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A competição na educação física e desporto: da natureza à dimensão educativa e cultural

Author: Cunha, António Camilo; Galvão, Zenaide
Publisher: Associação de Filosofia do Desporto em Língua Portuguesa (AFDLP)
Year: 2025
Source: https://repositorium.uminho.pt/bitstreams/4964e2a5-8308-4e01-8b61-6061b4f19a7e/download
ATHLETICA
Re is a
de
Filoso ia
do
Despo o
AFDLP
PENSAR
O
DESPORT°
(Coo d.)
Cons an ino
Pe ei a
Ma ins
Luísa
Á ila
da
Cos a
01
ATHLETICA
Re is a
de
Filoso ia
do
Despo o
Volume
01
Ma ço
2025
(Coo d.)
Cons an ino
Pe ei a
Ma ins
Luísa
Á ila
da
Cos a
AFDLP
PENSAR
O
DESPORTO
h ps://www.a dlp.o g
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FICHA TÉCNICA
Tí ulo: ATHLETICA - Re is a de Filoso ia do Despo o 01
Edi o : AFDLP - Associação de Filoso ia do Despo o em Língua Po uguesa
Coo denação: Cons an ino Pe ei a Ma ins e Luísa Á ila da Cos a
Supo e: Ebook
Fo ma o: Pd
Design e Paginação: Nuno Maia Vilela
1ª edição: Ma ço de 2025
ISSN: 3051-6633
h ps://www.a dlp.o g
Pag 6
ÍNDICE
01. Pág - 10 a 16
A COMPETIÇÃO NA EDUCAÇÃO FÍSICA E DESPORTO: DA
NATUREZA À DIMENSÃO EDUCATIVA E CULTURAL
An ónio Camilo Cunha
Uni e sidade do Minho – Ins i u o de Educação - CIEC
Zenaide Gal ão
Uni e sidade do Minho – Ins i u o de Educação - CIEC
02. Pág - 17 a 23
O MOVIMENTO INVISÍVEL HUMANO
Valécio Senna
Faculdade CENSUPEG
03. Pág - 24 a 30
SURF COMO TRAVELLING CINEMATOGRÁFICO
Tiago C a idão
I ilno a
04. Pág - 31 a 38
A NOVA ONDA DO SURFE BRASILEIRO: REFLEXÕES SOBRE
EXPERIÊNCIAS DE ATLETAS DA ELITE
Debo ah Nim zo i ch Cualhe e
PPGICS/ Uni e sidade Fede al de São Paulo (UNIFESP)
Rica do da Cos a Pado ani
Uni e sidade Fede al de São Paulo (UNIFESP)
Pag 11
“
A COMPETIÇÃO NA EDUCAÇÃO FÍSICA E DESPORTO:
DA NATUREZA À DIMENSÃO EDUCATIVA E CULTURAL
An ónio Camilo Cunha
Uni e sidade do Minho – Ins i u o de Educação - CIEC
Zenaide Gal ão
Uni e sidade do Minho – Ins i u o de Educação - CIEC
Resumo
A compe ição é um dos ocábulos mais u ilizados na his ó ia da ida na e a (e do homem) que no sen ido posi i o,
que no nega i o. O obje i o cen al da e lexão, em jei o de pequeno ensaio, se á con ibui pa a a omada de cons-
ciência sob e a impo ância da compe ição na educação ísica e no despo o. A me odologia u ilizada es á assen e na
e lexão eó ica/he menêu ica sob e a p áxis da compe ição e as possibilidades que ela pode con e pa a que a Educa-
ção Física e o Despo o sejam humanamen e g a i ican es. Conside amos que a educação ísica e o despo o abso em
e e le em numa e e escência (animal/humano) as ques ões indi iduais, comuni á ias, sociais, polí icas, económicas,
ideológicas, cul u ais. A compe ição consag a o “jogo da ida”.
Pala as-cha e: compe ição, educação ísica, despo o; na u eza humana, e olução
Ap esen ação
Com es e ex o, p e endemos aze uma e lexão sob e a Compe ição na Educação Física e Despo o. O Despo o é po
ce o (e odos nós conco damos) uma das maio es insc ições/in enções da humanidade. Uma insc ição1 daquilo que
nos o na humanos. O despo o é uma insc ição que con em ou as insc ições. É uma dessas ma cas que a emos pa a
es a e lexão: a Compe ição. A compe ição é, de ac o, uma pala a indelé el – que não pode se apagada, in empo al,
me á o a luminosa. A compe ição al ez seja no campo da Educação Física e Despo o (e não só, como i emos e ) uma
das pala as mais e le idas, es udadas, deba idas, a aliadas, esc u inadas, suge idas e não suge idas. Quase que nos
ape ece dize que es a pala a em a g andeza de um ex o, de um li o - um bom ex o2, um bom li o3.
