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Luís de Freitas Branco: o pedagogo das ciências musicais em Portugal

Author: Pacheco, António
Publisher: Universidad de Málaga
Year: 2025
DOI: 10.55905/cuadv17n3-054
Source: https://repositorium.uminho.pt/bitstreams/eef6154c-bfb3-4e1f-a919-c5da2689c138/download
DOI: 10.55905/cuad 17n3-054
Receip o o iginals: 2/17/2025
Accep ance o publica ion: 3/07/2025
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CUADERNOS DE EDUCACIÓN Y DESARROLLO, .17, n.3, p. 01-15, 2025
Luís de F ei as B anco: o pedagogo das ciências musicais em
Po ugal
Luís de F ei as B anco: he pedagogue o musical sciences in
Po ugal
Luís de F ei as B anco: el pedagogo de las ciencias musicales
en Po ugal
An ónio José Pacheco Ribei o
Dou o em Educação Musical
Ins i uição: Ins i u o de Educação da Uni e sidade do Minho, Cen o de
In es igação em Es udos da C iança (CIEC)
Ende eço: Uni e sidade do Minho, 4710-057 B aga, Po ugal
E-mail: [email p o ec ed]
RESUMO
Es e a igo de e lexão cen a-se na ida e ob a de Luís de F ei as B anco
pe sonagem mul i ace ada da ida musical po uguesa da p imei a me ade do
século XX e símbolo do mode nismo em Po ugal. Embo a a sua a i idade
musical i esse sido plu al em o no de di e sos domínios musicais, es e abalho
con e ge na análise do seu papel enquan o pedagogo e musicólogo. A sua
a i idade pedagógica desen ol eu-se no âmbi o do Conse a ó io de Lisboa e o
seu papel nes e domínio oi absolu amen e de e minan e pa a o
desen ol imen o do ensino da música em Po ugal. Nes e pa icula , Luís de
F ei as B anco, conjun amen e com Viana da Mo a, elabo ou uma impo an e e
ino ado a e o ma, le ada a cabo em 1919, p opondo um cu ículo de o mação
ge al e musical com o p opósi o de p opo ciona uma o mação mais comple a
aos alunos. Es a mesma e o ma con emplou, ainda, a c iação do Cu so de
Ciências Musicais, do qual i ia a se p o esso , e desen ol e , nes e con ex o,
uma in ensa a i idade em o no da musicologia a a és de con e encias,
pales as, c í ica musical, p og amas adio ónicos e publicações di e sas nes a
á ea especí ica. O seu abalho oi único e ímpa e ese a-lhe um luga de ele o
na his ó ia da música e no ensino em Po ugal.
Pala as-cha e: Luís de F ei as B anco, e o ma do ensino da música,
pedagogia musical, musicologia, ciências musicais.
ABSTRACT
This a icle ocuses on he li e and wo k o Luís de F ei as B anco, a mul i ace ed
igu e in Po uguese musical li e in he i s hal o he 20 h cen u y and a symbol
o mode nism in Po ugal. Al hough his musical ac i i y was plu alised a ound
a ious musical domains, his wo k ocuses on analysing his ole as a pedagogue
and musicologis . His pedagogical ac i i y ook place a he Lisbon Conse a oi e
and his ole in his a ea was absolu ely decisi e o he de elopmen o music
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eaching in Po ugal. In his ega d, Luís de F ei as B anco, oge he wi h Viana
da Mo a, d ew up an impo an and inno a i e e o m, ca ied ou in 1919,
p oposing a gene al and musical aining cu iculum wi h he aim o p o iding
s uden s wi h a mo e comple e educa ion. This same e o m also included he
c ea ion o he Musical Sciences Cou se, o which he would become a p o esso ,
and in his con ex he de eloped an in ense ac i i y a ound musicology h ough
con e ences, lec u es, music c i icism, adio p og ammes and a ious
publica ions in his speci ic a ea. His wo k was unique and ese es him an
impo an place in he his o y o music and eaching in Po ugal.
Keywo ds: Luís de F ei as B anco, e o m o music eaching, music pedagogy,
musicology, musical sciences.
