ículo escola . A cu a dis ância de museus, biblio ecas, ja dins, ea os
e ou os espaços de in e esse, o na possí el uma ap endizagem con ex ualizada e signi ica i a,
p omo endo o con ac o di e o com o pa imónio local e o alecendo o ínculo en e escola, cidade e
comunidade.
A ualmen e, a ins i uição dispõe de qua o salas de Educação P é-Escola , com capacidade pa a
ce ca de 100 c ianças, e qua o u mas de 1.º Ciclo do Ensino Básico, ab angendo 92 alunos, do 1.º ao
4.º ano. Pa a além da componen e le i a, a ins i uição o e ece A i idades de En iquecimen o Cu icula
(AEC), A i idades de Animação e Apoio à Família (AAAF) e A i idades de Tempos Li es (ATL), num
modelo educa i o in eg ado.
A p á ica educa i a da ins i uição pau a-se po uma abo dagem cen ada na c iança, baseada na
expe imen ação, na pesquisa e no abalho a i o. O ensino-ap endizagem é en endido como um p ocesso
7
dinâmico, in e disciplina e signi ica i o, que alo iza a cu iosidade, a indi idualidade e a pa icipação
das c ianças. As ap endizagens não se es ingem aos domínios adicionais de lei u a e esc i a, sendo
ala gadas a a és de a i idades p á icas e ino ado as, como isi as de es udo, encon os com au o es,
d ama izações e p oje os in e disciplina es.
A o e a educa i a in eg a, pa a além da componen e cu icula o mal, um conjun o de a i idades
de en iquecimen o que incluem A es Exp essi as, Educação Física/Yoga, Música, T abalho de P oje o e
Inglês (em a iculação com o p og ama de Camb idge). Es a di e sidade isa p omo e uma o mação
holís ica e humanis a, con ibuindo pa a o desen ol imen o de compe ências cogni i as, sociais,
emocionais e c ia i as.
As ins alações são amplas e adequadas à mul iplicidade de a i idades lúdico-pedagógicas
desen ol idas. Du an e a ealização do es ágio, alguns espaços es a am com acesso condicionado,
mo i ado pela in e enção cons u i a que o colégio es á a so e pa a epa ação e melho ia das
ins alações.
1.2.2. A u ma
A minha in e enção e in es igação pedagógica no con ex o do Ensino em 1º Ciclo do Ensino
Básico oi desen ol ida na sala do 4.º ano, onde ealizei o es ágio com um g upo de dezano e alunos,
compos o po onze meninas e oi o meninos, com idades comp eendidas en e os no e e os dez anos.
Dos dezano e alunos, dezoi o são po uguesas e um é de nacionalidade b asilei a.
Os alunos são cu iosos, c ia i os, assíduos e bem-dispos os, demons ando in e esse e gos o pelo
p ocesso de ap endizagem. A sua a i ude posi i a ace às p opos as educa i as aduz-se num
en ol imen o a i o e en usias a nas a i idades desen ol idas em sala de aula.
Con udo, o g upo ap esen a di e en es i mos de ap endizagem e de desen ol imen o, e, po isso,
a p á ica docen e é, simul aneamen e, desa ian e e igo osa. Rela i amen e ao desempenho académico,
dos dezano e alunos, qua o es ão a bene icia do Plano Indi idual de Re o ço à Ap endizagem (PIRA) e
um é acompanhado po Rela ó io Técnico Pedagógico (RTP). Es a he e ogeneidade exige uma cons an e
adap ação das es a égias pedagógicas, de modo a ga an i a inclusão e a pa icipação e e i a de odos
os alunos, espei ando as suas ca ac e ís icas indi iduais. A a és da implemen ação de es a égias
di e enciadas, em sido possí el p omo e uma maio esponsabilização dos alunos ace às suas
ap endizagens e uma c escen e capacidade de o ganização e inicia i a.
Todos os alunos equen a am a Educação P é-Escola , a maio ia na p óp ia ins i uição, azendo
consigo á ios anos de con i ência, pa ilhas e ap endizagens em comum. Os que ing essa am
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pos e io men e demons am-se plenamen e in eg ados, bene iciando do ambien e acolhedo e coeso que
ca ac e iza a comunidade educa i a.
Rela i amen e aos in e esses mani es ados pelo g upo, des aca-se um en usiasmo pa icula pelas
á eas cu icula es de Es udo do Meio, Educação A ís ica e Educação Física. Alguns, poucos, alo izam
mui o a ma emá ica. Es as á eas, associadas a expe iências de descobe a, in es igação, mo imen o e
exp essão, po enciam o en ol imen o dos alunos e despe am a sua mo i ação in ínseca pa a ap ende .
As a i idades que a iculam os con eúdos cu icula es com as i ências do quo idiano e p omo em o
diálogo, a e lexão e a expe imen ação p á ica são especialmen e alo izadas pelos alunos, esul ando
em momen os de ap endizagem e dadei amen e signi ica i os, in eg ado es e po enciado es do
desen ol imen o holís ico.
1.2.3. A sala de aula
O ambien e da sala de aula oi cuidadosamen e es u u ado pa a apoia o desen ol imen o
cogni i o, assim como das compe ências sociais, cí icas e emocionais dos alunos, p omo endo um
espaço inclusi o e es imulan e, essenciais pa a a o mação de u u os cidadãos conscien es. A sala,
o ganizada com mesas indi iduais, inclui á ios quad os de co iça, nos quais são expos os abalhos
ealizados das di e sas á eas cu icula es, uma biblio eca de sala, onde os li os es ão adap ados à aixa
e á ia co esponden e, um quad o, um compu ado conec ado a um p oje o e a um quad o magné ico,
que po enciam a capacidade de ensino e ap endizagem, na medida em que pe mi e eco e a di e sas
o mas de ensina e ap ende .
Todo o espaço es á deco ado com co es neu as, como o bege e o b anco, nos quais se des acam
o mobiliá io e as exposições dos alunos, es as, nos quad os de co iça. Têm, ainda, à disposição
di e en es ecipien es pa a a sepa ação do lixo (embalagens, papel e lixo comum), o que omen a o
sen ido de esponsabilidade e en eajuda, enquan o ap endem a impo ância da eciclagem.
As p á icas pedagógicas ado adas seguem as Ap endizagens Essenciais de inidas pelo Minis é io
da Educação, p omo endo a aquisição de compe ências undamen ais em á eas como Po uguês,
Ma emá ica, Es udo do Meio, Educação A ís ica e Educação Física. As a i idades são planeadas pa a
es imula a au onomia e a capacidade de esolução de p oblemas, incen i ando a pa icipação a i a dos
alunos no seu pe cu so educa i o. A in e ligação en e o con ex o escola e o en ol imen o da
comunidade educa i a é um aspe o ele an e, assim como o con ac o equen e com as amílias, a
colabo ação en e docen es e auxilia es, que p omo em um ambien e de ap endizagem coeso e
en iquecedo , onde cada aluno é alo izado nas suas especi icidades e po encialidades.
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1.3. Iden i icação da p oblemá ica
O P oje o de In e enção e In es igação ap esen ado su giu du an e a ase de obse ação
pa icipan e, ealizada no início de cada PES.
Na Educação P é-Escola , ao longo do p ocesso de obse ação, oi possí el iden i ica o in e esse
das c ianças po enómenos na u ais e pelo con ac o di e o com a na u eza, e a cons an e demons ação
de cu iosidade em elação aos se es i os e aos ecossis emas que as odeiam, além de um en usiasmo
pa icula po a i idades p á icas, como semea , plan a , explo a habi a s na u ais ( o migas, ãs,
abelhas) e gua da semen es de lo es. Aliado a es es in e esses, a ins i uição encon a a-se a
desen ol e um p oje o em pa ce ia com o apicul o e esc i o Paulo San os, cen ado na explo ação das
abelhas, que, aliada ao po encial das Ciências como eículo pa a omen a a cu iosidade e o pensamen o
c í ico, e o çou a pe inência do ema do p oje o.
No 1º Ciclo do Ensino Básico, a obse ação e a escu a a i a dos alunos, a lei u a e análise dos
documen os cu icula es e no ma i os em igo , nomeadamen e as Ap endizagens Essenciais, o Pe il
dos Alunos à Saída da Escola idade Ob iga ó ia e a Es a égia Nacional de Educação pa a a Cidadania,
bem como a alo ização da cidadania ecológica no P oje o Educa i o do colégio e no P oje o Cu icula
de Tu ma, pe mi i am-me, após uma e lexão c í ica e ponde ada, da con inuidade ao P oje o de
In e enção e In es igação Pedagógica iniciado no con ex o da Educação P é-Escola , ago a adap ado ao
con ex o do 1.º Ciclo do Ensino Básico.
As o inas de sala, os momen os de abalho au ónomo e em g ande g upo, a pa icipação a i a
dos alunos nas a i idades e as con e sas in o mais e ela am um in e esse ac escido po emá icas
ligadas ao mundo na u al e ao ambien e.
Assim, o p oje o p ocu ou a icula as á eas cu icula es, com maio incidência nas á eas
cu icula es de “Conhecimen o do Mundo” e “Es udo do Meio”, pa a a Educação P é-Escola e pa a o
1º CEB espe i amen e, mas ambém odas as ou as, p omo endo uma ap endizagem in e disciplina ,
holís ica e signi ica i a, que po enciasse a ap endizagem e a me acognição. A a és de a i idades
p á icas, expe iências, obse ações e in es igações, p e endeu-se que os alunos desen ol essem um
olha c í ico sob e o mundo que os odeia e ado assem compo amen os sus en á eis e esponsá eis,
desde os p imei os anos de escola idade.
Assim, com o p esen e p oje o de p á ica de ensino supe isionada p e endia da espos a à
seguin e ques ão: De que o ma uma abo dagem p á ica e in es iga i a das ciências pode á con ibui
pa a desen ol e uma maio consciência ambien al nas c ianças?
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Es e p oje o assen ou na p emissa de que a ciência desempenha um papel undamen al na
cons ução do conhecimen o das c ianças sob e o mundo e no desen ol imen o de compe ências
ans e sais, p e endendo p omo e ap endizagens que anscendam o con ex o escola e se e li am
nas suas i ências diá ias.
1.3.1. Obje i os de in e enção e in es igação pedagógica
Os obje i os de in e enção pedagógica associam-se ao con ex o pedagógico e à p á ica obse ada,
assim como aos p essupos os eó icos que sus en am o p esen e ela ó io. Nes e seguimen o, acei
obje i os ans e sais aos dois ní eis educa i os.
Tendo po base a ques ão impulsionado a, o am de inidos os seguin es obje i os ge ais de
in e enção pedagógica:
1. P omo e , em con ex o de sala, a i idades p á icas e in es iga i as no âmbi o do mundo ísico
e na u al.
2. A e igua de que o ma as a i idades p á icas e in es iga i as das ciências pode ão con ibui
pa a o desen ol imen o da consciência ambien al das c ianças.
Pa a o p imei o obje i o ge al, o am es abelecidos os seguin es obje i os especí icos:
• Iden i ica as ideias iniciais das c ianças/alunos;
• Desen ol e a cu iosidade cien í ica e o pensamen o c í ico e in es iga i o das c ianças/alunos;
• Incen i a a au onomia, o espei o, a pa ilha e a coope ação du an e as a i idades.
Pa a o segundo obje i o ge al, o am es abelecidos os seguin es obje i os especí icos:
• Desc e e o p ocesso de explo ação das a i idades p á icas e in es iga i as de ciências, mé odos
e abo dagens u ilizados;
• A e igua se a explo ação p á ica das ciências con ibui pa a o desen ol imen o da
consciencialização ambien al;
• A alia os e ei os das es a égias implemen adas.
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CAPÍTULO II – Enquad amen o cu icula e eó ico
O p esen e capí ulo ap esen a os p incipais undamen os eó icos com os quais oi planeado,
implemen ado e analisado o meu p oje o de in e enção, desen ol ido no âmbi o das duas PES.
2.1. As Ciências da Na u eza nas OCEPE e no cu ículo do 1.º CEB
O ensino das Ciências, nos p imei os anos de escola idade, e es e-se de uma impo ância
undamen al pa a o desen ol imen o de compe ências cogni i as, sociais e me odológicas nas c ianças.
Nes e seguimen o, os documen os cu icula es nacionais, que pa a a Educação P é-Escola que pa a
o 1.º Ciclo do Ensino Básico, salien am a impo ância de p omo e ap endizagens signi ica i as e
in eg adas, que enham como pon o de pa ida a expe iência conc e a da c iança e a alo ização da sua
capacidade na u al de ques iona , de explo a e de cons ui conhecimen o (Sil a e al., 2016; ME, 2018).
Es as o ien ações inse em-se numa ma iz cons u i is a e sociocul u al da ap endizagem e do
desen ol imen o, que alo iza an o o papel da c iança como p o agonis a da cons ução do seu p óp io
conhecimen o e ap endizagem, como a mediação educa i a do adul o.
As O ien ações Cu icula es pa a a Educação P é-Escola (OCEPE) in eg am o ensino das ciências
no domínio do Conhecimen o do Mundo, ealçando que a explo ação do mundo na u al e social de e se
o ien ada no sen ido de p omo e a cu iosidade, a capacidade de obse ação, a o mulação de hipó eses,
a p ocu a de explicações e a comunicação de ideias (Sil a e al., 2016, p. 86).
Es es p incípios es ão alinhados com a isão de Piage (1975) que conside a que o
desen ol imen o do pensamen o lógico e cien í ico eme ge da ação da c iança sob e o meio, a o ecendo
a au onomia in elec ual. Ao in e agi com ma e iais, enómenos e con ex os eais, a c iança ap ende a
desen ol e esquemas men ais cada ez mais complexos e ajus ados, num p ocesso de assimilação e
acomodação cons an e, com ap endizagens signi ica i as, icas em ealidades i idas pela c iança.
Nes e con ex o, a c iança é is a como um pa icipan e a i o no seu p ocesso de ap endizagem,
do ada de capacidade pa a es abelece elações, ques iona e cons ui explicações a pa i das suas
expe iências. Po isso, o ambien e educa i o de e es abelece um “con ex o acili ado do p ocesso de
desen ol imen o e ap endizagem de odas e cada uma das c ianças” (Sil a e al., 2016, p. 20),
o e ecendo expe iências desa ian es e signi ica i as, que espei em os i mos indi idual e cole i o, os
in e esses e a cu iosidade na u al da c iança, p omo endo o con ac o di e o com ma e iais e enómenos,
assim como a a iculação en e di e sas á eas do sabe .