1 Gos amos des a pala a - insc ição, a lo ada po José Gil (2007), na ob a “Po ugal, hoje. O medo de exis i .”. A insc ição como p o undidade,
ego, asgo, sulco, que ica imb ado no co po e na alma.
2 Quando esc e emos ex o, pensamos no Descons u i ismo de Jacques De ida (1973, 2002) que em o ex o como pala a – cha e. Tudo é ex o;
não há nada o a do ex o; há espaços azios (cheios), espaços escondidos que ainda não o am descobe os; há espaços azios à espe a de p eenchimen o;
há espaços azios e ao mesmo empo cheios – cheios de inusi ados, de espan o, de c iação.
3 Pensamos que a pala a compe ição, ais ainda mais longe que um ex o. A compe ição é um li o, não um li o qualque , mas um li o clás-

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Vamos usa como me odologia uma análise e lexi a e bibliog á ica (em jei o de um pequeno ensaio) que p ocu a olha
pa a a compe ição como uma das maio es exp essões da ida na u al e da ida humana, e nes e caso conc e o na edu-
cação ísica e do despo o. É po isso, uma me odologia que sai dos cânones de uma me odologia cien í ica/empí ica
de in es igação, mas que en a “esca a ” pelo supo e e lexi o/c í ico es a a iá el – a compe ição na educação ísica
e no despo o.
É nes e con ex o que ai ca ila a nossa e lexão, is o é, en a emos aze um exe cício de abe u a, de p eenchimen o
e de ein e p e ação des a pala a/p áxis ão p eciosa – a compe ição.
A e lexão es á o ganizada em ês a os/momen os4.
Desen ol imen o
Sob e a compe ição em ge al: algumas p oposições que nos pa ecem e dadei as
A compe ição al como ou as dimensões bió icas - p edação; pa asi ismo; coope ação; mu ualismo; comensalismo,
simbiose, - é uma das dimensões es u u an es da ida humana (es ando em odas á eas do humano) e da na u eza.
Se es (2004, 2019) a i ma que o homem chegou onde chegou g aças ao eino, à écnica, à epe ição, à coope ação e
à compe ição. A compe ição é, de ac o, um dos ocábulos mais u ilizados na his ó ia da ida na e a (e do homem)
que no sen ido posi i o, que no sen ido nega i o.
Nes e sen ido al ez possamos dize que:
Pela compe ição, o mou-se o uni e so mi ológico e u ópico; pela compe ição (e pela adap ação) ao que “pa ece” as
espécies (na u eza) e oluí am;
Pela compe ição, assis e-se à eme gência da economia/p odu i idade, dos media, das eo ias e p á icas ideológicas e
polí icas;
Pela compe ição o sen ido axiológico escla eceu-se; pela compe ição, su giu a cul u a, essa ex ao diná ia c iação do
homem em con on o (em complemen o) com a na u eza. A cul u a que em um im em si mesma, qual seja, ajuda
o homem a se homem/pessoa/humaniza -se (De Cha din, 2012; Vaz, 1991a, 1991b);
Pela compe ição de alguma o ma o ideá io educa i o es abeleceu-se: desde a Paideia/A e ê g ega, a Ins uc io la ina,
a Bildung alemã - me á o a da iagem, a Escola No a… a é à Escola Mode na - mode nidade e com ela a écnica e
ecnologia, o mul icul u alismo, a in eg ação, a igualdade.
A compe ição cons i ui-se assim, como um deside a o exis encial. É um ma cado , um undamen o, uma insc ição que
es u u a a pe pe uação da ida da na u eza e da ida dos homens/mulhe es.
sico. Como nos lemb a I alo Cal ino (2015) - “Pa a quê, le clássicos” (ob a). Um clássico nunca es á acabado, echado, nunca é de ini i o. Um clássico
em semp e as “po as abe as”, pa a a in e p e ação, ein e p e ação – ein e p e a as e dades e eladas. A compe ição é uma e dade e elada. É um
campo he menêu ico. No limi e, um clássico como um local de sal ação.