RESUMEN
Es e a ículo se cen a en la ida y ob a de Luís de F ei as B anco, igu a
poli acé ica de la ida musical po uguesa de la p ime a mi ad del siglo XX y
símbolo del mode nismo en Po ugal. Aunque su ac i idad musical se plu alizó
en o no a di e sos dominios musicales, es e abajo se cen a en el análisis de
su papel como pedagogo y musicólogo. Su ac i idad pedagógica se desa olló
en el Conse a o io de Lisboa y su papel en es e ámbi o ue absolu amen e
decisi o pa a el desa ollo de la enseñanza musical en Po ugal. En es e sen ido,
Luís de F ei as B anco elabo ó, jun o con Viana da Mo a, una impo an e e
inno ado a e o ma, lle ada a cabo en 1919, en la que se p oponía un plan de
es udios de o mación gene al y musical con el obje i o de p opo ciona a los
alumnos una educación más comple a. Es a misma e o ma incluyó ambién la
c eación del Cu so de Ciencias Musicales, del que llega ía a se ca ed á ico, y
en es e con ex o desa olló una in ensa ac i idad en o no a la musicología a
a és de con e encias, ponencias, c í ica musical, p og amas de adio y di e sas
publicaciones en es a á ea especí ica. Su abajo ue único y le ese a un luga
impo an e en la his o ia de la música y de la enseñanza en Po ugal.
Palab as cla e: Luís de F ei as B anco, e o ma de la enseñanza musical,
pedagogía musical, musicología, ciencias musicales.
1 INTRODUÇÃO
A a i idade musical de Luís de F ei as B anco, mani es ada nos di e sos
domínios da ida cul u al e musical, ez dele uma das igu as mais signi ica i as
e ep esen a i as no con ex o a ís ico e in elec ual po uguês do século XX.
Pedagogo, eó ico, musicólogo, con e encis a, c í ico e composi o , F ei as
B anco desen ol eu um abalho ino ado e pionei o alinhado às co en es de
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pensamen o p og essis as da Eu opa. Es e abalho az uma análise e e lexão
sob e a ida e ob a de Luís de F ei as B anco, enquan o pedagogo e musicólogo,
incluindo nes e âmbi o a di ulgação e a c í ica musical. Me odologicamen e,
cen a-se na e isão bibliog á ica de ca ác e documen al conside ando pa a o
e ei o documen os dispe sos, como legislação, li os, eses e disse ações de
dou o amen o e mes ado, a igos de e is a, assim como páginas web. O
obje i o p incipal é iden i ica o papel de Luís de F ei as B anco no que conce ne
à sua a i idade pedagógica e musicológica e econhece os seus con ibu os
nes es domínios da ida musical. Es u u a-se nos seguin es ópicos: (i) B e e
no a biog á ica; (ii) Luís de F ei as B anco e a e o ma do Conse a ó io de
Lisboa; (iii) Luís de F ei as B anco: a musicologia e as ciências musicais; e (i )
Conclusão.
2 BREVE NOTA BIOGRÁFICA
Luís Ma ia da Cos a de F ei as B anco oi um eó ico, musicólogo,
pedagogo, con e encis a, c í ico e composi o . Nasceu em Lisboa no dia 12 de
ou ub o de 1890 no seio de duas amílias da al a a is oc acia po uguesa com
ligações a Damião de Góis e Sebas ião José de Ca alho e Melo (Ma quês de
Pombal). Seu pai, Fidélio F ei as B anco, e a uncioná io da adminis ação
moná quica e Luís de F ei as B anco con ac ou di e amen e com o Rei D. Ca los
e os p íncipes D. Luís Filipe e D. Manuel. Es a p oximidade in luenciou
o emen e a sua o ien ação polí ica, assumindo-se de enso do egime
moná quico (Mo ei a, 2014).