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Es a mediação pedagógica, po pa e do educado , enquad a-se na lógica da Zona de
Desen ol imen o P oximal, p opos a po Vygo sky (1991), que alo iza a in e enção in encional do
adul o pa a po encia a ap endizagem da c iança, a a és da in e ação social, da linguagem e da
cons ução pa ilhada de signi icados.
Nes e con ex o, a abo dagem das ciências é enquad ada numa pe spe i a globalizan e, onde a
cons ução de conhecimen o se c ia na explo ação de si uações signi ica i as, onde “di e en es
expe iências e opo unidades de ap endizagem êm sen ido e ligação en e si” (Sil a e al., 2016, p. 9),
com ecu so a me odologias como o abalho de p oje o, a expe imen ação li e e a obse ação
sis emá ica. É, assim, undamen al p opo ciona expe iências que pa am da cu iosidade genuína e ina a
da c iança e que es imulem o seu en ol imen o a i o e pa icipa i o na descobe a de egula idades e
elações.
Des e pon o de is a, é ulc al que as ciências na Educação P é-Escola não se ap esen em de
o ma compa imen ada ou disciplina , mas an es que sejam in eg ado as e ag egado as, p omo endo
a comp eensão das in e ações en e o se humano, a na u eza e a ecnologia.
No 1.º Ciclo do Ensino Básico, o ensino das ciências es á enquad ado na á ea de Es udo do Meio,
onde as Ap endizagens Essenciais (AE) se o ganizam in e - elacionando as ês á eas Ciência-Tecnologia-
Sociedade (CTS). De aco do com es e documen o, “As AE de Es udo do Meio isam desen ol e um
conjun o de compe ências de di e en es á eas do sabe , nomeadamen e Biologia, Física, Geog a ia,
Geologia, His ó ia, Química e Tecnologia” (ME, 2018, p. 1).
Es a isão de ciência, in eg ada e con ex ualizada, es á alinhada com a p opos a de Ausubel
(1968), que de ende que a ap endizagem é mais signi ica i a quando os no os conhecimen os se ligam,
de o ma lógica e ele an e, aos conhecimen os p é ios do aluno. A o ganização cu icula , o ien ada
pa a si uações da o ina diá ia da c iança e pa a ques ões p óximas do uni e so in an il, con ibui pa a
esse apoio à ligação e ixação cogni i a e cul u al do sabe cien í ico.
Especi icamen e, pa a o 4.º ano de escola idade, as AE de e minam que
Assim, ao longo do 1.º ciclo do ensino básico, o aluno de e:
U iliza p ocessos cien í icos simples na ealização de a i idades expe imen ais;
Reconhece o con ibu o da ciência pa a o p og esso ecnológico e pa a a melho ia da
qualidade de ida;
Mobiliza sabe es cul u ais, cien í icos e ecnológicos pa a comp eende a ealidade e pa a
esol e si uações e p oblemas do quo idiano;
Comunica adequadamen e as suas ideias, a a és da u ilização de di e en es linguagens
(o al, esc i a, iconog á ica, g á ica, ma emá ica, ca og á ica, e c.), undamen ando-as e
a gumen ando ace às ideias dos ou os. (ME, 2018, pp. 2-3).
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de no as me odologias, das quais se des acou a abo dagem in es iga i a. Nos anos 50, a comunidade
cien í ica começou a de ende uma e o mulação do ensino das ciências, alegando a desa ualização dos
cu ículos em igo , p omo endo o en ol imen o dos alunos em p á icas p óximas do abalho cien í ico,
“como uma es a égia a implemen a em sala de aula” (DeBoe , 2006, ci ado po Bap is a, 2010, pp.
81-82). Es a pe spe i a oi, pos e io men e, consolidada em di e sos países, incluindo Po ugal em 1978
cus eada pela Fundação Calous e Gulbenkian, com o su gimen o de p oje os cu icula es ino ado es que
in eg a am a i idades in es iga i as e p omo iam a pa icipação a i a dos alunos (Valen e, 1978, ci ado
po Bap is a, 2010, pp. 82-83).
A abo dagem in es iga i a no ensino das ciências, encon a supo e nas eo ias cons u i is as da
ap endizagem, des acando-se os con ibu os de Dewey e Vygo sky. Dewey, como e e ido po Bybee
(2000), c i ica a a isão adicional da ciência como um conjun o echado de leis e ac os, e de endia,
em al e na i a, um modelo de ap endizagem com base na expe iência, na esolução de p oblemas e na
cons ução a i a e pa icipada do conhecimen o. Na mesma linha, Ha len (2013) de ende que o ensino
po in es igação é de ex ema impo ância num mundo em cons an e mudança, onde as c ianças
p ecisam desen ol e compe ências de pensamen o analí ico e c í ico, esolução de p oblemas e
comp eensão cien í ica.
Ha len (2014) p opôs um modelo explica i o do p ocesso in es iga i o, no qual os alunos, pe an e
uma no a expe iência ou enómeno, p ocu am da -lhe sen ido, o mulando hipó eses com base nas suas
ideias p é ias. Segue-se a ase de p e isão, planeamen o e execução de expe iências, ecolha e análise
de dados, e inalmen e a cons ução de conclusões, que podem con i ma ou e o mula as ideias iniciais.
Es a abo dagem p omo e o desen ol imen o de compe ências cien í icas essenciais e es imula a
cu iosidade na u al das c ianças.
Ou o modelo, p opos o po Ma ins e al. (2007), é compos o po oi o e apas: iden i icação do
domínio eó ico e das ideias p é ias, escla ecimen o da ques ão-p oblema, o mulação de hipó eses,
plani icação dos p ocedimen os, ealização da expe iência, análise e in e p e ação de dados, o mulação
de conclusões e su gimen o de no as ques ões. Em ambos os modelos, es á e le ida a impo ância da
ap endizagem a i a e pa icipada, na p imei a pessoa, baseada na expe imen ação, obse ação,
in e ência e comunicação de esul ados.
Além da es u u ação me odológica, Ha len (2004) ap esen a um conjun o de o ien ações pa a o
papel do educado ou p o esso , no qual es e de e c ia um ambien e p opício à explo ação, disponibiliza
ma e iais e on es de in o mação, incen i a o ques ionamen o, apoia o planeamen o e a execução das
in es igações e p omo e a comunicação, pa ilha e discussão de ideias, obse ações e conclusões. As
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c ianças, po sua ez, de em explo a os ma e iais, ques iona , es a conje u as, aze obse ações,
egis a p ocessos e esul ados, elacioná-los com os enómenos obse ados e comunica as suas
descobe as, e le indo sob e odo o p ocesso.
Es a abo dagem, segundo Sá & Va ela (2007), de e p omo e a cons ução pa ilhada de
signi icados, espei a a o ma como as c ianças pensam e impulsiona uma p á ica pedagógica e lexi a,
com oco na libe dade de exp essão, na coope ação e na alo ização das ideias dos alunos. É nes as
idades que as c ianças es ão “em idade ó ima pa a uma genuína ap endizagem de a i udes e
compe ências de in es igação e expe imen ação, que e ão uma impo ância undamen al em u u as
ap endizagens e na sua o mação” (Sá & Va ela, 2007, p. 16). A in es igação, po es a ia, é mui o mais
que uma écnica, ans o ma-se em es a égia pedagógica que es imula o pensamen o c í ico, a
au onomia e o en ol imen o pessoal e in elec ual das c ianças na ap endizagem cien í ica.
Des a o ma, os bene ícios do ensino po in es igação ão além da ap endizagem de con eúdos
cien í icos. Sá (2002) des aca que es a es a égia a o ece a me acognição, a e enção signi ica i a de
conhecimen os, o desen ol imen o da capacidade de a iculação com ou as á eas do cu ículo, e, ainda,
compe ências como a au onomia, a esponsabilidade e a au oes ima. Cleophas (2016) ac escen a que
o ca á e social da in es igação po encia a a gumen ação en e pa es e a cons ução cole i a das
soluções, p omo endo uma ap endizagem mais ica e colabo a i a, uma ez que “es á anco ada na
pe spe i a de in e ação social en e os sujei os ap endizes, o que, necessa iamen e, a o ece á a
a gumen ação en e eles e con ibui á pa a que a esolução dos p oblemas seja ealizada de modo
cole i o, e não indi idual” (p. 272).
O ensino das ciências com base na in es igação a i a e pa icipa i a cons i ui uma abo dagem
pedagógica c ucial pa a o desen ol imen o das compe ências cien í icas, sociais e pessoais das c ianças.
Es e modelo alo iza a cons ução de conhecimen o a pa i da expe iência, omen a a cu iosidade e a
e lexão, p omo e o abalho colabo a i o e con ibui pa a o ma cidadãos c í icos, in o mados e capazes
de comp eende e in e agi com o mundo que os odeia. Es a abo dagem ac escen a ainda a
possibilidade de mobiliza e de en iquece ou as á eas e domínios cu icula es, ao es abelece conexões
conc e as e au ên icas, in eg ando e alo izando os sabe es.
A consciência ambien al na in ância
Fomen a a consciência ambien al desde a in ância em indo a ganha e eno nas o ien ações
cu icula es, como o ma de p omo e a o mação de cidadãos esponsá eis, solidá ios e comp ome idos
com a sus en abilidade no mundo que os odeia. De aco do com Palme (1998), a consciência ambien al
21
pode se en endida como a capacidade de econhece a impo ância do ambien e, comp eende as suas
in e - elações e agi de o ma esponsá el pa a o p o ege ,
is a b oad ield, anging om he humane ea men o animals o wo ld peace. I aims o
‘p o ide he basis o esponsible plane a y ci izenship’ and o ‘achie e compassiona e
change which challenges he sel ish and an h opocen ic a i udes ha ha e encou aged
exploi a ion o each o he , animals and he wo ld o he poin whe e we a e now h ea ening
ou e y su i al on his plane ’. Co e concep s and a i udes add essed include a e e ence
o li e, espec o animals as li ing c ea u es, and an unde s anding o and conce n o
keeping he en i onmen sa e and na u al o all li e (p. 29)
Con udo, é uma consciência que ca ece de se cons uída, p og essi amen e, a a és de
expe iências signi ica i as e da i ência de si uações que pe mi am à c iança es abelece ligações en e
os seus compo amen os e o impac o no meio en ol en e, pois “Resea ch has shown ha mos a i udes
a e o med e y ea ly in li e, and his is why i is so impo an o en i onmen al educa ion o begin in
ea ly childhood” (NAAEE, 2000, p. 3).
Mas o desen ol imen o da consciência ambien al nas c ianças ai além do conhecimen o sob e o
ambien e, na medida em que eque o en ol imen o emocional e o desen ol imen o de a i udes e alo es
que o ien em a ação. Nes e sen ido, a in ância ep esen a um momen o p i ilegiado pa a despe a a
sensibilidade, po se ca ac e iza como uma ase ma cada pela cu iosidade na u al, pela empa ia e pela
o mação dos p imei os e e enciais é icos e sociais. Além do mais,
Child en g ow heal hie , wise , and mo e con en when hey a e mo e ull connec ed
h oughou hei childhood o he na u al en i onmen in as many educa ional and
ec ea ional se ings as possible. These bene i s a e long- e m and signi ican and con ibu e
o hei u u e well-being and he con ibu ions hey will make o he wo ld as adul s (NAAEE,
2000, p. 7).
Uma “pa ce ia en e as u elas do Ambien e e da Educação em indo a aduzi -se na
implemen ação de nume osos p oje os de educação ambien al nas escolas, que se des inam aos á ios
ní eis de ensino” (Ped oso e al., 2016, p. 15), isando uma escola que
con ibui pa a o ma nos alunos a consciência de sus en abilidade, um dos maio es
desa ios exis enciais do mundo con empo âneo, que consis e no es abelecimen o, a a és
da ino ação polí ica, é ica e cien í ica, de elações de sine gia e simbiose du adou as e
segu as en e os sis emas social, económico e ecnológico e o Sis ema Te a, de cujo ágil
e complexo equilíb io depende a con inuidade his ó ica da ci ilização humana (Ma ins e
al., 2016, p. 14),
pa a “comp eende os equilíb ios e as agilidades do mundo na u al na adoção de
compo amen os que espondam aos g andes desa ios globais do ambien e” e “mani es a consciência
e esponsabilidade ambien al e social, abalhando colabo a i amen e pa a o bem comum, com is a à
22
cons ução de um u u o sus en á el” (Ma ins e al., 2016, p. 27), “Reconhece o con ibu o da ciência
pa a o p og esso ecnológico e pa a a melho ia da qualidade de ida” assim como “Assumi a i udes e
alo es que p omo am uma pa icipação cí ica de o ma esponsá el, solidá ia e c í ica” (M.E., 2018, p.
2), numa “abo dagem, con ex ualizada e desa iado a ao Conhecimen o do Mundo, ai acili a o
desen ol imen o de a i udes que p omo em a esponsabilidade pa ilhada e a consciência ambien al e
de sus en abilidade” (Sil a e al., 2016, p. 85).
P e ende-se, des a o ma, um cidadão adul o que “que econheça a impo ância e o desa io
o e ecidos conjun amen e pelas A es, pelas Humanidades e pela Ciência e a Tecnologia pa a a
sus en abilidade social, cul u al, económica e ambien al de Po ugal e do mundo” (Ma ins e al., 2016,
p. 15). Nes e seguimen o, os
di e en es domínios da Educação pa a a Cidadania es ão o ganizados em ês g upos com
implicações di e enciadas: o p imei o é ob iga ó io pa a odos os ní eis e ciclos de
escola idade (po que se a a de á eas ans e sais e longi udinais). Nes e domínio inclui-se
a Educação ambien al, que em como documen o cu icula de e e ência o Re e encial de
Educação Ambien al pa a a Sus en abilidade” (Ped oso e al., 2016, p. 5).
e o çando a necessidade de in eg a a educação ambien al de o ma ans e sal, desde os
p imei os anos de escola idade, com o obje i o de p omo e o pensamen o c í ico e a esponsabilidade
ambien al, es imulando a pa icipação das c ianças na cons ução de soluções pa a os desa ios
ambien ais que en en amos hoje e no u u o.
Des e o ma,
P e ende-se que os alunos ap endam a u iliza o conhecimen o pa a in e p e a e a alia a
ealidade en ol en e, pa a o mula e deba e a gumen os, pa a sus en a posições e
opções, compe ências es as conside adas undamen ais pa a a pa icipação a i a na
omada de decisões undamen adas, numa sociedade democ á ica, ace aos e ei os das
a i idades humanas sob e o ambien e. (Ped oso e al., 2016, p. 5)
Es e comp omisso de ca ác e colabo a i o, es a égico e de coesão, isa, como de endido pela
UNESCO (1976), ci ada po NAAEE (2007),
To de elop a wo ld popula ion ha is awa e o , and conce ned abou , he en i onmen and
i s associa ed p oblems, and which has he knowledge, skills, a i udes, mo i a ions, and
commi men o wo k indi idually and collec i ely owa d solu ions o cu en p oblems and
he p e en ion o new ones (p. 3).
con iando que a “cons ução da li e acia ambien al em Po ugal, de e á conduzi a uma mudança
de pa adigma, que se aduza em modelos de condu a sus en á eis em odas as dimensões da a i idade
humana” (Ped oso e al., 2016, p. 6).