4 Uma pa icula idade. A nossa e lexão oi esc i a à mão. Esc e e à mão…uma o ma de o ganiza o pensamen o; da sen ido ao pensamen o;
não i a as mãos do pensamen o; impo limi es; não ugi de nós; dize o que gos a íamos de dize . É ambém uma e lexão dialogada com ou os au o es.
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A compe ição na Educação Física/Despo o
Se nos si ua mos no Dicioná io de Língua Po uguesa (2005, p. 400), amos cons a a que ele e e e alguns signi ica-
dos pa a pala a compe ição. A sabe :
A o ou e ei o de compe i ; dispu a en e duas ou mais pessoas ou g upos po um mesmo obje i o; concu so com possí-
el p emiação; (ecologia) in e ação de indi íduos da mesma espécie ou espécie di e en es (humana, animal ou ege al)
que dispu am algo; lu a, con li o; oposição; ei indicação simul ânea do mesmo pode , a mesma dignidade ou í ulo
e c.; (economia) lu a ou i alidade pela conquis a de me cados; (despo os) p o a que põe em conco ência duas ou
mais pessoas ou g upos no que ange a de e minadas ap idões ou qualidades ísicas ou a lé icas.
A compe ição acaba po se consag a no “campo de um jogo” - seja social, o ganizacional, emp esa ial ou despo i o.
Um dos núcleos cen ais da compe ição (na educação ísica e despo o) é a ideia do ganha /pe de assen e numa dialé-
ica: eu/nós e ou o/ ós. A ideia de i ó ia/ganha e de o a/pe de es á associado a ou as a iá eis, como: a a i ma-
ção, supe ação, ca a se, ascese, abalho, es o ço, esis ência, esiliência, jus iça, con i ência, amizade, libe dade, en e
ou as - acabam po se cons i uí em como de e minan es do campo compe i i o.
No en an o essa dialé ica - na educação ísica e no despo o – pode encima uma ou a dialé ica: animalidade/huma-
nidade. No campo da humanidade ele a-se a compe ição posi i a, b o ando udo aquilo que a humanidade aspi a:
ob as, sen imen os, ações, ealizações. No en an o há um “ou o lado” que ca a e iza a compe ição nega i a e com
ela uma animalidade adical, ou se quise mos um de ici educa i o e ci ilizacional: iolência ex ema, doping, ba o a,
in luência. De ac o, a dialé ica compe ição posi i a/compe ição nega i a são ( ambém) isí eis nas pon es que pode-
mos aze do despo o pa a a ida mode na e da ida mode na pa a o despo o. Cons a amos que o despo o abso e
e e le e numa e e escência (animal/humano) as ques ões indi iduais, comuni á ias, sociais, polí icas, económicas,
ideológicas, cul u ais. São es as ealidades que de emos e p esen es o a como p o esso es, o a como einado es. Não
nos esqueçamos que o se humano nas suas mais ele adas e nob es ene gias é simul aneamen e, na u eza e humano –
como e emos no pon o seguin e.
Ou o aspe o que nos pa ece ele an e é a compe ição como ac o educa i o na educação ísica e despo o – na edu-
cação/escola. Na escola encon amos ês posições. De um lado es ão aqueles que dizem que a compe ição omen a a
i alidade, a aidade, o o gulho, a iolência, o pode e c. - ep esen ação nega i a da compe ição – de endendo que a
mesma não de e ia exis i na escola e no a o educa i o/pedagógico. De um ou o lado, es ão aqueles que, al ez si ua-
dos na ep esen ação posi i a - ajuda, coope ação, au onomia, ca a e , desen ol imen o - ão de ende a compe ição
como momen o de con i ência a i a e desen ol imen o humano. Ainda há aqueles que de endem “nem semp e /nem
nunca”, endo uma a i ude ponde ada e e le ida consoan e os alunos, os con ex os e ci cuns âncias. Um p incípio de
al e nância en e a compe ição e a coope ação – ou a g ande dimensão.
A compe ição em F ied ich Nie zsche – a in eja como alo simbólico
Um dos pensado es que, de o ma mais cla a e sublime, expõe es a dimensão é F ied ich Nie zsche (1997, 1999). Nos
esc i os “A o igem da agédia” e a “Compe ição em Home o”, não esquecendo os ensinamen os mí icos e epis emoló-
gicos – na abo dagem de Filipe (2003) - ai aze uma e lexão peculia , abo dando a compe ição. Quando se ala em
humanidade ( alo es da humanidade), pa e-se do p incípio de que al pode ia se o que sepa a e dis ingue o homem
da na u eza. Na ealidade, po ém, al sepa ação não exis e. As qualidades humanas e na u ais es ão in insecamen e
unidas. Es e é o seu nexo. O se humano, nas suas mais ele adas e nob es ene gias, é simul aneamen e na u eza e
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humano. Ele anspo a um duplo ca á e . Po um lado, a jus iça, a paz, a ha monia, a mode ação, a mo al pensada, a
é ica p a icada5. Mas, po ou o lado, o se humano ambém anspo a consigo a des uição, o ins in o, o umul o, a
in eja que encon amos de o ma explíci a no pe íodo p é-g ego6.