Luís de F ei as B anco descende de uma amília musical e a sua o mação
inicial é ei a a a és do ensino domés ico com aulas de uma p ecep o a
i landesa e do seu io João de F ei as B anco. De ac o, a sua o mação musical
e ge al não passou pelos p ocedimen os o mais, si uação condizen e com o seu
es a u o social. Nes e âmbi o, de e, apenas, e e i -se uma cu a passagem pelo
Liceu do Ca mo. Os seus es udos musicais pa icula es inicia am-se, em 1903,
com Timó eo da Sil ei a, Piano, e And ès Goñi, Violino. No Conse a ó io
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Nacional oi aluno de Augus o Machado, Ha monia e, mais a de, de Tomás
Bo ba, Con apon o, Ha monia, Cânone, Fuga e Ins umen ação (Telles, 2025).
Em 1906, no âmbi o da isi a de composi o es es angei os a Lisboa,
F ei as B anco ape eiçoou os seus conhecimen os em ins umen ação com o
maes o Luigi Mancinelli e ó gão e composição com o músico belga Dési é
Pâque. F ei as B anco con inuou ainda a ecebe lições de Tomás Bo ba, cuja
classe na Academia de Amado es de Música passou a equen a (F ei as
B anco, 1975).
[…] a sua educação, o ien ada po uma pe cep o a i landesa, po uma
Mademoiselle […] e po um mes e que lhe ensina a «His ó ia,
Co og a ia, Esc i a, Dou ina, Lei u a e e bos», e ec ua a-se quase
exclusi amen e no seio da amília, como con inha a uma c iança do
seu es a u o social […]. A sua o mação musical, iniciada pela
pe cep o a acima e e ida e pelo seu io João, cedo e elou do es
in ulga es. Em 1903, ecebia lições pa icula es de Violino com And é
Goñi […] e de Piano com Timó eo da Sil ei a. Augus o Machado, que
o iniciou no es udo de Ha monia, encaminhou-o depois pa a Tomás
Bo ba, com quem o jo em Luís es udou Ha monia, Con apon o,
Cânone, Fuga e Ins umen ação (Delgado; Telles, Be encou , 2007,
p. 30).
Em e e ei o de 1910 pa e pa a Be lim com o seu io João e es uda com
Engelbe Humpe dinck, p o esso de composição na Hochschule e con ac a
com ou os músicos po uguesas adicadas o a do país, nomeadamen e Viana
da Mo a. Ao im de dois meses de aulas abandonou as suas lições po conside á-
las demasiado conse ado as e, a pa i de maio de 1910, com o eg esso de
Dési é Pâque a Be lim, e oma as lições com o an igo mes e (Mo ei a, 2014).
Du an e a sua es ada em Be lim, F ei as B anco in e essou-se pela musicologia
e em pa icula pelas eo ias de Hugo Riemann e de S ephan K ehl, que, mais
a de, ie am a in luencia a sua ação pedagógica. Em Be lim, com 20 anos de
idade, es udou ambém no ação an iga e aspe os da me odologia da his ó ia da
música (Pina, 2022). Reg essa a Lisboa em junho de 1910 e em maio de 1911
iaja pa a Pa is onde pe manece ce ca de um mês e es uda es é ica musical e
o mas imp essionis as com Gab iel G o lez. Conhece pessoalmen e Claude
Debussy (Telles, 2025).
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No pe íodo comp eendido en e 1913 e 1915 Luís de F ei as B anco
passa a esidi na ilha da Madei a, con inuando a ecebe conselhos de Dési é
Pâque, e eg essa a Lisboa em 1915. As condições económicas não são
a o á eis e Luís de F ei as B anco p ocu a emp ego como p o esso de línguas
lecionando na Escola Académica. A pa i de 1916, Luís de F ei as B anco inicia
um pe cu so como p o esso de música, no Conse a ó io de Lisboa, conciliando
es a a i idade com a composição, a c í ica musical e a musicologia. A a i idade
de p o esso ha e ia de passa pelo Liceu No mal de Luís Ped o Nunes, em
1931, lecionando Pedagogia Ge al da Música. Luís de F ei as B anco na sua
a i idade musical desempenhou ou as unções, como: di e o a ís ico do
Tea o de S. Ca los, en e 1925 e 1927, au o de p og amas adio ónicos de
di ulgação musical na Emisso a Nacional (ha e ia de se a as ado em maio de
1951 po ques ões polí icas), em 1948 pa icipa na undação da Ju en ude
Musical Po uguesa, da qual se ia o p imei o p esiden e da mesa da Assembleia
Ge al, e em 1955 oi con idado po Sequei a Cos a pa a in eg a a Comissão
Execu i a do Concu so Musical In e nacional G ande P émio Viana da Mo a.