23
Assim, se di ecionadas pa a o ambien e, as a i idades p á icas e in es iga i as de ciências
e elam-se um meio e icaz pa a omen a uma melho comp eensão da elação en e humanos e
na u eza. A a és da ação, da obse ação e da e lexão, a c iança é con idada a descob i o alo da
biodi e sidade, da impo ância dos ecossis emas e do impac o das ações humanas em odas as e en es
ambien ais. Des a o ma, a cons ução p og essi a de conhecimen o ambien al, associada ao
desen ol imen o de a i udes de espei o, cuidado e p ese ação, é undamen al pa a o ma ge ações
u u as mais conscien es, c í icas e pa icipa i as na sociedade.
Ao in eg a a educação ambien al no cu ículo desde a Educação P é-Escola e o 1.º Ciclo do
Ensino Básico, es amos a ga an i que as c ianças desen ol em não apenas li e acia cien í ica, mas
ambém li e acia ecológica, pois segundo a NAAEE (2000), pesquisas mos a am que a maio ia das
a i udes são o madas desde mui o cedo na ida, e é po isso que é ão impo an e que a educação
ambien al comece logo na p imei a in ância, como o ma de omen a essas a i udes, azê-las pa e
in eg an e de dia a dia da c iança de hoje e do adul o do amanhã.
En ão, se desde os p imei os anos as c ianças o em consciencializadas pa a os p oblemas que
a e am o meio em que es ão inse idas, podem desen ol e de compe ências que, ao longo do seu
c escimen o e enquan o adul os, lhes pe mi i ão ado a uma pos u a c í ica, conscien e e esponsá el.
Es as ap endizagens e le em-se em a i udes de espei o e cuidado pelo ambien e, aduzindo-se na
adoção de compo amen os sus en á eis. P á icas como a sepa ação de esíduos e eciclagem ou a
p ese ação da biodi e sidade no seu con ex o o nam-se, assim, o mas conc e as de p ese a o meio
ambien e e de ge i de o ma esponsá el os ecu sos na u ais, ago a e em ge ações indou as.
24
CAPÍTULO III – Plano ge al de in e enção e
in es igação pedagógica
Es e capí ulo ap esen a e undamen e a me odologia ado ada no deco e do P oje o de
In e enção e In es igação Pedagógica (3.1). Nos momen os seguin es, inicialmen e, é ap esen ada a
Me odologia de In es igação-Ação u ilizada ao longo da P á ica Pedagógica Supe isionada, e e indo-se
as es a égias de in e enção pedagógica (3.2), a plani icação da ação pedagógica (3.3.), as écnicas e
os ins umen os de ecolha de dados u ilizados (3.4.) e, po úl imo, as écnicas de a amen o e análise
dos dados ado adas (3.5.).
3.1. Me odologia do p oje o de in e enção pedagógica
A me odologia que sus en ou o p esen e P oje o de In e enção e In es igação, em po base a
Me odologia de In es igação-Ação (I-A), po se a a de uma abo dagem me odológica que alia, de o ma
a iculada, a ação pedagógica e a in es igação sis emá ica sob e a p á ica ealizada. “La in es igación-
acción se pude conside a como um é mino gené ico que hace e e encia a una amplia gama de
es a egias ealizadas pa a mejo a el sis ema educa i o y social” (La o e, 2008, p.23). o mesmo au o ,
mencionando ou os au o es, p opõe a iadas de inições de in es igação-ação:
Um es udo de uma si uação social que em como obje i o melho a a qualidade da ação
den o da mesma (Ellio , 1993).
Um p ocesso e lexi o que eicula dinamicamen e a in es igação, a ação e a o mação,
ealizada po p o issionais das ciências sociais, ace ca da sua p óp ia p á ica (Ba alome,
1986).
[..] uma o ma de in es igação au o- e lexi a ealizada po aqueles que pa icipam
(p o esso es, alunos ou ges ão, po exemplo) em si uações sociais (inclusi e educacionais)
pa a melho a a acionalidade e jus iça de: a) suas p óp ias p á icas sociais ou
educacionais; b) sua comp eensão das mesmas; c) as si uações e ins i uições em que essas
p á icas são ealizadas (salas de aula ou escolas, po exemplo) (Kemmis, 1984).
Es a me odologia e elou-se pa icula men e pe inen e no con ex o da P á ica Pedagógica
Supe isionada, po possibili a que a in e enção jun o do g upo de c ianças osse apoiada po um
p ocesso con ínuo e cíclico de planeamen o, ação, obse ação e e lexão c í ica, p omo endo as
melho ias necessá ias, e e i as e in encionais a cada no a plani icação.
De aco do com Cou inho e al. (2009), a in es igação-ação pode
se desc i a como uma amília de me odologias de in es igação que incluem ação (ou
mudança) e in es igação (ou comp eensão) ao mesmo empo, u ilizando um p ocesso
cíclico ou em espi al, que al e na en e ação e e lexão c í ica. Nos ciclos pos e io es, são
25
ape eiçoados, de modo con ínuo, os mé odos, os dados e a in e p e ação ei a à luz da
expe iência (conhecimen o) ob ida no ciclo an e io (p.360).
Es a na u eza cíclica da I-A possibili ou o desen ol imen o de p á icas pedagógicas ajus adas ao
con ex o especí ico, a a és da análise con ínua das necessidades iden i icadas, da expe imen ação de
es a égias di e enciadas e da e lexão sis emá ica sob e os e ei os das ações já implemen adas. Assim,
e nas pala as de Halsey (1972), ci ado po Máximo-Es e es (2008), a I-A é is a como “uma in e enção
em pequena escala no uncionamen o do mundo eal e um exame p óximo dos e ei os de al in e enção”
(p. 19). Também ci ado po Máximo-Es e es (2008), McKe nan (1998) e G undy e Kemmis (1998),
en endem que a in es igação pode se en endida como uma amília de a i idades que em em comum
a iden i icação de es a égias de ação planeada, numa ação conduzida pelo in es igado – inicialmen e,
pa a de ini cla amen e o p oblema; depois, pa a especi ica um plano de ação, que inclui a ação
pa icipada do in es igado sob e o p oblema; e, po úl imo, é e e uada uma a aliação com o in e esse
de e i ica e demons a a e icácia da ação ealizada (p.20). Nes e sen ido, o p o esso é pe cebido
como uma en idade que possuiu p i ilégios únicos na capacidade de plani ica , agi ,
analisa , obse a e a alia as si uações deco en es do ac o educa i o, podendo assim
e lec i sob e as suas p óp ias acções e aze das suas p á icas e es a égias e dadei os
be ços de eo ias de ação” (Cou inho, e . al, 2009, p.358).
A au o a de ende que o p opósi o da IA não é ge a conhecimen o, mas sim, ques iona as p á icas
sociais e os alo es que as in eg am, com a inalidade de explicá-los, sendo um pode oso ins umen o
pa a econs uí-los, com o obje i o de melho a e/ou ans o ma a p á ica educa i a, na p ocu a uma
melho comp eensão da p á ica e na a iculação pe manen e da in es igação, ação e o mação.
Cou inho e al. (2009, pp. 362-363) enunciam as seguin es ca ac e ís icas:
a) Pa icipa i a e colabo a i a: en ol e odos os pa icipan es no p ocesso, incluindo o
in es igado que ambém age, pe spe i ando a melho ia da ealidade;
b) P á ica e in e en i a: ação delibe ada ligada à mudança, que in e ém na ealidade;
c) Cíclica: as descobe as inicias ge am possibilidade de mudança, no sen ido em que são
implemen adas e a aliadas como in odução ao ciclo seguin e, in e ligando a eo ia e a p á ica;
d) C í ica: Os pa icipan es, ao a ua em como agen es de mudança, e le em sob e a
p á ica, mudam o seu ambien e e são ans o mados no p ocesso;
e) Au o-a alia i a: as mudanças são con inuamen e a aliadas, endo como obje i os a
adap abilidade e a p odução de no os conhecimen os.
Kemmis y McTagga (1998) conside am que os p incipais bene ícios da I-A são a melho ia da
p á ica, a comp eensão da p á ica e melho ia da si uação onde em luga a p á ica. Simões (1990)
26
e o ça es a ideia ac escen ando que o esul ado da in es igação e á semp e um iplo obje i o: p oduzi
conhecimen o, modi ica a ealidade e ans o ma os a o es (ci ados po Cou inho e al., 2009, p. 363).
Como e e ido po La o e (2008), é nes e diálogo cons an e en e os p essupos os eó icos e a
ação conc e a que nasce o ca ác e cíclico da In es igação-Ação. Es a dinâmica pe mi e que a p á ica
seja con inuamen e epensada e ape eiçoada, num p ocesso con ínuo de ação e e lexão, como
un « ai én» – espi al dialéc ica – en e la acción y e lexión, de mane a que ambos
momen os quedan in eg ados y se complemen an. Es una espi al de ciclos de in es igación
y acción cons i uidos po las siguien es ases: plani ica , ac ua , obse a y e lexiona . La
espi al de ciclos es el p ocedimien o base pa a mejo a la p ác ica (p. 32)
Figu a 1 - Espi al do Ciclo de In es igação-Ação (La o e, 2003, p. 32)
De aco do com Cou inho e al. (2009), a I-A é um p ocesso que “não se con ina a um único ciclo”
(p. 366), além de e “a capacidade de a i a a consciência c í ica dos p o issionais, em ge al, e dos
p o esso es, em pa icula ” (p. 375). Assim, a I-A con ibui pa a a melho ia da qualidade da p á ica
pedagógica, assim como pa a a cons ução de uma consciência c í ica e e lexi a sob e a ação educa i a.
Es a me odologia p omo e uma ans o mação simul ânea do con ex o, das p á icas e dos in e enien es,
p omo endo ap endizagens signi ica i as a odos os in e enien es, pe mi indo a ap endizagem e
melho ia con ínua na sua p á ica pedagógica, num p ocesso colabo a i o e e lexi o, que pe mi e
en en a desa ios complexos de o ma in eg ada e adap a i a.
Impo a ainda e e i que, apesa das an agens da I-A — nomeadamen e a sua ele ância p á ica,
a adap abilidade e o empode amen o dos pa icipan es —, es a abo dagem exige um comp omisso
igo oso com a documen ação, a análise c í ica e a ges ão colabo a i a do p ocesso, o que cons i ui
ambém um desa io o ma i o ele an e pa a o desen ol imen o p o issional docen e.
A me odologia de in es igação-ação, o ien ou as p á icas pedagógicas desen ol idas nes e p oje o
e a cada ciclo – planea , a ua , obse a e e le i – pe mi iu-me ap o unda a comp eensão das p á icas
27
educa i as, a a és da e lexão cons an e sob e a ação. Es a abo dagem me odológica pe mi iu-me
ajus a a in e enção educa i a de o ma p og essi a e in encional, espondendo de o ma mais
adequada aos in e esses e compo amen os mani es ados pelas c ianças.
Em con ex o de Educação P é-Escola , a p imei a a i idade oi planeada a pa i da obse ação
inicial do g upo, das suas mani es ações espon âneas e do en usiasmo demons ado na isi a do
apicul o . Es a obse ação a en a e elou-se essencial pa a ga an i a pa icipação en usias a e o
consequen e sucesso da p opos a pedagógica. As a i idades seguin es o am sendo ees u u adas e
adap adas com base na análise da a i idade implemen ada, na sua e lexão e no a plani icação,
p ocu ando melho a os aspe os que se iam e elando menos e icazes.
Um dos elemen os que mais sen i necessidade de ajus a ao longo da in e enção oi a ges ão do
empo, mas, a a és da e lexão após cada sessão, pe cebi que a du ação de cada a i idade de e ia se
mais lexí el, ajus ando-se ao es ado emocional e ao ní el de pa icipação das c ianças em cada
momen o. Assim, passei a o ganiza o empo de o ma mais lexí el, espei ando o i mo do g upo e
ga an indo um maio equilíb io en e momen os de concen ação e mo imen o, ou a é, p olongando as
a i idades pa a o dia seguin e, se o en ol imen o na a i idade assim o jus i icasse.
Numa ou a a i idade, na implemen ação da a i idade dos pi ilampos, exemplo da aplicação da
me odologia de I-A, hou e necessidade de adap a a plani icação inicial, po que apesa do planeamen o
cuidado, pe cebi que as c ianças não e ela am g ande en usiasmo ou in e esse pelos pi ilampos em
pa icula , e uma exci ação ac escida pelo bicho-da-con a. Es a pe ceção, esul an e da obse ação, da
escu a, das in e ações e dos comen á ios das c ianças, le ou-me a e o mula as a i idades seguin es,
o ien ando-as pa a os bichos-da-con a, po quem demons a am um in e esse genuíno e con inuado.
Es a mudança, sus en ada na análise da p á ica, e o çou a impo ância de uma in e enção pedagógica
lexí el, cen ada na c iança e que esponde aos seus in e esses.
Nes e sen ido, a me odologia de In es igação-Ação e elou-se uma es a égia undamen al pa a o
sucesso do p oje o, pe mi indo-me uma p á ica educa i a em cons an e ape eiçoamen o, endo po base
os in e esses do g upo, e comp ome ida com o desen ol imen o de ap endizagens com signi icado.
Nes e p ocesso, ui ap endendo a obse a com in encionalidade, a escu a com a enção e a oma
decisões pedagógicas conscien es e undamen adas, num pe cu so que se e elou undamen al an o
pa a o meu c escimen o p o issional quan o pa a o c escimen o pessoal.
O apoio do meu supe iso , da educado a coope an e e da p o esso a coope an e oi igualmen e
essencial, na medida em que po enciou pa ilha de expe iências e a cons ução colabo a i a de sabe es.
28
As ideias eó icas que sus en am a in es igação-ação o am espei adas e se i am de base à
iden i icação, de inição e jus i icação da p oblemá ica abo dada. A pa i da análise do con ex o –
nomeadamen e das necessidades e compe ências dos alunos – de ini os obje i os pedagógicos e de
in es igação que o ien a am a in e enção.