É nes e con ex o que Nie zsche az ele a uma a iá el que conside a undamen al pa a o desen ol imen o humano
- a compe ição. A o iginalidade de Nie zsche é a i ma que aquelas qualidades, conside adas desumanas (pe íodo p é-
-g ego/na u ais) “ al ez”, cons i uíssem o “solo é il”, onde pode b o a udo o que seja humanidade sob a o ma de
sen imen os, de ações e de ob as – um pa adoxo7. No en an o, ele escla ece-nos esse pa adoxo.
Pa a undamen a a sua con icção/o iginalidade, con oca os G egos e, depois, os alo es helénicos, como elemen os
basila es e explica i os da sua eo ia. Assim, os g egos, conside ados o po o mais ci ilizado da an iguidade, os en am
um aço de c ueldade, um pe igo de des uição8. Es á amos no início da o ganização g ega (p é-g ego) em que a paz
e a uma mi agem nunca alcançada e a do o g ande legado do homem.
Des alo izando, de ce a o ma, os alo es dos Soc á icos (aliás c i ica Sóc a es), Nie zsche em aze um elogio à lu a,
ao ins in o, ao es o ço, à in eja como o ça a i ma i a e c iado a. Pa a al, me gulha no uni e so mi ológico e con oca
a deusa E is (deusa da discó dia/noi e - a Má E is) po que é na discó dia que o homem e a condição humana e oluem.
Mas es a discó dia não pode á se uma discó dia ex emada9. Es a de e se mode ada e, pa a isso, c ia uma no a E is
que chama de Boa E is (Luz/Dia). É a Boa E is que es imula a i alidade en e os olei os, os a esãos, os despo is as,
os es udan es, inspi ando em cada um o gos o pela sua p o issão. Ela in e pela e mo i a pa a o abalho a é o homem
mais desajei ado. Se aquele que nada possui epa a nou o que é ico, ap essa-se, do mesmo modo, a semea , a plan a
e a go e na bem a sua casa. O izinho i aliza com o izinho, que p ocu a alcança a sua p ospe idade. Também o
olei o em in eja do olei o; o ca pin ei o em in eja do ca pin ei o; o pedin e do pedin e - e, se quise mos, ago a num
con ex o pós-mode no, o a umado de ca os em in eja do a umado de ca os - quase pa ece que es es a ibu os
cabem à Má E is, e não à Boa E is, mas os g egos não pensa am como nós, diz-nos Nie zsche. A Má E is é quem con-
duz os homens às lu as de ex e mínio (Médio O ien e…). A Boa E is é aquela que impele os homens pa a a ação, que
esse mo i o se chame in eja, anco ou essen imen o. O g ego é in ejoso e não sen e es a qualidade como um de ei o,
an es como e ei o de uma di indade bené ica, a mola de impulso pa a a ação.
Es a dimensão da compe ição ambém apa ece no campo educa i o (Paideia) /despo i o/a ís ico. Pa a os g egos, a
inalidade da educação e do despo o/a es e a o bem-es a da polis. O jo em, quando compe ia na co ida, no lança-
men o de da do ou no can o, pensa a no bem da sua cidade na al. E a a gló ia des a que ele que ia aumen a a a és
da sua. E a aos Deuses da sua cidade que ele consag a a as co oas de lou os. Cada g ego sen ia em si, desde a in ância,
o desejo a den e da compe ição, pois é po esse caminho que se encon a a gló ia, a hon a.
Os g egos - es a gen e he oica - deixa am-nos uma g ande he ança: A gló ia e a elicidade es ão em compe ição; o
homem a as ado da compe ição sucumbe; a ausência da compe ição con oca a des uição ex ema, o ódio ex emo, a
5 Es as i udes acabam po se conquis as helénicas, endo como g ande ep esen an e Sóc a es ( alo es soc á icos), nomeadamen e quando es e
az o elogio aos alo es da ida, do homem e da exis ência.