Luís de F ei as B anco mo eu no dia 27 de no emb o de 1955 (Delgado; Telles;
Be encou , 2007).
3 LUÍS DE FREITAS BRANCO E A REFORMA DO CONSERVATÓRIO DE
LISBOA
A implan ação da República, a 5 de ou ub o de 1910, conduziu o país a
al e ações impo an es no ensino e na cul u a.
[…] nas p imei as décadas do século XX, p ocu ou-se eo ganiza os
es udos minis ados no Conse a ó io Nacional, não só adap ando a
o mação às exigências da al u a como ambém possibili ando o
ala gamen o na concepção da o mação do músico (Vasconcelos,
2002, p. 52).
Em 1916, Luís de F ei as B anco oi nomeado p o esso de Lei u a de
Pa i u as, Realização do Baixo Ci ado e Acompanhamen o no Conse a ó io

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de Lisboa, assim designado pela implan ação da República, e iniciou um pe íodo
de in ensa a i idade docen e. A elação de con iança com Viana da Mo a,
adqui ida aquando da sua es ada em Be lim, i ia a pe mi i a sua associação na
emodelação do ensino a ís ico, iniciada em 1918, com a c iação de uma
Comissão de Re o ma do Conse a ó io de Lisboa, p esidida po An ónio A oio
(Pina, 2022). Luís de F ei as B anco in eg ou es a comissão de e o ma e em
conjugação com o pianis a José Viana da Mo a elabo ou uma impo an e e o ma
com a in enção de p opo ciona uma o mação mais comple a e humanis a aos
alunos, p opondo um cu ículo de o mação ge al e musical.
Foi ambém em 1918 que F ei as B anco in eg ou a comissão de
emodelação do ensino a ís ico, c iada em 21 de janei o pelo en ão
Minis o da Ins ução Pública, D . Al edo de Magalhães, e que incluía
igualmen e José Viana da Mo a, Alexand e Rey Colaço, Michel’Angelo
Lambe ini e An ónio A oio. Começou a abalha no p oje o de e o ma
do Conse a ó io, que insis ia na necessidade de uma o mação
humanis a comple a pa a os jo ens músicos (Delgado; Telles;
Be encou , 2007, p. 61).
A eo ganização cu icula p opos a inha em is a os seguin es aspe os:
(i) subs i uição do sol ejo ezado pelo sol ejo en oado; (ii) c iação do Cu so de
Ciências Musicais em 5 anos: 1.º de Acús ica, 2.º e 3.º de His ó ia da Música e
4.º e 5.º de Es é ica Musical; (iii) c iação das disciplinas de Di eção de O ques a
e de Ins umen ação; (i ) al e ações pedagógicas no domínio da Ha monia; ( )
aulas de Línguas e Li e a u as, His ó ia e Geog a ia (Mo ei a, 2014). A
ees u u ação dos cu sos de ins umen o, can o e composição comp eendia a
sua di isão em ês g aus: elemen a , complemen a e supe io .
Os Dec e os n.ºs 5546 e 6129, publicados, espe i amen e, a 9 de maio e
25 de se emb o de 1919, conc e iza am a e o ma anunciada le ada a cabo po
Viana da Mo a e Luís de F ei as B anco. João de F ei as B anco (2005) e e e
que oi ealizada uma e o ma mui o signi ica i a po que mode nizou os
p og amas e mé odos pedagógicos e o neceu aos alunos uma maio cul u a
ge al.
De aco do com Rosa (2010, p. 415):
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Rees u u a am-se os cu sos, mode niza am-se os mé odos
pedagógicos e p og amas, in oduzi am-se disciplinas de o mação
ge al, como His ó ia e Geog a ia, e especí icas, como Acús ica e
Es é ica Musical, de molde a p opo ciona uma o mação cul u al mais
comple a.