Es a égias de in e enção pedagógica
Pa a a elabo ação e desen ol imen o do p oje o de in e enção, e elou-se essencial de ini um
conjun o de es a égias pedagógicas adequadas aos con ex os educa i os especí icos onde a p á ica
pedagógica oi implemen ada, como o ma de p omo e uma educação de qualidade, a a és de uma
abo dagem p á ica e in es iga i a das ciências, cen ada na c iança e supo ada po eo ias
sociocons u i is as.
Nes a abo dagem, que econhece a ap endizagem como um p ocesso “e olu i o e g adual das
ideias que a c iança cons ói, em esul ado da sua expe iência de ida, pa a ideias com maio pode
explica i o de de e minados p oblemas ou enómenos ísico-na u ais” (Va ela, 2001, p. 92), alo izou-se
o en ol imen o a i o e pa icipa i o das c ianças na cons ução dos seus conhecimen os.
Assim, o pon o de pa ida de cada a i idade o am os in e esses mani es ados pelas c ianças,
assim como de con ex os que lhes e am p óximos e conhecidos, pa a que se en ol essem em a i idades
pedagógicas es imulan es, que despe assem o seu in e esse, com o in ui o de que, assim, cada uma
assumisse um papel g adualmen e mais a i o, mais pa icipa i o e mais e lexi o, na cons ução do seu
p óp io conhecimen o.
Nes e sen ido, cada a i idade de ciências pa iu do conjun o de ideias e expe iências p é ias das
c ianças, al como de endido po Mo ime (2016), que des aca a impo ância des es conhecimen os
pa a o p ocesso de ap endizagem. Além disso, oi undamen al p omo e o en ol imen o das c ianças
na in es igação, numa pe spe i a de alo ização da sua pa icipação, pois como e e e Alde son (2005),
ci ado po Cos a e al., (2013), ao se em en ol idas mais di e amen e na in es igação, as c ianças
deixam de se sujei as ao silêncio e à exclusão, passando a se econhecidas como pa icipan es a i os.
A in e enção pedagógica oi, assim, o ien ada pa a coloca em p á ica á ias es a égias de ação
pedagógica, nomeadamen e, a) alo iza as ideias iniciais das c ianças e analisa as ações e signi icados
que es as ão suge indo e ( e)cons uindo na sala, de modo a o ien a e a ealimen a a a i idade men al
cons u i a dos alunos; b) omen a e media as in e ações dos alunos com as a i idades expe imen ais
assim como as in e ações dos alunos com as e idências e en e pa es; c) p opicia a pa icipação a i a
dos alunos, a o ecendo o impulso necessá io pa a à e balização, à ação e à ponde ação no sen ido de
35
eco endo a di e sas e amen as me odológicas. Pa a es e p oje o, o am u ilizadas no as de campo,
e lexões semanais, po e ólios e lexi os, egis os o og á icos e g a ações de áudio, de o ma a
assegu a um egis o de alhado e di e si icado das expe iências i idas.
3.4.2 Regis os o og á icos e g a ações de áudio
Os egis os audio isuais cons i uí am um ecu so undamen al na ecolha de dados, pe mi indo
documen a as in e ações e ap endizagens das c ianças. Máximo-Es e es (2008) e e e que as
o og a ias assumem uma unção ilus a i a e documen al, pe mi indo ao in es igado "acede a um
conjun o de elemen os que supo am e complemen am as ano ações desc i i as" (p. 102). Segundo
Fonseca (2012), "a o og a ia é uma écnica de eleição na In es igação-Ação, na medida em que se
con e e em documen os de p o a da condu a humana" (p. 26), pelo que a documen ação isual oi
igualmen e alo izada na análise dos esul ados.
De igual modo, as g a ações de áudio e ela am-se uma e amen a de e minan e, p ese ando
de o ma igo osa as ocas con e sacionais e possibili ando uma análise de alhada das in e ações
e bais no con ex o educa i o. Es as g a ações o am pos e io men e ansc i as e analisadas nas
e lexões semanais e no p esen e ela ó io, assegu ando um egis o exa o das dinâmicas obse adas.
3.4.3 Regis os esc i os: no as de campo, e lexões semanais e po e ólios e lexi os
As no as de campo desempenha am um papel essencial na documen ação das obse ações
ealizadas, dis inguindo-se en e egis os desc i i os e e lexi os. Segundo Sp adley (1980) e Bogdan &
Biklen (1994), ci ados po Máximo-Es e es (2009), as no as de campo dis inguem-se em dois ipos de
egis o: a) egis os de alhados, desc i i os e ocalizados do con ex o, das pessoas, suas ações e
in e ações ( ocas, con e sas), espei ando a linguagem dos pa icipan es nesse con ex o; b) ma e ial
e lexi o, is o é, no as in e p e a i as, in e ogações, sen imen os, ideias, imp essões que eme gem no
deco e da obse ação e o p o esso acede, à pos e io i, e e le e sob e elas. Máximo-Es e es ac escen a
que as obse ações podem se ano adas em dois momen os: a) no momen o que oco em, ou b) no
momen o após a oco ência (p.88).
As ano ações o am e e uadas em dois momen os dis in os: de o ma condensada, du an e a
ealização das a i idades, e de o ma expandida, pos e io men e, a a és da elabo ação de e lexões
semanais. Es e p ocesso possibili ou um ap o undamen o con ínuo da análise e a a iculação dos dados
ecolhidos com a undamen ação eó ica do es udo. Além disso, os po e ólios e lexi os, cons uídos ao
36
longo do p oje o, euni am in o mações p o enien es dos di e sos egis os e pe mi i am uma isão
in eg ada da in e enção pedagógica.
3.4.4 Análise documen al e inciden es c í icos
A análise documen al cons i uiu ou a e en e essencial da ecolha de dados, incidindo sob e as
p oduções das c ianças e ou os ma e iais ge ados no decu so do p oje o. Es es egis os pe mi i am
a alia a e olução das ap endizagens e comp eende o impac o das es a égias implemen adas.
Os inciden es c í icos o am ou o ins umen o ele an e, possibili ando a iden i icação e análise
de episódios signi ica i os oco idos no con ex o educa i o. Pa en e (2002) e e e que es es egis os
de em se obje i os e desc i i os, documen ando "um inciden e ou compo amen o conside ado
impo an e pa a se obse ado e egis ado" (p. 181). Es a écnica e elou-se pa icula men e ú il pa a a
e lexão sob e a Educação pa a a Cidadania, pe mi indo analisa a o ma como as c ianças lidam com
desa ios e in e ações no seu quo idiano escola .
T a amen o e análise de dados
Após a ecolha de dados, oi ealizada uma análise de alhada de odos os documen os, ob idos
a a és das di e sas écnicas u ilizadas, pe mi indo uma a iculação igo osa com os obje i os
delineados, onde “os dados são simul aneamen e as p o as e pis as. Coligidos cuidadosamen e, se em
como ac os inegá eis que p o egem a esc i a que possa se ei a de uma especulação não
undamen ada” (Bogdan e Biklen, 1994, p. 149). Assim, a o ganização dos dados ecolhidos ga an iu
uma isão mais p o unda e undamen ada do impac o do p oje o, con i mando a sua impo ância no
âmbi o da p á ica educa i a.
Fo am alo izados os dados p oduzidos nas in e ações diá ias, que em sala que no ex e io ,
a a és da obse ação di e a, do egis o sis emá ico e da e lexão c í ica, e não o am u ilizados
ins umen os de a aliação suma i a, como ichas ou es es, uma ez que conside o que a a aliação não
de e se suma i a, pois ai mui o além de um momen o pon ual, e, como al, de e con empla as di e sas
mani es ações de ap endizagem das c ianças ao longo do seu pe cu so, de o ma con ínua, o ma i a e
con ex ualizada. Po isso, op ou-se po uma abo dagem essencialmen e quali a i a.
Assim, os egis os diá ios de a i idade, as g a ações áudio, as o og a ias e odos os egis os
pe mi i am iden i ica e egis a di e en es momen os de ap endizagem e os p ocessos cogni i os, sociais
e a e i os implicados, com de alhe, e a cada momen o iden i icado oi egis ada uma ano ação em
conco dância (ex.: “elabo am hipó eses”, “ es am es a égias com apoio”). Es e p ocesso es á
37
exempli icado em exce os signi ica i os e o og a ias que documen am e supo am o p oje o, odo o
p ocesso e bal e não e bal oco ido em cada um dos con ex os de in e enção pedagógica. Es es
egis os e ela am-se essenciais ao possibili a uma isão global da e olução das ap endizagens du an e
e após as a i idades, assim como pa a compa a a e olução indi idual e cole i a.
Nes e seguimen o, a obse ação pa icipan e e e um papel impo an e na ecolha e análise de
dados em ambos os con ex os, na medida em que as ano ações ei as du an e as a i idades incluí am
indicado es de en ol imen o, es a égias de esolução de p oblemas, in e ações en e pa es e a i udes
de espei o e cu iosidade pe an e o meio na u al. Es es egis os, apoiados po o og a ias e algumas
g a ações áudio, o am depois o ganizados e analisados pa a compila os p incipais indicado es (ex.:
“ o mula hipó ese”; “colabo a com os pa es”; “iden i ica ca ac e ís icas dos animais”; “não mani es am
in e esse”).
No con ex o da Educação P é-Escola , a análise cen ou-se em desenhos, p oduções a ís icas,
d ama izações o ien adas e espon âneas, assim como em ep esen ações simbólicas ei as pelas
c ianças após as a i idades, com o obje i o de pe cebe de que o ma o am assimilados os concei os
abalhados. Es es egis os o am analisados endo po base os obje i os de inidos pa a cada plani icação
e in e p e ados endo em con a os sinais de en ol imen o, a capacidade de as c ianças se exp essa em
e de expo em as suas ideias, a aquisição e ap op iação de ocabulá io e a capacidade de anspo em os
conhecimen os aqui idos pa a ou os con ex os. Os desenhos, po exemplo, o am compa ados ao longo
do empo, pe mi indo iden i ica a p og essão na ep esen ação dos elemen os na u ais, na o ganização
e na escolha dos emas. Ve i icando, po exemplo, o núme o de pa as que modela am, com a pas a de
modela , ao bicho-da-con a após a a i idade, consegui pe cebe que ica am a sabe que em ca o ze
pa as, e, além disso, pe cebe am que se e pa es pe azem as ca o ze pa as, po que um pa equi alem
a duas pa as (Figu as 17, 18, 19 e 20).
No 1.º Ciclo do Ensino Básico, o am en egues p ocedimen os (Anexo III), ichas de egis o (Anexo
V), ou ambos (Anexo IV), po ezes em a iculação om ou as á eas cu icula es, como a ma emá ica
(Anexo II), pa a se em p eenchidas pelos alunos, com base nas ap endizagens espe adas e adap adas
ao seu ní el. Es as ichas não i e am ca á e a alia i o o mal, mas guia am-me pa a diagnos ica e
in e p e a . A a és delas, pe cebi que ap endizagens es a am a se consolidadas, que concei os es a am
em desen ol imen o e onde necessi a a de e o ça ou e o mula nas plani icações seguin es. Es as
ichas o am analisadas e pa ilhadas em momen os de discussão cole i a, pe mi indo ambém que os
alunos exp essassem as suas in e p e ações e e le issem sob e o que ap ende am. Num ou o
momen o, o am en egues ichas pa a p odução esc i a (Anexo VII), com base na a i idade
38
implemen ada em a iculação com o po uguês, onde os alunos pude am exp essa conhecimen os
adqui idos, além dos acul ados (Anexo IV), que pe mi iu a alia , além dos conhecimen os adqui idos, a
capacidade de p odução ex ual, de o ganização e de u ilização de ocabulá io adequado ao ema
Assim, os dados ecolhidos o am u ilizados pa a oma decisões pedagógicas undamen adas,
após a análise documen al. Um exemplo conc e o oi a e o mulação de da a i idade inicialmen e
planeada sob e os pi ilampos, que, após pe cebe que as c ianças não demons a am g ande in e esse
po esse ema, o ien ei a plani icação seguin e pa a os bichos-da-con a, po quem mani es a am g ande
en usiasmo. Es a al e ação baseou-se na análise do cinjun o de dados ecolhidos e demons a, na p á ica,
a u ilização desses dados pa a melho a o en ol imen o das c ianças e a pe inência da in e enção.
Os dados ecolhidos o am a ados de o ma igo osa, sis emá ica e in encional, acompanhados
po sín eses e lexi as que p ocu am in e p e a os esul ados à luz dos obje i os inicialmen e de inidos
e das p á icas pedagógicas ado adas, essencial pa a o meu desen ol imen o p o issional, pe mi indo-me
ans o ma a expe iência em conhecimen o e ajus a con inuamen e a minha in e enção pedagógica,
con o me os p incípios da me odologia de In es igação-Ação que sus en ou odo o p oje o.
Tabela 3 - Dados ecolhidos e análise
Dados
Ins umen os /
Técnicas
Obje i os
Análise e in e p e ação
Exemplo p á ico
Obse ação
Di e a
G elhas de
obse ação,
ano ações li es,
no as de campo
Acompanha o
en ol imen o,
a i udes e
compo amen os
das c ianças
Obse ação dos indicado es
de ap endizagem,
en ol imen o e in e ações;
comple ada com o og a ias e
áudios
Cu iosidade e
concen ação das
c ianças du an e a
obse ação das
minhocas.
P oduções
g á icas e
a ís icas
Desenhos,
colagens,
d ama izações
o ien adas e
espon âneas
Iden i ica a
comp eensão e a
ap op iação dos
con eúdos
Análise quali a i a das
ep esen ações, simbologias,
ocabulá io u ilizado e
e olução ao longo das
sessões
Desenho das colmeias e
abelhas com explicações
sob e a sua unção no
ecossis ema.
Fichas de
egis o (1.º
CEB)
Regis os esc i os
e/ou ilus ados
ei os pelos
alunos
Ve i ica o g au de
consolidação das
ap endizagens
In e p e ação das espos as,
di iculdades e pon os o es;
supo e pa a e o mulação de
es a égias
Ficha e p odução
a ís ica onde os alunos
iden i ica am os animais
e os classi ica am
segundo o seu habi a .
Regis os
áudio e
o og a ias
G a ações de
momen os de
pa ilha,
discussão e
explo ação
Documen a e
analisa momen os
signi ica i os do
p ocesso educa i o
Análise do discu so,
exp essões e bais e não
e bais; iden i icação de
e idências de ap endizagem e
en ol imen o
G a ações de diálogos,
como a pa ilha sob e
como p ese a a
qualidade da água dos
oceanos.
Re lexões da
es agiá ia
Diá ios e lexi os,
no as pós
implemen ação
Ajus a p á icas
pedagógicas com
base na e lexão
c í ica
Re isão após cada a i idade
pa a iden i ica o que
uncionou, o que de e ia se
ajus ado e po quê; base pa a
e o mulações u u as
Re lexão e análise após
a sessão dos pi ilampos,
que le ou à
e o mulação da
a i idade seguin e.