6 O mundo hoje con inua a ecapi ula a agédia G ega. Vejam-se as gue as, a ome, e(i)mig ação, as di e en es o mas de iolência e c.
7 De ac o, pa ece que en oncamos num pa adoxo. He dámos uma cul u a ociden al que de ende os alo es humanos como a jus iça, o indi iduo,
a i meza, a educação, a paz, a mode ação e, ago a, emos alguém que diz o con á io, que az o elogio ao empo an e io a Sóc a es, que az o elogio ao
ágico.
8 Isso apa ece, po exemplo, em Alexand e, o G ande, quando manda pe u a os pés de Bá is (co ajoso de enso de Gaza) e a a o co po ainda com
ida ao seu ca o pa a escá nio dos soldados. Apa ece ambém com Aquiles (na Ilíada) que, de modo semelhan e, mal a a o co po de Hei o .
9 Podemos ilus a es es a os com Pínda o e Simónides, mes es da música que se olha am com in eja. Pla ão, ao que pa ece, inha in eja de Ho-
me o e que ia ica com a sua gló ia. O mesmo Pla ão (1970, p. 44) diz: “(...) só a compe ição ez de mim um poe a, um ilóso o, um o ado (…)”. A is ó e-
les (1998, p.25) ala ambém da compe ição, dando como exemplo su p eenden e “que a é um mo o pode exci a num i o uma in eja a den e”.
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sel aja ia; a compe ição como o ma de nos excede mos a nós p óp ios, como o ma de alcança a excelência humana
(A e é); a compe ição cen aliza o homem consigo e com os ou os, undamen a a democ acia, a cidadania e a pa i-
cipação.
E e i amen e, a compe ição é (do pon o de is a simbólico) um momen o de discó dia, in eja, anco , essen imen o,
lu a, ins in o, es o ço. É uma o ça a i ma i a e c iado a que impele os homens pa a a ação, pa a a boa ação. Mas es a
boa ação, pa a se o al e adical, e á a mode ação da é ica, o aconchego da Boa E is que mi iga a nossa na u eza
ex emada. A ou a compe ição (que ambém conhecemos), a compe ição sem é ica é a compe ição ex emada, a da
Má E is.
Um ence a
Recupe ando alguma da subs ância dos ópicos an e io men e desen ol idos podemos cons a a que o eal e o simbó-
lico, o acional e o pa adoxal explicam a ideia de compe ição.
Fazendo uma sín ese, icou exp esso que no empo da agédia g ega a iolência ex ema - do , ins in o, des uição -
são os alo es ep esen an es da na u eza e do ins in o. Se num p imei o momen o apa eciam de o ma isolada (Má
E is); num segundo momen o “mis u am-se” com os alo es conquis ados pela acionalidade humana (Boa E is). E
lu a mode ada en e es es dois sen idos da exis ência se ia o solo é il pa a a e olução do homem - ida e sen ido da
ida. O a, o despo o - e a sua compe ição - é um dos ep esen an es dessa lu a. O despo o mani es a-se como uma
lu a mode ada, um momen o de discó dia e in eja en e os alo es in insecamen e humanos e animais a que amos
designa : compe ição posi i a. O despo o põe em cima da mesa essa dialé ica - humanidade/animalidade, e da com-
pe ição en e elas b o a udo aquilo que a humanidade aspi a: ob as, sen imen os, ações. Mas o despo o ambém
e ela aqui e ali a mani es ação de iolência ex ema, doping, ba o a, in luência. É quase a mani es ação da animalida-
de ( acionalidade animal), é quase um esp ei a e uma mani es ação da Má E is, e que designamos como compe ição
nega i a.
O despo o e a educação ísica êm em si, az em si, o ganha , o pe de , a a i mação, a supe ação, a ca a se, a ascese,
o diálogo, a inclusão, a jus iça, a libe dade. Tudo is o não é pouco!
Bibliog a ia
A is ó eles (1998). Polí ica. Lisboa: Veja.
Cal ino, I alo (2015). Po quê Le os Clássicos? Amado a: Edições D. Quixo e.
De ida, Jacques (1973). G ama ologia. São Paulo: Edi o a Pe spe i a.
De ida, Jacques (2002). A Esc i u a e a Di e ença. T ad. Ma ia Bea iz Ma ques Nizza da Sil a. São Paulo: Pe spe i a.
De Cha din, T. (2012). O enómeno humano (9ºed.). São Paulo: Edi o a Cul ix.
Dicioná io da Língua Po uguesa (2005). Po o: Po o Edi o a.