O Dec e o n.º 5546 de 9 de maio de 1919 jus i ica os mo i os da e o ma
alegando que os seus p ocessos de ensino e pedagógicos e am an iquados e
que se inicia a o ensino da música pelo que e a menos in e essan e e
undamen al: o som, e que o sol ejo ezado e a o mé odo inicial do ensino da
música.
As al e ações cu icula es esul an es des a e o ma são a ibuídas a Luís
de F ei as B anco colocando-o no cen o da e o ma e na ans o mação na
o mação do músico, can o ou composi o .
Em 1919 e -se-á c iado um ensino musical com is a à o mação do
músico - ins umen is a, composi o ou can o - ambém enquan o
in elec ual, mani es ando-se uma c ença na simul aneidade en e o
ca ác e a ís ico e o ca ác e cien í ico da música, além da p óp ia
es u u ação dos cu sos de ins umen o, […] (Pina, 2022, p. 15).
De 1919 a 1924, F ei as B anco assumiu unções de subdi e o , em
colabo ação com Viana da Mo a, o qual e a di e o , passando a leciona no Cu so
de Ciências Musicais, en e 1919 e 1930, sendo o único p o esso des e cu so
nes e pe íodo. Em 1924, pede a demissão do ca go de subdi e o do
Conse a ó io Nacional de Música e em 1930 oi designado pa a di e sos ca gos
no Minis é io da Ins ução: Conselho Supe io , Conselho Disciplina , ogal do
Ins i u o pa a a Al a Cul u a e p o esso do Cu so Supe io de Composição no
Conse a ó io (Mo ei a, 2014). O ano de 1938 é um ano de mudanças ao ní el
do Conse a ó io: Viana da Mo a deixa o ca go de di e o e Luís de F ei as
B anco é suspenso das suas unções de p o esso sendo-lhe ins au ado, em
1940, um p ocesso disciplina com con o nos pouco cla os: em 1951, acaba
mesmo po se demi ido das suas unções de p o esso (F ei as B anco, 1975).
O seu pe cu so no âmbi o da pedagogia e na e o ma do conse a ó io oi
con u bado do pon o de is a polí ico, conside ando que F ei as B anco e a
assumidamen e moná quico, an i epublicano e con a o egime do Es ado No o,
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memb o undado da In eg alismo Lusi ano, no en an o a sua in luência oi
g ande em composi o es seus discípulos como: An ónio F agoso (1897-1918),
F ede ico de F ei as (1902-1980), A mando José Fe nandes (1906-1983), Ped o
do P ado (1908-1990), Jo ge C one de Vasconcelos (1910-1974), Fe nando
Lopes-G aça (1906-1994) e Joly B aga San os (1924-1988) (Delgado; Telles,
Be encou , 2007).
Luís de F ei as B anco deixou uma ma ca indissociá el na sua passagem
pelo Conse a ó io Nacional de Música: a c iação do cu so de Ciências Musicais,
es emunhando o papel que semp e a ibuiu à musicologia, a i idade que
desen ol eu ao longo de oda a ida, enquan o pedagogo, con e encis a e
in es igado (Pina, 2022).
Foi na comissão de emodelação do ensino a ís ico nomeada em 21
de Janei o de 1918 pelo minis o da Ins ução Pública D . Al edo de
Magalhães que, pela p imei a ez, se a ou do ensino das ciências
musicais em Po ugal, quando o au o do p esen e olume ap esen ou
e jus i icou a sua o ganização des inada ao Conse a ó io de Lisboa.
Ap o ada pelos es an es memb os da comissão de ensino musical:
An ónio A oio, José Viana da Mo a, Alexand e Rey-Colaço e
Michel’Angelo Lambe ini, oi con e ida em lei pelo dec e o nº 5646 de
9 de Maio de 1919 que emodelou o ensino do ac ual Conse a ó io
Nacional de Música sob e as bases ap o adas pela mencionada
comissão. O cu so de ciências musicais icou po an o
ob iga o iamen e incluído no ensino do Conse a ó io de Música de
Lisboa e o ganizado pela o ma seguin e: 1º ano, Noções elemen a es
de Acús ica; 2º e 3º anos, His ó ia da Música; 4º e 5º anos, Es é ica
Musical (F ei as B anco, 1931, p. 6).