39
CAPÍTULO IV – Desen ol imen o e a aliação da
in e enção pedagógica
Es e capí ulo ap esen a os momen os de ap endizagem iden i icados numa amos a de diá ios de
a i idade/aula, an o no con ex o da Educação P é-Escola (4.1.) como no con ex o do 1.º Ciclo do Ensino
Básico (4.2.).
4.1. Con ex o P é-Escola
Com base nos egis os e e uados no deco e da implemen ação do p oje o de in e enção
pedagógica, es a secção ap esen a uma sín ese das a i idades desen ol idas no âmbi o da Educação
P é-Escola .
4.1.1 A i idade n.º 1 – Descob i as Abelhas e o seu Papel pa a a Sus en abilidade
dos Ecossis emas
Ao inicia a a i idade, o am o muladas ques ões di igidas ao g upo sob e o seu conhecimen o
p é io ela i o às abelhas, e as espos as ob idas e ela am uma di e sidade de pe spe i as, algumas
das quais baseadas em concepções pouco exa as, ais como: “as abelhas azem ca amelos”; “as lo es
êm mel”; “as abelhas mo em po que êm mel”; ou “quando nos mexemos as abelhas picam-nos”.
Es e momen o in odu ó io pe mi iu omen a o diálogo en e pa es, p omo endo um ambien e
colabo a i o no qual as c ianças pude am e baliza os seus pensamen os e ou i as pe spe i as dos
colegas. Segundo Sil a e al. (2016), "o desen ol imen o da linguagem o al depende do in e esse em
comunica , o que implica sabe -se escu ado e supõe ambém e coisas in e essan es pa a dize " (p.
62).
As c ianças suge i am a elabo ação de UM li o. Assen i, e assim su giu uma a i idade, no
seguimen o das que se iam ealizadas. Um li o cole i o, no qual se iam egis adas as suas ideias an es
e após a explo ação de cada ema. Es a a i idade e elou-se um ins umen o alioso pa a a e lexão sob e
o pe cu so de ap endizagem das c ianças, pe mi indo-me obse a a e olução das suas concepções
sob e as abelhas (e emas seguin es a abo da ) e o seu papel ecológico.
Pa a ap o unda o ema das abelhas e omen a uma comp eensão undamen ada, oi ealizada a
lei u a dialogada da his ó ia "A Joaninha Sal a as Abelhas", de Ca he ine Jacob, ilus ada po Lucy
Fleming. A na a i a incen i ou a e lexão sob e a ele ância das abelhas pa a a sus en abilidade
ambien al e es imulou a empa ia pa a com os se es i os, mesmo os de pequeno po e, pois a his ó ia,
40
além das abelhas, e e e ambém ou os animais, como bo bole as, ca acóis, a anhas, bichos-da-seda,
en e ou os. Como salien am Sil a e al. (2016), "as his ó ias lidas ou con adas pelo/a educado /a,
econ adas e in en adas pelas c ianças, são um meio de abo da o ex o na a i o que, pa a além de
ou as o mas de explo ação, nou os domínios de exp essão, susci a o desejo de ap ende a le " (p. 66).
Figu a 2 - Lei u a da his ó ia
Figu a 3 - Lei u a da his ó ia
Pos e io men e, a in eg ação de ecu sos mul imédia, po meio da isualização dos ídeos
educa i os da RTP Ensina, e elou-se pa icula men e e icaz, já que as c ianças demons a am um
ele ado ní el de en ol imen o, solici ando inclusi amen e a epe ição dos ídeos, o que e o ça a
pe inência da u ilização de supo es isuais no ensino de concei os abs a os, como a polinização, pois
ac edi o que a combinação de som, imagem e mo imen o acili a a comp eensão e e enção de
in o mações complexas, como é o caso da polinização.
De igual o ma, a componen e a ís ica desempenhou um papel impo an íssimo na a i idade,
além de se algo que odos gos am mui o. Assim, as c ianças o am incen i adas a c ia ep esen ações
g á icas das abelhas e do seu habi a , pe mi indo-lhes exp essa a sua pe ceção do ema de o ma li e
e c ia i a.
Figu a 4 - Abelha na colmeia
Figu a 5 - Abelha a le a pólen a ou a lo
Ou a a i idade a ís ica p opos a, oi a ealização de um jogo de az de con a, em que algumas
c ianças inham que aze de con a que e am abelhas, ou as e am lo es e ou as e am c ianças, no
qual as abelhas inham que anda de lo em lo a ecolhe o pólen e o néc a , as lo es inham que ica
41
imó eis enquan o as abelhas lhes i a am o pólen e o néc a e as c ianças inham que se compo a
pa a não se em picadas nem ma a as abelhas, icando imó eis. Es a a i idade e e o p opósi o de
ensina as c ianças a coexis i a com o meio ambien e en ol en e, sem causa dano.
Figu a 6 - Abelhas, lo es e c ianças
Figu a 7 - Abelhas, lo es e c ianças
Es es p ocessos de exp essão a ís ica a o ece am o desen ol imen o da c ia i idade, assim
como a in eg ação de di e en es á eas do conhecimen o. De aco do com Sil a e al. (2016), "a educação
a ís ica con ibui pa a a cons ução da iden idade pessoal, social e cul u al" (p. 48).
Con udo, e apesa do sucesso global da a i idade, eme gi am alguns desa ios, e um dos p incipais
obs áculos oi a necessidade de adap a a dinâmica do jogo ísico planeado, que não despe ou o
in e esse das c ianças. Assim, a solução passou pela ees u u ação da a i idade num o ma o mais
dinâmico, inspi ado no jogo adicional do "ma a", no qual uma c iança e a a "abelha ainha" que de ia
se p o egida pelos colegas, as es an es abelhas da colmeia, doa a aques ex e nos, a ou a equipa. Es a
al e ação aumen ou signi ica i amen e a mo i ação e o en ol imen o do g upo, demons ando a
impo ância da lexibilidade pedagógica, pois como e e e Sil a e al. (2016), "planea não é p e e um
conjun o de p opos as a cump i exa amen e, mas es a p epa ado pa a acolhe as suges ões das
c ianças e in eg a si uações imp e is as" (p. 15).
Sín ese Re lexi a
O desen ol imen o da a i idade “Descob i as Abelhas e o seu Papel pa a a Sus en abilidade dos
Ecossis emas” cons i uiu uma expe iência o ma i a undamen al, pe mi indo-me consolida e
ap o unda a minha comp eensão sob e a complexidade e os desa ios da p á ica pedagógica em con ex o
de Educação P é-Escola . Du an e odo o p ocesso, o nei-me mais conscien e da impo ância de
p opo ciona p opos as educa i as que alo izem as ideias p é ias das c ianças, p omo am a sua
pa icipação a i a e incen i em uma ap endizagem signi ica i a e con ex ualizada.
A a aliação da a i idade oi ealizada a a és da obse ação di e a e do egis o das in e ações das
c ianças nos quais oi possí el cons a a um ele ado ní el de en ol imen o e uma comp eensão mais
42
ap o undada sob e a impo ância das abelhas nos ecossis emas. A consolidação das ap endizagens oi
e iden e nas p oduções a ís icas, nas in e enções o ais e na pa icipação a i a nas a i idades.
Es a expe iência pe mi iu-me e le i sob e a impo ância de uma abo dagem pedagógica cen ada
na pa icipação a i a das c ianças e na alo ização das suas ideias p é ias. A lexibilidade e a capacidade
de adap ação pedagógica e ela am-se undamen ais pa a ga an i uma ap endizagem signi ica i a,
p omo endo um ensino dinâmico e en ol en e, que omen e a o mação de cidadãos conscien es e
ambien almen e esponsá eis.
A a i idade demons ou que pa i dos in e esses e ques ões colocadas pelas c ianças é essencial
pa a a cons ução de um cu ículo dinâmico e lexí el, onde cada in e enien e em um papel a i o. Como
mencionado po Sil a e al. (2016), “a abo dagem do conhecimen o do mundo pa e do que as c ianças
já sabem e ap ende am nos con ex os em que i em” (p. 85), pelo que o econhecimen o do
conhecimen o que es as já possuem cons i ui um a o decisi o na cons ução de no as ap endizagens.
Pa a além do mais, a a iculação en e di e en es á eas do conhecimen o, como a li e a u a in an il,
a a e e as ciências, e elou-se uma es a égia e icaz pa a o desen ol imen o in eg al das c ianças. Tal
como de endido po Filipe (2012), os li os pe mi em " elaciona e con ex ualiza os concei os cien í icos,
es imula a cu iosidade e a mo i ação dos alunos, pe mi indo que as c ianças obse em a ciência como
pa e in eg an e da sua ida" (p. 54).
Conside o que a minha in e enção pedagógica oi bem-sucedida, na qual consegui cap a o
in e esse das c ianças e p omo e um ambien e de ap endizagem en ol en e e pa icipa i o. No en an o,
econheço que posso con inua a melho a a minha capacidade de ges ão do empo, uma ez que as
a i idades se p olonga am pa a além do planeado, exigindo a adição de um e cei o dia. Con udo, es a
lexibilização mos ou-se bené ica, pe mi indo espei a o i mo das c ianças e c ia espaços pa a
momen os de laze , discussão e pa ilha.
Ademais, a elabo ação do li o "O Seg edo dos Pequenos G andes He óis da Na u eza", embo a
não es i esse inicialmen e p e is a, e elou-se uma adição ex emamen e en iquecedo a, p opo cionando
um ecu so alioso pa a consolida os conhecimen os adqui idos, e, além disso, es e ins umen o
uncionou como uma es a égia de a aliação e icaz, uma ez que, como a i mam Sil a e al. (2016),
"a alia consis e na ecolha da in o mação necessá ia pa a oma decisões sob e a p á ica. Assim,
conside a-se a a aliação como uma o ma de conhecimen o di ecionada pa a a ação" (p. 15).
Concluo, assim, que es a expe iência e o çou a minha pe ceção sob e o papel essencial do
educado enquan o mediado de ap endizagens, omen ando um ensino baseado na expe imen ação, na
obse ação e na e lexão. A a és de es a égias pedagógicas di e si icadas, consegui p opo ciona uma
43
abo dagem educa i a que não só ampliou o conhecimen o das c ianças sob e as abelhas, mas ambém
p omo eu alo es essenciais como a coope ação, o espei o pelo meio ambien e e a cu iosidade
cien í ica.
4.1.2. A i idade n.º 2 – Ou os Inse os – o que azem?
O p imei o momen o da a i idade cen ou-se na ecolha das ideias p é ias das c ianças sob e os
bichos-de-con a, o que e elou conhecimen o limi ado sob e es e o ganismo, com exceção da
ca ac e ís ica de se en ola quando ocado. O diálogo es u u ado p opo cionou um espaço de explo ação
conjun a do pensamen o, p omo endo o en ol imen o a i o das c ianças, pois "es e p ocesso é acili ado
quando o/a educado /a dialoga com as c ianças sob e o que es ão a aze , coloca ques ões e dá
suges ões, dando opo unidade pa a que elabo em, e omem e e ejam as suas ideias, en ol endo-se
numa cons ução conjun a do pensamen o" (Sil a e al., 2016, p. 37).
A lei u a do li o "Gos o de Ti (Quase Semp e)" de Anna Llenas e elou-se um momen o
pa icula men e en iquecedo , uma ez que es a ob a, pelo seu o ma o pop-up e ilus ações in e a i as,
cap ou o in e esse das c ianças e incen i ou a pa icipação na na a i a. Pa a além da sua ele ância no
es udo dos inse os, a his ó ia abo dou aspe os da Fo mação Pessoal e Social, con ibuindo pa a a
cons ução da iden idade e a acei ação das di e enças, já que, como e e ido po Sil a e al. (2016), "a
cons ução da iden idade passa pelo econhecimen o das ca ac e ís icas indi iduais e pela comp eensão
das capacidades e di iculdades p óp ias de cada um, quaisque que es as sejam" (p. 34).
Um dos momen os mais signi ica i os oco eu du an e a obse ação di e a dos bichos-de-con a no
ec eio da ins i uição, dado que a expe iência susci ou g ande en usiasmo en e as c ianças, que
demons a am cu iosidade e onde pude obse a o espei o e o en usiasmo que cada c iança exp essa a
enquan o explo a a o ambien e, pois, e apesa do oco es a nos bichos-de-con a, encon a am ambém
minhocas, ã e ga anho o, e cada no o achado e a ecebido com exal ação e exp essões de ascínio,
Figu a 8 - Lei u a a his ó ia
44
e elando o quan o es as in e ações p á icas e di e as com a na u eza são pode osas pa a es imula a
cu iosidade cien í ica e o ínculo emocional com o meio ambien e, e idenciando o “desen ol imen o de
uma consciencialização pa a a impo ância do papel de cada um na p ese ação do ambien e e dos
ecu sos na u ais” (Sil a e al., 2016, p. 90), “o desen ol imen o de a i udes posi i as na elação com
os ou os, nos cuidados consigo p óp io, e a c iação de hábi os de espei o pelo ambien e” (Sil a e al.,
2016, p. 85) e espei o pelos o ganismos encon ados.
Figu a 9 - P ocu a do bicho da con a
Figu a 10 - P ocu a do bicho da con a
Figu a 11 - Bicho da con a encon ado no ec eio
Figu a 12 - Bicho da con a encon ado no ec eio
Figu a 13 - Minhoca encon ada no ec eio
Figu a 14 - Minhoca encon ada no ec eio
51
Sín ese e lexi a
A implemen ação da a i idade "Rep odução do Habi a das Minhocas" e elou-se uma expe iência
en iquecedo a, que p omo eu ap endizagens signi ica i as an o pa a as c ianças como pa a a minha
p á ica pedagógica. O en usiasmo demons ado ao longo de odas as e apas da plani icação con i ma
que a explo ação da na u eza e a ap endizagem a i a são es a égias e icazes pa a despe a o in e esse
das c ianças e consolida conhecimen os de o ma lúdica e en ol en e.
Um dos aspe os mais posi i os oi a capacidade de as c ianças mobiliza em e aplica em os
concei os explo ados nos dias an e io es, o que demons ou um desen ol imen o p og essi o da sua
comp eensão sob e os ecossis emas.
A associação en e as minhocas e a e ilidade do solo, bem como a unção decomposi o a na
sus en abilidade ambien al, e idenciou uma e olução no pensamen o c í ico do g upo. Es a abo dagem
in eg ada pe mi iu uma ap endizagem holís ica, alinhada com a ideia de que "a educação p é-escola
de e o e ece opo unidades di e si icadas pa a que as c ianças mobilizem e in eg em conhecimen os e
expe iências" (Sil a e al., 2016, p. 16).
Con udo, a a i idade ambém e elou desa ios, especialmen e no que se e e e à ges ão do empo,
à semlhança das plani icações an e io es, pois a ealização da a i idade es endeu-se pa a além do
p e is o, o que oi necessá io pa a ga an i a pa icipação e e i a de odas as c ianças e espei a o seu
i mo de ap endizagem, e embo a es a lexibilidade enha sido an ajosa, e o çou em mim a necessidade
de encon a um equilíb io en e o planeamen o e a adap ação às dinâmicas do g upo.
A p esença do p o esso supe iso du an e a a i idade ep esen ou uma a iá el adicional na
ges ão da dinâmica, mas não comp ome eu o en ol imen o das c ianças, o que demons a a segu ança
e con iança que desen ol e am ao longo da in e enção.
Tal como nas plani icações e implemen ações an e io es, a colabo ação da educado a coope an e
oi basila pa a o sucesso da a i idade, po que oi semp e a sua o ien ação que me pe mi iu ajus a a
plani icação às necessidades do g upo, e assegu a um ambien e p opício à explo ação e à descobe a.
A alo ização das ideias e cu iosidades das c ianças, al como an e iomen e, e elou-se um a o
essencial na p omoção da sua au onomia e mo i ação pa a ap ende , o que ga an iu a pa icipação
espon ânea e eemen e do g upo em odas as e apas.
Assim, es a a i idade consolidou a impo ância de uma abo dagem pedagógica baseada na
alo ização da cu iosidade na u al das c ianças e na p omoção de um ambien e de ap endizagem a i o
e pa icipa i o, mas ambém na lexibilidade, em adap a as a i idades ao momen o que as c ianças
es ão a i e e a que e ap o unda os seus conhecimen o, em sabe mais. O in e esse mani es ado pelas
52
c ianças pelas minhocas, mesmo após a conclusão da a i idade, na obse ação a en a e cons an e aos
minhocá ios, e idencia o impac o posi i o des a in e enção.
Des a o ma, es a expe iência e o çou a minha con icção de que a ap endizagem signi ica i a se
cons ói a a és da explo ação, do ques ionamen o e da in e ação com o meio, e que udo isso a iculado,
con ibuiu pa a a o mação de cidadãos mais conscien es e esponsá eis em elação ao ambien e que
os odeia.
4.1.4. A i idade n.º 4 -- Jogo educa i o com os animais explo ados
No seguimen o das a i idades desen ol idas, desen ol i um jogo educa i o que a iculasse, de
o ma in eg ada, di e en es á eas do conhecimen o, nomeadamen e a Á ea de Fo mação Pessoal e
Social, a Á ea do Conhecimen o do Mundo, o Domínio da Ma emá ica, o Domínio da Linguagem O al e
Abo dagem à Esc i a e o Subdomínio das A es Visuais. Es a abo dagem in e ligada e le e a o ien ação
das OCEPE, que en a izam a necessidade de uma "con igu ação holís ica, […] de endo as di e en es
á eas se abo dadas de o ma in eg ada e globalizan e” (Sil a e al., 2016, p. 10), p omo endo
ap endizagens signi ica i as e con ex ualizadas pa a as c ianças.
O jogo oi concebido pa a consolida conhecimen os adqui idos p e iamen e, du an e a explo ação
de di e en es animais e, simul aneamen e, possibili a uma expe iência lúdica e in e a i a, pois "b inca
[é] uma a i idade ica e es imulan e que p omo e o desen ol imen o e a ap endizagem e se ca ac e iza
pelo ele ado en ol imen o da c iança, demons ado a a és de sinais como p aze , concen ação,
pe sis ência e empenhamen o” (Sil a e al., 2016, p. 11). Inspi ado num jogo magné ico já exis en e na
sala, que en ol ia a o ganização de abelhas po amanho, oi ealizada uma expansão do concei o,
in oduzindo os no os animais explo ados, que pe mi isse desa ia as c ianças a o ganizá-los não apenas
po amanho, mas ambém po ca ego ias e/ou ca ac e ís icas comuns.
Figu a 34 - Imagem ilus a i a A4
Figu a 35 - Imagem ilus a i a A4
53
A es u u a do jogo inicial, pois há á ias in e p e ações que se podem segui , assen ou na e i ada
alea ó ia de um animal de den o de uma caixa, sendo a c iança desa iada a iden i icá-lo e a posicioná-
lo co e amen e po amanho e ca ego ia, ou, caso osse o p imei o animal desse g upo, a inicia uma
no a ca ego ia, à qual os colegas ac escen a iam pos e io men e os ou os elemen os com a ibu os
semelhan es. Es a dinâmica p omo eu um abalho colabo a i o e pe mi iu explo a compe ências
ma emá icas essenciais, como a se iação, a medição e a classi icação. De aco do com Sil a e al. (2016),
"as c ianças ealizam in ui i amen e classi icações e, p ecocemen e, começam a se capazes de
o ganiza obje os […] conside ando um a ibu o e, pos e io men e, á ios a ibu os, de o ma a
es abelece elações en e eles" (p. 75).
Figu a 36 - Jogo no quad o magné ico
A pa icipação simul ânea das c ianças en e os ês e os cinco anos e elou-se pa icula men e
en iquecedo a, pois a in e ação en e c ianças em momen os di e en es do desen ol imen o "é
acili ado a do desen ol imen o e da ap endizagem. A exis ência de g upos com c ianças de di e en es
idades acen ua a di e sidade e en iquece as in e ações no g upo, p opo cionando múl iplas ocasiões de
ap endizagem en e c ianças” (Sil a e al., 2016, p. 24). Assim, o en ol imen o a i o e a oca de
conhecimen os en e pa es e o ça am a ap endizagem coope a i a e incen i a am a descobe a mú ua,
p omo endo um ambien e de pa ilha e espei o.
Além da componen e ma emá ica, o jogo ambém a o eceu o desen ol imen o da linguagem o al,
uma ez que as c ianças o am incen i adas a desc e e os animais e a jus i ica as suas decisões ao
o ganizá-los, o que pe mi iu consolida a comunicação e bal e amplia ocabulá io, alinhando-se com a
impo ância de " econhece e mobiliza elemen os da comunicação isual, an o na p odução e
ap eciação das suas p oduções, como em imagens que obse a" (Sil a e al., 2016, p. 50). O
54
en ol imen o no p ocesso de ca ego ização e o denação ambém es imulou a pe ceção es é ica e a
o ganização isual dos ma e iais, p omo endo a c ia i idade e a a enção ao de alhe.
A a i idade e elou-se um momen o de ap endizagem a i o e en ol en e, es imulando a in e ação
social e p omo endo alo es undamen ais como a coope ação e a negociação, pois como de endido po
Sil a e al. (2016), "o con on o de opiniões e necessidade de esol e con li os susci a á a necessidade
de deba e e de negociação, de modo a encon a uma esolução mu uamen e acei e pelos in e enien es"
(p. 39). Des a o ma, o espei o pelo i mo e pelas opiniões dos colegas o alece a consciência de
cidadania e a capacidade de au o egulação do compo amen o, alo es undamen ais pa a um
desen ol imen o ha monioso e equilib ado.
Sín ese e lexi a
A implemen ação do jogo educa i o e elou-se uma expe iência pedagógica al amen e
en iquecedo a, con i mando a impo ância do jogo como meio p i ilegiado de ap endizagem e de
desen ol imen o da c iança, e a sua conceção in encional e in e disciplina demons ou se uma
es a égia e icaz pa a consolida conhecimen os, es imula o aciocínio lógico e p omo e in e ações
sociais de qualidade.
A in e disciplina idade do jogo des acou-se como um dos seus aspe os mais posi i os, pe mi indo
a a iculação en e di e sas á eas do conhecimen o, nomeadamen e no Domínio da Ma emá ica, a
o ganização dos animais po amanho e ca ego ia, que es imula o pensamen o lógico e a esolução de
p oblemas; no Domínio da Linguagem O al e Abo dagem à Esc i a, onde as c ianças o am incen i adas
a e baliza as suas escolhas e a jus i ica as suas classi icações; e no Subdomínio das A es Visuais,
a a és do manuseamen o dos ma e iais e a disposição dos elemen os, que e o ça a c ia i idade e a
pe ceção es é ica. Es a abo dagem e le e a p emissa de que "as á eas de em se is as de o ma
a iculada, dado que a cons ução do sabe se p ocessa de o ma in eg ada, e há in e - elações en e os
di e en es con eúdos" (Sil a e al., 2016, p. 31).
Pa a além dos obje i os pedagógicos a ingidos, a a i idade des acou-se ainda pelo en usiasmo e
en ol imen o demons ado pelas c ianças, pela in e ação en e pa es e pela possibilidade de pa icipa
a i amen e na cons ução do conhecimen o, o que e o ça o sen imen o de pe ença e a mo i ação pa a
a ap endizagem, uma ez que "o econhecimen o da capacidade da c iança pa a cons ui o seu
desen ol imen o e ap endizagem supõe enca á-la como sujei o e agen e do p ocesso educa i o, o que
signi ica pa i das suas expe iências e alo iza os seus sabe es e compe ências únicas" (Sil a e al.,
2016, p. 9).
55
A pa icipação a i a das c ianças na o ganização e a aliação do jogo ambém se e elou um a o
en iquecedo , p omo edo da sua au onomia e sen ido de esponsabilidade, dado que, "Ao pa icipa em
no planeamen o e a aliação, as c ianças es ão a colabo a na cons ução do seu p ocesso de
ap endizagem, […] são opo unidades de pa icipação e meios de desen ol imen o cogni i o e da
linguagem" (Sil a e al., 2016, p. 26).
Des a o ma, a cons ução des e jogo e o çou a impo ância de um ambien e educa i o
pa icipa i o e democ á ico, onde as c ianças se sin am alo izadas e incen i adas a explo a o mundo
de o ma a i a e c ia i a.
Além do mais, o jogo enquan o es a égia pedagógica, e elou-se uma mais alia, no sen ido em
que pode se pe cebido como um ins umen o essencial pa a a ap endizagem signi ica i a, pe mi indo a
cada c iança desen ol e compe ências undamen ais de o ma in eg ada, e espei ando os seus
in e esses, i mo e necessidades indi iduais. A sua epe ição u u a pode á pe mi i no as explo ações e
desa ios, en iquecendo ainda mais o pe cu so educa i o das c ianças en ol idas.
4.1.5. A i idade n.º 5 – Li o
“O Seg edo dos Pequenos G andes He óis da
Na u eza”.
A cons ução do li o "O Seg edo dos Pequenos G andes He óis da Na u eza" su giu po suges ão
das c ianças, aquando do le an amen o das ideias p é ias da p imei a a i idade, sob e as abelhas, e
pa a mim, como o culmina do p oje o educa i o desen ol ido no âmbi o da PES, endo como p incipal
obje i o documen a e e le i sob e as ap endizagens adqui idas pelas c ianças ao longo da explo ação
dos emas elacionados com a na u eza e os seus pequenos he óis: as abelhas, os bichos-de-con a e as
minhocas. Es a abo dagem pedagógica assen ou na alo ização das ideias p é ias das c ianças,
p omo endo um pe cu so de ap endizagem signi ica i o e pa icipa i o, no qual cada uma pôde exp essa
os seus conhecimen os, expe iências e descobe as de o ma c ia i a e colabo a i a, como "o
econhecimen o da capacidade da c iança pa a cons ui o seu desen ol imen o e ap endizagem supõe
enca á-la como sujei o e agen e do p ocesso educa i o" (Sil a e al., 2016, p. 9).
O p ocesso de cons ução do li o iniciou-se com a ecolha das ideias p é ias das c ianças sob e
os di e en es se es i os explo ados ao longo do p oje o, sendo es es momen os que se e ela am
essenciais pa a comp eende as conceções iniciais do g upo e pe mi i am egis a as pe ceções e
conhecimen os espon aneamen e pa ilhados. As espos as das c ianças demons a am uma
cu iosidade na u al e um desejo genuíno de pa ilha, e elando c enças e in e p e ações baseadas na
sua obse ação do mundo, pois como deno a Sil a e al. (2016), " pa indo das expe iências e sabe es
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únicos da c iança, conside ada como capaz de cons ui a sua ap endizagem, cada uma ap ende e
con ibui pa a a ap endizagem e p og esso das ou as" (p. 31).
Após es a ase inicial, ao longo das á ias a i idades desen ol idas, as c ianças i e am con ac o
com di e en es on es de in o mação, como explo ação di e a da na u eza, obse ação de ídeos
educa i os, diálogos o ien ados e expe iências p á icas, nomeadamen e a cons ução de um minhocá io,
e es es momen os e ela am-se essenciais pa a ap o unda e en iquece os conhecimen os do g upo,
consolidando concei os cien í icos de o ma lúdica e expe imenial. A u ilização da obse ação e da
expe imen ação como es a égias de ap endizagem alinham-se com o p incípio de que o "con ac o com
se es i os e ou os elemen os da na u eza e a sua obse ação são no malmen e expe iências mui o
es imulan es pa a as c ianças, p opo cionando opo unidades pa a e le i , comp eende e conhece as
suas ca ac e ís icas, as suas ans o mações e as azões po que acon ecem" (Sil a e al., 2016, p. 90).
A in eg ação do li o na dinâmica da sala pe mi iu a icula di e en es á eas do conhecimen o,
nomeadamen e o Domínio da Linguagem O al e Abo dagem à Esc i a, a Á ea do Conhecimen o do Mundo
e o Subdomínio das A es Visuais. Os momen os de “esc i a” cole i a do li o o am momen os de g ande
en ol imen o, no qual as c ianças exp essa am de o ma au ónoma e espon ânea as ap endizagens
adqui idas, enquan o, concomi an emen e, consolida am a sua capacidade de comunicação e
es u u ação do pensamen o. Além disso, o egis o isual, a a és de desenhos e o og a ias,
p opo cionou uma dimensão es é ica e c ia i a à a i idade, p omo endo a exp essão indi idual de cada
c iança, pois
o desenho é ambém uma o ma de esc i a e que os dois meios de exp essão e
comunicação su gem mui as ezes associados, comple ando-se mu uamen e. O desenho
de um obje o pode subs i ui uma pala a, uma sé ie de desenhos pe mi e “na a ” uma
his ó ia ou ep esen a os momen os de um acon ecimen o (Sil a e al., 2016, p. 69).
A pa ilha do li o com a comunidade educa i a e com os pais, ep esen ou um momen o de
alo ização do pe cu so das c ianças, pe mi indo-lhes ap esen a e e le i sob e o que ap ende am,
p omo endo a au oes ima e o sen imen o de pe ença ao g upo.