A e o ma p opo cionada em 1919 isou uma ans o mação no ensino
musical conside ando a mode nidade e a necessidade de imp imi uma o mação
in elec ual aos músicos capaz de p omo e um mundo no o e o p og esso da
humanidade. Es a e o ma signi ica i a e ino ado a, pa a a época, ep esen ou
o p imei o momen o de u u a no que conce ne ao ensino adicional da música
e à sua inse ção no sis ema ge al de ensino. A e o ma de 1919 se ia e ogada
po uma con a e o ma e óg ada e economicis a ap o ada em 1930. A es e
espei o, Luís de F ei as B anco (1953, p. 67-72), diz o seguin e:
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CUADERNOS DE EDUCACIÓN Y DESARROLLO, Po ugal, .17, n.3, p. 01-15, 2025
Não: oi publicada em 1930 uma e o ma, i ando-se aos alunos as
poucas cadei as de cul u a ge al que lá exis iam em 1923. Po an o:
em luga de aumen o, sup essão do pouco que ha ia. […] O ensino
da es é ica musical no Conse a ó io icou, po e ei o da lei o gânica
de 1930, ac ualmen e em igo , apenas pa a os composi o es, is o é:
pa a os que já conhecem a es u u a musical e a análise, endo sido
i ado, pela mesma lei, aos can o es e ins umen is as, que ica am sem
es es indispensá eis auxilia es da in e p e ação. Também o ensino
supe io da composição, que e e 5 anos (3 de o mas não o ques ais
e 2 de o mas o ques ais), passou, em 1930, de 5 pa a 2 (1 ano de
composição e 1 de ins umen ação). Te iam acaso diminuído as
exigências da a e e da ciência de compo música ele ada? O a a
necessidade (e bem u gen e), em 1930, e a o aumen o de 5 pa a 6
anos, nos cu sos de composição e ins umen ação, e nunca a
diminuição de 5 pa a 2.
De ac o, a e o ma de 1930 p omo eu al e ações cu icula es o almen e
opos as às implemen adas em 1919 e das quais Luís de F ei as B anco nunca
se e iu e semp e mani es ou dis ância.
4 LUÍS DE FREITAS BRANCO: A MUSICOLOGIA E AS CIÊNCIAS MUSICAIS
Luís de F ei as B anco con ibuiu a i amen e pa a o desen ol imen o da
musicologia po uguesa, a a és dos seus abalhos ela i os à poli onia em
Po ugal nos séculos XVI e XVII (Telles, 2015) e dos seus esc i os. Na di ulgação
musical, publicou ce ca de duzen os a igos em di e sos jo nais, e is as de
música e ou as publicações pe iódicas da época. Esc e eu, enquan o c í ico
li e á io e, sob e udo, c í ico musical, pa a o Diá io Ilus ado, Mona quia, Co eio
da Manhã, Diá io de Lisboa, Diá io de No ícias e O Século (B i o; Cymb on,
1992). Em 1915, é nomeado memb o do Conselho de A A e Musical, ca go que
ocupou a é à sua ex inção em 1930, e em 1929 e undou a e is a A A e Musical,
que di igi á a é a sua publicação se in e ompida em 1949. Sob a sua di eção,
a e is a dep essa assumiu o es a u o de pe iódico de e e ência do meio musical
e associou-se às ei indicações p o issionais da Associação de Classe dos
Músicos Po ugueses e à de esa das bandas mili a es (F ei as B anco, 1975).
A a és do seu p imei o con ac o com a c í ica musical a 26 de Ma ço
de 1907 no Diá io Illus ado (1872-1911), com apenas dezasseis anos,
Luís de F ei as B anco inicia uma ac i idade que p ossegui á ao longo