Es a abo dagem e o çou a impo ância da ap endizagem colabo a i a, na qual cada c iança se
sen e pa e in eg an e do p ocesso e econhece o seu con ibu o pa a a cons ução do conhecimen o
cole i o.
Sín ese e lexi a
A elabo ação do li o "O Seg edo dos Pequenos G andes He óis da Na u eza" cons i uiu um ma co
signi ica i o no pe cu so de ap endizagem das c ianças, consolidando de o ma in eg ada os
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conhecimen os adqui idos ao longo do p oje o. A e lexão sob e o pe cu so de in es igação e descobe a
pe mi iu uma a aliação o ma i a das ap endizagens, mas ambém um e o ço do en ol imen o das
c ianças no seu p óp io p ocesso educa i o.
Es a a i idade demons ou a impo ância de p opo ciona opo unidades pa a que as c ianças
e li am sob e as suas ap endizagens, o nando isí el a e olução do seu pensamen o e a o ma como
ein e p e am e ees u u am o conhecimen o ao longo do empo, pois ao “pa icipa em no planeamen o
e a aliação, as c ianças es ão a colabo a na cons ução do seu p ocesso de ap endizagem” (Sil a e al.,
2016, p. 26). O li o não só pe mi iu es e p ocesso de e lexão, como ambém incen i ou a alo ização
do pe cu so de cada c iança e a celeb ação das suas conquis as.
Um dos aspe os mais en iquecedo es des a expe iência oi a a iculação en e di e en es á eas do
conhecimen o e a u ilização de uma abo dagem in e disciplina . A in e ação en e linguagem o al,
explo ação cien í ica, exp essão plás ica e pensamen o ma emá ico e o çou a ideia de que
O a amen o das di e en es á eas de con eúdo baseia-se nos undamen os e p incípios
comuns a oda a pedagogia pa a a educação de in ância, p essupondo o desen ol imen o
e a ap endizagem como e en es indissociá eis do p ocesso educa i o e uma cons ução
a iculada do sabe em que as di e en es á eas se ão abo dadas de o ma in eg ada e
globalizan e (Sil a e al., 2016, p. 31).
Es a pe spe i a holís ica possibili ou uma ap endizagem mais na u al e en ol en e, espei ando os
in e esses e i mos de cada c iança.
Além disso, a me odologia u ilizada omen ou o desen ol imen o da au onomia, da coope ação e
do pensamen o c í ico, além do en ol imen o a i o das c ianças na elabo ação do li o, que po enciou
compe ências essenciais pa a a sua ap endizagem ao longo da ida, como a pa icipação na ida em
g upo e a omada decisões. O abalho colabo a i o e idenciado na cons ução do li o e le iu essa
p emissa, p omo endo uma cul u a de pa ilha e espei o mú uo.
Em e mos pessoais, es a expe iência e elou-se p o undamen e en iquecedo a, pe mi indo-me
consolida a minha comp eensão sob e a impo ância da escu a a i a e do espei o pelos in e esses das
c ianças na cons ução do cu ículo, além da lexibilidade e da adap ação do planeamen o em unção
das dinâmicas do g upo, que se mos a am essenciais pa a ga an i a pe inência e a e icácia da
in e enção pedagógica.
A cons ução do li o "O Seg edo dos Pequenos G andes He óis da Na u eza" ea i mou a
impo ância de me odologias pa icipa i as e e lexi as na Educação P é-Escola , e o desen ol imen o
des a a i idade demons ou que a ap endizagem se o na mais signi ica i a quando as c ianças êm um
papel a i o na sua cons ução, sendo alo izadas como agen es do seu p óp io p og esso. A expe iência
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consolidou conhecimen os cien í icos e linguís icos, além de compe ências sociais e emocionais,
con ibuindo pa a a o mação de cidadãos mais conscien es, c í icos e sensí eis ao mundo na u al que
os odeia.
4.2. Con ex o de 1.º Ciclo do Ensino Básico
Na implemen ação do p oje o de in e enção pedagógica, endo po base os egis os e e uados,
es a secção ap esen a uma sín ese das qua o a i idades desen ol idas no âmbi o do 1º CEB.
4.2.1. A i idade n.º 1 – Como poluímos os oceanos?
A a i idade “Como poluímos os oceanos?” oi delineada no seguimen o da abo dagem dos
con eúdos de Es udo do Meio, elacionados com o impac o da ação humana sob e os oceanos, enquan o
consequência do c escimen o populacional e do aumen o da p ocu a de ecu sos pa a sa is aze as
necessidades humanas, num con ex o de acele ado desen ol imen o ecnológico.
Du an e a explo ação des e ema, e em pa icula da poluição ma inha p o ocada pelo despejo de
plás icos, su giu uma in e enção espon ânea de um aluno (M.R.), que e elou alguma incomp eensão
ace à g a idade, e su p eendido, comen ou que “não pe cebo o que em de ão g a e, o plás ico é só i
lá e apanha !”. Es a obse ação e elou-se um pon o de pa ida alioso pa a omen a o pensamen o
c í ico e a e lexão cole i a, além de pe mi i iden i ica conceções al e na i as e mobiliza es a égias
que p omo essem a cons ução de no os sabe es, a pa i do con on o com si uações eais e
signi ica i as. Ainda conduziu à con ex ualização do p oblema, a a és da ap esen ação da chamada “ilha
de plás ico” do Pací ico, cuja dimensão excede a do e i ó io de Po ugal con inen al, que, com es a
ilus ação conc e a, pe mi iu e idencia a pe sis ência dos esíduos plás icos e a complexidade en ol ida
na sua emoção, o que le ou ou o aluno, o A.C., a pa ilha que “a é já há mic oplás icos nos humanos,
po causa do peixe que comemos”, demons ando uma cla a a iculação en e o con eúdo explo ado e
a ealidade.
Re omada a pe inen e ques ão “Mas como é que o plás ico se jun a odo nessa ilha?”, expos a
pelo M.R., oi ei a uma b e e explicação sob e as co en es dos oceanos e o seu papel na acumulação
dos esíduos lu uan es. Também se abo dou, ainda que de o ma in odu ó ia, a possibilidade de
dispe são desses esíduos pa a á eas adjacen es, e o çando a ideia de que a poluição ma inha é um
enómeno de escala global, com implicações locais.
A a i idade oi concebida com o p opósi o de p omo e o en ol imen o a i o dos alunos no
p ocesso de ap endizagem, omen ando a cu iosidade, o pensamen o c í ico e o desen ol imen o da
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li e acia cien í ica. Ado ando uma abo dagem cen ada na c iança, o pon o de pa ida consis iu na ecolha
das ideias p é ias dos alunos sob e o ema, o ganizadas cole i amen e sob a o ma de uma “ eia de
ideias” no quad o. Es a es a égia e elou-se essencial pa a comp eende o conhecimen o p é-exis en e
do g upo, alo izando a plu alidade de pe spe i as e p omo endo compe ências de exp essão o al e
escu a a i a, pa a “Toma como e e ência o conhecimen o p é io dos alunos, os seus in e esses e
necessidades, alo izando si uações do dia a dia e ques ões de âmbi o local, enquan o ins umen os
acili ado es da ap endizagem” (M.E., 2018, p. 3), alo izando as suas expe iências e p omo endo
ap endizagens com sen ido.
A aula iniciou-se com uma con e sa abe a, onde os alunos e le i am sob e as o igens do lixo que
chega ao ma , num momen o de exp essão o al pa icula men e ico em e mos de desen ol imen o de
compe ências comunica i as, que p opo cionou um espaço de escu a a i a, espei o mú uo e diálogo.
As c ianças apidamen e iden i ica am compo amen os humanos como causas di e as da poluição,
como “as pessoas ão pa a a p aia e deixam lá o lixo” (H.C.) ou “o lixo não é eciclado como de ia”
(A.C.). A in e enção de T.G., e e indo-se ao despejo indus ial pa a os ios, e idenciou um pensamen o
mais elabo ado sob e o pe cu so do lixo, pe mi indo e o ça a impo ância da educação ambien al desde
os p imei os anos de escola idade.
A con ex ualização isual da p oblemá ica oi e omada com a ap esen ação de imagens
impac an es, já p e iamen e analisadas, p o ocando eações emocionadas, como a de S.M., quan o a
não se p oblemá ico apenas uma pessoas polui , que eagiu g i ando “ az sim! Po que depois em mais
lixo de ou as pessoas, e udo jun o é um g ande p oblema!”, o iginando um deba e que demons ou o
po encial das ideias espon âneas dos alunos, enquan o mo o es de cons ução de conhecimen o,
e o çando a impo ância de as in eg a na plani icação docen e.
Seguiu-se a componen e p á ica da a i idade, em que os alunos, o ganizados em pequenos
g upos, p epa a am ja os com água, nos quais i iam simula a poluição ma inha. A medição de líquidos
em cen ili os e milili os pe mi iu uma a iculação com os con eúdos de ma emá ica, explo ando
capacidades e medidas de o ma uncional, o alecendo a in e disciplina idade do p ocesso educa i o.
60
Figu a 37 - Medições Capacidades
Figu a 38 - Medições Capacidades
Figu a 39 - Medições Capacidades
Figu a 40 - Medições Capacidades
Figu a 41 - Fo o g upo, após compa ação de capacidades
A pa icipação en usias a oi e iden e ao longo de oda a expe iência, especialmen e no momen o
da adição dos poluen es. Mas a in odução do óleo usado p o ocou uma eação gene alizada de epulsa,
mo i ada pela ex u a e odo , le ando a que, po decisão conjun a, osse a docen e a ealiza essa e apa,
e idenciando o espei o pelos limi es do g upo.
Figu a 42 - Simulação de poluição
nos oceanos
Figu a 43 - Simulação de poluição
nos oceanos
Figu a 44 - Simulação de poluição
nos oceanos
Du an e a ase de obse ação e il agem, os alunos o mula am hipó eses, egis a am descobe as
e desen ol e am aciocínios cien í icos simples. O comen á io de A.D., quando obse ou o papel a a unda
e ques ionou se “isso ambém acon ece no ma ?”, ge ou um no o momen o de e lexão sob e os pe igos
da inges ão de esíduos pelos animais ma inhos. As analogias pa ilhadas pelos colegas, como “eles não
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Figu a 62 – Rep esen ações g á icas dos esul ados
Figu a 63 - Fichas de egis o p eenchidas
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Figu a 64 - Fichas de egis o p eenchidas
Sín ese e lexi a
A a i idade “Vamos il a a água dos ma es e oceanos?” e elou-se uma p opos a educa i a
ex emamen e signi ica i a, que pe mi iu a a iculação en e di e sas á eas do sabe , p omo endo
compe ências essenciais ao desen ol imen o holís ico dos alunos do 4.º ano. A na u eza in es iga i a da
a i idade e a consolidação de ap endizagens, con e i am-lhe coe ência pedagógica e ele ância didá ica,
con ibuindo pa a o e o ço da consciência ambien al e pa a o desen ol imen o da li e acia cien í ica.
Um dos p incipais con ibu os, po pa e dos alunos, des a in e enção oi o econhecimen o da
di iculdade (ou mesmo impossibilidade) de limpa ou “ il a ” o lixo dos oceanos após anos de poluição,
o que os le ou a o mula conclusões asse i as sob e a u gência da p e enção, pois “já não dá pa a
i a odo, en ão emos que en a diminui o que mandamos pa a lá” (P.O.). Es a cons a ação e idencia
não só a ap op iação de con eúdos, como ambém a impo ância e necessidade de p o ege o meio
ambien e e p omo e a pa icipação a i a de odos os cidadãos em ques ões ambien ais.
Ao ní el das ap endizagens cu icula es, a a i idade possibili ou o desen ol imen o de
compe ências em á ias á eas, nomeadamen e em Es udo do Meio, pela comp eensão dos e ei os da
ação humana nos ecossis emas aquá icos; em Ma emá ica, pela aplicação de unidades de capacidade
e esolução de p oblemas; em Po uguês, pela lei u a, in e p e ação e p odução o al e esc i a; em A es
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Visuais, pela ep esen ação g á ica do p ocesso; e em Fo mação Pessoal e Social, pela p omoção da
colabo ação, da empa ia e da esponsabilidade.
Além disso, a e lexão ealizada pelos alunos du an e e no inal da a i idade, mos ou que a
ap endizagem oi cons uída de o ma a i a, dialogada e signi ica i a. As hipó eses o muladas, as
conclusões i adas e os deba es ge ados e idencia am a capacidade do pensamen o c í ico,
comunicação cla a e colabo ação en e pa es, p econizados pelo PASEO (Ma ins, 2017).
A a aliação oi de ca á e o ma i o, con ínuo e desc i i o, com base na obse ação di e a, egis os
esc i os e in e enções o ais, além do en usiasmo e o en ol imen o demons ado pelos alunos, que
o am indicado es cla os do impac o posi i o da a i idade. A expe imen ação e elou-se uma pode osa
es a égia de ensino, p omo endo não apenas a aquisição de conhecimen os, mas ambém o
desen ol imen o de a i udes de esponsabilidade e espei o pelo ambien e.
Concluo, assim, que a a i idade “Vamos il a a água dos ma es e oceanos?” cump iu plenamen e
os obje i os, e elando-se uma opo unidade de ap endizagem in eg ada, c í ica e ans o mado ,
pa indo de p opos as didá icas que pa am da ealidade dos alunos, in eg em di e en es á eas do sabe
e es imulem o pensamen o cien í ico e a consciência ecológica, p epa ando-os pa a uma pa icipação
a i a e in o mada na cons ução de um u u o mais sus en á el.
4.2.3. A i idade nº 3 – Explo a a biodi e sidade no ja dim do colégio!
A a i idade “Explo a a biodi e sidade no ja dim do colégio!”, em a iculação com expe iências
an e io es, nomeadamen e as a i idades “Como poluímos os oceanos?” e “Vamos il a a água dos
ma es e oceanos?”, e e o igem na cu iosidade mani es ada pelos alunos, du an e as semanas
an e io es, quando, ao e le i em sob e a poluição dos oceanos e o impac o da ação humana na
biodi e sidade ma inha, começa am a ques iona -se sob e a di e sidade de se es i os que exis i ia no
espaço ex e io da escola e nas zonas onde esidem. Es a escu a a en a aos in e esses do g upo
demons ou o alo de uma pedagogia cen ada na c iança, em que se econhece o aluno como agen e
a i o na cons ução do seu conhecimen o (Ma ins, 2017, p. 32).
Assim, es a a i idade e elou se uma p opos a pedagógica o ien ada pa a a p omoção da li e acia
ecológica, a a és da mobilização do conhecimen o p é io dos alunos, e es a con inuidade cu icula
pe mi iu consolida e expandi as ap endizagens, p omo endo a e lexão sob e a di e sidade da ida no
plane a e a esponsabilidade indi idual e cole i a na sua p ese ação.
A p imei a ase da in e enção consis iu num le an amen o de ideias p é ias, a a és de uma
con e sa o ien ada, onde os alunos pa ilha am concei os de biodi e sidade, ab angendo an o animais
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como plan as, e es abelece am elações en e a p esença de ege ação e a di e sidade de ida, como
e e ido pelo P.O. que “as plan as ambém con am, po que sem plan as não há ida, nem habi a pa a
os bichos”. Es e momen o inicial assumiu especial ele ância po pe mi i a cons ução cole i a de
conhecimen o, a escu a mú ua e o es ímulo à a gumen ação, al como p e is o nas AE de Po uguês
(ME, 2018, pp. 6–7).
De seguida, os alunos o am o ganizados em pequenos g upos e equipados com lupas, p anche as
e ichas de egis o, p e iamen e solici ados às amílias, de o ma a ga an i a pa icipação a i a e
simul ânea de odos os elemen os do g upo. Já em espaço ex e io , a a i idade de campo, cen ada na
obse ação di e a e no egis o de se es i os p esen es no ja dim do colégio, e elou-se ex emamen e
mo i ado a e en usiasman e. Os alunos mobiliza am compe ências de obse ação, classi icação e
desc ição, egis ando animais, plan as, habi a s e in e ações compo amen ais. A iden i icação de
inse os, laga ixas, lo es e a é pássa os (ainda que ugazes), demons ou a a enção e o en ol imen o
dos alunos.
Figu a 65 - P anche a com icha de
egis o
Figu a 66 - À p ocu a da
biodi e sidade no ja dim
Figu a 67 - À p ocu a da
biodi e sidade no ja dim
Figu a 68 - À p ocu a da
biodi e sidade no ja dim
Figu a 69 - À p ocu a da
biodi e sidade no ja dim
Figu a 70 - À p ocu a da
biodi e sidade no ja dim
Du an e a explo ação, oi no ó ia a aplicação de compe ências cien í icas, como a o mulação de
hipó eses e a in e p e ação de compo amen os obse ados. Exemplo disso oi a associação ei a pelo
71
P.O., en e o compo amen o das o migas e a o ganização social das abelhas, que “andam semp e em
ila, se á que êm uma ainha, como as abelhas?”. Es as conexões e ela am a ap op iação de con eúdos
an e io men e abalhados, assim como a capacidade de es abelece analogias signi ica i as, alinhadas
com o pensamen o cien í ico.
Impo a ainda e e i a a enção às plan as obse adas, que mo i a am momen os de descobe a
e cu iosidade genuína como o caso pa icula da isália, desc i a pela C.F. como “mui o es anha”, que
se iu de p e ex o pa a uma explicação mais ap o undada, anco ada na ligação en e plan as e u os.
Es e momen o e o çou a impo ância de ci cuns âncias pedagógicas espon âneas, que su gem do
in e esse genuíno das c ianças, que de em se alo izados e in eg ados na p á ica.
Figu a 71 - Plan as ambém são
biodi e sidade
Figu a 72 - Plan as ambém são
biodi e sidade
Figu a 73 - Plan as ambém são
biodi e sidade
Figu a 74 - O que encon amos no
ja dim
Figu a 75 - O que encon amos no
ja dim
Figu a 76 - O que encon amos no
ja dim
72
Figu a 77 - A p epa a a exposição a ís ica
De eg esso à sala, cada g upo oi con idado a pa ilha as suas obse ações e descobe as, e a
quan idade de egis os le ou os alunos a esc e e no e so das ichas de egis o, demons ando o
en usiasmo e a on ade de pa ilha o maio núme o possí el de achados. Pa a as ap esen ações o ais,
hou e luga pa a uma o ganização discu si a, espei ando as di e en es in e enções e o
desen ol imen o da escu a a i a.
A ase inal da a i idade incluiu uma p opos a de exp essão a ís ica, a a és da c iação de
ep esen ações isuais de alguns dos se es i os obse ados, com ecu so a ma e iais eciclá eis, que
os p óp ios alunos ha iam le ado de casa pa a a escola. Es a componen e, que en ol eu desenho,
colagem e cons ução de elemen os idimensionais, pe mi iu in eg a os domínios das A es Visuais e
e o ça o ca á e in e disciplina da a i idade, alo izando a exp essão pessoal e a c ia i idade. A
ap esen ação indi idual das p oduções, egis ada em ídeo, p omo eu compe ências de exp essão o al
es u u ada, a gumen ação e e lexão sob e o p ocesso c ia i o.
Figu a 78 - O que le amos pa a a sala
Figu a 79 - O que le amos pa a a sala
73
Figu a 80 - A exposição a ís ica
A a iculação com a á ea de Po uguês, a a és da p odução de um ex o in o ma i o sob e um
dos se es i os obse ados, possibili ou consolida as ap endizagens a a és da esc i a e e o ça a
capacidade de o ganização da in o mação, espei ando as ca ac e ís icas do géne o ex ual solici ado.
Es a ex ensão da a i idade demons ou a e sa ilidade da p opos a e o seu po encial pa a in eg a
ap endizagens múl iplas de o ma con ex ualizada.
74
Figu a 81 - As p oduções esc i as.
75
Sín ese e lexi a
A a i idade “Explo a a biodi e sidade no ja dim do colégio!” e elou-se uma in e enção
pedagógica signi ica i a e coe en e com os p incípios de uma educação cen ada na c iança,
pa icipa i a, in e disciplina e con ex ualizada, com uma expe iência que p opo cionou um ambien e de
ap endizagem ico e desa iado , no qual os alunos mobiliza am os seus conhecimen os p é ios,
coloca am ques ões, obse a am, in e p e a am e comunica am as suas descobe as, numa dinâmica
de cons ução a i a do conhecimen o.
En e os aspe os mais posi i os, des aco o ele ado ní el de en ol imen o dos alunos, an o na ase
de obse ação como na de egis o, pa ilha e p odução a ís ica. A explo ação do espaço ex e io
p opiciou o desen ol imen o da cu iosidade cien í ica e da consciência ecológica, bem como o espei o
pelos se es i os e pelos ecossis emas, numa a i idade que pe mi iu, assim, mobiliza compe ências
p e is as nas Ap endizagens Essenciais, como o desen ol imen o da li e acia cien í ica, da exp essão
o al e esc i a, da ap eciação es é ica e da coope ação en e pa es (ME, 2018, pp. 6–10).
A a aliação da a i idade oi ealizada de o ma con ínua, o ma i a e desc i i a, com base na
obse ação di e a, nas ichas de egis o e nas p oduções dos alunos. De ealça o p og esso em e mos
de au onomia, capacidade de a gumen ação, uso de ocabulá io cien í ico e consciência ambien al. A
a aliação e elou-se um ins umen o de e i icação de ap endizagens, mas ambém uma e amen a de
egulação pedagógica, que pe mi e ajus a as p opos as educa i as ao i mo e aos in e esses do g upo.
Apesa de algumas al e ações ace à plani icação inicial, nomeadamen e, a in odução da g a ação
das ap esen ações e a p odução esc i a suplemen a , es as adap ações o am jus i icadas pela mo i ação
do g upo e e ela am-se pedagogicamen e ele an es, e o çando a a iculação en e á eas e a
p o undidade das ap endizagens.
No ge al, a a i idade consolidou ap endizagens desen ol idas em in e enções an e io es,
nomeadamen e a alo ização da biodi e sidade e a e lexão c í ica sob e o impac o da ação humana no
equilíb io dos ecossis emas, a a és de es a égias de obse ação di e a, in es igação e exp essão
c ia i a, pelas quais oi possí el desen ol e compe ências de cidadania a i a, pensamen o c í ico e
esponsabilidade ambien al, em con o midade com o que é p econizado pelo Pe il dos Alunos à Saída
da Escola idade Ob iga ó ia.
Em jei o de conclusão, conside o que a a i idade “Explo a a biodi e sidade no ja dim do colégio!”
oi bem-sucedida, com a p omoção de ap endizagens signi ica i as, in eg adas e du adou as, que
con ibuem pa a a o mação de alunos au ónomos, in o mados e conscien es do seu papel na
p ese ação do plane a, que a ní el indi idual que a ní el cole i o. Es a expe iência e o çou em mim,
76
a con icção de que a educação ambien al de e assumi um papel ainda mais p eponde an e do cu ículo
do 1º CEB, uma ez que assume um papel essencial pa a a o mação de cidadãos comp ome idos com
a biodi e sidade, a sus en abilidade, a esponsabilidade e o bem comum. Em suma, pa a a o mação de
cidadãos capazes de “negocia a solução de con li os em p ol da solida iedade e da sus en abilidade
ecológica” (Ma ins, 2017, p. 17).
4.2.4. A i idade n.º 4 - Vamos cozinha com o sol!
A a i idade “Vamos cozinha com o sol!”, inse ida no domínio das Ciências Na u ais e no âmbi o
mais amplo da Educação pa a a Sus en abilidade, cons i uiu uma p opos a didá ica in e ligada com os
con eúdos de Es udo do Meio, em especial os que se e e em à o ien ação e localização a a és dos
pon os ca deais e à u ilização de on es de ene gia eno á eis. A inalidade oi p opo ciona aos alunos
um con ex o de ap endizagem expe imen al, que p omo esse a mobilização de conhecimen os p é ios,
a aplicação de sabe es in e disciplina es e o desen ol imen o de a i udes esponsá eis, em elação ao
uso dos ecu sos na u ais.
O pon o de pa ida oi uma ques ão espon ânea e ele an e, aquando da explo ação dos pon os
ca deais, du an e o qual se abo dou o sol enquan o esponsá el po alguns incêndios, p o ocados pelo
calo po ele emanado. A pa i des a cons a ação, su giu a cu iosidade sob e a possibilidade de u iliza
o sol como on e de ene gia pa a cozinha , como on e limpa e al e na i a, que le ou à p opos a de
cons ução de um o no sola . Es e enquad amen o e elou-se pa icula men e e icaz pa a omen a o
in e esse e a mo i ação dos alunos, alinhando-se com a o ien ação me odológica de “ oma como
e e ência o conhecimen o p é io dos alunos, os seus in e esses e necessidades, alo izando si uações
do dia a dia” (M.E., 2018, p. 3).
O p ocesso de cons ução do o no sola desen olou-se em á ios momen os. Inicialmen e, oi
p omo ida uma con e sa o ien ada sob e as on es de ene gia e os seus impac os ambien ais na qual
os alunos pa ilha am os seus conhecimen os. Seguiu-se a isualização de uma animação in e a i a que
demons a a os passos pa a a cons ução do disposi i o, que, de ido ao seu con eúdo isual, acili ou
a comp eensão do concei o e susci ou g ande en usiasmo, isí el nas mani es ações dos alunos, quando
ques iona am se “Podemos mesmo aze um o no? Vai mesmo aquece comida?” (S.M.), demons ando
o en ol imen o emocional e cogni i o que a p opos a despe ou.
Na ase seguin e, de cons ução, implicou um abalho indi idual com ma e iais eciclá eis,
azidos maio i a iamen e de casa, com o apoio das amílias, o que ambém omen ou a elação escola-
amília. A pin u a ou cobe u a da caixa com ma e ial escu o, essencial pa a a abso ção do calo , e elou-
83
A implemen ação des e p oje o ambém e o çou em mim a ce eza de que a educação ambien al
de e aze pa e do cu iculo desde desde os p imei os anos de escola idade, azendo-se ale da
impo ância e do gos o ac escido que odas as c ianças mani es am na sua explo ação. A anço com a
ce eza de que a cons ução de uma educação de qualidade passa po um comp omisso com o
desen ol imen o sus en á el, a cidadania a i a e a alo ização da in ância enquan o e apa undamen al
na o mação de indi íduos conscien es, c í icos e pa icipa i os. A a és de expe iências eais e
signi ica i as, as c ianças desen ol em conhecimen os sob e o mundo na u al, mas ambém uma
consciência é ica e uma a i ude esponsá el pe an e o ambien e, que anspõem do con ex o escola
pa a o con ex o amilia e social, p o ocando a consciência ambien al ambém em quem as odeia. Es a
dimensão o ma i a é essencial pa a a cons ução de uma sociedade mais sus en á el e jus a.
A aliando o pe cu so ealizado, sin o-me mais p epa ada pa a assumi os desa ios da p o issão
docen e, le o comigo a consciência de que a p á ica educa i a exige um equilíb io en e plani icação e
lexibilidade, en e segu ança e abe u a ao inespe ado, en e o igo écnico e o comp omisso humano.
Nes e sen ido, iden i ico-me com Nó oa (2017), quando a i ma que a o mação de um p o issional de
educação implica "um abalho sis emá ico e me ódico, de ap o undamen o de ês dimensões cen ais"
(p. 1122): uma cul u a cien í ica e cul u al sólida, a cons ução de um e hos p o issional e a comp eensão
de que "o p o issional de educação em de se p epa a pa a agi num ambien e de ince eza e
imp e isibilidade" (p. 1122).
Concluída es a e apa, enho a ce eza de que a e lexão sob e a p á ica é indispensá el pa a a
melho ia do ensino e pa a o c escimen o pessoal e p o issional, que do docen e que da c iança.
Des a o ma, o p oje o que desen ol i cons i uiu, pa a mim, uma semen e lançada num e eno
é il, que con inua á a ge mina ao longo da minha aje ó ia enquan o u u a docen e. Se a educação
é, como an as ezes se a i ma, a cha e pa a a mudança, en ão é a a és de p oje os como es e que
ab imos po as pa a um u u o mais conscien e, mais jus o e mais humano.
Ago a sei que a e lexão con ínua sob e a p á ica educa i a é undamen al pa a o desen ol imen o
p o issional e pessoal, e que e le i sob e a ação me pe mi e comp eende o c escimen o enquan o
docen e e ajus a pe manen emen e a minha p á ica.
Se a educação é a cha e pa a a mudança que desejamos e no mundo, en ão o papel do
educado /p o esso é essencial, pois é quem inicia a esc i a da his ó ia do u u o, cuidando e nu indo a
semen e dos adul os do amanhã.
84
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87
ANEXOS
88
Anexo I – Exemplo de plani icação das a i idades
89
Anexo II – Fichas de a i idades de capacidades de medição – A i idade n.º 1 – Como poluímos os oceanos?
90
91
Anexo III – P ocedimen o A i idade n.º 1 – Como poluímos os oceanos?
92
Anexo IV – P ocedimen os e Regis os A i idade n.º 2 – Vamos il a a água dos ma es e oceanos!